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Sábado, Dezembro 06, 2003




Um oba-oba para a estética renascentista


Jérome Sainte-Rose


Luciana, ao natural: de volta, dezesseis anos depois do primeiro ensaio nua

Exatamente dezesseis anos após sua estréia na Playboy, aos 16 aninhos, Luciana Vendramini está de volta. Um casamento, uma separação, uma depressão e muito teatro depois, a ex-paquita está bem mais amadurecida e visivelmente mais exuberante. Sobre as fotos, diz: "Posei como se estivesse na minha chácara, com meus amigos, minha família".

Sobre a boa forma, insiste: tudo o que está ali é, sim, natural. "Não tenho silicone, não fiz lipo nem Botox. Essa cobrança de ter o corpo malhado e bonito é a gente que cria", esbraveja. "Eu gosto mais da estética renascentista". Renasçam, pois, leitores.



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Diogo Mainardi
Deficientes discriminados

"Ter um filho deficiente não é nenhum drama, nenhum peso, nenhum problema. Basta que os outros não perturbem. Os pais de crianças deficientes não querem favores nem comiseração. O que eles querem é que as crianças tenham a oportunidade de conviver com outras crianças"

Rio de Janeiro. Teimei em morar de frente para o mar. Difícil encontrar apartamento. Tudo caro demais. Comicamente, os melhores que visitei pertenciam a gente ligada à política. O primeiro era de Antonio Carlos Magalhães. O segundo era da filha de Tancredo Neves, mãe de Aécio. Perdi este último para uma herdeira de Getúlio Vargas, ex-mulher de Moreira Franco. Estou pensando em lançar minha candidatura a governador de Roraima.

Mais difícil que encontrar apartamento é encontrar escolinha para meu filho. Ele é deficiente físico. Escolinhas não querem deficientes por perto. Três delas já nos enxotaram. Eram escolas alternativas, piagetianas, daquelas que ensinam a plantar feijão e a melecar as paredes com tinta vermelha. Mil reais de mensalidade. Você pode achar que não é problema seu. Engana-se. É em escolinhas como essas que seus filhos estão estudando. Aprendem o preconceito desde cedo. Aprendem a afastar quem parece diferente deles.

Na Escola Nova, a diretora barrou meu filho na porta. Disse que não estava preparada para educar quem não sabe andar. Se ela não está preparada para educar uma criança deficiente de 3 anos, não está preparada para educar ninguém. Como sou endinheirado, ofereci algumas facilidades: material escolar adaptado, orientação por parte das terapeutas de meu filho e uma assistente de plantão na sala de aula para ajudar sempre que necessário. No caso de deficientes, porém, nem o indefectível privilégio de classe brasileiro funciona: ricos e pobres são discriminados do mesmo jeito.

Em outra escolinha, chamada Vilhena de Moraes, a coordenadora informou que aceitava portadores de todos os tipos de deficiência, menos os deficientes físicos. Criou uma discriminação dentro da discriminação, como num sistema de castas. O pária é meu filho. No Espaço Educação, a coordenadora recusou-o alegando falta de pessoal. Eu repeti que estava disposto a pagar o salário de uma assistente, em tempo integral. Não adiantou. Fomos despachados.

Ter um filho deficiente não é nenhum drama, nenhum peso, nenhum problema. Basta que os outros não perturbem. Os pais de crianças deficientes não querem favores nem comiseração. Pelo contrário: sentem um orgulho desmesurado de seus filhos. O que eles querem é que as crianças tenham a oportunidade de conviver com outras crianças. Nada de muito complicado.

Outro dia, Lula posou para fotografias com os atletas paraolímpicos. Foi mais uma manobra eleitoreira do presidente. Quando chegou a hora de agir, ele escolheu o lado oposto: vetou a transferência de recursos para entidades particulares que atendem deficientes e vetou a isenção de IPI e do imposto de importação sobre equipamentos como cadeiras de rodas. Nos anos 70, todo mundo tinha um contrabandista de uísque escocês. Eu, agora, tenho de apelar para um contrabandista de apetrechos ortopédicos. Acabo de receber um moderno andador de alumínio. É a muamba fisioterápica.

O Brasil discrimina portadores de deficiência assim como discrimina negros. O maior entrave para o crescimento do país é a nossa infinita ignorância. Quando eu for governador de Roraima, garanto que todos terão acesso à escola e todos terão apartamentos de frente para o mar, se é que Roraima tem mar.

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Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo
A santa e a senadora

Heloísa Helena, com seu drama e sua paixão, é a Maria Madalena da cena brasileira

Santa Maria Madalena está na moda. A senadora Heloísa Helena também. Uma é MM, a outra HH, e talvez não seja absurdo considerar que entre as duas haja mais pontos em comum do que as consoantes dobradas das iniciais. HH entrará mais tarde nesta história. Onde MM está na moda é nos Estados Unidos, e isso graças sobretudo a um best-seller em que é protagonista, The Da Vinci Code, de Dan Brown, com mais de 4 milhões de exemplares vendidos em poucas semanas.

MM, de quebra, figurou na capa da última revista Newsweek, é tema de uma peça de teatro (Magdalene's Mind, de Gloria Amendola) e ganhou um site (magdalene.org). Também é objeto de estudos acadêmicos, sobretudo de professoras, cujo traço comum é o esforço de reapreciar e revalorizar seu papel no Novo Testamento.

Quem seria essa Maria Madalena, e por que voltar a ela a esta altura dos acontecimentos? Não há nos evangelhos senão cinco referências a ela, nenhuma das quais a pinta na pele que a legenda a consagrou ¿ a de prostituta arrependida. MM aparece, no evangelho de Lucas, como a mulher de quem Jesus tinha expulsado sete demônios, e que a partir de então passou a segui-lo. Depois disso só haverá referência a ela nos acontecimentos que cercaram a morte de Jesus.

Ela será citada então três vezes ¿ como testemunha da crucifixão, como acompanhante do enterro e como uma das mulheres que, em visita ao túmulo, perceberam que estava vazio. Enfim, em sua mais gloriosa figuração, será a primeira a quem Jesus aparecerá, depois de ressuscitado. A ela caberá anunciar a boa-nova aos apóstolos.

Isso quanto à mulher que, explicitamente, é chamada de Maria Madalena nos textos. Ocorre que há neles uma profusão de Marias, além de uma anônima "pecadora" que banha os pés de Jesus com as próprias lágrimas e os enxuga com os cabelos ¿ e, segundo antiga e popular interpretação, essa anônima, algumas das Marias e MM não passariam da mesma pessoa. A "pecadora" rendeu a MM a fama de prostituta, e os cabelos com que enxugou os pés de Jesus premiaram-na, em séculos e séculos de representação iconográfica, com generosa cabeleira.

Por fim, a tais passagens somam-se aquelas em que MM é referida nos evangelhos chamados apócrifos ¿ os não reconhecidos pela Igreja. Num deles, o de Felipe, ela aparece como a "companheira" de Jesus, aquela que amava "mais que a todos os discípulos", e "costumava beijar". Tal passagem dá lastro a outra popular interpretação, a de que MM e Jesus manteriam relacionamento íntimo.

O motivo pelo qual MM é trazida de volta à tona, a esta altura dos acontecimentos, o leitor já adivinha ¿ o feminismo. Os recentes estudos acadêmicos, assim como as obras populares que se detêm em sua figura, insistem em que ela teve papel muito mais importante, no cristianismo primitivo, do que o que o registro patriarcal ¿ e machista ¿ deixa perceber. MM, como primeira testemunha da ressurreição, encarna uma figura, a de "apóstolo dos apóstolos" a que nunca se deu o merecido peso.

Também não se levou em devida conta sua proximidade com Jesus. Fosse ou não sua mulher, ela seria uma das principais guardiãs de sua herança. MM, quando reposta na integralidade de seu papel, ilumina as páginas dos evangelhos com a chama da emoção feminina. Pecadora ou portadora de sete demônios, ela é o oposto dos santinhos bem-comportados de nascença.

Corajosa a ponto de seguir Jesus até o túmulo, representou a compaixão e a coerência, no momento em que os discípulos fugiam. MM aporta a essa velha história um tanto de paixão que a enriquece e eleva ¿ e é nesse ponto que, com perdão pela passagem abrupta do sagrado para o profano, das alturas dos textos antigos para os baixios da política, e do maravilhoso para o pedestre, nos voltamos para HH.

Há pontos de contato, para o bem ou para o mal, entre Maria Madalena e Heloísa Helena. Alguns veriam HH como a MM de antes da expulsão dos sete demônios ¿ rebelde, incômoda, intratável. Outros, como o "apóstolo dos apóstolos", a luz primeva, rocha de coerência. Para uns e outros, tal qual MM, ela seria a encarnação da paixão. Isso sem falar que os cabelos de HH dariam, como os de MM, para enxugar os pés do mestre, se ela tivesse algum. HH é a MM da cena política brasileira. Assim como a outra, ela confere drama e fúria, além de uma certa violência própria da mística feminina, ao enredo em que está metida.

Nota: O general Alvir Souto, em carta, afirma que seu pai, o também general Álcio Souto, não foi nazista, como afirmado duas semanas atrás nesta página, a propósito do livro A Ditadura Derrotada, de Elio Gaspari, mas um admirador do Exército alemão. Também não levou cadetes sob seu comando a sessões de cinema que mostravam as proezas militares de Hitler. Enfim, o missivista corrige um erro que não é do livro, mas deste articulista. O general Álcio Souto não comemorou em casa a queda de Paris. Quem o fez foi o general Eurico Dutra.

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Soltar a franga é bom
Sandy afirma que entrevista a ISTOÉ a revelou uma pessoa de carne e osso


A cantora no filme Acquária e a reportagem (abaixo): polêmica

Soltar o verbo em uma reveladora entrevista a ISTOÉ devolveu Sandy ao centro dos holofotes. Desde 29 de novembro, quando a revista chegou às bancas, a cantora recebeu mais de 400 e-mails de fãs. Muitos elogiaram sua coragem. Que bom que você soltou a franga e Foi ótimo acabar com essa chatice de virgindade foram alguns dos comentários. Já os mais conservadores disseram que ela havia se exposto demais.

As declarações de Sandy sobre seu primeiro porre e sua sexualidade geraram polêmica. Até a terça-feira 2, dos 1,5 milhão de page views registrados pela home page de ISTOÉ, 600 mil foram para Cinderela cresceu. A entrevista foi assunto do Domingo legal, dos jornais e de sites de celebridades. De quebra, aumentou a curiosidade sobre o primeiro filme da cantora, Acquária, em cartaz nacional a partir da sexta-feira 12.

Com a mesma coragem com que abriu segredos de sua vida a ISTOÉ, a cantora escreveu uma nota aos fãs. Sem pedir desculpas nem retirar nenhuma declaração, reafirmou que é uma garota normal, e não uma bonequinha. Eis a íntegra do texto:

Muitos fãs mandaram e-mails perguntando por que eu, sempre tão discreta, decidi falar de assuntos pessoais na entrevista a ISTOÉ. Gostaria de dizer-lhes que às vezes é preciso se abrir um pouco, deixar-se mostrar uma pessoa de carne e osso. Sei que já sabem disso, mas a maioria das pessoas pensa que sou uma bonequinha.

Eu nunca seria vulgar, revoltada ou rebelde. Não é do meu jeito de ser. E o fato de eu ser meiga, caseira e gostar muito da minha família fez com que as pessoas acreditassem que sou uma princesa no castelo. Sou uma jovem que está crescendo sem perder o seu jeito de ser. A personalidade não muda quando a gente chega à maioridade.

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O brilho da estrela
Diplomacia presidencial de Lula procura reposicionar o Brasil no mundo

Eduardo Hollanda e Cláudio Camargo

Ineditismo: Lula é o primeiro presidente a visitar a Síria e o Oriente Médio

O giro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Oriente Médio, iniciado na terça-feira 2 e que será encerrado nesta quarta-feira 10, além de fazer com que seja o primeiro líder brasileiro a visitar a região desde dom Pedro II, em 1871, marca a sua 17ª viagem internacional e quebra um novo recorde em termos de viagens presidenciais ao Exterior.

Lula completará 180 mil km de percurso, visitando nada menos que 26 países em 60 dias, superando a movimentação de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, em seu primeiro ano de governo. FHC também ficou no total 60 dias fora do Brasil, mas percorreu 160 mil km e visitou 14 países. E Lula ainda fará mais uma viagem internacional este ano, indo a Montevidéu, no Uruguai, para a Cúpula do Mercosul, na segunda-feira 15, somando mais 10 mil km e outro país a seu currículo.

Todo esse périplo internacional, na verdade, representa o auge da política de diplomacia presidencial, que havia sido uma das características de FHC e agora está sendo elevada a novos patamares por Lula.

Quando o presidente brasileiro começa seu giro pelo Levante com uma visita à Síria, país considerado pelos EUA de George W. Bush como linha auxiliar do terrorismo, e encerra o tour pela Líbia de Muammar Kadafi, país que sofreu execração internacional durante anos também por terrorismo, o recado é claro e tem endereço certo. Primeiro, Lula mostra que o Brasil, candidato a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, quer ser independente em aspectos políticos e que não pretende ficar atrelado a nenhum bloco. Segundo, que o maior interesse do país é abrir mercados para seus produtos e buscar parcerias comerciais.

Surpresa A diplomacia presidencial de Lula é uma das muitas surpresas que ele mostra para quem o achava despreparado para o cargo, especialmente em comparação com o scholar e globe-trotter FHC. Lula facilita as coisas para o nosso trabalho, admite, satisfeita, uma alta fonte do Itamaraty. O facilitar as coisas que os diplomatas reconhecem, com satisfação, seria o inegável carisma que o antigo líder operário exerce em todo o mundo. Lula não fala inglês, não tem títulos acadêmicos, comete gafes, mas é inquestionável que ele se tornou um requisitado astro da política internacional.

Diante do impacto que a figura de Lula exerce sobre governantes, empresários, personalidades e, evidentemente, nas populações dos países estrangeiros, o trabalho dos diplomatas é montar as bases técnicas para os entendimentos políticos e, na área do dinheiro, os negócios e acordos que são selados a cada visita.

A política externa de Lula se baseia em um tripé pouco usual, mas já testado e aprovado na prática. A ponta de lança é o próprio presidente. Mas quem bola a estratégia é uma dupla formada pelo chanceler Celso Amorim e o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Os dois, desde o começo, estabeleceram uma sintonia de idéias que surpreendeu. Quando no Palácio do Planalto se pensa em uma viagem internacional para Lula, os dois estruturam o plano de vôo e o que se pretende obter. Em seguida, o staff do Itamaraty sai a campo fazendo os contatos preliminares. Quando tudo está quase pronto, Celso Amorim vai pessoalmente aos países bater o martelo. Finalmente chega a hora da visita de Lula.

Cutucando Bush Na viagem mais recente, e ainda em andamento, uma penca de acordos e joint-ventures entre o Brasil e os países árabes estava pronta para receber apenas as assinaturas dos líderes. Na maior parte dos casos, o Brasil sairá lucrando, pois terá conseguido novos sócios com muito dinheiro para investir e comprar. Lula sentiu o clima favorável desde o primeiro dia e foi além, ao sugerir que os países do Levante se associassem ao Brasil e ao Mercosul, formando novos blocos econômicos.

E citou os exemplos do Mercosul (o ex-presidente argentino Eduardo Duhalde, escolhido presidente vitalício do Mercosul, era um dos integrantes da delegação oficial de Lula), do G-3, que inclui Mercosul, África do Sul e Índia, e do G-20, o bloco de ¿amotinados¿ do Sul que melou a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancún, como casos de sucesso da união entre os mais fracos. Mas Lula não se limita a propor acordos econômicos aos parceiros em potencial.

Ele não deixa escapar uma oportunidade de alfinetar os Estados Unidos e Bush, com quem, aliás, o presidente brasileiro mantém relações extremamente cordiais. Logo no começo do giro árabe, ao lado de Bashar al-Assad, filho do falecido ditador sírio Hafez al-Assad, Lula defendeu o plano alternativo de paz para a Palestina e também a devolução das colinas de Golã, ocupadas por Israel, à Síria. E, num comunicado conjunto, Lula e Assad criticaram a ocupação americana do Iraque.

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Um livro aberto
Juliana Ferraz, citada na biografia de Milene, se diz o amor secreto de Ronaldo e revela que perdeu a virgindade com o craque. Eles dormiam juntos na cama do casal em Madri
Marluci Martins e Giovani Lettiere

Juliana com Ronald na mansão de Ronaldo em Madrid a direita abaixo

A biografia de Milene Domingues nem saiu do forno, mas sua repercussão foi mais rápida do que o recente gol marcado por Ronaldo, aos 16 segundos de jogo. Ao saber que será citada numa das páginas escritas pelo jornalista Edgar Olímpio de Souza, a estudante de Direito Juliana Ferraz, de 25 anos, decidiu, ela sim, tornar a sua secreta história de amor com Ronaldo um livro aberto, numa entrevista ao ATAQUE.

Sempre fiz questão de me preservar e de preservar a nossa história. Se eu quisesse, poderia ter feito o diabo com o Ronaldo. Ele foi, é e sempre será o homem da minha vida, diz a universitária, que garante ter saído pela primeira vez com Ronaldo no dia 6 de agosto de 1994. Perdi a virgindade com ele. Eu tinha 16 anos, acrescenta.

Juliana ilustra cada frase, abrindo um pequeno álbum de fotografias, sua mais valiosa recordação das férias de janeiro, passadas na mansão de Ronaldo, em Madri. Em duas fotos, posa abraçada ao pequeno Ronald, de 3 anos, filho de Milene com o jogador. Ele me chama de tia. Olha só como está risonho na foto... Como é que a Milene pode sair dizendo por aí que eu queria que ela perdesse o filho? Essa criança me adora, afirma.

Juliana mostra fotografias em que aparece ao lado do pai do jogador, Nélio, e, também, de Flávio Conceição.

Todo mundo sabe da minha existência. A Milene também sabia de mim. Só não sei se a Susana (Werner) desconfiava, garante.

Segundo Juliana, no tempo em que ficou hospedada na casa de Ronaldo, Milene jamais apareceu. ¿Ora, que pergunta!!! Fiquei no quarto dele... Esse casamento deles nunca existiu. O Ronaldo nunca gostou dela. Ficaram juntos somente por causa do filho.

A longa relação paralela começou depois que Juliana, ainda fã de Ronaldo, enviou-lhe, durante a Copa de 94, 480 cartas para a concentração da Seleção, nos EUA. O namoro superou várias crises. A pior, quando Juliana soube, pela televisão, que Milene estava grávida.

Ficamos um ano separados, por causa disso. Um mês antes, eu havia perdido um filho dele. Fiquei grávida antes da Milene. E, recentemente, tive outra gravidez: em julho, quando ele passou férias aqui no Rio. Mas perdi o bebê, diz. Sempre me anulei, como mulher. Estou de saco cheio.

Os bons momentos foram incontáveis: Juliana mostra, com orgulho, a foto de um Alfa Romeo Turbo que teria ganho do jogador, entre outros presentes. Está vendo o terninho vermelho dessa outra foto? É um Armani. Foi ele quem me deu. Ele pagou meus estudos, minha cirurgia plástica silicone nos seios e a festa do meu aniversário, em outubro, destaca.

Hoje, o romance está mais para abóbora do que para carruagem. Há dois meses e pouco, a gente resolveu dar um tempo, mas não é nada definitivo. Foi uma briguinha boba. Telefonei para ele, no domingo, e estava pensando em visitá-lo, em janeiro. Mas, depois disso que estou falando, pode ser que tudo se acabe, encerra, acreditando que poderá ter vivido o último capítulo da história com Ronaldo.

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Puro poder

Figurinista de Celebridade, Marilia Carneiro comemora 30 anos de carreira lançando livro com histórias da moda na televisão
Marcia Disitzer

A figurinista Marilia Carneiro nasceu em berço de ouro, foi educada para ser madame, mas não assumiu esse papel. Por conta das reviravoltas da vida e daquela forcinha do destino, Marilia se transformou na figurinista mais badalada do Brasil, assinando o guarda-roupa de novelas que marcaram época, como Dancin Days e Gabriela, e lançando modismos que viraram febre em todo o território nacional.

É para contar essas e outras histórias que a figurinista da novela Celebridade resolveu escrever o livro Marilia Carneiro no Camarim das Oito(Ed.Senac Rio e Aeroplano Editora; 192 páginas; R$ 68), em parceria com a jornalista Carla Mühlhaus, que será lançado na terça-feira, na livraria da Travessa, em Ipanema.

No começo dos anos 70, eu tinha uma loja de moda vanguarda em Ipanema, chamada Truc, e uma das minhas clientes era a atriz Dina Sfat. Foi ela que me indicou ao diretor Daniel Filho, para assinar o figurino da novela Ossos do Barão, recorda Marilia. A figurinista que até então nunca havia assistido a uma novela aceitou o convite por ter pedido muito dinheiro e Daniel Filho ter topado. Fazia parte da geração do cinema novo e novela era coisa de burguês. Mas estava precisando de dinheiro, diz.

A partir de então, Marilia fez uma novela atrás da outra. E quando se deu conta, já era a maior lançadora de tendências do País. Um exemplo clássico é a febre que virou o figurino da volta de Júlia Matos, personagem de Sônia Braga na novela Dancin¿ Days, em 78. Na véspera da gravação, eu e a Sônia Braga acordamos o Daniel Filho para ele opinar sobre o figurino. Todo mundo esperava que a Júlia reaparecesse de longo, mas a vesti com um trainning de cetim vermelho da Fiorucci, acrescentei óculos escuros e sandálias com meias, diz Marilia. E Júlia Matos abalou geral, rebocando Marilia ao patamar de figurinista-poder da televisão.

E Marilia continuou a inventar moda. Foi ela que, em 79, vestiu Regina Duarte no seriado Malu Mulher; em 81, na novela Brilhante, cortou os cabelos da deusa Vera Fischer causando indignação. O Tom Jobim que tinha sido chamado para fazer a música de abertura da novela ficou revoltado, mas, em compensação, lançou o lenço com nó no pescoço. Outra febre. Também criou o visual urbano de Débora Bloch em Andando nas Nuvens, em 99, popularizando a funcional mochila Prada. São seus o figurino que transformou a Bionda de Mariana Ximenes, de Uga Uga, em garota supersexy, e o visual irresistível de Jade de O Clone. Mas Marilia é modesta. Não faço sucesso se a novela não fizer, minimiza.

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Socorro! O peru do Bush é de plástico!

Buemba! Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E diz que lá no Rio tá pintando uma goleada homérica: Bangu 3 X Garotinho 0! E socorro! Cuidado! Todos para o abrigo! O peru do Bush é de mentirinha. Olha a notícia: "O fantástico peru assado com que o Bush foi fotografado durante sua visita relâmpago no Iraque era enfeite de bufê". O mundo caiu no conto do peru. O peru do Iraque era de ARAQUE!

Diz que o peru era de plástico. Mas como disse uma amiga minha: peru de plástico é vibrador! Era tipo peru de programa de televisão. Acho que ele pegou emprestado o peru da Ana Maria Braga! Ou seja, o peru do Bush é falso. Deve ter sido preparado pela mesma equipe que afirmava que tinha armas químicas no Iraque! O peru era enganação. Aliás, o Bush é enganação!

Lulinhas Aéreas! Continua o Quibetur! O Circuito Habib's do Lula. Aliás, avisa pro Lula que charutinho de uva é pra comer, não pra fumar! E já imaginou a manchete? Lula fuma charutinho de uva! E o Zé Alencar continua falando de juros: "JURO que da próxima vez quem viaja sou eu". Rarará! E sabe por que o Lula não levou a Heloísa Helena? Pra não começar uma Intifada. Ela só sabe atirar pedra! Rarará!

E como me perguntou aquele amigo de Piracicaba: "Quer dizer que o peru do Bush é falso? Alguém pode me dizer o que tem de verdadeiro nessa Guerra do Iraque? Tô começando a achar que o Saddam não existe". O Saddam é enfeite de bufê! E, com essa maluquice toda, eu vou acabar virando assessor da ONU. E esta outra notícia aqui: "EUA condenam menino de oito anos por delitos sexuais". Ou seja, quando crescer vai virar um Michael Jackson? Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

Antitucanês Reloaded, a Missão! Continuo com a minha cruzada patriótica Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que em Manaus tem uma loja de escapamentos chamada Gambá Escapamentos. Rarará! E, em Belo Horizonte, tem um motel chamado Motel Traição, aqui você trai, aqui você paga. Rarará! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes do óbvio lulante. "Gafe": companheiro chegado a uma gafieira. "Mijadra": mistura de arroz com lentilha à moda árabe e não o que os companheiros estão pensando. Rarará! O lulês é mais fácil que o turquês. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã.

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.
UFA!

simao@uol.com.br

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Trabalho
A febre dos concursos
DEISE DE OLIVEIRA/ Colaboram Tatiana Cruz, Itamar Melo e Camila

Desemprego e falta de perspectivas no mercado de trabalho mobilizam milhares de pessoas na corrida por vagas no setor público. Boa remuneração e estabilidade no cargo funcionam como chamarizes de candidatos.

Milhares de pessoas apostam nos concursos públicos como a saída para as incertezas do mercado de trabalho.

Neste ano, 362 mil gaúchos participaram de 24 processos de seleção organizados por apenas uma das entidades especializadas em promover concursos no Estado: a Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs), principal órgão que prepara concursos públicos no Estado.

Amanhã, mais 21.480 pessoas tentarão garantir uma das 46 vagas do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, em 13 cidades do Estado. Os postos são para candidatos com Ensino Fundamental, Médio e Superior. Os salários variam de R$ 1.016,24 para auxiliar, R$ 1.412,06 para técnico a R$ 2.358,42 para analista judiciário. Também neste domingo, 36.043 inscritos no país fazem prova para o concurso de auditor fiscal do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). No Estado, as provas serão feitas na Pontifícia Universidade Católica (PUCRS).

As 250 vagas do INSS fazem parte de um total de 24.799 oportunidades abertas no primeiro ano do governo Lula. No que diz respeito à demanda federal para 2004, 41.380 vagas deverão ser preenchidas. Apenas no concurso da Polícia Rodoviária Federal, cujas inscrições se encerram neste domingo pela Internet, a expectativa do governo é de 1 milhão de inscritos. Em âmbito estadual, até ontem não havia previsão de realização de concurso para 2004.

Nem reforma da Previdência afasta interessados na carreira pública

O elevado índice de desemprego e a procura pela estabilidade do funcionalismo público explicam a multidão empenhada em conquistar vaga por meio de concursos, diagnostica o professor de Economia do Trabalho da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Giácomo Balbinotto. A sócia-diretora da Objetiva Concursos, Cleusa Fochesatto, associa os mesmos motivos ao fato de o número de inscritos duplicar de um ano para outro em processos seletivos que se repetem nas prefeituras gaúchas.

Nem a reforma da Previdência, que atinge os futuros servidores públicos, deve afugentar indivíduos da tentativa de construir carreira em órgãos governamentais, diz o professor. Com a reforma, quem entrar no serviço público após a promulgação da matéria terá teto para aposentadoria de R$ 2,4 mil.

- A segurança de não ser alvo de ajustes de quadro motiva a procura pelo setor público, mesmo que os salários não sejam tão atraentes - afirma.

Candidato não precisa se enfrentar as exigências do setor privado

Por outro lado, o candidato a uma vaga pública não precisa, em geral, se sujeitar às pesadas exigências de contratação fixadas pela iniciativa privada. A demora em encontrar uma colocação no mercado também força as pessoas a apostarem em outras alternativas, diz o professor. Em 1991, 12,41% das pessoas em busca de trabalho levavam mais de 12 meses, em média, para consegui-lo. Hoje, esse contingente é duas vezes maior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

As disputas no domingo
Tribunal Regional do Trabalho - 4ª Região
Cargos e vagas: nível superior - analista judiciário nas áreas judiciária (5), judiciária - execução de mandados (4), administrativa (2), apoio especializado - análise de sistemas (1), apoio especializado - arquitetura (1) e apoio especializado - contabilidade (1). Nível médio - técnico judiciário nas áreas administrativa (20), serviços gerais - segurança e transporte (2), serviços gerais - telefonia (2), serviços gerais - telecomunicações e eletricidade (2), serviços gerais - carpintaria e marcenaria (1), apoio especializado - programação (2), apoio especializado - operação de computadores (1) e apoio especializado - enfermagem (1). Nível fundamental - auxiliar judiciário na área de serviços gerais (1)
Salários: R$ 2.358,42 para analista judiciário, R$ 1.412,06 para técnico judiciário e R$ 1.016,24 para auxiliar judiciário
Data das provas: domingo, às 9h
Divulgação dos gabaritos: 9 de dezembro
Período de recursos: 10 a 12 de dezembro
Divulgação dos resultados finais das provas objetivas: 9 de janeiro
Aplicação das provas práticas e de aptidão física: 17 e 18 de janeiro
Divulgação dos resultados das provas práticas e de aptidão física: 26 de janeiro
Período de recursos: 27 a 29 de janeiro
Divulgação do resultado final: 10 de fevereiro
Validade do concurso: um ano, prorrogável uma vez, por igual período
Informações: Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, site www.faurgs.ufrgs.br/concursos

INSS
Cargo e vagas: auditor fiscal (250)
Salário: R$ 5.250,87 (após a primeira avaliação trimestral)
Data das provas: domingo, às 14h
Duração: cinco horas
Local das provas: prédio 11 da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Av. Ipiranga, 6.681, em Porto Alegre
Informações: Cespe, site www.cespe.unb.br

Para se sair bem nas provas
Se o funcionalismo público é uma meta para você, não espere a divulgação do edital para começar a estudar
Em geral, quatro matérias estão presentes em todas as seleções: Língua Portuguesa, Informática, Direito Constitucional e Direito Administrativo
Disciplinas como Matemática, Contabilidade, Direito Tributário, Direito Penal, Direito Processual e Língua Estrangeira (inglês ou espanhol) também são exigidas

Um candidato preparado antecipadamente nas matérias previsíveis vai poder se dedicar mais para as surpresas reservadas com a publicação do edital
Com a divulgação do edital, procure conhecê-lo, para não desperdiçar esforços
Informe-se sobre a banca organizadora do concurso e busque provas anteriores para verificar o estilo de questões e o grau de exigência
Faça uma seleção das disciplinas em que você tem mais dificuldade (verifique o peso delas para a sua aprovação) e dedique mais tempo a elas

É comum as provas testarem conhecimentos gerais, portanto, mantenha-se informado sobre o que está ocorrendo no mundo
Na hora da prova, dê prioridade para as questões em que você tem facilidade
Atenção e tranqüilidade na interpretação dos enunciados das questões
Caso a prova inclua questões discursivas (como redação), tenha paciência para organizar as idéias antes de começar a escrever
Entenda o concurso público

Para entender como funciona um concurso, ZH ouviu duas empresas organizadoras, uma privada e outra vinculada ao poder público. Veja a seguir as respostas para as principais dúvidas de quem corre atrás de uma vaga:

Como é feito um concurso?
Aprovada a criação de vagas, o primeiro passo é a contratação de uma empresa para organizar a seleção. Essa contratação pode se dar na forma de uma licitação ou não, dependendo da natureza da empresa ou da legislação vigente no órgão. Há casos em que o próprio órgão realiza o concurso. Em caso de contratação, as empresas podem participar de todo o processo de seleção. Outras cuidam apenas da aplicação das provas.

Quem são as empresas organizadoras?
Há uma série de empresas privadas especializadas em concursos públicos e cadastradas no Conselho Regional de Administração. Outras instituições, como fundações vinculadas a algum órgão público, também operam no setor. Os profissionais responsáveis pela banca de provas devem, obrigatoriamente, estar cadastrados em seus respectivos conselhos de classe.

Quantas pessoas são envolvidas no processo de organização do concurso?
Depende do evento. Mas, segundo as empresas especializadas, o número de colaboradores é de no mínimo 10% do número de inscritos.

Quem define o valor da inscrição?
Em alguns concursos do Estado, há tabelas com valores corrigidos anualmente. Nos municípios, as prefeituras, muitas vezes, apresentam um valor fixo já previsto em regulamentos. Mas há casos em que a taxa de inscrição é definida em conjunto pelo órgão público e a empresa organizadora do concurso. Neste caso, a comissão verifica as despesas com a seleção e a estimativa de candidatos e fixa o valor, que normalmente deve ser proporcional ao grau de escolaridade e ao salário do cargo oferecido.
Como são feitas as provas?

As provas são definidas em conjunto pela comissão. A empresa busca informações sobre as atribuições da função e as questões legais do cargo no órgão público, que, por sua vez, conta com as formulações técnicas do serviço contratado. Depois de fazer um perfil da prova, compatível ao perfil da vaga, a empresa designa uma banca de profissionais para formular as questões.

Quem corrige as provas?
Atualmente, as empresas contam com sistemas informatizados para processar os resultados, por meio de provas com leitura ótica. O material já seja lacrado para ser apurado. Em algumas empresas de menor porte, a própria banca cuida da correção.

Quem tem o gabarito?
Na maioria das organizações, a banca já entrega lacrado o gabarito para os responsáveis pelo concurso, que não têm acesso ao resultado. Em alguns casos, o gabarito fica lacrado num cofre, com senhas e acesso limitado.

Como funciona o sigilo?
As empresas geralmente trabalham com profissionais que assinam um termo de compromisso de sigilo. Em alguns casos, as pessoas envolvidas com a prova não podem ministrar nenhum curso para a seleção nem ter parente participando do concurso. Em outros casos, os envolvidos no processo não sabem qual o órgão está contratando, nem a cidade onde a vaga foi aberta.
Em caso de problemas, a quem recorrer?

Todas as empresas são obrigadas a abrir um período para a análise de recursos. Qualquer denúncia em âmbito municipal ou estadual pode ser encaminhada também ao Tribunal de Contas do Estado, que fiscaliza os concursos e faz auditorias. No âmbito federal, deve ser encaminhada ao Tribunal de Contas da União.
Fontes: Objetiva Concursos e Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH)

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Ricardo Silvestrin
06/12/2003


Sem conflito de gerações

Aí um amigo da Maria Rita disse uma coisa muito legal. Falou que se emocionava quando a via cantar. Mas não por lembrar da sua mãe, Elis. E sim por ver que toda uma estética da música brasileira que parecia ter se perdido voltava ali, na voz e no repertório de Maria Rita. Gostei de ouvir isso. E sem que tivesse conseguido formular a tempo esse entendimento, era justamente esse o meu sentimento. Olha que legal, parece aquela música do Milton lá do Minas e do Gerais, ou do Clube da Esquina. Ou o João Bosco do Bala com Bala. Ou o César Camargo Mariano acompanhando a Elis.

Para os meus ouvidos, esse tipo de canção brasileira foi perdendo o efeito de novidade com o tempo. O rock veio forte, depois tudo ficou pop, ou a música brasileira relida num contexto sonoro sempre da hora, com groove, manguetown, samba-funk. Mas a música com melodia bonita, tocada com piano, baixo acústico, voz com entonações e timbres sem medo de ficar careta, cadê? Taí a Maria Rita flutuando na onda da música que ela canta. Parece a Elis? Parece e não parece.

A Elis está nos gestos, nas distorções de voz, no jeito de cantar. Mas tem uma outra se divertindo muito com tudo aquilo, ali por baixo. Como uma menina que bota o sapato e o vestido da mãe. A brincadeira é imitar. Mas é nesse brincar que ela se vê diferente da mãe. Quem se dispõe a entrar nesse jogo, nós, o público, acaba descobrindo Maria Rita. Seus tempos, seus ritmos, sua musicalidade, seu timbre, seu texto, suas homenagens, seu bailado. Ali, embaixo de tudo, está ela se mostrando, saindo de dentro da mãe e olhando para nós inteira.

Quando recebemos essa Maria Rita, vemos que ainda se pode criar muita coisa a partir de uma estética que tinha ficado lá nos anos 70. Vemos que não é preciso jogar coisa bonita fora. Vemos que uma coisa não está no lugar da outra. Dai ao rock o que é do rock. Dai ao drum'n'bass o que é do drum'n'bass. E à MPB o que é da MPB. E se quiser misturar tudo, tá limpo! Tem muito dessa revitalização e desse respeito e amor aos pais em toda uma geração de filhos da MPB que estamos vendo.

O Jairzinho mostra que o seu pai, o Jair Rodrigues, fez o primeiro rap brasileiro. O Simoninha e o Max de Castro trazem de volta o suingue e o sambalanço do Wilson Simonal. Os tempos do conflito de gerações parecem ter ficado para trás. O Ultraje a Rigor cantava ali nos final dos anos 80 "meus dois pais me tratam muito bem... não vai dar, assim não vai dar / como é que eu vou crescer sem ter com quem me rebelar / não vai dar, assim não vai dar / pra eu amadurecer sem ter com quem me revoltar".

Não só esses filhos músicos estão em harmonia como resgatando, revalorizando e se construindo a partir de seus pais. E tem aquilo que não fica evidente, mas que, se parar para olhar, vai ver que tem um pai infiltrado onde ninguém percebia. Quem é o pai do Chico Buarque? O sociólogo Sérgio Buarque de Holanda. Pega o repertório do Chico e vai descobrir uma série de canções que são verdadeiros tratados sociológicos condensados: O Malandro, Construção, Geni e o Zepelim...

ricardo.silvestrin@zerohora.com.br

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Lya Luft
06/12/2003


Mais poesia

Sina

Quando eu era menina
a verdade estava nos livros:
ali moravam as respostas
e nasciam os nomes.

Quanto mais procurei
mais me enredei
entre as linhas:
as respostas não vinham
e a verdade era lenta.

Viver era mesmo sentir
aquela fome.

Paraíso perdido

Aberta ao mundo como um grande ouvido
- nada entre o buscado e o buscador -,
senta-se a criança no degrau de pedra
e olha.

Ela é inteiramente o que contempla:
não a flor, mas o espaço fora
das coisas. Nessa liberdade
sua pequena mão contorna desenhos
que nem a minha lucidez
alcança.

Não quero indagar se faz sentido,
nem a chamo para o cotidiano:
nada que eu lhe possa mostrar
vale o seu olhar
de agora.

lya.luft@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
06/12/2003


O asilo de leões

Recebo muitos e-mails de pessoas que denunciam, reclamam, protestam, atacam autoridades ou funcionários públicos, até mesmo empresas privadas.

São pessoas que se identificam, mas é tão grande a freqüência do mesmo pedido que me fazem que já sei que ele virá logo em seguida: solicitam que eu não publique seus nomes, temem represálias ou quaisquer outras inconveniências.

Não estou criticando essas pessoas, afinal o cronista sou eu e quem detém o ônus da natural insalubridade para abordar determinados assuntos é o jornalista.

Então eu decido se aceito ou não ser o testa-de-ferro dessas pessoas e me atiro à crítica solicitada - ou não me atiro. Mas o risco que não quis correr o meu leitor e se manteve no anonimato sou eu que corro. Entendo, é da função.

Um exemplozinho só, entre centenas, sobre isso. Ontem, abordei o tema dos leões que em São Leopoldo são alimentados por cavalos que desconfiei pudessem ser lançados vivos às feras.

Já veio a pronta resposta do prefeito de Novo Hamburgo: "Prezado Sant'Ana. Sou o criador de leões sobre o qual manifestaste espanto em tua coluna de ontem. Mas o termo é incorreto: não sou um criador de leões, apenas forneço abrigo e alimento para leões abandonados. Tenho um asilo para leões abandonados.

Começou há cerca de 15 anos, quando me propus, no Zoológico de Sapucaia, a abrigar um leão doente abandonado por um circo. Fui o único candidato em todo o país e levei o animal. De lá para cá, outros circos faliram, outros leões foram abandonados, as pessoas me ligavam pedindo para ficar com eles. E fui ficando. Chegaram a ser 11, hoje são oito, sendo que inclusive fui fiel depositário da Fepam de leões abandonados.

Eu os instalei onde estão hoje exatamente porque era um lugar ermo: só a minha chácara, nenhuma residência ou pessoa nas redondezas. Mas a civilização se expande, pessoas foram morar ao lado e agora se queixam dos leões, porque realmente é uma situação incomum e delicada.

Meu plano é transferi-los para outra chácara, em Lomba Grande, ainda mais distante da zona urbana. Mas não duvido de que, no futuro, a situação atual se repita.

A verdadeira questão é outra: temos uma superpopulação de leões, o negócio circo encolheu e deixou muitos leões (e outros animais exóticos) na dependência de quem possa ajudá-los. Eles estariam muito melhor na África.

Sobre sua alimentação: a Polícia Rodoviária me fornece animais atropelados e eu também adquiro carcaças de animais, que são usadas para alimentar os leões. Nunca um animal vivo é jogado para eles. Mas leões são carnívoros, não tenho outra opção a não ser carne animal para alimentá-los.

Espero que estes esclarecimentos diminuam teu espanto. Mas não o meu: a mesma mídia que agora se surpreende com os leões que abrigo já fez muitas e muitas reportagens sobre eles, sempre com a ótica do elogio porque alguém se preocupava com esses animais abandonados. De uma hora para outra tudo muda. Vá entender. Um abraço, (ass.) José Airton dos Santos".

Prefeito, agora está entendido. Eu me enganei, pensando que o senhor criava leões por diletantismo.

Mas se é para proteger os leões e dar a eles um ambiente melhor que o das jaulas exíguas dos circos e dos zoológicos, sou obrigado a parabenizá-lo.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Arte
As cores da Bienal se despedem



Inaugurada em outubro, a quarta edição da exposição já atraiu 1 milhão de pessoas, em Porto Alegre (foto Ricardo Chaves/ZH)


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Sexta-feira, Dezembro 05, 2003




MAGIA POETICA
Texto de Dorcila Garcia

Poetas são seres mágicos que criam sonhos, tecem fantasias, inventam histórias. Doam-se ao mundo sem reservas, numa ânsia apaixonada de compartilhar os sentimentos que lhes povoam a alma. São feito bichos-da-seda, que se entregam vorazmente a fazer a sua textura. Falam todas as línguas. Conversam com as estrelas, com as flores, com a chuva. Falam com o sol, com as árvores, com os pássaros. Comunicam-se com toda a natureza.

Sentem uma ansiedade contínua, que só se ameniza quando nasce um poema. Não qualquer poema. Aquele poema. O que lhes veio do mais profundo do seu ser. Que foi acarinhado, corrigido, enxugado, acrescentado. Aquele que fez o poeta atravessar noites sem dormir, rascunhando, amassando, lançando fora, resgatando. Que foi moldado como uma escultura, mãos em perfeita harmonia com as palavras, dedos encharcados do barro da inspiração.

Parecem carregar nos ombros todas as dores e alegrias do universo. Sentimentos que só conseguem extravasar através de seus escritos. Quando sofrem, a dor é tão grande que sua obra sai lapidada, cristalina, sem arestas. Se felizes, expressam suas palavras com tanta alegria que contagiam de felicidade o coração do leitor. Sua magia é tanta que podem, com o coração destroçado, escrever poemas de pura felicidade. Estar cheios de alegria e criar poesias de profunda tristeza.

Poetas são as cigarras da literatura. Poetar é a sua música. É essa melodia em letras que lhes aquece o espírito, que lhes dá alento para seguir em frente quando os ventos são contrários. Poetas vestem a realidade de fantasia para fazer o mundo sonhar. Aproximam amores, fortalecem amizades, eliminam rancores, conduzem à reflexão. São seres mágicos que, com sua luz, alcançam os mais obscuros cantos da alma.

Parabéns, poetas. Muito obrigada (o)!

Dorcila Garcia.

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MEUS SONHOS
Lêda Mello

Meus sonhos não morrem. São parte de mim.
Retalhos de vida, marcando um tempo.
Constelações que vislumbro
no dorso do cavalo alado da esperança,
percorrendo caminhos, idealizando um amor,
escutando, na alma, um acalanto de espera,
antecipando o futuro, com sabor de presente
que degusto, mansamente,
na ante-sala do gôzo das realizações plenas.

Meus sonhos não morrem. São fragmentos de alma.
São a brisa do mar refrescando o meu espírito,
a correnteza caudalosa que me impulsiona para a vida,
a relva macia em que repousa o meu cansaço.
Meus caminhos de ir, às vezes de chegar.

Meus sonhos não morrem. São sementes de vida.
Há os sonhos que germinam, florescem
e produzem os frutos que alimentam a minha história.
Abençoados sejam os sonhos que frutificam!
São os que irradiam para o universo
o sorriso e a alegria do colorido da vida.

Meus sonhos não morrem. São regaços que abrigam.
Há os sonhos que, apesar da fé e da persistência,
não conseguem eclodir para o real.
Nasceram para preencher lacunas de solidão,
adoçar com mel o amargor dos combates perdidos,
repousar o cansaço da alma inquieta.

Abençoados sejam os sonhos que não eclodem!
São anjos de candura que nos embalam
quando a aridez da vida
apresenta o seu cartão de visita.

Meus sonhos não morrem. Integram-se no universo.
Os sonhos não vividos,
liberto-os, para que abençoem outras vidas.
Um último afago, um pensar de saudades,
um brilho de lágrima, um aceno de adeus...
Voam para o infinito, nos braços da esperança
até se confundirem, suavemente,
com as últimas luzes de um pôr-de-sol.

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CINEMA
Justiça a qualquer preço
Clint Eastwood dirige o ótimo Sobre Meninos e Lobos, trama policial sobre vingança, com elenco afinado
Zean Bravo



Kevin Bacon é amigo de infância de Sean Penn: eles se reencontram quando o primeiro começa a investigar o assassinato da filha do segundo

Três meninos brincam num bairro classe média de Boston quando são abordados por supostos policiais. Depois de repreenderem o trio por escrever seus nomes no cimento fresco da calçada, os sujeitos levam um dos garotos, que só consegue fugir do cativeiro quatro dias depois. Corta. Passados 25 anos, os três, agora adultos, acabam por revelar que não superaram o episódio ao se reencontrarem por força do assassinato da filha de um deles.

Adaptação do romance do americano Dennis Lehane, Sobre Meninos e Lobos (Mystic River) discute os efeitos devastadores da violência e como ela anda banalizada nos tempos atuais. Ponto para o veterano Clint Eastwood, o diretor dessa empreitada, que fez um filmaço, com interpretações impecáveis dos seus atores.

Sean Penn (cada vez mais envelhecido) é Jimmy, o ex-presidiário e dono de uma mercearia, que perde a filha num assassinato. Além da primogênita morta, ele tem outras duas meninas, fruto do segundo casamento com a personagem de Laura Linney (que também está no elenco de Simplesmente Amor, outra estréia da semana). Sem acreditar na eficiência da polícia, ele corre por fora para desvendar o assassinato. Quer vingança, sem necessariamente esbarrar na justiça.

Kevin Bacon é o policial Sean, que reencontra os amigos de infância meio a contragosto. E Tim Robbins dá show como Dave, o garoto seqüestrado que se converteu em adulto atormentado. É ele quem acaba suspeito do crime, depois de chegar com um corte na barriga e sujo de sangue na mesma noite do crime. A princípio, a única que sabe disso é sua mulher (Marcia Gay Harden).

O fio condutor da trama, claro, é descoberta do responsável pela morte da adolescente. E Clint consegue criar um clima de tensão, em que uma nova tragédia se anuncia a todo momento. Sessão mais que recomendada.

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Histórias de amor
Comédia inglesa sobre romances em clima natalino, com Rodrigo Santoro no elenco, estréia hoje no Brasil
Rubia Mazzini



Hugh Grant, Billy Campbell e Martine McCutcheon(na capa), Liam Neeson e Thomas Sangster(acima): tramas paralelas

Em vez de contabilizar as falas de Rodrigo Santoro em Simplesmente Amor (Love Actually), a comédia romântica inglesa que estréia hoje e da qual o ator brasileiro participa, o melhor a se fazer no escuro do cinema é embarcar na deliciosa trama de Richard Curtis. A estréia do roteirista de Quatro Casamentos e Um Funeral e Um Lugar Chamado Notting Hill na direção é um prato cheio para corações sensíveis.

Ambientado em Londres, às vésperas do Natal, o longa-metragem utiliza como base a idéia de que o amor pode acontecer a qualquer momento, em qualquer lugar, com qualquer mortal. A partir daí, inspirado no estilo desenvolvido por Robert Altman em Short Cuts Cenas da Vida, Curtis apresenta uma colagem de nove histórias mais ou menos bem-sucedidas, que não tratam apenas do amor romântico. Há tramas envolvendo casais, mas também há outras envolvendo um cantor de rock que faz de tudo para emplacar um sucesso natalino ou um viúvo que tenta se relacionar com o enteado.

Nesse emaranhado de histórias, interpretadas por um elenco que inclui nomes como Emma Thompson, Liam Neeson e Colin Firth, quem se destaca é o ator-coringa de Curtis, Hugh Grant. Ele encarna uma versão solitária do primeiro-ministro britânico, que no primeiro dia de mandato se apaixona pela moça que serve o chá (Martine McCutcheon). Com o habitual charme e talento, o ator protagoniza seqüências divertidíssimas. Numa delas, arrisca uma dança hilária pela casa depois de se tornar o herói nacional por ter enfrentado o presidente norte-americano (numa versão debochada de Billy Bob Thornton) em uma entrevista.

Já Rodrigo Santoro, em sua primeira aparição numa produção estrangeira desde As Panteras Detonando, garante os suspiros da ala feminina mesmo com poucas cenas e uma história das mais desinteressantes. Santoro é Karl, arquiteto e alvo da paixão da colega de escritório Sarah (Laura Linney). Protagonista da historinha, Sarah é uma mulher com problemas familiares, que por isso não consegue se entregar a Karl.

O ritmo do romance pode ser morno, mas Laura e Santoro interpretam a cena mais quente (para os padrões britânicos) do filme, com o ator aparecendo só de cuequinha preta. Por mais que role desconforto (nesse tipo de cena), Laura me deixou à vontade. Rolou uma grande química entre a gente, diz o ator. Vale a pena conferir.



Rodrigo Santoro (Karl) e Laura Linney (Sarah) momentos antes da cena ¿quente¿ do filme: ele aparece de cueca



Lucia Moniz e Colin Firth: amor além da barreira da língua

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Arábia urgente! Lula faz quibe doce!


Buemba! Buemba! Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Continua o Quibetur. O Circuito Habib's do Lula! E diz que a viagem está sendo muito frutífera: começou por Damasco! Lula colhe o primeiro fruto da viagem: damasco! E já cometeu sua primeira gafe: ergueu um brinde num país muçulmano. Esqueceu que lá o Proálcool não emplacou!

E agora é sério: uma empresa de Ribeirão Preto assinou contrato para lançar uma usina de açúcar na Síria. Pra fazer o quê? Quibe doce! Lula faz quibe doce nas Arábias! Rarará! É mole? É mole, mas sobe.

E sabe por que o Lula tá sempre sorrindo? De tanto Smiles que ele já ganhou. E adorei a charge do Sandro: o Lula e o Palófi andando de camelo no deserto: "Olha, Palocci, um oásis". "Não é um oásis, é miragem." "Miragem?" "É, tipo assim, Fome Zero, saca?" Rarará! E, para quem gosta de chamar o Lula de messiânico, olha esta notícia: "Sírios associam visita de Lula a segunda chuva do ano em Damasco". O Lula faz chover! Lula-ALÁ!

E esta maluquice: o PFL defendendo baixar os impostos e o PT defendendo manter os 27,5% do IR. Qual é o nome do filme? TROCANDO AS BOLAS! Rarará! E um leitor muito revoltado mandou dizer que tem que trocar o nome do PT de Partido dos Trabalhadores por Partido dos Taxadores!

Michael Jackson ainda! Corre na internet uma charge hilária sobre o Maica Jéssica com o título: "Fugiu com o veículo da vítima". E aí aparece o Jackson fugindo da polícia de patinete. E posso fazer uma pergunta imbecil? Será que o Michael Jackson vai pra estréia do filme "Meninos Pelados"? Rarará! E diz que o Michael Jackson se arrependeu e virou padre. Em Boston. Continua a sacranagem!

Antitucanês Reloaded, a Missão! Continuo com a minha cruzada patriótica Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que em Campo Grande tem uma loja de calcinhas chamada Porta Jóia. E, em Itabaina, Sergipe, tem uma clínica de nefrologia chamada Pedra no Rim. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Síria": mulher do companheiro Pelé! "Kebab": companheiro árabe bebum. Ou melhor, COMBANHEIRO! Rarará! O lulês e mais fácil que o turquês. Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje, só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. E quem não tiver colírio alucinógeno pode pingar Ajax com Diabo Verde que dá no mesmo!

simao@uol.com.br

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David Coimbra
05/12/2003


A escrava

Trata-se de um simples atestado. Documento oficial de uma única frase e poucas linhas de extensão. Mas que reúne carga emotiva raras vezes encontrada na mais imaginosa literatura. O certificado foi escrito no estilo da sua época, o século retrasado, e registrado em 1869, em Campinas:

"Digo eu, Isidoro Gurgel Mascarenhas, que entre os mais bens que possuo sou senhor e possuidor de uma escrava de nome Ana recebida na herança de meu pai, Lucio Gurgel Mascarenhas, e como a referida escrava é minha mãe, verificando-se a minha maioridade hoje, pelo casamento de ontem, por isso achando-me com direito, concedo à referida minha mãe plena liberdade, a qual concedo de todo o meu coração".

Deparei com o texto num dos livros que tenho lido ultimamente a respeito do século 19, para uma história que venho escrevendo. Li e reli e reli e reli, não canso de reler. "Concedo à referida minha mãe plena liberdade, a qual concedo de todo o meu coração". Quanta angústia, quanto alívio e quanto amor nessa curta frase.

O drama de Isidoro se afigurava muito comum, no Brasil oitocentista. Sua mãe, Ana, era escrava. Manteve relações com o senhor, o tal Lucio. Delas resultou o filho, que, ao nascer, ganhou a liberdade. A mãe, porém, continuou cativa. Para sorte de Isidoro, seu pai não possuía filhos legítimos. Assim, ao morrer, Lucio lhe legou todo o seu patrimônio, inclusive os escravos. Mas Isidoro era uma criança, não podia dispor dos bens. Continuou, então, até a maioridade, vendo a mãe na condição de escrava. Sua escrava. Sua propriedade.

Casos como o de Isidoro Gurgel Mascarenhas sobejam, no Brasil. Fomos, para nossa eterna vergonha, o último país do planeta a abolir a escravatura. Hoje, assistindo ao debate a respeito da decretação ou não de feriado no Dia da Consciência Negra, lembro de tais tragédias. Não tenho certeza se a data deve ou não ser marcada por um feriado, mas estou certo que, de todas as nossas malcontadas histórias, essa é a mais mal contada.

O professor Décio Freitas afirma que a maior parte de nossas mazelas vem dessa tão longeva escravatura. Vem, claro que vem. Os brasileiros ainda não conhecemos a densidade do que ocorreu com os negros nesse país tropical durante quase 400 anos. A ferida do escravagismo precisa ser revolvida, no Brasil. Precisa doer, que não nos tem doído.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
05/12/2003


O abate dos cavalos

Eu não posso acreditar no que leio: em um terreno urbano de São Leopoldo são criados oito leões.

Mas qual é a finalidade de alguém manter vivos em um quintal adjacente a uma vila popular oito leões?

Como é que o Ibama permite? E leio mais: que os leões são alimentados com carne de cavalos, que são abatidos para atender à demanda das feras.

A vizinhança se revolta com o fedor que se exala das carcaças dos cavalos devorados.

Não foi esclarecida a forma de abate dos cavalos. Cogito de que eles possam ser entregues vivos aos leões.

Ou será que os cavalos são mortos com pancadas de marreta nas cabeças? Ou com tiros nos ouvidos.

Como são mortos os cavalos que servem de pasto a oito leões em São Leopoldo, não sei por que isso me intriga.

E começo a fazer contas. Será que são necessários dois cavalos por dia para alimentar os leões?

Seriam 60 cavalos por mês, 720 cavalos por ano. Se os leões forem alimentados nos próximos 20 anos, teremos aí um grande desfalque no rebanho eqüino gaúcho em duas décadas.

Os tradicionalistas não vão protestar?

Pode alguém explicar o que leva uma pessoa a criar oito leões em uma chácara de São Leopoldo?

Esta não dá para entender.

Tempos duros estes sem mudanças. No Congresso, as atitudes dos parlamentares chegam a ser cômicas.

Durante anos os tucanos e pefelistas apoiaram no governo FH o congelamento da tabela do imposto de renda, que não permite a correção dos descontos pela inflação, desfavorecendo brutalmente os contribuintes.

Pois esta semana tucanos e pefelistas insistiam aos brados no plenário da Câmara para que fosse descongelada a tabela.

Enquanto isso, os petistas, que sempre foram contra o congelamento da tabela, votaram a favor do congelamento.

Uma troca simples de papéis que desanima completamente os brasileiros. É de dar risadas que quem antes governava com mão de ferro tributária contra a classe média, agora queira defendê-la.

E quem antes a defendia, agora a deixe desamparada.

E os políticos fazem isso sem o menor constrangimento, de tal sorte se instalou no país o que se pode chamar de impunidade eleitoral.

Não há diferença entre governo nenhum, quem assume o poder crava os dentes nos contribuintes com cada vez maior carga de impostos.

Quando os idosos são desfeiteados por toda a parte, é muito boa a idéia do Comando do Policiamento da Capital de acompanhar as pessoas da terceira idade em suas compras, idas a banco, passeios etc.

Os idosos serão acompanhados por voluntários selecionados entre estudantes e integrantes do Colégio Tiradentes, Associação Cristã de Moços, União dos Escoteiros do Brasil e Colégio Militar.

O secretário da Segurança, José Otávio Germano, se entusiasma com a iniciativa que visa a diminuir as ocorrências policiais que vitimam os idosos, dedicando-lhes mais carinho e atenção nesta época de Natal.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Clima
Enchentes na França



Inundações como em Arles deixaram 15 mil flagelados e seis mortos (foto Jean Paul Pelissier, Reuters/ZH)


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Quinta-feira, Dezembro 04, 2003




A festa no frio
O Salão da cidade do motor, Detroit, celebra a retomada e vendas de mais de 17 milhões de carros no mercado dos EUA em 2002



O modelo 2004 da tradicional picape foi apresentado em Detroit,totalmente redesenhado, e com um poderoso motor Triton V8 de 5,4 litros. A Ford disponibilizou cinco configurações diferentes para o interior, chegando a uma requintada cabine com bancos forrados de couro e assoalho de cromo

Um evento para celebrar os milhões. O North American International Auto Show, ou Salão de Detroit, começa no sábado mostrando que atentados são incapazes de abalar a paixão desse povo pelo automóvel. Enquanto no Brasil a indústria sua para atingir os 1,5 milhão de unidades, por aqui eles comemoram a marca de 17,1 milhões de veículos fabricados em 2002, com modelos e conceitos que esbanjam tecnologia.



A Picape conceito GM Cheyenne GM antecipa as tendências e mistura estilização robusta com variabilidade e versatilidade. O motor é um V8 Supercharged 6000 de 6,0 litros e 500 cv de potência. Entra em linha nos próximos dois anos

Bons resultados à parte, a Ford é a empresa com mais motivos para celebrar. Em 16 de julho, completa 100 anos e, para marcar a data, apresenta um arsenal de 15 novos modelos. Nas palavras de Bill Ford, esses lançamentos devem confirmar a importância histórica da empresa.



O Buick Centieme pretende transformar a marca numa lançadora de Station Wagons e Minivans. Sob o estilo familiar, esconde-se um poderoso motor V6 de 3,6 litros com turbo compressor duplo. O bicho despeja 400 cv de potência

Como nos anos anteriores, a principal atração da Ford em Detroit é um resgate das glórias do passado. Depois do Thunderbird e do GT 40, chegou a vez do não menos lendário Mustang (capa) ganhar novas linhas e tecnologias para arrebentar no mercado americano a partir de 2004. Apresentadas ainda como conceito, as versões cupê fastback e conversível de dois lugares são equipadas com motor V8 de 4,6 litros com 400 cv de potência. O design externo é inspirado nos primeiros modelos Mustang. O cupê remete aos fastbacks de 1967 e 1968, enquanto o conversível lembra os toques dos primeiros Shelby Mustangs, especialmente em sua ¿barra show¿ e lanternas traseiras.



A Aston Martin abusou do requinte para conceber o Vantage V8. Elaborado pelo ex-chefe de design da BMW, Henrik Fisker, chega ao mercado em 2005. Este cupê de dois lugares vem equipado com motor V8 de 4,3 litros

Outros modelos Ford que merecem destaque no Salão de Detroit são o sedã 427, com toques retrô e 590 cv de potência, o Modelo U, com design original, motor a hidrogênio e a pretensão de representar para o século XXI o que o Modelo T representou para o século XX. Em termos de produção, Detroit exibe a remodelada picape F-150, entre todos, o veículo mais vendido por estas bandas, com motor V8 de 5,4 litros.



O Conceito Activity indica as tendências da série X para os próximos anos. Equipado com motor de 3,0 litros com seis cilindros em linha, atinge 231 cv de potência. De mais interessante, vale destacar a ausência das colunas B e C

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A batata vai assar
Depois de descobrir traição e mentira de Laura, Renato começa a levantar a ficha da moça, em Celebridade
Marcelle Carvalho

Se Laura (Cláudia Abreu) se considera esperta, Renato (Fábio Assunção) está a uma cabeça à frente dela. Depois de ter visto a moça com Bruno (Sérgio Menezes), ele ainda vai pegar Laura aos beijos dentro do carro com Marcos (Márcio Garcia), no capítulo previsto para hoje em Celebridade. A punhalada que o editor da revista Fama sente vai transformar seu amor em ódio e ele vai passar a persegui-la, nem que seja no inferno. Essa coisa investigativa do Renato é forçada pelo ódio que começa a sentir por Laura. E a cada descoberta ele tem uma surpresa, diz Fábio.

Joel (André Barros), fiel escudeiro de Renato, é que se incumbe de levantar a vida da moça. Ele aborda Hercília (Norma Blum) depois de vê-la conversando com Laura, mas a avó da moça finge não entender. Depois ele investe em Ernesto (Roberto Pirilo), alegando que está a fim de Laura. Ao mesmo tempo, Renato encontra-se com Ana Paula, dá uma bajulada básica na deslumbrada irmã de Maria Clara (Malu Mader) e ela deixa escapar que Laura é namorada do motorista. Para completar, Joel descobre que Marcos mora com Ernesto, é o namorado de Laura e ainda sai com Iara (Sheron Menezes), empregada de Maria Clara.

Mas Laura já percebe que tem algo estranho no ar. Primeiro porque Renato diz a ela que está receoso quanto ao noivado. Depois, durante um jantar, Laura sente que Renato descobriu alguma coisa. Tanto que ela confessa a Marcos que está amedrontada. Ao mesmo tempo, Marcos conta que ouviu Joel perguntar a Ernesto sobre ela.

O cerco começa a apertar. E Laura tem mesmo que colocar as barbas de molho. Logo a dupla de investigadores descobre que Hercília mentiu para Joel, pois é avó de Laura. O repórter revista o quarto de Hercília e encontra a certidão de nascimento e o boletim escolar de Laura. Com tantas revelações, Renato fica intrigado em saber o que ela pretende. Não foi só a traição, ela mentiu também. Renato quer descobrir quem é essa mulher e por que ela faz tudo isso. Ele fica meio obcecado, conta Fábio.

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O Rei faz saber
Ao contrário das últimas entrevistas, em que só falava de Maria Rita, Roberto Carlos aproveitou o lançamento de seu novo disco para opinar sobre política, religião e violência
Eusébio Galvão

O Rei Roberto Carlos deu um chá de cadeira de quase duas horas em quem esperava por sua entrevista coletiva. No Caesar Park, ele falaria do novo CD, Pra Sempre, que chega amanhã às lojas do País. Chegou com um blusão azul claro, posou com paciência para os fotógrafos e então pôs-se a responder às perguntas. E não deixou nada sem resposta. Roberto Carlos falou do disco novo, de Maria Rita, cinema, pirataria, religião, show, pena de morte, Lula e até sobre o uso de camisinha. O Rei falou para quem quisesse ouvir.

Perdoem a demora, mas não sei administrar o tempo, desculpou-se, de cara. Pelo menos ele foi bacana com a gravadora Sony, como disse o vice-presidente de marketing da companhia, Alexandre Schiavo, antes da entrevista. Estamos muito felizes que ele tenha entregue o disco com antecedência, confessou.

Como não poderia deixar de ser, Maria Rita mereceu de Roberto Carlos palavras ternas. Tenho que seguir meu caminho, continuar a fazer as coisas da melhor forma. Mas a tristeza e a saudade ainda existem, disse, antes de uma pausa-engasgo emocionada. Cada verso que completei deste disco, chorei muito.

O disco Pra Sempre não tem músicas que tratem de religião. Não tem mensagem religiosa. Mas acho que o disco todo é uma grande mensagem de amor, que é, para mim, a coisa mais importante que existe.Roberto explica que, hoje em dia, tem uma visão mais realista em relação à vida e às coisas possíveis, mas garante que a fé continua. Ela não remove montanhas, mas te dá força para subir ou dar a volta. Força para encarar as coisas. A fé alivia os sofrimentos, as dores, acredita.

Dessa vez, Roberto Carlos se mostrou atento ao Brasil. Não dá para dizer muita coisa do governo Lula. Nenhum governo pode ser analisado antes de dois anos, acredita. Sobre pirataria, foi mais incisivo: É lamentável, né, bicho? No Brasil, vende-se CD pirata na cara de todo mundo. Existem quase lojas nas ruas. Já que o assunto é crime, o Rei diz também o que acha de pena de morte e redução de maioridade penal. De pena de morte, não sou a favor. Mas redução da maioridade penal, sim. Temos visto coisas absurdas por aí. Já a pena de morte envolve questões mais delicadas, ponderou.

Ainda sintonizado com assuntos bastante atuais, Roberto Carlos não se furtou a responder o que ele, tão ligado à Igreja Católica, pensa do uso de camisinhas. Com todo respeito que tenho à Igreja, sou favorável ao uso. Devemos levar isso muito a sério, posiciona-se.

A disponibilidade e simpatia com que respondeu a todos, segundo Roberto, ainda camufla algumas coisas. Sempre fui muito bem-humorado, mesmo na tristeza. Isso disfarça o que vai dentro de mim. Gosto de fazer esse esforço. Mas o tempo não vai mudar nada, disse, sobre o amor pela mulher. Que é pra sempre.

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Buemba! Lula na Arábia e a gente camelando!


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Desaforo! O Lula vai pro Oriente e a gente fica camelando! O Lula vai pra Arábia e a gente leva quibe! Lula e a Esfirra Voadora. Circuito Habib's! Quibetur! E diz que o Lula foi conhecer o deserto e se espantou: "Marisa, que praia mais besta, não tem nem mar". E o Lula fazendo negócio com os árabes: quem perde? O governo!

E diz que o Palófi desistiu da viagem na última hora. Já sei, o Palófi desertou. Não quis ir pro deserto. Rarará! E como me disse o dono da banca sobre a viagem do Lula ao Oriente: onde o FHC não foi, o Lula foi! Preenchendo as lacunas anteriores! Lulinhas Aéreas! Te levando a lugares onde nem o FHC foi! Rarará! Mas tomara que o Lula traga bastante massari. Que em árabe quer dizer GRANA! Petrograna!

BAGURANÇA PÚBLICA URGENTE! Deviam mudar o nome daquele presídio de Bangu pra Angu. ANGU QUENTE! E sabe por que o presídio é de segurança máxima? Porque nem a polícia entra! Isso é que é segurança! E a gente não sabe mais se o Cristo Redentor tá de braços abertos ou de mãos para o alto! E diz que cortaram a água e a luz do presídio. Grande coisa. Metade das casas já estão com a água e a luz cortadas. Rarará!

E aqui em Sampa não tem chovido, mas em compensação o que tem de sequestro relâmpago! E corre na internet que o secretário de segurança de SP é o clone do Al Sarrafo, o ministro da informação do Iraque. Bagdá cercada pelos americanos e o Al Sarrafo dizendo: "Venceremos, jogaremos os malditos infiéis para queimarem no mármore do inferno".

Igual ao secretário da Bagurança: "Estamos ganhando", "Vamos botar todo o PCC na cadeia", "Prenderemos todos". E aí bases da PM voltam a ser atacadas. E um leitor me disse que "quando um soldado americano morre no Iraque o mundo inteiro fica sabendo; aqui em Vitória só nesse final de semana foram assassinadas 29 pessoas e nem o Brasil ficou sabendo".

Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha cruzada patriótica Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que tem um time de veteranos em São Carlos chamado Os Mortáveis. E no interior do Sergipe tem o Bar do Heleno Safado! Rarará! Mais direto impossível! Viva o antitucanês! Viva o Brasil!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Dromedário": lugar em hospital árabe onde eles deixam as crianças drumindo. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Vou pingar o meu colírio alucinógeno!

simao@uol.com.br

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Artigo
Escândalo dos lucros estatais
MÍLTON DOS SANTOS MARTINS/ Desembargador aposentado

A imprensa acaba de noticiar agora o maior lucro da história da Caixa Econômica Federal, mais de R$ 1 bilhão, soando como grande feito. Dias atrás, já se publicara como proeza econômico-financeira "lucro" de bilhões de uma estatal do petróleo e isso em um trimestre. Seguido vemos na imprensa notícias sobre "lucros" volumosos de estatais, bancos como o do Brasil e o do Rio Grande do Sul, como o da CEF.

Devo ter visto também, como notícia menor, alguns bilhões de "auxílio" do governo federal a fundos previdenciários dos servidores da estatal do petróleo e do Banco do Brasil. Ainda foram notícias seguidas perdas de plataformas marítimas, bem como "derrames" de petróleo, poluindo a natureza, daí por que a estatal é "condenada" a pagar "multa", o que não abala os permanentes "lucros". Resumindo, para tudo isso e muito mais, a minha primeira dificuldade é encontrar as palavras politicamente corretas, daí por que muitas aparecem com aspas, ferindo a verdade.

Na economia privada, a receita ilimitada determina a despesa. Advertia, entretanto, o velho mestre Dídimo da Veiga, na década dos anos 20 do século passado, que, na economia do Estado, ao contrário, a despesa é que regula a receita, isto é, verificam-se as despesas necessárias para cumprimento dos deveres do Estado e/ou da estatal, para então adequar-se a receita.

É tanto inconcebível, assim, a estatal com prejuízo dilapidador de suas funções quanto o superávit além do necessário ao atendimento das finalidades e seu desenvolvimento tecnológico ou investimento. Delfim Netto, sobre planejamento, acrescentou que, qualquer que seja o sistema econômico, só é importante para o crescimento nacional o nível do excedente econômico que a comunidade se dispõe ou é obrigada a realizar, bem assim a aplicação desse excedente para aumento da capacidade produtiva. Não mais que isso.

Ora, se tomarmos o exemplo da estatal do petróleo, como dos bancos, onde não se diz que seus trabalhadores sejam mal pagos, a mais-valia incorporada ao produto não é do Estado que eleva extraordinariamente os "preços" e "lucros", mas um "plus" da mais-valia, fazendo pura especulação sem base econômico-financeira e muito menos moral.

Assim, além de reduzirem custos, evitando desperdícios e desatenção permanente, os resultados positivos das estatais não poderiam ir além do imprescindível investimento. Todo e qualquer outro rendimento superavitário deveria reverter imediatamente, antes dos balanços, para os consumidores, o povo que paga e mantém o Estado. E a CEF não deveria ser eminentemente social?

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Nilson Souza
04/12/2003


Mundo sépia

Meu brinquedinho favorito nas últimas semanas tem sido ressuscitar fantasmas. Me explico: descobri na casa paterna uma coleção de negativos de fotografias, tamanho 6x9, verdadeiras relíquias produzidas lá pelas décadas de 40 e 50. Com o auxílio de um scanner, que vem a ser uma espécie de xerox da era digital, consegui jogar as imagens cinqüentenárias na tela do computador e passei a receber, no meu gabinete de trabalho, inesperados visitantes do passado.

Muitos desses personagens são da minha própria família: avós com os quais convivi pouco, tios que sequer conheci, meus pais quando jovens e um séquito de parentes completamente estranhos aos meus olhos de menino. Eu mesmo, menino de calções largos e camiseta de física, pareço estranho neste mundo habitado pelas caricaturas do que fomos. Ainda assim, com freqüência aceito o convite mudo daqueles vultos de outros tempos para visitar as paisagens sépia por onde transitaram com seus pesadelos e sonhos.

Fotografias antigas sempre emocionam, mesmo quando não temos envolvimento direto com elas. É fascinante constatar que um dia o mundo foi diferente do que é hoje, que as pessoas se vestiam de outra maneira, que ruas e praças conhecidas tinham outro traçado ou sequer existiam. Minha cidade já teve bondes e cheguei a andar pendurado nos seus estribos enquanto o cobrador contava passageiros com uma barulhenta manivela. As imagens pretéritas me revelam veículos quase pré-históricos, muitas carroças (o que, em Porto Alegre, não mudou muito), um ônibus sem a lataria lateral e modelos de automóveis só encontráveis em museus de antigüidades.

Mas o que mais impressiona é a expressão das pessoas, congeladas e arregaladas diante do aparelho fotográfico que as transportaria para o futuro. Chamo-as, carinhosamente e com muito respeito, de fantasmas. Mas me dou conta de que elas também parecem espantadas, como se estivessem vendo alguma coisa extraordinária do outro lado da lente que as retratou para a posteridade.

Talvez, naquele breve e mágico instante, nos tenham vislumbrado como as assombrações futuristas que um dia as trariam de volta ao mundo pelo juízo final da tecnologia.

Para os habitantes das fotos antigas, os fantasmas somos nós.

nilson.souza@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
04/12/2003


Constituições implícitas

Deve-se escrever sempre pensando no Leitor Mais Atento. É ele que nos protege de nós mesmos e nos faz resistir à preguiça de confirmar dados e datas, e tentar evitar distrações e desinformações. Há dias escrevi que a Inglaterra era um exemplo de monarquia constitucional e pimba, o Leitor Mais Atento se manifestou. A Inglaterra não é uma monarquia constitucional. A Inglaterra não tem uma Constituição. Eu queria dizer monarquia parlamentar, LMA, mas não errei por completo.

Constituições escritas são luxos de países novos (do século 18 pra cá), que não tinham o acúmulo de leis, instituições, estatutos e praxes sacramentadas pelo tempo que tinha a Inglaterra e que pode ser chamado (e é, na Columbia Encyclopedia pelo menos) de Constituição implícita. Nota: jamais argumente com um LMA sem o apoio de uma enciclopédia ou coisa mais pesada.

Constituições implícitas, modificadas por atos simples do parlamento ou por simples decisão judicial, são mais flexíveis do que Constituições escritas como a americana, que são emendáveis mas rígidas nos seus concisos fundamentos - a não ser no caso da Constituição brasileira, que é pseudo-americana na sua pseudo-rigidez e quase uma abstração inglesa na sua flexibilidade de acordo com a conveniência. Já se disse que a brasileira é a única Constituição do mundo que sai em fascículos. Depois das revelações do ministro Jobim sobre as leis que entraram na nossa Carta Maior por baixo da lona como moleques no circo, podemos dizer que superamos os ingleses na informalidade constitucional.

Na nossa também entram e são sacramentadas, além dos costumes do dia, as boas intenções, aprovadas ou não. E de que outra Constituição séria do mundo se diria, como disseram da brasileira de 1988, que em 15 anos ela "envelheceu"? Deve ser a danação dos trópicos, onde tudo apodrece mais rápido.

Não há nada na Constituição informal inglesa, imagino, que proíba um príncipe de dormir com seus valetes. O que não impede que só tenham tocado no assunto com eufemismos, até hoje. Agora se sabe que quando a imprensa inglesa quis dar uma idéia dos gastos excessivos com a família real, há alguns anos, e disse que Charles tinha um empregado só para apertar seu tubo de pasta de dente, era linguagem figurada!

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Paulo Sant'ana
04/12/2003


A sílfide negra

A porto-alegrense Daiane dos Santos, com 20 anos de idade, está embasbacando o mundo com seu desempenho na ginástica olímpica.

Ganhou a medalha de ouro no Mundial este ano, tendo repetido o feito na Copa do Mundo, etapa alemã, em Stuttgart, no fim de semana passado.

É a grande estrela emergente do atletismo mundial, sendo simplesmente milagroso que ela tenha sido forjada de forma empírica depois de descoberta numa praça de esportes pública de Porto Alegre, tendo começado tarde demais sua carreira surpreendente.

Chega a ser inacreditável que Daiane possa ter sido extraída da ginástica brasileira sem tradição, um diamante de rara beleza e extraordinário valor, encontrado por acaso na bateia de um rio onde aparentemente só eram achadas pedras de reduzido valor, no anônimo e desimportante meio arrabaldino porto-alegrense.

Pois agora Daiane estatelou o mundo com o novo salto criado pelo seu treinador, Oleg Ostapenko, o ucraniano que treina a seleção brasileira em Curitiba.

O duplo twist esticado que Daiane apresentou em Stuttgart na semana passada deslumbrou os europeus e os norte-americanos, deixando-os pasmados, incapazes de acreditar que uma ginasta negra, plasmada nas cercanias de pobreza de uma capital de província do Brasil subdesenvolvido, tenha sido capaz de proeza tão encantadora.

O duplo twist esticado se diferencia na ginástica olímpica de solo do duplo twist escarpado, o tradicional salto das ginastas de todo o mundo desenvolvido, por um detalhe estonteante: nele a ginasta fica com as pernas esticadas durante os dois saltos mortais executados, enquanto que no outro salto ortodoxo as pernas se mostram dobradas.

O twist esticado em que Daiane divinamente se catapulta para o ar se apresenta aos espectadores com extraordinária beleza, um hino de estética e plasticidade que revoluciona a ginástica mundial.

O impressionante é que Daiane conseguiu com êxito este seu salto arrebatador depois de tê-lo treinado poucas vezes.

Foi temerário que ela o tentasse na prova decisiva da Copa do Mundo da semana passada, quando o treinador lhe perguntou timidamente se queria fazê-lo - e a prodigiosa gaúcha, mesmo sabendo que seria um risco a manobra, resolveu encará-lo.

O resultado foi fantástico. Como uma sílfide negra de rara graça, seu corpinho delicado foi desenvolvendo as voltas de espantosa harmonia pelo ar, até a retumbante e vitoriosa chegada ao solo, arrancando aplausos da incrédula platéia e de milhões de espectadores em todo o mundo.

Daiane ensaia se juntar a Pelé e a Ayrton Senna na tríade máxima do esporte brasileiro em todos os tempos. A expectativa de sua atuação nas Olimpíadas de Atenas no ano que vem começa a ficar ao mesmo tempo nervosa e empolgante.

Este novo gênio do ar, esta Ícaro moderna forjada num chalé modesto aqui do vizinho bairro da Medianeira em Porto Alegre, acolhida generosamente pelo Grêmio Náutico União, de sorriso e simplicidade marcantes, assombra o mundo e ao mesmo tempo enche de orgulho e ufania a nós, porto-alegrenses, gaúchos e brasileiros.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Confronto em São Gabriel



PMs e produtores rurais se enfrentaram durante episódio que culminou com prisão do prefeito da cidade (foto Ronaldo Bernardi/ZH)


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Quarta-feira, Dezembro 03, 2003




Camisetinhas de verão

Se mesmo assim, depois que você ler umas três vezes não achar legal, aperte no link e ouça a música mid que tem lá e veja a imagens. Que os anjinhos cuidem de você.

Veste,
Diz a prevenção

Despe,
Diz o tesão.

E na confusão
O modelo de verão
Grita uma moda necessária

De plástico,
Embora não plástica

Transparente,
Embora eu não agüente

E rasgue a dente
Toda ética precavida dos novos tempos.

O amor virou roleta russa
E seus objetos, uma taça:

Qual conterá veneno?
Qual tão bem disfarça?

Por amor à vida
Sigo o aviso

E perco o sentido da penetração.

Difícil colorido
Onde estão todos nus

E só ela:

A arma,
A espada,
A preferida

Só ela, meu Deus,
Tá vestida!

Elisa Lucinda

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REPAREI QUE A POERIA SE MISTURAVA AS NUVENS

Reparei que a poeira se misturava às nuvens,
e, sem pôr o ouvido na terra,
senti a pressa dos que chegavam.

Disse-me de repente: "Eis que o tropel avança".

Mas todos me olhavam como surdos,
e deixavam-me sem responder nada.

Vi as nuvens tornarem-se vermelhas
e repeti: "Eis que os incêndios se aproximam".
(Mas não havia mais interlocutores.)

"Eles vêm, eles não podem deixar de vir",
balbuciei para a solidão, para o ermo.

E já por detrás dos montes subiam chamas altas;
ou eram estandartes ou eram labaredas.

Perguntei: "Que me vale ter casa, parentes, vida?

Sou a terra que estremece? Ou a multidão que avança?
Ó solidão minha, ó limites da criatura!

Meu nome está em mim? No passado ou no futuro?

Ninguém responde.
E o fogo avança para meu pequeno enigma".

Apenas um anjo negro entreabriu seus lábios,
verdadeiramente, como um botão de rosa.
"Death".

DEATH?
Por que me falas nesse idioma?, perguntei-lhe, sonhando.

Em qualquer língua se entende essa palavra.
Sem qualquer língua.

O sangue sabe-o.
Uma inteligência esparsa aprende
esse convite inadiável.

Búzios somos, moendo a vida
inteira essa música incessante.
Morte, morte.

Levamos toda a vida morrendo em surdina.
No trabalho, no amor, acordados, em sonho.

A vida é a vigilância da morte,
até que seu fogo veemente nos consuma
sem a consumir.

Cecília Meireles

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Caixa negocia crédito
Estudantes serão recebidos nas agências somente a partir do dia 22 para rever os valores dos contratos

Maria Luisa Barros

A partir do dia 22, as agências da Caixa Econômica Federal começam a receber ex-estudantes do antigo Crédito Educativo (Creduc) para quitar suas dívidas, com descontos de até 80%. A Medida Provisória 141, que autoriza a instituição a negociar os débitos, foi assinada na segunda-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme antecipado pelo DIA, no sábado.

O Creduc tem hoje 199.562 contratos, no valor de R$ 1,7 bilhão. Do total, 163.865 estão inadimplentes. A dívida chega a R$ 997 milhões. A previsão é arrecadar R$ 300 milhões.

Os descontos, segundo a Caixa, serão oferecidos tanto para os que estão com as prestações em dia quanto para os que deixaram de pagar. As condições serão as mesmas para os profissionais que têm contratos assinados com o Ministério da Educação (MEC) e com a Caixa, que detém 84% dos financiamentos. O benefício não será estendido aos estudantes que têm bolsa pelo Fies, atual programa de financiamento estudantil.

A Caixa informou que não haverá regra única para todos os contratos. Cada financiamento será analisado em separado, levando em conta vários critérios, como prazo do contrato, tempo de inadimplência, perfil do tomador, taxa de juros originalmente aplicada, valor da dívida e outros.

Entre os estudantes, a notícia foi bem recebida. A maioria deixou de pagar porque as taxas de juros subiram de forma exorbitante. Com os descontos, eles terão condições de resolver o problema, disse Roque Coimbra, diretor da União Estadual dos Estudantes do Rio (UEE-RJ).

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Cerimônia da dor
Ana Paula Arósio grava cenas dramáticas do casamento de sua personagem na minissérie Um Só Coração
Ana Lúcia do Vale

Ana Paula Arósio já não consegue nem contabilizar quantas cenas de casamento protagonizou na televisão. Mas a que gravou esta semana nos estúdios do Projac não tinha clima de festa. Pelo contrário. Protagonista da minissérie Um Só Coração, que estréia em janeiro em homenagem aos 450 anos da cidade de São Paulo, Ana Paula faz Yolanda Penteado, uma jovem da alta sociedade dos anos 20, que se vê obrigada a se casar com primo depois de viver um amor proibido. O casamento é o enterro dela. Mas ela vai lutar para ser feliz. Tem que ser feliz de qualquer maneira, acredita Ana.

A minissérie, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, será dividida em 52 capítulos, e estréia dia 6 de janeiro, o mesmo dia de aniversário de Yolanda Penteado, morta em 1983, aos 80 anos. É uma honra poder fazer um personagem tão querido para a minha cidade. Na verdade, é um presente para a cidade, aposta Ana Paula.

A história da trama vai de 1922 a 1954, mostrando a evolução cultural da cidade incluída aí a Semana de Arte Moderna e misturando personagens fictícios a históricos, como os irmãos Oswald (José Rubens Chachá) e Mário de Andrade (Pascoal da Conceição) e até Santos Dumont (Cássio Scapin).

Na cena, que vai ao ar no capítulo seis, Yolanda se casa com o primo Fernão (Herson Capri), depois que sua família rejeita o namoro com Martim (Erik Marmo), estudante de Medicina que é simpatizante do movimento anarquista. Pouco antes da cerimônia, Martim tenta invadir a casa. Mas o Coronel Totonho, um barão do café participação especial de Tarcísio Meira , avisa ao noivo. Totonho é um personagem em cujas veias circula um café forte e amargo, sem açúcar ou adoçante, que não deixa ninguém dormir.

É um dos últimos representantes da aristocracia rural de São Paulo¿, conta Tarcísio, sobre o personagem fictício que se suicida depois da quebra da bolsa em 1929. Outro duro de engolir será Rodolfo, o filho mais velho do Coronel Totonho vivido por Marcello Antony. Ele se afunda na lama depois que o pai se mata. É quase um doente, conta Antony.

Orfã de pai, Yolanda é profundamente influenciada por sua mãe, Guiomar feita por Cássia Kiss, que exibia sua barriga de 5 meses de gravidez. Além de Yolanda, Guiomar é mãe de Juvenal (Cássio Gabus Mendes), Jayme (Cláudio Fontana) e Guiomarita (Gabriela Hess). A minissérie também estréia no dia de aniversário de Cássia, que vai completar 46 anos. Estou com filhos bem mais velhos nessa minissérie. Mas a Ana Paula um dia também vai fazer a vovó, brincou Cássia. E complementa: Vou fazer uma velhinha grávida, o que é inédito na história da tevê.

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Buemba! Chegou o Merreca Christmas!


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Duas frases que abalaram o dia: "Eu fumo maconha, mas não trago. Quem traz é um amigo meu". E "O homem que diz que todas as mulheres dão em cima dele mora no porão do motel". E essa é direto do país da piada pronta: "Playboy" comemora 50 anos investindo no mercado DIGITAL! A "Playboy" sempre foi digital! "Playboy" com impressão digital! Rarará!

E avisa pro Palófi que neste ano vai acontecer o Natal do Peru Esquálido. Tanto que um amigo meu que tem loja no shopping trocou o Merry Christmas pelo MERRECA CHRISTMAS. E ainda lançou a Promoção Perua de Natal: "Compre o CD pirata da Hebe e ganhe uma Vuitton falsificada". Rarará! E ele tá tão duro que só conseguiu contratar um Papai Noel magro, fumante e com a cara do Serra. E a situação tá tão braba que olha a promoção do HiperBom Preço: peru de Natal em três vezes sem entrada. O quê? Peru sem entrada? Não dá pra comemorar. Rarará!

E o Lula na Esfirra Voadora? Se a convivência mata qualquer amor, a paixão do Lula pelo Brasil será eterna. E onde eles vão botar a dona Marisa no avião? No porta-malas! E a comitiva? É tudo barbudo! O Bin Laden entra na comitiva do Lula e se esconde! E o Lula viaja tanto que vai inaugurar a LULINHAS AÉREAS! E com a Heloísa Helena de aeromoça!

E adorei a charge do Sandro antecipando como vai ser o comitê de recepção ao Lula no Oriente Médio. Um monte de barbudo cantando: "Lula-Alá. Brilha uma estrela. Lula-Alá". Rarará! E para aqueles que estão comovidos com a Heloísa Helena, eu só posso dizer: "Tá com pena? LEVA!". Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha cruzada patriótica Morte ao Tucanês. É que acabo de receber mais dois exemplos furiosos e irados de antitucanês. É que em Santa Cruz do Sul (RS) tem o Motel Fast Food. E em Floripa tem o Bailão 1,99, a gente não gosta de entrar, mas quando entra sempre leva uma coisinha. Rarará! Mais direto impossível! Viva o antitucanês! Viva o Brasil!

E atenção! Cartilha do Lula! Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Barbitúrico": calmante para Barbies. "Pernóstico": companheiro Lula com problema na perna. Rarará!

Nóis sofre, mas nóis goza.

Hoje só amanhã. Que eu vou correndo pingar o meu colírio alucinógeno.
E quem não tem colírio pode pingar um coquetel de Ajax com Diabo Verde que dá no mesmo!
UFA!

simao@uol.com.br

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Martha Medeiros
03/12/2003


A arte de escrever sem as mãos

Eu ando buscando inspiração até em novela das oito. Pois semana passada, em Celebridade, o personagem de Alexandre Borges, um jornalista, fraturou a mão justo quando precisava escrever uma matéria importante. Não podendo, recebeu da personagem de Julia Lemmertz uma força e tanto. Ela propôs que ele ditasse a matéria para ela digitar.

Está aí uma tarefa para a qual me julgo totalmente incapaz: ditar meus textos em vez de escrevê-los. Eu não mentalizo com antecedência cada frase ou verso que crio, eu não construo nada previamente na cabeça, eu escrevo em total sintonia com a ponta dos meus dedos. Sem meus dois indicadores correndo sobre o teclado, adeus, profissão.

John Fante, um anos antes de morrer, ditou Sonhos de Bunker Hill para sua mulher Joyce. Ele estava com 74 anos e cego em decorrência da diabetes. O resultado: um livro tão genial quanto os anteriores.

Jorge Luis Borges não ditou apenas um livro: a maior parte da sua obra foi ditada para amigos e para sua companheira Maria Kodama. A razão foi também a deficiência visual, que no argentino manifestou-se bem mais cedo.

Fante e Borges são exemplos de um talento incomum: criar em voz alta. Conseguiam escrever livros contando-os. É preciso ser desafiado para tal, pois este é o tipo de coisa que só vamos saber se é possível realizar se a necessidade exigir. Espero que a necessidade não me exija, pois as frases que surgem no meu cérebro relutam em sair pela boca, preferem vazar pelos dedos, são eles que resgatam os meus pensamentos fugidios, corrigem os verbos mal empregados, apagam as crases indevidas, infiltram gracinhas no meio do texto, deletam minhas primeiras tentativas, pensam junto comigo.

Oralmente, eu não saberia nem por onde começar. Precisaria, antes de tudo, ser uma pessoa calma, e eu sou acelerada. Precisaria criar com planejamento, e eu sou impetuosa. Precisaria saber com antecedência onde quero chegar, e eu ainda nem sei como terminar esta crônica, que precisa ser encerrada daqui a poucas linhas. O único método que me serve é o de estruturar o texto à medida que o visualizo na tela: preciso enxergar o que escrevo, não consigo organizar palavras e idéias sem materializá-las, a não ser nas conversas fiadas, que não se registram. Havendo registro por escrito, não tem jeito: quem fala são meus dedos.

martha.medeiros@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
03/12/2003


Que século!

Eu tenho uma vocação doentia e suicida para fixar-me em notícias ruins. Só que conversei com várias pessoas que também leram ontem a notícia em Zero Hora e todas tiveram a mesma minha impressão: desabaram.

Acontece que sábado passado, numa maloca de tábuas descontínuas, por onde correm livres e soltos o frio e a chuva, no bairro Campina, em São Leopoldo, um rato devorou por inteiro dois dedos da mão esquerda e um pedaço do rosto de um bebê feminino, com 35 dias, que dormia junto com sua irmã gêmea e seus pais.

O jornalismo não pode esconder a realidade. Tem até o dever de mostrar a realidade, buscando-a onde puder encontrá-la.

E pessoas como eu e os que viram a foto daquele barraco e leram a notícia, que não engendramos mecanismos mentais para driblar a realidade, estamos destinados a um brutal sofrimento, capaz de beirar a insânia.

É que a realidade se choca com qualquer aparato afetivo e sentimental de que seja dotado o ser humano: um rato comer dois dedos e um pedaço do rosto de um bebê num barraco insalubre de São Leopoldo é um atentado tão monstruoso aos direitos humanos que qualquer pessoa que tome conhecimento desse fato fica, como eu, condenada a sofrer tanto quanto a desventurada vítima, sofrer a dor da solidariedade e da consciência da miséria humana em que estamos todos mergulhados.

Eu não tenho dúvidas de que é meu dever abordar a cena de um rato que devorou dois dedos de um bebê.

Só tenho dúvidas se poderei suportar a série abusiva de acontecimentos sinistros que se derrubam todos os dias sobre os meus nervos e neurônios. Agora eu sei o que é a loucura: é quando o homem entrega os pontos e cede totalmente à incompreensível realidade que o cerca.

Uma autoridade habitacional de São Leopoldo, depois de prometer que vai construir uma casa sólida que substitua o infecto barraco onde vive o bebê com sua gêmea e seus pais, disse em Zero Hora que conversou com a família. E que, "infelizmente, fatalidades acontecem".

Vejam bem, a autoridade entende por fatalidade apenas que o rato tenha comido os dois dedos e parte do rosto do bebê.

Deixa a impressão de que se o rato não tivesse comido os dedos do bebê, tudo seria aceitável, estava dentro da normalidade, a realidade dos outros milhões de barracos brasileiros.

Quando já era uma gigantesca fatalidade que aquela família morasse naquele lugar imundo e animalesco. Ali naquele lugar, que a foto do jornal mostrou com muita nitidez, o mínimo de fatalidade que pode acontecer é um bebê ser mutilado por um rato.

Um verso célebre de Carlos Drummond de Andrade: "Que século!, diziam os ratos. E começavam a roer os edifícios".

Que século, não adivinhou o poeta, em São Leopoldo os ratos começaram a roer os bebês recém-nascidos!

Que século este, a julgar pelas condições subumanas daquele barraco de São Leopoldo, em que os homens, acuados pelas falências de todos os governos, passaram a invadir os ambientes de imundície destinados aos ratos.

Que século este em que os ratos adotam slogans dos humanos e decretam "fome zero" roendo por inteiro os dedos dos bebês.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Segurança
Proteção no Natal



No lançamento da Operação Papai Noel, no centro da Capital, o velhinho deu show descendo em cabo de aço (foto José Doval/ZH)


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Terça-feira, Dezembro 02, 2003




Cuida de Mim

Lucelena Maia

Tenho rezado,
pedido,
implorado.
Tenho sofrido,
tenho estado afobado.
Tenho testado a paciência,
tenho tomado cuidado,
tenho perguntado a mim mesmo,
por que ainda vives dentro de mim?
Tenho tentado me distrair,
saído em busca
da fórmula da cura,
mas ao chegar em casa,
me dou por vencido,
uma obsessão,
perdi a razão!
Você está em todos os porta retratos,
uma miragem,
desejo da visão...
Sem forças me entrego,
fecho os olhos e enxergo
nossos corpos unidos, e
você sussurrando ao meu ouvido,
"Cuida de mim..."

Seu corpo toca o meu,
seu perfume torna-se real.
Já não é miragem.
você está aqui.
Estamos nus, abraçados,
fortemente abraçados,
respiração ofegante,
agora sou eu que sussurra,
"Cuida de mim..."
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NOITE
Observo-te!... Teu campo, teu domínio
Tua grandeza, tua proporção
Causa em mim, um tal fascínio
Que me entrego à contemplação...

Um oceano negro, salpicado
Reluzindo um brilho desigual
Em cada ponto teu, que é prateado
Há uma incerteza natural

Envolve a Terra com simplicidade
Interfere no comando da razão
Negas ao mundo tua claridade
Pois teu segredo, habita a escuridão

Os astros, súditos de teu reinado
São carícias, em teu revolto manto
Inspiram mistérios velados
Que chagam a causar-me espanto...

Sugere sempre o desconhecido
Incita toda a sensibilidade
Dominas o rumo de quem foi vencido
Pela fraqueza da curiosidade...

Causa-me inquietação
Quase um medo de te conhecer
Receio tua força, tua solidão
Quando te afastas ao amanhecer...

Céu... Infinito... Paraíso!
Quem sabe o que és realmente
Permaneces num ato conciso
Acolhendo este planeta incoerente...

Meus olhos brilham ao observar-te
Porto de almas infantis!
Meu coração deseja revelar-te
O quanto na verdade, me fazes feliz...

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Presente de Natal
Miguel Falabella comemora um ano à frente da rede pública de teatros atuando no musical O Pé da Árvore de Natal, que terá sessões gratuitas nas lonas
Rubia Mazzini

Hoje à noite, na lona cultural Gilberto Gil, em Realengo, estréia o musical O Pé da Árvore de Natal, de Karl Valentin. No papel do protagonista está Miguel Falabella, que, pela primeira vez, se apresenta como ator num espaço da rede municipal de teatros e lonas da qual é gestor desde janeiro. Disposto a dar um presente ao público, o louro até abriu mão do cachê para encabeçar o elenco nas seis sessões gratuitas marcadas para as lonas e nas 12 agendadas para a Sala Baden Powell, onde os ingressos custarão R$ 15.

Diretora e atriz do espetáculo, Stella Miranda diz que convidou Falabella para a montagem com o propósito de comemorar o primeiro ano da administração do amigo na prefeitura. Não imaginava que ele fosse aceitar, porque é muito atribulado. Mas o Miguel queria dar um presente ao público e o auto caiu como um luva, conta Stella. Falabella confirma as boas intenções e, com a voz embargada, dispara: Já tive louros que chegam para uma vida. São Miguel foi e é muito generoso comigo. Estou muito feliz e espero poder fazer cada vez mais e melhores coisas. O que estiver ao meu alcance, farei.

O cargo na prefeitura, assumido em meio a críticas dos colegas, parece estar mesmo mexendo com a cabeça do bem-sucedido ator e diretor. As pessoas são muito mesquinhas, falaram muita bobagem este ano. Sou forte, agüento o tranco, mas acho mesquinharia com a cidade. Isso me magoa, continua Falabella que, no entanto, admite ter aceitado o convite do prefeito Cesar Maia por vaidade. Aí tomei uma rasteira. Nunca imaginei a mudança geológica que isso fosse provocar dentro de mim, conta.

Esse trabalho está me tirando uma casca, um ranço. A gente se fecha, vira estrela e acha que está tudo muito bom. Eu podia ir agora para Nova Iorque, para Paris, pro castelo de Caras. Não quero, não. Nunca mais quero isso na vida, avisa, emocionando-se novamente.

E o que quer o gestor da vida daqui pra frente? Usar sua experiência e talento para devolver dignidade às pessoas através da arte, diz ele. Estou achando tudo lamentável nesse País. A gente tem que brigar, melhorar, se não é uma passagem inútil. Se não se torna literalmente uma passagem pra comprar tênis, dispara. Entre os planos para o ano que vem estão um festival de teatro no Armazém do Rio, de janeiro a março; a criação de núcleos de teatro de bonecos em praças do Méier, Tijuca e outros três bairros; a organização de um centro de formação de atores negros, nos moldes do criado por Abdias do Nascimento na década de 40; e a recuperação dos teatros Teresa Rachel e Arena, em Copacabana.

Acho que já consegui fazer muita coisa legal. Pra começo de assunto, nós triplicamos o número de público nos teatros da rede, o que é uma grande vitória. Pegamos a rede com 28% (de ocupação) e temos mais de 80% hoje em dia. Se a gente quer trabalhar com seriedade, consegue, afirma Falabella, que hoje à noite esquece o lado gestor e incorpora o chefe de uma família insana que tenta comemorar o Natal de maneira tradicional em O Pé da Árvore de Natal.

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Para fazer mais bonito no verão
Empresas lançam produtos e serviços para quem deseja se prevenir nos dias ensolarados
Silvana Caminiti

O verão vem se aproximando e, de olho no potencial de crescimento do mercado de produtos para cuidados com a estética, as empresas do setor prepararam uma série de novidades. Os novos produtos vão desde bloqueadores solares e cremes protetores para o cabelo até hidratantes e cremes para massagens corporais e capilares.

Uma das marcas que resolveu investir para atrair a clientela e aumentar as vendas é a rede carioca de farmácias de manipulação Naturativa. A empresa hoje conta com nove lojas, mais a sede, onde funcionam os laboratórios em que são desenvolvidos os produtos comercializados pela marca. A farmacêutica e bioquímica Carina Gurgel explica que a empresa está lançando uma série de produtos, entre eles os protetores solares .

A profissional comenta que, entre as novidades, estão produtos feitos a partir de duas substâncias, que reforçam as defesas naturais da pele, funcionando como agente antienvelhecimento, protetor de peles sensíveis e redutor das conseqüências da exposição ao sol. Uma dessas substâncias é a biomoduline, um ativo encontrado no cogumelo que fortalece as defesas da pele através da ativação das células imunocompetentes. A outra é a drieline, extrato retirado da parede celular de um fungo que também tem ação hidratante, antiinflamatória e regeneradora, conta.

Carina lembra que o desenvolvimento de produtos é fundamental para empresas de menor porte que quiserem concorrer com as grandes indústrias que atuam no setor de cosméticos. Essa é uma área que está em constante evolução, e quem não estiver atento às novidades colocadas no mercado pode perder clientes, ensina.

Naturativa: (21) 2560-3234, http://www.naturativa.com.br

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Club Med de Trancoso, o mais familiar da rede de resorts no Brasil, tem funcionários preparados para cuidar das crianças e animar os pais

Rachel Vita



Adriano,o marido, Fernando (ambos em pé de branco), e os amigos no restaurante do Club Med de Trancoso

Logo que você desce do carro, é recebido por um grupo de jovens, sorridentes, cantando e batendo palmas. A cena pode até parecer estranha para alguns no começo, mas depois de poucas horas no Club Med de Trancoso tudo começa a fazer sentido: a alegria e a descontração dos funcionários não se limitam às boas-vindas, faz parte da filosofia da rede mundial de resorts e é um convite ao relaxamento. Situado no alto de falésias e cercado por lindas cidades baianas como Arraial D'Ajuda e Trancoso, claro , o village mais familiar da rede no Brasil funciona como uma minicidade preparada para atender os desejos praticamente todos, não só dos casais e seus filhos como dos idosos e dos mais jovens.

Já que as férias escolares estão aí, vamos começar pelas atrações para a garotada. Reproduzindo uma aldeia indígena, com cinco ocas, o miniclub oferece teatro, modelagem, desenho e muita brincadeira até as 20h para quem tem de quatro a 17 anos. As atividades se estendem por todo o village, que oferece ainda opções esportivas, como arco e flecha, caiaque e tênis (essas para todas as idades).

A dermatologista Adriana Awada, 38 anos, sempre que pode embarca com a família para um dos Clubs Meds do Brasil ou do exterior. Só este ano, ela já foi seis vezes só no de Trancoso. Eu não vejo o Med como um hotel, mas um clube mesmo. É a minha segunda casa. Meus filhos ficam à vontade, todo mundo se conhece, conta. Agora, no dia 13, ela, o marido, os dois filhos e mais 130 pessoas fecharam um pacote de uma semana no village da Bahia.

São todos médicos, amigos que decidiram viajar. A única coisa proibida é falar de medicina, brinca Adriana. Assim como Adriana, muitas famílias fecham alas inteiras de apartamentos para passar a temporada.

Para os pais, têm piscina, praia, quadras de esporte, academia de ginástica, boate toda noite e ainda chaises longues espalhadas para quem só pensa em descansar. Pertinho do bar, um spa que valoriza o relaxamento. Nada de dieta. Afinal, um village que oferece um bufê imenso com pratos diversificados e doces irresistíveis não poderia exigir a ditadura da boca fechada.

O Club Med é um vício, acredita a guia de viagem aposentada Noemi Bastos. Ela já foi 30 vezes nos villages da Bahia e do Rio. Aqui, eu tenho até uma carteirinha de GOs¿. GOs são os Gentis Organizadores, aqueles que te dão boas-vindas e são responsáveis de pôr em prática a filosofia do Club. São tão importantes no Club que o atual presidente dos resorts no Brasil começou como um dos Gentis.

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Turcocircuito! Lula embarca na esfirra voadora!


Buemba! Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional! Direto da República da Língua Plesa! E um amigo estava indo pra Curitiba quando viu o pára-choque de caminhão: "Saudades da família, principalmente da cabeludinha do meio". E diz que o Corinthians vai ter que fazer BO! Apanha até do Bahia! E o Gugu mandou fazer uma pesquisa pra ver como está sua imagem. Não precisa nem gastar dinheiro. A imagem dele está PCC, Péssima com Certeza! Rarará!

E o LULATUR? Lula embarca na Esfirra Voadora! Vai visitar os brimos: Líbano, Síria, Emirados Árabes, Egito, Líbia e se achar o Bin Laden ainda ganha US$ 25 milhões! É o Circuito Habib's. O Quibetur! E olha a comitiva: ministro da Fazenda, ministro do Turismo, ministro da Agricultura, ministro do Comércio, ministro das Relações Exteriores, ministro do Escambau! E QUEM VAI FICAR TOMANDO CONTA DA LOJINHA? Só falta levar o Maluf. Aí é que ia dar um turco-circuito! E como diz o outro: enquanto o Lula vai pro Oriente, a gente leva quibe! Rarará!

E o Brasileirão! O Galvão gritou mais que o Tarzan procurando a Chita no cio! E ele transmite jogo pra cego? Aparece um cara chorando e ele fala "olha o cara chorando". Aí aparece uma criança, e ele fala: "Olha uma criança". Aí aparece um torcedor rezando e ele, "olha um torcedor rezando". E ele narra, comenta, decide sobre a atuação do juiz e ainda estabelece qual a melhor forma de se fazer um campeonato. Por isso que um cara levantou a faixa "Voto em Galvão para Deus". Rarará!

E esta notícia bombástica: "Juiz francês flagrado se masturbando durante audiência". Já sei, estava fazendo justiça com as próprias mãos. Juiz faz justiça com as próprias mãos. E, em vez de bater o martelo, bateu uma bronha. Rarará! E o peru do Bush no Iraque? Apesar da correria e do risco, Bush Jr. entra pra história por dois motivos. Além da proeza de ser o primeiro presidente americano a pisar no Iraque, ele realizou outra façanha: o primeiro presidente a posar com o peru e o fiofó na mão, ao mesmo tempo. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

Antitucanês Reloaded, a Missão. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. Em Manaus, tem um campo de futebol chamado Arranca Dedo. E em Viana, no Maranhão, tem um bar dançante chamado Derrubando e Cumendo Logo. Rarará! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Antenas": cidade onde serão realizadas as Olimpíadas de 2004! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã!

simao@uol.com.br

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Liberato Vieira da Cunha
02/12/2003


As americanas não se perfumam

As ruas de Nova York abrigam o mais inquieto viveiro dessa estranha, frágil, confusa espécie zoológica que atende pelo nome científico de bicho-homem. Pudera não: Manhattan e arredores formam o hábitat de gentes nascidas em 197 países diversos, e quatro em cada 10 de seus inquilinos são imigrantes. Você olha ao redor e imagina: aquele espanador da Lua deve ser um clérigo viking que treina para bispo. A Excelência oriental que desce da limusine fúcsia leva jeito de um contrabandista de chips recém-aposentado. E o sujeitinho que usa bigode, chapéu e o aspecto geral de um cafetão em apuros não parece evadido de um filme sobre a Máfia?

Em verdade, há mais tipos excêntricos por metro quadrado na Big Apple do que numa festa rave. Já nem falo dos que te oferecem um Rollex a US$ 30 ou dos que pedem tua adesão a um manifesto contra o extermínio dos escargots. Trato é de outros gêneros de esquisitice.

Nunca vi tantos gordos como agora em Nova York. Não um simples Jô Soares, um mero Faustão. Não: paquidermes cevados, nédios, pingues, ostentando suas banhas e pneus feito condecorações. E creio que jamais topei também como desta vez com tamanha multidão de mulheres feias.

Tudo bem: nenhuma dama é realmente feia, a menos que queira, por alguma secreta compulsão, algum perverso prazer, algum íntimo desgosto. Mas, desculpem tocar no assunto, as nova-iorquinas andam péssimas. Lembro de épocas em que eu cruzava, intruso, o esplêndido quarteirão interno do Waldorf Astoria, e em cada requintado salão, em cada luxuoso recanto luziam deusas e rainhas. Certa tarde uma loira reteve para mim a porta do elevador no Ritz e quando fui agradecer constatei: meu Deus, a Grace Kelly tinha uma irmã gêmea e ainda mais gloriosa do que ela!

Nada disso me sucedeu neste outono de 2003. As americanas já não se pintam, não se perfumam, não portam jóias. As americanas vestem calças corsário, consultam as cotações da Bolsa, maldizem o Bush.

Quer dizer que Nova York mudou? Quer dizer que o romance desertou do universo? - há de perguntar alguma linda, jovem, paciente senhora que me acompanhou até aqui. Como o espaço terminou, solicito a essa bela, anônima leitora que procure a resposta neste mesmo espaço, pontualmente, terça que vem. Até lá.

liberato.vieira@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
02/12/2003


Planejar não faz mal

A dengue está longe de ser controlada no país. Por isso, foi muito oportuna a iniciativa do ministro da Saúde, Humberto Costa, ao lançar uma nova campanha contra a doença no Rio de Janeiro. A idéia era de que o ministro visitasse casas em Acari, ensinando às famílias o que fazer para evitar a doença. Idéia excelente: saúde pública se faz junto à população, não em gabinetes. O que aconteceu, contudo, foi meio decepcionante. Na primeira casa, não havia focos potenciais de mosquito. Na segunda casa, a comitiva ministerial foi impedida de entrar pela moradora, que ainda reclamou do fato de ter sido acordada. Na terceira casa, a proprietária já estava informada sobre as medidas de prevenção.

Se o ministro estava visitando residências ao acaso, esse decepcionante resultado era admissível. Mas o desfecho poderia ter sido outro. Se a assessoria do ministro identificasse, previamente, residência com focos de mosquitos (e cujos proprietários estivessem acordados e receptivos), a visita poderia ter se transformado num exemplar trabalho de educação em saúde, transmitido pela mídia a todo o país. Fica, portanto, a sensação de que faltou planejamento. E planejamento é essencial, sobretudo na administração pública, em que os problemas são sempre grandes e os recursos sempre escassos.

A imprensa tem comentado a ausência de um plano no governo Lula. Será que o plano não existe? Ou será que ele existia, mas não pôde ser aplicado, diante da conjuntura encontrada pela atual administração? Essas questões, agora, são ociosas: é preciso ir em frente. Nunca é tarde para fazer um diagnóstico da situação, nunca é tarde para elaborar um plano, ainda que emergencial. Qualquer plano é melhor do que nenhum plano. No mínimo, o plano evita que um ministro tenha de ouvir reclamações de uma moradora de Acari irritada porque seu sono foi interrompido.

scliar@zerohora.com.br

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Luís Augusto Fischer
02/12/2003


Bataclã e a mitologia da cidade

Pequena memória pessoal, a título de introdução: uns 30 anos atrás, quando comecei a ir a Baile de Réveillon com os amigos (carreira curtíssima, encerrada em seguida), havia uma brincadeira inocente que consistia em sair do baile e ir tomar um banho no Guaíba. Para nós, moradores daquela zona fluida entre o Quarto Distrito, Higienópolis e IAPI, era uma festa, além de uma bravata. Ia-se ao baile com uma inocente sunga por debaixo da fatiota (...), e no começo da manhã o parceiro que tivesse a ventura dos 18 anos e um pai tolerante conduzia o flamante até a ponta da Serraria. Mergulhávamos, de sarro, mas também por purificação, saudando a abertura do ano.

O Guaíba tinha, então, ficado na infância dos banhos despreocupados, e já começava a ser marcado pelas campanhas ecologistas, a denunciar a poluição de que éramos todos inocentes. Estava começando a ser escondido atrás do Muro da Mauá, ali na altura do Centro. Nem o Beira-Rio, inaugurado havia pouco (1969), contribuía para evitar a separação entre a cidade e a fenomenal massa d'água. Ninguém sabia que ali toda uma fase da vida da cidade estava morrendo.

Hoje, passados tantos anos, muita coisa já se fez para retomar a conversa de Porto Alegre com o Guaíba. A Usina, a avenida Edvaldo Pereira Paiva, a recuperação de Ipanema. Faltava a chegada do sensacional CD Armazém de Mantimentos, do Bataclã FC, banda que mistura funk e hip hop com a alma do samba e do rock, numa sonoridade realmente encantadora, "da beira do Guaíba" como eles dizem, que merece ser ouvida com o coração e o cérebro.

São canções de letras longas, escritas em porto-alegrês liso e entoadas com tensão, mesclando irreverência estética com carinho pela cidade. Numa atitude rara hoje em dia, quando muitas artes parecem ter medo de pensar na dura vida real, as canções surpreendem por representar, de vez em quando, a voz de gente pobre e trabalhadora e sonhadora. Sem populismo nem arrogância, com intensa criatividade, sem concessões.

A banda arrecadou o nome de um personagem porto-alegrense, figuraça que nos anos 70 divulgava por conta própria as virtudes da corrida e da alimentação saudável e que se fazia chamar Bataclã. Richard Serraria e seus parceiros recuperaram seu nome e com isso repuseram em circulação uma parte da mitologia da cidade, vista a partir da Zona Sul, que pouco se pronunciava até então. Tri bom.

fischer@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
02/12/2003


Vidas sem valor

Não pode ser brincadeira de mau gosto, como acusam os sobreviventes, a morte do soldado do Exército Rafael de Souza Mariz, com 20 anos.

Ele participou de um churrasco no quartel, comemorativo da dispensa do serviço militar, depois foi com quatro outros soldados tomar banho numa caixa-d'agua que existe no quartel.

Os outros soldados tiveram o cuidado de fechar todas as portas da cisterna, deixando lá dentro do depósito de água Rafael, de quem levaram até as roupas.

Dois dias depois o corpo do soldado foi encontrado dentro da cisterna, afogado.

A desculpa de um dos soldados é esfarrapada: disse que viu Rafael mergulhar na cisterna e desaparecer, achando que ele tinha saído da caixa-d'água. Mas por que então os quatro colegas do soldado morto levaram as suas roupas?

Os bombeiros que retiraram o corpo do afogado da cisterna depuseram que as saídas da cisterna foram trancadas propositalmente pelos outros soldados.

E quando os familiares do afogado telefonavam para o quartel, atendia um dos colegas que havia tomado banho com Rafael e dizia que ele tinha saído para uma missão e mais tarde voltaria.

O inquérito foi instaurado, mas se trata visivelmente de um homicídio.

Pode ter sido até causado pela embriaguez dos participantes, que foram tomar banho depois de um churrasco com cervejada.

Mas chama a atenção que quatro rapazes não tenham feito nada para evitar a morte por afogamento de um companheiro, tendo depois fechado intencionalmente todas as portas da cisterna.

O rapaz podia até ter se sentido mal quando mergulhou na água. Ou não sabia nadar.

No entanto, o que se esperava dos seus colegas de farda é que o assistissem, mesmo depois de morto.

Levarem as suas roupas e trancarem as saídas da cisterna são detalhes no entanto que incriminam os quatro soldados sobreviventes.

Será possível que esse moço tenha sido vítima de um assassinato premeditado?

O que intriga é que os cinco soldados eram companheiros aproximados no quartel, têm até fotografias juntos, o que quer dizer que não havia, assim, a aparência de uma inimizade, de um ódio fortuito ou de profunda divergência.

Impossível que não surja a verdade com os quatro colegas de Rafael sendo interrogados individualmente.

Foi de comover o depoimento na televisão dos pais de Rafael, que se mostravam indignados com os colegas de seu filho.

Bebedeira ou crime hediondo? E por aí vão se sucedendo no cotidiano do noticiário episódios cada vez mais violentos, que com a maior naturalidade vão ceifando a vida das pessoas, sob a indiferença e a frieza dos seus assassinos.

Como o crime acontecido também no Rio da Janeiro, na Barra da Tijuca, anteontem, quando um casal de norte-americanos foi trucidado a golpes de instrumento contundente, dentro de sua casa, onde também se encontravam dormindo seus três filhos menores.

Nada foi roubado. Morreu o homem e está internada em estado gravíssimo a mulher.

É impressionante a facilidade com que ultimamente têm sido mortas as pessoas. Parecem ser atos rotineiros na vida dos assassinos.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Saúde
Retalhos de solidariedade



No Dia Mundial de Combate à Aids, em Brasília, uma colcha gigante lembrou as mais de 100 mil vítimas no país (foto Eraldo Peres, AP/ZH)


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Segunda-feira, Dezembro 01, 2003




SEM TÍTULO

Florbela Espanca


Li um dia, não sei onde,
Que em todos os namorados
Uns amam muito e, os outros,
Contentam-se em ser amados.

Fico a cismar pensativa
Neste mistério encantado...
Digo pra mim: de nós dois
Quem ama e quem é amado?...

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jcimenti@zaz.com.br
28/11/2003

O que move o mundo


Desde que a humanidade se conhece por gente se fala que amor e sexo movem o mundo. E o erotismo, claro, anda sempre junto, bem junto. Há quem diga que o erotismo é que move mais o mundo, que é o sentimento dominante na vida quotidiana. Às vezes se confunde pornografia com erotismo. O surrealista André Breton dizia que pornografia é o erotismo dos outros. Melhor pensar que erotismo é a força de atração entre os seres, força de vida aspirando ao bem absoluto e motivando a pedagogia, as artes e a filosofia.

A escritora Anais Nin definiu o erotismo como uma das bases do autoconhecimento, tão indispensável quanto a poesia. Depois do sucesso de Os 100 Melhores Contos de Humor da Literatura Universal e Os 100 Melhores Contos de Crime e Mistério da Literatura Universal, a Ediouro, mais uma vez com a colaboração do competente Flávio Moreira da Costa, acaba de lançar As 100 Melhores Histórias Eróticas da Literatura Universal. Os textos vão de Platão a autores brasileiros, como Domingos Pellegrini, Luiz Vilela e Caio Fernando Abreu, passando por Machado de Assis, Alberto Moravia, Philip Roth, Jorge Amado, Machado de Assis, James Joyce, Sade, Flaubert e Guy de Maupassant.

Flávio Moreira da Costa, organizador da obra, foi criado em Santana do Livramento e mora no Rio desde os 20 anos de idade. Romancista, contista, crítico de cinema, arte e literatura, antologista, editor e tradutor, nos presta mais um inestimável serviço, selecionando histórias que, acima de tudo, além de bem escritas, celebram, com muita sedução, a festa da vida entre homens e mulheres. 640 páginas, R$ 69,00. Ediouro, fone 3224 1505.

DICA

Acabei de ler A margem imóvel do rio, do Assis Brasil, publicado pela L&PM Editores. Gostei da economia da linguagem e do modo de apresentar os quadros em divisões de capítulos, que dá dinamismo à narrativa. Leio agora Viver para contar, de Garcia Márquez, e Amadora, de Ana Ferreira.

Orlando Fonseca, professor e escritor

Lançamentos

Contos do Amor Jovem e Contos de Mistério e Morte, com 120 páginas cada, tem organização e seleção dos professores João Armando Nicotti, Sergius Gonzaga e Pedro Gonzaga. A primeira antologia traz contos de Tchecov, Maupassant, Machado de Assis, Maximo Gorki, Moacyr Scliar e Senel Paz. A segunda apresenta narrativas de Álvares de Azevedo, Tchecov, Arthur Conan Doyle, Edgar Allan Poe, Guy de Maupassant, Horacio Quiroga, Leon Tolstoi e Machado de Assis.

Os volumes fazem parte da Coleção Leitura Jovem, que apresentará, a seguir, Contos da Vida Social e Os Melhores Contos do Mundo e, nas páginas finais, apresentam um ensaio do Professor Sergius Gonzaga sobre o gênero conto. Editora Leitura XXI, fone 3226 7323.

Fogo de Brasa apresenta as magníficas novelas do francês André Pieyre de Mandiargues, com sua escrita bem elaborada e com situações originalíssimas que se situam sempre entre o real e o onírico. 128 páginas, Iluminuras, fone 3221 5931.

Uma breve história da economia e Breve história da ciência moderna são dois lançamentos interessantes da Jorge Zahar Editor, fone 32237363. O primeiro é de Paul Strathern e traça, em 288 páginas e linguagem acessível, um panorama geral das teorias econômicas do Ocidente desde o século XV, abordando desde as idéias dos primeiros mercantilistas até as atuais teorias econômicas.

O segundo, de Marco Braga, Andréa Guerra e José Cláudio Reis, 108 páginas, é o primeiro volume de uma série de cinco e trata do processo de desenvolvimento científico em seus contextos históricos. É uma porta de entrada para os leitores que queiram saber dos principais problemas que formam o universo da ciência.

e palavras...

Por favor, deixem a gente dormir!

A questão do silêncio e da Lei do Silêncio em Porto Alegre é assunto antigo. Antigo, ruidoso e ainda não resolvido de todo, infelizmente. Leio na internet que na Cidade Baixa as pessoas nas ruas, de madrugada, e os estabelecimentos noturnos estão causando problemas aos que pretendem dormir. No bairro Moinhos de Vento uma associação de moradores enfrenta os ruídos da Padre Chagas e adjacências. Na Quintino Bocaiúva e áreas próximas moradores queixam-se dos freqüentadores de casas noturnas e de problemas com ruído excessivo.

Num sábado destes eu estava tentando dormir, no Hospital Moinhos de Vento, acompanhando um familiar, e os sons de uma danceteria próxima perturbavam o sono dos pacientes, dos acompanhantes e dos funcionários. Não dá para aceitar. Não é possível. Poderia citar outros exemplos. Em Atlântida moradores queixam-se, igualmente, de problemas parecidos. Quando se pede auxílio às autoridades nem sempre se consegue uma solução para a perturbação ao sossego público, que, como se sabe, é contravenção penal.

O poder público, infelizmente, não têm conseguido solucionar os problemas, ao menos na totalidade. As pessoas têm o direito de sair, se divertir, dançar e ouvir música. Têm o direito de circular livremente pelas calçadas, ruas e avenidas. Mas elas e as casas noturnas devem obedecer à lei, aos bons costumes e às normas de boa educação.

E não devem esquecer que outras pessoas, muitas vezes idosos, crianças e doentes, têm o direito de dormir e descansar para trabalhar e viver em paz no dia seguinte. Leis existem, soluções existem. Melhor prevenir do que remediar. Melhor evitar conflitos maiores e desnecessários. Melhor tomar atitudes civilizadas e saudáveis. Com a palavra as autoridades competentes. (Jaime Cimenti)

jcimenti@zaz.com.br

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Título com sabor de tutu à mineira!

Cruzeiro bate o Paysandu (2 a 1) e enlouquece o Mineirão ao faturar o inédito (para ele) Campeonato Brasileiro. Zinho, autor do primeiro gol, iguala recorde de conquistas



Aristizábal voa, mas não pega a bola centrada por Zinho (fora da foto), que entrou direto no gol (o 1º da Raposa)

BELO HORIZONTE - Foram 32 anos na fila, à espera do grito de campeão brasileiro. O torcedor do Cruzeiro, que por três vezes experimentou o vice-campeonato (74, 75 e 98), festejou ontem, finalmente, a tão sonhada conquista. Com a vitória de 2 a 1 sobre o Paysandu, diante de um Mineirão lotado por 73 mil pagantes, o time mineiro assegurou, de forma antecipada, o cobiçado título.

Valeu a pena esperar. Afinal, o Cruzeiro conquistou o Brasileiro no ano de sua consagração. O clube é detentor de títulos importantes, é verdade. Não se pode esquecer das duas Taças Libertadores, por exemplo. Mas o ano de 2003 consagrou a Raposa com a tríplice-coroa: Estadual-Copa do Brasil-Brasileiro.

O título simbolizou também a quebra de outras marcas. Wanderley Luxemburgo sagrou-se o treinador recordista da competição: quatro (os outros foram em 93,94 e 98), contra três de Rubens Minelli e Ênio Andrade. O apoiador Zinho igualou-se a Andrade com cinco conquistas ¿ vencera antes em 87, 92, 93 e 94.

Até o jovem Maurinho começa a fazer história ao despontar como bicampeão, já que no ano passado era jogador do Santos. São números que não param. Os da pontuação da tabela mostram a superioridade cruzeirense. Com a vitória de ontem, o time alcançou 94 pontos, nove na frente do vice-colocado, o Santos. E, a duas rodadas do fim, a equipe de Wanderley Luxemburgo conquistou sua 29ª vitória, quatro a mais que o segundo colocado.

A festa só não foi completa por duas razões: o capitão Alex, suspenso, acompanhou o jogo de uma cabine de rádio; e a taça, por determinação da CBF, só será entregue na última rodada. Para azar dos cruzeirenses, o jogo não será em Belo Horizonte, e sim em Salvador, contra o Bahia.

Mas o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, torcedor do Cruzeiro, ofertou o time mineiro com um troféu que simbolizava a tríplice-coroa.

Em campo, Cruzeiro e Paysandu fizeram o jogo dos extremos. Enquanto um sonhava com o título, o outro lutava para não cair. Logo aos 7 minutos, Zinho, o substituto de Alex, honrou bem a camisa 10 do titular. Ele cobrou falta ao lado da área, a bola passou por todo mundo e entrou no canto direito de Carlos Germano.

O segundo gol saiu aos 28 da segunda etapa, com Mota, de bico, à la Ronaldo. Aldrovani, aos 45, descontou.

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Eletrizante

Premiada em festival de cinema ibero-americano, Gabriela Duarte estréia peça sobre relacionamentos
Ana Lúcia do Vale

Uma descarga elétrica de 500 volts. Foi o que Gabriela Duarte, 29 anos, diz ter sentido após levar o prêmio de melhor atriz do Festival de Cinema Ibero-americano de Huelva, na Espanha, por sua atuação no filme O Vestido. Identificada pela televisão como a filha da namoradinha do Brasil, no filme, Gabriela barbariza: faz uma mulher que tem a missão de roubar o marido de outra. Relações complicadas que também escolheu para viver no palco na peça Pedro e Vanda, que estréia para o público na quinta-feira, às 21h, no Espaço Cultural Sergio Porto.

Ganhar o prêmio em Huelva foi um choque no melhor sentido. Foi uma descarga elétrica que demorei a digerir, conta ela, que no filme de Paulo Thiago em cartaz ano que vem faz Bárbara, uma despudorada que recebe a missão de tirar Ulisses (Leonardo Vieira) da mulher (Ana Beatriz Nogueira), mas se apaixona por ele e morre de ciúmes.Foi o tipo de personagem que exigiu um mergulho. Não dava para ir no truque. Ela tem uma liberdade que eu desconhecia.

Não tem bons valores: enfia o pé na porta. Foi difícil sair dela e percorrer o caminho de volta, conta Gabriela, que encarou suas primeiras cenas de nudez e se surpreendeu com a reação do público na Espanha. As pessoas saíam do cinema chocadas. Não é confortável se ver nua na tela, mas me abri tanto para fazê-la, que acho que as cenas de sexo não chocam tanto quanto a missão dela de tirar o homem daquela mulher, acredita.

Dizendo não sentir atração por ciumentos e adorar os low-profiles como ela, Gabriela conta que escolheu Pedro e Vanda depois de ver o espetáculo em Nova Iorque interessada na discussão da relação entre homem e mulher. Não tenho olho marqueteiro para saber se uma peça é legal ou não. Mas esse texto levantou em mim questões sobre relações: o quanto elas podem ser simples ou complexas ao mesmo tempo, conta Gabriela, a Vanda, uma universitária que vai morar com o estudante Pedro (Daniel Faleiros), pouco depois de começarem a se relacionar.



O ator Daniel Faleiros e Gabriela em cena na peça Pedro e Vanda

No Rio, para a temporada de Pedro e Vanda, Gabriela diz sentir-se diferente. Encara a hidroginástica e fica mais disposição. O Rio me inspira, diz a atriz, nascida em Campinas, mas que passa grande parte do tempo em São Paulo. Bem na vida pessoal namora há um ano e meio com o fotógrafo Jairo Goldflus , confessa estar segurando a onda para ser mãe: Com quase 30 virar mãe é quase urgente, os hormônios falam por si, brinca.

Como em vários momentos da carreira, Gabriela teve a ajuda da produtora da mãe, Regina Duarte, para montar a peça. Mas diz que a associação é bem-vinda. Busco uma carreira independente, mas tive a sabedoria para que isso acontecesse de forma natural. A genética é tão forte, que não tem como mentir, explica ela, e complementa. Se tive um momento de ficar de saco cheio da minha mãe, ainda não era atriz e não precisei gritar isso para o mundo. E também é injusto com o público que acha lindo mãe e filha juntas, acredita.

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Luis Fernando Verissimo
01/12/2003


Antipatriotas

A invasão do Iraque foi uma aventura irresponsável de um presidente mentiroso que só aumentou o perigo do terrorismo e em que só vão ganhar os empresários amigos do governo presenteados com contratos milionários para tentar recuperar um país que, cada vez mais, se parece com o atoladouro do Vietnã.

Quem diz isto não sou eu, um perigoso bolchevique, nem qualquer outro previsível antiamericano, mas os candidatos do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, sob aplausos entusiasmados da platéia, nos sucessivos debates que têm feito. Muitos dos candidatos apoiaram a guerra no começo, mas hoje todos caem em cima de Bush, Cheney, Rumsfeld e os falcões conservadores que levaram o país a este desastre.

Como a economia americana dá sinais de estar melhorando e a maioria do público eleitor, dizem as pesquisas, ainda apóia Bush e a sua guerra, nenhum dos democratas que se apresentaram parece ter muita chance nas eleições que vêm aí. O que pintou como o mais elegível, Wesley Clarke (herói de guerra, boa-pinta), não tem se saído bem nos debates e tem um olhar paradão meio assustador. Mas a campanha presidencial esquenta a controvérsia sobre a guerra que divide democratas e republicanos, conservadores e "liberais" e a imprensa, onde analistas e colunistas de um lado e de outro se xingam mutuamente como não faziam desde - bom, desde a guerra do Vietnã.

A resposta dos republicanos às críticas dos candidatos democratas é sugerir que quem é contra Bush é a favor do terror e quem questiona o que foi feito no Iraque é antipatriota. Reação indignada dos democratas. Golpe baixo. Os republicanos batem mais. Seria divertido ver de fora se não estivesse em jogo, na paróquia americana, a saúde do planeta todo.

Trazendo o assunto para o quintal: a acusação de uma espécie de antipatriotismo também espera quem apoiou e agora questiona o governo esquizofrênico do Lula. Até que ponto a crítica decepcionada ao governo é cúmplice involuntária de quem não quer o sucesso da esquerda no Brasil, mesmo de uma esquerda que diz que nunca foi? Mas enfim, já é folclórico que a esquerda brasileira sempre se divide e por isso perde todas. E, se enquanto lá em cima decidem as nossas vidas, o que nos resta aqui na periferia é o folclore, só estamos cumprindo nosso papel histórico.

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Paulo Sant'ana
01/12/2003


A épica caravana tricolor

Desculpem os leitores que não estão acostumados a ler sobre futebol nesta coluna, mas a rodada de ontem do Campeonato Brasileiro, para quem é gremista, foi repleta de tanta emoção que cheguei a ter um distúrbio circulatório.

Quando pensei que o grande obstáculo de Criciúma tinha sido finalmente transposto, eis que minutos após parecia que a terra desabava sobre nós, gremistas: a Ponte Preta marcava seu gol contra o São Paulo e ameaçava toldar a vitória gremista, afastando-se três pontos à frente do Grêmio e devolvendo-nos a condição de habitantes da zona de rebaixamento.

Mas de repente a sorte, que havia sido madrasta com o Grêmio durante quase todo o decorrer do campeonato, resolveu mudar a sua face: não bastasse que todos os adversários que o Grêmio vem enfrentando ultimamente estejam já desinteressados no certame, o Cruzeiro acabaria ontem por se tornar campeão e fez do Santos, o próximo adversário gremista, o mais desanimado e desinteressado de todos os participantes do Brasileirão, indicando que será possível uma vitória gremista na Vila Belmiro.

E para coroar o enxotamento do azar da vida do Grêmio, o São Paulo viria ainda ontem a fazer dois gols na Ponte Preta, virando o jogo e tirando o Grêmio da zona de rebaixamento, onde permanecíamos havia quase cinco meses.

A vitória do São Paulo sobre a Ponte Preta, na entrada da noite, viria a ser tão importante quanto o triunfo gremista sobre o Criciúma.

Foi uma rodada para testar a capacidade de resistência do organismo humano para tantos impactos emocionais sucessivos.

O coquetel variado e imenso de emoções da tarde-noite de ontem, para os gremistas, revestiu-se ainda de maior trepidação sentimental pela extraordinária demonstração de devotamento da torcida tricolor a seu clube, invadindo Criciúma em número recorde nos últimos cem anos para jogos do Grêmio fora do Estado.

Cerca de 7 mil gremistas fizeram do estádio do Criciúma uma filial do Olímpico, com grande número deles, após o jogo, de maneira inédita, cantando o Hino Rio-Grandense, como que a demonstrar que a tentativa do Grêmio de fugir do rebaixamento deixou de ser para os gremistas e gaúchos uma contenda esportiva para se tornar numa batalha cívica, em que se decide também o orgulho farroupilha.

O Hino Rio-Grandense, em vez do hino do Grêmio, cantado nas gerais do estádio criciumense, foi um fato de arrancar lágrimas de quem ouviu e de emocionar não só aquela legião de gremistas que se deslocou do Rio Grande, de Santa Catarina e até do Paraná para o campo de jogo, mas de todos os gremistas que acompanhavam a célebre e vitoriosa excursão pelo rádio e pela televisão.

Um milagre fez com que a direção gremista, depois de tantos reveses e azares neste campeonato nacional, tivesse ainda encontrado forças para liderar e organizar a triunfante caravana gremista até Criciúma.

A provar que os indivíduos e as coletividades, quando uma causa maior os inflama, são capazes de superarem-se em uma reação estupenda e sobre-humana.

É incrível que um campeonato nacional que tanto até aqui tenha amassado o Grêmio haja se tornado tão emocionante e épico para o clube e para seus torcedores justamente na paradoxal ponta de baixo da classificação.

Se o time escapar da segundona, os gremistas se sentirão tão eufóricos quanto se sentiram ontem à tarde os torcedores do Cruzeiro.

Só entende que isso não é um absurdo quem sofreu durante meses com o terror de uma grande ameaça.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Rosane de Oliveira
01/12/2003


Tudo de novo

São tantas as mudanças previstas no esboço da emenda paralela em discussão entre o governo e o Congresso que se pode falar de uma segunda reforma da Previdência em menos de um ano. A Câmara fez a sua reforma e o governo não permitiu que o Senado mudasse o texto. Agora os senadores tentam incluir na nova emenda todos os pontos que não conseguiram alterar da proposta aprovada na Câmara. E os deputados, por essa lógica, ficarão impedidos de propor mudanças, para não atrasar a conclusão do processo.

Tempo não há para aprovar essa emenda em dois turnos no Senado e outros dois na Câmara até o final do ano, se forem cumpridos todos os prazos. A sugestão do senador Pedro Simon é que, por acordo, os prazos sejam reduzidos e todos se comprometam a votar o que for acertado antes, sem grandes discussões. Pode até funcionar no Senado, mas é improvável que funcione na Câmara. Resumo da ópera: se há mesmo pressa, para votar a emenda paralela haverá convocação extraordinária do Congresso. Com custos para os cofres públicos.

Ocorre que a emenda só será apresentada oficialmente quando a outra for promulgada, porque uma proposta não pode mudar o que ainda não virou lei. E ainda falta a votação em segundo turno. Os senadores podem até achar que os deputados estão de má vontade, mas seria até uma irresponsabilidade votar de olhos vendados mudanças que alteram a reforma aprovada em meio a tantas polêmicas.

Entre as mudanças há pontos meritórios, como a proteção a portadores de deficiência, a regra de transição para quem está prestes a completar os requisitos para a aposentadoria e as facilidades para a inclusão de quem está fora do sistema previdenciário, mas tudo isso precisa ser discutido. Assim como é procedente a reclamação dos senadores, de que não podem simplesmente homologar o que a Câmara aprova, é justo que os deputados não sejam meros coadjuvantes na reforma da reforma.

rosane.oliveira@zerohora.com.br

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Grêmio
Torcida de 1ª Divisão



Embalado pela multidão de fé que invadiu Criciúma, o Grêmio de Christian ganha de 2 a 0 e sai da zona de rebaixamento (foto Fernando Gomes/ZH)


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