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Voces encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Comentários de Livros, revistas e de jornais que já li e que por julgá-los interessantes postarei aqui, espero, todos os dias para que você sempre tenha algo que lhe facilite no seu dia a dia ou nas suas atividades. Se ele cumprir parte desses objetivos, estarei feliz por ter podido repartir essas conquistas.
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Sábado, Fevereiro 22, 2003
Posted
11:40 PM
by Cassiano Leonel Drum
Em que cama você acorda?
Pesquisadores descobrem uma fase do sono só para lembrar onde você adormeceu
21/02/03
Quarto de Van Gogh em Arles, tela pintada em 1889 pelo holandês
Antes mesmo de abrir os olhos, você já reconhece o lugar: é a sua cama, no seu quarto, na sua casa. Mesmo se a cama for estranha, ou se você tiver adormecido nos pés dela, o mais provável é que você não se espante ao acordar: seu cérebro sabe onde você dormiu. E não estamos falando apenas de uma questão de hábito, de dormir sempre no mesmo lugar -- embora mamíferos, como nós, tendam a voltar sempre ao mesmo canto da toca para dormir. Pelo contrário: o truque também funciona para quem vive pulando de cama em cama, viajando a trabalho ou movido a festas, badalações e outros prazeres. O cérebro, antes de dormir, 'toma nota' do local em que vai adormecer, e revê o recado várias vezes ao longo da noite. Como? Ativando especificamente os neurônios do hipocampo que representam a localização da cama da vez.
A 'revisão' da localização da cama acontece durante um recém-descoberto terceiro tipo de sono, que sucede quase todo período do já conhecido sono REM (com sonhos) ou se intromete no sono não-REM (sem sonhos). A descoberta, publicada em 2002 no Journal of Neuroscience, é dos pesquisadores Beata Jarosiewicz, Bruce McNaughton e William Skaggs, da Universidade do Arizona (EUA). Os dois últimos já estudam há algum tempo o comportamento do hipocampo durante o sono. Essa estrutura é responsável tanto pela formação de novas memórias quanto pela navegação espacial -- ou seja, saber onde você se encontra e como chegar ao local desejado.
Em um estudo de 1998, Skaggs e McNaughton haviam determinado que, enquanto no sono não-REM a maioria dos neurônios no hipocampo do rato é ativada, ainda que de forma desorganizada, durante o sono REM permanece em ação somente um grupo seleto de neurônios -- aqueles que representam os locais explorados no dia. É como se o cérebro ao sonhar revisse uma fita com os acontecimentos do dia -- um Vale a pena ver de novo neuronal.
Às duas fases principais do sono conhecidas junta-se agora uma terceira, durante a qual a grande maioria dos neurônios do hipocampo ficam silenciosos, e apenas uns três de cada cem permanecem ativos. O que esses poucos neurônios têm de especial? A resposta veio com o trabalho de doutorado de Beata Jarosiewicz, que registrou a atividade de algumas dezenas de neurônios no hipocampo de ratinhos que exploravam seu ambiente no laboratório e depois adormeciam à vontade onde quisessem. Os neurônios ativados durante a nova fase do sono representam o local exato no ninho em que o ratinho adormeceu.
Como é possível dizer isso? Fácil: existem neurônios no hipocampo que entram em ação somente em certos locais do ambiente, e sinalizam a posição do animal como aquela flecha vermelha nos mapas que indica 'Você Está Aqui'. No caso da terceira fase do sono, os neurônios ativados são os mesmos que entraram em ação antes enquanto o ratinho, ao explorar o ambiente, por acaso passava pelo local onde mais tarde ele adormeceria.
Ao longo de uma noite de sono, a nova fase ocorre várias vezes, e em todas os mesmos poucos neurônios são ativados: sempre aqueles que representam o local onde o animal ainda dorme. E mais: se durante a noite o ratinho acordar e mudar de posição, os neurônios ativados nas próximas vezes serão aqueles que representam a localização da nova cama, e não mais a anterior, do começo da noite!
Além de ocorrer várias vezes durante a noite, tanto em sono não-REM quanto logo após os episódios de sono REM, a nova fase também acontece invariavelmente no momento em que o animal desperta naturalmente de um sonho. Como também nós costumamos acordar naturalmente de um episódio de sonhos, a recapitulação do lugar em que adormecemos é pelo jeito a última coisa que o cérebro faz antes de acordar. Donde a sensação, na maioria das vezes, de saber onde estamos antes mesmo de abrir os olhos.
Só faltou fazer um experimento: transferir os ratinhos no meio da noite, sem acordá-los, para outro lugar no ninho. Em teoria, não há como o hipocampo adormecido registrar a mudança de local, e portanto os mesmos neurônios devem continuar sinalizando a cama original durante a noite. Jarosiewicz já pôs mãos à obra: ela fez os animais adormecerem sobre uma grande plataforma giratória e já tem os primeiros resultados.
Ainda são preliminares, com poucos animais, mas o veredicto já se anuncia: os mesmos neurônios se mantêm ativos a noite inteira, mesmo com a rotação lenta da plataforma, e se 'lembram' do lugar onde o animal adormeceu originalmente. O ratinho acorda do outro lado do 'quarto' e, segundo William Skaggs contou por e-mail ao Cérebro Nosso, parece bastante surpreso -- como se estranhasse a nova cama e achasse que não era bem ali que ele deveria estar...
O que não é, de fato, nenhuma surpresa. Afinal, essa é a apenas a versão científica de um experimento feito todas as noites em vários lares, e cuja resposta pais e filhos já conhecem há gerações: a última coisa que as crianças esperam, ao adormecer na cama dos pais, é acordar de manhã em seu próprio quarto. Isto é, se a criança não acordar e seu hipocampo não flagrar a tentativa de mudança de cama. É reclamação na certa...
Suzana Herculano-Houzel
O Cérebro Nosso de Cada Dia
Posted
7:37 PM
by Cassiano Leonel Drum
Nada mais justo e esperado que isso ocorresse. Se todos os vôos estão com 40% ou 50% de assentos vazios, porque não reduzir-se o número economizando em combustível, tripulação e taxas nos aeroportos. Não precisa nem ser aluno do SEBRAE para saber que o caminho é esse. Bom domingo para todos nós
Empresas
Varig e TAM vão reduzir número de vôos
Varig e TAM devem anunciar, nesta segunda-feira um corte de até 40% na oferta de assentos para vôos domésticos. As companhias começam a operar vôos juntas logo após o Carnaval, provavelmente no dia 10 de março, após a conclusão dos estudos de unificação das rotas.
Será a primeira medida tomada pelas duas maiores companhias do setor no país desde o anúncio da intenção de unir suas operações, feito no último dia 6. A redução dos vôos deve atingir principalmente as operações nos aeroportos de Congonhas (SP), Santos Dumont (RJ), Pampulha (MG), Brasília(DF) e Curitiba (PR).
Posted
7:27 PM
by Cassiano Leonel Drum
Meu nobre cronista, esqueceste de um detalhe. O de que se o Govêrno é o principal dono da Petrobrás como é o principal dono do Banco do Brasil e como é o único dono da CAIXA, então estas empresas tem de mostrar eficiência e como fazer para transformar isto em números? Aumentando os preços dos combustíveis, as taxas de juros e diminuindo os custos, como salários e outros insumos fixos. Quanto a população do País, seu bem estar, seu desenvolvimento... Há bom... ai é outra conversa.
Paulo Sant'ana
23/02/2003
Afinal, quem é que manda?
Abri os jornais de sexta-feira e quase não acreditei no que li, vindo dos lábios do presidente da República: "Dolarizaram o Brasil. Álcool, gasolina e aço aumentam por causa do dólar. Como explicar o recente aumento de 47% do preço do aço? O poder político foi terceirizado. As agências reguladoras aumentam a gasolina, a luz, o álcool, e o presidente fica sabendo no dia seguinte pelos jornais, não tenho controle sobre essas agências. Criaram um poder paralelo. Preciso da ajuda de vocês (parlamentares) para interferir nessa estrutura".
Não fosse por um detalhe apenas, este colunista assinaria embaixo do que o presidente Lula disse.
É que são tão insuportáveis e injustos estes reajustes nas tarifas que ficamos depressa imaginando o que pensa e faz o presidente Lula a respeito disso.
E agora ficamos sabendo pelo próprio Lula que ele está profundamente preocupado com essa alta selvagem dos preços nas tarifas dos telefones, da energia elétrica, da água, do gás de cozinha, da gasolina etc.
E quer, como disse, acabar com esse "poder paralelo" das agências reguladoras de preços das tarifas.
Na verdade, se o presidente da República ou os governadores e prefeitos não têm poder para determinar os preços da energia elétrica, da água e do telefone, estará decretado que não vivemos numa democracia, porque todos os agentes que determinam esses preços terão de guardar uma relação com o voto, em suma, com a vontade popular.
Um presidente da República, um governador ou um prefeito, o povo pode derrubar pelo voto. Os integrantes dessas agências reguladoras de preços não podem ser derrubados pelo voto, nada têm a ver com uma eleição.
E o que o povo não pode eleger ou derrubar pelo voto não pode ser atuante na decisão de importantes medidas da ordem social e política, no caso o preço das tarifas.
Nisso de mudar essa sinistra equação, o Lula tem razão e teria o meu apoio, creio que de todo o povo brasileiro.
Mas acontece que há um pecado fundamental na fala de Lula. Ele incluiu entre as tarifas que têm seu preço aumentado em excesso a gasolina.
E, como se sabe, a gasolina, o diesel, o gás de cozinha são produzidos pela Petrobras, empresa que é controlada pelo governo, em face de a maioria das ações serem estatais.
Quem planeja, controla e fixa o preço dos combustíveis, pois, é o governo. E não se tem notícia, até mesmo isso se nota na fala de Lula, de que seu governo não irá permitir as contínuas altas nos preços dos combustíveis, até mesmo porque a gasolina já viu aumentado seu preço no governo Lula, em face do aumento no preço do álcool, também fixado pela Petrobras.
A fala de Lula nos transmite a idéia de que só o governo pode impor preços injustos e excessivos, as agências não.
E de que a alta dos combustíveis (preços cobrados pelo governo) é devida à oscilação do dólar.
Pergunta-se então: mas as outras tarifas (água, luz, telefone) não dependem da oscilação do dólar? Dependem. E só porque seus preços não são fixados pelo governo federal Lula os acha excessivos?
Insisto: e os combustíveis? Por que Lula não baixa os seus preços, se é dele o poder de fazê-lo? Eu sei, não baixa por causa da alta do dólar, ou seja, o governo se submete ao mercado.
Mas se quem manda nos preços, isto é, em tudo, são as agências reguladoras e o mercado, em que manda o governo? A resposta terrível é: em nada.
Porque esse quadro, contra o qual o Lula já se revolta, nos mostra que na verdade não é um presidente da República que elegemos há pouco tempo e nas últimas eleições.
Elegemos um prefeitão, que não tem poder para decidir nada importante, só assuntos comezinhos.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Posted
7:13 PM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
23/02/2003
Batalha final: o intervalo
Foto(s): Reprodução/ZH>
A Batalha Final não será travada entre anjos e demônios, ou entre Bush e Saddam Hussein, ou entre o PT Light e os Radicais Livres. A Batalha Final, ao menos no Rio Grande do Sul, será travada entre os adeptos da praia e os inimigos desta. É um conflito antigo e quase chegou a se institucionalizar, quando foi criada a Sapa, Sociedade dos Amigos de Porto Alegre, formada por urbanóides que cantavam as glórias da Capital no verão: tráfego livre, restaurantes vazios, ruas silenciosas. Os veranistas poderiam mobilizar a SACC, Sociedade dos Amigos de Capão da Canoa, e outras similares, mas nunca o fizeram, provavelmente por desdém ao adversário.
Mas desdenhar não significa ignorar. Um dos exercícios prediletos dos gaúchos no verão, e que na verdade já se constitui em escaramuça preliminar à Batalha Final, é lamentar, cinicamente, a sorte dos que estão lá. "Lá" pode ser a cidade, para os veranistas, ou o litoral, para os que não gostam da praia. Este exercício assume várias modalidades. Vamos supor, por exemplo, que ocorra uma onda de calor, daquelas capazes de fazer suar o próprio demônio. Os que estão na praia manterão um diálogo mais ou menos assim:
- O pessoal lá deve estar torrando...
- Nem fala. Dizem que ontem os termômetros estavam marcando mais de quarenta... Já imaginou o asfalto derretendo?
Os citadinos que sobreviveram à canícula vão contra-atacar. O Atlântico, por exemplo, paga o pato:
- Não sei que graça o pessoal acha naquele mar: marrom, frio... Se ainda fosse o Caribe, aquela água azul, morna...
- E o vento? Quem é que agüenta o nordestão?
Pois é. Ninguém agüenta o nordestão, nem o congestionamento nas estradas, nem os carros que circulam no centro de Atlântida ou Capão da Canoa com os alto-falantes a todo o volume. Enfim, a julgar por estes diálogos, sofre quem está na praia e sofre quem está na cidade - mas quem está na praia encontra consolo no sofrimento dos que estão na cidade, e vice-versa (vice-versa, mesmo: às vezes o pessoal da cidade acaba indo para a praia e aí muda completamente o discurso; aquela coisa de passar de oposição a governo).
Agora, o veraneio está chegando ao fim e todo mundo passa a partilhar um destino comum. Mas isto não significa que a Batalha Final foi evitada. Ela foi apenas adiada. No ano que vem os preparativos continuam.
Diário de Bordo
Nomes - Inesgotável, a lista dos nomes que condicionam destino. O Antônio Augusto lembra o nome do Corregedor da Receita Federal (que aliás faz um grande trabalho), o Moacir Leão. De fato, o Leão da receita está bem representado. E, em nome da tribo Moacir (os com i e os com y), agradeço, Antônio Augusto. - E falando em juristas, o Mauro Duarte lembra que há um defensor público chamado Líbero Ateniense. Eloqüente esta, hein, Mauro?
Nada como um Líbero para defender a liberdade, e nada como um Ateniense para lembrar que Atenas foi cidade-mãe da democracia. - O Mauro Duarte também lembra o nome do ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia. Espero que ele guie os turistas nos mares e nas terras, Mauro. - E o Milton Jung, a voz ancestral do rádio gaúcho, comparece com o nome de um jogador de futebol: Rubian Grande Craque. Quem é esse jogador, Milton? No Cruzeiro garanto que não jogou.
Livros - Começam os lançamentos de 2003. Em primeiro lugar, claro, temos A Duquesa Voadora (RBS) em que Celia Ribeiro conta tudo sobre viagens. Um consolo para quem está voltando, sugestões para quem está planejando viajar. Mais duas boas dicas: Ou César ou Nada (Ediouro), do espanhol Manuel Vázquez Montalbán, uma sátira histórica sobre o famoso clã dos Bórgias; e O Pianista (Record) de Waldyslaw Szpilman, autobiografia de um famoso sobrevivente do gueto de Varsóvia, e que deu origem ao premiado filme de Roman Polanski.
Monterroso - Falando em livros, o guatemalteco Augusto Monterroso, que faleceu na semana passada aos 81 anos, era um grande escritor, excelente pessoa (conheci-o há uns anos, no México) e o autor do menor miniconto do mundo, resumido a apenas uma frase: "Quando despertou, o dinossauro ainda estava ali." Bota síntese nisso.
Picasso - Para quem ainda não viu: não percam - vou repetir: não percam - a exposição das gravuras de Picasso no Santander Cultural. É uma das melhores mostras que já passaram por Porto Alegre. E, se estiver passando o documentário sobre o cartunista underground Robert Crumb no cinema do Santander, não percam também. É uma dilacerante análise da relação entre arte e doença mental.
scliar@zerohora.com.br
Posted
7:04 PM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
23/02/2003
O fofocômetro
Cláudia Laitano (interina)
Nada como uma boa fofoca para desenhar o mapa da moralidade pública. Funciona assim: pega-se uma notícia potencialmente picante e mede-se o índice de indignação geral da nação - se há indignação geral da nação. O método, vamos chamá-lo de "fofocômetro", funciona especialmente bem na pausa para o cafezinho, no bar do escritório. Preste atenção na opinião daquela secretária do quarto andar de quem você não sabe nem o nome. Um rápido comentário dela pode conter mais sabedoria antropológica do que uma tese acadêmica.
Digamos que se escolha a Xuxa para testar o método. O Brasil está cheio de mães solteiras - ricas e pobres, famosas e anônimas - mas alguém imaginaria que a opinião pública veria com tanta tranqüilidade o fato de a apresentadora infantil mais famosa do país ter decidido ter um filho fora do casamento? Eu, confesso, fiquei surpresa. Xuxa sequer se deu ao trabalho de simular um namoro convincente. Sasha nem tinha nascido e estava claro que papai e mamãe não iriam brincar de casinha. Estranhou-se bem mais, alguns anos antes, o fato de uma modelo loira e famosa ter se apaixonado por um homem atraente, rico, famoso - e negro.
Pronto, ficamos sabendo que hoje é OK ter filhos fora do casamento, mas que relacionamentos inter-raciais ainda provocam um certo estranhamento. Não é bacana o fofocômetro? Agora vamos pegar a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Casada, mãe de três filhos, bem-sucedida, Marta apaixonou-se por outro homem, o bonitão Luis Favre. Políticos - e empresários e cantores sertanejos e até o caixa do meu banco - trocam suas esposas por outras o tempo todo, mas quando uma mulher poderosa faz isso dispara imediatamente o ponteiro do fofocômetro. Como assim jogar fora um casamento estável daqueles? Como assim se apaixonar depois dos 50? Como assim um argentino?
Senhores costumam apreciar moças mais jovens - os americanos têm uma expressão fantástica pra isso, "trophy wife", esposa troféu, o prêmio por chegar-se à idade madura rico e poderoso é ter o privilégio de renovar a frota doméstica -, mas a Marília Gabriela namorar o Reynaldo Giannechini é considerado muito esquisito, mais ainda depois que ele ficou famoso. São coisas que o fofocômetro nos revela a respeito do nosso país, em que nenhum ator da Globo é gay, mas é totalmente aceito que uma cantora de MPB seja lésbica.
Tudo isso, claro, nos faz chegar ao episódio da escuta telefônica de ACM. Numa história tão cheia de lances sensacionais - arapongagem, ciúme patológico, curralismo político - chama a atenção como nas primeiras reportagens sobre o assunto sequer era mencionada a dona Arlete, mãe dos quatro filhos de Antonio Carlos Magalhães, casada com ele há mais de 50 anos. Adriana, a moça com quem o senador teria se relacionado por 10 anos, é chamada o tempo todo de "namorada", o que nos revela que foi abolida a expressão "amante" do léxico nacional.
A ser verdade tudo o que se disse sobre o namoro, abolidas foram também todas as pequenas gentilezas historicamente dirigidas às esposas legítimas pelos maridos infiéis. A instituição do casamento sai desse episódio tão anacrônica e desvalorizada como uma nota de 10 cruzeiros.
Qual a moral disso tudo? Não sei. Espera um pouquinho que eu vou ali no bar ver o que o pessoal está comentando.
martha.medeiros@zerohora.com.br
Posted
6:59 PM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
23/02/2003
Coisas que não existem mais
Cigarreira, por exemplo. Não existe mais. Nunca fumei, mas lembro que acompanhava, fascinado, o ritual dos fumantes que traziam seus cigarros naqueles estojos de metal, dourados ou prateados. Só havia cigarreiras para homens. Mulher fumando era uma raridade, e fumando em público um escândalo, mas mesmo que fumassem como homens as cigarreiras não eram para elas. Eram coisas sólidas, másculas, coisas para trazer no bolso interno do paletó, como uma arma ou um documento importante, inimagináveis entre as frivolidades de uma bolsa feminina.
Oferecer o cigarro de uma cigarreira a uma mulher era um ato, ao mesmo tempo, de compreensão (não a condeno por fumar, mas entendo que você não pode andar com cigarros na bolsa), de sedução (sim, sou um homem de cigarreira, e você sabe o que isso significa) e de cumplicidade (estou lhe abrindo um dos meus recessos, você está se servindo da minha intimidade, talvez até lendo a inscrição no interior, mas é só um vislumbre, o máximo permitido a alguém do seu gênero).
E depois da cigarreira fechada com um estalo, o isqueiro tirado de outro bolso e oferecido aceso, numa rápida coreografia solícita, pois um homem de cigarreira geralmente também era um homem de isqueiro infalível. Parte do ritual era bater com a ponta do cigarro na superfície da cigarreira. Para o fumo baixar e encher a extremidade do cigarro, que sempre ficava meio vazia, era isso? Por alguma razão, sempre achei o gesto de bater com a ponta do cigarro o gesto definidor de gente grande. Você seria adulto quando batesse com a ponta de um cigarro ante de levá-lo a boca, e se batesse o cigarro na tampa de uma cigarreira prateada ou dourada, seria um adulto especial.
Eu treinava para esse dia batendo com a ponta de cigarros de chocolate. Lembra cigarro de chocolate? Mas nunca fiz a transição do chocolate para o fumo. Talvez já prevendo que os cigarros me fariam mal (naquele tempo ninguém ainda concluíra que sugar fumaça não podia fazer bem), talvez porque não tivesse muito entusiasmo em ser adulto.
Rede de cabelo para homem. Também não existe mais. Usavam para dormir e para jogar futebol. Você vê as fotografias de times de futebol daquele tempo e sempre tem uns três ou quatro com uma rede - ou meia - na cabeça, para manter os cabelos no lugar. Que tempo era esse? Acho que até o fim dos anos 50 homem ainda usava rede na cama e no campo. Hoje, no campo se não na cama, a cabeça raspada substituiu a rede e a escolha é entre cabelos esvoaçantes ou cabelo nenhum. Não há qualquer relação conhecida entre o uso da rede de cabelo e o tipo de futebol que se jogava então e não se joga mais. E que fim levou chapéu de mulher com véu? Se ainda existe eu não tenho visto.
Os chapéus vinham com véus que cobriam o rosto da mulher. A cobertura era apenas simbólica, pois os véus eram diáfanos e o rosto da mulher ficava reconhecível, mas o que simbolizava a falsa máscara? Talvez a moda viesse do fim da era vitoriana e fosse uma espécie de antídoto para o inevitável relaxamento de costumes que já começara: a mulher estava a meio caminho entre repressão e a liberação mas ainda obrigada a simular recato, e a não ser identificada na rua. No véu estava implícito o anonimato, e a distância.
Atrás do seu véu a mulher continuava sendo um ser enclausurado, olhando o mundo - simbolicamente - através de treliças conventuais, não importa o que estivesse fazendo por baixo da mesa. Já que para proteger do sol é que não era. Naquele tempo levantar o véu de uma mulher para beijá-la equivaleria a um descerramento, a uma cortina de primeiro ato, mesmo que ela estivesse vestindo só o chapéu. Os véus davam um ar de mistério lúbrico às mulheres. O que jamais se poderia dizer das redes de cabelo para homens.
E mata-borrão? Já devemos estar na segunda geração humana que não sabe o que é mata-borrão. Que nunca viu um mata-borrão, salvo em filme de época. Como explicar o prático objeto em forma de semicírculo com uma maçaneta em cima se, além de tudo, ele tinha um nome errado, um nome que desvirtuava sua função? Em vez de matar, o mata-borrão previnia o borrão, era um evita-borrão, portanto um difamado pelo próprio nome. A pronta aplicação da superfície porosa do papel do mata-borrão que absorvia o excesso de tinta molhada impedia que a tinta se espalhasse, ou fosse acidentalmente borrada e... Enfim, é um pouco difícil de explicar para quem não sabe nem o que é tinta molhada.
Não existem mais cigarreiras ou cigarros de chocolate, nem jogadores de futebol com rede de cabelo ou mulheres com véus e os mata-borrões não encontraram outra função no mundo - ao contrário, por exemplo, dos tinteiros, que dão bons vazinhos, ou dos dinossauros, que foram para o cinema - e o tempo continua fazendo das suas, passando desse jeito. Agora só falta eu ficar adulto de repente
Posted
6:56 PM
by Cassiano Leonel Drum
Isso sim é terrível, quando quem deveria proteger e instruir é o primeiro a barbarizar e vilipendiar. E quantos passam impunes por esta vida... lamentavelmente.
Crime
Inocência ameaçada
A cada oito horas, uma criança é vítima de ataque com fins sexuais no Estado, boa parte deles ocorrida em ambiente familiar (foto Ronaldo Bernardi/ZH)
Posted
4:05 PM
by Cassiano Leonel Drum
Cinco estrelas
Imperdível a seleção de filmes inéditos na telinha da Rede Telecine, na Sessão Preview, que vão ao ar em março: Onde Mora o Coração, com Ashley Judd e Sally Field; Atrás das Linhas Inimigas, com Owen Wilson e Gene Hackman; O Amor é Cego, com Gwyneth Paltrow e Jack Black; Pecado Original, com Antonio Banderas (foto) e Angelina Jolie, e A.I. - Inteligência Artificial, com Joel Osment e Jude Law.
Posted
3:58 PM
by Cassiano Leonel Drum
Comissão de frente
A atriz Roberta Rodrigues mostra com quantos tops se faz um carnaval
Márcia Disitzer
Esse ano não vai ser igual àquele que passou. Vai ser muito melhor. Afinal de contas, os blocos e escolas de samba da cidade ganharam a presença cheia de gingado e energia da atriz Roberta Rodrigues. A musa do filme Cidade de Deus tem roubado a cena e esbanjado charme nos ensaios do Monobloco e planeja sair na Grande Rio e no Salgueiro. Amo Carnaval. Se pudesse, desfilaria em todas as escolas. A batida do samba me deixa superempolgada, diz Roberta. E é nas quadras que Roberta tem experimentado o gostinho da fama e do assédio masculino.
Os meninos vêm elogiar minha atuação em Cidade de Deus e aproveitam para soltar piadinhas, falam que são os homens perfeitos para mim, diverte-se a moça, que está namorando há três meses e apaixonada. Ele trabalha em cinema, atrás das câmeras. Prefiro não dizer quem é, emenda a atriz, que se prepara para fazer sua primeira novela. Serei a empregada Zilda em Mulheres Apaixonadas, conta.
Para cair no samba, Roberta elege sua peça preferida: Sou fissurada em tops. Ando com top e jeans o ano inteiro. Tem tudo a ver com o Carnaval do Rio. Falou e disse.
Posted
10:21 AM
by Cassiano Leonel Drum
Todos os fins de semana voces encontram aqui as capas e algumas reportagens das revistas semanais Veja e Isto É. O site da Isto É é aberto mas a Veja de vez em quando põe matéria em área restrita aos assinantes. A reportagem abaixo bem como outras interessantes voces poderão ler no site da própria revista, cujo link está aí na própria.
Obrigado por nada
Das três protagonistas de As Horas, a homenageada Virginia Woolf é de longe a menos interessante
Nicole, como Virginia: à frente no páreo do Oscar por um nariz
Até publicar Mrs. Dalloway, em 1925, a inglesa Virginia Woolf não era uma escritora convicta de seu talento. Esse seu quarto romance, contudo, deu a ela a certeza de algo ainda maior seu poder renovador dentro da literatura. O livro acompanha um dia na vida de Clarissa Dalloway, socialite londrina de meia-idade que organiza uma festa para aquela noite, tira uma soneca à tarde e relembra escolhas amorosas do passado, perguntando-se se elas foram certas. O trivial, dizia Virginia com seu livro, é tão ou mais potente na vida de uma pessoa do que o trágico ou o heróico. É ele, na verdade, que nos constitui. Mrs. Dalloway tem gerações de admiradores entre eles, o escritor americano Michael Cunningham, que em 1999 foi premiado com o Pulitzer por uma variação em torno desse tema. As Horas (o título que Virginia escolhera inicialmente para seu livro) observa um dia na vida de três protagonistas diferentes.
Uma delas é a própria Virginia Woolf, que, em 1923, começa a escrever Mrs. Dalloway durante um odioso exílio no campo, com o qual seu marido espera recuperá-la de uma depressão. A outra é Laura Brown, uma dona-de-casa americana do início dos anos 50. Grávida do segundo filho e apaixonada por uma vizinha, Laura encontra em Mrs. Dalloway um eco de sua própria vacuidade, e contempla o suicídio (pelo qual a própria escritora optou em 1941, aos 59 anos).
A última é a agente literária Clarissa Vaughan, uma Mrs. Dalloway moderna, que em 2001 se esconde de seu desespero preparando uma festa para um ex-amante, que está morrendo de Aids. Um assunto tão literário e introspectivo não parece ser a matéria-prima ideal para uma superprodução com elenco estelar e indicações para o Oscar às pencas. Mas é isso que o diretor Stephen Daldry (de Billy Elliot) conseguiu com sua adaptação de As Horas (The Hours, Estados Unidos, 2002), que estréia nesta sexta-feira no país.
Quanto à outra pretensão do inglês Daldry a de fazer um filme "relevante", o sucesso é apenas parcial. Julianne Moore e Meryl Streep, como, respectivamente, Laura e Clarissa, estão num de seus melhores momentos. O que, em se tratando delas, não é pouco. Quando elas entram em cena, o tema maior do filme, o do poder que a arte tem de sobreviver e transformar, ganha sangue e músculos. Já quando é Nicole Kidman que aparece como Virginia Woolf, é preciso se contentar com um esqueleto e alguma cartilagem essa na forma da já famosa prótese nasal com que se procurou imitar o perfil aquilino (e muito celebrado à sua época) da escritora.
Nicole fala com voz grave, arrasta o passo e nitidamente se empenha para entrar na pele de Virginia. Mas esse esforço e a visão simplista de Daldry sobre a personagem, que ele reduz a uma neurótica cheia de literatices drenou da atuação toda a energia. Ainda que a Academia adore esse tipo de truque, pelo que Nicole desponta como favorita ao Oscar, não pode ser dessa mulher que as outras duas tiram tanta inspiração. Num filme que quer ser um tributo à coragem de Virginia, esse não é um defeito pequeno.
Posted
9:56 AM
by Cassiano Leonel Drum
Esta é parte da reportagem da Revista Veja deste fim de semana, cuja capa está ai acima para voces verificarem.
Eles têm a força
Criança, não senhor pré-adolescente.
A meninada de 8 a 12 anos vive e
consome feito gente grande. E ainda
ensina os pais a lidar com o computador
Ariel Kostman
Pedro Rubens
A turminha poderosa ouvida por VEJA: Stella Lourenço, Stephanie Lourenço, Mayara de Aguiar, Jessika Mussato, Aline Daguano, Aline Bayon, Kaique de Lima e Fernando Caetano (na frente); Gabrielle Inácio, Larissa de Moura, Júlia Machado, Valéria Mendonça, Marcos Gomes e Tiago da Cruz (segunda fila); Javier Marrero, Morgana Freitas e Joseph Kalim (terceira fila); Allan Chagas, George Lourenço, Gabriela Busnelo, Patrícia Helou e Julieth Venegas (atrás)
Marina acessa a internet diariamente. Lê os e-mails enviados pelas amigas e entra em salas de bate-papo. Martim gosta de assistir aos clipes da MTV. Ambos adoram marcas e novidades tecnológicas. Martim e Marina foram namorados durante cinco meses, mas terminaram. Seria apenas mais uma história comum de adolescentes, não fosse pela idade dos personagens. Martim tem 11 anos. Marina, 10. Os dois são típicos representantes de uma nova e poderosa congregação: os tweens, abreviação da palavra between (entre, em inglês) e trocadilho com teens (adolescentes).
Deparamos aqui com um fenômeno de força e amplitude ainda pouco analisadas, de um tipo que não se via desde a "invenção" dos adolescentes, na década de 50. Naquela época, empurrada pelo rock e pelos filmes de Hollywood, a garotada do ginásio e do colegial começou a assumir um inédito controle de sua vida e de suas atitudes ¿ e, claro, se rebelar. Resultado: o mercado acordou para um contingente inexplorado de consumidores, a sociedade precisou se reacomodar diante de uma nova realidade e os pais, inicialmente pasmos, tiveram de mudar. Algo semelhante acontece agora, com menos traumas, em relação aos tweens. Os mais novos têm 8, 9 anos; os mais velhos, 12 ou 13. Até recentemente, pertenciam ao vasto e indiferenciado mundo das crianças. Agora, essa turminha ultrajovem tem voz ativa em casa, sabe muito bem o que quer, namora, sai com os amigos e consome como gente grande. E, claro, se rebela contra pais controladores.
Devido à contração da unidade familiar, muitas vezes são filhos únicos, ou no máximo dividem o trono com um irmão. Mimados e paparicados, são o equivalente ocidental dos pequenos imperadores, como os chineses chamam os frutos da política oficial de um só filho. Quem tem um desses em casa já sabe: eles mandam e desmandam como gente grande.
Marcelo Keller, 12: celular da moda e quarto equipado com os eletrônicos "essenciais"
A mãe de Marina, Maria Cecília Camargo Victolo, terapeuta em São Paulo, acha que a filha é bem mais madura do que ela era aos 10 anos. Em todos os sentidos. "Meu mundo era bem menor. Marina já viajou duas vezes para o exterior, tem muito mais conhecimentos e informações do que eu tinha", diz. "E mexe muito melhor do que eu no computador. Muitas vezes, ela é que me ensina o que fazer." Nascidos e criados com a internet já como um mero fato da vida, os tweens costumam ter maior facilidade para lidar com informática do que os adultos ¿ uma fonte inesgotável de espanto, admiração e orgulho para a maioria dos pais. De tão informatizados, põem o computador em posição mais importante, na ordem das prioridades, do que a televisão.
Faz sentido: vieram justamente da internet, dos bate-papos e dos games, mais do que de qualquer outra fonte, a informação e a desenvoltura que puseram essa turminha na porta do mundo dos adultos. Mais decididos e mais independentes, os tweens de classe média, em conseqüência, adquiriram um alto poder de compra. Nunca garotos e garotas de 10 anos tiveram tanto dinheiro nas mãos e tamanha autonomia para decidir o que fazer com ele. Os meninos gastam com cinema, CDs, cartuchos de videogame e ingressos para jogos de futebol. As garotas compram roupas, cosméticos, perfumes, bijuterias e, também elas, CDs. A maioria não ganha mesada ¿ prefere ir tirando dinheiro dos pais aos poucos.
É trabalhoso, mas compensa, porque "rende mais". Detestam mágicos, palhaços e qualquer coisa que se relacione ao universo infantil; suas festas têm, isso sim, dança e horário avançado. Começam por volta das 21 horas, acabam lá pelas 2. Quando estão com amigos, abominam a presença de papai e mamãe, uma dupla posta no mundo, como se sabe, para constranger filhos. "Uma das coisas que eu mais detesto é quando meu pai me beija na frente dos meus amigos", declara o precoce Martim.
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8:58 AM
by Cassiano Leonel Drum
Não sei como o médico dará um atestado se não houver exame laboratorial comprovando a existência da doença, a menos que já exista uma cadeira na medicina que ensine aos médicos que determinada cor, mancha, algum sinal enfim visual existente na pessoa lhe de certeza de que aquele paciente é portador de HIV. Desconheço, mas como tudo evolui muito rapidamente, quem sabe já exista. De toda a sorte a Juiza acredita que uma coisa substitua a outra.
CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SÁBADO, 22 DE FEVEREIRO DE 2003
Juíza obriga Caixa a pedir só atestado
A juíza da Vara Federal de Execuções Fiscais de Santa Maria, Ana Cristina Kramer, condenou, nesta semana, a Caixa Econômica Federal (CEF) a não exigir mais, em todo país, a apresentação do exame laboratorial específico aos portadores do vírus HIV no momento do saque do saldo das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
A CEF deve limitar-se a solicitar atestado médico.
A sentença confirma liminar concedida em outubro de 2001, atendendo à ação civil pública do Ministério Público Federal. Em sua decisão, a juíza afirma que a CEF extrapolou os limites legais, gerando, senão constrangimento, 'um empecilho a mais a onerar a situação do portador da doença'. A Caixa alega que a medida visa a evitar saques fraudulentos. A multa diária por descumprimento é de R$ 5 mil.
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8:42 AM
by Cassiano Leonel Drum
Porém uma ligação amorosa é uma longa elaboração: enfrenta toda uma série de transformações de parte a parte. Mudamos, e o parceiro não muda necessariamente no mesmo ritmo, com a mesma intensidade ou no mesmo sentido. Temos novos interesses, outros horizontes por vezes inesperados, e não conseguimos comunicar isso ao parceiro, muitas vezes, fechado em si mesmo. E isso quando estamos apaixonados não nos é dito e não acreditaríamos se nos fosse mostrado. Então só vinvenciando mesmo para acreditarmos nestas possibilidades.
Lya Luft
22/02/2003
Revogue-se a esperança
No amor pensamos viver finalmente o mito da fusão com o outro. Queremos perder a identidade nas mãos daquele que de momento é "tudo" para nós. A paixão inicial quer ver e mostrar. É compulsão de nos abrirmos com o outro revelando os menores detalhes de nosso corpo e alma, incansáveis relatos do passado, trocas que parecem levar à sonhada união total.
Porém uma ligação amorosa é uma longa elaboração: enfrenta toda uma série de transformações de parte a parte. Mudamos, e o parceiro não muda necessariamente no mesmo ritmo, com a mesma intensidade ou no mesmo sentido. Temos novos interesses, outros horizontes por vezes inesperados, e não conseguimos comunicar isso ao parceiro, fechado em si mesmo.
Um dos dois fatalmente envelhece antes, adoece mais. Pode ter reveses financeiros, pode ter fracassos profissionais. Pode evoluir com a idade e as circunstâncias, ou ficar atrás em relação ao outro. Instala-se entre ambos, então, freqüentemente, o jogo de poder em que nem sempre o mais "forte" leva vantagem: o mais "fraco" também tiraniza aquele que (nem sempre as mulheres) se submeteu mais, abdicou de mais coisas. Podou suas asas e truncou seu destino para não "humilhar"o parceiro.
Se for mulher, mais complexo o drama. Porque é convenção nossa, ou legado das cavernas, que o homem seja o dono do dinheiro (=poder) e a mulher a que vive de mesada. Conheço mulheres de sucesso que a cada fim de mês entregam o dinheiro para que o marido o administre, porque se sentem incapazes, ou pior: temem que o marido inseguro se torne agressivo.
Uma terapia dos dois, ou a dois, um aconselhamento que seja, pode ser uma excelente ferramenta. Férias longe de trabalho e filhos, oportunidade de reencontro e conversas honestas. Freqüentemente aquele que poderia dar o passo decisivo e consertar sua vida - mesmo dentro dessa relação - não se permite isso. A culpa não deixa. O medo de perder o parceiro não permite. O receio da solidão, pior ainda.
Não há receita. Não há escola. Não há manual. O instinto e o afeto é que fazem com que os bons casais, os casais amorosos, usem as crises para se renovar e crescer - se possível juntos. Desde que o instinto seja saudável, o afeto seja bom, a personalidade aberta.
Ou tudo fica como está, e só piora: por baixo das aparências corre então o rio turvo do lento e tácito suicídio a dois, fisico ou moral. É a morte das alegrias e da ternura, um acordo fatal, monumento alto e frio onde se pode ler a inscrição: Revogue-se a esperança.
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8:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
Às vezes não sabemos o que fazer nas férias, está aí uma boa dica para começar: Agende a leitura das obras completas de Machado de Assis, Cervantes, Joyce, Shakespeare e Proust e pronto, você não terá um dia livre nas férias e nos próximos muitos anos. Mas não deixe que isso o desanime, não poder ler tudo não quer dizer não ler nada, ao contrário.
Jorge Furtado
22/02/2003
O melhor de tudo
De jeito nenhum você vai conseguir ler todos os livros que você não pode deixar de ler de jeito nenhum. Desista. Para ler tudo que tinha que ler você teria que, como um pianista russo, ter começado aos três anos de idade e só parado para dormir e ir ao dentista. Isso para não falar dos filmes, peças, exposições e shows que você não pode perder de jeito nenhum e de todos os compromissos (trabalhar, buscar as crianças no colégio, ir ao dentista) que, isto sim, você não pode deixar de fazer de jeito nenhum.
Agende a leitura das obras completas de Machado de Assis, Cervantes, Joyce, Shakespeare e Proust e pronto, você não terá um dia livre nos próximos muitos anos. Mas não deixe que isso o desanime, não poder ler tudo não quer dizer não ler nada, ao contrário. Você não tem tempo para ler tudo o que o Jorge Luis Borges escreveu, mas tem tempo de sobra para ler um conto ou dois, o que o deixará louco para ler tudo que ele escreveu, nos levando de volta ao problema inicial.
Outra maneira de enfrentar o problema é ler os livros dos caras que leram todos os livros que você deveria ter lido. Quer dizer, você não precisa ouvir discos inteiros da Marisa Monte ou do Aerosmith se existem os discos O Melhor de Marisa Monte e O Melhor de Aerosmith, e nem esses você precisa ouvir inteiros.
Você não precisa ler Petrônio, Amiano Marcelino ou Ariosto se você pode ler Mimesis, de Erich Auerbach (da coleção Estudos, editora Perspectiva), que leu todos eles e te dá o caminho das pedras. Pode acontecer de, num capítulo ou outro, você deparar com alguém como Montaigne, que você nunca tinha lido, o que faz você se sentir um completo idiota, largar o livro do Auerbach e procurar um do Montaigne. E chegar à conclusão que de jeito nenhum você vai conseguir ler todos os livros, enfim.
E isso para limitar o problema aos textos de ficção. Se você lembrar dos ensaios, dos textos científicos, dos filósofos e das biografias, pode ficar bloqueado e não conseguir ler mais nada. Calma. Acaba de ser lançado no Brasil Os Investigadores (editora Civilização Brasileira), o terceiro e último volume da trilogia de Daniel J. Boorstin, que começou com Os Descobridores (sobre ciência), continuou com Os Criadores (sobre arte e literatura) e termina agora com Os Investigadores (sobre filosofia e religião).
Boorstin é americano, professor de história, foi muitos anos diretor da biblioteca do congresso, a maior do mundo. Seus livros, escritos numa linguagem simples (isto é, que eu sou capaz de entender) e muito agradável (isto é, são livros bem grossos e eu li até o fim), são um completo painel do conhecimento humano, uma espécie de Raça Humana, Melhores Momentos. Desculpe dizer isso, mas você não pode deixar de ler esses livros de jeito nenhum.
jorge.furtado@zerohora.com.br
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8:28 AM
by Cassiano Leonel Drum
Implodem-se edifícios, destrõem-se pontes, explodem-se barcos. Quanto tempo será levarão para repor o que era uma ponte e até lá quanta volta a população será obrigada a fazer?
Estradas
Ponte pelos ares
Uma implosão destruiu ontem a maior parte da ponte sobre o Rio Vacacaí, em Santa Maria, que estava interditada desde outubro do ano passado devido a um desnível nas vigas de sustentação (foto Charles Guerra/Agência RBS )
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12:08 AM
by Cassiano Leonel Drum
Bom pode até ser garoto mas tem alguns anos já de janela, e de Natal Luz, onde foi destaque e fêz com que tivesse esta possibilidade e essa ascenção direta para o Vaticano.
PERSONAGEM
Garoto de 12 anos é o primeiro brasileiro
no Coro do Vaticano
O garoto Rafael Fortes será o primeiro brasileiro a fazer parte do Coro da Capela Sistina no Vaticano. Rafael é gaúcho e tem 12 anos. Cantará em latim e será coroinha nas missas celebradas pelo papa João Paulo II . O talento de Rafael foi descoberto no Coro do Instituto de Meninos Cantores de Novo Hamburgo, mais conhecido como Coro dos Canarinhos, onde ele se sobressaiu como solista.
ISTOÉ Muito feliz?
Rafael Muito. Mas vou sentir saudades dos meus pais.
ISTOÉ O que você costuma ouvir?
Rafael Gosto muito de Bach e Mozart e toco MPB no piano. Vou tocar Chico Buarque e Djavan para os meus colegas no Vaticano.
Sexta-feira, Fevereiro 21, 2003
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11:56 PM
by Cassiano Leonel Drum
Pedras no caminho
Depois do ufanismo inicial, governo e mídia americanos apontam os riscos de uma guerra
Osmar Freitas Jr. Nova York
O presidente George W. Bush começa a admitir que um ataque não será um simples passeio
Demorou, mas finalmente o governo americano começa a admitir publicamente aquilo que era apenas cochichado por poucos nos corredores do Pentágono: o fato de que a ação militar no Iraque vai provocar reações incertas na região do Golfo Pérsico e, depois, no resto do mundo. As revistas semanais imprimiram análises dando conta de cenários sombrios para depois da guerra. Em seguida, foi a vez da mídia diária e finalmente, ainda que com menor intensidade, das redes de televisão. Falou-se da possibilidade real de Saddam Hussein incendiar os poços de petróleo de seu país e tentar o mesmo com o Kuait e a Arábia Saudita. E mais: o monstro de Bagdá poderá empregar armas químicas e biológicas durante a duração do conflito. Para muitos, essa constatação se traduz como ¿o óbvio ululante¿. Mas o que agora salta aos olhos tinha sido abafado aos ouvidos americanos.
Em sua primeira edição deste 2003, ISTOÉ já havia publicado linhas bem definidas para os cenários que agora saem das gavetas oficiais do Departamento de Defesa. Não se trata aqui de alardear um furo de reportagem, mas sim de constatar que a antevisão do pesadelo do pós-guerra já era conhecida no Pentágono. Afinal, foram fontes dos departamentos de Estado e Defesa e dos serviços de inteligência que informaram a revista. Resta saber por que as mesmas considerações não foram publicadas já naquela época pela imprensa americana.
Esses dados não foram passados para muita gente em jornais, revistas e televisões dos EUA. A idéia era segurar pelo maior tempo possível o impacto que essas informações poderiam ter no país e no mundo, disse uma fonte de ISTOÉ no Pentágono. Se hoje já existe oposição à guerra, imagine se um cenário tenebroso sobre o pós-ataque tivesse sido divulgado há dois ou três meses, adverte uma fonte do Departamento de Estado. A estratégia do governo no momento é ir aos poucos mostrando o tamanho da encrenca, no estilo da piada: A vovó subiu no telhado.
O que se revela agora, diga-se, ainda não dá conta de toda a extensão dos estragos que uma segunda guerra no Golfo pode trazer. Fala-se de um grande número de baixas nas tropas americanas e das dificuldades de reconstrução do Iraque, caso seus poços de petróleo sejam incendiados. Começa-se a reconsiderar o tempo necessário de ocupação. Isso por causa da possibilidade de fragmentação do país, com xiitas no sul perseguindo sunitas que até agora ocupam o poder e curdos ao norte proclamando independência e fundando um país cujas fronteiras imaginárias abocanham parte da Turquia e do Irã.
Tudo isso empalidece diante do que pode acontecer se os poços de petróleo do Kuait e da Arábia Saudita forem atingidos por bombas químicas ou biológicas. O barril de petróleo, que é vendido hoje a US$ 34, poderia saltar para US$ 60 ou mais. E a recessão de agora poderá parecer bonança. Que os poços iraquianos estão minados nós já sabemos. O que ainda não conseguimos apurar é se as minas estão na superfície ou nas profundezas, o que causaria danos muito piores nos equipamentos e retardaria ainda mais a reconstrução do país, diz a fonte de ISTOÉ no Pentágono. Isso tudo sem imaginar qual seria a reação de Ariel Sharon, caso um Scud iraquiano carregado de gás nervoso caísse no meio de Tel Aviv.
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11:45 PM
by Cassiano Leonel Drum
Esta é a capa da Revista Isto É que entre outas reportagens ótimas traz a que coloco abaixo, em função do pessimismo com que é colocada, principalmente pelo economista Luiz Paulo Rosenberg, quando diz que este ano já era. Será que ele tem razão?
Amargo 2003
Segunda alta dos juros no ano sufoca ainda mais o País, que deverá viver outro ciclo de crescimento medíocre
O ano que já acabou: confira a evolução das taxas de juros
João Paulo Nucci
Colaborou Lino Rodrigues
Tinha tudo para ser bom. O furacão eleitoral que enlouqueceu o mercado financeiro terminou junto com 2002. O dólar entrou em janeiro mansinho, mansinho, depois de meses de desvario. O surpreendente clima de confiança no novo governo contagiou até os mais renitentes críticos do presidente Lula, criando uma situação politicamente confortável no País.
Podia ser bom, mas não está sendo. Duas altas consecutivas nos juros (a última, que alçou a taxa básica a 26,5%, foi anunciada na quarta-feira 19), um pacote de um ajuste fiscal de R$ 14 bilhões e um aumento no depósito compulsório dos bancos (o que significa menos crédito na praça) depois, o cenário é desalentador. O País não pode conviver com essa taxa de juros. É incompatível juro alto e crescimento econômico, disse o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.
Em outras palavras, o que Dirceu disse é que o País vai passar mais um ano atolado em um índice de crescimento medíocre, insuficiente para combater uma das mais altas taxas de desemprego da história, entre outros entraves. Nada muito diferente do que aconteceu nos últimos 20 anos de economia estagnada. É um momento transitório, diz o braço direito de Lula, que no dia seguinte anunciou a disposição do governo em promover alterações na legislação de falências que resultariam, num futuro distante, na queda dos juros. Dirceu falou também, vagamente, na criação de uma política de incentivo para retomada do investimento público.
A justificativa para a alta dos juros tem um pé no Brasil (a inflação mostra sinais de resistência, diz a nota do comitê que decidiu pelo aumento) e outro no Oriente Médio (o iminente ataque americano ao Iraque). Abafar o ímpeto já diminuto da economia resultaria, na lógica do governo, em chegar ao final do ano com o índice de inflação controlado um objetivo louvável, porém xtremamente custoso para o setor produtivo, a chamada economia real. O governo paga agora, com o desgaste que sofre, o custo da manutenção da estabilidade. E torce para que o cenário externo melhore para engatar uma curva negativa dos juros.
O mercado financeiro, que vive lua-de-mel com o governo Lula e, especialmente, com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, aplaudiu as medidas, consideradas necessárias para a manutenção da estabilidade. O próprio ministro confirmou publicamente sua fé na alta dos juros e no aumento do depósito compulsório, dizendo que a atenção na política monetária já resultou na volta do crédito externo e na melhoria do risco Brasil.
Já o setor produtivo acionou suas trombetas. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a obsessão do governo com a política monetária em detrimento do desenvolvimento. ¿É insustentável a opção de se combater a inflação com elevação do desemprego, queda dos salários reais e arrocho de margens do setor produtivo, afirmou o presidente Horacio Lafer Piva em nota à imprensa. Já está comprometido o crescimento da economia nestes seis primeiros meses de 2003, e o restante do ano está sob severa ameaça, segue a nota. A Federação do Comércio do Estado faz a mesma avaliação. Após a decisão, a entidade reviu sua expectativa de crescimento real para no máximo 1%, ante os 2% a 3% que se esperavam no início do ano.
O economista Luiz Paulo Rosemberg é mais mundano em sua avaliação. O fato é que 2003 já era, afirma. O ministro Palocci discorda e diz que a decisão não afetará o crescimento da economia. Ele não deixa de ter razão. O que já era medíocre continuará medíocre.
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12:23 PM
by Cassiano Leonel Drum
Este cidadão enquanto esteve na Presidência da CAIXA aumentou em até 80% os salários da alta cúpula da CAIXA e da carreira Gerencial. Criando um enorme fosso entre os empregados das demais carreiras, como analistas, advogados que defendem a empresa e os demais empregados sem função, fundamentalmente os que trabalham em Agências.
Tomara que os empregados da Nossa Caixa tenham um destino melhor na sua gestão e que os Diretores e Vices Presidentes não sejam multiplicados como foram na CAIXA.
Nossa Caixa promete retomar privatização
21/02/03 - 9:37 - Lucimar Cruz Beraldo - FETEC/CUT-SP
Albuquerque, que por 10 meses esteve à frente da presidência da Caixa Econômica Federal, dá como certa a continuidade na criação de subsidiárias da Nossa Caixa, por meio de parcerias, para atuar em áreas como Fundo de Pensão, Previdência, seguros, capitalização, entre outras. Também destaca a necessidade de criação de novos produtos, a exemplo do cartão de crédito, como forma de fidelizar clientes. Outra meta destacada pelo novo presidente é a expansão dos pontos de atendimento, por meio de abertura de agências e de maior utilização do correspondente bancário.
Para o diretor de Bancos Estaduais da FETEC/CUT-SP, Elias Maalouf, o discurso de Valdery Albuquerque demonstra a intenção do governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, de insistir com a privatização da Nossa Caixa. ¿O histórico de Valdery na Caixa Econômica mostra que enfrentaremos um linha dura pela frente¿.
Na avaliação de Elias, a intervenção na Usceesp ¿ associação dos funcionários ¿ foi articulado pelo próprio banco, já de olho na continuidade do processo de doação do patrimônio público à iniciativa privada. ¿Tanto é que a alegação do banco para tentar derrubar a liminar que impede a privatização da administradora é de que a Usceesp não tem legitimidade para contestar a venda. Só que a justificativa é descabida, pois o processo de autoria da associação, contestando a privatização, é anterior ao golpe na Usceesp¿.
Segundo o dirigente, o movimento sindical está atento e trabalhando, não só na mobilização nos locais de trabalho, mas também no acompanhamento jurídico para impedir a privatização de mais um bem público.
Banco público X desenvolvimento
Elias Maalouf critica a gestão da Nossa Caixa, que cada vez mais vem diminuindo o papel que o banco deveria desempenhar. ¿O balanço de 2002, com queda no lucro de 10,9%, é uma demonstração do fracasso dessa gestão. A direção do banco afirma que a privatização das subsidiárias é uma forma de gerar receita. Só que diminuirá ainda mais a função social do banco, já tão reduzida nos dias de hoje¿.
O diretor da FETEC explica que, atualmente, apenas 12,5% dos ativos totais do banco são destinados ao crédito, enquanto no BB esse percentual é de 35%. ¿Destes 12,5%, a maior parte é crédito pessoal, o que não contribui para a atividade econômica. Isso é papel de financeira, não de banco. Em contrapartida, 75% do ativos da Nossa Caixa estão hoje aplicados em títulos do governo federal. Na prática, a instituição está deixando de aplicar no desenvolvimento para especular¿, denuncia o dirigente.
Elias reforça que o movimento sindical não é contra a criação de subsidiárias. ¿Mas elas devem ter controle estatal e a Nossa Caixa pode muito bem contribuir para a construção de um novo país, financiando setores que podem gerar emprego e renda¿.
A Nossa Caixa é hoje o único banco estadual de São Paulo. O outro, o Banespa, que era o maior banco estadual do país, foi privatizado em 2000 pelos governos Covas/Alkmin e FHC e entregue para os espanhóis do Santander.
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9:06 AM
by Cassiano Leonel Drum
Pois é e trata-se de remédios, não é nem um produto superfluo. Muitos desses que os aposentados provavelmente precisam no seu dia a dia. Só que para os aposentados o aumento do teto é negado e mantido congelado. Já para as multinacionais de medicamentos tudo é liberado. Hoje são nossos avós e pais e amanhã seremos nós...
Governo libera preços
Laboratórios recebem autorização para reajustar preços de 260 remédios que não exigem receita
Luciene Braga
A partir de hoje, estão liberados os preços de 260 remédios que podem ser comprados sem receita médica e que tenham pelo menos cinco concorrentes. Encaixam-se na descrição remédios populares, como Anador, Baralgin, Dipirona, Novalgina, Aspirina, Sonrisal, AAS, Melhoral e Cebion e Coristina.
A Câmara de Medicamentos (Camed), formada por representantes dos Ministérios da Saúde, Fazenda e Justiça, dispensou os fabricantes desses remédios do congelamento. A decisão teria sido confirmada na quarta-feira, em reunião com o setor, que o Governo classificou como um encontro para ampliar o acesso da população aos medicamentos.
Segundo integrantes da Camed, embora os laboratórios venham pedindo reajustes de 18% desde o ano passado, alegando a necessidade de compensar perdas com importações, a medida não significa aumento, porque os valores deixarão de ser tabelados, mas vão continuar monitorados. O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Gastão Wagner, acredita que a concorrência vá se encarregar da regulação.
Os preços dos demais remédios ficam congelados até o dia 1º. O Ministério da Saúde informou que a medida atinge 8% dos medicamentos livres da apresentação de receita, que representam quase 2% dos produtos farmacêuticos vendidos no País.
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8:48 AM
by Cassiano Leonel Drum
Deve ser altamente frustrante para os milhões de aposentados que contribuiram com o teto para a previdência e que depois este teto ficou limitado a dez salários mínimos de R$ 156,10. Sim mas há quanto tempo já foi para R$ 180,00 e depois para R$ 200,00 e agora a proposta é que vá para R$ 234,00. Só que o teto está limitado a R$1.561,00 e vai continuar. Mas não era extamente o Partido dos Trabalhadores que defendiam que isso estava totalmente errado e injusto?
BRASÍLIA E RIO - Uma articulação do líder do Governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), com apoio do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), derrubou da pauta de votação a Proposta de Emenda Constitucional que fixa em 10 salários mínimos (R$ 2.000) o valor mensal máximo dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social que inclui os trabalhadores da iniciativa privada. Sarney decidiu enviar a matéria para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o que significa retardar a tramitação da proposta no Congresso.
Com isso, os ganhos dos aposentados continuam limitados a R$ 1.561. Sarney tomou a decisão em função do requerimento de não-prosseguimento da tramitação feito pelo líder do Governo. Mercadante quer o projeto submetido à votação dentro do contexto da discussão da Reforma da Previdência. A votação seria uma precipitação, disse.
O texto da emenda propõe que o valor mensal da aposentadoria não poderá ser menor que um salário e nem superior a 10 mínimos. A atual legislação estabelece que o maior benefício terá que ter seu valor real preservado (hoje, R$ 1.561). O senador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) defendeu o projeto. Para ele, desde que a regra constitucional está em vigor, o maior benefício está sendo achatado e hoje vale apenas sete mínimos, e não os 10 salários usados como referência.
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8:28 AM
by Cassiano Leonel Drum
Eles divulgam assim com a maior naturalidade esses aumentos de lucros, e enquanto isso os trabalhadores que dependem de ônibus, carro ou outro meio de transporte para ir para o seu serviço está cada vez mais pobre, espoliado pelos preços cada vez mais alto dos combustíveis. Para que? Para no fim de cada exercicio, eles divulgarem os lucros cada vez maiores.
Combustíveis
Alta dos preços fez lucro da BR subir 80%
Rio
O aumento do preço dos combustíveis e a receita extraordinária obtida com a venda de participações em 13 companhias estaduais de gás garantiram à BR Distribuidora crescimento de 80% no lucro no ano passado.
Oresultado atingiu R$ 675 milhões, enquanto em 2001 foi de R$ 374 milhões. A venda das 13 participações para a Petrobras representou para a BR Distribudora lucro de R$ 334 milhões.
Segundo o novo presidente da companhia, Rodolfo Landim, o aumento nos ganhos também foi fruto de melhoria na eficiência da empresa. O faturamento da BR foi de R$ 23,34 bilhões no ano passado. Em 2001, chegou a R$ 19,95 bilhões.
Para este ano, a BR Distribuidora vai investir cerca de R$ 400 milhões, o mesmo valor de 2002. As prioridades, informou Landim, são melhorar a imagem visual dos postos e ampliar a rede de gás natural veicular (GNV).
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8:19 AM
by Cassiano Leonel Drum
Precisamos crer que existe algo mais neste Vale de Lágrimas. Algo mágico, superior, invisível, poderoso o suficiente para nos presentear com a felicidade, afinal. Porque a felicidade é custosa e frágil, quebra-se à menor perda, e a vida é pontilhada de perdas. Espero que a sexta-feira seja ótima para todo mundo e aos aniversariantes de hoje aquele abraço e os votos de muita saúde no corpo, paz no espírito e dim dim no bolso.
David Coimbra
21/02/2003
A jaqueta marrom
Tenho uma jaqueta marrom que, quando a visto, sei lá, acho que fico parecido com um daqueles americanos que cruzam os Esteites de costa a costa, indolentes em seu carros conversíveis, sem dar importância a nada, nem a ninguém. Um Bruce Springsteen, talvez.
Legal.
Mas o problema é que ela é marrom. Faz-me lembrar do Roberto Carlos. Porque o Roberto Carlos odeia marrom, jamais bota roupa marrom. O Rei é supersticioso. Ouvi dizer que ele não gosta de virar à esquerda, quando está de carro. Imagino-o chegando ao aeroporto, querendo ir para o Gigantinho, mandando o motorista não dobrar à esquerda, acabando em Gravataí.
Pois é, mas ainda que as esquisitices do Rei sejam de fato esquisitas, termino por levá-las a sério, em algum momento. Fico olhando para minha jaqueta marrom. Levo a mão ao queixo. Pergunto para o cabide: uso?
Uso, uso. Mas sempre hesito. Sou influenciável. Cortar as unhas, por exemplo. Uma vez minha mãe disse que cortar as unhas de noite deixa a gente desprotegido contra os maus espíritos. Ora, não acredito em maus espíritos e tampouco no poder protetor das unhas integrais, mas quem disse que consigo cortar unha à noite?
E o sal, então! Se derramo sal, de imediato jogo três pitadas por cima do ombro, que é o antídoto contra a má sorte provocada pelo sal derramado. Não interessa quem esteja na mesa de trás, lá vai sal. Sempre fico meio sestroso, quando derramo sal.
Se um gato preto passa pela minha frente também me dá alguma inquietação. Mas não chego a extremos como o meu amigo Amilton Cavalo. Um dia, um gato preto passou em frente ao Amilton. Como é sabido, para bloquear os malefícios de uma passada de gato preto pela frente, só se a vítima der uma volta completa em torno do bicho. Bem, o Amilton tentou fazer isso. O gato correu. O Amilton correu atrás. O gato correu ainda mais, gatos são assaz velozes, alcançam 50 km/h. O Amilton se esforçou, perseguiu o gato por quadras, subiu toda a lomba da Plínio. Lá em cima, perto da Carlos Gomes, o gato homiziou-se sob um carro, o Amilton deu a volta no carro e ficou finalmente sossegado.
Superstições são irresistíveis. Porque é penoso acreditar que nosso destino depende exclusivamente do esforço que empreendemos, do comportamento que temos. Precisamos crer que existe algo mais neste Vale de Lágrimas. Algo mágico, superior, invisível, poderoso o suficiente para nos presentear com a felicidade, afinal. Porque a felicidade é custosa e frágil, quebra-se à menor perda, e a vida é pontilhada de perdas. Então, se a felicidade depender de um gesto ou uma miçanga, por que não tentar? Por que não? Acho que não vou usar mais aquela jaqueta marrom.
david.coimbra@zerohora.com.br
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8:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
Para uma sexta-feira esta confissão não é nada legal, mas acho que pode ser desenvolvida meu nobre Sant Ana e espero que você busque auxílio. Assim suas crônicas não perderão o brilho também.
Paulo Sant'ana
21/02/2003
A libido na escrita
Eu gostaria de escrever como o fazem algumas pessoas, por ato instintivo.
Isso ocorre da seguinte maneira: essas pessoas sentam no computador e saem escrevendo.
Ou seja, não têm assunto, mas são impelidas a escrever pela sua natureza de escrevedoras.
Há gente que nasceu para falar, vive falando. Quando não há ninguém com quem conversar, falam sozinhas.
E há gente que nasceu para escrever. Escreve mesmo sem ter assunto.
Esses faladores contumazes dão a vida por um bate-papo. Não deixam nunca de puxar assunto dentro dos elevadores, dos ônibus, em qualquer parte que estejam e em que sintam aquela necessidade imperiosa de falar com alguém, de estabelecer conversação.
Um dos estratagemas para falar estando sozinho é cantar. O indivíduo que canta, quase sempre, não só gosta de falar como gosta de ouvir-se a si próprio.
E uma característica básica do canto é que é uma prática onanística que tem uma vantagem considerável sobre a conversa: quem canta quando está sozinho nunca é interrompido. Nem pelos aplausos.
O bate-papo, portanto, é o deleite máximo dos faladores. Outra realização suprema dos faladores é o microfone.
Quando um falador consegue um emprego numa emissora de rádio ou de televisão, seja de locutor, apresentador ou debatedor, eis aí como se pode definir a felicidade: une o útil com o prazeroso.
A mesma coisa se dá com os escrevinhadores compulsivos, aqueles que escrevem mesmo sem ter assunto.
Por sinal, escrever é a mesma coisa que conversar, com o detalhe de que quem escreve está em última análise falando consigo próprio.
O escrevedor nato senta no computador sem assunto, não sabendo ele próprio que tema irá abordar. Mas começa a escrever instintivamente.
Ou seja, ele puxa o assunto consigo mesmo. E uma vez puxado o assunto, a autoconversa está detonada, o escritor só parará de escrever quando estiver cansado de si mesmo.
Já comigo se dá diferente, como não tenho nenhuma tendência para ficcionista, só sento no computador quando possuo já um assunto.
Com assunto, a minha pena escorre fácil. O diabo é a agonia de que me possuo para achar um assunto, levo horas de torturante aflição.
Tudo porque não sou um escrevinhador inventivo, só consigo escrever sobre fatos ou idéias estabelecidas.
Quase sempre, tudo sobre o que vou escrever já está na minha cabeça, ao contrário dos grandes escritores, cujas maiores sacadas emergem justamente no transcurso do exercício da escrita.
Comigo é assim, quando minha cabeça está vazia de idéias, a lauda do computador ficará vazia de frases, nem adianta sentar para escrever que nada redundará.
Já os instintivos escrevem por ato reflexo, jorra-lhes a inspiração, não lhes faltam assuntos nem idéias, são capazes de escrever um grosso livro em apenas 10 dias.
Os instintivos nasceram para escrever, enquanto eu quase morro de sacrifício para escrever. Ou melhor, para arranjar uma idéia para escrever.
Porque se me ocorre a idéia, então eu me delicio de prazer ao escrever.
Ou seja, não me falta potência, a libido é que me é rara.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:03 AM
by Cassiano Leonel Drum
América Latina
Prisão de grevista abre nova crise na Venezuela
Detenção de um dos líderes da greve que parou o país por dois meses gerou protestos em Caracas (foto AP/ZH)
Quinta-feira, Fevereiro 20, 2003
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10:21 PM
by Cassiano Leonel Drum
Este site abaixo tem coisas lindas e poesias fantásticas como esta abaixo. Se voces quiserem visitá-lo é só clicar no link ai do título da poesia.
No mais amanhã será outro dia. Sexta-feira outra vez, e esta página chega aos 12 000 acessos. São rostos desconhecidos de perto e de longe. São amigos que silenciosamente me acompanham pelos dias que se sucedem. E quando desperto é para vocês o meu primeiro pensamento. Do que colocar aqui para fazê-los voltar sempre. Não fiquem tirstes não quando, as vezes, coloco que escrevo para as bordas desta página que teima em me limitar e que insiste em ser apenas e tão somente uma página.
Eu sei que voces estão comigo, pois de vez em quando, quando entro aqui, compartilho com três ou quatro amigos o acesso. E isso é bom. Melhor se pudesse estar fisicamente juntos, olhos nos olhos. Mas enfim, o universo deverá conspirar para um dia, quem sabe, a gente se encontrar, aqui... em outro lugar... ou noutra vida que deverá existir. Bons sonhos...
PARA O RESTO DE NOSSAS VIDAS
Existem coisas pequenas e grandes...
coisas que levaremos para o resto de nossas vidas.
Talvez sejam poucas.. quem sabe sejam muitas...
depende de cada um...
depende da vida que cada um de nós levou.
Levaremos lembranças...
coisas que sempre serão inesquecíveis para nós...
coisas que nos marcarão...
que mexerão com a nossa existência em algum instante.
Provavelmente iremos pela a vida a fora colecionando essas coisas..
colocando em ordem de grandeza cada detalhe que nos foi importante,
cada momento que interferiu nos nossos dias...
que deixou marcas...
cada instante que foi cravado no nosso peito como uma tatuagem.
Marcas... isso... serão marcas...
Umas mais profundas,
outras superficiais porém com algum significado também.
Serão detalhes que guardaremos dentro de nós e que
se contarmos para terceiros talvez não tenha a menor importância
pois só nós saberemos o quanto foi incrível vivê-los.
Poderá ser uma música.. quem sabe um livro...
talvez uma poesia.. uma carta.. um e-mail.. uma viagem...
uma frase que alguém tenha nos dito num momento certo.
Poderá ser um raiar de sol...
um buquê de flores que se recebeu...
um cartão de natal...
uma palavra amiga num momento preciso.
Talvez venha a ser um sentimento que foi abandonado...
uma decepção... a perda de alguém querido...
um certo encontro casual... um desencontro proposital.
Quem sabe uma amizade incomparável..
um sonho que foi alcançado após muita luta...
um que deixou de existir por puro fracasso.
Pode ser simplesmente um instante... um olhar...
um sorriso.. um perfume... um beijo.
Para o resto de nossas vidas levaremos pessoas guardadas dentro de nós.
Umas porque nos dedicaram um carinho enorme...
outras porque foram o objeto do nosso amor...
ainda outras por terem nos magoado profundamente...
quem sabe haverão algumas que deixarão marcas profundas
por terem sido tão rápidas em nossas vidas
e terem conseguido ainda assim plantar dentro de nós tanta coisa boa.
Lá na frente é que poderemos realmente saber a qualidade de vida que tivemos,
a quantidade de marcas que conseguimos carregar conosco
e a riqueza que cada uma delas guardou dentro de si.
Bem lá na frente é que poderemos avaliar do que exatamente foi feita a
nossa vida... se de amor ou de rancor...
se de alegrias ou tristezas.. se de vitórias ou derrotas...
se de ilusões ou realidades.
Pense sempre que hoje é só o começo de tudo...
que se houver algo errado ainda está em tempo de ser mudado
e que o resto de nossas vidas de certa forma ainda está em nossas mãos...
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10:00 PM
by Cassiano Leonel Drum
Bom voces hão de convir comigo que os juros de 26,5% é uma mera referencia, já que para quem precisa de crédito esta taxa não é anual,mas sim trimestral, nãose falando do cheque especial porque ai grandes noticias desta semana apontaram que ela chega a 185% a.a.
E acho que isso faz parte do marketing, pois é exatamente o que acontece com as Companhias Aéreas. Elas elevam os preços das passagens e depois oferecem descontos de até 80%. E agora esta semana a GOL cobra a ida e a volta ela faz por meros R$ 1,00. As Montadoras de carros estão anunciando 5 a 6% de aumento nos preços de tabela. Depois oferecem IPVA pago, frete gratuito ou incluido no preço.
E assim é a taxa básica de juros. Eles sobem 1,00%. Depois o Presidente da república fala com os Presidentes dos Bancos Federais e reduzem um pouco a taxa na ponta e fica tudo como estava antes. Só que psicologicamente as pessoas põem o pé no freio, postergando compras imediatas, deixando de comprar a prazo e assim por diante e engessam a economia.
Lula pede que bancos federais estimulem crescimento
(AF)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta quinta-feira aos presidentes da CEF (Caixa Econômica Federal), BB (Banco do Brasil) e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) uma ação "coordenada e sinérgica" para estimular o desenvolvimento econômico e social do Brasil.
A pedido do presidente, os bancos deverão ter atenção particular com o financiamento da pequena e média empresa, o apoio às cooperativas, o crédito à agricultura familiar, as obras de saneamento básico e habitação popular, o fomento às exportações, o incentivo ao desenvolvimento regional e a geração de empregos.
Havia especulações de que Lula poderia pedir aos bancos públicos a definição de medidas que compensassem a alta dos juros básicos da economia e o aumento dos depósitos compulsórios. Apesar disso, a reunião de quatro horas de duração terminou sem declarações, com a divulgação de uma nota de quatro parágrafos e nenhuma medida concreta.
Para tanto, reuniram-se desde às 1 h com Lula o presidente da CEF, Jorge Mattoso, do BB, Cássio Casseb, e do BNDES, Carlos Lessa, além dos ministros Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), Dilma Roussef (Minas e Energia), Guido Mantega (Planejamento), Jaques Wagner (Trabalho), José Dirceu (Casa Civil), Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência).
Juros
O ministro José Dirceu disse nesta quinta-feira que o país não pode conviver com as atuais taxas de juros, elevadas na quarta-feira em um ponto percentual pelo Banco Central, afirmando que a medida tem caráter "transitório".
"O Brasil não pode conviver com essa taxa de juros. Eu acredito que o Banco Central, ao tomar essas medidas, está olhando o cenário internacional e a pressão inflacionária que existem hoje. Eu tenho certeza de que o Brasil vai reduzir juros no futuro", declarou Dirceu, pela manhã, ao chegar para um café da manhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Alvorada. Ele não especificou quando seria feita a redução na taxa básica dos juros, hoje em 26,5% ao ano.
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11:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
20.02.2003, 11h34 - Prosseguem os debates sobre a composição da dívida da Caixa
R e u n i ã o
Aconteceu ontem a segunda reunião do grupo de trabalho que analisa a dívida da Caixa com a Funcef. Na ocasião, os membros eleitos do Conselho Deliberativo da fundação voltaram a cobrar um levantamento mais detalhado sobre a composição do débito.
Os representantes dos empregados querem que a empresa apresente um histórico de itens como os valores da carteira de imóveis e da carteira de ações, alterações de premissas atuariais, legislação, alteração de regulamentos, alterações na forma de custeio, nos planos de cargos e salários da Caixa ou outro evento, sempre correspondentes ao período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995. Com base nesses números, será possível avaliar melhor o impacto das operações nos resultados da Funcef ou na responsabilidade da Caixa por serviços eventualmente prestados.
Durante a reunião de ontem, a Caixa apresentou justificativas para a sua proposta de composição da dívida, que inclui os valores apurados nas deduções: multa e mora (R$ 437 milhões), erro material (R$ 649 milhões) e reservas do grupo Sasse - INSS (R$ 260 milhões). As deduções totalizam R$ 1,3 bilhão. Seria ainda antecipado o pagamento da dívida ainda a vencer, em valores que chegam a R$ 1,7 bilhão.
Por outro lado, os conselheiros eleitos apontam a necessidade de que a Funcef passe por uma discussão ampla e abrangente, envolvendo questões como passivo oculto, avaliação atuarial, democratização da gestão, planos de benefício, aposentados e pensionistas, Prevhab etc. A próxima reunião do grupo de trabalho está marcada para segunda-feira da próxima semana, às 10h, em Brasília.
Também ontem aconteceu reunião entre Antônio Bráulio e José Carlos Alonso, membros eleitos do Conselho Deliberativo da Funcef e diretores da Fenae, e Bernardo Montello, técnico responsável pela avaliação atuarial da fundação. Os temas debatidos se referem também à dívida da Caixa.
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11:29 AM
by Cassiano Leonel Drum
24º lugar no mundo em utilização da internet e estacionado é uma colocação nada cômoda para o Brasil, que ainda é considerado um País de jovens. Quem sabe o Governo Lula não dá um incentivo aí para a população poder adquirir o seu microzinho para acessar a rede..
Joelmir Beting
Quinta-feira, 20 de fevereiro de 2003
Meia-volta, volver
A digestão de jibóia dos entulhos da bolha pontocom/datacom/telecom está chegando ao fim. O ainda estressado "bigbusiness" das novas tecnologias da informação (TI) ensaia entregar o bastão avariado a uma nova onda de soluções interativas já na idade das tecnologias da comunicação (TC).
Consultores do ramo sustentam que o megamercado das inovações tecnológicas, que chegou a desfilar o crachá presunçoso de Nova Economia, ainda não sabe como se faz a coisa certa. Mas já é uma grandeza o número de pessoas, de empresas e até de governos que já sabem como se faz as coisas erradas.
Vai daí que os negócios chipados começam a dar a volta por cima da desilusão das últimas mil e uma noites. Pesquisa da Giga Information Group, divulgada terça-feira, revela que os investimentos das empresas americanas em TI/TC voltaram a crescer em 2002, rompendo o viés de baixa apurado em 2001. Expansão modesta de 2,1%, longe da média de 14% ao ano no qüinqüênio da "irrational exuberance" de 1995/99.
As inversões somaram US$ 725 bilhões. O setor público, atiçado pelas áreas de Saúde, Educação e Defesa, aplicou US$ 123 bilhões.
Na faixa das 1.500 maiores empresas, a fatia de TI/TC voltou a situar-se, em média, acima de 2,5% do faturamento bruto.
Aqui no Brasil, a coisa não tem passado de 1%. Fonte: Perfil da Empresa Digital 2002, pesquisa divulgada ontem, realizada pela Fipe, em parceria com a Compuware, por encomenda da Fiesp. As médias empresas investiram, em média, R$ 310 mil. As pequenas, R$ 36 mil. As grandes, R$ 2,1 milhões.
Muito ou pouco para o estágio verde-amarelo? O suficiente para um Brasil que acaba de ser promovido do 38.º para o 29.º lugar no "ranking" global do World Economic Forum, divulgado anteontem. Intitulado Relatório Mundial de Tecnologia da Comunicação e Informação 2002/2003, o documento mede a pulsação de cada economia nacional em TI/TC.
A metodologia dá maior peso à pontuação de cada país em infra-estrutura de telecomunicações, em desempenho de mercado, em ambiente político e em modelo regulatório. Mas as melhores notas do Brasil estão na informatização do sistema financeiro e no chamado governo eletrônico. Neste quesito, somos hoje o 8.º melhor do mundo.
No "ranking" global, os Estados Unidos acabam de perder a liderança para a Finlândia - abstraindo-se as dimensões e as complexidades da sociedade americana. Em 29.º lugar, o Brasil lidera na América Latina. Em segundo, o Chile (35.º); em terceiro, a Argentina (45.º); em quarto, o México (47.º).
Nos usos da internet, especificamente, estamos estacionados na 24.ª posição. Com ênfase na inclusão digital de empresas e de governos. No sistema educacional, não figuramos entre os 50 mais bem equipados.
SECOS & MOLHADOS
Na berlinda - Para os consultores do World Economic Forum, o relançamento dos negócios de TI/TC vai depender do grau de convalescença nas duas pontas da cadeia tecnológica: o das telecomunicações (telecom) e o da internet (pontocom).
Em apuros - A base das teles continua no contrapé do endividamento e da descapitalização em todo o mundo. Elas tiveram de dar passos maiores que as pernas no triênio 1997/99. A ponta da Web transita da quebradeira da primeira onda para a vigília da segunda onda: a da banda larga verdadeiramente larga. Coisa para 2007. No mais tardar, 2010.
Em marcha - O meio-de-campo da computação ou da informática (datacom) volta a abrir suas asas sobre nós. A dinâmica do negócio está na criação de necessidades desnecessárias que se tornam absolutamente imprescindíveis no lançamento de cada uma delas.
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9:35 AM
by Cassiano Leonel Drum
Quem diz que não há uamento de salários? Houve sim no Senado, na Câmara dos Deputados e agora nas Câmaras de Vereadores dos quase 6 mil municípios brasilieiros. Como Porto Alegre possui 33 vereadores, para estes está havendo aumento sim. E olha que belo percentual de aumento, vocês não concordam que para o Salário Mínimo este aumento estaria de bom tamanho?
CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 20 DE FEVEREIRO DE 2003
Salário de vereador passa a R$ 7,15 mil
A mesa diretora da Câmara Municipal de Porto Alegre definiu ontem o reajuste de 75% em relação ao salário dos deputados estaduais. Com isso, os vereadores que recebiam R$ 4,5 mil passam a ganhar R$ 7,15 mil mensais. O aumento foi aprovado por unanimidade e valerá a partir deste mês. Segundo o presidente da Câmara, João Antônio Dib, a atualização era necessária, pois há nove anos os salários dos vereadores não tinham reajustes.
O valor da cota básica que os gabinetes recebem mensalmente para despesas com telefone, xerox e material de expediente foi mantido em R$ 8 mil. As duas ajudas anuais, no valor de um vencimento cada, também não sofreram modificações.
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9:24 AM
by Cassiano Leonel Drum
Já não diziam alguns poetas que lá fora chove mas aqui dentro quanto sol há. Ou lá fora há um sol que brilha, mas aqui dentro só nuvens escuras anunciando temporal... Que bom mesmo seria se os meteorologistas pudessem anunciar só tempo bom lá fora e dentro das pessoas também.
Paulo Sant'ana
20/02/2003
A meteorologia e o mercado
O Paulo Borges é o apresentador de meteorologia na RBS TV. Eu não sei como é que uma pessoa, anunciando o tempo, pode se tornar famosa.
Mas o Paulo Borges tem tanta comunicabilidade e talento que já marcou um tipo na nossa televisão.
Um dia eu flagrei uma antológica do Paulo Borges no Jornal do Almoço. Ele entrou no ar e disse: "Chove em todo o Rio Grande do Sul, principalmente em Santa Maria".
Eu não sei de onde é que ele tirou que, chovendo em todo o Estado, a chuva maior era em Santa Maria. Aqui em Belém Novo choviam até canivetes.
Eu acho que o raciocínio do Paulo Borges foi o seguinte: se chove em todo o Estado e se Santa Maria é o centro do Estado, então é lá que está chovendo mais. É o raciocínio do funil.
Só pode ter sido.
Além de tudo, o danado do Paulo Borges ainda é charmoso. Em toda loja de conveniência que entro, lá vem uma graciosa balconista se dirigindo a mim com ar de apaixonada.
Penso burra e vaidosamente que é por mim, qual nada! Todas as balconistas de lojas de conveniência e de magazines vêm me perguntar sobre como é que elas fazem para se encontrar com o Paulo Borges:
- Seu Sant'Ana, eu sou louca por ele. O senhor tem de dar um jeito de fazer eu me encontrar com o Paulo Borges, eu não morro sem sair e dançar com ele.
Mas não é só de rosas a relação do Paulo Borges com os telespectadores. Recebo cinco e-mails de comerciantes de Torres, três deles do sexo feminino.
Eles dizem que estão sendo prejudicados em suas vendas, pois quase todas as quintas ou sextas-feiras o Paulo Borges anuncia chuva em Torres no fim de semana.
- Sant'Ana, sabendo que vai chover, muita gente desiste de vir a Torres. E os nossos negócios ficam prejudicados. Não dá para tu pedires para o Paulo Borges se omitir ou anunciar tempo bom na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, ao contrário do que ele faz quase todas as semanas?
Está aí o registro. E é um caso de pensar se um bom meteorologista não seria aquele que só anunciasse tempo bom. Quando o céu enferrujasse em determinada região, o meteorologista só anunciaria o tempo nos lugares em que fosse reinar o sol.
E não é difícil cometer essa discriminação, como é que o contrário o Paulo Borges sabe fazer: "Chove em todo o Estado, principalmente em Santa Maria".
O meteorologista precisa ficar atento e cuidadoso às graves repercussões econômicas dos seus presságios.
O melhor meteorologista gaúcho seria aquele que anunciasse para todo fim de semana calor senegalesco no Litoral e neve em Gramado e Canela.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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9:16 AM
by Cassiano Leonel Drum
É uma pena que os professores não peçam por uma história de um livro que você leu nas férias, seus personagens principais e secundários. Tudo bem, mas pelo menos a narratória de um acontecimento inusitado, ou corriqueiro, mas alguma coisa, pelo menos...
Nilson Souza
20/02/2003
Papirofobia
As férias escolares estão terminando e a menina dos meus olhos - que, na verdade, é uma menina de verdade - ainda não leu um só livro, apesar da minha branda insistência. Não forço, mas faço uma pressãozinha mal disfarçada sempre que tenho oportunidade:
- E se a professora pedir para cada aluno contar uma história que leu nas férias?
Ela nem me responde, pois sabe que a professora não fará uma exigência dessas. Desconfio até que essa minha cruzada pela leitura corre o risco de ser considerada antipedagógica, pois as férias foram feitas para o descanso e para a diversão. Eu descanso e me divirto com um livro nas mãos, mas sou obrigado a reconhecer que uma menina de nove anos - atarefada com as amigas, com a praia, com a televisão, com o jogo da amarelinha (não é que ressuscitaram essa brincadeira?), com o computador e com mais uma infinidade de atrativos - tem pouco tempo para isso. Ainda assim, continuo tentando, ardilosamente, convencê-la a dar uma volta pelas páginas de um livro.
Minha última cartada foi presenteá-la com uma obra da italiana Susanna Tamaro. Escreve bem a moça. Eu já havia lido um outro livro de sua autoria, Vá aonde seu Coração Mandar, e não tive dúvidas de que estava investindo na coisa certa. O livrinho chama-se Papirofobia e tem tudo a ver com a situação. Conta a história de um menino que não gostava de ler, embora seus pais vivessem cercados de livros e o pressionassem para se tornar um leitor. O relato é divertido e o desfecho é surpreendente. É claro que, na condição de padrinho zeloso, tratei de ler todo o livro antes de apresentar dona Susanna à mocinha.
Mais do que isso. Já participei de todas as suas brincadeiras na esperança de uma retribuição em leitura silenciosa. Outro dia tomei um suador na amarelinha, que no meu tempo de criança se chamava sapata e não tinha inferno. Também fiquei um tempão na frente do computador acompanhando sua habilidade num jogo eletrônico chamado The Sims. Como convencer a geração digital a ler histórias quando, com um simples clique, essa gente é capaz de criar um mundo virtual e dirigir a vida dos personagens?
Não é de admirar que tenham papirofobia. Socorro, Susanna Tamaro!
nilson.souza@zerohora.com.br
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9:08 AM
by Cassiano Leonel Drum
Como o Veríssimo anda muito por Paris, assim como Fernando Henrique, acho até razoável que apoie a política francesa do Chirac, pois se não gostasse tanto do regime daquele País, não teria porque andar assiduamente por sua Capital.
Luis Fernando Verissimo
20/02/2003
O anti-Bush
Não sei se você viu. Na apresentação do relatório dos inspetores de armas do Iraque ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, na semana passada, houve uma troca de sutilezas bem-humoradas entre os representantes da França, da Inglaterra e dos Estados Unidos.
No fim do seu pronunciamento, o ministro Dominique de Villepin, mais aristocrata francês impossível, disse que era por ser um país antigo que a França conhecia os horrores da guerra e aprendera a enfrentar terrorismo com sabedoria. Uma alusão clara ao desdém com que o secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, se referira à França e à Alemanha como a "Europa velha", cuja oposição à invasão do Iraque era, portanto, irrelevante. Risos educados no salão com o revide polido de Villepin, o único orador aplaudido do dia.
Jack Straw, o secretário do Exterior da Inglaterra, prefaciou a sua fala com uma referência à estocada do francês, dizendo que a nação inglesa também era antiga, pois fora fundada no século 11 (pausa) pelos franceses. Mais risos, inclusive de Villepin. E Colin Powell entrou no minueto verbal dizendo que falaria por um país relativamente novo, mas que era a mais antiga democracia ali presente. "Touché", como diria algum antepassado do Villepin. Se tivessem ensaiado, os três não teriam sido mais típicos das suas respectivas atitudes e do momento.
Ponderação e oratória elegante da França, ironia seca da Inglaterra e um toque de irreverência dos Estados Unidos, com Powell lembrando - intencionalmente ou não - que seu país fora o primeiro a pôr em prática teorias libertárias que na Europa não passavam da retórica e que era hora de serem práticos outra vez, Villepin querendo dizer que alguns séculos de civilização deveriam valer para alguma coisa, nem que fosse só esperar mais um pouquinho, e Straw, cujo país tem sido acusado de ser um cachorrinho dos Estados Unidos, latindo com inteligência.
É curioso que o governo do Chirac faça a resistência à truculência do Bush filho que o Mitterrand não fez à do Bush pai, mas hoje há determinantes novos na história, como a necessidade européia de ter uma política independente dos Estados Unidos para combinar com a autonomia econômica que pretende e - o lado prático da oratória inspiradora - os interesses da própria França no Iraque. Seja como for, apareceu o anti-Bush perfeito. Villepin se credencia como o terceiro personagem, como é que se diz? Emblemático, neste poderoso drama mundial de final imprevisível. Entre o Ogro de Bagdá e o Caubói Apocalíptico, surge a Velha Europa, no melhor sentido da palavra, em pessoa.
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9:01 AM
by Cassiano Leonel Drum
Isso era Porto Alegre ontem, para uma administraçãode mais de 12 anos, tenho minhas dúvidas se poderia estar pior.
Clima
Debaixo dágua
Uma tarde de chuva forte alagou e causou transtornos em várias cidades gaúchas. Na Capital, em menos de seis horas, choveu o equivalente a 20% do volume registrado desde 1° de janeiro. A Avenida Goethe ficou submersa (foto Genaro Joner/ZH)
Quarta-feira, Fevereiro 19, 2003
Posted
10:37 PM
by Cassiano Leonel Drum
Chove nesta quarta-feira a noite e pelo que vi em todo o Estado. Porto Alegre como sempre, quando chove algumas ruas ficam alagadas e por isso mesmo impedidas de se transitar. Aliás, furtaram o Jet Sky do nosso amigo que aproveitava estes dias para usar o dito pelas ruas e avenidas de Porto Alegre. Não sei ainda se passei no meu intensivo de inglês de janeiro, até porque quiz desfrutar melhor este fevereiro que célere passa.
Nuvem de fumaça em dia de vento forte tem sido estes dias e deveriam passar mais lentamente até porque não estou mais estudando. Mas não é assim. Escrevam meus amigos. digam alguma coisa assim para eu não ficar aqui escrevendo para as bordas que teimam em me limitar. Sonhem com os anjinhos e até amanhã quando eu despertar, outra vez... Ainda bem que sempre existe uma amanhã..
O FABRICANTE DE BONECAS
Em um distante lugar viveu um amável velho que fazia bonecas.
Ele gastou toda a longa vida criando bonecas de todos os tipos, fazendo feliz todas as pequenas meninas do mundo.
Ele mantinha as tendências do mundo e tinha feito bonecas que diziam "Mamãe", bonecas que choravam, que andavam e piscavam.
Mas nosso fabricante de bonecas era muito sábio.
Ele sabia que era a hora dele dar uma contribuição especial.
Assim, com resolução no coração, ele fez a sua mais bonita criação.
Deu-lhe cachos marrons que trouxeram beleza ao longo cabelo.
Deu-lhe os mais belos olhos azuis que se poderia contemplar.
Esta boneca especial tinha longas pernas com as quais poderia dançar, correr e brincar, e até mesmo caminhar um bom pedaço.
Deu-lhe mãos bonitas para trabalhar e servir e ensinar todas as outras bonecas.
Os dedos dela eram longos e esbeltos.
Com estes, esperava o velho homem que ela confortasse com carinhos.
Tinha a face bonita.
Vestiu-lhe com um vestido cintilante e suave, e no último dia quando ela estava pronta, ele a ergueu com grande cuidado e a ajustou delicadamente na frente de um grande espelho.
- O que você acha? Ele perguntou - Você não é a boneca mais bonita do mundo?
A boneca olhou entusiasmada.
De repente a bonita face perturbou-se e irritada ela disse:
- Odeio esse cabelo marrom e eu sempre desejei olhos verdes.
Estas não são as cores que eu teria escolhido para mim.
E veja como são magras e longas as minhas pernas!
Como são grandes os meus pés!
Meu vestido é muito ordinário.
Eu não sou uma boneca bonita!
Tal e qual a boneca, nós fomos criados com as mais bonitas qualidades.
Não olhe nos espelhos da vida para desejar ser algo que você não é.
Nós devemos agradecer o grande "fabricante de bonecas" que nos fez...
autor desconhecido
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9:33 PM
by Cassiano Leonel Drum
Mistérios e desafios do número sem fim
Enquanto supermáquinas tentam ampliar e desvendar os limites do Pi, competição busca descobrir quem é capaz de memorizar a maior quantidade de suas casas decimais
ROBSON PEREIRA
Todo mundo conhece a fábula do cachorro que tenta morder o próprio rabo. Ele gira o mais rápido possível e quanto mais perto chega, mais longe fica do seu objetivo. Há mais de 2 mil anos, o homem experimenta um desafio semelhante, embora saiba que, como o cão da fábula, jamais chegará a lugar nenhum. E não há banda larga ou tecnologia de ponta que possa ajudá-lo.
Para o homem, o desafio está representado pela letra Pi, a décima sexta no alfabeto grego, adotada pela matemática moderna para representar a relação entre o perímetro do círculo e o comprimento do seu diâmetro. Parece complicado? Deixa pra lá. Vamos ficar com a fábula, que é mais saborosa.
Aprendemos na escola que o valor de Pi, a mais antiga constante matemática de que se tem notícia, é 3,1416. Esses cinco dígitos seriam uma aproximação de um cálculo realizado por chineses em 450 a.C. (3,1415926), com base nas descobertas feitas por Hipócrates, Arquimedes, Apolônio e outros matemáticos e astrônomos gregos.
As quatro casas decimais ensinadas na escola há muito são suficientes para atender a maioria das nossas necessidades. Para as aplicações que exigem um maior rigor nos cálculos, apelamos para os sete dígitos chineses.
Possivelmente, os gregos sabiam (ou desconfiavam) que o número de casas decimais do Pi era muito maior, mas acreditavam que depois de um certo ponto os dígitos entrariam em uma seqüência, que se repetiria mais para a frente.
Só no século 18 surgiram as primeiras evidências de que o valor exato do Pi - como o rabo do cachorro - jamais será alcançado. O matemático William Shanks, por exemplo, teve uma prova disso. Passou 15 anos de sua vida fazendo contas, com lápis e papel, e chegou a 707 casas decimais sem encontrar a tal seqüência lógica.
Depois dele vieram vários outros, até que em 1961 um IBM 7090 quebrou a barreira dos 100 mil dígitos do número de ouro da matemática. Em 1973, chegamos ao primeiro milhão de algarismos. Em 1991, pulamos para dois bilhões e recentemente chegamos à fantástica marca de 206.158.430.000 casas decimais, graças a um possante Hitachi SR8000, "pilotado" pelos japoneses Kanada e Takahashi.
O número atual é tão grande que é provável que jamais venha a ser impresso.
E para chegar até ele, o computador precisou de apenas 38 horas. Não foram em vão, mas Shanks bem que poderia ter usado melhor aqueles 15 anos de sua vida no século passado. Como consolo, resta o fato de que lápis e papel de um lado e o supercomputador, do outro, separados por mais de 130 anos, chegaram à mesma conclusão: a inexistência de uma seqüência lógica a guiar essa infinidade de números.
Mas a fábula continua. Enquanto supermáquinas tentam ampliar e desvendar os limites do Pi, meia centena de super-homens (não mais do que isso) participam de uma estranha competição para ver quem é capaz de memorizar a maior quantidade de casas decimais do precioso número. O recorde mundial (está no Guinness Book, acreditem) pertence a Sim Pohann, da Malásia, que decorou e citou 67.053 dígitos. O recorde anterior pertencia a Yip Swe, também da Malásia, que em 1998 memorizou os primeiros 60 mil dígitos do Pi.
Pohann e Swe são alguns dos nomes que no segundo semestre estarão participando do Campeonato Mundial de Memória, em Londres, promovido pela Federação Internacional de Memória Esportiva, IFMS na sigla em inglês. No ano passado, a batalha de neurônios foi vencida pelo inglês Andi Bell que, entre outras proezas, conseguiu memorizar 2.643 dígitos aleatórios em apenas 30 minutos. Também pertence ao mesmo Bell o atual recorde mundial de memória na categoria cartas (ele memorizou 1.197 cartas de baralho em 60 minutos).
Se alguém quiser tentar, a ficha de inscrição está no site da IFMS (www.worldmemorychampionships.com). Mas fica o aviso: a participação no torneio está condicionada a alguns atributos mínimos, entre os quais a capacidade do atleta em decorar uma seqüência mínima de 700 dígitos aleatórios em meia hora ou multiplicar dois números de oito dígitos cada em apenas 30 segundos. Claro, sem usar lápis e papel, como William Shanks ou o Hitachi SR8000, como Kanada e Takahashi.
Quem quiser treinar para uma eventual participação futura, uma boa dica seria se divertir com os jogos da memórias existentes na internet. O pessoal do Instituto de Matemática e Estatística da USP procure em www.linux.ime.usp.br e da Sociedade Brasileira de Cardiologia veja em http://prevencao.cardiol.br criaram algumas variações bem educativas desse tradicional jogo. E para quem estiver interessado em aprofundar seus conhecimentos sobre o Pi, comece pelo endereço http://athena.mat.ufrgs.br.
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9:16 PM
by Cassiano Leonel Drum
Gosto do Joelmir por essas coisas que ele escreve e pelas fontes que ele cita. E as entrelinhas do Secos e Molhados estão demais.
De Friedman a Freud
De Lula ao mercado: "Pare de me dizer a toda hora o que devo ou não devo fazer. Afinal, quem foi escolhido pelo povo para governar este país? Eu ou você?" Do mercado a Lula: "Você, presidente. Mas quem dita as regras sou eu!"
Esse "diálogo cruel" é simulado pelo economista Rubem de Freitas Novaes, em artigo para o jornal Valor (17/2/2003), para ilustrar o cativeiro intelectual (e operacional) em que se meteu, não é de hoje, a política monetária com aval palaciano. Ou, agora, com aval palocciano.
Sim, continuamos todos reféns da Selic, taxa básica de juros. Seria ela o verdadeiro presidente do Brasil? Tal como no governo FHC, a política monetária sopesada e executada por um Banco Central ainda não independente faz com que também o presidente Lula exerça o melancólico papel de rainha da Inglaterra: reina, mas não governa.
Não é para menos. Segundo a cartilha monetarista made in Chicago, seguida ao pé da letra aqui em Botocúndia, a Selic desfruta de tamanha capacidade de intervenção na vida da gente que basta uma alteração periódica da taxa, à direita da vírgula, para expandir ou encolher o consumo, a produção e o emprego.
E mais: no mesmo torque, e por seu poder de indução de todos os mercados de bens e serviços em geral, uma ligeira penada da Selic, à direita da vírgula, é capaz de segurar a inflação pelos chifres, trancafiando o dragão na jaula da recessão preventiva e/ou punitiva.
E tome nos jornais de hoje a recorrente chamada da nova reunião do Copom, comitê do Banco Central encarregado de mexer (ou não) na Selic: "Analistas financeiros esperam que a Selic suba hoje, na reunião do Copom, em até 2 pontos porcentuais. Para eles, esse ainda é o remédio infalível para conter a alta da inflação."
Bem, estou de picuá estourado de tanto contestar, nesta coluna, esse rasgo de monetarice enrustida, com sua granítica "coerência no equívoco", diria Roberto Campos. Se recessão derrubasse inflação, a Argentina estaria em deflação desde 1999. Ano passado, o PIB regrediu 14% e o IPC explodiu 43%.
Friedman explica? Nem Freud.
Mas já que eles não desistem do lado de lá, eu insisto no lado de cá. A Selic monitora os preços administrados pelo governo? Não. Ela interfere nos preços dolarizados pelo mercado, incluídas as estatais Petrobrás e Eletrobrás? Não. A Selic alcança os 93% do consumo agregado banidos do crédito em banco e em loja? Não.
Pois os preços administrados e os preços dolarizados, de mãos dadas, respondem por dois terços dos núcleos do IGP-M e do IPCA acumulados nos últimos 12 meses.
E vamos nós. Amplia-se a overdose do arrocho monetário em nome da "reversão das expectativas inflacionárias" no mesmo dia em que o governo autoriza reajustes de 18% a 42% nas tarifas de energia, insumo básico da economia.
SECOS & MOLHADOS
Onde pega - Se crédito curto e caro supostamente segura a inflação, o tranco não está na Selic no alto e em alta, mas nos empréstimos de balcão. Com "spreads" opacos de 54,3% nos bancos e de até 83% nas lojas. Fonte: Procon.
Usurabrás - Pois os consumidores desinformados continuam espancados por juros anualizados de 88,4% no crédito pessoal em banco, de 117,3% no crediário em loja, de 221% no cheque especial, de 234% no cartão de crédito e de até 325% nas financeiras... Fonte: Bacen.
Exclusão - O novo governo TPS (Tudo Pelo Social) ainda não foi avisado do detalhe: as despesas financeiras já devoram 32% do orçamento das famílias brasileiras de baixa renda hipotecadas em banco ou em loja. Fonte: Anefac.
Festança - Essa dissonância cognitiva da política monetária, endossada pelos analistas e até pelos empresários, serve apenas para encher as burras dos bancos. Em 2002, lucraram 24,5% do patrimônio líquido. As grandes empresas do setor produtivo, 5,6%. Fonte: Austin Asis.
Joelmir Beting
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2:25 PM
by Cassiano Leonel Drum
Depois de passar a manhã sem conseguir postar por problemas no servidor do Blogger, aprendi que as pessaos ficam tentando adivinhar as razões dos por quês. E quanta criatividade aparecem nestes momentos!
Enfim estamos no ar outra vez, e isso é o que importa. Perdoem pelo atraso, quem sabe se tivesse postado mais cedo ainda tivesse tido tempo antes de o Blogger ter ficado inoperante. E conforme a previsâo do tempo, a chuva ocorre torrencial na Capital dos pampas. Mas também depois de tantos dias de sol é até interressante que uma chuva assim lave as ruas neste meio de semana.
Para aqueles que fizeram vestibular e ainda não sabem o resultado, calma, há uma gama de coisas interessantes por fazer, até poder-se festejar o sucesso conseguido. Aproveite ainda que as aulas não começaram e visitem, encontrem com os amigos, porque depois... Depois será outra conversa.
"Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto"
Einstein
"Tem pessoas que fazem do sol uma simples mancha amarela. Tem pessoas que fazem de uma simples mancha amarela o sol."
Picasso
"Podemos ser as crianças que somos, criar novas coisas, podemos fazer mágicas, podemos curar, podemos explorar, podemos criar o jogo maior. Esta é a total reestruturação e transformação que necessitamos para haver um mundo mais abundante e mais humano..."
Marilyn Ferguson
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1:51 PM
by Cassiano Leonel Drum
Informe Econômico
Lurdete Ertel - 19/02/2003
Banco do$ réu$
As instituições bancárias não querem pagar sozinhas o preço de imagem dos exorbitantes juros cobrados no Brasil.
Estudo divulgado ontem pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) defende que o Poder Judiciário também tem culpa pelo salgado preço do crédito no país: segundo o levantamento, elaborado pelo economista Armando Castelar Pinheiro, 30% do total do spread bancário reflete a morosidade da Justiça.
A relação entre alhos e bugalhos? Acontece que o mercado de crédito depende do cumprimento de contratos, que muitas vezes vão parar nos tribunais. A falta de agilidade na decisões estaria contribuindo para o arrocho do crédito na praça, que em 2002 representou 24% do PIB do país ¿ menos da metade do padrão dos países desenvolvidos. O estudo aponta que a morosidade do Judiciário em julgar casos de inadimplência seria outro fator que prejudicaria o empréstimo de dinheiro no Brasil.
Vocês verificam até que ponto há imlicância de uma coisa na outra. Quer dizer as Instituições bancárias elaboram as minutas contratuais a seu bel prazer que os tomadores de créditos aderem. Depois elas mesmas não cumprem com as cláusulas estabelecidas, razão porque esses contratos vão ser discutidos na justiça.
Aí eles aumentam as taxas de juros porque o Judiciário leva tempo para decidir sobre estes contratos e o que aqui ainda não diz é que como a maioria dos valores são reduzidos as instituições perdem em receita, encontram ai uma nova razão para um aumento nas taxas de juros até para quem paga, para compensar os maus pagadores, não é justo para os bancos?
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1:50 PM
by Cassiano Leonel Drum
E eu diria pelo menos o Grêmio está na Libertadores, mas e aí. Dois gols no Grenal sem explicação. Três do Juventude que pelas barbas do profeta e ontem mais dois do Penharol em 300 segundos isso é praticamente cina. Quanto ao aumento justificável das tarifas de água, é assim mesmo sempre há uma explicação para os aumentos, menos para os aumentos de salários que como não há aumento, portanto não há necessidade nem de explicação.
Paulo Sant'ana
19/02/2003
Reajuste na água
O Grêmio de ontem quase que imitou a si próprio na comparação com aquela atuação do Gre-Nal. Tinha tudo ontem à noite para sair vitorioso de Montevidéu, faltavam apenas quatro minutos para terminar a partida e trazer para Porto Alegre uma vitória consagradora, mas deixou que esta glória escapasse. Quase não dá para acreditar que uma vitória parcial de 2 a 0 se esvaia em um empate em apenas cinco minutos, os 300 segundos finais.
Mas o futebol é assim. Pelo menos o time atacou o segundo tempo, o que irritantemente não fizera na primeira etapa.
Pelo menos os garotos Douglas e Élton demonstraram que podem vir a ser valores destacados do time num futuro próximo.
E pelo menos o Grêmio é o líder do seu grupo, com quatro pontos em dois jogos.
O diabo é que a vitória de 2 a 0 já estava quase garantida. E se fosse mantido aquele resultado, isso significaria desde já, praticamente, a classificação do time para a segunda fase, fundamental para um time que contará já então com Christian. E com o empate de ontem a classificação continua lutada.
Não dá para desconhecer que a vitória do Peñarol foi obtida por meio ilegítimo: Danrlei sofreu falta escandalosa no segundo gol do Peñarol, foi atacado no ar de forma acintosa.
Mas Claudiomiro cometeu mesmo o pênalti sobre o avante uruguaio. E Danrlei fez uma defesa burocrática diante do mau arremesso da cobrança adversária.
O empate acabou apenas como consolo para uma frustrada mas entusiasmante sensação de vitória de que estávamos todos tomados.
Foi uma pena. Mas isso acontece em futebol.
Detalhe preocupante: nas últimas quatro partidas, o Grêmio sofreu nove gols.
Há um nódulo no sistema defensivo.
Sobre o meu pedido ao governador Rigotto para que não permita de forma alguma o anunciado aumento de 30% na tarifa de água da Corsan, recebo resposta do presidente da autarquia estadual: "Confesso que, à semelhança de um jogador que participou de uma grande mesa, aguardava com alguma expectativa a oportunidade de voltar a ter contato contigo.
Hoje, orgulhosamente presido a Corsan. Foram-se os tempos de porta-voz.
Hoje, devotadamente, estou atento aos aspectos que dizem respeito ao fornecimento de água e esgoto aos gaúchos.
Tua coluna de domingo passado trouxe-me de volta à mesa.
Sant'Ana, encontrei a companhia com 18 meses sem reajuste de tarifa! Isso que a composição de nossos custos passa pelo valor dos juros, pela energia elétrica e pelo preço dos produtos químicos...
O necessário equilíbrio entre o dever de fornecer saneamento a preços acessíveis à nossa população e a possibilidade empresarial de fazê-lo tem sido nossa preocupação diuturna.
Já com relação ao percentual, espero que não se transforme em profecia auto-realizada. Estamos recém iniciando os estudos.
Finalmente, espero mais uma vez ter honrado 'a co-relação respeitosa e profícua entre governo e imprensa'. P.S.: Os dados técnicos que justificam os estudos de aumento, bem como o tamanho do déficit mensal, estão à disposição do amigo. Um abraço. (ass.) Vitor Bertini, presidente da Corsan".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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1:48 PM
by Cassiano Leonel Drum
Diana Corso
19/02/2003
Bloom X Rowling
O crítico americano Harold Bloom desejou partilhar o seu acervo pessoal e abriu o seu baú de histórias e poesias. O resultado é a seleção de textos intitulada Contos e Poemas para Crianças Extremamente Inteligentes de Todas as Idades (Ed. Objetiva). Nele encontramos alguns graciosos textos de Chesterton, Kipling e Zola, assim como uma série de poesias cuja tradução duvidosa nos leva crer que devem soar muito bem em inglês.
No Brasil temos a já antiga experiência da coleção da Ed. Ática intitulada Para Gostar de Ler, a qual talvez produza melhores efeitos nos jovens leitores, pela mestria no uso da nossa língua. O lançamento do livro de Bloom é acompanhado de uma série de entrevistas, em que o autor critica não só o fenômeno Harry Potter como também toda a literatura infantil contemporânea, que seria "um cardápio inadequado para qualquer leitor, de qualquer idade, em qualquer época".
Sempre houve e sempre haverá literatura barata, mas também sempre houve e haverá intelectuais apocalípticos dizendo que tudo de bom já foi feito e que a poesia não sobreviveu à guerra. Rowling, a autora de Potter, bebeu na fonte dos mitos e lendas da tradição ocidental e com eles organizou suas aventuras infanto-juvenis. Talvez seus livros não ultrapassem esta geração por serem "mal escritos", como preconiza Bloom, porém os seres mágicos que ali reencontraram seu público seguirão buscando formas de existir. São eternos sobreviventes, justamente porque há crianças de todas as idades.
Mas há uma questão relativa ao título deste livro ¿ Crianças Extremamente Inteligentes ¿ que traduz uma tendência de nosso tempo mais perigosa do que a literatura barata: a transformação da inteligência numa meta de consumo. Não há família que não confunda a instrução de seu filho com um degrau para o almejado sucesso, sendo assim, um livro com semelhante título torna-se um verdadeiro caça-níquel, pois todos querem que sua criança seja ¿extremamente inteligente¿. Daí para colocar no mesmo saco inteligência, informação e cultura é só um passo.
A cultura provém da passagem da tradição oral de histórias de uma família, dos autores recomendados por um mestre ou um amigo, e é feita de vínculos, onde pouco importa o que cai no vestibular. A cultura que se possui é formada a partir de experiências feitas e sofridas, leituras sentidas, conversas significativas, ela nada tem a ver com quantidade de informação, seja de palavras ou dados. A inteligência não serve como indicador de sucesso, ela é fruto de solidão, fracassos, medos e introspecção. Do mesmo material que se fabrica a boa literatura.
diana.corso@zerohora.com.br
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1:47 PM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
19/02/2003
Cachorros e morros
Os muito pobres e os muito ricos, eles têm tanto em comum. Como os cachorros. Muito pobres e muito ricos sempre são cheios de cachorros. Não possuem apenas um ou no máximo dois. Quem se contenta com um único cachorro é a classe média. Os muito pobres e os muito ricos só ficam contentes com vários. Seis, sete, até uma dúzia de cachorros. Você vai na casa de um nababo e é um inferno de poodles com fitas na cabeça, dobermans com dentes à mostra e labradores saltitantes. Você cruza com um papeleiro ou um mendigo e ele está inevitavelmente cercado por uma cachorrada de todos os tamanhos e pelagens e tipos de sarna. Que coisa.
Eles também gostam de morros, os aristocratas e os desvalidos. Você sobe num morro e encontra ou mansões refulgentes ou choupanas precárias. Só que os pobres não dizem mais que vão subir o morro. Eles dizem assim, a voz molejante:
Vou subir a colina.
Colina!
A classe média? A classe média está na planície.
Finalmente, há a luxúria. Só se encontra a verdadeira luxúria, o pecado desbragado, sem pejo nem vergonha, nas festas dos muito pobres ou dos muito ricos. A classe média? A classe média e sua culpa cristã se homiziam nos seus batizados com salgadinhos e nos seus churrascos familiares.
Os muito ricos e os muito pobres, extremos separados por enormes blocos de dinheiro que uns têm e outros não, os muito pobres e os muito ricos são opostos como o goleiro e o centroavante. Tão diferentes, goleiro e centroavante, e tão iguais. Um e outro geralmente são, ou precisam ser, irresponsáveis. Manga era como Dario, Leão idêntico a Serginho, Chilavert tão temperamental quanto Romário.
E o Danrlei. Por isso que Danrlei é quem é. Meio desatinado, meio apaixonado, Danrlei se comporta exatamente como o seu oposto. Quem quiser entendê-lo, entenda assim: Danrlei é um centroavante no gol.
Datilografia
Houve um tempo em que as pessoas faziam curso de datilografia. Era fundamental, na vida, fazer curso de datilografia. Então fiz. Até hoje aquele versinho faz parte dos entulhos da minha memória:
A, esse, dê, efe, gê
Cecedilha, ele, cá, jota, agá
Era assim que se aprendia a bater à máquina. Os livros eram escritos à máquina. Jornais eram feitos à máquina. Um barulhão nas redações, clec, clec, clec, clec, clec!
Lembro do Jornal da Manhã, lá de Criciúma. Era todo feito à máquina. Eu era seu orgulhoso editor-chefe. A sede do jornal havia sido instalada numa casa que antes servira como moradia de uma família. A redação ficava no quarto de casal. Éramos 10 jornalistas consumindo o ar daquela salinha. Aí aconteceu um verão mais ou menos como esse de agora muitos dias muito quentes. Não tínhamos ar-condicionado. Ventilador, não dava para usar as laudas das máquinas voariam, nenhum papel pararia nas mesas.
Nossa única opção era suar. E suávamos. O suor nos escorria em bagas, empavava-nos as camisas, as calças, as meias, os cabelos pingavam. Martelávamos nas máquinas com ferocidade e suávamos ainda mais. O ar na redação se tornava denso, quem chegava de fora sentia o cheiro acre que exalava dos corpos, as máquinas pareciam prestes a se incendiar. Nunca senti tanto calor.
Até ir comentar o último jogo do Grêmio contra o Juventude, sábado passado. Estava na cabine, à sombra, e mal suportava o calor. No segundo tempo, depois de 45 minutos de esforço, meu rendimento caiu. As frases me saíam pastosas, vez em quando me distraía.
O que você está achando do Basílio, David Coimbra? perguntava o narrador Gustavo Manhago.
Eu ouvia meu nome, mas não respondia de pronto. Não registrava bem o que estava acontecendo, parecia flutuar num sonho quente, muito quente. Aí me flagrava:
Ah, o Basílio...
E falava sobre o Basílio, algo que me custava um tanto, naquela canícula.
No dia seguinte, o Tinga comentou a respeito do calor. Confessou que o rendimento dele também caiu, no segundo tempo. Pudera: Tinga corria sob o sol, prensava bolas, dava ombradas no adversário. Há que se dar um desconto para os times nesse começo de ano, portanto. E para os comentaristas também, por amor de Deus!
david.coimbra@zerohora.com.br
Terça-feira, Fevereiro 18, 2003
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8:32 PM
by Cassiano Leonel Drum
Assim como foram trocados e continuam a ser os Vice presidentes da CAIXA, do Banco do Brasil, nada mais justo que fossem trocados também os diretores do BACEN que haviam sido conduzidos por Armínio Fraga ainda. Pode ser que após a implementação de todas essas mudanças, algo melhor efetivamente venha ocorrer. Espera-se, é preciso acreditar que haja fundo para este buraco em que estamos.
18/02/2003 - 19h06
Fazenda anuncia três novos diretores do Banco Central; veja nomes
SANDRA MANFRINI
FELIPE FREIRE
da Folha Online, em Brasília
O Ministério da Fazenda anunciou no início da noite a troca de três diretores do Banco Central, entre eles a diretora de Fiscalização Tereza Grossi, o que deve acalmar os ânimos da ala mais radical do PT.
Essas diretorias estavam sendo ocupadas ainda por membros da equipe do ex-presidente da instituição Armínio Fraga.
Para a diretoria de Política Monetária, foi indicado Luiz Augusto Candiota, que trabalhou no Citibank e com Benjamin Steinbruch no Banco Fibra. Atualmente, o cargo é exercido por Luiz Fernando Figueiredo, remanescente da gestão de Fraga no BC.
Figueiredo, um dos diretores do BC mais ligados à condução da política econômica do governo anterior, já havia manifestado ao presidente do BC, Henrique Meirelles, sua intenção de deixar o cargo. Ele fazia parte da equipe montada por Armínio Fraga logo após a sua posse, em 1999.
Tereza Grossi
Para a diretoria de Fiscalização, hoje ocupada por Tereza Grossi, o nome escolhido é o de Paulo Sérgio Cavalheiro, chefe do departamento de Supervisão Direta do BC.
A bancada do PT no Congresso pediu formalmente o afastamento de Tereza Grossi, funcionária de carreira do BC, devido ao seu envolvimento no socorro oferecido aos bancos Marka e FonteCindam na maxidesvalorização do real, ocorrida janeiro de 1999.
João Antonio Fleury Teixeira será o novo diretor de Administração, hoje comandada por Edison Bernardes dos Santos. Ele o atual chefe do Departamento de Gestão de Recursos Humanos e Organização do BC.
Os nomes precisam ainda ser aprovados após sabatina no Senado. A troca dos diretores foi anunciada em nota por volta das 19h, quando já havia terminado o primeiro dia da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), que hoje deverá anunciar nesta quarta nova alta da taxa de juros, segundo expectativa do mercado. A taxa atual está em 25,5% ao ano.
Desgaste
Durante encontro com a bancada do PT no Congresso, Palocci ouviu pedidos insistentes para que Grossi fosse retirada do cargo. O PT, durante o governo FHC, teceu críticas fortes contra a atuação de Grossi a frente do episódio dos bancos Marka e FonteCindam. Na ocasião, o ministro deu indicações aos parlamentares de que a diretora seria substituída no prazo de um mês.
Palocci indicou ainda o nome de João Antônio Fleury Teixeira, atual chefe do Departamento de Recursos Humanos e Organização do BC, para ocupar a diretoria de Administração, em substituição a Edison Bernardes dos Santos.
O ministro esperou que o Congresso voltasse aos trabalhos para fazer a troca no BC, já que os nomes precisam ser aprovados pelo Senado. Os indicados terão que ser sabatinados pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado para que assumam o cargo. Enquanto isso, os atuais diretores deverão permanecer no BC.
Palocci anunciou também o nome do novo secretário de Acompanhamento Econômico, que será José Tavares de Araújo Júnior. Desde que o secretário Claudio Considera deixou o cargo, no final do governo FHC, a Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico) estava sem titular.
Foi ainda anunciado o nome de Reynaldo Fernandes para ficar a frente da Esaf (Escola de Administração Fazendária).
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6:29 PM
by Cassiano Leonel Drum
São números expressivos, para serem conquistados e trazidos para o lado do Presidente e para o bem do Brasil. Mas quando meche no bolso de alguns, essas pessoas mudam facilmente de lado e não sei se o Presidente terá muita facilidade não. Espero, mas não levo muita crença.
Titanic, não
Sim, "não temos vocação para Titanic", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada. Ele remetia a carapuça para a galera radical do PT, que exige publicamente do transatlântico Brasil um cavalo-de-pau digno de um Fusquinha em terra batida.
Ontem, na mensagem de boas-vindas ao novo Congresso Nacional, o presidente voltou a desfiar, nas entrelinhas, o eixo da "realpolitik" deste primeiro governo petista. Discurso recortado para localizar o abismo que separa o Brasil que deveria ser feito do Brasil que pode ser feito. E bem-feito, se possível.
Sentado no trono de ouro da popularidade interna e da credibilidade externa -- capital político volátil --, o presidente Lula já sentiu o peso de chumbo das candentes "desiderata" de nossa democracia burguesa -- mais esperançosa hoje que na instalação da Nova República, em 1985.
Para senadores, deputados, ministros e magistrados, o presidente Lula renovou as promessas do batismo assumidas com meia dezena de reformas de salvação nacional ou de remissão coletiva: previdenciária, tributária, financeira, trabalhista e política São mudanças de fundo, ainda sem versão definitiva. Mas todas elas tendo de contar, necessariamente, com o aval da Câmara, do Senado e do Judiciário.
Calculista, desenhista e projetista dessas reformas, o governo Lula, em minoria do Congresso, vai precisar do lastro mínimo de 257 deputados e 41 senadores para a promulgação de leis complementares. Ou de 308 deputados e 49 senadores para as emendas constitucionais. Em duas votações, em dois turnos, nas duas Casas. Democracia pra nenhum suíço botar defeito.
São reformas tecnicamente complexas e politicamente abrasivas. Tanto assim que estão em gestação intermitente, entre nós, de Sarney a Lula, via Collor, Itamar e FHC. Há quem defenda recomeçar tudo do zero. Claro, com propostas arredondadas até maio ou junho, no mais tardar. Não dá para perder mais tempo com o debate de intenções em aberto -- enrolação que ensaia despejar água clorada no chope ainda espumoso do recém-instalado Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.
Na mensagem de ontem, o presidente Lula deu a entender que temos de ser suficientemente apressados para realizar as reformas e suficientemente cautelosos para não cometer bobagem em nome da urgência. Será que esse preceito permitiria definir o projeto da Previdência até maio? Desconfio que não. A questão da adoção ou não do "regime único" ensaia desandar a maionese dessa reforma, tal como o impasse da "partilha do poder fiscal" entre União, Estados e municípios teima em congelar a reforma tributária no Congresso desde 1992.
Pelo cheiro da brilhantina, a previdenciária e a tributária terão de contar com pelo menos 308 estadistas na Câmara, 49 estadistas no Senado -- além do estadista já instalado no Palácio do Planalto.
SECOS & MOLHADOS
Sem emoção - Em terceiro plano, transita a reforma do sistema financeiro, vulgo regulamentação do artigo 192 da Carta de 1988. Uma reforma, de resto, fatiada, já a meio caminho. Com mata-burros nesta próxima curva: a do grau de autonomia do Banco Central. Do PT ao PFL, os congressistas torcem o nariz para uma autoridade monetária vacinada contra ingerências políticas diretas ou oblíquas.
Sem coragem - Em quarto plano, a reforma trabalhista. Aqui, a intenção tornou-se um fim em si mesmo. Tem-se no trato dela uma desconversa organizada. Ainda que exista algum consenso na tríade Estado-Capital-Trabalho, quem ousará colocar o sininho no pescoço do gato siamês da CLT?
Sem apetite - Em quinto plano, a reforma política. Esta tende a ser empurrada com a barriga até 2010. Os políticos não deixam de legislar em causa própria. Nada de voto distrital misto, de fidelidade partidária monástica ou de transparência contábil no financiamento público de máquinas partidárias e de campanhas eleitorais.
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6:18 PM
by Cassiano Leonel Drum
Se a moda pega nos demais Estados e nas demais OABs, não se sabe o que será do nosso novo código Civl. Mas está aí a vontade dos novos causídicos é tirar a carteirinha necessária para atuar em causas, sendo a primeira para estréia, contra a própria OAB carioca. E vocês o que pensam a respeito?
INFORME DO DIA
Arnaldo César
Código relegado
Coitado do novo Código Civil. Nem a representação da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro faz fé na nova lei. No fim de semana, haverá exame, na sede da OAB, para os bacharéis em Direito que pretendem receber o registro para advogar. Mas as questões só serão válidas se forem calçadas no moribundo Código Civil promulgado em 1916.
Os futuros causídicos imaginavam que sua entidade de classe deveria ser a primeira a estimular a nova lei, que entrou em vigor no dia 11 de janeiro. Que nada! Há vários cartazes afixados nas paredes da sede da OAB, no Centro, avisando que aqueles que quiserem exercer a profissão terão que ter na ponta da língua leis promulgadas há quase 100 anos.
Não bastasse isso, há duas perguntas na prova ¿ as de número 31 e 47 ¿ com erros de digitação e omissões que a entidade se recusa a corrigir. Por isso, já há bacharéis querendo tirar logo o tal registro só para poder processar a OAB.
Corrosão
Ontem, os barbudinhos que militam no gabinete do ministro José Dirceu estavam que eram uma alegria só.
O senador ACM não foi o único que se estrepou com as fitalhadas na Bahia. O Seu partido, o PFL, foi de roldão nesse escândalo. Virou pó de nada.
Oposições
Pensava-se que o PFL faria oposição ao Governo Lula.
Virou uma sigla tão sem musculatura que Lula dizia ontem, com incontida mordacidade, que a oposição à sua administração atende pelos nomes de Babá, Heloísa Helena e Garotinho. Faz sentido.
Ocupação
O ex-governador Garotinho já sabe o que fará da vida nos próximos meses. Vai mergulhar na montagem de dois seminários internacionais: um sobre a Amazônia e outro sobre segurança pública nas grandes cidades.
Ambos serão transformados em livros.
Amor
Dois bicudos petistas que não se beijavam, o deputado federal Jorge Bittar e a ministra Benedita da Silva, estão de bem.
Ela apoiará Bittar para a Prefeitura do Rio nas eleições de 2004. O acerto foi selado com jantar à luz de velas, em Brasília.
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8:21 AM
by Cassiano Leonel Drum
Hora de botar a mão na uva
Este ano a vindima vai até março e quem for à Serra Gaúcha poderá conhecer o processo de colheita até a a saída da garrafa para o mercado
Pedro Motta Lima
Após serem colhidas, as uvas são colocadas em caixas de 16 a 20 quilos e levadas para pesagem e medição
Esta é a hora, para quem gosta de viajar e de saborear um bom vinho, de visitar a Serra Gaúcha. Além de conhecer uma região conhecida por sua beleza e aprender sobre a fabricação do vinho, desde o plantio da uva até a saída da garrafa para o mercado, o visitante ainda poderá ver de perto a colheita. Este ano a vindima atrasou um pouco e a colheita vai se estender até março, dá a dica o presidente da Associação Brasileira de Sommeliers do Rio de Janeiro (ABS), Ricardo Augusto de Farias.
A fermentação é realizada em cubas de aço inox, onde há controle de temperatura. O açúcar vira álcool
Os municípios de Bento Gonçalves e Garibaldi concentram as principais vinícolas brasileiras, sendo que o Vale dos Vinhedos é considerada a principal região produtora do País. Tanto que a Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale), que reúne 23 vinícolas, já obteve atestado de indicação geográfica de procedência, que é o primeiro estágio para se tornar uma Denominação de Origem (os tradicional DOCG da Itália e AOC franceses).
Esta é uma boa época para se conhecer a região, pois o consumidor passa a conhecer a origem do produto. Este é o melhor marketing que existe e por isso as vinícolas passaram a investir no turismo, explica Jaime Milan, diretor executivo da Aprovale. A Casa Valduga chega ao ponto de possuir três pousadas em suas propriedades. A procura pelo turismo enogastronômico está crescendo. Estamos recebendo muitos turistas do Nordeste e somos opção para quem não gosta de Carnaval, afirma a gerente comercial da Valduga, Juciane Casagrande.
Região também é o berço das espumantes brasileiras
Os amantes de espumantes também tem boas razões para viajar. Eles poderão visitar os principais fabricantes da versão brasileira para a tradicional champagne (o nome só pode ser usado para as espumantes fabricadas na região de Champagne, na França). Sete adegas se juntaram e formaram a Rota dos Espumantes (0800 510 1199), onde os turistas podem obter informações sobre o produto, a região e marcar visitas.
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8:12 AM
by Cassiano Leonel Drum
Como o setor bancário é um dos mais rentáveis deste País, é evidente que constituir uma cooperativa de crédito é altamente estimulante desde que os constituidores sejam pessoas sérias e estejam dispostas efetivamente a crescerem no ramo. Mas com certeza nós teremos neste meio muitas que irão constituir-se, receber depósitos as pampas e depois da noite para o dia sumirão de seus endereços originais. Será que estou errado e descrente?
Conjuntura
Sebrae dará apoio a cooperativa de crédito
O apoio à formação de cooperativas de crédito no Brasil, autorizada pelo Conselho Monetário Nacional em dezembro, para que proprietários de micro e pequenas empresas possam constituir cooperativas de crédito multissetoriais, será uma das prioridades do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
O anúncio foi feito ontem pelo diretor administrativo financeiro do Sebrae Nacional, Paulo Tarciso Okamotto, em visita ao sebrae/RS, em Porto Alegre. As cooperativas ajudam a formar uma "cultura do crédito", disse.
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8:00 AM
by Cassiano Leonel Drum
Tem dias que o meu nobre Sant'Ana se supera e hoje efetivamente ele está demais com sua crônica abaixo. Não há como deixar de ler sua coluna. E a falta de sensibilidade dos nossos azuizinhos que deveriam efetivamente instruir e construir um trânsito melhor para a cidade a que servem, é uma realidade cada vez mais irritante.
Paulo Sant'ana
18/02/2003
Mão única
No dia 4 deste mês, como mostra o fac-símile que ilustra esta coluna, a psicóloga Ilda Maria Naimaier Dorneles vinha dirigindo o seu carro Corola pela Avenida João de Oliveira Remião, lá quase na divisa com Viamão.
Chamou a atenção de um azulzinho, que viajava numa motocicleta ou a bordo de uma caminhoneta da EPTC, que a moça dirigia com uma mão só, a esquerda.
Não pode dirigir com uma mão só, é infração capitulada no Código de Trânsito Brasileiro.
Eu penso que é entendimento correto das autoridades de trânsito que a pessoa não pode dirigir permanentemente com uma mão só. Porque para fazer a mudança o motorista é obrigado a usar a mão direita.
É também permitido fumar ao volante, sendo impossível para a execução do ato de fumar não deixar de dirigir com uma mão só.
Então os azuizinhos e outros agentes de trânsito só multam quem dirige com uma mão só, suponho eu, quando o faça por largo tempo.
Os superiores dos agentes devem fazer esta recomendação aos seus subordinados: "Para multar quem dirige com uma mão só, é preciso seguir o motorista e verificar se há constância na sua infração. Isto é, não será proibido dirigir com uma mão só eventualmente, para fazer o câmbio ou segurar o cigarro. Mas se houver permanência na ação infracional, se o motorista prosseguir por largo trajeto a usar uma mão só no volante, apliquem a multa nele".
O azulzinho que multou a psicóloga Ilda devia ter bem fixa em sua mente a instrução do seu superior. Tanto que, quando a psicóloga passou na Avenida João Remião, ele resolveu seguir a motorista presumidamente infratora.
Seguiu-a por quatro ou cinco quilômetros, até a esquina da Bento Gonçalves com a Antônio de Carvalho, como mostra a ilustração desta coluna.
Em nenhum instante a psicóloga usou a mão direita para segurar no volante. Dirigiu durante cinco quilômetros usando só a mão esquerda.
O azulzinho então não teve dúvida: voltou para a EPTC e lascou a multa.
Aí é que se quebrou o azulzinho. Conheço há anos a psicóloga Ilda Dorneles, que teve um câncer na mão direita, com metástase, tendo sido obrigada a amputar todo o braço direito.
Ela dirige no seu carro, adaptado para a sua deficiência. A sua carteira de habilitação também tem essa anotação, ela só pode dirigir com o braço esquerdo.
Se o azulzinho fosse sensível, ele e seus superiores, teria parado a psicóloga no trajeto e pedido a ela que cessasse de dirigir com uma só mão. Aí conheceria a realidade daquela mulher. Assim é que se faz, se educa o motorista. Mas a orientação é para multar. Sem conversa, sem defesa, taca a multa e que se dane o motorista inocente. Esta é, em síntese, a orientação.
Eu passei os últimos anos todos denunciando, incompreendida e inutilmente, esta verdadeira indústria da multa de trânsito instalada nos governos.
E aí se reproduzem aos milhares estes tipos de injustiças.
O que os azuizinhos e a EPTC precisam definitivamente aprender é que não só algumas avenidas e ruas têm mão única, certos motoristas também.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:55 AM
by Cassiano Leonel Drum
A Internet é uma bênção para os pesquisadores, mas é uma bênção ainda maior para os copiadores. Tenho aqui sempre procurado colocar as referencias, as fontes de onde tiro estas cronicas com links inclusive, para as pesssoas chegarem aos originais quando assim quiserem. Mas também não somos infalíveis. Agora fazer um trabalho acadêmico, dissertação ainda, e usar trechos de outros autores sem referir a fonte é considerar os seus professores muito obtusos voces não concordam?
Moacyr Scliar
18/02/2003
Plágio e originalidade
Uma polêmica agita os bastidores acadêmicos na UFRGS: o suposto plágio em uma dissertação de mestrado. No trabalho, que versa sobre o conceito da aura na teoria estética de Walter Benjamin, trechos do filósofo alemão teriam sido transcritos sem menção à fonte original. A ser verdade, trata-se, no mínimo, de relaxamento. Não é proibido usar as palavras de um autor, desde que isto seja feito entre aspas e com a devida referência bibliográfica.
O que está em questão, porém, é a originalidade de trabalhos acadêmicos, e de textos em geral: ainda na semana passada o governo inglês passou por um enorme vexame quando se constatou que textos sobre a situação militar do Iraque tinham sido simplesmente copiados de um trabalho acadêmico divulgado na Internet há alguns anos. A Internet é uma bênção para os pesquisadores, mas é uma bênção ainda maior para os copiadores.
Quando as fontes bibliográficas ao alcance dos alunos eram poucas - a biblioteca da escola ou da faculdade -, era fácil detectar o plágio. Com a Internet isto se tornou missão impossível. Para ficar no exemplo inicial: se vocês digitarem "Walter Benjamin" no Google, aparecerão nada menos do que 239 mil textos. Se vocês restringirem um pouco - "Walter Benjamin, aura" -, o número cai para apenas 12 mil. Como descobrir de onde, e o que, foi copiado?
Na verdade, porém, o furo (e, se vocês quiserem, podem usar o termo no seu sentido jornalístico, já que a polêmica envolve a área de comunicação) da originalidade é mais em baixo. Original não é o autor apenas usar as próprias palavras; é trabalhar com temas novos. No nosso caso - um país que nasceu copiando -, novo é aquilo que se refere à realidade da população. Não por outra razão o fundador da ciência brasileira é Oswaldo Cruz, o homem que colocou a pesquisa a serviço da solução dos problemas de saúde brasileiros e que, assim fazendo, projetou-se internacionalmente, a si e à sua equipe.
Trabalhos orientados por este critério facilitarão muito a tarefa dos professores. O número de possíveis fontes de plágio será, felizmente ou infelizmente, bem menor. Mas o aprendizado será muito maior. E os benefícios - para a universidade e para o país - não tardarão a aparecer.
scliar@zerohora.com.br
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7:46 AM
by Cassiano Leonel Drum
Feliz foi o Fischer que teve a experiência de ser assaltado sem ter que pagar muito, isto é, a não ser algumas horas de tempo que pode ser considerado ganho já que experienciou o que é lavrar uma ocorrência. Seu carro a seguradora deverá pagar os prejuizos, os documentos estavam todos intactos e felizmente não quiseram levá-lo para o passeio mal sucedido. Ainda bem.
Luís Augusto Fischer
18/02/2003
Polícia para quem precisa
Eu não tive tempo de me lembrar da canção dos Titãs, de quem por sinal nunca gostei muito. Também não lembrei do Feliz Ano Novo, conto magistral de Rubem Fonseca que narra um medonho assalto com mortes, incluído em livro homônimo. Era a noite do dia 5, e eu conheci o horror do assalto à mão armada. Três caras levaram meu carro, documentos, celular. Mas não levaram a gente, o que nas atuais circunstâncias parece que se deve comemorar como uma grande vantagem.
Havia bastante gente na rua em que nos assaltaram; era uma das noites quentes deste verão. Logo foi acionada a Brigada, e uma viatura apareceu ali quando os ladrões estavam a talvez 500, mil metros do ponto original. Pediram que eu entrasse no carro, para ir dizendo placa e características sem perder tempo na perseguição. Andamos uns minutos e pelo rádio veio a notícia de que o carro havia sido avistado em certo ponto da cidade. Rumamos para aquela direção, a toda. E já várias viaturas estavam envolvidas. Resultado: cerca de meia hora depois do assalto, meu carro estava abandonado em uma rua central, e os ladrões haviam sido capturados, quando fugiam a pé. (Para minha sorte, documentos e tudo o mais me aguardavam intactos no carro; mas o carro estava batido.)
A madrugada foi uma experiência horrível. Apesar da boa vontade dos policiais civis, as condições de trabalho parecem péssimas. Estive de pé ou sentado em qualquer canto (simplesmente não há um banco disponível para as vítimas, no principal prédio da polícia do Estado) por umas oito horas, até que o flagrante fosse lavrado a preceito. (E nem falemos do que e do quanto ouvi contra a política de segurança do governo recém-findo.)
Fiz questão de pegar o nome dos dois brigadianos que nos socorreram - o soldado Gilberto e o sargento Ernesto, da 2ª Companhia do 9º Batalhão -, assim como do Seu Tabajara, vizinho da rua em que tudo ocorreu, que foi de uma solidariedade inusitada e total. Daqui do conforto de estar vivo e com quase tudo em ordem (o carro ainda depende do kafkiano processo do seguro), agradeço a eles, pensando o quanto nós precisamos deles, e o quanto estamos à mercê do horror. Cada vez mais dá pra ver como precisamos de polícia ativa, bem paga e profissional, bem ao contrário de nossas equivocadas fantasias libertárias dos anos 60 e 70.
fischer@zerohora.com.br
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7:38 AM
by Cassiano Leonel Drum
Não é uma virtude isolada: o café da manhã no terraço inclui a visão dos Andes nevados, refletida na arquitetura espelhada dos edifícios circunstantes. Isso é Santiago, relatado abaixo na crônica do Liberato. Eu amo Montevidéu com seus cafés sempre cheios a qualquer hora da noite. Seu Porto e seu povo. Amo BuenosAires, com a Florida, a Corrientes, o Teatro Colon, os bairros hoje já não tão nobres e outros que ficaram mais pobres depois do corralito. Mas acima de tudo amo Santiago, e voltaria sempre a esta cidade ali nos pés dos andes. E depois com um passeio curtinho a gente chega ao outro lado ali, em Vina Del Mar e Valparaiso já no Pacífico.
Liberato Vieira da Cunha
18/02/2003
A urna de cristal
Sabe aquela sensação de que voltas a algum lugar do passado? Devo ter sido apresentado a este branco chalé suíço em idas andanças pelas redondezas de Zurique. E no entanto aqui está ele no coração da noite de Providência, um dos bairros boêmios de Santiago. Chama-se Holley Hotel e me bate un frio en el alma ao pensar que será a minha casa pelas próximas duas semanas deste verão de 2003. Sucede que estou cercado pela mais compacta, animada, estridente vizinhança de bares, danceterias, pubs, pizzarias, discotecas e restaurantes com música ao vivo do Chile e, suspeito, do Hemisfério Austral.
Meu sono, no entanto, é o de um menino. Pois ocorre que esta brava, provisória morada foi erguida com paredes duplas e só alcança seus hóspedes um vago rumor, ora dos Beatles, ora do U2, em mistura fina com timbres de Chico, de Tom e de Milton, a trilha perfeita para você passear de um sonho a outro. Não é uma virtude isolada: o café da manhã no terraço inclui a visão dos Andes nevados, refletida na arquitetura espelhada dos edifícios circunstantes.
É um espetáculo incomum. A cidade jaz prisioneira da densa névoa letal que seu tráfego exala, dádiva de milhares de ônibus resolutamente anacrônicos. Mas choveu em Santiago por toda uma madrugada e de novo, forte, à tarde. Os noticiários de TV não falam de mais nada e os raros milímetros vertidos são comparados pelos locutores a um aguaceiro que caiu em mil novecentos e trinta e poucos, a uma quase mítica inundação que engoliu ruas e parques no fantástico outono de mil oitocentos e não sei quantos.
Já que não tenho vocação para historiador ou meteorologista, prefiro estabelecer-me no presente do indicativo. Fora de Providência, de Las Condes, do Alto, pedaços desgarrados do Primeiro Mundo, Santiago não renega as capitais de Latinoamérica. O trânsito sabe ser caótico, há flanelinhas, há grades nas janelas das áreas de periferia. E aí, de repente, te surpreendes em paz: a violência urbana é visita de cerimônia nas páginas dos jornais, uma escala no Centro de Artesania de Los Domínicos te brinda com uma serenidade ancestral, ao som do canto gregoriano, o metrô é um portento de civilidade e limpeza, as pessoas se alegram ao descobrirem que vens do Brasil.
Mas o Chile é também trágico. Sou um mau freqüentador de museus. E no entanto, em um deles, que fica na Plaza de Armas, me quedei comovido ante uma urna de cristal que guardava metade de uns óculos estilo anos 70. Havia um rombo de bala na lente restante.
Eram os óculos de Allende, a marca do impacto que o transferiu da vida para a permanência.
liberato.vieira@zerohora.com.br
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7:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Clima
Frio e confusão
A pior tempestade de neve nos últimos anos nos EUA deixou mortos e confinou milhares de americanos em casa desde o fim de semana. Na foto, taxista pede ajuda para tirar o carro atolado na neve na Times Square, em Nova York (foto Reuters/ZH)
Segunda-feira, Fevereiro 17, 2003
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9:24 PM
by Cassiano Leonel Drum
BRASIL- Gilberto Dimenstein
Graziano e os novíssimos baianos
São despropositados os ataques, amplificados nacionalmente na semana passada, contra o ministro José Graziano pela gafe que cometeu contra os nordestinos, por tê-los apontado como mão-de-obra para a criminalidade em São Paulo. Não faz sentido chamá-lo de preconceituoso, até porque ele assessora há anos o pernambucano Lula. É uma exploração política em cima de uma frase infeliz.
Frases infelizes podem revelar e revelam freqüentemente a essência de um indivíduo protegido pelas conveniências. Não é o caso: quem conhece Graziano sabe que, apesar do amadorismo do plano contra a fome, ele está preocupado com a subnutrição nordestina. Ele tentou um truque retórico em seu discurso para sensibilizar os empresários paulistanos, segmento em que prospera, silenciosamente ou não, uma visão depreciativa dos migrantes, além do pavor com a violência.
O problema do ministro não é preconceito, mas ignorância; não conhece nem as causas da criminalidade nem os movimentos migratórios. Mesmo que, por um passe de mágica, parasse a migração, a delinqüência não cairia.
As estatísticas mostram que a criminalidade na região metropolitana não está ligada às imigrações ou migrações, mas ao desemprego e, mais especificamente, ao desemprego da juventude.
Dados da Prefeitura de São Paulo indicam que a exclusão mudou de perfil e atinge mesmo quem tem alta escolaridade e nasceu em São Paulo pouco tem a ver como o fluxo de pessoas.
A Folha divulgou estudo, na semana passada, que dá uma noção precisa do estrago do desemprego e da perda de poder aquisitivo na paisagem urbana. De 1991 a 2000, surgiu, na cidade, uma favela a cada oito dias; são hoje 2.018 favelas abrigando 1,16 milhão de pessoas. Ocupam um terço de São Paulo.
Em dez anos, a população de São Paulo cresceu 8% e está caindo ano a ano, mas o número de moradores em favelas aumentou 30%.
São Paulo já recebeu várias vezes mais gente de fora do que recebe atualmente e a criminalidade não era assunto de primeira página de jornal, as crianças andavam sossegadas nas ruas.
O que Graziano falou, sem querer, é o que muitos paulistanos sentem e até gostariam de dizer. Os sinais da desconsideração são visíveis. Somos a maior cidade nordestina, mas não há um museu para contar a aventura dos migrantes. Não recebem em nenhum lugar (rigorosamente, nenhum) qualquer homenagem ou reverência à sua contribuição à prosperidade de São Paulo. Não é tema nas escolas, muitas delas tão ciosas com os negros e índios. Não aparecem como heróis em novelas sobre a saga paulistana, papel concedido aos europeus. Designa-se de "baiano", muitas vezes pejorativamente, quem vem do Nordeste, associado-o à lenda da preguiça, pouca disposição ao trabalho e mesmo ignorância, sem contar o crime.
Reflexo da desinformação, não existem nem estudos e estatísticas sobre as novas ondas migratórias do que poderíamos chamar de "novíssimos baianos". Por ser o principal centro de possibilidades econômicas, São Paulo tem atraído levas de jovens nordestinos altamente qualificados e motivados. Há os que já têm diploma universitário e estão em busca de cursos de pós-graduação; outros querem entrar na faculdade em busca de mais qualidade de ensino.
Profissionais vêm para cá porque seus sonhos são grandes demais para as cidades em que vivem. São tipos como o publicitário Nizan Guanaes, a quem perguntaram, certa vez, por que deixou Salvador. "Eu me sentia como um trator num pequeno sítio". Ironicamente, completou o autor da frase de que "baiano não nasce, estréia": "Lá eu não me destaco". Duda Mendonça, outra estrela publicitária, tem aqui o cérebro de suas operações, o que lhe dá dimensão nacional. Lula só conseguiu ser Lula porque colocou, acionou em São Paulo seu "trator", depois de abandonar o sindicalismo.
Nem mesmo os cariocas conseguem mais resistir à sedução. Muitos deles, do mesmo perfil dos "novíssimos baianos", preferem trocar uma das mais belas paisagens do planeta em troca de mais possibilidades profissionais.
Cidades que não atraem pessoas são, por definição, desinteressantes pela falta de energia e de vigor econômico. Gente com vontade de prosperar não empobrece, mas enriquece uma comunidade. Nova Iorque só é Nova Iorque porque exerce no planeta a atração que São Paulo exerce no Brasil. Vou dizer mais uma vez, não é nem nunca será a cidade brasileira mais aprazível, continuará por tempo indefinido um exemplo de caos urbano, mas é cada vez mais um pólo mundial de excelência e de criatividade, que vai da moda às artes plásticas e ciência, passando pela medicina, culinária e publicidade.
Crime moral é não reconhecer que essa efervescência ocorre, em larga medida, porque recebemos os talentos de fora.
P.S. Por falar em fome e emprego. Lula decidiu, contrariado, retardar o lançamento do programa "Primeiro Emprego", prioridade de sua gestão, incomodado com as críticas sobre a improvisação e amadorismo do Fome Zero. Acha que as críticas, muitas delas que, segundo ele, são fundamentadas, arranharam a imagem de seu governo. Estão chamando técnicos do Banco Mundial para modelar os projetos para facilitar o acesso do jovem ao emprego e, antes de anunciá-los, vão submetê-los a especialistas em mercado de trabalho. No mais, ainda não se sabe o essencial: de onde vai sair o dinheiro.
Encontre Dimenstein na Internet. O endereço de seu website é www.dimenstein.com.br e seu e-mail é gdimen@uol.com.br.
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9:08 PM
by Cassiano Leonel Drum
Bom pelo menos estão dizendo que não muda nada para o usuário. Como fazemos parte desses duzentos mil que ainda mantém atualizados suas páginas, vamos torcer para que melhore ainda mais, acima de tudo, com os novos donos.
Google compra Pyra Labs, criadora do Blogger
A Google, criadora do mecanismo de busca mais usado na internet, anunciou a compra da Pyra Labs, empresa que desenvolveu e administra o Blogger, serviço de publicação de blogs.
Com três anos e meio de vida, o Blogger já tem 1,1 milhão de usuários cadastrados. Desses, 200 mil mantém blogs atualizados. Segundo o Google, os usuários do Blogger não verão nenhuma mudança imediata no sistema.
Há dois anos, a Google comprou o serviço Deja.com, que indexa os grupos de discussão da Usenet. A aquisição permitiu a inclusão de uma categoria especial para os grupos, no mecanismo de busca. Acredita-se que o mesmo possa acontecer com o Blogger, mas como o Google indexa outros publicadores de blogs, qualquer privilégio ao Blogger poderá resultar em críticas. Outra possibilidade é a inclusão de 'posts' no serviço Google News, que indexa automaticamente notícias publicadas na Rede.
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12:41 PM
by Cassiano Leonel Drum
É assim que funciona
Cada dia é uma página em branco no diário da sua vida.
A caneta está em suas mãos, mas as linhas não serão todas escritas da forma como você escolher.
Algumas virão do mundo e das circunstâncias que o envolvem.
Mas, muitas coisas estão no seu controle e, sobre isso, há algo especial que você precisa saber.
Escreva o diário e preencha as páginas com palavras vindas do seu coração.
Siga seus sonhos.
Trabalhe com empenho.
Seja boa.
É tudo que alguém pode pedir.
Divirta-se.
Encontre força.
Seja verdadeira.
Tenha fé.
Não se concentre, nem perca tempo, com as coisas que você não tem.
Dedique um espaço especial aos amigos.
Perceba que as pessoas são um tesouro na vida.
Descreva, no seu diário, o que você faz de melhor.
Logo você vai descobrir como a vida é bela.
Só que nem sempre percebemos isso.
Nas linhas do meu diário de hoje está escrito que enviei essas observações a você...
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8:49 AM
by Cassiano Leonel Drum
Esta é a crônica do Diogo Mainardi que se não é contra a Guerra, deixa transparecer que ela é necessária e que foi graças a intervenção militar que acabou derrubando o Milosevic. Já o Sant'Ana na crônca mais abaixo, acha que há outras intenções para a guerra, como a maioria, aliás, acha.
O Olaria somos nós
"Aparentemente, não há um único brasileiro que apóie uma intervenção no Iraque. Se todos os brasileiros concordam com algo, significa que esse algo só pode estar errado"
O primeiro escudo humano brasileiro foi o gaúcho Flávio Ravara. Viajou para o Iraque levando, na bagagem, uma camisa da seleção, um violão e um cartão de crédito. Eu gostaria de saber onde ele se encontra atualmente. Jogando bola num depósito de munições de Bagdá? Tocando um sambinha num aeroporto militar? Torrando seu dinheiro num palácio de Saddam Hussein? O segundo escudo humano brasileiro foi um certo Glauco Caruso. Consultei um motor de busca da internet e o único Glauco Caruso que apareceu foi o ex-baterista do grupo paranaense Júpiter Maça, que depois formou outro grupo, o Dr. Spock Combo. Um homônimo ou é ele mesmo?
Agora surgiu um terceiro escudo humano brasileiro. Ou melhor, metade brasileiro, pois tem passaporte espanhol. Chama-se Ignacio Cano e é professor de sociologia da Uerj. Escreveu um artigo para justificar sua posição. Antes de tudo, ele garante que "os restos de armas químicas e biológicas que o Iraque possa ter não ameaçam hoje a ninguém". Ele é contrário, portanto, não apenas aos bombardeios americanos, mas também às inspeções da ONU, já que, em sua opinião, Saddam Hussein deixou de representar um perigo. A seguir, o professor Cano explica que "a iniciativa dos escudos humanos é uma forma de compartilhar os riscos aos quais a população civil iraquiana será submetida". Ou seja, é como se o professor Cano subisse um morro do Rio de Janeiro e se entregasse voluntariamente como refém de um bando de seqüestradores, por solidariedade com suas vítimas.
Aparentemente, não há um único brasileiro que apóie uma intervenção militar contra o Iraque. Eu sempre digo que, se todos os brasileiros concordam com algo, significa que esse algo só pode estar muito errado. Até o time do Botafogo se manifestou contra a guerra, antes do jogo com o Olaria. Até Paulo Coelho atacou Bush, qualificando-se como um "escritor brasileiro que ganha a vida numa peleja diária com as palavras". O placar da peleja está largamente a favor das palavras, claro. Não entendo os brasileiros. Na última semana, quatro estimados colunistas de O Globo vaticinaram que uma guerra contra o Iraque acarretaria o fim do império americano. Não é justamente isso que eles querem? De acordo com o professor Cano, "ditaduras há, muitas, e não vão ser bombas que vão mudar esse quadro". Por que não? Se as bombas derrubaram um monstro como Milosevic, também podem derrubar um monstro como Saddam.
Como demonstrou a ex-Iugoslávia, existem situações que só podem ser resolvidas com intervenções externas. Bem mais proveitoso do que tentar isolar os Estados Unidos, como está acontecendo agora, seria negociar contrapartidas. A primeira: garantir uma transição minimamente democrática no Iraque. A segunda: mandar uma força internacional para a fronteira entre Israel e os Territórios Ocupados, com a missão de impedir os ataques terroristas palestinos e as incursões militares israelenses, criando as bases para a separação definitiva dos dois países. O Brasil, evidentemente, tem um papel de fundamental importância para a solução desses conflitos mundiais. Sobretudo nos jogos do Olaria.
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8:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
Há aqueles que defendem. Há aqueles que são favoráveis, e aqui voces terão duas situações: esta crônica do Sant'Ana e a de cima do Diogo Mainardi da Revista Veja.
Paulo Sant'ana
17/02/2003
Guerra sem lógica
Milhões de pessoas saíram às ruas em vários países para protestar contra a guerra.
Na verdade, este mundo está muito louco. Porque não são só as pessoas comuns que não entendem esta guerra, mas também a imprensa e todos os setores ligados a inúmeros governos, assim como os governantes de quase todos os países, não atinam para o motivo desta guerra contra o Iraque.
Temos então que pode a qualquer momento ser desfechado um conflito de teor explosivo para a segurança e para a economia do planeta, sem que ninguém visualize claramente a razão do ataque norte-americano.
A ONU já disse peremptoriamente que o Iraque não tem armas de destruição em massa. No entanto, Bush e seus assessores afirmam que haverá a guerra porque o Iraque tem armas de destruição em massa.
Bush brada pateticamente que os EUA não vão ficar parados, à espera da agressão do Iraque. Só que ninguém imagina como o esfarrapado e embargado Iraque possa ameaçar belicamente a maior potência da Terra.
No entanto, estamos a um passo de uma guerra inexplicável.
É estranha a prioridade que Bush concede ao Iraque. Esses dias, a Coréia do Norte, outro país tiranizado tal qual o Iraque por um ditador tão esquizofrênico e cruel quanto Saddam Hussein, ameaçou oficialmente os EUA de bombardear com artefatos nucleares várias cidades americanas.
É sabido que a Coréia do Norte possui armamento nuclear. Se Bush intentasse "desarmar" ou invadir a Coréia do Norte, é certo que encontraria por parte do mundo inteiro apoio para essa iniciativa, o temor de uma guerra nuclear sensibilizaria até o povo norte-americano, que se colocaria ao lado do seu presidente para incentivar um ataque à Coréia do Norte.
No entanto, o que se vê é Nova York sitiada para impedir uma passeata de 100 mil norte-americanos que são contrários ao ataque ao Iraque. Porque eles, como nós e todo o mundo, não conseguimos perceber que perigo inspira o Iraque à segurança das nações e dos EUA.
O mínimo que se exige para a deflagração de uma guerra é que outra alternativa que não seja ela se mostre pior e trágica.
A opinião pública mundial, baseada nos relatórios dos inspetores da ONU que vasculharam o Iraque, não consegue ver qualquer indício de que o mundo e os EUA corram perigo, sequer risco, caso não haja a guerra.
E da própria ONU emana a convicção de que a melhor alternativa para o mundo é a paz, ou seja, que o Iraque não seja atacado.
Vai haver então para março, segundo se calcula, uma guerra acima de tudo insincera.
Porque o motivo da guerra é ocultado por quem quer e vai obter a guerra.
Quando os EUA varreram do Afeganistão os talibãs, tinham um motivo: as duas torres foram derrubadas por terroristas que tinham suas bases ideológicas naquele país. Podia-se discutir o mérito do ataque, mas havia uma lógica para ele.
Agora não há lógica nenhuma. E o mundo se prepara no entanto para ver e ser vítima da guerra mais absurda com que já se defrontou a humanidade.
Porque a guerra é um tal rompimento da ordem que necessita pelo menos possuir um motivo.
E, sem motivo, esta guerra será desfechada somente por um pretexto.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:22 AM
by Cassiano Leonel Drum
Meu amigo Nezelo vamos resolver logo esta questão que se arrasta há mais de cinco anos. Foram criadas uma série de renegociações, elastecendo os prazos e diminuindo com isso o valor das prestações para que as pessoas que se beneficiaram pudessem cumprir com suas obrigações, retornando os recursos ao Programa e fazendo assim, com que outros estudantes pudessem ser beneficiados.
Agora com o FIES, foi criado nova fonte de recursos, só que não adianta financiar determinados cursos que sabe-se que as prestações serão superiores ao que os formandos nestas áreas irão receber quando conseguirem o seu Diploma. Dentre estes estão todos os da área de licenciatura. Quanto ganha um professor hoje? Então não adianta financiar estes cursos que as pessoas, mesmo exercendo 40 horas semanais não terão condições de arcar com a mensalidade do FIES.
De toda a sorte estamos as ordens por aqui para ajudá-lo a buscar saidas.
Ana Amélia Lemos
17/02/2003
Crédito educativo
Estudantes universitários que se valeram do crédito educativo para cursarem faculdades privadas no período de 1975 até 2001, no Rio Grande do Sul, estão recorrendo à Justiça para exigir que a Caixa Econômica Federal (CEF) renegocie essas dívidas, como recomenda a Lei 10.260/001. Esse dispositivo legal criou, em substituição ao antigo sistema de crédito educativo (Creduc), o Fies - Financiamento ao Estudante do Ensino Superior. A lei não vem sendo operacionalizada pela Caixa Econômica Federal, reclamam os deputados João Mattos (PMDB-SC) e Osvaldo Biolchi (PMDB-RS), que foram responsáveis pela inovação. Na contabilidade da Caixa, estão amortizados 192 mil contratos, dos quais 32 mil no Rio Grande do Sul.
Carlos Alberto Nezelo, responsável pelo setor na Caixa Econômica Federal, promete que até o final deste semestre essa pendência estará resolvida. Admite que a análise que está sendo feita pela área de cobrança é complexa, uma vez que eram tipos diferentes de contratos. Alguns cobrindo 135% do valor das mensalidades e outros apenas 80%. Estima-se que o montante desse esqueleto financeiro seja de R$ 1,7 bilhão, dos quais R$ 467 milhões no Rio Grande do Sul. A inadimplência no sistema chega a 85% por conta do custo desse financiamento.
No caso do crédito educativo que foi tomado antes de 2001, o sistema cobrava TR mais juro de 6% ao ano. Mesmo o Fies, que sucedeu o Creduc, representa peso financeiro enorme para quem quer pagar o financiamento. É o caso da odontóloga Clarice Massulo Salazar, formada em 2001 pela Ulbra. Hoje trabalha 72 horas semanais em Santo Antônio da Patrulha e compromete quase todo o seu salário (R$ 850) para pagar o crédito, que tem prazo de três anos para liquidação.
A maior parte dos acadêmicos que concluiu os cursos superiores graças ao crédito educativo, como é o caso de Clarice, quer pagar o débito, mas reivindica mudanças no sistema para alongamento da dívida, seja na CEF ou em entidades privadas, como a Aplub, que tem sistema próprio. Ao manter essas pendências, a Caixa Econômica impede que esses novos profissionais tenham acesso a outras operações financeiras, como a compra de casa própria, compra de consultório etc.
Os deputados João Mattos e Osvaldo Biolchi, da Comissão de Educação, estão tentando uma saída negociada junto ao Ministério da Educação e à Caixa Federal. Se não obtiverem resultado satisfatório na solução desse grave problema, irão apresentar requerimento exigindo informações dessas duas áreas e pedindo que a lei 10.260 seja cumprida no que diz respeito à renegociação das dívidas dos recém-formados.
ana.amelia@zerohora.com.br
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8:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
O Verísssimo volta a escrever sobre o José Lewgoy, até parece que lhe falta assunto para a sua crônica. E pelo respeito que o tenho, coloco-o aqui, mas não vi, sinceramente, nada que acrescentasse ou que efetivamente trouxesse algo de novo como tantos outros cronistas acrescentam aos seus escritos.
Luis Fernando Verissimo
17/02/2003
O Levigói
O assunto preferido do José Lewgoy era ele mesmo, e era um assunto fascinante. Ele se elogiava muito, com razão, e se queixava muito de desconsiderações, sem razão, pois era festejado por onde andava, embora nunca achasse que fosse o bastante. E era tão estimado, que nem seu famoso mau humor e impaciência afastavam as pessoas. Quem já o conhecia sabia que aquilo fazia parte do seu número e quem não conhecia o admirava tanto que perdoava tudo.
O Lewgoy ("liugói" em brasileiro, "levigói" em gaúcho) trabalhou na velha Editora Globo de Porto Alegre com o Mario Quintana e o meu pai, entre outros, e meu pai o ajudou a ganhar uma bolsa para estudar teatro na Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Na volta ele ficou no Rio, começou a fazer cinema - e grande sensação em Porto Alegre! Com o seu sucesso nos filmes da Atlântida, podíamos dizer que tínhamos conhecido O Anjo quando ele ainda não era o bandido mais famoso do Brasil.
Depois foi ser estrela internacional, voltou para fazer o Terra em Transe, fez televisão (andar na rua com o Lewgoy em Portugal era andar com vários, pois cada um que o cumprimentava lembrava um personagem diferente dele na TV) e durante anos foram raros os filmes europeus ou americanos feitos na América do Sul em que o Lewgoy não aparecia pelo menos como pai da moça.
Ele morava sozinho no Rio. Nos encontrávamos seguidamente junto com o Millôr, o Chico Caruso, o Jaguar, o Casé, "a turma", como ele dizia. A Eliana Caruso e o Gravatá, exemplares amigos dos seus amigos, cuidaram dele, na doença, até chegarem os parentes do Sul. Ele viajava muito a Porto Alegre, para estar com a família, e nos visitava. Reunia-se com amigas antigas que chamava de "as minhas velhinhas", entre as quais minha mãe, para almoços.
Uma vez, compartilhando uma pato assado e um tinto razoável em Gramado, concordamos que certo mesmo estava aquele defunto que salta do caixão no musical do Woody Allen e começa a dançar e a cantar "Enjoy yourself, it´s later than you think". Já era mais tarde do que o Lewgoy pensava, mas ele aproveitou o que deu, reclamando sempre. Pena que não tenha escrito mais sobre o que viveu. Lia muito, escrevia bem e com graça. E poucos brasileiros teriam tanta coisa para contar quanto o nosso Levigói.
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8:05 AM
by Cassiano Leonel Drum
Mas eu dizia da insatisfação do Michael Jackson. O negro que não quis ser negro, não quis o nariz, a boca e talvez a sexualidade. Sujeito triste. Assim como tristes são todos os que renegam o seu próprio jeito de ser e não há como ser diferente.
José Pedro Goulart
17/02/2003
Os olhos do Michael Jackson
Michael Jackson, enquanto artista, infelizmente não interessa mais. Os olhos de todos estão voltados para a lama que a vida do ídolo pop se transformou. Lama que o jornalista da BBC Martin Bashir ajudou a escarafunchar num documentário recentemente exibido em diversos países onde o cantor, entre confuso e ingênuo, declarou que gosta de "repartir a cama com crianças, dar a elas leite e biscoitos" e que "não vê nenhum mal nisso". O mundo, entretanto, vê. Tem Michael na conta de uma aberração. Vem chumbo.
Eu me criei com o Michael Jackson (tire já esse sorrisinho maroto de seu rosto, leitor). Sou do tempo em que ele era preto e junto com os irmãos foi responsável por vários hits da época. Michael Jackson cresceu pleno de insatisfações. Ao que parece, inclusive, a maior de todas foi justamente crescer. Aliás, crescer pra quê? Se eu, que tive infância, pulei, joguei e me sujei, ainda não estou muito certo de ter feito a melhor coisa crescendo, imagine o cara que nunca teve uma e desde os quatro anos pegou no pesado. Mas eu dizia da insatisfação do Michael Jackson. O negro que não quis ser negro, não quis o nariz, a boca e talvez a sexualidade. Sujeito triste.
A mim parece que o Michael Jackson teve a alma roubada, quando criança. Quando ia pro batente em vez de jogar bolita. Porque é na infância que a alma aparece, toma forma, se ajeita. Uma vez perdido esse tempo não existe jeito de recuperá-lo. Michael Jackson não tem uma criança dentro de si que o liberte para ser adulto. Talvez por isso ele se infantilize, numa busca sem fim dessa criança que nunca foi.
Eu pensei nisso porque ontem, no meu carro, enquanto esperava o sinal abrir, vi um garoto que era a cara do Michael Jackson quando menino. Tinha os mesmos olhos vivos (sim, Michael Jackson já teve olhos vivos). Esse de agora estava trepado nos ombros de um outro garoto maior e fazia malabarismos com uma calota de automóvel, como agora todos fazem em cada esquina. O que parecia uma brincadeira era, na verdade, uma tarefa em troca de dinheiro e aquela esquina era o seu lugar de trabalho.
A semelhança física com o Michael Jackson teve o poder de um foco de luz sobre aquele garoto e, por mais que eu quisesse afastar de mim o pensamento triste que me invadia, mais ele me dominava: o brilho dos olhos daquele menino - eu sei, você sabe - logo vai se apagar. Ninguém tem a infância roubada impunemente.
jose.pedro@zerohora.com.br
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8:00 AM
by Cassiano Leonel Drum
Tradicionalismo
Tradição e apelo pela paz
Pedindo harmonia entre os povos, mais de 2 mil cavalarianos saíram ontem da Prainha, em Torres, dando início à 19ª Cavalgada do Mar (foto Antônio Pacheco/ZH)
Domingo, Fevereiro 16, 2003
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6:43 PM
by Cassiano Leonel Drum
Esta página tem acompanhado e divulgado, sempre que é publicado o balanço de algum banco. Tem reiterado ainda que se fosse o Brasil um País rico, sem desemprego, com sua população juvenil sem nenhum problema de acesso a Universidade, tolerar-se-ia estes lucros relevantes.
Todavia para que um setor seja altamente beneficiado alguém está perdendo e pagando muito para isso e eu tenho uma idéia a respeito de quem são os pagadores. Você com certeza também tem, não tem?
16/02/2003 - 06h42
Bancos têm rentabilidade recorde em 2002
GUILHERME BARROS
da Folha de S.Paulo
As turbulências na economia em 2002 podem ter sido ruins para muita gente, menos para o setor financeiro. Os bancos registraram no ano passado a maior rentabilidade dos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso.
De acordo com estudo feito pela consultoria Austin Asis, a rentabilidade (lucro líquido sobre o patrimônio) média dos bancos em 2002 foi de 24,5%. Em 2001, a rentabilidade tinha sido de 19,1%.
Diante desses números, o presidente da Austin Asis, Erivelto Rodrigues, acredita que, em 2002, os bancos registraram a maior rentabilidade da história. "O estresse do ano passado não foi bom para ninguém, mas não se pode negar que os bancos se beneficiaram desse momento", diz Rodrigues.
O levantamento da Austin Asis foi feito com base nos 19 balanços já publicados até agora. Como quase todos os maiores bancos já divulgaram seus balanços, Rodrigues diz que a rentabilidade média final não deverá mudar muito.
Segundo o trabalho da Austin Asis, o lucro total dos 19 bancos em 2002 foi de R$ 9,8 bilhões, mais de cinco vezes o orçamento previsto para o Fome Zero. O maior lucro até agora foi o do Banespa (R$ 2,8 bilhões).
Em relação a 2001, o lucro dos bancos registrou crescimento real de 31%. Nessa conta, Rodrigues não levou em consideração o BNB, que, em 2001, registrou prejuízo de R$ 2,5 bilhões.
Competência
O presidente da Febraban (Federação Brasileira das Associações de Bancos), Gabriel Jorge Ferreira, diz que é um equívoco achar que a alta dos juros é fator preponderante na lucratividade dos bancos. Segundo ele, "o lucro dos bancos é uma demonstração de competência".
Para Ferreira, nos anos 90 os bancos sofisticaram muito suas operações. Hoje o país possui um sistema financeiro sólido e rentável, diz, devido a essa busca de eficiência do sistema financeiro.
Erivelto Rodrigues observa, no entanto, que a rentabilidade dos bancos no país é muito superior à apresentada pelo setor não-financeiro, que, segundo suas contas, se situa na faixa de 5,6%.
O interessante, de acordo com Rodrigues, é que a rentabilidade do setor não-financeiro, se for levado em conta apenas o resultado operacional (antes das despesas financeiras), aumenta para 15%.
Ou seja, as empresas não-financeiras transferem mais da metade de sua lucratividade para os bancos. "O custo do dinheiro é um grande inibidor do crescimento econômico", diz Rodrigues.
De acordo com o estudo da Austin Asis, o lucro dos bancos no ano passado se explica basicamente pelos altos ganhos obtidos com juros e câmbio.
Da receita total, os bancos ganharam 38,7% com as operações de títulos e valores mobiliários (juros e câmbio). Nos anos anteriores, essas operações representaram cerca de 30% da receita total. As receitas com as operações de títulos e valores mobiliários subiram de R$ 24,5 bilhões em 2001 para R$ 47,7 bilhões em 2002.
Para Rodrigues, outro fator que explica o lucro elevado dos bancos são os "spreads" (diferença entre o custo de captação e a taxa de juros cobrada dos tomadores) fixados pelas instituições. Para empréstimos às empresas, o "spread" se situa na faixa de 25% ao ano. Já para pessoas físicas o "spread" sobe para 57% anuais.
Os ganhos dos bancos poderiam ter sido ainda muito maiores, não fosse as instituições terem aumentado bastante a provisão para créditos duvidosos. Os bancos temem o aumento da inadimplência no país.
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6:09 PM
by Cassiano Leonel Drum
Bom e as novidades de automóveis estão ai, mas que o Jipão da Ford que está sendo fabricado lá em Camaçari também está muito bonito ah está. E o custo dele não está lá uma loucura não, menos de U$ 10.000.
Domingo, 16 de fevereiro de 2003.
ÚLTIMAS
Escultura em produção
A DaimlerChrysler está iniciando a produção do Chrysler Crossfire na fábrica de Osnabrueck, Alemanha. O primeiro veículo deixou a linha de montagem no último dia 3. O início da produção representa uma das mais rápidas passagens de um conceito para realidade. Foram dois anos desde que o Crossfire mobilizou as atenções no salão de Detroit 2001.
O modelo destila a sinergia entre as engenharias da Mercedes-Benz e da Chrysler em parceria com a Karmann em um coupé de dois lugares, rebaixado, com motor V6, de 3,2 litros, comando simples e 18 válvulas, com câmbio manual de seis marchas ou automático de cinco velocidades.
SuperPorsche chega em março
Outro conceito, este apresentado no Salão de Paris 2000, vai ganhar as ruas a partir do Salão de Genebra, Suíça, dia 6 de março.
Do primeiro protótipo foram mantidas as maravilhosas linhas deste roadster. A marca do design Porsche é preservada na clássica frente e contornos dos pára-lamas. Sob os faróis, em quatroconjuntos ópticos pára-choques integrados e ampla tomada de ar. A carroceria traz compostos leves que envolvem um motor V10 de 5,7 litros, de 612 cv de potência. O novo GT passa ao topo da marca superesportiva alemã.
Poderoso Vectra
Ainda em Genebra, a Opel mostrará a nova versão turbo do Vectra GTS. O sedã esportivo surge com motor 2.0 dotado de propulsor Ecotec Turbo de 175 cv de potência, construído em alumínio e ganhou ainda uma nova transmissão de seis velocidades.
Esta versão apimentada chega aos 100 Km/h em 9,1 segundos, acelera de 80 Km/h a 120 Km/h em 9,2 segundos e tem velocidade máxima de 230 Km/h.
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5:49 PM
by Cassiano Leonel Drum
Para aqueles que gostam de motos está chegando ai a Novecento Tre. Não tem o preço que deve ser bem salgadinho, mas a gilidade e a estética são de deixar qualquer um de boca aberta. E depois ter a possibilidade assim, de andar a uns 220 ou 250 Km por hora sem levantar vôo já dá um friozinho na barriga, não dá?
Domingo, 16 de fevereiro de 2003.
MOTOCANDO
A pimenta italiana
A relação peso/potência excepcional faz desta moto de boa estirpe um foguete em duas rodas
O visual arrojado e as novas tecnologias passeiam nesta macchina, como os materiais nobres e as turbinas que auxiliam a refrigeração
Derivada da Tornado Limited Edition, a Novecento Tre conta com um motor tricilíndrico em linha com 12 válvulas e 898 cc. Esta engenharia que pretende conjugar a capacidade de resposta de um motor de dois cilindros à potência máxima de um quatro cilindros gera 144 cavalos a 11.500 rpm. O sistema de frenagem é Brembo, composto por discos de 320 mm na dianteira e 240 mm na traseira. No entanto, o que desperta maior interesse é o conjunto de refrigeração. O radiador não está à frente do propulsor como na maioria dos concorrentes. Ele fica debaixo do banco para que não aqueça com o calor gerado pelo motor. Além disso, 2 tubos levam ar fresco até o permutador de calor.
A grande novidade é a adoção de 2 turbinas, situadas na parte traseira da carenagem, que servem para extrair o ar quente no trânsito lento. Isso permite ainda uma melhor distribuição de peso da moto, cujo quadro é formado por treliças de aço e dupla viga de alumínio, resultando em um peso de 198 quilos. Com toda essa tecnologia e um visual arrojado, essa superesportiva se aproxima dos 300 Km/h.
Para todas as aventuras
Eis aí três motocicletas com características bastante peculiares. A Suzuki TL 1000R é uma superesportiva com a melhor relação peso/potência dentre as que mostramos hoje: cada cv carrega 1,45 quilo.
A Harley Davidson Night Train é uma típica custom: tem potência razoável (58,5 cv) e alto torque. Sua estampa foge de uma característica marcante do mercado norte-americano, o excesso de cromados. O motor desta HD com 1388 cc, inova ao posicionar as válvulas no cabeçote.
A Triumph Trophy 1200 é uma touring com 137 cv e que pesa 235 quilos.
Da tradicional fábrica inglesa, tem um grande tanque de 25 litros.
A Harley Davidson Night Train possui motor OHV com 1388 cc e tem 58,5 cavalos de potência. Esta custom clássica atinge a velocidade máxima de 170 Km/h
A Suzuki TL 1000 R, com 996 cc, pesa 197 quilos. Esta superesportiva possui 135 cv de potência e excelente relação peso/potência. Sua velocidade máxima beira os 300 Km/h
A Triumph Trophy 1200 pesa 235 quilos e tem motor de 1180 cc e 107 cv. Esta touring possui grande autonomia, com tanque de 25 litros
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