E N T R E L A Ç O S Testando cor de fundo
E N T R E L A Ç O S

Sábado, Junho 07, 2003




Foto(s): Fernanda Davoglio, divulgação/ZH

Olha só que coisa mais amada isto: os fotógrafos Fernanda Bigio Davoglio e Guilherme Dias inauguram segunda-feira, no Restaurante Casa do Marquês (Marquês do Pombal, 1.814), uma exposição denominada Pares Ímpares, só com retratos de casais. A mostra, montada em função do Dia dos Namorados (é dia 12 agora, não esquece, vacilão!), é composta de 15 fotos de pombinhos apaixonados.

As fotos, que poderão ser conferidas no segundo piso do restaurante, registram casais como a atriz Ingra Liberato e o músico Duca Leindecker (foto), Tiago Mari e Bibiana Bolson Pereira - a dupla dona da loja A Mulher do Padre em Porto Alegre - e os guris Renato Ruschel e Victor Lazzarotto.


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Moacyr Scliar
08/06/2003


Foto(s): Arte/ZH

Aos namorados da Protásio Alves

Sábado, 31 de maio de 2003, 10 horas da manhã. Caminho pela Avenida Protásio Alves em direção à lavanderia quando, de repente, deparo com um casal de namorados adolescentes. Beijam-se.

Beijam-se: em plena Avenida Protásio Alves, às 10 horas da manhã, eles se beijam. Passa por eles um fluxo incessante de pessoas, mas não notam, desligados que estão da realidade do cotidiano. Beijam-se. Duas bocas unidas: um sistema fechado - mais fechado é impossível - de troca de paixões.

Beijam-se e, beijando-se, geram um poderoso campo de energia, cuja existência eles mesmos ignoram. Uma energia que, de imediato, reorganiza o mundo, o universo, em círculos concêntricos no centro dos quais está um casal de namorados porto-alegrenses.

Eles são o centro? Eles são o centro, sim. O centro não são os ditadores, nem os magnatas, nem os megaempresários, nem os artistas de cinema, nem os intelectuais, nem os caudilhos. O centro são os namorados. E os círculos concêntricos são muitos, os mais remotos a milhares de quilômetros de distância.

Num longínquo círculo, por exemplo, soldados se enfrentam em batalha encarniçada, mas os namorados o ignoram: eles se beijam.

Num outro longínquo círculo: terroristas estão preparando uma bomba que, esperam, vai matar muitas pessoas. Mas os namorados o ignoram: eles se beijam.

Num terceiro e igualmente longínquo círculo o guru de uma religião qualquer anuncia que o fim está próximo. Mas os namorados o ignoram: eles se beijam.

Num quarto círculo, banqueiros, em reunião secreta, discutem uma operação financeira que vai lhes render bilhões. Mas os namorados o ignoram: eles se beijam.

Num quinto círculo, cirurgiões estão concluindo uma operação complicada: conseguiram salvar uma pessoa. Mas os namorados o ignoram: eles se beijam.

Num sexto círculo manifestantes protestam contra uma injustiça qualquer, uma das muitas que todos os dias são praticadas. Mas os namorados o ignoram: eles se beijam.

O amor, nós sabemos, é lindo. E é poderoso também. Ele percorre a história da humanidade como uma oculta corrente, tocando corações, mobilizando mentes. "O amor é o grande tema, é o único tema" (Stendhal). Provocando um sorriso bem-humorado: "Senhora, eu vos amo tanto/ que até por vosso marido me dá um certo quebranto" (Mario Quintana). Despertando melancolia: "Amor - chama, e depois fumaça" (Manuel Bandeira). Ou até azedume: "E depois, amada?/depois dores sem remédios/ depois pranto, depois tédio/ depois...nada." (Menotti del Picchia).

Bom humor ou melancolia ou azedume, nada disso interessava aos namorados da Protásio Alves. Eles não estavam pensando em nada. Eles não atentavam a nada: que os passantes mostrassem ternura ou surpresa, irritação ou inveja, a eles não interessava. Eles se beijavam.

Dedico estas linhas a todos os namorados, de todas as avenidas do mundo. Beijem-se, namorados. Amem, namorados. Não se importem com o que virá depois. Vivam este momento mágico, porque todos nós o estamos vivendo com vocês.
scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
08/06/2003


Os tempos de rapaz

Ah, os tempos gloriosos da juventude, quando contávamos os trocados do bolso para tomar o café com sanduíche e depois varávamos a noite nas primícias filosóficas das conversas nas esquinas.

Ah, os tempos gloriosos da nossa juventude, quando ainda nos empenhávamos em debates intensos sobre a razão da vida, a finitude da vida, a nossa origem e o nosso destino, tontos por não saber quem tinha nos dotado assim de tanta energia e como haveríamos de empregá-la quando cessasse aquela folgada irresponsabilidade do celibato!

Ah, os tempos em que não atinávamos para a idéia da morte, quando nem desconfiávamos que dia haveria de chegar em que a ambicionaríamos.

Ah, os tempos gloriosos da juventude, quando não percebíamos que aquela folgada boemia que nos envolvia de uma felicidade inebriante tinha que ser debitada a que não tínhamos passado nem futuro.

Sem passado para lamentar ou remoer, sem futuro que nos atormentasse, vivíamos a delícia suprema de colher o momento que passava, egressos de uma infância de alegres tolices e ainda não ameaçados pelo horizonte grave das preocupações com a sobrevivência.

Era o tempo de gozar a vida e a saúde, uma existência sem orçamentos, os bolsos vazios de dinheiro mas a alma repleta de sonhos, o tempo em que ainda se acreditava na bondade do homem e na infalibilidade da justiça.

O tempo em que ainda não duvidávamos de Deus e de que a Providência haveria de dispor favoravelmente sobre os nossos destinos.

O tempo do devaneio, o tempo do monopólio da esperança, quando a névoa da inocência cobria os nossos pensamentos e nem desconfiávamos de que havia inveja ou maldade a presidir os atos dos homens, muro intransponível contra o qual nos estatelaríamos mais adiante.

Tempos de chinelos, tamancos, calções, corridas e correrias, em que não se tinha noção de pobreza ou de riqueza, em que nada se almejava porque se pensava que não havia diferenças, que todos eram iguais, que as disparidades tinham a utilidade apenas da identificação, sem o conteúdo demarcatório das camadas.

Atirávamo-nos à poesia, ao namoro e à vagabundagem com o fascínio dos alegres e embriagávamo-nos de bons sentimentos, inconscientes de que nos aguardava logo em seguida uma época de ambição que haveria de toldar a nossa candura, transformando-nos em feras para enfrentar as outras feras ou sendo resignadamente submetidos ou devorados por elas.

Ah, os tempos gloriosos da juventude irresponsável. Os tempos do soneto, da serenata, da deliciosa e excitante transição das histórias em quadrinhos para os livros, do companheirismo com os outros homens e do ideal casto de conquista platônica das moçoilas.

O tempo em que a gente percorria as ruas e os campos como que envoltos na serenidade que domina os pássaros, sem ameaças. E sem futuro.

Ah, os tempos da boemia e da camaradagem!

Os únicos e escolhidos tempos de legítima e genuína vida. Transbordante vida!

Os encantadores tempos das tonteiras de rapaz.

Ah, os tempos felizes e gloriosos da inexperiência!
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Martha Medeiros
08/06/2003



Repouso

Uma jornalista outro dia me perguntou se eu achava que a conquista amorosa tinha que ser cotidiana. Para ilustrar a pergunta (ou sutilmente condicionar minha resposta), ela citou um verso do poeta Nei Duclós: "ninguém é lugar de repouso". Um belo verso, que faz a gente pensar que não podemos descansar sobre um amor já conquistado, que devemos permanecer incansáveis em busca de seu incremento.

Pois é, belo verso, mas não concordo. Acho que a pessoa com quem a gente vive pode e deve ser lugar de repouso: é uma das sofisticações do amor. Depois de muitos anos juntos, é claro que a paixão evapora e a rotina toma conta. São favas contadas, acontece com todos os casais. Fazer o quê? Usar lingerie sexy, descobrir lugares inusitados para transar, "reinventar" a relação? Bobajada. Uma relação desgastada é coisa séria, não se salva com meia dúzia de truquezinhos de revista. Ao contrário, a gente tem é que tirar proveito deste momento sereno, que também tem seu valor.

É a delícia das delícias seduzir, cometer insanidades, viver adrenalizado por uma paixão. Muitos casamentos acabam pela falta disso tudo, mas se você não pretende terminar o seu e não está disposto a voltar para a excitante vida de solteiro, tire proveito da mansidão da sua história. Se você está há muitos anos com a mesma pessoa, provavelmente ela é quem melhor conhece você, já não é preciso dar muita explicação. Seus motivos, ânsias, métodos e desejos são conhecidos de cima a baixo, de trás pra frente, economiza-se muito em palavras, os gestos falam por si, e o silêncio é bem-vindo. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso?

Longos amores conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira pátria do outro, amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de emoções. Se o telefone toca, é ótimo; se não toca, o mundo não acaba: não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, se houver lua, ou de frente pra chuva, se houver chuva, e fazer um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Alguém como lugar de repouso. Até que sejam reconvocados pra guerra.
martha.medeiros@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
08/06/2003


O meu e o seu

Quarto de motel. Homem e mulher na cama. Toca um telefone celular.

- É o meu ou o seu?

- Deve ser o seu.

Homem pega o celular da mesa de cabeceira do seu lado e instrui a mulher:

- Não pára.

Depois:

- Alô. Sim. Oi.

Ele diz silenciosamente para a companheira: "É a Dóris, minha mulher". Depois continua:

- Ahn. Sei. Tá. Diz o número dele, que eu não tenho aqui. Estou almoçando.

Silêncio. Depois.

- Oquei. Vou ligar agora mesmo.

Ele desliga o celular, depois digita um número.

- Alô? Sr. Godinho? Awui é o iãiãiã...

Ele tapa o bocal e diz para a mulher:

- Pára só um pouquinho.

Depois continua, no telefone.

- Aqui é o Tubino. Certo. Minha mulher disse que o senhor queria falar comigo... Ah, sei. Oquei. Ótimo. Celular? Pegamos a fera. Qual é o número? Pode dizer que eu guardo. Tá...tá...tá...Obrigadão!

O homem desliga o telefone.

- Que história é essa? - pergunta a mulher.

- Esse Godinho é um detetive. Estava fazendo uma investigação pra mim. Desconfiei que a minha mulher tinha um amante. O Godinho descobriu o número do celular dele. Vou dar um susto nesse safado...

O homem digita um número no seu celular. Toca o celular da mulher, na mesa de cabeceira ao seu lado. Ela não se mexe.

- Você não vai atender seu celular?

Ela continua na mesma posição, olhando para o teto. Diz:

- Não.

Tubino espera um pouco, depois desiste, desliga o celular e o recoloca sobre a mesa de cabeceira. O celular da mulher pára de tocar.

Os dois ficam deitados lado a lado, olhando para o teto, em silêncio. Há um espelho no teto e, na verdade, os dois ficam se olhando nos olhos. Ela fala primeiro.

- Por que você tem tanta certeza de que é um amante?

- Podem ser muitos?

- Pode ser uma.

Tubino não diz nada. Fica pensando: a Dóris, com aquele seu jeito de sonsa, quem diria. Em algum lugar, alguém cantarola o adágio falso do Albinoni.

O meu ou o seu (2)

Um português e um brasileiro conhecem-se num bar, começam a conversar e no meio da conversa ouvem o som de um telefone celular tocando. Um deles diz:

- Não pode ser para mim. Ninguém sabe que estou aqui.

- Então deve ser pra mim, porque eu disse onde ia estar - diz o outro, pegando o celular do primeiro porque esqueceu o seu em casa.

Em Portugal esta história é contada exatamente ao contrário.

Comunicação

Casais com problemas de comunicação têm um antecedente antigo. Adão e Eva, segundo Gênesis.

Pode-se imaginar o clima quando Adão acordou e levou dois sustos: estava sem uma costela e com uma mulher. Especula-se que os dois levaram dois dias para se falar. Para começar, não tinham sido formalmente apresentados. E que assunto poderiam ter, naquele primeiro encontro?

- Como foi seu dia?

- Nem me fale. Até a hora da sesta estava tudo normal. Depois eu sofri uma cirurgia e mudei de estado civil e a população da Terra duplicou, tudo em questão de horas.

- E eu? Há horas eu nem existia. Agora estou aqui, mulher feita, nua e falando aramaico.

Minha tese é que Adão e Eva só se falaram no terceiro dia, e assim mesmo porque Adão foi levado por uma necessidade premente.

- Me coça atrás?

E Eva coçou suas costas, e Adão finalmente compreendeu os desígnios do Senhor ao criar a mulher. Embora nos anos que se seguiram não fossem poucas as vezes em que pensou em dizer a Deus que preferia sua costela de volta.

Quando passaram a ter assunto, Adão e Eva despertaram o ciúme de Deus.

Porque tinham uma coisa em comum da qual Deus não compartilhava: a humanidade, suas glórias e suas misérias. Os banhos de riacho e o medo do escuro, o cafuné e o furúnculo. E Deus providenciou o pecado para ter um motivo nobre para expulsá-los do Paraíso, já que não podia só alegar tagarelice. E quando a prole de Adão e Eva deu sinais de entendimento, pois falavam a mesma língua e celebravam a mesma humanidade, Deus decretou a destruição de Babel e a confusão das línguas. E assim duas vezes usou Deus o demônio para criar a desarmonia entre os homens. Primeiro na forma da Serpente. Depois na forma do Mau Tradutor.

Mas tudo que é humano quer se comunicar. Sem a mulher, Adão arranjaria outro jeito de coçar as costas. Talvez encontrasse até uma maneira de se reproduzir sozinho. Afinal, anos depois, um descendente seu inventou o xerox. Quando Deus lhe deu a mulher não lhe deu uma fêmea, uma companheira ou alguém para cuidar das suas camisas. Deu o que ele precisava para progredir, a precondição para o autoconhecimento e a razão, sem falar na literatura.

Um interlocutor.

Publicado no dia 16 de março de 1997. Luis Fernando Verissimo está de férias.


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Conjuntura
Os pólos opostos do desenvolvimento no Rio Grande do Sul



São Vendelino (foto) é o município em que o PIB mais cresceu, enquanto Osório, a apenas cem quilômetros, teve o menor crescimento

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FATAL

"Os moços tão bonitos me doem,
impertinentes como limões novos.
Eu pareço uma atriz em decadência,
mas, como sei disso, o que sou
é uma mulher com um radar poderoso.
Por isso, quando eles não me vêem
como se dissessem: acomoda-te no teu galho,
eu penso: bonitos como potros. Não me servem.
Vou esperar que ganhem indecisão. E espero.
Quando cuidam que não,
estão todos no meu bolso."


AMOR FEINHO

"Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho."

Adelia Prado

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Despedida
Vânia Moreira Diniz

Quando eu parti da minha terra,
Admirando sua beleza em nostalgia,
Subindo triste e pensativa a serra,
As lágrimas desciam em lenta agonia.

Ali eu tinha vivido o tempo inteiro,
Na cidade maravilhosa, uma elegia,
O sofrimento era imenso e certeiro,
E no pensamento as praias eu via.

Do mar tinha antecipada saudade,
Recordava suas águas que eu amava,
Mas a despedida era uma verdade
Que por dentro amarga eu lastimava.

Antevia outra cidade outra vida,
Concepções, pensamentos e valores,
Diversas transformações e morada,
Que subjetivamente suscitavam pavores.

Sentia falta de família e amigos queridos,
Que nas horas lentas de dor ou martírio,
E nos episódios tão maravilhosos vividos,
Estavam sempre ao meu lado em convívio.

A minha infância lembrava com carinho,
Os colegas eu evocava com forte ternura,
E os via todos em uniforme azul-marinho,
Com o quente casaco amarrado à cintura.

Deixava as minhas lembranças mais tépidas,
Ao calor conhecido e familiar da terra natal,
Na qual corria com pernas fortes e lépidas,
Ao encontro de realizações frágeis como cristal.

Outra era iniciava e esperava que a juventude,
Ajudasse a superar as mágoas da despedida,
E prosseguia querendo mudar a saudosa atitude
Da temporada encantada e sedutora já vivida.

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Olha, sou supeito, mas confirmo tudo o que ela escreve ai abaixo a respeito. Contudo, que seriam os homens sem elas, eu pelo menos, adoro,adoro, adoro...

"Vantagens de Ser Homem"

Sabe aqueles dias em que você acorda com um desejo incontrolável de ser mulher? Aposto que sabe sim. Não precisa disfarçar. Pode ser aquela vontade de vestir uma minissaia e ir trabalhar em dias de calor africano. Pode ser para sentir orgasmos múltiplos (que só as mulheres sortudas têm) ou porque você é um durango desgraçado que se revolta em ter que pagar mais caro nas boates. Ou simplesmente porque não tem carro.

Agora sabe o que você faz quando sentir essa vontade? E-S-Q-U-E-Ç-A!!!.

Espere, sente e deixe a vontade passar. Se ainda estiver em dúvida. Leia minha lista de vantagens para você continuar sendo homem, bem, até que alguém prove o contrário.

1 - Homem faz xixi de pé, (perfeito para todos os ambientes e ocasiões, como em estradas, festas fuleira e estádios de futebol).

2 - É mais forte (perfeito para abrir vidros de azeitona e carregar malas).

3 - Não menstrua todo santo mês (conseqüentemente não gasta grana em absorventes, não mancha suas cuecas brancas de renda com sangue, argh, e não sofre de cólicas ou TPMs).

4 - Não tem que fazer depilação (com exceção de nadadores).

5 - Homem pode esquecer de fazer a barba, ficar umas duas noites sem dormir e ficar rústico. A mulher fica acabada mesmo.

6 - Podem cair de bêbado sem que te chamem de vagabunda.

7 - Pode galinhar à vontade sem que te chamem de vagabunda.

8 - Pode fazer sexo com um monte de mulheres e não ser tachado de fácil ou pervertida.

9 - Pode alugar filmes eróticos tranqüilamente, sem que o cara da locadora fique olhando de forma estranha.

10 - Ganha mais fazendo o mesmo trabalho.

11 - Homem não sofre assédio sexual (será? E a Demi Moore, não conta?).

12 - Homem não fica grávido (e para ter filho não fica com as tetas caídas).

13 - Não fica grávido (sem saber quem é o pai).

14 - E ainda pode ter filhos até uns 80 anos.

15 - Homem não faz aborto.

16 - Não entra na menopausa.

17 - É muito mais fiel aos amigos do que as mulheres são entre amigas e conhecidas.

18 - Homem goza mais rápido.

19 - Goza na mão. E até vendo revista.

20 - Homem não tem celulite.

21 - Não pinta as unhas (aquelas unhas descascadas horrorosas? Jamais).

22 - Não precisa dos 258 produtos básicos presentes no cuidado pessoal feminino entre cremes, adstringentes, delineadores, condicionadores, máscaras e outros mimos.

23 - Pode até ser feio (se for bem sucedido, rico e bom de cama, pode ganhar o mundo).

Tettê acha que tem muitas vantagens em ser mulher. Uma delas é poder escrever para os homens. Ela é co-autora do livro "Guia do Homem, que a Mulher Também Deve Ler".


















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Viver é deixar viver...

A cabeça de uma mulher pode parecer sempre muito confusa na visão de muitos homens. E desvendar o emaranhado de idéias desse nosso "Arquivo Confidencial" é uma tarefa um tanto difícil, confesso que até para nós mesmas. Buscamos nossa realização profissional e sentimental, sem nunca querer deixar de conviver com questões cotidianas como família, marido, filhos, almoço, jantar, escola, empregada, sogra, trânsito, compromissos profissionais, festas de aniversário. Em outras palavras, tudo que a grande maioria das mulheres modernas têm que enfrentar no dia-a-dia. E nos perdemos, nos encontramos, sorrimos, choramos e desesperamos com muita facilidade e quase que ao mesmo tempo.

Uma enxurrada de livros e revistas aterrissam em nossas mãos, repletos de receitas para emagrecer, rituais para viver melhor, lições para atingir o orgasmo, enfim, são verdadeiros guias. Há quem critique, mas nunca o mercado editorial brasileiro levou tantas informações, sobre assuntos mais variados e ousados possíveis, para um grande número de pessoas. Cabe a cada um julgar e distinguir as informações e absorver o que há de melhor nessa história toda.

Claro que não existe um manual que nos ensine a ser mães, esposas, namoradas e profissionais perfeitas... mas a história de vida dos outros, um depoimento emocionado, um problema contado na revista, uma crise pessoal evidente, o choro, o riso, a emoção - sempre podemos aprender com os outros. Você só precisa se permitir aprender a viver e a conviver com nosso indecifrável mundo. E que ninguém ouse deixar de ouvir a nossa voz, somos a maioria no mundo, por enquanto!

Um grande beijo

Marta Vicentin

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Tragédia urbana
Em Mulheres Apaixonadas, Fernanda morre ao ser atingida por uma bala perdida durante assalto em que Téo fica ferido
Marcelle Carvalho


Fernanda (Vanessa Gerbelli) tem destino trágico na novela Mulheres Apaixonadas, deixando Salete órfã

Os pressentimentos da pequena Salete (Bruna Marquezine) em relação à perda da mãe, Fernanda (Vanessa Gerbelli), vão se concretizar de forma bem trágica, em Mulheres Apaixonadas.

Fernanda vai morrer com uma bala perdida num assalto no Leblon. Vai estar no carro com Téo (Tony Ramos), que também vai ficar ferido, adianta o autor Manoel Carlos, confirmando a idéia de rechear a novela com situações bem atuais, sejam elas boas ou más.

E por ironia do destino, o acidente acaba colocando Helena (Christiane Torloni) e Fernanda frente à frente. Helena só vai conhecer Fernanda no hospital, quando for visitar o ex-marido e ficar sabendo que ele estava acompanhado de Fernanda, conta Maneco. A tragédia acaba interrompendo os planos da ex-garota de programa de procurar Helena para tratar de um assunto comum: Lucas (Victor Curgula), filho de Fernanda que foi adotado por Helena.

Enquanto a tragédia não se instala na trama, Helena, que esta semana tomou uma dose extra de coragem e partiu para o ataque a César (José Mayer), vai ficar ainda mais incisiva na reconquista do médico. Em cena prevista para ir ao ar na segunda-feira, a professora pede uma carona ao médico e garante que não vai desistir dele. Estamos exatamente na metade da novela. A partir de agora Helena vai investir no seu romance com César, até conseguir reatar a antiga relação, avisa Maneco.

Mas para quem pensa que Luciana (Camila Pitanga) vai sofrer horrores com uma separação de César, Maneco alivia o lado da moça. De início Luciana manterá seu romance com ele, mas ela também voltará a se encantar com o primo Diogo (Rodrigo Santoro), afirma o autor. O que não era difícil de acontecer, pois assim como o relacionamento de César e Helena, o de Luciana e Diogo também nunca foi bem resolvido.

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Prova de amor
Saber comprar presente sozinho para mulher é qualidade de poucos (e valorizados) homens. Os que não sabem contam como se viram
Flávia Motta


Vinícius Trindade desistiu de desvendar as vontades da namorada: dia 12 vai com ela comprar o presente

Sejam dois meses ou dois anos juntos, com a proximidade do Dia dos Namorados, quinta-feira, muito homem começa a se afligir com a simples tarefa de comprar o presente para a amada. Nunca sei o que ela quer. Já teve vezes de a gente estar junto no shopping, eu mostrar uma coisa achando que ia agradar e ela achar horrível, lembra o universitário Vinícius Trindade, 23 anos, que costuma enveredar por livros, flores ou poesias que ele mesmo faz. Tento pegar dicas, seguir alguma lógica, mas nunca chego lá, lamenta ele que, desta vez, vai sair com a moça no dia 12 para comprarem juntos o presente. ¿Ela sabe que é complicado o negócio¿, conforma-se.


Salvitti é do estilo econômico

A namorada do universitário Mário Lyra, 25 anos, também sabe que a tarefa não é fácil, mas e daí? Ela não ajuda. Vamos fazer dois anos de namoro e estou fazendo enquete até em lista da Internet, conta ele, que acha o tempo a maior barreira. Quanto menos tempo de namoro, melhor. Os truques que funcionaram com as outras vão sempre parecer novos, ensina.


Mário Lyra fez até enquete na Internet para conseguir uma boa sugestão

O ator Cauã Raymond, o Maumau de Malhação, até poderia usar truques anteriores, já que este é o primeiro Dia dos Namorados que passa com Aline Moraes, a Clara de Mulheres Apaixonadas. Mas o moço teve uma ajuda extra da sorte.A gente fez umas fotos juntos, ela adorou uma das roupas e, na mesma hora, pedi para o estilista separar, conta. Cauã diz que, quando gosta de alguém, sempre acerta no presente. Mas reconhece que Aline facilita: Ela dá umas dicas.

Mas Cauã não é o único que se diz bem-sucedido ao presentear. Não é que eu não saiba do que ela gosta, mas não consigo encontrar nada em que bata o olho e ache a cara dela. Não gosto de pegar dicas. A idéia do presente é surpreender¿, pondera o universitário Gabriel Maciel, 22 anos, para certo desespero da namorada, a comerciante Danielle Souto, 24. Realmente ele me surpreende muito. Uma vez, ganhei uma caixa enorme e quando abri, era um porta CD. Dou dicas, mas é brabo mesmo, brinca ela. E, aos que acham que homem não tem talento para escolher presente, Mário é taxativo: Mulher é que tem dificuldade para aceitá-los.

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A incoerência populista

Governo Lula só acerta na cópia a Pedro Malan

ARTHUR VIRGÍLIO NETO


O governo Lula é contraditório. Acerta, em linhas gerais, no macroeconômico, até porque repete e aprofunda Pedro Malan, e se equivoca quando, por falta de autoconfiança, deixa de reduzir juros e permite o agravamento da crise. Bem no macroeconômico, é desastrado no micro, produzindo sandices sobre as agências reguladoras, não compreendendo que elas são o Estado - que nem sempre tem objetivos iguais aos do governo - e afugentando investidores essenciais para a retomada do crescimento.

Ora, se a lógica das reformas remete à lógica das agências e Lula demonstra haver compreendido a importância de uma agenda que já era do PSDB há mais de uma década, espero, de repente, um fiat lux em relação à necessidade do marco regulatório.

No administrativo, a ação governamental é inexistente. Não é ação, porém inação. Inchou a máquina: hoje são 35 entidades com status de ministério, empregando políticos, amigos do poder, derrotados nas urnas e sem metas específicas e claras a cumprir. Não consegue fazer do Fome Zero, segundo o ministro Ciro Gomes, mais que um gesto conjuntural de 'caridade'. Não consegue sequer repassar o dinheiro às crianças beneficiárias do bolsa-escola. Demorou 60 dias para incorporar reajuste de 1% - na campanha prometeu 72% - aos servidores federais. Não consegue governar o país.

No tocante às reformas, é sempre bom poder saudar a adesão do PT ao campo da lucidez. Foram longos anos de espera. Anos em que o apoio do PT - às vezes até a singela não-obstrução - teria evitado o atraso.

No genérico, estamos, claro, com as reformas que foram combatidas e obstaculizadas, pelo corporativismo aliançado aos interesses econômicos. No específico, vamos sugerir emendas para transformar a derrama tributária proposta pelo PT em instrumento a serviço do Brasil.

Eles querem, basicamente, fazer caixa. Nós queremos alterações estruturais, de amplo impacto e longa duração.

Queremos mais que o remendo acanhado do ICMS. 'Ambiciosa' a idéia do governo, quando pereniza a CPMF e brinda a ele próprio, com R$ 20 bilhões de aumento de carga tributária. 'Ambiciosa', outra vez, quando, ao proibir a concessão de isenções de ICMS pelos Estados, reonerando os preços da cesta básica, de remédios essenciais, de assistência hospitalar, garantindo mais R$ 10 bilhões, que sairão do bolso do contribuinte mais pobre. Dúbio, quando ameaça o Pólo Industrial de Manaus. Iníqua, quando não define a compensação aos Estados exportadores, pela incorporação à Constituição, dos termos da Lei Kandir.

E a Previdência? Abandonam o PL-09, que dará aos Estados e ao país um horizonte de longo prazo de equilíbrio fiscal. Não respeita, ao contrário de Fernando Henrique, os direitos adquiridos e a expectativa de direitos. Não enfrenta os desequilíbrios estruturais.

O princípio norteador é o 'caixa' imediato. Daí esse presente de grego que é o teto de R$ 2.400 para os trabalhadores do setor privado inscritos no INSS. Parece medida simpática, não fosse pelo fato de que o pagamento desse valor ficará somente para quem se aposentar não agora, mas muito tempo depois.

Vamos ao debate, pois. Vamos à luta por verdadeiras e profundas reformas. Não temos compromisso com o governo Lula. Temos compromisso com a nação.

Arthur Virgílio é senador pelo PSDB do Amazonas e líder do partido no Senado

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O estudo não compensa

O Brasil precisa de educação. Já o jovem brasileiro precisa é de dinheiro mesmo


Todos os experts concordam: o Brasil precisa é de educação. Há dez dias, um professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) afirmou que as diferenças educacionais explicam 40% das diferenças de renda entre os brasileiros. Para cada ano na escola a renda futura do estudante seria 16% maior.

Quer dizer que quem estuda mais ganha mais? Não. A FGV prova que quem estudou (no passado) ganha mais (hoje) do que quem não estudou. O resto é empulhação eleitoral e marketing de cursinho. Para o jovem brasileiro em 2002 o crime compensa muito mais que o estudo. Existem duas razões para isso. A primeira é que o Brasil tem se mostrado um país pouco inteligente. A média de estudo para a população acima de 15 anos é de 4,9 anos, na rabeira do planeta. A educação brasileira em todos os níveis é uma porcaria.

Quanto a nossas melhores escolas e universidades e seus formandos, atenção para o novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e seu Índice de Avanço Tecnológico. É uma síntese de oito indicadores diferentes que representam a capacidade de inovação de cada país, o que cada um tem a contribuir para a humanidade. Ganha o país mais inteligente. O Brasil instruído ficou em 43o.

A segunda razão é que não basta ter diploma, o diploma tem de render uma boa grana. Nações muito bem educadas já jogaram seus melhores cérebros na rua, da União Soviética à Argentina. Resta a eles engolir a frustração mal remunerada ou tentar debandar para países ricos. Aqui, igual. Piora cada vez mais a vida do brasileiro educado, viajado e bilíngüe. Boa parte está desempregada ou vegetando em frilas e subempregos.

Está apelando também. Big Brother é exemplar: entre jovens brancos de classe média vale tudo por R$ 500 mil (até entrar para a indústria do seqüestro, cujos mandantes são os criminosos com maior índice de escolaridade). Com tudo isso, é espantoso que tantos brasileiros insistam em estudar. Principalmente os que têm de trabalhar também. O universitário favelado do Rio de Janeiro, por exemplo, tem renda equivalente à metade da média dos universitários da cidade (nem compare com os da Barra).

É muito mais natural para os mais pobres se garantir no crime. Um estudo em 51 favelas cariocas deixa muito claro. Acima dos 15 anos de idade, 20% dos favelados são analfabetos, mas o restante é quase: só 15% cursaram o ensino fundamental. Os salários dos meninos olheiros dos traficantes chegam a R$ 1.200 mensais. Compare com os bairros mais pobres de São Paulo, onde o salário médio do chefe de família é R$ 450. Já está achando que o crime compensa? Pois saiba que na periferia paulistana 41% dos homens entre 15 e 19 anos não freqüentam escola e um terço entre 18 e 24 anos está desempregado.

E as meninas? Vida dura também. Na periferia paulistana 12% das garotas entre 14 e 17 anos são mães. Nas favelas do Rio metade das meninas entre 15 e 17 anos não estuda nem trabalha. Opção financeira mais rentável? Tráfico. Ou descolar um gringo em Copacabana. Seguindo as regras clássicas da especulação financeira, no crime vale a regra de quanto maior o ganho maior o risco. Na década de 70 o típico preso no Estado de São Paulo era casado, tinha 27 anos e alguma formação profissional.

Hoje mais de um terço tem entre 18 e 25 anos e escolarização pífia. Entre o estudo e o crime existe sempre a possibilidade do extermínio. Segundo o Ministério da Saúde, de 1981 a 1989, 59 mil brasileiros entre 15 e 24 anos foram assassinados. Subiu para 112 mil entre 1991 e 1999. Hoje, nas capitais brasileiras, 43% das mortes entre jovens de 15 a 24 anos são assassinatos. Boa parte dos jovens morre pelas mãos de jovens. O restante fica para a própria polícia, que pouco diferencia o estudante do criminoso.

André Forastieri é editor

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Helena Ranaldi está na capa da Revista Época desta semana que tras como principal reportagem esta abaixo:

O difícil adeus ao cigarro

Com força de vontade e tratamento adequado para cada tipo de fumante, é possível vencer o vício

AIDA VEIGA E RENATA LEAL


''Parei há quatro meses. Eu me considero uma vitoriosa porque adorava cigarro. Até hoje, chego a sonhar que estou fumando''

HELENA RANALDI , atriz de 37 anos, ex-fumante Maurilo Clareto/ÉPOCA

O Brasil tem 40 milhões de fumantes. Ainda são muitos, mas o número vem caindo. O volume de cigarros queimados no país caiu 32% em dez anos, e uma pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) descobriu que 21,4% da população carioca fuma, contra 29,8% em 1989. Os dados demonstram que a política antitabagista do governo começa a dar resultados. Na semana passada o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, recebeu um prêmio da Organização Mundial da Saúde (OMS) por seu empenho nas negociações do tratado mundial antitabaco. Aprovado no fim de maio por 171 países, o documento prevê uma guerra contra a indústria do fumo, com medidas como a abolição quase total de propaganda de cigarro em cinco anos e taxações e financiamento para levar os plantadores de tabaco a mudar de negócio.

Entende-se o esforço. Deixar de fumar é um desafio que poucos conseguem vencer. Segundo um estudo publicado pela revista New Scientist, 85% dos que param voltam a dar suas baforadas depois de um ano. Alguns recaem antes. Só 3% conseguem, de fato, abandonar o vício. Quem procura ajuda médica, toma remédio e faz terapia aumenta sua chance de sucesso para 20%. O Brasil é um dos recordistas em motivação para largar o cigarro. Um estudo feito pela psiquiatra Analice Gigliotti, chefe do setor de dependência química da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, mostra que 81% dos fumantes brasileiros querem parar. É um porcentual só comparável ao dos suecos, com 85%. Mas o índice de tentativas frustradas entre os brasileiros é igualmente alto: cada um já tentou parar cinco vezes, em média - sem sucesso. Difícil é, mas vale a pena.

O tabaco causa 50 tipos de doença. As mortes anuais em virtude de seu uso chegam a 5 milhões no mundo, 200 mil no Brasil. 'Já tomei a decisão de parar, porque quero ver meus filhos crescer. Mas não consigo', afirma a ex-deputada federal Rita Camata, de 41 anos. Na condição de vice do candidato a presidente José Serra, antitabagista convicto, ela reduziu o consumo diário. Nas duas vezes em que engravidou, chegou a parar completamente. Mas depois voltou. 'Sou dependente', confessa. 'Não me sinto à vontade para acender um cigarro nem em minha própria casa, mas ainda não sei viver sem fumar.' O Brasil tem 40 milhões de fumantes. 81% querem parar, mas só 3% conseguem, de fato, abandonar o cigarro

A dependência começa um ano após as primeiras tragadas, devido a causas físicas e psicológicas. 'A nicotina faz o cérebro liberar substâncias que provocam uma grande sensação de prazer, diminuem a ansiedade e a fome e aumentam a concentração e a memória', comenta a psiquiatra Maria Madalena Pizzaia, coordenadora do ambulatório de tabagismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Já existem remédios - tanto os antidepressivos como os repositores de nicotina - que combatem a falta desses efeitos agradáveis em quem pára de fumar. Ela explica que a diferença entre o sucesso e o fracasso na empreitada contra a fumaça pode ser o estado emocional.

Ter muita vontade e escolher o momento apropriado são fatores importantes. No mês passado, a cardiologista Jaqueline Issa, coordenadora do ambulatório de tabagismo do Instituto do Coração de São Paulo (Incor), lançou o livro Fumar É Gostoso¿ Parar É ainda Melhor, um manual de auto-ajuda baseado em sua experiência clínica. Segundo ela, se usar o medicamento adequado considerando seu perfil, na dose correta, o ex-fumante não sofrerá os sintomas da abstinência. 'Se, além do tratamento, ele consegue enfrentar aquelas situações em que sempre fumava, acabará conseguindo', afirma.

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E como sempre em todos os sábados ai estão as capas das duas revistas semanais para voces compararem, e irem adiante naquilo que voces acharem interessante. Boa leitura e bom fim de semana a todos nós.

Menos deus, por favor
Diogo Mainardi

"O Brasil tem deus demais. Tem deus no futebol, nos vidros dos carros, na TV, no rádio, nos hospitais, nas salas de aula, na reforma agrária, na política. Em nome de deus, qualquer um pode enfiar a mão no bolso dos outros"

Atletas de Cristo. Eu torço contra. Deveria ser proibido comemorar um gol mostrando camisetas com mensagens evangélicas. Os alemães concordam comigo e não permitem o proselitismo religioso nos campos de futebol. Quem desobedece é punido. Uma camiseta com um simples "Deus é fiel", ou "Jesus vive e me ama", ou "100% Jesus", rende uma suspensão equivalente à de uma cotovelada no septo nasal do adversário.

O atacante brasileiro Cacau, do time do Nuremberg, burlou as regras do campeonato alemão inscrevendo em sua camiseta um alusivo "J...". É o mesmo estratagema adotado por fabricantes de cigarros para anunciar em corridas de Fórmula 1. Cacau equiparou Deus a um maço de Marlboro. Passei a torcer contra ele. Para minha felicidade, seu time acaba de ser rebaixado para a segunda divisão.

Kaká, como Cacau, também usa todos os meios para difundir sua fé. Tem uma pulseira com o nome de "Jesus". Sua secretária eletrônica se despede com um "Deus te abençoa". Seu autógrafo vem acompanhado pela frase "Deus é fiel". Em sua chuteira está escrito, novamente, "Deus é fiel", só um pouquinho menor que o logotipo da Adidas. Quando marca um gol, ele ergue os braços para o céu e proclama "Deus é fiel". Kaká é o homem-sanduíche de Deus.

Ou melhor, o homem-sanduíche da Igreja Renascer em Cristo. Algum tempo atrás, ele bateu a coluna ao mergulhar numa piscina. Deus, por intermédio da Igreja Renascer, livrou-o de ficar paraplégico. A Igreja Renascer pertence ao compositor gospel Estevam Hernandes, autor dos memoráveis versos apocalípticos "Extra Extra / O mundo acabará / Amanhã de manhã".

Estevam Hernandes, que se definia como bispo, elevou-se humildemente à condição de apóstolo. Um dia ele ainda vira santo. Fernando Henrique Cardoso concedeu-lhe catorze rádios FM e dois canais de TV, mas nas últimas eleições ele pediu votos para Lula. Até o ano passado respondia a mais de cinqüenta processos na Justiça, juntamente com sua mulher, a bispa Sonia. Torço contra Kaká. Vejo com satisfação que seu futebol piora a cada dia que passa.

Os alemães implicam com os Atletas de Cristo porque acreditam que a ostentação de um deus pode ofender aqueles que cultuam outros deuses e aqueles que não cultuam deus algum. A legislação alemã é muito restritiva em relação às religiões mais agressivas na arregimentação de fiéis. A distância que separa conversão e coerção, para eles, é mínima. A Bélgica é ainda mais severa. Os grupos religiosos incluídos na categoria de seitas sofrem uma série de limitações, dos adventistas do sétimo dia aos mórmons, da Opus Dei à Associação Cristã de Moços.

O país mais rigoroso no tratamento reservado aos cultos religiosos, porém, é a França. É o contrário do Brasil. O Brasil tem deus demais. Tem deus no futebol, nos vidros dos carros, na TV, no rádio, nos hospitais, nas salas de aula, na reforma agrária, na política. Qualquer um pode atribuir-se milagres em nome de deus. E, em nome de deus, qualquer um pode enfiar a mão no bolso dos outros. Precisamos de menos deus.

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Caro assinante,
aqui estão os destaques de VEJA desta semana.

Boa leitura e bom fim de semana.
Kátia Perin - VEJA on-line
vejaonline@abril.com.br

O conteúdo integral das revistas estará disponível na internet a partir de sábado à tarde

Especial
Nunca como agora as pessoas tiveram tantas armas para combater as condições adversas associadas à idade. De acordo com médico americano Michael Roizen, se uma pessoa fizer tudo certo, ela pode ter uma idade biológica vinte anos mais jovem que sua idade no calendário.
¿ A idade real de seu corpo
¿ "É possível prolongar a juventude"
¿ Doze regras para frear o envelhecimento

Brasil
Lula está entrando no sexto mês de governo e começa a ouvir algumas cobranças. Em alguns setores florescem sinais de descontentamento e em outros cresce a certeza de que ele não vai governar só para a base petista.

Entrevista
O paulistano Flavio de Andrade, presidente da Souza Cruz, revela como é a guerra diária para vender um produto demonizado.

Internacional

Um momento histórico: O presidente americano George W. Bush patrocina o início de um novo processo de paz entre israelenses e palestinos.

Onde estão as armas?: O governo dos Estados Unidos pode ter mentido para justificar a guerra contra o Iraque. O grande problema agora é encontrar as tão propagadas armas de destruição em massa que os americanos disseram estar em poder de Saddam Hussein.

Medicina
Desde o fim dos anos 90, alguns médicos vêm recorrendo à anestesia peridural torácica para cirurgias do coração. Ela apenas bloqueia a dor na região do tórax, sem alterar a consciência nem a capacidade respiratória do paciente que será operado.

Realeza
Exposição no Palácio de Kensington, em Londres, mostra chapéus da rainha Elizabeth e faz uma viagem por seu meio século de reinado na Inglaterra.
No site: galeria de imagens.

Estilo
Lojas de aeroporto vão vender linha exclusiva de roupas e acessórios de estilistas nacionais. Os produtos vão desde de kits de caipirinha até roupas para bebês.

Espaço
A Agência Espacial Européia lançou a sonda Mars Express para procurar água e sinais de vida no planeta vermelho. Marte ainda é um mistério fascinante para cientistas de todo o mundo.
No site: leia seção Jornada Espacial.

Artes e Espetáculos
Televisão: Foi-se o tempo em que a TV exibia atrações leves do final da tarde ao início da noite. Hoje essa faixa de horário converteu-se em um bolsão de mau gosto.

Cinema: O Homem que Copiava, do diretor gaúcho Jorge Furtado, é um filme que não se parece com nenhum outro. Fala da vida de André, um jovem que ganha pouco, consome pouco, e faz fogueiras com notas de dinheiro.

Livros: Baseados em uma lista de dez "livros amigos" feita pelo fundador da psicanálise, Sigmund Freud, cinco personalidades brasileiras - que têm em comum o fato de serem leitores vorazes - apresentam suas listas de títulos marcantes.

Bombons e flores? De Novo?
Gaste entre 30 e 1.000 reais em presentes e programas diferentões e turbine o seu Dia dos Namorados.

Dia dos Namorados
Internet, encontros de solteiros e outras formas de iniciar um romance. E um roteiro de restaurantes charmosos.

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CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SÁBADO, 7 DE JUNHO DE 2003
Educação financeira é o tema de cartilha do BC

Brasília - O Banco Central lançou ontem o programa de educação financeira do qual fazem parte cartilhas com respostas às perguntas mais freqüentes sobre temas da economia brasileira, feitas pelo público no site do banco (www.bcb.gov.br). As primeiras três cartilhas impressas possuem edição limitada. Juros, spread bancário, índices de preços e Comitê de Política Monetária (Copom) são alguns assuntos tratados. O endereço para ir direto é o abaixo, o qual já consultei, com o porém de que estão em Acrobat Reader que é necessário baixar para quem não tem. Mas são ótimas com gráficos coloridos, vale a pena imprimir para consultas posteriores.

http://www.bcb.gov.br/mPag.asp?perfil=1&cod=1365&codP=498&idioma=P

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Rosane de Oliveira
07/06/2003


Teste para professores

Ter mantido o provão instituído nas universidades por seu antecessor Paulo Renato Souza foi um dos maiores acertos do ministro da Educação, Cristovam Buarque, neste início de governo. Porque é inconcebível o MEC não ter instrumentos de avaliação da qualidade do ensino nas universidades. Agora, o ministro avança e anuncia um provão para professores, sem se preocupar com a rejeição que a iniciativa de Paulo Renato provocou no meio acadêmico.

É possível que os opositores da idéia venham a queimar bonecos do ministro em passeatas, mas certamente serão mais numerosas as vozes para saudar qualquer esforço de qualificação do ensino público. Em última instância, é para isso que servirá o provão, se o ministro conseguir colocar o plano em prática. Os professores do Ensino Fundamental que, voluntariamente, quiserem se submeter ao teste, concorrerão a bolsas para se aperfeiçoarem.

Se o governo Lula tem mesmo compromisso com a melhoria da escola pública, está na hora de o MEC patrocinar a qualificação dos professores do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Com os salários aviltados, os professores têm extrema dificuldade para bancar a continuidade dos estudos em instituições particulares. O sistema de bolsas permitirá que se aprimorem em suas regiões de origem, sem necessidade de o governo inchar as estruturas das instituições públicas.

Para os recém-formados em cursos de licenciatura o exame será compulsório - o que é ótimo, porque obrigará os cursos superiores a manterem permanente vigilância sobre a qualidade.

A preocupação do MEC com o ensino básico não deve se restringir às escolas públicas. Ainda que as instituições privadas sejam fiscalizadas pelos pais que pagam mensalidades elevadas, é preciso ter instrumentos para avaliar se as crianças têm um nível de conhecimento compatível com a série que freqüentam.
rosane.oliveira@zerohora.com.br

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Ricardo Silvestrin
07/06/2003


O balde

Ia caminhando pela São Carlos e dei de cara com o Bob Esponja. Um bonecão pendurado na vitrina por apenas doze reais. Ele é um personagem da Nickelodeon, uma esponja do mar, mas com formato de esponja de limpeza. Usa uma calça quadrada. Tem aquela inocência que causa pena e riso, estilo o Magro, do Gordo e o Magro, ou os personagens de Jerry Lewis. Vendo o Bob Esponja e outros desenhos inusitados e instigantes da Nick e do Cartoon Network fiquei pensando sobre a criatividade contemporânea. Por onde ela anda?

Vamos ver/ouvir na música popular. A indústria do disco está ficando muito mal-acostumada. Buscar uma nova bunda parece mais rentável do que investir numa nova banda. Fico com o Karnak. André Abujamra e sua turma vêm fazendo uma música livre de verdade, sem pagar pedágio para nenhuma tendência da hora.

Vamos olhar as artes plásticas. Uma das artes mais criativas do século 20 enfrenta hoje um questionamento que vem de gente como Ferreira Gullar, por exemplo. Qual o limite dessa inventividade toda? O que diferencia uma grande obra de um grande engodo? Acho toda essa polêmica legal para que as pessoas possam entrar em crise mesmo e, a partir daí, fazer o novo de novo. Mas continuo votando nas artes plásticas como a mais desreprimida das artes.

Na literatura, parece que o surto de experimentação que marcou o século passado passou. Mas em contrapartida, ficamos com relatos realistas e poemas muitas vezes recareteados. O lance contemporâneo mais digno de Borges foi o plágio do livro do Scliar pelo ganhador do Booker Prize.

Na TV, enquanto o requentado rola solto, o programa Hermes e Renato, da MTV, debocha de tudo, mantendo o senso crítico e a irreverência acesos. A banda heavy metal Massacracion, com o vocalista cantando em falsete, é tudo de bom.

Cinema: recebi um artigo do poeta e jornalista Nei Duclós sobre Matrix. Conseguiu me mostrar algo além dos badalados efeitos de computação, apontando para um debate sobre a descentralização da informação na Internet. Duclós fala que a Internet surgiu durante a guerra fria com o objetivo de não haver um centro que armazenasse e de onde saísse a informação. Terminada a guerra fria, estamos no quadro de hoje. Idéias interessantes, novos artistas, mas também boatos, vírus, pornografia emanam de todos os lugares possíveis. Basta alguém lançar na rede. A questão é se isso continuará assim, livre, auto-regulado, ou se será dominado novamente por um poder central. Em Matrix, o plural foi dominado pelo poder único. Matrix visto pelos olhos do Duclós ganha mais pontos no ranking criativo atual.

Mas o balde, aquele que de tempos em tempos é chutado, parece estar muito tranqüilo no seu lugar. Ou se tem uma arte de mercado, ou uma arte de gente pouco informada, ou de gente informada, mas caretésima. Sugiro ver o Capitão Lento, do Cartoon Network, para tomarmos um gás de irreverência.
ricardo.silvestrin@zerohora.com.br

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Lya Luft
07/06/2003


Nós, os diferentes

O tema do exotismo que os estrangeiros tanto requisitam do Brasil e dos brasileiros me remete a outro preconceito parecido, num momento em que virou moda (ou mania) tentar definir quem é o que e como: gaúchos, nordestinos, mineiros? Em qualquer lugar do Brasil acima do Paraná, é freqüente o tedioso comentário, pronunciado com um misto de lisonja ou ironia: "Vocês lá do Rio Grande do Sul nem são brasileiros, são europeus!"

Não acho nem simpático, nem inteligente, nem elogioso. Mexe com brios que tenho desde criança, quando, numa cidadezinha então povoada sobretudo por descendentes de imigrantes alemães, se falava em um "nós" (os de sobrenome Schmidt, Schneider) e um "eles, os brasileiros" (de sobrenome Silva, Rocha).

Por conta dessa loucura proibiam-se namoros, liquidavam-se amizades, vidas eram podadas, eventualmente grassavam suspeitas de parte a parte. Aos oito anos decidi e anunciei em casa: "Se eu nasci no Brasil, se até minhas avós nasceram aqui, sou tão brasileira quanto minha amiguinha Rosa, ou nossa cozinheira negra Julieta, e acabou-se".

Lembro que foi em um almoço de família, e que os adultos me olharam - não pela primeira nem última vez -, como sempre que aquela menininha de idéias esquisitas questionava alguma coisa que, sem explicação nem fundamento, estava estabelecida. Para eles era assim, "e acabou-se". Mas para mim nada era estabelecido e "acabou-se", se eu não o pudesse entender, ou ao menos sentir firmeza na misteriosa explicação de algum adulto. Muito castigo levei por isso.

Hoje, quando escuto comentários (exóticos) sobre quem é ou não brasileiro, minha resposta é a minha certeza - ou pelo menos a minha particular verdade: sou tão brasileira quanto qualquer negra que vende acarajé nas ruas de Salvador. Diferenças nesse sentido? Bom, a cor da pele e dos olhos; o sobrenome; talvez - não mais necessariamente - diferenças econômicas; e o fato de que os antepassados dela vieram de navio, acorrentados, para trabalhar aqui, e os meus vieram de navio - quem sabe na mesma época - não acorrentados mas quase, em condições dificílimas, também para trabalhar aqui. Em situação não tão extrema, nem privados da liberdade, largados numa região ainda selvagem, muitas vezes ludibriados e maltratados, enfrentando isolamento, doenças, idioma e costumes estranhos.

Os únicos brasileiros de verdade, afinal, seriam os índios (frase também gasta) - de quem conseguimos arrancar quase todos os direitos. De modo que pretender me elogiar, ironizar - ou discriminar - como sendo mais "européia" do que brasileira, me faz lembrar o crítico que, há muitos anos, pensou me agradar afirmando em um artigo: "Ela é mulher, mas escreve com mão de homem".

PS: O preconceito também é uma doença da alma.


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Paulo Sant'ana
07/06/2003


Toque de recolher

Inúmeras vezes me fixei aqui nesta coluna em chamar a atenção para o domínio da delinqüência sobre as comunidades faveladas do Rio de Janeiro.

Sabe-se que o Rio de Janeiro, em matéria de criminalidade, fornece apenas protótipos de conduta delinqüencial para o resto do país.

O arrastão foi modalidade instituída no Rio de Janeiro, em poucos anos estava se manifestando caracteristicamente em Porto Alegre.

Da mesma forma, o assalto a condomínios de apartamentos. Os assaltos aos ônibus e seus passageiros foi também irradiado do Rio de Janeiro, em poucos anos, para Porto Alegre.

Quando o cronista manifesta assim insistentemente a sua preocupação com o que acontece na paisagem criminal carioca, está afirmando que, por metástase, logo em seguida os tipos criminais se transferirão do Rio para cá.

Pois os acontecimentos últimos na Vila Nova Brasília, em Porto Alegre, bairro Sarandi, dão a exata medida de que estamos aos poucos e aos trancos, mas severamente, nos igualando ao Rio de Janeiro em matéria de caos policial para conter o avanço administrativo do crime sobre várias comunidades da capital e seus arredores.

Gangues de jovens armados passeiam ostensivamente pelas ruas e pelos becos da Vila Nova Brasília.

No sábado passado, uma briga entre dois traficantes por um ponto de venda de drogas culminou com um tiroteio que durou seis horas de intenso embate.

Diz um comerciante da Vila Nova Brasília: "As crianças já foram assaltadas indo para a escola. Choram. Têm medo. Por aqui ninguém tem liberdade de ir e vir".

O mesmo comerciante pensa em abandonar a Vila, com medo de criar seus filhos em meio àquele explosivo clima de violência.

"Vivemos a ditadura do tráfico. O Rio de Janeiro é aqui", diz uma auxiliar de enfermagem, que recomenda à sua mãe que não saia de casa sem extrema necessidade e que, quando começarem os tiroteios, deite-se no chão.

No sábado do tiroteio, os líderes do tráfico na Nova Brasília bateram às portas das casas e recomendaram aos moradores que não saíssem à rua depois das 19h para não serem atingidos pelos enfrentamentos a bala.

Ou seja, está implantado em Porto Alegre, como já aconteceu no ano passado no bairro Rubem Berta, o toque de recolher das comunidades, conforme cobertura insistente que vem fazendo sobre esses acontecimentos o Diário Gaúcho e a Rádio Gaúcha.

Em tudo, sobre crime e tráfico de drogas, Porto Alegre se aproxima das favelas do Rio de Janeiro.

São tão imensas as legiões que se dedicam ao tráfico de drogas e ao exercício de gangues, que as forças policiais capitulam.

Há muito mais gente dedicada ao crime e à rebeldia social do que policiais. E estas legiões estão encravadas nas comunidades, passando a administrá-las em matéria de segurança pública, aliás, de insegurança pública.

Chamada ocasionalmente para atender ocorrências, a polícia lá comparece para se deter sobre eventos. Mas a dinâmica social transcende os eventos, ela é permanente. E a rotina dessas comunidades é marcada, obviamente, pela ausência da polícia, com o que os agentes do crime vão tomando conta dos territórios e impondo o seu poder e sua lei.

Toque de recolher em bairros e vilas de Porto Alegre. O medo silencia os moradores e os torna complacentes súditos dos criminosos.

O Rio de Janeiro nos parece tão distante. Mas ele se repete todos os dias aqui no nosso meio.

Eu nunca tinha visto uma reviravolta tão grande em tão pouco tempo no meio social brasileiro: é uma guerra e é uma insurgência.

E a vitória, todos os dias, em todas as horas, pertence às forças do mal.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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David Coimbra
07/06/2003


Sem timoneiro

Em 1957, Mao Tsé-tung decidiu que a China se transformaria no maior produtor de aço deste imenso vale de lágrimas. Queria superar a Grã-Bretanha, os Estados Unidos, queria ser o número 1. Acalentava a idéia doce e mágica de que, com uma superprodução de aço, tornaria a China potência mundial. Aí mandou que cada um dos então 600 milhões de chineses se empenhasse na produção de aço. Grandes fornos foram incrustados nos pátios das escolas e das fábricas, nas ruas das cidades, no agreste distante. Os estudantes e os professores pararam as aulas. Saíam pelas ruas procurando rebites, pregos, parafusos, clipes, tudo que pudesse ser jogado nas fornalhas para ser fundido em aço. Os comerciantes, os industriários e os agricultores eram obrigados a cessar suas atividades para fazer aço. Havia quotas de aço a serem preenchidas, bem como quotas de lenha para alimentar as fornalhas.

Como os agricultores abandonaram as colheitas, os alimentos começaram a escassear. Mao destinava a maior parte da produção para as cidades. Assim, a fome grassou no campo. Em menos de um ano, cerca de 30 milhões de chineses morreram de inanição, a maioria camponeses que, de acordo com os dirigentes comunistas, deveriam ser os principais beneficiários da revolução que derrubara Chang Kai-chek. Aquela tragédia ficou conhecida pelos chineses simplesmente como A Fome. Décadas mais tarde ainda falavam da Fome como se fosse uma entidade. Ou um fantasma. Tudo por causa de uma única medida equivocada do Grande Timoneiro Mao.

Um único erro.

Mao continuou errando durante sua trajetória assassina como ditador da China. E, por conta disso, os chineses continuaram sofrendo torturas, humilhações e morte. Mao era um guerrilheiro competente, um general brilhante, um homem de ação. Mas, como administrador, não passava de um fracasso rotundo.

É assim. Basta um administrador incompetente para que o direito entorte e o certo vire errado. O Grêmio está nesse caminho. Usando ainda a metáfora marítima que tanto agradava ao Grande

Timoneiro, claro está que o Grêmio é um barco à deriva. Não tem timoneiro algum, não tem comando, não tem idéias, nem planejamento.

O presidente Flávio Obino é um homem cordato e competente, já demonstrou eficiência em outras áreas, mas agora está pecando por inação. O presidente Flávio Obino precisa agir com força e já. Precisa ser decidido. Precisa ser direto e rascante. Ou colocar ao seu lado alguém que assim seja. Antes que o ano do centenário seja também conhecido como o Ano da Fome.

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Arte
Mundo dos bonecos encanta crianças na Serra



As atrações do fim de semana de encerramento do 15º Festival Internacional de Teatro de Bonecos, em Canela, incluem um desfile pelo centro da cidade, hoje à tarde, e as apresentações de grupos holandeses e espanhóis (foto Robinson Estrásulas/ZH)


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Sexta-feira, Junho 06, 2003




Esta foto foi-me enviada pelo Gilberto Simon lá do Porto Imagem ver o último link a esquerda ai na página onde existem outros fotos belíssimas, além de outros assuntos interessantes lá no novo site deles. O título é a Lua de Floripa. Tenham todos uma ótima noite e amanhã a gente se encontra logo cedinho se Deus quiser e Ele há de querer.

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Esta é a capa da Revista Isto É deste fim de semana e as manchetes principais estão abaixo.

BRASIL

OS ABACAXIS DO PRESIDENTE
Além de convencer críticos de que não repetirá política de FHC, Lula tem de aplacar a fúria dos juros

A JURISPRUDÊNCIA DO GRAMPO
STF usa nova lei para processar deputado sem aval da Câmara

TEM PEIXE NA REDE
Empresários de futebol são presos pelo escândalo dos fiscais

ISTOÉ SÃO PAULO

AMORES IMPROVÁVEIS
A história de casais muito diferentes que deram certo
As dicas de roteiros

COMPORTAMENTO

AS NOVAS MORENAS
Acabou o reinado das loiras! A cor do inverno é castanho-escuro

MUNDO

CONTROVÉRSIA
Midia americana pode virar grande monopólio

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

AMAZÔNIA EM TRANSE
Clima da floresta poderá ser tão árido quanto o de Brasília

PLANO DE VÔO
Ministro fala a ISTOÉ sobre o acordo espacial com a Ucrânia

TESTES

HUMANOS OU ROBÔS?
Teste se você está mais para super-homem ou C3PO

PET: qual bicho é ideal para você?

CÃES: que cachorro você é?

INTUIÇÃO: Você tem 6º sentido?

SEXO: até quando vai durar seu apetite

ECONOMIA E NEGÓCIOS

CHEGOU, BRILHOU
Parceria de Guanaes com Assolan faz da esponja de aço um sucesso

AQUI É LEGAL
Publicitários em Cannes tentam seduzir agências estrangeiras

QUEM DIRIA...
Reunião de biliardários discute o maior sofrimento da humanidade

MEDICINA E BEM-ESTAR

ATAQUE DIRETO
Pesquisa comprova que bloquear vasos é uma saída para inibir tumores

REGRESSO À CIDADANIA
Enfermos aptos a voltar para casa começam a deixar manicômios

OS MAIS ACESSADOS COMO SERÁ SEU BEBÊ
Calcule as chances de seu pimpolho, prestes a nascer, puxar pelo pai ou pela mãe

GUIA DE POSIÇÕES SEXUAIS:
Bonecos mostram o que fazer

GRAFOLOGIA: Confira se a sua letra revela mesmo seu perfil

HIERÓGLIFOS: Escreva seu nome à moda dos faraós

REFLEXOLOGIA
Dor em pontos nas solas dos pés revela problemas de saúde

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Aprendendo a Amanhecer...

Todo dia é um novo dia,
cheio de novas possibilidades,
novas pessoas e novas propostas.

A vida é um banquete.

Se fechamos os olhos e ouvidos
não conseguimos ver,
nem escutar os sons e imagens
que acontecem ao nosso redor.

Se fecharmos as portas do coração,
somos incapazes de sentir afeto,
amor e gratidão.
Deixamos assim,
o trem da existência passar,
enquanto pensamos nas perdas do passado
e nas possibilidades do futuro.

A Vida é AGORA.

É essa tendência boba de pensar só nas
perdas que nos faz perder ainda mais.
Por mais que a gente queira, ou não,
as coisas vão continuar acontecendo.
Como um novo dia.
Amanhecendo...

Autor desconhecido

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Faz algumas semanas era para ter um almoço que por algumas circunstâncias não ocorreu. Depois, foram passando outros dias e completando outras semanas e este almoço até agora, ainda não aconteceu. E hoje sexta-feira mais uma semana encerra-se, deixando a esperança para que ele ocorra na próxima que virá. Sim porque, afinal sempre que uma semana finda, inicia-se por sua vez, outra semana. E ainda bem que é assim.

A i n d a

Não digamos "não", nem "nunca mais"...
não digamos "sempre" ou "jamais"...
digamos, simplesmente: "ainda"!...

Ainda nos veremos um dia...
Ainda nos encontraremos na estrada da vida...
Ainda encontraremos a pousada,
o afeto almejado, a guarida...

Ainda haverá tempo de amar,
sem medo, totalmente... infinitamente...
sem ter medo de pedir, de implorar,
ou chorar...

Ainda haverá tempo,
para ser feliz novamente...
Ainda haverá tristeza,
ainda haverá saudade,
ainda haverá primavera,
o sonho, a quimera...

Ainda haverá alegria,
apesar das cicatrizes...
Ainda haverá esperança,
porque a vida ainda é criança...
e amanhã será outro dia!...

Ainda ficaremos juntos
Ainda nos amaremos mais...
Amo você mas isso não é ainda...

Será para sempre e
Não te esquecerei jamais!

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36.000 ACESSOS

Nestas trinta e seis semanas de existencia neste endereço ENTRELAÇOS chega aos 36.000 pages wiews. Pode não ser relevante, mas também pode ser e muito. Assim escrevo, que de toda a sorte é muito gratificante chegar a esse número, para algo que quando iniciei, jamais havia sonhado ou pensado chegar a tanto.

Assim me emociono e me encanto com a gentileza e paciência de voces, que são as pessoas que diariamente me visitam por alguma razão, enfim. Podem crer, sempre me esforçarei e darei o melhor de mim para que vocês continuem vindo aqui e recebam, com carinho, um grande beijo no coracão de cada um. Thanks meus caros leitores amigos.

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Gestor: R$ 3.433
A Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento prepara abertura de concurso para seleção de analistas de Orçamento, gestores e especialistas em Políticas Públicas. Serão oferecidas 160 vagas, sendo 90 para o cargo de gestor. Os novos servidores ficarão vinculados ao Ministério do Planejamento, mas serão distribuídos em outros ministérios. Do total, 70 vagas serão para analista de Orçamento. Os vencimentos, incluídas gratificações, chegam a R$ 3.433.

O concurso terá duas etapas. A primeira delas será a de provas escritas e avaliação de títulos, ambas eliminatórias e classificatórias. Os aprovados farão a segunda fase, que é o curso de formação, na Escola Nacional de Administração Pública (Enap), recebendo bolsa equivalente a metade do salário. O calendário do concurso será divulgado nos próximos dias, com o lançamento do edital. As inscrições poderão ser feitas pela Internet.

Oficiais da Aeronáutica
A Aeronáutica inscreve até dia 18 interessados ao estágio de adaptação de Oficiais Temporários. São 140 vagas para profissionais das áreas de Engenharia, Arquitetura, Fonoaudiologia, Pedagogia, Psicologia, Direito, Nutrição, Serviço Social, Enfermagem e outras. A idade limite é de 42 anos. A taxa de R$ 50 deve ser paga no Banco do Brasil (agência nº 3602-1, conta nº 170.500-8), em favor do Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica. O edital está disponível na Internet, no site http://www.fab.mil.br/ingresso. Outras informações podem ser obtidas pelos telefones (31) 3490-5098 e 3490-5066.

Cursos de auxiliar e garçom
O Restaurante-escola do Palácio Guanabara, da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), abriu inscrições para cursos profissionalizantes de auxiliar de cozinha e garçom. Serão 60 vagas, sendo 30 para cada especialidade. Para se inscrever, é preciso ter no mínimo 17 anos e a 5ª série do Ensino Fundamental. Interessados devem procurar o Centro de Referência e Informação da escola, das 8h às 17h, com uma foto 3x4, identidade, CPF, além de comprovantes de residência e escolaridade. O restaurante fica na Rua Pinheiro Machado s/nº (prédio anexo ao Palácio Guanabara), em Laranjeiras.

Petrobras
A Petrobras recebe até dia 13 inscrições de jovens que concluíram o Ensino Médio ou cursos técnicos profissionalizantes. A empresa vai preencher 78 vagas no cargo de Operador I, sendo 37 em Duque de Caxias. O salário é de R$ 876, mas poderá chegar a R$ 1.708, com acréscimo de adicional de periculosidade. A empresa oferece alimentação, auxílio-educação, assistência médica e odontológica. A taxa, que é de R$ 30, deve ser paga na Caixa Econômica Federal.

Uma das agências fica na Avenida Rio Branco 39, Centro do Rio. A prova está marcada para o dia 20 de julho. Os candidatos vão responder a questões de Português, Matemática, Noções de Informática, Atualidades e Conhecimentos específicos. O edital está no site http://www.cespe.unb.br/petro2003.

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Desconto nos contratos
Milhares de mutuários no País poderão se livrar dos saldos devedores impagáveis já este ano
Cristiane Campos

Os 176 mil contratos habitacionais da Caixa Econômica Federal que estão chegando ao fim com saldos devedores impagáveis serão liquidados com descontos. Uma das alternativas estudadas é o método de quitação praticado pela Empresa Gestora de Ativos (Emgea), criada para administrar os contratos em desequilíbrio da Caixa. Nesse caso, seriam cobrados 12% do valor de mercado do imóvel. Para se ter idéia, a Emgea já concede o desconto para unidades avaliadas em R$ 5 mil. O mutuário paga R$ 600 e liquida a dívida.

O assunto começou a ser discutido em audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior da Câmara dos Deputados, e contou com participação dos ministérios das Cidades e Fazenda, Caixa, Emgea e associações de mutuários.

A deputada Francisca Trindade (PT-PI) disse que o Governo tem urgência e até o fim do ano uma decisão será tomada. ¿Temos que focar o social, e não o retorno financeiro. A idéia é elaborar uma proposta para liquidar esses contratos sem prejudicar ainda mais os mutuários¿, explicou Francisca. Segunda ela, foi criado um grupo de trabalho para estudar a forma de estender a Lei 10.150. Ela perdoa o saldo devedor de mutuários que assinaram contratos com cobertura do Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS) até 31 de dezembro de 1987. O plano é estendê-la para os financiamentos assinados entre 1988 e 1994.

Temos que rediscutir o papel da Emgea, porque somos um novo Governo, lembrou a deputada. Outro ponto tratado na audiência foram os leilões extrajudiciais que a Emgea vem fazendo. Só no Ceará, são 4 mil execuções. A idéia é suspender esses leilões enquanto não chegamos a um acordo, disse a deputada.

O secretário Nacional de Habitação, Jorge Hereda, concorda com a suspensão, mas destacou que é necessário verificar a forma legal para implantar a medida. O consultor-jurídico da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), Rodrigo Daniel dos Santos, acredita que o fim do pesadelo dos saldos devedores impagáveis está perto. Pela primeira vez, houve convergência de interesses. Antes, apresentávamos o assunto, mas o Governo só queria lucro. Agora, a visão é outra, comentou Santos. Um dos problemas para tanta urgência é que a inadimplência está elevada. Somente nos contratos da Caixa repassados para a Emgea, o índice chega a 44%.

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O rock resiste
Festas e shows dedicados ao bom e velho roquenrol têm público cativo nos quatro cantos da cidade
Eusébio Galvão


O trio Roga, Wilson Power e Edinho mantém a Alien Nation desde 97, sempre com discotecagem rock. A festa acontece toda sexta-feira na Bunker. Eles antecipam as novidades em http://www.aliennation.com.br

Morrer, ele nunca morreu. O rock pode até nem ser mais tão badalado nas pistas, mas sumir, jamais. Prova disso são os espaços que o Rio oferece a quem gosta do ramo. Alguns conhecidos, com bela infra-estrutura, como a recém-reformada Bunker. Outros, no peito e na raça, na casa dos idealizadores, como o Rock na Varanda. E aqueles com ar de fã, como o Florença Rock, que domingo traz o Ratos de Porão para o Rio. Todos na luta em prol de guitarras, baixos e baterias.




Gabriela Al-cici, Leandro Shonfclder, Tatiana Fake e Rafael Valverde batem ponto em noites roqueiras como a da Nautillus

A cena rock não acaba nunca. Pode cambalear, mas não cai. Sempre vai existir um bar pra juntar uma turma e em pouco tempo aquilo vira point, acredita o publicitário Jorge Esquerdo, 30 anos, ele mesmo assíduo freqüentador de redutos pela cidade afora. Jorge até já comprou antecipado ingresso para o show do Ratos de Porão, depois de amanhã.

É mais ou menos a mesma opinião que têm as amigas Debora Birocchi e Laura Dias, ambas de 17 anos, que na noite de domingo se esbaldavam num show do Nocaute no Existe Um Lugar, no Alto da Boa Vista. É bom ir aonde você possa ouvir o que gosta e se expressar como quiser, diz Debora. A dupla bate ponto todo sábado na Rua Ceará, berço do Garage, esteja ele funcionando ou não Se não tem Garage, toca-se no chão de um bar mesmo e sempre tem uma banda disposta a isso pra alegrar os presentes, emenda Jorge.


Raos de Porão: show no domingo

É para pessoas assim que os DJs Edinho, Wilson Power e Roga trabalham há 15 anos, desde os tempos do Crepúsculo de Cubatão. ¿Fazendo a coisa certa, a idéia anda¿, diz Wilson, que atribui o sucesso da festa Alien Nation (que mantém com Edinho e Roga) à combinação de amor pelo rock e infra-estrutura de primeira. Ar condicionado, banheiros legais e bebidas com preço digno, completa. Seu companheiro Edinho está empolgado com a nova etapa da festa, que encampou a London Burning também na Bunker e apresentará shows toda semana. Eu tenho banda e sei o quanto está difícil um lugar legal para tocar, desabafa. A vocalista da banda Chantilly, Tatiana Fake, 27, que prestigiou a Allien Nation sábado, na Nautillus, agradece. Quem vai a esses lugares é por causa da música. O mais legal é que os DJs pesquisam coisas novas sempre, diz.

Foi para abrir espaço aos novos que se ergueu a Casa da Zorra, no Engenho de Dentro. Estamos abertos e funcionando bem. Não é porque é underground que tem que ter banda ruim, destaca o produtor Luciano Pereira.

Promoção: Os 10 primeiros que apresentarem este jornal na bilheteria da Bunker 94, a partir das 22h de hoje, ganham dois ingressos. Os cinco primeiros que ligarem para 0800-909021, entre 11h e 11h15, levam dois convites para o show do Ratos de Porão.

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JOSÉ SIMÃO
simao@uol.com.br


Buemba! Sheila Mello trai as louras!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Alta Traição! Sheila Mello pinta o cabelo de ruivo! Mas continua loira de coração! E sabe o que é a Sheila Mello pintar o cabelo loiro de ruivo? Inteligência Artificial! E como é que trai as louras assim? Como é que abandona a piada? Loira pra mudar a cor do cabelo tem que fazer plebiscito! Ela tinha que continuar loira e fazer como a Carla Perez: que escreveu ACM com 'C' cedilha, AÇM!

E agora eu quero saber uma coisa importantíssima: ela pintou TUDO de ruivo? Senão ela vai ficar parecendo táxi argentino: uma cor em cima e outra embaixo. Rarará! Temos que esperar a próxima 'Playboy'! E será que não fazia parte do contrato? Saiu do É o Tchan não pode ser mais loura! É mole? É mole, mas sobe!

E o Zé Alencar? O Zé Alencar parece o Toppo Giggio! E diz que ele se anuncia assim: 'Meu nome é José Alencar, J de Juros e A de Altos'. E por que ele não fez um JURAmento de silêncio? E diz que o Zé Dirceu vai dar uma gelada no Zé Alencar: embaixador no pólo Norte. Ou então assessor do Itamar. Aliás, sabe qual a diferença entre o Itamar e o Zé Alencar? O topete! E sabe por que o Lula se encontrou com o Zé Alencar na Base Aérea de Brasília? Pra mandar o mineiro pro espaço!

Buemba 2! Lula é vaiado na CUT! O Lula sendo vaiado na CUT só pode ser VAIA AMIGA! Deixa eu entender: o hóme tem 78% de aprovação e é vaiado? Vaia Amiga! E aí o vice da CUT, Wagner Gomes, disse que foi uma vaia residual. E o que diabos quer dizer vaia residual? Já sei, vaia simples: ÚÚÚÚ! Vaia residual: Ú!

E a Hebe? A minha Lourebe Camargo! Recebeu da Fiam o título de professora honoris causa. Errado. Devia ser perua honoris causa! Rarará! E olha essa notícia bombástica: 'Bordel americano faz promoção para veteranos de guerra'. Tradução: mate um iraquiano e fature uma coelhinha! Só pode ser!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que um amigo entrou num restaurante em Lagoa da Prata, Minas, quando leu no cardápio: 'galináceo do campo'. Tucanaram a galinha caipira! Pior, um amigo estava andando quando viu uma casa com um São Jorge iluminado e a placa 'orientador espiritual'. Tucanaram o macumbêro. Socorro. Chama o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês!

E atenção. Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Extraído': companheiro que não é mais chifrado, companheiro que deixou de ser corno. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Email simao@uol.com.br

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David Coimbra
06/06/2003


O bigode e o mocotó

Há duas coisas que as mulheres de hoje detestam: bigode e mocotó. O que diz muito sobre elas. Você quer saber algo sobre as mulheres do século 21, pense nisso: elas têm ojeriza a bigode e a mocotó. Explico, dois pontos:

Peguemos o mocotó. Um prato saboroso e deveras nutritivo. Porém, a maioria das mulheres não pode ver uma borbulhante panela de mocotó ou mesmo do seu primo-irmão, o mondongo, sem dizer blergh. Menos pelo caráter borrachudo de alguns ingredientes e mais por sua aparência caótica. Porque, afinal, lulas fritas são tão elásticas quanto rodelas de intestino de boi, e as mulheres concebem lulas fritas como iguarias, mas sentem engulhos só de ler: "rodelas intestinais".

No cálculo da apreciação feminina do mocotó não entra, pois, o gosto. Gosto que deveria ser prioritário no processo de avaliação de qualquer alimento. Neste cálculo entra, tão-somente, a aparência. Certo. Agora, o segundo ponto. O bigode. Entrevistei mulheres aqui mesmo da Redação acerca do bigode. A Dione Kuhn vinha passando diante do meu terminal e a detive:

- Dione, me responda: o que tu achas do bigode?

A Dione, com verve germânica, tascou:

- Não.

E se foi ereta rumo à Política. Resposta esclarecedora. Peremptória. Não, pronto. Nada mais a declarar.

Aí a Paola Deodoro sentou-se na paginadora que fica ao meu lado. Olhei para ela:

- Paola, o que tu me diz do bigode?

Fúria repentina.

- Se meu marido deixa o bigode crescer - começou, perdigotos de raiva caindo sobre o teclado, inundando o pê e o efe - Se ele deixa crescer, espero que durma e raspo tudo! Tenho nojo de bigode! Bigode é coisa de pilantra! Pilantra! Pilantra!

Não toquei mais no assunto, por cautela. Esperei que a Laurinha Coutinho se aproximasse. A Laurinha é a tolerância de cabelos castanhos. Arrisquei:

- Laurinha, e o bigode, que tal?

Ela sorriu de lado:

- O bigode é meio o ó.

Meio o ó. Insulto grave, em se tratando de Laurinha. Logo, o bigode foi sobejamente desaprovado.

Por que esse ódio ao bigode e ao mocotó? Direi: pela mesma razão que só faz aumentar o prestígio dos seios balofos. É a estética norte-americana! Hollywood, compreende? Esteites. Os padrões de beleza de nossas mulheres são os padrões americanos. De nada adiantam os Olívios e os Rivellinos, de nada adiantam nossas tradições gastronômicas ou o rijo e saudoso seio que cabia na mão em concha. Você quer agradar as mulheres modernas? Mantenha o rosto glabro. Coma sushi. Reconheça, enfim: eles venceram. O cinema nos derrotou.
david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
06/06/2003


O direito de mentir

A foto de Benhur Santin na contracapa de Zero Hora de ontem foi um dos flagrantes de maior perversidade humana nos últimos tempos: um cão pittbull de menos de 20 quilos foi obrigado por dois homens a puxar um automóvel de quase uma tonelada.

Sob o pretexto de estar treinando para competições.

A foto é revoltante. Porque nenhum ser vivo pode ser obrigado a sustentar qualquer peso excessivo, constituindo-se isso em tortura inclemente.

Uma pessoa só pode erguer grandes pesos se esta é a sua vontade. Obrigar uma pessoa ou um animal a tracionar carga 50 ou cem vezes maior do que o seu próprio peso é um martírio bestial.

Sobre os animais, ainda mais desumano: a vítima não chora, não tem como reclamar, não pode solicitar compaixão, é destituída de linguagem, um ser completamente indefeso, entregue somente à misericórdia dos seus algozes.

A maior perplexidade sobre esta tortura medieval a que os treinadores do pittbul submetem o seu cativo é que eles procedem de forma aberta e pública, divulgando até mesmo a prática crudelíssima.

Ou seja, demonstram não ter a mínima consciência de sua crueldade. Acreditam firmemente que estão entregues a uma salutar prática esportiva, sem atentarem para a dor e a aflição do animal.

Este fato demonstra cabalmente aquela sentença corrente de que a mais bárbara de todas as feras é o homem.

E eu nunca me imaginaria como me encontro agora: defendendo um pittbull!

Humildemente, quero estranhar a onda nacional criada contra o advogado Clóvis Sahione, por ter sido flagrado por um microfone da imprensa a instruir o fiscal Carlos Eduardo Pereira Ramos, réu de diversos crimes relacionados aos depósitos encontrados na Suíça, na trama aquela dos fiscais que extorquiam devedores de impostos, no Rio de Janeiro, a adulterar sua assinatura num teste grafotécnico a que era submetido em uma audiência na Justiça.

A Ordem dos Advogados do Brasil, secção do Rio de Janeiro, submeterá o advogado a um tribunal ético, prevendo-se sua punição.

Não estou entendendo nada. O único tipo de pessoa, entre todos da cidadania, que está imune da acusação de perjúrio é o réu.

Este princípio foi incorporado a todos os Códigos Penais modernos pelo ensinamento de São Tomás de Aquino: o réu tem o direito de mentir.

A lei brasileira diz claramente que o réu não é obrigado a produzir provas contra si.

O que quer dizer, em outras palavras, que o réu tem o direito de tentar produzir provas a seu favor, mesmo que adulteradas.

Até mesmo porque chega a ser quase banal a presunção do julgador de que o réu possa estar mentindo a seu favor.

Como é então que a OAB carioca quer processar o advogado? Como é que o juiz que preside o caso declarou que, se ficar comprovada a intenção do réu de obstruir a produção de uma prova, ele poderá ser processado por falsidade ideológica?

Réu processado por falsidade ideológica no exercício de sua defesa? O meu modesto entender é que um réu só não pode é atingir a incolumidade de outras pessoas ao se defender com falsidades, mas se estas vierem somente em seu auxílio serão inimputáveis.

Se São Tomás de Aquino já afirmava que o réu tem o direito de mentir, evidentemente que esse direito é estendido a seu defensor.

Num processo, réu e defensor são a mesma pessoa. O defensor tem o dever de proteger o acusado, cumprindo com a sua vontade.

Evidentemente que toda a aparência deste caso demonstra a culpabilidade dos réus, que por isso terão de pagar por seus crimes.

No entanto, o princípio da ampla defesa compreende o esperneio do réu através mesmo da mentira, dentro do processo, isso é muito difícil de ser entendido pela maioria das pessoas, mas é essencial na aplicação da justiça. Por inexigibilidade de outra conduta do réu, diante da perspectiva de vir a ser condenado.

Este advogado não poderá ser penalizado por ter instruído o réu a mentir. Se fizer isso, a OAB carioca vai se quebrar historicamente.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Religião
A centésima viagem



João Paulo II desembarcou ontem na Croácia, batendo o recorde do papado em viagens internacionais e justificando o apelido de ¿Papa viajante¿ (foto Domenico Stinellis, AP/ZH)


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Quinta-feira, Junho 05, 2003




E como a quinta-feira tambem se foi para dar lugar a sexta-feira que já vem vindo, deixo-os com os anjinhos de cada um e que amanhã seja um dia, tranquilo, cheio de alegrias e lindo no que diga respeito aos seus. E não esqueçam do que já dizia Confucio quando lhe fizeram a seguinte pergunta:O que mais o surpreende na humanidade?:

E ele respondeu:

"Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o

dinheiro para recuperar a saúde.

Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma

que acabam por nem viver no presente nem no futuro.

Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem

vivido.

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Parabéns a Flavia lá da Metade mim, cujo filho GABRIEL, nasceu no dia 02 de junho. Saúde enorme para os dois e felicidades para ambos. Eu lembro sempre de um ditado que diz: quando estiver bem cansado, bem nervoso, deixe tudo e vá ter com uma criança. Sinta o pouso e o repouso do seu coração.

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CAIXA EXPÕE INICIATIVAS LIGADAS AO MEIO AMBIENTE
COMEMORAÇÕES DA SEMANA DO MEIO AMBIENTE CONTAM COM PARTICIPAÇÃO ATIVA DA CAIXA EM DIVERSO ESTADOS.

A Caixa participa da Semana do Meio Ambiente e está presente em eventos e patrocinando projetos ligados diretamente ao meio ambiente. Conheça algumas iniciativas da Caixa:

- Santa Catarina
Na VI Mostra e Seminário de Educação Ambiental e Ecologia, que está acontecendo de 03 a 5 de junho, nos pavilhões da EFAP I em Chapecó, a Caixa realiza exposição de fotos, mostra das obras e iniciativas nas quais tem participação direta com financiamentos, repasses e acompanhamento, como os Aterros Sanitários de Chapecó e Concórdia e Estação de Tratamento de Esgoto de Chapecó.

- Paraná
Na região de Londrina, a Caixa organiza, neste fim de semana (7), uma Caminhada Ecológica em parceria com a prefeitura de Siqueira Campos. Durante o evento serão plantadas árvores, alevinos serão libertados nos rios e sementes serão jogadas na mata.

- São Paulo
Será inaugurada uma usina com capacidade para tratar 100% do lixo em Jaboticabal, interior de São Paulo. Os catadores de lixo formaram uma cooperativa para trabalhar na Usina.

- Vale do Paraíba
Em Guaratinguetá, o 3º encontro do "Recicla, Vale!" reuniu representantes de diversas prefeituras da região do Vale do Paraíba. O "Recicla, Vale!" é uma iniciativa da Caixa e objetiva fomentar práticas adequadas de preservação do meio ambiente.

- Maranhão
A Caixa está participando em São Luis, do Projeto "Bairro Limpo". Dentre as ações planejadas para este ano, foram definidos dois bairros, um por semestre, a receber atenção especial de Educação Ambiental e de limpeza pública.

Além destas iniciativas, a Caixa está patrocinando o livro "Estado do Mundo 2003: A 'impossível' revolução ambiental está acontecendo", com apresentação da Senadora Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente.

Nesta edição de 20º aniversário de publicação, a equipe de pesquisadores e editores internacionais argumenta que os sucessos do passado, como a varíola e a queda da taxa de natalidade em muitos países, provam que a humanidade é capaz de se redirecionar de forma positiva.

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Quinta, 5 de junho de 2003.
A Nissei é parruda
Sucesso nos EUA, a Xterra, derivada da Frontier agora é nacional e vem com design agressivo para disputar espaços com a Blazer e utilitários-esportivos importados
Eduardo Sodré


Ressalto abriga bolsa de primeiros socorros. Estepe vai embaixo

BROTAS, SP - Pegue uma caixa de ferramentas bem ao gosto dos americanos e coloque dentro dela um canivete suíço. Pode parecer estranho, mas foi inspirado nesses dois objetos que a Nissan criou o utilitário-esportivo XTerra. E apesar da exótica inspiração, deu certo. O motor diesel MWM Sprint 2.8 somado às soluções práticas de acabamento transformam o carro instantaneamente em uma das estrelas do segmento, que carecia de mais opções fabricadas no Brasil.

O grande concorrente é, sem dúvida, a Chevrolet Blazer, e não será fácil para a GM segurar o XTerra. Os carros possuem pontos negativos semelhantes, como utilizar a mesmas suspensões de suas respectivas irmãs picapes sem alterações ou pena daqueles que vão rodar mais no asfalto e sem excesso de peso. Mas enquanto a empresa americana ainda trata seu utilitário como uma S10 fechada, a japonesa diferenciou bastante seu novo produto da já conhecida Frontier.


Espaço para quem vai atrás ficou bem acima da média

O espaço para quem vai no banco de trás da XTerra é bom, bem diferente do acanhado vão para pernas da picape. Além disso, fica-se em posição elevada em relação aos passageiros do banco da frente, o que garante visibilidade acima da média. O teto acompanha tal elevação, evitando cabeçadas desagradáveis, o que poderia acontecer devido ao feixe de molas da Frontier, que faz os ocupantes da traseira irem ao céu em cada variação do piso.

O acabamento é dos melhores, mas é difícil imaginar que todos os plásticos presentes conseguirão resistir aos maus tratos em trilhas como as do teste, sem se desprender. Mas tudo bem: de acordo com um levantamento realizado pela Nissan, apenas 10% dos compradores enfiarão o pé na lama com seu XTerra.


Motor é o conhecido MWM Sprint que equipa a Frontier e a Blazer

Haverá duas versões de acabamento, XE (R$ 99.100) e SE (R$ 103 mil). A primeira a ser apresentada foi a mais cara, que trás como equipamento de série rodas de liga leve, bússola e termômetro digitais, apoio de braço entre os bancos dianteiros, alarme, airbag duplo e um sistema de som que inclui, em um só aparelho no painel, rádio, CD player para seis discos e toca-fitas. Ambos os modelos trazem em seus pacotes básicos ar-condicionado, vidros, travas e retrovisores elétricos, freios ABS nas quatro rodas e um prático rack de teto, com espaço até para roupas molhadas. Bancos em couro são opcionais e custam R$ 2 mil para a SE.


Com tudo isso há de se admitir que o carro é realmente prático por fora, como uma caixa de ferramentas, e funcional por dentro, ao estilo de um canivete suíço. Mesmo assim, haja criatividade para tal definição...

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José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! Tomou Cornil, o chifre sumiu!

Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! A vaidade é tudo! Escova de cabelo salva Genoino de seqüestro relâmpago. Então, se fosse o Esperidião Amin, ele já teria dançado? Ele devia fazer propaganda de escova elétrica na televisão!

E fila de caixa eletrônico em São Paulo agora é assim: um pra tirar dinheiro e oito seqüestradores atrás gritando: 'Rápido, que eu tô com uma seqüestrada esperando no carro'. E não adianta blindar. Tem que fazer como em Portugal: botar pára-raio pra evitar seqüestro relâmpago!

E aqui em Sampa seqüestraram um homem a pé no ponto de ônibus. E levaram o coitado pro cativeiro de busão. Ou seja, ser seqüestrado já tá virando brega! E em Pernambuco seqüestraram um homem a cavalo, é o seqüestre. E uma bicha amiga minha blindou a coleira do cachorro. E sabe qual a diferença entre um semáforo de São Paulo e uma luta de boxe? É que na luta de boxe só tem 12 assaltos. Rarará.

E o Zé Alencar? Quando o Lula viaja, o Zé Alencar é um presidente em exercício ou um dissidente em comício? E recado do Zé Dirceu pro Zé Alencar: 'O Lula gostaria que você falasse menos e OVICE mais'. 'Então JUROS que fico calado!' O Itamar criou uma dinastia! E sabe por que em Minas tem aquelas mesas com gaveta? Porque mineiro come em gaveta, aí quando as visitas chegam, eles fecham a gaveta e fingem que tão jogando dominó! Rarará!

E sabe por que o Brasil é o país da putaria? Porque foi batizado com o nome de um pau: pau-brasil! E a bandidagem está tão sofisticada (pra desgosto do Datena) que agora já tem celular que dá tiro. Deve ser pra mandar torpedo pra namorada. E celular que dá tiro não é o Vivo. É o Ex-Vivo! E a seleção do Parreira devia se chamar Muito Prazer. Não conheço ninguém. Só tem galinho! Mas diz que jogador novo é que é bom: joga futebol o dia inteiro embaixo de chuva e ainda depois dá oito na namorada.

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que a Hilária Clinton acaba de lançar um livro. E diz que o Pinton confessou pra ela que 'teve uma intimidade inadequada com a estagiária'. Intimidade inadequada? Tucanou a chupeta! A Chupeta Maldita! E o diário da Hilária devia se chamar 'Tomou Cornil, o Chifre Sumiu'. Rarará!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Menosprezo': diminuição da população carcerária. Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. UFA!

Email simao@uol.com.br

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Paulo Sant'ana
05/06/2003


As queixas de Lula

No Congresso da CUT, o presidente Lula da Silva pediu ontem paciência ao povo, que os melhores resultados do seu governo ainda estão por vir.

"A criança ainda está no ventre, tem apenas cinco meses, e já estão dizendo que ela é feia. Esperem mais quatro meses para ela nascer. Aí se verá se ela é feia ou bonita", disse o presidente a respeito do seu governo.

Pois eu quero dizer que o apelo de Lula me sensibilizou. Cinco meses é muito pouco governo. Vou esperar a fase fetal do governo. Aguardemos com esperança os trabalhos de parto.

Mas, cá para nós, foi uma grosseria o que fez o ministro da Previdência, orientado pelo chefe da Casa Civil, com o senador Paulo Paim.

Recusar-se a receber um senador da República, filiado ao partido do governo, com audiência que tinha sido marcada, é um ato de prepotência injustificável.

Quantas vezes todos ouvimos o Lula e seus ministros dizerem que os projetos das reformas seriam enviados ao Congresso e deveriam ser amplamente debatidos pela nação. Inúmeras vezes incitaram ao debate, ao exame à discussão dos projetos por todos os setores nacionais.

E agora o senador Paim foi lá para entregar as suas sugestões e é escorraçado?

E o Planalto declara que o vice-presidente José Alencar já foi longe demais na sua oposição à taxa de juros.

Será possível que Lula venha a se recusar a receber o vice-presidente, como o ministro fez com o senador?

Será possível que queiram enquadrar o vice como tentam enquadrar a Heloísa Helena e a Luciana Genro?

Se o vice-presidente fosse do PT, já se teria cogitado de expulsá-lo do partido, como o fizeram severamente com os dissidentes?

Mas e o debate? Mas e a livre manifestação de opinião sobre as reformas, onde é que ficam?

Mas não foi escolhido para ser vice um empresário? E pode um empresário no atual momento de mais completa estagnação da atividade econômica concordar com a taxa impalatável dos juros, que asfixia os investimentos e estrangula o emprego?

Particularmente, louvo a coragem do governo em enfrentar a inflação e derrubar o dólar, compreendendo a altura constritiva dos juros.

Mas o governo tem de permitir a discordância. Querer que o vice e os dissidentes do PT parem de pensar e se voltem contra as suas origens é autoritarismo.

Não se pode negar o direito que os outros têm de berrar.

Mas Lula também se queixou de que a imprensa não está dando repercussão à sua medida de dotar as famílias dos doentes mentais de um auxílio de R$ 240 mensais para tratar de seus pacientes em casa, evitando a proliferação dos hospícios.

Pois então que se elogie tal medida nesta coluna. Ela vem ao encontro da moderna política médica de não amontoar os loucos nos manicômios.

E também lamentou o presidente que o plano turístico lançado pelo governo, que vai criar 1,2 milhão de empregos, não esteja sendo divulgado pela imprensa.

Bem, aí, numa visão muito particular deste cronista, penso que não se acredite em criar tantos empregos no turismo, se Lula não tem a audácia de implantar o jogo no país, instalando cassinos nas paradisíacas praias brasileiras.

Para atrair estrangeiros para cá. E arrecadar impostos. A alegação de que o jogo vai prejudicar a família brasileira é hipócrita. Nunca se jogou tanto em bingo, maquininhas, loterias etc. como atualmente. Em toda a parte que se vai, é jogo para lá e jogo para cá. Brasileiros estão afundados no jogo, por que não atrair os turistas estrangeiros com cassinos nas praias e estâncias serranas?

Se Lula tomasse essa medida, aí ele ia ver o que era criar 3 milhões de empregos de uma tacada.

Enquanto isso, os brasileiros que gostam de cassino levam daqui o nosso dinheiro para o Exterior.

Uma lástima. Um cassino em Gramado ou Canela, outro em Torres, multiplicariam por 10 a atividade econômica na nossa Serra e no Litoral.

Mas reconheço que para esta medida de impacto um governo tem de ter muita coragem. Só que sem audácia não se governa.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Joelmir Beting
Quinta-feira, 5 de junho de 2003


Em casa sem pão

Na sentença do vice-presidente da República, José Alencar, empresário de carreira, as taxas de juros cobradas da produção e do consumo não passam de um "verdadeiro assalto". Eis que o ministro do Planejamento, Guido Mantega, principal assessor econômico do PT, enquadra o alvo: "O assalto à mão armada está no disparate do spread bancário."

O presidente Lula, finalmente, conversa com o vice Alencar sobre a conveniência política de uma sintonia fina entre o recurso curto e o discurso solto do governo como um todo. Exigência da melindrosa reversão das expectativas econômicas da sociedade brasileira, ainda ressabiada e em transe.

Está na sociologia do mercado: nesta altura do calendário, uma reversão das expectativas, na linha do "o pior já passou e agora a coisa vai engrenar", vestiria a camisa da própria reestabilização dos preços, dos custos e dos juros. Assim como a expectativa da crise provoca a crise que sanciona a expectativa, também uma percepção coletiva da iminente superação da crise é condição relevante, ainda que não suficiente, para essa virada do jogo.

Ocorre que o vice Alencar tem luz própria, como holofote próprio tinha o vice Itamar. Lembram-se? Itamar Franco chegou a ponto de, na Presidência, fazer oposição a si mesmo.

O problema é que a questão dos juros, que é técnica, adernou para uma crise política intestina do governo Lula. O segundo homem do governo, que não é o vice José Alencar, mas o ministro da Casa Civil, José Dirceu, articulador político por ofício do cargo, acaba de atacar o incêndio em domicílio com jatos de álcool anidro.

Disse José Dirceu, terça-feira, na reunião semanal de coordenação política do Planalto: "Nessa encrenca gratuita dos juros, o presidente entra de bandidão e o vice de mocinho. Assim não dá. Desse jeito, fica realmente complicado coordenar o governo."

Em outro nível de competência, Alencar tem o mesmo pavio de Itamar: muito curto. Ou se preferem: sem pavio. Tanto assim que, com crachá de PL no ninho do PT, rebateu de bate-pronto na mesma terça-feira: "Se até hoje o próprio governo não me procurou nem me consultou para nada, dando a entender que não tenho nenhuma serventia no Palácio, então me considero politicamente liberado para dar minha opinião pessoal sobre qualquer assunto do governo."

Vixe! Que vice! José Alencar só faltou dizer: na contestação da política econômica, refém da antiga criogenia monetária, que de há muito asfixia a economia e estiola a sociedade, "nada mais faço que cobrar o programa do partido deles e a promessa eleitoral do presidente".

SECOS & MOLHADOS

Até quando? - Única certeza: se o descarte da overdose de arrocho monetário (que até por overdose é veneno puro disfarçado de remédio duro) é uma questão técnica bem ao largo da arena política, que se parta para uma solução técnica. Algo mais que aguardar, bovinamente, a queda da inflação.

De resto, já em queda.

Que solução? - Rebaixar a Selic na base e acionar a queda do ''spread" na ponta. A primeira depende da caneta colegiada do BC. A segunda exige mudanças ousadas. Pelo governo, redução orquestrada da cunha fiscal na taxa final (29%), dos compulsórios (68%) e da porosidade e morosidade das garantias bancárias.

Por que não? - Por iniciativa dos bancos, a bordo de retenções menores com garantias maiores, cuidar de ganhar menos sobre cada vez mais, sustentavelmente. Até aqui, eles se obrigam a ganhar mais sobre cada vez menos. Em certas linhas, já no limite da usura. Ou da ruptura.

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Paulo Sant'ana
05/06/2003


As queixas de Lula

No Congresso da CUT, o presidente Lula da Silva pediu ontem paciência ao povo, que os melhores resultados do seu governo ainda estão por vir.

"A criança ainda está no ventre, tem apenas cinco meses, e já estão dizendo que ela é feia. Esperem mais quatro meses para ela nascer. Aí se verá se ela é feia ou bonita", disse o presidente a respeito do seu governo.

Pois eu quero dizer que o apelo de Lula me sensibilizou. Cinco meses é muito pouco governo. Vou esperar a fase fetal do governo. Aguardemos com esperança os trabalhos de parto.

Mas, cá para nós, foi uma grosseria o que fez o ministro da Previdência, orientado pelo chefe da Casa Civil, com o senador Paulo Paim.

Recusar-se a receber um senador da República, filiado ao partido do governo, com audiência que tinha sido marcada, é um ato de prepotência injustificável.

Quantas vezes todos ouvimos o Lula e seus ministros dizerem que os projetos das reformas seriam enviados ao Congresso e deveriam ser amplamente debatidos pela nação. Inúmeras vezes incitaram ao debate, ao exame à discussão dos projetos por todos os setores nacionais.

E agora o senador Paim foi lá para entregar as suas sugestões e é escorraçado?

E o Planalto declara que o vice-presidente José Alencar já foi longe demais na sua oposição à taxa de juros.

Será possível que Lula venha a se recusar a receber o vice-presidente, como o ministro fez com o senador?

Será possível que queiram enquadrar o vice como tentam enquadrar a Heloísa Helena e a Luciana Genro?

Se o vice-presidente fosse do PT, já se teria cogitado de expulsá-lo do partido, como o fizeram severamente com os dissidentes?

Mas e o debate? Mas e a livre manifestação de opinião sobre as reformas, onde é que ficam?

Mas não foi escolhido para ser vice um empresário? E pode um empresário no atual momento de mais completa estagnação da atividade econômica concordar com a taxa impalatável dos juros, que asfixia os investimentos e estrangula o emprego?

Particularmente, louvo a coragem do governo em enfrentar a inflação e derrubar o dólar, compreendendo a altura constritiva dos juros.

Mas o governo tem de permitir a discordância. Querer que o vice e os dissidentes do PT parem de pensar e se voltem contra as suas origens é autoritarismo.

Não se pode negar o direito que os outros têm de berrar.

Mas Lula também se queixou de que a imprensa não está dando repercussão à sua medida de dotar as famílias dos doentes mentais de um auxílio de R$ 240 mensais para tratar de seus pacientes em casa, evitando a proliferação dos hospícios.

Pois então que se elogie tal medida nesta coluna. Ela vem ao encontro da moderna política médica de não amontoar os loucos nos manicômios.

E também lamentou o presidente que o plano turístico lançado pelo governo, que vai criar 1,2 milhão de empregos, não esteja sendo divulgado pela imprensa.

Bem, aí, numa visão muito particular deste cronista, penso que não se acredite em criar tantos empregos no turismo, se Lula não tem a audácia de implantar o jogo no país, instalando cassinos nas paradisíacas praias brasileiras.

Para atrair estrangeiros para cá. E arrecadar impostos. A alegação de que o jogo vai prejudicar a família brasileira é hipócrita. Nunca se jogou tanto em bingo, maquininhas, loterias etc. como atualmente. Em toda a parte que se vai, é jogo para lá e jogo para cá. Brasileiros estão afundados no jogo, por que não atrair os turistas estrangeiros com cassinos nas praias e estâncias serranas?

Se Lula tomasse essa medida, aí ele ia ver o que era criar 3 milhões de empregos de uma tacada.

Enquanto isso, os brasileiros que gostam de cassino levam daqui o nosso dinheiro para o Exterior.

Uma lástima. Um cassino em Gramado ou Canela, outro em Torres, multiplicariam por 10 a atividade econômica na nossa Serra e no Litoral.

Mas reconheço que para esta medida de impacto um governo tem de ter muita coragem. Só que sem audácia não se governa.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Diplomacia
Cumprimento na direção da paz



Bush observa o palestino Mahmoud Abbas (E) e o israelense Ariel Sharon selarem acordo rumo ao fim do conflito (foto Hussein Mall, Reuters/ZH)


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Quarta-feira, Junho 04, 2003




Que este amor não me cegue nem me siga
Hilda Hilst

Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua de estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.

Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.

Que este amor só me veja de partida.

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Agora oficialmente já podemos usar a logomarga do Programa Fome Zero aqui nesta página e colocar um link para o Programa de sorte a facilitar as doações das pessoas, se assim elas quiserem fazê-lo, conhecer mais do Programa, ver as empresas parceiras, etc.

ENTRELAÇOS

Agradecemos sua participação na Campanha Fome Zero. Estamos encaminhando a
Logomarca e solicitamos que a mesma não seja usada quando vinculada à venda
de produtos ou serviços.

Atenciosamente,

Marco Antonio da Silva
Grupo Executivo do Programa Fome Zero


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Lucro da Caixa cresce 60% no trimestre

Resultado no trimestre é de R$ 343,6 milhões, em relação a R$ 214,7 milhões no ano passado

VÂNIA CRISTINO

BRASÍLIA ¿ A Caixa Econômica Federal obteve, no primeiro trimestre deste ano, lucro líquido de R$ 343,6 milhões, 60% superior ao resultado de R$ 214,7 milhões no mesmo período de 2002. Com este desempenho, a Caixa estuda antecipar para o Tesouro Nacional, ao final do primeiro semestre, parte dos dividendos que por lei só é obrigada a destinar ao fim de cada exercício.

O vice-presidente de Controladoria da instituição, João Dornelles, explicou que a legislação determina que, ao final de cada exercício, seja destinado 25% do resultado para os acionistas. No caso da Caixa, cujo único acionista é o Tesouro, toda a parcela vai para a União. A antecipação terá de ser aprovada pelo Conselho de Administração da instituição.

Ontem, a Caixa chamou os analistas de mercado para apresentar os resultados do primeiro trimestre. Os indicadores contábeis, informou, indicam crescente melhora da saúde financeira da instituição, com crescimento de suas atividades sociais. O resultado bruto da intermediação financeira no período foi de R$ 2,26 bilhões, o dobro do aferido entre janeiro e março de 2002, em conseqüência do aumento do volume de negócios.

Apesar dos bons resultados, os auditores independentes, responsáveis pela análise dos dados, fazem ressalvas. A KPMG Auditores Independentes ressalta que não foi possível avaliar se é suficiente ou não a provisão para perdas, no valor de R$ 3,19 bilhões, dos créditos que a Caixa tem a receber do Fundo de Compensação de Variações Salariais. "No atual estágio, o processo apresenta inconsistências de dados e um conjunto de contratos pendentes de análise e conferência", apontaram os auditores.

Eles também chamaram a atenção para uma pendência da Caixa junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e à Receita Federal, referente à insuficiência no recolhimento das contribuições previdenciárias de seus empregados e PIS/PASEP. Segundo os auditores, a Caixa alegou que tem chance de êxito na defesa das duas autuações, mas já fez as provisões necessárias, de R$ 100 milhões para o INSS e de R$ 539 milhões para o PIS/PASEP.

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BB lança seguro de vida para mulheres

Em casos de câncer de mama ou colo do útero, pode até ser resgatado em vida

PRISCILLA MURPHY

BRASÍLIA - O Banco do Brasil anunciou ontem o lançamento de um seguro de vida dirigido a mulheres que, além da cobertura tradicional, inclui um pacote de serviços especialmente criado para esse público. O BB Seguro Vida Mulher, que estará disponível para os correntistas na rede de agências do banco a partir de segunda-feira, e na internet em cerca de um mês, poderá ser resgatado em vida em caso de diagnóstico de câncer de mama ou do colo do útero, ou de invalidez.

O seguro oferece um serviço de emergência, o SOS Mulher, que inclui assistência domiciliar, como babá e berçário, guarda de animais de estimação, segurança e vigilância, além de consertos variados na casa.

Por meio da "assistência segunda opinião médica", a seguradora pode enviar exames médicos de qualquer espécie para que sejam analisados por um especialista nos Estados Unidos. Além disso, há um serviço de assistência jurídica, que fornecerá à cliente orientações básicas em casos de divórcio ou questões trabalhistas com a empregada doméstica, por exemplo.

Com mensalidade a partir de R$ 10 para as menores faixas etárias, o seguro oferece indenização de R$ 10 mil a R$ 400 mil para morte e de R$ 10 mil a R$ 30 mil para diagnóstico dos dois tipos de câncer. Da mensalidade, ou prêmio, 2,5% serão destinados a programas sociais patrocinados pelo BB nas áreas de educação, cidadania e trabalho.

A Aliança do Brasil, seguradora do BB, oferece também um serviço opcional, por R$ 1,40 ao mês, com a venda de remédios a preços baixos. Por meio de acordos com empresas farmacêuticas, o BB promete entregar os medicamentos aos clientes de todo o País em no máximo 48 horas, com descontos de até 50%.

A gerente-executiva de clientes pessoa física do BB, Patricia de Freitas Cavaliere, ressaltou que a partir do diagnóstico de câncer de mama ou do colo do útero, que são o segundo e terceiro que mais acometem as mulheres no Brasil, depois do câncer de pele, a segurada pode sacar sua indenização. "Se ela já tem um seguro de saúde que pague seu tratamento, pode usar o dinheiro para outra coisa."

Embora o público-alvo do produto sejam as 480 mil correntistas com renda acima de R$ 1,5 mil e idade entre 30 e 60 anos, "é um seguro barato, que qualquer pessoa pode comprar", diz a gerente-executiva. Além disso, acrescenta, quem usa muitos remédios acaba compensando o prêmio pago com os descontos obtidos na opção pelo Farmassist. "O seguro acaba saindo de graça."

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Ganho da CEF aumenta 60% e vai a R$ 343,6 mi
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A Caixa Econômica Federal (CEF) teve um lucro de R$ 343,6 milhões no primeiro trimestre deste ano, um crescimento de 60% em relação aos R$ 214,7 milhões de lucro registrados no mesmo período de 2002.

Os dados divulgados ontem mostram que o resultado da intermediação financeira no período foi de R$ 2,26 bilhões, o dobro do obtido no primeiro trimestre do ano passado.

O balanço da instituição foi apresentado ontem à tarde a analistas do mercado financeiro. Parte desse lucro poderá ser repassada antecipadamente ao Tesouro Nacional, único acionista da instituição financeira.

Apesar do bom desempenho, o resultado da CEF ficou abaixo do lucro registrado no mesmo período por instituições financeiras do mesmo porte. O Banco do Brasil teve lucro de R$ 479 milhões. O Bradesco e o Itaú obtiveram lucro de R$ 510 milhões e R$ 1,084 bilhão, respectivamente.

A CEF quer duplicar até o final do ano o número de correspondentes bancários instalados no país, segundo o presidente da instituição Jorge Matoso.

Hoje a Caixa conta com 2.145 correspondentes instalados em farmácias, padarias e outros estabelecimentos que prestam serviços elementares de atendimento bancário.

O objetivo, de acordo com o presidente da instituição, é ampliar a rede de distribuição dos programas sociais do governo e ampliar o acesso aos serviços bancários e ao crédito.


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Se eu Morresse Amanhã

Se eu morresse amanhã, eu levaria o gosto de muitas venturas.

Levaria alegrias infindas das serestas da mocidade, dos arpejos do meu violão
e das canções que eu entoava com alma...

Levaria a lembrança de bailes inesquecíveis,
da leveza de meu corpo deslizando pelo salão,
como se embaixo de meus pés sequer houvesse chão...

Levaria o prazer das caminhadas matutinas pelos campos da minha terra,
recebendo o beijo do sol, das árvores,
das nascentes ao som da sinfonia de passarinhos,
sapos na lagoa,
folhas farfalhando ao vento
e o aroma inconfundível da natureza pura, intocada...

Ah! levaria também o êxtase do nascer do sol dourando a praia
e de todas as vezes que este espetáculo, pela rara formosura,
me fez chorar...

Levaria gravado no espírito,
o conhecimento dos muitos livros inspirados
que me chegaram às mãos e que do "Supremo Arquiteto" vieram me falar ...

Levaria a lembrança dos amores que tive
e não me pesa agora, saber que amada eu fui poucas vezes,
mas importa saber que todas as vezes que o amor bateu na minha porta ,
a ele eu me entreguei por completo, sem nenhum medo de amar ...

Levaria o carinho e a fidelidade dos muitos amigos e amigas
que fiz e de tudo o que, ao longo dos anos, pudemos compartilhar...

Levaria recordações incríveis da minha infância
e do carinho inigualável que permeou meu primeiro lar...

Levaria a suprema ventura da maternidade...
é bem verdade que "ser mãe é sofrer no paraíso"
mas a lembrança dos olhos negros dos meus filhos
me chamando de mãe em amplo sorriso,
que dinheiro no mundo pode pagar?

Levaria gratidão infinda pelo meu
trabalho que a princípio, me pareceu desdita...
eu, dada às letras e à música, lidando com números por décadas a fio
e, pela incompatibilidade, fazendo esforços de monta para me adequar...
mas reconheço, não houve escola melhor do que esta para na arte da vida, me adestrar.

Percalços? Os tive, sim .
Por vezes incontáveis vi-me derrotada, sentada à beira do caminho
e porque não dizer, estirada ao chão ...
mas se eu morresse amanhã eu levaria a mais absoluta convicção
de que, uma "força" muito além das minhas próprias forças, sempre cuidou de me levantar.

Por certo, não morrerei amanhã. Ainda não é hora.
Na tela da minha vida faltam pontos a bordar.
No livro da minha estória existem páginas em branco, por completar.

Mas, se eu morresse amanhã,
morreria abençoando a Vida e
cada instante deste precioso ano escolar !

Fátima Irene Pinto®

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Quarta, 4 de junho de 2003.
Duelo de gigantes
Confira nosso teste entre os processadores Pentium 4 de 3 GHZ E Athlon 3200+
Gabriel Torres

A AMD e a Intel lançaram recentemente novos modelos de seus processadores, trazendo modificações importantes em comparação aos anteriores.

O novo modelo da AMD, o Athlon XP 3200+, trabalha externamente a 200 MHz, transferindo dois dados por pulso de clock. Com isso, é dito que o seu clock externo é de 400 MHz, pois ele atinge um desempenho como se estivesse operando externamente a esse clock, embora isso não ocorra de verdade. Os modelos anteriores do Athlon XP - 3000+, 2800+ e 2700+ - trabalham externamente a 166 MHz, com desempenho de 333 MHz.

Já o novo processador da Intel, o Pentium 4 de 3 GHz, tem duas características que o tornam único. Assim como o da AMD, trabalha externamente a 200 MHz, só que transferindo quatro dados por pulso de clock. Com isso, ele obtém externamente um desempenho como se estivesse rodando a 800 MHz. Os modelos anteriores do Pentium 4 rodam externamente a 133 MHz, com desempenho de 533 MHz.

A segunda característica desse processador é a tecnologia HyperThreading, que simula a existência de dois processadores. Mas será que essa tecnologia realmente aumenta o desempenho do micro? Bem, veremos daqui a pouco em nossos testes.

Antes disso, é preciso lembrar que os processadores Athlon XP usam uma nomenclatura indicativa de desempenho e não o seu verdadeiro clock. O Athlon XP 3200+ não roda a 3,2 GHz como a sua nomenclatura faz supor. Na verdade, ele roda somente a 2,2 GHz mas, segundo a AMD, tem um desempenho equivalente ao novo Pentium 4 de 3 GHz com barramento de 800 MHz.

Mas será que isso é verdade? É justamente esse o nosso propósito: saber qual é o processador mais rápido disponível no mercado hoje ¿ o Athlon XP 3200+ da AMD ou o Pentium 4 de 3 GHz com barramento de 800 MHz da Intel?

Diferenças entre processadores

As principais diferenças entre o Athlon XP 3200+ e o Pentium 4 de 3 GHz você confere na tabela ao lado. É importante reparar que o clock interno do Athlon XP 3200+, de 2,2 GHz, é extremamente parecido com o clock interno não só do Athlon XP 2800+ (2,25 GHz), como também com o clock interno do Athlon XP 3000+ (2,16 GHz).

Mas afinal, o que siginifica o clock externo?

Barramento externo, clock externo e FSB (Front Side Bus) são sinônimos. Mas o que significam esses termos? E, afinal, como essa característica influi no desempenho do computador?

Os processadores trabalham com dois clocks: um interno, que é o clock do processador que é divulgado (2 GHz, 2,2 GHz etc), e um externo, que é usado na placa-mãe na comunicação do processador com a memória RAM.

É na memória RAM que o processador busca instruções de programas para serem executadas. Se a velocidade de transferência entre a memória RAM e o processador aumenta, normalmente isso significa um aumento na velocidade do micro, já que o processador conseguirá buscar dados na memória mais rapidamente para processamento.

Como testamos

Para medir o desempenho dos processadores escolhemos os melhores componentes disponíveis: placa de vídeo Gigabyte Radeon 9800 Pro, módulos de 256 MB DDR400/ PC3200 TwinMOS trabalhando em DDR Dual Channel e HD Maxtor Diamond Max Plus 9 de 60 GB (ATA-133). Para os testes com o Athlon, usamos a placa-mãe Asus A7N8X De Luxe (BIOS 1004.A), com o chipset nVidia nForce 2 400 Ultra. Já para os testes com o Pentium, escolhemos a Gigabyte GA-8KNXP (BIOS F5), com chipset Intel 875P.

Instalamos o sistema operacional Windows XP Professional em NTFS com Service Pack 1A, DirectX 9.0A, driver de vídeo 6.14.10.6343, driver nForce 2.41 e driver Intel Inf Update Utility 5.0. A resolução de vídeo foi 800x 600x32. Quando mudamos a placa-mãe, reformatamos o HD e reinstalamos os drivers e programas. No início de cada sessão de testes o HD foi desfragmentado.

Para testar o HyperThreading, deixamos o antivírus AVG varrendo o HD e, simultaneamente, convertemos um CD de áudio de 60 minutos para MP3 usando o Lame 3.93 com o RazorLame 1.15. O resultado: com a tecnologia HyperThreading ativada, o Lame demorou 20 segundos a menos na conversão do CD de áudio em MP3 em comparação com o tempo gasto com essa tecnologia desativada.

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José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! Rubinho vai dirigir cadeira de balanço!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E a crise tá tão braba que um motel em Campinas está aceitando tíquete-refeição. Tá certo, é tudo comida. E já imaginou a manchete pro Dia dos Namorados? Comeu a namorada com vale-refeição. Rarará. E diz que a presença da Marisa ao lado do Lula é tão grande que, literalmente, ASSOMBRA! E sabe o que um amigo meu fez quando viu que os juros tinham aumentado? Cantou o Hino Nacional: 'Ó pátria amada, idolatrada, pague, pague'.

E o Lula disse que 'nenhuma pessoa é 100% ruim ou 100% boa'. Então ele não conhece nem a minha sogra e nem a Gisele Bündchen! Aliás, eu mandei avisar pro Bush que arma química é a minha sogra quando esquece de tomar Gardenal. Mas um leitor discorda: arma química é quando a minha sogra toma Luftal.

E o Guga? Diz que o Guga tá perdendo porque só pensa em sexo. Também, com milhões de dólares e 26 anos, vai pensar em quê? E se ele só pensa em sexo, devia ser campeão de pênis. Rarará! E diz que o Guga se esforçou tanto pra ser campeão e viajar pelo mundo afora só pra não ficar em Floripa e ter que torcer pro Avaí! E o Guga é campeão de tênis, mas faz comercial de sandália?!

E o teletubbie Rubinho? Chegou em oitavo. Mas não era sempre em segundo? Tá correndo ao contrário? E ele ainda disse que perdeu porque estava 'na hora errada e no lugar errado'. E no esporte errado! O Rubinho ainda vai acabar dirigindo duas coisas: cadeira de balanço e colher de sopa!

Ou então pega patrocínio do Pão de Açúcar pra dirigir carrinho de supermercado! E vida de piloto é a melhor vida do mundo: trabalha deitado, fica rodando até ficar tonto e, quando perde, bota a culpa no carro! E os juros estão tão altos que consumidor não vai mais pro Procon, vai pro Ibama, espécie em extinção. E uma outra disse que quando sai os índices de inflação, ela se sente num quadro de Dalí, surreal.

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que eu li essa notícia no jornal: 'o pára-brisa do carro foi avariado por um fragmento mineral'. Tucanaram a pedra! Pior, um leitor estava em Visconde de Mauá procurando um restaurante, quando achou a placa 'Comida Mineira Contemporânea'. Tucanaram o torresminho! Rarará. Socorro. Chama o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Vicissitude': atitude contrária do vice. 'Vicissitude': Zé Alencar! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Email simao@uol.com.br

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Paulo Sant'ana
04/06/2003


Foto(s): Adriana Franciosi/ZH

O melhor dos outros

Vivi ontem um momento de grande emoção, na sessão de autógrafos do meu livro O Melhor de Mim, nas Livrarias Porto, do Shopping Iguatemi. Recebi o carinho de amigos que vejo todos os dias, de amigos com os quais raramente convivo e também de amigos que nunca havia visto.

Estavam na fila, pacientemente, pessoas que colecionam minhas crônicas em cadernos escolares, pessoas que vieram de longe para me conhecer, gente afetuosa, desinteressada, que buscava apenas trocar uma palavra comigo. Foi um dia de felicidade e realização. Foi também uma noite de autógrafos e lágrimas - que eram, naquele momento, o melhor de mim para agradecer tanto apreço.



psantana.colunistas@zerohora.com.br


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David Coimbra
04/06/2003


Um CD de axé

Tenho uma amiga que gosta de axé. Então fui comprar um CD para ela. Entrei na loja, encostei-me no balcão de axé. Estava ali, folheando os discos, quando uma atendente se achegou. Encompridou o olhar para o CD que estava na minha mão. Olhei para ela, meio constrangido.

- É para uma amiga... - balbuciei.

Ela levantou uma sobrancelha. Falou o seguinte:

- Hm.

Hm? O que significava aquele hm? Será que ela não acreditava que eu só estava comprando um CD de axé para presenteá-lo a uma amiga? Por acaso tenho cara de quem gosta de músicas feitas só com vogais? Aê, aê, aê, aê, ô, ô, ô, ô, ié, ié, éééééééé... Por favor! Tive vontade de dizer para ela que meu negócio é Paulinho da Viola. Ou blues, entendeu?

Blues! A velha e boa música americana, sim, senhor.

Porque isso de música é ideológico, entende? Algumas pessoas são roquenrol, como meu amigo Eduardo Delgado. Às vezes ele está lá, de paletó e gravata, atuando profissionalmente, sisudo, como sisudos devem ser os advogados. Então não parece ser roquenrol. Mas é roquenrol, sim. Ouié! Já o Jones Lopes da Silva, aqui da Zero, ele é jazz. Totalmente

Jazz. Outras pessoas são Chitãozinho e Xororó. Tudo bem, nada contra quem é Chitãozinho e Xororó, mas eu não sou. Nem axé. Definitivamente, não sou axé. Por isso fiquei meio assim de a moça achar que sou axé.

Depois, pensei: mas, puxa, por que estou dando explicações para a balconista? Nem a conheço! Além disso, que mal há em alguém apreciar axé? Torna-o uma pessoa de segunda categoria? Faz dele menos inteligente do que os amantes de Tchaikovsky? Não entendo o preconceito dessa balconista. Encarei-a, desafiador. Tive ganas de repreendê-la.

Então uma pessoa não pode gostar de axé sem ser reprimida? Eu tinha personalidade, sim, senhora! Eu tinha minhas preferências, pronto!

Ninguém ia dizer do que eu devia gostar ou desgostar, o que ela estava pensando?!?

Afinal, o que interessa não é o gosto, gostos são cambiantes. O que interessa é o caráter. Ninguém deve se envergonhar de suas preferências. Não é como o Grêmio, por exemplo, que está coberto de vergonha no ano que deveria ser de sua glória. Não mesmo. Os dirigentes do Grêmio têm de se envergonhar. O técnico, os preparadores, os membros da comissão têcnica têm de se envergonhar. Seus jogadores, então, esses precisam muito se envergonhar. Os apreciadores de axé, não!

Então, a vendedora não tinha que me censurar pelo CD que eu ia comprar. Ah, não! Inclusive resolvi provocá-la. Resolvi me portar como um desbragado consumidor de axé:

- Nada como um axezinho no inverno, ahn? Nada como um axé muito louco, um axé pesado, um axé animal, sim, senhor, nada como um axé radical! Ela me fitou outra vez, um olhar tépido, impenetrável. Então disse:

- Hm.

Fiquei encarando-a, a mão no queixo. Hm? Mas, afinal, o que ela queria dizer com aquele hm???

Amor é fogo que arde sem se ver

O poema preferido do meu amigo Ivan Pinheiro Machado, homem de tantos poemas, acho que deve ser um belo soneto de Camões sobre o caráter contraditório do amor. O Ivan vive a declamá-lo, romântico que é. Como é também um gremista acendrado, imagino que, como a maioria dos gremistas, deve estar se sentindo assim dividido em relação à saída de Tite. Vou reproduzir o poema em homenagem ao Ivan e para que os gremistas avaliem se é isso que estão sentindo ou não:

Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

A dor da separação

Vou falar agora sobre a dor da separação. Conheço bem essa dor, estou sentindo-a nesse momento. Porque ontem me separei do meu siso. Já havia me separado de outros antes, mas esse convivia há mais tempo comigo. E, além disso, a separação sempre é uma dor.

Pois bem, ontem ele se foi, e agora estou sentindo sua perda. Vai passar, sei que vai passar. Mas, no momento, dói. Como dói a saída de Tite do Grêmio. Os jogadores lamentam, parte da torcida lamenta, mas o tempo cura tudo.

Amém.
david.coimbra@zerohora.com.br

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Martha Medeiros
04/06/2003


Tiros em Columbine

Achei perturbador e genial. Estou falando do documentário Tiros em Columbine, que deu a seu realizador, Michael Moore, o Oscar de melhor documentário este ano.

Mesmo ciente dos truques sensacionalistas dos quais o filme se utiliza para reforçar a idéia de que os americanos, sob a gerência de Bush, viraram definitivamente a escória do mundo, não há como negar sua eficiência e utilidade. Tiros em Columbine trata da cultura do medo e do quanto ela é capaz de fazer uma lavagem cerebral na sociedade. O título do documentário refere-se ao episódio ocorrido numa escola do Colorado, quando dois adolescentes pegaram as armas dos pais e mataram 14 colegas e um professor, suicidando-se em seguida. Não foi a primeira nem a última vez que estudantes abriram fogo em sala de aula, mas este foi o mote para Michael Moore tentar desvendar as razões de isso acontecer mais nos Estados Unidos do que em outros países, mesmo que as nações tenham um histórico de violência parecido. Ele conclui que a diferença está na maneira de se capitalizar esta violência. Nos Estados Unidos, ela é um dos mais bem-sucedidos produtos de consumo.

Já disseram que o filme tem cenas manipuladas e que Michael Moore constrange seus entrevistados. Que seja, mas um documentário como este é mil vezes mais necessário, urgente e impactante do que um filmeco com a Jennifer Lopez. Gostemos ou não, Tiros em Columbine precisa ser visto. Não é programa para sábado à noite, é tema de casa.

Quem é a favor do desarmamento da população vai se sentir justificado. Já quem acredita que o cidadão não deve confiar na polícia e tem o dever de ter uma arma em casa para defender sua família, vai pensar um pouco mais a respeito. Talvez lembre do empresário carioca que, semana passada, matou a mulher, as duas filhas e a si mesmo com um revólver que tinha na gaveta para defender-se de marginais. Se não houvesse uma arma ao alcance da mão, talvez ele não fosse tão impetuoso, ou então teria pulado da janela e feito a gentileza de morrer sozinho. Uma arma carregada em casa é uma facilidade, uma tentação, uma solução rápida para pessoas que estão no limite da dor. Aqui no Brasil não temos o livre acesso a pistolas e rifles como há nos Estados Unidos, mas a cultura do medo é infinitamente maior: sabe-se lá como seriam nossas vidas se pudéssemos comprar munição como quem compra balas de goma.

Eu assisti ao documentário num cinema com 300 poltronas. Duzentas e noventa e cinco estavam vazias. Ocupe uma delas. Assista ao filme, odeie-o ou adore-o, fique com raiva de mim por recomendá-lo ou me agradeça, critique Michael Moore ou reverencie-o, somos livres para emitir qualquer opinião, mas não deixe de ir ao cinema antes de fechar a questão.
martha.medeiros@zerohora.com.br

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José Fogaça
04/06/2003


O sentimento do mundo

Estou folheando um Lorca na livraria, alguém pára do meu lado e pergunta: "O senhor lê disso aí?".

- Olha, amigo, na verdade tenho lido muito pouco...

- Eu sei, político só quer saber do poder e poder não rima com poesia.

- É, talvez... Mas, na última eleição, um concorrente até me acusou de ter feito mais poesia do que política. Isso já é um ponto a meu favor.

- Bobagem, político só pensa no poder e em tudo o que lhe possa dar mais poder. É tudo igual.
O rapaz seguiu adiante, e eu, sem ânimo para contestar, fiquei ali, com o Lorca na mão, a pensar em poder e poesia. Talvez fosse melhor contornar o dilema, mas não há por que tapar o sol com a peneira: nos frios corredores do Estado, nas cenhosas ante-salas do poder, de fato, há muito pouco lugar para a palavra em sua dimensão poética. Ali a vida tem um tempo distinto do relógio do poema. Poesia e poder não observam o mesmo calendário, não obedecem às mesmas estações do ano. Num mundo de sentenças morais, não há lugar para a insustentável leveza e fluidez do verso. Ali, todo estilo e toda inspiração se tornam prisioneiros de uma ética de objetivos, tudo, indistintamente, sucumbe à lógica invencível do que é urgente e necessário. Nada escapa desse círculo de ferro. Ninguém se exclui desse labirinto de espelhos.

Não fui diferente, é claro.

Exceto quanto a um importante pormenor: os amigos. Os amigos que foram chegando por sua livre e espontânea vontade e ocupando lugar na minha estante. Nejar e A Árvore do Mundo, Vaz Brasil e Os Olhos de Borges, Miranda e A Trilogia da Casa de Deus, do Carmo e o Breviário da Insolência, Dylan e A Fala de Adão, Coronel e Os Cavalos do Tempo e tantos outros. Amigos fiéis, mantiveram-se ali, firmes, inabaláveis, ao alcance da mão. Para que eu pudesse lê-los aos poucos. E voltar sempre que necessário.

Na verdade, é esse o destino essencial de um livro de poemas. É ficar ali, na nossa estante, por anos e anos. Simplesmente para que possamos, de quando em quando, ao reabrir uma página qualquer, reencontrarmo-nos com a palavra em seu estado essencial de poesia. E nela nos ampararmos. Não apenas como refúgio, diante da aspereza da vida. Mas, sobretudo, como alento e centelha. Para continuar o caminho - e não perder o sentimento do mundo.
jose.fogaça@zerohora.com.br

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Grêmio
O adeus emocionado de Tite



Treinador chorou ao se despedir de dirigentes, funcionários e jogadores, antes de pegar a bolsa e deixar o Olímpico (José Doval/ZH)


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Terça-feira, Junho 03, 2003




Para finalizar esta terça-feira e deixá-los com uma música assim para o fim de noite de quem está só, coloco este link para vocês irem direto para lá. E se ainda assim nossos gostos não coincidirem lá tem outras poesias e outras músicas, assim voces terão algo especial, de sorte a terem esta mesma sensação que tenho.

O certo é que foi-se mais um dia e o primeiro semestre de 2003, tambem está indo. Sobre o nosso desempenho, cabe a nós mesmos, fazê-lo feio, mais ou menos ou, lindo, ainda que chova, ainda que faça frio lá fora. Agora fiquem com os anjinhos...

Q u e r o

Quero sair da minha pele.
Quero deixar, nem que for por um instante este veículo físico e temporal, tão pesado...
Quero arrancar este vestido engomado, inadequado, apertado,
limitado a cinco míseros sentidos.

Quero, nem que for por um instante, acreditar-me livre imortal,
atemporal e sair voando por aí, deixando para trás este veículo dolorido....
Ganhar o espaço sideral, ou quem sabe, o próprio mundo causal
tão decantado por Yuktéswar e Platão...

Quero me sentir do Todo , uma ínfima porcentagem ou fração.
Respirar aragem nova, ver-me livre dos meus terrenos sentimentos
Que tão pouco me falam de alegrias, mas bem sabem
destilar os meus tormentos...

Quero, nem que for por um momento, ver-me livre da minha mente,
que mente para mim o tempo todo, em forma-pensamentos tipo círculo-vicioso,
incapazes de síntese ou de se abrirem para uma volta mais ampla da espiral,
Retornando inexoravelmente ao mesmo conhecido lugar
Onde reencontro a cada segundo,
Todas as minhas mazelas e todas as mazelas do mundo.

Hoje estou com sede de vida eterna...
De água de inesgotável fonte que deveras me dessedente
E que me arremesse a um novo e inusitado horizonte
Onde não conste
Vestido engomado
Sentimento truncado
Pensamento embotado
Viver limitado
Virtude ou Pecado!!!!
Quero.

Fátima Irene Pinto®
Do livro "Momentos Catárticos"

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Dorme menina...

Repousa esse seu corpo cansado ...

Cansado do amor...

Se deu tanto, tanto que agora sofre ...

Sofre por um amor.

Um amor que não se deu pra você

Dorme menina ...

Sonha ...

O dia renascerá, junto as suas esperanças ...

A esperança de um grande amor que surgirá ...

Tão forte, tão gigante ...

Felicidade se instalará nesse corpo

Já não tão cansado ...

Agora, feliz, amado ...

Dorme menina ...

Sonha ...

Um outro dia está pra chegar.

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Amigo Raimundo

Companheiro de longas conversas, às quartas e aos domingos,

lá onde se esconde do mundo; o asilo.

Aquele olhar triste e perdido no tempo, se alegra quando nos vemos.

A expressão de desconsolo e aquela pergunta característica logo

após o soar da sineta anunciando o fim do horário de visitas: ¿já?¿.

A mãozinha me acena de longe, quando me volto lá no portão.

Vivido, sábio, experiente e louco para partir daqui,

depois desses quase noventa anos de caminhada dura e fatigante.

Diz ele ter perdido o alento, depois que o derrame atrofiou-lhe,

parcialmente, as funções locomotoras.

A morte da mulher e, seis anos depois, da filha;

levaram-no à universidade como forma de ocupar a mente,

espantar a tristeza e realizar o velho sonho de ser advogado.

Esse guerreiro chegou de Pernambuco, aqui em Santos,

com mais de trinta anos de idade.

Começou no cabo da picareta, concluiu o curso primário e,

aos sessenta e oito anos recebeu o diploma de

Bacharel em Ciências Jurídicas.

Nos afeiçoamos de tal maneira que, um dia desses,

um outro interno - um simpático potiguar que lá vai pelos

setenta e cinco, lúcido e ainda trabalhando

me pergunta se seu Raimundo era meu pai.

Os livros que lhe restaram, veio aos poucos me presenteando. Todos os quatro!

Ontem, quando fui visitá-lo, fez absoluta questão,

de presentear-me com uma embalagem de pastilhas de hortelã.

Todos os domingos, alguém lhe leva essas pastilhas e ele as

consome com satisfação.

Porém, talvez para forçar-me a aceitar o presente que eu recusava,

disse não gostar daqueles doces.

Ele tem uma percepção muito desenvolvida.

E queiram vocês assim; digamos que pode ser coincidência.

Mas hoje, durante longas horas de espera e também durante a viagem,

meus companheiros foram um pacotinho de balas de hortelã

e o último livro com o qual me presenteou:

14 Lições de Filosofia Yogue.

Dias há, em que não nos calamos, um minuto sequer.

Outros, porém, há, também, em que o silêncio total nos domina.

E ali ficamos, imersos no turbilhão silencioso,

intercambiando energias.

Falava de vós! Mas, o dia foi longo, vou repousar,

meu amigo Raimundo. Irmão mais velho,

companheiro de caminhada e professor.

Que os sonhos suaves sejam vossos companheiros noturnos.

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CAROL CASTRO, a Gracinha de Mulheres Apaixonadas e bela da vez do site Paparazzo (foto), sofre na novela o que combate na vida real. Hoje, Marta (Marly Bueno) deixa claro que não quer ver a filha da empregada na cama de Cláudio (Erik Marmo) por conta da diferença social. Já a atriz posa esta tarde para a campanha Careta Para o Preconceito, em respeito às diferenças nesse caso o homossexualismo , que integra o calendário do Mês do Orgulho Gay. A Parada é dia 29.

BRAD PITT não é requisitado só em filmes. O ator foi convidado a assinar a construção de um hotel na Califórnia, apesar de a única experiência com arquitetura ter sido a reforma de sua mansão.

LUCIANO HUCK está desde quinta-feira nos EUA. Ao lado da namorada, Astrid Monteiro de Carvalho, o apresentador curte Nova Iorque (EUA). De lá, o casal faz uma escala em Miami, para prestigiar o Festival de Cinema Brasileiro que rola na cidade. A volta ao Brasil está marcada para domingo.

WANDERLÉA vestirá sua marca registrada na entrega do Prêmio Multishow, hoje, no Theatro Municipal. A cantora promete arrasar com uma minissaia bem ao estilo do início da carreira. O modelito é preto com rendas e transparências.

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Isso é de lá do Afrodite se quiser, aliás ela está de mal com as máquinas, ou vice-versa. São fases minha amiga, que espero passem rápido.

verdadeiro ou falso

Eu não tive uma infância tão feliz assim, quase não conheci meu pai, minha mãe nunca foi lá muito doce, eu era muito agressiva, nunca gostei de brinquedo de menina, adolesci prematura, casei muito cedo, me separei muitas vezes, tive filho muito tarde, amadureci quase à tempo, sou toda ouvidos, nunca fui de desabafos, não dou liga prá conselho.

Quase ninguém sabe da minha estória, nem se tudo isso é verdade. O que importa prá mim é o que não tem importância, não vive de passado, não suspira por futuro. O que vinga, meu bem, é pouco drama, muito riso e um desejo inconfessável de viver sem juízo.

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Retirei lá dos Pos-It, voces tem o link ai a esquerda e para quem estiver por Sampa no fim de semana se façam presente, por favor, que ela merece:

Niver!
Uma amiga da Clara Temporal que é nossa amiga do Post It e do Yellow Flower vai fazer aniversário!
E mandou mensagem pelo icq... Assim, como ela escreveu para que eu convidasse todo mundo, faço isso aqui.

Considerem-se convidados desde já!
Leiam o recadinho abaixo:

"Pessoal, gostaria de convidá-los para o aniversário de minha amiga no dia 07/06 (sábado) às 21:00hs,
no Estação Mooca - Rua Isabel Dias, 166 -Mooca (trav. da Av. Paes de Barros, altura do 2000
- fica na rua do posto BR)- Fone: 6128-5247. Eu reservei o mezzanino para nós. O lugar não
tem consumação mínima obrigatória (ou seja, paga somente o q consumir)
e tem estacionamento grátis no local. Espero vcs lá :)
(P.S.: Convidem todo mundo)"

Meus parabéns desde já dona Clara a sua amiga, tudo de magnifico para ela.

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Pequenas empresas exportam
Cachaça, cosméticos, confecções e flores estão ajudando a trazer dólares para o Brasil
Silvana Caminiti

O Brasil está exportando dez milhões de litros de cachaça a cada ano para 70 países e, segundo dados do Sebrae, as exportações estão crescendo 60% ao ano. Outro setor que aumentou suas exportações é o de cosméticos étnicos para a raça negra, com mercado garantido na África do Sul. Mas o sucesso das pequenas e médias empresas brasileiras no exterior não se limita a esses setores.

Roupas (feminina e infantil), calçados, flores (a Ibraflor coloca as flores brasileiras em meia dúzia de países) produtos médico-odontológicos e até equipamentos para padarias são vendidos todos os meses por pequenos produtores para o exterior.

O aumento nas vendas externas mostra que o micro e pequeno empresário já não vê a exportação como um bicho de sete cabeças. Pelo menos é o que pensa a empresária Alessandra Varanda, diretora da Feranda, indústria de confecção feminina, que trabalha principalmente com jeans.

Ela lembra que seu pai, Fernando Varanda, criou a marca há 32 anos e na década de 80 tornou-se um dos maiores exportadores brasileiros para os EUA, chegando a atingir a cifra de US$ 2 milhões ao ano. Depois, com a desvalorização do dólar, nós, assim como a maioria dos pequenos produtores, deixamos de exportar. Agora, estamos de novo de olho nas vendas externas, diz Alessandra.

Luciano de Assis, diretor de Franquias da Feranda, explica que, quando a empresa deixou de exportar, resolveu abrir suas próprias lojas e depois formatou a franquia da marca, que hoje conta com uma rede formada por 32 lojas, distribuídas em 11 estados. Hoje, além de produzir para nossas lojas, estamos enviando nossos produtos para os Estados Unidos e a Espanha, onde fazem bastante sucesso, conta o diretor.

Feranda: (24) 2237-7712, http://www.feranda.com.br


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Joelmir Beting
03/06/2003


O panelão vazio

Na desnutrição endêmica que animaliza a vida de 840 milhões de criaturas humanas em todo o mundo, Brasil no meio, prevalece a triste sina do planeta sem alma: já não é mais a escassez do recurso que limita a decisão; é a estupidez da decisão que atrofia o recurso.

Tradução: o que não falta é capacidade de produção, já instalada, para alimentar pela dieta mínima 6,2 bilhões de terráqueos.

O que continua faltando é vontade política, em países ricos, pobres e remediados, para enfrentar e extirpar esse flagelo milenar.

Lembram-se da Cúpula Mundial sobre Alimentação? Realizada em 1996, ela se comprometeu em reduzir à metade, em 20 anos, o inventário global de famintos. Pois essa contagem regressiva para 2015 já foi empurrada para 2030. Quando? Em 2002, pela Cúpula Mundial do Desenvolvimento Sustentável.

É contra esse pano de fundo melancólico que entra em campo na Cúpula do G-8 a proposta brasileira de um Fome Zero para todos os países situados abaixo da linha da pobreza. Programa financiado por um fundo global que seria constituído pela anistia de 50% da dívida externa desses países e por 1% do comércio mundial de armamentos.

Faltou incluir uma Taxa Tobin, equivalente a 1% do movimento internacional dos capitais voláteis.

Estudos da OMS e da FAO, organizações da ONU para Saúde e Alimentação, dão a pista do desafio. Bastaria um panelão de US$ 24 bilhões por ano para livrar da morte por inanição cerca de 26 mil pessoas por dia, crianças na maioria.

Pois o que não falta é comida. A produção mundial de cereais, sem contar o restante do cardápio humano, daria conta dessa empreitada. Ela se aproxima de 1,8 bilhão de toneladas por ano. Ou quase um quilo por dia para cada habitante da Terra. Somando-se os demais alimentos de origem vegetal e de origem animal, a oferta atual já passaria de 3,5 quilos por dia.

Relatório da FAO revela que a ajuda alimentar dos 30 países mais ricos aos 80 países mais pobres definhou o bolo do pico de US$ 16 bilhões, em 1988, para US$ 11 bilhões, em 2001. Dois terços dessa transfusão representados por programas humanitários em situações de emergência suprema. E com larga margem de desperdício e de corrupção na partilha radicular dessa ajuda.

Prêmio Nobel de Economia, o professor Amartya Sen é autor da seguinte simulação: cada dólar aplicado por países doadores em segurança alimentar de países receptores pode gerar um retorno a médio prazo de até US$ 12 sob a forma de bens e serviços dos primeiros importados adicionalmente pelos segundos. Que tal?

SECOS & MOLHADOS

Logística - O desafio da fome coletiva não está em produzir mais alimentos, mas em distribuí-los em condições de mercado. A menos que se pretenda resolver o problema pela agricultura familiar de baixa eficiência e de mera subsistência. Em escala global, um Fome Zero teria de envolver uma logística poderosa.

E Malthus? - A oferta global de alimentos por habitante vem de há muito superando o crescimento da população. Pelo índice 100, atribuído ao triênio 1979/81, a produção mundial per capita tocou o índice 114 no triênio 1998/2000. Manteve-se quase estável na fartura dos países ricos (105 nos Estados Unidos e 107 na União Européia).

Contraste - Na Ásia, o índice escalou 149, guinchado pela China, com 198. Na América Latina, a coisa avançou para 124. Para variar, a África foi de mal a pior. No mesmo período, o índice trienal apurado pela FAO recuou para 94.

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Arnaldo Jabor
Terça-feira, 3 de junho de 2003



O Rio precisa de um mecanismo de defesa

Isto aqui é um rascunho. Não faz mal, porque tudo no Rio, hoje, é um rascunho. A cidade não tem um texto limpo, não tem um programa limpo que se possa entender entre os meninos que pedem esmola fazendo malabarismos nos sinais de trânsito, enquanto o Cesar Maia planeja o factóide do museu Guggenheim de 300 milhões de dólares. O absurdo tomou conta da cidade e acelera-se num ritmo de catástrofe, de ciclone, de lava descendo os morros sob os olhos em pânico de uma população sem defesa, sem organização civil, sem nada, além das terríveis notícias de jornal e gritos inócuos de "que horror", "santo Deus" ou "Virgem Maria".

Por isso, este artigo é quixotesco, utópico, babaca, mas aqui vai: precisamos urgentemente de criar um Fórum, um Congresso, um Seminário Permanente, um Organismo de defesa da cidade do Rio de Janeiro. Algo assim.

Como disse, isto é um rascunho de alguma coisa que tem de ser feita. Pois, vamos botar a bola no chão: nem a prefeitura, nem a Rosinha, nem seu Garotinho, nem a polícia, nem a máquina pública municipal, estadual, federal, nem zorra nenhuma tem condições de resolver zorra nenhuma, nem há solução a curto prazo para nada nesta cidade, onde abrimos o jornal para saber qual foi o crime do dia, que delegado morreu, que bala perdida aleijou quem, se o "microondas" do morro está queimando muita gente.

O problema é que a idéia de "solução" é obsessiva, ridícula e superada. O problema é que o crime faz parte de um leque de atrasos, de erros, de uma velha sordidez política que só poderá ser atenuada pela recolocação do problema pela sociedade civil, por uma iniciativa inédita de participação dos habitantes civilizados. Vamos encarar o bode: ninguém sabe nada, ninguém sabe o que fazer, ninguém conhece a extensão da esculhambação, do frege carioca, pois os aparelhos do poder e de avaliação são parte do crime e do mesmo frege, são elefantes doentes e já contaminados pelos vírus mutantes dos crimes que eles provocaram e que tentam combater, muitas vezes se aliando a eles, volteantes num balé sangrento, num pas-de-deux imundo.

O que acontece é que os habitantes do Rio vivem de expectativas e esperanças, clamando por alguma resposta, por uma ajuda de algum messias, de algum milagre ou então de "forças tarefas" do governo "Federal" - e a palavra ganha foros de grandeza - "federal" - como se o Executivo de Lula, afogado em burocracia e falido, pagando 26,5% ao ano aos velhinhos da Filadélfia, tivesse condições de vir com suas legiões para resolver o problema.

E mais: o crime organizado virou causa, quando é conseqüência de uma soma de crimes políticos não coibidos para sempre; "tráfico", "violência" e outras palavrinhas servem de tapume para encobrir um fato maior, mais escandaloso, que é a evidência de que a máquina pública carioca quebrou. Pior: essa falência agrada a milhares de psicopatas corruptos, pois esse defeito transforma a cidade num rico viveiro para roubos contumazes e indetectáveis.

A falência do Rio faz a felicidade dos donos do poder. A cocaína serviu ao menos para mostrar que não temos mais governabilidade.

Esta é a verdade inapelável e brutal: o Rio está ingovernável. Tem cabimento a segurança pública entregue aos cuidados de um Garotinho? Não há nenhuma organização, projeto na ala da "civilização", diante dessa barbárie na lama dos morros e na lama da incompetência funcional.

Por isso, aqui vai meu rascunho.

Desculpem o tom de "cassandra", desculpem o clamor de epopéia, mas acho que temos de criar um fórum permanente, uma organização não partidária, uma super-ONG ativa, composta por homens de bem - sim, a palavra é esta: "homens de bem" - desta cidade para entendê-la, para protegê-la de novo. E não se trata de mais um movimento de "cidadania" (palavra idealista como "sociedade civil", mas, não temos outras...) para chorar, lamentar, fazer camiseta e fortalecer a esperança. Não. Teria de ser uma organização para nos defender atacando nossos precários representantes, para denunciar os crimes públicos, para deflagrar ações populares, para acusar, desmascarar além do que é permitido à imprensa ou ao indivíduo sozinho, para vocalizar nossos desejos, pois estamos à mercê de medíocres nos governando de dentro do labirinto burocrático.

Esse fórum, congresso, câmara permanente, sei lá o que, seria um centro de processamento de informações interdisciplinares, para se ter um mapa concreto das mazelas do Rio, de modo a integrar ações conjuntas. Temos de avizinhar os vários campos: urbanismo, contatos profundos com o pensamento do Estado Maior das Forças Armadas, com os representantes do alto aparelho policial ainda intacto, para se dirigir diretamente ao governo federal, cooperando, exigindo providências. Como seria o desenho jurídico e institucional? Não sei também. Não quero ser frívolo em relação às organizações de cidadania já existentes... Não participo delas, e posso estar errado, mas creio que elas tinham de intensificar sua ação, talvez se unificar numa grande ONG, de modo a serem mais atacantes e menos defensivas, olhos, vigilantes implacavelmente críticos da política concreta do Rio.

Quem formaria uma organização dessas? Líderes de comunidades carentes, urbanistas, intelectuais dentro e fora da academia, artistas, representantes da indústria, comércio, da polícia, do Exército, sociólogos, lideranças da mídia, diretores de jornais... por aí... Como disse, isto é um rascunho.

Pode ser que pessoas mais informadas, mais ligadas às organizações existentes saibam melhor que este pobre jornalista...

Qualquer coisa serve. Desde que seja feita qualquer coisa. Porque a situação do Rio é grave demais para ficar entregue a burocratas fisiológicos e anacrônicos. Dirão que isto é voluntarismo? Talvez. Só sei que o Rio tem de se politizar.

Não adianta mais chamar a polícia, nem os bombeiros, nem a ambulância, nem a carrocinha de cachorro, nem nada. Temos de chamar a nós mesmos.

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José Simão
simao@uol.com.br


Fome Zero! Bush taxa armas e manda bala!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Nada de novo no front! Ninguém botou botox hoje! E o que o Lula foi fazer na Cúpula de Evian? Tomar água mineral! E quando vai ter a Cúpula da Minalba? Não tem Davos e Porto Alegre? Então tem que ter Evian e Minalba! E sabe por que o Lula e o Bush se deram tão bem? Porque nenhum dois sabe falar inglês. E adorei a sugestão do Lula: 'Taxar as armas pra dar pro Fome Zero Mundial'. Para aquele bando de facínoras? Abalou o mundo da bala!

E eu sei o que o Bush vai mandar pro Fome Zero no mundo: bala. Vai todo mundo ficar chupando bala! Fome Zero Urgente! Bush taxa armas e manda bala. Rarará! E cada bomba que o Bush joga, o povo come fogo! E eles não vão dar peixe pros pobres. Eles vão dar pobres pros peixes: joga todo mundo no mar!

E continua a repercussão da grande bomba da semana: 'americanos clonaram uma mula'. Grandes novidades! O Bush pai já fez isso há muito tempo. E agora vão fabricar Bush em série? Isso que é destruição em massa. E como disse um amigo meu: 'Arma química é a minha sogra quando esquece de tomar Gardenal'.

E diz que agora vão lançar um Viagra só pro pessoal acima dos 70: Viagra com memoriol. E um amigo meu diz que tá topando qualquer emprego. Inclusive de piloto de prova de fábrica de supositório. De ITU! E o FMI dá sinais de confiança no Brasil. Errado. O FMI vive à custa do Brasil!

Manual do Contra! Continua a todo o vapor o Manual do Contra da Heloísa Helena. Diz que a Heloísa Helena é tão do contra que só ouve música COUNTRY! E diz que falar que ela é do contra é CONTRAproducente. E um leitor me mandou uma foto da Heloísa Helena fazendo propaganda de celular: 'VIVO sendo do contra!'. Aliás, sabe o que ela parece? Uma adolescente mimada!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que no condomínio de um amigo meu estava a placa: 'local destinado a rota de fuga em casos de sinistro'. Tucanaram a saída de emergência! E aí o prédio pega fogo e até acabar de ler a placa inteira, morre queimado!

Pior, um outro amigo foi a uma rave e um segurança falou pro outro: 'Vá lá e faça uma busca pessoal nele'. Busca Pessoal? Tucanaram o baculejo! Socorro! Chama o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês.

E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Montadora': companheira que anda a cavalo. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Email simao@uol.com.br

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Moacyr Scliar
03/06/2003


Completando a revolução

O conceito de doença mental variou muito com épocas e lugares. A Idade Média era tolerante para com o louquinho da aldeia; e quem ouvia vozes (o caso de Joana d'Arc) freqüentemente era considerado santo. A modernidade mudou radicalmente este ponto de vista. Para sociedades competitivas, baseadas na produção, loucos não eram apenas pessoas inúteis, eram também um mau exemplo. E assim surge o hospício, que rapidamente se expandiu e adquiriu dimensões gigantescas. Mas se tratava principalmente de reclusão, e não raro violenta, porque, até meados do século 20, era muito pouco o que se podia fazer pela doença mental grave. Então, no começo dos anos 50, surgiram os chamados tranqüilizantes maiores, que permitiram, em todo o mundo, um verdadeiro esvaziamento dos hospícios. O São Pedro, que até os anos 60 tinha cerca de 6 mil pacientes, hoje tem cerca de 800.

O movimento antimanicomial, que se inscrevia na luta pelos direitos civis, ganhou assim um inesperado reforço. Mas, como logo se viu, não é suficiente brigar pelo fechamento de hospícios (que, no caso de alguns estabelecimentos particulares, representavam excelente negócio). Porque os egressos de hospital não estavam curados; muitos deles passaram, como na Idade Média, a vagar pelas ruas, sujeitos a abusos e violência. Ou seja, a revolução psiquiátrica não era tão revolucionária assim. Precisava ser complementada com medidas concretas: a montagem de uma rede de ambulatórios na qual os pacientes continuassem sendo acompanhados e medicados e, importante, com ajuda às famílias dos pacientes. Estima-se que um terço dos 55 mil leitos psiquiátricos brasileiros estejam ocupados por pacientes que não têm quem os acolha.

Um grande passo foi dado neste sentido com a nova política de saúde mental do governo federal. O programa "De volta para casa" vai destinar R$ 240 mensais para que pacientes internados em hospitais psiquiátricos possam voltar a residir com seus familiares. Alguns provavelmente dirão que isto representa um gasto de dinheiro público. E é mesmo. Mas os pacientes em hospital custam muitíssimo mais caro. Ajudar as famílias é uma medida humana, e é extremamente racional: seguramente vai economizar recursos públicos. Conclusão: sejamos idealistas, mas sejamos também práticos.

Falando em ajudar, o G-8 (grupo dos sete países mais industrializados e Rússia) finalmente mostrou que se preocupa com a saúde dos subdesenvolvidos. O grupo comprometeu-se a auxiliar prioritariamente os países que se engajarem no esforço da ONU de reduzir à metade até 2015 o número de seres humanos sem acesso a água potável (1,2 bilhão de pessoas) e sem esgoto sanitário (2,4 bilhões). Igualmente importante: esses países abrirão mão das patentes industriais no caso dos medicamentos genéricos para doenças como Aids e tuberculose. Apesar dos malucos mercados, o mundo melhora.
scliar@zerohora.com.br

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E o Santana atografa hoje o seu livro "o melhor de mim" no Shopping Iguatemi as 9 horas da noite. São, como já ecrevemos aqui 64 crônicas selecionadas das mais de 12000 crônicas que ele escreveu. Quem puder comparecer, acredito que será ótimamente recompensado. Chove, mas como se não bastasse a chuva há fortes rajadas de vento o que impossibilita o uso de guarda-chuva. Então, na saida, não esqueça de levar sua capa de chuva.

Paulo Sant'ana
03/06/2003


Mundo transformado

Sem nos apercebermos, assistimos às maiores transformações já ocorridas na dinâmica social em todos os tempos.

Esse medo das ruas de que somos acometidos, que nos encurrala dentro de nossas casas, que tornou a todos desconfiados, que de repente mexeu com a liberdade das pessoas, de tal sorte que ninguém mais programa passeios - e quando os nossos jovens organizam-se em festas os seus pais e familiares ficam com o coração na mão à sua espera, pensando sempre sobre o pior que possa acontecer, essa sensação de perda da tranqüilidade já se incorporou ao espírito de todos com absoluta resignação.

O sonho de possuir um sítio, um lugar de descanso e de encontro com a natureza, onde se poderia espichar uma rede e ficar escutando o chilrear dos pássaros, em cinco anos dissolveu-se como uma espuma.

Não há lugar mais perigoso em nosso ambiente social que um sítio. A qualquer momento você pode ser atacado por assaltantes e ficará inteiramente à mercê deles, sem vizinhos nem polícia para socorrê-lo.

De repente, não mais que de repente, ninguém mais quer saber de morar em casas com largos quintais. Os preços das casas baixaram absurdamente, houve uma debandada geral para os apartamentos, onde as pessoas ficam espremidas e pagam esmagadoras taxas de condomínios.

Casas e sítios tiveram seus preços aviltados no mercado imobiliário. O mercado imobiliário, de repente, foi presidido por um único valor: segurança.

Agora mesmo, no Rio de Janeiro, o número de menores de rua e de famílias de rua que foram expulsos das favelas pelos traficantes subiu de 4% para 27%.

Os traficantes escolhem os que não são leais a eles na favela e os despejam. Os seus barracos são abandonados para se tornarem depósitos de drogas, armas ou a nova casa de traficantes em fuga da polícia.

Foi amplamente divulgada a cena da família de um pedreiro que foi forçada pelo Comando Vermelho a deixar sua casa no meio da noite. Os novos donos do pequeno barraco, traficantes, no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, em rápida ação, não permitiram que os moradores expulsos levassem seus pertences.

A PM se recusou a subir o morro para dar proteção à família por causa do perigo à noite. A Polícia Civil não garantiu que a família permanecesse na sua casa, apenas fez a escolta para que móveis, objetos e roupas fossem retirados de lá.

Ou seja, o poder constituído cede nas favelas cariocas ao poder paralelo instituído, imaginando-se claramente que os milhões de favelados cariocas vivem abandonados à sua própria sorte, sob a lei dos bandidos, sem unidades de serviço policial que os proteja lá dentro, acabando por se tornarem cativos dos traficantes.

Parece um mundo tão distante de nós o complexo de favelas cariocas, mas nunca foi tão próximo. Ele ameaça se estender por todos os lugares em que vivemos.

Há poucos anos, nas cidades, os moradores deixavam abertas suas janelas e iam sentar nas cadeiras, nas calçadas.

E não havia vida mais paradisíaca que as dos sítios e casas de campo.

Tudo isso mudou como por um milagre. Nós quase nem percebemos.

Hoje à noitinha, a partir das 19h, estarei autografando meu livro O Melhor de Mim, nas Livrarias Porto, do Shopping Iguatemi.

Escrevi assim no início do livro: "O melhor de mim é quando me comove o melhor dos outros. O melhor de mim é quando me inquieta o pior que recai sobre os outros. O melhor de mim é quando me torno voz pranteada da aflição dos outros, quando incorporo em mim o sofrimento alheio, quando ponho para fora o grito de protesto pela dor resignada dos outros".

Toda a vida de qualquer pessoa gira em torno dos outros.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Liberato Vieira da Cunha
03/06/2003


Sala de espera

Topei ontem, na sala de espera do dentista, com uma Seleções tão antiga que ainda trazia propaganda dos ternos de nycron, aqueles mesmos que, se você tem mais de 40, há de recordar que, senta-levanta, jamais perdem o vinco.

Como me aguardava um tratamento de canal, mergulhei em nostalgia, ótimo recurso para você se evadir de conjunturas adversas. Não demorou a me visitar a lembrança da tricromia (alô, Erico) do primeiro anúncio que vi, o do carrão Hudson bordô, o da lampeira senhorita de binóculo, uma que diz: A vida parece tão linda..., com reticências e tudo. O primeiro anúncio a gente não esquece. Mas esse, descobri bem depois, data de eras anteriores ao meu desembarque no mundo, de modo que devo tê-lo encontrado, muito provavelmente, na ante-sala de um ancestral tira-dentes de Cachoeira.

Foi mexer com o passado e ele logo me envolveu. Esta é Elizabeth Taylor, no zênite de sua beleza, proclamando, sonhadora, as virtudes do sabonete Lever. Refrigeração mesmo no sertão? Compre uma Gelomatic 700, que funciona a querosene e dura uma eternidade. Quer mostrar como você é o degas? Estacione sua Lambretta junto aos sonolentos matungos desta cidadezinha do Oeste e as meninas do saloon cairão em seus braços. Já este é o Brasil dos Anos Dourados. Decida o que é mais elegante: a insustentável leveza do Palácio da Alvorada ou as linhas arrojadas do novo Simca Chambord?

Se o tema for sedução, experimente resistir a esta deusa de semicerrado olhar, entreabertos lábios, que, deslizando em lençóis de seda, entrega: Homem com salto Super-Confort eu deixo pisar no meu coração. Agora, se o amigo é chegado a uma dúvida filosófica, responda em meio segundo a esta inquietante pergunta, patrocinada pelas Tintas Coral e enfeitada por duas rosas: O que seria do vermelho, se todos gostassem do amarelo?

Honestamente, não sei. Tenho certeza no entanto de que essas e outras incontáveis peças de publicidade movidas a talento compõem um admirável outdoor a iluminar por vezes tempos sombrios.

Agora, pausa para o terror: me intimam a radiografia, o sugador, a broca.

É nesse transe que busco lenitivo em um insuperável, consolador reclame.

O das calcinhas de Lycra, com aquela sensualíssima garota te prometendo o Éden.
liberato.vieira@zerohora.com.br

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Futebol
De folga em Porto Alegre



Surpreendido por ZH no Salgado Filho, ao chegar de Paris, Ronaldinho contou que passará seis dias junto à mãe, dona Miguelina, e falou sobre sua eventual saída do PSG, que renderia alguns milhões de reais ao Grêmio (foto Paulo Franken/ZH)


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Segunda-feira, Junho 02, 2003




A seriedade e disposição com que servimos é um reflexo direto de nossa gratidão.
Élder Gordon T. Watts

Quando eu era menino, a vida na pequena fazenda da nossa família era um paraíso. Como nossa casa era muito simples, muitas vezes, não havia telhas suficientes para cobrir o telhado, o banheiro localizava-se do lado de fora, o que nos obrigava a nos prepararmos de antemão para irmos até ele, e minha camisa velha tinha, às vezes, mais casas do que botões. O banho de sábado à noite em frente ao fogão quente expunha-nos a extremos de frio e calor, mas era um luxo.

A vida era maravilhosa! Depois, alguma coisa mudou: comecei a freqüentar a escola e a perceber que os outros alunos possuíam coisas que eu não tinha. Alguns tinham boas roupas, uma casa bonita com todos esses eletrodomésticos modernos e tinham carros mais novos. Muitos da minha idade não precisavam levantar mais cedo para trabalhar na fazenda antes de irem para a escola, voltar à noite e fazer tudo de novo no dia seguinte.

Enquanto eles eram populares e seguros de si, eu, por outro lado, tornei-me tímido e introvertido. Infelizmente, comecei a esquecer-me do quanto era feliz quando passei a comparar minhas bênçãos com as deles, que pareciam infindáveis. Conseqüentemente, deixei de ser humilde, o que distorceu minha visão da realidade, dando lugar à ingratidão. O desejo de querer receber mais do que merecemos pode fazer-nos pensar que nossas bênçãos não são suficientes.

Se não reconhecermos o Senhor como responsável por tudo o que temos, logo tornar-nos-emos egoístas. E a gratidão começa com a atitude. Enquanto alguns enfrentam todas as situações de maneira positiva, outros só vêem o lado negativo das coisas. Devemos tomar cuidado para não acabarmos entrando para o crescente grupo de pessoas ingratas que se tornaram insensíveis às bênçãos porque sentem raiva de sua pobreza.

O Élder James E. Talmage disse:

A gratidão é irmã gêmea da humildade; o orgulho é inimigo de ambas.

O Presidente James E. Faust disse também:

Um coração grato é o princípio da grandeza.

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Todas as Vidas

Vive dentro de mim uma cabocla velha de mau-olhado, acocorada ao pé do borralho, olhando para o fogo. Benze quebranto. Bota feitiço... Ogum. Orixá. Macumba, terreiro. Ogã, pai-de-santo...

Vive dentro de mim a lavadeira do Rio Vermelho. Seu cheiro gostoso d'água e sabão. Rodilha de pano. Trouxa de roupa, pedra de anil. Sua coroa verde de são-caetano.

Vive dentro de mim a mulher cozinheira. Pimenta e cebola. Quitute bem feito. Panela de barro. Taipa de lenha. Cozinha antiga toda pretinha. Bem cacheada de picumã. Pedra pontuda. Cumbuco de coco. Pisando alho-sal.

Vive dentro de mim a mulher do povo. Bem proletária. Bem linguaruda, desabusada, sem preconceitos, de casca-grossa, de chinelinha, e filharada.

Vive dentro de mim a mulher roceira. - Enxerto de terra, Trabalhadeira. Madrugadeira. Analfabeta. De pé no chão. Bem parideira. Bem criadeira. Seus doze filhos, Seus vinte netos.

Vive dentro de mim a mulher da vida. Minha irmãzinha... tão desprezada, tão murmurada... Fingindo ser alegre seu triste fado.

Todas as vidas dentro de mim: Na minha vida - a vida mera das obscuras.!

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Ressalva

Este livro foi escrito
por uma mulher
que no tarde da Vida
recria e poetiza sua própria
Vida.

Este livro
foi escrito por uma mulher
que fez a escalada da
Montanha da Vida
removendo pedras
e plantando flores.

Este livro:
Versos...não
Poesia...não.
Um modo diferente de contar velhas estórias.

A escola da mestra Silvina

Minha escola primária...
Escola antiga de antiga mestra.
Repartida em dois períodos
para a mesma meninada,
das 8 às 11, a 1 às 4.
Nem recreio, nem exames.
Nem notas, nem férias.
Sem cânticos, sem merenda...
Digo mal - sempre havia
distribuídos
alguns bolos de palmatória...
A granel?
Não, que a mestra
era boa, velha, cansada, aposentada.
Tinha já ensinado a uma geração
antes da minha.

A gente chegava "- Bença, mestra".
Sentava em bancos compridos,
escorridos, sem encosto.
Lia alto lições de rotina:
o velho abecedário,
lição salteada.
Aprendia a soletrar.

Vinham depois:
Primeiro, segundo,
terceiro e quarto livros
do erudito pedagogo
Abílio César Borges -
barão de Macaúbas.
E as máximas sapientes
do marquês de Maricá.

Não se usava quadro-negro.
As contas se faziam
em pequenas lousas
individuais.

Não havia chamada
e sim o ritual
de entradas, compassadas.
"- Bença, mestra..."

Banco dos meninos
Banco das meninas.
Tudo muito sério.
Não se brincava.
Muito respeito.
Leitura alta.
Soletrava-se.
Cobria-se o debuxo.
Dava-se a lição.
Tinha dia certo de argumento
com a palmatória pedagógica
em cena.
Cantava-se em coro a velha tabuada.

Velhos colegas daquele tempo...
Onde andam vocês?

A casa da escola inda é a mesma.
- Quanta saudade quando passo ali!
Rua Direita, nº 13.
Porta da rua pesada,
escorada com a mesma pedra
da nossa infância.
Porta do meio, sempre fechada.
Corredor de lajes
e um cheirinho de rabugem
dos cachorros de Samélia.
À direita - sala de aulas.
Janelas de rótulas.
Mesorra escura
toda manchada de tinta
das escritas.
Altos na parede, dois retratos:
Deodoro, Floriano.

Num prego de forja, saliente na parede,
estirava-se a palmatória.
Porta de dentro abrindo
numa alcova escura.
Um velhíssimo armário.
Canastras tacheadas.
Um pote d'água.
Um prato de ferro.
Uma velha caneca, coletiva,
enferrujada.
Minha escola da mestra Silvina...
Silvina Ermelinda Xavier de Brito.
Era todo o nome dela.

Velhos colegas daquele tempo,
onde andam vocês?

Sempre que passo pela casa
me parece ver a mestra,
nas rótulas.
Mentalmente beijo-lhe a mão.
"- Bença, mestra."
E faço a chamada de saudade
dos colegas:
Juca Abernaz, Antônio,
João de Araújo, Rufo.
Apulcro de Alencastro,
Vítor de Carvalho Ramos.
Hugo da Tropas e Boiadas.
Benjamim Vieira.
Antônio Rizzo.
Leão Caiado, Orestes de Carvalho.
Natanael Lafaiete Póvoa.
Marica. Albertina Camargo.
Breno - "Escuto e tua voz vai
Se apagando com um dolente ciciar
de prece".
Alberico, Plínio e Dante Camargo.
Guigui e Minguito
de Totó dos Anjos.
Zoilo Remígio.
Zelma Abrantes.
Joana e Mariquinha Milamexa.
Marica. Albertina Camargo.
Zu, Maria Djanira, Adília.
Genoveva, Amintas e Teomília.
Alcides e Magnólia Craveiro.
Pequetita e Argentina Remígio.
Olímpia e Clotilde de Bastos.
Luisita e Fani.
Nicoleta e Olga Bonsolhos.
Laura Nunes.
Adélia Azevedo.
Minha irmã Helena.
(Eu era Aninha.)
Velhos colegas daquele tempo.
Quantos de vocês respondem
esta chamada de saudades
e se lembram da velha escola?

E a mestra?...
Está no Céu.
Tem nas mãos um grande livro de ouro
e ensina a soletrar
aos anjos.

Cora Coralina

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Funcionários do BB reivindicam antecipação de reajuste
Fonte: Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil
Publicado em: 30/5/2003 - 17:8


A Comissão de Empresa apresentou ontem, aos negociadores do banco, pedido de antecipação de reajuste salarial de 15%, relativo à inflação acumulada desde setembro de 2002. A reivindicação da Comissão de Empresa integra os funcionários do Banco do Brasil na campanha emergencial unificada, decidida pela Executiva Nacional dos Bancários. Para os funcionários do BB, a campanha é ainda mais urgente, por conta da defasagem salarial acumulada nos últimos sete anos.

Os negociadores do banco, Joel Bueno e José Doralvino de Senna, alegaram que qualquer reajuste neste momento depende, essencialmente, de autorização do governo, através do DEST, o Departamento de Controle das Estatais subordinado ao Ministério do Planejamento.
Banco anuncia concurso público

O Banco do Brasil anunciou a realização de três concursos públicos regionais. No interior de São Paulo será realizado no dia 27 de julho, com inscrições programadas para o período de 16 a 25 de junho. Para os Estados das regiões Norte, Nordeste e Goiás, o edital deverá ser publicado em junho. Para agosto está previsto concurso nos Estados de ES, MG, PR, RJ, RS e SC.

O número de vagas não foi divulgado. O teto de funcionários do BB ainda está contingenciado em 81 mil, pelo DEST.

A Comissão de Empresa encara a decisão como positiva, pois aponta no sentido de atender a reivindicação de aumento dos funcionários, a revisão de dotação e o fim do trabalh do trabalho gratuito. É necessário, entretanto, que o banco inicie urgentemente o processo de revisão de dotação de todas as dependências.

A Comissão de Empresa orienta os sindicatos a continuar o levantamento de dotação de agências, solicitado anteriormente.

Banco reduz taxa de juros também para aposentados

Atendendo a reivindicação da Comissão de Empresa, o Banco do Brasil estendeu também aos aposentados a redução da taxa de juros do CDC para 2,9%. A partir do dia 02 de junho, os novos empréstimos CDC já serão contratados com esta taxa.

A aplicação da taxa de 2,9% para a recontratação das dívidas consolidadas dos funcionários, no entanto, ainda não está disponível devido a problemas na implantação do sistema, conforme alegou o banco. Questionado pela Comissão de Empresa, o banco alegou que o serviço será implantado com a máxima urgência.

O banco negou, à Comissão de Empresa, a reivindicação de redução maior nas taxas de juros para funcionários. Sobre a possibilidade de venda de folgas em estoque, o banco ainda não apresentou posicionamento.

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MISTÉRIOS DA ALMA
Dr. Luiz Alberto Py*

Sentimentos devem ser resguardados

Controlar as emoções é importante para que somente os mais íntimos saibam o que realmente estamos sentindo
Nossas opiniões e nossos sentimentos são algo muito íntimo, que só devemos partilhar com pessoas com quem desejamos ter intimidade ou de quem estamos próximos. Quando temos raiva ou desprezo por alguém, isso não é motivo para comunicar para essa pessoa nossos sentimentos. Ao contrário, devemos abrigar nossos sentimentos para que somente as pessoas íntimas os conheçam. Certamente, ninguém vai querer que uma pessoa de quem não goste fique íntima de seus sentimentos. Às vezes, falamos o que sentimos pela dificuldade em conter a raiva e movidos pela idéia de agredir com nossas palavras.

É importante que a gente consiga ter um controle bastante sólido sobre nossas reações para evitar que as pessoas que desprezamos consigam saber os nossos sentimentos mais íntimos. Um consolo pode ser pensar que sempre haverá no futuro uma oportunidade de devolvermos agressões recebidas ou explicitarmos de modo contundente nossa raiva, em um momento bem escolhido e adequado.

Tudo isso está resumido pela sabedoria popular carioca em alguns ditos, tais como:o bom cabrito não berra, vingança é um prato que se come frio, etc. A nossa verdade deve ser tratada como alguma coisa tão preciosa, que não pode ser oferecida para qualquer um.

Ciúmes
Estou saindo com um rapaz que se separou recentemente. Sua ex, segundo ele, era ciumenta. Ele me telefona durante a semana, mas aos sábados e domingos some. Penso em questioná-lo sobre a ausência.
R., por e-mail

Acho que você pode conversar com ele sobre o assunto sem que a conversa tenha de ser uma cobrança, mas apenas sinal de interesse. Porém, tenho a impressão de que está desconfiada de que ele esteja se encontrando com outra pessoa nos fins de semana, talvez a ex-mulher. Pode ser verdade ou não, mas isso você saberá mais tarde. Uma afirmação preocupante sua foi dizer que não pode cobrá-lo porque ele ainda não é seu namorado. Cuidado, o fato de haver um namoro não autoriza cobranças. Devemos nos interessar pela pessoa que namoramos, mas não somos proprietários dela. Com carinho e sem ciúme, o amor evolui melhor.

Relacionamento
Amo meu vizinho, que foi o primeiro e único homem da minha vida. Sei que ele gosta muito de mim, mas não me assume como namorada. Penso em terminar, mas tenho tenho esperança que ele mude.
F., por e-mail

Pela sua carta, está claro que ele é uma pessoa com problemas e tem dificuldade para assumir seus sentimentos, além de outros defeitos que você descreveu. Penso que ele não a merece, mas quem tem que decidir o que fazer é você mesma. Ele parece ter sido importante para você, mas, agora, ficar com ele está impedindo que outros melhores apareçam em sua vida. Talvez, quando você se decidir a deixá-lo, ele se resolva a assumir o namoro. Mas estará apenas demonstrando fraqueza e covardia. Que sinais você tem de que ele possa melhorar e por quanto tempo você se dispõe a esperar pela mudança dele?

A sinceridade é perigosa e estúpida
George Bernand Shaw, dramaturgo e pensador irlandês (1856-1950)

Recado: Aos que me pedem respostas pelo correio, bolsas de estudo, informações em outras áreas médicas, livros e etc, informo que não tenho como atender a tais pedidos. Respondo cartas através desta coluna e, eventualmente, e-mails avulsos. Sou grato a todos os que escrevem para agradecer ou elogiar e oram por mim.

Mande uma carta para a coluna Mistérios da Alma: Caixa Postal 33043, Rio de Janeiro, RJ, CEP: 22440-970 ou pelo e-mail: lpy@pobox.com
*Médico formado pela UFRJ, conselheiro familiar pelo estado da Califórnia (EUA)

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A escolhida
Camila Morgado conta que, além de raspar a cabeça, terá que emagrecer e aprender a atirar para viver Olga Benário Prestes no cinema
Marcelle Justo

Os cabelos ruivos de Camila Morgado, moldura do rosto expressivo da Manuela de A Casa das Sete Mulheres, não serão os únicos sacrificados na busca pelo visual perfeito para encarnar Olga Benário Prestes no filme Olga, baseado na história da militante comunista alemã, papel que inicialmente seria de Patrícia Pillar. Durante o longa-metragem, inspirado no livro de Fernando Moraes e dirigido por Jayme Monjardim, Camila terá que raspar a cabeça para recriar de forma verdadeira a história da mulher de Luís Carlos Prestes, que foi entregue grávida aos nazistas alemães pelo governo brasileiro em 1936 e morta tempos depois por asfixia em uma câmara de gás.

Farei treinamento militar no quartel de São Cristóvão para aprender a fazer ronda e ter noções de técnicas de guerrilha, além de atirar, adianta a atriz, de 27 anos, nascida em Petrópolis. O filme está em fase de pré-produção e será lançado pela Globofilmes no ano que vem.

O personagem tão dramático do cinema exige ainda mais. Camila terá que se dedicar a um treinamento físico com um personal trainer. Preciso de um corpo mais preparado que não seja musculoso. Mais para bailarina, com uma musculatura definida, explica Camila. A atriz diz que tem facilidade para perder peso e terá que fazer isso para as cenas em que Olga está no campo de concentração. Vou emagrecer com acompanhamento médico, avisa.

A dedicação de Camila já dá mostras de que não será em vão. Fernando Moraes, o autor do livro sobre a vida de Olga, ficou muito satisfeito com a escolha de Jayme Monjardim. Ela tem o tipo físico ideal. Não é uma beleza novela das oito, patricinha. Fará uma bela Olga, aposta Fernando, que vendeu os direitos do livro para a produtora Rita Buzzar.

Para a autora da minissérie A Casa Das Sete Mulheres, Maria Adelaide Amaral, a escolha foi perfeita. Camila é o mais estupendo fenômeno cênico desde Cacilda Becker. Não seria necessário que ela tivesse as mesmas características físicas. Importa ter talento para fazer essa personagem.

E isso ela tem de sobra, derrete-se Maria Adelaide. Já a filha de Olga, Anita Leocádia, nascida na prisão na Alemanha, diz não conhecer a atriz para saber se ela se encaixa no papel. Já falaram muito desse filme, mas ainda não fui avisada sobre esta atriz. Além disso, não assisto à televisão.Uma pena. Camila tem todo o estilo da ativista política, sua mãe.

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BB vai abrir vaga no Rio

O Banco do Brasil vai promover concurso público para preencher vagas na carreira de escriturário e também para formar cadastro reserva. Mas candidatos classificados em concursos anteriores vão continuar a ser chamados, respeitando os prazos de validade dos exames.

O edital do processo seletivo para Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina sairá em agosto. Serão cobradas, através de prova objetiva, as seguintes disciplinas: Conhecimentos Gerais, Bancários e de Informática, Língua Portuguesa e Matemática.

O exame será elaborado pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos Universidade de Brasília (Cespe/UnB). O site da instituição (http://www.cespe.unb.br) contém provas de concursos anteriores para livre consulta. Mais informações podem ser obtidas também no endereço eletrônico http://www.bb.com.br. A taxa de inscrição deverá ficar em R$ 25.

Novos funcionários serão celetistas

Os candidatos devem ter concluído o Ensino Médio (antigo 2º Grau) e ter, pelo menos, 18 anos na data da contratação. A remuneração inicial é de R$ 638,40, acrescidos de gratificação de 25%.

Os novos funcionários serão contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), portanto, sem direito a estabilidade no cargo. Eles terão direito a 13º, participação nos lucros da empresa e possibilidade de adesão a planos assistenciais de saúde e previdência complementar. A carga horária é de 30 horas semanais.

O banco já publicou o edital para a seleção do mesmo cargo no interior de São Paulo e Minas Gerais, que pode ser consultado no Diário Oficial da União do dia 26 ¿ Edital nº1 ¿ 2003/001, ou no site do Cespe/UnB ou do BB.

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José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! A Globo tucanou o barbeiro!

Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E sabe o que o Lula falou pro Zé Alencar? 'Seria melhor que você OVICE mais e falasse menos.' E sabe o que dá o cruzamento da Heloisa Helena, doutora Havanir e a Maria da Conceição Tavares? A minha sogra! Rarará! E sabe qual é a definição de banqueiro? Aquele cara que te empresta um guarda-chuva quando tá sol e te pega de volta assim que começa a chover!

E a minha morenanta Lucianta Gimenez estava fazendo propaganda de xampu e soltou mais uma pérola antalógica: 'Vocês viram como estão lindas as minhas MEDEIXAS?'. Então dispensa o xampu e me deixas as medeixas sujas. Rarará. Aliás, sabe como se chamam os dois neurônios da Lucianta? Os Invasores! E aí diz que perguntaram pra Tiazinha: 'O que você achou do 'X-Man 2'?'. 'Eu num regime desgraçado e você vem me falar de cheese-burguer?'. Rarará! Aliás, sabe o que aconteceu com o neurônio da Tiazinha? Morreu de solidão!

E continua a todo o vapor o Manual do Contra da Heloisa Helena. Diz que a 'Veja' ofereceu pra Heloisa Helena sair na capa, mas ela recusou. Só aceita a CONTRAcapa! E só toca contrabaixo, só come contrafilé, só aceita cantar se for contralto e licor só Contreau. E aí um amigo meu ligou pra casa dela: 'Alô, alô, a Heloisa Helena tá aí?'. 'Não, ela não se enCONTRA. Ela CONTRAiu um vírus apertando a mão do Sarney.' Alergia a oligarquia: o vírus SARSney. Rarará. É mole? É mole, mas sobe!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que eu estava assistindo ao Globo Esporte sobre a vaidade dos jogadores e de repente aparece um cara com a legenda embaixo: 'Arquiteto capilar'. Tucanaram o barbeiro. É verdade! A Globo tucanou o cabeleireiro. Tá mais fácil a Heloisa Helena virar patricinha que acabar com o tucanês!

Atenção. Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. 'Excêntrico': político do centro que virou companheiro, ex-cêntrico. 'Copom': copo pra conhaque! Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

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Ana Amélia Lemos
02/06/2003


Dívida de universitários

Será hoje a reunião entre a Caixa Econômica Federal e o Ministério da Educação para definir uma alternativa que permita a 190 mil estudantes universitários regularizarem os pagamentos do crédito educativo. É esse o número dos contratos inadimplentes, totalizando R$ 1,5 bilhão. Desde que foi criado, o sistema de crédito educativo sempre apresentou problemas porque os valores das mensalidades são incompatíveis com a capacidade financeira dos recém formados. A decisão política do governo para resolver essa pendência já está tomada, garante o vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB).

Cidadã
A retomada do programa Família Cidadã, do ex-governador Olívio Dutra, foi reivindicada pelo deputado Tarcisio Zimmermann (PT) ao governador Germano Rigotto. O parlamentar petista diz que há previsão de R$ 30 milhões no orçamento estadual deste ano. A descontinuidade prejudica um programa que atendeu 10 mil famílias de renda média mensal de R$ 223, argumentou Zimmermann.

Transportes
O deputado Pompeo de Mattos (PDT) aproveitou a presença do ministro Anderson Adauto, dos Transportes, na Câmara, na semana passada, para renovar o pedido de urgência na retomada de obras nas rodovias federais no Estado. O ministro estará hoje em visita ao Rio Grande do Sul.

Vinhos
O deputado Paulo Pimenta (PT) acredita na eficácia das iniciativas em defesa do setor vitivinícola gaúcho. Na semana passada, em Bento Gonçalves, depois de reuniões com essa cadeia produtiva e uma visita à Vinícola Aurora, foi decidido que será realizado um seminário com o tema "Vinho como Alimento". Em parceria com o deputado estadual Estilac Xavier (PT), o parlamentar vai apresentar projeto elevando o vinho à categoria dos alimentos.

Fórum
O deputado Luis Carlos Heinze (PP) participa, como convidado oficial, este mês, em Washington, do Fórum Brasil. A palestra do parlamentar gaúcho será no dia 17, na Câmara de Comércio dos Estados Unidos. Por ali já passaram vários ministros brasileiros e dirigentes do Banco Central.

Aposentadoria
A retomada da aposentadoria especial aos 25 anos de serviço para os caminhoneiros foi defendida pelo deputado Francisco Appio (PP), argumentando que se trata de trabalho insalubre e inseguro. Outras categorias, como os professores, também perderam essa regalia.

Questão ética
O ministro do Tribunal de Contas da União Adylson Motta (foto) é o relator de todas as questões relativas ao Ministério dos Transportes. Na semana passada, deu sinal verde para o edital de duplicação da BR-101. Por questão ética, nos casos de fiscalização de obras do DNIT no Rio Grande do Sul, sempre se declara impedido. "Não quero meus votos injustamente colocados sob suspeita de atender a interesse regional", diz o ministro.
ana.amelia@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
02/06/2003


Tite, Tite! Fica, fica!

O Grêmio está em 20º lugar no Campeonato Brasileiro, à beira da segunda divisão.

Cansei de me esbagaçar no Sala de Redação, gritando que a maior e mais importante competição que um clube brasileiro disputa é o Brasileirão.

Cansei. Quem elege prioridade acaba sem prioridades.

São 28 jogos do Grêmio em 2003: nove vitórias, seis empates e 13 derrotas. Neste mesmo ano de 2003, inédito na história do clube e de qualquer outro clube em qualquer campeonato regional de todo o planeta, o Grêmio disputou seis jogos pela classificatória do Gauchão.

Adivinhem quantos jogos o Grêmio ganhou nestes seis? Inédito, espetacular: o Grêmio não obteve sequer uma vitória no Gauchão. Seis jogos sem vitória. No Gauchão.

Acabou assim, o Grêmio está fora do Gauchão antes de o Gauchão quente começar. É demais!

A campanha do Grêmio este ano, 28 jogos, consegue ser inferior, inédito e espetacular, à campanha de 1991, quando então foi rebaixado para a segunda divisão, mas em vez das 13 derrotas de agora, tinha somente 10.

De três anos sem derrotas em Gre-Nais, passamos a perdedores dos dois últimos clássicos.

A campanha deste ano, portanto, é a pior campanha dos cem anos de existência do Grêmio. Inédito, espetacular!

Eu só me encorajei a publicar estes números, que me foram fornecidos pelo Cléber Grabauska, porque após o jogo de ontem o presidente Flávio Obino declarou que "a matemática é uma ciência exata".

Isto é, os números não mentem jamais.

No ano passado, já o Grêmio não ganhara nenhum dos vários campeonatos que disputou. Nem o Gauchão. E tinha sido goleado na Copa Sul-Minas, em pleno Olímpico, pelo Atlético Paranaense e pelo Figueirense. Sofreu nove gols em dois jogos. No Olímpico.

Quer dizer, fiasco no ano passado, fiasco este ano. A diretoria mudou, mas o treinador dos dois anos foi o mesmo: Tite.

O colega Ruy Carlos Ostermann declarou no Sala que Tite é "uma celebridade". O companheiro Falcão escreveu na sua coluna de sábado passado que "Tite é um vencedor".

E o colega Pedro Ernesto, ontem à tarde, na Rádio Gaúcha, começou o seu comentário assim: "Eu e vários colegas da imprensa estivemos, durante uma hora e meia , reunidos no hotel, em Medellín, numa conversa franca com o Tite".

Quando ouvi isto, concluí: "Aí vêm elogios!". Não deu outra, Pedro Ernesto desfiou sete minutos de elogios a Tite no seu comentário: "Um consagrado vencedor".

Pois então, apesar desses escabrosos e escandalosos números da campanha gremista dos dois últimos anos, mais esta ameaça agora de vir a provar a segunda divisão pela segunda vez, no ano do seu centenário, como não quero ser o joãozinho-do-passo-certo, nem alimentar atritos com meus colegas nos corredores da RBS, engajo-me também firmemente na campanha laudatória e ofereço abaixo a minha colaboração baba-ovo.

Eu agora bato pé: Tite, Tite, Tite. Fica, fica, fica. Tite, Tite, Tite. Fica, fica, fica. Tite, Tite, Tite. Fica, fica, fica. Tite, Tite, Tite, fica, fica, fica. Tite, Tite, Tite. Fica, fica, fica. Tite, Tite, Tite. Fica, fica, fica. Tite, Tite, Tite. Fica, fica, fica. Tite, Tite, Tite. Fica, fica, fica. Tite, Tite, Tite. Fica, fica, fica. Tite, Tite, Tite. Fica, fica, fica. Tite, Tite, Tite. Fica, fica, fica! Tite, Tite, Tite. Fica, fica, fica!

E se já tínhamos entrado em moratória nas contas do Grêmio no ano passado, este ano marchamos para o default!
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Diplomacia
Em busca da harmonia



Lula e Bush se encontram na França, na primeira reunião de líderes mundiais depois da guerra
Presidente brasileiro, que propôs taxação sobre comércio de armas, teve conversa privada com o presidente dos EUA (foto Ricardo Stuckert, ABR/ZH)


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