E N T R E L A Ç O S
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Sábado, Abril 26, 2003




Olha ela ai. Quem a vê todos os dias no "Jornal da Noite", nem imagina todo esse charme e essa doçura que se esconde atrás daquela repórter que encerra as minhas noites e me diz que já é hora de ir para a cama. Porque se ficar até mais tarde, sem dormir, demonstra de minha parte, uma certa insensatez Se voces quiserem ler a reportagem está na Revista Nova deste mês.

E o último sábado de abril termina, tendo em vista, que no próximo já será 03 de maio e aliás outro feriadão, para aqueles que puderem emendar a sexta-feira. E como consequência o primeiro quadrimestre também finda. Lindas foram muitas manhãs e tristes muitas tardes. Mas ainda que queira dizer que a rotina segue assim como o outono, sem nada espetacular, não é verdade, pois de quando em vez recebo um blihetinho, incentivos e só por isso já vale a pena estar aqui, postar, sonhar e acreditar em expectativas.

Não queria entristecê-los num sábado assim, mas porque não escrever sobre As Três lágrimas: A primeira delas brotou, tão de repente que assustada rolou, se despencando em tropeços do meu rosto jovem e ardente. A segunda, já não tão louca, olhou de um lado, de outro, depois desceu se agarrando mas morreu na minha boca. A terceira veio serena, conhecendo a situação...Sabia não valer a pena correr sem ter direção. Passeou, tão devagar, meu rosto todo ensopando que eu nunca pude apagar as marcas que foi deixando.

Que os anjinhos os guardem




Autora de Harry Potter é mais rica que a rainha da Inglaterra

LONDRES, 26 abr (AFP) - A escritora Joanne Kathleen Rowling, autora de Harry Potter, possui uma fortuna de 280 milhões de libras (445 milhões de dólares) sendo mais rica que a rainha Elizabeth da Inglaterra, segundo o jornal britânico Sunday Times.

Segundo o jornal, Rowling, de 37 anos, quadruplicou a fortuna nos últimos dois anos. Na lista das 1.000 pessoas mais ricas da Grã-Bretanha ela ocupa o 122§ lugar, enquanto que a rainha fica no 133§, com suas 250 milhões de libras.

O esperado quinto volume da série, "Harry Potter and the Order of The Phoenix", será publicado no dia 21 de junho pela editora Bloomsbury.

É interssante essas coisas, tenho curiosidade é saber de quanto livros será o lançamento, pois com certeza o número de pedidos e a quantidade por pedido devem ser bem relevantes. Um bom fim de semana, garotos e garotas e curtam o sábado a noite.


Meu gemido assusta os adversários, diz Guga
Sábado, 26 Abril de 2003, 13h55
Atualizada: Sábado, 26 Abril de 2003, 17h09

João Neto/Fotojump

A namorada de Guga durante o Aberto do Brasil

São Paulo Gustavo Kuerten explicou, em entrevista à Rede Globo, o motivo de gemer em quadra. É a hora de soltar o ar para bater na bola. Claro que no meu caso é um pouco exagerado. Mas os caras (adversários) sabem que quando começo a gemer é porque estou focado e no meu melhor jogo.

A entrevista foi feita em Florianópolis, antes da viagem para a temporada de saibro européia. Na sexta-feira, ele caiu diante do espanhol Juan Carlos Ferrero nas quartas-de-final do Torneio de Barcelona. O próximo compromisso é o Masters Series de Roma, que começa em 5 de maio.

Guga contou que não tem superstição para jogar. Às vezes os caras estão me chamando e eu ainda estou colocando a faixa na cabeça.O catarinense afirmou que prefere fazer um aquecimento forte antes das partidas. Meu jogo é explosivo, depende disso. Tenho de entrar quase 100%.

O brasileiro lembrou da cirurgia no quadril, realizada em fevereiro do ano passado.Foi uma lesão até grave, sofri alguns meses na recuperação.¿ Ao lembrar da operação, o tricampeão de Roland Garros fez questão de elogiar seu treinador, Larri Passos. É um cara fundamental para mim. Até o momento que eu jogar ele vai continuar existindo na minha vida. Tiveram momentos em que ele foi treinador, pai, irmão e amigo. E me fez ver coisas que eu não queria ver.¿

Sobre sua alimentação, o catarinense disse que tem a felicidade de comer de tudo. Ele inclusive fez piada com o fato. Quanto mais eu como mais eu emagreço.Sou um cara que preciso ter umas seis refeições por dia. Dependendo do jogo vou me alimentar de uma forma diferente. A carne não é muito aconselhável durante a competição. O chocolatezinho é liberado no meu caso.

O número 1 do país ainda comentou sobre sua vida pessoal. Estou namorando, sou um cara super sério e estou bem tranqüilo. O tenista revelou o nome da companheira: Letícia. É uma mina aqui de Floripa. Já faz sete ou oito meses.

No Aberto do Brasil, realizado em setembro do ano passado, Letícia, que é modelo, acompanhou os jogos de Guga ao lado de Alice Kuerten, mãe do atleta.

Voces verificam que gemidos nem sempre são sinais de dor ou de medo, para o nosso GUGA, ao contrário, é para incutir medo no adversário.




Como em todos os sabados está ai a capa das duas revistas semanais que abaixo aparecem individualizadas, com suas respectivas reportagens. Chama atenção esta arquitetura da China moderna, adoro o Brasil, mas eles que já ultrapassaram em muito a casa de um bilhão de habitantes, deixaram há muito de serem pobres e sua pujança começa aparecer agora nas suas grandes metrópoles, um exemplo a ser seguido, acredito, pelo nosso País.

Símbolos da nova China
Edifícios que mais parecem esculturas são o retrato de um país que não pára de crescer

OMA


Ilustração do prédio que será sede da emissora estatal chinesa: projeto de 600 milhões de dólares

Uma conseqüência imediata do processo de enriquecimento de um país é a transformação da paisagem de suas grandes cidades. Tome-se o caso da China, que tem registrado as taxas de crescimento econômico mais altas do mundo. O efeito do desenvolvimento pode ser conferido em cidades como Hong Kong, Pequim e Xangai, escolhidas para abrigar alguns empreendimentos imobiliários de grande ousadia. Os projetos não saem agora, mas indicam desde já a confiança dos investidores. Um deles ficará pronto em 2007. É o Union Square, localizado em Hong Kong. Ao ser concluído, o espigão de 480 metros será o mais alto do planeta. No ano seguinte, deverá ser inaugurado o World Financial Center, em Xangai, de 460 metros. Recentemente, foi anunciado mais um empreendimento ambicioso que chama a atenção pelo design diferenciado. Orçado em 600 milhões de dólares, o novo espigão será erguido em Pequim e terá como chamariz uma fachada envidraçada que parece uma escultura. Dependendo do ângulo pelo qual se olha, o prédio é um quadrado enorme com um vão livre no meio. De outro ponto, tem-se a impressão de que o formato foi inspirado na letra "l". As obras devem ser concluídas em 2008, às vésperas dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Union Square, em Hong Kong: com 480 metros de altura, será o mais alto do mundo

Divulgação
O anúncio dos arranha-céus surpreendeu os consultores. Em primeiro lugar, havia a suspeita de que, após os ataques terroristas de 11 de setembro, projetos mirabolantes seriam evitados pelos construtores. O World Financial Center e o Union Square foram concebidos antes da tragédia e, por isso, não faria sentido cancelar a construção. Já o projeto do prédio de Pequim foi desenvolvido depois dos atentados. Outra curiosidade é que ele pertence à televisão estatal CCTV, a voz oficial do Partido Comunista Chinês. Seria de imaginar que a emissora do governo não tivesse interesse em construir obras luxuosas e milionárias. Pois a CCTV não só queria erguer algo realmente impactante como contratou para isso um dos arquitetos mais badalados do mundo ocidental, o holandês Rem Koolhaas. Ele já projetou prédios na França, na Alemanha e em Portugal. Na concorrência, Koolhaas derrotou duas empresas americanas e várias da própria China. A idéia da CCTV é que o prédio se transforme numa atração turística durante os Jogos de Pequim.









Caro assinante,

aqui estão os destaques de VEJA desta semana.

Boa leitura e bom fim de semana.

Kátia Perin - VEJA on-line
vejaonline@abril.com.br

O conteúdo integral das revistas estará disponível na internet a partir de sexta à tarde

Especial
A criatividade é a chave para se destacar do rebanho. As pessoas bem-sucedidas são competentes e dedicadas, se não o fossem já haviam sido expelidas do mercado de profissões. As que aparecem com realce, porém, costumam ter também boas idéias. Aprenda a usar sua criatividade em benefício próprio.

Brasil
Para enfrentar a violência no Rio de Janeiro, a governadora Rosinha Garotinho nomeia seu marido, o ex-governador Anthony Garotinho, o novo secretário de Segurança do Estado.

Internacional
O poder de Saddam Hussein acabou, mas o pesadelo dos iraquianos que foram torturados e mutilados nos porões do regime ainda não terminou. Jornalistas estrangeiros falam pela primeira vez com vítimas das atrocidades cometidas durante a ditadura.
No site: leia notícias diárias sobre o Iraque.

Entrevista
O romancista americano Scott Turow diz que escreve para mostrar os limites da lei e explica por que é contra a pena de morte.

Economia
O ritmo de crescimento da economia do campo já é seis vezes maior que a média de toda a economia nacional. E vem aí nova safra recorde.

Estilo
Os brincos chandelier (candelabro) estão na moda. Enormes e cheios de pedras preciosas, eles são feitos para garantir um brilho especial à mulheres.
No site: acesse galeria de imagens.

Inteligência
Greg Smith é um garoto americano superdotado. Com apenas 13 anos ele já terminou a faculdade, criou uma fundação internacional e foi indicado para o Nobel da Paz.

Ambiente
O livro Árvores Extraordinárias do Mundo apresenta fotografias e histórias dos seres vivos mais antigos do planeta.

Tecnologia
O público adora novidade e os fabricantes adoram lançamentos. Resultado: trocar de celular todo ano ou até mais está virando mania de muitos usuários.

Sociedade
Garçons bonitões, contratados para levantar o astral das festas mais descoladas da cidade, transformaram-se numa atração à parte para o público feminino.

Turismo
Agências oferecem pacotes de passeios sob medida para quem deseja aprender a fotografar melhor a natureza.
No site: conheça pacotes de safáris fotográficos.

Artes e Espetáculos
Música: O pianista mineiro Nelson Freire, considerado um dos dez melhores do mundo, deixa o recato de lado e fala de sua carreira.
No site: ouça músicas e acesse outras informações.

Cinema: O esperado filme X-Men 2 chega aos cinemas nesta quinta-feira e traz a continuação das aventuras de Wolverine e sua turma. Desta vez, eles têm de lutar contra um ex-comandante do exército que propõe uma caçada aos mutantes.
No site: acesse trailer, fotos e papel de parede para o computador.

Livros: Gigante do mundo editorial chega ao Brasil. O grupo Planeta vai investir no segmento juvenil de ficção e não-ficção misturando títulos comercias com outros mais refinados.

Fleury X Delboni
Com exames ultramodernos, unidades luxuosas e atendimento personalizado, os dois maiores laboratórios da cidade disputam a preferência dos paulistanos

20 serviços inusitados
Paramédicos para festas, hotel para bonsai, nutricionistas que além de preparar o cardápio fazem as compras, mecânicos que ajudam a escolher a melhor oficina para seu carro, aluguel de ferramentas e outros a




Já coloquei aqui outra capa da revista, mas que não era a semanal. Esta sim é definitiva, pelo menos com o título "Capa da Semana" e ai está para voces saberem o que vai rolar nas reportagens da revista que está online no portal do Terra.

ESPECIAL

VEM AÍ O 1º DE MAIO
Lula toma cuidado para não errar
e desanimar os trabalhadores

BRASIL

O FUTURO DO CACIQUE
Relator pede cassação de ACM
à Comissão de Ética do Senado

TRÉGUA À MINEIRA
Lula e Aécio Neves esquecem divergências em cerimônia em MG

NITERÓI É A PISTA
Dez dos envolvidos no propinoduto dos fiscais do RJ são da cidade

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

EM BANHO-MARIA
Comercialização de transgênicos ainda está em suspenso no País

ESTILISTA PESSOAL
A indústria da moda aposta nas máquinas de escolher roupa

TESTE

CRIANÇAS
E TELEVISÃO

Avalie seus conhecimentos sobre os desenhos que a garotada mais gosta

COMPORTAMENTO

A ÉTICA DO RADICALISMO
Roberto Freire lança um livro
sobre autoritarismo e anarquias

COMO SERÁ SEU BEBÊ
Brinque com a genética e calcule as chances de seu pimpolho, prestes a nascer, puxar pelo pai ou pela mãe

ECONOMIA

SÓ FALTA TIRAR O GESSO
O momento é de calma. Mas ainda é preciso derrubar os juros

ENTREVISTA

Presidente da Petrobras diz como enfrenta o assédio de políticos
para a construção de uma refinaria

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OS MAIS ACESSADOS

Um guia que ensina como prevenir e
tratar doenças

REFLEXOLOGIA
Saiba como está sua saúde massageado as solas dos pés

MUNDOS PROIBIDOS
Saiba mais sobre os tabus da cultura ocidental
Acesse ainda:
TRADUTOR: Seu nome em hieróglifos

SEXO: Guia de posições

MUNDO

PEDRA NO CAMINHO
Maioria xiita do Iraque protesta contra EUA em dia de peregrinação

ILUSÕES PERDIDAS
Novo pesidente argentino terá país menos quebrado, mas em choque

NOVA ETAPA
Em seis meses, os velhos Mirage da FAB deverão ser substituídos

TESTE

ONDE ESTÁ SADDAM?
Divirta-se ao tentar encontrá-lo no meio da multidão

Confira outros teste

MEDICINA

QUAL O REMÉDIO?
Governo tenta resolver problema da falta de medicamentos




Ricardo Silvestrin
26/04/2003


Liberdade

Estive relendo o Manuel Bandeira. Olha, desde os 11 anos leio esse poeta. Lembro que, na quinta série, tinha um livro muito legal nas aulas de Português, o Criatividade. Não era de gramática. Nem era daqueles com exercícios de compreensão de texto, cujo único objetivo parecia ser checar se você não é um completo pateta. Tipo assim, vem um parágrafo e a seguir uma série de perguntas cujas respostas estão todas nele.

Nada disso. O Criatividade era um livro com poemas, letras de música, crônicas, histórias em quadrinhos e muitos exercícios de criação a partir das leituras. Foi nele que li pela primeira vez poemas do Manuel Bandeira como o Porquinho da Índia, Irene, Vou-me embora pra Pasárgada, Trem de Ferro.

Mais tarde, com 16 anos, li toda a Antologia Poética do Manuel. Reli-o agora pela sabe-se lá que vez, numa publicação da Nova Fronteira. São dois dos livros mais significativos do poeta reunidos num só volume: Libertinagem e Estrela da Manhã. O primeiro é de 1930, e o segundo, de 1936. A primeira surpresa é como, em termos formais, ele continua novo. Enumerações sem uso de vírgula, guiadas pelo ritmo do verso, não pela gramática da frase.

Uso de minúsculas, versos enormes, temas inusitados, versos curtíssimos, experimentação. E ainda somado a uma visão de mundo, de percepção aguçada do que está dentro e fora dele. Uma provinha: "Uns tomam éter, outros cocaína. / Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria. / Tenho todos o motivos menos um de ser triste. / Mas o cálculo da probabilidades é uma pilhéria..."

Ou o final tragicômico do poema Pneumotórax: "- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. / - Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? / - Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino." Tem a genial Balada das Três Mulheres do Sabonete Araxá: "As três mulheres do sabonete Araxá me invocam, me boulerversam, me hipnotizam. / Oh, as três mulheres do sabonete Araxá às 4 horas da tarde! / O meu reino pelas três mulheres do sabonete Araxá! / ...Se me perguntassem: Queres ser estrela? queres ser rei? queres uma ilha no Pacífico? um bangalô em Copacabana? /

Eu responderia: Não quero nada disso, tetrarca. Eu só quero as três mulheres do sabonete Araxá: O meu reino pela três mulheres do sabonete Araxá!" Repare a sucessão de perguntas iniciadas por letra minúscula numa opção clara de ritmo. Pra digitar aqui, tive que voltar todas vezes o cursor porque o computador, que nada entende de verso, fazia a correção da maiúscula para início de frase. O computador, em 2003, ainda não assimilou um poema de invenção de 1936!

De tempos em tempos, o mundo fica careta. Cultuar o consagrado, jogar na retranca parece pegar bem. Nessas horas, é bom ler um poema como Poética do Bandeira: "Estou farto do lirismo comedido / Do lirismo bem comportado / Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor... / - Não quero mais saber do lirismo que não é libertação." Nem eu.
ricardo.silvestrin@zerohora.com.br




Paulo Sant'ana
26/04/2003


Absurda ameaça

Sabia-se já que o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) desejava ter sido o escolhido por Lula para ser ministro da Fazenda.

Mas perdeu o posto para o ex-prefeito Antônio Palocci Filho. Pelo jeito, não se conformou.

Presente anteontem a um seminário no Ministério do Planejamento, onde se encontrava também o ministro da Fazenda, o senador Mercadante mostrou-se inconformado com a queda do preço do dólar e fez declarações totalmente indevidas: "Espero que a taxa não afrouxe demais. O governo está atento, mas se não fizer nada, vou começar a dar declarações bombásticas. Não podemos permitir a apreciação do câmbio além do limite".

A gente não morre sem antes ver e ouvir certas coisas: um senador do PT lutando para que o dólar não baixe. Quando se sabe que esta queda animadora do dólar nos últimos tempos reduz a pressão inflacionária, insumos e mercadorias cotados a preços internacionais mostram diminuição nos seus custos, reduz-se o preço de medicamentos e produtos de luxo, baixa o custo dos combustíveis, embora até agora o governo não tenha recompensado disso os consumidores, finalmente cai a nível entusiasmante o endividamento público, metade indexado em dólar.

Como é que alguém pode ser contra a queda do dólar?

E o senador Aloizio Mercadante não é um exportador. Ele é político. E é político do PT, cujo governo está colhendo frutos extraordinários com a queda do dólar e seus efeitos colaterais, ganhando a confiança dos investidores estrangeiros e do FMI.

Como é que Mercadante pode ter declarado, numa ameaça condenável, que vai dar declarações bombásticas se o governo permitir que o preço do dólar continue caindo?

Visivelmente, o senador paulista deixou-se dominar pela inveja do sucesso do ministro Antônio Palocci Filho, cuja gestão na política macroeconômica do governo é a mais grata e entusiasmante surpresa do governo Lula.

Não é concebível que uma cabeça coroada do PT ameace assim dissentir publicamente da gestão do ministro da Fazenda, seu colega na mesa dos integrantes da cúpula do governo, exatamente colocando-se na contramão do maior acerto, senão único, do governo, até agora.

E sua ameaça em certo ponto é enigmática: "Não podemos permitir a apreciação do câmbio além do limite". Mas quem é este "nós" que não pode permitir? Ele sozinho ou um grupo? E como pode um senador do PT se voltar contra a gestão do ministro da Fazenda, que é da confiança do presidente da República?

Mercadante deixou-se desequilibrar pela paixão e pelo despeito de não ter sido escolhido ministro da Fazenda.

Estando presente no seminário, Antônio Palocci Filho mostrou uma elogiável serenidade diante da ameaça destemperada do companheiro: "Em matéria de economia, eu sigo a orientação do Mercadante".

Vê-se que não segue, foi só uma brincadeira. Se seguisse, o dólar devia estar a R$ 5 e o país quebrado.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Impostos
MinC estuda loteria para angariar recursos


O governo Lula quer aproveitar uma paixão do brasileiro para engordar os cofres minguados do Ministério da Cultura (MinC). Já está em estudo na Caixa Econômica Federal a criação de uma Loteria da Cultura, o mecanismo encontrado pela equipe do ministro Gilberto Gil para financiar projetos, principalmente os populares.

A expectativa é chegar a uma arrecadação anual de R$ 800 milhões. Para 2003, depois dos cortes promovidos pela equipe econômica, a pasta de Gil ficou com um orçamento restrito a cerca de R$ 130 milhões.

O baiano Paulo Miguez, assessor especial do ministro, explica que em países europeus, como a Itália, a loteria da cultura já colabora como parte substantiva do financiamento para preservação do patrimônio. Aqui no Brasil, o princípio desse jogo seria o mesmo dos programas interativos de TV. O cidadão apostaria, por telefone, em um número, podendo operar com cartão de crédito e pagando entre R$ 3 e R$ 5 a aposta. A participação daria direito a sorteios de livros, CDs e entradas para shows e cinema. No final, poderia ainda concorrer a um grande prêmio.

O ministério espera que antes do final deste semestre um projeto fechado com a Caixa já esteja pronto para ser enviado ao Congresso Nacional, como uma emenda à Medida Provisória 103, que já está em andamento.

- Somente na Europa, há 16 loterias desse tipo. Os Estados Unidos também contam com loterias assim, mas da educação - reforça Miguez.

Previsão é dar à cultura 40% do arrecadado

A ministra da Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva, chegou a ensaiar a implantação de um projeto como esse no final da sua gestão como governadora do Estado do Rio de Janeiro. O ex-secretário da Cultura Antonio Grasso explica que não houve tempo para colocar o projeto em prática ainda sob a administração petista no Rio de Janeiro, que durou apenas oito meses.

- Agora trouxemos essa idéia para o governo federal. A previsão é de que 40% dos recursos arrecadados sejam dirigidos diretamente para a cultura. Os outros 60% financiariam os prêmios e a dinâmica do processo - explica Grasso, que agora é diretor da Fundação Nacional de Arte (Funarte).

A intenção do governo pode ser boa, mas fontes do setor, em Brasília, analisam que, inicialmente, a previsão de levantar R$ 800 milhões com as apostas é por demais otimista. Em 2002, a arrecadação das oito loterias da Caixa chegou a R$ 3,1 bilhões.




Lya Luft
26/04/2003


Novo livro, velhas manias

Todo mundo tem manias. De algumas com o tempo conseguimos nos livrar, outras pioram; umas são divertidas, outras chatas para nós ou os demais. Uma das coisas boas de amadurecer é que a gente vai tendo mais bom humor em relação ao inevitável - seu e alheio.

Corre uma lenda de que "a Lya detesta dar autógrafos". Como a maioria das lendas (pelo menos a meu respeito), ela não é real. Ao contrário: fico feliz se alguém, lendo alguma coisa que escrevi, se torna meu cúmplice e busca se aproximar de mim. Partilhar inquietações e perplexidades é uma forma de entendimento muito especial. Mas aí é um encontro pessoal, espontâneo.

Tenho mania é de não fazer sessão de autógrafos, aquela coisa organizada, ficar sentada esperando os que por sua vez aguardam em fila. Em 1987, quando morava no Rio, vim lançar aqui meu romance Exílio (que não se chamava assim por eu me sentir exilada no Rio, mas isso daria outra crônica). Vendo láááá loooonge na fila amigos queridos, alguns respeitadíssimos, aguardando havia mais de uma hora por um abraço e uma assinatura, achei demais esquisito e constrangedor. Decidi: Esta será a última vez.

Acontece que mania - como tudo o mais - existe pra ser infringida. Em 2002, portanto com intervalo de uns 15 anos, fiz uma noite de autógrafos para o Mar de Dentro e quase não acreditei na prova de afeto (e resistência) de amigos e de leitores.

Hoje, explorando talvez de forma um pouco cretina esta coluna, anuncio um novo livro: Perdas & Ganhos. Na próxima semana ele deverá estar nas livrarias de todo o país. Nele, falo na valorização da passagem do tempo; nas relações e desencontros humanos, alegria e dor. Falo nesta rara, conflitada, fútil e grandiosa humanidade nossa.

No Rio de Janeiro, a Record (que nada tem a ver com a TV Record), minha nova editora, está programando um encontro em uma livraria, com Eva Wilma lendo trechos da obra. Depois se bebe champanha, se autografa, se conversa. Explico: fora do Rio Grande do Sul a confusão é menor. Lá ainda não tenho o número de amigos daqui, minha terra, meu chão, escolhido e re-escolhido pra viver e ser apenas esta, eu, a Lya cotidiana, bastante quieta em sua casa e sua família.

Essa longa explicação é para que entendam que, gostando de autografar espontaneamente em qualquer momento, é por gentileza com todos que os pouparei de algo oficial e marcado, demorado e enfadonho, pelo menos nos próximos... cinco... 10... digamos 20 anos? (Como vêem, eu sou uma otimista.)

PS: Sugerir que o Verissimo seja anti-semita é de uma burrice atroz. Mencionar incessantemente o dinheiro da menina Athina Onassis, de quem sei que é um ser humano gentil - e é o que me interessa -, é quase como (guardadas as diferenças) sempre que falam de mim dizerem quantos quilos eu peso. Não é uma comparação inteligente, eu sei, mas... há coisas imencionáveis, desnecessárias, indelicadas e desumanizadoras. A humanidade de cada um não seria muito mais interessante de se comentar?


Governo Federal
Chávez e Lula se reencontram em Pernambuco



O presidente da Venezuela fez a quarta visita ao Brasil este ano, para buscar apoio político do colega brasileiro, a quem chamou de ¿amigo de verdade¿. Lula pressionou o vizinho a aceitar referendo sobre permanência no poder (foto Victor R. Caivajo, AP/ZH)


Sexta-feira, Abril 25, 2003




Amei esta sugestão de presente para as mães. por isso sugiro também. Por hoje fico aqui, até porque meu horóscopo não deve estar lá estas coisas. Sempre houve uma pontinha de tristeza em meu olhar desde a infância, decorrente de apoios incoscientes a minha mãe e fui por contingência impelido a crescer rapidamente, quando ainda era criança na verdade.

Talvez esta a principal razão de ser triste. Porém há dias em que o coração sofre novos reveses e as tristezas afloram com maior intensidade, fazendo com que tudo o que existe de belo ou de alegre seja profundamente melancólico e angustiante. Assim deixo-os, na esperança de que o tempo que tudo arranja, de cabo desta incomoda dorzinha que hoje não quer ceder, mas que precisa calar-se frente a uma realidade que nunca será com antes.

A INCRÍVEL VERDADE SOBRE AS MÃES
Bradley Trevor Greive
Editora Sextante
R$ 19,90; 120 páginas


Com a proximidade do Dia das Mães, a editora Sextante lança mais um livrinho-com-fotos-fofas-de-bichinhos. Na linha de Querida Mamãe, Obrigado por Tudo, o novo livro do australiano Bradley Trevor Greive, A Incrível Verdade sobre as Mães promete ser presente certo para a data.


E não é por menos; que mãe vai resistir a fotos de animais em situações engraçadas mostrando as maravilhas e dificuldades da maternidade? Sucesso garantido para a editora, para o autor e para os filhos em dúvida sobre como surpreender suas mães.






Linhas muito bem traçadas

Artur da Távola cansou de ver a crônica Ter ou Não Ter Namorado, sucesso na Internet e até em antologias, ser atribuída a Drummond e avisa que agora vai à Justiça

por Tatiana Contreiras

Prepare-se para a verdade definitiva: a crônica Ter ou Não Ter Namorado, que todo mundo já recebeu pelo menos uma vez na vida, por carta ou por e-mail, não é de Carlos Drummond de Andrade e, sim, de Artur da Távola. Assustado? Artur da Távola confessa que também ficou, quando começou a ver o nome de Drummond associado a seu texto. Agora, o cronista pretende entrar na Justiça para evitar que o engano continue. Porque circular na Internet é um coisa, mas entrar em livro com a assinatura errada é mais complicado.

É uma certa leviandade das editoras publicar sem conferir a obra do autor. Tem que se ter respeito pelas pessoas¿, avalia Artur, que vai processar as editoras por uso indevido de seu texto. Ele conta que já flagrou Ter ou Não Ter Namorado em antologias de Drummond e até em um livro didático, no Paraná. A gente perde o controle desse mecanismo com a Internet, diz. Mostra que estão usando a Rede como fonte sem checar. Fiquei irritado, revela.

Ainda bem que a briga não é com Drummond nada pessoal, ele garante. É a história do meu maior sucesso e do meu maior fracasso, brinca Artur. Minha crônica que fez mais sucesso é atribuída a outro escritor, lamenta. Mas é o Drummond, o que é uma honra¿, diz. A crônica começou a correr por aí como se fosse do poeta mineiro há alguns anos, durante a CPI dos Anões do Orçamento, depois de ser encontrada em um dos disquetes de um dos acusados pela Comissão. A partir daí, não teve jeito: Ela começou a rodar pela Internet. Eu mesmo já recebi várias vezes, conta.

A crônica, que agrada de adolescentes às suas mães, foi escrita há muito tempo e publicada no livro Amor A Sim Mesmo, da Editora Nova Fronteira, de 1984. Lembro bem de quando a escrevi. Foi em 82, por aí... um feriado, eu estava trabalhando, e sabe aqueles dias em que você não sabe o que vai escrever?, diz, na maior simplicidade.Sentei e foi. Não fui eu que escrevi. Fui escrito pela crônica. Acho que essas são as melhores, acredita.

A crônica da discórdia: Ter ou não Ter namorado

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.

Namorado é a mais difícil das conquistas.

Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.

Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado é quem não tem amor, é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.

Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d¿água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.

Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.

Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz.

Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.




Yasmin Brunet, 14 anos, leva Kayky Brito, 14, nas mãos, no coração e... no pé (você vai descobrir como se ler o texto até o final)

Yasmin Brunet, de cabelão solto, jeans e camiseta, é pontual. Acho que tem a ver com sua profissão, a mesma da sua mãe, Luiza Brunet. As duas são modelos e, nesse campo, horário é fundamental. Já pensou modelo se atrasando para entrar na passarela? Impossível.
Às 4 da tarde, como combinado, ela desce do seu apartamento para me encontrar. Está acompanhada da amiga Flávia Janot, 23 anos. Flávia serviu de cupido no namoro de Yasmin e Kayky Brito, o motivo, aliás da nossa conversa.

Yasmin vai posar para a nossa capa. Ela é a primeira namorada de Kayky (ele, o terceiro dela). No caminho para o estúdio da fotógrafa, Yasmin começa a contar como o namorado salvou sua vida naquela manhã. "Ele me ligou às 6h52. Entro na escola às 7h e não podia perder o horário de jeito nenhum. Senão, ia ser suspensa. Sorte que ele me acordou e eu moro ao lado do colégio!"
6h52? Isso é horário de ligar?, pergunto. "Hum-hum. Às vezes ligo para ele às 4h! Sempre pergunto se o acordei e ele diz que não. Mentira, né?", conta ela.

Tenho uma pergunta. Desde que os dois começaram a sair, parece terem virado sócios do cinema.

Por que vocês vão tanto ao cinema?
Acho que é o único lugar que a gente consegue ficar numa boa, sem ter um monte de gente olhando!

E vocês assistem ao filme?
[Risos]. Não, né? Mal sei o nome dos filmes!

E o Kayky folga muito?
Nããão. Ele é um namorado muito comportado!

Vocês brigam?
A gente discute muito por besteira, a gente é muito teimoso. Por exemplo, ele diz para eu ligar. Aí, peço para ele me ligar. Ele insiste para eu ligar para ele. Eu falo para ele ligar para mim. Aí, começa a confusão. Mas eu sempre dou um jeitinho...

Como?
Fico brava e digo que nunca mais vou ligar para ele.

E funciona?
Às vezes. Ele me diz que não consigo ficar sem ligar para ele.

Kayky e Yasmin parecem apaixonados e sofrendo com a distância. Ela mora na Gávea, zona sul do Rio, e ele no Recreio, a 30 km. Kayky passa o dia nos estúdios da Globo, gravando O Beijo do Vampiro. Só se encontram nos finais de semana. Para matar as saudades, os dois se falam por telefone - e as contas triplicaram. "É o maior prejuízo! Eles se falam o dia inteiro. Muitas vezes nem tem assunto, tipo vou comer e acabei de almoçar", brinca Sandra, a mãe do ator. "Ele está o tempo todo ao telefone com ela", completa o amigo Celso Bernini, o Baratão de O Beijo do Vampiro. "Kayky vive dizendo que Yasmin é a mulher da vida dele, que quer casar e tudo", diz um produtor da novela.

É verdade que vocês já pensam em casamento?
Imagine! Tenho só 14 anos. Sou muito nova para essas coisas.

Mas ele lhe deu um anel...
Era dele e ele me deu no nosso primeiro encontro. Não é de noivado!

Vocês fazem planos para o futuro?
Não. Só para depois da novela. Ele trabalha muito e a gente quase não consegue se ver. Quando a novela terminar, vai ficar mais tempo comigo!



Discussão entre casal

Uma discussão entre Heloísa (Giulia Gam) e Sérgio (Marcelo Antony e Giulia na foto), no capítulo de Mulheres Apaixonadas que vai ao ar dia 3, quase acaba em tragédia. Tudo corria bem no jantar do casal, até Heloísa se alterar com Sérgio, porque ele diz que ela precisa tratar seu ciúme doentio. A mulher tem um piti e faz um discurso. O marido sai, pega o carro e, quando vai dar a partida, Heloísa se coloca na frente. Sérgio sai sem querer papo e, se alguém não puxasse Heloísa, ele passaria por cima.

Ela vai pra casa de Helena (Christiane Torloni) e faz um escândalo que acorda o prédio todo, dizendo que o marido tentou matá-la. Sérgio vai pra casa de Hilda (Maria Padilha) e diz que quase matou a mulher. No dia seguinte, Heloísa volta para casa e vê que as coisas de Sérgio não estão mais no armário. Agora, só resta a ela levar a sério o tratamento no Mada, grupo de ajuda que trata de mulheres que amam demais.




Feliz aniversário

Soprar as velinhas fica melhor com as vantagens oferecidas aos aniversariantes. Tem desde ingresso para sessão de cinema a rodada de chope e sobremesa de graça
Tatiana Contreiras


Aniversariante de domingo, Claudia Spinola vai entrar na fila do UCI para pegar seu ingresso gratuito: aniversariante mostra a identidade e não paga

Quem tem lá seus 20 e alguns anos, um pouco mais ou até filhos pequenos sabe muito bem: nas festinhas de criança, a tradicional hora de apagar as velinhas sempre vem (ou vinha, dependendo da faixa etária) acompanhada do Parabéns da Xuxa, aquele do bolo e guaraná, muito doce pra você. Pois é, a garotada cresce e o bolo e guaraná viram coisinhas coloridas nos álbuns antigos.

Mas os grandinhos mal acostumados podem ficar contentes: o que não falta é mimo para os festeiros de cada dia adultos e crianças. Bares, restaurantes, cafés e boates do Rio oferecem de tudo um pouquinho para agradar a quem fica mais velho. No dia do aniversário, vale mostrar os documentos para ganhar de sobremesas a almoços completos, passando até por entrada livre no cinema. Não é docinho feito pela vovó, mas é tão caprichado quanto. E alivia o bolso. Quer presente melhor?


O universitário Rodrigo Faria no Belmonte: rodada de chope de graça

Nos cinemas da rede UCI, no New York City Center, não tem papo. Está ficando mais velho? Mostre a identidade e pegue seu ingresso. Demorou. Vou mesmo no domingo, faz graça a publicitária Claudia Spinola, 25 anos, que completa mais um aninho adivinhe neste domingo. Além de aumentar o público da comédia romântica Encontro de Amor (a moça é louca pelo bonitão Ralph Fiennes, que estrela o filme), Claudia completa o circuito com uma festa no Far Up, na Cobal do Humaitá. Ia fazer uma festa num barco, mas depois vi que não tinha muita segurança. No Far Up é legal e o aniversariante ganha um bolo e desconto para os convidados, dá a dica.


A estudante Nathalia Batista, 16 anos, também se empolga com o passe livre no UCI. Mas como boa fã de doces, ficou balançada com o Spotted Dog Sundae, sorvete de creme com calda de chocolate e chantilly do Outback, oferecido aos aniversariantes que almoçarem ou jantarem na casa. Vou passar uma cantada na minha mãe para vir aqui no sábado, avisa. Já quem quer comemorar com os amigos pode até para tirar onda: no Belmonte, no Flamengo, aniversariante ganha rodada extra de chope para a mesa. Lá é supermaneiro e a promoção acaba atraindo as pessoas para comemorar fora de casa, diz o universitário Rodrigo Faria, 23 anos a serem completados dia 7. Com tantas regalias, ninguém mais vai reclamar ou querer trocar presente...


Bombeiros levam o corpo do mineiro Edson, o último a ser encontrado




Capitania proíbe passeio de barco
Embarcações iguais ao Tona Galea não podem navegar em Cabo Frio

Fábio Varsano e Simone Noronha



Por determinação da Capitania dos Portos, barcos de passeio com as características do Tona Galea ou que sofreram alteração de estabilidade nos últimos anos estão proibidos de navegar na região de Cabo Frio. A decisão, anunciada ontem à tarde, vale até que os donos das embarcações façam testes que confirmem a capacidade de passageiros e o peso máximo de carga. Ontem, foi encontrado o corpo de Edson Celestino Silva, última vítima desaparecida. Agora, são 15 mortos na tragédia.


Segundo nota oficial do 1º Distrito Naval, a proibição ocorreu em função dos primeiros testes da perícia feita pela Marinha ontem de manhã no Tona Galea. Em uma das verificações, aproximadamente 60 marinheiros subiram no barco, cuja capacidade anunciada era de 78 passageiros, para checar a estabilidade. Mesmo com peso abaixo do limite e sem que todos estivessem num dos lados, a embarcação inclinou, e parte dos marinheiros teve que sair às pressas.


Célio Taniguchi, professor do Centro de Engenharia Naval e Oceância da USP, disse que esse tipo de teste não é muito comum. ¿Até por questões de segurança não usamos pessoas. As provas de inclinação e de estabilidade são feitas com objetos¿, explicou. Segundo o delegado da 126ª DP (Cabo Frio), José Mario de Omena, que acompanhou a perícia, especialistas da Marinha disseram que o laudo com as causas do naufrágio depende de cálculos que ainda serão feitos.


Comandante diz que força da natureza causou acidente


Em depoimento que terminou de madrugada, o comandante do Tona Galea, Norberto Guimarães da Silveira, 72 anos, atribuiu o acidente a ¿forças da natureza¿. ¿Foi uma situação imprevisível e inevitável criada pelas ondas e pelo vento¿, disse ele ao delegado da 126ª DP. Garantindo que não teve culpa no naufrágio e que não tentou fugir da polícia, o mestre-arrais contou que as condições do mar, sábado, estavam favoráveis para o passeio.


Segundo Norberto, o panorama mudou quando rajadas de vento agitaram o mar. A 200 metros da Ilha do Papagaio, uma onda mais forte inclinou o barco, todos os passageiros caíram para um lado, e o toldo foi impulsionado pelo vento, virando o Tona Galea. O comandante contou ter salvo três crianças e duas mulheres, mas que já estava sem forças e acabou levado para terra firme pela lancha, para onde carregou alguns sobreviventes. Após relatar o naufrágio aos filhos, ele foi levado para o hospital em Cabo Frio e, depois, transferido para o Rio. O mestre-arrais contou que foi sedado e só soube das mortes quarta-feira.


Colaborou Fabrício Marta





Para voces curtirem nesta sexta-feira, enquanto o sábado e o domingo não vem, ai está a coluna do José Simão. Aproveitem que é a última sexta de abril de 2003.

José Simão
simao@uol.com.br


Bag-Rio! Capitão Bolinha ataca de estilingue!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E diz que o Palófi é o Malan de pé quebrado! E sabe como se chama o médico que cuida dos pernas-de-pau do PT? Ortopetista. Profissão em alta: ortopetista! E os xiitas tomam o poder no Iraque. Agora que o Iraque vai AIATOLÁ! E diz que o Saddam mandou um recado pro Bush e pro Blair que nem a CIA conseguiu decifrar: 'BB-62'. Aí chamaram um turco vendedor de quibe em Washington, e o cara disse: 'Fácil. BB-62 quer dizer Buda Bariu Ceis Dois'.

BAG-RIO Urgente! Chamar o marido não vale. A Rosinha chamou o Garotinho pra tomar conta da Bagurança do Rio! E ainda apelidou o marido de Capitão Bolinha. E ele vai atacar de estilingue? Capitão Bolinha ataca de estilingue! E se o Garotinho não der certo? Aí a Rosinha vai aplicar três castigos: um mês sem jogar videogame, uma surra de cinto e um passeio de ônibus pela Linha Vermelha!

O Xerife Little Kid! Ele vai acabar chamando o Chapolin. Garotinho chama o Chapolin Camarada! E o que a Rosinha tem contra o Sargento Tainha? Porque ela não chamou o Sargento Tainha? E o Garotinho tem cara de Bebê Johnson. Bebê Johnson x Marcinho VP! E um amigo me disse que esses são os pânicos nacionais: parar num farol em São Paulo, andar de ônibus no Rio e chinês espirrando! Rarará. Se já era difícil identificar chinês, imagine agora que eles andam com aquela máscara. Humor negro! E diz que o Bush vai invadir a China antes que um chinês espirre na cara dele. Ataque preventivo!

E um carioca mudou pra Colômbia, mas está achando tudo muito tranqüilo e mandou um recado: 'Avisa para aquele bandido que sempre acertava meu carro na Linha Vermelha que eu também tô com saudades dele'.

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que um prefeito tucano de Ibirité, interior de Minas, inaugurou um 'ambulatório de alta resolutividade'. Tucanou o hospital municipal. E um amigo de João Pessoa viu uma placa: 'personal guitar trainer'. Tucanaram o professor de violão. Socorro. Tá mais fácil acabar com a pneumonia asiática que com o tucanês! Tucanês é como praga de sogra: a véia morre, mas a praga continua.

Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. 'Diabético': companheiro que tem parte com o diabo. 'Encíclica': bicicleta de uma roda só. Rarará. O lulês é mais fácil que o inglês! Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! No pingolim! Pra ver se bate no teto!

Email simao@uol.com.br



Joelmir Beting
Sexta-feira, 25 de abril de 2003


O atalho global

A cidade chinesa de Hong Kong, turbinada até 1997 pelo protetorado britânico, é a pérola do capitalismo no rodapé do gigante do comunismo. Até por osmose inercial, a China não trouxe Hong Kong para o comunismo. Hong Kong é que trouxe a China para o capitalismo.

Quer dizer: a eclosão da economia de mercado chinesa, de padrão japonês ou coreano, fora arquitetada década e meia antes pelo livrinho azul de Deng Xiaoping. Mas a anexação contratual de Hong Kong serviu para viabilizar e acelerar a transição da economia então centralmente planificada (ou engessada) do PC chinês para as águas quentes e turvas da globalização a toque de caixa.

Endereço de um terráqueo em cada cinco, a China deu de fabricar e exportar até mesmo borboletas de plástico. E não vacilou em escancarar o sarcófago de Mao para uma invasão do capital transnacional da ordem telúrica de US$ 423 bilhões na década passada. Sim, a China, que ainda é governada por comunistas históricos, é o país que desfila o maior coeficiente de globalização.

Que o diga o relatório anual da Organização Mundial do Comércio (OMC), da qual a China exibe crachá de novata. Ela precisou de apenas três planos qüinqüenais para realizar o oitavo PIB do mundo e saltar do quase zero para o altiplano dos cinco maiores países exportadores e dos sete maiores importadores.

Nas vendas externas, a China embarcou US$ 326 bilhões no ano passado. Ela já responde por 5,1% do comércio mundial - com impulso de banguela para ultrapassar a França agora em 2003 e fungar no cangote do Japão até 2005. Se entrarem na fatura as exportações de Hong Kong, de US$ 138 bilhões, aí a China já está na terceira posição do pódio da OMC, à frente do Japão (com US$ 416 bilhões).

A obsessão exportadora de Pequim tem tudo a ver com o dinamismo excepcional de sua economia ainda desajeitada e sem treino. Ela cresce, desde 1989, pela média anual de 7,1%. O que significa duplicar o PIB a cada dez anos.

Enquanto isso, cá por estes brasis, ainda rola o ranço do modelo cepalista da economia interna protegida, de baixa eficiência, geradora ainda hoje de empregos ruins com salários péssimos. Um modelo centrado na ocupação excludente do mercado interno ainda por fazer, com fixação na substituição de importações (a qualquer custo). E com as exportações tendo um papel subalterno de mero cano de escape para ciclos de depressão interna.

Resultado: o Brasil exporta pouco mais de um terço de Hong Kong, cidade menor que a do Rio de Janeiro. No ranking da OMC, já baixamos a bola murcha do 23.° para 26.° lugar. Nossa fatia no mercado mundial decresceu de 1,2% para 0,9%. Estamos embarcando nada além de 13% do PIB (de US$ 449 bilhões em 2002). Desempenho digno da nossa melancólica posição no Relatório IMD da competitividade mundial. Na listagem dos 40 maiores países emergentes, pastamos o 35.° lugar.

Sem mistério. Para a escola cepalista, mercado interno e mercado externo são alternativos. Para a tigrada asiática, eles são aditivos.

SECOS & MOLHADOS

Trombada - De baixa apetência para as duras lides do mercado externo, a economia brasileira entra em contagem regressiva para uma violenta trombada no meio da pista expressa da globalização. A colisão frontal da anta brasileira com a águia americana. Não temos musculação sequer institucional para tamanha refrega.

Covardia - Na ignição da Alca, com aviso prévio e data marcada, a economia brasileira vai simplesmente disputar espaço (aqui, ali e acolá) com a economia mais poderosa e mais competitiva da História. Será que um Japão, segunda potência, e uma Alemanha, terceira potência, agüentariam essa mesma queda-de-braço?

Anexação? - No palanque, o candidato Lula orquestrou o coro contra a gestação da Alca: "Não vai ser integração coisa alguma. Vai ser uma anexação pura e simples." No Palácio, o presidente Lula já descobriu onde mora o perigo da anexação: na postergação das reformas talhadas para a redução do custo Brasil.




Bem voces imaginam que para obter o empréstimo para um investimento nesta área, Os tomadores tem que se submeter a uma análise, hoje dividida em 133 etapas conforme o Vice Presidente. Agora ele promete agilidade na análise de novos empreendimentos. Eu diria que 33 etapas, já deve levar um tempo rasoável, quanto mais Cento e Trinta e Tres.

Crédito
Caixa estimula negócios para conter déficit
Governo deve facilitar regras de crédito

As prioridades da Caixa Econômica Federal no governo de Luiz Inácio Lula da Silva são a redução do déficit habitacional e a geração de emprego por meio da construção civil.

A afirmação foi feita ontem pelo vice-presidente de Desenvolvimento Urbano e Governo do banco, Aser Cortines, em Porto Alegre:

- A habitação deve constituir-se num dos principais negócios das agências.

Cortines participou de reunião-almoço na sede do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado (Sinduscon/RS). No encontro, disse que a Caixa e o Ministério das Cidades estão reformulando as políticas da instituição, com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito para pessoas físicas e empresas. Cortines explicou que a análise de novos empreendimentos - hoje dividida em 133 etapas - ganhará agilidade.
- O empresário terá condições de acompanhar o processo e saber os pontos em que a proposta pode ser modificada - afirmou.

O orçamento da União para o crédito habitacional neste ano totaliza R$ 5,3 bilhões, sendo que o Rio Grande do Sul deverá ficar com R$ 380 a R$ 400 milhões. O montante financiaria mais de 30 mil unidades, disse Cortines.

Bancos privados podem destinar mais recursos

Os bancos privados serão estimulados a destinar mais recursos ao crédito para o financiamento da casa própria, conforme a resolução aprovada ontem pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Em julho de 2002, o CMN já tinha aprovado uma resolução para incentivar o crédito imobiliário por meio da redução do estoque do chamado Fundo e Compensação das Variações Salariais (FCVS) Virtual. A medida determinou que, em cem meses, fosse reduzido o saldo do FCVS Virtual dos bancos em 1% ao ano. Mas, o saldo continuou sendo corrigido pela Taxa Referencial (TR) mais 12% ao ano, o que inibiu a redução do estoque. Conforme a resolução de ontem, o estoque será corrigido por TR mais 6% ao ano ou TR mais 3% ao ano.




Pois é está quase uma novela esta em que a atriz principal, não é nada menos que a maior Empresa Aérea do País, a nossa VARIG. Acredito esteja faltando boa vontade de ambos os lados, empresa e governo e quem está pagando por isso é o usuário, que volta e meia vê-se envolvido em cancelamento de vôo ou porque reteram o avião em algum aeroporto.

Empresas
Varig decide rolar dívida com a Infraero

Presidente da holding controladora da companhia, Gilberto Rigoni, busca parceiro internacional na Europa

Com a emissão de debêntures aprovada ontem pelos acionistas, a Varig vai rolar sua dívida de R$ 207 milhões com a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero). A decisão foi definida ontem em uma reunião que durou cerca de 15 minutos, em Porto Alegre. As dívidas de curto prazo da Varig chegam a R$ 280 milhões, com vencimento este ano.

Debêntures são títulos que representam empréstimos, rendendo juros e correção monetária aos credores. Os títulos que serão emitidos pela companhia devem ser pagos em um prazo de cinco anos. A remuneração aos credores será calculada a partir da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), divulgada pelo Banco Central, com sobretaxa de 4,75% ao ano.

A dívida total da Varig ultrapassa R$ 3 bilhões. Em setembro passado, último dado divulgado pela empresa, seu patrimônio líquido estava negativo de R$ 2,5 bilhões e, no período, registrou prejuízo de R$ 1 bilhão.

Apesar de ferrenho defensor da fusão entre Varig e TAM, o ministro da Defesa, José Viegas, disse ontem que o governo vai receber bem um eventual investidor que ajude a colocar a maior companhia aérea brasileira na rota do lucro novamente.

O ministro comentava a viagem de Gilberto Rigoni, presidente da FRB-Par, holding que controla a Varig, esta semana a Portugal. O executivo, que retorna hoje ao Brasil, procura acertar a securitização da dívida da Varig com um investidor europeu.

- O interesse do governo brasileiro é que o setor de aviação civil evolua para que as empresas do setor alcancem rentabilidade. Se a Varig conseguir um esquema de investimento que lhe assegure esse estado, será excelente. Nada melhor - afirmou.

Em meio a essas tentativas da Varig, o banco Fator prepara a modelagem da fusão da Varig com a TAM . O ministro da Defesa demonstrou mais uma vez sua inquietação com o ritmo do processo.

- Aguardo a notícia da modelagem a curtíssimo prazo. Não é um ultimato, é pressa - disse Viegas.

Ele disse ainda que, depois de receber o modelo, terá de submetê-lo ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social "para que o governo defina seu rumo de ação''. Uma reunião do colégio deliberante da Varig, composto por pouco mais de 200 funcionários, está marcada para quarta-feira com o objetivo de decidir sobre a fusão da empresa com a TAM.

As possibilidades
Duas medidas podem tirar a Varig do vermelho:
Parceiro internacional
Um investidor europeu poderá se associar à empresa, permitindo sua reestruturação financeira. A Varig já acumula dívidas superiores a R$ 3 bilhões e seu patrimônio líquido, em setembro de 2002, era negativo em R$ 2,5 bilhões.
Fusão com a TAM
Varig e TAM são as duas maiores companhias do setor no país. A fusão entre elas é um dos caminhos em estudo para sanar o problema. O modelo de fusão está sendo preparado pelo banco Fator.




Paulo Sant'ana
25/04/2003


O caos nas BRs

O telefone não pára de tocar: são desesperados apelos dos habitantes de Chuí e de Barra do Chuí para que seja imediatamente reparada a BR-471.

Dezoito quilômetros que percorrem o Banhado do Taim estão com os acostamentos dos dois lados sendo corroídos pelas águas e ameaçando a interdição da estrada.

Já o tráfego só pode ser feito por uma só faixa, numa só mão, filas à espera do demorado fluxo. Em pouco tempo, por nenhuma das duas faixas da pista.

O povo de lá se sente abandonado pelos governos, clama a atenção para o urgente conserto da estrada, vital para o desenvolvimento daquelas localidades e para a ligação do Brasil com o Uruguai.

- Não temos representação política. É uma vergonha o que está acontecendo com nossa BR. E sentimos que tanto em Porto Alegre quanto em Brasília nós somos considerados como párias geográfico-sociais, não pertencentes à unidade nacional. Põe aí na tua coluna, Paulo Sant'Ana, que não pode continuar ruindo a estrada do Banhado do Taim. Chegou ao limite da urgência. Dá uma força para nós.

E tilintam os telefones dos chuienses na Redação, somados aos de gaúchos de vários outros quadrantes, reclamando contra as péssimas condições das nossas estradas.

As BRs 293 e 287 estão em petição de miséria, há casos de pedágios improvisados por moradores e prefeituras para prosaicos consertos de trechos precaríssimos.

Não tem explicação que, enquanto se batem todos os recordes da arrecadação de impostos, as BRs gaúchas tenham sido assim completamente abandonadas à sua sorte.

Isso vai derrubar com a nossa economia e é um desrespeito à cidadania.

Sem falar na inesperada sustação por parte do governo federal da licitação para as obras da duplicação da BR-101, na parte que liga Florianópolis a Porto Alegre.

Inexplicável. É estrada de grande circulação de riquezas e de intenso turismo. E virou a Estrada da Morte.

A duplicação da BR-101 é o mínimo direito dos catarinenses e gaúchos, além dos caminhoneiros de todo o Brasil que por elas circulam.

Com apenas uma pista, esta estrada se constitui no maior libelo ao primitivismo e ao atraso brasileiros.

Esses dias, o presidente Lula chamou lá em Brasília os 27 governadores. Entre eles estavam Germano Rigotto e Luiz Henrique, ambos do PMDB.

Os dois, junto com outros 25 governadores, concordaram em prorrogar a CPMF, o que vai torná-la definitivamente permanente, concordaram em taxar os inativos e no aumento do limite de idade para a aposentadoria dos trabalhadores, assim como com todas as reduções de direitos que estarão contidas na reforma previdenciária.

Ou seja, os governadores do Sul estão de mãos dadas com o presidente nas férreas medidas que vêm por aí no vendaval das reformas.

Então seria a hora de o Rio Grande do Sul e Santa Catarina obterem imediatamente a recompensa por essa fidelidade, por essa inédita renúncia à oposição, começando pela duplicação da BR-101.

Os governos não podem ficar paralisados durante esses já quase quatro meses a assestar somente com dispositivos redutores de direitos dos cidadãos, sem mexerem um só dedo para as obras vitais da dinâmica socioeconômica de seus territórios.

A pista única na BR-101 é um acinte. E o abandono das outras BRs gaúchas virou calamidade estadual.

Impossível não repercutir na imprensa, pela grita do povo, esse colossal marasmo governamental.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




David Coimbra
25/04/2003


96 quilos

Olhei para o Mário Marcos e convidei:

- Que tal um expresso com bolinho de batata ali no bar da rádio?

Muito bom o expresso com bolinho de batata ali do bar da rádio. O Mário topou. Estava se levantando, já íamos saindo. Aí alguém anunciou:

- Olha as fotos da Athina!

Parei. Paramos. Corremos todos para ver as fotos da Athina Onassis, a adolescente mais rica do mundo, que chegava a Porto Alegre. Manuseei as fotos, examinei-as bem. Estava curioso. Como se parece alguém que tem cinco bilhões de dólares? Hmm. É alguém com seguranças. Claro, biliardários estão sempre ladeados por seguranças. E óculos escuros. Um biliardário não fica sem seus óculos escuros, sobretudo em aeroportos. Pois lá estava a Athina com seguranças e óculos escuros, direitinho. Só que vestia abrigo. O que, confesso, foi uma certa decepção. Eu cá não aprovo mulheres de abrigo.

Mas então pensei: por que uma pessoa seria diferente só por ter cinco bilhões de dólares no banco? Athina deve ser como qualquer um de nós. Deve gostar de batata frita e de sorvete. Deve ter ficado com o coração do tamanho de uma ervilha quando o Doda se aproximou dela pela primeira vez. E, se ainda não sofreu por amor, sofrerá, que não há quem não sofra de amor ou gripe.

Quer dizer: não há nada na Athina que possa chamar a atenção dos outros seres humanos, nada que os faça correr para ver uma foto sua, nada que os motive a escrever uma crônica sobre ela.

A não ser cinco bilhões de dólares.

E isso é tão importante assim? Façamos um teste. Você, magra leitora, se para ganhar cinco bilhões de dólares você tivesse de pesar 96 irreversíveis quilos, você ficaria com os cinco bilhões? Se respondeu que sim, você tem problemas. Porque ninguém precisa de muito dinheiro para ser feliz. Para ser feliz, só é necessário ALGUM dinheiro, a quantidade suficiente para uma vida digna. Nada mais.

Para ser feliz, feliz mesmo, o que é indispensável é o amor das pessoas que nos rodeiam. É disso que todos andam atrás, mesmo que não saibam. Então, magra leitora, se para receber o amor autêntico você tiver de pesar 96 irreversíveis quilos, não vacile: aceite o negócio. E então você será uma pessoa que vai chamar a atenção dos outros seres humanos, vai fazê-los correr para ver suas fotos e, quem sabe, será até personagem de alguma crônica fugidia de um jornal de final de semana.

david.coimbra@zerohora.com.br


Saúde
A pneumonia do medo se alastra



Avanço da doença deflagrou onda de temor e de medidas extremas de contenção, principalmente na China (foto Greg Baker, AP/ZH)

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Quinta-feira, Abril 24, 2003




Deixo-os com esta mensagem do Drummmond de Andrade e que lembra a Cidinha lá de Campanha,MG e que ainda está de férias. Já é hora de voltares menina. Evidente que não é cedo para desejar bom fim de semana e que os anjinhos os guardem.

O Homem: As Viagens

O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua
Lua humanidade: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.

Vamos para Marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - ; diz o engenheiro
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.

O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto ; é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só pra tever?
Não vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato que é o Sol, falso touro
espanho domado.

Restam outros sistema fora
do solar a colonizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de conviver.

Carlos Drummond de Andrade




Pessoal ai está a capa da Revista Isto É deste fim de semana, que entre outras reportagens tras esta abaixo sobre a programação na TV, fundamentalmente para as crianças. Como ainda somos menores é bom a gente da uma olhada no que é positivo e negativo na programação.







Na verdade a governadora parece até mais tranquila, até onde irá esta tranquilidade é que não sabemos, pois vai ser dificil substituir o Chefe de Segurança do Rio de Janeiro, doravante.

Rosinha: "Pessoas do Governo Federal tentam avacalhar o Rio"


Flávia Resende, Roberta Fortuna e Valéria Galvão, do DIA para o iG (editorultimosegundo@ig.com)

PIRAÍ - Em entrevista à imprensa, a governadora do Rio, Rosinha Garotinho, fez duras críticas ao Governo Federal, que, segundo ela, tem se negado a ajudar o Estado do Rio. "Pessoas do Governo Federal estão tentando avacalhar o meu governo, mas eu não vou permitir isso", disparou. (ATUALIZADA ÀS 12h24)

Rosinha esteve, ao lado do secretário de Segurança Púbica, Josias Quintal, e do chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, em Piraí, no Sul Fluminense, para participar da inaguração da Delegacia Legal do município.

Na ocasião, Josias reiterou que não está magoado com a decisão da governadora de chamar Anthony Garotinho (PSB) para ocupar seu lugar na Secretaria de Segurança Pública. "Estou satisfeito porque sei que Garotinho dará continuidade ao nosso programa de segurança".

"Saio do cargo com o dever cumprido"

Mais cedo, o secretário esteve na Escola Superior de Polícia Militar, em Niterói, onde afirmou que trocaria "o sabre pelo verbo em defesa da sociedade". Josias disse que sairá do cargo com a convicção do dever cumprido, apesar de ter consciência que as transformações não foram suficientes e que ainda há muito o que fazer.

Segundo Josias, o futuro secretário de Segurança e ex-governador, Anthony Garotinho, terá um oportunidade ímpar para fazer as transformações que a sociedade precisa. "Ele terá poder, terá recursos e certamente terá vontade para consagrar o compromisso que tem com essa causa", afirmou Josias.

Durante a solenidade, Josias disse ainda que "falta poder à PM para desempenhar a missão de defender a sociedade". Para ele, o modelo institucional deve ser modificado e Garotinho tem a chance de fazer isso a partir de agora.

O chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, não quis falar com imprensa.




Bom já estou no ar outra vez, só que ainda estou utilizando o Netscape 7, porque meu Internet Explorer 6 está bombardeado. E com o navegador da Netsacpe fica tudo bem dirferente, aliás nem quebra de página ele dá. mas pelo menos é possível fazer donwload das imagens e tudo. E a Brasiltelecom, que achei fosse demorar muito, demorou apenas um dia e resolveu o problema de linha deles em definitivo. Então parabéns a Brasiltelecom, porque não me deixou plantado, vendo os barquinhos aqui do Guaiba lake passarem.




A forma que revive

Peugeot lança a 307 SW, a confirmação da reciclagem das wagons, que antes de engolidas pelas minivans adaptaram-se e incorporaram o futuro

Pedro Cuadrat

De lado, a traseira comportada contrasta com a frente agressiva. Por cima, o teto de vidro dá ares futuristas a essa versão do 307, que pode dar novo fôlego ao mercado de SW

Itu, São Paulo - Sky window, eu também tenho. Bem que esse poderia ser o slogan do Peugeot 307 SW. Mas a montadora francesa não quer colocar azeitonas na empada da Fiat e resolveu chamar de panorâmico o grande teto em vidro triplo que é um dos destaques deste veículo. Quando você estiver estressado, basta lembrar que no lado direito do banco do motorista há um botão mágico que faz deslizar uma cortina e transforma o teto de sua perua em um solário ou observatório de estrelas, sem que você precise engolir fumaça ou ficar à mercê de assaltantes.

No interior heranças dos conceitos desenvolvidos para as minivans, como a modularidade dos bancos que podem se transformar em mesas ou ser removidos. Na prática a nova 307 SW oferece o luxo de um sedã

A imensa área envidraçada representa 1/3 de sua carroceria e virtualmente ocupa toda a parte superior deste projeto que apareceu como conceito no salão de Frankfurt de 2001. O carro conta ainda com bancos dianteiros que possuem gavetas porta-objetos e regulagem de altura e bancos traseiros rebatíveis e deslizantes, que permitem diversas combinações, incluindo até uma terceira fileira de assentos.

Os bancos laterais podem ser trocados de lado e têm fixação do tipo Isofix para cadeiras infantis. Além disto, o porta-malas possui ganchos de fixação de rede para prender objetos. Heranças forçadas do estilo monovolume, que invadiu o mercado mundial com soluções interessantes e no Brasil, chegou a ameaçar as wagons.

O 307 SW traz estas soluções e mais: ela não deixa a desejar nem aos mais exigentes, pois oferece como opcional o kit DVD, que transforma o automóvel em um mini-cinema.

O motor 2.0 16v de 138 cv é capaz de levá-lo à máxima de 200 km/h. Há airbags frontais, laterais e superiores (opcionais) para motorista e ocupantes. Os principais itens de conforto estão presentes como equipamentos de série (incluindo aí o ar-condicionado digital). Entre os opcionais, além do já citado DVD, há uma disqueteira para CDs, faróis com acendimento automático e limpador do pára-brisa com sensor de chuva.




Voces lembram da briga entre o STJ e a CAIXA, um dizendo e o outro desdizendo, pois é parece que agora a própria CAIXA, confirma esta questão, e desiste de recorrer , acelerando o processo de pagamentos do que é devido aos fundistas do FGTS.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2003

Caixa desiste de 9% das ações do FGTS

Brasília - A Caixa Econômica Federal desistirá de recorrer de 9,93% das ações em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que pedem a diferença de correção monetária expurgada do FGTS pelos planos Verão (janeiro de 1989) e Collor (abril de 1990). A decisão foi comunicada por escrito ao presidente do STJ, Nilson Naves, referindo-se apenas às ações, de um total de 453, que se enquadram na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.




Paulo Sant'ana
24/04/2003


A farra dos cartéis

Vários postos de gasolina de Porto Alegre aumentaram o preço do produto na véspera do feriadão.

Cerca de oito centavos por litro. Ontem, voltaram ao preço antigo. Ou seja, se aproveitaram da grande demanda dos que iam viajar e fugiram dos seus padrões de concorrência, mordendo os eventuais clientes que iam encher seus tanques, sem se importar com os clientes tradicionais, que pagaram assim a taxa-feriadão.

Isto é o que se chama liberdade de preços, nada de tabelamentos, os proprietários de postos de gasolina têm inclusive a liberdade de se combinarem com os concorrentes e fixar um único preço para a mesma cidade ou o mesmo bairro ou avenida.

Não tem explicação também que em São Leopoldo e Novo Hamburgo a gasolina custe em média 10 centavos menos por litro que em Porto Alegre.

Nunca o setor agiu com tanta autonomia, faz o que bem quer. Se alguém do governo insinua que os preços dos combustíveis podem baixar, em face da queda do dólar e do preço internacional do barril de petróleo, desavergonhadamente aumentam os preços na expectativa de emparelhá-lo ali adiante, se a redução se confirmar.

O consumidor tem diante de si uma certeza: ou perde agora para o governo e a Petrobras, quando escandalosamente os preços se mantêm inalteráveis, ou perde depois para o cartel escancarado dos postos, caso a rigorosíssima Petrobras se apiedar dele.

Não há salvação. Sobem selvagemente as tarifas de água e de luz, sob o argumento da alta do dólar, jamais irão ser reduzidas estas mesmas tarifas ao consumidor, embora o dólar tenha baixado a um nível alarmante, batendo ontem em estupefacientes R$ 3.

Quando não são os governos que espoliam os consumidores, são os cartéis ou os monopólios. Todos se determinaram a trincar os dentes sobre os orçamentos populares.

Eu não posso acreditar que o Lula não saiba disso. E a grande decepção que emana do seu governo é a indiferença total para com a sorte do povo inteiro espoliado.

Foi agradável e animador ver o Grêmio novamente ofensivo, sem a preocupação constante de se defender.

Raramente um jogador se destaca tanto numa partida como aconteceu com Gilberto em Assunção. Foi autor material e intelectual dos três gols gremistas.

Como o próximo adversário do Grêmio, a julgar-se que será impossível ao Olimpia não se desclassificar no Olímpico dia 8, será escolhido entre Cerro Porteño paraguaio e Independiente colombiano, os dois teoricamente com menor poder de fogo que o Olimpia, calcula-se que subjetivamente o Grêmio já esteja garantido nas semifinais.

Entre os quatro semifinalistas, o Grêmio terá de topar contra o Corinthians e o Santos, mas, até lá, à visível utilidade tática do Christian poderá se acrescentar um brilho individual recorrente.

Assim como está jogando, a equipe de Tite na Libertadores me desperta um grande entusiasmo: o time para o qual torço não tem a obrigação de ser campeão, mas deve me incutir a esperança de que venha a sê-lo.

Essa esperança nasceu anteontem em Assunção.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Nilson Souza
24/04/2003


O país do olvido

Recebi no sábado a visita de um amigo que pretendia me mostrar algumas fotos digitais no computador. Ele chegou com a máquina a tiracolo, sentou-se na frente do monitor e bateu com a mão na testa:

- Esqueci o cabo de conexão.

Em seguida, como se tivesse que me dar alguma explicação, acrescentou:

- É a idade.

Será?

Para consolá-lo, argumentei que as crianças precisam ser lembradas até de comer, que os adolescentes costumam ser desligados, que os jovens fazem muitas coisas precipitadamente e depois precisam refazê-las e que os adultos também podem ser distraídos sem que isso signifique senilidade. Mais ainda: pessoas com idade realmente avançada, mas com uma visão positiva da vida, podem continuar aprendendo. Muitos idosos têm excelente memória, especialmente para contar histórias vividas, ouvidas e até mesmo inventadas.

Positivamente não deve ser apenas a idade que nos faz perder coisas ou esquecer o nome de pessoas conhecidas. Às vezes dá a impressão de que alguns objetos têm vida própria e desaparecem da nossa vista quando bem entendem. Em outras ocasiões - e estas são as situações mais constrangedoras - somos cumprimentados, abraçados e até beijados na rua, sem que saibamos quem é aquela criatura tão afável que nos trata pelo nome ou até pelo apelido.

Aconteceu comigo outro dia: caminhava tranqüilamente pelo calçadão dos meus passeios matinais quando um sujeito sorridente veio na minha direção e me chamou por um apelido de infância. Foi fulminante. Fazia mais de 20 anos que ninguém me chamava daquela maneira. Não dava nem para fazer que não era comigo. Fiquei olhando, apalermado, até que o homem se identificasse. De nada adiantou. Ele se apresentou, acrescentando ao seu nome o de um irmão que deveria ter sido meu colega de brincadeiras, mas nenhum dos dois tinha registro no arquivo dos meus neurônios.

Para não decepcioná-lo, tive que fingir. Devolvi-lhe um abraço forçado, perguntei pelo irmão e segui o meu caminho pelo país do olvido.

Será a idade?

nilson.souza@zerohora.com.br




Luis Fernando Verissimo
24/04/2003


Estupidez

Estou neste ofício de escrever, assinar e publicar o que eu penso há mais de 30 anos. Comecei no ano de 69 - do século 20, minha senhora - quando a gente precisava dizer, ou tentar dizer, mais nas entrelinhas do que nas linhas e ter sempre à mão a tradicional crônica sobre o sexo dos anjos para substituir a que não deixavam sair. Não posso me queixar: enquanto havia jornalistas sendo presos e torturados pelas suas opiniões, eu e outros só sofríamos o incômodo de ter que dissimulá-las.

Com o fim da censura oficial, o risco de ser punido por ter sido entendido bem demais foi substituído pelo risco de ser mal entendido, mas aí a culpa era só do cronista e da sua falta de clareza, e a única punição a censura do leitor. Em mais de 30 anos dando palpites dei muitos errados, me contradisse e fui pouco claro de várias maneiras. Já me chamaram de fã do Saddam Hussein e de americanófilo, de comunista e de agente da CIA, de pseudopopulista e de elitista, até de mau colorado.

Mas confesso que uma coisa que nunca imaginei foi um dia ser chamado de anti-semita. Não é um epíteto que se lance, ou que se receba, como apenas outra ofensa gratuita. O anti-semitismo não é só sinônimo de estupidez, como qualquer preconceito. É uma estupidez com uma história específica, 2 mil anos de obscurantismo e desumanidade, um aleijão da civilização ocidental que culminou nos campos de extermínio nazistas. Não se chama alguém de anti-semita sem pesar todas as inferências da acusação, sem pensar no que se está realmente dizendo do acusado.

No caso, invocar a minha história familiar e as minhas afinidades culturais seria uma defesa irrelevante: minha posição quanto à questão do Oriente Médio é a mesma de muitos amigos judeus, de organizações judaicas como a Congregação Israelita Paulista, que no mês que vem trará Shimon Peres e o palestino Saeb Erekat a São Paulo para discutir o que os moderados podem fazer pela pacificação da região, de intelectuais judeus no Brasil e no resto do mundo, de jornais como o maior de Israel, o Haaretz e, obviamente, da oposição à direita dentro de Israel.

Pelo estranho raciocínio que equipara críticas à política intransigente, tão radical quanto a dos radicais do outro lado, de um governo - transitório como todos os governos numa democracia - a aversão a uma etnia inteira, todos estes deveriam ser chamados de anti-semitas. Quando o seu empenho, mais do que o dos radicais, é pela paz e a segurança de Israel. Infelizmente, está se tornando um hábito entre nós responder a opiniões que desagradam não com outras opiniões, mas com a difamação.



Vocs viram só a herdeira está em Porto Alegre e cavalgando ainda. E depois dizem que os gauchos praticam o esporte dos ricos pelos pampas do Rio Grande. Rico é ela e muito rica.

Gente
A herdeira de US$ 5 bilhões na Capital



Neta do armador Onassis, Athina acompanha em Porto Alegre o namorado Doda, participante do The Best Jump (foto Ronaldo Bernardi/ZH)

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Quarta-feira, Abril 23, 2003




Cerimônia do Adeus


Um dos mais populares e premiados autores teatrais, Mauro Rasi morre aos 52 anos, deixando um legado de humor e histórias familiares. Diretor lutava contra câncer há quatro anos
Mauro Ferreira e Rubia Mazzini

A estréia como dramaturgo foi aos 13 anos, com Duelo do Caos Morto, peça que causou escândalo ao colocar atores bebendo de verdade em cena e atirando cadeiras e copos na platéia aos gritos de Vocês são os culpados, seus burgueses!

Precoce como ele só, Mauro Rasi mostrou desde a primeira experiência no palco que a irreverência era uma de suas marcas, no trabalho e na vida pessoal. Paulista da provinciana Bauru, carioca por opção, apaixonado por gatos, pela família e por musicais hollywoodianos, o autor e diretor de 52 anos morreu ontem à tarde, em sua cobertura no Leblon, vítima de câncer no pulmão.

Rasi vivia no Rio desde 1975, quando chegou à cidade fugindo de dívidas contraídas com a peça Ladies na Madrugada. O sucesso veio nos anos 80, quando ajudou a implantar no teatro carioca o gênero de comédia que seria rotulado como besteirol. Na época, textos de sua autoria, como Tupã e Batalha de Arroz num Ringue para Dois remontada atualmente com sucesso por dois de seus grandes amigos, Miguel Falabella e Claudia Jimenez, no Teatro Vannucci ajudaram a dar identidade à dramaturgia produzida no Rio, com a descontração típica dos cariocas.

Anos depois, Rasi renegaria essa fase. Para ele, sua obra começou para valer em 1987 com A Cerimônia do Adeus. Nesta peça, começou a povoar sua dramaturgia com personagens autobiográficos. O filão confessional renderia ainda sucessos como Baile de Máscaras, A Estrela do Lar e Pérola essa considerada sua peça mais bem acabada em termos de texto e direção e um fracasso, Viagem a Forli.

Protagonizada por Vera Holtz, Pérola foi tributo do autor à mãe. A montagem foi um dos destaques dos anos 90: correu o Brasil por cinco anos, foi vista por mais de 300 mil pessoas e ganhou versão argentina. O excepcional sucesso comercial levou Rasi a investir em comédias de teor mais popular, ainda que emolduradas por verniz intelectual. Foi assim com A Dama do Cerrado peça sobre escândalos políticos, protagonizada por Suzana Vieira (depois substituída por Eliane Giardini) e Otávio Augusto e com O Crime do Doutor Alvarenga, em que o mote da peça era o pai do dramaturgo.

Rasi também levou o universo delirante de suas tias para o palco, mas é consenso de que, em Pérola, conseguiu maior equilíbrio entre o riso fácil e a consistência dramatúrgica. Para fãs de teatro, A Cerimônia do Adeus também ficará na memória com personagens históricos como Sartre (Sérgio Britto) e Simone de Beauvoir (Nathália Timberg) saltando dos livros para o universo familiar do autor como a capacidade de Rasi de escrever sobre seu próprio umbigo sem deixar de ser universal.

Além de 20 peças montadas, 16 de sua autoria ¿ pelas quais ganhou 11 prêmios, incluindo três Molière, dois Mambembe e dois Shell , escreveu para programas de TV, como Armação Ilimitada e TV Pirata, mas o projeto de transformar em seriado as peças As Tias e Batalha de Arroz não vingou. Em 2001 esteve à frente do quadro A Hora do Alçapão, no Fantástico, em que destilava humor ácido sobre fatos cotidianos. Pianista, Rasi deixou inédita a versão musical de Ladies na Madrugada, que sonhava encenar este ano. O enterro será hoje, meio-dia, no Cemitério dos Ingleses, na Gamboa. A família não fez velório à noite por questão de segurança o cemitério é vizinho ao Morro da Providência.

Bom e para voces que acordam cedo, amanhã sem ADSL, devo postar depois de minha aula de inglês, lá pelas 11 horas. Espero que voes nãofiquem chateados afinal, nós dependemos dos humores, primeiro da linha de comunicação; segundo do provedor, que pelo menos prometeu dar descontos dos dias em que não teve e-mail e terceiro do próprio BLOG, que até agora, tem estado estável.

Perdoem, tenham uma ótima noite, espero que o time de voces vença e amanhã nos encontramos neste mesmo local.




Garotinho é novo secretário de Segurança do Rio

16:34 23/04

Neusa Oliveira, do DIA para o iG (editorultimosegundo@ig.com)

RIO - Garotinho assume Secretária de Segurança Pública do Rio. O anúncio foi feito na tarde desta quarta-feira pela governadora Rosinha Garotinho. (ATUALIZADA ÀS 17H24)


A demissão do Secretário de Segurança Pública, Josias Quintal foi anunciada durante entrevista coletiva, concedida por Rosinha. Ela, também, informou que a transição será realizada na manhã desta segunda-feira. Na mesma ocasião, Josias irá para Brasília cumprir o mandato de deputado federal pelo PSB.

Garotinho fala sobre as primeiras medidas como secretário

O novo secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho, disse que a prioridade de sua gestão será a organização das delegacias especializadas que, segundo ele, estão completamente desqualificadas. Ele prometeu, ainda, investir no treinamento de policiais, inteligência, tecnologia e no projeto das Delegacias Legais.

Bom meu povo e eu continuo sem ADSL, nem discada consigo, pode? E olha que a BrasilTelecom cobra bem mais do que o VIRTUA da NET, que não estou utlizando, somente porque meu modem é para ADSL. Mas estas coisas me fazem repensar e, daqui a pouco deixo a BrasilTelecom. O Help Desk deles é brincadeira, você faz promessa, paga as promessas, depois eles atendem. Imagina o atendimento fisico.. Mas enfim.




Marco Antônio Birnfeld
23/04/2003


Cuidado ao enfiar a mão na traseira da Brastemp!

O ditado "não meta a mão em cumbuca" pode ser aplicado a um caso ocorrido com um consumidor que sofreu grave lesão na mão direita, ao manejar, sem atenção, uma lavadora Mondial Brastemp. Revela o processo que C.G.L., quando retirava roupas da máquina, constatou que um pé de meia caira atrás do aparelho. Ao tentar pegar a peça, esta escorregou para dentro de abertura existente na traseira da lavadora.

O usuário colocou a mão ali, mas sentindo forte calor, retirou-a apressadamente, tendo sofrido um corte profundo no pulso, até a ponta do dedo mínimo da mão, em conseqüência de contato com a superfície cortante das bordas da abertura. O ferimento infeccionou e necrosou, sendo necessária a cirurgia de debridamento, para a retirada de tecido desvitalizado.
Vendedor pracista, C.G.L. teve afetada a sua capacidade laborativa na mão direita. Em conseqüência, foi aposentado pelo INSS. Após, ele ingressou com ação reparatória contra a Multibrás S/A Eletrodomésticos (razão social da Brastemp).

A demanda foi julgada improcedente, porque o juiz de primeiro grau considerou que o consumidor "fora imprudente". Veio à baila o texto de advertência do manual: "proteja sempre as mãos e braços aos manusear ou transportar a lavadora, prevenindo acidentes". Adiante, no item que trata da regulagem dos pés niveladores, vem a advertência de que "é necessário o uso de luvas para introduzir a mão no orifício da parte traseira".

A sentença de improcedência foi confirmada por maioria, pela 5ª Câmara Cível. Voto vencido do desembargador Carlos Alberto Bencke ensejou embargos infringentes, decididos pelo apertado escore de 4 x 3 votos pró Brastemp. O relator no 3º Grupo, desembargador Carlos Alberto Alvaro de Oliveira - que votou vencido - trouxe um longo voto, discorrendo sobre os "acidentes de consumo", expressão que vem da doutrina francesa.

Já o desembargador Antonio Guilherme Tanger Jardim alertou que "se trata de uma máquina de lavar roupas e não de uma máquina de engolir roupas, devendo estar dotada de mecanismos de segurança". Essas duas teses terminaram derrotadas pela corrente majoritária do Grupo, que sustentou ter havido "informação suficiente no manual e uso inadequado do produto pelo consumidor".

Já há recurso especial interposto pelos advogados Maria da Glória Schilling de Almeida e Isis Marques, que representam o consumidor lesionado. A Brastemp foi defendida pelo advogado Ary Chiapin. Enquanto o STJ não decide - e enquanto, também, a indústria não afasta o risco - fica o alerta brejeiro feito pelo Espaço Vital: "não enfie a mão na traseira Brastemp". (Proc. nº 70003975026)

Leia em www.espacovital.com.br a íntegra do voto do des. Carlos Alberto de Oliveira sobre a responsabilidade do fabricante quanto aos "acidentes de consumo".




José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! O Palófi tá com pé queblado!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa. Ops, direto do país da piada pronta! Sabe como se chama o empresário de Cataguases que poluiu os rios? De Bem. Imagine se fosse do Mal! E sabe como se chama o secretário-geral da CUT? Carlos GRANA! E aí o Grana foi jogar uma pelada com o Palófi. E numa bola dividida o Palófi fraturou o pé. LÍNGUA PLESA E PÉ QUEBLADO! Então a grande manchete seria essa: ´Ministro da Fazenda tromba com grana e quebra o pé´. Piada pronta! Num guento mais piada pronta!

E avisa pro Palófi que a gente não quer fratura, a gente quer fartura! E cresce o número de fraturados. Primeiro foi o Meirelles do Banco Central que fraturou o pé. Depois o Zé Dirceu fraturou o braço, o João Paulo Cunha fraturou o braço e agora é o Palófi que fraturou o pé. Dois braços e dois pés! O Lula prometeu um governo de fartura e apresenta um governo de fraturas! Os Fraturados. Oba! Eu acho que vou ser ortopedista em Brasília! O único que tem trabalho garantido na gestão Lula é o ortopedista!

E o Ministro da Fazenda não fatura, fratura! A onda agora não é faturar. É fraturar! E adorei essa: ´Palofi quebra o pé numa bola dividida com o secretário-geral da CUT´. O Palófi não quer dividida com ninguém. Muito menos com a CUT! Rarará! E adorei trabalhador chamado Grana. Só que o Palófi quer mais é que comam GRAMA! É mole? É mole, mas sobe!

E a situação tá tão braba que uma amiga aproveitou a Páscoa e comeu três ovos: frito, cozido e estrelado. E se o Papai Noel descer pela chaminé vira churrasco! E o Lula ganhou três ovos de Páscoa e fez uma paçoca. Uma pafóca. Pafóca de ófos!
E um outro deu pros filhos vários ovinhos. Ovinhos de codorna! E diz que pobre não pode tomar remédio porque tá escrito na bula: ´Tomar após as refeições´. E mais uma charge do Zé Dassilva com o Bush praticando diplomacia: ´Meu pai man-dou in-va-dir esse daaaa... qui!´ BUM!

E a penúltima final derradeira do Bestiário Tucanês. É que o administrador do autódromo de Interlagos disse: ´Fizemos intervenções cirúrgicas no leito asfáltico´. Tucanaram os remendos! E num supermercado em Natal: ´Tablete de doce-de-cana´. Tucanaram a rapadura! Isso é uma heresia!

Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. ´Fatura´: quando o Palófi quebra um pé só. ´Duplicata´: quando o Palófi quebra os dois pés. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! Queremos outro feriadão!

simao@uol.com.br




Joelmir beting
Quarta-feira, 23 de abril de 2003



De Copom em Copom


Inimigo público histórico número um da política monetária dita neoliberal, subordinada ao mercado e monitorada pelo FMI, o PT não tem palavras para explicar e muito menos justificar um governo Lula pespegando um arrocho monetário maior que o do governo FHC. A taxa básica de juros não precisou nem de um primeiro trimestre para saltitar para 26,50% ao ano.

Ainda antes do segundo turno, risco Brasil cravando 2.400 pontos e dólar batendo em R$ 3,95, o favorito Lula fez comício em Belo Horizonte e não deixou barato: "Este país não agüenta mais continuar pagando mais juros aos banqueiros e menos salários aos trabalhadores."

Bem, a elevação da Taxa Selic no governo Lula tem uma exposição de motivos recorrente e conivente: é para travar a alta do consumo, a alta da produção, a alta do emprego, a alta da carestia, a alta do dólar, a alta do risco Brasil, a alta do risco Bush, a alta da gasolina, a alta da energia, a alta do ônibus, a alta do medo...

E tome a overdose de um mal desnecessário para um Brasil que já arrosta há duas décadas, desde a "debt crisis" de 1983, o crédito bancário mais curto e mais caro do mundo. E onde a exclusão bancária alastra-se pela economia real no processo silencioso de "desbancarização" do capital de giro das empresas - que se autofinanciam dentro de cada cadeia produtiva. E onde os consumidores movidos a crediário empenham um terço da renda familiar na conta de juros. O cheque especial já custa 234% ao ano.

E o que dizer do próprio governo, devedor maior, que tem na massa de juros extraída da dívida pública algo parecido com 7,5% do PIB? Por que a partitura de transparência do Copom não divulga a variação mensal do serviço da dívida? Afinal, juros são custos financeiros que disputam recursos escassos com orçamentos da saúde, da educação, da segurança, do Fome Zero.

Pois hoje é dia de decisão do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, sobre o que fazer com a Selic de 26,50%. Decisão com direito a manchetes nos telejornais da noite e nos jornais de amanhã.

A coisa virou loteria vestida de derivativo financeiro. As apostas de hoje transitam em quatro raias: 1) manutenção da Selic em 26,50%, sem remoção do viés de alta; 2) manutenção da Selic, com abandono do viés de alta; c) elevação da Selic em 0,25, em 0,50, em 0,75 ou em 1 ponto porcentual; d) redução da Selic em 0,25 ou em 0,50 ponto porcentual.

Única certeza: o risco Brasil está em queda, o risco Lula evaporou, o ajuste fiscal tornou-se ainda mais severo, o dólar perdeu a crista, o petróleo não explodiu e o Saddam já sumiu. Ah! A inflação medida pelo IPCA acaba de trocar o aclive pelo declive. Ela baixou de 1,57% em fevereiro para 1,23% em março, com pinta de 0,95% aqui em abril. Ela acumula 16,6% nos últimos 12 meses e está estimada pelo próprio mercado financeiro em 9,1% para os próximos 12 meses.

Afinal, quem tem medo do Brasil? O Copom?

SECOS & MOLHADOS

Esquizofrenia - O problema é que se armou um circo esquizofrênico para cada reunião do Copom, com aviso prévio. Parece aquele quadrado de grama que pintaram na lateral dos campos de futebol. Nesse palco, dois esbravejantes técnicos encenam um reality show patético para a televisão. O que só atrapalha o desempenho dos respectivos times.

Fantasia - Não é para menos. As tribunas e as arquibancadas do jogo do mercado financeiro acreditam, bovinamente, que a Selic tem massa crítica para, com qualquer mexida à direita da vírgula, regular para cima ou para baixo as escolhas de 130 milhões de consumidores inseguros e as decisões de 6 milhões de empresários ressabiados. Será mesmo?

Assimetria - No mais, é o que se sabe. Alta da Selic na base eleva os juros na ponta no mais tardar em três dias. Baixa da Selic na base só reduz os juros na ponta em três meses. Ou nunca.




Bom hoje como é dia de São Jorge, dia do livro, dia da vitória do Grêmio sobre o Olimpia, enfim uma série de comemerações, também foi dia do ADSL sair do ar e você faz o chamado para o BRASILTELECOM, e aguarda uma meia hora ou mais para ser atendido via online se for proporcional o tempo para atender ao chamado imagino uma semana nomínimo, que coisa. E a mensalidade tem que ser pontual senão paga juros, multa e uma série de coisas que eles não tem. Enfim não vamos nos estressar. Ótima quarta-feira a todos nós.

José Fogaça
23/04/2003


Povos e vulcões

De repente, um frêmito - e uma súbita mudança de ar. Quase ao mesmo tempo, todos os olhos se ergueram em direção à figura do homem que assomava ao palanque central. Foi como se o vento tivesse parado. Um impressentido silêncio se fez e duzentas mil almas calaram. Podia-se até ouvir o voejar de uma mosca. A voz lhe saiu, então, como sempre, rouca, lenta, mas inabalável: "Povo da Nicarágua! Hoje li um importante jornal da América Latina, que dizia que Fidel vinha a Manágua com o único intento de fazer um discurso incendiário e revolucionário. Não, amigos! Não e não! Fidel veio à Nicarágua para ver os seus magníficos vulcões. Para cantar sua natureza. E para falar a seu povo...

-... e a esses senhores, que nada sabem, que a Nicarágua lhes ensine: os povos são como os vulcões, ninguém os incendeia, explodem sozinhos!"

O fragor de vozes, de gritos, de palmas incontidas que se seguiu a essas palavras foi algo que jamais veria novamente em minha vida. Um estrondo, um tropel, uma rebentação do mar. Fidel Castro falaria ainda por duas horas - mas em dois minutos já havia eletrizado a multidão.

Por muitos anos, o deputado e senador Roberto Freire e eu relembramos aquele momento singular.

Tristemente, porém, a notícia da execução, no dia 11 de abril, de três prisioneiros políticos em Havana veio também relembrar que há algo de muito errado e patológico em um regime que, depois de mais de 40 anos de vigência, tem ainda na ponta de um fuzil a substância última da sua idéia de liberdade política. Para mim, a notícia veio como uma razão a mais para remexer em algumas velhas frustrações escondidas no baú do tempo. E, amargamente, obrigar-me de novo a constatar que aquela manhã luminosa de sol, esperança e sonhos, em Manágua, não é só um retrato esmaecido na memória. É algo perdido para sempre.




Paulo Sant'ana
23/04/2003


O pardal está na dele

Não devia causar surpresa, mas vou causar. É que tantas vezes já expliquei, mas nunca fui entendido.

Agora é a oportunidade de eu ser mais didático: não sou contra os pardais.

Pelo contrário, sou a favor dos pardais. Caso contrário, como punir ou intimidar os motoristas que andam a mais de 100 km/h? Não é possível reprimi-los com guardas de trânsito, tem de ser mesmo com controladores eletrônicos de velocidade.

Então está aí a surpresa que não deveria ser surpresa, uma vez que tantas vezes já escrevi a respeito: sou a favor dos pardais.

Eu sou contra é a velocidade máxima permitida aqui em Porto Alegre e nas estradas do Rio Grande do Sul.

Como fixaram ardilosamente por aqui a velocidade máxima permitida em 60 km/h, sob o argumento perverso de que ela é a prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro (uma mentira monumental), o que acontece?

Com tal piso estreito de velocidade, 90% das multas são destinadas a motoristas que passam pelos pardais na velocidade de até 70 km/h. A maioria deles por distração, a totalidade deles de pessoas que não oferecem qualquer perigo no trânsito, nunca vão matar alguém.

Eu sou contra é velocidade máxima permitida de 60 km/h na Estrada do Mar, na RS-40, que levam às praias, entre tantas outras. O mesmo com os 60 km/h impostos na Avenida Ipiranga, em Porto Alegre.

Essa é a grande armadilha engendrada entre nós só para arrecadar. No Rio de Janeiro, todas as avenidas semelhantes à Avenida Ipiranga, em Porto Alegre, têm como velocidade máxima permitida 90 km/h.

Até nem sei como podem ser 90 km/h, se o Código de Trânsito fixa para as vias urbanas o teto de velocidade máxima em 80 km/h.

Mas não os 60 km/h carnívoros da Avenida Ipiranga, uma via com duas pistas e várias faixas, não os 60 km/h das estradas que vão às praias e são vias que necessitam escoamento rápido, não aquela procissão ridícula de motoristas andando a passos de cágado porque os senhores do nosso trânsito assim determinaram, com a finalidade de encher as burras do Tesouro com as multas.

Eu poderia trazer aqui à baila centenas de exemplos, mas apanho apenas um: o senhor F.Z.M., que não quer ser identificado senão pelas iniciais, conta-me a sua história: ele sofre até quase o desespero para pagar o financiamento do seu carro usado, adquirido por R$ 6,5 mil.

Com sacrifício, vai pagando suas prestações. E pegou seu carrinho e sua noiva e se dirigiu até o Litoral.

Quando voltou, havia duas multas, que ele não tem como pagar. Na ida e volta pela RS-040, passou por dois pardais a 67 km/h uma vez e a 68 km/h na outra. Coitado, ao lado da sua noiva, ia controlando a sinalização, que no entanto é traiçoeira, ladina e mal-intencionada. Ora é 80 km/h, ora é 60 km/h.

O nosso sofrido assalariado, um mês depois, se dirigiu à Serra com sua noiva. Na volta, outra multa: 68 km/h. Porque, na estrada que vai a Garibaldi, na ida o limite é de 80 km/h num local. Na volta, no mesmo local, é de 60 km/h. Como é que o pobre do cidadão vai saber!

Vocês precisam ver o desespero dele com três multas que ameaçam seu modesto orçamento e sua aptidão para dirigir, sem ter nunca superado 70 km/h de velocidade!

Isso é um acinte, um escárnio e um assalto. Noventa por cento das multas são desse tipo, atingem idôneos e inofensivos motoristas. É a indústria macabra das multas.

Então que aumentem para 70 km/h a velocidade máxima na Avenida Ipiranga e nas estradas do Interior. Porque, a 60 km/h de velocidade máxima, o motorista tem de se cuidar e andar na média de 50 km/h, para não ultrapassar o limite. Ora, a 50 km se gasta quase o dobro da gasolina. Isso é uma crueldade que se comete contra toda a população gaúcha.

Quem fixa a velocidade máxima é a autoridade de trânsito, não é o código. E as autoridades de trânsito aqui em nosso meio usaram de uma pérfida matreirice: porque se elas fixassem em 70 km/h, iriam perder 90% das multas.

É a isso que sou contra. Atrás do meu contra e amparando-o está uma montanha de protestos que me chegam de todos os pontos.

Então eu não sou contra os pardais, eu sou contra é esse brutal estratagema dos 60 km/h máximos em largas avenidas de Porto Alegre e nas estradas do Interior.

Aí é que está a esperteza!
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Martha Medeiros
23/04/2003


A televisão e o livro

Entre a televisão e o livro, a maioria prefere a tevê e tem boas razões pra isso. Televisão é uma janela com vista pro mundo, através dela podemos ver a guerra, os desfiles de moda, os jogos de futebol, filmes e histórias reais. Se uma imagem vale mais do que mil palavras, está encerrada a peleja. Televisão 10 a 0.

Eu gosto de televisão, principalmente dos programas de entrevista e dos telejornais. Também assisto regularmente ao Saia Justa e a Mulheres Apaixonadas, que é o melhor Big Brother já realizado, não acontece nada, apenas pessoas entrando e saindo do elevador, passeando com o cachorro, tocando sax, andando de moto... uma delícia de voyeurismo, e ainda com ótima trilha sonora. Antigamente eu assistia de tudo na tevê, mas hoje não mais. Não porque a tevê piorou, mas porque tem uma hora que a gente é que precisa melhorar.

Televisão descansa a gente, repete fórmulas e através delas criamos defesas. Não nos comovemos com quase nada, a não ser com cenas como as do atentado do World Trade Center, que não constavam da grade de programação e nos deixaram atônitos. Fora isso, as derrotas ou vitórias do nosso time são previsíveis, beijos de happy end são previsíveis, os programas de auditório são previsíveis. A televisão diverte e informa, mas não nos transforma.

Já o livro não é tão camarada: nos exige mais, não facilita as coisas. Encontra-nos sem blindagem, penetra em nossas defesas. Ninguém se mantém absolutamente o mesmo depois de ler um bom livro. É como quando a gente volta de uma viagem: são tantas as lembranças das emoções vividas, das quebras de rotina, das descobertas, que é impossível dizer que somos exatamente os mesmos que éramos no dia em que partimos. Um livro também faz isso: nos pega de um jeito e nos devolve de outro.

Hoje é o Dia Mundial do Livro. Comemore comprando um. Ou então fazendo uma doação à Biblioteca Pública, que desde 1983 não recebe verba para adquirir novos títulos (você leu bem: há 20 anos!!). Outra sugestão: tire o dia pra conhecer a megalivraria Cultura, recém inaugurada no Bourbon Country, ou pra visitar alguma livraria perto da sua casa, por menorzinha que seja. A gente deveria reverenciar a literatura todos os dias, mas, se não dá, que seja hoje.

martha.medeiros@zerohora.com.br




David Coimbra
23/04/2003


Foto(s): Arte/ZH

Corações gelados

Conheço algumas mulheres que são umas Schumachers. O Schumacher, morre-lhe a mãe e ele se mantém um impávido colosso, ele corre a corrida que estava marcada e, mais, ele ganha! Como tem tanto controle dos próprios sentimentos? Como consegue? Algumas mulheres conseguem, quando querem. Sim, senhor. Elas são frias feito pilotos alemães. Elas são insensíveis. Elas são matemáticas.

Nós, homens latinos, nós não. Nós sofremos. Mesmo os pilotos de Fórmula-1, se são latinos.Fico imaginando o Rubinho nessa corrida. Ele olha para o Ralf ao seu lado, olha para o Michael lá na frente, e pensa: Coitados, morreu a mãe deles¿. Suspira. Lembra da própria mãe. E começa a se emocionar. E chora. As lágrimas turvam os olhos do Rubinho, empapam a balaclava, embaçam a viseira do capacete. O Rubinho agora está soluçando:

A mãe deles morreu! é o grito que a perplexa equipe Ferrari ouve pelo rádio de comunicação. Morreu! Aaaaah!

Até que o Rubinho não agüenta mais tanta dor.

Vou parar avisa. Não dá mais. Vou parar!

Jesus!, nós latinos sofremos.

A mãe do Hitler
Ouvi gente comentando a respeito disso dos Schumacher: ¿Bem coisa de alemão¿. É o mito de que os alemães têm a alma gelada como certas mulheres. Só que muitas vezes essas atitudes não passam de camuflagem emocional. Hitler, por exemplo. Você talvez diga que Hitler é o modelo mais notório e acabado de alemão insensível. Mas o que você não sabe é que Hitler sofreu como um Rubinho quando a mãe dele, Klara, adoeceu de câncer. Desesperado, o jovem Adolf saiu à procura de um médico que pudesse tratá-la. Indicaram-lhe um hospital onde trabalhava um certo Sigmund Freud. Hitler foi até o hospital. Mas não se consultou com Freud, o que poderia ter mudado a história da Humanidade. Quem Hitler contratou foi o doutor Edmund Bloch. Que, aliás, era judeu.

O doutor Bloch cuidou bem da mãe do rapaz. Como ela sofria demasiado, o médico chamou Adolf e avisou: tinha condições de mitigar as dores de frau Klara, porém, o tratamento seria à base de aplicações de gazes embebidas em iodo. As dores atenuariam, mas havia sérios riscos de a paciente acabar envenenada pelo próprio remédio. Hitler autorizou o médico a agir como quisesse, e mais tarde frau Klara, de fato, morreu em virtude da medicação.

Hitler ficou abalado. Fugiu para Viena com seus desenhos sob o braço, sonhando com a carreira de pintor. Não deu certo, o que foi outro baita azar para a Humanidade. Frustrado, desiludido, sentindo-se um tanto culpado pela morte da mãe, Hitler passou a errar pela cidade, esfaimado e infeliz. Foram os cinco anos mais tristes da minha vida, choramingou mais tarde em Main Kampf. Consolava-se assistindo a Tristão e Isolda, de Wagner. Disse que assistiu a essa ópera 30 vezes (e eu que gozava do meu amigo Fernando Araújo porque ele havia assistido a Guerra nas Estrelas 16 vezes...).

Como todos sabemos, Hitler acabou se recuperando, e isso também não foi nada bom para o resto do mundo. Anos depois, quando a perseguição aos judeus foi desencadeada, ele demonstrou sua gratidão ao doutor Bloch: mandou que o levassem para a neutra Suíça, e assim o médico se salvou do Holocausto. Foi o único caso sabido em que Hitler ajudou um judeu. Tudo por causa de frau Klara. Quer dizer: os alemães também têm mãe, apesar de tanta gente achar que não.

E mesmo os Schumachers, frios e profissionais como um blindado americano, mesmo eles não se pode dizer que estão errados por terem disputado aquela corrida horas depois da morte da mãe. Assim como não é errado quando aquela mulher lhe é indiferente. Sentimento, afinal, ou se sente ou não se sente, não há juízo de valor nisso. Nenhuma recriminação, portanto.

Mas que é estranho, é.

Flores para o inimigo
É verdade que não se deve mandar flores para o inimigo, mas isso de o Inter tentar tirar o Grêmio da Libertadores, isso ultrapassou um pouco os limites da rivalidade. É verdade também que a Fifa não vai tirar o Grêmio da Libertadores, mas a intenção da direção do Inter restou eivada de um ranço típico de torcedor que roça as franjas do despeito.

Atitudes como essa não são saudáveis para a convivência inevitável entre gremistas e colorados. Não são esportivas.

Não ficou bom.
david.coimbra@zerohora.com.br


Futebol
Gilberto acaba com o Olimpia



O jogador gremista foi, junto com Danrlei, o responsável pela virada sensacional de 3 a 2, ontem no Paraguai (foto Jorge Adorno, Reuters/ZH)


Terça-feira, Abril 22, 2003




CLÁUDIO HUMBERTO
NÃO PODEMOS TUDO, MAS PODEMOS MUITO MAIS

(Presidente Lula e as reformas da Previdência e tributárias, para ele imprescindíveis)


Inativos querem Lula sem pensão
O movimento de trabalhadores aposentados tentará vestir uma saia justa no presidente Lula e nos ministros Antônio Palocci e José Dirceu, os mais poderosos membros do governo. Os velhinhos pedirão deles um gesto de solidariedade aos aposentados, vítimas da ¿reforma da Previdência, para que abram mão das pensões que recebem como anistiados políticos, respectivamente de R$ 2500, R$ 1785 e R$ 2500 todos os meses.


Problema na base
Mangalô três vezes. A Síndrome do Pererê atacou o governo: o presidente do Banco Central andou de muletas, com o pé torcido. Lula se machucou numa pelada e o ministro Palocci está com a perna entalada, após fraturar um osso. Há uma pedra no meio do caminho, presidente.

Pensando bem...
...já temos nossa Al Caída. É o PTrôpego.

Fugindo da cobrança
O presidente da Federação Nacional de Turismo, Michel Tuma Ness, pediu audiência ao ministro Walfrido Mares Guia (Turismo), há dias, para tratar da participação do País em feiras no exterior e também das dívidas do governo brasileiro em feiras já realizadas lá fora. Não foi recebido.

Projetos à deriva
Abismado com a bagunça e a falta de projetos no governo, o líder do PFL, José Carlos Aleluia (BA), observa: ¿a impressão que se tem é de que o programa de governo vai sendo montado enquanto navega o transatlântico¿.

CPI da Justiça
O presidente da Câmara, João Paulo Cunha, não tem mais desculpa para impedir a CPI do tráfico de influência e da venda de sentenças nos tribunais superiores: os deputados petistas João Alfredo (CE) e Dr. Rosinha (PR) reapresentaram o pedido com 178 assinaturas - sete a mais que o exigido.

Imperialismo

Se conseguirem impor à Síria um modelo político à la Pentágono, como tentam fazer agora no Iraque, os Estados Unidos poderão adotar uma velha sigla para um novo cenário: USA (United States of Arábia).

Negando as origens
Anda baixo entre colegas o cartaz dos embaixadores José Viegas, ministro da Defesa, e Celso Amorim. Se o chanceler conservou medroso silêncio sobre o tema, Viegas lutou apenas pela aposentadoria especial para militares. A dupla não se moveu em favor dos diplomatas.

Cabeça arejada
Para o presidente do TST, ministro Francisco Fausto, Lula deveria anunciar no Dia do Trabalho (1º de Maio) a legalização das centrais sindicais. Até a CUT, braço sindical do PT, atua na ilegalidade. E promover uma reforma ampla, desatrelando sindicatos do Estado, extinguindo o imposto sindical.

Uns e outros
Ninguém deu bola para FhC e d. Ruth, na procissão do Fogaréu, em Paraty (RJ). Mas Aécio Neves e seu inseparável emergente carioca Alexandre Accioly aprontaram no Punto Di Vino com três exóticas moças, que mexiam nas pizzas do balcão. Accioly ameaçou não pagar o couvert: ele não gostou do repertório do cantor. Pianinho, Aécio esticou para a discoteca Parati 33.

Bruxa solta
A ONG Todos São Inocentes volta à carga na Espanha contra o provedor Terra, que abrigaria sites de pornografia infantil, no Brasil inclusive. Há dois meses, o Terra desmentiu, afirmando que mantém serviço de denúncias, e que a ONG quer publicidade. O caso vai para a justiça espanhola.

Dádiva
Quando chove no Sul, é enchente. Quando chove no Nordeste, é dádiva, diz o líder do PCdoB na Câmara, Inácio Arruda (CE). As últimas chuvas em Fortaleza provocaram quatro mortes.

Carmem Miranda
Carmem Miranda não morreu: vive em Londres, tem 60 anos sonha curtir a aposentadoria no Nordeste, mas o Ministério das Relações Exteriores não deixa: exige que ela comprove ter 100 mil dólares para investir no Brasil. D. Carmem é indiana de Goa (antiga colônia portuguesa).

Soy contra
A Varig agoniza com sua dívida de R$ 3 bilhões, mas o vice-presidente do conselho da FRB-Par, Luiz Carlos Vioni, homem de confiança de Gilberto Rigoni, presidente da Fundação Rubem Berta, não abre mão dos R$ 30 mil que embolsa por mês, em jetons, nos conselhos das empresas do grupo. Por essas e outras é que a dupla resiste à fusão salvadora com a TAM.

Pé-de-chinelo
Rubens Barrichello é o primeiro piloto brasileiro na Fórmula 1 a comemorar um terceiro lugar. Uma ultrapassagem dele até vira ¿espetacular¿, de tão rara. Coitado: não consegue andar mais rápido que Michael Schumacher nem no dia em que o alemão estava deprimido com a morte da mãe.

Políticas públicas
Expoentes neoliberais da América Latina se reúnem em São Paulo, no Itaú Cultural, de amanhã até segunda (28), para debater a experiência brasileira de políticas públicas. Entre os palestrantes do Instituto Tancredo Neves, do PFL, estarão o prefeito do Rio, César Maia, e o ex-ministro Gustavo Krause.

Poder sem pudor: Vaia é aplauso?
Autor de algumas das melhores frases da história recente da política brasileira, o ex-ministro Fernando Lyra considera memorável a reação do ex-senador e ex-ministro Roberto Campos, ao ser tremendamente vaiado após uma palestra, no Rio de Janeiro:

- A vaia é o aplauso daqueles que não concordaram.

PORTUGUÊS ESPERTO

Cabral gritou "terra à vista", porque no cartão seriam 200% de juros.

Claudio Humberto com Teresa Barros




Arnaldo César
Viúva tungada

A Procuradoria da República no Rio já recebeu a documentação sobre irregularides no Hospital Central do Exército, na Triagem. É o seguinte: em 1999, o HCE abriu licitação para comprar oxigênio líquido. Estranhamente, uma única fornecedora se apresentou, a White Martins. Ganhou, ofertando o produto a R$ 4,97 o metro cúbico.

No ano seguinte, o mesmo hospital fez outra licitação para comprar o mesmo insumo. Dessa vez, porém, apresentaram-se cinco empresas. O que antes custava R$ 4,97 misteriosamente despencou para R$ 1,63. A diferença de preços entre uma concorrência e outra representou para os cofres da Viúva uma garfada de exatos R$ 527.624.

Essa história cavernosa já chegou aos ouvidos do ministro da Defesa, José Viegas Filho, que pediu que fosse apurada. Mesmo sem se deter a fundo na papelada, já dá para perceber que as empresas do segmento de gases medicinais também têm o péssimo hábito de combinar previamente entre elas o resultado das concorrências.

Mimos
O deputado Edmilson Valentim (PCdoB) resolveu agradar a Deus-pai Todo-poderoso José Dirceu e concedeu-lhe a Medalha Tiradentes.

Para não pegar mal, estendeu a honraria a seu correligionário Aldo Rebelo, líder do Governo na Câmara Federal.


Chamadas infrutíferas

O ministro da Casa Civil, José Dirceu, ligou quatro vezes, na sexta-feira, para o velho caudilho Leonel Brizola, em sua fazenda no Uruguai. Não foi atendido. Há uma razão para isso: Dirceu quer aparar arestas com o aliado. Brizola está doido para colocar mais gasolina na fogueira da contribuição dos aposentados.

Encrenca
O presidente da Liga das Escolas de Samba, o banqueiro de bicho Aílton Guimarães, parece ter memória curta. Processou no STF a ex-juíza e deputada federal Denise Frossard (PSDB) por conta de uma entrevista dada à IstoÉ.

Denise foi a juíza que, há 10 anos, encarcerou a cúpula do bicho no Rio.

Íntima
A indústria da moda íntima de Friburgo resolveu inovar no lançamento, quinta-feira, aqui no Rio, da sua feira anual.

Desenvolveu um revolucionário sutiã para mulheres mastectomizadas e vai doar mil dessas peças para o Instituto do Câncer.

Idéia fixa
A obsessão do Governo do Rio por uma refinaria de petróleo no Norte Fluminense está chegando às raias da loucura.

Até no banheiro masculino da Coppe/UFRJ tem adesivo da campanha.

Sindicalista
O presidente da CUT, João Felício, desistiu de se candidatar à reeleição.

Vai apoiar Luiz Marinho, líder do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, na eleição de junho para o comando da maior central sindical do País.

Conexão Paraná
O líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino (BA), pediu que a PF investigue as ameaças de morte que o deputado Doutor Rosinha (PR) vem sofrendo.

Outro petista do Paraná, o vereador Luiz Piva, de Almirante Tamandaré, também está ameaçado desde que investiga o assassinato de 17 mulheres na cidade.

Nota 10
Para o Ministério da Educação, pelo programa para erradicar o analfabetismo.

Nota 0
Para o Governo federal, que autorizou reajuste de 9,27% nos planos de saúde.




Comendo a poeira

Globalização? Listagem dos 62 países mais globalizados remete o Brasil, a bordo do 12.° maior PIB do mundo, para a rabeira do megabloco - em sofrível e sofrido 57.º lugar. O "ranking" da extroversão econômica nas duas mãos é da consultoria americana A.T. Kearney.

A metodologia de avaliação e classificação embaralha indicadores econômicos com indicadores científicos, tecnológicos, regulatórios, políticos e sociais. Nos econômicos, destaque para o grau de inserção de cada país no comércio internacional e no trânsito do capital.

Nos indicadores regulatórios, a unidade de conta combina elasticidade e volatilidade da legislação econômica com segurança jurídica dos contratos. Nos indicadores sociais, o grifo vai para o sistema nacional de capacitação de recursos humanos - das turmas da escola primária à educação continuada dentro das empresas (no sentido de que o estudo virou trabalho e o trabalho virou estudo).

A pontuação por competitividade interna e externa adensa a importância da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico (que inclui a recepção de tecnologias alheias). E prospecta a extensão e a qualidade da infra-estrutura econômica da energia, da telecomunicação e do transporte intermodal.

Assim equipada, a A.T. Kearney elege os cinco países mais globalizados. Pela ordem: Irlanda, Suíça, Suécia, Cingapura e Holanda.

O Brasil perde posição na tabela das empresas nacionais com atuação externa direta. Nesse item, a Coréia do Sul nos dá surra. Até o México já nos deixou na poeira. No desfrute das tecnologias da informação (TI), figuramos em 35.° lugar. Ênfase na inclusão digital da internet e na informatização acelerada do sistema financeiro e de repartições públicas. Receita Federal à frente.

Na transferência global de tecnologias e de capitais produtivos, o Brasil situa-se entre os 25 maiores receptores. Sem mistério. Aqui estão instaladas as subsidiárias de 574 empresas transnacionais - a maior plataforma do gênero em todo o planeta dos emergentes. Elas fazem a ponte pênsil da transferência de tecnologias e de capitais. Em oito anos corridos da Era FHC (1995/2002), elas investiram no Brasil, ponta a ponta, a dólar médio de 2000, cerca de US$ 144 bilhões. Só ficamos no retrovisor da China, com US$ 327 bilhões.

Onde fazemos feio é no cartão de visita da globalização dos mercados: exportações/importações. Estamos movimentando na soma das duas mãos menos de um quinto do PIB, contra quase um terço da média global. Na década passada, nossas trocas cresceram 3,1% ao ano. As dos 147 países da OMC (incluída a China) emplacaram a média anual de 7,1%. Nessa toada, o mundo dobra o comércio exterior a cada 10 anos e o Brasil só a cada 25.

Na década passada, não conseguimos duplicar as vendas externas, malgrado a reiterada bravata do embarque anual de US$ 100 bilhões. No mesmo período, o México quintuplicou as exportações. Com o Nafta, a meio caminho, concentrou até 70% de seus embarques para o megamercado do Big Brother.

SECOS & MOLHADOS

E a China? - Bem, o planeta China, que ainda está comunista, é um fenômeno da transformação capitalista nas águas quentes e turvas da globalização. Até porque, já nos ensinava Emmanuel Todd nos anos 70, não se deve confundir governo de socialistas com sociedade do socialismo.

Clonagem - Na cópia escancarada dos modelos do Japão e Coréia, a China precisou de apenas uma década para multiplicar por 12 as exportações. No "ranking" da A.T. Kearney, o item comércio exterior situa a China em 7.° lugar. Sem contar, dentro dela, a preservação de uma Hong Kong façanhuda. Metrópole menor que o Rio de Janeiro, ela exporta quase três vezes mais que o Brasil.

Livro azul - No momento em que este Brasil na muda ainda discute se deve ou não usinar política industrial digna do nome, é bom dar espiada no livrinho azul de Deng Xiaoping: mercado interno e mercado externo não são excludentes ou alternativos; bem ao contrário, são complementares ou aditivos.




Como comemoramos 503 anos de descobrimentodoBrasil nada melhor que ler Arnaldo jabor pela manhã. e no Rio de Janeiro continua sendo feriado hoje, por conta do dia de São Jorge que também é padroeiro da cidade amanhã. Haja feriado, 7 dias corridos, não é para qualquer cidadão não.

Arnaldo Jabor
Terça-feira, 22 de abril de 2003


A América pode voltar aos anos 50

Eu já morei nos USA, antes dos gloriosos anos 60, não no "glamour" de Nova York ou S. Francisco, mas no centro da caretice norte-americana, em Saint Augustine, Flórida. Foi em pleno período Eisenhower, época da "geração silenciosa" semelhante à "geração gump" que pode voltar a reinar, nessa marcha à ré cultural do Bush. Miss Alden era a professora velhinha e progressista (única do colégio) e dizia que a época era burra, que Ike só dizia "platitudes" ("bobagens chatas", aprendi) repetidas pela estupidez geral do país.

Tenho medo que a América volte a ser como era nos meus 16 anos. St.

Augustine foi fundada por Ponce de Leon, o espanhol que teria descoberto a "fonte da juventude". A cidade parecia toda de brinquedo e sua única atração era, claro, a fonte da juventude devidamente mercantilizada, com recepcionistas louras vestidas à espanhola. De resto, havia em volta os pântanos fervilhantes de jacarés. Era uma maquete da mediocridade do Sul onde, recentemente, o brother Jeb Bush ajudou a fraudar a eleição para o maninho George.

A cidade era igual àquela do filme Truman Show - ruas, pessoas, classes, rituais, ternos, gravatas, sorrisos, tudo era programado como uma máquina social eufórica e obsessiva, alegre, mas cretina e viciosa, girando no mesmo lugar.

Logo depois que cheguei, o "Sputnik" subiu aos céus. O satélite russo foi um tapa na cara da América. A paranóia se instalou, como se o país estivesse sob invasão, a continuação do pânico de 49, quando a URSS explodiu a bomba H.

Todas as reações foram iguais, como de uma só pessoa: choque e pavor. Foi quando comecei a desconfiar daquela ordem. Assustado, reparei que todas as caligrafias eram iguais (todos os americanos têm a mesma letra), reparei que a vida e morte eram padronizadas, previstas - abraços gritados, roupas em série, torcidas histéricas, finais felizes, risos obrigatórios, tudo incluído numa missão comunitária orgulhosa, sem dúvidas, como um carrossel careta girando para nada.

Só uma coisa estava fora da ordem: os negros. Era outra América. Do ônibus amarelo do colégio, eu via meus colegas louros e ruivos berrando da janela contra os negros que passavam, calados e surdos: "Hey, nigger, how come your nose is so flat?" Havia uma euforia gratuita em humilhar os pretos, que andavam com o rosto numa contorção muda, num ódio sufocado e inútil. Eles se amontoavam no fundo dos ônibus, em pé, bebiam em bebedouros estragados para 'colored', moravam num bairrozinho sujo, perto do braço de mar onde os barcos pesqueiros de camarão fediam.

Não havia a beleza dos negros de hoje, cabelos brilhantes, roupas vistosas, negonas gostosas; tudo era baço, triste, encardido, tudo era medo e humildade. Na "high school", eu era um "nerd" meio estranho, que não saía para rasgar pneus de carros, que não dançava os rocks do Elvis. Eu era uma curiosidade latina.

Um dia, um dente começou-me a doer. Um canino latejava. Como eu não conhecia ninguém, fui andando em busca de uma placa de dentista e aí começou minha ridícula epopéia. Passei perto da ponte, entrei no bairro negro e vi um cartaz com um grande dente de plástico pendurado na porta e resolvi entrar no consultório - um ato afirmativo de vingança contra os racistas da cidade.

O consultório era de madeira encardida, como quase todas as casas da rua. O dentista magro e curvado me recebeu com surpresa, a mim, um branco.

Pareceu-me nervoso, como diante de uma provocação, mas ficou mais calmo quando viu que eu era estrangeiro. Sentei-me na cadeira com um gostinho político de triunfo, sentia-me bom, correto e, secretamente, esperava dele uma gratidão.

Seus olhos amarelos e tristes me olhavam por cima da máscara. "Que estará pensando? Deve estar contente com minha confiança", imaginava, enquanto ele enfiava o espelhinho por baixo de meu dente. Então, ele me disse que o dente não dava para obturar, pois estava muito avançada a "cavity" (cárie) e o "filling" (obturação) não resolvia. Não entendi bem, mas concordei, deixando-o trabalhar depois de uma temível injeção de anestesia, conjugada com uma cheirada de gás que me deu até um leve cochilo.

Paguei e, vendo seus olhos amarelos ainda inquietos, fui embora, sentindo o cheiro dos camarões na brisa, saindo daquele bairro negro como fugindo de um prostíbulo, sentindo o alívio da "respeitabilidade" ao chegar ao bairro branco.

O tempo passou, voltei para o Brasil e meu dente começou a ficar preto. Bem na frente, ele foi escurecendo e percebi que meu canino estava morto. Nessa época, começaram as violências da integração racial na América e eu vi, na TV Tupi, uns brancos gordos, pavorosos, jogando ácido sulfúrico numa piscina de St. Augustine, onde uns negros ousaram entrar.

E lembrei-me do dentista que tinha assassinado meu dente. Lembrei-me dos rostos negros mudos e trêmulos, dos cabelos "pixaim" ainda sem orgulho nem gel, das roupas baças sem coragem, do fundo dos ônibus. Depois, vi outros negros já lutando por seus direitos, em marchas pelas ruas do Sul, vi cenas de bairros negros em chamas, brancos com latas de gasolina, negros ensangüentados e dentes quebrados...

A América foi mudando com a conquista dos direitos civis e fui entendendo melhor meu passado; entendi que as pessoas são frágeis e domináveis, entendi que uma doença histórica não poupa ninguém, entendi que meu dentista negro não era livre; lembrei-me de seus olhos amarelos de medo e compreendi que ele também estava incluído naquela maldita ordem pública de 58, e que matara meu dente para cumprir seu destino de marginal, seu papel social de fracassado. E, a cada cena de violência nos anos seguintes, meu dente escuro parecia doer, apesar de morto.

E até hoje ele está aqui na minha boca, já branquinho e encapado, e nela continuará morto mas em pé, mesmo depois que eu me for... E hoje pensei nesse dente como um sinal de alarme em defesa dos direitos civis que os republicanos de Bush planejam exterminar. Fico chocado e apavorado, pois a América pode voltar ao tempo das "platitudes" e da "silent generation", como na época de Miss Alden e do meu dentista de olhos amarelos.




José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! Sonhar com petista dá zebra!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Achei o feriado muito curto! Eu quero aposentadoria por tempo de praia. Avisa pro Lula que eu quero aposentadoria por tempo de Sundown! Bom é na Bahia: acabou a quaresma e começou a micareta! E depois desse feriadão, brasileiro volta mais liso do que azulejo!

E os companheiros estão revoltados com o governo! Diz que no jogo do bicho quem sonha com petista dá zebra! ´Eu sonhei com o Zé Dirceu.´ ´Joga na zebra!´ Rarará! E a situação tá tão braba que um amigo meu que antes trabalhava com hardware e software agora vende tupperware!

E adorei a charge do Zé Dassilva com o Lula vendo televisão: ´Soldados americanos matam civis iraquianos´. E o Lula: ´Cadê os direitos humanos?´. ´Fidel fuzila três cubanos.´ E o Lula: ´Cadê o controle remoto?´. Rarará! E uma amiga me ligou dizendo que ia fazer uma tomografia corneana. Tomografia corneana? Deve estar com problemas com o marido! E o Rio quer sediar as Olimpíadas! Aí o juiz da prova de atletismo dá um tiro pro alto e o público sai correndo! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

E diz que o único hino que o Rubinho sabe de cor é o hino alemão! E dirigir Ferrari é moleza! Bom piloto é o meu vizinho, que tem um Escort 88 a álcool. Aí quando ele pára atrás de alguém tem que manter o carro acelerado pra não morrer, pisar no freio, puxar o breque de mão, botar o braço pra fora pra sinalizar que tá parando, pisar na embreagem e PUXAR O AFOGADOR! Quero ver o Schumacher dirigindo um Escort 88 a álcool! Rarará!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que eu cruzei com um ônibus escrito: ar condicionado ecológico. E aí eu percebi que as janelas estavam abertas. Tucanaram a janela aberta! E ar condicionado ecológico é assim: um respirando na cara do outro! Você respira e o outro aspira!

E essa manchete sobre o fuzilamento dos três cubanos: ´OEA condena a privação arbitrária da vida´. Tucanaram o paredão! E aqui em Sampa todo mundo já está recebendo a ´taxa para resíduos sólidos domiciliares´. Tucanaram o lixo! Tucanaram o lixo da Marta! Socorro! Tá mais fácil acabar com a pneumonia asiática do que com o tucanês!

Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. ´Catapulta´: companheiro que foi pro inferninho. ´Tangente´: funcionários da TAM! Rarará!

Nóis sofre, mas nóis goza.

Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. UFA!

Email simao@uol.com.br




E não me sai da cabeça a metade de caule daquele coqueiro que ainda lá nas Bananeiras resiste, a me empurrar para a recordação deliciosa daquela encantadora época da inocência. Embora seja umacrônica antiga, acredito que esteja bem atual. Uma ótima terça feira para todos nós.

Paulo Sant'ana
22/04/2003


A época da inocência

Há uma melodia muito triste, entremeada de versos tão simples quanto belos, que se constitui num clássico do populário brasileiro: "Tu não te lembras da casinha/ pequeninha/ em que o nosso amor nasceu?/ Tinha um coqueiro ao lado/ que coitado/ de saudade/ já morreu".

Os coqueiros estão ligados estreitamente à minha infância. Para começar, eu, de dois a cinco anos de idade, morei na Rua dos Coqueiros, hoje Rua 17 de Junho, no Menino Deus. Era toda ela pontilhada de coqueiros.

Depois fui levado para Jaguari, onde estudei o primeiro ano numa escola de freiras e via lá de cima o rio que corta a cidade apinhado de pescadores, buscando em suas águas claras traíras cintilantes. Lá também na chácara em que morava havia altivos coqueiros.

Em seguida, voltei para Porto Alegre e fui residir na Chácara das Bananeiras, ali na encosta do Morro da Polícia, junto aos quartéis da Brigada Militar.

À frente da minha casa, adornando um gramado cheio de urtigas, havia três esbeltos coqueiros. Eles sempre estavam à frente da paisagem vista da casa e lideravam o bucólico cartão-postal da nossa vivenda, aquele lugar inesquecível das tonteiras de guri.

Vez por outra ainda passo por ali, atrás do Regimento Bento Gonçalves, para deixar que se derramem dentro de mim as recordações de um tempo de doce alienação, das fantasias infantis contidas nas histórias em quadrinhos, na pelada de todas as tardes no campinho, nas incursões pelas selvas do morro, colhendo araçás, goiabas, maracujás, amoras, pitangas... e coquinhos.

Meus olhos ficam marejados quando volto ao cenário pretérito da minha felicidade. Dos três coqueiros da minha casa, resta, depois de 50 anos, apenas a metade do caule sem copa de um deles, resistindo corajosamente ao tempo, como a dizer-me que o encanto da vida não acaba nunca para os que resistem.

Como eram doces os fibrosos coquinhos da minha infância! Os butiás eram azedos, mas os coquinhos mal amarelavam e tinham seus cachos empenados pelas nossas taquaras, os frutos melífluos caíam no chão e eram por nós devorados durante horas.

Não tenho dúvida de que essa obcecada propensão que tenho pelos doces me vem do tempo em que vivia com os lábios sujos dos frutos açucarados da natureza, colhidos farta e gratuitamente das árvores sem dono dos campos do Partenon. Os nossos rostos, nos fins de tarde, estavam sempre pintados com as tintas amarela e roxa das amoras, das pitangas e dos coquinhos. Alguma energia que me faz ainda manter-me ereto, diante do ataque férreo dos excessos de uma juventude airosa sobre meu corpo, certamente foi adquirida por aqueles sucessivos anos de vegetarianismo, quando eu saboreava profusamente as frutas silvestres da minha vagabundagem pelos campos.

Não existem mais os coqueiros da Rua dos Coqueiros, os coqueiros de Jaguari, os coqueiros do Partenon, mas cravam-se na minha mente e no meu coração, como marcas indeléveis de um tempo que corria célere, e só agora tenho consciência de que era feliz, pois não continha sequer a incerteza com o futuro, junto com a inexistência do passado: o largo e inconfundivelmente paradisíaco tempo da infância, sem planos, sem inveja, sem comparações, sem ambição e sem ressentimentos. É tão pura, genuína e virginal a infância, que só muito depois dela eu fui saber que havia pobres e ricos, que havia ódio e traição, todas essas sombras que, embora existentes ao redor de uma criança, são absolutamente imperceptíveis a ela.

E não me sai da cabeça a metade de caule daquele coqueiro que ainda lá nas Bananeiras resiste, a me empurrar para a recordação deliciosa daquela encantadora época da inocência.

Crônica publicada em 7/7/96
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Moacyr Scliar
22/04/2003


Nostalgia argentina

Como o Rio, Buenos Aires continua uma cidade linda. Há crise, naturalmente, e crise severa, mas os restaurantes continuam cheios, e também as livrarias, e as casas de tango. Sim, ainda se dança o tango, porque a nostalgia argentina está mais viva do que nunca. Abro o jornal e lá estão, na primeira página, as notícias sobre as eleições presidenciais deste fim de semana. E quem ponteia as enquetes? Ninguém menos do que Carlos Menem. Aquele mesmo Carlos Menem que foi acusado de entregar a Argentina ao FMI, sobre quem pesavam suspeitas de envolvimento em contrabando de armas e que esteve até preso no domicílio. Pois Menem é candidato e, dizem os cartazes que fazem propaganda de sua candidatura, é o candidato da esperança. Mais que isto: ele é um dos três peronistas que concorrem. Sim, o peronismo também continua vivo. Um amigo argentino conta-me, a propósito, uma historieta: quando Perón foi reeleito, alguém lhe perguntou como isto podia acontecer, já que ele era tão hostilizado. Resposta do velho caudilho: "Eu posso não ter feito um bom governo, mas os governantes que me seguiram foram tão ruins que me tornam excelente."

Não é, convenhamos, só um fenômeno argentino. Governos, e não só os da América Latina, freqüentemente tratam de ressuscitar fórmulas antigas. Está aí o populismo para demonstrá-lo. Ou o intervencionismo de Bush. Notem, a propósito, que o nome Menem é um palíndromo: pode ser lido tanto de diante para trás como de trás para diante. Querem um símbolo maior da reversibilidade do tempo político?

Muitas discussões também sobre a posição da Argentina na ONU, abstendo-se de condenar o governo cubano pelas execuções dos seqüestradores. Funcionou aí o raciocínio sim-mas. Sim, Cuba executou pessoas e prende dissidentes, mas é um pequeno país, bloqueado pelos Estados Unidos. O raciocínio é uma falácia. Cuba é um pequeno país, e tem um bom sistema de seguridade social, e sofre bloqueio; ponto. E Cuba persegue dissidentes, o que é uma violação dos direitos humanos. Uma coisa não exclui a outra, e uma coisa não desculpa a outra.
scliar@zerohora.com.br




Liberato Vieira da Cunha
22/04/2003


Ritual de sedução

Vi ontem um homem e uma mulher na Praça do Portão. Não é precisamente um espaço tranqüilo, desses que convidam para 10 minutos à sombra de uma árvore, para 20, dedicados a cismares baldios. Como tantos outros nesta cidade de Porto Alegre, perdeu o encanto. Um viaduto roubou-lhe a paz, com a prestimosa ajuda do ruído do trânsito; marginais e deserdados batem ponto em seus descuidados canteiros.

Foi o que me convocou a atenção para o homem e a mulher: aquele é um lugar incomum para encontros. Notei que a mulher estava tensa. O homem lhe sugeria um dos bancos de pedra à beira do intruso calçadão, ela hesitava, olhando desinquieta ao redor, como se temesse ser surpreendida. Acabou escolhendo um recanto menos exposto, vizinho ao sono matinal de três meninos de rua. Assim que sentaram, o homem buscou aproximar-se mais; ela o deteve com um pequeno gesto nervoso.

O homem não se abalou. Falava calmo, seguro de si, em determinada altura disse algo divertido, pois a mulher deixou escapar um mínimo sorriso. E então ele tornou-se mais fluente, mais insinuante. Tenho certa milhagem nos fatos da existência: aquilo era um ritual de sedução. O cara sabia cantar como uma cotovia, pois não tardou e a dama começou a escutá-lo atenta, presa a ele, distanciada de sua própria circunstância e de seus receios. Logo ajeitava o cabelo, enovelava nos dedos a delicada haste do corte Chanel. Daí a pouco, cruzou e descruzou as pernas. Em seguida o tocou no braço - ria muito. Num instante pôs-se séria, sacudiu lentamente a cabeça, levou o indicador aos lábios dele, como se pedisse que, por favor, calasse. Mas aí riu de novo, de um riso liberto, e fingiu não perceber que estavam agora muito juntos, ao alcance de um beijo.

Chegou o meu lotação. Não acompanhei o desfecho, mas já que sou dotado de regular dose de fantasia, imaginei que foi belo.

Pensando bem, não é de todo mau este ofício de xeretear a vida alheia.

Você captura o efêmero, na ingênua tentativa de emprestar-lhe um levíssimo traço de eternidade.
liberato.vieira@zerohora.com.br


Conflito
EUA começam a governar o Iraque



Jay Garner (à frente) visitou uma central elétrica no primeiro dia de governo (foto Odd Andersen, AP/ZH)


Segunda-feira, Abril 21, 2003




Na batalha

Estreando no teatro e investindo em sua grife de biquínis, Viviane Araújo diz que superou os problemas do marido, Belo, com a polícia, mas restou a mágoa por não ser mais rainha da bateria da Mocidade
Ana Lúcia do Vale

Viviane Araújo aprende rápido. Rapidinho. Fez o que pôde para não se abalar com a condenação por associação ao tráfico de drogas do marido e pagodeiro Belo ¿ relação de 4 anos sem posar de desertora. Superamos tudo, garante, guerreira. Perdeu o Jaguar, mas manteve a pose. Abriu uma grife e sonha com uma loja. Sofre por ser uma sem-escola, depois de destronada da bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel, mas investe numa outra forma de continuar em voga até o próximo Carnaval: ser atriz na ¿excitante comédia em um ato como diz o material de propaganda Os Monges, em cartaz no Teatro Posto 6. Até o discurso já está afinado: Nunca tinha feito teatro. Está sendo uma escola.

A peça é um escracho só e Vivi sabe disso. Faço uma mulher bonita que se passa por atriz de cinema e diz que tem R$ 500 mil para ajudar o mosteiro. Só que não é nada disso. É uma 171 do caramba. O público-família fica de fora. Tem umas coisinhas picantes, mas não tem cenas fortes, disfarça. E exemplifica: Em uma delas, troco de roupa atrás de um biombo, fico só com a parte de baixo, mas só aparece a silhueta. Ah, tá. Mas tem mais. Brinco com um monge e monto nele, parece cena de sexo, mas ela diz que está se lembrando da infância e fala upa, upa, cavalinho. Aí chega um outro frei e diz Me amarro numa suruba. Mas fica tudo na brincadeira.

Bem-humorada, ela se diverte com a reação da platéia: Tem mulher que tapa o olho do marido quando eu entro no palco. Outros fazem comentários. Quando acaba o espetáculo, sempre tem um que diz nossa como você tem fala. Acham que só vai ser a Vivi bonita e gostosa. Mostro a beleza, mas também por que estou em cima do palco, diz, confiante.

Apesar de estar na batalha, a mágoa do Carnaval ainda não passou. Ela perdeu o posto de rainha de bateria da Mocidade por desentendimento com a nova diretoria da escola e pela ascensão da madrinha da bateria Rachel Blanc.A gente dá tudo para a escola, freqüenta os ensaios e depois não tem respeito nem reconhecimento. Se for pensar no gasto que tive com fantasia (R$ 15 mil), camarote para a família..., choraminga. E a conta, quem paga? Eu e o Belo trabalhamos e corremos atrás para ter o que a gente gosta.

Dinheirinho suado. Pela escassez dele, perdeu o Jaguar, devolvido por falta de pagamento, mas ainda tem uma máquina quente: um Chrysler financiado, que garante já estar bem quitado. Saudade do Jaguar, nem pensar. Era um p... carro, é verdade. Mas não era uma preciosidade. Só uma coisa material.

Ano que vem, Viviane ainda não sabe em qual escola vai desfilar. Mas sai de qualquer jeito, de preferência à frente da bateria. Depois de desfilar numa bateria, a gente esquece de tudo o que já fez. Ali está o coração da escola, acredita.

Por via das dúvidas, ela quer fazer seu pé-de-meia. Em dezembro, lançou a grife de moda-praia com seu nome e já está preparando uma coleção de roupas de ginástica. No negócio, não gastou um tostão: entrou com a imagem, mas fez uma exigência: Meus biquínis são pequenos. Os da grife tinham que ser como os que eu gosto. Mas também tem dos grandes, nem todo mundo gosta da marquinha. Vivida, já sabe bem aonde quer chegar: Quero ter minha loja, num lugar bom. A gente tem que se cuidar. Imagem é mesmo tudo.

CONFIANÇA - Como a peça já passou por cidades da Região dos Lagos e Niterói, Viviane acredita que evoluiu. Minha voz melhorou bastante. Na TV, ela ficava muito presa.

MALHAÇÃO - "A única coisa que faço é malhar. Não sou paranóica. Levo vida normal.

TAPA-SEXO - Desde 95 desfilo peladona, de seios de fora. Mas enjoei. Nos últimos dois anos, em que fui rainha da bateria, queria vir diferente e resolvi sair de biquíni para usar uma fantasia mais rica, glamourosa. Não saí de biquíni por insegurança da idade. Ainda não é isso. Por aqui, está tudo em ordem.

TEATRO - Os Monges está no Teatro Posto 6, na Rua Francisco Sá 51, em Copacabana. Terças e quartas, às 21h, entrada a R$ 15.




PM comemora dia do patrono da corporação, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes

RIO - A Polícia Militar do Rio de Janeiro comemorou nesta segunda-feira o dia do patrono da corporação, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, com desfile na Rua Primeiro de Março, no Centro, em frente à Assembléia Legislativa.

No discurso de abertura do evento, o coronel Renato da Silva Hottz, comandante geral da PM, se inspirou no Hino da Independência do Brasil, e garantiu que ou o Rio fica em paz ou a PM continua a luta contra o crime, mesmo com o sacrifício de algumas vidas.

"Tiradentes não morreu em vão, como os policiais militares. A paz só será alcançada quando o comércio de armas e drogas for dominado", afirma o comandante. O desfile reuniu mil policiais, de diversas unidades da PM.

Seguindo a tradição, um grupo de dez policiais em cadeiras de rodas, vítimas de confrontos, abriu o desfile.




Como ontem era Domingo de Páscoa e estava viajando, mas hoje ainda é feriado aproveito para colocar as charges que fiquei devendo ontem, no dia de hoje. Espero que voces curtam neste finzinho de segunda-feira, muitas em homenagem ao nosso mártir da Inconfidência e, aliás algumas bem criativas, explicando que mártir continua sendo o povão brasileiro e por conseguinte nós que dele fizemos parte.



Charges do Lezio para o Jornal Diario da Regiao e do Lor para o Jornal Diário de São Paulo.



Trabalhos do Lute para o Jornal Hoje em Dia de Minas e do Miguel para o Jornal do Commercio de Recife.



Charges do Pater para o Jornal a Tribuna do Espirito Santo de Vitória e do Sinfronio para o Jornal Diario do Nordeste.



Estas penultimas são do meu conterraneo Sinovaldo para o Jornal Nh de Novo Hamburgo e do Ze da Silva para o Jornal Diário Catarinense, de Santa Catarina.



E esta última é do Tacho, como não poderia deixar de ser aqui para o Jornal NH do Vale dos calçados, que por sinal tem reiterado que nossos sapatinhos irão subir muito de preços, eu ainda não sei por qual razão, mas também eles precisam razão para aumentarem os preços?




Charges do Amarildo para a Gazeta on line e do Benett para a Gazeta do Povo



Charges do Claudio para o Jornal Agora São Paulo e do Clayton para o Jornal o Povo de Fortaleza,CE



Trabalhos do Glauco para o Jornal a Folha de São Paulo e do Henrique para o Jornal a Tribuana de Imprensa do Rio



Charges do Ique para o Jornal do Brasil do Rio e do JBosco para o Jornal o Liberal de Belém,PA



Trabalhos do Jorge Braga para o Jornal o Popular de Goiania e do Lairson para o Jornal o Diário de Pernambuco, de Recife




Segunda-feira, 21 de abril de 2003

Blecaute de dados derruba e-mail do Terra
Usuários e empresas ameaçam processar provedor depois de ficar dois dias sem o serviço

ROBINSON DOS SANTOS

No caso do administrador de empresas Hélio Dias Leite, a decepção veio em dose dupla. Usuário do Terra em casa e no escritório, em Moema e Campo Belo, respectivamente, Leite, sua esposa e duas filhas viram-se isolados do mundo online. Dependemos da internet 36 horas por dia, brinca Leite, que perde o bom humor quando lembra da atenção que obteve.O atendimento, tanto do Speedy quando do Terra, é péssimo. Quando reclamei ao pessoal do Terra, na terça-feira, que o e-mail estava fora do ar, o atendente teve coragem de argumentar que o serviço havia funcionado entre 10 e 11 horas da manhã. Isso não é resposta.

Tanto o gerente Fortunato quanto o administrador Leite estão coletando provas para entrar com ação na Justiça. A queixa é a mesma: indenização contra perdas e danos. É tanto descaso que a gente perde a paciência, resume Leite.

De acordo com o Terra, o problema foi causado por uma pane num servidor de armazenamento da EMC, que é monitorado em tempo real pelo fabricante. A falha foi detectada na madrugada da segunda-feira e o suporte técnico foi acionado na hora, explicou o diretor-geral do Terra, Fernando Madeira.

O Terra aguarda a emissão de um laudo técnico que explique as causas do incidente. Os servidores da EMC são feitos para oferecer redundância e alta disponibilidade, disse Madeira.A falha foi inédita e muito séria e nossa preocupação foi restabelecer o serviço preservando a integridade dos dados. Nesse aspecto tivemos sucesso, pois nenhum usuário poderá dizer que perdeu dados por conta disso.

Cláusula rara O incidente revela também uma ausência curiosa. Nos contratos dos provedores internet, cláusulas que preservem a qualidade dos serviços são raras. As condições gerais do contrato do Terra Plus Empresarial ADSL, obtido por Informática no site do provedor, dizem que o serviço estará disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, mas lista em seguida uma série de situações que podem comprometer a promessa de acesso ininterrupto. A cláusula seguinte afirma que o Terra não é responsável por quaisquer danos ou prejuízos causados por interrupções.

Madeira, do Terra, diz que não pode se responsabilizar por serviços que estejam fora do controle do provedor, caso da conexão telefônica. Mas e quanto ao servidor de e-mail, que fica dentro do Terra? Nossa garantia é limitada à garantia de disponibilidade que nossos parceiros e fornecedores nos oferecem, disse o executivo, que não revelou o nível de serviço oferecido pela EMC ao próprio Terra por razões contratuais.

A Fundação Procon de São Paulo acolhe as reclamações dos consumidores pessoa física. De acorco com o artigo 20 do Código de Defesa do Consumidor, na queixa ao Procon o usuário pode pedir a reexecução do serviço ou a restituição do valor pago. ¿Queixas de perdas e danos devem ser encaminhadas à Justiça e, se o valor for inferior a 20 salários mínimos, ao Juizado Especial Cível, explica a assistente de direção do Procon, a advogada Gabriela Antonio.

Gabriela diz que, no caso do Terra, a reexecução do serviço é impossível. Logo, as duas solicitações possíveis seriam ou a restituição ou a indenização das perdas e danos. E se o contrato isentar o prestador de serviços? O Código de Defesa do Consumidor é maior, diz Gabriela, e o provedor é um prestador de serviços que tem por obrigação oferecê-lo com qualidade e de forma contínua. A interrupção do serviço, no caso, pode ser interpretada como vício de qualidade.

Em comunicado divulgado na quarta-feira, o Terra anunciou um desconto na mensalidade dos assinantes do serviço. O abatimento de 2/30 do valor do boleto correponde ao período de dois dias, 14 e 15 de abril, em que o serviço de e-mail funcionou de forma intermitente.




Paulo Sant'ana
21/04/2003


Irresponsabilidade naval

Este acidente do barco emborcado em Cabo Frio revela a mais completa balbúrdia na fiscalização da navegação turística e comercial brasileira.

Todos os anos se somam os afundamentos de barcos brasileiros em nossos rios e na costa marítima, alguns com dezenas e até centenas de mortos.

As causas são sempre as mesmas: superlotação das embarcações ou mais completa inadequação delas para o transporte de passageiros.

Este barco que afundou em Cabo Frio era o mais prosaico possível. Barco para andar em um lago, navegar por águas serenas, todo aberto, sem anteparos para os passageiros, uma delícia para passear, mas não em águas marítimas, que podem a qualquer momento se encapelar e invadir o convés.

Não tem explicação que a regra primária de qualquer viagem naval não estivesse sendo cumprida: a maioria dos mais de 60 passageiros não estava usando os coletes insubmergíveis ou os salva-vidas, o que quer dizer que ressalta a responsabilidade criminal não só dos proprietários dos barcos mas também com a solidariedade da omissão das autoridades competentes, as capitanias dos portos, que fecham os olhos há décadas para este trágico procedimento.

Todas as vítimas não sabiam nadar. Mas isto não importa. Sabendo ou não sabendo nadar, têm os passageiros que estar equipados com os salva-vidas.

E, aos milhares, em todos os rios brasileiros e em toda a nossa imensa costa, os passageiros viajam sem os salva-vidas.

Dói também o depoimento de alguns sobreviventes: clamavam por salvação às dezenas de barcos que navegavam no entorno do local do acidente, que passavam ao largo sem qualquer gesto de socorro.

E certamente as embarcações que se negaram à humanidade do auxílio também transportavam passageiros sem salva-vidas naquele agitado circuito turístico pela paradisíaca costa de Cabo Frio.

Só em olhar para o barco emborcado após o acidente se pode notar que ele não tem as mínimas condições para navegar pelo mar aberto: trata-se de uma geringonça festiva e perigosa, a uma onda do mar forte se inclinou e ceifou a vida das pessoas incautas, que sem cultura de navegação não foram alertadas pela tripulação nem pelas autoridades do perigo que corriam.

Como é que a Marinha licencia esses barcos? Como é que diariamente, durante anos, com as tragédias se sucedendo em todos os pontos do Brasil, inclusive no próprio Rio de Janeiro, mas muito freqüentemente no norte do país, trafegam todos os dias sem qualquer fiscalização essas temerárias armadilhas humanas?

Este é o típico caso da solidariedade autoral do acidente entre donos dos barcos e autoridades.

Ninguém pode ficar fora da responsabilização. Aquela tralha não podia estar navegando.

É só não dar licença para esses trambolhos. Definitivamente.

Andou afinal certa a direção gremista em não subestimar o jogo contra o São Caetano, escalando os titulares, poupando apenas alguns que apresentavam certa temeridade para o jogo de terça-feira contra o Olimpia.

O Grêmio já está classificado para a Libertadores deste ano. Tem agora o dever de tentar se classificar para a Libertadores do ano que vem: e isso se dá por chegar entre os três primeiros do Brasileirão que se está disputando.

E o Atlético Mineiro ameaça estragar o campeonato todo, disparando dos outros 23 participantes.

Esse é o perigo desse campeonato. Um dispara e dezenas de milhões de torcedores dos outros 23 clubes perdem o interesse.

Por enquanto a pinta é de que o campeão será um dos dois mineiros. A não ser que o Internacional continue confirmando a boa campanha.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Luis Fernando Verissimo
21/04/2003


Uma longa história

Cuba é uma obsessão para a direita e uma provação para a esquerda brasileiras. Um lado supervaloriza o que é, no fim, um anacronismo cada vez menos relevante e o outro não sabe como justificar o inaceitável. A atitude dos que simpatizam com Cuba se divide em duas maneiras de construir a mesma frase: ou "Cuba é um exemplo de independência e prioridades certas nas Américas, mas ninguém pode negar que é uma ditadura repressiva" ou "está certo, é uma ditadura repressiva, mas ninguém pode negar que é um exemplo de etc".

Para os que não conseguem racionalizar e desculpar as contradições cubanas, o embaraço com notícias como a da prisão de dissidentes e, agora, de fuzilamentos se insere na velha questão do desencontro entre o ideal e seu desvirtuamento ou, como colocou o Saramago, até onde o ideal pode tolerar o desvirtuamento. É uma longa história, essa do desencanto da idéia libertária e igualitária com suas más conseqüências. Dá para começar a genealogia da desilusão com o Terror que se seguiu à Revolução Francesa e escandalizou muito dos seus teóricos e defensores, mas foi nas decepções de intelectuais com o comunismo a partir da revolução russa que a história se tornou reincidente. Cada geração teve o seu momento de desencanto.

A ruptura dos trotskistas com o poder soviético nos anos 30, o pacto Hitler-Stalin no começo da II Guerra Mundial que muitos custaram a acreditar, a invasão da Hungria em 1956, as revelações de Kruschev sobre os expurgos e os crimes stalinistas... Muitos intelectuais brasileiros se obrigaram a desenvolver variações em torno do tema do fim redimindo os meios para poder conciliar sua fé na promessa redentora do comunismo com o totalitarismo soviético, ou preservar o ideal do seu desvirtuamento. Mas, para uns mais cedo do que para outros, o momento também chegou.

A lição para quem quer continuar a crer sem se desiludir talvez seja a de simplificar a ilusão: engajar-se nos princípios de liberdade, igualdade e fraternidade, os básicos franceses, mas desassociar-se do terror e manter sempre à mão, como um Isordil, o ceticismo. Uma lição que também vale para engajamentos menores, como o dos que apoiaram o Lula sem saber que estavam apoiando o aumento do superávit primário.




De volta a terra já estou novamente neste espaço para conversar com voces, e dizer que resta programar o próximo feriado do dia 01 de maio que será numa quinta-feira e consequentemente enforca-se a sexta e vira outros quatro dias, novamente, não é assim neste maravilhoso País. E novamente as estradas ficam lotadas e outros inúmeros acidentes acontecem como neste de Páscoa que passou. Aproveitei, visitei minha mãe e meus irmãos, a família enfim. E espero que voces tenham também usufruido, passeado, saido da rotina e que não tenham sentido minha faltado, assim tão intensamente.

Litoral
Tempo autoriza show em Torres
LÚCIA PIRES/ Torres

Depois de vários cancelamentos, o céu de Torres deu ontem permissão para o espetáculo do balonismo. A preparação dos balões e a partida dos 36 pilotos foi acompanhada por um público entusiasmado.

Por cerca de uma hora, os balões voaram em direção à Serra. Este ano, um dos destaques foi o balão turístico, de 35 metros de altura, o dobro dos competidores, que levou ao céu seis tripulantes - a capacidade é de até 12 pessoas.

A prova de ontem à tarde é chamada de Caça à Raposa, na qual um balão decola em vôo livre e, passados cerca de 10 minutos, o juiz autoriza a decolagem dos demais, que devem persegui-lo. O balão tenta escapar, e ganha a prova o balonista que pousar mais perto da "raposa" ou lançar a sua marca mais próxima dela. Sacha Haim, 28 anos, chegou a 18 centímetros do alvo e deve assumir a liderança do festival.

A competição teve início de fato ontem pela manhã, com duas provas. Uma delas, a Prova da Chave, é a mais disputada porque oferece um carro e uma moto zero-quilômetro para quem pegar a chave do veículo em vôo. São duas tentativas. Na primeira, ninguém conseguiu. Hoje, há nova oportunidade.

A 15ª edição do Festival Internacional de Balonismo de Torres terminou hoje com o Vôo Fiesta de encerramento, às 16h.


Domingo, Abril 20, 2003




Viva as diferenças
"Mulheres Apaixonadas" levanta discussões em várias frentes e vira quase uma enciclopédia de preconceitos

Marcelle Carvalho

O autor Manoel Carlos gosta de mexer com o público e, em Mulheres Apaixonadas, parece ter partido numa espécie de cruzada para provocar a consciência do telespectador ao abordar, na novela, um número recorde de preconceitos que ainda incomodam muita gente. O autor montou quase uma enciclopédia da discriminação, desde preconceito racial e contra o idoso, passando pela opção sexual e finalizando na diferença social ou de idade entre namorados.

¿A novela tem entrada em todos os segmentos da sociedade, nada mais construtivo do que usar sua popularidade para levantar questões polêmicas, que podem educar e até apresentar uma outra visão, menos preconceituosa, sobre os temas que estão em nosso dia-a-dia¿, analisa Aline Moraes, a Clara da trama, que tem com Rafaela (Paula Picarelli) um relacionamento com pinta de homossexual. A relação delas é tão natural que não choca ninguém, só nos leva a refletir como julgamos e condenamos tudo aquilo que não seja igual à gente, acredita a atriz.

Para Carolina Dieckmann que vive Edwiges, às voltas com o preconceito da mãe do namorado, Cláudio (Erik Marmo), por ela ser pobre , a discriminação tem que ser destacada na novela para que haja discussões.

Existem pessoas que sentem o preconceito, mas têm vergonha de explicitá-lo. É bom que se coloque Marta (Marli Bueno) alardeando seu preconceito, para que pessoas vistam a carapuça¿.

Com uma boa repercussão nas ruas por conta da personagem Adelaide professora de História negra que já citou ter sido vítima de preconceito por parte da mãe de um aluno , Lica Oliveira sente falta, na TV, de mais negros que sirvam de boa referência. ¿Quanto mais próximo, melhor a referência. O fato de Adelaide ser uma professora e circular no núcleo importante da novela, gera uma resposta positiva. Na rua, as pessoas ficam contentes por ter uma negra fora da cozinha, curtem ver uma professora negra. E a condição profissional dela não é nenhuma obra de ficção, atesta. Fico indignada com o modo invisível como tratam a classe média negra. Muita gente fica incomodada com um negro bem-sucedido. Na questão do preconceito, por menos ruim que esteja hoje, o negro ainda está engatinhando¿, discursa.

Por saber da delicadeza do tema de seu personagem o jovem Fred, que se envolve com a professora Raquel (Helena Ranaldi) Pedro Furtado já imaginava os questionamentos. Mas só quando começa a viver é que você sente. Tem gente que torce, outras dizem que não é certo aluno se envolver com professor. Além da diferença de idade, eles também são discriminados por essa condição. Acham que isso é antiético, conta.


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