Front page
Archive
Voces encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Comentários de Livros, revistas e de jornais que já li e que por julgá-los interessantes postarei aqui, espero, todos os dias para que você sempre tenha algo que lhe facilite no seu dia a dia ou nas suas atividades. Se ele cumprir parte desses objetivos, estarei feliz por ter podido repartir essas conquistas.
Email: cassiano.leonel@terra.com.br
http://www.giffs.hpg.ig.com.br/
-> Blogs que eu visito <-
This is my blogchalk: Brazil, RS, Porto Alegre, Santana, Portuguese, Spanish, Cassiano Leonel Drum,
Male,Internete, Bancos.
Aprenda Java Script
Tempo de Acesso
Você está aqui a:


|
Sábado, Abril 05, 2003
Posted
10:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
E como sempre em todos os fins de semana ai estão as capas das duas revistas para voces decidirem. Na dúvida, a orientação é de que fiquem com as duas.
Mulheres exploradas
Na novela das oito, há todo tipo de empregada. E como elas trabalham!
Fotos divulgação
Suzana Vieira, com suas funcionárias de ficção: a patroa dá pano para manga
Sempre atento aos detalhes da vida urbana brasileira, o noveleiro Manoel Carlos parece ter decidido traçar uma tipologia das empregadas domésticas no atual folhetim das oito da Rede Globo, Mulheres Apaixonadas. Dos 105 personagens, nada menos do que treze são domésticas. E tem para todo gosto, das fofoqueiras às discretas, das independentes às que são quase parte da família, das que são perseguidas pelo garotão da casa àquelas que, de tão sestrosas, causam ciúmes à patroa. Só não tem empregada gazeteira. Todas trabalham loucamente. Na segunda-feira passada, por exemplo, a personagem Maria (Idelceia Santos) apareceu duas vezes. Numa delas servia o café bem cedinho a Tony Ramos. Na outra, bem tarde da noite, aparecia para perguntar se o patrão, que acabava de chegar em casa, ainda queria jantar. Somente depois de ele dizer não ela arriscou um tímido "então eu vou dormir". A novela só não merece inteiramente o nome de Mulheres Exploradas por causa da personagem Sônia (Priscila Dias). Ela teve um filho logo nos primeiros capítulos. O Sindicato das Empregadas Domésticas encaminhou então um e-mail à Rede Globo, pedindo que ela ganhasse o direito à licença-maternidade. Manoel Carlos acatou a sugestão.
O empregado bonitão: o trabalho duro agora é outro
Num ponto, a novela tem falhado com o realismo. Não há uma empregada sequer que trabalhe com o radinho ligado. Em vez disso, elas pegam no batente ao som daquela irritante bossa nova que serve de trilha sonora para quase todas as cenas da novela. Mas alguns hábitos ancestrais da família brasileira estão muito bem retratados na trama. Por exemplo: a iniciação sexual do adolescente com a empregada. O casal em questão é formado por Carlinhos (Daniel Zettel) e Zilda (Roberta Rodrigues). "Agora ele deu para andar de cueca na frente dela. E o pior é que fica excitado", disse a mãe do garoto num diálogo recente. A novela também está ótima ao explorar as taras nutridas pelos patrões. Shirley (Renata Pitanga) desperta a inveja da neurótica e mal-amada Silvia (Natália do Vale). Fogosa, a empregada sempre que possível se entrega a um chamego com um taxista ¿ e Silvia vive a espreitá-la, lembrando do tempo em que ainda tinha vida sexual. E há o caso entre Lorena (Suzana Vieira) e Expedito (Rafael Calomeni). Só que aqui, para variar, ele é o empregado e ela a patroa. Os dois se envolveram numa paixão tórrida e, na semana passada, protagonizaram cenas de cama. Agora vão morar juntos. Prato cheio para as empregadas de Lorena, Célia (Fabiana Karla) e Cândida (Marise Gonçalves), que não param de falar sobre o assunto, enquanto se esfalfam de trabalhar de sol a sol.
Posted
9:51 AM
by Cassiano Leonel Drum
E esta é a capa da Revista Veja deste fim de semana que entre outras reportagens trás a crônica abaixo do Diogo Mainardi. Boa leitura e bom fim de semana.
A comédia da fome
"Agora querem lançar o bolsa-figuração.Guaribas vai virar um pólo de cinema.O único inconveniente é que nordestinos famintos só servem para interpretar nordestinos famintos"
O Iraque será reconstruído pelas mesmas empresas que construíram o Brasil. A Halliburton, por exemplo, quando ainda era comandada pelo atual vice-presidente americano, Dick Cheney, construiu o gasoduto Brasil¿Bolívia. A Bechtel também foi convidada para repartir o bolo bilionário da reconstrução iraquiana. Em suas atividades no Brasil, a Bechtel ergueu desde usinas elétricas até fábricas de meias de náilon, mas seu nome é recordado, sobretudo, pelos reatores nucleares de Angra dos Reis.
A Fluor, cujo nome é associado à instalação de grandes siderúrgicas e fábricas de automóveis no Brasil, irá participar, igualmente, da boca-livre iraquiana, da mesma forma que a Washington Group International, a empreiteira responsável, entre nós, pelas obras da hidrelétrica de Itaipu. Tudo indica, portanto, que o Iraque, depois da guerra, ficará igual ao Brasil. Bagdá será uma réplica exata de Teresina. Basra, uma réplica de Francinópolis. Nassiriah, uma réplica de Guaribas.
O trabalho de reconstrução do Iraque será coordenado pela Usaid, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional. Andrew Natsios, seu diretor, ficou conhecido no mundo todo por ter declarado, algum tempo atrás, que os africanos não deveriam receber remédios contra a Aids porque nem sabiam ler as horas. A Usaid sempre foi muito ativa no Brasil. Em 1964, depois do golpe militar, mandou seus técnicos para cá e reformou nosso ensino, do primário até a universidade. Se aplicar a mesma receita educacional no Iraque, conseguirá dobrar o número de analfabetos em poucos anos. Até hoje a Usaid financia programas assistenciais no Brasil, ligados à preservação da floresta tropical, à prevenção da tuberculose e à luta contra a exploração sexual de crianças. Durante a viagem de Lula aos Estados Unidos, cogitou-se inclusive de a Usaid ajudar no Fome Zero.
Não que o Fome Zero precise de ajuda. As melhores mentes do governo já estão engajadas no projeto. Outro dia, o Ministério da Cultura anunciou que pretende oferecer incentivos fiscais aos produtores que se dispuserem a rodar seus filmes em regiões carentes, usando mão-de-obra e figurantes locais. Depois do bolsa-escola, bolsa-renda, bolsa-alimentação, bolsa-criança cidadã e bolsa-qualificação profissional, agora também querem lançar o bolsa-figuração. Guaribas vai virar um pólo cinematográfico, a futura Hollywood do agreste. O único inconveniente é que nordestinos famintos só servem para interpretar nordestinos famintos. Ficam um pouco inverossímeis em outros papéis.
Temo que, nos próximos anos, tenhamos de assistir a uns dezoito filmes sobre Antônio Conselheiro e Canudos. Mas nunca se sabe. Pode ser que surja um novo Marlon Brando por lá. Ou um novo Fred Astaire, que revolucione o gênero musical. Se a experiência de implantar um pólo cinematográfico em Guaribas der certo, os técnicos do Ministério da Cultura, em direta concorrência com os da Usaid, podem ajudar a implantar um em Nassiriah, transformando-a numa Hollywood do deserto. Será nossa contribuição desinteressada para a reconstrução do Iraque. O problema da fome, pelo menos, estará resolvido. Tanto aqui como lá.
Diogo Mainardi
Posted
9:34 AM
by Cassiano Leonel Drum
Isso é que é uma incógnita, pois enquanto a TAM e a VARIG amargam relevantes prejuizos e entregam aviões, e não só essas duas mas a maioria das companhias aéreas no mundo todo, primeiro em função do11 de setembro e agora em razão da pneumonia asiatica, a VASP planeja adquirir mais 30 e está, como se estivesse voando em céu de birgadeiro. Por que será que as outras não dão uma espiadinha para ver o que a VASP anda fazendo sozinha para estar com este otimismo todo?
CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SÁBADO, 5 DE ABRIL DE 2003
Vasp investe na compra de mais 30 aviões
A Vasp programa investimentos de R$ 400 milhões para os próximos três anos na aquisição de 30 aviões, que já estão em negociação com a Embraer. As aeronaves, com capacidade para 70 a 90 passageiros, irão ser empregadas na expansão das rotas operadas pela empresa, em especial no mercado de aviação regional. A Vasp pretende criar no início do ano que vem uma nova divisão, voltada para este mercado.
A intenção é fazer rotas regionais que liguem cidades do interior às capitais, em vôos diretos. A meta para a futura divisão é atuar em todo o país. os primeiros mercados ainda não estão definidos. A estrutura da divisão deverá seguir o modelo da do sistema de transporte de cargas expressas Vaspex, criado há seis anos e que hoje já responde por 20% do faturamento de toda a empresa.
Com 70 anos de mercado, a serem completados em outubro, a Vasp conta com uma frota de 32 jatos próprios e um volume de 4 milhões de passageiros transportados anualmente, equivalente a 14% do mercado doméstico de tráfego aéreo. Segundo o gerente comercial no RS, Leandro Costa, a participação da companhia no Estado é de 12%. Os dados foram apresentados ontem em almoço no Ritter Hotel.
A empresa, com 4,6 mil funcionários, fechou os últimos três anos com um faturamento de R$ 1 bilhão, valor que deve ser repetido este ano e que a deixa em terceiro lugar no ranking nacional do setor. Para 2004, quando entrará em operação a divisão de vôos regionais, é esperado um incremento de receita. Em 2002, a Vasp foi a empresa aérea mais pontual do país, segundo o DAC.
Posted
9:23 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
05/04/2003
Guga e Gisele
Ouvi falar que a Gisele Bündchen anda telefonando para o Guga. Se esses dois namorassem, formariam um lindo e alto casal. Quanta felicidade para os filhos e quanta infelicidade para o tênis brasileiro! Como o Guga jogaria tranqüilo tendo a Gisele eternamente na cabeça? Ele num torneio na Bahia e ela liga:
Oi, amor, estou aqui em Nova York. Vou no aniversário do Brede.
Brede?
Pitt, amor. O Brad Pitt.
Meia hora depois, lá está o Guga, rebatendo bolinha, pensando na Gisele e o Brad, a Gisele e o Brad, a Gisele e o Brad. Impossível concentrar-se. Mulheres como a Gisele Bündchen são como a Previdência Social: inadministráveis.
Palavra de amigo
Uma das funções do amigo é se meter. Dar palpite. Avisar que estou agindo errado.
David, tu está exagerando.
Costumo exagerar.
O problema é que a maioria dos amigos tenta se manter a uma distância educada dos dramas da vida da gente.
Cada um com seus problemas dizem.
É por isso que há cada vez mais psicanalistas comprando coberturas com piscina e viajando para a Curaçao.
Gosto quando as pessoas dão sua opinião, mesmo que não seja favorável. Pessoas reservadas, que não falam o que pensam, pessoas atrás do biombo da cautela, dessas pode-se esperar todo tipo de surpresas. Geralmente desagradáveis.
Claro, a crítica tem de ser bem-intencionada. Mas os amigos quase sempre querem que melhoremos, não é?
Fico imaginando como se sentem os profissionais do futebol. Todos os dias o trabalho deles é avaliado e comentado. Nos jogos, a torcida se manifesta sem eufemismos: se está gostando, aplaude; se não está gostando, vaia. Pode ser aflitivo, mas será que em algumas circunstâncias eles não podem aproveitar a crítica saudável para crescer?
Talvez os jogadores exagerem um pouco nos desafogos contra os críticos. Marcam um gol, fazem um desabafo. Qualquer vitória vale um desabafo condoído, uma declaração de revolta. Todos são injustiçados. Mas será que a crítica não pode, ao menos de vez em quando, estar certa?
david.coimbra@zerohora.com.br
Posted
9:15 AM
by Cassiano Leonel Drum
Mas acho que está mais difícil digerir este embrolho todo é pelos próprios deputados e senadores do PT. O nosso amigo Paulo Paim que queria um salário de U$$ 100,00, daqui há pouco terá suas pretensões concretizadas: é só o dólar cair para os U$$2,40. A senadora Eloisa Helena e nossa conterrânea deputada Luciana Genro é que não estão gostando nenhum pouquinho do que está se negociando dentro do partido. Mas é a vida, meus caros congressistas. Nossos ideiais nem sempre se concretizam.
Paulo Sant'ana
05/04/2003
Tudo trocado
Quando Jô Soares voltar de suas "férias" de verão, que incrivelmente já invadiram o outono, repetindo já há quase três meses entrevistas surradas, vai ter que recriar aquele seu personagem que, depois de longo período de coma no hospital, acordava-se e percebia que tudo no mundo estava de pernas para cima.
Não dá para acreditar no que está acontecendo. Em primeiro lugar, dois ministros de Lula, Luiz Furlan e Guido Mantega, estão declarando que a queda do dólar acende "uma luz vermelha" para o governo.
Aduzem que, caso o dólar descendente baixar até R$ 3, preteia o olho da gateada: "Menos de R$ 3 começa a ser preocupante".
Não dá para entender mais nada, baixa do dólar ameaça economia brasileira e o governo pode intervir para provocar alta?
E nós imbecilmente torcendo para baixar!
E o governo torcendo para o dólar subir!
Ninguém mais entende a economia.
Do jeito que vai, estou esperando a qualquer momento a seguinte manchete: "Risco Brasil sobe com a queda do dólar".
Em segundo lugar, outra notícia inacreditável: Partido dos Trabalhadores ameaça expulsar de seus quadros deputados que votarem contra a emenda constitucional que concede autonomia ao Banco Central!
Mas não foi o PT quem sempre lutou contra a autonomia do Banco Central?
E logo agora, no governo, o PT renuncia ao pleno controle governamental sobre o Banco Central?
Continuam os paradoxos: com três meses apenas de gestão no Banco Central, Henrique Meirelles dá de relho em Armínio Fraga, baixou o dólar, baixou em 30% o Risco Brasil, ganha elogios do FMI e os investidores estrangeiros voltam a aplicar bilhões de dólares em nosso país.
Isso em pleno desenvolvimento da guerra no Iraque.
Não dá par acreditar, o Lula está vencendo a guerra.
Onde se temia o Lula, na gestão da macroeconomia, aí é que o Lula está entusiasmando.
No plano internacional, a surpresa não é menor. As forças anglo-americanas já cercaram completamente Bagdá, dominaram o aeroporto, e o ministro iraquiano da Informação, Saeed al-Sahaf, faz dois dias que aparece de duas em duas horas na televisão afirmando que o Iraque está vencendo a guerra! E apresenta dados das baixas americanas!
Como é que o Iraque pode estar vencendo uma guerra em que foi sitiado e se sabe que vai inevitavelmente perder?
E, para culminar, Saddam Hussein apareceu ontem na televisão, passeando pelas ruas de Bagdá, sendo saudado como vitorioso por seus compatriotas.
Especialistas dizem que não é Saddam, é um sósia dele.
Sósia? A cara é igual, mas como é que pode a barriga também ser igualzinha? Se matar um Saddam já é difícil, imaginem dois.
Será que o Iraque não é um sósia do Vietnã?
E o Grêmio ganhou do Peñarol de 4 a 1. O mundo está mesmo virado de cabeça para baixo.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Posted
9:03 AM
by Cassiano Leonel Drum
Muitos cronistas como o Jorge preferem escrever sobre a outra Guerra, até porque dá mais Ibope. É mais sensacional do que a nossa, que não é mais nem noticia, pois se todo o santo dia acontecem crimes bárbaros como o do casal de namorados que acabou de assassinar a mãe batendo com a sua cabeça na pia e vazo sanitário e ainda chama o socorro dizendo que ela foi atropelada. Posteriormente vai junto com a mesma para o hospital e só desaparece quando são nformados que ela morreu, nada mais é novidade.
Jorge Furtado
05/04/2003
Um drink para Bush
A democracia pressupõe que a maioria deve escolher, entre os dispostos a aceitar o cargo e o salário, aquele que melhor representa suas idéias e sentimentos e tem mais capacidade para governar. A tese é cheia de furos. Quem está disposto a aceitar o cargo já é diferente da maioria, quase ninguém quer ser síndico. A tal maioria é composta apenas por cidadãos maiores de idade dispostos a sair de casa num feriado e entrar na fila. O julgamento prévio das qualidades do pretendente ao cargo é intermediado pela publicidade, que ano após ano aperfeiçoa seu poder de transformar água com corante em néctares afrodisíacos. E a real competência para governar só aparece mesmo quando o sujeito já está no poder, às vezes muitos anos depois de ele deixar o poder. Não é à toa que freqüentemente acabe em Fujimori. Como ninguém achou idéia melhor, a democracia continua, ainda bem. Pessoas e sociedades são imperfeitas e costumam eleger representantes imperfeitos. Os defeitos dos governantes variam muito e talvez sejam representativos dos defeitos predominantes de suas sociedades num determinado período. Há eleitos vaidosos como FHC e Koizumi, corruptos como Collor ou Menem, emocionais como Lula, incoerentes como Chirac, perigosos como Berlusconi, sabonetes como Blair, toscos como Hugo Chavez. Mas só um grande império, um país com uma economia tão poderosa, uma sociedade tão rica, fechada e dominada pela mídia como a americana poderia eleger um imbecil como George W. Bush.
Já em 1922, em seu livro Opinião Pública, o americano Walter Lippmann alertava para as dificuldades de construir uma democracia numa sociedade totalmente dominada pela mídia, onde a maioria da população "não se sustém por convicções e tradições e quer, e tem que ter, uma emoção atrás da outra".
Ele conclui: "Talvez este apetite sempre tenha estado presente, mas a nova máquina publicitária é peculiarmente adaptada a alimentá-lo. Ainda teremos de descobrir qual será o efeito sobre a moral, as religiões e o governo popular, quando assumir o controle a geração que teve suas principais experiências públicas sobre o clarão intermitente dessas sensações".
A terrível resposta é George W. Bush. Ele fugiu do alistamento militar durante a guerra do Vietnã quando era apenas mais um bêbado milionário (e estava certo!), mas é capaz de mandar jovens para a morte com a promessa de que serão recebidos de braços abertos ao invadir a casa alheia. Ele parece incapaz de encontrar o próprio nariz usando as duas mãos e um manual de instruções, mas comanda (ou finge que comanda) a mais poderosa máquina de guerra da história. Alcoólatra redimido por delírios religiosos, ele é burro, teimoso e vingativo como só um convertido pode ser. Ele não teve a maioria dos votos, mas, graças a um sistema eleitoral primitivo, se elegeu para destruir o que havia sobrado da mais antiga democracia do mundo.
Acredito que a América vai sobreviver a George W. Bush, mas sua democracia, em ruínas, terá que ser reconstruída. E isso vai levar muito tempo. Só há uma maneira rápida e pacífica de acabar com essa guerra: por favor, alguém sirva um gole de uísque para Bush, misture cachaça nos seus sucrilhos, ponha vodka em seu anapion. Um drink para Bush! Rápido!
Muitos textos contra a guerra, inclusive de americanos como Noam Chomsky, Robert Bowan, Immanuel Wallerstein e Michael Moore, podem ser encontrados em www.nao-til.com.br.
Não à guerra!
jorge.furtado@zerohora.com.br
Posted
8:55 AM
by Cassiano Leonel Drum
Pois é minha amiga Lya, a outra guerra, espera-se, acabe logo, mas e esta nossa aqui, que não há um único protesto nas ruas, que ninguém convida alguém para sair de roupa branca, pedindo paz, que não há Mac Donalds para apedrejar, nem fábicas de Coca-colas para invadir, que nada vai adiantar, e as pessoas inocentes vão continuar morrendo, como moscas assim de balas perdidas. É para sábado não está nada poética sua crônica de hoje. Mas ainda que seja, uma única voz, acredito que valha a pena. Se mais um aqui, outro cronista lá, forem enchendo as páginas de jornais, deverá incomodar alguém e fazê-lo repensar tudo isso.
Lya Luft
05/04/2003
Do poder e da impotência
Era demais poética a crônica que eu pretendia fazer, sobre o tempo em que, se dissessem que hoje viveríamos em casas protegidas por grades e arame eletrificado, íamos morrer de rir. (Isso foi quando as crianças achavam que o governo tomaria conta da gente e que o poder estava do lado dos honestos, dos éticos e dos pacíficos.)
Devo é falar da sobrevivência no campo de batalha de um país onde se trava, no cotidiano, a luta pela vida nua e crua. Não! Não falo do Iraque: é aqui mesmo, aqui. Sem falar no que acontece numa Porto Alegre que apesar de tudo ainda está menos sanguinária do que o Rio de Janeiro, lá agora jogam bombas no hotel Meridien em plena Copacabana, e metralham a estação do bondinho do Corcovado... fora o resto.
Os meandros da segurança envolvem política e muitas manhas, mas, imagino eu, também significam algo de competência e vontade real. Como para nós se trata atualmente de in-segurança, valeria indagar por que somos incompetentes (ou algo mais grave) a ponto de não se conseguir resgatar o país do terror que o comanda. Hoje ainda corremos apenas feito ratos assustados, como escrevi outro dia: logo teremos de ser guerrilheiros.
No meio desse caos, observo com susto e ironia a novela de um Il Capo brasileiro - que aliás cumpre seu ofício melhor do que muitos de nós cumprimos os nossos. Tenho medo de descobrir por que isso parece uma questão insondável. Tudo consagrado pelos omissos ou pelos de rabo preso, e confirmado cada vez que um trágico viciado, ou um irresponsável que deseja um pouco de animação, fuma ou cheira.
Enquanto escrevo, o Don está passando uma temporada em Alagoas. Foram prometidos alguns milhões de reais para melhorar a segurança por lá: também ali irão parar - se lá chegarem - os impostos inacreditáveis que pago, pagas, pagais, pagamos e pagaremos em troca de quase nada.
Não precisamos da alucinada guerra do Iraque para nos ferrar por tabela. Pois aqui em casa mesmo, sem ter de invadir territórios alheios, se cuida muito bem disso.
Não vejo saída. Não tenho esperança.
Quem sabe um dia me façam repensar esta afirmação. Pois acredito que o ser humano não é essencialmente burro nem perverso, e isso inclui governos e autoridades. Mas me perturba o que andam fazendo conosco: não temos poder, estamos ameaçados, e desinformados do que se passa atrás dos bastidores.
Sorry pela crônica nada engraçada de hoje. Mas às vezes também eu me canso desse teatro do absurdo, e da tragicomédia das desculpas e explicações em que nem as crianças acreditam mais.
Posted
8:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
Saddam vai à rua antes da batalha
Para desafiar o cerco promovido pelas tropas da coalizão a Bagdá, o ditador iraquiano ¿ ou um sósia perfeito ¿ passeou ontem pela capital do país (foto reprodução, AP/ZH)
Posted
1:36 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ai já estão já os destaques da Revista Veja, mas ainda não houve a publicação da Capa deste fim de semana, que deveriaestar ai acima. Bom fim de semana a todos, curtam.
Especial O que vem depois de Saddam - O governo americano já escolheu um general para governar o Iraque depois da guerra. Os países vizinho vêem com ceticismo a intenção de criar ali um regime modelar.
Acesse no especial Guerra no Iraque os vinte principais personagens do confronto.
Brasil
O governo Lula teve bom desempenho no período da lua-de-mel com a população. Em cem dias, o novo presidente colheu aplausos na economia e vitórias na política, mas há tumulto nos bastidores.
No site: acompanhe notícias diárias sobre política nacional.
Entrevista
Michael Schumacher, o pentacampeão mundial de Fórmula 1, diz que não teme morrer nas pistas e que os pilotos de hoje precisam de mais técnica que coragem.
Saúde
Pela primeira vez, foram calculados os custos da obesidade no Brasil: 1,5 bilhão de reais por ano. É muito dinheiro consumido por um mal que na maioria dos casos poderia ser evitado com adoção de hábitos de vida saudáveis.
No site: leia reportagens relacionadas ao tema.
Religião
Um dicionário organizado pela Igreja Católica afirma, entre outras pérolas, que homossexualidade é doença.
Tecnologia
A cidade indiana de Bangalore tornou-se referência mundial em alta tecnologia. Ela é uma manifestação extremada do que se pode ver nas metrópoles brasileiras.
Artes e Espetáculos
Cinema: Carandiru, de Hector Babenco, procura transpor para a tela o universo retratado pelo médico Drauzio Varella no seu best-seller Estação Carandiru.
No site: acesse trailer, fotos e textos de arquivo.
Música: Renato Russo Presente é um catadão de raridades e entrevistas do astro. O álbum já bateu a marca das 300.000 cópias.
No site: ouças músicas e leia textos sobre o cantor.
Televisão: Nunca tantos apresentadores sofreram tanto com a queda do Ibope de seus programas. Gugu Liberato, Ratinho e Xuxa são alguns deles.
Altas dicas e baixas calorias
Quarenta endereços na cidade onde é possível comer bem sem se preocupar com a balança, de restaurantes sofisticados a pizzarias.
Radicalismo
A turma que voa sobre skates, bicicletas e patins é protagonista e público de um torneio que promete levar 50.000 pessoas à Praia do Leme.
Posted
1:24 AM
by Cassiano Leonel Drum
Esta é a capa da Revista Isto é deste fim de semana que entre outras reportagens trás esta abaixo sobre a pneumonia Asiática:
Alerta geral
A pneumonia asiática já atinge 17 países e desafia a ciência
a encontrar meios de controlar sua expansão
Cilene Pereira, Juliane Zaché, Lena Castellón e Mônica Tarantino
Em Hong Kong, seguranças
se protegem e guardam a
entrada de uma área isolada
O Brasil está em alerta. Na semana passada, com a divulgação de dois casos suspeitos de síndrome respiratória aguda grave (Sars) no País, muita gente ficou mais temerosa em relação à doença, que já se espalhou por boa parte do mundo, deixando dezenas de vítimas fatais. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), até sexta-feira 4 haviam sido notificados 2.353 casos e 84 mortes. A maior concentração de pacientes está na Ásia (China, Cingapura e Vietnã) e em Toronto, Canadá.
Por aqui, um dos suspeitos foi internado na quinta-feira 3, no Hospital São Paulo, na capital paulista. O doente é um japonês de 48 anos que mora no Brasil. Esteve no Japão e chegou com febre e tosse. Como os sintomas são semelhantes aos da Sars e ele ficara dois dias na Tailândia, onde há casos, foi encaminhado ao hospital. Até sexta-feira 4 estava em observação. A rigor, as autoridades sanitárias não o consideravam suspeito. Isso porque o governo segue os critérios da OMS, segundo os quais devem ser classificadas como possíveis contaminadas apenas as pessoas com sintomas, mas que tenham estado em locais onde há transmissão da doença. Não é o que ocorria na Tailândia. Os sete casos registrados no país eram de pessoas contaminadas em outros lugares. Mas na avaliação de Antônio Carlos Pignatari, diretor clínico do hospital, tratava-se de um caso suspeito. Segundo ele, o paciente reunia sintomas que remetiam à enfermidade. O caso estava em análise.
A outra suspeita de ser portadora da Sars é a inglesa Sally Blower, 41 anos, produtora da rede britânica de tevê ITV. Ela chegou ao Brasil na terça-feira 1º, procedente de Londres. Sally cobre a F-1 e esteve na Malásia há três semanas, no grande prêmio anterior ao de São Paulo (realizado neste domingo). A produtora deixou a Malásia, parou duas horas em Cingapura e partiu para Londres. Na segunda-feira 31, pegou um vôo da British Airways. Não se sentia bem, mas não comentou o fato com a tripulação. ¿Tinha febre e estava cansada, mas não tossia¿, disse a ISTOÉ. Sally estava no hotel quando procurou ajuda. O infectologista Rudolf Uri Hutzler, do Hospital Israelita Albert Einstein, foi chamado. A história da produtora foi suficiente para levantar a suspeita de Sars. Seu caso, inclusive, já faz parte da lista de notificações da OMS.
Análises Até sexta-feira 4, não estava confirmado se Sally isolada num quarto no qual a saída do ar é dificultada ¿ tinha a doença. Amostras de sangue e de secreções de sua garganta foram enviadas ao Instituto Adolfo Lutz (SP). Análises iniciais não apontaram a presença de bactérias, mas isso não exclui completamente essa chance. Há micróbios desse gênero que só são detectados 15 dias depois. De concreto, os resultados reforçam a suspeita de que ela seja vítima da Sars. Há fortes evidências de que a doença seja causada por um vírus ¿ e não bactéria ¿ da família dos coronavírus (um deles causa resfriado). Também não está descartada a hipótese de que outro agente virótico, da família dos paramixovírus, tenha papel na doença. E na sexta-feira 4 apareceu outro suspeito. Cientistas chineses anunciaram que um microorganismo parecido com a bactéria clamídia estaria associado à Sars. Como se vê, identificar o inimigo é difícil. Por isso, em relação a Sally espera-se um resultado mais esclarecedor somente em três semanas. Até agora, não há um teste disponível para confirmar a enfermidade. O único exame criado para essa finalidade foi desenvolvido pelo Centro de Controle de Doenças, o CDC, dos EUA. Mas ainda está sendo usado de maneira restrita.
Apesar da dificuldade de diagnóstico, o caso de Sally serviu para revelar algumas falhas na execução do plano de controle da doença montado pelo governo federal. Foi somente na quinta-feira 3, depois que a notícia da internação de Sally assustou o País, que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão do Ministério da Saúde, decidiu distribuir nos portos e aeroportos folhetos explicativos sobre a síndrome a todos os passageiros que chegam ao País. Antes, o trabalho de prevenção baseava-se na fixação de informativos em painéis próximos às áreas de embarque e desembarque. A estratégia foi insuficiente. Tanto assim que a produtora inglesa não recebeu nenhum papelzinho que a alertasse para o problema.
Sexta-feira, Abril 04, 2003
Posted
8:45 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Simão
simao@uol.com.br
Ueba! Saddam vira DJ e bomba Bagdá!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E você sabe quando você está ficando velho? Quando a Xuxa faz QUARENTA anos! E sabe qual a diferença entre Bagdá e o Rio? É que lá em Bagdá, pelo menos, eles tocam sirene antes do ataque! E um amigo aderiu ao boicote: 'Não como mais americanas. Não adianta a Julia Roberts insistir, pra Sandra Bullock bye bye e a Madonna sem chance'.
E já que os americanos estão com tanta raiva dos franceses por que eles não devolvem a Estátua da Liberdade? E vocês viram a foto do soldado americano com uma revista de mulher pelada no colo? E a legenda: 'Soldado americano lendo revista'. Lendo? Então eu quero saber com que mão ele vai ler a revista. Eles devem estar matando camelo a grito!
E aí eu entrei no site da Wanessa Camargo (ué tão rindo de quê? Ninguém é perfeito) e adorei a seção chamada 'Diário' onde ela declara que: 'Hoje os negócios estão indo de vento em POLPA!'. Rarará. Polpa de vento. Deve ser da Maguary. Você bate a polpa de vento no liqüidificador e faz um suco de vento. Suco de vento com nada dentro!
E eu adoro aquele ministro iraquiano Al Sarraf, quando ele aparece na televisão. Devia se chamar Al Sarrafo. Ele desce o al sarrafo em todo mundo: invasores, criminosos, assassinos, chama o príncipe saudita de capacho e o Blair de histérico. Passa o dia xingando!
E eu continuo com a minha campanha para salvar o mundo: procura-se voluntária para fazer um blow job no Bush! A Chupeta Humana! Só que uma amiga minha disse que não dá pra colaborar porque o Bush deve usar cueca bordô e transar de meia! Ué, mas fazer um blow job no Bush é um martírio! Rarará!
E naquele site Kibeloco aparece uma foto do Saddam como DJ! 'Saddam, diz aí, como estão as noites em Bagdá?' 'BOMBANDO!' Pra dançar isso aqui é... bomba! Pra balançar isso aqui é... bomba! Pra mexer isso aqui é... bomba! Saddam vira DJ e bomba Bagdá!
E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que um comentarista da Sportv, na transmissão do jogo de tênis, disse que o Guga estava tirando o agasalho em razão da 'amplitude térmica'. O quê? Tucanaram até o calor? Temos que chamar o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês!
Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Muçulmano': irmão do Muçum! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! Na orelha! UFA! Que bomba!
Email simao@uol.com.br
Posted
8:40 AM
by Cassiano Leonel Drum
Crédito
CEF voltará a financiar a classe média
Tarso defende uso preferencial do FGTS no setor
São Paulo
A Caixa Econômica Federal (CEF) deve retomar o financiamento de imóveis novos e usados para a classe média, ou seja, famílias com renda mensal superior a 12 salários mínimos (R$ 2.880). A proposta deve ser apresentada na próxima reunião do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador, no fim deste mês.
Os financiamentos de imóveis novos e usados para a classe média com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) foram suspensos no começo de março por falta de recursos disponíveis.
O governo federal também planeja um esforço para acabar com o déficit habitacional das camadas de baixa renda.
O secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Tarso Genro, disse ontem que o governo federal lançará um grande programa de crédito popular. Ele não quis detalhar a proposta, porque essa atribuição cabe ao ministro das Cidades, Olívio Dutra. Tarso afirmou que a liberação de crédito é fundamental para aquecer o setor da construção.
- Esse é um setor de relação intensiva de mão-de-obra, inclusive de mão-de-obra não-qualificada. Isso é um elemento estratégico para o nosso governo - disse ele.
Ele defendeu que o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) seja utilizado só para financiar programas de habitação e saneamento básico.
A afirmação, feita na sede do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Comerciais e Residenciais de São Paulo (Secovi-SP), contraria interesses de setores como o financeiro, que quer esses recursos para a compra de ações na Bolsa de Valores, e o automotivo, que pleiteia sua liberação para a compra de automóveis.
Para o ministro, os recursos do FGTS já são escassos por causa dos acordos de superávit primário firmados com o Fundo Monetário Internacional (FMI):
Questionado sobre como o dinheiro do FGTS poderia ser desvinculado dos acordos com o FMI, Tarso afirmou que não poderia entrar numa área de atuação que é do Ministério das Cidades, comandado por Olívio Dutra.
Posted
8:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
04/04/2003
Não se irrite
O profeta Eliseu era um homem poderoso. E algo irritadiço. Certa feita, ele vinha caminhando por uma das paragens poeirentas da Palestina e uns garotos saíram-lhe atrás, caçoando da sua calvície (o que mostra que o comportamento da gurizada é o mesmo há pelo menos 28 séculos). Pois bem, aqueles meninos tanto incomodaram Eliseu que ele se agastou biblicamente e fez valer o seu prestígio junto ao deus Jeová - sem ninguém saber donde, surgiram dois ursos enormes e devoraram os garotos.
Tudo isso porque Eliseu não gostava de ser chamado de careca.
Conheço muita gente assim suscetível. Meu amigo Nei Manique, lá de Criciúma, por exemplo. Acompanhei seu processo de calvejamento. Foi rápido. Aos 28 anos, ele ostentava uma rebelde cabeleira de roqueiro. Aos 29, a lisura de sua testa já havia sido estendida para a fronteira com a nuca. Aos 30, apenas uns poucos e heróicos tufos resistiam atrás das trincheiras das orelhas, como se fossem soldados da Guarda Republicana do Saddam.
O problema é que o Nei não aceitava a calvície. Quando alguém o chamava de careca, ele enrubescia e protestava:
- Careca é a mãe!
Seu filho, o Luca, tentava consolá-lo. Passava a mão na superfície glabra da cabeça do pai e mentia:
- Tu não é careca, não...
O fato é que, se os amigos queriam importuná-lo, bastava falar qualquer palavra referente aos seus cabelos para sempre perdidos. Só agora que assumiu a carequice de vez o Nei resolveu o problema. A prova é que ninguém mais goza dele. Parece que se tornou cabeludo de novo.
O mesmo acontecia com um vizinho lá do IAPI. Ele já adulto; nós, guris como os que apoquentaram o profeta Eliseu. Descobrimos, de alguma forma, que o vizinho odiava ser chamado de Meia Longa. Para quê! Quando ele saía de casa para ir trabalhar, fazíamos coro:
- Meia loooongaaaa...
Ele saía correndo em nossa perseguição, furioso. Nem sabíamos por que detestava o apelido, mas era muito divertido vê-lo perder a paciência.
É assim mesmo, uma regra de pátio de colégio: quando a pessoa dá importância à gozação, aí é que a gozação se consagra. Por isso, espero que nossos gaudérios tradicionalistas assistam com bom humor ao programa que o Casseta & Planeta vai apresentar na próxima terça-feira, A Casa dos Sete Gaúchos, obviamente baseado em A Casa das Sete Mulheres.
É que os personagens do Casseta se chamam Gayúcho, Gayribaldi e Sento Gonçalves, entre outros. Prevejo uma indignação do tamanho do Itaimbezinho, por parte da brava gente pampiana. Não duvido nem que alguns queiram lançar ursos famintos sobre a turma do Bussunda. Mas não é o caso, pessoal. É só brincadeirinha.
david.coimbra@zerohora.com.br
Posted
8:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
04/04/2003
O poder vive do medo
Não há nada mais para dizer que não foi dito, nem há mais fome de saber que não tenha sido saciada.
Não mais se aturde a quem já está suficientemente aturdido, nem se pode violentar quem já foi totalmente violentado.
Procura-se por todos os cantos do planeta a razão para esta guerra, como se tivessem tido razões as outras guerras.
Pela mesma anti-razão que não se compreende que o assaltante, depois de ter dominado a sua vítima, tira-lhe ainda desnecessariamente a sua vida, freqüentemente depois de torturá-la, não há de se jamais entender que se tenha de matar tantas crianças e mulheres para só depois matar Saddam.
Ou então que se estejam matando ainda tantas crianças e mulheres se há a hipótese de que Saddam já tenha sido morto.
Não há outra lógica para esta guerra que não seja a brutal lógica do poder. Quem tem poder, quem detém as mais temíveis armas, não terá poder se não exercitar esse poder.
É preciso que morram muitos para que muitos mais ainda temam no futuro o poder, e ele então se consolide.
Como não há razão para a guerra, mais ainda ficarão intimidados todos, até mesmo os que doravante não oferecerem qualquer motivo para serem atacados.
Todo poder, até mesmo o pseudodemocrático, quanto mais o autoritário, erige-se pelo medo que infunde a seus súditos.
O poder é como a pena, seu caráter essencial é o intimidativo. O poder não foi feito para que as pessoas sejam obrigadas a fazer alguma coisa.
O poder foi feito para que os súditos tenham a noção muito clara do que não devem fazer.
Mas, principalmente, o requinte supremo do poder é obrigar a que não se faça o que se tem de fazer.
O traço de caráter mais perverso do poder nesta guerra é que os soldados, depois de bombardearem e metralharem uma vila ou cidade, são instruídos a oferecer alimentos, roupas e abrigo aos órfãos que restaram dos ataques.
Pela primeira vez na História, os soldados foram educados para serem dublês de combatentes e enfermeiros das almas dos que sobreviveram a seus pais, filhos e irmãos mortos.
- Primeiro, atirem em todos. Depois amparem os que restarem vivos. Para que eles não tenham má impressão sobre nós.
O soldado tem de matar e ser ator. Atirador e hipócrita.
E o massacrado é instado a amar o seu carrasco.
O poder de Saddam incutiu nos seus súditos não ter medo. O poder de Bush foi lá justamente para restaurar o medo. Qualquer povo que não tenha medo tem de ser atacado.
O objetivo principal desta guerra vai ser em breves dias atingido: é preciso que todo o resto do mundo fique com medo.
Depois do medo, a dominação vira uma questão diplomática.
Ainda mais quando é acompanhada de socorros.
Sempre foi assim em qualquer situação da vida: se se quiser identificar quem está com o poder em determinada relação, basta olhar para aquele que está prestando auxílio.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Posted
8:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ana Amélia Lemos
04/04/2003
Crédito educativo
D aqui a 20 dias, a Caixa Econômica Federal deverá apresentar um quadro real da inadimplência no crédito educativo e oferecer um plano para as renegociações das pendências. A promessa foi feita pelo vice-presidente da Caixa, Carlos Borges, na audiência ao deputado João Mattos (PMDB-SC). A dificuldade dos acadêmicos em pagar o financiamento reside nos juros cobrados, que são impagáveis. O estudante Venceslau Possebon, de Caxias do Sul, fez financiamento para o curso de Relações Públicas. Devia R$ 12 mil à Caixa. Quando foi pagar, o valor era de R$ 22 mil e exigido pagamento à vista ou 99 parcelas de R$ 282 reajustadas semestralmente pelo INPC. A situação é parecida com a da estudante Elisabete Cerutti, que fez o curso de pedagogia em campus de Frederico Westphalen. O mesmo problema vive a estudante Viviane Souza, de Porto Alegre. O caso se repete, também, com Luciano Da Cas, de Santa Maria, que concluiu o curso de Direito com crédito educativo e está inadimplente.
O agora bacharel buscou na lei uma saída para a inadimplência e diz ter uma solução aceitável que quer discutir com outros estudantes que estão inadimplentes, através de seu e-mail (lucianodacas@yahoo.com.br). De Natal, no Rio Grande do Norte, o leitor e estudante Valdemar Avelino Trindade manda e-mail para defender a urgente reabertura do crédito educativo e diz que "por maiores que sejam as boas intenções do ministro Cristovam Buarque, não devemos priorizar mudanças que signifiquem retardamento do financiamento do crédito educativo".
O deputado José Ivo Sartori (PMDB-RS) protocolou um pedido de informações ao ministro da Fazenda com o objetivo de saber quantos alunos estão inadimplentes no Fies. Dados obtidos pelo parlamentar junto à Caixa Econômica Federal indicam que na carteira do Fies estão 218,2 mil alunos e que 10,6 mil estão inadimplentes. O parlamentar gaúcho decidiu apresentar projeto de lei incluindo no programa de parcelamento de dívida (Refis) os estudantes que estão em débito com a Caixa Econômica Federal.
Pela proposta do deputado Sartori, serão beneficiados os estudantes que tomaram empréstimo pelo sistema anterior, o chamado Creduc - Programa de Crédito Educativo - e com o atual sistema, conhecido como Fies - Financiamento ao Estudante do Ensino Superior.
O valor das parcelas deverá ser limitado a 5% da renda bruta do devedor, é o que prevê o projeto já protocolado na Câmara Federal pelo parlamentar gaúcho. Em alguns Estados, como Santa Catarina, existe o sistema de bolsas de estudo para estudantes carentes, em cursos superiores. A demanda pelo crédito educativo nesse Estado é menor.
ana.amelia@zerohora.com.br
Posted
8:25 AM
by Cassiano Leonel Drum
Conflito
EUA chegam a aeroporto de Bagdá
Localizado a 20 quilômetros da capital iraquiana, o aeroporto internacional de Bagdá foi cercado ontem pelas tropas aliadas. Na madrugada de hoje, fontes do comando americano afirmaram ter o controle do local e que mais de 300 militares iraquianos teriam sido morrido em combate. Bagdá está às escuras e centenas de soldados de Saddam, além de civis, teriam sido avistados deixando a cidade (foto David Lesson, AP/ZH)
Quinta-feira, Abril 03, 2003
Posted
10:39 PM
by Cassiano Leonel Drum
Mas o que é esta vida? Mas o que é este viver?
Guilherme de Almeida
Um sábio me dizia: esta existência,
não vale a angústia de viver. A ciência,
se fôssemos eternos, num transporte
de desespero inventaria a morte.
Uma célula orgânica aparece
no infinito do tempo. E vibra e cresce
e se desdobra e estala num segundo.
Homem, eis o que somos neste mundo.
Assim falou-me o sábio e eu comecei a ver
dentro da própria morte, o encanto de morrer.
Um monge me dizia: ó mocidade,
és relâmpago ao pé da eternidade!
Pensa: o tempo anda sempre e não repousa;
esta vida não vale grande coisa.
Uma mulher que chora, um berço a um canto;
o riso, às vezes, quase sempre um pranto.
Depois o mundo, a luta que intimida,
quatro círios acesos : eis a vida.
Isto me disse o monge e eu continuei a ver
dentro da própria morte, o encanto de morrer.
Um pobre me dizia: para o pobre,
a vida é o pão e o andrajo vil que o cobre.
Deus, eu não creio nesta fantasia.
Deus me deu fome e sede a cada dia,
mas nunca me deu pão, nem me deu água.
Deu-me a vergonha, a infâmia, a mágoa
de andar de porta em porta, esfarrapado.
Deu-me esta vida: um pão envenenado.
Assim falou-me o pobre e eu continuei a ver,
dentro da própria morte, o encanto de morrer.
Uma mulher me disse: vem comigo!
Fecha os olhos e sonha, meu amigo.
Sonha um lar, uma doce companheira
que queiras muito e que também te queira.
No telhado, um penacho de fumaça.
Cortinas muito brancas na vidraça
Um canário que canta na gaiola.
Que linda a vida lá por dentro rola!
Pela primeira vez eu comecei a ver,
dentro da própria vida, o encanto de viver.
Posted
10:30 PM
by Cassiano Leonel Drum
Como já estamos em abril, quarto mês do ano, aproxima-se os cem dias do Governo Lula. Pelas reportagens que leio, e em vários jornais, até para buscar correntes de opiniões diferentes, a tônica é sempre a mesma e as mesmas desculpas são colocadas em muitos deles: a de que o País é muito grande para entrar nos trilhos rapidamente. Aliás, isso o próprio Presidente falou: que havíamos que comparar o Brasil a um Transatlântico, dai porque não dava para dar cavalinho de pau como num fusquinha. Enfim resta a esperança de que hajam os trilhos e de que o comboio consiga se ajustar e buscar seus caminhos.
Cupido
Era meu primeiro dia no emprego
Fiz mira, retesei os dedos, lancei a seta
Atingi o alvo, é verdade,
mas derrubei um ninho,
assustei madames,
fiz mancar um pé-de-vento
(seu dono era grande e zangou-se),
pus em polvorosa uma assembléia de anjos da guarda
Acertei o alvo, é verdade,
mas não terá a paixão ficado
pelo caminho?
Fausto Rego
Posted
12:10 PM
by Cassiano Leonel Drum
VAGALUMES NO CÉU DA BOCA
Belas asas têm as palavras que voam de nós para o mundo, em bandos de arribação, cantarolando canções entre nimbos, alados vocábulos completamente bêbados de encanto.
E como são belos os risos e os prantos que moram nessas palavras tão nossas, amorenadas no sol das manhãs, adocicadas com beijos de índios, alongadas com sotaques de imigrantes...
Lúdicas até, como são amigas essas latinas palavras, que nos abraçam em cirandas festivas, sussurram segredos maliciosos nos ouvidos, fazendo gracejos com as nossas pestanas.
Assim tão Doidas, tão lindas, tão macias e carnudas são todas elas, quando saem do vão dos lábios ou das pontas dos dedos, e caem sobre o mundo amplo dos significados, só para dançar um pouco, só para brincar um pouco, só para viver um muito.
Sim já não há lamentos portugueses no lombo das nossas palavras brasileiras, mas há pios de corujas caboré, há galharias de matas contra noites enluaradas, há cheiros de cipós verdes, há odores suaves de florezinhas caipiras e, sobretudo, há confetes e mais confetes de vaga-lumes... constelando o céu da nossa boca!
Posted
12:08 PM
by Cassiano Leonel Drum
Possibilidade
Tão jovem, tão menino
E talvez eu morra amanhã -
Talvez um acidente,
Talvez uma bala perdida,
Talvez simplesmente da complicação desta febre,
Quem sabe da pneumonia asiática.
Talvez morra uma das que me amam,
Talvez morram todos as que me amam,
Talvez um rainha, uma presidenta, a apresentadora do telejornal...
Talvez um cataclisma,
Talvez um gigantesco meteoro,
Talvez a vontade de Deus,
E o Planeta tão jovem, tão menino
Morra amanhã...
E ficarão as estrelas
Brilhando por sonhos que não foram realizados.
Posted
12:05 PM
by Cassiano Leonel Drum
Mutatis Mutandis
mudando o que deve ser mudado
Mais fácil que fazer é aconselhar, assim se você quer mudar algo em sua forma de lidar com o mundo e com as pessoas, algo que não funcione bem, que esteja provocando certa distorção entre o que você é realmente e o que você demonstra ser, utilize apenas uma coisa: a força limpa e eficiente da sua própria consciência.
Usando a consciência (o saber de si mesmo) que é uma amiga poderosa; ela mostra tudo, tudo, ela ¿faz ver¿, e com grande nitidez. Mas necessitamos estar predispostos a enxergar o que a consciência mostra. Se nos negamos a enxergar certas coisas desagradáveis da nossa personalidade... o poder da consciência fica neutralizado.
Daí que, quem deseja mudar precisa ter humildade, uma humildade sensata, inteligente. E quem tem humildade geralmente também tem flexibilidade, o que facilita a adaptação às novas posturas.
Ainda que eu queira, não acredito na veracidade dessas 'mudanças' advindas de esforços tremendos, mudanças conquistadas por meio de acirradas lutas internas ou severas autovigilâncias. Se você utiliza corretamente a força da sua consciência, do seu entendimento mais sincero, as mudanças começam a ocorrer natural e serenamente.
Reflita, não é necessário deflagrar guerras internas, roer as unhas, bater a testa na parede. Pelo contrário, tudo o que existe em nós, cada aspecto da nossa personalidade, os sentimentos, as experiências vividas, tudo isso se reúne em uma aliança sólida e tranqüila, com a finalidade única de melhorar o nosso desempenho humano.
Muda-se, então, em decorrência direta dos novos entendimentos que chegaram à mente, e não como resultado de uma imposição qualquer. Imposições não geram mudanças reais; geram fingimentos, trapaças. O caminho das verdadeiras mudanças é o caminho da abertura de consciência.
A modista mudou o vestido, / e o motorista mudou de sentido,/ e o mendigo mudou de abrigo, / e o soldado mudou de quartel, / e o bedel mudou de chapéu, / e o pintor mudou a tinta, / e a gorda mudou de cinta, / e o garçom mudou de mesa, / e o padre mudou de reza, / e o gato mudou de cadeira, / e o cachorro mudou de coleira, / e o aluno mudou de carteira, / e o carteiro mudou de rua, / e a folhinha mudou de lua, / e o camelo mudou de deserto, / e o malandro mudou de endereço, / e o preço mudou de novo, / e o ovo mudou a receita, / e a cozinheira mudou o bolo, / e o bolo mudou a festa, / e a festa mudou a semana, / e a rainha mudou de florista, / e a florista mudou de modista, / e a modista mudou o vestido, / e a gente mudou com eles!
Posted
11:58 AM
by Cassiano Leonel Drum
HÁ SEMPRE ALGUÉM
O mundo inteiro está cheio de pessoas.
Há pessoas caladas
que precisam de alguém para conversar.
Há pessoas tristes
que precisam de alguém que as conforte.
Há pessoas tímidas
que precisam de alguém que as ajude vencer a timidez.
Há pessoas sozinhas
que precisam de alguém para brincar.
Há pessoas com medo
que precisam de alguém para lhes dar a mão.
Há pessoas fortes
que precisam de alguém que as faça pensar
na melhor maneira de usarem a sua força.
Há pessoas habilidosas
que precisam de alguém para ajudar a descobrir
a melhor maneira de usarem a sua habilidade.
Há pessoas que julgam
que não sabem fazer nada e precisam de alguém
que as ajude a descobrir o quanto sabem fazer.
Há pessoas apressadas
que precisam de alguém para lhes mostrar
tudo o que não tem tempo para ver.
Há pessoas impulsivas
que precisam de alguém que as ajude a não magoar os outros.
Há pessoas que se sentem de fora
e precisam de alguém que lhes mostre o caminho de entrada.
Há pessoas que dizem
que não servem para nada e precisam de alguém
que as ajude a descobrir como são importantes.
Precisam de alguém
Talvez de nós ...
Posted
10:29 AM
by Cassiano Leonel Drum
Vontade de Um Abraço
De repente deu vontade de um abraço...Uma vontade de entrelaço, de proximidade..
de amizade..sei lá..Talvez um aconchego que enfatize a vida e
amenize as dores...
Que fale sobre os amores, que seja teimoso e ao mesmo tempo forte.
Deu vontade de poder rever saudade de um abraço.
Um abraço que eternize o tempo e preencha todo espaço mas que faça lembrar do carinho,
que surge devagarzinho da magia da união dos corpos, das auras..sei lá.
Lembrar do calor das mãos acariciando as costas a dizer."estou aqui."
Lembrar do trançar dos braços, envolventes e seguros afirmando "estou com você"..
Lembrar da transfusão de forças com a suavidade do momento ..sei lá..abraço...abraço...abraço...
abraço...abraço..abraço...abraço...abraço...abraço...abraço...abraço...abraço...
O que importa é a magia deste abraço!
A fusão de energia que harmoniza, integra tudo, e que se traduz no cosmo, no tempo e no espaço.
Só sei que agora deu vontade desse abraço!!
Que afaste toda e qualquer angústia.
Que desperte a lágrima da alegria, e acalme o coração..
Que traduza a amizade,o amor e a emoção.
E para um abraço assim só pude pensar em você.nessa sua energia, nessa sua sensibilidade
que sabe entender o por quê dessa vontade desse abraço.
Autor - Desconhecido
MIL ABRAÇOS...
Posted
8:50 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Simão
simao@uol.com.br
Buemba! Ataque cirúrgico acerta hospital!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! UFA! Acabou o Big Bode Plasil! Um 'reality show' a menos! Final ANTAlógico. Venceu a tradição: ganhou uma anta. Rarará! Primeiro BBB: o Bam-Bam, anta. Segundo BBB: o peão de boiadeiro, anta. Terceiro BBB: Dhomini. Tá tudo DHOMINADO! E você sabe qual a diferença entre uma anta e o Dhomini? Quinhentos mil reais! Rarará! E você sabe qual devia ser a música tema do BBB? A GENTE SOMOS INÚTIL!
Guerra! Big Bush in Bagdá! A Lucianta Gimenez não deve estar entendendo nada da guerra: Nassiriah fica na Síria ou no Iraque? Rarará! E alguma coisa está errada na ordem mundial: o Bush manda ouvir Deus, o Saddam manda ouvir Allah e o Papa manda ouvir a ONU! E adorei aquele cartaz na manifestação pacifista: 'Bombardear pela paz é como trepar pela virgindade'.
E continua a pontaria de caubói bêbado do piloto americano, o Mr. Magoo. O míssil Magoo acertou mais um alvo estratégico: uma maternidade em Bagdá! É pra não nascer mais árabe! Por isso que chama ataque cirúrgico: porque acerta em hospital! E vai sobrar algum iraquiano pra ser 'libertado' pelos EUA??
E o Beira-Mar? Um leitor mandou uma sugestão para onde mandar o Beira-Mar: para Washington! Pra ser estrategista do Rumsfeld! Então já temos três lugares pra mandar o Beira-Mar: 1) Pro Alto Mar. 2) Pra Bagdá. 3) Pra Casa Branca. E uma amiga minha está desesperada porque o símbolo sexual da mãe dela é o Fernandinho Beira-Mar. Na próxima visita íntima ela bota a mãe na fila. É mole? É mole, mas sobe!
E o Dhomini do BBB? Será que ele vai posar pelado pra 'G Magazine'? Já ganhou 500 paus e vai ganhar mais pra mostrar o pau. E o que você faria com os R$ 500 mil do Dhomini? 1) Passava o resto da vida tomando água-de-coco. 2) Fazia vasectomia pra não ter que dividir o prêmio. 3) Comia tudo o que queria. 4) Comia todas que eu queria!
E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que uma amiga entrou num chat na internet e um cara disse que era 'politicamente incorreto no trato com as mulheres'. Tucanaram o cafajeste! Rarará! E no estacionamento do shopping Pátio Higienópolis tem uma placa: 'Serviço de apoio à locomoção'. Tucanaram a cadeira de rodas! Socorro! Temos que chamar o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Kuait': fila do banheiro! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
e-mail:simao@uol.com.br
Posted
8:36 AM
by Cassiano Leonel Drum
O Governo que se preocupa com seus jovens e com o futuro de seu País, prioriza a educação, dando condições para que todos tenham acesso a Universidade. Todavia na contra mão de tudo isso, nosso Ministro da Educação corta o FIES, única chance que ainda havia para que os estudantes pudessem continuar frequentando. Sem condições de pagar os créditos em que estão matriculados, não resta outra alternativa que cancelarem e aguardarem outras oportunidades. Quando?
Ensino
Fies não abrirá novas vagas este semestre
Projeto prevê 100 mil novas bolsas ainda para este ano
Apesar da repercussão negativa, o Ministério da Educação não deve anunciar abertura de novas vagas para o Programa de Financiamento Estudantil (Fies) neste semestre.
O projeto em discussão em Brasília é a criação de 100 mil vagas para o segundo semestre. Destas, 30 mil devem ser concedidas a fundo perdido, onde seriam beneficiados os alunos dos cursos de licenciatura. Eles dariam retorno ministrando aulas em projetos de alfabetização do governo federal.
O estudo do Ministério da Educação, que prevê mudança na forma de concessão e pagamento do Fies, deve ser anunciado em maio pelo ministro Critovam Buarque. Hoje, ele expõe o projeto à bancada petista na Câmara.
- Atualmente, o crédito é como um empréstimo bancário, sem carência e altos juros. Precisa mesmo ser alterado - afirma o presidente da União Nacional de Estudantes (UNE), Felipe Maia.
É improvável que o ministério ceda à pressão de deputados e dos estudantes que apostavam no Fies para se manter em universidades particulares. O argumento para a cobrança é a promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de triplicar o número de bolsistas.
A decisão de não criar novas bolsas não atinge os estudantes já beneficiados, cerca de 185 mil. Com a perspectiva de que o crédito educativo estadual seja reativado no segundo semestre, a única alternativa dos estudantes é recorrer aos programas das universidades.
Posted
8:19 AM
by Cassiano Leonel Drum
Que dias há que na alma me têm posto/ um não sei quê, que nasce não sei onde/ vem não não sei como e dói não sei por quê". Ótima quinta-feira a todos nós, Ainda mais que ontem todos ficaram eufóricos com o índice da Bolsa lá nas alturas, o dólar lá embaixo, o Governo tendo sua primeira vitória retumbante na câmara e as forças da coalisão chegando a menos de 10 Km de Bagdá. Tomara que a tendência continue assim ao longo da semana.
Paulo Sant'ana
03/04/2003
Ilha entre abismos
Este exercício filosófico-psicanalítico que farei a seguir é absolutamente empírico, não tem nenhuma base científica.
Encorajo-me no entanto a fazê-lo porque não conheço nenhum especialista que tenha definido a importante diferença entre a tristeza e a depressão.
E me ocorre de repente que a diferença entre uma e outra é que a tristeza é detonada sobre o homem por fatos concretos e adversos, enquanto que o paciente da depressão desconhece objetivamente as causas do desabamento total do seu humor.
A volta do amor fracassado ou US$ 1 milhão podem solucionar a tristeza, mas não afetam minimamente a depressão.
Enquanto triste, o homem resiste à sua realidade e tem esperança de que ela possa ser modificada.
Já enquanto depressivo, o homem entrega-se a uma desilusão que não será demovida por um ou mais acontecimentos favoráveis.
O triste foi metido num labirinto, o depressivo está mergulhado na escuridão.
O triste ainda fita o horizonte, o depressivo é uma ilha cercada de abismos por todos os lados.
Ainda se acredita que o tempo pode ser o remédio para o mal do triste. O depressivo não tem nenhuma esperança de que o tempo possa socorrê-lo, ele acha que sua vida já acabou.
Melhor dizendo, o tempo pode acabar com a tristeza do triste, enquanto o depressivo entende exatamente que o tempo é o seu maior inimigo, quanto mais longo ele for, maior será o seu infortúnio.
O triste ainda pode evitar ir a um enterro, comparecendo a uma festa. Já para o depressivo não existe diferença entre uma festa e um enterro, ele evita os dois por vazio total de significado.
Se ao triste ocorre o porquê de sua tristeza, ao depressivo aturde o seu desmoronamento.
A melhor definição sobre a depressão encontrei-a em versos antigos do insuperável Luiz de Camões, feitos no tempo em que não se distinguia entre tristeza e depressão: "Que dias há que na alma me têm posto/ um não sei quê, que nasce não sei onde/ vem não não sei como e dói não sei por quê".
Um homem amado pelos seus familiares e respeitado por todos em Rio Grande, onde nasceu, e em Pelotas, onde vive, jogador do Rio Grande na juventude e desde moço até a velhice gremista dos quatro costados, o senhor Jayme de Oliveira Souto completa na data de hoje 80 anos de idade.
E como ele começa a ler Zero Hora por esta coluna há 30 anos, suponho que terá uma agradável surpresa ao perceber agora pela manhã que não poderia passar despercebida a este colunista tão significativa data.
Enfim uma grande e animadora vitória do Grêmio. Não é compatível com a qualidade do plantel gremista a má campanha do time em 2003.
É possível que agora o time se afirme onde tem que se afirmar: no campeonato brasileiro. A Libertadores é uma meta justamente desejada. Mas o Brasileirão é prioritário. Ontem pôde significar a grande arrancada.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Posted
8:17 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
03/04/2003
A assinante
Uma senhora de voz doce me telefona para reclamar que o jornal está publicando muitas opiniões contrárias à guerra. Educadíssima, começa com a clássica apresentação que todos nesta Redação se habituaram a ouvir várias vezes por dia:
- Sou assinante do jornal e queria fazer um comentário.
Com toda a sinceridade, não acho que o leitor sempre tenha razão, mas acho que tem o direito de dizer o que pensa. Disponho-me a ouvi-la com a maior atenção e com a firme determinação de não contestá-la. Ela cita editoriais, artigos e cartas com críticas aos Estados Unidos no atual episódio e arremata, possivelmente interpretando o meu silêncio como uma espécie de cumplicidade:
- Nós sabemos por que os americanos estão atacando o Iraque, não é mesmo?
Sinto ganas de gritar-lhe que não sei.
Já ouvi todos os argumentos: para libertar os iraquianos de uma ditadura sanguinária; para acabar com armas de destruição em massa; para prevenir-se contra o terrorismo; para implantar a democracia. Nos primeiros dias de batalha, porém, todos se revelaram inconsistentes. Que libertadores são esses que retiram a bandeira do país invadido e a substituem pela sua? Bombas de várias toneladas sobre residências e mísseis teleguiados para um mercado público cheio de gente não seriam armas de destruição em massa? Será que a tal autodefesa preventiva consiste na eliminação de crianças para impedir que cresçam e se transformem em terroristas? E democracia se impõe contra a vontade da maioria?
Penso tudo isso, mas não digo. Deixo a moça de voz adocicada concluir a sua queixa e manifestar a sua simpatia pelo senhor Bush. Gostaria de dizer-lhe que a maioria absoluta das opiniões contra a guerra não são de simpatia pelo senhor Saddam, mas sim de respeito à vida. Evito, também, este comentário, temendo que ele seja mal interpretado. As pessoas andam muito sensíveis por esses dias.
Além disso, a amável belicista já provou que pelo menos em uma coisa tem muito bom gosto.
É assinante de um jornal que tem por slogan exatamente esta frase emblemática: A vida por todos os lados.
nilson.souza@zerohora.com.br
Posted
8:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
03/04/2003
Represálias
Não concordo que haja o risco de represália dos Estados Unidos se o governo brasileiro insistir numa posição crítica em relação à invasão do Iraque, como andam dizendo. E se houver represália, o que pode nos acontecer? Um bombardeio de Brasília, desde que não seja entre terças e quintas, não afetará o funcionamento do Congresso, que não estará lá. O Executivo e o Judiciário também correm perigo mínimo: pouca gente sabe que o Niemeyer construiu boa parte dos edifícios de Brasília embaixo da terra já prevendo um eventual ataque americano. São poucas as probabilidades de o presidente ou sua família serem atingidos, a não ser que a Michelle fuja do abrigo e o Lula corra atrás dela. No Judiciário, os processos empilhados esperando julgamento agiriam como sacos de areia, dando proteção adicional aos juízes. E há sempre a esperança de os americanos bombardearem Buenos Aires.
Se o Donald Rumsfeld não decidir que as tropas terrestres devem invadir o Brasil pela Amazônia, onde o risco de tempestades de areia é mínimo, elas deverão desembarcar na Bahia, onde terão que avançar lentamente, respeitando as características locais, ou no Rio, onde enfrentarão o grosso do armamento pesado do nosso exército, que, como se sabe, está todo na mão dos traficantes, sendo improvável que consigam passar do Complexo do Alemão. Se desembarcarem em Santos para atacar São Paulo, terão que enfrentar o engarrafamento na Bandeirantes. E apesar da informação que a CIA tem de descontentamento interno e oposição feroz ao regime instaurado no país, os americanos se iludem se pensam que poderão contar com adesão da Heloísa Helena e do Babá. E há o perigo de armadilhas. Avançando pela Barra da Tijuca, onde todos os letreiros e anúncios são em inglês, os soldados invasores podem ter a enganosa impressão de que estão em casa ou no mínimo que houve uma rendição antes mesmo do ataque, baixarem a sua guarda e serem emboscados pelo Batalhão de Elite "Vera Loyola", furiosamente leal a Lula.
E se, mesmo assim, a invasão tiver sucesso e o regime for derrubado, devemos pensar no lado positivo da coisa: o país será totalmente reconstruído por empresas ligadas à Casa Branca, e quem pagará será o Tesouro americano. Finalmente teremos saneamento básico decente etc. sem falar em "marines" com visão noturna patrulhando as ruas contra o crime. E não é demais lembrar que foi o general MacArthur, chefe das forças de ocupação, que impôs a reforma agrária no Japão com a decisão que tem faltado aos nossos governantes.
Por enquanto, no entanto, os americanos se limitam a nos atacar com agências internacionais de fragmentação sob o seu controle que subjugam nossa economia e tratados multinacionais teleguiados que eternizam nossa dependência, em represália a... Em represália ao que, mesmo?
Posted
8:09 AM
by Cassiano Leonel Drum
Futebol
Como nos velhos tempos
O Grêmio goleou o Peñarol por 4 a 1 no Olímpico, exibindo a raça de anos anteriores (foto Valdir Friolin/ZH)
Quarta-feira, Abril 02, 2003
Posted
10:47 PM
by Cassiano Leonel Drum
Aprenda a dizer não
Deixar claro o que você pode ou não pode fazer é uma das ferramentas para ganhar credibilidade e respeito no ambiente de trabalho
Por Ilana Berenholc
Ter uma boa imagem é algo muito diferente do que fazer tudo para agradar os outros. Ao contrário de fortalecer sua imagem, ficar tentando parecer bem e não se indispor com ninguém acaba transmitindo uma ausência de valores pessoais. Dessa forma, torna-se impossível construir uma imagem sólida, pois seus princípios e sua personalidade não ficam evidentes. A forma como você lida com situações difíceis e como mantém sua palavra demonstram sinais de maturidade profissional.
Uma das situações que mais tentamos evitar é negar alguma solicitação que tenha sido feita. Dizer "não" pode ser algo bastante estressante, mas não dizê-lo pode trazer conseqüências muito mais sérias para sua imagem. Se você nunca nega nenhum pedido por medo de parecer antipático ou por não saber como fazê-lo, acaba se tornando alguém que todos vêem como disponível e que não encara seu próprio trabalho como prioridade. No final, você acaba atolado de coisas para fazer: as suas e as dos outros, o que não é nenhum pouco agradável. Negar algum pedido não requer tanto esforço -- é só uma questão de prática. Veja como tornar esse momento menos difícil:
1 Antes de tudo, saiba de fato quais são obrigações e responsabilidades.
2 Seja direto na resposta. Não hesite dizendo coisas como "hum", "deixa eu ver" ou "vou pensar".
3 Lembre-se de que a palavra "não" é uma das opções que temos para negar um pedido, mas não é a única.
4 Não reaja emocionalmente. Para dizer "não", você não precisa se indispor. Seja educado. E muito importante: não use o momento para dizer tudo o que pensa.
5 Assuma o que você está dizendo e não culpe outras pessoas por sua atitude. Explique quais são suas obrigações, pendências e prioridades.
6 Não use problemas pessoais para se justificar. Proponha uma outra solução ou indique outra pessoa para fazer o que lhe pediram.
7 Não faça nada que vá contra seus princípios ou de que irá se arrepender depois.
8 Cumpra o que prometeu. Se disser que não pode fazer algo, não o faça. Honre sua palavra para ter credibilidade.
9 Não faça disso uma disputa pelo poder. Perceba quando está sendo inflexível e saiba também quando dizer "sim".
10 Para que sua mensagem tenha consistência, também é necessário que você use sua linguagem corporal para reforçar o que está dizendo. Olhe diretamente nos olhos do seu interlocutor. Desviar o olhar transmite incerteza e se a outra pessoa captar isso, irá insistir até que você ceda. Adote uma expressão facial positiva para transmitir segurança no que está dizendo e fique com uma postura relaxada. Cuidado com gestos nervosos, como morder o canto da boca ou bater com a caneta na mesa.
11 Fale clara e pausadamente para não demonstrar ansiedade, mas sim veracidade.
12 Por fim, não espere que todos gostem de você sempre. É provável que isso não aconteça, mas tenha certeza de que dizendo "não" na hora certa todos irão respeitá-lo. Assim não posso esperar que você goste de mim, mas tenha certeza, eu gosto de você, ainda que na distância, ainda que a reciproca não seja verdadeira. Fiquem com os anjinhos e até amanhã.
Posted
10:28 PM
by Cassiano Leonel Drum
CLÁUDIO HUMBERTO
A FOME TÁ NO FUNDO DO PALÁCIO
(Deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), lembrando que há esfomeados em toda parte e não apenas nas cidades pequenas)
Paralisia tira 120 mil empregos
O presidente Lula se distancia do compromisso eleitoral de gerar emprego e renda. Na seqüência dos cortes no orçamento, seu governo mandou parar obras de grande importância, em todo o País - só no âmbito da Codevasf, no Nordeste, são cinco obras paradas, provocando a demissão de 1.200 trabalhadores. A indústria de construção civil estima que a paralisia do governo já gerou pelo menos 120.000 desempregados no setor.
Rede verde
A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) abre hoje, na Universidade Santa Úrsula, no Rio, o III Encontro da Rede de ONGs da Mata Atlântica. Até sábado diversos convidados debaterão temas como conservação da biodiversidade, direito ambiental e ICMS ecológico.
Pena de morte
O filósofo Olavo de Carvalho, conhecido pela erudição e por suas críticas à esquerda, denuncia a ameaça de morte no site midiaindependente.org. Uma ong CMI pede o fim físico dele, e o boicote, com coquetéis molotov, pedras e paus, à livraria Cultura (SP), anunciante do site olavodecarvalho.org. Ele se diz morto só de ler o que o site escreve.
Companheiro excelência
O ministro Cristovam Buarque (Educação) detesta formalismos, por isso pediu ao colega José Dirceu (Casa Civil) que o dispense do tratamento de excelência. Mas reconhece que chamar de companheiro pega mal.
Parece mentira
Com o anúncio do novo salário mínimo de R$ 240, o deputado tucano Eduardo Gomes (TO) ironizou: 1º de Abril passará a ser conhecido também como o Dia das Propostas Não Cumpridas, exatamente no Dia da Mentira.
Clima de terror
O presidente do INSS, Taiti Inenami, é sabido: trata bem os que exerceram cargos de confiança no governo anterior, insinua que permanecerão e, após obter deles todas as informações que deseja, demite-os inapelavelmente. Tem servidor pedindo para trabalhar no posto do INSS na Rocinha, à noite.
Pá de cal
O ex-senador ACM Jr. teve acesso à gravação da conversa entre seu pai e o repórter Luiz Cláudio Cunha, da revista IstoÉ, e levou ao velho babalaô uma transcrição do telefonema comprometedor. ACM ficou desesperado.
Toma lá, dá cá
A cúpula do PMDB no Senado só pensa naquilo: os senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL) tratam com Sílvio Pereira, o Silvinho, auxiliar de José Genoíno, das nomeações para escalões inferiores do governo.
Uma sugestão
Medida emergencial das autoridades para combater a guerra do Rio: tirar a segunda-feira do calendário.
Candomblé carlista
Muito chegado ao misticismo, o povo baiano bem que poderia tentar desvendar os mistérios que envolvem a empresa Netra Tecnologia Ltda, o deputado mirim ACM Neto (PFL-BA) e a Secretaria de Educação da Bahia.
Desde criancinha
Filiou-se ao PSDB o ex-governador do Ceará Gonzaga Motta (Totó), aquele das forças do atraso, como diziam Tasso Jereissati e Ciro Gomes.
Está difícil
O ex-deputado mineiro Marco Lima (PMDB), que sempre se manteve distante dos colegas, agora recolhe assinaturas de apoio, na Câmara, para ser indicado presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras.
Súbita rapidez
O engavetador-geral agora quer agradar os novos ocupantes do poder. No processo em que o PT tenta ganhar o governo de Brasília no tapetão, um recurso de Joaquim Roriz foi solicitado para exame às 18h e recebeu parecer (contrário, claro) de Geraldo Brindeiro às 22h30 do mesmo dia 20.
Namoro conservador
O PPB e o Prona negociam a fusão. Enéas Carneiro (SP) vai conversar hoje com sua bancada sobre o assunto. O futuro presidente do PPB, Pedro Correia (PE), diz que suas idéias são muito parecidas com as de Enéas.
Penhora de 20%
O corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro Ronaldo Lopes Leal, limitou em 20% o percentual passível de penhora sobre créditos da Rede TV! (ex-Manchete), decorrentes da venda de espaço. A penhora garante a execução de ação ajuizada por um ex-funcionário.
Vidas separadas
O jornal La Repubblica acompanha o drama do brasileiro Francisco, impedido de entrar na Itália para acompanhar o tratamento contra a Aids do italiano Andrea, com quem vive há 20 anos no Brasil. A lei local não reconhece o casamento gay. O caso vai à corte européia, em Estrasburgo.
Poder sem pudor: Decisões fundamentais
A reunião do colégio de vice-líderes do PT na Câmara dos Deputados, ontem, tomou duas decisões da maior relevância. Primeiro, ficou acertado que o líder Nelson Pelegrino (BA) vai oferecer um almoço à bancada, na residência do presidente da Câmara, e o prato principal será o baianíssimo caruru. Deliberou também articular um time de futebol de deputados do PT para enfrentar o selecionado do presidente Lula. Mas Pelegrino avisou:
É para perder, hein? Se a gente ganha, o pessoal vai dizer que a bancada do PT impôr uma derrota ao governo e isso não pode de jeito nenhum!
Claudio Humberto com Teresa Barros
e-mail: claudiohumberto@odianet.com.br
Posted
4:08 PM
by Cassiano Leonel Drum
Imaginem o preço dos relógios e a matéria prima abundante que existe por estes campos deste vasto estado chamado Rio Grande. Daqui a pouco o conteúdo vale mais do que o continente, ou seja: o esterco vale mais do que o Boi.
Quarta, 2 de abril de 2003, 10h04
Alemão faz relógios de pulso com esterco de vaca
O artista alemão Bernd Eilts, de 43 anos, que faz relógios de parede e pequenas esculturas com esterco de vaca seco quer inovar e transformar a inusitada matéria-prima em relógios de pulso.
"Os artistas estão sempre procurando novos materiais. Eu utilizava estrume de ovehas, mas é muito pequeno. Então mudei para esterco de vaca", disse à agência Reuters. Ele afirmou que a idéia surgiu há dez anos, quando passeava nos campos de uma montanha. Sem dúvida, o lugar devia ter muito material inspirador.
Eilts deixa o esterco secar por algumas semanas. Depois, esculpe e pinta. Os relógios custam 150 euros, cerca de US$ 140,00. Ele disse que os relógios de pulso logo estarão à venda, incluindo modelos com alarme.
Posted
8:56 AM
by Cassiano Leonel Drum
As palavras são vírus
No céu de abril, se relacionam o Sol e Netuno, e a Lua ainda é nova em Áries. Aqui na Terra, vítima de sua própria recusa de enfrentar a crua realidade, nossa humanidade espalha doenças quando abre a boca para falar. As palavras são vírus que se instalam na mente das pessoas, criando alucinações cuja cura não depende de remédios químicos, mas da profilaxia dos pensamentos.
A guerra química e bacteriológica só é possível porque na prática ela já existe há muito tempo, com nossa humanidade espalhando mentiras e criando realidades ilusórias por meio das palavras, sob títulos ribombantes como "construção e assessoria de imagem". Não existem mentiras úteis ou inocentes, toda vez que nossa humanidade mente ela reforça o vírus letal que a vampiriza lentamente sob o peso da ilusão.
E para os Capricornianos, a responsabilidade não é necessariamente um peso a mais nas costas de nossa humanidade, ela é uma virtude, a capacidade de responder ao chamado da vida para sintonizar-se com ela e cooperar com o plano cósmico.
Se você quiser saber o que reserva seu horóscopo é só clicar no link ai acima. Tenhamos todos um bom dia e paa quem está saindo de férias, ótimas férias, aproveitem, relaxem e curtam a folga.
Posted
8:46 AM
by Cassiano Leonel Drum
Joelmir Beting
Quarta-feira, 2 de abril de 2003
Círculos n'água
"Estão à venda as nossas mercadorias. Nossos princípios não estão à venda."
Celso Amorim, ministro de Relações Exteriores
Caçapa cantada. Esgotou-se o prazo, segunda-feira, 31, para o arredondamento das bolas quadradas do processo de desmanche pactuado e fatiado do protecionismo agrícola dos países ricos - que dificultam o acesso aos respectivos mercados dos produtos de arrimo nacional dos países emergentes, Brasil à frente.
A Organização Mundial do Comércio (OMC) bem que tentou azeitar a carpintaria de um acordo agrícola global entre seus 145 parceiros. As formalidades e as comodidades deveriam ter sido casadas até 31 de março para informar a discussão da abrasiva matéria na assembléia geral da OMC, agendada para setembro, no México.
Deu no que já era esperado: a União Européia rasgou o cronograma e o Japão bateu palmas. Com os Estados Unidos, rompedor confesso do multilateralismo nas relações diplomáticas entre os povos, lavando as mãos, feito Pilatos. Simples: se europeus e japoneses estão com o protecionismo e não abrem, por que fariam os americanos essa abertura? Nem na OMC nem na Alca, of course.
Para europeus e japoneses, a rejeição escapista de um acordo agrícola global tem agora o reforço político do próprio estado de guerra made in USA e abusa. A guerra pode acabar ainda neste semestre. O que não vai cicatrizar tão cedo é a rachadura do proselitismo multilateralista da OMC. Se as negociações multilaterais já eram um sonho de uma noite de inverno, nesta primavera da guerra sem causa na terra dos outros, a carpintaria diplomática da OMC (com sobras para a Alca) sai para o acostamento do isolacionismo de ocasião no rodapé do nacionalismo de sempre.
A própria União Européia se confessa rachada pelo desvario militarista de Bush & Blair. Franceses e alemães, ao contrário de espanhóis e italianos, romperam com o alinhamento automático sob o guarda-chuva militar da Otan. O novo racha europeu tem massa crítica para zerar a chance de um acordo agrícola na OMC - até mesmo para inviabilizar Washington na costura da Alca. Quem tem medo da Alca? Os europeus.
Ao Brasil interessaria a salvação de um futuro acordo agrícola na OMC e, por tabela, na Alca. O protecionismo dos países ricos retira pelo menos um quarto de nossa capacidade de competição no mercado global - nos cálculos de consultores brasileiros. Um protecionismo assentado no tripé: 1) barreiras tarifárias na importação de produtos agrícolas; 2) incentivos fiscais na exportação de produtos agrícolas; 3) subsídios diversos na produção da cadeia do agronegócio nacional.
A barragem do protecionismo, em relação ao valor total do PIB agrícola, é da ordem de 24% nos Estados Unidos, de 47% na União Européia e de 59% no Japão. O que levou até mesmo o diretor-geral do FMI, o alemão Horst Köhler, a suspirar na semana passada: "O protecionismo agrícola dos europeus é simplesmente ridículo."
Com resposta de bate-pronto do representante comercial da União Européia, o francês Pascal Lamy: "Não precisamos de conselhos e muito menos de sermões nos tratos da abertura agrícola com o resto do mundo. Trabalhamos a fundo para fechar uma primeira pauta global até 31 de março. Se não deu certo, há que se manter a cabeça fria."
Secos & Molhados
Cuca fria - Cabeça fria é o que o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, recomenda aos exportadores brasileiros. Com guerra ou sem guerra, podemos aumentar nossas vendas em 12% este ano. E não há risco de retaliação comercial americana pela nossa posição soberana em defesa da paz em qualquer recanto do mundo."
Novo "front" - O "export drive" brasileiro descola-se cada vez mais do mercado americano (rebaixado para menos de um quinto de nossos embarques totais). Estamos alargando espaços no próprio Oriente Médio e entrando em órbita no planeta China. Em 2020, a China de US$ 7,5 trilhões estará importando 600 milhões de toneladas de alimentos.
E a Alca? - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, também não esquenta a cabeça: quem está de olho gordo e rútilo na Alca é Washington e não Brasília.
Posted
8:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lula sabe das coisas
O Nilson Souza disse que ficou deprimido assistindo às cenas dos ministros jogando futebol no fim de semana.
Como são ruins ¿ lamentou o Nilson, com a autoridade de quem foi o melhor em campo no clássico em que o Esporte transformou o Segundo Caderno numa Bagdá bombardeada, meses atrás.
E a Rosane Oliveira, que nunca jogou bola, mas é uma jornalista perspicaz, acrescentou:
O Olívio era um dos poucos em boa forma. Mas ele é frangueiro.
De fato, talvez o primeiro escalão da República esteja precisando lá de um Paulo Paixão, mas que o presidente Lula tem estilo, isso tem. Observe a foto abaixo:"não publicada" o presidente vai chutar a bola com a canhota. Repare no perfeito enquadramento do corpo o braço direito estendido, permitindo o equilíbrio; o esquerdo acompanhando o movimento da perna para trás, conferindo ainda mais força ao chute. E o pé de apoio fincado ao lado da bola, como deve estar sempre o pé de apoio quando do chute. Um movimento de quem é bailarino de chuteira.
Foto(s): José Cruz, ABR, Banco de Dados/ZH
Já a foto ao lado mostra um Lula ambidestro, o que deve ser surpresa para quem, antes da eleição, achava que ele só jogava com a esquerda. Bem, agora ele bate com a direita. Mais: mete uma bola de três dedos, no melhor estilo Dunga. O Leozinho Oliveira, aqui do Esporte, sempre tenta dar passe de trivela, nos nossos jogos. Nunca consegue. Ele mira para a direita, a bola vai irritantemente para a esquerda. Ele calcula jogar para a esquerda, lá se vai ela, indisciplinada, para a direita. Uma tristeza.
O Lula, não. O Lula deu um passe escorreito. Note: a bola pegou tanto efeito que não se consegue divisar a pintura dos gomos. E tem ainda o detalhe do bracinho. O esquerdo. Ele está com o cotovelo dobrado, o punho quebrado, a mão torcidinha com a bossa do camisa 10 do time.
Quer dizer: Lula conhece o joguinho.
Já o Tarso Genro, não sei. O Tarso aparece ao fundo do lance, trajando um calção sumário, provavelmente de lycra, ou um desses outros tecidos elásticos que colam no corpo e delineiam as formas. A parte da frente da camiseta do time, o mesmo time do presidente, está enfiadinha. Manja ¿enfiadinha¿? Pois é. Realça a condição atlética do ministro, mas não pode ser considerada elegante, futebolisticamente falando. No quesito fardamento, o Tarso é segunda divisão.
Medo
O medo estava pendurado em cada vírgula do artigo que o correspondente da Folha escreveu ontem sobre sua saída de Bagdá. Sérgio Dávila, esse o nome do repórter, foi o último jornalista brasileiro a deixar o Iraque. Teve de percorrer 600 km até Tribil, na fronteira com a Jordânia, uma viagem tão arriscada que o motorista do carro que alugou lhe cobrou U$ 2 mil, 10 vezes mais do que o preço cobrado na ida. Mesmo assim, na hora da partida, o motorista disse que havia pensado melhor e desistira da empreitada. Mandou em seu lugar um primo fanático religioso, que não falava nem iés em inglês.
O tal primo passou a viagem recitando o Alcorão e ouvindo uma fita de cânticos de loas a Alá. A diversão do cara era atropelar as pombas que encontrava pelo caminho. Atropelava uma pomba, pena voando para tudo que é lado na poeira do deserto, e gargalhava, faceiro. Fiquei imaginando o repórter e o fotógrafo no fundo do carro, olhando para esse maluco.
Sérgio temia a ação das milícias armadas por Saddam, temia as barreiras americanas que o detiveram e interrogaram, temia as bombas que os invasores lançam naquela região. Não faltavam razões para ter medo. No fim da jornada, ao chegar à fronteira, surpresa: o funcionário da aduana lhe comunicou que faltava um carimbo em seu passaporte. Ele teria de voltar a Bagdá para apanhá-lo. Sérgio precisou de mais de uma hora argumentando em inglês para que o outro permitisse seu ingresso no país.
Sérgio foi acometido por um medo saudável, o medo que motiva a precaução. Evadiu-se de Bagdá antes que o pior acontecesse, e o pior tem acontecido em Bagdá. Esse é o medo bom. O medo que salva. Um medo que faria Sérgio colocar um eficiente volante de contenção no seu time, caso fosse técnico de futebol. Os técnicos competentes sabem da importância do primeiro volante que desarma o adversário, cobre os laterais, exerce uma vigilância feroz e eterna diante da grande área, como se fosse um sargento da Guarda Republicana de Saddam.
O desmantelamento do esquema do Grêmio começou com a saída de um volante desses. Eduardo Costa. Terminou com o fenecimento do futebol de um meia de criatividade. Zinho. Foi arrematado pelo cansaço atual do seu meia de movimentação. Tinga. Por fim, o Grêmio vê-se nas fímbrias da falência, no primeiro semestre, por estar jogando com medo. Mas não o medo bom do Sérgio Dávila, e sim o medo que paralisa e faz a sua vítima ficar acuada feito um Bin Laden na caverna. Hoje, para vencer, o Grêmio terá que atropelar esse medo. Terá que ter de novo o velho desassombro de 2001. Sem esquecer, claro, da cautela, que ninguém é louco de jogar sem proteção ou de esperar a tempestade de bombas em Bagdá.
david.coimbra@zerohora.com.br
Posted
8:31 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Fogaça
02/04/2003
E. T. para adultos
No filme Sinais, Mel Gibson encarna a figura de um pastor episcopal atormentado pelos conflitos existenciais e místicos que lhe invadem a alma. No meio da noite, a vegetação se agita estranhamente. Vultos longilíneos se esgueiram pelas sombras. Insólitos desenhos geométricos amanhecem nas plantações. São os primeiros sinais: a Terra está sendo invadida por seres extraterrestres em busca de seu espaço vital, o gênero humano e toda a obra da Criação divina se encontram sob ameaça de total destruição. Joaquin Phoenix, irmão de sangue, em meio ao caos e à incerteza, pergunta: "Deus não nos protegerá?". Impassível e sem comiseração, Gibson lhe responde:
Não. Estamos sós diante do Universo.
Até alguns dias atrás, Sinais passava batido para mim como apenas mais um subproduto da enjoada onda sobrenaturalista que grassa no cinema americano. No entanto, na semana passada, em meio à crise que se precipitou sobre o planeta, quando tentava colocar um pouco de racionalidade e ordem na compreensão dos acontecimentos, essa foi justamente a cena que me veio à lembrança.
"A primeira vítima de todas as guerras é a verdade", disse-nos em 1917 um senador dos Estados Unidos. Com esta guerra, entretanto, morrem, antes de tudo, todas as teorias recentes de equilíbrio dinâmico e paz permanente, surgidas no último quartel do século 20. Se um país concentrasse poderio bélico em demasia, a ele se oporia imediatamente uma coalizão que o obrigaria a recuar, restabelecendo-se rapidamente a simetria dentro de um sistema natural de freios e contrapesos entre as nações. Estaríamos protegidos não pela bondade ou pela vocação pacifista dos chefes de Estado, mas por um equilíbrio sistêmico, inerente à nova ordem internacional.
Esse sonho ruiu naquele alvorecer de segunda-feira, quando os primeiros mísseis partiram de suas ogivas em direção a Bagdá. Naquele momento, ficamos sabendo que nenhuma lei, nenhuma instituição, nenhum governo, nenhuma autoridade supranacional pode, por si só, garantir a paz no mundo. Não há uma autoridade central ou suprema em nível global, que assegure - pelo monopólio da força - o cumprimento dos tratados e dos acordos entre os Estados. O único poder coercitivo vigente é o da guerra.
Dissuasão e força - eis a linguagem do universo. Estamos todos, nações e indivíduos, verdadeiramente sós.
Pensando bem, o filme do Mel Gibson, não era, afinal de contas, apenas um E.T. para adultos.
Posted
8:29 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ainda bem Marthinha, que foram R$ 15,00. Imagine se fosse o carro e você junto, quanta incomodação e provavelmente bem mais do que os R$15,00 que você graças a Deus tinha na bolsa. Mas se a moda pega, coitadas das mamães que esperam por seus filhos nas frentes de dezenas de colégios, por ai.
Martha Medeiros
02/04/2003
Confiança
Eu estava dentro do carro, estacionada numa rua em frente ao colégio das minhas filhas, esperando-as. Lia um livro, distraída. Mesmo dando sopa desse jeito, não me assaltaram. Eu acho.
O que aconteceu foi que bateram no vidro da janela. Era um homem, parecia aflito. Abri. Ele me contou afobadamente uma história que não tinha vírgulas, nem pausas, nem muito sentido: havia sido chamado no colégio porque sua filha havia tido uma convulsão, ele saiu de casa correndo, esqueceu a carteira, e o seu carro estava praticamente sem gasolina: poderia pegar um pouco de combustível do meu? Ele não tinha galão nem mangueira nem nada. E eu estava com o tanque na reserva. Não era por aí que solucionaríamos o caso. Então ele, aparentemente muito sem jeito, pediu dinheiro, disse que deixaria o celular dele como garantia, enfim, uma confusão dos diabos. O que você faria nessa hora?
Eu abri tranqüilamente minha carteira e dei R$ 15 para ele pegar um táxi ou botar gasolina, enfim, que os gastasse como achasse melhor. Ele pegou o dinheiro e pediu meu cartão de visitas para que pudesse entrar em contato e me pagar, mas eu disse para ele ir em frente, que deixasse assim. Ele agarrou minhas mãos dizendo que eu era um anjo e sumiu ladeira abaixo, sem que eu visse filha, carro ou cúmplices.
Tudo isso durou cerca de uns 40 segundos. Só fui raciocinar depois. Ri sozinha imaginando que, ao chegar em casa e ligar meu computador, encontraria avisos na internet denunciando um novo golpe na praça: um cara bem-apessoado faz uma encenaçãozinha diante das escolas para comover o puro coração das mães e, assim, descolar uma graninha. Talvez eu tenha sido a maior das trouxas. Mas quero morrer assim bem trouxa.
Em tudo na vida, há uma possibilidade de verdade. Há sempre o risco de as pessoas estarem sendo sinceras, de as pessoas estarem realmente precisando de ajuda. Prefiro apostar neste risco do que no risco de ter sido enganada. Se fui, isso me custou R$ 15. Se não fui, isso me valeu uma crônica e um pensamento: não há de ser um pecado mortal a gente ainda ter alguma fé no ser humano.
martha.medeiros@zerohora.com.br
Posted
8:23 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
02/04/2003
Justiça com identidade
Com o avanço do crime organizado e o assassinato de dois juízes que tratavam da execução de penas de traficantes, pessoas ilustres da sociedade brasileira e pertencentes ao mundo jurídico sugeriram que daqui por diante os juízes exarassem suas sentenças e despachos no anonimato, como se diz aconteceu na Itália há pouco tempo. E na Colômbia, atualmente, os juízes escondem a autoria de seus atos para se livrar do terror.
Fiquei abismado com esta sugestão. Por ela, a Justiça se tornaria clandestina, sem nome, sem rosto e sem identidade, igualando-se em métodos aos infratores que possam intimidá-la.
Um dos básicos valores da democracia, indispensável à sua eficácia e legitimidade, é a publicidade e a transparência dos atos dos seus agentes nos três poderes.
Uma sentença ou um despacho de juiz inominado, escondido no anonimato, fere totalmente a soberania indiscutível dos desígnios do poder, fragilizando a autoridade dos que são obrigados a decidir a favor ou contra alguém, cujo mandato é unicamente incontestável exatamente porque respondem com sua identidade pela decisão proferida.
O mínimo a que as partes, os suplicantes, as vítimas, os demandados, os réus, os advogados têm direito, assim como toda a sociedade, é que se conheça quem decidiu. É imanente ao respeito pela autoridade decisória que ela responda por seus atos com o seu nome e o seu rosto.
A Justiça se esboroa em sua respeitabilidade e eficiência se forem colocadas máscaras nos magistrados. Porque suas decisões aí sim ficarão marcadas pelo medo, completamente descaracterizadas do ingrediente insuprimível da independência.
Evidentemente que o Estado tem de garantir a integridade física e psicológica dos juízes, mas isto não se faz embuçando-os no anonimato.
Máscaras são usadas pelos criminosos. Nunca pelos juízes.
O Parque Rivadávia, cinco hectares e meio de árvores, passeios e monumentos, encravado no bairro de Cavallito, em Buenos Aires, não resistiu ao ataque dos vândalos, inteiramente depredado.
A solução para a administração municipal foi regenerá-lo, principalmente em seus monumentos, que tinham sido inteiramente desfigurados pela ação dos predadores.
Impediu-se durante dois meses o acesso do público ao Parque Rivadávia, enquanto foram gastos 1 milhão de pesos com a remodelação do amontoado de ruínas que virara o logradouro nos últimos tempos.
Leio no jornal Clarín que agora, a 18 de abril, o Parque Rivadávia voltará a ser um dos mais belos cartões-postais de Buenos Aires, sendo devolvido estuante à visitação da população portenha, mas com duas novidades que vão modificar totalmente a paisagem daquele tesouro urbanístico.
Foi construída uma cerca gradeada de aço em redor de todo o parque. E à noite o parque será fechado ao ingresso dos freqüentadores.
Isto é o mínimo que a inteligência e a sensibilidade podem oferecer, no Campo de Santana, no Jardim Botânico, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, todos cercados e fechados à noite.
E em centenas ou milhares de outros parques ao redor do mundo, que se abrem em oferta a seus freqüentadores somente durante o dia.
E se fecham aos seus dilapidadores noturnos.
Não há como não ser contundente: até quando a enraizada limitação mental porto-alegrense vai manter a Redenção sem cerca?
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Posted
8:19 AM
by Cassiano Leonel Drum
Conflito
Guerra no Iraque
Soldado britânico espia pela janela de uma casa em Basra, buscando guerrilheiros iraquianos (foto Mark Richard, Reuters/ZH)
Terça-feira, Abril 01, 2003
Posted
7:19 PM
by Cassiano Leonel Drum
O MAPA
Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...
Mario Quintana
Posted
7:13 PM
by Cassiano Leonel Drum
E se foi para sempre o primeiro trimestre de 2003, este primeiro de abril já está quase no ocaso. Felizmente ou infelizmente nada de espetacular, e nem ninguém que nos fizesse de bobo, pelo menos consciente.
CANÇÃO DE OUTONO
O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida...
Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
de carícia a contrapelo...
Partir, ó alma, que dizes?
Colhe as horas, em suma...
mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte alguma!
Mario Quintana - O mesmo do "Mapa" que descreve as ruas de Porto Alegre
Posted
9:06 AM
by Cassiano Leonel Drum
MANIFESTO CONTRA A GUERRA
Não à guerra! Não ao terrorismo! Não ao poder sem limites! É disto que se trata: de um mundo regido pela pura força. As ações intempestivas do terror valem pela surpresa do ataque. Quanto mais secreto, mais eficaz. A derrubada das torres de Nova Iorque são o seu símbolo mais perfeito. A resposta de Bush, anunciada a todos os ventos, vai, no entanto, no mesmo sentido. A maior concentração de fogo já vista na história, aplicada segundo uma única vontade. Reativa. Sem respeito à opinião alheia ou à de outros poderes. Sem diplomacia. É a potência mundial que, na prática, submete-se à provocação terrorista, arrastando o mundo inteiro para um novo tempo, de insegurança radical.
Usar o nome de Deus ou de Alá, neste contexto, é pura blasfêmia. Falamos com conhecimento de causa, pois somos moradores das cidades brasileiras, também elas crescentemente tomadas pela morte intempestiva. Não queremos morrer antes do tempo e não queremos matar. Nossa terra não agüenta tanto ódio. Nossas mentes não suportam tanto medo. Diremos não à guerra, ainda que sem certezas sobre o futuro. Diremos não, simplesmente, porque preferimos assim. Que Deus, Jeová e Alá nos escutem! Que a vontade de paz prevaleça, hoje, amanhã ou depois de amanhã. Sem cálculos mesquinhos ou argumentos fáceis. Que a paz ganhe poder!
Posted
8:54 AM
by Cassiano Leonel Drum
Arnaldo Jabor
Terça-feira, 1 de abril de 2003
O poder dá sentimento de culpa no PT
Na minha vida de estudante de esquerda, as reuniões eram infinitas. As noites passavam, as estrelas se apagavam e as discussões politicas só morriam de manhã. Eu saía com a boca amarga e ia tomar café no botequim, vendo os operários com suas marmitas indo trabalhar e me sentia vagamente "operário" também, sócio de uma revolução romântica.
Nossa revolução era feita de palavras. Que prato cheio para a psicanálise as assembléias dos anos 60!... Elas serviam de catarse para as neuras e grilos dos comuninhas. Como o Marx foi útil para esconder Freud!... Mas, as chatíssimas assembléias nos davam a sensação de pertencer a alguma causa; discutir noites adentro o futuro do país, da guerra fria, da humanidade matava nossa solidão impotente.
Eu me lembro - todos sabiam diagnosticar os problemas do País, usando as palavras-chave da época: contradição, alienação, sectarismo, desvios de direita, revisionismo... Eu ficava extasiado com a clareza que a ideologia dava a todas as análises. Tudo ficava límpido, organizado em esquemas perfeitos: o imperialismo comandava, os burgueses se aliavam ao inimigo principal, o latifúndio também, os pequeno-burgueses traíam, as forças populares se uniriam, o Exército tinha tradição popular... Tudo fazia sentido até que, infelizmente, chegava a hora das conclusões. Eu pensava:
agora vai sair a solução, a diretriz da ação revolucionária. Mas, aí, ninguém sabia responder à celebre pergunta do pai Lenin: "O que fazer?"
Ninguém sabia... Nessa hora, falava-se vagamente em "organizar as massas", em trabalhar em sindicatos, centros acadêmicos, e... (a frase que me pirava), em "associações de bairros". Eu ficava louco... imaginava os comunas conscientizando minhas tias na Tijuca e, nessas horas, eu descria na revolução e saía pela madrugada amarga. Essa é uma das doenças infantis que o PT no governo tem de curar, se quiser governar.
A esquerda tinha os fins, mas não tinha os meios (apud Renato Janine Ribeiro). Agora, o PT tem os meios, mas não sabe bem quais são seus "fins"... Quais são? O que quer o governo Lula? Um desenvolvimentismo parecido com o que o PT ajudou a impedir no "escândalo das teles", aquele ridículo caso forjado pela imprensa golpista, tirando os "anti-Malans" da jogada? Que querem agora? A democracia burguesa, socialismo light, assistencialismo de Estado, ruptura tipo Baba? O PT teria de se conformar com a evidência de que toda a estrutura política nacional tende para a manutenção de nossa política oligárquica, burocrática e corrupta. Teriam de destruir ao máximo essa estrutura, como tentou fazer FHC, o que já seria muito mais importante que a eterna sedução de um remoto socialismo.
Teria de ser a aceitação do possível, mas isso é pouco sedutor. O velho esquerdista acredita em "solução", "fim da história" e não em "processo". Outro dia o prof. Francisco de Oliveira não declarou em entrevista que "república e democracia são para enganar as massas"? O núcleo inteligente do PT está tendo bom senso, mas até quando suportará a pecha de "desvio de direita" que lhe lançam jornalistas ignorantes e "babás" oportunistas?
O PT precisa afirmar mesmo, não apenas como tática, que qualquer "plano B" de ruptura provoca o caos no sistema. Senão, continuará exposto ao "fogo amigo" que o próprio poder central dispara no pé (vide recente entrevista do ministro do Desenvolvimento Agrário, esquizofrenicamente se querendo governo e oposição ao mesmo tempo). No fundo da alma, muitos petistas acham que a democracia "burguesa" é um mal passageiro para se alcançar depois "algo maior" (o quê? Ninguém sabe...) Na contramão, há também a utopia regressista, o futuro de marcha à ré.
Imaginam que um passado simples e humano foi perdido por conta da complexidade demoníaca do mundo atual. Desejam voltar "maoisticamente" à casinha de sapê, à paçoca de milho, aos sentimentos caipiras de uma solidariedade roceira....
Outra doença é a crença de que a fé no socialismo cria "quadros" mais competentes que os meros técnicos "burgueses" do sistema. O sujeito pode ser um imbecil completo, mas, como "o companheiro marcha conosco", fica absolvido. Assim, colocam incompetentes em postos importantes, só porque ele "ama o povo" ou, então, em nome da "boa consciência revolucionária", se montam episódios ridículos como o dos transgênicos (pois a Monsanto não pode prevalecer), criando assim novas espécies vegetais: a soja de direita e a soja de esquerda.
No Banco Central, mesma coisa - teríamos de nomear um banqueiro de esquerda?
Mas, como não os há, devíamos nomear quem? Um quitandeiro, um vendedor de Chicabom? É sublime como burrice...
A ideologia justifica qualquer ignorância. Assim, já estão loteando o sistema burocrático com chusmas de despreparados, cheios de amor, claro, quando muitos estão apenas descolando um empreguinho... A mesma idéia cria a vontade de desfigurar as Agências de controle, pois a idéia bolchevique de "centro" é como um tumor inoperável. Esse é outro perigo: a idéia do uno, da totalidade, origem de todos os males, do Bush ao islamismo fanático. Essa vacilação do governo petista leva ao círculo vicioso de um "populismo utópico", com o Brasil "anestesiado, mas sem cirurgia", como dizia o inteligentíssimo conservador Simonsen. Daí o tempo perdido, a paralisia angustiante desse governo, cercado de provocações de direitistas oportunistas como "Babas e Lindenbergs". O perigo é que isso pode levar à uma exasperação seduzida por um novo voluntarismo, o que é a pista livre para o caos argentino ou venezuelano.
O pêndulo clássico é de um cerimonioso assembleísmo, uma consulta (meio hipócrita) aos vários "segmentos da sociedade", oscilando para uma política simplista de "ruptura", com a casa caindo na cabeça dos mais pobres. O poder dá um sentimento de culpa no PT.
Posted
8:50 AM
by Cassiano Leonel Drum
Joelmir Beting
Terça-feira, 1 de abril de 2003
Pacote 1.º de Maio
A retórica do pacto social saiu para o acostamento do salvacionismo petista com data marcada - exceção da versão minimalista do Fome Zero. Vai daí que o governo Lula vai fazer hora extra, agora em abril, na costura de um "pacote social" no vácuo do pacto social que esfriou. Objetivo político: com a abertura desse pacote em praça pública, solenizar o 1.º de Maio do Partido dos Trabalhadores no poder.
Consta que o anúncio das "políticas sociais de impacto" está reservado para um palanque na cidade de Mauá, braço industrial do ABC paulista. Presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Do pacote social consta um cardápio capaz de fazer a galera esquecer do reajuste meramente nominal do salário mínimo para um governo que se comprometeu em duplicar o valor real do próprio em apenas quatro anos. O novo mínimo, resgatado de 1.º de abril, Dia da Mentira, para 1.º de Maio, Dia do Trabalho, não deve passar de R$ 240. Aumento nominal de 20% para um ICV/Dieese acumulado (em 13 meses) da ordem de 19% a 20%. Aumento real zero.
No pacote, o governo estuda antecipar para maio o reajuste de junho dos benefícios da Previdência com valor acima do salário mínimo. Reajuste já calibrado para 17% (abaixo da correção nominal do mínimo). O teto do INSS subiria de R$ 1.561 para R$ 1.830.
A estrela do pacote social será a campanha do Primeiro Emprego. O novo programa deve marcar a instalação, em 1.º de maio, do Fórum Nacional do Trabalho. Dessa instância é que partirá a supervisão do Primeiro Emprego - parceria do setor público com o setor privado. Mais à frente, o Fórum tripartite (ministros, empresários e sindicalistas) cuidará de arredondar as bolas quadradas da reforma da CLT - sem abrir o leque da garbosa "discussão com a sociedade".
Resta saber qual será a sinergia demarcada do Fórum Nacional do Trabalho com o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.
Pelo sim, pelo não, o programa Primeiro Emprego será dado à luz com luz própria. A negociação com cadeias produtivas diversas já foi iniciada pelo ministro do Trabalho, Jacques Wagner. "Com excelente receptividade", no grifo do próprio ministro.
Claro, receptividade condicionada pelo dispositivo central do programa: o valor a ser definido da renúncia fiscal às empresas que forçarem a respectiva barra na admissão de jovens de 16 a 24 anos, com carteira de trabalho ainda em branco. O calibre dessa cenoura fiscal será da competência dos ministros da Fazenda e do Orçamento. Fala-se em subsídio fixo de 80% do novo SM.
No mais, políticas de primeiro emprego têm de coordenar atividades orquestradas pelos lados da oferta e da demanda. Em especial, ações tópicas de recrutamento e capacitação. Com um complicador a bordo do modelo em gestação: dar-se-ia preferência a jovens batidos por riscos sociais graves: drogas, delinqüência, mendicância, prostituição...
SECOS & MOLHADOS
Vinculação - Para o secretário nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, o Primeiro Emprego tem de nascer vinculado ao combate à violência e à exclusão. O problema é que as empresas, por definição, resistem em contratar discriminados e desqualificados - com tanta gente bem comportada e já capacitada há mais de um ano sem trabalho.
Compensação - Para os jovens de ficha limpa, o subsídio fiscal pode dar certo, na avaliação do pesquisador José Pastore, da USP. Um salário inicial pelo futuro mínimo oficial (R$ 240), com subsídio de R$ 200, aliviaria a empresa em mais de 80% dos encargos amoitados na folha. As despesas de contratação equivalem a 103,4% do salário.
Reavaliação - O problema, segundo Pastore, está nos custos adicionais de capacitação de jovens de baixa escolaridade. Ou a empresa perde a vantagem fiscal em produtividade defasada ou simplesmente não tem cargo ou função para os estigmatizados. O professor recomenda a leitura de Jobs for the poor, de T. J.Bartik. (New York: Russel Sage Foundation, 2001).
Posted
8:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
01/04/2003
O genocídio programado
O que se nota nesta guerra é um impasse: segundo todas as perspectivas, ela será decidida nas ruas de Bagdá.
Saddam Hussein evitou a batalha no deserto, onde perderia a guerra imediatamente, para esconder suas tropas entre o grosso da multidão de 5 milhões de almas de Bagdá.
Saddam parece querer repetir como vítima e herói o cerco de Stalingrado, a mais sangrenta batalha da II Guerra Mundial. O herói inspirador de Saddam sempre foi Josef Stalin.
No dia 4 de setembro de 1942, os alemães, que já tinham invadido a União Soviética, comandados pelo general Von Paulus, cercaram a cidade de Stalingrado, um centro industrial à margem direita do Rio Volga.
Trinta divisões alemãs bombardeavam a cidade, enquanto suas linhas impediam qualquer abastecimento à cidade, provocando frio e fome em seus 600 mil habitantes, que no entanto resistiram heroicamente.
Os combates se feriram de bairro em bairro, de quarteirão em quarteirão, de esquina em esquina, de rua em rua, nas praças, nos edifícios, nas fábricas.
O mundo inteiro se emocionou com a brava resistência russa em Stalingrado.
Somente dois meses mais tarde, o governo soviético conseguiu às escondidas mandar um exército de socorro a Stalingrado, depois que centenas de milhares de russos haviam tombado pelas bombas e baionetas alemãs, numa das maiores carnificinas de toda a História.
As tropas alemãs sitiantes viram cortadas suas linhas de suprimento pelo exército soviético. Cinqüenta dias mais tarde, a 4 de fevereiro de 1943, depois de cinco meses de combate sangrento, o general Von Paulus, recém promovido a marechal-de-campo, assinou a rendição, junto com seus 24 generais, 2,5 mil oficiais e 90 mil soldados alemães sobreviventes.
As baixas ficaram em 1 milhão de russos e 150 mil alemães, o que bem ilustra a epopéia vivida pelos habitantes de Stalingrado, que resistiram bravamente ao inimigo fortemente armado, ao frio e à fome.
Um milhão de russos morreram só em Stalingrado, o mesmo número de mortos dos EUA e da Inglaterra em toda a guerra!
Teme-se atualmente que Bagdá reviva Stalingrado. Há 10 vezes mais habitantes em Bagdá do que havia em Stalingrado.
Eles serão dizimados pelas bombas ou o cerco que as tropas aliadas já começam a empreender sobre a capital iraquiana lhes infligirá somente a fome depois de muitos meses de combates?
Houve imensa distribuição de cestas básicas que estão estocadas nas residências.
Mas Bagdá não terá, como Stalingrado, nenhuma tropa que venha lhe trazer socorro.
Tudo indica que haverá um derrota iraquiana marcada pelo sangue e pelo martírio.
Quanto tempo durará esse genocídio? Por quantos meses o mundo se condoerá com esse cenário de pesadelo?
Mas será que ninguém pode impedir essa catástrofe? Heidegger, o filósofo, responderia: "Só Deus pode evitar. Mas eu não acredito em Deus".
E Castro Alves reforçaria: "Deus, ó Deus, onde estás que não respondes?/ Em que estrela tu te escondes, embuçado nos céus?/ Onde estás, senhor Deus?
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Posted
8:41 AM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
01/04/2003
A ponta do iceberg
Há uma guerra no Iraque e existem várias guerras em curso aqui no Brasil. Uma delas: a guerra das drogas. No último domingo, ZH publicou impressionante matéria sobre o avanço de drogas na escola pública, baseada num estudo do doutor Sérgio de Paula Ramos e equipe do Mãe de Deus. O consumo de maconha, de cocaína, de álcool e de tabaco cresceu de forma assustadora. A esta constatação somam-se outras notícias, também publicadas em ZH, sobre mães que, desesperadas, amarram os filhos para que eles não consumam drogas. Elas o fazem por absoluta carência de recursos.
O SUS oferece poucas possibilidades de ajuda e tratamento para um problema que é, ao fim e ao cabo, uma doença: a dependência química resulta de alterações no organismo muito parecidas àquelas que se encontram no diabete, por exemplo. Os dependentes usam drogas porque o seu corpo assim o exige e faltam serviços que os atendam.
Mas a matéria tem pelo menos duas boas notícias. A primeira é o estudo em si. Não adianta falar sobre drogas em termos retóricos. Precisamos conhecer exatamente a extensão do problema, para poder abordá-lo com método. Entre outras coisas, os números mostram que, de longe, álcool e fumo são as substâncias mais usadas. E são substâncias legais - logo, medidas governamentais podem e devem ser usadas para controlar seu consumo.
A outra boa notícia - boa em termos, naturalmente - refere-se à questão da droga na escola privada, onde o consumo se manteve, pelo menos, estável. E ficou estável porque alguma coisa foi feita. Nada impede que estas atividades sejam desenvolvidas também nas escolas públicas. Como diz o doutor Sérgio, é preciso capacitar os professores para saber o que fazer e o que não fazer: o enfoque moralizador, muito utilizado no passado, simplesmente não funciona. Mas não falta aos professores gaúchos criatividade para falar do assunto de forma a mobilizar emocionalmente os alunos e, a partir daí, transmitir-lhes a informação de que precisam.
O país acompanha as andanças de Fernandinho Beira-Mar de um lado para outro. Ele está em evidência. Mas isto acontece porque está no topo de um iceberg, da montanha de gelo representada pelo tráfico das drogas. Está na hora de degelar este iceberg, de derretê-lo com o calor da dedicação. O que começa em casa e na escola.
scliar@zerohora.com.br
Posted
8:38 AM
by Cassiano Leonel Drum
Informações sobre o Programa podem ser obtidas no endereço www.caixa.gov.br ou diretamente nos gabinetes dos Deputados dep.osvaldobiolchi@camara.gov.br e dep.joaomatos@camara.gov.br. Lembrem que o matos é com um T só e não como grafado na crônica com dois TT.
Ana Amélia Lemos
01/04/2003
Crédito educativo
Pais de estudantes universitários estão apavorados com a demora do Ministério da Educação em autorizar a reabertura do crédito educativo neste semestre. O pior é que não há sinais de que isso ocorrerá agora. O descaso do governo está provocando a indignação dos parlamentares da Comissão de Educação da Câmara Federal, que denunciam a situação dramática de muitas famílias que, sem condições de pagar as mensalidades, serão obrigadas a retirarem os filhos dos cursos superiores, recém matriculados, porque aguardavam a reabertura do Fies - Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior.
O ministro da Educação, Cristovam Buarque, disse aos membros dessa comissão que a reabertura do crédito educativo só ocorrerá no segundo semestre. Na semana passada, em pronunciamento na Câmara Federal, o deputado João Mattos (PMDB-SC) pediu ao presidente Lula a reabertura imediata de 100 mil vagas, conforme promessa feita durante a campanha eleitoral.
Ontem à tarde, no plenário da Câmara Federal, o deputado Osvaldo Biolchi (PMDB-RS) voltou à carga para cobrar o cumprimento das promessas em relação a triplicar o número de beneficiados com o crédito educativo e concessão de 180 mil bolsas de estudo para o ensino superior no país. Os gabinetes dos dois parlamentares estão recebendo, nos últimos dias, centenas de pedidos desesperados de pais, não só do Rio Grande do Sul, mas de vários Estados que enfrentam a mesma situação. Eleonora Tabaraja, de Porto Alegre, com a filha Camila matriculada no curso de Medicina de uma instituição particular, informa que corre o risco de ter de tirar a filha da faculdade porque o crédito educativo não foi reaberto. Ela própria, que havia passado no vestibular, abriu mão em favor da filha, mas está na iminência de ver frustrado o desejo de dar aos filhos a educação profissional desejada.
A UNE - União Nacional de Estudantes - também está reivindicando a reabertura do crédito educativo e de bolsas de estudo para estudantes carentes, mas não conseguiu sensibilizar o governo. Na semana passada, os deputados levaram o problema ao Gabinete Civil da Presidência da República. No Distrito Federal, os estudantes carentes deverão ser beneficiados com lei a ser aprovada pela Câmara Distrital. A autora do projeto, Eurides Brito (PMDB), encaminhou proposta do governo local concedendo bolsa universitária de 50% do valor da semestralidade ou anualidade do curso. Ao todo serão 5 mil bolsas e a concessão de acordo com avaliação da situação socioeconômica do aluno. O pagamento será através de serviços prestados à comunidade para evitar que a bolsa tenha assistencialista.
ana.amelia@zerohora.com.br
Posted
8:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Conflito
Bombardeio em Bagdá
Nuvens de fumaça emergiram de explosões como a que atingiu o palácio de um filho de Saddam (foto Jerome Delay, AP/ZH)
Segunda-feira, Março 31, 2003
Posted
11:05 PM
by Cassiano Leonel Drum
Duas MULHERES
Duas das mais dignas representantes populares, foram duramente criticadas por sua ausência nas homenagens prestadas à mulher, em evento ocorrido no dia 12 de março em Brasília.
Gostariam de saber onde elas andavam, enquanto todos faziam "média"?
Uma delas, a Senadora Heloísa Helena, estava no plenário do Senado defendendo medidas de interesse dos pequenos agricultores, e a outra personagem ilustre, a Ministra Marina Silva, atendia a compromissos funcionais, em Manaus.
Ouvindo uma entrevista com a escritora árabe Nawal El Saadawi (Fundadora da Associação das Mulheres Árabes em Solidariedade), pude anotar a seguinte observação: "As mulheres não estão prontas para caminharem juntas porque, depois de séculos de submissão, é muito difícil para elas conseguirem atravessar o caos que existe entre as antigas e as novas regras".
Quando as mulheres deixarem de dar atenção à falsa valorização que lhes dão, uma ou duas vezes ao ano, e passarem (na condição de maioria, segundo o último censo) a se dar mais crédito, chegará o dia em que teremos muito mais Marinas Silva e Heloísas Helena defendendo os legítimos interesses "comuns", dos "cidadãos comuns" deste país.
Posted
10:45 PM
by Cassiano Leonel Drum
Pablo Vilaça
Nossa percepção de passagem de tempo é algo incrivelmente relativo. Quando estamos felizes, o tempo 'voa', deixando-nos com a sensação de que dias se converteram em poucos minutos. Porém, quando sofremos, os ponteiros do relógio se arrastam pesadamente, como se quisessem prolongar nossa dor. Nestes momentos, as horas se transformam em uma eterna tortura, um martírio sem fim.
Inspirado no premiado livro de Michael Cunningham, As Horas funciona justamente como um sofrido retrato destas horríveis ocasiões em que a angústia domina nossas vidas, levando-nos a pensar que a tão esperada sensação de bem-estar jamais será experimentada. Para isso, o roteiro desta produção (adaptado com grande sensibilidade por David Hare) conta a história de três mulheres que, apesar de viverem em épocas diferentes, possuem duas características em comum: a dor e uma curiosa ligação com o romance Sra. Dalloway.
Vivendo em 1923, a escritora Virginia Woolf está justamente dando início ao livro (que viria a lançar em 1925), enquanto tenta se acostumar com a monotonia da pequena cidade na qual é obrigada a morar depois de enfrentar graves problemas psicológicos durante o período em que residiu em Londres. Já em 1941, a dona-de-casa Laura Brown lê a obra de Woolf enquanto tenta lidar com seu próprio sofrimento, já que se sente infeliz em viver com o marido e o filho de 5 anos de idade. Finalmente, em 2001, a sofisticada Clarissa Vaughan se transforma em uma versão moderna da Sra. Dalloway ao preparar uma festa para um grande amigo que, vítima da AIDS, está sendo homenageado por suas poesias.
Sem sentir necessidade de explicar para o espectador os motivos precisos por trás do sofrimento das três mulheres, As Horas se concentra na forma com que estas tentam lidar com a dor, já que (excetuando-se, talvez, Virginia Woolf) também não compreendem exatamente o que as incomoda. Aliás, tomemos a romancista como nosso primeiro exemplo: interpretada com grande intensidade por uma Nicole Kidman irreconhecível, Virginia é uma mulher obcecada pela precisão: 'Acho que tenho a primeira frase do livro', ela diz para o marido, em certo momento.
Paradoxalmente, ela se mostra aterrorizada ao ser obrigada a lidar com a criadagem, como se temesse ser julgada e considerada 'inadequada'. Vítima de alucinações sonoras, ela se ressente por ter sido obrigada a se 'exilar' no subúrbio: 'Até mesmo o pior dos pacientes, o mais baixo de todos, tem o direito de opinar sobre seu tratamento. É assim que ele define sua humanidade', ela argumenta.
Enquanto isso, Clarissa Vaughan, interpretada pela maravilhosa Meryl Streep, é uma mulher sofisticada e culta que, por trás de sua fachada forte e independente, esconde uma vulnerabilidade insuspeita. Aparentemente feliz em seu relacionamento, ela comenta sobre sua parceira: 'Estamos juntas há 10 anos. Não é uma loucura?', indicando, num curioso ato falho, não compreender exatamente os motivos que a levaram a um envolvimento homossexual ¿ talvez a rejeição sofrida por parte do poeta vivido por Ed Harris? O filme não revela ¿ e não precisa fazê-lo.
Por outro lado, a depressão de Laura Brown, personagem da sempre competente Julianne Moore, tem causas mais profundas: em uma época dominada pela obsessão com o american way of life, Laura sente-se condicionada a assumir o papel de esposa e mãe perfeita, mesmo que seus anseios e sonhos sejam frustrados por aquela vida de aparências (e imaginem como deve ser sufocante morar naqueles bairros que, preenchidos por casas idênticas umas às outras, afastam qualquer sinal de individualidade de seus habitantes). Sentindo-se culpada por sua 'ingratidão', Laura tenta compensar sua família através de gestos superficiais de carinho, como no momento em que explica para o filho:
'Vamos fazer um bolo para o papai a fim de mostrarmos que o amamos'. 'Se não fizermos o bolo, ele não vai saber?', pergunta o garoto. A resposta ('Não') choca por dois motivos: 1) é triste verificar que ela pensa desta maneira; e 2) é trágico constatar que ela não percebe o dano psicológico que sua resposta provoca no garoto. (De todo modo, os personagens masculinos de As Horas ¿ interpretados com talento por Ed Harris, Stephen Dillane e John C. Reilly - são apenas periféricos, e o filme jamais se detém em seus processos mentais.)
Editado com uma competência sem igual por Peter Boyle (que, definitivamente, merece o Oscar por seu trabalho), As Horas flui com uma elegância extremada, permitindo que uma cena situada em determinada época tenha continuidade, através de gestos dos personagens ou de movimentos de câmera, em outro período de tempo ¿ em certo instante, por exemplo, uma personagem se inclina para lavar o rosto e, quando percebemos, outra surge em cena com a face umedecida. Além disso, há uma série de repetições temáticas que ligam as três narrativas: os personagens de Miranda Richardson (em 1923) e Jeff Daniels (em 2001), por exemplo, chegam com antecedência a compromissos previamente marcados e acabam presenciando explosões emocionais de suas anfitriãs.
Da mesma forma, nas três épocas o espectador acaba testemunhando um beijo entre duas mulheres ¿ a diferença reside apenas na motivação de cada um: um beijo atua como oferta de conforto; outro funciona como pedido de consolo; e o terceiro simboliza um gesto de agradecimento. Aliás, esta diversidade também aparece na relação entre as três mulheres e os homens presentes em suas vidas: o sr. Woolf vive por Virginia; enquanto Clarissa, ao contrário, vive por Richard. Já Laura se entrega ao marido e ao filho não por dedicação a estes, mas sim pelo que eles significam (um modo de vida aprovado pela sociedade).
Embalado por uma bela e melancólica trilha sonora (composta por Philip Glass), As Horas é um filme sensível que compreende a dor da depressão ¿ condição que vivenciei durante mais de dez anos, até finalmente buscar apoio psiquiátrico, há pouco mais de dois anos (em 2001, portanto). Naquele longo período, eu era freqüentemente assaltado por um terrível pavor de morrer ou de perder alguém amado e, nestas ocasiões, sentia uma tristeza profunda sem saber exatamente o porquê. Finalmente, percebi que, caso não procurasse auxílio, acabaria sendo derrotado pelo sofrimento ¿ e só faço esta pequena confissão para explicar os motivos que me levam a compreender com perfeição a melancolia com que Virginia Woolf explica para o marido: 'Eu luto sozinha contra a escuridão, na mais profunda escuridão, e só eu sei o que isso significa. Só eu posso entender minha condição. Você vive sob a ameaça de minha extinção. Eu também vivo sob esta ameaça'.
Nos dias de hoje, felizmente, a medicina é capaz de, através de apoio químico ou psicológico, trazer alívio para aqueles que, como eu, enfrentaram (ou ainda enfrentam) a depressão. Mas, mesmo curado, jamais me esquecerei da época em que, como as protagonistas deste filme, fui obrigado a enfrentar As Horas. E esta é uma batalha que, obviamente, só se torna mais difícil com o passar do tempo.
Posted
10:21 PM
by Cassiano Leonel Drum
Este é o salário mínimo para as famílias dos trabalhadores brasileiros que vigorará a partir de amanhã, primeiro de abril. Aproximadamente U$ 70.00, se considerarmos o dólar atual em torno de R$ 3,40. E depois como que os depósitos em caderneta de poupança irão crescer? 2,3 bilhões negativos acumulados até o dia 28/03 é pouco.
Paim lamenta: salário mínimo de R$ 240 é pouco
16:37 31/03
Agência JB
BRASÍLIA - O senador Paulo Paim (PT-RS), vice-presidente do Senado e especialista petista em salário mínimo, afirmou em plenário que o valor de R$ 240 para o novo mínimo é pouco. Defensor há 16 anos de um salário mínimo de US$ 100 (cerca de R$ 340), Paim justificou o reajuste anunciado pelo governo como sendo o possível no primeiro ano.
"Pegamos o trem em movimento. Espero que na próxima estação o salário seja de US$ 100", comentou Paim.
A principal crítica do petista ficou centrada no fato de a data-base de aumento do salário não ser unificada, o que deixa de fora os aposentados e pensionistas que ganham mais de um salário. Ele explica que quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso antecipou o reajuste do mínimo para abril, visava liberar a pressão da Previdência.
"Pelo que estou percebendo, infelizmente, a mesma lógica será mantida ainda este ano", lamentou.
Paim apresentou um projeto de lei para garantir que em 1º maio de 2004, o salário mínimo seja reajustado pelo índice da inflação (IGP-DI), acrescido pelo valor de R$ 0,20 por hora, que dá R$ 44 ao ano. Segundo ele, com esse cálculo, o mínimo será de US$ 100. Além disso, a proposta unifica o reajuste de aposentados e trabalhadores.
Os senadores Efraim Moraes (PFL-PB) e Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) consideraram o valor do mínimo abaixo do esperado. Os dois defenderam um valor de pelo menos R$ 250.
Posted
9:10 AM
by Cassiano Leonel Drum
Essa é a nossa guerra, e para amanhecer hoje, houveram inúmeras batalhas naquela cidade que um dia chamou-se maravilhosa. E aqui no Estado inúmeros jovens morreram, tentando salvar patrimonio de outros até, nem deles era. Para esta guerra que mata tanto quanto aquela é que sou favorável haver passeatas, protestos e outras manifestaçõe a mais.
Agora depredar Mac Donalds, fábricas e distribuidoras da coca-cola, que são de prorietários brasileiros , que empregam brasileiros e que investem muito de seu capital em ações beneficientes, a meu ver são atos de pessoas partidárias da violência e não da paz.
Podia ter sido a sua filha?
O assassinato de Gabriela, de 14 anos, foi uma raridade estatística, mas nem por isso deixa as famílias menos apavoradas
MARTHA MENDONÇA, DO RIO
Mirian Fichtner/ÉPOCA
Reprodução Álbum de família QUARTO VAZIO
Entre as lembranças que restaram aos pais, bonecos e brinquedos enfeitados de verde-amarelo e o álbum com fotos como a última, tirada há um mês, em que ela faz o símbolo da paz
Se a vida fosse regida pela estatística, teria sido quase impossível acontecer. A estudante carioca Gabriela do Prado Ribeiro, de 14 anos, raramente saía sozinha. A mãe, a psicóloga Cleide, não permitia que andasse de ônibus e, quando era inevitável, pagava um taxista conhecido para levá-la. Na tarde da terça-feira 25, Gabriela descia as escadas da estação São Francisco Xavier do metrô do Rio de Janeiro, uma das menos movimentadas da cidade, para sua primeira viagem sem companhia. Cleide a esperava na estação seguinte, no mesmo bairro da Zona Norte, a Tijuca, após um percurso que dura menos de três minutos. Enquanto a mãe consultava o relógio, a filha estava estendida na escadaria do metrô com um tiro no peito.
Nunca houve assaltos naquela estação e em 24 anos esse foi o primeiro assassinato em qualquer dependência do metrô carioca. Gabriela foi a primeira vítima fatal. De cada 100 mil habitantes na Grande Rio, 60 são vítimas de homicídio. Desses, apenas dois tombam por bala perdida. Matemática somada à rotina cercada de cuidados da menina e ao histórico tranqüilo do metrô carioca, a tragédia que ceifou a vida de Gabriela beirava o impossível. Era mais provável a adolescente ter morrido num acidente de avião ou atingida por um raio. 'Era algo inimaginável', desespera-se o pai de Gabriela, o também psicólogo Carlos Santiago. Ele teve a confirmação de que a vítima do tiroteio era mesmo sua filha quando achou os óculos escuros da menina no metrô. 'É só uma estação, não precisa me buscar', dissera a garota à mãe, minutos antes, pelo celular. Como toda adolescente, Gabriela estava ansiosa por um passeio que representava um passo a mais em sua independência. Foi morta pela bala perdida de um tiroteio entre policiais e bandidos no quarto assalto ao metrô neste ano. Ela perdeu a vida. Dois policiais ficaram feridos. Pouca coisa, quando se fala do Rio.
À espera no local combinado, a mãe soube da troca de tiros e teve medo. 'Descobri que tinham levado os feridos para o hospital e corri para lá. Menos de uma hora depois de nosso último telefonema reconheci o corpo de minha filha', conta. 'Tenho consciência de que eu até exagerava nos cuidados. Era inclusive motivo de brincadeiras por parte das amigas da Gabi. De nada adiantou.' O pai guarda a última imagem da menina: 'Meu consolo é que ela morreu feliz por se sentir livre'.
Posted
9:02 AM
by Cassiano Leonel Drum
ENTREVISTA: JORGE MATTOSO, presidente da Caixa Econômica
Renegociação da dívida
Cristiane Campos
A compra da casa própria e a manutenção dos contratos vão ficar mais fáceis com as alterações no sistema de financiamento que entram em vigor no mercado ainda este ano. Entre as alterações mais profundas, está a renegociação da dívida de mutuários que perdem o emprego, segundo revelou ao DIA o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso.
Para ele, a abertura da negociação com os mutuários desempregados vai reduzir a inadimplência, que hoje está em 10,04% para atrasos superiores a 60 dias. Mattoso adiantou, porém, que nos casos em que o mutuário não se empenha em pagar a prestação, continuarão a ser tomadas medidas legais para retomar o imóvel.
A Caixa e o Ministério das Cidades vão reformular todas as linhas de financiamento, com ênfase nos programas de Arrendamento Residencial (PAR) e Subsídio à Habitação de Interesse Social (PSH). As linhas são destinadas a famílias de baixa renda.
No caso do PAR, a linha permitirá a compra de imóvel acima do valor hoje previsto. Atualmente, a unidade não pode custar mais de R$ 28 mil.
As mudanças atendem em parte às propostas da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), reunidas em projeto de lei já encaminhado ao Congresso Nacional. Nele é prevista a criação do Sistema Nacional de Habitação, que garante a mutuários desempregados a cobertura das prestações por um seguro durante seis meses. Enfim, pelos sinais dados por Mattoso, mutuários e Caixa começam a falar a mesma língua.
O que resultará da avaliação dos programas de crédito habitacional iniciada nos primeiros dias do Governo?
Desde fevereiro, a Caixa e o Ministério das Cidades vêm trabalhando na reavaliação de todos os programas destinados ao acesso à moradia. Essa tarefa tem feito parte das funções de uma comissão mista das duas instituições para que os trabalhos sejam articulados tanto na proposição quanto na execução. Tem sido prioridade da Comissão a reavaliação do Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social (PSH), do Programa de Arrendamento Residencial (PAR) e das diversas linhas de financiamento lastreadas em recursos do FGTS. Nessa reavaliação, são focalizados os segmentos de menor poder aquisitivo.
A linha de financiamento para compra de imóveis usados para quem recebe acima de R$ 2 mil será reaberta ainda este semestre?
A produção de unidades novas deve continuar como prioritária, pelo seu impacto direto e imediato na geração de emprego e renda. No entanto, devem ser encontradas alternativas no financiamento para aquisição de imóveis usados. Esse segmento atua como indutor indireto do mercado de imóveis novos, pois muitos precisam vender um imóvel usado para pagar parte do imóvel novo. A Caixa já solicitou ao Ministério do Trabalho, por intermédio da Secretaria do Conselho Curador do FAT, a ampliação do orçamento destinado ao financiamento de imóveis usados no âmbito do Programa FAT-Habitação, o que permitirá a retomada dessa linha. E a Caixa pretende lançar a modalidade de Poupança de Crédito Imobiliário, cujos estudos para sua implantação já se encontram avançados.
Com a inadimplência em alta em todos os setores, a banco discute formas de estimular o pagamento das prestações da casa própria em dia?
A taxa de inadimplência nos financiamentos imobiliários da Caixa, com atraso superior a 60 dias, situa-se em 10,04%. Realizaremos ações com o objetivo de reduzir esse índice. Por exemplo: naqueles casos em que há perda da capacidade de pagamento, como no desemprego, serão avaliadas alternativas. No entanto, nas situações em que a inadimplência for decorrente da ausência da vontade de pagar, serão implementadas as medidas legais para reaver o crédito, uma vez que o devedor inadimplente está frustrando a oportunidade de outras famílias terem acesso à casa própria.
A Caixa estuda alguma proposta para solucionar os casos de saldos devedores impagáveis?
A questão envolvendo os saldo devedores residuais de contratos de financiamento imobiliário, que não contam com a cobertura do Fundo de Compensação Salarial (FCVS), é bastante preocupante, pois nos deparamos, basicamente, com duas situações. A primeira são contratos com desequilíbrio financeiro, em que tanto os saldos devedores crescem de forma progressiva e superam o valor da garantia representado pelo imóvel, como o valor da prestação paga pelo mutuário é tão reduzido, que não se consegue amortizar a dívida. A segunda são contratos com desequilíbrio econômico em que, embora os saldos devedores sejam amortizados periodicamente e a prestação paga pelo mutuário não se encontre defasada, o saldo devedor suplanta o valor da garantia. Essa situação resultou de uma série de fatores externos, como os planos de estabilização com mudança de moeda. A solução para esse problema passa pela renegociação desses contratos, com a participação de todos os agentes envolvidos. Não se pretende, todavia, adotar medidas que signifiquem tão somente a transferência desses ônus para o setor público que representa, em suma, o conjunto da sociedade.
O ministro das Cidades, Olívio Dutra, disse que a Caixa é outra instituição desde 1º de janeiro. O que está sendo feito para atender a essa expectativa do ministro?
A Caixa vem atuando em sintonia com as demais áreas governamentais. A reorientação da política habitacional visando à sua dinamização e redirecionamento para que alcance, sobretudo, a população de baixa renda, resultará desse esforço conjunto. Estamos, também, implementando ampla revisão da atual política de risco de crédito da instituição para torná-la mais eficiente.
Leitores se queixam do atendimento nas agências do banco. E o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou uma série de irregularidades na área de habitação e determinou a adoção de medidas para melhorar o controle interno. O que vem sendo feito para atender a essas demandas?
Em 2001, foram aplicados R$ 4 bilhões em financiamentos imobiliários, performance que se repetiu em 2002, com uma média anual próxima de 300 mil contratações. Isso demonstra capacidade operacional e eficácia enormes do corpo técnico. Situações localizadas de atendimento deficiente, de fato ocorrem, mas não podem ser generalizadas. A área de Controladoria, em parceria com as demais áreas que atuam com o crédito imobiliário, já vem atuando para melhorar não só as rotinas e procedimentos de controle interno como também para dar resposta aos pontos de ineficiência levantados no Relatório do TCU. Pela complexidade das operações de crédito imobiliário, a Caixa ampliará o esforço no treinamento de seu pessoal, na simplificação de rotinas operacionais e na busca de soluções tecnológicas para o processamento de dados e para as plataformas de atendimento.
O consórcio de imóveis da Caixa alcançou o sucesso esperado? Será reformulado?
A estratégia da Caixa, ao lançar o consórcio de imóvel, teve como objetivo ampliar seu leque de produtos e ofertar mais uma alternativa para quem pretende comprar um imóvel. O produto foi lançado há pouco tempo. Em um trimestre já alcançou a marca de 4.500 consorciados. Num horizonte de crescente demanda temos certeza que esse produto está consolidado e em fase de ampliação.
Posted
8:49 AM
by Cassiano Leonel Drum
E uma amiga me disse que não assiste desfile de moda porque provoca dupla frustração: mulheres que você não pode ser desfilando roupas que você não pode comprar. E daí? Não é por isso que eu vou deixar de assistir filme de Tom Cruise: um homem que você não pode ser desfilando com uma mulher que você não pode comprar. Rarará!
Isso é pra começar a segunda com bastante humor e amor ao invés de dramas e guerras.
José Simão
simao@uol.com.br
Troco tudo pela Vera Fischer!
Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional! Direto da República da Língua Plesa! Moral da guerra: míssil inteligente tem o QI do Bush! E corre na internet uma outra frase sobre a guerra: prefiro um presidente sem dedo que um presidente sem cérebro. E uma amiga me falou que o sexo na casa dela tá cada dia mais fantástico: uma vez por semana, domingo à noite.
E o Genoino diz que o Brasil vai enfrentar o crime organizado com uma Operação Mãos Limpas. Porque até agora, no Brasil, só funciona a Operação Mãos Molhadas! Todo mundo molha a mão de todo mundo! E a gente podia trocar o Fernandinho Beira-Mar pelo Saddam Hussein. Já imaginou o Bush tendo que enfrentar o Comando Vermelho? Rarará!
E o secretário da bagurança do Rio sugeriu trocar o Beira-Mar pelo Andinho. Se São Paulo e Rio insistirem nesse troca-troca eu quero trocar a Marta Suplicy pela Vera Fischer. E um carioca quer trocar o Cesar Maia e a Rosinha por duas assistentes de palco do Gugu! E um amigo me disse que, se a Vera Fischer viesse pelada numa carroça, ele começava a chupar pelo burro! Rarará!
E uma amiga me disse que não assiste desfile de moda porque provoca dupla frustração: mulheres que você não pode ser desfilando roupas que você não pode comprar. E daí? Não é por isso que eu vou deixar de assistir filme de Tom Cruise: um homem que você não pode ser desfilando com uma mulher que você não pode comprar. Rarará!
E as penúltimas derradeiras finais do Bestiário Tucanês. É que o técnico do São Paulo declarou que o 'Kaká está em processo de tratamento de evolução'. Tucanaram a terapia. E olha a placa no calçadão do Guarujá: 'Passarela para artesanatos e congêneres'. Tucanaram a feirinha hippie. Rarará! Temos que chamar o Oswaldo Cruz, a Swat e o Colin Powell pra erradicar o tucanês!
Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. 'Guerra Santa': uma bicha avisando pra outra que a guerra começou. Guerra, santa! Rarará. 'Canguru': líder espiritual de cachorro. Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Posted
8:43 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
31/03/2003
Adeus aos estádios
A fórmula deste campeonato nacional que se iniciou anteontem é tão imbecil que se pode dizer, rigorosamente, que, faltando 45 rodadas para terminar, os dois componentes da dupla Gre-Nal já não podem mais ser campeões.
Ou seja, pelo sistema adotado de pontos corridos, Grêmio e Internacional se desclassificaram na primeira rodada.
Não é difícil de se constatar isso: no caso do Grêmio, é fácil prever que o campeão brasileiro terá de ganhar no mínimo quatro pontos, em duas partidas de ida e volta, daquele fraco time do Atlético Paranaense.
No caso do Internacional, é evidente que quem não ganha da tímida Ponte Preta em casa não tem a mínima condição de ser campeão.
Eu quero ver como os clubes vão suportar um campeonato que durará nove meses no qual na estréia já pintam como desclassificados.
Lá pela 16ª rodada, faltando 30 rodadas, digamos que despontem quatro clubes com possibilidades concretas de serem campeões. Isso se um clube não disparar na frente dos outros todos.
Então o que será dos outros 20 clubes, das outras 20 torcidas, desiludidas com a desclassificação antecipada?
É um campeonato em que já na segunda rodada se desestimulam as torcidas a comparecerem aos estádios, em face da façanha impossível de verem seu time chegar ao título.
Apesar da ruindade geral dos times brasileiros, que os nivela atualmente por baixo, três ou quatro equipes do eixo São Paulo-Minas, talvez ainda o Vasco, vão despontar logo em seguida na liderança.
E os outros 20 clubes, cujas torcidas representam cerca de 75 milhões de brasileiros, verão essa gigantesca multidão de fãs completamente desanimados antes do fim do primeiro turno do campeonato, impossibilitados de nutrir a esperança de virem a ser campeões.
Eu não tenho dúvidas de que esta é a forma mais legítima de se apurar um campeão. Mas é a maneira mais arrasadora de deitar a esperança da maioria esmagadora das torcidas desde os albores do campeonato, o que significará uma tragédia econômica para os clubes e uma catástrofe emocional para as torcidas.
Com menos datas, os campeonatos nacionais passados foram emocionantes. Já haviam decorrido mais de dois terços de seus decursos e cerca de 16 clubes tinham chance de vir a ser campeões, pela fórmula antiga, o que decretava o interesse permanente da maioria dos participantes.
Agora, prestem atenção: nas 10 primeiras rodadas disputadas, a maior parte dos times e de seus torcedores ficará fora do páreo, decretando o esvaziamento dos estádios.
Com metade desse campeonato transcorrido, restarão quatro ou cinco times e torcidas interessados em seu desfecho, enquanto os outros amargarão o trágico anonimato da desclassificação, seus estádios vazios e seus jogadores desmotivados.
Não se muda assim de uma hora para outra uma estrutura cultural de um povo. E o torcedor brasileiro está acostumado à idéia de que o que interessa é seu time ser campeão.
Um grande campeonato é aquele que vai premiar poucos escolhidos, mas mantém os outros todos que não o conquistarão empenhados na disputa até quase o seu fim.
Em suma, é o campeonato que leva muitos clubes até as finais.
E este idiota campeonato nacional que ora começa elimina a maioria dos times perto do seu início.
Dá para acreditar?
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Posted
8:41 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
31/03/2003
A dupla
Li que o avião que levava Tony Blair para o seu encontro com Bush foi atingido por um raio pouco antes de chegar a Washington. Imagino que Deus esteja querendo manter uma atitude de correta isenção na questão do Iraque, já que é constantemente invocado tanto pelos que fazem a guerra quanto pelos que se opõem a ela, mas que, como em todos nós, sua tolerância à hipocrisia tenha um limite. Ao saber da resposta do primeiro-ministro a jornalistas sobre o que pensava da morte de crianças iraquianas na guerra - elas sofrem muito sob o Saddam também, disse Tony - Deus teria perdido a paciência e ordenado: "Dêem um susto nesse safado".
Só um susto. Blair, apesar de tudo, é o policial bom da dupla em que Bush é o louco. Sabe-se menos sobre o que os dois conversam em particular do que sobre a privacidade de Deus, mas supõe-se que Blair esteja tentando contrabalançar a influência que a pior direita israelense tem entre os neoconservadores que orientam Bush, insistindo para incluir a situação na Palestina na discussão maior sobre o que fazer com o Oriente Médio, defendendo um papel mais importante para as Nações Unidas no pós-guerra do Iraque para reabilitá-las, contra a idéia predominante americana de deixá-las de fora ruminando a própria insignificância, e uma reparação possível da aliança atlântica destruída pela truculência do Dobliú. Deus fez bem em apenas sacudir e não derrubar o avião.
Também tem a questão de classe. Antes de sucumbir ao cinismo escrachado, Blair era quem melhor articulava a causa da guerra, ou quem melhor usava a hipocrisia de salão para justificá-la. Já os americanos parecem ter chegado a um ponto em que ter escrúpulos de qualquer espécie é apenas outra afetação européia a ser rejeitada. Especulava-se que a Halliburton, empresa que foi dirigida pelo vice-presidente Dick Cheney e esteve envolvida em escândalos financeiros sob a sua presidência, não ganharia nenhum contrato para reconstruir o Iraque dada a sua ligação evidente demais com a Casa Branca. Não pegaria bem. Pois a Kellog, Brown and Root, uma subsidiária da Halliburton, ganhou o primeiro contrato. O policial ruim deixa o pudor para o policial bom, que ainda por cima é inglês.
Mas também dizem que o principal assunto da dupla no encontro foi o fato de nenhuma empresa inglesa ter sido aceita no leilão para o lucrativo serviço de reconstrução do Iraque, ou da hipocrisia aplicada à engenharia.
Posted
8:38 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Pedro Goulart
31/03/2003
Caetano nos liberou para tremer
O Oscar se foi e dele pouco ficou. Sobrou um Martin Scorsese insistentemente focalizado pelas câmeras do evento e mais uma vez sem levar a estatueta. Nenhum prêmio para o seu Gangues de Nova York. E o sujeito ali, sentado, uma lenda, um monumento vivo, com um olhar levemente ansioso e aquelas sobrancelhas e suíças de duende. Mais parecia um menino frágil antevendo o acinte. Talvez um dia, como fizeram com Chaplin, a academia lhe conceda um Oscar honorário.
Durante a cerimônia dava para notar uma saia Versace justa nos presentes. Era a guerra. Aliás, chamar de guerra o que está havendo no Iraque não é correto. É como botar o Mike Tyson e o Marco Maciel num ringue e chamar de luta. Guerra ou luta pressupõe forças contrárias equivalentes. O que está acontecendo é uma invasão com uma certa resistência e logo logo será um massacre de conseqüências terríveis para a humanidade. Enfim, houve até um tímido esforço por parte de alguns em ensaiar um protesto. Mas com aquele figurino e sem falas previamente decoradas fica difícil. É complicado protestar de smoking. Nesse ponto a calça Lee é invencível. E, acima de tudo, faltou alguém para escrever os diálogos. A maioria ali só se sai bem com falas ensaiadas.
Você dirá "mas o Michael Moore estava de smoking!". Estava. Mas o Michael Moore é gordo, feio e suado, o que anula o traje e dá um efeito revolucionário ao conjunto estético. Aliás, as vaias que vieram junto com os aplausos da platéia, a meu ver, foram ouvidas porque Moore disse que fazia documentários e quem faz documentários não gosta de ficção. Diante daquela platéia? Isso é mais ou menos como ir ao Barranco só pela salada, um desrespeito.
O Oscar teve também Caetano e sua interpretação da música de Frida. Caetano Veloso, artista maior, orgulho e paixão nacional, tremia feito flan Royal. Por quê? Por que tremeu Caetano?
Tenho uma tese: todo ser humano, no fundo, se acha uma fraude. Mesmo os mais competentes, ou melhor, especialmente os mais competentes. Em momentos de grandes desafios o sujeito teme finalmente ser desmascarado. Caetano Veloso, o baiano revolucionário, libertador estético, temeu falhar e ser descoberto. Temeu que fosse ali, justamente ali, diante de uma platéia desacostumada com seus acordes dissonantes, que a vaca fosse pro brejo. A idéia de um fracasso com toda aquela audiência, inédita na sua carreira, lampejou renitente.
É a força da gravidade, a compulsão da morte, a idéia de que, afinal, somos vencíveis. A vaidade do baiano, nessa condição, caiu por terra e a mão balançou. Mesmo assim Caetano cantou e, porque é Caetano, lindamente. Parodoxalmente havia um tom celestial na música e uma tônica humana, imperfeita, no contorno da imagem. E é justamente essa face humana, revelada por alguém como um Caetano Veloso, que mostra a nossa própria condição e nos libera para tremer sem culpa.
jose.pedro@zerohora.com.br
Posted
8:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
Batalha por Basra revela dilemas da guerra
Cidade de 1,3 milhão de habitantes, a 500 quilômetros de Bagdá, Basra se transformou no mais dramático foco da resistência aos aliados
A população faminta e traumatizada assiste a uma das mais ferozes batalhas da Guerra do Iraque. No dia 20, os aliados chegaram a anunciar que Basra estava ocupada ¿ hoje, se sabe que isso está longe de acontecer (foto Dan Chung Pool, AP/ZH)
Domingo, Março 30, 2003
Posted
7:47 PM
by Cassiano Leonel Drum
Este Post e o de baixo retirei lá do http://puella.pitas.com/ - Despropositos para encerrar este domingo. Espero que voces todos tenham uma ótima semana e não esqueçam do primeiro de abril.
Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.
Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.
Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico
O Pavão - Rubem Braga
Posted
7:42 PM
by Cassiano Leonel Drum
Amigos, nunca faço anúncios ¿ mas deixai hoje que vos faça um: quando estiverdes exaustos do Rio, de São Paulo ou do Recife, (e eu acrescento Porto Alegre) pegai do vosso corpo e dos vossos cuidados e ide passar uma semana em Ouro Preto. Lá achareis um hotel que é verdadeira surpresa de bela arquitetura e de conforto, naquelas Serranias desoladas; lá vereis a ponte onde Marília namorava, a casa onde se reuniam os Inconfidentes, as preciosas coleções da Escola de Minas, vereis tantas igrejas e tantas evocações ilustres que perdereis a conta delas.
E no meio das pedras mortas e das casas vazias, vereis por tôda parte os estudantes de Ouro Preto subindo e descendo as ladeiras, enchendo os cafés, tão anacrônicos e ao mesmo tempo tão bem situados naquela cidade que é sua, quanto a passarinhada da serra que faz algazarra nos beirais das velhas igrejas; ouvireis suas serenatas e seus discursos filosóficos, e depois no ar frio da serra a lua subir, iluminando as torres redondas de São Francisco, o Alto da Fôrca e o Morro da Queimada, e sentireis que o mundo não são apenas aquelas loucas cidades onde vivemos, não é só competição, dinheiro ou política, mas também este silêncio, esta beleza, esta paz.
(Ouro Preto, Rachel de Queiroz.In: O Cruzeiro, 01/05/1948, p. 90)
|