E N T R E L A Ç O S
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Sábado, Fevereiro 08, 2003




Embora todas as cronicas abaixo já sejam dos Jornais do domingo dia 09 esta ainda é do Estadão de hoje, sábado. Mas embora de hoje não poderia deixar de colocar, pois se completa com a crônica do Paulo Sant'Ana, quando escreve sobre os aumentos de preços.

Sábado, 8 de fevereiro de 2003

Senadores terão R$ 12 mil para despesas nos Estados
Benefício, que custará R$ 11,6 milhões, é para gastos 'do exercício da função'
ROSA COSTA

BRASÍLIA - Os senadores iniciaram o ano parlamentar com uma nova regalia: a de dispor mensalmente de R$12 mil para despesas "do exercício da função" nos Estados. O benefício aos 81 parlamentares custará por ano R$ 11,6 milhões, o que daria para atender 232 mil pessoas no programa Fome Zero. O ato foi aprovado pela Mesa Diretora anterior, presidida pelo senador Ramez Tebet (PMDB-MS), mas o atual presidente interino, Paulo Paim (PT-RS), informou que todos os partidos avalizaram a nova verba.

Com o pomposo nome de "verba indenizatória nos Estados", ela foi criada há dois anos para os deputados, na gestão do ex-presidente da Câmara e governador de Minas, Aécio Neves (PSDB). Até janeiro, os deputados recebiam R$ 7 mil. Um dia antes de começar a nova legislatura, no dia 1.º, o então presidente interino da Casa, Efraim Morais (PFL-PB), hoje senador, concordou em atender a seus colegas e elevou o benefício para R$12 mil, valor adotado também pelo Senado.

Técnicos do Senado informam que a extensão da mordomia de uma Casa para outra teria sido provocada pela pressão dos 12 deputados eleitos senadores.

São eles: além de Efraim, Aloizio Mercadante (PT-SP), Arthur Virgílio (PSDB-AM), Flávio Arns (PT-PR), Heráclito Fortes (PFL-PI), Hélio Costa (PMDB-MG), João Ribeiro (PFL-TO), Lúcia Vânia (PSDB-GO) Magno Malta (PL-ES), Paulo Octávio (PFL-DF), Paulo Paim (PT-RS) e Sérgio Guerra (PSDB-PE). "Eles alegaram que não poderiam perder uma renda comprometida."

Era só o "empurrãozinho" que faltava para os senadores aprovarem o benefício. Não se tem notícias de senadores incapacitados de exercer o mandato nos Estados por falta de dinheiro. Mas é certo que nenhum deles, nem os novos, protestou contra a aprovação de mais um benefício.

Como os R$ 11, 6 milhões de gastos com a verba não constava no orçamento do Senado, de R$ 1,04 bilhão, outras despesas terão de ser cortadas, pelo menos por enquanto. O senador Paulo Paim sugere que sejam reduzidas as obras previstas para os próximos meses. O grosso do dinheiro do Senado - cerca de 85% - é empregado na folha de pagamento dos servidores, aposentados e pensionistas.

Além do salário de R$ 12,7 mil, os senadores ainda dispõem de R$ 48 mil para o pagamento dos funcionários em cargos de confiança do gabinete - dinheiro que sai direto do caixa do Senado. Em tese, os recursos para os salários deveriam ser divididos para três assessores com salário de R$ 6 mil cada um, mais seis secretários com salários de R$ 5 mil. Só que a distribuição do dinheiro normalmente é feita com mais pessoas ganhando menos. Eles têm ainda recursos garantidos para o pagamento de quatro passagens aéreas por mês e o custeio de um apartamento funcional ou o auxílio-moradia, de R$ 3 mil.




Acredito seja um ótimo livro para se ler. Hoje passei a tarde na Saraiva Book Store no Praia de belas. Encontrei amigos e colegas do trabalho. E folhei uma dezena de livros, mas me dei de presente apenas e tão somente o dicionário Inglês/Inglês MACMILLAN com CD sem capa dura por R$ 67,00 enquanto com a brochura era R$ 85,00. Como o conteúdo é o mesmo preferi o primeiro. A two-color dictionary crated in the USA and Britain. Over 100.000 references with 30.000 idioms and prhases. Consultas no www.macmillandictionary.com


O crime de ser mulher
A China vem mudando há décadas.
Mas ser chinesa ainda não ficou mais fácil, diz a jornalista Xinran Hue

Isabela Boscov


Xinran, em Londres: primeiro abraço na mãe depois dos 40 anos

Aos 7 anos, Xinran Hue viu o pai ser preso e os móveis e livros da família serem atirados numa fogueira por policiais. Nem suas tranças escaparam do fogo. Por causa das fitas "imperialistas" e "reacionárias" que as prendiam, elas foram cortadas e queimadas. Logo depois foi a vez de a mãe de Xinran ser detida, e de a menina e seu irmão pequeno serem enviados a uma escola militar ¿ o único tipo de estabelecimento de ensino que permaneceu aberto durante o período da Revolução Cultural chinesa, nos anos 60. Como eram filhos de "lacaios do capitalismo", Xinran e seu irmão entraram no rol das crianças "negras". Só se alimentavam de sobras, não podiam brincar com as crianças "vermelhas" para não conspurcar o clima de pureza maoísta reinante entre elas, agüentavam cusparadas e agressões dos colegas, sob os auspícios da guarda local, e passavam por horas diárias de massacre ideológico para admitir a natureza reacionária de sua família. Nos anos 80, quando a China começou a ensaiar seu processo de abertura e Xinran pôde finalmente escolher uma profissão, ela quis trabalhar como jornalista na rádio de Nanquim, no leste do país.

Lá, ela deu início a um experimento inédito entre os chineses, ainda que velhíssimo e consagrado em todo o Ocidente: um programa para o qual os ouvintes ¿ e principalmente as ouvintes ¿ mandassem cartas, dividindo seus problemas e pedindo conselhos. Xinran acabou se tornando uma espécie de celebridade, e é dessa sua experiência com as misérias pessoais femininas, num país que nunca teve consideração por elas, que nasceu As Boas Mulheres da China (tradução de Manoel Paulo Ferreira; Companhia das Letras; 286 páginas; 35 reais).

O livro só pôde ser publicado porque, em 1997, Xinran trocou a China pela Inglaterra, onde se casou com um inglês e dá aulas na Universidade de Londres. Composto de quinze histórias, cada uma sobre uma personagem encontrada pela jornalista por intermédio do programa Palavras na Brisa Noturna, ele pretende traçar um panorama da condição feminina na China revolucionária. Uma menina foi vendida em casamento para um velho e acorrentada, sem que os moradores do povoado ou as autoridades se dispusessem a interferir ¿ isso porque existem "36 virtudes, mas não ter herdeiros é um mal que nega todas elas", e o velho estaria, portanto, no direito de assegurar sua continuidade.


Outra garota, continuamente molestada pelo pai, arruinou deliberadamente sua saúde para se refugiar num hospital ¿ onde morreu de septicemia. Há ainda o caso de uma moça que foi reduzida a um estado permanente de catatonia depois de assistir à tortura da irmã, acusada de ser contra a revolução. Xinran fala também de universitárias tornadas cínicas e descrentes pela competição com os homens, de homossexuais à margem da lei e de belas militantes dadas como esposas a figurões do Exército. A despeito de sua prosa meio desajeitada, Xinran consegue aquilo que pretende: mostrar como as mulheres chinesas passaram, em 1949, de joguetes da tradição a peões do todo-poderoso Partido Comunista, e como sempre coube a elas a pior parte nas diversas e traumáticas fases da revolução. Não menos interessante é o cenário que o livro compõe do dia-a-dia dos chineses, com os obstáculos da burocracia, os sobressaltos da vigilância ideológica e sexual e, apesar disso, o apego ao país e à cultura.

As Boas Mulheres da China, entretanto, se torna notavelmente mais forte quando Xinran faz com o leitor aquilo que suas ouvintes faziam com ela: compartilhar as suas próprias histórias. Neta de um grande industrial e filha de cientistas, a autora levou a vida típica de alguém que cresceu junto com a China revolucionária: primeiro ocultando as riquezas que haviam sobrado, depois as perdendo todas e enfrentando a perseguição, tudo sempre sob a guarda do governo e longe dos pais, que estavam ora a serviço do Partido, ora atravessando árduos períodos de reeducação ideológica. Xinran calcula que todo o tempo que passou junto da família não some dois anos. Já quarentona, abraçou a mãe pela primeira vez, e foi recebida com constrangimento visível. Pelo que se pode depreender de seus relatos, esse tipo de amargura não é exatamente uma exceção. É, na verdade, algo próximo da regra num país onde, por gerações, os relacionamentos amorosos e familiares foram assunto de Estado.

Cidadãs de segunda

"A garota (acorrentada) tinha só doze anos. Nós a tiramos do velho (que a comprara), que chorava e praguejava amargamente. (...) Não recebi nenhum elogio por salvar a menina, só críticas por 'deslocar soldados, causar agitação entre as pessoas' e desperdiçar o tempo e o dinheiro da emissora. Fiquei abalada com essas queixas. Havia uma garota em perigo e, ainda assim, ir em socorro dela foi visto como 'exaurir as pessoas e drenar o Tesouro'. Quanto valia, exatamente, a vida de uma mulher na China?"

Trecho de As Boas Mulheres da China, de Xinran




Acredito que quando as pessoas manifestaram sua vontade nas últimas eleições esperavam por mudanças, ansiavam e necessitavam delas. Contudo, conforme nosso cronista ai abaixo, as coisas continuam tal qual. Talvez mais acentuadamente priorizando os grande grupos, as multinacionais, e outras áreas. Enquanto os trabalhadores permanecem com aumento zero nos seus salários, e sem direito sequer a protestos pois o que tem de trabalhador procurando trabalho, basta ver a fila dos anúncios. O número de inscrições para os concursos e por ai vai. Grande Sant'Ana logo vem o carnaval como você escreveu. O campeonato brasileiro já começou, então deixa a vida me levar. Aliás o Zeca Pagodinho está no Planeta Atlândida deste noite.

Paulo Sant'ana
09/02/2003


Cascata de aumentos
Porque o espera um ano de 2003 inédito entre as temporadas de tremendas dificuldades de sobrevivência e franciscana exigüidade orçamentária dos lares.

Os governos parece que se transformaram todos em meras agências reguladoras de preços.

O governo tal autoriza aumento no preço da gasolina, que entre nós atinge a soma somítica de R$ 2,40 por litro, em média. Qualquer percurso que se faça com um carro suga amargamente o bolso do cidadão, transformando-se o automóvel em uma cruz financeira que seu motorista carrega pelas ruas e pelas estradas.

Um homem me mostra, durante a longa, exasperante e cafajeste fila que montaram para atendimento dos clientes em uma agência bancária, o DOC que lhe corresponde para pagamento do IPTU de um box de estacionamento na Rua Riachuelo, centro da nossa capital.

Valor do imposto: R$ 60. Valor da taxa de lixo: R$ 154. Mas que taxa de lixo é esta de box de estacionamento? E por que a taxa de lixo custa quase três vezes o preço do imposto? E o valor venal do box, calculado pela prefeitura, é de R$ 10 mil. Só que o proprietário só conseguirá R$ 5 mil se for vendê-lo, e olhe lá.

O IPTU foi reajustado em quase 25%!

Estão reajustando as tarifas de telefone em 23%. A energia elétrica terá seus preços reajustados em 30%.

Em dezembro, a passagem de ônibus em Porto Alegre custava R$ 1,10. Foi reajustada em 13,64%. Passados agora dois meses, neste fevereiro, mais um aumento de 16% recai sobre a passagem, custando hoje R$ 1,45.

Mais de 30% de aumento em dois meses! Centenas de milhares de porto-alegrenses não ganham vale-transporte. E muitos deles terão de pagar agora pelas suas quatro passagens diárias R$ 5,80. O que quer dizer que só com transporte uma pessoa gasta aqui na nossa capital mais de R$ 100 mensais.

Quando várias pessoas em uma família são obrigadas, para estudar ou trabalhar, a pagar essa quantia pelo ônibus, temos então que o orçamento deste lar é ferido de morte por esse custo.

Os governos apenas chancelam os aumentos, pouco se lhes dá que o povo pene para continuar sobrevivendo.

Mas por que a passagem de ônibus é aumentada em mais de 30% em 60 dias, se os salários só têm esse reajuste depois de três anos? Ou então nunca têm reajuste os salários, caso de várias categorias de funcionários públicos estaduais, que não recebem aumento em seus vencimentos há oito anos?

O povo vendo as categorias privilegiadas, os príncipes da República reajustarem seus ganhos anualmente ou em grandes tacadas, caso dos parlamentares, desanima, resigna-se, enche-se de nojo e de perigosa inconformidade.

E vá reajuste. E todos os reajustes em mais de dois dígitos e em mais de 20% anuais.

Um empobrecimento geral da classe média e dos trabalhadores.


Onde é que isto vai parar? Será que a grande maioria do povo brasileiro, nos próximos anos, terá de ser alvo do Fome Zero?

O mais grave problema brasileiro hoje são estes aumentos desproporcionais em todas as tarifas e nos combustíveis, com os salários congelados ou arrochados.

E, incrivelmente, os governantes e os legisladores não dizem uma palavra sobre esse esfolamento da economia popular.

Nem uma palavra.

Só autorizam todos os dias novos aumentos!

Isso é um precipício.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




É verdade que a certa altura consultou o relógio, um modelo barato, e comentou, não sem humor: "Sempre calculo mal o tempo". Nem por isso parou de falar. Mas, falando, ele não é um caudilho demagógico, não é um líder fanático. Esse é o Fidel, que há quarenta e quatro anos se mantém no poder. E qual o segredo para tanta longevidade na posição de mandatário daquela que talvez seja a única remanescente das democracias socialistas?

Moacyr Scliar
09/02/2003


Cuba: a controvérsia
Atingiu a Revolução Cubana os seus ideais? A julgar por três indicadores clássicos, sim. A mortalidade infantil é notavelmente baixa, a expectativa de vida é notavelmente alta, o nível educacional é notavelmente elevado. Os casos de Aids são muito poucos, o problema das drogas é pequeno. Há pouca violência - andar na rua é seguro - não há desemprego: a economia sendo estatizada, o governo proporciona emprego a todo mundo. O salário pode ser baixo, a atividade pode ser apenas formal, a eficiência pode ser baixa - mas, de qualquer modo, não é desemprego, coisa que compromete decisivamente a dignidade da pessoa.

Há pobreza, sim. Muita pobreza. Mas, em primeiro lugar, não é pobreza abjeta, com gente buscando comida no lixo. Em muitos países da América Latina fala-se na necessidade de uma melhor distribuição de riqueza. Em Cuba, como não há riqueza, o que se conseguiu foi distribuir melhor - mais democraticamente - a pobreza. Nas cidades brasileiras, há bairros ricos (não raro muito ricos) e pobres (não raro muito pobres). Em Cuba, a pobreza mora nos deteriorados palacetes que um dia foram de milionários e que depois, sob a forma de cortiços, passaram a abrigar muitas famílias. Existe desigualdade? Provavelmente sim, mas não se expressa em termos de propriedade. Os "mais iguais" de Orwell talvez tenham mais privilégios e mordomias, mas não terão a posse dos meios de produção de que falava Marx.

O que nos remete a um outro fenômeno: a longevidade do regime cubano. São 44 anos, o que não é pouco. E, sobretudo, 44 anos com o mesmo mandatário, o que era de esperar num regime de partido único, no qual as eleições têm um resultado absolutamente previsível. Aliás, quando lá estive estava em curso um processo eleitoral, inimaginável no Brasil: nenhuma faixa de propaganda nas ruas, nenhum santinho, nenhum horário eleitoral partidário. Em alguns lugares estavam afixados os currículos dos candidatos, e isso era tudo. "Aqui não gastamos dinheiro em publicidade eleitoral", disse Fidel.

Freqüentemente chamado de ditador na imprensa mundial, Fidel Castro não é, contudo, um déspota. Não, pelo menos, no sentido comum do termo. Trata-se, em primeiro lugar, de alguém que chegou ao poder lutando contra um regime opressivo e que foi recebido pela população como um libertador. Hoje as memórias da revolução cubana podem parecer coisa do passado, mas o envelhecido Fidel Castro continua um líder carismático, uma figura paternal.

Basta vê-lo na tevê, como aconteceu na noite do dia 18 de janeiro. Era um programa sobre as eleições do domingo seguinte. Surpreendentemente, Fidel não foi o primeiro a falar; duas outras pessoas lhe precederam. Mas então tomou a palavra e aí falou. E falou. E falou. É uma característica sua: fala como se tivesse todo o tempo do mundo (pelo menos daquela parte do mundo que governa) a sua disposição.

É verdade que a certa altura consultou o relógio (um modelo barato) e comentou, não sem humor: "Sempre calculo mal o tempo". Nem por isso parou de falar. Mas, falando, ele não é um caudilho demagógico, não é um líder fanático. Parece, antes, um velho professor dirigindo-se à classe ou um patriarca falando ao clã; gesticula muito, faz comentários engraçados. Detalhe: usa números. Uma quantidade assombrosa de números - parece ter na cabeça todas as cifras que se referem a Cuba, quer se trate de economia, saúde, ou educação. Nesse programas, anotou também dados fornecidos pelos outros participantes, que não deixou de comentar. É uma energia inesgotável, em se tratando de um homem velho (que fica, inclusive, ofegante).

De outra parte, o culto à personalidade é muito menor, e muito menos grotesco, do que na União Soviética de Stalin, na China de Mao ou no Iraque de Saddam Hussein. Os letreiros patrióticos também são raros (e são as únicas peças de publicidade). A figura mais presente - em cartazes, nas camisetas, em pôsteres - é, por razões óbvias, a de Guevara. Presente ao Fórum Social Mundial, Aleida Guevara, filha do Che (e, significativamente, médica) queixou-se da comercialização da figura de seu pai. Queixa justificada e provavelmente inútil. O mercado tem a habilidade de se apossar até da figura de seus potenciais inimigos.
scliar@zerohora.com.br




O surpreendente quando se educa uma criança é perceber o quanto, por eles, a gente acaba produzindo uma versão 2.0 do nosso desempenho dentro de casa - ali onde costuma ser o refúgio mais seguro para as nossas pequenas e grandes imperfeições. Queremos que eles procedam exatamente como nós achamos que devem e muitas vezes eles tem o seu póprio jeito de fazer as coisas. Sonhamos sempre que eles serão uma cópia nossa melhorada, mas muitas vezes eles querem ser originais. Por isso nada melhor que csrecer junto com os filhos. Errando e aprendendo, aprendendo e errando. Sei de todas as minhas peraltices da minha infância, do tanto de trabalho que dei a minha mãe. Mas hoje é sempre uma alegria estarmos juntos.

Martha Medeiros
09/02/2003


Investimentos
Cláudia Latiano (Interino)

Um economista uma vez me disse que filhos são um péssimo negócio em termos de previdência privada. Sujeito que deposita boa parte do seu salário na formação e manutenção dos pequenos sonhando com uma velhice tranqüila num sobradinho em Gramado está fazendo um investimento de altíssimo risco.

O princípio é mais ou menos o seguinte: são tantas as variáveis a considerar na hora de calcular a projeção de rentabilidade do seu hoje risonho bebê que mesmo o investidor mais ousado e agressivo desanimaria. A começar pelo prazo em que os depósitos começariam a ser sacados. Antes ou depois da primeira grande viagem, do primeiro apartamento, da primeira casa na praia do seu filho? Será que ele vai preferir ajudar o velho paizinho a conhecer a Itália ou mandar o guri do meio para um intercâmbio nos Estados Unidos? Vai bancar um MBA ou pagar a previdência privada da vovó?

A maioria das pessoas que decide ter filhos, claro, nunca pensou nisso nesses termos - a não ser, vá lá, o meu amigo economista. Sonha-se com uma cópia nossa melhorada. Imagina-se um bebê adorável, uma criança esperta, um adolescente que nos encha de orgulho e, se tudo der certo, um adulto de sucesso que nos ame e cuide de nós quando estivermos velhinhos. Mas quem disse que as trocas amorosas são menos imponderáveis que um investimento no mercado financeiro?

O lar mais ajustado pode criar filhos que querem distância de casa ou que são levados para longe por esse ou aquele motivo. Nada garante que teremos a companhia deles na velhice, e seu amor depende mais de milhares de pequenos gestos trocados ao longo de toda a vida do que do fato de termos mudado suas fraldas ou pagado sua escola.

A minha teoria - sim, eu também tenho uma teoria - é que mesmo de uma perspectiva absolutamente egoísta ter filhos pode, sim, ser um bom negócio. E não falo aqui da experiência única que é abandonar-se ao amor incondicional que uma criança oferece - amores não costumam ser incondicionais por muito tempo. O surpreendente quando se educa uma criança é perceber o quanto, por eles, a gente acaba produzindo uma versão 2.0 do nosso desempenho dentro de casa - ali onde costuma ser o refúgio mais seguro para as nossas pequenas e grandes imperfeições. É como se o olhar de uma criança pudesse ter o efeito da câmera escondida em um reality show, com a diferença de que o público é alguém que você ama e está querendo influenciar.

Quando a mãe vê, trocou o ovo frito pela alface, porque, óbvio, quer que a criança aprenda a comer salada. De uma hora para a outra, o pai pára de falar palavrão por qualquer coisa, e nunca esquece de escovar os dentes antes de dormir, e vê menos televisão. Mais um pouco e os dois estão evitando as piadas preconceituosas, e pensando quase o tempo todo se estão sendo justos, e generosos, e maduros o suficiente.

Claro que nem todos os brócolis do mundo vão impedir que seu filho venha a preferir um hambúrguer a uma salada verde, pelo menos por boa parte da vida dele. Mas, com sorte, alguns desses pequenos esforços para ser um exemplo bacana pro guri vão acabar entrando definitivamente para o seu repertório. Não é exatamente como descobrir uma conta na Suíça, mas na hora de refazer as contas e fechar o balanço - talvez naquele adorável sobradinho em Gramado - essas moedinhas podem fazer toda a diferença.

A cronista Martha Medeiros está de férias durante o mês de fevereiro
martha.medeiros@zerohora.com.br




Luis Fernando Verissimo
09/02/2003


"Esquétis 2"

Homem chega em casa acompanhado de outro homem. A mulher estranha. Não conhece o outro homem. E o marido não disse nada sobre trazer alguém para jantar.

- Me apresenta o seu amigo, bem?

- Este é o ... Como é seu nome mesmo?

- Arides - diz o outro.

- Arides - diz o marido. - E ele não é meu amigo.

- Colega? Do trabalho?

- Também não.

- Quem é então?

- Sabe o cara que me assalta praticamente todos os dias? No mesmo lugar? Sempre o mesmo cara?

- Sei.

- É ele.

- O quê?! E você me traz ele pra casa?

- Ele já levou a minha carteira. Aliás, levou várias carteiras. Eu até peço para ficar com os documentos para transferir para a próxima carteira, que sei que ele também vai roubar. Já ficou com o meu relógio. Aliás, vários relógios. Eu compro relógio, saio na rua, ele me assalta e pega o relógio. Já roubou celular, calculadora, lapiseira, sapato...

- E por que você trouxe ele pra casa?

- Cansei de levar coisas daqui pra ele. Ele que venha buscar, pô!



Família na sala, vendo TV. Todos no mesmo sofá.

MÃE: Ih... Perdi meu brinco.

PAI: Deve ter caído dentro do sofá.

(Mãe começa a procurar o brinco dentro do sofá. Vai encontrando outras coisas).

MÃE: Uma caneta esferográfica... Uma tampa de caneta esferográfica, sem a caneta... Uma moeda... Um comprimido... O que é isto?

PAI: Minha piteira! Deve estar aí dentro há anos. É do tempo em que eu ainda fumava.

MÃE: Um sutiã?!

FILHA (PEGANDO O SUTIÃ RAPIDAMENTE): É meu.

MÃE: Como é que o seu sutiã foi parar aí dentro?

FILHA: Não esquenta, mãe.

MÃE: Mais moedas... Aak!

(Ela arregala os olhos. Pegou uma coisa estranha que não sabe o que é. Quando puxa, vê que é a mão de uma pessoa. Depois um braço).

TODOS: O que é isso?

MÃE: Tem alguém aqui dentro!

(Todos ajudam a puxar. De dentro do sofá começa a sair uma velhinha).

MÃE: É a mamãe! Ela está viva!

TODOS: Vovó!

MÃE (ABRAÇANDO A VELHINHA, QUE ESTÁ MUITO FRACA): Mamãe! Nós tínhamos dado a senhora como perdida! E a senhora está viva!

VELHINHA: Ali ali, minha filha. Ali ali.

PAI: Como foi que sobreviveu aí dentro todo esse tempo? A senhora comia o quê?

VELHINHA: Migalhas. Amendoim. Pipoca. Farelo de biscoito. Tudo que caía dentro do sofá.

(Ela está muito fraca. É amparada por todos e levada para sentar numa poltrona).

VELHINHA: Eu perdi alguma novela boa?

(Depois, mostrando o que tem na mão:)

VELHINHA: Ah, minha filha, olha... O seu brinco.



"Senhores congressistas, sua atenção por favor. Não quero interromper as suas queixas e trocas de sintomas, mas chegou a hora da distribuição dos brindes. (APLAUSO) Acho que todos concordarão que o nosso Congresso Internacional de Hipocondríacos foi um sucesso. E este foi apenas o primeiro. Outros virão (PALMAS). Infelizmente, a maioria dos que estão aqui hoje não participará do congresso do ano que vem, se seus prognósticos se confirmarem. Mas outros tomarão nosso lugar na defesa desta causa tão incompreendida. Sim, fazem pouco de nós. Riem dos nossos autodiagnósticos. Não acreditam nas nossas doenças. Mas estamos dispostos a morrer para provar que estávamos com a razão! (APLAUSOS ENTUSIASMADOS). Eu mesmo acordei esta manhã com umas pontadas aqui do lado e... Mas deixa pra lá. Esta é uma ocasião festiva. Quero propor um brinde: à nossa pouca saúde!

(TODOS BRINDAM "À POUCA SAÚDE!") E vamos ao sorteio dos brindes, gentilmente oferecidos pelos patrocinadores deste nosso encontro. Dois kits de primeiros-socorros. Um jogo de máscaras cirúrgicas descartáveis, para usar em casa. Um medidor de pressão portátil, que pode ser usado no trabalho, na rua ou em ocasiões sociais. Um gravador portátil para levar no bolso e ter a quem se queixar quando se está sozinho. Um ano de chapas grátis na Clinica Radiológica "Rei do X". E, o grande prêmio da noite... Uma semana com tudo pago para dois numa suíte do novo Hospital Santa Genoveva, com análises clínicas incluídas! (PALMAS FRENÉTICAS)."





Para voce que entrou agora pouco e se quiser dizer da onde foi o felizardo dos dez mil acessos. espero que continue voltando aos quinze aos vinte mil e assim sucessivamente.

Abraços e tenhamos todos um ótimo fim de semana.




Bom se a moda pega, por exemplo por aqui já há muito existe o Banco da Mulher em que para ser correntista tem que ter os predicativos. Agora as construtoras começam a produzir edificios para o mercado feminino. Logo, logo vamos ter taxas de juros diferenciadas pois como a inadimplênica feminina é menor a taxa de risco poderá ser reduzida. Bom para elas. Mas já estou ficando com uma pontinha de ciúmes.

Crédito para mulheres

Construtora vai lançar financiamento habitacional mais em conta para o mercado feminino. Desconto valerá até a entrega das chaves
Cristiane Campos

Como as mulheres não param mesmo de avançar no mercado de trabalho, a Tecnisa Engenharia decidiu lançar em março um financiamento habitacional específico para o sexo feminino. Haverá desconto de 5% nas prestações durante a construção do imóvel, que leva em média de 25 meses. Também a Construtora Santa Isabel lançará em março um empreendimento no Recreio dos Bandeirantes, com 28 opções de plantas, para atender especialmente ao mercado feminino.

A inadimplência das mulheres no mercado imobiliário é pequena. Em cada 10 pessoas que não pagam em dia o financiamento, só três são mulheres. Por isso não é justo que elas paguem a mesma taxa de juros que a dos homens. Estamos abrindo para o setor o que já é praticado pelas seguradoras, explica Romeo Deon Busarello, diretor de Marketing da Tecnisa. Para um apartamento de dois quartos, a prestação custa em média R$ 800, com o desconto de 5% cairá para R$ 760 por mês.

Na pesquisa realizada pela Tecnisa Engenharia foi constatado que 94% dos negócios são fechados a partir da opinião das mulheres. Elas representam 42% da População Economicamente Ativa (PEA). Com esses dados, não é possível desenvolver um projeto residencial sem pensar nos anseios femininos, afirma Busarello. Segundo a gerente de Arquitetura da Santa Isabel, Margareth Ferreira, as mulheres se preocupam com os detalhes. Já os homens querem saber quanto custa e quando fica pronto o apartamento.


E bem interessante a reportagem abaixo, que não posto toda porque não está em espaço reservado aos assinantes, portanto pode ser lida na integra no link da foto.

Com filhos no currículo
Um dilema atormenta as mulheres:
o que pôr em primeiro lugar, o desejo de ser mãe ou a ambição de vencer na vida profissional

Gabriela Carelli

Zeca Rodrigues


Livre-se da culpa

A paulista Cláudia Costin é dona de um impressionante currículo profissional. Entre 1998 e 1999, ela foi ministra da Administração Federal. No ano seguinte, foi coordenar o setor de projetos para a América Latina e o Caribe do Banco Mundial, em Washington. Dois anos depois, de volta ao Brasil, assumiu a direção de uma grande empresa e hoje ocupa uma secretaria no governo de São Paulo. Sua receita para conciliar filhos e trabalho é a seguinte: livrar-se da culpa de não estar todo o tempo à disposição das crianças. Uma forma de atingir esse objetivo é deixar que elas participem do dia-a-dia da mãe. "Costumo levar serviço para casa e mostrar a eles, pedir opinião. Com isso, eles entendem que meu trabalho é importante e lidam melhor com a ausência", diz.
Cláudia Costin, 47 anos
Ocupação: secretária da Cultura do Estado de São Paulo
Carga diária de trabalho: doze horas
Filhos: Marina, de 23 anos, e Maurício, de 13 (na foto, com a mãe)




Ainda que a temperatura estivesse com previsão de queda nesta fim de semana, continua com seus 26, 28 graus, conforme pode ser vista ai na página. Nublado sim, mas sem chuva para que possamos pelo menos dar uma caminhada, andar de bike, ou ir caminhar ali na Redençao ou no Parcão. Ai acima estão as capas das duas revistas semanais para você estar atualizado com que elas estão publicando e que na opinião deles mereceu destaque.

Boa leitura, bom fim de semana para nós todos.



Capa: foto de Zeca Rodriguez (colorizada digitalmente)

Para você leitor deste blog ai em primeira mão a capa da Revista Veja deste fim de semana. Os destaques estão abaixo para você verificar e se gostar adquira numa banca bem pertinho de você.

Especial
Raquel Siqueira com a filha Ana: executiva e mãe.
Brasil
Heloísa Helena: radicalismo e censura do partido.
Internacional
Soldados americanos prontos para atacar Saddam.


Edição 1 789 12/2/2003

Seções
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

Internacional

Iraque: Bush diz que o jogo acabou
Iraque: A guerra na terra do petróleo
Espaço: Os custos e os riscos das viagens de ônibus espacial
México: O subcomandante Marcos está em baixa

Artes e Espetáculos

Televisão: A febre dos geradores de caracteres
Televisão: Bismarck, de James Cameron
Livros: As Boas Mulheres da China, de Xinran
Música: As novas divas do jazz

Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo

Brasil

Partidos: O PT enfrenta seus radicais

Geral

Especial: O dilema das mulheres entre a carreira e os filhos
Ginástica: Nova técnica indica muito peso e movimentos lentos
Saúde: Outra droga contra a artrite reumatóide
Estilo: A roupa faz a diferença na vida profissional

Economia e Negócios

Comércio: Wal-Mart, o colosso americano do varejo
BNDES: As confusões de Carlos Lessa
Aviação: TAM e Varig assinam protocolo para a fusão

Guia

Casamento: Cerimônias que fogem ao convencional
Turismo: Hotéis para quem gosta de animais
Moda: Botas e meias que farão sucesso no inverno
DVD: Escolha de acordo com o tamanho da tela
Carro: Conheça um novo jipe, o EcoSport
Carnaval: Ainda dá para garantir a fantasia
Dentes: Quanto custa um plano de saúde dental
Vídeos: O roteiro seguro para melhorar os vídeos caseiros

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Pronto vão mecher outra vez no bolso dos coitados que tem que se deslocar para trabalhar. e olha R$ 0,30 centavos para ir mais R$ 0,30 para voltar, serão R$ 0,60 por dia. Como a semana tem cinco dias representará R$ 3,00 e isso é um almoço a menos a ser consumido. Se olhar por outro ângulo é mais uma empurradinha para emagrecer e afinal tem ai muitos livros para serem devorados e assim não há porque almoçar todo o dia. Economiza meu filho.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SÁBADO, 8 DE FEVEREIRO DE 2003

Tarifa do táxi-lotação sobe a R$ 2,20. Falta homologar


A tarifa única do táxi-lotação subirá de R$ 1,90 para R$ 2,20, anunciou, ontem, o presidente da Associação dos Transportadores de Passageiros por Lotação (ATL), Magnus Aurélio Isse. O aumento, que depende de homologação da prefeitura, atende à lei que estabelece que a tarifa do lotação é 50% superior à passagem de ônibus da Capital. O último reajuste foi em 19 de dezembro. Na Capital, 403 lotações servem cerca de 100 mil passageiros/dia.




Meu amigo Vicente, está ficando famoso, não só ai no Jornal Correio do Povo, como na RBS TV. Abaixo o mesmo substituindo o Superintendente com o Fernando Gerente da Agência e a primeira gaucha ganhadora no sorteio do consórcio de imóveis da CAIXA..

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SÁBADO, 8 DE FEVEREIRO DE 2003

Consórcio da CEF sorteia gaúcha



Adriane Rocha Donaduzzi (C) terá crédito de R$ 50 mil

A primeira contemplada por sorteio do Consórcio Imobiliário da Caixa Econômica Federal (CEF) recebeu ontem a carta de crédito de R$ 50 mil. Moradora da Capital, a dentista Adriane Rocha Donaduzzi, de 28 anos, foi sorteada na assembléia do dia 16 de janeiro. No mesmo dia, outros dois participantes, residentes em Apucarana (PR) e Brasília asseguraram a liberação dos recursos por lance. 'Não esperava ser a primeira, mas se a sorte está do meu lado é sinal de que não precisarei mais dividir o consultório dentário com dois colegas', afirmou, após a cerimônia na agência Menino Deus.

Lançado em novembro, o consórcio chegou ao mercado como mais uma alternativa de aquisição da casa própria para famílias de várias faixas de renda. É possível comprar imóveis, lotes urbanizados ou pode ser usado para quitar o saldo devedor habitacional. O superintendente de Negócios em exercício, Vicente Reckziegel, disse que as prestações variam de R$ 304 a R$ 1,6 mil. 'O contrato de consórcio não gera resíduos e não há incidência de juros sobre valor das prestações e saldo devedor, o que torna o consórcio competitivo frente ao sistema normal.'




Idoso, sim. Banguela, não

Lauro Quadros, médico honorário, lembrava, esses dias, o jeito peculiar que tinha o nosso Mário Quintana de falar: cerrando a boca, abrindo pouco os maxilares. Isso porque o grande poeta tinha de segurar aquilo que numa época se chamou de "chapa" ou "dentadura".

Mário não foi o único. Sua geração pagou, em dentes perdidos, um pesado tributo à idade. E havia várias razões para isso, razões essas que começavam na infância. Em primeiro lugar, não se fazia uma prevenção adequada da cárie dentária. Não se conhecia o papel do flúor, por exemplo. Escova e pasta de dentes existiam, mas não fio dental, nem escovas interdentárias. Não se sabia que o açúcar e seus derivados podem cariar os dentes. Aliás, o Brasil, país produtor de açúcar, pagou caro por essa suposta riqueza; Gilberto Freyre diz que, no Nordeste, as senhoras e senhoritas eram obesas e tinham uma péssima dentadura.

Durante muito tempo, dente cariado era sinônimo de extração. O instrumento pelo qual o dentista era mais conhecido era o temível boticão. Para o que colaborava a teoria do "foco infeccioso". O que era isso? Foco infeccioso era um lugar do corpo em que os micróbios se desenvolviam, produzindo toxinas que resultavam nas mais variadas doenças e sintomas. Dor de cabeça, por exemplo. Cada vez que uma pessoa de meia-idade tinha uma dor de cabeça cuja causa o médico não conseguia esclarecer, os dentes pagavam o pato.

Mas as gengivas não ficavam inteiramente nuas. Existiam as dentaduras postiças. Em termos de prótese, dificilmente se poderia inventar uma coisa mais patética. Durante o dia, era um problema manter as tais dentaduras no lugar. Não foram poucos os banhistas entusiastas que deixaram suas dentaduras no fundo do Atlântico (até hoje deve haver muito peixe com dentes humanos). De noite, as dentaduras eram colocadas no clássico copo sobre a mesa de cabeceira. A primeira coisa que a pessoa fazia, ao acordar, era colocar seus dentes.

Estamos falando, obviamente, em gente que podia pagar por essas próteses, quase sempre muito caras. Os pobres tinham duas alternativas: ou ficavam sem dentes ou então - e, de novo, isso era comum no Nordeste - compravam a dentadura de um finado. Dentaduras eram comuns nas feiras nordestinas. O problema era encontrar uma que servisse. O que correspondia, mais ou menos, a acertar na loteria.

Tudo isso, felizmente, passou. As pessoas estão chegando a idades avançadas com dentes razoavelmente preservados - notando-se que, a partir de certa fase, o problema já não é a cárie, mas sim a doença periodontal, das gengivas, que pode também resultar em perda dentária. Mas hoje ninguém mais se resigna a perder um dente, nem a ter uma arcada deformada - há velhinhos usando aparelho como se fossem adolescentes.

O que é uma boa coisa. Lutar pelos dentes é lutar pela vida, pela saúde. É não aceitar resignadamente os efeitos do tempo sobre o organismo. Uma boa dentadura é mais do que um sorriso bonito. É dignidade. E isso não tem preço.
scliar@zerohora.com.br




Paulo Sant'ana
08/02/2003


Renasce a rivalidade
A vinda do centroavante Christian para o Grêmio estremece a rivalidade Gre-Nal.

Há visivelmente um sentimento de remorso e de dor entre os colorados.

E uma euforia incontida entre os gremistas.

Os dois clubes há muito tempo não contavam com centroavantes ilustres nos seus times. Pois não é que volta para um deles justamente aquele que foi ídolo no outro?

Silenciosamente, os dirigentes gremistas festejam a contratação, sentindo que foi dupla a conquista: preencheram a grande lacuna do time e lancetaram o rival, trazendo um jogador que fazia parte do imaginário colorado, o último destacado representante da melhor recordação colorada, antes que o time afundasse em indefinições e derrotas.

O ano de 2003 ameaça ser uma exclusiva discussão sobre a presença de Christian no time do Grêmio e a falta que ele ainda faz no time do Internacional.

A menos que o jogador não confirme as virtudes que mostrou anos atrás vestindo a camisa colorada, foi um grande golpe de marketing do Grêmio.

Basta ver a inflamada carta que recebi de um torcedor colorado, transcrita abaixo:

"Cansado de receber provocações sem sentido, resolvi respondê-las à altura, para não deixar a ala azul sem compreender corretamente o que está acontecendo do lado vermelho do Rio Grande. Não fiquem chateados, caros adversários monumentais, mas o Deus Negro será para sempre nosso ídolo. Somos genuínos. Mantemos nossas raízes. Não jogamos terra em cima da história só por que isso convém. O Deus Negro será eternamente um grande centroavante COLORADO. Sua melhor fase ele já viveu lá. Ele NASCEU lá. Seu nome já está no nosso livro.

Seus gols, inclusive os do 5 a 2, na NOSSA história. História que também é a dele. Seu nome vai ser imortalizado por ter sido um grande centroavante do Internacional que teve PASSAGEM pelo Grêmio. Temos essa clareza de discernimento. Isso ninguém vai mudar. Vibrem por mais um bom centroavante a vestir a camisa listrada. É justo. É compreensível. Mas saibam que nós vibramos por ter um centroavante que nasceu no nosso clube, que defendia as suas cores porque são as dele também. Esse é o sentimento que temos pelo 'Deus Negro' - alcunha que teve origem nas arquibancadas do Beira-Rio. Sentimento que é único, exclusivo, inigualável.

Nenhum outro clube poderá produzir tamanha identificação com ele. Pode parecer o desabafo de um colorado magoado, mas não é. Não me sinto mal por saber que o Christian está no Grêmio. Sabemos o que ele pode vir a representar nesse clube, e sabemos que isso será infimamente menor do que já representa ao Inter. Independentemente de quantos gols ele faça na nova casa, jamais será gremista. Assim como jamais Jardel seria colorado. Ele vai jogar com a camiseta gremista da mesma forma que jogou com a do PSG, do Bordeaux, do Galatasaray, do Palmeiras etc. É um profissional, assim ele deve agir. Mas tenham uma certeza: só uma camiseta para ele é especial, a colorada!

Ver o Grêmio reconhecer a qualidade de Christian ao contratá-lo é um orgulho para qualquer colorado. Ver a Azenha se curvar aos seus talentos é uma homenagem a todos os gaúchos de sangue e lenço vermelhos. O Christian hoje é azul. O Jesus Christian, o Deus Negro, o maior goleador colorado da história dos campeonatos brasileiros, esse sempre será vermelho. Christian, torcemos por ti. Só não torcemos para o teu novo clube. (ass.) Leandro Mello".

Meu Deus, isso é essência pura de dor-de-cotovelo!
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Cláudio Moreno
08/02/2003


Clitóris
A uma cautelosa leitora que pergunta se a pronúncia deve ser /clítoris/ ou /clitóris/, informo que nem sempre teremos certeza quanto à correta localização da sílaba tônica de certos vocábulos eruditos. Enquanto os vocábulos usuais são pronunciados sem a menor hesitação, os de uso mais restrito podem representar dificuldades embaraçosas. Como se deve pronunciar Nobel? É hieroglifo ou hieróglifo? É necrópsia ou necropsia? Como determinar a sílaba que deve receber o acento tônico nesses vocábulos? Em suma, como definir a prosódia dessas palavras de pronúncia hesitante?

Não é por acaso que essas indecisões são particularmente mais freqüentes em vocábulos eruditos de origem grega e latina. Embora haja certas regras gerais para a passagem do Latim para o Português e para a transliteração do Grego, tantos são os fatores intervenientes (históricos, fonéticos, ortográficos, etc.) que se torna impossível determinar, de antemão, qual a pronúncia a ser adotada em cada caso. Um dos grandes especialistas no ramo, o erudito José Inez Louro, da cidade do Porto, em seu esgotado O Grego Aplicado à Linguagem Científica, chega a dizer que "só por um acaso a sílaba tônica grega continua a ser tônica no Latim ou no Português".

Além disso, a comunidade científica não é uma só, unânime e homogênea. Dentro dela também existe uma rica variedade lingüística, tornando impossível o consenso sobre a forma de pronunciar (ou mesmo grafar) certos vocábulos. Em diversas situações, minha cara leitora, somos forçados a optar entre diferentes versões de uma palavra, baseando-nos, para isso, em nossa formação cultural, em nosso convencimento íntimo e no exemplo dos especialistas que respeitamos.

Queres ter uma visão do inferno? Compara dicionários. Se tomarmos o Houaiss, nosso melhor dicionário, mais o indispensável o Aurélio (2ª edição) e o clássico Ramiz Galvão (Vocabulário Etymologico, Ortographico e Prosodico das Palavras Portuguezas Derivadas da Língua Grega), veremos que o Aurélio registra acetonúria (com a variante acetonuria), R. Galvão registra acetonuria e Houaiss registra ambas, mas prefere acetonuria. Houaiss e Aurélio concordam em esfíncter e eczema, mas R. Galvão finca pé em esfincter (rimando com mulher) e éczema! Que tal?

E clitóris? Como se diz o nome desse ponto ainda tão pouco explorado da anatomia feminina? Apesar de ter sido descoberto no Renascimento por Realdo Colombo (segundo ele, "uma coisinha tão bonita e com tanta utilidade", De re anatomica, 1559), a sua pronúncia até hoje ainda traz dúvidas para os estudiosos. A maioria dos falantes diz clitóris, e esta pronúncia é confirmada por toda a tradição de dicionaristas de peso. Assim registram, no século 19, Morais, Lacerda e Aulete; no século passado, Houaiss, Aurélio e Nascentes. A única voz destoante entre as autoridades é Ramiz Galvão, que argumenta que a quantidade grega mandaria dizer clítoris; nosso sábio da belle époque (seu dicionário é de 1909), contudo, não insiste nessa prosódia, porque ele prefere mesmo é a forma clitóride, que ele classifica como um "substantivo feminino"! Dizer "a clitóride" é tão extravagante que já parece perversão...

E aí vem a nota desagradável: eu citei acima o Aurélio da 2ª edição, quando o autor ainda estava vivo. Sua lição é inequívoca: registra apenas clitóris, sem variantes ou hesitações. Qual não é a minha surpresa quando abro o Aurélio XXI (que recebeu vários acréscimos e emendas de uma tal "equipe"... será que ouço o mestre Aurélio rangendo os dentes em seu túmulo?) e me deparo com um verdadeiro qüiproquó: clitóris é dado como mera variante de clítoris, que remete à famigerada clitóride, com direito a verbete e tudo! Esta é mais uma que o Aurélio XXI me apronta; estou colecionando os casos e vou aproveitá-los para mostrar, em um próximo artigo, como uma nova edição de um dicionário não é necessariamente melhor que a anterior.
claudio.moreno@zerohora.com.br




Lya Luft
08/02/2003


A alma com osteoporose
Terei de mandar este bilhete por correio (ainda bem que não precisa ser por mensageiro a cavalo) em vez de lhe passar imediatamente pelo computador. Pois você me disse que nem pensa em adquirir uma "geringonça" dessas. Detesta modernismos e mudanças. Portanto, embora infeliz, não quer mudar nada em sua vida. Também comentou que jamais permitirá nenhuma reforma em sua casa. "Tudo deve ficar como está desde que foi construída". Onde se viu, nunca reformar nada na casa, na vida - na gente mesmo? Vagamente você sente que ainda poderia fazer algo em seu favor, mas está desanimado.

Se quer começar, vá pelo prático e pequeno: para uma mulher doméstica, arrumar armários botando fora uma porção de velharias inúteis, ou alterar a posição dos móveis conforme seu agrado - ainda que os outros da casa reclamem - pode ser um começo. Pra você, eu diria, por exemplo (correndo intencionalmente o risco de lhe parecer fútil): compre um computador. Use-o para pesquisar, para se comunicar e divertir. Fique ligado no mundo. Escolha o que há de positivo na modernidade. Pra que ficar de fora com ar tristonho? Enclausurar-se não ajuda a ninguém, muito menos a você mesmo, e promove a autocompaixão - que é um feio sentimento.

Você ficou chocado ao perceber que tinha "perdido o bonde da vida profissional e pessoal porque não estava atento aos sinais". Conheço gente da sua área e da sua idade que ainda se informa e atualiza por puro prazer. Não é verdade que uma profissão "largue a gente". É sempre a gente que ficou no ar, desatento.

Use seu tempo e dinheiro (já que você tem ao menos o suficiente) para sua alegria. A vida é uma mesa posta, com venenos mortais, pratos insossos e alguns deliciosos. Alguns conscientemente escolhem veneno, achando que viver é sofrer, e ponto final. Outros comem e vivem sem sal. Mas há os que, quando podem, pegam as delícias da vida. Espero que você não ache que prazer é ruim. Opte pelo positivo. Queira ser um pouco feliz, entusiasme-se por alguma coisa dentro de suas condições, faça um esforço para se libertar da areia movediça do pessimismo.

Pensar sempre negativo vira doença, uma osteoporose da alma.

Mas se nada disso for possível porque esse, como você diz, é o seu jeito, aceite este bilhete como uma afetuosa falta minha de... jeito.

PS: Gente, os "amigos" de que falei - e falarei - aqui são amigos imaginários. Sim, eu ainda tenho um pé na infância.




"Todos eles se tornaram parte desse menino que ia para longe todos os dias. E que agora vai, e sempre irá, para longe todos os dias". Todos os dias nós vamos para longe, com o pensamento, com o coração, com nossa palavras através deste veículo chamado internete.

E invadimos cidades, casas e até ambientes íntimos de dezenas de pessoas. Vamos todos os dias para lá de nossa imaginação e por isso é bom que sempre estejamos íntegros, inteiros, e com o coração sempre aberto para dar e receber carinho, carícias, a mão no cabelo, o beijo na face e o abraço. Ah aquele abraço tão terno, tão esperado, tão maravilhoso.

Hoje quando completar-se-ão dez mil acessos neste endereco, sinto-me ainda mais responsável por todos aqueles a quem cativei por uma ou outra razão. Minha esperança e minha fé é de poder estar correspondendo e continuar merecendo esta confiança e este carinho. Tão bom, por que é como se nunca estivesse só. Como se minhas palavras jamais fossem ditas para as paredes.

Alguém as lê, alguém lhes dá importância e quando estou triste, escrevo aqui e sei que minha tristeza será entendida, quem sabe até compartilhada. Assim como quando estou alegre, também. Tenhamos todos um bom fim de semana. Este que ultrapassa os dez mil acessos. Beijão nas bochechas de todo o mundo.

Jorge Furtado
08/02/2003


Farinha, leite e ovos para os poetas. E poesia para as massas

Quem nunca ouviu 30 vezes a mesma música numa mesma tarde, sozinho em casa, cantando, às vezes disfarçando e cantando baixo, às vezes aos gritos, que atire o primeiro disco do Raul Seixas. As letras de música suprem parte da necessidade que todos nós temos de ouvir e dizer poesia. "Quando menino, cada vez que me apaixonava por um poema, eu o lia repetidas vezes sem parar, até o saber de cor. Depois andava sozinho, dentro ou fora de casa, para poder ter o prazer de o declamar incessantemente para mim mesmo. Vi crianças que ainda fazem isso." Quem conta é o Harold Bloom, na sua introdução aos Contos e poemas para crianças extremamente inteligentes de todas as idades, selecionados por ele e traduzidos por José Antonio Arantes, editora

Objetiva. Bloom defende a leitura em voz alta, especialmente da poesia mas também da prosa, como um "teste válido" para a qualidade de um texto. (Isso para não falar dos roteiros de cinema ou televisão, onde o texto só existe para ser ouvido.) "Declamar um poema ruim é uma experiência de dar vergonha", diz Bloom. Mas ouvir um poema bom pode ser uma revelação, aquele momento mágico onde vemos surgir um amigo novo, que vai nos acompanhar para sempre. E ele conclui: "Talvez seja também o misterioso momento em que nasce um novo poeta ou um novo contador de histórias".

O Sarau Elétrico (no Bar Ocidente, terças, mas eles estão de férias), criado e apresentado pela Katia Suman, pelo Luis Augusto Fischer e pelo Frank Jorge (e reforçado com a contratação do Moreno), é um destes raros eventos culturais que, por tão vivos, naturais e excitantes, nem parecem que são eventos culturais. "Cultura? É mesmo? Sabe que eu nem percebi? Sei lá, estava tomando cerveja e ouvindo Drummond, me passou". Minha sugestão para a volta do Sarau, depois das férias é essa: poemas para crianças.

E já mando o primeiro (só uns pedaços) do Walt Whitman, da seleção do Bloom. Chama Era uma vez um menino que ia para longe:

"Era uma vez um menino que ia para longe todos os dias. E o primeiro objeto que encontrava, nesse objeto se tornava. E esse objeto se tornava parte dele o resto do dia. Ou uma fração do dia. Ou muitos anos ou longos ciclos de anos. Os primeiros lilases se tornaram parte desse menino. E a relva e as ipoméias brancas e vermelhas. E o trevo branco e vermelho, e o canto do papa-mosca. E os cordeiros de três meses e a ninhada rosa da porca, e o potro da vaca e o bezerro da égua. E o velho bêbado que ia cambaleando para casa, vindo do anexo da taverna de onde acabara de se levantar. E a professora da escola primária que passava no caminho da escola. E todas as mudanças da cidade e do campo aonde ele fosse.

Os próprios pais, ele, que o gerou, e ela, que o concebeu no útero e o trouxe à luz, deram a esse menino mais de si mesmos do que isso. Deram a ele mais tarde, todos os dias, tornaram-se parte dele. (...) Os costumes da família, o linguajar, as visitas, os móveis, o coração ansioso e inchado, afeto que não será negado, a noção do que é real, o pensamento de que no final das contas não seria irreal, as dúvidas das horas do dia e as dúvidas das horas da noite, o curioso se e como. (...) Todos eles se tornaram parte desse menino que ia para longe todos os dias. E que agora vai, e sempre irá, para longe todos os dias".
jorge.furtado@zerohora.com.br




Clima
Uma pausa para o mormaço



O céu ficou cinza no final da tarde de ontem, como na foto em Rio Grande. A chuva típica de verão veio logo depois, aliviando um pouco o calor que tem atormentado o Estado. Em algumas cidades, o vento forte chegou a assustar (foto Flávio Neves/ZH)


Sexta-feira, Fevereiro 07, 2003




Já escrevi há uns dias atrás sobre a concorrência a que nós homens estamos submetidos, pois além de todos os motivos abaixo elencados, temos os Shoppings, cada vez mais maravilhosos. Os cinemas com atores famosos e por ai vai. Como sobreviver e ter a preferência ainda?

Orgasmo para todas. Surgem mais estudos sobre alternativas para turbinar a vida sexual das mulheres

Celina Côrtes, Lena Castellón e Rita Moraes
Colaborou Osmar Freitas Jr., de Nova York


Isabella: pouco tempo para namorar
Escutar sinos tocando, sentir-se como se fosse uma explosão de fogos de artifício. O ser humano adora fazer analogias para descrever o orgasmo, ápice da relação sexual. Tanto falatório, porém, pode causar expectativas demais. Se o clímax para você não tem essa pirotecnia toda, relaxe. Segundo os especialistas, cobrar emoções tão intensas ou esperar o espetáculo é exagero. A realidade é que, para grande parte das mulheres, o prazer total na cama ainda é um sonho. No Brasil, 30% da população feminina queixa-se da falta de orgasmo, de acordo com estudo do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo. E 34,6% reclama da falta de desejo ¿ entre os homens, essa taxa é bem menor: 12%.




Há algumas razões que explicam o pouco apetite sexual feminino. A primeira é biológica. A mulher tem menos desejo do que o homem porque suas taxas de testosterona, o hormônio relacionado à libido, são mais baixas. A outra causa vem do estilo de vida da mulher atual. O romance fica para trás, em algum lugar entre diversos desafios. As mulheres estão no trabalho, cuidam dos filhos e ainda têm opções de entretenimento que desviam suas atenções. Sobra pouco tempo para o sexo, afirmou a ISTOÉ John Bancroft, diretor do Kensey Institute, fundação ligada à Universidade de Indiana (EUA) e especializada no estudo da sexualidade humana. A mulher deixa a pior hora para fazer sexo. A do cansaço. Cuida de tudo primeiro para depois pensar no assunto, analisa a médica Nilva Pereira, do Centro de Assistência Integral à Saúde da Mulher da Universidade Estadual de Campinas (SP).

A arquiteta carioca Isabella Leite, 43 anos, sabe do que falam os especialistas. Quando entrou em seu segundo casamento, há 13 anos, foi viver em Londres com o marido e os dois filhos do primeiro casamento, onde dispunha de excelente infra-estrutura doméstica. Três anos depois, voltou ao Rio de Janeiro e montou um escritório em casa. O tempo para a vida pessoal ficou menor e os encontros amorosos se reduziram a uma vez por semana. O ritmo só muda quando os filhos estão com o ex-marido. Nessas horas namoramos mais, conta.

Felizmente, a ciência está fazendo sua parte. Recentemente, anunciou-se a criação de uma espécie de poção do amor para mulheres saudáveis. Trata-se de um spray nasal desenvolvido pela empresa americana Palatin Technologies, de New Jersey. A fórmula seria capaz de deixar as mulheres altamente excitadas. O motivo? Uma substância conhecida pela sigla PT-141. É uma proteína (conjunto de aminoácidos) que age numa área do cérebro responsável pelo despertar do desejo. No ano passado, testes em ratas mostraram que as fêmeas intensificaram as suas investidas sexuais. Agora, o spray foi experimentado por mulheres, com resultado promissor. Os cientistas ofereceram a substância a 16 voluntárias, enquanto outras 16 receberam placebo. Todas assistiram a vídeos eróticos e receberam um aparelho para medir a intensidade do fluxo de sangue na vagina. Nas que usaram o PT-141, o fluxo sanguíneo e a excitação foram maiores. A empresa espera comercializar o spray dentro de três anos. Outra companhia de New Jersey, a NexMed, trabalha na criação de um creme para turbinar o sexo feminino. O Femprox é a base de prostaglandina, hormônio já usado contra a impotência. De acordo com a empresa, os estudos mostraram que o creme aumenta o fluxo sanguíneo e a lubrificação na região genital, facilitando o ato.


Há mais uma possível saída para incrementar a vida sexual da mulher. Trata-se da utilização de um remédio antidepressivo à base de bupropiona. No ano passado, o pesquisador americano Robert Segraves apresentou um trabalho com 66 pacientes que revelou que a bupropiona aumentou o desejo de voluntárias que não tinham depressão, mas sofriam de disfunção de libido. A droga atua sobre a dopamina, substância cerebral associada ao prazer, mas não reduz a libido como outros medicamentos da mesma classe. Durante o tratamento de 12 semanas,
a frequência de fantasias sexuais cresceu 157%.



E a excitação aumentou 84%. No momento, Segraves conduz outra pesquisa em três centros americanos. Os especialistas acompanham 80 mulheres que têm o mesmo problema do estudo anterior: falta de desejo. Nossa impressão é de que mais um terço das pacientes tem respostas positivas à droga, disse Segraves a ISTOÉ.

Enquanto essas pílulas não chegam às farmácias, as mulheres procuram outras saídas. A comerciante Joana (nome fictício), 42 anos, de São Paulo, optou por abrir o jogo quando a vida sexual perdeu qualidade. Casada há mais de duas décadas, ela diz que a cama esfriou porque o marido ficou muito deprimido com a morte do pai. Joana teve de cuidar da saúde dele, que não saía do quarto. A depressão foi superada, mas a relação não melhorou. O sexo escasseou, juntamente com o desejo e o orgasmo. Foi então que Joana alertou o companheiro. Fui franca. Contei que não sentia nada quando transava, recorda-se. Depois de algum tempo, a comerciante procurou ajuda especializada. Há um ano, o casal faz terapia. Nas sessões, discuto o problema e recebo orientações, diz. Como parte do tratamento, Joana foi a sex shops e comprou lingeries bem sexies. Estamos fazendo a lição de casa, brinca.




Ai está a capa da Revista Isto É deste fim de semana que outra vez ganhou da Revista Veja. Abaixo os destaques da mesma para vocês lerem em primeira mão.

Chega ao Brasil outro aliado no tratamento da impotência sexual. É o Cialis, que oferece 36 horas de prazer

ORGASMO: Estudos mostram como as mulheres podem turbinar sua vida sexual

BRASIL

GRAMPEARAM GEDDEL
Conversa de ex-líder do PMDB com FH foi gravada. ACM pode estar envolvido na arapongagem

ELO PARTIDO
Radicais petistas azedam o clima de paz e amor com o Planalto

CIÊNCIA & TECNOLOGIA

O ÚLTIMO VÔO

Acidente com o Columbia mata sete e levanta polêmica sobre negligência do governo

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Brasileiro quase alcança alemão no pagamento de impostos. E não recebe nada em troca

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Cada vez mais pessoas entram para os planos de aposentadoria privada. Querem velhice tranquila

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Dispara o ator Danny Glover, que também acusa Powell de não representar os negros dos EUA

CASAMENTO NO AR
Acordo de fusão é o início do fim da crise da Varig, que sonhava em ganhar o mundo da TAM

TESTES

CÃES: que cachorro você é?

LIBIDO: qual sua marcha?

INTUIÇÃO: Você tem 6º sentido?

PERDÃO: o peso do ressentimento

Confira outros teste

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MUNDOS PROIBIDOS
Saiba mais sobre os tabus da cultura ocidental

ARSENAIS: um raio-X das armas das maiores potências nucleares

DINOS: onde habitavam as espécies brasileiras

FÚRIA DA TERRA
Confira quais vulcões estão em atividade e sua localização




Crise conjugal

Quem nunca ouviu falar da crise do 1º, 7º e 14º ano de casados?

Imaginar que o casamento será eternamente um conto de fadas é uma utopia. Todo casal tem dificuldades pelas próprias diferenças individuais. Cada um vem com uma história de vida, com sua bagagem, seus sonhos, aliados às diferenças sociais, culturais, idade, criação familiar, relacionamentos falidos. Todo casal passa por isso. O que difere cada situação é o comportamento do casal diante da crise. É imprescindível manter a calma, o bom senso, o auto-controle, evitar a discussão e jamais faltar com o respeito ao companheiro(a). Isso não é fácil.

A somatória das dificuldades mal resolvidas, frustrações e mágoas acabam minando o relacionamento. E, muitas vezes, os problemas são tantos que parece só restar uma saída: a separação. Mas, nesta hora, cadê a paciência, a tolerância e aquelas juras de amor eterno?

Vivemos na era da comunicação. Mesmo com todo aparato tecnológico nunca se viveu um período tão difícil na comunicação interpessoal. Apesar do homem ser considerado pelos cientistas e estudiosos um animal social, ainda encontra dificuldades para viver em grupo. A vida moderna e as angústias das cidades transformam o ser humano, cada vez mais, num animal individualista, solitário e egoísta.

Pressões internas e externas, mostradas nos jornais ou na telinha da tv, abalam nosso dia a dia. Ameaças de guerra, pressão profissional, desestabilização da moeda, fome, miséria, demissões em massa, enchentes, homicídios, drogas, tragédias e assaltos podem trazer medos, angústias, ansiedade e estresse. Desequilibrado o ser humano é capaz de cometer as maiores e mais absurdas atrocidades.

Os lares hoje são melhores, mais sofisticados, pelo menos boa parte deles, mas, mais parecem moradias de pessoas do mesmo nome. Está faltando calor humano, afeto, respeito ao próximo, valores morais e familiares. Tantos abalos no cotidiano podem desestabilizar a segurança do relacionamento. Na hora do conflito: Tolerância - zero. Paciência- esgotada. Amor eterno- quem jurou?

Conheça Marlene Heuser
marlene@goldenyears.com.br




Pelo que se não há condições de se dar de ré de errados caminhos. E aquele velho proverbio continua revigorado de que a guerra é bem mais espetacular do que a paz. É ao meu ver só uma questão de se encontrar uma noite mais ou menos escura e dar início.

Estados Unidos despacham tropa de elite da Guerra do Golfo
07.Fev.2003


Os Estados Unidos continuam mobilizando seu arsenal para uma guerra contra o Iraque. Mais de 110.000 soldados já estão na região do Golfo Pérsico e outras dezenas de milhares estão a caminho e devem chegar antes do fim do mês. Nesta quinta-feira, a ordem de seguir para o Oriente Médio foi passada para a 101ª Divisão Aerotransportada do Exército, uma das unidades de atuação mais importante na Guerra do Golfo, em 1991.

Considerada uma divisão de elite de assalto aéreo, a 101ª possui cerca de 16.000 homens e 270 helicópteros de guerra. O comando das Forças Armadas americanas confirmou a ordem para que a unidade inicie viagem para o Golfo, mas não revelou quantos soldados foram mobilizados nem o destino exato da tropa.

No início da semana, os helicópteros da 101ª já começaram a voar para a base naval de Jacksonville, para serem embarcados nos navios que os levarão ao Oriente Médio. Como a tropa possui alto poder de mobilização veloz, foi uma das mais utilizadas no curto período de guerra terrestre da outra invasão americana ao Iraque, em 1991. Integrantes da divisão também estiveram no Afeganistão, no ano passado.

Três navios porta-aviões americanos já estão em posição de ataque ao Iraque, dois deles no Golfo Pérsico e um no Mar Mediterrâneo. Um quarto porta-aviões iniciou viagem, juntamente com sua esquadra de batalha, na última terça-feira.

Enquanto as tropas mobilizam-se, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, viajou para a Europa a fim de angariar apoio ao plano americano. Ele ficará três dias no continente. O primeiro encontro foi com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, em Roma. Em seguida, Rumsfeld visitará uma base no norte da Itália onde estão tropas americanas e irá a Munique, na Alemanha. "A hora é crítica. O momentum se aproxima", disse ele, ao iniciar a viagem.





Você concordaria com o casamento de uma menina de 13 anos? Participaria de um ritual vodu? Faria tatuagens por todo corpo? Há comunidades ao redor do mundo em que hábitos e costumes como esses considerados intolerantes por nossa sociedade ¿ são absolutamente corriqueiros. É o que se chama de tabu.
E incluem ritos de passagem, religiões, crendices, culinária, curandeirismo, sexualidade, tatuagens e esportes sangrentos, só para citar alguns desses hábitos. ISTOÉ recorreu a essas cenas produzidas pelo canal National Geographic em 24 países e preparou uma reportagem fotográfica sobre o tema. Acesse já e descubra por que os tabus exercem tanto fascínio no mundo ocidental.









O meu nobre SantAna está mais polido, mas evidente, com o puxão de orelha que levou. Só que como ele diz nada é permanente e os recursos cabíveis deverão ser usados nos respectivos prazos processuais. É assim mesmo meu caro SantAna quando temos um ponto de vista, ele pode ser contestado por quem tem um outro. E nada melhor que o diálogo para se chegar a um consenso. Assim como você arrefeceu no seu comentário de hoje a respeito, os juizes, por sua vez, devem ser mais corteses da próxima vez, pelo menos é o que espera-se. Bom para os estagiários de direito que vão se familiarizando com esses reveses processuais.

Paulo Sant'ana
07/02/2003


Um útil debate

Agradeço aos inúmeros leitores que me prestaram solidariedade diante da resposta pouco cortês dos dois magistrados do Trabalho de Alvorada que publiquei ontem em minha coluna.

Afora esses percalços de interlocução, vale como útil, no entanto, o debate sobre o caso da mãe que foi obrigada a assinar a carteira de trabalho da sua ex-sogra, por ter entendido a avó (e a primeira instância da Justiça do Trabalho) que tinha de ser remunerada pelos cuidados que presta aos netos, enquanto a mãe trabalha como doméstica.

Os eminentes juiz e juíza do Trabalho defenderam ontem aqui a sentença, emitida pela sua Vara de Alvorada, que impôs à mãe pagamento de atrasados e admissão como empregada da avó que cuidava dos seus filhos enquanto ela laborava como empregada doméstica, argumentando que "na hipótese concreta, inexiste o dever jurídico de a avó cuidar dos seus netos".

É isso que me parece frágil e discutível, o que será certamente considerado no recurso para a segunda instância sobre a decisão da primeira.

Continua




Continuação

É que o artigo 1.694 do novo Código Civil estabelece o seguinte: "Podem os parentes, os cônjuges e os companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitarem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender as necessidades de sua educação".

O antigo Código Civil só se referia a "alimentos". Sabiamente o novo Código acrescentou "as necessidades de sua educação" como dever também do parentesco, a tese que defendi na coluna original para manifestar a minha estranheza com a sentença.

Além disso, o artigo 1.696 do mesmo Código Civil estende claramente aos avós o dever de prestar alimentos aos netos, deixando intuir claramente que a educação também, a julgar pela ressalva do artigo anterior: "O direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em grau (avós), uns em falta de outros".

Mas, pelo amor de Deus, se o novo Código Civil, com excelente sensibilidade social, entende ser dever dos avós, na falta dos pais, alimentar e educar os netos, não seria exigência demasiada que a lei tivesse previsto o "cuidado dos netos" como obrigação dos avós?

Parece-me claro que no conceito "educação" está implícito o cuidado dos netos como dever dos avós, na falta dos pais.

E a falta dos pais é nítida neste caso em que a mãe, obrigada pela luta da vida, sai a trabalhar como doméstica.

Parece-me claro que se cria nestes intervalos de trabalho da mãe, com o fim de sustento dos filhos, uma figura que eu denominaria de "guarda presumida e eventual dos netos pela avó", fazendo desaparecer a relação trabalhista que obrigaria a mãe a remunerar a avó.

Pela história desta coluna de admiração quase que reverencial à missão árdua e espinhosa dos juízes, cujas quase todas as decisões hão de sempre atingir partes inconformadas, seria ocioso que eu declarasse o meu respeito pela sentença emanada contra a mãe, em favor da avó, pela Justiça do Trabalho de Alvorada.

Mas cumpro dizer que a decisão pode muito bem ser atacada e contestada na instância superior com sólidos embasamentos jurídicos, sociais e de bom senso. Jurídicos, principalmente.

E é quase certo que o será.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Vejam que as coisas são discutidas agora para talvez ainda este ano surtirem algum efeito. Mas isso não é nada prático meu Presidente. Ou é apenas para gerar noticias nos jornais. Ontem discutiu-se com os usineiros, a questão do álcool, mas o efeito prático nas bombas, ninguém soube precisar quando ocorrerá e eu já fico perguntando se ocorrerá?

Crédito
Lula discute redução de juros com representantes dos bancos
Governo pede apoio à microempresa
Brasília

Durante almoço com o presidente e oito diretores da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou ontem na mesa a intenção do governo: encontrar maneiras de reduzir as taxas de juros ao consumidor e expandir o crédito, especialmente às microempresas.

Segundo o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, "foi um diálogo produtivo":

- A idéia é que as discussões tenham resultado e se reflitam nas taxas ainda neste ano.

Segundo o presidente da Febraban, Gabriel Jorge Ferreira, os principais obstáculos à redução dos juros ao consumidor são os tributos sobre as operações de crédito, o elevado recolhimento compulsório dos bancos, a alta inadimplência e as regras dos contratos de crédito.

Também pudera enquanto nos empréstimos, no cheque especial e nos cartões de crédito as taxas são 6, 8 e 12 vezes ao que está sendo pago de rendimento na caderneta de poupança, quem tem esses recursos disponíveis vais escolher outra opção, com certeza. E se não forem modificadas as regras urgentemente, as perdas deverão continuar acontecendo a passos bem largos, sistematicamente.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 7 DE FEVEREIRO DE 2003

Poupança registra saldo negativo de R$ 1,015 bi

Brasília - Depois de se beneficiar com a crise de confiança que atingiu os fundos de investimentos, a poupança registra saques expressivos desde outubro. Em janeiro, os saques superaram os depósitos em R$ 1,015 bilhão, a maior perda desde abril de 2002. O déficit é creditado ao aumento do rendimento dos fundos, aos gastos de fim de ano e à opção pelo pagamento de dívidas que cresceram com os juros.


Quinta-feira, Fevereiro 06, 2003




Dinheirinho daqui, dinheirinho dali e o BNDEs está ai para ajudar as empresas endividadas a sairem do vermelho. O certo é que diminue a concorrência e daqui ha pouco as grandes compram as pequenas como acontece com os bancos e logo, teremos uma só. Será? Como fêz o São Tomé, vamos esperar ver para crer.

Empresas
BNDES pode injetar dinheiro na Varig/TAM
Quinta, 6 de Fevereiro de 2003, 13h58
Fonte : Investnews - Gazeta Mercantil


O governo poderá injetar, via BNDES, recursos na Varig e na TAM, que anunciaram hoje plano de fusão, e também em outras companhias aéreas, para ajudar na restruturação do setor.

"O governo poderá aportar recursos quando estiverem asseguradas condições de funcionamento estável e sustentável das empresas", disse o ministro da Defesa, José Viegas.

O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, reforçou o que afirmou Viegas. Disse que interessa ao governo que as empresas aéreas sejam "saudáveis" e a busca de uma nova estrutura para o setor, mas avisa: "O governo não atuará como hospital de empresas." "Vamos apoiar soluções de mercado para reestruturar o setor", afirmou.



Marcela Faria Duarte, 13 anos e Fernanda Faria Duarte, 16 anos

Sabe aquela roupa que você comprou e não consegue usar?
O problema pode ser a cor", diz Ilana Berenholc, consultora de imagem. É preciso harmonizar os tons das peças e dos olhos, da pele, do cabelo.

"A dica para meninas que têm os olhos verdes, como a Marcela, é repetir a cor na roupa, para destacá-los", diz a consultora.

Para quem tem pele clara, como a Fernanda, a dica é usar tons suaves de rosa e bege. "Se esse fôr o seu caso, fuja dos tons neon, que se sobrepõem ao tom de pele. Você vê a cor e não vê a pessoa."

Marcela veste blusa Colcci (R$ 45) e colar Bella Golzer (R$ 174)
Fernanda veste blusa Osklen (R$ 97) e brinco Arts Acessórios (R$ 18,90).

Arts Acessórios: (11) 3871-3723; Bella Golzer: (11) 3873-0046; Beth Salles: (11) 3032-3292; Colcci: (47) 251-3000; Funny Girls: (11) 3088-7385; Osklen: (11) 3815-9100




A nova companhia aérea vai operar com 218 aeronaves e 26 mil funcionários, aproximadamente, juntando frota e pessoal. Pelo menos não estão falando em demissões, como acontece em todas as fusões. Vamos ver até quando isso se mantém.

Fusão Varig/TAM é passo para reestruturação do setor, diz ministro
Aguinaldo Nogueira

BRASÍLIA - A Varig e a TAM anunciaram, hoje, a assinatura de um protocolo de intenções para criar uma nova empresa, juntando os dois ativos. Os ministros da Defesa, José Viegas, e o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, participaram da divulgação do acordo, feita pelos presidentes das duas empresas, Daniel Mandelli (TAM) e Manuel Guedes (Varig).

Segundo os presidentes, serão contratadas consultorias para avaliar a situação das empresas e definir a estratégia de negócios para a companhia criada hoje. Os ministros Viegas e Furlan acreditam que, para se chegar a um bom termo, serão necessárias mudanças na legislação do setor, o que esperam que ocorra já no âmbito da criação da Agência Nacional de Aviação Civil.

Para o ministro da Defesa, essa é uma solução empresarial que o governo acredita ser um passo definitivo para a reestruturação do setor aéreo e que poderá garantir sustentabilidade às empresas. José Viegas admitiu que, num segundo momento, o governo pode participar com um aporte de capital ou renegociação de dívidas, desde que seja, segundo ele, uma situação equânime, envolvendo credores e devedores.

A nova companhia aérea vai operar com 218 aeronaves e 26 mil funcionários, aproximadamente, juntando frota e pessoal. Hoje, as duas companhias detêm 70% do mercado doméstico de aviação e faturaram US$ 3,97 bilhões em 2002. O cronograma inicial prevê que a nova empresa esteja pronta para operar em cinco ou seis meses.

Hoje, a dívida da Varig está em torno de US$ 800 milhões e a TAM tem compromissos de financiamento, como aluguel de aeronaves, de US$ 500 milhões.




E você o que prefere, de paixão viver muito ou de paixão morrer cada dia um pouco..?

Paixão é a alucinação amorosa. E os apaixonados são de duas espécies: os generosos, que se dão inteiramente, se jogando nas mãos do outro, e os possessivos, que querem que o outro se incorpore a eles convertidos em sombra viva.Mas talvez haja um terceiro tipo: o dos que não se apaixonam, mas despertam paixões. Na impossibilidade ou no medo de se apaixonar, posto que paixão é abismo, alimentam-se da paixão alheia, ou melhor, incentivam a paixão em torno para preencher algo em si.

A paixão, por isso é arma de dois ou três gumes. E corta. E sangra. Se não sangrou, se não teve insônia, se não desesperou, se não ficou com a alma dependurada num fio de telefone, se não ficou exposto na úmida espera, paixão não era. Talvez fosse desejo, que o desejo é diferente. No desejo a gente quer o outro para possuí-lo apenas passageiramente. É como se fosse um apetite despertado por um fruto ou alguma comida saborosa que saliva nossos sentidos. É como se fosse possuir um objeto na vitrina. É um desejo de posse natural, estético, erótico, mas sendo mais desejo que qualquer outra coisa, isto vai passar. E passa.

Incrível mas na paixão, não. Na paixão, a gente quer fundir com o outro. Para sempre. De corpo e alma. Perde totalmente o centro de gravidade. Transfere a moradia de seu ser para a casa do alheio. É como se vestisse a pele do outro. E se o outro disser assim: "Vai ali buscar aquela estrela ou mesmo a Lua" (como naquele lindo conto de Murilo Rubião chamado Bárbara), se o outro disser isto, a gente vai airosamente buscar o que ele quer. E se o outro disser: "Não estou gostando de seu nariz", a gente opera, corta, joga fora, não só o nariz, mas qualquer outra coisa, porque, nesse caso, qualquer palavra ou sugestão é ordem.

X de todos os problemas a paixão é boa?A paixão é ruim? Ninguém sabe. Ela acontece. Como certas tempestades, ela acontece. Assim como depois dos vendavais os elementos da natureza já não são os mesmos, ninguém será o que era depois do desvario da paixão.Vidas renascem com paixões.Outras viram cinzas por causa dela.E há pessoas que são como aquela ave mítica - a Fênix, vivem renascendo das cinzas da paixão.Marx, portanto, errou completamente. Não é a luta de classes que move a história, é a paixão. Paixão é a revolução a dois. Ela desafia o sistema.Diante dela, a comunidade fica abalada. A paixão é anti-social e egoísta, no que é diferente do amor maduro, longo e duradouro, que fecunda a vida dos amantes e reforça os laços da comunidade. Com Romeu e Julieta, por exemplo, fez-se a revolução a dois.

Assim foi com Tristão e Isolda, com Guinevere e Lancelot. Não é de hoje que os reinos se fazem e se refazem por causa da paixão.Existe diferença entre amor e paixão?No amor, claro que há luminosa coabitação. Mas o amor é também paciente construção. Já a paixão é arrebatamento puro e aí a voragem é tão grande que pode tudo se esgotar de repente.Quantas vezes se apaixona numa vida?Há gente que vive se inventando paixões para viver, que vive morrendo de amor. E há gente que organiza toda sua vida em torno de uma única e consumidora paixão.

O desafio, é que a paixão é transgressão. Quanto mais obstáculos inventarem, mais o apaixonado os saltará. E o apaixonado não tem medo do ridículo. O que lhe importa o mundo, se seu mundo é apenas o mundo da pessoa amada?A paixão tem cor. Mais que vermelha e rubra, é roxa. Pressupõe morte e ressurreição.De paixão vivemos muito.De paixão morremos sempre.




Ainda assim, me consola pensar que nossa capacidade de ousar e nossa coragem para a aventura ainda nos levarão a superar a miséria, a fome e as guerras. Os recursos como se sabe desde que aprendemos microeconomia, são escassos e se direcionados para uma causa, logo não poderão ser aplicados em outra. E segundo o Presidente as viagens espaciais continuarão ainda que muitos parceiros já tenham desistido da parceria.

Nilson Souza
06/02/2003


As cicatrizes da humanidade

Sou um leitor atento de reportagens sobre a conquista do espaço. Sei que tem gente que ainda não se convenceu da chegada do homem à Lua, mas eu considero uma bênção que essa façanha tenha ocorrido na minha geração. Fez bem para a auto-estima da humanidade. Deixou-nos a sensação de que somos capazes de realizar qualquer coisa. Também acho que a fortuna aplicada nas viagens interplanetárias seria melhor empregada na melhoria da vida na Terra, mas estou consciente de que a escolha não é essa. Ainda assim, me consola pensar que nossa capacidade de ousar e nossa coragem para a aventura ainda nos levarão a superar a miséria, a fome e as guerras.

Escrevi "nossa coragem", mas acho que jamais entraria num foguetão daqueles. Imagino que não há momento de maior terror para um ser humano do que estar sentado dentro de uma nave enquanto a contagem regressiva chega ao final. Por mais treinado que o sujeito esteja, duvido que não se pergunte:

- O que é que estou fazendo aqui?

Mas a curiosidade humana é maior do que o medo. Mesmo com acidentes catastróficos como o do último sábado, tem sempre fila de espera para uma voltinha pelo caminho das estrelas. E deve ser mesmo uma experiência única, inigualável. Esta semana li o relato de uma das vítimas da Columbia, a médica Laurel Clark, que havia mandado um e-mail do espaço para familiares e amigos. Vejam o que ela contou na sua derradeira mensagem:

"Eu vi muitas coisas incríveis: tempestades de relâmpagos no Pacífico, a Aurora Australis nascendo no horizonte, com o desenho urbano das cidades da Austrália abaixo dela; a Lua crescente surgindo no topo da Terra, as vastas planícies da África e as dunas do Cabo Horn, rios passando por fendas entre grandes montanhas, as cicatrizes da humanidade, a contínua linha da vida estendendo-se da América do Norte, passando pela América Central e até a América do Sul, uma Lua crescente sobre o nosso planeta azul".

A descrição poética e entusiasmada explica o mistério. Os astronautas tiveram uma morte horrível, é verdade, mas certamente passaram por uma experiência maravilhosa. Quantos seres humanos, dos milhões e milhões que passaram e passarão pelo planeta azul, poderão dizer algum dia que viram as cicatrizes da humanidade?
nilson.souza@zerohora.com.br




Bom o Juiz da sentença não deve ter gostado nada do que o Sant'Ana escreveu, tanto que frisou: A imprensa tem a obrigação de contribuir para o esclarecimento da coletividade, inclusive em temas jurídicos, não para submergi-la mais ainda na ignorância. Os comentários podem ser lidos nos arquivos deste Blog.

Paulo Sant'ana
06/02/2003


A visão da Justiça

Sobre aquele caso da avó que cuidava dos netos para a ex-nora e teve ganho de causa na Justiça do Trabalho, que mandou que sua carteira fosse assinada e recebesse os atrasados, recebo agora o pedido de publicação da visão da Justiça sobre o caso:

"Prezado senhor: sob o título 'A doméstica de Alvorada', V. Sa. publicou coluna em ZH do dia 24/01/03 tecendo considerações sobre as conseqüências danosas (eu, o colunista, não escrevi que eram danosas) de sentença da `Junta da Justiça do Trabalho´, que reconheceu vínculo de emprego de uma trabalhadora doméstica com a ex-sogra, a qual fora encarregada de cuidar dos netos enquanto aquela ia ao trabalho.

As apreciações sobre assunto de natureza jurídica e social feitas por V. Sa. requerem manifestação, mais ainda porque sua coluna expressa opinião de pessoa que freqüentou curso de Ciências Jurídicas e Sociais (Direito).

Inicialmente, o juízo em questão é a Vara (não 'Junta') do Trabalho de Alvorada.

A sentença, sujeita a recurso, reconheceu o vínculo de emprego com base nos elementos de prova trazidos ao processo, `detalhes´ esses que V. Sa., como aliás colocou, desconhece.

Ao contrário do afirmado na coluna, o Direito não exclui a possibilidade de haver vínculo de emprego entre parentes. E a afirmação de que a Justiça do Trabalho é 'contra os patrões' constitui antiga mistificação. O que o Direito constitucional e trabalhista de países civilizados já sedimentou há décadas é que o juiz deve observar em sua atuação princípios jurídicos voltados à proteção do indivíduo fragilizado, o que ocorre especialmente em relações como a de emprego. De outro lado, não possuem fundamento jurídico as afirmações relativas ao suposto 'dever de parentesco' dos avós de cuidarem dos seus netos enquanto a mãe vai ao trabalho, dever esse que teria sido ignorado pela Justiça do Trabalho.

Primeiro, porque o dever de prover todo o necessário para o desenvolvimento dos filhos decorre do exercício do poder familiar (pátrio poder). Daí por que em hipótese alguma poderiam os pais buscar vínculo de emprego face aos seus filhos. Também os avós não poderiam reclamar vínculo de natureza trabalhista se estivessem exercendo a guarda de seus netos, situação que no caso não se verificava. Segundo, porque o art. 229 da Constituição estabelece que os filhos maiores é que têm o dever de amparar os pais na velhice.

Também o art. 230 estabelece deveres da família, sociedade e Estado para com as pessoas idosas. Portanto, na hipótese concreta inexiste o propalado dever jurídico da avó de cuidar de seus netos. A imprensa tem a obrigação de contribuir para o esclarecimento da coletividade, inclusive em temas jurídicos, não para submergi-la mais ainda na ignorância.

Por fim, a situação existencial de nora, sogra e netos que vivem numa cidade com população empobrecida e marginalizada, 'aqui ao lado da Capital', como diz a coluna, poderia suscitar indagações menos superficiais, como, por exemplo: por que a sociedade quer impor aos idosos deveres que juridicamente não possuem? Por que o parágrafo único do art. 7° da Constituição não reconhece às domésticas o direito previsto em seu inciso XXV (acesso gratuito dos filhos menores de seis anos a creches e pré-escolas)?

Por que o salário que no Brasil é pago a uma empregada doméstica não lhe permite colocar os filhos menores em uma creche? Não será tudo isso expressão de cultura escravista que, mais de século após a abolição, insiste em se fazer atuante? E ainda, a coluna ressalta a 'curiosa' situação de uma empregada doméstica ter se transformado em patrão, como se, face à sua profissão, não pudesse contratar serviços. Não haveria aí um pequeno indício discriminatório? (ass.) José Felipe Ledur e Lila Paula Flores França, juízes do Trabalho em Alvorada".




Bom e a previsão de chuva e de queda de temperatura já não é mais previsão, a chuva já se faz presente agora quando são oito horas da manhã. Será que pode ser feita mesmo esta comparação de que em Davos estava a gente grande, em Porto Alegre as crianças, divertidas e inconseqüentes..?

Luis Fernando Verissimo
06/02/2003


Outro tom

No ano passado, o próprio ombudsman da Folha de S. Paulo estranhou o tom da cobertura que o jornal tinha feito do Fórum Social Mundial de Porto Alegre. O pouco-caso da Folha chamou atenção por ser o mais surpreendente, mas o resto da grande imprensa brasileira tratou os dois primeiros fóruns da mesma maneira, como uma espécie de circo dos bons sentimentos, politicamente retrógrado e algo ridículo. Em Davos estava a gente grande, em Porto Alegre as crianças, divertidas e inconseqüentes. Em Davos o cérebro, em Porto Alegre o coração, e o Carnaval.

Este ano, o tom da cobertura mudou. Um pouco pela coincidência com a posse do Lula, um pouco pela evidência, reconhecida até em Davos, de que um outro mundo, mais do que possível, é urgente, e muito pelo reconhecimento tardio de que Porto Alegre dá boa matéria jornalística a quem consegue enxergar o Fórum sem prevenções, e além das maluquices.

Todos os fóruns tiveram gente importante dizendo coisas importantes sobre as questões que são, afinal, as mais sérias e menos infantis das nossas vidas, como a distribuição de água e alimento, sem falar de justiça, no único planeta que temos. Até reacionários babões e empresários preocupados só com negócios, vencida a cegueira ideológica, veriam a relevância de discutir que vida econômica é possível na periferia da hegemonia americana, novas idéias para a democratização da administração pública etc.

E em que outro lugar do mundo, em qualquer época, houve algo parecido com a união de judeus e palestinos no ato contra o suicídio mútuo e pela paz, que foi o clímax emocional do Fórum? As crianças deram um bom exemplo de idealismo prático. No confronto Porto Alegre/Davos, o coração tem sido mais racional, em termos da nossa sobrevivência como espécie, do que o cérebro. E, além de tudo, há o Carnaval.

Amostra do lado conseqüente do Fórum é a entrevista com Lori Wallach, da ongue americana Public Citizen, feita em Porto Alegre e publicada pelo Estado de S. Paulo. Se você não leu, afaste o papagaio e recupere do fundo da gaiola o caderno de economia do Estadão do último domingo para saber o que nos espera se aceitarmos a Alca no prazo e na forma como está sendo proposta pelos Estados Unidos.

Lori Wallach é formada em Direito Comercial por Harvard e convive com lobistas, congressistas e governo em Washington. Dá uma aula sobre o que o Nafta, Acordo de Livre Comércio da América do Norte, realmente significou para o México, e o que o mesmo modelo estendido para as outras Américas pode significar para o Brasil. Sua entrevista talvez seja o documento mais importante produzido por este último Fórum. O Estadão reconheceu sua importância, mas a publicou na página 4. É de se esperar que haja gente em Brasília lendo além da página 3 dos cadernos de economia.


Bom por um lado poder estar próximo de umas colegas assim, mesmo com o calor é altamente atraente.

Clima
Estudar virou um castigo



Temperaturas sufocantes e a falta de ventiladores têm feito do semestre fora de época dos alunos de universidades federais do Estado uma tarefa penosa. A estudante de Física da UFRGS Patrícia Spinelli reclama da dificuldade de concentração (foto Adriana Franciosi/ZH)


Quarta-feira, Fevereiro 05, 2003




Gente a temperatura efetivamente está elevada e pela previsão, somente no sábado é que deverá baixar. Também nós nunca estamos satisfeitos e é fevereiro não é? Quando fará calor senão agora então por que reclamar? Bom meu time ganhou ontem, e hoje uma grande torcida compareceu ao aeroporto para receber o centro-avante que aliás era do adversário, isso é do inter. Dai a razão do Paulo San'Ana estar vibrando, já vislumbrando as luzes de Tóquio.

E aí os meus amigos colorados ficam mais irados ainda, não tanto pelo insucesso de seu time, que aliás empatou no domingo, mas por estar dando certo para o adeversário. Bom, bom deixa para lá. Tenhamos todos uma ótima noite e até amanhã.

Por que tristezas?
A vida é bela!


Por que desistir?
A vida é uma continuação!

Por que lágrimas?
A vida é um sorriso!

Por que amarguras?
A vida é uma canção!

Por que ódio?
A Vida foi feita para amar!

Por que intrigas?
A vida é Paz!

Por que blasfemar?
A vida foi feita para orar!

Por que mentir?
A vida é uma verdade!

Por que sentir-se pobre?
A vida é uma riqueza!

Por que sofrer?
A vida é superação!

Por que temer?
A vida é feita de Fé!

Por que fracassos?
A vida é uma grande vitória!

Por que ofender-se?
A vida é perdão!


Por que ser infeliz?
A vida é uma grande felicidade!

Por que problemas?
A vida é uma grande solução!

Por que trevas?
A vida já é Luz!
J.C.Orbatiuck




Embora seja basicamente um salário que a maioria das empregadas domésicas recebem, você ainda tem os encargos, a alimentação e outras coias que você não sabe, às vezes. Tanta gente já adota o transporte solidário, como eu já ando de lotação ou de ônibus, já vou conversando com a galera para qualquer lugar que ande. Mas para ir ao mercado só com o carrinho aquele de mão, que eu ainda não tenho, mas acho que é chegada a hora de adquirí-lo, assim em suaves prestações.

Com os aumentos dos celulares, acho que é uma boa me disvincular deles. Afinal a gente não vivia a dois anos atrás bem sem eles? Já com os fixos, é bom também, acredito ter apenas um ou, no maximo dois para quem ainda tem internete discada. Mas é por ai.

Já dois carros, significam dois seguros adicionais, dois IPVAs por ano e mesmo estando na garagem a cotação ou a desvalorização ocorre independentemente do uso. Alias acho que estraga mais pelo desuso. Então é bom pensarmos seriamente na manutenção de dois. E por ai, vai minha adorada economista e consultora...

Do que você precisa?
Por Elaine Restier*


Muitas famílias com dificuldades de equilibrar suas receitas e despesas se desesperam por não encontrar gordura para cortar no orçamento doméstico. Estas pessoas alegam que não possuem nenhum "luxo" e seu gasto é composto do mínimo necessário. Acontece que o perfil de consumo mudou muito nos últimos anos e diversos tipos de despesas, na realidade, são supérfluos. Uma despesa que vem crescendo em participação no orçamento familiar, por exemplo, é a telecomunicação. Com o objetivo de estarem sempre acessíveis, as pessoas mantêm telefone fixo, celular, bip, pager, etc. Se tem filho adolescente então, aí é que este tipo de despesa abocanha grande parte da renda.

Será que é necessário o seu filho ter um celular? E você? será que não pode dividir um aparelho com a família? Outra despesa que compromete grande parte do orçamento é o transporte. Está certo que os transportes públicos aumentaram significativamente de preço nos últimos dois anos, mas é ao transporte particular que me refiro. Com o preço da gasolina subindo constantemente, encher o tanque de um carro uma única vez está custando quase 100 reais! Se você gasta um tanque por semana, lá se vão 400 reais por mês. Nas grandes metrópoles, é comum observar, na hora do rush, os carros com apenas uma pessoa em cada veículo.

Muita gente argumenta que "precisa" do celular e "depende" do carro para trabalhar, sendo impossível sobreviver sem eles. Porém, existe outro luxo no hábito do brasileiro comum - incompatível com a faixa de renda de uma família classe média: a empregada doméstica. O custo de um empregado doméstico não é só o seu salário, você tem mais uma boca para alimentar, é mais gasto de energia, além de que nem sempre esta pessoa utiliza os produtos de uso diário com a mesma parcimônia da dona-de-casa. Nos países industrializados, apenas as famílias ricas possuem empregados domésticos. A diarista já é uma profissão institucionalizada.

Para otimizar um orçamento doméstico, é imprescindível avaliar a "necessidade" de cada gasto. Algumas pessoas abandonam cursos de especialização porque não cabem em seu orçamento, mas não abrem mão dos confortos citados acima.

Um orçamento organizado e previsível é o primeiro passo para um planejamento eficiente. E o planejamento financeiro é a única forma de uma família classe média alcançar seus objetivos de longo prazo. Precisamos adequar nossos hábitos de consumo.




Talvez não seja o seu caso. Mas você deve falar com seu pai ou sua mãe a respeito, porque muitas vezes eles estão tão preocupados com tudo que esquecem que são infalíveis. E você deve lembrá-los disso, de vez em quando.

A vida reserva inúmeras surpresas. No entanto, mesmo na ausência, é possível se fazer presente e concretizar o carinho à família, garantindo a tranqüilidade e a segurança dos que nos cercam.

"Quem se preocupa com o bem-estar da família não pode ignorar as casualidades da vida. Com planejamento e senso de realidade, é possível preservar o futuro do cônjuge, dos filhos e de outros dependentes. Caso o participante venha a falecer prematuramente durante o período de contribuição à Previdência Complementar, os beneficiários do plano recebem o saldo das contribuições líqüidas, devidamente corrigidas, sem burocracia. Há, contudo, alguns benefícios que podem ser contratados à parte do plano, oferecendo garantias extras ao participante e à sua família.

A Pensão aos Filhos Menores, por exemplo, provê mensalmente o pagamento de determinada quantia para os dependentes até que estes completem 21 anos. Já a Pensão ao Cônjuge ou Companheira assegura ao beneficiário uma renda mensal vitalícia. Outro benefício opcional é o Pecúlio, pagamento feito de uma única vez aos beneficiários indicados pelo participante. Ser previdente implica encarar os fatos da vida. Planejar-se, com a consciência de que imprevistos acontecem, é a chave para um futuro tranqüilo."

Fuad Noman
Presidente da Brasilprev Seguros e Previdência S.A. e da Ass. Nac. de Previdência Privada




Os quatro cavaleiros do apocalipse profissional

Eles não esperam atrás da porta, nós os colocamos para dentro do escritório: a desatualização, a indolência, a procrastinação e a arrogância

Por Eugenio Mussak

Poucas imagens são mais simbólicas e fortes do que a dos quatro cavaleiros do apocalipse, relatados no último livro da bíblia. Os cavaleiros, quando chegam a algum lugar, trazem infelicidade, pois são portadores das grandes desgraças que assolam a humanidade: a guerra, a doença, a fome e a morte.

Tornou-se comum lembrar dos quatro cavaleiros, quando as pessoas atravessam um período em que as coisas não vão bem, o que já aconteceu com todos nós. Nessas ocasiões ainda ficamos com a impressão de que falta alguma desgraça para acontecer. Algum dos quatro cavaleiros - senão todos - está à espreita atrás da porta.

No mundo profissional também existem cavaleiros do apocalipse, mas, em geral, eles são criados pelas próprias pessoas. Eles não esperam atrás da porta, nós os colocamos para dentro do quarto. Ou do escritório, é claro. Os quatro cavaleiros do apocalipse profissional são: a desatualização, a indolência, a procrastinação e a arrogância. Pode ser que você, leitor, ache que existem outros, mas em minha opinião, esses quatro são os piores.

A desatualização é mortal porque vivemos em um mundo em que as mudanças acontecem cada vez mais rapidamente. Um mundo em que o conhecimento dobra a cada ano, em que as profissões devem ser permanentemente aprimoradas, em que a tecnologia nos permite saltos de qualidade e de velocidade impressionantes. Nesse mundo, o profissional que não se atualiza de modo permanente, tanto nas questões objetivas de sua atividade, quanto nas questões gerais, está correndo o grave risco da obsolescência e da substituição. O mercado não admite e não tolera os desatualizados.

A indolência, por sua vez, nunca foi bem aceita, a não ser pelos nobres da antiguidade, que consideravam que o trabalho não foi feito para os ¿gentis homens¿, e sim para os serviçais ou para os escravos. Sim, senhor, trabalhar já foi sinônimo de decadência. Hoje é diferente. A decadência é descendente direta da indolência. Preguiça não combina com progresso. Lassidão não rima com sucesso. Desorganização não orna com evolução.

A procrastinação é destrutiva por um motivo análogo ao da desatualização. Com a velocidade do mundo moderno, deixar para depois significa que alguém pode fazer antes que você. Adiar uma tarefa ou uma decisão pode custar caro. Não fazer hoje significa ter que fazer amanhã, quando já haverá outra coisa para ser feita. De nada adiantará ler amanhã o jornal de hoje, pois notícias velhas provocam reações tardias. O procrastinador é lento demais para o mundo atual.

E a arrogância, se a examinarmos bem, é a grande paralisadora do desenvolvimento pessoal. O arrogante não houve, não aceita que poderia fazer mais bem feito, que é passível de erro, e o pior, que sempre tem o que aprender, apesar de ter chegado aonde chegou. O arrogante pode até ser competente, mas acredite, não o será para sempre, pois falta-lhe a humildade, que é a qualidade dos aprendizes, que aliás é o que temos que ser na atualidade, eternos aprendizes. Cuidado com os quatro cavaleiros do apocalipse, eles não vêm mais a cavalo, vêm montados em mísseis!




Sinceramente ainda acredito que nosso Presidente seguirá o exemplo de seu Ministro das Cidades e devolverá a sua aposentadoria de sindicalista. Senão como irá cobrar de seus subordinados uma ação que ele sequer pratica, voces concordam?

PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 5 DE FEVEREIRO DE 2003
Elio Gaspari


VIVA CRISTOVAM. ELE POUPOU A VIÚVA
Deve-se ao senador Cristovam Buarque uma exemplar demonstração de austeridade pessoal praticada pelo atual governo. Como senador, tem direito a um salário de R$ 12.720, mas dá expediente como ministro da Educação, que remunera R$ 8.280 mensais. Cristovam informou à Mesa do Senado que ficará com o salário de ministro. Seis outros companheiros ficaram com o salário de parlamentar. São pessoas que, tendo direito a tomar mais ou menos da Viúva, tomam mais. Decisão deles. Todos adultos. Chamam-se Agnelo Queiroz, Anderson Adauto, José Dirceu, Marina Silva, Miro Teixeira e Ricardo Berzoini.

Austeridade, como nó de gravata, é uma coisa com a qual as pessoas se preocupam ou não. O ministro Olívio Dutra devolve a sua pensão de ex-governador do Rio Grande do Sul e o presidente Lula embolsa a sua aposentadoria de sindicalista perseguido pela ditadura (R$ 2.500). Ambos adultos, ambos no exercício de seus direitos.

Cristovam Buarque fez questão de ressaltar que sua decisão não conteve qualquer critica aos ministros que preferiram ficar no Bolsa-Congresso. Ressaltado fica, mas não há lei que obrigue o contribuinte a ser idiota. Se o deputado Berzoini trabalha como ministro da Previdência, qual salário ele deve receber: o de deputado (função que lhe foi dada pelo eleitorado, mas não pratica) ou o de ministro? A idéia de trabalhar num lugar (o ministério) recebendo salário de outro (o parlamento) ofende a lógica. Entre receber mais ou receber menos, preferiram receber mais. Fizeram-no no exercício de seu direito? Sem dúvida. Esse é o problema da Viúva. Sempre que lhe metem a mão na bolsa, seja em nome da banca quebrada, seja dos usineiros falidos, seja dos parlamentares atraídos para o ministério, ela perde.

O PT está oferecendo novidades inquietantes à patuléia. Greve de transportes em São Paulo? Coisa da vida, como a chuva. Cadê a prefeita? Está em Paris, com o consorte. Por coincidência, matando a fome no mesmo restaurante onde estava o professor Fernando Henrique Cardoso. Fome Zero no Piauí? Ainda não ocorreu a um só hierarca denunciar a espoliação do povo da cidade de Guaribas pela sua prefeitura (arrendada a um mandarim local). Pretende-se botar dinheiro da Viúva numa comunidade onde há fome, mas a prefeitura proíbe que se criem galinhas e porcos naquilo que por lá se entende por perímetro urbano.

Falta ao governo uma demonstração coerente de carinho pela bolsa da Viúva. Olívio Dutra (e Ciro Gomes) recusa-se a embolsar pensões adicionais ao seu salário de ministro. Cristovam Buarque recusa-se a ganhar como senador quando trabalha na função de ministro. Esses são os bons exemplos. Os outros são ruins. Não pelo custo, pois cobram mixarias. É uma questão de exemplo, de postura. Entre Epitácio Pessoa e dom Pedro II, a ética governista está mais para Epitácio.

Ele se aposentou aos 47 anos, por invalidez, como ministro do Supremo Tribunal Federal. Aposentado, elegeu-se senador e presidente da República. Morreu aos 77 anos, com todas as pensões que a República lhe devia. E dom Pedro? Quando o golpe militar o desterrou, ofereceu-lhe uma pensão de 2 mil contos. Recusou-a.




Para voces, nesta quarta-feira, essa descrição ai da Nave Columbia. Com certeza, construida antes do trágico ocorrido. Se o autor, que não descobri quem é, soubesse talvez nem tivesse feito esta que interpretei como uma provocação as mulheres. Assim como acontece todo o dia no trânsito e ainda mais aqui em POA onde ou a mulher mostra competência no volante ou é, e tem a mãe xingada por todo mundo.




É incrível que num Estado que quer continuar sendo celeiro do País, a cesta básica de Porto Alegre seja a mais cara entre todos as capitais. Será por que os comerciantes são os mais gulosos dentre os demais? O fato é que nem oito nem oitenta. R$ 1.385,91, acho elevado, mas também R$ 200,00, convenhamos.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 5 DE FEVEREIRO DE 2003

Porto Alegre é a capital mais cara

Porto Alegre continua sendo a capital com a cesta básica mais cara do país, segundo dados divulgados ontem pelo Dieese. Em janeiro, o custo da cesta ficou em R$ 164,97 na Capital, um aumento de 0,56% em comparação com o mês anterior. A alta nos últimos 12 meses já chega a 24,11%. A variação no período do Plano Real está em 147,52%.

Nove dos 13 produtos considerados gêneros essenciais tiveram preço reajustado, com destaque para manteiga (15,95%), banana (12,94%) e café em pó (4,83%). Os alimentos que ficaram mais baratos foram batata, menos 17,69%, tomate, que recuou 9,38%, e farinha, menos 1,86%. O feijão se manteve inalterado, com variação de 0,4% negativo. Tomando por base Porto Alegre, o Dieese calcula que o mínimo de janeiro deveria ser R$ 1.385,91 ou 6,9 vezes o atual valor, de R$ 200, para que o trabalhador pudesse suprir as necessidades de sua família.




Ele disse (e disse mais para si do que para o outro, como se fosse um resumo do que havia aprendido naquele ano) que a vida não foi, nem será. A vida é. A cada segundo, a cada minuto, a cada dia a vida simplesmente é. E isso será até que aconteça o segundo final, que nem sequer é registado, mas apenas a hora numa certidão que fazem de nós no instante derradeiro.

José Pedro Goulart
06/01/2003


O tempo que vale mais

Por mais que quisesse duvidar, as provas estavam diante dele na forma de radiografias presas àquelas paredes de luz. O médico falava com a voz humilde que os médicos assumem nesse momento e lhe avisava que a sua vida tinha agora um prazo conhecido para acabar: um ano, um pouco menos, um pouco mais.

Súbito, como se imagina que essas coisas aconteçam, lhe veio uma idéia, e essa enfiou-se nele com tanta força que tinha que sair dali imediatamente para colocá-la em prática, sem perda de tempo. O tempo agora valia mais.

A idéia que teve era a de que usaria esse último ano lendo. Leria tudo que pudesse e nunca havia lido. Não, ele não era um fã da leitura nem nunca pensou muito nisso. Tinha lido, é certo, alguns livros durante a vida, mas agora, diante da sentença de morte que havia recebido - essa que era uma sentença inesperada, já que veio depois de um exame de rotina -, não conseguia pensar em outra coisa. Não pensou em viagens, mulheres ou qualquer plano de fuga. Pensava apenas que iria ler. De manhã, de tarde e de noite.

Chegou em casa carregando um pacote de livros recém-comprados. A mulher perguntou pelos exames e ele disse "vamos ver", depois encerrou-se no quarto e abriu o primeiro livro.

O ano passou como passam os anos, com a impressão de ligeireza para quem adiou mais uma vez seus objetivos e vagaroso para os sofridos. Para o nosso personagem, o diagnóstico médico havia servido como uma alforria de todos os compromissos, especialmente aqueles que tinha consigo mesmo. Sem perspectivas de futuro, ele acabou com as necessidades de aprendizado, conquistas intelectuais e pôde se debruçar na leitura, tirando dela apenas o prazer que ela podia lhe dar. Foi assim que acabou vivendo um ano bom. Nada o obrigava a nada, a não ser o desejo. E o desejo, esse que havia esquecido em algum lugar do passado, o obrigou a ler, viajar através das palavras alheias, tomar emprestadas todas as experiências possíveis.

Voltou ao consultório do médico das más notícias. Elas se confirmaram, as más notícias, a morte logo se anunciaria com suas óbvias asas escuras. Dessa vez, entretanto, reagiu quando o médico avisou que a vida dele estava cada vez mais no fim. Ele disse (e disse mais para si do que para o outro, como se fosse um resumo do que havia aprendido naquele ano) que a vida não foi, nem será. A vida é.
jose.pedro@zerohora.com.br




Mas Friends não é uma opção pela profundidade, é o triunfo da constância. Os personagens não crescem e pouco se transformam. De certa forma eles habitam uma "Terra do Nunca" (nunca cresceremos). Imaginem a gente poder escolher uma determinada idade e permanecer lá assim sem grandes transformações. Sendo como em alguns filmes repetitivos a ponto de saber de cor o que aconteceria a cada dia.

Como ninguém gosta de rotinas Deus deve ter pensado nisso também e assim cada dia é único, ímpar e por ser assim espetacular.

Diana Corso
05/02/2003


A amizade na terra do nunca

Há oito anos um grupo de amigos vem fazendo parte da vida de muita gente que os freqüenta virtualmente. Trata-se do seriado Friends, transmitido diariamente no Brasil pelo canal da Warner. Numa primeira aproximação, os personagens parecem bobos, as piadas fracas e a claque dispensável. Quando os conhecemos melhor, descobrimos que é exatamente a rotina, a previsibilidade dos seis personagens que faz o atrativo da série, já que o enredo é mínimo. Fatos até acontecem na vida dos amigos: eles casam, têm filhos, problemas familiares e laborais, mas estruturados de tal forma que nada rompa a coesão do grupo.

O romance moderno faz dos conflitos interiores e da exposição da subjetividade uma aventura suficiente para nos empolgar, não é mais necessário provocar o drama com um evento, qual um desencontro, um filtro mágico, um crime. Mas Friends não é uma opção pela profundidade, é o triunfo da constância. Os personagens não crescem e pouco se transformam. De certa forma eles habitam uma "Terra do Nunca" (nunca cresceremos).

Um grupo de amigos é horizontal, pode haver liderança, mas não há hierarquia, é um grupo de pares. Graças a isso, nele se realizam experiências de liberdade das leis da família e da sociedade, justamente porque não tem o peso das relações de trabalho ou parentesco. Dificilmente um grupo adolescente permanece coeso ao longo da vida, cumpre sua função e se dispersa.

Algumas amizades restam na sua condição de testemunhas do percurso uns dos outros, e é um valor inestimável a cumplicidade que se pode ter com um amigo com quem se compartilha trechos do passado. Grupos formados por relações de parentesco, de hobby ou de profissão tendem a suplantar esse primeiro núcleo de amigos, cuja única função foi a de laboratório, lugar de gestar e parir uma identidade, um estilo.

O sucesso de Friends é testemunha do imenso valor que tem hoje esta mediação entre a família e o mundo externo que o grupo adolescente faz. Em breve, os traços do tempo sobre a face dos atores condenarão a série, ou pelo menos este grupo de atores, à extinção ou à substituição, sob pena de que aquilo que é simpático se torne patético. Como patéticos são todos os anacronismos, próprios ao culto da adolescência a que nossa sociedade tem se dedicado.




Até que enfim o Sant'Ana voltou a escrever sobre futebol e sobre o Grêmio uma de suas maiores paixões. Como eu comungo desses pensamentos, por ser gremista desde criancinha, faço minhas as palavas do San'Ana.

Paulo Sant'ana
05/02/2003


O Grêmio grande novamente!

Há dias em que tudo dá certo. É um único dia em que a gente obtém a desforra de todos os infortúnios do ano.

Ontem foi o meu dia de revanche de todo o baixo-astral da temporada.

A começar que ontem era o dia de pagamento duplo, o dia da gratificação por produtividade em Zero Hora.

A gente fica tomado de uma certa beatitude quando, como eu, recebe em dobro pela carga tripla de trabalho.

À tarde, houve o recrudescimento da alegria, um contentamento difícil de conter: era anunciada oficialmente a contratação de Christian pelo Grêmio.

Parece mentira, Christian vai jogar no Grêmio no ano do nosso centenário.

Não dá para acreditar que a diretoria chefiada por Flávio Obino tenha assim de uma só tacada resolvido todo o problema de insuficiência aflitiva do time, completando-o de modo extraordinário.

Era desanimador que até ontem o Grêmio não tivesse contratado um centroavante. E se este centroavante é Christian, menos pelo prognóstico sobre suas possibilidades técnicas do que pela potencialidade da motivação que terá este jogador vestindo a camiseta do Grêmio, de volta à cidade em que ele gosta de viver, isto significa a maior contratação gremista dos tempos modernos, algo inimaginável nestes tempos duros de contenção financeira de administração de dívidas no futebol.

Eu fico imaginando a euforia e o entusiasmo de que está possuída a torcida gremista pelo anúncio da vinda de Christian.

É uma notícia para dignificar esta condição gremista de líder do ranking da CBF e de ostentação do orgulho da nação tricolor pela recente pesquisa divulgada pelo Datafolha, em que o Grêmio figura, no âmbito do território brasileiro, não do gaúcho, mas de todo o país, com 4% da preferência dos torcedores nacionais, contra 2% do Internacional.

Obter assim o dobro de tributo de paixão popular sobre o tradicional rival, quando há 30 anos quase que o exatamente oposto acontecia, o Grêmio enredado num seu elitismo de origem, é algo que inunda o coração gremista de um orgulho que pode explodir nos gramados neste ano em que o clube completa seus cem anos.

E eu assim me mostro exultante por força da vinda de Christian. Flávio Obino, Luís Eurico Valandro e os demais integrantes da diretoria, ao lado das comissões que se formaram entre empresários e ilustres gremistas, com a finalidade de arrecadar recursos, estão a um passo de regenerar a grandeza histórica do clube ao praticarem a audácia estóica de presentearem a torcida com Christian, ao lado dos outros grandes jogadores que o time já possui, mas que necessitavam assim de uma tal estupenda complementação.

Agora é só torcer para que o Grêmio de Danrlei consiga classificar-se nesta primeira fase da Libertadores que se iniciou ontem contra o Pumas, torcer com fervor por isso, na segunda fase, já então com a ajuda de Christian, o horizonte de Tóquio pode se mostrar claro e luminoso.

Estava faltando isso para agitar a multidão gremista. Estou achando que ninguém mais nos segura.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Reportagem Especial
Suando sem parar



Enfrentar o calor de quase 40ºC se transformou em desafio para os gaúchos, como o operário Anderson Ribeiro, que ontem trabalhava sob o sol às 16h (foto Júlio Cordeiro/ZH)


Terça-feira, Fevereiro 04, 2003




Embora seja apenas terça-feira, deu um vendaval a tarde por aqui, mas depois até que melhorou, ainda que a temperatura não tenha cedido, tanto que continuo com o ar a todo vapor agora às 23 horas.

Mas isso era só para falar de uma coisa que está me deixando deveras curioso: Ontem a noite, assim quando entrei na página vi que o contador estava próximo dos 8.000 acessos e fiquei, pensando: quem será o felizardo dos 8.000? Depois esqueci e quando voltei a consultar já estava em 8.030, por ai. E hoje durante o dia, entrei umas ou duas vezes e lá estavam 6 ou 8 usuários on line.

Numa página assim que não tem nenhuma pretensão a não ser levar informação e colocar um pouco daquilo que penso, me deixa surpreso, e ao mesmo tempo um pouco perplexo. Qual será o perfil das pessoas que acessam esse blog? Como serão os seus rostos, seus sentimentos enfim? Estou sendo uma boa companhia? É por esta razão que eles estão me lendo, enfim?

Não sei! Mas embora no anonimato fico feliz de alguma forma porque se estão acessando é porque alguma coisa de útil ou de interesssante eles estão encontrando e espero de coração que efetivamente seja assim.

Fiquem com os anjinhos e até amanhã.




Outra parte dos ganhos se deve ao enxugamento de pessoal. Estudo do Sindicato dos Bancários de São Paulo mostra que em 2002 havia 359 mil bancários no país. Em 1995, eram 560 mil. A continuar essa média de 30 mil demissões por ano no setor, em dez anos teremos todos os bancos completamente automatizados e com zero bancários. Isso é, sendo mais pragmáticos, em 2010 por ai, os bancários serão uma classe em exinção.

SISTEMA FINANCEIRO
Sobe lucro dos bancos


Grandes instituições do país anunciam bons resultados referentes a 2002, comprovando que a crise econômica do ano passado acabou beneficiando-as, especialmente com negócios envolvendo títulos públicos indexados ao dólar

Lauro Rutkowski
Da equipe do Correio


As turbulências de 2002 foram insuficientes para ameaçar os lucros dos grandes bancos privados. Apesar da confusão provocada pela mudança nas regras de rendimento dos fundos de investimento e da insegurança causada pela sucessão presidencial, o Bradesco terminou 2002 com lucro líquido de R$ 2,022 bilhões. O resultado é 6,9% inferior ao de 2001 simplesmente porque os diretores do banco reservaram mais dinheiro do que o necessário para cobrir eventuais perdas (a provisão para créditos de recebimento duvidoso aumentou 40,22%, atingindo R$ 2,8 bilhões). Sem isso, o lucro teria subido muito, a exemplo do que aconteceu com outras instituições financeiras.

Analistas esperam que o Itaú anuncie em breve um lucro de R$ 2,4 bilhões e o Unibanco divulgue resultado positivo de R$ 1,1 bilhão. O lucro do Banespa cresceu 158,8% em 2002, atingindo R$ 2,8 bilhões. Esse deve ser o melhor desempenho entre os bancos brasileiros. Os resultados de 2002 só não serão melhores porque as instituições separaram muito dinheiro para se prevenir de calotes que não aconteceram, avalia Rodrigo Indiani, analista da Austin Asis.

O economista Alberto Borges Matias, da ABM Consulting, diz que o Brasil é um paraíso para os bancos por causa da política econômica adotada nos últimos anos. A alta taxa de juros adotada pelo governo para financiar sua dívida prejudica o crescimento econômico, mas é o combustível que alimenta os lucros dos bancos, diz Matias. De acordo com levantamento da ABM Consulting, o sistema bancário obteve lucro líquido de R$ 21,3 bilhões em 2002, uma soma 275,4% maior que a de 1995.

Os juros altos praticados pelo governo em 2002 renderam R$ 25,7 bilhões aos bancos que atuam no Brasil, segundo o Tesouro Nacional. O valor é a estimativa de rentabilidade das aplicações em títulos públicos feitas pelos bancos no período. Na média, os juros acumulados no ano, que corrigem as aplicações, ficaram em 19,17%. Outra parte dos ganhos se deve ao enxugamento de pessoal. Estudo do Sindicato dos Bancários de São Paulo mostra que em 2002 havia 359 mil bancários no país. Em 1995, eram 560 mil.

Os bancos são os principais financiadores do poder público e ganham muito com as altas da taxa básica de juros, a Selic, e com as variações do dólar os dois principais indexadores dos títulos públicos. O Banespa, aliás, exibe excelente balanço por causa das aplicações em títulos públicos atrelados à variação do dólar. A instituição aplica apenas 17% dos seus ativos na concessão de crédito a pessoas físicas e empresas e mantém 54% dos ativos em tesouraria, aplicados em títulos e valores mobiliários.

Estudo da Austin Asis mostra que o ganho dos dez maiores bancos com títulos públicos é responsável por aproximadamente 33% da receita operacional das instituições. A maior parte da receita (cerca de 46%) vem de operações de crédito, mas os empréstimos são lucrativos por causa das elevadas taxas de juros e não pela quantidade de dinheiro emprestada que retorna aos cofres dos bancos. Segundo a ABM Consulting, o crédito corresponde a apenas 27% do Produto Interno Bruto do Brasil. Esse percentual é de 64% nos Estados Unidos, 86% no Chile e 141% na Inglaterra.




Terça, 04 de Fevereiro de 2003

CASA PRÓPRIA

Defenda seus direitos na Justiça


A Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH) divulgou que a Caixa Econômica e a Empresa Gestora de Ativos (Emgea) estariam executando na Justiça cerca de 1 milhão de mutuários do Sistema Financeiro da Habitação. A Emgea, empresa criada pelo governo para assumir os contratos da Caixa tidos como problemáticos, contestou a informação: seriam apenas 24 mil contratos e o objetivo seria garantir os direitos do agente financeiro. A razão seria a entrada em vigor do novo Código Civil, que reduziu pela metade o prazo de prescrição das ações pelas quais a Emgea poderia fazer valer os seus direitos, uma ação preventiva, portanto.

Se são 24 mil ou 1 milhão, a verdade é que há ações na Justiça que podem atingir o seu contrato. O que você tem feito para defender os seus direitos, preventivamente? As associações de mutuários recomendam uma perícia criteriosa no contrato, especialmente os mais antigos, porque, certamente, o que está sendo cobrado pelo agente financeiro não é o que você deve. O caso mais comum é o dos juros. Só são cobrados corretamente no primeiro ano de contrato e nos anos seguintes o porcentual de juro é arredondado sempre para cima, em prejuízo do financiado.

Outros casos - Muitos mutuários que assinaram contratos pelo plano de equivalência salarial podem reivindicar a aplicação às prestações do mesmo reajuste que tiveram nos salários. Por esse critério, milhares de funcionários públicos que ficaram com salários congelados por seis anos não deveriam ter aumento na prestação da casa própria no mesmo período, mas não foi o que ocorreu.

Outros pontos questionados: os juros e a forma como são cobrados. Pela Lei Complementar 4.380, informa o procurador da República Roberto Cavalcanti, autor do estudo "Microconstrução da Dívida", os juros máximos deveriam ser de 10% ao ano, mas o governo editou uma medida provisória para permitir que os bancos cobrassem 12%. "Uma medida provisória não pode revogar uma lei complementar", afirma.

Juro - Ainda que os 12% fossem considerados legais, sua forma de cobrança não é. Os bancos cobram um ano de juro sobre outro, elevando a taxa para 12,6825%. Num financiamento de 10 anos, essa forma aumenta a dívida em 7,04%. Em 20 anos, o mutuário acaba pagando 15,54% a mais só por causa desse método.

Os procedimentos questionáveis são inúmeros e, um pouquinho aqui um pouquinho ali, acabam representando um aumento de até 50% na dívida dos mutuários. Como um financiamento da casa própria representa sempre um valor muito expressivo no orçamento da família, aumentá-lo em 50% é condenar esse financiado a jamais poder pagar e, eventualmente, perder o imóvel.

Uma ação que peça a correção desses métodos deve levar à quitação do imóvel e até, eventualmente, à devolução de dinheiro ao mutuário, acreditam os técnicos no assunto.

Ações da Emgea - A Emgea orientou a Caixa a pedir interrupção de prazo de prescrição no caso de 24 mil contratos. Segundo a empresa, os Estados com maior concentração de contratos sujeitos à prescrição da ação são: Rio de Janeiro (4 mil), Pernambuco (3.400), Paraná (3.300) e Santa Catarina (2.200). "Trata-se não de execução de contratos, e sim de medida assecuratória dos direitos creditórios da Emgea", diz informe da empresa.

A ABMH, entretanto, informa que as notificações devem atingir 1 milhão de mutuários do SFH. Desse total de financiamentos, 850 mil foram firmados com recursos FGTS. O consultor jurídico da entidade Rodrigo Daniel dos Santos critica a forma como a empresa vem tentando recuperar esses créditos. "Os mutuários estão sendo executados, mesmo sem terem seus contratos de financiamento analisados, porque, para evitar a prescrição, a Emgea está movendo ações judiciais, enquanto prepara medidas para cobrança dos débitos", diz.

O consultor orienta os mutuários que foram notificados a procurar o auxílio técnico da associação ou de especialistas da área para tomar medidas judiciais que garantam a discussão do débito sem prejuízos morais às partes. A ABMH tem 29 escritórios de representação, em 19 Estados. Os mutuários podem ainda obter mais informações no site da entidade www.abmh.org.br.

Roberto do Nascimento
Da equipe do DiárioNet






Como se não bastassem todos os problemas e demissões ocorridas em função da queda da Columbia, ai os hackers aproveitam a oportunidade e invadem os servidores. Lembram aquele provérbio de que as desgraças são como bananas? sempre vêem em pencas.. pois é mais uma vez se confirma.

Hackers invadem servidores da NASA

Terça-feira, 4 de Fevereiro de 2003 - 10h43
IDG Now!

Pelo menos nove servidores do Laboratório de Propulsão de Aviões a Jato (JPL), da Administração Nacional do Espaço e Aeronáutica (NASA), foram invadidos no sábado - mesmo dia que ocorreu o desastre com a nave espacial Columbia - por um grupo de hackers protestando contra a política dos EUA no Oriente Médio.
As páginas hospedadas em tais servidores foram substituídas por outras contendo mensagens de caráter político protestando as ações americanas no Iraque, segundo um relatório da companhia de segurança mi2g e confirmado pelo porta-voz da NASA.

Em sua mensagem, os hackers dizem o seguinte: "Eu notei que uma guerra com o Iraque está próxima... e me pergunto porque?!... Quando isso vai parar? Porque os EUA atacam o Iraque?"

As invasões digitais nos sistemas da JPL ocorreram no final da tarde de sábado. Os servidores, que hospedavam o site jpl.nasa.gov, permaneceram fora do ar por mais de uma hora e meia, e rodavam o sistema operacional Solaris, da Sun Microsystems, de acordo com a mi2g.

A NASA recusou-se a fornecer detalhes específicos sobre quantos ou quais servidores foram atingidos, mas informou que as máquinas afetadas foram desligadas por volta de cinco horas após a invasão. O órgão também não indicou se outras informações armazenadas nos servidores foram roubadas.

Os responsáveis pelos ataques foram um grupo de hackers que se autodenominam "Trippin Smurfs". Sua origem ainda está sendo investigada.




Já existe na internete muitos tributos aos heróis da Columbia. Muitas fotos e muita reportagem a respeito sobre o que mesmo poderia ter sido a causa do acidente. Meras especulações, talvez... O fato é que apenas 16 minutos separaram o exito da missão de 16 dias no espaço e que só faltou ocorrer no dia 16 e às 16 horas. Mas alguns astrólogos e estudiosos do ramo, logo vão encontrar outras conincidências como as que foram encontradas quando cairam as duas torres em Nova York. Tenhamos todos um bom dia.




Não existe diferença entre uma mulher solteira e uma mulher separada. Hoje em dia, as meninas entre 16 e 18 anos já se separaram, cada uma, umas três vezes. E continuam bonitas isso também é verdade e privá-las da participação de um concurso assim de miss, é querer deixar a beleza de lado. Então estou contigo caro Paulo. Casadas ou solteiras, a beleza é para ser mostrada e se o concurso é de beleza, para que excluir as casadas do concurso?

Paulo Sant'ana
04/02/2003


Miss casada? E daí?

Eu não concordo com que se casse o título de Miss Brasil porque ela é casada. Eu sei que ser casado é um estigma, é desonroso, tanto que sempre escondi que sou casado.

Mas ninguém tinha o direito de me punir por isso.

Só o que faltava era me tirarem o título de colunista porque sou casado.

Por que é vedado ao concurso de Miss Brasil recrutar as casadas? As mulheres mais bonitas que conheço são casadas. E são bonitas apesar de serem casadas.

Outra coisa que nunca entendi e sempre me pôs perplexo: por que as mulheres mais bonitas que vi em minha vida sempre foram casadas com os outros?

Mais ainda: Joseane de Oliveira não é mais casada, depois daquele beijo aspirante que deu no brutamontes do Big Brother, notou-se que no máximo ela é separada.

Não existe diferença entre uma mulher solteira e uma mulher separada. Hoje em dia, as meninas entre 16 e 18 anos já se separaram, cada uma, umas três vezes.

Então por que acusar a Miss Brasil da pecha infamante de ser casada?

A bem da verdade, ao se separar, Joseane se recuperou do defeito horrendo de ser casada, no meu entender ainda a tempo de ser Miss Brasil.

Nós vivemos novos tempos, os tempos da liberdade. Ninguém pode ser discriminado no concurso de Miss Brasil por ser casado, nenhuma mulher que seja capitã da Brigada Militar pode ser impedida de ascender ao posto de coronel.

Eu sei que a Miss Brasil fraudou o regulamento do concurso, mas o regulamento do concurso está errado.

Exigir que uma mulher seja solteira para participar do concurso é a mesma coisa que exigir-lhe certidão negativa de crime.

E não restou outra alternativa a Joseane, perante os organizadores do concurso, que não fosse negar que tinha sido casada: ocultou assim seus maus antecedentes.

Eu sou suspeito, porque casei duas vezes, mas sempre tive compreensão com os casados.

E os perdoei.

Foi um descuido, um erro, um deslize terem casado. Uma espécie de anemia neuronial.

Mas nem por isso devem ser discriminados, como se quer fazer com a Miss Brasil.

Só porque uma pessoa é casada, não se pode privá-la dos direitos da cidadania.

Ainda mais no caso da Miss Brasil, que se mostrou arrependida de seu erro e separou-se logo em seguida ao casamento, um gesto de extraordinária coragem e lucidez.

Por isso não posso concordar com o preconceito e discriminação que atinjam qualquer pessoa casada.

Ainda mais partindo do princípio de que sempre há tempo para qualquer pessoa regenerar-se.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Não precisamos procurar longe o que está perto. Não sei não meu caro Moacyr, na própria área médica a evolução foi fantástica, acredito em razão de novas tecnologias utilizadas nos exames hoje possíveis, senão é bom recomendar ainda os chazinhos de folha de laranjeira, as malvas, salvas e outros tantos chás e que resolvem ainda sim.

Moacyr Scliar
04/02/2003


Pés na Terra

Por uma dessas significativas coincidências, neste mesmo sábado em que ocorreu a tragédia da Columbia, encontrei, numa banca de revistas, um livro propondo-se a demonstrar que a chegada do homem à Lua não passou de uma muito bem montada fraude, uma idéia que, aliás, tem circulado por aí. Provavelmente não é verdade, mas a questão não é essa. A questão é: que diferença faz se foi fraude ou não? Qual a real contribuição das aventuras espaciais para o progresso, e sobretudo, para o bem-estar da humanidade?

Espero respostas indignadas. Muita gente dirá que, graças a estes projetos, surgiram novos produtos (o tefal, por exemplo), novas tecnologias. Pergunta: estes novos produtos, estas novas tecnologias, não poderiam ter sido pesquisadas diretamente, aqui na Terra - com enorme economia de recursos?

A verdade é que a exploração espacial só teve a ver com a ciência secundariamente. O fator que a desencadeou foi, em realidade, a Guerra Fria. Na qual a falecida União Soviética levou uma vantagem inicial. O bip-bip do Sputnik - o primeiro satélite artificial - soou aos ouvidos dos governantes americanos como o ominoso tique-taque de uma bomba. Um país que vinha de um passado atrasado, a Rússia, conseguira a façanha de superar os Estados Unidos em uma área que até então tinha sido quase que exclusivamente objeto da ficção científica. A reação dos Estados Unidos foi imediata: surgiu a Nasa, surgiu Cabo Canaveral. Em breve, estavam vencendo a disputa. A ruína do comunismo fez o resto.

Mas a estrutura estava montada, e toda uma indústria dela depende. De modo que o programa espacial teve continuidade. Com escassos resultados - o que se fez com aquelas rochas trazidas da Lua? - e, agora, com uma segunda tragédia, que custou a vida de sete pessoas e resultou num trauma de proporções para milhões de outras.

O espaço sideral é um desafio, mas há muita coisa para arrumar aqui na Terra, desafios que exigem conhecimentos científicos e recursos. Para dar um exemplo bem concreto, podemos, e devemos, erradicar a fome. Grandes objetivos? Não precisamos procurar longe o que está perto.
scliar@zerohora.com.br




Para saber o que seja e o que o Frank faz: ele pega a linguagem da rua, a linguagem suada do cotidiano, um pedaço de idéia, uma frase publicitária da moda, um nome martelante...., só lendo os livros indicados.

Luís Augusto Fischer
04/02/2003


Frank Jorge para as massas

Não sei como é que pode, mas o fato é que saiu o terceiro livro do Frank Jorge e quase ninguém comentou. Foi na época da última Feira, e talvez o excesso de atrações tenha obscurecido o panorama, o meu por certo. De forma que foi só há pouco que li Vida de Verdade, pela editora Sagra Luzzatto.

Li agora, mas ouvi antes. O prezado leitor talvez não saiba, mas o Frank é um dos pilares-mestres do Sarau Elétrico, espécie de pocket-show literário que a Kátia Suman, o Frank, o Cláudio Moreno e eu levamos todas as terças, às 21h, no bar Ocidente, há mais de três anos. (Neste fevereiro estamos de férias, é bom lembrar.) Os textos deste Vida de Verdade, acho que em sua totalidade, foram escritos para leitura de viva voz, lá no Sarau. Aí o Frank os guarda, burila e publica - já havia Realidades e chantilys diversos, pela Artes e Ofícios, de 2000, e Crocâncias inéditas, pela Sagra Luzzatto, de 2001.

Qualquer um dos três é diversão da boa. O que o Frank faz: ele pega a linguagem da rua, a linguagem suada do cotidiano, um pedaço de idéia, uma frase publicitária da moda, um nome martelante, qualquer palavra enfim que esteja respirando, e a leva para passear num formato qualquer, que pode ser um conto, um pastiche de cena de telenovela, uma receita, um poema, quer dizer, alguma das variadíssimas formas em que nossa época se expressa. O resultado é um gosto, pela mistura apatifada, que a gente reconhece logo e que nos leva a um momento raro de iluminação, pelo efeito de desalienação que promove em nossa inteligência. E tudo escrito em língua de gente segundo o ponto de vista rock'n'roll chalacento - a cara do Frank Jorge, como sabemos.

Por exemplo: "Jade: - Eu fiquei ao vento por sua causa, Lucas. Leo: - O x O, Jade, porque eu sou nuvem passageira que com o vento se vai". Isso no meio de uma cena que se passa na imaginação do leitor, baseada nos cenários e personagens de O clone. Outro exemplo é um texto que apresenta nomes de possíveis bandas e seu respectivo estilo musical. Os corneteiros: banda grunge de São Sebastião do Caí. Vítimas do SOE: rock ginasial. Antônio Britto's Project: rock neoliberal. Charque elétrico: nativismo eletrificado do HPSP. E a minha predileta - Pequeno Flávio e seus Alcaraz Gomes: serestas. Imperdível.
fischer@zerohora.com.br



Música
O Planeta começa a tomar forma



A agitação na praia de Atlântida começou ontem, com o início da montagem do palco do maior evento de música do sul do Brasil (foto Ricardo Duarte/ZH)




Parabéns a dona Vaniza, acho merecido esta promoção depois de quase dez anos nesta área. Filha da nossa colega Mariza Mandagaran, aí está ela mostrando competencia e versatilidade.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, TERÇA-FEIRA, 4 DE FEVEREIRO DE 2003

Vaniza Schuler representa o mercado na Setur/RS


Vaniza Schuler, gerente de Captação do Porto Alegre Convention & Visitors Bureau, é a representante do mercado na Secretaria de Turismo do Estado (Setur/RS). Ela foi nomeada pelo secretário Luís Augusto Lara para a diretoria de Relações com o Mercado & Parcerias. O anúncio foi feito em reunião da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH/RS). Vaniza tem experiência no setor e fez trabalho elogiável no Convention, segundo Lara.




Se você consultar dados históricos em nenhuma época de inflação houve lucros tão expressivos assim. Portanto é eu, você, nossos amigos, todos ajudadndo a contribuir para estes lucros astronômicos num País que está longe de ser rico e poder proporcionar ganhos assim tão fantásticos.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, TERÇA-FEIRA, 4 DE FEVEREIRO DE 2003

Bradesco registra lucro de R$ 2,02 bi

São Paulo - O Bradesco obteve lucro líquido de R$ 2,022 bilhões em 2002, com queda de 6,80% em relação a 2001. As receitas da intermediação financeira subiram 49,05%, para R$ 31,913 bilhões, e o resultado bruto da intermediação fechou em R$ 10,894 bilhões, com alta de 34,52%. O montante de provisão para créditos de liquidação duvidosa aumentou 40,22%, para R$ 2,818 bilhões. O banco contabilizou R$ 9,532 bilhões (líquido) como 'outras despesas operacionais', 55,56% a mais que em 2001. O ganho operacional foi de R$ 1,362 bilhão, recuando 30,88% em um ano. O lucro por ação foi de R$ 0,00142. Em 31 de dezembro, o patrimônio líquido era de R$ 10,845 bilhões e o valor patrimonial da ação de R$ 0,00760.


Segunda-feira, Fevereiro 03, 2003




Penso que não deve ser muito diferente quando escrevemos. Depois de escrito está escrito e por mais que queiramos voltar isso já não será mais possível. Então, ninguém nos obriga a escrevermos sobre isso ou aquilo, mas depois que o fizermos seremos responsáveis por isso. Nesta noite prestei meu teste final do intensivo de inglês do mês de janeiro. Não sei se passei mas depois conto para vocês.

Consegui sobreviver é certo, com algumas horas de sono perdidas, com alguns escrito a menos aqui no Blog e certamente com muitas figuras que gostaria de tê-las postado mas que por urgência e importância de tempo não foram desenvolvidas. Neste fevereiro, se Deus quiser, estarei mais livre e poderei estar mais dedicado a isso.

Pense antes de falar e não se corrija depois

Temos dois ouvidos e uma boca porque fomos feitos para escutar mais e falar menos, o que evita arrependimentos futuros
Lair Ribeiro


Como você diz o que diz? Enquanto você não fala nada, ninguém sabe se você é inteligente ou não. No momento em que você falou, se falou besteira acabou a chance de causar boa impressão. Então, antes de falar, pense, para não se arrepender depois. Sabe por que temos dois ouvidos e uma boca? Porque fomos feitos para escutar mais e falar menos.

Quando você fala, e quando fala besteiras, a palavra já saiu da sua boca e não tem jeito de voltar. Você já falou errado. Se tentar corrigir, cuidado: às vezes a emenda sai pior do que o soneto. Se você está prestes a responder agressivamente a alguém no trabalho, morda a língua. Depois que você respondeu, não adianta se arrepender: aquilo vai ficar sempre presente no ouvido da outra pessoa.

Você está sempre sendo julgado com base na sua aparência, na forma como você fala de si, e também pelo modo como fala. Há diferentes maneiras de se dizer a mesma coisa. A frase ¿eu não disse que ele roubou o dinheiro¿ pode ter vários significados. Dependendo de onde você colocar a ênfase ao falar, pode estar querendo dizer: ¿¿quem disse?¿¿, ¿¿quem foi¿¿, ¿¿como é que ele obteve o dinheiro?¿¿, ¿¿então o que foi que ele roubou?¿¿. Como você viu, o que conta não é só o que você diz, mas o modo como você diz.




Entre dois amores

Malu Mader emenda outro filme, Sexo, Amor e Traição, em que se divide entre Murilo Benício e Fábio Assunção, mas prepara volta à TV Érika Roesler - São Paulo

Malu Mader quer recuperar o tempo perdido. Aos 36 anos e louca por cinema, a atriz poderá ser vista este ano em nova produção nacional, o filme Sexo, Amor e Traição, o primeiro dirigido por Jorge Fernando, diretor de novelas na Globo, que estréia em setembro. E já tem planos de produzir um documentário e estrelar outro filme, baseado no livro BR 163, do marido, Tony Bellotto. Cria da TV, a bela se ressente de não ter feito cinema quando tinha lá seus vinte e poucos anos porque precisava ¿ como qualquer mortal pagar suas contas.

Em outro lugar, uma atriz como eu faria pelo menos um filme por ano. Fiquei muito triste quando percebi que tinha ficado sete anos afastada do cinema, dos 23 aos 30, justamente no esplendor da mulher. Durante esse tempo, eram feitos, em média, dois filmes por ano. Já morava sozinha e precisava me sustentar. Não podia ficar esperando convite, justifica com modéstia Malu, capaz de matar qualquer garotinha de inveja pela boa forma exibida em O Invasor, de Beto Brant e Bellini e a Esfinge, de Roberto Santucci Filho (adaptação do livro do marido).

Em Sexo, Amor e Traição, a atriz será a fotógrafa Ana, que viverá um drama capaz de causar inveja. Casada com o personagem de Murilo Benício, Carlos, ela vai se sentir atraída pelo ex-namorado e amigo do casal, Tomás, papel de Fábio Assunção.

Casada há 13 anos, Malu sabe que toda relação passa por crises: ¿Nunca pensamos em nos separar, mas a balança às vezes oscila. Mesmo assim, não tenho vontade de colocar tudo em risco. Cada vez mais, vejo que eu e o Tony temos tudo a ver¿, reconhece a atriz, que admite ser mesmo a durona da família: ¿Sou a severa com os filhos. O Tony é mais suave, mais tranqüilo¿.

Ainda no cinema, a próxima empreitada da atriz deverá ser Lavínia, personagem do livro BR 163, romance de Tony Bellotto, cujos direitos foram comprados pelo diretor Dodô Brandão. Madrinha do projeto Villa-Lobinhos, de formação de músicos entre jovens carentes, a atriz pretende levar o dia-a-dia dos meninos para a tela em um documentário.

Assistia televisão freqüentemente, mas perdi o hábito. Estou mais seletiva. O meu entusiasmo maior é com cinema¿, explica a atriz, que, entretanto, não abandona o amigo Gilberto Braga. Ela poderá ser vista na nova novela do autor, sobre as celebridades, que sucederá Mulheres Apaixonadas, de Manoel Carlos.

Não posso falar muito porque acho que o Gilberto Braga mexeu em algumas coisas, desconversa a atriz, que assume não gostar da superexposição na mídia, tema da trama. Assédio, até certo ponto, faz parte. Só tenho restrições com os paparazzi. Acho um assalto me fotografar sem permissão. Olhos para eles como se fossem ratos, escandaliza.

Traição

PAIXÃO. ¿É interessante discutir no filme até que ponto é possível estar apaixonada, ter uma relação monogâmica e assumir a opção de estar casada¿, filosofa a atriz.

FILMAGENS. As filmagens de Sexo, Amor e Traição começaram sábado. A comédia romântica é inspirada na peça mexicana Sexo, Pudor e Lágrimas, transformada em longa com sucesso no país.

CRISES. Não é só a personagem de Malu que viverá crise no casamento no filme. Alessandra Negrini será Andréa, ex-modelo ressentida com as infidelidades do marido, Miguel (Caco Ciocler), que reencontrará seu primeiro amor, a zoóloga Cláudia (Heloísa Périssé), numa festa.

NOVELA. Afastada das novelas desde 1999, quando interpretou a cortesã Ester, de Força de um Desejo, Malu Mader contracenará na nova trama de Gilberto Braga com Cláudia Abreu, Marcos Palmeira e Déborah Evelyn.




Talvez você ainda não precise dessa linha de crédito. mas pode ser que seu avô, seu pai, tio, alguém da família precise e ai já pode escolher entre a Caixa e o Banco do Brasil. Porque um dia fatalmente nós também chegaremos lá, eu espero. E ai quero ter esta possibilidade de escolha.

BB isenta aposentado de tarifa

Banco oferece talão de cheque e cartão de graça por seis meses a segurados do INSS que recebem benefício a partir de R$ 800
Valéria Maniero


Luiz Sis de Azevedo teme que facilidade de crédito endivide aposentados

Dez dias depois de a Caixa Econômica Federal lançar uma linha de crédito especial para aposentados e pensionistas, o Banco do Brasil também resolveu explorar o filão: a partir de hoje, a categoria pode ter direito a cheque, cartão bancário, débito em conta e isenção da tarifa de manutenção ¿ atualmente, ela varia de R$ 4,50 a R$ 8,50 ¿ por seis meses. Isso quer dizer que, nesse período, o aposentado terá direito, por mês, a um talão com 10 folhas e a um extrato com a movimentação de sua conta. Se abrir uma caderneta de poupança, ele não pagará pela manutenção da conta.

A oportunidade é para aqueles que sacam o benefício do INSS com cartão magnético e recebem a partir de R$ 800, mas não tem vínculo com o Banco do Brasil. Quem preencher esses pré-requisitos poderá, então, abrir uma conta corrente, na qual será depositado o valor na data programada pelo INSS.

Benefício do INSS depositado diretamente na conta

Na opinião do secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Álvaro Sólon de França, trata-se de uma opção que oferece mais comodidade e segurança do que o cartão magnético, atualmente utilizado. O dinheiro é creditado diretamente na conta ¿ e o segurado não tem prazo para sacar.

Hoje, são aproximadamente 21 milhões os aposentados e pensionistas do INSS em todo o País. Desse total, 5 milhões recebem pelo Banco do Brasil.

Para o diretor da Associação Nacional dos Aposentados da Previdência (Asaprev), Luiz Sis de Azevedo, a iniciativa funciona como benefício, em meio a uma série de leis dirigidas à categoria que não são cumpridas, como o desconto no preço dos medicamentos. Entretanto, o diretor fez um alerta: ¿A facilidade de crédito também pode trazer prejuízos aos aposentados, já que poderão contrair mais dívidas¿, acrescentou.

No dia 24, a Caixa Econômica Federal lançou empréstimo para segurados do INSS com juros variando de 4,75 a 5,10% - mais baixos do que as taxas cobradas pelo mercado. A Caixa vai destinar R$ 320 milhões em crédito para os inativos.




Para uma segunda-feira assim com os seus aproximadamente 40 graus celsius a sombra, as pessoas tem que terem lenitivos e esperanças. E nada melhor que um texto assim meu caro Orbatiuck para levantar a moral e ir adiante, mesmo que as perspectivas da semana não seja assim tão inspiradoras.

OTIMISMO

OLHA no teu jardim as rosas entreabertas, e nunca as pétalas caídas;
OBSERVA em teu caminho a distância vencida e nunca o que falte ainda;
GUARDA do teu olhar os brilhos de alegria e nunca as névoas de tristezas;
RETÉM da tua voz risadas e canções e nunca os teus gemidos;

CONSERVA em teus ouvidos as palavras de amor e nunca as de ódio;
GRAVA em tua pupila o nascer das auroras e nunca os teus poentes;
CONSERVA no teu rosto as linhas do sorriso e nunca os sulcos do teu pranto;
CONTA aos homens o azul das tuas primaveras e nunca as tempestades do verão;

GUARDA da tua face apenas as carícias, esquece as bofetadas;
CONSERVA de teus pés os passos retos e puros, esquece os transviados;
GUARDA de tuas mãos as flores que ofertaram, esquece os espinhos que ficaram;
De teus lábios CONSERVA as mensagens bondosas, esquece as maldições;

RELEMBRA com prazer as tuas escaladas, esquece o prazer fútil das descidas;
RELEMBRA os dias em que fostes água limpa, esquece as horas em que foste brejo;
CONTA e mostra as medalhas das tuas vitórias, esquece as cicatrizes das derrotas;

OLHA de frente o sol que existe em tua vida, esquece a sombra que fica atrás; A flor que desabrocha é bem mais importante do que mil pétalas caídas; E só um olhar de amor pode levar consigo calor para aquecer muitos invernos; A bondade é mais forte em nós e dura muito mais do que o mal que nós mesmos praticamos;

SÊ OTIMISTA, amigo, e não te esqueças de que é no fundo da noite sem luar que brilham muito mais as estrelas!
J.C.Orbatiuck




O Paulo Sant'Ana escreveu na crônica abaixo sobre a morte dos sete astronautas que estavam na Columbia. Uma oportunidade boa para refletirmos sobre a morte. Ainda continua a ser um dos mistérios mais inextricáveis da existência, a mente humana jamais o pôde decifrar, quanto mais os desígnios de iniqüidade que marcam em grande parte das vezes o momento em que ela se desfecha. É a única certeza que temos, sem que nunca saibamos a hora dela ocorrer, e daí a razão para vivermos cada minutinho, desfrutarmos cada segundinho e nunca adiarmos o que gostariamos de fazer, antes que ela chegue afinal.





Paulo Sant'ana
03/02/2003


Lástima nos ares
Consola talvez saber que os sete astronautas que estavam a bordo da nave Columbia tiveram uma morte tranqüila, sem sofrimento.

Viajando a uma velocidade de 20 mil quilômetros horários, 20 vezes superior à dos aviões de carreira, numa altura de 62 quilômetros, nem se deram conta da explosão.

Mas é evidente que estavam todos acordados: era grande a expectativa para a aterrissagem, distavam apenas 16 minutos da glória e do reconhecimento, imagine-se a ansiedade que tinham para pôr os pés em terra, rever seus familiares, receber os louvores dos seus chefes e até do presidente da República.

Já tinham cumprido 16 longos dias da missão. Faltavam apenas 16 minutos para ela ser concluída. Com certeza, estes cinco homens e duas mulheres não continham a emoção dos preparativos para a chegada, as últimas medidas de higiene para os homens, as de maquiagem para as mulheres.

Se já numa viagem de 16 dias que se faça à Europa ou aos Estados Unidos a ânsia de chegar é intensa, calculem ficar fora da Terra e do convívio humano normal por este tempo todo, encerrados dentro de um cubículo, com os movimentos tolhidos, sem diversidade de paisagens e de ambiente!

Se me obrigassem a ficar aqui nesta sala em que escrevo, de quatro metros de largura por sete de comprimento, durante 16 dias, certamente que eu chegaria à beira da loucura.

Eu sei que os astronautas se preparam para enfrentar esta asfixiante claustrofobia, com certeza já passaram diversas vezes por ela em testes aqui na Terra, mesmo assim as resistências corporais e espirituais humanas atingem numa viagem dessas o seu limite.

Eu imbecilmente me fixo no nervosismo de que estavam tomados pela expectativa da chegada.

Tudo tinha dado certo, o deleite de alma da missão cumprida, aliado à fascinante experiência, fazia dos sete astronautas da Columbia os homens mais felizes e realizados da Terra.

Faltavam-lhes só 16 minutos para gozar uma vida inteira restante de glória e de gozo da fama, orgulho indizível de serem criaturas ímpares entre a civilização.

Só 16 minutos os separavam da gratidão reverencial dos seus compatriotas, dos seus governantes, dos seus familiares, vizinhos e amigos.

Uma vida de deslumbramento, de Éden, os esperava dali a 16 minutos.

O coronel israelense Ilan Ramon e a indiana Kalpana Chawla estavam prestes a serem reconhecidos e homenageados como heróis em seus países, autores de façanhas incomparáveis entre os bilhões de judeus e indianos que já nasceram e morreram e fizeram a grandeza histórica desses dois povos milenares.

E de repente a Columbia explodiu em pedaços nos ares, os sete mártires não terão direito nem a sepultura.

Um agudo sentimento de desperdício e de compaixão se desprende da injustiça que emana dos destroços da Columbia, encontrados em diversos Estados norte-americanos.

A morte continua a ser um dos mistérios mais inextricáveis da existência, a mente humana jamais o pôde decifrar, quanto mais os desígnios de iniqüidade que marcam em grande parte das vezes o momento em que ela se desfecha.

Que mais nos resta senão nos apiedarmos destes trágicos astronautas? E talvez mentalmente nos solidarizarmos com seus familiares e patrícios, transmitindo-lhes o nosso agradecimento e orgulho por pertencermos a uma espécie que eles dignificaram com sua bravura e talento.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Planeta Atlântida

Evento começa na próxima sexta
Maior número de bandas nacionais é o destaque desta edição

Prepare-se! Falta menos de uma semana para começar a edição 2003 do Planeta Atlântida. A maior festa do Sul do país vai estar ainda melhor este ano, com a participação de mais artistas do circuito nacional, porém sem perder de vista os talentos locais. Vai ter som para todos os ouvidos. De pagode ao rock, passando por reggae, pop, hip-hop e MPB.

Este ano, quem for à sede campestre da Sociedade dos Amigos do Balneário de Atlântida (Saba) vai presenciar mudanças positivas no festival. O Planeta 2003 vai contar com dois palcos principais: o do "Fogo" e o da "Água". Isso não significa que quem estiver assistindo um grande show de um lado vá perder de ouvir outro ídolo. As apresentações não vão ocorrer ao mesmo tempo, aliás, a intenção de ter dois palcos no evento é justamente ganhar tempo. Com as duas áreas de show, a platéia vai ter que esperar menos entre um músico e outro, já que enquanto um toca no "Água", o outro já arruma os equipamentos no "Fogo".

Além de poder ver de pertinho os integrantes de Jota Quest, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, além de Zeca Pagodinho (foto) e do ministro Gilberto Gil, os planetários ainda vão poder curtir as atividades paralelas do festival. Tem som de DJs para quem gosta de dançar, shows de bandas promissoras no palco Orbeat, sem falar nos esportes radicais.

O clicNessa realiza cobertura ao vivo do Festival a partir das 19h de sexta. No site, notícias sobre os principais fatos do evento, além de chats que serão exibidos ao vivo nos flashes da TVCOM.

A edição 2003 do Planeta começa na próxima sexta, dia 7. Os ingressos custam R$ 25 para a sexta-feira e R$ 35 para o sábado. O passaporte que permite a entrada nos dois dias sai por R$ 55. Mais informações na página oficial do evento, a www.planetaatlantida.com.br.

Planeta Atlândida 2003
Fique por dentro
Sexta, dia 7

Palco Fogo
19h - Armandinho
21h10min - Cidade Negra
23h45min - Skank & Jota Quest
2h30min - Tequila Baby

Palco Água
19h55min - Engenheiros do Hawaii
22h25min - Charlie Brown Jr.
1h15min - Capital Inicial

Palco Orbeat
19h45min - Identidade Zero
21h15min - Rastaclone
22h45min - Planta e Raiz
0h15min - Reação em Cadeia
1h45min - Detonautas

Sábado, dia 8

Palco Fogo
18h30min - Chimarruts
20h30min - Papas da Língua
23h - Paralamas do Sucesso

Palco Água
19h25min - Maskavo
21h50min - Zeca Pagodinho
0h20min - Gilberto Gil
2h40min - CPM22

Palco Orbeat
19h - De Falla
21h - Iriê
23h - Da Guedes
1h - Cachorro Grande
3h - Canamaré
Saiba mais sobre a sétima edição do evento no site www.planetaatlantida.com.br




Não fique surpreso não, se você não abasteceu porque a gasolina já havia subido. Deveria tê-lo feito pois ela subiu outra vez. E assim as razões se sucedem. Primeiro porque diminiu o percentual de alcool sobre a gasolina; segundo porque subiu o alcool e a gasolina ainda continua com 20% dele. E assim nós vamos pagando, um pouco pelos usineiros, um pouco porque algum governo resolveu de subir o ICMS sobre os combustíveis, outro pouco porque o Busch estava de mau humor e assim meus queridos leitores, razões com certeza nunca faltarão para que nós continuemos pagando o pato. Dia sim e outro também.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 3 DE FEVEREIRO DE 2003


Álcool já está custando mais 10%
A alta aconteceu no último sábado e deverá ser repassada aos consumidores a partir desta segunda-feira

Na média, a correção por litro deverá alcançar R$ 0,16

Para surpresa do mercado de combustíveis, o preço do álcool foi reajustado em 10% no último sábado para os consumidores no Rio Grande do Sul, justamente no mesmo dia em que entrou em vigor um aumento de 5% nos preços da gasolina. O motivo desta última elevação foi o mesmo da primeira majoração do valor do álcool, de 10%, aplicada no dia 20 de janeiro: a entressafra. Mas o novo reajuste poderá provocar mais uma correção no preço da gasolina, que está atualmente com uma mistura de 20% de álcool. 'Se as distribuidoras não absorverem o impacto do álcool, a gasolina pode subir', registra o vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sulpetro/RS), Adão Oliveira da Silva.

Na média, o litro do álcool hidratado nas bombas deverá ser corrigido a partir de hoje em R$ 0,16. Esse acréscimo deverá elevar o valor do combustível para uma faixa entre R$ 1,78 a R$ 1,80, dependendo do preço e dos custos de cada posto de revenda. 'Não é mais negócio trabalhar com o álcool, pois a margem de lucro mínima, para empatar, é de R$ 0,15 por litro, contudo, a maioria dos postos está trabalhando com R$ 0,10', explica o vice-presidente do Sulpetro. A origem do problema, segundo ele, é a falta de álcool. O período atual é de entressafra, cujo término está previsto somente para o próximo mês de abril.

Essas remarcações do álcool, motivadas pelos usineiros estão tumultuando o abastecimento, lamenta Oliveira da Silva. A expectativa agora, segundo o dirigente, é com o índice de repasse das distribuidoras no álcool anidro, misturado à gasolina. Se até abril não for tomada nenhuma providência, a tendência será de agravamento da falta de álcool com preços mais altos, contaminando também os da gasolina, independentemente da conjuntura internacional de ameaça de guerra dos Estados Unidos contra o Iraque. 'Desta vez, a Petrobras não tem culpa.'



Clima
Rio Grande do Sul 39,6ºC



Para fugir da sensação térmica que se aproximou dos 40º C, os gaúchos lotaram o litoral do Estado no fim de semana. Assim como em Imbé, na maioria das praias os veranistas precisaram disputar um lugar para o guarda-sol na beira do mar (foto Robinson Estrásulas/ZH)




Como me dei o domingo e fui para a praia, e até consegui fazer os 10 Km horários que todos os Portoalegrenses fazem toda a semana, levando 2 horas para sair de IMBË até a Free way, fiquei devendo aqui as charges do domingo, que prometo ao longo da semana ir atualizando. Um abraço ao Dr Claudio Mattos pelo aniver no dia da N.Sa de Navegantes. Boa semana a nós todos.

Martha Medeiros
02/02/2003


O amigo de infância
Cláudia Laitano (Interino)

Encontrar um amigo de infância é como atravessar um portal do tempo. Num minuto você é um adulto que paga previdência privada e usa ácido glicólico, no outro é um moleque vendo O Urso do Cabelo Duro e comendo bolacha-maria com mumu. Você estende a mão com aliança para cumprimentar, mas o que sai do outro lado do portal é um dedinho com um anel mágico que faz "Shazam!". Tece comentários sensatos sobre o que anda fazendo hoje em dia, mas por dentro mal consegue se recuperar da vertigem que sente ao ser empurrado ladeira abaixo da memória. Rever alguém que nos conheceu quando usávamos conga azul-marinho provoca essa curiosa enrascada existencial.

De um lado, uma testemunha do nosso passado - alguém que pode muito bem lembrar que você queria estudar astronomia e cantar no Globo de Ouro e casar com um sujeito igualzinho ao Erik Estrada. Do outro, o resultado das escolhas que você fez quando quase todas as escolhas eram possíveis. Os americanos colocam isso da maneira mais clara e cruel possível: ou você é um "winner" (ganhador) ou é um "loser" (perdedor). Não tem zero a zero e bola ao centro - embora na vida real essa pausa para redefinir a estratégia do jogo seja muito mais freqüente do que os momentos em que se sobe ao pódio ou se abandona o campo.

Nessa aquarela sem meios-tons, nada é mais "loser" do que ser um "winner" que se deu mal, nada é mais "winner" do que superar todas as expectativas. Por isso a perspectiva da testemunha é tão decisiva. A conversa pode ser sobre filhos, férias na Bahia ou o preço da gasolina, mas o subtexto nesse portal do tempo é sempre um jogo de comparações, da gente com a gente mesmo, da gente com o outro.

Quem fez mais sucesso? Quem ganhou mais dinheiro? Quem amou mais? Quem se divertiu mais? Quem envelheceu melhor? Não que a gente queira o amigo fracassado, enrugado ou chorando um amor perdido. Normalmente basta nos sentirmos um tiquinho em vantagem para que a jovial cordialidade do sorriso oferecido ao amigo de infância seja ainda mais sincera. Mas mesmo que a nossa pele seja de pêssego, e a nossa família seja de propaganda de margarina, e a gente tenha lido todo o Balzac e contribua com alguma ONG bacana para melhorar a vida no planeta, ninguém sai assobiando de um encontro repentino com o próprio passado.

Congelada na memória do nosso amigo de infância, a criança que nós fomos nos abana confiante lá de longe. É dela talvez aquela voz que de vez em quando a gente ouve e não sabe bem de onde vem: "Olha bem, hein, vê lá o que você anda fazendo com a gente".

A cronista Martha Medeiros está de férias durante o mês de fevereiro
martha.medeiros@zerohora.com.br


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