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Espero que retornes
sempre a este espaço feito para você.
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Uma Alegria Para Sempre (Quintana)
"As coisas que não conseguem ser
olvidadas continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre onde as
datas não datam.
Só no mundo do nunca
existem lápides...
Que importa se –
depois de tudo – Você se foi
como sempre me dizia
e escrevias que havia feito já com outros.
Não importa amor, se você descasou
mudou, sumiu, esqueceu,
enganou, ou que quer que haja
feito, em suma?
Tive uma parte de sua vida
que foi só minha e, esta, você
jamais poderá passar de mim para ninguém.
Há bens inalienáveis,
há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte da tua vida presente
e não do passado.
E abrem-se no meu
sorriso mesmo quando, deslembrada deles,
estiver sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto
devo à você, que mesmo sem querer
quem sabe fostes uma ingrata criatura...
"A thing of beauty is a joy for ever
disse, há cento e muitos anos, um poeta
inglês que não conseguiu morrer".
Se tiveres curiosidade a respeito:
Amo-a muito ainda.
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E
N T R E L A C O S
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Sábado, Novembro 21, 2009
Posted
7:26 PM by Cassiano Leonel Drum
22 de novembro de 2009 | N° 16163
PAULO SANT’ANA
O apagão
Até agora não foram esclarecidas as causas do apagão da semana retrasada, que deixou às escuras 18 Estados brasileiros.
Visivelmente, as autoridades não mostram convicção de que tenha havido um somatório de vento forte, chuva e descargas elétricas que tenham causado um curto-circuito nas linhas de transmissão de Itaipu.
O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, já pediu um relatório à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que deverá constar de uma “análise profunda” das causas do blecaute.
Uma vez pronto o relatório, para ainda mais legitimá-lo, o governo pretende submetê-lo a especialistas de universidades de Rio e São Paulo.
Há críticas ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) por ter permitido que a Usina de Itaipu abastecesse praticamente sozinha a maior parte do consumo de todo o país.
No entanto, o governo insiste na tese de que o apagão se deveu a fatores climáticos.
A impressão é de que não há convicção sobre a origem do blecaute e que as investigações não vão solucionar as dúvidas.
Já era tempo de ter sido produzido um diagnóstico seguro e definitivo sobre as causas, mas o Ministério de Minas e Energia tropeça em dúvidas e indecisões.
Fica portanto no ar a hipótese de que possa no futuro vir a ocorrer um novo apagão com as consequências graves e amplas desse último, que aturdiu o país.
São cinco as linhas de transmissão da energia de Itaipu. O normal é que haja problemas em uma ou duas delas, mas nesse apagão ocorreu um colapso no conjunto de linhas, um fato raro, que no entanto não tem cabido nas explicações governamentais.
Este assunto é fechado à compreensão do público em geral, somente os especialistas se debruçam sobre ele. No entanto, as divergências entre eles demonstram que a linha de investigação sobre as causas se revela perturbada e inconvicta.
Como é que é? Pode ter apagão no futuro ou não? O grupo de trabalho que analisa a origem do blecaute, composto pela Aneel e pelo ONS, tem 30 dias, a partir da última segunda-feira, dia 16, para apresentar os relatórios sobre as causas do apagão.
Mas fontes do setor elétrico afirmam que esse prazo é muito longo e não passa de uma forma de esvaziar o debate, eis que em seguida virão o Natal e o Ano-Novo e o assunto ficará escondido no noticiário.
Interessante é que o ministro Edison Lobão declarou que o apagão terá análise “às claras”.
Melhor que seja.
Como brasileiro, no entanto, me preocupo com essa análise. É um assunto de extrema gravidade, vital para a vida nacional e transcendental para a economia.
Se um tal sistema de transmissão de linhas for precário, as medidas para aperfeiçoá-lo deveriam ser tomadas antes de um novo colapso.
E, se for precário o sistema, tudo indica que os investimentos para corrigi-lo serão de alta monta, bilionários.
Ao mesmo tempo, um sistema de transmissões que seja frágil e nevrálgico apenas à intempérie causa enorme preocupação.
Parece claro que a população brasileira tem o direito de saber detalhadamente o que sucedeu, além de se munir da garantia de que não mais acontecerá.
E as trevas dos relatórios e dos diagnósticos, além das explicações oficiais, têm-se mostrado até agora mais escuras que o próprio apagão.
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7:24 PM by Cassiano Leonel Drum
22 de novembro de 2009 | N° 16163
DAVID COIMBRA
Como manter a cabeça sobre os ombros
O Palácio de Versalhes tem 700 quartos e nenhum banheiro, o que mostra o apreço dos franceses pelo sono e o seu desapego à higiene pessoal. Passei um dia andando por aquelas vastidões e não vi tudo. Não vi a metade. Talvez não tenha visto nem um quinto do que deveria ver.
Vi a Galeria dos Espelhos, onde foi assinado o tratado de paz que encerrou a I Guerra Mundial e deu motivos para começar a II. E caminhei por aqueles compridos e gelados corredores imaginando em qual deles Luís XV foi esfaqueado por um serviçal chamado Damiens em meados do século 18. Damiens atingiu o rei no flanco, feriu-o de leve. Mas a pena a que a Justiça francesa o submeteu não foi leve.
Os carrascos derramaram chumbo derretido em suas entranhas abertas e, depois, ele teve os membros amarrados a quatro cavalos, que os puxaram cada um para um lado. Para facilitar o esquartejamento e diminuir o trabalho dos cavalos, os verdugos cortaram-lhe as axilas e as virilhas.
Essa a França dos iluministas, dos enciclopedistas, de Voltaire. Da Razão. Mas era também a França da realeza sagrada. Donde a necessidade de aplicar uma punição exemplar a um regicida, ainda que fosse um regicida frustrado.
O sucessor de Luís XV, seu neto Luís XVI, tinha, igualmente, a noção do caráter sacro e intocável da monarquia, e igualmente vivia em meio à suntuosidade de Versalhes. Mas, ao contrário dos outros Luíses, não conseguia se fazer respeitar pela fidalguia que o cercava. Luís XVI era gordo, míope e sofria de fimose.
Esse problema impedia que ele consumasse o casamento com Maria Antonieta. Um desperdício. Maria Antonieta era austríaca, loira, formosa e ardente. À noite, Luís esgueirava-se até os aposentos dela por túneis secretos, acolchoados e perenemente iluminados.
Agia assim para que os mexeriqueiros do palácio não ficassem contando quantas vezes ele tentava possuir a rainha. Precaução inútil. Na manhã seguinte, até os diplomatas estrangeiros sabiam que tipo de marcas haviam sido deixadas nos lençóis reais. O embaixador espanhol chegou a escrever em um relatório para Madri:
“São encontrados nos lençóis dos príncipes manchas que revelam que o ato ocorreu, mas muitos atribuem a expulsões externas do delfim, que não teria conseguido concluir a penetração não por problemas de temperamento, mas devido a uma pequena dor em lugar delicado, que se acentua quando ele insiste”.
Um dia, na presença de príncipes e fidalgos, Maria Antonieta reclamou em voz alta:
– O senhor é meu homem. Quando será meu marido?
Hoje as mulheres talvez invertessem as frases, mas Maria Antonieta referia-se especificamente à consumpção do matrimônio.
Luís levou sete anos de humilhações até conseguir satisfazer sua fogosa austríaca. Nesse meio tempo, há suspeitas de que ela tenha se consolado com um oficial sueco espadaúdo, o que transformaria o triste Luís em corno manso, porque o rei sabia de tudo o que ocorria no seu entorno.
O chamado “Gabinete Negro”, uma espécie de serviço de inteligência palaciana, o informava de qualquer movimentação em Versalhes. As cartas dos embaixadores, inclusive, eram copiadas pelos espiões e enviadas a Luís. Ele leu, por exemplo, o que o embaixador da Áustria escreveu a seu respeito numa correspondência para o irmão de Maria Antonieta, o imperador José:
“A natureza parece ter-lhe recusado tudo. O príncipe, em sua atitude e em suas palavras, anuncia uma inteligência muito limitada, uma enorme falta de graça e nenhuma sensibilidade”.
Também ficou ciente da opinião do embaixador de Nápoles:
“Ele parece ter sido criado no mato”.
Esses e outros relatos desairosos dos contemporâneos de Luís XVI sobre o rei você poderá encontrar no saboroso livro que Max Gallo escreveu sobre a Revolução Francesa, lançado recentemente pela L&PM. Trata-se de um livro alentado, mas de estilo tão escorreito que você o lerá, glub, glub, em dois goles.
Segundo Max Gallo, Luís XVI tomava conhecimento do que os outros achavam dele e se deprimia. Teria sido melhor que fizesse como Mário Sérgio, Abel e outros técnicos, que dizem que não leem jornal para não saber o que os jornalistas pensam deles.
Porque, envenenado pela rude opinião alheia, Luís XVI acabou se tornando paranoico, afastou-se das pessoas, inclusive dos seus bons conselheiros e ministros mais competentes. Isolado, Luís acreditou que o tal caráter sagrado da realeza seria suficiente para resolver todos os graves problemas da França. Não era. A crise francesa se acentuou, gerou a Revolução e Luís XVI e sua bela rainha perderam as reais cabeças na guilhotina.
Portanto, treinadores do Brasil, lembrem-se do velho rei Luís XVI: não tenham mania de perseguição, ouçam os bons conselhos. E, assim, preservem suas cabeças acima do pescoço.
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10:22 AM by Cassiano Leonel Drum
Suzana Villaverde - Lailson Santos
O brinquedo dos famosos
No Twitter, gente que luta para preservar a vida pessoal passa o dia falando de sua vida pessoal. Às vezes, fala mais do que pretendia
DIA, NOITE E MADRUGADA
Sabrina, 310 000 seguidores: de tanto contar o que está fazendo, namorar escondido ficou difícil
É madrugada de uma segunda-feira e a apresentadora Sabrina Sato, acordadíssima, conta aos interessados o que está fazendo no momento. "Gente, estou até com vergonha, pareço uma coruja.
Não consigo dormir. Já tomei leite quente, rezei e li", lamuria-se Sabrina, que não passa mais de três horas sem fazer contato com seus mais de 300 000 seguidores, como é chamada a multidão cadastrada na sua página no Twitter, a rede virtual em que pessoas repartem sua rotina e suas impressões em mensagens rápidas, de até 140 caracteres.
No mesmo dia, depois de avisar na sua página que acabou de amamentar o filho Davi, a cantora Claudia Leitte (310 000 seguidores) fala com VEJA e, ato contínuo, twitta: "Acabei de dar entrevista! O assunto foi Twitter". Também cantora, também baiana, em outubro Ivete Sangalo fez questão de anunciar a seus 470.000 seguidores que estava indo para o hospital ter o filho, Marcelo.
"Crianças, agora vou parar de twittar porque acho que chegou a hora de ter meu baby. Obrigada pelo carinho de todos. Um beijo enorme!", digitou. Embora faça sucesso com meio mundo, ou mais, é entre as celebridades que a mania de dar palpite geralmente irrelevante, a qualquer momento, por celular ou computador, alastrou-se com mais vigor. Isto mesmo: quem antes fugia dos flagrantes para preservar a intimidade agora usa o brinquedinho para divulgar, por vontade própria, detalhes da vida pessoal.
"É o lugar que os famosos encontraram para chegar mais perto do público, impondo, ao mesmo tempo, a distância que querem estabelecer. O problema é que muitas vezes eles mesmos se esquecem e passam dos limites", alerta a consultora de imagem Renata Mello.
Até artistas muito reservados, como a cantora Sandy, apreciam a chance de manter uma relação mais próxima com os fãs. Ela lembra que, logo que entrou para a rede, em junho, chocou os seguidores (230 000, pelas últimas contas) com uma revelação espantosa: confessou que adorava picanha. Choveram comentários.
"Mesmo quando escrevo bobagem, as pessoas acham que é grande coisa. Recebi respostas do tipo ‘nossa, ela come a mesma comida que eu’", admira-se. Igualmente twitteira, a deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB-RS, menos de 8 000 seguidores até agora) também mantém blog e perfis no Orkut e no Facebook, espaços que aproveita tanto para mostrar seu lado mais pessoal quanto para discutir com a oposição com menos formalidade. "Quem quer informação oficial vai ao meu site.
O Twitter é algo comportamental, não é uma central de informações", diz. Para os famosos, uma das maiores utilidades da ferramenta é a possibilidade de negar boatos infundados. Sandy apelou ao Twitter para desmentir que estivesse grávida; Manuela, para esclarecer que não, não estava de casamento marcado. Já Sabrina, nos tempos em que queria manter escondido seu namoro - hoje assumido - com o deputado Fábio Faria (PMN-RN), passou por apertos estratégicos.
"A gente ia ao cinema e eu comentava o filme no Twitter. Ele tinha de tomar cuidado para não comentar a mesma coisa", lembra Sabrina, que, viciada confessa, twitta até em reuniões - "Mas meu lugar preferido é sentada no meu banheiro".
Fotos Anderson Schneider e Lailson Santos
VIVA A INFORMALIDADE
Manuela (à esquerda, 7 800 seguidores) e Claudia (310 000): o gosto de falar sobre tudo, inclusive, ou principalmente, sobre as coisas mais irrelevantes
Gafes acontecem, claro (veja o quadro abaixo), e, lidas por seguidores que se contam aos milhares, viram um caso sério em questão de minutos. No começo do mês, a atriz Thaila Ayala escreveu que "é ruim sentar na primeira cadeira do avião. Todo mundo fica olhando, como se você fosse paraplégico!". Todo mundo, no caso, comentou. Thaila se desculpou e apagou a frase, mas o registro ficou.
"As pessoas ainda estão mais acostumadas com o mundo físico, onde você conta alguma coisa para um amigo e, por mais fofoqueiro que ele seja, vai falar para outras dez pessoas. No mundo virtual, qualquer comentário tem abrangência mundial", diz Wanderson Castilho, especialista em segurança na internet. Ele estima que em média 40% dos seguidores de uma pessoa no Twitter leem a mensagem no instante em que ela é enviada.
Ou seja: não adianta apagar - alguém já viu. Primeiro brasileiro a conquistar 1 milhão de seguidores, o apresentador Luciano Huck diz que se preocupa o tempo todo em não contar mais do que deve, mesma atitude de sua mulher, a também twitteira Angélica.
"A gente toma muito cuidado para não deixar escapar algo que não queremos dividir", diz Huck. "Famoso ou não, a dica é sempre olhar o número de seguidores antes de começar a escrever qualquer coisa", aconselha a consultora Renata.
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9:39 AM by Cassiano Leonel Drum
Claudio de Moura Castro
Tecnologia para ricos ou pobres?
"Há pouco tempo, só rico tinha telefone. Hoje, empregadas domésticas saem fagueiras das lojas com seus celulares funcionando, prontos para lhes prestar serviços inestimáveis"
Revolução Industrial pesou no lombo do operariado. Marx e Dickens, com ânimos diferentes, descreveram a miséria opressiva de Londres. Mas, a longo prazo, os maiores ganhos foram para esse mesmo proletariado.
Para Schumpeter, o desenvolvimento econômico não é mais meias de seda para os ricos – que sempre as tiveram à vontade – mas meias para os pobres. Nos países mais prósperos, um operário hoje tem um nível de conforto que um rico da época de Marx não tinha. Nas nossas paragens tupiniquins, os benefícios para os mais pobres, trazidos pelo crescimento do século XX, foram superiores aos de todos os quatro séculos anteriores.
Apenas para ilustrar, a esperança de vida passou de 30 anos para mais de 70. Obviamente, falta muito, não são poucos os excluídos e não se trata de desculpar a horrenda distribuição de renda. Mas, é interessante registrar, os avanços tecnológicos têm sido muito generosos para com os mais pobres. Não que tenham sido pensados assim, mas é o que aconteceu.
A produção de motos (1,5 milhão por ano) corresponde a mais da metade dos brasileiros atingindo 18 anos. Um jovem empregado, morando com seus pais, consegue pagar a prestação de uma motocicleta simples, desfrutando a indescritível sensação de liberdade oferecida por ter seu próprio veículo.
O telefone celular é a redenção de quem trabalha por conta própria. Enterro em vala comum para o precário sistema de recados em telefones "de favor". De fato, só rico tinha telefone. Hoje, empregadas domésticas saem fagueiras das lojas com seus celulares funcionando, prontos para lhes prestar serviços inestimáveis.
As fotos de família estavam a cargo dos fotógrafos das praças públicas. Hoje, um celular melhorzinho fotografa tudo, a custo zero. O computador começa a chegar ao povão (em modestas prestações). Por exemplo, o meu borracheiro tem.
Quase um terço da população tem algum acesso a ele. O crescimento das vendas é espantoso. Para um universitário, um bom computador usado custa menos do que os livros indicados anualmente pelos professores.
Ilustração Atômica Studio
Quantos municípios brasileiros não têm livrarias? Ou, se têm, seu acervo é pífio. Mas, para que livrarias, se há a Amazon.com e suas versões caboclas? Qualquer um pode comprar quase 20 milhões de títulos pressionando algumas teclas.
Quem tem Google ri dos 32 volumes da Britânica, ao custo de 1.000 dólares, pois a Wikipedia é mais simpática e de graça. Pobre não tem dinheiro para revistas ou jornais, mas agora está tudo na internet. E pode ler, em português e gratuitamente, milhares de livros de domínio público.
O rico mandava o contínuo ou o moleque de recados ao correio para postar uma carta. Agora, o pobre passa um e-mail, igualzinho ao rico. E nenhum dos dois paga o selo. E o preço absurdo dos CDs? Hoje, qualquer música pode ser encontrada na web. E, com um pouquinho de astúcia, sem gastar nada.
E passam fagueiros os garis, com seus fones ligados nos tocadores de MP3. Como dito, longe deste ensaísta subestimar a situação de pobreza de grande parte da nossa população. Não obstante, a mensagem deste ensaio é que os avanços presentes da tecnologia trazem benefícios bem maiores para o povão.
Tais elucubrações nos levam de volta ao bando de hippies da Califórnia que inventou os microcomputadores, na década de 70. Era um grupo de contracultura que via na tecnologia um antídoto para a opressão, por parte de uma sociedade impessoal, comandada por grandes empresas e por "big brothers" sinistros.
Eles buscavam alternativas tecnológicas libertadoras. Queriam ferramentas que permitissem aos pequenos expressar-se em múltiplas direções. Precisavam de soluções pouco dispendiosas.
Com o sucesso dos microcomputadores, quase todos ficaram milionários. Não precisaram das soluções baratas que criaram. Mas as ideias estavam na rua. Suas aplicações foram herdadas por bilhões de pessoas.
Restam duas cogitações. Primeiro, o povo ficou mais feliz com seus novos apetrechos? Ou aumentou sua alienação e angústia? Segundo, ele saberá usar isso tudo? Ou as lastimáveis deficiências em sua educação o impedem de usar o melhor desse potencial criado pela tecnologia para aumentar sua cultura e qualidade de vida?
Claudio de Moura Castro é economista
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9:32 AM by Cassiano Leonel Drum
Com reportagem de Laura Lopes Rick Gomez
O que desperta o desejo sexual feminino
Novos estudos sobre revelam um abismo entre o que as mulheres sentem e o que dizem sentir Ivan Martins e Francine Lima.
Ida Bauer aparece nos textos de Sigmund Freud, o pai da psicanálise, sob o nome fictício de Dora. É uma moça bonita, de 15 anos, perturbada por tosses nervosas e incapacidade ocasional de falar.
Chegou ao divã do médico vienense queixando-se de duas coisas: assédio sexual de um amigo da família e indisposição do pai em protegê-la. Freud aceitou os fatos, mas desenvolveu uma interpretação própria sobre eles. O nervosismo e as doenças se explicavam porque a moça se sentia sexualmente atraída pelo molestador, mas reprimia a sensação prazerosa e a transformava, histericamente, em incômodo físico.
Como Ida se recusou a aceitar essa versão sobre seus sentimentos, largou o tratamento. Peter Kramer, biógrafo de Freud, diz que os sintomas só diminuíram quando ela enfrentou o pai e o molestador, tempos depois. Freud estava errado; ela, certa.
Anos mais tarde, refletindo sobre a experiência, Freud escreveu uma passagem famosa: “A grande questão que nunca foi respondida, e que eu ainda não fui capaz de responder, apesar de 30 anos de pesquisa sobre a alma feminina, é: o que querem as mulheres?”.
Meredith Chivers, uma jovem pesquisadora da Universidade Queen, no Canadá, acredita que pode finalmente responder à pergunta. Sem os preconceitos e a ortodoxia de Freud, e com recursos experimentais que ele não tinha, reuniu 47 mulheres e 44 homens em laboratório e aplicou o mesmo teste a todos eles: viram oito filmes curtos sobre sexo, com temas variados, enquanto seus órgãos genitais eram monitorados por sensores capazes de medir a ereção masculina e a lubrificação feminina.
Ao mesmo tempo, Meredith pediu que indicassem, num sensor eletrônico, quanto estavam excitados com cada cena projetada. Essa era a parte subjetiva do teste.
Os resultados foram sensacionais. Meredith descobriu, primeiro, que as mulheres, sejam elas hétero ou homossexuais, se estimulam com uma gama muito variada de cenas. Homem e mulher transando, mulheres transando, homens transando, quase tudo foi capaz de produzir excitação física nas mulheres.
Até cenas de coito entre bonobos (os parentes menores e mais dóceis dos chimpanzés) causaram alterações genitais nas voluntárias, embora tenham deixado os homens indiferentes. Qualquer que seja a sua orientação sexual, eles parecem ser mais focados em suas preferências.
Homossexuais se excitam predominantemente com cenas de sexo entre homens ou com cenas de masturbação masculina. Heterossexuais se interessam por sexo entre mulheres, sexo entre homens e mulheres e atividades que envolvam o corpo feminino, mesmo as não-sexuais. O estudo sugere que as mulheres são mais flexíveis em sua capacidade de se interessar. Seu universo sexual é mais rico.
A outra surpresa da pesquisa de Meredith, talvez sua descoberta mais importante, foi a constatação de que existe uma distância entre o que as mulheres manifestam fisicamente e o que elas declaram sentir.
As cenas de sexo entre mulheres, por exemplo, foram as que causaram maior excitação física entre as mulheres heterossexuais – mas aparecem em segundo na lista de respostas sobre as imagens mais excitantes. Ocorre o mesmo com sexo entre dois homens. Os sensores vaginais mostram ser esse o terceiro tipo de cena que mais excita as mulheres, mas ele aparece na quinta posição nas declarações.
O fenômeno de divergência entre corpo e mente não poupa os macacos. Meredith diz que o relato subjetivo das mulheres sobre os bonobos não é coerente com a excitação física que elas demonstram. “O que eu descobri foi que as mulheres ficaram fisicamente excitadas (com os macacos), mas não declararam se sentir dessa forma”, ela disse em entrevista a ÉPOCA. Os homens demonstram um grau de coerência mais elevado entre as medidas objetivas e subjetivas.
Eles declaram gostar daquilo que fisicamente os comove, embora também se confundam com escolhas, por assim dizer, difíceis. No instrumento em que registram suas preferências, os homens heterossexuais marcaram as cenas de masturbação femininas como as mais excitantes, vencendo por pouco o sexo entre duas mulheres.
Mas os sensores genitais mostraram coisa diferente: a vitória pertence claramente às cenas de sexo entre mulheres. A conclusão é que também entre os homens há uma diferença entre excitação mental e excitação física, mas ela parece ser muito menor do que entre as mulheres.
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9:19 AM by Cassiano Leonel Drum
Fernanda Colavitti
Em busca do Viagra cor-de-rosa
Uma nova droga está em testes para combater a falta de desejo feminino. Ela funciona mesmo ou é apenas uma jogada da indústria farmacêutica?
Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da revista Época de 21/novembro/2009.
Sexo, todo mundo sabe, é o grande barato do século XXI. Nunca se falou tanto do assunto, nunca ele foi considerado tão importante, nunca se gastou e se ganhou tanto dinheiro com isso.
Basta olhar os números de crescimento populacional – em 2050 seremos 9 bilhões de pessoas neste pequeno planeta apertadinho – para perceber outra óbvia novidade: nunca se fez tanto sexo como se faz agora. Não obstante, uma parcela imensa da população humana parece estar à margem dessa festa.
Algo como 1 bilhão de pessoas. Calcula-se que 30% das mulheres sofram de uma disfunção sexual chamada de Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH). Trata-se de uma doença descrita pela Organização Mundial da Saúde e pela Associação Americana de Psiquiatria.
Ela é caracterizada pela ausência de desejo sexual por um período superior a seis meses. Não é que essas mulheres não tenham parceiros, não tenham orgasmos ou não saibam obter prazer de alguma forma.
Elas simplesmente não têm vontade. São “frígidas”, para usar uma terminologia velha e quase insultuosa. E sofrem imensamente com isso. O desejo hipoativo, segundo os médicos especialistas, é uma grande fonte de angústia feminina.
Essa é a notícia ruim. A notícia boa é que o primeiro tratamento destinado especificamente a esse problema poderá chegar ao mercado entre o fim de 2010 e o início de 2011. Na última terça-feira, dia 17, o laboratório alemão Boehringer Ingelheim apresentou, durante um encontro médico na França, os resultados de um estudo que demonstrou a eficácia de uma substância chamada flibanserina no tratamento da baixa libido (leia na página 100 o quadro com os resultados completos do estudo).
As voluntárias que receberam o medicamento, já batizado “Viagra cor-de-rosa”, eram maiores de 18 anos, ainda não haviam atingido a menopausa e estavam em relações “estáveis, monogâmicas e heterossexuais” por pelo menos um ano. Todas sofriam de TDSH.
O estudo reuniu dados recolhidos por sete grupos de testes envolvendo mais de 5 mil europeias e americanas ao longo de 48 semanas. Enquanto tomavam o novo medicamento, pediu-se a elas que relatassem eventos sexuais de qualquer espécie. Valiam relação sexual, sexo oral, masturbação ou estimulação genital pelo parceiro.
O questionário perguntava se o ato foi satisfatório ou não.
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8:56 AM by Cassiano Leonel Drum
21 de novembro de 2009 | N° 16162
NILSON SOUZA
Salamaleque
Obama fez uma reverência diante do imperador japonês e foi espinafrado pelos críticos de seu país sob a alegação de que não é apropriado para um presidente americano se curvar diante de um estrangeiro. “Nós não fazemos reverências a reis ou imperadores!” – vociferou um comentarista de televisão. Eta arrogância!
Que mal há em ser gentil? Ainda mais diante dos japoneses, que exercitam diariamente a mesura como manifestação de respeito. Além disso, o presidente estadunidense é mais jovem e tem quase o dobro da altura de seu colega nipônico. Na linguagem gestual, Obama estava dizendo: “Eu sou igual a você”. Ou, numa interpretação mais otimista, talvez estivesse tentando dizer: “Não somos inimigos”. O nariz empinado é que gera hostilidades.
Pode ser até que o protocolo entre chefes de Estado exija uma certa formalidade, evitar tapinhas nas costas, abraços calorosos demais, beijos imprevistos. Mas governantes são, antes de tudo, seres humanos.
E nós, humanos, nos tornamos civilizados exatamente quando começamos a apertar as mãos de nossos oponentes para mostrar que estávamos desarmados, que não queríamos agredir e sim compartilhar a proximidade. Quando o aperto de mão é acompanhado pela inclinação da cabeça, mais respeitosa se torna a aproximação.
Claro que há povos e povos. Nós, brasileiros, somos em geral bastante afetuosos e irreverentes, às vezes até demais. Tem uma história do ex-ministro Paulo Brossard que é exemplar sobre o excesso de informalidade com as autoridades. Uma vez um jornalista aproximou-se do então ministro, colocou as mãos sobre os seus ombros e perguntou:
– Quais são as novidades ministro?
E Brossard, sem perder a fleuma, respondeu:
– Afora essa sua intimidade, nenhuma.
Temos até um certo orgulho da nossa irreverência. Quando um governante estrangeiro aparece por aqui, não sossegamos enquanto não o vemos cair no samba ou cobrar um pênalti de mentirinha.
Rainhas, príncipes e até ditadores são, invariavelmente, submetidos ao ritual da descontração. Se Obama tivesse feito aquele gesto diante de Lula, certamente teria recebido em troca um salamaleque ainda mais espalhafatoso.
E ninguém por aqui veria fantasmas. Aliás, o presidente americano até andou fazendo coisa parecida quando lançou um estranho olhar na direção de uma jovem brasileira. Na ocasião, pelo que me lembro, nenhum crítico achou que ele estava saindo da linha. Todo mundo achou graça. E assim é que tem que ser.
Deixem o homem ser humano.
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8:53 AM by Cassiano Leonel Drum
21 de novembro de 2009 | N° 16162
PAULO SANT’ANA
A bela sozinha
Estou no fumódromo e uma das cadeiras ocupadas o é por uma linda moça, ali pelos 20 anos, no máximo 22. Um portento de senhorita.
Pernas torneadas, cabelo alinhado, pés e mãos com dedos simétricos, deixa antever duas maçãs nos seios que se forem se libertar do sutiã parecerão dois pombos assustados.
Bela senhorita. Além de tudo, é portadora de uma meiguice encantadora.
Pergunto-lhe de chofre: “Deve ser fácil para você arranjar um namorado?”.
Ela respondeu prontamente: “Tá muito difícil”.
Fico a cismar no que deseja mais a minha curiosidade que não seja perscrutar a alma da forçosa moça.
No entanto, está difícil para ela arranjar um par. Imagino como são idiotas os rapazes que deixam de explorar aquela energia desaproveitada.
Como dizem na rua, o difícil é a relação. Aquela moça por exemplo está prestes a ser conquistada, no apogeu da sua formosura e juventude.
E no entanto não lhe surge o príncipe encantado.
Falta um estalo para aquela moça ou para cada um dos seus prováveis pretendentes.
É só uma questão de encaixe, alguém que adivinhe ou simplesmente constate os seus encantos.
Mas está ali aquela moça abandonada, amor febril para doar, estuante, pronta para a entrega, ou apta para a pronta entrega, e não aparece nenhum imbecil para desfrutá-la.
Como são intrincadas as relações humanas! Como é penoso livrar-se da solidão, mesmo que estejam aptas as pessoas para se entrelaçarem!
Aquela senhorita não pode continuar sozinha. Mas visivelmente há algo nela que a impede de aproximar-se de alguém que a entenda e mostre interesse.
E assoma como transcendental a sua beleza, o seu aspecto frágil de gata esquiva apelando por um adestrador.
Quantos e quantos desperdícios como esse espalhados por aí! Quanta gente à procura de um cais onde atraque seu vulto esplêndido de jovem bela e oferecida à procura de quem a guie pelos caminhos deliciosos do amor!
Mas por que prosperam assim tantas incompletudes? Por que tanta ânsia desatendida, por que tantos fastios desanimados?
Por que é indispensável que a mulher se una ao homem para realizar-se? Por que, enquanto não se dá esse encontro, uma frustração amassante percorre esses seres dilacerados, essas almas abandonadas à procura de um refúgio, de uma realização?
Por quê? Para que serve a semente sem germinação? Mas por que é tão difícil encontrar terra fértil e propícia em que prospere?
O que intriga é que eu não esteja aqui com piedade de uma mulher feia, sem atrativos, indesejável.
O que me deixa estupefato é que estou sentindo compaixão por uma mulher bela e desejante, capaz também pela sua ternura de fazer qualquer homem feliz.
Será a timidez que a impede de relacionar-se? A ofuscante beleza é que não é.
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8:50 AM by Cassiano Leonel Drum
21 de novembro de 2009 | N° 16162
CLÁUDIA LAITANO
Flor de reacionarismo
Volpi ou Portinari? Nelson Rodrigues e Otto Lara Resende preferiam Portinari, mas os críticos da época (1968) eram Volpi desde criancinhas. Na crônica O Medo de Parecer Idiota, Nelson apanha no ar esse ambiente de “desajuste estético” para dizer mais ou menos o seguinte: gente comum desconfia do que entende (arte, literatura...), enquanto intelectuais têm pânico de parecerem limitados.
O resultado é que uns e outros não confessam seus verdadeiros gostos para não passarem por idiotas. Nelson e seu amigo-personagem Otto, envergonhados do próprio analfabetismo visual, só têm coragem de revelar sua preferência por Portinari trancados no banheiro: “E ali, no banheiro inescrutável do Helio Pellegrino, cada um de nós se concedeu o direito de ser, por um momento, um pleno, chapado, eufórico idiota plástico”.
O leitor que vem acompanhando as páginas de opinião do jornal nas últimas semanas é tomado por uma sensação de déjà-lu ao deparar com essa crônica de Nelson. Vai aí, com um pouco mais de graça e autoironia, o mesmo raciocínio do professor Voltaire Schilling para desqualificar tanto um escultor consagrado como Carlos Tenius quanto o jovem e pouco conhecido artista Henrique Oliveira, 36 anos, criador da instalação apelidada de Casa-Monstro.
Pois a mesma indignação quanto a uma espécie de “ditadura do gosto” foi o eixo da palestra do jornalista americano Tom Wolfe, em Porto Alegre, na última segunda-feira. Nelson não gostava de Volpi, Voltaire mandaria derreter Tenius. Já Tom Wolfe mira mais alto: acusa a fraude evidente por trás do sucesso de Picasso (que “abandonou a escola de artes antes de aprender anatomia e perspectiva”) e Matisse (que “desenhava mãos que pareciam aspargos”).
Volpi, Tenius, Matisse, Picasso e mesmo o criador da Casa-Monstro sobreviverão sem que eu precise defender o direito da arte de nos desagradar (lembrando Voltaire I, o francês, poderia dizer que com relação à arte também deveria valer o velho princípio iluminista: “Discordo do que dizes, mas defenderei até a morte teu direito de dizeres”).
O que me interessa nessa bronca generalizada com a arte moderna é esse curioso argumento de que o “gosto médio” (Homer Simpson assistindo à Zorra Total é a imagem que me vem a cabeça) está sendo desrespeitado ou sufocado por uma elite que tiraniza o povo com obras “feias” (no caso das artes) ou “chatas” (no caso do cinema, do teatro, da literatura ou mesmo da televisão).
Não sei em que mundo essa gente vive (ou já não vive) – ou melhor, sei. Era um mundo em que realmente valia alguma coisa ser intelectual, estar acima da patuleia, dominar um conhecimento erudito. Nelson cita Sartre como o exemplo mais bem-acabado desse intelectual que dá opinião sobre tudo e é respeitado até quando diz bobagens.
Quase 30 anos depois da morte do filósofo francês, desconfio que não existam muitos nomes desfrutando desse mesmo prestígio intelectual multiuso. Quem se interessa pela opinião dos intelectuais sobre a crise, o apagão, o vestido da Geisy? Pouca gente, eu arriscaria.
Mais aguda do que a ditadura da “aristocracia intelectual”, me parece, é a ditadura da mediocridade, da desqualificação da cultura letrada, da eliminação das diferenças culturais, da estupidificação de estudantes com pouca ou nenhuma exigência na escola, da incapacidade de pensar além do senso comum (como se o que “a maioria” gosta fosse o ápice da civilização ocidental) – ou seja, da dificuldade de sequer vislumbrar, no cotidiano, uma elite intelectual disposta a oprimir nosso gostinho médio.
Tom Wolfe, como suas roupas denunciam, não está confortável em sua própria época – mas pelos motivos errados. Condena a liberdade sexual e as descobertas da genética (sim, a genética) e tem nostalgia do patriotismo descabelado e da moral de origem religiosa (sim, ele disse isso), além de confessar publicamente a esperança de que uma nova era vitoriana (ironia?) dê jeito nisso tudo mais cedo ou mais tarde.
Parafraseando Nelson, uma genuína flor de reacionarismo – como poucas vezes Porto Alegre viu igual.
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8:15 AM by Cassiano Leonel Drum
Vera linden
Foi assim, sem querer
Foi assim, sem querer que eu comecei a gostar dele. Uma ternura imensa tomando conta do meu coração e me fazendo tão feliz. Sem nada a ver com paixão de mulher por homem, que aliás é muito bom e não tenho nada contra, só a favor.Me enamorei do jeito dele, da maneira dele ser, ou explicando melhor ainda, do blogger dele.
Afinal não o conheço, nem preciso conhecer mesmo, para quê ??!! Ele é como um livro precioso, capa dura, bem encadernado e com letras douradas para o título e boa impressão. Eu amo muito os livros. Sabe aquela pergunta típica e besta que algum dia na vida fazem às pessoas: "O que você levaria para uma ilha deserta?"
Todos os livros do Balzac, do Almeida Garret, do Maughan, do Machado, do Érico, Tchekhov, Doyle, Victor Hugo, Vargas llosa, Neruda, Lopes Neto, Agatha Cristie, Simenon e Cora Coralina. Ah! na ilha precisaria ter energia elétrica e uma boa internet para poder ler ENTRELAÇOS , diariamente.(umas duas ou três vezes por dia)afinal eu teria mais tempo livre.
O blogger dele é o encontro do bom gosto, com a praticidade e a inteligência. Lá encontro meus autores prediletos, poesias - algumas vezes, frases, coisinhas que aprecio, imagens encantadoras, principalmente de flores e crianças ( que sonho serem meus netos). Tem aquela foto pequena dele, que acho um luxo de bonita.
Ele tem um jeitão de homem bem humorado, resolvido, generoso, de bem com a vida, que faz o que gosta, progressista. Fiquei tinindo de vontade de pedir uma foto dele lá de Portugal.
Ele citou que estão no Orkut, mas não entro nestas coisas nem morta, já me colocaram, para meu desespero no tal de H não sei o que e no tal de Tagged, que infortúnio!! Todo o dia tem uns 12 cavalheiros me enviando mensagens, como pode??? Santo Deus, nem foto ou perfil tem por lá, cruzes.
Será que o mistério, o anonimato é que incita a curiosidade das pessoas ?? Já pensei em editar um perfil de uma senhora de 120 kg e com várias manias estranhas, solteirona convicta, sei lá. Tentei sair do negócio, mas precisa senha, me enredei toda, ainda vou descobrir como sair daquilo.Vai saber. Eu me acho maluquete, mas tem gente bem pior.
Só queria lhe dizer, como sinto a sua falta, de ler o nome dele lá na minha caixa postal. É lógico que eu entendo, não sou nem amiga, só uma simples desconhecida, alguém que francamente é ninguém e, nem tem pretensões de ter qualquer importância em sua vida tão cheia de estudo e dedicação ao trabalho.
Well, amanhã, quer dizer, hoje, após as 9:30 vem um aluninho gordinho, gosto de beliscar as bochechas rosadas dele, preciso lhe explicar o que é MERCOSUL e ALCA e suas respectivas diferenças.
Em uma rápida prelação ontem, lhe expliquei por alto do acordo de livre comércio e ele concluiu: "Tia, são os ricos que reunem prá vender um pro outro e melhorar o seu comércio; quer dizer, só tem o México que é pobre lá no ALCA e nós aqui do MERCOSUL, os pobretões sulamericanos, é isto??
O Gordinho captou alguma coisa. É rápido e rasteiro. Quer ser cardiologista. Quem sabe, não estarei investindo em meu futuro médico ? Como eu aprendo com esta criançada, me divirto e tem gente que os chama de aborrecentes....como pode. Mas, quero mesmo me dedicar ao pessoal do EJA, que gente dedicada, dá prazer de dar uma aula para eles.
Findi de prazeres e alegrias especiais, aquelas que acalmam a alma e aceleram o coração. Viver a vida com gosto pelo que se faz, eis o que nos deixa deliciosamente em paz.
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Sexta-feira, Novembro 20, 2009
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6:55 AM by Cassiano Leonel Drum
Celebridade instantânea
Esse caso de celebridade instantânea de Geisy Arruda, a estudante de turismo da Uniban que foi humilhada na faculdade e que, agora é cortejada por programas de TV e revistas masculinas, faz pensar.
A moça já trocou de cor de cabelo, penteado, vestido, posa para fotos, dá autógrafos em shoppings e disse que sua vida está uma bagunça. Claro que ela está gostando do movimento e das fotos e, possivelmente, vai esquecer daquele dia que ela julga “o pior da minha vida”.
É cedo para saber que as coisas ocorreram naturalmente ou se foram programadas ,como dizem alguns. Se foram, o marqueteiro parece que é dos bons. O futuro dirá. É cedo para falar de responsabilidades, culpados, etc. e para saber se a loira vai ganhar mais do que os tais quinze minutos de fama.
O tempo, o talento dela e os acontecimentos certos e incertos vão nos mostrar até onde vai Geisy. O lance parece roteiro de filme norte-americano. O interessante nisso tudo é, mais uma vez, notar que a vida de uma pessoa “comum”, se é que existe alguém “comum”, pode mudar radicalmente em pouco tempo, ou, no caso, em poucas horas.
Na Rua da Praia, lá pelos anos setenta, duas meninas de microssaia protagonizaram cena parecida com a de Geisy. A coisa foi menos que o caso de Geisy. Alguns assovios, palavras calientes e corre-corre do macharedo e aí elas se mandaram rápido, meio tropeçando sobre os sapatos de plataforma. Se não me engano pegaram um táxi no Largo dos Medeiros.
Os tempos eram outros, mais inocentes, e as duas, tanto quanto eu sei, seguem anônimas, lembradas apenas por alguns “jovens senhores” como eu. Às vezes o destino, o acaso e acontecimentos misteriosos mudam a trajetória de alguém. Outras vezes alguns planos ou desejos tipo mais conscientes mudam a vida. Às vezes pode ser tudo misturado mesmo, sei lá, a existência é um mar infinito de possibilidades. Vai saber!
Há quem diga que o melhor para o futuro é sempre resultado de uma conquista, que tem de ralar muito, que o melhor não acontece por acaso. Difícil dizer. O namoro-relâmpago de Luciana Gimenez com Mick Jagger e mais algumas coisas, como se viu, estão proporcionando milhões de minutos de fama. Ces’t la vie! O futuro a Deus e a nós pertence.
Quem sabe eu saio do Moinhos Shopping de Mini Cooper, com o bilhete da Mega-Sena acumulado premiado e junto com a Angelina Jolie. Claro, sem o grudento do marido dela. Torçam pelo meu destino! Pensamento positivo!
Está lá no livro do Paulo Coelho: se tu queres realmente algo, o mundo inteiro vai conspirar a teu favor. Sei lá, acredite nos seus sonhos, vá em frente, até citando Paulo Coelho. Eu vou!
Uma linda sexta-feira ainda que com chuva e um gostoso fim de semana
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6:50 AM by Cassiano Leonel Drum
SALÁRIO DE R 12,4 MIL
Banco Central abre seleção com 500 vagas
Prova está prevista para janeiro e será aplicada também em Porto Alegre
Foram lançados ontem os editais para o concurso público do Banco Central do Brasil, com 500 vagas a serem distribuídas onde o BC tem representação, incluindo o Rio Grande do Sul. Em todo o país, serão 150 chances para técnico e 350 para analista, cujos salários são, respectivamente, de R$ 4.896,25 e R$ 12.413,65.
Do total, 27 vagas são reservadas a candidatos portadores de deficiência. De acordo com Maria Thereza Sombra, diretora da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), este é um dos processos seletivos mais aguardados do ano.
– O Banco Central, assim como o Banco do Brasil e a Receita Federal, proporciona ascensão aos funcionários por meio de cursos de especialização e planos de carreira. Este pleito, portanto, pode ser a porta de entrada para um futuro diretor. Vai depender do comprometimento de cada um – diz Maria Thereza.
Executado pela Fundação Cesgranrio, a seleção será realizada em duas etapas. A primeira terá prova objetiva de conhecimentos gerais e conhecimentos específicos, prova discursiva, avaliação de títulos e sindicância de vida pregressa.
A segunda fase consiste no Programa de Capacitação com duração aproximada de 120 horas, de caráter eliminatório, a ser realizado em Brasília. Nessa fase, serão submetidos somente os candidatos aprovados e classificados na primeira etapa do concurso.
Com data prevista para 31 de janeiro, a prova será aplicada também em Porto Alegre. Os aprovados para a segunda etapa farão opção pelo local de trabalho no ato da matrícula do curso.
Para a distribuição dos candidatos selecionados serão levados em consideração a área de conhecimento para a qual o concorrente foi selecionado, assim como a adequação entre os perfis demandados pelas unidades e os perfis apresentados pelos candidatos.
maria.amelia@zerohora.com.br
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6:46 AM by Cassiano Leonel Drum
20 de novembro de 2009 | N° 16161
PAULO SANT’ANA
Os insones
De repente, me assalta indagar sobre o que vem a ser a insônia.
Só se apercebem que a insônia é uma doença os que de uma hora para outra, em noites sucessivas, se veem impedidos de conciliar o sono.
Logo lhes ocorre que a insônia deve ser uma súbita supremacia das preocupações contra o sono.
Mas sempre tiveram preocupações e nunca deixaram de dormir, como agora lhes sucede isso?
É preciso dormir para descansar e alimentar os músculos e os ossos, recuperar-se do dia fatigante.
E o sono não vem. Mas como é que antes vinha?
O sono é um dos prazeres da vida. Outro prazer é o paladar. Mas nunca ouvi dizer que alguém tivesse perdido o paladar como se perde o sono.
É possível que a algum desfavorecido da sorte tenha lhe desaparecido o paladar. Reflito, então, que a falta do sono é igual à falta do paladar.
Porque são transcendentais à sobrevivência humana os atos de comer e dormir. Ambos têm a salutar função de alimentar o corpo.
E, se não há notícia de que tenham falhado as glândulas gustativas de alguém, no entanto nos jornais e revistas pululam pessoas se queixando de insônia. E como resolvem suas insônias os que são atacados por elas?
Fatalmente recorrerão aos soníferos, agentes artificiais do sono. Mas não pode uma pessoa tomar um, dois ou mais comprimidos todas as noites antes de dormir, pode criar uma dependência perigosa.
Então, como resolvem a insônia as vítimas dela? E, se há assim tantas vítimas de insônia espalhadas pelo mundo, por certo haverá já setores da medicina ocupados exclusivamente com doentes de insônia.
Raciocino assim, voltando ao que pensei antes, que não são as preocupações que levam à insônia. Acontece o seguinte: não podendo dormir, os insones em sua vigília anormal mergulham nas preocupações.
As pessoas normais vão para a cama absortas em preocupações, nem por isso deixam de dormir, até mesmo para fugir delas.
Os insones é que, impossibilitados de dormir, não têm outra coisa que fazer que não seja preocupar-se.
Não fosse assim, os que têm outras doenças, os endividados, os presidiários, os mal-amados, os gremistas, não dormiriam.
E, no entanto, todos dormem. Só não dormem os insones, embora tenham sono.
Como sei, pelos e-mails que recebo, que muitos leitores meus padecem de insônia, quero daqui enviar-lhes o meu respeito e minha solidariedade.
Pode ser que esta coluna por alguma forma os ajude a dormir nalguma noite.
O presidente do Grêmio, Duda Kroeff, após o jogo de anteontem, deu entrevista em que cometeu injúria contra mim.
Considero que a única forma de desagravar-me é pedir desculpas públicas pelo que disse, pois critiquei-o duas ou três vezes de modo civilizado e alto.
Como ele tem a aparência de que não pedirá desculpas, estará cavado um escuro abismo entre nós.
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6:43 AM by Cassiano Leonel Drum
20 de novembro de 2009 | N° 16161
DAVID COIMBRA
O louco ao lado
Na primeira vez em que trabalhei na Zero Hora, havia por aqui um velho jornalista, um subeditor, que, vou contar, ele era um tipo intrigante. Homiziava-se em certo escaninho da Editoria de Economia, ou talvez fosse nas entranhas úmidas da Geral, não sei, vai ver ajudava a montar algum caderno escuso, alguma seção sombria, devia ser responsável por uma esquina de página de leitura rarefeita. Jamais escreveu no jornal, e jamais ouvi o som de sua voz. Andava com seu passo cansado pela ala oeste da Redação, escorria pastoso por entre as mesas, e suspirava.
Lembro que suspirava muito.
Nem notei quando saiu do jornal. Pediu demissão, ou foi demitido, duvido que alguém saiba o que aconteceu. Despercebida e lentamente, esgueirou-se para fora da Redação, ele que havia sido sempre lento e despercebido.
Sumiu, enfim.
Fui saber do seu paradeiro muitos anos depois: emigrou para outro emprego, uma assessoria qualquer, e foi na assessoria que se deu: uma tarde, sem motivo aparente, ele saltou da cadeira que ocupava, emitiu um grito primevo, quebrou tudo o que havia na sala e foi embora, no rumo definitivo do esquecimento.
Houve quem dissesse dele: enlouqueceu. É o que se diz de gente como a enfermeira que administrava sedativos aos nenês do berçário de Canoas ou o major-psiquiatra que dizimou à bala metade do seu pelotão nos Estados Unidos. Não é verdade. Eles não ficaram loucos. Sempre foram. Mas o restante da humanidade só viu isso depois que passaram por surtos.
Certo. Agora me diga: e se os surtos não tivessem ocorrido? Eles continuariam sendo loucos, continuariam contaminando seus semelhantes com seus desajustes ad eternum.
Só que um subeditor perturbado pode, no máximo, tecer um intertítulo quebrado ou uma legenda ilógica, pode chatear o colega ao lado ou a esposa, se tiver uma. Mas o major-psiquiatra, antes de cometer os assassinatos, que gênero de conselhos dava a quem o procurava suplicando por ajuda? Quantas vidas não arruinou com sua mente doentia? E a enfermeira da maternidade? Que tratamento dispensava aos nenês que tinha sob seus cuidados?
Os ataques que tiveram os denunciaram. Seria tão fácil se todos os atormentados, paranoicos, esquizofrênicos e neurastênicos que nos cercam fossem acometidos por surtos. Porque eles estão aí, por toda parte, e ninguém pode fazer nada a respeito, apenas porque a loucura deles não explode em público.
O seu chefe. Será que ele é bem certo? Será que não sente prazer em oprimir os subordinados? Em jogar com a vida deles? O porteiro mal-humorado, o motorista do ônibus escolar do seu filho, o seu vizinho irritante. Você garante pela sanidade mental deles? Pior: e os eleitos pelo voto? O governador, o prefeito, o presidente, quem pode assegurar que não sejam malucos?
Há muita gente doente influenciando o seu destino, acredite. Olhe para o lado. Preste atenção. Cuidado com eles.
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Quinta-feira, Novembro 19, 2009
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7:06 AM by Cassiano Leonel Drum
Trio elétrico urbano
Mitsubishi e PSA Citroën Peugeot avançam na energia alternativa com modelo a bateria
C ompactos e com quatro lugares, o i-MiEV, o C-Zero e o i-On chegam como propostas da Mitsubishi, da Peugeot e da Citroën de veículos para uso urbano movidos por motor elétrico. Desenvolvido pela montadora japonesa, o i-MiEV foi o primeiro dos três irmãos apresentados em eventos e o pioneiro no mercado.
No Tokyo Motor Show, em outubro passado, ganhou uma versão para carga, o Cargo Concept. Nos países europeus, onde deverá chegar durante 2010, conviverá com os gêmeos do grupo PSA – Peugeot Citroën, também previstos para a mesma época.
No Japão, o i-MiEV custa cerca de US$ 47,5 mil, preço considerado elevado em relação aos híbridos mais vendidos no país, o Toyota Prius (US$ 23 mil) e o Honda Insight (US$ 19 mil).
Os dois modelos franceses mantêm as principais características do i-MiEV. Com autonomia de 160 quilômetros, velocidade máxima de 130 km/h e propulsão 100% elétrica, o motor tem potência equivalente a 64 cavalos, e as baterias de íon-lítio podem ser recarregadas em uma tomada doméstica de 220 volts.
A recarga normal leva sete horas, mas para quem tem pressa, ou em caso de urgência, a carga rápida chega a 80% da capacidade do acumulador em apenas 30 minutos. Com distância entre-eixos de 2,55 metros e porta-malas de 166 litros, os três modelos contam com direção assistida, climatização, vidros elétricos, seis airbags e sistemas eletrônicos ABS, ASR e ESP.
Ainda neste ano, a Mitsubishi venderá 1,4 mil unidades do i-MiEV aos governos das províncias japonesas e para empresas. A partir de abril de 2010, será a vez do público em geral. O grupo PSA também atenderá inicialmente órgãos oficiais e empresas. CITROËN, DIVULGAÇÃO
Uma linda quinta-feira para vc ainda que com previsão de chuva.
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7:03 AM by Cassiano Leonel Drum
19 de novembro de 2009 | N° 16160
PAULO SANT’ANA
Na vidraçaria
Conseguiram me roubar a saúde, o prazer e a alegria.
Atacaram-me por todos os lados, principalmente na trincheira.
Mas permaneço de pé, só não conseguiram mexer no meu cérebro. Apesar das atrapalhações físicas, ele continua inalterável.
O destino travesso reservou-me os obstáculos maiores para os últimos quilômetros da travessia.
E lá vou eu. Lá continuo indo eu.
Vejam só o que me acontece: “Bom dia, Sant’Ana. Eu não poderia deixar de te contar um fato pitoresco que chegou ao meu conhecimento. Moro ao lado de uma vidraçaria aqui em Porto Alegre, onde seguidamente vou conversar com os vizinhos e eles relataram que teria vindo uma cliente solicitar que colocassem moldura numa fotografia, que queria fixar na parede, sendo a fotografia de alguém que essa senhora disse amar muito pela vida toda e que somente após a morte do marido teria finalmente o seu amor num quadro...
Pois, para minha surpresa, quem era esse amor guardado e escondido?
Ele!!! Sim, Paulo Sant’Ana. E ela veio buscar o quadro e não se tem notícias mais, mas acredito que esteja muito feliz olhando para seu amor todos os dias, lá fixado na parede de sua casa...
Mas acredito mesmo, pois inspiras até isso nas pessoas... um amor escondido. Sabe-se lá por quantos anos. Ai, ai, ai, esse Pablo!!!
Desculpa a brincadeira, mas quis muito te contar isto. Um grande abraço e minha admiração (as.) Suzana Cardoso (suzana–wm@hotmail.com)”.
Recebo e publico por dever, trata-se de uma autoridade, o secretário de Educação: “Prezado Paulo Sant’Ana. Ao ler a sua coluna do último sábado, gostaria de esclarecer alguns pontos que não foram mencionados pelo deputado Elvino Bohn Gass e que julgo serem de fundamental importância à verdade dos fatos em relação ao reajuste do magistério.
O piso salarial nacional do magistério foi criado pela Lei Federal 11.738 de 2008 e sua equiparação como vencimento básico da carreira está suspensa até julgamento final da Adin 4.167 pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, prevalece o entendimento de que piso salarial corresponde à ‘remuneração global’, incluídas vantagens pecuniárias e adicionais.
Tramita na Assembleia Legislativa projeto de lei do governo do Estado estabelecendo novo piso salarial de R$ 950 para o magistério com regime de 40 horas semanais no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2009.
A medida enviada nesta segunda-feira, 16, à Assembleia Legislativa pelo Executivo estadual, dentro do Plano de Valorização do Serviço Público, fixa o novo piso para o magistério em R$ 1.500 a partir de 2010, atingindo de imediato 32 mil colegas professores de um total de 157 mil, ativos e inativos, caracterizando um aumento de 73,8% sobre os atuais R$ 862,80.
Assim, caro Sant’Ana, não há como confundir os conceitos de piso salarial e vencimento básico. Longe de estabelecermos um embate político, eu, como professor há 32 anos, casado também com uma professora, luto a cada dia por melhores condições salariais a todo o magistério.
No entanto, não se pode ignorar que haverá um avanço significativo no salário de milhares de professores com esta proposta do governo do Estado enviada à Assembleia. É o primeiro grande passo depois de um acúmulo de distorções salariais que ultrapassaram governos e muitas décadas. Forte e cordial abraço, (as.) Ervino Deon, secretário de Estado da Educação”.
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7:00 AM by Cassiano Leonel Drum
19 de novembro de 2009 | N° 16160
RICARDO SILVESTRIN
Uma valsa para Carlos Urbim
Um paulista, um mineiro e um curitibano. Estive conversando, em momentos e eventos diferentes, com os três, sobre a cultura e a leitura no Rio Grande do Sul. Nossa imagem, para quem é de fora, está em alta. Para o curitibano, o jornalista e escritor Márcio Renato dos Santos, com quem falei na Jornada Nacional de Literatura, em Passo Fundo, os gaúchos valorizam seus artistas. Os paranaenses admiram essa qualidade nossa e pensam que faz falta para eles.
Disse-lhe que sim, que há um consumo local da arte produzida por aqui. Mas ainda há uma pontinha final de esperar a confirmação do centro do país para que o artista emplaque definitivamente. Isso já foi maior, mas ainda existe. Também falei que vi no Rio de Janeiro uma integração da cidade pela arte, apesar de todos os outros problemas que têm por lá.
Os gênios do samba nasceram no morro. São respeitados. Participei de um evento no Circo Voador em que havia o pessoal do samba, o do funk, a Banda de Ipanema, uma banda de rock tocando Jimmy Hendrix, artistas de MPB, e todo mundo junto, seja de que classe for. Não vejo isso por aqui.
Porto Alegre, por exemplo, empurrou o desfile das escolas de samba para bem longe do centro da cidade. Não basta fazer projetos para a periferia ficar na periferia. Há cada vez menos troca entre as classes. A arte pode aproximar e juntar. Por que não um festival coletivo, com rock, samba, funk, gauderiada, na quadra da Imperadores? Gosto muito de uma frase dos cariocas: todo mundo junto e misturado.
Quanto ao gosto pela leitura em nosso Estado, o poeta paulista Frederico Barbosa, em evento no Cultural, lembrou da universalização da escola pública promovida pelo Brizola quando era governador do Rio Grande do Sul como um fator importante.
Também Márcio Renato falou das presenças de Erico Verissimo e Mario Quintana com a Revista do Globo a partir do anos 1930. Desde lá, há esse casamento dos gaúchos com seus escritores. Já o dramaturgo mineiro Alcione Araújo, com quem conversei tanto em Passo Fundo quanto na Feira do Livro de Porto Alegre, mostrou como a fila dos autores gaúchos estava bem maior do que a dele na sessão de autógrafos. Apontou isso como um fator positivo do nosso comportamento.
Com tanto elogio, mesmo com o senso crítico de gaúcho ligado em 220, acabei participando da festa de encerramento da Feira. O cortejo com todos os que trabalharam no evento, seguidos pelo pessoal que estava lá no domingo, cantando “ai, ai, tá chegando a hora...”. Eu, com um rosa nas mãos e um bonezinho da Feira, vi o patrono Carlos Urbim dançar seus passos de valsa com toda a alegria de ser daqui.
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6:56 AM by Cassiano Leonel Drum
19 de novembro de 2009 | N° 16160
L. F. VERISSIMO
Nove versículos
Ainda não li o novo livro do Saramago, Caim, mas sempre me intrigou a figura desse personagem – o Caim, não o Saramago. Caim é o primeiro enigma da Bíblia. Condenado por Deus a errar pela Terra e lavrá-la sem proveito para expiar a morte do irmão, Caim revela seu medo de que “todo aquele que me achar me matará”. Então Deus põe nele uma marca e decreta: “Qualquer um que matar a Caim sete vezes será castigado”.
A marca pode ser uma garantia de que o remorso de Caim não será aliviado pela morte, ou pode ser uma bênção secreta, uma obscura aliança entre o Criador e o criminoso. Pois Caim estava claramente destinado a ser outra coisa na narrativa bíblica em vez de protovilão. É o construtor da primeira cidade, a que dá o nome do seu filho Enoque.
Ficamos conhecendo toda a sua descendência, de Enoque e Tubalcaim, “mestre de toda obra de cobre e de ferro”, passando por Jabal, “pai dos que habitam em tendas”, e Jubal, “pai de todos que tocam harpa e órgão”. Mas a glória de Caim e seus descendentes, precursores da indústria e das artes, só dura nove versículos. A história que passa a interessar é a de Sete, o terceiro filho de Adão e Eva. É dele que descende Noé, o da arca, o segundo Adão da criação. A prole de Caim se perde no Dilúvio.
Especula-se que as escrituras pegaram emprestado o mito de criação dos quenitas, uma tribo mais antiga do que a de Israel e cujo patriarca se chamava Caim. O assassinato de Abel seria uma reencenação de algum sangrento rito inaugural protagonizado por ele, provavelmente um sacrifício humano, depois tornado abominável pela lei dos judeus.
Os ritos de fundação se repetem em várias culturas e quase sempre envolvem algum tipo de sacrifício animal ou humano, e seus perpetradores se transformam em Executores Sagrados, execrados e desterrados, mas ao mesmo tempo festejados, pelos seus crimes providenciais. Isso explicaria a bênção disfarçada de Deus e o respeito da Bíblia com a linhagem de Caim, que um mero assassino não mereceria.
O sacrifício de Abel repete a imolação com que o Caim dos quenitas inaugura sua nação. A Bíblia concede a Caim e sua prole seus nove versículos de respeitabilidade em honra a este antecedente nobre. Em seguida, Caim e suas gerações desaparecem da história e os precursores de tudo passam a ser Sete e suas gerações, até Noé e família, os únicos sobreviventes do Dilúvio, aquele radical ato de autocrítica do Senhor.
É como se a Bíblia se desse conta de que estava endossando um ato particularmente sangrento como o rito inaugural da nação humana e mudasse rapidamente de ideia, de personagens e de história.
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Quarta-feira, Novembro 18, 2009
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9:11 PM by Cassiano Leonel Drum
JOSÉ SIMÃO
Ueba! Movimento Reage, Helena!
Há duas semanas que ela limpa o nariz na manga da blusa! Um lenço para Helena!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Comentário da TV Vale Tudo sobre o filme do Lula: "Vou estragar o filme pra ninguém ir assistir. NO FINAL, ELE VIRA PRESIDENTE". Rarará! E um outro me disse que só vai assistir ao filme do Lula se ele morrer no final.
"A Fazenda 2"! Diz que faltou incluir o Zelaya: já tem chapelão de roceiro e é especialista em confinamento. E a Geisy da Uniban, é claro! E a Karina Bacchi tem um piercing na perereca! Piercing na perereca se chama PIERCEGUIDA! E ela já leiloou esse piercing para fins sociais. E um cara perguntou: "Se eu arrematar o piercing, é pra retirar no local?". Rarará! Eu adoro a Karina Bacchi, hilária!
E avisa pro Manoel Carlos que já tem o movimento Reage, Helena!. Precisa se ajoelhar pra levar um tapa da Lilia Cabral na cara? Precisa! Porque a Helena é chata, tava vestida de alma penada, sem maquiagem e a Lilia Cabral é deusa! Isso eu li no blog da Katylene. Rarará! E há duas semanas que ela limpa o nariz na manga da blusa! Um lenço para Helena!
E sabe como se chama o cara encarregado de investigar se foram os hackers que provocaram o apagão? Hermes CHIPP! Rarará! Esse é predestinado. E não foram os hackers que provocaram o apagão. Foi o Zé Mayer! Ele passou uma mensagem pelo celular: "Me espera no banho que eu tô indo praí agora". E enviou pra agenda inteira. Aí, 120 milhões foram pro banho. E apagou o Brasil!
Socuerro! O IPTU DO KASSAB! "Kassab vai aumentar o IPTU em até 60%." Então não é IPTU, é HIPER-TU! IPTU de ITU! IPTU quer dizer Impossível Pagar Tudo Isso! E avisa pro Kassab que em São Paulo carro é que paga IPTU. Porque não sai do lugar, é imóvel!
E avisa pro Kassab que São Paulo só tem buraco. Parece que a gente tá andando de touro mecânico! Vou trocar o meu carro por um! E avisa pro Kassab que, durante a campanha, ele falou que a Marta iria aumentar o IPTU! E todo mundo acreditou. É mole? É mole, mas sobe!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que no Rio Grande do Norte tem um município chamado Jardim de Piranhas! Uau! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Santificada": companheira que transa todo santo dia. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
simao@uol.com.br
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9:08 PM by Cassiano Leonel Drum
ANTONIO DELFIM NETTO
Responsabilidade e cooperação
A CRISE FINANCEIRA mundial trouxe de volta a lembrança de que o capitalismo, para funcionar adequadamente, não prescinde de um grau elevado de cooperação social nem da confiança entre as pessoas que livremente elegeram esse sistema para viver. Ela reincorporou igualmente a ideia de que não há contradição entre a presença de um Estado forte e a organização dos mercados.
O Estado constitucionalmente regulado precede e sustenta o desenvolvimento dos mercados, cuja dinâmica é alimentada pela liberdade criativa dos indivíduos. Os mercados não sobrevivem nem no Estado absoluto nem no estado de anarquia.
Por definição, o Estado constitucionalmente organizado é o "garante" da atividade econômica, através dos mecanismos dos mercados. É ele que a salva quando o acidente destrói o fator catalítico que a sustenta: a confiança.
O esquecimento dessas verdades explica por que os males produzidos na crise foram absorvidos, neutralizados ou rebatidos de forma tão diferenciada entre os países.
Nos Estados Unidos, por exemplo, de início, houve muita demora na intervenção do Estado, embora todos soubessem que, a partir do momento em que foi quebrada a confiança no setor financeiro, era apenas questão de tempo o colapso no setor real da economia. Tal hesitação contribuiu para o prolongamento da recessão.
Entre nós, percebeu-se rapidamente que o fenômeno transcendia os aspectos financeiros: o que realmente ameaçava a continuidade do desenvolvimento era a perda da confiança, aquele fator catalítico que sustenta a coesão social e o bom funcionamento da economia real.
É fato que o governo Lula vivia um período de estabilidade política e de crescimento econômico bem melhor que seus colegas Bush e Obama, mas isso não diminui os méritos de sua reação à crise desde os primeiros instantes.
O exercício da boa regulação pelas autoridades monetárias manteve o sistema bancário nacional fora das práticas irresponsáveis que destruíram um bom pedaço das instituições financeiras nos países industrializados.
Ele foi atingido pelo pânico com a morte súbita do crédito externo e teve que ser socorrido pelo Estado brasileiro, com alguma hesitação, mas seguramente com medidas corretas, que restabeleceram os níveis de confiança necessários para a normalização das linhas de crédito.
O fator decisivo, contudo, que permitiu ao Brasil afastar a recessão mais rapidamente que qualquer outro país foi que não se quebrou a confiança estabelecida entre um governo decididamente indutor e a sociedade (trabalhadores, empresários).
contatodelfimnetto@uol.com.br
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6:57 AM by Cassiano Leonel Drum
18 de novembro de 2009 | N° 16159
MARTHA MEDEIROS
Salve a família irreal
Excetuando uma viagem escolar aos 15 anos de idade, nunca saí em excursão, e olha que já rodei esse mundo um bocado. Excursão, pra mim, sempre me pareceu uma espécie de Alcatraz, uma maneira de viajar com uma bola de chumbo nos pés, protegendo-se contra o que o desconhecido pode trazer de melhor, que é a liberdade e as surpresas.
Então sempre preferi viajar a dois, que é sublime, ou sozinha, que não é nenhum castigo. No entanto, conspirações cósmicas têm me feito aceitar que às vezes é preciso flexibilizar nossas certezas, e acabo de excursionar pelo Marrocos semissolitária, porque solitários somos todos, e semiacompanhada por outras 25 pessoas. Contrariando todos os prognósticos, deu certo.
A fórmula do sucesso é simples: entrar num grupo culturalmente homogêneo e aceitar que você deve se adaptar aos outros, e não eles a você. É imprescindível deixar em casa o “eu não quero”, “eu não vou”, “eu não gosto”, e com bom humor encarar o que for decidido comunitariamente.
Mas, mesmo nesse meu inspirado momento “topo todas”, não me aventurei no escuro: escolhi uma turma liderada por uma amigona que é professora de história da arte e que tem milhagens para dar e vender, nasceu com uma mochila nas costas. Portanto, a chance de entrar numa fria era remotíssima.
Três dias depois de voltar, estava dentro do cinema assistindo a This is It, documentário sobre os ensaios que Michael Jackson fez para os nunca estreados shows em Londres, já que uma overdose de medicamentos o tirou de cena.
O filme não chega a ser uma surpresa em termos de performance – quem não sabe o quanto o homem dançava? –, mas é um tributo à delicadeza, e não porque o protagonista vivesse num parque de diversões.
O filme mostra que Michael Jackson era um profissional adulto, rígido em suas escolhas, obcecado por qualidade. Mas era também obcecado por bons modos: nunca precisou levantar a voz para comandar seus dançarinos, nunca economizou nos elogios e agradecimentos, nunca permitiu que os nervos se alterassem.
O mérito do filme, além de destacar o inimitável talento pop de Michael, é deixar clara a eficiência da gentileza para unificar pessoas antagônicas. Havia um grupo a ser liderado, conduzido, gente de toda procedência, de tudo quanto é idade, e que juntos, naqueles meses de ensaio, se transformaram numa nova família Jackson. Não mais os Jackson Five, mas os Jackson 183, os Jackson 254, ou um número aproximado, se levarmos em conta todos os envolvidos numa megaturnê.
Uma excursão turística também é uma família. Aliás, era assim que a gente se chamava pelas ruas de Marrakesh ou perdidos na muvuca de Fez. Quando o grupo começava a se dispersar demais, a sumir pelas labirínticas medinas, soava alguma voz de comando: “Família!”. E todos rapidamente se reuniam e reverenciavam nossa divertida família irreal.
Éramos adultos gentis tentando administrar diferenças. Éramos seres que nunca haviam se visto, e nem visto aquelas cidades exóticas no norte da África, mas que sabiam a importância da cortesia para fazer a coisa funcionar. Éramos o que somos todos: participantes de uma coletividade em busca de uma convivência sadia.
O grupo do Marrocos sobreviveu. O de Michael, por razões óbvias, não. Mas o filme está aí para, além de nos extasiar com sua música, mostrar o quanto a boa educação também pode dar espetáculo.
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6:55 AM by Cassiano Leonel Drum
18 de novembro de 2009 | N° 16159
PAULO SANT’ANA
Um empurrão no rival!!!
A colega Mariana Kalil fez uma grande entrevista com o psiquiatra Carlos Eduardo Carrion, a quem ela chamou de Dr. Sexo, no caderno Donna de domingo.
Quem descobriu esse Dr. Sexo fui eu mesmo, que o entrevistei várias vezes há 20 anos no programa Gaúcha Comportamento. Hoje, quem apresenta o programa é a Tânia Carvalho.
Em dado momento da entrevista, o psiquiatra declarou que uma cliente sua procurou-o para consultá-lo sobre o seguinte fato: seu marido, quando foi tirar as calças para fazer sexo, vestia por baixo as calcinhas dela, da própria esposa.
E a cliente perguntou se o psiquiatra achava que seu marido era homossexual.
O psiquiatra respondeu que não sabia se o marido era homossexual, a mulher teria de testá-lo.
Nada disso: informo ao psiquiatra e à mulher que esse marido que usa calcinha de mulher por baixo da calça não é homossexual coisa nenhuma, é mulher mesmo.
Está nas livrarias um livro do peruano Vargas Llosa, quando ele incursiona pelo terreno erótico, preferência psicótica do colunista David Coimbra.
Já li quase metade do livro numa assentada. O autor envereda pela pedofilia, um menino se apaixona pela madrasta, que fica gozosa quando o garoto lhe beija os cabelos, o pescoço e as bochechas.
O livro é sensacional.
Não sei que mundo habitam os senhores Duda Kroeff e Luís Onofre Meira, presidente e diretor de futebol do Grêmio. Acredito que eles não tenham os pés no chão.
Botaram para jogar contra o Cruzeiro o time titular, que arrancou um maldito empate no Mineirão, que foi sentido como uma punhalada pelas costas da torcida gremista.
Hoje à noite, incrivelmente vão repetir o time titular contra o Palmeiras, desconhecendo de modo alienado que o empate no Mineirão e outro empate hoje – ou vitória – determinam mais de US$ 10 milhões nos cofres do Internacional, que com a ajuda prestimosa e desastrosa do Grêmio ingressará na Libertadores do ano que vem.
Não sabem os dirigentes neófitos que compõem a cúpula gremista que estão colocando o time tricolor a serviço direto do Internacional, dando a chance aos vermelhos de serem bicampeões mundiais em 2010.
Só o que faltava está acontecendo: o Grêmio enriquecendo e enchendo de glórias o Internacional.
Contenho-me para não usar uma linguagem ofensiva, mas garanto que a torcida do Grêmio se encherá de revolta contra os dirigentes tricolores se acontecer o que já está acontecendo: o Grêmio idiotamente engrandecendo o Internacional.
Não estou exigindo dos dirigentes gremistas que peçam aos jogadores do Grêmio para perder, não sou um imbecil.
A torcida exige isso, sim, clama, protesta aos dirigentes que jogassem contra o Cruzeiro e joguem hoje contra o Palmeiras com os reservas.
Foi isso o que fez o Internacional no ano passado, quando viu que o Grêmio podia ser campeão, botou reservas contra o São Paulo e perdeu, o que tirou o título do Grêmio.
Mas será que não veem os homens do Grêmio que serão execrados nas ruas, que vão botar seus pés na Calçada da Desgraça do Olímpico, que vão salgar os terrenos de suas casas se derem a Libertadores para o Internacional? Será que não enxergam nem sentem isso? Evitem isso, pelo amor de Deus, que cegueira!
O futebol não suporta dirigentes inexperientes e insensíveis.
Não sei se ainda há tempo para impedir este desatino histórico!
O futebol não admite dirigentes ingênuos e despreparados.
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6:52 AM by Cassiano Leonel Drum
18 de novembro de 2009 | N° 16159
DAVID COIMBRA
É duro ter que aprender o Nica
Agora, aqui na Zero Hora, a gente tem que aprender um programa chamado Nica. Programa, que digo, é de computador. Ou pelo menos acho que aquilo se chama programa. De computador. Já aprendi muitos desses programas ou coisa que o valha. Por algum motivo, os jornais estão sempre mudando de programa. Evoluindo, suponho. Programa, programa, programa. Será que é mesmo programa?
Mas o Nica esse. Tenho que aprender a manejá-lo. Isso me irrita um pouco. Porque já aprendi tantos programas. Uma vez li um livro sobre Basic e Cobol. São programas também, Basic e Cobol. Acho. O livro era um livro bem grande. Umas 400 páginas. Li tudo, por Deus. Diziam-me que era importantíssimo saber sobre Basic e Cobol, que o futuro das pessoas dependia disso. Então li. Sabe o que aprendi sobre Basic e Cobol lendo todas aquelas 400 páginas por dias inteiros?
Vou dizer agora exatamente o que aprendi: nem uma única lhufa, foi isso que aprendi. Abria uma página do livro de Basic e Cobol e ia consumindo as letras melancolicamente, as palavras iam se formando, iam se tornando frases, mas o sentido das frases a minha mente dispersiva deixava que se evolasse pelo ar do quarto, não se passou um parágrafo daquelas 400 páginas frementes de Basic e Cobol sem que eu me distraísse e me pusesse a pensar, sei lá, nas três vizinhas da frente, Débora, Lisi e Kelly, que adejavam por detrás da grande janela do apartamento delas, uma vestindo um shortinho de verão, a outra de minissaia, a terceira em um vestidinho diáfano. Débora, Lisi e Kelly. Elas lá, eu aqui. Elas frescas e tenras, eu tendo que ler sobre Basic e Cobol por causa do futuro.
O futuro, o futuro, dane-se o futuro, eu pensava, que me banhe o presente com as três irmãs ali tão próximas, que eu atire longe esse cartapácio incompreensível de Basic e Cobol e pule sobre Débora com suas vogais explosivas, e lhe lamba as pernas de alabastro, e lhe mordisque os seios de marfim!
Mas não fiz nada disso. Fiquei lá, com meu livro de Basic e Cobol. Dias desperdiçados. Como desperdiçados foram os dias que consumi aprendendo sobre todos os programas utilizados por todos os jornais nos quais trabalhei.
Basic e Cobol. Nica. Este tempo todo em que me debrucei sobre programas de computador, poderia usufruí-lo lendo os clássicos. Há tantos clássicos que ainda não li. Filmes que ainda não vi. Quantas horas, dias, meses da minha vida investi em programas de computador? Mas não só programas de computador.
Já passei tempo tirando carteira de identidade e perfilando-me em fila de banco. E dia desses fui a uma loja de telefone celular. Você já foi a uma loja de telefone celular? Vá. É uma experiência transcendental. Porque o tempo para, numa loja de telefone celular, e você deixa de existir. Você só fica lá sentado, esperando, esperando, transformando-se, aos poucos, em nada. É um exercício de humildade, tentar ser atendido em uma loja de telefone celular.
Eu mesmo saí daquela loja sem que ninguém falasse comigo, saí com meu velho celular e com meus velhos problemas celulares, mas com um sentimento renovado de que somos realmente insignificantes, nós seres humanos, diante da grandeza do universo, da onipotência do Senhor e do poder da loja de telefone celular.
Aquele tempo em que fiquei lá dentro, daquela loja de telefone celular, somou-se ao tempo que dediquei ao aprendizado dos programas de computador Basic, Cobol, vários outros e agora o Nica, às filas todas em que entrei, aos pastosos minutos em que estive sentado em cadeiras de salas de espera e às horas que despendi assistindo aos amistosos da Seleção Brasileira. Quanto tempo perdido, meu Deus!
Desse jeito, nunca vou conseguir ler todos os clássicos.
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Terça-feira, Novembro 17, 2009
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7:38 PM by Cassiano Leonel Drum
JOSÉ SIMÃO
2012 Urgente! Começou "A Fazenda"!
Elenco de primeira. Só faltou a Stephany, a filha da Gretchen e a Garota da Laje!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Socuerro! Todos para o abrigo! Me mate um bode! 2012 foi ontem. Começou "A Fazenda". Mais um SURREALITY SHOW da Record! Elenco de primeira: Adriana Bombom, Sheila Mello e a ex do Theo Becker!
Só faltou a Stephany, a filha da Gretchen e a Garota da Laje! Agora, sacanagem é botar a Sheila Mello pra cuidar das galinhas! E eu tô achando essa "Fazenda" muito CULTURRAL! Rarará!
Por que a Sheila Mello foi fantasiada de Geisy da Uniban? E por que a Andressa Oliveira foi fantasiada de Geisy da Uniban? Geisy da Uniban é tendência na "Fazenda"! E adorei o crédito da Andressa Oliveira: "Ex do Theo Becker". Uau, namorar barraqueiro dá fama. Superfamosa. Classe A. A de anônima!
Esse casting é muito trash. Mais trash que aquele filme de terror "Matadores de Vampiras Lésbicas"!
E a Karina Bacchi tá parecendo a Margarida do Pato Donald. Peito empinado e bico de pata! Ela podia fazer duelo com a Alline Moraes.
Duelo de bicos! Bicos de tênis Conga.
E o PGN, o meu Partido da Genitália Nacional, vai criar uma faculdade para as rejeitadas da Uniban: UNIBUNDAS. Não tem matrícula nem mensalidade. Cada uma dá o que pode! E tá tão quente aqui em Sampa que um amigo meu foi pro supermercado. Ficar na frente da gôndola de frios e laticínios. Ar condicionado de graça! E a última sobre o apagão:
"Apagão é mais econômico que horário de verão!". E a piada pronta da semana é a faixa estendida na Uniban: "4ª Semana Selvagem".
PRAGA DO MALUF! E a ponte do Rouboanel que desabou? Praga do Maluf! Tudo que cai em São Paulo eu acho que é praga do Maluf: "Minhas obras são caras, mas não caem". Deu uma sexta-feira 13 nos candidatos 2010! Acabou o apagão da Dilma, desabou o Rodoanel do Serra.
A culpa do apagão é o raio de Itaberá. Aliás, os repórteres perguntaram pra Dilma Furacão: "É blecaute ou apagão?". E ela, muito meiga, gritou: "Ô RAIOS!". E a culpa pelo Rodoanel?
Um urubu fugindo da macumba de sexta 13! Aí bateu e derrubou três vigas. Rarará! E o Eramos6 revela o que o Serra falou quando viu o Rodoanel: "Que pena, vai demorar mais tempo para cobrar pedágio". Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse o outro: é duro, mas desce.
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Obelisco": companheiro do Asterisco. Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.
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7:35 PM by Cassiano Leonel Drum
ELIANE CANTANHÊDE
Frustração
BRASÍLIA - Nada andou no Iraque, no Afeganistão, no Oriente Médio; a América do Sul continua fora do radar; a comemoração por Honduras foi precipitada e, agora, vem a péssima notícia de que os líderes mundiais decidiram adiar um novo acordo climático. Copenhague caminha para o fracasso. Há, portanto, uma frustração com a troca de George W. Bush para Barack Obama, o homem mais saudado do planeta nesta década?
No caso do Oriente Médio, já que o Brasil recebe num único mês os enviados de Israel, do Irã e da Autoridade Palestina, o ministro Celso Amorim é claro: "Há uma frustração, sim. Quando Obama assumiu, tive muita esperança, porque tinha um discurso favorável, tinha abertura para o mundo islâmico, fez a nomeação de um mediador, mas essas coisas não se materializaram. Talvez ele estivesse muito ocupado com outros assuntos".
O mito Obama, então, está sofrendo um choque de realismo? Resposta de Amorim: "Bem... avançou na questão de Honduras, pelo menos até agora".
A ressalva ("pelo menos até agora") foi em boa hora, porque a entrevista foi na quinta, veio o fim de semana e, com ele, o recuo do acordo em Honduras. Nem esse troféu da política externa de Obama sobreviveu. O que sobra?
Mas o mais grave foi o fiasco norte-americano antes mesmo do início da Conferência do Clima em Copenhague. Para quem não se lembra, Obama fez campanha e dirigiu boa parte do seu discurso de posse prometendo uma alvissareira guinada na área ambiental. Tinha, portanto, obrigação não só de apresentar uma proposta ousada, de vanguarda, como de liderar os países ricos nessa direção.
Não conseguir sequer aprovar no Senado o novo embaixador no Brasil, Thomas Shannon, é um microdetalhe. Mas é um dado de fragilidade a confirmar que, entre mitos e bons presidentes, há uma distância enorme: a realidade.
elianec@uol.com.br
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7:30 PM by Cassiano Leonel Drum
Palavrório assustador
Brasil - Antonio Delfim Netto - Valor Econômico - 17/11/2009
Um brasileiro que tivesse adormecido em 2002 e só acordado em 2009 teria enorme dificuldade para entender o que está acontecendo. O presidente Fernando Henrique Cardoso, que governara oito anos (1995-2002) graças a uma mudança constitucional cavada a duras penas e por métodos muito pouco recomendáveis havia realizado uma série de reformas que iniciavam um processo de governança responsável.
As dificuldades de 1998 que levaram o país ao FMI (e as condicionalidades do seu empréstimo), exigiram uma mudança da política fiscal: 1º ) a construção de um superávit fiscal primário adequado para; 2º ) redução da relação dívida/PIB e sua manutenção em níveis aceitáveis; 3º ) a aprovação de uma lei de responsabilidade fiscal que colocaria um pouco de ordem nas finanças da Federação; e 4º ) reduzir o tamanho do Estado com privatizações aceleradas.
Na política monetária mudou-se a direção do Banco Central e escolheu-se um sistema de metas inflacionárias com câmbio flutuante. Nenhuma dessas medidas era novidade ou foi "inventada" pelo governo brasileiro. De fato, a parte fiscal é a "receita do FMI" para todos os países emergentes que por dificuldades externas acabariam (sem o seu apoio) tendo de declarar-se insolventes.
Os detalhes de como esse empréstimo foi aprovado no FMI são hoje conhecidos. Ficou evidente que a vontade do governo americano (presidente Clinton) foi decisiva para superar as "objeções técnicas" dos europeus. Estávamos em plena campanha eleitoral e um "default" certamente produziria uma desintegração do governo.
Em 1998, a vitória de Lula, considerado o líder de um partido absolutamente irresponsável, "poderia levar o país a mais uma aventura" e isso provocou a pressão dos EUA sobre o FMI. Há males que vêm para bem. Naquele momento nem o PT, nem Lula estavam convencidos de que existia mesmo uma "governança responsável":
o programa do partido era uma mistura de proposições utópicas e às vezes ingênuas (mas capazes de produzir grandes estragos), dominadas por um esquerdismo voluntarista que colocava no Estado construtor a esperança do desenvolvimento com Justiça social.
Paradoxalmente, as políticas de 1999-2002 produziram uma substancial melhoria de governança, mas acabaram por nos levar, outra vez, ao FMI de quem recebemos mais um robusto suporte às vésperas da nova eleição...
O nosso brasileiro que acordou em 2009 estaria completamente surpreso: nem FHC nem Lula serão candidatos em 2010. Apesar disso, todo o protagonismo político está concentrado assimetricamente sobre eles. O primeiro é hoje, aparentemente, a "oposição" e o segundo a "situação", isto é, o poder incumbente. A outra surpresa (que tem um ar de "milagre"), o Brasil tornou-se em 2009 credor do FMI! O que aconteceu, haveria de perguntar-se?
A resposta simples e clara é que desde 2003 acelerou-se a mudança do mundo e, com ela, a do Brasil. Quando venceu as eleições em 2002, eliminando os piores temores da sociedade com a famosa "Carta aos Brasileiros", onde expôs o seu programa (que nada tinha a ver com o do PT), Lula radicalizou a política fiscal (produziu superávits primários da ordem de 3,7% entre 2003-08, contra 3,3% entre 1999-02 - e praticamente zero entre 1995-98!) e a política monetária elevando a taxa média Selic para 23,4% ao ano em 2003.
A diferença é que FHC, graças a uma política cambial devastadora, amargou um déficit em conta corrente acumulado de US$ 186 bilhões entre 1995-2002, enquanto Lula surfou um superávit acumulado de US$ 16,8 bilhões entre 2003-08.
Entre 1997 e 2002, as exportações do Brasil cresceram 4,2% ao ano contra 22% entre 2003-08, graças à expansão da economia mundial (a participação do Brasil nas exportações mundiais praticamente ficou a mesma). De "quebrados" em 1998 (com repetição em 2002!) chegamos a agosto de 2009 com reservas de US$ 220 bilhões, superiores a toda a dívida externa (pública + privada) e nos livramos, pelo menos por algum tempo, da restrição externa que sempre limitou o espaço de nossa política econômica.
Em matéria de crescimento econômico e inflação, a octaetéride de Lula não parece inferior à de FHC, como se vê na tabela abaixo.
Com sua inteligência, sua falta de memória e o seu espírito provocativo, FHC parece ser a única coisa dotada de "sinais vitais" na oposição. É ridículo, entretanto, pensar que o simples palavrório e a invenção de alguns conceitos possam, sem um programa articulado, objetivo e crível, produzir sucesso no embate eleitoral de 2010.
Quem, no mundo de hoje, tem medo do ativismo estatal institucionalmente controlado? Quem, afinal, salvou o tal "mercado" que no conto de fadas que dominou o pensamento único se auto-controlava e era dotado de uma intrínseca moralidade? O Estado produtor morreu! Viva o Estado indutor que estimula o espírito animal dos inovadores!
Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras.
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7:11 AM by Cassiano Leonel Drum
17 de novembro de 2009 | N° 16158
LIBERATO VIEIRA DA CUNHA
Montevidéu na primavera
Algumas pessoas viajam para a Tasmânia, outras para Pago-Pago. Eu escolhi agora como destino, para uma breve temporada, Montevidéu, Uruguai. Fiz isso por pura saudade de um tempo que se foi. Minha primeira viagem fora das fronteiras de Porto Alegre e de Cachoeira, isto quando eu tinha 18 anos, foi a amável república que nos dá a honra de sua vizinhança. Quer dizer: meu combustível era a saudade.
Me aguardava em Carrasco um novíssimo aeroporto, que lembra Renzo Piano e outros grandes mestres da arquitetura. Mais do que ele, me esperava uma sedutora recepcionista: a primavera luminosa que me fez graciosa companhia durante todos os dias que passei na oriental, democrática república.
Embora conheça Montevidéu há tanto tempo, refiz percursos ao modo de quem recém lhes fosse apresentado. Cheguei a me inscrever em city tours que me levaram da renovada Ciudad Vieja a Playa Ramirez, Punta Carretas, Pocitos, Malvin e a uma infinidade de outros bairros em que nada havia mudado para tudo mudar. Eu sou o primeiro no entanto a reconhecer que havia um sentido de permanência no ar. Há detalhes da arquitetura de uma capital que no Brasil mudam a cada instante. Na do Uruguai, no entanto, resta uma atmosfera de completude que talvez nunca se altere.
Falo da arquitetura humana. As pessoas são amáveis. As fórmulas de cortesia são universais. Nada me tocou mais do que tornar a ouvir, depois de agradecer por qualquer favor, uma brevíssima sentença: Usted merece. São fórmulas que fazem parte natural da conversação, como quem diz bom dia ou por favor. A cidade em si praticamente é a mesma que conheci no distante ano da graça de 1963. Há, é claro, o novo palácio presidencial, uma escultura em aço e vidro, em azul e esmeralda, que encanta por suas linhas sóbrias e belas. Há também a torre das telecomunicações, mas esta é mais antiga. Restam intocadas as ruas margeadas de plátanos, as casas de um traço clássico, monumentos como o Palácio Salvo, os cenários da Rambla Costanera.
E sobrevivem, aparentemente muito bem da saúde, os cassinos, aí incluído um novo, Las Maroñas, em plena Avenida 18 de Julio. Foi instalado em um palácio restaurado em todo o esplendor, mas guarda para mim um pecado capital: as apostas não se fazem com o prestimoso auxílio do crupiê, mas com os bons ofícios de mecanismos eletrônicos.
Nada disso no entanto rouba o charme de Montevidéu. Este vai desde as crianças em seus uniformes escolares ao sóbrio desenho das mansões ancestrais.
Sem falar, é claro, na senhorita que nunca viste e de repente te lança todo um olhar de fascínio e de mistério.
Uma linda terça-feira, com muito sol lá fora e ai dentro de ti.
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7:08 AM by Cassiano Leonel Drum
17 de novembro de 2009 | N° 16158
MOACYR SCLIAR
Estranhas histórias de hospital
Confirmada, a história da técnica de enfermagem que, no Hospital Universitário da Ulbra, aplicou poderosos sedativos em bebês se constituirá num dos episódios mais estranhos da história da medicina gaúcha. E, ao mesmo tempo, encerra algumas lições sobre as quais é preciso meditar.
Na versão inicial, depois desmentida, Vanessa Pedroso disse que injetava morfina e diazepam, este um forte tranquilizante, para induzir nas crianças parada respiratória.
A seguir, a própria Vanessa fazia os procedimentos de reanimação. Seu objetivo, portanto, era aparecer na história como a heroína, a salvadora dos bebês. Um plano que obviamente só poderia ter nascido de uma mente enferma, e de fato, no primeiro depoimento, Vanessa admitiu problemas mentais e emocionais, entre eles a frustração por não ser médica.
A pergunta que imediatamente ocorrerá a muitas pessoas é: pode acontecer que uma pessoa perturbada trabalhe numa área em que o equilíbrio é condição fundamental?
Pode. E há um exemplo famoso para confirmá-lo. Trata-se do cirurgião alemão Ferdinand Sauerbruch (1875-1951), um pioneiro da cirurgia torácica que ficou famoso ao introduzir uma câmara especial que facilitou enormemente as intervenções no tórax; mais que isto, vários importantes procedimentos cirúrgicos estão ligados a seu nome.
Era um homem de enorme arrogância, uma personalidade complicada. Para começar, aceitou receber do chanceler Adolf Hitler um importante prêmio. Depois, tornou-se o coordenador-geral da área cirúrgica no exército alemão – e esta área incluía perigosos experimentos com prisioneiros de campos de concentração.
Por outro lado, teria ajudado Fritz Kolbe, que era um espião dos norte-americanos na Alemanha nazista. Por esta razão, não foi condenado nos julgamentos pós-guerra, mas perdeu seus cargos. Tal era seu prestígio, contudo, que a Alemanha Oriental decidiu apoiá-lo, por razões obviamente políticas.
À medida que envelhecia, foi ficando demente; os pacientes que operava, muitas vezes usando procedimentos absurdos, sistematicamente morriam. E ninguém se atrevia a lhe dizer que parasse de operar. Quando, por fim, o fizeram, Sauerbruch não se conformou; com a ajuda da mulher, médica, e de uma empregada, trazia pacientes para casa e operava-os na cozinha. Os resultados a gente pode imaginar. Esta fase alucinada só terminou com a morte de Sauerbruch, aos 75 anos.
Cuidar de pacientes não significa apenas dominar certas habilidades, nem mesmo fazer diagnósticos. Cuidar de pacientes é uma relação humana e exige, do cuidador, um superior grau de discernimento e de sensatez.
Profissionais da saúde não estão imunes à doença mental. No caso de Sauerbruch, o julgamento das pessoas que com ele trabalhavam foi prejudicado pela imagem autoritária do médico (o que, diga-se de passagem, já era um sintoma de que as coisas não corriam bem).
Conclusão: a avaliação de desempenho na equipe de saúde, sobretudo em hospital, deve incluir os aspectos psicológicos da pessoa. “Médico, cura-te a ti mesmo”, diz um antigo provérbio, que vale para todos os outros profissionais. Para que evitemos problemas como esse do Hospital da Ulbra.
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7:06 AM by Cassiano Leonel Drum
17 de novembro de 2009 | N° 16158
PAULO SANT’ANA
Só acontece comigo!
Quando falei que estava tonto, estupidamente imaginei que a tontura fosse um mal que só a mim atingia. Nós sempre somos assim, tudo de ruim que acontece conosco, achamos que é só conosco.
Por exemplo, quando o terrorista turco baleou o papa João Paulo II, Karol Wojtyla, este exclamou: “Deus, por que logo comigo”.
Quando Maurício Sirotsky constatou que tinha câncer na parótida, exclamou: “Por que foi acontecer justamente comigo?”.
E quando eu entortei literalmente o meu rosto, parecendo um Frankenstein, após uma cirurgia no ouvido, mais de 30 anos atrás, chorei que aquela tragédia da paralisia facial foi acontecer logo comigo.
De modo megalomaníaco, achava que só eu tinha ficado com os olhos arregalados e a boca torta.
Nada disso, os desastres ocorrem com milhões de pessoas. Entre elas, nós.
Pois agora estou tonto, escrevi isso esses dias. E não é que topei agora, por gentileza de Clóvis Malta, com um poema de Fernando Pessoa, sob o heterônimo de Álvaro de Campos, com o título de “Estou tonto?”. E o grande poeta descrevendo exatamente a tontura que tenho!
E o pior desta maldita tontura que é uma doença exclusivamente minha e as pessoas com quem me encontro e converso não sabem que estou tonto, o que impõe o dever de tratá-las com cordialidade, que não possuo em face da penosa atrapalhação de náusea que me agride vertiginosamente.
Mas saibam todos que se aproximarem de mim que eu e Fernando Pessoa estamos tontos.
Nunca pensei que fosse ofensa chamar um restaurante de caro. Pois chamei o Restaurante Pampulhinha de caro e acabei levando uma carraspana severa e quase deselegante da responsável pelo restaurante.
Quando escrevi que havia dois restaurantes caros em Porto Alegre, o Pampulhinha e o Koh Pee Pee, imaginei estar fazendo um elogio: para mim, o adjetivo caro para restaurante traz consigo o conceito de ótimo. Se é caro, é bom, todos pensam assim. E todos, não sempre, mas de vez em quando, vão dar uma espiadinha no restaurante caro.
Aí, levei uma espinafrada do Pampulhinha.
Bem feito para mim, quem mandou ter a intenção de elogiar?
Mas reafirmo categoricamente o que disse, os dois restaurantes citados são os mais caros da cidade, embora sejam excelentes.
A mim me doem no bolso.
Mas mando um beijo na carequinha simpática do Jaime, o dono do Pampulhinha.
Aqui vai a defesa do Pampulhinha: “Caro Sr. Paulo Sant’Ana. Venho por meio deste e-mail pedir alguma satisfação sobre a coluna escrita ontem, dia 5 de novembro de 2009, quinta-feira.
Ficamos aqui todos surpresos com a contradição e falta de clareza dos fatos citados na mesma, pois o senhor nos relata os serviços da cidade, considerando o Tuim o melhor chope da cidade e que já tiveram os melhores bolinhos de bacalhau e ainda hoje(??) (não ficou claro), mas o que mais nos surpreendeu foi nos citar como um dos dois mais caros restaurantes, sendo que não falou qual era o outro(???).
Achamos uma comparação sem sentido e fora de questão para um cliente como o senhor, Paulo Sant’Ana, que aqui sempre é bem recebido, como todos os clientes que nos visitam. Nossos bolinhos custam R$ 5 e são de um tamanho bastante grande em comparação a muitas porções servidas por aí. Será que não está havendo algum engano em sua citação?
As críticas são sempre bem-vindas quando são sensatas!!! Obrigada, (as.) Cristina Pinheiro (crispinhheiro@hotmail.com)”.
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7:03 AM by Cassiano Leonel Drum
17 de novembro de 2009 | N° 16158
CLÁUDIO MORENO
O anel que tu me deste
Foi Chesterton quem percebeu a importância que tem o vidro – ou o cristal, seu irmão mais nobre – no mundo dos contos de fadas. Além dos inesquecíveis sapatinhos da Cinderela, há princesas que vivem em castelos de vidro, há montanhas de cristal, e a pura Branca de Neve, envenenada pela maçã, fica guardada num caixão transparente até que o príncipe a faça reviver.
Para Chesterton, o brilho desses artefatos lendários, que podem ser estilhaçados por um gato travesso ou uma criada estabanada, servem para nos lembrar da fragilidade de nossos sonhos.
“Essas histórias da minha infância”, confessa, “acabaram determinando o meu sentimento de mundo. Eu sentia, e sinto ainda, que a vida resplandece como o diamante, mas é quebradiça como uma vidraça”. Para ele, portanto, ser feliz – tanto aqui quanto no país das fadas – exige um cuidado extremo e consciente para não fazer o gesto desastrado que pode pôr tudo a perder.
Esta comparação perderia qualquer sentido se tivesse sido outro o desfecho de uma história estranhíssima que, segundo Suetônio, ocorreu no tempo de Cristo. Um homem que fabricava artefatos de vidro muito apreciados em Roma conseguiu uma audiência com Tibério, a quem entregou um presente digno do imperador, um vaso belíssimo, que foi muito elogiado pela transparência das cores e por sua impecável execução.
Então, num gesto brusco, o artesão tirou o presente das mãos de Tibério e o arremessou no chão com toda a força que tinha – e o vaso, em vez de quebrar, retiniu na pedra como se fosse feito do mais duro bronze.
Diante dos olhos espantados da corte, o artista juntou-o do chão e o examinou com cuidado: o único dano visível era uma amassadela na borda, que ele prontamente corrigiu com os golpes delicados de um martelinho que levava na cintura. Tibério, com ar grave, perguntou-lhe então se alguém mais conhecia a fórmula daquele vidro inquebrável. “Ninguém, além de mim”, foi a orgulhosa resposta do artesão – e sua sentença de morte, porque o imperador mandou cortar-lhe a cabeça e destruir completamente a oficina em que ele trabalhava.
Para uns, Tibério, que os inimigos tachavam de pretensioso, foi movido pela inveja; para outros, agiu assim para evitar que aquela extraordinária descoberta reduzisse a nada o valor do próprio ouro. Nunca saberemos seu real motivo, mas de uma coisa tenho certeza: fazendo o que fez, eternizou essa pungente semelhança entre o vidro e a nossa vida.
Quanto mais fino o cristal, quanto mais leve e transparente, maior é o perigo de vê-lo se desfazer em pedaços – mas, por incrível que pareça, é precisamente essa fragilidade, esse risco iminente de quebrar, o que torna delicado e precioso cada momento que temos para desfrutá-lo.
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