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Sábado, Maio 29, 2004




CVM libera Caixa para oferta de novo fundo imobiliário

NATHALIA BARBOZA
da Folha Online


A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) deu hoje o sinal verde para que a Caixa Econômica Federal inicie a oferta de cotas do novo Fundo de Investimento Imobiliário (FII) Torre Almirante. Cada cota do novo fundo terá valor de face mínimo de R$ 1.000.

Segundo Alexandre Parisi, superintendente nacional de mercado de capitais do banco, a CEF está finalizando os preparativos dos prospectos para distribuir por suas agências e espera começar a venda ainda na primeira quinzena de junho.

Além das agências da Caixa em todo o país, as cotas também serão oferecidas pelo internet banking da CEF a seus clientes e por nove corretoras independentes, cujos nomes estão sendo mantidos em segredo.

Segundo Parisi, a expectativa da Caixa é que o novo fundo repita o sucesso de vendas de seu antecessor, que esgotou seus cotas em 75 dias. Pelas regras da CVM, o banco tem 180 dias para vender os papéis. Só assim o FII se consolida e pode passar a comercializar as cotas no mercado secundário da Soma (Sociedade Operadora do Mercado de Ativos), ligada à Bovespa.

A previsão é que cada investidor adquira "até um pouco mais" do que os cerca de R$ 20 mil verificados no FII Almirante Barroso. Segundo estudo da Colliers International, empresa de consultoria imobiliária internacional, a rentabilidade das cotas, lastreadas no aluguel --que será corrigido pelo IGP-M-- dos espaços do edifício poderá chegar a 13% ao ano. O cálculo é baseado num rendimento de 1% ao mês.

"Triple A"

O novo FII é lastreado no empreendimento Torre Almirante, que fica no centro do Rio de Janeiro, a uma quadra do Almirante Barroso. O novo edifício comercial é um "triple A" (de altíssimo padrão), com 41 mil metros quadrados de área privativa --há um edifício-garagem anexo com 400 vagas. Segundo Parisi, a expectativa é que o prédio seja inaugurado no dia 6 de outubro.

A CEF mantém no novo produto a parceria com o Banco Ourinvest na administração condominial do prédio.

O FII será dono de 40% da fração ideal do prédio, cujo valor patrimonial foi orçado em R$ 269 milhões. Os outros 60% são de propriedade da Hines, responsável pela incorporação do empreendimento. Com isso, o fundo nasce com patrimônio de R$ 104,7 milhões. A remuneração dos cotistas virá do ganho com a locação das lajes, que já está sendo ofertada a várias empresas.

O superintendente da Caixa ressalta que, neste quesito, o FII Torre Almirante será diferente de seu antecessor, já que os cotistas do fundo Almirante Barroso recebem os ganhos da locação de todo o prédio de mesmo nome feita à própria Caixa.

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Ponto de vista: Lya Luft

Nós, os Picassos

"Não falo em sermos Picassos-artistas, mas Picassos da vida. Para esse homem maravilhoso, o tempo não existia. E não existe,
mesmo. Picasso não se aposentou da existência, como em geral fazemos aos 50 anos, aos 60 ou pouco mais, se é que não nascemos já aposentados"

Todos somos Picassos. Só não sabemos disso. Foi o que descobri ao visitar a bela exposição de obras do pintor espanhol, em cartaz na Oca do Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Tudo lindamente organizado, uma guia tranqüila falando baixo, dando-nos tempo de olhar, refletir, sentir. Perfeito.

Ilustração Ale Setti

Simplesmente sonhar para que outros sonhem junto, não é isso o que fazem em boa parte os artistas? Bom, eu pensava enquanto apreciava a mostra, a gente é uma multidão de picassinhos, mas bobos demais para nos darmos conta disso, prisioneiros da nossa cotidiana mediocridade, jogando fora a nossa vida. Que pena, que pena...

Um dia desses, estressada, resolvi fazer aquarela. Pois é, logo aquarela, que é tão difícil. Tive aulas com uma amiga, grande pintora, mas, quando ouvi as explicações e abri os belos livros que ela me emprestou, constatei mais uma vez que não queria aprender teoria nenhuma (a esta altura da vida, ando empenhada em desaprender uma porção de coisas). Fiz umas aquarelas ruins, desobedecendo propositadamente às instruções mais elementares.

Mas os títulos eram bem bonitos: Flores Espantadas ao Sol, Olho Azul Aguardando o Amanhecer, Ascensão Perplexa. Percebi que meu território continuava sendo o das palavras e desisti de pintar. Não sem antes combinar com minha amiga que um dia faríamos uma exposição (ela como curadora), em que minhas poucas aquarelas ficariam voltadas para a parede, só os títulos à vista. A exposição se chamaria Versos de Aquarelas. Demos boas risadas: grande terapia.

De modo que não falo em sermos Picassos-artistas, mas Picassos da vida. Para esse homem maravilhoso, o tempo não existia. E não existe, mesmo: funciona para demarcarmos o horário de nossas atividades, como alimentar as crianças ou matar o semelhante, contemplar ou criar a beleza, atormentar alguém de quem queremos nos vingar (essa é mais comum do que imaginamos, ai de nós).

Para Picasso, que enfrentou grandes conflitos pessoais e mundiais, a vida era um dom precioso demais para ser desperdiçado. Ele a valorizou, apreciou, respeitou. Soube ser sério, soube ser doido, soube ser humano, soube ser brincalhão, soube ser igual aos mais simples. Criou obras incríveis, cometeu erros como todo mundo, foi amigo, apaixonou-se e fez filhos mesmo numa idade que, para a maioria de nós, os acovardados, é o começo do fim, é a morte antecipada pelo preconceito ou pela acomodação.

Picasso não se aposentou da existência, como em geral fazemos aos 50 anos, aos 60 ou pouco depois, se é que não nascemos já aposentados. Vestimos o pijama ainda que metafórico, arrastamos as pantufas pelo corredor da vida, para nos sentarmos na cadeira de balanço da amargura, abraçados à almofada das eternas lamentações ¿ ah, como fomos injustiçados, como nada deu certo para nós, que tanto nos sacrificamos...

Nem imaginamos que poderíamos, ainda, ou pela primeira vez, tomar nas mãos as rédeas da nossa sorte e criar: se não quadros maravilhosos, pelo menos a nossa própria vida ¿ enquanto palpita em nossa alma alguma emoção, e brilha alguma inquietação em nosso pensamento.

Lya Luft é escritora

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Jorge Mattoso
Social com lucro

Presidente da CEF investe pesado na inclusão dos sem banco, busca atrair a classe média e aumentar os
rendimentos da instituição


Ana Carvalho, Célia Chaim
e Florência Costa


Terceiro maior banco do País, a Caixa Econômica Federal (CEF), uma das instituições mais históricas do País, vive uma experiência nada ortodoxa no governo Lula: está sob a guarda de um ex-comunista que há 30 anos lutava contra a ditadura, chegando a ser preso, torturado e exilado. Mas o economista gaúcho Jorge Mattoso formado pelo Instituto Universitário de Estudos do Desenvolvimento, em Genebra, com mestrado pela Sorbonne e doutorado na Unicamp , hoje com 54 anos, faz questão de mostrar seu lado capitalista também.

Sua meta é conciliar valores aprendidos na cartilha ideológica esquerdista (igualdade e justiça social) com os do livre mercado: a competitividade e a busca do lucro. Sua tarefa não é pequena à frente da CEF, nascida há 143 anos, por decisão do imperador dom Pedro II, com o intuito de oferecer empréstimos e incentivar a poupança popular. Como bom revolucionário, Mattoso segue à sua maneira a máxima de Che Guevara (Hay que endurecer sin perder la ternura jamás).

Endurece na guerra da selva capitalista, buscando aumentar seu espaço e melhorar cada vez mais sua performance no ranking financeiro, oferecendo produtos atraentes para o público de classe média que quer atrair. Mas, ao mesmo tempo, não perde a ternura, ao manter e até aumentar a função social, que no passado fez com que os escravos depositassem suas parcas economias para comprar a alforria. Na segunda-feira 31, Mattoso anuncia um novo passo, fora do Brasil: lança o cartão da CEF para que os brasileiros que moram nos EUA possam remeter dinheiro para o País.

ISTOÉ Como a Caixa está ajudando no espetáculo do crescimento?
Jorge Mattoso A Caixa tem tido um desempenho muito positivo em todas as áreas, eu diria até inovador. No primeiro trimestre de 2004, a Caixa teve o maior lucro líquido de sua história (R$ 404 milhões) e colocou recursos de crédito na área de habitação e saneamento como em nenhum outro momento. Aumentamos em 30,6% o crédito comercial e de desenvolvimento urbano (R$ 6,4 bilhões), em comparação a março de 2003. Investiremos 70% a mais do que no ano passado em habitação e saneamento. Portanto, a CEF tem feito o possível para alavancar recursos, de diferentes fontes do FGTS, FAT, Orçamento Geral da União, de outros ministérios e recursos próprios , para favorecer a expansão do crescimento econômico e da atividade produtiva.

ISTOÉ Essa lentidão na retomada do crescimento não é um complicador?
Mattoso Nossa tendência é de olhar para trás. O processo de recuperação da atividade produtiva e da atividade econômica foi no ano passado. Em 2004, não está sendo lento. Os dados de emprego, do PIB, que serão anunciados, vão mostrar que o crescimento tem sido acentuado neste primeiro trimestre. Houve uma lentidão maior do que a esperada no ano passado, a partir da redução da taxa de juros em julho, mas esse processo foi retomado, o que deverá garantir os 3,5% de crescimento. Nossa expectativa, e esse é o grande desafio, é tornar esse crescimento sustentado em taxas de investimentos apropriadas. Isso significa, além do esforço feito na área comercial, acelerar o processo da Parceria Público-Privada (PPP) e criar mecanismos de investimentos.

ISTOÉ Esses dados não chegaram à opinião pública...
Mattoso O primeiro semestre do ano passado foi muito difícil. Foi necessário, em razão do legado, tomar atitudes drásticas do ponto de vista fiscal e monetário. É óbvio que teve efeito no crescimento, que foi de zero. Passou um ano e todos sabem que o período de graça dura um tempo, mas acredito que as expectativas, que são muito grandes, serão cumpridas. As pessoas vão ver o crescimento, vão ver as taxas de desemprego baixarem.

ISTOÉ Quanto a Caixa pensa em investir para aquecer a construção civil?
Mattoso No ano passado investimos R$ 5 bilhões em habitação e mais de R$ 1,7 bilhão em saneamento. Os gastos de saneamento foram os maiores já realizados nos últimos dez anos. Na semana passada, assinamos contratos de mais R$ 2 bilhões com Estados, municípios e empresas de saneamento. Isso já se reflete no emprego. A Caixa é responsável por 91% dos financiamentos de habitação e saneamento. Isso só é bom se eu olhar para o umbigo da Caixa porque demonstra a responsabilidade social da instituição e do governo.

Para que a construção civil tenha o desempenho que teve no passado, com relação à geração de emprego e renda, é indispensável uma maior participação do setor privado. Por isso estamos apostando nos fundos imobiliários e de direitos creditórios. Estamos inclinados a mexer com mercado de capitais a partir de uma maior participação privada.

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Revista Veja
Edição 1856 . 2 de junho de 2004
Diogo Mainardi


No chiqueiro de Jiangsu

"A soja brasileira é empregada pelos chineses sobretudo como ração para porcos e frangos.
Em matéria de ração para porcos e frangos, não tememos a competição de ninguém"

A China é tão boa assim para o Brasil? Então por que Lula não toma coragem e assina um acordo de livre-comércio entre os dois países? Poderíamos vender ainda mais soja para lá. A soja brasileira é empregada pelos chineses sobretudo como ração para porcos e frangos. Em matéria de ração para porcos e frangos, não tememos a competição de ninguém. O Brasil pode não ter se transformado no celeiro do mundo, como esperávamos algumas gerações atrás, mas o que plantamos dá e sobra para engordar os animais dos chineses. O Brasil é o rei do chiqueiro de Jiangsu. O Brasil é o rei do galinheiro de Zhejiang.

Outro dia dois carregamentos de soja brasileira foram interditados pelas autoridades sanitárias chinesas. O produto era impróprio para o consumo. Tinha fungicida demais. O problema, segundo o ministro da Agricultura, foi causado pela "má-fé, ganância e imediatismo" das empresas nacionais. Se o Brasil vende comida contaminada lá fora, com cotação em dólar, imagine o que comemos aqui dentro, com pagamento em real.

A soja brasileira é tratada com muito fungicida para combater pragas como a ferrugem asiática. Curiosamente, a ferrugem asiática é originária da própria China. Deve ser isso que os economistas chamam de indústria de transformação: a gente vende matérias-primas como soja e ferro para os chineses, eles mandam de volta o produto acabado, a ferrugem asiática.

A China pediu o apoio do Brasil na Organização Mundial do Comércio. Quer receber o título de economia de mercado, a fim de evitar a imposição de barreiras comerciais aos seus produtos. O pleito dos chineses não tem nada de escandaloso. Afinal, até o Brasil é considerado uma economia de mercado pela OMC. O principal acordo assinado na viagem de Lula à China foi entre a estatal brasileira Petrobras e a estatal chinesa Sinopec.

Outro acordo importante foi entre o banco estatal brasileiro BNDES e o banco estatal chinês Citic. A estatal brasileira Ctsul e a estatal chinesa Cmec também ratificaram um acordo para construir uma termelétrica a carvão em Cachoeira do Sul, que venderá energia ao governo do Estado do Paraná. Como se pode perceber, trata-se de duas vigorosas e convictas economias de mercado.

O Brasil está analisando a possibilidade de apoiar a China na OMC, mas a contrapartida deverá ser o apoio da China às nossas pretensões de obter uma vaga no Conselho de Segurança da ONU. Caso isso aconteça, o Brasil sairá perdendo. As resoluções da ONU tendem a criar atritos, e os atritos prejudicam os negócios. Lula sabe disso, tanto que, em seus discursos na China, jamais mencionou as violações dos direitos humanos no país.

A propósito, o Brasil terá problemas no ano que vem. Faremos parte da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Algumas semanas atrás, México e Peru condenaram o regime de Cuba, desencadeando a ira de Fidel Castro. Como se comportará o Brasil quando tiver de votar uma resolução desse tipo? Com Fidel ou contra Fidel? Com a China ou contra a China?

O Brasil sempre atraiu investimentos dos retardatários do capitalismo. Na década passada, Portugal e Espanha. Agora, China. Quem sabe um dia o capitalismo também chegue por aqui, mesmo que depois do último retardatário.

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Cigarro mata oito por hora
Dia Mundial sem Tabaco, segunda-feira, terá ações contra o hábito de fumar
Daniella Daher

Das pessoas que adoecem de diferentes tipos de cânceres, 90% são fumantes e 3%, fumantes passivos. No Brasil 33 milhões de pessoas fumam, e o cigarro mata, em média, oito brasileiros por hora, com quase 200 mil mortes por ano. Ficou impressionado? Pois é para ficar mesmo.

Segunda-feira é comemorado o Dia Mundial Sem Tabaco. Este ano, a data traz o tema Tabagismo e Pobreza: um ciclo vicioso. O Brasil foi escolhido pela Organização Mundial de Saúde como sede das atividades em reconhecimento ao trabalho no controle do tabagismo.

Para marcar a data, o Ministério da Saúde apresentará dados do Inquérito Nacional sobre Tabagismo, que aponta diminuição no consumo de tabaco entre os brasileiros nos últimos 20 anos. Também serão mostrados resultados de pesquisa sobre hábitos relacionados ao tabaco de jovens entre 13 e 15 anos.

Para reforçar a campanha antitabagismo, o Ministério da Saúde assinará portaria incluindo o tratamento da dependência do tabagismo no âmbito da atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS).

O País também está organizando uma associação que engloba todas as instituições nacionais que realizam trabalhos voltados ao tratamento do tabagismo a Associação Brasileira para Tratamento e Controle do Tabagismo (AbraTT) para padronizar os trabalhos e unir forças contra o mal.

Atividades do Dia Mundial sem Tabaco

Mais de 50 crianças e adolescentes, pacientes do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), serão os atores principais das comemorações do Dia Mundial sem Tabaco. Para dar aos fumantes bons motivos para abandonar o cigarro, pacientes de enfermarias e ambulatórios de Pediatria e de Adolescentes fizeram desenhos e escreveram mensagens que integram a exposição pare de fumar.

O objetivo da exposição, que fica aberta até sexta-feira, é fortalecer, no público infanto-juvenil, a consciência antitabagista. De acordo com a OMS, 99% das pessoas que dão as primeiras tragadas durante a adolescência se tornam fumantes.

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O mal do século
Inimiga número um das mulheres, a celulite ameaça a auto-estima feminina. Conheça as causas, como prevenir e os tratamentos que funcionam



A descoberta de que até Juliana Paes, que tem o corpo que toda mulher pediu a Deus, tem celulite, é o sinal dos céus de que não importa o número do manequim nem a idade: cuidar e prevenir o mal feminino do século é fundamental para qualquer mortal.

E maneiras de tratar é o que não faltam. Drenagem linfática, ultra-som, vácuo e mesoterapia, cremes e extratos de alcachofra e um aparelho chamado Manthus são alguns dos tratamentos que podem ajudar no combate à celulite.

Todas reclamam desse problema. Tanto as magras quanto as gordinhas, da adolescência à velhice, conta a médica especializada em estética Anna Verônica Ziccarelli, da clínica La Belle, que aposta na combinação de extrato de alcachofra com o Manthus. Manthus é o ultra-som combinado com correntes estéreo-dinâmicas, que fragmenta a gordura mais rápido e libera o sistema linfático, explica.



Na clínica Hagla, a novidade do momento é a mesoterapia com iohimbina no combate à celulite

A dica é não parar nunca de prevenir. Isso quer dizer beber muita água, fazer atividade física, evitar o estresse e o cigarro e, claro, tentar manter uma alimentação balanceada. Se levarmos em conta que o fator genético e o hormonal são grandes atuantes nesse caso, é bom investir nessa listinha de aliados.

Associado a isso, a mesoterapia também pode ajudar a enfrentar a guerra. Qualquer coisa que atrapalhe a circulação ajuda a desenvolver a celulite. A culpa não é do refrigerante ou do salgadinho, mas da dosagem. Cada coisa dá sua contribuição, diz a especialista em Medicina Estética Morgana Waked, da HAGLA, que investe na mesoterapia com injeções de iohimbina, que estimula a lipase, substância que quebra a gordura.

Só não dá para abrir mão de uma avaliação médica antes, para definir medicamentos e dosagens. O ideal é combinar algumas técnicas, como a drenagem, ultra-som, mesoterapia e a vacuoterapia, que atua com ventosas na produção de colágeno, aconselha Luciene Godoi, fisioterapeuta da Le Ru.

Não existe milagre, mas há boas condutas que podem melhorar em até 70% o quadro. A celulite tem estágios e quanto mais você tem, mais você vai ter. Então, quanto antes começar a tratar, melhor, avisa a dermatologista Mônica Azulay, que vê nos cremes uma boa opção, com eficácia de até 30%. Mãos à obra.

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Pura sedução

Todos os tons de batom vermelho deixam o outono mais sexy
Marcia Disitzer

Fatal, o batom vermelho recupera o posto de queridinho nessa estação. Para mostrar todas as nuances dessa cor, o Caderno D+Mulher convidou o cabeleireiro e maquiador Mauro Brettas, do Crystal Hair, para revelar os truques dessa arma de sedução. O batom vermelho está em alta porque, na moda, esse momento é de muito glamour, analisa ele.

Mas deve ser usado com muita cautela. Batom vermelho é batom vermelho e mais nada, só rímel, emenda Mauro. A cor da pele e a do cabelo determinam o tom adequado para cada mulher. O vermelho aberto combina com as clarinhas; as negras devem optar pelo vermelho que puxa para o vinho e uva, diz Brettas. Já as morenas devem escolher o batom cor de cereja, resume.

Para o dia, Mauro recomenda o vermelho-gloss. É preciso sempre ter cuidado. Batom vermelho usado de maneira equivocada pode vulgarizar a mulher, ensina.(Fotos Isabela Kassow)



Mauro escolheu fazer uma maquiagem básica na morena Mariah Smigay. A pele ganhou um ar saudável e nos lábios, batom cereja fosco. Um truque legal é usar o batom no centro da boca e espalhar, ensina o maquiador.



Mauro transformou a modelo Letícia Wohlers numa lolita moderna. No estilo anos 50, ela usa batom vermelho aberto, opaco, que realça os lábios. Na pele, apenas blush e nos olhos, muito rímel. Repare que a maquiagem é nada. Quem usa batom vermelho deve ser comedido, resume Brettas.

FICHA TÉCNICA: MODELOS Tatiana Macei e Letícia Wohlers (Ag.Ford) e Mariah Smigay (Ag.Mega); CABELO E MAQUIAGEM Mauro Brettas (Crystal Hair: 2267-7486); PRODUÇÃO Mariana Salim.

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Paulo Sant'ana
29/05/2004


Um pedido de socorro social

O Pão dos Pobres completará, em 15 de agosto, 109 anos. A que se deve essa longa duração no tempo? Cremos piamente ter sido a fidelidade à vontade de seu fundador, o cônego Marcelino de Souza Bittencourt. Recolher as crianças pobres e órfãs, em tenra idade, com intuito de ALIMENTAR-LHES O CORPO, ILUMINAR-LHES A MENTE, EDUCAR-LHES O CORAÇÃO E TREINAR-LHES AS MÃOS (profissionalizando-as).

Há mais de 108 anos o Pão dos Pobres abriga 300 crianças e adolescentes, órfãos e pobres, com uma tênue referência familiar que os expõe, não fossem recolhidos, a um convívio social de alto risco para a construção de sua personalidade.

Permanecem no Pão dos Pobres até completarem um curso profissionalizante, que se inicia quando atingem a idade de 16 anos. Após o curso e já com a maturidade dos 18 anos, são devolvidos à sociedade como BONS profissionais e profissionais BONS. O processo é longo, mas não se faz, absolutamente, educação em curto prazo. Ao iniciarem sua profissionalização, outros adolescentes, também pobres, associam-se aos internos, e constituem um grupo de 400 adolescentes em regime de profissionalização.

Durante todo esse tempo, não se tem conhecimento de uma rebelião ocorrida no Pão dos Pobres, nem da queima de um colchão sequer. É fácil entender: não lhes foi roubada sua infância; usufruíram um dos direitos fundamentais preconizados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. O direito de terem limites. Esses limites são-lhes e foram-lhes impostos pelos educadores, obedecendo a um princípio pedagógico de São João Batista de La Salle: "Os mestres amarão ternamente seus alunos. No trato com eles, deverão sempre associar a ternura da mãe e a firmeza do pai".

A casa que abriga essas crianças e adolescentes, bem como os prédios em que se localizam as oficinas e laboratórios da profissionalização, clamam por socorro, e socorro urgente. Construídos na década de 20, carecem de uma reestruturação e modernização em todos os capítulos, desde a parte estrutural, de revestimento, de elétrica, de hidrossanitária, até o que hoje se torna imprescindível, o capítulo da lógica para uso e ensino da computação.

Quem construiu o Pão dos Pobres foi a sociedade porto-alegrense, representada por milhares de pessoas físicas e jurídicas, bem como do apoio do poder público. A todos esses homens e mulheres de boa vontade, nós chamamos de benfeitores. Nossas crianças, nada podendo retribuir, renovam diariamente o propósito de aproveitarem a oportunidade, e religiosamente erguem a Deus suas preces, nas intenções dos benfeitores vivos e falecidos.

Visto que o Pão dos Pobres pertence à sociedade porto-alegrense, e o Pão dos Pobres necessita reestruturar-se e modernizar-se para enfrentar mais cem anos de benemerência, é a esta mesma sociedade que fazemos nosso apelo de apiedar-se dos desvalidos e abandonados, apiedar-se na concepção aristotélica de piedade. Piedade para Aristóteles significou sempre SOLIDARIEDADE, e uma das características do nosso povo, em relação ao Pão dos Pobres, nos mais de cem anos, incontestavelmente foi a solidariedade que nele a Instituição sempre encontrou.

O texto acima não é meu. É do irmão Valério Menegat, que dirige o Pão dos Pobres. Trata-se de um pedido de socorro social, que tem preferência absoluta nesta coluna. Doando um pouquinho de nós, estaremos contribuindo para esta gigantesca obra.

Para doar R$ 10, disque 0500 2004 010. Para doar R$ 20, disque 0500 2004 020. Para doar R$ 30, disque 0500 2004 030.

Vamos dar força para esta estupenda realização!

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Cláudio Moreno
29/05/2004


Migrações

Às vezes sonhamos com a possibilidade de acompanhar o trajeto de uma palavra sobre o mapa do mundo, como se ela tivesse um passaporte onde ficasse registrado seu ponto de origem e seu ponto de destino. Existe, no entanto, uma verdadeira rede de contatos entre as línguas do mundo, tornando, muitas vezes, quase impossível saber quem contribuiu com o quê - quem é pai, quem é filho, quem é irmão, quem é sobrinho.

Por exemplo: boucanier, no Francês, designava os habitantes das ilhas de Hispaniola e Tortuga que caçavam bois selvagens e defumavam sua carne numa espécie de grelha conhecida em Francês por boucan, que veio do moquém dos nossos indígenas. Com o tempo, esses boucaniers encontraram uma atividade mais lucrativa na pirataria, levando o nome com eles. Em 1661, registra-se o uso de buccaneer no Inglês no primeiro sentido; em 1690, já aparece para designar os piratas das Antilhas. Finalmente, no século 19 entrou na nossa língua como bucaneiro!

Este é um caso especial: uma palavra nossa, nativa, produziu uma derivada francesa, que se tornou comum nas Antilhas, ingressando no Inglês, no Espanhol e - lá vamos nós! - no Português moderno. É um caso de influência Tupi no Inglês? Ou influência francesa? E no caso da nossa língua, não conta como importada, porque saiu do nosso próprio quintal?

Se o Português hoje é francamente importador, já foi fornecedor de vocábulos novos para o léxico do Inglês e das demais línguas modernas. Não podemos esquecer que, no século 16, no seu impressionante avanço pela África e pela Ásia, Portugal tornou-se os olhos e os ouvidos de toda a Europa, trazendo do Oriente especiarias, frutas, animais e costumes exóticos, todos eles acompanhados pelas palavras que os denominavam. Foi pela mão portuguesa que entraram nas línguas ocidentais termos como macaco, chimpanzé, manga, banana, mosquito, quimono, mandarim.

Com a descoberta e a ocupação do Brasil, os portugueses espalharam no continente europeu os nomes das plantas e animais do novíssimo mundo: não há bom dicionário de Inglês que não inclua piranha, tapioca, caju (cashew, escrevem eles), curare, jaguar, entre muitos termos oriundos de nossas línguas indígenas. Além dessas, algumas palavras realmente portuguesas terminaram sendo incorporadas pelo léxico do Inglês. Por exemplo:

negro - (igual, com a pronúncia /nigro/) Infelizmente, Portugal também ficou famoso pelo domínio mundial do tráfico negreiro, e não é de espantar que o termo negro tenha sido adotado pelo Inglês para designar especificamente o africano escravizado.

albino - (igual, no Ing.) O termo vem de albo, forma antiga de alvo, sinônimo de branco; o termo foi usado por um explorador português do século 17 para designar os primeiros negros-aças que ele avistou na África. Depois, generalizou-se para qualquer ser vivo despigmentado, inclusive animais - entre os quais se incluem o elefante branco da Tailândia, a vaca branca da Índia e, possivelmente, a baleia Moby Dick.

cobra - (igual, com a pronúncia /coubra/) Ao lado do genérico snake, usam cobra para designar aquelas serpentes que têm a capacidade de inflar a pele do pescoço, formando uma espécie de sinistro capuz, como a naja. Quando os portugueses chegaram à Índia em 1496, deram a este estranho animal o nome de "cobra de capelo" (cobra de capuz); os ingleses importaram o nome, mas reduziram-no para cobra.

casta - (no Ing., caste) Casta é o feminino de casto, adjetivo que significa "puro, intacto"; como substantivo, designa uma linhagem vegetal ou animal com origem comum e caracteres semelhantes. Os portugueses usaram-no para designar os fechados grupos sociais em que se dividia a sociedade da Índia; logo o Inglês e a maioria das língua européias adotaram o vocábulo.

tanque - (no Ing., tank) No início, significava apenas "reservatório". Durante a I Guerra, contudo, quando os ingleses secretamente desenvolveram os primeiros carros de combate que rodavam sobre esteiras, espalharam o boato de que estavam construindo reservatórios de água motorizados para a campanha na Mesopotâmia, escrevendo "tank" nos engradados de madeira que levaram as peças para o solo francês, onde foram montados para entrar em ação.

marmelada - (no Ing., marmalade) Na tradição culinária portuguesa, é o tradicional doce de marmelo (sólido ou em forma de geléia), que acabou sendo suplantado, no Brasil, pela invencível goiabada.

O termo foi levado para a Inglaterra, no entanto, para designar o doce feito com a polpa de qualquer fruta, especialmente as cítricas; basta ver que a campeã inglesa de preferência é a orange marmalade, uma "marmelada" de laranja. "Marmelada de banana, bananada de goiaba, goiabada de marmelo" - escreveu Gilberto Gil, na música do Pica-Pau Amarelo. Nada mais britânico!

claudio.moreno@zerohora.com.br

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Clima
O Sul enregelado



Geada da manhã seguinte à noite mais fria do ano congelou até galhos de árvores, como em São Joaquim (foto Susi Padilha, Agência RBS/ZH)

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Sociedade
Lugar de homem é na cozinha
Pesquisa mostra que o altar não é mais o principal objetivo das mulheres, que não se conformam com a falta de divisão das tarefas em casa

Celina Côrtes

A idéia de que o casamento é o sonho dourado da mulher, enquanto o homem foge do altar como o diabo da cruz, prevalece desde a invenção das alianças e ainda inspira quase todas as comédias românticas. Mas tudo indica que essa idéia está com os dias contados. Uma pesquisa recém-concluída com dois mil homens e mulheres no Brasil mostra que, como fonte de felicidade, o casamento já é menos importante para elas do que para eles. O levantamento é parte de um estudo feito em 38 países e coordenado pela International Serving Social Program, entidade que mensura o impacto da entrada da mulher no mercado de trabalho.

A pesquisa deixa claro ainda que, para ela, o marido é cada vez menos importante do que a carreira. No Brasil, os pesquisadores detectaram motivos bem racionais para o desencanto da mulher com a idéia do doce lar. Um deles é a resistência dos homens em dividir os afazeres domésticos com uma parceira que trabalha fora de casa. Para ambos, no entanto, há uma incontestável fonte de realização pessoal, que a correria dos novos tempos atrapalha: acompanhar o crescimento dos filhos.

O estudo foi realizado no Brasil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pelo Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Os números mostram que as mulheres já representam metade da população economicamente ativa. Também contabilizam 50% das matrículas da escola básica às universidades. Chefiam uma em cada quatro famílias e aumentam sua participação nos cargos eletivos. Ao mesmo tempo, continuam reinando como donas-de-casa.

O paradoxo explica uma das maiores descobertas da pesquisa: a maioria dos homens (57%) acha que os casados são mais felizes do que os solteiros. De outro lado, apenas 44% das mulheres consideram que as casadas são mais felizes do que as solteiras. O casamento deixou de ser central na vida da mulher, sentencia a socióloga baiana Clara Maria Araújo, uma das coordenadoras do estudo.


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Sexta-feira, Maio 28, 2004




Caixa fêz hoje sorteio do PAR

O ministro das Cidades, Olívio Dutra, o prefeito de Porto Alegre, João Verle, o superintendente institucional da Caixa Econômica Federal/RS, Valdemir Colla, e o diretor do Demhab, Flávio Helmann, participaram hoje, às 16h, no auditório da Caixa, do sorteio que permitiu o ordenamento dos 3.280 inscritos para o Programa de Arrendamento Residencial.

O resultado esta divulgado nos murais em frente à Prefeitura (Siqueira Campos, 1300).

Parabens aos contemplados.

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Paim diz que governo será derrotado no Senado se insistir no mínimo de R$ 260

15:46 28/05
Agencia Brasil


O senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou hoje que o governo será derrotado no Senado, se insistir na proposta de salário mínimo de R$ 260, e contabilizou 53 votos, dentre os diversos partidos, inclusive da base governista, favoráveis a um valor maior para o mínimo.

Paim advertiu sobre o perigo que poderá representar um fechamento de questão, dentro da bancada do Partido dos Trabalhadores, em torno da medida provisória do mínimo de R$ 260. Segundo ele, a decisão poderá gerar a desobediência "de muitos deputados e senadores" e conseqüente expulsão desses parlamentares, o que representaria "um sério desgaste político para o governo Lula".

Pelos cálculos de Paim, haveria hoje no Senado 53 votos contra a proposta do governo, sendo três do PT (o próprio Paim, Serys Slhessarenko (MT) e Flávio Arns (PR); 17 do PFL; 12 do PSDB, 3 do PSB, 5 do PDT, 3 do PL, 2 do PPS e 7 do PMDB (um terço da bancada), além do voto da senadora Heloísa Helena (sem partido-AL), expulsa do PT por divergir de orientações partidárias. Na Câmara, são 21 os deputados "rebeldes" do PT, que se manifestaram por meio de nota ontem (27).

Paulo Paim garantiu que, se a proposta do salário mínimo do governo passar na Câmara, será rejeitada no Senado, e calculou que haverá número suficiente no Senado, mesmo que haja uma desistência de até 15% dentre os senadores, que ele conta que votarão contra o governo. O senador gaúcho disse que, como aliado do governo, tem procurado ajudar ao governo, advertindo seus dirigentes sobre determinadas posições, como fez ao chamar a atenção para a inconstitucionalidade da contribuição dos inativos, que está sendo julgada no Supremo Tribunal Federal. Um pedido de vistas suspendeu o julgamento, quando estava em dois votos a um, pela inconstitucionalidade.

Segundo Paim, o governo tem três alternativas na votação do salário mínimo: fechar questão e expulsar os rebeldes; não fechar questão e perder a votação, que imporia outro valor para o minimo; ou, segundo ele, "construir uma saída negociada com outro valor que não o de R$ 260 e que pode ser o de R$ 275 proposto pelo relator da medida provisória". O relator da MP do mínimo foi o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ).

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Sem parar

No corre-corre do dia-a-dia pode até passar batido, mas opção de lazer é o que não falta na centenária Avenida Rio Branco, que se orgulha do charme de cafés, livrarias e edifícios históricos
Tatiana Contreiras



A livraria da Travessa , no número 44, fica no térreo do edifício do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e ainda abriga o Bazzar Café, no mezanino

Quem passa apressado pela Avenida Rio Branco, entre a multidão que parece não ter fim, nem sempre se dá conta de que a antiga Avenida Central, outrora passarela da elegância carioca, abriga entre seus 25 cruzamentos verdadeiras preciosidades urbanas. Entre os modernos arranha-céus, ainda há espaço para lugares e hábitos tradicionais e novidades, por que não?

Na via que completa este ano 100 anos de construção. Criada inicialmente para facilitar o contato direto com o Porto, a Avenida Central foi aberta em tempo recorde: de 8 de março de 1904, quando a primeira casa veio abaixo, a 7 de setembro do mesmo ano, quando foi liberada para o trânsito. A inauguração oficial foi em 15 de novembro de 1905. Centro nervoso da cidade, a Rio Branco hoje tem opções que nem sempre aparecem à primeira vista, mas valem ser procuradas.

Logo ali, na Praça Mauá, o moderno RB1 abriga de academia de ginástica a restaurantes. Mas poucos estabelecimentos são mais tradicionais do que a Leiteria Mineira, que oficialmente fica na Rua da Ajuda há mais de 40 anos mas vá dizer isso para o passantes da Rio Branco e os freqüentadores que não deixam o sanduíche americano e a coalhada da casa há anos. A Leiteria ficava na Galeria Cruzeiro, onde hoje é o Edifício Avenida Central, explica João da Silva Costa, 77 anos, sócio da Leiteria Mineira desde 1950. Quando cheguei, a Avenida tinha duas mãos, árvores no meio... Carlos Lacerda, Café Filho e Juscelino Kubitschek vinham sempre, antes de ocuparem os cargos que chegaram a ter, relembra.



O Café Gioconda (E) fica em frente à Da Vinci e tem café exclusivo da casa. Já o Theatro Municipal (acima) dispensa apresentação: o prédio é dos mais bonitos da área

Além da Leiteria, do Museu Nacional de Belas Artes, da Biblioteca Nacional e do Teatro Municipal, tradição também não falta na Livraria Leonardo Da Vinci, no subsolo do número 185, o Edifício Marquês do Herval. Criada em 1952 pela italiana Vanna Piraccini, a Da Vinci tem o que ninguém gosta de vender, como dizem os vendedores. Livros raros, importados, de assuntos difíceis: estão todos lá, no acervo de 80 mil publicações. O número 185, aliás, esconde entre consultórios e escritórios um charmoso recanto, formado pela Da Vinci, pelo sebo de livros e CDs Berinjela e o Café Gioconda.



Já o Edifício Avenida Central (D) tem restaurantes, lojas e muito movimento

Tem gente que vem aqui todos os dias, revela Sílvia Chomski, sócia da Berinjela. Entre as estantes, dá para garimpar bons livros e CDs por preços bem em conta. Garimpar é também o que muita gente faz na Gibiteria e Bárbaras Magias, loja de RPG, quadrinhos e plastimodelismo, que consegue juntar desde senhores apaixonados por miniaturas a jovens como o office-boy Danilo Pugliese, 15 anos, aficionado por RPG. É a única loja que conheço por aqui, elogia o menino. Uma prova de que a Rio Branco atravessa gerações. (fotos Isabela Kassow)

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Fenômeno ou Santo?

Tratado como divindade pela comunidade da Cidade de Deus, Ronaldo dá esperança de dias melhores para moradores do bairro
Mauro Leão

A Cidade é de Deus, mas o atacante Ronaldo ganhou status de santo na comunidade de Jacarepaguá, depois que desceu do seu pedestal de maior ídolo do futebol mundial e esteve no bairro, na quarta-feira, doando R$ 160 mil para a restauração do teatro no Espaço Cultural. Ontem, dia seguinte da visita fenomenal, Ronaldo ainda era o assunto pelas esquinas. O gesto generoso do maior jogador do mundo era elogiado pelos moradores.

Jorge Washington de Souza Barros, 32 anos, porteiro da Associação de Moradores da Cidade de Deus, onde o Fenômeno foi homenageado, garante que um milagre aconteceu durante a aparição do atacante do Real Madrid.

Foi por milagre que o portão da associação não desabou. Tinha gente demais pendurada, todos querendo ver o Ronaldo de perto, afirma Jorge Washington, mostrando os estragos provocados pela multidão, na tentativa de tocar na careca do novo padroeiro gesto que passou a ser considerado como de boa sorte na comunidade.

Para a rubro-negra Fabíola de Oliveira Conceição, 21 anos, moradora na Travessa Cirene, Ronaldo deveria ser beatificado por ter se lembrado da comunidade carente: Só pode ser obra divina. Até agora a ficha não caiu. Jamais vou me esquecer do dia em que o Ronaldo se lembrou da gente.

Para moradora, é Deus no céu e Ronaldo na terra

Ela diz que a atitude do artilheiro foi de coração. Ele é uma pessoa famosa, não precisa aparecer. O curioso é que, mesmo ele tendo nascido numa região carente (Bento Ribeiro), doou um dinheiro importante para a Cidade de Deus. Para mim, é Deus no céu e Ronaldo na terra, assegura Fabíola.

Mesmo sem ter conseguido se aproximar de Ronaldo, ela garante que firmou o pensamento com a mente do ídolo. Mentalizei com muita fé e pedi para que ele, com a sua luz, me ajude a realizar o meu sonho de ser professora de dança. Quero ensinar às crianças pobres. Com a recuperação do Centro Cultural da comunidade, quem sabe não posso me tornar uma bailarina e me transformar numa ótima professora, sonha a fã.

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David Coimbra
28/05/2004


A vizinha pelada

Eu tinha uma vizinha pelada. Por Deus. Todas as noites, depois do boa-noite do Jornal Nacional, ela dançava diante do espelho. Ia tirando a roupa até ficar nua, nuinha. Morava no prédio bem em frente ao meu. Era legal. Quando chegava a hora, eu abria uma garrafa de vinho e me aboletava à janela. Dali a pouco, lá vinha a morena, ondulando feito uma Salomé.

Tempo bom aquele. Tempo em que vivia uma fase, digamos, de repleta agenda social. Caía na esbórnia todas as noites, chegava em casa de manhã, a zeladora varrendo o corredor, as velhinhas do edifício saindo para ir à missa, e eu zonzão, a um minuto de me enrolar no edredom. Um dia, minha madrinha Sônia, ao saber dessa rotina, balançou a cabeça, fazendo tsc tsc:

- Que vão pensar os vizinhos...

De fato, não deviam acalentar pensamentos airosos a respeito da minha pessoa. Mas, também, de que adiantaria mudar de hábitos? Alguém, em algum lugar, consegue controlar a opinião que os outros têm dos outros? Não, óbvio que não. Então, deixe estar, como cantavam os Beatles.

Assim a história da imagem do Brasil no Exterior. As pessoas se preocupam bastante com a imagem do Brasil no Exterior. O que é bonito, aliás. E bem patriótico. Mas adianta? Todo o alvoroço com a publicação daquela pífia matéria a respeito de o Lula estar bebendo demais ou não, tudo aquilo foi feito para preservar a imagem do Brasil no Exterior. Ora, tenho alguma experiência em imagens exteriores: a que eu mesmo faço de outros países. Pois a experiência me sugere que construo tal imagem a partir do interior desses países. Quer dizer: se tudo estiver bem dentro do país, o que vier de fora não será problema.

Foi por isso que continuei na pândega durante algum tempo, ainda, naquela época da vida. Dos vizinhos, para mim, só importava mesmo a pelada do prédio em frente. Por ela, e só por ela, faria um esforço pela minha imagem. Mas justamente ela, quanta ironia, jamais levantou os olhos do espelho diante do qual dançava nua, nuinha. Justamente ela pouco se importava se eu chegasse às quatro, às seis ou às oito da manhã. Minha vizinha pelada, eu a via como nós, no arrabalde do mundo, vemos os americanos: distante, superior, indiferente, quiçá arrogante. Ela era tudo isso, mas que saudade da minha vizinha pelada.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Mauren Motta
28/05/2004


Um mais um

Maio é o mês das noivas, junho é o mês dos namorados, e para quem está SEM, pode até ser o mês do pânico! Mesmo que a gente queira esquecer o fatídico dia 12, sempre tem um anúncio de jornal ou uma propaganda de rádio pra lembrar. Não acho que todo mundo esteja desesperado, mas duvido de quem se diz totalmente completo sem um par do lado.

E não me venha com esse papinho de que você se basta e é feliz sozinho. Sempre tem alguém que se encaixa com a gente. Por isso mesmo que é bom. Quando juntos viramos um, e cada pedaço do corpo parece pouco, é que tudo fica lindo. Essa combinação, além de fazer muito bem pra pele, incendeia o coração.

O problema é quando a gente não se encaixa com ninguém. Se começar a procurar então, aí sim é que não pinta. E a reclamação é geral: mulheres decepcionadas, homens insatisfeitos. O Estar Só parece até uma patologia que toma conta do mundo. Mesmo que você esteja na "guerra", é dureza encontrar um parceiro. Quando um quer o outro não pode, quando o outro quer o primeiro já se cansou, e por aí vai...

Tranqüilidade é fundamental, ansiedade estraga tudo. Uma amiga me contou uma história que se não fosse cômica seria muito triste. Rafaela andava tão doida por um namorado que nem conseguia disfarçar. Suas reações eram patéticas. Se visse na rua um casal abraçado ia logo resmungando: "Odeio casais felizes!". Assim ela nunca iria arranjar ninguém! No auge da loucura, passou a tirar satisfações dos homens. Numa festa, um gatíssimo ouviu: "Você não tem direito de ficar sozinho com tanta mulher dando sopa! Que coragem a sua olhar e não atacar ninguém!". Ora, a Rafaela estava "desês", e o garoto não tinha culpa disso. Portanto, muita calma nessa hora.

Agora se você está feliz com seu par, não esqueça de se preparar para o dia dos namorados. Um mimo cai tri bem, nem que seja uma florzinha arrancada do jardim da casa da sua tia. Pra quem está sem, cair na balada pode ser uma bela oportunidade de conhecer alguém. Até porque não tem hora marcada pra gente ser feliz.

Beijolas apaixonadas.

mauren@rbstv.com.br

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Paulo Sant'ana
28/05/2004


No tempo de Dondon

Deve ser do grande Nei Lopes o clássico samba: "No tempo que Dondon jogava no Andaraí/ nossa vida era mais fácil de viver/ não tinha tanto miserê/ nem tinha tanto tititi/ no tempo que Dondon jogava no Andaraí".

Resta-nos agora o saudosismo. Os jovens de hoje devem ser mais felizes do que nós, exatamente porque não possuem o parâmetro.

Esses jovens já deram de cara com este mundo agressivo que está aí, sem empregos, com criminalidade em níveis assustadores, uma informalidade acirrada que foge dos impostos carnívoros e arrasta desesperadamente os camelôs para as calçadas.

No tempo em que Dondon jogava no Andaraí, nossa vida era mais fácil de viver.

Havia empregos, todos possuíam de alguma forma um lugar decente para morar, arroz, feijão e carne, depois de uma taça com pão e manteiga, às vezes um mineiro quente com mata-fome, as pessoas tinham esperança nos políticos, a mesma esperança que nos últimos meses desapareceu por completo e arrasta as multidões para o desânimo.

Era o tempo em que Dondon jogava no Andaraí, o tempo em que os impostos eram tão honrados e humanos que não havia sonegadores.

Era o tempo da esperança. Os jovens que conseguiam penetrar na universidade tinham a garantia do futuro.

Hoje, os jovens que ingressam nos cursos universitários fazem-no dominados pela incerteza, esvoaça sinistramente sobre seus espíritos a perspectiva sombria do desperdício do diploma.

No tempo em que Dondon jogava no Andaraí, o salário mínimo era o máximo. Eu era adolescente e ganhava salário mínimo de menor, a metade do salário mínimo.

O salário mínimo de maior era de Cr$ 1.800, dava para comer, dava para alugar duas peças, dava para assistir a O Ébrio no cinema de domingo, havia só o Centro e os arrabaldes, gastava-se só uma passagem, no máximo duas para ir até o serviço, hoje, nas regiões metropolitanas, desumanamente, as pessoas gastam quatro horas por dia para irem e voltarem do trabalho, quem trabalha oito ou nove horas por dia e ainda gasta quatro horas de transporte não é gente, é um farrapo humano.

Escapa a dignidade de quem trabalha numa cidade e é obrigado a morar noutra. Não há vida no tempo que não sobra.

No entanto, no tempo em que Dondon jogava no Andaraí, em vez dos passantes se esquivarem dos camelôs e dos assaltantes, tinham que somente de modo cordial driblar as cadeiras preguiçosas nas calçadas, era concedido aos solteiros e às famílias o direito de um churrasquinho de quintal no fim de semana, de regalito um violão, pandeiro e cavaquinho.

Mas isso era no tempo em que Dondon jogava no Andaraí, quando os salários não pagavam imposto de renda e nos grupos escolares a educação era na maioria das vezes mais perfeita que a dos colégios particulares.

Havia namoro, havia noivado e havia casamento. Hoje é uma barafunda que ninguém mais entende, há mais separações que casamentos, não há mais namoro e nunca mais se ouviu falar sequer de um noivado.

No tempo em que Dondon jogava no Andaraí, não havia fila nos hospitais, que eram lugares somente destinados aos grandes galhos de saúde, os postos de saúde davam conta antes de toda a demanda.

Imaginem, os partos eram feitos em casas pelas parteiras. Hoje, o INSS brada contra a indústria da cesariana!

Foi-se o tempo em que Dondon jogava no Andaraí.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Diplomacia
Emoção na partida para o Haiti



Doze militares gaúchos se despediram de familiares e embarcaram em missão de paz para Porto Príncipe (foto Ronaldo Bernardi/ZH)


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Quinta-feira, Maio 27, 2004




Casar, tomar sorvete ou comprar uma bicicleta?

Seu córtex orbitofrontal avalia as chances de você se arrepender de uma decisão
Como seria sua vida hoje se você tivesse feito outra faculdade, casado com a primeira namorada ou comprado aquele apartamento mais feinho, mas muito mais barato? Talvez melhor, talvez pior, mas você nunca saberá ao certo. O que é ótimo, aliás: segundo um estudo francês publicado em 21 de maio na revista Science, descobrir que as coisas poderiam ter sido melhores é um grande estraga-prazeres -- e o culpado é o córtex orbitofrontal (COF), região situada na porção mais frontal do cérebro, entre os olhos.

O estudo mostra que o COF é necessário para a sensação de arrependimento, aquela emoção indesejada que só aparece quando se compara o que é com o que poderia ter sido. Em um jogo simplificado de roleta, a equipe de Angela Sirigu, no Centro Nacional de Pesquisas Científicas francês, pediu a 18 voluntários saudáveis que avaliassem sua satisfação com o resultado da escolha de rodar uma de duas roletas, cada uma com chances diferentes de fazer o jogador ganhar ou perder dinheiro.

Se apenas a roleta escolhida era rodada, os voluntários ficavam felizes de ganhar dinheiro e tristes de perdê-lo, como seria de se esperar. No entanto, quando a outra roleta também era rodada -- 'só para saber o que daria' --, conhecer o resultado podia acabar com a alegria de um pequeno prêmio em dinheiro. Bastava o prêmio máximo equivalente a 40 reais ser sorteado na roleta não escolhida, e o jogador, arrependido, se dizia até triste de ter ganhado 10 reais na sua roleta.

O estudo avaliou 5 pacientes com lesões no córtex orbitofrontal, representadas em rosa no esquema acima (imagem: Science)
Os cinco pacientes com lesões no COF que participaram do mesmo jogo ficavam igualmente alegres ou tristes com o resultado de suas decisões. Mas não sentiam arrependimento: para eles, o resultado da roleta não escolhida era indiferente. Sem o COF, o cérebro não tem mais como comparar o que foi com o que poderia ter sido, e 10 reais na mão serão sempre melhores do que 40 voando na roleta não escolhida.

Poderia até parecer uma benção, se não fosse um problema -- e os problemas aparecem com a repetição do jogo. Ao longo de 30 rodadas, os jogadores normais acumularam em média (e levaram para casa!) mais de 70 reais, mas os pacientes com lesão no COF só conseguiram ganhar dívidas, de 20 reais aproximadamente.

Um modelo matemático do jogo e das escolhas de cada jogador indica a razão. Embora a expectativa de maximizar os ganhos e minimizar as perdas seja o fator mais importante na hora de tomar decisões financeiras, como minha irmã economista já havia me ensinado, jogadores normais também levam em consideração a chance de arrepender-se, dependendo dos resultados possíveis da opção alternativa. Sem o COF, e desse modo sem a chance de arrepender-se, os pacientes contavam apenas com a decisão racional de maximizar os ganhos -- e acabavam se endividando.

Tomar boas decisões, portanto, é maximizar os ganhos mas também evitar arrependimentos. E evitar arrependimentos, como o estudo mostra, é algo que só se aprende... se arrependendo ocasionalmente, até que o cérebro passe a antecipar hoje o seu arrependimento de amanhã, antes de tomar uma decisão. Tudo isso graças ao COF, estrutura por sinal muito bem relacionada: conversa com regiões dorso-laterais do córtex pré-frontal, que cuidam do raciocínio e do planejamento; com estruturas do sistema límbico, responsáveis pela expressão das várias emoções; e participa da avaliação de recompensas e resultados como bons ou ruins.

Não é à toa que o COF é o último pedaço do córtex a ficar 'pronto' na adolescência, como mostra um estudo a ser publicado em 25 de maio nos Proceedings of the National Academy of Sciences dos EUA. Faz sentido: ser adulto é tomar decisões dezenas de vezes por dia, e o COF dos adolescentes deve mesmo estar em franco aprendizado, à medida que eles se apaixonam pelas pessoas erradas, bebem demais, e com um pouco de sorte começam logo a se arrepender de não ir à escola ou gastar dinheiro com besteiras.

Sorte têm as crianças, que não precisam decidir grandes coisas além do sabor do sorvete...

Fonte:
Camille N, Coricelli G, Sallet J, Pradat-Diehl P, Duhamel, JR, Sirigu, A. The involvement of the orbitofrontal cortex in the experience of regret. Science 304, 1167-1170 (2004).


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27/05/2004 - 16h30m
Meteorologia: cidade está em alerta

Túlio Brandão - O Globo

RIO - O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos emitiu um alerta para o litoral do estado do Rio de Janeiro válido desta quinta-feira até domingo. Segundo o meteorologista Valdir Innocentini, a pista de ventos gerada por um ciclone extra-tropical no Sul do país sopra na direção norte, o que favorece a propagação de ondas para o litoral do Rio. Os modelos climáticos do centro indicam ondas com alturas superiores a três metros na tarde de quinta-feira, que chegam em intervalos de 12 segundos à costa. A situação não deve se alterar até domingo, quando a ressaca perderá energia lentamente.

Nesta sexta-feira, a previsão do Climatempo é de que uma frente fria deixe o céu com muitas nuvens no norte fluminense. Nas outras regiões o dia começa nublado com névoa, mas o sol aparece entre nuvens logo pela manhã. A temperatura sobe, mas ainda faz frio. No sábado, o tempo quase não muda e a temperatura continua em elevação. No domingo, o sol brilha mais forte, com neblina ao amanhecer. A partir de segunda, uma nova frente fria provoca chuva no Estado.

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27/05/2004 - 18h38m
Rio Grande do Sul deve ter o dia mais frio do ano nesta sexta-feira

O Globo

RIO - O Rio Grande do Sul terá nesta sexta-feira o dia mais frio do ano, com temperaturas que poderão chegar a três graus negativos nos Campos de Cima da Serra, região que abrange os municípios do estado onde faz mais frio: São José dos Ausentes, Bom Jesus, Cambará do Sul e São Francisco de Paula.

O ciclone extratropical que causou forte turbulência no mar e rajadas de vento de até 119 quilômetros por hora em Santa Maria, na região central do estado, e de 133 quilômetros por hora em Siderópolis, no sul de Santa Catarina, na quarta-feira, seguiu para o Atlântico. Agora é uma massa de ar polar que provoca queda acentuada da temperatura.

As temperaturas que chegaram a 3 graus em São José dos Ausentes e entre 4 e 5 graus na fronteira com o Uruguai e a Argentina. Na região dos planalto gaúchos, deve cair para 0 a 3 graus negativos nos Campos de Cima da Serra, um grau negativo a dois graus positivos na Serra (Gramado, Canela, Caxias do Sul e cidades próximas) e 1 a 2 graus positivos na Grande Porto Alegre.

Com a normalização das condições atmosféricas, a barra do Porto de Rio Grande foi reaberta no início da manhã desta quinta-feira, permitindo o ingresso de navios que se encontravam em alto-mar e também a saída dos navios que já estavam carregados. Anteontem, as ondas em alto-mar, na costa gaúcha, chegavam a seis metros de altura, tornando impraticável o acesso ao porto, que é o mais importante do Mercosul.

Bom embora não creia muito nestas previsões de tempo, talvez assim como nos horóscopos a vivência diária com este friozinho tem me feito crer.

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Ela quer ficar nua

Vera Fischer fez questão e cena de nudez está em A Primeira Noite de um Homem, que estréia na semana que vem
Rubia Mazzini

Olhando a imagem desta página dá para acreditar que um dos passatempos preferidos de Vera Fischer ultimamente é fazer palavras-cruzadas em seu sítio em Guaratiba? Pois é. Mas para deleite dos admiradores de sua beleza e talento a estrela resolveu dar um tempo na vidinha pacata que vem levando para voltar ao batente na pele de uma personagem poderosa que só ela. Com direito a uma já comentadíssima cena de nu, Vera interpreta a voluptuosa Sra. Robinson, a responsável pela iniciação sexual do jovem franguinho Benjamim Bratt na peça A Primeira Noite de um Homem, que estréia quinta-feira no Teatro Clara Nunes.

Adepta do lema em nome da arte, vale tudo e, além disso, super em forma aos 52 anos, Vera fez questão de manter a nudez da Sra. Robinson na cena em que ela seduz Benjamim papel do novato Armando Babaioff , mesmo depois do diretor, Miguel Falabella, ter hesitado. Tudo, diz Vera, para ser fiel ao espírito da personagem. É uma cena de conquista, ultra-rápida, mas fundamental, em que ela quer amedrontar o garoto. Quer fazer com que ele se sinta desse tamanhinho. Então acho que colabora com a cena ela ficar nua, observa a musa, que apesar da certeza e da experiência em tirar a roupa profissionalmente diz sentir uma certa timidez.

É uma cena ultra-rápida, mas fundamental, em que ela quer amedrontar o garoto

Todo mundo já está cansado de me ver nua. Mas é claro que fico meio envergonhada. Só que uma atriz precisa fazer de tudo. E eu nunca tive medo de nada, afirma a estrela. Com a mesma segurança, ela jura que não precisou usar nenhum artifício para se despir sem culpa. Não faço essas coisas. Tem que ficar magra, então estou magra. Parei com remédio, médico, há meses. Consegui fechar a boca, me disciplinar. Isso é uma coisa muito boa que aprendi.

Já estão cansados de me ver nua. É claro que fico meio envergonhada. Mas uma atriz precisa fazer tudo

Disciplinada e em paz. Solteira, Vera diz que cansou da badalação e, além da peça, só pensa na criação do filho, Gabriel, de 11 anos, da união com Felipe Camargo Falo mais com a namorada dele (Kelen Varella), do que com ele mesmo. Mulher se entende, né? e no sítio de Guaratiba, para onde foge sempre que dá. Perdeu a graça sair. Os lugares, as coisas que acontecem, é muita multidão. Vou a festa em casa de amigos, porque aí posso dançar, curtir. Fico mais curtindo meu filho, meu sítio, meus cachorros. Acho que isso tem muito mais a ver atualmente na minha vida.

A Sra. Robinson da peça, adaptada e dirigida pelo amigo Miguel Falabella, também tem tudo a ver com Vera. Se existe uma atriz no Brasil que pode fazer a Sra. Robinson e ficar nua, é a Vera Fischer, baba o diretor. A Sra. Robinson é poderosa e verdadeira. Mas a verdade dela dói, porque diz as coisas nuas e cruas para as pessoas. É uma alcoólatra, uma mulher entediada, que não sabe o que fazer da vida. Daí tem a idéia de atrair esse menino, filho dos melhores amigos dela. Ela é cruel, amoral, observa a musa, que não tem dúvidas ao responder sobre sua posição predileta nos jogos do amor. Prefiro seduzir. Isso está em mim, eu sou como sou.

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Vantagem é do 15

GÉSSICA TRINDADE/ Enviada Especial/São Paulo

Pacaembu vazio, gramado repleto de jogadas engenhosas do 15 de Novembro e do Santo André desde os instantes iniciais da partida. O time gaúcho consagrou-se com o placar de 4 a 3 no primeiro confronto pela semifinal da Copa do Brasil, na capital paulista, com lances e cruzamentos ininterruptos na área adversária. Ao final do segundo tempo, o jogo evoluiu para uma disputa dramática. Ainda assim, o time de Campo Bom tem vantagem para o jogo de volta, dia 9 de junho, no Olímpico.

Apontada pelo técnico do Santo André, Péricles Chamusca, como a mais temida característica de seu rival, ainda na chegada ao estádio, a velocidade do 15 na armação das jogadas revelou-se o pior tormento do time do ABC paulista. Apenas quatro minutos depois de perder uma chance diante do goleiro Júnior, o atacante Bebeto marcou de cabeça, aos 21.

A pequena torcida do 15 no Pacaembu, em sua maioria proveniente de Cândido Mota, terra do meia Canhoto, a 450 quilômetros de São Paulo, não sentou mais nas arquibancadas. Avô do meia, Benedito Paes, 75 anos, e a avó, Terezinha, 65, encarangados de frio e envoltos em mantas, vibraram de pé a cada lance do neto e de seus colegas.

- Eu nunca esperava ver um neto jogando no Pacaembu, ainda mais ganhando - contou com lágrimas nos olhos o avô, torcendo para o jogo terminar.

O time paulista empatou aos 33, de pênalti, com Barbieri. Na segunda etapa, aos seis minutos, Patrício arrancou, pela direita, e Dauri marcou de cabeça. Dois minutos depois, Patrício marcou o terceiro, aproveitando a falha do goleiro Júnior. Aos 13, os 4 a 1: gol de Bebeto, seu segundo na partida.

Não se passaram dois minutos da comemoração quando o Santo André começou a reviravolta. Tássio descontou aos 15 minutos, em uma saída atrasada do goleiro Pitol. Sob os gritos de Mano Menezes, Osmar fez o terceiro do Santo André, aos 24. Somente depois da expulsão deste atacante, já no fim da partida, Campo Bom respirou com alívio.

( gessica.trindade@zerohora.com.br )

Creio que só milagre mesmo para o Sto André conseguir reverter esta vantagem adquirida ontem a noite pelo XV.

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Nilson Souza
27/05/2004


Múltipla escolha

A Unisinos resolveu adotar um novo modelo de vestibular este ano, substituindo as tradicionais provas de cruzinhas por questões dissertativas. Ou seja: a garotada terá que se comunicar por escrito. Alguns jovens certamente tirarão de letra, mas será um desafio e tanto para quem está acostumado a usar apenas gírias e interjeições nos seus diálogos. Só a redação deverá ter entre 60 e 75 linhas. E outros cinco temas da atualidade serão propostos aos candidatos, para que eles mostrem se são capazes de interpretar textos, desenvolver um raciocínio lógico e expressar adequadamente suas idéias.

Escrever sempre dói um pouco, mesmo para quem passa a vida juntando letrinhas por dever de ofício. Mas é uma dor prazerosa, pois possibilita a imediata visão da obra realizada. Quando a gente termina uma frase ou um parágrafo - e gosta do que escreveu -, é muito gratificante. Quando o leitor gosta também, ou é tocado pela mensagem, a realização é maior ainda.

Equivoca-se, porém, quem pensa que a dissertação elimina totalmente a múltipla escolha. Escrever é sempre uma escolha múltipla, que envolve, entre outras ações, a seleção das palavras a serem utilizadas, a decisão prévia de ler bons textos e bons livros, a coragem de divulgar idéias e sentimentos e, principalmente, a persistência de tentar até acertar. Não é um dom reservado apenas para seres especiais. Qualquer pessoa alfabetizada e com domínio da língua pode se comunicar por escrito.

E bem - se tiver humildade para se corrigir, para fazer um bom planejamento, para mostrar o trabalho a pessoas mais experientes e para reescrever quantas vezes for preciso. Obviamente, não é possível fazer isso numa prova de vestibular, com limitação de tempo. Mas dá para começar bem antes, com boas leituras e, principalmente, com o exercício da escrita.

Outro dia vi numa reportagem de televisão que está virando moda entre os jovens a troca de bilhetinhos nas festas. É uma brincadeira, provavelmente as mensagens sejam até cifradas, com símbolos e abreviações da linguagem informática. Mas não deixa de ser um exercício promissor de comunicação. O que importa, na verdade, é ser compreendido pelo próximo.

A vida também é uma prova de múltipla escolha, para a qual nem sempre temos conhecimento suficiente acumulado. Muitas vezes, como nos testes de cruzinhas, temos que apelar para a intuição - que, em última análise, é uma forma de pensar com o coração.

nilson.souza@zerohora.com.br

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Leticia Wierzchowski
27/05/2004


Verdadeira história de pescador

Estive no médico dia desses, e o doutor, mapeando meu passado, quis saber se eu ainda tinha os avós vivos e, se não os tinha mais, qual havia sido o motivo das suas mortes, e em que idade. Fiquei ali uns minutos rememorando as desditas familiares (meus quatro avôs já são falecidos), e por alguns instantes me senti traçando as linhas gerais de um romance.

Fui embora um pouco pesarosa de saudades. Meu avô materno morreu aos 65 anos. Minha avó materna eu não conheci, morreu antes do casamento dos meus pais, e deixou certa aura de "santa", como todas as pessoas que morriam cedo nos antigamentes.

Minha avó paterna era uma senhora que viu de tudo neste mundo para morrer por engano aos 87, quando baixou hospital para fazer uns exames, e uma enfermeira desatenta ministrou-lhe o remédio da paciente da cama ao lado. Disso eu já era moça, e lembro bem do desconsolo - a avó Maria certamente chegaria aos 100.

Meu avô paterno era catarinense e tinha um nome que sempre me evocou fantasias. Bertuíno. Apesar do nome que faz lembrar aqueles homens do deserto, nada tinha de brutal ou selvagem; ao contrário, era calado, custando para cuspir uma palavra, mas olhava o mundo com uns olhos meio tristes. Gostava mesmo era de pescar, e foi pescando, desde cedo, que teve a premonição de que ia morrer no próximo inverno. Bertuíno pescava de tarrafa, aquelas redes circulares que se lançam à mão; todo verão, ao final de março, ele chamava um dos netos e dizia "meu filho, pegue esta tarrafa pra ti, o avô está velho e não passa deste inverno".

No verão seguinte, estava o avô lá outra vez, e sem tarrafa - lá se ia meu pai a comprar-lhe outra para as pescarias. Foi assim durante muitos anos: ao final do verão, o avô Bertuíno chamava um neto e passava adiante a rede, porque estava velho e, para ele, tempo de velho morrer era no inverno. Distribuiu fartamente as suas tarrafas, pois tinha dezenas de netos, dos seis filhos que fez na mulher (eram sete, mas um deles, em criança, afogou-se num açude).

Em certa pescaria noturna, no final de um verão, uma veia se lhe rebentou dentro do nariz, e ele prosseguiu pescando, pescando, enquanto seu sangue se esvaía no escuro e ia tingindo o mar. O avô caiu na água sem sentir, depois de muito sangue perdido, e foi levado ao pequeno hospital praiano, onde, já em estado de choque, recebeu precário atendimento. Não iria morrer ali, mas aquele foi o começo da sua morte. Para um velho pescador, tinha lá o seu encanto, derramar o sangue no mar... Ele morreu alguns anos depois, num começo de outono; depois de tantos verões, não teve decerto paciência de esperar a chegada do inverno.

leticia.wierz@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
27/05/2004


O modelo

Notícias de gripes na China são duplamente preocupantes: porque as gripes podem ser epidêmicas e porque elas possibilitam uma hipótese temida pela ciência há anos: a de que um dia todos os chineses espirrem ao mesmo tempo e desviem a Terra da sua órbita na direção do Sol e da extinção certa.

Na verdade, a China pode mudar a história do mundo de várias outras maneiras. Já está mudando conceitos econômicos e preconceitos políticos, pois não há ortodoxia que resista à idéia de uma população de mais de 1 bilhão - de consumidores ou de inimigos, dependendo de quem está pensando. Seja como for, com a sua modernização e seu crescimento explosivos, a China é hoje um modelo triunfante. Resta saber, exatamente, de quê.

Guardadas as óbvias desproporções, China é para os liberais um pouco o que Cuba é para a esquerda: o problema é saber até onde elogiar. Cuba é um exemplo de independência dos Estados Unidos e de prioridades sociais mantidas apesar da penúria e do boicote. Quanto à restrição de direitos políticos, a repressão a dissidentes e a eternização do Fidel, é melhor mudar de assunto.

A nova China é um exemplo das vantagens da abertura econômica e da competição capitalista, mas nenhum liberal pode usar seu governo comunista como exemplo da sua ortodoxia preferida, o Estado mínimo. E na China também se desrespeitam direitos humanos. Mas, neste caso, o pragmatismo empresarial vence qualquer prurido. O que é um pouco de hipocrisia diante das possibilidades de um mercado desse tamanho?

Na sua busca de um modelo de país grande para ser e para conviver com os Estados Unidos, já que ainda não pode ser o Canadá, a Rússia ou a Austrália, o Brasil tem três escolhas: a Índia, a Indonésia e a China. Este último é o modelo mais entusiasmante, mas é preciso pensar no que se está recomendando. A China atual é produto de uma transformação violenta, o que está aí é o que sobreviveu a uma processo cruel como não se conhece outro igual, uma guerra contra a fome e contra o seu próprio passado que atravessou algumas gerações.

O exemplo da China é o desta transformação e o seu efeito, ou é apenas o de uma americanização tardia sem antecedentes? Ignorando a sua história, alguns empresários brasileiros podem voltar da China convencidos de que o que o Brasil precisa mesmo é não de uma transformação social parecida, mas de um governo comunista que não se meta muito.

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Paulo Sant'ana
27/05/2004


O homem é mau

Uma velha discussão: o ser humano é bom ou mau? Nascemos bons e nos tornamos maus ou nascemos maus e a educação e a religião nos tornam bons?

Há pessoas que acreditam no ser humano e apostam que, apesar de todas as crueldades, torturas e guerras que ele patrocina, o bem acaba sempre triunfando sobre o mal e a humanidade caminha para a perfeição.

Só que de repente deparamos com uma notícia arrasadora: uma pequena multidão se organizou em Sapucaia do Sul e montou um rinhadeiro, onde cães da raça pitbull travavam batalhas de sangue até a morte.

Quem leu essa notícia em Zero Hora ficou estupefato. Na volta do tambor da rinha, de altura de mais de um metro, o que quer dizer que se por acaso algum dos cães quisesse fugir do combate não poderia fazê-lo, sendo estraçalhado pelo outro, situavam-se os assistentes, muitos deles apostadores em dinheiro, exatamente como acontece com a luta entre galos.

Alguns espectadores deviam ir até esse rinhadeiro de Sapucaia do Sul por mera curiosidade? Acho que não, todos que iam até lá eram pessoas sádicas, sedentas de sangue, sentiam prazer em assistir à dor dos animais litigantes.

Um amigo meu me alerta para os combates de luta vale-tudo que são exibidos na televisão. Segundo ele, o movimento do pay-per-view dessas lutas, isto é, das pessoas que contratam esses espetáculos para assistir a eles privadamente em suas casas, pela televisão, é maior do que a compra de jogos do campeonato brasileiro pelo mesmo sistema.

E já viram os leitores essas lutas de vale-tudo entre humanos? É quase uma carnificina, apenas se diferencia da rinha de pitbulls de Sapucaia porque há um juiz que impede que um lutador mate o outro quando o combate se desequilibra para um lado.

Mas o princípio é o mesmo na luta entre homens e animais: o espectador se delicia com a dor e o massacre que sofrem os lutadores.

Alguém tem dúvida de que, se a lei permitisse, nós teríamos ainda hoje em nosso meio as lutas entre gladiadores que se verificavam no Coliseu da Roma Antiga? Não tenham dúvidas, os estádios estariam mais lotados que os do futebol.

Se a lei permitisse, eu imagino só a sofisticação dos combates que se travariam no Olímpico e no Beira-Rio entre homens e animais selvagens, de homens contra homens e de animais contra animais. E os domingos seriam preenchidos pela emoção dos espectadores com essas lutas.

Não há hoje essas refregas porque a lei não permite. Então definitivamente fica claro, mais ainda por esse exemplo da rinha entre cães pitbulls de Sapucaia, que a índole do ser humano é má.

Pior que isso ou igual a isso acontece atualmente - e diariamente - no Iraque, em Israel, na Palestina: os homens fazendo verter o sangue dos outros homens.

No Iraque, em Israel e na Palestina, os homens passaram por cima das leis e foram caçar os outros homens.

Em Sapucaia do Sul, os sedentos de sangue estavam driblando a lei e satisfazendo suas taras no rinhadeiro clandestino.

A lei é que contém a maldade do homem. Ou seja, o homem é naturalmente mau, intrinsecamente mau, só a lei pode contrariá-lo e impor limites para a sua maldade.

A lei é o instrumento principal da civilização. Por isso é que no Iraque, em Israel e na Palestina, com a lei vencida e desprezada pelos homens, a civilização entrou num bárbaro retrocesso, o mesmo retrocesso da rinha de cães de Sapucaia.

Basta um descuido, que as feras humanas se soltam.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Previdência

Relatora vota contra desconto de inativos e STF adia sessão

Considerada pilar da reforma da Previdência, a taxação dos servidores inativos sofreu um grande revés no Supremo Tribunal Federal (STF), com o voto contrário da relatora Ellen Gracie. A medida havia sido aprovada em 2003 pelo Congresso. O pleno do STF está julgando duas ações de associações de integrantes do Ministério Público.

Um dos ministros pediu vistas do processo, o que provocou a interrupção da sessão no momento em que o desconto estava sendo derrubado por dois a um. A ministra argumentou que um tributo só pode ser criado se houver um benefício correspondente. Seis ministros ainda não se pronunciaram.

Acredito que ninguém pensasse diferente e para isso existe o judiciário, não é assim?

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Atletismo
Os jovens heróis da maratona



Três irmãos do bairro Cohab, de Porto Alegre, apostam na corrida de rua como forma de melhorar de vida (foto Júlio Cordeiro/ZH)


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Quarta-feira, Maio 26, 2004




Celebridade: Darlene é bonitinha, mas ordinária

A coisa que mais me irrita ultimamente ao assistir "Celebridade" é o fato de todo mundo ter peninha da ex-manicure Darlene (Deborah Secco). A garota, que é obcecada pela fama, sempre recebe olhares condescendentes dos demais personagens, mesmo tendo sacaneado muita gente para atingir seus objetivos muito pouco nobres.

Logo nos primeiros capítulos, a gata-garota ferrou seu namorado, Vladimir (Marcelo Faria), ao fazê-lo posar nu para uma revista gay -o que acabou fazendo com que ele fosse expulso do Corpo de Bombeiros.

Depois, crente que ia ganhar um programa de TV, ela enganou sua própria tia para ajudar Laura (Cláudia Abreu). Com isso, acabou prejudicando terrivelmente sua ídola, a insuportável Maria Clara Diniz (Malu Mader). Com as provas que Laura e Darlene levantaram, a superhipermegaprodutora perdeu os direitos sobre a canção "Musa do Verão" e os royalties dos produtos com a marca Summer Spell. Para piorar, isso acabou sujando a barra de Ademar (Daniel Dantas), pai de Darlene.

Na sequência, a sonsinha do Andaraí tentou enganar a família de Renato Mendes (Fábio Assunção) inseminando-se com material que Caio (Théo Becker) havia depositado em uma clínica de fertilização. Aí, quando os filhinhos nasceram e ficou provado que tudo era mais uma farsa, todo mundo foi lá e passou a mão na cabeça da moça, até mesmo Yolanda (Nathália Timberg), que seria tia bisavó dos rebentos, no maior estilo "me engana que eu gosto".

Aí, para completar, a piranha do Piscinão de Ramos resolveu dar o que tem de melhor -se é que vocês me entendem- para o rico e manipulável Inácio (Bruno Gagliasso). Com isso, ela conseguiu abrir algumas portas no grupo Vasconcellos, ganhou a promessa de que seria capa da revista "Fama" e muito mais. Quando teve dificuldades para emplacar seu programa de TV, não hesitou em chantagear sua sogra, a frágil e insegura Beatriz (Deborah Evelyn). Tudo bem que a Marilyn Manson do Leme entrou para o Guinness Book como a perua mais chantageada do planeta, mas Darlene faz suas exigências de uma maneira tão natural que parece até que essa atitude abominável é a coisa mais aceitável e normal do mundo...

E assim vai a nossa heroína que pode até ser bonitinha, mas é ordinária como poucas. O público não aprova as atitudes de Darlene, pois a popularidade da personagem é inferior à de Maria Clara, de Eliete (Isabela Garcia) e de Jaqueline Joy (Juliana Paes). É duro engolir as maldades que a moça pratica em nome de uma causa absolutamente egoísta e impulsionada pela vaidade.

As outras vilãs -Darlene é uma vilã, não tentem me convencer de que ela é uma "vítima do sistema", por favor- têm motivações mais complexas e até mais "compreensíveis". Darlene não. Ela só quer saber de se dar bem e pronto, mesmo que isso acabe prejudicando seu pai, seu namorado e outras pessoas próximas.

E o pior é que, ao que tudo indica, no final da trama Darlene terá uma redenção, vai se arrepender de seus golpes baixos e terá um final feliz ao lado de Vladimir, que voltará a ser bombeiro graças à interferência de um advogado contratado por sua ex-namorada junto à cúpula da corporação dos combatentes do fogo. Era só o que faltava, né não?

A mensagem transmitida às telespectadoras pela personagem Darlene é aquela coisa bagaceira de Marlene Mattos, Carla Perez, Gugu e cia. Quando ela surge na novela comandando seu programa de TV, o "Darlene Star", parece que fica piscando um luminoso na cara do público com os dizeres: "Talento não é nada, o importante é ser gostosa e transar com as pessoas certas. Faça o que for preciso para ficar famosa porque vale tudo nessa luta, minha amiga. Força, você ainda vai ser uma Kelly Key, com certeza!"

E você, leitor? Acha que Darlene é uma coitada que merece mesmo se dar bem no final de "Celebridade" ou a vê como uma piranha de quinta que é tão ou mais peçonhenta do que Laura e os demais vilões da trama de Gilberto Braga?

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NET investe R$ 3 milhões em campanha promocional do Vírtua

18:53 26/05
Valor Online


SÃO PAULO _ A NET Serviços de Comunicação vai investir R$ 3 milhões em uma campanha promocional, com anúncios nos canais da Globosat e na TV Globo, para estimular as vendas do Vírtua, seu serviço de acesso em banda larga pela rede de cabos.

No final do primeiro trimestre, a operadora tinha 113 mil assinantes do Vírtua. O número, apesar de representar apenas 10% do total de assinantes de banda larga do país, teve um crescimento de 94,6% sobre o primeiro trimestre de 2003.

Pela promoção, que entra em vigor hoje até o final de junho, o novo assinante do Vírtua recebe o modem e a instalação gratuitamente, além de pagar a mensalidade de R$ 49,90 (na velocidade de 128 kbps). O assinante de Vírtua que optar pelo provedor Globo.com pagará R$ 9,90 nas duas primeiras mensalidades, quase metade do valor normal que é de R$ 19,90 por mês, graças a uma parceria entre as duas companhias.

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REDE CANARINHO - O jeitinho brasileiro de ser alastra-se pelas comunidades on-line

Alegre, comunicativo, sociável e se adapta bem a qualquer situação de preferência com um sorriso franco no rosto. Sim, estamos falando dele: o povo brasileiro, um dos mais queridos do mundo. E é claro que essa gente com tanta necessidade de estar junto com os seus acabou encontrando na Internet uma nova forma de socialização: os brasileiros são os reis das comunidades virtuais e redes de relacionamento.

Já tivemos o boom dos chats, ICQ e demais programas de mensagens instantâneas, blogs, fotologs e agora o Orkut. Isso sem contar os Bulletin Board Systems (BBS), em meados dos anos 1990, que chegaram a ter mais de 40 mil usuários em São Paulo e seis mil no Rio (A diferença entre uma cidade com praia e outra sem, brinca o carioca Luiz Mergulhão, um dos pioneiros do BBS no País).

As comunidades virtuais são mais uma forma de sociabilidade. Talvez o termo virtual seja impreciso, já que acaba se contrapondo ao real. E o que percebemos é o fenômeno da interação generalizada, analisa o sociólogo José Augusto Rodrigues, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

O que vemos é a boa e velha rede de amigos e as novas tecnologias propiciando a manutenção dessa rede. A Internet é apenas um novo suporte tecnológico para estabelecer vínculos entre os indivíduos, afirma.

Tanto que pela primeira vez ultrapassamos os americanos em tempo de navegação: em abril foram 13 horas e 43 minutos contra 13 horas e 21 minutos, segundo pesquisa do Ibope/NetRatings.

Rodrigues, aliás, lembra que há alguns anos imaginava-se que comunidade virtual era exatamente o oposto de sociabilidade real. Mas pesquisas comprovam que a maioria dessas comunidades é híbrida: são formadas por amigos 'cara-a-cara' que criam grupos virtuais ou o contrário. As pessoas se conhecem em comunidades virtuais e passam a participar de encontros reais, explica.

A economista Carla Moulin, 24, é uma que acredita que toda forma de contato vale a pena. Ao contrário de outros povos introspectivos, o brasileiro é expert em interagir, seja num boteco na esquina, numa comunidade do Orkut, ou mesmo através da troca de comentários em fotologs, opina.

Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que incluem, essas comunidades também excluem. No Fotolog, a esmagadora maioria dos usuários tem câmera digital artigo considerado de luxo para muita gente. Já no Orkut, só entra quem é convidado como um clubinho seleto. A Internet não é democratizante; é descentralizante, afirma o consultor Hernani Dimantas, interneteiro assumido.

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Oh, oh, oh, feelings

Canção de Morris Albert já teve seis mil versões e é conhecida no mundo todo. Mas ele jura que já fez outros sucessos
Marcelle Justo

Prestes a completar 30 anos de carreira, Morris Albert, um americano fajuto, que na verdade se chama Maurício Alberto Kaiserman, autor de um dos maiores hits mundiais, Feelings, anda com saudades do Brasil. Morando fora desde os anos 70, quando viu estourar sua canção mais famosa, o músico gostaria de conciliar a vida na Itália país em que se fixou por causa das filhas, Jennifer, 13 anos, e Sharon, de 7, com o Brasil. É um sonho dividir meu tempo. Mas é difícil, a base está na Europa, admite o cantor, mais uma vez nas rádios brasileiras. Dessa vez, pela voz de Caetano Veloso.

É uma honra vê-lo cantar Feelings, admite Morris, que já ouviu versões de Frank Sinatra, Johnny Mathis, Bobby Winton, Andy Williams, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, e das orquestras de Paul Mauriat e Ray Connif e, ultimamente, o moderninho Offspring. Foram mais de seis mil gravações. Algumas das minhas preferidas são a de Dione Warwick e a de Gloria Gaynor, aponta o compositor. Tive outros sucessos. Mas Feelings continua sendo a última música dos shows, entrega.

Enquanto não concretiza o desejo de voltar ao País, Morris vem a trabalho. No Brasil para divulgar o novo CD, Moods, ele relembra os tempos em que se lançou como cantor. Fui em várias gravadoras, mas me diziam que não dava para cantar em outra língua. Então, fiz dois compactos, um em português, Daniela, e outro em inglês, Sunshine. Foi o segundo que tocou nas rádios, relembra. Fui chamado pelo diretor de uma rádio e disse que queria uma gravadora em que eu não tivesse ido, ri Morris. Nunca tive problema. Desde o início disse que era brasileiro e me apresentei, completa.

No disco novo, Morris traz canções inéditas. Mas até o final do ano promete novidades, no CD Aniversary. Vou fazer uma nova versão para Feelings, promete. E vou incluir uma versão de Elvis Presley da mesma música. Para mim, ele é rei.

Até lá, Morris quer fazer shows por aqui para matar saudades de quem ele embalou momentos importantes da vida. Dizem que eu sou culpado pelo romance, pelo casamento e pela dor de cotovelo, enumera o cantor, que se diz com fome de Brasil. Antes de embarcar fiz um concerto na Eslovênia e nem dormi. Fiquei com medo de perder o avião, admite Morris, que chegou ao País na segunda. Queria lançá-lo aqui. Mesmo compondo pop em inglês, a harmonia da minha música é brasileira, acredita o cantor, um apaixonado por samba. Gosto das coisas velhas.

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Martha Medeiros
26/05/2004


Algumas mulheres, não todas

Eu fico com vergonha quando vejo uma mulher procurar a imprensa para dizer que foi assediada sexualmente. Sinto vergonha pela família dela, pela família do assediante e por mim, porque se isso virou notícia é porque consideram que eu tenha (ou deva ter) interesse no assunto, e não tenho nenhum. Se uma mulher adulta é convidada para jantar ou recebe carinhos que não deseja retribuir, ela pode muito bem dar um fim na situação sem atrair holofotes. Basta que ela diga claramente: não.

Esta pequena palavra geralmente dá conta do recado. Se o homem segue chateando, a mulher diz não de novo e ameaça tornar o assédio público, o que terá 99% de chances de imobilizar o engraçadinho sem precisar levar a ameaça a cabo. Se ainda assim ele insistir, ela pode pedir a interferência de um amigo, do marido ou do chefe, o que deixará o cara numa situação constrangedora. Mas se ele é o chefe e ameaçá-la com demissão caso não ceda às investidas, então ele pediu: nada resta a fazer a não ser procurar a polícia e denunciá-lo, porque o nome disso é e sempre foi chantagem.

Assédio sexual é apenas uma expressão nova para a velha e boa cantada. Acontece todos os dias entre mulheres e homens que convivem no ambiente de trabalho, na faculdade, na academia, e muito raramente é preciso chamar a polícia ou os repórteres para intervir, a não ser que se traga de família o hábito de resolver questões íntimas com o máximo de platéia possível.

Outra coisa que me envergonha, em grau bem menor de importância: assistir àquele comercial de cerveja em que um bando de mulheres retardadas incentiva um homem não menos debilóide a dizer palavras trocando o R pelo G. É pra ser engraçado, eu sei, mas a mim soa patético. Me espanta que um anunciante se julgue criativo só porque, ao invés de colocar mulheres atraídas por um gostosão, coloca mulheres atraídas por um mané que diz agagaquaga e magavilha.

Anunciantes: mulheres se sentem atraídas pela cerveja que elas próprias tomam, pelo carro que elas próprias dirigem, pelo cartão de crédito que elas próprias possuem. É arcaica essa tendência de colocar mulheres consumindo o que os homens - sejam bonitões ou bebezões - sugerem. E tampouco imagino que os consumidores de cerveja se sintam identificados com um garoto-propaganda tão infantilizado como o tal amoreco - ou amogueco, como queiram.

Serei feminista ao defender que as mulheres não são tão babacas como as mostradas no comercial? Ou estou sendo machista ao não ficar do lado das mulheres que se sentem indefesas diante de uma cantada? Procuro apenas estar do lado do bom senso, e já é ambição suficiente.

martha.medeiros@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
26/05/2004


Último emprego

Que me desculpem os frívolos, mas estão aí fervendo e cada vez mais se agravando os problemas sociais e é preciso abordá-los, em busca das soluções.

Vejam por que me preocupo com as pessoas que têm mais de 40 anos e são recusadas no mercado de trabalho: o IBGE afirmou no Censo de 2000 que 46,7 milhões de brasileiros têm mais de 40 anos.

Eles se constituem em 27,5% da população. Desse grupo, 24,4 milhões de pessoas (52%) fazem parte da população economicamente ativa. Mas 90% delas estão fora do mercado de trabalho por motivos de falta de oportunidades, idade e outros.

Atentem bem para isso: 21,8 milhões de brasileiros têm mais de 40 anos e vivem naquela penosa e cruciante zona de penumbra social em que são recusados pelas empresas no mercado de trabalho.

Uma desumanidade. São pessoas hábeis, capazes física e intelectualmente, que no entanto, por um preconceito brutal, se vêem recusadas naquilo que de mais caro existe para a criatura humana: o emprego, o trabalho.

É preciso que um conjunto de idéias e de ações retire esses brasileiros desta sórdida marginalidade.

Não é compreensível que os brasileiros se tornem párias depois dos 40 anos, pela simples razão de que uma lógica obtusa e extravagante do mercado de trabalho declare que eles passam a ser estorvos inúteis da escala social.

Então se pergunta: se a aposentadoria por idade agora se dá aos 65 anos, como chegarão à aposentadoria estes 21,8 milhões de brasileiros se são recusados terminantemente nos postos de trabalho? Como?

O que farão durante estes 20, 25 anos de desaproveitamento, abandono, indiferença do poder público e das empresas privadas?

Não se pode jogar à pobreza e à miséria essa legião de homens e mulheres capazes, com a vida inteira ainda pela frente, vendo suas energias desperdiçadas e suas existências despedaçadas.

Algo precisa ser feito em favor dessa gente, é o futuro social e trabalhista dos brasileiros que está em jogo.

Um exemplo de como à criatividade e à vontade política dos governantes e legisladores cabe a solução desse gigantesco problema é o projeto de lei do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) protocolado na Câmara de Deputados.

Segundo o projeto, as empresas privadas que contratarem trabalhadores com mais de 40 anos poderão deduzir do Imposto de Renda Pessoa Jurídica o equivalente ao valor que pagarem nas contribuições ao INSS e ao FGTS desses empregados.

Luminosa idéia do deputado Paulo Pimenta. Como não se pode impor às empresas privadas uma lei de cotas, a exemplo do que acontece no setor público, é necessário e vital que alguém convença o presidente Lula de que este projeto tem de ser adotado pelo governo, que deverá levá-lo à frente como primeira solução para a dilacerante questão das pessoas brutalizadas com a recusa de emprego por terem mais de 40 anos de idade.

Lula tinha que ter a sensibilidade de compreender esta náusea trabalhista insustentável. E resolvê-la. Para regeneração das gerações futuras e redenção dos abandonados de hoje.

Fala-se tanto em programa de Primeiro Emprego. Quando o governo tinha de se atirar com todas as forças para um problema maior, criando o programa de Último Emprego.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Questão Agrária
Os últimos atos do Maio Verde



Ruralistas colocaram capa na Estátua do Laçador ao encerrar o movimento de resposta ao Abril Vermelho (foto Ronaldo Bernardi/ZH)


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Terça-feira, Maio 25, 2004




TERRENO DO CORAÇÃO

Para entrar no terreno de um coração
É preciso ter o mapa
Que nos mostre as armadilhas
Os atalhos, os abismos...
Ao pisar no terreno de um coração
É preciso ter muita calma
Pra não destruir as flores,
Pra não se perder nos amores
Nos amores por ele vividos
Nos amores por ele sonhados, idealizados...
Pois um coração é assim:
Às vezes é o labirinto
Do qual não conseguimos sair
Às vezes é o portal fechado
Que não nos deixa entrar
Há que se ter muito cuidado
Quando alguém nos abre a porta do seu coração
Cuidado para saber entrar
E, se necessário, saber sair
Sem destruir, sem derrubar
E plantar uma bandeira,
No maior monte, escrito assim:
- Estive aqui, fiz e fui feliz!!!

Marise de Sousa

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autor@paulocoelho.com.br

Dos mestres cotidianos

Lá fora a cidade de Estocolmo preparando-se para o inverno. No bar, converso com uma popularíssima cantora européia. Discutimos sobre fama, sucesso e, em dado momento, ela me pergunta se tenho algo importante a ensinar-lhe.

Claro que não respondo. Você vive sua vida como quem sabe que um dia vai morrer, e isso é o mais importante. Entretanto, posso lhe propor uma tarefa: durante os próximos seis meses, escrever um diário chamado O mestre de cada dia. Sempre aprendemos algo diferente entre a manhã e o entardecer: que tal registrar isso?

Ela aceita a tarefa. Seis meses depois, recebo uma cópia do seu diário com anotações interessantíssimas, lições de pessoas com as quais cruzou apenas uma vez, mas que seguramente ficarão para sempre. Aqui transcrevo algumas das coisas mais importantes.

Aceitando a si mesma

Ao olhar os outros, aprendi quem sou. Tenho medo de não ser tão boa como pensam, mas acho que todos pensam isso a respeito de si mesmos. Durante o tempo em que escrevi este diário, aceitei finalmente que tenho coragem suficiente para ter medo e para me ver sem artifícios. Tenho segurança bastante para sentir-me insegura.

Vi que as pessoas procuram projetar um bocado de suas próprias inseguranças em você, da mesma maneira que você projeta nelas. Elas tentam nos diminuir porque sentem-se pequenas, tentam nos amedrontar porque não estão convencidas de que são capazes.

Em busca do amor

Encontrei hoje um coreano que leu minhas mãos: um tipo engraçado, que é um sábio para os outros, embora seja incapaz de aprender o que ensina. Claro que, como todo os quiromantes, achou que eu estava interessada em saber sobre minha vida afetiva e relembrou-me coisas que eu sempre preciso estar escutando:

a) Que eu busco ao mesmo tempo segurança e aventura, e estas coisas não combinam entre si (não lhe disse nada, mas, se tiver que escolher, fico com a aventura).

b) Me apaixono com muita rapidez e me aborreço com a mesma velocidade. Aprenda a amar você mesma, ele disse. Meu problema não é exatamente amor, porque consigo facilmente me apaixonar meu problema é demonstrar esse amor, é meu relacionamento com os outros.

c) Por que entro em tantas relações frustradas com tantos homens? Porque acho que sempre tenho que estar me relacionando com alguém e assim sou forçada a ser fantástica, inteligente, sensível, excepcional. O esforço de seduzir me obriga a dar o melhor de mim mesma e isso me ajuda. Além disso, é muito difícil conviver comigo mesma.

Evitando manter o controle ou ser controlada

Se eu reajo da maneira que as pessoas estão esperando que faça, eu me torno escrava delas e tal lição serve para o amor e para o trabalho. É muito difícil evitar que isso aconteça, porque estamos sempre prontos a agradar a alguém ou a partir para a guerra quando somos provocados; mas as pessoas e as situações são conseqüências da vida que eu escolhi, e não o contrário.

Sobre os ex-namorados

Um amigo me perguntou hoje qual a coisa em comum que todos os meus namorados têm. A resposta foi fácil: EU. E, ao ver isso, percebi o tempo que tenho perdido na busca da pessoa certa porque eles mudam, eu permaneço a mesma e não aproveito nada do que vivemos juntos.

O que faz com que me afaste de homens que podiam ser importantes na minha vida? A necessidade de sempre manter o controle. O mais curioso é que, quando começo a mostrar ciúmes ou quando não agüento mais a relação amorosa, os homens antes tão independentes, tão cheios de si mesmos se transformam em cordeiros assustados. Ficam com medo de me perder. Neste momento, já não os consigo respeitar mais e o relacionamento se torna impossível.

O amigo insistiu: você já amou alguém? Tive sempre medo desta pergunta, mas Paulo me pediu para que escrevesse este diário e preciso respondê-la. Não, nunca amei alguém. Tive muitos homens, mas sempre fiquei esperando a pessoa certa. Conheci o mundo inteiro e não consegui achar o lar que procurava. Já controlei, fui controlada e o relacionamento não passou disso.

Agora que respondi não, nunca amei, estou mais livre. Entendo o que está faltando

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Publicado em 25 de maio de 2004
Arnaldo Jabor


Bush tem mil e uma utilidades

Bush também tem seu lado bom: ele tem mil e uma utilidades. Bush é bom porque nos mostra a hipocrisia que se ocultava sob o marketing da globalização democrática.

Bush nos ensina que os sistemas políticos são mais lentos que as mudanças na vida social e econômica. Bush nos mostra a necessidade de reformarmos a sociedade civil; ficou claro que a democracia é abstrata diante da truculência invencível das coisas. Bush nos lembra que as coisas têm desejos próprios. As bombas querem explodir, os canhões querem atirar. Um orçamento de 500 bilhões de dólares almeja ser usado.

Bush, por tantos erros e autoritarismo, pode despertar a fome de democracia de novo na América. Bush nos lembra que a direita está bem viva e que o multilateralismo só existiu para a América enquanto ela precisou da Europa, durante a Guerra Fria. Acabando a bipolaridade, acabando a União Soviética, ficaram absolutos, arrogantes e unilaterais.

Bush nos lembra que a estupidez é muito mais forte que a razão. Bush mostra que o buraco é mais embaixo.

Com Bush estamos vendo que, na verdade, são os iraquianos morrendo e os soldados malucos fazendo torturas pornográficas que estão defendendo a volta de um multilateralismo democrático internacional.

Bush nos ensina a verdade da América, sem véus ensina que a democracia tem de reagir mesmo lá dentro, porque metade da população quer o hambúrguer, a root beer e a guerra autoritária.

Bush nos faz odiar a estupidez dos republicanos. Bush nos ensinou que o Ocidente é muito mais frágil do que se pensava. Bush aprendeu tudo com Osama, seu mestre e senhor, a quem ele obedece cegamente. Aliás, Osama votaria em Bush, que só o favorece com seus erros. Bush nos mostra que a lunatic fringe da América pode virar a maioria. Bush quer isso.

Bush ensina que a política da razão não roda mais a roda da sociedade. Através dele, aprendemos que o fascismo é a estupidez no poder. Com Bush entendemos que, antes das ideologias, há a doença mental que as produz. Seja a onipotência comunista do paraíso, seja a idiotice do fim da História neoliberal, seja a pulsão de morte fascista para arrasar com as diferenças culturais e políticas.

Bush nos ensina que jamais haverá um mundo harmônico, platônico, como, aliás, já prenunciara Maquiavel, que nossos sonhos de paz eterna são irrealizáveis. Bush quer nos convencer que Kant era uma besta. Que Hobbes é que sabia das coisas. Kant era bem ingênuo nesses sonhos de governo universal e, certamente, Hobbes era mais próximo do mundo de hoje.

Bush nos mostra que a guerra do Iraque é apenas o reflexo de uma guerra mais geral contra o Ocidente que ele e seus asseclas travam.

Bush nos mostra que os americanos têm inveja da Europa e acham que sua maturidade política, conciliadora, é defeito de gente fraca, sem coragem de brigar. Diz-nos que a Europa quer domesticar o Leviatã com palavras e idéias.

Mas, por outro lado, Bush é a prova viva da impossibilidade atual de se impor a democracia e liberdade pela força das armas. A ferro e fogo não se ganham os corações e mentes de um país.

Bush mostrou que a problemática sexual é mais forte na América que a guerra. Que a neurose, a repressão religiosa são mais fortes que o iluminismo. Ninguém pensou em impeachment contra ele, que está acabando com o prestígio de seu país e ameaçando o Ocidente, além de criar milhões de homens-bomba. Já o Clinton foi papar a moça e quase foi para o brejo.

Bush mostrou que a burguesia financeira é que rege a política hoje. Não há mais resquícios da antiga ¿grandeza¿ da ideologia liberal.

Bush não é uma pessoa. É um resultado. Séculos de puritanismo e anos da gangue de neoconservadores fizeram dele seu porta-voz. Bush é um homem de negócios; melhor: um despachante da indústria do petróleo.

Bush quer criar um novo american way of life na contramão. Quer reverter tudo que foi conquistado nos anos 60 e 70, direitos civis, liberdades para minorias.

Bush nos ensina que o inimigo principal não é mais a velha burguesia gorda e fumando charuto; o inimigo hoje é um método empresarial, é o capitalismo da especulação e dos fluxos financeiros.

Bush ensina às novas esquerdas que elas têm de mudar seus objetivos e métodos. Antes, as esquerdas pensavam em unidade. Hoje, quem quer a unidade é a direita fundamentalista e o turbocapitalismo, sonhando com um planeta governado por uma só megaempresa, a Mundo Inc. Antes as esquerdas buscavam o absoluto; hoje, desejam o relativo.

Bush nos ensina que não dá mais para lutar com velhas armas do Estado nacional apenas. Bush está ajudando a despertar a sociedade civil de seu sono dependente; ela tem de se organizar cada vez mais para acionar a máquina emperrada dos Estados e governos. No entanto, a evidência terrível dos erros de Bush pode melhorar o Ocidente. Bush ensina junto com Osama que a religião não é o ópio do povo; é a bomba do povo. Bush é o alerta vermelho de que, se a América ficar populista e autoritária, adotando a política do medo, tudo pode acontecer. Até o fim do mundo.

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Faz 50 anos que o primeiro modelo da Porsche a entrar nas pistas foi apresentado no Salão de Paris (França). Com apenas dois lugares, o pequeno conversível foi o 550º projeto feito pela marca alemã, número que foi usado para batizá-lo. O carro, de aspecto simples, ficou famoso pelo trágico acidente com o ator James Dean, em setembro de 1955, e pelo êxito nas competições, apesar do compacto motor refrigerado a ar.

Entre os feitos mais importantes do pioneiro da Porsche a competir estão as oito vitórias nas tradicionais 24 Horas de Le Mans (França), entre 1953 e 1958. Desenvolvido no começo de 1953 pelo engenheiro Wilhelm Hild, o 550 Spyder teve suas primeiras unidades montadas sobre chassi tubular e com motor do modelo 356. Seis meses depois, o conversível recebeu um novo 1.5 de 110 cavalos, com quatro comandos, desenvolvido por Dr. Ernst Fuhrmann e estrutura monocoque. Depois disso, passou a ser chamado de 550 A.

A partir do sucesso do 550 Spyder numa das corridas mais tortuosas do mundo, a Carrera Panamericana, em 1954, que a Porsche decidiu adotar o nome "Carrera" primeiramente no capô do motor do modelo 356 e, em 1972, no lendário cupê 911 RS. Hoje, a herança do Porsche 550 permanece viva nos modelos Boxster e Carrera GT - esse, o novo esportivo de alto desempenho da marca.

No Brasil, a réplica do 550 Spyder começou a ser fabricada em 1987 pela Amazonas Motos Especiais, com câmbio de quatro marchas do SP2. Já o ano seguinte, passou a ser oferecido pela Chamonix, que oferece o carro até hoje com motor 1.6 a 2.4 litros. Segundo os dados da ficha técnica divulgada pelo fabricante, a réplica é capaz de atingir 230 km/h e de acelerar de 0 a 100 km/h em 9,3 segundos. Em relação ao modelo original, o 550 nacional é um pouco mais pesado ( 580 kg ante 550 kg).

O 550 SPYDER DE JAMES DEAN
Em 30 setembro de 1955, o ator James Dean, que também costumava participar de corridas de carros, havia decidido tirar o seu 550 Spyder número 130 sobre uma plataforma para assumir o volante até a cidade de Salina, nos Estados Unidos. Depois de uma hora de viagem, Dean chegou a um cruzamento, próximo à cidade de Cholame (EUA), quando avistou um carro na contramão. Era o Ford Custom Tudor 1950, contra o qual o Porsche bateu de frente, tirando a vida do ator, aos 24 anos.

Depois da morte de Dean, os destroços do 550 Spyder foram comprados por uma companhia de seguros. Foi então que começaram as sucessivas tragédias. A primeira delas foi com George Barkuis, o motorista que dirigia o caminhão que foi buscar o carro "destroçado", morreu quando o Porsche caiu sobre ele no mesmo lugar do acidente. Outras histórias apareceram, como a de que a pessoa que havia comprado o motor do carro de Dean (Troy Mc Henry, um médico de Beverly Hills) morreu ao usá-lo pela primeira vez.

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Nicole Kidman e Tom Cruise vistos juntos

Seria esta mais uma história de amor com idas e vindas? Se sim, parece que está na hora da vinda! Nicole Kidman e Tom Cruise têm sido flagrados em uma série de encontros em Los Angeles ultimamente.

O tablóide The Daily Star foi quem passou essa bola. Segundo ele, o par, que se separou em 2001, parece muito disposto em passar o máximo de tempo possível juntinhos. Os dois também foram vistos em companhia dos filhos Isabelle, de 11 anos, e Connor, de 9.

Cruise, 41, e Nicole Kidman, a bola hollywoodiana da vez, na flor dos seus 36 aninhos, continuaram bons amigos após a separação e se recusam a falar da vida pessoal para a imprensa. Uma fonte próxima aos astros contou ao jornal: Tom e Nicole foram vistos juntos muitas vezes nestas últimas semanas, realmente. Os dois estão tentando ser muito discretos e se disfarçam quando vão se encontrar. Tom está optando por jaquetas e bonés de beisebol e Nicole usa chapéus e jeans.

A mesma fonte ainda revelou: Desde que eles terminaram o relacionamento, Nicole sempre fez questão de deixar claro estaria lá por Tom e vice versa. Quando Nic ganhou o Oscar, no ano passado, Tom ligou para ela na mesma noite para dizer o quanto estava orgulhoso.

De acordo ainda com o interno do The Daily Star, os dois foram muito solidários um com o outro em relação a seus últimos relacionamentos. O astro de O Último Samurai esteve muito presente na vida da ex-mulher quando ela se separou do roqueiro Lenny Kravitz, da mesma forma que Nicole foi o ombro amigo no fim do relacionamento de Tom com Penelope Cruz.

Parece que tanta proximidade fez até muito bem para o casal. Clima de revival... será?

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De olhos abertos para a China

Empresários cariocas aumentam suas vendas exportando para Ásia produtos de qualidade e alta tecnologia
Maria Luisa Barros

A viagem à China do presidente Luís Inácio Lula da Silva tem como meta estreitar relações com aquele país e estimular as exportações. Por aqui, empresários do Rio já saíram na frente e estão ganhando dinheiro. Atualmente, 80 empresas do estado exportam para a China. O país mais populoso do mundo, com 1,2 bilhão de habitantes, consome alimentos, jóias, frutas, produtos de beleza, materiais elétricos e eletrônicos, petróleo, ferro e aço.

Segundo informações do Centro Internacional de Negócios, da Federação das Indústrias do Rio (Firjan), a China é hoje o quarto mais importante mercado importador dos produtos do Rio, atrás de EUA, Bahamas e Chile. Ano passado as exportações aumentaram 941%. O consumo chinês é mais significativo que as vendas para o Mercosul.

A Agtal Torrefação de Amendoim, no Encantado, exportou no ano passado quatro produtos para Taiwan, sendo um deles o Mixed Nuts, mistura de amendoim, castanha de caju, castanha-do-pará, amêndoa e uva passa. Estamos na expectativa de realizarmos outros embarques, contou o diretor comercial, André Guedes.

Como já possuía selo de qualidade Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados), e ser certificada de acordo com normas internacionais, a Agtal precisou apenas fazer aplicação de etiquetas auto-adesivas no pacote com informações do fabricante para atender às exigências dos asiáticos.

Quem quer entrar nesse mercado deve desenvolver produtos de qualidade a preços competitivos. Depois, não contar com a sorte que a Agtal teve de ser procurada, ou seja, buscar parceiros comerciais, aconselha André Guedes.

Agtal Torrefação de Amendoim: (21) 2289-3658

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Liberato Vieira da Cunha
25/05/2004


Presença da beleza

Não é incomum que receba, nestas escarpas da Rua Duque, a visita de pássaros. Às vezes são cambacicas, espécie descaradamente interesseira, pois seus emissários se limitam a traçar as iguarias que encontram em meu minúsculo jardim suspenso. O outro dia foi um pombo, visivelmente avariado, que pousou no alto de uma estante. Fechei com cuidado a porta deste escritório para deixá-lo à vontade e ao tornar, já noite, intuí que seu mal era, muito provavelmente, uma fenomenal ressaca, tantas foram as lembranças com que, antes de partir, decorou a capa de um dicionário de inglês.

Ontem, no entanto, o alado visitante não era, decididamente, nem uma cambacica, nem um pombo. Me palpitou que tinha se evadido de uma gaiola, que é onde no geral encarceram, com essa insensibilidade própria dos animais humanos, aves de fino trato. Exibia o físico de um bem-te-vi de porte médio, mas ostentava uma plumagem azul-cobalto, ligeiramente gris no peito e raiada de um verde desmaiado no topete. Não demonstrou maior receio ao surpreender-me juntando letras no computador. Algo de mais urgente o inquietava: o bico aberto e ansiado denunciava uma sede de retirante do deserto.

Corri em busca de uma tigela d'água. De novo, não revelou qualquer traço de medo. Foi-se achegando, desconfiado mas digno, da oferenda, sorveu cada gota erguendo a espaços a cabeça altiva, suponho que cumprindo certas exigências de boa etiqueta. E então bateu asas e voou.

Me pegou na hora a tentação de consultar o excelente catálogo de William Belton sobre as aves que aqui gorjeiam; acabei desistindo. Que precisão tinha eu de identificar o nome científico e o apelido profano do turista azul-cobalto?

Esse pássaro anônimo havia me procurado porque padecia de sede. Eu lhe servira uma tigela d'água. Eu fora servido, numa tarde opaca, pela presença da beleza.

Não se deve perguntar por que nos visita a beleza; apenas senti-la, não mais que vivê-la, quer homiziada no sorriso de uma criança, nos sons de uma canção inesperada, nos tons de um poente luminoso, quer nos reflexos das cores de um pássaro que de repente redescobriu a alegria de voar liberto pelos céus de minha cidade.

liberato.vieira@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
25/05/2004


Cantando de galo

Tomem nota do que estou afirmando: as matérias do Diário Gaúcho ainda servirão de tema para teses de doutorado em antropologia e psicologia social. Na sexta-feira, o jornal contou uma pitoresca história. O radialista Marcio Fernandes Campos cria em casa, na Rua Gaurama, um galo e uma galinha. O galo, como costuma acontecer com aves desse tipo, canta, e o canto do galo incomodou uma vizinha. Marcio foi notificado pela prefeitura de que deveria levar os galináceos para área rural; recorreu ao Ibama que, dizendo tratar-se de animais domésticos, dispensou-o desta obrigação.

O galo continuou cantando e de novo Marcio foi denunciado; policiais militares foram à casa dele e, depois de uma discussão, acabaram por levá-lo, algemado, para o distrito, onde aparentemente tudo terminou bem. O fato mostra como pode ser difícil a convivência entre vizinhos, sobretudo se há barulho envolvido. Em Pelotas havia um senhor que se incomodava porque os moradores do apartamento de cima arrastavam móveis. Inventou então uma engenhoca, uma espécie de pistão que, graças a um motor, golpeava incansavelmente o forro - uma forma de represália.

Agora: o canto do galo também perturba. Galos têm a mania de saudar o Sol e, na peça Chantecler, de Edmond Rostand (o criador do Cyrano de Bergerac), o galináceo acha que o astro rei só aparece porque ele canta, ficando muito frustrado ao descobrir que não é o caso.

Mas a verdade é que esse hábito fez dos galos despertadores, um papel que aos poucos foi sendo delegado para os sinos das igrejas, o apito das fábricas (que Noel Rosa celebrou em samba) e, naturalmente, os despertadores eletrônicos propriamente ditos. Isto, porém, não tirou ao cocoricó do galo o aspecto simbólico. É uma alerta, uma advertência. Antes que o galo cante três vezes, tu me negarás, diz Cristo a Pedro, e não dá outra.

Ou seja, o canto do galo não tem uma história muito simpática e não é de admirar aquela historinha machista, do recém-casado que está fazendo amor com a jovem esposa quando é interrompido por um vigilante galo. Primeira vez, resmunga ele. O galo canta de novo, e ele ameaça:

- É a segunda vez. Na terceira, vou lá e torço o pescoço desse bicho.

A compulsão galinácea funciona, ouve-se o canto de novo; o homem vai lá e liquida a ave. Ao que a esposa se indigna: é uma barbaridade, onde é que se viu matar um galo só porque ele cantou, você não passa de um bruto. O marido olha-a e diz, seco:

- Primeira vez.

O que pode ela fazer, senão recorrer ao Ibama - ou aprender a cozinhar galos?

Um nome que condiciona destino: o presidente da Comissão Brasil-China chama-se Marco Polo Moreira Leite. Aquele Marco Pólo que revelou ao mundo a China ficaria satisfeito.

scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
25/05/2004


Tarde de emoções na Câmara
Visitar a Câmara de Vereadores, como fiz ontem, é como remexer numa caixa de guardados.

Os 16 anos que passei lá foram os mais agitados da minha vida: era rádio, jornal, televisão, debates todos os dias na Câmara e, para finalizar o dia e começar a noite, o curso de Direito na PUC.

Nem sei como podia fazer tanta coisa, os últimos suspiros da minha juventude.

E lá estava eu ontem, em companhia do chargista Marco Aurélio, da colunista Rosane de Oliveira, do diretor de Redação de ZH, Marcelo Rech, e do vice-presidente de mídia impressa da RBS, Geraldo Corrêa, para representar nosso jornal na homenagem que os vereadores nos prestaram pelos 40 anos de ZH.

A exemplo do que aconteceu na Assembléia Legislativa, notava-se nos discursos uma profunda carga de sinceridade, os vereadores demonstraram ter relação de estreita intimidade com ZH, inspirando-se muito em nossas páginas para sua ação política e comunitária. Falavam conosco nos discursos como se celebrassem uma camaradagem, um consórcio entre a vida pública e o jornalismo, inseparáveis vetores da democracia.

Como foi bom rever e abraçar os meus contemporâneos de vereança, queridos amigos de jornadas fatigantes e deleitosas, João Dib, Wilton Araujo, Nereu D'Ávila, Isaac Ainhorn, Luiz Braz, Reginaldo Pujol e Elói Guimarães.

Como foi confortador ouvir do Pedro Américo Leal e da presidenta Margarete Moraes palavras de estímulo para a nossa vida e a nossa causa.

Como foi emocionante ouvir as palavras de verdadeiro fervor e devoção que nutrem por esta coluna os vereadores Elias Vidal e Ervino Besson.

E como acabou gratificante e delicioso ouvir dos lábios dos vereadores João Carlos Nedel, Valdir Caetano, Cassiá Carpes, Carlos Garcia, Gérson Almeida e Cláudio Sebenelo as melhores admirações pelo trabalho desenvolvido por ZH e suas editorias, sabem como é, os parlamentares são os mais autorizados porta-vozes do povo, pois nutrem-se diariamente dos anseios, das esperanças e dos sonhos de seus eleitores.

E também como nos mostramos gratos aos vereadores Sebastião Melo e Haroldo de Souza, proponentes da homenagem.

O Haroldo mexeu com as nossas melhores recordações das aventuras saltimbancas que tivemos pelo mundo todo com nossas antigas jornadas esportivas, transmissões da Rádio Gaúcha que realizamos da Pedra Moura, em Bagé, até a Tunísia e a Rússia, com o Grêmio e a Seleção Brasileira.

Obrigado, Haroldo, obrigado aos 33 vereadores, aos funcionários da Câmara, ao Artur Zanella, à platéia, pela acolhida.

Em cada canto havia uma saudade e uma sensação de utilidade no entrelaçamento da vereança com o jornalismo, no culto aos valores da cidade, da origem e da vida.

Foi uma tarde para encher os nossos corações e os corações dos homenageantes de orgulho, júbilo e gratidão.

Que não há outras razões para a existência que não sejam a amizade, o reconhecimento e a consciência plena do dever cumprido.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Fila quilométrica para gasolina sem imposto



Para protestar contra a alta carga tributária do país, comerciantes da Capital ofereceram combustível a R$ 0,85 (foto Fernando Gomes/ZH)


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Segunda-feira, Maio 24, 2004




CORPO MAGRO E DURINHO

Seguindo os princípios dos treinos de resistência de força, um método de ginástica localizada que trabalha com pouca carga e muita repetição, você se livra dos quilos extras e ganha músculos firmes e bem delineados. Acredite, chegou a hora de ficar com os contornos lindos e sob medida!

RENATA MENEZES
FOTOS: LOUISE CHIN


Deixar as formas secas e durinhas é um dos sonhos mais acalentados pelas mulheres. Para atingi-lo, vale investir nas modalidades que trabalham resistência de força. Em 60 minutos dá para exterminar até 500 calorias e ganhar um corpo torneado. O segredo? Ênfase na quantidade dos movimentos e utilização de pouca carga. São cerca de 45 a 60 repetições para cada exercício, contra os cerca de 30 da tradicional localizada.

Fique tranqüila porque, independentemente da sua condição física, você vai conseguir ir até o final. "Utiliza-se pouco peso para que, juntamente com a perda de calorias, os músculos fiquem tonificados e definidos", explica Fábio Bernardo, professor de ginástica do Centro de Educação Unificado (SP).

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VIROU CELEBRIDADE

A sobrinha de Malu Mader na novela global das oito teve que engordar 8 kg quando era adolescente para encarar uma personagem. De lá para cá, reconquistou as formas graças à dobradinha dieta e ginástica e hoje exibe um corpo esculpido nos mínimos detalhes.

ANDRÉ SANCOVSKY
FOTO: NANA MORAES


Juliana Knust estreou no horário nobre com rosto de menina e corpaço de mulher. Carioca de 22 anos, recebeu a grande chance de sua carreira pelas mãos do mestre Gilberto Braga, diretor da novela Celebridade. "É uma tremenda responsabilidade fazer parte de um núcleo que tem a Malu e a Nívea Maria", considera. Sorte que a morena vem mandando bem e sua personagem só faz crescer na trama.

A atriz começou na Globo aos 15 anos, no seriado Malhação. O trabalho lhe impôs logo um sacrifício: deixar a vaidade de lado e engordar 8 kg para viver Laura. "Era muito nova, queria entrar naquele mundo de qualquer maneira e topei o desafio." Em seguida apresentou o programa Ah! Moleque!, no canal pago SporTV, participou dos seriados Bambuluá e Sandy e Junior e das novelas Esplendor e Desejos de Mulher. Foi por meio de teste que conquistou o papel em Celebridade.

A novela já promoveu mudanças na sua rotina. Juliana deixou a casa da família, em Niterói (RJ), para morar sozinha na Barra da Tijuca, perto do Projac, onde a trama é gravada. Sem contar o reconhecimento dos fãs nas ruas. "Dá um frio na barriga; minha vida está mudando. Ainda estou me acostumando com a idéia da fama."

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OS HOMENS DESEJAM AS MULHERES QUE NÃO EXISTEM
Arnaldo Jabor

Está na moda - muitas mulheres ficam em acrobáticas posições ginecológicas para raspar os pêlos pubianos nos salões de beleza. Ficam penduradas em paus-de-arara e, depois, saem felizes com apenas um canteirinho de cabelos, como um jardinzinho estreito, a vereda indicativa de um desejo inofensivo e não mais as agressivas florestas que podem nos assustar. Parecem uns bigodinhos verticais que (oh, céus!.) me fazem pensar em. Hitler.

Silicone, pêlos dourados, bumbuns malhados, tudo para agradar aos consumidores do mercado sexual. Olho as revistas povoadas de mulheres lindas... E sinto uma leve depressão, me sinto mais só, diante de tanta oferta impossível. Vejo que no Brasil o feminismo se vulgarizou numa liberdade de "objetos", produziu mulheres livres como coisas, livres como produtos perfeitos para o prazer. A concorrência é grande para um mercado com poucos consumidores, pois há muito mais mulher que homens na praça (e-mails indignados virão...)

Talvez este artigo seja moralista, talvez as uvas da inveja estejam verdes, mas eu olho as revistas de mulher nua e só vejo paisagens; não vejo pessoas com defeitos, medos. Só vejo meninas oferecendo a doçura total, todas competindo no mercado, em contorções eróticas desesperadas porque não têm mais o que mostrar. Nunca as mulheres foram tão nuas no Brasil; já expuseram o corpo todo, mucosas, vagina, ânus.

O que falta? Órgãos internos? Que querem essas mulheres? Querem acabar com nossos lares? Querem nos humilhar com sua beleza inconquistável? Muitas têm boquinhas tímidas, algumas sugerem um susto de virgens, outras fazem cara de zangadas, ferozes gatas, mas todas nos olham dentro dos olhos como se dissessem: "Venham... eu estou sempre pronta, sempre alegre, sempre excitada, eu independo de carícias, de romance !..."

Sugerem uma mistura de menina com vampira, de doçura com loucura e Todas ostentam uma falsa tesão devoradora. Elas querem dinheiro, claro, marido, lugar social, respeito, mas posam como imaginam que os homens as querem. Ostentam um desejo que não têm e posam como se fossem apenas corpos sem vida interior, de modo a não incomodar com chateações os homens que as consomem.

A pessoa delas não tem mais um corpo; o corpo é que tem uma pessoa, frágil, tênue, morando dentro dele. Mas, que nos prometem essas mulheres virtuais? Um orgasmo infinito? Elas figuram ser odaliscas de um paraíso de mercado, último andar de uma torre que os homens atingiriam depois de suas Ferraris, seus Armanis, ouros e sucesso; elas são o coroamento de um narcisismo yuppie, são as 11 mil virgens de um paraíso para executivos. E o problema continua: como abordar mulheres que parecem paisagens?

Outro dia vi a modelo Daniela Cicarelli na TV. Vocês já viram essa moça? É a coisa mais linda do mundo, tem uma esfuziante simpatia, risonha, democrática, perfeita, a imensa boca rósea, os "olhos de esmeralda nadando em leite" (quem escreveu isso?), cabelos de ouro seco, seios bíblicos, como uma imensa flor de prazeres.

Olho-a de minha solidão e me pergunto: "Onde está a Daniela no meio desses tesouros perfeitos? Onde está ela?" Ela deve ficar perplexa diante da própria beleza, aprisionada em seu destino de sedutora, talvez até com um vago ciúme de seu próprio corpo. Daniela é tão linda que tenho vontade de dizer: "Seja feia..."

Queremos percorrer as mulheres virtuais, visitá-las, mas, como conversar com elas? Com quem? Onde estão elas? Tanta oferta sexual me angustia, me dá a certeza de que nosso sexo é programado por outros, por indústrias masturbatórias, nos provocando desejo para me vender satisfação.

É pela dificuldade de realizar esse sonho masculino que essas moças existem, realmente. Elas existem, para além do limbo gráfico das revistas. O contato com elas revela meninas inseguras, ou doces, espertas ou bobas mas, se elas pudessem expressar seus reais desejos, não estariam nas revistas sexy, pois não há mercado para mulheres amando maridos, cozinhando felizes, aspirando por namoros ternos.

Nas revistas, são tão perfeitas que parecem dispensar parceiros, estão tão nuas que parecem namoradas de si mesmas. Mas, na verdade, elas querem amar e ser amadas, embora tenham de ralar nos haréns virtuais inventados pelos machos. Elas têm de fingir que não são reais, pois ninguém quer ser real hoje em dia - foi uma decepção quando a Tiazinha se revelou ótima dona de casa na Casa dos Artistas, limpando tudo numa faxina compulsiva.

Infelizmente, é impossível tê-las, porque, na tecnologia da gostosura, elas se artificializam cada vez mais, como carros de luxo se aperfeiçoando a cada ano. A cada mutação erótica, elas ficam mais inatingíveis no mundo real. Por isso, com a crise econômica, o grande sucesso são as meninas belas e saradas, enchendo os sites eróticos da internet ou nas saunas relax for men, essa réplica moderna dos haréns árabes.

Essas lindas mulheres são pagas para não existir, pagas para serem um sonho impalpável, pagas para terem uma ilusão. Vi um anúncio de boneca inflável que sintetizava o desejo impossível do homem de mercado: ter mulheres que não existam... O anúncio tinha o slogan em baixo: "She needs no food nor stupid conversation." Essa é a utopia masculina: satisfação plena sem sofrimento ou realidade.

A democracia de massas, mesclada ao subdesenvolvimento cultural, parece "libertar" as mulheres. Ilusão à toa. A "libertação da mulher" numa sociedade ignorante como a nossa deu nisso: superobjetos se pensando livres, mas aprisionadas numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de amor e dinheiro. A liberdade de mercado produziu um estranho e falso "mercado da liberdade". É isso aí. E ao fechar este texto, me assalta a dúvida: estou sendo hipócrita e com inveja do erotismo do século 21? Será que fui apenas barrado do baile?

Recebi de minha amiga Mª Cely. Thanks my friend.

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Cláudio Humberto
VIAJAR NÃO É MUDAR O BRASIL
(Senador Agripino Maia (PFL-RN), lembrando ao presidente Lula que o País só muda com crescimento econômico)

Desenvolvimento de papel
Alvo de críticas pelos sinais de paralisia do governo e até da economia, o presidente Lula tem sido pródigo na criação de órgãos usando a palavra Desenvolvimento. No total, são 53, com milhares de servidores, incluídos os ministérios do Desenvolvimento Agrário (reforma agrária), do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e do Desenvolvimento Social. Exatamente as três áreas que mais reclamam da inação do governo.

Faz o quê?
Até agora, nem Lula deve saber o que faz e até o que significa uma Subsecretaria de Desenvolvimento de Programas de Ações Afirmativas.

Vergonha
Todo dia aparecem mais fotos de iraquianos torturados pelos soldados americanos. Nesse ritmo, daqui a pouco Saddam Hussein vai ser reabilitado por ser da linha light e até indicado para o Nobel da Paz.

Pensando bem...
..o comércio Brasil-China aumentaria muito se os exportadores brasileiros usassem como meio de transporte os mesmos navios que trazem contrabando de lá para cá, direto ou via Paraguai. Põe toneladas nisso...

Wagner na Suíça
Enquanto o presidente Lula iniciou a visita à China, o ministro Jaques Wagner atacou em outra frente: viajou a Genebra, na Suíça, para importante reunião na OMC, a Organização Mundial do Comércio.

Bom exemplo
O presidente Lula deveria ir mais a Petrolina (PE), nova Califórnia que dá lições de irrigação ao sertão nordestino. O prefeito, Fernando Bezerra Coelho (PPS), não pára de celebrar espantosos 8% de crescimento ao ano.

Inspeções in loco
O ministro Alfredo Nascimento (Transportes) pretende rivalizar com o presidente em horas de vôo: viajará todas as segundas e sextas para conferir obras de recuperação de rodovias. Desde que elas existam, claro.

Explicações
Marcada antes da Operação Vampiro, a audiência pública de amanhã com Humberto Costa (Saúde), na Comissão de Seguridade da Câmara, ganhou motivação especial: todos querem ouvir o ministro sobre suas relações com o ex-assessor Luiz Cláudio Gomes da Silva, que foi preso.

Desabafo
Do escritor pernambucano Luiz Berto, servidor aposentado, após receber o contracheque já com desconto de 11%: O PT, no poder, ao invés de cobrar de quem rouba e de quem deve à Previdência há décadas, mete a mão no bolso dos aposentados (...) Tenho que concordar com o chavão: nada mais parecido com um conservador do que um revolucionário no poder.

Poço de mágoa
José Sarney e João Paulo não vão falar, claro. Mas, derrotados na ambição da própria reeleição, ninguém garante que vão trabalhar pela reeleição de outros. Principalmente se este outro for presidente da República.

No vermelho
Políticos concluem, no Congresso, que o caso dos hemoderivados no Ministério da Saúde não foi apenas uma evasão: foi hemorragia mesmo.

Nova praga
Estudos da agência de Meio Ambiente dos EUA mostram que, mesmo sem bateria, metais tóxicos dos celulares poluem o subsolo e ameaçam quem trabalha na reciclagem desse tipo de lixo.

PODER SEM PUDOR
Bons tempos

Presidente do PT, José Dirceu foi com o filho, então com 10 anos, ver uma competição de motocross em Cruzeiro do Oeste (PR). José Carlos, o Zeca, reclamou bem alto do rigor do juiz contra sua equipe favorita:

Roubar mais do que este juiz só o pessoal do PT!
Roubo do PT, filho? Como? Dirceu indagou, curioso.
Os petistas daqui roubam tinta para pichar muro! explicou o menino.

DEDOS E ANÉIS

O governo do Rio Grande do Sul tirou de
circulação a Loteria do Estado, depois de 161 anos. Com o governador Germano Rigotto
é assim, ironiza o gaúcho Glauco Fonseca, vão-se os anéis e os dedos também.

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Uma virada 'Fluminante'

Tricolor precisa de apenas cinco minutos para impedir a quina do Flamengo e passar para o 7º lugar
Carlos Monteiro


Alessandro (E) e Marcelo provaram que são mesmo pé-quente

O Flamengo corria atrás da quinta vitória consecutiva sobre o Fluminense. Mas o Tricolor precisou apenas de cinco minutos para derrotar o Rubro-Negro, por 2 a 1, de virada, ontem, no Maracanã. Como um lutador de boxe, o Tricolor tinha o domínio do combate. Levou um golpe do rubro-negro Roger, sempre ele, aos 27 minutos do primeiro round, bambeou, não caiu, e decidiu a luta no segundo, com dois diretos fulminantes. Um, aos 50 segundos, e o outro, aos 5 minutos. Nem mesmo o monstro Shrek, que foi ao jogo com a camisa do Flamengo, conseguiu dar jeito.

Além de derrotar o Rubro-Negro, o Fluminense quebrou um incômodo jejum: desde 2002 não vencia duas partidas consecutivas em Campeonatos Brasileiros. E mais. Terminou o jogo com um a menos. Não pela expulsão de Antônio Carlos, já que Da Silva também levou cartão vermelho. Mas pela contusão de Leonardo Moura. O jogador ficou quase 10 minutos em campo sem condições de jogo. Isso porque o técnico Ricardo Gomes já havia queimado as três substituições.

O Flamengo começou melhor. Jean sofreu falta, aos 4. Jônatas cobrou e acertou o travessão de Fernando Henrique. No minuto seguinte, o Fluminense deu o troco e passou a ser superior. Roger, que de novo comandou a garotada tricolor, recebeu na esquerda, passou por Reginaldo Araújo e cruzou para Marcelo cabecear para fora.

Daí em diante, só deu Flu. Leonardo Moura, que atuou com liberdade, chegava sempre com perigo. Aos 12, depois de deixar Maicon cara a cara com Júlio César, aos 8, ele ganhou de Roger na corrida, bateu forte, mas o goleiro pôs a escanteio.

O Flamengo explorava os contra-ataques, porém, sem eficiência. Mas depois de uma bela tabela entre Jônatas e Negreiros, que quase acabou em gol, aos 24, o time de Abel Braga abriu o placar. Aos 27, Reginaldo Araújo passou por Júnior César e cruzou pelo alto. A zaga ficou olhando e Roger fez 1 a 0. Foi o quarto gol do lateral nos três Fla-Flus disputados este ano.

No segundo tempo, o Tricolor foi letal. Mal a bola rolou, o primeiro gol. Aos 50 segundos, Leonardo Moura invadiu pela direita e rolou para Maicon, livre, na área. O apoiador teve tempo para matar, girar e acertar o canto esquerdo do goleiro: 1 a 1.

Logo aos 5 minutos, o gol da vitória tricolor. Roger cobrou escanteio, a bola passou por todos os zagueiros do Flamengo e ofereceu-se limpinha para Marcelo, sozinho no segundo pau, fazer 2 a 1 para o Fluminense.

A partir daí, o Tricolor passou a explorar os contra-ataques, e o Flamengo foi só coração. E, na base da garra, quase empata no finzinho. Aos 46, Athirson lançou Zinho, dentro da área. O camisa 11 chutou forte, mas Zé Carlos se atirou na frente da bola, evitando o que poderia ter sido o gol de empate.

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Luis Fernando Verissimo
24/05/2004


Seis anos depois

Há seis anos, neste mesmo Stade de France, eu não sabia o que escrever no fim daquela tarde de espantos e estranhezas, que começara com o anúncio de que Ronaldo não jogaria e incluiria dois gols sobrenaturais, de cabeça, do Zidane. O fato de que um enorme francês subira na minha mesa para fotografar a entrega da Copa do Mundo de 1998 à França e tinha os dois pés, um de cada lado do meu notibuque, não ajudava. Meus avisos de "Ei, Monsieur!" não adiantavam, fotógrafo em missão não liga onde pisa.

Se ele destruísse um dos meus instrumentos de trabalho - o notibuque ou uma mão -, eu pelo menos teria um pretexto para não escrever nada sobre o que presenciara, seria mais uma baixa da tarde, junto com a empáfia brasileira e a ordem normal das coisas. Mas o pior não aconteceu e tive que escrever. Não me lembro o que saiu. Acho que comecei com as botas do fotógrafo e acabei, numa natural progressão, na cabeça do Zagalo. Não eram elogios.

Muita coisa aconteceu nos seis anos depois daquela tarde improvável. Só o Zidane, parece, nunca mais fez gol de cabeça. Houve a Copa seguinte, em que a França deu vexame e o Brasil se redimiu e o Ronaldo teve a chance que poucos têm, fora da literatura fantástica: a de voltar no tempo e refazer sua própria história. Foi o jogador decisivo que era para ter sido na Copa da França e não foi.

Muita coisa aconteceu em seis anos, mas aqui estou eu de novo no Stade de France, depois do jogo e dos fogos de artifício, tendo que escrever sobre o que aconteceu, e com a mesma dificuldade. Não, não tem ninguém trepado na minha mesa e o sobrenatural não reinou no estádio outra vez. Pelo contrário: está difícil de escrever sobre o jogo justamente porque só aconteceu o previsível. Não foi um mau jogo, como você viu. Foi apenas, infelizmente, o jogo que se esperava. E a melhor razão para assistir a ele e o maior prazer da festa acabaram aos 30 minutos do segundo tempo quando o Zidane foi substituído.

A seleção francesa campeã de 1998 foi muito discutida porque era multirracial. Crescia na França a reação contra imigrantes e o apelo de neofascistas como Le Pen, e a seleção tinha quatro ou cinco jogadores negros, sem contar os magrebinos, como Zidane. Na quinta, depois que o Zidane foi substituído, todos os jogadores franceses em campo, com exceção do goleiro, eram negros. Foi o fato mais notável da noite. Além das cadeiras do Ronaldo.

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Nei Lisboa
24/05/2004


Com pompa e às pampas

Peço licença a Jorge Furtado e Caetano Veloso para tentar transcrever o mais curioso debate sobre a música gaúcha que já vi ser feito - durou menos de 20 segundos. Estávamos no set de filmagem do Meu Tio Matou um Cara, ao redor de um cafezinho em tarde fria de domingo, quando o Jorge disse algo como "já ouvi uma dúzia de explicações diferentes sobre o fato de o Rio Grande do Sul ser tão roqueiro", com aquela casualidade de quem deixa uma bola de basquete quicando embaixo do garrafão.

Ao que eu me vi tentado a enfiar a bola na manga do colete e respondi "falta uma coisa daqui que seja mais estimulante", ou algo parecido, querendo dizer que a grossura por si só não vai levar uma legião de adolescentes urbanos a se apaixonar pelo chamamé. E o Caetano, então, fechou o colóquio com um "é, aí a cena internacional toma conta", ou coisa semelhante, dito com calma, sem nenhum fervor ideológico. E fomos ao café.

Tá, e daí?, perguntaria o distinto leitor. Bom, daí que isso me ficou na memória, à parte a felicidade do encontro com duas cabeças tão boas e de marcante gentileza, como uma parábola da eterna discussão (ou de seu estágio atual) sobre o que é ser gaúcho, sobre o que culturalmente particulariza essa idéia e sobre a projeção disso no mundo além-porteira.

Eterna questão, sim, mas por onde anda? A não ser pelo Luis Augusto Fischer, pioneiro e renitente pensador do tema, pelas ramilongas do Vitor e outras do Bebeto Alves que no rádio ecoam uma fricção entre o chimarrão e o satélite, a impressão que tenho é de que o assunto deu-se por encerrado, cansado de si próprio, e foi tomar café. De que se consolidou o apartheid entre um certo imaginário cosmopolita e o mundo gaudério, cada um que procure a sua turma e estamos conversados.

O que seria uma pena, porque o chamamé é uma beleza entre outras tantas - não preciso ser eu a listar Jayme Caetano Braun, Simões Lopes Neto ou Lúcio Yanel - e porque obviamente a história do Rio Grande do Sul merece ser bem contada. Talvez até a grossura se justifique em alguns instantes, importa, sim, saber rir de si próprio. Mas também é preciso saber fazer do pampa o que o Jorge Luis Borges fez com pompa e às pampas.

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Paulo Sant'ana
24/05/2004


Um bárbaro retrocesso

Nem mesmo os mais experientes e atilados espíritos poderiam imaginar que os atentados de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center e ao Pentágono eram apenas o início de um ciclo de pesadelos que se abateria sobre a humanidade.

Um seleto grupo de congressistas norte-americanos assistiu há alguns dias a um macabro espetáculo de crueldades infligidas a prisioneiros iraquianos pelo Exército dos EUA, com a mostra de 1,8 mil slides e vídeos que relatavam uma cruel tática dos dominadores sobre os dominados, com os primeiros usando dos piores métodos de tortura para amolecer os presos nos interrogatórios.

As imagens mostravam soldados norte-americanos obrigando iraquianos a se masturbarem e atacando sexualmente prisioneiros com bastões fosforescentes.

Apareciam soldados americanos rindo de iraquianos mortos, cujos corpos tinham sido abusados e mutilados.

Mas duas imagens lideravam o horror imposto pelos carcereiros aos presos: primeiro, a de um iraquiano encapuzado, posto de pé e nu sobre uma caixa, de braços estendidos e com os dedos das mãos presos por fios elétricos, que se desdobravam até os pés e o pênis. Os soldados insinuavam ao preso que se ele se desequilibrasse e caísse da exígua caixa morreria por eletroplessão.

A segunda imagem: aquela do preso aterrorizado e nu, atacado por cães e humilhado por guardas femininas.

A série de torturas e humilhações culminou com a informação de que na semana passada foram feitas fotografias de presos que eram obrigados a retirar suas rações de comida dos vasos sanitários.

Um memorando do Departamento de Justiça enviado para a CIA no outono de 2001, permitindo à agência usar um arsenal de técnicas que visavam a alquebrar os prisioneiros, entre elas a privação do sono, a exploração de fobias e a utilização de fatores causadores do estresse, foi a liberação geral para a tentativa de driblar a Convenção de Genebra no tratamento aos suspeitos de integrar a Al-Qaeda.

E com certeza foi o símbolo da decisão governamental norte-americana de que os prisioneiros do Talibã e da Al-Qaeda não mereciam o status de prisioneiros de guerra, podendo ser interrogados com uma dureza sem precedentes e sem a proteção da lei internacional.

As imagens das torturas vêm do Iraque, mas certamente elas se verificaram também na prisão de Guantánamo, onde os EUA mantêm reclusos centenas de talibãs.

Não eram romanos os torturadores. Nem cartagineses. Não eram hunos nem persas, nem os bárbaros povos da Antigüidade que ensangüentaram a Terra.

Eram norte-americanos em pleno século 21, representantes de um Estado que se gaba de portar a maior e melhor democracia do mundo, neste estágio em que a humanidade deveria comemorar o seu maior aperfeiçoamento, derrubando com suas luzes as trevas de sangue e opressão que caracterizaram os reinados dos povos primitivos.

Os congressistas norte-americanos que assistiram às imagens das torturas saíram da sala cabisbaixos e lívidos, envergonhados do seu país e do seu tempo por este retrocesso desanimador da civilização.

A humanidade definitivamente não tem mais emenda.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Europa
Desabamento e mortes em aeroporto de Paris



Parte da cobertura de metal e concreto do novo terminal do Aeroporto Internacional Charles de Gaulle, um dos mais movimentados do mundo, desmoronou ontem, deixando pelo menos seis mortos e ferindo quatro pessoas (foto Jerome Delay, AP/ZH)


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Domingo, Maio 23, 2004




Descubra a fórmula do amor

Será que existe alguma fórmula para o casal viver numa eterna lua-de-mel? Talvez, quem sabe, pode ser, depende. Mas que uma coisa fique bem clara: essa fórmula tem de ser perseguida, encontrada, conquistada pelos dois: homem e mulher. Caso contrário, esqueça. E aí você tem duas opções: escolha por recomeçar e sinta o prazer de viver um novo amor, que acredite, é perfeitamente possível, ou então, aceite deixar as coisas como estão, ignore os pequenos gestos: ou sua vida vai se transformar num inferno. Você corre o risco de se esquecer como é bom se apaixonar, beijar, namorar, ser amada, desejada.

Viver bem num casamento exige algumas observações e você tem de buscar as respostas para fazer suas descobertas: como superar os conflitos, como ser flexível no relacionamento, como manter a cumplicidade, como não esticar as brigas, como dar e exigir prazer e como ser romântico sempre.

E não pense, caro leitor, que falo tudo isso da boca pra fora. Além da minha vivência pessoal sobre o assunto, sou também uma observadora da vida: gosto de conversar com as pessoas, ouvir histórias de amigas e reflito sobre tudo isso. Acredito que esse ainda é o melhor caminho para resolvermos nossos conflitos internos e tirarmos proveito da vida a dois. O que diferencia uma relação passageira de uma história duradoura é justamente o compromisso que um tem com o outro de partilhar o lado chato, difícil e bom da vida. Basta cada um se propor a isso.

Marta Vicentin

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Jovens, mas nada rebeldes

Grupo de adolescentes americanos viaja à Europa para divulgar mensagem de castidade: abstinência é o melhor sexo seguro

PITTSBURGH, EUA - Engana-se quem pensa que a juventude só quer saber de sexo. Pelo menos este não é o caso dos 30 adolescentes americanos, todos eles virgens, que viajarão rumo à Grã-Bretanha em junho para pregar a abstinência sexual. Eles fazem parte de um grupo de nome estranho, A Coisa do Anel de Prata, que defende a castidade como a única forma de sexo seguro.

Medidas de educação sexual, como o uso de camisinhas e pílulas contraceptivas, não funcionaram. Quais os resultados? São desastrosos. Nossa missão é oferecer a alternativa da abstinência para os jovens, explica o pastor evangélico Denny Pattyn, diretor do movimento.

A próxima empreitada do grupo é levar sua mensagem para sete cidades da Grã-Bretanha Londres, Leeds, Birmingham, Manchester, Dublin, Belfast (Irlanda) e Glasgow (Escócia). Os militantes farão a campanha através de apresentações, que costumam contar com efeitos de luzes e números de comediantes, tudo ao som do rap Oh no: don't give it away (Oh não: não abra mão disso).

Durante os shows, aqueles que aderirem ao lema da abstinência sexual terão que comprar um anel de prata, por 18 dólares, para simbolizar o compromisso. E ganham ainda uma bíblia da organização, acrescenta Pattyn.

Governo americano ajudou a custear viagem para Europa

A turnê está sendo custeada, em parte, pelo governo americano. O grupo ainda espera conseguir doações e patrocínios na Grã-Bretanha. O dinheiro proveniente da venda dos anéis e de camisetas, nas quais se lêem mensagens como Perigo: o sexo muda tudo, também ajudará a pagar a viagem.

A missão, porém, não será das mais fáceis. A Grã-Bretanha registra as maiores taxas de gravidez entre adolescentes da Europa Ocidental e sofre uma explosão de doenças sexualmente transmissíveis. Segundo o Serviço de Saúde Pública britânico, entre 1992 e 2002, foi registrado um aumento de 870% nos casos de sífilis e 106% nos de gonorréia.

Mas Pattyn está otimista e acredita que conseguirá convencer centenas de britânicos a fazer voto de castidade. Dentro de cada jovem, há uma alma. E essa alma, quando ouve a mensagem de Deus, responde. Pode parecer loucura, mas eu vejo isso acontecer o tempo todo.


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