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Sábado, Março 01, 2003
Posted
8:37 PM
by Cassiano Leonel Drum
Comportamento
Elas brincam com o tempo
PAOLA DEODORO E PATRÍCIA PONTALTI
Seis mulheres, seis exemplos de que beleza e talento não dependem da idade. Elas acham que estão melhores aos 40 do que aos 20. São Bernadete, Heloísa, Márcia, Maiza, Elizethe e Beatriz, mas poderiam ser Maria, Carolina ou Vitória. Os nomes pouco importam diante das histórias dessas mulheres que brincam com o tempo, que mostram que a idade não é limite para nada. Elas amadureceram e se tornaram mais belas e realizadas. Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, dia 8, a Revista ZH Donna recebeu seis convidadas especiais, que contam como é chegar aos 40 anos sem temer o passado ou o futuro.
Quando ainda era uma médica residente em ginecologia e obstetrícia, aos 24 anos, Bernadete Nonnenmacher viu muitas pacientes morrerem de câncer de colo de útero implorando pela cura. Hoje, chega aos 40 anos concluindo a primeira fase da campanha de vacinação contra o papilomavírus humano (HPV).
- Só me sinto satisfeita quando sou desafiada. Cada novo projeto para mim é uma jóia, e a realização deles faz com que a minha auto-estima vá às alturas. Preciso estar sempre ajudando alguém. E isso faz bem até para a pele - revela.
O marido, o psiquiatra Nélio Tombini, e os filhos Paulo Afonso, 18, e Felipe, sete, completam o momento sublime. A beleza é herança genética. Bernadete é prima de uma das mulheres mais bonitas do mundo, Gisele Bündchen, com quem convive apenas quando a top está em Porto Alegre.
Mas as realizações são mérito dela. Expulsou da sua vida a culpa por trabalhar demais e trocou a quantidade pela qualidade de atenção que dá à família. O bom relacionamento em casa dá sustentação para assumir os compromissos como professora na Faculdade de Medicina da Ulbra, pesquisadora mundial contra o câncer de colo de útero e voluntária da Liga Feminina de Combate ao Câncer, além das pacientes clínicas e cirúrgicas do seu consultório no Hospital Moinhos de Vento.
- Todos na minha vida precisam de atenção: o meu marido, meus filhos, meus funcionários, meus pacientes, meus alunos. Quando cheguei a uma certa idade, aprendi que não é possível fazer tudo em um dia de 24 horas. Então comecei a estabelecer prioridades e me dedico a menos coisas, mas com mais intensidade. Com 20 anos, eu queria fazer tudo e nem sempre as coisas davam certo.
A paixão pela profissão já correu risco. Depois de ter o primeiro filho, Bernadete caiu nos encantos da maternidade e não queria mais voltar à faculdade. Por providência divina, um grupo de colegas conseguiu trazê-la de volta à vida acadêmica. E bastou para aprender a lição. Apenas 10 dias depois do nascimento do caçula, ela já estava operando. Felipe chegou a ser amamentado no intervalo de um parto, e ela garante que valeu a pena:
- Fiz terapia por algum tempo para desfazer alguns nós que tinham na minha cabeça, para aprender a lidar com a rotina sem sacrificar ninguém. A minha maturidade só me trouxe benefícios. Aprendi a cuidar do meu corpo e da minha cabeça. Estou satisfeita com tudo o que faço. E ainda dizem que eu estou mais bonita. Bom, né?
Abaixo estão mais dois depoimentos destas seis mulheres ai acima.
Posted
8:34 PM
by Cassiano Leonel Drum
Bom aqui o depoimento de duas das seis mulheres que estão na reportagem abaixo do caderno Dona de ZH.
Comportamento
A empresária Maiza
Ontem, gordinha, estressada e repleta de trabalho que não a agradava. Hoje, magra, relaxada e fazendo o que mais gosta. A operadora de turismo Maiza Aiquel, chegou aos 49 anos mais bonita do que nunca. Na idade da loba, Maiza investiu em um tratamento completo para reformular corpo e mente. Ex-compulsiva por doces e sofrendo de enxaquecas, a operadora agora tem uma alimentação equilibrada, seguindo a dinâmica da dietética chinesa, pratica exercícios regulares e mantém o coração em dia. Resultado: nove quilos a menos e adeus às dores de cabeça e ao estresse.
- A gente vive e vai aprendendo. Quando tinha 20 e poucos anos, era outra pessoa. Não sabia o que queria, era gordinha, comia muito mal. Para mim, essa fase não deixa saudade nenhuma.
Maiza se formou em Letras. Como não sabia o que queria, passou a administrar a imobiliária da família. Ficou anos a frente do negócio, trabalhando muito, como uma verdadeira workaholic, tanto que abdicou de filhos e de um casamento formal. O maior prazer era encontrado durante as viagens de férias por todos os lugares do mundo.
- Sempre fui daquelas que pegava folhetos e cartões para passar para os amigos. Minha atual profissão era latente. Hoje sou feliz com o turismo.
A transformação no visual também colaborou para que Maiza conduzisse melhor os relacionamentos pessoais. Há um ano, reatou o namoro com uma pessoa com quem se relaciona há mais de 20 anos. Só que tudo está melhor.
- A gente está mais tranqüilo e equilibrado. O respeito é muito maior. O tempo é bom. Tem coisas que só os anos pode nos dar.
A vendedora Beatriz
Quando pisou na casa dos 40 anos, Beatriz Parenza iniciou uma transformação. A mudança começou com o fim de um relacionamento de 13 anos que lhe fazia infeliz há muito tempo. E essa foi a primeira de muitas que viriam. Hoje, aos 44 anos, a comerciária tem amor, profissão e amigos novos. E o melhor: aprendeu a levar a vida com bom humor.
- Estou melhor em todos os sentidos. Aos 20 anos, eu era mais feia, ingênua e tímida, tinha medo de tudo. Sofri muito em minha vida e fui acumulando essa dor no meu corpo, na minha personalidade. Estava infeliz e amarga. Acho que chegar aos 40 anos me fez abrir os olhos para muito coisa, me fez ver como eu estava e quem eu realmente queria ser.
Logo após o fim do namoro, Beatriz iniciou um processo de reeducação alimentar e começou a fazer exercícios. Perdeu 15 quilos, ingressou na terapia, cortou os cabelos e passou a cuidar da beleza.
- Vivia ouvindo coisas ruins do meu namorado. Ele não me amava e eu fiquei me sujeitando a conviver com isso porque ainda gostava dele. Custei a perceber que o melhor é gostar da gente. Essa compreensão, talvez, só se consiga com a idade.
Já magra e mais confiante, Beatriz ingressou em um ramo ainda inédito. Deixou de vender roupas e objetos para trabalhar na área de arte, em uma galeria de Caxias do Sul. Foi aí que descobriu uma paixão que a motivou a voltar a estudar.
- Conheci pessoas que têm idéias diferentes. Valorizam cultura e informação. Estou me esforçando para acompanhar - conta Beatriz, que atua na galeria há dois anos.
Dias depois de ingressar na galeria de arte, Beatriz saiu para dançar com as amigas. Ela já estava indo embora quando percebeu um ''gatinho'' na mesa ao lado. A mulher segura na qual Beatriz se transformou arriscou trocar olhares com o jovem, que tinha 27 anos. Beatriz e Samuel estão juntos desde então.
- No começo, tinha vergonha da diferença de idade. Lembro da primeira vez em que saímos juntos e eu soltei minha mão da dele. Que bobagem! Ele comprovou que o importante é amor. Acho que nunca fui tão feliz e realizada.
Posted
8:23 PM
by Cassiano Leonel Drum
O Sant'Ana está inspirado, também pudera estar na Capital carioca e agora mais tranqüilo, vez que policiada por uma tropa de 3.000 homens do exército. Se bem que as ameaças e a ousadia dos marginais não tem mostrado receio, não. Se cuida meu nobre Sant'Ana, precisamos de você inteiro aqui na sua coluna diária.
Paulo Sant'ana
02/03/2003
A poesia da Vila
Caminho pelas ruas de Vila Isabel, aqui por estas calçadas palmilhou encantado o grande vate nacional da música popular brasileira, Noel Rosa, que compunha dois sambas por dia, abandonou a faculdade de Medicina para entregar-se ao violão, à música e à poesia, morrendo estupidamente com apenas 26 anos de idade.
Se Noel tivesse atingido a idade que tem hoje Chico Buarque de Holanda, que parte para os 60 anos, pela riqueza de sua obra construída em tão escasso tempo, pela natural maturidade de seu espírito, teria se tornado num dos maiores, senão o maior poeta popular de toda a história da humanidade.
Ali num quiosque, às vésperas do desfile da Sapucaí, um grupo que enxameia duas mesas repletas de cervejas obriga-me a sentar-me em um banquinho adjacente.
Empunham violões, cavaquinhos, um banjo, um pandeiro e um surdo e recordam o maior de todos os sucessos de Noel, acima até de Feitiço da Vila, o Último Desejo, gravado estrondosamente nos anos 30 por Araci de Almeida:
"... Se alguma pessoa amiga
Pedir que você lhe diga
Se você me quer ou não
Diga que você me adora
Que você lamenta e chora
A nossa separação
E às pessoas que detesto
Diga sempre que não presto
Que meu lar é um botequim
Que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida
Que você pagou pra mim''.
Monumental. Não há nada que se compare na literatura brasileira a estes versos simples de grande profundidade. O menino Noel Rosa se equipara nesses versos ao estro gigantesco do velho Catulo da Paixão Cearense.
Como estou na Vila Isabel, que Noel celebrizou como berço do seu samba imortal, de onde se catapultava para a Lapa, para a Mangueira, onde dormia no barraco de Cartola após a intensa noite de boemia, vêm-me as lágrimas aos olhos ao recordar a desgraça do grande poeta, cuja inspiração avançava prodigiosamente em seu coração e sua mente com a mesma intensidade com que a tuberculose progredia em seu pulmões.
Os músicos do quiosque, entre uma música e outra, atiram-se à beberagem e aquinhoam-me com várias pérolas musicais, entre as quais o filosofar do ainda vivo e oitentão Nélson Sargento:
"O nosso amor é tão bonito
Ela finge que me ama
E eu finjo que acredito".
E logo a seguir atacam com um sacudido samba, cuja letra é a síntese da saga imemorial dos favelados e pobres brasileiros em geral, espremidos sempre entre o caso de amor conjugal e as dificuldades de sobrevivência:
"Ô Maria! Ô Maria!
Vamo acabar com essa mordomia
É de noite, é de dia
Chega a sogra, chega a tia
Meio-dia
É panela no fogo
E barriga vazia"
Saio daquele oásis poético convencido de que é uma grande injustiça que um povo carioca assim tão alegre e inspirado tenha sido obrigado a chamar para guardar e proteger o seu Carnaval irreprimível as tropas do Exército.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Posted
8:14 PM
by Cassiano Leonel Drum
Enfim, uma transitória subversão da ordem, da qual a máscara e a fantasia eram, e são, os símbolos maiores: a pessoa aparenta aquilo que não é, e pode fazer o que não faria na vida real. O fato é que mascarados ou não no carnaval, fica mais fácil, até pelo clima, pela cumplicidade que se sobressai e aí solta-se as frangas todas.
Moacyr Scliar
02/03/2003
O mundo (e o Brasil) de pernas para o ar
Originariamente o Carnaval era uma festividade pagã, preservada na Europa cristã pela simples e lógica razão de que era uma válvula de escape para as tensões coletivas. Não a única, claro: o mesmo acontecia com a Festa dos Loucos, que, apesar do nome, não era uma celebração da loucura e sim uma oportunidade para as pessoas se fingirem de loucas e assim botar para fora a maluquice. No Carnaval europeu o elemento principal era o cortejo, com temas fantasiosos - o Jardim das Delícias, a Fonte da Juventude - ou outros, mais terrenos: em Koenigsberg, Alemanha, em 1583, açougueiros, os grandes carnavalescos da época, desfilaram carregando uma salsicha de mais de 200 quilos. Era uma festa da carne, em todos os sentidos: falos gigantescos eram freqüentes nos desfiles. O "liberou geral" não raro degenerava em agressão, com mascarados insultando pessoas e desafiando a polícia.
Enfim, uma transitória subversão da ordem, da qual a máscara e a fantasia eram, e são, os símbolos maiores: a pessoa aparenta aquilo que não é, e pode fazer o que não faria na vida real. No Brasil, o Carnaval começou na época da colônia, como uma brincadeira de rua. Não muito refinada: escravos atiravam uns nos outros ovos, farinha, restos de comida e frutas podres, enquanto, dos balcões, as famílias jogavam baldes de água suja nos transeuntes. Depois, a coisa ficou mais civilizada. O primeiro baile de máscaras (que eram importadas da Europa) ocorreu no Hotel Itália, no Rio, em meados do século 19: uma cópia do Carnaval de Veneza. O Carnaval dicotomizou-se, socialmente falando: de um lado, a popular festa de rua, de outro, o Carnaval de salão, destinado sobretudo à classe média emergente no país.
Mas a festa de rua também teria duas tendências. Isto aconteceu graças a uma figura quase folclórica: o Zé Pereira, apelido pelo qual era conhecido o português José Nogueira de Azevedo Paredes. Com seu bumbo, dava ritmo à música carnavalesca que logo fez sucesso graças a marchinhas como Ó Abre Alas, de Chiquinha Gonzaga. Surgiram os blocos, que era um desfile organizado, com papéis bem definidos: o mestre-sala, o porta-estandarte. E surgiram os desfiles de carros alegóricos, o primeiro deles no Carnaval de 1907, quando as filhas do então presidente Afonso Pena, fantasiadas, fizeram um passeio no automóvel presidencial. Foram logo imitadas por foliões que tinham carro. Pronto: o desfile estava consagrado.
A outra tendência era a festa de rua propriamente dita, sem organização, sem patrocínio - a válvula de escape na sua expressão mais pura. O Carnaval do Rio é a expressão da primeira tendência; o de Salvador (e isto nada tem a ver com ACM), expressão da segunda. Organização de um lado, espontaneidade de outro. Os que defendem o Carnaval do Rio gabam seus méritos como super-espetáculo; os que são pela festa de rua torcem o nariz para o que chamam de burocratização da festa. E este, ao fim e ao cabo, é o dilema do Brasil. Como conseguir que a população se organize sem o controle de caciques políticos ou das instâncias de poder? Como mobilizar a espontaneidade sem cair na desordem? No caso do Carnaval, esta pergunta dura uns 10 dias, se tanto. No caso do país, vem atravessando os séculos. Sem resposta.
scliar@zerohora.com.br
Posted
8:01 PM
by Cassiano Leonel Drum
Eu, elétrico por natureza, reduzi meu ritmo por um tempo longo demais, abusando dos meus limites. Valeu ter aprendido a relaxar, mas aqui é que é a minha praia. Mais um pouco e eu arrebentava de saudades de escrever. Será que vai ser assim quando eu tiver viajado por alguns dias que poderão se tranformar em um mês ou mais?
Martha Medeiros
02/03/2003
Limites estendidos
Longe de Porto Alegre há um tempão, vivendo uma rotina de cidadezinha do interior, com horas e horas para ler, caminhar e pensar na vida, me perguntava: quanto tempo agüentarei? Duas semanas? Três? Sou da raça das inquietas, daquelas pessoas que estão sempre arranjando alguma coisa pra fazer, então mantenho uma relação de amor e ódio com as férias, sempre fico com medo de que repouso demais acabe me estressando. Mas que nada: fui, vi e venci. Aprendi a me entregar ao ócio sem culpa e hoje sei que meus limites podem ser estendidos. O meu limite de desconexão do trabalho, do relógio e do computador, que sempre foi curto, ampliou-se.Isso é mais ou menos como atravessar uma fronteira e permitir variações de si mesmo.
Todo mundo tem seus limites de tolerância. Sabe até quando pode suportar uma abstinência, quanto tempo resiste sem sentir prazer, ou sem sentir-se útil, ou produtivo, ou o que for. E estipulam prazos: "Fico neste casamento até a hora que as crianças crescerem". "Fico neste emprego apenas enquanto estiver sendo valorizado". "Vou continuar morando com meus pais apenas até terminar a escola". Até que nos vemos frente a frente com o fim da estrada: as crianças cresceram, o seu patrão não acena com uma promoção e você terminou os estudos. Vai separar? Pedir demissão? Sair da casa dos pais? É nesta hora que muitos descobrem que ainda têm gás para seguir adiante.
Estender os limites que a gente se impõe é como prosseguir viagem após ter chegado ao seu destino: agora vem aquela parte que você não planejou, para o qual não estipulou um roteiro. De repente, descobre que vai, sim senhor, permanecer no casamento, porque as tentativas não foram esgotadas, porque acredita em reversões de quadro, porque precisa saber lidar com altos e baixos.
E vai ficar mais um tempo no emprego também, mesmo o patrão já não lhe achando grande coisa, pois tem uma selva lá fora e você tem que se alimentar, se garantir, pagar suas contas. E vai ficar mais um tempo morando com seus pais, ora bolas, afinal se acostumou com a mordomia e ninguém está lhe chutando pra fora. Nenhum problema nisso, desde que você use esta elasticidade para aprender mais sobre si mesmo, e não para ganhar tempo.
Sempre dá pra gente agüentar mais um tanto, dar uma esticada na nossa resistência, mas sem abdicar das nossas urgências. Eu, elétrica por natureza, reduzi meu ritmo por um tempo longo demais, abusando dos meus limites. Valeu ter aprendido a relaxar, mas aqui é que é a minha praia. Mais um pouco e eu arrebentava de saudades de escrever.
martha.medeiros@zerohora.com.br
Posted
7:57 PM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
02/03/2003
Satisfações
Da recepção avisaram que tinha um Carmano para falar com ele. Carmano, Carmano... O nome não lhe era estranho. Queria falar com ele ou com qualquer um do jornal?
- Pediu para falar com o senhor.
- Manda subir.
Estava só ele na redação. Às quintas, sempre ficava até mais tarde para fechar o caderno de cultura que saía nos domingos. Fazia o caderno de cultura quase que sozinho. Editava, diagramava, escrevia resenhas... Resenhas. Era isso. Comentara um livro desse Carmano semanas antes. Um livro policial. Metera o pau. Na certa o tal de Carmano viera pedir satisfações. Tarde demais para barrá-lo na recepção. Ele estava subindo. Ele estava no elevador. Talvez já engatilhando a pistola com que se vingaria da crítica. Ou seria uma navalha? No livro o assassino usava uma navalha.
Mas o Carmano que entrou na redação parecia estar desarmado. Era um homem franzino, camisa fora das calças, mais moço do que ele. Chamou-o de senhor.
- O senhor é o Zardo do caderno de cultura?
- Sou eu.
Ele estendeu a mão.
- Carmano. O senhor escreveu sobre o meu livro na semana passada.
- Ah, certo. Certo. E aí? Tudo bem?
- Eu só queria fazer uma pergunta.
- Faça.
- O senhor...
- Me chame de você.
- Você disse que a cena do crime era inverossímil. O cara sozinho no local de trabalho. Como o criminoso iria saber que o cara estava sozinho, lembra?
- É. Olha. Inverossímil, não. Achei meio forçado.
- O senhor escreveu "inverossímil".
- No sentido de forçado. Improvável. Coincidência demais.
- Era só o assassino investigar a vida do cara para descobrir os seus hábitos, a sua rotina de trabalho. A cena não era inverossímil.
- Mas você não escreveu nada sobre essa investigação. Ficou parecendo que o assassino foi matar o cara contando com a coincidência, contando com a eventualidade de ele estar sozinho. Quer dizer...
- Mas a investigação está subentendida.
- Não. Péra um pouquinho. Você não pode pedir que o leitor subentenda nada. É como pedir que ele faça o seu trabalho por você. O leitor só sabe o que você diz pra ele. Só sabe o que você quer que ele saiba.
- Como é que você sabe?
- Eu sei, meu caro. Estou cansado de ler policial. E sempre me coloco no lugar do leitor comum. E o leitor comum nunca subentende. Entende o que você lhe conta ou não entende nada. Subentender, nunca. Não é a função dele.
- Se for inteligente, subentende. Talvez você não seja um leitor inteligente.
- Bom, se você vai partir para...
- Por exemplo: o que o senhor subentende da minha presença aqui, hoje, a esta hora?
- O quê?
- Não está subentendido que eu pesquisei a sua vida, descobri a sua rotinade trabalho e sabia que às quintas você fica até tarde na redação, e que a esta hora estaria aqui sozinho? Aqui onde eu posso matá-lo sem que ninguém veja, e ninguém descubra até eu estar longe?
- Me matar?
Carmano levou a mão direita às costas. Disse:
- Não está subentendido que eu tenho uma arma na cintura, aqui atrás?
- Que arma?
- Subentenda.
- Navalha?
- Vejo que o senhor leu meu livro com atenção. Não gostou, mas leu até o fim. Outra pergunta. Por que o senhor disse que a identidade do criminoso ficava evidente desde o começo, no livro?
- Porque o criminoso era obviamente o menos provável, o que parecia mais inofensivo, o que ninguém desconfiaria.
- Porque era um insignificante como eu?
- Não. Eu...
- O senhor acha verossímil que eu tenha uma navalha aqui atrás?
- Acho. Quer dizer...
- Pois não é uma navalha.
Carmano começou a movimentar o braço lentamente, para mostrar o que tinha na mão escondida. Zardo:
- Você vai me matar por causa de uma resenha? Só porque eu...
- Você me ridicularizou. Você me chamou de inocente inútil. Disse que eu tinha muito que aprender sobre livros policiais e que a primeira lição era não fazer outro.
- Mas eu gostei, viu? Eu gostei! Achei um pouco forçado mas...
Carmano mostrou a mão. Ela também não segurava uma pistola. Imitava uma pistola, com dois dedos estendidos. Que ele apontou para a testa de Zardo.
- Veja. Uma pistola subentendida.
E fez:
- Pum!
Depois que se recuperou, Zardo ligou para a recepção e deu ordens para nunca mais deixarem entrar alguém para falar com ele, às quintas. Naquele domingo sairia uma resenha dele metendo o pau no trabalho de uma nova poeta. Era só o que faltava, a poeta também ir pedir satisfações.
Talvez agredi-lo com o salto do sapato. Ou coisa pior. Com as poetas, nunca se sabe.
Posted
7:52 PM
by Cassiano Leonel Drum
Clima
Fim de temporada em alto estilo
O litoral gaúcho teve sol forte e pouco espaço na areia no sábado que abriu o feriadão e o fim do veraneio (foto Emílio Pedroso/ZH)
Posted
11:51 AM
by Cassiano Leonel Drum
O Carnaval é bom por isso as pessoas extravasam os seus sentimentos mais profundos, guardados, muitas vezes por anos. Olha só, será que é paixão antiga esta da Ana Maria?
Fábio Cordeiro/O Dia Francisco Silva Eraldo Platz/Ed. Globo Reginaldo Teixeira/Cia. da foto
Mulheres endiabradas
Luana Piovani na quadra do Salgueiro, Ana Maria Braga na Mocidade Independente e, no detalhe, com Simone e Luciana Gimenez: liberou geral - é Carnaval!
Rapazes, relaxem: se os ensaios nas quadras das escolas são termômetro, a temperatura já está máxima entre as beldades que pretendem mostrar seus dotes - não necessariamente de passista - na Sapucaí. Luana Piovani (1), loiríssima, tirou a fantasia de Alice, personagem que interpreta no teatro, e deixou a platéia masculina de babador no ensaio do Salgueiro. O assunto da noite? As pernas da moça, que estão, digamos assim, mais marombadas. Enquanto isso, outra loura famosa também esbanjou fôlego: Ana Maria Braga (2), solteira e de minissaia, sambou até as 5 da manhã na Mocidade Independente de Padre Miguel. Um dia antes, ela já tinha virado alvo de todos os flashes, no Canecão, quando não resistiu ao convite da melhor amiga, Simone (4) - dona do show e de seu entusiasmo -, e subiu no palco, cheia de alegria. Na Grande Rio, a animação da veterana Luciana Gimenez (3) só foi ofuscada pela presença de Deborah Secco. A primeira tem jogo de cintura. A segunda nem sabe sambar direito, mas já ganhou o título de madrinha da escola no ano que vem. Briga das boas!
Bomba H
Vai explodir logo, logo um escândalo no Rio de Janeiro, com as mesmas dimensões, ou até maiores, daquelas do caso Silveirinha - sobre remessa ilegal de dinheiro ao Exterior. A história da vez tem a ver com a Delegacia Regional do Trabalho.
Língua presa
As poucas pessoas que tem conversado com Antônio Carlos Magalhães, em meio a toda essa confusão do grampo na Bahia, estão assustadas: quase não se escuta o que ele diz. O senador anda tão deprimido que está falando para dentro.
Posted
9:54 AM
by Cassiano Leonel Drum
Quando saio deste minúsculo escritório e de meu computador, embora viva todo o cotidiano necessário que inclui cinema, televisão e supermercado, eu me reabasteço curtindo esta casa com suas crianças, encontrando amigos, e, sobretudo, ficando quieta. A exemplo da Lia eu também, faço exatamente isso, menos esta casa que está sem crianças e os amigos que foram-se para o mar. Então ficar quieto é uma boa sugestão.
Lya Luft
03/01/2003
Pontos fora dos "is"
Raramente falo em literatura, e quase não comento política. Literatura é parte de mim desde que me contavam histórias antes de eu aprender a ler. Com os anos, tornou-se minha atividade mais constante, minha profissão, minha distração e minha essência. É, para mim, como respirar. Quando saio deste minúsculo escritório e de meu computador, embora viva todo o cotidiano necessário que inclui cinema, televisão e supermercado, eu me reabasteço curtindo esta casa com suas crianças, encontrando amigos, e, sobretudo, ficando quieta. Preciso dessa falsa vagabundagem lírica, na qual não entram nem livros nem cinema nem moda nem economia, mas posso refletir, que é fugir da futilidade - mais mortal das nossas doenças da alma.
Para comentar política não tenho cacife, e tal como anda ela me confunde. Não é por um tolo saudosismo que eu preferia política quando havia três partidos, e passar de um para outro deixava uma chancela tão negativa que nunca mais o vira-casaca conseguia ser votado nem pra síndico de edifício. É por uma velha coisa chamada ética - meio fora de moda neste momento, embora nunca tenha se falado e escrito tanto sobre ela... que na verdade se transmite através dos poros, em casa, na família, na escola.
Mas concordo com minha amiga imaginária que me telefona aflita com algumas das possíveis novidades no país. Uma delas é: se cortarem ainda mais o que ela recebe como viúva de um funcionário federal, aposentado aos 70 anos depois de uma longa carreira de contribuições para a cultura do país, a esta altura da vida ela vai ter de trocar sua velha casa rangente por um quarto-e-sala de periferia. E, embora em idade de descansar um pouco, ela terá de dobrar seu tempo diário de trabalho, já agora necessário para sobreviver com decência.
Podia ser pior, dirão. É preciso, dirão. Mas até uma simples escritora imagina que uma distribuição mais equânime de recursos podia começar reduzindo os salários dos senadores e deputados, por exemplo. Quem sabe assim daria para não nos punirem ainda mais a nós, os comuns mortais, que continuaríamos apenas na precariedade que é nossa marca atual.
Ah, minha amiga também vai ter de remover a velha dama que há anos sustenta numa clínica geriátrica - na qual a anciã recebe cuidados profissionais intensivos que com o passar dos anos se tornou impossível lhe proporcionar em casa.
Minha sugestão será que ela despache sua protegida para o Palácio da Alvorada, na esperança de que lá cuidem dela - e de tantas outras pessoas cada dia mais desvalidas. Porque as nossas possibilidades estarão esgotadas.
Pode ser que, ignorante nesses assuntos tão técnicos, eu esteja fazendo confusão: não vão reduzir o sustento das pensionistas, mas apenas dos aposentados deste nosso amado, belo, cada vez mais estranho país. Porque eles, afinal, ainda fazem (fazem?) três refeições por dia.
Ah, bom, como diz meu colega de outra página.
Posted
9:47 AM
by Cassiano Leonel Drum
Concordo ainda em mais uma coisa, efetivamente os grandes sucessos dos canavais atuais, são músicas antigas, muito antigas numa clara evidência de que recentemente não se está querendo fazer sucessos de músicas carnavalescas, talvez por o foco ser outro. Mas os carnavais continuam existindo, então por que mesmo não se faz? Será a criatividade que está em baixa?
Ricardo Silvestrin
28/02/2003
Viva o zamba!
Marcelo D2 e Falcão, vocalista do Rappa, cantando Maria Sapatão. Aquela marchinha de Carnaval lançada pelo Chacrinha: "Maria Sapatão, sapatão, sapatão / de dia é Maria / de noite é João!". Foi um dos grandes momentos de farra do programa do Serginho Groissman há uma semana. Acompanhando, uma clássica bandinha de Carnaval, com um senhor naipe de sopros tocados por uma turma de velhinhos. Desfilaram cantando marchinhas também Paulo Miklos, Fernanda Abreu, Max de Castro, entre outros.
A MTV fez algo semelhante faz alguns anos. Lembro de uma interpretação clássica do João Gordo e sua banda Ratos de Porão repetindo num arranjo hard core "alalaô, alalaô, mas que calor, calor, calor / alalaô, alalaô, mas que calor, calor, calor".
Fazer músicas de Carnaval, ou tematizando o Carnaval, parece algo que ficou atualmente restrito à Bahia. Lá todo ano aparecem novos grupos, novos trios elétricos, e o Carnaval se realimenta. Fora isso e fora os sambas-enredos, não parece ter ninguém trabalhando uma música específica para o Carnaval.
Caetano Veloso conta no seu livro Verdade Tropical a emoção de voltar ao Brasil depois do exílio bem no período do Carnaval. Seu frevo Chuva, Suor e Cerveja, composto em Londres, era cantado pela multidão que seguia na chuva pela rua atrás do trio elétrico. Caetano fez também anos antes Atrás do Trio Elétrico e Um Frevo Novo.
Durante um período, ali pela virada 70/80, Moraes Moreira e Gil compuseram ou regravaram frevos para o Carnaval. Gal Costa trouxe de volta o Balancê. Tudo isso se somou nos salões às antigas e eternas marchinhas. Chico fez aquele samba-enredo do final da ditadura "Vai passar nessa avenida um samba popular...". Caetano gravou o enredo da União da Ilha: "É hoje o dia / da alegria / e a tristeza nem pode pensar em chegar!".
E o que dizer da belíssima canção do Chico "Hoje o samba saiu / procurando você / quem te viu / quem te vê / quem não a conhece não pode mais ver pra crer / quem jamais a esquece não pode reconhecer... Hoje eu vou sambar na pista / você vai de galeria / quero que você assista / na mais fina companhia / se você sentir saudade / por favor não dê na vista / bate palma com vontade / faz de conta que é turista".
Hoje os funks e pagodes é que estão ombreando com as marchinhas geniais e insubstituíveis. A cachorrinha, o bonecão do posto, a egüinha pocotó...
Mas pra não deixar a peteca cair, estou há anos com o refrão de um samba-enredo que nunca terminei. Pegando a onda de falar de um tema histórico, exigência que acabou gerando às vezes grandes saladas nos sambas-enredos em geral, lasco um sobre a história do socialismo. Olha só o refrão, tudo o que tenho até o momento: "Foi na era mesozóica / que começou a Perestróika!".
ricardo.silvestrin@zerohora.com.br
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9:40 AM
by Cassiano Leonel Drum
Mas precisa ficar muito claro que um país que não sabe tratar de seus presos não saberá também cuidar da proteção das pessoas que estão soltas. E assim ficam os cidadãos pagando os tributos para um Estado que não lhe dá a mínima, pois que não garante a integridade de seu patrimônio, muito menos do seu patrimônio maior que é a própria vida.
Paulo Sant'ana
01/03/2003
O exilado
É espantosamente surrealista a solução que se quer dar para a liderança que o traficante Fernandinho Beira-Mar exerce sobre seu exército de malfeitores no Rio de Janeiro.
De dentro do Presídio Bangu I, onde estava preso até que foi transferido por apenas 30 dias para o interior de São Paulo, Fernandinho comandou uma operação insurrecional que apavora o Rio de Janeiro, centenas de guerrilheiros que servem ao seu Comando Vermelho saem para as ruas e, com incêndios e metralhamentos de veículos e prédios, apavoram uma população que beira 15 milhões de habitantes.
continua
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9:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
continuação
Mas criou-se entre as autoridades fluminenses um consenso: era preciso transferir Fernandinho Beira-Mar de Bangu I para uma prisão de outro Estado, a proximidade do bandido com seus comandados está colocando por terra toda a ordem civil no Rio de Janeiro, ameaçando de colapso a segurança pública carioca.
Cria-se assim um estupendo contra-senso: há um ditado que circula em todas as mentes, lugar de bandido é na cadeia.
E o que se vê é o diagnóstico das autoridades de que Fernandinho Beira-Mar é perigosíssimo justamente por estar na cadeia.
Não há quem possa entender isso.
Há algo de tremendamente errado nisso: se a cadeia não é lugar seguro para guardar bandido, se o público de fora da prisão corre perigo com o bandido preso, todo o sistema penal desabou.
Se o comando das operações criminosas não está localizado fora das cadeias, nas ruas, mas se incrusta lá no interior do presídio, onde as condições para vigilância dos presos são as mais propícias possíveis, então é mesmo porque chegamos ao fim da viabilidade penal, não há mais qualquer solução para a demanda criminal brasileira.
Que um preso ameace a segurança de um presídio, admite-se. Mas que um detento esteja lá dentro a comandar uma guerra civil contra a comunidade lá de fora, esse fato escapa aos mínimos padrões da racionalidade.
Ali está o preso, submetido à carceragem. Como pode, sabendo-se que é ele quem lidera as operações de guerrilha das ruas, permitir-se que ele se movimente dentro da prisão com a desenvoltura dos planejadores, comunicando-se com todos os escalões da sua milícia delinqüencial através de uma rede telefônica bem aparelhada e livre de qualquer controle das autoridades?
Mas o presídio não é o lugar ideal para se manter um preso? Aqui no Brasil chegou-se ao auge do absurdo: o bandido mais perigoso e ameaçador é justamente aquele que está na cadeia.
Mas como eu sempre disse em 31 anos de jornalismo, se não há ordem nem segurança na cadeia, fora dela a vida das outras pessoas vai ficar pior ainda.
Não basta a prisão para Fernandinho Beira-Mar, entendem agora aflitas as autoridades, é preciso que ele seja conduzido para fora do Rio de Janeiro, noutro Estado.
Além da prisão, o exílio. E se ele continuar comandando lá do Acre a insurgência civil, talvez o degredo, eis que algumas autoridades já se mostraram favoráveis a que ele fosse entregue aos Estados Unidos.
Mas precisa ficar muito claro que um país que não sabe tratar de seus presos não saberá também cuidar da proteção das pessoas que estão soltas.
E isto que Bangu I é considerado presídio de segurança máxima.
Comprova-se assim que não há presídio de segurança máxima quando lá fora a população goza de segurança mínima.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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9:23 AM
by Cassiano Leonel Drum
O respeito pela música, a necessidade de garantir a existência da música, eram maiores do que tudo, quase maiores do que a vida. E para muitas pessoas ainda é assim e deverá, na opinião delas, continuar sendo.
Celso Loureiro Chaves
01/03/2003
Pagnot
Pierre Boulez sugere, num dos seus artigos, que um texto pode ser "presença/ausência" numa obra musical. O texto pode estar presente nela, como ímpeto inicial da composição, como alicerce estrutural. Mas pode estar ausente dela, se as palavras propriamente não foram colocadas em música, ficando-lhe como subtexto. Nas duas hipóteses, um irrequieto jogo de equilíbrio entre primeiro e segundo plano se estabelece, música e texto a encenar uma curiosa dança de figuras e sombras, presenças implícitas, ausências explícitas.
É um pouco o que acontece com os nossos mestres: deflagradores de todo um processo criativo, quanto mais avançamos na vida, mais permanece em nós o que nos ensinaram, mesmo que eles próprios estejam distantes. Não sei se hoje ainda se usa falar de "mestres", mas quando fui estudante se usava. Mais do que se usava: se praticava. Tanto assim que, substituída a vida de estudante pelos embates da afirmação profissional, estabeleceu-se em mim o jogo de "presença/ausência" proposto por Boulez: se deixei de ter mestres, nunca deixei de ter em mim suas lições de permanência.
Essas reflexões me ocorreram nestas últimas semanas, desde que Jean-Jacques Pagnot, mestre da música, deixou de estar conosco. Guardo dele imagens, sons e lições. Um violoncelo, um cachimbo. Na voz, um incontornável sotaque francês para dizer verdades indiscutíveis sobre a importância de dominar o repertório do passado e do presente, de observar atentamente o metrônomo na música de câmara, de buscar os golpes de arco mais eficientes para extrair som de um violoncelo. Quando minha vida de estudante cruzou com a dele, Jean-Jacques Pagnot já era um mito na cena porto-alegrense.
Depois de quase 20 anos por terras gaúchas, tinha se tornado o mestre incontestável do violoncelo e da música de câmara. Professor do Departamento de Música da UFRGS, ele tinha na prática da música o grande laboratório daquilo que ele propunha em aula. O Trio Porto Alegre foi o seu meio de expressão predileto na música de câmara. Na música sinfônica, a Ospa foi o seu campo-de-provas de repertório, ao tempo do mitológico Pablo Komlós.
Justamente aí testemunhei o cruzamento da carreira de dois de meus mestres, Jean-Jacques Pagnot e Armando Albuquerque. Foi num dos ensaios para a estréia da Evocação de Augusto Meyer, a peça orquestral de Armando que Pagnot regeria num dos concertos da Ospa, isso nos idos de 1970. Um músico de orquestra teimou em fazer chacota da acordeona que fornece o toque final da Evocação, numa superposição de timbres transgressora, um golpe-de-mestre do compositor. Eu nunca tinha visto, e nunca vi depois, Armando tão furioso como diante daquela chacota insensível.
E nem Pagnot tão inflexível na defesa de uma música local que, nem bem ainda estreada, já sofria os abusos de um músico local. Foi essa combinação brabeza/inflexibilidade que, contornando a bossalidade, permitiu que a Evocação de Augusto Meyer entrasse no nosso repertório sinfônico.
Não foi a única lição que me ficou de Jean-Jacques Pagnot, mas foi uma das maiores. Para Pagnot, o respeito pela música, a necessidade de garantir a existência da música, eram maiores do que tudo, quase maiores do que a vida. Hoje, quando às vezes me encontro exercendo as mesmas funções que aprendi com ele, percebo que um jogo de presença/ausência se instala.
Pagnot não está mais por perto, mas suas lições de permanência ainda se reforçam, uma e outra vez. Chego à conclusão que estava longe dele passar por seus alunos no anonimato. Não seria digno dele, ele que foi, acima de tudo, Jean-Jacques Charles Henri Pagnot, um músico e um mestre.
celso.chaves@zerohora.com.br
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9:17 AM
by Cassiano Leonel Drum
Litoral
Mar cristalino para fugir do calor
Temperaturas superiores a 30ºC e o mar calmo e limpo fizeram os gaúchos acorrerem à beira-mar, como em Capão da Canoa (foto Emílio Pedroso/ZH)
Sexta-feira, Fevereiro 28, 2003
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9:54 PM
by Cassiano Leonel Drum
Corrida contra o tempo
Oposição externa e problemas no front doméstico explicam pressa de Bush com a guerra
Osmar Freitas Jr. - Nova York
Quando estava em Davos, em janeiro último, para a reunião de líderes globalizados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma análise sobre a possível Segunda Guerra do Golfo. Para espanto de alguns de seus interlocutores, o brasileiro disse que seu colega americano, George W. Bush, havia perdido o momentum para um ataque. Na ocasião, houve quem visse ingenuidade geopolítica do estreante brasileiro no cargo.
O tempo parece estar comprovando, pelo menos parcialmente, a sensibilidade profética de Lula. Depois de perder a guerra da opinião pública para o pacifismo encabeçado internacionalmente por França e Alemanha jogando, desse modo, num buraco negro eleitoral seus aliados europeus, o presidente Bush começa a ver se esvaziar o apoio doméstico a seus desejos guerreiros.
As pesquisas de opinião pública independentes mostram que entre 53% e 57% dos cidadãos americanos só apóiam uma invasão do Iraque caso ela seja sancionada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Bush, porém, foi buscar num colega do passado, Franklin Delano Roosevelt, outro que enfrentou oposição pública contra a guerra, um paralelo que lhe servisse.
Depois de notar o vigor das manifestações de rua do começo do mês, parafraseou Roosevelt dizendo que o verdadeiro líder toma decisões pelo bem do país, e não visando popularidade. Roosevelt todos conhecem e George W. Bush não é nada parecido com ele. Mas já há quem o compare com outro predecessor, Lyndon B. Johnson, que foi obrigado a renunciar à candidatura à reeleição por causa de seu apoio à guerra do Vietnã.
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9:46 PM
by Cassiano Leonel Drum
Capa
Bom e esta é a capa da Revista Isto É que amanhã estará nas grandes bookstores ou no domingo em todas as bancas do País.
Te perdôo por te trair
A tendência entre casais é superar a infidelidade com diálogo e reflexão. Hoje, poucos se separam por causa das escapadelas
Camilo Vannuchi, Chico Silva e Eliane Lobato
Colaboraram: Neila Fontenele e Greice Rodrigues
Trair, chifrar, pular a cerca, manter um relacionamento extraconjugal, ser infiel. Expressões como estas fazem tremer as pernas de qualquer um. Poucas coisas são tão desagradáveis quanto descobrir que existe outro dividindo a cama (e os sentimentos) da pessoa amada. Mas, ao que parece, por solidariedade ou puro sadismo, muita gente gosta de acompanhar as peripécias sexuais dos outros, principalmente quando o caso é público e rico em detalhes.
Se não gosta, vai ter de se acostumar. A traição está na boca do povo, nas manchetes dos jornais e no auge do horário nobre. Apenas no mês de fevereiro, o brasileiro visitou a intimidade do prefeito de Ipatinga (MG), Chico Ferramenta, se decepcionou (mais uma vez!) com Antônio Carlos Magalhães, exerceu a arte do voyeurismo diante dos malhos de Sabrina e Dhomini (Big Brother Brasil) e, finalmente, assistiu à impagável sobreposição de casais na nova trama de Manoel Carlos, Mulheres apaixonadas.
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9:38 PM
by Cassiano Leonel Drum
Esta é a capa da Revista Veja que nesta semana empatou com a Isto É, isso é divulgou ao mesmo tempo suas manchetes e a sua capa que está ai em primeira mão para você.
Os limites do corpo
Mesmo malhando, nem todo mundo consegue músculos volumosos e definidos. Mas isso não é pretexto para os preguiçosos: com ou sem um físico privilegiado pela genética, todo mundo tem de se exercitar
Bel Moherdaui
Fotos Carol Quintanilha
Fabiana, na aula de acrobacia: ginástica quase todo dia, mesmo machucada ou com febre
Estar em forma ¿ tradução: magro, corpo durinho, músculos definidos ¿ é o sonho que faz lotar as academias do planeta. Regata molhada de suor, faixa na testa, luva de proteção, homens e mulheres de todas as idades dedicam horas de agendas corridas ao esforço de eliminar gorduras, afinar a silhueta e, enfim, conquistar o gostinho de se olhar no espelho e se achar parecido com o sarado ou a sarada da televisão.
Este é o sonho. A realidade é muito diferente. De um modo geral, as pessoas que assumem a necessidade de praticar exercícios físicos situam-se em dois grupos distintos: os que se dedicam com exagero, e acabam magros demais ou musculosos demais ou obcecados demais, e os que começam animados a semana 1, perdem o pique na semana 2 e desistem na semana 3 ¿ só para começar tudo de novo alguns meses depois. Isso não acontece por acaso, nem por pura obsessão de uns e incontrolável preguiça de outros.
Como a ciência vem demonstrando de forma cada vez mais inapelável, malhar e obter resultados consistentes é questão de genética e cabe a cada um encontrar seu limite e permanecer nele, sem extrapolar mas também sem fazer corpo mole.
Num dos mais recentes estudos americanos sobre o tema, um grupo de 742 pessoas extremamente sedentárias, pertencentes a cerca de 200 famílias diferentes, foi submetido a vinte semanas de um mesmo programa de exercícios supervisionado. Com as comparações entre os resultados obtidos, constatou-se que a melhora da resistência física é semelhante entre membros da mesma família e que a influência da carga genética no resultado é de até 47%. O estudo, ainda em andamento, é coordenado pelo pesquisador Claude Bouchard, diretor do Centro de Pesquisas Biomédicas Pennington da Universidade do Estado da Louisiana. Bouchard, especialista na pesquisa das relações entre genética e capacidade física, já havia coordenado na década de 80 outro importante levantamento na área.
Primeiro, um grupo de trinta sedentários foi submetido a vinte semanas de treinamento, com cinqüenta minutos de exercícios vigorosos quatro vezes por semana. "Alguns melhoraram a forma física em 50% a 60%. Outros não tiveram melhora nenhuma", constatou Bouchard. Ele então repetiu o treinamento com pares de gêmeos idênticos, que, por serem clones naturais, são usados em inúmeros estudos para avaliar a importância da carga genética em contraposição às influências externas.
Constatou que se um respondia bem ao treinamento, o mesmo ocorria com o outro; e se um ia mal, ambos iam. Conclusão óbvia: há pessoas que nascem propensas a, exercitando-se, obter um corpo musculoso ou uma excelente resistência aeróbica. Outras não têm essa capacidade inata. Podem malhar e melhorar a condição física, mas não haverá esteira ou halter que promova a explosão de bíceps desejada por muita gente como ideal estético. Continua no site da revista
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7:06 PM
by Cassiano Leonel Drum
Gisele Bundchen se emociona e chora no Pelourinho
SALVADOR (Reuters) - Gisele Bundchen não conseguiu controlar a emoção durante sua visita, na tarde desta sexta-feira, ao Liceu e Artes e Ofícios de Salvador, no centro histórico da capital baiana.
A top model, que tem por hábito manter a compostura em aparições públicas, chorou pouco depois de ter sido apontada como madrinha do espaço, que trabalha no desenvolvimento do talento dos jovens de classes mais baixas.
"Eu sou chorona e então vou chorar aqui", disse Gisele, que trajava uma blusa azul de seda modelo frente única e uma saia branca abaixo do joelho.
Ela tentou, sem sucesso, desviar seu rosto dos flashes das máquinas fotográficas enquanto chorava.
A empresa com a qual Gisele mantém contrato de exclusividade programou sua ida ao Liceu, uma das organizações não-governamentais que conta com apoio do Instituto Credicard, cujos investimentos em projetos sociais previstos para este ano são da ordem de 3,5 milhões de reais.
A top model, que fica em Salvador até o final do Carnaval, evitou o assédio da imprensa, limitando-se a falar sobre a importância dos trabalhos da ONG:
"É muito importante você ter seu sonho... Eu comecei a trabalhar com 13 anos e não tinha nada. Precisamos sonhar", disse Gisele, que também acompanhou apresentações de dança dos adolescentes do Liceu e posou para fotos junto com os jovens.
Neste Carnaval em Salvador, Gisele tem presença confirmada apenas no camarote de Daniela Mercury, que tem entre os patrocinadores a Credicard.
(Por Cesar Bianconi)
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6:59 PM
by Cassiano Leonel Drum
Sexta, 28 de fevereiro de 2003, 17h41
Gaúchos optam por praias brasileiras no Carnaval
A capital gaúcha começa a ficar vazia, com a proximidade do Carnaval. Na manhã de hoje, o movimento foi fraco no Aeroporto Internacional Salgado Filho. Cerca de 6.700 pessoas devem voar para outros Estados, hoje e amanhã. Os destinos mais procurados são Florianópolis, Rio de Janeiro e Salvador. Alguns passageiros optaram por Buenos Aires, na Argentina e Montevidéu, no Uruguai. Entretanto, a maior procura dos gaúchos foi pelas praias brasileiras.
Das 80 mil pessoas que deixarão a capital neste feriado, pela rodoviária, 60 mil pessoas optaram pelas praias do Litoral Norte. A procura maior aconteceu no final da manhã de hoje e deverá aumentar à noite. Segundo a direção da Estação Rodoviária, a metade dos 700 ônibus extras já estão ocupados. Ainda existem passagens disponíveis.
Até o meio-dia de hoje, 7.500 carros passaram pela freeway estrada que leva às praias e ao interior do Estado. Segundo a concessionária que administra as rodovias, a expectativa é que até o final do dia, passe pela freeway mais de 50 mil carros. Cerca de 500 mil pessoas devem deixar Porto Alegre.
Nas praias do Litoral gaúcho, o tempo é bom, com temperaturas que atingem mais de 30 graus. Nos hotéis, ainda há vagas e a expectativa, segundo os hoteleiros, é que a ocupação chegue a 90% no período de Carnaval.
Nas repartições públicas, as atividades encerram nesta sexta-feira, retornando às 13h de quarta-feira. O transporte coletivo irá funcionar no período com 700 ônibus, excluindo sábado e segunda-feira, quando circulam mil veículos. A terça-feira terá Passe Livre. Quem viaja para o Litoral e interior do Estado, contará com reforço no policiamento nas rodovias gaúchas.
O Batalhão da Polícia Rodoviária Estadual contará com 126 patrulheiros, 16 motocicletas e 20 viaturas de rádio-patrulhamento. A PRE quer coibir o excesso de velocidade, ultrapassagens em locais proibidos e embriaguez ao volante. Já a Polícia Rodoviária Federal (PRF) iniciou a operação "tapa-buracos", com pintura na sinalização vertical no trecho de 100 km da BR-101, no Litoral Norte. Serão 12 viaturas e 18 policiais fazendo rondas diárias.
Os patrulheiros pedem aos foliões respeito à sinalização e respeitar o limite de velocidade neste Carnaval. A Operação Golfinho da Brigada Militar colocou 1100 homens no salvamento nas praias e nas ruas do litoral gaúcho. Em Porto Alegre, a Brigada Militar colocou um reforço de 350 homens no policiamento da capital, a pé e a cavalo. Também haverá reforço no entorno da Avenida Augusto de Carvalho, onde acontece os desfiles das Escolas de Samba.
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12:31 PM
by Cassiano Leonel Drum
Se a moda pega por aqui vai ser fantástico até porque esta temperatura incentiva a este tipo de protesto. Fica ai a sugestão para os líderes de movimento.
SANTIAGO, 28 fev (AFP) - Uma recém-criada Frente Ampla de Jovens contra a Guerra no Iraque encabeçará este sábado um protesto que pretende reunir mais de 2.000 manifestantes nus no Parque Florestal de Santiago do Chile, informaram esta sexta-feira seus dirigentes.
O protesto "nu" se junta a outras manifestações das duas últimas semanas nesta capital, para exigir que o Chile não apóie o provável ataque ao Iraque, a ser decidido no Conselho de Segurança das Nações Unidas, ao qual se integrou em janeiro passado como membro não permanente.
"Nós vamos tirar a roupa para nos unir na pureza e na simplicidade em um protesto contra a violência da guerra", disse à AFP Francisco Elgueta, um dos porta-vozes do grupo que convocou a nova manifestação.
O Parque Florestal, situado no raio central de Santiago, é o mesmo cenário onde o fotógrafo norte-americano Spencer Tunick concentrou mais de 3.000 homens e mulheres que posaram para sua câmara inteiramente nus, no dia 30 de junho de 2002.
"Mas esta não será uma fotografia artística e sim uma manifestação pacífica em favor da paz", precisou o dirigente.
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12:19 PM
by Cassiano Leonel Drum
Bom seria super chato indexar o salário dos deputados ao salário mínimo, por exemplo, então é melhor indexar a média dos salários do servidor publico. Imaginem um deputado federal ganhando em torno de 330 salários mínimos. Não está errado. Não é 3, 3 nem 33, é exatamente trezentos e trinta salários. Que chato assim na véspera de carnaval, até parece bricandeira de algum bloco. Do bloco da Câmara Federal.
Mais um aumento para os deputados
Sob comando do PT, Câmara amplia verba de gabinete para R$ 35 mil
BRASÍLIA - Em dezembro, eles aumentaram os salários de R$ 8 mil para R$ 12.700. No mês passado, ampliaram em R$ 5 mil a verba para o pagamento das despesas nos Estados. Ontem, deputados federais conseguiram aprovar mais um reajuste em causa própria: elevaram de R$ 25 mil para R$ 35 mil a verba de gabinete para o pagamento de funcionários um aumento de 40%. Os benefícios não param por aí: eles corrigiram também em 40% gastos com passagens aéreas e em 10,5% a cota para envio de correspondências. Agora, cada um dos 513 parlamentares terá direito a pelo menos R$ 66,92 mil por mês, fora passagens.
Se considerar a situação do País, não é uma decisão tranqüila, mas necessária, argumentou o presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP). João Paulo foi aplaudido por quase 150 deputados no plenário quando anunciou a decisão da Mesa Diretora pelo reajuste.
A verba de gabinete, na maioria das vezes, é empregada na contratação de parentes dos deputados para os melhores salários, que variam de R$ 1 mil a R$ 6 mil. Com a mudança, os parlamentares poderão empregar 20 funcionários, dois a mais que na outra legislatura. Os gastos da Câmara aumentaram em R$ 61, 3 milhões por ano com mais esses benefícios, quase 10% do valor necessário para pagar o 13º dos servidores do Rio.
Segundo o corregedor da Câmara, Luiz Piauhylino (PSDB-PE), o aumento de ontem havia sido aprovado na legislatura passada. Só não tinha entrado em vigor no ano passado porque a Lei de Responsabilidade Fiscal impede que o aumento salarial do funcionalismo ocorra no fim da legislatura. João Paulo queria dividir o aumento em duas parcelas, mas foi convencido pelos colegas que seria melhor sofrer o desgaste político de uma só vez.
Ao dizer que foi uma decisão da Mesa, sem fugir da responsabilidade, João Paulo mostrou que tem caráter¿, elogiou o deputado Roberto Brant (PFL-MG), ministro da Previdência no governo de Fernando Henrique Cardoso. Roberto Jefferson (PTB-RJ) também comemorou: ¿Depois desse aumento, quem for apanhado fazendo negócio com traficante tem de ser degolado.
Mas nem todos acharam graça, já que o País enfrenta crise econômica. Quer dizer que o João Paulo foi aplaudido? Ah, devem estar achando que o aumento da verba casa bem com o Carnaval, disse o deputado Chico Alencar (PT-RJ). O petista quer apresentar projeto para indexar o aumento de salário dos parlamentares à média de reajuste do funcionalismo público nos últimos quatro anos.
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9:47 AM
by Cassiano Leonel Drum
Qualquer pessoa sabe que quando está devendo muito, deve vender seu patrimônio para pagar suas dívidas, senão os juros que a mesma acarreta acaba as levando a insolvência pessoal. Isso é se vender tudo, ainda não consegue pagá-la na sua totalidade.
Ora o Governo Federal vendeu inúmeras empresas que eram suas, todo o setor elétrico praticamente foi vendido e o de telefonia idem, exatamente para quê? Para abater na sua dívida, só que misteriosamente ao invés dela baixar ela só fêz subir. A CAIXA, mesmo vendeu praticamente todos os seus prédios de uso próprio e comprometeu-se com os compradores de pagar aluguel pelos próximos dez anos. Fazendo assim que ao fim deste tempo, praticamente, o comprador tivesse o retorno de seu capital investido.
Bom o destino desses recursos não é divulgado, assim como não foi o da venda das estatais. Então 568 milhões por dia, fazendo bem a conta só no carnaval de quatro dias, nós pagaremos 2,4 bilhões de juros. E os bancos, os quais são os principais financiadores desta dívida, estão de sorriso largo, também pudera!
28.02.2003, 09h30
Correio Braziliense - Vicente Nunes
R$ 500 milhões de juros por dia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um desabafo ontem à bancada de parlamentares do Rio, com a qual se reuniu para falar sobre a violência no estado: ¿¿Fico angustiado cada vez que sou informado de que o juros têm que aumentar mais meio por cento¿¿. Lula sente-se angustiado porque tal política contraria tudo o que sempre pregou na campanha. Ele sabe que juros altos travam o crescimento, estimulam o desemprego e engolem a renda dos trabalhadores. Em quase dois meses de governo, no entanto, o Banco Central de Lula aumentou duas vezes a taxa básica de juros. Primeiro, a Selic subiu de 25% para 25,5% ao ano. Depois, para 26,5%.
Se essa é uma das angústias de Lula, ontem foi dia de o presidente vê-la multiplicada. A primeira fatura da alta dos juros foi divulgada pelo Banco Central. Apenas em janeiro, os gastos com juros totalizaram R$ 17,632 bilhões, praticamente o mesmo valor do rombo registrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no ano passado. A cada dia de janeiro, incluindo sábados e domingos, os desembolsos com juros somaram R$ 568,774 milhões, mais de 12 vezes o que o Ministério dos Esportes, depois dos cortes no Orçamento, terá para gastar este ano. Em janeiro de 2002, último ano da administração de Fernando Henrique Cardoso, as despesas com a dívida pública chegaram a R$ 8,045 bilhões, menos da metade do que foi gasto por Lula.
¿¿É importante ressaltar que o atual governo não tem culpa pelo aumento dos gastos com juros. Ele reflete o tamanho da dívida que foi herdada. Os juros incidem sobre o estoque da dívida¿¿, explica José Henrique Dias de Carvalho, chefe da Divisão de Finanças Públicas do Departamento Econômico do BC. No ano passado, a dívida pública cresceu R$ 220,241 bilhões, inflada pela perversa combinação de juros altos com uma brutal desvalorização do real ante ao dólar. Metade do endividamento brasileiro é corrigida pela variação da moeda americana.
Compromissos
A situação da dívida pública é tão preocupante que, apesar de o governo ter registrado superávit primário recorde em janeiro, de R$ 8,463 bilhões, o equivalente a 7,01% do Produto Interno Bruto (PIB), o país ainda fechou o mês com um rombo de R$ 9,169 bilhões. No cálculo do superávit primário entram todas as receitas e despesas do governo, exceto os gastos com juros. É essa sobra de dinheiro que o governo usa para pagar juros e impedir um aumento maior da dívida. Não fosse esse superávit e a inflação, que corrige o PIB, o endividamento líquido do governo, que aumentou R$ 7,787 bilhões e bateu em R$ 888,895 bilhões, teria disparado em relação ao Produto. A relação da dívida com o PIB, que está em 55,9%, é a principal referência dos investidores para medir a capacidade do governo de cumprir seus compromissos em dia.
Segundo o economista do BC, a maior parte do superávit primário foi garantida pelo governo federal. Com a determinação para que todos os ministérios suspendessem as licitações e as contratações de pessoal, até que fossem definidas as prioridades de cada área, as despesas caíram em janeiro. O recuo nos gastos com o funcionamento da máquina pública (custeio e capital) chegou a R$ 5,3 bilhões quando comparados a dezembro. As despesas com pessoal, por sua vez, caíram R$ 1,3 bilhão. Nesse último caso a explicação é óbvia: no último mês do ano, o funcionalismo público recebe parte do 13º salário. O superávit de estados e municípios foi de R$ 2,341 bilhões, o maior desde que o BC começou a divulgar tais informações, em 1991. As estatais, com o pagamento de royalties e de dividendos pela Petrobras, contabilizaram déficit de R$ 1,129 bilhão.
A fatura de janeiro
R$ 1,163 trilhão
Foi em quanto bateu a dívida bruta do governo no último dia 31
R$ 888,895 bilhões
Foi a totalização da dívida líquida do setor público no mês passado
R$ 17,632 bilhões
Foi quanto o BC pagou de juros no primeiro mês de Lula
R$ 8,463 bilhões
Foi a economia do governo, inclusive com cortes na área social, para pagar juros
R$ 9,169 bilhões
Foi o rombo que restou depois do pagamento dos juros
R$ 568,774 milhões
Foi o gasto diário com juros, incluindo os sábados e domingos
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9:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Acredito que a Dora kraemer conseguiu na crônica abaixo que transcrevo para vocês efetivamente colocar o que acontece no Rio. E assim a população efetivamente está refém, porque fica difícil saber quem na realidade é mais bandido.
Dora Kraemer
Sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003
A toalha do Rio foi ao chão
O reconhecimento, pelo ministro da Justiça, de que o crime organizado impôs o "toque de recolher" ao Rio de Janeiro mostra que, na avaliação do governo federal, o Estado está sem comando.
Márcio Thomaz Bastos justificou o envio de tropas federais ao Rio, "em caráter emergencial", dizendo que a tranqüilidade da população está comprometida. Surpreendentemente, mas obviamente não por acaso, usou a expressão "toque de recolher", instrumento que não consta na Constituição nem para o uso da República brasileira nos casos de estado de defesa e de sítio.
O Ministério da Justiça mantém as aparências constitucionais de que a iniciativa das providências está nas mãos da governadora Rosângela Matheus, mas é evidente a convicção de que o Rio jogou a toalha, admite que não dispõe de uma política para garantir a segurança pública.
Essa certeza tomou conta do governo federal já no dia seguinte ao início da onda de terror espalhada pelo narcotráfico, na segunda-feira.
Tanto que a decisão de transferir o traficante Luiz Fernando da Costa para São Paulo já estava tomada muitas horas antes de o ministro se reunir com a governadora, na quarta-feira à noite.
Pouco antes das 18 horas daquele dia, o ministro viajou para o Rio, onde se reuniu com a cúpula do governo do Estado e da área de segurança. Ao final do encontro, foi anunciada a transferência do traficante, decisão esta que, no Ministério da Justiça, era conhecida desde as 15 horas.
A partir daí, o ministro reuniu-se com o presidente da República para, segundo informações do governo, elaborar um pacote de medidas de combate ao crime.
Pelo que se viu do pronunciamento de Márcio Thomaz Bastos ontem no início da tarde, quando foram anunciadas apenas ações emergenciais, de duas, uma: ou aquelas informações eram precipitadas ou houve um recuo temporário a fim de evitar a divulgação de mais um daqueles pacotes ineficazes que fizeram o descrédito do governo anterior na questão da segurança.
Pela referência do ministro ao comprometimento da tranqüilidade da população e o reconhecimento da existência de um toque de recolher, em tese, haveria motivo para intervenção federal.
O artigo 34 da Constituição, que trata do assunto, diz que a intervenção nos Estados é permitida, entre outras razões, para "pôr termo a grave comprometimento da ordem pública".
As justificativas alegadas para o envio de tropas federais - medida inicialmente rejeitada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva - inserem-se perfeitamente naquele artigo. Ainda mais que o ministro não se referiu a ocorrências em pontos isolados, mas no Estado como um todo.
Uma intervenção, no entanto, não é um ato sem conseqüências graves. De um lado, resulta no aumento da fragilidade da autoridade local, o que poderia fortalecer ainda mais a posição dos narcotraficantes e, de outro, qualquer intervenção suspende a prerrogativa do Congresso de votar emendas constitucionais. E delas depende boa parte das reformas pretendidas pelo governo.
Ainda assim, em Brasília considera-se que existam formas de, na prática, manter o Estado caudatário das decisões federais sem ferir a lei nem a autoridade do poder público estadual. Uma delas é condicionar a ajuda à obrigatoriedade de reformulação das polícias e do cumprimento de regras no sistema prisional.
Ainda que não tenha conhecimento detalhado sobre o que se passa nos subterrâneos das relações entre polícia e bandido no Rio, o ministro da Justiça tem ao seu lado o secretário Nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, que fez parte da equipe de Anthony Garotinho.
Os desentendimentos dele com o ex-governador não permitem agora que funcione como interlocutor com o Palácio Guanabara, mas seus conhecimentos o credenciam no assessoramento ao Palácio do Planalto.
Pode contribuir para fornecer ao governo federal uma noção bastante clara de que alguma coisa anda muito errada num aparelho estatal de segurança que permite a livre convivência entre líderes de facções criminosas dentro da prisão, não consegue impedir a entrada de armas, drogas e equipamentos de comunicação e, no momento do confronto, reage proibindo os presidiários de receber amigos, tomar sol e ver TV.
Uma polícia cujas devassas em presídios são sempre desmoralizadas pela renitente imposição do domínio da criminalidade dentro e fora deles, autoridades de fala forte e pulso fraco, incapazes de isolar um só bandido, francamente, não podem ser mantidas à frente de qualquer ação séria de enfrentamento. A não ser como poder de fachada.
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9:18 AM
by Cassiano Leonel Drum
Sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003
Diga não ao fogão
De janeiro de 1995 a dezembro de 2002, oito anos corridos do governo FHC, a inflação medida pelo IPCA, índice das metas oficiais, acumulou ponta a ponta elevação de exatos 100,7%. Muito ou pouco? Pouco para a cultura inflacionista da Botocúndia (que se contentou com 84% ao mês no último suspiro do governo Sarney). Muito para um rarefeito programa de estabilização, ainda distante da estabilidade.
O importante é dar uma espiada na autópsia desse índice já arquivado. Nas vísceras dele, os tumores não removidos da (re)indexação de contratos e tarifas monitorados pelos três níveis de governo. Ou seja: os preços praticados livremente pelo mercado, sob o chicote da concorrência e da substituição, acumularam naquele mesmo período remarcações ponta a ponta abaixo de 70%. Já os chamados preços administrados, com peso ao redor de 30 na estrutura do IPCA, simplesmente deram uma banana nanica e um abacaxi pérola aos esforços coletivos pela estabilização do real.
Falam os números indecentes: em oito anos, para aquele IPCA de 100,7%, os preços regulados por contrato e/ou por imperícia subiram nada menos de 228,3%. Entre outros, a gasolina nossa de cada dia cravou 261,7%. O transporte coletivo nas sete maiores metrópoles deixou-se remarcar em 274,8%. A conta da força e da luz a domicílio emplacou 262,1%. Com apagão de contrapeso.
E o que dizer da telefonia fixa? As linhas instaladas duplicaram no período de 19 milhões para 38 milhões, mas as tarifas totalizaram reajustes contratuais de 509,7%. Mas o campeão da inflação por decreto acabou sendo, caprichosamente, o único item de consumo presente simultaneamente em 97% dos lares brasileiros: o gás de botijão. Remarcação acumulada (até aqui não explicada e muito menos justificada) de 500,69%, do Plano Real até o mês passado, segundo a Fipe. Por enquanto.
Pois tome o governo Lula, a bordo dessa "herança maldita", acionando uma divisão estritamente técnica, o Banco Central, para um apelo político a todos os brasileiros: "Digam não à inflação!" Está na ata do Copom, divulgada quarta-feira, para explicar e justificar o novo arrocho monetário no rodapé do novo ciclone inflacionário.
Em vez de o presidente Lula aparecer em rede nacional de rádio e televisão, às 20 horas, para legitimar em dois minutos um "pacto social contra a inflação", a cruzada palaciana apelou para um dispositivo inodoro e insípido de exortação acaciana: "O Copom avalia que, além dos efeitos diretos da política monetária (...), são importantes as reações da sociedade contra a inflação, para propiciar um recuo mais significativo da variação dos preços."
Primeiro: arrocho no crédito e juros no alto e em alta não produzem "efeitos diretos". A menos que se admita como adequado combater inflação típica de custos com elevação dos encargos financeiros da produção e do consumo. Segundo: o reator da reinflação do IPCA, agora na bitola gregoriana de dois dígitos, está nos preços de governo e não nos preços de mercado.
Quem é que vai dizer não ao gás de fogão?
SECOS & MOLHADOS
Duas frentes - Não bastaria desencantar os preços administrados - pelo desacato de contratos de concessão. Seria igualmente preciso arrancar as unhas da mão-de-gato da dolarização. Seja a dolarização natural de preços privados, seja a dolarização espúria de preços públicos. Caso da "lógica de mercado" da estatal Petrobrás.
No desmanche - Na dolarização dos preços privados, nada tem o governo a fazer no bloco dos importados. Os consumidores já estão há três anos travando o repasse de um bocado de "ajustes cambiais" em tabelas de fábrica e em vitrines de loja. Há mercados literalmente em escombros, com retração de demanda da ordem de 10 para 1.
Por que não? - Duro de deglutir tem sido a dolarização sem remorso de festejados produtos de exportação. Em especial aço, papel, açúcar e óleo de soja. Em países atentos, sob certas condições, há taxação sobre exportação.
De caráter emergencial ou regulatório - vulgo confisco cambial.
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9:14 AM
by Cassiano Leonel Drum
É incrível como divulgam números e mais números. Que mais 3 000 homens das Forças Armadas estão ajundando a não sei quanto mil homens da brigada e da Polícia Civil do Rio e aí meia dúzia de delinqüentes continua todos as madrugadas a incendiar ônibus e a tirotear com esses policiais e a bagunça continua.
Será que são tão corajosos estes bandidos que fazem e acontecem ou será que não quer-se fazer nada mesmo e ao contrário discutir-se a qualidade da cocaína?
Paulo Sant'ana
28/02/2003
Cidade encurralada
Rio
Nota-se claramente o despreparo do secretário da Segurança do Rio de Janeiro, Josias Quintal, para seu cargo.
Na terça-feira, um dia após o auge dos atentados contra ônibus, comércio e residências, que foram incendiados e metralhados, ele concedia entrevista à imprensa, afirmando que o segundo dia tinha sido tranqüilo no Rio.
Estava totalmente desinformado. Embora em menor escala, graves ataques dos traficantes tinham se verificado, ônibus novamente incendiados, o Shopping da Penha havia sido metralhado, travaram-se tiroteios entre a polícia e traficantes durante os distúrbios.
Depois de desculpar-se pela total desinformação sobre seu setor, o secretário Josias Quintal saiu-se com uma pérola na entrevista: "Essas ações acontecem porque os traficantes estão se descapitalizando por causa da ação enérgica da polícia. Temos informações inclusive de que a droga que chega hoje ao Estado do Rio não é de boa qualidade. Os viciados precisam tomar cuidado".
É inacreditável o que disse o secretário. Em pleno Rio de Janeiro encurralado pelo tráfico, com a população amedrontada e deixando de sair às ruas, ele se preocupa com o controle de qualidade da cocaína.
E pede aos viciados que se cuidem, a cocaína que está chegando não é boa.
Parece até aquelas pessoas que em Porto Alegre advertem a população para que tenha cuidado com a gasolina mais barata, ao que tudo indica ela é falsificada.
Que país é este em que a gasolina e a cocaína não são genuínas, traficantes e alguns donos de postos impõem engodo aos consumidores?
O aviso do secretário aos consumidores de que tenham cuidado com a cocaína que está sendo atualmente vendida é de cabo-de-esquadra.
Vale dizer que, logo que a cocaína posta em venda tiver melhora de qualidade, o secretário tranqüilizará os viciados e autorizará que eles a comprem sem qualquer preocupação.
O secretário monitora a qualidade da cocaína, embora não tenha qualquer controle repressivo sobre sua distribuição.
E ao que parece, enquanto a cocaína era de boa qualidade, o secretário não fez qualquer advertência aos consumidores sobre seu uso nocivo e ilícito.
Qual a importância de a Secretaria da Segurança ter detectado que a cocaína não é pura? Pura ou falsificada, é cocaína.
No máximo, essa informação teria de ser usada pela Secretaria da Saúde. Mesmo assim, só falta a Secretaria da Saúde colar selos de qualidade nos papelotes da cocaína.
Na marcha que vai, chegamos lá.
Estou no Rio de Janeiro para cobrir os desfiles da Sapucaí pela Rádio Gaúcha, integrando a equipe comandada pelo Cláudio Brito.
Sinto em toda a parte o medo da população e o terror dos comerciantes.
Não se divulga, mas dois terços da região metropolitana carioca estão sob o controle do tráfico de drogas.
Restam apenas sob não-domínio dos bandidos a Zona Sul e o Centro, mas seguidamente recebem sortidas dos delinqüentes.
Os cariocas são praticamente reféns do tráfico. É um estado geral de perplexidade e medo.
A ordem pública é hipócrita: só a Zona Sul, freqüentada pelos turistas, ainda guarda uma aparência de normalidade. É o último reduto sob ordem, visivelmente para proteger os turistas. Porque quem não é turista há muito tempo foi submetido.
Mas também a Zona Sul está acuada pelo medo.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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9:04 AM
by Cassiano Leonel Drum
Bom a cantaridina, deve ser o princípio ativo do viagra ou outros do genero, e serve para a gente ver que naquele tempo já havia esses estimulantes. Como a medicina também copia! Claro, além de criar evidentemente que é o seu trabalho de pesquisa.
David Coimbra
28/02/2003
A sogra
Cantárides é o nome de uma preciosa mosca espanhola. Capturada em razoável quantidade, suas pequenas e delgadas asas são separadas do corpo e postas para secar. Depois de esturricadas, as miríades de asinhas são moídas com critério e cautela, até se transformarem em pó. A esse produto se dá o nome de cantaridina, um afrodisíaco mais do que poderoso: violento.
Quem muito se valia da cantaridina era ninguém menos do que o Marquês de Sade. Mas não a consumia ele próprio. Sade organizava festas e servia aos convidados, sobretudo às convidadas, confeitos de chocolate recheados com o pó mágico. Há descrições desses convescotes, de como os bailes degeneravam em orgias, de como as mulheres mais pudicas rasgavam as vestes, na ânsia do prazer, não resistindo ao furor uterino que as abrasava. O historiador francês Dulaure um dia escreveu sobre uma dessas reuniões:
"E então o Marquês de Sade serviu-lhes licores, cantaridina e tudo o que podia excitar-lhes seu temperamento, e acendeu-lhes no sangue o fogo da sensualidade a tal ponto que, devoradas por uma excessiva ninfomania, o prazer tornou-se para elas não somente uma necessidade, como o remédio para mitigar um mal real e perigoso".
Que coisa.
Todas essas histórias ajudavam a forjar o mito libertino do Marquês de Sade. E quem mais se empenhava para propalá-los, o mito e as histórias, era... a sogra de Sade! Ela o odiava. Tinha suas razões, creio. Uma sogra amorosa é uma bênção, bem sei disso, que tive uma de quem gosto demais. Mas uma sogra azeda pode levar um homem ao desespero, como levou Sade a anos de encarceramento num castelo-masmorra.
A propaganda negativa feita pela sogra e por todos os que odiavam Sade, que não eram poucos, isso tudo o transformou no ícone da luxúria por todos os tempos. Que ele era dissoluto, disso não há dúvida, e ele não negava. Mas seus crimes teriam sido tão maiores assim do que os de outros homens licenciosos do século 18, o século da licenciosidade?
A sociedade tem a tendência de demonizar ou endeusar os homens. Agora mesmo, parece que o Fernandinho Beira-Mar é o único responsável pela rebelião do narcotráfico, no Rio. Mas será que, contido Beira-Mar, outros não assumirão o controle do crime organizado e não vão continuar suas ações com a mesma eficiência? O problema da violência carioca e brasileira está além e acima do indivíduo, passa por todos os dramas que não conseguimos resolver, sobretudo o drama da Educação com E maiúsculo. Ou se coloca os fernandinhos na escola, ou eles acabarão na cadeia. Fernandinho Beira-Mar é menos do que se pensa. Vai ver, essa fama até é coisa da sogra dele.
david.coimbra@zerohora.com.br
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8:57 AM
by Cassiano Leonel Drum
Litoral
Sufoco na cidade, festa na praia
No quinta-feira em que o consumo de energia bateu novo recorde no Estado, uma multidão lotou as praias gaúchas e aproveitou a água quente do mar até o fim da tarde, como estas garotas de Capão da Canoa (foto Emílio Pedroso/ZH)
Quinta-feira, Fevereiro 27, 2003
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11:56 PM
by Cassiano Leonel Drum
Como já estamos a dez minutos da véspra de feriadão, que aliás muitos já estão fazendo por antecipação, também encerro esta página por hoje, desejando que fiquem com os anjinhos de cada um, nada de misturar anjinhos, como se faz no carnaval. E é evidente que seguindo a tendência e mais 80 mil pessoas de POA, que vão viajar de ônibus neste carnaval eu também devo sair um pouco, até porque estarei de folga durante toda a semana que vem, mas para onde for, com certeza poderei entrar em contato com voces. Durmam bem e até.
A l b a
Geir Campos
Não faz mal que amanheça devagar,
as flores não têm pressa nem os frutos:
sabem que a vagareza dos minutos
adoça mais o outono por chegar.
Portanto não faz mal que devagar
o dia vença a noite em seus redutos
de leste ¿ o que nos cabe é ter enxutos
os olhos e a intenção de madrugar.
O AUTOR ¿ Capixaba (1924/1999), Geir Campos foi poeta, contista e professor da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Traduziu, entre outros, Rilke, Brecht e Walt Whitman.
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3:41 PM
by Cassiano Leonel Drum

TOP DAS 5 COISAS QUE REALMENTE DEVO AGRADECER
1 - Imagem: Pelas imagens que me cativam, que me assustam que eu guardo na memória, que eu vejo e revejo incansavelmente, imagens de letras num espaço, num todo, de figuras humanas, de abstratos do consciente e subconsciente meu e de outros. Da imagem que diz muito mais que mil palavras, como as charges que post aqui todos os domingos. Imagem que choca, imagens que decodificam mundos tornando-os mais homogêneos na minha visão.
2 - Leitura: Esta que me proporciona viagens longínquas sem se quer me mover do lugar, que me mostra outros prismas do mundo, me trás fantasias, conhecimentos... Poemas, Romances, Sociologia, Psicologia, Teorias e mais teorias. Que me aguça todos os sentidos ao extremo, me fazendo rir, chorar, me preocupar ¿ leituras que me prendem a atenção, que me ganham por inteiro. Leituras que desvendam o mundo com todos os sabores.
3 - Música: Á música que me transforma, que me descreve, que me despe e me possui, que me nina e mima, que me envolve, que me anima, as músicas que me tomam como num transe, que justifica minhas lágrimas, meus saltos de felicidade, minhas reboladas em público. Também agradeço àquela música que me fere, que fura os tímpanos, me irrita... para estas devo dar meu agradecimento especial, por me fazer admirar cada vez mais e mais as que escolho para agradar aos meus ouvidos e ao meu todo.
4 - Telefone/Computador-Internet: É, foi além de um objeto, já entrou na vivência ¿ Por me aproximar de pessoas que desconhecia a existência, por me permitir conhecê-las e apresentar-me também. Por transformar milhares de quilometros em frações de segundos, quebrando assim a enorme barreira da distância, por diversas sensações e reações que tive e que terei ainda na presença de apenas um objeto. E principalmente aos amigos que conheci e que mantenho por estes meios!
5 - Free Ultra-Lights/Aturgyl (infantil): Ao primeiro por me matar aos poucos e me lembrar de que estou vivo; ás companhias na hora do desespero, desabafo, nervosismo, alegria; solidão ¿ ao ombro, colo, abraço beijo, cafuné... que não tive na hora que precisei e que ele camuflou a necessidade disso. E ao seguindo, por me acompanhar onde quer que eu vá para me dar um alívio dando acesso para a livre passagem do ar que respiro, pelas noites de sono tranqüilas!
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3:38 PM
by Cassiano Leonel Drum
Cada abismo é o reverso de uma montanha
Alice, eternamente curiosa e menina, já demonstrou que tudo neste mundo tem dois lados, anverso e reverso, até mesmo o espelho com seus enganosos reflexos. E muito tempo antes dessa Alice ter visitado aquela assustadora Terra de Maravilhas, um pensador egípcio chamado Hermes Trimegistos já afirmava: ¿O que está embaixo é como o que está em cima¿.
Cada um e tudo, portanto, tem o seu par oposto; o universo é inteiramente alinhavado com incontáveis pares de opostos: Luz e Escuridão, Cheio e Vazio, Leve e Pesado, Dentro e Fora, Princípio e Fim, Bem e Mal, Sim e Não... Interessante é que, segundo os sábios patriarcas chineses, anverso e reverso compõem uma coisa só, única, proveniente de um mesmo lugar: ¿Todos os pares de opostos vêm da Grande Mente Búdica¿ ¿ ensinava Seng Ts¿an, o venerando mestre Zen.
E completava com um conselho: ¿Aceita com dócil resignação a existência dos opostos!¿ Ah... precisamos aceitar, eu sei, mas é tão imensamente difícil aceitar os antagonismos que nos ferem ou perturbam! Escolho, então, partir da afirmação de Hermes Trimegistos, para depois tentar chegar à serena aceitação aconselhada pelo mestre Seng Ts¿an. Primeiramente vou considerar que todas as perdições são o reverso de todos os encontros; todo o ódio humano é o reverso do amor mais sublime, todo abismo é o reverso de uma montanha.
Inacreditável, mas analisando dessa forma agora, tudo parece ter ficado um pouco mais claro, mais atingível e consolador. Se Luz e Escuridão são inseparáveis pares de opostos... estando eu mergulhado em sombras, não seria tão inteligente de minha parte tentar dissolver diretamente essas sombras, e sim eu mesmo mudar-me para o outro lado, para o lado oposto ¿ como o fez a atrevida Alice ao cair de boca em Wonderland. Dissolver a escuridão, ainda que fosse possível, daria muito trabalho e levaria um tempo absurdo!
Também e além disso, bastaria que uma mãozinha safada apertasse um botão de comutador, ou soprasse minha vela de chama bruxuleante, para que a escuridão voltasse a reinar em mim, soberana. Melhor, bem melhor, a alternativa da mudança de lado... Porém surge agora mais um problema: os sábios mestres Zen também afirmam que se fiar nos movimentos é entregar-se a uma ilusão; a quietude absoluta da mente seria o único caminho perfeito (verdadeiro) para a Felicidade, para a Iluminação. É... quando se pensa ter agarrado a solução correta...
Ah! Mas um momento! Lembro-me agora do exemplo contido na história do próprio príncipe Siddartha, o Buda... Vivia ele deitado em rosas, tratado a mel e beijos, protegido de todo o mal, no entanto era infeliz dentro de si mesmo. Tinha bela esposa, um filho recém-nascido, mas continuava infeliz dentro de si mesmo. Então o que ele fez? Moveu-se. Abandonou todo o luxo e toda a proteção do palácio real, vestiu roupas as mais simples possíveis e partiu em busca da sua paz interior. Epa!!! Se Buda serviu-se do movimento para alcançar a quietude, a Iluminação... quem sou eu para tentar fazer de modo diferente?
Claro vai ficando e bem mais nítido enfim, as brumas começam a dissipar-se diante dos meus olhos... Sim, parece que estou sentindo aquela coisa esquisita que sentia Santo Agostinho toda vez que ficava a um milímetro de concluir algo muito importante. Preciso aceitar a existência dos abismos (não cair dentro deles) para que eles me revelem o seu anverso: as montanhas a que estão diretamente ligados! Preciso aceitar as minhas sombras, para que elas me revelem o seu anverso: as luzes a que estão diretamente ligadas.
Assim preciso aceitar meus conflitos, para que eles me revelem o seu anverso: a serenidade a que estão diretamente ligados... Movimento (Ação) é necessário, sim, ao menos foi necessário na busca de Buda. Movimento não é finalidade, originalmente, é apenas um meio, mas Buda não o dispensou. Depois do movimento, quem sabe cheguemos ao mais importante...
Obviamente valei-me, meu perseverante Santo Agostinho, com sua filosofia, sua esperança e sua fé... Acho que, afinal, a palavra salvadora tem nove letras, um rabicho e um telhadinho: ACEITAÇÃO!
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9:13 AM
by Cassiano Leonel Drum
O Prefeito atual que somente o é porque o Tarso Genro eleito para tal com a palavra empenhada de que não renunciaria, não há honrou, foi Presidente do Banrisul. Ora o Banrisul ainda é o único banco no centro da Capital que não possui estes entraves todos para os clientes que lá chegam. Porque na CAIXA ali do ladinho é aquele problema e aquele rosário de reclamações todos os dias.
Se porta de segurança inibisse assalto uma série de assaltos em que as portas ficam trancadas pondo em riscos os empregados que servem de reféns, muitas vezes, não teriam ocorrido.
E por que tem que ser giratória. Por que não de correr como são nos sistemas carcerários, com os mesmos detectores de metal. Isso é por que os fabricantes das giratórias fizeram um preço assim de barbada?
CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 27 DE FEVEREIRO DE 2003
Smov multa agências bancárias
Todas as 24 agências bancárias vistoriadas ontem na Capital pela Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov) foram multadas, em R$ 16 mil, por descumprirem a lei municipal que determina a colocação de portas giratórias, inclusive na área de auto-atendimento. As agências não cumpriram o prazo de 90 dias para adequação. Segundo o supervisor de Edificações e Controle da Smov, Paulo Soares, os bancos têm 30 dias úteis para colocar as portas.
Ele informou que o não atendimento do prazo implicará multa com o dobro do valor. Se dentro de 60 dias persistirem no descumprimento, poderão ter os alvarás de funcionamento cassados. A fiscalização deverá atingir as cerca de 300 agências bancárias da Capital. Até amanhã, a Smov irá vistoriar em torno de 70 unidades do Centro.
A Associação dos Bancos do RS pretende convocar reunião extraordinária para debater o assunto. Conforme o presidente da Comissão de Segurança Bancária, Jaci Meyer, a demora na colocação das portas se deve ao desconforto dos clientes. O diretor do Sindicato dos Bancários da Capital e Região, Ademir Wiederkehr, apóia a medida, que inibe assaltos e garante mais segurança.
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9:00 AM
by Cassiano Leonel Drum
Bom enquanto surgem novos concorrentes a tendência é de que os serviços melhorem e os preços sejam reduzidos e uma sugestão para a própria CAIXA, daqui há pouco buscar um comparativo, quem sabe não se reduz ai substancialmente as contas de telefone com a Embratel, ao invés da Brasiltelecom.
CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 27 DE FEVEREIRO DE 2003
Embratel lança telefonia local em Porto Alegre
Diretoria promoveu ontem o lançamento do novo serviço
A Embratel lançou ontem o seu serviço de telefonia local em Porto Alegre. O VipLine terá como foco inicial cerca de 500 grandes empresas da Capital, que deverão se beneficiar da modalidade. A opção também está sendo oferecida em outras 28 cidades brasileiras. A vice-presidente de Assuntos Locais e Assuntos Externos da Embratel, Purificación Carpinteyro, ressaltou que, em médio prazo, o projeto deverá ser estendido a pequenas e médias organizações e também ao mercado residencial. Em todo o país, cerca de 10 mil empresas poderão utilizar o serviço local.
A meta da Embratel é, em três anos, atender 35% das 40 mil grandes empresas que já utilizam seus serviços. O vice-presidente de Vendas Corporativas da empresa, Breno Kessler, destacou a competitividade do produto, devido à redução nos custos, e alertou para a possibilidade de tarifação por minuto, com identificação das chamadas locais, seu tempo de duração e gastos da ligação. Entre as promoções de lançamento do VipLine estão assinatura e DDR (discagem direta a ramais) gratuita nos três primeiros meses, além da entrega de contas distintas por centro de custo da empresa.
Kessler lembrou que a Embratel é a única do setor capaz de oferecer ligações telefônicas locais, de longa distância nacionais e internacionais, além dos serviços de comunicação de dados e Internet. Outra vantagem é a manutenção do mesmo número de telefone em todas as localidades, o que se tornou possível através de soluções encontradas em redes privativas.
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8:52 AM
by Cassiano Leonel Drum
Que, se fosse intentado, se pareceria com o Fome Zero: tanto não adianta combater-se a fome se se multiplicam os famintos por falta de controle da natalidade, quanto de nada adianta enfrentar-se os traficantes se se multiplicam geometricamente os drogados. É isso aí meu nobre Sant'Ana, atacam-se as conseqüências, mas não as causas e nem precisa ser douto para saber-se isso.
Paulo Sant'ana
27/02/2003
A pior ameaça
Chega a se ter tentação de dizer que o problema maior do Brasil não é a fome nem o desemprego. São as drogas.
A ONU acaba de publicar um relatório aterrorizador para nós, segundo o qual o Brasil se equipara a Colômbia, Peru, Equador, Bolívia e Venezuela em consumo, apreensões e exportações de cocaína.
Se fosse só pelo aspecto da industrialização, comercialização e consumo das drogas, esse dado constatado pela ONU não nos causaria tanto alarma.
O que no entanto infunde verdadeiro pavor é que o relatório afirma taxativamente que as drogas impulsionam o crime vertiginosamente no Brasil.
Nós todos nos perguntamos diariamente a que se deve esta onda de assaltos e seqüestros que invade o nosso cotidiano na Grande Porto Alegre e no Interior.
O relatório da ONU não tem a menor dúvida em responder: deve-se à proliferação incontida e progressiva das drogas.
Brasil e Venezuela aparecem no relatório como fornecedores de produtos químicos para a produção de drogas.
E o relatório adverte que a indústria das drogas ilícitas pode desestabilizar não somente o Estado e a economia, mas também a sociedade civil, como resultado do aumento da delinqüência, com guerra de quadrilhas, seqüestros e extorsões.
Outros efeitos da circulação de drogas são a degradação do capital social, a corrupção da ordem política, a prostituição.
Por aí se explica especificamente a série de atentados realizados por ordem e planejamento dos traficantes do Rio de Janeiro ao sistema de transportes, ao comércio e agora até a residências, transformando a Cidade Maravilhosa em tantas oportunidades em território sitiado e amedrontado.
E também se explica a acusação que motivou a renúncia do deputado federal Landim, envolvido numa indústria milionária de habeas corpus para traficantes.
Ou seja, as drogas vão apodrecendo o tecido social e tornando fracas as estruturas do Estado, criando um poder paralelo que destrói a ordem pública, vide o que acontece na Colômbia.
O pior de tudo isso é que o estímulo aos seqüestros e assaltos de toda ordem que as drogas provocam, com o encorajamento químico-emocional de marginais a esses atos violentos, que buscam também neles recursos financeiros para sustentar o seu vício, é que o sucesso das drogas se deve principalmente aos milhões de cidadãos que se tornam usuários das substâncias ilícitas, pessoas idôneas e membros cordatos da sociedade.
Ou seja, quem sustenta e remunera as drogas não são os criminosos, mas as pessoas comuns, de conceito ilibado.
Isso faz das drogas um problema praticamente insolúvel. Por se tratar sinistramente de uma questão de mercado.
O governo se sente impotente para decretar um Programa Drogas Zero.
Que, se fosse intentado, se pareceria com o Fome Zero: tanto não adianta combater-se a fome se se multiplicam os famintos por falta de controle da natalidade, quanto de nada adianta enfrentar-se os traficantes se se multiplicam geometricamente os drogados.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:45 AM
by Cassiano Leonel Drum
Entre as quais este ofício de juntar letrinhas para dar sentido à vida. Talvez nem seja trabalho, como sugerem as anotações legais. É muito mais um presente do destino esta varinha mágica da escrita, que me permite convocar todos os espectros do passado para este encontro ao mesmo tempo íntimo e público. E assim é com todos os que escrevem e arriscam a se expor para conhecidos e desconhecidos.
Nilson Souza
27/02/2003
Do diário de um preguiçoso
Levei um susto esta semana ao examinar minha coleção de Carteiras de Trabalho. Já vou para a quarta, todas devidamente preenchidas, com entradas, saídas, anotações de férias e tudo o mais. Da primeira delas, um jovem de cabelos arrepiados me olha curioso, como se perguntasse o que viria pela frente. Sei bem o que veio, mas não vou estragar-lhe a surpresa das descobertas.
Prefiro fazê-lo regredir no tempo e vou em sua companhia, como alguém que visita uma de suas vidas passadas. Vejo-o adolescente, chegando em casa depois de uma tarde de leitura num de seus refúgios preferidos - o galho mais confortável de uma figueira da vizinhança. Talvez por causa deste hábito, talvez por alguma outra característica de sua personalidade que nem eu nem ele conseguimos mais identificar, recebe no ambiente familiar, certamente por gozação, o título de "o mais preguiçoso da casa".
Quem pode imaginar o efeito de uma brincadeira dessas? Não há intervalos entre os registros profissionais. Desde que prestei serviço militar - num ano tão distante que nem ouso mencionar -, jamais fiquei três dias sem trabalhar. Os documentos mostram mais: cheguei a trabalhar em dois empregos ao mesmo tempo, sem deixar de freqüentar a faculdade. Não me perguntem como fazia isso. Só quem pode responder é aquele jovem de 20 anos, ansioso para provar que a preguiça da adolescência era apenas uma reserva de energia para o futuro.
E o futuro, posso revelar agora, reservava-nos surpresas maravilhosas - entre as quais este ofício de juntar letrinhas para dar sentido à vida. Talvez nem seja trabalho, como sugerem as anotações legais. É muito mais um presente do destino esta varinha mágica da escrita, que me permite convocar todos os espectros do passado para este encontro ao mesmo tempo íntimo e público. Abro minhas carteiras profissionais como quem abre o diário de uma vida - e percebo, agradecido, que todos os dias, as semanas, os meses e os anos foram muito bem preenchidos.
nilson.souza@zerohora.com.br
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8:38 AM
by Cassiano Leonel Drum
Pois é e ai a alta cúpula policial se reune no Rio e transfere o Fernandino Beira Mar para São Paulo. Mas quando estava em Brasília ele continuava mandando e se comunicando, imaginem logo de São Paulo, apesar de ser penitenciária de segurança maxima, os seus advogados vão continuar tendo contato fisico inclusive.
Luis Fernando Verissimo
27/02/2003
Nosso pânico
"Será que entre os presos deste país existe um que tenha cometido um crime mais hediondo do que matar uma nação de fome e na miséria", escreveu o filósofo mais influente do momento, o anônimo autor da carta distribuída a comerciantes antes do ataque orquestrado do "tráfico" ao Rio, na segunda-feira.
Difícil dizer o que assusta mais, o poder de mobilização e de fogo do crime, o que não é novidade, ou o tom político da sua última ameaça, que é inédito. Pois é aterrador pensar que só o que distingue vandalismo organizado de insurreição é o arranjo das palavras que acompanham os atos. Que só o que falta para banditismo virar revolução é um rótulo que grude, é a frase apropriada. Mais de um criminoso já explicou sua vida e seus crimes como um revide à sociedade desigual em que nasceu, já tivemos muitos aspirantes a Robin Hoods e a bandidos justiceiros entre nós e hoje nem o mais reacionário defensor da tese de que vagabundo nasce feito discute as causas sociais da delinqüência, mas o vocabulário da retribuição ainda não se articulou, ainda não achou a sua seqüência certa.
Você e eu, que somos pessoas conscientes mas sensatas (no Brasil não é fácil ser as duas coisas ao mesmo tempo) e já concluímos há muito que vivemos no meio de uma guerra civil crônica, ou já nos perguntamos muito "como é que essa gente não se revolta?", temos medo dizer isto com clareza para não contribuir para o clima de guerra, ou passar por defensor de assassinos, ou, num descuido, dar aos bandidos slogans prontos para transformar terror cotidiano em terror político, e aí como é que a gente fica? Nosso pânico é de que, junto com as armas de uso exclusivo das Forças Armadas, o "tráfico" passe a usar a retórica de uso exclusivo da esquerda, ou a nossa retórica da indignação sem a sensatez.
Não podemos nos arriscar nem a concordar com que as cadeias estão conspicuamente vazias de culpados pelo que foi feito à nação em anos de insensibilidade e descuido, para não alertá-los de que estão chegando perto de um discurso aproveitável de retribuição. Portanto: ssshhhh.
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8:29 AM
by Cassiano Leonel Drum
Litoral
Disputa no mar
Com o visual da Praia Grande, em Torres, mais de 50 salva-vidas participaram ontem da Travessia da Ilha dos Lobos (foto Emílio Pedroso/ZH)
Quarta-feira, Fevereiro 26, 2003
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10:38 PM
by Cassiano Leonel Drum
Uma chance à paz
Sites protestam contra iminente guerra no Iraque e destacam as conseqüências do conflito. Marcha Virtual em Washington prevê inundar a Casa Branca com e-mails e ligações telefônicas
Tacilda Aquino
Inundar a Casa Branca e o Senado americano hoje com ligações, faxes e e-mails de protesto é o plano de um grupo americano de oposição à guerra no Iraque. Encabeçado por estrelas de Hollywood como Martin Sheen, Anjelica Huston e Janeane Garofolo, o grupo batizou o protesto de Marcha Virtual em Washington www.moveon.org, em inglês e convoca os cidadão americanos espalhados pelo mundo a participarem. Nossa mensagem a Washington será clara: Não invadam o Iraque! Podemos conter Saddam Hussein sem matar inocentes, nos distrair da guerra contra o terrorismo e colocar todos em perigo, afirmou Sheen à revista Wired www.wired.com.
O ator, que interpreta o fictício presidente americano Jeb Bartlet na série The West Wing, pode ser visto em um breve anúncio de TV convocando o povo americano a participar da ação. A marcha virtual foi anunciada em entrevistas coletivas em Los Angeles e Washington, que contaram com a participação da atriz Anjelica Huston, dos atores James Cromwell e Mike Farrell e de membros da série The West Wing. Pesos pesados do cinema americano, conhecidos por suas opiniões esquerdistas, como os diretores Robert Redford, Oliver Stone, Robert Altman e Terry Gilliam, as atrizes Jane Fonda, Susan Sarandon e Barbra Streisand e os atores Sean Penn e Dustin Hoffman expressaram preocupação com um possível ataque.
Se depender dos internautas, os EUA nunca vão invadir o Iraque. Desde o ano passado, quando o governo americano começou a falar na possibilidade de invadir o país árabe, gente dos quatro cantos do mundo passaram a organizar-se contra uma ação militar americana. A internet tornou-se o meio mais usado por grupos de pessoas interessadas em publicar seus protestos, angariar fundos para a causa e arrebatar seguidores.
Internautas interessado em informações sobre os conflitos envolvendo a América e o Oriente Médio encontram na rede as mais variadas informações. A maioria desses dados, disponíveis em sites americanos, foi criada por organizações não-governamentais. Há páginas dedicadas a relatar a história do Iraque, fóruns com listas de discussões e coletas de assinatura contra a guerra e outros que revelam os horrores que a guerra pode causar.
Criado logo após o atentado de 11 de setembro, o site Vote Contra a Guerra www.votenowar.org é mantido pela organização Aja Agora Contra a Guerra e o Racismo. O endereço enfatiza a insensatez da guerra e afirma que os EUA estão interessados apenas no petroléo e não nas vidas que serão perdidas, caso a guerra ocorra. ¿Quando o congresso rejeita o desejo do povo, o povo deve agir por conta própria¿, diz o lema de abertura do site, que convoca internautas a se unirem na luta contra o conflito ¿porque só o cidadão comum é capaz de mudar o curso que o conflito está tomando¿. A página tem versão em português.
Profissionais de saúde que quiserem ajudar as vítimas da guerra podem acessar a página As Crianças do Iraque www.childrenofiraq.org O site mostra a situação das crianças iraquianas, as que mais sofreram com os estragos da Guerra do Golfo. A organização Crianças do Iraque chama de catástrofe humanitária tudo que essas crianças têm vivido na última década, sem acesso a um sistema de saúde adequado.
Unidos pela Paz e pela Justiça www.unitedforpeace.org é o site que congrega dezenas de informações sobre guerra. Reúne notícias de jornais de vários países sobre as ações de Bush, manifestações em todo o mundo e a situação do Iraque. Tem agenda de todos os eventos antiguerra que são realizadas pelo mundo e traz links para sites de organizações contra a invasão no Iraque.
Os interessados em escrever uma moção de repúdio à guerra pode fazê-lo na página do Manifesto pela Paz no Iraque (www.peacepledge.org). No endereço são divulgados protestos de internautas, que também podem assinar lista contra a guerra, a ser entregue aos congressistas americanos. Há sites mais radicais, como o Escudos Humanos www.humanshields.org, criado por uma organização que tem voluntários até do Brasil. A página foi criada para chamar a atenção sobre o ato que pretendem promover no Golfo Pérsico.
Os voluntários foram ao Iraque servir de escudos humanos, na tentativa de deter o ataque americano. No website podem ser encontrados um diário de viagem contando histórias e fotos dos lugares pelos quais já passaram. Na última atualização, o grupo estava a caminho da Turquia. Há a possibilidade, também, de fazer doações ao grupo, enviar mensagens de apoio ou até tornar-se mais um voluntário.
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10:23 PM
by Cassiano Leonel Drum
A Bíblia do solteiro Apostólico
Por Paulo Rebêlo
Especial para o PERNAMBUCO.COM
Esta bíblia foi escrita após profundas reflexões zen-bundistas durante o retiro compulsório do Super Ranzinza em sua terra natal, Ranzincity. Para saber como foi o retiro, leia a crônica anterior.
Parte I - A Doutrina Tico-Tico no Fubá
Para a maioria das pessoas, o solteirismo convicto não é uma opção; é um resultado. E um resultado ruim, quase como um defeito. Há controvérsias, mas esse tipo de mentalidade parece ter muito mais força entre as mulheres.
Existem vários tipos de solteiros. Os topa-tudo, os recatados, os kome-ketos, os fanfarrões, os blasés, os garanhões, os seletivos etc. E existem também os solteiros apóstolos: aqueles que pregam o solteirismo como uma filosofia de vida. Não importa se temporária ou perene, desde que seja uma filosofia de verdade enquanto dure. Sem duplo sentido.
O solteiro-apóstolo acredita na divindade chamada "esposa e filhos" e, exatamente por acreditar que a divindade "um dia chegará" (ou voltará), ele procura pregar a autonomia relacional enquanto ainda dá tempo.
A autonomia relacional é a base da doutrina Tico-Tico no Fubá, cujo evangelho é simples e objetivo: se a supra-mencionada divindade existe mesmo, então a solução é encarar a doutrina como um estado de espírito e nunca render-se às tentações de se casar só porque todos os amigos estão casando ou porque a idade se aproxima...
No entanto, o apostolado da Tico-Tico no Fubá não é para qualquer um. Poucos conseguem seguir a rígida disciplina apostólica fubázeira.
Continua
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10:11 PM
by Cassiano Leonel Drum
Continuação
Muitos solteiros, provavelmente controlados pela égide do mal personificada sob o manto do "namoro-coleira" ou "esquema-possessivo" ou "ficante-psicótica", não são aceitos como apóstolos por causa de uma conduta incompatível com a doutrina: quando iniciam um novo relacionamento, se voltam contra os antigos irmãos e passam a pregar a palavra do mal: de que solteiro é causa, e não condição.
O resultado é conhecido: abandonam os amigos, as farras com os colegas da velha-guarda, deixam de ir para happy hours do trabalho, sempre saem mais cedo dos coquetéis e, nas situações mais críticas, transformam-se em seres sóbrios - contrariando o primeiro mandamento da doutrina, que é nunca cair na tentação da sobriedade etílica.
Em casos assim, nem sempre há salvação. O evangelho é forte, mas não faz milagre; perde a força sobre ex-apóstolos agora sóbrios. Algumas vezes, é preciso apelar ao exorcismo.
Evidente que, dentro do apostolado do Tico-Tico no Fubá, existem variadas facções de seguidores: há aqueles bem desenrolados com as mulheres, há aqueles que sabem aproveitar bem o solteirismo, há aqueles que escolhem o caminho virtuoso de estar sempre namorando alguém (porém fiel aos mandamentos da doutrina), há aqueles que optam por "ficadas" e assim por diante.
E há também aqueles apóstolos super enrolados com as beatas (mulheres), que sempre se dão mal e só agarram a garrafa de cerveja - situação que no vocabulário do evangelho Tico-Tico no Fubá, foi batizada de "sacrossanto fumo".
Preocupado com seus similares sacrossanto fumados, o Super Ranzinza (temporariamente Frei Ranzinza) fundou a mais nova seita do Brasil, a Seita Cheque, e desenvolveu a Bíblia do Solteiro Apostólico, elaborada a partir das experiências e causos dele mesmo, o bula-bula do sacrossanto fumo, o zé do caixão das beatas, o cardeal do que não se deve fazer junto de uma mulé.
Para entender a bíblia, basta ler todos os ensinamentos de Frei Ranzinza e nunca tentar fazer igual. Assim, você se tornará um apóstolo de primeira e, diferentemente de Frei Ranzinza, as santas não vão correr de medo.
La garantya soi yo.
www.rebelo.org
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9:54 PM
by Cassiano Leonel Drum
Por Dani Acioli
Da Equipe do PERNAMBUCO.COM
Dos heteróclitos... Como campo de ação. Vídeo Instalação de Oriana Duarte
Imagem: Divulgação
O site oficial da XXV Bienal de São Paulo, um dos principais eventos da arte contemporânea brasileira, é, sem dúvida, uma parada obrigatória de quem entra na Web. As imagens refletem a viagem que os 190 artistas de 70 países se envolveram para mostrar a neurose e profusão de informações que é a vida na agitação urbana. Sob o tema Iconografias Metropolitanas, a Bienal já atraiu muita gente às salas do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e o internauta não precisa de muito esforço para fazer a sua visita também.
Hable con Ella
Imagem: Divulgação
Almodóvar + suas cores + seus exageros + desejos + universo feminino + a paixão. O cineasta espanhol está com filme novo Hable Con Ella, o 14º de sua carreira. O filme discorre sobre o desejo, como sempre, só que desta vez pela ótica de dois homens apaixonados e envolvidos numa fatalidade que os tornam cúmplices: o estado de coma de suas amadas. A sugestão aqui não é só a página com fotos, informações, bastidores da produção, mas tem um site sobre o cineasta, sua filmografia completa, histórico, comentários sobre seus filmes. Para quem gosta de Almodóvar, o site é quase um "livro de cabeceira". Clique aqui
Bollywood
Imagem: Divulgação
A Índia continua produzindo muitos filmes (chegou a produzir 900 por ano) e a cidade de Bombain continua sendo chamada de Bollywood numa brincadeira com Hollywood, nos Estados Unidos. Mas o melhor de você entrar nesse site com um pouco da história do cinema indiano (que tem os principais atores, a história dos milhares de filmes, fotos, traillers etc e tal) é escutar as trilhas. Vale a pena conferir. Tem algumas que se você fechar os olhos tem a sensação de estar no meio de uma cena daqueles filmes clássicos de faroeste, só que ao som é incorporado a cítara, instrumento tradicional indiano.
http://www.bollywoodworld.com
Lógico que essa história do voyerismo louco que se tornou os programas da TV não dá para passar desapercebida. É claro que vamos passar os caminhos da mina. O campeão Kleber Bambam, do Big Brother Brasil (BBB), já está com site oficial, criado pelo "fã clube" formado na época em que ele estava confinado na casa do BBB. Mas não se empolgue muito. O site promete mais do que faz de verdade. Mas tá no ar... e promete... quem sabe você não tem mais sorte do que eu. Observação: vale entrar, mesmo que o conteúdo não esteja pronto, só para ver a cara de sexy do garoto exibindo a montanha de músculos em pose para revista masculina.
Aproveite para recordar.... afinal "faz parrrte..." Site oficial do Big Brother Brasil
Todo mundo esperava por isso.... os quadros de Adriano estão mais valorizados, Helena está pra fazer teste e tentar uma novelinha da Globo, André já fechou com a Som Livre, Bambam pode, além do meio milhão, virar novo paquito da Globo (dizem que era sonho do garoto), Leka também está atrás de uma vaga na telinha (e já tirou a roupa para o Paparazzo), assim como Helena e Xaianne... ou seja... tá tudo beleza no mundo real. Vamos direto aos ensaios...
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5:10 PM
by Cassiano Leonel Drum
CUT e governo criam comissão para tratar da reforma da previdência
Após os primeiros 56 dias, a equipe econômica do governo explicou que determinadas medidas, que estão sendo tomadas, como elevação dos juros, visam evitar a retomada da inflação. A CUT e o governo entendem que o crescimento da inflação seria prejudicial para os assalariados, especialmente os trabalhadores.
A CUT reafirmou ao governo a importância da aprovação das reformas, principalmente a Previdenciária e a Tributária e a necessidade de que as duas sejam enviadas juntas ao Congresso Nacional. O governo disse aos membros da executiva presentes que isso é possível e deverá ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano.
Além da situação econômica do país, um dos temas mais importantes foi o da Reforma da Previdência. Dissemos ao presidente Lula que a votação do PL9 antes do término das discussões em torno do assunto seria um erro e o presidente respondeu que o governo está aberto a uma contraproposta.
Como resultado da reunião, o governo e a central sindical irão criar uma comissão, que fará um levantamento geral da situação da Previdência no país. Os trabalhos começam logo depois do Carnaval e buscará uma solução de consenso sobre a reforma da previdência social. A executiva da CUT decidirá, então, se vai apresentar uma contra proposta ao PL9.
Sobre a campanha salarial do funcionalismo, e que será tema de debate de nova reunião nesta quarta-feira (dia 26), o presidente revelou sua intenção de recuperar o salário dos servidores no que for possível e de estabelecer uma política salarial para os servidores.
"O presidente Lula afirmou que anunciará o novo Salário Mínimo em abril e a CUT reafirmou seu posicionamento pelos R$ 240,00, condicionados ao comportamento da inflação nos próximos meses.
Participaram da reunião pela CUT: presidente nacional, João Felicio; vice-presidente, Wagner Gomes; secretário geral, Carlos Alberto Grana; tesoureiro nacional, João Vaccari Neto; 1º tesoureiro, José Maria de Almeida; secretário nacional de Formação, Altemir Tortelli; secretária nacional de Organização, Rosane da Silva; e os diretores executivos, Sandra Cabral, Lúcia Reis, Júlio Turra e Jorge Luiz Martins
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12:54 PM
by Cassiano Leonel Drum
Bom, como uso ADSL é indiferente, mas convenhamos pagar o provedor mais os pulsos telefônicos que independemente do horário algumas operadoras cobram a mesma coisa é absurdo. Assim torço para que a nova regulamentação favoreça os usuários e difunda ainda mais o uso da internete.
Quarta, 26 de fevereiro de 2003.
Guerra de provedores
Na tricheira do acesso à Internet, a batalha é para descobrir qual o modelo ideal para o Brasil
Alessandra Carneiro e Mylène Neno
Segundo o Ibope, 53% dos internautas brasileiros usam provedores gratuitos. Além de usuários domésticos, vários setores se aproveitam desse tipo de acesso. O iG, por exemplo, oferece acesso a mais de 8 mil de instituições de ensino, 4 mil repartições públicas, 7 mil redes de saúde e 2 mil centros de lazer. De acordo com uma pesquisa do Opina, apenas 41% dos usuários de provedor gratuito dizem ter condições de migrar para um pago. ¿Graças ao acesso gratuito, a Internet cresce no Brasil em ritmo exponencial¿, diz Matinas Suzuki, presidente do iG.
Mesmo que o uso de provedores grátis traga todos esses números e muitos fãs, há cada vez mais críticas ao modelo como o serviço funciona no Brasil. ¿Nossa briga não é com os provedores gratuitos, e sim, contra a falta de isonomia por parte das operadoras de telefonia¿, afirma Roque Abdo, presidente da Abranet (Associação Brasileira dos Provedores de Acesso Serviços e Informações da Internet).
Ou seja, é uma guerra, sim, mas o objetivo final exige a presença, firme e forte, dos provedores gratuitos no Brasil. O que está em jogo, na verdade, é o modo como eles funcionam. ¿O acesso grátis mediante pagamento de pulso telefônico não pode desaparecer. Foi a coisa mais próxima da inclusão digital que o País já teve¿, acredita Raphael Mandarino Jr., presidente da Anui, Associação Nacional de Usuários da Internet.
É claro que essa discussão toda não está acontecendo à toa. A exigência de tarifas diferenciadas chega no momento em que a Anatel discute uma nova regulamentação da rede de telecomunicações para acesso à Web que, espera-se, saia até o meio do ano. A nossa torcida, é claro, é que os usuários saiam ganhando.
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9:31 AM
by Cassiano Leonel Drum
Viu só, cuide-se se você mantém arquivos MP3 guardados, pois só é permitido escutar CDs e normais, com notinha de aquisição e tudo. Primeiro por isso, os direitos autorais; segundo pelo uso excessivo do winchester com arquivos pesados de MP3. E com os demais programas os procedimentos são os mesmos. Só os homologados e além disso checados se não há portas abertas por onde, poderá haver entrada, há exemplo do Internet Explorer 6 que só agora está sendo instalado..
A internet do mal
Nos EUA, documento, quase um ultimato, adverte para o combate à pirataria
26/02/2003
ROBSON PEREIRA
Gravadoras e grandes estúdios de cinema pegaram carona na doutrina do ataque preventivo, tão em moda na administração George W. Bush. Desde o início da semana, as mil maiores companhias de todo o mundo estão recebendo um calhamaço com o pomposo título "A Corporate Policy Guide to Copyright Use and Security on the Internet". Parece coisa de conselheiros militares ou do FBI, mas é obra mesmo de bons - e caros - advogados.
Assinado pelas entidades que representam a indústria americana de música, filmes e softwares, o documento poderia ser confundido com um inocente guia de boa conduta, mas as ameaças e perigos embutidos fazem com que se pareça mesmo é com uma declaração de guerra. No mínimo, com um ultimato.
O texto adverte com todas as letras que toda e qualquer empresa que permitir ao empregado, de forma consciente ou não, o uso, a cópia, o armazenamento ou a distribuição de músicas ou filmes em seus computadores estará sujeita a sanções judiciais e multas altíssimas. Entenderam? Ouvir no escritório o último sucesso da Madonna recebido de um amigo ou da namorada torna a empresa em que você trabalha cúmplice de pirataria.
A tática é de guerrilha, mesmo. E o inimigo a ser combatido é a própria internet, mesmo que isso apareça apenas de forma dissimulada no documento. A Recording Industry Artist Association, uma das associações a assinar o ultimato, quer que as empresas tomem providências para evitar que seus sistemas e equipamentos se transformem em "instrumentos de crimes ou abusos contra os direitos autorais".
Há um precedente perigoso nesta história. No ano passado, uma pequena empresa americana foi processada pela RIAA por supostamente permitir que um grupo de funcionários estocasse centenas de músicas recolhidas na internet nos computadores da empresa. No processo, ainda em curso, as gravadoras exigem uma indenização de US$ 1 milhão (leia mais em www.iis.com).
Estimulada pela acolhida que o processo mereceu na Justiça, o alvo passou a ser as grandes empresas - com mais funcionários e, conseqüentemente, mais computadores e "mais" internet.
Antes da tentativa de responsabilizar judicialmente empresas pelo suposto uso ilegal dos seus computadores, gravadoras e estúdios já haviam investido contra provedores de acesso à internet, usuários comuns e sites especializados na troca ou compartilhamento de arquivos. Não demora, vai agir também contra fabricantes de discos rígidos, companhias telefônicas ou operadores de banda larga - por facilitarem e estimularem a "pirataria" de filmes e arquivos musicais.
As chances de êxito são quase nulas. Mas isso não importa, desde que os contratos que fixam os honorários da tropa de advogados não contenham as chamadas cláusulas de sucesso. Mesmo com algumas vitórias barulhentas, com a falência do finado Napster, não há uma só pesquisa que aponte para a queda do "mercado informal" de músicas ou filmes online.
Mapa do tesouro A International Intellectual Property Alliance divulgou o seu mais recente "mapa da pirataria digital". O relatório tem 600 páginas e analisa a situação em 56 países responsáveis, segundo a entidade, por um prejuízo de US$ 9,2 bilhões à indústria americana. De acordo com o texto, o Iraque da indústria digital é a Ucrânia, seguida de perto pela China, Brasil, Índia, Indonésia, Paquistão e Coréia do Sul, entre outros países.
A "pirataria" verde-e-amarela ocupa lugar de destaque no relatório, com 25 páginas. Nelas, os analistas da IIPA observam a situação peculiar do País, simultaneamente um dos maiores mercados para a indústria digital tanto sob o ponto de vista legal quanto da pirataria. Para os inspetores da RIAA, 70% das cópias ilegais comercializadas no Brasil são produzidas dentro de nossas próprias fronteiras. O relatório completo está acessível em em www.iipa.com.
Fábrica caseira de DVDs Uma prova de quanto são complicadas as questões abordadas acima: o maior fabricante europeu de eletroeletrônicos está anunciando o lançamento de pelo menos duas maravilhas tecnológicas que vão dar mais trabalho ainda aos advogados da RIAA (música) e da MPAA (filmes). Umas dessas maravilhas é DVDRW424, um console que permite a criação caseira de DVDs de alta qualidade em menos de 15 minutos.
A outra é o Streamium MC-i250, um novo sistema de áudio com entrada para internet de banda larga, que elimina a necessidade de fios para a música online. Ambos serão lançados agora em março na Alemanha, por ocasião da maior feira européia do setor. Detalhes em www.philips.com.br/noticias.jhtml.
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9:14 AM
by Cassiano Leonel Drum
Joelmir Beting
Quarta-feira, 26 de fevereiro de 2003
Virou Banda Cambial
"Boa notícia: o dólar não vai subir mais. Má notícia: baixar que é bom, jamais."
Antônio Sobreira, despachante aduaneiro
Em agosto do ano passado, palanque eletrônico já instalado, o mercado financeiro fez posição jurada forte para um dólar a R$ 2,60 na ponta de dezembro. Projeção cambial que já "precificava" uma vitória de Lula no primeiro ou no segundo turno de outubro.
Naquela altura do calendário, a "Carta ao Povo Brasileiro", emitida pelo PT, comprometia-se com a sustentação da estabilidade monetária, com a usinagem das reformas ainda encalacradas e com a segurança jurídica dos contratos. Incluídos os contratos da dívida aqui dentro e da dívida lá fora.
Infelizmente, a especulação sem fronteira, já então resvalando para a manipulação sem bandeira, apontou suas bazucas para terríveis desequilíbrios fiscais em gestação, pretexto para a elevação orquestrada do risco País - três vezes maior que o da Colômbia. E deu no que deu: o câmbio perdeu o juízo e flutuou nas fímbrias de R$ 4,00 por dólar - ainda antes da vitória de Lula.
Esse "overshooting", de tal magnitude, desenhava-se transitório (efeito bolha). O problema é que o danado resistiu à posse de Lula e a estes primeiros 57 dias de absoluta capitulação do governo petista aos sibilinos ditames do "mercado". O dólar permanece aí pela estreita banda de R$ 3,55 a R$ 3,65, ensaiando mediana de R$ 3,60 para o ano todo.
O próprio mercado financeiro acaba de convalidar essa banda cambial pactuada. Em relatório semanal do Banco Central, os bancos vaticinam mediana de R$ 3,60, projetando R$ 3,65 lá na ponta de dezembro. Há quem corrija essa chutometria para algo acima de R$ 3,80. Mas há quem aposte em alguma coisa abaixo de R$ 3,40. O ministro Luiz Fernando Furlan acaba de colocar suas fichas em mediana de R$ 3,50.
Descontada a cartomancia cambial recheada de álgebra financeira, os agentes econômicos estão a fim de, resignadamente, assumir a coexistência com câmbio no alto, pero não mais em alta. O negócio, pois, é tocar a vida. Esboça-se uma quadra de estabilização cambial que pode cobrir também a travessia do ano que vem. O mercado enxerga dólar a R$ 3,80 para dezembro de 2004.
Vai daí que escorre pelo ralo, por linhas tortas e tristes, a pressão cambial sobre a formação de custos e preços da economia como um todo. A tal ponto que os cenaristas de bancos admitem para o ano um IPCA de 12%, no mesmo calibre de 2002. E, por causa disso, joga-se com Selic de 22% ali pela véspera do Natal, ela que acaba de escalar 26,50% nesta vigília do carnaval. Pelo IPCA, taxa básica real embicada para 10% ao ano.
Claro, o câmbio flutuante não perde a mania de flutuar, lembra Antônio Delfim Netto. Neste momento solene, por exemplo, não seria um disparate imaginar um dólar a R$ 3,90 no "day after" do primeiro míssil bravateiro de Bush nos calcanhares de Saddam. E com direito a barril de petróleo acima de R$ 40 e risco País ao redor de 1.600. Com PIB no declive e desemprego no aclive.
SECOS & MOLHADOS
Carambola - Em tal cenário, haveria remarcação preventiva de tabelas de fábrica. Sem desconto. Quem ainda não repassou a bolha que não furou vai tentar repassá-la a partir da Quarta-Feira de Cinzas, ano novo do Brasil. O que redundaria em nova fuzarca do IPA no ventre do IGP. Uma reversão da reversão suficiente para catapultar a Selic para 29,50%. Na Quaresma da desilusão nacional.
Liquidação - No pára-choque do mercado, o comércio lojista prefere não perder o fio da meada das liquidações de verão. A campanha Liquida São Paulo (infeliz, não?), dos shoppings, acaba de colocar 72 mil itens em oferta com descontos de 30% a 75%.
Como é que é? - Sem refresco no IPCA. Quando os preços sobem, é inflação. Quando baixam, é promoção. E os juros? Quando a Selic recua, o crediário avisa que precisa de seis meses para repassar a baixa. Quando a Selic sobe na base, os juros da ponta sobem na semana seguinte...
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9:01 AM
by Cassiano Leonel Drum
Superou em muito a previsão do Presidente o lucro alcançado pelo Banco Estadual do Rio Grande do Sul - Banrisul -, mas como era de se prever, deveria efetivamene ser bem superior face todas as facilidades encontradas pelo setor na política que vigorava e na que continua vigorando.
CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 26 DE FEVEREIRO DE 2003
Banrisul lucrou R$ 149,7 milhões
Tulio Zamin
O Banrisul teve lucro líquido de R$ 149,7 milhões em 2002, representando incremento de 56,58% em relação ao exercício fiscal anterior. 'Esse resultado assegura rentabilidade anual de 21,62% sobre o patrimônio líquido', disse o presidente da instituição, Túlio Zamin, que atingiu a meta de encerrar a gestão com lucros na casa dos três dígitos. Ontem, ao apresentar as principais ações de 2002, Zamin comemorou os quatro anos de resultados positivos do governo da Frente Popular. No ano passado, o patrimônio líquido do banco atingiu R$ 692 milhões. 'Nesse valor, não estão contabilizados os R$ 432,5 milhões relativos a crédito tributário', frisou.
Em 31 de dezembro, o volume total de ativos, constituído principalmente de aplicações em títulos, crédito e ativo permanente, chegou a R$ 11,2 bilhões, totalizando acréscimo de 24,76% em relação a igual período de 2001. 'As operações de crédito atingiram R$ 4,5 bilhões, com um aumento de 31,76% em comparação com o ano anterior', explicou Zamin, salientando que as receitas de operações de crédito cresceram 46,05%. 'O Banrisul responde por 1,19% do sistema nacional de crédito, que teve expansão de 13,7%, em média, em 2002. Já o saldo das operações em crédito rural aumentou 29%, destacando o incremento de 116% em custeio e comercialização.
O volume de recuperação de crédito alcançou R$ 116,7 milhões, confirmando trajetória ascendente. 'A criação da área de análise e gestão de risco e dos departamentos comercial e de recuperação de crédito colaborou para os resultados positivos.' Conforme Zamin, o estoque devido em série oscila em R$ 1 bilhão. Ao final do exercício, o volume de recursos captados e administrados junto ao mercado chegou a R$ 8,5 bilhões - R$ 1,2 bilhão a mais do que em 2001. A instituição aplicou R$ 78,2 milhões em infra-estrutura e engenharia no ano passado.
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8:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Só o que nos rsta, pois, é que torçamos para que o ponteiro do medo seja superado na corrida pelo ponteirinho da esperança.
Paulo Sant'ana
26/02/2003
Lula luta contra o relógio
As pessoas que necessitam de crédito, isto é, a maioria das pessoas, que já estavam no Brasil sufocadas pela taxa de juros básica, agora vão aumentar a sua agonia.
Juros tabelados em 26,5% elevam a preços estratosféricos todos os produtos adquiridos a crédito.
Só que as multidões não podem se mexer para viver se não tiverem crédito. Levantamento feito recentemente entre a classe média e trabalhadores revelou que o mais custoso entre os itens todos de despesas das pessoas comuns é justamente o pagamento de juros: corresponde a quase 30% por mês do total de seus gastos.
Ou seja, os brasileiros gastam mais com juros do que com habitação. Mais com juros do que com alimentação. Mais com juros do que com educação, incluindo aí as famílias que têm membros matriculados em colégios privados.
O crédito, portanto, é inseparável da vida do brasileiro. É inseparável do capitalismo, que vive dele, como a semente da terra e da água.
Não há invenção mais prodigiosa do que o crédito.
Por ele, o homem gasta para adquirir determinado bem antes mesmo de merecê-lo. Isto é, antes de ter ganhos para adquiri-lo.
Dessa forma, a grande maioria do povo brasileiro não teria casa para morar, nem poderia colocar dentro da casa o seu fogão, o seu refrigerador, o seu televisor, se não comprasse a crédito todos esses bens.
Por aí se pode perceber a importância do crédito na economia. E também como é imprescindível à sobrevivência dos brasileiros o crédito.
Mas com juros tabelados em 26,5% - só no governo Lula os juros já foram aumentados em 6% -, há casos de cartões de crédito, cheques especiais, empréstimos, ou até mesmo venda de bens pelo comércio, em que os juros batem em 280% ao ano.
Ou seja, por algo que custa um, as pessoas pagam em um ano três vezes mais.
Significa dizer que fica impossível a um trabalhador adquirir hoje um televisor pelo prazo de um ano sem pagar o preço de dois aparelhos.
Aí está a crueldade dessa taxa básica de juros que vige no Brasil. Ela suga o consumidor mais do que a inflação, mais do que a alta do dólar, se não bastassem esses dois males, ainda a alta dos juros existe para somar-se a eles, formando um triângulo de desgraças.
Como as pessoas vão comprar menos a crédito, o comércio vai vender menos, isso quer dizer que a indústria vai fabricar menos. Em suma, essa taxa brasileira de juros, que deve ser a maior do mundo, se não for é a segunda ou a terceira, provoca imediatamente na economia o desemprego.
E a recessão, a estagnação da atividade econômica que a alta dos juros promove nega ao Brasil a possibilidade de crescer. Sem desenvolvimento, estaremos cada vez mais vendo prosperar o desemprego e os outros males sociais circundantes a ele, entre os quais os baixos índices de saúde e de segurança pública.
Por isso é que causou alarde que o governo Lula tivesse promovido essas últimas altas nos juros.
Significa em outras palavras que, a permanecer esta taxa de juros, os 10 milhões de empregos que Lula sonhou criar em seu governo viraram uma ilusão, uma utopia, em menos de 60 dias do seu mandato.
Lula, visivelmente, ao adotar a mesma estratégia econômica de seu antecessor, está tratando somente de tornar-se viável.
Para só em seguida tentar respirar e talvez investir no desenvolvimento.
O governo de Lula, desde que assumiu, enfrenta uma terrível luta contra o relógio.
Torçamos para que o ponteiro do medo seja superado na corrida pelo ponteirinho da esperança.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
26/02/2003
O seu tempo
Foto(s): Uchôa/ZH
Dos 73 livros que formam a Bíblia, poucos têm a força do texto do Eclesiastes. Ó: não estou falando de religião; mas de TEXTO. O Eclesiastes é poderoso e profundo, a sabedoria goteja de cada linha. Não é à toa que sua autoria foi atribuída ao rei Salomão, o mais sábio dentre os sábios. Mas Salomão e Eclesiastes não foram como Batman e Bruce Waine, não foram a mesma pessoa. Os historiadores calculam que os últimos escritos deste livro são de 300 anos antes de Cristo, bem uns seis séculos depois da morte de Salomão.
Seja como for. O que importa é a tonitruância do texto do Eclesiastes. Vou reproduzir um trecho para você se embasbacar:
Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol? Uma geração vai-se e outra geração vem, mas a terra permanece para sempre. O sol nasce, e o sol se põe, e corre de volta ao lugar donde nasce. O vento vai para o sul e faz o seu giro, vai para o norte, volve-se e revolve-se na sua carreira, e retoma os seus circuitos. Todos os ribeiros vão para o mar, e contudo o mar não se enche. Ao lugar para onde os rios correm, para ali continuam a correr. Todas as coisas estão cheias de cansaço, ninguém o pode exprimir: os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir. O que tem sido, isso é o que há de ser, e o que se tem feito, isso se tornará a fazer. Nada há que seja novo debaixo do sol.¿
Você está dizendo bá, não é? Eu sabia. Agora, há um poema, no Eclesiastes, que expressa com exatidão o que eu queria dizer com essa crônica. Vou pegar um pedaço emprestado e, quando você terminar de ler, vai pensar: ganhei o dia, lendo esse texto. Aí vai:
Há tempo para nascer,
e tempo para morrer.
Tempo para plantar,
e tempo para arrancar o que foi plantado.
Tempo para matar,
e tempo para sarar.
Tempo para demolir,
e tempo para construir.
Tempo para chorar,
e tempo para rir.
Tempo para gemer,
e tempo para dançar.
Tempo para atirar pedras,
e tempo para ajuntá-las.
Tempo para dar abraços,
e tempo para apartar-se.
Tempo para procurar,
e tempo para perder.
Tempo para guardar,
e tempo para jogar fora.
Tempo para rasgar,
e tempo para costurar.
Tempo para calar,
e tempo para falar.
Tempo para odiar,
e tempo para amar.
Tempo para a guerra,
e tempo para a paz.
E assim como se deve fazer cada coisa a seu tempo, cada pessoa também tem o seu, muito próprio e pessoal, raramente negociável. Diria que hoje, para o Inter, é tempo para rir; para o Grêmio, é tempo de calar. Para o mundo, parece que começa um tempo para a guerra, enquanto todos nós aqui do lado debaixo da linha do Equador, estou certo, só queremos tempos de paz.
Cada um descobrir o seu tempo, isso é que é difícil, e mais difícil ainda se faz aceitá-lo com paciência. Nem todos se conformam em demolir, jogar fora, apartar-se ou mesmo calar, quando preciso. Nem todos aceitam se resignar. Afinal, o Eclesiastes já ensinou, em outra passagem estuante de sensatez:
Vaidade das vaidades, tudo é vaidade
Naturalidade
Quando Matteus, do Caxias, olhou para o gol e a bola, momentos antes de bater o pênalti contra o Inter, virei-me para o Leonardo Oliveira, aqui do Esporte, e predisse:
Vai errar.
Porque Mateus respirava pela boca, soltava o ar em golfadas, buf, buf, estava nervoso, Matteus, via-se. Mateus não estava encarando aquele pênalti com naturalidade. Estava pensando demais naquele pênalti. Esse é um problema grave em tudo o que se vai fazer, desde o amor até andar de bicicleta. Se se pensa demais, lá se vai a naturalidade, e a falha vira iminente.
Naturalidade. Vem com o bom sucesso. Matteus ainda vai readquiri-la, e o Inter, de vitória em vitória, ainda que vitórias claudicantes, ainda que cheias de percalços, pode alcançá-la também.
david.coimbra@zerohora.com.br
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8:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
Litoral
Exceção à regra
A bandeira amarela que tremulou ontem em Imbé foi recebida com alívio pelos banhistas. Em 75% de 66 dias de Operação Golfinho, os salva-vidas usaram a bandeira vermelha para alertar os veranistas dos perigos no mar (foto Emilio Pedroso/ZH)
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Terça-feira, Fevereiro 25, 2003
Posted
11:09 PM
by Cassiano Leonel Drum
"Radical, não; coerente!"
Luciana Genro, deputada federal eleita pelo PT do Rio Grande do Sul, desembarcou em Brasília com a reputação de que é tão radical ao ponto de reduzir a senadora alagoana Heloísa Helena a uma bem comportada provedora da Santa Casa de Misericórdia. Aos 31 anos, depois de um mandato de deputada estadual, filha do ministro do Desenvolvimento Social, Tarso Genro, Luciana não se incomoda com essa fama construída pela mídia, pelo contrário. Acha que é até um elogio.
Nos anos 80, quando os socialistas chegaram ao poder na França, através de François Mitterrand, e na Espanha, com Felipe Gonzalez, ela estudava na Inglaterra e assistiu na prática à teoria da política do violino - segura-se com a esquerda, mas quem toca é a direita... Mitterrand e Gonzalez conquistaram o poder com os votos da esquerda, mas acabaram governando com a direita. Ficou impressionada e teme que agora aconteça o mesmo no Brasil.
Quando era deputada estadual e seu pai prefeito de Porto Alegre, um petista moderado, Luciana se opôs ao governador Olívio Dutra, cobrando coerência com o discurso feito durante a campanha para se eleger, e chegou a ser punida pelo partido. Na segunda-feira, na abertura da nova legislatura, no plenário do Congresso Nacional, ao vê-la, o presidente Lula cumprimentou-a com um beijo carinhoso, mas sabe que o afago acaba por aí. Não pode esperar da deputada gaúcha subserviência, mas apenas coerência, durante o exercício de seu mandato parlamentar.
Na mesma segunda-feira, ela recebeu Brasília Em Dia para fazer uma análise do socialismo, da experiência do PT com o poder e o que pode mudar a partir daí.
Marcone Formiga - Qual a análise que a senhora faz destes quase dois meses de governo Lula?
Luciana Genro - A vitória que foi a eleição do Lula é extremamente significativa. Pela primeira vez nós temos um representante da classe trabalhadora governando o Brasil. Sempre foram as elites econômicas que governaram, agora nós temos um representante dos de baixo, e essa é uma grande mudança político-cultural. Mas eu estou preocupada com os rumos do governo...
Íris Formiga - Por que essa preocupação?
Luciana Genro - Porque nós estamos vindo de um processo econômico de praticamente 10 anos de governo neo-liberal - um modelo que levou o Brasil a uma situação econômica horrível, de desemprego, miséria, uma dívida pública que cresce estratosfericamente - e até agora o novo governo está seguindo o mesmo modelo. Para nós é difícil acreditar que o modelo econômico que levou o Brasil à situação quase de insolvência, como disse o ministro Antônio Palocci na última reunião da bancada, pode servir para salvar o país. É como se um paciente que recebeu um remédio errado e foi para a UTI continuasse recebendo o mesmo remédio no tratamento intensivo para ver se sai da crise. Me parece muito ilógico esse raciocínio.
Íris Formiga - O que a senhora acha das reformas que o governo está propondo?
Luciana Genro - Estão me preocupando. É verdade que o Brasil está precisando de reformas, e profundas; mas eu gostaria de estar discutindo, neste momento, não a reforma da Previdência, a autonomia do Banco Central, os cortes no Orçamento nem o superávit primário que o FMI exige. Eu gostaria de discutir agora questões como a forma de taxar as grandes fortunas, a forma de se fazer com que os bancos paguem mais imposto, pois o sistema financeiro foi quem mais ganhou nos últimos anos no Brasil, inclusive muito mais do que o setor produtivo; e o governo vive dizendo que vai incentivar o capital produtivo e combater o capital financeiro, que foi o que dominou o país nessa última década. Então, eu queria discutir medidas que caminhassem neste sentido. Vamos fazer os bancos pagarem mais imposto; vamos agilizar a reforma agrária...
Se você quiser ver o restante da entrevista da Luciana está no link do título. Mas convenhamos minha cara e coerente Luciana, querer taxar as grandes fortunas... aumentar os impostos dos bancos... isso é outra conversa. Quem irá decidir por estas medidas de impacto?
Me lembra aquela grande reunião entre os ratos e que chegaram enfim a conclusão de que se amarrassem uma sineta no pescoço do gato, todos saberiam quando ele se aproximasse. Mas quem iria amarrar a sineta.?
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10:48 PM
by Cassiano Leonel Drum
Gosto do Jabor por isso, muito irônico ele vai escrevendo sobre o que pensa e o que preconiza. É sempre um relax ler e reler suas crônicas. Fiquem com os anjinhos e até amanhã.
Terça-feira, 25 de fevereiro de 2003
Arnaldo Jabor
Tristes pressentimentos do que há de acontecer
Não adianta analisar nada. Por obra de Osama Bin Laden e seu fiel escravo Bush, entramos numa era em que não adianta bom senso, avisos, nada. A roda do erro já está andando. O instinto de destruição, a pulsão de morte está no ar e, como Freud escreveu para Einstein em 1933, o desejo de morte é inerente ao ser humano. Por isso, só nos resta fazer a lista dos horrores que virão, como um rol de roupa suja, como pragas de bruxa, berros de alarme, como a profecia de um oráculo de porre.
Eis os pressentimentos aqui do profeta doido Al N'Jahime Jabor, oriundo do Vale de Bekka, onde minha família começou, no ano 300 d.C:
Tudo vai dar errado nos próximos meses. Tudo. Mesmo se Bush arrasar o Iraque, não haverá vitória, como não houve no Afeganistão. O conceito de "vitória" é "napoleônico". Osama acabou com o conceito. Não há mais vitória contra inimigos invisíveis. O homem-bomba não existe, pois ele se volatiliza em segundos; sua força está em não existir. Mesmo se Bush "prevalecer", tudo piora. Haverá um estado de guerra permanente no Oriente, com os títeres americanos dentro do Iraque. Os homens-bomba se multiplicarão por 1000. E nem precisarão atacar - o simples silêncio vai atemorizar o Ocidente, a paz será uma ameaça permanente. A energia dos terroristas alimentará para sempre um estado de "alerta vermelho" na América.
Bush está criando as bases para um novo "american way of life". Bush e seus assessores querem reverter as conquistas liberais dos anos pós-Vietnã:
sexualidade, racismo, feminismo, ecologia. Tudo vai ser abolido. Tudo será considerado frescura ou coisa de hippie comuna.
Uma nova academia de intelectuais da direita cristã, financiada pelas empresas de armas, petróleo e fumo, estão produzindo a nova ideologia de uma "democracia" militarizada, para enterrar os liberais babacas das universidades "humanistas". Institutos de direita como a Hoover, a AEI ou o Cato Institute elaboram os mandamentos de uma "nova democracia" paranóica, totalitária alimentada pelo perigo do terror.
Poderão surgir grande marchas de protesto, progressistas, mas os republicanos treinados pelos anos 70, talvez consigam impedir qualquer vitória dos progressistas, construindo muralhas institucionais irreversíveis. Venceu Forrest Gump. Bush é a vitória do perdedor, a era da burrice no poder. E sabemos que a burrice no poder se chama "fascismo".
Está chegando o "totalitarismo democrático", como previu Tocqueville em 1831, o francês que fez a melhor interpretação da América até hoje - as massas "livremente" aderindo a um líder totalitário. A França (e sua "finesse") já está sendo execrada pelo complexo de inferioridade ianque.
Ketchup no escargot e Coca-Cola no vinho.
Virá uma nova e fortíssima arrogância comercial dos USA - o militarismo vai transbordar para o comércio, como aliás também mostrou Tocqueville. Os americanos vão impor ao mundo, especialmente a nós macacos, suas regras de domínio. A OMC vai comer mais ainda na mão dos USA. O espírito do MAI (Acordo Multilateral para Investimentos) vai prevalecer - a criação de um mundo com Estados-nação impedidos de coibir investimentos americanos. Alca nos será imposta quase pela força e pela chantagem do Tesouro e FMI. Nossos diplomatas não resistirão.
O impasse, a dúvida secular entre defesa da vida humana e o mundo das "coisas", do "mercado reificado" contra a vida livre vai acabar. Vencerão as "coisas". A "des-humanidade" ("man-unkind") vai se instalar. Seremos regidos por uma ética de fábricas, uma lógica política igual às regras da boa produção de automóveis ou salsichas.
No Brasil, diante da crise da guerra, cairemos no perigo de populismos e bravatas "terceiro-mundistas", trazendo de volta a velha geléia geral. Na América Latina voltarão as repúblicas de bananas, oscilando entre ditaduras de direita e "chavismos". Via Colômbia, surgirá aqui um novo "teatro de operações" para a política militarista de "prevenção".
O Paquistão ou Arábia Saudita poderão cair nas mãos dos fundamentalistas, como é desejo do profeta Osama. O Irã, que o Katami quase conseguiu salvar, vai ser, mais ainda, um santuário de terroristas.
Em Israel, com a nova direita, Sharon vai parecer uma cambaxirra pacifista.
Se o Saddam usar armas químicas contra eles, pode haver retaliação atômica.
Saddam vai queimar seus 1.200 poços de petróleo já minados. Falência energética do planeta.
Acabará o discurso multilateral. A diplomacia será apenas um balé. Só a força militar contará: "Quantas divisões tem a França?" Racha a União Européia. A Europa profunda, culta, humanista e democrática será desmoralizada, como um continente de frouxos, babacas e viadinhos cultos...
Velha Europa humilhada contra "nova" Europa cooptada pelos "americains".
A arte pode renascer, talvez, com novos surrealismos e novos absurdismos.
Mas, Godot não virá nunca.
A ONU vai acabar como um nostálgico museu da democracia. Ninguém pagará o aluguel e o prédio vai apodrecer. Acaba a Otan, fecha o Tribunal Penal Internacional.
Acabam Kyotos e sonhos ecológicos. A OMC será um shopping center americano.
E a Coréia do Norte, com seus assassinos stalinistas, será a porta de entrada para o futuro inferno com a China - aí sim, um juízo final.
Haverá uso de armas nucleares, como um detergente contra os "eixos" do mal que a América determinar. Bush e seus falcões rezam antes dos despachos e não baniram das conversas o uso "tático" de bomba atômica. As bombas desejam explodir. As armas da indústria americana não foram feitas para serem usadas na guerra; eles farão uma guerra para usar as armas.
No futuro, com o mundo arrasado, Osama será considerado o maior estrategista da História. Mais que Napoleão, Júlio César, Giap. Assim como jogou aviões americanos contra a América, Osama está jogando o Bush, seu aliado fundamentalista, contra seu próprio país e contra o Ocidente todo. Aleluia, século 21!
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10:39 PM
by Cassiano Leonel Drum
Presidente quando foi feito o orçamento esperava-se uma inflação de 6% para este ano e que a gasolina produzida aqui não seria dolarizada, nem o óleo de soja, nem o arroz, nem o trigo. Assim a sexta básica meu Presidente já subiu muito mais que isso e a previsão é de muito mais aumento e querer que os seus irmãos metalúrgicos sejam cidadãos neste momento, Presidente, será que não é pedir demais, não?
Lula critica sindicatos e diz que não há 'garantia' de reajustes fora do Orçamento
15:32 25/02
Redação (editorultimosegundo@ig.com)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o movimento sindical brasileiro precisa deixar de lado o "corporativismo" e pensar mais no "conjunto da sociedade". A afirmação ocorre após centrais sindicais e servidores públicos lançaram campanhas por reajustes salariais.
"O movimento sindical tem de deixar de ser corporativista apenas e se transformar num instrumento de defesa do conjunto da sociedade", afirmou, durante cerimônia de posse do presidente do Consea (Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional), Luiz Marinho. O escolhido fez carreira no movimento sindical e foi candidato a vice de José Genoino (PT) na disputa pelo governo de São Paulo, no ano passado.
Para Lula, os sindicatos precisam funcionar como "instrumento político" de ajuda aos segmentos mais frágeis da sociedade.
Sem mencionar diretamente a reivindicação dos servidores e das centrais, Lula disse que "não tem como garantir" aumentos salariais se não houver previsão no Orçamento. A peça orçamentária, aprovada no ano passado, vem sendo usada pelo governo federal para justificar problemas nas contas da União.
"Quando se discute o Orçamento da União, é naquele momento que (o movimento sindical) tem de estar metendo o dedo para aprovar a verba que depois vão reivindicar", afirmou Lula. A previsão de aumento para os servidores, no Orçamento, é de 4%, mas o governo pensa em um número ainda mais baixo.
O presidente também disse que a presença de Marinho no Consea vai estimular a adesão da "totalidade do movimento sindical" no combate à fome. Lula voltou a dizer que a sociedade é a principal responsável pelo fim da miséria e da fome no País.
Durante o discurso, ele disse estar "fazendo tudo" o que pode e que a fome no Brasil não acaba com um "passe de mágica". Lula pediu "um pouco de humildade", dizendo que, diversas vezes, "somos muito exigentes conosco mesmo".
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3:57 PM
by Cassiano Leonel Drum
FIF Fome Zero fecha primeiro dia de captação com R$ 1,5 milhão
RIO - O fundo de investimento FIF Fome Zero, lançado ontem pela Caixa Econômica Federal, em toda a sua rede de agências, fechou o primeiro dia de operação com a captação de R$ 1,5 milhão e 219 aplicadores.
O resultado é considerado um sucesso pelo vice-presidente de Ativos de Terceiros da CAIXA, Wilson Risolia, "se compararmos com outros fundos de investimento do mesmo porte, podemos dizer que esse primeiro resultado é muito animador e mostra o estímulo das pessoas em participar da campanha de combate à fome do Governo Federal".
Se o ritmo de captação se mantiver o mesmo, é possível chegar ao primeiro mês com R$ 33 milhões de patrimônio líquido no Fundo, o que geraria um repasse de R$ 825 mil ao programa Fome Zero - o suficiente para adquirir 4.910 cestas básicas de alimentação.
A parte que cabe ao programa será destinada ao Ministério da Segurança Alimentar (MESA) sempre ao final do mês subseqüente.
A expectativa inicial da CEF é chegar aos R$ 500 milhões de patrimônio líquido do Fundo ao final do primeiro ano, com a possibilidade de repasse de R$ 12,5 milhões ao Fome Zero.
25/02/2003 13:27
Posted
11:16 AM
by Cassiano Leonel Drum
Bom para quem não vai pular, tudo bem, estão ai ótimas sugestões de leitura das três autoras gauchas contemporâneas e do Erico Veríssimo os relançamentos da Globo. Então procure a livraria mais perto e compare os preços, que já estão abaixo da capa de cada um e ótima leitura.
Pop sul
Três mulheres, um homem e os destinos
Sérgio de Sá
Da equipe do Correio
Volta e meia algo nos faz lembrar que a literatura é um fenômeno no Rio Grande do Sul. Agora o relançamento da obra de Erico Verissimo coincide com o sucesso de três escritoras tão gaúchas quanto o autor de O tempo e o vento para nos fazer tentar entender um pouco essa mágica que aproxima texto de público. Duas dessas escritoras, Martha Medeiros e Leticia Wierzchowski, angariaram legiões de fãs locais e já explodiram as fronteiras de seu estado de origem. A outra, Claudia Tajes, está prestes a anunciar que talvez, de fato, tenha dado pra ti, Porto Alegre. Se o público dos pampas consome sua própria literatura com a mesma avidez que os baianos, por exemplo, dedicam a sua produção musical, cabe falar tanto da possível qualidade intrínseca do texto literário quanto dessa palpável e factual realidade da boa recepção por parte deste importante elemento da cadeia literária, o digníssimo leitor, a digníssima leitora.
Livre das armadilhas literárias
Dores, amores & assemelhados
De Claudia Tajes. L&PM, 152 páginas, R$ 22,00
Claudia Tajes vendeu 6 mil exemplares do romance de estréia Dez (quase) amores e 4 mil do segundo, As pernas de Úrsula e outras possibilidades. Dores, amores & assemelhados, o livro mais recente, ultrapassou os 3 mil. Total: 13 mil. Marca a que muito escritor incensado no eixo Rio-São Paulo gostaria de chegar, mas o leitor não lhe deu o prazer.
Sim, o gaúcho é mesmo bairrista, né, se apressa em dizer (Maria) Claudia Tajes, sotaque acentuado. Se apressa é modo de escrever porque a fala é equilibrada, risonha muitas vezes, próxima da simplicidade que seus textos atingem. Esse bairrismo fica claro na Feira do Livro de Porto Alegre, explica. Os best-sellers da feira são inevitavelmente gaúchos.
Nem tudo é festa, entretanto. A publicitária Claudia Tajes é vítima de preconceito rasgado. Sorri: As pessoas mais intelectuais não levam em consideração meus livros. Acham que publicitário não pode escrever outra coisa que não anúncios.Ela conta também que há um ódio reservado a quem deu certo. Uma característica do Rio Grande do Sul é o escritor não poder se destacar muito. Senão, ferro dos pares.
Mas Claudia parece viver em paz. Diz que não pretende ser Machado de Assis ou Guimarães Rosa, e tudo bem. Faz pensar no ensaísta e poeta José Paulo Paes, que, em texto hoje clássico, pedia uma literatura brasileira de entretenimento. Sou comercial mesmo. Não quero ser superficial, mas não consigo escrever como a Cintia Moscovich (jornalista e escritora gaúcha, autora de Anotações durante o incêndio) ou o Altair Martins (gaúcho, autor de Como se moesse ferro). Nunca pretendi fazer nada que entre para a história.
É leve mesmo o modo como Claudia se sente à vontade com o que escreve. Aqui, quem não quiser fazer uma literatura densa e séria, fica marcado. Mas o cara não ser denso não quer dizer que ele é um débil mental.A voz, mansa.
Erico Verissimo é um referencial forte para ela. Devo ter lido quase tudo. Adoro. Mas o Luis Fernando é mais forte, é genial. E ele é completamente diferente do pai, e não tá nem aí. A conversa passa também pelo culto no Sul à escritora Lya Luft (A asa esquerda do anjo e As parceiras), que ela não conhece pessoalmente, mas admira. Dentro desse espírito não-denso de ser, a Lya é legal. É muito generosa com os novos escritores.
Para o próximo livro, Claudia prepara pequena guinada. Sempre com ótimo humor, ela conta que a crítica afirma que ela só sabe repetir a mesma história, narrada na primeira pessoa (nem sempre uma mulher, contraponha-se). Decidiu, então, vir na terceira. Inspirada no cubano Pedro Juan Gutiérrez, cujo O insaciável homem aranha (inédito no Brasil) acabou de ler, vai contar a vida de um doador de sêmen profissional. Da mesma maneira despretensiosa, tranqüila, solta, livre, altamente legível, sem amarras teóricas. Como quem pretende apenas divertir o leitor sem cobrar dele aquele engajamento literário em torno do que seria nobre, alto, notável. (S.S.)
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11:12 AM
by Cassiano Leonel Drum
Gaúcha sem fronteira
Nahima Maciel Da equipe do Correio
Divulgação
Leticia Wierzchowski: salto para estrelato nacional via televisão
O romance A casa das sete mulheres já está na nona edição. Há seis semanas consecutivas aparece em primeiro lugar nas listas dos livros de ficção mais vendidos nas livrarias brasileiras. A adaptação de Maria Adelaide Amaral para a minissérie homônima exibida pela Rede Globo, é claro, contribuiu para a projeção da obra. Mas a trajetória de sucesso nacional começou a ser traçada antes mesmo das negociações entre a autora gaúcha Leticia Wierzchowski e a emissora de televisão. A casa das sete mulheres ainda era projeto quando Leticia assinou contrato com a editora Record e deixou as gaúchas Artes & Ofícios e L&PM, pelas quais publicou cinco livros nos últimos quatro anos (romances e contos que venderam mais de 10 mil exemplares).
A escritora deixava o forte porém restrito mercado editorial gaúcho para ganhar distribuição e divulgação em todo o país. A Record reeditou o primeiro romance, Um anjo perto de nós, e quis saber quais eram os projetos seguintes. Leticia preparava um livro sobre o Rio de Janeiro e queria escrever outro sobre a Revolução Farroupilha. A editora percebeu o potencial da história e apostou. A casa tomou forma, ganhou narrativa e foi publicado antes do romance sobre o Rio.
Assim que foi publicado, em abril de 2002, o romance ganhou resenhas em revistas e jornais, foi imediatamente acolhido pelos leitores conterrâneos da autora e começou a alavancar projeção nacional. A minissérie, o auge. Para Leticia, esse sucesso é fruto de iniciativa particular: mesmo com a forte tradição gaúcha na literatura, um bom mercado editorial no Rio Grande e leitores ávidos pela produção de autores locais, a escritora queria ultrapassar a fronteira do sul. Fronteira aliás, que nem sempre quer ser transgredida. A opção de Letícia já rendeu o segundo livro pela Record. Esta semana, ela esteve no Rio para o lançamento de O pintor que escrevia, um dos volumes da coleção Amores Extremos e primeiro romance depois de A casa das sete mulheres.
A casa das sete mulheres
De Leticia Wierzchowski. Record, 516 páginas, R$ 48,00
CORREIO A quê você atribui o intenso consumo de escritores locais pelos gaúchos?
LETÍCIA WIERZCHOWSKI Em primeiro lugar o Rio Grande do Sul é um estado que lê muito, tanto que a gente tem uma feira do livro tradicionalíssima, as pessoas vão do interior para Porto Alegre para participar. As pessoas lêem mais que a média na maioria dos estados e isso gera todo esse interesse. O Rio Grande do Sul é uma terra de vento, de frio, as pessoas ficam em casa lendo e escrevendo. Tem uma demanda grande e os autores têm espaço. Além disso, o estado tem grandes autores Simões Lopes Neto, Érico Veríssimo, Moacyr Scliar, Assis Brasil, Luis Fernando Veríssimo, que há muito extrapolou qualquer fronteira, José Guimarães. A gente tem uma tradição de muitos anos de grandes escritores. Sair de lá talvez seja mais difícil porque tem um pólo Rio-São Paulo, e o Rio Grande, como outros estados mais periféricos, sofre uma distância geográfica. É preciso burlar isso para chegar ao Rio e São Paulo e ter uma distribuição para o resto do país.
CORREIO A força das editoras gaúchas é conseqüência dessa leitura e produção ou elas fomentaram isso?
LETÍCIA Não acho que as editoras do Rio Grande do Sul sejam fortes no sentido amplo da palavra. São editoras regionais, que têm um mercado bom lá mas, lamentavelmente, não conseguem manter a mesma força fora da região Sul. Temos muito leitores, é um estado com um nível bom de cultura, as pessoas estudam e lêem bastante, então as editoras existem. Mas acho que elas também têm sua fragilidade porque se fossem tão fortes assim os autores automaticamente tinham uma distribuição grande fora do estado. Isso talvez seja o grande divisor de águas para os autores de lá: sair, conseguir um espaço fora para seus livros, ser divulgado com algum merecimento justo.
CORREIO Que papel teve a adaptação de Maria Adelaide Amaral na divulgação de A Casa das Sete Mulheres?
LETÍCIA Quando um leitor entra numa livraria a oferta é tanta que a pessoa tem que ter uma referência para escolher o que ela vai levar e ler. A partir do momento em que todas as noites a maior emissora de TV da América Latina coloca no ar uma novela baseada num romance, o que isso gera no imaginário das pessoas? Claro, elas vão todas comprar, né? Então não posso dizer que a Globo não catapultou o livro, mas não posso dizer que ele não tivesse as mesmas qualidades que ele tem hoje antes da Globo se interessar por ele. Inclusive a Globo se interessou por ter visto determinadas qualidades no livro.
CORREIO Você tem a preocupação em escrever de modo acessível ao leitor, de maneira a criar uma proximidade imediata?
LETÍCIA Quero contar uma história. Os instrumentos que vou utilizar para isso vou pensar na hora que for estruturar o romance. Mas quero contar uma história que as pessoas compreendam bem e não tenho nenhuma pretensão quando começo o livro a não ser contar bem essa história. Não sei até que ponto é uma qualidade ser difícil. O que importa é ter talento e estar fazendo uma coisa boa. O invólucro disso em si não significa nada. Pode significar muita coisa se tiver conteúdo.
CORREIO Bairrismo é atitude que contribui para a concentração desse consumo dos gaúchos pelos gaúchos?
LETÍCIA O Rio Grande do Sul é um estado que não se deixa filtrar muito. É uma característica e isso é bom e ruim. Nunca prestei muita atenção nisso porque não vim de um grupo muito definido, minha trajetória sempre foi muito particular. Não me considero gaúcha acima de tudo. Esse fato nunca me incomodou, nem para sair de lá nem para ficar lá. Mas existem escritores que escrevem para os gaúchos. Assim como tem gente que escreve livro de auto-ajuda, ou só para adolescentes. Se você busca isso, ótimo. Eu não busco, quero escrever para quem quiser ler uma boa história. Mas existe muita gente que quer ficar lá. Não vejo problema nenhum nisso.
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11:09 AM
by Cassiano Leonel Drum
João Paulo Do Estado de Minas
Divã
De Martha Medeiros. Editora Objetiva, 156 páginas, R$ 21,90
O romance Divã, de Martha Medeiros, pode ser considerado uma espécie de Diário de Bridget Jones para mulheres maduras. O que era um diário de adolescente escrito por uma mulher meio tola, embora bem-humorada, beirando os 30, se torna um registro de sessões de psicanálise de uma mulher de pouco mais de 40. Há o mesmo registro mulherzinha nos dois casos, o interesse em falar de coisas femininas e de crises. Mas não é apenas Mercedes (personagem de Martha Medeiros) que é mais madura que Bridget: Divã é uma novela muito mais bem acabada que o besteirol de Helen Fielding.
O livro se constrói como se fosse um cinema que registra sessões de análise. Há um tom teatral, de monólogo construído pelas falas elaboradas com metáforas astutas (embora coloquiais) da personagem. O psicanalista, Lopes, não fala nada, como todos os psicanalistas. Mesmo suas perguntas, sugeridas nos solilóquios de Mercedes, apenas pontuam os assuntos. É pelo discurso da autora, uma fala que vai ganhando sentido com o tempo, que ficamos sabendo de sua família, de seu casamento morno, de sua sexualidade, da criação de seus filhos, das amizades, dos dilemas e sofrimentos.
Pela boca de Mercedes acompanhamos como uma mulher de sua faixa etária vivencia crises de casamento, profissão, perda de amigas, namoro dos filhos. Ela é uma mulher inteligente, incapaz de aceitar o destino de forma passiva. Tem o vezo de refletir sobre tudo ¿ principalmente sobre si mesma , algo que vai se aprimorando ao longo do livro/análise. Tudo parece encaminhar para a alta da analisanda, e mesmo os momentos que doem mais a pegam quando sua estrutura está mais fortalecida. Ela não termina o livro mais feliz: está sem a melhor amiga, sem o marido, sem namorado. Mas está mais completa. Pode ser esta a lição.
O livro é um retrato de alma, bem feito, equilibrado, de bom gosto. Mas a forma escolhida, ainda que interessante (o livro se lê com sofreguidão e simpatia) padece de um certo artificialismo. O discurso da personagem, que aparece como flagrado in nascendi, numa primeira pessoa confessional, é elaborado demais, literário demais para este propósito, o que denuncia a máquina por trás da expressão. Não gosto de nada que é raso, de água pela canela. Ou eu mergulho até encontrar o reino submerso de Atlântida, ou fico à margem, espiando de fora. Não consigo gostar mais ou menos das pessoas e não quero condescendência comigo também. Pareço transparente e azul, mas é tudo anilina, sou uma praia de cartão-postal. Passagens como essa nunca brotariam assim num divã. Aliás, são exatamente essas comparações inusitadas uma das graças do estilo da autora/personagem.
Simples sucesso
Autora gaúcha, que escreve em jornais do Sul do país colunas que, de alguma forma, se comunicam com pessoas que poderiam ser amigas de Mercedes, Martha Medeiros tem 11 títulos publicados e já vendeu mais de 50 mil livros. Entre eles estão Strip-tease, de poemas; Meia-Noite e Um Quarto, poemas; Geração Bivolt, crônicas; Topless, crônicas (18 mil exemplares vendidos, incluindo versão pocket, segundo a editora L&PM); Trem-Bala, crônicas (30 mil exemplares comercializados); e Non-stop, crônicas do cotidiano. Como se vê, pela quantidade e variedade de formas, Martha escreve muito e para ser entendida. E o que é melhor: tem o que dizer.
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11:04 AM
by Cassiano Leonel Drum
O escritor e o tempo
Ligia Cademartori
Especial para o Correio
Divulgação
Erico Verissimo
ERICO VERISSIMO reeditado
Caminhos cruzados
288 páginas, R$ 35,00
O continente
(volume 1)
379 páginas, R$ 45,00
(volume 2)
385 páginas, R$ 45,00
Música ao longe
222 páginas, R$ 28,00
Publicados pela editora Globo.
Era eu obrigado a trabalhar cerca de doze horas por dia para fazer face às crescentes despesas mensais. Não deixava de ser-me penoso passar quase toda a semana a recalcar o desejo de escrever minhas próprias histórias para traduzir as alheias ou rabiscar de alma profana legendas para as gravuras da Revista do Globo. A declaração é de Erico Verissimo no prefácio de Caminhos Cruzados, obra de 1935.
Funcionário do departamento editorial da Livraria do Globo, que daria origem à Editora Globo, então sediada em Porto Alegre, aquele que seria um dos mais populares escritores brasileiros em sua época (1905-1975) e ainda hoje construiu vasta obra ficcional nos fins de semana e no que chamava de aparas do tempo.
Mas a produção, sabe-se, é apenas a primeira parte das dificuldades de um escritor. Em período de nossa história da leitura em que escritores não dispunham da exposição na mídia para se tornarem conhecidos, e no qual a aliança entre indústria editorial e sistema de ensino não tinha se solidificado, Erico Verissimo se tornou, a partir de 1938, um grande sucesso literário com a publicação de Olhai os lírios do campo. Era lido não só pela parcela do público atenta às expressões da literatura, mas por quem quer que fosse capaz de mergulhar nessas formas de indagação e investigação existencial que são os romances.
Pais e professores, no entanto, não recomendavam o autor aos jovens. Consideravam-no moralmente inadequado. Porém, em época de repressão sexual, a restrição o disseminou entre os estudantes de modo mais eficaz do que lograria qualquer campanha publicitária.
Erico tampouco era filiado a partido político a que, por meio das obras, pudesse servir como propagandista e de que, como contrapartida, pudesse receber simpatia e promoção. Portanto, não contou com a mídia, nem com o sistema escolar, nem com o bafejo político, tamborete de três pés às vezes, plataforma capaz de elevar o escritor do raso. E, no entanto, além da crítica especializada, que o aplaudiu, e da legitimação pelos pares, que a ele atribuíram vários prêmios Jabuti (1966), Juca Pato (1967) PEN Club (1972), entre muitos outros Erico, que teve seus títulos traduzidos para várias línguas, conquistou, no Brasil, um público fiel que acompanhou sua carreira literária e o consagrou. Realizou o que pretendia: viver das letras.
Exigência
Ele constitui fenômeno de recepção que poucos ficcionistas desfrutam, peculiaridade que muito deve à atitude que manteve em relação ao próprio trabalho. Em permanente autocrítica, levava ao público balanço dos erros e acertos de sua prática ficcional. Severo, jamais um crítico o superou na rigidez da análise de suas obras.
Diz das personagens de Caminhos cruzados: Creio que têm a força e ao mesmo tempo a fraqueza da caricatura, e conclui a avaliação atribuindo-se o cometimento de pecados de simplificação, dos quais, entretanto, não me arrependo. Música ao longe, também de 1935, recebe a seguinte apreciação de seu autor: Continuam as personagens lineares, as soluções fáceis, tanto no domínio da linguagem como no da técnica e da psicologia.
A requintada elaboração por que ansiava, e que o rigor da autocrítica traduz, ele alcançaria em O tempo e o vento, trilogia cujo primeiro volume, O Continente, foi publicado em 1949 e comparado por Antonio Candido a Nostromo de Joseph Conrad. O retrato, o segundo, foi editado em 1951. O terceiro volume, O arquipélago, só veio a público em 1963.
O conjunto da obra de Erico Verisimo começou a ser relançado, no ano passado, com base em texto fixado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) a partir de edição princeps, programação que deve se completar em 2005, ano do centenário do autor.
A leitura dos primeiros romances de Verisimo, com temática urbana, e dos dois volumes de O Continente faz surgir uma questão. Quem são os novos romancistas brasileiros cujos livros são lidos por parcela tão significativa de público que justifique considerá-los ficcionistas populares?
Difícil encontrar nomes que respondam a essa questão. Pode-se argumentar que, nestes dias, os livros enfrentam competidores eletrônicos poderosos. É verdade, mas isso não impede, como comprovam as listas de mais vendidos, a adesão do público a outros gêneros. Além do óbvio exemplo dos livros de auto-ajuda, as antologias, as versões autorais da história do Brasil e também as crônicas reunidas de outro Verissimo Luis Fernando, o filho de Erico apontam para outra tendência do público, na preferência de gênero de leitura, mais do que indicam retração ao livro como suporte.
Carência
Independente das qualidades narrativas de certas obras ficcionais contemporâneas, elas provocam no leitor empatia pouca ou episódica. A questão está aberta a especulações. Mas algumas características dos romances recentes empolgam mais a crítica, que nelas detecta particularidades do homem contemporâneo, do que o público leitor. As baixas tiragens e os encalhes falam por si.
A indefinição e a falta de direcionamento das personagens contemporâneas, além do desligamento espacial, traços do romance das últimas décadas, são o que mais distingue a ficção atual da que era produzida na geração de Erico Verissimo, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Dyonélio Machado, José Lins do Rego. Esses autores compuseram mundos em que homem e ambiente eram indissociáveis e onde o narrador detinha um suposto saber que ordenava fatos, insinuava sentidos e previa conseqüências. Ofereciam, portanto, um solo firme para que o leitor trilhasse. O desenraizamento das personagens atuais, a diluição do espaço, o assumido exercício de incerteza do narrador não atraem do mesmo modo o chamado leitor médio.
Pode-se tentar explicar a grande receptividade da obra de Erico Verissimo pela propriedade de contar com elementos básicos para a aceitação por parte de um leitor pouco sofisticado e, ao mesmo tempo, assegurar características capazes de agradar ao leitor mais exigente. Assim, trata-se de obra que conta com suportes da literatura culta e beneficia-se com a difusão pelos canais da cultura de massa. Convém lembrar que a trilogia O tempo e o vento recebeu adaptação televisiva por Doc Comparato, em 1985, e alcançou tal sucesso de público que sinalizou novos caminhos para a teledramaturgia brasileira, ao mesmo tempo em que divulgou a obra do escritor por novos segmentos de público.
Entre os fatores que asseguram a recepção da literatura de Erico Verissimo pelo grande público encontra-se, sem dúvida, o recurso a uma solução comunicacional simples. Escreveu sem audácias estilísticas ou malabarismos de trama. A estrutura do enredo é clássica: início, tensão, clímax, desfecho. Maria da Glória Bordini cita, em Criação literária em Erico Veríssimo, anotação do autor que diz: Que tolo orgulho é esse de querer ser hermético, hierático, inacessível às gentes vulgares! Citam Joyce! Está bem, é um gênio, uma exceção. Mas ele cria problemas. Enigmas. Não me parece que seja essa a finalidade da literatura.A afirmação é muito controversa, mas esclarece o tipo de autor que Erico escolheu ser e diz muito sobre as razões de sua popularidade.
A fartura de diálogos é elemento que facilita a leitura de seus romances e o acompanhamento da seqüência narrativa. De estilo ágil, o uso do contraponto, tão seu característico, permite que num mesmo fluxo de tempo cruzem-se diferentes histórias.
Na grandiosa obra O tempo e o vento, o relato épico retoma uma tradição narrativa cuja origem pode ser encontrada no século XIV europeu. De caráter fundador, manifesta um sonho heróico e constrói de modo próprio um gênese: a origem de uma região e de uma cultura por meio de relatos que dão conta dos percursos e percalços de gerações sucessivas. Para isso, recorre a inúmeros eventos históricos e políticos que conferem à narrativa caráter de documento. No encadeamento, produz-se um sentido tanto de formação quanto de totalidade.
Trata-se de obra globalizante e centrada, que denuncia as arbitrariedades e contradições da engrenagem social e é perpassada por projeto social progressista, baseado em valores como justiça e liberdade.
É inegável o apelo que exerce sobre o amplo público essa ficção que, à sua maneira, patenteia um mundo em que os vínculos orgânicos entre os indivíduos são conflituosos, mas não são precários, e onde a proposta de ordem prevalece sobre a dispersão.
Ligia Cademartori é doutora em Teoria Literária.
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8:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
Bom nós já falamos aqui uma série de vezes sobre a divulgação desses balanços com esses lucros astronômicos e a população cada vez mais pobre e menos assistida, vez que submete-se a ficar, não raro mais de uma hora esperando para ser atendida ou arrisca-se a manusear terminais eletrônicos nem sempre familiares e amigáveis.
Empresas
Lucro do Banrisul supera R$ 100 milhões
O Banrisul divulga hoje os resultados de 2002, que segundo a assessoria de imprensa da instituição devem ser superiores a R$ 100 milhões. A intenção do presidente do Banrisul, Túlio Zamin, era encerrar a gestão com lucros na casa dos três dígitos. Essa expectativa, conforme a assessoria, foi ultrapassada com folga. Ao anunciar os resultados do ano passado, Zamin também faz hoje um balanço dos últimos quatro anos de administração do Banrisul. Foram quatro anos de lucros consecutivos, depois do saneamento promovido no governo anterior. No ano passado, o crescimento do resultado em 14,5% em relação a 2001 foi atribuído por Zamin ao aumento das operações de crédito, da captação de recursos e das receitas com prestação de serviços. Uma das marcas da administração nos últimos anos foi um esforço pelo aumento da "bancarização" - inclusão de pessoas sem conta entre os clientes. A previsão para 2002 era de um aumento de 10% no número de clientes.
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8:27 AM
by Cassiano Leonel Drum
Morre-se bem mais pessoas nos fins de semana no trânsito aqui que na guerra de décadas no Oriente Médio e o que se faz para acabar com esta matança aqui? Reduz-se os recursos para melhoria das rodovias e instala-se pardais para arrecadar mais multas, mas nenhuma campanha educativa, instrutiva ou coercitiva para acabar com isso.
As matanças em São Paulo continuam e a depredação contra o patrimônio no Rio é gritante, agora com a ameaça da queda do turismo no carnaval carioca, talvez façam alguma coisa temporária, e só. É isso meu nobre Sant'Ana.
Paulo Sant'ana
25/02/2003
Insurreição do tráfico
Os cariocas acordaram ontem intimidados por uma série de atentados contra ônibus e outros veículos, com grande parte do comércio cerrando suas portas, a mando dos traficantes de drogas.
Pode existir algo mais grave do que isto? Por sinal, a democracia brasileira vem sendo marcada por fatos de densa gravidade.
Quando se monta durante quase um ano, na Bahia, uma central de captação e gravação de 232 telefones, que foram grampeados inacreditavelmente por ordem da Justiça, a pretexto de solução de um seqüestro, mas que tinham o fim de bisbilhotar a vida de congressistas e de ex-namorada de um senador, ergue-se assim um poder paralelo ameaçador da ordem institucional.
O governo anterior da Bahia foi o patrocinador desse monstrengo eletrônico invasor da intimidade das pessoas, com fins que vão da espionagem até a chantagem.
E no meio desse imbróglio correm soltos os boatos sobre o que pretende o governo federal na reforma da Previdência.
Para surpresa geral, o presidente Lula se juntou à série de ameaças alarmistas sobre como será a reforma, declarando incrivelmente na semana passada o seguinte: "Se for preciso, jogarei a opinião pública contra os funcionários públicos''.
Ora, a opinião pública já foi jogada há muito tempo contra os funcionários públicos, que se tornaram os vilões da previdência e culpados de todos os males, até da anunciada falência do setor.
Mas o presidente declarar isso é grave, Lula deve ter-se arrependido dessa demasia. Ao presidente deve ser reservada a isenção, a chamada suprema magistratura. Ele declarar publicamente que toma partido contra determinada categoria às vésperas de uma reforma previdenciária é de uma inabilidade passional gritante, descabida ao seu cargo.
Agora o mais grave: às vésperas do Carnaval, são incendiados e metralhados ônibus lotados de passageiros no Rio de Janeiro. Foram usadas bombas caseiras para os atentados, que atingiram outros veículos. Feridos, comerciantes e população carioca assaltados pelo medo, agências turísticas alarmadas com a desistência das viagens de turistas para o Carnaval.
É mais perigoso hoje viajar ao Rio de Janeiro ou a Israel? Em Israel, em face do conflito com os palestinos, o fluxo turístico diminuiu em 80%.
Ou seja, os traficantes erigem-se em autoridades que controlam uma cidade inteira, cativa deles, tanto no turismo quanto no comércio, o que quer dizer cabalmente que se tornaram um poder paralelo que exige liberdade ou mordomia nos presídios para seus integrantes.
Pode existir maior gravidade que esta? Os presídios estão superlotados e arrebentariam se todos os delinqüentes fossem presos. O Presídio Central de Porto Alegre está hoje com 2,4 mil habitantes, seis vezes mais que sua capacidade habitual, o que o transforma num barril de pólvora. E todos os dias a polícia recolhe para lá dezenas de novos detentos, colhidos na malha da apavorante demanda criminal.
E se o poder sobre a vida e o funcionamento das cidades é dividido agora sem mesuras entre os palácios governamentais e os líderes de facções que estão atrás das grades, é porque já viramos uma Colômbia.
Os brasileiros já se sentem há tempos aterrorizados com o avanço da criminalidade. Só faltava agora esta: ficam tomados do terror de que serão em breve, se já não estão, governados pelos criminosos.
Esta é a pior e mais horrenda de todas as ameaças. Já nem mais é ameaça. É, pelo crescimento irrefreável do tráfico de drogas, uma horripilante realidade.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:16 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ai está a pergunta que não quer calar. Por que os basileiros que vão servir de escudo no Iraque, não servem de escudo nas favelas do Rio? Porque, olhando as cenas de violência no Rio, uma pergunta inquietante nos ocorre: qual a diferença entre a violência do banditismo e a violência do terrorismo?
Moacyr Scliar
25/02/2003
A falência da lógica
A França foi a pátria de René Descartes, o filósofo criador da lógica cartesiana - um simples e direto raciocínio, que partindo de premissas óbvias ("penso") procura chegar a conclusões adequadas ("logo existo"). Mas quem olha a maré de francofobia atualmente em curso nos Estados Unidos desespera de encontrar qualquer lógica nestes dias tumultuados.
A hostilidade começa com piadas (Pergunta: O que são 100 mil homens com as mãos para o alto? Resposta: O exército francês), passa por evocações do passado ("Nós defendemos vocês durante a II Guerra") e chega ao tradicional boicote: de produtos, como o vinho Beaujolais, a água mineral Pérrier, os croissants - o pessoal do Pão&Fiambres, que faz um excelente croissant, deve estar aborrecido. Não se pode mais usar expressões em francês ou que lembrem os franceses, se bem que, numa especial concessão, o "french kiss", beijo na boca, tenha sido mantido. E, talvez por coincidência, o filme de Spielberg Prenda-me se for capaz, com Leonardo DiCaprio, dá uma imagem patética da polícia e de uma prisão na França.
A bem da verdade, deve-se dizer que a França também passou por sua fase de americanofobia. Quando o inglês começou a deslocar o francês como idioma internacional, surgiu uma onda contra o "franglais", a mistura de francês com inglês (no Brasil tivemos algo parecido). Houve manifestações contra o McDonald's - sim, Bové teve precursores. E seguidores: agora mesmo, na Internet, há uma campanha para o boicote - do quê? Do McDonald's, claro. E não é por causa do excesso de calorias e gordura. É a marca.
Mas enquanto se tratava de discutir questões de idioma e de culinária ainda estávamos num terreno relativamente isento de perigos. Agora, não. Agora trata-se de guerra, e Jacques Chirac está na capa da Time como um alvo preferencial das críticas de amplos setores da opinião pública norte-americana. No entanto, o que ele diz está respaldado na lógica cartesiana. Se mandamos inspetores para o Iraque, vamos acreditar no trabalho deles.
Mas, se vai haver guerra de qualquer jeito, por que então foram mandados os inspetores? Pode-se alegar interesses franceses ocultos nesta argumentação: o petróleo, a indústria bélica - afinal, foi a França que vendeu ao Iraque um reator nuclear. Mas, convenhamos, a discussão ficaria muito mais objetiva se se ativesse às evidências materiais e não às suposições. Pelo menos seria mais lógica. Se bem que, para desgosto de Descartes, a lógica no Oriente Médio está a perigo há muito tempo.
Olhando as cenas de violência no Rio, uma pergunta inquietante nos ocorre: qual a diferença entre a violência do banditismo e a violência do terrorismo?
Fica a pergunta para reflexão.
scliar@zerohora.com.br
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8:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nós falamos há dias atrás sobre Vina e Valparaiso, ali no Pacifico, logo depois da cordilheira dos Andes. Quem sabe o carnaval não é um ótimo período para dar uma esticadinha até ali. E o caderno de Turismo da ZH de hoje trás ótimos pacotes para tal..
Liberato Vieira da Cunha
25/02/2003
Ao Sul do Pacífico
Decido conferir no dia seguinte, mas infelizmente, segundo eu desconfiava e aqui atesto, não se enxerga sinal de Hiva-Oa de nenhum ponto da costa do Chile, de jeito que resolvo adiar um sonho de menino: ir a nado até lá. Há contudo outras visões que compensam a seu modo essa ausência. O Pacífico, observado do sexto andar de La Sebastiana, a casa-nau de Pablo Neruda em Valparaíso, é, num momento, um infinito oceano interior.
Compõe-se de poemas do próprio mago de Isla Negra, de contos de Somerset Maugham, agora tardiamente redescobertos pela melhor crítica européia, de cenas de um romance de Michener e do filme que extraíram dele, com direito à esplêndida trilha sonora de Rogers & Hammerstein.
Mas há também um oceano exterior, o que Gauguin pintaria de púrpura, o que me parece moldado em todos os tons que se contêm nos adereços de lápis-lazúli, como o colar que adorna esta belíssima turista inglesa de Leeds, que a todo instante me suplica exata tradução do que falou o guia.
O guia tritura Shakespeare e Camões, mas dá para entender que Valparaíso é a sede do Legislativo e o maior porto do Chile. Aqueles enormes navios de guerra, que enfeiam a paisagem da baía, foram presentes de dona Margaret Thatcher a seu dileto amigo, o general Pinochet, depois da vitória nas Malvinas, não se sabe em troca de que obscuros favores do ditador. Viña, quase ao lado, já foi, como o nome explica, um grande vinhedo.
Mas um certo don José Francisco Vergara, tendo casado com a herdeira dos parreirais, loteou, no século 19, cada palmo de terreno para milionários de Valparaíso, Santiago, Concepción, que ali ergueram dezenas de mansões. Algumas delas ainda resistem, apesar do avanço dos condomínios de luxo, surrealmente sitiados pela água salgada e gélida da praia fashion, Reñaca.
Nada disso me atrai mais do que uma alta, solitária estátua de pedra, um dos moais da Ilha de Páscoa. Pois nela se encerra o mistério de uma legendária, extinta civilização polinésia. Perco-me de mim contemplando-a, assim como quem flerta com a agonia e o êxtase da vasta, errante caminhada da humanidade sobre a Terra.
liberato.vieira@zerohora.com.br
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8:04 AM
by Cassiano Leonel Drum
A verdade é que o amor não é cego, nem imotivado, pois terminamos enxergando o que a outra pessoa é, como ela encara a vida, como goza suas delícias e enfrenta as adversidades, como pensa o mundo, a política e até a guerra, como reage às auroras e aos crepúsculos; é com base nisso tudo que autorizamos Cupido a disparar sua seta a cada nova manhã.
Cláudio Moreno
25/02/2003
O amor não é cego
A arte dos antigos, baseada em outra arte maior que convencionamos chamar de "mitologia", cristalizou cenas e figuras que passaram a fazer parte da imaginação de todos os ocidentais. Certas alegorias são completos tratados visuais, em que os detalhes exprimem a própria essência da coisa representada. Por que a Justiça é vista como uma mulher de olhos vendados, com uma balança na mão esquerda e uma espada em sua direita? A explicação que dermos para cada um desses itens (mulher, olhos vendados, espada e balança) vai constituir uma verdadeira teoria da Justiça e do Direito.
A representação do deus do amor, contudo, sofreu uma curiosa alteração, ao passar da Grécia para Roma: o sedutor Eros, temido até pelos deuses, pintado como um belo jovem, esguio e atlético, dotado de fortes asas, foi se infantilizando pouco a pouco, chegando a Roma já transformado na figurinha de Cupido, um menininho gorducho, muito parecido com os anjinhos que voam como beija-flores nos jardins do Paraíso. Mesmo assim, Francis Bacon, o humanista e filósofo inglês a quem chegaram a atribuir a autoria das peças de Shakespeare, considerava muito adequada essa nova imagem do Amor, pois o essencial continuava lá: o arco e flechas, as asinhas e os olhos vendados.
As flechas, para nos lembrar que ele fere de súbito, sem avisar, enchendo-nos com aquela suave dor que todo enamorado conhece; as asas, para mostrar o quão rápido ele se move, e quão mutável e inconstante ele pode ser; os olhos vendados, enfim, para representar a cegueira que nos aflige no momento em que por ele somos tocados: não vemos mais nada e, quando vemos, não queremos enxergar. Além disso, a mudança para um menino teria a vantagem de nos lembrar que todo apaixonado é infantil, disposto a balbuciar frases e palavras que soam ridículas para os que estão de fora.
Ora, reduzir o amor a essa flecha misteriosa que atravessa, ao mesmo tempo, o meu e o coração de alguém, deixando dois cegos unidos por uma seta do acaso, como aqueles corações gravados nas árvores da praça; dizer que ninguém pode entendê-lo ou explicá-lo, e que, pior ainda, assim como ele veio do nada, pode desaparecer numa manhã qualquer, é simplificar a alegoria e empobrecer o sentimento.
A verdade é que o amor não é cego, nem imotivado, pois terminamos enxergando o que a outra pessoa é, como ela encara a vida, como goza suas delícias e enfrenta as adversidades, como pensa o mundo, a política e até a guerra, como reage às auroras e aos crepúsculos; é com base nisso tudo que autorizamos Cupido a disparar sua seta a cada nova manhã.
claudio.moreno@zerohora.com.br
Posted
7:59 AM
by Cassiano Leonel Drum
Violência
Terror e pânico no Rio
Narcotraficantes espalharam pânico ontem no Rio, quando pelo menos 24 ônibus, oito carros e um caminhão foram incendiados. Três bombas de fabricação caseira explodiram na elegante Avenida Vieira Souto, em Ipanema, deixando prejuízos em três prédios (foto AP/ZH)
Segunda-feira, Fevereiro 24, 2003
Posted
6:07 PM
by Cassiano Leonel Drum
Bom parece que está tudo regularizado, estou aqui com vocês como das outras vezes, postando sem nenhum problema nem da Brasiltelecom, nem do Terra e nem do Blogger. Assim é que espera-se aconteça sempre. Mas às vezes, não acontece e dai até você descobrir qual o elo nesta cadeia que não está interligando é complicado e exige um saco de paciência. Mas põe sacoooooo nisso.
É Loucura
Odiar todas as rosas
Porque uma te espetou...
Entregar todos os teus sonhos
Porque um deles não se realizou
Perder a fé em todas as orações
Porque numa não foste atendido
Desistir de todos os esforços
Porque um deles fracassou
Condenar todas as amizades
Porque uma te traiu...
Descrer de todo amor
Porque um deles te foi infiel.
Jogar fora todas as chances de ser feliz
Porque uma tentativa não deu certo.
Espero que na tua caminhada
Não cometa estas loucur as
Lembrando que sempre
Há uma outra chance...
Uma outra amizade
Um outro amor
Uma nova força
É só ser perseverante e
Procurar ser mais feliz a cada dia
A glória não consiste em
Jamais cair, mas sim de
Erguer-se toda vez que for necessário
J.C.Orbatiuck
Posted
6:04 PM
by Cassiano Leonel Drum
O SEU REFLEXO
Por onde você passa você deixa uma marca, uma impressão.
Mesmo aquelas pessoas que se consideram insignificantes e aquelas que estão pra baixo, deixam o rastro de suas energias e essa "energia", essa impressão é o que atrai as coisas boas ou ruins para a vida.
Então, você sofre uma decepção qualquer e começa a se sentir meio para baixo e sai na rua de cara "amarrada", de rosto regado de "dor", exibindo para o mundo que você não esta bem e onde você passa vai deixando a marca, a energia de quem não esta em e como somos verdadeiros imãs você vai passando e levando tudo que é energia igual a sua ou pior.
Você vira o "caminhão do lixo" e recolhe tudo o que não presta. Talvez você não acredite nisso, mas se você já passou por um momento ruim na vida sabe que quanto mais a gente sofre e reclama, mais afunda na lama. Fala a verdade; se você esta triste,
esta chorando pelos cantos e querendo que o mundo acabe em barranco para você morrer encostado, não parece que só chega notícia ruim?
Esse negócio de "carregador de energias negativas" é tão real que estamos cheios de ouvir essas frases:
"Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece" e outras maravilhas que indicam que quando as coisas ruins começam vem uma atrás da outra.
O segredo está em perceber que a tristeza, a coisa ruim ta chegando e se livrar dela o mais rápido possível usando o seu lado racional, ou seja, usando o cérebro, amando-se, e já sabendo que se você não brecar essa dor, esse momento triste, você vai piorar, piorar e piorar ainda mais.
É como um ferimento que dói para caramba, se você tratar com os remédios certos, o ferimento cicatriza e você esquece,
se você ficar mostrando para todo mundo e não tratar, ele infecciona, você piora e ele te mata.
Não seja um "carregador de energias negativas", não leve as coisas ruins dos outros para a sua vida, pense positivo, seja positivo.
Acredite que uma Força Maior esta ao seu lado e que você sempre terá duas opções no mínimo.
Não se feche no seu problema, divida-o, se precisar chame ajuda, mas não desista de lutar. Fale bem da vida para ela falar bem de você! Seja INTELIGENTE, viver bem é uma questão de inteligência.
Desconheço Autoria
Recebido do J.C. Orbatiuck
Posted
5:54 PM
by Cassiano Leonel Drum
Arnaldo Jabor
Terça-feira, 18 de fevereiro de 2003
Os cavaleiros do Apocalipse já estão galopando
O sonho acabou. Adeus às ilusões. "Goodbye" globalização, esperança liberal, abertura de mercados, razão ocidental e utopias tecnológicas. O mundo vai mudar muito. Já estão aí os quatro cavaleiros do Apocalipse, com suas bestas galopando para o Juízo Final: Osama, Saddam, Kim Jong II e, claro, Bush.
Parece misticismo, loucura holística, mas eu estava nos USA quando senti que a barra ia pesar. Foi quando aconteceu aquela "comidinha" noturna de Clinton na Monica Lewinsky.
Senti um arrepio quando vi que o presidente dos anos 60, o "babyboomer" que ria e seduzia o mundo, tinha pisado na bola.
E aí começou a vingança da direita cristã republicana, os horrendos seres góticos que são a banda podre dos USA e que, desde 91, tinham planos imperiais e ficaram desesperados quando o Clinton expeliu papai Bush do poder.
Tudo começou com o espantoso ataque de Kenneth Starr, o procurador de enrustida sexualidade que dedicou sua vida a destruir Clinton, o "pecador" amante de Monica, filha de republicanos que morava no edifício Watergate, com sua "caixinha" de Pandora, de onde começaram a surgir os males do mundo atual, como uma ejaculação maldita. A sexualidade foi o ponto de partida.
Depois, tivemos a fraude eleitoral e em seguida, o 11 de setembro, legitimando tudo. E agora temos essa guerra anunciada, que vai se passar exatamente entre os rios Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia, onde nasceu a civilização há 8 mil anos. Será que vamos morrer onde nascemos? Pois, trata-se de uma batalha entre dois deuses: fanáticos do Alcorão contra fanáticos da Bíblia, os dois lados possuídos de raios e relâmpagos e adoradores da morte, da castidade e da ausência de prazer. Bush reza com assessores antes de despachar, como o Osama no deserto que, alias, é uma espécie de aliado do Bush.
Osama criou Bush, estimulou-o, foi o Viagra que o tornou potente, fez dele um lugar-tenente para destruir tudo que o Ocidente criou no século 20, tudo que aprendemos na luta contra o nazi-fascismo, contra o stalinismo, tudo que foi conquista democrática, valores ecológicos, sexuais, raciais. Osama talvez seja o maior estrategista da História: sozinho, desestabilizou o planeta, usando as armas do inimigo e fazendo seu líder obedecê-lo como um robô idiota e desengonçado. Há algo de conjunção astral maligna, algo que talvez se tenha sentido nos anos 30, quando Hitler crescia.
Osama fez o inconsciente bárbaro irromper de novo entre nós. A partir de agora, sob o comando de Bush, só vamos errar. Há períodos históricos em que parecemos precisar da morte. Surge uma fome de irracionalismo, como que uma libertação burra e animal dos freios da civilização. É como se o Bush e sua turma apavorante dissessem: "Chega de frescuras de democracia, tolerância, bom senso europeu, cultura, arte... Chega de viadagens! Vamos botar pra quebrar!"
Goya fez gravuras de guerra com o nome: "Tristes pressentimentos do que há de acontecer." Na minha mediocridade, também arrisco profecias:
Acho que nosso futuro vai ser um passado. O futuro para o Bush é o passado:
"Gimme that old time religion!", como cantam os fanáticos. Bush é a vitória de Forrest Gump, a vitória do estudante fracassado, coisa de que ele se vangloria. Bush vai dividir a Europa e a Otan. Bush odeia a inteligência e só valoriza a força militar. "Dane-se o saber e a tradição dos europeus:
quantas divisões eles têm?" - parece perguntar, com sua boquinha de desprezo por todos nós.
Bush vai desmoralizar a ONU, esse "antro" de democracia, onde todos os países seriam "iguais". Bush tem o entusiasmo funéreo do paranóico no poder.
Quanto mais for odiado, mais se sentirá certo. Bush não confia a longo prazo na Arábia Saudita; quer se instalar para sempre sobre o mar negro de petróleo e controlar o Oriente de dentro. Isso provocará um estado de guerra permanente, pois sabemos da obstinação islâmica para a vingança fria.
Nascerão exércitos de novos homens-bomba. Milhares de atentados acontecerão.
Aumentará muito mais a insegurança da América e da Europa.
Meu pavor maior é que haja o surgimento de uma "cultura da morte", uma cultura de eterna paranóia que justifique uma fascistização institucionalizada nos USA. Tenho muito medo que Bush consiga neutralizar e paralisar para sempre a reação dos democratas americanos, que ele consiga estruturar uma cultura bélica e estúpida, uma cultura do medo, que será sempre re-alimentada por filhos e netos de Osamas e Saddans... para sempre.
O grande perigo é nascer uma cultura tecnológica, fria e puritana, "científica" e cristã, pragmática e mística, com um fundamentalismo que acabe de vez com a odiosa "complexidade" democrática da "boa" América.
E tem mais: Bush ou um de seus filhos de guerra, um dia, ainda vai realizar o desejo da bomba nuclear, nem que seja apenas contra algum país "patife". O grande desejo da cultura da morte é a raspagem, a limpeza higiênica dos detergentes. Bush vai lavar mais branco, como Truman fez em 45 em Hiroshima.
Bush vai instalar no mundo a cultura da guerra, do puro poder das armas. Já está se preparando para seus novos inimigos, esses sim, muito mais perigosos que terroristas barbudos. Bush já vai titilar a China para o grande duelo que um dia virá. Bush vai inaugurar uma política comercial com força militar.
Mercado e porrada. Quer acabar com os poderes nacionais e instalar uma grande economia sem sociedades, como reza sua cartilha, o MAI, o acordo multilateral que querem enfiar em todos, para que investimentos americanos sejam intocáveis pelos poderes políticos dos Estados-nação. A Alca é um trailer disso. Bush não é "isolacionista"; é um intervencionista da velha tradição americana de antes da Primeira Guerra; na América Latina, vai penetrar com seu "big stick" via Colômbia. No Brasil, só nos resta reunir mantimentos psicológicos e políticos para resistir. Contra o Deus de Osama e o Deus de Bush, só nos resta o Deus brasileiro. Amém.
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5:50 PM
by Cassiano Leonel Drum
Joelmir Beting
Domingo, 23 de fevereiro de 2003
A lógica do arrocho
"A História diz que os governos nunca aprendem.Só os governantes - quando deixam o governo."
(Milton Friedman, Prêmio Nobel de Economia)
Afinal, a quem interessa juros no alto e em alta? Ao setor público descapitalizado e endividado, com papagaios de R$ 636 bilhões empinados no tal de "mercado"? Não. Sem contar o desgaste político precoce de um governo de perfil salvacionista que se deixa enredar com pajelanças monetaristas de matriz acadêmica, pero anacrônica.
A popularidade interna e a credibilidade externa do governo Lula fazem um capital político tão precioso quanto volátil. A recarga do arrocho monetário made in Copom do Bacen aumenta a aflição dos aflitos - os 175 milhões de brasileiros direta ou indiretamente abalroados por ela. Entre os quais, os 53 milhões de eleitores que colocaram todas as fichas de uma vida melhor no mudancismo petista.
Ocorre que, se esse novo torniquete nas cervicais de um mercado interno já patogenicamente arrochado tem massa crítica para erodir a popularidade interna, nada tem de predador para a credibilidade externa. Por uma simples e triste razão: a avaliação lá fora no novo Brasil de Lula, a que interessa ao Banco Central ou à Granja do Torto, não é a da mídia ou a da opinião pública. É a da banca internacional enrustida. Que tem como auditor ou avalista das coisas do Brasil a ortodoxia doutrinária do FMI & Cia.
Banca internacional e respectiva versão nacional. Os bancos brasileiros aprenderam a ganhar dinheiro, muito dinheiro, com inflação, com deflação, com indexação, com desindexação, com expansão, com recessão, com crédito curto, com crédito solto, com Sarney, com Collor, com Itamar, com FHC, com Lula lá... tanto faz.
A lógica bancária made in Brasil capinanceiro é meridiana: se não dá para ganhar menos sobre cada vez mais, que se fature mais sobre cada vez menos. Ganha-se com sobras na unidade do crédito o que se deixa de ganhar no volume do próprio. E o calote? Se o risco é 10, cobra-se do mutuário honesto e pontual um prêmio 12, um prêmio 15, um prêmio 18. Ou seja: também o calote dá dinheiro.
Que o diga o "spread" bancário aí pela média de 37% nas pessoas jurídicas e de 53% nas pessoas físicas (ou cívicas). Grosso modo, "spread" é a distância que separa o que o banco paga ao poupador numa ponta e o que cobra do tomador na outra. Sem contar o repasse a custo quase zero dos depósitos à vista não remunerados. Ou melhor: do que sobra desses ativos pós recolhimento compulsório agora levantado para 60% e exigibilidades afins de mais 8%.
Ora, mesmo operando com menos de um quinto dos recursos totais no financiamento da produção e do consumo, os bancos brasileiros acabam de desfilar balanços anuais com retorno médio de 24,5% sobre o patrimônio. As maiores e melhores empresas do setor produtivo contentaram-se com 5,6%.
Está na cara, pois, que não interessa ao sistema financeiro, assim vitorioso, qualquer mudança nas regras desse jogo bruto. A tal ponto que os analistas a serviço desses mesmos bancos, aqui dentro e lá fora, estão aplaudindo, desde quarta-feira, a segunda pisada petista nos tubos de oxigênio da economia brasileira.
Eles festejam o novo lance de "austeridade monetária corajosa e responsável" do governo Lula e suspiram fundo: "Nem FHC teria ousado tanto. Muito menos, um governo Serra..."
SECOS & MOLHADOS
No ventre - Se é para recolocar o IPCA na jaula de um dígito anual, que se contenha a reindexação contratual das tarifas administradas pelo próprio governo. Incluídos os preços abusivamente dolarizados da energia e do petróleo-é-nosso. Ambos, com efeito multiplicador na formação de custos e preços de toda a economia.
Carrefour - Não é o arrocho monetário equivocado que pode segurar a inflação pelos chifres. É o efeito Carrefour vs. Pão de Açúcar: choques de competição (e modernização) nos terminais de consumo. Onde foi rechaçado, nos últimos 12 meses, o repasse de um IPA de 38,6% para um IPC de 13,8%.
Sinistrose - Reverter a recarga do IPCA também exige reversão da sinistrose nacional agora ampliada pelo novo sufoco financeiro da produção e do consumo. As empresas preferem ganhar menos sobre cada vez mais e não, ao contrário dos bancos, mais sobre cada vez menos.
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5:46 PM
by Cassiano Leonel Drum
Pode até ser perverso, mas o caminho é este mais gente empregada, embora os salários médios tenham se reduzido em 12,8%,
o inverso é que seria terrível, ou seja menos gente empregada ganhando mais.
Arrecadação do FGTS bate recorde
Brasília - A arrecadação líquida do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) fechou o ano passado com um novo recorde. A diferença entre as contribuições feitas ao fundo e o saque dos trabalhadores foi positiva em R$ 2,8 bilhões, o maior resultado já registrado na história do FGTS.
A alta na arrecadação confirma uma trajetória de saldos positivos que começou em 2000, com R$ 1,5 bilhão. Nos três anos anteriores, entre 1997 e 1999, a arrecadação líquida do FGTS tinha sido negativa, com os saques sempre superando os depósitos do período.
O crescimento a partir de 2000, segundo os técnicos, se deu em virtude do aumento do número de trabalhadores que passaram a contar com depósitos no FGTS. Em 2001 a arrecadação líquida foi positiva em R$ 2,3 bilhões. O resultado do ano, de R$ 2,8 bilhões, é 21,08% maior do que o verificado em 2001 em termos nominais, sendo de 5,53% o crescimento real. Em 2002 a arrecadação bruta das contribuições, ou seja, sem considerar os saques atingiu R$ 22,4 bilhões, com crescimento de 6,4% em termos nominais em relação ao ano anterior.
A retomada do crescimento do emprego formal registrada tanto pelo Ministério do Trabalho quanto pela pesquisa do IBGE foi em grande parte responsável pelo melhor desempenho do FGTS. De acordo com os técnicos, também contribuiu para o novo recorde a melhoria do processo de fiscalização e recuperação de crédito.
O dado negativo é que, apesar do crescimento do número de trabalhadores que passaram a ter conta de FGTS, houve queda no rendimento do trabalho assalariado e, portanto, queda nos recolhimentos mensais feito pelas empresas na conta vinculada dos trabalhadores no fundo. De acordo com os dados do FGTS os valores médios arrecadados no fundo em 2002 foram 12,8% inferiores aos valores arrecadados em 2001.
Vânia Cristino
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11:36 AM
by Cassiano Leonel Drum
A intimidade revelada
Wanessa Camargo conta ao pai, através de revista, que não é mais virgem. Zezé dá apoio à filha
Ele não foi o último a saber, mas quase. Foi só na tarde de sábado que Zezé Di Camargo descobriu que sua filhinha, a cantora Wanessa Camargo, é uma mulher. Wanessa, de 20 anos, disse à revista Veja desta semana que já perdeu a virgindade, mas não contou aos pais. ¿Minha mãe questionou minha virgindade quando eu tinha 15 anos e pedi para ir ao ginecologista. E eu era mesmo virgem. Desde então, nunca mais tocou no assunto. Com meu pai, jamais conversei a respeito de sexo. Ele vai ficar louco da vida quando souber que perdi minha virgindade, porque sempre me viu como a menininha do papai¿, disse à revista.
Segundo a assessoria de Zezé Di Camargo, ele leu a entrevista no sábado e garantiu que não ficou chateado. Ao contrário: o cantor sertanejo disse admirar a autenticidade e a personalidade da filha. Durante todo o dia de ontem, vários amigos, como o apresentador Luciano Huck, deram telefonemas de apoio a Wanessa.
A cantora ressaltou que é independente ¿ ¿Eu falo o que penso¿ ¿, mas reconheceu que não se sente à vontade para conversar sobre assuntos íntimos com os pais. ¿Sexo ainda é tabu lá em casa¿. Sobre comparações com Sandy, Wanessa negou semelhanças. A cantora até contou que costuma dizer à mãe, Zilu, que não é Sandy, quando ela reclama de suas saídas à noite. Wanessa também falou sobre o novo visual: ¿As pessoas me chamavam com razão de breguinha¿.
A cantora esteve no Rio até ontem de manhã para gravar o Jovens Tardes e deixou pronto o programas sobre samba, que vai ao ar no dia 9. Depois do Carnaval, volta ao estúdio para gravar o especial sobre música brega.
Mulheres começaram as mudanças
Vida sexual antes do casamento, maior número de parceiros e mais liberdade são alguns dos objetivos das moças
Paulo Gaudêncio
Não foi somente em relação à virgindade que houve uma enorme mudança nos valores sexuais. Outra alteração se deu na ligação entre impulsos afetivos e sexuais. Durante séculos, os homens foram treinados a dicotomizar os impulsos. Sua vida sexual era iniciada nos prostíbulos, aprendendo a fazer sexo com uma mulher que não poderia amar e aprendendo a amar uma mulher que deveria respeitar sexualmente. Inibia, inclusive, o desejo em relação a ela. As mulheres que deveriam, como já dissemos, casar virgens, só realizavam o ato sexual vinculado ao afetivo.
A mudança inicial de postura foi introduzida pela mulher: vida sexual pré-matrimonial, maior número de parceiro, iniciativa em relação aos contatos sexuais, mais liberdade e prazer são objetivos importantes para a mulher moderna. Como as mudanças dos valores inconscientes são mais demoradas, não sabemos ainda as conseqüências emocionais de tão grande mudança de comportamento em tão curto espaço de tempo. O que fica claro é que a exigência do amor continua sendo, mesmo com intensa mudança, uma norma social necessária. A desassociação entre sexo e afeto, feita mais facilmente entre os homens, até pelo longo treinamento de uma sociedade patriarcal e machista, deve estar com os dias contados.
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11:22 AM
by Cassiano Leonel Drum
Para uma segunda-feira assim até que não seria ruim o cantar de pássaros ao entardecer num extenso arvoredo, cortado por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. Estar em uma casa, banhada pelo sol poente, e tendo a sombra tranqüila das tardes na varanda e sua companhia de preferência. Não seria uma delícia?.
Às vezes não enxergamos o que temos, pelo simples fato de ser nosso
Um dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua: - Sr Bilac, estou precisando vender meu sítio, que o senhor tão bem conhece.
Poderia redigir um anúncio para o jornal? Olavo Bilac apanhou um papel e escreveu:
"Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranqüila das tardes na varanda".
Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio. - Nem pense mais nisso! - disse o homem. Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que eu tinha.
Muitas vezes não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos longe, atrás de miragens de falsos tesouros.
Valorize o que tens: as pessoas, a família, os amigos, os momentos...
Uma ótima semana para vocês!!!
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11:14 AM
by Cassiano Leonel Drum
É isso ai San´Ana escreveu e pronto. Há visível mau preparo tático e calamitosa alienacão do comando do vestiário para com os procedimentos disciplinares, imperando uma soberba e uma indiferença dos jogadores para com seus superiores, a quem não temem e praticamente desacatam, em face de que se atiram a toda a ordem de transgressões disciplinares, decretando as expulsões e as derrotas. Não há time, não há esquema tático porque isso depende do treinador. E lamentavelmente nós não temos treinador. Nada mais do que merecido estar na lanterna do Gauchão que convenhamos aquele timinho do Inter também está demais e aí a vantagem dos dois de Caxias que são bem superiores.
Paulo Sant'ana
24/02/2003
Nada justifica a lanterna
Os acontecimentos do jogo entre o Juventude e o Grêmio levaram a maioria das pessoas distantes da paixão a diagnosticar falta de comando no vestiário gremista.
Não há juiz parcial ou inseguro que justifique a indisciplina constante de alguns jogadores gremistas, verificada não só no jogo de anteontem como em outras partidas.
O jogo era decisivo. Era imperioso que o time tivesse sido advertido pelo treinador de que não poderia de forma alguma atritar-se com a arbitragem, mesmo que dela lhe adviessem decisões desfavoráveis, tendo em conta principalmente o que já ocorrera similarmente em outras partidas do Gauchão.
Mas o que se nota neste Grêmio treinado pelo Tite é uma autonomia emocional dos jogadores, sobre a qual não tem qualquer ascendência o treinador. Até mesmo pelas tropelias do Danrlei, sobressai a impressão de que há uma total impunidade e irresponsabilidade pelas transgressões disciplinares, não prestando os comandados qualquer respeito ao comando, que por sua parte deles nada exige ou cobra.
Quando o primeiro respeito que os jogadores devem é ao treinador, antes que ao árbitro. O jogador tem de cuidar-se para não ser expulso para atender ao interesse do clube a que serve. Quem representa o clube no trato com os jogadores em matéria disciplinar, na hora do jogo, é o treinador. Jogador expulso tem de prestar contas do seu ato lesivo ao time e ao treinador, mais tarde, depois do jogo, aos dirigentes.
Nem o treinador, principalmente, nem os dirigentes em secundário, têm mostrado qualquer reação às atitudes de agressão à disciplina verificadas no jogo contra o Caxias, no Gre-Nal e anteontem.
Por mais parciais, tendenciosas e incompetentes que possam ter sido as arbitragens nos jogos do Grêmio no Regional, em nada obscureceram as más atuacões do time.
Reclama agora o Grêmio dos árbitros, mas o que fez o time para não estar ostentando a lanterna do campeonato? Nada, não venceu sequer um dos quatro jogos que disputou, sendo que dois foram no Olímpico.
Há visível mau preparo tático e calamitosa alienacão do comando do vestiário para com os procedimentos disciplinares, imperando uma soberba e uma indiferença dos jogadores para com seus superiores, a quem não temem e praticamente desacatam, em face de que se atiram a toda a ordem de transgressões disciplinares, decretando as expulsões e as derrotas.
É evidente, como vem acontecendo há quase dois anos, que o Grêmio está dilapidando verdadeiras fortunas que a direção investe no time por errada condução do treinador.
O time mais caro, a folha de pagamento mais cara, o plantel de melhores jogadores do futebol gaúcho são desperdiçados lamentavelmente por uma orientação técnica e tática que faz do Grêmio perdedor já de inúmeros campeonatos.
Depois que foi embora o Marcelinho Paraíba, o Grêmio não ganhou mais nada, nem Gauchão. E culmina agora com este ultraje: o Grêmio está ameaçado no ano do seu Centenário não só de perder dois Regionais consecutivos como também de sequer figurar na parte mais importante do Gauchão, além de empunhar esta ultrajante lanterna.
Mas as pessoas todas, absolutamente todas, vão aos poucos se apercebendo de quanto estiveram enganadas.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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11:13 AM
by Cassiano Leonel Drum
Bom meu nobre Veríssimo e aí fazer o que? Os homens estão lá respaldados por tantos milhões de votos. Querer cassá-los seria uma afronta a todo este contingente de eleitores. Burros como chamou um dia desses Ciro Gomes a um deles ou todos soberanamente capacitados a escolher o melhor para sua região e seu País?
Luis Fernando Veríssimo
24/02/2003
São outros
A alegação do deputado Pinheiro Landim - que estava sendo processado por comércio ilegal de habeas corpus, renunciou para não ser cassado, manteve seus direitos políticos, foi reeleito e está de volta na Câmara - de que não pode mais ser processado porque seu mandato agora é outro, o que significa que para todos os efeitos legais ele também é outro, não deve ter causado muito estranheza entre os seus pares. Pelo menos não entre todos.
Com alguma adaptação, segundo a gravidade das faltas, o argumento serve para explicar a acolhida que tiveram os senadores José Roberto Arruda e ACM e o ex-senador e agora deputado Jader Barbalho, que também renunciaram para não serem cassados, na volta ao Congresso que quase os cassou. Uma acolhida que não teve nada de extraordinária - o que é extraordinário. Se não fosse o novo escândalo em que parece estar metido, o ACM teria até recebido a presidência de uma das comissões mais importantes do Legislativo, como se nada tivesse acontecido. Pois para todos os efeitos corporativos, nada realmente aconteceu.
A tolerância com os renegados reintegrados tem uma causa nobre e outra prática. É nobre a inferência que o processo democrático purifica e regenera. Os congressistas citados não apenas foram reeleitos depois do que aprontaram, foram consagradoramente reeleitos. Os eleitores ou os inocentaram ou disseram que os queriam de qualquer jeito, culpados ou não, e eles podem dizer que estão relegitimizados pelas urnas, eticamente restaurados e moralmente zerados. Ou seja, que são outros, mesmo nos casos, como o do ACM, em que todas as evidências são de que continuam os mesmos. A razão prática é que assim se evitam constrangimentos de parte a parte, dos quase cassados e dos seus pares. O que aconteceu, aconteceu em outra vida, nunca se sabe quando pode acontecer conosco também e, afinal, é impossível legislar com saia justa.
A revista americana Business Week acaba de publicar uma entrevista com uma demógrafa que fez uma estimativa, a pedido do Departamento de Comércio americano, dos civis mortos na Guerra do Golfo de 91. Segundo ela, morreram 13 mil civis iraquianos durante a guerra e mais 70 mil dos efeitos da guerra na infra-estrutura do país, não incluindo as milhares de vítimas do boicote econômico que viria depois. Na época, Dick Cheney, então secretário de Defesa, dizia que era impossível avaliar o número de civis mortos. A demógrafa foi dispensada e o seu estudo desautorizado, apesar de ser apoiado pela Associação Americana de Estatística. Está no Salon, um bom saite para se medir o que vem por aí.
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11:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
Litoral
Um domingo de surfe e sol
Depois de um sábado de sol encolhido, uma multidão foi à beira da praia no domingo para aproveitar a melhora do tempo. Em Torres, onde se realizava ontem a Taça Trópico Free Surf, as amigas Patrícia Miranda (de camisa) e Ana Carolina de Paula decidiram aproveitar para caminhar. À tarde, o movimento à beira-mar diminuiu devido ao vento que soprou mais forte (foto Emílio Pedroso/ZH)
Domingo, Fevereiro 23, 2003
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10:00 PM
by Cassiano Leonel Drum
Pode não ser o seu caso, e ai por favor pule esta entrevista. Mas é o caso de uma grande maioria da população brasileira que ainda não tem a sua casa e que ainda é dependente de aluguel. Ai interessa e muito esta entrevista de nosso Ex Governador e o atual Ministro do Ministério das Cidades.
Há muito que se fazer Ministro, mas lhe deixaram de pires na mão. Vamos ver se a criatividade surge e a fotografia de nossas cidades possa ficar um pouco mais colorida e sem essas inúmeras manchas de hoje.
ENTREVISTA/OLÍVIO DUTRA
Atenção à baixa renda
O Ministério das Cidades dará atenção especial às famílias com renda de até três salários mínimos (R$ 600), que, segundo o ministro Olívio Dutra, ficaram de fora dos programas criados pelo Governo FH. Outra prioridade é reabrir financiamento para a classe média, que está sem crédito para comprar imóveis usados desde dezembro. Hoje, quem recebe acima de R$ 4.500 pode comprar imóveis na planta pelo FAT-Habitação. Os juros são de 4% ao ano mais Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) ¿ 11%.
Segundo Olívio, os planos do Ministério das Cidades são incentivar o setor da construção civil e forçar os bancos privados a financiar moradia em escala para que haja quantidade maior de oferta com preços e taxas de juros competitivas. O ministro apóia o apelo da Caixa Econômica Federal por mais dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para financiar a compra de unidades novas, na planta e usadas.
Quando o FAT-Habitação foi lançado, R$ 1 bilhão foi reservado para garantir o acesso a moradia para as famílias que ficaram desassistidas após a suspensão do financiamento com recursos próprios da Caixa. O presidente do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), Canindé Pegado, anunciou que o aumento de 15% para 25% do dinheiro destinado ao financiamento de imóveis usados, principalmente para a classe média, pedido pela Caixa, também será analisado pelo grupo de trabalho.
O ministro defende que os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço sejam destinados à produção de moradia e saneamento básico. ¿O dinheiro do FGTS não deve ser desviado para outras coisas¿, afirma Olívio. O setor da construção civil também defende o uso do fundo para a construção de moradias, e não concorda que o dinheiro dos trabalhadores seja utilizado para a compra de ações.
Como será a regularização fundiária? Haverá algum custo para a população de baixa renda?
Vamos lançar o Manual de Regularização da Terra e da Moradia no dia 13. O guia será entregue aos prefeitos. A partir daí, haverá encontros que terão desfecho em outubro, com a Conferência Nacional de Habitação. Os custos cartoriais estão sendo negociados com as associações de cartórios para baratear as despesas. Vamos ter seminários em breve sobre regularização fundiária. O ministério pretende mapear as áreas da União para desenvolver programas de habitação de interesse social. Não vamos permitir que sejam construídas casas em áreas de risco e de preservação. A fiscalização será rígida, mas estados e municípios também terão que fazer o dever de casa. Queremos aperfeiçoar os programas que doavam material de construção, mas sem fiscalização, contribuindo para a favelização. A idéia é ter acompanhamento e orientação para o bom empreendimento. A regularização só será feita se houver urbanização, para que as famílias possam melhorar sua auto-estima.
Como o Ministério das Cidades vai retomar as terras que foram invadidas?
O ministério vai adotar medidas severas para inibir as invasões nas terras da União. Queremos fazer com que os governos estaduais e municipais também fiscalizem suas terras. Precisamos identificar quais são as áreas e fazer com que as pessoas não tomem esses lugares para construir moradias e evitar tragédias repetidas todos os anos, como os desabamentos em Petrópolis (RJ). Estamos criando o Programa de Prevenção de Área de Risco. Existem locais públicos que não têm cadastro e estão servindo para grilagem ¿ ou seja, a venda ilegal de terra ¿, além das pessoas que utilizam áreas públicas construindo condomínios de luxo fechados. Precisamos conhecer as terras da União. Por isso, a nossa parceria com a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), que é subordinada ao Ministério do Planejamento, e deve vir para cá. Mas, independentemente de estar aqui ou lá, nós já estamos trabalhando em sintonia nas questões das terras públicas. As terras devolutas ¿ que têm propriedade duvidosa ¿ também serão avaliadas. Por causa dessa falta de fiscalização, o povo é empurrado para locais de risco. Isso não tem cabimento. Podemos baratear o custo da moradia se tivemos uma política eficaz para as terras públicas. A meta é trabalhar para aproveitar todos os locais disponíveis. Mas vamos respeitar as áreas de preservação e as de risco, onde não será permitido qualquer tipo de construção.
Como funciona a comissão criada entre a Caixa Econômica e o ministério?
A comissão é para agilizar a análise dos programas de financiamento para compra da casa própria. Na quinta-feira, haverá um encontro entre a minha equipe e a do presidente da Caixa, Jorge Mattoso, para discutirmos as primeiras medidas a serem adotadas. A Caixa precisa focar quem recebe até três salários mínimos (R$ 600). Até porque, nessa faixa, existe a possibilidade de subsídio. Não é justo a classe média disputar subsídios que pertencem a famílias mais modestas.
O que o Ministério das Cidades fará para controlar as taxas de juros dos financiamentos habitacionais?
Estamos estudando a criação de uma agência reguladora para controlar o setor de habitação no País. O objetivo é que a população possa estar sempre informada sobre os programas habitacionais. Denúncias de empresas que atuam de forma errada no setor, prometendo moradia sem comprovação de renda, entre outros benefícios, também serão fiscalizadas. Nesse caso, as pessoas menos esclarecidas serão informadas para não aplicarem a economia de uma vida em propagandas enganosas. As famílias de baixa renda não conseguem financiamento na Caixa e acabam caindo nos golpes. Temos que proteger e alertar as pessoas para essas espertezas. E orientar onde elas podem conseguir financiamento de forma correta para não serem extorquidas. Vamos criar uma central de atendimento para receber denúncias e até desmantelar esses esquemas. Essa orientação é muito importante tanto para o Sistema Nacional de Habitação, que iremos criar, quanto para a agência reguladora.
Nesse caso, o Programa de Arrendamento Residencial (PAR), voltado para famílias que têm renda de até seis salários mínimos (R$ 1.200), vai continuar?
O arrendamento vai continuar, mas queremos que as famílias que realmente precisam tenham acesso à moradia. Hoje, o PAR beneficia quem recebe o teto. O programa será reformulado para se concentrar onde o déficit habitacional representa 80%, ou seja, nas famílias com renda até três salários (R$ 600).
Como o senhor encara o desafio de assumir um ministério tão requisitado pela população e pelo setor da construção civil?
Essa reivindicação é muito antiga, mas vamos atuar de forma articulada para garantir a melhoria de vida dos cidadãos. Pretendemos agir de forma integrada entre moradia, transporte e saneamento. Queremos uma relação qualificada entre as três esferas da federação (União, estados e municípios) para transformar o espaço urbano em espaço de fruição coletiva, e não levar sofrimento para a população, como ocorre hoje. Os recursos são escassos, mas também o são nos orçamentos municipais e estaduais. Por isso, não podemos desperdiçar recursos e energia.
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9:41 PM
by Cassiano Leonel Drum
Viu só, você que tem ai o seu sobrinho/sobrinha que vai nascer, a vizinha que está nos dias de ganhar, alerta para fazer em seguidinha a identidade, pois ai livra destas Vilmas doidas que querem ter filhos as custas do sofrimento de outros pais.
Parece brincadeira, mas não é
Caso Pedrinho provoca corrida de pais para identificar seus filhos, como prevenção a seqüestros e desaparecimentos
Marcelo Remígio
Bruna Castro Mautone, 2 anos, não leva na bolsa apenas a mamadeira e a chupeta, indispensáveis para quem não chegou a meio metro de altura. Ela também carrega a carteira de identidade, apesar da pouca idade. E se orgulha disso: é só alguém pedir para vê-la que a menina estampa o sorriso no rosto e apresenta a cédula. O documento se transformou em instrumento para desvendar casos de crianças desaparecidas. Uma análise da digital é suficiente para apontar nome, filiação e endereço do menor. A pesquisa é feita no banco de dados do Detran ¿ órgão expedidor. Mesmo que uma criança seqüestrada tenha o nome alterado, a digital denunciará a verdadeira identidade.
Casos como o de Osvaldo Martins Borges Júnior, o Pedrinho, seqüestrado em 1986 em Goiânia e localizado pela família em novembro, assustam pais e mães. A preocupação com a segurança dos filhos fez o total de carteiras emitidas disparar. Enquanto em 1999 foram 2.959 cédulas para crianças com até 10 anos, no ano passado o número alcançou a marca 23.620. ¿E tende a crescer mais. Vamos começar uma campanha nas escolas da rede pública estadual incentivando a emissão¿, diz o presidente do Detran, Hugo Leal. Em janeiro foram 2.019 carteiras.
Projeto de lei no Paraná quer obrigar carteira para menor
A iniciativa do Detran tem aliados fora do estado. A deputada paranaense Arlete Caramês (PPS), presidente do Movimento Nacional em Defesa da Criança Desaparecida, vai apresentar um projeto de lei na Assembléia Legislativa do Paraná que obriga a expedição de carteiras para recém-nascidos. ¿Países como o Paraguai já fazem isso. Com dois dias de nascida tiram as impressões digitais da criança. O Rio está no caminho certo estimulando a emissão das carteiras¿, afirma. Arlete teve o único filho, Guilherme, seqüestrado em 17 de junho de 1991. O paradeiro da criança ainda é desconhecido.
O sistema do Rio só esbarra na falta de interligação do banco de dados do Detran com o dos demais órgãos emissores de carteiras do País. O cadastro fluminense é usado pela Secretaria de Estado de Segurança e por órgãos da Justiça estadual, e não possui informações dos demais estados. Para Arlete, deve-se buscar a criação de um cadastro nacional.
O Departamento da Criança e do Adolescente da Secretaria Nacional de Direitos Humanos é outro defensor das carteiras de crianças. Na maioria dos casos envolvendo famílias de baixa renda, a foto da cédula é a única identificação visual do menor. O exame da digital também é apontado como estímulo. O resultado sai em poucas horas.
Para emitir a carteira de identidade, os pais devem comparecer com o menor munidos da certidão de nascimento e uma cópia. Quatro postos do Detran oferecem fotos gratuitas na hora: Vila Isabel, Ramos e Botafogo (Rio Sul), no Rio, Niterói (Bay Market) e Queimados. Ao todo são 175 locais de atendimento e a relação pode ser consultada no site http://www.detran.rj.gov.br.
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9:27 PM
by Cassiano Leonel Drum
Bom pelo que vi o Terra que é meu provedor é que está dando a sua mancada hoje. Assim não houve jeito de postar a tarde toda, pois instalei e desinstalei o modem de banda larga. Mexi no windows, no Internet Explorer e nada até que o help desk do Terra confirmou que eles estão com problemas mas que brevemente seria resolvido. São quase nove e meia da noite e o problema continua.
Então o jeito é usar a linha discada, isso é voltar aos primórdios. Mas também quanta gente que só tem linha discada e não reclama. Boa semana a todos e espero que amanhã esse problema esteja resolvido. Porque os boletos para nós pagarrnos inexoravelmente, vem com o mesmo valor e para a mesma data de vencimento, sem descontos nem atrasos, com vocês, tenho certeza também é assim.
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8:54 PM
by Cassiano Leonel Drum
Bom pelo jeito o nosso ex Governador vai querer vender outra vez os créditos que eram da extinta COHAB e outras instituições aqui no Estado e que foram vendidas para a CAIXA. Como não estão mais na CAIXA mas na EMGEA, ele quer de toda sorte acabar com tudo isso. OLha o emprego Ministro se acabar coma EMGEA para onde irão todos os empregados ali alocados?
Agora numa coisa está certo o Ministro precisamos empresas que concedam créditos e não que cobrem. Resta saber de onde virão os recursos, já que o Ministério das Cidades ficou quase a zero com a reformulação do orçamento. Bom uma coisa ele não perdeu: a vontade de ter a EMGEA e o SPU no seu Ministério.
Com perdão ou desconto
Ministro das Cidades, Olívio Dutra propõe revisão nos contratos de financiamento imobiliário da Caixa transferidos para a Emgea
Cristiane Campos
A Caixa está sendo reestruturada para voltar a ser um banco social
BRASÍLIA - Os 976 mil mutuários que tiveram contratos de financiamento habitacional da Caixa Econômica Federal transferidos para a Emgea (Empresa Gestora de Ativos) terão o perdão da dívida nos saldos devedores considerados impagáveis ou incentivos para antecipar a quitação. Já os contratos com resíduos irrelevantes serão perdoados para que o agente financeiro possa usar os recursos humanos e financeiros destinados à manutenção desses documentos em novos créditos. O anúncio foi feito com exclusividade ao DIA pelo ministro das Cidades, Olívio Dutra.
A Emgea foi criada em 2001 para administrar contratos da Caixa com saldos desequilibrados aqueles em que o mutuário paga praticamente dois financiamentos por um imóvel. A empresa herdou à época 1 milhão e 100 mil contratos. A maioria foi financiada com dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para famílias de baixa renda. A experiência no Rio Grande do Sul é rica nessa questão¿, afirma Olívio. É melhor perdoar para desobstruir caminhos e custos. Temos aqueles contratos complicados das antigas cooperativas, que também estão na Emgea, diz.
Segundo o ministro, o objetivo é a recuperação antecipada de parte da dívida, organizando a vida de milhares de mutuários desses conjuntos habitacionais. Há casos em que o mutuário já pagou (o imóvel) e teria até direito a receber de volta o excedente. Vamos regularizar essa situação simplesmente zerando as dívidas, adianta Olívio.
O Ministério das Cidades planeja convocar mutuários para informar quanto eles estão devendo e qual desconto teriam para antecipar o pagamento de suas dívidas. Vários municípios operam com a quitação antecipada e a imediata regularização da moradia, afirma o ministro.
Olívio está querendo o controle da Emgea para tratar com mais agilidade dos saldos impagáveis e da quitação antecipada. Estamos, com o Ministério da Fazenda, dando uma direção para a Emgea e a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), esta subordinada ao Planejamento. Ainda há a possibilidade de esses órgãos virem para cá (no Ministério das Cidades), informa. O ministro pretende incentivar a volta das cooperativas de crédito e das companhias hipotecárias para democratizar o financiamento e o acesso popular à moradia.
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