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Sábado, Fevereiro 07, 2004
Posted
7:28 PM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
08/02/2004
Mal-estar na civilização
Quase tudo na vida urbana nos empurra de volta para a selva
Uma coisa eu aprendi com os homens: a maneira mais rápida de conhecer o caráter de um sujeito é ver como ele se comporta numa quadra. Pelo que eu entendi, funciona mais ou menos assim. O cara é um doce no trabalho, parece se dar bem com todo mundo, nunca foi visto discutindo. Mas no futebol de salão é um gladiador, parte para cima das canelas alheias, não poupa nem o melhor amigo. O rapaz é aparentemente um cuca-fresca, um boa-praça, mas no campo perde a esportiva, é uma pilha de nervos. A lista de tipos não pára, se você tiver paciência e interesse antropológico suficientes - o canalha oculto, o fominha, o que se acha. Futebol é uma caixinha de surpresas humanas.
Uma coisa eu aprendi com quem dirige: no trânsito nada é azulzinho. Em nenhum lugar as pessoas sentem-se tão à vontade para o vale-tudo, para o primeiro-eu. A moça que é capaz de esperar 10 minutos pacientemente na fila do caixa de uma butique grã-fina não perde 30 segundos para dar passagem para outro carro. O executivo viajado, cheio de carimbos no passaporte, é capaz de bater boca com um velhinho por uma vaga no estacionamento - e ainda ir para casa achando que estava coberto de razão. Não há espaço para a gentileza, para a cordialidade. É um território livre para a barbárie e, às vezes, para a pura falta de bom senso: quantas pessoas você conhece que abrem mão de beber quando vão dirigir?
Uma coisa eu aprendi na Internet: e-mails são um atalho assustador nas relações humanas. Antes você conhecia a pessoa, falava com ela pessoalmente algumas vezes, outras tantas pelo telefone e a menos que um de vocês mudasse de cidade ou fosse o último amante epistolar do planeta a chance de se comunicarem por escrito era rara. Casais se conheceram, tiveram filhos, se separaram sem nunca trocar uma carta. Agora é pá-pum-email - ou, mais comum ainda, email-pá-pum.
Etapas são queimadas. Pois bastam meia dúzia de linhas, não mais que isso, para que se perceba o quanto a pessoa lê ou não, se tem senso de humor, se articula o pensamento com alguma lógica. Não são raros os casos de internautas que revelam pelo e-mail um lado surpreendentemente tosco. Protegidos pela distância do interlocutor, dizem coisas que não teriam coragem de dizer pessoalmente. É o valentão virtual, a modalidade mais recente de um gênero imemorial.
Uma coisa eu aprendi com a observação da espécie: não é moleza ser civilizado. Quase tudo na vida urbana nos empurra de volta para a selva, para os instintos básicos de sobrevivência e ataque, para a guerra tribal. Em situações-limite, educação e traquejo social nem sempre impedem que o ogro que todos trazemos em estado de maior ou menor repouso se manifeste. Civilização é o contrário da nossa natureza. Por isso dá tanto trabalho e exige tanta vigilância.
Interina: Cláudia Laitano
martha.medeiros@zerohora.com.br
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7:25 PM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
08/02/2004
Mais histórias de verão
Gilmar, Marialva, Marcão e outras 12 pessoas, seis da família Viera, outras seis da família Farias, são alguns personagens que ajudam a enriquecer as nossas curtas férias. Dá para rir e passar adiante
VIDÃO
Havia mar nos seus nomes, os dois eram jovens e livres, e a vida era curta. Que outras razões faltavam para Marialva aceitar o convite de Gilmar e dar um passeio noturno na sua lancha, só os dois, as estrelas e o Marcão (outro com mar no nome!), um capixaba discreto, segundo Gilmar, para servir o champanha?
Marialva hesitou. Mal conhecia Gilmar, e já tinha sido avisada no clube: "Não saia de barco com aquele ali". Mas Gilmar era atraente, apesar de pequeno, pois o que lhe faltava em altura sobrava em dinheiro, e Marialva aceitou, e os três zarparam num fim de tarde, em meio a um crepúsculo de folhinha ("Encomendei para você!", gritou Gilmar, entre risadas das gaivotas. E depois, fazendo um gesto que englobava tudo, eles, o barco, o mar e o céu coloridos: "Vidão!").
Marcão, além de servir o champanhe, o patê e as ostras e cuidar do som (barroco italiano), pilotava a grande lancha, que balançava suavemente nas ondas tingidas de lilás, e teve que vir correndo quando o Gilmar levantou-se de onde estava deitado, com a cabeça pousada nas coxas nuas também tingidas de lilás de Marialva, e precipitou-se para a amurada do barco.
Marcão chegou a tempo de segurar a sua testa enquanto ele vomitava. Depois Gilmar falou:
- Não adianta. Vamos voltar.
Na volta, enquanto Gilmar repousava na cabine, Marialva ouviu de Marcão a história do seu desafortunado patrão. Era sempre assim. Ele enjoava até com mar calmo. Às vezes nem dava tempo de chegar à amurada, era em cima da mesa mesmo. Uma vez a moça que estava com ele, indignada com os respingos, o agredira com o balde de gelo. Acontecia todas as vezes. Ele começava a enjoar e tinha que interromper o passeio. Mas não desistia.
- Por quê? - quis saber Marialva.
- Porque é pra isso que ele comprou o barco. Porque é essa a vida que ele quer. Ou, como ele sempre diz, o "Vidão!"
- Mas por que não mudam pelo menos o cardápio?
- O quê? E servir chá com torradas? Não seria um vidão.
Dias depois, Marialva ouviu Gilmar falando com uma bela mulher no bar do clube. Dizendo:
- Ostras. Champanha. Vivaldi. Só nós dois. E o mar. E se você quiser, providenciarei uma lua cheia. Hein? Hein?
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7:23 PM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
08/02/2004
Dilemas caninos
A batalha final ainda não foi anunciada, nem será do bem contra o mal. Eu desconfio que a luta será travada entre os que gostam de cachorros e os que não gostam
A batalha final não será travada entre o Bem e o Mal ou entre os identificadores nos aeroportos brasileiros e americanos. A batalha final será travada entre os que gostam e os que não gostam de cachorros. Pelo menos é o que deduzo de avisos que estão sendo colocados nos postes de iluminação nas ruas do meu bairro. Um deles adverte severamente os donos de cães que devem andar com um saquinho plástico, a fim de recolher o cocô dos bichos. Outro, na rua São Manoel, remete ao que deve ser um problema mais sério. Diz que cães estão sendo envenenados e adverte que esse procedimento pode ter conseqüências sérias, inclusive para crianças.
Cada vez há mais gente criando cachorros, o que se constata, inclusive, pela proliferação das Pet Shops (já são quase em número igual ao das farmácias). Era previsível; estamos seguindo o modelo europeu e americano. À medida que baixa a taxa de natalidade aumentam os animais de estimação. Os europeus, inclusive, não hesitam em dizer que substituíram as crianças pelos cachorros, que, segundo eles, dão menos trabalho e são menos ingratos; e dão, podemos acrescentar, testemunho de um egoísmo que não é pequeno. Por outro lado, cães tem seus inimigos. Em primeiro lugar pela óbvia razão de que alguns animais são agressivos e mesmo perigosos (claro: foram treinados para isso). Perguntem aos carteiros e aos entregadores de pizza o que acham do cachorro que, do portão, ladra ameaçador.
Existe aí uma questão até filosófica, com conotações surrealistas. No ano passado surgiu nos Estados Unidos um curioso livro sustentando a tese de que não fomos nós que domesticamos os cães, eles é que nos domesticaram. Ensinaram-nos a cuidar deles, a providenciar sua alimentação, em troca de muito pouco.
Como é fácil imaginar, nesta briga os cachorros são apenas cavalo (ou cão, melhor dizendo) de batalha. A disputa é, na verdade, entre pessoas. E não precisa existir. A convivência pode, sim, ser pacífica. Criar cães é uma coisa afetiva. Nesta época de vidas solitárias todo canal que permita comunicação de afetos é válido. É melhor gostar de cachorros do que não gostar de criatura alguma.
Alguém dirá que há muito garoto de rua esperando por afeto, e é verdade. No ano passado, foram gastos mais de um milhão de dólares para salvar uma baleia encalhada. Um milhão de dólares poderia salvar muitas crianças brasileiras, só que, elas, infelizmente não estão encalhadas no gelo, estão encalhadas nas ruas das grandes cidades, entre o crime, a violência, o tráfico de drogas, o desemprego. E não são um espécime em extinção, como alguns queriam que fossem. Uma coisa, porém, não elimina a outra. Nada impede que as pessoas interessadas na preservação de baleias cuidem de crianças; aliás, freqüentemente é o que acontece, porque quem tem consciência para uma coisa, tem consciência para muitas coisas.
A casa dos afetos tem muitas portas. E algumas delas têm, à sua frente, um cachorrinho abanando o rabo.
scliar@zerohora.com.br
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7:21 PM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
08/02/2004
A predadora
As mulheres raramente confiam seus fundamentais segredos aos homens.
Só o contubérnio etílico do Bar do Pirata, na Praia Brava, sul da ilha de Florianópolis, poderia ter ensejado que algumas mulheres tivessem dito uma verdade pétrea ao David Coimbra: as mulheres se mostram muito mais de biquíni do que nuas.
As mulheres bonitas aguardam o verão com a ansiedade das cigarras. É o tempo de elas se mostrarem, até ali ficaram camufladas pelo estratagema da moda, dissimulavam sua beleza na insinuação dos decotes e das calças e saias apertadas.
Muitas enganaram nas outras três estações, escondidas atrás das roupas. No verão é impossível ludibriar os incautos, é a hora da verdade, mulher que tem beleza para mostrar só pode fazê-lo realmente no verão.
Há mulheres que se preparam com dietas para o verão. Dezembro vai se aproximando e elas malharam durante todo o resto do ano e evitaram as gorduras e os carboidratos para se mostrarem impávidas na passarela das praias.
Há outras mulheres que odeiam o verão, exatamente porque é o cenário desfavorável para as suas mazelas físicas, escondem-se sob as saídas-de-banho e as bermudas e submetem-se ao terror de ter de expor-se rapidamente de maiô e tanga, o tempo que der para chegar às ondas e voltar até a cadeira de praia, embarafustando-se novamente nas toalhas acobertadoras.
Já as mulheres bonitas vão cedo para a praia e toda a coletividade litorânea fica conhecendo seus atributos.
Mulher bonita não pára na praia, percorre toda a extensão da areia, de preferência em companhia de outra mulher bonita, para não perder o jeito, mesmo porque jamais se verá na praia uma mulher bonita acompanhada por uma feia, a última não resiste ao terror da comparação.
Uma mulher realmente bonita não se cansa de caminhar de biquíni na praia, quer mostrar para todos a sua superioridade, tornando explícita e popular a sua sensualidade, é capaz de percorrer toda a inteira extensão da Praia do Cassino, dita a maior de todo o Brasil.
Ela caminha sob a onda dos olhares da multidão, não indo a lugar nenhum, mas como se tivesse um destino, que outro não é que os confins da sua justa vaidade.
Têm razão as mulheres que confiaram ao David Coimbra que a mulher se desnuda mais de biquíni do que nua.
Nua a mulher é de um só homem, que adquiriu o direito de vê-la nua, o chamado direito adquirido.
De biquíni, a mulher é alvo do olhar desejante de todos, que se munem do que se chama de expectativa de direito.
A mulher nua já é coisa do passado, não faz mais parte do mercado romântico, é uma presa. Enquanto que a mulher de biquíni é uma predadora que saiu de manhã para a praia a caçar os olhares aturdidos dos admiradores.
A mulher nua é um mero objeto de conquista.
A mulher de biquíni é um sublime objeto de desejo.
Nua, a mulher é protagonista do fim da história.
De biquíni, a mulher está forjando a história.
Nua, a mulher é um ser particular.
De biquíni, a mulher é um ser universal.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:18 PM
by Cassiano Leonel Drum
Cidadania
Prostituição mirim à luz do dia
Meninas de 13 a 15 anos oferecem o corpo em uma das principais avenidas da Capital diante da omissão dos órgãos encarregados de proteger crianças e adolescentes (foto José Doval/ZH)
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7:09 PM
by Cassiano Leonel Drum
Banho de sentidos
O que faz cada ingrediente dos sabonetes artesanais
A sofisticação das ultraperfumadas lojas de sabonetes artesanais levou para o banho ingredientes antes improváveis, como canela e café. Cada produto pode ter propriedades calmantes, energizantes, hidratantes ou até afrodisíacas, segundo os fabricantes. Alguns casos têm base científica. "O chocolate é considerado hidratante por ter gordura e não ressecar a pele", explica Elcio de Souza, químico consultor da Associação Brasileira de Cosmetologia. Ele lembra que um sabonete nunca deve ser considerado substituto para um tratamento médico. Conheça a ação de cada ingrediente.
Revigorantes ou regeneradores: alecrim, aloe vera, cítricos (laranja, limão, tangerina), eucalipto, hortelã, menta, própolis.
Relaxantes: baunilha, calêndula, camomila, erva-cidreira, germe de trigo, hamamélis, lavanda, melissa, pepino, rosas.
Hidratantes: abacate, amêndoa doce, aveia, banana, chocolate, leite de cabra, macadâmia, manga, rosas brancas.
Afrodisíacos: canela, cravo, gengibre, ilangue-ilangue, jasmim, rosas.
Fonte: Nei Naiff, consultor de aromaterapia
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3:30 PM
by Cassiano Leonel Drum
Um tapinha não dói
Boa surpresa em Celebridade: a desenvoltura com que Márcio Garcia interpreta Marcos
Ricardo Valladares
Rafael Campos
Cláudia Abreu e Márcio Garcia: ela é a "cachorra" e alguns sopapos são para valer
O desempenho do ator Márcio Garcia é uma das poucas boas surpresas da novela Celebridade. Ele está perfeitamente à vontade no papel do aproveitador Marcos, que protagoniza cenas de alta voltagem com a vilã Laura, interpretada por Cláudia Abreu (Cláudia também está excelente em seu papel, mas isso já era esperado). Marcos e Laura são cúmplices na cafajestice e no amor. Os dois tramam seus golpes juntos e comemoram suas vitórias com sessões animadas de sexo, que têm um toque sadomasoquista. Ele a chama carinhosamente de "cachorra", e não é incomum que ambos troquem uns sopapinhos.
"Eu já dei uns tapas nele de verdade e as pegadas dele são fortes. A gente se diverte e tem uma sintonia muito boa", diz Cláudia. O fino ajuste entre os dois fez com que os improvisos passassem a ser constantes. Semanas atrás, uma cena pedia que o casal se despedisse e Marcos partisse de carro. Na hora da partida, o carro falhou, o que não estava no script. "Empurra aí, cachorra", disse Márcio. E lá foi Cláudia, rindo, empurrar. "O Márcio é muito rápido, cria brincadeiras na hora", diz a atriz.
A carreira do carioca Márcio Garcia, de 33 anos, começou por acaso, em 1992, quando ele foi apanhar uma namorada na agência Elite. O pessoal gostou da estampa do rapagão e o convidou para ser modelo. Márcio interrompeu o curso de administração de empresas no primeiro ano e foi à luta. Das campanhas publicitárias saltou para a televisão. Assumiu a apresentação de um show esportivo na MTV e, em 1994, fez sua primeira aparição de sucesso na Rede Globo, como o pescador Cassiano na novela Tropicaliente. Além de atuar em novelas, Márcio já apresentou o programa infantil Gente Inocente, que ia ao ar nas manhãs de domingo. Com seu estilo "garotão saúde", ele tem boa aceitação entre os espectadores jovens de ambos os sexos. Isso faz de Márcio um curinga dentro da emissora.
Nos últimos anos, ele também se tornou um empresário bem-sucedido. Ele representa uma grife inglesa de relógios na América Latina e tem um escritório de mídia. Está casado com a publicitária Andréa Santa Rosa, de 25 anos, com quem teve um filho, Pedro. O casal vive numa casa de 600 metros quadrados no bairro do Joá, no Rio de Janeiro. A casa tem quadra de esportes, academia, piscina e um canil com doze cães.
Antes do casamento, Márcio construiu um bom currículo de namorador. Teve um caso-relâmpago com a apresentadora Angélica e um noivado de dois anos com a modelo Daniella Sarahyba. Ao romper com a moça, Márcio pediu de volta um colar de 10 000 dólares que havia lhe dado. Daniella resolveu doar a jóia à Casa dos Artistas.
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3:07 PM
by Cassiano Leonel Drum
Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo
Ao cruel ritmo da natureza
O governo Lula antes estava na barriga da mãe. Agora aprende a andar. Onde estará aos oito anos?
Não se subestime jamais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao longo dos primeiros meses do governo, ele cansou de repetir a imagem dos nove meses de gravidez. Dizia, bem ao seu modo de recorrer a uma história pessoal, ou suposta história pessoal, para dar força à argumentação, que quando casou queria ter logo um filho de imediato, no dia seguinte. Teve de submeter-se, porém, à implacabilidade da lei natural que exige um período de nove meses para esse tipo de evento. Da mesma forma, esta era a moral da história, devia-se ter paciência com um governo que mal começava.
A imagem foi boa enquanto o bebê permaneceu na barriga da Presidência e de seus 35 nutridos ministérios. Mas e depois? Passados os nove primeiros meses, o bebê governamental nasceu. A imagem, em conseqüência, teve seu prazo de validade esgotado. Enganou-se, porém, quem imaginava que Lula ia se apertar por isso.
Na semana passada, ao fazer um balanço do programa Fome Zero, e admitir que houve percalços, ele disse: "A coisa que eu mais queria na vida era que meu filho aprendesse a andar sem cair, sem levar nenhum tombo, mas ele teve muitos tombos até aprender a andar". Eureca! Agora o bebê está aprendendo a andar! Saiu da barriga, e ensaia seus primeiros e cambaleantes passos. Lula conseguiu a proeza de renovar sua imagética sem sair do mote do ritmo do desenvolvimento humano.
A frase é puro Lula, e merece ser apreciada aos bocados. O começo é desconcertante: "A coisa que eu mais queria na vida..." Para o comum das pessoas, o que "mais queriam na vida" seria sorte no amor, sucesso na profissão, fortuna, saúde, ver os filhos crescer saudáveis e felizes. Não o presidente. O que "mais queria na vida" era... que o filho andasse sem dar tombos. Suponha-se que o gênio da lâmpada se apresentasse diante dele, um gênio da lâmpada no rigor da moda dos de sua espécie, turbante enrolado na cabeça, anéis nos dedos, roupas coloridas sobrando no peito, os braços cruzados, as pernas dissolvidas na fumaça que ainda as liga à lâmpada. "Vossa excelência pode ordenar.
Qual seu maior desejo?" O que se esperaria é que dissesse que queria ser presidente (a história se passa antes de ter atingido tal desiderato) ou, alçando-se às alturas de estadista, que a justiça e a eqüidade se estendessem pelo mundo, que não houvesse mais fome, que não houvesse mais guerras. Puxando para o nosso lado, o que não seria mau, poderia pedir que o Brasil fosse contemplado com o dobro do PIB dos Estados Unidos.
Já que se está diante de um gênio, impõe-se esticar ao máximo a corda das possibilidades. Não. Ele diria: "Queria que meu filho já começasse a andar sem cair". É muito pouco. É alarmantemente pouco. Seria desperdiçar absurdamente a oferta do gênio. Acalentar um desejo desses é baratear muito além do razoável o estoque de "maiores desejos na vida".
O ponto seguinte a ressaltar na frase presidencial é o papel de apressadinho que, nela, Lula se atribui. Nos tempos da imagem da gravidez já era assim. Ele queria que o filho nascesse já, de imediato, sem demora. Imagine-se a cena. Casa-se, vive-se a primeira noite, e no dia seguinte o marido põe-se a reclamar: "Não vai nascer? Por que ainda não nasceu? Por que essa demora?" Na imagem do filho aprendendo a andar, o pai reclama: "Por que essas pernas moles? Vamos, de pé". E, com desalento, diante do novo tropeço: "Oh, caiu de novo!?" O que resulta é o retrato de um homem de estranha sensibilidade, nervoso, inadaptado, e portador de tal desconhecimento do mundo que chega a ignorar os ritmos da natureza.
Tais torneios na imagética presidencial são apenas detalhes, no entanto, diante do principal. E o principal é a vitória que, como um mágico que tira o coelho da cartola, Lula obteve ao manter-se no fio da meada das demoras no desenvolvimento humano para justificar os atrasos e percalços do governo. Antes era a demora para nascer. Agora, a demora para aprender a andar. Mais adiante, e a continuar a bater na mesma tecla, Lula poderá dizer que "o que mais queria na vida", quando o filho fez três anos, é que ele já soubesse ler e escrever. Depois, dirá que o que mais queria é que aos quatro anos o filho jogasse futebol como Ronaldinho, que aos cinco compusesse sinfonias como Beethoven, que aos seis conhecesse a física como Einstein... O problema...
O problema é que o máximo a que o presidente pode aspirar na Presidência são oito anos. Se continuar a medir o grau de maturidade e capacidade de realização do governo pela escala da existência humana, esbarrará com o fato de que, aos oito anos, o ser humano ainda exibe notórias insuficiências. Não poderá dizer: "Aos oito anos, queria que meu filho já fosse crescido, preparado, maduro e estivesse no auge de sua capacidade física e mental, mas..." Não poderá dizer que, por ter só oito anos, seu governo é ainda baixinho, despreparado, imaturo e está longe do auge da capacidade física e mental. Ele terá de se conformar com a dura realidade de que governo é governo, e desenvolvimento humano é desenvolvimento humano.
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8:58 AM
by Cassiano Leonel Drum
Quatro horas de estudo por dia
Conheça a vida e a rotina de estudos do paulista Raul Celestrino Teixeira, que apareceu nas listas de vestibular como o primeiro colocado na Universidade de São Paulo e também na Universidade de Campinas
Camila Antunes
Os especialistas em educação costumam dizer que cada estudante deve procurar a própria fórmula para se dar bem nos exames vestibulares. Mas mesmo assim é útil e muito interessante conhecer um pouco da estratégia adotada por um dos campeões das provas deste ano. O vencedor em questão é o paulista Raul Celestrino Teixeira, 17 anos, que na semana passada se acostumava à idéia de ver fotos suas estampadas nos jornais. O telefone não parava de tocar na casa dos pais, que fica na cidade de Adamantina, município com apenas 33.000 habitantes localizado a 600 quilômetros de São Paulo.
Ao saírem as listas de aprovação no vestibular, Raul apareceu em primeiro lugar entre todos os classificados na Universidade de São Paulo e também na Universidade Estadual de Campinas, duas das mais disputadas instituições brasileiras. O estudante, que vai cursar física, escolheu matricular-se no campus da USP na cidade paulista de São Carlos. "Antes que me perguntem, já aviso que não sou nerd, que gosto de passear com os amigos, de dançar e de brincar. Sou um sujeito normal", afirma Raul.
No ano que antecedeu as provas, Raul desenvolveu algumas rotinas que o ajudaram no desempenho final. Estabeleceu um horário mais ou menos regular de estudos, à noite, e uma carga máxima, quase sempre em torno de quatro horas diárias. Também definiu um lugar para estudar, sempre numa edícula da casa, para onde levou uma escrivaninha. O estudante aprendeu ao longo dos anos que é improdutivo estudar muitas disciplinas dedicando a cada uma delas um tempo reduzido. Em função disso, preferiu debruçar-se apenas sobre duas matérias por dia. A maratona era mantida nos sábados e domingos, e Raul não parava para tirar cochilos. "O vestibular exige alguns sacrifícios, sim", afirma.
Desde cedo, Raul se acostumou aos testes. Com 12 anos, voltou de uma olimpíada estadual de matemática com uma medalha de bronze no peito. Passou a freqüentar anualmente essas olimpíadas e a dedicar-se para valer a assuntos que outros estudantes têm horror só de ouvir falar: física quântica, astronomia, química. A mais importante das competições a que se submeteu ocorreu na Suécia. Era uma prova mundial de astronomia. Raul e quatro outros jovens representavam o Brasil. Ficou em segundo lugar. Em 2002, Raul já havia prestado o vestibular da Universidade de São Paulo na condição de "treineiro", como são chamados os que se submetem ao teste antes da hora. Cursava na ocasião o segundo ano do ensino médio. Raul ficou em primeiro lugar entre os "treineiros" e atingiu pontuação suficiente para ingressar em qualquer curso da universidade, até mesmo no de medicina, o mais concorrido deles.
O pai do campeão nos vestibulares, também chamado Raul, economizou um bom dinheiro graças ao desempenho escolar do filho. Nos últimos seis anos, o rapaz vem recebendo da escola onde estuda algum desconto na mensalidade. Para o orçamento doméstico, as bolsas são bem-vindas. A família de quatro pessoas vive com renda de 2.000 reais, valor do salário do pai no Banco do Brasil. A mãe, Liderci, é dona-de-casa. Como mora numa cidade pequena, Raul não tem acesso a uma programação cultural agitada. Para compensar o fato de Adamantina possuir apenas uma sala de cinema, no ano passado, a família comprou um aparelho de DVD. "Foi o melhor investimento dos últimos tempos", conta Raul, que passou a freqüentar as locadoras da região.
Quase 5 milhões de jovens brasileiros disputaram o vestibular em 2003. Em jogo, havia 1,7 milhão de vagas em 1.600 instituições de ensino superior. Na média geral, para cada um que entrou, dois ficaram de fora. Quando se contabiliza a concorrência nas universidades públicas, onde a disputa é mais feroz, a proporção aumenta. Dependendo do curso, a disputa chegou a mais de 100.
Pesquisas realizadas entre jovens como Raul, que alcançam o sucesso e chegam às primeiras colocações, mostram que eles possuem algumas características em comum. A maioria vem de lares em que os pais possuem diploma de ensino superior e dão apoio à vida cultural dos filhos. No caso do campeão deste ano, o pai é formado em direito e a mãe concluiu o ensino médio. Especialistas consideram a influência familiar decisiva no desenvolvimento de hábitos de leitura, no aprendizado de línguas estrangeiras e no acesso à informação sobre os assuntos da atualidade.
Também chama atenção no perfil desses estudantes o fato de não se enquadrarem no estereótipo do jovem que passa dias inteiros enfurnado em casa, mergulhado na leitura de livros técnicos e que só vê a luz do dia quando sai para o cursinho pré-vestibular. Uma pesquisa feita com base nos dados do Ministério da Educação mostra que os jovens com melhor resultado na sala de aula lêem pelo menos seis livros sem conteúdo técnico num ano e obtêm informações por meio de jornais e revistas no lugar da televisão, como faz a maioria. Definitivamente, não são os estudantes classificados como bitolados que chegam ao topo do ranking no vestibular, mas, sim, aqueles que acumularam conhecimento no curso da vida acadêmica.
O ministro Tarso Genro, recém-empossado na Pasta da Educação, manifestou seu desagrado em relação ao sistema de vestibular e anunciou a intenção de extingui-lo gradativamente nas universidades federais. O argumento é que se trata de um sistema "instituidor de privilégios". Quem sobrevive ao funil são os alunos das classes de renda mais altas. Isso é parcialmente verdade. Os últimos números divulgados sobre o assunto mostram que de três anos para cá cresceu em 40% o número de estudantes vindos de famílias pobres.
Claro que muitos jovens egressos das classes mais pobres não conseguem vencer a etapa do vestibular e outros acabam aprovados apenas em faculdades menos concorridas. Apesar disso, os especialistas consideram que, enquanto a qualidade do ensino médio não melhorar, o sistema brasileiro permanece como uma opção das mais democráticas ¿ bem mais do que a dos Estados Unidos e de países europeus, onde o desempenho dos alunos na escola é decisivo para definir onde se irá estudar. Aplicada no Brasil de hoje, a experiência estrangeira reforçaria a diferença de oportunidades entre os mais pobres e os mais ricos.
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8:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
Coliformes acrobatas
"Marta Suplicy ergueu uma fonte luminosa num lago do Ibirapuera para comemorar o aniversário de São Paulo. O lago é um acúmulo de lodo e esgoto. Nada mais paulistano do que uma fonte que borrifa lodo e esgoto"
Bernini ergueu uma fonte em Roma para glorificar o papa Urbano VIII. Hittorff ergueu uma fonte na Praça da Concórdia para celebrar o poder de Paris. A prefeita Marta Suplicy ergueu uma fonte luminosa e multimídia num lago do Ibirapuera para comemorar o aniversário de São Paulo. O lago do Ibirapuera é um acúmulo de lodo e esgoto. Nada mais exemplarmente paulistano do que uma fonte que borrifa lodo e esgoto. O aspecto multimídia é garantido pelas acrobacias aquáticas dos coliformes fecais.
Entusiasmada com o sucesso da fonte no Ibirapuera, Marta Suplicy viu sua idéia ser estendida para outras áreas da cidade. Na última semana, São Paulo inteira foi transformada numa imensa fonte, com as enchentes provocadas pelo transbordamento do Tiquatira, do Pirajussara, do Tamanduateí, do Aricanduva. Corre esgoto por esses pitorescos rios. Daí a coloração multimídia do alagamento. A gigantesca fonte paulistana apresentou o admirável espetáculo de pessoas ilhadas no teto de veículos submersos, miseráveis que perderam todos os seus bens nas favelas ribeirinhas e congestionamentos com mais de 100 quilômetros de extensão. Bernini e Hittorff jamais poderiam imaginar algo tão grandioso.
Para provar que a gripe aviária não tinha atingido seu país, o primeiro-ministro da Tailândia apareceu na televisão comendo um frango no espeto. Dias depois, duas crianças morreram da doença. Marta Suplicy deveria ter feito o mesmo. Teria sido curioso vê-la imersa na Radial Leste, na tentativa de demonstrar que suas obras contra as enchentes obtiveram o resultado esperado. O problema é que Marta Suplicy não estava em São Paulo na semana passada. Estava em Londres, ensinando os ingleses a combater a Aids. A principal estratégia de combate à Aids da prefeitura de São Paulo é contratar os parentes do coordenador do programa contra a Aids para trabalhar na própria prefeitura. Quer programa melhor?
A distribuição de cargos a parentes e amigos foi a maior conquista dos governantes do PT. Eles prometem abrir 41.000 novas vagas neste ano. O governo federal pretende também acelerar a distribuição de esmolas nas grandes cidades. Ou seja, o contrário do que foi feito até agora. O ex-ministro José Graziano queria dar as esmolas aos nordestinos, para tentar diminuir a violência nas grandes cidades. Depois de um ano, ele foi demitido e Patrus Ananias tomou seu lugar no combate à fome. De acordo com o novo ministro, as esmolas devem ser distribuídas nas metrópoles, porque "é lá que está o desafio da violência". O Brasil nunca teve uma classe dirigente tão obtusa e despreparada. Em duas décadas de oposição, o PT nem ao menos conseguiu descobrir onde estão os famintos e onde estão os bandidos.
A barganha de cargos e esmolas, somada aos gastos escandalosos em propaganda e a uma política desavergonhada de aliança, garantirá a vitória dos petistas nas próximas eleições municipais, inclusive em São Paulo. Sempre foi assim no Brasil. Emprego em troca de voto. Fubá em troca de voto. Fonte multimídia em troca de voto.
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8:17 AM
by Cassiano Leonel Drum
Fresco nas Canelas
Funcionários comemoram decreto que libera bermuda para servidores públicos, motoristas de ônibus e de táxi
Alicia Uchôa
Junto com a estação, um decreto do prefeito Cesar Maia chegou para liberar o uso de bermudas entre funcionários públicos municipais, motoristas de ônibus e táxis do município. Mas a moda, que veste homens e mulheres nas horas de lazer, ainda é tímida quando se fala de local de trabalho. Boa parte das cooperativas de táxis e empresas de ônibus ainda não aderiu ao modelito em seus uniformes. Mas, ao que tudo indica, é só uma questão de tempo e o Caderno D dá dicas de como usar, sem errar
Já utilizada por alguns policiais, carteiros e garis, a peça está cada vez mais incorporada ao nosso dia-a-dia. Arquitetos, publicitários e outros grupos formadores de opinião ajudam a lançar as tendências usando isso. Mas tem que ter liberdade. A bermuda não pode ser obrigatória. Se usada com cuidado, não intimida nem causa repulsa, ensina Napoleão Fonyat, dono da Sandpiper.
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8:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
Coragem
SERGIO LEWIN/ Advogado e diretor do Instituto Liberal/RS
O prometido espetáculo do crescimento ainda não aconteceu. Em compensação, o presidente brinda a nação com o espetáculo do destempero verbal. Vem ele agora acusar os antecessores de covardia por não terem realizado as reformas. Ora, somos um povo sem memória, mas não a ponto de já ter esquecido que o maior opositor das reformas foi o partido capitaneado por ele mesmo.
Seu partido bloqueou iniciativas de modernização e, dependesse dele, talvez estivéssemos hoje vivendo em uma economia de comando, nos moldes das que ruíram nos países do Leste Europeu. O Plano Real, as privatizações, a Lei de Responsabilidade Fiscal, nada disso teria avançado se o PT não tivesse sido derrotado nas votações no Congresso Nacional. Ter coragem de mudar, acima de tudo, implica a capacidade de agir em conformidade com as demandas do seu tempo, sem preconceitos e dogmas ideológicos. A postura pouco construtiva do PT durante os governos anteriores se explica justamente pela incapacidade de se desvencilhar das suas velhas bandeiras e atavismos. E o fato, este sim grave - porque indicativo das dificuldades que enfrentará daqui para frente, na gestão das reformas -, é que tal incapacidade se mantém ainda hoje presente no partido e no próprio pensamento do presidente.
As mudanças na filosofia e nos valores do governo ocorreram de forma muito rápida e inconsistente. E o resultado é que ele se encontra sem um norte definido. Nas primeiras oportunidades de levar a efeito reformas importantes, como a previdenciária e a tributária, nem mesmo o incontrastável poder no Congresso e a grande legitimidade eleitoral foram capazes de produzir resultados além de pífios.
Em relação à nossa inserção na Alca, ao estabelecimento de marcos regulatórios para atrair novos investimentos e à questão dos transgênicos, o governo vem titubeando, sem sinalizar claramente sua posição. Nesse contexto, é sintomático que o presidente fale da falta de coragem dos seus antecessores. Assim talvez não precise enfrentar a falta de rumos do seu governo. O PT tem a sorte de não enfrentar na oposição um partido intransigente como o seu, o que torna mais simples as mudanças prometidas. Mas as facilidades conjunturais e todo o apoio do eleitorado não serão suficientes. Para realizar mudanças e andar para a frente, Lula precisa superar as suas ambivalências e as de seu partido. Em suma, para mudar o país, terá de ter a maior de todas as coragens, a de solidificar as mudanças já iniciadas mas ainda não concluídas em si próprio.
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8:07 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
07/02/2004
Carta a Lou Borghetti
Amadíssima: você na sua generosidade aceitou que uma vez por semana eu fosse ao seu ateliê e você tentasse me ensinar a lidar com qualquer coisa; desenho, aquarela, tinta.
Para desestressar a cabeça, descansar a alma, soltar as asas, trocar o computador por outra ferramenta de vôo, sei lá. Depois de olhar e ler alguns livros belíssimos que você me emprestou, e escutar pouco atentamente suas explicações, arranjei um canto na minha casa onde passo algumas horas ouvindo Callas ou Mozart e fazendo algumas estranhíssimas aquarelas. Tudo errado, é claro, tudo fora de esquadro, e fora de qualquer mínima noção de técnica mais fundamental.
Mas esta esculhambada escritora decidiu que não quer aprender mais nada na vida, ou antes quer desaprender quase tudo. Aliás com literatura foi assim. Quando decidi não aprender nada, e desaprender o pouco que sabia, comecei a escrever. Claro que com pintura não vai ser assim, de modo que jamais pintarei de verdade. Mas estou brincando de fazer umas aquarelas horrendas, cujos títulos, no verso, são lindos. Penso fazer um dia uma exposição: Versos de Aquarelas de Lya Luft - todas viradas pra parede. As pessoas vão passar e ler apenas os títulos: Flores perplexas ao sol; Neurose vegetal; Rosas ou couves; Ascensão azul.
Estou adorando assim. Minha filha acha que sou louca, "Mas, mãe, não vais aprender nenhuma técnica, nada?" Nada. Um dia, quem sabe. De momento estou cansada demais, vazia demais. Porém a vida está andando, passei um lindo fim de semana em Gramado, minhas netas gêmeas ainda me chamam de Fofó porque o "V" está difícil, a capa de meu livro novo sai num tom de vermelho bonito que me alegrou a alma, e penso em algum fim de semana em Torres, que apesar do barulho de que todo mundo se queixa pra mim jamais perderá a magia daquele mar visto do alto do Farol.
Qualquer dia eu ligo e passo a manhã aí, porque sua vitalidade, sua generosidade, e o clima ao seu redor são para mim como aquele "gole de água fresca bebido no escuro" (era assim mesmo, e é do Mario Quintana?). E ouvirei suas explicações, mas possivelmente meio desatenta, porque estarei, como sempre, fixada em algum daqueles seus maravilhosos quadros espalhados pelo seu ateliê, um dos quais, aliás, ilumina aqui a minha sala.
lya.luft@zerohora.com.br
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8:05 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
07/02/2004
Um filho do povo
Às vezes fico pensando que o presidente Lula da Silva não precisa fazer bom governo para se reeleger.
A própria condição de egresso da fome e da miséria (Lula veio de pau-de-arara para São Paulo e foi morador de uma favela em Santos) garante-lhe uma imunidade eleitoral que está acima do seu desempenho na Presidência da República para decidir se será ou não reeleito.
Há uma sensação velada no povo de que, sendo Lula originário do seu seio, isso só lhe dá uma credencial definitiva para ser governante, independentemente de como está se conduzindo no mais alto cargo da República.
Onde vai e tem contato com o povo, os seus ouvintes escutam-no com um silêncio reverencial.
Reparem no que disse Lula quarta-feira em Teresina, capital do Piauí, depois de ter visitado outras duas cidades atingidas pelas inundações no Nordeste, relembrando seus tempos de retirante: "Quando saí de Santos para São Paulo, morei na Vila Carioca, onde qualquer chuva que dava enchia de água. Tomei três enchentes nas costas. Tinha de levantar à meia-noite para tirar a mãe, tirar fogão, tirar colchão, tirar a cama. Estou dizendo tudo isso para mostrar que não sou um estranho na situação".
Qual o político brasileiro que tem autoridade para discursar em público e declarar que já levou "três enchentes pelas costas"?
Qual? Nenhum. Ou então raríssimos. Mas qual o político brasileiro que já levou três enchentes pelas costas e assumiu depois disso a Presidência da República? Nunca aconteceu nem vai acontecer nada igual.
Então os brasileiros não enxergam Lula pelo viés da Presidência. O público que o escuta o vê como uma vítima de todos os governos e não como um governante. As pessoas se identificam com Lula, achando que ele é um integrante do povo, que nada tem a ver com o sistema, ocasionalmente está ocupando um cargo importante, mas sempre será um queixoso, um reivindicante, não passou para o outro lado, continua do lado do povo.
Se os necessitados brasileiros encarassem Lula como presidente, iriam concluir que ele os havia traído, tinha passado para o lado dos dominadores.
E Lula explora bem essa sua condição de ex-favelado, olhem o que ele disse ainda em Teresina: "Estou vindo aqui, primeiro, para dizer que vocês, como outros tantos milhões de brasileiros, são vítimas do descaso que o poder público tem com o povo pobre. Os problemas se acumularam de tal ordem que não tem milagre que a gente possa fazer, que a gente possa dizer que, num toque de mágica, pode resolver. E vocês sabem disso".
É inédito. Um presidente da República vai corajosamente diante do público pobre e flagelado e se confessa impotente para corrigir os erros históricos dos governos passados, dizendo que não é milagreiro.
E ataca os outros governos como se fosse ainda de oposição. Por isso é que concluo que Lula será reeleito, mesmo que não venha circunstancialmente a fazer bom governo.
É que o cerca uma excêntrica prestidigitação psicológica, inversa totalmente à que cercava os presidentes anteriores, que foram responsabilizados por tudo que de bom ou mau ocorria no país.
Com Lula é diferente: por uma estranha magia, ele é responsável só pelo que de bom acontece.
O que ocorre de errado é culpa dos outros governos.
Lula é o primeiro presidente da República que permaneceu na oposição.
E na oposição será fácil reeleger-se.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:02 AM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
Planeta de cores e emoções
O sol iluminava Atlântida quando foi aberto o maior festival de música do sul do país (foto Adriana Franciosi/ZH)
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Sexta-feira, Fevereiro 06, 2004
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9:05 PM
by Cassiano Leonel Drum
Os superpais
A exemplo do personagem de Alexandre Borges em Celebridade, é cada vez maior o número de homens que cuidam dos filhos sem ajuda feminina
Chico Silva e Greice Rodrigues
Diálogo: ao se separar da VJ Soninha, Azzari quis ficar com as filhas, Raquel e Sarah: Sinto orgulho deste relacionamento
Eles começam a ser mais notados nas ante-salas dos consultórios médicos, nas reuniões de escola e nos parquinhos. Invadiram até o horário nobre da tevê. Em Celebridade, o ator Alexandre Borges, que na trama vive o jornalista Cristiano, interpreta um papel cada vez mais assumido pelos homens brasileiros: o de pai sozinho. Em 1991, o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que 503.986 deles chefiavam famílias sem o auxílio de esposas ou companheiras.
Em 2000, 762.871 estavam à frente da criação dos filhos e das obrigações da casa. Ainda é uma marca modesta, se comparada ao número de mulheres que assumem a dupla função 5.459.992 , mas acusa um surpreendente acréscimo de mais de 50%. De qualquer forma, os números mostram que cuidar dos filhos não é mais um enigma indecifrável para os homens.
Na literatura, o tema também ganha importância com o relato dos que se arriscaram a encarar o desafio. Eleito o livro do ano pela crítica inglesa em 2001, Pai e filho (Sextante, R$ 26), de Tony Parsons, conta a história de um jovem pai que se vê forçado a criar sozinho o filho de cinco anos e Pai místico, místico pai (Rocco, R$ 26,50), do americano David Spangler, fala sobre a força do diálogo. O jornalista e professor de literatura brasileira Juva Batella resolveu brincar com os assombros, acertos e desacertos de sua história em Confissões de um pai doméstico (Planeta, R$ 27).
Harmonia: Di Filippi com Paula e Bruno: Queria fazer o melhor
São muitos os motivos apontados para essa mudança de comportamento. O aumento de divórcios e separações é o mais visível. Atualmente, um número maior de mulheres parte para outra relação, deixando os filhos no colo do ex-marido. Há também os viúvos e os novos pais, que lutam e até vão à Justiça pelo direito de cuidar da prole. O bancário Roberto Azzari, 43 anos, não precisou recorrer a advogados e tribunais.
No entanto, ao se separar da comentarista esportiva e ex-VJ da MTV Sonia Francine, a Soninha, levou consigo as duas filhas do casal, Raquel e Sarah, à época com seis e quatro anos, e hoje com 19 e 17. Azzari temia que as meninas não recebessem a atenção necessária da mãe, que estava muito envolvida com projetos de teatro. Queria que elas tivessem uma vida regrada, normal. Mas a decisão de elas morarem comigo foi tomada em conjunto, sem brigas, diz.
O início foi complicado. O que ajudou foi o fato de ele sempre ter sido um pai participativo, do tipo que fazia mamadeira e trocava fraldas. Ele não ficou livre, porém, de situações inusitadas. Na reunião da escola, eu era o único homem. Arrumar namorada, então, era difícil. As meninas estavam acima de tudo e, muitas vezes, tinha que desmarcar os encontros porque uma delas estava com febre. Azzari vive harmoniosamente com as garotas e procura conversar com elas sobre temas delicados, como sexo e drogas. No meu tempo era difícil falar sobre esses assuntos. E às vezes ainda é. Mas sinto orgulho desse relacionamento, diz ele.
Levar e buscar na balada, dar bronca quando a nota abaixa e procurar saber por onde e com quem os rebentos andam, entre outras preocupações, talvez nem sejam os maiores obstáculos nesse caminho. A maior barreira ainda pode ser a cultural. Apesar de ter evoluído, o homem não foi preparado para assumir trabalho, cozinha, filhos, escola, roupas. Muitos correm para encontrar uma parceira para ajudá-los, diz Tai Castilho, terapeuta do Instituto de Terapia Familiar de São Paulo.
Não foi o que fez o empresário Antônio Carlos Di Filippi, 50 anos, que nunca hesitou em interromper uma reunião de trabalho para atender a um telefonema de um dos seus dois filhos, que, depois de sua separação, foram morar com ele. Na época, a filha mais velha, Paula, tinha dez anos e o filho, Bruno, oito. Foi essa relação que permitiu que a nova fase na vida dos três fosse um sucesso. Quando vieram morar comigo, não tive medo, mas senti o peso da responsabilidade. Queria fazer o melhor.
Informação: livros voltados para pais: relatos e histórias
A preservação dos papéis da mãe e do pai é muito importante, mas a mistura deles não é tão desastrosa quanto pode parecer, segundo atesta Lino de Macedo, professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Esses papéis são complementares. O desafio é não anular ou reduzir um deles. Na nossa sociedade, geralmente, o pai é quem impõe as regras, normas. Já a mãe é quem cuida e estabelece o canal de diálogo. No entanto, é perfeitamente possível um homem assumir os dois papéis. Ser pai e mãe ao mesmo tempo não é novidade para o motorista paulista Celso Fernandes de Lima, 38 anos.
Em 1994, foi dele a iniciativa de pedir à ex-mulher, com quem viveu por 13 anos, para ficar com as crianças, Daiana e David, ela com sete anos e ele com apenas seis meses. Visitava-os sempre, mas ainda assim sentia muita saudade, lembra Lima. O malabarismo para cuidar deles foi grande. Mas ele deu um jeito. Com a ajuda do pediatra, fiz uma lista das tarefas e colei na geladeira e na cabeceira da cama. Há quatro anos, Lima se casou novamente. Agora, além dos três filhos, legítimos, ainda cria outros três da atual esposa, Thais Amaral de Lima, 27 anos. A revolução sexual iniciada nos anos 60 continua produzindo pequenos milagres.
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8:51 PM
by Cassiano Leonel Drum
Mercados: Indicadores animam investidor e Bovespa ganha 4,15%
20:33 06/02
Valor Online
SÃO PAULO - A sexta-feira terminou com forte recuperação na bolsa paulista. A chance de retomada dos cortes na taxa Selic e, ao mesmo tempo, a perspectiva de estabilidade do juro nos Estados Unidos garantiram o salto de 4,15% do principal índice da bolsa paulista. No câmbio, em mais um pregão sem o Banco Central da ponta compradora, as cotações terminaram praticamente estáveis.
Após a manhã volátil, o mercado repercutiu positivamente dois indicadores econômicos e os ativos passaram a melhorar. O primeiro número, doméstico, apontou incremento de 2,9% na produção industrial brasileira em dezembro ante o mesmo mês de 2002. O desempenho ficou abaixo das apostas que citavam alta próxima de 3,5%. Já nos Estados Unidos, o governo anunciou a criação de 112 mil postos de trabalho em janeiro, mas economistas acreditavam que cerca de 165 mil novas vagas seriam anunciadas.
A análise conjunta dos dois números reanimou o mercado. Para uma boa parte dos analistas, a produção em baixa no Brasil sustenta a aposta de que a queda da taxa Selic deve ser retomada o mais rápido possível. Ao mesmo tempo, os dados de emprego nos EUA sugerem que o juro no país pode permanecer no atual patamar por mais tempo.
"Os números, que foram bons para o investidor brasileiro, sustentaram a recuperação das ações após o tombo dos últimos dias", citou um operador paulista. Para ele, mesmo com os rumores de atrito entre o Banco Central e o restante do governo, um número expressivo de investidores está "observando que os fundamentos não mudaram e não há motivo para nervosismo".
O bom humor da bolsa paulista foi ainda fortalecido com um relatório da Merrill Lynch dirigido aos clientes. No documento, analistas destacam que, após a expressiva queda dos últimos dias, o Brasil volta a se destacar pela atratividade das ações. Um exemplo é a Usiminas. No relatório, o banco de investimento elevou o preço alvo da ação da siderúrgica de R$ 30 para R$ 45. Os papéis, observa o relatório, se mostram uma "grande oportunidade de compra". Hoje, as ações da companhia saltaram 7,59% e fecharam a R$ 29,70.
No câmbio, a firme recuperação dos papéis da dívida brasileira no exterior fortaleceu a moeda brasileira ante a divisa norte-americana. A trajetória foi ainda reforçada com nova ausência do Banco Central na ponta compradora do mercado.
Bovespa fecha na máxima do dia
Dessa maneira, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo saltou 4,15% e terminou o dia aos 21.968 pontos, na máxima da sessão, com giro de R$ 1,331 bilhão. Este é a maior alta desde 5 de janeiro, quando o Ibovespa saltou 4,84%. Já o dólar fechou o dia praticamente estável, com leve valorização de 0,06%, a R$ 2,9320 na compra e a R$ 2,9340 na venda.
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8:33 PM
by Cassiano Leonel Drum
Novo desembargador toma posse no TRF
Advogado João Batista Pinto Silveira assina termo de posse
O advogado João Batista Pinto Silveira tomou posse hoje (6/2) como desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região. O novo integrante da corte foi nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início de janeiro, para assumir a vaga aberta com a promoção de Teori Albino Zavascki a ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A cerimônia foi coordenada pelo presidente do TRF, desembargador federal Vladimir Passos de Freitas. O novo membro do tribunal foi conduzido ao Plenário pelo integrante mais antigo em atividade e pelo mais novo, respectivamente os desembargadores federais Fábio Bittencourt da Rosa e Victor Luiz dos Santos Laus.
A vice-presidente do TRF, desembargadora federal Marga Barth Tessler, falou em nome da instituição. Ela afirmou que é com grande satisfação que o tribunal recebe um advogado integrante do setor jurídico da Caixa Econômica Federal (CEF), órgão que reconhecidamente tem a melhor advocacia pública do Brasil, testada no enfrentamento do maior número de demandas em andamento na Justiça Federal. Silveira traz uma rica experiência, destacou a magistrada. O novo desembargador praticou na chefia do jurídico regional da CEF uma gestão participativa, mantendo um ambiente pacífico e de amigável convivência, lembrou Marga.
Para a desembargadora, que trabalhou com Silveira quando era juíza da 9ª Vara Federal de Porto Alegre (responsável pelo julgamento de ações do Sistema Financeiro de Habitação), nada falta a ele para chegar à magistratura. Marga destacou o bom humor e a serenidade de Silveira diante dos problemas. Posiciona-se com segurança, mas sem alterar o seu estado de ânimo, absorve as derrotas e sempre renova bons argumentos na defesa de suas idéias, é corajoso e persistente sem deixar de ser discreto, ressaltou.
Julgar bem e julgar rápido
Em seu discurso de posse, Silveira afirmou que o momento era de forte emoção e que passa a integrar o TRF com o firme propósito de trazer sua experiência de vida e de advogado para servir à sociedade. O novo desembargador disse querer contribuir para a celeridade da prestação jurisdicional, que é um dos maiores anseios da população no que tange ao Judiciário. Com uma trajetória profissional vinculada até então à advocacia pública, Silveira lembrou que o justo requer muito mais do seu aplicador do que o puro e simples conhecimento técnico, científico, frio e dissociado do contexto em que se insere.
Para Silveira, talvez nunca como nestes tempos atuais o Judiciário no Brasil esteja sendo tão rápido e buscando com tanta ênfase, força e determinação a agilização da prestação de seus serviços. No entanto, lembrou, o descomunal volume de processos torna o trabalho quase invencível, fazendo com que a sociedade moderna, cada vez mais, exija do juiz uma dupla função: julgar bem, com imparcialidade e isenção, mas julgar rápido.
O desafio, afirmou o novo desembargador, é tornar a Justiça brasileira mais ágil. Sempre estive e continuarei engajado nessa luta, que é de todos nós. Agora, com a responsabilidade de ser um juiz oriundo da advocacia, cuja nomeação foi precedida de um processo democrático e legítimo, onde tive a honra de disputar com nobres, competentes e honrados colegas, declarou.
A honra de passar a pertencer ao TRF, ressaltou Silveira, talvez só não seja maior do que a de suceder, na vaga destinada aos advogados, ao ministro Teori Zavascki, homem que aprendi a admirar, tanto como magistrado quanto como pessoa, exemplar modelo a ser seguido e homenageado.
Árvore-da-felicidade
Os advogados da CEF prestaram uma homenagem aos desembargadores do TRF, entregando a cada um deles uma muda de árvore-da-felicidade. O presidente do tribunal revelou que aquelas mudas foram retiradas de uma árvore que Silveira cultiva em sua casa. Como se vê, o doutor João Batista Silveira já é um ambientalista convicto, brincou Freitas, que é especialista em direito ambiental. Ele destacou que o modo como o empossando foi ovacionado demonstra o seu prestígio. Isso nos enche de júbilo e mostra como é querido o novo colega, precisamos de juízes compreensivos, que sejam pessoas boas e, acima de tudo, cheias de vontade de trabalhar, concluiu Freitas.
Participaram do evento o ministro Zavascki, a procuradora-geral do Estado do Rio Grande do Sul, Maria Helena Coelho, os presidentes do Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Eleitoral do RS, respectivamente os desembargadores Osvaldo Stefanello e Alfredo Guilherme Englert, e o procurador-geral do INSS, João Ernesto Aragonés Vianna, entre outras autoridades. Desembargadores federais aposentados do TRF e juízes federais dos três estados do Sul também estiveram presentes.
Natural de Jaguarão (RS), o novo desembargador formou-se em 1979 pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul. Em 1975, foi aprovado em concurso público da CEF. Em 1986, ingressou na carreira de advogado da mesma instituição. Desde 1991, o novo desembargador vinha atuando como gerente do Órgão Jurídico Regional da CEF no RS. Gaúcho de 48 anos, foi um dos escolhidos pelo Pleno do TRF, em outubro do ano passado, para compor a lista tríplice enviada ao presidente da República para escolha do novo integrante do seu quadro de magistrados.
Pelo chamado quinto constitucional, a vaga é destinada a um membro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da qual Zavascki também era proveniente. Por isso, a eleição no Pleno do tribunal ocorreu entre os que integravam uma lista de seis nomes indicados pela Ordem.
Novo integrante da corte é cumprimentado pelo presidente Vladimir Freitas
Meus parabéns ao pessoal de informática do TRF4, pois sai dessa posse às 19:30 hs e já está ai na página deles o que aconteceu lá. Não adianta ter as ferramentas adequadas, é preciso saber utlizá-las e o TRF4 está dando exemplo de que as utiliza sabiamente. E parabéns mais uma vez ao novo Desembargador.
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6:54 AM
by Cassiano Leonel Drum
É com esse que eu vou
Votação do Tamborim de Ouro começa hoje e blocos, que concorrem pela primeira vez, animam a cidade
Rubia Mazzini
Zé do Tamborim está de olho nos ensaios e desfiles dos blocos e bandas da cidade
Vai começar a eleição mais animada do ano. A partir de hoje, os leitores-foliões do DIA podem escolher o melhor bloco do carnaval de rua do Rio votando através de cupons que serão publicados diariamente no jornal ou formulário abaixo. O mais votado ganhará o Troféu Tamborim de Ouro do DIA, o primeiro a criar uma premiação específica para blocos.
Para votar com consciência, a dica é aproveitar ao máximo o roteiro dos ensaios, bailes e desfiles que já tomam conta da cidade. Não importa o número de pessoas. Valem a animação, a ginga, o resgate do espírito do verdadeiro carnaval de rua, avisa Zé do Tamborim, personagem encarnado pelo repórter Alexandre Neiva, que, até o fim da festa de Momo, se desdobra para informar aos leitores do DIA tudo sobre os blocos da cidade.
Vamos ganhar o troféu, aposta Jorge Sápia, presidente do Meu Bem, Volto Já, enumerando as qualidades do bloco do Leme. Nossos desfiles sempre são superdivertidos, familiares, nosso samba é da melhor qualidade.
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6:46 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
06/02/2004
O vendedor
Era um homem já de uns 60 anos, talvez mais. Negro tisnado, forte, os braços musculosos carregando duas caixas de isopor. Vendia água mineral na Praia Brava. Meu amigo Degô o chamou, uma mineral, por favor, quanto é? Um real. Degô levou a mão ao bolsinho da bermuda e, ué?, cadê o dinheiro? Procura, procura. Nada. Eu já estava catando minha trouxinha de notas do estojo do rayban, quando o vendedor apontou para uma coxilha de areia fervente:
- Seu dinheiro não é aquele que está rolando ali?
O Degô olhou. Era.
Fiquei encantado: o homem bem podia ter silenciado a fim de colher o dinheiro para ele mesmo, depois de fazer a venda. O Degô também se impressionou. Tomou sua garrafinha d´água e disse ao vendedor:
- Vou lhe dar dois reais, porque o senhor me avisou do dinheiro.
O vendedor:
- Não, obrigado.
O Degô, surpreso:
- Mas o senhor merece, por sua honestidade.
- Não, obrigado. Se o senhor quiser, leve duas águas.
O Degô topou. Pagou dois reais. Deu-me uma garrafinha d´água. Ficamos observando o vendedor se afastar, encurvado pelo peso das caixas de isopor. Ali estava a essência da ética: em nome de um valor impalpável, a sua própria honra, ele recusou uma vantagem que lhe era oferecida sem contrapartida, algo de que ele provavelmente precisava. Ali estava um homem com estofo moral. Algo que não nasceu com ele, isso é certo - foi-lhe ensinado.
Os pais desse velho senhor, se vivos estiverem, devem ser pessoas realizadas. Porque não legaram, ao filho, uma sólida poupança, uma casa onde morar, nem mesmo uma profissão. Mas lhe deram dignidade. Pois aí está tudo que importa: não é preciso contracheque para se ter, ou se dar, dignidade.
Na Brava, os homens revelam a totalidade de suas almas, as mulheres revelam a totalidade de seus corpos. Foi bem isso que me disseram algumas mulheres, entre um e outro torpedinho de siri do Pirata: uma mulher de biquíni mostra muito mais do que uma mulher nua. Parece espantoso; não é. Sucede que, quando nua, geralmente a mulher está protegida pela penumbra e, o mais importante, perto demais para que se lhe repare o que há em excesso ou em falta. Fascinante as artimanhas da mulher, não?
Note como é fundamental o distanciamento crítico para se fazer qualquer avaliação. Distanciamento crítico. Só assim para julgar os governos, os times de futebol, as mulheres.
A Brava. Fica-se mais sábio, por lá. E ainda se ganha água mineral de graça.
david.coimbra@zerohora.com.br
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6:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
As razões dos Racionais
6h - Os Racionais MCs deixam o palco. Foi um bom show. Um por amor, dois pelo dinheiro, vida louca capão de fé sou guerreiro.
6h40 - Entro no camarim dos caras. Preparo câmera para entrevista. Atenção! Ed Rock pergunta em que emissora trabalho. Digo RBS TV e ele diz: "É Globo, mano? Não gravo". Argumento que já vi entrevistas deles na MTV e no cabo. Pergunto: quem tem cabo? Onde pega a MTV? Só bacana é quem tem cabo. Se eles querem falar para o povo, o povão mesmo, tem que ser a TV aberta. Falo da minha história no Estado sempre apoiando não só o hip hop, mas todas as manifestações artísticas e culturais. Falo que tem quase 1 milhão de pessoas que assistem ao Patrola e que gostariam de ouvir o que eles têm para dizer. Não rola. Eles dizem que não é por mim, é pelo sistema. Penso: como mudar o sistema de dentro ou de fora dele? Se todos sabem as letras, se a música toca em quase todas as rádios, estão fora do sistema? Mas admiro e aceito a postura deles.
6h55 - Mano Brown falou sobre a guerra do Paraguai no show. Já li sobre isso. Genocídio. Podia ser um bom papo, não deu. Eles não falam. Mas sou guerreiro. Tento de novo. Peço para bater uma foto e vou embora.
7h - Estou exausto. Caminho sobre as poças, choveu, e meu câmera André não agüenta mais. Estamos deixando o Planeta Atlântida de Floripa. Ando chateado, cuido para não molhar os tênis, vem outra bomba d'água e só me resta sorrir.
gabriel@rbstv.com.br
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6:41 AM
by Cassiano Leonel Drum
Mauren Motta
06/02/2004
Fashion Week ou Fashion Freak?
De seis em seis meses, minha vida vira uma corrida só: temporada de desfiles. É uma delícia e uma trabalheira. São Paulo, Rio, Sampa de novo... Tempo de trabalho, informação, amigos semestrais, festas interessantes. Muitas pautas pra fazer e histórias pra contar.
Mas o povinho fashion... Tem gente temática, que se leva a sério demais e mergulha na passarela de cabeça. Alguns ficam inventando produções esdrúxulas pra chamar a atenção da mídia nos eventos de moda. Aí, fica aquele bando de gente ridícula pelos corredores, até parece uma festa á fantasia. Não sou contra a produção, veja bem. Sou a favor da essência das coisas, das atitudes fundamentadas. Então, alto lá com o delírio hype!
Fico feliz quando conheço pessoas criativas de verdade, que realmente estão pensando além. Estão surgindo grupos legais, como o As Four, de Nova York, a Cooperativa da Combi paulista e O Estúdio carioca. Criação coletiva é a onda do momento. Jovens talentosos, que trabalham interferindo na criação de cada integrante do grupo. Não é só roupa: é conceito, arte e opinião.
O As Four, que conheci em setembro passado na trienal de design em Nova York, são dois homens e duas mulheres de diferentes países, que moram juntos, dormem juntos e outras coisinhas mais. O trabalho deles é colorido, classudo e tem forte influência do carnaval brasileiro. Pode? Nem preciso dizer que eu AMEI.
Agora em janeiro, encontrei o grupo no café da manhã do Hotel Glória, no Rio. Figuraças - roupas costumizadas, cabelos esquisitos, tudo isso às 9h30min da manhã e sem nenhum fotógrafo por perto. O que eles estavam fazendo aqui? Vieram pra abertura de uma exposição chamada Carnaval, que rola lá no CCBB carioca.
Tá vendo? Se a gente olha pra eles, acha meio over. Mas conhecendo a história, percebe-se que tudo na produção do As Four tem coerência.
Beijolas no coração... fui!
mauren@rbstv.com.br
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6:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
06/02/2004
Os órfãos de assistência
Volta e meia aparecem na imprensa policiais civis ou militares que foram feridos em trabalho, principalmente na luta contra delinqüentes, reclamando da assistência médica ou de falta de medicamentos.
Somam-se às centenas os policiais que restaram mutilados, aleijados, foram aposentados, depois de serem baleados, esfaqueados ou atropelados em serviço.
Deveriam ter do Estado a melhor assistência, afinal foram inutilizados no cumprimento do dever legal e a serviço da sociedade.
Mas, como se sabe, o Estado luta com dificuldades e infelizmente essa falta de recursos acaba atingindo esses mártires da segurança pública.
Dia 28 de janeiro passado, dois assaltantes invadiram um ônibus entre a Tristeza e a Cavalhada e passaram ao assalto de seus passageiros.
O PM Paulo Rogério Contreira Madeira, do 9º BPM, se encontrava no ônibus e reagiu ao assalto, em defesa dos passageiros.
Na luta contra os assaltantes, o PM caiu pela porta agarrado a um dos bandidos, que já havia baleado o policial em uma das pernas.
Na confusão, com o motorista tentando segurar o veículo, foi invadida uma calçada da Avenida Wenceslau Escobar e terminou o ônibus passando por cima do corpo do PM, amassando-lhe as duas pernas e o abdômen.
Em suma, um PM corajosamente evitou um assalto e acabou com o corpo amassado pelo ônibus.
O PM encontra-se até hoje em estado grave no Pronto Socorro, correndo o risco de amputação das pernas e com sério comprometimento nos rins.
Em breve, se Deus ajudar, o PM Rogério sairá do Pronto Socorro, mas terá de ter acompanhamento médico especializado para a restauração de sua saúde e funcionalidade corporal.
Aí é que está a coisa. A família do PM teme que o Hospital da Brigada Militar não seja suficientemente aparelhado para a sofisticada tarefa de recuperar o esmigalhamento do corpo do nosso herói. Certamente não o é.
Então a família do PM procurou a empresa Trevo para desde já buscar auxílio no tratamento do paciente.
Na empresa, um funcionário disse aos familiares do PM que infelizmente nada se poderia fazer porque o seguro que a empresa tem junto à entidade de classe dos transportadores não poderia cobrir o evento, que aconteceu fora do ônibus. Ou seja, o seguro só cobre fatos ocorridos dentro do ônibus.
É muita coisa, o PM estava dentro do ônibus quando ocorreu o assalto, saiu em defesa dos passageiros, foi arremessado em luta com um assaltante para fora do ônibus, acabou atropelado pelo próprio ônibus e esse sinistro não é coberto pela seguradora? Mas o que é isso? O evento é visceralmente ligado ao ônibus!
Mostrem esta coluna na seguradora e duvido que ela não cubra esse acontecimento.
Outra coisa: as empresas de transporte de passageiros de Porto Alegre têm tradição de prestar ajuda às vítimas de acidentes com danos pessoais ou materiais a seus passageiros e a terceiros envolvidos.
Ainda esses dias fui testemunha de pronto e solícito atendimento da empresa Estoril.
Então estou fazendo um apelo à empresa Trevo para que se perfile junto à família do PM vitimado e seja prestado a ele todo o atendimento médico que será necessário.
Tenho certeza de que é isso que acontecerá.
Quanto à necessidade do PM e de sua família, infelizmente a coisa funciona assim: a família do PM procurou o major Calixto, comandante do batalhão, que, comovido, apelou para este colunista, que, comovido, está apelando para a empresa Trevo.
E eu tenho certeza de que esse apelo será atendido. A sociedade tem o dever de ajudar os policiais que tombam em sua defesa. E vai ajudar.
Muito obrigado.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:19 AM
by Cassiano Leonel Drum
Festa no Litoral
À espera dos planetários
Nona edição do Planeta Atlântida deverá reunir 80 mil pessoas em torno de mais de 50 atrações, hoje e amanhã, na sede da Saba (foto Tadeu Vilani/ZH)
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Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004
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8:23 PM
by Cassiano Leonel Drum
MEMÓRIA-Morre, em Campinas, a escritora e poeta Hilda Hilst
Adeus à obscena senhora H.
Autora estava internada desde o dia 2 de janeiro, depois de uma queda
Hilda Hilst iniciou "fase ponográfica" para tornar-se mais conhecida e vender livros. (AE)
Morreu aos 74 anos, na madrugada de ontem, a escritora Hilda Hilst. Ela havia sofrido uma queda, quebrou uma das pernas e estava internada no Hospital Universitário da Unicamp, em Campinas (estado de São Paulo) desde o dia 2 de janeiro. Houve complicações no estado clínico e Hilda não resistiu a uma infecção.
Hilda foi a autora de 41 livros. A maior parte das obras da escritora que nasceu em Jaú, no interior de São Paulo, mas morava há 40 anos em Campinas é formada por poesias, mas ela também assinou um número considerável de textos teatrais, romances e contos. Na década de 90, havia se despedido da literatura séria e abraçado uma escritura pornográfica, de início repudiada pelos críticos e editores.
Biografia
Hilda Hilst nasceu na cidade de Jaú, interior do Estado de São Paulo, no dia 21 de abril de 1930, filha única do fazendeiro, jornalista, poeta e ensaísta Apolônio de Almeida Prado Hilst e de Bedecilda Vaz Cardoso. Com pouco tempo de vida, seus pais se separaram, o que motivou sua mudança, com a mãe, para a cidade de Santos, no litoral paulista. Seu pai, que sofria de esquizofrenia, foi internado num sanatório em Campinas (SP), tendo, nessa época, 35 anos de idade. Até sua morte, passou longos períodos em sanatórios para doentes mentais.
Hilda foi para o colégio interno, Santa Marcelina, na cidade de São Paulo, em 1937, onde estudou por oito anos. No ano de 1945, matricula-se no curso clássico da Escola Mackenzie, também naquela cidade. Morava, nessa época, num apartamento na Alameda Santos, com uma governanta de nome Marta.
Em 1946, pela primeira vez, visitou o pai na sua fazenda em sua cidade natal, Jaú. Em apenas três dias, no pouco tempo que passou com ele, perturbou-se com sua loucura. Em Carta ao Pai diz a biografada:
"Só três noites de amor, só três noites de amor", implorava o pai, sim, o pai, ele nunca fizera uma coisa como essa, sim, era Jaú, interior de São Paulo, um dia qualquer de 1946, sim, a filha deslumbrante, tremendo em seus 16 anos, sim, o pai a confundia com a mãe, a mão dele fechada sobre a dela, sim, o pai a confundia com a mãe, a confundia, sim?..."
Aconselhada pela mãe, em 1948 inicia seus estudos de Direito na Faculdade do Largo do São Francisco. A partir de então, levaria uma vida boêmia que se prolongou até 1963.Moça de rara beleza, Hilda comportava-se de maneira muito avançada, escandalizando a alta sociedade paulista. Despertou paixões em empresários, poetas (inclusive Vinicius de Moraes) e artistas em geral.
Em 1949 é escolhida para saudar, entre os alunos de Direito, a escritora Lygia Fagundes Telles, por ocasião do lançamento de seu livro de contos O Cacto Vermelho.
Hilda lança, nos dois anos seguintes, seus primeiros livros: Presságio (1950) e Balada de Alzira (1951).
Conclui o curso de Direito em 1952. Três anos depois, publica Balada do Festival.
No ano de 1957, viaja pela Europa por sete meses (junho a dezembro). Namora com o ator americano Dean Martin e, fazendo-se passar por jornalista, assedia, sem sucesso, Marlon Brando, outro galã de Hollywood.
Em 1959, publica o livro de poesia Roteiro do Silêncio e Trovas de Muito Amor para um Amado Senhor. José Antônio de Almeida Prado, primo da escritora, inspira-se em poemas desse último livro e compõe a "Canção para Soprano e Piano". Em outras oportunidades, voltou a basear-se em textos de Hilda para compor alguns de seus trabalhos mais significativos. Os compositores Adoniran Barbosa ("Quando Te Achei") e Gilberto Mendes ("Trovas"), entre outros, também se inspiraram em textos da autora.
Ode Fragmentária é lançado em 1961. Seu livro Trovas de Muito Amor para um Amado Senhor é reeditado por Massao Ohno.
É agraciada com o Prêmio Pen Club de São Paulo pelo livro Sete Cantos do Poeta para o Anjo, em 1962. Passa a morar na Fazenda São José, a 11 quilômetros de Campinas (SP), de propriedade de sua mãe. Abre mão da intensa vida de convívio social para se dedicar exclusivamente à literatura. Tal mudança foi influenciada pela leitura de Carta a El Greco, do escritor grego Nikos Kazantzakis. Entre outras teses, defende o escritor a necessidade do isolamento do mundo para tornar possível o conhecimento do ser humano.
Muda-se para a Casa do Sol, construída na fazenda, onde passa a viver com o escultor Dante Casarini, em 1966. Morre seu pai.
Em 1967, redige A Possessa e O Rato no Muro, iniciando uma série de oito peças teatrais que escreveria até 1969. Lança Poesia (1959 1967).
Por imposição da mãe, internada no mesmo sanatório em Campinas onde estivera seu pai, casa-se com Dante Casarini, em 1968. Escreve as peças O Visitante, Auto da Barca de Camiri, O Novo Sistema e As Aves da Noite. O Visitante e O Rato no Muro são encenadas no Teatro Anchieta, em São Paulo, para exame dos alunos da Escola de Arte Dramática, sob direção de Terezinha Aguiar.
Em 1969, escreve O Verdugo e A Morte do Patriarca. A primeira recebe o Prêmio Anchieta. A montagem de O Rato no Muro, sob a direção de Terezinha Aguiar, é apresentada no Festival de Teatro de Manizales, na Colômbia. Em 2003, o texto seria levado aos palcos de Curitiba, pelo diretor Maurício Vogue.
Fluxo-poema, sua primeira obra em prosa, é lançada em 1970. A peça O Novo Sistema é encenada em São Paulo, no Teatro Veredas, pelos Grupo Experimental Mauá (Gema), sob a direção de Terezinha Aguiar. Baseando-se nos experimentos do pesquisador sueco Friedrich Juergenson relatados no livro Telefone para o Além, Hilda Hilst iria se dedicar, ao longo desta década que se iniciava, à gravação, através de ondas radiofônicas, de vozes que, assegurava, seriam de pessoas mortas. No mesmo período anunciou a visita de discos voadores à sua fazenda. O Verdugo é editado em livro, e é, até hoje, a única que não é inédita. Morre sua mãe, Bedecilda.
Em 1972, o Grupo de Teatro Núcleo, da Universidade Estadual de Londrina, sob a direção de Nitis Jacon (atual diretora do Teatro Guaíra), encena a peça O Verdugo. O mesmo texto é montado no Teatro Oficina, em São Paulo, sob a direção de Rofran Fernandes, no ano seguinte, época em que foi lançado seu novo livro, Qadós.
Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão é lançado em 1974.
No ano de 1977, é publicado o livro Ficções, que recebe o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), como Melhor Livro do Ano.
Três anos depois, saem os livros Poesia (1959 1979), Da Morte, Odes Mínimas e Tu Não Te Moves de Ti. Recebe da APCA o prêmio pelo conjunto da obra. Estréia a montagem de As Aves da Noite, no Teatro Ruth Escobar, com direção de Antônio do Valle. Divorcia-se de Dante Casarini, mas o ex-marido continua morando na Casa do Sol.
Hilda Hilst passa a fazer parte do Programa do Artista Residente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 1982. Lança A Obscena Senhora D. No ano seguinte, publica Cantares de Perda e Predileção, que recebe os prêmios Jabuti (da Câmara Brasileira do Livro) e Cassiano Ricardo (do Clube de Poesia de São Paulo).
Em 1984, saem os Poemas Malditos, Gozosos e Devotos. Dois anos depois, em 1986, publica os livros Sobre a Tua Grande Face e Com Meus Olhos de Cão e Outras Novelas. 1989 marca o lançamento de Amavisse.
Fase pornográfica
Com O Caderno Rosa de Lori Lamby, livro que consagra sua fase pornográfica (iniciada em A Obscena Senhora D), a escritora anuncia o "adeus à literatura séria" (1990). Justifica essa medida radical como uma tentativa de vender mais e assim conquistar o reconhecimento do público. A obra provoca "espanto e indignação" em seus amigos e na crítica. O editor Caio Graco Prado se recusa a publicá-la e o artista plástico Wesley Duke Lee a considera "um lixo". Lança Contos descárnio & Textos Grotescos e Alcoólicos.
O quarto livro de sua fase pornográfica, Cartas de um Sedutor, é lançado em 1991. O livro O Caderno Rosa de Lori Lamby é traduzido para o italiano. Estréia, em São Paulo, a peça Maria Matamoros, adaptação do texto Matamoros, que se encontra no livro Tu Não Te Moves de Ti.
Em 1992, lança a antologia poética Do Desejo e Bufólicas, livro de poesias pornográficas. Passa a colaborar com o Correio Popular, jornal diário de Campinas (SP), escrevendo crônicas semanais; o trabalho se estenderia até 1995.
No ano seguinte publica Rútilo Nada, num livro que também continha A Obscena Senhora D e Qadós. Rútilo Nada recebe o Prêmio Jabuti na categoria contos.
Em 1994, Contos descárnio & Textos Grotescos é traduzido para o francês.
No ano seguinte, sai o volume Cantares do Sem Nome e de Partidas. O Centro de Documentação Alexandre Eulálio, da Unicamp, adquire seu arquivo pessoal. A escritora sofre isquemia cerebral.
Em 1997, lança Estar Sendo. Ter Sido. Seus poemas são lidos em Quebec, Canadá, juntamente com textos de Safo, Gabriela Mistral e Marguerite Yourcenar, entre outras autoras, no recital Le Féminin du Feu, durante as comemorações do Dia Internacional da Mulher.
A edição bilíngüe (português francês) do livro Da Morte. Odes Mínimas é publicada em 1998. Publica também Cascos & Carícias: Crônicas Reunidas (1992 1995), volume de textos que saíram no jornal Correio Popular. Volta a se dedicar a questões sobrenaturais: afirma acreditar no contato dos mortos com a Terra através de mensagens enviadas via fax. Reafirma o desejo de construir em suas terras um centro de estudos da imortalidade.
Em 1999, lança a antologia poética Do Amor. Sob a coordenação do escritor Yuri V. Santos entra no ar seu site oficial: www.angelfire.com/ri/casadosol/hhilst.html.
O Caderno Rosa de Lori Lamby é levado ao palco sob direção de Bete Coelho, e tendo no papel principal a atriz Iara Jamra.
Em 2000, lança Teatro Reunido (volume 1)". Estréia, em Brasília, a adaptação teatral de Cartas de um Sedutor. Entra em cartaz, na Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio de Janeiro, o espetáculo HH Informe-se, reunião e adaptação teatral de textos da autora. Inauguração, em dezembro, da exposição Hilda Hilst 70 Anos, evento criado pela arquiteta Gisela Magalhães no Sesc Pompéia, em São Paulo.
Em 2001, estréia, no Rio de Janeiro, a adaptação teatral de Cartas de um Sedutor. A Editora Globo passa a ser responsável por toda sua obra publicada.
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8:12 PM
by Cassiano Leonel Drum
CUSTO DE VIDA
Carro novo e remédios ficam mais caros
São Paulo (Das agências) As montadoras preparam uma nova rodada de reajustes em suas tabelas de preços. Depois dos repasses feitos em janeiro, as novas correções serão pressionadas pelos aumentos da alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de 3% para 7,6% a partir deste mês e do preço do aço, 12% mais caro desde o mês passado.
Além disso, o benefício fiscal que reduziu em três pontos a alíquota do carro zero acaba no fim do mês. A diferença tributária também deve ser repassada para o consumidor em março. A primeira montadora a repassar os novos custos para o consumidor foi a Fiat. Os carros da montadora de origem italiana já estão 2% mais caros nas concessionárias. Segundo a Fiat, o reajuste foi motivado por "aumentos diversos", como a Cofins, que incide sobre o frete do automóvel.
Remédios
Os fabricantes de insumos usados na produção de medicamentos já estão enviando comunicados aos laboratórios informando que também vão repassar para os preços o aumento da Cofins, informou ontem a Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma). O efeito da Cofins será ainda maior a partir de 1.º de maio, quando a Cofins e o PIS passarão a incidir também na importação de bens e serviços.
E de aumento em aumento vamos indo. Mas remédio é terrível aumentar assim como será terrível, quando o preço das passagens de ônibus subir daqui há pouco, pelo repasse do aumento da COFINS. E aumentando o transporte, não há o que não ganhe as alturas também.
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6:49 AM
by Cassiano Leonel Drum
Tentativa e acerto
Jorge Aragão lança disco de inéditas e brinca que não dá uma dentro: achava CD ao vivo ruim e que seu público era velho
Clarissa Monteagudo
Eu não dou uma dentro. Quando o assunto é a sua trajetória artística, Jorge Aragão se confessa péssimo vidente. Depois de dois milhões de discos vendidos nos três últimos anos em que só lançou coletâneas , o compositor garante que já chutou bolas na trave. Não entendo o que acontece comigo. Achava que discos ao vivo eram sinal de falta de criatividade e foram eles que me projetaram. Pensava que o meu público era só o pessoal cascudo, e a garotada também está me ouvindo, surpreende-se o sambista, na entrevista de lançamento do seu 17º CD solo, Da Noite pro Dia.
Compositor e músico tarimbado no mundo do samba desde as rodas do Cacique de Ramos nos anos 80 e a carreira no grupo Fundo de Quintal, Aragão ainda se surpreende com a descoberta do grande público. Outro dia, estava entrando em uma casa de espetáculos, quando uns três garotos me viram. Eles vieram correndo e gritaram: Maluco, tem muita mulher no seu show, a gente vai entrar correndo!. Não acreditei, lembra.
O novo disco, o primeiro de inéditas em três anos, é uma resposta aos fãs fiéis, com músicas românticas, letras engajadas e até polêmica. Em Dobradinha Light, ele critica a distinção entre samba e MPB. Trabalho mais próximo aos primeiros discos da carreira. Comecei a acreditar que eu estava devendo. As pessoas estavam acostumadas a apreender minha música aos poucos. Eu tinha que voltar a falar, explica.
Assumidamente vaidoso, Aragão se define aos 54 anos, avô coruja de 2 netas, cujos retratos ele leva na carteira como um coroa viável. É um camarada legal, em quem você acredita, define. E fisicamente? Olha, lá em Itaipuaçu, onde moro, hoje vi três mulheres andando para a praia que me disseram: que coroaço, conta, bem-humorado.
Exigente, ele faz questão de escolher suas roupas, onde volta e meia aparecem referências à cultura afro e à Bandeira Nacional. Sou gordo, então escolho roupas de gordo. Quando estou emagrecendo, opto por um visual legal para quem está emagrecendo. Magro não sei, nunca fui, brinca Aragão, feliz da vida com o resultado de uma plástica para remover uma cicatriz enorme causada pela ponte de safena, ano passado, e de uma hérnia no umbigo. Não gostava de ficar sem camisa nem em casa. Agora, estou até pensando em ir à praia, surpreende o músico.
Aragão assume um certo orgulho da admiração dos fãs. Mas, para abaixar o facho, pesquisa opiniões negativas na Internet. Adoro ler crítica. Depois que estive doente, vi o comentário de um cara que dizia: Minhas preces serão atendidas. Zeca Pagodinho e Jorge Aragão vão morrer juntos. Não posso achar que todos gostam de mim, resume, rindo. Haja espírito esportivo.
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6:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Caçambas cotadas
Muito vendidas desde sempre, as picapes podem ter o seu futuro na poderosa Toyota FTX 4x4, desenvolvida na Califórnia em dimensões bombadas. Tem 5,8 metros de comprimento, 2,13 metros de largura e 1,98 de altura
Eduardo Sodré e Pedro Cuadrat
A FTX, acima, deve entrar em produção. Nas fotos menores, a Ford 1936, preparada como um Hot Rod, a GM S10 americana, com a frente diferente da nacional, e a F-150, este, há anos, o veículo mais vendido dos Estados Unidos
Qualquer anúncio de picape de décadas atrás trazia um cenário bucólico, um paiol de feno e um feliz ruralista, devidamente munido de seu chapelão, dentro de seu bólido de trabalho. Hoje, estes utilitários se tornaram modelos esportivos, alvo dos interesses da indústria que investe cada vez mais em conceitos onde o que menos importa é a capacidade de carga. São estes carros, cuja caçamba é um mero detalhe, que alimentam paixões, muitas delas no Brasil.
O primeiro veículo com características de picape foi feito em 1896, por um construtor de Chicago. A Ford deu início a seus modelos em 1905, mas alcançou o sucesso apenas em 1914, quando lançou um utilitário que superou as 30 mil unidades vendidas. Um dos clássicos da montadora surgiu duas décadas depois: a Pickup 1934 faz sucesso até hoje nas mãos dos amantes de hot rods, os velhinhos bombados que rasgam as rotas norte-americanas.
A Ford foi ainda a pioneira do Brasil aos lançar a picape F-100, em 1958, dez anos após apresentar a F-1 nos Estados Unidos.
Toyota investe em motor híbrido mais econômico
O Salão de Detroit deste ano foi a prova de que ainda há espaço para os utilitários em um futuro próximo, e parece que os japoneses já perceberam isso há tempos foram eles os responsáveis pelas principais novidades. Um dos conceitos apresentados foi a Toyota FTX 4x4, desenvolvida no centro de estudos da empresa, na Califórnia. As dimensões são respeitáveis: 5,8 metros de comprimento, 1,98 m de altura e 2,13 m de largura,
Sob o capô há um sistema híbrido (gasolina-elétrico) e um motor V8 que promete o consumo de, vá lá, um V6. A carroceria possui teto de vidro e portas traseiras com abertura central de 90 graus.
A caçamba da FTX é uma caixa de surpresas: sob os pára-lamas há compressor de ar elétrico, gerador e tomadas de força. Na parte interna existe uma caixa de ferramentas escondida e uma rampa que facilita o acesso de objetos de maior porte.
Outros conceitos foram apresentados (veja boxes à direita e à esquerda), todos muito distantes dos modelos de anos atrás. Em breve, no lugar do chapelão, os cowboys do asfalto deverão usar capacetes de competição.
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6:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
Problema resolvido
Fluminense se recupera da derrota no Fla-Flu, impõe 3 a 1 ao Caxias (SC) e garante a vaga por antecipação na Copa do Brasil
JOINVILLE, SC - O palco não era o Maracanã, mas o Estádio Ernesto Sobrinho. O adversário não era o Flamengo, mas o Caxias-SC. O jogo não era válido pelo Estadual, mas pela Copa do Brasil. Mudaram, portanto, o cenário e os personagens, e, assim, a história foi diferente: de virada, o Fluminense estreou na competição com vitória de 3 a 1, eliminando o time catarinense.
Felipe nem estava em campo. Nem Roger. Mas o atacante Vicente estava, e foi dele o gol do Caxias-SC. Aos 41 minutos, o habilidoso atacante não perdoou a falha da defesa tricolor.
¿Eles fizeram o gol no único momento em que falhamos¿, reclamava o técnico Valdir Espinosa, no intervalo da partida.
Não tinha tanta razão. Afinal, se a defesa não estava sendo tão exigida, o ataque voltara a cometer erros de finalização. O pior deles, aos 7 minutos: Alessandro recebeu um lançamento preciso, chutou, mas o goleiro, que deixou a bola passar, segurou-a quase em cima da linha.
Uma ótima cobrança de falta de Ramon, aos 19 minutos, seria outro bom momento do Fluminense, no primeiro tempo. A bola explodiu no travessão, subiu e caiu por trás do gol, assustando a defesa catarinense.
O time de Joinville fazia por merecer tanta sorte. Como se fosse o jogo de suas vidas, os jogadores suavam a camisa pra valer, numa incessante correria. O gol de Vicente, aos 41 minutos, foi a recompensa.
Aos 45, o Fluminense teve a chance de empatar: Ramon cruzou no primeiro pau e Marcelo desviou, para fora.
De volta ao campo para o segundo tempo, a equipe tricolor logo conseguiria o empate. Aos 15 minutos, Ramon fez um golaço, numa perfeita cobrança de falta: 1 a 1.
Demorou, mas o técnico Valdir Espinosa finalmente perderia a paciência com Juca, que, numa péssima noite, poucos passes conseguia acertar. Foi Alan quem entrou em seu lugar.
O time melhorou e virou o jogo, em mais uma bola parada que saiu dos pés de Ramon, àquela altura, o destaque do Fluminense. Aos 25 minutos, ele cobrou uma falta na cabeça do zagueiro Antônio Carlos, que subiu mais do que a zaga, marcando o segundo gol do time.
Era o noite de Ramon. Aos 40 minutos, após boa jogada individual, ele fez o passe para Leonardo Moura marcar o gol que livraria o Fluminense da obrigação de enfrentar de novo o Caxias-SC, num jogo de volta.
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6:35 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
05/02/2004
O trânsito e a caverna
Sou um homem das cavernas. Talvez, por isso, tenha me identificado tanto com algumas reflexões do terapeuta familiar John Gray, no seu badaladíssimo livro Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus. Trata-se de uma metáfora para explicar por que homens e mulheres pensam de forma tão diversa sobre as mesmas coisas, resultando daí o mal-entendido histórico que estimula a eterna guerra dos sexos.
Os marcianos fecham-se em suas cavernas quando estão estressados. As venusianas preferem falar sobre os temas que as incomodam. São generalizações, é verdade, mas muitos dos conflitos de comunicação relatados no livro integram a rotina da vida compartilhada. É romântico dizer que qualquer desentendimento pode ser superado quando há amor, mas a realidade é bem diferente - e o crescente número de separações dos nossos dias retrata bem isso. Na verdade, tão importante quanto o amor é a compreensão mútua. Tolerância talvez seja a palavra exata, embora desperte certa resistência quando o assunto é amor.
Um dos exemplos escolhidos pelo autor para evidenciar a dificuldade de comunicação é a clássica situação do marido dirigindo, perdido no trânsito, e a mulher ao lado, sugerindo que ele pare para pedir informações. Ela pensa: "Eu te amo e me preocupo com você, por isso estou te oferecendo ajuda". Ele interpreta assim: "Eu não confio em você para nos fazer chegar ao destino. Você é incompetente!". Em conseqüência, o sujeito se fecha, fica casmurro e o passeio acaba prejudicado. Origem do mal-entendido: ela não consegue avaliar o quanto é importante para ele atingir a sua meta sem ajuda, mesmo que seja uma meta insignificante. Daí por que o conselho bem-intencionado é recebido quase como um insulto.
Há exemplos também de coisas que ele não entende sobre a natureza dela, razão pela qual tenta equivocadamente solucionar seus problemas quando ela quer apenas ser ouvida sobre eles. Mas esse do trânsito me atingiu em cheio, pois costumo me perder em alguns bairros da zona norte da Capital. Minha co-pilota não dirige, mas percebe logo quando estou, digamos, meio desnorteado. Como já me conhece, ela nem palpita mais. Mas é só dar um sorrisinho irônico e eu já corro para a minha caverna.
O tal John Gray me pegou em flagrante nessa.
nilson.souza@zerohora.com.br
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6:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
Leticia Wierzchowski
05/02/2004
Disparates e desatinos
Fugindo da cidade nestes meses de verão, ando escrevinhando um livro que me faz voltar alguns séculos no tempo; minhas leituras têm remontado a fatos sucedidos na segunda metade do século 19. Um alívio, de certa forma, já que as bobagens cometidas há 150 anos não incomodam tanto quanto ver os noticiários do dia.
Tenho lido poucos jornais, é bem verdade, o que não me impede de um certo pasmo quando vejo notícias como aquela sobre o americano que atirou água no rosto de um bebê que chorava durante um vôo internacional. Ou o homem vinha sugestionado com o causo do fichamento nos aeroportos, ou estava magoado porque desceria em São Paulo, sem direito a samba e a mulatas de fio-dental, ou era louco mesmo.
Fiquei sabendo há pouco que George Bush e Tony Blair estão concorrendo oficialmente ao Nobel da Paz de 2004. Mais absurdo do que a própria indicação destes sacripantas é a justificativa do deputado norueguês Jan Simonsen. Ele alega que os dois governantes devem ser (sic) recompensados pela ousadia de terem adotado a decisão necessária de iniciar uma guerra contra o Iraque sem o apoio da ONU. Alguém deveria lembrar este ilustre senhor de que ficou mais do que provado que não havia nenhuma arma de destruição em massa no Iraque, pelo menos até a chegada dos americanos e sua parafernália.
Eu sugiro a indicação da Nana, minha cachorra Lhasa Apso, ao Nobel de 2004. Semana passada, meu filho arrancou impunemente da sua boca um osso, o primeiro osso que a coitada ganhava talvez neste milênio, e que meu marido lhe deu à traição, já que sou partidária de que cães que sobem no sofá comam coisinhas cujos vestígios sejam menos gordurosos e mais fáceis de limpar. A Nana é muito pacífica, não late e não rosna, gosta de gentes de todos os sexos, cores e religiões.
Faz xixi no quintal, comporta-se bem em vôos, pois já viajou muito por aí (e nunca jogou água na cara de um bebê), tem pedigree finíssimo e, para o espanto geral da nossa família, quando recebemos a papelada referente aos seus ancestrais, esta cadela (com o perdão da palavra) leva o sobrenome de Galaxi of Stars. Devo, urgentemente, escrever uma carta ao senhor Jan Simonsen pedindo algum apoio à candidatura da Nana. Ah, mais uma coisa: os Lhasa Apso são tibetanos e viviam nos templos budistas, com os monges. Se mete, Bush!
leticia.wierz@zerohora.com.br
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6:31 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
05/02/2004
Direitos do leitor
Já existe um estatuto para os idosos e um para os torcedores de futebol, deveria haver algo parecido para leitores de jornais e revistas. Uma lei que os protegesse não só dos maus-tratos da notícia inexata e do desconforto da má redação mas também dos sobressaltos do cabeçalho exagerado e do enfoque chocante e da irritação com opiniões descabidas. É verdade que, em se tratando de opinião, tudo é subjetivo, e o que irrita um pode agradar a outro. A clássica definição do articulista genial é o que concorda cem por cento com a gente.
Mas na falta de um estatuto que defenda o leitor, talvez se pudesse estender o estatuto dos idosos para incluir manchetes perturbadoras e artigos inacreditáveis entre as coisas que não se pode fazer a um velhinho. Todo editor deveria pensar seriamente no efeito que terá em idosos fragilizados, antes de planejar uma primeira capa ou publicar uma determinada opinião. Não têm sido poucas as vezes, ultimamente, em que pensei em denunciar às autoridades textos lidos cujo objetivo óbvio era me fazer ter um troço.
Mas é claro que todo leitor já tem um direito sagrado e inalienável, que nem sempre sabe que tem e raramente usa. O direito de não ler. Salvo razões patológicas, como o masoquismo, ou o chamado fascínio do abismo, não há nada que obrigue você a ler até o fim o que você sabe que não vai gostar. O pleno exercício do direito de não ler também serve como antídoto para qualquer vocação totalitária. É melhor não ler do que ler tudo e chegar ao fim de uma leitura raivosa pensando em proibir a opinião que desagradou, ou escrever uma carta anônima desaforada ou em difamar o autor e negar o seu direito de irritá-lo. Infelizmente, o que não falta entre leitores são vocações totalitárias.
O exercício do direito de não ler também promove o saudável hábito de pensar: "O que eu estou fazendo lendo isto em vez de estar lendo..." e em seguida fazer uma lista mental de todos os que você poderia estar lendo sem perder seu tempo. Todos os que concordam cem por cento com a gente.
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6:29 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
05/02/2004
A febre dos bolinhos
O sucesso desse assunto dos bolinhos de batata se deve a um fenômeno que constatei como traço comum de todos que me escreveram: suscitou uma profunda nostalgia nos leitores do tempo em que comiam, na infância ou juventude, bolinhos de batata que quase sempre eram feitos por pessoas de alta estima, que despertam grande saudade: avós, tias, mães etc.
O bolinho de batata apenas encobre uma situação familiar ou de companheirismo, produzindo a evocação uma terna reminiscência.
Caso de Adriana Endz, de Gravataí: "Lendo agora há pouco tua coluna, fiquei saudosista e minha barriga começou a roncar insistentemente ao lembrar-me da minha infância, quando apreciava os bolinhos de batata de minha mãe, algumas vezes recheados de carne moída e tempero verde (maravilhosos). Ficávamos ansiosos à espera do sinal verde para o ataque, já que éramos quatro irmãs. Eu, a caçula, sempre levava a vantagem na primeira degustação. Resta-me daquele tempo somente a saudade. Gostaria de saber preparar e aguardo ansiosa a receita do J.A. Pinheiro Machado. O legal da tua coluna é que faz a gente viajar no passado".
Mas Gislaine Quintana Marques, de PoA, fala pela primeira vez num acessório que é usual no bolinho: o molho. Deixemos que ela descreva: "Sant'Ana, não consegui resistir. Tenho que contar que esses bolinhos são uma especialidade de minha mãe, dona Noely. Ela faz maiorzinhos do que falaste, com recheio de guisado picado à mão, envolvido por um molho vermelho sequinho, feito à base de temperos uruguaios (nossa origem é Santana do Livramento). A camada externa é fininha e levemente tostada. Nada gordurosa. Dentro ele é macio, ideal para comer com feijão, arroz e uma saladinha. Só de pensar já fico salivando. Ah, e agora o grande diferencial: lá em casa não se chama de bolinho de batata e sim de 'Maria Escondida'. Dona Noely nunca me explicou por quê. Será que tu descobres?"
As mães estão associadas obrigatoriamente aos bolinhos de batata. Antes dos bolinhos de batata, essa rememoração pinça na infância a recordação da imprescindibilidade da presença espiritual e física da mãe na vida das pessoas.
Denise de Amado, PoA: "Pelo menos uma vez por semana, aqui em minha casa, na Zona Sul, minha mãe, dona Maria Teresinha, faz bolinhos de batata. Pra ficar de joelhos: são pequenos, feitos sempre na hora, tostadinhos, guisadinho supertemperado, ovo picado e azeitonas. Para arrematar, queijo ralado por cima. Tens razão, é a maior delícia da vida".
E vejam no que deu o meu desafio ao Anonymus Gourmet:
"Aqui, Anonymus Gourmet, mal chegando de Portugal, ainda no aeroporto, e já envolvido no grande debate instaurado na cidade, pelo Paulo Sant'Ana, sobre o bolinho de batata. Fui direto do aeroporto à cozinha, para preparar minha manifestação sobre o assunto. Por enquanto, posso adiantar que não será um bolinho: será um 'Bolão de Batata'. Mas escolhi ingredientes ortodoxos para a massa: batatas cozidas, ovos, farinha de trigo, queijo ralado, salsinha e leite. Também fui um radical da cautela no recheio: carne moída, cebola, tomates, farinha de trigo, massa de tomate e caldo de carne. Os detalhes da receita estão numa fita digital, trancafiada no cofre eletrônico da gerente de produção Alice Urbim, e só sairão de lá para ir ao ar, na RBS-TV, sábado que vem, às 9h30min. Por enquanto, por ordem do diretor Raul Costa Jr., é um segredo de Estado".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:27 AM
by Cassiano Leonel Drum
Aventura
De carro sobre as ondas
Onze cubanos arriscaram-se a fazer a travessia de 145 quilômetros do Estreito da Flórida, entre Cuba e EUA, em um Buick 1959, especialmente modificado. A exótica embarcação foi abordada pela guarda costeira americana (E, foto AP/ZH)
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Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004
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11:08 PM
by Cassiano Leonel Drum
RESTOS DE NÓS DOIS
Hoje.
Abri aquela caixinha onde guardo nossos segredos.
Fazia tempo que não a visitava...
Por puro medo.
Encontrei lá dentro, restos de nós dois.
Reli suas cartas, aquelas que falavam do seu amor,
Onde você descrevia a sua paixão por mim,
E incendiei por dentro por um momento.
Depois encontrei aquele guardanapo
Que num bar certa vez você
Desenhou um coração
E então...
O coração que bate dentro do meu peito,
Bateu insatisfeito.
Remexi ainda mais na caixinha e achei uma flor.
Aquela rosa
Que você me deu no dia que me disse pela primeira vez,
"Eu te amo"
E descobri que ela secou... Por pura falta de amor.
Depois bem lá no fundo encontrei perdido,
Aquele coração partido que andava pendurado no meu pescoço,
Pensei então na outra metade.
Onde andaria?
Será que ela ainda existia?
Achei também um bilhetinho amassadinho
Que dizia que a vida era ruim sem mim,
Que nada valia a pena no dia que você não me via,
Aí lembrei do seu sorriso quando você me encontrava.
Eu lhe amava!
Revirei-a mais um pouco
E cheia de desgosto achei então aquela oração
Que você fez pra mim naquele nosso momento ruim
E chorei baixinho de tanta dor.
Também achei um bilhetinho pedindo perdão
Por um momento de tensão.
E lembrei que
Lhe dei esse perdão com a maior emoção.
Em seguida achei um papel dobradinho
Com aquela poesia que você fez pra mim
No dia seguinte que nos amamos pela primeira vez.
Aí delirei de prazer por você.
Também estava lá a letra daquela música
Que quando ouvimos um certo dia
Você me disse então que seria a nossa canção.
E eu a cantarolei baixinho por um breve minutinho.
E aí...
Depois de já estar com o rosto inchado de tanto chorar,
Com o coração estraçalhado
Achei aquele e-mail que você me mandou
Falando do fim do nosso amor.
Que tinha acabado.
Que estava tudo terminado.
Poucas linhas... Rápidas palavras.
Como se a nossa história tivesse sido transitória.
Ardi de dor.
Me enterrei na saudade.
Depois tranquei a caixinha e parti pra minha realidade,
Fingindo à todos não viver na agonia.
Mas na verdade, o que eu queria
Era morar dentro daquela caixinha,
Junto com o meu coração que já vive lá.
Afinal
Desde que você me deixou,
Foi o único lugar que ele encontrou pra
Continuar a pulsar.
Silvana Duboc
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10:55 PM
by Cassiano Leonel Drum
Explicação para um poema que não escrevi
Escrevi antigamente
Poemas por muitos motivos
E até sem motivo algum.
Procurei temas dentro e fora de mim.
Falei de amor de saudade
E de outras coisas comuns,
Temas eternos de tantos poemas.
Tentei aprisionar em versos,
Quase sempre sem valor,
Sentimentos e emoções,
O fantástico e o real,
O bom e o belo da existência...
Enfim, fiz versos por tudo e por nada.
Só para você...
Nunca escrevi um poema.
E nunca escrevi um poema para você porque
O que é belo de fato
Não pode ser descrito
Sem que se perca sua essência.
Nunca escrevi um poema para você
Porque transformar sentimentos em palavras,
Atirá-los ao vento indiscreto de uma folha de papel,
É torná-los fúteis como noticia de jornal
Lida às pressas e logo esquecida.
Nunca escrevi um poema para você
Porque vivi em cada minuto de sua presença,
Atenta ou descuidada,
Cem, mil poemas! Meus, só meus!
Indivisíveis, indescritíveis...
Poemas simples, sem quaisquer palavras,
Feitos somente com versos de ternura
E estrofes silenciosas de aceitação.
Nunca escrevi um poema para você,
Nem no frio da sua ausência,
Quando só o que resta é saudade.
Porque cada linha dos poemas que vivemos
Ficou impressa em minhas mãos,
Em meu corpo, em meu coração...
E releio cada verso,
E revivo cada estrofe,
Recompondo, um a um, cada poema
Sob mil formas diferentes.
Nunca escrevi um poema para você porque,
Por mas belo que esse poema fosse,
Jamais expressaria toda a beleza
E a delícia inigualável de nossa entrega...
Do encanto misterioso
De uma troca banal de confidências.
Nunca escrevi um poema para você
Porque escrevê-lo
Seria dividir com quem o lesse
Os meus melhores momentos,
Momentos que...
Avarentamente quero guardar só para mim.
Virgínia Vendramini
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6:50 AM
by Cassiano Leonel Drum
Pentium 4 chega à nova geração
Com nome código Prescott, nova linha de processadores da Intel esbanja freqüências ainda não alcançadas
Paulo Couto
Acaba de sair do forno a nova geração de processadores Intel. Com o nome-código Prescott, a evolução permite que se atinjam freqüências mais altas no processador e melhores instruções para a execução das tarefas do dia-a-dia. Os modelos, agora, passam a usar a letra E para diferenciar do ¿C¿ existente.
Os novos processadores mantêm o nome Pentium 4 e passam a ter 1 MB de memória cache interna (L2), contra 512 KB da versão anterior (Northwood). São eles os modelos 2,8E; 3,0E; 3,2E; 3,4E e uma pequena surpresa, um 2,8 GHz para máquinas antigas, com FSB de 533MHz, e sem HyperThreading. A empresa também aproveita para apresentar os modelos 3.4C e 3.4 Extreme Edition, ainda baseados no Northwood.
Sobre o Prescott, o cache L1 dobrou em relação ao modelo anterior, passando para 16 KB. Houve também otimizações nas técnicas de Prefetch, que antecipam necessidade de dados para um determinado processamento. Com isso, o HyperThreading passa a ser ainda mais eficiente.
Também foram incluídas as instruções SSE3, que permitem ao programador do software criar rotinas mais rápidas e eficientes para a execução no processador. Além disso, os transistores estão ainda menores e ficam mais perto uns dos outros, permitindo aumento na quantidade de transistores sem o aumento da área do processador.
Para quem faz overclock, os modelos Northwood costumavam atingir entre 3,6 e 3,8 GHz, enquanto o Prescott dá indícios de superar essa marca: alcançamos 3,7 GHz em nossos testes, realizados graças ao apoio da Intel do Brasil e da Sinco Sistemas (www.sinco.net) ,e há relatos de valores mais altos. A Intel planeja lançar modelos de 4 GHz ainda esse ano, e a previsão é atingir mais de 4,5 GHz no ano que vem.
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6:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
Confiança é que o não falta
Time já faz planos para disputar final da Taça GB e espera vencer bem o CRB, pela Copa do Brasil, hoje, para evitar o jogo de volta
Janir Júnior
A vitória no Fla-Flu fez transbordar a confiança do Flamengo. O clube já pensa na preparação para a decisão da Taça Guanabara, dia 21, em pleno sábado de Carnaval, e em uma vaga na Taça Libertadores de 2005. Por isso, o Rubro-Negro estréia hoje na Copa do Brasil, às 21h40 (de Brasília), contra o CRB, no Estádio Rei Pelé, em Maceió, jogando com o regulamento debaixo do braço: caso vença por diferença de dois gols ou mais, evita o jogo de volta.
A segunda partida está marcada para o dia 18, quarta-feira, justamente entre a fase semifinal (14 e 15) e a decisão do primeiro turno no Estadual (21). Confiantes na chegada à final, Abel Braga e Felipe olham para o futuro e adotam o mesmo discurso: vencer o CRB por, no mínimo, dois gols de diferença, para o time ter uma semana livre de trabalho.
¿Esse é o nosso objetivo. Eles vão querer jogar no Maracanã de qualquer jeito. Como pensamos em disputar a final do Estadual, eliminar o jogo de volta seria o ideal, pois os jogadores teriam folga durante a semana. A pegada está muito forte. Conversei com eles e mostrei que, assim, eles não terão de se concentrar e evitarão o desgaste de um jogo à noite e reapresentação no outro dia¿, afirmou Abel.
Desde a estréia no Estadual, dia 25, na vitória de 2 a 0 sobre a Cabofriense, o Flamengo vem jogando duas vezes por semana. Domingo, a equipe voltará a campo, para enfrentar o América, em Édson Passos, pelo Estadual. Dia 11, será a vez do Madureira, no Maracanã.
A vontade de vencer por dois gols nos dá mais motivação. Vamos jogar com esse pensamento para quebrar essa maratona de jogos e evitar a partida da semana da decisão, afirma Felipe, astro da companhia.
A sintonia de discurso continua quando o assunto é o atalho para a Libertadores. No ano passado, chegamos à final, mas perdemos para o Cruzeiro. Quem sabe agora não somos os campeões? Esse é o caminho mais curto para a Libertadores, destacou o técnico Abel. O Brasileirão é difícil. A Copa do Brasil nos deixa mais próximos da Libertadores, completou Felipe.
Rafael, vetado, será substituído por Gaúcho na lateral direita. Abel pode lançar Andrezinho para formar a dupla de ataque com Jean, pois a documentação de Rafael Gaúcho na CBF não está regularizada. Outra possibilidade é adiantar Felipe e deixá-lo livre para chegar ao ataque, e lançar Jônatas ou Juliano no meio-campo. Depois da boa atuação contra o Fluminense, Íbson ganhou de vez a vaga e segue como titular.
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6:34 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
04/02/2004
Jennifer tem o cotovelo mais bonito da televisão. Vejo esse cotovelo e suspiro
Foto(s): Warner Bros, divulgação, Banco de Dados/ZH
A cunhadinha de 16 anos
Nunca cobicei minhas cunhadas. Por Deus. Nelson Rodrigues dizia que a cunhada é a tara nacional. Talvez. Mas não minha, ah, não, eu que sempre fui um respeitador de cunhadas. Agora, tenho um amigo que teve problemas com a dele. Dezesseis aninhos, a menina. Uma coisinha. Pois um dia ela saiu do banho enrolada na toalha.
De rosto.
História trágica. Meu amigo sentado na sala, esperando a namorada se arrumar, e a cunhadinha de 16 anos sai do banheiro coberta apenas por aquela exígua faixa de pano. Vem de lá sorrindo um sorriso maroto de adolescente, os pequenos pés descalços, o cabelo molhado, o cheiro de banho se espalhando pelo corredor. Meu amigo, no fundo do sofá, vendo aquela aparição avançar na direção dele. E a cunhadinha vem e vem e vem. Pára. Mia um oi. Aboleta-se no colo dele. Enlaça-lhe o pescoço com os braços macios. Ronrona:
- Tava com saudade de ti, cunhadinho.
Meu amigo ali, suando, a cunhadinha seminua sobre seus joelhos, a namorada prestes a sair do quarto. O horror. Aquilo traumatizou o meu amigo. Hoje, ele só sabe falar na cunhadinha. Vez em quando, estamos no bar, olho para ele e o vejo fitando o vazio como se fosse um traumatizado de guerra, o copo de chope suspenso, boca entreaberta. Já sei: está pensando na menina. Volta e meia ele balbucia, zonzo:
- A cunhadinha...
Que coisa.
Como disse, quem aqui escreve é um implacável respeitador de cunhadas. Verdade que tive mais cunhados do que cunhadas. Um deles era até lutador de boxe. Peso pesado, podia pegar o Hollyfield. Quer dizer: o cunhado se fazia respeitar.
Mesmo assim, compreendo as razões do meu amigo. Ele age como o dirigente de um clube que assedia o ex-jogador do adversário. O Inter tentando Tinga, o Grêmio contratando Fábio Pinto. Se pudessem, eles recheariam seus times de ex-jogadores do coirmão. Por quê? Pela idéia do pecado. Da promiscuidade. Da posse do que é proibido.
Eu, inclusive, eu e meu irreprochável comportamento com as cunhadas, confesso ter meu desvio. Só que é com jornal velho. Assim:
Estava saindo do banheiro da Redação quando vi aquele jornal com a foto da Jennifer Aniston. Manja a Jennifer Aniston, do Friends? A mulher do Brad? Pois é. Lá estava a foto dela, no topo da pilha de jornais velhos que a moça da limpeza separou para pôr no lixo mais tarde. Parei. Dei uma olhada, eu ainda de pé, o jornal ainda no chão. Depois, me abaixei para ver do que se tratava a notícia. Era sobre a festa de encerramento do Friends, patrocinada pela Jennifer na mansão que ela divide com o Brad. Não resisti. Levei o jornal comigo. Não o li mais. Apenas o deixei sobre a mesa, até me fartar da posse dele. De repente, o repórter Leonardo Oliveira passou e estacou:
- A Jennifer!
O Leo é fã dos Friends, assiste sempre.
- Posso levar o jornal? - ele perguntou.
Eu:
- Claro. É velho.
Lá se foi ele, faceiro, com a Jennifer.
Entendeu? O jornal que está forrando a gaiola do pintassilgo, o que recolheu a erva lavada de chimarrão, o que serve para acender a churrasqueira, esse é o jornal que mais me desperta interesse.
É que esse jornal está fora de contexto de um jornal. O jornal que vai para o lixo não é mais para ser lido. Aí ele se torna atraente. Ele está próximo de mim, mas não é meu. Como uma cunhada. Como o jogador do adversário. Uma espécie de pecado. Uma tara. Não há como resistir. Por isso o meu amigo só pensa na cunhada. Lá está ele, olhar no infinito, tartamelando:
- A cunhadinha... A cunhadinha...
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6:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
Diana Corso
04/02/2004
Bruxinhas de oito a 12 anos
Quando eu era pequena e nas brincadeiras me perguntavam "quem eu queria ser", minha opção era pela Vanderléia (cantora da Jovem Guarda), os meninos da época escolhiam algum personagem que usasse revólver, mas a ninguém ocorreria pedir para ficar com papel de bruxa ou feiticeiro, o que aliás consideraríamos digno de levar uma boa coelhada. Porém, quem convive hoje com meninas idade média de oito a 12 anos sabe que elas disputarão papéis entre Will, Irma, Taranee, Cornélia e Hay Lin (nomes da sigla Witch).
São cinco bruxinhas pré-adolescentes, dotadas de poderes mágicos associados aos quatro elementos, guardiãs das muralhas de uma terra que é o exílio do bem. Elas são encontradas numa revista criada pela Disney italiana, em livros, figurinhas e material escolar, ainda não há desenhos animados, brinquedos ou filmes.
As cinco meninas se enfrentam com os desafios decorrentes das transformações e desequilíbrios próprios da fase puberal. Sua imagem no espelho é uma incógnita. Vestir-se, um drama de identidade. A relação com os pais fica tensa. Além disso, sofrem de um mau humor contumaz. Não bastasse esse estado de TPM constante, o mal-estar é potencializado pelo sarcasmo que caracteriza a relação das meninas entre si.
Um grupo dessa faixa etária é a versão destilada da agressividade contida e militante que existe nos grupos femininos. O tempo dará sutileza a essa violência velada, mas nessa época ela aparece em sua forma mais crua e caricatural, como fofoca, intimidação, gozação. Versão feminina, nem pior nem melhor, da violência abrutalhada e meio tosca dos grupos masculinos, a turma das meninas cultiva a arte da mordacidade e da tortura sutil. Qual a mulher que já não passou por isso, como vítima ou como algoz? Por isso é interessante essa identificação com a figura da feiticeira, esse ser ambíguo entre o bem e o mal.
Entre um combate e outro contra as forças das trevas, as bruxinhas vivem dilemas fraternos, amorosos e éticos. Elas são escolares envergonhadas e cheias de conflitos, mas, quando se transformam em bruxas, ficam com corpo de adolescente, roupas ousadas e uma coragem que lhes falta na vida real. Além disso, precisam aprender a usar esse poder: uma delas, certa ocasião, aproveitou essa aparência mais ousada para ir a uma festa e dançar com um garoto que lhe interessava. A sedução foi um sucesso, e o rapaz tentou beijá-la. A reação "mágica" dela foi, de puro medo, transformá-lo num sapo.
A magia não é apenas um pano de fundo, equivale à presença do recém-inaugurado mistério do sexo e das transformações corporais. A iniciação como feiticeiras é metáfora de desafios menos mágicos, mas igualmente drásticos: crescer e aparecer, como mulheres. A educação das mulheres está a anos luz das aulas de bordado, culinária e piano. É preciso hoje tecer uma identidade original, descascar a ingenuidade e tocar em vários ritmos. Haja magia...
diana.corso@zerohora.com.br
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6:28 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
04/02/2004
Transtorno bipolar
Apesar de haver indícios de culpa de um dos envolvidos no acidente de trânsito que matou um casal e duas filhas no último domingo, na Estrada do Mar, duvido que as condições desfavoráveis impostas aos motoristas daquela estrada não tenham influído na tragédia.
É que a Estrada do Mar é um atentado às mais primárias regras da engenharia de trânsito que regem a questão.
Viajando na Estrada do Mar é que pude perceber o avanço espantoso no RS de incidência da doença mental denominada de transtorno bipolar, pela qual o paciente fica tomado de brutal oscilação do seu humor, que se transmuda da euforia para a depressão com a maior facilidade.
Sem dúvida que a Estrada do Mar é a responsável por essa mercurialidade mental dos gaúchos.
Talvez seja a única estrada do país que não tenha em toda a sua extensão acostamento, o que beira a loucura.
Quando sucede de um carro ter de parar por qualquer motivo, encostando à margem da pista, estabelece-se uma confusão e fica solto o diabo na estrada, eis que o espaço para a ultrapassagem é exíguo, obrigando os motoristas a invadir a mão contrária.
Mesmo que não haja carro algum estacionado, a ultrapassagem é sempre penosa, tensa, perigosa, acrobática.
E quando coincide que a pista inteira seja ocupada, na mesma linha, por dois veículos em cada mão, quatro no total, dois tentando ultrapassar os outros dois, incidência usualíssima na estrada, só não há acidente por milagre, o espaço que se disponibiliza para os motoristas é tão estreito que se constitui numa desumanidade exigir destreza na direção para safar-se daquela armadilha infernal.
Não bastasse a herança maldita da engenharia que plasmou a estrada, talvez que pressionada pela estreiteza orçamentária, quem sinalizou e colocou os pardais na rodovia arrematou com requinte a sinistra tarefa.
Viaja-se um pequeno trecho com velocidade permitida de 80 km/h, em seguida se é obrigado a baixar para 60 km/h. Logo ali adiante, outra vez 80 km/h.
O motorista fica tomado de tal nervosismo pela troca de velocidade que presta mais atenção às placas de sinalização do que ao próprio trânsito, que deveria ocupar todo o seu cuidado.
O medo de ser multado com a mudança repentina da velocidade de 60 km/h para 80 km/h provoca em milhares de motoristas o que apelido de transtorno bipolar.
De 60 para 80, 60, 80, ninguém resiste a essa intemperança brutal da velocidade, ainda mais agravada para os trechos em que a velocidade baixa para 40 km/h.
Nem um computador resistiria à volubilidade da sinalização e da velocidade proibida.
A Estrada do Mar é uma ratoeira, um monumento vivo que se ergue em homenagem à irracionalidade no trânsito, à obsessiva vocação dos governantes em tornar atormentada, difícil e até arriscada e perigosa a vida dos seus súditos.
Ali, a faculdade que detém o poder público de infernizar a existência dos governados chegou ao máximo esmero.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:25 AM
by Cassiano Leonel Drum
Litoral
A saia da vez
As microssaias jeans, marca registrada da personagem Darlene, de Celebridade, já são indispensáveis no guarda-roupa das garotas no Litoral (foto Tadeu Vilani/ZH)
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Terça-feira, Fevereiro 03, 2004
Posted
8:18 PM
by Cassiano Leonel Drum
Meu Jeito de Amar
Fátima Irene Pinto
Não quero mais drama nem sofrimento
Antes, quero crescer na alegria
e no transbordamento.
Não quero mais declinar
melindres e impossibilidades
Antes, quero um amor
cuidado, partilhado,
pleno de mutualidade.
Não quero mais invejar
casais de namorados
Não quero mais caminhos
sinuosos, afunilados.
Quero o amor que chegue
e que se faça ousado
Que irrompa nas curvas deste
meu corpo esfomeado.
Não quero mais desperdiçar
anos valiosos da minha vida
Não quero mais sentimentos
insustentáveis de menos valia.
Quero falar de alegrias
e de palpáveis devaneios
Quero o homem amado, saciado,
repousando nos meus seios!
Fátima Irene Pinto
Do Livro
MOMENTOS CATÁRTICOS
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8:00 PM
by Cassiano Leonel Drum
Mais histórias de amigos e desconhecidos
Um aposentado que não parou
Em Los Angeles sou apresentado a W. Frasier, que escreveu durante toda sua vida sobre a conquista do Oeste americano. Seu maior orgulho é ostentar em seu currículo o roteiro de um filme estrelado por Gary Cooper.
Raramente me aborreci com algo, porque aprendi muita coisa com os pioneiros americanos diz ele. Lutavam contra os índios, cruzavam desertos, buscavam água e comida em regiões remotas. E todos os registros da época mostram uma característica curiosa: os pioneiros só escreviam ou conversavam sobre as coisas boas.
Ao invés de reclamar, compunham músicas e faziam piadas sobre suas aventuras: assim conseguiam afastar o desânimo e a depressão. Hoje, com meus 88 anos, procuro me comportar da mesma forma, e me sinto vivo.
A criança que comia livros
Estava assinando livros em Minneapolis, quando um dos leitores me pediu que fizesse uma dedicatória para seu filho de 16 meses de idade.
Não acha um pouco cedo para ele? perguntei brincando.
Não respondeu o rapaz. Ele gosta muito de livros: costuma comê-los todos.
Mais tarde, comentando com alguns amigos, fiquei sabendo que o rapaz não estava brincando. Nos Estados Unidos, os pais acostumam desde cedo a criança com a presença de livros. Na hora de dormir, junto com o famoso ursinho, existe sempre um livro por perto. Na hora de tomar banho, um livro de plástico faz companhia aos barquinhosbarquinhos e brinquedos de banheira.
Aos poucos, a criança vai se familiarizando com aquele estranho objeto, e termina aceitando o livro como parte importante de sua vida.
Vencendo apenas uma noite
Aos doze anos de idade, Milton Ericksson foi vítima da poliomielite. Dez meses depois de contrair a doença, escutou um médico dizer a seus pais: seu filho não passa desta noite.
Ericksson ouviu o choro de sua mãe. Quem sabe, se eu passar desta noite, ela talvez não sofra tanto?, pensou. E decidiu não dormir até o dia amanhecer.
De manhã gritou: Ei mãe! Eu continuo vivo!
A alegria em casa foi tanta que, a partir daí, resolveu resistir sempre mais uma noite, para adiar o sofrimento dos pais.
Morreu em 1990, aos 75 anos, deixando uma série de livros importantes sobre a enorme capacidade que o homem tem para vencer suas próprias limitações.
Restaurando a teia
Em Nova York, vou tomar chá no final da tarde com uma artista bastante incomum. Ela trabalha num banco em Wall Street, mas certo dia teve um sonho: precisava ir a doze lugares do mundo, e em cada um destes lugares, fazer um trabalho de pintura e escultura na própria natureza.
Por enquanto, já conseguiu realizar quatro destes trabalhos. Ela me mostra as fotos de um deles: um índio esculpido em uma caverna na Califórnia. Enquanto aguarda os sinais através dos sonhos, continua trabalhando no banco assim consegue dinheiro para viajar e realizar sua tarefa.
Pergunto por que faz isto.
Para manter o mundo em equilíbrio responde. Pode parecer bobagem, mas existe alguma coisa tênue, unindo todos nós, e que podemos melhorar ou piorar à medida que vamos agindo. Podemos salvar ou destruir muita coisa com um simples gesto que às vezes parece absolutamente inútil.
Pode até ser que meus sonhos sejam bobagem, mas não quero correr o risco de não segui-los: para mim, as relações entre os homens são iguais a uma imensa e frágil teia de aranha. Com meu trabalho, estou tentando remendar alguma parte desta teia.
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7:56 PM
by Cassiano Leonel Drum
IRB-BRASIL: Continuam abertas, até o dia 13 de fevereiro, as inscrições do Instituto de Resseguros do Brasil para concurso que oferece 118 vagas (113 para analistas e cinco para advogados). Para a sede da empresa, no Rio de Janeiro, foram reservadas 107 vagas. Já para o escritório comercial de São Paulo, serão nove vagas e para o de Porto Alegre, outras duas. O salário para ambos os cargos é de R$ 2.512,29. Formulário e guia para pagamento da taxa de inscrição, que é de R$ 62, podem ser retirados nas unidades regionais da Escola de Administração Fazendária (Esaf).
Mais informações no site www.esaf.fazenda.gov.br
TRF-RJ: As inscrições para o concurso do Tribunal Regional Federal (TRF-RJ) da 2 Região estarão abertas até o dia 11. São 175 vagas, 142 para o Rio e o restante para o Espírito Santo. Para analista judiciário, a taxa de inscrição é de R$ 32 e salário inicial, de R$ 2.968. Para concorrer é necessário ter curso superior. Para técnico judiciário, é exigido Segundo Grau completo: taxa de inscrição de R$ 20 e salário inicial de R$ 1.777,04. Para auxiliar judiciário o salário é de R$ 1.141,62 e a taxa de inscrição, de R$ 17. Inscrições nas agências dos Correios.
Informações no site www.fec.uff.br
INFRAERO: Até o dia 11, a Infraero recebe inscrições para formação de cadastro de reserva. Vagas para serviço social, biologia e pedagogia, entre outras. Profissionais de nível médio podem concorrer a vagas de desenhista, técnico em eletrônica e programador de computador. Também há vagas para nível fundamental. O salário inicial, após experiência de 90 dias, acrescido do vale-refeição, varia de R$ 920,42 a R$ 2.517. Inscrições em agências credenciadas dos Correios ¿ como a da Rua da Assembléia 10, Centro ¿ e pelo www.nce.ufrj.br. Taxas de R$ 30 a R$ 55.
Informações no www.nce.ufrj.br
TCU: Bacharéis em direito podem se candidatar às duas vagas de procurador do Tribunal de Contas da União (TCU). Salários de R$ 11.014,86. Os interessados devem comparecer, até sexta-feira próxima, a uma das agências credenciadas da Caixa Econômica, em Brasília. Até domingo, serão aceitas inscrições via internet.
Informações no site www.cespe.unb.br
SAÚDE: Começam hoje as inscrições para o concurso da Secretaria municipal de Saúde do Rio, que vai contratar 2.158 profissionais. As vagas de nível superior são para formados em psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia e medicina (várias especialidades). Salários de R$ 1.191,12 a R$ 1.741,12. Quem tem nível fundamental pode concorrer a cargos de auxiliar de enfermagem e de radiologia, sendo necessário ter registro. O salário varia de R$ 584,32 a R$ 754,32. Taxa de R$ 60 e R$ 50, respectivamente. O candidato poderá se inscrever nas regiões administrativas, como as de Copacabana (Av. Rainha Elizabeth 36/A) e Tijuca (Desembargador Isidro 41). Serão aceitas inscrições via internet.
Informações no site www.rio-rj.gov.br
INPI: Começam no dia 16, as inscrições para o concurso do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), que oferece 180 vagas em cargos de nível médio e superior. O salário inicial de um técnico é de R$ 716,08, mais abonos, podendo chegar a R$ 1.190,88, de acordo com a especialização. Para o nível superior, o salário da menor faixa é R$ 1.915,83 (podendo chegar a R$ 2.826,18) e o da maior pode variar até R$ 3.188. A taxa de inscrição vai de R$ 20 a R$ 60. Inscrições em agências credenciadas dos Correios, como a da Rua Primeiro de Março 64, Centro. As vagas são para o Rio.
Informações: www.nce.ufrj.br/concursos ou 2598-3333
ACADÊMICO BOLSISTA: Até 12 de março, a Secretaria municipal de Saúde do Rio recebe inscrições para concurso de acadêmico bolsista. Oportunidades para estudantes de cursos como artes plásticas, educação física, enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, nutrição e dietética, musicoterapia, odontologia, pedagogia, psicologia, serviço social, terapia ocupacional, arquitetura, teatro e comunicação social. É preciso observar o período mínimo exigido para cada curso. O valor da bolsa varia de R$ 162,78 a R$ 325,56. Inscrições das 10h às 16h, no posto da Fundação João Goulart (Avenida Presidente Vargas 914, Centro)
Informações no site www.rio.rj.gov.br
CIEE: O Centro de Integração Empresa-Escola oferece 1.350 oportunidades de estágio para nível superior e 685 para nível técnico, em diferentes áreas. Vagas também para recém-formados ou com até dois anos de conclusão em curso superior, no Programa Trainee.
Informações: www.cieerj.org.br ou 2505-1234
FUNDAÇÃO MUDES: A Fundação Mudes tem, esta semana, 129 vagas de estágio, sendo 80 de nível superior e 49 de nível médio. As inscrições devem ser feitas em núcleos da fundação, como o localizado na Nilo Peçanha 11, 5 andar, Centro, telefone 2524-1181.
Informações no site www.mudes.org.br
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6:46 AM
by Cassiano Leonel Drum
No ritmo do crescimento econômico
Lojas planejam uma expansão ordenada para aproveitar a retomada do desenvolvimento
Silvana Caminiti
Num ano de apostas no crescimento econômico, o que pode fazer uma empresa para acompanhar esse ritmo? Segundo o consultor de varejo Luiz Roberto Martins, o planejamento é essencial para crescer com segurança, sem correr o risco de aumentar a oferta de produtos ou os pontos de vendas, e depois ter que fechar as portas por não conseguir mantê-las. Não adianta só ampliar o mix de produtos ou aumentar o número de lojas, é preciso planejar estratégias para atrair e fidelizar a clientela, a fim de garantir a venda. Afinal, a concorrência continuará bastante acirrada, ensina o consultor.
Um bom exemplo de crescimento planejado é o da Hortifruti, maior rede varejista privada de hortifrutigranjeiros do Brasil. A marca vai investir R$ 2,1 milhões em reformas e criação de setores dentro das lojas, para aumentar o tíquete médio e o conforto de seus clientes. A empresa avaliou o desempenho de filiais recentemente modernizadas e concluiu que uma reforma pode gerar aumento de público e de vendas tão bons quanto a abertura de uma unidade.
As lojas reformadas vão ganhar estacionamento, seção de carnes, delicatessen, setor de produtos para cozinha e área de recreação infantil. Outro investimento, de R$ 10 milhões, será na construção de dois centros de distribuição, mais próximos das regiões produtoras, o que permitirá intensificar as ações de logística, padronização e controle de qualidade, além da redução de custos de seleção, embalagem e armazenagem de produtos, explica a gerente da Hortifruti, Flávia Barcelos.
Para fidelizar a clientela, a rede também planejou campanhas como a Tá na Moda Viver Bem, que incentiva os clientes a adotarem hábitos alimentares saudáveis, com orientações sobre a importância nutricional de verduras, legumes e frutas, de acordo com suas cores.
Hortifruti: (21) 2568-5518, http://www.hortifruti.com.br
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6:40 AM
by Cassiano Leonel Drum
No balanço de Felipe...o orgulho resgatado
Se o Fla fica em dificuldades, é só dar a bola para o camisa 10. O artifício dos tempos de Zico volta a ser a arma mortal do time
Janir Júnior
Cenas do cotidiano de Felipe transitando dentro de campo: o camisa 10 pede a bola, pára em frente ao adversário, dá um leve toque para a direita, liga a seta para a esquerda e, sem pedir passagem, dribla com a perna canhota e deixa o rival para trás, sem aparecer sequer no retrovisor. O resultado é sempre o mesmo: ou ele deixa um companheiro na cara do gol, ou sofre falta, com o risco do infrator perder pontos na carteira e ser advertido com cartão.
Esse drible é do futebol de salão, que é muito rápido. Desde os 5 anos eu já o praticava. Só que não posso ficar explicando muito, não, pra não dar mole, brinca Felipe.
Ontem, não foi diferente. O craque ficou, dos 38 aos 43 minutos do segundo tempo com a bola nos pés, cavando faltas e prendendo a bola, fazendo o tempo passar. Mas o drible e a artimanha não são novos. Desde 96, quando subiu para o time profissional do Vasco, Felipe é o responsável em segurar o jogo, quando seu time está em vantagem no placar. Ele pede a bola aos companheiros e parece passar cola nos pés. Nove entre dez vezes, o drible sai para a esquerda. Em uma das variações, ele corta para dentro. Certo é que o jogador ganha a maioria das jogadas e também segundos preciosos, seja dando seqüência às jogadas ou sofrendo faltas.
Entro em campo para jogar futebol e tento usar a minha habilidade para ajudar o time, resume. E, no Fla-Flu, ele provou que sua perna direita não é completamente cega ao marcar o segundo gol do time. Não me lembro de ter feito antes um gol com o pé direito. O Kléber nem esperava o chute. Desde os 18 anos, essa perna nunca funcionou. Só agora, aos 26, isso aconteceu, brincou o camisa 10.
Felipe revela que amadureceu: Ralei muito no início e aprendi muita coisa, principalmente na minha passagem pela Turquia. Por isso, procuro orientar os mais jovens com um pouco da minha experiência.
As seguidas boas atuações já o fazem sonhar com um retorno à Seleção. É difícil para um treinador chamar apenas 22 jogadores. Mas quero voltar a defender o Brasil, e o fruto do trabalho no Flamengo vai me ajudar, diz o jogador, convocado pela última vez em 2001, por Leão, para enfrentar o Peru, pelas Eliminatórias para a Copa de 2002 ele ficou no banco.
Ontem, Felipe ainda festejava a boa atuação no Fla-Flu vestindo a camisa 10 imortalizada por Zico. Acho que ele assinaria embaixo. Foi uma vitória maravilhosa e acredito que correspondi às expectativas, finalizou Felipe, virando à esquerda, com um largo sorriso.
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6:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
Atrás do trio elétrico...
A Pré-Caju, em Aracaju, abre a temporada de micaretas do Carnaval. Confira o roteiro da folia, que não pára o ano inteiro, dicas e preços dos abadás
Tiana Ellwanger
Muita azaração, diversão, beijo na boca e música baiana. Assim podem ser resumidas as chamadas micaretas, que conquistam cada vez mais foliões por todo o Brasil. De janeiro a janeiro, de Norte a Sul, trios elétricos fazem a alegria de uma nova tribo: os micareteiros. A tribo tem o axé como hino, o abadá como uniforme, e a mistura de azaração e dança como fórmula para a diversão.
Na agenda das micaretas, a próxima é a Pré-Caju, em Aracaju. Considerada a maior prévia carnavalesca do País, a festa vai parar a capital sergipana entre os dias 5 e 8. Em sua 12ª edição, a Pré-Caju está com novidades, a começar pelo local, agora no Centro Histórico de Aracaju.
Segundo Fabiano Oliveira, um dos idealizadores do evento, a Pré-Caju deve receber 200 mil pessoas por dia na sexta-feira e no sábado, e 150 mil na quinta-feira e no domingo. ¿Outra novidade é o Planetaju, uma megaboate para 10 mil pessoas se divertirem após o desfile dos blocos¿, conta o organizador.
No Carnaval, as estrelas são Salvador e Arraial d¿Ajuda, paradeiros idolatrados pelos micareteiros cariocas. Chiclete com Banana, Asa de Águia, Babado Novo, Ivete Sangalo, Netinho e todos os ícones do axé fazem de Salvador, a meca do Carnaval para os micareteiros.
E no pós-Carnaval, o Carnaporto, em Porto Seguro, e a festa em Morro de São Paulo fazem qualquer um desistir de arrumar as malas na Quarta-feira de Cinzas. A folia não acaba em fevereiro: tem micareta o ano inteiro. Haja fôlego!
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6:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
Liberato Vieira da Cunha
03/02/2004
Geografia do desencontro
O mundo é um lugar cuidadosamente programado para o desencontro. Quando anoitecia sobre os verões de Cachoeira, atendendo a um convite misterioso e súbito as crianças surgiam no jardim da casa da Primeiro de Março, feito as estrelas ou os vaga-lumes. Passavam o anel, reinventavam o telefone sem fio, compunham uma história em que uma dizia três palavras e outra acrescentava mais três e todas iam juntando suas três e aquilo se transformava numa lenda fantástica e a certa altura aparecia um lobisomem, um boi-da-cara-preta e uma menina convocava sempre a pequena vendedora de fósforos morrendo enregelada. Era uma menina muito bonita e eu a amava tão desesperada e secretamente que não confessava isso nem para mim.
Onde foi parar aquela menina? Será uma dessas senhoras elegantes e sós que eu vejo olhando as vitrinas dos shoppings como quem procura uma pequena, enregelada vendedora de fósforos?
Freqüentei em Paris uma brasserie na qual, tão constante quanto o Pastis 51, o croque madame, o nougat glacé, havia na mesa de canto um cara preenchendo centenas de folhas pautadas de um bloco de grosso calibre. O que escrevia aquele sujeito entre um par de goles? Uma vasta contestação da Teoria da Relatividade? Uma reinterpretação irônica do Código de Hamurábi? Uma versão pós-semiótica da Pedra de Roseta? Jamais vou descobrir. O homem sumiu num começo de outono. O que fazia, que fim levou?
Talvez compusesse suas memórias e ao atingir o ponto final sentiu-se tão devastadoramente vazio e só e incompleto que se enfurnou num mosteiro do Nepal.
Tinha uma loja de discos tão precária e antiga em Salzburgo que você imaginava: o túmulo de Mozart deve estar homiziado bem aí atrás das estantes. Nessa época eu andava também, por obra de uma catástrofe íntima, muito precário e antigo. Ir ali me deixava estranhamente apaziguado e amnésico, de modo que eu entrava e indagava da balconista cega: tem a Fantasia Improviso? Trudy me dizia: esgotou ontem. Eu voltava à tarde: tem O Pássaro Profeta? Trudy me dizia: levaram agora mesmo. Eu retornava à noite: tem a Appassionata? Trudy me dizia: acho que roubaram.
Aí comecei a ir à loja de discos e ficar ali quieto no meu canto e Trudy ficava quieta no seu e nenhum de nós se movia e Mozart ressonava e lentamente e docemente eu me percebia apaziguado e amnésico e então ia embora.
Que fim levou Trudy? Não faço a menor. Mas das 612 mil cidades do mundo a única a que não voltarei é Salzburgo.
Pois não é impossível que Trudy ainda continue lá, na precária, na antiga loja de discos, e me olhe bem no fundo de minha alma e fale: nunca mergulhes em lembranças, nunca te percas em enigmas, nunca sofras de paixão. É isso que dá sentido à vida, e a vida, como se sabe desde sempre, jamais teve sentido.
liberato.vieira@zerohora.com.br
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6:28 AM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
03/02/2004
O desafio do ministro Tarso
Provavelmente tem razão o ministro Tarso Genro ao dizer que a pasta da Educação representa o maior desafio em sua vida. É só olhar as enquetes de opinião: educação é sempre colocada, ao lado de saúde, segurança, desemprego, na lista dos grandes problemas brasileiros, problemas para os quais, aliás, pode representar, ao menos, parte da solução. Na educação básica, o Brasil avançou bastante, a julgar por indicadores como alfabetização e escolaridade.
No ensino universitário, houve uma grande expansão, sobretudo na área privada, responsável hoje por 70% das matrículas universitárias. São 1,5 milhão de vagas privadas - mas 400 mil dessas não estão preenchidas. Por quê? Porque a renda média familiar dos alunos que estão na universidade passa de R$ 3 mil, muito superior à renda da família brasileira em geral. Existe aí um afunilamento provocado pela falta de grana.
A universidade pública é gratuita. Isto não quer dizer que seja para todos. As vagas são, em sua maioria, ocupadas por jovens vindos das classes média e alta. São eles que ultrapassam a barreira do vestibular: porque vêm de escolas melhores, porque os pais têm dinheiro para livros, computadores e cursinho, essas coisas todas que estamos carecas (meu caso, ao menos) de saber. Ou seja: faculdades públicas e privadas têm o mesmo tipo de aluno, o mesmo currículo. Qual, então, a diferença entre as duas?
Aí surge a polêmica. Muitos dizem que a universidade pública deveria ser paga, o que a tornaria praticamente igual à privada. Mas esta não é a posição do ministro Tarso. A posição dele, pelo que se depreende de seus pronunciamentos, é tornar a universidade pública efetivamente pública. E isto envolve três tópicos. O primeiro é o do acesso. Se a universidade pública quer ser um instrumento de democratização, precisa oferecer uma solução para a desigualdade dos alunos, desigualdade que precede o vestibular e que condiciona o resultado deste. Tem-se discutido muito a questão de quotas para negros como forma de corrigir uma histórica injustiça; esta discussão deveria se ampliar, estendendo-se à pobreza em geral.
O segundo tópico refere-se ao tipo de profissional formado. No caso da universidade pública, esta formação deveria contemplar os grandes problemas da população. Isto fica bem claro no caso da Medicina: está na hora de formarmos médicos com perfil adequado à nossa situação de saúde pública. O terceiro tópico é a interação da universidade com a sociedade em termos de pesquisa, que deve corresponder às necessidades tanto da área pública quanto da privada.
Desafio grande demais para Tarso Genro? Então deixem-me dizer uma coisa que nem todos sabem. Apesar de não ser muito alto, Tarso é um excelente jogador de basquete. Na quadra, surpreende. No Ministério da Educação, esperamos, surpreenderá mais ainda.
scliar@zerohora.com.br
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6:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
03/02/2004
As virações da infância
Não me sai da cabeça a história daquele menino lá de Santa Maria que pediu ao Papai Noel um rancho para alimentar a ele e sua família.
É que o menino sustentava parcamente a sua família juntando na rua latas de refrigerante e cerveja.
Depois, publicada a história do menino pelo jornal, foram enviados inúmeros ranchos para sua casa, brinquedos, roupas e até alguém teve a idéia de presentear o menino e sua família com uma cota mensal de milhares de latas de refrigerante e cerveja, com o que a família do menino passou a ter um "salário" compensador, que durará um largo tempo.
Essas latas usadas de refrigerante e cerveja são vendidas a quilo. Não tenho idéia de quantas latinhas são necessárias para formar um quilo, creio que mais de 50.
E imagino que paguem menos de R$ 1 por quilo de latinhas, mas tem gente que vive disso.
É que me lembrei da minha meninice e de que eu arrumava dinheiro desse mesmo jeito.
No meu bairro, todos os dias passavam caminhões ou carroças que compravam ferro-velho, ossos e garrafas.
As garrafas comuns eram compradas por quilo, junto com quaisquer vidros. E para nós, meninos, a jóia da coroa eram as garrafas-patente, essas mesmas garrafas grandes de cerveja e outras bebidas usadas ainda hoje.
A garrafa-patente, era assim que se chamava, essa valia, uma sozinha, mais do que 20 garrafas de outros tipos.
Não precisava vender no ferro-velho, qualquer armazém ou boteco as comprava por um cruzeiro (a moeda da época).
Era a forma de a gente arrumar dinheiro para a matinê de domingo e o picolé de todos os dias.
Eu fiz um carrinho com chassis de carrinho de bebê e subia uma vez por semana, com outros garotos, este Morro da Polícia que se ergue majestoso à beira de nossa cidade.
Levava um dia inteiro nas fraldas do morro e no seu sopé, por entre trilhas em meio à selva, tentando localizar carcaças de animais, cujos ossos nós vendíamos para o ferro-velho.
Sempre que se voltava da incursão ao morro, enchíamos os bolsos de dinheiro com a venda de dezenas de quilos de ossos e centenas de garrafas.
Recordo-me agora de uma outra forma que eu tinha para engordar o meu orçamento infantil.
Eu morava numa casa grande na Chácara das Bananeiras, que mais tarde serviu de posto veterinário da Brigada Militar.
A casa tinha um vasto e alto sótão, onde à noite dormiam confortavelmente dezenas de pombas que durante o dia faziam expedições alimentares por toda a zona.
Então havia uma noite em que eu abria o alçapão que dava acesso ao sótão, com uma vela acesa numa mão e na outra um saco de aniagem.
Raras eram as pombas que fugiam. Ocorre-me hoje que a pomba talvez não voe à noite, elas se deixavam apanhar serenamente, coitadinhas.
Eu enchia o saco de aniagem de pombas, amarrava as pontas do saco, ia dormir nervoso, cedo da manhã apanhava um bonde no fim da linha do Partenon, carregando o meu saco de tesouro.
Dirigia-me ao Mercado Livre, como se chamava o Mercado Público, onde me pagavam cinco cruzeiros por cada pomba. Era uma maneira de eu pôr a mão em cem cruzeiros, o equivalente a R$ 50 de hoje, uma "fortuna" para um moleque quase sempre "duro" e sem recursos.
Eu sabia que aquelas pombas seriam sacrificadas para servir de "despachos" nas religiões afro-brasileiras.
Só dali a um ano se formaria no sótão da minha casa um outro pombal. Até lá tinha que me virar com meus ossos e minhas garrafas, até que me tornasse homem e talvez enveredasse por uma profissão.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:23 AM
by Cassiano Leonel Drum
Religião
Marcha pela fé
Milhares de fiéis acompanharam a procissão de Nossa Senhora dos Navegantes na Capital, pedindo paz e emprego (foto Ronaldo Bernardi/ZH). É se não for pela Nossa Senhora dos Navegantes, as promessas de campanha de nosso Presidente, não só não estão sendo cumpridas, como agravou ainda mais a situação.
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Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004
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8:35 AM
by Cassiano Leonel Drum
Grande disputa entre Darlene e Jaqueline
"Darlene e Jaqueline adorariam ser Deborah e Juliana. O público vai gostar das duas na avenida" Marcelo Faria
Com as recentes baixas de Luma de Oliveira e Luana Piovani no Carnaval carioca, a briga pelos holofotes na Sapucaí deve ficar entre as madrinhas de bateria Juliana Paes, da Viradouro, e Deborah Secco, da Grande Rio. Enquanto fora da ficção as atrizes juram ser do tipo unha e cutícula, coincidentemente, na trama da novela Celebridade, as manicures e loucas pela fama Jaqueline Joy (Juliana) e Darlene (Deborah) vivem uma eterna disputa. Será que a briga vai ganhar o Carnaval? Darlene e Jaqueline adorariam ser Deborah e Juliana. O público vai adorar as duas na avenida. Vai ser mesmo apoteótico, aposta Marcelo Faria, o bombeiro Vladmir, garantindo imparcialidade, apesar de desfilar ao lado da namorada Deborah.
"As duas têm muito a oferecer.Cada uma com um tipo de beleza, um brilho diferente" Alexandre Morenno
Para o ator Alexandre Morenno, o Tadeu da novela, as duas têm muito a oferecer. Poderia ser mais específico? Cada uma tem um tipo de beleza, um brilho. Quando teve o concurso Garota do Andaraí na novela, Tadeu torceu pela Jaqueline. Ela é exuberante, empolga-se o ator.
Intérprete do fotógrafo Ivan, o ator Marcelo Laham lembra que as atrizes desfilando poderiam muito bem virar cena de novela. Tem só que saber como isso seria inserido, completa. O voto de Marcelo, vai para Deborah, ops!, Darlene. Jaqueline já teve seu lugar ao sol. Darlene batalha desde o início da novela e não é possível que ela não consiga aparecer na Sapucaí. Seria a grande chance, diverte-se.
Fora dos estúdios da novela, a marmanjada é bem menos imparcial que os atores, colegas da duas musas, e as duas dividem opiniões. Juliana é mais sexy e menos espalhafatosa que Deborah, brada o universitário Roberto Bihari, 26 anos. Escolho Juliana Paes pelo conjunto da obra. Ela é completa, emenda o advogado Rafael Andrade, 25.
O estudante Silvio Gonzalez, 17 anos, é outro que elege, sem pestanejar, a intérprete de Jaqueline como rainha máxima. Ela combina mais com o Carnaval, faz mais o estilo de mulher gostosa. Mas, na novela, acho a Deborah mais bonita, opina.
Além do corpão, Deborah tem mais carisma. Sairia com Juliana numa noite de Carnaval e com Deborah, o ano inteiro¿, esnoba o designer Gustavo Sampaio, 27 anos. Deborah é mulher com cara de menina. Isso enlouquece qualquer homem, desmancha-se o universitário Alberto Silva Brandão, 22 anos.
A parada vai ser mesmo dura. Desfilar na Sapucaí é o auge para qualquer uma que deseja aparecer, seja Darlene, Jaqueline, Deborah ou Juliana, polemiza o publicitário Felipe Santos, 25 anos, que diz não conseguir escolher entre uma atriz e outra. Fico com Deborah vindo e Juliana indo, decide, ressaltando o que, na sua opinião, cada uma tem de melhor. Tudo bem, vale ficar em cima do muro.
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8:25 AM
by Cassiano Leonel Drum
Romário nem viu o fim da partida
Romário, o destaque tricolor, com dois gols, surpreendeu a torcida com seu desempenho, após ter quase sido vetado
Ainda bem que a torcida comemorou o aniversário de Romário no intervalo, quando o jogo ainda estava empatado em 1 a 1. Se tivesse deixado para o fim, o atacante, que fez 38 anos na quinta-feira, ficaria sem o bolo e o parabéns pra você.
Afinal, Romário nem esperou o jogo terminar para ir embora do estádio: faltando 5 minutos para o fim do Fla-Flu, ele já estava dentro de seu jipe Hunter amarelo.
O Baixinho tinha tudo para se transformar mais uma vez em herói. Mesmo sentindo ainda dor no joelho, forçara a barra para jogar, e tudo dava certo para ele, que fez o gol de empate e o da virada do Fluminense.
Logo depois de Felipe marcar o segundo gol do Flamengo, Romário, sentindo-se cansado, foi substituído por Marcelo, quando o Fluminense ainda estava em vantagem vencia por 3 a 2.
Foi após sua saída que o Fla-Flu começou a ganhar as cores rubro-negras. Ao analisar a derrota, o técnico Valdir Espinosa levou em consideração a substituição do atacante.
Sem Romário, o time perde a confiança e, o adversário, o respeito. A equipe sentiu a substituição, mas ele já tinha dado uma parcela de colaboração muito grande, disse Espinosa.
Antes do fiasco, quando tudo era festa e a torcida cantava o tradicional parabéns pra você, Romário, sem prever um fim trágico para o Fla-Flu, quase chegou às lágrimas.
Quanto mais velho, mais emocionado eu fico. Agradeço aos torcedores por tanto carinho, disse o atacante, que não economizou energia na comemoração dos dois gols que marcou sobre seu antigo clube.
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8:15 AM
by Cassiano Leonel Drum
Já passou um ano
PAULO BROSSARD/ Jurista, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal
Decorreu um ano do período governamental do presidente Lula, ou seja, uma quarta parte dele. E embora tenha o presidente esbanjado louvores ao seu governo, não se pode dizer tenha sido brilhante o resultado; seu próprio partido tem sido mais discreto na apreciação do período e a imprensa chegou a ser severa em suas análises; a própria reforma ministerial refletiu o desconforto existente nas hostes oficiais.
Ao fazer este registro não tenho o propósito de enunciar sentença a respeito, mas apenas apontar alguns aspectos do problema, que me parecem inegáveis e graves. Tenho como induvidoso que o desemprego é um dos problemas mais dolorosos, seja qual for o aspecto pelo qual seja examinado. É um dos que mais impressiona a opinião. Tanto que o candidato situacionista à Presidência não hesitou em afirmar que promoveria a criação de 8 milhões de empregos se eleito, o que levou o atual presidente a superar a promessa do concorrente, dizendo que criaria não 8, mas 12 milhões, depois encurtados para 10 milhões - 2,5 milhões anuais. Ora, um ano decorreu e nada disso aconteceu; se o número de desempregados em 2002 era de 2,1 milhões, em 2003 passou para 2,3 milhões. Em outras palavras, se a taxa média de desemprego em 2003 foi da ordem de 12,3% da população economicamente ativa, ela superou a do ano anterior, de 11,7%.
Este dado é ilustrativo e inquietante em si mesmo; o pior, porém, é que ele não esgota a realidade. Os dados conhecidos revelam que, enquanto o desemprego aumentou, a renda do trabalhador caiu 12,5%. A que se deve essa queda? Segundo a mesma fonte, o IBGE, à informalidade. Informalidade é sinônimo adoçado de ilegalidade. Qual a explicação do fenômeno? Não há quem o ignore. O peso das obrigações legais é tamanho que até a língua se adapta à crua realidade. O fato é esse. Extinta que viesse a ser a informalidade ou a ilegalidade no universo laboral e o resultado seria nada menos que catastrófico. São dados de uma realidade perturbadora.
Dir-se-á que, decorrido um ano de governo, restam três para a superação desse quadro dramático. Eu gostaria de alimentar essa esperança, contudo, até agora não vejo sinais idôneos a confortá-la. O aumento do ônus decorrente da chamada reforma tributária é disso exemplo. A despeito de tudo quanto foi dito quando da tramitação da "reforma", seja do agravamento da carga fiscal, seja de sua negativa, os dados estão na rua. O aumento da carga fiscal é notório e não há dia em que a imprensa não publique dados a respeito. E isso não ajuda a superar a situação existente. De outro lado, os juros continuam a amordaçar a atividade econômica e, no particular, o governo tem se mostrado débil, embora à voz do vice-presidente da República se tenha somado a do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Não quero falar na linguagem do presidente em sua excursão diplomática na Índia, embora não me pareça apropriada e muito menos útil. Mas não posso deixar de notar o que o chefe do governo disse ao anunciar a reforma ministerial; afirmou então que seria "humanamente impossível" manter no governo o seu discurso quando oposição. A importância da declaração merece algumas reflexões, mas isto é para outra conversa.
Para não dizer que não falei de flores, quero registrar a edição de Rio Grande do Sul. É um painel fotográfico que se deve a Leonid Streliaev. Ao longo de muitas andanças recolheu infinidade de flagrantes magníficos sobre aspectos da nossa terra e de sua gente. Os textos são de Luiz Antonio de Assis Brasil. A impressão, impecável. Não me recordo de outro que se lhe compare.
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8:10 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
02/02/2004
Estrumufar
Contam que lançaram no mercado uma estrumufadeira. Uma intensa campanha publicitária convenceu muita gente de que deveria ter a novidade em casa, e na entrega de cada estrumufadeira ia um técnico junto para explicar seu funcionamento. Era fácil. Colocava-se a estrumufadeira - uma caixa de tamanho médio - em qualquer lugar da casa, no chão ou em cima de um móvel, ligava-se a estrumufadeira numa tomada, apertava-se um botão e, pronto, a estrumufadeira começava a estrumufar.
O técnico fazia "Ó", com a mão atrás da orelha, para todos ouvirem o ruído que vinha de dentro da caixa. O que era aquilo? Era a estrumufadeira estrumufando. Era o som do estrumufe. E o que era, exatamente, estrumufar? Bem, dizia o técnico, isso só se saberia arrombando a caixa para ver o que acontecia lá dentro, o que os fabricantes não recomendavam, sob pena de a estrumufadeira parar de estrumufar. Além de, automaticamente, invalidar a garantia.
Alianças políticas como a que o PT está fazendo para ter uma maioria segura no Congresso e aprovar o que quiser podem levar a um paradoxo delicado, parecido com o da estrumufadeira. Presume-se que alguns projetos que o governo, se ainda não se peessedebelizou por completo, queira ver aprovados pela sua maioria no Congresso sejam minimamente "de esquerda" (por exemplo, algo inédito em matéria de tributação para finalmente começar a desconcentrar riqueza no Brasil, ou não foi pra isso que se votou no PT?). Mas a condição para alianças heterogêneas funcionarem é jamais verem desafiadas as ortodoxias que as unem, e alguém imagina o novo centrão aprovando mudanças radicais na taxação de grandes fortunas e etc?
Alianças de desiguais só sobrevivem da renúncia mútua e o PT tem mais a renunciar do que o PMDB e os outros. Alianças como estas só são viáveis se não adiantarem. A estrumufadeira só existe para estrumufar. Qualquer outra exigência, como a de fazer pipoca ou fazer sentido, a destruiria. E quando a arrombam para descobrir que diabo, afinal, é estrumufar, ela pára de estrumufar e ninguém fica sabendo.
Contam que tem muita gente satisfeita com sua estrumufadeira em casa. Gostam de ter aquela coisa ao seu lado, apenas fazendo o que dizem que ela faz, seja isso o que for. E nada mais. Enfim, algo em que acreditar.
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8:08 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
02/02/2004
Hipocrisia solidária
Depois dessa de a Philip Morris, uma das maiores fabricantes de cigarros do mundo, estar fazendo uma campanha mundial para que as pessoas deixem de fumar ou não comecem a fazê-lo - ou então fumem menos -, é de a gente perguntar-se: por que esta empresa não deixa de fabricar cigarros?
Em vez de exigir renúncia ou sacrifício dos fumantes atuais ou em potencial, por que a empresa não renuncia ela mesma à sua atividade, deixando de espalhar doenças e mortes entre os consumidores do seu produto?
Qualquer dia vai aparecer alguma cervejaria fazendo campanha publicitária para que as pessoas bebam leite.
Ou alguma montadora de carros aconselhando as pessoas a usarem o transporte público.
Essa atitude da Philip Morris revoluciona todos os tratados publicitários.
Porque, em última análise, a empresa fabricante de cigarros está fazendo propaganda contra o seu produto, dando a entender que ele danifica a saúde e pode levar à morte.
Essa decisão de continuar fumando apesar de saber dos males terríveis causados pelo fumo, no meu entender, pertence só ao fumante.
Que um médico, que o Ministério da Saúde, enfim todas as entidades protetoras da saúde aconselhem o fumante a deixar de fumar ou a fumar menos é compreensível até como influência necessária a uma decisão radical de quem permanece no vício.
Mas que a empresa que fabrica os cigarros afete ajuda ao fumante, levando-o a não fumar ou diminuir o número de cigarros que fuma, é de deixar-nos estupefatos.
Porque parece que a Philip Morris incorre no grave deslize ético dessas funerárias que abordam os familiares de moribundos no interior de hospitais, oferecendo o seu caixão para a eventualidade premente da morte do paciente.
A funerária pretende induzir a família do doente a crer que a morte dele é inevitável. Se ela não vier oferecer os seus serviços fúnebres com antecedência, uma concorrente sua passará ali adiante na sua frente.
Ou seja, a Philip Morris tem consciência de que os cigarros que fabrica matam. Mas pensa que, se deixar de fabricá-los, outra empresa continuará a fabricar cigarros, o que dará no mesmo: as pessoas continuarão morrendo pelos cigarros.
Então, ela continua a fabricá-los.
Quando houvesse sinceridade nessa campanha da Philip Morris, ela publicaria uma nota em todo o mundo dizendo que o cigarro mata e por isso ela deixava definitivamente o ramo fumageiro e ia se dedicar à indústria de alimentação ou de vestuário.
Eu acharia mais interessante, sincera e eficaz uma campanha publicitária da Philip Morris que fizesse ver ao público que se o Estado (de qualquer país em que ela venda cigarros), com toda a responsabilidade que tem de preservar as vidas dos seus súditos, nada fazia para isso, arrecadando impostos com a venda dos cigarros, era inexigível a ela, como empresa do ramo, não continuar a fabricar cigarros.
Porque, na verdade, o que a Philip Morris está fazendo, em última análise, é o que os governos nacionais fazem: obrigam a serem impressas nos maços de cigarros figuras sinistras dos males causados pelos cigarros, advertências severas sobre o seu consumo, mas paralelamente fixam cobrança do imposto vultoso sobre o cigarro, o que enche os cofres do erário.
"Se os governos podem ser hipócritas, porque nós não podemos?", deve pensar a Philip Morris.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:05 AM
by Cassiano Leonel Drum
Religião
Dia de rezar para a senhora dos Navegantes
Principal evento religioso de Porto Alegre, a festa de Nossa Senhora dos Navegantes terá procissão, missa campal e show da Ospa. Estandes da praça de alimentação e o parque de diversões também aguardam os fiéis (foto Adriana Franciosi/ZH)
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Domingo, Fevereiro 01, 2004
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4:07 PM
by Cassiano Leonel Drum
Salve-se quem puder
Até os adolescentes, acostumados à vida de guerreiro, se admitem surpresos com a onda de pegação que se instaurou no verão, estimulada pelos eventos que animam a cidade
Zean Bravo
O clima de guerra que sempre tomou conta do verão nunca esteve tão declarado como na estação corrente. Com um roteiro noturno movimentando a semana inteira do carioca, basta pisar num show ao ar livre, no ensaio de escola de samba ou em algum outro evento da temporada para perceber: a pegação não tem mais limite, nem regra. Todo lugar que você vai é assim.
Neguinho está na guerra total, ataca de cara. Mal cheguei no ensaio da Grande Rio, no Monte Líbano, tinha garoto cheirando o cangote, outro puxando pelo braço, conta a administradora Carla Ribeiro, 26 anos, que culpa, sem medo de parecer machista, a oferta exagerada de parte das mulheres. Tem umas que dão mole para cara com namorada. Espera a menina sair e beija o cara ali mesmo, entrega.
E como guerra é guerra, vale tudo. Até a queixa feminina de que falta homem na noite serve de desculpa para a marmanjada investir em várias na mesma noitada. Está sobrando mulher e o cara tem mais é que pegar quantas puder para desfazer essa desigualdade. Só fica no zero a zero quem quer, desafia o universitário Juliano Medeiros, 22 anos. O publicitário Leandro Godinho, 25, concorda:Antes, se você queria pegação era só ir para as boates. Hoje, até os lugares mais alternativos e baratos viraram campo de guerra.
Godinho admite que a concorrência está desleal. Fiquei com uma garota e na volta do banheiro ela estava com outro. Não posso reclamar. Quem está na noite não quer compromisso, acredita o publicitário, que defende um lema no mínimo curioso: Na noitada você agarra e consome alguém como se fosse uma cerveja. É tudo muito rápido.
Rápido mesmo. Outra noite, numa festa na casa de amigos, tinha um cara sendo paquerado. Quando a menina que ele ficou foi ao banheiro, ele pegou outra na pista. Até eu ir embora ele estava na terceira. E isso foi numa sala pequena, choca-se Carla, que não reclama exatamente de toda essa oferta. É que nem dá tempo de ir para a pista de dança e avaliar o que você quer, justifica.
Recém-solteira, a secretária Roberta Ribeiro, 29 anos, diz que sempre anda em grupo para afastar investidas indesejadas. Evita de te agarrarem, ensina. Os homens estão nessa de vem cá, você é minha. Devem pensar te escolhi e nem precisa conversa, ironiza a universitária Marta Santos Rios, 20.
Micareteiro de carteirinha, o empresário Cristiano Garcia, 26, apela para o outro velho chavão. O verão faz os sentimentos aflorarem e ninguém quer entrar na noitada para perder. Também tem muita mulher tomando a iniciativa, acusa ele, que passou da fase de contabilizar beijo na boca. Beijar 10 bocas não ganha jogo. Quero focar numa mulher para tentar algo mais.
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4:06 PM
by Cassiano Leonel Drum
Estudar só não basta
Instituto Rio Branco muda o exame para diplomata, que continua difícil. Negros podem disputar bolsa
O concurso do Instituto Rio Branco (IRBr), que seleciona aspirantes às vagas de diplomata no Palácio Itamaraty, chega com novidades. A primeira é que Cultura Geral há dois anos cobrada na prova de pré-seleção e excluída dos últimos concursos, incluindo o extra ano passado passa a ser exigida em questões. Candidatos com mestrado ou doutorado serão dispensados do Curso de Formação, se aprovados.
A prova vai selecionar perfil mais voltado para a área de negociações internacionais, destaca João Daniel de Almeida, professor de História pela UFF e do curso preparatório Clio e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Rio. A prova de Questões Internacionais Contemporâneas passa a se chamar Política Internacional. Assim, haverá mais ênfase em teoria das relações internacionais, observa o professor.
Segundo ele, o concurso do instituto é o mais difícil do país, só comparável ao que seleciona magistrados. Não existe macete. A maior parte dos candidatos só passa na segunda ou terceira vez. É preciso cultura, grande carga de leitura, além de Português e Inglês afiados, explica João.
O Programa de Ação Afirmativa tem como objetivo apoiar o ingresso de afro-descendentes na carreira diplomática. Criado há duas seleções, veio em substituição à política de cotas e visa dar ao bolsista meios de competir em igualdade. A Bolsa-prêmio de Vocação para a Diplomacia é administradas pelo Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Mediante concurso, o candidato recebe R$ 25 mil para os estudos.
Júlio Rodrigues, 27 anos, formado em Comunicação Social, ganhou a bolsa e vai tentar uma vaga pela segunda vez. A prova não é tão difícil quanto eu achava, mas faltaram pontos na redação. Estou confiante agora. Para Júlio, a bolsa é mas eficiente do que a cota. Nem sempre o candidato está preparado. Com a bolsa, o ingresso é mais justo.
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