E N T R E L A Ç O S Testando cor de fundo
E N T R E L A Ç O S

Sábado, Junho 28, 2003




DIGA NÃO A WEBSTRESS


Receber e enviar e-mails, navegar pelos sites espetaculares da rede, fazer downloads, acessar chats, fazer pesquisas, são motivos suficientemente fortes para manter-nos grudados na telinha.
Os atrativos são tantos, que começamos a navegar e as horas escoam rapidamente, sem que percebamos.
Se não nos educarmos e não colocarmos limites, poderemos sucumbir ao webstress e aos demais efeitos colaterais indesejáveis que costumam acometer os internautas:

Distúrbios posturais e má circulação

Olhos no fundo, vermelhos ou lacrimejantes

Distúrbios nos hábitos alimentares

Ansiedade e sono agitado

Sentimento de desorientação quando temos que lidar com as circunstâncias do mundo real

Acomodação ao mundo virtual como única fonte de prazer e realização

Cada um deve estabelecer seu próprio método para conviver de modo saudável tanto com o mundo real como o virtual.
As sugestões abaixo são as que eu encontrei e tenho tentado colocar em prática:

Reduza a quantidade de amigos virtuais e resista à tentação de querer agradar a todos, do contrário, sua caixa de entrada vai ficar congestionada e você não fará outra coisa a não ser responder e-mails.
Selecione seus amigos pela qualidade do afeto e do ideal que compartilham e mesmo com estes, seja conciso, breve e objetivo.

Estabeleça um período para a navegação.
Dias ímpares ou dias pares, tantas horas por dia e desligue o micro ao primeiro sinal de cansaço.

Mande um aviso aos mais próximos e ausente-se do micro periodicamente.

Caia fora de todo e qualquer tipo de competição que tenha por base a vaidade pessoal. A parte de nós que compete é quase sempre o "pequeno eu". O nosso "Eu Superior" não entra nesta!

Se você tem um site por hobbye ou para divulgar a sua arte, não se permita massacrar pelo contador, este tremendo gerador de tensão, porque se o conteúdo do seu site for bom, ele será bem visitado naturalmente.Contadores podem ser manipulados. Prefira uma boa estatística que possa avaliar o desempenho do seu trabalho.

Iniba no seu provedor aqueles elementos que sobrecarregam a sua caixa de entrada com pesadíssimos e-mails, quase todos em frw, sem nunca terem mandado um único e-mail pessoal a você, apresentando-se e dizendo porque estão chegando na sua tela.

Quem está na Net, vez por outra leva uma bala perdida e encontra gratuitos desafetos. Releve e toque em frente. Seu tempo é precioso demais para ser desperdiçado em confrontos inúteis. Sua energia e seu tempo são para aqueles que chegam para acrescentar, ainda que através de observações construtivas.

Priorize! Não queira aprender tudo de uma vez, ler tudo de uma vez e abarcar informações além do que o seu cérebro suporta.

A Net pode ser uma grande aliada para dar-lhe alegria, auto-realização, conhecimento ... mas também pode virar um buraco negro capaz de sugar todas as suas energias e deixá-lo doente.
Administre com sabedoria este presente incrível da tecnologia.
Diga não ao webstress !!!

Fátima Irene Pinto
19.06.03/Descalvado - SP

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Martha Medeiros
29/06/2003


Tira a chupeta

Conheço muitos casais que, quando tiveram seus filhos, não permitiram que eles usassem bico. Preferiam agüentar o choro das crianças a usar um consolador de borracha anti-higiênico e que, ainda por cima, poderia vir a prejudicar a formação da arcada dentária. Concordo com eles, mas quando chegou minha vez não consegui ser sensata assim. Não só tasquei bico nas minhas filhas como ainda passava nele um pozinho chamado Funchicória, que fazia elas ficarem quietinhas, quietinhas. Funchicória é um produto 100% natural, e a embalagem denuncia: é coisa antiga, dica de bisavó. Não sei se ainda fabricam, mas eu acho o Funchicória, assim como o Hipoglos, as duas maiores invenções para bebês.

Posto isso, e estando hoje minhas filhas crescidas, admito: bico é mesmo um nojo. Quando vejo um nenê de bico, fico louca pra tirar, quero ver o rostinho da criança sem aquela coisa enfiada na boca. Tem bico que é um verdadeiro cruz-credo: enorme, anatômico, cheio de cores e formas, uma coisa assustadora. Bico tem que ser rosinha ou azul-clarinho, pequeninho, simplesinho. E assim que a criança começar a falar, abracadabra: sumiu o bico.

Se bico em criança com idade pré-escolar já me causa estranheza, bico em gente grande me deixa descontrolada. A atriz Claudia Raia revelou numa entrevista que usou chupeta até os 15 anos, e naquela idade ela já tinha o tamanho que tem hoje. Disse que só parou quando foi passar uma temporada em Nova York. Ela chupou o bico durante toda a viagem de avião e, chegando lá, largou. Há quem ache sexy.

Pois, para meu total desconsolo, a queridíssima Rita Lee também andou chupando bico durante o programa Saia Justa. Rita está acima do bem e do mal, prestou os melhores serviços à música brasileira através dos Mutantes, do Tutti Frutti e segue vital em sua carreira solo. Sou fã dela e de seus cabelos coloridos, de sua irreverência genuína, de seu talento para a provocação, de sua postura rock´n´roll, de sua inteligência, de seu humor... mas bico, não!!!! Fuma um charuto, Ritinha. Masca um lápis. Troca o bico por uma Bic, quem nunca mastigou uma tampa de caneta? Uma delícia.

Fica aqui o meu protesto. Bico é para criancinhas choronas, como quase todas são. E só. Ao completar dois anos, entrega pro Papai Noel e troca de fase. Mas para adultos que usam bico, mesmo que só em baile de Carnaval ou pra fazer pirraça, nenhum perdão: paredón!

martha.medeiros@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo

29/06/2003

O seguido e o seguidor

Idéia para uma história. Um homem senta ao lado de outro homem num banco de parque. O outro começa a se levantar mas o primeiro o segura pelo braço e diz:

- Senta, senta. Vamos acabar com esta farsa. Eu sei que você está me seguindo.

O outro protesta:

- Eu? O senhor deve estar me confundindo com...

- Pare. Você pensou que eu não tinha notado? Todos estes anos?

- Não sei do que o senhor está falando.

- Quantos anos? Cinco? Seis?

O outro fica em silêncio. Depois diz:

- Mais.

- Dez?

- Mais.

- Quantos?

Novo silêncio. Finalmente:

- Não sei ao certo.

- Você não sabe há quantos anos vem me seguindo?

- Perdi a conta.

- E por que está me seguindo?

O silêncio desta vez é mais longo. Depois:

- Também não sei.

Os dois têm mais ou menos a mesma idade. Sessenta e poucos.

- Deixa eu ver se entendi - diz o seguido. - Você vem me seguindo há mais de 10 anos, mas não sabe por que?

- Esqueci.

- Você foi contratado para me seguir?

- Fui.

- Pois então. Alguém está lhe pagando para me seguir. Quem é que lhe paga?

- Ninguém mais me paga. Nos últimos cinco, seis anos, tenho seguido o senhor por conta própria. Foi por isso que o senhor descobriu que estava sendo seguido. Eu não tenho mais dinheiro para comprar os disfarces que usava antes.

- Você é um detetive?

- Era. Abandonei a agência de detetive. Só o que eu faço agora é seguir o senhor o tempo todo.

- Por quê?

- Já disse que esqueci.

- Não. Por que você continuou a me seguir, por conta própria, mesmo depois de esquecer por que estava me seguindo?

- Não sei. Hábito. Era o que eu sabia fazer melhor. Ou...

- O quê?

- Talvez continue a segui-lo porque é a única maneira de descobrir por que eu estou lhe seguindo.

- Quem foi que o contratou?

- Nunca fiquei sabendo. O contrato foi feito com a agência.

- Minha mulher? Meu sócio?

- Não sei.

- Que tipo de coisas queriam saber a meu respeito?

- Tudo. Onde o senhor ia. Com quem se encontrava. Quando foi a Cancun...

- Você estava lá?

- Lembra do Manito? O do bigode e das...

- Era você?

- Bem mais moço. O senhor me deu muito trabalho quando começou a fazer jogging aqui no parque. Eu estava fora de forma, não conseguia acompanhá-lo. Ainda bem que teve aquela queda, e a fratura no joelho. Agora o senhor só caminha, e eu posso ficar aqui, sentado, vendo o senhor dar as suas voltas. Aliás, eu tive alguma coisa a ver com aquela queda. Lembra da velha com o cachorro numa correia?

- Era você?

- Era. Desculpe.

- E você fazia relatórios sobre a minha atividade?

- Diários. Ainda faço.

- Ainda faz?!

- Tenho cadernos cheios de relatórios. Toda a sua vida, em detalhes.

- Mas por quê?

- Porque a única coisa que eu faço na vida é seguir o senhor.

Porque preciso estudar minhas anotações e descobrir alguma coisa suspeita no seu comportamento. Para saber por que eu estou seguindo o senhor!

Não havia nada de suspeito ou reprovável no comportamento do seguido. Nenhuma razão para ele ser seguido. Ou havia? Ele era a pessoa indicada para acabar com as dúvidas do seguidor. Enganava a mulher? Enganava o sócio? O Fisco? Quem teria pedido para ele ser seguido o tempo todo? E por quê?

- Você pode me contar. Meus relatórios não servem para nada. Só eu leio.

O seguido se esforça para se lembrar de alguma coisa. O seguidor insiste.

- Ninguém vai ficar sabendo!

- Eu sei. Mas não consigo me lembrar de nada.

- Qualquer coisa. Não precisa ser um grande pecado. Traição da pátria, bestialismo, nada disso. Um deslize serve. Um casinho. Um vício. Qualquer coisa. Só para eu saber por que estou seguindo o senhor.

O outro sacode a cabeça. Bate com a palma das mãos nas coxas e começa a se levantar do banco.

- Desculpe, não posso ajudá-lo. Vou dar mais algumas voltas.

- Está bem, está bem - suspira o outro, desolado. - Eu estarei aqui...

- Talvez a gente possa tomar um café, depois.

- Tá bom. Mas não naquele bar que o senhor vai sempre. Já enjoei daquele.

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Moacyr Scliar
29/06/2003


Viagens e bichos

Julho continua sendo, ao menos para a classe média brasileira, um mês de viagens: basta ver como crescem as ofertas das agências de turismo nesta época. Mas viajar é uma coisa que não se faz sem problemas. É caro, e com a ascensão do euro as viagens internacionais ficaram mais caras ainda. Depois existem os problemas domésticos: a segurança da casa, por exemplo. E os bichos. O que fazer com o cachorro e com o gato? Animais de estimação são cada vez mais numerosos - olhem o número de pet shops na cidade - e cada vez demandam mais cuidados.

Animais a bordo

Uma solução é levar os bichos junto. Há facilidades para isso, mas há dificuldades também, como constatei, esses dias, no Galeão. Tratava-se de uma senhora que estava fazendo o check-in e queria embarcar o seu cachorro, aliás, não muito grande. O funcionário da companhia aérea providenciou uma gaiola; só que não havia meio de enfiar o cachorro lá dentro: ele resistia e até rosnava para o assustado rapaz. A passageira então resolveu examinar a gaiola e decidiu:

- Não serve. Não tem o mínimo conforto. É por isso que ele não quer entrar, o pobrezinho. Está acostumado com um tratamento melhor.

O que deu início a uma discussão. A senhora alegava que estava viajando de primeira classe e que queria tratamento vip para o cachorro. Os funcionários ponderavam que não existe tal coisa como primeira classe para bichos, e que o serviço disponível era aquele, o fornecimento de gaiola.

Não sei como terminou a história porque eu próprio tive de embarcar (nem em primeira classe, nem em gaiola). Mas suspeito que essa senhora é capaz de ter perdido a viagem.

Emergência a domicílio

Há os que viajam sem os bichos, naturalmente. E contam com a ajuda dos hotéis para animais, alguns dos quais são cinco estrelas. Uma família que conheço foi para o Exterior e deixou um coelho (coelho, sim - ou vocês pensam que é só a Alice, aquela do País das Maravilhas que é fixada nesses roedores?) numa clínica. Acontece que o coelho estava meio doente e assim - meu Deus, perdão por esse trocadilho, que apesar de infame é adequado e até profético - matariam dois coelhos com uma cajadada.

No meio da viagem, a família recebeu um e-mail comunicando o passamento do coelho. O que deixou a todos indignados; afinal, a situação, ao menos em termos de patologia cuniculídea, não parecia tão grave, e isto foi dito no e-mail de resposta. O dono da clínica, ofendido, perguntou se eles queriam uma autópsia. Sim, a família queria uma autópsia. O dono da clínica disse que isso teria um custo extra.

A discussão se prolongou pela viagem toda. Na volta, eles não lembravam bem os museus que tinham visitado. Mas lembravam todos os e-mails.

Terapia à distância

Mesmo quando não adoecem, os bichos se ressentem da ausência dos donos. Conhecido meu, psiquiatra, foi viajar, deixando a casa, e o cachorro, aos cuidados da empregada. Chegando ao destino, telefonou, perguntando se estava tudo bem. A empregada disse que a casa estava em ordem, mas o cachorro, não: triste, recusava-se até a comer. O psiquiatra não teve dúvidas:

- Encosta o telefone na orelha dele.

E ali mesmo fez uma espécie de terapia, explicando ao bicho que logo voltaria e que ele, cachorro, deveria comer a sua ração. O que lembra uma antiga propaganda da RCA Victor, que fabricava toca-discos, e que mostrava um cãozinho escutando um desses arcaicos aparelhos, com a legenda "His master's voice", a voz do dono. Pois seja pelo poder da voz do dono, seja pela habilidade terapêutica do doutor, o certo é que o cachorro melhorou, voltou a comer e até engordou. Pelo menos é o que o psiquiatra conta. Se existem histórias de pescadores, por que não podem existir histórias de donos de cachorros?

scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
29/06/2003


Os lugares sagrados

Logo no início da minha carreira jornalística, depois de passar pelo telex a minha coluna, em 1973, fiquei conversando num bar de Túnis, capital da Tunísia, distante 40 minutos de avião de Roma, com alguns turistas.

Foi quando eles pronunciaram uma palavra que me soou mágica: Cartago. Perguntei onde ficava Cartago. E eles me disseram que distava uns 150 quilômetros dali.

Não tive dúvida e embarquei num ônibus em direção a Cartago, a sede dos domínios de Aníbal, o general que talvez durante mais de 10 anos fez tremer o império romano, tendo atravessado com suas tropas os Alpes e os Pirineus, jogando sobre os atônitos centuriões da Roma antiga os seus elefantes, as suas mulas e as suas centenas de milhares de soldados, de tal modo que suas tropas acabaram por acampar a apenas uma hora de Roma, só não a invadindo por um estranho e inexplicável desígnio do grande general cartaginês, o que veio a mudar o curso da História.

E ali estava eu, jovem ainda, boquiaberto, diante das ruínas de Cartago, que mais tarde fora inteiramente arrasada por Roma, de tal sorte que, comentam os historiadores, se formou em toda a superfície da cidade uma argamassa da altura de 20 metros, constituída dos escalpos da população cartaginesa.

Fiquei tomado da mesma emoção quando penetrei em Roma, fui avistando o Arco de Constantino, o Fórum Romano, o Coliseu, as Basílicas de São Pedro e São Paulo, a Pietá e o Moisés de Michelângelo, a Capela Sistina, embasbacando-me que pudesse avistar e percorrer aqueles lugares que eu só conhecia pelos sôfregos e emocionados estudos de História nos primeiros anos de ginásio.

O que pertencia somente à minha mitologia pessoal, escancarava-se como uma realidade concreta.

Roma e Cartago foram os maiores socos de imaginação emocionada que sofri em toda a minha vida.

Outra violenta emoção foi Moscou. Recém saído da experiência de caixeiro da feira livre em Porto Alegre, quase não podia acreditar naquela luminosa manhã de junho na Praça Vermelha, as abóbodas das mesquitas, as muralhas do Kremlin, os degraus das escadas rolantes engolindo milhares de passageiros do portentoso metrô, a Moscou dos czares, de Lenin, de Stalin, então de Brejnev, oferecida assim à minha curiosidade, como num sonho.

E lá estava eu na fila do mausoléu de Lenin, descendo as escadas escuras no rumo do túmulo do grande agitador. O cadáver de Lenin estava ali intacto, conservado durante mais de 70 anos, o rosto brilhante, o cavanhaque íntegro, as unhas aparadas, à mercê da visitação reverencial de seu povo e dos turistas deslumbrados.

Aquele espetáculo foi o da maior comoção de minha vida.

As duas mais belas cidades que conheci foram Edimburgo, a capital da Escócia, e Carmel, na Califórnia, a primeira pela imponência dos seus castelos, a segunda pela simplicidade de paz da sua arquitetura.

Conheci os cinco continentes. Não tive oportunidade no entanto de conhecer um local que me aguça a curiosidade e sei que se lá fosse haveria de ficar tomado de grande emoção: os lugares santos de Israel palestinense, Nazaré, Belém, Cafarnaum, Jerusalém.

E no Brasil me falta talvez aquela que deverá ser a mais alta dose de emotividade, embora não tenha certeza de que permaneçam intocadas as paragens que compuseram a vida do poeta da minha preferência e idolatria, Augusto dos Anjos, que ainda esses dias foi eleito pelo povo de lá como o mais célebre dos sergipanos em todos os tempos.

Me sentirei realizado no dia em que viajar até o interior sergipano e puder percorrer os caminhos do meu amado poeta, por entre jurubebas e tamarindos, esperando que a noite venha a cair estrelada sobre o seu Engenho do Pau D'Arco, onde velou tantas noites infindas de dolorosa melancolia.

Melhor que Roma, mais emocionante que Cartago ou Paris, mandem-me dizer por favor os irmãos sergipanos se ainda posso jogar um ramo de flores sobre o túmulo de Augusto dos Anjos e se ainda restam vestígios do seu sítio no Engenho do Pau D'Arco, onde brotaram as mais intensas luzes do meu grande vate, que me embriagam alucinadamente até hoje.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Órfãos pelo tráfico



Com pais presos como traficantes, uma crescente legião de crianças gaúchas vive o trauma do abandono (arte de Leandro Maciel sobre foto de Júlio Cordeiro/ZH)

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Economia e Negócios
Chegou antes ao camelô

Os piratas começaram a vender o DVD do filme do Hulk antes da estréia no cinema

Divulgação

DVD de Harry Potter, Senhor dos Anéis, Hulk, Matrix Reloaded e X-Men 2: todos a 10 reais nas barraquinhas espalhadas nas grandes cidades

Os sucessos de cinema cumprem um cronograma. Em geral o filme é exibido primeiro nos Estados Unidos e depois chega às salas do resto do mundo, o Brasil incluído. Num passo seguinte, algo como seis meses depois, os estúdios soltam a versão em vídeo e DVD. Pois se tome o caso do filme Hulk. Ele estreou nos cinemas americanos em 20 de junho e chegou ao Brasil quatro dias depois, na terça-feira 24. As locadoras só devem receber o filme lá pelo Natal. E não é que no sábado 21 ¿ apenas 24 horas após o lançamento de Hulk nos Estados Unidos ¿ os camelôs do centro de São Paulo já estavam vendendo cópias do filme?

As cópias não passam de produção de segunda linha, feitas de forma precária. Durante a projeção do filme no cinema, um vigarista liga sua câmera amadora e grava da poltrona em que está sentado. O conteúdo, transferido para o computador, é distribuído pela internet. As cópias chegam rapidamente ao camelô, como se vê no caso de Hulk, e são vendidas quase de graça. Qualquer lançamento sai por apenas 10 reais.

A pirataria, de qualquer tipo, destrói empregos, fortalece o crime organizado, alimenta a corrupção e ainda ludibria o consumidor, ao oferecer gato por lebre. No caso dos filmes, os camelôs não vendem DVDs, como sugerem, mas CDs. A gravação em DVD exige equipamentos mais sofisticados. As cópias piratas em CD podem ser feitas com equipamentos domésticos comuns. Como o CD tem capacidade de armazenagem muito menor que a do DVD, os falsários eliminam pedaços do filme.

VEJA assistiu a dez lançamentos piratas e todos tinham defeitos pavorosos. A imagem é granulada e escura. Além disso, as cenas mais movimentadas ficam confusas. O pirata de Matrix era dublado em italiano. E o filme brasileiro Cidade de Deus vinha com legendas em inglês. O negócio das falsificações cresce a uma velocidade assustadora. Segundo estimativa dos fabricantes, os piratas já controlam 35% do mercado audiovisual.

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As férias de julho estão chegando. Para os aficionados em esportes radicais, é hora de arrumar a mochila e colocar o pé na estrada.

BRASIL

REDE DA FORTUNA
Investigação de caça-níqueis chega a políticos ligados ao jogo clandestino

TIROTEIO FEDERAL
Ex-diretor dos Transportes acusa ministro de corrupção

O SONETO E A EMENDA
Discurso de Lula cria atrito com o Congresso e o STF

OS MAIS ACESSADOS
COMO SERÁ SEU BEBÊ
Calcule as chances de seu pimpolho, prestes a nascer, puxar pelo pai ou pela mãe

GUIA DE POSIÇÕES SEXUAIS:
Bonecos mostram o que fazer

GRAFOLOGIA: Confira se a sua letra revela mesmo seu perfil

HIERÓGLIFOS: Escreva seu nome à moda dos faraós

REFLEXOLOGIA
Dor em pontos nas solas dos pés revela problemas de saúde

ENTREVISTA

Rubens Barbosa, embaixador do Brasil nos EUA, diz que Lula não recuou nas conversas da Alca

TESTES

HUMANOS OU ROBÔS?
Teste se você está mais para super-homem ou C3PO

PET: qual bicho é ideal para você?

CÃES: que cachorro você é?

INTUIÇÃO: Você tem 6º sentido?

SEXO: seu apetite vai durar?

Documentos da Polícia Federal revelam que fundos de investimentos do FonteCindam, Opportunity e Pactual usaram agência do
Banestado de NY para lavar dólares.

ECONOMIA

CRÉDITO AO POVO
População de baixa renda terá acesso a financiamento especial com taxa de juros de 2%

CUIDADO COM O TELEFONE
Com aumento escorchante, a conta pode esvaziar seu bolso

COMPORTAMENTO

UM ANO SEM CHICO XAVIER
Filho e amigos levam adiante projetos do médium

BAILE DE MODA
Confira os looks que antecipam a SP Fashion Week deste ano

MEDICINA

O POTE DE DNA CHEGOU
Creme feito a partir de análise genética já está em uso no Brasil

CALCULE
PESO: suas chances de obesidade

KM: quanto você andou até hoje?

CORAÇÃO: posso ter problemas?

FELICIDADE: Você é feliz?

A COMPETIÇÃO JÁ COMEÇOU
SP e RJ rivalizam para provar quem pode sediar as Olimpíadas de 2012

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Todos os sábados rigorosamente, você tem aqui a capa da Veja e da Revista Isto É. Muitas vezes a revista Isto É antecipa-se com a sua capa e já na sexta-feira a noite ela já é posta nesta página. Neste fim de semana as duas capas sairam hoje pela manhã e porisso só agora estão chegando reconfiguradas no tamanho especial para você. A Veja trás conforme sua newsletter estes destaques abaixo:

Caro assinante,
aqui estão os destaques de VEJA desta semana.
Boa leitura e bom fim de semana.
Kátia Perin - VEJA on-line (vejaonline@abril.com.br)


Especial
A dor de cabeça é a mais comum de todas as dores. Ela atinge 90% das pessoas, em maior ou menor grau. Cientistas já catalogaram 150 formas diferentes de cefaléia. Mas a medicina já começa a vencer mais essa guerra.
No site: leia mais sobre dor de cabeça e faça teste

Brasil
A má notícia é fresquinha: caiu a renda média do brasileiro e aumentou a taxa de desemprego nas principais cidades nos últimos doze meses.

Reforma agrária
O MST voltou a incomodar, depois da trégua observada durante a campanha presidencial. O governo, por sua vez, em passo lento, não deverá atingir a meta pouco ambiciosa de assentar 60.000 famílias até o fim do ano.
No site: leia notícias diárias sobre reforma agrária.


Entrevista
Alain Belda, o executivo brasileiro mais bem-sucedido no mundo, defende que o país seja mais firme em suas negociações comerciais. "O Brasil tem de dizer a que vem e competir", diz.

Comportamento
O novo sistema de castas que impera nas escolas de classe média cria os jovens populares e os excluídos. De um lado estão os bonitos e bons de bola, do outro, os tímidos, desajeitados e solitários.

Economia
Os piratas começaram a vender o DVD do filme Hulk antes da estréia no cinema. São cópias de segunda linha, feitas de forma precária, que custam cerca de 10 reais nos camelôs dos centros urbanos.
No site: notícias diárias sobre economia.

Moda
Irreverente e antenada, a roupa da Cavalera fala a linguagem jovem, e todo mundo entende. A grife terá lugar de honra na São Paulo Fashion Week, que começa nesta semana.
No site: galeria de fotos com criações da grife

Internacional
Sessenta anos depois do holocausto, os judeus estão migrando em massa para o país que, na II Guerra, quase os levou ao extermínio. A Alemanha recebeu mais imigrantes judeus no ano passado do que qualquer outra nação, inclusive Israel.
No site: leia notícias diárias sobre internacional
Cosmética
A fórmula foi lançada nos Estados Unidos por uma médica brasileira. São pílulas de perfume que, ao serem ingeridas, exalam odor de lavanda.

Obesidade
No primeiro resort para superpesados aberto em Cancún, no México, a diária inclui toda a comida que o hóspede desejar. O hotel é todo adaptado para as necessidades dos obesos.

Cinema
Com sua nova animação Procurando Nemo, o estúdio Pixar atinge a maturidade e confirma que é imbatível no ramo. A nova aventura é uma espécie de ponte para o estúdio renegociar sua parceria com a Disney.
No site: trailer e fotos do filme

Televisão
Lulu Santos divulgou uma carta na internet para se queixar do tratamento "grosseiro" recebido no Domingão do Faustão. A assessoria do programa disse que o apresentador da Globo ficou magoado, mas não baixou nenhum veto a futuras participações do cantor.

Música
O projeto Jobim Sinfônico, idealizado pelo filho de Tom, mostra a tentativa do maestro de transpor para peças sinfônicas harmonias e ritmos da música brasileira. O resultado revela um compositor sem brilho.
No site: ouça sucessos do compositor

Veja São Paulo
O quente do inverno
Um roteiro com cinqüenta restaurantes para desfrutar a boa mesa na montanha e na capital.

Veja Rio
Férias
Circo, surf, kart e outras atividades em mais de trinta sugestões de cursos e colônias para a garotada.

O conteúdo integral das revistas estará disponível
na internet a partir de sábado pela manhã

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Paulo Sant'ana
28/06/2003


A dor dos explorados

Este reajuste de 28,7% nas tarifas telefônicas apanha os brasileiros com caras de bobos. A sensação geral é de que somos uns otários.

Não há no mundo telefones com reajustes tão caros. Aos bobos foi pregado insistentemente que a privatização era a salvação.

Era necessária a privatização para que não continuasse a dificuldade terrível que era conseguir um telefone.

Veio a fartura de telefones, mas com ela reajustes selvagens, que agora estão aterrorizando as populações mais pobres que se aventuram à façanha de manter funcionando seus aparelhos telefônicos.

Está ficando cada vez mais impossível sobreviver aos custos dos serviços essenciais. Cada tacada da água, da luz, do telefone, gira em torno dos 30% ao ano.

Torce-se pela queda da inflação, verifica-se a queda da inflação. Torce-se pela queda do dólar, verifica-se a queda do dólar.

Mas suba ou baixe o dólar, na hora do acerto de contas com as tarifas, os reajustes vêm lá por cima impiedosamente.

Não sei como é que se pode exigir de um cronista que ele fale em coisas boas. Porque cresce o desemprego e cai de forma assustadora a renda das pessoas empregadas.

Qualquer dia não haverá diferença entre a desgraça dos que estão ocupados e a dos desempregados.

O resultado é a desesperança. E a impotência. Porque este aumento férreo na tarifa telefônica foi dado diante dos olhos impassíveis do governo, que afirma ter de permitir que se cumpram os contratos.

Os consumidores e usuários não têm assim para quem recorrer, voltam seus olhos súplices para o governo, este responde que não tem poder para deter a alta.

O povo virou um rebanho à mercê de vários setores que vão dando mensalmente bocadas em seus ganhos.

Reajuste de salários? Isto é o que menos se enxerga na paisagem há vários anos.

E ninguém pode entender como é que numa economia que não reajusta salários, pelo contrário, os arrocha cruelmente, a farra dos reajustes nas tarifas prossegue implacável.

Esta política da telefonia passa a se constituir num autêntico pega-ratão. Espalha facilidades para instalação de telefones entre as famílias mais pobres, depois que as torna cativas impõe os seus preços bárbaros.

Este tarifaço espetacular de quase 30% nos telefones vai assolar as pessoas de menores ganhos.

Mesmo os que podem pagar, como os detentores de assinaturas comerciais, como deixar de repassar para os preços dos seus negócios a tarifa ontem imposta de 41% de reajuste?

Cada crise que vive o Brasil parece ser a mais grave. A que corre nos dias de hoje, no entanto é assustadora.

Porque ela amassa existencialmente os desempregados e embreta os que têm emprego para uma vida cada vez mais triste e sem perspectivas, com seus orçamentos dilacerados pelas altas das tarifas, paralelamente aos preços dos supermercados.

Aquela fila dramática de milhares de pessoas, que vão chegar a 80 mil candidatos a emprego de gari, no Rio de Janeiro, dá uma idéia de que este caldeirão social está pronto para explodir. Até advogado havia inscrito para ser catador de lixo.

Pode já ter havido uma crise pior que a dos dias atuais?
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Jorge Furtado
28/06/2003


A monstra

Sempre achei o Hulk um super-herói idiota. Verde, feio e burro, ele só ganha poderes eventualmente, sem controle, quando alguém lhe pisa nos calos. Seus superpoderes são medíocres: é forte pra cacete, ponto. Aquela história de rasgar as roupas quando cresce também nunca me convenceu. Se Hulk tivesse um QI de pelo menos dois dígitos, usaria roupas de lycra. Há várias teorias possíveis para explicar a gênese e o possível fascínio que o personagem pode exercer sobre mentes primitivas. Uma delas, psicanalítica, é que Hulk é um homossexual enrustido.

Seu sonho secreto é um cruzeiro gay pelo Caribe com o Thor ou com o Capitão América. Como não tem coragem para dar, Hulk represa hormônios e frustrações e, quando provocado, a monstra fica verde de fúria e sai quebrando a loja. Menos, Hulk, menos... (O que me faz lembrar do velho e infame trocadilho: homens muito fortes e muito bichas são a prova de que a ordem dos fatores não halterofilista. Desculpe.) Outra teoria, política, é que Hulk representa o poder contido que não deve ser provocado, a frase chave do personagem é "você não gostaria de me ver com raiva".

Assim como o atual governo americano, violento e irracional, Hulk seria uma grande força represada, é mais seguro você não se parecer muito com um árabe nem fazer piadas a respeito do presidente analfabeto. Muita força e pouco cérebro são uma combinação perigosa mas que pode ser útil para quem traz o animal pela coleira. Por trás dos idiotas violentos estão os espertos silenciosos. No caso do governo Bush, os ladrões de petróleo e vendedores de armas. Por trás do Hulk, a máquina promocional hollywoodiana, capaz de impor seu lixo pelo mundo afora com grandes verbas publicitárias e a conivência, às vezes remunerada, às vezes ingênua, de jornais, rádios e revistas.

Hulk, o filme, é muito chato, arrastado, previsível, barulhento, cheio de clichês bobos e será um grande sucesso também no Brasil, graças ao poder que o empurra goela abaixo do mercado exibidor brasileiro, com mais de 400 cópias (25% de todas as salas do país) e contratos rígidos de permanência do filme em cartaz (mínimo de seis semanas, não importa o quão vazias estejam as salas).

É mais um filme idiota e infantil destinado às crianças (elas e seus pais acompanhantes estão desculpadas) e aos idiotas infantilizados, um mercado crescente graças, pelo menos em parte, ao grande número de filmes idiotas e infantis. A única maneira de quebrar este círculo vicioso é não pagar o ingresso.

jorge.furtado@zerohora.com.br

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Lya Luft
28/06/2003


Tema eterno

Neste começo de milênio, somos tão diferentes das mulheres antigas? O que mudou em nós? Tudo será agora tão positivo como nos dizem, e foi outrora tão ruim como parece?

Afinal, na Idade Média havia tecelãs inscritas em sindicatos; em todas as épocas, mulheres cultas escreviam, debatiam, influenciavam seu meio. Embora sempre em quantidade bem menor do que os homens, não eram exceções tão raras quanto nos parece. Onde foi parar a história dessas que administravam propriedades e bens quando os maridos iam à guerra, transmitiam a tradição oral da sua gente, eram depositárias de lendas, praticavam medicina e criavam os futuros guerreiros do seu povo?

Rainhas ou mulheres de senhores feudais participaram de campanhas bélicas ao lado do marido, ou lutavam em seu lugar quando ele precisava combater em outra parte; séculos atrás, na Europa, mulheres não se dedicavam apenas às intrigas da Corte, mas algumas davam cursos públicos de retórica, falavam latim, conheciam teologia e filosofia. As poucas hoje comentadas só aparecem como esposas de seus maridos famosos. (Joana d'Arc teve o nome perpetuado por si mesma: foi preciso que morresse queimada numa fogueira inquisitorial.)

Houve toda uma camada de existência organizada, administrada, transmitida pelas mulheres: hoje inicia-se essa escavação, essa arqueologia, reconstituindo o fio que nos foi cortado. Quais as complexas razões dessas vidas permanecerem na sombra? Foi apenas porque "os livros de história são escritos por homens", portanto não abrem lugar para nada de importante realizado por mulheres? Acho simplória essa explicação. Eles seriam tão poltrões que não cederiam à mulher o seu devido lugar nos fatos do mundo?

Premida por desejos e necessidades, pondo-se em busca de trabalho e realização além daquela doméstica que aparentemente lhe cabia por destinação, a mulher afinal percebeu que era mão-de-obra desqualificada. Saiu a campo para preparar-se, quando sua situação anterior se cristalizara havia um bom tempo. Nem passaria pela cabeça do até então amo e senhor que a mãe de seus filhos pensasse em pegar um emprego, e também a ela isso provavelmente não ocorreria com freqüência.

Mulher não "trabalhava fora" a não ser que fosse muito pobre, ou tivesse um marido incompetente para a sustentar. "Mulher minha não trabalha", era dito com satisfação e certa arrogância. Hoje, em grupos de jovens mulheres, olha-se com certa piedade a que "só" fica em casa.

Isso pode levar a uma inversão exagerada. Ficar "só" em casa será mesmo tão pouco assim? Ser "apenas" mãe desses filhos, administradora dessas contas e projetos, pode não satisfazer plenamente quem sente em si potencial para muito mais que isso. Mas será uma função inferior?

Tema para uma outra crônica, quem sabe. Ou reclamação de parte de muita gente.

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Reportagem Especial
Guerreiros virtuais



Febre das LAN Houses leva adolescentes a casas de jogos eletrônicos ligados em redes mundiais (foto Paulo Franken/ZH)


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Sexta-feira, Junho 27, 2003




My God, estou ficando velho!

Ulisses Tavares

Sempre pensei que a velhice era algo tão distante, que provavelmente nunca me ocorreria. Mas isso porque eu era muito muito jovem.

Depois, dos trinta pra frente, a velhice passou a ser algo possível, mas um porto ainda incerto e longínquo onde atracaria o navio de meu corpo desgastado pelas tempestades da vida.

De repente, os quarenta passaram, entrei nos 50 anos. Os americanos, malucos por expressões politicamente corretas, chamam as pessoas de 50 a 65 anos de idosos júnior; dos 65 anos aos 80, de idosos sênior e de 80 pra frente, de idosos master.

Não aparento a idade, ainda. Até porque, por ser de geração hippie, que bebeu todas, tomou todas, encarou tudo, devo ter envelhecido, sem querer, em tonéis de carvalho, como um bom uísque.

Bem, se você, leitor, está nessa faixa de idade, que a propaganda popularizou como ¿Tio Sukita¿, sabe muito bem dos sustos e prazeres que apenas a maturidade pode trazer.

O sábio e irônico Millor Fernandes disse que a idade só traz mesmo é mais idade. Desmentindo a si mesmo, porém, a cada ano escreve melhor.

Aqui, gostaria de falar de fatos marcantes que vêm junto com o pacote da velhice.

Primeiro é o entendimento de que a velhice é mesmo um estado de espírito. E, sendo um estado de espírito, está nas nossas mãos batalhas para que seja bom, leve, prazeroso. Isso é possível, acessível a qualquer um. Agora, no que todos concordam, jovens e velhos, é que não dá para ser Peter Pan depois dos cinqüenta.

Não me refiro a tingir o cabelo de loiro pagodeira, usar roupinhas de garotão e outros recursos para parecer que os anos não passaram.

É meio ridículo, não engana ninguém, mas é mal menor. Duro é se recusar a crescer.

Porque o lado maravilhoso da maturidade é a habilidade, que apenas o tempo aprimora, de pegar os limões e fazer saborosas limonadas.

Desobrigados de ter objetivos fantásticos, grandiosos, altamente custosos e frustantes (como comprar uma supercasa financiada em 30 anos) ou trabalhar como um mouro em busca da maleta de um milhão de dólares), podemos nos concentrar no varejo da vida, e não mais no atacado.

Em vez de sexo, sexo com amor e carinho e sem vergonha de qualquer fantasia.

Em vez de planos e projetos para anos a fio, o ¿carpe diem¿, um dia de 24 horas plenas.

Em vez de correria, um passo de cada vez.

Em vez de mil conhecidos, alguns amigos do peito bem cultivados.

Em vez de sonhar com um hobby, um passatempo, um curso, uma viagem, para quando tiver tempo, realizar já.

Em vez de olhar o próprio umbigo, descobrir que existem umbigos tão ou mais interessantes que o nosso.

Olhar, com olhos surpresos de netinho, como os velhos contribuem para remoçar o mundo com sua sabedoria acumulada.

Igual a um Peter Druker que, do alto de seus 90 anos, sacode a nova economia. Igual, no nível local, a um Sobral Pinto, que tirou que tirou o Collor também aos 90 anos. Igual a tantos e tão ilustres e revolucionários cinquentões, sessentões, oitentões, no mundo inteiro, que servem de farol da humanidade.

Não há uma regra de como ir envelhecendo sem perder a juventude da alma. Mas talvez seja o dar-se ao luxo de não ter regras, verdades definitivas, permitir-se paixões e atitudes adolescentes, o grande segredo de envelhecer com bom humor.

Vocês já viram na televisão, no teatro, na literatura que as tesudas Lolitas procuram essa mistura de papai-sabe-tudo com maluco beleza nos homens maduros. Pena que os homens que elas em geral escolhem são apenas velhinhos mal-resolvidos.

Ulisses Tavares tem 51 anos e é uma boa idéia. Escreveu em parceria com Tettê Schmidt, o livro ¿Guia do Homem, que a Mulher Também Deve Ler¿ (Geração Editorial, 166 páginas).

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Diálogo, amor e prazer

Por que é tão difícil ter vida sexual e afetiva satisfatórias? O que está por trás da falta de desejo e dos conflitos da relação a dois? Por que as mulheres fazem menos sexo do que a 50 anos atrás? Essas questões têm abalado em cheio a vida sexual dos casais. Fatores externos como o ritmo acelerado do dia-a-dia, a exigência de fazer sempre o melhor e a competição agora invadem o quarto e transformam a cama em um verdadeiro campo de batalhas.

O renomado médico Moacir Costa, especialista em sexualidade, atua há 22 anos com terapia de casais e fez uma pesquisa com seus pacientes - a maioria mulheres e detectou que a informação e o diálogo são ingredientes essenciais para reaquecer uma relação. Seu livro "Amar Bem" (editora Gente), traz um trabalho completo de investigação das dúvidas mais escondidas sobre sexualidade e amor. Vale a pena ser lido.

Segundo ele, as maiores causas dos conflitos são as diferenças físicas e biológicas entre homens e mulheres, a falta de intimidade e, principalmente, a desinformação e a falta de diálogo. "As pessoas estão fazendo tudo tão rápido que estão comprometendo a qualidade e o desempenho. A ansiedade pela busca do prazer resulta na relação tipo fast-food, de entrega rápida", explica o médico.

Num relacionamento, geralmente as mulheres se mostram mais corajosas, envolvidas e apaixonadas. Os homens demoram mais para essa entrega, que às vezes nunca acontece. Embora hoje eles dêem sinais de que estão mais seguros e menos receosos de expressar seus sentimentos, ainda amam com um pé atrás, cheio de reservas, temendo ser controlados ou rejeitados mais tarde. Mesmo assim, é grande o número de mulheres que procuram os consultórios psicológicos em busca de informações sobre a difícil arte de amar bem. E o seu relacionamento, como está? Será que não é hora de reacender sentimentos, reconquistar a pessoa amada? Se você acredita na felicidade, pense nisso!
Marta Vicentin

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Momento de fúria total de Hulk acima. Ele destrói tudo o que vê pela frente em São Francisco, em cena que mistura atores e efeitos especiais como o próprio monstro verdão criados pela Light & Magic, empresa de George Lucas

Você vai levar quase uma hora, depois de começada a sessão, para tirar suas próprias impressões sobre a transformação do cientista Bruce Banner (o desconhecido ator australiano Eric Bana) no Hulk inteiramente digital do polêmico e aguardadíssimo filme do diretor Ang Lee. Mas dificilmente sairá decepcionado com o herói de Hulk, empolgante adaptação dos quadrinhos da Marvel para os cinemas, que estréia hoje no País.

Orçado em 150 milhões de dólares, o filme estreou semana passada em primeiro lugar nas bilheterias americanas, arrecadando U$ 62 milhões. Ótima bilheteria, mas abaixo das conquistadas por outros dois heróis da Marvel em seus fins de semana de estréia: Homem-Aranha fez 115 milhões, contra 85 milhões de X-Men 2.

Hulk encara cerco policial em São Francisco. Veja, os protagonistas do seriado: Lou Ferrigno, de corpo pintado, como Hulk, e Bill Bixby como Bruce. O filme motivou o lançamento de quadrinhos e brinquedos. No site oficial http://www.thehulk.com, jogos do herói.

Fruto de experimentos genéticos do seu pai biológico (interpretado por um ensandecido Nick Nolte, perfeito no papel), Bruce passa a se transformar no mostro depois que se expõe acidentalmente a uma enorme dose de raios gama em seu local de trabalho. Daí é só Bruce ficar com raiva para Hulk surgir.

Mais interessado nas questões psicológicas que envolvem a transformação do cientista em monstro, Ang Lee diretor de O Tigre e o Dragão também não faz feio na hora da ação. O momento em que Hulk que tem direito a única fala em toda a trama destrói São Francisco é um dos melhores da fita. Mas vale avisar que é o drama psicológico que dá o tom do filme.

Com ritmo ágil e trama tensa, o diretor acerta ainda ao dividir a tela em quadros, como se fosse um gibi. Também consegue passar a sensação de que várias cenas são varridas como se fossem uma página virada.

Sim. Vale destacar também que, para os fãs acostumados ao Hulk do seriado da TV com o ator Lou Ferrigno e sua pele pintada de verde (ele faz uma ponta no filme), exibido no fim dos anos 70 e início dos 80, pode ser um choque ver aquela gigante massa verde criada por computação gráfica. Mas passada a primeira impressão, a nova versão do enfurecido herói convence e deve virar referência para os mais jovens.

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Broxa na hora H

Como esta coluna noticiou, Edwiges (Carolina Dieckmann) decide se entregar a Cláudio (Erik Marmo com Carolina na foto) em Mulheres Apaixonadas, sexta-feira que vem. Pena que o rapaz vai broxar na hora H. Tudo por conta das preocupações com uma possível gravidez de Gracinha (Carol Castro). Edwiges morre de vergonha e pede que ele nunca mais volte a procurá-la.

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Fusão entre a Varig e a TAM encontra-se numa encruzilhada

Companhias não se entendem sobre o destino de empresa de manutenção

ANDRÉ SIQUEIRA

O processo de fusão entre Varig e TAM chegou a uma encruzilhada. Se optar por um caminho solitário, entretanto, a Varig corre o risco concreto de encontrar um precipício. Ontem, representantes das duas companhias passaram o dia na sede do Banco Fator, em São Paulo, para tentar assinar um contrato que garanta o compromisso bilateral com a fusão, mas a principal divergência entre as companhias - o destino da empresa de manutenção da Varig, a VEM - ainda não foi resolvida. O encontro prossegue hoje, mas não está garantido que o documento será assinado.

O contrato de irreversibilidade da fusão é precondição para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) possa financiar a operação, que poderá custar mais de US$ 600 milhões aos cofres públicos e se tornou ponto de honra para o governo. Anteontem, o economista Luciano Coutinho, contratado pelo Fator para costurar a fusão, e o presidente da TAM, Daniel Mandelli, foram recebidos pelos ministros da Casa Civil, José Dirceu, e da Defesa, José Viegas, em Brasília, para explicar o atraso nas negociações.

Há cerca de um mês o Fator tenta vender a idéia de que a fusão está prestes a se concretizar, mas as companhias se mostram irredutíveis em suas posições. A TAM quer que a VEM seja incorporada num prazo de 18 meses após a fusão, enquanto a controladora da Varig, a Fundação Ruben Berta, quer ser remunerada pela venda da empresa.

Quebra - Esta semana, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, garantiu ao presidente da Varig, Roberto Macedo, que o governo não se moverá para evitar a quebra da companhia, caso a fusão não saia do papel. Em audiência na Assembléia Legislativa gaúcha, quarta-feira, Macedo lembrou que a Varig espera, desde março, garantias financeiras do BNDES da ordem de US$ 100 milhões para sustentar suas operações até a fusão. "A fusão em si depende de muita gente, e não só de nós", disse o executivo.

Além dos problemas financeiros, a Varig não consegue resolver sua crise interna de poder. O executivo Manuel Guedes, indicado para assumir a presidência da FRB-Par, a holding de investimentos do grupo, recusou a vaga.

Um motivo seria sua incompatibilidade com o presidente da Varig, Roberto Macedo.

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Fundo social terá ajuda da Caixa

Financiamento Banco poderá garantir liquidez ao comprar cotas no mercado secundário

Mônica Izaguirre e Claudia Safatle, De Brasília
A Caixa Econômica Federal pretende garantir, ainda que de forma indireta, a liquidez das cotas dos fundos que vai estruturar no âmbito do PIPS, programa lançado anteontem pelo governo para financiar projetos de habitação, saneamento e infra-estrutura. O vice-presidente de Administração de Recursos de Terceiros da instituição, Wilson Risolia, disse ontem ao Valor que, sendo necessário, o banco poderá intervir como comprador no mercado secundário dessas cotas, na Bovespa. " Interessa a nós que as cotas tenham mercado secundário " , afirmou. Ele não descarta também intervenções de venda, caso exista excesso de demanda não atendida. Para tanto, a Caixa vai ficar com uma reserva estratégica de cotas.

A preocupação em dar liquidez já vale para o primeiro dos fundos a ser formado pela Caixa no âmbito do novo programa e que começará a ser comercializado junto a clientela até outubro. Trata-se de um fundo de investimento em direitos creditórios - modalidade também chamada de fundo de recebíveis - destinado a levantar dinheiro para um projeto habitacional da Prefeitura de São Paulo, para servidores municipais. O projeto demanda aproximadamente R$ 100 milhões. A intenção da Caixa é levantar os recursos junto a investidores grandes e pequenos. Por isso, deverá fixar a cota em R$ 100,00, valor considerado bastante acessível. O custo médio do financiamento para os compradores dos imóveis deverá ficar em torno de 10% ou 11% acima da inflação, calcula Risolia. O indexador não está escolhido, mas a tendência é de que seja um índice de preço ao consumidor em vez de geral. " Os gerais são mais voláteis " , explica.o vice-presidente da Caixa.

Conforme Risolia, descontados os custos de administração dos recebíveis, a taxa a ser paga pelos tomadores do crédito proporcionará uma remuneração " de 9% a 10% ao ano acima da inflação " aos investidores, ou seja, a quem adquirir cotas do fundo. Na sua opinião, é um retorno atrativo para um investimento de longo prazo com lastro em ativo real, no caso, imóveis. O retorno deverá se dar ao longo de até 15 anos, prazo de pagamento das prestações pelos compradores. Segundo Risolia, isso faz do fundo um investimento assemelhado a uma previdência privada. E nesse perfil de produto, acrescenta, uma pesquisa feita pela Caixa já mostrou que há muitos clientes interessados.

Os créditos serão originados pela Caixa, que concederá os financiamentos para os imóveis ainda na planta. Uma vez assinados os contratos pelos promitentes compradores, a Caixa venderá esses recebíveis, ou seja, o direito de receber as prestações, para o fundo. A inclusão do fundo no programa anunciado quarta-feira pelo governo permite que o Tesouro Nacional empreste ao banco recursos para aquisição de até 30% das cotas, por até cinco anos. Risolia destaca que este é um estímulo importante, pois reduz o esforço de venda necessário para início das operações do fundo. Ele esclarece que o Tesouro só entrará com financiamento se, até o momento de ser iniciada a obra, as cotas ainda não tiverem sido totalmente vendidas.

Concebido dentro da Caixa e criado por Medida Provisória do governo, o Programa de Incentivo à Implementação de Projetos de Interesse Social (PIPS) representa um novo modelo de financiamento de projetos de longo prazo de maturação e que, portanto, precisam de recursos também de longo prazo, a taxas compatíveis, explica Risolia.

Baseado na parceria público-privada, o programa permite que o Tesouro não só financie os bancos, mas também subsidie parte dos juros para baixar o custo dos projetos ao tomador final do recurso. No entanto, para que o dinheiro público seja melhor aplicado e alavanque o máximo de recursos privados de investidores, a MP fixa algumas regras quanto à característica dos projetos, de forma que eles sejam financeiramente viáveis, diz o vice-presidente da Caixa. No caso dos projetos habitacionais, os complexos têm que ser mistos, ou seja, com participação de imóveis comerciais. Precisam também oferecer diferentes padrões de moradia, para compradores com diferentes capacidades de pagamento, o que está sendo observado no caso da projeto em parceria com a Prefeitura de São Paulo.

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Registro - CEF lança fundo de recebíveis


27 de Junho de 2003 - O fundo de recebíveis da Caixa Econômica Federal (CEF), alternativa para financiamento da construção de moradias, será lançado na próxima quinta-feira na Bovespa. A previsão é que o produto passe a ser distribuído nas redes de agências da instituição em agosto. "Não muda nada do Almirante Barroso para este fundo. Os dois produtos tratam de receita de aluguel conhecida antes, com um prazo pré-estabelecido", afirma o vice-presidente de recursos de terceiros da CEF, Wilson Risolia, ao lembrar do fundo imobiliário lançado em novembro pela CEF, voltado para o investidor de varejo.

Risolia já adianta que o fundo de recebíveis será negociado em bolsa. Os recebíveis virão de créditos imobiliários gerados por projeto da CEF, que incluirá residências para várias classes econômicas, conjugadas com serviços básicos de educação, saúde e lazer. O fundo terá participação do setor privado, mas o Tesouro Nacional irá adquirir até 30% das cotas. A remuneração dos papéis será atrelada à Taxa Referencial (TR).

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A mais bela do mundo!

Fernanda Tavares está com o ego inflado. Pudera. A supermodelo potiguar é a número um da lista das 100 Mulheres Mais Bonitas do Mundo, promovida pela revista GQ italiana de julho. Domingo, a morena que mora em Nova Iorque (EUA) aterrissa em Madri para o ensaio de capa da próxima edição. Da Espanha, Fernanda ruma a São Paulo, onde quarta-feira à noite vai desfilar com exclusividade para a grife Zoomp na SP Fashion Week. A beldade não dá o ar de sua graça no mais badalado evento de moda do País há três edições.

Requisitadíssima nas passarelas do eixo Paris-Milão-Nova Iorque, Fernanda não pode se descuidar jamais da boa forma. As dicas para o visual tudo-no-lugar (89 cm de busto, 61 de cintura e 90 de quadris em 57kg distribuídos por 1,79 m), a modelo dá à Corpo a Corpo de julho (foto), amanhã nas bancas. Ela almoça e janta apenas peixe grelhado com saldada de alface, rúcula, milho e mussarela de búfala.

O café da manhã não foge à regra: só suco de caju ou laranja com cenoura e maçã. Entre as refeições, só água. Sou boa de garfo, mas consigo segurar meus impulsos, conta a bela, que ainda faz 45 minutos por dia de esteira ou bicicleta ergométrica para definir a musculatura. Preciso entrar nas roupas dos estilistas, tenho que continuar magra. Quando me olho no espelho e avalio que estou um pouco fora do peso, capricho na esteira, revela.

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José Simão
simao@uol.com.br


Taça Libertadores! Boca x Meia-Boca!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E uma amiga tá doente e foi pra farmácia e disse que a farmácia tá parecendo sex shop: só tem propaganda, bandeirola e promoção de Viagra, Levitra e Cialis! É pra levantar o Brasil! E não sei por que brasileiro toma tanto Viagra; já vive duro!

E o Palófi disse que 'o Brasil finalmente saiu da UTI'. E o corpo será velado no salão nobre do Palácio do Planalto! E o prefeito de Aparecida colocou quatro cachorros pra vigiar o cemitério. Onde já se viu botar cachorro pra tomar conta de osso? Rarará!

E a Libertadores? O Santos perdeu pro Boca. Boca vs. Meia-Boca. E qual é o apelido do Santos? Peixe. Pois o peixe morreu pela BOCA! Vai mudar o nome pra Tangos Futebol Clube! Tadinhos. Tadinhos nada. Do Corinthians nunca ninguém tem pena! E adorei a desculpa do Leão: 'Erramos na hora errada'. Manda o Leão pro Circo Vostok!

E eu só senti falta de uma coisa na Libertadores: do Galvão Bueno. Por isso que chama Libertadores: ficamos livres do Galvão. Uma leitora me disse que o Galvão é tão dramático que devia transmitir ataque terrorista. E um outro disse que ele é tão pé-frio que devia lançar o Manual do Ufanismo Urucante. E outros implicam porque em vez de transmitir, ele torce. Mas no Brasil é assim: puta goza, traficante cheira e locutor torce.

E o Guga também perdeu. É que todo mundo fala que o Guga perde porque só pensa em sexo. Então ele devia ser campeão de pênis! E outros dizem que o Guga é como o Palmeiras: não consegue ganhar na grama. E o tenista Saretta vai fazer campanha contra as drogas. Maravilhoso, mas devia mudar o nome pra Caretta! Rarará!

E diz que o sonho de todo palmeirense é o Parreira voltar pro Corinthians. E diz que agora a moda no Acre é traficante engolir bola de plástico com cocaína pra despistar a PF, mas todos acabam tendo que fazer lavagem. Ou seja, não há fiofó de peruano que agüente. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que uma socialite de Brasília estava dando uma entrevista quando disse que era 'educadora do lar'. Tucanaram a dona-de-casa. Socorro. Tá mais fácil promover a paz na faixa de Gaza do que acabar com o tucanês! E atenção. Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Latifúndio': a cachorrinha Michele latindo no quintal. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! O já famoso Estoura Brasil! UFA!

Email simao@uol.com.br

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David Coimbra
27/06/2003


Eu acredito no casamento

Sou um homem que acredita no casamento. Véu e grinalda. Aliança. Até que a morte os separe. Essas coisas. Liturgia, entende? O ser humano precisa da liturgia, embora as liturgias sejam ridículas.

Lembro do casamento do Sérgio Villar com a Fabíola, ambos aqui da Zero. As mulheres fungavam, lábios tremendo, maquilagem gotejando do queixo. Os homens se mexiam inquietos nos bancos compridos da igreja, olhavam para os lados, ajeitavam as gravatas. Por quê? Porque eles, homens e mulheres, sentiam nos ossos das costelas a relevância da liturgia. Sentiam que era decisivo o que acontecia entre os vitrais azuis do templo.

É aí que tantos relacionamentos atuais goram: na falta de liturgia. As pessoas se juntam pensando que, se ocorrer algum problema, podem se separar com facilidade. Só que algum problema sempre ocorre. E as pessoas se separam com facilidade. Se estivessem casadas oficialmente, não seria assim. A idéia que teriam da relação seria mais sólida. Aquela seria uma relação documentada, socialmente apregoada. Um compromisso público.

Num casamento de fato e de direito, os membros do casal tentam superar os problemas, não sucumbem a eles de imediato. Agora, claro, se os problemas se repetem sem fim, como a novela Malhação, se eles se reproduzem durante os anos, não há outra saída que não a dor do aparte e o esforço do recomeço.

Como sempre funcionou, aliás. Porque a verdade é que aquela velha fórmula familiar era uma fórmula de sucesso. A família tradicional, constituída nos moldes bem enquadrados dos nossos venerandos avós, aquele era um formato inteligente. Porque era todo eivado de liturgias, e as liturgias são a representação visual de idéias e sentimentos, que só existem, afinal, se as pessoas acreditam neles. E os respeitam.

O casamento, pois, é a salvação. A sua salvação. Eu, embora seja solteiro, lhe garanto isso. Case-se. Seja feliz.

Pobre ex-marido
Clericô. As mulheres adoram beber clericô. Noite dessas, sentei numa mesa com mulheres descasadas. Bebiam clericô. Mascavam as frutinhas embebidas em álcool. Depois de uma jarra e 45 minutos, estavam vermelhinhas e falantes. Esqueceram que havia homens junto. Começaram a discorrer sobre seus ex-maridos. Jesus!, você aí que é ex, você por acaso suspeita como sua ex fala de você? Não, não é com desprezo; é com escárnio. Elas contavam o que fizeram com seus ex, as humilhações que lhes impuseram, e riam, riam, riam. Não há dignidade em ser ex. Há apenas o opróbrio.

Você entende, então: é mais um argumento. Tente se manter casado. Tente jamais ser ex. Um insignificante, um desprezível, um abjeto ex.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
27/06/2003


O homem-tatu

Para quem não leu ontem em Zero Hora, relembro: o vigia José Roberto Salau, com 49 anos, foi retirado de um poço com 12 metros de profundidade, depois de lá permanecer, com a coluna fraturada, durante 48 horas, na localidade de Santa Tecla, distrito de Gravataí.

Que bom que ele já esteja se recuperando, sem perigo de vida, se tivesse morrido eu não poderia escrever esta coluna.

Todos os dias, pela tarde, seu Salau saía pelo campo para localizar tocas de tatu e instalar em suas bocas armadilhas para apanhar os animais.

Segunda-feira passada, seu Salau saiu a colocar as suas engenhocas nas tocas dos tatus, mediante as quais os caçava, alimentando-se deles ou vendendo sua carne.

Só que, de repente, pisou num alçapão e caiu num poço. A queda de 12 metros custou-lhe uma fratura na coluna, a dor nas costas foi muito grande durante os dois dias em que esteve lá no fundo do poço, quase sem poder gritar, sem água, sem comida e sem luz.

Até que uns amigos foram procurá-lo e os bombeiros o salvaram.

Seu Salau teve a fratura porque o ser humano não é dotado, a exemplo do tatu, daquelas placas que se conectam no seu lombo, formando com pele dura e córnea aquela carapaça de proteção.

O caso do tatu-bola é proverbial: ele consegue, acuado pelos outros animais, esconder todas as outras partes do seu corpo, as patas, o rabo e a cabeça, dentro da carapaça, transformando-se num objeto inútil para seus predadores, vira uma bola de aço impenetrável.

Voltemos ao seu Salau, que saiu para caçar tatus e acabou virando um deles, preso na toca profunda.

Ele desviou um pouco da trilha tradicional que percorria para apanhar os tatus e não viu que havia um alçapão debaixo dos seus pés. Desabou no poço profundo e sentiu durante dois dias o abandono e a solidão que sentem os tatus dentro das tocas.

O típico caso dos ditados populares:

1) "O feitiço virou contra o feiticeiro"; 2) "Um dia é da caça, outro do caçador"; 3) "Tanto a raposa vai ao ninho, que um dia perde o focinho".

Sobre tudo isso deve ter meditado o seu Salau quando estava penando no seu cativeiro de 48 horas.

Tudo que ele ansiava era voltar à superfície da terra, saindo pela abertura daquele poço e ganhando o ar livre e corrente, o sol, a liberdade.

Com certeza ele deve ter configurado o caso dos tatus, que todos os dias saem da profundidade de suas tocas e também se dirigem à abertura delas, em busca do alimento, da água, da liberdade e da vida.

E quando saem dos seus buracos, os tatus são aprisionados pelas armadilhas do seu Salau, degolados, sendo retiradas de suas carapaças as suas carnes para o lauto festim do seu Salau e dos seus clientes.

Ou seja, o que mais ambicionava o seu Salau, sair pela boca do buraco, era justamente o que negava aos tatus que caçava todos os dias.

Essa forma de caçar tatus é uma covardia. É que fatalmente o tatu terá de sair pela boca do buraco. Armar um engenho na boca do buraco por onde sai o tatu, prender-lhe as pernas no laço, deixá-lo ali indefeso e cativo por várias horas, às vezes um ou dois dias, até ir apanhá-lo, é um sofrimento indescritível para o animal, a quem ainda por cima espera a morte.

Ou melhor, é um sofrimento que pode agora ser descrito pelo seu Salau, que passou por experiência senão igual pelo menos parecida com a dos tatus que captura e sacrifica.

A reportagem não perguntou ao seu Salau se ele vai continuar caçando os tatus depois que sair do hospital.

Mas eu tenho a certeza de que nunca mais seu Salau vai matar sequer um tatu. Porque sua história se constitui numa autêntica fábula, ela certamente foi tecida pelo destino para dar uma lição em seu Salau, que pelo menos vai guardar dentro de si uma sabedoria que nenhum outro homem jamais teve: a de ter vivido na própria pele a madrasta sorte de um tatu.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Gente
Dia de pais e filhos no Gauchão



Um dia depois do primeiro jogo das finais, que deixou o Inter em vantagem, o sorridente atacante colorado Nilmar passeou pelo Beira-Rio acompanhado da mãe, Marisa e do pai, Nilton. Em Campo Bom, o zagueiro Júnior (E), levou o filho Gabriel, dois anos, para tentar animar o treino do 15 de Novembro (foto Miro de Souza/ZH)


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Quinta-feira, Junho 26, 2003




Se as coisas fossem mães
Sylvia Orthof

Se a lua fosse mãe, seria mãe das estrelas.
O céu seria sua casa, casa das estrelas belas.
Se a sereia fosse mãe, seria mãe dos peixinhos.
O mar seria um jardim e os barcos seus carrinhos.

Se a casa fosse mãe, seria a mãe das janelas.
Conversaria com a lua sobre as crianças estrelas
Falaria de receitas, pastéis de evento, quindins.
Emprestaria a cozinha pra lua fazer pudins !!!!

Se a terra fosse mãe, seria a mãe das sementes.
Pois mãe é tudo que abraça, acha graça e ama a gente.

Se uma fada fosse mãe, seria a mãe da alegria.
Toda mãe é um pouco fada...
Nossa mãe fada seria.

Se a bruxa fosse mãe, seria uma mãe gozada;
seria a mãe das vassouras, da família vassourada.

Se a chaleira fosse mãe, seria a mãe da água fervida,
Faria chá e remédio para as doenças da vida.

Se a mesa fosse mãe, as filhas, sendo cadeiras,
Sentariam comportadas, teriam boas maneiras.

Cada mãe é diferente. Mãe verdadeira ou postiça,
Mãe vovó ou mãe titia, Maria, Filó, Francisca,
Gertrudes, Malvina, Alice.

Toda Mãe é como eu disse!
Dona Mamãe ralha e beija, erra, acerta,
arruma a mesa, Cozinha, escreve, trabalha fora,
Ri, esquece, lembra e chora,

Traz remédio e sobremesa...
Tem até pai que é "tipo mãe"...
Esse, então, é uma beleza !!!!!
Assim é a minha mãe !!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Os versos que te fiz

FLORBELA ESPANCA

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz

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Nossa, já é quinta-feira outra vez, portanto amanhã já é o último dia útil da semana. E até parece que foi ontem que foi feriadão, assim quatro dias para descansar a cabeça e o coração, se é que ele descansa. Finda-se mais um mês e o primeiro semestre de 2003 também finda. Tristes foram algumas tardes, poucas é verdade. Lindas foram algumas manhãs e noites, mas que por serem assim também céleres passaram, deixando somente a saudade de tudo o que ocorreu.

Muitos sonhos continuaram sendo sonhos pois realidade ainda Deus não quiz que se transformassem. Quem sabe, em breve se tornem. Pois é preferível que ainda sejam sonhos, que em mágoas ou desilusões se tornassem. Enfim sonhos...

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem diga nem todas, só as de verão.

Mas no fundo isso não tem muita importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si,
são os sonhos.

Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares, em todas as épocas do ano,
dormindo ou acordado".

William Shakespeare

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Investidor vende ações do Banco do Brasil

MERCADO FINANCEIRO - Papéis do banco já caíram 15% no

mês; somente ontem, baixa foi de 3,4%; Bolsa recuou 0,63%


DA REPORTAGEM LOCAL

As ações do Banco do Brasil têm reagido pessimamente às medidas tomadas pelo governo na busca de reduzir os juros bancários e aumentar o microcrédito. No mês, as ações com direito a voto do banco acumulam perdas de 15,4%. Somente no pregão da Bovespa de ontem, os papéis ON do banco caíram 3,43%. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou com baixa mais modesta, de 0,63%.

"O fantasma do intervencionismo do governo em empresas e instituições estatais que têm capital aberto, como a Petrobras e o Banco do Brasil, nunca abandonou o mercado. Quando o governo toma medidas que envolvem as estatais, como tem feito, há investidores que preferem vender as ações", afirma Hélio Osaki, analista da corretora Finambras.

Como as ações do Banco do Brasil ainda acumulam a expressiva alta de 32% no ano, os papéis podem cair ainda mais no curto prazo, avaliam analistas. O temor dos investidores é que o Banco do Brasil e a CEF (Caixa Econômica Federal) voltem a ser o que eram nos anos 80 e 90, períodos em que registravam grandes rombos.

As ações da Embratel Participações foram outro destaque no pregão de ontem, liderando as valorizações no dia. Especulações quanto a uma hipotética venda da empresa para a mexicana Telmex fizeram as ações ordinárias da Embratel dispararem 10%, e as preferenciais, 6,7%. Os papéis preferenciais da tele foram os mais negociados do pregão, concentrando 15% do giro do dia.

O interesse dos investidores estrangeiros na Bolsa segue forte neste mês. Nos primeiros 20 dias do mês, o saldo das compras e vendas de ações com capital estrangeiro na Bolsa paulista ficou positivo em R$ 430 milhões. No ano, esse resultado está positivo em R$ 1,8 bilhão.

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Consórcio popular desagrada montadoras

Empresas reclamam medidas imediatas para reduzir os estoques de 170 mil veículos

CLEIDE SILVA e MARIANA BARBOSA

A indústria automobilística, que acumula estoques de mais de 170 mil veículos nas fábricas e está dando férias coletivas aos trabalhadores, não acredita que a oferta de um sistema de consórcio popular, que será criado pelo Banco do Brasil (BB), terá reflexos no setor no curto prazo. Para o vice-presidente da General Motors, José Carlos Pinheiro Neto, "a decisão é boa, mas a compra de cotas normalmente se traduz em compra efetiva do carro depois de dois anos, o que não resolve a necessidade imediata de baixar estoques".

O sistema de consórcio no País envolve cerca de 3 milhões de pessoas que adquiriram cotas para a compra de bens duráveis. Desse total, 1,65 milhão querem ter acesso a uma moto, 1 milhão a um automóvel ou caminhão, 300 mil a eletroeletrônicos e o restante a imóveis. A entrada do BB nesse mercado pode popularizar ainda mais o sistema, diz o vice-presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), Vitor César Bonvino.

Cerca de 300 empresas autorizadas atuam no ramo. "Um concorrente do porte do Banco do Brasil respalda esse mecanismo e com certeza será bom para o consumidor."

Bonvino calcula que, mensalmente, são entregues aos contemplados cerca de 30 mil motos, 20 mil automóveis e 10 mil eletroeletrônicos e imóveis. O prazo mais procurado é o de 60 meses. A taxa média de administração dos grupos é de 15% do valor do bem, diluído nas prestações. "O consumidor precisa estar ciente de que o consórcio é uma programação de compra, pois o bem leva tempo para ser entregue", ressalta Romélio Ribeiro, da Associação das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). O sistema responde por 15% das vendas, ante 25% há cinco anos.

Cooperativas - As medidas de incentivo ao cooperativismo de crédito poderão ampliar a participação das cooperativas de crédito no sistema financeiro nacional de 1,5% para 10% em 5 anos. A estimativa é do superintendente da Confederação do Sistema das Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob Brasil), Marco Aurélio Almada.

Segundo o Banco Central, há no País 1.374 cooperativas e 1,43 milhão de associados - 750 fazem parte do Sicoob, num total de 1 milhão de associados.

As cooperativas de crédito começaram a se disseminar durante o regime de Getúlio Vargas, na década de 30. A crise das cooperativas agrícolas nas décadas de 60 e 70, juntamente com uma reforma do sistema financeiro, restringiu a atuação das cooperativas. O governo militar limitou o vínculo associativo, proibiu as cooperativas de se associarem a uma organização central e as impediu de oferecer serviços bancários como compensação de cheque. As duas últimas prerrogativas foram liberadas em 1980 e 1995, e a abertura do "vínculo associativo", anunciada ontem, era a medida que faltava.

"Agora o setor reúne todas as condições para se desenvolver", diz Almada.

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Banco Popular será criado em 60 dias

A meta da nova subsidiária do BB é atingir 1 milhão de clientes em um ano

BRASÍLIA - Entre as medidas anunciadas pelo governo no pacote do microcrédito, foi confirmada a criação de duas subsidárias do Banco do Brasil, uma para atuar no crédito para a população de baixa renda e outra para o segmento de consórcios, como já havia sido antecipado ontem pelo Estado. O Banco Popular do Brasil vai ser criado em 60 dias. No segundo semestre, o novo banco fará cinco projetos-piloto para testar o sistema, e a meta é atingir 1 milhão de pessoas no primeiro ano.

Já o braço de consórcios do BB ainda precisa ser criado. A subsidiária ainda não tem nome e vai atuar com a venda de veículos, motocicletas, bens duráveis, máquinas e equipamentos agrícolas e rodoviários.

Boa parte das medidas não terá aplicação imediata. Muitos programas precisam de tempo e regulamentação para serem executados, o que só deve ocorrer a partir de agosto.

A abertura de contas especiais simplificadas já pode ser feita nas agências e correspondentes bancários da Caixa Econômica Federal. Essa conta destina-se a clientes que movimentarão até R$ 1 mil só com cartão magnético.

Cada conta permite 12 operações gratuitas por mês: 4 saques, 4 depósitos e 4 extratos.

O microcrédito simplificado precisa ser regulamentado pelo CMN. O governo quer que os bancos ofereçam de R$ 200 a R$ 600 para pessoas físicas de baixa renda, com juros de até 2% ao mês. No valor de R$ 1 mil, o microempréstimo deverá ser usado para um empreendimento específico.

O BB já anunciou a redução das taxas de juros para empréstimos de pessoas físicas e empresas. A Caixa prometeu fazer o mesmo em 1.º de julho. O Banco do Nordeste anunciou mudanças no seu programa de microcrédito para pequenos empreendedores. No estímulo ao crédito para micro e pequenas empresas entrarão o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O BNDES aplicará sua rede de parceiros tradicionais, passando a atuar com os municípios. (V.C. e L.A.O.)

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BB e CEF diminuem juros e facilitam as operações


26 de Junho de 2003 - Medidas tem como objetivo estimular o crescimento da economia. O Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal anunciaram medidas para incentivar o microcrédito e estimular o crescimento econômico. Entre as principais medidas adotadas pelo BB estão a criação de duas subsidiárias integrais para atuar em microfinanças, para a população do setor informal, e na administração de consórcios.

O BB terá novas linhas de crédito para incentivar as pessoas físicas e as pequenas empresas com juros baixos. Para as micro e pequenas empresas também está sendo implementado o Cartão BNDES para financiamentos de até R$ 50 mil e prazo de até 12 meses, com taxa de 1,96% ao mês.

A estimativa do BB é de que em agosto cerca de 30 mil empresas sejam atendidas com o novo cartão. Outro programa é o Proger Turismo que vai ter linhas de crédito para empresas com faturamento anual de até R$ 5 milhões, específicas para investimento e capital de giro em condições mais favoráveis aos empreendedores.

Na área de consórcios, o BB criará uma empresa específica que irá atuar nas modalidades de veículos, motocicletas, bens duráveis, máquinas e equipamentos agrícolas e rodoviários. A expectativa do BB é chegar aos 125 mil planos de consórcio em um ano, alcançando volume de R$ 300 milhões.

Outras medidas prevêem a ampliação do acesso ao mercado bancário, simplificação do processo de abertura de conta corrente e ampliação da rede de correspondentes bancários (lojas de varejo, supermercados e cooperativas), que devem incluir mais três milhões de pessoas no sistema bancário. Em operações de crédito com esse segmento, a expectativa é de realizar, ainda este ano, cerca de 30 mil empréstimos, envolvendo recursos de R$ 110 milhões.

A subsidiária integral de microfinanças para atender a parcela da população do setor informal da economia espera atender, até 2004, cerca de um milhão de pessoas. A nova empresa oferecerá produtos como conta eletrônica, aplicações em poupança, fundos, CDB, cartão de crédito, seguros e previdência. O BB aprovou também estratégia para fortalecer o relacionamento com as cooperativas de crédito, rurais e urbanas. Trata-se da implementação de Modelo de Negócios que privilegia a intensificação da relação de parceria.

Entre as principais medidas que serão adotadas pela CEF estão a liberação de recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e da própria instituição (no mínimo 2% dos depósitos à vista). A CEF vai simplificar a abertura de conta corrente e fornecer empréstimos a partir de R$ 200 com juros de 2% ao mês. A estimativa é de que pelo menos 500 mil pessoas devam ter acesso a essa linha de microempréstimos até o final do ano.

A partir de julho haverá a redução de juros de várias linhas de crédito. Também serão criados fundos para captar recursos privados que vão viabilizar a construção de projetos estruturados de desenvolvimento urbano. A CEF também vai criar vários correspondentes bancários.

Finanças & Mercados/Página B2)(de São Paulo

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Vereadores a um passo das férias

Câmara entra em recesso terça-feira, mas só se votar orçamento municipal
Pedro Motta Lima

Na sessão de ontem, vereadores aprovaram contas da prefeitura de 2001

Os vereadores entrarão de férias enquanto os servidores continuarão sem plano de saúde, e a cidade, sem um plano diretor, que é o direcionamento para o crescimento controlado. Estes são dois dos projetos importantes que não foram votados pelos legisladores neste semestre, assim como a proibição de colar cartazes em postes e passarelas. O recesso remunerado, que dura todo o mês que vem, começa terça-feira e só pode ser adiado se os legisladores não votarem as Leis de Diretrizes Orçamentárias, previstas para serem apreciadas hoje.

Entre as justificativas para o mau rendimento, está a constante ausência dos vereadores em plenário. E o prognóstico para o futuro não é otimista, pelo menos para o líder do governo, Alexandre Cerruti (PFL). Há desinteresse, não tem discussão, e a tendência é piorar, pois estamos chegando cada vez mais próximos das eleições. Se a falta de quórum já prejudica a gente agora, ano que vem será muito pior, acredita Cerruti.

Principal medida da Câmara foi criar 13 novas vagas

As notícias mais importantes saídas da Câmara Municipal foram o aumento de número de vereadores de 42 para 55 e as constantes ausências dos legisladores, o que foi comprovado pelos espelhos do painel eletrônico, como mostrou o DIA. Mas acredito que votaremos o plano diretor semestre que vem. Tivemos algumas reuniões e teremos uma proposta para apresentar, diz Paulo Cerri (PFL), que preside comissão para criar um projeto de código de ética para a Casa. Pedimos a prorrogação de 45 dias para estudarmos mais e apresentaremos um bom projeto de código de ética, conta.

Para o vereador Mário Del Rei (PSB), o primeiro semestre foi sofrível. Esta Casa é preguiçosa, atacou Del Rei, novato na Câmara. O veterano Edson Santos (PT) não se mostrou surpreso com o baixo rendimento da Casa. A composição da Câmara é ruim, acredita. Já Rodrigo Bethlem (PV) acha que a culpa é do governo. O maior número de ausências vem da bancada do governo. Parece que não querem que a Casa funcione, diz.

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Luis Fernando Verissimo
26/06/2003


Herói de dois mundos

Lula é um fenômeno. A esquerda européia gosta de pensar nele como o líder popular que vai começar a redenção da América Latina, ou a revolta da América Latrina, um herói suficientemente remoto no espaço para que nenhum detalhe contraditório ofusque o seu halo de revolucionário. No que se diz e se escreve sobre Lula na França e na Itália, por exemplo, a política econômica e os privilégios do capital financeiro mantidos no seu governo raramente são tocados. A figura, sua biografia e sua promessa ainda valem mais do que o seu desempenho, que faz parte de um cotidiano distante e, para o imaginário europeu, irrelevante. Já os americanos estão gostando do desempenho que contradiz a promessa. Lula no poder não é nada do que temiam.

A esquerda européia, inconformada com uma maioria local que insiste em preferir a direita, mesmo na sua forma mais berluscônica, procura, como sempre procurou, alívio nas simplicidades políticas do mundo pobre, onde as injustiças da vida são mais nítidas e os heróis são mais pitorescos. Para eles, Lula é a novidade política, e o consolo, do momento. Para os americanos, Lula é um conveniente exemplo de esquerda sensata, ou a que reconhece que não há, afinal, alternativa para a realidade segundo Washington. O Lula teórico encanta um mundo enquanto o Lula na prática encanta o outro.

E a figura é a mesma. Não se pode nem ser mordaz e dizer que também nisso Lula imita o presidente anterior, criticando lá fora o que faz aqui dentro, ou literário e compará-lo ao Proteu da mitologia, que assumia várias formas para escapar do inimigo. Nem protéico nem fernando-henriquéico, Lula é sempre ele mesmo, com suas símiles singelas e seu jeitão. O que muda é a percepção dos outros. Um fenômeno.

Na busca de assuntos que os aproximassem, Lula e Bush poderiam ter comentado que a invasão do Iraque e a eleição do PT tinham algo em comum. Num caso, as armas de destruição em massa que eram uma ameaça à vida no planeta e a razão de Bush para fazer a guerra não foram encontradas. No outro, as políticas econômicas que eram uma ameaça à vida no Brasil e a razão do PT para ser eleito foram encontradas - mas em vez de destruídas foram adotadas. Fica para o próximo encontro.

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Nilson Souza
26/06/2003


Oração por Mateus

Ainda não vi Tiros em Columbine, mas vários amigos que compartilham comigo a rejeição a armas de fogo já me contaram em detalhes o documentário do norte-americano Michael Moore - um libelo contra a insensibilidade armada e também algumas alfinetadas contundentes na mídia por amplificar o medo que leva a população a se armar. Armas só servem para matar, mas pessoas amedrontadas acham que estão se protegendo quando adquirem um revólver. Estudo divulgado esta semana pela televisão revelou que nove em cada 10 assassinatos em nosso país são praticados por cidadãos comuns que atiram por impulso. Certamente esses números serão contestados pelos defensores das armas, pois esta é uma discussão apaixonada e cada parte usa a estatística que mais lhe favorece.

Meu argumento, na verdade, é outro.

Ele se chama Mateus Jesus Francisco, tem sete anos e estava brincando com os amigos numa praça da Capital, na tarde do último domingo. Era uma bela tarde de inverno, lembram? Um sol inesperado iluminou a vida dos porto-alegrenses e todas as ruas e praças da cidade foram tomadas por crianças, jovens, namorados, pessoas de todas as idades. Só que na pracinha do Bairro Rubem Berta, na Zona Norte, apareceu também um jovem de arma em punho, para resolver uma rixa. Seu desafeto correu para o lado das crianças e ele não teve dúvidas: apertou o gatilho.

Mateus foi alvejado na cabeça. Na noite de terça, quando escrevi este texto, ele estava internado em estado grave no Hospital de Pronto Socorro.

Sempre haverá quem diga que a culpa não é da arma e sim do debilóide que a portava. Verdade. Mas certamente ele não teria causado uma tragédia se tivesse agredido o inimigo com os punhos ou com um pedaço de pau. Também é provável que portasse ilegalmente a arma, mas todas as armas ilegais - a não ser os trabucos fabricados nos presídios - foram um dia legais. Muitas delas pertenceram a cidadãos honestos que as compraram apenas para se defender dos bandidos. Há muitas estatísticas sobre isso, mas nem vou usá-las. O que me interessa é o princípio. Da mesma forma que quem compra droga está financiando o tráfico, também os compradores de armas estão colaborando para o aumento da violência.

Como vamos nos defender?

Acho que poderíamos começar pela difusão de uma cultura de paz entre nossas crianças, mas também poderíamos exigir de autoridades, políticos e governantes que trabalhem pelo desarmamento da população - bandidos e vítimas.

Podemos, também, rezar pela recuperação de Mateus.

nilson.souza@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
26/06/2003


Todos deixando de fumar

Os meus circunstantes estão largando do cigarro. O Cláudio Brito foi o primeiro, deixou de fumar aqueles seus cigarrinhos finos que durante tanto tempo comprou no aeroporto e em outras lojas especiais.

A ótima apresentadora do Jornal do Almoço e ainda melhor colega Rosane Marchetti também largou do cigarro.

Era uma aflição para a Rosane ter de parar de trabalhar pra ir fumar lá fora, no pátio da RBS TV, o seu cigarro.

Interessante é que onde ando constato as pessoas deixando de fumar, conscientizando-se do risco que corriam, com coragem desvencilhando-se do vício.

Alguns utilizam medicamentos que os auxiliam nessa notável renúncia ao prazer, a maioria simplesmente deixa de fumar e estabelece uma férrea determinação de não pôr mais sequer um cigarro na boca, sabe lá com que sacrifícios emocionais se mantêm firmes na decisão.

Ao mesmo tempo que os invejo, apiedo-me deles pela resistência atroz e dolorida que empreendem ao vício.

Surgiu ontem aqui na Redação a notícia de que o Oziris Marins, nosso colega da Rádio Gaúcha, também havia deixado de fumar.

O Oziris era o mais famoso filante de cigarro do nosso meio. Sustentava seu vício à custa dos outros fumantes.

Quando se aproximava ou ficava rondando um setor da Redação ou uma mesa, era para dar o bote: imediatamente filava o cigarro e era atendido, por alguns cordialmente, por outros com certo desagrado.

O Oziris deve ter filado cigarros durante uns 10 anos consecutivos, aqui na Zero Hora, na Rádio Gaúcha, na Assembléia Legislativa, setor que cobria com grande freqüência.

Quando o Oziris foi destacado para cobrir a Guerra do Iraque, recentemente, os raros fumantes que ainda restavam aqui na RBS respiraram aliviados: durante mais de 30 dias ficaram livres das filadas de cigarros do Oziris.

Em compensação, na Jordânia, base em que o Oziris se instalou para cobrir a guerra, os jordanianos eram impiedosamente filados pelo Oziris.

Alguns jordanianos eram vistos se esquivando à noite pelos quarteirões de Amã, fugindo do Oziris, que depois de terminar o trabalho saía à cata de algum passante que lhe desse um cigarro: "Lá vem o brasileiro filador de cigarro".

E se embarafustavam correndo nos becos de Amã.

Contou um correspondente de guerra estrangeiro que foram verificados tantos casos de jordanianos que eram filados em seus cigarros pelo Oziris, que muitos deles fugiram de Amã e foram se refugiar no Iraque, em plena frente de batalha, só para não dar mais cigarros para o Oziris.

Agora está se verificando esta intensa onda de funcionários da RBS deixando de fumar.

Eu vi que o Oziris não estava mais fumando, achei que ele tinha se incorporado a essa legião de fumantes que está largando o vício.

Ontem, curioso, fui interrogá-lo sobre essa sua surpreendente abstinência:

- Oziris, há dias que não te vejo fumar. Largaste o cigarro?

E ele, respondendo com cara de mártir:

- Não queiras saber sobre as horas e dias de desespero e dor que estou passando. Eu não larguei o cigarro, desgraçadamente foram todos meus fornecedores que largaram.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Gauchão 2003
Vitória com a cara dos guris



Nilmar (C) festeja seu gol na vitória de 2 a 0 sobre o 15, em Campo Bom, que deixa o Inter perto do bi do Gauchão (foto Fernando Gomes/ZH)


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Quarta-feira, Junho 25, 2003



Versos a venda
Fatima Irene Pinto


Estou vendendo meus versos.
Não sei ao certo quanto valem, alguns estão bem cotados,
outros - coitados - tão desaprumados!
Mas você já viu alguma mãe achar feio, mesmo um filho mal gestado?
Para ela todos são lindos, até os desajeitados.
Estou vendendo meus versos.

São versos de todas as cores e alguns, nem cor definida têm:
acho que são incolores.
São versos de muitos sabores: sabor de amor, de desejo, de melancolia, de saudade, de nostalgia, de dúvida, de transcendência, de antagonismo, de inquietação, mas em todos eles há um quê de "comunhão ".
Sim, todos eles têm sabor de comunhão misturados com algumas certezas e outras tantas incertezas.
São versos briguentos com as rimas, alguns impetuosos, soberbos, outros com jeitão de pobreza, que vendo a preço de banana na feira-livre da vida,
na minha tenda de cigana.
Quem dá mais?

Vamos lá, meu camarada!
Não pechinches nem me venhas com esparrela!
Afinal, quem sabe se, com estes versos, tu não conquistas o amor de uma alma gentil e bela?
Vendo porque não posso rete-los e se não vender, farei doação.
É que preciso esvaziar-me de meus versos, preciso deixar leve a minha mente e livre o meu coração.

Queres ficar com eles?
Se não podes, não ligues, não ... mas aceita outra sugestão:
aceita o meu coração.
Ama-me e deixa-me prenhe de novas rimas.
E, se teu amor for bom, nossos filhos serão Obras-Primas!

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Eis a questão

Há pessoas que nos libertam...
há outras que nos aprisionam e asfixiam.

Há pessoas capazes de extrair de nós o que há de melhor e mais bonito...
há outras que colocam em evidência toda a nossa imperfeição.

Há pessoas que nos tomam pela mão e nos conduzem...
há outras que nos empurram para o abismo da desorientação.

Há pessoas que semeiam flores de esperança e luz...
há outras que vão colocando espinhos na nossa cruz.

Há pessoas que nos injetam vida, otimismo, confiança...
há outras que aniquilam nosso equilíbrio e temperança.

Há pessoas que nos fazem multiplicar nossos poucos talentos...
há outras que nos fazem enterrar os poucos que supúnhamos ter.

Há pessoas que são balsâmicas em nossas vidas...
há outras que tornam completamente inócua a nossa lida.

Há pessoas que nos estruturam e nos levantam...
há outras que nos fragmentam e nos desmontam.

Assim posto, até onde o destino o permitir,
que possamos ficar longe daqueles que nos são corrosivos,
e que possamos ficar perto daqueles que nos são benfazejos.

Mas às vezes, por uma destas razões incompreensíveis da natureza humana,
descobrimos com espanto que há pessoas que simultaneamente nos elevam e nos abatem... nos levantam e nos derrubam...
nos apedrejam e deitam bálsamo nas nossas feridas.

E, mais perplexos ainda ficamos, quando constatamos que por um capricho
da Criação, ou quem sabe, da nossa mísera condição,
não somos vítimas passivas deste processo, e que vivendo e interagindo,
vamos nós também distribuindo (querendo ou não querendo) alegrias e dores, mágoas e alentos, luz e escuridão... Como se dançássemos em perfeita simetria
Ou como se contracenássemos em perfeita sintonia com os nossos
"balsâmicos algozes".
Tal é a humana condição... eis a questão!

Fátima Irene Pinto

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Tem alemão na América
Mobilidade é o destaque da primeira (e discreta) versão americana da CeBIT
Julio Preuss

Abertura oficial e festas paralelas foram os únicos momentos de grande movimento durante o evento

NOVA IORQUE - Assim como em tantos outros recentes eventos de tecnologia, mobilidade foi a palavra de ordem na primeira edição americana da CeBIT, realizada em Nova Iorque, na semana passada. Embora o foco da CeBIT América estivesse restrito ao mercado corporativo e suas dimensões não chegassem nem perto do gigantesco encontro anual na Alemanha, não faltaram novidades para todos os gostos.

Por outro lado, a mesma mobilidade defendida por palestrantes e executivos das mais de 400 empresas que estiveram presentes na feira e congresso pode ter sido um dos fatores que deixaram os corredores do centro de convenções Jacob Javits relativamente vazios durante os quatro dias do evento ¿ ¿apenas¿ 15 mil vistantes, 30% abaixo do esperado e uma fração dos 560 mil que compareceram à edição de Hannover.

Além de ser um evento novo, a CeBIT America mostrou que, desde que as novidades passaram a ser rapidamente disseminadas pela Internet e muitos contatos comerciais são iniciados com uma troca de e-mails, as grandes feiras podem não ser mais tão atraentes.

Outro fator que tem colaborado para esse fenômeno é a expansão, tanto em quantidade quanto em tamanho, dos eventos paralelos que disputam a atenção do público das feiras ¿ especialmente os jornalistas. Na CeBIT América nem foram tantos assim, mas levando em consideração o tamanho e movimento reduzidos da feira, pode-se dizer que deles sairão a maioria das notícias sobre o tema.

A formula é bem simples: aproveite que a cidade está cheia de jornalistas especializados e promova uma festança em um hotel ou restaurante famoso (ou mesmo em uma tenda armada no estacionamento em frente ao centro de convenções, como já aconteceu em Los Angeles). Entre pratos de sushi, cascatas de camarões e taças de martini, duas dúzias de patrocinadores estarão expondo seus produtos e serviços exclusivamente para a imprensa e analistas de mercado.

Quando é apenas uma estratégia para permitir um relacionamento mais próximo do que nos estandes das feiras, tudo bem. O problema é que muitas das empresas que patrocinam essas festas sequer estão expondo nos eventos principais. Certamente sai mais barato para elas e o espaco conquistado na mídia pode ser até maior, mas isso acaba diminuindo a feira, principalmente aos olhos do público em geral.

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José Simão
simao@uol.com.br



Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E um amigo ficou tão impressionado com a multidão na Parada Gay que agora quer fazer a Parada Hetero. Com quem sobrou! ´Sou hetero, mas não tenho culpa´. E como disse o chargista Custódio: o Romário agora só quer fazer gol de bicicleta ergométrica! E aí o professor perguntou pra loira: ´Qual o inseto que tem o corpo coberto por pintinhas?´. ´ZEBRA!´. E por que ela não respondeu dálmata? Rarará!

Selecinha Urgente! LEVAMO QUIBE! A Selecinha conseguiu uma façanha: perder pra Turquia. E sabe porque a Selecinha levou quibe da Turquia? Porque a defesa é uma esfirra aberta! E o Ronaldinho Gaúcho tá parecendo a Mulata Globeleza! E a briga dele com o goleiro turco? Só porque ele tem peruca de arame farpado precisava ir lá puxar o cabelo do turco? Parece briga de quenga. Um puxando o cabelo do outro. ´Me empresta tua peruca.´ ´Eu vou arrancar a tua peruca.´

E diz que, se fizer antidoping no Parreira, vai dar Prozac com Lexotan. E o ataque do Parreira é dez atrás e um recuado. É o rei da retranca, o REITRANCA! E eu já disse que ele deveria virar técnico de pebolim!

E todo técnico é burro. Isso já é um clássico. O cara pode ser um gênio, virou técnico, virou burro. E diz que o Ronaldinho Gaúcho passa o jogo inteiro só rindo. Não é que ele passa o jogo só rindo, os dentes é que não cabem na boca! E o Galvão Burreno? Gritou mais que araponga no cio. Rarará!

Buemba 2! Fátima Bernardes Pós-Chapinha Japonesa. Mudou o visual de novo. E sem consultar a nação! A Fátima Bernardes, pra mudar o cabelo, tem que fazer plebiscito. É sempre aquela polêmica. Uns acham que ela é linda até careca. Outros acham que ela ficou parecendo a madame da novela das oito, só falta o motorista de táxi. Outros ainda que ela devia tirar aquelas costeletas de Zé Bonitinho. E eu acho que ela ficou parecendo um pinto molhado! Rarará!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que num congresso sobre disfunção erétil (gulp) um médico disse: ´O Viagra deve ser tomado uma hora antes dos comemorativos eróticos´. Tucanou a trepada. E diz que Viagra levanta duas coisas: o pingolim e as ações da Pfizer!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. ´Debalde´: companheira enfrentando a falta d´água. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
No pingolim!
Pra ver se bate no teto!

Email simao@uol.com.br

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Martha Medeiros
25/06/2003


Sugestão de diversão

Se você mora em edifício, é bem provável que tenha porteiro. Se seu prédio não tem porteiro, o da sua mãe tem, ou o prédio onde você trabalha. Enfim, você conhece porteiros. Geralmente são homens humildes e camaradas. Mas, verdade seja dita, a gente não presta muita atenção neles. Eles abrem e fecham a porta pra nós, dão recados pelo interfone, entregam a nossa correspondência, atendem o cara da pizza e o máximo que a gente faz é dar uma garrafa de vinho barato pra eles no Natal. É pouco. Esta classe de trabalhadores merece nossa reverência, hoje mais do que nunca, pois inspirou a criação do site mais engraçado da internet. Eu não sei se você e eu temos o mesmo senso de humor, mas eu quase passo mal quando entro no site do Porteiro Zé.

A criação é de quatro amigos paulistas que, do dia para a noite, transformaram o www.porteiroze.hpg.ig.com.br num dos maiores sucessos da rede. Não é algo modernoso ou cheio de efeitos: é simples e criativo. Lembra simples e criativo? O personagem é um porteiro cuja peculiaridade é ninguém entender o que ele fala, e ele tampouco aos condôminos. Batalhe um computador, entre no site e clique nos episódios Recado, Revista da Veja, Chuva, Táxi e Motoboy, se possível nesta ordem. O episódio Revista da Veja deveria iniciar com um aviso tipo "desaconselhável para cardíacos". Pode provocar convulsão.

Certo. Fiz o que não se deve fazer: criei uma enorme expectativa e agora você vai entrar no site do Porteiro Zé e vai achar que é a coisa mais sem graça que já viu. Talvez seja mesmo. Quem vai querer saber de porteiros em plena era Matrix? E um porteiro que não fala coisa com coisa, de onde tiraram uma idéia dessas? Porteiros são articulados e espertos. Chega de perpetuar preconceitos. E rir dos defeitos dos outros, tenha a santa paciência. É politicamente incorreto!!!! Por que não valorizar os sites de poemas que vêm escritos sobre um fundo de flores e com música romântica? Por que não sugerir sites educativos? E, quer saber? O mundo está uma desgraceira e estamos precisando de consciência e não de riso fácil.

Pronto. Fim de expectativa. Agora passe lá no site como quem não quer nada.
martha.medeiros@zerohora.com.br

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David Coimbra
25/06/2003


Fernando Gay e o Pirulito

Pirulito, o nome do bar. Lá na Assis Brasil, na altura do Sarandi. Uma lonjura. Sempre cheio, a gurizada borbulhando porta afora, se amontoando na calçada, rindo, bebendo cerveja, falando alto. Nossa turma vinha do IAPI, passava em frente ao Pirulito e se admirava:

- Que tanta gente...

Até que bolamos uma sacanagem, estávamos sempre bolando sacanagem. Um de nós, um único, tinha um carro - Careca, o rico da turma. Na verdade, o carro da tia, um Passat. Mas não importava, nenhuma outra tia ou mãe ou pai possuía carro, entre nossas tias, mães e pais. Andávamos todos naquele Passat, cinco guris atrás, três na frente, a maior bagunça.

A sacanagem foi o seguinte: colocamos o Fernando Gay no porta-malas. Ele não era gay coisa nenhuma, mas usava o cabelo abaixo dos ombros, um cabelo bem escovadinho e liso, tratado a cremes e xampus. Além disso, o Fernando não jogava bola, era asmático. Mais não precisava para lhe pespegarmos o apelido de gay.

Enfim, colocamos o Fernando Gay no porta-malas e arranjamos uma forma dele abrir a tampa por dentro. Ah, ia esquecendo: armamos o Fernando com um extintor de incêndio. Tocamos para o Pirulito. O carro foi se aproximando, se aproximando. Quando chegamos a alguns metros da concentração na calçada, demos o sinal:

- Agora, Fernando!

E o Fernando abriu a tampa, sentou no porta-malas, extintor em punho e... SCHUAAAAAÁ!, espalhou espuma de extintor em cima de todo mundo. Você já viu como é a espuma do extintor de incêndio? Uma meleca branca. Foi uma correria, cada um para um lado, gritando, jogando copos de cerveja para cima, buscando proteção.

Nós chorávamos de rir. Adoramos a brincadeira. Começamos a repeti-la a cada fim de semana. Roubávamos um extintor dos edifícios e despejávamos nos freqüentadores do Pirulito, coitados. Tanto aprontamos que ficamos manjados. Quando o nosso Passat se aproximava, a turma do Pirulito gritava, assustada:

- Lá vêm eles! Lá vêm eles!

Saía todo mundo em debandada.

Tínhamos de surpreendê-los. Depois de muito debater, decidimos assim: conseguimos uma moto, uma Cinqüentinha, lembra da Cinqüentinha? O Serginho Anão ia dirigindo, o Fernando na carona, sentado de costas para o Serginho. Foram se aproximando do Pirulito, se aproximando. Ninguém notou, eles esperavam o Passat. Na calçada do Pirulito: SCHUAAAAAAAÁ!, espuma de extintor neles. Uá!

Cara, aquilo era muito engraçado.

Pensando nisso em retrospectiva, me assustei: que risco corríamos. Fosse hoje, alguém nos daria um tiro, ou jogaria um tijolo no pára-brisa, sei lá.

Era onde queria chegar: hoje, a violência se profissionalizou. Agora há pouco, no Gre-Nal, a polícia deteve alguns torcedores e deles extraiu um arsenal. Eram bombas de fabricação caseira, estiletes, até tchacos. Com que tranqüilidade um pai leva o filho ao futebol, ao saber de uma notícia dessas? Por isso, saúdo o Estatuto do Torcedor. Todas as medidas de segurança, por exageradas que pareçam, são poucas, num tempo como esse. Um tempo de feras perigosas, que tornam perigosas quaisquer brincadeiras, quaisquer ações, por inocentes que sejam. Um tempo em que se sobrevive. Apenas se sobrevive.

O porvir

Dia desses, uma leitora me escreveu um imeil e lá no meio tascou uma perfunctoriedade. Escreveu isso: "perfunctoriedade". Não lembro a respeito de que, mas que essa palavra estava lá escritinha, estava. O que significa duas coisas:

1. Que meus leitores são mesmo muito inteligentes.

2. As palavras estão todas aí e vez em quando são empregadadas. Mesmo que sejam estranhas. Então, qual é o problema de o presidente Obino falar jaqueta das três cores e porvir venturoso? Problema nenhum! O problema é quando o presidente Obino não contrata zagueiro. Esse, sim, é o problema.

Os pequenos campeões

Lembro do Campeonato do Interior, um campeonato disputado paralelamente ao Gauchão e dentro dele. Meu avô, que amava futebol, me alertava, quando a dupla Gre-Nal ia jogar contra certos times:

- Esse time é bom. Ele é campeão do Interior.

Eu ficava alerta. O jogo deveria ser duríssimo, pensava. Não é todo domingo que se enfrenta um campeão. Pois bem: a dupla Gre-Nal vencia SEMPRE. Quando um time do Interior, mesmo um campeão, conseguia um empatezinho, era uma façanha de soltar rojão, Grêmio e Inter entravam em crise, era inaceitável empatar com um time do Interior, mesmo que o jogo fosse disputado nas agruras de Bagé ou Passo Fundo ou Santa Maria. Em Porto Alegre, os times do Interior se acantonavam dentro da própria área e de lá não saíam nem para ver a luz do sol. Retrancas ferozes, bicões para frente, times sem atacantes, sem esperança sequer de contra-golpes.

Mas hoje, com a evolução da preparação física, com o intercâmbio dos conhecimentos técnicos, é possível, sim, um time pequeno, como o 15 de Campo Bom, enfrentar um grande como o Inter. O 15 tem chances reais de ser campeão gaúcho. Campeão de verdade, não apenas um pequeno campeão do Interior.
david.coimbra@zerohora.com.br

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José Fogaça
25/06/2003


No centro da sala de estar

Pego este pequeno e belo livro nas mãos e me lembro: minha primeira entrevista concedida a Tânia Carvalho ocorreu lá por volta de 1972. Olha só o que aconteceu: fui até lá para anunciar um show e acabei entrando para a televisão. Na semana seguinte, eu já apresentava um quadro, dentro do programa, com dicas de Português. Pouco tempo depois, estávamos os dois em outra emissora, produzindo e apresentando nosso próprio programa, ao lado do Clóvis Duarte, do Claro Gilberto, do Renato Pereira e do inesquecível amigo José Antônio Daudt.

Tânia havia deixado uma vida intensamente cosmopolita e profissionalmente promissora em São Paulo para aqui, enfim, cumprir o seu destino - o de mudar a história da nossa televisão. Tânia trazia uma nova verve, um novo jeito, uma nova e desordenada inventividade, muito distinta da postura parcimoniosa e contida adotada até então. Com ela, a sagacidade feminina passou a ocupar o centro do vídeo e da nossa sala de estar. Nunca mais a linguagem de televisão no Rio Grande do Sul foi a mesma.

Não esqueço seu gesto solidário e amigo quando precisei atravessar dias de sombra e noites de chumbo. A porta no fim do corredor foi dar em outra estrada e eu acabei perdendo o caminho de volta. Mas a Tânia prosseguiu e fez de sua vida uma trajetória de invejável realização profissional.

Pois é. Olho para este pequeno e belo livro que tenho nas mãos e, não sei bem por que, me lembro de todas essas coisas. É o Refletindo com meus Convidados, uma coletânea das frases e pensamentos mais importantes deixados pelos convidados da Tânia Carvalho em seu programa Comportamento, da Rádio Gaúcha e da TVCOM.

A mesma Tânia Carvalho que um dia mudou o código gestual e verbal da linguagem de televisão no Rio Grande do Sul vem agora construindo uma nova fraseologia dos sentimentos na comunicação. Refletindo com meus Convidados demonstra não só uma habilidade específica de fazer perguntas e obter respostas. Este é um pequeno e belo livro porque nele Tânia nos revela vidas e - mais do que tudo - revela o sentido de humanidade que cada uma delas contém.
jose.fogaça@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
25/06/2003


Estupenda revolução

É de impressionar profundamente o número de participantes da Parada do Orgulho Gay, realizada domingo passado, em São Paulo.

Dificilmente um outro motivo, seja a reforma da Previdência, seja o Fome Zero, seja a invasão de terras, contra ou a favor, levaria tanta gente a uma manifestação como esta parada dos gays: 1 milhão de pessoas saíram para as ruas e viram culminado seu comício na Praça da República.

Há pouco tempo, este tipo de manifestação dos homossexuais reunia meia dúzia de gatos pingados e era ridicularizado pela opinião pública.

Agora o movimento gay se torna a mais forte manifestação da opinião pública de que se tem notícia ultimamente no Brasil, sendo notável que acompanharam a passeata famílias inteiras acompanhadas de crianças, os seus filhos menores.

Essa enorme multidão que se solidarizava com os gays, as lésbicas, os bissexuais e os transgêneros - ou então se constituía neles próprios - demonstra por um lado a vitória dos gays e lésbicas sobre o gigantesco preconceito que se derrubava sobre eles e a inequívoca conclusão de que esta gente toda viveu durante séculos no Brasil a secreta opressão de quem não podia mostrar o que era, roendo dentro de si a aflição trágica e dolorosa da impotência para expor a sua tendência sexual, estrangulada pela discriminação e pelo escândalo.

É um raro momento de explosão de liberdade. Chega até a parecer uma segunda abolição da escravatura, o instante em que as pessoas rompem com suas amarras e vêm proclamar a toda a sociedade o direito inalienável que têm de ser fiéis a seus impulsos emocionais e de cumprir livremente o seu destino genético.

É admirável essa evolução e revolução. Porque faz com que se considerem verdadeiros mártires sociais os homossexuais que aos bilhões, por dezenas de séculos, tiveram que viver nas sombras, encurralados ou perseguidos pela intolerância, envergonhados de sua natureza e considerados como subversivos morais.

É de ser erguer um brinde aos que foram massacrados pelo segredo.

E outro maior ainda aos que tiveram através dos tempos a coragem de declarar abertamente a sua orientação sexual. Estes foram uns heróis. E os grandes desbravadores.

E dia 29 próximo esta parada será realizada aqui em Porto Alegre.

A Assessoria de Comunicação do Ibama manda explicar a esta coluna a liberação da caça à caturrita no RS, com simultânea proibição da caça ao marrecão: "Prezado Sant'ana. Espécies migratórias são aquelas que realizam movimentações sazonais em grande escala, em busca de ambientes mais favoráveis que podem incluir uma maior disponibilidade de alimento, temperaturas mais quentes ou melhores locais para nidificação (feitura de ninho). O marrecão passa parte do seu ciclo anual no Brasil e é considerado uma espécie silvestre brasileira tanto quanto a caturrita pela legislação brasileira (Lei 9. 605/98), sendo tratados igualmente pela lei.

A atividade de caça amadorista no Rio Grande do Sul é prevista em lei e depende da existência de estudos populacionais que garantam a manutenção das espécies a longo prazo. Os estudos populacionais do marrecão no Brasil são feitos anualmente e são estes estudos que embasam a inclusão ou exclusão de espécies da Portaria de Caça. Em 2003, o Ibama optou pela manutenção da moratória ao marrecão como medida cautelar, considerando principalmente que as oscilações populacionais observadas ao longo de vários anos não permitem que se preveja com segurança o comportamento da população e sua resposta às pressões locais de caça e a necessidade de uma gestão regional que inclua Argentina e Uruguai.

Já a caturrita é uma espécie considerada nociva à agricultura e há registros de seus danos às plantações no Rio Grande do Sul que datam desde 1946. Espécies consideradas nocivas são passíveis de controle pela legislação brasileira (Lei 9.605/98, Art. 37). Sua proliferação foi favorecida pelas modificações ambientais, a relação entre disponibilidade de alimento e locais adequados para a reprodução decorrentes da sua fácil adaptabilidade a ambientes alterados. Esta espécie também é considerada uma praga na Argentina desde 1935 e no Uruguai em 1973.

A sua manutenção na portaria de caça é uma medida que visa a mitigar os efeitos da caturrita nas plantações dos pequenos agricultores do Rio Grande do Sul".
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Violência
Tiroteio e perseguição na BR-116



Assaltantes investiram contra um carro blindado na rodovia, perto de Mariana Pimentel. Um caminhão tentou abalroar o veículo, que conseguiu escapar. A quadrilha saiu em perseguição, atirando no blindado com fuzis automáticos. A chegada da BM pôs os ladrões em fuga (foto Paulo Franken/ZH)


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Terça-feira, Junho 24, 2003




ANSEIOS
FLORBELA ESPANCA


Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha que cais!

Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quimeras irreais,
Não valem o prazer duma saudade!

Tu chamas ao meu seio, negra prisão!
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbre o brilho do luar!

Não entendas tuas asas para o longe
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela, a soluçar.

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Crônica de uma contadora de histórias 1
Silvana Sampaio

Foram tantas as histórias ouvidas e contadas ao longo desse meu percurso. Foram tantas as vezes que descobri a insegurança, o medo , a ansiedade, o desejo, a perplexidade frente ao contraditório que as histórias colocavam diante de mim... Só mais tarde, já adulta, é que fiz a grande descoberta! Percebi que cada um desses sentimentos é comum a todos os seres humanos.

Muitos me presentearam com histórias, a primeira de quem posso me lembrar foi Bisa Angelina - autêntica anarquista (graças a Deus) , quando eu era pouco mais do que um bebê, contava e lia para mim histórias e fatos extraídos do jornal CORRIERI, já velhos, mas que guardava com enorme ciúmes. O curioso dessas histórias é que chegavam a mim numa língua desconhecida, o italiano, e ainda assim me lembro de passar horas e horas encantada com a sonoridade da sua voz .

Hoje posso entender o que me embevecia ! Era a melodia de suas histórias sempre rimadas e, muito mais do que isso, o elo de afeto que nos unia e que se estreitava a cada história ouvida e cantada. Cantada sim, porque já nessa época comecei a descobrir o poder de sedução e a musicalidade das palavras.

Wanda foi outra das contadoras de histórias que permearam minha infância, aliás não só a infância - Wanda se foi há um mês, com quase noventa anos, tenho certeza de que o lugar onde ela está ficou muito mais rico em poesia e fantasia - ainda posso ouvir sua voz, quando em dezembro do ano passado, na antevéspera de Natal, sentadas diante da janela da casa de minha mãe, eu e ela recordávamos as histórias e os poemas que havíamos partilhado ao longo de nossas vidas. Como sempre rimos muito quando lhe segredei sobre o poema, que ela havia me ensinado, com o qual me identifiquei durante muitos anos

Anda vem cá marotinho,
Diz-me o que queres ser,
Um valente soldadinho para a pátria defender?

Não vó, soldado morre na guerra,
tenho medo da batalha.
Então queres ser um palhaço,
Sempre a saltar e a sorrir?
Posso quebrar o espinhaço,
P'ro circo eu não quero ir ....

e depois de muita conversa-em-verso entre a avó e o neto onde ela tenta descobrir sua vocação, sai o moleque com essa : "Já sei o que quero ser,/Dono de confeitaria,/ Muitos doces hei de comer". Não me tornei dona de confeitaria mas, creio que posso atribuir à minha avó e a esse poema minha fome permanente de doces e de conhecimentos.

Déa, rainha-mãe foi quem me iniciou no encantamento dos contos de fadas embalando o meu adormecer... Rubens, meu pai que com seu jeito caladão de homem de poucas palavras, talvez nem saiba o quanto me fez bem quando contava seus "causos" de menino do interior , de lugar tão pobre cuja única fruta a que tinham acesso era a banana .

Quando surgia uma melancia era festa que deveria ser curtida na hora por não haver na cidade energia elétrica para conservá-la! Dona Dayse e dona Maybe, que pelos nomes podem parecer personagens holywoodianas , foram minhas primeiras professoras , peças fundamentais na construção da minha trajetória de leitora , escritora e contadora de histórias .... Gregório, Eliana Yunes, Lucia Fidalgo, Celso Sisto, Benita Prietto e toda a turma do velho e querido PROLER, que provavelmente sem o saber me deu força e coragem para assumir publicamente o dom de contadora de histórias herdado das mulheres de minha família....

Dona Eva, velha amiga benzedeira do morro do Bentão, que me delicia com suas histórias de conquista de mulher-guerreira.... Josiane, negra-branca-sarara, que me deu o privilégio de partilhar suas histórias de adolescente, quando me elegeu sua amiga-confidente... Gegê, cuja profissão faz conviver com peões da construção civil, gente simples mas com uma experiência de vida riquíssima e que nos fins de tarde, ao partilhar com eles um copo de cerveja jogando conversa fora, recolhe com sensibilidade "causos" que partilha comigo ...

São tantas as histórias a fazerem parte da história dessa contadora de histórias.... todas tão boas de serem contadas e ouvidas que, só me resta parafrasear Monteiro Lobato nos episódios onde D. Benta conta histórias para a turma do Sítio do Pica- Pau:

Estas são outras histórias... que ficam para uma outra vez.

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Esse tal de contador de histórias1
Grupo Morandubetá

Por esses dias recebemos um e-mail com uma pergunta de um "navegador": O que é um contador de histórias?
Ficamos nos questionando sobre qual resposta daríamos. Qual seria essa definição. A pergunta nos fez refletir sobre o nosso trabalho. Quem somos nós? Como somos vistos aos olhos dos outros? O que é na verdade o nosso fazer? E descobrimos que existem muitas definições para os contadores de histórias. Descobrimos que existem diferentes espécies...Vamos explicar melhor.

Existem aqueles que contam histórias que aprenderam. Geralmente são histórias que gostaram e contam pelo prazer de falar e de serem ouvidos. Quase sempre a realização é mais pessoal que material, porém às vezes tentam ganhar algum dinheiro para contar e aceitam qualquer coisa. Com o tempo o repertório se esgota, fica repetitivo e vai cansando o ouvido dos outros.

Há os que resolvem ensinar o que não sabem e vivem dando cursos e escrevendo livros. Mas não dizem as palavras, não contam as histórias, não constroem a narrativa. Apenas ensinam, ensinam, ensinam. O quê? Nem eles mesmos sabem.

Um outro tipo é o que pensa que conta, que pensa que ensina, que pensa que escreve e além disso agencia e explora os artistas. Suga a essência vital do contador para ganhar o dinheiro e a fama que jamais teria com o talento que não possui. Aproveita-se da situação, dos conhecimentos (pessoais, políticos, familiares...) e ganha sem fazer esforço, sem "mostrar a cara", sem contar histórias. ESSES SÃO TERRÍVEIS!

Tem os que exageram e utilizam tantos adereços e "caras e bocas" que a narrativa se perde no meio de apelos redundantes.

Também não podemos esquecer dos artistas financeiramente insatisfeitos que buscam no ato de contar histórias apenas o lucro, não acreditando que seja um trabalho artístico.

Agora, existe o artista que é artista por natureza, que de nada precisa a não ser da palavra, do gesto e do olhar do seu ouvinte. O artista é sempre grandioso. Traz na alma a emoção e contagia a todos.

E há ainda os que têm o desejo do artista, acreditam no que fazem e o fazem com a alma, porque o corpo emprestam aos personagens das histórias. Investigam, pesquisam, inovam, escrevem, ensinam e aprendem muito, muito mais. Possuem um trabalho artístico e também são formadores de cidadãos mais conscientes, críticos e questionadores. Seus ouvintes não escutam apenas histórias, escutam no fundo de cada palavra a fala de educadores e formadores de leitores. Por que para esses que chamamos de narradores e pesquisadores da arte de contar histórias: leitura, educação e cidadania andam sempre juntas.

Temos certeza que deve haver outras espécies de contadores e aos poucos vamos descobrí-las. Elas estão crescendo e se multiplicando. Infelizmente também estão se vulgarizando e usando o nome do contador em vão, sem perceber ou se importar com o valor da palavra.

Contar histórias é revelar segredos, é seduzir o ouvinte e convidá-lo a se apaixonar...pelo livro... pela história... pela leitura. E tem gente que ainda duvida disso.

O contador é aquele que diz , por isso precisa saber bem o que irá dizer. Precisa ter dúvidas, certezas, conhecimentos, estudo e talento. Talento de sedução. Se fazer ouvir não é tão fácil assim, ainda mais quando atendemos a um público sem idade.

Contar histórias é uma arte e quem faz arte é artista, está no sangue, na alma. Quem faz arte não pode temer. Tem que encarar. A arte tem um preço. Tem um valor. Mas infelizmente sabemos que nem todo mundo tem olhos para admirar a arte, nem tem dinheiro para pagar o preço. E aí se confundem na escolha. E preferem qualquer coisa ao invés do nada.

Mas não podemos entrar nesse jogo, nem fazer menor. Este não é um trabalho para multidões, mas para um público que se sente seduzido pela palavra. Nós não "exploramos" o corpo, nem vulgarizamos a palavra, contamos histórias. Sem exageros ou excessos, com simplicidade e sutileza. E nunca estamos sós, pois as histórias nos acompanham, elas nos fazem preenchidos e nos fazem também solidários, já que estamos sempre dividindo palavras, ouvindo e contando.

Foi essa a resposta que encontramos. Não sabemos se podemos chamar de resposta. Ela está cheia de perguntas nas entrelinhas. Enfim...o contador de histórias é aquele que cria, é aquele que empresta o corpo, a voz e a alma para dar vida a mais uma nova história.

O contador é aquele que preserva a história e não a deixa morrer.

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Governo quer taxas menores no microcrédito

SÍLVIA MUGNATTO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O governo vai anunciar nesta semana, provavelmente amanhã, medidas para incentivar os bancos, públicos e privados, a fazerem operações de microcrédito com juros de 2% ao mês. Hoje, esses empréstimos são feitos com taxas que variam de 4% a 5%.
A Folha apurou que as novas regras também deverão possibilitar a realização de contratos dos bancos com vários tipos de entidades, inclusive prefeituras e sindicatos, que poderão repassar o dinheiro para os tomadores finais.

Hoje, já existem parcerias da CEF (Caixa Econômica Federal) com ONG's (organizações não-governamentais) para a oferta de operações de microcrédito. O governo quer ampliar o número de agentes repassadores.

Outro banco estatal que atua nesse segmento é o Banco do Nordeste. O BNDES, que já atua na área, deverá ampliar a sua participação com um volume de recursos indefinido. O objetivo é atender toda a demanda que aparecer.

Os técnicos estimam que os créditos deverão ser, em média, de R$ 1.000 cada um. A idéia é atender pessoas que trabalham informalmente com pequenos negócios e têm dificuldade de obter empréstimos para ampliar a atividade.

Redução da TJLP

Além de avaliar medidas do pacote de crédito que o governo anuncia até amanhã, o CMN (Conselho Monetário Nacional) deverá reduzir hoje a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo). Essa taxa é utilizada nos empréstimos com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador feitos pelo BNDES ao setor produtivo. A taxa poderá ser reduzida de 12% ao ano para 11,5%.

Ontem, os presidentes do BNDES, Carlos Lessa, da CEF, Jorge Mattoso, e do Banco do Brasil, Cássio Casseb, estiveram com o presidente Lula para conversar sobre as medidas de estímulo ao microcrédito.

Essas medidas fazem parte de um pacote com o objetivo de ampliar os financiamentos, com juros menores.

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Juros baixos da CEF devem ter efeito pífio

DINHEIRO NOVO - Para economistas e entidades do setor de crédito, medida não basta para ampliar nível de consumo interno

ADRIANA MATTOS
DA REPORTAGEM LOCAL

Será pífio o efeito que a nova linha de microcrédito -que a Caixa Econômica Federal deve abrir para clientes de baixa renda- terá na economia real. Na melhor das hipóteses, medíocre. É isso o que conclui economistas, entidades privadas e lideranças do setor.

A instituição deve anunciar nesta semana uma espécie de linha de crédito rotativo, de até R$ 300, aos clientes do banco. A ação pode até ampliar a carteira de clientes do banco, mas em nada alterará o atual nível de consumo interno, dizem economistas e entidades privadas ouvidas ontem.

Os recursos a serem liberados podem ser utilizados para consumo ou em pequenos investimentos de microempresários.
"Não chega nem a fazer cócegas no mercado", diz Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Unibanco. Para a Anefac, associação nacional dos executivos de finanças, a "intenção é boa", pode até impulsionar "um pouco" o movimento o acesso de camadas sociais mais baixas aos serviços bancários, mas tem efeito limitado na expansão da demanda.

"Se não tivermos mais bancos oferecendo o mesmo serviço, e rápido, isso não vai para a frente. É preciso volume", diz Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac. "E, afinal, por que a Caixa vai manter essa linha, num mercado sem concorrentes, se começar a levar calote ou se o retorno for menor que o esperado? Apenas porque conseguiu mais clientes?"

A questão é que, informam os economistas, poucos bancos têm apresentado, e de forma discreta, iniciativas concretas em direção à expansão do microcrédito. O ABN-Amro Bank é um deles. Segundo José Márcio Camargo, professor do Departamento de Economia da PUC-RJ e sócio da Tendências Consultoria Integrada, isso não ocorre à toa.

"A idéia de ter um banco, que tem como meta ganhar dinheiro, dando microcrédito a taxas de juros baixas é um tanto estranha", afirma ele. "Se a idéia da Caixa é boa, e pode mesmo se expandir pelo mercado, por que até agora nenhum banco incrementou essa linha aos pequenos correntistas?" Para ele, "esse dinheiro, de R$ 200 a R$ 300, não é pouco, mas não é solução" para elevar o patamar atual de demanda.

Na avaliação de um diretor financeiro de um banco privado, ouvido pela Folha, a ação da Caixa tem mais um efeito "simbólico" no sentido de mostrar à população que há determinação do governo em impulsionar o crédito.
Hoje, há mais de R$ 26 bilhões em circulação no mercado na categoria crédito pessoal -em que os juros cobrados pelas financeiras ultrapassa 12% ao mês.

Segundo informou a direção da Caixa na semana passada, o banco irá destinar recursos baratos -a taxa de juros deve variar de 2% a 2,5% ao mês- por meio de uma linha de crédito para pessoas com conta corrente na instituição. Serão beneficiados aqueles que possuem conta com movimentação de até R$ 3.000 por mês (cerca de 2,3 milhões de clientes).

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Caixa financiará restaurantes e hotéis no Rio

Os restaurantes e hotéis do Rio de Janeiro terão, a partir de hoje, oportunidade de tornar ainda mais bonito o maior cartão postal do País. A Caixa Econômica Federal, o Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Município do Rio e a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih) vão firmar convênio, no âmbito do Plano Nacional de Turismo, que oferece recursos em condições diferenciadas aos profissionais do setor.

O evento será realizado no Hotel Méridien, em Copacabana, às 16 horas, e reunirá representantes do segmento com a superintendente de Negócios da Caixa, Deusdina Pereira, para formalização da parceria. Pelo convênio, a Caixa oferecerá R$ 400 milhões ara incrementar o negócio de micro e pequenas empresas que atuam na atividade turística.

Os recursos, da própria Caixa, serão emprestados com taxas de juros especiais, variando conforme a linha de crédito e o prazo de amortização. O empréstimo poderá ser usado como capital de giro, para investimento, reforma e ampliação de bares, restaurantes, hotéis, agências de turismo, lojas e pequenos comércios, manutenção dos estoques, publicidade e contratação de pessoal.

Com o Plano Nacional de Turismo, o Governo federal espera gerar cerca de 1,2 milhão de empregos nos próximos quatro anos. De acordo com o plano, o Conselho Nacional de Turismo vai propor diretrizes e oferecer subsídios para formulação de uma política nacional para o setor, além de normas que contribuam para produzir uma legislação turística e democratizar as atividades no País.

O conselho será composto de representantes de entidades de turismo, dos ministérios e da Presidência da República, além de membros das instituições financeiras parceiras, entre as quais a Caixa Econômica.

Programa para imóveis urbanos

A Caixa Econômica Federal está em negociação com o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) para a liberação de recursos para um programa de reabilitação de imóveis urbanos fechados.

O montante a ser destinado ao programa será definido na próxima reunião do Codefat, no dia 9 de julho, mas o presidente do conselho, Canindé Pegado, estima que deverá ser algo em torno de R$ 500 milhões. "Poderíamos começar com isso para os primeiros dois anos", avalia Pegado.

Segundo o estudo apresentado pela Caixa para avaliação dos conselheiros do Codefat, existem hoje no Brasil 5 milhões de imóveis fechados ou abandonados, só em áreas urbanas. "É um programa muito interessante, diante do déficit habitacional urbano", diz Pegado. "E não são apenas imóveis na periferia. Muitos estão localizados em regiões centrais e podem ser reabilitados."

Pelo programa, a Caixa se encarregará de reformar os imóveis, que depois serão financiados para a população de baixa renda. Terão preferência pessoas que trabalham próximo aos imóveis. "O objetivo é ressocializar as famílias", explicou Pegado. "Em vez de construir moradias em áreas distantes e que irão demandar investimentos em infra-estrutura, a reforma de imóveis nos centros urbanos reduz esses custos, pois os centros já dispõem de transporte, água, luz, etc."

A Caixa já mantém um programa de reforma de imóveis fechados ou cortiços verticais, o Programa de Arrendamento Residencial (PAR). Os recursos do PAR, contudo, vêm do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). De 1995 a 2003, o PAR recebeu R$ 1,97 bilhão e entregou 93 mil unidades habitacionais.

O FAT financia atualmente dois programas habitacionais da Caixa, o Imóvel na Planta e o Carta de Crédito Individual (financiamento direto a pessoas físicas). De 2002 até maio deste ano, o FAT havia repassado R$ 546 milhões para esses dois programas.

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Detalhes serão divulgados hoje pelo presidente Lula

O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, confirmou, ontem, o anúncio de novas políticas de financiamento e microcrédito para a população de baixa renda. Segundo ele, os detalhes do programa serão divulgados hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Menos discreto, o secretário municipal de Habitação de São Paulo, Paulo Teixeira, afirmou que a redução da taxa de juro mensal para 2,5% está em linha com o programa do Governo Lula.

- Medidas como essa só poderiam ocorrer no novo Governo. Me afasto do papel de viúva do antigo Governo e parabenizo o presidente Lula e Mattoso, que podem anunciar medidas como essa - disse ele, referindo-se à expansão do microcrédito por meio do corte de juros.

Entre as ações da Caixa que estão integradas ao programa de microcrédito está o acesso às operações bancárias para a população de baixa renda. Mattoso afirmou que o programa Caixa Aqui, que prevê a abertura de contas simplificadas, já atendeu a 160 mil pessoas em três semanas.

- O Caixa Aqui está abrindo, em média, 10 mil contas bancárias por dia. O programa permite que a população que antes tinha acesso somente à poupança, também possa movimentar uma conta corrente - disse o presidente da instituição. Segundo ele, esse segmento da população, composto, principalmente, por trabalhadores da economia informal, utilizava as cadernetas de poupança como conta corrente.

O programa vai beneficiar cerca de 2,3 milhões de clientes, que têm conta com movimentação de até R$ 3 mil por mês e os com depósitos na caderneta de poupança de até R$ 100. A expectativa é que os empréstimos da Caixa para cada cliente fiquem entre R$ 200 e R$ 250, enquanto os juros dessa operação deverão ser de cerca de 2,5% ao mês. As taxas cobradas pela Caixa giram em torno de 4,5% a 5% ao mês. Ou seja, os juros deverão cair pela metade para os clientes de baixa renda.

O presidente do BNDES, Carlos Lessa, disse não haver "nenhum problema" em repassar recursos para a Caixa conceder crédito a juros mais baixos à população de baixa renda. "Os recursos do FAT são o funding do BNDES. O BNDES é autorizado a fazer todas as operações possíveis. O FAT é apenas o grande recurso, barato, que permite financiar de grandes negócios a pessoas físicas", disse Lessa, afirmando ainda que não foi estipulado um valor a ser repassado à Caixa.

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Bom hoje dia de São João, dia em que se comemora pelos ufólogos a aparição dos Discos Voadores e dia de muitas comemorações pois afinal de contas quantos Joãos nasceram neste dia..? Vê-se que muitas das noticias postadas ontem aqui nesta página são manchetes hoje da Zero Hora, do jornal O Dia e de outros. Boa terça-feira pra todos nós.

Mamães vão invadir o Riocentro
Expo Bebê & Gestante começa amanhã, no Pavilhão 2, trazendo diversas novidades
Uma das maiores feiras do setor de produtos para futuras mamães e crianças pequenas, a Expo Bebê & Gestante, será aberta amanhã , no Riocentro. A mostra, que entra em sua 24ª edição, contará com 150 expositores dos mais diversos segmentos, que comercializarão móveis, carrinhos, produtos de decoração, vestuário, acessórios, brinquedos, e tudo o mais que compreende o universo do bebê e da gestante.

O evento se estende até o domingo e, paralelamente, será realizada a Expo Festa Infantil, que reunirá empresas do setor que atuam na organização de festas infantis, como decoradores, bufês e recreadores. Ambas as exposições acontecem no Pavilhão 2 do Riocentro e ficam abertas das 14h às 22h.

Além de ofertas atraentes, os expositores das duas mostras trarão novidades para o mercado, com lançamentos de produtos nacionais e importados. No caso específico da Expo Bebê & Gestante, o diferencial dos artigos que estarão sendo comercializados prometem contribuir ainda mais para o conforto da mulher e do bebê.

O evento é promovido pela Reluc Eventos Ltda., e, segundo Osmar Paim, responsável pela organização, a expectativa de público ultrapassa 40 mil pessoas. ¿Na última edição da feira, realizada em janeiro, superamos esta marca. Vale lembrar que essa foi a primeira experiência que fizemos de promover a fera no primeiro mês do ano. Para a edição que se inicia amanhã, estamos com muitas novidades que acreditamos atrair ainda mais o público¿, comenta Paim.

Entre as novidades, o empresário destaca a coleção inverno de roupinhas de bebê e os lançamentos de modelos de móveis para o neném, além de carrinhos e acessórios especiais. ¿Outras duas grandes novidades que teremos são os concursos de beleza entre bebês e os cursos para gestante, que devem agradar bastante o público.

Bebê & Gestante: 3870-3264, http://www.bebenet.com.br

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José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! Galvão irrita até garganta inflamada!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E diz que o ministro Furlan sonha com juros de um dígito. Assim como todo brasileiro sonha com a Luma de Oliveira e acorda com o bagulho que tem em casa!

E a contadora do Beira-Mar foi presa. Errado! Deviam mandar ela pra equipe econômica. Dar uma forcinha pro Palófi! Se há uma contadora que sabe contar é a contadora do Beira-Mar. 'Não deixe seu dinheiro virar pó! Contrate a contadora do Beira-Mar.'

E aí um amigo estava voltando do feriadão ouvindo a Jovem Pan: 'A rodovia Ayrton Senna está parada'. Outra hora: 'A Ayrton Senna está lenta'. Então deveriam mudar o nome da estrada pra rodovia Rubens Barrichello. E aí o professor perguntou pra loira: 'O que você acha da dupla cidadania?'. 'Que música eles estão cantando?' Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

Imposto do Pum Urgente! Essa é que é uma notícia bomba, bombástica: 'Nova Zelândia cria imposto por flatulência animal'. É que o governo quer que os fazendeiros paguem US$ 4,9 milhões por ano para ajudar a reduzir o efeito estufa causado pela flatulência dos rebanhos. E os cientistas estimam que a flatulência, principalmente arroto de veados, ovelhas e vacas, seja responsável por 90% das emissões de gases.

Não deixa a Martaxa saber disso! Senão ela vai querer taxar arroto de veado e pum de vaca. Rarará! Já imaginou a manchete? 'Prefeita taxa arroto de veado e pum de vaca.' Vai tirar a única alegria que resta aos paulistanos: soltar pum debaixo do cobertor!

E o Ronaldinho Gaúcho? Com aquela peruca de arame farpado? Diz que ele tá parecendo a Tina Turner. Pois eu acho que ele tá parecendo um Michael Jackson paraguaio! E um leitor me disse que o Galvão Burreno na Copa das Confederações tá irritando até garganta inflamada!

E aí eu fui ver o jogo do Real Madrid. E o Ronaldo Fenômeno voltou a usar aquele topete perereca da Copa. Aquilo não é um topete, é uma perereca. Botaram uma xota na testa dele! Mas outros acham que foi uma pomba espanhola que fez tóóóim na cabeça dele!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que o técnico do Vasco declarou em alto e bom som: 'Futebol é desporto terrestre coletivo'. Tucanou o futebol! Tamo frito e torrado! E hoje não tem Cartilha do Lula porque ele ficou com a língua plesa na alfândega. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! E dizem que a Parada do Borbulho Gay foi esquentamento pra SP Fashion Bicha!

Email simao@uol.com.br

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Finanças Públicas
Caixa vai baixar juros para empréstimos de pequenos valores
Banco do Brasil deve entrar no mercado de consórcios


O governo quer oferecer empréstimos bancários a 6 milhões de empreendedores que hoje nem sequer têm conta bancária. Amanhã, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal (CEF) anunciarão medidas para baratear o crédito, incentivar o consumo e simplificar a abertura de contas bancárias.

Entre as medidas, a Caixa vai cortar para perto de 2,5% ao mês as taxas de juros cobradas sobre empréstimos de pequeno valor, o microcrédito. Hoje, essas taxas estão na casa dos 5%. O governo quer ampliar a oferta de microcrédito no país, pois aposta nesse programa como instrumento de democratização do acesso ao crédito bancário. A Caixa estima um potencial de 6 milhões de pessoas que necessitam do microcrédito.

No entanto, ainda ontem havia dúvidas sobre quanto o governo poderia destinar a essa modalidade de empréstimos e qual seria a origem dos recursos. Só com essa decisão se saberá qual será o valor máximo de cada empréstimo e a taxa de juros. As alternativas eram: recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Na semana passada, levantou-se a hipótese de liberar recursos dos depósitos compulsórios sobre depósitos à vista que os bancos têm de fazer no Banco Central. Esses recursos seriam liberados, desde que aplicados no microcrédito. A medida foi descartada depois de muita discussão dentro da equipe econômica. Decidiu-se que o compulsório, instrumento de política monetária, não deve misturar canais com política de crédito.

Outra novidade é o ingresso do Banco do Brasil no mercado de consórcios. Será criada uma administradora ligada à instituição que oferecerá consórcios para automóveis e eletrodomésticos. Na avaliação da equipe econômica, o ingresso de um concorrente de peso incentivará a oferta de crédito ainda mais barato para essa modalidade.

Dessa forma, o governo dará impulso ao setor que sofre mais pesadamente os efeitos dos juros altos - o de bens de consumo duráveis. O aumento do consumo desse tipo de produto tende a elevar a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Os dois bancos também aumentarão o alcance de suas redes. A Caixa quer dobrar o número de correspondentes bancários (estabelecimentos comerciais que prestam serviços de bancos, como recebimento de contas e depósitos). A instituição estima que haja 25 milhões de famílias com renda de até cinco salários mínimos e sem acesso ao sistema bancário. O Banco do Brasil pretende dobrar o número de supermercados que hoje operam como seus correspondentes.

Queda prevista
A taxa de juros mensal da Caixa Econômica Federal destinada a empréstimos de baixo valor deverá cair de 5% para em torno de 2,5%

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Finanças Públicas
Caixa busca verba para imóveis
Conselho deverá liberar recursos


A Caixa Econômica Federal negocia com o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) a liberação de recursos para um programa de reabilitação de imóveis urbanos fechados.

O montante a ser destinado ao programa será definido na próxima reunião do Codefat, no dia 9 de julho. O presidente do conselho, Canindé Pegado, estima que deverão ser liberados em torno de R$ 500 milhões para os primeiros dois anos.

Segundo estudo da Caixa, há hoje no Brasil 5 milhões de imóveis fechados ou abandonados, só em áreas urbanas.

- É um programa muito interessante, diante do déficit habitacional urbano - disse Pegado. - E não são apenas imóveis na periferia. Muitos estão localizados em regiões centrais e podem ser reabilitados.

Pelo programa, a Caixa se encarregará de reformar os imóveis, que depois serão financiados para a população de baixa renda. Terão preferência pessoas que trabalham próximo aos imóveis.

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Luís Augusto Fischer
24/06/2003


Meus mortos

O tempo passa, e não apenas nas grandes decadências. Até numa vida comum, como a minha e a sua. O tempo vai indo, nós vamos ficando. E conosco as memórias e os mortos, que se apagam na vida mas podem permanecer no coração.

Veja lá o caro leitor que em 24 de junho de 1995, redondos oito anos atrás, morria Apparicio Silva Rillo, escritor e animador cultural dos mais valiosos. Poemas seus animam ainda hoje bailes e festas em toda parte, muitas vezes montados nas competentes melodias de Luiz Carlos Borges; textos seus avivam os olhos e a alma dos leitores, que devem ter recebido com festa a reedição, pela Artes e Ofícios, de um volume de seu impagável Rapa de tacho, coleção de causos bem-humorados.

Por acaso, não conheci pessoalmente Rillo, que porém foi íntimo de um sujeito de quem eu fui amigo com grande gosto e proveito, um cara cuja morte, ocorrida inexatos sete anos atrás, em 20 de junho de 96, ainda hoje ressoa tristemente no coração de muita gente. Um cara conhecido como Jacaré, ou Jaca, nascido Luiz Sérgio Metz. Também escritor, autor de uma biografia instigante de Aureliano de Figueiredo Pinto, de um romance seminal, Assim na Terra, e de um livro de contos recentemente reeditado, também pela Artes e Ofícios, O Primeiro e o Segundo Homem, livro que se lê com emoção em sua crônica da passagem da infância à maturidade, em seu relato do encontro do Sul profundo e imemorial com os apelos da Cidade enganosa, em seu retrato da coragem em enfrentar o destino.

Essas entradas de inverno podem trazer a tristeza da ausência, mas também o conforto da lembrança, que no caso do Rillo e do Jaca pode crescer com a releitura de suas obras, que estão ao alcance da mão. Sobre a morte de Rillo, o Jaca escreveu, em seu inimitável estilo: "Ele foi buscar um graveto fosforescente numa minguante imensa e dividiu com todos a luz vertical e azulada do vocábulo, quando já estávamos na rapa do tacho da poesia". É o que podemos dizer dos dois, aqui de onde nossa memória sente e pensa.
fischer@zerohora.com.br

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Liberato Vieira da Cunha
24/06/2003


Das perguntas irrespondidas

A maior das descobertas ainda a desafiar o homem, depois de 200 mil anos de errante caminhada sobre a Terra, nada tem a ver com planetas, constelações ou galáxias perdidas na vastidão do universo. O grande mistério é esse que todos nós carregamos um pouco acima dos ombros. Ouvi outro dia que não usamos mais que uma pequena parte do cérebro. E há cientistas que acham mesmo que não empregamos senão 10 por cento.

Esplêndidos 10 por cento. Com eles, Camões escreveu a Lírica, Beethoven compôs a Nona Sinfonia, Leonardo pintou a Gioconda, Freud mergulhou na alma. Mas eu me pego seguido pensando nos restantes 90 por cento.

A comparação que me ocorre é com um distantíssimo ancestral de Mr. Bill Gates - talvez aquele caçador pré-histórico que surpreenderam intacto após um sono de 50 séculos sob os gelos dos Alpes - topando de repente com um computador de última geração. Supondo que ele não o destruísse de puro susto e lhe dessem mais 50 séculos para aprender a manejá-lo, não iria muito além do abecê da Internet.

Pois ele é nós. Nós ante o cérebro, essa máquina fantástica, absolutamente única e inimitável, cujo terraço é não raro rebaixado à triste condição de base de lançamento de coloridos cabelos punk.

É verdade que graves cientistas vêm decifrando o bê-á-bá da dopamina e da serotonina. Como não dispõem no entanto do orçamento militar de Mr. George W. Bush, sequer decodificaram a caixa-preta das delicadas, silentes relações que há milênios se renovam entre os neurotransmissores.

Já eu, que não sou grave, nem cientista, me dedico a banais jogos de fantasia. Imagino que um ET, mantido prisioneiro nos subterrâneos do Pentágono, entregue enfim, contra promessa de inteira liberdade para voltar a Aldebarã, quatro ou cinco truques elementares. Algo tipo você ler os pensamentos alheios; deslocar-se instantaneamente para tomar um sol no Tahiti; folhear um livro que só será publicado em 2053; desvendar os segredos do volúvel coração de tua colega, aquela que é um banquete de 500 talheres para o qual nunca te convida.

Ou então, mais simplesmente, responder às brevíssimas perguntas que os sábios gregos formularam há milênios e ninguém até hoje conseguiu responder.

Mas não dêem muita atenção, nem a mim, nem a meus cismares baldios.

Segundo se demonstrará no ano da graça de 2222, os cronistas não dominam 3 por cento de seus pobres cérebros.

Pois, como o ET dos subterrâneos do Pentágono, vivem com a cabeça na estrela Aldebarã.
liberato.vieira@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
24/06/2003


Uma lição de cultura

A expressão mágica na visita de qualquer ministro é "liberação de verbas". Um anúncio que o ministro da Cultura, Gilberto Gil, não pôde fazer em sua visita ao Estado, na semana passada. A fase é de contenção de gastos (ou de investimentos) e nestas circunstâncias a pasta da Cultura é das primeiras a ser sacrificada. De modo que grana não veio, mas na visita de Gil houve um momento sobre o qual se deve refletir, porque ensina muita coisa. Foi o almoço com pessoas da área cultural.

Em primeiro lugar este almoço não teve um cenário pomposo: ocorreu nos altos do Mercado Público. "Mercado" hoje é, para dizer o mínimo, uma palavra controversa, mas é bom lembrar que mercado sempre foi um lugar democrático, simples e aberto a todos, como é o Mercado Público de Porto Alegre. Isto não é a regra na ecologia do poder. No Brasil, os prédios públicos freqüentemente são imponentes, suntuosos; basta ver quantos deles atendem pelo nome de Palácio. E o nosso país não é exceção: nos Estados Unidos, cada capital tem o seu Capitólio, sede do Poder Legislativo, e que evoca (alguém sabe por quê?) Roma e o Império.

O almoço, em si, também foi simples. Simples e simbólico da cultura gaúcha: arroz-de-carreteiro (muito bom, aliás). Para beber, nada de uísque, nada de vinhos importados: refrigerante ou água mineral. Ah, sim, e cada um pagou. Preço acessível - R$ 12 -, que todo mundo desembolsou (menos o convidado, claro). Ignorou-se a famosa boca-livre, financiada pelos cofres públicos, e que na verdade só é livre para alguns.

Em terceiro lugar, foi um almoço aberto. Havia vários representantes da comunidade negra, o que é algo pouco freqüente num país em que o preconceito ainda é tão disseminado.

Quarto lugar: poucos, e breves, discursos. Discurso longo não é apenas uma chateação, é uma demonstração de autoritarismo: o orador acha que o tempo (e o saco) de todos está à sua disposição. Gilberto Gil foi breve e eloqüente (não fosse ele natural da Bahia). Ah, sim: cantou, fazendo coro com um grupo que ali estava. Nem todo ministro sabe cantar, mas todo ministro pode ser espontâneo como foi Gilberto Gil. Mais: depois do almoço ele foi de mesa em mesa, cumprimentando um por um.

Em quinto lugar, a ocasião não serviu de pretexto para comícios ou catilinárias. Havia gente de vários partidos, governo e oposição, mas ninguém atacou ninguém, ninguém fez demagogia em cima de adversários. Cultura e saúde pública são, aliás, duas áreas notavelmente livres desse tipo de exploração; sei disso porque tenho a sorte de trabalhar nas duas.

Quando falamos em cultura, pensamos logo em literatura, em artes plásticas, em música (de preferência erudita). Esquecemos que cultura é mais do que isto, que é a maneira pela qual as pessoas conduzem suas vidas no contexto social. A visita de Gilberto Gil deu uma boa idéia do que poderia ser, e deveria ser, a cultura política em nosso país. Estamos aprendendo. O que, na ausência de verbas, é, ao menos, um consolo.
scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
24/06/2003


O bom é o mais caro!

Este sistema de livre concorrência brasileiro vai terminar me enlouquecendo.

Primeiro era a entidade que representava os postos de gasolina aconselhando a não comprar a gasolina mais barata. Devia se desconfiar dela.

Agora os postos de gasolina de Porto Alegre, elogiavelmente, baixaram seus preços de modo uniforme, o que determinou o benefício dos consumidores.

Mas eis que ouço ontem no rádio uma nota dos revendedores de gás de cozinha que me deixou arrepiado. A nota terminou assim, depois de aconselhar os consumidores a adquirir o gás pelo telefone, com a finalidade da garantia de legitimidade do produto: "Não se deixe levar pelos preços mais baratos".

É inacreditável. O governo liberou o preço da gasolina e do gás de cozinha nos postos de comércio com a finalidade da concorrência, isto é, a de garantir ao consumidor a aquisição dos produtos por preços mais baratos.

Aí vêm os postos mesmo dizer que o consumidor deve desconfiar dos preços mais baratos.

Mas como? Se a síntese de conteúdo da concorrência é proporcionar preços mais baratos, como evitá-los? Pelo contrário, pela livre concorrência o consumidor é seduzido pelos preços mais baratos e se afasta dos preços mais caros.

Como é então que os próprios comerciantes inquinam os preços mais baratos de suspeitos?

Na marcha que vai, qualquer dia destes a entidade de classe dos distribuidores de gás de cozinha à população vai lançar uma nota exortando os consumidores a adquirir os bujões de preços mais caros.

É só o que está faltando para consagrar esse estranho sistema de livre concorrência no Brasil como excêntrico modo de conduzir os consumidores para a direção dos preços mais caros.

Isso só consagra o caos na fiscalização da legitimidade desses produtos. "Desconfie dos preços mais baratos." Ou seja, confie nos preços mais caros.

Mas e a concorrência, onde fica? Além do que, quem me garante que os preços mais caros garantem a legitimidade do produto e a ausência de bujões com gás em menor quantidade que a determinada?

Ao consumidor não cabe examinar quais são os produtos mais legítimos ou garantidos, nem tem ele condições técnicas para esse diagnóstico.

O único impulso que move o consumidor, na livre concorrência, é o de adquirir os produtos de preço mais barato.

Então como querem dissuadir o consumidor de ter vantagem no preço, quando é este exatamente o móvel único que deve caracterizá-lo?

Não dá para entender.

É ridículo afastar o consumidor dos preços mais baratos. Eu vou lá no posto e adquiro o gás mais barato, não cabe a mim saber se ele tem preço melhor porque é falsificado.

E imaginem o estado de espírito do consumidor, que leva o gás mais barato para casa mas sabe que aquele produto está marcado pela desconfiança.

"Cuidado com os preços baratos" é uma propaganda descarada dos preços mais caros.

E um estigma lançado sobre os vendedores de produtos mais baratos, que ficam assim debaixo da suspicácia de seus concorrentes de preços mais caros, o que é um contra-senso monumental.

Isto prova que o Brasil ainda vive um capitalismo do tempo das cavernas. Esta da concorrência que prega benefício ao consumidor por comprar mais caro é de cabo-de-esquadra, só pode acontecer mesmo, assim às escâncaras, divulgada pelos meios de comunicação, num país que está longe de ser civilizado.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Violência
Assalto, tiroteio e reféns na Capital



Duas pessoas foram baleadas e cerca de 30 ficaram reféns de três homens por uma hora durante tentativa de roubo a uma financeira (foto Valdir Friolin/ZH)


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Segunda-feira, Junho 23, 2003




Amigos o que foi aquele jogo do Brasil hoje? Na verdade a questão é o que foram os jogos do Brasil? Perdendo para a República dos Camarões, ganhando muito mal dos Estados Unidos e Empatando com a Turquia, Pode isso? Enfim meus amigos são muitas as questões mas nós já temos as respostas. Fiquem com seus anjinhos e até...

Você tem as respostas ?

Por que é tão precioso o sorriso no rosto de alguém que nunca sorri?

Por que parece tão inaceitável uma carranca, num rosto habitualmente sorridente?

Por que um pequeno gesto de bondade tem tanto realce,
quando parte de uma pessoa notadamente malévola?

Por que um pequeno deslize ou maldade choca tanto,
quando parte de uma pessoa virtuosa?

Por que nos filmes e novelas os personagens vilões ou vilãs roubam as cenas?

Por que as pessoas mais fascinantes são sempre as mais tinhosas e escorregadias?

Por que os namorados ou namoradas mais estimulantes são aqueles que não dão certeza de nada e cuja conquista demanda permanente atenção?

Por que as pessoas que levam vantagem e se dão bem no trabalho nem sempre são as mais esforçadas e caxias?

Por que a visita, carta ou e-mail que mais alegra é aquele que mais demora a chegar?

Por que santo da terra não faz milagre e faz-se necessário a "voz do terceiro"para que um talento seja reconhecido e levado a sério?

Por que os quadros mais belos são aqueles onde as cores mais vibrantes se destacam no fundo negro?

Por que um pai faz festa para o filho pródigo e não para aquele que nunca o abandonou?

Por que Judas é o traidor maldito e relegado aos confins do inferno, se era necessário que alguém traísse o Mestre para que o drama da paixão fosse consumado?

Você tem as respostas?

E quais são as tuas perguntas?

Fátima Irene

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CEF corta pela metade juro para baixa renda

PACOTE DE CRÉDITO - Empréstimo até R$ 250 terá taxa de 2,5% ao mês; recursos virão do FAT e da redução do compulsório


GUILHERME BARROS
EDITOR DO PAINEL S.A.


A CEF (Caixa Econômica Federal) irá anunciar na quarta-feira a abertura de novas linhas de crédito a juros mais baixos para os clientes de baixa renda.
Serão beneficiados aqueles que têm conta com movimentação de até R$ 3.000 por mês e os com depósitos na caderneta de poupança de até R$ 100. A CEF calcula que pelo menos 2,3 milhões de clientes deverão ter acesso a essas novas linhas de crédito.

De acordo com o que a Folha apurou, a criação das novas linhas da Caixa deverá gerar um movimento de cerca de R$ 450 milhões na economia neste ano.
A medida faz parte do pacote a ser anunciado pelo governo, na próxima quarta-feira, com o objetivo de expandir o crédito e reduzir os juros para consumidores de baixa renda e microempresários.

Os empréstimos da CEF para cada cliente ficarão entre R$ 200 e R$ 250, e os juros dessa operação deverão ser de cerca de 2,5% ao mês -hoje, as taxas cobradas pela Caixa giram em torno de 4,5% a 5% ao mês. Ou seja, os juros deverão cair pela metade para os clientes de baixa renda.

A origem dos recursos a serem utilizados na operação ainda não foi totalmente definida pelo governo. A previsão é que uma parte -cerca de R$ 1 bilhão- venha do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), por meio do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Outra poderá vir do afrouxamento do recolhimento do depósito compulsório dos bancos.
O presidente da CEF, Jorge Mattoso, diz que a Caixa já está se preparando, há algum tempo, para participar da "fase dois" da economia, com ênfase no crescimento. "A Caixa já tem feito um esforço grande no sentido de viabilizar o crédito ao público de baixa renda", diz Mattoso.

Contas simplificadas
A primeira etapa da expansão do crédito pela CEF consistiu no lançamento de contas simplificadas, sem comprovação de renda e sem direito a talão de cheque -a "Conta Caixa Aqui". A movimentação se dá por meio de cartões eletrônicos. O limite de operação dessas contas é de R$ 3.000.
Desde seu lançamento, há mais de três semanas, têm sido abertas 10 mil contas diárias. Só até a semana passada já tinham sido registradas 160 mil novas contas. Para ter acesso ao crédito pré-aprovado a ser lançado pela Caixa, o cliente terá que ter uma movimentação nas contas simplificadas de, no mínimo, três meses.

Correspondentes bancários
Outra medida da Caixa para beneficiar clientes de baixa renda será o aumento do número de correspondentes bancários.
São padarias, supermercados e farmácias que dispõem de máquina da Caixa com capacidade de fazer movimentações em conta corrente. A previsão da instituição é dobrar o número atual de correspondentes bancários, de 2.000 para 4.000.
Os bancos oficiais, como a Caixa Econômica Federal, só irão participar desse programa de estímulo ao crédito aos clientes de baixa renda porque irão contar com recursos (os chamados "fundings") a juros mais baixos do que aqueles captados por eles em suas operações tradicionais.
Além de linhas de crédito para clientes de baixa renda, o pacote do governo também incluirá estímulos ao microcrédito -crédito também voltado a clientes de baixa renda, mas destinado à abertura de pequenos negócios.

Pressão de Lula
A Caixa deverá ainda fechar parcerias com ONGs (organizações não-governamentais), bancos do povo, Ocips (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) e cooperativas para o repasse de linhas de microcrédito a micro e pequenas empresas. O repasse de recursos se dará por meio de operações via internet.
Há duas semanas, em encontro com empresários, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a idéia de os bancos oficiais expandirem suas linhas de crédito a juros mais baixos, com o objetivo de competir com os bancos privados e forçar uma queda mais rápida dos juros no sistema privado.

A idéia de Lula esbarrou em resistências até dentro do próprio governo, principalmente no Banco do Brasil, que conta com acionistas minoritários. As ações do Banco do Brasil chegaram a cair quando os primeiros detalhes da idéia foram divulgados.
Com as novas linhas da CEF, o governo chega a uma fórmula que agrada a todos. Operações a juros mais baixos serão financiadas por recursos mais baratos, como os do FAT, o que preserva a solidez dos bancos oficiais.

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Penhor da Caixa tem as taxas de juro mais baixas do mercado

Opção sem burocracia para quem quer fugir do custo elevado do crédito bancário

A redução de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros, que recuou de 26,50% ao ano para 26% por decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, na semana passada estimulou alguns bancos, como o Itaú e o Bradesco, a adotar iniciativa semelhante, com redução dos juros cobrados em suas linhas de crédito. A Nossa Caixa já havia reduzido as taxas mesmo antes da decisão. É um bom começo, mas os juros permanecem ainda bastante elevados nos empréstimos bancários.

Uma opção mais barata para quem precisa de dinheiro extra continua sendo o empréstimo sob penhor na Caixa Econômica Federal, mediante garantia de jóias, pedras preciosas e metais nobres.

Os juros cobrados pelo penhor da Caixa são os mais baixos do mercado e distintos para duas faixas diferenciadas: para empréstimo de até R$ 300, a taxa é de 3,20% ao mês; acima disso, de 3,75%.

Um dinheiro com custo baixo, que pode resolver o problema de quem anda sempre com os recursos contados para pagar as despesas e nunca faz uma reserva para os gastos imprevistos. O apelo do empréstimo sob penhor aumenta se o custo for comparado com os juros cobrados em parcelamentos do cartão de crédito ou no cheque especial, os mais elevados do mercado.

No penhor, além da taxa de juro mais baixa, não há burocracia na liberação do dinheiro. O interessado deve dirigir-se a uma agência da Caixa que trabalhe com o sistema, levando o bem a ser penhorado e a seguinte documentação: carteira de identidade, CPF e comprovante de endereço, que pode ser uma conta de luz ou de água.

O empréstimo é limitado a 80% do valor de avaliação do bem, feita por um técnico da Caixa. Mas o dono da jóia recebe o valor líquido, já descontados os encargos com os juros, tarifa de serviço e prêmio do seguro. Os prazos para quitação do empréstimo são 28, 56 ou 84 dias, com possibilidade de renovação. (C.C.)

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Caixa dará microcrédito em conta

Inclusão bancária Normas simplificadas já atraíram 160 mil novos clientes de baixa renda

Mônica Izaguirre, De Brasília

Todos as pessoas que tiverem uma conta corrente simplificada na Caixa Econômica Federal ganharão um limite rotativo de crédito entre R$ 200 e R$ 300, a partir do quarto mês de relacionamento com a instituição. Segundo o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, essa foi a principal forma escolhida pelo banco para participar do programa de microcrédito do governo, cujo montante e condições gerais deverão ser anunciados até o final desta semana.

Ainda conforme Mattoso, para que outros bancos, inclusive privados, possam seguir o exemplo da Caixa, o pacote de medidas do microcrédito inclui uma flexibilização, pelo Banco Central, das normas de abertura de conta bancária para o público de renda mais baixa. "Dois movimentos são indispensáveis para viabilizar o microcrédito no Brasil. Um deles é a 'bancarização'. É preciso oferecer às pessoas com dificuldade de acesso ao sistema bancário uma conta de baixo custo e abertura simplificada", disse Mattoso, em entrevista ao Valor. Foi com esse objetivo que a Caixa pediu ao BC, e conseguiu, ainda no ano passado, autorização para lançar a Conta Caixa Aqui, movimentada exclusivamente por cartão, cuja abertura não exige comprovação de renda. Também não se exige saldo mínimo - a Caixa só fixa saldo máximo (R$ 3 mil).

Até o comprovante de endereço, caso haja dificuldade, pode ser dispensado se a pessoa assinar uma declaração. Isso facilita a vida principalmente de trabalhadores informais. O que o governo pretende agora, informou Mattoso, é editar uma norma geral para o sistema financeiro, para que esse tipo de conta possa ser adotado também pelos demais bancos sem autorização do BC.Desde que a instituição lançou a Conta Caixa Aqui em campanha nacional, no fim do mês passado, 160 mil pessoas que antes não podiam ter conta bancária por dificuldade de comprovação de renda entraram no sistema até a semana passada, informou Mattoso.

Nos últimos dias, "o ritmo tem sido em torno de 10 mil novas contas por dia". Com isso, ele acredita que a expectativa de "inclusão bancária", de meio milhão de pessoas até final do ano só pela Caixa, será facilmente ultrapassada.Para baratear o custo operacional, o limite de crédito rotativo da conta simplificada da Caixa será igual para todos os correntistas desta categoria. A definição do valor exato, segundo Mattoso, depende dos parâmetros gerais do programa de microcrédito a ser anunciado pelo governo. O programa consiste basicamente na destinação de recursos baratos para que os bancos federais apliquem em microcrédito, dentro de determinadas condições.

Cada banco federal terá liberdade para decidir como implementar o programa. Mas terá de observar limites quanto à taxa de juros, valores de empréstimo e o tipo de público a ser beneficiado. Mattoso acredita que, no crédito vinculado à Conta Caixa Aqui, a taxa de juros "não deverá ser superior a 2% ou 2,5% ao mês". O prazo máximo de cada operação, revelou ainda, deverá ser de seis meses e dinheiro do empréstimo poderá ser sacado em qualquer caixa eletrônico do banco.

O segundo "movimento indispensável" para o sucesso do futuro programa de microcrédito do governo, disse Mattoso, é a ampliação da capacidade dos bancos federais de alcançar comunidades onde se concentra o tipo de população a ser beneficiada. Como exemplo, ele cita as comunidades de favelas. No caso da Caixa, a ampliação dessa capacidade se dará de duas formas. A primeira delas será a contratação de novos estabelecimentos comerciais como correspondentes bancários. Além das cerca de 9 mil casas lotéricas, já atuam como correspondentes da Caixa 2.115 estabelecimentos atualmente, informou Mattoso.

A intenção do banco, revelou, é contratar outros 2 mil, para difundir ainda mais o uso da conta simplificada, principal canal escolhido para implementação do programa do governo.Outra forma de a Caixa ampliar sua capacidade de atingir as populações-alvo será fazendo parcerias com organizações não-governamentais de microcrédito, em especial as Oscips (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, tipo de ONG regulado e pelo Ministério da Justiça).

Não se descartam parcerias também com Sociedades de Crédito ao Microempreendedor, as SCMs, empresas financeiras voltadas exclusivamente ao microcrédito e reguladas pelo Banco Central. Mattoso informou que a Caixa vai repassar a essas entidades e empresas recursos para aplicação em microcrédito. Para o banco, elas funcionarão, portanto, como um canal indireto, alternativo ao canal direto da Conta Caixa Aqui.

Para tornar mais ágeis as operações com SCMs, Oscips e ONGs, a Caixa está desenvolvendo um sistema informatizado, que permitirá a elas tomar recursos automaticamente no banco, depois de credenciadas. O credenciamento será feito com base em análise de risco da carteira dessas instituições e entidades. Elas também terão de seguir os parâmetros gerais do programa a ser anunciado pelo governo.

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Registro - Funcef contesta acordo


23 de Junho de 2003 - Os conselheiros eleitos da Funcef, fundo de pensão dos funcionário da Caixa Econômica Federal (CEF), ameaçam entrar na justiça caso o banco se recuse a negociar a anulação do acordo que deu desconto de R$ 1,4 bilhão para a quitação de sua dívida com o fundo. "Vamos tentar todas as vias para rever o acordo", afirmou o conselheiro eleito da Funcef e diretor da Associação Nacional dos Participantes dos Fundos de Pensão (Anapar), Antônio Bráulio de Carvalho. Segundo ele, o desconto pode comprometer os benefícios futuros e causar o aumento imediato de até 22% na contribuição ao fundo.

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Alegria gay com tempero político
Marta Suplicy e Genoino na multidão que tomou as ruas da capital paulista

Nos carros e trios, a animação dos gays, muitos nus ou fantasiados

SÃO PAULO. Quase um milhão de pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar, participou ontem da Parada do Orgulho Gay, que acontece desde 1997 em São Paulo. Foi o maior público da história do evento, que levou 21 trios elétricos de música eletrônica para a Avenida Paulista e terminou na Praça da República, com um show de Elza Soares. A prefeita Marta Suplicy e o presidente nacional do PT, José Genoino, estiveram no desfile, organizado este ano sob o tema Construindo Políticas Homossexuais.

¿O Carnaval é uma forma de mostrar alegria, mas a Parada é muito mais do que isso. É um espaço para reivindicação com a sociedade civil e o Estado. E precisa repercutir ao longo de todo o ano na vida dos homossexuais¿, declarou o vice-presidente da Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo, Ideraldo Beltrami, antes do início da festa, que foi anunciada às 14h30 com uma chuva de papel picado e muitos balões coloridos.

O tom político da manifestação também pôde ser percebido nas bandeiras de partidos políticos presentes, principalmente do PSTU, e nas criativas roupas dos participantes. Travestis ostentavam plaquinhas, exigindo respeito, e rapazes musculosos vestiam camisetas estampadas com a frase ¿100% Gay¿.

Jovens, crianças e idosos também acompanharam a festa. Artistas, como a atriz Gabriela Alves, desfilaram em cima dos carros de música eletrônica. Havia trios representando entidades de lésbicas, transgêneros, travestis e transexuais, além de casas noturnas. A boate Espaço Massivo levou para a avenida um caminhão decorado com um enorme dragão chinês que soltava fumaça colorida pelas ventas. Um dos carros que mais fez sucesso foi o da boate Double Face, que trazia dois rapazes praticamente nus.

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Se a CAIXA é cem por cento do Governo, isso é não deve satisfação a nenhum acionista a não ser o próprio tesouro, por que não se determina uma taxa mais módica dos juros ao invés de abrir um mercado que só com a CAIXA já uma lavanderia de dinheiro, pois é para o penhor que vão a maioria das jóias roubadas. Imaginem criando as casas de Penhor. E depois, como evitar as quebras destas casas e quem vai garantir a devolução das jóias penhoradas?

Penhor sem monopólio
Caixa pode perder exclusividade do serviço. Aposta é de queda nas taxas de juros
Valéria Maniero

Mudança na legislação poderá tirar da Caixa Econômica Federal a exclusividade nas operações de penhor. O projeto de lei complementar que autoriza a instituição de casas de penhor já está na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. O relator é o deputado Darci Coelho (PFL-TO).

O texto, de autoria do parlamentar Coriolano Sales (PMDB-BA), foi aprovado pela Comissão de Finanças e Tributação e é visto com bons olhos por especialistas. Com o fim do monopólio, a aposta é de queda dos juros hoje em 3,2% ao mês, para empréstimos de até R$ 300, e 3,75%, acima desse valor.

As taxas são altas, e o banco não tem risco na operação. Com a abertura do mercado, o consumidor poderá pesquisar preços, e a concorrência vai provocar queda dos juros, prevê Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac). Além disso, seria um reforço na proposta do Governo de reduzir as taxas dos empréstimos para os consumidores, principalmente os de baixa renda.

Pelo projeto, as casas poderão conceder empréstimos de pequeno valor, mediante garantia de penhor de bens móveis. As empresas deverão ter capital social e patrimônio líquido de no mínimo R$ 100 mil.

O texto foi apresentado em 21 de novembro de 2000, mas só agora, no Governo Lula, parece caminhar. A dona-de-casa Severina da Silva Brito, 60 anos, apóia a criação das casas de penhor. Quando fico sem dinheiro, coloco minhas jóias no penhor. Se for aprovado, espero que os juros cobrados sejam menores e a avaliação do objeto, mais generosa.

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José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! Disparada Gay na Paulista!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Ontem as bibas ferveram. Disparada Gay na Paulista! Onde compareceram mais de 700 mil pessoas. Setecentas mil? E depois dizem que são minoria? É como em São Francisco, que tem tanto gay que hetero tem que fazer análise. 'Sou hetero mas não tenho culpa.' E agora tem tanto gay que uma amiga minha pegou o primeiro feio que encontrou: 'Prefiro um feio na mão que dois lindos se beijando'. E essa bombástica notícia: 'Portugal pode ter torcida gay na Eurocopa 2004'. São os PORTUGAYS! Rarará!

E a Disparada Gay conta com a presença do quindim loiro Martaxa Suplicy. GLS: Gays, Lésbicas e Suplicys! E do Nordeste vêm vôos fretados, lotados de bibas. Avião-ambulância, só no grito: UUUUUU! O sonho de toda biba é voar. Vide Santos Dumont! E se botar um detector gay no aeroporto de São Paulo, vai apitar mais que chaleira! E Viagra de gay se chama Viagray!

E você sabe que seu namorado é gay quando: 1) passa mais de três horas na academia; 2) assistiu 'As Panteras' mais de quatro vezes e adorou; 3) tem crediário na C&A, Ellus e Forum; 4) reconhece que você tá de bolsa Gucci e sapato Prada; 5) já deu um chilique maior que o seu ao ver um rato, uma barata ou... o Gianecchini. E se ele for diretor do fã-clube da Gloria Gaynor? Aí não é gay nem bicha, é tricha. Rarará.

E você sabe quando seu namorado é gay se falar três frases: 'Esta festa tá UÓ'. 'Esta calça que eu comprei é TUDO' e 'andei HORRORES no shopping'. Aí manda pra parada sem medo de ser feliz!

E as bichas evangélicas não vão participar? Eu acho hilário aquelas bichas evangélicas que viraram homens. Viraram heteras. Apareceu um evangélico na televisão dizendo: 'Quando eu era gay, ficava na frente do espelho com uma espiga de milho na cabeça imitando a Wanderléa'. O Bloco das Evangélicas Heteras!

E as nossas lésbicas chiques? A Turma do Rala-Coco! Diz que sapata não comemora o Dia Internacional da Mulher. Comemora o Dia Internacional da MINHA Mulher! E tem as travecas também: todas com corpo escultural e voz de Pato Donald! E a mãe de um amigo gay falou: 'Posso lhe fazer uma pergunta?'. E ele: 'Se a senhora agüentar a resposta'.

E aí diz que uma menina menstruou e gritou: 'Mamãe, mamãe! Virei mulher'. Aí o filho aproveitou e gritou: 'Eu também! Eu também'. E diz que Campinas vai ter um carro só na parada. Um só? Que sub-representação! Nóis sofre mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!


simao@uol.com.br

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Luis Fernando Verissimo
23/06/2003


Os estilos e as ruas

Na França, onde estive até a semana passada, eles estavam brigando sabe por quê? Reforma da previdência. Para mostrar que pelo menos esta não é uma desarrumação endêmica brasileira. A crise da previdência é geral. É, mesmo, a grande crise niveladora do capitalismo mundial, afligindo desde sociais-democracias de verdade até seus arremedos aqui embaixo. Junte-se à falência universal da seguridade social como existe hoje o fato de que a previdência privada é o maior negócio ainda subexplorado do planeta, uma espécie de gigantesco lençol de lucro fácil só esperando que liberem a prospecção, e está explicada a confusão.

A crise só muda de estilo, de país para país. Na França, uma tradição antiga de ativismo sindical e política de rua, atiçada pela atual ameaça a direitos conquistados em outras lutas, teve uma razão a mais para reflorescer com força: a reação dos sindicatos ao projeto do primeiro-ministro Raffarin é o primeiro enfrentamento real entre esquerda e governo desde a derrota dos socialistas nas últimas eleições. Raffarin tem uma confortável maioria parlamentar para aprovar suas reformas - inclusive uma reforma do ensino, que também está sendo combatida - mas a rua francesa n´est pas mole não.

As manifestações contra o governo se repetiam, o lixo não recolhido por funcionários em greve se amontoava e o calor não ajudava, as "perturbations" nas linhas de ônibus e metrô eram devidamente anunciadas, inclusive com hora marcada para começar e terminar, mas perturbavam assim mesmo, e todo mundo se lembrava que o último grande movimento popular parecido tinha derrubado outro ministro do monsieur Chirac.

Já no Brasil, como se sabe - ou como se sabia quando eu saí de férias, a perplexidade pode ter tomado conta desde então e ninguém sabe mais nada - o maior problema que um governo de esquerda encontra para aprovar suas reformas é com seu próprio partido e, de certa maneira, com a sua própria rua. Nosso estilo não apenas é outro. É inédito.

A caminho de Paris paramos em Roma para uma visita ao amigo Araujo Netto. Que acabou sendo uma visita de despedida. O Araujo morreu poucos dias depois, cercado pelo carinho das filhas. Foi um dos melhores jornalistas, e uma das melhores pessoas, que conheci.

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Paulo Sant'ana
23/06/2003


Sem jeito de poder

Assim é que estamos no seguinte ponto: o governo Lula, até agora (é verdade que são apenas quase seis meses de gestão), é igual ao governo FH: aumenta o desemprego e acirra-se a um ponto crítico a recessão.

Igualzinho ao governo anterior. E como ficou estabelecido que Lula fala por metáforas, vou tentar destrinchar a metáfora da gestação que o Lula repete toda hora.

Ele diz que o feto leva nove meses para nascer. E que, depois de nascido, o bebê leva um ano para aprender a falar. Por isso pede paciência ao povo, que seu governo em seguida deslancha.

Dá a entender que as primeiras medidas que tomará para ativar a economia, acabar com a recessão, lançar o país ao desenvolvimento, com conseqüente aumento na oferta de empregos, serão tomadas daqui a pouco mais de 90 dias, quando o feto completará os nove meses.

Lula induz na metáfora que teremos de esperar, depois, mais um ano para que as medidas produzam eficácia.

Temos então ainda 15 meses pela frente. Lula vem exortando o povo a ter paciência. Mais 15 longos meses de espera para que raie o sol, é uma agonia. Diante do desespero a que se atirou o povo pelo atroz e insuportável desemprego.

E são 15 meses numa aposta, não numa certeza. Será uma aflição igual àquela aflição gigantesca de todos os quatro anos do segundo mandato de FH. Que afinal não levou a absolutamente nada.

Contra Lula se volta apenas um detalhe significativo: ninguém podia cobrar nada de FH, que tinha sido reeleito.

Enquanto Lula foi eleito para mudar. Então ele vai ter que mudar. Ou seu governo se esboroa.

Aliás, a impaciência de que Lula reclama deriva exatamente da esperança do povo de que ele mude alguma coisa.

E até agora, sejamos francos, ele não mudou absolutamente nada.

Mão à obra, Lula. Quem veio para mudar tem que ter pressa para mudar.

Não se pode exigir paciência de quem está agonizando.

A incógnita maior é a seguinte: terá Lula vocação para governar? Há homens nascidos para serem comunicadores, trazem dentro de si o vírus de falar em público ou falar para o público em microfones. Sei disso porque trabalho no rádio há mais de 30 anos e essa obstinação e fascínio por falar em público ou para o público é um dos traços mais característicos de determinadas pessoas. Elas não vivem sem isso.

Hugo Chávez, o presidente da Venezuela, é desse tipo. Seus discursos duram quatro horas. Os discursos de Fidel Castro às vezes duram oito horas.

Leonel Brizola é dessa espécie, quando foi governador gaúcho falava no rádio todas as noites, criou uma cadeia de transmissão para os seus discursos.

E o Lula é associado desse clube. A imprensa está contando, desde que Lula assumiu, uma média de um discurso por dia do presidente.

Ele não pode deixar de discursar em público, é um animador de auditórios, poder-se-ia classificá-lo como um agitador, sem sentido pejorativo.

Mas esta é a segunda tentativa de Lula na vida pública. A primeira não deu certo, como deputado federal. Não tinha povo lá no Congresso para que ele discursasse para ele.

Agora tem povo, mas é visível a falta de jeito de Lula na Presidência: é que a sua índole é a de pressionar o poder. E agora ele é que é o poder.

Então Lula pede paciência. Mas a impressão que transmite é de que ele próprio pode vir a perder a paciência com o seu poder exercido sem eficácia.

Quando Lula pede paciência ao povo, está pedindo a si próprio.

A paciência para esperar no governo o momento em que terá de voltar para seu confortável hábitat: a oposição.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Clima
Inverno chega com jeito de verão



Sol e temperaturas de até 26,8ºC no Estado contrastaram com o início da estação fria (foto Tadeu Vilani/ZH)


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Domingo, Junho 22, 2003




E o feriado prolongado acabou e já deixa saudade. Hora de pensar na semana, de rever as aulas e os compromissos. Hora de repensar as ações para mais tarde não arrepender-se de ter sido omisso ou não ter previsto com a tempestividade que a situação exigia. Desejo para vocês uma ótima semana, com muitas fogueiras de São João. Muita canjica, pipoca, pinhão. Saúde e sorte para todos nós.

Prece Da Alma Cansada
Fátima Irene Pinto

Pai!

O cansaço é imenso e a estrada ainda tão longa!

Deixa-me sentar à beira do caminho por um instante e acreditar que neste ato de provisório abandono,
TU me sustentas com amor inigualável.

Se meu coração está árido como solo ressequido,
TU o suavizas com chuvas amenas.

Se tudo em mim se traduz numa dor surda,
TU me tocas com sons celestiais.

Se choro e me entristeço,
TU enxugas as minhas lágrimas
e afagas o meu coração com a delicadeza de uma brisa matutina.

Se me debato na miséria humana e nas minhas próprias misérias,
TU me renovas e me dignificas porque ÉS perdão infinito.

Se perco a esperança e a fé,
do outro lado do túnel negro da minha descrença,
TU me acenas com luz intensa.

E se por fim, o meu estado é tão lastimável que entorpecida,
de TI eu me esqueça por completo, ainda assim me sustentas nestas horas críticas, até que cesse o turbilhão!

Da beira do caminho eu me levanto... o cansaço se transforma numa vontade imensa de caminhar.

A estrada já não parece tão longa, ao contrário, se me afigura agora uma alameda de cores e flores que quero trilhar palmo a palmo.

Obrigado, Pai! És meu refúgio permanente, único caminho que me permite encontrar a paz!

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SER POETA

Ser poeta é sina,
porque há sempre um exalar de perfume
e dor em cada texto que o poeta assina.
É caminhar no fio da navalha,
é às vezes, ser cruelmente
retalhado ao resvalar em cada rima.
É gestar versos indóceis, querendo nascer...
Nascendo são filhos pródigos
que seguem seu rumo,
deixando o poeta vazio,
para que de novo, ele possa "conceber".
Ser poeta é ver as coisas mais simples
pelos olhos de uma abelha, multifacetadas,
e assim, enxergar detalhes mil,
onde os outros não conseguem enxergar nada.
Ser poeta é enfeixar todas
as reverberações de um diamante,
ciente de que ele, será sempre
e tão somente um mero matiz.
Ser poeta é conviver
com uma sensibilidade imensurável,
que exalta e aniquila, que desnivela,
que o eleva ao Reino de Deus e,
simultaneamente o rebaixa
ao Reino de Hades...e,
em meio a estas tempestades,
que fulminariam o mais comum dos mortais,
ser poeta é caminhar sozinho,
implorando ao mundo,
a compreensão de seus ideais!

Fátima Irene Pinto
Descalvado - SP


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