E N T R E L A Ç O S Testando cor de fundo
E N T R E L A Ç O S

Sábado, Maio 31, 2003




Martha Medeiros
01/06/2003


Super gaúcha

Sou urbana, gosto de cidade grande, não gosto de mato, de bicho e de pão feito em casa. Pronto. Falei. Acredite: não é um desvio de caráter. É o meu jeito. Minhas preferências. Não jogue no lixo tudo o que a gente construiu juntos só por causa deste detalhezinho bobo. Desde que eu era pequena que sítios, fazendas e assemelhados nunca me seduziram. Tenho medo de cobra, não sei andar a cavalo e suo frio só em pensar em encontrar uma perereca no banheiro. Eu bem que gostaria de me adaptar, pois se todo mundo diz que não há nada melhor do que a vida no campo, alguma verdade há nisso. Eu gosto de árvores, de flores, de silêncio, eu fiz minhas tentativas. Eu tentei ser normal. Achei que bastaria calçar botas de couro, mas é pouco. É preciso vocação.

Minha inaptidão para o mundo campeiro fica bem demonstrada quando o assunto é gastronomia. Eu não gosto de charque. Eu não gosto de chimarrão. Eu não gosto de doce de abóbora. Eu não gosto de leite recém tirado da vaca. Restou-me a resignação: vim ao mundo com este defeito de fábrica e não há nada que se possa fazer. Todas as pessoas possuem uma espécie de deficiência, e algumas são bem piores do que as minhas. Há quem seja vegetariano. Não cheguei a esse extremo. Uma picanha, não recuso. Mal passada, melhor ainda.

Estamos vivendo uma fase de ufanismo gaudério. De repente, o Rio Grande do Sul ganhou destaque, devido à minissérie e ao livro A Casa das Sete Mulheres, da minha talentosa amiga Leticia Wierzchovski. Toda a população está se sentindo orgulhosa de pertencer a esta terra. Uma rede de lojas, recentemente, colocou uma campanha publicitária no ar com a seguinte pergunta: o que é ser gaúcho? As melhores respostas ganharam prêmios. Eu não ganharia nem um tapinha nas costas.

Ser gaúcha, eu responderia, é gostar de ler Michael Cunningham, de ir ao cinema, de viajar para o Rio, para Punta, para Nova York. É caminhar na esteira de uma academia, trabalhar até tarde num escritório e antes de voltar pra casa passar no Zaffari e comprar uma pizza congelada. Ser gaúcha é ouvir bossa nova, gostar de praia e ficar só de camiseta e meias comendo Ruffles na frente da tevê. É preocupar-se com a meteorologia porque amanhã é dia de fazer escova e você morre de medo que chova e o cabelo vá por água abaixo. É acordar com as galinhas, mas sem ver as galinhas, a não ser na hora do almoço, grelhadas. Ser gaúcha é ter bom humor e nojo de barata, é adorar a Internet e assistir ao pôr-do-sol da sacada. Ser gaúcha é ter nascido aqui mas ser feliz em qualquer lugar, com o estilo de vida que escolher.

Eu me sinto tão gaúcha quanto as prendas que dançam nos CTGs, tão gaúcha quanto as mulheres que encilham cavalos, que cozinham em fogões a lenha, que ordenham vacas e bordam tapetes. Aliás, eu bordo tapetes. Aliás, eu nasci neste Estado. Aliás, somos todos gaúchos, nenhum mais gaúcho que o outro.
martha.medeiros@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
01/06/2003


As pessoas correm para fazer exercício, mas também se faz exercício caminhando. Quem estará com a razão?
Foto(s): arte/ZH

Êxtase e sofrimento

Há uns anos, fiz um curso de saúde pública na Universidade de Massachusetts, Estados Unidos. Tornei-me amigo de um dos professores, conhecido epidemiologista que tinha interesse pelo Brasil e volta e meia me perguntava coisas a respeito de nosso país. Uma tarde, eu caminhava pelo campus da universidade quando avistei o homem, fazendo o seu jogging. Vinha correndo em minha direção e parei para cumprimentá-lo. Para minha surpresa, contudo, simplesmente passou por mim, ofegante, suarento - sem me ver. Mais surpreendente ainda era a expressão de seu rosto, em que se misturavam sofrimento e êxtase. Como se estivesse em outra dimensão.

Estava em outra dimensão. Estava em outro tempo, em outro lugar: transportado, como acontece com aqueles que têm paixão pela corrida. Paixão esta que o entusiasmo por provas como a maratona que se realiza em Porto Alegre neste domingo.

As pessoas correm para fazer exercício. Mas também se faz exercício caminhando e nos últimos anos tem havido uma discussão sobre o que é mais conveniente, se caminhar ou correr. Será a Batalha Final travada entre a Tribo dos Corredores e a Tribo dos Caminhantes? Não creio. Mesmo porque trata-se de coisas diferentes, correspondendo cada uma delas a uma atitude perante a vida. Caminhar é o que todos fazemos no cotidiano; a caminhada como exercício é apenas uma variante de algo habitual.

Correr, não. Correr é uma ruptura com o convencional. As pessoas correm em situações excepcionais: quando estão com muita pressa, quando estão assustadas. Já o corredor (e sobretudo o corredor de maratona), corre por razões diferentes. Corre por esporte, naturalmente, mas corre obedecendo a um impulso, um impulso que faz com que o contato dos pés com o solo seja o mais breve possível; do chão, o corredor só quer o impulso. Se pudesse, correria no ar, num plano mais elevado, não tão elevado como aquele que buscava Ícaro da lenda grega, que, com as asas fabricadas pelo pai, voou quase até o sol, mas elevado, de qualquer maneira; desligado da Terra que todos prosaicamente pisamos e na qual um dia seremos sepultados.

Mas em matéria de romper com o convencional, pode-se ir mais adiante. Barry T. Bates, professor na Universidade de Oregon, preconiza uma outra forma de corrida: correr de costas. Diz ele que isto proporciona um melhor contato dos pés com o solo e que estimula a coordenação motora.

Pode ser esquisito ver alguém correndo de costas. Mas, convenhamos: em matéria de simbolismo, é o máximo. O corredor convencional vê na sua frente o trajeto que vai percorrer, isto é, o futuro. É a maneira como vivemos, projetando-nos constantemente para um tempo vindouro que, esperamos, será melhor que o presente. O corredor de costas, não: só vê o trajeto que já percorreu. Ou seja: o passado. O passado pode ser formado de doces lembranças, mas também de momentos amargos. Walter Benjamin fala do Anjo da História, expulso do Paraíso por uma ventania que o projeta, de costas, para o futuro. Olhos arregalados, este Anjo vê as ruínas do tempo amontoarem-se constantemente a sua frente. O que chamamos progresso, diz Benjamin, é esta feroz ventania.

São coisas em que a gente pode pensar quando está correndo (de frente ou de costas). Porque correr é penetrar em uma outra dimensão. Da qual a fantasia nunca está por completo ausente. Com todo o sofrimento e todo êxtase que isto possa provocar.
scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
01/06/2003


O meu livro

São os melhores momentos deste afã diário de escrever há 31 anos, a agonia e o êxtase de todos os dias oferecer aos leitores uma visão individual do mundo que nos cerca.

Já está nas livrarias o Melhor de Mim, 64 crônicas em 150 páginas. É possível que tenham escapado da peneira muitas das 12 mil colunas que já assinei em Zero Hora que valesse a pena serem incluídas.

Mas quando repasso os olhos pela seleção do Henrique Erni Gräwer e por algumas que pessoalmente fiz questão de incluir no livro, considero-as profundamente representativas da minha índole e da rede de prospecção da minha sensibilidade.

No domingo, Zero Hora tem muito mais leitores. Por isto estou escolhendo hoje a coluna pela qual convido os leitores e os amigos todos que puderem dar uma chegada na noite de autógrafos do livro, que será a partir das 19h da próxima terça-feira, 3 de junho, nas Livrarias Porto, no Shopping Iguatemi.

Impossível mandar convites individuais para todos. Faço-o portanto por aqui, na esperança de encontrá-los em bom número lá.

Este negócio de escrever crônicas é muito estranho. Dias há em que os assuntos escasseiam. Dias no entanto há em que os assuntos pululam.

Fora dos assuntos, dias há em que o cronista está eufórico, outros dias há em que está depressivo, a velha bilateralidade do espírito humano.

Quando está depressivo, leva mais de oito horas para desvencilhar-se da infertilidade inspiracional e se atrever a começar o texto.

Quando está eufórico, se lhe exigirem três crônicas, ele as escreve imediatamente, sem titubear e com inteiro êxito.

Às vezes encontro pessoas que me manifestam a sua perplexidade por eu conseguir escrever uma crônica por dia há tantos anos.

A perplexidade delas é menor ainda do que a minha. Não sei como posso, o que sei é que muitas das crônicas são feitas pela pressão, pela exigência de que elas têm de ser feitas, dali a pouco roda o jornal e não pode sair sem a coluna.

Mas muitas delas também foram feitas com singela espontaneidade, brotaram na cama ao deitar ou levantar, no táxi, na conversa de bar, depois corri para o computador com aquele tema regurgitando dentro de mim, pronto para ser exposto, ainda melhor adornado no conteúdo ou na forma pela mecanicidade automatizada do exercício de escrever: as melhores sacadas surgem em meio à escrita, nos solavancos do andor.

E algumas há em que o autor não desconfia de que haverá repercussão e, no entanto, no dia seguinte, todo mundo fala nelas.

E há outras em que quem escreve acha que acertou na veia, mas vê no dia seguinte que não acertou. E há as que julga insossas e realmente redundam num desastre.

E há ainda uma outra categoria: a gente tem a certeza de que escreveu uma grande crônica e no dia seguinte ela retumba em todas as rodas e em todos os lábios, ganhando a melhor de todas as recompensas: é recortada e posta num quadro ou guardada para sempre na carteira.

E o melhor elogio que recebi nestes 31 anos de labor escrito foi de um oficial da reserva, se bem lembro, que diante de uma crônica minha em que eu entendia que se aproximava a minha morte, ele me mandou dizer:

- Nada de morrer, Paulo Sant'Ana. Como ficarão as paredes das cozinhas sem as tuas crônicas coladas nelas?
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
01/06/2003


Escolha

Nélia ficou muito impressionada quando perguntou à amiga Laurita o que ela achava do Paulo Artur, da sua intenção de casar com o Paulo Artur, e a Laurita ficou olhando para ela em silêncio, depois disse:

- Nelinha, você tem um compromisso com a espécie.

- O quê?

Nélia não sabia de compromisso algum. Que espécie? Laurita suspirou e perguntou o que Nélia estava pensando. Que a questão era só aquela? Que era simples assim, caso ou não caso? Que não havia uma história por trás da sua história pessoal, a história da raça, a história dos genes da raça? A espécie humana, Nelinha. A espécie humana. Você é responsável pela espécie humana.

Nelinha cada vez mais assustada.

- Eu?!

- Somos nós, as mulheres, que determinamos a evolução da espécie. Nós somos as responsáveis. Você e eu, Nelinha. É assim em todas as espécies, a fêmea tem a última palavra sobre quem vai impregná-la, sobre que tipo vai se reproduzir, sobre qual corrente genética continua e qual acaba. Você já pensou nisso? No poder que você tem? Com um simples "não" você pode interromper uma linhagem de DNA que vem desde a criação do mundo. Recusando-se a ter seu filho, você pode, sem saber, estar negando a reprodução do último descendente direto de Adão, e bem feito.

- Mas o Paulo Artur não...

- Nelinha. Escuta. O período de namoro, de noivado, é a oportunidade que nós temos de avaliar se o homem que pretende depositar sua semente em nós merece isso. Ele só quer cumprir o seu papel, que é passar adiante, por assim dizer, a sua encomenda genética. Não está nem aí. Cabe a nós ter critérios e selecionar os melhores, para o bem da espécie, Nelinha. A corte, o assédio, a conquista, tudo isso existe até entre os cascudos, Nelinha, até entre os cascudos, e é a ajuda que a Natureza nos dá para fazermos a seleção. Para compararmos os machos em todos os quesitos que significarão a evolução ou o atraso da raça. Estejam eles trocando cabeçadas numa savana africana ou comparando bíceps ou carteiras de ações na nossa frente, os machos estão se entregando ao nosso escrutínio, à nossa sentença. Disputando a nossa aprovação e o privilégio de usarem o nosso ventre. Mas a decisão final é nossa. A responsabilidade é nossa, Nelinha.

Nélia ficou muda. Não sabia que era tão importante. Laurita arrematou, para completar:

- E o Paulo Artur, francamente...

Paulo Artur não tinha nada para contribuir à espécie a não ser sua cara. E uma coisa de que a espécie decididamente não estava precisando era outra covinha no queixo.

Escolha (2)

Não que a Laurita também não tivesse se enganado um dia, o que podia explicar sua atitude, e os cantos da boca puxados para baixo.

Ele se chamava Candiota e, semanas antes do casamento marcado, disse para Laurita que iria abandoná-la.

- É outra? - perguntou Laurita, soerguendo-se na cama. (Nota pessoal do autor: sempre gostei muito de "soerguer-se", mas tive poucas chances de usá-lo. Agradeço a oportunidade. Um abraço nos meus familiares. Segue a história.)

- Não - respondeu Candiota. - É Outro.

Como não percebeu o "O" maiúsculo, Laurita pensou que o Candiota, logo o Candiota, um homem tão reto, fosse homossexual. Mas Candiota apressou-se a corrigir o engano. O Outro era o Senhor.

- Fui chamado pelo Senhor.

Deus o convocara para seu ministério e Candiota não podia ter qualquer distração na sua luta contra o Demônio, muito menos a Laurita, com seus mamilos tipo medalhão. Laurita não casou com o Candiota e com mais ninguém. Renunciou a sua missão, que era reproduzir tantos Candiotas quantos pudesse para ajudar o Brasil, em favor da missão do Candiota, de combater o Demônio em todas as suas manifestações.

Anos depois, num baile de Carnaval, Laurita julgou identificar o Candiota num grupo de homens fantasiados de legionários romanos que circulavam pelo salão com mulheres seminuas sentadas sobre os ombros. Não pôde ter certeza que era o Candiota porque ele era o único que segurava a mulher ao contrário e tinha a cara enterrada entre as suas coxas. Talvez não fosse o Candiota.

Talvez fosse o Candiota e eles estivessem numa missão secreta para o Senhor, em território inimigo. Talvez fosse o Candiota e o Demônio simplesmente o derrotara. Talvez fosse o Candiota e ele tivesse mentido para ela. Eu também não sei. O fato é que foi depois disso que a Laurita ficou assim, amarga e filosófica, e com os cantos da boca puxados para baixo.

Publicado no dia 21 de março de 1999. Luis Fernando Verissimo está de férias.


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Gente
Retratos do sul do Rio Grande



O Rio Grande dos tipos que ajudaram a construir seus mitos ainda resiste no sul do Estado. Nesta edição e até o próximo sábado, ZH conta as histórias de personagens como o peão que só conhece o mundo ao redor da fazenda, a professora rural, o fazendeiro e outros nove preservadores da nossa história na série Retratos do Sul do Rio Grande (foto Adriana Franciosi/ZH)

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Ele está uma arara porque estão construindo um edifício com seu nome, ah mas esse Diogo Mainardi é mesmo muito folgado, voces concordam?

Vergonha de ser Diogo
"Toda novela tem de ter um Diogo.


Agora é nome também de um prédio de apartamentos em São Paulo.
A garota-propaganda do Diogo é Fernanda Young. Ou seja, avacalharam o meu nome"

Diogo é nome de personagem de novela. Toda novela, por algum motivo, tem de ter um. Para minha vergonha, Diogo agora virou também nome de prédio de apartamentos. De fato, estão construindo um prédio chamado Diogo na Vila Nova Conceição, em São Paulo. O Diogo, conforme anúncio publicado nos jornais, dispõe de "port-cochère" e "vignerie". Não sei o que significa "port-cochère", mas "porte cochère", com "e" e sem hífen, é um pórtico para carruagens. Por outro lado, ignoro o termo "vignerie", sobretudo na acepção de adega. O estilo arquitetônico do Diogo, a se julgar pela maquete, é semelhante ao do Cingapura, o conjunto habitacional graças ao qual Paulo Maluf conseguiu eleger seu sucessor, Celso Pitta. Estilo legitimamente paulistano, portanto. A garota-propaganda do Diogo é Fernanda Young. Ou seja, avacalharam o meu nome. Ainda bem que não moro mais em São Paulo.

Eu nunca entendi o motivo, mas os paulistanos realmente gostam de São Paulo. Os cariocas realmente gostam do Rio de Janeiro. Até os maringaenses realmente gostam de Maringá. Duas semanas atrás, com o único propósito de manifestar meu entusiasmo pelo Canal Rural, mencionei a feira do gado de Maringá. Os maringaenses acharam que eu estava debochando da cidade e encheram-me de cartinhas iradas. Rinaldo acusou-me de falta de ética. Thaís chamou-me de irresponsável. Matheus, de preconceituoso. Rosenei e Helenice afirmaram que eu não sabia o que era cultura. O Lions Clube ficou indignado.

O que mais irritou os maringaenses foram os índices socioeconômicos citados no artigo. A mortalidade infantil de Maringá, segundo eles, não é de 26,44 por 1.000, mas apenas de 11,54. O analfabetismo não atinge 16% da população adulta, mas apenas 5%. Peço perdão aos maringaenses, porém a culpa não foi minha. Colhi as estatísticas num documento da própria prefeitura. Especificamente, no relatório do comitê intermunicipal do Fome Zero. Quando é para se apresentar aos eleitores, a prefeitura de Maringá desaparece com seus miseráveis. Quando é para pleitear mais verbas federais, aparecem famintos por todos os lados. O Fome Zero não tem a menor chance de funcionar.

O leitor Cláudio Marcos aproveitou sua cartinha para reclamar que já está cansado de meus ataques contra Gilberto Gil. Ele está certo, claro. Pego demais no pé de Gil. O problema é que Gil provoca. Outro dia perguntaram-lhe qual era o livro mais importante de sua vida. Ele deveria ter mentido. Deveria ter dito Grande Sertão ou algo do gênero. Gil acabou escolhendo o livro do I-Ching. Um ministro da Cultura não tem o direito de responder que seu livro predileto é o do I-Ching. Pior: Gil admitiu que só toma decisões fundamentais depois de consultar as moedas do I-Ching. Foi o que aconteceu quando Lula o convidou para ser ministro.

As moedas o aconselharam a aceitar o cargo, porque ele é um hexagrama 2, um receptivo, dotado da perseverança de uma égua, animal que combina a agilidade do cavalo com a docilidade da vaca, como concordariam os leiloeiros da feira do gado de Maringá. Não sei que caminho as moedas indicarão à cultura brasileira. Só sei que, ao longo de nossa história, nunca tivemos muita sorte com moedas.

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BB paga dívida histórica
Banco do Brasil gasta R$ 27 milhões para quitar débito trabalhista de 30 anos


SÃO PAULO - O Banco do Brasil vai pagar a seus funcionários reajuste de 3% que deixou de conceder 30 anos atrás. O presidente do banco, Cássio Casseb Lima, fez o anúncio ao visitar o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. O pagamento vai beneficiar 1.500 bancários sindicalizados (hoje aposentados) e seus herdeiros. O desembolso, de R$ 27 milhões, faz parte de uma nova conduta do BB, de não questionar assuntos já decididos pela Justiça.

A ação se iniciou em 1973, quando o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto corrigiu os salários dos funcionários paulistas pelo índice de preços do Rio. Na capital paulista, o indicador era maior. A Justiça emitiu parecer favorável, mas só agora o BB decidiu pagar a conta.

O presidente do Sindicato dos Bancários, João Vaccari Neto, pediu ao presidente do BB que o banco passe a participar da negociação salarial com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) e os sindicatos, ¿seguindo princípio constitucional¿. Hoje, o BB negocia com a Contec (Confederação Nacional de Trabalhadores de Crédito), numa campanha separada dos funcionários de bancos privados. Casseb não se pronunciou a respeito, mas reafirmou a disposição para o diálogo.

O presidente do BB anunciou também que vai rever as taxas de empréstimos para os funcionários do banco. Ele se surpreendeu ao saber que eles tomavam empréstimos em bancos concorrentes.

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A Lei está ai para ser cumprida, mas todos os dias elas são sistematicamente desobedecidas, infringidas e ignoradas. E por isso todos os anos se formam centenas e centenas de advogados, pois dessa forma só resta buscar na justiça o seu cumprimento.

Lei da fila volta a vigorar
Clientes de bancos só podem esperar até 20 minutos



Clientes poderão esperar no máximo 20 minutos nas filas dos bancos. A Promotoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público Estadual conseguiu que os agentes financeiros cumpram a Lei Municipal 2.861/99 (Lei dos 20 minutos). A 12ª Câmara Cível negou, terça-feira, recurso de 23 bancos contra a liminar do MP para garantir o direito.

A lei determina ainda senhas e assentos para idosos, gestantes e deficientes, e que os bancos não discriminem clientes e não-clientes. A escala dos caixas deve ficar visível, para que o cliente fiscalize se o funcionário foi deslocado para outra função.

Segundo o promotor Rodrigo Terra, a liminar voltará a valer quando a decisão sair no Diário Oficial. Quem tiver queixas poderá passar fax para (21) 2240-6250. Ao descumprir a liminar, o banco será multado em R$ 50 mil por ocorrência e responder por crime de desobediência de ordem judicial.

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Relações divertidas

Por Lina de Albuquerque
Fotos: Everton Ballardin


REVELAÇÕES DIVERTIDAS


Depois de coroada, Gislaine Ferreira, que concorreu pelo Estado de Tocantins, desfila pela passarela da casa de espetáculos Via Funchal, em São Paulo, exibindo o manto e a faixa do título máximo do concurso de beleza nacional.

O Via Funchal estava que era uma maravilha. Quando Daniela Mercury chegou para cantar, os microfones pifaram, a música continuou tocando e a cantora não conseguiu driblar ela mesma. Uma senhora arriscava da platéia um palpite sobre a mais bonita, confundindo as meninas do grupo baiano Ilê Ayê, que participavam da coreografia da cantora, com as candidatas a Miss Brasil.

Depois foi a vez da estrela do brega pop, Wanessa Camargo, entrar no túnel do tempo e aparecer no intervalo cantando "Eu e a Brisa", de Johnny Alf, exatamente como a cantora Márcia interpretava esse clássico nos festivais da Record dos anos 60. Em seguida, voltou a ser ela mesma, martelando para o público o seu atual sucesso radiofônico: "Você sabe que sou louca por você, lá, lá, lá".

Fábio Júnior também compareceu, mas teve de ir embora correndo para fugir das fãs. "Eu não morro sem dar uma bicota naquele homem", prometia a dona de casa Rosana Bertani, 39. Ela só aceitou desembolsar R$ 100 para assistir ao concurso na companhia do filho de 15 anos depois de saber pela televisão que o seu ídolo estaria no Via Funchal. Isso também é um concurso de miss.

A alardeada modernidade foi marcada pela escolha de um júri de personalidades em evidência, para o qual muitas vezes os holofotes do concurso foram desviados. Estavam ali a empresária de moda Costanza Pascolato, o fotógrafo JR Duran, a soprano Celine Imbert, a jornalista e consultora de moda Gloria Kalil, o estilista Alexandre Herchcovitch, os colunistas José Simão e César Giobbi, a jornalista e escritora Danuza Leão, o narrador esportivo Silvio Luiz, a modelo Ana Hickmann e até a segunda-dama da República, Marisa Alencar.

Famosos que apresentaram etapas do desfile apareciam vestidos de outros famosos, mais uma idéia de Paulo Borges. A apresentadora de TV Astrid Fontenelle trazia a marca do estilista Fause Haten; Márcia Goldschmidt, que também apresenta um programa, vestia Walter Rodrigues; Marcos Mion, de Ricardo Almeida, e assim por diante. O deslumbramento era tal que o desfile das misses propriamente dito servia apenas de coadjuvante da ostentação do falso luxo e glamour que ali se instalaram.

Nos intervalos do desfile, era comum despontarem de suas mesinhas algumas mulheres com idades e vestidos atemporais. Com pose de misses clonadas, elas também se submetiam aos flashes, só que das máquinas fotográficas trazidas nas bolsinhas das amigas. Outras vieram munidas de binóculos para acompanhar tudo mais de perto, não importando se estavam sentadas a dez ou a cem metros do palco. Duas amigas, ambas na faixa dos 50 anos de idade, esperaram mais de 30 anos para assistir ao concurso ao vivo. Desde os anos 70, não desgrudam o olho do desfile transmitido pela televisão. "Estamos muito emocionadas", dizia uma delas, binóculo em punho.

No camarim das misses, o clima era um pouco diferente. Embora nervosas, as moças tentavam manter o característico sorriso congelado quando algum jornalista se aproximava delas. "Misses passam laquê e gás paralisante no sorriso", escreveu o jurado e colunista José Simão. "Alguém tem aí um xampu para emprestar para a Miss Pernambuco?", gritava um cabeleireiro para o outro numa descontração típica de dia de feira.

De jeans e sem maquiagem, as concorrentes pareciam sósias umas das outras. Davam entrevistas enquanto se arrumavam e discorriam sobre temas variados, do uso de silicone à literatura. Algumas, como a estudante de veterinária Claudia Boschilia, a Miss Rondônia, revelaram que substituíram a antiga obsessão literária das misses, o livro "Pequeno Príncipe", pelo "Senhor dos Anéis". O problema é que insistiam em explicar o intrincado enredo do sucessor de Saint-Exupéry.

Caídos de pára-quedas no evento, dois modelos da Elite tentavam descobrir o que fariam nas horas seguintes. "Fomos chamados para participar de um evento com deputados, mas não era nada disso. Acho que vamos levar as flores para as misses ou segurar o microfone, se elas começarem a tremer na hora de falar", disse Leandro Seacassi, 26 anos, num canto do camarim. O também modelo Rafael Verga, 21 anos, estava chateado de perder o Skol Beats, um dos maiores festivais de música eletrônica do mundo, que acontecia em São Paulo na mesma noite. Já a Miss São Paulo, a estudante de Direito Juliana Volpine, nem sabia direito o que vinha a ser Skol Beats.

"Adoro rock e música sertaneja", dizia ela, dando provas da mais completa tolerância musical. "A única coisa que consigo me lembrar de um concurso desse tipo é que Martha Rocha foi Miss Brasil algum dia", continuava Rafael, fazendo alusão à famosa consagração de 1954, ano em que nem sequer era nascido.

Camarins são muito reveladores num concurso assim. É lá que se entende por que um corretivo de olheiras é cotado ao preço de ouro. Nos dias que antecedem o desfile as misses simplesmente não dormem. Para piorar, elas se metem em carreatas abertas e passam horas acenando para a multidão. "Fiquei com o braço duro de tanto dar tchauzinho", disse a Miss Piauí, a estudante de cursinho Elaine Fernandes. Para ajudar a divulgar o evento, todas as candidatas se vêem obrigadas a fazer tudo em grupo. Dormem, acordam e comem no mesmo horário. Se uma delas não aparece para tomar o café da manhã, as outras 26 ficam esperando.

"Estava perto da avenida Paulista e quase fui atropelado por uma comitiva de misses andando bem juntinhas", contou o advogado Leandro Ricci, que depois disso resolveu assistir pela primeira vez ao concurso pela TV. Parece ter ficado marcado pelo acontecimento. "Não é todo dia que a gente tromba com um grupo desses."

Misses são seres gregários, pelo menos antes do resultado final. E são sinceras de fato. Neste ano, ao se despedir do seu mandato, a catarinense Thaiza Thomsen confirmou que sinceridade realmente conta pontos no reino da beleza. Thaiza reinou só por dois meses. Ela ganhou o título depois que um jornal do Rio Grande do Sul publicou a certidão de casamento da ex-Big Brother Joseane de Oliveira, destronada por ter ocultado que era casada. "Ser miss foi muito bom, eu ajudei muito a mim mesma", ela carimbou antes de coroar Gislaine Ferreira, a Miss Tocantins. Muita gente na platéia não segurou o riso. E ela chorou.

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Como sempre em todos os fins de semana ai estão as capas das duas revistas semanais. Uma das reportagens principais da Revista Veja é essa abaixo sobre o Presidente.

Sem medo de ser feliz na cadeira de presidente
Muito à vontade no cargo, Lula conquista maioria no Congresso e garante que aprovará as reformas


André Petry e Maurício Lima

Dida Sampaio/AE

O presidente, às gargalhadas: para ele, o chefe da nação não pode vender ilusões nem fazer terrorismo

Com cinco meses de governo, Luiz Inácio Lula da Silva parece nunca ter feito outra coisa na vida além de vestir a faixa presidencial. Em seu gabinete, onde recebeu jornalistas na semana passada para dar a primeira entrevista coletiva desde a posse, Lula mostra-se à vontade no cargo, sentadíssimo na cadeira, à larga com os rapapés do poder ¿ como se estivesse à beira da churrasqueira em seu sítio ou nos gramados do Palácio da Alvorada a correr atrás de patos. O presidente parece feliz da vida. Mantém os mesmos torturantes embates com a gramática, mas até isso, para ele, é motivo de sátira.

"É que sou do partido dos trabaiador", diz. Também mantém o hábito, popularizado nos debates da campanha eleitoral, de encerrar uma resposta (qualquer resposta) dizendo que, além de tudo o que acabou de expor, também pretende "ouvir a sociedade, os segmentos organizados da sociedade". É o Lula de sempre, mas com uma surpreendente exibição de conforto e autoconfiança em comparação com aquele Lula sindicalista e eterno candidato derrotado à Presidência. O poder está fazendo bem a esse homem.

Lula está caminhando pela manhã um total de 4.200 metros, na tentativa de adelgaçar a silhueta. Acha que está vencendo a batalha contra a gulodice e a vida sedentária. Aliás, no dicionário de Lula parece não haver batalha que não possa ser vencida. Pelo menos, é o sinal que ele emite através de variações fisionômicas que paradoxalmente carregam o interlocutor sempre para o mesmo ponto. Com uma cigarrilha café-crème entre os dedos, quando os fotógrafos não estão por perto, e um esboço de sorriso nos lábios, se estiver fazendo uma tirada espirituosa, ou então um cenho crivado de rugas, se o assunto for espinhoso, desemboca inevitavelmente num cenário positivo.

"Estou certo de que vamos aprovar as reformas", garante o presidente, em referência às propostas previdenciária e tributária que tramitam no Congresso Nacional. "Não vou cometer nenhum erro político neste ano, vou aproveitar todas as oportunidades", assegura, cenho franzido. "Vou fazer o jogo político como jamais foi feito neste mundo velho de guerra." Faz parte do papel de um presidente vender segurança e demonstrar firmeza. Lula vem cumprindo com naturalidade essa parte do roteiro. Sua atuação é tanto mais convincente quanto mais se acumulam ganhos diante dos desafios práticos que enfrentou em cinco meses de administração.

Na semana passada, quando os cardeais do PMDB decidiram aderir à base de apoio ao governo, Lula cravou mais uma vitória ¿ e, desta vez, inédita. É a primeira vez que um partido político dá apoio ao Planalto sem antes já receber a cadeira de um ministério. Um estudo elaborado por Octavio Amorim Neto, cientista político da Fundação Getúlio Vargas, mostra que, em quase quarenta anos de democracia ¿ do período que vai de 1946 a 1964 e, mais tarde, de 1985 até hoje ¿, todos os partidos que fecharam acordos com o governo levaram, antes, sua contrapartida em cargos de primeiríssimo escalão.

Naturalmente, o PMDB só aderiu ao governo Lula sob a promessa de que vai ganhar um ministério, mas o acordo inverteu a lógica tradicional do leilão político: antes de abocanhar sua fatia, o novo aliado terá de mostrar-se fiel ao governo nas votações realizadas no Congresso. Nos moldes em que foi selada, a negociação resultou positiva para a imagem pública de ambos os lados, na medida em que joga para mais tarde, para quando o ministério sair, a exposição da natureza puramente fisiológica do matrimônio.

Em se tratando do PMDB, que há muito deixou de ser um partido para tornar-se uma confraria em que cada um parece olhar na direção contrária do outro, o governo tomou uma precaução adequada. Afinal, na gestão de Fernando Henrique Cardoso, o partido foi um aliado desde o momento da posse, já no primeiro mandato, e no entanto jamais conseguiu votar unido. Segundo o levantamento de Amorim Neto, a taxa de infidelidade do PMDB, no governo anterior, chegou perto de 40%, enquanto a das demais legendas governistas mal passou dos 20%. É impossível afirmar que, desta vez, o PMDB terá um comportamento distinto com o governo Lula, embora a promessa de ministério sirva como elemento aglutinador. "Vamos ver agora se a promessa vai proporcionar um maior índice de adesão ao governo", diz Amorim Neto. No primeiro teste, ocorrido na semana passada, quando a Câmara votou o novo valor do salário mínimo, a bancada do PMDB até que conseguiu conter o grosso de seu furor de infidelidade: 26% dos deputados votaram contra. É um índice alto, mas bem abaixo da taxa histórica de quase 40%.

O presidente não emite sinal de insegurança diante desse quadro precário. Ao contrário. Do 3º andar do Palácio do Planalto, sentado à imensa mesa redonda de seu gabinete, Lula permanece fiel ao papel que traçou para si próprio: não vender ilusões, mas também não vender terrorismo. "Eu não sou louco", explica. E aponta as barreiras que já ultrapassou, apesar do descrédito inicial. Ninguém acreditava, por exemplo, que certos indicadores econômicos ¿ o dólar, o risco país, a cotação dos títulos externos, a inflação ¿ fossem apresentar resultados positivos em apenas cinco meses de governo petista.

Também quase ninguém acreditava, noutro exemplo, que o governo petista conseguiria emplacar uma ampla maioria no Congresso. E eis que ela está aí. Com a chegada do PMDB, resultado do trabalho incessante do ministro da Casa Civil, José Dirceu, Lula conquistou uma boa superioridade parlamentar. Na matemática, tem ao seu lado nove legendas, com um plantel de 326 deputados e 53 senadores ¿ número suficiente para aprovar o que quiser no Congresso.

Na vida prática, em que nem todos os parlamentares são fiéis, a vida do governo está até melhor. Descontando-se os governistas que arrastam asa para a oposição, e adicionando-se os oposicionistas que adoram flertar com o governo, o Palácio do Planalto tem uma maioria ainda mais folgada: em torno de 370 deputados e sessenta senadores, quadro muito semelhante ao que havia no melhor momento do governo de Fernando Henrique. Apesar das imensas dificuldades pela frente ¿ juros na estratosfera, economia paralisada, desemprego batendo recordes ¿, Lula exibe a certeza de que está no caminho certo. Depois de quase duas horas de conversa com jornalistas, o presidente levanta-se bem-disposto e anuncia compromisso mais urgente: assistir a um filme no Palácio da Alvorada em companhia da atriz Luana Piovani. Não estende o convite a ninguém na sala. "É que sou do partido dos trabaiador", diverte-se.

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Se a moda pega por aqui também, Vai ter muito ladrão seguindo o tesoureiro na saida, para levar o que ela leva. Para ganhar R$300.000,00 isso também leva um bocado de meses. Felizmente eles cumpriram com a promessa e liberaram o restante da famíia e o próprio tesoureiro, porque tudo deu certinho. E se não desse..?

Bando faz gerente refém e leva R$ 300 mil da CEF
Assalto foi antes de agência abrir em Resende


Seis assaltantes roubaram ontem aproximadamente R$ 300 mil da Caixa Econômica Federal (CEF) de Resende, depois de seqüestrarem o tesoureiro José Luiz Fernandes, 40 anos, a mulher dele e dois filhos, um de 13 e outro de 16 anos, cujos nomes não foram revelados. Os bandidos, armados com pistolas, um fuzil e uma granada, renderam a família na noite de quinta-feira, por volta de 22h30, quando os quatro chegavam em casa, no bairro Eucaliptal. Os marginais passaram a noite na residência.

O delegado da Polícia Federal Hilton Coelho, que está investigando o assalto, disse acreditar que o bando seja o mesmo que há menos de um mês roubou a agência do Banerj na cidade, após manter reféns a gerente Sônia Maria Mustafa Bornia, 37, e o filho dele, Tiago, 15 anos. ¿Tudo indica que o assalto de ontem tenha sido praticado pelo mesmo bando¿, afirmou o policial.

De acordo com ele, por volta de 6h30 da manhã de ontem, os marginais saíram da casa de Fernandes e se dividiram em dois grupos. O tesoureiro ficou com uma parte do grupo, e os demais levaram a mulher e os filhos dele para um matagal, no bairro Boa Esperança.

Por volta de 8h30, assim que dois carros-fortes deixaram malotes no banco, obrigaram Fernandes a entrar na agência, de onde saiu pouco depois com o dinheiro numa bolsa, sem que os vigias suspeitassem. O tesoureiro foi abandonado num posto de gasolina às margens da Via Dutra, às 10h30. Pouco depois, o restante da família foi liberado.

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Treze gabinetes de aluguel

Solução mais rápida é instalar novos vereadores da Câmara do Rio em salas comerciais. O gasto para equipar escritórios será de R$ 234 mil
Pedro Motta Lima

O aluguel de 13 escritórios comerciais próximos ao Palácio Pedro Ernesto, na Cinelândia, é a solução mais rápida para instalar os novos vereadores da Câmara do Rio. Segundo o presidente da Casa, Sami Jorge (PDT), essa é a única saída possível para a falta de espaço, até que haja nova sede. A medida, segundo estimativa do diretor da Associação Brasileira de Administradoras de Imóvel (Abadi), Rogério Quintanilha, custará aos cofres públicos R$ 6.500 por mês. Além disso, para equipar os gabinetes da mesma forma dos já existentes, a Câmara gastará, pelo menos, R$ 234 mil. Sessão quinta-feira aprovou mudança na Lei Orgânica do Município, aumentando de 42 para 55 o número de vereadores do Rio.

Para não depender da locação dos escritórios por muito tempo, Sami Jorge planeja a construção de nova sede para o Legislativo Municipal. O primeiro passo será dado ainda este ano, ao elaborar o orçamento da Câmara para o ano que vem. A proposta vai destinar verba para um concurso de projetos, que seria coordenado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), e até recursos para o início da construção.

O tamanho médio dos novos gabinetes será de aproximadamente 30 m, mesma medida dos atuais. Mas não basta ter o espaço: os 13 recém-chegados precisarão de condições de trabalho. Para montar escritório com as mesmas características dos que já existem, será necessário desembolsar, pelo menos, R$ 18 mil por sala.

A conta leva em consideração que os vereadores dispõem de duas TVs de 20 polegadas, três computadores, um notebook, um videocassete, dois aparelhos de fax, 20 cadeiras, seis telefones, um scanner de mesa, três impressoras, uma máquina copiadora, 14 mesas e equipamentos de escritório como fichários, papeleiras e grampeadores para trabalhar. A Câmara ainda abastece os gabinetes com disquetes, canetas, papel e até açúcar e adoçante.

¿É claro que temos que dar a mesma condição de trabalho para os que ocuparem as novas vagas. Não pode haver distinção entre vereadores eleitos¿, afirmou o primeiro secretário da Mesa Diretora, Ivan Moreira (PFL), que se absteve de votar a mudança.

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Paulo Sant'ana
31/05/2003


O dinheiro serra as grades

A cidade se encontra amanhã pela manhã com um dos seus grandes eventos: a Maratona de Porto Alegre.

É a festa dos que não desistem, dos que insistem, dos que se surpreendem consigo próprios.

Há deficientes de toda ordem nas competições, desde os que estão sobre cadeiras de rodas até os que não enxergam, mas seguem em frente num brado de coragem e participação que serve de exemplo aos que desanimam e se deixam transpor por obstáculos bem menores.

Mais de mil atletas, a maioria de fora de Porto Alegre, concorrerão na Maratona, 2,5 mil enfrentarão a Rústica e outros mil atletas mirins comporão a Maratoninha.

Está tudo pronto para a largada, lá se vão a infância, a juventude e a maturidade ao encontro da saúde física e espiritual, movida pelo desafio da superação.

E nós vamos para o largo do percurso, a admirar a obstinação desses atletas vindos de todos os cantos do Estado e do Brasil para tornar ainda mais agradável e auspiciosa a vida em nossa cidade.

Não se pode chamar de espetacular e sim de risível a fuga do traficante Cláudio Roberto Moreira Pacheco, o Sussuquinha, do Batalhão de Choque da PM carioca.

Antes, ele já havia fugido de duas delegacias da Polícia Civil, a 14ª e a Polinter. E numa outra vez fugiu também do Presídio Hélio Gomes.

Ou seja, não há lugar em que o prendam de que ele não fuja. Ele gerencia pontos importantes do tráfico em várias favelas cariocas e os seus carcereiros não resistem às suas propostas financeiras em troca da liberdade.

Mas é que agora ele estava preso não num presídio. Nem numa delegacia. Mas num quartel.

Foi posto na mesma cela em que estiveram presos meses atrás seis líderes do Comando Vermelho, entre eles o Fernandinho Beira-Mar.

Esta cela em que Sussuquinha estava solitariamente preso é a mesma que abrigou Beira-Mar, isto é, de segurança máxima.

Como numa mágica, ele serrou as grades da cela. Só que num quartel como este da Polícia de Choque não basta sair da cela, tem também de sair do quartel.

E entre a cela e o portão da frente do quartel há centenas de metros e inúmeros policiais a transpor.

Como é então que ele recebeu a serra para quebrar as grades? Como é então que ele sumiu como um milagre, não sendo avistado por nenhum dos soldados que estavam de plantão?

Tanto o secretário da Segurança, Anthony Garotinho, quanto o comandante-geral da PM não têm dúvidas: daquele quartel só pode fugir um preso com conivência dos seus carcereiros.

Em outras palavras, o traficante Sussuquinha é importante no comércio de drogas. Ele tem muito dinheiro. E compra sua liberdade a peso de muito dinheiro.

Desde a denúncia daquele tenente-coronel do 14º BPM carioca de que um secretário de Estado solicitou que ele aliviasse a pressão sobre os traficantes do Complexo da Mangueira, somada agora a esta fuga injustificável de Sussuquinha, robustecem-se os indícios de que o Rio de Janeiro tem parte considerável das suas forças policiais e de setores políticos importantes comprometidos com o tráfico de drogas.

Isso se dá pela montanha de dinheiro que rola no tráfico, capaz de seduzir até mesmo as entidades comunitárias, além dos mal pagos contigentes policiais, levando a todos de roldão.

Quando ainda mais se diminuem os direitos dos funcionários públicos e a reforma previdenciária já assegurou que eles vão ganhar na aposentadoria bem menos do que ganhavam na atividade, é certo que dentro de pouco não haverá mais carcereiros de confiança para guardar os presos.

Quando o carcereiro se miserabiliza e o criminoso lida com grandes montantes de dinheiro, tombam ainda mais as grades das prisões.

Eu não conheço nada mais ameaçador para a ordem social.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Jorge Furtado
31/05/2003


Medo de Aeroporto

Não gosto de viajar. Viajo a trabalho pelo menos duas vezes por mês há muitos anos e até gosto de estar em outros lugares. Não tenho medo de avião, tenho medo é de aeroporto. Viagens ficaram ainda mais desagradáveis depois do 11 de Setembro de 2001. Voltei do Rio poucos dias depois do atentado e tive uma tesourinha de unha apreendida como se fosse uma bomba de fragmentação, com direito a requerimento em três vias e olhares suspeitos de vários policiais.

Já recusei alguns convites de viagens graças aos relatos dos maus-tratos sofridos por muita gente em alfândegas americanas. No Brasil, a paranóia já diminuiu, agora só as facas são de plástico, parece que a Al Quaeda não tem treinamento para usar garfos em atentados, e eles voltaram a ser de metal.

Quase tudo que envolve uma viagem me irrita: arrumar malas, escolher roupas que certamente não vou usar e esquecer coisas fundamentais, chegar ao aeroporto cedo demais ou em cima da hora, filas no guichê, mudanças do portão de embarque, salas de espera, chamadas confusas para o embarque imediato dando prioridade aos passageiros acompanhados de crianças ou com dificuldade de locomoção que ninguém respeita.

Gente que embarca carregando malas, ursos ou berimbaus que evidentemente não cabem nos compartimentos superiores e deveriam ter sido despachados, recados sobre epidemias mortais ou sobre máscaras de oxigênio que cairão automaticamente sobre sua cabeça, avisos inaudíveis em várias línguas, informações sobre a temperatura externa ou a velocidade do avião, talheres de plástico, comida esquentada em microondas e embalada em folhas de alumínio que você não tem onde pôr.

Embalagens de manteiga que não abrem ou se rasgam, coca sem gás, vinho ruim, revistas de bordo (todas são péssimas), vizinhos de assento que aproveitam sua imobilidade para contar cirurgias, gente que se levanta mal o avião aterrissa para pegar suas bolsas antes que elas fujam, descer do avião e pegar um ônibus lotado até o terminal e rezar para sua mala aparecer no desfile da esteira rolante. Entre todas as frases brilhantes, preconceituosas e elitistas do Paulo Francis, minha preferida era sua definição de viagem: "Viajar é coisa de pobre". Moro em Porto Alegre e trabalho no Rio, fazer o quê?

Se viajar já era chato, ficou muito pior com a fusão da Varig e da TAM. As empresas estão operando juntas, mas, ao que parece, seus computadores se odeiam. Agora todos os vôos têm gente brigando por estar com o mesmo assento marcado, todos os vôos atrasam, e as chamadas para embarque viraram uma piada. Em Congonhas (São Paulo), as salas de embarque da TAM e da Varig são separadas, cada uma numa ponta do aeroporto.

Na semana passada, nossa filha de dois anos tinha uma passagem TAM enquanto eu e a Nora tínhamos passagem Varig, no mesmo avião. Fomos informados que ela não poderia embarcar conosco, teria que esperar sozinha, na sala da TAM. Felizmente a bagunça é completa e lá ninguém pede documentos no embarque. Troquei de passagem com um sujeito que, pensando bem, era muito parecido com o Bin Laden. Para completar, a chegada a Porto Alegre tem sempre um estresse adicional: ali ninguém respeita a fila do táxi. Os engravatados e as peruas são os piores, parecem achar que fila é uma instituição indigna, não combina com seus celulares minúsculos ou suas tinturas de cabelo. Furadores de fila são a mais baixa espécie de vida animal, deveriam ser banidos da vida em sociedade em prisões de segurança máxima.

jorge.furtado@zerohora.com.br

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Lya Luft
31/05/2003


Nós, os exóticos

Uma editora alemã me pede que traduza poemas de autores (alemães) sobre o Brasil.

Como sempre, eles falam da floresta amazônica, muito pouco real, aliás. Uma floresta poética, com "mulheres de corpos alvíssimos espreitando entre os troncos das árvores, e olhos de serpentes hirtas acariciando esses corpos como dedos amorosos". Não faltam também flores azuis, rios cristalinos e tigres mágicos.

Traduzo os poemas por dever de ofício, mas com uma secreta - e nunca realizada - vontade de inserir ali um grãozinho de realidade.

Nas minhas idas (nem tantas) ao Exterior, onde convivi sobretudo com escritores ou professores e estudantes universitários - portanto, gente razoavelmente culta -, fui invariavelmente surpreendida com a profunda ignorância com respeito de quem, como e o que somos.

- A senhora é brasileira? - comentaram espantados alunos de uma universidade americana famosa. - Mas a senhora é loira!

Depois de ler num congresso de escritores em Amsterdã um trecho de um de meus romances traduzido para o inglês, ouvi de um senhor elegante, dono de um antiquário famoso, que segurou comovido minhas duas mãos:

- Que maravilha! Nunca imaginei que no Brasil houvesse pessoas cultas!

Pior ainda, no Canadá certa vez alguém exclamou entre espantado e incrédulo:

- Escritora brasileira? Ué, mas no Brasil existem editoras?

A culminância foi a observação de uma crítica berlinense, num artigo sobre um romance meu editado por lá, acrescentando, a alguns elogios, a grave restrição: "Porém não parece livro brasileiro, pois não fala nem de plantas, nem de índios, nem de bichos".

Diante dos três poemas sobre o Brasil, esquisitos para qualquer brasileiro, pensei mais uma vez que esse desconhecimento atroz não se deve apenas à natural (ou inatural) alienação estrangeira quanto ao geograficamente fora de seus interesses, mas também é culpa nossa. Pois o que mais exportamos de nós é o exótico e o folclórico. Em uma feira do livro de Frankfurt, no espaço brasileiro, o que se via eram livros (não muito bem arrumados), muita caipirinha na mesa, e televisões mostrando Carnaval, futebol, praia e... mato.

E eu, mulher essencialmente urbana, escritora das geografias interiores de meus personagens neuróticos, me senti tão deslocada quanto um macaco em uma loja de cristais.

Mesmo que eu tentasse explicar, ninguém acreditaria que eu era tão brasileira quanto qualquer negra de origem africana vendendo acarajé nas ruas de Salvador. Porque o Brasil é tudo isso. E, chegando ao meu limite espacial desta coluna, deixo o segundo capítulo para outro dia...

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David Coimbra
31/05/2003




Era assim que Nicolinha olhava para você quando sua vida ainda era colorida, quando o sol ainda esquentava seus ombros, quando o mundo ainda sorria para você, quando, afinal, sua vida ainda valia alguma coisa, pobre de você
Foto(s): divulgação Warner Bros/ZH

Afaste-se de Nicolinha

Dia desses escrevi sobre Nicolinha. A Kidman. Aí teve um leitor que mandou um imeil: "Estou sem compromisso. Nicolinha está sem compromisso. Já pensou se nos encontramos?"

Claro que jamais pensei nisso, no encontro da Nicolinha com meu leitor, por que catzo pensaria uma coisa dessas? Mas posso dizer a ele que, para seu bem, seria ótimo que tal não acontecesse. Se acontecesse, acarretaria uma tragédia na vida do meu leitor. E nem precisaria ser exatamente a Nicolinha, mas qualquer mulher como ela. Pelo seguinte:

Imagine que você mesmo, amigo que ora me lê com tanta generosidade, acabe tendo um caso com uma Nicolinha. Aquela mulher inefáááável, como diria o Professor Ruy. De fato, você nunca viu mulher igual, nem de longe. Suas noites de amor são luxuriantes, você não caminha mais; flutua. Vocês está sempre com um meio sorriso imbecil a dançar em seus dentes. Sua vida é feliz, feliz, feliz.

Aí ela vai embora. Inevitável que ela vá embora - ou você acha que uma mulher como Nicolinha ficaria muito tempo com você? Por favor!

Então, ela se foi. Você não tem mais Nicolinha. Mas teve, esse o problema. Que mulher irá satisfazê-lo agora, depois que você teve Nicolinha? Você tinha a melhor! E ela se foi, como qualquer primavera se vai. As mulheres se sucedem, e você não acha graça em nenhuma. Você lembra daquelas noites, suspira, pensa no futuro e vê que lá não está Nicolinha. Lá, tudo é escuridão.

Você se transformou numa pessoa infeliz só porque, um dia, envolveu Nicolinha com seus braços e beijou o longo e alvo pescoço que sustenta aquela cabeça perfeita.

Tal qual o Grêmio, que só se satisfaz se estiver na Libertadores. Fora da Libertadores, fica macambúzio como se tivesse que fazer tratamento de canal. Melhor seria, talvez, se nunca tivesse disputado a Libertadores. Ficaria satisfeito com um reles Gauchão. A felicidade da ignorância, sim, senhor. Assim como é melhor para você, leitor, que nunca fique com Nicolinha. Nunca. Deixe-a para mim. Eu agüento esse sofrimento.

Um imeil estranho
Vivo recebendo imeils estranhos. Há um recorrente, sobre cartuchos de tinta reciclados. Embora não use a impressora tanto assim, até entendo esse imeil - os vendedores de cartuchos calculam que todos os donos de computadores os usem. Mas e os pisos de mármore, por que me mandam imeils a respeito de pisos de mármore? Um piso de mármore não combinaria com a decoração do meu apartamento. Definitivamente, não tenho interesse em pisos de mármore. E ontem veio um anúncio de venda de bebedouros. O que eu ia fazer com um bebedouro lá em casa? Estranho que me mandem esse troço.

Muito mais útil aquele outro que perguntava: "Problemas com baratas, formigas e moscas?". Interessei-me. Tenho problemas com umas formiguinhas bem pequenas que volta e meia aparecem lá na cozinha. Mato-as todas, promovo uma chacina, e elas voltam e voltam e voltam. Um inferno. Então, imagino que esse imeil guarde a solução para essa inquietante questão. Um dia leio todo o imeil e respondo para eles.

Mais curioso é o que me mandou experimentar porangaba super. Será que é bom? Será que é um suco? Uma vitamina? Vou provar, logo que descobrir o que é uma porangaba.

Agora, há dois tipos de imeil que não compreendo. Um é o que pede que eu faça algo para solucionar a crise do Grêmio. O que eu poderia fazer? O Christian não resolveu, como eu resolveria? O presidente Flávio Obino é um homem sobejamente inteligente, ele deve encontrar uma saída, e a saída talvez esteja até ao lado dele, talvez sempre tenha estado lá.

O outro tipo de imeil que não entendo mesmo é um que me mandam todos os dias: "Faça do seu pênis um PÊNIS". Assim, com maiúsculas. Trata-se de uma técnica de aumento do pênis. Todos os dias me mandam isso. Todos! Por que, hein? Por quê??

O melhor do Sant´Ana
Estou me deliciando com O Melhor de Mim. Quer dizer, de mim, não: do Sant´Ana. É o livro com 64 crônicas escolhidas dele. Lá está uma das melhores frases já escritas em Zero Hora. Essa:

"Ex-mulher é cargo de confiança; atual mulher é cargo de carreira".

Não é perfeita?

Mas esse não será o livro definitivo do Sant´Ana. O definitivo nós já combinamos. É o que vou escrever sobre a vida dele. Tudo sobre o Sant´Ana. Inclusive as histórias mais sórdidas, e sobretudo estas.

Aguarde.
david.coimbra@zerohora.com.br

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Sistema Prisional
Um abrigo para o crime



A BM encontra arsenal na Casa Pio Buck, em Porto Alegre, que acolhe detentos de regime aberto e semi-aberto (foto Ronaldo Bernardi/ZH)


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Sexta-feira, Maio 30, 2003




Esta é a capa da Revista Isto É deste fim de semana e as manchetes principais estão ai abaixo para você verificar. Caso queira ir adiantando sua leitura, é só acessar o site pelo link disponível.

Números comprovam que a violência e o crime organizado tomaram o País

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ECONOMIA E NEGÓCIOS

MAIS UMA TENTATIVA
Ricos discutem pobres na reunião dos países mais industrializados

AINDA NÃO FOI DESTA VEZ
Secretário dos EUA veio acelerar Alca, mas voltou de mãos vazias

CAÇA À MALANDRAGEM
Postos terão devassa se não repassarem baixas à gasolina

SOCIAL É PRIORIDADE
Presidente do BNDES diz que só financiará o que interessa ao País

MUNDO

JANELA RUSSA
Russos comemoram os 300 anos
de São Petersburgo relembrando os áureos tempos da cidade

Acesse já a reportagem
gráfica sobre as novas
drogas que fazem
milagres

MEIO AMBIENTE

AS ÁGUAS DA MORTE
Despejo de lixo tóxico do rio Tietê engrossa a lista de contaminações. Elas já afetam a vida de cinco milhões de brasileiros

TESTE

PET: qual bicho é ideal para você?

CÃES: que cachorro você é?

INTUIÇÃO: Você tem 6º sentido?

PERDÃO: os custos do ressentimento

Confira outros teste
BRASIL

TUCANOS DO B
Dissidentes pretendem criar novo partido de centro-esquerda

PT.COM.GAVETA
Governo Lula comanda operação-abafa e enterra CPIs

NO BANCO DOS RÉUS
Justiça acolhe denúncia contra ex-fiscais do Rio

Poucas pessoas conseguem parar de fumar. O que impede é a força do vício. ISTOÉ preparou uma calculadora para avaliar o seu grau de dependência

LIVROS

RIMA FRACA
Genro de Carlos Drummond acusa o poeta das sete faces de amor incestuoso pela filha

MEDICINA E BEM-ESTAR

AFINAL, SERVE PARA QUEM?
Pesquisa diz que reposição hormonal pode dobrar chances de Alzheimer em idosas

BELA, MAS COM CUIDADO
Composto usado contra acne pode trazer complicações

COMPORTAMENTO

DOENTES DE AMOR
Não são apenas as mulheres as vítimas do amor obsessivo.
Homens também fazem da vida um verdadeiro inferno

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Desejos
Afonso Romano de Sant' Ana


Disto eu gostaria:
ver a queda frutífera dos pinhões sobre o gramado
e não a queda do operário dos andaimes
e o sobe-e-desce de ditadores nos palácios.

Disto eu gostaria:
ouvir minha mulher contar:
-Vi naquela árvore um pica-pau em plena ação,
e não:-Os preços do mercado estão um horror!

Disto eu gostaria:
que a filha me narrasse:
-As formigas neste inverno estão dando tempo às flores,
e não:-Me assaltaram outra vez no ônibus do colégio.

Disto eu gostaria:
que os jornais trouxessem notícias das migrações
dos pássaros
que me falassem da constelação de Andrômeda
e da muralha de galáxias que, ansiosas, viajam
a 300 km por segundo ao nosso encontro.

Disto eu gostaria:
saber a floração de cada planta,
as mais silvestres sobretudo,
e não a cotação das bolsas
nem as glórias literárias.

Disto eu gostaria:
ser aquele pequeno inseto de olhos luminosos
que a mulher descobriu à noite no gramado
para quem o escuro é o melhor dos mundos.

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O Rio pela metade do preço
A partir de domingo, cariocas, moradores da cidade e vizinhos da Baixada vão poder fazer programas turísticos e culturais com desconto médio de 50%. É escolher uma das 48 atrações e aproveitar
Flávia Motta



A macaca Nica, da espécie africana Guenon-de-cauda-vermelha, é atração do Zôo

Pão de Açúcar, Jardim Zoológico, Corcovado. Que o Rio de Janeiro é repleto de atrações pra lá de interessantes, o mundo inteiro sabe. E que o carioca por preguiça ou comodidade é um dos que menos vão visitá-las, também. É para estimular o turismo interno que começa domingo a 5ª edição do Projeto Carioquinha. Durante todo o mês de junho 48 atrações, entre elas o Maracanã, o Trem do Corcovado e uma penca de museus oferecem descontos e até entradas gratuitas para quem nasceu, mora na cidade ou é de municípios vizinhos.



O passeio de jipe tem parada na Vista Chinesa. De R$ 89 por R$ 25

Muitos cariocas passam por pontos turísticos sem conhecer sua história ou jamais tê-los visitado. A idéia é criar uma oportunidade para que o carioca não adie mais aquele passeio que planeja fazer, mas sempre deixa para depois. É um projeto que levanta a auto-estima do carioca, diz Carlos Alberto Amorim Ferreira, presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagem do Rio de Janeiro.

E como no Rio a beleza natural está incluída no pacote turístico, escaladas, vôos de asa-delta, saltos de pára-quedas e até passeios de jipe entraram na promoção. Dono de uma agência de ecoturismo, Antônio Nápoles oferece desconto num passeio até a Pedra Bonita e aposta no sucesso do projeto. É um lugar onde os cariocas normalmente não vão até porque o acesso é difícil. Mas, como o ecoturismo está na moda, a turma está começando a se animar, empolga-se.

Prova da animação é a tesoureira Nélia Amaral, 41 anos. No Rio há 14 anos, a baiana fez uma lista de lugares que vai visitar. Quero ter coragem para pular de asa-delta. Vou aproveitar o desconto do cinema da Casa França-Brasil e também conhecer o Maracanã, enumera ela, que conheceu o Pão de Açúcar ano passado, durante o Carioquinha. Quem vier de Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Magé, Mangaratiba, Maricá, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Paracambi, Nova Iguaçu, Queimados, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica e Tanguá também tem direito à promoção.

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Sexta-feira, 30 de maio de 2003
Joelmir Beting


Pedalando sem rodas

Do alto de sua informalidade semântica, o presidente Lula diz que "este país" está montado em uma bicicleta ergométrica no canto do apartamento da estagnação econômica: a gente pedala, pedala e pedala e continua sempre no mesmo lugar.

Enquanto o IBGE revela que a economia brasileira realmente pedalou feio na bicicleta ergométrica do primeiro trimestre (com queda do produto por habitante), a pesquisa Dieese/Seade avisa que estamos a bordo da maior taxa de desemprego (20,6%) de todos os tempos. Ou desde a primeira sondagem mensal da série, nos idos do Muda Brasil de 1985.

O relatório do Dieese/Seade demonstra que desgraça pouca é bobagem. Ao lado da queda do emprego, tem-se em decorrência a queda do salário real no emprego formal e no trabalho informal (em maioria). Queda de 3,6% da remuneração periclitante da força de trabalho metropolitana. Os homens baixaram a média mensal para R$ 1.015 e as mulheres para R$ 661.

Culpa da "herança maldita" do governo FHC, suspira o ministro Guido Mantega, do Planejamento e do Orçamento (arrochado). Nada a ver com a elevação dos juros e dos impostos desde janeiro nem com a redução de 14,4% na oferta de crédito bancário no primeiro quadrimestre. De nada valeu o refresco da carestia nossa de cada dia, que trocou o aclive pelo declive entre o Natal e o carnaval da esperança nacional.

Economistas e empresários admitem, nesta altura do calendário, que 2003 já pode ser considerado um "ano perdido". Um desencanto coletivo para o discurso petista da retomada do crescimento econômico por cima e ao largo da ortodoxia monetarista que teima em paralisar a economia, endividar o governo e empobrecer a Nação.

Ortodoxia que nos vende o peixe podre de uma pajelança atravessada. Ela sustenta que os compulsórios e os juros permanecem no alto porque os riscos da inadimplência e de uma "farra de crédito" inflacionária ainda são de assustar Átila e Drácula.

Sim, para o BC, a febre é a causa da infecção. Ou seja: não são os juros extorsivos em prazos inexeqüíveis que provocam a inadimplência; é a inadimplência que justifica para as empresas juros anuais de 74% no capital de giro ou de 77% nas duplicatas. Ou para as famílias, de 209% no cheque especial, de 232% no cartão de crédito ou de 302% no empréstimo pessoal.

Eis o tamanho da bicicleta ergométrica pedalada hoje por 175 milhões de brasileiros. Dos quais, pelo menos dois terços ainda acreditando na promessa dos 10 milhões de novos empregos em quatro anos do governo Lula.

Eles votaram nisso.

SECOS & MOLHADOS

Anorexia 1 - O governo retira da oferta de crédito 68% dos depósitos bancários. Isso força o setor a ter de ganhar mais sobre menos e não, como no mundo todo, menos sobre mais. O governo lucra com isso, sem trabalho e sem risco: na surdina, ele embolsa 29% da taxa final camuflada de cunha fiscal.

Anorexia 2 - O governo vacila em amarrar medidas para a redução pactuada do "spread" dos bancos. Entre outras, a redução da cunha fiscal - mais vale tributar menos sobre mais do que mais sobre menos. Ou o fim da porosidade jurídica que patrocina o calote de caso pensado por sobre o cadáver de garantias bancárias de mentirinha.

Anorexia 3 - Afrouxar o garrote monetário, irmão siamês do garrote tributário, seria como devolver o peixe ainda vivo ao rio que passa. O Brasil não pode perpetuar a covardia de praticar os juros e os impostos mais criogênicos do mundo civilizado. Um dos dois deve estar errado: ou o Brasil ou o mundo.

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José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! Marta taxa CD do Supla!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E essa saiu na capa da UOL: ´Homem bonito produz esperma melhor´. Então o meu não vale porra nenhuma. Rarará. E diz que o Lula emagreceu sete quilos. Ou seja, não reduziu os juros, mas reduziu a pança! E uma amiga minha comprou o CD do Supla e quer saber se precisa pagar taxa pra mãe dele. Rarará. E o cúmulo da sinceridade é o nome daquele restaurante em Fortaleza: ´Falta de Opção´! Rarará!

E mais uma pérola antalógica da minha morenanta predileta Lucianta Gimenez. Agora é uma pérola por dia. Vai acabar virando uma ostra de tanta pérola. É que ela estava fazendo propaganda de xampu. ´Esse xampu tem um preço que é o MÁXIMO´. Então não compro! Pronto! Rarará. E o preço da gasolina? Como disse aquele consumidor de gasolina: eu não tenho posto, só levado. E um outro ainda me disse que a situação tá tão braba que ele não tem posto e nem levado! E eu já disse que o Brasil é um país tão católico que até a gasolina é batizada! Rarará!

E essa pesquisa: ´Brasileiro tem metade das relações que gostaria´. Mas como disse um amigo: ´Depende! Com a patroa eu gostaria de ter metade das relações que sou obrigado a ter´. E mais uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde: ´o mundo gastou cinco vezes mais com implante de seios e viagra que com a investigação do mal de Alzheimer´. Ou seja, daqui a 30 anos vamos ter idosos com peitos enormes e ereções extraordinárias, mas incapazes de lembrar o que fazer com essas duas coisas. A peituda encontra com o pintudo e vão jogar biriba! Rarará!

E continua a todo o vapor o Manual do Contra da Heloísa Helena. Diz que a Heloísa Helena tá louca pra ficar grávida. Só pra ter CONTRAções. E quando pega uma bula de remédio só lê as CONTRA-indicações. E a Heloísa Helena só é a favor na hora de receber o CONTRAcheque. Rarará.

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que a ministra das Minas e Energia disse que quer ´evitar a extração indevida de renda dos revendedores de combustíveis´. Tucanou o roubo na bomba! E cartaz na entrada de uma academia de ginástica em Florianópolis: ´Horário especial para a terceira juventude´. Tucanaram os véios de novo? Tá mais fácil acabar com a pneumonia asiática que com o tucanês!

Atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. ´Jurista´: companheiro que empresta dinheiro a juros. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! UFA!

Email simao@uol.com.br

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E Porto Alegre, ganha mais um Shopping, diferenciado com uma série de atrações como uma microcervejaria. É mais um ponto de encontro da população nos sábados e domingos, pois pelo menos são mais seguros.

Zero Hora, está recheado de cadernos especiais hoje, com Especial Indústrias, trazendo A Força da Zona Sul, Caderno sobre o Inverno na Serra, com uma série de indicações e fotografias, além do caderno normal de Gastronomia das sextas-feiras e do Segundo Caderno com a programação do fim de semana. Ótima sexta-feira a todos nós.

Comércio
Shopping Total abre hoje ao público com 450 lojas
Empreendimento está localizado na antiga fábrica da Brahma

Porto Alegre ganha hoje um novo shopping center. O horário de abertura do Shopping Total neste primeiro dia será mais cedo, às 9h30min, para visitação da comunidade do bairro. E, possivelmente, ocorrerá ao som da antiga sineta da fábrica da Brahma, que costumava acordar a vizinhança, diariamente, às 6h45min.

OTotal, construído no terreno da antiga fábrica da Brahma, no bairro Floresta, anuncia um perfil de shopping de descontos com a mesma estrutura de outros centros de compras.

- Não queremos competir com outros shoppings. Estamos entrando com uma idéia nova: a de um shopping para comprar - disse ontem o superintendente do empreendimento, Eduardo Oltramari.

Hoje será inaugurada a primeira fase do shopping, com 450 lojas. O investimento total da administradora PortoShop foi de R$ 45 milhões e deve gerar 2,5 mil empregos diretos. Ao longo do segundo semestre, serão inauguradas outras operações, como um supermercado Zaffari, uma biblioteca pública, cinco cinemas, uma megastore da Reebok e uma filial do centro de diversões Playcenter. Além disso, os túneis que cortam o terreno, construídos sob a antiga fábrica para ligar a casa do mestre cervejeiro ao setor produtivo, serão utilizados pela vinícola Aurora para uma adega de vinhos aberta ao público. Em agosto, será inaugurada a microcervejaria Brauhaus, da Alemanha.

Oltramari explica que o conceito de um shopping de descontos diferenciado - com um mix de produtos mais diversificado e maior ênfase em moda feminina - é conseqüência de quatro pesquisas de mercado. Com base nesses estudos, a PortoShop espera um fluxo de 600 mil pessoas por mês.

- O excelente padrão de infra-estrutura vai surpreender a muitos - avisa o superintendente.

Ao contrário de outros shoppings, o lojista do Total paga apenas um aluguel mensal, explica Oltramari, sem taxas extras para divulgação ou participações sobre as vendas. Cerca de 30% das operações são de empresas de fora do Estado - apesar de ter sido dada a preferência para lojistas gaúchos, diz o superintendente. Ontem à noite, a PortoShop e lojistas promoveram uma festa de inauguração para cerca de 4 mil pessoas.

O centro de compras

O Total abre hoje com 450 lojas e 63 mil metros quadrados de área construída. São 1.374 vagas no estacionamento, que será gratuito nos primeiros meses de funcionamento - depois, o shopping deverá cobrar uma taxa.

Opções culturais, como a instalação de uma biblioteca, uma microcervejaria e uma área de diversões para crianças, além de cinemas, serão inauguradas ao longo do segundo semestre.

O horário do Total será o mesmo de outros shoppings, das 10h às 22h - a abertura excepcionalmente hoje será às 9h30min. Aos domingos, o centro de compras funcionará das 14h às 20h.

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David Coimbra
30/05/2003


O Professor Juninho quer casar

Chega um momento na vida em que um homem precisa dizer:

- Basta!

Foi o que o Professor Juninho disse, ao acordar ao lado de mais uma loira linda e nua. Sua vida se resumia a isso, nos últimos anos: a noites de sexo enlouquecedor com mulheres belíssimas de quem ele mal sabia o nome. Não agüentava mais.

- Basta! - gritou mais uma vez o Professor Juninho, enxotando a loira da sua cama, atirando-lhe nos seios rijos a minissaia minúscula e as botas de cano alto. Ela se foi, deixando no quarto apenas o rastro de perfume e a lembrança dos desvarios que cometeram durante a madrugada. Naquele instante, Juninho tomou a resolução:

- Quero casar.

Foi quando começaram os seus problemas. Porque as mulheres não querem saber de compromisso com o Juninho. Aproximam-se dele, levam-no para cama, fazem TUDO com ele, e depois partem. Elas não acreditam mais que ele pense em algo honesto e maduro e adulto. Não acreditam nas suas boas intenções. Então, os relacionamentos do Juninho são sempre superficiais. Sexo, prazeres, loucuras. Nada mais.

Dia desses, o Professor Juninho estava com uma morena espetacular. Sabe essas morenas espetaculares? Pois é, ele estava com uma. Ela o içou para o terraço do triplex onde mora. Começou a agarrá-lo. A boliná-lo. Abatido, desencantado, Juninho permitiu que ela fizesse o que queria. Ao mesmo tempo, olhou para baixo e viu que no salão acontecia uma festa familiar. Aniversário de criança, decerto. Meninos e meninas corriam, ruidosos, entre as mesas. Os casais conversavam pachorrentos diante de empadinhas e guaranás diets. Juninho suspirou, enquanto a morena desabotoava o sutiã e seus seios, blop!, blop!, saltavam agressivos para o exterior, causando deslocamento de ar. Juninho desviou os olhos daqueles seios empinados e arfantes. Voltou a olhar para o salão de festas. Ele queria estar lá embaixo, queria ser um daqueles maridos, um daqueles pais. Queria uma vida caseira, uma vida decente. Uma vida familiar. Isso: queria uma família! Nada de sexo casual! Nada de perder a sanidade de tanto prazer! Nada de mulheres alucinantes!

Juninho queria uma esposa.

Mas as mulheres não querem casar com o Juninho. As mulheres não o levam a sério. Elas só querem que ele as use, depois as jogue fora. O Professor Juninho, agora, anda desolado pela noite, em busca de uma mulher de verdade, uma mulher que não seja descartável. Faz meses que arrasta sua solidão pelos bares, pelas boates, pelas esquinas escuras da cidade. Pobre homem. Será que, um dia, haverá uma mulher que aceite casar com o Professor Juninho?
david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
30/05/2003


Grêmio em ruínas

Não sei o que seria pior, se perder nos pênaltis ou levar uma punhalada aos 90 minutos. Mas toda a partida indicava a lógica fatalista sobre a derrota do Grêmio: Danrlei sofria o segundo frango em duas partidas, o Independiente tinha um gol anulado absolutamente legítimo e, se o juiz estava a favor do Grêmio, corria-se o risco de que o destino poderia postar-se contra.

Outra falha de Danrlei no segundo gol. O jogador que se constituíra numa lenda gremista dos últimos anos falhava rotundamente na importante decisão.

Vivemos um clima de desastre: mal colocado no Brasileirão, desclassificado no Gauchão, fora da Libertadores e mergulhado numa crise financeira que imita a Argentina.

O Grêmio, tão glorioso dos últimos anos, padece agora de uma aflição indescritível. Nunca se perderam tantos campeonatos em dois anos seguidos como haveria a derrota de ontem culminar. É preciso ter muita coragem e muito ânimo para resistir, desde a torcida até a direção.

O empate no Olímpico e a derrota de ontem nada mais foram do que a comprovação da ruindade gremista dos últimos tempos. O Grêmio foi goleado várias vezes, até mesmo dentro do seu próprio estádio, revelando-se sempre uma fragilidade incompatível com a fortuna que gasta para manter este plantel milionário.

Toda esta fortuna foi desperdiçada por um vazio na liderança técnica, incrivelmente ignorado pela direção, tolerado e protegido pela crônica esportiva.

Cabe a nós, gremistas, reerguermos o Grêmio destas ruínas.

Na região metropolitana de São Paulo, uma em cada cinco pessoas da população economicamente ativa está desempregada. A taxa de desemprego é de 20,6%.

Isso quer dizer que só em torno da capital paulista há cerca de 2 milhões de desempregados.

Ontem também foi divulgado que o índice de desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre passa dos 16%. Em outras palavras, para cada seis pessoas, uma está desempregada em nosso meio.

Mais preocupante no entanto é que esta taxa de desemprego vem subindo mês a mês, de março para cá. Ou seja, o aperto que o governo dá na inflação faz subir o número de desempregados.

É o típico caso do cobertor curto. Levanta os juros para conter a inflação, o cobertor tapa o rosto, mas destapa os pés pelo desemprego.

Certamente Lula e o seu Banco Central temem, caso reduzam os juros, que a atividade econômica cresça mas traga junto consigo o veneno mortal da inflação.

Ninguém consegue me dizer nem eu sei aferir o que é pior: se a inflação ou se o desemprego.

No caso da inflação, ela ficou tão mais perversa no Brasil porque um estratagema incrível passou a acompanhá-la desde o governo Fernando Henrique: os salários dos trabalhadores e os vencimentos dos funcionários não são reajustados pela inflação real. No tempo do Sarney, com inflação de mais de 70% ao mês, os salários eram reajustados.

Agora não o são. Então parece que a inflação é um mal mais terrível do que o desemprego, eis que atinge indistintamente a todos, até mesmo aos que estão em atividade.

Deve ser por isso que Lula fez a escolha de Sofia: optou pelo desemprego para estancar a inflação.

Desculpem a comparação, mas a situação do governo de Lula ficou igual à do Grêmio. Com a derrota, o Grêmio mergulhou numa crise pré-falimentar, tanto política, quanto esportiva, mas principalmente econômica.

No caso de Lula, o agradável apoio que recebe nas pesquisas que atestam a confiança que os brasileiros continuam depositando nele se explica também pelo que pode ocorrer no Brasil caso Lula fracasse.

Depois de sua eleição quase plebiscitária, se Lula falhar, os brasileiros não terão mais a quem apelar e nós viraremos uma Argentina, onde a desilusão com os políticos levou à quebra do país e à desordem.

Por isso não há quem não torça pelo Lula. Torcer contra ele significa a própria ruína do secador.

Os próximos meses serão tão importantes e decisivos para o governo de Lula quanto o jogo de ontem o era para o Grêmio.

Ainda bem que em política tudo não se decide numa só noite, como no futebol. Aqui no Brasil vem se decidindo há muitos anos. Espera-se que Lula ponha cobro a essa dramática tendência.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Futebol
Tristeza em Medellín



A imagem do técnico Tite no Estádio Atanásio Girardot resumiu toda a dor gremista. O time está fora da Libertadores, apesar da sua bravura em Medellín. O gol do Independiente aos 45 minutos do segundo tempo, decretando a derrota de 2 a 1 do time gaúcho, foi um castigo exagerado. O sonho do tri desmoronava naquele instante e fazia o Grêmio mergulhar em um período de incertezas ¿ provavelmente sem seu treinador e guru (foto Paulo Franken/ZH)


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Quinta-feira, Maio 29, 2003




Como continua frio por aqui, não há como estender-se, embora fosse o meu desejo, pelo menos por mais algum tempo. Assim concluo mais este dia com essa poesia ai do Charles Chaplin. Para você a quem adicionei hoje na minha lista de emails, é o meu último pensamento. Até...

Ei, você!!!

Sorria...
Mas não se esconda atrás desse sorriso...
Mostre aquilo que você é, sem medo...
Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu...
Viva! Tente!
A vida não passa de uma tentativa.

Ei, você!!!
Ame acima de tudo... ame a tudo e a todos...
Não feche os olhos para a sujeira do mundo... Não ignore a fome!
Procure o que há de bom em tudo e em todos.
Não faça dos defeitos uma distância, e sim, uma aproximação...
Aceite a vida, as pessoas... Faça delas a sua razão de viver...
Entenda!
Entenda as pessoas que pensam diferente de você (Não as reprove).

Ei, você!!!
Olhe...
Olhe a sua volta quantos amigos...
Você já tornou alguém feliz hoje, ou fez alguém sofrer com seu egoísmo?

Ei, você!!!
Não corra...
Para que tanta pressa?
Corra apenas para dentro de você...

Ei você!!!
Sonhe...
Mas não prejudique ninguém e não transforme se sonho em fuga.
Acredite !
Espere !
Sempre haverá uma saída... sempre brilhará uma estrela.
Chore, lute !!!
Faça aquilo que gosta, sinta o que há dentro de você.

Ei você!!!
Ouça...
Escute o que as outras pessoas têm a dizer... É importante !!!
Suba... Faça dos obstáculos, degraus para aquilo que você acha supremo...
Mas não esqueça daqueles que não conseguem subir a escada da vida.

Ei, você!!!
Descubra...
Descubra aquilo que há de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente... Eu também vou tentar.

Ei, você!!!
Não vá embora.
Eu preciso dizer-lhe que...
Te adoro, simplesmente porque você existe!!!

Charles Chaplin

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M U L H E R

E nos fazendo melhores,
São melhores a cada dia,
E reconhecendo a melhoria, espantando as dores,
Cultivam as flores do nosso imenso jardim da vida,
Produzindo, amando, respeitando, fazendo,
Criando, iniciando, terminando... melhorando...

Mulher, quem te conhece?
E que quando te vê não te esquece?
E que tua ausência padece?
E que por ti roga preces?
E que adora dormir-te, quando o sol desce?
E acordar-te, quando a noite perece?

Mulher, aqui está teu homem,
Rendido aos teus encantos,
Encolhido pelos cantos, a te observar andar,
Comer, pensar, rir, falar,
E que a cada dia que passa,
Aumenta-te amar, te respeitar, te sonhar...

Deus deu-te a capacidade de procriar,
E a imensa capacidade de amar,
Todos os teus filhos,
Pois também nós somos teus, filhos-homem
Porque antes de mãe, tu és mulher,

Mulher, quem te conhece?
Quem te atinge, e te aquece?
Quem, ao se chegar, te enternece?
Quem, ao te julgar, te entristece?

Um ser humano que dá vida,
Por isso, atrevida,
Que nos convida a refletir,
E a admitir,
Que está certa em nos pedir,
Amor...

E que não há dor mais doída,
Do que a dor da partida,
Seja ela qual for...

Quem és tu, que nos aguarda,
Sorrindo, na porta de entrada,
Do nosso lar?

E que nos beija, acaricia
Nos deseja,
Cujo trabalho é procurar nossas vontades,
Amenidades, capacidades,
Esconder nossas idades, estimular nossas vaidades,
Povoar nossas cidades, nos falar sinceridades,
Nos fazer melhores, por necessidade?

E arrebatas quando quer,
Nossos fracos corações, nossas grandes emoções,
Pra no final nos brindar, uma vez mais,
Com ninfetas e varões,
Que seguirão, como sempre,
Curtindo teu próprio destino...

Nessa nossa vida de querer, tem preço a paz de poder,
Simplesmente te ver,
A sorrir o tempo todo,
No desatino de viver e sobreviver?
E que nos enchendo a vida de paixão,
De atalhos à razão,
De amor no coração,
Aumenta cada vez mais a estrada a seguir,
No objetivo de te conquistar...

Mulher, quem te conhece?
Não te conheço, mas preciso te amar...
Pra me realizar...

LUIZ FERNANDO SILVEIRA

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Amar verbo instransitivo

Se os olhares se cruzarem e neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta:
pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.

Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa ...

Se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Deus te mandou um presente divino - o amor.

Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo
e em troca receber um abraço, um sorriso,
um afago nos cabelos e os gestos valerem
mais que mil palavras, entregue-se:
vocês foram feitos um para o outro ...

Se você conseguir, em pensamento,
sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado ...

Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a
outra pessoa sofrer o seu sofrimento,
chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura,
que coisa maravilhosa:
você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida ...

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo estando ela de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados ...

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite ...

Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma,
um futuro sem a pessoa ao seu lado ...
É o amor que chegou na sua vida.
É uma dádiva.

Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e,
mesmo assim tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela ...

Se você preferir morrer, antes de ver a outra partindo ...
É o amor que chegou na sua vida !

Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia
o deixem cego para a melhor coisa da vida:
muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida,
mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.
Ou, às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais,
deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

Preste atenção nos sinais e não deixe que as loucuras do dia-a-dia
o deixem cego para a melhor coisa da vida:
O amor!...

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De volta à Esquina
Milton Nascimento estréia show do disco Pietá, com participação de Maria Rita Mariano
Clarissa Monteagudo

Maria Rita (à frente), Marina Machado, Simone Guimarães e Milton: os quatro no palco do Canecão amanhã

A broa de milho denuncia, mas nem seria preciso flagrar o quitute em versão diet agora, por causa da diabetes em cima do forno para sentir o clima mineiro. Em sua casa no Itanhangá, na Barra da Tijuca, entre montanhas como em Belo Horizonte, mas com vista para o mar e a Lagoa de Marapendi, Milton Nascimento criou uma espécie de sede carioca para o seu quarto Clube da Esquina. É como gosta de chamar o disco Pietá, lançado em dezembro, cujo show estréia amanhã, no Canecão.

Ao seu lado no palco, as cantoras Maria Rita Mariano, filha de Elis Regina, Marina Machado e Simone Guimarães. Elas também dividiram os vocais com Milton em Pietá, álbum que o compositor dedicou às mulheres que marcaram sua vida. O amor entre as pessoas é o que caracteriza o Clube da Esquina. Chamo de quarto CD porque o terceiro já foi lançado, Angelus (álbum de 1993, com participação de Peter Gabriel e James Taylor). Com tantos anos na estrada, vejo uma equipe sem brigas e vaidades. É tudo tão novo que me sinto uma criança redescobrindo a música. Parece que é a primeira vez que subo ao palco, radicaliza Milton.

O estado de espírito leve, ele põe na conta das companhias. Não saberia dizer o que vai acontecer no show. Toda hora aparece uma idéia. O melhor da gente, graças a Deus, não acaba. Dou liberdade para o pessoal criar, a banda faz arranjos, mas a última palavra é minha. É isso que esperam de mim, frisa Milton.

Foi justamente atrás dessa opinião sincera que sua mais nova parceira, Maria Rita Mariano procurou o amigo da família. Em 2000, ela entregou a Milton um CD e pediu a opinião dele sobre sua voz. Aprovadíssima, ainda demorou um tempo para pegar a estrada. Para mim, pesou ser a única filha da maior cantora que o Brasil já teve e que jamais verá de novo, explica Maria Rita. No começo foi difícil, Maria Rita é muito menina, é difícil a comparação com a mãe. Mas está se soltando. Ela não vai viver à sombra da Elis, profetiza Milton, que foi lançado por Elis Regina.

Acumulando as funções de diretor geral, diretor musical (com Tom Capone) e arranjador, Milton procura manter a serenidade diante dos problemas. O último foi a saúde de Simone Guimarães, que se recupera de uma pneumonia. Para relaxar, ele se mete embaixo d água. Milton ganhou uma medalha sábado, numa prova de natação em Barra de Guaratiba. Nadei mil metros no mar. Tinha um trajeto mais curto, mas não quis saber. A professora depois disse que eu estava maluco, diverte-se o mineiroca, como se define. Não sairei do Rio nunca, avisa. Amém.

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Joelmir Beting
Quinta-feira, 29 de maio de 2003



Remédio ou veneno?

Quem ganha com o arrocho monetário, feito de crédito curto e caro? O capital volátil externo e o capital ocioso interno. Quem perde com o mesmo arrocho monetário? O capital produtivo ao longo de sua vasta correia de transmissão - investimento, inovação, ampliação, projeto, produção, serviço, emprego, salário, encargo, tributo, confiança, dignidade e futuro.

O governo Lula lava as mãos feito Pilatos e suspira fundo: não dá para interromper a terapia dolorosa em plena reversão do processo inflacionário.

Que terapia? A panacéia importada da Universidade de Chicago há cinco décadas: segurar e reverter a inflação a golpes calibrados de recessão. Uma recessão fabricada pela caneta da autoridade monetária: encurta-se o crédito e eleva-se o juro para produção, giro e consumo.

Lógica dessa pajelança anoréxica: a) sem crédito adequado, os mercados de bens e serviços resvalam para o encalhe; b) no encalhe, os preços param de subir e passam até mesmo a cair. Em tempo: na Argentina, em 2002, o PIB despencou para -10,8% e o IPC disparou para +34,2%. Aqui no Brasil, em 2000, Fraga & Malan afrouxaram o arrocho monetário e o PIB cresceu de 0,7% para 4,4% e o IPCA baixou de 9% para 6%.

O problema é que a monetarice de base acadêmica nutre total desprezo por forças estabilizadoras que ganharam enorme potência nos últimos dez anos em meio mundo: choques encavalados de competição casados com choques cumulativos de modernização. Sim, como nunca antes na biografia do capitalismo opulento, concorrencial e modernoso.

A modernização das empresas e a competição nos mercados, tocadas por engenheiros, executivos, consultores, marqueteiros, fornecedores, distribuidores e consumidores (estes, cada vez mais informados, seletivos e infiéis) cometeram a façanha de enjaular até mesmo a inflação de demanda em mercados aquecidos.

Sem mistério. A modernização localiza custos, identifica custos, classifica custos, rebaixa e/ou remove custos. A competição promove o compartilhamento desses ganhos líquidos entre os elos da cadeia produtiva. Incluído o consumidor anônimo ou o cliente corporativo.

Na estabilização atribulada de 1994/2003, o Plano Real entrou com a desindexação e os mercados da economia real contribuíram com a primeira colheita dos choques de competição e modernização - para um modelo até então cepalista de protecionismo enrustido, fiador de uma economia acomodada de baixa eficiência, geradora de empregos ruins com salários péssimos. Ainda hoje.

SECOS & MOLHADOS

Quem faz - A verdade é que a competição e a modernização, escoltadas pela desindexação e pela informação (de mercado), tem feito mais pelo controle da inflação do que a neutralidade fiscal e a austeridade monetária. Esta, até por overdose, um veneno puro fantasiado de remédio duro.

No desvio - Sim, está na hora de interromper ao meio uma terapia equivocada que paralisa o setor privado, endivida o setor público e empobrece a Nação. De resto, caso único no mundo. O crédito bancário ao setor produtivo está abaixo de 24% do PIB. Lá fora, essa oferta oscila de 70% a 130% do PIB. Sem inflação.

Deflação - Nos Estados Unidos, na União Européia e no Japão os juros de base e de ponta são os mais baixos em meio século. Na base, taxas reais negativas? A inflação explodiu por causa disso? Virou deflação. Só falta avisar a Selic.

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José Simão
simao@uol.com.br


Socorro! Bota uma burga no Bush!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Adeus Polenta! Adeus Bandejão! O Lula tá de dieta. É que ele tava com uma silhueta muito corPOLENTA! Pança Zero: você prefere o Lula com brócolis ou Lula com polenta? E eu sei o que o Lula pode fazer pra acabar com o desemprego: demite o cara que calcula o desemprego. E desempregado tem que se consolar com a hiena: que transa uma vez por ano, só come carniça e ainda dá risada!

E avisa pro Lula que justiça social é o sutiã: oprime os grandes, levanta os caídos e protege os pequenos. Assim como o maior goleiro do mundo é a cueca: segura duas bolas e um atacante.

Socorro! O Bush sancionou uma lei que prevê investimentos de US$ 15 bi pra luta internacional contra a Aids. Essa é a parte boa. A parte podre é que os fundos federais devem ser destinados a organizações religiosas que promovem a abstinência sexual como forma de prevenir a Aids. É a Trepada Zero! Justiça com as próprias mãos! E o cara que obedecer a lei ganha uma 'Playboy' e um vale-bronha? Eu sabia que o Bush ia acabar se convertendo ao fundamentalismo islâmico. Bota uma burga no Bush! Se não tiver burga, pega um saco de lixo de cem litros e enfia na cabeça dele!

Esse cara tem que voltar a beber! O cara põe no fiofó do mundo todo e agora quer abstinência sexual? Abstinência intelectual ele já pratica. E eu já disse que o Bush vai transformar a virgindade em lei federal. Saudades do Pinton e da Monica Lewinsky! Precisa-se urgente de uma voluntária pra fazer uma chupeta no Bush! CHUPETA HUMANITÁRIA!

Manual da Contra da Heloísa Helena. Diz que se ela fosse técnico de futebol, o time só ia jogar no CONTRA-ataque. E sabe pra que a Heloísa Helena usa calculadora? Pra botar as CONTRAS em dia. Rarará. E diz que a grande vantagem do presidente da Argentina ser vesgo é que ele pode assistir partida de tênis sem ter que ficar virando o pescoço!

A penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que o ministro Graziano disse que o governo vai promover farta distribuição de 'aporte básico de alimentos'. Tucanou a cesta básica. Tucanaram o PT! E em Brasília tem uma faixa escrito 'Feira de Importados a 500 metros'. Tucanaram a muamba! Tucanaram a feira do Paraguai. Socorro! Chama o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês.

Atenção. Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Expansão': o Lula depois da dieta, ex-panção. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. UFA!

Email simao@uol.com.br

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Lurdete Ertel
29/05/2003


Os elefantes também tombam

Os tempos econômicos, decididamente, já não são mais os mesmos. É o que devem estar se dando conta os chefes de Estado e de governo dos países mais ricos do mundo (o G8), que voltarão a se reunir a partir de domingo em Evian (sudeste da França).

Em outros carnavais, o time de líderes das nações afortunadas se recostaria nas confortáveis cadeiras do luxuoso centro de convenções a fim de debater anticonvulsivos para a dívida dos países pobres, ou receitas para a anemia financeira de economias emergentes - como a Indonésia ou o Brasil.

Nesta rodada, ironicamente, os emergentes vão relativamente bem, obrigado. E o foco do G8 será o furúnculo no próprio umbigo: outrora imunizados das epidemias econômicas pelo vigor de suas finanças, os mais ricos não terão como ignorar a estagnação da economia mundial, puxada pelos maiores titãs da praça. Leia-se, EUA, Japão e Alemanha.

Derrocada do dólar, recessão alemã, ameaça da deflação norte-americana e assombrosos rombos de orçamento rondarão as climatizadas salas de Evian com mais intensidade que os manifestantes. Com a diferença de que os primeiros não poderão ser afastados ou dissipados pelo rigoroso esquema de segurança que costuma cercar as reuniões do G8.

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Paulo Sant'ana
29/05/2003


Lula mudou?

O Lula assumiu o governo com o apoio geral da nação brasileira. Não houve nem há no Brasil alguém torcendo contra o Lula.

Até pela singela razão de que secar o Lula é secar a si próprio nesta quadra dramática que o país vive.

Só que decorreram até agora 146 dias do governo Lula, de um total de 1.460 dias de mandato. E neste décimo de governo decorrido não se moveu uma palha para a criação de empregos.

Ainda esta semana foi mostrada uma fila de 6 mil pessoas em torno do Mercado Público de Porto Alegre, inscrevendo-se para 151 moradias que estão sendo designadas no Centro, uma iniciativa de parceria entre a Caixa Econômica Federal e a prefeitura da Capital.

Ou seja, já era tempo de o governo Lula, por exemplo, lançar um grande plano habitacional no país, matando dois coelhos com uma cajadada: dando moradia a quem não tem casa própria e incentivando a criação de empregos na fértil indústria da construção civil.

O mínimo que se pode esperar do governo Lula é que ele cumpra a promessa de criar 10 milhões de empregos.

Se ele não criar, essa impaciência com a apatia do seu governo, que começou a aparecer esta semana nos jornais, tende a crescer e pode assumir o mesmo repúdio popular que canibalizou nas urnas Fernando Henrique Cardoso, sacrificando o seu candidato, José Serra.

É verdade que estamos ainda nos albores do novo governo, mas uma reforma previdenciária que visa a taxar inativos, diminuir os direitos da maior parte dos funcionários públicos, mantendo por outro lado intocáveis grandes vencimentos, ao lado de uma reforma tributária que até agora só teve o condão de aumentar os impostos, é muito pouco para um governo cercado de tantas esperanças.

Em contrapartida, aumenta o desemprego no Brasil. E os serviços de saúde cada vez mais se tornam precários diante da demanda de atendimento nos postos e nos hospitais.

Se o governo de Lula vier a atacar o desemprego, máxima ânsia dos brasileiros, se vier a ampliar urgentemente os serviços de saúde, terá já cumprido com seu dever.

Mas até agora não se vê nenhum sinal no horizonte de que o governo esteja preocupado objetivamente com esses dois problemas, nada foi feito e não há vestígios de que estejam sendo engendrados planos para debelá-los.

Por um lado, Lula disse aos jornalistas anteontem: "Eu não mudei, a vida é que muda" . Por outro, lançou uma metáfora em que confessa que mudou: "Quando você se casa, tudo depende da esposa. Se ela não gosta dos seus amigos, por mais que você não queira, acaba deixando deles".

A única interpretação para essa declaração é de que Lula se casou com o poder e este exige que ele se afaste de alguns dos seus companheiros.

E a palavra de Lula para os que discordam, no PT, do governo do PT foi muito dura: "Nós temos uma lógica. Num partido político, ou você concorda com suas diretrizes emanadas ou você se afasta. O PT é assim e vai continuar sendo assim, para o bem do PT. As pessoas têm liberdade para entrar no partido e liberdade para sair. É como ficar falando mal da própria mulher. Casou, tem que sustentar. Mas ninguém precisa esperar ser expulso, pode sair antes".

Como confessou que está por trás do rigor com que o PT está tratando os dissidentes, há visivelmente um autoritarismo nas palavras de Lula, oferecendo a porta da rua aos que discordam dele e do governo dentro do PT.

Nesse particular, fica provado que Lula mudou. Antes de ser eleito era mais doce, mais indulgente, mais compreensivo com as discordâncias internas.

Mas não se acredita que, mesmo que o PMDB tenha mudado, mesmo que possa o PT ter mudado, a oposição também, que Lula tenha mudado tanto a ponto de até agora não ter tomado sequer uma medida para diminuir o desemprego, criando assim até uma certa náusea entre ilustres esquerdistas.

Porque é bem viva na memória de todos os brasileiros que na campanha eleitoral Lula disse com veemência que, se eleito, seu governo tinha de criar 10 milhões de empregos.

Se não criar perto desse número de colocações, então estará comprovado que Lula mudou, sim.

Aí se concederá o direito à opinião pública de mudar também nesse apoio irrestrito que ela vem dando ao Lula.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Nesta quinta-feira, obrigado meu Deus, pela sol brilhante pela temperatura amena, pelo meu trabalho , meus colegas do Inglês e do Banco e por todos os leitores deste Blog. Cuide bem deles, por favor.

Nilson Souza
29/05/2003


Querido Deus

Solicitadas a escrever cartas para Deus, crianças britânicas entre seis e nove anos fizeram pedidos tão especiais e manifestaram tanta criatividade nos seus pensamentos e desejos que o assunto rendeu um livro. Recebi outro dia o livrinho de um amigo e me diverti muito com as ingênuas colocações.

Ingênuas mas profundas, como a da menina que perguntou:

- Querido Deus. Em vez de deixar as pessoas morrerem e ter que fazer outras novas, por que você não mantém aquelas que você tem agora?

Certamente o Criador teria dificuldade para responder, mas poderia contar com a solidariedade de outra menina que simplesmente observou:

- Querido Deus. Eu aposto que é muito difícil para você amar a todas as pessoas no mundo. Na nossa família tem só quatro pessoas e eu nunca consigo...

Há, porém, os que desconfiam da natureza divina do destinatário. Uma garotinha, sem muito preâmbulo, questionou:

- Como você sabe que você é Deus?

Outra, mais cuidadosa, apenas duvidou dos poderes a ele atribuídos:

- Querido Deus. Você é mesmo invisível ou é apenas um truque?

As dúvidas das crianças também se estendem a situações mais práticas. Um dos meninos consultados aproveitou a oportunidade para indagar:

- Querido Deus. Eu fui a um casamento e eles se beijaram dentro da igreja. Tem algum problema com isso?

Outros não têm dúvida alguma sobre a existência de um ser supremo e até demonstram certa intimidade com ele. Como o menino que escreveu:

- Querido Deus. Se você olhar para mim na igreja domingo, eu vou te mostrar meus sapatos novos.

Porém, mesmo quem acredita, sem duvidar, pode ter reclamações a fazer. Ainda que seja uma queixa bem-educada como a do garotinho que registrou na sua mensagem:

- Querido Deus. Obrigado pelo meu irmãozinho, mas eu rezei para ganhar um cachorrinho.

Estas são algumas das cartas compiladas por Stuart Hample e Eric Marshall, no livro Children's Letters to God. O livro é antigo, tem mais de 10 anos. Os autores destas pérolas certamente já cresceram, mas a graça de suas confidências é imortal e se renova cada vez que uma criança se posiciona diante da vida. Pelo que só nos cabe dizer:

- Querido Deus. Obrigado pelas crianças.
nilson.souza@zerohora.com.br

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Futebol
A Batalha de Medellín



Brincadeiras como a de Danrlei, que pediu emprestada a metralhadora de um militar durante o treino, descontraem o clima de decisão que o time gaúcho enfrenta a partir das 21h40min de hoje. O Grêmio tem pela frente o surpreendente, entusiasmado e jovem time do Independiente, obstáculo difícil no caminho às semifinais da Libertadores da América (foto Paulo Franken/ZH)


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Quarta-feira, Maio 28, 2003




Conforme voces podem verificar ai na página, a temperatura está ao redor de 12,14 graus. Assim somente com ar condicionado ligadinho no quente ou permanecer debaixo de cobertores torna possível permanecer com os pés e as mãos quentes, senão fica tudo geladinho e aí não há organismo que resista. Para que a noite não avance tanto e eu não perca de vista os meus temas de ingles, paro hoje por aqui. Deixo-os com os anjinhos e essa poesia da Cecilia. Até..

CANÇÃO DE ALTA NOITE

Cecília Meireles


Alta noite, lua quieta,

muros frios, praia rasa.

Andar, andar, que um poeta

não necessita de casa.


Acaba-se a última porta.

O resto é o chão do abandono.

Um poeta, na noite morta,

não necessita de sono.


Andar... Perder o seu passo

na noite, também perdida.

Um poeta, à mercê do espaço,

nem necessita de vida.


Andar... enquanto consente

Deus que seja a noite andada.


Porque o poeta, indiferente,

anda por andar somente.

Não necessita de nada.

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Lucidez

Milhões e milhões de livros de auto-ajuda são vendidos por ano. Freqüentam todas as listas de best seller do mundo. Já vi livro de Paulo Coelho, um recordista, nas mãos do presidente Clinton, na Casa Branca, assim como uma senhora lendo O Alquimista, do Coelho em alemão, numa pequena estação de trens na Suíça. Fiquei pasmo, pois tentei e não consegui ler o autor brasileiro que faz sucesso mundial. Procurei achar alguma coisa que me interessasse, que marcasse presença, que ficasse na minha memória e nada. Não encontro nada em seus livros, mas milhões encontram, tendo em comum muitas afinidades com seus leitores. Ou você pensa igual a mim, ou não lê minha coluna. Também pode pensar diferente e achar que instigo sua curiosidade. Afinal são vários fatores que unem o leitor ao escritor.

Esta semana folheei alguns livros de auto-ajuda. Meu Deus, quanta banalidade, quanta simplificação de coisas fundamentais e sérias. Num deles dizia a seguinte asneira "A chave da sabedoria é esquecer o passado, não se preocupar com o futuro e viver o presente". Concordo. Mas vá fazer na prática? É impossível. Contraria Freud (elimina o subconsciente), elimina as experiências anteriores e extingue a capacidade de projetar o futuro. Você vira um monge budista, só que não vive no Tibet, vive em são Paulo com 20 milhões de habitantes e o caos urbano da metrópole. No Tibet não há problemas como desemprego, aposentadoria, farmácia, muito menos trânsito engarrafado. O pobre leitor pensa que achou o caminho certo, encosta o livro à noite e acorda com os mesmos problemas.

Prefiro Jean Paul Sartre que, ao contrário, levanta todas as nossas fraquezas e sugere que você se renove diariamente para continuar suas buscas interiores. Diz Sartre "A idéia do malogro não tem fundamento profundo em mim; em contrapartida, a esperança como relação entre o homem e seu fim (relação que existe ainda que o fim não seja atingido), é o que há de mais presente em meus pensamentos". Assim falou o intelectual do século em sua última entrevista antes de morrer. Releia várias vezes esta frase, até entender sua profundidade.

Vou citar outro de seus pensamentos, que é importantíssimo na época que vivemos. Aqui e no Iraque, ou na África, passando por N. Iorque. Sartre "Onde situar a moral na consciência? Vive-se moralmente todo o tempo? Há momentos em que não somos morais, nem imorais?". É por isso que seu enterro tinha mais gente que o de um Chefe de Estado. A França cultua seus gênios e leva a sério seus filhos imortais.

Mais uma vez, quem nos dá a lição de grandeza e humildade é o papa João Paulo II ao completar 83 anos de vida. Com dificuldades físicas pela idade e pelo atentado que sofreu, mostra-se de uma lucidez fantástica em suas palavras: "Ontem fiz 83 anos de idade, estou mais ciente do fato de que o dia em que terei que prestar contas sobre minha vida perante Deus está mais próximo. Terei que prestar contas da minha vida em Wadowice, cidade polonesa onde nasci e passei a juventude; em Krakovia, onde me tornei padre, bispo e cardeal; e em Roma, onde me tornei líder dos católicos em 1978". João Paulo disse que confia na misericórdia divina. Quanta sabedoria num dos gigantes de nossa época. Livro de auto-ajuda é o Evangelho e a Bíblia Sagrada. O resto são os clássicos da Filosofia e da Literatura. Mas principalmente ter fé no destino do homem. Acreditar sempre que existe um objetivo a ser atingido e não importa a grandeza e sua ordem.

Aprendi com meu amigo Affonso Camargo a não me estressar batendo diariamente contra os muros da vida. Affonso diz sempre: "Foi assim, porque Deus quis que fosse e, não foi assim, porque Deus não quis. Se for para nosso bem, Deus nos ajudará".

Quem imaginaria que da pequena cidade polonesa de Wadowice, sairia o papa peregrino que levaria sua religião a todos os cantos do mundo? E que este homem enfrentaria grandes dificuldades sem nunca esmorecer e se tornaria um símbolo do século 20? Foi Deus quem lhe deu a missão e foi ele, João Paulo II, quem realizou.

Uma crônica para ser relida. Palavras para meditar.
Carlos Nasser

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Bird propõe o fim da Caixa Econômica Federal
Fonte: Vicente Nunes - Correio Brasiliense
Publicado em: 27/5/2003 - 13:40


O Banco Mundial (Bird) provocou nesta segunda-feira, dia 26, sua primeira polêmica com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, ao divulgar documento no qual sugere o fechamento da Caixa Econômica Federal. Intitulado Uma Visão do Futuro do Brasil - Três Metas (A Vision of Brazil`s Future - Three goal), o estudo, coordenado por Mark Thomas, afirma que, por desempenhar papéis múltiplos, a Caixa apresenta um futuro incerto.

No entender dos técnicos do Bird, para se tornar viável, "a Caixa deve reduzir ao máximo o volume de crédito para o financiamento da casa própria e deixar de operar em áreas que não tem como competir com a concorrência, como cartão de crédito e caixas de atendimento automático". O Bird ressalta que a Caixa precisa passar por um profundo processo de mudança cultural, já que, ao longo de sua existência, usou critérios pobres e a cultura do não-recebimento ao afiançar cerca de US$ 20 bilh0ões.

Para o Bird, a Caixa deve, ainda, perder o monopólio de administração dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), uma forma de diminuir os custos trabalhistas e aumentar a oferta de emprego. Esse dinheiro é usado para financiar o governo e a taxa é extremamente baixa (3% ao ano). E os trabalhadores, donos dos recursos, recebem benefícios muito abaixo do custo de suas contribuições ao fundo, destacou o documento.

Segundo os técnicos do Bird, para não fechar as portas, a Caixa deveria ser um banco restrito, apenas para recebimento de depósitos e pagamento de serviços, sem nenhum tipo de operação de crédito. Poderia, também, transformar-se em uma agência governamental. Não se trata de nenhuma exigência ao governo brasileiro nem uma condição para que possamos liberar empréstimos ao país, disse, ao Correio, o diretor do Bird no Brasil, Vendo Thomas.

A reação do presidente da Caixa, Jorge Mattoso, foi imediata. "O estudo é velho e corresponde às necessidades de privatização do governo Fernando Henrique Cardoso. O que a Caixa quer, e está fazendo, é voltar a sua vocação de banco social, mas que precisa gerar lucro para financiar seus projetos", afirmou. Este ano, 67% dos recursos para a casa própria foram destinados às famílias com renda mensal entre um e cinco salários mínimos.

Em 2002, essa relação foi de 32%. O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), líder do governo no Senado, não leu o documento do Banco Mundial. Mas ressaltou ser contra qualquer proposta de fechamento da Caixa. Ele admitiu, porém, apoiar o aprimoramento do papel social do banco. Na sua opinião, "a Caixa é um importante financiador da habitação e do saneamento básico, ações que os bancos privados se recusam a executar".

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Quarta, 28 de maio de 2003.
Parada de sucesso
Saiba quais são os hits da web e confira o que fazem os programas mais baixados pelos internautas
Alessandra Carneiro e Mylène Neno



O site Download.com é o mais procurado na hora de baixar programas

Nos anos 60, os ouvintes das rádios populares acompanhavam com entusiasmo os hits mais tocados. E para um artista chegar ao topo das paradas era a glória (e a certeza de muitos discos vendidos). O severo acompanhamento dos preferidos dessas listas continuou nas próximas décadas, mas aos poucos foi perdendo a força, e hoje os fãs não ligam tanto assim para saber quais as mais tocadas nas rádios. No entanto, outro tipo de top 10 vem conquistando o interesse dos internautas: a parada dos programas mais baixados.

Através do site Download.com, o mais famoso de downloads da Internet, dá para termos uma idéia dos programas mais baixados da Web. O ranking do site confirma, por exemplo, que mesmo com o fim do Napster, os programas de troca de arquivos, com destaque para o Kazaa, continuam sendo os preferidos dos micreiros. O Kazaa, da Sharman Networks, ultrapassou, recentemente, a marca de 229.408.802 downloads do ICQ, tornando-se o software mais baixado do site Download.com, com 230.309.616 até o fechamento desta edição. Segundo a Sharman, o Kazaa recebe 366 mil downloads por dia, em média.

Superdownloads é a melhor opção brasileira na busca por softwares

Os dez programas mais baixados no Download.com são: Kazaa Media Desktop, ICQ Lite, iMesh, WinZip, Aol Instant Messenger, ICQ Pro, Morpheus, Ad-Aware, SpyBot e Trillian. Com exceção do WinZip, todos são Freeware. Mesmo assim, o WinZip pode ser usado ¿como teste¿ indefinidamente, mesmo que o programa peça, toda vez que alguém for abri-lo, para o usuário registrá-lo.

No Brasil, o site equivalente ao Download.com é o Superdownloads.com, que tem o seguinte top 10: ICQ Pro, Kazaa Lite, WinZip 9, Download Accelerator Plus, Kazaa Media Desktop, Adobe Acrobat Reader 5.1, BraZip, Nero Burning Rom, iMesh e Winamp.

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José Simão
simao@uol.com.br


Lucianta Gimenez: corpo de sereia e QI de minhoca!

Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E diz que o Lula falou pro Zé Alencar: 'Seria melhor se você OVICE mais e falasse menos'. E eu estava assistindo à Fernanda Lima no 'Fica Comigo', da MTV, quando o menino falou: 'Eu também sou artista, trabalho com web'. E a Fernanda: 'Com a Hebe? Você trabalha com a Hebe?'. É sim, com a WEB CAMARGO! Não é perua, é pavoa virtual!

E aí a Lucianta Gimenez cismou de entrevistar a Martaxa Suplicy. Que tá parecendo um quindim de botox, Perua Quindão! Ela deveria governar de uma confeitaria! E aí a Lucianta soltou mais uma pérola ANTAlógica: 'Pra que taxa de lixo, se a gente já paga INSS?' Rarará. Mas ela tá certa: é tudo um lixo mesmo! E sabe o que aconteceu com o neurônio da Lucianta? Morreu de solidão. E a Lucianta tem corpo de sereia e QI de minhoca! E não tá bom assim?

E esta notícia: 'TST propõe conselho para julgar juízes corruptos'. E diz que um cara queria subornar um juiz e, para não constranger, perguntou: 'O senhor já viu US$ 10 mil?'. E o juiz: 'US$ 10 mil já, eu ainda não vi US$ 50 mil'. É mole? É mole, mas sobe!

E a minha empregada (ops, companheira de suporte) disse que, com esse frio, pobre se veste como palhaço. Vai botando o que tem: collant de bolas, suéter laranja, casaco rosa e gorro azul. E aí um estilista vê e copia a street wear, e no próximo Fashion Week aparece uma modelo vestindo: collant de bolas, suéter laranja, casaco rosa e gorro azul. Rarará!
Manual do Contra da Heloísa Helena.

Que já me mandou avisar que é contra o Manual do Contra. E diz que ela vai entrar pra Abin pra trabalhar com CONTRA-informação. E sabe qual é o recado da secretária eletrônica da Heloísa Helena? 'A senadora não se enCONTRA.' Rarará. Aliás, diz que a Heloísa Helena CONTRAiu um vírus ao apertar a mão do Sarney. Alergia a oligarquia: SARSney!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que eu recebi um e-mail com a seguinte pergunta: 'Você está financeiramente deprimido?'. Tucanaram a dureza. Tucanaram a pindaíba!

Pior, um amigo estava passeando pela orla de Aracaju quando viu a faixa: 'Ginástica para idade superior'. Tucanaram os véios! Socorro! Chama o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês!

Atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Eficiência': ciência que estuda a letra efe dos companheiros, vide Palófi. Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Email simao@uol.com.br

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David Coimbra
28/05/2003


As mulheres gostam de glúteos

Tem um cara aí, um conhecido meu, que ele faz exercício para os glúteos. Sabe aquele exercício que as mulheres fazem, ficam de quatro no chão, com pesos pendurados nos tornozelos, aí levantam uma perna, depois outra? Pois é. O cara faz isso. Os amigos descobriram. Ficou chato. A maior gozação: Como vão os teus glúteos? Mais desenvolvidos? Agora tu vai poder usar um calçãozinho apertadinho?

Ele a princípio ficou desesperado. Negou com veemência. Jurou que jamais exercitara seus glúteos, nem pensava em exercitar, que estava satisfeito com os glúteos que Deus lhe dera. Depois, ante a troça insistente, assumiu. Disse que as mulheres gostam de glúteos redondos e rijos, portanto, trabalha os seus.

Até entendo a vaidade dele, é possível que haja muitos homens descontentes com seus glúteos e sonhando em melhorá-los. Possível. Pois é verdade isso das mulheres, elas de fato admiram glúteos bem formados. Talvez inclusive as mulheres prefiram os glúteos aos bíceps, veja só você. Mas não consigo mais olhar para o meu conhecido sem pensar: esse cara faz exercício para os glúteos. Tudo que ele é, todo o seu ser, todas as suas ações estão subalternas a essa informação: aquele ali é um sujeito que está se esforçando para desenvolver seus próprios glúteos.

Preconceito, sei. Mas qual a saída? Nunca antes havia conhecido um homem que exercitava os glúteos, nem pensei que os homens ansiassem por novos e melhores glúteos...

O preconceito é assim. Estigmatiza. Os times gaúchos são alvo de preconceito. De Santa Catarina para cima, tacham os gaúchos de violentos. O Amaral, ouvi cronistas paulistas discursando que o Amaral não era violento, que se tornou violento ao vir para o Rio Grande do Sul. Tudo por causa do pisão que o Amaral deu no Aílton, do São Paulo, domingo passado. Talvez você não tenha visto o lance, vou detalhá-lo: numa dividida nos arredores do meio campo, o jogador do São Paulo acabou caindo ao chão. Despencou, na verdade, e de forma atabalhoada, as costas na grama, as pernas abertas, atiradas para o alto.

Bem, o Amaral vinha numa corrida irresistível, mirando exclusivamente a bola logo ali adiante. Passou sobre o adversário, que continuava escarranchado. O problema foi que o pequeno salto que Amaral deu sobre ele foi realmente pequeno ¿ o pé direito de Amaral terminou se apoiando no corpo de Aílton. Aí o drama: Aílton estava com as pernas abertas em vê, bem abertas mesmo, e o local onde Amaral espetou os afiados cravos de sua chuteira preta foi, lamentalvelmente, a bolsa escrotal do colega. Você vai argumentar: estando o jogador pisado vestido com calção e, supostamente, sungas, talvez até cuecas, como é possível construir tanta certeza acerca da região molestada pelo voltante do Grêmio?

Respondo: a cena foi gravada de diversos ângulos. De um lado, de outro, meio de cima, meio de baixo. Em todos, se torna claro: foram os testículos do infeliz Aílton que serviram de degrau para Amaral continuar sua veloz corrida rumo à bola. É bem provável, até, que ambos os testículos tenham sido magoados pela inclemente chuteira de Amaral, uma vez que o pé do jogador do Grêmio fincou-se com grande pontaria exatamente no centro do ângulo formado pelas pernas do são-paulino.

A própria reação de Aílton reforça essa aterrorizante hipótese. Ele seguiu rojado ao solo, rolando e emitindo um grito fino de dor, que deve ter doído deveras. Já Amaral se foi para o ataque, sem nem reparar na angústia do adversário.

Agora, os paulistas pedem a punição de Amaral pelo lance. Compreensível a revolta, já que a visão do lance realmente é angustiante. Mas trata-se de uma injustiça. Amaral não fez de propósito. Ninguém faria. Só mesmo um celerado sem alma procederia dessa forma, infligindo a um colega de profissão dor tão excruciante, ameaçando sua descendência. correndo o risco de prejudicar até sua namorada ou noiva ou esposa. O próprio Aílton comentou, depois do jogo:

Acredito que o Amaral não teve intenção, mas na hora vi tudo escuro...

Amaral está sendo vítima de preconceito. Só porque joga num time gaúcho. Amaral continua sendo o mesmo jogador, jogando da mesma forma, nada de estranho. Estranho mesmo seria se fizesse exercício para os glúteos, ah, sim, isso seria de fato estranho!

Multimidia

As mulheres gostam de glúteos

A cordata torcida

Essas coisas tão estranhas do futebol...

Qual é o feminino de goleiro? Pense: o músico, a musicista; o embaixador, a embaixatriz; o escoteiro, a bandeirante.

E o femino de goleiro, aquele cara que joga no gol, qual é? Goleirisa, como poetisa? Goleitriz?

Não... Goleira não pode ser, pois goleira é o complexo formado pelas duas traves, o travessão, a risca de cal na grama e a rede. Então, como se chama a mulher que joga no gol???
Uma questão e tanto, nesses tempos em que o futebol feminino vem crescendo.

Outra: os narradores, sempre que se referem a uma torcida, falam na ¿fanática torcida¿. Existe alguma torcida que não seja fanática?

Quando joga em casa, o Chope & Fritas é sempre mais perigoso porque conta com o apoio de sua ponderada torcida.

Queria conhecer uma torcida dessas.
david.coimbra@zerohora.com.br

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Martha Medeiros
28/05/2003


Desde cedo

Eu não fumo mas não sou xiita contra, sei que é um prazer e sou solidária com quem não consegue interromper o vício. Mas admito que fico felicíssima com as propostas governamentais para dificultar o acesso ao cigarro, por mais radicais que sejam. É o melhor que se pode fazer por quem ainda não fuma: as crianças não estão assistindo a propaganda de cigarro, não estão associando o cigarro ao esporte e ao glamour e não encontrarão cigarros pra vender no bar do clube, caso a proposta de limitação de postos de venda seja aprovada. Todo mundo sabe: ou a gente é estimulada a ter bons hábitos na infância, ou adeus tia Chica. Lamento pelos adultos fumantes, é uma sacanagem com eles, mas pra garotada que vem aí é uma sorte.

Tudo que a gente gostaria de fazer pelo bem do mundo, tem que começar fazendo desde a infância. Tive certeza disso assistindo à entrega do prêmio Parceiros Voluntários semana passada no Sesi. O teatro estava lotado com turmas de várias escolas do interior do Rio Grande do Sul. Fazia tempo que eu não via um local com tamanha energia positiva. Estavam todos lá, excitadíssimos, prestigiando o reconhecimento que seus diretores e professores ganharam por suas ações de voluntariado. Eu penso: por que não há mais pessoas ajudando os outros a ter uma vida menos sacrificada, por que não nos doamos mais? Porque não temos o hábito.

Nosso hábito é outro: o de esperar que o governo tome todas as providências. Algumas eles tomam, como no exemplo dado pelo combate ao fumo. Mas o governo não faz tudo o que é necessário, nem fará. Muito mais prático e eficiente é a gente mesmo se mobilizar em benefício do outro. Só não fazemos isso porque ninguém nos ensinou quando éramos jovens, e agora que crescemos não temos tempo, ou fingimos não tê-lo.

Os adolescentes que estavam no Teatro do Sesi serão adultos diferentes. Estão crescendo já familiarizados com a importância da solidariedade. Estão vendo que não é um bicho-de-sete-cabeças reservar algumas poucas horas por semana para ensinar estudantes a cozinhar, ou a ensinar teatro, ou a estimular portadores do mal de Alzheimer a se exercitar, ou a minimizar a agressividade infantil através da recreação (os exemplos que dei foram alguns dos premiados da noite: nada complicado, tudo simples). No final da noite, houve um espetáculo com adolescentes cantando rap, andando de skate no palco e pichando o cenário: uma gangue? Nada: artistas! Parabéns, Maria Elena Johannpeter.

Um mundo do bem se constrói desde cedo. Um mundo menos bélico, menos vulgar e menos egoísta se faz em casa. É voluntariado dos pais. E se as escolas continuarem aderindo, como vêm fazendo, aí poderemos até voltar a acreditar em utopia.
martha.medeiros@zerohora.com.br

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José Fogaça
28/05/2003


Uma figura de Modigliani

Estes dias, em uma entrevista à Rádio da Universidade, num programa promovido por simpáticos alunos da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS, relembraram-me eles, com delicadeza e sensibilidade, de Maria da Glória.

Ela era magra, longilínea, tinha o rosto esquálido e indecifrável de uma figura de Modigliani. Os seus olhos boiavam no meio da sala pequena, as carteiras ficavam apertadas, o mormaço das tardes estáticas de novembro entrava pelas janelas, os alunos suavam e as moscas pousavam sobre cadernos sujos e amarelecidos. Hoje, a escola nem existe mais. Foi soterrada por um implacável viaduto.

Eu era apenas um professor, com a perplexidade e o espanto dos vinte anos e pensava: de que modo, meu Deus, ensinar verbos e complementos nominais poderia trazer de volta aquela criatura a um nível tangível de realidade? Era exasperante nada poder fazer e nada saber fazer. Maria da Glória tinha 14 anos. Na saída da escola, com o corpo contrito e as mãos crispadas, acocorava-se no canto do portão para fumar maconha e despencar para o abismo de si mesmo.

Era o ano de 1968, havia passeatas e manifestações estudantis, o país estava prestes a mergulhar no período brumoso do Ato Institucional nº 5, na Checoslováquia os tanques soviéticos esmagavam as aspirações de liberdade do governo de Alexandre Dubcek, Martin Luther King, John e Robert Kennedy haviam sido assassinados nas ruas ante milhares de pessoas e os bulevares de Saint-Michel, em Paris, haviam sido tomados pela maior e mais significativa rebelião estudantil do século - e Maria da Glória, pequena, tímida, indefesa, agachava-se no seu canto em busca de um túnel fantástico e sem saída.

Lembro dessa história porque os amáveis estudantes de Jornalismo e o livro que comecei a ler no fim de semana, A Ditadura Envergonhada, de Elio Gaspari, me empurraram para uma necessária reflexão. O texto do livro de Gaspari é envolvente, mas os fatos ali narrados, importantes como ensinamento e memória, foram felizmente vencidos pela solidez de uma democracia que soube escolher um dos seus mais brilhantes intelectuais e, a seguir, um grande líder operário para ocupar a presidência da República.

Construímos, sem dúvida, a mais sólida democracia do continente. Mas ainda não sabemos o que fazer com as Marias da Glória que se repetem através do tempo. Ainda não sabemos como arrancá-las do túnel escuro em que se refugiam.
jose.fogaça@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
28/05/2003


Prostituta goza?

Três leitores (dois homens e uma mulher) de diferentes pontos do Estado, em datas também diferentes, numa curiosa coincidência, fazem-me a mesma pergunta: prostituta goza?

Vou discorrer a pedido deles sobre o tema, sempre presente no imaginário das pessoas.

A prostituição é uma profissão como qualquer outra. As profissões são exercidas através de atos mecânicos, rotineiros, às vezes maçantes.

Mas de repente um violonista, em meio a um concerto, é tomado de um êxtase indescritível.

Assim também um jornalista, quando acerta na veia em uma matéria ou artigo que escreva, domina-se por um prazer ou orgulho inefáveis.

Isso acontece também com as prostitutas, que não raro, ao entregarem a seus clientes o mais profundo recôndito de sua privacidade, de repente, numa ação nada reflexa, despegam-se do automatismo de sua prática e entregam-se ao deleite de uma relação que tinha tudo para ser fria, mas se tornou incidentalmente prazerosa.

Toda prostituta gosta de alguém. Alguém a quem deseja ou alguém que mantém com ela relação permanente, seja o parceiro que a possui amadoristicamente, seja o rufião que a explora.

Nesse particular, a prostituta é um singular tipo que tem a seu favor, na relação de ciúme com seu parceiro, a impunidade profissional.

O amante de uma prostituta vive atormentado pela dúvida sobre se ela goza ou não goza com seus clientes.

E gozar com eventuais clientes é a única forma que a prostituta tem de se vingar do seu amado, a quem ela não perdoa pela sua indiferente permissividade ao mantê-la pública.

Muito freqüentemente entram no lupanar dois amigos. Têm toda a postura de serem homens economicamente iguais, ou seja, se porventura vierem a fazer sexo com ela, a recompensarão com a mesma quantia.

No entanto, secreta ou ostensivamente, a prostituta faz a sua escolha, preferiria ir para a cama com um deles, o que lhe agradou mais. Essa preferência, nascida de um repente na sociabilidade do prostíbulo, tem tudo para redundar no orgasmo da prostituta na alcova, que ficará tendente a orgulhar-se de que exercitou desta vez, ao contrário do comum, o seu direito de escolha.

É também muito freqüente que uma prostituta tenha aquilo que eu denominaria de orgasmo funcional, que também ocorre com a mulher que não ama o marido e vice-versa.

Por outro lado, quase todos os clientes das prostitutas procuram-nas com a esperança de lhes dar prazer.

É um desafio gigantesco proporcionar sensação agradável a uma mulher que está movida centralmente pelo dinheiro.

Pensam os homens que fazem sexo com elas que o maior galardão que podem atingir é o de provocar orgasmo numa prostituta. Se atingirem esse alvo, alimenta-lhes o ego a perspectiva de que podem ser irresistíveis a todas as outras categorias de mulheres.

Eu escrevi que "quase" todos os homens sonham em proporcionar orgasmo a uma prostituta porque é célebre e proverbial o caso daquele indivíduo que, estando debaixo dos lençóis com uma prostituta, de repente estranhou que ela o enchesse de carícias, gemesse e gritasse lancinantemente de prazer, pelo que interrompeu bruscamente o intercurso e advertiu-a severamente:

- Vamos reiniciar agora, mas desta vez pare com este fingimento escandaloso. Aqui só quem goza sou eu.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Futebol
Grêmio sob segurança na Colômbia



Um forte aparato foi montado pela polícia e pelo exército para proteger a delegação gremista em Medellín, onde o time gaúcho joga amanhã contra o Independiente, pela Libertadores (foto Paulo Franken/ZH)


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Terça-feira, Maio 27, 2003




Bem que durante o dia a temperatura fica mais amena, com o sol gostoso que anda fazendo. Mas a noite a temperatura cai. Leio, escrevo e posto aqui no Blog querendo esquecer imagens, afastar saudades, mas sai sempre tudo ao contrário do que pretendo. Quem sabe divagando!!!

D I V A G A N D O

Fátima Irene Pinto


Não sei em que tempo da vida eu me fixei
Não sei das vezes que venci ou fracassei
Não sei se sabia das coisas ou se assim julguei
Não sei se cresci, regredi ou estacionei
Se bem ou mal resolvida aqui cheguei
Com marcas tantas e tão doridas que nem sei
Se são plausíveis, os sonhos todos que sonhei.

Amores, os tive para perder
A cada amor, lágrimas infindas a correr
Qual se fora estranha predestinação
Ver lacerado sempre e tanto o coração
Que pela ausência de amor, já quis morrer.

Esta é talvez a sina da poeta
Buscar aqui e ali su'alma dileta
Verter rimas doces, quentes, quietas
Como que a implorar:
Quero viver !!!

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De quantas mulheres precisa um homem?
Ulisses Tavares

Teve um dia em que isso aconteceu. Por dois motivos, nunca mais esqueci: achava que jamais iria acontecer em minha vida e, segundo, porque nunca mais houve nada parecido. O fato é que, um dia, tive sim, três mulheres no meu dia. Uma de manhã, outra à tarde e a terceira à noite.

A primeira era até previsível. Namorada firme, fogosa, executiva de multinacional, tirou a manhã livre para ir ao ginecologista e, de quebra, me visitou para uma rapidinha.

A segunda não era nenhuma bela da tarde, apenas uma ex que encontrei por acaso na rua, indo ao banco, e, carente que estava pelo fim de um belo caso, acabou chorando no meu colo primeiro e, na seqüência, me deu seu corpo como uma espécie de recompensa por ter ouvido seus "ais" e servido um decente e respeitoso chá de erva-doce.

Já a terceira, a da noite, foi um inexplicável impulso que me levou à sua cama: uma garota de programa catada na rua e que me serviu prazer rápido e impessoal num hotelzinho barato da região. Lembro-me claramente que acordei de madrugada me sentindo carente e confuso. Seria eu um compulsivo sexual? Na melhor das hipóteses, um gostosão que não (a)provado como se devia? Um mendigo de amor verdadeiro? Um hedonista safado, sem-vergonha, com medo do sexo reprimido?

Homem era isso mesmo, apenas um pênis? Infelizmente a resposta era a mesma que eu desconfiava: nenhuma mulher me satisfaria antes, durante e depois do ato sexual. Simplesmente porque eu era (e acredito que ainda sou) um homem comum.

E homem comum demora, esperneia, berra, xinga, inventa explicações, mas acaba admitindo o óbvio: nós queremos todas. Na impossibilidade de transar com todas, fantasiamos com uma só. Não sendo possível com uma só, partimos desesperados para cima, literalmente, das outras.

Queremos mesmo, lá no fundo, o impossível: uma mulher que nos satisfaça de corpo e alma. Uma síntese, um resumo de nossas até infantis fantasias e carências. Ao desejo do corpo qualquer uma consegue, momentaneamente, corresponder. Mas ao desejo da alma, quantas serão capazes de cuidar? A alma é insaciável: quer que a mulher seja irmã, mãe, amiga, p..., tudo ao mesmo tempo. Independentemente de paixões voláteis, provisórias, aditivas e vitaminadas, eu vos digo: demoramos demais a admitir que uma só pode ser o máximo, desde que não coloquemos em sua frágil figura todas nossas expectativas.

Digo isso com uma ponta de inveja das mulheres: para elas basta ter, muitas vezes, não sexo, mas apenas um companheiro. Como podemos não invejá-las ou não ter medo delas?

Ulisses Tavares é escritor e co-autor do livro "Guia do Homem, que a Mulher Também Deve Ler", publicado em parceria com Tettê Schmidt - ambos na foto (Geração Editorial, 166 páginas).

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As mulheres de 30 anos...

Então chegamos aos 30 anos e começamos a nos questionar sobre tudo. Talvez você, leitora, já tenha passado dessa fase, ou ainda nem chegou, mas a intenção neste espaço é destacar a coerência e atualidade da obra "A Mulher de Trinta Anos", do escritor francês Balzac, que viveu no início do século XIX. Foi desse romance que originou o termo "Balzaquiana" para a mulheres mais maduras, usado livre e popularmente mesmo por aquelas pessoas que jamais se aproximaram de um livro de Balzac.

A mulher de 30 anos, na opinião dos críticos, se constituem numa etapa importante na história da emancipação feminina, uma vez que a versão final deste romance levanta problemas fundamentais da vida amorosa e sentimental das mulheres. Aliás, ele trouxe à tona a incompatibilidade de casais e a discussão sobre a idade feminina.

Balzac afirma que as mulheres de 30 anos são mais maduras, sensuais, menos tímidas, mais realistas e, principalmente, vividas.

As balzaquianas já suportaram muitos preconceitos pelo estigma que essa palavra trazia. Com tom pejorativo, muitas vezes eram rotuladas como "balzaquianas encalhadas", já que, antigamente, para se viver um romance era preciso ter no máximo uns 20 e poucos anos. Balzac considerou as mulheres de 30 no auge da sua vida sexual, que conhecem muito bem todos os artifícios da arte da sedução, encantam e têm muitas histórias para contar.

Quando se está na faixa dos 20, há um certo temor em chegar aos 30. Muitas idéias na cabeça, sonhos, desejos e o medo de não alcançá-los. Nenhuma preocupação com o corpo, muito menos com a mente. Os 30 anos chegam, parece que a vida começa mesmo aos 30 com um novo sentido de vida e os valores intelectuais, morais mudam. E toda essa "revolução", que acontece no coração e na cabeça dessas mulheres prosseguem ainda por um longo período, com mulheres de 40 e 50 anos vivendo sua plenitude. Esperar, entender e procurar.
O tempo não pára mesmo!

Um grande beijo

Marta Vicentin

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Sim e o que acontece com esses devedores. Absolutamente nada. Abrem-se empresas para permanecerem 1 ou dois anos no mercado. Não regulariza-se nada, não recolhe-se as contribuições sociais e a empresa vai a falência. E ai os trabalhadores vão atrás de seus direitos e o que acontece, absolutamente nada.

Sem falar das cooperativas constituídas para prestar serviço terceirizado para estatais, inclusive, que não dão direito nenhum ao empregado. Isso é não possuem férias, não tem décimo terceiro, não tem hora extra, não tem FGTS, INSS, tem apenas que trabalhar e bem. E todas no amparo da Lei. Uma ótima terça-feira a todos nós.

Fundo de Garantia tem calote de R$ 5,3 bilhões
Débito é três vezes maior que dívida de 1997


BRASÍLIA - Cem mil empresas devedoras provocaram rombo de R$ 5,3 bilhões nas contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), nos últimos seis anos, ao deixar de pagar as contribuições. As dívidas são de firmas que foram à falência, apresentaram dificuldades financeiras ou simplesmente ignoraram o depósito do FGTS.

Em 1997, o total inscrito na Dívida Ativa da União não passava de R$ 1,8 bilhão. Em dezembro do ano passado, o volume registrado foi quase três vezes maior. Uma dívida que dificilmente será paga, a não ser por determinação judicial.

De acordo com informações do Ministério do Trabalho e da Caixa Econômica Federal, as dívidas de empresas são de R$ 8,4 bilhões. Desse total, R$ 2,9 bilhões estão sendo pagos em parcelas e R$ 275 milhões se encontram em fase de cobrança administrativa. Entre os inadimplentes do setor público aparecem muitas prefeituras, que não recolheram FGTS de funcionários contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A diferença entre o índice de inadimplência e o montante que o Governo consegue trazer de volta aos cofres da União é preocupante. No ano passado, R$ 687 milhões foram inscritos na Dívida Ativa da União. À época, a Procuradoria-Geral da Fazenda conseguiu recuperar apenas R$ 51 milhões.

Os débitos incluídos na Dívida Ativa da União foram registrados lá depois que as empresas se recusaram a acertar as contas com o Governo, por via administrativa. Nessa briga, perdem o trabalhador ¿ que precisa recorrer à Justiça para tentar receber sua poupança não-depositada ¿ e também o Governo ¿ que passa a ter menos recursos para investimentos sociais, como nos setores da habitação e saneamento.

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Felizes e mais produtivos

Empresa investe no bem-estar e auto-estima de seus funcionários

Que profissionais poderíamos encontrar em uma empresa de software com 70 empregados? Um fisioterapeuta? Um psicólogo? Um professor de português ou ainda uma assessora de estilo? Pouco provável. Mas esses profissionais integram o quadro da Nasajon Sistemas, que desenvolve softwares para gestão empresarial. A contratação deles faz parte do projeto Funcionário Feliz é Mais Eficiente criado pela empresa, e serve para provar que não é preciso ter receita milionária para adotar ações que permitam o bem-estar do funcionário.

O diretor de Marketing, Cláudio Nasajon, vai ainda mais longe. É preciso, além de criatividade, um bom ouvido para escutar e saber atender as necessidades do pessoal. Em cada ambiente de trabalho existe uma determinada dificuldade a ser resolvida, e, portanto, uma solução específica a ser aplicada¿ explica. Nasajon conta que a psicóloga e a fisioterapeuta foram contratadas em 2001, enquanto que, este ano, a empresa contratou a assessora de estilo e o professor de português.

Nasajon: (21) 2213-9300, http://www.nasajon.com.br

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José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! Vesgo de língua plesa assusta Argentina!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Pensamento do dia: se o amor é cego, o negócio é apalpar! E o frio? Tô virando picolé. Socorro! Me enfia numa garrafa térmica. Não consigo nem digitar a coluna: a mão tá dura e o pingolim pequeno. Não devia ser o contrário?

E a minha morenanta predileta, a Lucianta Gimenez, fazendo propaganda de xampu: ´Viram como estão lindas minhas MEDEIXAS´. Então por que ela não me deixas as medeixas sujas? Aliás, sabe como se chamam aqueles dois neurônios da Lucianta? Invasores! Rarará!

E o presidente vesgo da Argentina? Ele devia ser batedor oficial de pênaltis da seleção argentina. Desnortearia qualquer goleiro! E ele parece mesmo com aquela galinha do ´Muppet Show´!

E aí um fotógrafo foi bater uma foto do presidente e atingiu a testa do coitado. Tá vendo como faz falta um chifre? E fotógrafo argentino não bate foto, bate a câmera fotográfica. E os argentinos sempre querem ser mais que a gente. O presidente mal assumiu e já tá dizendo que a Argentina vai voltar a ser um país sério!

E olha essa notícia: ´Homem queima pênis no laptop´. Ou ele tava num chat de sacanagem ou já lançaram um novo modelo: laptop grill! E essa outra: ´Vírus da Sars pode ter vindo de animal selvagem, o civeta´. Então vamos descobrir o chinês safado que transou com essa tal civeta. Chinês come civeta e pega gripe! E essa outra ainda: ´Análise das fitas confirma: tiro que atingiu aluna no Rio partiu do...´ Clint Eastwood! Daqui a pouco vão dizer que tava passando um filme de Clint Eastwood na universidade e o tiro veio da tela!

E prossegue o Manual do Contra da Heloísa Helena. Que já mandou avisar que é contra o Manual do Contra. Aliás, sabe qual o licor predileto da Heloísa Helena? Contreau! Rarará! E um cidadão revoltado com a mesmice do governo criou um adesivo: ´A esperança empatou com o medo´.

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que eu estava assistindo ao ´Globo Esporte´ com uma reportagem sobre a vaidade do jogador Fabrício quando apareceu um cara com a legenda: ´Arquiteto capilar´. Tucanaram o barbeiro! A Globo tucanou o cabeleireiro!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. ´Peru´: o eterno companheiro das companheiras. ´Excêntrico´: deputado do centrão que virou companheiro, ex-cêntrico! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.
UFA!

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Moacyr Scliar
27/05/2003


O livro enfrenta o crime

Quem acha que a leitura no Brasil está por baixo deveria ter visitado a Bienal do Rio de Janeiro que se encerrou anteontem. Foi um megaevento: mais de 900 expositores distribuídos por três gigantescos pavilhões totalizando 55 mil metros quadrados, meio milhão de visitantes, um milhão e meio de livros vendidos. E sessões de autógrafos, e palestras, e mesas-redondas (escritores gaúchos lá brilhando) enfim, um sucesso, ajudado pela excelente organização que conseguiu inclusive contrabalançar o principal problema enfrentado pela Bienal: a localização, na Barra da Tijuca, o que significa uma viagem de quase uma hora, mesmo partindo da zona sul do Rio. As nossas feiras do livro podem não ter o tamanho da Bienal, mas são bem mais acessíveis.

Tão importante quanto a Bienal em si foi a circunstância em que ela se realizou. Aos olhos do público, o Rio é hoje região conflagrada, perigosa. Executivos estrangeiros são orientados a viajar para São Paulo e de lá tomar outro avião para o aeroporto Santos Dumont, de modo a evitar o aeroporto do Galeão, e as vias que deste levam ao centro: a Avenida Brasil e a Linha Vermelha. Uma convenção que se realizaria no Glória foi suspensa porque o famoso hotel foi alvo de tiros há algumas semanas.

O que representa um triunfo para o crime organizado, que agora, como os extremistas políticos, recorre ao terror como forma de mostrar o seu poder. É bom, pois, lembrar: o pior medo é o medo de ter medo. Quanto mais anormal tornar-se a vida no Rio, ou em São Paulo, ou em Porto Alegre, tanto mais estimulados se sentirão os transgressores. O antídoto para o medo é a precaução, não a histeria e nós já estamos vivendo um clima histérico. Que não tem razão de ser. Viver, como dizia o grande Guimarães Rosa, é perigoso. É perigoso, por exemplo, andar de carro, mas nem por isso deixamos de fazê-lo (colocando o cinto de segurança, claro).

Monteiro Lobato contava a história de um homem que tinha medo de viajar de avião, mas que acabou morrendo em um desastre aéreo o avião caiu em cima dele, na rua. Livros de Monteiro Lobato e livros de Guimarães Rosa estavam à venda na Bienal, que mostrou o Brasil como um país do livro. E mostrou também que o Brasil do livro não pode se transformar no Brasil do crime.

Falando em resistir à violência, Israel e Autoridade Palestina aceitam, ainda que com restrições, o plano de paz para o Oriente Médio. Seja isto o resultado do bom senso, ou do pragmatismo, ou da pressão americana, não importa: o que importa é voltar à mesa de negociação. Que Sharon tenha tomado esta iniciativa não é de todo surpreendente: afinal, foi o direitista Menachem Beguin quem fez as pazes com Anwar Sadat. Muitos obstáculos surgirão e os radicais de ambos os lados resistirão com fúria, mas pelo menos há esperança. E a esperança, como sabemos nós, os brasileiros, é fundamental.
scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
27/05/2003


Os sem-pernas

Só podia vir parar aqui nesta coluna este caso escabroso do senhor Marino dos Santos, 62 anos, que após ter procurado um posto de saúde, na Unidade de Saúde Farrapos, em outubro de 2002, com a perna gangrenada, teve seu pedido encaminhado à Central de Marcação de Consultas.

Sete meses depois, agora em 20 de maio de 2003, a Central de Marcação de Consultas do SUS, órgão da Secretaria Municipal de Saúde, confirmou a consulta.

Era tarde demais: em dezembro de 2002, menos de dois meses depois que procurou atendimento, o paciente teve sua perna amputada no Hospital Conceição.

Este é apenas um caso dos que chegam à imprensa, divulgado no sábado pelo Diário Gaúcho. Em realidade, são milhares os casos de pessoas cujas consultas são marcadas após o falecimento dos doentes ou depois daquilo que chamei sempre aqui nesta coluna de mutilação dos pacientes.

Ou seja, as pessoas morrem na fila à espera das consultas, que são só designadas em grande parte dos casos dois ou três anos após terem procurado atendimento.

É o caso dos que esperam por proctologistas, neurologistas, urologistas e ortopedistas. Há esperas de três anos. Três anos!

Um levantamento da própria Secretaria Municipal de Saúde contabilizou que 26 mil pessoas, em janeiro de 2002, esperavam consultas nessas quatro especialidades médicas.

E só para ortopedia existem 9 mil pessoas esperando consultas. Esperam desde 31 de maio de 1999!

Quando chega o momento da consulta, um, dois ou três anos depois, as pessoas já estão mortas, aleijadas ou apodrecidas. Porque todas são especialidades que atendem funções vitais do corpo humano, isto é, os pacientes não podem esperar.

Desculpem os governantes, desculpem os responsáveis, mas a Central de Marcação de Consultas tinha de desaparecer, implodir.

Acompanhem-me. Uma pessoa tem um mal grave. Nas vias urinárias, nos membros, nas articulações, no ânus, na cabeça, no coração.

Tais casos não são estupidamente considerados de urgência. Urgência é só quando a perna está caindo ou o coração foi fulminado por um enfarte.

No mais, quando o coração está prestes a ser fulminado por um enfarte ou a perna em seguida vai ser consumida pela gangrena, então não é urgência e as multidões são encaminhadas à Central de Marcação de Consultas.

Onde tudo é organizadinho. Os nomes dos necessitados são anotados, dentro de um, dois ou três anos será marcada a consulta. Isto é, depois que estiverem mortos, como aconteceu com o pedreiro Adão João dos Anjos, falecido em julho de 2001, por ataque cardíaco, cuja consulta foi marcada para maio de 2003, 21 meses depois de ele ter morrido. Ou seja, chamaram o defunto dois anos depois para consultar.

Isso acontece aos milhares através dos anos.

Neste caso, a Central de Marcação de Consultas funciona para esconder o lixo debaixo do tapete. Existem sempre lá registrados 29 mil doentes à espera de consultas. São pessoas que já foram atendidas, isto é, cadastradas. As consultas, estas elas vão obter depois de mortas ou mutiladas, depois que forem para o além ou já tiverem perdido nos hospitais os braços, as pernas, os órgãos em geral, as funções.

É um jogo macabro. Porque estas 29 mil pessoas já se consideram inscritas para as consultas, só lhes resta esperar, não vão reclamar nos hospitais, nos palácios, nas rádios e nos jornais. Elas já foram "atendidas", o sistema com isso se livra delas para sempre, no caso dos que morrem pela doença que as levou a procurar socorro, ou então elas vão ser amputadas ou disfuncionadas nos hospitais.

Burramente, as despesas com as amputações vão ser maiores. Mas "inteligentemente" o sistema não tem despesa nenhuma com os que morrem sem atendimento, em casa, penando, definhando, à espera de consultas.

Diz-se que em Cuba há um atendimento exemplar de saúde. Eu até acho que o Lula faria melhor se instituísse o Doença Zero, em vez do Fome Zero. A fome você dribla, a doença não.

Maldito mundo em que se tem saúde, como em Cuba, mas não se tem liberdade.

E aqui em Porto Alegre a gente tem liberdade mas não tem perna.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Luís Augusto Fischer
27/05/2003


Comer devagar, ler com gosto

O jeito de comer não é igual, mas é análogo e proporcional ao jeito de viver. Peguemos o caso do atual, atabalhoado e prato-cheio "espeto corrido", designação muito expressiva para o que noutras partes se chama rodízio. Não é possível imaginar um sujeito comendo na velocidade em que as carnes são aí servidas e sendo, ao mesmo tempo, alguém dado à meditação da vida. A mesma coisa com a moda fast-food, literalmente comida rápida, coisa para quem pensa pouco ou mal, estilo que é combatido palavra a palavra pela tendência autonomeada slow-food.

A relativa brutalidade das casas de espeto corrido é inimiga do requinte, conceito que envolve um repertório de coisas que vão do simples comportamento até a filosofia de vida. Eu presenciei uma cena que não me sairá jamais da memória: almoçando com uma colega, certa vez, num desses restaurantes de gringo que já na entrada metem uns quantos pratos diante do freguês, pedimos duas cocas para beber. O sujeito as trouxe e, para servir, usou de uma racionalidade bruta como o contexto: ajeitou os dois gargalos nos espaços entre os dedos de uma mesma mão, disposta como garra, a palma na horizontal virada para baixo, e serviu simultaneamente os dois copos, postos lado a lado. Ele deve ter pensado, em seu pragmatismo: "Igual vou ter que encher dois copos; então, melhor economizar um gesto". O garçom poupou uns 15 segundos de serviço, a amiga e eu rimos, e a vida seguiu seu rumo apressado e a delicadeza foi pro brejo.

Não estou aqui defendendo a frescura nos modos ou a etiqueta chique, que não tenho, mas certa paciência com as coisas, aquela paciência que faz a vida ser menos estúpida. E é por isso que quero referir aqui o grande prazer de ler o mais recente livro de José Antônio Pinheiro Machado, o hoje popular Anonynous Gourmet: Histórias de Cama e Mesa (L&PM). Reunião de textos escritos majoritariamente para o jornal, a maioria dispostos em cinco ou seis parágrafos, o livro é agradabilíssimo para ler devagar, um texto de cada vez, ao longo dos dias. Meu exemplar foi vencido só agora há pouco, tendo permanecido em um lugar nobre mas não exatamente publicável da casa; e ali me fez companhia constante e instrutiva.

Não são as receitas do cozinheiro televisivo a matéria do livro: são os comentários, os detalhes mentais, o fundo filosófico em que se move o autor. Estão ali clássicos da literatura digeridos ao largo de comentários sobre um modo de preparar carnes, ao lado de ensaios sobre temas do interesse geral para quem leva a vida em ritmo civilizado, como o imortal filme Casablanca. De quebra, aparecem alguns contos sobre mulheres. E tudo mediado pela boa sabedoria de quem freqüenta os livros e a mesa com jeito e pertinácia.
fischer@zerohora.com.br

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Liberato Vieira da Cunha
27/05/2003


A história das três princesas

Tantas ela aprontou, que decidimos, incorporados, nos queixar às autoridades convidantes. Estas, sabiamente, não só enquadraram a megera, como nos providenciaram dali em diante mais devotada assistência, na figura de uma dulcíssima guia extra. Para encurtar o caso: era a ternura feito gente, uma espécie de anjo da guarda que pressentia íntimos desejos, operando milagres de atenção e desvelo. Foi apenas na despedida que fiquei sabendo que, na vida comum, ela pertencia à Casa Real da Baviera.

Corta para 1980. Recém terminou, em Bad Godesberg, um seminário de ciência política. Detenho-me à sombra da torre do castelo medieval contemplando o Reno. Faz uma inaugural claridade de outono, barcos singram o rio, a brisa acaricia meus cabelos e então surge a senhorita que vi de longe, altiva, etérea, inatingível, durante a última conferência da manhã. Trocamos frases em um inglês polido, que sem aviso se transformam em cumplicidade. Quando nos separamos, chamo-a de princesa. E ela, sorrindo:

- Como descobriste?

(Em verdade, eu não tinha descoberto nada. Certas coisas você adivinha e depois, se a saudade quiser, confirma.)

Toca para 1987, naquele teatro de Hamburgo. São nove da noite, a platéia continua fechada, ninguém atina a razão. E então ela aparece: Sua Sereníssima Alteza, Diana de Gales, de braço com seu desgracioso consorte, Charles, o Insignificante. Ao longo do espetáculo, me perco por instantes do palco, volto-me para o camarote de honra. E lá está ela, a mais linda mulher do universo. Lá está ela, gloriosa, pois seu papel é espargir encantamento.

E aqui faço um breve ponto-e-vírgula: não, não acho que alguém seja especial porque tenha nascido com sangue azul.

Mas, como usavam dizer na Cachoeira, em recuados tempos, noblesse oblige.
liberato.vieira@zerohora.com.br

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Trânsito
Tragado pela cratera



Carro caiu em um buraco com mais de três metros de profundidade, na Avenida Juca Batista, em Porto Alegre (foto Ronaldo Bernardi/ZH)


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Segunda-feira, Maio 26, 2003




Tricas e futricas S/A
Desentendimentos, intrigas e ruídos de comunicação estão entre as principais causas que levam à demissão
Leila Souza Lima

Esquentadinhos e futriqueiros de plantão devem ficar em alerta. Desentendimentos entre subordinados e chefes aparecem em uma pesquisa do Grupo Catho como a razão mais constante das demissões. A consultoria pediu a 9.174 executivos que apontassem o motivo pelo qual se deu a última dispensa na empresa da qual tenham participado da decisão. Vinte e dois por cento deles disseram que o profissional se dava mal com seu superior.

Foram 15 as causas relacionadas, entre elas baixo rendimento e desonestidade. Mas, novamente, para 6% dos entrevistados, sobressai o problema de comportamento: as demissões aconteceram devido a atritos entre colegas de trabalho. Thomas Case, presidente do Grupo Catho, explica que, com o avançar da idade, os motivos deixam de estar associados a conflitos, o que é natural. Com a experiência, as pessoas se relacionam melhor, aprendem a controlar instintos. É a maturidade.

Não importa o tamanho ou ramo da empresa. Problemas de convivência são comuns em ambientes com 10, 100 ou mil trabalhadores. Para que se alastrem, basta haver um único elemento: gente. O nocivo é que atritos, fofocas e intrigas acabam com o equilíbrio e comprometem a produtividade. Por isso, as empresas estão buscando soluções para resgatar a harmonia. Pena que isso só ocorra, em muitos casos, depois de algumas baixas.

Peça de teatro mostra encrequeiros mais comuns

É o que confirma o consultor em desenvolvimento de pessoas Luis Felipe Cortoni, da LCZ Consultoria: Nunca fui procurado preventivamente. Até hoje, só fui chamado quando o problema já estava instalado, diz o consultor. Ele é contratado por empresas para fazer o que chama de ajuste fino. Não é curso nem terapia. Na verdade, é um encontro para reconstruir relações, explica Cortoni.

Ele revela que, em algumas dessas sessões, já foi obrigado a intervir para acalmar os ânimos. Não dá para tratar tudo nessas reuniões, então estimulo a comunicação. Cortoni recomenda respeito aos limites dos outros e que as pessoas exponham suas individualidades, para que sejam respeitadas.

Consultora, roteirista e atriz, Bruna Gasgon promove palestras motivacionais, algumas diretamente ligadas à melhoria das relações, como na dramatização Como Conviver com Pessoas que Você não Suporta?, que envolve seis tipos muito comuns. Um deles se chama Brucutu, aquele que esbraveja o tempo todo e que nunca pede desculpas.

Ensino as técnicas para neutralizar as provocações. Acontece que a gente alimenta comportamentos difíceis, reagindo mal a essas pessoas. As queixas acabam virando fofoca. Não adianta querer mudar os outros. A reação positiva é que anula ações negativas.


Bruna afirma aplicar tudo o que ensina, e garante que dá certo. O melhor caminho, para ela, é o autoconhecimento. Afinal todo mundo tem humores. Se a pessoa se tornar mais flexível, o problema daquele que teima em ser sempre baixo astral passa a ser só dele.

Bruna Gasgon: (11) 5052-9124

LCZ Consultoria: (11) 5182 7779

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HÁ MAGIA...

Em todas as coisas belas da vida,
Existe magia...
Como explicar o encanto que certas pessoas
Exercem sobre a gente ?
É tão difícil explicar
E tão fácil perceber...

Há magia no ar, quando algo de especial
Acontece...
É tão bom viver esses momentos...
Por um instante perceber a sincronia...
Faz parte de um segredo.

Estar vendo as engrenagens do universo
Se encaixando com perfeição,porque nada,
Mas nada mesmo,
Acontece por ocaso.

autor desconhecido

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AMIGOS SÃO COMO FLORES

Eles somam cor para sua vida, eles esparramam fragrância
Eles enxugam suas lágrimas, eles lhe fazem rir
Eles sempre estão lá quando você precisa deles, quando você está mal
Eles o apoiam e o colocam para cima com sua alegria de viver
Pense neles!

Eles nunca os culpam porque são seus verdadeiros amigos
Eles vêem só as coisas boas dentro de você
Eles o amam da maneira que você é
Eles pensam muito em você
Eles lutam por você

Eles lhe deram um lugar especial em seus corações
Eles podem não lhe falar quando eles precisam de você
Você tem que ser sensível para sentir suas necessidades
E eles sabem muito bem que eles não sobreviveriam sem você por perto
É por isso que somos amigos para sempre


autor desconhecido

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Sempre se lembre que a pele se enruga...
o cabelo se torna branco, os dias se transformam em anos...
Mas o importante não muda...Tua força e tua segurança não têm idade.
Teu espírito é o espanador de qualquer teia de aranha...
Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida...
Atrás de cada engano, há outro desafio...

Enquanto estiveres viva, sinta-se viva...
Se fizestes algo diferente, volte a fazê-lo...
Não vivas de fotos amareladas...
Segue em frente ainda que todos esperem que desistas...
Não deixes que se oxide o ferro que existe em ti...
Faz que, em vez de pena, tenham respeito por ti...

Quando, devido à idade não possas correr, ande depressa...
Quando não possas andar depressa, caminha...
Quando não possas caminhar, usa a bengala.
Mas não pares nunca!

Jane Marion

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CEF: 1.481 imóveis para classe média
Valor das ofertas varia de R$ 2 mil a R$ 150 mil. Caixa financia até 100%

Cristiane Campos

A Caixa Econômica Federal (CEF) coloca à venda 4.752 imóveis usados no País. Só no Rio, são 1.481 unidades. Essa é a única opção para a classe média comprar a casa própria financiada em até 100%. Os juros são de 12% ao ano mais Taxa Referencial (TR). O prazo de pagamento é de 240 meses pela tabela Sacre, que evita formação de saldo devedor elevado no fim do empréstimo. Os imóveis chegam a custar 10% mais em conta. A linha de crédito na Caixa, para quem recebe acima de R$ 2 mil, estava suspensa desde o ano passado.

Outra vantagem é que alguns imóveis têm desconto para pagamento à vista. O preço das unidades varia de R$ 2 mil a R$ 150 mil. Em Belford Roxo, é possível comprar casa com um quarto por R$ 2 mil. Já na Praça Seca, na Rua Maricá, 446, há apartamento desocupado por R$ 70 mil. Bairros como, Campo Grande, Pavuna, Jacarepaguá e Santa Cruz concentram grande número de ofertas. É possível também encontrar apartamentos em Icaraí, Méier, Cachambi e até Petrópolis.

A maioria das unidades, no entanto, está ocupada. Nesse caso, o futuro mutuário precisa reservar dinheiro para retirar o morador do local. Segundo a Caixa, grande parte dessas moradias está nas mãos de terceiros e não dos mutuários, o que facilita o processo de retomada do bem. A Caixa oferece assessoria jurídica gratuita para a desocupação, ficando a cargo do cliente as custas judiciais e de cartório.

Imóveis colocados à venda estão livres de dívidas

Quem quiser obter financiamento não pode estar com o nome incluído em serviços de proteção ao crédito: SPC e Serasa. Nas vendas à vista, a escritura leva em média 10 dias. Nas financiadas, sai em até 30 dias. Os imóveis são vendidos livres de ônus: IPTU, taxas de condomínio e contas de água em atraso são pagos pelo banco.

De acordo com o advogado Ronaldo Gotlib, especializado em Direito Imobiliário, quando o imóvel estiver ocupado, é recomendável que o candidato faça busca no Registro Geral de Imóveis (RGI) para saber em nome de quem está o bem. Outra sugestão é saber se quem mora é o mutuário inadimplente ou terceiros. As medidas são necessárias para garantir a retomada mais rápida. A Caixa informa que não há pendência judicial nas unidades. As ofertas podem ser conferidas no site http://www.caixa.gov.br ou na agência da Caixa da Rua Visconde de Inhaúma 68, Centro.

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Ressaca vira atração do Arpoador à Barra
Ondas de até três metros chamam atenção


O mar de ressaca cobre pista da Av. Delfim Moreira, ciclovia e calçadão

No mirante do Leblon, a cena se repetiu várias vezes durante o domingo: crianças e adultos que admiravam a ressaca do mar tomavam um banho toda vez que as ondas quebravam com mais força sobre as pedras. A violência das águas virou atração em toda a orla e pouca gente, além dos surfistas, se arriscou a enfrentar ondas de até três metros em pontos como o Arpoador e a Barra. Segundo a Marinha, a ressaca deve continuar até amanhã.

No Leblon, os garis tiveram trabalho para limpar a pista da Avenida Delfim Moreira em direção a Ipanema, a ciclovia e o calçadão, que ficaram cobertos de areia, tamanha a violência da ressaca. A imprudência dos banhistas que ignoraram o perigo terminou com 46 afogamentos. Segundo o comandante das Unidades Especializadas do Corpo de Bombeiros, coronel Marcos Silva, um dos casos mais graves ocorreu no Arpoador. Rapaz de 19 anos, identificado apenas como André, foi arrastado por 800 metros. Três guarda-vidas, auxiliados por helicóptero, resgataram o banhista, levado para o Hospital Miguel Couto, no Leblon.

Professora mineira é resgatada na Barra da Tijuca

Na Barra, a turista mineira Viviane Coelho, 27 anos, foi arrastada por um quilômetro. ¿Como é professora de natação, ela achou que podia entrar. Mas com essa ressaca, que está sendo provocada por uma corrente muito forte de sul para leste e vento sudoeste, não dá para arriscar¿, explica coronel Marcos. No fim da tarde, também na Barra, um homem que pilotava um jet-ski foi surpreendido por uma onda, perdeu o controle do aparelho e precisou ser resgatado.

Apesar do alerta do G-Mar, que desde sábado à tarde preveniu clubes e colônias de pescadores sobre a ressaca, houve quem enfrentasse o perigo. No sábado à noite, três pescadores foram à Ilha das Palmas. Sem conseguir voltar, pediram socorro por celular. Depois de passar a noite isolados, foram salvos ontem.



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José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! Radicais lançam Lula Reloaded!

Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E aí um amigo meu foi pra banca e pediu uma revista de artes gráficas por computador. E o jornaleiro apontou a 'Playboy'! Que de tanto usar computador já tá virando obra de ficção! Ficção pra fricção! Já virou tipo 'Matrix Reloaded'. Sheila Mello reloaded, Sabrina reloaded e peladas reloaded! E um leitor me advertiu que o presidente da Argentina não é vesgo: o olho direito é que não se dá com o olho esquerdo!

BUEMBA 2! Radicais divulgam fita, vídeo e folheto do discurso do Lula em 87. E aí o humorista Ciro Botelho me perguntou se era lançamento multimídia do Só pra Contrariar. E DVD, não tem DVD? Tá vendo como esses radicais são ultrapassados? E eu só vou aderir aos radicais se eles lançarem uma fita com o Zé Dirceu transando com umas guerrilheiras cubanas. Rarará!

E eu quero ver o DVD do Lula barbudão xingando o Sarney. Só que é em 1987. Então deveriam passar em cinemateca, de tão antigo. Deviam ter feito uma versão reloaded; Lula reloaded! E há 16 anos TODO MUNDO xingava o Sarney.

E aí me perguntaram o que eu estava fazendo em 87. Um 69! Rarará! E agora tá na onda falar: o Lula mudou, o Lula mudou. O Lula não mudou: continua barbudo, com língua presa e comendo rabada com polenta. Quem mudou foi a Marisa: que fez plástica e botou botox! E ficou mais esticada que tábua de polenta!

E diz que a Heloisa Helena e a Luciana Genro vão lançar uma grife: Helu! É a Daslu das radicais. Só com roupa fora de moda. Só pra CONTRAriar. E a Heloisa Helena fez uma coisa a favor: tá devendo pro Fisco. Dever pro fisco todo mundo é a favor!
BUEMBA 3! Jumentos enterrados vivos no Ceará. Barbaridade. Estou divulgando isso pra evitar que muita gente vá pra lá e acabe enterrado antes do esperado. E o Ceará não pode fazer essa barbaridade porque, como já cantava o Luís Gonzaga, 'o jumento é nosso irmão'. E já foi amante de muita gente boa lá no Ceará. Tô achando que é queima de arquivo. É mole? É mole, mas sobe!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que o Estatuto do Torcedor diz que 'os ingressos tem de ser numerados apenas nos locais já existentes para assistência em pé'. Tucanaram a GERAL! Socorro! Tá mais fácil acabar com a Sars que com o tucanês! Atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Pungente': flatulência em elevador lotado! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Email simao@uol.com.br

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Paulo Sant'ana
26/05/2003


As travessuras do Jô

Não adianta, eu já vi que sou amarrado mesmo no Programa do Jô. Ponho todos os defeitos no programa, mas como é a hora que chego em casa, não consigo me sentir atraído por outro programa - e fico ali, muitas vezes com o espírito crítico, de olho no Gordo, ligadíssimo nas suas travessuras e entrevistas.

Daí que me frustro e até enfureço quando ponho-me debaixo das cobertas e fico esperando pelo programa, vendo no entanto que a entrevista principal será ocupada por um artista ou diretor de teatro.

Como o Jô Soares é vidrado em teatro, é exagerada a dose de artista e diretor de teatro entrevistados, quase todos os dias as entrevistas versam sobre teatro.

E aí eu penso que a produção do programa tinha de considerar que no Brasil muito pouca gente gosta de teatro, que aquela delícia com que o Jô saboreia as suas entrevistas não é a mesma do telespectador.

E gosto muito das entrevistas do Jô com cantores ou músicos. Embora me irrite que no programa mais se entrevistem os músicos e os cantores do que se os ponham a tocar ou cantar.

E outro detalhe que me leva a nocaute é quando o Jô anuncia: "Hoje estaremos entrevistando o Ziraldo".

Sinto vontade de me suicidar. Já vi as duas entrevistas que o Jô fez com o Ziraldo no ano passado. Uma delas vi repetida quando o Jô estava de férias no verão. E na semana passada era o Ziraldo novamente o entrevistado.

Por mais que as ilustrações e os textos dos livros infantis do Ziraldo sejam brilhantes e talentosos, o seu último livro vendeu 2 milhões de exemplares, é dose pra mamute explicar livro na televisão. Ninguém agüenta. Ainda mais quando é um cara famoso como o Ziraldo, a gente grava o que ele diz, ainda se lembra da sua última entrevista, que faz pouco tempo que concedeu, vem de novo a mesma e monótona coisa para cima do telespectador!

O Ziraldo eu não agüento nunca mais.

Mas eu já sei por que me armo criticamente contra o Jô. É que na verdade eu adoro o programa dele e algumas entrevistas do programa podem ser consideradas antológicas, na maior parte delas pelo talento humorístico do apresentador.

E como eu curto quando o Jô Soares acerta na veia em uma entrevista, exigentemente fico imaginando que sempre terá de ser assim.

Mas como, em tudo que se vê na televisão ou que se lê diariamente, nada pode ter o mesmo nível de interesse ou de sucesso, um dia vai lá em cima, outro cai cá embaixo, então eu fico a querer que o Jô estraçalhe em todos os programas.

E não é assim: agora, por exemplo, ele instituiu um quadro sobre músicas que nunca foram ouvidas por ninguém que está redundando num desastre. Não tem graça nenhuma, surpreende-me que o Jô e a produção insistam, o que quer dizer, lamentavelmente, que eles gostam.

Mas eu gosto tanto do programa que me sinto já como proprietário dele: imbecilmente não permito que o programa tenha seus baixos, é o meu horário, o meu talentoso apresentador, é aquele meu clima ideal de ver levantado o meu astral com o humor, que não permito declives de sensação no programa.

Mas a verdade é que o Programa do Jô é o meu vício. E minha noite e meu dia seguinte só estarão completos quando o Jô faz um grande programa.

Passei todo o fim de semana intrigado: o que será que ele vai apresentar logo à noite?

Já chego até a ter medo de que não seja uma daquelas melhores noites.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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José Pedro Goulart
26/05/2003


Pais e filhos

O pessimista é um otimista do fracasso, tenho dito isso para mim através dos tempos. É que às vezes insisto no lado B das coisas. Então cunhei esse pensamento para me absolver. Para me entreter com minhas razões. O governo Lula, por exemplo, que começou num clima predominantemente de esperança, anda dando gás para o pessimismo. O vice, Alencar, teve uma semana de Itamar e essa coisa toda da dissidência cria uma impressão de que o que há é uma panela de pressão, prestes a explodir.

De fato, a crise do governo parece ser uma crise de pais e filhos. De um lado Lula, figura máxima do PT, pai original do partido e, agora (e mais anda pela forma que age), pai da nação. Como presidente do Brasil, Lula sente que além dos filhos legítimos (os membros do partido) ele agora tem obrigações com os adotados. Mas alguns filiados se revoltaram e assim, tanto quanto filhos originais exigem que o pai viúvo permaneça fiel à memória da mãe, esses querem reconhecimento aos anos passados juntos, quando construíram a casa, fizeram o telhado, economizaram para a pintura. Tudo, menos os braços de outra mulher ou as benesses para outros herdeiros.

Por isso mesmo é tão simbólica a relação Tarso e Luciana Genro. Tarso, o pai, diz respeitar as diferanças políticas com a filha. Mas Tarso, o político, não respeita as diferenças com Luciana, uma vez que participa (embora se abstenha de votações que envolvam diretamente a matéria) da cúpula do partido que pune a deputada. A filha, que diz respeitar as diferenças com o pai, na verdade, não respeita as do político, recusando as decisões tomadas pelo governo, no qual Tarso Genro é figura proeminente.

Pais costumam ser responsabilizados pelos atos dos filhos. Imagino a vontade secreta que Tarso deva ter de botar a Luciana ajoelhada no milho. Já para Luciana tudo é mais fácil. Filhos, na sua dissidência, conduzem os pais a uma compreensão compulsória. A deputada de idéias radicais tem mais esse elemento para se orgulhar. Passeia entre os companheiros com aquele o-lhar altivo de quem começou a resistência no próprio lar.
jose.pedro@zerohora.com.br

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América Latina
Festa para Kirchner na Argentina



Populares se engancham no novo presidente do país na entrada da Casa Rosada (foto Reuters/ZH)


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Domingo, Maio 25, 2003




Definitivamente não foi um bom fim de semana para os gaúchos no esporte. O Juventude já perdeu ontem de goleada. O Grêmio e o Inter perderam hoje. Só que o Grêmio ainda perdeu em casa. Para um time que aspira a Copa Libertadores, acho que está difícil chegar lá.

Os usuários on line estava dando problema nesta página, ai verifiquei no site que havia que me registrar outra vez. Contudo, mesmo registrado não estava dando certo, aí é que ví que eles estavam com problemas. Espero que resolvam rápido e restabeleçam o serviço.

Os comentários por sua vez, também estavam de greve, aí coloquei o comentários do próprio blog. Só que agora descobri que os dois estão funcionando, assim não dá. Também como as pessoas que acessam, muitas vezes, não comentam os assuntos por falta de link, agora esta página possui dois links para comentários. Brincadeira, hora dessas escolho um e tiro o outro.

E para completar a previsão do tempo estava querendo cobrar para manter o link na página. Simplesmente tive que procurar outro serviço que fosse gratuito até porque, sempre achei que deveria receber e não pagar para manter este serviço e a propaganda da página deles no ar.

Assim, com certeza, este domingo de frio e nublado não trouxe nada de útil ou de lindo. Pelo contrário, quase me deixa estressado, com tanta coisa errada e para consertar. Enfim, a segunda-feira está próxima e esta semana deve melhorar tudo isso. Espero. Ótima semana a todos e até.


Chove. Que fiz eu da vida ?

Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!

Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, estou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!

Fernando Pessoa


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