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Sábado, Julho 26, 2003
Posted
10:08 PM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
27/07/2003
Segunda mãe
Antigamente uma mulher sentia calafrios só de pensar em ser avó. Com total razão: era o passaporte pro túmulo. Cabelos brancos, cadeira de balanço, tricô, um gato enredado nos pés: xô, pesadelo. As avós de hoje trabalham, viajam, fazem exercícios, saem com as amigas - gatas são elas! Conheço dezenas de mulheres atuantes que são avós e não carregam nas costas o estigma da velhice. Adoram seus netos mas seguem tendo uma vida produtiva e livre de estereótipos.
Uma vez escrevi uma crônica sobre a sogra do meu marido: pois hoje dedico esta crônica à avó das minhas filhas, a avó dos sonhos de qualquer menina. Uma avó disponível, afetuosa, sorridente, bonita e louca, no melhor sentido da loucura. Inventa brincadeiras, conta histórias originais, encara teatro, cinema, shopping, parque, praia, jogos. Uma amigona para todas as horas e uma segunda mãe quando a primeira está inoperante: busca no colégio, orienta, leva pra dormir na casa dela. Casa de vó é o Sheraton de qualquer criança.
Algumas são amargas, reclamam de dores, estão cansadas pra tudo. Compreende-se, a vida não é fácil. Mas ranzinzice, hoje, não. Salvem as avós felizes, as avós que curtem a vida e passam esta energia boa para os filhos de seus filhos. Geralmente foram chatas quando eram mães: que mãe não é chata? Vá escovar os dentes, junte as roupas do chão, largue este telefone, coma tudo o que tem no prato. Coronéis, generais, sargentonas. Alguém tem que fazer o serviço sujo, já que papai costuma ser condescendente com a bagunça doméstica. Mas, uma vez avós, não querem mais saber deste manda-e-desmanda. Passaram o bastão. Agora são cúmplices da desordem. Viva o refri, viva os filmes de terror, viva a falta de horário!
Se hoje as mulheres estão mais independentes e conciliam a maternidade com uma vida turbinadíssima, devem muito às suas próprias mães. Para cada advogada, médica ou empresária que é vista embarcando com o maridão para umas férias de 10 dias, há uma avó segurando as pontas com a criançada. Merece um belo presente, e capriche, não vá trazer toalhinhas pra bandeja ou bonequinhas de porcelana. Avós gostam de hidratantes, camisetas, livros de arte, maquiagem, botas.
26 de julho é dia delas. As imprescindíveis.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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9:37 PM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
27/07/2003
A guerra dos idiomas
Quem olha a maré de francofobia atualmente em curso nos Estados Unidos desespera de encontrar qualquer lógica nestes dias tumultuados. A hostilidade começa com piadas (Pergunta: O que são cem mil homens com as mãos para o alto? Resposta: O exército francês), passa por evocações do passado ("Nós defendemos vocês durante a Segunda Guerra") e chega ao tradicional boicote: de produtos, como o vinho Beaujolais, a água mineral Pérrier, os croissants.
Não se pode mais usar expressões em francês ou que lembrem os franceses, se bem que, numa especial concessão, o "french kiss", beijo na boca, tenha sido mantido. E, coincidência ou não, o filme de Spielberg, Prenda-me se for Capaz, com Leonardo Di Caprio, dá uma imagem patética da polícia e de uma prisão na França.
Escrevi o texto acima aqui em ZH no dia 25 de fevereiro (não que eu tenha boa memória: o computador, bendito seja, é que guarda tudo). Essa maré de francofobia era então explicável: os Estados Unidos estavam prestes a invadir o Iraque, e a França recusava o apoio para a aventura. Cinco meses se passaram, o Iraque foi invadido, mas o boicote americano continua: as importações de produtos franceses diminuíram em 20%.
E eis que a França dá o troco. O Ministério da Cultura daquele país anunciou a proibição da expressão "e-mail" em todas as repartições, documentos, publicações e sites (será que o nome ainda é "site"?) do país. Os franceses deverão usar a palavra "courriel", que é uma fusão de "courrier electronique". A medida, como era de se esperar, já está provocando polêmica, inclusive na própria França. E-mail é uma palavra praticamente universal; mas quantos brasileiros saberão o que é "courriel"?
Atrás dessa controvérsia há uma outra briga. Idioma é poder. Se usamos tantos anglicismos, é porque o inglês é a língua do império do nosso tempo, o império americano. É uma hegemonia econômica, militar e cultural, o que gera não poucos protestos. Mas esta, convenhamos, não é uma história nova. O Império Romano dominou, e oprimiu, o mundo durante muito tempo, mas isto não impediu que o latim tivesse sido, até a Renascença, a língua franca que permitia comunicação entre pessoas de diferentes origens. E também não impede que falemos o português, que não passa, afinal, de um latim popularizado.
Policarpo Quaresma, o personagem de Lima Barreto, queria passar uma lei tornando o guarani o idioma brasileiro. Mas os ancestrais dos guaranis também vieram de outras regiões. Para sermos rigorosamente autóctones, deveríamos falar a língua da paca, do tatu, do tamanduá (do papagaio não, porque eles também usam o português para suas sacanagens). Além disso, nem todos estão de acordo com Policarpo Quaresma. Segundo a Folha de são Paulo, no ano passado a Anatel levantou dúvidas sobre a legalidade de um programa radiofônico de Campo Grande (MS) transmitido em nheengatu, a chamada língua geral dos indígenas. Será que até nheengatu pode ser ilegal?
Se rejeitarmos os anglicismos, também teremos de rejeitar os galicismos - freqüentes, porque, numa época, a cultura francesa era muito influente aqui. "Chance", por exemplo, é galicismo. "Dossiê" é galicismo. "Pose" é galicismo. E assim muitos outros termos banais ("banal", aliás, é galicismo).
Sim, idioma é poder. George Orwell demonstrou-o muito bem; no pesadelo totalitário que é 1984, o big brother fala aos cidadãos usando o "Newspeak", a "Novilíngua", pelo qual a verdade simplesmente passava a ser mentira.
Os poderes brigam, e brigam furiosamente; a invasão do Iraque, que está custando caro aos Estados Unidos, em termos de vidas, de grana, e de credibilidade, mostra isso. A pergunta é se nós, brasileiros, precisamos nos envolver nesta briga, se não temos coisas mais importantes - a fome, o desemprego, a violência - de que cuidar. Respondam, leitores. Por e-mail, de preferência.
A bem da verdade, deve-se dizer que a França também passou por sua fase de americanofobia. Quando o inglês começou a deslocar o francês como idioma internacional surgiu uma onda contra o "Franglais", a mistura de francês com inglês (no Brasil tivemos algo parecido). Houve manifestações contra o MacDonald's - sim, Bové teve precursores.
scliar@zerohora.com.br
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9:26 PM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
270/07/2003
A delicadeza
É impressionante o avanço profissional da mulher. Ela não só mantém a sua supremacia nas profissões que antes dominava como vai tomando os espaços dos homens nas atividades que eram a estes destinadas com exclusividade.
O homem, por exemplo, não conseguiu lugar nas profissões ligadas à telefonia e à enfermagem, salvo raras exceções.
As telefonistas continuam a ser mulheres. E os atendimentos telefônicos de toda espécie, como a conquista de clientes por empresas comerciais, bancárias e de serviços, em sua grande maioria, são empunhados por mulheres.
Falar no telefone exige um atributo mais natural nas mulheres: a delicadeza. A mulher parece ser mais cordial, mais concessiva, menos severa, mais apta à maleabilidade propícia à arte negocial.
Aqui na Zero Hora existe um serviço de atendimento aos assinantes e aos prováveis assinantes que é atendido pelo telefone. Cada atendente conversa por dia com cerca de 70 a 80 assinantes.
São praticamente 250 atendentes femininas, tão ínfimo é o número de masculinos recrutados para a tarefa.
Isso é uma aplastante superioridade feminina. Um mercado de trabalho praticamente cativo pelas mulheres.
Por outra parte, implacavelmente, as mulheres vão tomando o lugar dos homens em tarefas que antes não se imaginava fossem desempenhar.
Fiquei sabendo ontem, por exemplo, que já são 17 as mulheres que trabalham como motoristas de ônibus no transporte coletivo da nossa capital.
Esta é uma atividade, pelo esforço físico exigido, que era exclusiva dos homens.
Nada disso, as mulheres estão provando que podem dirigir eficazmente estes enormes ônibus que singram nossas avenidas.
Nas caixas de supermercados e lojas, 90% são mulheres. No jornalismo, curral histórico masculino, as mulheres já batem os homens em número nas Redações, empatam no colunismo e já quase atingem o mesmo número na fotografia.
Rigorosamente, em quase todas as profissões de nível superior, inclusive Medicina e Direito, todos se espantam que nas formaturas as mulheres batem fragorosamente os homens em número.
Eu já não tenho dúvida de que, se se fizesse uma estatística, o maior número de trabalhadores em atividade no Brasil é feminino.
E em contrapartida o maior número de desempregados é masculino.
Como se vê, a mulher, além de avançar, joga o homem, sem intenção, para a marginalidade.
Exatamente em face de sua virtude primordial, a delicadeza.
Tanto que, neste império de violência que varre o país, a supremacia delinqüencial do homem chega a ser quase monopolista: a população carcerária brasileira se constitui em mais de 95% de homens.
A alegada e ancestral superioridade masculina foi reduzida a pó na virada do último século.
O homem, diante do avanço espetacular da mulher, vai se tornando aos poucos uma subespécie.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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9:23 PM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
Por que crescem os evangélicos
Estruturadas como empresas modernas, as igrejas evangélicas, especialmente as neopentecostais, já conquistaram mais de 1,3 milhão de gaúchos com promessas de prosperidade e técnicas de auto-ajuda para enfrentar problemas como o desemprego (foto Adriana Franciosi/ZH)
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4:16 PM
by Cassiano Leonel Drum
A VIDA DE CASADO PODE SER BOA
A vida de um casal tem que ser muito bem cuidada e reavaliada a cada momento.
De que vale o sucesso se não tivermos alguém para partilhar conosco a emoção, a alegria das vitórias?
É preciso ficarmos atentos para amanhã, não sermos vítimas de um relacionamento falido, sem chances de recuperação.
Uma das regras básicas da boa convivência é saber respeitar as características da pessoa com quem partilhamos a nossa vida.
Todas as pessoas necessitam de se sentirem livres, serem elas mesmas, sem medo de serem julgadas, censuradas.
Quando perdemos a naturalidade, refreando nossos impulsos, passamos a sentir tensão e desconforto no relacionamento.
O sentimento de que o outro nos sufoca, é conseqüência de um confronto de regras, onde um quer sobrepujar o outro.
A maioria dos casais procura no seu par alguém que lhe traga felicidade, segurança, que lhe dê carinho e que seja um complemento da sua pessoa.
Tudo isso declarado e depois cobrado. Seria isso possível?
O que você tem pra oferecer?
O melhor projeto para um relacionamento se tornar duradouro é você estar nele para se entregar, para doar o que de melhor você tem.
Não queira buscar uma tábua de salvação para suas inseguranças, não exija a satisfação dos seus ideais. Não fique na expectativa de alguém pra lhe completar, você é uma pessoa inteira. Não se julgue uma metade!
Quando você entra numa relação dizendo que é carente e que precisa de alguém, você está transferindo para o seu parceiro(a) uma carga de responsabilidade que, muitas vezes, assusta e espanta.
Fique atento. Proteja o relacionamento percebendo os sinais de uma crise.
Se há crise, não adianta procurar o culpado. A responsabilidade é sempre dos dois. Podemos interferir e até eliminarmos os fatores destrutivos antes que haja um mal maior e irreparável.
Pode doer, mexer nas feridas, mas também pode ser que haja uma chance de maior conhecimento entre os dois, clareando as sombras e aprimorando a união.
O primeiro grande desafio é conseguir se comunicar, mostrar logo de saída que alguma coisa, uma palavra, um gesto, o desagradou.
Se você não sabe lidar com os atritos naturais de uma convivência, sente medo, prefere disfarçar, então estará deixando crescer um ressentimento.
E o ressentimento destrói a afetividade, aumentando a crise.
Muitas vezes os motivos podem ser financeiros, um acha que precisa poupar para o futuro e que o outro gasta demais.
Já o outro acha que não gasta tanto assim, que o problema é falta de dinheiro e que o futuro é hoje, e a vida é pra ser bem vivida, agora!
Outras vezes, são queixas sexuais: a mulher se lamenta da falta de carinho, de atenção, e que o marido só pensa na satisfação sexual, deixando de lado o namoro e o romantismo .
O marido protesta afirmando que ela vive reclamando, para evitá-lo na cama, pois perdeu o interesse.
Muitos casais sofrem a interferência de um filho, mãe, ou uma terceira pessoa da família, na vida conjugal.
Tenha consciência de que um dos dois, ou os dois estão se deixando manipular, por comodismo, por falta de auto-estima e até por covardia.
Com tantos ressentimentos e frustrações ergue-se a barreira emocional, e você se vê arranjando todo tipo de ataques velados, verbais, ou de atitudes rebeldes, manifestando a rejeição reprimida, acumulada.
Surge a intolerância de ambos os lados, um começa a achar o outro irritante, tolo, inoportuno, ausente ou invasivo demais.
O ressentimento acumulado acentua a crise e destrói as emoções afetivas. Desenvolva a capacidade de perdoar, se você quiser continuar vivendo junto. Não fique remoendo, nem lembrando o outro dos erros cometidos. Ninguém pode voltar atrás para consertar os estragos.
Deixe o passado lá onde é o lugar dele, valorize o presente. O futuro é daqui a um minuto, deixe-o chegar sem preocupações, nem cobranças de promessas do tipo: -"Você promete que não faz mais isso?"
Se o erro foi tão grave e o sofrimento está insuportável, separe-se. Ninguém veio ao mundo pra sofrer e pra ficar doente de tristeza.
Muitos casamentos prosseguem cheios de farpas e agressividades, outros passam a conviver pacificamente, cada um pro seu lado. Marido e mulher passam a viver em mundos distantes. Cada qual no seu canto, carregando sua dor.
Como sair desse sofrimento?
Tente se comunicar de forma clara e objetiva, em vez de se queixar de forma rude : "Você não faz a minha felicidade! Não tolero este seu comportamento!"
Use palavras construtivas: preferia que você agisse desse modo. Hoje quero ficar mais tempo com você...
Avalie o ambiente de sua casa. Ela deve ser atraente aos dois, mesmo que cada um tenha um cantinho preferido pra se isolar de vez em quando.
Mas é indispensável que haja aquele clima agradável que nos convida a voltar, de pressa, pra casa.
Aos nossos filhos e netos, tudo que temos de dar-lhes é amor, alegria, rir com eles e ajudá-los a sentirem que em nossa casa há espaço para todos, respeitando-se os devidos limites.
Muitos filhos depois de crescidos, querem inverter os papéis e começam a tratar os pais como crianças, e passam a policiá-los severamente, impedindo-os de se manifestarem espontaneamente.
Aprenda a falar: "agora, não posso", "hoje não quero", "prefiro fazer assim". Posicione-se, não se deixe dominar.
Eles não são os donos da nossa casa, não são os nossos censores. Mas, não se esqueça: nós não somos os donos deles.
O ambiente ideal para se viver é aquele onde nos sentimos confortáveis emocionalmente, onde nos sentimos amados.
A hora das refeições é o momento sagrado da alimentação com prazer. Nada de assuntos problemáticos, não é hora de discutir soluções, nem puxar conversas que causem polêmica.
Valorizando o casamento
Será que um se lembra de agradar ao outro? Você se lembra de declarar seu amor?
Ou é daquelas pessoas que pensa e fala assim: "Ela está cansada de saber que a amo, não preciso ficar repetindo..."
Ela nunca fica cansada de ouvir isso e você precisa, não só dizer, como ouvir de você mesmo o quanto ama a pessoa que está compartilhando da sua vida.
Sinta-se uma pessoa privilegiada por ter a seu lado alguém tão querido. E brinde esse amor, convidando para dançar, para ouvir música. Mostrando todo o seu amor.
Saia da rotina! O caminho trilhado maquinalmente, se torna enfadonho e o tédio toma conta do ambiente.
Cada um será, no mínimo, um simples e corriqueiro habitante do mesmo teto.
Portanto, vamos procurar manter a chama do amor acesa, falando de coisas agradáveis, elogios, palavras de afeto, encorajadoras.
União quer dizer unir forças, dar apoio, ajudar a crescer, incentivar e aplaudir.
Faça sempre isso e quem sai engrandecido e recompensado será você.
Conheço inúmeros casais que mantêm o casamento num completo jogo de competição, especialmente quando um ou outro, ou os dois, se sentem inferiorizados, na relação.
Não traz vantagem alguma uma convivência marcada pela competição, onde um está sempre de prontidão, armado pra dar uma estocada certeira pra derrubar o outro.
Neste jogo mesquinho, infeliz, perdem os dois.
Outra coisa, se você quer que seu casamento dure, não faça ameaças, nem chantagens, do tipo: "se você fizer isso, eu me separo."
Se você realmente, não quer isso, não crie esta possibilidade.
Tenha sempre em mente pra onde você quer ir, pra onde você quer levar o seu casamento, nunca se deixe levar por palavras negativas que você tanto teme.
O sexo pode ter sido o motivo que os uniu, mas com certeza, só ele não vai segurar o seu casamento.
A preservação de um relacionamento depende de fatores mais profundos, valores, admirações recíprocas, confiança mútua.
A cultura adquirida de que a vida sexual deve se manter no mesmo nível apaixonado, com a mesma intensidade e quantidade leva ao empobrecimento do convívio.
A vida sexual não é uma constância, não segue o mesmo ritmo ao longo da vida. Há épocas de maior apetite, e outras de desinteresse que são comuns em todas as atividades humanas e fazem parte de uma dinâmica natural.
Casais mais velhos que conviveram anos e anos podem precisar de uma nova inspiração, criar juntos novas atrações, procurar uma vida mais divertida, com mais lazer, e podem descobrir uma relação sexual com mais arte, mais carinho.
O relacionamento deve ser uma das maiores prioridades. Não o deixe pra segundo plano por causa de outros motivos "imprescindíveis", no seu dia a dia.
Não permita que a negligência habitue os dois a perderem o foco de construir a cada dia uma vida plena, de atenção mútua.
O fundamental é decidirmos que todos os dias vamos tornar os nossos momentos melhores.
Os casais que elegeram como fator principal o bem estar do seu companheiro, vão estar a cada momento surpreendendo o outro.
Portanto, procurem interromper todos os vícios de comportamento, todos os tipos de intolerância e irritação.
Prefira estar bem com o seu amor a estar com a razão. Desista de provar que você está certo.
Esta não é uma atitude piegas, nem de covardia mas uma maneira equilibrada de esfriar os ânimos para voltar ao assunto, em outra hora, quando os dois tiveram seu tempo para refletir.
"O mais elevado estágio possível em cultura moral é quando reconhecemos que devemos controlar nossos pensamentos."
Assim nos ensina Charles Darwin.
Maria de Lourdes Micaldas
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4:03 PM
by Cassiano Leonel Drum
AMAR É UMA QUESTÃO DE ESCOLHA
Todo o mundo é carente de se sentir
amado, todas as pessoas querem elogios e declarações de que são importantes e queridas.
É uma ilusão pensar que se ama alguém por causa de suas qualidades. Existe até quem afirme que os defeitos são o tempero, o charme da pessoa amada.
O amor não se justifica. Ele nasce de dentro pra fora. Na verdade não é a outra pessoa que amamos. Nós amamos o amor. A outra pessoa foi uma escolha nossa, para projetarmos nela os nossos sonhos, e permitirmos a nós mesmos a oportunidade de sentir amor.
Aí, abrimos a nossa guarda, fechamos os olhos, porque é pra dentro de nós mesmos que olhamos, e simplesmente, sentimos amor.
É bom pensar nisso: escolhemos determinada pessoa e, sem nos darmos conta, transferimos pra ela o nosso amor interior. Passados os momentos de euforia, quando abrimos os olhos, nos vemos diante de uma pessoa real e não a que idealizamos.
Começamos, então, a enxergar as diferenças e a descobrir os defeitos. É comum entrarmos em conflito. É difícil suportamos conviver com a realidade, pois não queremos abrir mão do nosso amor idealizado, do nosso sonho. Colocamos naquela pessoa, escolhida por nós, toda a responsabilidade, a culpa por ela não ser quem nós queríamos que ela fosse.
A DECISÃO É NOSSA
Depende de nós, da nossa vontade, do nosso cuidado, alimentar cada vez mais o amor, numa atitude construtiva e consciente, cultivando o afeto, relevando as diferenças, decidindo amar a pessoa "amada" do jeito que ela é. Com o amadurecimento, podemos transpor os obstáculos, buscando os meios de superar esse período de descoberta.
No lugar daquela que idealizamos, vamos amar a pessoa real, aquela que se revela no nosso convívio. Surgirá então, um outro tipo de amor, numa união mais sólida e duradoura, porque está alicerçada naquela que existe efetivamente e não na fantasia.
EXISTEM EXCEÇÕES
Excetua-se, aí, é claro, quando somos surpreendidos por distúrbios de caráter, falsidade ideológica ou outras anomalias que tornam a convivência insuportável. Ninguém pode sugerir que se faça o sacrifício de viver ao lado de alguém que nos faça infeliz. Não fomos feitos pra sofrer.
Alimentar um relacionamento deteriorado é masoquismo. O melhor é nos afastarmos em defesa da nossa saúde mental e física.
EFEITO BUMERANGE
Amar é um exercício constante. Você pode se abrir para o amor, expressando os seus sentimentos em forma de palavras, de gestos, de um sorriso, de um olhar. Faça isso! Experimente sorrir e receberá um sorriso de volta. Estenda a mão, abrace. Ame e deixe-se amar.
O amor tem a magia e a força de um bumerangue. Você o lança e ele volta pra você. O mundo está cheio de gente que precisa
de dar e de receber afeto. Ninguém precisa mais de afeto do que aquele que pensa que não tem nenhum para dar.
Uma das formas de encontrar a felicidade é buscando o amor. Somente você pode abrir seu coração, cultivar e sustentar este sentimento. Todo mundo é carente de se sentir amado, todas as pessoas querem ouvir elogios e declarações de que são importantes e queridas.
DO TELEFONE PRO COMPUTADOR
Todo mundo sabe que pessoas de todas as idades se utilizam até hoje, do telefone para namorar. Especialmente as mais idosas que, por terem dificuldades de sair de casa, resolvem fugir da solidão, sem correr risco, protegendo a privacidade.
Agora, a Internet também está aí, pra diminuir as distâncias e aumentar as possibilidades de amar, de fazer amigos e de encontrar um companheiro. Mande cartas, e-mails expressando amor. Você receberá amor de volta. Existe, na Internet, uma verdadeira corrente de mensagens que corre o mundo com declarações de amor.
Existem ainda as famosas salas de chat agrupadas por idade.
Onde se tem a oportunidade de conversar muito, de mentir, de desmentir, de sonhar, imaginar e preencher o tempo com momentos felizes, num bate papo descontraído. A conversa pode ser aberta, onde todo o grupo, geralmente de 20 a 30 pessoas participa das conversas ou, se preferir, pode ser sigilosa,
é só escolher a opção "reservadamente" e aí, pode-se dizer e ouvir o que se quer, sem medo da censura, desmontando os preconceitos.
Essa forma de namoro, que pode levar à satisfação sexual, é considerada pelos sexólogos como uma alternativa saudável em qualquer idade, além de não oferecer risco de contaminação de doenças sexualmente transmissíveis.
UNIÃO SEM SEXO
É muito comum, no mundo moderno, pessoas maduras e equilibradas procurarem um parceiro, uma companhia pra trocarem afeto, para saírem de mãos dadas e passear. Querem apenas isso, unirem-se, desinteressadas de sexo.
É muito provável que uma relação combinada assim, em que as partes dispensam o ato sexual, seja duradoura e satisfatória para ambos. O amor e o sexo coexistem, mas isto não quer dizer que um não sobreviva sem o outro. Podemos praticar o ato sexual sem amor, buscando uma satisfação física e, por outro lado, podemos amar, só na base do companheirismo, do afeto, da ternura, onde as tristezas e as alegrias são compartilhadas, e nos sentirmos realizados. O prazer não está localizado exclusivamente nos órgãos genitais. É normal isso? Está direito isso? Por que tanto espanto?
QUEM PODE JULGAR?
Precisamos acabar, de uma vez por todas, com regras e tabus.
Cada pessoa é única e tem as suas necessidades, seus desejos diferenciados. As particularidades devem ser respeitadas.
E quem é que pode decretar o que é normal? Quem pode se investir no direito de julgar o que é certo ou errado, numa relação, que em nada vai incomodar o vizinho, ou trazer danos à sociedade? Quanto ao idoso, ele não é obrigado a ser assexuado, como pregam os falsos moralistas, , mas também não é obrigado a sentir tesão.
Todos somos livres para sentir ou deixar de sentir. Devemos nos livrar das cobranças e seguirmos adiante, em busca do nosso direito de viver como acharmos melhor. Precisamos nos libertar da preocupação com aquilo que os outros pensam. Antes de ser importantes para alguém, devemos ser importantes para nós mesmos.
Ame e permita-se ser amado. Amar o próximo, antes de beneficiar ao próximo, beneficia aquele que ama. Relacione-se com muita gente, aumente o seu círculo, não se feche, você vai se sentir enriquecido com a troca.
O coração não sabe bater sozinho, assim falou Magdalena Léa, autora do livro "Quem tem Medo de Envelhecer?" Deve ser por isso, que os seus olhos aos 87 anos mantinham o brilho da felicidade e podiam enxergar tanta beleza a sua volta.
Maria de Lourdes Micaldas
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10:27 AM
by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
Armas made in Brazil
O submarino nuclear brasileiro começou a ser projetado em 1979. Temos, até agora, um modelo em miniatura que custou 1 bilhão de dólares. É o modelo em miniatura mais caro da história
Saddam Hussein foi o maior importador de armas fabricadas no Brasil. Por isso perdeu todas as guerras em que se meteu. O governo brasileiro anunciou planos para reativar nossa indústria bélica. Uma das prioridades é a construção de um submarino nuclear inteiramente nacional. O ministro da Defesa, José Viegas Filho, viu um modelo em miniatura desse submarino nuclear no Centro Tecnológico da Marinha. Conhecido como Chalana, começou a ser projetado em 1979. Custou, até agora, cerca de 1 bilhão de dólares. É o modelo em miniatura mais caro da história. O Centro Tecnológico da Marinha assegura que, com mais meio bilhão de dólares, termina de construir o primeiro protótipo em 2025. Se os americanos levassem 46 anos para desenvolver um armamento, ainda estariam combatendo a II Guerra Mundial. Em 2025, o submarino nuclear brasileiro será sucata. Poderemos jogá-lo diretamente na piscina do ministro da Defesa.
Por falar em sucata, o Brasil tem um acordo para comprar armamentos de segunda mão dos Estados Unidos por uma fração do preço original. Em 2001, os americanos nos venderam 91 tanques M60 por 11,7 milhões de dólares, um décimo de seu valor. Para efeito de comparação, a estatal Engesa, nos anos 80, investiu 100 milhões de dólares para projetar o tanque Osório, que nunca saiu da fase de protótipo. Outra grande aposta da indústria bélica nacional foi o caça AMX. Fruto de uma colaboração entre Brasil e Itália, custou 2,5 bilhões de dólares a cada país. O plano era vender 800 unidades no mundo todo. Foram vendidas apenas oito, para a Venezuela. O preço total de cada AMX, incluindo as despesas de desenvolvimento, ficou em 50 milhões de dólares. Os italianos o apelidaram de F-32, porque custava o dobro de um F-16. A Justiça italiana abriu inquérito contra o fabricante do AMX por causa de seus defeitos estruturais. De fato, ele caía sem parar. Em 2002, depois de mais uma queda, com a morte do piloto, toda a frota italiana do AMX foi interditada.
O Ministério da Defesa dos Estados Unidos coloca o Brasil em 12º lugar na lista de países com os maiores gastos militares. Ficamos entre Coréia do Sul e Israel. Duas nações em estado de guerra. Deveríamos cortar esses gastos pela metade. Um jeito simples e rápido de poupar dinheiro é abolir o serviço militar obrigatório. Outro jeito é chamar de volta todos os adidos militares lotados no estrangeiro. Esse negócio de adido militar não dá sorte para o Brasil. Costa e Silva, Médici e Geisel foram adidos militares. Melhor suprimir o cargo. A venda da estatal Imbel à iniciativa privada também poderia render uns trocados. Aliás, a guerra civil em nossas cidades é um filão que deveria ser mais bem aproveitado. De olho nesse mercado, a Avibrás lançou o modelo antidistúrbio do blindado Guará, feito para subir morros e invadir favelas, dotado de metralhadora e jato d'água para dispersar manifestantes. É o Brasil pensando no futuro.
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10:24 AM
by Cassiano Leonel Drum
E como sempre em todos os sábados ai está a capa da Revista Veja com os destaques abaixo.
Capa montagem com fotos de Pedro Rubens
Especial
Os cuidados com o coração devem começar bem cedo.
Brasil
Servidores contrários à reforma da Previdência invadem o Congresso.
Internacional
Qusai e Udai: cerco e morte dos filhos de Saddam.
Brasil
Reformas A república dos juízes
Polícia Maluf detido em Paris
Justiça Stedile declara guerra aos agricultores e pecuaristas
Partidos FHC volta a fazer política partidária
Internacional
Iraque A morte dos filhos de Saddam
Inglaterra Tony Blair atolado até o pescoço
África A Libéria pede socorro
Geral
Especial O risco de ataque cardíaco nos seus próximos dez anos
Consumo As liquidações de inverno começaram no outono
Exposição Roupas da Renascença italiana reconstituídas
Sociedade A integração dos maoris na Nova Zelândia
Economia e Negócios
Ministério As batalhas de Palocci no governo
Juros Como diminuir o custo do dinheiro
Guia
Café As opções de máquina para fazer em casa
Bolso Aprenda a cortar gastos
Viagem Guias que ajudam o viajante
Pergunte Como escrever para o presidente
Casa As fechaduras inteligentes
O que estou lendo
Pergunte ao Guia
Artes e Espetáculos
Livros Um perfil da escritora Lya Luft
Nada Como o Sol, de Anthony Burgess
A Festa Literária de Liz Calder em Parati
Cinema O Exterminador do Futuro 3
Televisão A novela das 6 entrou no eixo
Show de improviso na TV a cabo
Música Palavra Cantada
Ensaio Roberto Pompeu de Toledo
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10:04 AM
by Cassiano Leonel Drum
E o Dr Miron enviou-me esta preciosidade ai da nossa querida Danusa Leão. Pelo que o nosso Presidente falou só passaram-se cinco minutos de jogo, então vamos ver o que nos aguarda nos próximo 85. Estive ai na terrinha Dr Miron. Cruz Alta está cheia de camionetes e carrões, os nossos agricultores vão bem, pena que não se possa dizer a mesma coisa do comércio e de outros setores. Visitei-o ai na sua empresa mas o Sr havia dado uma saida. Paciência como diz a nossa querida Danuza. Não faltarão oportunidades para nos reencontrarmos.
PACIÊNCIA, PACIÊNCIA...
Danuza Leão
Já está ficando monótono. A vida ia melhorar, mas, da posse para cá, só duas pessoas não conseguem esconder sua felicidade: Lula e Marisa.
Tem muita gente mal; mal e com medo de ficar pior ainda. Mas não reclamávamos, todos, do dólar, que só fazia aumentar? Então não era para estarmos todos felizes porque ele baixou? Ah, essa tal dessa economia.
Dentro do mesmo tema, também não dá para entender por que os juros do cheque especial estão a 150% ou 170% ao ano, sei lá; mas quando se investe (no mesmo banco), o rendimento é de 0,70% ao mês. Ora, se é o NOSSO dinheiro que eles emprestam a juros altíssimos, por que o NOSSO rendimento é quase nada?
As únicas pessoas felizes neste país, além de Lula e Marisa, devem ser os banqueiros, mas como a esperança ainda não morreu, esperamos o dia de ver Lula na televisão, num daqueles discursos inflamados, falar que chegou, enfim, a vez dos bancos (porque sobre as reformas tributária e previdenciária ninguém aguenta mais). Enquanto isso não acontece, vamos nos adaptando aos novos tempos; se possível, sem medo de ser infeliz.
Para começar, saia de casa o menos possível; quando não puder mesmo evitar, passe reta, sem olhar para nenhuma vitrine. Olhou, vem a tentação, o cartão de crédito está no bolso -se parcelar, são 10% ao mês- e algum consumo sempre faz bem à alma (e dependendo, ao corpo também). Corte a aula de ginástica e exercite-se em outras atividades: passe a ir à feira, mas bem tarde, quando tudo já baixou de preço, e volte carregando as sacolas, já que a diarista passou para duas vezes por semana. Só com isso você já desempregou dois, o professor de ginástica e a empregada. Ah, e dispense a faxineira que vinha de 15 em 15 (atenção, Dieese), já são três).
Mas vai piorar: a manicure -afinal, quem não consegue cuidar das unhas sozinha?- e o cabeleireiro -uma escovinha rápida é moleza. Agora, Dieese, já são cinco.
Cinema, nem pensar: muita televisão, muitos filmes no vídeo. Forme um grupo de amigos para alugar vários a cada fim de semana, sorteando os horários.
Pode ser que o que você mais quer ver só esteja disponível às 3h da manhã, e aí não tem jeito. Faça um derradeiro esforço e fique acordada, pois o serviço despertador da companhia telefônica é cobrado.
A alimentação vai mudar, claro, e para economizar só existem duas opções de comida barata: legumes em água e sal, o que vai fazer de você um palito subnutrido, ou massas, e aí você vai ficar gorda e subnutrida. Detalhe: você já reparou que um pacote de macarrão italiano (que dá para quatro pessoas) custa R$ 4,20 e o mesmo macarrão, dependendo do restaurante, custa de R$ 30 a R$ 50 a porção? Voltando às compras: peixe e camarão só em fotografia, e galinha, só aos domingos.
É mais um sacrifício pelo país; a vida vai ficar menos engraçada, as famílias talvez briguem um pouco mais, já que não podem sair de casa para não se arriscarem a levar um tiro, mas tudo bem; brasileiro é gente boa e paciente, quem não sabe?
O grande problema vai ser a falta de comunicação. Não se vai mais poder falar no telefone com a filha que mora no Sul, com a amiga que vive em Buenos Aires, nem com o namorado do momento, que pode estar em qualquer lugar do mundo.
A crise não aproxima ninguém, só afasta, e não estimula arroubos mais românticos.
A crise entristece, e não é justo que aconteça exatamente nas vidas de quem, nas últimas eleições, não teve medo de ser feliz.
Folha de São Paulo, 1º de junho de 2003
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9:52 AM
by Cassiano Leonel Drum
Rosane de Oliveira
26/07/2003
A fita e a interpretação
Ao melhor estilo dos falastrões que só percebem o estrago de suas declarações pela repercussão, o líder do MST João Pedro Stédile acusou a imprensa de distorcer suas palavras. Ignorou que sua incitação à guerra no campo, noticiada com exclusividade pelo repórter Fábio Schaffner, correspondente de Zero Hora em Pelotas, tinha sido gravada. Quem ouviu a fita, reproduzida ontem à noite pela RBS TV, não tem dúvida de que houve incitação à violência. Ou seria possível outra interpretação para a frase em que ele convoca seu exército para acabar com os latifúndios? Você decide:
- Na luta camponesa, há hoje 23 milhões de pessoas, que precisariam ver a terra melhor dividida. E do outro lado tem 27 mil fazendeiros. Essa é a disputa que tem na nossa sociedade: 23 milhões contra 27 mil. Dá mil trabalhadores rurais contra um (...) E aqui começa a primeira reflexão. Será que mil conseguem perder para um? É muito difícil. Então o que está faltando para nós? Está faltando para nós juntar os mil, para cada mil pegar um, sacanear assim feito colorado. Por isso que esse acampamento é muito importante (...) Isso significa essa união dos mil, que precisam se juntar. Para cada mil de nós pegar um, e sacanear, e tirar de cima da terra quem está estorvando o progresso do Brasil.
Nos 27 mil do outro lado Stédile inclui não apenas os donos de terras improdutivas - que existem em diferentes Estados - , mas também os grandes produtores rurais, responsáveis pelo superávit da balança comercial e pelo pouco que se teve de crescimento econômico nos últimos anos. Por isso mesmo foi tão dura a reação do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, o homem que cuida do agronegócio no governo.
Tão graves foram as declarações do líder do MST que, antes mesmo de o Ministério Público se manifestar, cinco ministros do governo Lula mais o presidente do PT entraram em campo para assegurar que o governo não será conivente com a violência. E que, como disse o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, "atos, fatos, ações, atitudes, circunstâncias, que possam quebrar a legalidade serão reprimidas com severidade". Por considerar absurdas as declarações, o presidente Lula quer, antes de se pronunciar, que o próprio líder do MST confirme as declarações. Basta ouvir a fita, se não acreditar na transcrição.
rosane.oliveira@zerohora.com.br
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9:48 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
26/07/2003
Dicionário para criança
O menino de oito anos chegou até o pai e pediu um dicionário. O pai lhe botou na mão um dicionário escolar, bastante simples. A criança olhou, leu, sacudiu a cabeça: tá difícil, pai, não tem dicionário pra criança? Hoje deve ter, mas naquele tempo não tinha. O menino então decidiu:
- Eu vou escrever um, posso? Claro que podia. Pegou-se um arquivo, o alfabeto ele conhecia, escrevia direitinho, e depois de uma semana chuvosa de férias saíram vários verbetes. Alguns deles aqui vão:
Alface. Alface é uma verdura. A alface é de comer, mas eu não como alface. Ela é verde na folha e branca no cabo. Minha mãe diz que salada faz bem pra saúde, mas eu não como salada. Azar o meu.
Argola. A argola é um tipo de círculo. Ela é bem redonda. Eu vi na televisão que no circo tem argolas grandes e pequenas. Os homens do circo pegavam as argolas grandes, botavam fogo, e o tigre tinha de pular no meio. Coitado do tigre.
Amigo. Amigo é uma pessoa que gosta da outra. Daí é amigo. Eu sou amigo da minha família e da família da nossa empregada. A gente devia ser amigo de todo mundo. Mas às vezes não dá.
Afogado. Afogado é uma pessoa que se afoga. Na praia, eu vi pessoas afogadas e os salva-vidas iam lá e salvavam elas. Os salva-vidas são pessoas que salvam as pessoas. Um homem que se afoga mas fica vivo é porque não tinha se afogado muito. Eu nunca me afoguei.
Bonito. Bonito é uma coisa que se chama de bonito. Por exemplo: uma pessoa que seja o contrário de feia é bonita. Eu, minha mãe, meu pai e meus irmãos somos todos bonitos. Ainda bem. Mas o mundo que Deus fez é o mais bonito de tudo.
Seco. Seco é o contrário de molhado. Por exemplo: quando não chove, fica tudo seco. Quando o sol fica raiando muitos dias, tudo fica seco. Sem sol, nada fica seco. Aí a mãe reclama que está tudo úmido. Úmido é um tipo de molhado. Mas o sol não pode raiar o tempo todo. Porque daí todas as plantas se queimam e então também tem que existir a chuva. Que é molhada.
Xixi. Estou botando essa palavra porque só conheço essa com x. O xixi é um líquido que sai da barriga da gente. O xixi é amarelo. O xixi é importante, porque senão onde íamos botar toda a água que a gente toma? Por isso é que todos fazem xixi.
Zebu. O zebu é um animal. É um tipo de boi. Ele tem uma cabeça, um corpo, quatro pernas, um rabo, dois olhos, uma boca, um nariz, um pé, outro pé. E mais dois pés. O mais importante nele é o coração. Depois uns homens chegam lá e matam ele e tiram a carne dele e comem. Isso eu acho muito esquisito. Mas se não fosse assim, como é que a gente ia comer carne?
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9:46 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
26/07/2003
A síndrome do boné
O próprio governo federal se alarmou com as declarações do líder nacional do MST, João Pedro Stédile.
Ao ter dito em Canguçu que "estamos diante de uma nova chance histórica" e ao tratar seu movimento como "nosso exército" e os ruralistas de "inimigos" e que "não vamos dormir até acabar com eles", um alarma geral soou em todo o país contra essas declarações e foi ganhar ontem destaque no Jornal Nacional.
Por "nova chance histórica", certamente Stédile quer aludir ao fato de Lula e do PT estarem exercendo o poder.
Ele torna assim a posição de Lula muito sensível e nevrálgica. Qualquer ato que redunde em mortes nos conflitos entre sem-terra e ruralistas enfraquecerá a posição do presidente, no caso de que, por exemplo, ele repetisse aquele gesto de colocar na cabeça o boné do MST.
Com as declarações agressivas de Stédile, parece que Lula só agora percebeu que não pode tomar partido nesse embate.
As suas declarações de ontem, transmitidas pelo porta-voz da presidência da República, são de consciência de sua posição de magistrado, a quem é exigida uma posição de neutralidade entre os dois conflituados interesses.
Só agora o boné do MST que Lula consentiu em portar na cabeça assume a sua verdadeira gravidade.
Antes, pode ter sido interpretado como uma amenidade, afinal são freqüentes as ocasiões em que os presidentes vestem roupas ou chapéus de pessoas que lhes visitam ou são por eles visitadas.
Mas é que o MST se constitui num dos pólos explosivos da questão agrária. E, quando o presidente da República veste o seu boné, estimula lideranças radicais ou integrantes irresponsáveis do movimento a atitudes de violência, imaginando que o poder federal poderá abrigá-los e protegê-los em suas tropelias.
As declarações de Stédile serviram para que o Planalto reveja sua estratégia de solidariedade ao MST.
Pode e deve continuar a assentar colonos, mas até por isso mesmo não pode tomar partido acintoso deles na contenda que mantêm com os ruralistas, que também são brasileiros e necessitam confiar no governo como mediador isento dos conflitos entre os dois lados.
Se é verdade que Stédile vive desses rompantes radicais, que lhe reforçam a imagem de líder máximo dos sem-terra, lucrando com esses exageros, também ficou evidente que sentiu o golpe da generalizada reação que suas declarações provocaram, colocando na defensiva o presidente e o ministro Rossetto, que imediatamente se voltaram contra a violência do destempero verbal do líder campesino.
É provável que esse sério incidente tenha tido o condão de ser benéfico para essa tensão que vive o meio rural.
Por ele, o governo federal deverá rever a relação que tem com o MST, distanciando-se do seu conteúdo estratégico de severa e agressiva contestação, assim como deve ter inspirado Stédile e o MST a compreenderem que não podem se valer do governo como aliado nas badernas, contendo assim a sua voltagem agressiva.
Esse é o típico caso em que o desequilíbrio verbal dirigido a estimular a violência deve provocar o efeito contrário do não-derramamento de sangue.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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9:42 AM
by Cassiano Leonel Drum
Jorge Furtado
26/07/2003
Desmundo
Construir imagens do futuro ou recriar visões do passado no cinema são sempre tarefas arriscadas. O futuro depende da verba e imaginação do autor e da boa vontade do espectador, o filme pode optar pelo deserto pós-atômico de Mad Max ou pela selva urbana de Blade Runner. Há quem ainda sonhe com um futuro Jetsons, com carros voadores e uma simpática empregada-robô, mas fora do terreno do humor todo cuidado é pouco.
Nada é mais antigo do que o futuro imaginado num passado recente. A cidade futurista de Godard em Alphaville, mesmo que o filme continue interessante, é hoje tão ridícula como os foguetes movidos à lenha que levavam os Três Patetas à lua. Stanley Kubrick enveredou duas vezes no caminho do futuro. Laranja Mecânica e 2001: Uma Odisséia no Espaço ainda são grandes filmes talvez porque ali o futuro seja só o cenário e não o assunto. Kubrick era um gênio perfeccionista, aos cineastas de baixo orçamento recomenda-se que deixem o futuro em paz.
O passado já aconteceu e parece mais simples. Só parece. Quanto mais antiga a história, mais difícil imaginar como os personagens falavam, comiam ou iam ao banheiro. O cinema brasileiro já pagou muitos micos com filmes em que as perucas e os bigodes malpostos e o sotaque de Ipanema derrubam qualquer possibilidade de se levar nosso passado a sério, se é que ele deve ser levado a sério. Há boas exceções, como a rigorosa recriação de Hans Staden, de Luis Alberto Pereira, ou as visões não-realistas de Carlota Joaquina, de Carla Camurati, e Como era Gostoso o meu Francês, de Nelson Pereira dos Santos.
Mas a melhor recriação de nosso passado remoto no cinema é Desmundo, de Alain Fresnot. O filme, baseado no romance de Ana Miranda, conta a história das órfãs embarcadas para o Brasil no século 16 para servirem de esposas aos primeiros colonizadores. Produção, direção e roteiro excelentes e a interpretação irreparável de Simone Spoladore, Osmar Prado, Caco Ciocler e Berta Zemel conseguem o mais difícil: criar verdade e nuanças em personagens radicalmente toscos, movidos por desejos primários de sobrevivência.
O filme é falado em português arcaico, com legendas, e depois dos minutos iniciais de estranhamento com aquele mundo perdido no tempo, você mergulha numa história apaixonante. Desmundo está em cartaz em Porto Alegre, não se sabe por quanto tempo. Sem muita verba para divulgação, o filme está tendo muito menos público do que merece. Se você quer ver uma grande história e ainda entender melhor como este país começou e por que deu nisso, corra para o cinema. Para entender ou para registrar o passado, e também para ver o melhor cinema brasileiro, siga o conselho de Cézanne: "As coisas desaparecem. Se queremos ver, temos de nos apressar".
Rogério Cardoso era um grande ator, um dos maiores de sua geração. Quando Ettore Scola esteve em Porto Alegre e viu um de seus trabalhos, ficou muito impressionado, comparou seu gênio cômico ao de Totó. Extremamente culto e muito inteligente, capaz de contar piadas em latim e de improvisar com incrível rapidez, Rogério era também uma grande figura humana, conversa da melhor qualidade. Nada mais triste que a morte de um comediante.
jorge.furtado@zerohora.com.br
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9:38 AM
by Cassiano Leonel Drum
Olha esta imagem abaixo retrata efetivamente como esteve e como está ainda hoje Porto Alegre. Há que se fazer um esforço gigante para não permitir que os sentimentos aqui dentro fiquem nublados assim como este clima ai fora.
Clima
O Rio Grande sem sol
Uma frente fria provocou uma longa seqüência de dias úmidos e mudou a paisagem no Estado, como em Gramado (foto Emílio Pedroso/ZH)
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Sexta-feira, Julho 25, 2003
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8:29 PM
by Cassiano Leonel Drum
Música
Margs promove recitais
Um concerto gratuito abre amanhã a série Concertos Margs & Capa Engenharia, às 17h30min, nas pinacotecas do museu (Praça da Alfândega, s/nº, fone 3227-2311). A apresentação terá regência do coordenador do projeto, o maestro Cláudio Ribeiro, e participação da Orquestra de Câmara do Rio Grande do Sul e do solista Diego Grendene (clarinete).
O programa inclui peças de autores como Haendel, Joaquin Rodrigo, Hubertus Hofmann e Albert Roussel, além da coletânea Canções Populares Brasileiras, de Radamés Gnattali. A série Concertos Margs & Capa Engenharia prevê mais cinco apresentações, entre recitais solo e concertos com solistas, até o final do ano, no último sábado de cada mês.
Bom proveito e um ótimo sábado a todos nós, espero.
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8:22 PM
by Cassiano Leonel Drum
Esta é a capa da Revista Isto É deste fim de semana.
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MUNDO
HERANÇA DO ÓDIO
Morte de filhos de Saddam interrompe má fase de Bush
ECONOMIA
A MÁFIA DOS CIGARROS Comércio ilegal já domina 50%
dos pontos-de-venda. Os prejuízos somam bilhões de reais
UM FREIO NA CRISE
Governo cria fórum para discutir futuro da indústria automobilística
OS MAIS ACESSADOS COMO SERÁ SEU BEBÊ
Calcule as chances de seu pimpolho, prestes
a nascer, puxar pelo pai ou pela mãe
GUIA DE POSIÇÕES SEXUAIS:
Bonecos mostram o que fazer
GRAFOLOGIA: Confira se a sua letra revela mesmo seu perfil
HIERÓGLIFOS: Escreva seu nome à moda dos faraós
REFLEXOLOGIA
Dor em pontos nas solas dos pés revela problemas de saúde
CIÊNCIA
GUARDIÃO DO SABER
Ennio Candotti ressalta avanços da ciência nacional e cobra incentivos
BRASIL
PACIÊNCIA
Governo enfrenta invasões, greves e desemprego e sinaliza com crescimento num futuro próximo
TER OU NÃO TER?
Maluf é detido para explicar dinheiro em banco da França
MORDOMIA FEDERAL Helicóptero da PF serve de táxi aéreo a autoridades
Em menos de um mês, Lula usa bonés, camisetas, uniformes, sapatos e revela que
sua imagem é capaz de fazer as vendas de alguns setores disparar
MEDICINA E BEM-ESTAR
HOSPITAIS ZEN
Instituições públicas e privadas oferecem terapias como acupuntura, meditação e ioga
EDUCAÇÃO E CIDADANIA
ESTRELAS DO BEM
Artistas colocam seu talento e fama a serviço do desenvolvimento social
Clique aqui e concorra a 4 anos de ISTOÉ
EMOÇÕES EM JOGO
A nova safra de games tem aventuras e simulação de vôo e de corrida para quem quer mais uma desculpa para não sair de casa
TESTES
QUAL SUA MELHOR QUALIDADE?
Descubra os atributos que podem valer ouro em situações decisivas
HUMANOS OU ROBÔS: Confira se está mais para robô ou humano
O MASCOTE IDEAL: Saiba qual é o mascote ideal para você
MIAUUUUUUU!: Ouça os miados e teste se entende o que significam
Confira outros teste
GALERIAS
DO ESPAÇO À TERRA
Utensílios criados a partir de pesquisas espaciais da Nasa
ARSENAIS: um raio-X das armas das maiores potências nucleares
MITOLOGIA: seres fantásticos que ainda povoam o imaginário popular
MUNDOS PROIBIDOS: Saiba mais sobre os tabus da cultura
Confira outras galerias
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8:41 AM
by Cassiano Leonel Drum
CLÁUDIO HUMBERTO
TEM GENTE QUE ACHA POUCO SE APOSENTAR COM R$ 17 MIL
(Presidente Lula em nova alfinetada no Judiciário e na aposentadoria de ministro do STF)
Brasil: vergonha na ONU
Depois de o ex-deputado Tilden Santiago, travestido de embaixador do Brasil em Havana, defender o fuzilamento de presos políticos cubanos, mais um episódio envergonha nossa diplomacia: por ordem do Planalto, o Brasil se juntou ontem a países como Irã, Uganda, China e Líbia para suspender por um ano a ONG Repórteres sem Fronteiras na Comissão de Direitos Humanos da ONU. A ONG luta para libertar 30 jornalistas cubanos presos.
Conta corrente
Paulo Maluf preso em Paris por tirar mais que o permitido num banco? Pior é quando ele deposita.
Trinta dinheiros
Os filhos de Saddam Hussein foram mesmo delatados pelo dono da casa que os abrigava. Deve ser o que chamam de ¿entrega em domicílio¿.
Cecília em ação
Aquela cabeça brilhante da equipe econômica, que dava festas em sua penthouse vestido de mulher e atendendo pelo gracioso nome de Cecília, tem freqüentado o modesto hotel Garvey, em Brasília. Sem medo de ser feliz, sua excelência chega sempre no carrão oficial, e com seguranças.
Vou de ônibus
O líder do PMDB na Câmara de Porto Alegre, Sebastião Melo acha inaceitável a volta de filiados que, há menos de dois anos, saíram para apoiar Antonio Britto para o governo gaúcho. Brito, aliás, não está mais a pé: é o novo superintendente da Azaléia, maior fábrica de calçados do país.
Química errada
Não vai nada bem o controle de produtos químicos na Polícia Federal. Peritos formados em Química são preteridos por bacharéis em Direito, sistematicamente, na coordenação de diligências para identificar insumos no refino de drogas. Com a palavra, o Conselho Federal de Química.
Fim do martírio
O presidente da Infraero, Carlos Wilson, não vê mais razão para importunar com interrogatórios e formulários sobre pneumonia asiática as pessoas que chegam do exterior. Ontem, ele eliminou a exigência em Brasília. Afinal, a doença jamais chegou ao Brasil e onde ocorreu já foi debelada.
Numerologia
O deputado tucano Alberto Goldman (SP) destaca as coincidências do 13, o número do PT: o desemprego (13%), a perda salarial dos últimos doze meses (13%) e a média salarial do País - que caiu, naturalmente, 13%.
Visita ao passado
Ex-líder de FhC, o senador Romero Jucá (RR) faz lobby para virar ministro dos Transportes ou da Integração Nacional, indicado pelo seu novo partido, o PMDB. Mas se o PT exigir nada consta do TCU, o sonho vira pesadelo.
Reforma capenga
Paulo Rubem (PT-PE) ataca o relatório preliminar do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) sobre a reforma tributária: os ajustes propostos atendem mais aos empresários do que à maioria da sociedade.
Day after
Tumulto, PM invadindo o Congresso, agressões... e o relatório da reforma da Previdência foi aprovado. Conseguiram juntar o inútil ao desagradável.
Choque
Todo governo tem a sua tropa de choque no Congresso. Mas o governo Lula levou essa necessidade muito ao pé da letra...
Astronauta paulista
O presidente da Câmara de Nova Odessa (SP), Auro Moura (PMDB), usa uma cadeira de R$ 6,2 mil. O vereador justificou o caro assento afirmando que foi desenhado pela Nasa, a agência espacial americana. Os eleitores poderiam aproveitar e mandar o ilustre ao espaço, nas próximas eleições.
Ladeira abaixo
Os amigos de ACM estão preocupados com as evidências de debilitação de seu estado de saúde.
Olimpíada de números
Acha Miami perigosa? Tente a América Latina¿, desafiou o Miami Herald, citando 12 assaltos por cada cem mil pessoas, no Rio. O jornal americano elogia Bogotá (Colômbia), por reduzir a criminalidade, mas não cita Nova York, que disputa com o Rio o direito de sediar a Olimpíada de 2012.
Espetáculo do crescimento
Crescem os assaltos a farmácias, em Salvador. Só esta semana foram dez ocorrências. Os ladrões não queriam dinheiro; queriam comprimidos de Viagra. Pudera: uma caixa com quatro já custa R$ 140.
Pensando bem...
...esses pingüins que invadem a costa brasileira querem entrar numa fria?
Pinóquio dublado
O superintendente da Herbert Richers garantiu à coluna que pagaria semana passada os cachês das crianças que dublam filmes, seriados e novelas. As mães reclamam há cinco meses.
Poder sem pudor: Ops, me enganei
José Sarney era presidente da República e mandou agendar uma audiência solicitada pela Ford mexicana. Sua assessoria o municiou de informações sobre trabalhadores da empresa, produção anual de carros etc. Ao receber a comitiva mexicana, Sarney começou a discorrer, com desenvoltura, sobre a posição da empresa no mercado nacional. Um visitante o interrompeu:
- Deve haver algum engano, presidente. Nós somos da Ford, a Federación Obrera Revolucionaria Democratica...
É UM TERROR!. Não era Uday, mas Udói, o filho morto de Saddam na foto dos americanos.
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8:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
24/07/2003
Revista Epoca
EUA apresentam fotos de Uday e Qusay
Milícia leal promete vingança
A administração civil dos EUA no Iraque divulgou nesta quinta-feira fotografias que diz ser dos corpos dos filhos de Saddam Hussein, Uday e Qusay, mortos terça-feira em Mosul, no Iraque. Segundo a rede de TV CNN, as fotos não foram retocadas e são ''extremamente chocantes''. Pela manhã, o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, havia declarado que as imagens seriam mostradas em breve.
As fotografias mostram imagens chocantes das cabeças e da parte superior do tronco dos irmãos - ambos com barbas espessas, que para os americanos seriam uma forma de disfarce. A foto que seria de Qusay mostra um corpo num saco plástico. O rosto está ensangüentado e cheio de escoriações, principalmente nos olhos. A que mostraria Uday, a mais grotesca, retrata um homem de cabeça raspada aparentemente sem parte do nariz e com uma cicatriz diagonal ao longo da face - o que muitos nas forças da coalizão apontam como prova de que o primogênito de Saddam tentou ou cometeu suicídio para evitar ser capturado.
Os EUA vinham resistindo à divulgação das fotos para não violar a Convenção de Genebra, que proíbe a exibição de imagens de inimigos presos ou mortos em combate ''para satisfazer a curiosidade pública''. Washington mudou de opinião devido à pressão de muitos iraquianos - ainda céticos em relação à informação de que Uday e Qusay tinham morrido em combate e temerosos da volta de Saddam ao poder. Entre as imagens, estaria também as de raios-X com as fraturas sofridas por Uday, em 1996, numa tentativa de assassinato. Essas radiografias teriam ajudado os EUA a confirmar a identidade do homem.
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8:28 AM
by Cassiano Leonel Drum
Amado mestre
Atores e fãs se despedem do humorista Rogério Cardoso, o Seu Flor da Grande Família, morto aos 66 anos.
A Grande Família perdeu um de seus mais queridos integrantes. Rogério Cardoso, o Seu Flor, morreu ontem de manhã, em casa, em Copacabana, vítima de infarto fulminante. O ator, de 66 anos e 50 de carreira, que popularizou personagens como Rolando Lero, da Escolinha do Professor Raimundo; Salgadinho, da novela Explode Coração, e Epitáfio, de Zorra Total, era asmático e cardiopata já tinha colocado, há sete anos, uma ponte de safena. No início do ano, se submeteu a uma angioplastia, que detectou a necessidade da colocação de um aparelho para impedir a formação de coágulo.
Com exames em dia e bem disposto, Rogério trabalhava normalmente. Na noite de quarta-feira, gravou cena externa com Pedro Cardoso, o Agostinho da série. Na madrugada de ontem, conversou até as 3h com a irmã Eliana, a sobrinha Luciana e o neto Leonardo, seus hóspedes. Às 6h, Rogério levantou-se e, com a mão no peito, gritou de dor e caiu sobre a mulher, Isabel.Minha mãe fez massagem cardíaca e respiração boca-a-boca, mas não adiantou. Ele estava feliz com a nossa visita, contou Luciana. Rogério será enterrado hoje, em Mococa, sua cidade natal, no interior paulista.
Comoção e saudades no velório do comediante
O velório do ator, na Câmara dos Vereadores do Rio, reuniu muitos amigos. ¿Se existia alguém no mundo que não merecia morrer, era ele. Perdi um grande amigo¿, disse o ator Pedro Cardoso. Marieta Severo, a Nenê, estava desolada: ¿Muito da paixão da Nenê pelo pai deve-se ao que Rogério despertava em mim. Netos de Rogério na ficção, Lúcio Mauro Filho e Guta Stresser, Tuco e Bebel, também se emocionaram muito.Era o avô que não tive. Fazia muita palhaçada, me beliscava debaixo da mesa. Será difícil voltar a gravar, lamentava Lúcio Mauro Filho. As crises de riso dele faziam o estúdio inteiro rir. A gente vai continuar, mas faltando um pedaço, discursou Guta. Cláudia Jimenez, a Cacilda da Escolinha, tentou amenizar a tristeza. Tenho certeza que ele está em bom lugar. Walter DÁvila, Brandão Filho e Nádia Maria estão esperando por ele, disse, lembrando antigos colegas do humorístico.
Para a equipe do seriado, Rogério é insubstituível. Por mim e Maurício Farias (diretor), não haverá substituição. Vamos nos reunir com o elenco para decidir o destino do Seu Flor no programa. Uma coisa é certa, A Grande Família não vai acabar, afirmou o autor, Cláudio Paiva. Rogério deixou três episódios gravados. Ontem, o programa homenageou o ator com a reprise de O Velhinho Pocotó. Não há nada pior que perder alguém da família, disse Marco Nanini antes do episódio. Rogério será lembrado no Zorra Total, amanhã, com quadro inédito gravado pelo ator.
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8:24 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
25/07/2003
Faça o seu obituário
O Boró é um leitor arraigado do obituário. Trabalhamos a metro e meio de distância, um de costas para o outro, aqui na Redação. Aí pelo meio da tarde, ele gira a cadeira e comenta, jornal aberto nas mãos:
- Olha só esse morto, o Linhares. Escreveram aqui: "Pai amoroso de duas filhas, Linhares se destacou em campeonatos de escova no Estado, no país e no mundo." No mundo! - admira-se o Boró. - Era bom, o Linhares! - e prossegue, encantado: - "Linhares foi multicampeão de escova. Sua especialidade era a modalidade escovão. Tornou-se célebre pelo epíteto de Rei do Sete-Belo. De fato, por um sete-belo fazia tudo: entregava jogos, abandonava parceiros. Poucos souberam apreciar tanto o valor de um sete-belo quanto o Linhares."
Então, o Boró fecha o jornal e suspira:
- Rei do Sete-Belo... Maravilha...
É mesmo formidável. Ali está um espaço para que amigos e parentes desfiem as glórias de seus defuntos próximos. E, por mais insignificante que alguém tenha sido, sempre há uma façanha em seu passado, um singelo motivo de orgulho, algo que o falecido gostaria que fosse lembrado pela eternidade.
"Feliciano calçava 49. Ninguém, em Nova Bassano e região, tinha pés maiores que Feliciano". "Cantor amador, Carlos Moreira orgulhava-se de saber de cor todas as letras das músicas gravadas por Ray Connif". "Bozano foi caixa do Banco do Brasil por 35 anos. Nesse tempo, contou mais de sete trilhões de reais".
Estou pensando inclusive em lançar um serviço novo: redação de obituários. Para que deixar outra pessoa escrever sobre sua vida e seus feitos? Contrate um profissional para narrar por você! Conte a sua própria versão! Coisas que só você poderia contar. O que você REALMENTE gostaria de contar.
"Letícia cometeu uma única grande e romântica loucura em sua vida. De repente, sem aviso prévio, abandonou um casamento estável e viajou com outro homem para Paris. Ficaram um mês na Europa, voltaram e nunca mais se separaram. Tiveram dois filhos e cinco labradores juntos". "Professor Juninho desenvolveu uma técnica radical para provocar orgasmos nas mulheres. Elas experimentavam êxtases variados, quando mantinham relações com ele. Era chamado por elas de 'O Barão dos Orgasmos Múltiplos'". "David Coimbra era imbatível no botão com a regra do passe e no jogo-da-velha. Ponteiro direito recuado, certa tarde marcou um gol dando três balõezinhos na zaga adversária, ali no Estádio Alim Pedro. Fazia uma massa excelente em 10 minutos e uma feijoada que batia a de qualquer hotel cinco estrelas de Porto Alegre".
Perfeito. Já estou vendo o Boró suspirar:
- O Barão dos Orgasmos Múltiplos...
Creio que vou ficar rico com meu novo serviço. Você aí, como vai querer seu obituário?
david.coimbra@zerohora.com.br
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8:21 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
25/07/2003
Mais esta: ICMS na água!
Explodem em todo o país invasões de terras e de casas, no centro de uma delas houve o assassinato de um fotógrafo da revista Época.
Há uma onda de violência em marcha, em meio ao dramático crescimento da pobreza e do desemprego.
Algumas lideranças que comandam as invasões dão claras demonstrações de que desejam o conflito com a ordem estabelecida.
Não há portanto quem não esteja assistindo a esses fatos com profunda preocupação pela sorte institucional do país, num instante em que se anuncia até uma greve dos juízes em todo o país.
Já vivemos muitas crises em várias épocas, dentro das últimas décadas. Mas este instante que vive o país é o mais grave de todos. Pelo somatório de crises que assolam todas as categorias sociais, pelo crescimento da pobreza, pelo empobrecimento da classe média e por um desemprego severo que enche de desesperança todas as massas brasileiras, desde as operárias até as que antes eram bem situadas.
Para gravame maior ainda sobre a crise, no aspecto fiscal, de um lado a sociedade inteira brada contra a alta dos impostos e, incrivelmente, na outra ponta os governos federal e estaduais reclamam que os tributos exagerados que já cobram não são suficientes.
Ontem, foi anunciado inacreditavelmente que é iminente a possibilidade de que seja cobrado ICMS no consumo da água canalizada!
Será que vamos chegar a mais este abuso? Já se cobra ICMS na gasolina, na luz, no telefone, agora se lembraram de aplicar o imposto também na água.
É demais! Quando é que vão parar com este esquartejamento do contribuinte?
Ao mesmo tempo, anunciou-se ontem em Brasília que foi criado o grupo de trabalho que vai criar a Taxa de Inspeção Veicular.
Imposto, mais imposto, novo imposto, como se os contribuintes já não estivessem com a corda no pescoço!
Os políticos de todos os partidos que se alçam ao poder têm uma única forma de governar e agir: aumentar impostos, criar novos impostos, arrecadar cada vez mais.
E, paralelamente à maior arrecadação, não dá para acreditar, aparece com vulto brutal e aterrorizante a redução dos serviços públicos que beneficiam os contribuintes, como este corte desumano e violento do repasse das verbas do SUS, que, num tempo de intensa alta na demanda por hospitais, diminui espantosamente o número de leitos e de atendimentos ambulatoriais.
Mais imposto, menos saúde.
Mais imposto, menos emprego.
Mais imposto, menos vergonha.
Quem conhece fatalidade ou discerne sobre futebol, no que se refere a um vazio total de soluções de que é tomado de repente um time em meio a uma temporada, não tem dúvidas de que o Grêmio será rebaixado.
Falta a faísca, falta a centelha, falta a alma de vencedor, que foi perdida quando se pregou aos jogadores que podiam perder jogos de determinados campeonatos.
Não ganhando em casa e perdendo fora, conseguindo somente um empate em cada três jogos, o destino do Grêmio é cabalmente o rebaixamento.
Ontem, mais uma derrota para um time catarinense, no Olímpico. Nos últimos tempos, todos os catarinenses e todos os paranaenses ganham do Grêmio quando bem entendem, a maioria dos jogos no Olímpico e várias vezes por goleada.
Eis como um grande clube vira, em apenas dois anos, um clube pequeno: basta arrancaram-lhe a dignidade.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:18 AM
by Cassiano Leonel Drum
Grêmio
Novo técnico, nova derrota
Grêmio de Nestor Simionatto segue em penúltimo no Brasileirão, depois de levar 2 a 0 do Criciúma no Olímpico (foto Paulo Franken/ZH)
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Quinta-feira, Julho 24, 2003
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11:17 PM
by Cassiano Leonel Drum
ESTRELA SOL E CHUVA
Marcia
Quero ser uma estrela cadente
entre as milhares que existem no céu
Azul marinho e brilhante,
para, quem sabe, ter sorte
e parar na vida de alguém.
Quero ser um raio de sol
que brilha descaradamente,
Amarelo e radiante,
para, quem sabe, ficar
em algum canto parado
e para longe ser carregado.
Quero ser pingos de chuva
que cai como água corrente
Límpida e alvejante
para, quem sabe, refrescar
a vida de alguém que sonha
ter paz para viver plenamente.
Quero fazer, da vida pequena
a grandeza de ser
para, quem sabe, encontrar
na vida de alguém a minha
verdadeira essência de viver.
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11:07 PM
by Cassiano Leonel Drum
- AUTO-ESTIMA -
Se um dia alguém fizer com que
se quebre a visão bonita que você tem de
si, com muita paciência e amor reconstrua-a.
Assim como o artesão recupera a
sua peça mais valiosa que caiu no chão,
sem duvidar de que aquela
é a tarefa mais importante,
você é a sua
criação mais valiosa.
Não olhe para trás.
Não olhe para os lados.
Olhe somente para dentro, para
bem dentro de você e faça
dali o seu lugar de descanso,
conforto e recomposição.
Crie este universo agradável para si e seja feliz.
O mundo agradecerá o seu trabalho.
- Brahma Kumaris -
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11:00 PM
by Cassiano Leonel Drum
Algum dia você se deparou com um céu carregado de nuvens escuras e densas, e esta paisagem contribuiu para que a tristeza e a monotonia tomassem conta do seu ser?
Pois é... quando vemos um céu assim, tudo nos parece vazio e sem graça...Esta semana quase toda ela foi assim
Mas algum dia você parou para pensar que esta paisagem monótona reflete apenas um momento e que atrás destas espessas nuvens passageiras brilha o mesmo sol que está sempre nos alimentando de beleza e energia? Pois é... cabe a nós escolhermos o modo de ver cada situação...
Um dia você perceberá a realidade através das aparências...Sentirá com toda a força do seu coração..E poderá constatar que é bela, justa e certa!
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8:34 AM
by Cassiano Leonel Drum
O Brasil todo em debate
Sem Censura faz edição no Rio Grande do Sul para estrear projeto que visitará capitais do País
Leda Nagle apresenta o Sem Censura ao vivo de Porto Alegre amanhã
Ao completar 18 anos, o programa Sem Censura, da TVE, vai ganhar a estrada pela primeira vez. A atração comandada por Leda Nagle sai dos estúdios da emissora, no Rio, para ser exibida, amanhã, ao vivo, às 16h, direto do Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. O Sem Censura itinerante faz parte do projeto que, periodicamente, levará o programa a diferentes capitais do país.
¿Isso é muito legal, porque quebra a rotina. Confesso que estou na expectativa, porque estamos arriscando ao fazer uma coisa nova, diz Leda, que está há oito anos na apresentação do Sem Censura, um dos programa de maior longevidade da televisão brasileira.
Segundo a apresentadora, o projeto tem a intenção de dar uma dimensão ainda mais nacional ao programa, que é assistido em mais de 20 estados.
Para viabilizar as produções, a emissora vai sempre contar com o apoio do canal educativo local. No caso de Porto Alegre, a atração será transmitida pela TVE do Rio Grande do Sul.
Apesar de sair do lugar comum, o programa continua com a mesma linguagem, com Leda ao centro da roda de convidados de diferentes áreas. É bom também porque a gente se aproxima de um público diferente, conhece outras culturas. Como as TVs educativas escolhem a programação que querem exibir, o Sem Censura estava há dois anos fora da grade da TVE-RS e voltou a ser exibido há dois meses. Escolhemos começar por lá também para prestigiar a região que nos acolheu de volta, conta a apresentadora.
Além da atração de Leda, já estão sendo exibidos na TVE-RS o Gema Brasil, de Rodolfo Bottino, e National Geographic Apresenta.
No programa de Porto Alegre, os convidados serão pessoas que têm importância na região, como um médico expert em transplante de pulmão, uma especialista em estresse e o ator gaúcho Zé Victor Castiel, o Chico Mascate da minissérie A Casa das Sete Mulheres.
Leda comenta que já está nos planos levar o Sem Censura para Salvador. Acho que vai acontecer um processo engraçado, que é o público das capitais pedir para o programa ser transmitido de uma determinada cidade, acredita a apresentadora.
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8:28 AM
by Cassiano Leonel Drum
Diário de um tímido
No filme Meu Tempo é Hoje, que estréia amanhã, Paulinho da Viola consegue revelar um pouquinho de sua intimidade
Marcelle Justo
Aos 60 anos, Paulinho da Viola imaginava estar lendo livros, ouvindo discos e fazendo tudo o que não conseguiu durante a vida. Enganou-se. O cantor e compositor continua muito bem requisitado para shows, obrigado, e amanhã entra em cartaz no cinema com o filme Meu Tempo é Hoje, sobre sua obra. Imaginava o contrário, admite Paulinho, com uma pontinha de vaidade. Estou me sentindo feliz. Todos nós somos muito vaidosos, apesar de a gente lutar sempre contra isso, disfarça.
Ao ser convidado por Zuenir Ventura e o cineasta João Moreira Salles para fazer o documentário, Paulinho da Viola aceitou na hora. Mas alguns detalhes ele relutou em mostrar para a diretora Izabel Jaguaribe.Tenho vida muito simples. Mas esse filme não é biográfico: trata apenas de uma questão, que foi decidida na primeira reunião, que é o tempo na minha obra, diz. Também não tenho nada o que esconder. Apenas queria preservar coisas que estão fora do meu trabalho, completa, com jeito reservado.
Para um público que está acostumado a ver escancarada a vida de seus ídolos, os segredos de Paulinho chegam a ser ingênuos. E talvez fundamentais para entender suas músicas. Um deles é a marcenaria. É onde eu fico comigo, relaxo, onde posso me concentrar um pouco mais. Faço isso por amor, revela Paulinho, também fã de carros antigos, que compra, desmonta e monta. Não sou colecionador. Num determinado momento, no final da década de 70, me interessei por mecânica. Agora, tenho os carros que eu pretendo montar. São os dois Karman Guias. Coisa que já faz parte do folclore da família, admite o compositor, que nessa hora protagoniza uma das cenas mais engraçadas do filme.
Além dos detalhes curiosos de seu dia-a-dia, que conta com longas caminhadas pelo centro do Rio, o longa mostra a grande família do compositor. Ser pai de sete filhos tem dois lados. O primeiro é que aprendi e aprendo muito com eles. Se pudesse, teria mais. O outro lado é que, como são muitos e o tempo passa rápido, não posso me dedicar efetivamente como imaginava no começo. Alguns entendem, outros não, lamenta Paulinho, que no filme tem belos encontros musicais com Elton Medeiros, Marisa Monte e a Velha Guarda da Portela. Fiz questão que tivesse Coisas do Mundo, Minha Nêga, que é a minha preferida, conta.
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8:23 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Simão
simao@uol.com.br
Chama a Wanderléa! Senhor juiz, PARE agora!
Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Iraque Urgente! Pegaram os fofinhos do tio Saddam. Mataram o Uday e o Qusay. Uday ou Desce e o Qusay e Quentro! E acho engraçado os telejornais falando da vida devassa do Qusay (também, com esse nome): 'Em sua casa foram encontradas garrafas de uísque e filmes pornôs'. Mas em qualquer casa de qualquer cidadão normal tem uísque e filme pornô. Só falta a 'Playboy' da Sheila Mello!
Eles encontraram a 'Playboy' da Sheila Mello na casa do Qusay? E eu sei onde o Saddam tá escondido. No porão do Habib's! Não há turco que resista a esfirra por R$ 0,49! E se você delatar o Saddam e ganhar o prêmio, já dá pra comer 60 milhões de esfirras do Habib's. Rarará!
E a greve dos juízes? Diz que o bom da greve dos juízes é que ninguém vai notar quando começar e muito menos quando terminar.
E nas rádios daqui de Sampa já estão tocando a trilha sonora da greve dos juizes: 'SENHOR JUIZ/ PARE AGORA!'. Chama a Wanderléa. Bota a Wanderléa num carro de som! Mas os juízes só querem entrar em greve em agosto. É que estão em recesso. Recesso, depois greve, licença-prêmio, licença-maternidade e, aí, já é hora da aposentadoria integral!
E diz que quem está ganhando com a vitória do Rubinho é posto Shell: que tá cheio de bonezinho da Ferrari, que encalhou do GP Brasil, e agora passou de R$ 12 pra R$ 25! E sabe o que tava escrito no cartaz do maluco que invadiu a pista? 'Schumacher! O Rubinho pegou o teu carro.'
E eu sei como o Lula pode diminuir o desemprego: demitindo o pessoal que calcula o desemprego. Básico. E desempregado tem que se consolar com a hiena que só come carniça, transa uma vez por ano e ainda dá risada! Trágica! E um amigo meu vai comprar um carro em 60 meses. Num mês ele compra uma porta, no outro compra um pneu e no outro compra uma bateria!
E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que o diretor da Volks declarou que a montadora criará uma empresa 'que ficará responsável pela recolocação do metalúrgico'. Tucanaram a demissão em massa. Socorro! Chama o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês. Tá mais fácil a volta do Fusca que erradicar o tucanês!
E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Injuriado': companheiro ainda puto com os juros. Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! O já famoso Estoura Brasil!
Email simao@uol.com.br
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8:19 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
24/07/2003
O resgate
George Smiley, do serviço secreto inglês, nunca perdoou seu criador, John Le Carré, por comparar seus ternos à pele solta de um sapo que encolhera ou por lhe dar uma mulher infiel. Mas pior do que ser o herói desajeitado e enganado de uma série de livros de Le Carré, para Smiley, era a obrigação de, em várias ocasiões, ter que compartilhar a defesa da civilização ocidental da perfídia comunista com seus pares americanos, os "primos" cujos métodos crus e falta de imaginação mais atrapalhavam do que ajudavam.
Nos livros de Le Carré era sempre o melancólico Smiley, com sua inteligência e tranqüila eficiência, que resolvia tudo, e não os bem-aparelhados e insensíveis americanos. Foi Smiley que desmantelou a organização da sua contraparte soviética, o terrível Karla, e o responsável pela defecção final do próprio Karla, no último livro da série. Depois disso, Le Carré lhe concedeu uma merecida aposentadoria como única recompensa.
No seu retiro num dos "shires" mais bucólicos, entregue ao estudo de obscuros poetas alemães do século 17, entre evanescentes lembranças da traidora Ann e dos seus dias de glória irreconhecida, Smiley deve ter, finalmente, perdoado Le Carré. Dispensando-o, o autor o poupou do fim da União Soviética como adversário e da Guerra Fria como causa identificáveis, e do lento declínio do seu ofício até a irrelevância. Poupou-o, principalmente, da rendição inglesa à truculência americana na defesa do "Ocidente", seja isto o que for agora, e do fim de qualquer idéia de espionagem e contra-espionagem como um jogo de cavalheiros, pelo menos na literatura.
Mas o noticiário destes últimos dias deve ter reconfortado George Smiley. O suicídio do cientista David Kelly, acusado de ter denunciado a manipulação dos dados que apressaram o ataque ao Iraque, traidor, herói ou vítima, resgatou a história da triste realidade da submissão inglesa aos interesses dos "primos" e a devolveu ao mundo de Le Carré, onde a verdadeira questão nunca era ideológica ou tinha muito a ver com o resto do mundo, era sempre sobre ingleses sendo ingleses. Sobre suas relações com a sua ilha e as suas almas, sobre honra, classe e discrição. A história ficou exclusiva e inimitavelmente inglesa. Smiley talvez até seja convidado a voltar.
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8:12 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
24/07/2003
O suicídio do Super-Homem
Deu na televisão, no último domingo, uma impressionante reportagem sobre o avanço da ciência médica na reconstrução da vida. A reportagem começou com dois senhores de cabelos grisalhos jogando futebol numa praia do Rio. Os velhinhos faziam embaixadas, cobravam pênaltis, atiravam-se na areia e voltavam a correr com invejável disposição. Em seguida, o repórter informou que alguns meses antes da gravação daquelas cenas os dois homens sequer podiam caminhar sem ajuda, devido a problemas cardíacos.
Então, submeteram-se a um tratamento pelo qual transformaram-se em doadores e receptores ao mesmo tempo. Receberam um transplante de células-tronco, aquelas capazes de dar origem a células de diferentes partes do corpo, retiradas da própria medula óssea. A operação provocou a revascularização das áreas do coração afetadas pela doença, e em pouco tempo os dois já estavam candidatando-se a uma vaga na Seleção do Parreira.
Sei, não é tão simples assim. Nem sempre funciona com tamanha eficácia como nos exemplos mostrados pelo Fantástico. Também não me cabe - leigo que sou nesse assunto - avalizar coisa tão séria neste espaço de amenidades. Mas, por casualidade, estou terminando de ler um dos livros escritos pelo ator Christopher Reeve, o Super-Homem do cinema, que ficou tetraplégico depois de uma queda de cavalo. Ao se descobrir impossibilitado de movimento do pescoço para baixo, ele queria morrer. Queria de verdade. Estava extremamente deprimido e achava que a vida não teria mais sentido. Então, sua mulher ajoelhou-se ao lado de sua cama de hospital e fez-lhe a seguinte proposta:
- Você continua sendo você mesmo e eu o amo. Vamos combinar o seguinte: se dentro de dois anos você ainda continuar com o mesmo propósito, vamos encontrar uma maneira suave de realizá-lo.
Em muito menos tempo, ele recuperou a vontade de viver. Passou a valorizar os pequenos progressos, voltou a se movimentar numa cadeira de rodas especial, voltou a conviver com a família, dirige uma fundação, escreve livros, faz palestras e transformou-se no garoto-propaganda da pesquisa sobre a célula-tronco embrionária - que é ao mesmo tempo uma monumental polêmica ética e uma esperança para quem teve a coluna vertebral seccionada.
O livro de Christopher Reeve chama-se Superar o Impossível. Poderia ter como subtítulo: Dessa vez, sem os efeitos especiais e os truques do cinema.
nilson.souza@zerohora.com.br
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8:10 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
24/07/2003
Não consultam as gazelas
Há dias se desenrola em Brasília um movimentado cenário em torno da reforma tributária.
Um leão (o governo federal) e um leopardo (os governos estaduais) discutem acaloradamente sobre qual vai ser a sua parte nas presas (os contribuintes), representadas por 10 gazelas encerradas em um potreiro.
O leão, segundo o noticiário, não abre mão de oito das 10 gazelas. O leopardo quer pelo menos quatro das 10 gazelas.
Na volta da discussão entre o leão e o leopardo, uiva e rasteja como sempre a hiena (os municípios), já conhecendo que mais uma vez ficará apenas com os restos do festim.
Tão logo o leão e o leopardo entrem num acordo, se atirarão sobre as gazelas com sua insaciável fome carnívora.
Mas não estão entrando em acordo, deixando ainda mais nervosa a hiena.
É evidente o final desta fábula tributária: o leão bate pé em oito gazelas, o leopardo não se contenta com somente as duas que tem devorado ultimamente.
Fatalmente os dois chegarão à conclusão de que há gazelas de menos para a gula das duas feras.
Vão acordar que terão de arrebanhar mais quatro gazelas para o potreiro.
Ou seja, vai aumentar a carga tributária.
Mesmo que as gazelas soltas nas campinas já sejam uma espécie quase em extinção.
É bem assim que acontece. O debate sobre a parte que toca a cada um será travado somente pelos dois.
A pobre da hiena, sem força política e representação definida, ficará à mercê do humor das duas principais feras.
E as gazelas, incrivelmente, não são consultadas sobre o destino da reforma.
Há meses que se trama a reforma tributária ao sabor das vontades do governo federal e dos governos estaduais - notem bem -, sem que qualquer consulta se faça aos contribuintes, eles que são a base do negócio.
Não resta dúvida então que mais uma vez toda a ira e a fome do leão e do leopardo vão se derrubar sobre as inocentes gazelas, não só as já condenadas do potreiro, mas as outras que serão trazidas lá de fora para se juntar ao martírio da carnificina fiscal.
No Congresso, onde podia de alguma forma se decidir a sorte numeral das gazelas, só há representantes do leão e do leopardo.
Só resta aguardar a sangria desatada.
Como já chegamos a inacreditáveis 41% do Produto Interno Bruto consumidos unicamente por impostos, seria lícito supor que uma assim tão badalada e festejada reforma tratasse de reduzir a carga tributária.
Sobre isso, nenhuma palavra. Toda a contenda se resume na repartição dos impostos que serão cobrados.
E, a julgar pela insistência do governo federal em não ceder ao seu bocado e pela veemente declaração dos governadores de que terão de arrecadar ainda mais do que arrecadam, difícil é não prever que haverá aumento de impostos.
Pobres das gazelas, na festança fiscal da selva democrática, elas entram somente com o voto.
E com sua carne apetitosa.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:06 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ambiente
Acidente revela carga tóxica clandestina
Colisão entre dois caminhões na RS-118, em Gravataí, revelou que o veículo da esquerda transportava ilegalmente um produto químico tóxico (foto Genaro Joner/ZH)
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Quarta-feira, Julho 23, 2003
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10:25 AM
by Cassiano Leonel Drum
Trabalho
FGTS injeta R$ 1,2 bilhão na economia
Vão receber créditos 615 mil pessoas
Começam hoje a receber o pagamento da correção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) referentes aos planos Verão e Collor 1 os trabalhadores que desistiram de ações judiciais mas aguardavam a homologação judicial. A Caixa Econômica Federal (CEF) estima em 615,2 mil os trabalhadores nessas condições, cujo crédito total é de cerca de R$ 461,7 milhões.
Desde o último dia 15, a CEF vem liberando as parcelas referentes à correção do FGTS para quem tem crédito até R$ 8 mil, cuja soma atinge quase R$ 739 milhões. No total, portanto, poderá ser injetado na economia um total de R$ 1,2 bilhão este mês.
O dinheiro deve ajudar a reaquecer de alguns segmentos econômicos. Segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas da Capital, Atílio Manzoli Júnior, a relação dos créditos do FGTS com a retomada do consumo e a redução dos níveis de inadimplência é direta. No primeiro semestre, as vendas do setor caíram 6,27% em relação a 2002.
- A previsão para o segundo semestre não é de resultado negativo - destaca.
Os recursos do FGTS também devem ajudar a recuperar as vendas dos supermercados, que encerraram o primeiro semestre com queda real de 1,11%.
Quem assinar o acordo agora recebe em 30 dias
O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Carlos de Oliveira, acredita que esse dinheiro pode ajudar a reverter o mau desempenho do setor nos primeiros seis meses do ano. A correção paga pelo FGTS foi um dos fatores que permitiu aos supermercados encerrar 2002 com faturamento de R$ 80 bilhões, valor 1,52% superior ao registrado no ano de 2001.
O pagamento dos créditos a quem desistiu das ações mas esperava a homologação da Justiça foi determinado por decreto presidencial assinado em 11 de julho. Quem indicou conta corrente para receber o crédito vai ter de esperar 72 horas, prazo que os bancos têm para depositar o valor nas contas indicadas.
No post abaixo você poderá sanar algumas dúvidas a respeito com perguntas e respostas.
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10:23 AM
by Cassiano Leonel Drum
Quem começa a receber hoje os créditos complementares do FGTS?
Quem tinha entrado na Justiça pedindo a liberação dos recursos referentes aos planos Verão e Collor 1, mas desistiu da
ação ao assinar acordo com a Caixa Econômica Federal (formulário azul).
Que documentos devo levar?
Para fazer o saque, é preciso levar a carteira de trabalho, o número de inscrição no PIS ou o Cartão do Cidadão e documento de identidade. Para facilitar o processo, convém levar também o extrato recebido e o protocolo do termo de adesão. O trabalhador deverá apresentar o termo de rescisão de contrato de trabalho, certidão de aposentadoria ou outro documento que comprove sua situação.
Sou obrigado a sacar o crédito complementar?
Não. O dinheiro fica disponível na sua conta do FGTS.
Há alguma regra especial para maiores de 70 anos?
Para esses, o pagamento é feito de uma só vez, independentemente do valor. Quem vier a completar 70 anos pode fazer a solicitação de saque no mês seguinte ao do aniversário.
Quem pode sacar o dinheiro?
As regras são as mesmas aplicadas ao saque do FGTS, como demissão sem justa causa, aposentadoria, término de contrato por prazo determinado, falecimento ou doenças graves do titular ou dependente previstas em lei (câncer, AIDS e outras). Quem já retirou o dinheiro do FGTS, pode sacar o complemento, exceto se a finalidade foi a aquisição da casa própria. Neste caso, o trabalhador poderá utilizar as parcelas dos créditos complementares já liberadas para abater prestações habitacionais ou quitar saldo devedor.
Onde posso obter mais informações?
Pelo telefone 0800-550101 ou no site da Caixa (www.caixa.gov.br) Serviços ao Cidadão, onde consta o calendário de
pagamentos e pode ser consultado o saldo do FGTS.
Onde posso assinar o termo de adesão?
Até 30 de dezembro deste ano, nas agências dos Correios. Ou pela Internet, no site da Caixa www.caixa.gov.br, apenas se tiver o Cartão do Cidadão.
Como ficam os demais trabalhadores com créditos a receber?
A Caixa se compromete a colocar em dia os pagamentos dos créditos complementares que se atrasaram devido ao processo de homologação do termo de adesão. Todas as parcelas que já poderiam ter sido recebidas segundo o cronograma serão pagas agora. As demais cumprirão as etapas normais do calendário fixado, conforme o valor a receber.
Os trabalhadores que não moveram processo judicial seguem recebendo suas parcelas pelo calendário. Quem ingressou com ação na Justiça e não aderiu ao acordo, terá de aguardar a decisão judicial. Saiba mais sobre a liberação dos créditos complementares do FGTS Veja o calendário das liberações:
Até R$ 1 mil uma até 30/6/2003 uma
De R$ 1.000,01 até R$ 2 mil duas até 31/12/2002 duas
de 1º/1/2003 até 30/6/2003 uma*
De R$ 2.000,01 até R$ 5 mil cinco até 31/12/2002 duas
de 1º/1/2003 até 30/6/2003 uma*
De R$ 5.000,01 até R$ 8 mil sete até 30/6/2003 uma*
Acima de 8 mil sete até 31/12/2003 a partir de janeiro de 2004
*As demais, a cada seis meses.
Fonte: Caixa Econômica Federal
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8:36 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Simão
simao@uol.com.br
Ueba! Galvão berra e quebra taça do Rubinho!
Buemba! Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Socorro! Salve-se quem puder! Todos para o abrigo! A Ana Maria Braga lançou um CD. Entendi esse CD: quem compra é usuário e quem vende é traficante. Rarará! E um leitor me disse que aquele programa do Galvão Bueno 'Bem, Amigos' devia se chamar 'Calem, Amigos'. Só ele fala. Não deixa ninguém falar!
E essa greve dos juízes? Olha a enrascada: quem é que vai decidir se a greve é legal se os juízes estão em greve? E eles podem fazer greve que a população nem vai sentir. Se fosse greve de JUIZ DE FUTEBOL, aí sim, ia ter uma rebelião popular no Brasil.
E eles marcaram a greve para 5 de agosto. Só? Até pra fazer greve a Justiça é lenta? Rarará! E eles dizem que não é greve, é paralisação. E qual a diferença? Greve tem que ter carro de som, ir pra rua e jogar planfleto. Paralisação é eles continuarem como estão. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
Buemba 2! Depois dizem que eu implico: cadê a taça do Rubinho? O caneco espatifou. Diz que um cara no aeroporto de Londres esbarrou nele, o troféu caiu e espatifou. Ou seja, não bateu na pista, mas bateu no aeroporto. Rarará! E esse cara deve ter sido mandado pelo Schumacher. E o Rubinho, quando não quebra a Ferrari, quebra a taça. Assim não dá!
E um leitor disse que foi o Galvão que, quando viu o Rubinho no aeroporto, começou a berrar: 'Vaaai Ruuubinho'. E quebrou a taça! Berro de Galvão quebra taça do Rubinho! E um outro leitor acha que ele não tá acostumado a segurar troféu! Como é que faz troféu de cristal? Pro Rubinho tinha que ser troféu de borracha. Um teletubbie de borracha!
A VOLTA DA MÚMIA! O FHC Boca de Sovaco disse que tinha que ter cargo pra ex-presidente. Ué, mas ele não ia ser conselheiro da ONU? A mídia tucana (pleonasmo) não ficou alardeando que ele tinha uma agenda extensa de palestras no exterior? Nem Xique Xique quer palestra dele. Pois ele não sai de Higienópolis. Micado em Higienópolis!
E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que no jogo Fluminense X Santos, o Arnaldo César Coelho disse que não é pênalti quando o jogador usa a mão para proteger a cara, a barriga e 'outros órgãos'. Tucanaram o saco. Rarará! Socorro! Chama o Oswaldo Cruz. Tá mais fácil acabar com a fome no planeta que erradicar o tucanês!
E atenção! Cartilha do Lula! Mais dois verbetes pro óbvio lulante. 'Peteca': recreação predileta dos companheiros do PT. 'PTleco': leite exclusivo para companheiros do PT. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã!
Email simao@uol.com.br
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8:34 AM
by Cassiano Leonel Drum
Cláudia Laitano
23/07/2003
Nem sempre a culpa é da biruta
Quem me conhece sabe que uma das palavras que eu menos levo a sério é "mídia" - tenho até um jeito meio ridículo de pronunciá-la, para deixar ainda mais evidente a implicância. Aos meus ouvidos, "mídia" cumpre agora a função que um dia foi do "sistema". Hoje ninguém mais diz, a sério, que "a culpa é do sistema", certo? Pois é. Agora a culpa é "das mídia". A decadência dos costumes, a moda dos beyblades, a fome no Terceiro Mundo, a má fase do Grêmio. Outra coisa que eu não gosto muito é de texto que usa o dicionário para provar um ponto de vista, mas vou ser obrigada a apelar. Reparem o saco-de-gatos arrolado pelo Aurélio apenas na primeira definição de mídia: "O conjunto dos meios de comunicação, e que inclui, indistintamente, diferentes veículos, recursos e técnicas, como, p. ex., jornal, rádio, televisão, cinema, outdoor, página impressa, propaganda, mala-direta, balão inflável, anúncio em site da Internet, etc.". Balão inflável? Então cadê a biruta, e o homem-sanduíche, e o torpedo?
É incrível como palavras podem ser massacradas pelo uso irresponsável. Tenho certeza que existe muita gente pensando profunda e sistematicamente a mídia e seu impacto nisso ou naquilo outro. O problema é encontrar a pepita de ouro no meio do cascalho. Cascalho, por exemplo, é imaginar que um fenômeno planetário como Harry Potter pode ser produto, única e exclusivamente, da "ofensiva da mídia". Quem tem filhos sabe. Você pode hipnotizar uma criança com decalques, ábuns de figurinhas, bolacha recheada, mas jamais vai conseguir convencê-la a ler 800 páginas se aquilo não fizer algum sentido para ela. Um filme ruim "com mídia" vai levar muito mais gente ao cinema do que um filme ruim "sem mídia", não há dúvida, mas até Hollywood é esperta o suficiente para perceber que há vida - e possibilidade de lucros - fora dos grandes estúdios e das megaproduções. Existem várias cartas marcadas nesse jogo, mas negar o imponderável e atribuir a uma entidade relativamente abstrata poderes absolutos não ilumina a análise de nenhum fenômeno específico.
E foi exatamente para falar sobre três fenômenos específicos de Porto Alegre - e que se tornaram fenômenos não porque "as mídia" decidiram, mas porque o público decidiu - que eu me dei ao trabalho de escrever essa palavrinha cricri tantas vezes. A eles: (1) Sarau Elétrico, que completou quatro anos na semana passada, inexplicavelmente levando bandos de pessoas a fazerem fila para entrar no Ocidente, não para dançar hits dos anos 80, mas para ouvir literatura lida em voz alta. (2) Tangos & Tragédias, em cartaz na cidade no fim de semana passado e há inacreditáveis 19 anos. (3) Nei Lisboa, em temporada a partir de amanhã no São Pedro e lotando teatros no Estado há 23 anos.
Pelo naquinho de mídia que eu conheço, adoraria dizer que este caderno é responsável por esses e outros sucessos locais. Mas não é. Explicar por que algumas coisas funcionam e outras não dá muito mais trabalho.
claudia.laitano@zerohora.com.br
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8:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
23/07/2003
Os maiores
Eu não sabia muita coisa sobre Nelson Freire até assistir ao documentário sobre sua vida e obra. Sabia que era um grande pianista, mas não tinha idéia de que era um grande homem.
Pequeno grande homem, aliás. É baixinho. Durante o filme, quase nunca conclui suas frases. Fica ligeiramente constrangido com aplausos e elogios. Não sabe o que fazer quando lhe fazem perguntas estapafúrdias. Tem um jeito sereno e humilde, mesmo sendo reverenciado no mundo todo como um dos maiores expoentes da música clássica contemporânea. Quando pediram que falasse sobre estrelato, foi definitivo: "Nenhuma pessoa deve tornar-se maior do que sua obra".
Os maiores em suas especialidades geralmente não são arrogantes, não são exibicionistas, não jogam confete em si mesmos. Estão focados no seu trabalho. Não querem ser consumidos, não têm esta vaidade pessoal: o que lhes interessa é fazer um trabalho bem-feito, manter a autocrítica, procurar evoluir sempre e ofertar ao público o resultado deste esforço. Quem são estes, além de Nelson Freire? Luis Fernando Verissimo, Fernanda Montenegro, Mateus Nachtergaele, Chico Buarque, Malu Mader, Marisa Monte... gente que não dedica sua vida a ser mais vistosa do que aquilo que produz.
As pessoas podem posar nuas, criar polêmicas, passar temporadas no castelo de Caras e ainda assim ter muito talento: uma coisa não inviabiliza a outra. Não há nada de errado em aparecer na mídia para atrair público e projetos. Mas é preciso não perder de vista o que realmente tem valor. Caetano Veloso aparece bastante mas faz um trabalho à altura da sua exposição. Já Vera Fischer é uma boa atriz mas é muito melhor como notícia. Ficou maior que sua obra. Vai ser lembrada mais pelas suas aparições em festas do que pelas aparições nos palcos. Uma carreira de sucesso, sem dúvida. Mas outro tipo de sucesso.
Os verdadeiramente grandes gostam de elogios, mas não se rendem a eles, não se satisfazem com as glórias alcançadas. Seu trabalho é sua via de comunicação com o mundo, é o exercício de um dom, uma maneira de se autoconhecer, e não um meio de se tornar conhecido. E isso vale não só para artistas, mas para médicos, locutores, empresários. Num mundo onde todos procuram seu lugar sob os holofotes para nos oferecer poses sensuais e frases vazias, os discretos é que têm chamado mais atenção, pelo simples fato de se dedicarem àquilo que realmente queremos receber deles.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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8:27 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
23/07/2003
Incompreensão rochosa
Como voltou à tona a idéia infeliz que dei há 25 anos de cercar o Parque da Redenção, meto de novo o bedelho nela.
A maioria das pessoas que é contra o cercamento do Parque Farroupilha usa de um argumento insano e delirante: "O parque pertence à população e não pode ser fechado a ela".
Ou seja, a maioria contra o cercamento imagina não que será cercado o parque, mas que será extinto. Cercar um parque para impedir que a população entre nele é a extinção do parque.
Isso não é desinformação, isso é burrice mesmo.
E é uma burrice que triunfa entre nós há dezenas de anos. E tomou conta de gente muito ilustre.
Se as pessoas não entendem que só à noite o parque é depredado e vandalizado, não são capazes de entender nada.
E a idéia de cercar o parque - que não é bem uma idéia, mas uma imitação da maioria dos parques importantes do mundo, que são cercados para serem preservados durante a noite, durante o dia seus portões são abertos para a entrada e freqüência do público - visa somente a que não se destrua à noite o que se pode usufruir de dia.
O mais grave não é o dinheiro que a prefeitura gasta para dotar o parque de equipamentos que são destruídos durante a noite, a ponto até de terem arrancado todas as placas de bronze dos monumentos da Redenção.
O mais grave é o dinheiro que a prefeitura não gasta no parque. Explico: diante da depredação completa que se verifica à noite, a administração pública se desencoraja a equipar e remodelar o parque.
Pensam assim os administradores: "Para que gastar com o investimento no parque se amanhã pela manhã encontraremos tudo destruído?"
E se encolhe. E só vai fazendo o feijão com arroz. É até uma boa e justa desculpa para não gastar e não investir no parque.
Chamei minha idéia de cercar o parque de infeliz porque ela trombou de cara e sempre vai trombar com a falta de lucidez dos que reagem.
É uma idéia agressora ao seu tempo e ao seu meio retrógrados. Porque não encontra eco nos tempos duros de escassez de sensibilidade o raciocínio de que o Parque Farroupilha cercado e fechado durante à noite iria se abrir à população durante todos os dias como um imenso e prometedor oásis de vegetação e repleto de recantos agradáveis ao passeio e ao lazer.
Seria um tesouro preservado e mais ainda enriquecido.
Mas bate a idéia no rochedo duro e impenetrável da incompreensão.
Enquanto isso, quatro edifícios residenciais do centro de São Paulo foram invadidos por 3 mil integrantes de movimentos organizados de sem-teto.
Vários outros prédios foram ameaçados de invasão, com a polícia impedindo. Foram 12 os movimentos organizados de sem-teto que participaram das invasões e das tentativas.
Ou seja, do campo para as cidades, crescem os movimentos organizados dos que querem terras ou residências de propriedade alheia.
Pode existir um coquetel de embate social mais explosivo?
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:25 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
23/07/2003
Foto(s): reprodução/ZH
O túmulo de Van Gogh
Fala-se muito na orelha do Van Gogh. A que ele cortou, digo. Pudera: Van Gogh apaixonou-se por uma prostituta, o que por si já é uma temeridade, mas, tudo bem, acontece, prostitutas são como quaisquer outras mulheres, vêm ao mundo armadas com o mesmo poder de encantamento de todas elas, sobretudo quando nos olham nos olhos daquele jeito, manja aquele jeito?
Enfim, Van Gogh se apaixonou por uma cortesã e, como todo apaixonado, perdeu a razão, o que para ele não era muito difícil. No que imagino ter sido um arroubo de romantismo, Van Gogh decidiu dar um presente a ela, um presente único, que demonstrasse de pleno o seu amor. Donde, passou a navalha na própria orelha, enrolou-a num paninho e foi até a casa da moça, oferecer-lhe o mimo.
Muito arrebatador, uma prova irrefutável de paixão, mas, ao mesmo tempo, foi algo que deve ter afastado a menina dele. Pois, afinal, o que ela iria fazer com uma terceira orelha? Se estivesse precisando de um rim, por exemplo, e Van Gogh oferecesse o seu, nossa, isso seria de fato uma abnegação. Mas uma orelha... Além do mais, onde colocar uma orelha? Naquele tempo nem havia refrigerador, orelhas apodrecem quando estão fora das respectivas cabeças e a do Van Gogh não era diferente. Um problema. Não é presente que se dê.
Bom, mas o que estava dizendo é que as pessoas prestam muita atenção ao episódio da orelha arrancada. Mas nunca tinha ouvido falar numa história que meu amigo Ivan Pinheiro Machado me contou sobre o Van Gogh, dia desses, e olha que já li algumas de suas biografias, inclusive uma ótima, que recomendo: "Sede de Viver".
O Ivan, se você não sabe, além de ser o PM da L&PM é jornalista, fotógrafo, arquiteto e... pintor! Excelente pintor. E um homem muito culto, lido. Por isso, sabe deveras sobre artes plásticas. Inclusive a tal história do Van Gogh. Que é a seguinte:
Vincent Van Gogh não foi o único Vincent Van Gogh. Antes dele, um ou dois anos antes, seus pais tiveram um menino que batizaram de Vincent. O menino morreu, foi enterrado próximo à casa deles, lá na Holanda. Mais tarde, o pequeno Vincent, esse o pintor que conhecemos, o que depois se mutilaria para regalar a mulher amada, ele ia para a escola e passava pelo túmulo do irmão morto. Imagine: a cada dia, o menino cruzava diante da lápide fria e lia: "Vincent Van Gogh". Que profunda impressão deve ter causado na criança essa mórbida experiência repetida e repetida e repetida?
Tenho minha suposição: o problema, para Vincent, não foi o tétrico da situação. Creio que Vincent sentia, todas as manhãs, ao deparar com a sepultura que levava seu nome, o peso da responsabilidade. Porque Vincent estava vivendo a vida de outro. Não era ele quem devia ser o Vincent, mas o irmão mais velho, que jazia sob o solo duro. Foi demais. Vincent se sentia como um desses times grandes que estão na iminência de rebaixamento, no Brasileirão. Há muita expectativa em relação a eles. Então, uma derrota não é só uma derrota; é um fracasso. Por isso, a chance de um grande cair é maior do que a de um pequeno. Por isso, o Grêmio está muito, muito ameaçado de desabar para o purgatório.
Expectativa excessiva. Pânico da derrota. Pode levar um clube tradicional ao pântano da segunda divisão. Pode ter tornado ainda mais árdua a carga do infeliz Vincent Van Gogh. E talvez ajudado a lhe roubar o juízo, a levantar contra a própria orelha o fio da navalha, a apontar contra o próprio peito o revólver que um dia encerrou sua vida torturada.
Brócolis e molho branco
Isso do brócolis. Isso é pura mídia. Porque o brócolis não era assim, não tinha esse prestígio. Foi a mídia que fez dele o que ele é hoje. Pense: no tempo dos seus pais, dos seus avós, o brócolis era incensado dessa forma? Digo até que meu avô jamais citou o brócolis em qualquer conversa, nunca pediu nada com brócolis em nenhum bar ou restaurante. Ouso afirmar que meu avô, em toda a sua vida, não pensou em brócolis uma única vez. Mas, hoje, não. Hoje é só brócolis, brócolis, brócolis. Há pizzas de brócolis, pastéis de brócolis, pratos variados e refinados com brócolis. Por quê? Mídia. O brócolis é o queridinho da mídia. Comer brócolis é fino.
O mesmo acontece com os molhos brancos. De repente, molho branco virou chique, a gente só encontra molhos brancos, por aí. Essa semana mesmo, entrei no restaurante e perguntei:
- O que é que tem com molho vermelho?
O garçom me olhou espantado. Aquilo nunca deveria ter-lhe acontecido. Por que alguém quereria molho vermelho?
Por favor, gente, por favor!, molho de verdade é o voluptuoso molho vermelho. De preferência, bem sustentado com o sumo inigualável da carne bovina. É a consistência e o sabor do molho vermelho que medem a habilidade do cozinheiro. Sim, senhor!
Então, responda: de onde veio o prestígio do molho branco?
Direi: da mídia!
A mídia deu uma capa de sofisticação ao insosso molho branco. A mesma mídia que elevou os técnicos aos píncaros do dólar. No começo, nem havia técnico, o treinador era um dos jogadores do time, o capitão. Depois, o técnico passou a ser o escalador da equipe. Ele dizia quem ia entrar em campo, e pronto: seu trabalho estava concluído. Lá pelos anos 50, o técnico foi promovido a estrategista. Tornou-se inteligente. Nos anos 80, passou a se cercar de auxiliares, especialistas, profissionalizou-se. Agora, ele é a maior estrela do futebol, participa, a soldo, de programas de TV, e é chamado de professor.
Pois pergunto: o técnico merece todo esse prestígio? Não será ele um molho branco desmaiado, um brócolis inofensivo? Não estaremos olhando pouco para os meias habilidosos e os centroavantes goleadores, esses, sim, os molhos densos e rascantes, as carnes bem temperadas, as feijoadas borbulhantes, as massas apetitosas? Pense nisso, enquanto vou ali no bar fazer uma boquinha.
david.coimbra@zerohora.com.br
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8:19 AM
by Cassiano Leonel Drum
Oriente Médio
Filhos de Saddam são mortos no Iraque
Uday e Qusay eram conhecidos por cometer atos de crueldade
Os EUA anunciaram ontem seu maior triunfo desde a queda do regime do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, em 9 de abril. Uday e Qusay, filhos de Saddam, foram mortos em Mosul, depois de seis horas de um feroz combate.
Cerca de 200 soldados arrasaram a casa onde se escondiam os filhos de Saddam (foto Astefano Rellandini, Reuters/ZH)
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Terça-feira, Julho 22, 2003
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8:42 PM
by Cassiano Leonel Drum
Escolas investem na qualidade
Para atrair alunos, estabelecimentos estão oferecendo outros diferenciais além do preço
Silvana Caminiti
Cada vez mais o brasileiro busca melhorar seu nível de informação e cultura, o que tem obrigado as escolas a aumentar os investimentos na qualidade do ensino oferecido. Afinal, o mercado é concorrido e ter apenas bom preço não basta. A escola técnica Iba-Wakigawa-Electra, por exemplo, tem como principal diferencial preparar seus alunos com aulas práticas. Nossos cursos oferecem maior experiência aos alunos, com o objetivo de ajudá-lo a conquistar um espaço no mercado de trabalho, conta Márcio Cardia, diretor da escola, que tem três unidades, uma no Centro, uma no Maracanã e outra em Madureira.
Cardia lembra que a escola oferece cursos nas áreas eletrotécnica, eletrônica, de telecomunicações e informática, que são feitos junto com o Ensino Médio, além de cursos para qualificação profissional nas áreas de eletrônica e informática. Os cursos de qualificação profissional têm duração de três a seis meses e são oferecidos nas três unidades, de manhã, à tarde e da noite.
Outro importante diferencial de nossa escola são as parcerias que mantemos com empresas como Petrobras, Dataprev, e Embratel, que vêm buscar funcionários e estagiários entre nossos alunos, comenta Cardia.
Qualidade do nível de ensino é também o diferencial do Colégio Seme & Paranapuã, que conta com quatro unidades, três delas no Moneró e uma no Shopping Ilha Plaza, todos na Ilha do Governador. A escola, com 23 anos de mercado, oferece cursos do maternal ao pré-vestibular e tem mil alunos. Cada uma das unidades abriga uma determinada etapa de ensino.
Assim, um prédio abriga a Educação Infantil, outro estudantes da sexta a oitava série, em outro funciona o Ensino Médio e o quarto, que fica dentro do shopping, abriga o pré-vestibular, mais os cursos preparatórios para escolas técnicas e escolas militares.
Iba-Wakigawa: 2568-5996
Seme & Paranapuã: 3393-8756
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8:35 PM
by Cassiano Leonel Drum
Rebeldia feminina
Durante anos, a mulher lutou, brigou, questionou e conquistou seu espaço. Não foi fácil disputar e ocupar lugares antes exclusivos dos homens. Hoje, a mulher é presidente, ministra, secretária, vereadora, advogada, jornalista, empresária, enfim, está em todas as áreas, ali, juntinho com os homens, e, na maioria das vezes, ela manda também na casa e assume, sem nenhum trauma, as contas. Mas não abandonou, é claro, suas antigas funções, de mãe, mulher, esposa, filha. As cobranças aumentaram.
Se ela não trabalha, está desatualizada, cafona, fora de moda. Nada contra a mulher dinâmica, mas é preciso se cuidar para não entrar em parafuso, não ficar deprimida, estressada e, no fim das contas, não fazer nada direito. É justamente por isso que o Mulher resolveu publicar o artigo de Ana Kessler, uma rebelde em potencial. Antifeminismos à parte, mas ela faz o que muitas de nós gostaríamos de fazer, mas não temos coragem: chutar o pau da barraca e fazer o que der na cabeça, sem remorsos. O importante é ser mulher, bem resolvida e feliz.
Nesta edição, o Mulher traz, ainda, delícias diet e as novidades em produtos para você apreciar neste inverno. E mais: Você sabe preparar um Brunch? A nossa repórter descolada Lana Camargo fez uma matéria especial com um dos mais badalados "chefs" de cozinha de São Paulo, o Benê, e mostra quais as vantagens do brunch, como servi-lo e o cardápio especial do Goya Park.
Tudo isso e muito mais. Ah, tem também os novos modelos e tendências em óculos para você escolher o que mais combina com o seu rosto.
Vania Sousa
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3:10 PM
by Cassiano Leonel Drum
Terça, 22 de julho de 2003, 09h46
Há mais estrelas que grãos de areia no mundo
Ambiente Arqueologia Astronomia Clonagem Espaço Genética Paleontologia Publicações Científicas Saúde Tecnologia
Há mais estrelas no Universo do que grãos de areia em todos os desertos e praias do mundo. O cálculo foi feito por astrônomos da Escola de Astronomia e Astrofísica da Austrália, em um estudo divulgado hoje pela BBC.
Conforme Simon Driver, pesquisador da Escola, existem pelo menos 70 septiliões (70.000.000.000.000.000.000.000.000) de estrelas no Universo, número dez vezes maior que a quantidade estimada de grãos de areia na Terra. Entretanto, o astrônomo ressalta que a quantidade de estrelas deve ser maior ainda, já que os cálculos só incluem as estrelas ao alcance dos equipamentos, por mais potentes que sejam os telescóspios utilizados.
O cálculo foi baseado na luminosidade de cada galáxia. De acordo com a BBC, a pesquisa faz parte de um amplo estudo sobre galáxias, com objetivo de medir as distâncias até as 250 mil galáxias mais próximas da Terra. A pesquisa conta com recursos da Austrália e da Grã-Bretanha.
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3:01 PM
by Cassiano Leonel Drum
Nova liminar na rota da Varig-TAM
Decisão de juiz reconduz aos cargos de curadores contrários à fusão
NILSON BRANDÃO JUNIOR
RIO - Uma nova decisão judicial, desta vez em Alagoas, poderá interromper novamente o processo de fusão entre Varig e TAM. O juiz da cidade de Paripueira (AL), Josemir Pereida de Souza, concedeu liminar que permite a recondução aos cargos dos curadores contrários à fusão, destituídos no fim de maio. Além disso, a decisão suspende a assembléia do Colégio Deliberante, do fim de abril, que aprovou a associação com a TAM.
Hoje mesmo, o executivo Gilberto Rigoni pretende assumir, na sede do Rio, seus cargos de presidente da FRB-Par, holding do grupo, e integrante do Conselho de Curadores, informou seu advogado, Trajano Ribeiro. O autor da ação é Fernando Cavalcanti Baracho, acionista minoritário, com cerca de 300 ações ordinárias, há 15 anos.
A decisão do juiz informa que a suspensão das assembléias é "temporária", até o julgamento definitivo da ação ou diante de novos fatos "que possam eventualmente influenciar na reversão do caso". A decisão determina que os controladores da empresa aérea "se abstenham de realizar qualquer negócio jurídico que diga respeito à associação, incorporação ou fusão da Varig" até autorização judicial.
A liminar foi dada na sexta-feira, mas chegou apenas ontem à tarde aos curadores favoráveis à fusão, que substituíram o grupo destituído, desde a última semana de maio. Segundo a fundação, os curadores, que já haviam até aprovado a forma final do compromisso de fusão, sexta-feira, classificaram ontem a ação ajuizada como "mais uma manobra", e deverão recorrer ainda hoje à Justiça.
Uma fonte que acompanha o andamento do processo de fusão conta que o compromisso de associação deveria ser agendado para a terça ou quarta-feira da semana que vem. Agora, diz um executivo, a realização da assembléia fica condicionada à cassação da decisão liminar.
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8:22 AM
by Cassiano Leonel Drum
Instinto básicoAos 24 anos, 16 de carreira, Natália Lage estréia no cinema como mulher de bandido em O Homem do Ano e enfrenta sua primeira cena de nudez
Zean Bravo
Escorpião tatuado por impulso
Tímida, Natália Lage não costuma exibir o escorpião tatuado abaixo do umbigo. Inspirado no signo da atriz, o desenho foi feito quase por impulso adolescente. Foi num momento especial, mas não pensei muito, diz ela, hoje, aos 24 anos. Com a barriga à mostra boa parte do tempo em O Homem do Ano, que estréia dia 1º, Natália transformou a tatuagem em marca registrada de Érica, personagem com que debuta no cinema. Ela tem volúpia e intensidade adolescente. É audaciosa e desprotegida. O escorpião guarda parte desse mistério, acredita.
Garota prodígio da TV começou aos 8 anos no seriado Tarcísio & Glória e fez uma penca de novelas , Natália rouba a cena no filme de José Henrique Fonseca, baseado no livro O Matador, de Patrícia Melo. Palmas para ela, na pele da menina sem noção de certo e errado, que se aboleta na casa do sujeito que mata seu namorado e vira herói do subúrbio. Máiquel (Murilo Benício), o tal matador, não só a acolhe, como forma um triângulo com ela e a namorada, Cledir (Cláudia Abreu).
Não era para menos. Ao ser flagrada por Máiquel nua, saindo do banho, ela pergunta na maior naturalidade: Gostou?. Cenas depois, os dois transam. Ela tem energia e liberdade sexual. É puro instinto, explica Natália, que encarou sua primeira cena de nudez. Era importante e delicado. Envolvia uma certa insegurança, pondera.
Com pose de veterana, Natália pára e pensa melhor antes de continuar. Tenho que medir as palavras, quebra o silêncio. O cuidado tem fundamento. Hoje leio entrevistas de quando era mais nova e acho bobas. Começar cedo me exigiu uma autocrítica antecipada, conta.
Pronto. Ela já elaborou melhor sua resposta sobre a cena de nu. Claro que mexeu comigo. No teatro, até já tinha trabalhado certa sexualidade. Mas na TV isso é castrado, comportado. Tudo é politicamente correto quando mexem no assunto, compara.
Depois de ficar um ano sem trabalhar e experimentar a vida de estudante de Sociologia da PUC Quis buscar outro universo, outras pessoas. Tive que trancar, mas vou voltar , Natália avalia sua trajetória. Indiretamente, tinha a idéia de que a carreira não tinha sido uma escolha minha. Bobagem. Põe bobagem nisso.
No filme (E) com Murilo Benício e Cláudia Abreu: triângulo tenso e quente
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8:16 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Simão
simao@uol.com.br
Miragem! Ilusão de ótica! O Rubinho ganhou!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Milagre! Miragem! Ilusão de ótica! Ninguém acreditou quando o Rubinho ganhou. Nem ele. Diz que ele está se beliscando até agora: 'Eu ganhei! Eu ganhei! Eu não rodei'. E aquele maluco que invadiu a pista com a Bíblia na mão atrapalhando o trânsito? Era o Galvão! Era o Galvão disfarçado de maluco com um cartaz na mão: 'Vai Rubinho!'.
Aliás, diz que aconteceram dois milagres na Inglaterra: o Rubinho ter ganho e o maluco não ter sido atropelado. Se fosse aqui em Sampa, não sobrava nem a Bíblia! E diz que a vitória do Rubinho traz uma grande desvantagem: agora ele vai pedir pro Lula aposentadoria integral. Rarará! E tem uma versão dizendo que o Rubinho tem um irmão gêmeo! E um outro me disse que ele subiu na Ferrari do alemão por engano!
E o Galvão? Gente, o que é aquilo? Ele esqueceu de tomar o Gardenal? Gritou mais do que galinha botando ovo. Aliás, gritou mais do que araponga no cio gozando: 'RUUUUUUBIIIINHO!'. Pá! Deu zebra! O Galvão gozou. Orgasmos cívicos! Orgasmos cívicos múltiplos com eco! E um leitor me disse que tinha dois malucos na Fórmula 1: um invadindo a pista e outro gritando na cabine da Globo. Rarará!
Buemba 2! Ciência e sacanagem! Olha essa outra notícia bombástica: 'Comer pizza evita câncer do estômago'. Oba! A semana passada foi 'masturbação evita câncer da próstata' e agora essa de 'comer pizza evita câncer do estômago'. Ou seja, bronha e pizza. Vai tudo terminar em bronha e pizza! Agora só falta essa pra completar a doce vida: 'Água-de-coco evita Aids'.
E continua a polêmica sobre a dona Marisa ter ficado presa no Rolls Royce. Um leitor me disse que ela botou tanto botox que confundiram ela com o banco de couro do carro. E o colunista Ciro Botelho, de Campinas, escreveu uma coluna com o seguinte titulo: 'Lula se entusiasma com o rei e esquece a coroa'. É mole? É mole, mas sobe!
E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que um amigo meu de Amparo estava voltando do boliche quando viu a placa: 'Centro de estética canina'. Tucanaram o pet shop! Rarará! Socorro!
E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. 'Tamanco': companheiro que participou da pelada da Granja do Torto. 'Encubado': companheiro que foi morar em Cuba. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. No pingolim! Pra ver se bate no teto!
Email simao@uol.com.br
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8:08 AM
by Cassiano Leonel Drum
Liberato Vieira da Cunha
22/07/2003
Imitação da vida
Tem um velho ditado inglês que diz: never explain, never complain. Significa, em livre tradução, nunca se explique, nunca se queixe. Acho que aí se encerra toda uma completa, invejável filosofia de vida.
Sou um sobrevivente da Era AT - Antes da Televisão. Cada semana economizava uns pilas para a matinê de domingo no Avenida, no Marabá, no Capitólio, depois convertidos em taperas a assombrar minha memória. Desgosto cortesmente dos cinemas de shopping - ainda não descobri se o que me chateia mais é o som aniquilante ou o ruído dos sacos de pipoca. Mas sou cliente habitual das locadoras de vídeo, o que me permite assistir com algum distanciamento a filmes que na estréia empolgaram o distinto público e aí você vai ver e não são o artigo - expressão que, desconfio, date igualmente da Era AT.
Pois o que busco, com perdão dos rapazes da crítica, é não mais que uma história plausível, razoavelmente dotada de boas interpretações. Me ligo muito (AT?) nisso de interpretar, pois é imediato o símile com a vida. Que somos nós, no desgracioso cotidiano, senão pobres intérpretes, órfãos de roteiro e direção? Existir é atuar. Pouco importa se os papéis são de mocinhos, coadjuvantes, anônimos comparsas que jamais serão citados nos créditos. O que conta é fingir que seguimos um script com deixas, falas, gestos que devemos exibir em sessões contínuas até o imprevisível The End.
E aqui entra de novo, como astro especialmente convidado, o never explain, never complain. Se tem uma universal platéia de olho em tudo o que você diz, faz, deseja, apronta, nunca se explique, nunca se queixe. Você economizará milhões de neurônios, doses gigantescas de culpa, insegurança, medo. Você transitará pelo inverno de nossa comum desesperança feito o Al Pacino, que, como é notório, desde sempre só interpreta o Al Pacino.
E aí tudo lhe correrá melhor e até aquela garota que o fulmina de sublime indiferença vai perceber um dia, siderada:
- Amei esse teu silêncio, esse teu arquear de ombros, esse teu espirro. Me lembrei do Al Pacino.
E então você a fitará superior, um tanto alheio e olímpico, bem do jeito do maior ator que o mundo já conheceu.
Ele mesmo, o Leão da Metro.
liberato.vieira@zerohora.com.br
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8:04 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luís Augusto Fischer
22/07/2003
Poesia e distância
Poesia é sempre um problema. Quando ela é facilmente entendível e dá prazer momentâneo, corre o risco de morrer em pouco tempo, deixando de significar; quando ela exige mais do leitor, pode ser que guarde em si mistérios das altas esferas e que seu tempo ainda não tenha chegado (mas também pode ser que seja apenas sem sentido mesmo). Quer dizer: é sempre problema, do ângulo da vida da linguagem, da comunicação, estas coisas decisivas e sutis.
Quando se trata de poeta de obra já estável, já recolhida às páginas das edições definitivas, das antologias, das provas de vestibular, é relativamente fácil reconhecer os méritos, as novidades, as limitações do poeta. Apesar de todas as mudanças de leitura que podem surgir com os tempos, alterando e renovando as interpretações, é certo que qualquer um de nós, leitores brasileiros, sabe se movimentar com clareza na obra de Cláudio Manuel da Costa, de Fagundes Varela, de Mario Quintana - para ficar em apenas três, todos melancólicos. Mas e quando o poeta não parou de falar, ainda?
Tudo o que se diga é aproximativo, provisório mais do que outras situações. Porque a poesia é, antes de tudo, um viveiro, um laboratório em que uma espécie de cientista maluco, o poeta, mistura coisas improváveis, faz vizinharem palavras e sentidos que nem se cumprimentariam se passassem uns pelos outros na calçada da vida real. E por isso mesmo a poesia foge ao conceito, dribla a interpretação e, se não nos cuidamos, ri da cara do leitor - mas um riso que, nos melhores casos, só faz desalienar nossa percepção, ainda que à custa de nossa saúde mental.
Essa longa e inútil teoria sobre poesia vem a propósito da recente publicação do grosso da obra poética de Carlos Nejar, em dois sólidos volumes gêmeos, A Idade da Noite, com poemas publicados originalmente entre o remoto ano de 1960 e 1991, e A Idade da Aurora, com poemas de outros livros saídos entre 1977 e agora (edição conjunta da Biblioteca Nacional e Ateliê Editorial). O Nejar de Sélesis, primeiro livro, já fazia soar sua voz de aspecto profético médio-oriental, filósofo, sábio ou demente nas areias do deserto, voz que se mantém até hoje, passando dos temas singelos (natureza, amizades, o amor) aos sociais (sua poesia nos 70 foi realmente um alento para os que estávamos contra a ditadura) e daí aos metafísicos e sentenciosos, pátria atual de sua lírica.
É um gosto ler sua poesia assim reunida: se pode acompanhar os rumos que tomou ao longo do tempo, medindo as proximidades e as distâncias. Aqui e ali este leitor se sentiu meio enevoado, como lendo às cegas; mas o conjunto é exigente e consistente, e depõe a favor da permanência da obra de Nejar, há anos distante do Rio Grande do Sul mas fiel a sua voz de sempre.
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8:02 AM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
22/07/2003
Revendo conceitos
Nada como um dia depois do outro: em nenhuma outra área do conhecimento esta expressão é tão verdadeira como na medicina. Conceitos, parâmetros e recomendações são revisados constantemente, para surpresa (e às vezes irritação) do público. Acontece que medicina não é uma ciência exata - há quem duvide mesmo que se trate de ciência -, de modo que novos estudos podem, facilmente, contrariar conceitos anteriores.
Tomem o caso da masturbação, condenada durante séculos na medicina e nos mitos populares: dizia-se que fazia crescer cabelos na palma das mãos, que enfraquecia a pessoa, cegava, enlouquecia. Paralelamente vários dispositivos foram criados para evitar que os meninos se masturbassem: as mãos eram imobilizadas durante a noite e colocava-se no pênis um anel com pontas aguçadas, de modo a "castigar" a ereção. Lembro de um velho médico aqui de Porto Alegre que perguntava a seus jovens, e assustados, pacientes: "Manipula?" O tom já condenava de antemão os manipuladores.
O bom senso prevaleceu e estas coisas foram abandonadas; a atitude em relação à masturbação passou a ser de tolerância. Agora um estudo médico realizado na Austrália e publicado na revista New Scientist sugere que talvez a masturbação possa ter um benefício inesperado, protegendo contra o câncer de próstata. Questionários foram aplicados a portadores da doença e a um grupo-controle de homens sadios na mesma faixa etária. Estudos deste tipo haviam mostrado que quanto maior o número de relações sexuais, e o de parceiros, maiores a chance da doença. O estudo australiano concluiu que, quanto mais ejaculação, menos câncer prostático. Por que a diferença? Porque este estudo incluiu masturbação. Ejaculação, de qualquer tipo, favoreceria a eliminação de substâncias cancerígenas formadas na próstata; mas repetidos contatos sexuais aumentariam os riscos de infecções possivelmente associadas ao câncer.
Vício solitário era a expressão usada para masturbação. Mas não se trata de vício, no sentido de prática prejudicial. Solitário, sim. E este talvez seja o problema. Woody Allen definiu masturbação como um caso de amor com uma pessoa de quem se gosta muito. Mas há muitas outras pessoas de quem se pode gostar. O problema é sair da solidão. Sem os sentimentos de culpa do passado.
Recebi de Luiz Eduardo Soares, secretário nacional de Segurança, grande conhecedor de assuntos desta área, uma nota sobre a questão das armas. Em resumo, diz ele: "A consciência popular tem amadurecido. As pesquisas nacionais revelam nunca menos de 65% a favor do desarmamento. As últimas pesquisas apontam mais de 80%. Mais: 85% das armas apreendidas entre criminosos, no Rio (a amostragem é a única estudada até hoje, mas é muito significativa), são nacionais, produzidas no Brasil. Finalmente, você tem toda a razão: desarmamento é fundamental, mas deve ser parte de uma política ampla. E posso lhe garantir que temos uma política consistente, não improvisada nem reativa."
scliar@zerohora.com.br
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8:00 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
22/07/2003
Santo de casa
Ninguém faz sucesso em sua própria cidade. O fator mais intenso que influi sobre o homem, acima da sua família e do seu trabalho, é o pago, a cidade natal. A gente pode romper com todos os valores, mas jamais se desligará de um entranhado sentimento de devoção, atração física e espiritual indestrutível, pelo lugar em que se nasceu ou passou a infância.
No entanto, estranhamente, depois de estudar minuciosamente a vida dos grandes gênios da humanidade, observei que todos eles só foram ter êxito e realização em sua grande obra criativa fora dos limites das cidades em que nasceram. É assombroso que o homem tenha que obrigatoriamente emigrar para tornar realidade todas as suas potencialidades. Leonardo da Vinci, por exemplo, se tivesse permanecido em Vinci, cidadezinha em que nasceu, não teria jamais alcançado a posição de um dos maiores gênios da civilização. Geômetra, engenheiro, geólogo, físico que se antecipou a Galileu em teorias sobre a estática e a dinâmica, anatomista, matemático, botânico e artista incomparável, pintor de algumas das maiores obras plásticas de toda a história, entre elas A Última Ceia, onde se distingue a inigualável solidão de Cristo e se definem com impressionante e extrema fidelidade as reações faciais de todos os apóstolos, e Mona Lisa, talvez o instante mais alto da pintura universal, se vivesse toda a sua vida no lugar em que nasceu seria tão desconhecido hoje pelo mundo quanto o motorista de Bill Clinton. Fez bem este verdadeiro campeão mundial em conhecimento científico e arte em fugir quase garotinho para Florença e mais tarde para Milão e Roma.
Um outro luminar da raça humana, William Shakespeare, que viveu sua existência inteira em Londres, não teria se tornado o maior literato e dramaturgo da humanidade se fincasse pé na sua cidadezinha, Stratford-on-Avon. Saiu de lá menininho e voltou para o torrão somente seis anos antes de morrer, tendo brotado de sua inteligência prodigiosa a sua grande obra na capital inglesa. As grandes tragédias de Shakespeare, Hamlet, Rei Lear, Macbeth, entre outras, não passariam de melodramas de folhetins se não houvesse se despegado depressa de sua terra natal.
O mesmo se deu com Michelângelo Buonarroti, uma das maiores estrelas artísticas de todos os tempos, escultor da Pietá e de Moisés, obras que espantam há seis séculos todos que tiveram a felicidade de admirá-las. Michelângelo, que também era pintor, poeta e arquiteto, não teria certamente passado de um obscuro pichador se tivesse se radicado na aldeiazinha de Caprese, na Toscana, onde nasceu. Fez bem em se mandar para Florença tão pronto adquiriu a dominância cerebral. Em Caprese, jamais seria requisitado pelo Papa para os anos de agonia e esplendor que gastou pintando os afrescos do teto da Capela Sistina, no Vaticano.
E, assim, todas as pessoas que se destacam em todas as suas atividades são obrigadas à dor da separação do lugar em que vieram ao mundo. As exceções para este flagrante que dei na História são Lupicínio Rodrigues, Dorival Caymmi e Luis Fernando Verissimo, que conseguiram projeção nacional para suas liras recusando-se a deixar suas cidades.
A regra é o contrário, começou antes de Cristo, mas se configurou extraordinariamente nele, pois nasceu em Belém mas criou fama em Nazaré, até que Jerusalém abriu-lhe uma de suas portas para a glória e a santificação. Provando que santo de casa não faz milagre.
Daí que eu tenho vacilado muito, mas acho que vou ter mesmo que me transferir para Florianópolis ou Maceió. Aqui eu me debato e retorço todo e nunca saio do mesmo lugar.
(Crônica publicada em 13/01/94)
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:57 AM
by Cassiano Leonel Drum
Futebol
Esperança no Grêmio
Depois de mais uma derrota no Brasileirão, a direção substituiu o técnico Darío Pereyra por Nestor Simionatto. O preparador físico deve ser Marcio Correa, que estava no São Gabriel (foto Robinson Estrásulas/ZH)
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Segunda-feira, Julho 21, 2003
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11:25 PM
by Cassiano Leonel Drum
Tua Presença
Tua presença me espreita, me ronda
Angelical ou insidiosa presença... já nem sei
Tua presença me põe dúbia quando me sonda,
E me faz pensar no remoto dia que te esquecerei.
E assim, sob o olhar da tua presença silenciosa,
Eu vivo e morro, rejubilo-me e choro
Canto e emudeço, padeço e imploro
Renuncio e aceito, rebelo-me e busco-te
Como se fôsses meu, por direito.
E quando a razão fria me exorta a considerar
A improcedência deste meu querer,
Meu coração obstinado assim responde à razão:
- Tu, razão, não me dás alívio ou consolação
- Não te ouvirei, pois se ouvir-te, eu morro
- Deixa-me amar, ainda que em carreira solo
- Deixa-me amar, é só assim que vivo.
E então tua angelical ou insidiosa presença
Que tanto eu queria olvidar mas não consigo,
Me ronda, me espreita, me sonda,
E vai caminhando
Passo a passo
Comigo.
Fatima Irene Pinto
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1:18 PM
by Cassiano Leonel Drum
Começa inscrição ao crédito educativo
Está aberta a partir de hoje a inscrição para os estudantes universitários que pretendem financiar o estudo por meio do crédito educativo concedido pelo Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), do Ministério da Educação (MEC). Os candidatos serão submetidos a um processo seletivo para concorrer ao programa que prevê aproximadamente 70 mil vagas.
Para obter o financiamento, o estudante deve estar regularmente matriculado em cursos de graduação de faculdades e universidades particulares. É preciso também que a escola se tenha cadastrado no programa até 18 de julho. Outra condição é que o aluno não tenha sido previamente beneficiado pelo antigo Programa de Crédito Educativo/Creduc nem pelo Fies.
As inscrições devem ser feitas pela internet no site da Caixa Econômica Federal (www.caixa.gov.br) ou no do MEC (www.mec.gov.br). O interessado deve preencher e imprimir a ficha de inscrição e entregar o protocolo na sua faculdade. A lista dos inscritos estará disponível no site a partir do dia 26 de agosto.
O Fies financia até 70% do valor da mensalidade paga pelo aluno. O restante deve ser assumido pelo estudante mensalmente. Durante o período de estudos, o aluno pagará ainda, a cada três meses, parcelas limitadas ao valor de R$ 50,00 para amortizar simbolicamente o juro do empréstimo, de 9% ao ano. Já o valor financiado começa a ser quitado apenas depois da conclusão do curso.
Andréa Botelho
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1:16 PM
by Cassiano Leonel Drum
Aéreas brasileiras perdem vôos internacionais
Fatia nacional no mercado de viagens para o exterior cai ao menor nível em 12 anos
NILSON BRANDÃO JUNIOR
RIO - As empresas aéreas brasileiras responderam, em 2002, por apenas 44,6% do transporte aéreo internacional de passageiros do País - a menor participação nos últimos 12 anos. Para o Departamento de Aviação Civil (DAC), o encolhimento da presença nacional no tráfego externo começará a reverter-se com a fusão da Varig e TAM e o crescimento da economia, diz seu diretor-geral, Washington Machado.
"O primeiro grande avanço da nova empresa será na área internacional, onde há grande campo para crescer", diz o diretor do DAC. Um dos objetivos é aumentar a competitividade no exterior. Segundo ele, a empresa resultante da fusão permitirá reequilibrar a presença da bandeira brasileira nos vôos internacionais e poderá aproveitar melhor mercados pouco explorados como o asiático, o africano e até o americano.
Machado explica que as duas empresas juntas terão condições mais efetivas de investimento no mercado externo, que exige maior tempo para amadurecer e gerar resultado. O DAC avalia que a participação brasileira no tráfego internacional começará a se recuperar com a queda do patamar do câmbio, a perspectiva de paz no mundo e o aperfeiçoamento dos "padrões de facilitação nos aeroportos americanos".
Atentados - Em 2001, quando os atentados terroristas nos EUA afetaram o setor no mundo todo, a fatia das companhias brasileiras no tráfego internacional do País foi de 48,3%. Até 1998, elas transportavam mais do que as estrangeiras. A reversão começou em 1999, com a desvalorização cambial, que reduziu a demanda por viagens internacionais no Brasil enquanto os custos aumentaram. "Subiu violentamente" o chamado ponto de equilíbrio dos vôos - taxa de ocupação dos aviões a partir da qual a empresa começa a ter lucro, diz Machado. A alta do dólar afetou diretamente os gastos cotados na moeda americana, como aluguel de aviões e combustível.
Se antes era necessário lotar 60% dos aviões para lucrar, esse mínimo passou para 70%, simplifica.
Na sexta-feira, o conselho de curadores da Fundação Ruben Berta (FRB) aprovou a forma final do compromisso de fusão com a TAM, a partir do qual a Varig poderá contar com o aval do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a negociação de dívidas com credores estatais, como BR Distribuidora. A fundação convocou para sábado assembléia do Colégio Deliberante, instância máxima do grupo, para ratificar o documento. Segundo Machado, as disputas judiciais dentro do grupo, ultrapassadas semana passada com a decisão do Tribunal de Justiça do Rio confirmando a destituição dos curadores, em maio, poderiam afetar o processo. "É um assunto que pode afetar a velocidade da associação. Mas a possibilidade de intervenção na Varig nunca chegou sequer a ser cogitada", acrescenta.
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1:15 PM
by Cassiano Leonel Drum
Executivo ganha adicional como 'juiz' de conflito
Para escapar da morosidade da Justiça, empresas buscam acordos fora dos tribunais e recorrem à figura de árbitros, mediadores e conciliadores
TERCIANE ALVES
Procura-se alguém ponderado, hábil em listar prós e contras, persuasivo e, acima de tudo, confiável. É improvável ver um anúncio buscando executivos com essas características. Mas quem conhece alguém assim, ou nos últimos tempos tem sido chamado à mesa para ajudar a achar uma saída para disputas, é considerado um talento raro. Essa vocação para a imparcialidade não se restringe apenas ao rótulo 'boa praça'. Rende credibilidade e também um dinheiro extra.
Por uma hora de trabalho, os chamados 'árbitros do meio empresarial', que atuam em júris longe dos tribunais, ganham, em média, R$ 350 por hora no Brasil. Nos últimos tempos, o campo para a função, discreta e restrita aos bastidores dos negócios, vem ganhando força por meio da legislação e da macroeconomia.
"Cada vez mais, as empresas recorrem à arbitragem, meio extrajudiciário de solução de conflitos previsto em lei, quando estão diante de um impasse contratual", explica a advogada Selma Maria Ferreira Lemes, coordenadora do curso LLM (master em Direito) em Arbitragem, a ser lançado pelo Ibmec Law (Centro de Estudos em Direito do Ibmec), em agosto.
Marc Burbridge, professor da BSP, escola que forma executivos, explica que a arbitragem nasce da ADR - Alternative Dispute Resolution, que consiste em métodos e instrumentos que vêm sendo adotados desde a década de 80 e são calcados no estudo do comportamento humano dentro das corporações. Ele, que atua como mediador para grandes corporações, explica que nos EUA a figura do mediador é mais difundida do que no Brasil.
No caso do árbitro, é ele quem sugere uma solução para o caso, amparado nas leis e no bom senso. O papel do mediador é conduzir, por meio do diálogo, as duas partes ao acordo, mesmo verbal.
Tanto Burbridge quanto Selma dizem que a demanda por árbitros é maior do que a oferta. "É uma área crescente e, sem dúvida, emergente para profissionais", diz Selma. Os especialistas lembram que o Judiciário recebe uma pilha de processos que, por ano, ultrapassam o número de 8 milhões, e que a maior negociações entre os países abre campo para a arbitragem internacional. Nos últimos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva incentivou a criação de uma Câmara de Arbitragem para o Mercosul.
Selma já atuou em pelo menos 20 tarefas. Foi integrante da comissão relatora da Lei de Arbitragem (9.307), promulgada em setembro de 1996. É uma entusiasta e quer formar novos profissionais para. Além de coordenar o master do Ibmec, leciona na Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, que oferece especialização. Mas não esperem dela um discurso cheio de fábulas. "Não existe o profissional da arbitragem. Existe a circunstância. Não dá para pensar em investir nela como uma profissão e ficar milionário", alerta aos mais jovens. "O sucesso depende da imparcialidade, do caráter e do bom relacionamento que se tem no mercado.
Não é para qualquer um."
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8:41 AM
by Cassiano Leonel Drum
Bom o domingo tinha tudo para ser um ótimo domingo. Viajei para a Terra do Erico Veríssimo. O clima estava agradável. O Rubinho ganhou logo cedo só faltava o Grêmio, pelo menos empatar lá no São Januário. Acelerei nos 450 Km que me separavam da Capital para estar aqui na hora do jogo.E aí estragou tudo. Perdeu de 2 x 0 e demonstrou mais uma vez a sua inaptidão para a vitória. Boa semana a nós todos se Deus quiser, embora ainda continue noite, agora perto das 9 h da manhã.
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8:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
Festeja, Rubinho!
Brasileiro dá show no GP da Inglaterra, o seu primeiro triunfo da temporada, e, emocionado, lembra o Ídolo Ayrton Senna. Ele ficou de pé para ver a minha corrida
Rubinho era só felicidade no alto do pódio. Mas ao ouvir o Hino Nacional não conseguiu conter o choro
SILVERSTONE, Inglaterra. Foram seis ultrapassagens, mostrando muita competência e desempenho de um verdadeiro vencedor. Rubens Barrichello ganhou de forma incontestável o tumultuado GP da Inglaterra de Fórmula-1, ontem, em Silverstone. E ficou tão emocionado com a prova que até lembrou o seu ídolo, Ayrton Senna. "Tenho certeza de que hoje, esteja onde estiver, ele ficou de pé para ver minha corrida", disse o piloto da Ferrari, que alcançou a sua sexta vitória na F-1, a primeira neste ano, e a 85ª de um brasileiro na categoria.
Cristiano da Matta também fez uma grande corrida. O brasileiro da Toyota chegou a liderar por 18 voltas e terminou em 7º lugar, somando mais dois pontos já tem 5 em sua temporada de estréia na F-1. Foi a primeira vez em 12 anos que dois brasileiros lideraram a mesma corrida. No GP da Bélgica de 1991, Ayrton Senna, o vencedor, ocupou a primeira colocação por 28 voltas, e Nelson Piquet, na Benetton, liderou por uma volta.
Rubinho saiu na pole, mas perdeu duas posições logo após a largada. Depois disso, houve pedaço do carro de David Coulthard que se soltou e até um homem que invadiu a pista para protestar, o que provocou duas entradas do safety car, antes da 11ª volta. Seguiram-se várias trocas na primeira posição, passando inclusive pelas mãos de Da Matta.
Após cair para oitavo no momento da invasão da pista, Rubinho fez uma corrida consistente de recuperação, com seguidas ultrapassagens, e, depois de sua segunda parada nos boxes, estava em segundo, atrás de Kimmi Raikkonen, que, pressionado pelo brasileiro, errou e permitiu a ultrapassagem. E Rubinho não perdeu mais a liderança da prova.
Enquanto isso, Michael Schumacher esteve sempre longe da briga pela vitória. O alemão terminou em quarto e manteve a liderança do Mundial, com 69 pontos. Mas Raikkonen, que chegou em terceiro, atrás também de Juan Pablo Montoya, diminuiu a diferença no campeonato. O finlandês é o vice-líder, com 62.
Com a vitória, Rubinho voltou a brigar, ao menos, pelo vice-campeonato. Ele chegou aos 49 pontos e está em quinto, atrás dos pilotos da Williams. Montoya passou o companheiro e está em terceiro, com 55, e Ralf caiu para a quarta posição, com 53, depois de chegar em nono em Silverstone.
Da Matta faz o seu melhor GP
epois de sua melhor participação numa corrida de F-1, o mineiro Cristiano da Matta não escondia sua satisfação. Contente com a performance, o piloto elogiou a boa estratégia de corrida, mesmo tendo entrado nos boxes nas primeiras voltas.
Gostei da corrida e estou muito feliz com o modo como as coisas aconteceram no fim de semana para a gente. O sétimo lugar é um bom prêmio para o nosso desempenho. Usamos uma boa estratégia e fizemos bons pit stops, usando a primeira entrada do safety car para abastecer, o que me colocou em primeiro naquela hora, e o Panis, em segundo. Estou acostumado a liderar corridas, mas, na F-1, essa foi a primeira vez, o que representa um sentimento especial, disse Da Matta.
Sabia que a liderança não duraria muito, então, eu aproveitei enquanto pude e trabalhei duro para abrir a maior vantagem possível. Nós temos evoluído gradualmente nas últimas corridas e estamos nos preparando para estar numa boa posição no restante da temporada, e mais ainda em 2004, declarou Cristiano, revelando os planos da Toyota.
Já o brasileiro Antônio Pizzonia, da Jaguar, abandonou na 32ª volta, devido a problemas no motor de seu carro.
Lágrimas e emoção ao som do hino nacional
Emocionado, Rubens Barrichello chorou no pódio depois de conquistar a vitória no GP da Inglaterra. "É sempre muito difícil ouvir o Hino Nacional e não chorar. É inacreditável. É um momento em que meu pai, minha família e todos vêm à minha mente. Quando estou no pódio em primeiro lugar, ainda me lembro do meu pai vendendo o carro para que eu pudesse disputar corridas. E, obviamente, essa foi uma das melhores provas da minha vida. Agradeço a Deus pela oportunidade. Apesar das dificuldades, sempre soube que poderia vencer novamente", declarou o ganhador, muito emocionado.
Rubinho vinha atravessando uma fase difícil, com boatos insistentes de que deve deixar a Ferrari no fim de 2004, quando termina seu contrato. Sexta-feira, ele rodou no treino pré-classificatório e foi ironizado pelo companheiro de equipe, Michael Schumacher. A volta por cima começou a ser dada no sábado, ao conquistar a pole position. Perguntado se havia tirado um peso dos ombros, Rubens Barrichello foi direto.
"Eu não tenho peso nenhum nos ombros. Corro numa equipe muito competitiva e contra um cara muito competitivo, o (Michael) Schumacher. Só posso me sentir orgulhoso por fazer as coisas que consigo fazer contra um campeão do mundo como ele. Venho de duas corridas de muita dificuldade (bateu na primeira volta, no Canadá, e rodou logo no início, na França), mas só tenho que dar satisfação para minha mulher, meu filho e para os que me pagam. O resto é o resto. Espero que agora as pessoas calem a boca", desabafou Rubinho.
O brasileiro disse que o momento mais complicado da corrida foi na sua segunda ultrapassagem em cima de Raikkonen. "Por ele estar lutando pela liderança do campeonato, achei que ia tomar mais cuidado. Mas ele queria os dez pontos e foi meio agressivo. Como eu não tinha nada a perder, fui pra cima", comentou Rubinho.
Brasileiro elogiado por todos
A atuação de Rubinho foi aplaudida por todos em Silverstone. "Não importa quem fosse, Michael Schumacher, por exemplo. Ninguém bateria Rubens desta vez", afirmou o ex-piloto Niki Lauda. Até Schummy, longe da disputa pela vitória na Inglaterra, rendeu-se ao companheiro da Ferrari. "Ele foi perfeito, realizou manobras fantásticas, uma a uma. Estou contente por ele, que mereceu a vitória", disse o alemão.
Kimi Raikkonen, apesar de ter deixado escapar a segunda posição, achou que o resultado foi bom, chegando à frente de Michael Schumacher e diminuindo a diferença em relação ao piloto da Ferrari. "Manter essa distância sob controle foi o mais importante¿, contou Kimi.
Homem que invadiu a pista é preso
A polícia inglesa prendeu o homem que invadiu ontem o circuito de Silverstone, durante o GP da Inglaterra. Os oficiais não informaram o nome do manifestante que, vestido com um kilt, o típico saiote escocês, entrou na pista e pôs sua vida em perigo. Sabe-se apenas que ele tem 56 anos.
O homem apareceu repentinamente em uma pequena reta, percorrendo-a em sentido contrário ao dos carros durante aproximadamente 30 segundos. Depois desse tempo, um fiscal derrubou o manifestante. Mesmo assim, a corrida teve de ser interrompida pelo safety car, e 14 dos 20 carros acabaram entrando nos boxes. Ele carregava um cartaz que dizia Leia a Bíblia, ela está sempre certa e tinha outro pendurado ao corpo.
Ele será interrogado mais tarde no distrito policial de Northampton. Não sabemos como entrou na pista, disse Andrew Walter, diretor do circuito. Ele assegurou que colaboraria com a polícia nas investigações.
Marca para a história
Ao chegar a seis vitórias na Fórmula-1, Rubens Barrichello supera dois campeões mundiais. Nino Farina, que levou o primeiro título da história da categoria, em 1950, e o finlandês Keke Rosberg (1982) conseguiram cinco triunfos, cada um. Agora, o brasileiro está empatado com outros dois campeões, o inglês John Surtees e o austríaco Jochen Rindt.
Entre os pilotos em atividade, Rubinho perde para Michael Schumacher (68), David Coulthard (13) e Jacques Villeneuve (11), além de empatar com Ralf Schumacher. As vitórias anteriores do brasileiro na Fórmula-1 foram nos GPs da Alemanha (2000), Europa, Hungria, Itália e EUA (todos em 2002).
A última vitória de um brasileiro na Inglaterra fora em 1988, com Ayrton Senna pilotando uma McLaren.
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8:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Simão
simao@uol.com.br
Mãos a obra! Masturbação evita câncer de próstata!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Bombástica! A notícia-furacão que vai revolucionar o comportamento familiar: 'Masturbação evita câncer de próstata'. Então MÃOS À OBRA! A salvação está em suas mãos. Agora tá liberado. Um amigo meu disse que vai pregar a notícia no espelho do banheiro! E já imaginou agora a mãe na porta do banheiro gritando pro filho: 'Quer parar com essa prevenção contra o câncer que sua irmã precisa tomar banho!'.
E já imaginou o acesso aos sites pornôs? Agora você está de madrugada, descabelando o mouse num site pornô, e sua mulher chega por trás: 'Benzinho, o que você tá fazendo?'. MANUTENÇÃO! Rarará. E diz que essa pesquisa trouxe duas grandes vantagens: bate uma e ainda evita a dedada. Tá abolido o tíquete vale-toque!
Essa pesquisa vai estourar a venda da 'Playboy'. Ninguém mais precisa dizer que compra a 'Playboy' só pra ler a entrevista. E um amigo meu pegou a 'Playboy' da Maryeva, se trancou no banheiro e quando a mulher abriu a porta, ele gritou: 'Meu amor, tava lembrando de você!'.
Tormento Econômico! Olha essa outra notícia: 'Receita vai fiscalizar gastos com cartão de crédito'. E aí o marido falou pra mulher: 'Então são dois!'. Obrigado Lula! Lula, corre que a minha mulher tá indo pro shopping com o meu Credicard. Mas diz que a situação tá tão braba que as lojas não tão vendendo nada. Então eu só compro com a loja satisfazendo minhas exigências: duas dúzias de toalha azul linho egípcio, três dúzias de toalhas brancas, engradado de água mineral da Finlândia, frutas exóticas da Tailândia e muita champanhe. Senão, não compro!
E continua a polêmica do Lula ter esquecido a dona Marisa dentro do Rolls Royce. Um leitor me disse que não foi gafe. Gafe foi quando ele esqueceu a mulher dele dentro da Brasília 77! Aí fechou o tempo! E um outro disse que a dona Marisa ficou trancada porque tava em lugar errado. Lugar de mala é no porta-malas. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que um amigo meu de Criciúma, Santa Catarina, comprou um 'pneu remold'. Tucanaram o recauchutado. Socorro. Chama o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês.
E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Plâncton': barulho da porta do Rolls Royce fechando com a dona Marisa dentro, planc-TOM! Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! O já famoso Estoura Brasil!
Email simao@uol.com.br
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8:23 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Pedro Goulart
21/07/2003
Lula e os cachorros de Brasília
Difícil imaginar um presidente que se sinta melhor no cargo do que Lula.
Semana passada, por exemplo, ele só faltou tirar os sapatos na reunião de cúpula que teve em Londres, tão à vontade que estava junto aos colegas. Lu la é um popular líder de esquerda de um país populoso, capaz de proferir discursos meritórios em favor da causa que defende. Sujeito faceiro, algo brejeiro, bom de se ter ao lado devem pensar os chefes das nações importantes. Entretanto o resultado disso até agora é nenhum.
O carisma do presidente corre no lado inverso de uma ação mais concreta. E isso não só no cenário internacional, mas também no Brasil onde o governo segue em banho-maria. Se Lula é alguém deslumbrado com o cargo que ocupa e suas atitudes beiram ao simplório e ineficaz populismo ou se, como ele deseja, não deve ser julgado pelos primeiros meses de governo e está só aguardando para dar cartas que mudarão o país, está difícil de prever.
Lembrei uma história que se passou com o cineasta Hermano Penna, diretor do premiado filme Sargento Getúlio, e me foi contada pelo próprio. Brasília tinha recém sido inaugurada e muitos daqueles peões que haviam se assentado por lá construindo os prédios e monumentos batiam em retirada: a cidade esperava pelos seus novos ocupantes.
Abandonados a própria sorte ficaram os cães de estimação cujos donos agora tratavam de voltar para casa. Famintos e cada vez mais numerosos os cachorros juntavam-se em grupo povoando de matilhas a capital ainda com pouca gente. Certa noite, Hermano e o antropólogo Rafael de Barros cruzavam a pé uma rua da cidade quando perceberam que eram seguidos por um desses grupos de cães. Aos poucos o número foi aumentando e o Hermano quis correr. O antropólogo Rafael impediu:
- Fique calmo, continue no seu passo.
Hermano obedeceu, mas os cães aproximavam-se mais e mais, e ele, tremendo dos pés a cabeça, imaginou o pior. Quando os cães chegaram tão próximos que dava para sentir nos calcanhares o calor das suas bocas saliventas, Rafael virou-se rápido e de joelhos com as mãos espalmadas para frente, cara a cara com os cachorros, pôs-se a latir raivosamente. Não sobrou nenhum. Os cães, rabo no meio das pernas, sumiram no cerrado escuro. Hermano, atônito e aliviado, ouviu a explicação de Rafael:
- É preciso confundir a lógica do inimigo.
Deve ser isso que Lula está fazendo, confundindo a lógica do inimigo. Só poder ser. Espero que sim. Estou torcendo. Estou realmente apostando nisso. Ele deve ter um plano muito bem armado. Esse Lula, heim? Quem diria? Quem haveria de supor? Se fazendo.
jose.pedro@zerohora.com.br
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8:20 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
21/07/2003
Novilhos
Durante muito tempo o Pelé de 58, campeão mundial com 17 anos, foi um fenômeno único. Não apareceu outro Pelé no futebol brasileiro nos, o quê?, 40 anos seguintes. Porque o Pelé seria único com qualquer idade mas também porque não havia muita necessidade de fenômenos precoces como ele. Hoje há.
Já ouvi compararem o nosso futebol à nossa pecuária, que vende o gado para corte com cada vez menos idade porque cresceu o mercado para carne de novilho mas principalmente porque ficou caro demais esperar que o boi chegue à sua idade "normal" de abate. Sem meios para evitar que seus melhores jogadores partam para a Europa, ou competir no mercado mundial de bons jogadores, o futebol brasileiro também estaria recorrendo aos seus novilhos.
Investe-se na precocidade porque não há mais tempo e dinheiro para esperar que os projetos de Pelé amadureçam e apareçam. E o novo protótipo de jogador brasileiro é o menino que passa de "juvenil promissor" a revelação da semana sem qualquer estágio intermediário. Não é que a safra seja boa, se posso misturar as metáforas agropastoris, é que a crise está braba. Precocidade não é mais fenômeno, é último recurso.
Antigamente, hesitava-se em lançar garotos bons entre os titulares para não "queimá-los". Além de não terem corpo para enfrentar os profissionais, eles não teriam estrutura psicológica para enfrentar o eventual fracasso. Na crise, não há mais lugar para este tipo de escrúpulo, que também servia para proteger o emprego dos mais velhos. Pintou um bom recém-desmamado, está escalado.
E, mesmo, como esta geração de meninos parece compensar o pouco físico com uma autoconfiança congênita e uma arrogância de top-models (que, com 17 anos, também já desfilam como se soubessem tudo da vida e do mundo), falta de experiência não significa mais nada. O que pode acontecer é o futebol se transformar numa atividade, como a natação e o tênis (e a de modelos), em que, com vinte e poucos anos, a pessoa já começa a temer a decadência, e a ser desafiada por novas crianças.
Agora, que é bom ver essa garotada jogar bola, é.
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8:18 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
21/07/2003
O que não tem remédio
O pior impasse na vida são os problemas sem solução. Problema com solução não é problema.
E esta segunda-feira emerge no nosso horizonte com dois problemas sem solução: a reforma da Previdência e o afundamento total do Grêmio no ano do seu centenário, culminando agora com o abismo de ter ingressado na zona de rebaixamento.
No planejamento dos técnicos do governo, era possível fazer uma reforma da Previdência que aliviasse principalmente os Estados dos seus encargos com o funcionalismo público.
Como se viu pelo recuo do governo, não era possível a reforma da Previdência. Ela não vai aliviar nenhum Estado de seus encargos, senão amenizá-los, porém num futuro muito distante.
Pela simples razão de que só com a violência pode se suprimir os direitos das pessoas.
E a reforma previdenciária teria de ser feita dentro da democracia e com respeito aos direitos das pessoas.
A discussão sobre se são direitos ou se são privilégios, se são conquistas ou se são benesses, só poderia ser resolvida se se estabelecesse num fórum revolucionário.
Num fórum democrático, o impasse não tem como ser resolvido. Isso parece ter ficado muito claro com as concessões que o governo fez e ficará ainda mais claro com as outras concessões que continuará fazendo até a votação da reforma.
Porque há coisas que não têm remédio. A utopia da reforma previdenciária foi luminosa: há muitos anos que se ouve falar e se lê muito sobre as correções que se tem de fazer no sistema previdenciário brasileiro.
E a expectativa sobre o ideal da reforma era a de que ela iria igualar a todos os brasileiros.
Pretender-se igualar as pessoas é um desafio milenar e jamais conseguido em lugar ou regime algum pela espécie humana.
Para igualar-se, só não fazendo exceção alguma. No caso da reforma da Previdência, tão cedo ela começou a tomar forma, viu-se que ela começou abrindo exceções.
Excetua-se uma categoria de brasileiros, afirmando-a diferente das outras, logo em seguida haverá que continuar excetuando as outras.
E passam a não ter paradeiro nem limite as exceções.
Então incrivelmente está tomando forma a reforma da Previdência. Se a sua meta básica era a igualdade, parece que está sendo atingida.
Ou seja, vai ficar tudo igual.
Como antes.
Quanto ao Grêmio, também tudo igual, como antes. Perdeu todas as competições nos dois últimos anos, sem perceberem os dirigentes do ano passado e deste ano que perder tudo pode não parecer grave, no futebol se perde e se ganha, a torcida suporta com galhardia a derrota.
Mas não intuíram os dirigentes que, se o time vai perdendo tudo como o Grêmio perdeu, Taças Sul Minas, Copas do Brasil, dois Gauchões, os Brasileirões, as Libertadores, tudo, tudo, acaba chegando se precipitando em abismo que não há torcida que suporte: a humilhação do rebaixamento.
A ameaça concreta de o Grêmio vir a ser rebaixado no ano do seu centenário é conseqüência da irresponsabilidade, que consiste em não achar grave que se percam todos os campeonatos, desde que não se perca tudo, isto é a dignidade, pelo rebaixamento.
Chegou-se a um ponto no Grêmio de se incentivar a derrota nos Gauchões, pela indiferença e pelo descaso com as competições regionais, afetando priorizar a Libertadores.
Só que catastroficamente, como tanto berrei e vituperei no Sala de Redação durante dois anos, não se priorizava no Grêmio o Campeonato Brasileiro como a mais importante competição que qualquer clube nacional disputa.
O resultado dessa cegueira poderosa é a tragédia dessa ameaça de rebaixamento.
E o pior é que parece que não tem remédio, isto é, nada mais há que fazer.
Dois anos semeando e incentivando ventos só podiam resultar em tempestade.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:14 AM
by Cassiano Leonel Drum
Clima
O Rio Grande a 32, 6ºC
O calor do fim de semana fez o gaúcho trocar os casacos por calções e buscar o alívio nas praias, como a do Laranjal, em Pelotas (foto Flávio Neves, especial/ZH)
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Domingo, Julho 20, 2003
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9:53 PM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
20/07/2003
Foto(s): Arte/ZH
A arte de escrever cartas
Já repararam como têm aparecido ultimamente livros com a correspondência de pessoas famosas? As cartas trocadas entre Fernando Sabino e Clarice Lispector. Idem, entre Fernando e Mário de Andrade. A correspondência de Vinicius de Moraes. A de Elizabeth Bishop, poeta norte-americana que viveu no Brasil. Documentos importantes, que nos falam de vidas e de obras significativas; testemunhos históricos de valor.
Mas a pergunta se impõe: não seria a publicação dessas coletâneas manifestação de uma antecipada nostalgia? Escrever cartas já não tem o mesmo significado de décadas atrás. Primeiro o telefone, depois a Internet mudaram a comunicação interpessoal. A carta cada vez mais dá lugar à sintética mensagem, ao recado (e com várias abreviaturas). Mensagens e recados que são, de outra parte, altamente descartáveis. E-mails a gente deleta (e pela quantidade de e-mails não desejados, deleta-se cada vez mais). Conversas pelo telefone só são gravadas pelos grampeadores. A carta, com seu sentido de permanência, pode estar no fim.
O que será uma pena. Porque as pessoas sempre valorizaram e respeitaram a correspondência. Eram numerosos os manuais que ensinavam as pessoas a escrever cartas. Havia fórmulas clássicas: "Espero que esta vá lhe encontrar com boa saúde, bem como a todos os seus". Mais: quem não sabia escrever (e muita gente não sabia escrever) podia contar com a ajuda de pessoas que, por amizade ou profissionalmente, prestavam esse serviço - é o papel da personagem vivida por Fernanda Montenegro em Central do Brasil. Não se trata só de ficção: meu amigo, o escritor Antonio Torres, escreveu muitas cartas para os habitantes da pequena cidade baiana de Junco, onde nasceu e onde passou sua infância.
Carta era uma coisa séria, comprometedora, mesmo. Cena clássica nos filmes de outrora: o marido está mexendo nas coisas da mulher recentemente falecida e dá com um maço de cartas, cuidadosamente amarradas com uma fita (essa fita é indispensável). Mãos trêmulas, desfaz o laço, começa a ler ansiosamente e descobre que a mulher teve um caso. Claro que tal revelação poderia ocorrer através da Internet, mas esta sempre pode ser desmentida - não existe o problema da denunciadora caligrafia.
Há outros dramas. As cartas que não são entregues. As cartas que chegam tarde demais. E, a mais patética de todas, a carta do náufrago, enfiada numa garrafa e jogada ao mar, entregue portanto aos caprichos do destino (e das correntes marítimas).
Grandes cartas balizaram a história da humanidade. As cartas do sábio Sêneca. As epístolas de São Paulo. As cartas de Abelardo e Heloísa, cuja paixão foi atalhada brutalmente. A carta de Pero Vaz de Caminha falando sobre "a terra em tal maneira graciosa". A carta em que sir Walter Raleigh, prestes a ser executado, despede-se da esposa ("Mando-te o meu amor, para que o guardes quando eu esteja morto"). As cartas de Sóror Mariana Alcoforado, testemunho do amor proíbido da freirinha portuguesa por um oficial de cavalaria. As cartas de Van Gogh ao irmão Theo. As Cartas a um Jovem Poeta, de Rilke. As cartas escritas dos campos de concentração. Textos pungentes, que nos galvanizam, senão pela forma literária, então pela autenticidade.
E as nossas cartas? Semanas atrás, no Rio de Janeiro, fui procurado por um amigo da juventude. Ele tinha um presente para mim: um maço de cartas que eu havia lhe escrito.
Agradeci muito o inesperado presente, mas confesso que não tive ânimo para reler essas missivas. Sei do que falo ali: falo das dores do amor, falo da vontade de mudar o mundo, falo da minha revolta juvenil. Falo longamente, caudalosamente. Aí vem a pergunta crucial: essa ainda é a minha voz? Será que quero reencontrar-me com aquele adolescente inquieto que eu era?
Ainda não tenho resposta para esta questão. Se alguém a tiver, favor enviá-la. Por carta, naturalmente.
scliar@zerohora.com.br
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9:49 PM
by Cassiano Leonel Drum
Foto(s): reprodução/ZH
Ciúme das coisas
Tem gente que não tolera emprestar seus maridos e esposas pra vida: eles têm que ser mantidos entre quatro paredes, sob vigilância cerrada. Ciúme é o quê? Sentimento de posse. No entanto, ninguém é dono de ninguém, não compra-se um marido bem madurinho na feira, ou uma mulher 0km numa revenda autorizada. Pessoas são livres, têm desejos próprios, poder de escolha. Vão pra lá e pra cá, fazem o que bem entendem. É por isso que sentir ciúme dos outros é infrutífero e perturbador, pois não temos controle sobre as pessoas, mesmo que aquela certidão de casamento guardada na gaveta nos iluda do contrário. É mais coerente sentir ciúme de objetos inanimados, comprados com nosso suado dinheirinho, coisas que trouxemos pra casa e dali não deveriam sair jamais. Livros, por exemplo.
Se você ama ler e ama ter seus livros por perto, pergunto: não fica morrendo de ciúmes quando um amigo pede emprestado um exemplar que você adora, que está todo sublinhado, que virou uma espécie de bíblia íntima? Negar o empréstimo é complicado. Então você diz sim, seu amigo leva o livro e a graça de viver acaba. Puxa, um livro não sabe se cuidar sozinho. Vai ficar lá jogado numa casa estranha, será folheado com desprezo. Seu amigo poderá deixar pingar café nas páginas. E ele vai espiar tudo o que você sublinhou e tirar conclusões precipitadas. O livro será devolvido? Mistério. Você costuma ler um livro em uma semana, e ele levará certamente um semestre. Um semestre! É uma eternidade longe do seu amor. Seu livro não pode telefonar pra você, não pode pedir pra voltar, ficará criando pó em estantes desconhecidas, esquecido, humilhado. Eu só empresto livros para quem tenho certeza de que os ama tanto quanto eu, e quando sei que serão lidos num prazo razoável. Se não há intenção de me devolverem logo, que estabeleçam um resgate: eu pago.
Cada um com seus amores. Tem gente que tem ciúme de suas roupas, ciúmes de seus discos, de suas canetas, e o caso mais clássico: de seu carro! Você empresta seu carro pra qualquer pessoa numa boa? Numa boa mesmo? Não fica achando que vão arranhar a marcha, que vão sair com o freio de mão puxado, que vão deixar fios de cabelo no assento e vão esquecer de desligar o farol quando saírem? Como tem gente evoluída nesse mundo.
Sentir ciúme de pessoas é compreensível mas é perda de tempo: eles não são nossos. Podem nos amar, adorar, querer passar o resto da vida ao nosso lado, mas também podem querer se mandar. Afinal, eles têm pernas, são seres vivos, se quiserem ir embora, irão. Já livros, carros e roupas não sabem correr, pedir socorro, exigir respeito. Não ficam cantando "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo". Uma vírgula. São nossos, propriedade privada. Pode tirando essa mão boba daí.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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9:44 PM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
20/07/2003
As Bananas
Eram três irmãs, Lia, Lila e Lilian, e foi da Lia, a mais velha e mais mandona, a idéia de formarem um trio. Mas foi de Lila, a do meio e mais engraçada, a idéia de se chamarem As Bananas. Quando começaram a se apresentar, nas festas de família, Lilian, a mais moça, mal sabia andar. Ficava entre as outras duas, que a amparavam. Era a que mais brilhava do trio, pois tentava imitar as irmãs e não conseguia, não acertava os movimentos, errava as letras das músicas, caía no meio do número - um sucesso. Lia era a mais musical e afinada das três, Lila era a palhaça, Lilian, a favorita do público.
Em todas as festas na casa, sempre chegava um momento em que as pessoas começavam a pedir ''As Bananas! As Bananas!". E as três, depois de fingirem que hesitavam, que não queriam, que não tinham preparado nada, corriam para o quarto para se fantasiar. Todo ano tinha um número novo das "Bananas".
A carreira das Bananas acabou quando a Lia começou a namorar, pois ela não queria ser ridícula na frente do namorado, que não aprovaria, o que Lila achou ridículo. Lilian sugeriu que o namorado fosse incorporado ao grupo - que, segundo a Lila, passaria a se chamar "Três Bananas e um Babaca" - mas Lia nem quis ouvir. O Gerson era um rapaz sério, e ela mesmo não tinha mais idade para aquelas palhaçadas.
E quando a Lia brigou com o Gerson, que era sério demais, e propôs a volta das Bananas, foi a vez da Lila dizer que não queria mais. Com 15 anos, tinha entrado no que, no futuro, seria chamado misteriosamente, na família, de "aquela fase da Lila" - como em "isso foi antes ou depois daquela fase da Lila?". E quando a Lila saiu da sua fase e ela e a Lia quiseram ressuscitar "As Bananas", foi a Lilian que não quis. Estava namorando o Maneco, de quem não se desgrudava por nada no mundo, muito menos para se fantasiar e pagar mico. Nem quando o clamor pela volta das Bananas chegou ao auge numa festa de aniversário - liderado pelo pai e maior fã das três - e o próprio Maneco disse que queria conhecer o famoso trio, a Lilian aceitou.
O Maneco se uniu à torcida quando esta começou a gritar "Bananas! Bananas!", mas a Lilian se manteve firme. Ficou grudada no Maneco. Tinha 13 anos e tinha encontrado o amor da sua vida. A Lilian era assim. Também não conseguia jogar boneca velha fora. Apesar dos protestos, "As Bananas" nunca mais se apresentaram.
A Lia estudou Direito, ficou com o escritório do pai quando ele morreu, casou três vezes, chegou a tentar a política, mandona como era, mas desistiu. Seu último marido - que ela apresenta, só para deixá-lo nervoso, mas de brincadeira, como "o meu penúltimo" - é mais moço do que ela mas vivem bem, ele gosta de velejar, ela enjoa no barco, ele é bonito mas burro, ela resolveu voltar para a música e estuda violão quando tem tempo. A Lila fez teatro, fez artes plásticas, casou com um engenheiro que ri de tudo que ela diz e faz, teve dois filhos e é promotora de eventos com uma sócia. Foi ela que ficou com a mãe viuva em casa, a mãe implica com o marido dela ("sem sal"), mas ajuda a cuidar das crianças. E a Lilian casou com o Maneco, o amor da sua vida.
- Bate nela?
- Como, bate nela?
- Bate. Eu vi.
- Viu o Maneco bater nela?
- Vi as marcas. Ela quis disfarçar, depois confessou. O Maneco começou a beber e a bater nela.
Lila tinha ido ao escritório da Lia contar. Estava furiosa. Lia, antes de se enfurecer também, se emocionou. Ficou com os olhos cheios d'água. Não se lembrava de ter uma emoção assim desde a última vez que vira o pai na cama do hospital antes de morrer e ele abrira os braços e dissera: "Viu no que deu?".
- O que, papai?
- Tudo. A vida. Nós.
Não conseguia imaginar alguém batendo na Lilian. Logo na Lilian. A Lili. A Nenê! Aquilo não ia ficar assim.
- Vamos lá - disse.
- Onde?
- Falar com o seu Maneco.
A Lilian ainda tentou defender o Maneco, mas reagiu quando ele disse que a Lia e a Lila não tinham nada a ver com a vida deles, que não se metessem, que dessem o fora da sua casa.
- Elas são minhas irmãs, Maneco.
- É. Grandes irmãs. Quando é pra ajudar, ninguém aparece.
Maneco nunca perdoara a Lia por não ter emprestado o dinheiro para o restaurante, para a criação de coelhos, para nenhum dos seus planos.
- Olha aqui, ó Maneco - disse a Lia. - Se bater na minha irmã mais uma vez, uma vez só, você vai ver.
- Ver o quê?
As três agora estavam lado a lado. A Lilian entre as outras duas, como no número. Quem respondeu foi a Lila.
- As Bananas. Você vai finalmente conhecer as Bananas.
- Que bananas?! Que bananas?!
- Experimente pra ver.
O Maneco não se lembrava das Bananas. Mas prometeu que não ia bater mais na mulher. Com a Lilian sozinha ele podia. Mas aquelas três juntas não eram de brincadeira.
Mais tarde, as duas tomando chá, a Lia perguntou à Lila se ela era feliz com o marido, e a Lila respondeu que não sabia, achava que era. Depois a Lia comentou que talvez não houvesse no mundo homem certo para as Bananas e a Lila suspirou e disse "É, acho que não". Depois as duas ficaram em silêncio, só lembrando.
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9:37 PM
by Cassiano Leonel Drum
Reforma da Previdência
A inédita rebelião da Justiça
Assembléias marcadas para o início da semana podem decretar a paralisação de juízes e promotores inconformados com a reforma e abrir uma crise entre poderes da República (arte de Gilmar Fraga sobre foto de Paulo Franken/ZH)
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