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E N T R E L A Ç O S

Sábado, Novembro 30, 2002




Bom e como sempre aqui estão as duas capas juntinhas para voces compararem e escolherem. O melhor é sempre as duas mas se optarem por uma ou por outra por aqui, quem sabe, já ajude adecidir.

Tempo de luz



Será inaugurada nesse sábado 30, pelo sétimo ano consecutivo, a árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro: 82 metros de altura, 2,6 milhões de microlâmpadas e 20 mil metros de mangueiras luminosas em forma de laços. A árvore conta ainda com oito canhões especiais que farão um verdadeiro balé
de luz ao redor do monumento.



São Paulo também terá a sua árvore oficial pela primeira vez. Montada no lago do Parque do Ibirapuera, ela terá 55 metros de altura, 800 mil lâmpadas e 500 bolas de acrílico vermelhas iluminadas por dentro e acionadas por computador. O cenógrafo português Abel Gomes, que projetou as duas árvores, falou a ISTOÉ:

ISTOÉ Por que São Paulo esse ano?
Gomes A árvore já virou paixão unânime no Rio de Janeiro,
é a sétima vez que a montamos. São Paulo também merece
algo assim e espero que o sucesso seja igual.




E esta é a capa da Revista semanal Isto É que está disponível no endereço do Terra e no índice que coloco abaixo estão os assuntos, alguns bem interessantes e que vale a pena dar uma lida. Adquira sua Revista semanal na sua banca mais próxima.
A SEMANA

Tempo de luz
Leia outras notas
Datas Frases

ARTES & ESPETÁCULOS

Arte
Banquete visual
Em São Paulo, a ótima
mostra Da antropofagia
a Brasília: Brasil 1920-1950
repensa o modernismo Livros IV
Faltou dendê
Nelson Motta frustra
com policial baiano

Livros
Overdose de riso
Bastidores temperados com sexo
e drogas do programa saturday
night live viram best-seller Cinema
Rato que ri
Stuart Little 2 seduz
crianças e adultos

Livros II
A dama dos palcos
Biografia desvenda o mito Cacilda
Becker, a atriz que era múltipla Cinema II
Encurralado
Ônibus 174 analisa
um trágico sequestro

Livros III
Sol nascente
Mishima faz elogio do
Japão que não se rende

Coluna Em Cartaz

CARTAS

Cartas dos leitores

BRASIL

Política
Os pepinos no ar
PT se surpreende com a
grande quantidade de
problemas que serão
herdados do atual governo Nordeste
Os primeiros papéis
Documentos reforçam investigação
do Ministério Público sobre lavagem
de dinheiro de políticos e empresários

Polícia
PCC vai à lona
Ex-capo desmonta facção e conta
por que prefeito foi executado Pesquisa
Crescimento indesejado
IBGE constata que a pulverização
das cidades nos últimos dez anos
trouxe ainda mais miséria

Denúncia
A nova maldição
Reserva indígena, que pode
ter a maior mina de diamantes
do mundo, é explorada pelo
crime organizado, que fatura
US$ 20 milhões por mês

Coluna Fax Brasília

CIÊNCIA & TECNOLOGIA

História
Patrimônio a perigo
A miséria, o trânsito e a
ocupação irregular ameaçam
cidades que integram a herança
cultural brasileira Genética
Uma longa caminhada
Pela análise do DNA, cientistas
decifram os caminhos trilhados
pelo ser humano desde seu
surgimento na África

Ecologia
Sob controle
Monitoração ajuda a
salvar baleias e mogno

Coluna Século 21

COMPORTAMENTO

Gastronomia
Iguaria presidencial
Chef paulista faz o prato que
seduz a família de FHC e agrada
também ao alto escalão petista Criança
Brincadeira não tem hora
Para exercitar a mente, atividades
lúdicas. Não só no recreio, mas
também na sala de aula

Decoração
Vestidas para brilhar
Loja em São Paulo faz exposição
de mesas de Natal decoradas por
estilistas famosos Alternativo
Cartas na mesa
Pela primeira vez, tarólogos
realizam encontro nacional
para discutir a profissão

Coluna Gente

ECONOMIA & NEGÓCIOS

Aviação
Varig versus Varig
Além dos problemas econômicos,
a maior empresa aérea do País
tropeça nos conflitos internos Inflação
A volta dos dois dígitos
Não surpreendem mais as
estimativas de que o País chegará
ao final do ano com taxa de 10%

Estatal
Uma bomba de R$ 7,5 bi
Justiça pune Byron Queiroz
e seis diretores do BNB por
fraudes em balanço e gestão
irregular da instituição Comércio
Feijoada e tango
Reduzir a corrupção, aumentar
o crédito internacional e as
negociações bilaterais são
os desafios para o crescimento
da América Latina

EDITORIAL

Terra de ninguém

EDUCAÇÃO

Dignidade
O povo da lata
O Brasil ultrapassa o Japão
e é o campeão mundial de
reciclagem de latinhas de
alumínio. A atividade tira
milhares da miséria

ENTREVISTA

Saia, batom e garras
Para a feminista Thais Corral, este século é o das mulheres, que estão
mais bem preparadas para buscar consensos e promover avanços sociais

INTERNACIONAL

Intolerância
Sangue na passarela
Jornalista desencadeia violência
entre muçulmanos e cristãos na
Nigéria ao afirmar que Maomé
cobiçaria uma miss

MEDICINA & BEM ESTAR

Tratamento
Solte o freio
Alterações da fala, como
a língua presa, podem ser
tratadas com cirurgia e
sessões de fonoaudiologia Prevenção
Fluxo sem barreiras
Campanha previne a trombose
venosa profunda, uma das maiores
causas de mortalidade mundial

Epidemia
Risco anunciado
Mulheres já somam metade dos
casos da doença no planeta

Coluna Viva Bem




O Show da Fome

"Lula enfrenta problemas de peso.Poucos dias atrás, declarou que, para ser ministro, é irrelevante possuir uma grande massa cerebral. Menos irrelevante, presume-se, é possuir uma grande massa corporal. Graças aos petistas superalimentados, renovamos nossas esperanças"

O lado bom dessas tragédias é que acabam aumentando nossa cultura geral. O que eu saberia sobre a abundante safra de ópio em Jalalabad sem os bombardeios americanos? Ou sobre o marido da presidente da Indonésia sem o atentado de Bali? Ou sobre o musical russo Nord-Ost sem os terroristas chechenos? Ou sobre o concurso de Miss Mundo sem os massacres na Nigéria? Lamento apenas que minha memória seja tão curta. Durante o genocídio em Ruanda e Burundi, aprendi montes de coisas sobre hutus e tutsis. Agora nem lembro mais quais eram os altos e quais eram os baixos. Atualmente, meu interesse está todo voltado para o governador Julio Miranda, da província de Tucumán, na Argentina, onde criancinhas miseráveis morrem de fome. Daqui a alguns meses, certamente já terei esquecido todos os escândalos envolvendo seu nome.

A fome é uma importante fonte de curiosidades socioeconômicas. Quase tudo o que sei sobre os países mais desastrados do planeta depende exclusivamente de seus famintos. De acordo com o Programa Mundial de Alimentos, da ONU, 800 milhões de pessoas estão passando fome neste momento. Cerca de 10 milhões se encontram na Etiópia, cuja renda per capita anual, nas últimas duas décadas, caiu de 190 para 108 dólares. Em Madagascar, o número de famintos deve chegar a 400.000, em conseqüência de crises políticas e desastres naturais. Na Coréia do Norte, 45% das crianças com menos de 5 anos podem ser consideradas subnutridas. E mais de 600.000 palestinos, nos territórios ocupados, sobrevivem apenas graças à ajuda de órgãos humanitários.

Para quem quer testar os próprios conhecimentos geográficos, o Programa Mundial de Alimentos distribui gratuitamente um Mapa da Fome. É possível transformá-lo numa espécie de Show do Milhão da miséria, com perguntas sobre o índice de desenvolvimento humano de Malauí, ou sobre os Estados fronteiriços de Mianmar, ou sobre a taxa de analfabetismo feminino do Iêmen. Vergonhosamente, o Brasil não consta desse mapa. Fomos excluídos pela ONU. Como se nossos 40 milhões de famintos fossem uma mera invenção eleitoreira de Lula. Como se Ronaldo pudesse perder tempo com o programa Fome Zero. É paradoxal que, no mesmo período em que Ronaldo se engajava na campanha alimentar de Lula, os dirigentes de seu time, o Real Madrid, o acusavam de estar diversos quilos acima do peso, por causa de sua voracidade por hambúrgueres e Coca-Cola. O hipercalórico Ronaldo fez uma única exigência a Lula: a de que seu desafeto Sócrates fosse mantido a distância. Quando ainda estava em atividade, Sócrates era conhecido como Magrão, atributo que o tornaria uma testemunha perfeita para o Fome Zero. Infelizmente, nada em seu atual estado justifica o apelido.

Outro que enfrenta problemas de peso é Lula, assim como todos os seus principais assessores e ministeriáveis. Poucos dias atrás, Lula declarou que, para ser ministro em seu governo, é irrelevante possuir uma grande massa cerebral. Muito menos irrelevante, presume-se, é possuir uma grande massa corporal. De fato, o governo petista terá a mais alta tonelagem da história da República. É graças a essa gente superalimentada que podemos renovar nossas esperanças no futuro. Daqui por diante, nenhum brasileiro comerá menos de 11.000 calorias por dia.
Diogo Mainardi - Revista Veja


Gustavo Franco

Expectativas de inflação
"Ninguém quer sair na fotografia dizendo que espera uma inflação de 30% pelo IGP-M para 2003, mas essa é, goste-se ou não, a opinião média do mercado"


Ilustração Ale Setti


Há uma novidade perturbadora neste fim de governo, e sobre a qual os especialistas exibem desconforto em revelar suas verdadeiras opiniões. Trata-se dela mesmo, a Velha Senhora, o monstro que se julgava extinto, o vício que aparentemente abandonamos.

A despeito dos indícios, ninguém se atreve a se revelar pessimista, ao menos em público. O país está carregado de bons fluidos gerados pela eleição. A estabilização foi uma dura conquista da sociedade, que apoiou a URV, o real e a desindexação e, com isso, redefiniu hábitos e conceitos e recompôs uma parte importante de nossa identidade nacional, a moeda, um símbolo tão prezado quanto a bandeira e o hino. Saímos do ilusório, a inflação, para o real, com todas as suas mazelas. Não queremos voltar no tempo.

Com certa licença sociológica, diz-se que foi a sociedade que se negou, a partir de 1999, a "transmitir" a desvalorização cambial em inflação, tendo em vista seu desejo de preservar a estabilidade. Mais preciso, e nada contraditório, seria lembrar que a política monetária foi estrita, a indexação salarial, contida, e a execução fiscal, apertada. Nesse regime, o repasse do câmbio para os preços ao consumidor tem sido pequeno. Diz-se que o IPCA "engravidou" algumas vezes, nos últimos anos, do dólar, este rufião incontrolável, e dos volúveis IGPs, que o seguem. Mas a atmosfera macro tem sido hostil à evolução dessa gravidez; o bebê de Rosemary não nasceu.

Com efeito, não retornamos à esbórnia anterior a 1994, mas, de praticamente zero em 1996-1997, a inflação foi para 21,05% no IGP-M, considerando doze meses terminados em novembro de 2002. E 8,4% no IPCA até outubro. Pior que isso é verificar que as expectativas para 2003 estão ruins, e piorando. Sobre isso pouco se fala, e o que é dito não é propriamente a expressão da verdade.

Tempos atrás, quando foi inventado o Comitê de Política Monetária (Copom), no Banco Central, começaram a ser coletadas opiniões das instituições financeiras sobre o que elas esperavam para juros e inflação, entre outras variáveis da economia. Os membros do Copom sabiam que as respostas não revelavam o que os bancos realmente pensavam, mas o que eles gostariam que o BC pensasse ser a opinião deles sobre juros e inflação. A diferença é enorme, e evidente.

Senão, vejamos: na posição de 22 de novembro de 2002, o "survey" do BC revelava que a mediana das expectativas para a inflação pelo IGP-M em 2003 era de exatos 14%, ou seja, um recuo moderado diante dos números de hoje.

Será que é nisso que o mercado acredita mesmo?

Para testar essa hipótese, o leitor deve tentar comprar um título indexado ao IGP-M para o prazo de doze meses. O papel apenas será encontrado com ágio, de tal sorte que o rendimento efetivo do título, ou a taxa interna de retorno, será de menos 0,29% anuais. Para o mesmo prazo, uma aplicação a juros pré-fixados rende 30,81%. Como essas taxas estão arbitradas, ou seja, o mercado é indiferente entre IGP-M menos 0,29% e 30,81%, segue-se que a expectativa "implícita" de variação do IGP-M nos próximos doze meses é de 30,52%. Isso antes no anúncio do IGP-M para novembro, que cresceu espantosos 5,19%.

Por que, então, esse mesmo povo diz ao BC que está esperando que seja 14%?

É claro que há uma diferença entre prever, de público, um número ruim para 2003 e escolher um número para apostar algum dinheiro. Se o ato de prever é grátis, e se há boa vontade a ser amealhada revelando-se publicamente otimista e confiante, todos o farão, no limite do que for sensato. Mas quando se trata de apostar, e perder muito dinheiro se o número escolhido for diferente do observado, aí, sim, o sujeito deve usar seu melhor julgamento, e sem fazer propaganda. O fato é que ninguém quer sair na fotografia dizendo que espera uma inflação de 30% pelo IGP-M para 2003, mas essa é, fora de dúvida, goste-se ou não, a opinião média do mercado. Reverter essas expectativas antes de elas se consolidarem é um desafio já posto para o próximo governo.

Gustavo Franco é economista da PUC-RJ e
ex-presidente do Banco Central
(gfranco@palavra.com ­ www.gfranco.com.br)




O empresário Beraldo: "Livrei-me de um fardo"

Basta olhar para os lados. Ele está em todo canto. Quando toca num restaurante, é um deus-nos-acuda. Os homens reviram os bolsos e as mulheres vasculham as bolsas à procura do aparelhinho: "Alô? Alô?". Os espalhafatosos berram como se estivessem sozinhos em casa, sem a menor cerimônia. Os mais discretos tentam disfarçar a conversa, virando-se para o lado ou colocando a mão sobre a boca. Mas todos falam. Para boa parte dos brasileiros, a vida é impensável sem um telefone celular. De 1990 para cá, o número deles saltou de menos de 700 para quase 32 milhões. Ocorre que, como toda devoção, a religião do celular começa a ter seus hereges. São pessoas que acreditam que é melhor viver sem o aparelhinho. Elas estão ao alcance pelo telefone apenas quando se encontram em casa ou no trabalho. Do contrário, só mesmo com a ajuda de um pombo-correio.



O empresário paulista Marcelo Beraldo tinha no celular um artigo de primeiríssma necessidade. Até que percebeu que não era tão ruim assim passar algumas horas do seu dia fora do ar. "Livrei-me de um fardo. Agora, eu me sinto mais livre", diz Beraldo. O celular estava levando o modelo carioca Ângelo Aguiar, de 26 anos, à loucura. "Não suportava mais ter de parar o que estava fazendo para atender o telefone", conta. Para os "sem-celular", é indescritível o prazer de saber que não estão disponíveis para qualquer um, a qualquer hora e em qualquer lugar (veja quadro). Mas até que ponto a culpa é da tecnologia?



A verdade é que, em geral, aposentar o telefone portátil é uma medida drástica tomada por quem não consegue controlar de jeito nenhum seus impulsos comunicativos ¿ e tem o bom senso de encarar isso como um problema. Para disfarçar essa incapacidade, muitos passam a falar em "ditadura do celular", uma asneira de uso muito corrente nas esquálidas universidades brasileiras. Para quem quiser justificar de maneira mais espirituosa a decisão de abandonar o aparelhinho, recomenda-se a leitura do ensaio Como Não Usar o Telefone Celular, do escritor italiano Umberto Eco, um anticelular convicto. Ele diz que apenas certas categorias de pessoas realmente necessitam de um telefone desse tipo. São elas: os doentes, os médicos, os bombeiros e os adúlteros. Para estes últimos, o aparelho seria indispensável "para receber ligações do parceiro secreto sem que os familiares, as secretárias ou os colegas mal-intencionados possam interceptar o telefonema". Ou seja, como você não é doente, médico, bombeiro nem adúltero...





Pessoal, como sempre os leitores deste Blog estão tendo em primeira mão a reportagem principal e a capa da Revista Veja que estará nas bancas amanhã bem cedinho. Sempre procuro colocar mais da Revista Veja que da Revista Isto É por ela estar em espaço reservado aos assinantes.

Seções

Carta ao leitor - Entrevista: José María Aznar
Ponto de vista: Cluadio de Moura Castro
Cartas - Em foco: Gustavo Franco
Radar - Holofote
Contexto - Veja essa
Arc - VEJA on-line
Gente - Datas
Diogo Mainardi - VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

Economia e Negócios
Aviação: A crise da Varig

Internacional

Terrorismo: Israelenses são atacados no exterior
Terrorismo: Dinheiro saudita nos atentados de 11 de setembro

Guia

Corpo: Exercícios e cardápio para entrar em forma
Veraneio: Vale a pena comprar uma casa na praia?
Crime: O conto-do-vigário via internet
Trabalho: Habilidade de negociação ajuda a enfrentar crises
O que estou lendo


Brasil

Inflação: A volta do velho fantasma
Partidos: Governadores tucanos lutam pelo comando do PSDB
Distrito Federal: Joaquim Roriz encurralado
Sucessão: Lula chama os sindicalistas à responsabilidade
Reforma: Trapalhada na edição da minirreforma

Geral

População: Desigualdade entre negros e brancos persiste
Automóveis: O carro brasileiro feito para vencer ralis
Saúde: O apoio do grupo Re Vida aos pacientes com câncer
Turismo: Trancoso ganha resorts e perde a tranqüilidade
Games: Os atletas dos novos jogos até parecem de verdade
Sociedade: Eles não querem mais saber de celular
Internet: Spams, as mensagens indesejadas que atolam seu micro
Estilo: Novas técnicas e estampas nos biquínis deste verão
Dieta: O minirregime para perder 3 quilos em três semanas
Comportamento: O que querem os consumidores de produtos orgânicos
Tecnologia: Presentes para um Natal tecnológico

Artes e Espetáculos

Cultura: Gunther von Vagens, o escultor de cadáveres
Música: O CD póstumo de Cássia Eller
Televisão: Gugu em crise
Livros: Uma biografia do craque Ronaldinho

Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo

Capa: ilustração de Fábrica de Quadrinhos




Maurício Lima e Lucila Soares


Não foi por acaso que os brasileiros, num tempo não muito distante, escolheram como símbolo da inflação uma figura mitológica, o dragão. Esse é justamente um de seus truques mais tinhosos: fingir que não existe. Quando se percebe, a inflação já está instalada no país. O que parecia um animal de contos de fadas de repente está solto pelas ruas queimando dinheiro de verdade, destruindo riqueza e produzindo tensões e caos social. Pois o truque da invisibilidade inflacionária foi usado de novo no Brasil, quase uma década depois de o bicho ter suas garras arrancadas e de ter sido acorrentado no porão pelo Plano Real. A inflação mal foi assunto nos infindáveis programas de televisão da última campanha eleitoral para a Presidência da República. Ela apareceu descrita apenas como um perigo distante nos programas de governo dos candidatos derrotados e do vencedor, Luiz Inácio Lula da Silva. Pois neste fim de ano os brasileiros descobrem assustados que a inflação voltou a ser sua maior preocupação. Os sinais de alerta são claros e facilmente percebidos por uma população que sofreu com a carestia como nenhuma outra nas últimas décadas. Os preços dos produtos nos supermercados, padarias, lojas e postos de gasolina de todo o país, medidos pelo chamado índice nacional de preços ao consumidor amplo (IPCA), subiram como que impulsionados por um foguete. O IPCA de 2002, segundo avaliação de uma centena de instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central, pode chegar a 10%. "No fim do ano, o índice deve bater em 11%. A inflação de dois dígitos é um fato consumado", diz Luiz Roberto Cunha, economista e membro do conselho consultivo do IBGE para o IPCA. Por outro índice, que mede compras e vendas no atacado, a inflação deste ano bateu em 20%. E há previsão de crescimento no ano que vem.

Inflação anual de dois dígitos é algo que não se via no Brasil havia mais de seis anos. Esse é um marco que não pode passar sem que se acione um alerta vermelho diante dos olhos das autoridades. Como os gigantes, que também nascem pequenos, o dragão da inflação, especialmente o da espécie brasileira, sai do ovo cuspindo um foguinho brando e com uma carinha inocente. Logo, porém, ele se transforma num monstro incontrolável. Por essa razão, alertam todos os economistas ouvidos por VEJA, o ano de 2003 tem de ser dominado pela luta prioritária para deter o crescimento do animal inflacionário. "As pessoas não dizem abertamente, porque isso é constrangedor, mas o mercado está apostando numa disparada inflacionária em 2003. O desafio do novo governo é reverter o mais rapidamente essa expectativa", diz Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central.


L.C. Leite/AE



O movimento nos shopping centers aumenta com a proximidade do Natal: consumidores impressionados com os preços

Os especialistas lembram que os índices com impactos futuros mais significativos já estão apontando para a disparada inflacionária. O mais importante deles é o índice geral de preços do mercado (IGP-M). Esse índice mede principalmente os preços praticados nas transações no atacado entre empresas e fornecedores. Tem-se como certo que, quando o IGP-M fica muito inchado, ele acaba contaminando o IPCA, o índice que mede os preços nos supermercados. Isso significa que as empresas tendem a repassar seus custos para baixo, para as prateleiras, de modo que o consumidor arque com parte deles. Pois bem, no cálculo dos pessimistas, as projeções do IGP-M para o fim de 2003 chegam a assustadores 30%. Muitos economistas trabalham com a idéia de que atingirão os 25% no Natal do primeiro ano do governo Lula. No último Natal do governo Fernando Henrique Cardoso, o IGP-M não ficará abaixo de 20%, seu valor acumulado até a semana passada.

"A inflação brasileira superou neste mês aquele patamar mágico e cobiçado em que seu valor, de tão baixo, nem entra no cálculo das transações", diz Mailson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda do governo Sarney, que conviveu com uma inflação de quase 2.000% ao ano. Mailson faz referência à famosa definição de inflação baixa feita por Alan Greenspan, presidente do Fed, o banco central americano. Segundo Greenspan, a inflação é tolerável até o ponto em que as pessoas não a percebem nem a levam em consideração na hora de fazer as compras ou fechar negócios. A partir daí, quando ela começa a ser lembrada, pode-se saber que entrou num patamar preocupante. Isso acaba de acontecer no Brasil.


Paulo Pinto/AE


Os vilões da alta dos preços: os óleos de cozinha estão entre os itens que mais encareceram

Os dois dígitos do IPCA sinalizam perigo. Eles causam tanto temor quanto o primeiro gole de um alcoólatra depois de anos de abstinência. Em países como o Brasil, com memória inflacionária, esses sinais têm de ser levados muito a sério. As estatísticas mundiais mostram que os países que mais freqüentemente são castigados por surtos inflacionários são justamente aqueles que já sofreram com o problema da perda de valor da moeda no passado. Para quem já se esqueceu, nunca é demais lembrar que inflação significa tragédia e que, uma vez instalada, ela não recua facilmente. Depois de três décadas de esbórnia inflacionária, o Brasil tentou debelá-la com oito planos econômicos. A moeda nacional mudou de nome cinco vezes. Antes do Plano Real, todos os demais fracassaram, humilharam seus autores intelectuais e enterraram os presidentes do período no pântano da impopularidade. Por isso, a vitória do Real contra a inflação é tão valiosa. É preciosa porque foi um evento raríssimo na história da economia moderna. "A trágica história da inflação no Brasil nos lembra que não podemos arriscar nada nessa área", diz Eustáquio Reis, diretor de estudos macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Inflação tem diversas definições teóricas. A mais explicativa delas é a de que a química do fenômeno ocorre no bolso dos cidadãos. O processo inflacionário é, em suma, a corrosão do poder de compra do dinheiro. Seu efeito imediato é a concentração da renda nas mãos dos ricos e nos cofres do governo. Esse processo chamado de "imposto inflacionário" funciona contra o interesse dos mais pobres da sociedade, que não têm mecanismos para se defender da corrosão monetária. A inflação acaba também com os ganhos de produtividade das empresas, ao obrigá-las a montar departamentos inteiros para monitorá-la e estudar saídas para escapar de seus efeitos. O foco das companhias sai da produção para a ciranda financeira. Ganha-se mais especulando com inflação alta que produzindo aço, fazendo roupas ou enlatando óleo. A especulação tem até uma justificativa moral. As empresas se entregam a ela para se proteger da imprevisibilidade da economia. Muitas perdem o interesse em ampliar seus negócios. Para citar apenas um exemplo, fica-se com o cancelamento de um investimento de 220 milhões de dólares no Brasil anunciado pela Shell em 1993. A empresa anglo-holandesa suspendeu a construção de três refinarias que criariam mais de 1.000 empregos diretos alegando falta de confiança no futuro do país. A inflação em 1993 era de 30% ao mês.




A Alemanha na década de 20: hiperinflação e desespero

Quando se analisa o que os economistas chamam de "média móvel", ou seja, o comportamento da inflação em doze meses, não necessariamente de janeiro a dezembro, a indicação clara é a de que para o próximo ano a economia já carrega uma taxa de inflação em torno de 10%. Isso significa que, mesmo que o próximo governo faça tudo certo no começo, a inflação provavelmente não cederá do patamar dos dois dígitos. "A situação atual indica que um erro crasso de condução da política econômica pode trazer a inflação desastrosa de volta", diz Mailson da Nóbrega. Pelo que revela a história da inflação nas economias modernas, existe um ponto de aceleração que poderia ser denominado trampolim da inflação. Esse ponto se situa em torno dos 20% de inflação anual. "A experiência mostra que quando os índices se aproximam desse valor a pressão social pela indexação é quase invencível", lembra Mailson. Guarde na memória esse termo: indexação. Indexação é a correção legal automática de todos os preços, inclusive os salários. Esse movimento oferece uma proteção aparente contra a inflação, pois logo se transforma em combustível para a subida de preços. Não é preciso dizer que nunca os salários conseguem subir na mesma velocidade que os preços.



O cenário futuro depende fundamentalmente do que o próximo governo fizer. Pelo que vêm dizendo os novos dirigentes da economia e da política no governo petista, o combate à inflação será prioritário. "A melhor inflação é a menor inflação possível", diz Aloizio Mercadante, senador eleito pelo PT de São Paulo. "Não vamos trabalhar com a idéia de que poderemos fazer frente a despesas usando recursos inflacionários", afirmou o deputado federal José Dirceu, um dos íntimos colaboradores de Lula. "O padrão de inflação considerado desejável pelo novo governo é aquele que não dá margem à demanda por reindexação e que garante o cumprimento de todos os contratos pré-fixados anteriormente", diz Antônio Palocci, o provável ministro da Fazenda do governo Lula. No discurso estão afiados e afinados. Isso é um ótimo sinal. Mas é sempre bom lembrar que o combate à inflação exige que o governo tome medidas fiscais austeras e, pelo menos no primeiro momento, impopulares. A tradução prática desse discurso é aumentar ainda mais os juros.

Por mais assustador que pareça para o Brasil, o atual campeão mundial de juros altos, a receita mais segura para conter a inflação são mais juros. "Não existe outra receita provada para debelar surtos inflacionários", diz Maílson. Interessante, notam os economistas, é o fato de que muitas vezes, para que a inflação permaneça domada, basta que o governo firme uma reputação de agir com rigor assim que o dragão venha a colocar a cabeça para fora do ovo. "Quando o mercado sabe que um banco central não tolera inflação, ele sempre espera índices inflacionários decrescentes. Essa expectativa de queda às vezes basta para quebrar a espinha dorsal da inflação", diz Roberto Padovani, economista da Consultoria Tendências.

Fora da receita clássica de bater duro com o aço dos juros bem no topo da cabeça do dragão, existem muitos descaminhos possíveis que podem fazer desembestar a inflação. O mais temido é a tentação inflacionária. A inflação pode ser muito tentadora para governos com dificuldades de fechar as contas públicas por três razões principais. A primeira delas é que as receitas federais, impostos e contribuições, estão indexadas aos índices inflacionários. Assim, se a previsão de receita de um ano era de 100 bilhões de reais, caso a inflação chegue a 10% ela passa automaticamente para 110 bilhões. Uma multiplicação indolor, sem que seja preciso cortar gastos nem contrariar interesses. A segunda razão é que uma parcela considerável das despesas pode ser paga só depois de seu valor ter sido corroído pela inflação. São as despesas de custeio, de investimento e principalmente a folha de pagamento do funcionalismo público, que responde por quase 30% dos gastos federais. A terceira razão é o impacto positivo sobre a dívida pública. Ela se deprecia fortemente porque os juros reais pagos pelo governo acabam sendo bem menores que os contratados. Juro real é calculado subtraindo dos juros nominais o valor da inflação. "Um governo em apuros pode ser tentado a aceitar um pouco de inflação. Isso traz alívio aparente", afirma Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. "No Brasil, isso equivale a riscar um fósforo na cozinha para verificar se o gás está vazando."

Muita gente vem se perguntando como o Brasil chegou ao ponto de colocar a perder a grande conquista da estabilidade dos anos FHC. O economista José Julio Senna divide a escalada da inflação em etapas. Na primeira, os índices foram afetados principalmente pelo dólar beirando os 4 reais e pela subida da cotação dos produtos agrícolas no mercado internacional. Quando o açúcar ou a soja sobem na Bolsa de Chicago, o preço sobe no portão da fazenda ou da usina no Brasil. Na segunda etapa, entraram em cena as incertezas da campanha eleitoral, que, justificadamente ou não, criaram a expectativa de inflação futura alta. Em terceiro lugar, houve a contaminação da alta de preços de produtos cuja produção e venda nada têm a ver com custos em dólares ou preços internacionais. Uma quarta etapa seria, na opinião de outros economistas, o comportamento contido do Banco Central, que não sinalizou com a firmeza necessária sua decisão de conter a inflação dentro da meta de 6,5% acertada com o FMI. "O futuro governo tem de anunciar logo uma meta e procurar cumpri-la. Caso contrário, vai jogar as expectativas inflacionárias para o alto", diz o economista Sérgio Werlang, diretor do Banco Itaú.


Nas últimas semanas, os empresários da indústria e do comércio de vários ramos estão metidos numa guerra de nervos por causa da inflação alta. Os da indústria pedem prazos mais longos e menos reajustes a seus fornecedores de matéria-prima. Com o preço dos insumos nas alturas, produzir carros, alimentos ou roupas virou uma atividade de altíssimo custo. Na outra ponta, o varejo resiste em aceitar os aumentos, alegando que o consumidor não quer nem ouvir falar em mais reajustes. O melhor retrato disso é a recente briga entre os gigantes da indústria e as grandes redes de supermercados. O Grupo Pão de Açúcar, maior empregador direto do país, com 60.000 funcionários, iniciou uma polêmica com parte de seus 5.000 fornecedores ao anunciar que não estava disposto a repassar aumentos. Os executivos do grupo chegaram a ameaçar retirar das prateleiras algumas marcas que estariam apresentando altas consideradas abusivas.

"Estamos comprimindo nossa margem de lucro. O problema é que o consumidor não aceita mais repasses", disse Hugo Bethlem, diretor do grupo Pão de Açúcar. O óleo de soja, principal insumo para a fabricação de margarina, subiu 70% neste ano, mas a indústria só conseguiu repassar uma alta de 20% para o subproduto. "É claro que nós tivemos de absorver o resto do aumento", declara José Estanislau do Amaral, diretor de assuntos corporativos da Unilever, a maior produtora de bens não-duráveis do país e principal fornecedora dos supermercados brasileiros. Na Unilever, 80% dos custos de produção sofreram com a desvalorização do real. No setor automobilístico, as discussões entre os departamentos de compras das montadoras e de seus fornecedores têm sido ferozes. Ao contrário de outros tempos, a alta dos preços não é provocada exclusivamente pelo aumento da demanda. No setor eletroeletrônico, a inflação veio acompanhada da diminuição das vendas, o pior cenário possível que, levado às últimas conseqüências, produz estagflação ¿ a mistura intragável de preços altos e recessão. A situação a que se chegou não é cômoda mas pode ser revertida com a ação do novo governo. "Se o governo Lula souber dizer uma série de nãos, pode interromper o processo de escalada da inflação", diz o cientista político Sérgio Abranches. Os brasileiros esperam que o novo presidente diga os nãos necessários e reverta o dragão da inflação a sua condição de mito.



O caminho do céu...

Estabilidade cambial ¿ A projeção do mercado para dezembro de 2003 mostra o dólar valendo 3,60 reais, o mesmo patamar de hoje.

Queda nos preços dos alimentos A safra recorde desse ano e o provável recuo das cotações internacionais dos produtos agrícolas vão ajudar. Os preços de soja, café, açúcar e milho subiram em média 60% e foram em grande parte responsáveis pela escalada da inflação em 2002.

Política econômica sólida Se prevalecer a opinião de Antônio Palocci e José Dirceu, o PT vai combater a inflação logo nos primeiros dias de governo. Com manutenção de juros altos, se necessário, e controle de gastos.

Supéravit comercial O país deve fechar 2002 com superávit comercial de 12 bilhões de dólares, contra 2,6 bilhões em 2001. Para o ano que vem, espera-se superávit de 15 bilhões de dólares.

Cenário externo A economia americana cresceu 4% no último trimestre e pode recuperar o vigor e o apetite para voltar a investir nos países emergentes.


...ou do inferno

Política econômica incerta - O novo governo pode não conseguir fazer as reformas estruturais previdência, tributária e trabalhista. Isso traria desconfiança.

Novos choques externos - A invasão americana ao Iraque pode levar a uma alta exagerada nos preços do petróleo.

Pressão cambial - O dólar pode não ceder e continuar pressionando os custos dos insumos dos produtos básicos.

Pressão popular Para contentar a população, o governo arrisca cair na armadilha de baixar artificialmente os juros.

Intervencionismo A história mostra que as tentativas de tabelar e controlar preços de cima para baixo só funcionam por algum tempo. Com medo de intervenções, indústria, comércio e prestadores de serviço reajustam seus preços preventivamente ou os retiram do mercado.

Indexação É a medida terminal. Preços e salários se metem numa corrida louca que se torna o mais poderoso combustível inflacionário.

TEMPOS DIFÍCEIS
Roberto Faustino/Ag. Folha

Rosa Gauditano
Marcos Rosa





Durante mais de três décadas, os brasileiros sofreram com a inflação e também com os planos criados para combatê-la: o congelamento de preços do Plano Cruzado causou desabastecimento. Em 1986 a inflação anual foi de 76%, mas no ano seguinte voltou com toda a força, atingindo 363%. As remarcações de preços eram quase diárias (acima, à esq.), o que provocava a perda do poder de compra dos salários. As empresas chegaram a ganhar mais com a especulação financeira do que produzindo.
Com o Plano Real, o ritmo das remarcações diminuiu (acima, à dir.).

Com reportagem de Adriana Carvalho,
Denise Ramiro, Marcelo Carneiro e Roseli Loturco




Voces estão lembrados daquele velho provérbio: Se correr o bicho pega e se parar o bicho come. estamos mais ou menos assim outra vez e não há jeito. Mas curta o fim de semana esse sábado lindo e quiça o domingo também. Eu terei que estudar.

Conjuntura
Como proteger o seu dinheiro da inflação
MARTA SFREDO


O susto com a divulgação do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), de 5,19% em novembro, pode ser transformado em aprendizado. É preciso reciclar algumas práticas dos anos 80 e adaptá-las aos tempos atuais.

Neste momento de incerteza sobre a natureza do repique inflacionário (pode ser bolha ou onda), o melhor é agir combinando o interesse individual com o coletivo, recomendam especialistas em finanças pessoais.

O estoque doméstico de produtos não-perecíveis, uma das antigas estratégias de sobrevivência na selva inflacionária, deve ser feita com cautela. O planejador financeiro Louis Frankenberg recomenda precaução porque a economia ao comprar por preço mais baixo pode ser perdida se a quantidade for mal calculada.

Para José Carlos Ewald, professor de Economia Doméstica na Escola de Pós-Graduação da Fundação Getúlio Vargas, o efeito colateral dos estoques pode ser a realimentação da inflação:

- As pessoas acham que o preço vai subir, compram especulativamente, e aí sobe mesmo. É uma das profecias auto-realizáveis.

Mauro Halfeld, outro especialista em planejamento financeiro, acredita que os estoques só são válidos para quem não tem como se proteger da elevação de preços com aplicações remuneradas.

- O governo não gosta dessa prática, mas quem não tem conta bancária não tem outra saída - resume.

Escolha de aplicação depende de quantia, prazo e perfil

Na hora de definir qual a melhor aplicação, é preciso levar em conta vários aspectos, da quantia e do prazo disponíveis até o perfil individual, lembra Marcelo Paixão, diretor de produto da MaxBlue. Para o aplicador interessado em proteger o dinheiro da inflação sem correr muitos riscos, recomenda fundos de investimento com remuneração pós-fixada atrelada ao juro.

- Os fundos IGP-M, que têm sido muito comentados, são mais indicados para quem está disposto a correr mais riscos, porque a maioria dos papéis tem prazo de vencimento em 2005 - alerta.

Também recomenda que os poupadores busquem informações sobre a composição das carteiras dos fundos. Uma das contra-indicações do momento são os que estiverem concentrados em créditos (debêntures, por exemplo), porque várias empresas enfrentaram problemas em honrar esses títulos no prazo.




Moacyr Scliar
24/11/2002


Duas ou três coisas boas que podemos dizer dele

Em primeiro lugar, tivemos um presidente que foi um cavalheiro. O termo pode parecer até arcaico, mas faz parte de uma cultura. Cavalheiro, Fernando Henrique tratou seus adversários com deferência, com cortesia. Nunca respondeu aos insultos com outros insultos; as expressões que eventualmente usou, "nhem-nhem-nhém", "neo-bobos" e outras, eram mais curiosas do que qualquer outra coisa. Aliás, cada vez que se pronunciava, deixava falar o professor universitário que tem dentro de si; seus discursos eram lógicos, eram didáticos e eram também corteses. Era, convenhamos, um prazer ouvi-lo, mesmo que não se concordasse com suas palavras.

Também é preciso dizer que nunca se vingou de ninguém. E poderia tê-lo feito: os mecanismos de poder lhe permitem. Se quisesse teria infernizado a vida de seus detratores mediante processos judiciais. Não o fez - e, de novo, isso é uma prova, senão de grandeza, pelo menos de estoicismo.

De Fernando Henrique pode-se dizer que era o homem certo no lugar errado. Na América Latina sempre se teve a 3idéia de que o presidente é o salvador da pátria, alguém a quem se confere plenos poderes para resolver todos os problemas. Fernando Henrique não se prestava a este papel. Daria um excelente presidente num regime parlamentarista, ou um excelente Ministro de Relações Exteriores. É um homem de representação e é um homem de idéias. Se essas idéias mudaram, e mudaram, é outra coisa. O certo é que algumas coisas ele ensinou, a começar pelo próprio Plano Real: pela primeira vez na história do Brasil uma medida de grande magnitude não foi enfiada goela abaixo na população, mas sim implantada de forma madura e esclarecida. A segunda lição está no processo de transição governamental: jogo limpo, aberto, sem sacanagem. Isto é Fernando Henrique Cardoso, mas é também, e principalmente, um novo Brasil, um Brasil maduro. A pobreza continua aí, a violência também, mas está mudando a maneira de lidar com a coisa pública. E isto, se não é uma garantia, é uma esperança - que devemos, ao menos em certa medida, a um homem chamado Fernando Henrique Cardoso.

Para encerrar, um detalhe curioso. Depois de digitar esta matéria, salvei-a - com o nome de FHC - em um lugar errado, e tive de deletá-la. Ao fazê-lo, o computador, esse implacável engenho de nosso tempo, perguntou-me: "Deseja mandar FHC para a lixeira?". Obviamente, eu desejava, sim, mandar a matéria FHC para a lixeira. Mas não o ser humano FHC. Uma diferença que me parece simbólica e muito instrutiva para os novos tempos que vivemos.

scliar@zerohora.com.br




Pois é, eu ainda tenho dúvidas a respeito se não seria melhor o Grêmio jogar contra o São Paulo. Mas como sempre as coisas acontecem do melhor jeito prefiro pensar que enfrentar o Santos será o melhor.

Ruy Carlos Ostermann
30/11/2002


Raça

O que faltou ao São Paulo sobrou no Santos: marcação, aplicação, sacrifício, essa velha dimensão do futebol que a torcida são-paulina cobrava em coro nas arquibancadas do Morumbi: raça. O repórter Sílvio Benfica ajustou o sensor e percebeu que, não declarado mas entreouvido e por certo desautorizado, circulava um sentimento no Olímpico ontem de manhã, o de que, talvez, fosse preferível que tivesse passado o São Paulo.

O Grêmio lida com uma ambigüidade: está com desfalques (Roger, Gilberto e Gavião) que fragilizam a sua poderosa defesa e pode ter mais um, Tinga, que debilita o time todo. Uma ambigüidade e tanto. Seria preferível, se podia perceber no Olímpico, que o primeiro jogo fosse em Porto Alegre e não na Vila Belmiro, com tantos e sérios desfalques. A torcida jogaria tudo.

Mas não posso concordar embora possa entender. Sem Roger, Gilberto, Gavião e talvez Tinga seria igualmente difícil fazer escore em Porto Alegre contra o São Paulo e, na outra mão, um time reorganizado a partir da necessidade da resistência e do escore justo na Vila Belmiro é mais razoável.

O segundo jogo no Olímpico contra o Santos, ajustando-se o escore na Vila, é a grande chance do Grêmio chegar à final.

Sabiá

O Santos ganhou duas vezes do São Paulo, e duas vezes da mesma maneira: marcou a saída de bola macia e invariável do time de Osvaldo de Oliveira e foi contra-atacar. Revelaram-se aí dois especialistas jovens e hábeis, Robinho e Diego. Trata-se de uma inesgotável qualidade de atacante brasileiro: um modo malicioso de se mover, um retoque de passo e passe e, no caso dos dois, uma juvenil e muito inteligente vocação para o gol.

Contei mas depois, abalado por uma crise intestinal e só a líqüidos e sopinhas, me aborreci e deixei de contar. Mas 12 vezes, até o meu aborrecimento, Robinho recebeu a bola livre no lado esquerdo do ataque, tão livre que parecia o sabiá ciscando no meu pátio: tinha tempo para olhar, aprumar-se e começar.

No mínimo, porque não se deixa contaminar pela empáfia do São Paulo, Adriano estará ciscando junto.

Librelato

Não se pode morrer aos 21 anos. Não se pode, não se deveria, melhor que fosse proibido. É a mais inicial de todas as idades não porque contenha as autorizações legais que acarreta mas porque, se bem me lembro, é quando o mundo. as paixões, os grandes estremecimentos começam a ser formar como um sonho de possibilidades. Sempre é injusto morrer assim. A ordem da natureza é sábia e ao seu modo justa. Uma brutal interrupção como a do jovem Mahicon Librelato, vitimado num acidente na Beira-Mar Norte, num recanto articulado de Florianópolis, a velha ponte, a rodovia moderna, a elevação da cidade à esquerda, o remanso do mar à direita, os barcos, o céu, um lugar por onde todos de algum modo vão ou passam e voltam. Morrer aí, com 21 anos, sempre será injusto.
ruy.ostermann@zerohora.com.br




Meu amigo Paulo Sant'ana a situação é essa e os salários você também está acompanhando as propostas são as mais absurdas, pois que a cesta básica de há muito já não dá para comprar. Ai os fiscais do prefeito Cesar Maia batem nos camelos lá no Rio, mas meu nobre prefeito, essas pessoas precisam levar comida para casa.

Paulo Sant'ana
30/11/2002


Recessão e inflação
A velha maldita, a inflação, voltou. E saiu para as ruas para espalhar a sua baba contaminada, adoecendo as pessoas.

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) bateu recorde e a inflação ficou em 5,19%, em novembro, a maior taxa do Plano Real.

Enquanto isso, a poupança paga menos de um quinto disso aos poupadores. E há fundos de investimento que estão pagando em um ano um pouco mais do que esta sinistra inflação de um só mês que nos aterroriza agora.

Uma estranha e assassina matemática coloca os preços lá em cima e os ganhos na poupança e nos salários cá em baixo.

E a cada dia que passa a aflição toma conta dos lares, das donas de casas, dos trabalhadores e dos funcionários públicos, impotentes e indefesos, vendo seus orçamentos se corroerem diante da espiral inflacionária.

Só em novembro, vejam bem, só nos últimos 30 dias, o açúcar cristal aumentou em 22,64%.


Apenas em novembro, o milho teve um aumento de 24,45%.
Os ovos tiveram seu preço aumentado em 23,79%.
O arroz em casca subiu só em novembro 22,20%.
O açúcar refinado em 34,27%.
O limão aumentou só em novembro 33,23%.
O álcool combustível: 20,14%.
E a passagem de avião 15,15%.

É a disparada louca de preços, a pretexto da alta do dólar, enriquecendo uns poucos e empobrecendo ainda mais o povo brasileiro.

E esse índice do IGP-M tem reflexos nos preços da energia elétrica, na telefonia e nos aluguéis.

Ninguém se dá conta, mas essas altas vão tornar a vida do brasileiro num inferno neste final de ano e em todo o ano de 2003.

O governo que sai deixa esta triste herança no seu final de mandato de oito anos.

O governo que entra surge sob os tristes auspícios destas altas selvagens de preços.

Nem se responsabiliza o governo que sai, nem se responsabiliza o que está por entrar, no descuido da transição, quando ninguém sabe quem governa, os preços vão às nuvens.

Na moita e meio que discretamente, vamos igualando os nossos vizinhos, Argentina e Uruguai, que viram os seus preços aumentarem em mais de 100% em poucos meses, sem quaisquer reajustes salariais.

Aquilo que mais se temia, a conjunção da recessão, a falta de dinheiro junto com o desemprego, acrescidos agora da inflação desenfreada, está acontecendo.

Terminou a farra eleitoral, a esperança se alicerça no desespero.

Deus guarde a nossa sorte. Recessão com inflação é o pior de todos os males, o choro se une agora ao ranger de dentes.

Por que, sempre ao final de cada plano econômico, baixam sobre os brasileiros os cutelos da inflação?

Se o Lula não aplicar imediatamente uma política de choque sobre os preços, o seu governo naufraga pelo empobrecimento da classe média e miserabilização dos assalariados.

As posses vão dobrar a finados.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Artigo
Meu filho foi assaltado ontem
EDUARDO BATTAGLIA KRAUSE/ Conselheiro da Agergs

Era dia, em rua e bairro movimentados como qualquer outro de nossa Capital. Foi-se mais um tênis e um relógio. Como troféu ele ficou com os sapatos de camurça que o assaltante deixou. É a quinta vez.

Acontece que tenho mais três filhos. Todos já foram assaltados. Perdas, menos mal, as mesmas: tênis, boné, camiseta, relógio, mochila...

O meu filho foi assaltado ontem. Os outros também. Eu já fui assaltado. A minha mulher já foi assaltada.

Ainda não me dei ao trabalho de sair a perguntar quem não foi assaltado. Eu não estou falando da criminalidade, inerente às grandes cidades. Eu não estou falando de latrocínio. Eu não estou falando do problema da droga, dos seqüestros. Eu estou falando que meu filho foi assaltado ontem. Certamente milhares de pares de olhos que estão lendo esta coluna são de pais como eu, cujos filhos foram assaltados ontem.

Alguns dias atrás, o jurista Paulo Brossard, brilhante como sempre, neste mesmo espaço, com o título "Assuntos não faltam", discorreu, dentre outros temas, com absoluta lucidez, acerca da falência da nossa segurança pública. Disse tão-somente a verdade.

Nós não queremos números. Nós queremos os nossos filhos vivos

Um dia depois de o meu filho ter sido assaltado, Luiz Pilla Vares, assessor do governo do Estado e figura ligada ao meio cultural, utilizando o título "Afogado em números", responde no mesmo espaço ao doutor Brossard. Elogia as ações do governo que integra e, de forma enfática, elenca números impressionantes, demonstrando que os efetivos das polícias civil e militar foram reforçados, o mesmo com a Susepe e o Instituto-Geral de Perícias. Fala em desbaratamento de quadrilhas organizadas, aumento das prisões, combate à corrupção e encerra dizendo que o jurista está equivocado. Agrega, ainda, que nos assuntos da segurança o atual governo tem o maior gosto de mostrar. Como se cuidar das vidas humanas, se justificasse simplesmente comparando-se o governo que fez mais e o governo que fez menos, em tal ou qual período. Termina dizendo que "é só termos oportunidade e sermos provocados e voltaremos a esse e a outros assuntos com o maior respeito à opinião pública".

Perdoe-me senhor Pilla Vares, mas o meu filho foi assaltado ontem. Talvez no exato momento em que o senhor estava confortavelmente sentado no seu gabinete em palácio se acercando dos expressivos números e tentando justificar o injustificável. A verdade é que eu não tenho mais paz. A minha mulher não tem mais paz. As pessoas, que são a opinião pública, não têm mais paz. Os nossos filhos não podem sair na rua. Por enquanto, ainda são os tênis, relógios, mochilas, de vez em quando alguns são mortos. Bem talvez isto não seja importante. Pra mim é. Para as pessoas que estão lendo esta coluna, tenho certeza que sim. Nós não queremos números. Nós queremos os nossos filhos vivos.




Picape de Mahicon Librelato, morto em acidente na noite de quinta-feira,
é retirada do mar em Florianópolis (Roberto Scola/Agência RBS/ZH)




Foto(s): Carlinhos Rodrigues/ZH

O pranto de Foguinho
O maior orgulho dos nove anos de existência de Wellington Henrique Fontana, o Foguinho, é que, durante os jogos do Inter em 2002, entrou no gramado do Beira-Rio levado pela mão do atacante Mahicon Librelato. Foi assim em quase todas as partidas de Porto Alegre. Foguinho vestia com galhardia a camisa com o número do seu ídolo, trocava algumas palavras com ele e depois ia torcer do lado de fora do campo.

Foram dias felizes.

Que acabaram ontem de manhã. Ao saber da morte de Librelato, Foguinho começou a chorar e não parou mais. Recusou-se a ir para a Escola Maris e Barros, onde cursa a terceira série. Recusou-se a comer. Ficou trancado em casa, na Vila Safira, vestido com a camisa vermelha do Inter, soluçando. Vez em quando, gritava, melancólico:

Gooool do Librelato!

E apontava os indicadores para o céu, como fazia Librelato ao comemorar seus gols.

A mãe, Veronice, se desesperou ao ver o sofrimento do filho. Ligou para os professores da Escola Rubra, do Inter, onde Foguinho joga futebol. Queria pedir auxílio, uma ajuda psicológica, qualquer coisa, mas não conseguiu falar com ninguém.

Não sei mais o que fazer ¿ repetia ela ontem à tarde, aos prantos, afagando os cabelos vermelhos que deram o apelido ao filho. ¿ Não sei o que fazer para consolar o meu menino.

Um consolo talvez fosse dizer para essa mãe, para a mãe de Librelato, para todas as mães, que a tragédia desse atacante promissor não vai se repetir. Mas isso não é verdade. Outros jovens vão morrer em circunstâncias idênticas. Por um único motivo: falta de educação.

E não é a falta de educação de pequenos como Foguinho. Esses podem ser moldados, podem aprender. Os adultos, não. Os adultos, que estão acostumados a dirigir agressivamente, que estão anestesiados pelo desrespeito à lei, esses só serão educados pela punição.

É o papel dos pardais. Crianças como Foguinho não são punidas pelos pardais. Só é punido quem infringe a lei. Quando todos, motoristas neófitos e veteranos, estiverem finalmente educados, quando todos tiverem o singelo bom senso de cumprir o que determina uma placa de trânsito, os pardais não serão mais necessários. Ninguém será multado. Ninguém morrerá precocemente numa curva. Ninguém precisará consolar um menino como Foguinho, uma mãe como Veronice, uma família de coração esfacelado, como a triste família do jovem Mahicon Librelato.

A mesinha da sala

Durante o golpe militar chileno, os sicários do general Pinochet apreenderam um livro intitulado ¿O Cubismo¿ por acharem que se tratava de um texto sobre a revolução cubana.

Pior foi o que aconteceu ao autor do romance noir ¿Os Assassinos do Suicida¿. O coitado foi encarcerado e permaneceu incomunicável até que um censor mais iluminado lesse o livro e constatasse que a trama nada tinha a ver com o presidente deposto e morto, Salvador Allende.

Verdade que as ditaduras pouco se importam com o mal que infligem, mas, se Pinochet empregasse sequazes mais letrados, não cometeria tais injustiças.

Até nas ditaduras sanguinolentas é preciso uma réstia de conhecimento específico. Sou um defensor do profissionalismo. Até por que, sempre que julguei poder prescindir de profissionais, me dei mal.

Como quando fui comprar minha mesinha.

Era uma mesinha comum, de centro de sala. Vi-a em exposição na loja e apontei:

Quero essa.

Cinco minutos depois, o funcionário me veio com uma caixa de papelão estreita e comprida:

Ó a mesa.

Estranhei.

Queria pronta...

É barbada de montar argumentou o funcionário. Qualquer debilóide monta essa mesinha
em 10 minutos.

Depois dessa observação, lá fui eu com a mesa. Cheguei em casa, abri a caixa, li com atenção as instruções e passei à ação. Duas horas depois, continuava sentado no chão da sala, cercado de pedaços de madeira que não se encaixavam, com vontade de dar um soco na cara do maldito funcionário da loja. Liguei para ele:

Preciso de alguém aqui pra montar a mesa.

Mas qualquer debilóide monta...

Então me manda um debilóide, que eu não consigo montar esse troço.

Vou dizer: mal e mal sei desenroscar uma lâmpada. Li esta semana que o Nilson Souza
conserta as tomadas da casa dele. Fiquei admiradíssimo. O Nilson conserta tomadas! Eu, na minha estupidez, nem sabia que tomadas podiam ser consertadas ou mesmo estragar. Afinal, uma tomada é apenas um conjunto de orifícios que volta e meia são penetrados e... deixa pra lá, tomada pode estragar, sim, eu é que não sei consertar.

Enfim, sou pelo profissional. Pelo especialista. Não é por outro motivo que saúdo a contratação do Cláudio Duarte para cuidar do futebol do Inter. Ele é do meio. Ele conhece. E, para quem conhece, tudo parece fácil de fazer.




Jorge Furtado
30/11/2002

Números em defesa dos pardais

Nunca entendi a lógica dos que atacam os pardais. A velocidade máxima permitida nas ruas de Porto Alegre é de 60 quilômetros por hora, ponto. Se há ou não há pardais numa rua ou avenida pouco importa: quem passa de 60 está infringindo a lei, colocando em risco a vida alheia (além da própria) e deveria ser multado. E quem não passa não tem por que se preocupar com pardais.

Entre 1991 e 1996, os casos de morte no trânsito no Brasil aumentavam mais de 4% ao ano. Desde 1997, com o novo Código de Trânsito, as mortes diminuem 6% ao ano. O número de mortes ainda é absurdo, mais de 20 mil por ano. As vítimas da velocidade são, em boa parte, crianças. Os atropelamentos são a segunda maior causa externa de morte infantil no país. Segundo o Ministério da Saúde, 1.150 crianças morreram atropeladas em 2000. As crianças mais atingidas são, adivinhe, as mais pobres.

Um estudo recente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) constata que os pardais reduziram em pelo menos 1,5 mil o número de mortes no trânsito no Brasil, por ano. Foram comparadas as estatísticas de acidentes de trânsito, antes e depois da colocação dos radares, de 24 cidades brasileiras, além de trechos de rodovias estaduais e federais. Em São Paulo, são 16 mil atropelamentos por ano, com média de 862 mortes. A velocidade é a principal causa dos atropelamentos, seguida da falta de atenção de motoristas e pedestres. Os pardais diminuem a velocidade média dos veículos, o número de acidentes e também sua gravidade. Num atropelamento, há pouca chance de morte se o carro estiver a 30 km/h. A 40 km/h, a chance vai para 15%. Num carro a 60 km/h, a chance de morte salta para 70% e, caso o pedestre seja apanhado a 80 km/h ou mais, as chances de ele sobreviver são bem pequenas.

Graças aos pardais, 1,5 mil brasileiros deixam de morrer, por ano, na guerra do trânsito. Mais de quatro por dia. É chato ser multado, mas, a não ser que você acredite que o prazer de acelerar e de infringir a lei justifica a morte de quatro brasileiros por dia, tem que concordar comigo: os pardais deveriam ser camuflados. E móveis.
jorge.furtado@zerohora.com.br




Tenho colocado aqui uma série de crônicas e reportagens sobre essa nossa guerra silenciosa que mata mais que qualquer guerra real, mesmo aquela lá do oriente médio. Hoje tem uma série de comentários a respeito, que perdoem se sou repetitivo mas acredito ser interessante até para refletirmos sobre isso

Guerra brasileira


Quem estiver disposto a fazer um teste, basta pegar uma edição do Diário Catarinense. Qualquer edição, de qualquer dia. É bem provável que encontre lá, em alguma das páginas da editoria de polícia, textos descrevendo um dos inúmeros e trágicos acidentes ao longo dos oito quilômetros da Avenida Beira-Mar Norte, de Florianópolis. Em fins de semana, então, o local vira zona de alto risco pela mistura explosiva de bares lotados, bebidas, exibicionismo e a atração irresistível pela alta velocidade. Foi neste ambiente que o atacante Mahicon Librelato, carreira profissional dando os primeiros passos, encontrou a morte aos 21 anos no início da madrugada de ontem (foto).

Para ele, a vida nem havia começado. Virou um número na trágica estatística deste ambiente insano das ruas e estradas brasileiras.

Tragédias como a de Librelato, um jovem saído da pequena Orleans, a 40 quilômetros de Criciúma, se repetem com freqüência tão espantosamente irracional que ficamos com a sensação de que as pessoas se negam a enxergar os números e os avisos. Fecham os olhos, aceleram e desprezam as sinalizações. Não percebem que esta guerra brasileira mata mais por ano do que a do Vietnã inteira ¿ e, principalmente, que interrompe vidas no seu início. Preste atenção nos números divulgados por médicos e autoridades de trânsito. Você vai descobrir, com a mesma sensação de impotência dos especialistas, que a tragédia atinge principalmente a juventude. É a parte saudável, vigorosa, a aposta de famílias no futuro, que é mais desfalcada.

É a inversão do processo natural da vida ¿ como disse há poucos dias o sofrido pai do soldado gaúcho morto no atentado terrorista de Bali.

Fico absolutamente espantado quando ouço ou leio pessoas dizendo que o dinheiro empregado em equipamentos coercitivos, como pardais e radares, deveria ser investido em campanhas educacionais. É o que mais se faz no Brasil há décadas ¿ e ninguém enxerga ou ouve. A imprensa repete campanhas de orientação a todo momento (na RBS há o Dirija pela Vida), os órgãos de trânsito fazem alertas e expõem carros destruídos nas esquinas esperando sensibilizar as pessoas, há um novo código de trânsito em vigor prevendo multas rigorosas e a apreensão de carteiras, e ninguém parece se preocupar.

As placas e sinaleiras por vezes dão a impressão de serem meros objetos decorativos de tantas infrações que os motoristas cometem. Basta circular pela cidade para constatar a absoluta indiferença de grande parte deles com os alertas da sinalização.

Querem alguns exemplos de como o motorista encara as leis de trânsito? Há pouco tempo, um ouvinte ligou para o Chamada Geral, da Rádio Gaúcha, reclamando de um radar móvel da polícia escondido em uma parada de ônibus. Fez o mesmo raciocínio que provoca certos acessos de fúria contra os pardais: os motoristas estavam sendo surpreendidos. Ora, as placas da estrada estabelecem os limites de velocidade. Se o motorista observasse a lei, nem 500 radares móveis iriam surpreendê-lo em infrações. Talvez nem fosse preciso gastar dinheiro nestes equipamentos. O que ele defendia, na verdade, era o direito de correr à vontade, impunemente. O mesmo ocorre com o pardal. Nenhum deles, como já escreveu a Rosane de Oliveira, sai atrás do carro para multá-lo. Ele está lá, parado. É fácil levar a chamada ¿fúria arrecadadora¿ à falência: basta respeitar o limite estabelecido. Há outro exemplo. Ontem, Zero Hora registrou o caso de um motorista que dirigiu na contramão na auto-estrada por 12 quilômetros, a 140 quilômetros por hora, em estado de embriaguez. Este motorista já deve ter lido e ouvido inúmeras campanhas educacionais. De nada adiantou no caso dele ¿ que nem preso foi.

Não é preciso ser perito também para deduzir o que ocorreu no caso de Mahicon Librelato. É difícil acreditar que uma picape como a dele, em velocidade normal, derrape, bata num poste, ultrapasse vários obstáculos e caia no mar, com as rodas para cima. A longa marca de freio no asfalto, de um carro com sistemas sofisticados de segurança, é outra evidência. Não importa se ele foi fechado por outro carro ou não, como lembrou seu tio no velório. Em condições normais, dificilmente haveria uma tragédia como a da madrugada.

Quando o código de trânsito surgiu, escrevi que não tinha esperança de que a cabeça dos adultos mudasse. O tempo reforçou meu pessimismo. É perda de tempo tentar mudar a cabeça deles. O jeito é educar as crianças (neste caso, sim, é válido investir pesadamente em educação), para que virem adultos responsáveis, e punir com multas rigorosas os motoristas atuais. Por mim, haveria um pardal a cada cem metros. Desta forma não precisaríamos mais lamentar mortes como a de Mahicon, nem chorar com o comovido desabafo da mãe do jogador que, em meio à dor, controlando os soluços com dificuldade enquanto olhava para o filho no caixão, agradecia a todos pela solidariedade. Não dá mais para suportar.
mario.souza@zerohora.com.br"


Sexta-feira, Novembro 29, 2002




Não entendo qual a dúvida do nosso grande e sempre Dom Juan Itamar sobre quem está mandando. Enfim, é o começo de muitas disputas e jogos de braço.

Itamar já ameaça romper com petista
29.Nov.2002


O governador de Minas Gerais, Itamar Franco, entrou em conflito com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta sexta-feira, Itamar divulgou uma nota à imprensa criticando Lula, o PT e o presidente Fernando Henrique Cardoso. De acordo com o jornal Valor Econômico, o governador mineiro ameaça romper com o novo governo antes mesmo da posse de Lula, em 1º de janeiro de 2003.

O motivo do conflito é a Medida Provisória que permitiria o pagamento de décimo-terceiro salário aos servidores de Minas Gerais através de uma transferência de recursos da União para o Estado. De acordo com o Valor, o coordenador da equipe de transição de governo, Antônio Palocci, vetou a MP, que vinha sendo negociada por Itamar desde abril e que foi acertada com FHC recentemente.

A seguir, a íntegra da nota divulgada nesta sexta-feira pelo governador Itamar Franco.

"É lamentável o não cumprimento do compromisso assumido pelo presidente da República comigo e com o governador eleito, Aécio Neves. E o que é mais constrangedor, pelo empenho que fizemos pela candidatura Lula, é o PT nos tratar como adversário. Se houvesse dúvidas, por parte da comissão de transição, poderiam ter-me chamado para esclarecimentos quanto ao sistema métrico-decimal e à aritmética. O PT, com esta atitude, está prejudicando mais de 1 milhão e 200 mil pessoas que seriam direta ou indiretamente beneficiadas com o 13º. O que nos resta perguntar é quem é afinal, hoje, o presidente da República: o ex-prefeito de Ribeirão Preto ou o professor Fernando Henrique?"




Cesta básica custa mais que um salário mínimo
29.Nov.2002


A pesquisa diária da Fundação Procon revelou que o preço médio da cesta básica em São Paulo ultrapassou os 200 reais, atual valor do salário mínimo, nesta sexta-feira. Depois de duas semanas de alta consecutiva, o preço chegou a 200,22 reais, superando o salário mínimo pela primeira vez desde 1999, quando o real sofria os efeitos da adoção do câmbio flutuante.

Segundo o Procon, o custo mínimo da cesta básica para os paulistanos é 142,77 reais e o máximo, 265,82. A alta dos preços em novembro foi de 8,33%, levando a inflação acumulada no ano para 25,56%. Nos oito anos de Plano Real, o custo da cesta básica aumentou 88,18%.

A cesta básica usada como referência pelo Procon possui 31 itens, sendo 22 alimentares, cinco de higiene pessoal e quatro de limpeza. Como nos índices nacionais de inflação, os alimentos são os principais responsáveis pela alta. Os recordistas da inflação foram a batata (4,95%), o alho (2,21%) e o feijão carioquinha (1,53%).

A alta do dólar, a entressafra na agricultura e até as exportações são citadas como provocadoras dos aumentos nos preços. "O impacto da alta do dólar reflete de muitas maneiras nos preços dos produtos. Itens que não têm nenhuma relação com o dólar são afetados, indiretamente, por exemplo, pelo aumento no setor de embalagens e reajuste dos combustíveis", declarou Vera Marta Junqueira, diretora de Estudos e Pesquisas do Procon, à Folha Online.

A sondagem diária do Procon envolve consultas aos preços de setenta supermercados das cinco regiões de São Paulo. A pesquisa é realizada em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).




Vocês imaginam ficar guardando no paiol de sua casa uma meia dúzia de bombinhas químicas assim ou ainda no celeiro juntamente com os animais. Todavia se desobedecer sabe-se qual é o fim que espera. Entre um e outro, com certeza os iraquianos ainda assim vão preferir cumprir as ordens.

Saddam Hussein esconde as armas à força nas casas dos subordinados
29.Nov.2002



O presidente do Iraque, Saddam Hussein, pode estar usando as casas de sua própria população para esconder as armas de destruição em massa dos inspetores estrangeiros da ONU, que visitam fábricas e instalações militares no país desde quarta-feira. De acordo com uma reportagem publicada nesta sexta-feira pelo jornal inglês The Times, Saddam ameaça quem não concorda em ajudar na missão.

A informação foi revelada por oficiais da inteligência inglesa, que capturaram conversas entre os oficiais iraquianos ligados a Saddam. Segundo os ingleses, funcionários do partido do governo, servidores públicos e cientistas receberam ordens para ocultar componentes do arsenal iraquiano em suas próprias casas. Se negarem o pedido, eles e suas famílias podem sofrer duras punições.

Ainda de acordo com a inteligência inglesa, os fazendeiros iraquianos foram obrigados a esconder barris de produtos químicos para fabricação de armas. Os barris foram misturados aos estoques de pesticidas das fazendas. Computadores portáteis com dados sobre o desenvolvimento de armas também são escondidos nas casas. Por enquanto, a ONU não inspecionou nenhuma casa ou fazenda no país.

Obstáculos - O Times revela que os inspetores estrangeiros têm conhecimento do problema, descoberto também por investigadores americanos. Porém, eles avaliam que é impossível vasculhar as casas - eles não sabem sequer onde começar, já que seria fácil para o governo despistar os inspetores e evitar as visitas às casas dos subordinados de Saddam. O governo do Iraque não comenta o caso.

A resolução da ONU que determinou a retomada das inspeções permite que os estrangeiros vistoriem locais civis, incluindo casas. Segundo o jornal inglês, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, estão preocupados com as descobertas de seus agentes e estudam pressionar diretamente os oficiais iraquianos envolvidos nas inspeções.




Como tenho prova de inglês na segunda-feira e preciso conseguir uma nota razoável para passar de nível e fazer o intensivo de dezembro e janeiro e assim acabar os níveis intermediários, estou quanse que proibido de acessar este Blog e colocar mais notas e noticias como gostaria. Temos que melhorar a qualidade, quem sabe, em detrimento da quantidade, tomara que consiga e assim satisfaça essas duas buscas ou obetivos simultaneos. Desde já peço minhas mais humildes desculpas por erros ou por faltas que venha a ter neste período, pois continua válida a informação do Post abaixo de que: " Quem não tem competência, não se estabeleça". Assim, se é válida para os outros acredito, que muito mais para mim. Espero que voces tenham um bom fim de semana já que estou de saida para o meu, que o meu Grêmio vença ou empate lá na Vila Belmiro, estádio do Santos Futebol Clube que eliminou o São Paulo e que depois aqui no Olímpico a gente complete mais esta etapa e dispute a final.

Para finalizar lembro que dentro de todos os homens existe uma criança escondida. A vida é cheia de mistérios e são nesses mistérios que busco na poesia, nessa criança que há dentro de mim. A criança é ingênua, pura e simples, são nas coisas simples que estão as belezas do mundo.

A poesia é uma criança, simples, pura, verdadeira e direta; vem de dentro da alma. Talvez no mundo falte um pouco dessa eterna criança que é a poesia. Se eu pudesse ser um mago, assim como Merlin, lançaria essa criança sobre a Terra, criaria uma porção mágica de amor e introduziria no coração desses homens que controlam o mundo. "Mundo", palavra que tem um sentido tão gigantesco, mas que comparado ao universo, é apenas um grão de areia, frágil e sensível.

Às vezes a poesia é meia brusca para dizer certas coisas, mas ela também sabe ser frágil e sensível. A poesia é tudo no universo e você também é um(a) poeta(isa) - porque todos nós somos, às vezes somos para as multidões e outras somos para nós mesmos, não importa qual das duas formas seja, poeta é aquele que olha o mundo com os olhos do amor, e quando estiver lendo algo sublime, saiba que ali se encontra o amor, pois sem amor nada seremos.



Vocês desculpem mas o blogger da Globo está com problemas ha vários dias para postagem e poucos estão conseguindo inserir imagens, assim que quando isso normalizar volto a postar ou teremos todos que ir para o TERRA e sair da GLOBO, pois acho que antes de se estressar é melhor buscar outras saidas. Se voces entrarem no foro lá do BLOGGER é só reclamação, então a gente continua lembrado daquele vélho provérbio de quem não tem competência não se estabeleça. Pois é ele continua válido apesar da contemporaneidade.




Depois da cachorra Princesa que movimentou as manchetes essa semana, nada melhor que chegar na sexta-feira e encontrar outra cachorra mascote: desta vez a GURIA.

Paulo Sant'ana
29/11/2002

A cadela largadora

Perdoem-me os leitores do pecado da pieguice, mas este fato me emociona. Ele é apenas um vulgar detalhe do cenário cotidiano, mas envolve ternura e compreensão entre muitos seres humanos e um animal. Refiro-me à cadela Guria, que há anos vive no fim da linha 195 do ônibus TV, ali junto da estação da RBS TV. Por estranho instinto, Guria se determinou como guardiã de todas as saídas de ônibus naquele fim de linha. Mal ronca o motor do ônibus estacionado e ela se levanta e se põe de guarda, posta-se à frente do ônibus, serve-lhe de batedora, abre caminho aos latidos e afeta ferocidade no caso de que algum pedestre ou outro veículo se atravesse no caminho do ônibus que está iniciando o seu curso. É um ritual diário e repetitivo, uma solenidade que se banalizou no fim da linha, sob os olhares espantados dos transeuntes e agradecidos dos motoristas.

Guria foi quase que imperceptivelmente se tornando atração turística no Morro Santa Teresa. Avisado do estranho fenômeno de prestação de serviços de uma cachorra aos motoristas da linha 195, tive oportunidade de socorrer Guria há um ano, quando ela viu sua perna esmigalhada por um veículo que teve a audácia de interromper a largada de um ônibus. Um generoso veterinário, por meu apelo, abrigou-a em sua casa, operou-a, medicou-a, alimentou-a e a fez retornar muitos dias depois à sua faina. Era de ver a alegria dos motoristas quando ela retornou sadia e serelepe, pronta imediatamente ao trabalho. A segunda vez que acho que salvei a vida de Guria foi esta semana. Recebi diversos bilhetes aflitos dos motoristas da linha 195: o setor competente da prefeitura havia recolhido Guria ao Centro de Zoonoses, os motoristas imaginaram que ela seria morta, como acontece com os cães vadios ou doentes. E pediram que eu intercedesse. No Gaúcha Hoje de anteontem, apelei para os responsáveis pela captura de Guria para que a libertassem, em face do significado humano que se empresta a ela no fim da linha. Imediatamente os bons corações dos captores se sensibilizaram e o Diário Gaúcho de ontem estampava a foto colorida de Guria retornando ao trabalho, saudada efusivamente pelos motoristas.

O que levou esta cadela a assumir aquela postura marcial diante dos ônibus nas largadas, trancando o trânsito e dando preferência aos coletivos, acompanhando-os por um trecho até que eles sigam livre em frente? Certamente que ela foi levada instintivamente por um desejo de ser útil, não só de retribuir os alimentos e a água com que os motoristas sempre a obsequiam, mas através de um pressentimento atávico percebeu que sua sobrevivência dependia daquele seu protagonismo social. E assim vão passando os anos, vão morrendo por abandono ou profilaxia os outros cães todos que gravitam em torno do fim da linha 195-TV, mas sobrevive cercada de admiração e agradecimento dos motoristas a cadela Guria. Sempre disposta, sempre alerta, largando os ônibus todos os dias e todas as noites, ao sol ou à chuva, sem direito a folga semanal ou a férias, mas remunerada pelo fundo de garantia da amizade e do amor que lhe prestam os motoristas e os cobradores, seus solidários colegas de trabalho, gratos pelo respeito que ela empresta ao seu labor, maior muitas vezes do que lhes dedicam os passageiros a que servem com tanta presteza. Vida longa para Guria! A melhor civilização é a que protege e ama os animais.
psantana.colunistas@zerohora.com.br


Quinta-feira, Novembro 28, 2002




Que minha fala seja sempre firme, mas minha voz sempre doce. Que meu anjo da guarda faça com que o meu coração se dispa de toda e qualquer mágoa, rancor ou ressentimento e que o seu pulsar seja sempre no compasso da alegria de bem viver, amém e que o seu anjo da guarda proceda tal e qual o meu também.

Que meu anjo...

Que meu anjo da guarda me proteja de todos os inimigos visíveis e invisíveis. Que meu anjo da guarda ilumine minha mente, tornando puros e claros meus pensamentos, livrando-os de qualquer influência maléfica.

Que límpida seja minha intuição e que da minha mente jorrem cada vez mais idéias produtivas e construtivas. Que o meu anjo da guarda faça com que os meus olhos enxerguem sempre o melhor da humanidade, mas que também me previnam de qualquer embuste contra minha pessoa.

Que minha fala seja sempre firme, mas minha voz sempre doce. Que meu anjo da guarda faça com que o meu coração se dispa de toda e qualquer mágoa, rancor ou ressentimento e que o seu pulsar seja sempre no compasso da alegria de bem viver

Que o meu coração se renove a cada segundo, a cada minuto, a cada hora, a cada dia. Que o amor divino envolva o meu coração sendo um bálsamo curativo cicatrizando velhas feridas.

Que o meu anjo da guarda faça com que os meus braços e mãos estejam sempre prontos para o trabalho, mas também para dar e receber carinho.




Eu sei e imagino que para você também seja difícil seguir a risca esses conselhos, mas é uma época propícia para refletirmos por que é tão bonito teoricamente e na prática realizamos tão pouco disso que o texto abaixo sugere.

Olha teu jardim...

OLHA no teu jardim as rosas entreabertas, e nunca as pétalas caídas;
OBSERVA em teu caminho a distância vencida e nunca o que falte ainda;
GUARDA do teu olhar os brilhos de alegria e nunca as névoas de tristezas;
RETÉM da tua voz risadas e canções e nunca os teus gemidos;
CONSERVA em teus ouvidos as palavras de amor e nunca as de ódio;
GRAVA em tua pupila o nascer das auroras e nunca os teus poentes;
CONSERVA no teu rosto as linhas do sorriso e nunca os sulcos do teu pranto;
CONTA aos homens o azul das tuas primaveras e nunca as tempestades do verão;
GUARDA da tua face apenas as carícias, esquece as bofetadas

CONSERVA de teus pés os passos retos e puros, esquece os transviados;
GUARDA de tuas mãos as flores que ofertaram, esquece os espinhos que ficaram; De teus lábios
CONSERVA as mensagens bondosas, esquece as maldições;
RELEMBRA com prazer as tuas escaladas, esquece o prazer fútil das descidas;
RELEMBRA os dias em que fostes água limpa, esquece as horas em que foi brejo;
CONTA e mostra as medalhas das tuas vitórias, esquece as cicatrizes das derrotas;
OLHA de frente o sol que existe em tua vida, esquece a sombra que fica atrás;




Mas o que temos feito desta nossa existência que chega a parecer "infinita" e, no entanto, é tão breve?

Vejamos, Sêneca, o inspiradíssimo pensador voltado aos aspectos práticos da vida, nos diz que: "Parte do tempo nos é arrancada, parte nos é subtraída por amenidades, e o resto escorrega de nossas mãos. No entanto, a perda [de tempo] mais lastimável é a que se dá pela negligência. E, se considerarmos bem, a maior parte da vida se passa agindo mal [cometendo erros], uma grande parte sem fazer nada [nada de produtivo], toda a vida se passa fazendo outra coisa do que seria necessário fazer." Ah! E as coisas da vida não são mesmo assim? Não são tardias as nossas mais importantes descobertas? Não são irreparáveis os nossos maiores erros cometidos?

Isso prova que precisamos aprender a viver, e que viver não é apenas seguir em frente, respirando; é muito mais. Ou pode vir a ser muito mais. Na sua singela, mas grandiosa, primeira carta ao amigo Lucílio, Sêneca pergunta: "Que exemplo me darás de alguém que saiba valorizar o tempo, que dê consideração a um dia, que compreenda estar morrendo cotidianamente? Este é o erro: colocarmos a morte no futuro, quando grande parte dela já passou. Tudo o que está no passado a morte já o possui."Vimos que não há como negar a lúcida argumentação de Sêneca. De agora, deste exato instante para trás, até o dia em que nascemos, tudo é passado - tudo pertence à morte. No entanto, só pensamos na morte como algo que um dia chegará.

Vislumbramos um dia, lá adiante. Que engano! Os anos da nossa infância são propriedade da morte, as nossas esperanças e sonhos perdidos também são propriedade da morte, os minutos que já vivemos e que passaram, cada um deles e, neles, cada segundo, todos pertencem à morte. Não, isso não é ruim, não é mórbido, apenas nos ensina que, desde o momento em que demos o primeiro suspiro de vida, estamos aprendendo a ganhar e a perder, aprendendo a reter e a desprender, a viver e a morrer. Se você tem medo da velhice, das enfermidades ou da morte, não está dignificando a dádiva da vida. Erram muito aqueles que acreditam que o mundo seja um imenso parque onde tudo o que devemos fazer é lutar para encontrar mais prazer, mais alegrias, mais riquezas, mais amor e mais segurança.

E assim, por algum tempo, não todo o tempo, o mundo é exatamente do modo como olhamos para ele; alguns só têm olhos para o sexo, e para estes o mundo é uma tenda de prazeres carnais; alguns só têm olhos para o dinheiro, e para estes o mundo é um baú de riquezas; outros só têm olhos para a religião e a caridade, e para estes o mundo é um vestibular que conduz ao Paraíso; e há os que só têm olhos para si mesmos, e para estes o mundo é um imenso umbigo. Vemos, pois, que o mundo é tudo e é nada, é o que dele fazemos em nosso coração e em nosso pensamento. O mundo é uma criação da nossa mente, das nossas idéias, desejos e temores.

Relembrando para terminar, colocarei aqui as sábias palavras de Sêneca a Lucílio, pertencentes à carta XXII. É o trecho final, as últimas orações, mas tocam num tema importantíssimo, qual seja o modo como entramos e saímos da vida, nossa responsabilidade perante o próprio destino: "Epicuro diz que não há pessoa que saia da vida diferente do modo como entrou. Ele se engana: morremos piores do que nascemos. E a culpa é nossa, e não da natureza. Estaria no direito da natureza queixar-se de nós e dizer: "O que houve? Eu vos gerei sem desejos, sem temores, sem superstições e outras pestes; tal como entrastes, saí." Colheu o fruto da sabedoria o homem que morre tão seguro quanto nasceu, mas na realidade trememos quando o perigo se aproxima. Falta coragem em nós, empalidecemos, lágrimas caem, embora sejam inúteis. O que há de mais vil do que estar inquieto no limiar da segurança? A razão é que, destituídos de todos os bens, arrependemo-nos de ter desperdiçado a vida, não detivemos nenhuma parte dela; a vida simplesmente passou. NINGUÉM SE PERGUNTA SE VIVE BEM, MAS POR QUANTO TEMPO VIVERÁ. NO ENTANTO, TODOS PODEM VIVER BEM E NINGUÉM SABE POR QUANTO TEMPO VIVERÁ!"

Ah... como é importante pensar um pouco nisso!
Dennis - lá do blog dele http://www.cadernomagico.blogspot.com/




Acabar com a fome, tirar todas as crianças da rua, criar milhões de empregos, segurar a inflação, conter a violência, aumentar o salário mínimo, disciplinar o trânsito, combater o crime, redistribuir as terras, promover reformas, estimular a produção, garantir educação de qualidade a todos, punir a corrupção, acabar com o analfabetismo, não aumentar impostos, cuidar da saúde da população e zelar pela democracia, pelas liberdades individuais e pela felicidade coletiva. Efetivamente é uma listinha de propósitos bem significante. A questão é conseguiremos nos desincumbir a contento da mesma? E você acha que pode?


Nilson Souza
28/11/2002

Lista de propósitos

Entre as manias que tenho (uma é gostar de você, diz a antiga canção), uma delas é anotar as tarefas do dia. Na verdade, anoto tudo. Sou meio dependente da caneta esferográfica. Raramente sou flagrado sem ela. Toca o telefone e já vou registrando o número de quem discou, o nome da pessoa, as palavras-chaves do seu discurso. Coisa de repórter. Costumo ler jornais e livros com um papel em branco ao alcance da mão. Termos desconhecidos, frases espirituosas, sacadas, curiosidades, tudo vai para o bloco de anotações para uso posterior ou mesmo para o esquecimento. Faço garranchos, muitas vezes nem eu entendo bem o que anotei. E não é raro que esqueça também por que anotei. Às vezes, encontro nos bolsos de alguma roupa menos freqüentada papéis com nomes estranhos e telefones mais desconhecidos ainda. Dá vontade de ligar para esclarecer o mistério, mas quase sempre apelo para a racionalização: se não lembro é porque não é importante.

Até no sábado, que é o meu dia de descanso, costumo fazer uma listinha de tarefas: cortar as unhas, consertar tomadas, lavar o carro, terminar a leitura de um livro, comprar um presente - essas coisas que não estão no registro automático da rotina. Algumas efetivamente realizo, outras ficam para o sábado seguinte (menos cortar as unhas, é claro). Já concluí que sou bem mais eficiente na elaboração de listas do que na execução das tarefas. Como, aliás, costumam fazer os políticos em campanha.

Vejam só essa listinha de propósitos que retirei recentemente da leitura dos jornais: acabar com a fome, tirar todas as crianças da rua, criar milhões de empregos, segurar a inflação, conter a violência, aumentar o salário mínimo, disciplinar o trânsito, combater o crime, redistribuir as terras, promover reformas, estimular a produção, garantir educação de qualidade a todos, punir a corrupção, acabar com o analfabetismo, não aumentar impostos, cuidar da saúde da população e zelar pela democracia, pelas liberdades individuais e pela felicidade coletiva.

Será que pelo menos algumas dessas disposições serão realmente cumpridas ou cairão todas no esquecimento como esse papel com nomes rabiscados que trago no bolso desde o dia da eleição?
nilson.souza@zerohora.com.br




O homem é definitivamente um ser indecifrável é o final dessa crônica do Paulo Santana e não há como não concordar com ele. Leiam a crônica e vocês hão de convir qué assim é.

Só mais uma Grêmio

Que vitória suada e de profundo significado obteve o Grêmio ontem em Caxias.

A vitória da camiseta, da tradição, do maior clube, de melhor qualidade dos jogadores.

O Grêmio fica agora a um passo apenas da Libertadores. Mais uma passagem para a finalíssima e poderá disputar a Libertadores no ano do seu centenário.

E interessante: exatamente o cartão vermelho que o Adriano Chuva, de últimas infelizes atuações, recebeu no primeiro jogo acabou por determinar a classificação gremista.

Tite optou com felicidade e decisão pelo menino César, que terminou numa grande jogada marcando o gol da classificação.

Mas restou ainda assim inesquecível a campanha do Juventude neste Brasileirão: só foi se entregar porque não tinha jogadores de reposição para as ausências de Pitbull e Leonardo Manzi.

Agora resta a nós, gremistas, torcer hoje à noite, como se fosse ontem, pelo Santos. Isso trará o segundo jogo para Porto Alegre. E com a então desclassificação do São Paulo, só o Corinthians.

Camiseta ganha jogo. Na semana que vem o Olímpico terá de transbordar.


Curioso e trágico destino o da comerciante Vilma Martins Costa, acusada de, em Brasília, seqüestrar Pedrinho, hoje adolescente de 16 anos.

Ao que tudo indica, Pedrinho é o segundo filho dela conseguido mediante rapto de maternidade.

A outra filha adotiva dela, Roberta, de 23 anos, por testemunhos que se vão cruzando e coincidindo, foi também obtida por seqüestro em maternidade.

Portanto, ela já tinha Roberta em seu poder havia seis anos quando foi raptar Pedrinho.

Ou seja, decidiu formar uma família à custa do parto de outras mães, não lhe importando a dor das mulheres subtraídas de seus filhos.

E deu-se ao refinamento de, já tendo uma filha seqüestrada, ir buscar também um menino, certamente para compor um casal.

Escolhia os bebês pela saúde e pelo sexo. Impedida de ter filhos biológicos, saiu sinistramente na busca criminosa dos filhos de outras mulheres.

E o que mais impressiona em sua sanha de receptar os filhos dos outros é que Vilma era movida por fins nobres: dedicava todo o carinho e atenção às crianças raptadas, como se fossem filhos do seu sangue.

Não era para explorar as crianças ou maltratá-las que elas as seqüestrava. Era para dar-lhes amor, era para torná-las seus verdadeiros filhos. Tanto que eles a amam e dificilmente, quase impossivelmente, deverão abjurá-la.

É comovente a luta que todas as mulheres travam para ser mães, mas Vilma tornou insólita essa obstinação: se a natureza impediu-a de dar à luz, tratou de usurpar de outras duas mães legítimas o seu direito à maternidade.

Isso tudo seria até compreensível se não tivesse deixado o rastro de dor, de falta, de ausência dos pais que tiveram seus filhos furtados, junto com a perplexidade dos bebês agora adultos, que se assombram com seu destino de dúvida sobre a quem prestar afeto e reconhecimento filiais.

Não há ninguém vivo ou morto, nem Freud, que possa explicar os desvios da mente e do coração humanos.

Como é que uma mulher que apenas quis doar-se a seus dois filhos raptados, quis transferir a eles apenas sentimentos de rica humanidade, pôde suportar o fardo de consciência em que consistia o seu remorso de ter arrancado de duas mães os seus bebês?

O homem é definitivamente um ser indecifrável?
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Quando postei a primeira noticia sobre a VARIG coloquei os números que hoje estão sendo corrigidos pelo jornal ZH não nessa coluna, mas no próprio jornal, aumentando o número de empregados de 16.000 para 18.000 e diminuindo o número de aeronaves para 115 e não 16.000 como eles haviam colocado ontem e que me fêz corrigir a postagem. Assim não dá, o problema é que fui no embalo, mas quase um avião por empregado dava para desconfiar, por isso me desculpo pela barrigada deles e minha.

Empresas

FH pede ajuda para salvar Varig

Novo presidente de empresa retomará negociações com credores
Brasília

Em reunião no Palácio da Alvorada, o presidente Fernando Henrique Cardoso pediu ontem aos ministros da Fazenda, Pedro Malan, do Desenvolvimento, Sérgio Amaral, e da Defesa, Geraldo Quintão, que tentem ajudar a Varig. FH ressaltou, porém, que esta ajuda não deverá incluir a injeção de recursos na companhia.

O atual diretor de controladoria e relações com os investidores da Varig, Manuel Guedes, foi nomeado ontem presidente interino da empresa, em substituição a Arnim Lore, que renunciou ao cargo no início desta semana.

Amaral reafirmou que o governo não vai intervir na Varig e que qualquer ajuda financeira à empresa por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) depende de novo plano de reestruturação a ser apresentado pela Fundação Ruben Berta (FRB), controladora da Varig.

Guedes disse que iria hoje ao BNDES informar que aguarda a análise do projeto de recapitalização da empresa para esta semana, conforme havia sido anunciado pelo banco. O vice-presidente da instituição, Isac Zagury, ponderou que o banco não deveria se pronunciar mais neste prazo, pois o documento que seria analisado perdeu sua validade após ter sido rejeitado pela FRB na sexta-feira passada.

Executivo ingressou na companhia em 1989

O documento citado por Zagury é um memorando de entendimentos, que previa a repactuação de dívidas de US$ 118 milhões com um grupo de credores. A recusa da FRB foi a gota d'água que levou à renúncia de Lore.

Português naturalizado brasileiro, 41 anos, Guedes entrou para a Varig em 1989, como assistente de contabilidade. O executivo afirmou que a necessidade de capitalização da Varig gira em torno dos US$ 400 milhões. Os recursos deverão ser obtidos com a entrada de novos acionistas, reduzindo a participação de 84% da FRB na empresa.

- A Fundação sempre esteve disposta a abrir mão do controle para a entrada de recursos que viabilizem o saneamento da empresa, que já se mostrou viável e vai continuar viável - destacou.

Guedes, que fica na presidência até o fim das negociações de salvamento da companhia, anunciou que a Varig reduziu sua dívida de US$ 900 milhões no primeiro semestre para US$ 764 milhões, posição de setembro último. Segundo o presidente interino, o grupo está capacitado a pagar os vencimentos de US$ 50 milhões que tem até o final do ano, se não conseguir alongar o prazo com os credores:

- O problema da Varig é a dívida acumulada, não os pagamentos dos vencimentos. Nós geramos receita, por isso buscaremos um acordo com credores e novos investidores.




Eu iria falar também do desperdício de amor, gente que passa anos se torturando por um amor que não volta mais, e sonegando seus beijos e abraços para quem está bem ao lado, precisando tanto deles. Mas no coração da gente não se manda. E mesmo que mandasse, temos esta mania de só nos doar quando os outros vêm buscar.

Martha Medeiros
27/11/2002


Desperdícios
Parafraseando Lennon, imagine um mundo sem desperdícios. Que toda comida que sobra nas cozinhas dos restaurantes, dos bares e da casa da gente fosse recolhida duas vezes por dia por um serviço público de coleta e transformada em sopões ou guisadões que fossem imediatamente distribuídos para as pessoas que não têm o que comer.

Imagine que houvesse também um serviço público de coleta para recolher o material inaproveitado das obras da cidade: todo final de tarde um caminhão buscaria os tijolos quebrados, as vigas que entortaram, os vidros lascados e o resto de cimento. Todos os dias, o caminhão recolheria o material que foi considerado inútil e o levaria para um local onde pudesse ser reciclado, ou mesmo aproveitado do jeito que está para a construção de casas populares.

Imagine que houvesse uma lei que determinasse a doação de remédios que ainda estão na validade. Muitas pessoas compram xaropes, analgésicos e antibióticos e os usam para combater uma doença de momento. Depois que o doente se cura, o remédio vai para o armarinho dos medicamentos e ali aguarda o tempo expirar sua utilidade. Poderia haver um projeto que estimulasse todas as pessoas a doarem para postos de saúde os remédios que não lhes são mais úteis. Com serviço de coleta, claro. Buscando os remédios de casa em casa, ninguém se negaria a colaborar.

Seria preciso contratar pessoas para as coletas. Olha só: mais emprego. Menos desperdício de mão-de-obra. E poderiam ser aceitos voluntários também, que assim estariam aproveitando melhor seu tempo vago.

Eu iria falar também do desperdício de amor, gente que passa anos se torturando por um amor que não volta mais, e sonegando seus beijos e abraços para quem está bem ao lado, precisando tanto deles. Mas no coração da gente não se manda. E mesmo que mandasse, temos esta mania de só nos doar quando os outros vêm buscar.

Recebi um amável e-mail do prefeito de Torres, sr. José Batista Martinez, informando que está desenvolvendo vários projetos importantes para o futuro do Turismo e do Meio Ambiente, como a conclusão da Central de Tratamento de Resíduos Sólidos, a implantação da coleta seletiva de lixo e a geração de empregos. Desejo-lhe sucesso.
martha.medeiros@zerohora.com.br




A águia respira
Écom inesperados motivos para agradecer aos céus que os norte-americanos páram a maior economia do globo hoje para comemorar o Dia de Ação de Graças.

A semana reservou a divulgação de uma fornada de indicadores que deram alento ao mercado dos Estados Unidos, já conformado em engolir a seco um dos Natais mais magros dos últimos anos.

Ontem, no dia seguinte à festiva divulgação de um crescimento de 4% no PIB do Tio Sam no terceiro trimestre e do avanço do índice de confiança do consumidor, a desova de novos dados (de atividade industrial e de volume de pedidos) empolgou os agentes financeiros. Tanto que o dólar voltou a se empertigar diante de outras moedas internacionais, e as bolsas norte-americanas fecharam para o feriadão em alta, puxando consigo outros pregões do mundo ¿ inclusive o do Brasil.

Graça dos céus ou das medidas de Alan Greenspan, fato é que há muito não se via um kit tão positivo de indicadores como os divulgados nesta semana em Washington. A safra de boas-novas foi recebida com cautelosos confetes e ruidosa esperança de que, finalmente, a locomotiva do mundo esteja saindo do fundo do túnel.

E a perspectiva de que, enfim, a recuperação da economia norte-americana aponta as orelhas anima também outras praças do mundo, que têm nos sobrinhos do Tio Sam os seus mais gulosos compradores externos.

Isto inclui muitas empresas brasileiras. Que, se os norte-americanos tiverem o que agradecer, cá também terão motivos para ação de graças.

Alô, alô
Mais concorrência na telefonia gaúcha.


Será formalmente apresentada na próxima semana em São Paulo a nova operadora de telefonia fixa que irá operar no Estado na virada do ano.

A espelhinho TeleMais atuará em 69 cidades dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

A nova operadora de serviços de telecomunicações conta com o inédito mecanismo de captação de recursos ¿ a fusão reversa ¿ e iniciará os testes de operação ainda em dezembro.

Canto & choro
Uma carta dilacerante escrita pela diva da ópera Maria Callas em 1968 foi vendida ontem por US$ 3,7 mil num leilão realizado em Roma (Itália).

Na missiva, endereçada a sua professora de canto, Callas desabafa as mágoas depois de ser rejeitada pelo bilionário Aristóteles Onassis, que a trocou pela ex-primeira-dama dos EUA, Jackie Kennedy.

Bola na rede
A Geniussul Rede de Ensino de Informática acertou dobradinha com o Sport Club Internacional, de Porto Alegre.

O resultado do bate-bola é a instalação de uma escola de informática dentro da sede da Fundação de Educação e Cultura do Internacional (Feci), no Gigantinho.

A Feci atua há 26 anos no desenvolvimento de projetos culturais, educativos e sociais.

Que estresse, tchê!
A pesar da fama de donos da melhor qualidade de vida do Brasil, os gaúchos não fogem à regra do estresse.

Em estudo da International Stress Management Association (ISMA-BR) realizado na Região Metropolitana, 63% consideram o trabalho como o principal causador de estresse. Mais: o gaúcho trabalha 52 horas por semana ¿ são 11 horas acima da média nacional.

Estes dados motivaram o Dia Nacional de Conscientização do Stress, evento de mobilização a ser realizado no Parcão, em Porto Alegre, no domingo.

Da lata
A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados aprovou ontem projeto de lei que obriga os fabricantes de bebidas em lata a fixar em seus produtos um selo de advertência com a seguinte mensagem: ¿Não deve ser bebido na embalagem. Sirva em copos ou use canudos¿.

A intenção é evitar a contaminação dos usuários de bebidas principalmente por leptospirose, doença causada pela urina de rato.

Prata da casa
Robert Earl Jones (Universal Leaf Tabacos), Renan Proença (Fiergs/Fasolo), Geraldo Fonseca (Borbonite), Paulo Bellini (Marcopolo), Raul Randon (Randon) são os administradores do Rio Grande do Sul eleitos os Líderes Empresariais de 2002.

O prêmio será entregue no dia 2 de dezembro a 115 profissionais de 23 Estados, reunindo cerca de mil empreendedores em São Paulo.

Vista panorâmica
A Construtora e Incorporadora CFL concluiu a aquisição do terreno que por várias décadas abrigou a mansão da família Kroeff na rua Farnese, nos altos da Bela Vista, em Porto Alegre.
Uma das moradas mais tradicionais do bairro, a residência será demolida para abrigar um sofisticado residencial ¿ o Verona Park.

Com 12 andares (um apartamento por piso), o empreendimento será lançado em 2003.

Clique alugado
A Compushop-Constat acaba de plugar parceria com a Microcity, mineira com 18 anos de atuação nacional em venda e locação de hardware e software.

A iniciativa pretende implantar no mercado gaúcho a tendência de aluguel de equipamentos e programas de informática, em que o empresário paga apenas pelo que usa.

Bifocal
É em dose dupla que a rede Panvel fará seu desembarque em Charqueadas.

Está inaugurando duas farmácias simultaneamente ¿ uma no centro da cidade e outra na Aços Finos. Com as novas operações, a Panvel passa a somar 202 filiais.

Quem chama
Está sendo posto na linha contrato selado entre a Brasil Telecom e a rede Multisom.

A rede gaúcha passará a vender o equipamento indicado para o serviço Identificador de Chamadas, assim como providenciar os trâmites de assinatura desse serviço com a operadora de telefonia.
informe.economico@zerohora.com.br




Preconceito nosso, qem sabe! Mas que muitas belezuras que estão por ai são frutos de uma boa maquiagem, são. E porque você iria para Orlando? É, todo mundo vai para Orlando. E Orlando, o que é Orlando? Um gerúndio, nada além. ¿Vou dar uma orladinha ali adiante¿. É um nome equivalente a Alfredo. E para Alfredo você iria? Então leia o texto.

A falsa Ellen Roche

Meu amigo Jorge Barnabé acha que a Ellen Roche não existe. Ou que existe, mas não é nada daquilo que a gente vê nas fotos.
¿ Computador ¿ raciocina o Jorge. ¿ Aquilo tudo é feito por computador.
Eu, que sou um crente, tento argumentar, digo que existe, sim, que uma mulher como aquela é possível, que talvez até já tenha havido outra igual. Não adianta. O Jorge responde que só vai se convencer quando a vir pessoalmente, quando estiver perto dela, ouvindo-lhe a voz maviosa, analisando suas curvas acentuadas, o acetinado de sua pele dourada, quem sabe... tocando-a.
Verdade que nem sempre fui assim crédulo. Já duvidei até do meu próprio avô. Sobretudo quando ele contava a respeito do Cardeal, um centroavante que jogava de casquete vermelho na cabeça e que, diante do gol, jamais dava um chutão sem rumo. Apenas calculava, calmo, a distância que havia entre o goleiro e as traves, e engastava a bola num dos ângulos, ou colocava por cima do goleiro, de encobridinha, ou fazia com que ela escorresse rente ao poste.
Dizia meu avô que o Cardeal, consumido pela tuberculose que acabaria por matá-lo, teve extirpado um pulmão. Pois ainda assim, com um único pulmão a lhe bombear o sangue, ele nem corria, nem se mexia muito. Esperava a bola, só. E, quando a bola surgia, girava o corpo sem pressa e, pac!, lá ela se ia, precisa como numa estocada de florete, seca como numa tacada de sinuca. Gol do Cardeal.
Eu pensava: será possível um centroavante assim, com tamanha serenidade e exatidão? Isso pode existir?
Pode. Cardeal existiu. Já pesquisei, já estudei, sei que existiu. E mesmo depois vi outros tantos centroavantes de precisão no bolor da grande área.
Mas agora, no Grêmio, isso é possível? Faz tanto tempo que o Grêmio é um time sem centroavância, faz tanto tempo que o Grêmio deixa de conquistar títulos fáceis por não ter um homem sem medo dentro da área inimiga. Agora mesmo, domingo passado, o Grêmio perdeu tantos gols por não ter quem encarasse com frieza os sete metros que separam uma trave doutra... Não sei, acho que não é mais possível. Acho que o Grêmio nunca mais terá um centroavante.

Orlando por aí

Você passaria suas férias em Alfredo? Num lugar chamado Alfredo?
¿Ah, as delícias de Alfredo...¿
Garanto que você está pensando: ridículo, jamais irei para Alfredo.
Preconceito seu. Porque para Orlando você iria. É, todo mundo vai para Orlando. E Orlando, o que é Orlando? Um gerúndio, nada além. ¿Vou dar uma orladinha ali adiante¿. E um nome equivalente a Alfredo.
Confesso que eu mesmo alimentava certa prevenção contra os nomes Orlando e Alfredo. Achava-os insossos, sem personalidade. Mas já houve até um bom lateral-direito chamado Orlando e um bom quarto-zagueiro chamado Alfredo, ambos de Seleção. Acostumei-me, pois. Hoje, vejo os Orlandos e os Alfredos com vasta simpatia. Um deles, o Alfredo Possas, inclusive é um amigo querido e competente goleiro de futsete.
Digo isso por causa do Geufer (O Professor diz Guêufer, o Wianey diz Guéufer, mas o pessoal do Pioneiro esclareceu que é Jêufer). Ah, claro, se você não sabe, Geufer é o centroavante do Juventude. O Márcio Serafini, editor de esportes do Pioneiro, me contou que o Geufer não gosta muito do nome dele. Que chegou a pedir para ser chamado de Gaúcho, como o conhecem em São Paulo.
Geufer.
Admito que, a princípio, estranhei um pouco. Nunca tinha conhecido um Geufer. Mas também não conhecia Cleisla alguma, e existe uma Cleisla fazendo reportagens na Globo. Nem Salézio, nome de um grande amigo meu que mora em Criciúma. Nem Schwarzenegger, imagina que a minha faxineira, que não é nenhuma cinéfila, fala Schwarzenegger com dois gês e tudo.
Quer dizer: se a pessoa faz sucesso, o nome faz sucesso também. Eu, se fosse Geufer, continuaria Geufer, não Gaúcho. Gaúchos há vários; Geufer só um. Fique Geufer, Geufer.


O maior de todos

Nos anos 80, um caudaloso jorro de dinheiro começou a inundar alegremente a vida do lateral-direito Luís Carlos Winck. Ao que ele reagiu como um típico jogador de futebol: comprou um carro. Depois, outro. Quando chegou ao terceiro em seis meses, o ponta Valdomiro resolveu intervir. Avisou, meigo:
¿ Se tu comprar mais um carro vou te dar um soco na cara.
Winck entendeu a mensagem como deveria: não era uma ameaça, mas uma advertência de irmão mais velho. A essa altura, Valdomiro adquirira no Inter o status de entidade. Pudera: tratava-se do maior jogador da história do clube, condição que ele ainda ostenta e que, estou certo, ostentará por muito, muito tempo.
Por isso, fico contente de saber que há especulações acerca do aproveitamento de Valdomiro na comissão técnica do Inter em 2003. Um homem com essa história e com essa estatura moral tem todas as condições de comandar o vestiário colorado. Mais até: algumas das insubmissões dos jogadores que tanto feriram a carne do time em 2002 seriam interrompidas com um único olhar de Valdomiro. Ou, em último caso, com um soco na cara.

O Tigre!

Se você quer conhecer uma comunidade, no Brasil, comece por conhecer seu clube de futebol. O Criciúma Esporte Clube, por exemplo, é a representação exata do que é a cidade de Criciúma.
Volta e meia, clube e cidade se deixam abater por alguma crise. Então se abatem mesmo, se deprimem, tudo parece perdido. Mas na alma de um e outro queima uma centelha que os faz resistir, superar qualquer revés, aprender com seus erros e seguir em frente.
E lá se vão, Criciúma e o Criciúma, e quando ninguém espera, nem seus habitantes, nem seus valentes torcedores, a cidade e o clube rebrilham. O Criciúma está de volta à primeira divisão. Pode ser que não fique para sempre. Pode ser que caia outra vez. Mas outra vez voltará. É a história do clube, é a sina da cidade.
david.coimbra@zerohora.com.br




Na crônica abaixo a gente caba decobrindoa razão de todos os males e doenças, que ainda não existiam e que passaram, desde esse dia nefasto, a nos fazer companhia. Para uma quinta-feira assim é bom relembrar.
Antes ou depois

No mito grego da origem humana, os habitantes do Olimpo resolveram, um belo dia, povoar este mundo de seres mortais que os divertissem. Com argila sagrada, moldaram então o homem e todos os animais, que entregaram aos irmãos Prometeu e Epimeteu, da raça dos Titãs, para que os preparassem para a vida, equipando-os com o necessário. Epimeteu, distraído, gastou com os animais todas as qualidades que tinha para distribuir, deixando o homem indefeso e nu, sem pena, pêlo, casco, presa ou garra que o defendesse. Vendo a injustiça dessa partilha, Prometeu enfrentou a ira dos deuses e roubou-lhes o segredo do fogo; com ele, o homem tornou-se o senhor da Natureza.

O poema de Hesíodo descreve a vingança divina: Zeus mandou moldar, com a mesma argila, a primeira de todas as mulheres, um ser tão belo quanto as deusas. Todos colaboraram: Atena deu-lhe o dom de misturar as cores, as Graças deram-lhe o porte e o sorriso, Afrodite deu-lhe o poder sobre o desejo, enquanto Hermes a equipava com uma mente ardilosa e um coração ambíguo. Ingênua e perigosa, esta criatura irresistível, batizada de Pandora, foi enviada a Epimeteu, que a recebeu apaixonadamente e a fez sua esposa, apesar do irmão sempre dizer que não se fiasse nos presentes dos deuses. Pandora trazia de dote uma caixa lacrada, com recomendação de jamais abri-la; no entanto, curiosa, terminou erguendo a tampa para espiar, libertando todos os males e doenças, que ainda não existiam e que passaram, desde esse dia nefasto, a nos fazer companhia. É compreensível que Hesíodo, para quem a mulher era um castigo, deixasse de salientar que "Pandora", em Grego, significa "a que tem todos os dons"...

No século 17, o filósofo Francis Bacon viu nos dois irmãos um símbolo da condição humana: Prometeu ("o que pensa antes") é o homem racional e prudente, que antecipa as conseqüências do que faz, enquanto Epimeteu ("o que pensa depois") é o homem que vive apenas o presente, descuidado do futuro, capaz de raciocinar apenas sobre atos já praticados. Bacon preferia Prometeu, mas, como sábio que era, não se furtou a observar que esse tipo de homem racional deixa quase sempre de colher os frutos da existência, privando-se do prazer de viver. Hoje, quatro séculos depois, a intuição me diz que o segredo não é optar por um dos irmãos da lenda, mas assumi-los como metáfora dos dois lados da nossa natureza, que é ambígua e dividida em sua própria essência - até mesmo porque (coisa que Hesíodo não quis enxergar) a Humanidade só nasceu no momento em que nosso lado Epimeteu abriu a porta para Pandora.
claudio.moreno@zerohora.com.br




Meu amigo Scliar acabou chovendo no alagado, haja vista pelo número de crimes passionais, inclusive esse último que está na manchete dos jornais, que relata em Caxias o caso de um marido traído que resolveu de fatiar a sua mulher, entrerrá-la no lado da piscina de sua casa e ainda tomar banho na mesma como se nada houvesse ali por perto.

Casamento e saúde
Independentemente de todas as controvérsias sobre casamento - uma instituição que sempre deu lugar a muito bate-boca - uma coisa parecia certa: os casados teriam maior expectativa de vida. Que diminuiria bastante, aliás, quando da viuvez, o que confirmava a premissa inicial: quando as pessoas cuidam umas das outras, como acontece, ou deveria acontecer no casamento, as chances de viver mais são maiores. Sem um cuidador ou cuidadora, o interesse pela saúde e pela vida diminui, e com isso, a sobrevida.

Havia aí uma discussão do tipo o que vem primeiro, o ovo ou a galinha: as pessoas sobrevivem porque estão casadas, ou casam porque estavam destinadas de antemão a uma maior sobrevivência? Não haveria, no perfil dessas pessoas, uma atitude diferente em relação à existência que favoreceria tanto a aproximação amorosa com os outros, com uma maior disposição para o autocuidado? Questão muito difícil de responder, e à qual se associa agora um novo questionamento: será que o matrimônio é sempre bom para a saúde?

Nem sempre, dizem Janice Kiecolt-Glaser, professora de psiquiatria na Ohio State University, e Ronald Glaser (seu marido, por sinal), que é imunologista. Para esses pesquisadores, o casamento é bom - desde que não haja brigas. A discussão entre marido e mulher tem efeitos fisiológicos: eleva os níveis de dois hormônios, a epinefrina, ou adrenalina, e o cortisol. E isso, por sua vez, aumenta a pressão sangüínea. O que não é exatamente uma novidade: desde 1998 sabia-se que a pressão arterial das mulheres sobe depois de brigas com os maridos. Brigas parecem também agravar doenças como artrite reumatóide, Parkinson e Alzheimer, e até a capacidade de cicatrização de feridas. O efeito das brigas é sempre mais intenso nas mulheres.

Que conclusão deve-se tirar desses estudos? Difícil dizer. A convivência nunca ocorre sem problemas, especialmente entre marido e mulher. Há muita coisa em comum: a cama, o banheiro, os filhos, as finanças. Portanto, há muita coisa que serve como motivo de conflito.

O importante é reconhecer que o conflito é inevitável, mas a briga não é. O conflito pode ser resolvido por uma palavra que torna-se cada vez mais importante em nosso mundo: negociação. No passado, esse termo era visto com aristocrático desprezo, porque lembrava negócio. Não mais. Hoje sabemos que a ausência de negociação acarreta riscos perigosos, dos quais o maior é a guerra: a guerra entre nações e a guerra conjugal, muito bem mostrada no filme A Guerra dos Roses, com Michael Douglas e Kathleen Turner, em que marido e mulher transformam a casa no cenário de uma feroz luta de guerrilhas (ao final da qual ambos morrem). "Vamos falar sobre isso" talvez seja a fórmula para evitar o arranca-rabo, a elevação da adrenalina e do cortisol e um enterro precoce.
scliar@zerohora.com.br


Quarta-feira, Novembro 27, 2002




Como onde trabalho a relação é de quase dois homens para uma mulher não sei se a estatística essa abaixo mantém a mesma proporção. Há que também ser examinada a relação de trinees que aí sim deve inverter-se. Mas que é interessante é, vamos ver na revista de janeiro/2003.

SEXO NO TRABALHO

Mulheres querem fazer sexo com estagiários

Quarta, 27 de novembro de 2002, 13h28

Uma pesquisa divulgada hoje mostra que as mulheres são mais propensas do que os homens a fazer sexo com um colega do trabalho. Dado revelador, mas não tanto quanto o fato de que elas desejam mesmo são os estagiários.

De acordo com uma enquete patrocinada pela revista Playboy, dois terços das entrevistadas que haviam feito sexo com um colega haviam dormido com um trinee, contra metade dos homens. Mais de 10 mil homens e mulheres foram entrevistados em agosto. Os resultados gerais da enquete serão publicados na edição de janeiro da revista.

Outros números:

20% das mulheres e 12% dos homens fizeram sexo com um colega no escritório.

46% das mulheres que tinham tido sexo no escritório tinham dormido com o chefe. Entre os homens este número era de 18%.

para mulheres, o lugar favorito para fazer sexo no escritório é a mesa, enquanto os homens preferem um sofá ou uma cadeira. Para ambos os sexos o lugar menos popular é a sala de correspondência ou de xerox.

mais de 80% dos homens e mulheres disseram que flertaram com colegas de trabalho.




Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível. Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter. Para que você tenha uma quarta-feira a tarde e noite super legal, já que é o dia internacional do sofá.


Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender
Arthur da távola


Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar:
aprenda a fazer bonito o seu amor. Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito.
Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito.
Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.


Tenho visto muito amor por aí, Amores mesmo, bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva, mas esbarram na dificuldade de se tornar bonito. Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção.
Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.


Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais de repente se percebeu ameaçados apenas e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender;
necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem;
enchem-se de razões. Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo no amor.
Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reinvindicar,
de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez
passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Nem queira.
Ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça mas na hora errada.
Amar bonito é saber a hora de ter razão.


Ponha a mão na consciência. Você tem certeza que está fazendo o seu amor bonito?
De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade,
da alegria do encontro, da dor do desencontro, a maior beleza possível?
Talvez não. Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas aquilo
que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar,
para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer.
Quem espera mais do que isso sofre, e sofrendo deixa de amar bonito.
Sofrendo, deixa de ser alegre, igual criança. E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.


Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia.
Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama.
Saia cantando e olhe alegre. Recomendam-se: encabulamentos; ser pego em flagrante gostando;
não se cansar de olhar, e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações;
adiar sempre, se possível com beijos, ¿aquela conversa importante que precisamos ter¿,
arquivar se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida.
Para quem ama toda atenção é sempre pouca.
Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível.
Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter.


Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida
como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos nossos sonhos):
não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora.


Não tenha mêdo exatamente de tudo o que você teme, como: a sinceridade;
não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração;
contar a verdade do tamanho do amor que sente.

Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas,
atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge
de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser.
Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteiras,
mas criando sempre. Gaguejando flores.
Sentindo o coração bater como no tempo
do Natal infantil. Revivendo os carinhos que instruiu em criança.
Sem mêdo de dizer, eu quero, eu gosto, eu estou com vontade.


Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor,
ou bonitar fazendo seu amor, ou amar fazendo o seu amor bonito
(a ordem das frases não altera o produto), sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você é e nunca, deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi possível, ser.


Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto.
Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma.
Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. Cuide de você.
Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.




Embora seja longo o texto acredito que valha a pena dar uma olhada, afinal o Flávio é um dos experts no assunto e para saber aquilo que ele pensa é preciso ler o texto. Se resumisse não seria ético, embora concorde ganharíamos tempo, todos nós. Quem sabe lendo até o final a gente acabe ganhando mais em outros sentidos??

FLÁVIO GIKOVATE
Um roteiro para ser feliz no amor

19/11/2002 - 10h31

Flávio Gikovate

1. O amor é um sentimento que faz parte da "felicidade democrática", aquela que é acessível a todos nós. É democrática a felicidade que deriva de nos sentirmos pessoas boas, corajosas, ousadas, etc. A "felicidade aristocrática" deriva de sensações de prazer possíveis apenas para poucos: riqueza material, fama, beleza extraordinária. Felicidade aristocrática tem a ver com a vaidade e é geradora inevitável de violência em virtude da inveja que a grande maioria sentirá da ínfima minoria.
2. É difícil definir felicidade: podemos, de modo simplificado, dizer que uma pessoa é feliz quando é capaz de usufruir sem grande culpa os momentos de prazer e de aceitar com serenidade as inevitáveis fases de sofrimento. É impossível nos sentirmos felizes o tempo todo, mas os períodos de felicidade correspondem à sensação de que nada nos falta, de que o tempo poderia parar naquele ponto do filme da vida.
3. Apesar de ser acessível a todos, o fato é que são muito raras as pessoas que são bem sucedidas no amor. Ou seja, devem existir um bom número de requisitos a serem preenchidos para que um bom encontro aconteça. Não tem sentido pensar que a felicidade sentimental se dê por acaso; não é bom subestimar as dificuldades que podemos encontrar para chegar ao que pretendemos; as simplificações fazem parte das estratégias de enganar pessoas crédulas.
4. O primeiro passo para a felicidade sentimental consiste em aprendermos a ficar razoavelmente bem sozinhos. Trata-se de um aprendizado e requer treinamento, já que nossa cultura não nos estimula a isso. Temos que nos esforçar muito, já que os primeiros dias de solidão podem ser muito sofridos. Com o passar do tempo aprendemos a nos entreter com nossos pensamentos, com leituras, música, filmes, internet, etc. Aprendemos a nos aproximar de pessoas novas e até mesmo a comer sozinhos. Pessoas capazes de ficar bem consigo mesmas são menos ansiosas e podem esperar com mais sabedoria a chegada de amigos e parceiros sentimentais adequados.
5. Temos que aprender a definir com precisão nossos sentimentos. Nós pensamos por meio das palavras e se as usarmos com mais de um sentido poderemos nos enganar com grande facilidade. Cito, a seguir, alguns dos conceitos que tenho usado e o sentido que a eles atribuo. Amor é o sentimento que temos por alguém cuja presença nos provoca a sensação de paz e aconchego. O aconchego representa a neutralização do vazio, da sensação de desamparo que vivenciamos desde o momento do nascimento. O aconchego é um "prazer negativo", ou seja, a neutralização de uma dor que existia - nos leva de uma condição negativa para a de neutralidade. Amizade é o sentimento que temos por alguém cuja presença nos provoca algum aconchego e cuja conversa e modo de ser nos encantam. Segundo essa definição, a amizade é sentimento mais rico do que o amor, já que a pessoa que nos provoca o aconchego - apesar de que menos intenso e, por isso mesmo, gerador de menor dependência - é muito especial e desperta nossa admiração pelo modo como se comporta moral e intelectualmente. Sexo é uma agradável sensação de excitação derivada da estimulação das zonas erógenas, de estímulos visuais e mesmo de devaneios envolvendo jogo de sedução e trocas de carícias tácteis. É evidente que a sexualidade envolve questões muito complexas, que não cabe aqui discutir. Quero apenas enfatizar que sexo e amor correspondem a fenômenos completamente diferentes, sendo que o amor está relacionado com o "prazer negativo" do aconchego e o sexo é "prazer positivo", já que nos excitamos e nos sentimos bem mesmo quando não estávamos mal; o amor nos leva do negativo para o zero, ao passo que o sexo nos leva do zero para o positivo. Amor, sexo e amizade podem existir separadamente e também podem coexistir. A mesma pessoa pode nos provocar aconchego e desejo sexual mesmo sem nos encantar intelectualmente; nesse caso, falamos de amor e de sexo. Podemos estabelecer um elo de amizade e sexo sem o envolvimento maior do amor. Podemos vivenciar o sexo em estado puro, assim como o amor - como é o caso do amor que podemos sentir por nossa mãe, que independe de suas peculiaridades intelectuais e não tem nada a ver com o sexo.
6. A escolha amorosa adequada se faz quando o outro nos desperta o amor, a amizade e o interesse sexual. A essa condição tenho chamado de +amor, mais do que amor. Amigos são escolhidos de modo sofisticado e de acordo com afinidades de caráter, temperamento, interesses e projetos de vida (falo dos poucos amigos íntimos e não dos inúmeros conhecidos que temos). A escolha amorosa deverá seguir os mesmos critérios, sendo que a escolha depende também de um ingrediente desconhecido e indecifrável - porque escolhemos esse e não aquele parceiro? Não é raro que no início do processo de intimidade a sexualidade não se manifeste em toda sua intensidade. Isso não deve ser motivo de preocupação, já que faz parte dos medos que todos temos quando estamos diante de alguém que nos encanta de modo especial.
7. O medo relacionado com o encantamento amoroso é que determina o estado que chamamos de paixão: paixão é amor mais medo! Temos medo de perder aquela pessoa tão especial e do sofrimento que, nessa condição, teríamos. Temos medo de nos aproximarmos muito dela e de nos diluirmos e nos perdermos de nós mesmos em virtude de seus encantos. Temos enorme medo da felicidade, já que em todos nós os momentos extraordinários se associam imediatamente à sensação de que alguma tragédia irá nos alcançar - o que, felizmente, corresponde a uma fobia, ou seja, um medo sem fundamento real. As fobias existem em função de condicionamentos passados e devem ser enfrentadas de modo respeitoso mas determinado.
8. Para ser feliz no amor é preciso ter coragem e enfrentar o medo que a ele se associa. Esse é um exemplo da utilidade prática do conhecimento: ao sabermos que o amor - aquele de boa qualidade, que determina a tendência para a fusão e provoca a enorme sensação de felicidade - sempre vem associado ao medo, não nos sentimos fracos e anormais por sentirmos assim. Ao mesmo tempo, adquirimos os meios para, aos poucos, ir ganhando terreno sobre os medos e agravando a intimidade com aquela pessoa que tanto nos encantou.
9. Quando o medo se atenua, desaparece a paixão. Isso não deve ser entendido como o enfraquecimento ou o fim do sentimento amoroso pleno. Sobrou "apenas" o amor. O que acaba é o tormento, o "filme de suspense". Fica claro que a coragem é requisito básico para a vitória sobre o medo e a realização do encontro amoroso. O encontro é menos ameaçador quando somos mais independentes e capazes para ficar sozinhos; nossa individualidade mais bem estabelecida nos faz menos disponíveis para a tendência à fusão que é usual no início dos relacionamentos mais intensos. Quando o medo se atenua costuma aumentar o desejo sexual. Se o parceiro escolhido for também um amigo não faltarão ingredientes para a perpetuação do encantamento. Desaparece o medo mas não desaparecerá o encantamento, a menos que a única coisa interessante fosse o "filme de suspense" - e se for esse o caso é melhor que o relacionamento termine aí. No +amor assim constituído, o encantamento só desaparecerá se desaparecer a admiração.
10. A admiração só desaparecerá se houverem abalos graves na confiança ou se tiver havido grave engano na avaliação do parceiro. É evidente que ao longo de um convívio íntimo com uma pessoa com a qual temos muita afinidade surgirão também diferenças de todo o tipo. Não existem "almas gêmeas", de modo que nem todos os pontos de vista serão afinados, nem todos os hábitos serão compatíveis, etc. É o momento em que surge uma certa decepção e dúvidas acerca do acerto da escolha. É nesse ponto que percebemos que a escolha amorosa se faz tanto com o coração como com a razão: a admiração deriva de uma avaliação racional do outro, ainda que o façamos de modo camuflado porque aprendemos que o amor é uma mágica determinada pelas flechas do Cupido. A avaliação da importância das diferenças que finalmente se revelaram determinará a evolução, ou não, do relacionamento. A serenidade na análise de situações dessa natureza só pode acontecer com pessoas portadoras de boa tolerância a frustrações e contrariedades. Assim, a maturidade emocional que se caracteriza pela capacidade de suportarmos bem as dores da vida é requisito indispensável para a felicidade amorosa.
11. É preciso muita atenção, pois o medo tende a se esconder atrás das dúvidas que derivam das diferenças no modo de ser do outro, do menor desejo sexual inicial e também das eventuais dificuldades práticas derivadas das circunstâncias da vida daqueles que se encontraram e se encantaram. O medo é sempre presente e se formos mais honestos conosco mesmos saberemos melhor separá-lo de seus disfarces. É por isso que o conhecimento, que determina crescimento e fortalecimento da razão, é tão útil para que possamos avançar até mesmo nas questões emocionais. A coragem é a força racional que pode se opor e vencer o medo. Ela cresce com o saber e as convicções e também com a maturidade emocional que nos faz mais competentes para corrermos riscos e eventualmente tolerarmos alguns fracassos.
12. A maturidade moral dos que se amam é indispensável para que se estabeleça a mágica da confiança, indispensável para que tenhamos coragem de enfrentar o medo de sermos traídos ou enganados, o que geraria um dos maiores sofrimentos a que nós humanos estamos sujeitos. Não podemos confiar a não ser em pessoas honestas, constantes e consistentes. Assim sendo, este é mais um requisito para que possamos ser felizes no amor. Temos que possuir esta virtude moral e valorizá-la como indispensável no amado. Não há como estabelecermos um elo sólido e verdadeiro com um parceiro não confiável a não ser que queiramos viver sobre uma corda bamba.
13. São tantos os requisitos básicos para que o amor se estabeleça que não espanta que ele seja tão incomum mesmo sendo uma felicidade possível para todos. Temos que nos desenvolver emocionalmente até atingir a maturidade que nos permita competência para lidar com frustrações. Temos que avançar moralmente para nos tornarmos confiáveis. Temos que ganhar conhecimento mais sofisticado e útil sobre o amor para que possamos ter uma razão geradora da coragem necessária para ousarmos nessa aventura. Temos que ter competência para ficar sozinhos para que possamos desenvolver melhor nossa individualidade e não nos deixarmos seduzir pela tentação da fusão romântica e a excessiva dependência, além de podermos esperar com paciência a chegada de um parceiro adequado. As virtudes necessárias à felicidade sentimental são todas elas "virtudes democráticas", ou seja, acessíveis a todos e cuja presença em uns não impede que surjam nos outros - é sempre bom lembrar que o mesmo não acontece, por exemplo, com o dinheiro: para que uns tenham bastante é inevitável que muitos outros tenham pouco. As virtudes democráticas podem existir em todos aqueles que se empenharem no caminho do crescimento interior. Acontece que elas não são fáceis de serem conquistadas e nem se pode chegar a elas a não ser por meio de uma longa e persistente caminhada. Não existem atalhos e o trajeto pode demorar anos. O caminho é, por vezes, penoso mas ainda assim fascinante. Trata-se de uma densa viagem para dentro de nós mesmos, na direção do autoconhecimento.
14. Quando estamos prontos, o parceiro adequado acaba se mostrando diante de nossos olhos. Não precisamos nos esforçar, sair de nossas rotinas de vida e buscar ativamente o encontro amoroso. Tudo irá acontecer quando for chegada a hora e sempre é bom ter paciência, já que esperar com serenidade é uma das condições mais difíceis de vivenciarmos.
15. Se tudo isso lhe pareceu muito racional, lógico e frio, engano seu. Todos esses passos vão nos acontecendo sob a forma de emoções e vivências que se dão espontaneamente, sendo que as reflexões deverão servir apenas de roteiro para que não nos sintamos tão perdidos. Desde a adolescência experimentamos vários tipos de relacionamentos e deveremos ir aprendendo a entender tudo o que está nos acontecendo e todas as nossas ações e reações. Primeiro vivenciamos e depois devemos refletir sobre o que aconteceu. Assim, não existe real antagonismo entre emoções e razão; uma complementa a outra. Reflexões adequadas e consistentes determinam avanços emocionais, que permitem reflexões mais sofisticadas, geradoras de avanços emocionais ainda maiores, e assim por diante. Estabelece-se um círculo virtuoso que deverá criar condições de felicidade sentimental para todos aqueles que se empenharem realmente na rota do crescimento emocional. A felicidade sentimental é a recompensa acessível a todos os que completarem o ciclo mínimo de evolução emocional.

Flávio Gikovate é Psicoterapeuta
www.flaviogikovate.com.br




Bom para os colorados ou será que é amor de torcida mesmo, mas acredito nessa estatística por que passo todo o dia pelo camelô que oferece as carteirinhas a R$ 1,00 e se ele diz que vende o dobro das do colorado é uma prova verdadeira de que pelo menos quem passa pela Rua da Praia são em número maior de colorados do que gremistas. Talvez se a cada dia comprasse uma carteirinha reverteria essa estatística para o meu time, quem sabe!!!

PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 27 DE NOVEMBRO DE 2002
De Primeira/Hiltor Mombach



CAMELÔ

Há um lugar onde o Inter supera o Grêmio: no camelô da Rua da Praia.

O bom camelô negocia lugar no céu ao lado de Deus sem cobrar fortuna, como no tempo das Cruzadas.

Conheço um, na Rua da Praia, que vende carteira de identidade do Grêmio e do Internacional. Custa R$ 1,00. Seu apelo é irresistível:

'Olha o censo! Olha a carteirinha de gremista e de colorado. Vamos conhecer a verdadeira maior torcida do Rio Grande! Olha o censo! Vai por R$ 1,00! Olha a carteirinha!'.

Irresistível para os colorados. O camelô jura vender o dobro de carteirinhas do Inter. É espantoso, mas absolutamente verdadeiro.

Talvez essa seja a última identidade com o clube, talvez, mas também é possível que ali, no mercador de bugigangas da Rua da Praia, os colorados embalem sua última crença, a de que ainda possuem a maior torcida do Estado.




CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 27 DE NOVEMBRO DE 2002

Ufrgs está afastando os fumantes


Hoje, Dia Nacional de Combate ao Câncer, o país está mobilizado para a luta contra a doença. Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que pelo menos 337 mil novos casos da doença vão se manifestar no Brasil este ano, dos quais 122,6 mil resultarão em óbito. Desse total, mais da metade envolve doenças associadas ao tabagismo. Por isso, a Ufrgs está conscientizando seus funcionários e acadêmicos sobre os riscos do consumo de cigarro, destinando apenas os espaços externos aos prédios para os fumantes.

Conforme um dos coordenadores do programa Qualidade de Vida e Dependência Química do Departamento de Assuntos da Comunidade Universitária (Dacom/Ufrgs), Alexander Daudt, os efeitos do fumo passivo são tão prejudiciais quanto o consumo direto do tabaco. 'A fumaça do cigarro possui cerca de 4 mil substâncias, das quais a maioria é cancerígena', explicou. O Dacom avalia que entre 30% e 40% da comunidade acadêmica da instituição fuma, o que inclui alunos, funcionários e professores. 'Estamos divulgando as leis que proíbem o fumo em ambientes públicos fechados, garantindo o direito ao ar livre das toxinas do tabaco aos não-fumantes', relatou.

A Ufrgs também vai identificar os principais pontos que caracterizam a qualidade de vida de sua comunidade, como a prática de exercícios, por exemplo. Em 2003, o alvo da pesquisa será os alunos e, em 2004, a população da Capital. Outros levantamentos da universidade revelam que o consumo de cigarro está relacionado aos cânceres de pulmão, bexiga, boca, esôfago, colo de útero, garganta, pâncreas e rim, além de doenças cardiovasculares e problemas pulmonares.



Terça-feira, Novembro 26, 2002




São dezeseis mil empregados no ar e em terra que compõe a nossa VARIG e mais de dezeseis mil aeronaves próprias e alugadas, então há quê se buscar uma saída e não sei a razão da Fundação para negar-se as negociações propostas.

26/11/2002 - 13h53
Negociação entre Varig e BNDES recomeçará "do zero", diz Amaral
PATRÍCIA ZIMMERMANN
da Folha Online, em Brasília


As negociações da Varig com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para sanear a empresa deverão recomeçar da "estaca zero". A avaliação é do ministro Sérgio Amaral (Desenvolvimento), que reafirmou hoje estar surpreso e perplexo com a rejeição da Fundação Ruben Berta, detentora de 84% das ações da empresa, à proposta de reestruturação da dívida da empresa.

O ministro lembrou que a proposta de reestruturação foi construída nos últimos meses em negociações que envolveram os próprios acionistas da Varig, além do governo, do BNDES e dos credores.

Segundo ele, o governo continua aberto a considerar qualquer tipo de proposta que a Varig venha a fazer, mas desconhece uma alternativa à proposta de reestruturação que já vinha sendo debatida.

Amaral disse que a participação do governo e do BNDES para buscar uma solução para a dívida da empresa só acontecerá a partir de uma proposta de reestruturação apresentada pela própria empresa.

"Em nenhum momento o governo acenou com a idéia de que poderá prestar apoio à Varig sem uma reestruturação, que demonstre a sua capacidade de recuperação e viabilidade econômica e financeira.

Segundo o ministro, o pacote de medidas para o setor anunciado recentemente não teve como objetivo socorrer as companhias aéreas, mas corrigir situações distorcidas na indústria da aviação civil.

A situação da Varig será discutida hoje em reunião no ministério do Desenvolvimento com participação do BNDES, DAC (Departamento de Aviação Civil), BR Distribuidora, uma das credoras da Varig _a BR Distribuidora_ e a Infraero (empresa que administra os principais aeroportos brasileiros).

No final do dia, às 19h, o ministro Sérgio Amaral receberá o coordenador da equipe de transição, Antonio Palocci, para discutir a crise no setor.

O presidente da Varig, Arnim Lore, e o conselho de administração da FRB-Par - holding da Varig - renunciaram nesta semanaa seus postos em repúdio à rejeição do memorando de entendimentos para o acordo com credores




Nós sempre soubemos desde os bancos escolares e aliás de casa também nos foi ensinado que , primeiro se discute e se resolve os pontos de coesão e deixa por último os temas divergentes ou polêmicos. Mas parece que nossos amigos sindicalistas esqueceram essa liçãozinha básica e aí foi preciso o nosso futuro Presidente para lembrá-los.


26/11/2002 - 15h56
Lula "puxa orelha" da Força e da CUT e diz que acabou "moleza"
FABIANA FUTEMA
da Folha Online

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva criticou hoje o debate travado por meio da imprensa nos últimos dias entre os presidentes da CUT (Central Única dos Trabalhadores), João Felício, e da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, sobre o imposto sindical.

Segundo ele, essa discussão é pequena. ''Isso é coisa menor. O momento agora é de menos brava e de mais competência'', disse Lula, pedindo para o movimento sindical se unir neste momento.

Para Paulinho, o recado de Lula foi muito mais um ''puxão de orelha'' no PT e na CUT. Segundo ele, o discurso de Lula está ''alinhado'' às propostas da Força Sindical, que pede para as centrais sindicais discutirem primeiro os pontos de coesão e deixar por último os temas polêmicos.

Já Felício não encarou a crítica de Lula como um ''puxão de orelha''. ''Ele [Lula] conhece há muito tempo as divergências que existem entre a CUT e a Força. Não vamos nos negar a opinar sobre aquilo em que acreditamos'', disse o presidente da CUT.

Lula pediu também a colaboração de todos os sindicalistas no seu governo. Segundo ele, todos serão chamados a participar e a colaborar com as reformas que ele julga serem emergenciais, como a tributária e a previdenciária.

Fim da moleza
Lula também avisou aos sindicalistas que ''acabou com a moleza deles''. ''Vamos acabar com essa estória do sindicato trabalhar só na época da data base. Não adianta só subir em cima do caminhão e dizer que está falando em nome do companheiro Lula. Precisamos fazer um sindicalismo cidadão'', afirmou o presidente eleito.

Segundo ele, chegou a hora do movimento sindical se unir para colaborar com o seu governo e procurar um consenso em torno dos assuntos convergentes.

''Primeiro vamos acertar o que é consensual e depois negociar aquilo que é divergente. Tem muita coisa em comum para ser feita e acredito que as questões convergentes são maiores do que as divergentes.''




Voces sabem que a categoria dos bancários ainda não acertou seus dissídios de setembro e já é dezembro praticamente. Os sindicalistas levaram um puxão de orelha hoje de nosso futuro Presidente e assim, as coisas vão acontecendo ao largo, afinal isso é lá com eles. Mas voces lembram da metáfora abaixo?

A Ratoeira

Um rato olhando pelo buraco na parede vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo em que tipo de comida poderia ter ali. Ficou aterrorizado quando descobriu que era uma ratoeira.

Foi para o pátio da fazenda advertindo a todos:

"Tem uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa."

A galinha, que estava cacarejando e ciscando, levantou a cabeça e disse:

"Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que é um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda."

O rato foi até o porco e disse a ele:

"Tem uma ratoeira na casa, uma ratoeira."

"Desculpe-me Sr. Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces."

O rato dirigiu-se então à vaca. Ela disse:

"O que Sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!"

Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. No escuro, ela não viu que a ratoeira pegou a cauda de uma cobra venenosa. A cobra picou a mulher. O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.

Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.

Para alimentá-los o fazendeiro matou o porco. A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral O fazendeiro então sacrificou a vaca para alimentar todo aquele povo.

Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito lembre-se que, quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco.




Embora antiga, e espalhada por diversos diários por ai, não posso deixar de repartir com aqueles que vem apenas e tão somente aqui, pois são conceitos criativos e que têem tudo a ver.

Solidão é uma ilha com saudade de barco.
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança
para acontecer de novo e não consegue.

Lembrança é quando, mesmo sem autorização,
seu pensamento reapresenta um capítulo.

Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco.

Pouco é menos da metade.

Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.

Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.

Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.

Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu
sair de seu pensamento.

Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer
mas acha que devia querer outra coisa.

Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.

Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme
que pode ser que nem exista.

Renúncia é um não que não queria ser ele.

Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.

Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente.

Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.

Ansiedade é quando sempre faltam 5 minutos para o que quer que seja.

Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada em especial.

Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.

Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.

Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é Fevereiro...

Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.

Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.

Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.

Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente,
mas, geralmente, não podia.

Perdão é quando o Natal acontece em outra ápoca do ano.

Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.

Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.

Desatino é um desataque de prudência.

Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.

Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.

Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo
e assume o mandato.

Emoção é um tango que ainda não foi feito.

Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.

Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.

Desejo é uma boca com sede.

Paixão é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra.

Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não.
Amor é um exagero... também não. É um "desadoro"... Uma batelada?
Um exame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero,
um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?
Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação,
esse negócio de amor não sei explicar...




Criatividade por Aprendendo a desaprender
por Angelo Milani Junior First Things First

É um livro que nos leva a auto-analise, obrigando-nos a rever hábitos e atitudes fundamentais no nosso cotidiano. Pode ser considerado como uma ferramenta de trabalho para empresários e para todos que se dedicam a uma profissão ou uma atividade.

Este livro irá nos ajudar no desafio de descobrir os caminhos, formar equipes que irão operacionalizar as novas idéias.
É um livro para pessoas que questionam formas e métodos na administração de negócios.

RESUMO:

Existem hábitos mentais bons e ruins.
As crenças e pensamentos materializam coisas ruins e boas.
Você vê aquilo em que crê.
As ferramentas de criatividade constróem novos hábitos mentais se praticadas

Você pode e deve:
descobrir novas crenças para criar;
descobrir seus talentos e desafios;
fazer o que gosta e conhecer-se;
inovar, completando-se com outras pessoas;
descobrir oportunidades;
ter mais momentos felizes;
assumir o controle da sua vida.

Fazer o bem é um dever para você ter mais momentos felizes. Use o seu poder infinito.

Ao caminhante não se mostra o caminho, ele o descobre ao andar.

A intuição é algo que sentimos mesmo não sabendo explicar a sua origem.

Quase sempre pensamos que aquilo que não podemos explicar não existe.
Algumas vezes sentimos: "A minha intuição me diz que isto é bom"... e mais adiante você confirma que foi bom ter seguido a sua intuição.

Para desenvolver sua criatividade e intuição você tem de querer ser mais criativo e intuitivo, mesmo sem saber explica-las.

Coisas que nunca teriam acontecido ocorrem em seu apoio.

A mágica esta dentro de você, pode chamá-la de energia, intuição ou Cristo interior. Agora, mais do que nunca com tantas mudanças acontecendo e muitas ainda por vir, iremos precisar de utilizar cada vez mais nossas intuições, nossos poderes criadores e, para tanto, este livro irá nos dar o caminho das pedras.

As pessoas, às vêzes, vivem num emaranhado familiar ou empresarial, sem nunca perceber porque. Perguntam-se: Qual a razão disso? Só comigo? Como sou azarado!. Na verdade, Deus criou o homem como a expressão mais perfeita da natureza e capaz de criar: uma sociedade, veículos, viagens espaciais, remédios poderosos. O homem tem de criar. Pode até ser apenas uma solução para que a fechadura emperrada volte a funcionar a contento. O livro "APRENDENDO A DESAPRENDER" para ser mais criativo mostra que todos podem criar, embora tão poucos façam isto. E que basta desaprender determinadas condutas (atitudes) impeditivas par que você comece a mudar a sua vida. Nunca mais vai esbarrar em emaranhados que parecem uma barreira intransponível. É impossível ser feliz sem Criatividade. E todos têem o direito de ser FELIZ.




Como definir prioridades num mundo sem tempo
por Angelo Milani Junior First Things First

O RELÓGIO E A BUSSOLA.

Estamos sempre tomando decisões sobre a forma de usar nosso tempo. Estamos, tambem, sempre nos deparando com as consequencias dessas decisões. Muitas vezes não gostamos delas, em virtude da lacuna entre a maneira como usamos nosso tempo e o que acreditamos ser realmente importante em nossas vidas. Nossa dificuldade para colocar as prioridades em primeiro lugar pode ser caracterizada pelo contraste entre dois instrumentos poderosos que nos dirigem: O RELÓGIO, que representa os compromissos, as reunioes, os horarios, as metas e as atividades (como GERENCIAMOS nosso tempo) e a BUSSOLA, que representa nossa visao, valores, principios, missão, consciencia e direção (como CONDUZIMOS nossa vida em direção ao que é importante).


A SINDROME DA URGÊNCIA. Algumas pessoas estao tao acostumadas com a adrenalina que circula pelas veias enquanto debelam as crises, que se tornam dependentes desta sensação de euforia e energia. Enquanto resolvemos as questoes urgentes, sentimo-nos embriagados. O torpor da urgencia é tao instigante que, passada a urgencia, somos impulsionados a fazer qualquer coisa urgente, so para nos mantermos em atividade. Tornou-se um simbolo de "status" em nossa sociedade estarmos sempre ocupados: se estamos sempre ocupados é porque somos importantes.

Sem a escravidao do trabalho, não somos nada; chegamos a ficar constrangidos quando estamos ociosos. A sindrome da urgencia nos justifica, nos populariza e nos da prazer. Mas é tambem uma boa desculpa para não lidarmos com as VERDADEIRAS PRIORIDADES de nossas vidas.

A sindrome da urgencia é um comportamento autodestrutivo que preenche temporariamente o vazio criado por necessidades não-atendidas.

O PARADIGMA DA IMPORTANCIA. Grande parte das coisas importantes que contribuem para nossos objetivos globais e dao riqueza e sentido a vida em geral não nos pressiona, não nos influencia. Como não sao "urgentes", somos nos que as influenciamos, e muitas vezes as protelamos para um futuro incerto ("quando tivermos tempo...").

A Matriz de Gerenciamento do Tempo é uma boa forma de visualizar a relacao entre urgente e importante, em quatro quadrantes:
1) Urgente e Importante: crise, problemas urgentes, projetos com prazos definidos. É o quadrante do Inevitavel.
2) Não-Urgente e Importante: preparação, prevencao, definicao de valores, planejamento, "empowerment". A falta de planejamento adequado leva tarefas do segundo para o primeiro quadrante. É o quadrante da Qualidade.
3) Urgente e Não-Importante: interrupcoes, urgencias suscitadas por outras pessoas, algumas ligacoes telefonicas, reunioes e relatorios, parte da correspondencia. É o quadrante da Decepcao.
4) Não-Urgente e Não-Importante: trabalhos e correspondencia sem importancia, tarefas secundarias que consomem tempo em demasia, algumas reunioes. É o quadrante do Desperdicio.

Lidamos em nossas vidas com urgencia e importancia. Em nossas decisões cotidianas, um desses fatores tende a ser predominante. Começamos a enfrentar problemas quando passamos a dar prioridade ao paradigma da urgencia em detrimento do paradigma da importancia.

Quando operamos a partir do paradigma da importancia, vivemos nos primeiro e segundo quadrantes. Saimos dos terceiro e quarto quadrantes, e, como dedicamos mais tempo a preparação, a prevencao, ao planejamento e ao "empowerment", passamos menos tempo apagando os incendios do primeiro quadrante. É como a diferenca entre a medicina preventiva e a medicina terapeutica.

Fizemos uma analogia entre o RELÓGIO e o paradigma da urgencia (eficiencia), e entre a BUSSOLA e o paradigma da importancia (eficacia). Classificamos nossas atividades na Matriz de Gerenciamento do Tempo (Urgente x Importante), e elegemos o Segundo Quadrante como o quadrante da Qualidade. Agora queremos saber como identificar as verdadeiras prioridades e dar-lhes o devido destaque em nossas vidas.

A lacuna entre a bussola e o relógio cria uma dor aguda, as pessoas sentem que estao desperdicando algo precioso, seu tempo de vida. Como a dependencia quimica, a sindrome da urgencia é um lenitivo passageiro usado em excesso. E uma satisfacao superficial que logo se evapora. E a dor permanece.

Trabalhar com mais velocidade, como recomendam os métodos tradicionais de gerenciamento do tempo, não combate as causas crônicas da lacuna entre a bússola e o relógio. Fazer as coisas não-importantes com mais velocidade não resolve o problema de não se colocar as coisas mais importantes em primeiro lugar.

AS QUATRO NECESSIDADES HUMANAS. Há certas coisas que são fundamentais a satisfação humana. Se essas necessidades básicas não forem atendidas, vamos nos sentir vazios e incompletos:
1) Física: saúde e bem-estar econômico;
2) Social: relacionar-se e pertencer;
3) Mental: aprender continuamente;
4) Espiritual: deixar um legado.

A SINERGIA entre as quatro necessidades nos garante o equilíbrio interior. A dimensão espiritual da vida é que da o sentido de propósito ao conjunto. A necessidade espiritual de deixar um legado transforma as outras três necessidades em capacidades de contribuição. Assim, é a dimensão espiritual que indica para onde a bússola aponta.

OS PRINCIPIOS. Tão importante quanto as necessidades a serem satisfeitas é a forma com que procuramos atende-las. Nossa habilidade para criar qualidade de vida depende do grau em que nossas vidas se encontram alinhadas com realidades "extrinsecas" quando tentamos satisfazer necessidades humanas. Essas realidades são os "principios" (leis naturais), que estão alem dos valores pessoais "intrinsecos" (leis sociais).

Um desses princípios é a LEI DA FAZENDA: "para colher é necessário semear e cultivar". Não existem atalhos...

MISSÃO. Se nossa visão de nos mesmos for condicionada pelo espelho social, não manteremos contato com nosso eu mais profundo, com nossas próprias particularidades e com nossa capacidade de contribuir. Passamos a viver a partir do roteiro que os outros escreveram para nos - família, sócios, amigos, inimigos, a mídia. Portanto, o ponto de partida para viver orientado pela BUSSOLA é identificar o "norte verdadeiro", a direção que desejamos imprimir a nossa vida. A isto denomina-se MISSÃO.

A identificação da própria missão tem uma profunda influencia sobre a maneira como usamos o nosso tempo. Quando falamos sobre o gerenciamento do tempo, parece ridículo nos preocuparmos com velocidade antes de direção, em economizar minutos quando podemos estar desperdiçando anos. A missão conduz todas as outras coisas em nossa vida. Ela nos estimula a dar a contribuição que apenas nos podemos fazer. Ela nos habilita a colocar as prioridades no devido lugar, a bússola antes do relógio.

Já vimos que para gerenciar o tempo pelo paradigma da importância é necessário identificar a MISSÃO pessoal. Ela indica para onde a bússola aponta. Vimos, portanto, como identificar nossas verdadeiras prioridades. Vimos também que existem quatro necessidades humanas que tem de ser satisfeitas de forma sinergica com base em PRINCIPIOS (leis naturais). Os princípios sao extrinsecos e universais, os valores são intrinsecos e individuais (leis sociais). Não existem atalhos: no embate entre princípios e valores, os primeiros vencem.

Veremos agora como colocar as prioridades em primeiro lugar. As coisas não acontecem automaticamente, é necessário trabalho constante: "onde não ha jardineiros, não ha jardim".

PERSPECTIVA SEMANAL. A maioria das ferramentas de planejamento nos orienta a utilizar uma planilha diária para a programação de nossos compromissos. O planejamento diário oferece-nos uma visão limitada, induzindo-nos a priorizar a urgência.

O planejamento deve ser semanal. A semana oferece um contexto mais amplo do que vamos fazer, nossas atividades começam a assumir dimensões mais apropriadas. Torna-se possível priorizar o importante.

O seguinte processo, em seis etapas, nos orienta para a Organização no Segundo Quadrante:

1. CONECTE-SE A SUA MISSÃO: ao fazer o planejamento semanal, todas as atividades programadas devem contribuir para a missão pessoal. Este alinhamento com a missão no momento da decisão é o que garante a priorização do que é importante.

2. IDENTIFIQUE SEUS PAPEIS: nossa vida é dividida em muitos papeis: marido, esposa, pai, mãe, irmão, professor, líder comunitário, estudante, técnico, gerente etc. Grande parte de nosso sofrimento tem como origem a percepção de que o sucesso que obtemos em um papel é alcançado as custas de outros papeis, que talvez sejam mais importantes do que aquele a que estamos dando prioridade: excelente técnico, mas mau gerente; líder carismático, mas péssimo pai.

Um claro conjunto de papeis oferece uma estrutura natural para criar ordem e equilíbrio. Não basta dedicar um tempo a cada um deles, é preciso fazer com que eles trabalhem juntos para a realização de sua missão. Estudos demonstram que as pessoas tem dificuldade em gerenciar mentalmente mais de sete categorias. Aconselha-se, portanto, consolidar alguns papeis que tenham grande interface visando não ter mais de sete papeis.

A identificação de papeis amplia o sentido de qualidade de vida: a vida não esta restrita a um emprego, a uma família ou a um relacionamento em particular. É tudo isso junto.

Existe um papel de fundamental importância que se relaciona com a manutenção das quatro necessidades básicas: física, social, mental e espiritual. Covey chama a isto de "afinação do instrumento": o momento em que o violonista para de tocar e ajusta a tensão das cordas; o momento em que o lenhador interrompe o abate de arvores para afiar o machado. Se descuidarmos de dar atenção adequada as necessidades básicas, nosso desempenho nos demais papeis poderá ser prejudicado.

3. SELECIONE AS METAS EM CADA PAPEL: responda a seguinte pergunta: "quais as coisas mais importantes que poderia fazer em cada papel, esta semana, a fim de ter o maior impacto positivo ?" Selecionando-se as duas metas mais importantes para cada papel Você terá um conjunto de prioridades do Segundo Quadrante para a próxima semana.

4. CRIE UMA ESTRUTURA DE TOMADA DE DECISÕES: temos sempre mais demandas do que tempo disponível. Assemelha-se a situação da pessoa que tem um recipiente vazio, e pedras e areia para acomodar dentro dele. Se iniciar pela areia e depois colocar as pedras, sobram pedras. Se iniciar pelas pedras e depois colocar a areia, esta preenche os vazios, acomodando as pedras e, possivelmente, toda a areia. As pedras sao as coisas importantes, suas metas para a semana. A areia representa as urgências.

A chave esta em não dar prioridade a agenda, mas em agendar as prioridades. Para colocar as prioridades de sua vida no devido lugar, é de fundamental importancia agendar as metas. Se não começamos a programação de nossa semana pelas atividades do segundo quadrante, o frenetico fluxo de atividades dos primeiro e terceiro quadrantes (urgencias) roubara todo o tempo de nossa agenda. Se Você estiver a procura de tempo para investir no segundo quadrante, devera procura-lo no terceiro quadrante.

Mantenha a flexibilidade. Ignorar o imponderavel é viver sem oportunidades. O objetivo da organizacao do segundo quadrante não é enjaular a agenda. É criar a "estrutura" em que as decisões de qualidade, baseadas na importancia, podem ser feitas momento a momento.

5. EXERCITE A INTEGRIDADE NO MOMENTO DA ESCOLHA: depois de definir as metas do segundo quadrande para a semana, a tarefa diaria será manter as prioridades no devido lugar durante o vendaval de oportunidades e desafios imprevistos diários. Exercitar a integridade significa aplicar a Missão no momento da escolha, seja para executar o plano inicial, seja para efetuar mudanças consistentes.

6. AVALIACAO: o processo do Segundo Quadrante estaria incompleto se a experiência de uma semana não servisse como base para aumentar a eficácia da semana seguinte, fechando o ciclo. Antes de organizar a próxima semana, faça-se as seguintes perguntas: quais as metas que atingi ? Deparei com quais desafios ? Que decisões tomei ? Ao tomar as decisões, consegui manter as prioridades em primeiro lugar ?

O Processo de Organização do Segundo Quadrante reforça o paradigma da importância. O maior valor do processo não esta no que ele faz pela sua agenda, mas pelo que faz em sua cabeça. Quando Você começa a pensar mais em termos de importância, começa a ver o tempo de um modo diferente. Você se torna energizado para colocar as prioridades no devido lugar de uma forma significativa.

Espero ter contribuído para reduzir os "incêndios" e melhorar nossa qualidade de vida no trabalho. Faca bom proveito.




Não sei se você também concorda com a tese do Fisher de abrir as comportas e deixar fluir a expressão livremente, para além das amarras clacissizantes. Muitas vezes é preciso coragem para isso e nem sempre ela esta assim querendo se expor, está muito mais na mente e nos corações da pessoas.

Luís Augusto Fischer
26/11/2002

Miséria mais vanguarda

Cada um escolhe seus assuntos. Cara que vai trabalhar em publicidade sabe que vai precisar pensar em cliente, marca, venda, criação de necessidades, consumo etc. Sujeito que vai trabalhar com literatura brasileira, como é o meu caso, sabe que vai precisar lidar com Arcadismo, com Machado de Assis e, naturalmente, com Modernismo. Deus é testemunha do quanto eu freqüento o tema, em geral para pensar contra. Contra o Modernismo, insuportavelmente paulistocêntrico e urbanólatra.

Não é exatamente contra a modernidade, contra as teses modernistas, que no caso brasileiro, por sinal, são muito mais românticas do que modernistas, mas deixa pra lá. Coisas como incorporar a linguagem das ruas ao repertório da arte, abrir as comportas e deixar fluir a expressão livremente, para além das amarras clacissizantes, tudo isso está perfeitamente ok. (Mas preciso confessar que meu gosto pessoal tende mais para o clássico, para o antiestardalhaço, para o sutil, do que para o agressivo, o óbvio, o escrachado. Por isso sou mais Machado e Borges do que Oswald e Pound, para citar duas duplas desiguais.)

Esses dias, estive num encontro de estudiosos de literatura, no Rio de Janeiro, e lá o tema do Modernismo esteve em evidência, como é praxe. A horas tantas, Roberto Schwarz (uma das minhas mais nítidas admirações intelectuais) estava lembrando das limitações da obra de José de Alencar, que enfiou cenas e personagens brasileiros num formato narrativo europeu, sob perspectiva ingênua, em contraste com a perspectiva crítica de Machado de Assis, que triturou a forma narrativa para que também ela fosse significativa, na companhia dos elementos mais óbvios da brasilidade.

E disse o Schwarz que neste contraste se explicava a preferência de Mário de Andrade por Alencar - porque o projeto do Modernismo brasileiro era uma combinação de miséria nacional (a paisagem, os tipos humanos, a língua nacional) com uma vanguarda (o mesmíssimo Modernismo), tudo isso apontando para uma espécie vaga de socialismo, lá no horizonte. Tudo misturado numa panela não-crítica, e pelo contrário eufórica. E me pareceu muito justa a interpretação do mestre. Não lhe parece bem a tese, moderno leitor?
fischer@zerohora.com.br




É isso aí, meu amigo Liberato, nós vamos perdendo espaços, agora não só para concorrentes mais enchutos e mais ousados, já que como dissestes continuamos tímidos ainda, mas também para uma série de aparelinhos assim que insistem em nos roubar a companhia que gostaríamos sempre nos melhores instantes.

A dama do celular

Andei num desses novos cafés dos Moinhos de Vento e descobri, surpreendido, que o capuccino receberia nota 10 mesmo no Florio, de Veneza. Mas o que me admirou mais não foi seu notável aroma ou sua precisa, agradável consistência. Foi a visão de uma dama jovem, escravizada a um trivial objeto de consumo.

Trajava com elegância e devo dizer em seu favor que usava vestido, recurso de sedução que infortunadamente as mulheres arquivaram no pretérito perfeito do indicativo. Mas terminava aí, julguei, seu fascínio. Pois durante todo o tempo em que ocupou a mesa próxima à janela esteve cativa de um celular.

Com infinita urgência digitava números, transmitia mensagens tensas. Mal desligava, era assaltada pela musiquinha de outra ligação e se lançava a diálogos breves e impacientes. Devia ser uma executiva, quem sabe uma consultora de alta cotação no mercado de pê-agá-dês.

Senhora:

A Terra não vai girar mais rápida nem mais lenta se calardes a boca desse aparelhinho e por 20 minutos vos dedicardes ao fruir de um capuccino cordon bleu.

Ouso sugerir até que, a espaços, vos extravieis em devaneios tolos, brinqueis com a lembrança de alguém que vos divertiu, deixeis que um mínimo sorriso invada, brando, vossos lábios sensuais.

Reservai uns instantes para contemplar a rua, os jacarandás que se alvoroçam, pois é primavera, o pássaro desconhecido que escalou num beiral antigo e quieto.

Separai uns momentos para recordar o último dia em que vos sentistes feliz, liberta de calendários, descalça numa praia; entregue, nua, a um trecho de música; rendida, na penumbra de um quarto, a lindos, interditos cismares.

E concedei, Senhora, meio segundo desse claro olhar, volvendo-o, feito por acaso, ao sujeito que finge escrever tudo isto, como se alheio ao universo, como se indiferente à tirania de vosso encanto.

liberato.vieira@zerohora.com.br




É interessante como acontecem as coisas, daqui a pouco foi preciso a cachorra Princesa morrer atropelada para que a população se compadecesse do sem-teto, que chorava o ocorrido e foi flagrado pelo repórter da ZH. Na carona dele outros tantos seus amigos devem ser beneficiados pela compaixão e generosidade do povo gaúcho que se sensibilizou com o caso. Mais ainda, aqueles que com ele vivem, o menino por enquanto sem nome e o filho da Princesa: o cachorro Boby.

Gente
Drama de sem-teto da Capital sensibiliza dezenas de gaúchos
Após morte de cão, morador de rua mantém luta pela sobrevivência

CARLOS WAGNER


Protagonista de um drama retratado sábado em Zero Hora, o sem-teto Clóvis Ferreira Rodrigues, 30 anos, recebeu a solidariedade de dezenas de pessoas sensibilizadas pelo ato de amor demonstrado por ele em relação a sua cadela, morta por atropelamento em Porto Alegre. Leitores de ZH manifestaram o interesse de doar ranchos e lhe dar emprego de caseiro. As ofertas ainda não foram repassadas diretamente a Rodrigues, mas o andarilho pareceu contente com as demonstações de carinho.

Incrédulo com algumas propostas e até mesmo temeroso com a generosidade alheia, Rodrigues pretende aguardar um eventual convite no mesmo lugar onde passa a maior parte de seus dias, no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, para não se decepcionar.

- A minha vida é esta dureza mesmo - comentou.

Ontem, totalmente alheio à rede solidária que se formava ao seu redor, Rodrigues foi encontrado por ZH acampado no parque, tentando conseguir uma refeição. Na sexta-feira, ele foi fotografado chorando, abraçado à cadela Princesa, sua companheira de uma década. Atropelado, o animal morreu na Avenida Loureiro da Silva, esquina com a Rua General Lima e Silva, no bairro Cidade Baixa.

O acidente passaria despercebido no meio do burburinho da Capital se não fosse o carinho do sem-teto pelo animal. Princesa, cor de tijolo, estava grávida. O corpo da cadela está em um valo, enrolado em um plástico em um terreno baldio a cerca de cem metros do local do atropelamento.

Rodrigues e a Princesa perambulavam por ruas e avenidas da cidade, sempre sem destino, em busca apenas de um prato de comida. Há cinco anos, um garoto, entre 10 e 12 anos, uniu-se a eles. Posteriormente, um cachorrinho de rua, Boby, integrou-se à "família", como chama Rodrigues. No sábado, quando a cadela foi atropelada, estava todos juntos. Ontem, o menino andava pelo centro da cidade tentando conseguir comida. Rodrigues e Boby estavam no parque.

Sentado ao lado do carrinho de supermercado que empurra pela cidade levando pertences, ele disse que já está com saudade da cadela. Mas que agora se dedicaria a Boby, filho de Princesa. Pela manhã, geralmente Clóvis pode ser encontrado com outros sem-teto no parque.


Segunda-feira, Novembro 25, 2002




Resenhas de Alberto Caeiro sobre o livro do Desassossego de Fernando Pessoa:

« Leio e estou liberto. Adquiro objetividade. Deixei de ser eu e disperso. E o que leio, em vez de ser um trajo meu que mal vejo e por vezes me pesa, é a grande clareza do mundo externo, toda ela notável [?] o sol que vê todos, a lua que a malha de sombras o chão quieto, os espaços largos que acabam em mar, a solidez negra das árvores que acenam verdes em cima, a paz sólida dos tanques das quintas, os caminhos tapados pelas vinhas, nos declives breves das encostas. »[f.16] -cf.com qualquer poema de «O Guardador de Rebanhos»

« Cada rosto, ainda que seja o de quem vimos ontem, é outro hoje, pois que hoje não é ontem. Cada dia é o que é, e nunca houve outro igual no mundo. Só em nossa alma está a identidade - a identidade sentida, embora falsa, consigo mesma - pela qual tudo se assemelha e se simplifica. O mundo é coisas destacadas e arestas diferentes; mas, se somos míopes, é uma névoa insuficiente e contínua.» [f.67]-idem, especialmente com o poema II.

«Quem me dera, neste momento o sinto, ser alguém que pudesse ver isto como se não tivesse com ele mais relação que o vê-lo - contemplar tudo como se fora o viajante adulto chegado hoje à superfície da vida! Não ter aprendido, da nascença em diante, a dar sentidos dados a estas coisas todas, poder vê-las na expressão que têm separadamente da expressão que lhes foi imposta. Poder conhecer na varina a sua realidade humana independente de se lhe chamar varina, e de se saber que existe e que vende. Ver o polícia como Deus o vê. Reparar em tudo pela primeira vez, não apocalipticamente como revelação do Mistério, mas diretamente como floração da Realidade.




Para uma segunda-feira nada melhor que ir em busca, estar de olhos bem abertos e procurar por caminhos certos ou incertos, mas ir em busca

Em busca do Amor


O meu Destino disse-me a chorar:

«Pela estrada da Vida vai andando,

E, aos que vires passar, interrogando

Acerca do Amor, que hás-de encontrar.»


Fui pela estrada a rir e a cantar,

As contas do meu sonho desfiando...

E noite e dia, à chuva e ao luar,

Fui sempre caminhando e perguntando...


Mesmo a um velho eu perguntei: «Velhinho,

Viste o Amor acaso em teu caminho?»

E o velho estremeceu...olhou...e riu...


Agora pela estrada, já cansados,

Voltam todos pra trás desanimados...

E eu paro a murmurar: «Ninguém o viu!...»




Essa crônica da Martha estã no caderno Donna de domingo que vem encartado no Jornal ZH, e que já chega no sábado na casa dos assinantes, aliás e que está a venda já nas bancas e supermercados também no sábado a tarde. Para estudar eu também já fiz isso, só que depois vamos acumulando, acumulando e não temos coragem de fazer isso que essa mãe está fazendo e que a própria cronista já fêz. É uma experiência e tanto e que repete aquilo que o Veríssimo colocou na sua crônica que está posta abaixo, nada melhor que de quando vez ressurgir assim das cinzas.

Martha Medeiros
24/11/2002


Vende-se tudo
No mural do colégio da minha filha, encontrei um cartaz escrito por uma mãe avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos. O cartaz dava o endereço do "bazar" e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou: "Que coisa triste, ter que vender tudo que se tem". Não é não. Já passei por isso e é uma lição de vida.

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa. Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o "bazar" no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi.

Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante. Eu convidava pra subir, e em 10 minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas. Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu, mais sem alma. No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros.

Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo. Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar. Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida. Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile. Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio. Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa. Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde. Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza.




A arrogância e a prepotência não são exclusividade dos menos estudiosos e dos menos politizados. Quantos governantes não aprenderam ainda essas lições, por isso dona Ana Amélia, concordo em genero, número e grau. Um pouco de humildade não engorda e não faz mal a saúde.

Ana Amélia Lemos
25/11/2002


Aluno para Lula

Oneo-aliado de Luiz Inácio Lula da Silva, o governador eleito do Paraná, Roberto Requião (PMDB), faria bem a si próprio e à política paranaense se, do relacionamento mais intenso que terá com o futuro presidente da República, assimilasse o padrão de comportamento de um dos melhores mestres da arte da convivência, da cordialidade e da civilidade no trato com todos, incluindo adversários. O líder sindical que ganhou, por mérito pessoal, a confiança de 53 milhões de brasileiros para governar o país de 170 milhões de habitantes jamais usou gesto brusco ou palavra rude para contestar interlocutores. Também nunca reagiu com descortesia no trato com pessoas de qualquer nível.

O senador Roberto Requião, que ganhou apoio dos eleitores paranaenses para voltar a governar um dos mais ricos Estados, é conhecido pelos rompantes e pela rudeza no trato. Na recente passagem por Porto Alegre, por exemplo, ao ser saudado por um diretor da Copel, a Companhia Paranaense de Energia, desconsertou o incauto interlocutor ao anunciar que estaria demitido assim que assumir o governo. O gesto dá a idéia de quão útil será a convivência com Luiz Inácio Lula da Silva, cuja elegância no trato jamais comportaria atitude semelhante.

O próprio Luiz Inácio Lula da Silva foi vítima do estilo Requião de fazer política. No primeiro encontro com o presidente eleito, quando deveriam abordar questões relacionadas à governabilidade, às reformas e outros temas, o governador eleito do Paraná colocou Lula numa constrangedora saia justa. Na hora da entrevista coletiva que teve a presença de Lula (não fez isso para outro aliado peemedebista, o catarinense Luiz Henrique), Roberto Requião disse que o presidente eleito deveria interferir na eleição do presidente do Senado para evitar que a atual cúpula do PMDB assuma a liderança desse processo. O atropelo obrigou Lula, gentilmente, a esclarecer que a questão era uma responsabilidade interna do PMDB. Com um aliado assim, Lula não precisa de adversários.




Embora colorado o Luis Fernando tem bem presente essa necessidade de quando em vez de lembrar da "Fenix", nada melhor que ressurigir das cinzas. e no final ele lembra bem o que essa mágoa toda e esse revanchismo. Estou com a Ana Amélia na crônica que logo acima deverei postar.

Luis Fernando Verissimo
25/11/2002


Se acontecesse o pior

Eu não estava aí para brindar a grande conquista, do direito de não cair para a segunda divisão, mas o feito foi devidamente comemorado e o alívio foi grande entre os colorados de Paris. A distância e a falta de informação aumentam o drama, só fiquei sabendo de que nos salváramos do inferno por um telefonema, feito a contragosto, tarde da noite, pelo gremista Fernando Eichenberg. O Dinho joga futebol, aqui, com o Chico Buarque, torcedor do Fluminense. Os dois tricolores conhecem a dor do rebaixamento. Vamos jantar juntos amanhã e se eles conversarem sobre esta experiência comum, não poderei acompanhá-los. Fui poupado de saber o que é isto, pelo menos este ano.

Mas preciso confessar que a salvação atrapalhou meus planos. Nada como uma tragédia para instigar o instinto literário, e eu já começara a redigir, mentalmente, o que escreveria hoje se acontecesse o pior, e a fazer anotações. Seria um texto amargo, algo filosófico, resignado e, no fim, positivo, pois terminaria com uma evocação inspiradora dos clássicos. Eu escreveria que nosso consolo estaria nos mitos reincidentes de ruína e ressurreição que sempre antecedem uma missão salvadora, pois é preciso descer a um submundo dilacerante e regenerador antes e voltar, triunfante, à superfície, e o que valia para os heróis da mitologia valeria também para o Fernando Carvalho. Uma queda no inferno da segunda divisão equivaleria a uma passagem pela purgação suprema - uma espécie de Portão 8 de Dante - da qual se sairia mais forte e mais sábio, para a glória. Depois, então, era só cuidar dos detalhes, como conseguir um time etc.

Como o rebaixamento não veio, o texto foi desnecessário. Mas vou guardar as anotações.

Sectarismo antidemocrático, intransigência revanchista... Pode-se imaginar o que estaria sendo dito se a idéia de excluir a maior bancada de uma Assembléia Legislativa do rodízio na presidência da sua Mesa fosse do PT. A iniciativa contraria o bom senso e nossa tradição política, mas é coerente com o antipetismo ecumênico que o conservadorismo gaúcho montou para engajar na reação até gente que a gente nunca pensaria.




Para finalizar ou começar dependendo de onde voces estão na página, essa reportagem do C.povo, me faz questionar de onde mesmo que o Dr Leonel Brizola tem vocação para ministro e não lembro. Para Ciro que fêz a campanha afirmando que foi ministro, tudo bem, até é aceito; afinal ministro sempre ministro. Enfim nada melhor que ver para crer..

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO DE 2002

Ciro responderá a Lula amanhã

Ciro Gomes, do PPS, irá responder amanhã ao presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, se aceitará fazer parte do Ministério. A informação é do líder do partido na Câmara dos Deputados, João Hermann Neto. O PPS apresentou a Lula uma lista com dez nomes, sendo Ciro o principal. Hermann avaliou que o próximo governo não poderá ser visto como pertencente ao PT, mas a todos os partidos que fizeram oposição a Fernando Henrique Cardoso e contribuíram com a eleição de Lula. Segundo o deputado, o momento vivido pelo país é tão importante quanto a proclamação da República. Ele acredita que o presidente do PDT, Leonel Brizola, poderá assumir ministério. O PDT formou com PPS e PTB a Frente Trabalhista pró-Ciro.




Pelo visto Cristovam é o segundo Ministro escolhido para a nova Administração, sendo o Antônio Palocci o primeiro Ministro escolhido para a Fazenda ou Planejamento. A vantagem do Cristovam diferente do Palocci é que ele é do meio acadamico, professor Dr da UNB há muito tempo, tem larga experiência para a área enquanto o Palocci é médico. Mas segundo o Ex ministro Delfim Netto, isso também é vantagem porque se fosse economista como ele não recomendaria.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO DE 2002

Cristovam assumirá Ministério da Educação

O senador eleito do PT pelo Distrito Federal, Cristovam Buarque, foi confirmado para o Ministério da Educação. O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou que, embora tenha conquistado o mandato, Cristovam não vai assumir o cargo. 'O Brasil precisa dele em outros lugares', sentenciou. Mesmo assim, o ex-governador do Distrito Federal afirmou que ainda não se sente ministro. 'O presidente eleito quis me fazer uma deferência pessoal. Porém, se eu for convidado, aceitarei', ressaltou.

A convocação pública de Cristovam foi parecida com a do coordenador da equipe de transição, Antônio Palocci, cotado para o ministério da Fazenda ou do Planejamento. No dia 18, Lula viajou a Ribeirão Preto, no interior paulista, e disse que o então prefeito licenciado não reassumiria o posto. Também está confirmado na equipe o presidente nacional do PT, José Dirceu.

Uma das propostas estudadas pelo novo governo é desmembrar o Ministério da Educação, que ficaria responsável pelo ensino básico fundamental. A pasta de Ciência e Tecnologia cuidaria das universidades. 'Defendo essa idéia há 15 anos', lembrou Cristovam. O senador eleito salientou, porém, que, mesmo que venha a assumir como ministro da Educação, não será ele quem vai tomar a decisão de alterar as atribuições da pasta, já que a palavra final caberá sempre ao presidente.

Lula cancelou encontro com dirigentes do seu partido no final de semana em São Paulo. O motivo foi o vazamento de informações sobre a composição do Ministério, após reunião ocorrida na Granja do Torto quarta-feira, com a cúpula do PT. Na ocasião, começou a ser criado o núcleo político do novo governo. A idéia do PT é repetir o modelo palaciano aplicado durante a gestão do presidente Ernesto Geisel, que administrou de 1974 a 1979. Será feita alteração no organograma do Palácio do Planalto, dando ao presidente eleito assessoria mais reforçada para tomar as principais decisões.




Lembro de um tempo não muito distante, que Governo e montadoras se reuniram para acertar o preço do carro popular a $ 7.000. Ora ao preço do dólar de hoje isso seriam quase R$ 28.000,00 e portanto o carro popular ao preço do dólar está mais ou menos $ 3.500,00 metade portanto do preço daquela época de negociação. Como agora estão afirmando que ainda está muito caro e que poderá ser reduzido, fico imaginando as nossas ruas e estradas por exemplo se conseguíssemos reduzir para uns $2.000. Uma coisa não implica na outra, mas convenhamos temos que ter uma nova concepção para poder ter tantos carros nas nossas ruas e nos buracos hoje existentes que teem o nome de rodovia. Voces concordam..?

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO DE 2002

Conceito de carro popular pode ser revisto


Categoria não seria definida pela potência do motor

São Paulo - O governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva poderá rever o conceito de carro popular, hoje atrelado a modelos com motor 1.0. A proposta é ter carros mais baratos no mercado, independentemente da motorização. Cada montadora poderia adequar ao conceito o produto considerado mais conveniente, que continuaria tendo vantagens tributárias em relação aos demais. Os modelos classificados nessa categoria seriam menos sofisticados, independentemente da potência do motor.

'O conceito de carro popular foi amarrado à motorização e criou-se um desvio no mercado, com modelos sofisticados que custam quase o mesmo preço de um carro médio', diz o presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luís Marinho. Ele é um dos autores do plano de metas para o setor automobilístico, documento que apresenta medidas para a retomada do setor e que servirá de referência para o futuro governo nas discussões com as montadoras.

Segundo Marinho, o carro popular é muito caro e as empresas têm condições de reduzir o preço. Ele ressalta ser contrário à unificação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), defendida por algumas empresas. 'Promover essa mudança seria matar o carro popular.' Ele também critica a forma como o atual governo aceitou reduzir o IPI dos carros médios. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veiculos Automotores (Anfavea) informa que aguardará uma convocação oficial do futuro governo para comentar o assunto.




A noticia abaixo é ótima par os ex alunos da Ritter e para os atuais melhor ainda. Acredito que todos os gaúchos saem ganhando afinal já é o quinto centro universitário no Estado. Parabéns a Ritter e a todos os seus alunos por mais esta conquista.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO DE 2002


Ritter vira centro universitário

Credenciamento oficial sai nos próximos dias, mas criação já obteve aprovação

Novos cursos e qualificação nos planos de Uniritter



As Faculdades Integradas do Instituto Ritter dos Reis, na Capital, transformaram-se no quinto centro universitário do Estado; os outros são Unilasalle, Feevale, Unifra e Univates. Essa modalidade de organização acadêmica de instituição de Ensino Superior passou a existir no Brasil após a promulgação, em 1996, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

A criação do Centro Universitário Ritter dos Reis (Uniritter), cujo processo tramitava há dois anos, foi aprovada por unanimidade na quinta-feira última pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). Com o parecer favorável, a autorização do credenciamento deve ser assinada nos próximos dias pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza, e publicada no Diário Oficial da União.

O diretor-geral da Ritter dos Reis, Flávio D'Almeida Reis, argumenta que o status de centro universitário é a confirmação do trabalho sério que a instituição realiza há 31 anos e a garantia de outras ações educacionais e comunitárias e de novos investimentos. 'Para 2003, pretendemos lançar pelo menos dois novos cursos noturnos, Administração e Direito, uma solicitação antiga da comunidade', anuncia o diretor.

Atualmente, a Ritter possui 4 mil alunos em sete cursos de graduação: Administração, Arquitetura e Urbanismo, Design, Direito, Letras, Pedagogia e Sistemas de Informação. A instituição disponibiliza 212 professores e possui 120 funcionários. Regulamentados pelo decreto 2306/97, os centros universitários são pluricurriculares e abrangem uma ou mais áreas do conhecimento. Distinguem-se pela excelência no Ensino Superior, comprovada pela qualificação de corpo docente e condições de trabalho oferecidas à comunidade escolar. Possuem, ainda, autonomia didático-científica.




Para os nossos colegas da área trabalhista acredito que seja um ótimo programa, discutir e aprofundar as mudanças do novo código civil, ainda mais com a presença do ex Ministro da Justiça.


CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO DE 2002
Evento esclarece o novo Código Civil

Um seminário para esclarecer as mudanças e implicações do novo Código Civil Brasileiro no Direito do Trabalho será realizado de amanhã até o próximo dia 29. A 'Semana de Estudos Jurídicos' será promovida pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 4ª Região, Associação dos Magistrados do Trabalho (Amatra-RS) e Fundação Escola da Magistratura do RS (Femargs).
Entre os palestrantes já confirmados está o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, que falará no dia 28, às 20h. O ciclo de estudos é aberto a juízes do Trabalho, procuradores do Trabalho, advogados, servidores, operadores do direito e estudantes. Os debates, palestras e mesas-redondas serão gratuitos e ocorrerão no auditório do Foro Trabalhista de Porto Alegre (avenida Praia de Belas, 1432). Mais informações pelo fone (51) 3231-5759.




Se pensarmos que naquela região conflituosa em Israel, quando um suicida resolve por explodir-se, leva consigo mais 10, 11 pessoas e vira notícia nos jornais internacionais, as nossas mortes aqui são bem mais silenciosas e mantendo essa média assim por fim de semana, devemos vencer com larga margem a guerra deles lá.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO DE 2002


Acidentes matam 16 nesse fim de semana

Desde a noite de sábado até a noite de ontem, a violência no trânsito do Estado fez 16 vítimas fatais. Os acidentes mais graves registraram-se em Caxias do Sul, com cinco mortos em duas ocorrências, e em Porto Alegre, onde morreram três jovens no choque do automóvel Fiesta em que estavam contra uma árvore, no viaduto Dom Pedro I, na avenida Borges de Medeiros.
Em Caxias do Sul, além dos cinco óbitos em dois acidentes, o ocorrido na BR 116 com a BR 453 deixou duas pessoas em estado grave. Elas sofreram traumatismo craniano. Também na BR 116, no trevo de acesso a Guaíba, morreram dois jovens em uma colisão de um Escort contra um caminhão. O Rio Grande do Sul também registrou vítimas fatais no trânsito em Pantano Grande, Campestre da Serra, Venâncio Aires e em Arroio do Meio.


Domingo, Novembro 24, 2002




Essas Leis do Murphi, que já devem compor uns quatro volumes mais ou menos, tambem foram retiradas lá do Gravatai Merengue.

ALGUMAS LEIS DE MURPHY DO MEU RIDÍCULO COTIDIANO
Ana Lis, ex-merenguete e hoje pastora da Igreja Aragonesal do Reino de Groo, sugeriu que falasse sobre as Leis de Murphy. Isso é chover no alagado.

No entanto, uma grande crise de criatividade acomete Gravataí Merengue, fato este que motiva a publicação das seguintes notas. É claro que boa parte das minhas zicas podem ser também partilhadas por uns e outros (não posso ser o único desgraçado deste Planeta).

Não pensem que é plágio ou falta de originalidade, pois as notas não são criativas, mas sim simples relatos de coisas tétricas que ocorrem comigo freqüentemente.

Lei da Pressa x Trânsito
Quando não estou com pressa, o trânsito está uma beleza. Porém, quando preciso chegar logo, está tudo parado. Ultimamente, para piorar ainda mais as coisas, o trânsito está parado sempre, independente da pressa.

Lei da Pressa x Elevador
Mais ou menos como o anterior. Quando estou com pressa, o elevador está quebrado, estão recolhendo lixo, fazendo mudança, segurando a porta ou algo do gênero. Quando não estou com pressa ¿ ou até quero demorar ¿ o salafra está me esperando no térreo, vazio e veloz.

Lei da Garota x Interesse
Quando quero muito uma garota, ela não quer saber de mim; quando não quero uma garota, ela cai de amores. Essa é uma das mais clássicas. Quem nunca passou por isso?

Lei do Horário no Emprego
Quando chego cedo, meu chefe não está lá para ver e ninguém percebe, passa em branco. Quando chego tarde, misteriosamente estão todos por lá. Quando chego cedo, não tem nada de importante para fazer; quando chego tarde, há serviços urgentíssimos.

Lei do Papel Higiênico
Quando vou dar uma mijadinha, noto que há rolos cheios de papel-higiênico. Quando preciso fazer algo mais sólido, não tem papel. E nem bidê.

Lei da Grana x Vontade
Quando estou com grana (circunstância muito rara), simplesmente NADA atrai minha sanha consumidora. Assim, acabo queimando o tutu em alguma porcaria. Mas quando não estou com grana (CNTP), simplesmente TODOS OS PRODUTOS tornam-se atraentes.

Lei da Camisinha
Quando estou com camisinha na carteira, não há a menor chance de acontecer alguma coisa. Mas é só esquecê-la que as coisas mudam consideravelmente ¿ e aí rola a broxante ¿passadinha na farmácia¿ ou o ¿pedido na recepção¿.

Lei da Mulherada na Balada
Quando fico em casa, todos falam que a balada estava cheia de mulher, todo mundo catou várias, que tinha modelos caindo pelo forro. Quando eu vou para a tal balada, só tem homem, mulher feia e uma meia-dúzia de garotas bonitas, que são disputadas a socos e pontapés pelos ávidos gaviões.

Lei do Bafo de Onça
Quando estou com um ¿chicletinho esperto¿ para depois daquele lanchinho, não aparece nada. Mas quando estou totalmente desarmado, e normalmente após algum prato com alho, surgem oportunidades de ouro.

Lei da Cueca Feia
Quando coloco alguma cueca bonita, acaba não rolando nada. Posso usar cuecas lindas durante meses, que será um período de estiagem. Mas é só colocar alguma cuequinha ridícula que tudo se reverte.

E você leitora, você leitor: alguma outra Lei a acrescentar?




O texto abaixo achei interessante e está todo publicado no Gravatai Merengue para quem quiser verificar outras coisas, há muitas bem interessantes.

QUAL SUA PERSONALIDADE ¿SMURF¿?
Os astrólogos são uns picaretas; nada mais boçal e imbecil do que um perfil astrológico. Não é muito diferente o que acontece com a psicologia. Em vez de estudar algo realmente científico, como a psiquiatria, os psicólogos preferem fazer pseudo-ciência, traçando perfis e justificando atitudes em traumas dos quais a própria pessoa não se lembra.

Na esteira desses embustes, lanço uma DOUTRINA CIENTÍFICO-ESPIRITUAL que consiste nos bons e velhos Smurfs. Isso mesmo! Os perfis são esses daí, e ninguém escapa dos danados! A grande vantagem da "personalidade smurf" para os outros métodos, é que você pode ser "um pouco de cada". Na astrologia você tem seu signo e, para quebrar um galho do horóscopo furado, aquele papo de "ascendente".

Aqui não! Você pode ser um pouco isso, um pouco aquilo, um pouco aquilo outro, enfim... Todas as combinações possíveis, e em proporções altamente variáveis. Algumas pessoas, é verdade, têm praticamente uma "pureza smurf"; ou seja, são quase que completamente como um dos ícones abaixo. Querem ver?


Papai Smurf
São aquelas pessoas que gostam de mandar e/ou arrotar uma experiência, normalmente decorrente da idade avançada. Esquecem-se que há muitos velhos que, embora idosos são estúpidos. Essa gente, antes de falar qualquer coisa, solta expressões do tipo são tantos anos de janela.


Smurfette
Não se trata somente da mocinha do grupo, mas sim daquela que resume toda sua existência no fato de ser uma mulher. Sua feminilidade é justificativa tanto para algo atenuante (pagar meia-entrada, p.ex.) quanto para algo que acentue algum atributo (sensibilidade aguçada, p.ex.). Como qualquer outra, obviamente, não sabe dirigir.



Vaidoso
Uns chamam de franga, outros de biba, e há os mais antigos que preferem nomes como pederasta. Muitas vezes, porém, o Vaidoso não é jóquei de jibóia. Tão-somente trata-se de uma pessoa que gosta de se exibir esteticamente, preocupando-se com isso acima de qualquer coisa. Uma pessoa assim, para se ter uma idéia, prefere ter um ataque cardíaco do que o cabelo despenteado.


Briguento
Argumentos? Idéias? Papo? Nada disso! Essa é aquela pessoa que gosta de resolver na porrada e/ou resolver na bala. Normalmente, é alguém de posses, com uma vida boa, família rica etc. Quando REALMENTE depara-se com uma situação paritária, SAI CORRENDO e faz pipi na cuequinha.


Dorminhoco
De cada três frases pronunciadas, duas são a indagação interjectiva Âhn?. É aquela pessoa que não está atenta, é avoada, não responde, confunde tudo. Todos nós temos um pouco desse perfil; ocorre que alguns tem um muito, ou um tudo, de Dorminhoco.


Habilidoso
Problemas na configuração do seu Photoshop? Precisa instalar o DVD? Não entende como mexer no celular? Deu crepe no seu fogão industrial? Essa pessoa domina tudo sobre eletrônica, robótica, bricolagem, ponto-cruz e outras coisas que exigem afinco e habilidade. Quando pequeno, notem, era aquele que sabia instalar o Atari, configurar controles e mexer nas fitinhas que vinham com 32 jogos.


Estudioso
A sociedade consagra como ingeligente a pessoa estudiosa. Raríssimos são os estudiosos REALMENTE inteligentes. O estudioso é aquele que conhece vários autores, manja de tudo um pouco, sabe de cor todas as citações, mas não consegue solucionar um caso prático em menos de 72 horas, por mais que o problema pareça simplório. Resultado: as pessoas estudiosas não nasceram para resolver, mas sim para criar, ou ao menos aumentar, os problemas já existentes.


Joca
No dia primeiro de abril ele é o primeiro a te ligar. É aquele que nos aniversários faz versões engraçadas para o Parabéns a Você. Quando mais velho, fica atazanando os sobrinhos ou netos, criando verdadeiros traumas irrecuperáveis nessas crianças. É o Joca, o panaca.


Ranzinza
O Ranzinza odeia tudo. Todos chegam a pensar que ele é do contra; afinal, se ele odeia ficar em casa e também odeia sair aos sábados, só lhe restaria o suicídio. Por sinal, não faltará quem o estimule a fazer isso.


Gargamel
Ao contrário do Ranzinza, que é só um cara mala e um pouquinho problemático, o Gargamel é alguém traumatizado e bem salafrário. É aquele tipo de pessoa que gosta de fazer fofoca, jogar uns contra os outros, fazer picuinha, criar intrigar. Até agora não sei como o Gargamel não é uma ¿Gargamela¿ ¿ visto que essas são características (sem misoginia) tipicamente femininas...


Cruel
O que é pior que um Gargamel (ou gargamela)? Um cruel. Pior que a pessoa intrigueira, só mesmo aquelas, ainda piores, que a seguem e apóiam em seus intentos adolescentes. É o braço-direito do espalha rodinha. Em Tieta, tínhamos Carmosina como um bom exemplo da personalidade Cruel.

E você, leitor? É algum desses? Seria um outro Smurf?




Por fim coloco aqui a Charge do Tacho também publicada no Jornal NH de Novo Hamburgo que sempre tem uma charge animada e que sugiro a voces cllicarem no link ai do jornal e darem uma olhada pois sempre é muito criativa também. E se escreverem ai nos comentários, qual delas vocês gostaram mais, ou outros chargistas que voces gostariam que fosse aqui colocado, há espaço e procurarei satisfazer os seus desejos.




Gosto também das charges do Jorge, sempre publicadas no Popular on line de Goiania,GO.



E o Sinovaldo é meu conterraneo e publica sempre no Jornal NH de Novo Hamburgo,RS, para meus amigos da região dos calçados. Mas Sinovaldo é Sinovaldo




Essa Charge aqui é do que no Jornal do Brasil do Rio de Janeiro, sempre legal, na minha opinião, voces podem ter uma completamente diferente e eu respeito. Mas é que Jornal do Brasil é sempre o Jornal do Brasil.



E o Fausto sempre fantástico no Jornal Diário de São Paulo. Criativo achei essa Equipe de Transe Ção.




Essa charge é do Claudio no Agora São Paulo.



E essa ai é do Ivan publicada no Diário de Natal do Rio Grande do Norte, para meus amigos Potiguares.




Para aqueles leitores que gostam de charges, todos os fins de semana coloco as principais publicadas em jornais nacionais. Essa ai acima é do Amararildo publicado na Gazeta do Espírito Santo.