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Sábado, Novembro 29, 2003
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7:56 PM
by Cassiano Leonel Drum
R E F L E X O S
Quando olho no fundo de um lago,
É seu rosto que vejo espelhado.
Quando caminho,
É sua sombra que me acompanha.
Se adormeço...
É você que invade o meu sonho.
Se choro,
Você se desfaz nas minhas lágrimas amargas.
Quando divago em sentimentos,
É pra junto de você que voam meus pensamentos.
Se tenho algumas miragens...
São sempre efeitos de vontades.
Quando me chegam as suas lembranças,
São sempre sem esperanças.
Toda vez que eu começo a sofrer,
É por você.
Quando consigo sorrir,
É porque esqueço que você não está mais aqui.
Sempre que o imagino,
Meu corpo arde de desejo.
Quando tento lhe esquecer,
Tenho vontade de morrer.
Quando penso que você vai voltar,
Meu coração volta a pulsar.
Mas quando caio na realidade,
Me resta somente...
A saudade.
Silvana Duboc
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4:02 PM
by Cassiano Leonel Drum
O amor também...
A deslumbrante atriz Karina Bacchi (foto), atual namorada de Júnior (embora ela e o irmão de Sandy digam que são apenas amigos e blablá + blablá), acaba de rejeitar propo$ta para mostrar suas intimidades na "Playboy". Ela já havia sido sondada pela revista no passado, mas agora o convite foi oficial...
Tensão na família das estrelas
A situação não está das mais tranquilas na família Xororó. Primeiro foi Sandy, que teve um suposto faniquito na semana passada, enciumada porque Junior foi convidado por Wanessa Camargo para participar --sozinho-- da reestréia do nauseabundo "Jovens Tardes"...
Agora o problema é mais em cima...
Patrulha
Xororó e sua mulher, Noely, estariam fazendo beicinho para Junior porque ele assumiu para a família que está mesmo tendo um caso com a bela atriz Karina Bacchi (os dois na montagem ao lado). A família ficou em azáfama. Embora ninguém na casa assuma, um dos "senões" de Xororó e Noelly é o fato de Junior ter "apenas" 19 anos enquanto Karina é seis anos mais velha. Ou seja, ela é muito mais, ahn, digamos, experiente (já foi noiva e coisa e tal)...
Ooops! é cultura mesmo
Azáfama, segundo o dicionário: polvorosa, grande afã, atrapalhação, bulha...
obs: Ahn? Bulha?
Patrulha reincidente
Amigos da família canora dizem que é tradição que Xororó e Noelly coloquem empecilhos ou levantem objeções aos relacionamentos dos filhos, superprotetores que são... Quando terminou seu fugaz namoro com Sandy, o ator Paulo Vilhena disse que um dos motivos era que os pais não deixavam os dois ficarem sozinhos por mais de 60 segundos...
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3:23 PM
by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
A praga brasileira
"O maior problema do Brasil é a propaganda política. Fomos da ditadura dos militares diretamente para a ditadura dos políticos. Para cada minuto de informação, somos obrigados a engolir meia hora de programação partidária, em que os políticos podem nos enganar à vontade, sem desmentidos"
Fome? Desemprego? Criminalidade? Nada disso. O maior problema do Brasil é a propaganda política. Em nenhum lugar do mundo há tanta propaganda política quanto aqui. Toda noite tem algum partido mentindo para a gente, nos intervalos do Jornal Nacional. Fomos da ditadura dos militares diretamente para a ditadura dos políticos. Instauraram uma espécie de totalitarismo democrático. Para cada minuto de informação, somos obrigados a engolir meia hora de programação partidária, em que os políticos podem nos enganar à vontade, sem desmentidos.
Eles aparecem em comerciais de trinta segundos e em programas de vinte minutos. Também aparecem no canal de televisão da Câmara ou no do Senado. No rádio, podem contar com a Hora do Brasil. O presidente da República, quando quer, fala à nação em cadeia nacional. Como se não bastasse, decidiu ter um programa no rádio, toda segunda-feira. Prefeitos e governadores dispõem de televisões públicas. Compram, igualmente, espaços publicitários nas televisões comerciais. Os ministros usam as verbas de propaganda das empresas estatais para reforçar a imagem do governo e para barganhar a cumplicidade de veículos de comunicação, muitos dos quais dependem dessas verbas para sobreviver.
Difícil encontrar um político que não seja dono de uma emissora de televisão ou rádio. Os que não são donos são amigos dos donos. Os jornalistas, que teoricamente serviriam de contrapeso para o poder político, também estão do lado de lá. De fato, o Estado emprega muito mais jornalistas do que qualquer grupo particular. Nem na Romênia de Ceausescu a ocupação dos meios de comunicação pelos políticos foi tão grande.
Propaganda política não é só o que a gente acompanha na imprensa, no rádio, na televisão. Ela pode assumir muitas outras formas. Uma viagem para participar de um comício. Uma inauguração de uma obra. Um programa social. Uma campanha de vacinação. Um trecho de um livro didático. Um patrocínio de um evento cultural. Tudo é manipulado pelos políticos. Tudo é pago por nós. Por um preço alto demais. Entre o que se gasta em propaganda oficial, mais o que se gasta em propaganda camuflada, mais o que se gasta com empreguismo eleitoreiro, mais o que se gasta em corrupção para financiar a propaganda, a política acaba custando mais do que educação e saúde.
Um exemplo: o Brasil tem 5.000 e tantos municípios. Boa parte não conta com receita própria. Funciona apenas como curral eleitoral. Pagamos o salário e a aposentadoria de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores cuja única função é arrebanhar votos para os caciques locais. Ou seja, pagamos para que façam propaganda.
Diminuir a presença dos políticos na vida nacional só traria benefícios. Eu tenho algumas sugestões. Fechar as televisões públicas. Vender Petrobras, Eletrobrás e Banco do Brasil. Abolir toda a propaganda política, paga ou gratuita, exceto no período eleitoral. Cortar pela metade o número de municípios. Proibir os políticos de possuir qualquer forma de concessão pública. Limitar com rigor os gastos das campanhas.
Quanto menos os políticos aparecerem, melhor.
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3:21 PM
by Cassiano Leonel Drum
Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo
O bem que Bush faz a Kennedy
Quarenta anos depois, o presidente assassinado recupera o brilho perdido pela contínua exibição de seus podres
O presidente John Kennedy não morreu apenas naquele dia 22 de novembro de 1963 em que foi atingido pelos tiros disparados do sexto andar do Depósito de Livros Escolares do Texas, no centro de Dallas. Nestes quarenta anos agora completados, ele morreu muitas outras vezes ¿ de tiros que o atingiram em sua imagem de liberal e de lutador por um mundo pacífico, tanto quanto na de marido perfeito da mais charmosa primeira-dama a jamais pôr os pés na Casa Branca.
Mesmo o clã familiar a que pertencia, tão conspícuo pelo glamour e pela dedicação às boas causas quanto pelas periódicas visitas da tragédia, teve a boa imagem atingida por histórias de adultérios, acidentes mal explicados, alcoolismo e drogas. Aquela sexta-feira em Dallas foi só o começo.
Durante os mil dias de sua Presidência, Kennedy foi como uma luz sobre os Estados Unidos e o mundo. Ao assumir, ele era o mais jovem presidente da história do país (43 anos) a suceder o mais velho até então (Dwight Eisenhower, com 70 ao deixar o posto). Tal contraste continha significados que ultrapassavam suas figuras individuais. Os cansados EUA dos anos 50 entravam no que seriam os irrequietos anos 60 sob a égide de um moço que, como poucos em sua história, parecia capaz de sacudir a poeira do conformismo.
Nos anos Kennedy as tensões da Guerra Fria com a União Soviética seriam amenizadas pelos acenos da "coexistência pacífica". Para a América Latina havia as promessas da Aliança para o Progresso. Acresce que na pessoa do presidente tinha-se alguém que irradiava inteligência e bom gosto, cercado de artistas e intelectuais, aberto ao mundo e à cultura. Era um período de esperança.
Ou não? O período Kennedy corresponderia de verdade à impressão de reino encantado de homens elegantes, mulheres bonitas, idéias inteligentes e nobres princípios que transmitia? As primeiras estocadas revisionistas disseram respeito ao Vietnã. No governo Kennedy a guerra civil que se travava nesse país não era ainda um tema candente no mundo.
Sob seu sucessor, Lyndon Johnson, sim, virou ponto fulcral da Guerra Fria, com envolvimento militar americano de largas proporções ¿ e aos poucos se começou a lembrar que foi sob Kennedy que os EUA enviaram os primeiros contingentes à região. Ei-lo posto na origem da mais desastrosa guerra americana. Isso, mais a lembrança da fracassada tentativa de invadir Cuba ¿ o célebre episódio da Baía dos Porcos, no início de seu governo ¿, mudou Kennedy num aguerrido guerreiro frio.
Em anos mais recentes tomou-se conhecimento do mulherengo doentio que o habitava. Orgias seriam encenadas na Casa Branca. Em livros e reportagens, o caráter de todo o clã foi posto em jogo ¿ do patriarca Joseph, o pai do presidente, que teria usado meios escusos para amealhar sua fortuna, ao irmão caçula, Ted, que não pediu socorro a tempo quando, numa escapada com a secretária, um acidente de carro veio a matá-la. OK, nem os Kennedy nem o governo Kennedy eram o que se pensava. Os escândalos e as revisões históricas conduziam inexoravelmente à miséria da desilusão e da desmistificação. E no entanto...
No entanto, observem-se as fotos e os filmes da época ¿ e que saudade! O presidente de postura impecável e discurso inspirado irradiava confiança. Os EUA sob sua direção pareciam guiados pela fé nos valores humanísticos e o desejo de parceria com o mundo. Como explicar que se chegue aos quarenta anos do assassinato de Kennedy com tais imagens positivas prevalecendo sobre o que de negativo se soube dele depois?
A resposta é: George W. Bush. Melhor dizendo: o contraste com Bush. Bush encarna a face sombria, arrogante e ignorante dos EUA. Na comparação, Kennedy ganha de volta o brilho perdido durante os anos de insistente exibição de seus podres. Bush faz bem a Kennedy. Rende-lhe uma recuperação histórica.
Segundo o historiador Arthur Schlesinger, que foi assessor de Kennedy e escreveu um livro clássico sobre seu governo (Mil Dias ¿ John Kennedy na Casa Branca), um clima hostil ao presidente dominava o Texas, o Estado onde viria a ser morto. O diretor do principal jornal de Dallas, o Dallas Morning News, disse uma vez a Kennedy que o país precisava de um homem a cavalo, e não um que brincava de montar no velocípede da filha, como fazia o presidente.
Em Fort Worth, onde Kennedy esteve horas antes da fatídica esticada até Dallas, ofereceram-lhe um chapéu de cowboy. Nada mais típico de um Estado que ¿ escreve Schlesinger ¿ "cultivava cuidadosamente o mito do velho Texas e seus homens viris, bons cavaleiros, bons atiradores". Kennedy, que, ao contrário de alguém muito conhecido de nós, brasileiros, se recusava a pôr qualquer chapéu na cabeça, amavelmente declinou de vestir o de cowboy. É curioso, muito curioso, que quarenta anos depois um homem do Texas ocupe a Presidência americana ¿ um que mais de uma vez já posou de chapéu de cowboy, e se orgulha dos valores viris da terra.
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7:38 AM
by Cassiano Leonel Drum
Deborahfera
A intérprete de Darlene de Celebridade garante que dominou os efeitos da fama e agora jura que quer namorar quietinha
Clarissa Monteagudo
Sofisticada,Deborah ousa no decote da blusa de tricô da marca Max Sport na Alberta (R$ 1.818). Jóias Lisht (preço sob consulta)
Ao comemorar seu aniversário, quarta-feira, Deborah Secco se livrou de um pesadelo que sempre a apavora nos dias antes de se ver mais velha: o medo da morte. Acontece desde o ano 2000. Era tão inacreditável para mim a idéia de que teria mais de 21 anos, que fico pensando que não vou chegar viva ao meu aniversário, conta a atriz, de 24 anos. Eu me sinto tão insegura quanto qualquer menina da minha idade. Sou dependente de colo. Quando estou com febre, chamo minha mãe, avisa.
Mas Deborah também faz questão de frisar que cresceu e pôs suas garrinhas de fora. Crises por causa da superexposição e desilusões com príncipes que caíram do cavalo são capítulos passados. Para ser mais feliz, nos últimos tempos a atriz resolveu ficar mais quieta. A intérprete da sensual Darlene, de Celebridade, prefere ficar em casa curtindo família e namorado, o ator Marcelo Faria, às noitadas. Mesmo assim, foi uma das personalidades que dominaram os holofotes do ano.
Eu acredito no homem que me cobiça e me admira depois que me conhece. Gosto que vejam quem eu sou de verdade e não uma fantasia criada a partir da TV, define a atriz, expert em superexposição. Não é nem questão de sucesso profissional. Existem pessoas que são eleitas para ser alvo de fofoca. Eu fui escolhida. Não tem explicação, admite a moça, assídua freqüentadora das capas de revista.
As declarações de amor públicas aos ex-Rogério Gomes, Dado Dolabella e Maurício Mattar não são nada mais do que um sintoma de romantismo exacerbado, segundo a cartilha da atriz. Eu sonho com príncipe encantado. Já botei todas as expectativas em relações e me decepcionei. Como todo mundo. Aos 16 anos, perdi a virgindade com um namorado que imaginava que seria o homem da minha vida. Foi bom acreditar, ressalta Deborah.
Capa da Playboy duas vezes e dona de imediata desinibição diante da câmera fotográfica, a atriz deixa claro que sensualidade, na vida real, é atrelada ao romance: Sou careta, o que tenho de mais valor é meu corpo, meu carinho. Se não há intimidade para ligar no outro dia, não rola. Preciso acreditar que sou especial, que o cara vai pensar em mim.
Quando fala de amor, o sorriso deixa claro que as coisas estão muito bem, obrigada. Mas hoje ela tranca a boca quando o assunto é Marcelo Faria. Estamos juntos, é ridículo negar. Mas não quero falar no namoro, encerra a atriz. Deborah jura que ser famosa não facilita muito as coisas. As pessoas dizem que tenho todos os homens que quero. Muito pelo contrário. É difícil alguém que aceite meu trabalho, meu ritmo de vida, reconhece a atriz, que encontrou uma filosofia de vida. Já cansei de procurar a felicidade longe de mim. Explorei muito o mundo, sou precoce, curiosa. Hoje quero minha família, meu trabalho e que a vida continue como ela é, finaliza.
Básica e chique com top de seda e jeans Armani (R$ 1.450 e R$ 890). Anel de ouro com brilhantes Lisht (preço sob consulta)
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7:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
Socorro! O Bush não larga do peru!
Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! O Peru Surpresa! O Bush não larga do peru? Primeiro acariciou o peru na Casa Branca, depois pegou o peru, botou na bandeja e levou pro Iraque! Apareceu de surpresa no Dia de Ação de Graças pra levar o peru pra tropa! E a tropa louca por uma perereca. Você já pensou, aqueles soldados todos carentes de periquitas e de repente são presenteados com o peru do Bush? E esses trocadilhos com peru não têm fim! Pior que ainda tem o peru de Natal!
E diz que o Pinton dava o peru pras estagiárias, e o Bush dá o peru pros soldados. E adorei a foto do Bush com a bandeja do peru. Só faltou uma coisa: o avental! Um aventalzinho! Ele devia trocar aquela jaqueta da Gap por um avental!
E toda visita de surpresa é a pior coisa que existe. Já imaginou, você em sua casa, aí toca a campainha e é o Bush com o peru na bandeja? Dia de Ação de Graças Sem Graça! Aliás, eu achei o Bush uma Gracinha! Rarará!
E a Hilária Pinton, a autora do famoso best-seller "Tomou Cornil, o Chifre Sumiu", estava no Afeganistão. Aí não é peru, é perua. Bush no Iraque e Hillary no Afeganistão: a eleição americana vai à guerra!
E já imaginou se o Bush diz: "Vocês acabaram de comer o peru do Bin Laden".
E já imaginou se dentro do peru tinha o ovo do Saddam? O ovo bomba! Bush tá com o peru pra lá de Bagdá!
E eu adorei a charge do Frank com o Lula levando o carro pra fazer uma revisão com o Palófi. E o Palófi: "Tá ótimo, mas tem um ruído estranho. Deixa ver que ruído é esse: Berzoini, Berzoini, Berzoini!". Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha cruzada patriótica Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que em Maceió tem o Espetinhos Joana Darc. E em Belo Horizonte tem um motel chamado Motel Traição, aqui você trai, aqui você paga. Rarará! Mais direto impossível! Viva o antitucanês! Viva o Brasil
E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes do óbvio lulante. "Expirado": companheiro que recebeu alta do psiquiatra. "Assustado": companheiro quando viu a fila do SUS! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.
E quem não tiver colírio alucinógeno pode pingar Diabo Verde com Ajax que dá no mesmo!
UFA!
Não aguento mais ver peru. Nem o meu!
simao@uol.com.br
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7:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
29/11/2003
Um tema tão delicado
O assunto é difícil, eu sei, é um terreno escorregadio onde se pode quebrar a cara.
Tem mil pontas que picam e arestas que cortam, meandros onde a cabeça se confunde, labirintos onde a gente se perde. É objeto de estudos de teólogos importantes, e, diante deles, quem sou eu?
Mesmo assim, porque sou uma pessoa, e penso e posso falar, hoje me deu vontade de comentar a rigidez do preconceito (preconceito é doença da alma...) com que esmagam nossa pobre humanidade, ou a parte dela que ainda aceita isso. A Igreja Católica continua ensinando que ser homossexual é doença ou anormalidade; usar camisinha é pecado, e evitar filho (a não ser com aquele falibilíssimo método "natural"), pecado também. Ah, tem mais: "Nem adianta usar camisinha em relações sexuais para evitar Aids porque camisinha fura". Ensinamento mais do que perigoso: insensato e cruel.
Alguns teóricos famosos e realistas padres de paróquia tentam escapar. Mas todos caem nas malhas da grande Mãe que deu a sentença: amou fora do casamento, amou alguém do mesmo sexo, usou de algum artifício para não ter um filho por ano, vai pra fogueira.
Há muitos anos falei sobre isso com um amigo padre, um velho suíço experiente que argumentou que para mulheres desreguladas a pílula seria permitida como remédio. Mas se tomavam expressamente pra evitar filho? - indaguei. Os dois sabíamos aonde ia levar aquela conversa, mas, ele resignado e eu vagamente irritada, continuamos.
- Padre, o senhor me desculpe. O que estamos fazendo é sofismar. E afinal, vamos conseguir enganar a Deus com essa argumentação?
Mudamos de assunto e nos despedimos amigos. Mas foi minha última genuflexão.
Eventualmente, quando vejo crianças abandonadas na rua, mães emaciadas tendo seu sétimo filho sem poder dar de comer nem a um ou dois, quando penso em injustiça, violência e palavras modernosas como exclusão e inclusão social, recordo aquele diálogo.
Não imagino o que de verdade pensa quem manipula a consciência dos que ainda se submetem, ensinando que é pecado ou doença o amor que não se enquadra, não se mede, não se humilha, não se conforma nem se deixa algemar. A culpa assim gerada é paralisante e estéril: é ruim.
Porque o amor, que é ternura com sensualidade boa, nos salva enquanto seres humanos.
lya.luft@zerohora.com.br
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7:29 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
29/11/2003
A sombra do desemprego
Parece mesmo que vamos encerrar o ano sem qualquer avanço na criação de empregos.
Nem a proximidade do Natal, quando o comércio contrata empregados sazonais, conseguiu modificar a taxa de desemprego, que ficou cristalizada em outubro no mesmo nível dos meses anteriores: 12,9%.
Reduz-se a mão-de-obra na construção civil (3%), reduz-se também no comércio, que tradicionalmente é o grande empregador nesta época de aproximação das festas de fim de ano (0,5%).
E o desempenho do governo, que foi ressaltado nos ajustes das contas públicas e na elevação das taxas de juros, com a volta da confiança dos investidores externos no Brasil, no entanto e até por isso mesmo acabou decepcionante no crescimento zero e no brutal desemprego que assusta a nação.
O ano vai terminando com essa sombra sinistra na economia: não há emprego. O país não quebrou, foi contida uma inflação que parecia incontrolável no fim do ano.
Mas o desemprego continua cobrando o seu alto preço social.
É neste nó que Lula vai ter de concentrar todo o esforço do governo no ano que vem. Mas já larga com um ano de atraso.
Transcrevo pela importância do transplante de medula: "Prezado Paulo Sant'Ana. Em resposta a carta publicada em sua coluna, na edição de Zero Hora do dia 25 de novembro, sobre doação de medula, gostaríamos de esclarecer que o problema ocorrido na marcação do dia da coleta do referido doador está sendo investigado.
Isto porque houve a denúncia registrada pela imprensa, que tem o dever de ser o olho crítico da sociedade. Graças a atitudes como essa, há um aprimoramento nos órgãos públicos, que são mantidos com o dinheiro do contribuinte. Mas devemos afirmar que fatos assim não devem invalidar o trabalho de uma equipe que já recolheu mais de 3,5 mil amostras de sangue de candidatos à doação de medula.
Esclarecemos ainda que o agendamento da coleta é realizado pela Central de Transplantes, visando a dar informações mais detalhadas ao interessado, evitar filas e demora para a coleta junto aos hemocentros. Em Porto Alegre, por ter a infra-estrutura adequada, o Hemocentro do Estado (Avenida Bento Gonçalves, 3.722, fone 51 3336-6755) faz a coleta da pequena quantidade de sangue necessária para classificação por tipo (fenótipo) e para posterior inclusão do candidato no cadastro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), até que seja compatível com alguém que necessite da doação.
As pessoas interessadas em integrar o cadastro de doadores voluntários de medula óssea podem agendar a coleta da amostra de sangue na Central de Transplantes do RS, que funciona 24h por dia, pelos telefones (51) 3219-1900 ou 3217-1616, a qualquer hora e marcar a coleta, no hemocentro mais próximo da sua residência, no horário em que lhe for conveniente. Se houver necessidade, será fornecido um comprovante de comparecimento e doação, para fins de abono de falta ao trabalho.
Quanto à sugestão da leitora para que o Hemocentro funcione aos finais de semana, já foi tentado, sem demanda que justificasse a iniciativa. Entretanto, continuamos avaliando a possibilidade da abertura do Hemocentro aos sábados para melhor atender a comunidade. Concluímos ressaltando que a Secretaria Estadual da Saúde acredita na população e realiza um esforço contínuo para o atendimento adequado, tanto na questão da doação de medula e outros órgãos quanto na doação de sangue. Atenciosamente, (ass.) Osmar Terra, secretário estadual da Saúde".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
Esporte sem idade
Para manter o corpo e a mente em forma, homens e mulheres desafiam o tempo e mantêm a prática do esporte sem ligar para a certidão de nascimento, como o empresário Anton Karl Biedermann, com 79 anos (foto José Doval/ZH)
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Sexta-feira, Novembro 28, 2003
Posted
8:49 PM
by Cassiano Leonel Drum
Cinderela cresceu
Aos 20 anos, Sandy rejeita a fama de pobre menina rica e ícone das virgens e pela primeira vez fala sobre sexo, mentira e amores proibidos
ÁUDIO: Ouça trechos da entrevista
Sara Duarte
A partir deste verão, Sandy Leáh Lima vai deixar de ser conhecida apenas como a parte mais comportada da dupla Sandy e
Junior. Protagonista do filme Acquária, uma superprodução de R$ 9 milhões, que estréia no dia 12 em 300 salas de todo o País, ela encara uma aventura no estilo O senhor dos anéis. Com direito a cenários futuristas, efeitos de computação gráfica e figurinos especiais, a produção narra a história de um mundo devastado pela ação predatória do homem.
Em meio ao caos, somente o reino de Acquária guarda reservas de água. Na pele de Sarah e Kim, os filhos de Noely e Xororó vão ter de libertar o príncipe Gaspar (Emílio Orciollo Neto) de uma maldição e, assim, salvar o planeta. Mas para quem pensa que a fita é apenas um conto de fadas, com direito a roupas de seda, jóias e beijos no príncipe no final, vai um aviso: a cantora, agora, veste o papel de vilã.
Tal mudança de script, de certa forma, reflete seu momento atual. Aos 20 anos, a intérprete de Imortal cansou de ser vista como uma bonequinha de luxo, que não bebe, não transa e não fala palavrão. Mais madura e com uma impressionante boca de lábios carnudos, ela cumpre o roteiro de uma adulta. Fez terapia, tirou carteira de motorista, namorou escondido, passou a curtir a noite e até tomou porre. Também trocou Paulo Coelho por livros de psicologia e passou a ouvir gente como Elis Regina, Cássia Eller, Ben Harper, Eva Cassidy e Norah Jones.
Depois de vender 13 milhões de discos, ela e o irmão tiveram humildade para percorrer a Europa e os países do Mercosul como artistas iniciantes com o álbum Sandy & Junior (o e comercial é apenas para a carreira no Exterior), que vendeu modestas 500 mil cópias. Sem nenhum abalo no ego, em outubro passado os cantores lançaram no mercado nacional o CD Identidade que traz a faixa-tema de Acquária e emplacaram 300 mil cópias, um número igualmente pequeno considerando os dois milhões de Quatro estações.
A dupla Sandy e Junior já teve seu boom, reflete a cantora. Agora, afirma, é hora de fazer o que gostam, do jeito que bem entendem. Numa entrevista de três horas, no Studio Mega, em São Paulo, Sandy falou a ISTOÉ sobre estas mudanças. Além da tão decantada virgindade, abordou questões como o machismo dos pais, amores não-revelados e, é claro, Acquária.
ISTOÉ Nos últimos meses, você parece ter saído do casulo. Foi a shows de Maria Rita, Coldplay, Ivete Sangalo. O que mudou?
Sandy Agora vou mais para a balada, porque tenho mais vontade. Nesses dois anos, me aconteceram mais coisas que em 18. Aprendi a administrar a minha vida. Dirijo meu carro, janto fora, vou à praia, visito as pessoas que eu gosto. No dia do show do Coldplay, levei meu ex-namorado, Lucas (da Família Lima), sem ficar me importando com o que as pessoas iriam pensar.
ISTOÉ Enquanto você esteve fora da mídia, surgiram outras estrelas da música, como Maria Rita. Tem medo de ter perdido
o trono?
Sandy Admiro o trabalho da Maria Rita e fico feliz por ela. Não há motivo para eu ter ciúme. Nem dela nem da Wanessa Camargo ou da Luiza Possi. Assim como meu pai na música sertaneja, eu trilhei um caminho na música jovem. Não é porque outras fazem sucesso que eu vou perder o meu lugar. Primeiro, não há nenhuma outra dupla jovem com 13 anos de carreira. Tivemos um boom quando vendemos dois milhões de CDs e fizemos shows para 1,2 milhão de pessoas. Agora, o auge passou. Restou o público jovem, que permanece fiel.
ISTOÉ Você já pensou que o fato de cantar em dupla pode
limitar a sua carreira?
Sandy Acho que limita um pouco, sim, mas também traz vantagens.
Há meninas de até 12 anos que gostam da gente porque querem ser a Sandy. Já as de 13 para cima são loucas pelo meu irmão.
Juntos, agregamos público.
ISTOÉ Todo mundo acha que você vive numa redoma e que o Junior é livre para fazer o que quiser. É verdade?
Sandy Não dá para negar. Meus pais são mais zelosos comigo pelo fato de eu ser mulher. Quando meu irmão fala: Vou a tal lugar, eles dão OK mais numa boa do que para mim. Na hora de comprar meu carro foi a maior discussão. Em suma, eles não querem que eu faça nada que possa chocar o meu público.
ISTOÉ Seu irmão tem o mesmo público e Xororó deu uma entrevista dizendo: Não preciso dar camisinhas pro Junior
porque ele as consegue com os seguranças.
Sandy A nossa sociedade é assim, machista. Talvez meus pais sejam um pouco machistas. Talvez eu mesma seja. Meu pai fala numa boa que não dá camisinha pro meu irmão, mas garanto que se lhe perguntassem: E para a sua filha, você dá?, ele não ia querer responder. É diferente mesmo.
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7:57 PM
by Cassiano Leonel Drum
Repórter: Lucinéia Nunes
Novo "Harry Potter" chega antes
Lançamento oficial da edição brasileira estava marcado para sábado, mas as bancas e livrarias deram início ontem às vendas
São Paulo - O quinto volume da série do jovem bruxo Harry Potter já está à venda. A Editora Rocco havia anunciado o lançamento oficial e simultâneo em todo o País de Harry Potter e a Ordem de Fênix, de J. K. Rowling, para sábado. Mas as bancas de jornal receberam os exemplares ontem e os colocaram à venda. Como conseqüência, as livrarias também tiraram os livros das caixas. Segundo Paulo Rocco, dono da editora, ocorreu um equívoco por parte da distribuidora Fernando Chinaglia. "Espero que as livrarias cumpram o acordo assinado e iniciem as vendas a partir das 10 horas de sábado", disse ele.
Tarde demais. Segundo a assessoria de imprensa da Livraria Cultura, houve rompimento de contrato e isso não é de responsabilidade deles, já que não receberam nenhuma notificação sobre o procedimento a ser adotado. A universitária Carmem Cardoso, de 20 anos, uma das criadoras do site www.potterish.com, conta que recebeu a notícia de uma correspondente da Bahia e de um amigo de São Bernando do Campo.
"O mesmo episódio ocorreu com o lançamento do quarto livro em português. Ele também foi vendido dois dias antes da data marcada. Acho que pode ser uma estratégia da editora", desconfia. "Por um lado é bom, pois teremos o livro em mãos antes. Mas por outro, toda a programação de eventos no sábado pode ser alterada", comenta Carmem.
O movimento nas livrarias e bancas atrás do livro na tarde de ontem ainda era pequeno. Mas alguns fãs se surpreenderam ao encontrar o exemplar traduzido da nova saga. Foi o caso, por exemplo, da estudante Amanda Fernandes, de 12 anos, que leu três vezes cada volume. "Vi o novo Harry Potter na vitrine. Mas como o meu livro já foi encomendado, terei de esperar a entrega", lamentou ela, enquanto olhava o exemplar. O preço de capa nas bancas é de R$ 61,90. Nas livrarias Siciliano e Saraiva o exemplar custa R$ 59,00 e na Cultura está em promoção por R$ 47,20.
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7:52 PM
by Cassiano Leonel Drum
Lula afirmou que, com a nova adesão de países à zona do euro, vai sobrar menos dinheiro europeu para vir ao Brasil. "Então, temos de procurar outro caminho", afirmou, durante discurso em cerimônia de lançamento de incentivos à exportação, no Rio de Janeiro. Em seguida, ele acrescentou: "Com os Estados Unidos, chegamos às limitações, a coisa parece que bateu no topo".
As declarações do presidente ocorrem pouco depois de brasileiros e norte-americanos terem fechado um acordo de uma Alca (Área de Livre Comércio das Américas) flexível em Miami, para não frustrar de vez uma eventual consolidação do bloco. As verdadeiras negociações ocorrerão em fevereiro, na reunião do CNC (Comitê de Negociações Comerciais), principal órgão técnico do bloco. Há diversos desentendimentos entre os dosis países.
Lula voltou a criticar os subsídios aos produtos americanos, que não permitem competitividade a gêneros de exportação do Brasil. Para ele, as tarifas são impostas por uma "questão eleitoral", e não econômica. "Eles (EUA) sabem que mexer no subsídio é mexer num barril de pólvora."
As novas regiões em que o Brasil deve concentrar ações comerciais, segundo o presidente, são a África do Sul, os países árabes e a própria América do Sul. Lula inicia uma viagem a países árabes na próxima semana.
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7:49 PM
by Cassiano Leonel Drum
AMIZADE
Quanta amizade enganosa
há neste mundo mesquinho;
há mãos que chegam com rosa
p´ra disfarçar seu espinho.
A falsa flor do pecado
você decidiu colher;
voltou machucado,
pois tinha espinho e prazer.
Eis o mais terno carinho
e a versão pura do amor;
entrega-me o teu espinho
que eu te darei uma flor.
Pe. Héber S.de Lima
"A Valsa das Flores"
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7:46 PM
by Cassiano Leonel Drum
SAUDADE DE VOCÊ
Hoje eu acordei com saudades de você
Fiquei lembrando do dia em que
não sei porque, me beijaste.
Hoje, pensei muito em você,
mas acho que você nem se lembrou de mim.
Talvez, você nem perceba o que eu sinto,
ou talvez, faz que não percebe.
Hoje, você estava olhando para mim.
Não sei porque, mas estava.
Por que me olhas assim?
Seu olhar, me causa desespero,
pois não sei que atitude posso tomar,
mas não consigo deixar de contemplar seus lindos olhos,
que dessa maneira me surpreendem.
Hoje, você sorriu para mim.
Um sorriso meigo, que por um instante,
me fez esquecer de todos os meus problemas.
Que me fez esquecer de tudo.
Mas a vida não para por aí, tenho que voltar à realidade.
Por que você sorri dessa maneira?
Um sorriso lindo, que às vezes me dá esperança,
mas que também me proporciona incertezas....
É... Hoje, já aconteceu tanta coisa,
mas... eu acho que você nem deu valor, você nem percebeu.
Você não percebe nada mesmo...
Mas tudo bem, amanhã,
talvez você sentirá falta do dia de hoje.
Hoje: o dia que eu dei valor a um simples olhar,
e a um simples sorriso seu...
Mas, quando você perceber isso,
o Hoje, já vai ter se tornado,
um dia como outro qualquer, sem importância.
O Hoje, já vai ser passado, que já não mais importa,
e que já não se pode voltar atrás!!
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8:08 AM
by Cassiano Leonel Drum
Tempo bom
A esticadinha pós-trabalho ganha mais adeptos com a chegada do verão. Agora tem happy-hour até no Corcovado
Clarissa Monteagudo
A confeitaria Cavé promove sarau de violino: para os românticos
A lista de desculpas do carioca para dar uma esticadinha depois do trabalho está completa com a proximidade do verão. Quem costuma alegar em casa ou para si mesmo o quanto é importante relaxar e fazer social com colegas, entre outros motivos fortíssimos, pode usar o calor senegalesco do fim de tarde como argumento definitivo. Afinal, quem terá disposição para encarar o trânsito podendo seguir para o Corcovado, onde ouvirá sambinha enquanto curte a paisagem do cartão postal?
A turma que bate ponto em happy hours pode escolher uma programação mais variada do que do controle remoto da TV. Além do Pôr-do-Sol Musical no Corcovado, tem azaração na pista de dança do Caroline Café capaz de transformar sérios executivos e advogados em empolgados roqueiros , choro no Rio Scenarium e o romântico sarau de violino na Confeitaria Cavé.
Eu gosto de dançar, essa hora é a melhor porque não tem ninguém na pista. Mais tarde fica muito cheio, todo mundo esbarra em todo mundo¿, conta a web designer pé-de-valsa Glória Lira, 48, que aproveita o fim de tarde das sextas-feiras para dançar choro coladinho no Rio Scenarium, um charmoso antiquário que aluga peças antigas para produções de época.
Moradores do Morro do Corcovado, os músicos do grupo Magia Carioca vão tocar às sextas-feiras aos pés do Cristo Redentor. A gente subirá no trem das 18h tocando e continuará a roda de samba lá em cima, conta o músico Luiz Vicente. No repertório, músicas de Paulinho da Viola, Candeia, João Nogueira e Fundo de Quintal. A família está na terceira geração de instrumentistas. Os primeiros trabalhavam no trenzinho, orgulha-se Luiz.
Concorrido, o Caroline Café, no Centro, é ponto de encontro de advogados, executivos e juízes entre 30 e 50 anos. O som, sexta-feira, é rocknroll e a decoração com pouca luz e velas segue a linha da matriz no Jardim Botânico. "A azaração é grande. Tem gente que vem almoçar comportadinha e se transforma, diz a gerente, Daniela Storbel. Disciplina de novo, só segunda-feira.
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8:02 AM
by Cassiano Leonel Drum
Bush em missão secreta
Por segurança, presidente viaja às escondidas até Bagdá e ceia com militares
As tropas americanas em Bagdá levaram um susto ontem quando viram George W. Bush desembarcando no aeroporto da capital. E não foi para menos. O presidente fez uma visita tão de surpresa ao Iraque que sua mulher e as duas filhas só ficaram sabendo da missão secreta horas antes da viagem. Um megaesquema foi montado para despistar a imprensa. Os códigos de permissão de pouso foram trocados e o avião presidencial chegou apagado na cidade. Tudo isso para garantir a segurança de Bush em uma ousada operação sem precedentes na História dos EUA.
Vocês estão defendendo o povo americano do perigo, e agradecemos por seus serviços. Temos orgulho de vocês, que estão vencendo os terroristas aqui no Iraque para não enfrentá-los em nosso país, disse Bush aos 600 soldados reunidos no aeroporto.
Os militares foram levados ao aeroporto pelo administrador americano no Iraque, Paul Bremer, para um jantar pelo Dia de Ação de Graças. Bremer não contou aos soldados que eles teriam um convidado ilustre e afirmou apenas que cederia a leitura da mensagem a uma pessoa mais importante que estava presente. Nesse momento, o presidente apareceu vestindo uma jaqueta do Exército e foi recebido com aplausos pelas tropas. Obrigado por me convidarem. Não podia imaginar melhor grupo de pessoas para jantar neste dia.
Bush: Vamos prevalecer porque nossa causa é justa
No discurso, Bush ressaltou que a resistência iraquiana não fará com que desista da ocupação. Eles esperam que fujamos. Mas nós não percorremos centenas de milhas no Iraque, pagamos um custo amargo de baixas, derrotamos um ditador inclemente e libertamos 25 milhões de pessoas só para recuar diante de um bando de bandidos e assassinos. Vamos prevalecer e vencer porque nossa causa é justa.
Para os iraquianos, Bush ressaltou a queda de Saddam Hussein. Vocês têm a oportunidade de reconstruir seu país. O regime de Saddam se foi para sempre.
Ao terminar o pronunciamento, Bush entrou na fila para jantar e ajudou a servir a tradicional refeição no Dia de Ação de Graças peru, batatas-doce e milho.
O presidente viajou 27 horas até Bagdá, mas ficou apenas duas horas e meia na capital. Após o jantar, ele se reuniu com quatro membros do Conselho de Governo do Iraque.
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7:58 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luana solta suas feras
É com visual oncinha que Luana Piovani surge sensualíssima na capa da descolada Cool Magazine (foto). Em ensaio de 12 páginas a cargo de J.R.Duran , a atriz atiça os marmanjos abusando de elementos fetichistas, como botas, luvas e correntes no estilo tigresa.
Fora dos cliques picantes, Luana, apesar de namorar firme o jogador de pólo Ricardinho Mansur, está sem planos de constituir família. Para ter filhos, pararia um pouco para me organizar. Acho que ainda não é a hora, contou a loura à revista especial de 6 anos.
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7:53 AM
by Cassiano Leonel Drum
Buemba! PIB é a Pobreza Individual do Brasileiro!
Buemba! Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa!
Quebra-pau na MTV! João Gordo x Dado Dolabella! Playboy de Malhação x Rato de Porão. Mas como o João Gordo é punk devia ser Arroto de Porão. E o Dado Dolabella é uma mistura de Pepita Rodrigues com Ricky Martin. E o blog do Bin Laden sugeriu um novo programa pra MTV: BRIGA COMIGO! E um outro acha que o João Gordo devia ficar atirando o Dado no chão até sair um seis! Só paro quando sair um seis!
E diz que o Brasil vai ter PIB Zero! É Fome Zero, Fumo Zero, Emprego Zero, Pança Zero, PIB Zero. Entrega o país pro Recruta Zero. E PIB quer dizer Pobreza Individual do Brasileiro. Sendo que uma amiga minha disse que o PIB na casa dela quer dizer Pinto Irremediavelmente Broxa! E a Marta sai tanto na "Caras" que já foi apelidada de prefesteira. A Prefesteira de São Paulo!
E a penúltima da minha morenanta predileta Lucianta Gimenez. Ela convidou o padre Marcelo pra fazer pizza no programa e gritou: "Faz uma pizza de aliche! Adoro alho". A cuca dela é uma pizza de alhiche! E o padre Marcelo é uma mistura de Jesus Cristo Superstar com a Noviça Rebelde! E o Lula falou pros Estados Unidos: "Vamos jogar duro". Errado. Com PIB Zero nós vamos jogar DUROS! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E esta notícia: lucro da Petrobras supera o da Coca-Cola. Ou seja, o pessoal anda bebendo petróleo! Petro Cola! E diz que o Rodrigo Santoro tem uma fala nesse novo filme. Eu já sei qual é. Ele chega pro Hugh Grant e pergunta: "Gostaram das minhas havaianas?". Rarará! E a mãe de uma amiga minha tava na caixa do supermercado quando pediu a um rapaz para passar na frente por causa da idade.
E o rapaz: "Pode passar, mas garanto que no baile da Terceira Idade dança até de madrugada". Rarará!
Antitucanês Reloaded, a Missão! Continuo com a minha cruzada patriótica Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que no interior de Pernambuco tem o Forró do Rogério Bomba, suruba nervosa a noite inteira.
E em Cidreira, Rio Grande do Sul, tem um baile chamado UTI, Última Tentativa do Indivíduo. Rarará! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Excêntrico": deputado do centrão que virou companheiro, excêntrico. "Sustentar": tentar uma consulta no SUS! Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje, só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.
simao@uol.com.br
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7:51 AM
by Cassiano Leonel Drum
Pois é as vezes a prática me faz acreditar nesta afirmação: "Caso o homem não seja cafajeste, caso seja, digamos, um certinho, a mulher o olha com desprezo". Lamentavelmente é assim e aquelas que não concordarem há o comentários ai abaixo do post para contrapor suas idéias.
David Coimbra
28/11/2003
Elas preferem os cafajestes
A gaúcha aquela quer casar com o Maníaco do Parque. O cara está preso, condenado a 250 anos de cadeia e, pô, é o Maníaco do Parque, afinal de contas. Estuprou nove mulheres. Matou sete. E mesmo assim consegue namorada! Mais até: ela o chama de Chico.
- Eu sou a mulher do Chico - admitiu, orgulhosa, depois de ter pedido para fazer visita íntima ao Maníaco.
Visita íntima! Chico!
Claro, isso pode ser visto como uma boa notícia: se o Maníaco, que é o Maníaco, arranja mulher, imagina você, que é ajeitadinho e nem matou ninguém.
Mas não se trata disso. O fato é o seguinte: as mulheres preferem os cafajestes. E o Maníaco, puxa, existe grande probabilidade de ele ser encarado como cafajeste.
O cafajeste desperta na mulher dois instintos básicos: o maternal e o da concorrência com as outras mulheres. O maternal porque, para ela, o cafajeste é um moleque arteiro à espera da disciplina corretiva. O da concorrência porque o cafajeste, em tese, tem muitas mulheres. Logo, se uma delas o conquista, supera todas as outras.
Caso o homem não seja cafajeste, caso seja, digamos, um certinho, a mulher o olha com desprezo. Reclama:
- Ele está me sufocando!
Esse é o meu problema, confesso. As mulheres se aproximam de mim achando que sou cafajeste. Depois que passam um tempo comigo, percebem que não, que sou um sujeito decente, que lhes dou atenção, que repudio a traição. Então se decepcionam. Tento parecer cafajeste sempre, mas a correção, a dignidade, até mesmo a pureza que estão impregnadas em minh'alma, isso tudo é mais forte, acaba se manifestando. As mulheres, então, balançam a cabeça:
- Tsc tsc, e eu que achei que ele fosse canalha de verdade.
Triste.
Mas assim é o mundo, aprenda: se você quer de fato conquistar uma mulher, asfixie a integridade que existe em você. Por mais difícil e repugnante que pareça, disfarce: tente parecer um canalha. É duro, sei, mas vale a pena. Talvez você um dia chegue a ser tão atraente para elas quanto o Maníaco do Parque.
david.coimbra@zerohora.com.br
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7:47 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
28/11/2003
Queda-de-braço
Trava-se uma decisiva guerra entre camelôs e as administrações municipais, em diversas capitais brasileiras, entre elas Porto Alegre.
Eu chamo de decisiva esta guerra porque as batalhas sucessivas vêm sendo ganhas pelos camelôs, que se espalham pelos centros das grandes cidades e vão aos poucos asfixiando o comércio estabelecido.
Se as prefeituras recuarem, será o fim do comércio regular nos perímetros centrais das grandes cidades.
Agora mesmo a Operação Papai Noel, em Porto Alegre, anuncia um combate enérgico contra os camelôs irregulares no Centro.
Podem ficar certos de que esta repressão vai acarretar combates corporais extremos e de grande gravidade.
Porque está em jogo a supremacia total dos camelôs sobre os comerciantes, com o que o poder público não pode concordar, sob pena da falência da autoridade municipal e das forças policiais que a ajudam na tarefa de limpeza das áreas atingidas pela invasão.
No Rio de Janeiro, anteontem houve uma batalha campal entre camelôs e os guardas municipais, com incêndio de dois carros da fiscalização, uso de morteiros, pedras, paus e até cadeiras de restaurantes, que eram jogadas contra os agentes por centenas de camelôs.
Paralisou-se o centro, fecharam-se as lojas, instalou-se o caos na cidade.
A julgar pela determinação da Secretaria Municipal de Abastecimento (Smic) de Porto Alegre de combater os camelôs irregulares no Centro, podem ficar certos de que aqui haverá tumultos.
E se for recusar os tumultos e desistir, a administração municipal concordará com o fim do comércio e a definitiva vitória da esculhambação geral na cidade.
Recebo do senador Paulo Paim (PT-RS) resposta à minha coluna de ontem:
"Prezado jornalista Paulo Sant'Ana. Como faço habitualmente, lendo tua coluna de ontem a respeito da reforma da Previdência, entendo que devo tecer algumas considerações, não só a ti, como também a todo o povo gaúcho, que tenho a honra de representar aqui no Senado Federal.
Nunca fui contra a reforma previdenciária. O Brasil inteiro sabe disto. Fui, sim, contra pontos específicos contidos no projeto aprovado na Câmara dos Deputados. Quais sejam: regra de transição, paridade, contribuição dos inativos e subteto.
A reforma da Previdência não terminou e, graças a minha posição intransigente e persistente, esses quatro pontos estão contemplados na PEC Paralela, que, conforme compromisso assumido pelos líderes partidários e do governo, e principalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será votada de imediato.
Se a PEC Paralela for votada como espero que seja, não pensarei duas vezes em dizer aos que duvidaram da nossa capacidade de negociação... como disse o Zagallo: 'Vocês vão ter que me engolir' . Agora, caso o governo não cumpra o acordo, quem viu o meu discurso de ontem (envio em anexo) no plenário sabe muito bem o que farei.
Acordos foram feitos para serem cumpridos. Concluo dizendo que minha disposição sempre foi a de buscar resultados concretos para as posições que defendo. Caro Sant'Ana, qual seria o resultado efetivo se votasse contra o projeto e me retirasse da arena? Incoerência, sem sombra de dúvida seria se após negociar exaustivamente, e obter o compromisso do ministro Berzoini, dos senadores Mercadante e Tião Viana, e do presidente Lula, eu, que fui o articulador do acordo, votasse contra o acordo que construí. Isto sim é incoerência.
Tanto estou certo, que na próxima segunda-feira, às 17h, estarei reunido com os servidores públicos e com o relator do projeto para encaminhar a votação da PEC Paralela. Grato pela atenção, (ass.) senador Paulo Paim, vice-presidente do Senado Federal".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Futebol
A reunião que negocia Nilmar
Lídia Neves
Madri, Especial/ZH
Do lado de fora do Restaurante Megerit, em Madri, era possível ouvir as cifras da conversa entre o presidente do Inter, Fernando Carvalho (ao fundo, sentado), e representantes de um bilionário russo. Os valores que envolvem o atacante Nilmar oscilavam ontem entre 5 milhões e 7 milhões de euros (foto José Ramón Ladra, especial/ZH)
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Quinta-feira, Novembro 27, 2003
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11:34 PM
by Cassiano Leonel Drum
"Dançamos"
A linguagem revela-se no som...
o som torna-se música...
a música gera movimento... -
e linguagem não é mais necessária.
Desaparece quando se divulga -
quando gera a sua musicalidade,
e os corpos se enchem de ritmo
ao qual dançam... e dançam...
sem tempo - sem medo - com vida:
pois o tempo e o medo dançam também -
e a vida, essa... explode com a música!
O tempo não dança mais... -
nem o medo... - nem os corpos...
e a vida retoma a sua melancolia,
deixando a alegria largada no passado -
para talvez... talvez... outro dia
repetir... reviver... dançar!
Balzac
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5:41 PM
by Cassiano Leonel Drum
Agora
Hoje existem edifícios mais altos e estradas mais largas,
porém mentes pequenas e pontos de vista estreitos.
Gastamos mais, porém desfrutamos menos.
Temos casas maiores, porém famílias menores.
Temos mais compromissos, porém menos tempo.
Temos mais conhecimentos, porém menos discernimento
Temos mais remédios, porém menos saúde.
Multiplicamos nossos bens, porém reduzimos nossos valores humanos.
Falamos muito, amamos pouco e odiamos mais.
Chegamos à Lua, porém não conseguimos atravessar a rua
e conhecer nosso vizinho.
Conquistamos o espaço exterior, porém não o interior.
Temos dinheiro, porém menos moral....
É tempo de mais liberdade, porém de menos alegrias..
Temos mais comida, porém menos vitaminas....
Por tudo isso, proponho que de hoje em diante...
você não deixe nada "para uma ocasião especial",
porque cada día já é uma ocasião especial.
Procure Deus,conheça-O.
Leia mais.
Sente na varanda e admire a paisagem sem
se importar com as tempestades.
Curta o seu dia, com as pessoas que ama.
Coma sua comida preferida.
Visite os lugares que gosta.
A vida é uma sucessão de momentos para serem desfrutados,
não devemos deixá-los passar.
Use suas taças de cristal.
Não guarde seu melhor perfume, use-o agora.
As palavras, como "Um desses dias", "Algum dia",
você deve iliminar de seu vocabulário.
Escreva AGORA aquela carta que pensava escrever "Um desses dias".
Diga a seus familiares e amigos o quanto os ama.
Não adie nada que possa somar à sua vida sorrisos e alegria.
Cada dia, é especial... e você não sabe se esse dia será o último...
Se você é uma pessoa que usa muito a frase:
"um desses dias", pense que "um desses dias
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5:38 PM
by Cassiano Leonel Drum
Um passo apenas
Não importa há quanto tempo você
esteja andando para o Norte, com apenas
um passo você é capaz de andar para o Sul.
O que é preciso para dar uma
volta de cento e oitenta graus na sua vida?
Apenas um passo.
Você está a apenas um passo de uma dieta mais equilibrada,
a um passo de melhorar suas finanças pessoais,
a um passo de ser um profissional muito melhor,
a um passo de ter um relacionamento mais gratificante.
Daqui a um minuto, seus piores problemas
podem estar todos atrás de você,
ao invés de estarem na sua frente.
Com apenas um passo,
o melhor dia da sua vida pode ainda estar por vir,
e não estar perdido em algum lugar do passado distante.
Num instante, todas as energias negativas na sua vida
podem ser redirecionadas para alguma coisa positiva.
Apenas um passo é necessário para romper essa inércia,
e dar à sua vida o rumo que você realmente gostaria que ela tivesse.
(Ralph Marston)
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8:06 AM
by Cassiano Leonel Drum
Senado aprova reforma
Governo pressiona e consegue 55 votos para mudar a Previdência. Mas, na negociação, aceita apoiar novidades em emenda paralela
BRASÍLIA - O Governo aprovou no Senado, em primeiro turno, a Reforma da Previdência, por 55 votos a 25. Compareceram ao plenário todos os 81 senadores ¿ o presidente José Sarney não vota. As principais mudanças são o desconto previdenciário de servidores inativos e a regulamentação de tetos salariais, que evitarão os supersalários pagos a funcionários públicos.
A pressão do Palácio do Planalto foi intensa durante todo o dia. Cada voto foi computado após conversa com os parlamentares. Às 15h, os líderes governistas anunciaram que tinham 56 votos para aprovar a reforma e foram para o plenário. Quatro horas depois, o placar cravou 55 senadores a favor, apenas um a menos que o previsto.
A sessão, no entanto, foi longa. Iniciada às 10h, permitiu que cada senador pudesse falar por cinco minutos. Enquanto isso, nos gabinetes, as negociações eram intensas. Na liderança do Governo, Aloizio Mercadante (PT-SP) comandou reunião-almoço com os líderes do PMDB, Renan Calheiros (AL), do PSDB, Arthur Virgílio (AM), e do PT, Tião Vianna (AC), o relator da reforma.
A principal divergência foi a criação de três subtetos para os estados, conforme previsto no texto aprovado na Câmara, que acabou mantido. Defendida pelos governadores tucanos, em especial Aécio Neves (MG), a medida encontrou forte resistência dos governadores peemedebistas Germano Rigotto (RS) e Luiz Henrique Silveira (SC). Ambos querem o teto único, equivalente ao salário dos desembargadores.
Os peemedebistas aceitaram não mexer no texto ¿ caso contrário, ele teria que voltar à apreciação dos deputados e não seria promulgado este ano. Em troca, veio um acordo para edição de emenda paralela à Constituição.
Emenda paralela vai permitir aumentar teto nos estados
No texto, será incluído dispositivo que vai permitir que governadores possam unificar o subteto nos estados, através de lei local, desde que o limite não ultrapasse o salário de desembargador.
O Planalto também concordou em incluir outras alterações. A regra de transição será mais suave para trabalhadores que têm tempo de contribuição acima de 35 anos e começaram a trabalhar muito cedo. O projeto também deverá ressuscitar a chamada paridade plena para servidores: eles terão direito a receber as mesmas vantagens concedidas aos colegas em atividade, desde que tenham, pelo menos, 25 anos no serviço público, 15 anos na carreira e cinco no cargo.
A emenda paralela vai estabelecer ainda que os benefícios dos funcionários públicos aposentados e pensionistas portadores de doenças graves ¿ que serão definidas em lei ¿ só serão taxados a partir de R$ 4.800. As pensões dos portadores de doenças crônicas também só terão redução de 30%, acima de R$ 4.800. A proposição prevê que donas-de-casa e trabalhadores sem vínculo empregatício terão alíquotas e carências diferenciadas dos demais segurados do INSS.
Entidades de servidores anunciaram que vão recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar as mudanças, consideradas inconstitucionais. Hoje, os senadores começam a discutir os destaques ao texto-base.
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7:58 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ah, moleque
Embalado pelo hit Deixa Disso, Felipe Dylon passa em teste de popularidade e faz o primeiro grande show no Rio
Ana Lúcia do Vale
Minha banda está bem ensaiada. Dá um nervosismo, mas adrenalina faz parte do show
A pequena Giovana Bering gelou. Ficou com a boca branca, coração a mil e chorou. Choro contido, tenso para seus 11 anos. Encorajada pelas amigas, resolveu a situação e levou um troféu que vai emoldurar: o autógrafo do cantor Felipe Dylon, 16 anos, atitude roqueira e jeito de surfista do Arpoador, onde mora. Impulsionado pelo hit Deixa Disso, Felipe já ganha nota 10 em teste de popularidade.
Na frente de uma escola no Leblon, esta semana, o garoto causou frisson entre as adolescentes. Mas teste de popularidade mesmo vai enfrentar sábado, às 18h, no show no Claro Hall, mesmo dia em que Sandy e Junior cantam no Maracanãzinho. Minha banda está bem ensaiada e já toquei em São Paulo para 5 mil pessoas. Dá um nervosismo, mas essa adrenalina faz parte do show, assegura.
Simpaticão na frente do colégio, Felipe ganhou Maria Luiza Garuti, de 11 anos, que brincou de estar sem ar até tomar coragem de chegar perto dele. Pediu autógrafo e resolveu onde vai colocá-lo. Vou colar na parede do meu quarto, para sonhar com ele a noite inteira, suspirou.
Mais descolada, Vanessa Bordalo, de 13, já sabe como lidar com ídolos. A menina, que dorme e acorda vendo Felipe na parede de seu quarto, contabiliza autógrafos de Reynaldo Gianecchini abordado em um supermercado , Rodrigo Santoro flagrado jogando futebol em um clube e vários, vários de Zagallo, seu ex-vizinho de condomínio em Angra dos Reis. Felipe começou cedo, vai ter muito tempo para fazer sucesso, aposta Vanessa.
Sei coisas bem íntimas dele, desafia Laura Mourão, de 12, que vai pôr o autógrafo num mural no quarto e garante ter pulado muito em outro show de Felipe no Rio. Mas, como assim, coisas íntimas? É, ele perdeu a virgindade aos 13 com uma garota de 18 anos, orgulha-se. Foi? Era muito moleque, não me lembro bem disso, despista, político.
Fãs afoitas não são problema para Felipe. Tem umas mais atiradas que me roubam beijos na boca. Mas fico na boa e tranqüilo: estou solteiro, explica. E justifica: Para manter uma relação legal, tem que dar atenção. Sou moleque, tenho que aproveitar a vida. Ah, mas existem as que tirariam o garoto do sério. Ficaria de quatro por Fernanda Lima, Daniella Cicarelli..., diz ele, que não acredita que a diferença de idade fosse empecilho. Idade não é problema para o amor dispara. Mas assume que dessas coisas do coração, na verdade, ainda não sabe nada. Nunca me apaixonei, resume. Nem por Yasmin Brunet, que já se declarou fã do menino. Ela foi na gravação do meu clipe, ficamos amigos, mas não tem nada a ver, jura.
Frisson entre meninas, Felipe sofre, obviamente, resistência entre meninos. Eles têm ciúmes, entrega a pequena Maria Luiza. Ah, ele é lindo mesmo, né?, tripudia Renan Calvet, de 11 anos, que depois faz coro com os amigos Pedro Neves, de 11, e Paulo Di Célio, de 12, todos fãs de Eminen e Linkin Park. Curto a música do Felipe porque a letra é criativa, diz Pedro. É, a letra é bem bolada, tem significado, completa Renan. É bem para nós adolescentes, reconhece Paulo.
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7:53 AM
by Cassiano Leonel Drum
Buemba! Lula tá "opitando" escondido!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! O Lula foi flagrado fumando escondido. Entendi, o Lula tá OPITANDO escondido! OPITEI! Opitei pela cigarrilha! E vai lançar o Fumo Zero: enquanto o crescimento não chega, leve fumo! E diz que o médico falou pro Lula: "Cuidado com o fumo".
E o Lula: "Não é fumo que se diz, é fomos". E como ele fuma escondido, quem segura a cigarrilha dele é o tesoureiro do PT. Por isso que a grana virou fumaça! E eles deviam trocar de lugar, os dois são barbudos, ninguém ia notar. Aliás, não sei como a Gillette ainda não faliu!
Portugal Urgente! "Abatimento de piso engole autocarro". Um ônibus português caiu num buraco. Só ficou a traseira de fora.
Como é que o motorista não viu? Achou que era um túnel. "Segura que nós vamos entrar num túnel". BUM! Túnel sem saída! Lisboa lança túnel sem saída! E o site Muyloco completou a notícia: "Levy Fidelix é eleito em Portugal. Esqueçam o aerotrem. O que liga agora é o TATU-BUS!". Busão Tatu! E se a Marta fosse prefeita de Lisboa ela botava botox no buraco. Botocava o tatu.
MAICA JÉSSICA, parte 8! Diz que o problema não é dormir com o Michael Jackson.
O problema é ACORDAR com o Michael Jackson. E o meu amigo Ciro Botelho de Campinas lançou uma promoção de Natal na loja dele. Promoção pra pedófilo. Promoção Neverland for Kids: "Compre o novo CD do Michael Jackson e ganhe um PIRULITO". Rarará. E um leitor me disse que "o Michael Jackson não é excêntrico, excêntrico sou eu, que como pizza de calabresa com chocolate derretido e Fanta Uva!". Rarará!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha cruzada patriótica Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que no bairro de Ermelino Matarazzo, aqui em Sampa, tem um drive-in chamado Ou Dá ou Desce! Mais direto impossível. E em Belo Horizonte tem a Casa das Bombas Bin Laden. Eu sabia que o Bin Laden tava escondido em Minas. Na gruta de Maquiné dentro de um pão de queijo! Rarará! Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Consolação": companheiro que ficou muito tempo no sol! "Destilado": companheiro que não está do lado de lá. Companheiro que votou a favor da reforma da Previdência! Rarará!
Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
O já famoso Estoura Brasil! UFA!
simao@uol.com.br
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7:51 AM
by Cassiano Leonel Drum
Leticia Wierzchowski
27/11/2003
A sangue frio
Perry Smith e Dick Hickcock assassinaram a família Clutter, o senhor Herb, a esposa e dois filhos adolescentes, Nancy e Kenyon, no ano de 1959, no Kansas, Estados Unidos. O senhor Herb Clutter foi degolado, depois recebeu um tiro, e os outros foram mortos com tiros de espingarda no rosto, provavelmente com o cano da arma encostado nos crânios das vítimas.
A família Clutter foi encontrada por uma amiga no dia seguinte. Os quatro estavam mortos, amarrados, as duas mulheres deitadas em suas camas, cobertas e de camisola, o filho Kenyon estava deitado em um sofá com uma almofada sob a cabeça esfacelada, e o senhor Herb, degolado em meio a uma poça de sangue. Não havia qualquer sinal de luta na elegante casa de fazenda, e o único indício de um roubo era uma bolsa de mulher aberta sobre a mesa da cozinha.
Esse assassinato coletivo foi tema do monumental livro de Truman Capote, A Sangue Frio. O próprio Capote chamava seu livro de "um romance sem ficção". Ao ler a notícia no jornal, Capote se mandou para o Kansas e passou um ano e meio juntando dados e ouvindo a gente das redondezas. Escreveu assim um magistral registro da alma humana e das suas doenças.
A Sangue Frio é eletrizante. Além da genialidade da narrativa de Capote (no meio daquilo tudo ele é tão fantasticamente perfeito que o narrador, de tão leve, desaparece), o livro mostra o fortuito da vida. A certo ponto, um investigador, pasmo com o depoimento de um dos assassinos, diz: "Podia ter sido qualquer um, é como se um raio tivesse caído na cabeça deles". É essa a sensação que nos assola durante toda a leitura. Um raio. Sobre os Clutter e sobre nós.
Perry Smith e Dick Hickcock são o tipo de delinqüentes que a gente encontra às pencas por aí. Levavam a vida de encrenca em encrenca, até que um deles resolve roubar um suposto cofre na casa de Herb Clutter, um fazendeiro de cuja suposta riqueza ouviu falar. É assim que Dick e Perry viajam mais de 1200 km para dizimar a família Clutter e sair de lá com US$ 40, rumo a uma sinuosa aventura que termina na forca. Vale ler A Sangue Frio, reeditado recentemente pela Companhia das Letras. Um retrato lancinante do ser humano. A tragédia das vidas que se vêem, hoje e sempre, num tenebroso jogo de acasos cujo desfecho ousamos chamar de destino.
leticia.wierz@zerohora.com.br
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7:48 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
27/11/2003
Curiosidades
Crimes como o assassinato daqueles dois adolescentes em São Paulo provocam indignação e o clamor para que se faça alguma coisa, para que os crimes sejam adequadamente punidos e não se repitam ou não se banalizem. No clima passional depois do fato, a punição mais reclamada é sempre uma que se equipare em selvageria à selvageria do crime, e as medidas de prevenção sugeridas são sempre manifestações de impaciência com a racionalidade ou com pruridos legais.
A revolta é justa e o clamor é compreensível, mas é curioso como, na guerra entre civilização e barbárie, entre sensibilidade ultrajada e insensibilidade monstruosa - ou, para ser devidamente apocalíptico, entre o Bem e o Mal - que se trava diariamente no Brasil, a torcida do Bem volta e meia faça isso, pede que o Estado se embruteça ainda mais. Ou seja: pede que o Bem desista, capitule, se renda ao Mal e entregue o jogo.
Passando do trágico ao ridículo mas ainda tratando de entregar jogos. Há anos que o grande debate no futebol brasileiro se concentra na figura do ex-cabeça-de-área, hoje chamado de volante de contenção, aparentemente para evitar a confusão com "cabeça-de-bagre", nas seleções. Já é tradicional entre nós que os técnicos amem e escalem jogadores que o resto da nação execra, como Dunga e Emerson, e que esta seja a principal fonte de discórdia deles com seus críticos, ano após ano. A questão parecia ter terminado com o sucesso de Dunga na vitória brasileira na Copa de 94 e na quase vitória na França, em 98, mas voltou com Emerson, que os críticos conseguiram desescalar.
E, curiosamente, em todos os comentários que ouvi e li sobre a atuação infeliz do Lúcio e do Roque Júnior no jogo contra o Uruguai, nenhum mencionava que talvez tivesse faltado o Emerson, ou pelo menos um Emerson, na frente deles, já que a função do Renato era outra. O longo debate, ao que parece, ainda vai mais longe.
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7:47 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
27/11/2003
O outro
Meu amigo ficou horrorizado ao saber que não boto uma gota de bebida alcoólica na boca há mais de 20 anos.
- Nem vinho?
- Bebi vinho pela última vez aos 19 anos, ao dar baixa na Aeronáutica.
- E uma cervejinha?
- Até tentei. Um dia resolvi incluir uma latinha no rancho da semana. Ficou um tempão na geladeira. Até que, certa noite, convidei minha mulher para bebê-la. Sobrou a metade.
Bem que podíamos estrelar um desses comerciais de cervejas que se preocupam mais em desmerecer as concorrentes do que em promover a própria marca.
Pois mesmo com esse retrospecto à prova de bafômetro, corro o risco de ganhar fama de beberrão. Ocorre que um sujeito com a minha cara faz ponto num bar do Menino Deus. Nem sabia de sua existência, até o dia em que um outro amigo me avisou:
- Passo todos os dias pela frente de um bar quando vou para o trabalho. Tem um cara tão parecido contigo que, no mínimo, deve ser teu irmão.
Meus irmãos também não bebem, e não usam barba. Não creio que possam ser confundidos comigo. Achei que a comparação era exagerada. Mas a coisa começou a se complicar no dia em que minha turma de jornalismo resolveu fazer uma festa pelos (argh!) 30 anos de formatura. Espanto daqui, abraço dali, até que uma colega que eu não via há décadas cravou os olhos em mim e gritou para todos ouvirem:
- Tu não me vês, mas eu te vejo todos os dias naquele bar do Menino Deus quando passo de carro!
Quase me engasguei com a água mineral. Tentei convencê-la de que tenho um sósia desconhecido, que já anda comprometendo a minha imagem de abstêmio. Ela ouviu a minha explicação, deu um sorriso irônico e concluiu:
- Tá bem...
Tem tanta gente neste mundo que provavelmente todas as pessoas tenham pelo menos um clone solto por aí. Mas o meu bem que podia ser mais discreto. Já ando com vontade procurar o sujeito para conferir a semelhança. E também para lhe fazer uma proposta: se ele parar de dar bandeira na porta do bar e passar a beber escondidinho no balcão, sou capaz de pagar-lhe uma cervejinha.
nilson.souza@zerohora.com.br
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7:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
27/11/2003
Fuga do cadafalso
Todo parlamentar tem o direito de acender uma vela a Deus. E todo parlamentar tem o direito de acender uma vela ao Diabo.
O que o parlamentar não tem o direito é de acender uma vela a Deus e outra ao Diabo.
Depois de ter votado ontem a favor da reforma da Previdência, o senador Paulo Paim (PT-RS) garantiu que continuará no PT e não será expulso.
Mas é incerto que as suas relações com seu eleitorado continuarão sendo as mesmas.
Se continuarem a ser as mesmas as relações do senador Paulo Paim com seu eleitorado, ele se torna no mais exemplar ícone do malabarismo e da prestidigitação políticas da história parlamentar brasileira.
Perfilou-se sempre, desde que foram dadas as cartas da apressada parada da reforma previdenciária, ao lado dos dissidentes do PT, negando-se por exemplo a votar favorável à taxação dos inativos.
Terminou ontem a votação da reforma com os dissidentes do PT que votaram contra a proposta se encaminhando de cabeça erguida para o cadafalso partidário, enquanto que à última hora o senador Paim salvou o seu pescoço, escudado em argumentação retórica de duvidosa legitimidade: a promessa do governo de que seus pleitos serão no futuro atendidos.
Ao mesmo tempo, firme na trincheira antes ocupada por Paim, a senadora Heloísa Helena (PT-AL) fez um pronunciamento memorável, menos pela coerência da sua posição do que pela coragem de seu voto contrário à reforma, dissentindo do seu partido e do governo, mas assinalando que estava votando como sempre o PT votara e entendera - e que ninguém mais do que ela era petista e tinha o direito de ostentar na lapela a estrela do partido, recusando-se a "esconder-se na hipocrisia para justificar um voto favorável ao governo".
Em suma, a senadora Heloísa Helena sempre foi contra a reforma da Previdência e votou contra.
O senador Paulo Paim sempre foi contra a reforma da Previdência e votou a favor.
Em seu eloqüente e emocionado discurso, a senadora Heloísa Helena disse que chorava naquele instante, mas devia estar alegre, pois restava uma pessoa livre, certamente adivinhando que será expulsa do PT.
O mínimo risco que o senador Paulo Paim correu ao votar a favor da reforma foi o de não poder declarar que é livre também e de ter o ameno dissabor de ler no dia seguinte, entre outras análises análogas, talvez esta insignificante coluna.
Aniversaria hoje o colega e companheiro Lauro Schirmer, que luta no hospital, brava e vitoriosamente, contra uma tenaz doença.
Quero lhe enviar daqui o mais caloroso abraço de felicitações, compartilhado por muitos dos que trabalham neste jornal e nesta empresa e que aprenderam a estreitá-lo como amigo.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:42 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ambiente
Polêmica entre ambientalistas e surfistas
Defensores dos animais são contra a prática de esportes junto à Ilha dos Lobos, em Torres (foto Ronaldo Bernardi/ZH)
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Quarta-feira, Novembro 26, 2003
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10:51 PM
by Cassiano Leonel Drum
Anseios
Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha que cais!
Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quirneras irreais,
Não valem o prazer duma saudade!
Tu chamas ao meu seio, negra prisão!
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbres o brilho do luar!...
Não 'stendas tuas asas para o longe..
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela,a soluçar...
*Florbela Espanca*
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6:12 AM
by Cassiano Leonel Drum
Buemba! Bush acaricia peru e solta a franga!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Atentado na Casa Branca! Atentado ao pudor! Vocês viram o Bush acariciando o peru? E o que Saddam vai pensar disso? Dia de Ação de Graças: Bush acaricia o peru durante cerimônia anual de perdão! Acariciou e perdoou! O peru não vai pra panela! Aliás, devia ser ao contrário: peru não perdoa e manda Bush pra panela! Aliás, sabe como eles matam peru no Texas? Na cadeira elétrica!
E o peru quase bicou o peru do Bush! E quem tem mais cara de peru? O peru ou o Bush, com aquele papo enrugado? E o peru era um peruzão albino. Devia ser o peru do Hermeto Paschoal! E se fosse o Clinton o peru ia ter que soltar a franga! Ia ter que fumar charuto! Rarará!
E todo ano eles salvam um peru. Matam um monte de peru no Iraque e salvam um peru nos Estados Unidos. Peru de brimo eles não perdoam. Peru de bigode. E peru de turco é quibe. E o único dia em que a k.d. lang encara um peru é no Dia de Ação de Graças! E assim mesmo cozido! E diz que o SGAM, Sindicato dos Garotos Assediados pelo Michael vão mandar trocar o nome de Neverland para Nevermore.
Pelada da Granja do Torto Urgente! Olha essa notícia: "Para Furlan, Palocci é o goleiro do governo Lula". Sendo que o Furlan é dono da Sadia, ou seja, é o homem que mais entende de frango! Expert em frangos bota o Palófi no gol. Então temos o Palófi de goleiro e o Berzoanta cobrando pênalti. Sendo que a Benedita já perdeu um pênalti justo pra Argentina. É a Selecinha do Lulalá!
E o Zé Scafi já arrumou um patrocínio de tênis pro Berzoanta. "Previdência Social. Patrocínio FILA!" E o Palófi mandou apertar o cinto. Ainda bem que não é o pinto. Palófi manda apertar o pinto! E um amigo meu acabou de receber a primeira parcela do décimo terceiro. E se atirou do décimo terceiro andar. Atenção! Cidade Alerta! Brasil Urgente! Se atirou do décimo terceiro por causa do décimo terceiro.
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha cruzada patriótica Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que em Angra tem um motel chamado Motel Dragão! Venha e traga o seu! E no Rio tem uma loja de acessórios chamada Perua Básica! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula! Mais um verbete pro óbvio lulante. Pra ser pronunciado com a língua plesa. "Serial killer": afafinato em férie! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! O já famoso Estoura Brasil!
simao@uol.com.br
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6:08 AM
by Cassiano Leonel Drum
Diana Corso
26/11/2003
Não me siga, também estou perdido
Sempre achei divertido encontrar este adesivo para carros com os dizeres acima, e a frase é a tônica de um filme em cartaz que vale a pena prestigiar. É uma história sobre adolescentes, mas gostaria que fosse visto prestando atenção nos adultos da trama, que parecem ter um adesivo destes colado na testa.
O filme chama-se Aos Treze (Thirteen, dirigido por Catherine Hardwicke), é um roteiro romanceado a partir da experiência verídica de uma das protagonistas. Trata-se de uma jovem americana, sensível e responsável, que passa por uma radical transformação quando resolve se "montar" como uma das garotas mais populares e atraentes da escola. Não poupa esforços para se aproximar da sua musa, faz todas as transgressões necessárias para chamar sua atenção, corre riscos e faz loucuras capazes de deixar o espectador nauseado. Afinal, é bem-sucedida em sua paixão fraterna e consegue viver com ela como uma irmã, levando a mesma vida da garota popular: viciada em objetos de consumo, cleptomaníca, drogada e ninfomaníaca.
Todos esses atributos, longe de demonizar seu personagem, são um retrato da sua fragilidade. O sexo compulsivo é a forma de vínculo que consegue conquistar, os objetos são o cerne da sua identidade, ela os arranca das lojas como uma criança usaria os sapatos e a maquiagem da sua mãe, e as drogas são o combustível necessário para a coragem que todos esses atos requerem.
Os adultos do filme competem em carência com os jovens. A mãe da garota é uma alcoólatra, lutando para manter o mínimo de sobriedade na vida para criar seus filhos, o que faz com muito amor e dedicação, seu namorado é um junkie afetuoso, enquanto o pai da jovem é um covarde acuado.
Todos os personagens estão em busca de alguma razão de ser, mas enquanto os mais velhos se anestesiam com drogas e álcool, os mais jovens lançam mão à aparência, aos objetos, a etiquetas e marcas. A base é essencialmente a mesma, mas o vício sofreu alguma alteração. Em última instância, não há nenhum adulto no filme, já que os mais velhos são visivelmente fascinados pelas promessas de gozo que atribuem à juventude.
A mãe assiste à mutação da menina preocupada, mas ao mesmo tempo paralisada, hipnotizada pelo personagem que surge daí: a mulher bela e sem limites. Mas quem não ficaria seduzida pela invocação desses poderes? Aos Treze não é apenas um filme sobre uma adolescência difícil, é sobre a dificuldade de viver num tempo em que poucos têm coragem de crescer.
diana.corso@zerohora.com.br
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6:06 AM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
26/11/2003
O motoboy e os fogos de artifício
Quinta-feira, 20h30min, o céu já estava escuro na cidade. Parei num posto de gasolina para abastecer meu carro, um motoboy estacionou perto de mim, mas não abasteceu, fez uma entrega na loja de conveniência e voltou apressado pra sua moto. Mas, antes de chegar até ela, olhou pro céu e viu. Havia fogos de artifício que espocavam detrás de alguns prédios, fogos de artifício coloridos que vinham não se sabia de onde. Eram ralinhos, humildes, e poucos: a comemoração não haveria de ser tão significativa. Mas o motoboy parecia que estava vendo a Torre Eiffel iluminada pela primeira vez.
Uma quinta-feira que não era Natal, Ano-Novo, dia de final de campeonato. Alguém estaria comemorando o nascimento de um filho? Pouco provável, não se comemora a chegada de um bebê com barulho. Talvez algum estudante estivesse comemorando uma nota salvadora no boletim, ou talvez fosse algum gremista gastando fogos vencidos - fogos hão de ter prazo de validade também. Não, nada de tripudiações: provavelmente era o aniversário de uma escola. Havia uma escola bem perto, os fogos poderiam estar sendo disparados de um pátio.
O fato é que razão era o que menos importava naquela hora. O motoboy não conseguia desgrudar os olhos do céu, e eu não conseguia desgrudar os meus dele, porque é uma raridade a gente deparar com alguém emocionado, ainda mais numa quinta-feira, ainda mais no final de um dia cansativo, ainda mais num posto de gasolina, ainda mais por um motivo que a gente não consegue adivinhar.
Nossas cabeças estão sempre olhando pra baixo, para os próprios passos, para o caminho a percorrer. Fogos de artifício nos retêm. Erguem nossas cabeças, iluminam o que é escuro, capturam a gente de uma realidade burocrática, repetitiva, sem festa. Fogos de artifício são sinalizadores, há alguém feliz bem próximo, e está repartindo esse estado de espírito com você, que não viveu nada de extraordinário hoje, que estava louco pra chegar em casa, tirar a roupa suada, tomar um banho e ver um pouco de televisão.
Não era a chegada do Papai Noel, não era inauguração de loja, não era show dos Rolling Stones, não era nem mesmo atraente, umas faíscas vermelhas e verdes que eram quase como sinais de trânsito que tivessem sofrido um curto-circuito, mas eram fogos de artifício, e o motoboy não conseguiu se mexer, ficou estático e emocionado olhando aquilo como se tivesse vendo a Ana Hickmann nua ou o lançamento de um foguete, vidrado, encantado, hipnotizado - como a gente deveria às vezes ficar diante do inusitado.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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6:05 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
26/11/2003
A repatriação
A relação de fluxo de passageiros entre o Brasil e os Estados Unidos está sofrendo atualmente crise de grande delicadeza.
As medidas severas tomadas pelos Estados Unidos nos seus aeroportos, com revistas constrangedoras dos turistas e dos que viajam profissionalmente, acabaram por diminuir em cerca de 50% as viagens internacionais para lá.
Chega ao ponto de os hotéis da Disneylândia terem vagas para o período de Natal e Ano-Novo, o que nunca acontecia antes dos ataques às torres nova-iorquinas, em 2001.
Para os gaúchos que pretendem viajar para os EUA, o sacrifício é dobrado: para obter visto norte-americano são obrigados a viajar para São Paulo e submeter-se a entrevistas no consulado.
Há muito tempo fechou o consulado de Porto Alegre e, além das despesas da viagem até São Paulo, gastar dois dias no mínimo para tentar obter o visto já é um sacrifício.
De cada três gaúchos ou brasileiros que solicitam o visto, dois apenas conseguem obtê-lo.
Junte-se a isso as revistas rigorosas nos aeroportos norte-americanos. Os viajantes são obrigados até a ficar descalços, em muitos casos todas as peças de roupa são varejadas, algumas verificações demoram duas horas.
As bagagens despachadas não podem ser fechadas a chave. Se o são, restam arrombadas, com um folheto explicativo sobre as normas que autorizam a violência contra a coisa.
Enquanto isso, quase mil brasileiros estão presos como criminosos comuns em território norte-americano. Foram recolhidos às prisões por portarem passaportes vencidos, por não terem visto de trabalho e outros pequenos delitos.
A maioria dos brasileiros presos incorreu em permanência ilegal por vistos vencidos ou entrada ilegal nos EUA. Cerca de 60% a 70% deles procedem de Minas Gerais, quase todos das cidades de Governador Valadares e Ipatinga, recordistas históricos de exportação de brasileiros para os EUA.
Só que agora endureceu a imigração e já 3.621 brasileiros foram presos nos EUA desde o atentado terrorista de 11 de setembro.
Uma comissão de deputados federais brasileiros está seguindo para os EUA, visando à libertação dos quase mil presos.
Os EUA já ofereceram ao governo brasileiro transporte aéreo para a repatriação em massa, mas o Brasil respondeu que essa contradiáspora se constituiria numa drástica discriminação, um vexame internacional.
Já pensaram na imprensa cobrindo a expulsão de 900 brasileiros, custodiados pela polícia até o aeroporto, sendo compulsoriamente devolvidos ao Brasil, sob o opróbrio da ilegalidade?
Os deputados vão tentar a devolução dos brasileiros num discreto conta-gotas.
Quem quiser ir aos EUA, doravante, terá de se submeter a todos esses constrangimentos.
Como tudo tem uma compensação, cresce vertiginosamente o turismo interno brasileiro, livre do dólar alto, com os hotéis do Rio de Janeiro e do Nordeste lotados para o fim de ano e o Carnaval.
O Bin Laden mudou mesmo e para valer a temperatura na Terra.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:02 AM
by Cassiano Leonel Drum
Cultura
Olhar indígena sobre a arte
Grupo de 35 índios guaranis conheceu ontem à tarde a 4ª Bienal do Mercosul, na Capital, em um roteiro que incluiu o Memorial, os armazéns do Cais do Porto e o Margs. Crianças e adultos se encantaram com a exposição (foto Mário Brasil/ZH)
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Terça-feira, Novembro 25, 2003
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6:30 PM
by Cassiano Leonel Drum
Ela começa menina e não existe nada mais suave, mais doce do que uma menina, com seu olhar meigo brincando de fazer ninar a boneca que trás no colo ou se olhando no espelho fazendo trejeitos numa tentativa de imitar a mamãe. Já mocinha, nos encanta com seus sonhos de amor. Apaixona-se facilmente pelos mocinhos de suas estórias.
Quando atinge a idade do amor, é encantadora e atraente com seu corpo dourado e perfeito. Quantas loucuras fazemos por elas. Lembro-me uma vez, que me apaixonei por uma destas ninfetas. Durante 43 dias seguidos, eu mandei a floricultura entregar um botão de rosas. Venci a parada, porque os meus concorrentes se precipitaram e mandaram logo um ramalhete inteiro. Falta de criatividade. Foram esquecidos tão logo as rosas murcharam.
Assim como me alegrava com a menina, me enternecia com a mocinha e me apaixonava pela jovem mulher de corpinho cheio de curvas e cabeça vazia, chegou a hora de conhecer e me apaixonar pela Mulher Madura. Depois dos 30 a mulher começa a se mostrar como a mais perfeita criatura de Deus. Seu andar é algo que merece ser olhado com a lente da perfeição. Ela trás um porte mágico nos movimentos naturais de uma Deusa. Diferentemente da menina de 20 anos, seu jeito de andar não é ensaiado no espelho e nem ela escolhe a parte do corpo que quer mais destacar.
Existe uma sincronia perfeita de sensualidade e beleza, num conjunto harmonioso de formas e movimento.
A Mulher Madura ou amadurecendo, dispensa os olhares famintos de jovens apressadinhos que fazem dela um modelo para a masturbação solitária. Ela é exclusiva para a admiração do homem feito. Ela já deixou de lado os trejeitos ensaiados e a conquista agora é feita pelo conjunto formas, linhas e movimentos naturais. Ela ri graciosamente do tempo em que ficava horas e horas escolhendo a roupa que ia vestir, porque queria impressionar as colegas que a olhavam de cima abaixo, para ver se aquela roupa ficava bem sobre o seu corpo. Agora ela sabe que os homens vão olhar para ela de cima abaixo para sentir como ficaria aquele corpo sem a roupa.
A Mulher Madura tem a elegância de um cisne quando flutua no espelho d'água. Ao contrário das mocinhas afoitas que necessitam fazer barulho para anunciar sua chegada, a Mulher Madura nos encanta com o silencio de seus gestos. Ela é percebida quando chega e sentida quando se ausenta. Elas, as Mulheres Maduras, são tão fantásticas, que acabam sendo a primeira paixão do menino. Não é pela coleguinha de classe que o garotinho se apaixona pela primeira vez, mas sim pela sua professora.
É pensando nela que ele vai dormir todas as noites, quando começa a descobrir a sua sexualidade. A menina de sua idade é bobinha, a professora é sábia.
A Mulher Madura, já aprendeu a olhar para o homem sem a falsa expressão de vontade. Seus olhos agora transmitem mistério. Não espere que uma Mulher Madura venha a lhe contar estórias de amor. Ela prefere ser a personagem de uma. Até o perfume que usa, tem a suavidade de todo o seu ser. Ela consegue no amor, mostrar o resumo de sua vida, com a ingenuidade de uma criança, a suavidade de uma garota, o frescor de uma menina-moça e a força de uma mulher. A Mulher Madura não é mais um sonho, mas sim uma gostosa realidade.
Domingos Leoni
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8:06 AM
by Cassiano Leonel Drum
De olho nas tendências
Lojistas investem na busca de novidades a cada nova estação para ganhar clientes
Silvana Caminiti
Ir a feiras e assistir desfiles nos grandes centros lançadores da moda, para saber com antecedência quais serão as tendências para a nova estação. Essa prática é fundamental para o lojista que pretende sobressair no mercado. Esse é o segredo do sucesso nas vendas das grandes lojas, que costumam investir pesado no lançamento de suas novas coleções.
Bárbara Sauer, dona de uma loja com o mesmo nome no Shopping Tijuca, é um bom exemplo de comerciante que investe para colocar em suas vitrines e prateleiras os últimos lançamentos do mundo da moda. A loja vende acessórios, como bijuterias, cintos, óculos de sol e bolsas, e é uma das mais procuradas do centro comercial em seu segmento, justamente por sempre ter novidades.
Bárbara conta que abriu a loja há sete anos e que está sempre em busca de lançamentos, seja participando de feiras, comprando revistas importadas ou mesmo vendo TV. Nem gosto muito de assistir televisão, mas vejo, sempre que posso, para ver o que as personagens de novelas e apresentadoras estão usando, explica.
Bárbara lembra que também trabalha com empresas importadoras, que trazem peças que são sucesso em países como a Itália, Indonésia e Nepal. Apesar de trabalhar com muita coisa importada, temos sempre preços competitivos, o que também é importante para o sucesso do negócio, diz. A empresária ressalta ainda que, no ramo em que atua, ter novidades à venda é fundamental. Tudo isso para não correr o risco de ficar com mercadoria parada no estoque, ensina.
Bárbara Sauer: (21) 2568-6568
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8:01 AM
by Cassiano Leonel Drum
Amor eterno
O DIA adianta as 10 músicas do disco que Roberto Carlos gravou para exaltar sua união com Maria Rita
Mauro Ferreira
O clima nos corredores da gravadora Sony Music já está mais ameno. Depois de muito suspense, o novo disco de Roberto Carlos, Pra Sempre, segue esta semana para a fábrica, em Manaus (AM), e chega às lojas no início de dezembro, com 10 faixas. Quando o cantor decidiu retocar as músicas em seu estúdio caseiro, na Urca, os diretores da companhia temeram que se repetisse a novela do ano passado, quando o Rei impediu na última hora o lançamento do disco e a saída foi improvisar um requentado álbum ao vivo.
Pra Sempre não oferece surpresas para quem esperava um Roberto Carlos mais pop, como em seu Acústico MTV. O repertório é bem sentimental. A tônica da maioria das 10 músicas é o amor do cantor por sua mulher Maria Rita, morta em dezembro de 1999. Todas as músicas deste disco falam de um amor bem-sucedido. Não sei se este é o meu melhor disco, mas, com certeza, é o mais bonito, disse Roberto quando promoveu audição do CD no seu Studio Amigo para diretores da Sony Music e para os principais lojistas do País.
O desafio da gravadora é fazer o cantor retomar a sua média anual de um milhão de cópias vendidas por CD. O disco do ano passado mal chegou à metade da marca por conta do atraso na entrega às lojas, poucos dias antes do Natal. Disposto a retomar a coroa, Roberto também se comprometeu a fazer sua parte na promoção do CD. Aceitou gravar participação na novela Celebridade com a exigência de que a capa do CD fosse mostrada na trama durante suas cenas e faz no dia 6 show no Maracanãzinho. Com ingressos já à venda na bilheteria do ginásio desde sábado, o espetáculo será gravado para servir de base para o especial de fim de ano do cantor na Rede Globo.
A maioria das 10 músicas do disco Pra Sempre foi gravada no ano passado para o CD que acabou não saindo. Em meados deste ano, o cantor entregou à gravadora Sony Music a capa do disco e uma fita com oito músicas, trancada num cofre, de onde foi retirada somente mês passado. Mas Roberto tinha uma cópia da fita e burilou as músicas nos últimos dois meses.
Pelo cronograma inicial da gravadora, o disco teria sido lançado semana passada. Uma entrevista coletiva chegou a ser marcada para o dia 17, em São Paulo, mas a insistência do cantor em retocar detalhadamente cada música acabou forçando o adiamento da coletiva para o início de dezembro.
Nos últimos dias, como o cantor não liberava a fita, o clima era de grande tensão entre os diretores da gravadora e entre os produtores do CD, Guto Graça Mello e Mauro Motta. Roberto mobilizava produtores e músicos, como o saxofonista Milton Guedes, durante 24 horas do dia. Nos bastidores, os produtores comentavam que as mudanças eram desnecessárias e frutos do perfeccionismo extremado do cantor.
Salvo mudança de última hora, o Rei desta vez vai mesmo lançar Pra Sempre, que assim como Amor sem Limite, disco de 2000 tem como único objetivo louvar sua eterna Maria Rita.
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7:57 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ueba! Rodrigo Santoro encanta os portugays!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Pensamento do dia: "Ao chegar ao fim do ano, saudemos aquele que veio ao mundo só para nos salvar: O DÉCIMO TERCEIRO!". Rarará! E novidades para as bibas bigodudas! Saiu a primeira revista gay portuguesa. Com o Rodrigo Santoro na capa.
Engraçado, na hora de assumir, eles botam um brasileiro! A revista chama "Diferente". Errado. Revista gay portuguesa devia chamar PORTUGAYS! E como disse aquele gay: diferentes são os outros!
E o Palófi disse que o aperto vai continuar em 2004! Eu acho que o Palófi toma Viagra paraguaio! Ele parece motorista de ônibus, que fica gritando: "Aperta mais um pouquinho! Aperta mais um pouquinho". Aperta que eu solto um pum! E aí perguntaram pro cara: "O que você vai fazer com o seu décimo terceiro?". "Pagar as dividas?" "E o resto?" "O resto eu pago depois!" Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E adorei as carroças-bomba no Iraque. Os burros-bomba! E como é que vai interrogar um burro-bomba? Imagine os americanos arrancando a confissão de um burro. Bem, pelo menos falam a mesma língua. Rarará! Já temos o homem-bomba, a mulher-bomba, o sapato-bomba, o supositório-bomba e a mulher-bomba portuguesa: bota o OB, acende o pavio e tapa as orelhas com as duas mãos. BUM!
Terra do Nunca Urgente! Michael Jackson ainda! É que a Maica Jéssica vai lançar um livro infantil: "Seu filho, meu tesouro". E continua a todo o vapor a minha enquete "O que a Maica Jéssica disse pro delegado?". 1) Foi o garoto que me comeu e eu ainda vou ter que pagar a conta? 2) Ele só tinha 12 anos? Uau! Imagine quando fizer 13! 3) É de pequeno que se torce o pepino. 4) Eu juro que era o Harry Potter. 5) Só me entrego se for na Febem!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha cruzada patriótica Morte ao Tucanês. Em Alto de Pinheiros existe um baile da terceira idade chamado Desmanche! Rarará! Mais direto impossível! E em Maceió tem o Motel Shopping. Deve ser pra mulher casada. Onde você tava? No shopping! Então eu vou abrir o Motel Farmácia. Onde você tava até agora? Na Farmácia. Rarará! Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Pedofilia": mania de roer a unha do pé. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. E quem não tiver colírio alucinógeno pode pingar Diabo Verde que dá no mesmo.
simao@uol.com.br
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7:55 AM
by Cassiano Leonel Drum
Liberato Vieira da Cunha
25/11/2003
Nova York revisitada
Voltei agora por duas semanas a Nova York, uma cidade que te exige no mínimo dois séculos a cada reencontro. Como minha atual quota de eternidade é, deploravelmente, limitada, me contentei com o trivial variado. Assisti aos musicais de preceito na Broadway, apenas para concluir que O Fantasma da Ópera continua sendo o melhor. Cumprimentei os esquilos e as raparigas em flor do Central Park - uns e outras compõem um inspirador cenário, em especial se apreciados contra a cor cambiante dos cedros que se desnudam ao ritmo dos ventos de outono. E, é claro, não faltei às entrevistas marcadas com velhas damas dignas, feito a Estátua da Liberdade, a Ponte do Brooklyn ou a Catedral de St. Patrick.
Nada me impressionou tanto, contudo, quanto uma exposição de arte. Não falo daquele esplêndido El Greco que me aguardava no Metropolitan. Não trato também da notável retrospectiva de James Rosenquist, que vi no Guggenheim. Não me refiro ainda àquele inquietante mergulho no vazio da alma que são as telas de Edward Hopper, que redescobri no Whitney. Estou pensando é num outro tipo de mostra, gigantesca, plural, onipresente, que não requer museus nem horários para ser admirada: a da arquitetura inimitável da Big Apple.
Dizia o poeta Jayme Ovalle que Nova York é um lugar para se conhecer deitado. E não sem razão: uma vez mais quase peguei um torcicolo por dia, admirando, com um prazer minucioso e provinciano, cada detalhe de alados ícones como o Empire State, o Chrysler, o Woolworth, o Helmsley, o Waldorf Astoria, o Carlyle. E já que tamanho não é documento, me atraíram igualmente relíquias tipo o Singer, o Colonade Row, o Flatiron, o Life Insurance, o Paramount, o San Remo, o Dakota, o Plaza.
Paro aqui, ou esta lista vai acabar engolindo a página inteira. Superlativa, múltipla, por instantes desconexa, ilógica, kitsch, monumental sempre, Nova York é a síntese da beleza, da ousadia e da insânia da longa, errante caminhada do homem sobre a Terra.
Em nenhum ponto isso é mais terrivelmente manifesto do que na imensa cratera que restou do que foram as Torres Gêmeas. Não saberia descrevê-la senão como uma dilacerada garganta, um silente grito de dor, uma estranha flor agonizada em perplexidade e loucura.
liberato.vieira@zerohora.com.br
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7:53 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
25/11/2003
A charada dos números
Um leitor me chama a atenção para uma atrapalhação realmente cruciante para os porto-alegrenses: "Prezado Paulo Sant'Ana, você já procurou o número de uma residência ou qualquer prédio em Porto Alegre à noite? É impossível visualizar. Você tem de descer do carro, com todos os riscos inerentes, para tentar enxergar. Os números estão sempre colocados em lugar de difícil visualização e mal iluminados. A Câmara de Vereadores poderia facilmente resolver esse problema. (ass.) Oscar Diversi (oscardiversi@hotmail.com)".
Muito bem apanhada pelo leitor essa dificuldade que se tem para saber qual a numeração dos prédios na ruas da Capital.
À noite é quase impossível, mas de dia também não é fácil. Quase todas as vezes que saio à procura de um endereço em Porto Alegre, topo com a encrenca.
E, bem como manda dizer o leitor, sou obrigado a descer do carro e entrar de rijo na decifração da charada.
Caminho às vezes até meia quadra em busca do número desejado. Em muitas casas, desisto de encontrar a numeração.
Vou indo e acabo me situando por aproximação. Há números absolutamente invisíveis, demonstrando os donos dos prédios ou os condomínios o mais completo descaso com quem está à procura da numeração. Como eles sabem o número da casa onde moram, os outros que se lixem.
O leitor acabou me tornando consciente de que não se trata de inabilidade minha para descobrir a numeração das ruas, mas uma aflição de todos.
Tem de haver depressa uma determinação legal do município: as placas com números das casas e edifícios ou os algarismos incrustados nas paredes têm de ser afixados em lugar de fácil visualização e em corpos (tamanhos) bem destacados.
E iluminados durante a noite, principalmente nos prédios de apartamentos.
Essa questão tem de ser regulamentada e fiscalizada.
Isso virou uma barafunda na cidade.
Uma pessoa que se dispõe a doar órgãos mostra a dificuldade que encontrou para isso. "Prezado Sant'Ana. Venho por meio desta fazer um protesto contra o Hemocentro que fica na Avenida Bento Gonçalves, Porto Alegre. A história é a seguinte: vi uma reportagem, se não me falha a memória no programa Teledomingo, sobre as pessoas que estão na fila do transplante de medula óssea, indicando um telefone para quem quisesse doar sangue, que se fosse compatível fecharia a doação da medula. Então meu marido ligou para o Disque-Saúde (que é federal) para obter mais informações. Foi informado de que deveria entrar em contato com a Secretaria da Saúde estadual. Lá ninguém sabia informar nada.
Continuou procurando e descobriu na internet a página da Central de Transplantes, onde estava dito que o local para doações em Porto Alegre seria o Hemocentro. Ele ligou para lá e marcou um horário pela manhã, não trabalharia naquele dia e aproveitaria para fazer a doação (acho que o exame de sangue). Qual não foi a nossa surpresa quando uma funcionária do Hemocentro ligou-nos e desmarcou o horário, um estagiário teria marcado errado.
Meu marido tentou marcar uma outra data, mas eles só atendem no horário comercial. Como ser doador e tentar ajudar o próximo, se para isso é necessário faltar ao trabalho? Em dias de desemprego altíssimo, não podemos colocar os nossos empregos em risco. Fica aqui o meu apelo para que o Hemocentro abra nos fins de semana para que possamos reduzir a lista das pessoas que morrem esperando um transplante. (ass.) Denise Matos da Silva Barreto (denise@astratur.com.br)".
É comovente como as pessoas insistem em doar seus órgãos, apesar de eventuais contratempos no atendimento. É preciso doar!
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:51 AM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
25/11/2003
Ainda é a economia
Uma frase cunhada pelo estrategista político James Carville tornou famosa a campanha eleitoral de Bill Clinton nas eleições de 1992: "It's the economy, stupid". O estúpido, não bem identificado, deveria dar-se conta de que, ao fim e ao cabo, a economia desempenha um papel decisivo na conjuntura social, política e até cultural. Uma verdade que vem desde os tempos de Adam Smith e de Marx e que repetidamente é confirmada, inclusive no Brasil.
Tomem os resultados do último Enem, o Exame Nacional de Ensino Médio. Por sua magnitude (1,3 milhão de participantes), o Enem fornece uma visão do que está se passando no ensino brasileiro. A prova de 2003 constava de uma redação (cujo tema, previsivelmente, era a violência) e 63 questões objetivas. As notas não foram particularmente brilhantes, mas não é isto que interessa agora. O que interessa é a correlação dessas notas com diferentes variáveis, um trabalho muito interessante e que, para mim, justifica o esforço do Enem. Uma primeira correlação é com algo chamado "raça".
Não sei por que ainda é usado esse termo abominável (e errado), mas, como seria de esperar, e como foi ressaltado no Dia da Consciência Negra, verifica-se no Enem que o Brasil ainda é um país de hegemonia branca; tanto na redação quanto na parte objetiva, ser branco significa obter notas maiores. Mas, e aí vem o detalhe importante, não é o fator mais significativo. As diferenças são muito maiores quando se considera a renda familiar.
Na parte objetiva, as notas de alunos cujas famílias têm renda superior a 50 salários mínimos são quase o dobro das daqueles cujas famílias têm rendimento inferior ao mínimo. Essas diferenças se repetem quando se considera a escolaridade da mãe: quanto mais alta é esta, maiores as notas do filhos. Mas é claro que escolaridade e renda correm, de maneira geral, em paralelo. Portanto, inteligência e desempenho escolar pouco têm a ver com característicos biológicos (muito imprecisos, além do mais). As notas do Enem não estão predeterminadas no genoma dos candidatos, mas sim em suas condições de vida.
Famílias pobres têm escasso acesso a cultura e educação e isto é o que está aparecendo no resultado da prova. Para que não sejamos, como sociedade, reprovados, e para que não caiamos na categoria de estúpidos, temos de dar a resposta certa à questão crucial: o que determina nossa sobrevivência como sociedade? Muitas coisas, mas a economia vem em primeiro lugar.
scliar@zerohora.com.br
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7:49 AM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
Em busca de sobreviventes
Ximango da BM procura quatro marinheiros do pesqueiro que naufragou sábado e foi localizado ontem (foto Genaro Joner/ZH)
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Segunda-feira, Novembro 24, 2003
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6:12 PM
by Cassiano Leonel Drum
AUSENCIA
Vinícius de Moraes
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar
esses teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres
eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe teu gesto
e em minha voz, a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nessa terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu
porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite
e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência
desse teu abandono desordenado.
Eu ficarei só, como os veleiros nos portos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento,
do céu, das aves, das estrelas,
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
A tua voz serenizada...
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5:59 PM
by Cassiano Leonel Drum
Amanhecer
Chico Xavier
Quero nascer de novo cada dia que nasce.
Quero ser outra vez novo, puro, cristalino.
Quero lavar-me , cada manhã , do homem velho,
da poeira velha, das palavras gastas,
dos gestos rituais.
Quero reviver a primeira manhã da criação,
o primeiro abrir dos olhos para a vida.
Quero que cada manhã, a alma desabroche do sono
como a rosa do botão, e surja, como a aurora do oceano,
ao sorriso dos teus lábios, ao gesto de tua mão.
Quero me engrinaldar para a festa renovada
com que cada dia nos convidas e desdobrar as asas
como a águia em demanda do sol.
Quero crer, a cada nova aurora, que esta é a definitiva,
a do encontro com a felicidade, a da permanência assegurada,
a de teu sim definitivo.
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8:58 AM
by Cassiano Leonel Drum
Sucessoras
Atirando para o mesmo lado, Britney Spears, Christina Aguilera e Kylie Minogue disputam o posto de herdeira de Madonna
Mãe zelosa, Madonna não precisa mais produzir escândalo a cada nova música para se promover. Aos 45 anos, a maior musa do pop declarou semana passada, num talk show americano, que os beijos na boca trocados com Britney Spears e Christina Aguilera na premiação da MTV, em agosto, foram a maneira de passar a faixa para as novatas.
As sucessoras fazem jus. Aguilera, 22 anos, saiu na frente quando lançou o CD Stripped e trocou o estilo fadinha loura por ¿cachorra¿ sem culpas. Já Britney assumiu aos 21 anos o que ninguém mais tinha dúvidas não é virgem e carregou na atitude sexy em In the Zone, lançado semana passada.
Correndo por fora, a balzaquiana Kylie Minogue, 35 anos, que vitaminou a carreira com o sucesso de Can¿t Get you Out of my Head, do álbum Fever, acaba de desbancar Madonna com o novo CD, Body Language essa semana nas lojas daqui. A música Slow deu a Kylie, pela sétima vez, o primeiro lugar entre os discos mais vendidos da Grã-Bretanha. Com isso, ela bate Madonna e passa a ser a cantora que mais emplacou hits na Inglaterra. Kylie, aliás, é dona do bumbum mais desejado pelos ingleses a Scheila Carvalho deles.
Depois daquele beijo da MTV, Britney fechou nova parceria com Madonna em Me Against the Music, faixa de trabalho de In the Zone. No clipe, rola o maior clima de cumplicidade. ¿Britney, você quer perder o controle? Venha aqui para eu te mostrar uma coisa, provoca a loura veterana. Sou uma pessoa normal e tenho que me expressar do jeito que sou, justifica a crescidinha Britney, que agora fala de noite de bebedeiras e até de masturbação numa das músicas, Touch of my Hand.
Ex-rival adolescente de Britney, Christina escandalizou no clipe de Dirrty dança seminua e se esfrega em marmanjos e tem o bumbum apalpado por um negão no novo vídeo, Can¿t Hold Us Down. Apresentadora do prêmio da MTV européia, ela levou o troféu de melhor cantora e surgiu carregada por um time de fortões. Como Britney, também apareceu com nenhuma ou pouca roupa em muitas capas de revistas e choca ao falar de sexo. Sobre Madonna, ela esnoba: Pode soar arrogante de minha parte, mas eu não preciso do suporte dela. Será?
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8:55 AM
by Cassiano Leonel Drum
Agora, é olhar pra frente
No momento em que o árbitro encerrou a partida na qual conseguimos mais uma vitória e decretamos nossa volta à Primeira Divisão, pensei no futuro do Botafogo. Estava ali um Botafogo inteiro, digno, respeitado, sério e com postura de time grande. A cada instante em que comemorava o resultado e tudo o que aqueles 3 a 1 significavam, pensava nos próximos dias e nos próximos desafios. Olhava para frente e tentava imaginar o que estaria por vir.
Ainda sob a emoção da conquista, os pensamentos iam e vinham meio desordenados, mas a sensação era uma só, a de dever cumprido e de tranqüilidade pelo caminho traçado. De frente para o futuro, encontrava nesse presente, que dentro de poucos dias já será um recentíssimo passado, o fio condutor para o trabalho que continua e que tem por objetivo devolver ao Botafogo a honra conquistada através de tantos anos de uma feliz história.
A satisfação por já ter vencido o primeiro grande desafio com certeza vai aumentar à proporção que outras metas forem sendo cumpridas. A volta do futebol a General Severiano é a próxima delas. O Centro de Treinamento que já será usado na preparação da equipe para o Campeonato Estadual é uma realidade que não só garante à comissão técnica e aos jogadores melhores condições de trabalho, como também resgata no coração dos botafoguenses a memória de um período de glórias, que tão bem combina com o Botafogo.
A cada abraço, a cada aperto de mão, vibrava com o resultado, olhava para o futuro e agradecia a quem acreditou ¿ torcedores, torcedores oficiais, patrocinadores etc. A quem apostou no Botafogo quando tudo o que tínhamos a encarar era a disputa de uma Segunda Divisão, um estádio sem conforto e um mar de problemas.
A Segunda Divisão é passado, o Caio Martins é hoje um estádio onde o torcedor se sente em casa. Os problemas ainda existem, mas pouco a pouco serão contornados. É preciso que todos continuem acreditando e apoiando. A vitória sobre o Marília marcou mais do que o retorno do Botafogo à elite do futebol brasileiro, de onde nunca devia ter saído, na verdade ela estabeleceu o Marco Zero. É isso, é agora que tudo começa. Essa é a hora de a estrela voltar a brilhar.
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8:51 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Pedro Goulart
24/11/2003
Amém
Houve um tempo em que um filme de Costa-Gavras era de lei. Assim que exibidos, provocavam incessantes debates que eriçavam os pêlos de muito ativista de carteirinha e deixavam a roda em que estivessem acontecendo em pé de guerra. Os filmes dele eram a injeção que faltava para inocular o soro da verdade e da justiça que iria contaminar o mundo. Costa-Gavras, sujeito engajado nas teses humanistas, sempre demonstrou acreditar que os filmes pudessem mudar as coisas.
Certa vez, minha mãe pediu para eu ir comprar vinho na venda, alertando que antes eu conferisse o rótulo da garrafa velha, que estava no depósito, de modo que eu soubesse como pedir. Voltei, 10 minutos depois, anunciando que aquele vinho, o mesmo da garrafa velha, não tinha. "Mas como? Ainda ontem comprei ele lá?". "Pois é", respondi solene e convicto nos meus oito anos, "na venda eles nem conhecem esse vinho: Pióchi". "Pióchi, que Pióchi guri? O nome é Pio XII".
Pois o Costa-Gavras especula no seu último filme, Amém, se o Pióchi não se encolheu durante a guerra, se ele ficou indeciso na hora de tomar uma posição clara e firme contra aquele que foi o maior crime da história. Contra a maior de todas as manchas produzidas pela humanidade. A tese do cineasta é a de que o exército alemão era formado por quase cinqüenta por cento de soldados católicos e talvez o extermínio dos judeus não prosseguisse caso o sumo pontífice, o papa Pio XII, tivesse condenado publicamente a barbárie. Tese fraca, diga-se. Se a consciência daqueles sujeitos não era suficiente, não seria a condenação do papa que iria provocar alguma mudança.
O fato, entretanto, é que todas as pesquisas que foram feitas mostram que a igreja omitiu-se. Ou porque, como o filme propõe, Stalin, líder ateu da Rússia comunista, estava na aliança contra Hitler ou simplesmente porque os judeus não eram católicos. O filme seria uma bomba se vivêssemos em outros tempos. No tempo do vinho da minha mãe, por exemplo. Mas agora, no novo milênio, entre os obesos e os esquálidos do mundo, é preciso muito mais do que um filminho para causar barulho. Acinte provocou o cartaz do filme, que mistura a cruz dos católicos com a suástica nazista. Quem idealizou a sobreposição de marcas foi o publicitário Oliviero Toscani. A igreja gritou: tudo, menos mexer com o nosso logotipo.
Amém é um filme sobre um passado recente que precisa ser revisitado para nunca ser esquecido. Como também é necessário olhar o presente e a perigosa condenação que o Vaticano faz do uso de preservativos em tempos de Aids. Ou quando os Osamas, os israelenses (vejam só), os muçulmanos provocam sangrentas batalhas em nome de Deus. Da suástica já nos livramos. Comecemos agora a livrar-nos das cruzes.
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8:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
24/11/2003
Passar por louco
As velhas frases não perdem a utilidade. "Façam o que eu mando, não o que eu faço" é o que os Estados Unidos, o país mais endividado do mundo, não param de dizer aos outros quando recomendam austeridade fiscal, ou quando pregam o comércio livre universal enquanto subsidiam sua agricultura e protegem sua indústria. Outra frase pronta, "se fazer de louco para passar bem", se adapta ao governo Lula e pode mesmo ser a justificativa histórica do PT, quando for prestar conta das suas incoerências no poder.
Como não há mais dúvidas de que este é um governo esquizofrênico, resta saber até que ponto é uma esquizofrenia pensada, estratégica, talvez até ensaiada, e no fim compreensível. Ou até que ponto é um governo que se faz de louco para ser viável. Quem acreditou que Lula e o PT no governo fariam diferente se apega à esperança de que haja uma coerência mestre por trás da aparente confusão. Que a equipe econômica não esteja dedicada a avalizar a defesa do Pensamento Único segundo a qual ele era único porque não existia outro e sim a uma mudança gradual do modelo para não assustar ninguém.
Que até desastres de RP como a ameaça de punir dissidentes, os velhinhos do Berzoini na fila para se recadastrarem e o corte de verba para deficientes tenham uma lógica secreta. Que o mais importante, ao entrar em território dominado pelo inimigo e antes de garantir posições, seja mesmo a camuflagem. Que o verdadeiro governo Lula começa no ano que vem. Ou até que a decepção interna seja só uma concessão para disfarçar a grande diferença deste governo, que é a nova postura internacional do Brasil.
O perigo é que aconteça o que aconteceu com aquele cara que teve tanto sucesso se fazendo de louco para passar bem que acabou internado, e ficou o resto da vida tentando convencer os médicos que sua esquizofrenia era fingida e insistindo que não estava apenas se fazendo de normal para sair do asilo. Pois vale tanto para os loucos como para os sãos: a gente não é o que diz que é ou pretende ser, a gente é o que faz. Ou deixa de fazer.
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8:35 AM
by Cassiano Leonel Drum
Evento
Giro sobre duas rodas
Salão de Motociclismo exibe shows de manobras radicais e expõe motocicletas, equipamentos e acessórios nos pavilhões do DC Navegantes, na Capital (foto Júlio Cordeiro/ZH)
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