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E N T R E L A Ç O S

Sábado, Janeiro 31, 2004




A liturgia dos bancos centrais
"Os bancos centrais devem ser extremamente cuidadosos com sua comunicação e com a liturgia da deliberação"

As decisões de bancos centrais sobre taxas de juros afetam um universo imenso de relações econômicas, e esse efeito é tanto maior quanto mais ofendem as expectativas do mercado. Na verdade, a política monetária deve ser vista como um jogo de formação de expectativas, em que os BCs devem ser extremamente cuidadosos com sua comunicação e com a liturgia da deliberação. As informações que acompanham suas decisões com muita freqüência são muito mais importantes que a decisão em si.

Na semana passada reuniu-se o FOMC (o comitê de política monetária Copom do banco central americano) e foi publicado um "comunicado à imprensa", de meia página, anunciando o que todos já sabiam, ou seja, que a taxa de juros deles permaneceria inalterada em 1%. Quase simultaneamente nosso Banco Central fez publicar a ata da reunião do Copom da semana anterior, que decidiu manter inalterada a taxa de juros básica em 16,5%.

Por surpreendente que pareça, os efeitos sobre os mercados do mundo inteiro do comunicado do FOMC foram devastadores. No comunicado anterior, de 9 de dezembro, eles diziam que "o comitê acredita que a política de acomodação (leia-se juros de 1% anuais) pode ser mantida por um período considerável". No comunicado de agora (28 de janeiro), esta frase foi substituída por "o comitê acredita que pode ser paciente em remover sua política de acomodação", e foi por isso que os mercados desabaram em toda parte, acredite se quiser.

Cá no Brasil, a Ata da 92ª reunião do Copom é um longo documento escrito em um economês carregado no qual é difícil encontrar as mensagens ali colocadas com imenso cuidado, até porque, às vezes, não há mensagem nenhuma. Tenha-se claro que as atas não são gravações das reuniões e tampouco trazem coisa alguma sobre dúvidas, medos, ansiedades, especulações e cogitações dos participantes. Na esmagadora maioria dos casos, são apenas leituras comentadas de estatísticas, sempre vagas e subjetivas como as próprias decisões.

Com efeito, não importa quantas virgens são imoladas no altar da transparência, as decisões do Copom são matéria de julgamento, subjetivas portanto, nunca é possível explicá-las por "a" mais "b", embora sempre exista ex post facto (depois de fato) muito do que nossos amigos portenhos chamam de "carreras del domingo con el diario del lunes", ou seja, boas teorias para fazer previsões sobre as razões do BC para ter feito o que fez.

Modelos matemáticos e simulações são relevantes nas decisões do Copom e do FOMC. Mas, como ensina um antigo membro do FOMC, Alan Blinder, em seu livro de memórias, eles, nos EUA, olham com grande respeito para os modelos econométricos, porém os senhores membros do comitê, implícita ou explicitamente, associam enorme importância ao que ele chamou de uncle asking, algo como "perguntar a seu tio", ou a seu cunhado, que sempre terá uma teoria sobre o estado da economia.

O mesmo vale para os "indicadores" apresentados pelas entidades de classe, pelos circunstantes, parentes e agregados dos diretores, os quais, por sua vez, também desenvolvem sua própria métrica para o comportamento da economia. Conta-se que um certo diretor do BC reparava muito nas filas dos restaurantes ou nos engarrafamentos no Baixo Leblon para avaliar o que fazer com os juros; muita fila, muita gente na rua para comer fora, é porque o juro está baixo, dizia. Podia ser brincadeira, mas tinha efeito muito concreto no clima da reunião.

Nunca essas razões e impressões vão aparecer nas atas do Copom, cujo propósito é dirigir-se ao mercado para lhe fornecer segurança. Alan Greenspan, um mestre nessa arte, sempre a exercita exibindo um talento inigualável para pequenos enigmas, para filigranas estatísticas de importância menor mas que poderiam, se devidamente trabalhadas, estar indicando alguma coisa meio relevante que ninguém reparou, pois é o detalhe do detalhe. Invariavelmente cansado, o interlocutor termina convencido não tanto da minúcia e da relevância na análise, mas do extremo cuidado de Greenspan com julgamentos de ordem subjetiva. No fundo, é disso que se trata.

Gustavo Franco é economista da PUC-RJ e ex-presidente do Banco Central (gfranco@palavra.com -­ www.gfranco.com.br)

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Diogo Mainardi
Aldo, o magnífico

"Aldo Rebelo é tão nacionalista que luta, com muita coragem, pela abolição do pão francês. Ele apresentou um projeto de lei que obriga a adição de farinha de raspa de mandioca à de trigo. Com a modernidade de Rebelo, o futuro do governo Lula está garantido"

Aldo Rebelo é um dos políticos mais admiráveis que o Brasil já teve. Sua nomeação para o ministério do governo Lula consagra uma carreira marcada pela defesa intransigente das cores nacionais. Ele ficou conhecido em todo o país pelo projeto de lei que proíbe o uso de estrangeirismos na língua portuguesa. Mas não é sua única iniciativa meritória em prol da pátria. Aldo Rebelo é tão visceralmente nacionalista que também luta, com muita coragem, pela abolição do pão francês.

Estamos no Brasil, não na França. Então não há motivo para comer pão francês. O pão francês é o instrumento através do qual as forças espúrias do imperialismo se insinuam na consciência nacional. O pão genuinamente brasileiro não é o de trigo, mas o de mandioca. De fato, Aldo Rebelo apresentou um projeto de lei que obriga a adição de farinha de raspa de mandioca à farinha de trigo. No Brasil, as autoridades têm o costume de adicionar certa porcentagem de um produto a outro: álcool é adicionado à gasolina, coliformes fecais são adicionados à água do mar, doações de campanhas eleitorais são adicionadas aos salários dos servidores públicos. A tal propósito, a reforma ministerial criou quase 3.000 novos cargos. Uma porcentagem dos proventos dos novos contratados será desviada para abastecer o caixa do PT, sob a forma de contribuição voluntária ao partido.

O primeiro ano do governo Lula foi muito ruim. O segundo certamente será melhor. Basta aproveitar direito o talento renovador de Aldo Rebelo. Pouco tempo atrás, ele lançou a idéia de proibir a adoção, pelos órgãos públicos, de qualquer tipo de inovação tecnológica poupadora de mão-de-obra. O princípio responde aos mais rígidos critérios de gerenciamento administrativo. De acordo com o projeto de Aldo Rebelo, quanto mais funcionários forem usados para executar um trabalho, melhor. Se uma repartição inteira puder ser substituída por um simples computador, deve-se abolir o computador.

Aldo Rebelo considera justamente que a administração pública é rápida demais, barata demais, eficiente demais. Precisamos inchá-la ao infinito. Foi o mesmo raciocínio que o levou a condenar a adoção de catracas eletrônicas em veículos de transporte coletivo. Por que adotar uma máquina alienígena se por meio do salário mínimo podemos empregar um legítimo cobrador nordestino?

Outros importantes projetos legislativos de Aldo Rebelo foram o exame obrigatório de DNA antes da cremação de cadáveres, a construção de um campo de futebol para cada 1 000 unidades habitacionais e a proibição de pagamento de royalties (o estrangeirismo foi usado pelo próprio Aldo Rebelo, não por mim) entre multinacional e subsidiária. A indústria farmacêutica nacional gostou tanto do último ponto que se tornou a maior financiadora das campanhas eleitorais do novo ministro.

Na última legislatura, Aldo Rebelo também tentou garantir um salário-desemprego de oito meses a todos os trabalhadores desocupados com mais de 50 anos. Vamos ver se, na condição de principal articulador político do governo, ele levará adiante a proposta.

Com o cosmopolitismo e o espírito de modernidade de Aldo Rebelo, o futuro do governo Lula está garantido. Azar das catracas eletrônicas. Azar do pão francês.

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Relações exteriores
A Índia que o Brasil deveria ver

Com reformas corajosas, abertura econômica e simplificação burocrática, a Índia que Lula visitou se tornou um país emergente considerado por muitos analistas mais promissor que a China

Eurípedes Alcântara

Ed Ferreira/AE

Lula na festa nacional da Índia: o lado pitoresco é o menos interessante

O programa educativo de milhagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prosseguiu na semana passada com uma viagem de quatro dias à Índia. País de cultura milenar, até 1947 uma colônia inglesa, a Índia nos últimos anos está ganhando espaço no cenário mundial com crescimento econômico acelerado e o perfil de uma potência comercial no campo da alta tecnologia. Lula acredita no poder das viagens. No começo da vitoriosa campanha eleitoral que o levou à Presidência da República, ele dizia ser o maior conhecedor do Brasil por ter viajado o país "de norte a sul, de leste a oeste".

Na Índia, para uma platéia de empresários brasileiros e indianos, ele conclamou os exportadores do Brasil a "vender mais e reclamar menos". No dia seguinte, disse que sua bronca valia apenas para os "empresários que não viajam e ficam no país esperando milagres". Com a compra de um Airbus zero-quilômetro, que está sendo adaptado para o uso presidencial, o modelo itinerante de governo é, até agora, a marca registrada de Lula no poder.

Na Índia, o presidente exibiu uma permanente expressão de espanto diante dos cenários pitorescos, elefantes e camelos da parada de comemoração ao Dia da República a que assistiu como convidado de honra. Lula e comitiva despediram-se do país sem um comentário sobre a revolução comercial, de costumes e de modernização econômica da Índia, um processo que, em alguns aspectos, poderia ser de muita utilidade para o Brasil. Sua guinada para a economia de mercado aberta e competitiva veio com atraso em relação à vizinha China e aos demais países emergentes, mas foi a que mais resultados conseguiu no curto prazo. No fim dos anos 80, a Índia era uma ostra.

O capital estrangeiro só podia entrar no país em associações minoritárias com os empresários locais, em geral testas-de-ferro de políticos corruptos. Isso acabou. Andy Grove, o fundador da Intel, fabricante de chips de computador que domina o mercado, fez recentemente um resumo da formidável guinada indiana: "Em pouco mais de dez anos de agressiva abertura econômica, a Índia plantou as raízes de uma promissora democracia de mercado e, nesse ritmo, pode ameaçar até a China como país emergente mais promissor". A Índia é o único lugar fora dos Estados Unidos em que a Intel, além de fábricas, montou um avançado centro de pesquisa e desenvolvimento de novos chips.

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Ed Ferreira/AE

O presidente indiano, Abdul Kalam, em conversa com Lula no palácio de Rashtrapati, onde o brasileiro se hospedou

O país acordou para as reformas quando estava à beira do caos, no começo da década passada. Melhorou muito nesse período, mas seu déficit social é ainda atemorizador. Todo viajante brasileiro se espanta com o grau de miséria e sua exibição pública na Índia. O país ocupa o 127° lugar no IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. O Brasil é o 65º colocado. Mais de um terço dos indianos, cerca de 350 milhões, sobrevive com menos de 1 dólar por dia. Multidões nascem, vivem e morrem nas ruas das grandes metrópoles como Bombaim (hoje, Mumbai) e Calcutá sem nunca ter tido um teto. O número absoluto de analfabetos é o maior do planeta, mais de 300 milhões. Vastas regiões do país vivem em constante estado de tensão em virtude do conflito religioso entre muçulmanos e hindus. O Brasil tem um dos maiores graus de mobilidade social do mundo. No extremo oposto, a sociedade indiana sofre o mal terrível da estratificação social imutável. Os seguidores do hinduísmo, a maioria religiosa do país, dividem-se ainda em castas. O último censo indiano mostrou que existem 150 milhões de párias, ou "dalits" ("intocáveis"), a escala mais baixa do sistema de castas. A maioria dos "dalits" são serventes e faxineiros. A simples existência deles é uma vergonhosa herança cultural que uma Índia moderna terá de confrontar.

AP

Escola na região de Bangalore: obsessão pela alta tecnologia

Mas muita coisa está sendo feita para melhorar a situação. Aos poucos começa a ser contada no Ocidente a luta de uma vanguarda de empresários, políticos visionários, economistas e intelectuais indianos para modernizar um país culturalmente acomodado e miserável. Há cinco anos a economia indiana vem crescendo em média 6% ao ano. É o dobro do ritmo de crescimento da economia mundial no período, quase o triplo do brasileiro. Desde 1995, o tamanho da classe média indiana dobrou, chegando a quase 100 milhões de pessoas. "Nossa onda de reformas foi bem-sucedida porque mexeu com todos os aspectos de nossa vida, especialmente nossa resistência cultural a tudo que vem de fora", diz Atal Behari Vajpayee, o primeiro-ministro indiano, de 79 anos.

A Índia tomou medidas drásticas para exorcizar a lembrança de um país que hostilizava os estrangeiros. Investidores de fora podem agora ser donos de 100% de quase todo tipo de negócio no país. Exceção quase simbólica ainda são os bancos, cujos sócios estrangeiros podem ter no máximo 98% das ações. Marcas famosas que foram clonadas e pirateadas na Índia, prática corriqueira no passado, podem hoje ser retomadas sem burocracia por seus legítimos donos. Ainda assim, em virtude da pesada herança de abusos, a Índia recebeu, em média, apenas um décimo do investimento estrangeiro que foi para a China anualmente na segunda metade da década passada. Cerca de 4 bilhões de dólares contra 50 bilhões de dólares. "É pouco dinheiro de fora, mas seu valor vem dobrando a cada ano", lembra o primeiro-ministro Vajpayee. A grande aposta atual do governo indiano é a aprovação pelo Parlamento da lei que dá origem às SEZ, zonas especiais de economia, que, a exemplo da experiência chinesa, pretendem criar regiões desburocratizadas, com tarifa zero de importação e com foco nas vendas externas.

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Em 1999 havia um único shopping center na Índia. Hoje são mais de 150, e a classe média cresce a cada ano

O governo indiano vem dando sua contribuição com o aumento da oferta de crédito às empresas, com a punição dos corruptos e a diminuição dos impostos e da imensa árvore burocrática. A Índia também vem acumulando reservas internacionais. Com mais de 100 bilhões de dólares em caixa, o país tem dinheiro suficiente para pagar todas as suas obrigações externas pelos próximos dois anos mesmo que não atraia nem um dólar e não exporte nada. Na semana passada, a agência internacional de avaliação de risco Moody's Investors Service elevou a Índia à categoria de "grau de investimento". Com isso, a Moody's informa a seus clientes que os riscos de colocar dinheiro na Índia, segundo sua avaliação, não são muito diferentes dos de investir na Europa ou nos Estados Unidos. O México já havia conquistado essa avaliação há dois anos. Também estão nesse caso países como El Salvador, Cazaquistão e Rússia, entre os mais inesperados. O Brasil está cinco degraus abaixo deles todos. "Os indianos estão fazendo um esforço gigantesco para criar um ambiente oficial favorável aos negócios. Até a corrupção e as fraudes, quase um monopólio estatal na Índia pré-reforma, agora ocorrem mais dentro das próprias corporações sem envolvimento de funcionários públicos", diz Norman Inkster, da empresa de consultoria KPMG.

A mais extraordinária face da revolução indiana é seu foco naquilo que a elite do país tem de melhor, a competência acadêmica nas áreas de matemática, física e, mais recentemente, de software. Uma das heranças mais marcantes dos três séculos de dominação britânica na Índia é o sistema de ensino. Os ingleses deixaram na antiga colônia o gosto pelas ciências exatas e uma tradição de ensino rigoroso e criteriosa avaliação de desempenho. "Esse foi um dos poucos casamentos férteis entre as duas culturas, a européia e a nativa indiana", diz o escritor V.S. Naipaul, de origem indiana mas que só conheceu o país de seus avós já adulto, em 1962. Seis indianos já foram agraciados com o Prêmio Nobel. O poeta Rabindranath Tagore, autor também do hino nacional da Índia, inaugurou a fabulosa tradição em 1913, agraciado por seus escritos em língua inglesa.





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Doce Morena

Juliana Knust, a Sandra de Celebridade, brilha com seu jeito de boa moça e figurino carioca dentro e fora da televisão
Clarissa Monteagudo



Com estilo romântico e contemporâneo, Juliana usa blusa com estampa floral (R$ 119), bermuda e sandálias da marca Salinas (R$ 99 e R$ 39, respectivamente)

Quero ser a Sandra. É esse o desejo das adolescentes que abordam a atriz Juliana Knust, 22 anos, nas ruas. Destaque em Celebridade, a personagem virou sonho de consumo das meninas: divide-se entre os galãs Paulo Vilhena e Bruno Gagliasso, é a sobrinha gente-boa e queridinha de Maria Clara Diniz, além de exibir um figurino e um bronzeado capazes de encher os olhos femininos e masculinos. Apesar dos boatos que ora lhe fazem de par de Bruno, ora a apontam como namorada de Paulinho na vida real Juliana, aos 22 anos, garante que está solteira. E até admite uma certa carência, agora que está morando sozinha e terminou um namoro de quatro anos e meio. Eu me sinto sozinha, principalmente porque saí da casa dos meus pais, estava acostumada ao movimento. Agora, bate uma tristeza, uma certa deprê, mas não deixo tomar conta de mim. Ligo para amigas, vou ao cinema, tudo para melhorar o astral. Até namorando a gente tem que ter consciência de que é capaz de se fazer feliz sozinho, prega.

Se pudesse escolher entre o tímido Inácio, de Bruno, e o sedutor Paulo César, Juliana não pensaria duas vezes: O surfista é mais atraente, é o garotão do Rio de Janeiro. Mas para namorar, a história seria outra: O Paulo César seria para curtir e o Inácio para ficar mais sério. Homem galinha não dá, decreta a moça, criada em Niterói. Aos 15 anos, Juliana estreou na TV como a gorducha Laura, de Malhação. Teve que ganhar oito quilos para viver a personagem. Aceitei na hora. Fiquei feliz porque estava trabalhando. Mas paguei um certo preço, meu metabolismo mudou muito, era muito nova. Hoje, tenho certa tendência a engordar, estou sempre fazendo regime, conta a moça, que chegou a passar mal por exagerar na dieta. Agora, mais equilibrada, nem os boatos sobre namoros a perturbam. Não quero ficar tachada como a garota que quer beijar na boca, zoar e curtir. Minha mãe, quando ouve um boato sobre mim, me liga para saber se é verdade. Mas sou tranqüila. Não gasto energia com o que não merece, resume.

Virgem

FIGURINO. Segundo a figurinista Marília Carneiro, o visual criado para Sandra, personagem de Juliana na novela Celebridade, tem a cara do Rio: Misturo peças meio patricinhas e meio românticas, diz Marília.

SEXO. A grande expectativa do público sobre Sandra é a perda da virgindade. Nunca fiz cena de sexo, mas confio no Dennis (Carvalho, diretor da novela). Não será preciso mostrar muita coisa, espera Juliana.

LIVRE. Morando num apartamento no Recreio dos Bandeirantes, Juliana está aproveitando a recém-conquistada liberdade. A casa tem meu jeito, as coisas que eu gosto, eu vejo filmes na hora que eu quero. Estou me conhecendo melhor.

NOVELA. Aposta de Gilberto Braga, Juliana, que começou a estudar teatro aos 12 anos, confessa ter sentido frio na espinha ao estrear na trama. Nas primeiras gravações, estava insegura, mas todos me ajudaram à beça.

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BOTAFOGO
É hora de vencer ou chorar
Após a derrota para o Americano, Botafogo pega a Portuguesa e novo insucesso praticamente o afasta da luta pelo título
José Luiz de Pinho

Ou vence a Portuguesa ou praticamente dá adeus ao título da Taça Guanabara. Esta será a realidade do Botafogo quando a bola rolar hoje, às 16h, no Estádio Luso Brasileiro, pelo Grupo A do Estadual. O Alvinegro está em terceiro lugar com três pontos, atrás de Vasco e Americano, que têm seis, mas o técnico Levir Culpi se recusa a assumir que a situação é crítica.

Todos sabem da importância da vitória e queremos vencer o jogo. Mas outros dois resultados são possíveis e se isso acontecer ainda poderemos ter uma combinação matemática que nos permitirá chegar ao título. Não acho absolutamente que o sinal de alerta esteja ligado para nós, afirmou o treinador.

Além da Portuguesa, que também soma três pontos no Grupo A, Levir está preocupado com as condições do Estádio Luso-Brasileiro, historicamente famoso pelo forte vento, que favorece a quem joga a favor dele.

Além do vento, não sabemos como estão as condições do gramado e o sol forte também é motivo de preocupação, admitiu.

Levir admite que o momento não é dos melhores para a equipe alvinegra, que carece de entrosamento. Ele ainda não pode contar com todos os titulares desde o início da competição. De fato, a condição de estrutura é muito ruim para nosso time se impor como Botafogo. Ainda não pudemos escalar sequer a equipe base devido às lesões. Mas esse ano tem tudo para ser melhor para o Botafogo do que em 2003, garante ele.

Como de hábito, ontem Levir não revelou a escalação, que só será anunciada hoje, momentos antes da partida. Mesmo com a recuperação de Camacho e Túlio, que estão livres das lesões no púbis e treinaram normalmente com bola, o técnico evitou confirmar suas estréias no Estadual.

Não queremos correr riscos, até porque dois ou três jogadores de outros clubes (entre eles Romário e Edmundo) já se machucaram e isso é perigoso. Vamos aproveitá-los na medida do possível. A maior preocupação é quanto tempo eles terão condições de jogar e não se vão entrar de início, disse Levir, que deve barrar Gedeil para a entrada de Túlio. Outras alterações certas: a entrada de Jorginho Paulista no lugar de Renatinho e a do atacante Hugo na vaga de Alex Alves, expulso contra o Americano.

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Ricardo Silvestrin
31/01/2004


O eterno retorno

Estava na praia, lendo feliz da vida História da Eternidade, do Jorge Luis Borges. No capítulo A Doutrina dos Ciclos, Borges fala sobre a idéia da repetição. Citando Nietzsche: "Esta lenta aranha arrastando-se à luz da lua, e esta mesma luz da lua, e tu e eu cochichando no portão, cochichando sobre coisas eternas, já não coincidimos no passado? E não voltaremos a percorrer o longo caminho, esse longo e terrível caminho, não voltaremos a percorrê-lo eternamente?"

Mais do que tomar partido, em três ensaios Borges passeia entre os diversos pensadores, desde Platão, que abordaram temas como eternidade, retorno, regresso. O mais bonito do livro, e talvez o mais bonito da obra de Borges, é o seu distanciamento reflexivo. As afirmações, os conceitos, as aventuras do pensamento são matéria para Borges extrair percepções, sensações e conclusões que mais do que fechar, abrem.

Olha só essa: "Em épocas de apogeu, a conjetura de que a existência do homem é uma quantidade constante, invariável, pode entristecer ou irritar: em tempos de decadência (como estes), é a promessa de que nenhuma afronta, nenhuma calamidade, nenhum ditador nos poderá empobrecer". A quantidade constante se refere ao que estaria na base da idéia do Eterno Retorno: o número finito de átomos que compõem o mundo. Sendo, portanto, finitas as combinações possíveis entre esses átomos. A partir disso, num determinado tempo, o mundo tenderia a se repetir. Quem nunca ouviu falar disso, como eu nunca tinha ouvido, deve achar que viajaram na maionese. Mas Borges não refuta nem confirma. Apenas mostra como esse pensamento pode servir para se pensar sobre ele. E o pensamento de Borges serve para eu pensar sobre.

E o meu serve para você pensar também. Infelizmente, o descanso na praia não foi regido pela idéia de eternidade. Acabou. Voltei para Porto Alegre e para tudo que a cidade me cobra diariamente. Já o eterno retorno se confirmou ante os meus olhos: fui ver Tangos & Tragédias acho que pela quarta vez. Pela teoria dos átomos acima, agora me dou conta, talvez não fosse o mesmo espetáculo. Talvez o Nico e o Hique fossem outros em outro tempo. E mesmo eu talvez fosse outro sem saber. E a Dona Eva Sopher na porta? Quantas Evas já teriam sido? Será que ela não é a Eva mesmo, lá da Bíblia? Levei minha filha, que tinha visto o espetáculo aos cinco anos. Hoje ela tem 15 e queria ver de novo.

Meu filho de seis anos também foi. Pela primeira vez? Na tarde do sábado, antes de ir ao show, estava cortando o cabelo. No salão, uma mulher falou para outra sobre a ida ao Tangos. Era a sua primeira vez e tinha adorado. A amiga nunca tinha ido. Fiquei pensado que era incrível, mas ainda existia gente que nunca tinha visto. À noite, o Theatro São Pedro estava lotado. E é assim em quase todos os dias das temporadas.

O roteiro do show mudou um pouco. Está com falas mais longas, às vezes beira mais o teatro. Mas o que sobrevive sempre é o talento musical dos dois. Nico é o máximo. Forte, irônico, lírico. É o mesmo desde o Saracura. Aliás, o fato do Saracura nunca ter voltado é o maior furo da lei do eterno retorno. Hique é magnético. Seus olhos sozinhos, sem o corpo, já bastariam para fazer o espetáculo. Repetir que a Sbórnia era ligada ao continente por um istmo é um convite irrecusável. Se eu vivesse 300 anos, repetiria.

E dizer que Nietzsche formulou tudo sem ver o Tangos & Tragédias. Ou, tudo o que formulou, era, sem ainda ser, Tangos & Tragédias.

ricardo.silvestrin@zerohora.com.br

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Lya Luft
31/01/2004


O enroladinho verde

Com as perdas, só há um jeito: perdê-las. Com os ganhos, o melhor é saborear cada um como uma fruta boa. Porque louco a gente pode ser, mas bobo demais, aí não merece mesmo. "Às vezes é preciso mergulhar e depois ver no que dá", me disse alguém, e eu sempre gostei dessas frasezinhas que de "-inhas" só têm a aparência, pois são sábias feito aquelas de minhas avós: "Mosca de tamanquinho, vai chover na certa".

Minha neta arregala os olhos: "Mosca não usa tamanco". Falei do tempo em que as coisas eram menos assépticas e pareciam menos complexas. Protegiam-se as comidas com umas redomas de vidro, e as camas com mosquiteiros. E falei do enroladinho que queimavam no verão pra espantar mosquito - e o nome que me foge agora? (Se queimasse hoje, as crianças todas teriam convulsões, os neurônios entrando em circuito, todo mundo tão fragilizado.)

E quando alguém chegava da escola com piolho, a mãe enchia a cabeça da criança com Neocid em pó, botava touca de banho, e a meninada ficava uma hora com aquilo na cabeça, porque os irmãos iam pegar na certa. Ninguém morria, ninguém ficava louco, nem com meningite, nem ao menos dor de cabeça. Mas meus filhos, lembrando que fiz isso com eles certa vez quando pequenos, hoje em dia morrem de rir, mal acreditando que sobreviveram, junto com todos os de sua geração, à medicina doméstica de suas mães. E à psicologia da chinelada, da grana curta, de zero shopping, de zero grife, de rédeas muito curtas.

Não sou saudosista: prefiro computador a máquina de escrever, avião a carroça, vidro elétrico ao de maçaneta na janela do carro. Lembrei! O enroladinho verde chamava-se "boa-noite". Na minha infância aquele era o cheiro de Torres no verão, junto com o de creme Nívea - pois filtro solar obviamente não existia. Mas tanta coisa não existia, boa ou ruim. Neurose, por exemplo: havia menos, ou não se comentava. Ou a gente simplesmente convivia com ela, e acabou-se. Burrice sempre houve; preconceito havia muito mais, o que era uma pobreza.

O começo poético-filosófico desta crônica afinal deu em piolhos e Neocid em pó: paciência. As coisas eram assim. Hoje estamos muito mais informados, mais higiênicos, mais sérios. Talvez um pouco mais cínicos também. Mas isso é assunto pra outra crônica.

lya.luft@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
31/01/2004


Uma réstia de luz

A constatação da Corregedoria-Geral da Justiça gaúcha de que 70% dos crimes são praticados por ex-detentos e de que 70% dos ex-detentos voltam a delinqüir é ao mesmo tempo desanimadora e instigante.

Esse diagnóstico, que foi exposto em um seminário realizado anteontem na Ajuris, contém a chave da solução para estancar o crescimento em espiral da criminalidade.

Em muito boa hora o corregedor-geral da Justiça, Marcelo Bandeira Pereira, e o juiz-corregedor Jorge Adelar Finatto estão levando à frente um projeto em que o presidiário cumpre sua pena trabalhando, produzindo, educando-se, sem ócio.

Os corregedores afirmam que dificilmente um condenado volta ao mundo do crime quando recebe atendimento adequado, formação profissional e ocupação que o habilitem a sobreviver através do trabalho honesto quando deixar a prisão.

E a Corregedoria-Geral da Justiça, em parceria com mais de 20 entidades da sociedade civil, além de vários órgão públicos, entre eles, é lógico, a Secretaria da Justiça e Segurança, está já transformando alguns pólos penitenciários gaúchos em centros de trabalho, ensino profissionalizante e educação.

A iniciativa de ofertar trabalho aos apenados, que conta já com apoio de várias empresas, é um marco que poderá vir a se tornar revolucionário em nosso meio prisional.

E já é uma realidade. Que os presos trabalhem enquanto cumprem suas penas, isso é um consenso entre nós. Mas as mangas dos idealistas foram arregaçadas e é preciso que os gaúchos dêem força a esse projeto (Trabalho para a Vida), sem dúvida alguma a semente que poderá vir a ser redentora do nosso sistema penal e penitenciário, paralelamente a única maneira de atacar o aumento fenomenal da criminalidade.

Na verdade, a ressocialização dos apenados é um dever do Estado. A opinião pública tende a satanizar os criminosos, mas os presos não têm culpa de serem reduzidos a indivíduos ociosos dentro dos presídios.

E é evidente que alguém que cumpra uma pena longa por um crime, sem ter qualquer oportunidade de trabalho quando alcança a liberdade, terá de novamente delinqüir.

Afirmam os corregedores que não é justo que o contribuinte continue pagando - e muito caro - para manter presídios onde se encarceram pessoas de qualquer jeito, sem estrutura física necessária e sem condições de torná-las mais úteis para si e para suas famílias.

A única forma de mudar este estado de coisas, diminuindo o flagelo da reincidência criminal, é dotar o preso de atividade profissional, oferecer-lhe trabalho e oportunidade de aprendizado que possa encaminhá-lo à recuperação quando do fim da pena.

Este é o caminho. Mesmo que seja dotada dos recursos mais modernos, uma penitenciária se torna danosa ao interesse público e à regeneração dos detentos se eles não tiverem atividade útil e produtiva.

Por isso é que se lança sobre este dramático problema a luz da atividade laboral dos detentos.

Essa idéia e essa prática já iniciada não podem parar. Esse é o segredo para tirar dos presídios o estigma de depósito infernal de seres humanos.

Só melhorando a vida nos presídios melhorará a vida dos que estão do lado de fora.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Litoral
Troca de mês, tempo bom e feriadão



Freeway registrou no final da tarde de ontem seu maior movimento de janeiro em direção ao litoral gaúcho (foto Mauro Vieira/ZH)


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Sexta-feira, Janeiro 30, 2004




Alma do social
Patrus Ananias, mineiro de fé, é escalado para fazer e acontecer

Luiz Cláudio Cunha

O sertanejo Luiz Inácio Lula da Silva teve que ser, antes de tudo, um forte para não cair no choro diante do amigo José Graziano, que ele demitira, na semana retrasada, do Ministério da Segurança Alimentar e Combate à Fome. No dia seguinte, foi o contrário.

Quando Lula mirou nos meus olhos e me disse que eu seria ministro, tive que fazer força para não chorar, confessou, com seu jeito mineiro, Patrus Ananias, resistindo bravamente à emoção, numa das posses mais festejadas da frenética terça-feira 27 que atravessou a Esplanada. Ao lado do deputado federal do PT mais votado na história de Minas Gerais (520 mil votos) estava o presidente da República em exercício, o conterrâneo José Alencar, e assessores muito especiais de Lula, como Frei Betto e o secretário particular Gilberto Carvalho. Na platéia, mais sete ministros e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), que Patrus certamente enfrentaria nas prévias se Lula não o tivesse escolhido para suceder Benedita da Silva na extinta pasta da Ação Social agora renascida com o novo Ministério do Desenvolvimento Social, que agrega os programas Fome Zero, de Graziano, e Bolsa-Família, de Ana Fonseca.

Patrus, que chegou a ser cotado para vice na chapa de Lula, é a bala de prata do Palácio do Planalto para atingir o coração da questão social, o nervo exposto de um governo petista que surpreendeu pela firmeza na economia e impressionou pela flexibilidade na política.

Aliados históricos do PT, como o bispo de Nova Iguaçu, dom Mauro Morelli, e a médica Zilda Arns, têm criticado a surpreendente apatia do governo na implementação do Fome Zero, cartão-postal do governo Lula perante o mundo. O governo não chega aos bolsões da miséria, condena a irmã do cardeal emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns. Na quarta-feira 28, no Planalto, um dia após a posse, Patrus já anunciava: Vou procurar o meu amigo dom Mauro e dona Zilda, com quem trabalhei na Prefeitura de Belo Horizonte, na Pastoral da Criança. Devoto praticante que vai à missa e cita a Bíblia, Patrus, 52 anos, casado, dois filhos, é um militante da esquerda católica que reconstrói pontes históricas para o PT e vai além delas. Sou ecumênico. Vou procurar também igrejas protestantes, evangélicas, espíritas, das tradições afro-brasileiras, todo mundo que possa contribuir no combate à fome e à exclusão social, garantiu Patrus a ISTOÉ.

Solidariedade Com a cabeça inspirada em Cristo, Gandhi, papa João XXIII, Marechal Rondon e Betinho, seu conterrâneo da pequena Bocaiúva, cidade de 45 mil habitantes e 375 quilômetros ao norte de Belo Horizonte, Patrus tem os pés solidamente plantados no chão da realidade. Horas antes de assumir, foi rezar o salmo com o santo da economia, o ministro Antônio Palocci. Dono de um orçamento de quase R$ 15 bilhões, Patrus sabe que não tem a maior fatia da Esplanada, mas não será um ministro chorão: Estou no governo para somar. Sei que cofre não produz dinheiro. Às vezes, agimos como a criança que pede dinheiro ao pai e, diante da negativa, insiste: Então, dá um cheque, pai. Dinheiro não é mágica, disse ele, lembrando sua velha amizade com o ministro, no tempo em que um era prefeito em Ribeirão Preto e o outro, em Belo Horizonte. Sob o comando de Palocci, Patrus integrou a equipe de transição para escrever o capítulo de políticas sociais do governo Lula.

Ele discorda de quem amaldiçoa as marcas do governo na área social. Acho notável que, já no primeiro ano, o governo Lula esteja atendendo 3,6 milhões de pessoas com o Bolsa-Família, aponta, citando o programa que engloba a bolsa-escola, o vale-alimentação e o vale-gás. Só 100 dos 5.561 municípios ainda não conhecem o programa, que atinge hoje 13 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza, com uma renda per capita menor que meio salário mínimo, R$ 120. Mas ainda é pouco diante da meta de atingir até 2006 todos os 41,4 milhões de pobres do Brasil, quase um quarto da população de 178 milhões de habitantes, na estimativa do IBGE. O desafio é grande, mas ninguém parece mais preparado que Patrus Ananias para reverter estes números. Sua experiência na Prefeitura de Belo Horizonte, entre 1993 e 1996, é exemplo histórico na administração brasileira, reconhecido dentro e fora do País.

Ministro vai procurar dom Mauro e Zilda Arns (à dir.), críticos do Fome Zero

Em quatro anos, deu abrigo a 620 dos 750 meninos que viviam nas ruas da capital, criando equipes de futebol e peteca nos campos de várzea dos subúrbios. Destinou 37% do orçamento da terceira maior capital do País para a educação, ampliando a rede em 20 mil vagas. Criando hortas escolares e comunitárias, tirou atravessadores do mercado e assumiu 15% do total de 12 mil toneladas mensais de frutas e legumes consumidos na capital. Assim, os sacolões de Patrus reduziram em até 56% os preços dos alimentos em BH, num programa que acabou reconhecido e premiado pela ONU.

Em 1995, de 11 capitais pesquisadas pelo Dieese, Belo Horizonte foi a que registrou menor variação da cesta básica (0,86%). Famílias de baixa renda cadastradas no programa compravam comida com 50% de desconto. Ali nasceu o primeiro restaurante popular do País, ao preço de R$ 1, que também fornecia mil marmitex mensais aos desabrigados pelas chuvas. Num programa de causar inveja a Ricardo Berzoini (ex-Previdência), Patrus criou albergues e repúblicas que atendiam 52 grupos de convivência e 3.700 idosos. Ele descobriu os catadores de lixo: alugou três galpões e criou um sistema de coleta seletiva que chegou a recolher 50 toneladas diárias de papel e papelão, evitando o corte diário de 1.750 árvores. Hoje, os catadores têm um bar cultural e abrem o Carnaval da cidade com sua escola de samba. Este é o homem que Lula catou para reciclar a fome de justiça do País.

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Arte e botões
Livro conta um pouco da história da moda para o público infantil



Alegre: o título tem um design diferente, com colagens coloridas e figuras de costura e bordados

Carla Gullo

Moda: uso, hábito ou estilo geralmente aceito. Variável no tempo e resultante de determinado gosto. Assim o dicionário Aurélio resume uma das palavras mais ouvidas nos últimos tempos especialmente nesta época de desfiles. Para os adultos é fácil entender este movimento constante de aparências e comportamentos. Mas e as crianças? Como ficam diante de tantas mudanças, cada dia mais rápidas? Pensando nisso, a professora de história da arte e escritora Kátia Canton e a artista plástica e estilista Luciana Schiller, de São Paulo, resolveram contar um pouco da trajetória da moda em um livro direcionado para os pequenos. Com linguagem fácil e visual divertido, a obra, intitulada Moda, uma história para crianças (Ed. Cosac & Naify, R$ 39), mostra, por exemplo, como homens e mulheres se vestiam na pré-história, no Egito de Cleópatra e na Grécia Antiga. Também conta que os nobres, à época de Luís XIV, ficavam horas no espelho moldando suas perucas cacheadas.

Mas o livro não se resume a dados cronológicos. Um capítulo é dedicado às curiosidades, no qual é contada a origem do spencer aquele casaquinho que tem a parte de trás menor do que a frente. É que um lorde inglês chamado Spencer sem querer queimou as pontas do paletó na lareira e deu origem à peça. Outro trecho do livro mostra a relação entre moda e arte, com a influência da bailarina Isadora Duncan e suas túnicas leves e soltas e também do russo Nijinski, que inovou pondo cores fortes no palco. A idéia do livro é ampliar a noção de moda. Por isso falamos também de arte e literatura, diz Kátia Canton. A intenção é despertar a curiosidade das crianças por este espelhamento do tempo, completa ela. Com mais de 20 livros dedicados às crianças, Kátia sabe o que está dizendo. Tanto que o livro é bem diferente de um convencional. O design, concebido por Luciana Schiller, é na forma de álbum, com colagens coloridas, e tem ainda recursos de costura e bordados, assinados por Anete Miyazaki. Inteiramente feito à mão sobre papel craft, o livro vem com uma charmosa bolsa artesanal.

Diferente: em forma de álbum, o livro vem acoplado em uma bolsinha artesanal

E, nesta história, os meninos também têm vez. Eles vão saber, por exemplo, que os uniformes de futebol foram criados na Inglaterra, em 1875. Para reconhecer os jogadores, colocavam-se os respectivos nomes nos calções. Só mais tarde passaram a pôr os números nas roupas. A gravata também está retratada: ela surgiu na época do rei Luís XIV para enfeitar e tampar os botões das camisas dos cavalheiros da corte. O livro é alegre e curioso. Só não dá para esperar muita profundidade e explicações. Afinal, como disse Kátia Canton, o objetivo é despertar a já aguçada curiosidade infantil.

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O Dia da Saudade

Hoje é o dia da saudade
Hoje é feriado
É o dia da saudade

Hoje eu vou beber para celebrar
O aniversário do seu Gaspar
Deve ter festa em algum lugar

Hoje não tem aula pra garotada
Velhas de varizes na calçada
(Solta a saudade)

Para o campeão do melhor glutão
Um pé de macarrão
Um palhaço que come lixo
Limpa a avenida para o bloco do chorão passar

Raul Seixas

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FLUMINENSE X CABOFRIENSE
Ô Urubu, pode esperar...

Torcida tricolor provoca o rival de domingo durante a tranqüila vitória do Fluminense sobre a Cabofriense, ontem, por 3 a 0
Mesmo sem Romário, o Fluminense confirmou o favoritismo e venceu, ontem, a Cabofriense, no Maracanã, por 3 a 0. Edmundo foi novamente um dos destaques. Além de belas jogadas, o atacante voltou a deixar sua marca. Mas, no segundo tempo, saiu com suspeita de contratura muscular e passa a ser dúvida também para o Fla-Flu de domingo.

O resultado deixa o Tricolor na liderança do Grupo B, com seis pontos, dois a mais que Rubro-Negro. A torcida, eufórica, deixou o estádio provocando o rival: O urubu, pode esperar, a tua hora vai chegar.

Com uma postura ofensiva, o Tricolor não fez muito esforço para assegurar a vitória. Logo aos 3 minutos, Ramon tentou uma bicicleta, escorando cruzamento de Leonardo Moura ¿ a bola explodiu em Bechara.

A Cabofriense assustou, aos 13, numa cabeçada de Celso. O torcedor lamentava a ausência do Baixinho. Até porque, a camisa 11 não foi bem representada. O jovem Marcelo tabelou, chamou o jogo, mas pecou na hora da conclusão. Foi assim aos 20, ao chutar fraco, em cima de Flávio, o rebote de um escanteio.

Foi preciso os ¿velhinhos¿ da sub-40 ensinarem como se faz. Aos 24, Ramon cobrou falta da esquerda, Edmundo, mesmo entre dois marcadores, cabeceou no ângulo direito do goleiro: 1 a 0. Quatro minutos depois, Marcelo mostrou que não aprendeu a lição. Após receber em profundidade, o atacante, livre, chutou nas pernas de Flavio.

Entre os novatos, um em especial estava com fome de bola: Rodolfo, reserva na fracassada campanha da Seleção sub-23 no Pré-Olímpico. A vontade de festejar com a torcida era tanta que, aos 38, ele caprichou na cobrança de falta sofrida por Edmundo e acertou o ângulo esquerdo de Flávio: 2 a 0. Aos 41, Marcelo mais uma vez decepcionou, carimbando a trave, sozinho na pequena área.

No segundo tempo, o ritmo foi ditado de novo pelos mais experientes. Aos 20, Marcão, aproveitando cruzamento de Júnior César, emendou de primeira, guardando no ângulo direto. A baixa ficou por conta de Edmundo. O Animal queixou-se de dores no músculo posterior da coxa esquerda e foi substituído. Hoje ele será reavaliado para se conhecer a gravidade da lesão.

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David Coimbra
30/01/2004


Vacas, galinhas e dragões

Esse Dragão de Comodo. Nem sabia que existia Dragão de Comodo. Aí vi um na tevê a cabo. Nossa! Um bicho do tamanho de um Fuca. E brabo, comedor de gente.

A mesma coisa sessão de descarrego. Jamais havia testemunhado uma sessão de descarrego, até que liguei a tevê, fiquei ali, clic, clic, no controle remoto, e olha só: uma sessão de descarrego. O pastor me mandando colocar um copo d´água em cima da tevê. Será que não é perigoso isso? O copo cai, molha a tevê, a tevê estoura. Será que a bênção pega, se a tevê estourar?

Enfim. Também me espanto com o número de pessoas que escalam coisas ou se jogam de coisas gritando urru e contando que aquilo é adrenalina pura. Vou zapeando e, entre um documentário e outro a respeito da ferocidade do tubarão, dou com alguém proclamando:

- Urru! Adrenalina puuuuraaaa!

Outra: não fazia idéia de que havia tamanha quantidade de temas a se debater. As pessoas debatem a todo momento, na tevê a cabo. De onde tiram tanto assunto?

A tevê a cabo tornou o mundo maior. Com a tevê a cabo, compreendi que há pessoas que possuem meias que não rasgam nem se um gato afiar as unhas nelas, que há quem entre em leilões para compra de tapetes, que alguns sujeitos ganham dinheiro levantando pneu de trator.

Só que a tevê a cabo também alterou as preferências estéticas do brasileiro. Os seios. Acabou-se a era dos seios que cabiam na palma da mão. De tanto ver loiras com seios do tamanho de bolas número 5, o brasileiro mudou de gosto. Donde o silicone. Tanto silicone... Não sei se posso perdoar a tevê a cabo por isso.

Imagino a cara do chinês que viu a primeira galinha espirrar. Uma galinha gripada, que coisa. Isso na China, bem entendido. Mas nós aqui, nós o dia inteiro manejando a Internet, nós folheando todas as revistas publicadas sobre tudo, nós que assistimos à tevê a cabo, nós não nos surpreendemos mais com galinhas resfriadas, vacas enlouquecidas, não nos surpreendemos mais com nada. Ontem mesmo, testei minha faxineira. Cheguei à cozinha. Ela passava roupa cantando você é assiiim, é tudo pra miiim. Comentei:

- As galinhas estão ficando gripadas, lá na China.

Ela me olhou. Respondeu:

- Sei - e baixou a cabeça para a roupa e continuou:

- Quando eu não te vejo...

Insensíveis. A tevê a cabo nos transformou todos em insensíveis.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Gabriel Moojen
30/01/2004


Tudo começa com a palavra

Segunda: Hoje tivemos nossa primeira reunião de pauta do Patrola da TV com o pessoal da Zero Hora. Sabe que tudo começa com a palavra. Lembra da Biblia? No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus. E Deus disse: Faça-se a luz, e a luz se fez. O negócio começou assim. com uma palavra. Vamos fazer?

Terça: Acordo pensando em o que escrever. O que já fiz? Patrola, Chapa Quente na Atlântida, meu livro de contos Histórias Tatuadas. Peço licença para transformar o espaço em uma espécie de blog. Tá blogado na minha então! Uma espécie de reality show da escrita. Agora estou na redação da TV. Cheguei hoje do Planeta de Santa. Gostei do show do Charlie Brown. Choveu muito e todo mundo dançou.

Quarta: Tenho medo de escrever. As coisas escritas têm poder. Do meu livro, eu tiro uns contos e arrancaria muitas páginas. Quando falo na TV a coisa se vai no momento em que é exibida. Mas aqui, no papel, esse texto fica me olhando por anos, e as mudanças acontecem...

Quinta: Laura editou o quadro do Quase Famosos e eu quase não apareci. Ela sempre faz assim. A Joice teve um ataque porque eu atrasei com a equipe de externa, e nesta semana não discuti com a Mauren porque ela está viajando. A gente briga, mas se diverte um bocado. A vida de uma equipe de TV é como a de uma família.

Sexta: Hoje estréia o caderno. Que tenha sucesso. Fico feliz se vc chegou a ler até hoje. Sinal de que a coluna funcionou. Toda sexta estarei aqui. Vc pode me escrever tbm.

Vc pode participar de algum modo desse caderno, desse programa, dessa história. Afinal, o que eu quero não é muito. Tipo, mudar o mundo, ver alguém sorrir, nada de terrorismo nem guerra. Quem não se comunica se trumbica, dizia o Chacrinha. Quem fica parado é poste, dizia o Simão. Agora deixa eu ir. Amanhã tem Patrola ao vivo na praia de Capão. A gente se ve lá.

gabriel@rbstv.com.br

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Mauren Motta
30/01/2004


Presente de Natal

Foi no dia 24 de dezembro que fiquei sabendo do caderno do Patrola. Quer presente melhor?! Sonho antigo. Escrever é diferente de falar. As palavras escritas parecem mais calmas... dependendo, até mais profundas! Que bom que estamos nessa também! E o caderno chega num mês agitado... como o Patrola!

Duas vezes por ano a minha vida, que já não é nada calminha, vira um verdadeiro caos! Temporada de desfiles é sempre assim: viagens para São Paulo e Rio, badalação, gente bonita, e perrengues - muitos! Você não acha que é só glamour, né? Tudo isso pra quê? Pra saber o que vai ser moda na próxima estação. Além disso, essa é uma ótima chance de levar para vocês, queridos leitores e telespectadores, novidades quentinhas do centro do país! A moçada "badaletz" no mundinho fashion!

Aliás, é daqui de Sampa que escrevo agora. Quer uma dica? A velocidade vai ser tendência na moda inverno 2004. Sabe aqueles uniformes de pilotos cheios de etiquetas? Pois é, eles vão estar com tudo, além do verniz show e das cores fortes! Não combina com você? Beleza, o mundinho fashion aprendeu que democracia é a palavra de ordem. Além do Esportivo Chic, tem o Glampunk, a Moda Retrô, e a Pop Art. Viu só? Agora é só pensar no que mais combina com você!

Pra terminar, queria contar do nosso time: a Mari, nossa repórter, eu conheço desde pequeninha. A gente ficava lá na beira da praia, junto da Plataforma de Atlântida, vendo o verão passar. Já o Ticiano, editor deste caderno, conheço pouco, mas encontro muito! Além das pautas da vida, sou freqüentadora da Balonê, onde ele faz as vezes de DJ. É aquela festa bombada que rola no "Oci", sabe? Entre um Cure e um B'52, a gente sempre se cruza por lá! Portanto... o grupo tá animado e redondinho! Tô feliz da vida... que venham muitos Patrolas pela frente!

Beijo no coração de todos vocês... fui!

mauren@rbstv.com.br

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Paulo Sant'ana
30/01/2004


Os morcegos frugívoros

Cá estou eu a divertir-me com as andorinhas que habitam o meu aparelho de ar condicionado no 11º andar.

Todos os dias alcanço-lhes alpiste, pipoca frita etc. Há vários verões elas habitam meu aparelho de ar condicionado, impedindo-me de usá-lo.

Tenho medo de, se ligar o ar-condicionado, congelá-las lá dentro, ou como haverão de safar os filhotes naquelas alturas, poderá haver um morticínio?

Então me sujeito a temperaturas que vão, como a de ontem, até a 36ºC no verão. Tudo por respeito às andorinhas que escolheram o meu aparelho de ar condicionado como sua habitação de luxo, livres das intempéries e dos predadores.

Livres até um certo ponto. Porque tudo que é alimento que me vem às mãos eu coloco à sua disposição em cima do aparelho - e fico a distância para ver o espetáculo do banquete das andorinhas.

Bolachas esmigalhadas, farelo de pão, canjica moída, farelo de pão torrado, restos de pudim, tudo é devorado pelas duas andorinhas adultas e parte levada para dentro do aparelho, em socorro alimentício dos filhotes.

É uma festança pantagruélica.

Mas eis que esses dias tive uma grande surpresa e um enorme susto: deixei sobre a caixa do aparelho uma goiaba e um pêssego maduros.

As andorinhas inicialmente estranharam o butim. Mas em seguida começaram a bicar as frutas.

Até que ficaram alvoroçadas por algum motivo, agitaram-se como se fossem alvo de perigo iminente.

De fato um estranho pássaro negro passou a fazer circunvoluções sobre o aparelho de ar condicionado.

A andorinha que devia ser a fêmea fugiu depressa para dentro do ninho.

A andorinha-macho ainda tentou enfrentar o intruso, arriscou algumas bicadas contra o invasor, mas logo em seguida foi posta em fuga pelo predador.

O pássaro negro tomou conta da plataforma onde estavam a goiaba e o pêssego. E passou a devorá-los, parecendo estar tomado de um febre famélica.

Os meus olhos não acreditavam no que viam. O pássaro negro que afugentou as andorinhas era nada mais nada menos que um morcego.

Em seguida, pousaram mais dois morcegos no aparelho de ar condicionado e os três passaram a desfrutar do ágape tentador.

Em uns 15 minutos, a goiaba tinha sido toda devorada e só restava o caroço do pêssego.

Pensei que tinha testemunhado, na minha ignorância zoológica, um fato fenomenal: sempre imaginei que os morcegos se alimentavam somente de sangue, sugados principalmente das reses, mas também de outros mamíferos.

Telefonei para a Secretaria da Agricultura para dar um depoimento que eu acreditava ser insólito: morcegos saboreavam uma salada de frutas junto à parede do meu apartamento.

Atendeu-me uma bióloga que imediatamente me trouxe para a realidade: há morcegos que se alimentam de sangue (os hematófagos), mas há outros tipos de morcegos que se alimentam de frutas (os frugívoros), alguns outros se alimentam do pólen das flores.

Fiquei assim esclarecido e decidi desde aquele dia o seguinte: assim como acontece com os bolinhos de batata, todas as terças-feiras ofereço frutas aos morcegos da Chácara das Pedras.

E nos outros dias da semana atendo os meus antigos pensionistas, as andorinhas, que têm direito adquirido aos carboidratos que lhes ofereço já há várias de suas gerações.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Clima
Temporal provoca morte em Sapiranga



Chuva forte e granizo provocaram destruição em todo o Estado. Na Região Metropolitana, um jovem de 22 anos morreu atingido por fios de alta-tensão quando um poste foi derrubado pelo vento (foto Miro de Souza/ZH)


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Quinta-feira, Janeiro 29, 2004




Bem depois desse temporal todo, as coisas vão voltando ao normal por aqui, sem evidente deixar estragos grandes e pelo que ouvi até duas ambulâncias de pneus para cima. Elas também capotam e como capotam. Mas acho que uma coisa começa a ficar irreversível: o aumento vagaroso do dólar. O que não precisaria acontecer é uma queda de mais de seis por cento no índice IBOVESPA. Isso acho terrível, talvez pior que o temporal.

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Taj Mahal seduz presidente na Índia

Lula realiza desejo e visita com Marisa uma das maravilhas do mundo moderno

Presidente diz a empresários que no mundo dos negócios não há milagre

NOVA DÉLHI. Nem mesmo a forte neblina que atrasou em mais de uma hora a decolagem do Sucatão, em Nova Délhi, impediu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de visitar o Taj Mahal, na sua despedida ontem da Índia. O monumento foi construído pelo imperador Shan Jehan, na cidade de Agra, no século 17, para enterrar sua mulher, Muntaj Mahal. Considerado uma das sete maravilhas do mundo moderno, o Taj Mahal é conhecido como o Templo do Amor. O presidente ficou inspirado. Esse local é bom para visitar às 6h ou numa noite de lua cheia, disse. Chegar até aqui e não conhecer o Taj Mahal era como não vir à Índia. Era um antigo desejo.

De mãos dadas com a primeira-dama Marisa Letícia, o presidente andou calmamente pelo imenso jardim. Ao visitar a tumba da princesa, de mármore branco com pedras semipreciosas, Lula brincou com Marisa: Espera só o que eu vou fazer para você. Mas, perguntado sobre o que iria construir, recuou: Eu estou muito velho para isso.

Lula posou para fotos em frente ao monumento. Vocês já viram alguma coisa mais bonita através dessas lentes?, perguntou, bem-humorado, aos fotógrafos. Diante da resposta negativa, não se conteve: Não é lá atrás, não. Sou eu, gente.

Monumento impressiona integrantes da comitiva

Um guia informou a Lula que o Taj Mahal recebe sete milhões de visitantes por ano. Impressionado com a suntuosidade da obra, o governador Roberto Requião (Paraná) brincou com o presidente: Ou esse imperador era um apaixonado pela mulher ou a odiava, porque festejou a morte dela com um mausoléu. Muntaj, a segunda mulher do imperador, morreu aos 39 anos no parto do 14º filho.

Para visitar o Taj Mahal, Lula enfrentou 40 minutos de avião de Nova Délhi até Agra e, depois, duas horas de lá até Mumbai, onde era o convidado de honra de encontro empresarial: Se Deus quiser, um dia volto. Ao chegar à reunião, disse: Um país que consegue preservar um monumento daquela magnitude tem tudo para ser um país muito mais desenvolvido do que a Índia é.

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SELEÇÃO DE MUSAS NA SALGUEIRO

Mesmo sem Luana Piovani, escola da Tijuca não fará feio na Avenida: sete beldades desfilarão à frente da bateria e de carros alegóricos

Isabela Kopke

Substituta de de Luana Piovani, Juliana Alves (de vestido vermelho) vai brilhar no Salgueiro junto com Luciana, Michele e Adriana

Mesmo com desfalque da atriz Luana Piovani, a escola de samba Acadêmicos do Salgueiro promete esbanjar muita mulher bonita na Avenida. Além da ex-Big Brother Brasil Juliana Alves, 21 anos, que recebeu terça-feira convite para substituir Luana, mais seis beldades vão desfilar como destaque no chão, à frente de carros alegóricos. As musas já têm experiência de sobra na Marquês de Sapucaí. Uma delas, a modelo Adriana Perett, 25, saiu ano passado nas 14 agremiações do Grupo Especial. Salgueirense, Michele Rocha, 22, vai repetir a dose este ano e defender a escola na Passarela. Duas vezes capa da revista Sexy, Luciana Picorelly, 22, também fará parte do time. Ela já desfilou como destaque pela Viradouro e Imperatriz Leopoldinense.

Estou há apenas um ano na mídia, diferentemente da Luana, que tem muito mais bagagem. Mas isso não diminui em nada meu desempenho na Avenida, garante Juliana, que, mesmo antes do convite para substituir Piovani, já iria desfilar no Salgueiro, sua escola de coração, como destaque num carro. Não importa o que ela faria na Passarela. Cada um tem sua estrela, seu momento, completa.

A diretoria da escola lamentou a saída da loura, depois de três anos brilhando no Salgueiro, mas garante que, caso haja arrependimentos, não há mais lugar para ela este ano. Ninguém a expulsou. Ela saiu sem dar a menor explicação. Fomos comunicados pelo empresário dela, contou o presidente da escola, Luiz Augusto Duran, que não se convenceu da versão de que ela desistiu do posto de musa em função das filmagens de O Casamento de Romeu e Julieta, que começa a ser rodado mês que vem, em São Paulo..

Musas também brilharão em outras escolas de samba

As outras beldades com participação confirmada pela escola são: as atrizes Viviane Araújo e Rita Guedes, além de Karen Motta, dançarina do Caldeirão do Huck. A fantasia delas ainda é mistério. Mas a escola antecipou que serão confeccionados modelos diferentes e que todas estarão vestidas com capas. Ainda será definida a posição de cada beldade na Avenida. Ao todo, o Salgueiro exibirá oito carros alegóricos.

Algumas musas já garantiram presença em outras escolas. É o caso de Juliana Alves, que vai brilhar também na passarela como rainha de bateria da Império da Tijuca, do Grupo de Acesso, e Luciana, que recebeu convite para ser rainha de bateria da Vila Isabel e Estácio de Sá.

Cargo novo na escola tijucana

Além das sete musas, o Salgueiro terá, pela primeira vez, rainha de bateria. O posto será inaugurado este ano por Ana Cláudia Soares, mulher de Maninho, patrono da escola, e destaque há três anos. A diretoria já pensava em ter uma rainha e, este ano, há muita badalação em cima do posto. Achamos por bem ter a nossa, disse o presidente da escola, Luiz Augusto Duran.

Não será preciso esperar o Carnaval para ver as beldades do Salgueiro. Musas e rainha serão expostas em 60 outdoors e em 50 cartazes em ônibus. A quadra e o barracão da escola estão entre os cenários escolhidos para a produção das fotos. Como fora prometido a Luana Piovani, Juliana Alves terá ensaio fotográfico separado do das outras musas.

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Casa própria por R$ 1

Governo do estado vai construir sete mil unidades para famílias que moram em áreas de risco. Pagamento poderá ser mensal ou anual

Cristiane Campos
As sete mil casas que serão construídas para moradores de áreas de risco ou que ficaram desabrigados nas últimas enchentes vão custar R$ 1 mensais para os contemplados, ou R$ 12 anuais, conforme anunciou o presidente da Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro (Cehab), Luiz Alberto Monteiro. Segundo ele, ainda estão sendo estudados os prazos dos financiamentos. Fica inviável emitir boleto bancário para cobrar R$ 1. Por isso, a opção do pagamento anual, diz Monteiro.

As famílias contempladas serão as que recebem até três salários mínimos (R$ 720). Cada unidade terá 31,4 metros quadrados, com sala, cozinha, quarto, banheiro e varanda. O valor médio unitário das habitações será de R$ 17 mil, com investimento de R$ 120 milhões do Fundo de Combate à Pobreza do Governo do estado. Cada um dos conjuntos habitacionais terá no máximo 100 unidades, informa Monteiro.

Serão 50 municípios beneficiados na primeira etapa. Entre eles, estão Teresópolis (com 155 unidades), Cabo Frio (100), Nova Iguaçu (400), Petrópolis (200), São João de Meriti (200), Belford Roxo (200), Duque de Caxias (400), Niterói (200), São Gonçalo (400) e Itaperuna (400).

Novos conjuntos terão orientadores habitacionais

De acordo com o secretário estadual de Habitação, Fernando Avelino, as prefeituras vão participar com a doação dos terrenos, que, preferencialmente, deverão estar em áreas próximas a creches e escolas públicas. Queremos moradias em locais que tenham praças e parques, onde as famílias beneficiadas possam ter boas opções de lazer, adianta Avelino.

Outra novidade é que a população de baixa renda terá escritura definitiva do imóvel. Não queremos repetir erros do passado. Cada família terá sua casa legalizada. É um bem que poderá ser deixado para os filhos, explica Monteiro. Segundo ele, as escrituras serão registradas em nome das mulheres: É uma determinação da governadora Rosinha Garotinho, pois as mulheres se dedicam mais à família.

Os novos conjuntos vão contar com orientadores habitacionais, para evitar a favelização. Os moradores serão conscientizados sobre a vida em condomínio e a preservação das áreas comuns.

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Artigo
Reforma universitária

WRANA MARIA PANIZZI/ Reitora da UFRGS e presidente da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de En


Há mais de uma década a universidade pública vem sendo objeto de todo tipo de questionamento. Há mais de uma década somos submetidos a políticas de austeridade. Há mais de uma década resistimos a uma não explicitada "reforma universitária", pautada pela crítica à presença do Estado em todas as esferas da vida nacional. Os salários foram arrochados e nossos recursos para manutenção e investimento foram progressivamente diminuídos. Como resultado, as universidades públicas perderam a liderança na oferta de vagas e hoje são definidas por alguns setores da opinião pública como instituições "elitistas" - um refúgio de servidores "privilegiados" dedicados à formação de "ricos".

Nesse período, entretanto, a universidade pública fez muito mais do que resistir. Ela não virou "sucata", como desejariam alguns; ao contrário, fortaleceu sua liderança no âmbito da pesquisa e afirmou-se como referência de qualidade do sistema nacional de educação superior, como demonstram todas as avaliações. Enfrentando dificuldades, avançamos em todas as direções, qualificando nosso corpo docente e ampliando a oferta de vagas em cursos de graduação e de pós-graduação.

Esse quadro foi apresentado ao presidente Lula no dia 5 de agosto de 2003, quando a Andifes tornou pública sua Proposta de Expansão e Modernização do Sistema Público Federal de Ensino Superior. Naquela ocasião, dissemos também ao presidente que estávamos "no limite de nossas forças". Qualquer pessoa de bom senso sabe que os técnicos e docentes de nossas universidades estão longe de constituir uma "casta" de privilegiados - e sabe também que a universidade pública, que não serve aos "ricos", pode e deve tornar-se mais acessível aos brasileiros. Estamos, como sempre estivemos, abertos ao diálogo.

Queremos debater a reforma com o governo e a sociedade para tornar ainda mais pertinentes a missão acadêmica e os compromissos sociais da instituição universitária. Nesse debate, sustentaremos as mesmas idéias e princípios levados ao presidente Lula. Queremos nos qualificar ainda mais.

Queremos ampliar a oferta de vagas. Queremos autonomia. Queremos encontrar alternativas de financiamento que não impliquem o questionamento da educação como bem público. Queremos uma universidade ainda mais articulada aos desafios nacionais do desenvolvimento científico e tecnológico e da inclusão social duradoura. Não podemos ceder à tentação das soluções simplistas, reduzindo nossas questões a recursos financeiros. O Brasil não precisa de uma "nova" universidade, mas de uma universidade renovada, qualificada, com capacidade de iniciativa, integrada a um projeto de nação.

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Nilson Souza
29/01/2004


As pedras de Marte

Sou nota zero em astronomia. Só distingo as Três Marias porque me lembram um ancinho, aquele instrumento de recolher grama cortada e folhas secas. Também identifico o Cruzeiro do Sul com a sua Intrusa, que me faz lembrar o magnífico e terrível conto de Borges. Vez por outra me dou conta da existência do planeta Vênus, que é a estrela da manhã. Por aí vou parando. Não tenho a mínima idéia para que lado fica Marte, se é para cima ou para baixo, se mostra a sua cara vermelha para os terráqueos todas as noites ou se escolhe alguma época do ano para se aproximar de nós e provocar a nossa imaginação.

Os marcianos já invadiram a Terra não sei quantas vezes na literatura e nos filmes de ficção científica. São os nossos invasores preferidos. Ganharam até um uma forma física aceita quase consensualmente: homenzinhos verdes de cabeça grande. Quase sempre são mostrados como representantes de uma civilização superior, mas inamistosa. Quando aparecem por aqui (nos filmes, obviamente), é guerra certa. E vem de longe isso. Já os nossos antepassados greco-romanos deram ao planeta o nome do deus da guerra.

Só que a realidade é sempre mais fantástica do que a ficção. Os invasores, na verdade, somos nós. Acabamos de desembarcar novamente no solo árido do planeta vermelho (o primeiro desembarque foi em 1999), desta vez com geringonças capazes de tirar fotografias e mandá-las instantaneamente para a Terra. As fotos impressionam pela nitidez, mas só mostram pedras. E pedras decepcionantemente imóveis, iguais às que temos por aqui.

Ainda assim, é uma façanha tecnológica digna de reconhecimento: as sondas norte-americanas viajaram pelo espaço durante oito meses e desceram certinho no solo marciano. Os europeus também mandaram um equipamento para lá e apressaram-se em anunciar, antes dos americanos, que têm a prova da existência de água. Em resposta, mister Bush garantiu, em discurso solene, que antes de 2020 seus patrícios desembarcarão no planeta dos imaginários homenzinhos verdes.

Está dada a largada para uma nova corrida espacial, semelhante àquela que levou soviéticos e americanos a disputar a primazia de botar o pé na Lua na década de 60, sob total descrença da humanidade. Tinha até uma musiquinha carnavalesca cantada por Ângela Maria que dizia o seguinte: "Lua... Oh ! Lua... / Querem te passar pra trás / Lua... Oh ! Lua.../ Querem te roubar a paz / Lua que no céu flutua / Lua que nos dá luar / Lua... Oh ! Lua... / Não deixa ninguém te pisar".

E concluía, romântica e ingenuamente: "Todos eles / Estão errados / A Lua é / Dos namorados".

As pedras de Marte que se preparem. Aí vamos nós.

nilson.souza@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
29/01/2004


O tal espírito

Convicções sobre futebol são um pouco como o tal "espírito de seleção", coisas etéreas que vêm e que vão, às vezes durante uma vida, às vezes durante um jogo. O time brasileiro que disputou o pré-Olímpico, por exemplo, teve espírito de seleção quando derrotou o Chile jogando com 10 no segundo tempo, deixou de tê-lo 48 horas depois quando se entregou ao Paraguai e foi eliminado da competição. As convicções sobre futebol variam do mesmo jeito. Não há certeza sobre as dimensões e o estilo que devem ter jogadores de seleção que resista a uma jogada sensacional do Diego e/ou do Robinho, assim como basta uma derrota como a do pré-Olímpico para reforçar a idéia de que, com jogadores desse tamanho e com essa disposição, não se terá uma seleção vencedora com o espírito desejado.

Depois do que se viu no jogo contra o Paraguai, um cínico poderia discordar do que disse o Diego, na volta, que o time perdeu porque jogou de salto alto. No seu caso, saltos altos teriam ajudado: ele veria por cima da cabeça dos adversários, como convém a alguém na sua função, e faria lançamentos mais precisos. Já outro, com outra convicção, diria que o que falta à seleção é justamente mais diegos e robinhos e que para ter o espírito que se quer basta convencê-los a voltar para marcar, como fizeram na vitória heróica sobre o Chile. Primeira convicção: é na escolha dos jogadores que se assegura uma seleção com espírito. Convicção oposta: deve-se convocar os mais hábeis e sensacionais, e o espírito descerá sobre eles quando for chamado. Ambas as convicções sujeitas a revisão instantânea segundo os resultados.

Diz a lenda que Rubens Minelli, assim que assumia como treinador num novo clube, mandava reduzir o vão da porta do vestiário para um metro e 75, e jogador que conseguisse passar pela porta sem se abaixar era mandado embora na hora. Se a lenda fosse verdade, nem Maradona nem Romário, para citar só dois, jogariam num time do Minelli. Ela apenas ilustrava a convicção do técnico sobre o tamanho ideal, sujeito a revisões sensatas, para se enfrentar os trancos e as retrancas do futebol moderno. Mas a tendência nacional, com o aproveitamento cada vez mais precoce de jogadores jovens, parece ser a de largar os garotos esmirrados na frente da área para serem derrubados e confiar em bons batedores de falta. O que também é uma convicção.

E o melhor, no Chile, estou mais ou menos convencido, foi o Fábio Rochemback.

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Paulo Sant'ana
29/01/2004


Um sorteio fantástico

Há uma questão e uma dúvida sobre o teste 529 da Mega Sena, extraído em 14 de janeiro corrente, que precisa ser esclarecido pela Caixa Econômica Federal.

Ocorre que para surpresa geral do país houve 15 acertadores do principal prêmio da Mega Sena, fato inédito e fantástico, sobre o qual inúmeros apostadores estão se ocupando na Internet (o leitor Sílvio Leandro Padilha, de Sapiranga, RS, teve sua carta publicada ontem em Zero Hora, na qual se mostrou indignado com o resultado do sorteio 529).

A Mega Sena se baseia justamente no fato de que a probabilidade sensata de acerto é muito remota, quase sempre não há acertadores, às vezes há um acertador, outras vezes dois acertadores, muito raramente três acertadores.

Assim mesmo, quando há um acertador, às vezes dois, no máximo três, o prêmio está acumulado há várias extrações e as apostas, por isso mesmo, pelo prêmio tentador, sobem em número de cartelas.

Pois bem, no teste 529, espetacularmente, quando o prêmio era de pouco mais de 5 milhões, isto é, não estava acumulado há muitas extrações, sendo o número de apostas reduzido, apareceram 15 acertadores.

Repito: 15 acertadores! Isto é incrível, não se pode dizer que não exista probabilidade matemática que explique este fato.

No entanto, a possibilidade de acerto na Mega Sena para uma aposta mínima é de 1 em 50 milhões.

É inacreditável que 15 apostadores tenham acertado, cada um, na possibilidade de 1 em 50 milhões na mesma extração. Isso é praticamente impossível.

O mais espantoso vem agora: além de nunca ter acontecido de a Mega Sena contar com 15 acertadores, no dia seguinte foram divulgados os locais em que foram feitas as apostas dos 15 acertadores: Pernambuco (cinco acertadores), Paraíba (três acertadores), Piauí (dois acertadores), Rio Grande do Norte (dois acertadores), Ceará (dois acertadores) e Bahia (um acertador).

Coube a cada um dos acertadores a quantia de R$ 348.732,75.

Nada mais inédito que isso!

Era de pasmar para os apostadores mais contumazes da Mega Sena que os 15 acertadores fossem todos do Nordeste!

Do Rio, de São Paulo, de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul, de onde provém o maior e mais aplastante número de apostadores, nenhum acertador.

Este fato pode ser catalogado como inacreditável.

E o mais interessante: os seis Estados que deram os ganhadores situam-se no Nordeste, exatamente onde não existe horário de verão e onde há uma hora de atraso com relação a Brasília e a grande número de outros Estados, todos sem nenhum acertador.

As apostas da Mega Sena se encerram às 19h. E o sorteio ocorre às 20h. Só para dar um exemplo, aqui no Rio Grande do Sul o sorteio ocorre às 20h. Mas o público do Nordeste fica sabendo "antes" do resultado, ou seja, lá no Nordeste quando corre a Mega Sena são ainda 19h.

Isso aparentemente não tem importância, porque a Mega Sena deve encerrar suas apostas às 19h de Brasília, o que quer dizer 18h no Nordeste.

Mas a coincidência de que todos os ganhadores morem em cidades em que não está em vigência o horário de verão e portanto vivem com uma hora de atraso no relógio é intrigante.

Vale registrar o seguinte: não se põe em dúvida a lisura da Caixa Econômica Federal em seus concursos de loteria. São exemplares em honestidade.

No entanto, isto não quer dizer que eles estejam imunes a fraudes de terceiros.

Um exemplo de lapso que pode ter ocorrido: alguém esqueceu de travar o sistema e apostas foram feitas depois de conhecido o resultado.

É muito possível, em razão de que a Caixa Federal é assessorada por matemáticos, que eles tenham se alarmado com esse desfecho insólito de 15 ganhadores do Nordeste e avisado à Caixa que algo de anormal estava acontecendo com o teste 529 e estes fatos estejam já sendo investigados.

É muito provável até que a Caixa por isto tenha retido, para maiores averiguações, os prêmios.

Longe está de qualquer brasileiro desconfiar da idoneidade comprovada da Caixa em loterias. Mas fatos que fogem a qualquer probabilidade estatística devem ser explicados. E com certeza, ainda hoje, a Caixa esclarecerá.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Diplomacia
Visita ao Taj Mahal



Presidente Lula e Marisa estiveram no suntuoso túmulo construído em 1653 na Índia como uma homenagem do imperador Shah Jahan ao seu amor (foto Manish Swarup, AP/ZH)


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Quarta-feira, Janeiro 28, 2004




Para minha amiga Laura que estuda e trabalha fazendo seus logos e para minha amiga Aline jornalista, e que carrega pacotes e pacotes de livros esta matéria é bem pertinente. Foi bom vê-las e poder ter estado com voces hoje a tarde.

Velhos ícones, novas propagandas

É a força da informação já conhecida que garante a boa interpretação da nova mensagem¿ (Rodolfo Nascimento)


É muito bom relembrar o passado, a gente sempre valoriza e amplifica a intensidade das coisas, transformando aqueles velhos tempos, e nem tão bons assim, nos tempos que eram bons de verdade!

Essa relação de comparação entre o presente e o passado tem a tendência de valorizar os pontos positivos da nossa memória, isso porque a gente faz uma seleção natural que evidencia somente aquilo que a gente mais gosta.

Nosso dia a dia é assim, vivemos uma constante comparação entre o que julgamos bom e ruim.

Somos constantemente bombardeados por informações que filtramos naturalmente, selecionando aquilo que mais nos atrai com base naquilo que já conhecemos. É exatamente esta atração que deve estar presente na propaganda, não de uma maneira geral, mas direcionada ao público que está predisposto ao consumo, ficando fácil a memorização da mensagem com símbolos já estabelecidos.

O sucesso da comunicação está centralizado no conteúdo da mensagem e no seu direcionamento. Se a mensagem é capaz de atingir o consumidor de forma a garantir a fixação da mensagem, ela funcionará, do contrário será ignorada. Para isso não se inventa nada de novo, apenas faz-se a união de coisas muito bem conhecidas de forma inusitada e inventiva.

As campanhas publicitárias que deram certo geraram resultados aos anunciantes e ficaram gravadas na memória das pessoas, isso por causa da facilidade de interpretação da mensagem.

A propaganda mogiana está começando uma nova história, onde o cruzamento de vários veículos de comunicação e, principalmente, a melhoria dos profissionais disponíveis no mercado está valorizando as particularidades de cada instrumento e garantindo a assimilação por parte do consumidor.

Há três anos a X Propaganda desenvolveu uma campanha para a Mogi Imóveis onde o residencial Flora 2 era lançado. Na ocasião foi utilizada a história dos três porquinhos. Até hoje as pessoas se lembram da campanha e as vendas foram excelentes.

Como se vê, a história dos três porquinhos não é nada nova, mas foi utilizada de maneira criativa, inusitada. É a força da informação já conhecida que garante a boa interpretação da nova mensagem.

Dizer que uma campanha terá sucesso ou não é previsível até certo ponto, para isso é necessário saber se o que se fala é facilmente interpretado ou cria dificuldades no consumidor que logo abandonará o recado.

Fazer bonito em propaganda não é um bicho-de-sete-cabeças é, na verdade, um Frankenstein de idéias, é a junção de duas ou mais imagens muito bem gravadas na cabeça do consumidor.

Rodolfo Nascimento, da X Propaganda

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AMANTES E ASSASSINOS

Num momento, durante o julgamento de Francisco Julião de Oliveira Neto, esta semana em Mogi das Cruzes, um advogado lembrou-se de Lupiscínio Rodrigues, o poeta brasileiro que melhor retratou a dor-de-cotovelo, sinônimo de dor-de-corno. Matou por amor. Mas que diabo de amor é esse, se os jurados acreditam que ele planejou friamente o crime, louco de ciúme? Fabiana Moro morreu em 2000 com um tiro no peito e outro na cabeça. E ficam a recordar Lupiscínio, como se suas letras explicassem tudo. Bem, podem explicar bastante, tudo é exagero. Como essa:

Nervos de Aço

Você sabe o que é ter um amor,
meu senhor
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar este amor,
meu senhor
nos braços de um outro qualquer

Você sabe o que é ter um amor,
meu senhor
e por ele quase morrer
E depois encontrá-lo em um braço
que nenhum pedaço do seu pode ser

Há pessoas com nervos de aço
sem sangue nas veias e sem coração
Mas não sei se passando o que passo
talvez não lhe venha qualquer reação
Eu não sei se o que trago no peito
é ciúme, despeito, amizade ou horror
Eu só sei é que quando eu a vejo
Me dá um desejo de morte ou de dor.

Mas, apesar da dor, há de se buscar sempre a compreensão, a harmonia. Se não a encontramos entre homens e mulheres, então o negócio é apelar para Deus. Daí o Lupiscínio, de novo:

Dona Divergência

Ó Deus, que tens poderes sobre a Terra
Deves dar fim a esta guerra
e os desgostos que ela traz
Derrame a harmonia sobre os lares
ponha tudo em seus lugares
como o bálsamo da paz
Deves encher de flores os caminhos
Mais canto entre os passarinhos
Na vida maior prazer
E assim a Humanidade
seria mais forte
ainda teria outra sorte
outra vontade de viver.

Não vá bom Deus julgar
que a guerra que estou falando
é onde estão se
encontrando tanques,
fuzis e canhões.
Refiro-me à grande luta
em que a Humanidade
em busca da felicidade
combate pior que os leões.
Aonde a dona Divergência
com seu archote
espalha os raios da morte
a destruir os casais
E eu, combatente atingido
sou qual país vencido
que não se organiza mais.

A gente aprende cantando que o mais importante é evitar a desorganização, esses embates, esses ciúmes que costumam acabar em morte. Assim, em vez da dor-de-cotovelo ou da dor-de-corno, as pessoas bem que podiam limpar seus corações, dar um tempo no ciúme, se armar de bom humor e partir para a luta. Como nessa letra de Carlos Lyra e Dolores Duran:

O Negócio É Amar

Tem gente que ama
que vive brigando
e depois que briga
acaba voltando

Tem gente que canta
porque está amando
Quem não tem amor
leva a vida esperando

Uns amam pra frente
nunca se esquecem
Mas são tão pouquinhos
que nem aparecem

Tem uns que são fracos
que dão pra beber
Outros fazem samba
e adoram sofrer

Tem apaixonado
que faz serenata
Tem amor de raça
e amor vira-lata

Amor com champagne
Amor com cachaça
Amor nos iates
Nos bancos de praça

Tem homem que briga
pela bem amada
Tem mulher maluca
que atura porrada

Tem quem ama tanto
que até enlouquece
Tem quem vê a vida
por quem não merece

Amores à vista
Amores a prazo
Amor ciumento
Que só cria caso

Tem gente que jura
que não volta mais
Mas jura sabendo
que não é capaz

Tem gente que escreve
até poesia
e rima saudade
com hipocrisia

Tem assunto à beça
pra gente falar
Mas não interessa
o negócio é amar

Pois é, amar é uma coisa. Matar é coisa de assassino.

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FLAMENGO
Escala o Vovô, Abel
Júnior lembra os velhos tempos e encanta os comandados ao treinar entre os reservas e colocá-los várias vezes na cara do gol
Janir Júnior

O cabelo no estilo capacete deu lugar a fios grisalhos e cada vez mais raros. Uma barriguinha discreta começa a aparecer. Os dribles nas peladas na praia de Copacabana, agora, são aplicados em empresários espertalhões. A sunga, um de seus trajes preferidos, foi trocada por camisas de grife, calças e sapatos, sempre sem meia. Aos 49 anos, Júnior mudou: o tempo passou, ele não é mais garoto e deixou de ser jogador para se tornar técnico e, atualmente, dirigente, atendendo pelo nome de Leo Júnior. Uma coisa, porém, permanece igual há décadas: o futebol requintado do maestro rubro-negro.

Na onda de contratações de jogadores veteranos, Júnior teria vaga garantida no time do Flamengo. Ao lado de Júnior Baiano e Zinho, poderia reeditar parcerias que resultaram em títulos.

No treino de ontem à tarde, no CFZ, o clima foi de nostalgia. Júnior aposentou por alguns instantes o cargo de diretor-técnico e apareceu em campo com uniforme, chuteiras e meião. Bateu bola com Andrade, dando um clima de anos 80 ao treinamento. O desfalque foi Zico, que já retornou ao Japão.

Enquanto os titulares realizavam um treino tático, o maestro disputava um coletivo com os reservas. Os poucos torcedores presentes ao CFZ deixaram de lado o time principal e foram conferir de perto o show que estava por começar.

Júnior driblou, tocou e fez lançamentos precisos. A forma física já não é a mesma, porém, ele soube cadenciar o ritmo de jogo. As crianças mais novas perguntavam aos pais quem era aquele senhor deixando a garotada no chinelo. O africano Aluspah, em testes no Flamengo, fez o seu melhor treino. Afinal, marcou três gols, todos com passes de Júnior. Não tenho a mesma velocidade de 12 anos atrás, mas dá para manter a técnica. Só posso jogar se for com os veteranos, brincou. Se for assim, ele tem vaga garantida em qualquer time do Rio. Escala o vovô, Abel!

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Quarta, 28 de janeiro de 2004.
As melhores opções até R$ 3 mil

Testamos os sonhos de consumo dos fãs da fotografia digital amadora
Julio Preuss



Quantidade de modelos pode dificultar a escolha, mas aumenta a probabilidade de um deles atender às suas necessidades. Canon, Nikon, Kodak e Sony têm características bem variadas, cada uma com sua legião de fãs

A maior dúvida dos consumidores decididos a adquirir uma câmera digital é qual modelo comprar. Na escolha pesam características como zoom e número de megapixels, opiniões de conhecidos que possuam os modelos considerados e o mais importante o preço! Este último critério é a única característica comum entre os quatro modelos que avaliamos, além do fato de todos terem lugar de destaque na lista de desejos dos fotógrafos amadores avançados. No embate entre Coolpix 5400, da Nikon, Cybershot F-717, da Sony, EasyShare DX6490, da Kodak, e Powershot G5, da Canon, uma certamente foi feita sob-medida para você.

Escolha exige análise de recursos em função das necessidades

Essas câmeras são praticamente o supra-sumo das linhas amadoras Nikon e Sony oferecem modelos superiores (Coolpix 5700 e Cybershot F-828, respectivamente), mas a preços que impedem a comparação com outras marcas.

No quesito resolução, medida em megapixels (milhões de pontos que compõem a imagem), a Kodak fica atrás, com 4 MP, contra 5 MP de suas três rivais uma diferença de 20% a menos que podem fazer falta se você quiser imprimir as fotos em tamanhos maiores ou ampliar detalhes da imagem.

Já quando o assunto é zoom, as 10 vezes de aumento da DX6490 são o dobro das 5X apresentadas pela Sony e 150% das 4X de Canon e Nikon. O desta última, no entanto, tem a qualidade de começar no equivalente a uma lente de 28mm, boa para quem gosta de fotografar paisagens ou em situações que exijam uma grande-angular. Cuidado com o 10X na lateral da máquina da Sony metade é zoom digital, normalmente desprezado em câmeras desse nível.

Em termos de design, a Nikon se destaca pela portabilidade e a Kodak merece aplausos por ter conseguido colocar uma lente poderosa em uma câmera tão compacta. Canon perde pontos pela lente que obstrui parcialmente o visor ótico e Sony, pelo tamanho de sua lente, que nem é tão poderosa quanto parece e dificulta o transporte e uso da câmera.

Quanto aos monitores de LCD, Nikon e Canon agradam pela telinha giratória, Sony pela lente inclinável e Kodak pelo tamanho do monitor, aliado a um visor eletrônico, ou EVF, que só não é muito prático em situações de baixa luminosidade. Nesses casos, por sinal, a coroa vai para a Sony, com seu sistema de iluminação infravermelha e grade de foco a laser. O iluminador da Canon também ajuda um pouco, enquanto Kodak e Nikon têm problemas para focalizar no escuro.

A conclusão? Depende do que você pretende fazer com a câmera. Pense nisso, compare as outras especificações na página ao lado e vá em frente!

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Vamos com Deus

Depois de lançamento estratégico nos Estados Unidos em 2003, Cidade de Deus entra na disputa pelo Oscar repetindo o recorde brasileiro de quatro indicações: diretor, roteiro adaptado, montagem e fotografia
Rubia Mazzini e Tatiana Contreiras

Deu a louca na academia. Essa foi a primeira idéia que passou pela cabeça do cineasta Fernando Meirelles quando soube que seu filme Cidade de Deus havia recebido quatro indicações ao Oscar 2004. O anúncio, feito ontem de manhã, coloca o longa-metragem na disputa pelas estatuetas de direção, fotografia, roteiro adaptado e montagem. Assim, a produção se iguala a O Beijo da Mulher-Aranha, de Hector Babenco, que também concorreu a quatro troféus em 1986, como o título nacional que recebeu mais indicações ao Oscar. Com a vantagem de que, ao contrário do antecessor, falado em inglês e rodado lá fora, Cidade de Deus foi todo feito aqui. Por falar em Babenco, Carandiru, último trabalho do diretor argentino naturalizado brasileiro, não figura entre candidatos ao prêmio de filme estrangeiro.

Fernando Meirelles, que está em Londres produzindo seu primeiro filme internacional a adaptação do livro O Jardineiro Fiel, de John Le Caré, com Ralph Fiennes , parece ter realmente se surpreendido com as indicações, depois da decepção do ano passado, quando Cidade de Deus não concorreu a filme estrangeiro. Uma indicação já seria demais. Quatro, então, nunca pensei que fosse possível, declarou Meirelles por telefone. Bacana é que fui nomeado ao lado de amigos. Esse foi um trabalho de turma mesmo, continuou o diretor, referindo-se ao co-roteirista Bráulio Mantovani, ao diretor de fotografia César Charlone e ao montador Daniel Rezende.

A inclusão de Cidade de Deus em categorias de destaque como direção, em que Meirelles concorre com Sofia Coppola (Encontros e Desencontros), Clint Eastwood (Sobre Meninos e Lobos), Peter Weir (O Mestre dos Mares) e Peter Jackson, diretor de O Senhor dos Anéis, que disputa 11 Oscars só foi possível porque o filme é uma co-produção com os Estados Unidos (como era O Beijo da Mulher Aranha), onde foi relançado no ano passado pela Miramax. Até agora, Cidade de Deus arrecadou 4,7 milhões de dólares nos EUA, mas especula-se que agora pode chegar a 10 milhões. Fernando Meirelles acredita que a produção tem mais chances de vencer nas categorias técnicas e diz que, se fosse acadêmico, daria o troféu de direção a Peter Jackson: Votaria nele, sinceramente. A trilogia de O Senhor dos Anéis é extraordinária. Poucas pessoas fariam o que ele fez.

Meirelles não será o único brasileiro com chances (ainda que poucas) de levar um Oscar na cerimônia do dia 29 de fevereiro no Kodak Theatre, em Los Angeles. O diretor carioca Carlos Saldanha, um dos responsáveis por A Era do Gelo, concorre a curta-metragem de animação com Gone Nutty, que fez em parceria com John C. Donkin. Acordei cedo e fiquei assistindo ao anúncio pela TV. Foram os 15 minutos mais longos da minha vida, contou Saldanha por telefone de Nova Iorque, onde mora. O diretor diz que está na torcida por Cidade de Deus. Nós também.

Diretor



Paulista, 47 anos, Fernando Meirelles (foto) abandonou o curso de Arquitetura para se transformar num dos principais diretores de publicidade do País. Antes de ser consagrado no cinema com Cidade de Deus, co-dirigiu dois filmes : Menino Maluquinho 2, com Fabrizia Alves Pinto, e Domésticas, o Filme, com Nando Olival. Co-roteirista de Cidade de Deus com Meirelles, o paulista Bráulio Mantovani, 40, formou-se em Letras. Começou a roteirizar profissionalmente em 1987. No começo da década de 90, trabalhou como assistente de direção do polonês Zbig Rybczynski em Nova Iorque. De volta ao Brasil, escreveu o roteiro do curta Palace 2, dirigido por Fernando Meirelles.

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Cabeça inchada
CÂNDIDO NORBERTO/ Jornalista


Desde o término do jogo entre o Brasil e o Paraguai, do entardecer do domingo passado até hoje, pouquíssimos assuntos me aborreceram mais do que seu inesperado desfecho. Ainda agora, quando começo a bater estas linhas, continuo padecendo o sabor amargo da derrota. Sigo de cabeça inchada. Como devem se achar, mais do que eu, os nossos jovens e excelentes jogadores e, acredito, ainda mais, o técnico que os orientou.

Afinal, ninguém gosta de perder em nada, nem mesmo em joguinho de baralho disputado com pessoas da família, em casa, "às brincas", sem que vitória ou derrota signifique a perda ou o ganho de um só centavo. O que, evidentemente, não é o caso de uma disputa da qual participe uma nossa seleção de futebol, seja qual for o título que buscar, tenham seus integrantes a idade que tiverem. Como torcedor, meu caso é semelhante. Não apenas o meu, é claro, mas sim o de milhões de brasileiros. Não me constranjo ao confessar que, em se tratando de competição da qual participe a seleção canarinho, me comporto como um passional, para não dizer um perfeito idiota.

Ao longo de suas atuações, quer as acompanhe pela televisão ou pelo rádio (o que freqüentemente faço pelos dois veículos ao mesmo tempo), chuto, cabeceio, driblo, ataco e defendo com toda a garra. Se necessário, xingo e excomungo o árbitro e sua genitora. Além de fanático, reconheço, torno-me ridículo, o que é bem mais grave...

Há, porém, um comportamento meu que, penso, me redime em boa parte desses meus arroubos cívico-futebolísticos. Trata-se da maneira equilibrada como procuro me comportar quando acontece de nossa seleção ser derrotada. Se seus integrantes suaram a camiseta, empenharam-se a fundo em busca da vitória e, apesar disso, foram vencidos, nego-me a criticá-los duramente, menos ainda apontá-los como autores de um fiasco com o qual teriam maculado as tradições do futebol brasileiro.

Consolo-me pensando, em primeiro lugar, que não está escrito em nenhum livro santo ou Constituição que nossa seleção tenha o dever moral de vencer todas as outras, sejam quais forem, mesmo as que tecnicamente sejam consideradas em nível inferior ao seu. Mais do que com o futebol, aprendi com a vida que os desfechos de todos os confrontos, não importando quais, nem sempre são o fruto daquilo que classificamos como lógico. Reconheço que em qualquer competição faz sentido a presunção de que os mais capazes sejam sempre os vencedores. Mas só a presunção, não a obrigação.

E é graças a essa realidade que mesmo se assegurando a todos os participantes - dos mais fortes aos mais fracos - o mesmo ponto de largada, a nenhum deles se garanta a vitória por antecipação. No esporte, tal como na vida, nem sempre vencem os melhores. De resto, como se sabe, os deuses do Olimpo não são invariavelmente justos. Quem ainda tem dúvidas a esse respeito?

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Martha Medeiros
28/01/2004


Amor à vida

Outro dia, estava assistindo a um programa sobre esportes radicais: um bando de gente pulando das alturas, desafiando penhascos, enfrentando corredeiras sinistras - sem tempo pra sentir medo.

"Esse pessoal não tem amor à vida", balbuciei entre os dentes. Aí rebobinei meu pensamento e mudei de avaliação. "Esse pessoal ama a própria vida mais do que tudo - eu é que estou desperdiçando a minha na frente da tevê."

Vida. A única coisa que a gente realmente tem - viemos do nada e para o nada voltaremos. Sempre que me dou conta disso, fico boba com a quantidade de tempo que desperdiçamos fazendo coisas das quais não gostamos, dizendo amém para o que não concordamos e aceitando regras preestabelecidas em nome da ordem social. No fundo, malucos somos nós, os que não arriscam, os que vivem entre quatro paredes, os que mantêm pouco contato com a natureza, os que se protegem contra emoções vertiginosas.

Quem escala uma montanha está mais seguro do que eu dentro de um carro estacionado, sozinha, aguardando a chegada de uma amiga. Mais seguro do que eu quando saio do supermercado com as compras ou quando caminho pelas ruas da cidade: a violência não está nos ares, está no térreo; não está no esporte, está no cotidiano. Adrenalina pura é ter um revólver apontado pra cabeça ou ser ameaçada de agressão. Perigoso é aqui.

Penso noite e dia em como posso dar mais valor à minha vida. Com todos os objetivos alcançados, o que não é pouca coisa, o que faço a partir de agora para manter minha paz de espírito em segurança? Penso em recomeçar do zero, em trocar de cidade, em desacelerar, esquecer de tudo o que acreditei até aqui, mudar de religião, inventar uma outra vida, uma vida mais plausível, menos caótica, menos necessitada de supérfluos, menos refém do tempo. Nunca fui de muitos medos, e de repente me desconsola ler o jornal, encarar as más notícias, enfrentar um mundo em que a gente já não pensa "isso nunca vai acontecer comigo" porque sabe que vai acontecer, somos os próximos da fila.

Eu vejo pessoas saltando de bungee jump, atravessando a nado canais enormes só pelo prazer de quebrar um recorde, todos dublês deles mesmos, e penso que isso, sim, jamais vai acontecer comigo, e não vai mesmo, porque não tenho disposição nem preparo físico. Mas hoje ao menos compreendo-os e sinto uma certa inveja deste medo escolhido, deste medo provocado: ama a própria vida quem aprende a vencê-lo.

martha.medeiros@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
28/01/2004


Justiça serena

Nos últimos tempos, tem havido debate profundo e insistente sobre a necessidade de a Justiça comunicar-se com a sociedade.

Parece ser consenso que a Justiça deve sair da sua clausura institucional e vir discutir publicamente o seu papel e a relação que deve manter com os outros setores todos do tecido social.

Este e-mail que recebo do juiz da Vara de Execuções Criminais é um exemplo disso. As dúvidas lançadas na imprensa sobre a forma como estava sendo conduzido o encaminhamento do pedido de concessão de benefício de progressão carcerária ao apenado Dilonei Francisco Melara são inteiramente dissolvidas na correspondência.

A manifestação do juiz encarregado da causa é tranqüilizadora, em contraste com o noticiário.

Daí a imprescindibilidade de a Justiça comunicar-se com os cidadãos, sem prejuízo, é claro, da reserva sobre a questão de decisão de mérito que afeta a sua jurisdicionalidade.

Eis a manifestação do juiz:

"Caro Sant'Ana. Relativamente à coluna 'O limite é a lei', publicada em ZH do último dia 24 de janeiro, coloco-me na obrigação funcional de fazer alguns esclarecimentos, a saber: primeiramente, com relação à situação jurídico-legal do apenado Fernandinho Beira-Mar, não posso deduzir juízo de valor, pois desconheço o processo.

No entanto, posso, sim, afirmar que a situação processual daquele em nada diz respeito à do apenado Dilonei Francisco Melara, este, sim, sob minha jurisdição e que vê em tramitação pedido de progressão carcerária.

Não possui este qualquer restrição a seus direitos no cumprimento da pena.

O referido na tua coluna de que não querem conceder o benefício por ser líder de facção presidiária é despido de qualquer fundamento. (Nota do colunista: deixei claro que me baseava no que vinha sendo divulgado pela imprensa.) Não há qualquer restrição a direito do apenado pela propalada situação.

Ressalvo que o fato de ter boa conduta carcerária não leva, necessariamente, à condição de deixar de ser líder de facção presidiária.

O que está ocorrendo no caso em tela, na verdade, é um grande alvoroço da mídia em geral com a possibilidade de obter o apenado Melara a progressão carcerária, mas cujo sentimento não é (e não poderia deixar de ser) dos agentes do direito que têm a responsabilidade de apreciar a pretensão, e, ainda, de forma não açodada.

Posso garantir que o pedido está em regular tramitação e dentro do estrito cumprimento das normas administrativas, legais e constitucionais.

Não há assim, qualquer injustiça e, muito menos, desestímulo ao bom comportamento dos detentos.

Violência inominável sequer merece comentário!

Podes ter certeza de que, finda a tramitação do pedido, em havendo o cumprimento dos requisitos impostos pela lei para a obtenção do benefício, com a serenidade e isenção que sempre caracterizam minha atividade jurisdicional, será, em assim ocorrendo, concedido o benefício, desimportando eventual contrariedade de que segmento social seja.

Nenhum constrangimento legal e/ou processual sofre o apenado Dilonei Melara.

Esperando ter, mesmo que sucintamente, esclarecido a situação jurídica do apenado Melara, subscrevo-me.

Atenciosamente, Fernando Flores Cabral Júnior - juiz de Direito Titular do 1º Juizado da VEC/POA".
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Surpresa brasileira no Oscar



Cidade de Deus concorre em quatro categorias em Hollywood
Sigourney Weaver e o presidente da Academia anunciam os indicados à melhor direção, entre eles Fernando Meirelles (embaixo, à esquerda, foto Nick Ut, AP/ZH)


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Terça-feira, Janeiro 27, 2004




Ela é herdeira de apenas US$ 3,8 bilhões

12 milhões assistiram à estréia de seu reality show

Ex de Di Caprio, ela está saindo com Nick Carter

Depois de fazer papel de modelo, ela que virar atriz

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Rio, 27 de janeiro de 2004 Versão impressa


Paris é uma festa

Bruno Porto

Na última sexta-feira uma patricinha bilionária e festeira roubou a cena no Fashion Rio, no Museu de Arte Moderna. Seu nome: Paris Hilton. Paris quem?, você deve estar se perguntando. Normal. Apesar de ser uma celebridade nos Estados Unidos, ela, que é herdeira da fortuna (estimada em US$ 3,8 bilhões) da família que dirige a cadeia de hotéis Hilton, é praticamente uma desconhecida no Brasil. Em breve, no entanto, isso deve começar a mudar. No dia 3 de março, às 21h, estréia no Brasil, na Fox, o reality show The simple life, estrelado por ela. No programa, a nova-iorquina de 22 anos e sua melhor amiga, Nicole Richie (filha de cantor Lionel Richie, que fez sucesso nos anos 80), abandonam a vida de luxo em Los Angeles e vão morar com uma família humilde numa fazenda do Arkansas.

O episódio de estréia do programa nos Estados Unidos, dia 16 do mês passado, atraiu a atenção de 11,9 milhões de espectadores. Mais do que os 11,3 milhões de americanos que assistiram, no mesmo horário, a uma entrevista exclusiva do presidente George W. Bush ao canal ABC sobre a captura, 48 horas antes, de Saddam Hussein. O episódio dá a dimensão da popularidade de Paris nos EUA. Um articulista do jornal Washington Post sugeriu, brincando, que ela deveria ser a candidata do Partido Democrata nas eleições à presidência.

Paris sempre freqüentou as colunas sociais, mas só no ano passado se tornou uma celebridade. O motivo? Foi parar na internet um vídeo caseiro em que ela e um ex-namorado, Rick Salomon, aparecem transando. Ela não fala mais sobre essa história. Pouco antes do desfile para a Colcci, na sexta-feira, Paris dava uma entrevista para a TV quando a repórter tocou no assunto. Ela interrompeu a jornalista e, em vez de repreendê-la, chamou o assessor, Neal, e lhe fez um pedido:

Deixe claro, por favor, que eu não vou falar sobre aquele assunto.

Tudo isso sem se exaltar. Um segundo depois ela já estava sorrindo de novo. Neal também avisou que Paris não falaria sobre os boatos a respeito dos seus muitos affairs . A última edição da revista People traz fotos dela que é ex de Leonardo DiCaprio e Nicolas Cage beijando o backstreet boy Nick Carter, com quem foi recentemente ao Sundance Festival.

Paris está nas páginas de jornais e revistas a toda hora. Mas, no último dia 14, ela não deve ter gostado do motivo: o autodenominado guru da moda de Hollywood, Mr. Blackwell, divulgou sua lista dos mais mal vestidos de 2003 e Paris ficou em primeiro. Mas no desfile no MAM, ela não fez feio. Apesar da correria e do assédio de repórteres, Paris não pareceu estressada.

Faço isso desde pequena, então já estou acostumada disse ela.

Em The simple life, no entanto, ela deixa o glamour um pouco de lado. Num dos episódios ela até tira leite de uma vaca. Um marco na vida de quem cresceu dormindo em hotéis cinco estrelas. Será que ela não sentiu falta do serviço de quarto na fazenda do Arkansas?

Foi puxado, mas acho que na TV sempre é assim. E eu me diverti disse ela, que faz uma ponta no filme O gato, em cartaz na cidade, e quer se dedicar ao cinema. Vou fazer um filme, mas ainda não posso dizer qual.

Habitué de festas no circuito Los Angeles-Nova York- Londres-Paris, a lourinha costuma fazer de tudo para aparecer. Reza a lenda que com 19 anos ela foi à boate nova-iorquina Studio 54, subiu no balcão do bar e dançou de topless. Paris foi embora do Rio logo depois do desfile. Ela explicou o motivo de tenta pressa.

Vou à entrega do Globo de Ouro, no domingo (anteontem) e preciso de tempo para me preparar. Volto para o carnaval. Podem me esperar.

Do jeito que ela gosta de badalar (e aparecer), que ninguém se espante se a imprevisível Paris pintar na Sapucaí mês que vem...

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Embalagens que vendem

Empresas usam a criatividade como diferencial para atrair e fidelizar a clientela
Silvana Caminiti

A imagem que o consumidor tem de uma loja pode ser o primeiro passo para seu sucesso. E se, como diz o ditado, ¿a primeira impressão é a que fica, é preciso caprichar sempre. Afinal, a cada dia entram novos clientes no estabelecimento. Além da decoração e das promoções, outro item que pode ajudar o cliente a formar uma opinião sobre a empresa é o tipo de embalagem usada. Quanto mais criativa e bonita, mais poderá incentivar as vendas.

Prova disso é o resultado alcançado pela loja de decoração especializada em artigos de cama, mesa e banho EstiloCasa. Feitas com palha, canela e papel colorido, as embalagens chamam a atenção dos clientes não só pela beleza, mas também pelo cheiro, agregando valor ao conteúdo.

A loja foi inaugurada há pouco mais de seis meses, na Barra, e já conquistou diversos clientes, justamente por causa dos embrulhos. Esse é um dos diferenciais da empresa. Os clientes já sabem que o presente é embalado de forma artesanal e criativa, e, nesta época de concorrência acirrada, esse tipo de serviço estimula a venda, comenta Rubens Jacob, um dos sócios da loja e com mais de 20 anos de experiência no varejo.

Segundo ele, uma embalagem bonita e diferenciada nem sempre significa aumento dos custos operacionais. Gastamos menos de R$ 2 em cada embalagem, quantia viável para qualquer porte de negócio. Basta um profissional na loja com aptidão para colocar em prática, explica. A EstiloCasa tem como um de seus pontos fortes oferecer produtos exclusivos à clientela.

EstiloCasa: (21) 2483-6249

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FLAMENGO
Volta por cima é isso

Se em 85 Zinho chegava à Gávea de ônibus, ontem, o craque voltou à casa rubro-negra em situação bem mais confortável
Janir Júnior

Em 85, Zinho chegava ao Flamengo com uma roupa batida, calçando chinelos e cansado de tanto sacolejar no ônibus durante o trajeto de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, até a Gávea, onde tentaria a sorte nas divisões de base. Depois de conquistar o Campeonato Brasileiro de 92, o jogador deixou o clube e se transferiu para o Palmeiras. Doze anos se passaram, e Zinho está de volta.

A realidade do menino humilde mudou: desde a roupa até sua condição financeira. Mas o Rubro-negro continua com velhos problemas do passado, como salários atrasados e falta de estrutura. Aos 36 anos, Zinho tem como experiência própria a certeza de que é possível mudar. A esperança na filosofia da nova diretoria misturada a uma boa dose de amor pelo Flamengo foram os ingredientes principais para o retorno do ídolo.

A estrela maior, o líder, e quem está acima de tudo é o Flamengo. Recebi propostas melhores, mas a parte financeira não foi o fator principal. Acredito nas pessoas sérias que estão no comando. As coisas vão melhorar, aposta.

Campeão brasileiro pelo Cruzeiro, ano passado, o jogador sabe que a situação financeira e a estrutura do clube mineiro superam e muito a do Flamengo: O projeto do Júnior é que o mês tenha trinta dias. Se não for assim, não posso chegar em cima de um garoto para cobrar dele.

E este será o papel principal de Zinho: servir de referência para a garotada. Tenho condições de ajudar, mas só quem estiver disposto. Não vou abrir a cabeça deles para tentar colocar alguma coisa dentro, ressalta.

Zinho quer representar para os mais jovens o mesmo exemplo que o atual diretor técnico Júnior foi para ele no início da década de 90: Quem sabe, se quando os mais jovens estiverem com 30 anos não lembrarão de mim como uma figura importante para eles?.

O veterano não se incomodou com a declaração de Abel Braga. O técnico deixou claro que Zinho terá de brigar pela vaga de titular. Estou aqui para somar o máximo possível, afirmou.

E o tempo que passou longe da Gávea não fez Zinho esquecer da única coisa que não muda no Flamengo: Essa torcida é diferente de todas as outras.

Se há um cara de sorte é este ai. Estava no Grêmio quando o Grêmio estava numa fase aurea. No ano passado, com toda aquela crise de meu time o Zinho estava onde? No Cruzeiro. E este ano volta para o Flamengo. Será que o Mengo vai ser o campeão carioca de 2.004?

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Mais um golaço de Ronaldo



Nossa e não é que a menina está em todas as páginas mesmo. E possivelmente continue, porque desde sábado ela está sendo postada nos mais diversos sites que tenho visitado. Será só por causa do Ronado..? Parece que não....


Lívia Lemos não é tão radical assim e admite que só começou a praticar esportes mais ousados quando virou apresentadora do Rolé, no SporTV. Mas ela não tem medo de encarar outras situações, como o disputado posto de nova namorada do craque Ronaldo. Apesar de não assumir o romance com todas as letras, a beldade fala a respeito à revista VIP de fevereiro (foto). ¿Ele é um grande amigo, uma pessoa especial.


É um cara muito divertido, alegre, um molecão... E eu também sou muito nova, vou vivendo o momento. A gente se dá muito bem, é uma coisa tranqüila, entregou a turbinada (são 195 ml de silicone em cada seio). Ronaldo assina o texto que acompanha o ensaio sensual: As fotos estão maravilhosas. Duvida?





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Luís Augusto Fischer
27/01/2004


Seleção de livros

Esses dias contratei um pintor para as janelas de casa. Serviço pouco, coisa de um dia. Eu já conhecia o cara, gente boa, competente, relativamente barateiro. E veio ele com um ajudante, um rapaz de seus 17 anos, vizinho do pintor lá numa parada remota de Viamão. Aproveitei a presença deles e mudei de lugar uns armários. Resultou disso tudo que sobraram uns livros, desses que a gente tem meio sem querer, porque foram enviados por editoras, ou porque foram rejeitados no andar da vida. Ofereci os livros a eles.

O pintor não quis nada, porque não gosta de ler, segundo disse. Não gosta das letras assim tão juntas, brincou. Já o rapaz me disse que ia ver, queria ficar com alguns. Perguntei se ele estava estudando, e fiquei sabendo que ele entra agora no 2° ano do Ensino Médio. Algum sonho com isso? - eu quis saber. Ele me disse, acho que com alguma iluminação no rosto, que sim, que queria servir. Entrar no Exército.

E naturalmente eu fiquei pensando nisso, na opção civilizada que o rapaz está fazendo: sendo pobre e trabalhador, estando até agora fora das tentações mais imediatas que certamente se oferecem para sua geração e classe, como o mundo do comércio de drogas e afins, de fato a vida militar deve parecer algo interessante, regular, organizado, com futuro, coisas essas todas de alta relevância para um jovem que quer ser alguém a partir de bases sociais frágeis.

Os livros sobrantes estavam ali, ao alcance dele, e eu fiquei observando o que é que ele ia querer. Eram vários, chegariam talvez à centena, entre velhos e recentes. Ele começou a mexer em cada um, repassando as folhas, olhando as capas, parecendo exercer a escolha segundo critérios. Quais critérios? Ele devolveu à caixa os livros de poesia, sempre. Havia um Cruz e Sousa sobrado depois que eu comprei uma obra completa, e assim também um Vinícius de Morais. Rejeitou igualmente todos os romances, os brasileiros que ele estudará talvez no colégio e os estrangeiros com nomes rebuscados.

Ele separou para levar, com decisão, apenas os títulos que pareciam mais sérios. Um de Astronomia, que por algum mistério tinha ido parar ali, ele logo pegou, talvez sugerindo a si mesmo que ali sim estava algo que merecia atenção. Uma edição do Guinness, de 1997, ele pegou, folheou, riu e depois rejeitou.

Por fim, eu estendi a ele um catálogo de exposição de artes plásticas, velho mas limpo e composto, ilustrações bonitas de obras clássicas que interessam a toda a humanidade, em papel cuchê colorido; ele rejeitou, delicado mas decidido. E eu fiquei pensando que na vida dele, como certamente na de tanta gente, não há lugar para a beleza que o senhor e eu desejamos como o ar. Nem dá para concluir que pertencemos todos à mesma civilização.

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Liberato Vieira da Cunha
27/01/2004


Pernas para que te quero

Há uma questão estética e sociológica que, volta e meia, me inquieta a mente e atormenta o espírito: por que as mulheres escondem as pernas? Por que põem tamanho empenho em se mostrarem casualmente desalinhadas? Não sei você, mas eu acho que o mundo seria infinitamente mais desgracioso se a Marilyn Monroe não tivesse sido fotografada com a saia sedutoramente esvoaçante, revelando uma antevisão do paraíso sobre um simples exaustor de rua. Já pensaram em que lugar hostil e inóspito se converteria a Terra, se órfã da Marlene Dietrich naquela cena do cabaré em O Anjo Azul, ou se desprovida do esplendor da Cyd Charisse em Meias de Seda?

Pressionei demais a tecla do rew? Perdão, leitores. Tornando ao presente do indicativo, temo que padeceria de incurável desencanto se a Gisele Bündchen só desfilasse de tênis ou a Halle Berry só pintasse na tela envergando umas calças bag.

O outro dia, corria eu de nada para lugar nenhum, imerso em tédio, como é próprio dos habitantes de cidades povoadas por damas eternamente enfiadas em jeans, quando me senti invadindo um set da Usina de Sonhos. Bem na esquina da Mostardeiro com a Miguel Tostes tinha uma senhorita alta, morena, dona de uns olhos azuis luminosos, de um narizinho atrevido, de uns lábios estonteantemente sensuais.

E o mais incrível: usava saia e blusa de crepe, sandálias de salto, jóias discretas e todo um ar de refinamento. Esperava alguém, mas não traía maior inquietação. Tornei a vê-la na mesmíssima manhã. Dessa vez postava-se à entrada de um shopping, consultava ligeiramente preocupada o relógio, irrepreensível em sua discrição e elegância. Não cheguei a me surpreender: às vezes namorados ou amantes mudam por motivos romanticamente estratégicos o lugar de seus encontros. Mas aí a vi por uma terceira vez, agora à porta de uma galeria. Já não há muitas galerias em Porto Alegre. Aquela fluía para uma espécie de mercado persa e a senhorita alta, morena, dona de uns olhos azuis luminosos examinava sua circunstância, e suspirava, tomada de uma pontinha de desassossego, e digitava um celular.

Peguei um táxi, operação que não me exigiu nem 10 segundos. Quando tentei localizá-la novamente, tinha desaparecido. Informei meu rumo ao motorista e fiquei pelo menos mais 10 segundos me indagando se aquela beldade não teria sido uma miragem, a estrela de alguma fugaz campanha de publicidade ou aquele engano d'alma ledo e cego, de que fala Camões.

Mas então me convenci de que nenhuma das três hipóteses era verdadeira.

Cavalheiros de meia-idade, feito eu, costumam ser acometidos por visões, em especial se é verão, se os termômetros marcam 35 graus e se conservam a tola saudade de recuadas épocas em que as mulheres não usavam jeans. Exibiam, docemente provocantes, sua lindeza, seu charme e suas pernas.

liberato.vieira@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
27/01/2004


O ônus e o bônus

Semana passada, a área da saúde foi abalada por uma controvérsia: o diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Daniel Tabak, demitiu-se do cargo, alegando pressões políticas para dar atendimento privilegiado a pacientes à espera de transplante de medula óssea. Espera que, inevitavelmente, gera uma ansiedade insuportável. E, inevitavelmente, tenta-se tudo, inclusive e principalmente a pressão política.

Se as coisas aconteceram como narradas pelo doutor Tabak, ele tem razão. O transplante é um procedimento médico; na seleção de pacientes, só podem prevalecer critérios médicos, critérios que todos, inclusive os políticos, deveriam conhecer e divulgar. O recurso ao pistolão não é, de modo algum, excepcional. Políticos estão constantemente intervindo para conseguir vagas, procedimentos, exames.

No começo de minha carreira na saúde pública, conheci o diretor de um hospital de tuberculose que guardava as cartas enviadas por deputados pedindo internação (à época muito difícil). De quando em quando, mandava-as de volta aos remetentes - sem qualquer comentário, apenas para que tomassem ciência do número de seus pedidos. Mas não é só questão de conseguir baixa. O próprio Inca foi, há meses atrás, cenário de uma crise desencadeada pela indicação (política) de pessoas sem experiência para cargos importantes. Mais de cem técnicos pediram então demissão. A crise só terminou com a intervenção do ministro da Saúde, Humberto Costa.

A reação imediata do público é ver, na atitude dos políticos, simples demagogia eleitoreira - prejudicial, porque se alguém é passado para a frente, outra pessoa é passada para trás. Como disse o doutor Tabak: "Os políticos ficam com o bônus dos favores, e nós com o ônus de comunicar à maioria que a fila foi furada". Mas há, no episódio, motivo para reflexão. Afinal de contas, o pedido político resulta de um drama humano diante do qual não se pode ficar insensível. Nos serviços, e por causa da enorme demanda, o paciente é freqüentemente um número, uma ficha, um prontuário.

Porém, atrás do número, da ficha, do prontuário, existe uma pessoa. É disto que o político se dá conta, e é disto que os serviços de saúde também precisam se dar conta. A espera na fila, em qualquer fila, é angustiante, mas fica menos angustiante se as pessoas que esperam recebem algum tipo de amparo. Pequeno exemplo: muitas unidades de saúde fazem da sala de espera um lugar em que alguém conversa com os pacientes, transmitindo-lhes conhecimentos sobre saúde e doença.

Em sua origem latina, a palavra cura tem duplo sentido: significa devolver a saúde a um doente, mas significa também, e principalmente, cuidar. Cuidar das pessoas é providenciar o transplante e ampará-las em todos os momentos, inclusive no momento da espera. É fazer com que esta espera seja, não desespero, mas esperança. Para os serviços de saúde não será um ônus, será um bônus.

scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
27/01/2004


Bolinho de batata (III)

Nunca pensei que um assunto tão frívolo fosse fazer tanto sucesso nesta coluna. É que entupiram meu escaninho de e-mails vindos de diversos lados do Interior e da Capital, todos se referindo ao bolinho de batata, que imaginei fosse uma delícia meio que despercebida, mas pelo que vejo agora é difundida por toda a parte.

Apareceu por exemplo o misterioso restaurante da Avenida Mariland. No trânsito, as pessoas paravam meu carro para saber o endereço do restaurante. E eu só podia lhes dizer que era na Avenida Mariland.

Mas agora identificou-se o estabelecimento: Restaurante Max und Moritz, Avenida Mariland 720, que há nove anos serve um delicioso bolinho de batata, engraçado que todas as terças-feiras.

Hoje é dia!

E o segredo dos cerca de 300 bolinhos que são servidos lá a cada terça-feira é que eles não só são feitos como feitos na hora, depois do pedido dos clientes.

O proprietário, Schullas Nonnenmacher, diz que ficaria muito orgulhoso se a equipe do Sala de Redação comparecesse lá algum dia para saborear o seu bolinho de batata com um chope ou uma caipirinha.

Ele diz graciosamente que o ambiente é familiar.

Mas também me mandam dizer de Pelotas, pela mão do Rogério T. Brodbeck, que desde os tempos imemoriais da Lancheria Praiana, na Rua da Praia, ao lado da Galeria Di Primio Beck, que não se comia um bolinho de batata tão gostoso como o faz o Bar do Nenê.

Dizem que no Bar do Nenê convivem xavantes e auricerúleos na maior fraternidade, desde as cinco da tarde até mais de uma hora da manhã, cerveja estúpida, bolinhos de batata, de peixe e croquetes, saídos todos das mãos de dona Marli e servidos pelo próprio Nenê.

Bate em todos uma nostalgia brutal mas deliciosa, uma saudade intumescente do antigo e falecido Bar Madelaine, um dos pontos mais tradicionais da memória de Pelotas.

Mas o que constatei é que as pessoas se orgulham de fazer seus bolinhos de batata em casa.

Gaúchos residentes em Fortaleza mandaram me dizer que nunca puderam comer por lá os divinos bolinhos de batata que eram feitos por suas avós, mães e tias aqui no Rio Grande do Sul.

Ana Pinto me diz que os bolinhos de batata que faz em casa contêm no guisado ovos cozidos e salsa e que ficam de chorar.

Marlene Rieth diz que atualmente está estabelecida na Praia de Salinas, na Rua do Farol, e ficou extasiada quando leu a coluna sobre os bolinhos de batata. Ela diz que os faz congelados, junto com lasanhas e panquecas. E que os bolinhos de batata que serve também uma vez por semana (que mania esta!) são um sucesso, e o segredo é o seu preparo com esmero.

E o Clóvis Duarte disse que enlouqueceu lá em Atlântida, ao lado do Lauro Quadros e do Marco Aurélio, quando leram à beira-mar a coluna do bolinho de batata.

Ele e o Edison Honorato, de Caxias do Sul, exigem que o Anonymus Gourmet publique urgentemente nesta coluna a receita do bolinho de batata.

A receita! É só o que está faltando, Anonymus!

E não há lugar em dezenas de colunas para publicar tanta mensagem sobre o bolinho.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Diplomacia
Convidado de honra na Índia



Presidentes Lula (C) e Abdul Kalan (à direita ao lado de Marisa) assistem em um camarote blindado em Nova Délhi ao desfile do Dia da República (foto Antônio Milena, ABR/ZH)


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Segunda-feira, Janeiro 26, 2004




26/01/2004 - 13h56m
Pesquisa mostra que amor não é cego para o que a plástica pode corrigir

Reuters

NOVA YORK - O amor não é cego - ou pelo menos não ignora os possíveis benefícios de uma cirurgia plástica no rosto do parceiro.

Das pessoas que estão namorando ou são casadas, 59% das mulheres e 54% dos homens gostariam de mudar pelo menos um traço no rosto de seus parceiros, de acordo com uma pesquisa da Academia Americana de Cirurgia Plástica e Reconstrutora Facial, divulgada nesta segunda-feira.

A pesquisa também mostrou que os homens são mais propensos a considerar a sugestão de uma cirurgia plástica como um insulto.

As mulheres são mais propensas a considerar a sugestão como um gesto de amor e, se o parceiro se oferecesse para pagar o procedimento, elas ficariam duas vezes mais estimuladas a ir adiante com a cirurgia plástica.

- Essa pesquisa mostra que o amor não é cego. Na verdade, está de olho no que pode melhorar - disse o presidente da academia, Keith LaFerriere.

A instituição, com sede em Alexandria, no estado da Virgínia, patrocinou a pesquisa por telefone, realizada de 2 a 5 de dezembro, com mil adultos nos Estados Unidos, dos quais 738 eram casados ou estavam namorando. A margem de erro é de 3,2%.

Os entrevistados disseram que mudariam os cabelos (24% das mulheres; 17% dos homens), as rugas (9% contra 11%), o nariz (novamente 9% contra 11%), a boca (6% mulheres e homens), olhos (5% para ambos também) e orelhas (4%) de seus parceiros.

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Segundo o Ronaldinho, 0 Fenômeno, ela é a vista mais linda de Niterói, pero si, pero no, também concordo.

26 de janeiro, Rio - O golaço que Ronaldinho marcou depois da separação se chama Lívia Lemos. A apresentadora do Sportv! conseguiu, além de conquistar o craque, ganhar o posto de musa do verão. Toda as curvas que paralizaram o atacante estarão na VIP de fevereiro

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Segunda, 26 de janeiro de 2004.

Vergonha


Brasil não consegue empatar com o Paraguai e joga na lata do lixo o sonho do ouro olímpico

VIÑA DEL MAR, CHILE. O Brasil detém hoje os títulos mundiais de futebol nas categorias sub-17, sub-20 e adulto, feito jamais alcançado por país algum. Mas a lacuna que ainda existe na sala de troféus da CBF, a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos, seguirá sem ser preenchida este ano. Isso porque a equipe dirigida pelo técnico Ricardo Gomes, que precisava apenas de um empate para garantir a sua vaga em Atenas, foi derrotada ontem pela do Paraguai por 1 a 0, em Viña del Mar. É a segunda vez que os paraguaios vão aos Jogos. A anterior foi em 1992.

O Brasil terminou o Pré-Olímpico na terceira posição, atrás de Argentina (que empatou em 2 a 2 com os eliminados chilenos) e Paraguai. Não será a primeira vez que a Seleção ficará de fora da competição mais importante do esporte mundial. O futebol entrou para o programa olímpico em 1900, em Paris, e o Brasil só foi participar pela primeira vez da disputa masculina de futebol em 1952, na 10ª edição do torneio da modalidade nos Jogos - em 1932, em Los Angeles, não foi realizado. A partir daí, ficou de fora em 1956 (Melbourne), 1980 (Moscou) e 1992 (Barcelona).

Sem apresentar jogadas ensaiadas e com várias peças-chave da equipe rendendo abaixo de suas possibilidades durante todo o Pré-Olímpico, a Seleção jogou abaixo do esperado durante toda a competição.

O único momento em que o time do técnico Ricardo Gomes entusiasmou a torcida foi no segundo tempo da vitória de 3 a 1 sobre o Chile, na sexta-feira. O triunfo com um jogador a menos parece ter subido a cabeça dos jogadores brasileiros, que festejaram a vitória com um pagode até 2h30 de sábado, como se a partida contra o Paraguai servisse apenas para cumprir tabela.

Os paraguaios, que na primeira fase perderam para o Brasil por 3 a 0, não pensavam assim e dominaram a partida desde o princípio. Aos 16 minutos, Bareiro carimbou a trave esquerda de Gomes. E aos 32, De Vaca subiu sozinho, por trás da zaga brasileira, e fez 1 a 0, de cabeça. Gomes ainda fez duas defesas salvadoras antes do intervalo, enquanto o Brasil não conseguiu ameaçar seriamente.

No segundo tempo, Dagoberto perdeu duas ótimas chances, aos 3 minutos e os 17.Mas a melhor oportunidade foi perdida por Dudu Cearense, aos 40, também na pequena área, matando o sonho de ir a Atenas.

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Estabeleça metas para poder avançar

Para atingir metas é fundamental ter um bom planejamento. Sem isso, a pessoa corre o risco de morrer no caminho
Dr. Lair Ribeiro

A cada momento, mesmo sem saber, você está criando em sua mente a sua própria realidade. Do mesmo modo, você pode planejar e direcionar essa sua capacidade criativa para o sucesso. Sabe como? Estabelecendo suas metas. Ter metas é o mesmo que viajar com um mapa na mão: você não erra o caminho. Alguém pode chegar ao topo do Monte Everest sem planejamento? É claro que não. Para chegar lá, é preciso planejar cada detalhe. Essa preparação, que custa milhões de dólares e envolve muita tecnologia, pode demorar uns quatro anos para ser concluída. Sem isso, a pessoa corre o risco de morrer no caminho. Sem planejamento, é praticamente impossível atingir grandes metas.

Responda rápido: o que você vai fazer quando terminar de ler este artigo? E o que você vai fazer com a sua vida daqui a um, cinco ou 10 anos? Para a primeira pergunta, certamente você tem uma resposta. Já para a segunda, é muito provável que você responda que não sabe ou que ainda não teve tempo para pensar. Sem um mapa, fica difícil explorar qualquer território. Você tem um mapa mental para chegar à sua casa, você faz isso toda hora, é muito fácil para você fazer isso. Seu colega da sala de aula, porém, não teria a mesma facilidade que você, pois ele não tem esse mapa.

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Luis Fernando Verissimo
26/01/2004


Deficits não importam


Quando Paul O'Neill substituiu Larry Summers - aquele que um dia defendeu a transferência de indústrias poluentes para países subdesenvolvidos porque a poluição afetaria mão-de-obra mais barata e assim o custo social seria menor (e hoje é presidente da Universidade de Harvard) - como secretário do Tesouro americano, especulou-se que ele seria melhor do que seus antecessores recentes, que incluíam, além de Summers, Bob Rubin, cuja missão no cargo era tornar o mundo seguro para a Goldman, Sachs. O'Neill vinha da indústria, não do setor financeiro, e talvez fosse um comandante diferente do esquemão (FMI, Banco Mundial, etc) que nos governa.

Não foi, mas está sendo diferente agora, depois de deixar o cargo. Deu subsídios para um livro recém publicado sobre os bastidores do governo Bush e, entre outras revelações sobre o estilo do chefe e sua política externa (como a de que a idéia de atacar o Iraque foi defendida na primeira reunião de gabinete do novo governo, dois anos antes de 11/9), conta que o vice-presidente Dick Cheney fez pouco da sua preocupação de manter o equilíbrio orçamentário herdado do governo Clinton, dizendo que o governo Reagan provara que os déficits não importavam. O que não impediu o esquemão de continuar cobrando a responsabilidade fiscal dos seus países-clientes que os americanos desprezavam.

Cheney poderia ter buscado exemplos das vantagens de tratar déficits e dívidas como se não existissem mais longe, muito antes de Reagan. Se não quisesse, por prevenção contra a Velha Europa, invocar a Grécia Antiga, quando os atenienses chamaram Solon para dar um jeito numa sociedade levada à beira do caos pela concentração de renda, que já era brasileira antes de Cristo, e a primeira coisa que o poeta fez foi devolver a terra e a liberdade a quem as tinha perdido para credores que levavam débitos a sério, poderia usar exemplos antigos do seu próprio país, onde o capitalismo, historicamente, não teve do que se queixar do calote ou da dívida adiada.

Toda a expansão americana no século 19, quando as ferrovias abriram o vasto território do oeste para os "robber barons", a nobreza da falcatrua, construírem suas fortunas e aquela sociedade tão invejada, foi feita de falência fraudulenta em falência fraudulenta.

Não pagar as dívidas era uma condição para o desenvolvimento e os Estados Unidos tiveram a sorte de crescer antes que saldar compromissos com bancos, com qualquer sacrifício, virasse um imperativo moral, o que é um fenômeno do século 20. O crescimento americano, quando eles ainda não tinham se transformado em pregadores da adimplência alheia, foi feito em ciclos alternados de explosão e depressão, quando falências em série e pânico financeiro arruinavam milhares de vidas mas acabavam com dívidas acumuladas e purgavam o sistema, que começava de novo do colapso.

A única novidade de Reagan, citado por Cheney, foi tornar explícita a hipocrisia.

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Já é

Ivete Sangalo, Monobloco e Cabofolia sacodem o Rio e dão partida para o Carnaval
Fabrício Marta e Marcelle Justo

CABO FRIO E RIO - Definitivamente, é verão no Rio. E junto com o sol, que se firmou, veio também a batucada carnavalesca. Está dada a largada para a folia. A grande dama da festa na cidade foi a baiana Ivete Sangalo, que brilhou sábado, no Píer Mauá, e sexta-feira, no Cabofolia, na Região dos Lagos. A cantora dominou a festa. Mas não monopolizou. As quadras de escola de samba lotaram, assim como alguns dos blocos mais badalados. O Monobloco estreou na Fundição Progresso e o Simpatia É Quase Amor, no Clube Democráticos, na Lapa.

No show de Ivete, no Píer Mauá, sábado, o tempo ajudou para a animar as 10 mil e 500 pessoas (números da organização) que se espalharam na área reservada para a micareta comandada pela cantora. E o que se via de cima do trio elétrico é que a azaração dava o tom da noite. Para Camila Barros, 19 anos, a festa estava tão animada quanto às de Recife, sua terra. ¿Aqui tem mais gatinhos¿, garantiu.

Meninos, aliás, com hormônios a mil. Ivete até brincou entre um e outro hit: ¿Esqueçam que eu estou aqui e aproveitem¿. Eles aproveitaram. Elas também. ¿Disse que não queria nada com um garoto e ele respondeu que tudo bem: só sexo servia¿, contou, indignada, a carioca Luciana Brito, de 24 anos, uma exceção em micaretas. ¿Não gosto de ficar com muitos¿.

Realmente, Luciana era uma estranha em meio aos beijos na boca. ¿As mulheres estão dando em cima. É ótimo¿, contou o promoter Robson Agra, de 28. Além da beijação, a onda eram os bichinhos infláveis. Um cachorro acabou nas mãos de Ivete.

Em Cabo Frio, o penúltimo dia de Cabofolia iniciou com Cheiro de Amor. A vibração da banda, que começou a tocar às 23h, sacudiu a Praia do Forte. No vocal, Aline Oliveira fez show à parte. Suas madeixas cor-de-rosa eletrizaram o Corredor da Folia. O quarto dia de festa reuniu 25 mil espectadores, de acordo com a Polícia Militar. O Cheiro se despediu do Cabo Folia às 2h20, abrindo alas para o Asa de Águia. O grupo de Durval pisou no Corredor da Folia com longa queima de fogos. Com abadá azul, o Bloco Sol, que seguiu o trio, fez da arena um mar de gente até às 6h.

O badalado Monobloco deu seu grito de folia na sexta-feira. Quando o mestre de bateria, Celso Alvim, iniciou a batucada, a multidão correu para as grades. O interesse na bateria composta por 130 ritmistas vai além da cadência do samba. Dentro e fora do alambrado, a agremiação criada por Pedro Luís e a Parede reuniu gente bonita, interessada em azaração. ¿Não dá para negar, aqui tem mais gente bonita do que em qualquer outra batucada¿, comemorava o universitário Eduardo Ferreira, 23 anos.

Colaborou Clarissa Monteagudo

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José Pedro Goulart
26/01/2004


O Homem e a Justiça e a Trepanação

Estimado leitor, se você entre tantos textos deste prestigioso jornal resolveu deter-se neste, muito obrigado, mas eu lamento. Vivemos um tempo de muitas palavras e poucas novidades. O que pode lhe interessar ainda? O que este sazonal redator pode fazer para compensar sua atenção?

Talvez lhe interessasse a bola-de-fogo vinda do céu que caiu na Argentina. Poderia ser um sinal dos deuses, do futuro ou de um mundo distante. Mas é lixo, sucata. Uma espécie de ping pong espacial, onde a resposta é mais forte que o saque.

Tentemos então o lançamento de Hell (no Brasil com o nome de Paris-75016), livro auto-referente da francesinha Lolita Pille, de apenas 21 anos. Nele a autora, através da personagem que dá título ao livro, revela como é ser rica, jovem e consumista, na cidade-luz dos tempos atuais: "Misturamos birita com fumo, o fumo com pó, o pó com ecstasy; os caras transam com as putas sem camisinha e gozam depois nas amiguinhas das irmãs mais novas, as quais, de qualquer jeito, ficam o dia inteiro fazendo suruba.

Estamos no mais completo delírio". A jovem escritora em entrevista recente fala na sua tribo como os "Gucci Prada", aqueles que dividem o mundo entre "nós", os muito ricos, e "vocês", o resto. Lolita, aliás, crê na sua geração como perdida. Se você acha que sim, ligue para um número ímpar, se você acha que não, ligue para o bispo.

Enquanto isso Dogville, filme chatonildo do dinamarquês profícuo e prolixo Lars von Trier late sua desesperança nas telas da nossa cidade. Dogville espalha o fel da descrença na possibilidade de um mundo justo e harmonioso e acaba enveredando por uma história de vingança. Eis a questão, que de certa forma contradiz o discurso do filme: toda vingança é uma tentativa raivosa de justiça. Além disso, Von Trier cataloga com amargura o amargo da vida e escala a si próprio como artista vingador (e dessa forma se isenta). Penso eu: não há justiça, provavelmente, mas cabe ao homem continuar procurando por ela.

Troca instantânea de assunto. Segundo alguns, o próprio corpo é o único domínio onde alguma interferência é justa. Então essas pessoas se tatuam, se cortam no desejo de marcar-se com cicatrizes perenes, colocam argolas nos genitais ou penduram-se, enganchados pelos mamilos ou pelas costas, criando lesões irreversíveis. É o "body modification", que tem na trepanação a mais radical experiência. A trepanação trata de pessoas que furam o crânio utilizando uma perfuradora elétrica com anestesia local. O cérebro fica exposto, ventilando e, segundo os que fizeram essa experiência, o resultado é faiscante: provoca uma iluminação no sujeito, incendeia os coágulos de luz dentro do cérebro, libera a alma pelos orifícios da cabeça. Se você pensa que isso é novo, engana-se, existem indícios de que a trepanação ocorre há pelo menos 10 mil anos. Só a perfuradora não era elétrica.

É isso, então, histórias de cinismo, moralismo ou ingenuidade. Histórias da humanidade tentando encontrar as saídas de emergência. Enquanto isso o universo, aparentemente indiferente quanto a esses esforços, regurgita pedaços incandescentes de foguetes na nossa cabeça.

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Paulo Sant'ana
26/01/2004

Porte de lança-chamas

Zero Hora ontem fez um apanhado dos últimos ataques dos bandos facinorosos aos carros-fortes de transportadoras de dinheiro e às agências de bancos no Estado.

Os assaltantes usaram fuzis e metralhadoras. Mas também contaram para o êxito de suas ações com granadas, lança-chamas e bananas de dinamite.

São táticas de guerrilha, são armas de combate de exércitos em plena guerra, são artefatos e equipamentos dos mais sofisticados, os mais modernos, tanto que as granadas apreendidas pela polícia gaúcha são de última geração, sem ranhuras, novíssimas, recém saídas do mercado bélico para as mãos dos bandidos.

Ouso dizer que as armas e explosivos que os assaltantes gaúchos estão usando estão acima até da capacidade de ação dos meliantes, tanto que as granadas que foram atiradas no assalto ao Banco do Brasil em Igrejinha não explodiram - não por falta de qualidade, mas de habilidade dos atacantes, que não retiraram delas os pinos.

Impressiona, em plena e retumbante vigência do Estatuto do Desarmamento, a facilidade com que os assaltantes conseguem esse arsenal.

O vendedores desse armamento aos assaltantes, visivelmente, só não inundam o Brasil desses equipamentos de combate por falta de mercado.

Os únicos clientes que encontram são os ladrões, que até devem ser encorajados para esses assaltos a alvos de maior capacidade financeira até pela facilidade com que têm acesso a essas armas que superam as da polícia e se igualam às das Forças Armadas em poder de fogo.

É de dar risadas o Estatuto do Desarmamento. Se seu propósito foi o de impedir que se sucedam as mortes por armas de fogo é risível.

Se há comércio e contrabando de lança-chamas, metralhadoras e fuzis, imaginem o de revólveres!

Se imaginaram os autores do Estatuto do Desarmamento que a maior fonte das armas que servem aos crimes são os cidadãos que tinham porte ou registro legal, enganaram-se completamente.

Se o tráfico de armas é assim tão corrente e banal, é evidente que é dele que sai o maior manancial para a delinqüência.

Mas mesmo que muitas armas fossem obtidas pelos bandidos nos furtos e roubos sobre os cidadãos que tinham porte e registro legal, que esperança há de que os crimes diminuam se os ladrões possuem lança-chamas?

Até parece que o Estatuto do Desarmamento proibiu aos cidadãos comuns andarem armados de lança-chamas!

E ao que me consta ninguém no Brasil tinha porte legal de lança-chamas.

E de fuzis e metralhadoras.

É uma anedota o Estatuto do Desarmamento. Claramente ele veio só para desarmar pessoas honestas e amedrontadas.

Os bandidos, não resta mais nenhuma dúvida, sempre obterão armas onde bem entenderem.

E o cidadão honesto que for ainda instado a portar uma arma será jogado nos presídios, em meio aos bandidos.

Isso parece uma piada.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Evento
O Planeta ferve em SC



Público recorde de 65 mil pessoas assistiu aos shows em Santa Catarina. A edição gaúcha será nos dias 6 e 7 de fevereiro em Atlântida (foto Daniel Conzi/ZH


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Domingo, Janeiro 25, 2004




Gosto do texto, mas muito mais da música que o acompanha. Se quiser conferir é só clicar no link e relaxar nesta tarde de domingo.

Um Lugar
Alzina Bomfim

Agora, mais que nunca,

É insaciável a minha vontade

De estar sempre junto de você

Senti-lo, toca-lo...

Eu não sei explicar.

Talvez,

Antes eu ainda houvesse sonhado,

Porque é inexplicável,

Como me faz sentir leve,

Livre das coisa enfadonhas

Que me fazem triste.

Compreendo neste agora,

Que a sua presença ao meu lado,

Me transporta para um lugar distante,

Lindo, quase irreal,

Onde não existe ódio,

Separação, sofrimento, desilusão...

Um lugar onde me esqueço de tudo.

Onde não sou triste.

Na verdade,

Lá, além de mim e você,

Só existe o doce diálogo do silêncio,

Onde a felicidade e a paz

Se fazem tão intensas,

Que superam a necessidade da fala.

E porque conheço a essência do meu silêncio,

Ouço no teu, o mesmo sentimento:

O amor, que não exigindo ser explicado,

Se estabelece no não-dito...


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