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Espero que retornes
sempre a este espaço feito para você.
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E S P E R A N Ç A S
Apesar de todos os obstáculos
que encontro pela minha vida,
apesar dos contratempos que me deparo,
apesar das portas fechadas que vejo,
apesar das dificuldades que enfrento,
ainda assim, tenho a esperança.
A esperança vive em mim
amanhece comigo,
percorre o dia todo
e quando anoitece
ela está ainda mais fortalecida.
Quando meus pensamentos estão confusos
e minhas idéias não são decifráveis,
não desisto!
Lembro-me da esperança que me move...
Quando meu caminho está tortuoso,
e minhas chances são diminuídas,
lembro- me da esperança que devo ter sempre...
Esperança,
é a certeza de que algo de bom vai acontecer,
é a confiança que tudo vai dar certo.
Todos devemos ter essa esperança,
para que não nos sintamos caídos,
para que nosso dia seja menos tumultuado,
e para que nosso coração esteja menos pesado.
Desejo a você,
que também tenha sempre a esperança,
que ela permaneça sempre em seus pensamentos.
Desejo que você nunca desista,
porque enquanto houver a esperança,
nenhum sonho está perdido!
Vilma Galvão
Só que fico pensando quando dizes sempre: Não quero te dar esperanças.- Como foi sua folga hoje?
30/06/2009
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E
N T R E L A C O S
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Sexta-feira, Julho 03, 2009
Posted
11:29 PM by Cassiano Leonel Drum
MEUS FILHOS TÊM PASSADO MAIS DO QUE FUTURO
Fabrício Carpinejar
Jogar futebol dentro de casa é um hábito do meu filho. A bola de pano fica cobrindo seu tênis, reforçando o cadarço. Toda porta se converte em uma goleira. É natural que as esculturas da sala estejam quebradas.
A namoradeira na janela foi decapitada. São Francisco de Assis de madeira perdeu seus amigos pássaros. Um pescador viu sua rede e seus peixes levantarem asas. A baiana não segurou o vaso na cabeça. O flautista da Ásia acabou partido em dois.
A sala é um aprumo, uma beleza, com móveis feitos sob medida. O que fazer com as peças danificadas? Não coloquei nenhuma escultura fora. Colamos os objetos em longa entrega. Chegamos a pintar de novo, escová-los com verniz, exercendo o papel de cirurgião da infância.
Meus dedos estão grudados aos dedos do meu filho de tanto que passeamos pela cola bonder. A textura plastificada não me enerva, é um esmalte transparente da cumplicidade. Coço a mão com impagável orgulho.
Como um artesão depois de uma longa trama de cordas. Como um oleiro depois de girar o barro e encontrar as curvas da estrada de Caxias do Sul.
Não posso ensinar aos filhos a não errar. O que me cabe é ajudá-los a restaurar, a dar a volta por cima, a cuidar do estrago e procurar a dignidade da emenda.
Há uma obsessão dos pais de fazer avançar a qualquer custo. De ir para frente, de pular de série, de alcançar a excelência das notas, de profissionalizar o tempo e ocupar os horários para não tropeçar em bobagens. Educar é mandar, ser educado é aceitar ordens.
Tudo é sempre uma única vez, movida a frases sentenciosas “Não irei repetir” ou “Presta atenção”. Quantos meninos e meninas se deprimem por não encontrar uma segunda chance na família?
Penso o contrário. Sinto o contrário.
Compreendo que a criança não poderá voar se não andar primeiro. Mais do que nunca, precisa saber voltar atrás. Ter passado mais do que futuro. Isso significa suportar a frustração, reagir quando as coisas não acontecem como esperadas.
Contar com tristeza suficiente para sair da tristeza e se levantar. Mimar é não permitir que nada se quebre. Amar, de outro modo, é reconstituir os estilhaços.
Não penalizar por uma nota ruim com castigo e privação dos prazeres, mas dar a consciência de que o conceito é provisório e que é natural melhorar. Estimular o pequeno com a própria dificuldade. Recompor o que foi estragado, reconstituir um desenho rasgado, remontar os escombros e não se envergonhar pela demora.
Deixo as esculturas mancas na sala. Não me importo como as visitas vão reagir ou se passarão a me observar com desconfiança. Os defeitos permanecem expostos. A vida é para ser usada.
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7:02 PM by Cassiano Leonel Drum
Fabrício Carpinejar
PERDÃO SENSUAL
Matava o tempo antes de pegar a estrada, com um copo de café gemendo em minha boca.
No canto da cafeteria, uma moça escrevia no seu computador. Buscava um pensamento fora e se vidrava novamente na tela, obcecada a encontrar a frase melódica antes de mim.
Quando ela foi se espreguiçar, eu vi. Vi o luzeiro de sua pele por uma fechadura minúscula.
Sua camiseta básica estava rasgada debaixo dos braços. Um pequeno furo. Tolo e miserável corte.
Pela pilha de casacos e blusões na cadeira ao lado, ela nem deveria ter notado. O inverno tem a mania de sonegar a penúria do pano. Somos um excesso de andares de golas de manhãzinha e um térreo na hora do almoço. Na rua, as pessoas carregam seus sobretudos como engradados de cervejas.
Ela não me viu. Mas eu insisti em olhar. Queria que ela se espreguiçasse de novo.
Quem sabe era o primeiro rasgo de seu dia. Um rasgo involuntário. Sem campainha, sem som de tecido, sem aquele anzol zunindo na água para avisar os peixes da captura.
Quase me levantei para avisá-la; eu me contive. Ao confirmar o sinal com os dedos, ela deixaria de usar a camisa. Ou guardaria em uma cesta de vime até encontrar uma folga para costurar.
Não queria que fizesse isso. Não agora. Ela poderia sentir vergonha da mínima gastura na blusa. Gastura da vida.
Talvez fizesse um comício, um protesto, iria correr ao banheiro. Pediria desculpa a todos, a si, aceitaria que é um desleixo imperdoável. Um descuido fatal de sua beleza.
Mas eu fiquei apaixonado pelo bocejo do fio. Tomado de uma compaixão sensual. Excitado com a ternura. Não há nada mais excitante do que a ternura. A ternura incontrolável do primeiro amor. Do último amor. Beijar os olhos e morder levemente os cílios. Puxar os fios dos olhos.
Era uma fresta de sua nudez. Uma mulher se produz tanto para sair de casa que aquilo significava um descanso, um domingo repentino, que a tornava ainda mais bonita. Mais humana, mais falível, mais acessível. Transportada acidentalmente para seu quarto.
Aquele corte desatento criava intimidade. Retribuía infâncias.
Sua roupa sorria desajeitada para mim.
Gerava confiança de cotovelos e rostos próximos. Tinha vontade de confessar todos os meus pecados e espantar os insetos da insônia e me curar das noites mal dormidas.
Um rasgo na camisa feminina é o botão que falta ao homem. Ela nos perdoava da aparência.
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6:52 PM by Cassiano Leonel Drum
CLÓVIS ROSSI
Césares, de Honduras ao Maranhão
PARIS - Fosse há 25 ou 30 anos, o golpe em Honduras também encontraria uma reação virtualmente unânime entre os governos do subcontinente: quase todos seriam a favor do golpe, não contra.
Afinal, golpes e golpistas eram a regra na região; democracias, a exceção. Há, portanto, algo a comemorar: a América Latina alcançou um belo grau de estabilidade. Não faz muito, um golpe em Honduras jamais ganharia manchete em jornais brasileiros, porque em geral manchetes são dedicadas a anomalias -e golpes eram a normalidade.
Pena que a institucionalização ainda seja bastante deficitária, para não falar nos problemas sociais obscenos que a democracia não conseguiu resolver depois que as ditaduras os agravaram.
É sintomático que Tomas Eloy Martínez, um extraordinário jornalista argentino, prêmio Ortega y Gasset de jornalismo, por sua trajetória impecável, dedique um comentário publicado ontem em "El País" (Espanha) justamente ao que chama de "cesarismo democrático na América Latina".
Diz Tomas Eloy que, na América Latina, "desde as revoluções pela independência, a maior parte das nações, castigadas por sucessivas crises políticas e cenários de transição, conheceram mais caudilhos que soluções institucionais".
Bingo. A crise de Honduras tem algo a ver com isso. O presidente Manuel Zelaya tentou ser o César de turno. A oposição, em vez de cortar a tentativa pela via institucional, apelou às baionetas, como faz qualquer César de arrabalde.
O caso José Sarney tem algo a ver com o cesarismo, ainda que meramente regional, no caso maranhense. Perpetua-se no poder, cria uma dinastia e acaba se julgando dono das instituições ou, ao menos, de uma delas, o Senado Federal. Se houvesse a tal "solução institucional", já teria sido defenestrado. Sem dor.
crossi@uol.com.br
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6:49 PM by Cassiano Leonel Drum
Fim do Senado
BRASÍLIA - Pela Constituição, vige no Brasil um sistema de independência entre os Poderes. Na prática, não passa de balela. Quem manda hoje no Senado é o presidente da República.
José Sarney perdeu o apoio do DEM, do PSDB, do PDT e do PT para permanecer na presidência do Senado. Mas, no auge do seu isolamento, Lula saiu da retórica e veio em seu socorro na prática.
O mesmo Lula que deixou à deriva companheiros petistas como Dirceu, Palocci, Genoino, Delúbio, mensaleiros e aloprados, agora joga a boia de salvação para Sarney. Reverteu assim a decisão da bancada petista de pedir o afastamento de Sarney.
Não foi por amizade que Lula interveio, nem por preocupação com as instituições ou com o Senado especificamente. Foi por cálculo político. No fundo, ele dá de ombros para o Congresso e para atos secretos, empreguismo, verbas indenizatórias. Mas tem profundo interesse em evitar a CPI da Petrobras agora e em garantir a aliança do PMDB com Dilma em 2010.
Lula não defendeu Sarney. Defendeu-se. Desprezou o discurso pela ética em favor do aliado e ontem foi jantar com os senadores petistas para exigir, com boa lábia, que façam o mesmo.
Seu argumento é igual ao de Sarney: aquela sequência de confusões entre público e privado são bobagens, tudo não passa de uma "guerra política" criada pela oposição e pela imprensa. Acredita quem quer.
Se a renúncia de Sarney parecia iminente, agora parece improvável. Mas é cedo para apostar. Nunca se pode descartar um "fato novo", na forma de netos, cunhadas, mordomos e contratos. E Sarney é experiente o bastante para saber que Lula pode enquadrar o PT, mas não pode impedir que petistas continuem trabalhando contra ele.
O dramático é que, se Sarney sai, a crise fica. E se Sarney fica, a crise continua. Quem vai acreditar um milímetro na seriedade das sindicâncias internas? As raposas estão cuidando do galinheiro.
elianec@uol.com.br
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6:34 AM by Cassiano Leonel Drum
Michael Jackson
Das milhões de imagens de tua carreira multimídia pós-moderna, Michael Jackson, acho que vamos ficar gostando e lembrando mais das primeiras, aquelas que mostram o saltitante e dançante menino de cinco anos, olhos e sorriso brilhantes de pequeno, puro e genial Mozart dos palcos.
Depois vieram os meganúmeros dos megashows e sucessos e o tempo te transformou rápido demais num inteligente, marqueteiro e astuto adulto. Ou, ao menos, tentou te transformar.
No início da apoteótica e inevitável carreira solo tu deves ter achado deslumbrante aquela fama e aquela grana toda. Aos vinte e poucos já eras universal como Elvis, Jesus, os Beatles e Pelé e de repente já pensavas em dançar o moonwalk lá na lua mesmo, para que todos os seres, de todos os universos, apreciassem tua arte e tua luz.
Os mundos te amavam. E eles eram correspondidos. Nesse mundinho e nesse tempinho onde quase tudo que é sólido ou não se desmancha no ar e tem vida curta de palito de fósforo, tua arte, tua fama e teu sucesso declinaram mais ligeiro do que todos pensávamos.
Os escândalos, as lendas, os processos, os enigmas e os mistérios começaram a tomar conta dos teus dias e noites. Foste atrás do tempo perdido na Terra do Nunca e deves ter morrido pensando em algum trenó perdido no baú da memória da infância, feito o protagonista do Cidadão Kane, o maior filme de todos os tempos.
Tua vida e tua obra também são um dos maiores filmes de todos os tempos. Mas antes de partir aprendeste, como todos nós, que a arte é longa e a vida é curta, que o importante é a poesia e não o poeta e que, ao fim e ao cabo, só a arte e o amor são os reais salvadores de vidas. Nos últimos anos ficaste, assim como John Lennon, curtindo as grandezas do lar e o crescimento dos filhos, que são as verdadeiras e domésticas celebridades.
Por algum ou muito tempo os humanos vão escarafunchar tuas caixas, teus armários, segredos e caminhos, vão passar horas na internet para saber mentiras e verdades sobre ti e tua vida e vão ficar pensando se eras mesmo o Rei do Pop ou não. Os fãs vão comprar teus objetos em leilões e frequentar a Neverland, que deve tornar-se um novo templo de romaria amorosa.
Essas caras e bocas, esse tititi e essa curiosidade são o que menos importa e tu agora, mais do que nunca, sabes disso. No julgamento do tempo e das pessoas do bem, que são os mais importantes, tua voz, tua música, tua dança, teu brilho e tuas criações e revoluções é que vão passar com nota dez e encantar nossas festas das sextas ou os momentos tristes dos finais de domingo.
O resto é menos, menor. Agora, finalmente, entraste noutra dimensão e deves estar dançando na lua, emprestando um pouco do teu fulgor para as estrelas.
Uma ótima sexta-feira e um excelente fm de semana.
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6:30 AM by Cassiano Leonel Drum
Jaime Cimenti
3/7/2009
Casamento, família e triunfo da esperança
Quase santo, romance da consagrada escritora norte-americana Anne Tyler, vencedora do prestigiado Prêmio Pulitzer, mostra uma vez mais porque ela é considerada uma das maiores autoras americanas contemporâneas e porque tem sido citada ao lado de nomes como Phillip Roth, Don De Lillo e John Updike, entre outros. Autora do conhecido romance O turista acidental e de Breathing Lessons, Pullitzer de 1989, Tyler publicou no Brasil Em busca da América e A escada dos anos.
Em Quase santo, a narrativa está centrada na família Bedloe, que vive em Baltimore e é considerada a família perfeita: pais afetuosos, três filhos encantadores, um gato, um cachorro e um punhado de peixinhos dourados no aquário. Todavia, coisas vão acontecendo e vai se ver que não são tão perfeitas assim as relações familiares dos Bedloes. Cláudia, a irmã mais velha, abandonou a faculdade para casar e tem um filho atrás do outro.
Danny, o atlético irmão do meio, que foi trabalhar nos correios, se apaixonou por Lucy Dean, uma mulher divorciada e mãe de dois filhos e vai ser pai. Ian, o popular caçula dos Bedloe, que não tem talento especial algum, logo se torna o pivô de eventos trágicos ao decidir revelar que a cunhada já estava grávida de outro homem antes do casamento, rompendo o clima de ilusão otimista da casa.
Pouco tempo depois, Danny morre em um acidente de carro, e Lucy, devastada por um colapso emocional, toma uma overdose fatal de remédios, deixando os filhos órfãos. Ian se sente responsável pelas mortes e, atormentado pela culpa, encontra conforto na Igreja da Segunda Chance, onde é convencido a deixar a faculdade para cuidar das crianças. Torna-se carpinteiro e, conforme os anos se passam, ele e os pais envelhecem e ele se vê praticamente sozinho.
Vinte anos depois, as perspectivas de um recomeço para Ian se distanciam rapidamente, até que surge alguém que lhe trará uma esperança. A partir de tais vidas aparentemente rotineiras e de pessoas ditas "comuns", Anne Tyler consegue revelar, com grande força narrativa, as riquezas dos chamados pequenos acontecimentos do cotidiano.
Os leitores vão se identificar com os personagens e gostar da história brilhante, comovente e por vezes até engraçada que envolve, acima de tudo, casamento, família, filhos e esperança. 416 páginas, Editora Record, telefone 21-2585-2000.
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6:27 AM by Cassiano Leonel Drum
03 de julho de 2009
N° 16019 - DAVID COIMBRA
Um ano e dez meses
Que que o meu filhinho faz, com 1 ano e 10 meses de idade? Vou dizer o que ele faz com 1 ano e 10 meses de idade: ele grita. Não gritava antes, nunca foi de chorar por qualquer me dá cá esse bico. Agora chora. E grita. Sente-se contrariado quando tem de largar o carrinho para entrar no banho, grita. Quer bolacha doce em vez de bife, grita
Chato isso.
Vou ter que domesticar esse leãozinho. E aí está toda a arte e toda a dor da existência: os outros nunca nos deixam relaxar, embora tudo o que importe no mundo seja os outros. As pessoas, todas as pessoas, mesmo as que têm 1 ano e 10 meses de idade, estão sempre testando os seus limites.
Eis a palavra: limites. Freud ensinou que a criança, ao nascer, não os têm – os limites. Porque o mundo todo é ela. Era antes, no ventre materno. Ela possuía tudo o que queria, quando queria, como queria, em conforto absoluto. No mundo exterior, as coisas mudam.
O nenê sente calor, frio, fome e, às vezes, dor. Começa a aprender que existe algo além dele e que cada coisa e cada pessoa ocupa o seu próprio espaço.
Esse processo de aprendizagem sobre o que é o seu espaço e o que pertence ao espaço alheio, a consciência dos limites, enfim, é isso que define o chato. Ou o não chato, naturalmente.
E é aí que entram as mães. As mães são as grandes culpadas pelos chatos que existem no mundo, pois, quando pequeno, o chatinho pratica sua chatice e a mãe dele mia:
– Que bonitiiiiiinho...
Ou seja: ela deu um recado ao futuro chato. É como se dissesse: ser chato é lindo. Mamã gosta de nenês chatos. Chateie os seus amiguinhos e eles gostarão de você.
É o que acaba acontecendo. Aquele seu amigo que grita nos restaurantes, o colega de trabalho que tem o hábito de dar tapas nas cabeças dos outros, a mulher que fala das nove da manhã ao meio-dia, todos esses chatos são chatos por causa de suas respectivas genitoras. As mães incentivam os filhos chatolas a se expressar, e os chatolas, mais do que quaisquer outras pessoas, sentem a necessidade urgente de se expressar.
O usual é o mundo inclemente reprimir tais faltas de limites, só que hoje não mais. Hoje as pessoas podem se expandir sem pejo ou freio, ad infinitum, bem protegidas pela placenta... da internet.
A internet é tragicamente democrática. A internet é o espaço sideral, sem fim nem começo. Tudo cabe na internet, a internet nada rejeita.
Ali prolifera-se o chato.
Ninguém o reprime. Ele fala o que quer, dá a sua opinião, multiplica-se como um vírus. Seus tentáculos pegajosos cruzam oceanos, grudam nas costas dos inocentes, escorrem pelas paredes das casas, obstruem a luz solar, sufocam as respirações dos incautos. Impunemente. Isso o principal: impunemente. Tenho medo de um mundo parido por essa nova mãe, essa mãe de indulgências, sem fios nem limites, chamada internet.
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6:24 AM by Cassiano Leonel Drum
03 de julho de 2009
N° 16019 - PAULO SANT’ANA
Futebol tem que ter ética
Pode alguém interpretar que o que vou escrever agora seja contra o Internacional.
Mas é a favor.
Não pode o jogador D’Alessandro fazer o que fez no jogo contra o Corinthians, atravessando a metade do gramado, com visíveis intenções de agredir um adversário, com fúria no gesto, o adversário e seus companheiros fugindo de D’Alessandro, recuando para não o enfrentarem e virem a ser expulsos, que era o que certamente pretendia o jogador colorado, que confessou essa sua intenção no microfone. Sinto ser difícil solucionar, mas o futebol precisa imediatamente mudar a sua regra e permitir a legítima defesa em caso de agressão.
D’Alessandro foi um celerado furioso com seu gesto e manchou o futebol.
Não pode igualmente um vice-presidente do Internacional armar um dossiê contra as arbitragens e lançá-lo exatamente no dia em que seu clube, o Internacional, foi decidir a Copa do Brasil contra o Corinthians.
Tinha o direito, Fernando Carvalho, de divulgar seu dossiê em setembro ou em fevereiro, jamais às vésperas da decisão entre seu clube e o Corinthians.
A sua pressão se tornou espúria porque foi viciada pelo oportunismo antiético de tentar coagir o juiz da decisão da Copa do Brasil. Não fosse destemido e justo, o árbitro teria atendido a perversa manobra de Fernando Carvalho.
Além disso, Fernando Carvalho procedeu como presidente do Internacional, e ele não o é de direito, embora tente se insurgir como de fato, passou por cima da autoridade de Vitório Piffero, constrangendo Vitório Piffero ao, como disse Shakespeare, atirar-se a uma aventura louca, delirante, marcada por uma profunda atitude antiética, que deixou perplexa a consciência esportiva instituída e informal das arquibancadas.
Até anteontem, Fernando Carvalho era um ás respeitável da diplomacia esportiva brasileira.
Depois de ontem, Fernando Carvalho viu manchada a sua biografia de exatidão ética, tornou-se apenas, como dirigente, um ser espúrio de malandragens, falsas malandragens e truques sem credenciais para ingressar no mundo das relações sérias e éticas que devem frequentar as disputas restritas ao ideal esportivo decente.
É um atentado ao consenso querer ganhar por pressão coativa título que idealmente deveria ser genuíno, puro, livre das pressões menores e selvagemente tribais.
Fernando Carvalho manchou com esse ato a sua vida desportiva que até agora era admiravelmente intocável.
Se Piffero recobrar a autoridade de presidente, tem o dever no mínimo de admoestar Fernando Carvalho, de vez que os coirmãos do Clube dos 13 já pretendem afastá-lo do convívio deles, com justa razão.
É melhor para o Internacional que apague da memória esportiva os atos de D’Alessandro e Carvalho, censurando-os de forma pública e energicamente.
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Quinta-feira, Julho 02, 2009
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7:10 PM by Cassiano Leonel Drum
Felicidade artificial
O MINISTÉRIO DA SAÚDE DE NOVA ADVERTE: Usar antidepressivo por conta própria para banir sentimentos como tristeza, dor, fracasso, pode deixá-la cada vez mais longe da verdadeira alegria - e mais perto de uma doença.
Texto Sandra Hirata e Giuliana Cury / Foto Alfredo Franco
A estudante de odontologia Flávia, de 26 anos, usou antidepressivo por “indicação” de uma amiga. “Eu estava passando por um momento complicado. Havia terminado um namoro longo e não tinha conseguido a vaga de estágio com que tanto sonhava”, conta.
“Fiquei mal, só chorava, não queria fazer nada.
Então, uma amiga que se tratava com fluoxetina [nome genérico do Prozac] me deu alguns comprimidos para ver se eu melhorava. Agora, sempre que fico deprê, peço socorro a eles.”
Já a artista plástica Nadir, de 35 anos, usou antidepressivo pela primeira vez há cinco anos, por causa da dor de ter perdido a mãe.
“O endocrinologista viu meu estado lamentável e passou a medicação.
Fiquei mais calma e até parei de descontar na comida.” Mesmo acabado o luto, Nadir não abandonou o remédio.
“Tomo por conta própria, para não engordar nem deixar a peteca cair."
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6:49 PM by Cassiano Leonel Drum
CARLOS HEITOR CONY
Paixão segundo Mateus
RIO DE JANEIRO - Não tinha noção de tempo, mas calculava que devia ser tarde. As ruas estavam desertas, o temporal provocara defeitos na iluminação, tudo estava escuro, ruas e casas, escuro ele próprio, sombra de si mesmo.
E de repente a surpresa: encontrou a igreja iluminada e aberta, vazando luz pelas portas, pelos vitrais coloridos da nave central. No meio da escuridão, encharcada de noite, lavada pelo temporal, a igreja era uma lanterna gigantesca, branca -e aberta.
Entrou. Reconheceu as colunas, a gruta de pedras servindo de altar-mór. Ali rezara a primeira missa, dera comunhão a seus pais. Ali tivera o primeiro ataque, rolara pelos degraus de mármore, sujando os paramentos brancos com o sangue do vinho consagrado que se misturou ao próprio sangue.
À direita, o batistério. A luz era forte, os lampadários estavam acesos, tudo parecia pronto para um rito solene, liturgia triunfal, missa definitiva. Ele sabia que no batistério havia o vitral. O pai o mandara fazer quando padre Thiago iniciara a construção da igreja. Sim, a igreja tinha a sua idade e ela agora o recebia em seu ventre macio, iluminado e vazio, rec
olhendo-o do mundo, abrigando-o do temporal. Lá estava o vitral, berrante nos vermelhos e azuis, o Batista batizando o filho de Deus, o rio Jordão correndo mansinho. No alto, a pomba do Espírito Santo flutuando entre raios dourados.
Na parte de baixo, entre as ondas do rio, a inscrição que o pai mandara colocar: "Este batistério foi inaugurado em 23 de dezembro de 1930, quando o inocente Mateus tornou-se cristão pela graça de Deus".
O inocente Mateus crescera, fizera-se padre, ouvira pecados e pecara. Transformara-se nele mesmo: farrapo molhado de chuva. Ele, o inocente Mateus, está de volta.
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6:45 PM by Cassiano Leonel Drum
ELIANE CANTANHÊDE
Noves fora, nada
BRASÍLIA - Basta fazer uma rápida conta de somar e subtrair para chegar à conclusão de que Sarney está isolado na presidência do Senado. E isolamento é a palavra maldita, e fatal, da política.
No desespero, o experiente Sarney deu passo ousado que acabou sendo um tiro pela culatra: sua nota se dizendo vítima de uma "campanha midiática" só por ser aliado de Lula e do governo não lhe garantiu um só apoio a mais na esquerda e na base governista, mas foi um chute na sua principal escora: o DEM.
Sem o DEM, sem o PSDB, sem o PDT e agora sem o PT, o que sobra para Sarney? O seu próprio partido, o PMDB, que teve 9 dos 12 presidentes do Senado na Nova República, ou seja, depois de 1985, e deu no que deu. Dois caíram, e o terceiro, o próprio Sarney, balança e pode cair a qualquer momento. O recuo do PT, à noite, foi só pro forma.
A decisão agora é entre o ruim e o pior, e as apostas são de que Sarney tende a perder os anéis para ficar com os dedos: jogar fora a presidência para garantir o mandato.
O clima em Brasília já é de pós-Sarney, e o que se discute é quem, como e quando será o sucessor.
Com uma certeza desconcertante, ou preocupante: se Sarney de fato sair, ele sai e a crise fica. E quem for para o seu lugar que vá se preparando: a munição contra Sarney vai imediatamente mudar de alvo.
A enorme dificuldade é achar um substituto capaz de unir quatro qualidades: ter calibre político, ser aceito pela oposição, não ameaçar o Planalto (preocupado com 2010) e não ter rabo preso.
Quem não empregou parentes, não assinou atos secretos, não usou recursos do Senado no gabinete do Estado e não desviou verba indenizatória que atire a primeira pedra. E se prepare para assumir a vaga. Mas com armadura, por favor. Porque escândalos e apedrejamentos não vão parar tão cedo.
Para eles, os senadores, é a má notícia. Para o cidadão que paga a conta, ocorre o oposto: não poderia haver notícia melhor. É a faxina.
elianec@uol.com.br
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6:52 AM by Cassiano Leonel Drum
Folha - 02072009
Valorizar o professor
O CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou um programa de incentivo a mudanças no ensino médio elaborado pelo Ministério da Educação. A pasta abandona a intenção de acabar com a divisão entre disciplinas, mas estimula escolas a "flexibilizar" seus currículos.
O programa final se ateve a medidas mais concretas, como a proposta de ampliação da carga horária de 2.400 horas nos três anos para 3.000. Para alunos do turno da noite, a modificação implica um curso mais longo. Sem que as escolas consigam manter os estudantes em sala de aula, porém, a medida será inócua.
Na tentativa de tornar o ensino médio mais atraente, o ministério incluiu no programa a possibilidade de eleger cerca de cem escolas que tiverem feito modificações curriculares e dar-lhes verba extra. O bônus do MEC, contudo, continua escapando aos problemas mais graves da educação de jovens no Brasil: a desorientação de professores e diretores para ministrar o conteúdo mais básico aos alunos.
Minadas por indisciplina, desinteresse e despreparo, as instituições de ensino médio, em especial as públicas, se tornaram o retrato de problemas que se acumulam por toda a vida escolar brasileira, desde a pré-escola.
A boa notícia é a abertura neste ano de inscrições para 54 mil vagas de professor da rede pública em universidades federais e estaduais. A ideia é dar formação a docentes sem títulos e atingir 330 mil pessoas até 2011. O programa, que deve consumir R$ 1,9 bilhão até 2012 em repasses às instituições, abarca 21 Estados.
Na situação lastimável em que a educação se encontra, a formação dos professores e a valorização de sua carreira será mais determinante para o correto andamento do ensino médio do que experimentalismos curriculares.
Uma ótima quinta-feira com o Grêmio na final, quem sabe, já que o co-irmão não foi feliz não é minha amiga. Não deu!
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6:48 AM by Cassiano Leonel Drum
02 de julho de 2009
N° 16018 - RICARDO SILVESTRIN
Pés e mãos
Creio que o grande fascínio que o futebol exerce no mundo todo se deve ao fato de ser jogado com os pés. Todos os outros jogos usam as mãos. A habilidade manual é mais evidente. Escrevemos, pegamos coisas, cumprimentamos, gesticulamos. Já os pés, lá embaixo, caminham fechados nos sapatos.
Por isso, o espanto de lançar uma bola na velocidade exata com aquelas lanchas aparentemente sem nenhum talento. Dar um passe curto, um drible, um efeito com o lado de fora ou com o lado dentro. Na arquibancada, todos se alegram, vibram, cantam, orgulham-se de resgatar a arte dos pés.
Estive em Ribeirão Preto, terra do ex-craque Sócrates. O “Doutor”, como era chamado, teve o requinte de popularizar um ponto ainda obscuro e esquecido do pé: o calcanhar. Fica lá atrás. Não poderia haver nada mais aparentemente imprestável. Mas Sócrates ganhou a vida e a massa dando geniais passes de calcanhar. O rosto olhando para frente, mas o pé jogando para trás, descobrindo um espaço novo e imprevisto.
Na cidade do Sócrates, participei da Feira Nacional do Livro. Já está na nona edição. Foi inspirada na nossa aqui de Porto Alegre. Também é numa praça, a céu aberto. Há uma intensa programação com palestras de vários escritores.
As pessoas frequentam, conhecem, perguntam. Eram três horas da tarde de uma sexta-feira. Pensei que seria bem provável que houvesse bem pouca gente para me ouvir, mas a sala estava cheia.
Antes da minha fala, assisti à do Lourenço Mutarelli, o autor do livro que gerou o filme O Cheiro do Ralo. Perguntaram a que ele atribuía o sucesso dos seus livros. Como seus personagens são sempre malucos, esquisitos, era um sinal de que o Brasil está doente, respondeu. Já o sucesso de eventos como esse que se espalham cada vez mais pelo país, mostra que os brasileiros gostam também dessa arte que é feita com as mãos, seja à caneta ou no teclado do computador, a literatura.
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6:46 AM by Cassiano Leonel Drum
02 de julho de 2009
N° 16018 - PAULO SANT’ANA
Viva a tortura!
O destino deve estar preparando algo ainda maior, melhor e mais delicioso para nós, gremistas, hoje à noite.
Estou escrevendo de casa, pois agravou-se minha labirintite e, ao levantar pela manhã, se não me escorasse na parede, teria caído no chão.
Tenho vários amigos que me aconselham a não divulgar pelos meus espaços jornalísticos os meus males de saúde.
Explico a meus amigos o que vou explicar agora aos meus leitores. Acontece que um dos segredos de eu ter-me mantido 37 anos no meu emprego é o de haver-me desnudado diante dos meus leitores, ouvintes e telespectadores, transmitindo-lhes sempre os sentimentos, emoções e pensamentos que me dominavam naquele instante em que eu lhes falava ou escrevia.
Como estar doente é uma preocupação principal, no instante em que falo ou escrevo, no rádio, na tevê ou no jornal, não posso deixar de me referir à(s) minha(s) doença(s) nos dias em que estou doente.
Dito isso, passemos ao que interessa.
Ocorre que foram presos anteontem oito agentes penitenciários acusados de torturas sobre um preso na penitenciária de Charqueadas.
Os agentes, segundo a acusação do Ministério Público, aplicaram socos e pontapés no rosto e no estômago do detento, batiam nas costas dele também com uma garrafa cheia de água para não deixar vestígios das pancadas, mas deixaram vestígios das lesões provocadas pelos socos e pontapés, segundo excelente relato da reportagem policial de ZH.
O preso teve de ser medicado e declarou ao médico que sofrera uma queda na cela. Se dissesse a verdade, quando voltasse à custódia dos seus torturadores seria massacrado pela segunda vez.
O juiz Brzuska e os promotores descobriram a farsa, que culminou com a prisão dos torturadores.
Só quem conhece o significado terrível e perpetuamente traumático da tortura é quem já foi torturado.
Mas há entre muitos que não foram torturados a crença de que “preso tem que sofrer, tem que viver como os porcos, entre os ratos e tem de apanhar todos os dias para aprender a não roubar mais os outros”.
Pois, então, que esses festejem esta tortura na penitenciária de Charqueadas. Um brinde à tortura!
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6:41 AM by Cassiano Leonel Drum
02 de julho de 2009
N° 16018 - L.F. VERISSIMO
Além do nariz
Certa vez, fizeram uma homenagem ao boxeador Joe Louis, na época o negro mais famoso do mundo, e alguém terminou um discurso dizendo que ele era um orgulho para sua raça – a raça humana. Muitos anos depois, um cômico diria a mesma coisa de Michael Jackson, mas com uma maldade final. Ele era um orgulho para sua raça – fosse ela qual fosse!
Michael apagara todos os traços da sua raça original do rosto e o resultado não se parecia com nenhum grupo étnico conhecido. Nunca ficou muito claro, sem trocadilho, que rosto ele queria ter.
Diziam que seu ideal de beleza era a Diana Ross, uma prototípica negra com feições brancas, mas ele não se contentou em ter seu nariz afilado e seus lábios finos. Continuou branqueando e esculpindo o próprio rosto até transformá-lo na máscara grotesca de um ser indefinível. Talvez procurasse ser de uma raça além da humana.
O dinheiro não traz a felicidade (manda buscar, disse um cínico). Mas há séculos se usa a riqueza para tentar vencer tudo que traz a infelicidade: a feiura, a raça indesejada e outras consequências da fatalidade genética, e o maior inimigo da nossa vaidade, a passagem do tempo.
As múmias e todos os elaborados arranjos fúnebres para garantir a eternidade dos faraós existiam para combater esta grande injustiça: de nada adiantavam seu poder e sua fortuna se os faraós se degradavam e acabavam como qualquer servo. Não houve rei ou rico da Idade Média que não investisse na alquimia, que era a ciência de alterar a natureza das pedras e dos homens, ou pelo menos dos homens que podiam pagar.
Hoje existe uma indústria de cosméticos e mágicas rejuvenescedoras que movimenta bilhões e cujo objetivo final é o mesmo dos sacerdotes do Antigo Egito, nos embalsamar contra os estragos do tempo e nos garantir a vida eterna – enquanto dure. Michael Jackson também não achou justo ser rico e poderoso como um faraó e não poder alterar não apenas seu nariz como seu destino.
Martin Luther King resgatou a autoestima dos negros americanos com uma frase, mas Michael Jackson não concordou que black era beautiful. No fim, nem se contentou em ser branco, como não se conformou em envelhecer como qualquer um. Foi um grande artista e a comoção causada pela sua morte prematura é compreensível. Mas Michael Jackson foi, antes de mais nada, um trágico herói da insubmissão à vida.
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Quarta-feira, Julho 01, 2009
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8:02 PM by Cassiano Leonel Drum
RUY CASTRO
Fim das superestrelas
RIO DE JANEIRO - Enquanto Michael Jackson não for enterrado, seu velório não terá fim. Cogita-se agora outra morte: a das superestrelas como ele. Analistas garantem que, com a pulverização dos meios pelos quais se pode consumir música hoje, não será mais possível alguém concentrar tal popularidade que permita vender 100 milhões de um único disco, como "Thriller", e passar 31 semanas no topo da lista da "Billboard".
Por um lado, isso é bom. Tamanha concentração de poder, renda, sucesso ou do que for, acaba sendo nociva para o universo a que se pertence. Vide o cinema. Em 1977, com "Guerra nas Estrelas", Hollywood inventou o blockbuster, uma mistura de hiperespetáculo com promoção maciça e lançamento mundial simultâneo em 2.000 cinemas. E daí? Daí que, enquanto milhões assistiam à "Guerra nas Estrelas", outros filmes, não tão mega, mas melhores, ficaram às moscas.
Ninguém mais quis produzir filmes médios, e "Guerra nas Estrelas" gerou uma quantidade de carbonos inúteis. O mesmo aconteceu com "Caçadores da Arca Perdida", "E.T." e os outros blockbusters de Steven Spielberg -cada vez menos filmes passaram a render mais dinheiro. Com isso, menos gente trabalhando, criando ou renovando.
No teatro americano idem. Musicais como "Cats", "O Fantasma da Ópera" ou "Miss Saigon" ficaram décadas em cartaz na Broadway, cada qual empatando um teatro, sustentados pelas manadas que os ônibus de turistas despejavam às suas portas. Quantas novas peças nunca foram encenadas porque não havia teatros para elas em Nova York?
Hoje, como se pode ouvir música por toda espécie de canais, ficou mais difícil à máquina impor o seu mau gosto à macacada. Para muitos, já é possível selecionar o seu próprio repertório, ficar surdo para o resto e ser feliz para sempre.
RUY CASTRO
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7:56 PM by Cassiano Leonel Drum
S o n h o
Dulce Portugal
Percorro esta estrada esburacada. De cada lado, campos verdes sem fim, aqui e ali salpicados de amarelo e branco. É uma estrada sem fim esta por onde caminho. De mãos dadas com um sonho.
Olho o Sol de frente. Ilumina-me. Aquece-me. Há um perfume no ar que me atordoa. Uma música que acompanha os meus passos. Respiro fundo para melhor sentir este ar fresco.
Para me impregnar da Primavera que se adivinha já. Esvoaçam as roupas e os cabelos. Páro e abro o corpo a este Sol em que renasço. Não há palavras para descrever esta felicidade que me invade. Sinto-me viva. Sinto-me feliz.
Inspiro várias vezes com profundidade como se quisesse abarcar todo este ar, como ele me fosse vital. Mas ... algo tolda o astro-rei. Algo se interpõe entre nós. Abro os olhos e vejo algumas nuvens negras. Percorre-me um arrepio. Sinto frio de repente.
Volto-me e corro. Há pássaros brancos que voam sobre mim gritando como se me chamassem. Há desespero nesse grito. Como um soluço imenso que me invade.
Tropeço. Corro e tropeço de novo. O sonho deixado lá para trás. A música perdida na paisagem. Apenas este lamento inexorável que me persegue ...
Até ao fim da estrada . Para além de mim..
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6:29 AM by Cassiano Leonel Drum
01 de julho de 2009
N° 16017 - MARTHA MEDEIROS
Viagem pra lugar nenhum
Fui assistir a Jean Charles, com o excelente Selton Mello no papel daquele rapaz brasileiro que foi estupidamente assassinado num vagão de metrô, quatro anos atrás, confundido com um terrorista. O filme é quase um documentário, sem artifícios técnicos: uma narrativa comum, descolorida, acinzentada como a Londres dos imigrantes.
A primeira vez em que lá estive, em 1986, me hospedei na casa de uma inglesa que tinha quatro filhos e muitas dívidas, por isso amontoava a garotada num mesmo quarto para poder alugar o outro para estrangeiros e ganhar algum trocado extra.
A casa ficava num bairro bom, mas a vida dessa inglesa não era um passeio. Lembro que comprava comida com data de validade vencida porque era mais barato. Já eu só pensava em conhecer a tal cidade que inspirou a frase: quem enjoou de Londres enjoou de viver.
Fiquei 18 dias e não enjoei nem um segundo. Voltei outras três vezes, me hospedando não mais em quartos de casa de família, e sim em pequenos hotéis. Enfim, uma turista clássica curtindo os parques, os museus, os pubs, as feiras, os monumentos, os teatros, as livrarias, as ruas. Há quem dispense fazer turismo e só cogite viajar para o Exterior se for para se instalar e vivenciar de fato o dia a dia da cidade.
Uau. Eu adoraria estudar em Londres, escrever em Londres, viver um tempo lá como vivo aqui, mas não é tão simples. Geralmente, ou se faz turismo com os dias contados (o que já é um luxo), ou se vai para lavar prato, fazer faxina, pegar no pesado.
Jean Charles de Menezes morava numa cidadezinha no interior de Minas e foi para a Inglaterra ganhar a vida como eletricista. Passou a viver lá com mais três primos, todos tentando faturar em moeda forte. Eu saí do cinema pensando em como essa ilusão custa caro. A gente deveria ter condições de viver dignamente como eletricista ou garçom ou camareira no país em que nasceu mesmo.
É barra ter que se deslocar pra tão longe, sem direito a nenhum prazer. Há um momento em que a atriz Vanessa Giácomo, interpretando a prima Vivian, que deixou o namorado no Brasil para trabalhar em Londres como garçonete numa espelunca, diz a Jean Charles algo como: “Maldita hora que eu vim pra cá ralar nessa porcaria de cidade”.
Diz isso à beira do Tâmisa, em frente ao deslumbrante prédio do Parlamento, que para ela não tem nenhum significado – ela está na Europa apenas pelo dinheiro, longe do seu amor, do seu idioma e sem nenhuma chance de crescimento interior. Numa situação como essa, é perfeitamente compreensível que Londres se transforme numa porcaria, por mais que doa associar essa palavra à terra de Shakespeare.
Jean Charles se divertia como? Não era frequentando o Ronnie Scott’s, tradicional clube de jazz londrino, e sim vendo Sidney Magal ao vivo num teatro de quinta, cercado de outros brasileiros, muitos deles ilegais no país, saudosos da pátria, do feijão, da goiabada e da Sandra Rosa Madalena, sem a possibilidade de absorver a cultura local, de sofisticar o gosto, de viver uma experiência nova.
O objetivo é apenas economizar e voltar pra casa assim que der, como fazem milhares de trabalhadores rurais que se transferem para centros urbanos. É o êxodo atrás de emprego e futuro. Não bastasse a dureza que é viver desse modo, seja em Londres, São Paulo ou em qualquer lugar, levar uns tiros na cabeça às dez da manhã dentro de um transporte coletivo, sem chance de defesa, entra pra categoria das histórias inacreditáveis.
No filme, Vivian, a prima que chegou pela primeira vez a Londres odiando tudo aquilo, volta à capital inglesa mais capitalizada e mais madura. E faz o quê? Coloca uma mochila nas costas e, sozinha, vai conhecer melhor a Europa e a si mesma. Realiza, enfim, uma viagem de verdade, e honra a vida que Jean Charles só teve em sonhos.
Uma ótima quarta-feira. Um excelente mês de julho e um grande segundo semestre de 2009 com muitas realizações, especialmente para você.
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6:26 AM by Cassiano Leonel Drum
01 de julho de 2009
N° 16017 - DAVID COIMBRA
Freud diante de Moisés
Algo impedia Freud de ir a Roma. Algo dentro dele, um temor, uma angústia. A Cidade Eterna representava muito para um homem que amava a História e a Arqueologia – não por acaso a psicanálise é chamada de arqueologia da mente. E sabe-se lá o que a mente complexa de Freud supunha encontrar numa cidade que é, na prática, a alma do Ocidente.
Só aos 35 anos de idade ele conseguiu vencer seus próprios terrores e os 1.116 quilômetros que separam Viena da capital da Itália. Chegando lá, se deslumbrou. Tudo o encantava, mas um detalhe mais do que todos.
Uma estátua.
O Moisés, de Michelângelo.
Freud passava horas a admirar a escultura, embevecendo-se com cada detalhe, rabiscando anotações. Assim procedeu cada vez que retornou a Roma, e, derrubada essa primeira resistência, retornou várias vezes.
Passados 13 anos do seu primeiro encontro com o Moisés de mármore, Freud escreveu um alentado artigo a respeito. Publicou-o na revista Imago sob pseudônimo. A verdadeira autoria do texto só foi descoberta 10 anos mais tarde.
Li esse artigo. Como quase tudo da lavra de Freud, é inteligente e bem alinhavado. Por isso, quando da minha primeira visita à Itália, sentia a necessidade urgente de ver o Moisés de Michelâncelo. E o fiz. Subi o morro íngreme da Igreja da Universidade de São Pedro e, num canto modesto do templo, meio na penumbra, meio esquecida, deparei com a estátua que tanto havia galvanizado o espírito de Sigmund Freud.
A escultura de fato é imponente e impressiva, mas o que mais me tocou não foi a obra em si. Foi pensar que um dia, décadas atrás, Freud esteve ali onde eu estava, deixando-se enfeitiçar pela magia de Michelângelo, como eu também me deixava. Naquele dia, no fundo da nave da igreja, tentei compor a cena: um gênio bebendo da obra de outro gênio, os dois como que se irmanando através da arte.
Quantos homens houve como Michelângelo ou Freud na história do mundo? Quantos homens realmente imprimiram uma marca na Civilização? Quantos seres humanos foram gênios de verdade?
Na vulgaridade do século 21, somos muito benevolentes para designar alguém como gênio. Michael Jackson, morto, tornou-se um.
Michael Jackson?
Chamar Michael Jackson de gênio é como, no futebol, chamar qualquer jogador em atividade no Brasil, hoje, de craque. Qualquer um. Com duas prováveis exceções, que, não por coincidência, pisarão hoje à noite no gramado perfeito do Beira-Rio.
Ronaldo já foi craque; não sei se continua sendo. Nilmar ainda não é; pode transformar-se em um. Qual deles sairá de campo com a faixa de campeão? A resposta a essa pergunta também poderá indicar qual deles será, ou ainda é, craque.
Pelo ouvido
Há uma passagem nesse texto de Freud sobre o Moisés de Michelângelo em que ele discorre acerca do efeito que as obras de arte exerciam sobre seu espírito.
“Isso já me levou a passar longo tempo contemplando-as, tentando apreendê-las à minha própria maneira, isto é, explicar a mim mesmo a que se deve o seu efeito”, escreveu Freud, para, a seguir, presentear o leitor com uma revelação: “Onde não consigo fazer isso, como, por exemplo, com a música, sou quase incapaz de obter qualquer prazer. Uma inclinação mental em mim, racionalista ou talvez analítica, revolta-se contra o fato de comover-me com uma coisa sem saber porque sou assim afetado e o que é que me afeta”.
Freud não conseguia explicar a emoção que a música lhe causava. Quem consegue? Basta ouvir uma melodia simples no rádio do carro que o homem sonha, se entristece, fica eufórico ou nostálgico. Como se dá tal encantamento?
O som da torcida nos estádios também afeta inexplicavelmente os jogadores em campo. Os gramados não são muito diferentes uns dos outros, as condições de temperatura também não, mas um time que joga em casa sempre tem vantagem. Por quê? Por causa do som ambiente. Do grito do torcedor. Que emociona, que faz o jogador correr mais do que corre, que o transforma em um tigre de chuteiras. Inexplicavelmente.
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6:23 AM by Cassiano Leonel Drum
01 de julho de 2009
N° 16017 - PAULO SANT’ANA
Morri ou não morri
Oobituário de Zero Hora noticiou ontem a minha morte. Muita gente pensou que era eu que tinha morrido.
Na verdade, quem tinha morrido era o representante comercial Paulo Sant’Anna. Como se vê, eu não morri por apenas uma letra.
Foram três anúncios para enterro de Paulo Sant’Anna na página 36 de ZH de ontem.
Era caçador o Paulo Sant’Anna que morreu. Gostava tanto de caçar, disse o obituário, que, quando proibiram a caça aqui no Rio Grande do Sul, ele viajava para caçar na Argentina e no Uruguai.
Mas, a partir da leitura em ZH de que morrera Paulo Sant’Anna, estabeleceu-se, imaginem os leitores, uma confusão em todo o Estado.
Milhares de leitores, telespectadores e ouvintes deitaram-se a telefonar para a Radio Gaúcha, e RBS TV, muitos deles chorando e lamentando a histórica e trágica ocorrência.
Disseram-me ontem à noite que correra um boato na Restinga de que meu velório seria ontem no Gigantinho e o enterro no São Miguel e Almas, hoje.
Foi o que bastou para que centenas de ouvintes telefonassem para a Rádio Gaúcha perguntando se era verdade que estavam distribuindo ingressos de cortesia para os dois eventos, não iriam comprar ingressos, pois aquela hora já deviam estar todos nas mãos de cambistas.
Mas os cambistas já começavam a se deslocar para os locais do velório e do enterro ante a perspectiva de que fariam bons negócios.
Uma senhora de Pelotas telefonou para o Jornal do Almoço chorosa e gritava: “Ele era gênio, previu a própria morte: faz uns 90 dias que dizia na televisão e em sua coluna de ZH que ‘faltava pouco’, que tinha nove doenças e que queria ser sepultado em mausoléu ao lado de Mario Quintana e Lupicínio Rodrigues”.
Um outro leitor telefonou para dizer que não acreditava que eu tivesse morrido, eu era um imortal tricolor.
Os presidentes da Assembleia Legislativa e da Câmara de Vereadores, por má interpretação da notícia por parte de suas assessorias, ofereceram os recintos das duas Casas para o velório, mas sem muitas esperanças, entendiam que a minha família iria ter suficiente sensibilidade para me velar em algum bar noturno, ao som de banjos, cavaquinhos e violões.
Pra mal dos pecados, não fui ao Jornal do Almoço por estar sendo alvo no horário de dois check-ups nos hospitais Moinhos de Vento e Mãe de Deus. O programa, acossado por muitos telefonemas inquisitivos teve de divulgar nota oficial de que não era eu o finado dos convites para enterro.
Teve gente que não acreditou na nota oficial do Jornal do Almoço, entendendo que a RBS TV estava escondendo a minha morte com medo de que a população cometesse os mesmos quebra-quebras que ocorreram no dia da morte de Getúlio Vargas, em 1954.
E finalmente quero declarar que não fui eu que morri, mas o Paulo Sant’Anna que morreu era uma pessoa tão querida como eu por todos que o conheciam e só não fui ao seu enterro com medo de que alguém que me visse no velório fosse se ajoelhar nos meus pés achando que eu tinha ressuscitado e três dias depois subiria aos céus e ficaria sentado à mão direita de Deus Pai Todo Poderoso, de onde haveria de vir e julgar os vivos e os mortos.
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6:21 AM by Cassiano Leonel Drum
01 de julho de 2009
N° 16017 - JOSÉ PEDRO GOULART
Benjamin Jackson
No filme O Curioso Caso de Benjamin Button, a linha do tempo é invertida: o personagem nasce velho e vai remoçando até ficar criança no final. Charles Chaplin também se imaginou nessa situação e declarou: “Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para frente”.
E agora que o Michael Jackson evaporou, cabe a analogia. Desde cedo ele teve que pegar no batente com as responsabilidades enfadonhas dos adultos. Depois, mas sempre ao contrario, MJ se tornou adolescente – por sinal, foi quando despontou como um grande bailarino, um cantor afinadíssimo, um artista completo, inovador; um Chaplin.
O tempo continuou invertido, com Michael cada vez mais um infante: brigou com os irmãos, reclamou dos pais – fez todos os tipos de estripulias, bizarrices; incluindo a de agarrar o próprio membro, enquanto se requebrava, de maneira tão acintosa quanto inofensiva.
Quase sempre revelando uma mente infantil, estranha a um corpo adulto. Tanto que obsessivamente interferiu nesse corpo que não combinava com ele. Usou de uma irresponsabilidade própria das crianças e tratou de fazer tudo que imaginou que podia. E podia muito – tinha dinheiro, tinha poder. E o que fariam as crianças se tivessem isso também e nada ou ninguém que lhes impedisse?
Mas sobretudo há a questão da criatividade.
As pessoas maduras dão bons (e inúteis) conselhos; e diz a literatura que alguns dão bons amantes. Só que no quesito criatividade ninguém supera as crianças. Um artista, quanto mais artista ele for, mais infantil ele é. A razão atrapalha a inspiração.
O próprio Michael Jackson para dançar daquele jeito dizia que não podia pensar durante os passos. (Nos desenhos animados os personagens voam sem perceber. Porém, quando se dão conta que não se voa apenas com o desejo, sem asas, eles caem.)
Charles Chaplin era um vagabundo, “o” vagabundo. Os alvos dele eram os policiais empedernidos, os donos de lojas, os vigias, os responsáveis pela normalidade e, de uma maneira geral, a aristocracia e o esnobismo dos adultos. Mas o vagabundo tinha amigos, em especial crianças e cachorros.
Às vezes, porém, criador e criatura se confundem. Na vida real, assim como MJ, Chaplin foi acusado de pedofilia. Sim, há um mundo real. Esse mundo tem regras. É justamente o mundo que os artistas confrontam. Um mundo que condena os excessos dos artistas. O mesmo mundo que chora intensamente a perda deles.
Quando morre uma criança, morre parte da nossa criatividade, e da nossa ilusão.
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