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E N T R E L A Ç O S

Sábado, Fevereiro 28, 2004




Diogo Mainardi
Pelo impeachment de Lula

"Um dos mitos que os petistas tentam difundir é o de que lhes falta astúcia política para contornar
a crise. Mentira. Eles já demonstraram no passado que sabem perfeitamente abafar as piores denúncias"

A campanha pelo impeachment de Lula foi lançada no Rio Grande do Sul, pelo escritor Juremir Machado da Silva. Eu aderi alegremente. O decreto presidencial determinando o fechamento dos bingos só reforçou minha fúria persecutória. Com a medida, Lula puniu os achacados e inocentou os achacadores que extorquiam em nome de seu partido.

Nada mais natural que a campanha pelo impeachment de Lula tenha partido do Rio Grande do Sul. Os gaúchos conhecem muito bem os métodos e as estratégias do PT. Em 2001, a Assembléia Legislativa do Estado montou uma CPI para investigar o suposto financiamento ilegal da campanha de Olívio Dutra por parte de bicheiros e proprietários de bingos. O ex-tesoureiro do partido admitia, numa fita, ter achacado os bicheiros em 600.000 reais, e um aliado do governador intimou o chefe da Polícia Civil a parar de importunar os donos da jogatina. Durante os interrogatórios, os dois indiciados assumiram o papel de bodes expiatórios, negando qualquer envolvimento da cúpula do partido no episódio.

Mesmo assim, a CPI foi adiante, até o começo do governo Lula, quando o ex-procurador-geral da República Geraldo Brindeiro, apelidado pelo próprio PT de engavetador-geral da República, engavetou o processo. Um dos mitos que os petistas tentam difundir neste momento é o de que lhes falta astúcia política para contornar a crise. Mentira. Eles já demonstraram no passado que sabem perfeitamente abafar as piores denúncias. A maior tolice é supor que os petistas sejam ingênuos e que agora estejam sob o controle de José Sarney: é José Sarney quem está sob o controle deles.

Outro mito difundido pelos petistas é que uma devassa nas contas do PT pode parar o Brasil. Mais uma mentira. O Brasil funciona independentemente do governo. O que de fato pode parar, no caso de uma crise política, é a máquina estatal. E isso seria bom para todos nós. Um governo enfraquecido e sob suspeita pode parar de contratar parentes e amigos, por exemplo. Pode parar de comprar jatos presidenciais. Pode parar de gastar em propaganda. Pode parar de aumentar os impostos. Quanto mais parado ficar o governo, melhor.

O terceiro mito é o de que só o financiamento público aos partidos pode diminuir a roubalheira federal. O que os políticos querem dizer com isso é que só aceitam parar de roubar se lhes dermos mais dinheiro. Como os meninos de rua que, nos semáforos, perguntam retoricamente se é melhor pedir esmolas ou roubar. Trata-se de um achaque igual ao de Waldomiro Diniz. Na verdade, já financiamos as campanhas eleitorais, pagando aos políticos, entre outras coisas, escritórios, assessores, viagens, agências de notícias, redes de TV para cada ramo do Poder Legislativo e amplo espaço na TV comercial para a propaganda partidária. A culpa pela ladroagem dos políticos está sendo atribuída a nós, como se eles só roubassem porque somos pouco generosos.

Eu sou pelo impeachment. Como o PT de antigamente, meu negócio é atrapalhar.

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Faça um colchão de segurança

"Você tem a obrigação de proteger sua família da volatilidade da vida. Embora tentem, os governos nunca conseguirão defendê-lo a contento"

A oposição à globalização não tem nada a ver com o comércio, mas com as movimentações financeiras entre países. Até manifestantes antiglobalização usam celulares da Nokia e imprimem seus protestos em impressoras Hewlett Packard. Ou seja, até eles aprovam o intercâmbio comercial entre os povos.

O que mudou é que, hoje, americanos e europeus podem investir os reais que recebem de suas exportações em dívidas do governo brasileiro ou na bolsa. Isso aumenta a demanda por títulos do governo e reduz os juros, que seriam ainda mais altos se não existisse esse influxo internacional.

O lado ruim é que qualquer deslize do governo ou frase infeliz de alguém importante gera pânico e rápida movimentação financeira internacional desses neo-investidores. É como se o leitor colocasse a mão numa toca à procura de ouro num país desconhecido. A qualquer raspão na pele, a mão sai a 100 quilômetros por hora, nunca devagarinho.

Portanto, o problema é o curto prazo, ter de agüentar a insegurança desses neo-investidores, que vivem com o dedo no gatilho. Com o tempo, espera-se que eles aprendam nossas idiossincrasias e que as fugas de capitais sejam bem mais brandas no futuro.

Nos últimos oito anos, adotamos soluções como "acalmar" ou "compensar" o medo desses investidores com juros elevados. Outras soluções sugeridas por aí passam por instituir a centralização do câmbio, criar uma CPMF internacional ou intervir na economia quando for preciso.

Ilustração Ale Setti

São soluções que não me convencem, porque sempre existirão pessoas que se assustam com o novo e que no início reagirão de maneira exagerada ao menor sinal de perigo. Volatilidade faz parte da vida ¿ e sempre fará. O correto é conviver com ela, e não tentar impedi-la. O simples medo de uma possível "solução" econômica já assustou muita gente no Brasil de 1964 para cá.

Governos anteriores acreditavam que saberiam intervir inteligentemente no câmbio ou nos juros, a cada nova crise, o que nunca aconteceu. Melhor seria adotar a visão dos médicos e dos administradores financeiros, que é criar mecanismos de defesa muito antes de as crises acontecerem, o que nunca fizemos.

Nunca criamos reservas internacionais suficientes para enfrentar crises. Hoje temos somente 18 bilhões de dólares, dez dias de nosso PIB. Reservas financeiras substanciais compram tranqüilidade e tempo, já que nenhuma crise dura para sempre.

O segredo dessa postura administrativa é estimular cada empresa, cada família e o próprio governo a ter reservas financeiras suficientes para enfrentar as crises do futuro. Se uma crise pode durar um ano, não é muito difícil calcular as reservas necessárias para anular seus efeitos.

TODAS as crises foram nefastas para o Brasil porque nossas reservas sempre terminaram antes. Criar reservas nunca foi nossa prioridade; nossas prioridades são sempre econômicas, como essas "metas" de inflação. Tanto é que nossas reservas são novamente ínfimas: 18 bilhões de dólares. A China vive uma fase de prosperidade porque possui nada menos que 420 bilhões de dólares, o suficiente para enfrentar a pior crise que se possa imaginar.

Se você quer ter um celular, uma impressora e não quer viver assustado com capitais voláteis, proteja sua família criando uma boa reserva financeira.

Ninguém sabe como será o amanhã, exceto que teremos muitas crises pela frente. Se você tiver zero de reservas familiares, a crise o afetará 100%. Quanto mais reservas você tiver, menos ela o afetará. Quem enfrenta uma crise sem ter reservas acaba contraindo mais dívidas, como sempre acontece com o Brasil.

A não ser que ganhe um salário mínimo, você não tem desculpas para não ter uma reserva financeira constituída. Você tem a obrigação de proteger sua família da volatilidade da vida. Embora tentem, os governos nunca conseguirão defendê-lo a contento.

Vou bater na mesma tecla: crie um colchão de segurança que garanta entre seis e doze meses de sustento para você e sua família, e deixe que as crises passem ao largo. Justamente porque as reservas do Brasil andam baixas, você deveria se preocupar, e muito, em aumentar as suas.

Stephen Kanitz é administrador por Harvard
(www.kanitz.com.br)

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Amiga do tempo

O efeito sanfona parece ter sumido de vez e Deborah Secco exibe curvas perfeitas em seus 50 quilos, sem qualquer sombra de celulite, estria ou flacidez. A atriz que chegou a engordar 11 quilos por conta de um problema de tireóide mostra na revista Corpo a Corpo de março (foto), semana que vem nas bancas, que está mais do que em dia com a saúde e com o espelho. Descobri que tinha três nódulos na garganta.

Fiz um tratamento e identifiquei outro problema: um distúrbio chamado Síndrome de Hashimoto, que descontrola o metabolismo porque diminui a produção de hormônios, explica Deborah, que segue dieta de reeducação alimentar para manter a atual silhueta (há quatro anos, ela tinha ares de menina, como abaixo). Se pudesse, seria esquelética que nem a Gisele Bündchen, afirma. Mas ela garante que não é tão vaidosa.

Minha encanação vai até certo ponto, não sou uma pessoa que põe a beleza estética em primeiro lugar, diz a atriz, que aumentou os seios inspirada em seu visual na novela A Padroeira. Usava aqueles corseletes que deixam o busto nas alturas. Quando eu tirava a roupa, saía arrasada e deprimida. Assim que terminou a novela, a primeira coisa que fiz foi marcar a data da cirurgia.

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FLAMENGO
Risco desnecessário
Abel Braga está se sentindo culpado pela nova contusão de Felipe, no tornozelo esquerdo. Afinal, foi ele quem pediu que o craque treinasse
Janir Júnior

O treino mal começou na Gávea e Felipe torceu o tornozelo esquerdo ao tentar driblar Jônatas. O apoiador rolou no chão, sentindo fortes dores no local, e foi imediatamente atendido no Departamento Médico do clube

O Flamengo colocou em risco a maior estrela de sua companhia e viu o brilho dela desaparecer em poucos instantes. Sentindo dores no adutor da coxa esquerda, Felipe não disputaria o coletivo de ontem, na Gávea. Abel Braga, no entanto, pediu ao craque que participasse do treino. Resultado: visivelmente fora de suas condições ideais, depois de 15 minutos de bola rolando, o jogador torceu o tornozelo esquerdo ao tentar driblar Jônatas, caiu no gramado gritando de dor, foi levado para o vestiário nos ombros do massagista e, ao que tudo indica, sacramentou sua ausência no jogo de amanhã à tarde, contra o Americano, em Campos.

Ao ver a estrela caída em campo, o treinador correu em direção ao jogador, tirou o boné, olhou para o céu e parecia procurar entre as nuvens negras uma luz para entender o que ocorrera. No fim, admitiu a culpa. Reagi assim por me sentir culpado. Ele ainda estava dolorido e não participaria do coletivo. Fui eu que insisti para ele treinar. No futebol, temos de estar preparados para tudo, disse.

Desde o primeiro momento, o assunto Felipe gerou uma série de questionamentos. Antes de ele entrar em campo, o médico José Luiz Runco admitiu. A dor ainda o incomoda, afirmou. Então, correr risco por quê?

A preocupação do jogador era nítida. A todo instante, Felipe levava a mão à virilha esquerda, matava as bolas com a perna direita, poupava-se dos piques, dava passes com o lado de fora do pé para não forçar a musculatura interna da coxa e sua feição era de quem sentia dores.

Até que aconteceu o lance crucial. Com 15 minutos de coletivo, ele driblou Jônatas, pisou no pé do jogador, torceu o tornozelo esquerdo e, logo em seguida, o direito, este sem maior gravidade. Apreensão dos torcedores que assistiam ao treino. O silêncio foi cortado pelo grito de dor de Felipe. Abel parecia não acreditar no que estava vendo.

Carregado nos ombros para o vestiário, Felipe deixou a Gávea sem conseguir calçar o tênis, apoiando-se nas grades para locomover-se, porém confiante. Estou com muita dor e o tornozelo inchou. Não consigo nem andar direito. A chance de jogar é mínima, mas existe, afirmou, sem culpar Abel pelo ocorrido: Tinha de acontecer.

Runco negou que a lesão seja grave. Foi uma entorse moderada, não afetou os ligamentos. Vamos ver a reação do atleta para saber se ele poderá jogar e saber o tempo de recuperação.

Abel demonstrou otimismo: Não poderemos dizer que perdemos porque não contamos com ele. Aqui, não existem desculpas, mas atitude.

Ontem, porém, a atitude de Abel, de insistir com Felipe, quase acabou num pedido de desculpas. E, como aconteceu no lance da contusão, o técnico terá de olhar para o céu. Dessa vez, não para procurar explicações, mas para pedir que tudo não tenha passado de um susto.

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Artigo
Lula retira o sofá da sala
JÚLIO REDECKER/ Deputado federal (PSDB-RS)

O presidente Lula decidiu na última semana editar uma medida provisória proibindo o funcionamento de bingos e jogos eletrônicos no Brasil. A decisão, no entanto, tem o claro objetivo de criar uma cortina de fumaça diante da mais grave crise de credibilidade vivida pelo governo Lula e pelo PT, ao contrário do que faz crer a proposta presidencial. Não obstante a incoerência do ato, já que a mensagem enviada pelo presidente ao Congresso, quando da abertura do ano legislativo, propunha exatamente o contrário, o Palácio do Planalto tenta criar um fato novo para desviar a atenção e mostrar ação à sociedade brasileira.

Entretanto, até poucos dias Lula buscava a legalização dos bingos, destinando parte dos recursos do jogo ao Ministério dos Esportes. Mais: o governo anunciava, ainda, a criação de uma nova loteria, a "Timemania", destinada aos clubes de futebol. Assim, o presidente age como o marido traído que, ao encontrar a mulher no sofá com outro, opta por uma medida inusitada: retirar o sofá da sala na vã ilusão de resolver o problema.

No caso do governo Lula, o problema não está no funcionamento dos bingos, mas no fato de o PT, em diversos Estados da federação, receber recursos da jogatina para custear suas campanhas eleitorais, conforme denunciado por filiados e ex-integrantes de governos petistas. Essa promiscuidade acabou por derrubar a frágil defesa criada para proteger das acusações o chefe da Casa Civil, José Dirceu, de que os fatos envolvendo seu ex-assessor, Waldomiro Diniz, não haviam ocorrido no atual governo, mas no período eleitoral. A verdade, porém, é que Diniz operou à frente da Loterj nas campanhas eleitorais petistas de 2002 e também durante os 13 meses em que esteve na Presidência ao lado de seu amigo e chefe, José Dirceu.

Diante das últimas revelações, melhor faria Lula se afastasse seu ministro, ainda que temporariamente, até o completo esclarecimento dos fatos, inclusive permitindo a abertura de uma CPI para investigar as denúncias. Inegavelmente, a crise institucional tem causado sérios prejuízos ao país, manifestados no aumento do Risco Brasil, na alta do dólar e na deterioração dos índices econômicos. Insistir na manutenção do "capitão do time", como definiu seu principal colaborador o presidente, é uma temeridade no atual quadro.

Até porque os brasileiros esperam que Lula faça mais do que retirar o sofá da sala.

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Ricardo Silvestrin
28/02/2004


O espectador interativo

O máximo foi quando a Pantera Cor-de-Rosa começou a passar de noite na tevê. Na minha infância, os desenhos animados eram só pela manhã e pela tarde. Depois, passou também uma série de desenhos diários antes do Jornal Nacional: A Formiga Atômica, O Xodó da Vovó e o Esquilo sem Grilo. Hoje, com a tevê a cabo, há desenhos 24 horas. Mais do que isso, há canais só com desenhos. Cartoon, Nick, Fox Kids...

Fizeram até o Boomerang com os desenhos da minha geração passando o dia inteiro. É uma reposta dos pais a toda uma geração de filhos privilegiados - se você podem, nós também podemos! Olha aquele ali, filho, é o Urso do Cabelo Duro! Ele olhará dois segundos e pedirá para pôr na Nick... Mas os privilégios desses piás não ficam só nos canais exclusivos e no tempo integral. Depois do desenho, é só acessar os sites do canais e lá estão, entre outras coisas, jogos com os personagens. Que inveja! As crianças de hoje podem brincar na tela do computador com os seus ídolos. Movem o Coragem, o Cão Covarde por labirintos, fazem o Homem-Aranha subir e descer dos edifícios e por aí vai. Essa nova forma de recepção estética pode estar formando um novo espectador. Interativo.

Tudo o que algumas linhas do teatro do século 20 sempre sonharam: fazer o espectador sair da passividade, interagir, ser parte do espetáculo.

O que, diga-se de passagem, muitas vezes só acabou por fazer muita gente pagar mico. Tanto que na peça Os Homens de Perto a parte interativa está no bloco que trata da chatice.

Mas ficar constrangido e achar chato é coisa dos que foram criados no mundo não interativo. Se tivéssemos conduzido o carro da Penélope Charmosa, viajado com os Jetsons pelo espaço, sentado ao lado deles, decidindo pra que lado ir, se tivéssemos fugido dos fantasmas com o Scooby-Doo, seríamos os espectadores número 1 da Terreira da Tribo! Sentaríamos sempre na frente só esperando a hora de tirar a nossa lasquinha. É de se pensar que, num futuro bem próximo, essa geração interativa use o que aprendeu para mais do que a recepção artística.

Podem ser os responsáveis por fazer um mundo participativo de verdade. Podem interagir no trabalho, na política, podem enfim ser o desacomodados, os hippies pós-informática. Os metidos em tudo, uma geração de metidos. Enfim os consumidores que adoram encher sozinhos os tanques do carro, que não comem em lugar que não seja bufê, que só lavam as roupas em lavanderias self-service. Os que fazem perguntas após as palestras! Haverá dezenas, centenas de perguntas e não mais aquele incômodo silêncio do "e agora, quem é que começa?". E começava sempre o professor. Ou não haverá mais palestras, só debates. Tudo o que anos de militância política não conseguiu, agora como um comportamento coletivo e, sabe-se lá, compulsivo!

Acabe com aquelas janelinhas que pulam na sua tela.

ricardo.silvestrin@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
28/02/2004


É tempo de pagar

Choveram correções à afirmação da coluna de que há mais de 40 anos, desde o governo Leonel Brizola, não atrasavam o pagamento do funcionalismo público estadual.

Os leitores, quase todos funcionários públicos, lembraram que nos governos de Pedro Simon e Antônio Britto também houve atrasos e parcelamentos nos vencimentos dos barnabés.

Ninguém se lembra de que, antes de afirmar aquilo, eu escrevi "se não me engano". E me enganava.

Telefona-me o secretário da Fazenda estadual, Paulo Michelucci, que é hoje, com certeza, vê-se pelas entrevistas que dá na televisão, o gaúcho mais atormentado entre todos os que possam ter aflições.

E me narra as dificuldades com que maneja o orçamento. São-lhe impostos o pagamento mensal de 16,5% da dívida estadual.

Ou seja, o secretário assumiu num tempo em que é destinado a pagar o que sucessivos governos anteriores gastaram irresponsavelmente.

Esses comentários são meus, não são queixas do secretário, há várias décadas que os governos estaduais supriram seu caixa emitindo letras do Tesouro e contraindo empréstimos, as dívidas foram se acumulando, os governos iam-nas empurrando com a barriga.

Um dia haveria de estourar. E estourou agora. Da pior forma possível.

Como foi fácil de adivinhar, os dias que passaram a correr a partir de ontem, quando o funcionalismo estadual do Executivo começou a sentir na carne o atraso de vencimentos, sendo obrigado a calotear os seus credores e a pagar juros extorsivos no cheque especial e no cartão de crédito, serão de choro e de ranger de dentes.

Ontem, o dia do recebimento da primeira parcela dos vencimentos, já foi um dia marcado até por lágrimas dos funcionários na televisão, desesperados ante o impacto desse golpe profundo nas suas vidas.

Vai ser difícil a solução para as finanças estaduais. O governo federal, quando não consegue cumprir as suas metas, repactua com o FMI.

E o governo estadual vê-se impotente para repactuar o pagamento da sua dívida com a União, que não cede porque depois terá de explicar-se com o FMI.

Esta nossa geração, secretário Michelucci, foi amaldiçoada pela sina de que temos todos de pagar a dívida das gerações passadas, a dívida externa brasileira sufoca a União, obrigada a despender mais de R$ 100 bilhões por ano no seu pagamento - e sufoca o Estado, que é obrigado a desviar para o pagamento da dívida 16,5% da sua receita corrente, R$ 1,7 bilhão anuais, o plasma sangüíneo que se não fosse assim destinado ajudaria a manterem-se saudáveis as finanças públicas gaúchas.

Mas tendo de ser paga a dívida, provoca as lágrimas e o desespero dos funcionários, o colapso financeiro da administração e a quase síncope existencial do secretário da Fazenda.

Há tempos de gastar irresponsavelmente, os últimos 40 anos. E há tempos de pagar responsavelmente, os de agora.

Tanto para o Brasil quanto para o Rio Grande do Sul.

Será que não existe no FMI quem se compadeça desse Armagedon, todos lá são pessoas pétreas que não se sensibilizam com esse garrote cruento que as dívidas impõem às suas vítimas?

É tempo de pagar, é tempo de sangrar.


psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Diplomacia
Contrastes na Venezuela



Populares saem às ruas para pedir apoio do G-15 à saída do presidente (foto Howard Yanes, Reuters/ZH)


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Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004


Atração fatal



O discurso da sedução ainda se parece com o dos trovadores do século XII. O segredo desta arte está em enaltecer o outro e atender a seus anseios

Carla Gullo e Rita Moraes
Colaboraram: Celina Côrtes, do Rio, e Osmar Freitas Jr., de Nova York

Não tem como escapar. Se não aconteceu ainda, espere. Em algum momento da sua vida, você será arrastado por uma força maior que vai fazer você sair do caminho, desvirtuar convicções, mudar conceitos. Não, não se trata de nenhum fenômeno metafísico, mas, sim, de uma característica inerente a alguns homens e mulheres. Tal qualidade ou defeito, depende do ponto de vista atende pelo nome de sedução.

Mais do que o apelo sexual ao qual foi atrelado, o verbo seduzir tem mil utilidades. Leva incautas donas-de-casa a comprar absurdos só porque não resistiram ao fascínio de um vendedor. Faz com que multidões sigam, encantadas, as idéias de certos políticos. E, mesmo em casa, alguns pais conseguem lançar mão deste recurso para fazer com que os filhos acreditem nas suas idéias. O ato de seduzir é, portanto, o combustível que azeita a sociedade.

Simpatia: Nani conquistou o público do Carnaval paulista com beleza, simplicidade e criatividade

A etimologia da palavra é latina. Vem de seducere. Sed significa separar, afastar, privar e ducere, levar, guiar, atrair. Seduzir, portanto, seria o processo pelo qual se atrai para privar o outro de sua autonomia.

Por isso, os grandes sedutores que não raro se tornam líderes encantam o interlocutor e convencem multidões. O mestre Antônio Houaiss registra outra versão no verbete: conjunto de qualidades que despertam simpatia, desejo, amor, interesse; magnetismo, fascínio. Até por isso, a idéia está tão vinculada à conquista sexual e ao estímulo erótico. Nesse sentido, as beldades que se espalham pela avenida no Carnaval esbanjam sedução. Este ano, a apresentação de Nani Moreira, rainha da bateria da Mocidade Alegre, escola de samba campeã de São Paulo, por exemplo, mostrou que ela tem mais do que belas curvas.

Há três anos, a dedicação e a alegria de Amanda Moreira Cerqueira, a Nani, 25 anos, atraiu a atenção da escola, que a escolheu para substituir Valéria Valenssa, a Globeleza, como rainha da bateria. Era uma grande responsabilidade e quis fazer jus ao posto, diz ela. Nani não só faz bonito como insiste em se colocar no mesmo nível de seus súditos. Ela apareceu na avenida este ano tocando tamborim. Sou mais um elemento na bateria, nada mais justo que toque um instrumento, diz, com um sorriso... sedutor.

Nani, além de despertar desejo, encanta com sua simpatia. Esse jogo faz parte da sedução. Essa dança envolve outros elementos. A antropóloga Helen Fisher, Ph.D, professora de Estudos da evolução humana na Universidade de Rutger, em Nova York, compara o ato a uma caixa de múltiplas ferramentas, úteis em todas as relações. A polêmica feminista Camille Paglia, professora de humanidades da Universidade da Filadélfia, concorda. Para ela, a sedução permeia os relacionamentos, mesmo que os envolvidos nem sequer tenham a mínima consciência do que fazem. Seduzir é ato tão comum aos seres humanos como respirar. Do mesmo modo que uma dançarina dos sete véus seduz sua platéia, o mercador seduz um cliente para vender um tapete, diz ela.

Nem todos resumem o assunto desta maneira. Ivo Lucchesi, doutor em teoria literária pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acredita que num sedutor há sempre o desejo de dominar. Ele precisa pôr o outro sob seu domínio para que ele próprio não se torne dominado, afirma. Num primeiro momento, ele finge submissão, como se estivesse sempre pronto a realizar o desejo do outro. Mas, depois, isto se inverte.

O seduzido é que acata os anseios do sedutor. Estudioso do assunto, Lucchesi lança mão da etimologia da palavra e da literatura para justificar sua teoria. Seduzir é tirar o outro do seu caminho. Como fez a personagem Valmont, em Ligações perigosas, ou Sherazade em As mil e uma noites, diz. Lucchesi lembra ainda sedutores célebres nesta área, como Don Juan, Casanova e até a nossa Capitu, personagem de Machado de Assis.

Elogios Para se iniciar nessa arte é preciso, no entanto, dissecar esse processo e seus artífices. O professor de português Lucas Sanches Oda realizou uma pesquisa na Universidade de Campinas (Unicamp), na qual analisou o discurso do sedutor do século XII ao XXI. Ele conta que o papo de um conquistador atual tem os mesmos pontos básicos utilizados pelos cavaleiros medievais para cortejar suas damas.

Ou seja, nos textos poéticos criados pelos nobres e cavaleiros ou nos encomendados aos trovadores está presente o elogio às características físicas e morais do seduzido e a exaltação, mesmo que velada, das qualidades do sedutor. O discurso da conquista agora é muito variado porque coexistem elementos de todas as épocas, mas essas bases não mudam. A diferença é que antes se colocava em evidência a castidade e a beleza na mulher e a honra e a coragem no homem. Hoje, valorizam-se os bens materiais e as medidas corporais, analisa ele.

Até o que ele chama de modéstia afetada continua existindo: Enquanto um cavaleiro dizia que nem mesmo se ele combatesse centenas de não-cristãos se igualaria à pureza da dama, atualmente dizemos, numa cantada popular, que fulana é muita areia para o nosso caminhãozinho. É um jeito de se diminuir para exaltar. No fundo, quem corteja não pensa assim, senão não abordaria a menina, completa.

Charme e glamour



O cinema exibiu e exibe grandes sedutores. O primeiro foi Rodolfo Valentino, que encantava multidões de mulheres. Depois dele, o charme e o glamour dos anos 50, assim como a indústria de Hollywood, criaram outros artistas encantadores e inesquecíveis, como Sophia Loren, Elizabeth Taylor, Marilyn Monroe, Clark Gable e Rita Hayworth

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Sorriso cativante: Thereza Collor conquistou o País num dos momentos mais delicados da história recente

Nas relações em geral, esses elementos também aparecem. Mas para ser encantador é necessário mais do que um bom discurso. O fascínio é gerado por um conjunto de atitudes, que inclui linguagem corporal e perspicácia. Para a psicóloga paulista Márcia Nehemy, especialista em sexualidade humana, a sedução é uma estratégia de comunicação utilizada desde a infância, que se desenvolve com estímulos. A sedução está no velho, na criança, no jovem e no adolescente. Uma personalidade fascinante se especializa nisso porque, assim, obtém mais facilmente o que deseja. Incorpora o comportamento a sua personalidade, diz ela.

Apontada por amigos como uma pessoa encantadora, a empresária Thereza Collor impressionou o País com seu sorriso num dos piores momentos da história recente, durante o processo de impeachment de seu cunhado, o ex-presidente Fernando Collor. Ela é educada, atenciosa, mesmo com estranhos, conta uma amiga. Thereza concorda que não despreza ninguém e diz que não deixou a notoriedade atingi-la. Preservei minha simplicidade. Acho importante dar bom-dia, lançar um sorriso até para quem está num elevador. Se estou com problema, guardo-o para mim. Não desconto em ninguém.

O sedutor, tanto no campo sexual quanto em outras áreas de relacionamento, é um excelente observador, extremamente atento aos desejos e anseios do outro. Além disso, tem simpatia, espontaneidade e muita libido aqui entendida como a energia que propulsiona a vida. E, principalmente, tem boa imagem de si. Apontado como um sedutor pelos alunos e amigos, o músico e professor de literatura da Universidade de São Paulo José Miguel Wisnik é um exemplo. Tanto no palco quanto na sala de aula, contagia a platéia com a sua paixão pela arte. Sedução tem a mesma raiz de educação. Só que a primeira é no sentido de conduzir, levar, tirar dos trilhos. A outra é voltar a atenção para um assunto do conhecimento.

Procuro usar a segunda opção, chamar a atenção para aquilo que conheço, não para o que sou, afirma Wisnik. E no palco? É diferente. O professor não precisa se mostrar muito, já um músico está ali para exibir um espetáculo, responde. A cantora Suzana Salles, amiga de Wisnik, conta que tanto o músico quanto o professor, encantam. Wisnik usa a poesia no cotidiano. Parece que todos os momentos são importantes, diz ela.

Detalhes Pequenos agrados, palavras certas, um jeito de abordar. Esses detalhes fazem diferença e, sem dúvida, fascinam. O sedutor está confortável naquilo que é, incluindo suas imperfeições, diz a antropóloga Miriam Goldenberg, do Rio de Janeiro. Autora do livro Toda mulher é meio Leila Diniz (Ed. Record), Miriam recorda que a própria atriz se encaixava nesse perfil. Ela não era um modelo de beleza, mas se transformou em mito de uma geração.

Traços como a liberdade e o prazer em detrimento da aparência eram sua marca, aponta. Amiga íntima de Leila, Marieta Severo viveu com ela o charme de uma época na qual quebrar padrões era quase obrigação. Com sua inteligência e perspicácia, Marieta é a típica mulher interessante. Nunca se colocou no lugar de esposa ou ex de Chico Buarque que tem lugar cativo no pódio da sedução, lembra Miriam. A atriz Andréa Beltrão assina embaixo. Conheço-a há 15 anos. É uma deusa, enaltece. Com toda a sua timidez, Chico também é unanimidade. Ele é um sedutor. É natural dele. Não faz força, mas todo mundo fica encantado, opina o amigo Carlinhos Vergueiro.

Promessa O segredo do encantamento, no entanto, está na promessa contida nas entrelinhas. Chico, com sua obra, parece entender a alma do retirante, do trombadinha, da criança e, especialmente, da mulher. O que faz alguém ficar cativado é algo além do plano consciente, é a idéia que o sedutor passa de que tem aquilo que falta ao interlocutor, explica Walkiria Helena Grant, professora doutora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

Ele transmite a sensação de que tem a chave da completude, de que depois dele não se viverá mais a angústia da falta, comum a qualquer ser humano, completa. É a mesma arma usada pelos grandes líderes, que encarnam a falta geral de determinado grupo. O fascínio se torna mais forte se a história de vida do sedutor confirmar o seu discurso. O Lula é um exemplo. Sua bandeira pelo fim da fome está calcada em sua própria vivência, o que lhe dá certa autoridade e o torna convincente. Ele sabe disso e usa esse recurso muito bem, aponta Walkiria.

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Ressaca de felicidade

No dia seguinte à festa pelo bicampeonato da Beija-Flor, integrantes da escola e moradores de Nilópolis não se cansam de comemorar

Na quadra, o casal Selminha e Claudinho e integrantes festejam título

Nilópolis dormiu pouco e acordou cedo ontem, no embalo da comemoração do bicampeonato da Beija-Flor. Mas a festa fez com que todos superassem o cansaço. A rainha de bateria, Raissa Oliveira, 13 anos, disse que dormiu às 2h e às 5h já estava de pé, na quadra. Estou cansada, mas tudo vale a pena pela minha escola, afirmou.

A porta-bandeira Selminha Sorriso lembrou as dores musculares na véspera do desfile, que a fizeram parar no hospital. Ainda estou tomando antibiótico, mas pronta para sambar, garantiu. Selminha e o mestre-sala Claudinho, que são soldados do Corpo de Bombeiros, vão curtir o Desfile das Campeãs antes de voltar ao batente.

Os nilopolitanos também vestiram a camisa azul e branca e foram para rua cedo. Por toda a cidade, era possível ver alguma referência à escola. Passeando de bicicleta pelas ruas do Centro de Nilópolis, o aposentado Geraldo Gomes da Silva, 57 anos, exibia com orgulho a camisa da escola campeã. O Botafogo e a Beija-flor são minhas duas paixões, disse.

O campeonato serviu de motivo de folga no trabalho. Já tinha avisado que faltaria o serviço se a Beija-Flor ganhasse. Agora só volto segunda-feira, garantiu o segurança Cláudio Roberto dos Santos, 27 anos.

Soninha Capeta, ex-rainha e atual destaque da Beija-Flor, também apareceu na quadra. Falei que a chuva ia lavar nossa alma, vibrou. A escola volta a comemorar com a comunidade dia 7, desfilando na Avenida Mirandela, no Centro de Nilópolis. Os carnavalescos descansarão por 10 dias para depois começar a pensar no desfile do ano que vem.

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Grêmio
Em vez de goleada, o Grêmio do Chapadão

Time de Adilson sofre a primeira derrota mas continua líder

Uma palavra resume o Grêmio deste início de temporada: irregularidade. Depois de empolgar com uma goleada sobre o Caxias, o time de Adilson Batista reeditou ontem à noite em Vacaria os piores momentos da partida contra o Chapadão e pagou caro por isso. A derrota por 1 a 0 para o Glória pôs fim a uma invencibilidade de 11 partidas, mantida desde novembro do ano passado. De positivo, só a manutenção da liderança da Chave A do Gauchão, com 10 pontos ganhos.

Castigado pela chuva com granizo que atingiu Vacaria à tarde, o principal disjuntor do estádio caiu, deixando às escuras os cerca de oito mil presentes, muitos deles vindos de cidades vizinhas a Vacaria.

- É chato, nunca tinha passado por isso - lamentou o presidente do Glória, Francisco Schio, enquanto cobrava providências de funcionários do clube para que a energia fosse reestabelecida.

O árbitro Carlos Simon aguardou por 55 minutos, 25 a mais do que o tempo previsto em regulamento, pela volta da energia elétrica. Quando a luz voltou, os torcedores comemoraram como se fosse um gol.

Faltas em seqüência, chutões para todos os lados, temperatura baixa e campo escorregadio devido à chuva da tarde deram ao jogo um clima típico de Gauchão.

A primeira falta violenta, de Marcelo Bolacha sobre Marcelinho, aos nove minutos, resultou na expulsão do zagueiro do Glória.

O Grêmio nem chegou a tirar proveito da vantagem numérica. Dois minutos depois, foi a vez de Tiago Prado ser expulso por Carlos Simon, após agressão a Rodrigo Gasolina.

Obrigado, devido à expulsão, a abdicar do esquema com três zagueiros, o técnico Adilson Batista viu a partida escapar aos poucos ao controle do Grêmio.

Liderado pelo argentino Fábio de Los Santos, 31 anos, cuja escalação chegou a ser ameaçada por uma forte gripe, o Glória passou a acumular oportunidades para marcar.

A providência de Adilson, que trocou Rico por Alvim e adiantou Élton, não teve resultado prático.

Aos 15 minutos, após falha grave de Élton à frente da área, Tavarelli foi forçado a usar os pés para defender um chute rasteiro de Gasolina.

Aos 34, Aldo cobrou falta do lado direito e Tavarelli teve dificuldades para defender.

Aos 38 minutos, a pressão deu certo. Fábio de los Santos fez passe preciso para Sandro Sotilli, que ganhou no corpo de Baloy e chutou rasteiro, na saída de Tavarelli.

Mesmo sem Christian, que deixou o campo sentindo dores na coxa direita aos quatro minutos, o Grêmio acelerou o ritmo no segundo tempo.

Seria melhor se Fábio Pinto, o substituto de Christian, não entrasse em campo tão apático.

Luciano Ratinho, sim, justificou sua entrada no lugar do apático Élton. Tentou as jogadas de aproximação tão ao gosto de Adilson Batista e criou uma boa chance aos 37 minutos, defendida por Marcão.

Reforçando seu sistema defensivo, o Glória passou a jogar em contra-ataques. E quase ampliou aos 25 minutos, em chute de Flavinho na trave.

De resto, tratou de administrar o resultado positivo, que consolida uma das melhores campanhas entre os participantes do Gauchão.

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Inter
Após vitória, cálculos
DANIELLA PERETTI

O Inter jogou menos do que o torcedor pediu, mas o suficiente para derrotar o 15 de Novembro por 2 a 0 e afastar do Beira-Rio a crise instalada desde a goleada sofrida para o Juventude. Apesar da vitória, os resultados da rodada não ajudaram. O time segue em terceiro lugar no Grupo 1 e terá de fazer seus cálculos para se classificar à semifinal do Gauchão.

Antes do início da partida, as arquibancadas refletiam os acontecimentos da última semana. Pouco mais de 3 mil pessoas foram ao Beira-Rio. Quando o time foi anunciado no alto-falante do estádio, o técnico Lori Sandri foi vaiado. O jogo começou lento, com o 15 de Novembro marcando a saída de bola e obrigando o Inter a ficar em seu campo de defesa. Aos sete minutos, depois de falta cobrada por Chiquinho, Edinho cabeceou por cima do travessão. Foi o primeiro lance de uma seqüência que se seguiria durante todo o primeiro tempo: cruzamentos, jogadas de bola parada e poucos lances de ataque com a bola ao chão.

A torcida já começava a perder a paciência com a lentidão do time e as bolas recuadas, quando o juiz assinalou uma falta na entrada da área do 15 de Novembro. Antes da cobrança, Élder Granja e Chiquinho discutiram porque o lateral queria bater a falta. Acabaram levando cartão do árbitro Fabrício Corrêa, que estava perto do lance. Aos 32 minutos, o meia colorado bateu, Edinho se atirou e, de cabeça, fez 1 a 0. Improvisado como zagueiro, o volante foi bem no ataque e na defesa.

Na segunda etapa, com o jogo mais aberto, o 15 de Novembro pressionou e teve mais chances do que o Inter. Aos 13 minutos, o time de Campo Bom teve a melhor chance da partida: Maico chutou da direita, e Clemer, adiantado, quase foi encoberto. Mas o goleiro alcançou a bola e tocou por cima do travessão. Descontente com o desempenho da equipe, a torcida já gritava por Diego aos seis minutos. O pedido foi atendido aos 19. Entrou no lugar de Nilmar, que estava apático em campo.

Com velocidade e mais objetividade do que o resto da equipe, Diego deu novo fôlego à partida. Criou três boas jogadas em seqüência, cavou falta na entrada da área e conseguiu escanteio. Movimentou o Inter no momento em que a equipe já recuava diante da insistência do 15 de Novembro no ataque. Aos 36, Alexandre Lopes cobrou falta do lado direito. Oséas, que pouco tinha feito durante a partida, confirmou sua especialidade: cabeceou forte e marcou seu primeiro gol com a camisa do Inter.

O gol devolveu a tranqüilidade e permitiu que a torcida encerrasse com bom humor a polêmica iniciada após a derrota para o Juventude. Depois de driblar o atacante Dauri, Edinho saiu jogando com categoria e segurança, como havia feito durante toda a partida.

- Figueroa, Figueroa! - foi a resposta vinda das arquibancadas.

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Gabriel Moojen
27/02/2004


Eu e a Ju na rave de Amsterdã

Foto(s): Arquivo Pessoal/ZH

Deu pra ti, alto astral

Então, um dia a moleza acaba e é hora de retornar à vida diária. Do alto do 12º andar do meu apartamento contemplo a cidade. Vejo o Guaíba, a Redenção, o Bom Fim se esparramando em pequenos prédios com poucas cores. Sei que em cada janela um drama se desenrola. Sei que cada um que está abrindo a porta, está voltando diferente. Talvez melhor, com mais energia para encarar o cotidiano dessa cidade que desperta em carros, gentes, filas e olás.

Quantos como eu não desejaram largar tudo e optar por uma outra vida com menos estresse? Sem ter que se preocupar em correr atrás do dinheiro, talvez no sul da Bahia, no Rosa Norte, em Amsterdã ou em alguma das Chapadas do país. Mas a coragem e o caminho para tal feito desaparecem sempre que a segunda-feira chega. Me pergunto o que faz a gente ser tão da terra, presos, como sementes para crescer e morrer no mesmo lugar. E o que mais tenho pensado ultimamente é que o tempo passa ligeiro demais e me encontro com 33 anos, escrevendo e falando para uma juventude que não crê que o tempo passa.

Cada segundo gasto não volta, e então vem aquela velha pergunta: o que estou fazendo aqui? E se resolvi ficar cultivando minhas plantas e raízes que aproveite essa massa de gente que se amontoa na cidade para transformar esse lugar cheio de buzinas em paraíso. Sei que o paraíso existe hoje conforme o dinheiro manda. Se se tem dinheiro, se é feliz. É hora de tratar de ganha-lo. Mas com alguma sabedoria, para que a vida não se torne apenas uma correria louca.

Assim espero que nessa volta, nesse março que já avança, a gente exercite um pouco nossa bondade, de ser cordial com quem tbm está na mesma. Engarrafado, estrangulado pelo tempo e pelo muito o que fazer, para que no próximo verão a gente não fique com esse nó no peito pensando que a vida seria bem melhor em outro lugar. abs.


gabriel@rbstv.com.br

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Mauren Motta
27/02/2004


Foto(s): Júlio Cordeiro/ZH

Descamisados

Foi em torno de um ravioli de tomates secos light com apenas 210 calorias que eu e minhas amigas conversávamos em uma mesinha na calçada da Rua Padre Chagas. O feriado de Carnaval tinha acabado e precisávamos comentar. Sabe como é mulherada reunida: gargalhadas, euforia e muita falação. Na mesa vizinha, um cara sozinho tentava degustar sua refeição. Mas fala sério, com sete mulheres exaltadas do lado, quem consegue almoçar?

Imaginei que ele deveria estar fazendo um esforço extraordinário pra se concentrar no antepasto de folhas de alface com iogurte. O papo na nossa mesa? Homens, é claro! Mulheres sempre querem amar, e geralmente relacionamentos estão sempre na nossa pauta. Uma de minhas amigas, que é mega-engraçada, contava sua bizarra experiência com um gatinho paulista. Caímos de pau no ficante dela. Deu até pena do carinha da alface. Ele ali sozinho e indefeso, e a gente acabando com os homens. Calma, rapazes: a gente a-d-o-r-a vocês! É que o "gatinho" da Marina exagerou. De cara disse pra ela que não usava camisinha e que gostava de transas diferenciadas, se é que você me entende? E tudo isso em plena época de Carnaval. Pode?

Aí fica difícil. Como assim, não usa camisinha? Uma outra amiga logo disse que esse tipo de comportamento é coisa de cara com mais de trinta. E que ela só gostava de "pitpit", garotos com menos de 25 anos. Segundo ela, garotos são muito mais conscientes e ativados. Aí então, a mesa já tava em polvorosa... Opiniões se dividiam.

Mudamos de assunto mas não de tema. Começaram outras histórias do tipo: quais foram as pegadas, quem estava nos lugares em que passamos o Carnaval... Pelo balanço final, o saldo foi positivo. Todo mundo beijou muuuiiiito! Não tem coisa melhor. Carnaval faz bem pra pele e pro ego. O tesão fica mais evidente até pra quem anda meio "desmaiado". E a camisinha? Todas na mesa concordaram: mesmo sabendo que tem gente que não gosta e que às vezes ela até pode atrapalhar, tem que usar! Com a gente é assim, só se for com camisinha meu amor! Já o cara da alface, que tinha mais de trinta anos, depois daquele almoço nunca mais vai sair de casa sem camisa.

Beijolas protegidas, fui!

mauren@rbstv.com.br

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Paulo Sant'ana
27/02/2004


Menor imposto, maior renda

É uma notícia arrasadora não só para os funcionários públicos, mas para todos os gaúchos, este colapso financeiro do governo do Estado.

Agora mesmo estive em Santa Catarina e no Rio de Janeiro por vários dias. Casualmente, são Estados eminentemente turísticos.

Quando eu via nas bombas de gasolina da Zona Sul carioca o preço da gasolina comum, ficava amassado: R$ 1,97. Exatamente o preço, quando não era para menor, em Florianópolis e em Laguna.

Aqui na Avenida Ipiranga, junto de Zero Hora, todos os postos estão cobrando pelo litro da gasolina comum R$ 2,09. São portanto 12 centavos de diferença, para mais, na relação com o preço da gasolina do Rio e de Santa Catarina. Num tanque cheio de gasolina dá uma diferença de R$ 6 a mais aqui no Rio Grande do Sul em comparação com os outros Estados.

A explicação para isso já ouvi mais de mil vezes: a alíquota do ICMS para a gasolina que se cobra aqui no Rio Grande do Sul é muito maior que a dos outros Estados. Sendo assim, os proprietários de postos de gasolina têm de aumentar o preço nas bombas.

O meu amigo Cláudio Rihan, por exemplo, me contou que, este mês, no Posto 3 da Beira-Mar, em Laguna, Santa Catarina, dividiu com a namorada uma tainha de quase 50 centímetros de comprimento, recheada de farofa, servida naquelas travessas de aço enormes, guarnecidas de pirão, arroz e salada, mais duas cervejas, tudo por R$ 22. Ou seja, R$ 11 por pessoa, quando quatro podiam ter comido aquela tainha.

Não tem esse preço em nenhum restaurante gaúcho. Aqui esta tainha para duas pessoas com duas cervejas não sairia por menos de R$ 60.

O que eu quero dizer é que tudo é mais caro aqui. Nós temos aqui no Rio Grande do Sul, há muitos anos, a cesta básica mais cara do Brasil.

Isto é uma coisa que eu nunca entendi. De todos os Estados brasileiros, sempre o Rio Grande do Sul ostenta a mais cara cesta básica brasileira.

Este fato provoca em nós todos gaúchos uma sensação de angina no peito, um nó de revolta e remorso na garganta: sentimo-nos uns otários pagando há muitos anos a mais cara cesta básica do país.

Tudo é mais caro aqui, a gasolina, a cesta básica, tudo que é básico é mais caro aqui, caramba!

Sendo mais caro, o lógico seria que nosso Estado arrecadasse mais impostos proporcionalmente do que o resto do país. Só em Rondônia a gasolina é mais cara que no Rio Grande do Sul, nos outros Estados é mais barata. E temos refinaria aqui!

Não tem explicação este colapso nas finanças do governo, que sabemos paga 18% de sua arrecadação de dívida para a União, mas outros Estados também pagam, não?

Então, numa ficta reunião que pudesse ter com o governador Rigotto e as demais lideranças gaúchas, eu lançaria na mesa o seguinte exocet: será que não é exatamente porque tudo é mais caro aqui no Rio Grande do Sul, onde o governo estadual impõe sobre os produtos básicos maiores alíquotas de ICMS, que a arrecadação não chega para as despesas?

Em outras palavras, só para dar um exemplo, se cobrasse menos pelo ICMS da gasolina, como cobram os outros Estados, com o preço mais barato no combustível, as pessoas não consumiriam mais e com isso o Estado arrecadaria muito mais do que arrecada agora com a sua alíquota lá em cima? Sem falar que com os combustíveis mais baratos, tudo ficaria mais barato e o consumo em geral cresceria.

Porque não dá para entender que o Estado que cobra maior imposto nos combustíveis e na comida, gastos obrigatórios e universais, seja exatamente o que primeiro declara preocupante moratória.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Volta às Aulas
Semana para matar a saudade



Festas no retorno à escola, como a do Colégio Rosário, na Capital, são o primeiro tema da série de reportagens de ZH sobre a volta às aulas (foto José Doval/ZH)


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Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004




A rainha do paredão

Leticia Rio Branco - Globo On Line

Definitivamente, ela é a rainha do paredão. Pela terceira vez, a brasiliense Juliana enfrentou o temido momento de ser uma das indicadas a deixar o reality show "Big Brother Brasil" e conseguiu o feito de ficar na casa mais uma vez. No último paredão desta terça-feira, a brasiliense derrotou ferozmente o empresário Buba, que deixou o programa com 66% dos votos do público.

- Ai, ai... três vezes! Não acredito que estou aqui ainda! - comemorava Juliana na noite desta terça-feira ao saber que mais uma vez tinha resistido ao paredão.

Mas o que será que Juliana tem? Dona de uma personalidade aparentemente tranqüila, a estudante acha que seu ponto forte, como declarou antes de entrar na casa, é a sinceridade.

- Sou transparente, confiável, sincera e ingênua. Meus defeitos são ser bagunceira e ciumenta, mas não a ponto de fazer escândalos em público - disse Juliana em entrevista concedida antes do enclausuramento, acrescentando ainda que não á adepta de estratégias no jogo.

- Não tenho estratégia. Estou aqui para ser eu mesma, para conhecer as pessoas. Espero ter jogo de cintura e segurar a onda - adiantou ela.

E se dentro da casa a morena já é motivo de polêmica entre os participantes, longe das câmeras não poderia ser diferente e a brasiliense de 23 anos também divide a opinião do público.

- Ela é muito sincera e mostra que está lá para curtir e com isso acaba conquistando as pessoas. Ela não joga tanto. Além de ser bonita e educada - defende a psicóloga Maria Luiza Soler.

Na opinião da jornalista Clarice Almeida, a brasiliense não agrada nem um pouco.

- Eu não sei porque ela agrada tanto e continua lá. Não vou com a cara dela, a Juliana é irritante - vocifera a jornalista.

Mas quem parece ter uma explicação mais plausível para a permanência da moça no "BBB"é o fotógrafo Leonardo Lemos.

- Os homens mantêm ela na casa, pois ela sabe se vender bem e jogar. Ela está sempre com uma roupinha provocante e fica se exibindo o tempo todo. Ela é uma forte candidata a ser a vencedora - opina Leonardo.

E se o fotógrafo estiver certo, Juliana avisa que já sabe muito bem o que fazer com o prêmio de R$ 500 mil.

Vou comprar um apartamento, terminar a faculdade e, depois, quem sabe, faço um mestrado no exterior.

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Quem vai com quem? Acompanhantes das estrelas são um dos mistérios do Oscar

Camila Pohlmann - Globo Online
Agências Internacionais


Celebridades sem par sofrem mais nessa época do ano. Por quê? Porque estamos bem no meio da temporadas de prêmios de Hollywood, quando todos os olhos estão focados nas estrelas, no que elas estão vestindo e - principalmente - com quem elas estão, ou não. Todo mundo quer saber: depois de levar a mãe, a filha e a irmã, quem será que Nicole Kidman vai escolher para acompanhá-la no tapete vermelho? Ela vai, com certeza, porque já está escalada para apresentar um dos prêmios.

Desde que ela e Tom Cruise se separam em 2001, a imprensa fofoqueira espera avidamente que ela apareça com um acompanhante de verdade, mas até agora, nada. Nicole levou os pais no Globo de Ouro, mês passado, repetindo o que fez no Oscar. No ano antes, sua acompanhante na maior festa do cinema foi a irmã. No Globo de Ouro de 2002, Nicole levou a filha.

Mesmo quem tem acompanhante disponível, às vezes prefere apelar para algum membro, digamos, mais neutro, da família. O ex de Nicole é adepto da tática: mesmo tendo assumido o romance com Penelope Cruz há bons dois anos, Tom nunca levou a amada nesses eventos. Numa pré-estréia ou outra, vá lá. Mas Oscar? Neca. No Globo de Ouro, mês passado, Cruise fez como Nicole: levou a mãe.

O candidato a melhor ator Jude Law já avisou que vai levar a mãe, não a namorada Sienna Miller. Sua colega de elenco em "Cold mountain", Renée Zellweger, também não deve levar o namorado: o roqueiro Jack White, dos White Stripes, é avesso a badalações. No Globo de Ouro, Jennifer Aniston também trocou de par: enquanto o maridão Brad Pitt viajava, a loura convidou o colega de "Friends" Matt LeBlanc para escoltá-la.

Mas a vida é ainda mais dura para os recém-solteiros, que ainda sofrem as agruras do coração. É o caso da bela Uma Thurman, recém-separada de Ethan Hawke. Boatos têm ligado a atriz com um milionário do ramo hoteleiro, mas será que eles encaram o batalhão de fotógrafos? Melhor levar a mãe. Ou fazer como as chorosas Halle Berry e Jennifer Lopez: já avisaram que não vão à festa de domingo. Antes em casa do que só ou mal-acompanhada.

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26/02/2004 - 19h03m
Presidente do STJ homologa pedido de desistência da Caixa em dois mil processos sobre FGTS

O Globo

BRASÍLIA - O presidente do Superior Tribunal de Justiça, Nilson Naves, homologou dois mil pedidos de desistência da Caixa Econômica Federal em processos que pedem a correção do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) relativos aos Planos Verão (janeiro de 1989) e Collor (abril de 1990). A homologação foi publicada na edição desta quinta-feira do Diário da Justiça.

Para Nilson Naves, a desistência da Caixa é fundamental para que os processos tenham uma tramitação rápida, já que o STJ tem entendimento pacificado sobre a questão. Nilson Naves homologou 9.042 pedidos desde que o STJ e a Caixa firmaram entendimento para analisar a possibilidade de desistência dos recursos.

Apesar da questão do FGTS já estar juridicamente decidida desde outubro de 2000, somente no ano passado o STJ recebeu cerca de 100 mil processos pedindo a correção do fundo, e segundo Nilson Naves, outros 200 mil recursos sobre o mesmo tema estão nas primeira e segunda instâncias. O STJ recebeu mais de 330 mil recursos pedindo a correção do FGTS dos Planos Verão eCollor. A demanda de processos sobre o mesmo assunto congestionou o STJ nos últimos três anos.

Juridicamente, a questão do FGTS foi resolvida após um julgamento do olenário do Supremo Tribunal Federal e o exame imediatamente posterior pela primeira seção do STJ, em outubro de 2000. Com isso ficou reconhecido o direito à correção das contas em relação aos Planos Verão e Collor 1.

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Elaine Azevedo é eleita Musa do DIA NA FOLIA

Com 1929 votos, 29,04% do total, a carioca Elaine Azevedo, da Viradouro, é eleita a musa do DIA na Folia. Moradora da Freguesia, em Jacarepaguá, Elaine tem 21 anos e é estudante de jornalismo. Em segundo lugar ficou Alessandra Sant' Ana, da Mocidade Independente de Padre Miguel, com 989 votos e, em terceiro, Juliana Pinheiro, da Portela, com 800 votos.

Segundo Elaine Azevedo, sua eleição representa mais um incentivo para a concretização de um sonho, que é se tornar apresentadora de TV. "Estou muito feliz em ter sido eleita e quero deixar aqui o meu agradecimento à galera do DIA Online. Como Internet e TV têm na imagem um aspecto muito forte, minha eleição significa que estou no caminho certo", assinala. Ela se forma ano que vem e atualmente faz estágio no programa "Rio Gol", no início da tarde, na TV Bandeirantes.

Destaque da Viradouro há quatro anos, Elaine não se descuida da forma, malhando todos os dias, o que, segundo ela, já se tornou um hábito. "Quando não malho, parece que falta alguma coisa", argumenta. Solteira atualmente, Elaine diz que no momento sua prioridade é a carreira. "É claro que gosto de namorar, mas hoje só estou preocupada com o jornalismo ". assinala.

Você poderá confirmar toda a beleza de Elaine Azevedo neste domingo, num ensaio especial, numa homenagem do DIA Online a vencedora.

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Orgulho contagia o povo da Baixada

Beija-Flor dá aula de samba na Sapucaí e de integração na quadra de Nilópolis
Marcelo Remígio

O bicampeonato da Beija-Flor fez os moradores da Baixada Fluminense explodirem de orgulho. Mostraram que, quando o assunto é samba, a região não deve nada a ninguém. Pelo contrário: muitas vezes, têm o que ensinar.

É nisso que acredita a passista Adriana de Paula, 18 anos, que desde os 12 desfila na Beija-Flor. O que dá certo aqui é a integração dos moradores com a escola. É comunidade pura. A quadra é uma grande casa dos moradores de Nilópolis, descreve. Também passista da escola, Ana Paula Vera Cruz, 28, concorda com a definição da amiga. Já sai na Portela e há nove anos desfilo pela Beija-Flor. Não existe trabalho de comunidade como aqui, garante.

Outro ex-portelense, o mestre Paulinho, que comanda a bateria da Beija-Flor, rasga elogios para a escola. O meu trabalho é reconhecido, sou tratado com carinho e me sinto em família. Todos os moradores de Nilópolis estão orgulhosos, ressalta.

Mesmo sem nunca terem desfilado, Socorro Antunes, 41 anos, e as filhas, Débora e Daiana Silva Antunes, 21 e 10, foram à quadra comemorar a vitória. Este campeonato foi sensacional. Foi uma aula de samba, disse Socorro, que morou 16 anos em Natal, no Rio Grande do Norte, e, na volta, preferiu ficar em Nilópolis a viver na capital. Tudo que conheço de samba aprendi aqui, disse.

Para quem faz o Carnaval da Beija-Flor, o título serviu como um combustível a mais para a festa. A gente sua esta camisa há muitos anos e nem sempre conseguimos o reconhecimento. Já disseram até que nossa bateria não sabe fazer paradinha. Este ano, na chuva, provamos que sabemos fazer. E bem, afirmou o ritmista Paulo César Santos Lima, 47 anos e 26 de escola. Dia 5, haverá outra festa na quadra, o Grande Baile da Vitória. Quem for com a camisa da Beija-Flor ou do Flamengo não paga.

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Nilson Souza
26/02/2004


Passagem sem volta

É espantoso o número de brasileiros dedicados à milenar atividade do achaque. Não estou me referindo ao protagonista do mais recente escândalo da República, o ministrinho Um por Cento. O que me impressiona são as pessoas que achacam desconhecidos para sobreviver ou para sustentar seus pequenos vícios. Basta a gente sair à rua e já aparece alguém para pedir. E o curioso é que os pedintes adultos sempre têm uma história comovente para contar:

- Moço, eu vim do Interior à procura de um parente, não encontrei o endereço e preciso do dinheiro da passagem para voltar.

Tem outras, de doenças, de desemprego, de necessidade familiar, mas esta da passagem de ônibus é a mais recorrente. Até parece que somos uma população de viajantes. Outro dia um conhecido meu mal havia estacionado o carro e apareceu uma senhora com uma criança no colo, explicando que precisava voltar para determinado município, pois viera visitar a irmã na Capital e esta tinha se mudado sem deixar o endereço. O homem ouviu a história atentamente e rebateu:

- Pois a senhora está com sorte. Estou indo para a sua cidade agora mesmo. Pode subir no carro que lhe dou carona.

A mulher não quis mais saber de conversa.

Comigo aconteceu algo parecido, mas com outro desfecho. Dia desses caminhava pelo bairro Azenha quando uma mulher vestida com simplicidade, mas não maltrapilha, me atacou para dizer que precisava da tal passagem para lugar nenhum. Neguei, mas disse que podia pagar-lhe um lanche se estivesse com fome. Para minha surpresa, ela desandou a chorar e a me xingar por não ter acreditado na sua história.

Saí de fininho, moído pela culpa.

Quem pode ter certeza de que entre tantos pedintes profissionais e contadores de histórias mirabolantes não haja mesmo algum desavisado, que saiu de sua cidadezinha interiorana apenas com a passagem de acesso à Capital? O certo é que o contingente de iludidos aumenta a cada dia, como se pode constatar sob os viadutos da cidade e sob as pontes do Arroio Dilúvio. Ou pela crescente frota de veículos de tração humana, que ocupa ruas e avenidas nas primeiras horas da manhã, antecipando-se ao serviço oficial de recolhimento de lixo. Há espertalhões neste meio, certamente, mas acredito que muitos pedintes apelam para as histórias doloridas como estratégia de sobrevivência.

Não sei onde fica esse guichê das passagens sem volta, mas, pelo jeito, o movimento é grande.

nilson.souza@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
26/02/2004


Dizimação

A denominação é indulgente, na verdade se trata de atraso no pagamento do funcionalismo.

Se não me engano, é fato inédito em mais de 40 anos, a última vez que houve atraso no pagamento do funcionalismo no Estado foi no governo Leonel Brizola, antes de 1964.

Por aí se pode notar a repercussão que este fato terá entre nós, digno já de um estrépito queixoso que começa a invadir de todos os lados as Redações dos jornais, dos rádios e das televisões.

A grita por parte dos que recebem mais de R$ 1 mil mensais vai se avolumar agora no fim do mês.

Os funcionários são pessoas comuns do povo, têm seus compromissos para pagar no fim do mês, água, luz, telefone, gás, aluguel, além das outras despesas todas.

Evidentemente que terão de se tornar inadimplentes, ingressando no cadastro dos caloteiros do SPC e do Serasa, o que os levará ao desespero: dívidas assustam não só pelo seu conteúdo como também porque daí por diante serão agravadas pelos juros, o que tornará insustentável a situação de milhares de servidores públicos estaduais.

É tão mais grave a questão quando se sabe que os servidores estaduais atingidos pela drástica medida são exatamente os que não recebem reajuste há nove anos, o que é uma incontrastável desumanidade, atentatória às leis existentes.

Como se sabe, os funcionários estaduais da Justiça, da Assembléia e do Ministério Público vêm tendo seus vencimentos reajustados anualmente pela inflação, o que é justo. O injusto é que os funcionários do Poder Executivo não obtenham esse benefício, estão com seus vencimentos reduzidos à metade, consumidos por uma voraz inflação que deve beirar os mais de 100% nestes nove anos todos de tarifas subindo na maioria das vezes o dobro da inflação, o que os empobreceu celeremente.

Os funcionários do Poder Judiciário e do Poder Legislativo, que recebem reajustes, não terão seus vencimentos parcelados (atrasados), o gravame cairá exatamente sobre aqueles que em nove anos recebem o mesmo e pagam a mais pela corrosão dos seus ganhos pela inflação devoradora.

Imaginem então a dor desses servidores, nos próximos dias, ao se defrontarem com a obrigação de terem de pagar suas contas sem terem recebido seus vencimentos, já parcos, já reduzidos, já inviabilizadores do orçamento dessa gente sacrificada.

Haverá choro e ranger de dentes.

Creio que o governo já deve estar consciente da gravidade da decisão que tomou.

A repercussão mais sólida e contundente se dará a partir do início do mês, quando forem estalando as contas a pagar do funcionalismo e ele for se tornando um pária inadimplente, gente que trabalha e não vê a cor do dinheiro.

É a mais séria crise financeira que se abate sobre o Estado nas últimas décadas.

Não há outra saída que não seja o presidente Lula ajudar o Estado.

A educação, a saúde, a Fazenda, a segurança e os outros setores não podem ser anestesiados em suas atividades por esse horror social e salarial.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
26/02/2004


Fogos de artifício

O amor, segundo a letra da velha valsa, é um holocausto de palpitações. O Brasil está vivendo um holocausto de hipocrisias.

Uma hipocrisia explode de dentro da outra, como nos fogos de artifício. Difícil saber qual a maior, ou a mais barulhenta.

A cena patética de quem viria a ser um dos homens mais importantes da República - afinal, o braço direito do braço direito do governo - oferecendo uma lei da jogatina para um empresário do jogo redigir como lhe conviesse, em troca de dinheiro para campanhas eleitorais e um porcentinho para ele, detonou a conflagração em cascata. De dentro da hipocrisia dos que passaram oito anos impedindo qualquer investigação de suspeita de escândalo no governo anterior saltou a hipocrisia do PT, que passou oito anos cobrando CPIs e agora não quer. Para outro lado saltou a hipocrisia dos que se declaram chocados - chocados! - com a cena do molha-mão explícito, como se ela não fosse uma representação barata de uma rotina, o dinheiro comprando favores da política, antiga como o dinheiro e a política. Cachoeira e Waldomiro só faziam a versão crua do que em outras esferas é feito com mais fineza e disfarces.

Como pano de fundo disto tudo, como o céu profundo atrás dos fogos, está a hipocrisia institucionalizada de um país em que o jogo é proibido e é onde mais se joga, e das maneiras mais variadas, em todo o mundo. E a da falta de uma legislação sobre financiamento de campanhas. Que pode vir, por ironia, junto com uma lei para regular os bingos.

E por trás destas está a hipocrisia maior de todas: essas palpitações morais sendo usadas para desestabilizar um governo que já tinha renunciado a tudo que o tornava impalatável para os donos do poder real - da pretensão a outra política econômica até a sua autodefinição como "esquerda" - e ainda assim precisa pagar pelo acinte de ter sido eleito. Já tinham exigido a história e a coerência do PT para ele poder fingir que governa. Por que poupar a ética?

Ninguém ainda se preocupou muito em saber de onde vieram as tristes fitas do Waldomiro e por que apareceram agora. Mas esta hipocrisia, em comparação com as mega-hipocrisias de artifício, soa como um tiro de espoleta.

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História
Resgate no Rio da Prata



Pesquisadores que tentam recuperar o encouraçado nazista Graf Spee, afundado em 1939 na costa do Uruguai, conseguiram retirar o telêmetro, peça que servia para ajustar a mira das torres de artilharia (foto Matilde Campodonico, AP/ZH)


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Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004




Bom e ai estão as fotos da campeã, aliás bi-campeã. Parabéns aos que participaram e trabalharam para que isso acontecesse, porque nada é arranjadinho assim por muito tempo.

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autor@paulocoelho.com.br

Mais histórias dos padres do deserto

Uma vez por ano publico aqui algumas histórias tiradas do Verba Seniorum, uma compilação de textos dos primeiros ascetas do cristianismo, que viviam em torno do mosteiro de Sceta, em Alexandria (Egito), e que nos legaram ensinamentos importantes sobre a convivência com o próximo.

Fazendo a nossa parte

O rapaz cruzou o deserto, e chegou finalmente ao mosteiro de Sceta. Ali, pediu para assistir uma das palestras do abade e recebeu permissão. Naquela tarde, o abade discorreu sobre a necessidade de meditar usando a imagem do Sagrado Coração. Depois, falou da importância do silêncio. Finalmente, quando a palestra terminou, pediu ao rapaz recém-chegado que fosse ajudar na construção de uma estrada até uma aldeia que se encontrava próxima ao mosteiro.

Mas como? perguntou o rapaz. Afinal de contas, o importante é rezar.

Rezar é muito importante disse o abade. Mas você pode rezar ainda melhor se conseguir, com suas mãos, descobrir uma maneira de comunicar-se com seu vizinho.

Respeitando o limite

Os monges de Sceta reuniram-se sob a orientação do abade Paulus: Começaremos hoje um jejum disse Paulus. E só terminaremos quando estivermos prontos para ter a visão de um anjo.

Durante vários dias, os monges só bebiam água e rezavam. Estavam tão animados com a proposta de Paulus, que não sofriam com a fome. Até que, no final da primeira semana, um velho monge começou a passar mal. Paulus percebeu que o homem ia morrer, e decidiu interromper imediatamente o jejum.

Neste momento, um anjo apareceu para o grupo, e disse:

É importante que vocês entendam o sentido da disciplina e do sacrifício. Mas é melhor ainda que conheçam os limites da natureza. Não é preciso violar este limite para conseguirem o que desejam.

Fugindo do leão

Um grupo de monges entre eles o grande abade Nicerius passeava pelo deserto egípcio quando um leão surgiu diante deles. Apavorados, todos se puderam a correr.

Anos depois, quando Nicerius estava em seu leito de morte, um dos monges resolveu perguntar:

Abade, lembra-se do dia que encontramos o leão?

Nicerius fez um sinal afirmativo com a cabeça.

Foi a única vez que o vi ter medo continuou o monge.

Mas eu não tive medo do leão.

Então por que correu junto com a gente?

Achei melhor fugir uma tarde de um animal, que passar o resto da vida fugindo da vaidade.

Agradando a Deus

Um noviço perguntou ao Abade Nicerius: Quais são as coisas que devo fazer para agradar a Deus? Abraão aceitava os estranhos, e Deus ficou contente. Elias não gostava de estranhos, e Deus ficou contente. David tinha orgulho do que fazia, e Deus ficou contente. O publicano diante do altar tinha vergonha do que fazia, e Deus ficou contente. João Batista foi para o deserto, e Deus ficou contente. Jonas foi para a grande cidade de Nínive, e Deus ficou contente.

Portanto, não existe fórmula para isso. Pergunte à sua alma o que ela tem vontade de fazer: se você caminhar a estrada de seus sonhos, o mundo fica melhor.

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Escola de Nilópolis é bicampeã do Carnaval carioca

Da Redação do DIA para o iG (editorultimosegundo@ig.com)

RIO - Além de ganhar o Tamborim de Ouro do DIA, a Beija-Flor de Nilópolis, com o enredo "Manôa - Manaus, Amazônia, Terra Santa... que alimenta o corpo, equilibra a alma e transmite a paz", conquista o bicampeonato do Carnaval do Rio com 388,7 pontos. A vice-campeã foi a Unidos da Tijuca. Mangueira, Viradouro, Imperatriz e Salgueiro também estarão no desfile das campeãs.

Confira a classificação:

1º Beija-Flor
2º Unidos da Tijuca
3º Mangueira
4º Viradouro
5º Imperatriz
6º Salgueiro
7º Portela
8º Mocidade
9º Império Serrano
10º Grande Rio
11º Porto da Pedra
12º Tradição
13º Caprichosos de Pilares
14º São Clemente

Nossa previsão estava correta então doutor Heitor.

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Potência em conta
Sistema de som da Leadership conquista pelo preço acessível
Wallace Faria

Caixas com subwoofer têm boa performance e preço sugerido de R$ 220

Quer melhorar o som do computador mas não pode gastar muito? Um sistema de duas caixas com subwoofer (2.1), compatível com a placa de som que veio no seu micro, pode ser uma boa solução. Surgidos na sombra das caixas 5.1, que requerem placa compatível e também mais caraminguás, esses sistemas se destacam pela praticidade e preço.

O mais recente lançamento nessa área é o modelo da Leadership. Pretinho básico, com 800 watts, o conjunto oferece preço camarada (o sugerido pelo fabricante é de R$ 220) e uma boa lustrada no áudio. O diferencial é que as duas caixas têm dois ¿andares¿ cada, que podem ser redirecionados para espalhar o som.

No teste que fizemos, os arquivos MP3 ganharam vida, com graves bem fortes e distintos ¿ até mesmo com placas de som on-board. Games e vídeos foram beneficiados igualmente, e até a combalida qualidade do streaming das rádios online recebeu uma corzinha. A potência dá conta tranqüilamente de um ambiente normal de quarto ou escritório.

Como nem tudo é perfeito, os controles de graves e agudos ficam no subwoofer, que é o elemento mais distante das mãos. O botão liga/desliga está numa posição ainda mais incômoda, atrás do subwoofer - que tem aquela luz néon azul, um tanto clichê.

No geral, porém, o saldo é bastante positivo. Você não vai precisar trocar sua placa de som por uma 5.1, não terá que embutir metros e metros de fios e pagará pouco. Se a intenção é se livrar das ¿latinhas¿, caixinhas de baixa qualidade que têm acompanhado a maioria dos computadores, o sistema da Leadership é mais do que honesto.

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Tamborim vai para a Baixada

Leitores do DIA, ouvintes da FM O DIA e internautas do DIA Online dão à Beija-Flor de Nilópolis o título de Escola da Alegria de 2004

O enredo da Beija-Flor levou para a Avenida o luxo e a beleza da Floresta Amazônica. Escola de Nilópolis enfrentou a chuva, mas não perdeu a empolgação

A campeã do Carnaval passado já é vitoriosa este ano. A Beija-Flor de Nilópolis, que levou à Sapucaí o enredo Manôa Manaus, Amazônia, Terra Santa... que alimenta o corpo, equilibra a alma e transmite a paz, foi escolhida por voto popular a melhor escola da sétima edição do Troféu Tamborim de Ouro, promovido pelo DIA, FM O DIA e o DIA Online. É a segunda vez que a Azul-e-Branca recebe o prêmio de Escola da Alegria foi eleita também em 1999.

Foram contabilizados 3.538 votos. No Sambódromo, 1.347 espectadores responderam a pesquisa realizada pelos alunos da UniCarioca, que trabalhou pela primeira vez em parceria com o DIA; pela Internet, foram 1.456 votos e, pelo telefone, 735. A entrega do prêmio para as escolas vencedoras das 11 categorias, da campeã do Grupo de Acesso e do melhor bloco Acadêmicos dos Arcos será dia 6, no Scala. A relação dos ganhadores dos ingressos para a festa será publicada no jornal terça-feira.

Nilópolis levou para a Sapucaí um pouco da história do maior estado do Brasil. Com fantasias luxuosas, carros grandes, originais e bem acabados três deles soltaram fragrância de capim-limão e um abre-alas com dezenas de homens pintados de dourado, que representavam a vela de embarcação espanhola, a escola encantou, mesmo sob chuva forte. No julgamento oficial, a Beija-Flor pode ser prejudicada no quesito alegoria o temporal danificou o sétimo carro, por exemplo.

Quarenta anos depois de ter sido composto, Aquarela brasileira, de Silas de Oliveira, ganhou para o Império Serrano o troféu Samba do Ano. Quando ouvi o povo cantando nas arquibancadas e em toda a Avenida, fiquei emocionada. Esse prêmio mostra como a escola empolgou. Tomara que possamos desfilar sábado, disse a viúva do compositor, Elane dos Santos Assunção.

A Mocidade é bicampeã no troféu Beleza de Mensagem. Não corra, não mate, não morra. Pegue carona com a Mocidade! Educação no trânsito mostrou as tragédias das ruas. Ficamos felizes porque isso mostra que nossa mensagem está chegando ao público. Agora é a hora de o governo se importar com a questão de segurança no volante, comemorou o carnavalesco Chico Spinosa.

Com certeza, em uma das categorias poucas dúvidas pairaram sobre a cabeça dos eleitores. A exuberante Juliana Paes, que ficou com a difícil missão de fazer com que integrantes da bateria da Viradouro e o público não sentissem falta de Luma de Oliveira, venceu na categoria Musa. Foi uma surpresa. Fiz o possível para a Viradouro ser a grande musa do Carnaval, mas fico orgulhosa de ter sido escolhida pelo voto popular dos leitores do DIA.

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Paulo Sant'ana
25/02/2004


Cinzas

"Quarta-feira de cinzas, amanhece/ na cidade há um silêncio que parece/ que o próprio mundo se despovoou. Um toque de clarim já bem distante/ vai levando consigo agonizante/ o som de um Carnaval que já passou."

Enquanto os foliões vão se desvestindo suarentos de suas fantasias, na saída da Sapucaí, fico relembrando os versos de Aldo Cabral.

Amanhã tudo volta ao normal, o Carnaval só vai deixar saudade, é o tempo mais feliz da vida, provando que a felicidade é efêmera e que é preciso dar duro novamente o ano inteiro para saborear no ano que vem as delícias desta estupenda festa.

Quase se apagam da memória as imagens dos Carnavais antigos, eu menininho seguindo os blocos no Carnaval do Partenon, pela primeira vez alimentando sonhos eróticos com aquela passista do Céu Azul, que eu seguia por onde ela fosse na frente do seu cordão entusiasmado.

Depois vieram os bailes de Carnaval do Dinamite e do Panamirim, mais tarde do Teresópolis e do Gondoleiros, confetes e serpentinas pelo chão, a vida foi se desenrolando ano por ano, marcada contundentemente pela alegria dos Carnavais, as paixões súbitas e desaparecidas sob os acordes das bandas, a guerra dos lança-perfumes, os corpos seminus e os pés descalços alimentando as fantasias e os fetiches por mais 365 dias de sonho e ilusão.

O Carnaval é assim uma festa tão marcante porque nele está gravada impreterivelmente a data para a alegria, não cabe ninguém triste ali naquele redor, é tempo de felicidade, nem que seja dissimulada, é preciso esquecer os motivos que porventura nos ponham tristes, é tempo de pular, de cantar, de beber, de sorrir, são poucos os dias do prazo de validade para o contentamento, cair na farra é compulsório, não há outra coisa que fazer senão sorver no cálice delicioso da euforia existencial.

O segredo mágico do Carnaval está em que todos na volta da gente estão mobilizados para serem felizes, botaram seu bloco na rua e nos convidam para participar, o jeito é cair na folia e deixar só pra depois de quarta-feira o enfrentamento das encrencas que a vida nos armou.

É uma festa para os adultos voltarem a ser crianças. É uma festa da irresponsabilidade, daí que não posso concordar com a pressão que o Ministério Público fez sobre Joãosinho Trinta para que cobrisse de véus as estátuas do Gênesis e do Kama Sutra que fariam sexo na avenida, há que se permitir somente durante três dias a licenciosidade, com o fim de que ela não se represe perigosamente durante o resto do ano.

"Lourinha, lourinha/ dos olhos claros de cristal/ amanhã em vez da moreninha/ serás a rainha do meu Carnaval."

E durante horas dançam os pares, se trocam, emitem apenas silenciosas promessas de amor pelos olhares, sem dizer uma palavra, mas pode estar nascendo ali um amor perene, uma renúncia à liberdade, diante da perspectiva de ser feliz.

Se há lembranças felizes na vida, a maior parte delas se liga ao Carnaval.

É a própria síntese da juventude, da energia, da capacidade das pessoas em declarar que estão aptas para a felicidade, basta que se encontrem sempre como estão ali, confiantes na alegria e sedentas de sonhos.

E na quarta-feira de cinzas repousa e reflete o folião com a consciência do dever cumprido, na data que marcaram para que ele se alegrasse, se esbaldou.

Agora é investir corajosamente durante o resto do ano para voltar à ilusão no Carnaval que vem.

A vida é contada nos dedos pelos Carnavais.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

É bom repetir o início: "Quarta-feira de cinzas, amanhece/ na cidade há um silêncio que parece/ que o próprio mundo se despovoou. Um toque de clarim já bem distante/ vai levando consigo agonizante/ o som de um Carnaval que já passou." E hoje volto a rotina do dia a dia no meu trabalho, nas minhas aula de inglês. Passaram céleres estes 6 dias, pois embora tenha viajado na quarta a noite, ainda assim foi curtinho o tempo para tanta coisa a ser vista e visitada. Mas ainda existem as férias pela frente e assim dará para fazer tudo com a calma que muita coisa requer.

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David Coimbra
25/02/2004


O Carnaval de Wanderson Maicon

Todas aquelas vacas. Wanderson Maicon nunca tinha visto tanta vaca na vida. Fora levado para uma estância no interior do Estado, recomendação do técnico e do psicólogo do clube, prontamente aceita por Suelen, com quem estava casado havia apenas seis meses. O caso é que Wanderson era louco por Carnaval. A cada Carnaval, ele não caía; desabava na folia. Com sorte, voltava ao clube na Quarta-Feira de Cinzas, o fígado virado num mondongo, escalavrado como um gato que retorna da farra cinco quilos mais magro. Tinha de passar por tratamento especial, o médico lhe receitava fortificantes, o preparador físico lhe ministrava trabalhos em separado. Tudo porque era o principal jogador do time.

Foi assim por vários Carnavais. Mas nesse não podia ser. No domingo seguinte ao Carnaval desse ano, o time jogaria partida importante, Wanderson Maicon teria de estar inteiro. Além disso, agora ele era um homem casado, precisaria se comportar. Saída: levá-lo para uma estância de um dos dirigentes do clube, uma fazenda encravada na fronteira oeste, distante dos tamborins do pecado.

Agora, lá estava ele, olhando para aquelas vacas. Tanta vaca. Wanderson Maicon nunca havia passado um sábado de Carnaval tão tranqüilo, tão modorrento. E, ao mesmo tempo, tão aflitivo. Pensava nos amigos. A esta hora deviam estar na praia, bebendo, abraçados a loiras de biquíni. Olhou para Suelen. Era loira também, verdade, tinha pintado o cabelo de branco-ricota, como ele gostava. Mas, puxa, era sua esposa. Esposa, entende? Nada mais frustrante do que passar o Carnaval com uma esposa. A não ser que fosse esposa de outro - o pensamento fez Wanderson sorrir. Mas logo ele olhou de novo para as vacas todas e tornou a ficar abatido.

Assim transcorreu o sábado. Um sábado entre vacas, sem nem televisão para assistir aos desfiles das Escolas de Samba. O mais longo sábado de sua vida. No domingo, Suelen o acordou às sete da manhã, para o mate.

- Aqui é assim, amor - disse ela, sacudindo-o. - É uma vida saudável.

Sete da manhã. No ano anterior, era a hora em que estava chegando em casa. Wanderson Maicon tomou mate. Muitos mates. Na hora do café, olhou com alguma concupiscência para Noquinha, a cozinheira. Uma matrona, é preciso que se diga, mas era o que havia à disposição, naquele Carnaval. Wanderson ficou imaginando Noquinha nua por alguns minutos. Depois desistiu. Voltou a olhar para as vacas. Muita vaca.

Wanderson Maicon não conseguiu dormir, de domingo para segunda. Às seis, estava fora da cama. Mate, café, Noquinha, tudo igual. Mas, à tarde, um peão tentou ensiná-lo a montar a cavalo. Wanderson não conseguiu. Teve algum medo. Preferiu sentar-se à varanda e observar as vacas. Viu uma diferente lá adiante. Malhada. Não tinha prestado atenção naquela vaca malhada.

Terça-feira. Wanderson não quis mate. Nem café. Por pouco não beliscou as largas nádegas de Noquinha - Suelen chegou à cozinha a tempo de demovê-lo. Wanderson decidiu ver as vacas mais de perto. Foi até elas, no campo. Passou algum tempo rondando-as, afagando-as de vez em quando, conversando. Sim, Wanderson Maicon conversou com as vacas, especialmente com a malhadinha.

Quarta-feira de Cinzas. Wanderson Maicon voltou a Porto Alegre, enfim. Chegou ao clube ansioso. Os colegas se surpreenderam - ele apresentava olheiras fundas e azuis, e suas mãos tremiam.

- O que vocês fizeram no Carnaval? - foi sua primeira pergunta.

Lúcio Carlos, o zagueiro, sorriu:

- Fomos para Florianópolis. Alugamos uma casa ao lado de outra onde estavam 16 mulheres. Acredita, Wanderson? Dezesseis mulheres!

Wanderson abriu a boca. Seus olhos se encheram d´água. Os tremores aumentaram. Ele caiu desmaiado ali mesmo, na marca do pênalti. Sofreu um princípio de infarte. Aquele Carnaval foi muito estressante para o pobre Wanderson Maicon.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Neyde Zys
25/02/2004


Fusão de incubadoras

A Prima Marketing e Tecnologia e a Movisoft Sistemas de Automação, duas empresas instaladas na incubadora do Pólo de Informática de São Leopoldo (RS), a Unitec, anunciaram na semana passada sua fusão. A ação visa a desenvolver uma nova geração de softwares e portais empresariais para funcionar a partir de navegadores de Internet, computadores móveis e telefones celulares. Na combinação das empresas, foi mantido o nome da Prima, mas em algumas linhas de produtos será usada a marca Movisoft.

Segundo o diretor comercial da Prima, Fábio Grangeiro, a previsão é incrementar em pelo menos 50% a receita da empresa. A Movisoft desenvolve softwares e soluções para computação móvel, como o Movisales, aplicativo para automação de força de vendas em Palm. Já a Prima é especializada em portais, campanhas e softwares para marketing de relacionamento, gestão do conhecimento e colaboração online.

DZset investe no mercado nacional
A caxiense DZset Soluções e Sistemas está apostando no mercado nacional. A idéia é crescer 40% em 2004. Em 2003, o aumento no faturamento foi de 30%, chegando a R$ 5 milhões. Seus mais de 60 clientes são o-peradoras de planos de saúde de todo o Brasil - a maioria do Estado de São Paulo, como a Fede-ração das Unimeds do Vale do Paraíba, Unimed Lorena e Master Saúde Assistência Médica.

O objetivo para 2004 é seguir a linha de crescimento de 2003 e ampliar a carteira de clientes no Rio Grande do Sul e em outros Estados. O produto de gestão desenvolvido pela DZset é aberto e flexível, e engloba desde marketing, administração de contratos, gerenciamento de clientes e prestadores, até auditoria dos procedimentos médicos

DouthTech lança solução de backup
A SouthTech está lançando uma solução para armazenamento remoto de dados. Com o SouthTech Backup System, não é preciso ter um servidor de rede ou um dispositivo de armazenamento. É possível usar um link de Internet e espaço locado em um servidor da SouthTech para transmitir os dados desejados (imagens, arquivos texto ou binários e e-mails, entre outros) para o servidor de backup.

O sistema promete controle inteligente de horários de envio, integração com MS Outlook e MS Outlook Express, navegação em Windows e Linux, armazenamento do backup no datacenter da South Tech, múltiplos agendamentos de backup e transferência de dados via Internet.

Aprendizagem virtual
Educação Ambiental, Qualidade em Prestação de Serviços e Gestão Sustentável de Ecoturismo são os três cursos via Internet oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizado Comercial do Estado (Senac/RS), integrante do Sistema Fecomércio/RS, da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado. O objetivo dessa modalidade de ensino é possibilitar que um maior número de pessoas tenha acesso à educação e facilitar que o aluno organize seu local e seu horário de estudo.

Nesse ambiente de educação a distância, ao efetuar a matrícula, o usuário recebe uma senha que lhe dará acesso às diferentes ferramentas do sistema, como plano de aulas, conferências e chats. A interface permite fácil interação entre professores e alunos, sendo que trabalhos podem ser compartilhados pelos demais colegas.

O início das aulas dos três cursos está programado para o dia 15 de março. Informações podem ser obtidas no endereço eletrônico www.senacrs.com.br e pelos telefones (51) 3284-1990 ou 3284-1986.

Anote
Para apresentar as novidades da nova versão do CorelDRAW 12, a empresa promove uma palestra na tarde do dia 2 de março, no Teatro do Sesc, em Porto Alegre. O evento será apresentado por Ricardo Pereira, gerente de produtos da Corel do Brasil e ex-editor da Revista Publish. Na palestra serão mostradas as novas ferramentas da versão e outras características da suíte, como a ferramenta de desenho inteligente e o conteúdo de suporte. O preço sugerido para o programa completo é de R$ 1.499 a versão full, R$ 799 o upgrade, e R$ 249 a versão educacional. A palestra é gratuita, e as inscrições devem ser feitas pelo telefone 0800-8918661 ou pelo site www.corel.com.br/evolua.

neyde@zerohora.com.br

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Carnaval 2004
O novo palco do samba



Desfile do Grupo Especial consagrou o Sambódromo como o endereço da folia na capital gaúcha (foto Arivaldo Chaves/ZH).

As manchetes de carnaval na ZH de hoje:

Restinga brilha no Grupo Intermediário
O melhor da folia no Interior e no Litoral
Música dos anos 60 põe a Império entre as favoritas do Rio
Juliana Paes foi uma substituta à altura de Luma na Viradouro


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Terça-feira, Fevereiro 24, 2004




RECURSOS HUMANOS
Premiação que gera boas vendas

Empresas incentivam o bom atendimento premiando empregados elogiados por clientes
Silvana Caminiti

Uma pesquisa sobre os principais programas de relacionamento com clientes no Brasil mostrou que o mais utilizado para avaliação de funcionários é a satisfação dos clientes. A pesquisa foi realizada pela Peppers and Rogers Group consultoria especializada no desenvolvimento de estratégias de negócios baseadas na gestão de clientes com 106 empresas de pequeno, médio e grande portes.

Segundo o estudo, 55% das empresas pesquisadas avaliam seus funcionários de acordo com a satisfação dos clientes, o que por outro lado garante a qualidade do atendimento e, na maioria dos casos, a fidelização do cliente.

No Rio, não são poucos os exemplos de empresários que costumam não só avaliar, mas também incentivar o funcionários premiando-o com base na satisfação do cliente. Um exemplo é o do empresário Nelson Leskowsky, dono do restaurante Fellini, que costuma discutir a gestão da casa com seus funcionários. Fazemos questão de recompensá-los pelo bom atendimento. Para isso temos o vale-elogio: cada funcionário que recebe elogio ganha R$ 10. Durante o mês de dezembro, tivemos uma bandeira dois, tipo táxi: pagamos R$ 20 por cada elogio, conta o empresário.

Leskowsky lembra que o conceito é que todos ali têm um bom motivo para se preocupar com o dia-a-dia da casa, já que, quanto meIhor o desempenho do grupo, maior será a distribuição dos ganhos entre eles. Acredito na tese de que com a equipe motivada fica mais fácil manter uma das características mais marcantes do Fellini: o bom atendimento, comenta.

Há 11 anos no mercado e instalado no Leblon, o Fellini se sobressai como um restaurante a quilo com cardápio requintado, que inclui até lagosta, escargot e caviar. Outra característica da casa são os temperos exóticos e as carnes finas.

Fellini: (21) 2511-3600, http://www.fellini.com.br

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Artigo
Se beber, não dirija

BETO ALBUQUERQUE/ Deputado federal, coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro

Cerca de 31 mil pessoas morrem por ano em decorrência do trânsito no Brasil. Esse saldo trágico levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a definir como tema do Dia Mundial da Saúde deste ano, celebrado em 7 de abril, a segurança no trânsito. A idéia é chamar a atenção para um dos mais graves problemas de saúde pública, que, além de produzir vítimas fatais, exige atendimento médico-hospitalar e reabilitação de acidentados de alto custo.

O feriado de Carnaval, mais uma vez, traz à tona a trágica combinação de bebidas alcoólicas e direção de veículos. Segundo levantamentos de órgãos de trânsito no Brasil, entre 50% e 70% das vítimas envolvidas em acidentes de trânsito estavam alcoolizadas ou foram vítimas de alguém alcoolizado. Em países como a Dinamarca, esse número não ultrapassa 8%.

A mistura de álcool e direção é tão nefasta no país, que a própria indústria de bebida se empenha em realizar campanhas de conscientização para reduzir os riscos. Uma das maiores fabricantes de cerveja investe, por exemplo, em anúncios criativos de incentivo ao uso do táxi e na doação de bafômetros eletrônicos e descartáveis para órgãos de fiscalização de trânsito no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

Baseado na experiência de secretário dos Transportes no Estado, aprovei em outubro do ano passado, na Câmara dos Deputados, uma proposta de combate à impunidade dos motoristas alcoolizados.

O projeto, que vai ser discutido pelo Senado, torna mais rigoroso o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), porque permite caracterizar a infração e o crime cometidos por condutores alcoolizados por meio, por exemplo, de prova testemunhal ou de imagens gravadas, o que atualmente não é suficiente para caracterizar a infração.

A novidade é que se o condutor embriagado se negar a fazer o exame do bafômetro ou de sangue - o que é garantido pela Constituição, porque ninguém é obrigado a produzir prova contra si -, seu estado poderá ser comprovado por todos os tipos de prova admitidos pelo Direito.

Outra novidade do projeto é que a influência de álcool passa a ser agravante em caso de homicídio culposo no trânsito. Com isso, o condutor embriagado que matar uma pessoa por atropelamento terá a sua pena ampliada de um terço à metade, podendo chegar até seis anos de detenção.

Acredito que iniciativas como essas, somadas a rígida fiscalização, ao investimento em segurança e, especialmente, à conscientização da sociedade, poderão mudar o quadro trágico do trânsito no país. A responsabilidade é de cada um de nós.

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Liberato Vieira da Cunha
24/02/2004


Naquele tempo, em Capão

Me falam que agora tem um shopping bem na praça central e que uma compacta muralha de arranha-céus se ergue a duas braçadas da arrebentação. São mudanças a que não teria grande prazer em ser apresentado. Freqüentei Capão da Canoa em muitos verões, na época em que era pouco mais que um tranqüilo projeto de cidade.

À noite, cabia praticamente toda a população (sem trocadilho) flutuante no Balneário Rio-Grandense, que não era algum tipo de piscina, mas o que eu chamaria de um café-concerto, dotado de música ao vivo no palco do mezanino e de um serviço nota 10 de copa e cozinha. Ali florescia o flerte, esquecido ritual bastante em moda nos Anos Dourados, jogava-se fla-flu e sete-e-meio, corria risonha e franca a cuba-libre e, se você era um cara de sorte, podia levar sua garota para dar uma espiada no luar que iluminava - pero no mucho - a dança eterna das vagas na penumbra do Atlântico Sul.

Os maiores edifícios, o Aimoré, o Xavantes, depois o Lindóia, limitavam-se a três, quatro andares. O mais eram vivendas simples, algumas elegantes; o Armazém Longo, que imagino ser o ancestral de todos os supermercados do planeta; os bailes e reuniões da SACC, onde uma vez aplaudi a voz lindíssima de uma jovem crooner que atendia por Elis Regina; e o desfile sem reprise de beldades que se douravam entre o posto 1 e o posto 4.

O único cinema parecia ter contrato fixo para exibir em sessões contínuas os filmes encalhados de Hollywood. À beira-mar as crianças participavam de tours a bordo de diminutas carroças puxadas por parelhas de cabritos - os tempos eram ecologicamente incorretos, mas quem se importava? As pessoas se importavam era com todos aqueles barbudos pondo a correr os americanos de Havana; com um sorridente mineiro que, comentava-se, ia levar o país à falência construindo Brasília, uma capital onde as onças passeavam tranqüilas em ruas sem calçadas nem esquinas; ou com a temperatura dos chopes servidos nas mesas do Bar Meu Pontinho.

Não faz muito, fui a Capão para um churrasco oferecido por amigos num desses condomínios de luxo. Me convidaram gentilmente a dar uma volta pela orla e pelo centro. Recusei com a devida educação e firmeza. Prefiro guardar na memória o caleidoscópio que volta e meia encanta minhas insônias: o café-concerto; as cubas-libres, uma fita estrelada pela Gene Tierney, a bossa nova de Elis, eu e uma adolescente loira ouvindo The Platters no radinho Spika, em contraponto ao murmúrio noturno das ondas.

liberato.vieira@zerohora.com.br

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Luís Augusto Fischer
24/02/2004


O boi no telhado

Para meditar na terça-feira gorda, cabe uma história de Carnaval. Começa em 1918, no Rio de Janeiro, quando um Zé Boiadeiro lança o samba O Boi no Telhado, cuja partitura é vendida com sucesso. É um samba malicioso, como tantos: "Vem, mulata, ter comigo / vamos ver o carnaval / Eu quero gozar contigo / esta festa sem igual". O refrão contém a seguinte delicadeza: "Pula, pula, perereca / e segura esta boneca / Vem cá, vem cá, vem cá". Segundo o historiador Edigar de Alencar, em seu imperdível O Carnaval Carioca Através da Música (Livraria Francisco Alves, 2 volumes), a coisa tinha muito de folclórica, e talvez por isso mesmo tenha agradado tanto, naquele período em que não estavam definidos os limites entre urbano e rural, samba e tango. Ainda não tinha acontecido Noel Rosa, que estréia em 1930.

No ano seguinte, aparece em Paris uma composição erudita chamada Le boeuf sur le toit, quer dizer, O Boi no Telhado. Assinava a peça o compositor Darius Milhaud (1892 - 1974). Ele tinha residido no Rio de Janeiro justamente nos dois anos anteriores, como secretário de Paul Claudel, o poeta católico, que serviu como embaixador aqui. O Milhaud (diga "mi-iô", ou esculache como "milhô" mesmo) naturalmente pegou o título do samba aquele, e mais ainda, pegou também, segundo eu sabia até poucos dias atrás, trechos de composições daqui, citando-as em sua peça, que por sinal faz sucesso até hoje.

Até que finalmente eu ouvi sua música. O senhor não avalia a minha ira santa: o cara não "citou trechos de composições daqui": ele simplesmente chupou frases inteiras de compositores daqui - Chiquinha, Nazareth, Marcelo Tupinambá, Alberto Nepomuceno, Catulo da Paixão Cearense, o próprio Boiadeiro, que se chamava José Monteiro e chegou a tocar no grupo Os Batutas, de ninguém menos que Pixinguinha, costurou-as e mandou ver. E sabe o que é que o Milhô disse, em suas memórias? "Ainda impressionado com minhas memórias do Brasil, eu juntei algumas melodias populares, tangos, maxixes, sambas e mesmo um fado português e as transcrevi, com um tema assemelhado e um rondó entre as partes." Logo a Chiquinha, batalhadora dos direitos autorais.

Minha questão não é nacionalista, tipo "pisaram no nosso poncho de paetês", "O Milhô nos humilhou", ou algo assim. O que é que está em jogo aqui? É que para Milhaud, aquelas composições, a cara do melhor Brasil do período, não eram de alguém, não tinham sido fruto da mão e da alma de qualquer artista; ele tratou a música brasileira como um monte de coisas de uso comum, sem autoria, e simplesmente levou consigo, como um conquistador leva a máscara mortuária de uma tribo africana para botar na entrada de seu castelo.

Para ele, não importou que cada uma das composições que ele roubou tivessem autoria e estivessem editadas - e gravadas, em discos sim senhor. É ou não é uma das caras do carnaval brasileiro, do Brasil em geral, de certa atitude subserviente que adora entregar tudo ao primeiro chique que passar pela porta, aceitando em paga o velho tapinha nas costas?

fischer@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
22/02/2004


Liberou geral

A expressão Liberou geral pode começar como um boato, mas logo se transforma em realidade

Qual foi o brado mais importante da História do Brasil? Independência ou Morte? Acho que não. O brado mais importante para os brasileiros foi e continua sendo, o "Liberou geral". Duvidam? Então entrem na Internet, que não é só uma gigantesca fonte de informações, é também um microcosmo cultural. Vocês encontrarão 14,4 mil referências a "liberou geral". Chega de dieta: liberou geral. Justiça européia admite casamento entre transexuais: liberou geral. Acabou o provão: liberou geral. Faltam critérios para a atual discussão literária: liberou geral.

Prefeitura dá anistia fiscal a lojas em zonas residenciais de São Paulo: liberou geral. Há um poema ("Eu só queria matar você de amor") chamado Liberou Geral. Há uma música (1988) chamada Liberou Geral, lançada pela banda Camisa de Vênus (alguém aí lembra que a camisinha era conhecida por camisa de Vênus, uma homenagem à deusa do amor?). Enfim, esta expressão faz parte da condição brasileira. "Liberou geral" era o anúncio que Waldomiro Diniz gostaria de ter ouvido, sobretudo de suas chefias e, sobretudo, em relação às percentagens que cobrava.

Aspiração frustrada, porém: o anúncio "liberou geral" sempre é feito por um anônimo. Exemplo: um estádio de futebol está enchendo, os porteiros não conseguem conter a multidão. De repente, chega a ordem: liberou geral. Todo o mundo entra, mas quem mandou liberar geral? Não se sabe exatamente. O certo é que não precisa ser um figurão: o muro de Berlim começou a cair quando um obscuro funcionário liberou a passagem dos cidadãos por aquela que fora a grande barreira entre comunismo e capitalismo.

Seja qual for a sua origem, o certo é que a notícia do liberou geral se espalha rapidamente, através daquela cadeia informal de comunicação que se cria nas grandes cidades e que difunde tanto os boatos alarmantes quanto as boas notícias (mais raras). Liberou geral pode começar como um boato, mas logo se transforma em realidade, porque é impossível conter a multidão quando ela é mobilizada pelo liberou geral.

Às vezes o liberou geral ocorre de forma previsível e, até certo ponto, ordeira. Disto, o Carnaval é o grande exemplo. Durante três dias o país vive o clima de liberou geral na alegria, na música, na bebida, no sexo. Não falta quem veja isto com desgosto e até com alarme. Mas todo o mundo sabe que é preciso, sim, liberar geral, ao menos por um curto período de tempo, ao menos por três dias. Porque depois do Carnaval volta tudo a ser como era antes no quartel de Abrantes.

Mas fica a expectativa. Chegará o Juízo Final e grandes filas se formarão para o derradeiro julgamento. Ali estarão os pobres, os aposentados, os desempregados, todos passando pela triagem, todos colocando suas virtudes e seus pecados nos pratos da Grande Balança. De repente, virá o anúncio: "Liberou geral!" - e todos invadirão, alegres, o Céu, para surpresa dos anjos, dos santos e do próprio Todo Poderoso, que resmungará para si próprio: "Isto só pode ser coisa do Diabo".

Talvez seja coisa do Diabo, o liberou geral. Mas que funciona, funciona.

scliar@zerohora.com.br

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Nilson Souza
19/02/2004


O sorvete de baunilha

Das mil e uma lendas da Internet, uma das mais encantadoras é a do Pontiac alérgico a sorvete de baunilha. É uma história antiga, muito utilizada em palestras motivacionais e seminários. Resumo da ópera: o sujeito escreveu uma carta para a GM queixando-se de que seu carro novo recusava-se a pegar sempre que ele parava numa sorveteria do bairro para comprar sorvete de baunilha. Quando comprava sorvete de outro sabor, não tinha problema. Porém, como o preferido da família era baunilha, ele já não agüentava mais o transtorno.

Todo mundo achou graça, mas a direção da fábrica resolveu levar o consumidor a sério e mandou um engenheiro investigar o caso. Depois de muito quebrar a cabeça, o técnico descobriu que o sorvete de baunilha, por ser mais procurado, estava mais disponível do que os demais, pelo que o homem levava menos tempo para efetuar a compra. Como o carro não chegava a esfriar, os vapores de combustível não se dissipavam, impedindo que a nova partida fosse instantânea. A partir desse episódio, a Pontiac teria alterado o sistema de alimentação de combustível em todos os modelos daquela linha. Moral da história: por mais absurdos que pareçam os argumentos, os clientes (e as pessoas em geral) merecem atenção.

Pode ser tudo invenção. Já li na Internet uma crítica destruidora sobre essa história, em que o autor registra várias imprecisões. Mas também já fui testemunha ocular de um episódio intrigante nesta área da mecânica de automóveis. Um amigo feirante tinha um caminhão que só funcionava com o capô aberto. Quando ele baixava a tampa, o motor parava de funcionar. Ele tentava fechar devagar, sem bater, mas o miserável tossia e apagava. Meu pai, que passou metade da vida lidando com carros velhos, acabou descobrindo o mistério. Alguém tinha sentado em cima do capô, que estava levemente amassado. Quando a tampa era fechada, a parte amassada tocava nos dois pólos da bateria, cortava a corrente e o motor morria. Bastou colocar uma proteção de borracha sobre a bateria para o caminhão funcionar sem problemas.

Talvez a história só sirva para alertar mecânicos de que uma lataria amassada também merece consideração, mas essa eu tenho certeza de que não é lenda. Pelo contrário, tenho-a como uma das lembranças inesquecíveis da infância.

Acompanhada de outra curiosidade: meu pai também sabia fazer um sorvete de baunilha delicioso.


nilson.souza@zerohora.com.br

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Litoral
Atração à beira-mar



Em Atlântida, no Litoral Norte, botos chegaram próximo à praia e, por cerca de uma hora, foram o divertimento dos veranistas (foto Ricardo Duarte/ZH)


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Segunda-feira, Fevereiro 23, 2004




É Carnaval no Brasil!

Ao lado do futebol, o carnaval é a maior manifestação popular do Brasil. Andando pelas ruas do centro da cidade nos últimos dias, vi pessoas à procura de fantasias, adereços, roupas leves, brilhos... é Carnaval. De uma forma ou de outra, essa época mexe muito com as pessoas. Enfim, dá pra tomar fôlego, se desligar um pouco do trabalho (para aqueles que podem, é claro), viajar, ir à praia, sambar na avenida, assistir os desfiles pela televisão ou na passarela do samba. Nas escolas, as crianças também vivem a festa.

E não dá pra ser diferente, trata-se de um misto de folguedo, festa e espetáculo teatral que envolve arte e folclore. Com o passar do tempo, essa festa aumenta. Hoje, por aqui, o Carnaval começa já na quinta-feira. Na Bahia, o povo já está na rua há muitos dias e pelo Brasil, crescem o número de Micaretas, a folia fora de hora. E os amores de Carnaval? Quem acredita? Busquei informações sobre a origem dessa festa. Confira as informações de Marcelo Duarte, autor do Guia dos Curiosos:

Para homenagear o Deus Saturno, havia uma festa na Roma Antiga chamada "Saturnais". As escolas ficavam fechadas, os escravos eram soltos e as pessoas saíam às ruas para dançar. Carros (chamados de carrum navalis por serem semelhantes aos navios) levavam homens e mulheres nus em desfile. Muitos dizem que pode ter sido daí a expressão "carnavale".

O Carnaval brasileiro é descendente do "entrudo" português. No século XVII, os foliões se armavam de baldes e latas cheias de água. E todos acabavam molhados. Até Dom Pedro II se divertia jogando água nos nobres. Acontecia aqui antes do início da Quaresma e durava três dias, do domingo até a terça-feira gorda. Com o passar dos anos, a brincadeira foi ficando mais agressiva. Água suja, farinha e talco lambuzavam as roupas dos brincalhões.

Limões, laranjas e ovos eram atirados em quem estivesse na rua. Logo surgiu uma lei proibindo o entrudo. Em 1854, um chefe de polícia do Rio de Janeiro determinou que a partir daquela data o entrudo tinha de "ser seco para não estragar as roupas mais custosas e cuidadas e não provocar desordens e confusão". O entrudo à seco se transformou no Carnaval.

Marta Vicentin

Bom, cá estamos de volta de New York city, onde não tem carnaval, mas tem milhares de outras coisas que não podemos e nem seria justo comparar. De volta a rotina desta página até primeiro de março para ver como fica o Blogger, que ameaça deixar os meus 160megas de arquivos apenas em dez.

Se der para continuar continua-se, mas também se não der já tenho tantas outras com os links aqui nesta que aqueles que gostam deste tipo de postagem irão para onde eu for, acredito.

Logo colocarei aqui o link para as fotos da viagem e um ótimo carnaval nesta segunda-feira para todos voces.

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Diogo Mainardi
Vamos demolir o Tuca

"Esses lugares estão associados à luta contra a ditadura militar. Agora que os perseguidos pela ditadura conquistaram o poder, esses monumentos oposicionistas viraram instrumentos de conservação do regime"

Eu demoliria o Tuca. O Tuca é o teatro da PUC de São Paulo, um dos marcos da resistência ao regime militar. Em seu lugar, eu poria um estacionamento. Ou um supermercado da rede Wal-Mart.

Eu demoliria também o prédio do Dops. E o estádio de Vila Euclides. E o Riocentro. E a antiga Faculdade de Filosofia da USP. E o Anhangabaú. E a Candelária. E o quartel da Tijuca. Esses lugares estão associados, de uma forma ou de outra, à luta contra a ditadura militar. Agora que os perseguidos pela ditadura militar conquistaram o poder, esses monumentos oposicionistas se tornaram instrumentos de conservação do regime.

O Tuca é como o Aurora, o navio que deflagrou a Revolução Russa. Se inicialmente o Aurora podia representar a luta heróica contra a tirania, com o passar do tempo foi se transformando em mera arma de propaganda para acobertar outra tirania. O Tuca, com sua história de luta contra o regime militar, acoberta o empreguismo, o clientelismo, o fisiologismo e o coronelismo dos antigos perseguidos políticos que agora mandam no Brasil.

Outro dia alguns intelectuais se reuniram no Tuca. Foram debater a cultura nacional. Todos eles se sentiram no dever de homenagear as vítimas da repressão policial dos anos 70. Os intelectuais brasileiros sempre viveram à custa do Estado. Viviam à custa do Estado durante o regime militar e continuam a viver até hoje. A diferença é que, em muitos casos, eles agora conseguem acumular mais de uma renda, como membros do aparato do Estado democrático e como opositores do velho Estado ditatorial.

Não são apenas os intelectuais que ganham de um lado e do outro. O próprio presidente Lula recebe uma pensão do Estado por seu passado oposicionista. Considerando que toda a sua carreira política foi construída em torno disso, ele está sendo demasiadamente recompensado. Este é o problema dos petistas: eles sempre se acham em crédito com o Estado e com a sociedade. Por isso demonstram tanta voracidade no preenchimento de cargos públicos, indicando parentes e amigos: eles se julgam merecedores de um ressarcimento por ter se sacrificado pelo bem do país, enquanto a maioria da população ficava calada. Não bastam os 4 bilhões de reais de indenização aos perseguidos políticos. Não bastam as aposentadorias milionárias. Eles querem mais.

A notícia que melhor resumiu o primeiro ano do governo Lula foi a tentativa do presidente e de sua mulher de caçar e devorar um pato da Granja do Torto. O episódio era emblemático da fome atávica do PT, a gula para abocanhar todos os bens do Estado. A notícia que dará o tom do segundo ano do governo Lula apareceu no Globo, poucas semanas atrás: o Palácio do Planalto está tão entupido de funcionários que muitos deles já não cabem em suas salas, sendo obrigados a trabalhar de pé, sem mesas e sem cadeiras. A ocupação da máquina estatal chegou a tal ponto que irá desencadear uma luta fratricida e sem escrúpulos para ver quem consegue conquistar os raros espaços disponíveis.

O Tuca, portanto, é um símbolo do reacionarismo. Quem realmente encarna o espírito revolucionário, hoje, é o Wal-Mart.

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Fumaça na Elite
Dívidas de US$ 7 milhões podem levar a superagência de modelos famosas à falência

Lino Rodrigues
Colaborou: Henrique Fruet

As supermodels Gisele e Naomi, que foram descobertas pela agência, fazem sucesso nas passarelas Um desfile de ações judiciais jogou no limbo a mais glamourosa agência de modelos do planeta. Há 35 anos no mercado, a Elite Model Management tornou público na segunda-feira 16 seu pedido de concordata, em uma tentativa desesperada de proteger-se de vários processos na Justiça americana, que superam os US$ 7 milhões.

Se for condenada a pagar a conta e decretar falência (prevista no artigo XI da legislação americana), como se comenta no mercado, a agência poderá deixar desabrigadas supermodelos do porte de Gisele Bündchen, Naomi Campbell e Cindy Crawford. A concordata vai permitir que coloquemos nossos modelos e agentes em primeiro lugar, justificou em um comunicado Monique Pillard, que, junto com John Casablancas, fundou a Elite em 1971, em Paris.

Os negócios no Brasil e em outros países onde a Elite possui escritórios, segundo informações da própria companhia, não serão afetados, já que trabalham com total independência administrativa e financeira. No caso do escritório brasileiro, funciona como uma empresa licenciada que paga anualmente royalties pela utilização da marca. Também em comunicado, a Elite Brasil esclarece que o pedido de concordata é exclusivo da companhia em Nova York, sem nenhuma repercussão para os escritórios em outros países. A Elite chegou ao Brasil pelas mãos do próprio Casablancas, que, junto com os sócios Ricardo Bellino e Nelson Alvarenga (dono da Ellus), fundou a empresa em 1988. Dois anos depois, o negócio foi vendido para o empresário Romeu Ferreira Leite, que toca a empresa até hoje.

A decisão da Elite de Nova York de recorrer à concordata foi motivada basicamente por duas ações que correm na Corte americana. Uma delas é a de uma ex-funcionária demitida por reclamar da fumaça dos cigarros nos escritórios da empresa. Victoria Gallegos, 32 anos, que sofre de asma, quer receber a bagatela de US$ 5,2 milhões como indenização pelos possíveis males causados à sua saúde por ser fumante passiva. O outro processo diz respeito a uma ação coletiva movida contra várias agências, entre elas a Elite, por formação de cartel na definição do preço de comissão de modelos e agentes. A empresa recorreu em todos os processos, mas sua situação não é nada confortável.

Casablancas, o fundador
A Elite fez exatamente o que tinha de fazer. O pedido de concordata é algo completamente artificial, mas é a única proteção que a agência tem contra as ações que enfrenta na Justiça, disse Casablancas de sua casa em Miami a ISTOÉ. Ele está fora da Elite desde que vendeu suas ações para um grupo suíço em 1999, depois da divulgação de um documentário explosivo, produzido pela BBC de Londres, que mostrou diretores da Elite seduzindo modelos, usando drogas e demonstrando racismo. Mesmo assim, admite que o lado ruim do pedido de concordata é a posição dos concorrentes, que se aproveitam da frágil situação da empresa e espalham boatos de que a agência de modelos está deixando o mercado.

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Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo
Sussurros, silêncios, olhares, sombras

O mais recente escândalo da República, visto através de alguns de seus mais pitorescos pormenores

Sussurros
Uma mesa redonda, em torno dela duas cadeiras ocupadas e uma vazia, o pedaço de um outro móvel aparecendo ao fundo. Esse era o cenário, agora célebre, de tanto repetido na TV, em que se entretiveram, em proveitosa conversação, o então presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), Waldomiro Diniz, mais tarde assessor da Presidência da República para Assuntos Parlamentares, e o bicheiro (ou empresário do ramo de loterias, como ele prefere) Carlos Augusto Ramos, o "Carlinhos Cachoeira" ("Charlie Waterfall", para o New York Times). Não havia mais ninguém no ambiente. Waterfall gravava Waldomiro, mas Waldomiro não sabia disso.

Julgava o ambiente seguro e confiável o suficiente para avançar suas propostas. E, no entanto, e esta é uma particularidade intrigante, que remete a certos misteriosos padrões do comportamento humano, Waldomiro baixava a voz, quando chegava aos pontos mais delicados de seu discurso. "Vamos dizer, pra gastar 500.000, tá bom pra você?", disse, quando propôs uma contribuição às campanhas eleitorais ¿ e a voz era baixa como num confessionário. Segue-se uma barganha em que de 500.000 reais se vai para 400.000, depois 300.000, sempre a sottovoce, como se diz na ópera.

No momento de formular sua própria reivindicação ("Quero 1% pra mim"), a voz tanto se amiúda que Waterfall precisa, por três vezes, pedir confirmação ao interlocutor. Se não havia mais ninguém na sala, o ambiente era seguro e Waldomiro não desconfiava de que estava sendo gravado, por que baixar a voz? Eis a questão. Era para que algum fantasma que porventura lhe povoe o íntimo, o fantasma da mãe, do padre, do professor, não ouvisse o que dizia? Era para que ele próprio não se ouvisse? Ou para travestir seu pleito de uma virtuosa discrição, própria dos humildes e dos monges?

Silêncios
O ministro José Dirceu conhece Waldomiro há doze anos. Num curto período, chegaram a dividir o mesmo apartamento funcional, em Brasília. Trabalhavam em estreito contato. É de supor uma relação estreita, de amigos. No entanto, na declaração que fez sobre o caso, na segunda-feira, no Salão Nobre do Senado, Dirceu não citou uma única vez o nome de Waldomiro. O vice-presidente José Alencar, por seu lado, chamou Waldomiro de "esse rapaz". E o senador Aloizio Mercadante de "esse indivíduo". O nome virou anátema. Talvez com a secreta esperança de que, na omissão do nome, se anulasse não só a lembrança, mas a própria existência do antigo assessor.

Olhares
A repórter Rosa Costa, do jornal O Estado de S. Paulo, focou sua atenção na relação desigual que se desenhou entre José Dirceu e a senadora Heloísa Helena enquanto Dirceu prestava sua declaração sobre o caso. Dirceu evitava olhar para a direita, para não encarar Heloísa Helena. Esta, de pé, sustentava o que a repórter chamou de "um olhar de deboche". O ministro foi o principal orquestrador da expulsão da senadora do PT, por votar em desacordo com os interesses do governo. "Tem coisas que eu gosto de olhar olhos nos olhos", comentou Helena, matreira. O olhar que Dirceu não viu doía-lhe como golpe de punhal.

Sombras
José Dirceu falou tendo ao fundo um quadro representando a assinatura, pelo marechal Deodoro da Fonseca, do projeto da primeira Constituição republicana do Brasil. A superposição dos dois grupos Dirceu, os assessores e parlamentares que o acompanhavam, num primeiro plano, embaixo, e, no plano superior, o marechal Deodoro e os ilustres da época rendeu uma imagem estupenda (veja-se foto no link abaixo), carregada de coincidências e contrastes.

A do quadro é mais alegre há nela pessoas sorrindo. Na de baixo, as expressões são de funeral. A cena do quadro tem a presença de uma mulher. É Mariana, a senhora Deodoro da Fonseca, que, como Marisa Lula da Silva, costumava marcar presença ao lado do marido nos atos oficiais. Há também um menino. É Mário Hermes da Fonseca, sobrinho do presidente.

Dois outros Fonseca, assessores de Deodoro, incluem-se na cena. Somados, os membros da família são cinco, entre as dezenove pessoas que aparecem no quadro. Ou seja, mais de 25%, o que faz jus à fama de nepotista do primeiro presidente da República. "O regime republicano, que depôs uma dinastia, vai insensivelmente criando outra", escreveu o mais feroz dos críticos dos inícios da República, Eduardo Prado. E acrescentou: "O senhor Deodoro tem muita família, sobretudo muitos sobrinhos". A corrida dos apaniguados aos altos (e baixos) postos foi uma das características do governo Deodoro. Outra foram as comemorações autocongratulatórias.

Era um governo que, julgando-se o marco zero da história do Brasil, festejava-se sem parar, "num furor politicante, discursante e manifestante", nas palavras de Eduardo Prado. No contraste entre a cena de Deodoro e a cena de Dirceu, o primeiro e o mais recente governo da República como que lançavam suas sombras um sobre o outro, trocando os respectivos estigmas e expondo-se como prisioneiros de uma mesma carga atávica.

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Governo
A operação abafa do PT

Governo usa métodos que sempre criticou quando era oposição para impedir a criação de CPI

Malu Gaspar

Dida Sampaio/AE



IRRITAÇÃO
José Dirceu: para o governo, o caso Waldomiro estava encerrado, mas boatos sobre sua demissão provocaram a queda da bolsa

O governo se esforçou o quanto pôde na semana passada para tentar isolar dois Waldomiros. Segundo tentou fazer entender o governo petista, haveria o extorsionário Waldomiro Diniz, que apareceu numa fita de vídeo pedindo dinheiro a um bicheiro, na campanha de 2002. E haveria outro Waldomiro, também de sobrenome Diniz, que era subchefe da Casa Civil, o poderoso assessor do ministro José Dirceu. Como as duas personas eram uma pessoa só, a manobra não deu o resultado esperado pelo Palácio do Planalto.

A verdade é que Waldomiro Diniz manteve encontros impróprios também quando já era do governo. Ele confidenciou a um amigo que se reuniu, já na condição de subchefe da Casa Civil, com representantes de uma multinacional que opera os jogos de loteria da Caixa Econômica Federal. "Duas ou três vezes em um hotel de Brasília", disse. A empresa, GTech, tem um gigantesco contrato com a Caixa Econômica, que estava para terminar mas acabou sendo prorrogado por mais dois anos, apesar de pareceres técnicos contrários.

Ruim para Waldomiro e também ruim para seu ex-chefe, o ministro da Casa Civil, José Dirceu. Waldomiro, como se sabe, era mais do que um simples assessor. Circulava com desembaraço entre empresários e políticos, usando da condição de amigo e braço direito do mais poderoso ministro do governo. Na semana passada, a oposição tentou criar uma CPI para saber até que ponto Waldomiro agia por conta própria. O governo não permitiu. Foi uma semana de constrangimentos para o ministro José Dirceu, atormentado pela sombra do ex-assessor. E o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acabrunhado, perdeu a compulsão de fazer discursos um atrás do outro. Na última semana, Lula estava calado.

Sem ter como negar a proximidade com Waldomiro, Dirceu se disse traído pelo ex-assessor. Chegou a comentar com o presidente a possibilidade de deixar o governo. Lula, porém, não aceitou a hipótese e orientou seus líderes a defender o ministro. Ainda assim a bolsa despencou com os boatos da saída de Dirceu. "Estou decepcionado, muito decepcionado", disse ele. Na segunda-feira, o ministro foi ao Congresso e, numa nota lacônica, deu o caso como encerrado, lembrando que Waldomiro já havia sido afastado e que a história da propina ocorreu antes das eleições. Simultaneamente, os partidos aliados começaram a se articular para impedir a instalação de uma CPI. Dirceu estava irritado.

Em audiência com o presidente, enxergou vestígios de conspiração contra ele, não poupou críticas aos companheiros de ministérios nem ao próprio PT. Em uma reunião do chamado núcleo duro do governo, o ministro estranhou a passividade com que alguns colegas agiram no caso. Reclamou particularmente do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que se mostrava desinformado sobre as investigações da polícia acerca do caso Waldomiro, e do ministro Luiz Gushiken, que, na avaliação de Dirceu, poderia ter ajudado o governo a se antecipar ao escândalo ¿ embora não tenha explicado como. Dirceu também ficou agastado com o senador Aloizio Mercadante, líder do governo, que sugeriu a criação de uma CPI mais ampla, que investigaria outras denúncias de corrupção. As declarações de Mercadante, segundo ele, contribuíram apenas para acirrar ainda mais o clima de hostilidade entre governo e oposição, quando a situação parecia estar sob controle. Espécie de gerente do governo, Dirceu passou a semana administrando a própria crise.

Ed Ferreira/AE



SILÊNCIO
O presidente Lula não aceitou sequer discutir a hipótese de Dirceu deixar o governo, mas passou a semana calado, pela primeira vez desde que assumiu

O ministro articulou pessoalmente a estratégia para evitar a CPI. Acionou políticos influentes, como o senador Antonio Carlos Magalhães e o presidente do Senado, José Sarney, e pediu apoio contra a comissão. Dirceu também atacou em outros flancos. Só no gabinete do senador Marco Maciel, do PFL, deixou cinco recados, não respondidos. Ligou para deputados e governadores de oposição. Os senadores do PSDB receberam a visita do deputado Sigmaringa Seixas, um ex-tucano, amigo de Dirceu.

O parlamentar nada pediu aos ex-colegas, mas alertou sobre os riscos e a instabilidade que uma CPI poderia criar no ambiente econômico. Sigmaringa acreditava que havia conseguido convencer uma parte da bancada tucana a abandonar a idéia da criação da CPI. O problema é que, enquanto ele afagava os adversários com diplomacia, tinha companheiro partindo para um jogo mais pesado. O líder do PT na Câmara, Arlindo Chinaglia, por exemplo, disse que, se era para apurar envolvimento de políticos com o jogo do bicho, que se investigasse o filho do governador do Ceará, Lúcio Alcântara. A bobagem maior, entretanto, veio do Senado.

Em uma reunião da bancada do partido, chegou-se à conclusão de que ficava muito mal para o petismo assumir oficialmente uma posição contrária à CPI, já que o partido sempre foi o maior acionador de CPIs da história recente do Brasil. Foi quando o senador Aloizio Mercadante teve a nada brilhante idéia de propor a tal CPI ampla. Além do caso Waldomiro, sugeriu Mercadante, seriam investigados também o processo de privatizações do governo FHC e os desvios de verbas do Serviço Único de Saúde (SUS). A menção às privatizações era um recado aos tucanos para que moderassem seu entusiasmo com relação à CPI. A referência ao SUS era também um recado, aos pefelistas.

Joedson Alves/AE



CONFUSÃO
A bancada do PT se reúne para discutir posição sobre uma CPI: trapalhada

Com esse estratagema, Mercadante parece ter imaginado que o PT ficaria em paz com sua história e a oposição se acalmaria, com medo de também virar objeto de investigação. A senadora Ideli Salvatti, entusiasmada com a CPI "ampla", disse que se investigaria tudo, até a campanha da senadora Roseana Sarney. O que era óbvio aconteceu. Os tucanos que eram contra a CPI se sentiram insultados pelo desafio de Mercadante e companheiros. Eis a resposta de um deles, o senador Tasso Jereissati: "Tucanos que não pretendiam assinar o requerimento agora podem fazê-lo para não ser acusados de ceder à chantagem". No PMDB, senadores descontentes com o Planalto aproveitaram o clima para deixar vazar que assinariam o pedido de CPI. Até os aliados ficaram constrangidos com a declaração. O senador José Sarney, irritado, chegou a discutir com Mercadante durante a sessão. E o Palácio do Planalto criticou a estratégia, que, segundo assessores do presidente, foi feita sem a concordância dos ministros de Lula. Por fim, Mercadante foi obrigado a ir ao plenário explicar-se.

Nos últimos dez anos, os deputados e senadores do PT estiveram à frente das principais CPIs do Congresso, algumas bem-sucedidas, como a que culminou com o impeachment do ex-presidente Fernando Collor, e outras nem tanto. Nos oito anos do governo FHC, o PT requisitou a abertura de dezesseis CPIs no Congresso Nacional. Como oposição, o PT fez o que todo partido político deveria fazer. Fiscalizou os governos, cobrou transparência, provocou debates e catalisou mudanças importantes. Na semana passada, o PT, como governo, fez tudo ao contrário.

Diante do escândalo provocado pela denúncia contra Waldomiro Diniz, as lideranças do partido mergulharam em uma inusitada operação política para evitar a criação da CPI. E, de uma maneira até surpreendente, usaram os mesmos instrumentos e manobras que tanto criticaram no passado. A famosa "tropa de choque" ¿ um grupo de parlamentares governistas que usa sua influência a serviço do poder ¿ mostrou que estava apenas latente. Até o fim da semana, das 27 assinaturas necessárias para a instalação da CPI, a oposição havia conseguido reunir 22. A "operação abafa", uma praga típica de quem tem algo a esconder, segundo os velhos petistas da oposição, mostrou suas vantagens em benefício dos novos petistas do governo.


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