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Sábado, Junho 12, 2004
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8:45 PM by Cassiano Leonel Drum
Ponto de vista: Lya Luft
Sobre pais e filhos
"O mundo é informe quando se está começando a caminhar por ele: quem poderia sugerir formas, apontar caminhos, discutir questões, escutar e dialogar está tão inseguro quanto os que mal acabaram de nascer"
"Por que as crianças hoje são tão malcriadas e os adolescentes tão agressivos?"
A pergunta mexeu com todos. Alguns aplaudiram, outros deram risada (solidária, não irônica), e pareceu correr pela sala uma onda de alívio: o problema não era a dor secreta de cada um, mas uma aflição geral. Minha resposta não foi nada sofisticada. Saltou espontânea de trás de tudo o que li sobre educação e psicologia:
"Porque a gente deixa".
E a gente deixa porque talvez uma generalizada troca de papéis nos confunda. Por exemplo, a que ocorre entre público e privado. Vivemos uma ânsia de expor o que pensamos sobre os outros, achando que nos resguardamos da opinião alheia. No entanto, essa é uma forma de botar a cara na janela, tornar-se cabide dos fantasmas alheios uma verdade mais contundente do que imaginam os que nunca se debruçaram em nenhum parapeito.
Ilustração Ale Setti
Quando pequena, numa cidade do interior, era engraçado no fim da tarde, no sobrado de meus avós, subir numa banqueta e, cotovelos apoiados em almofadas, ficar olhando pela janela o que se passava na rua. Até que descobri que eu é que estava sendo olhada: eu me expunha. Eu, tímida e assustada, era personagem, não platéia. E a janela perdeu a graça.
Filhos malcriados e agressivos... O problema da autoridade em crise não é do vizinho, não acontece no exterior, não é confortavelmente longínquo. É nosso. Parece que criamos um bando de angustiados, mais do que seria natural. Sim, natural, pois, sobretudo na juventude, plena de incertezas e objeto de pressões de toda sorte, uma boa dose de angústia é do jogo e faz bem.
Mas quando isso nos desestabiliza, a nós, adultos, e nos isola desses de quem estamos ainda cuidando, a quem devemos atenção e carinho, braço e abraço, é porque, atordoados pelo excesso de psicologismo barato, talvez tenhamos desaprendido a dizer não. Nem distinguimos quando se devia dizer sim. Estamos tão desorientados quanto esses que têm vinte, trinta anos menos do que nós. Assim é instalada a inversão, e esta pode ser bem dolorosa.
Muitas vezes crianças são excessivamente malcriadas e adolescentes agressivos demais porque têm medo. Ser insolente, testar a autoridade adulta, quebrar a cara e bater pé, tudo isso faz parte do crescimento, da busca saudável de um lugar no mundo. Mas não ter limites é assustador. Ser superprotegido fragiliza. O mundo é informe quando se está começando a caminhar por ele: quem poderia sugerir formas, apontar caminhos, discutir questões, escutar e dialogar está tão inseguro quanto os que mal acabaram de nascer.
Teorias mal explicadas, mal digeridas e mais mal aplicadas geraram o medo de magoar, de afastar, de "perder" o filho. A fuga da responsabilidade, o receio de desagradar (todos temos de ser bonzinhos) aliam-se ao conformismo, o "hoje em dia é assim mesmo". Ninguém mais quer ser responsável: é cansativo, é tedioso, dá trabalho, causa insônia. Queremos ser amiguinhos, mas os filhos precisam de pais. E, intuindo nossa aflição, esperneiam, agridem, se agridem talvez por não confiarem o suficiente em nós.
Ter um filho é, necessariamente, ser responsável. Ensinar numa escola é ser responsável. Estar vivo, enfim, é uma grave responsabilidade. Não basta tentar salvar a própria pele nessa guerrilha social, econômica, ética e concreta em que estamos metidos. Trata-se de ter ao menos um pequeno facho de confiança, generosidade e experiência, e colocá-lo nas mãos das crianças e dos jovens que, queiram eles ou não, se voltam para nós antes de se voltarem contra nós.
Lya Luft é escritora
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8:42 PM by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
O diogomainardismo
"Assim como o termo malufismo ganhou a conotação de desvio de dinheiro público, o diogomainardismo pode ser definido como uma difamação espalhafatosa na tentativa de chamar atenção"
Virei um insulto. Tutty Vasques assinalou o fato. Quando os leitores querem insultá-lo por causa de um artigo, já não ofendem sua mãe, como antes, mas o comparam a mim. Chamam-no de Diogo Mainardi. Assim como o termo malufismo ganhou a conotação de desvio de dinheiro público, diogomainardismo pode ser definido como uma difamação espalhafatosa na tentativa de chamar atenção.
Foi com esse significado nada lisonjeiro que meu nome entrou para o dicionário. Acompanhado por adjetivos como derrotista, frustrado, invejoso, ególatra, leviano, oportunista, mal-humorado. Pouco importa que eu não me reconheça na descrição. Diogo Mainardi se tornou uma entidade maior do que eu. Como Pelé, posso começar a falar a meu respeito na terceira pessoa.
O epíteto Diogo Mainardi é aplicado a qualquer coitado que reclame publicamente de alguma coisa. Do jornalista que denuncia nossa falta de jeito para o cinema ao blogueiro adolescente que se recusa a gostar de uma determinada banda musical.
Em geral, trata-se de gente inofensiva que se limita a soltar um comentário gratuito sobre um tema desimportante. Basta pouco para estimular a ultrajante comparação. Atribuíram-me o monopólio do protesto. Desse modo, qualquer um que proteste é automaticamente associado a mim, com tudo o que isso tem de negativo.
Os brasileiros sempre preferiram o conchavo e o corporativismo à discussão e à insubordinação. Apesar dessa nossa propensão à canalhice, tivemos grandes contestadores no passado, sobretudo na imprensa. Aparentemente não sobrou nenhum. Ou melhor, só sobrei eu, um palerma, uma caricatura grosseira de quem me precedeu.
Pelas contas de Tutty Vasques, 96% dos cariocas cassariam meu visto e me mandariam embora do Rio de Janeiro. Certamente os mesmos 96% que apoiavam Lula no começo do mandato. A eleição de Lula representou o triunfo do diogomainardismo. Peguei no pé do presidente desde os primeiros tempos, para contrastar a euforia plebiscitária que se formou ao seu redor. Agora a euforia passou.
As pessoas se encheram de Lula e, conseqüentemente, encheram-se de mim, identificando-me como uma espécie de parasita do insucesso petista. Cresci como um verme solitário na barriga do governo, alimentando-me da figura de bom selvagem de Lula, com seu palavreado primário e sua malandragem brasileira. Quando Lula acabou, acabei junto. Virei um palavrão. Daqui a alguns anos, por sorte, ninguém mais se lembrará de nós.
Claro que ser identificado como único opositor do Brasil me envaidece. Claro também que não é bom para o país. A identidade cultural brasileira não se baseou em idéias, mas em um ou dois acordes de violão. A falta de idéias não criou o hábito da contraposição, da reivindicação, da argumentação. Quem não está acostumado a argumentar é facilmente enganado. Por isso o Brasil não funciona.
Porque a gente forma espontaneamente maiorias bovinas de 96%. Cultura não é rebolar na rua. Cultura é reclamar, achincalhar, protestar, caluniar. Lamento muito que meu nome seja usado para ofender os mais inconformados. Se alguém o chamar de Diogo Mainardi, porém, não se desespere. Eu já fui comparado até a Aracy de Almeida.
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10:24 AM by Cassiano Leonel Drum
Crédito para universitário
Ministro da Educação anuncia R$ 800 milhões para financiamento de mensalidades. Ano passado, 70 mil alunos foram beneficiados
PORTO ALEGRE E BRASÍLIA - O ministro da Educação, Tarso Genro, anunciou verba de R$ 800 milhões para a reabertura do Financiamento Estudantil (Fies) no segundo semestre. Por esse sistema de crédito, o estudante paga 30% da mensalidade de instituições particulares e os 70% restantes são financiados, com juros de 9% ao ano, para quitação depois da formatura em geral, o programa tem recursos para atender a 26% dos interessados.
O Fies foi criado em 1999, substituindo o Crédito Educativo (Creduc). Pelos números do Ministério da Educação, o programa já foi responsável, desde a implantação, pela concessão de financiamentos de R$ 2,1 bilhões. Nesse período, foram feitos 276.288 contratos, sendo que 4.296 já foram liquidados. Os demais 271.992 estão ativos. Cada estudante recebe em média R$ 1.772 durante o curso. Em todo o País, 1.332 instituições participam do programa, que se espalha por 1.633 centros universitários.
Preferência para alunos da escola pública
O cronograma do Fies no segundo semestre será divulgado na semana que vem. No ano passado, as inscrições aconteceram entre julho e agosto. Foram 70 mil vagas, com preferência para alunos de oriundos de escolas públicas e os que procuraram cursos de Licenciatura em Matemática, Física, Química, Biologia, Ciências, História, Letras e Educação Física.
A inscrição é feita pelo formulário de entrevista disponível no site http://fies.caixa.gov.br. É preciso fornecer o número do CPF, ter renda familiar de pelo menos 30% do valor da mensalidade e, mais tarde, apresentar um fiador.
Bolsa integral para quem não tem renda suficiente
Quem não tem renda para participar do Fies deve procurar o Universidade para Todos, que tem 30 mil bolsas de estudo integrais em universidades privadas. O público-alvo desse projeto é formado por estudantes de renda familiar de até um sálário mínimo (R$ 260) per capta.
O Ministério da Educação ainda não divulgou se esse programa ou o Fies se encaixarão no sistema de cotas raciais. Em Porto Alegre, o ministro Tarso Genro disse a lei de reforma do Ensino Superior prevê o fim das cota. Segundo ele, a política de cotas só se justifica quando a desigualdade social prejudica o ingresso de determinadas camadas. O ministro garante que o aumento de qualidade pretendido para os próximos 10 anos reduza essas distorções. Tem que ser uma política transitória, não permanente, afirmou.
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10:17 AM by Cassiano Leonel Drum
O Reencontro
Romário volta para os braços da torcida depois de uma ausência de 41 dias. Para matar a saudade, nada melhor do que fazer gol hoje no Guarani, em Volta Redonda
Marluci Martins
É Dia dos Namorados, e o coração vai bater mais forte, sim. Pelo menos, o dos tricolores. E, seguramente, mais ainda o de quem for ao Estádio da Cidadania, em Volta Redonda, onde o Fluminense enfrenta hoje o Guarani, a partir das 16h.
Em campo, um bom partido para quem anda carente de gols e emoção: moreno, baixinho (1m69), mas de corpo atlético, Romário volta para os braços da torcida tricolor depois de uma ausência de 41 dias. Haja saudade...
No dia 2 de maio, um estiramento na panturrilha direita separava Romário de sua paixão, a bola. A lesão foi sofrida justamente aos 4 minutos do clássico diante do Vasco, ex-amor do atacante.
Depois do estiramento muscular, veio a insuportável lombalgia. E, ainda, surgiram boatos de que Romário estava flertando de novo com o Vasco. Passaram-se cinco jogos um deles, válido pela Copa do Brasil. E Romário volta a vestir a camisa do Flu, disposto a uma nova lua-de-mel com a bola e a torcida.
O atacante entrou em campo somente em quatro dos oito jogos disputados até agora pelo Fluminense no Campeonato Brasileiro. Com Romário (dois gols na competição), o time teve dois empates, uma derrota (São Paulo) e uma vitória (Vasco se bem que o Baixinho ficou somente quatro minutos em campo, nessa partida).
Com tratamento vip, Romário não seguiu para Volta Redonda ontem de manhã, com a delegação. Enquanto o time treinava no Estádio da Cidadania, o Baixinho fazia, no Rio, um trabalho de reforço muscular, com o preparador-físico Alexandre Mendes.
O treino em Volta Redonda não foi lá muito proveitoso para o técnico Ricardo Gomes. Ele não definiu o time que enfrenta hoje o Guarani.
Técnico tem dúvida no ataque e problema na zaga
Rodolfo, com dor no joelho esquerdo, não treinou, e dificilmente estará em condição de entrar em campo. Se não melhorar até a hora da partida, será substituído por Odvan, que está há um mês sem jogar.
No ataque, Ricardo Gomes não escolheu quem será o companheiro de Romário.
Teremos modificações no meio-campo e estou mais preocupado com isso do que com as opções que tenho para o ataque. Marcelo e Alessandro estão atravessando boa fase, disse o técnico tricolor, que, na impossibilidade de contar com com Diego (suspenso) e Maicon (contundido), escalou Marcão e Thiago.
Roger, que levara uma pancada na panturrilha, recuperou-se, treinou ontem e está liberado pelo departamento médico para o jogo, que marca a estréia do Fluminense no Estádio da Cidadania.
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10:10 AM by Cassiano Leonel Drum
Liberato Vieira da Cunha
12/06/2004
Baú de ouro
A capa do livro de que falarei hoje é uma fotografia de um baú, que não está cheio de areia aurífera, mas de versos igualmente preciosos que saíram da inspiração de um poeta gauchesco cheio de amor pela sua terra e pela sua gente. Como o Cid Campeador, o poeta Nei Fagundes Machado também foi exilado da sua amada Ijiquiquá, no interior do município de Uruguaiana. Louco de saudade, curtindo a nostalgia dos transplantados, de que falava Manoelito de Ornellas, tratou de encher o seu baú com versos de ouro.
Nei é o filho mais velho do patriarca Júlio Machado da Silva, um gaúcho de exceção. Do tio Júlio e da tia Rosa originou-se uma plêiade de talentos os mais variados. O João e o Julinho são músicos, compositores e poetas de mão cheia. São, por exemplo, os autores de Guri, um dos clássicos do cancioneiro gaúcho. As seis irmãs cantam como anjos. Ver e ouvir os nove filhos cantando, tocando ou declamando, é um privilégio reservado a poucos.
O Nei é hoje, depois da morte do tio Júlio, o maior mestre de truco-cego do Estado e nosso líder inconteste no Clube Pitoco, que reúne a carpeta campeira em Porto Alegre. Mas não é só isso: o Nei é poeta dos bons, ótimo declamador e, como todos os Machado, toca uma gaita de botão, um violão campeiro e se defende lindo no piano. Ah, e canta muito bem, embora não goste de cantar em público. Seus versos, como o baú do Cid, contêm ouro, o ouro puro da verdadeira poesia.
liberato.vieira@zerohora.com.br
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10:08 AM by Cassiano Leonel Drum
Cláudia Laitano
12/06/2004
Wo-o-o Feelings
Ouve-se um compacto "óóóóó" na platéia, seguido pelo rumor quase imperceptível de mãos que se procuram no escuro. Alguns espectadores, não poucos, vão além do carinho discreto: tomam fôlego, apertam os olhinhos e abandonam-se num beijo que se prolonga até o último acorde da canção.
Estamos na estréia do novo show de Caetano Veloso, em São Paulo. O repertório inclui alguns dos compositores mais sofisticados que a música popular já produziu - Cole Porter, George Gershwin, Noel Rosa e o próprio Caetano entre eles. Mas o que derrete a platéia, o que puxa a sinfonia de suspiros e inspira a interpretação mais rasgada do cantor é um clássico da pieguice nacional em idioma estrangeiro. Se você cantarolou o título lá em cima, é provável que já tenha dançado Feelings de rostinho colado. Para os outros, um pequeno recuo histórico.
Depois de ficar seis meses nas paradas brasileiras em 1974, o tema romântico da novela Corrida do Ouro chegou patrolando as rádios americanas no ano seguinte. Morris Albert, nascido Maurício Alberto Kaiserman, recebeu quatro indicações ao Grammy por essa música com letra em inglês que ele compôs aos 22 anos e que até hoje é tida como a mais gravada da história desde White Christmas: antes de Caetano, Julio Iglesias gravou, Gloria Gaynor, Henry Mancini, Johnny Mathis e Sarah Vaughan também - até a Mulher Biônica cantarolou a musiquinha num dos episódios da série.
Aos 52 anos, Morris Albert deve estar até agora tentando entender o que o mundo inteiro viu (ou ouviu) numa canção embalada por versos tão profundos quanto estes: "Sentimentos/ Nada mais que sentimentos/ Estou tentando esquecer os meus/ Sentimentos de amor/ Lágrimas/ Estão rolando em meu rosto/ E estou tentando esquecer os meus/ Sentimentos de amor".
Amor sem "as nossas músicas" é como filme sem trilha sonora - pode até funcionar, mas perde um tantão da graça. A canção de amor mais bonita que eu conheço chama-se Valsa Brasileira e é do Chico Buarque. Começa assim: "Vivia a te buscar / Porque pensando em ti/ Corria contra o tempo/ Eu descartava os dias/ Em que não te vi/ Como de um filme/ A ação que não valeu/ Rodava as horas pra trás/ Roubava um pouquinho/ E ajeitava o meu caminho/ Pra encostar no teu".
Mas como música e paixão são artes sinuosas, jamais dancei de rostinho colado ouvindo Valsa Brasileira. Talvez o clima de romance combine melhor com melecas como Feelings mesmo - vai entender por quê. Em um de seus poemas mais conhecidos, Fernando Pessoa nos dá uma pista: "Todas as cartas de amor são/ Ridículas./ Não seriam cartas de amor se não fossem/ Ridículas".
Sentimentos, wo-o-o, sentimentos. Nem sempre é preciso, ou possível, dizer muito mais do que isso.
claudia.laitano@zerohora.com.br
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10:06 AM by Cassiano Leonel Drum
Cláudio Moreno
12/06/2004
Alpaca e vicunha
Se a pele da ovelha é ovina e a da cabra é caprina, o que seria a pele da alpaca? E da vicunha? A pergunta vem de São Paulo, de um amável peleteiro (ainda existem alguns, embora exerçam seu honrado ofício com a máxima discrição possível, neste século em que só falta darmos aos animais o direito ao voto).
Pelos exemplos que ele citou, percebe-se que ele está se referindo àquele grupo de vocábulos especiais que convencionamos chamar de adjetivos eruditos: cúpreo para cobre, argênteo para prata, lupino para lobo, eqüino para cavalo, e assim por diante. Estes adjetivos foram formados tardiamente, num dos períodos mais interessantes (e afortunados!) da história do Português.
Em primeiro lugar, devo lembrar ao meu leitor que nosso vocabulário veio do Latim em duas etapas distintas. A camada mais antiga - a base do nosso léxico - é constituída por aqueles vocábulos latinos que, com as modificações de séculos de uso, somadas à influência dos substratos lingüísticos existentes na Península Ibérica antes da invasão romana, evoluíram até tomar a forma que hoje têm.
Assim como uma brilhante moeda de cobre, recém-cunhada, vai perdendo o brilho e a efígie, ficando mais fina e sem a serrilha das bordas, sob a ação do tempo e do uso, assim palavras latinas como insula, pluvia ou hibernus foram sofrendo também essa erosão do tempo e do uso, resultando nos vocábulos ilha, chuva e inverno, respectivamente. Esses vocábulos, por sua vez, começam a produzir derivados, já dentro dos processos habituais do Português (ilhéu, ilhado; chuveiro, chuvoso, chuvarada; invernada, invernia) - e vão continuar produzindo, enquanto a nossa for uma língua viva.
A camada mais recente veio no Renascimento. Até então, os tratados de Ciência, de Filosofia, de Teologia e de Direito só eram escritos em Latim, usando-se as línguas modernas (o Francês, o Português, o Espanhol) só para poesia, narrativas de viagens e, é óbvio, para as comunicações e os registros indispensáveis à vida quotidiana. Nos séculos 15 e 16, no entanto, começam a ser escritos os primeiros tratados em "vulgar" (assim os eruditos classificavam a língua nacional de cada país), o que trouxe duas conseqüências importantíssimas: em primeiro lugar, permitiu a todo cidadão alfabetizado o acesso a um saber que antes era privilégio dos latinistas; em segundo lugar, obrigou as línguas modernas a ampliarem consideravelmente o seu vocabulário, a fim de poder exprimir as idéias que antes só eram expressas em Latim.
É o caso dos adjetivos eruditos: nossos escritores humanistas, ao formá-los, utilizaram radicais que foram buscar diretamente no Latim literário, criando-se os curiosos (mas enriquecedores) pares formados por uma palavra já evoluída e uma palavra reconstituída: de pluvia, temos chuva e pluvial; de auru, temos ouro e áureo; de capillu, temos cabelo e capilar; de insula, temos ilha e insular; de masculu, temos macho e másculo - e por aí vai a valsa.
Voltando à nossa imagem da moeda de cobre: é como se surgisse, além daquela moeda gasta pelo tempo, outro exemplar, novinho em folha, trazido do tesouro do passado - e as duas agora passassem a circular lado a lado. Nossa dívida para com nossa mãe latina fica, assim, duplicada.
Ora - e aqui é que bate o ponto! -, uma língua morta como o Latim tem seu léxico restrito à realidade que era conhecida pelos seus derradeiros falantes. Na Idade Média o Latim já era língua morta; no Renascimento, mais do que morta. Quando a América ficou conhecida - e, com ela, a lhama, a alpaca, a vicunha, a anta, o chocolate, o caju, a capivara e outros que tais -, o léxico latino já estava encerrado.
Portanto, é natural que tenhamos adjetivos eruditos para bois, cabras e carneiros, mas não para alpacas, vicunhas e pingüins - esses radicais não existiam no Latim. E cá para nós: não fazem a menor falta em nosso idioma. Um casaco de pêlo de alpaca é... um casaco de pêlo de alpaca.
claudio.moreno@zerohora.com.br
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10:03 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
12/06/2004
A inteligência animal
Os cientistas estão alarmados com as experiências com cães, num instituto alemão, que dão conta de que os animais caninos são capazes de identificar objetos através dos sons emitidos pelos lábios humanos.
Ou seja, se um homem pronuncia por diversas vezes a palavra "óculos" e segura nas mãos os seus óculos, perante um cão, o animal acaba percebendo que aquele objeto são os óculos.
Logo em seguida, o homem segura nas mãos uma luva. E repete a palavra "luva" durante umas cem vezes.
O cão associará imediatamente a palavra "luva" à luva que o homem tem na mão.
Foi assim que os pesquisadores alemães fizeram. A seguir, colocaram uma luva e uns óculos em outra peça da casa. E pediram para um cão da raça border collie buscar a luva. O cão foi até a outra peça da casa e trouxe a luva.
O mais impressionante: os pesquisadores selecionaram oito objetos e os fixaram, nome por nome, na memória idiomática dos cães.
Colocaram os oito objetos noutra sala, juntaram a eles um nono objeto, deste ainda não tinham dito ao cão qual era o seu nome.
Pediram então ao cão que trouxesse o nono objeto, cujo nome o cão nunca tinha ouvido.
O cão foi até a outra peça da casa e trouxe o nono objeto. Pela simples e incrível razão de que, tendo encontrado na outra peça da casa nove objetos, oito dos quais identificava e ligava aos fonemas humanos utilizados para nomeá-los, como nunca tinha ouvido antes aquele nome solicitado pelos pesquisadores, o cão concluiu que só podia ser o nono objeto o correspondente ao pedido.
Fantástico.
Mais fantástico ainda quando se sabe que os cães e alguns outros animais têm mais sensibilidade para entender os homens do que nós a eles.
Tanto que esses pesquisadores alemães estão declarando que suas constatações nada mais são que a confirmação de depoimentos de donos de cães que insistiram sempre em dizer que seus animais entendiam as palavras que eles pronunciavam, o que era encarado com desdém pela ciência.
As atitudes dos cães nós entendemos. Eu, por exemplo, como qualquer dono de cão, sei quando a minha cadelinha poodle quer que eu a segure no colo: ela late, empina sua ancas traseiras para cima e baixa o pescoço e a cabeça: quer subir no colo.
Quando ela percebe que já me vesti e me preparo para sair, late, bate bastante e vai diversas vezes até a porta, indicando que irá querer sair junto.
Quanto às atitudes dos animais, eles nos dão a perceber as suas intenções.
No entanto, eu calculo que, quase todos os donos de cães, jamais conseguimos traduzir os latidos dos cães, para nós se constituem em incompreendidos verbos.
Ou sejam, essas pesquisas alemãs constatam que os cães conseguem traduzir a linguagem dos homens - por associação ou eliminação, o mesmo método usado pelos bebês humanos para aprender a falar - enquanto que nós no máximo intuímos, pela veemência ou languidez de seus latidos, algumas de suas vagas intenções.
Estes fatos todos são relevantes porque a ciência continua a afirmar que os animais não possuem inteligência, são movidos só pelo instinto.
Mas depois que assisti, estupefato, pela televisão, a um chimpanzé indiano ensinando seus dois filhotes a colocar uma pedra no chão, uma noz em cima da pedra - e com outra pedra bater sobre a noz e alimentar os seus dois filhotes com a fruta emergida da casca, prática que se transmite de pai para filho entre os macacos que comem nozes e nunca tinham avistado qualquer ser humano, não tive mais dúvidas: os animais são dotados, sim, de inteligência.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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10:01 AM by Cassiano Leonel Drum
Clima
No umbral do inverno
A oito dias do começo da estação fria, gaúchos vivem um fim de semana gelado, como em Canela (foto Nereu de Almeida, Agência RBS/ZH)
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Sexta-feira, Junho 11, 2004
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9:18 PM by Cassiano Leonel Drum
Orkut é a mais nova febre da rede a pegar no Brasil
DIEGO ASSIS
da Folha de S.Paulo
É namoro ou amizade? Em tempos de internet, a tradicional brincadeira que servia para as crianças descobrirem e revelarem suas preferências está virando coisa de gente grande.
Mais nova febre da rede a pegar o Brasil de jeito, o Orkut --ferramenta ligada ao "império" Google, em www.orkut.com-- é um site de relacionamentos que permite que o internauta tenha sempre, a um clique do mouse, uma lista de amigos, chegados e comunidades com perfis semelhantes.
Uma "social networking", que tem despertado a atenção de investidores interessados em algo além de beijo, abraço ou aperto de mão.
Mas não só: "Os brasileiros andam usando o Orkut como clubinho de fofocas e lesação, o que não deixa de ser divertido. É o jeito comportamental dos brasileiros, que antes já havia invadido o fotolog. Tem gringo chiando feio contra isso", resume Hisato Tanaka, que se filiou ao serviço para "reencontrar gente de outras épocas". "A capacidade do Orkut de ampliar e resgatar o círculo de amigos próximos é absurda. Mesmo quando você nem está a fim disso, acaba tendo que socializar, por uma questão de educação", completa.
Uma das exigências do serviço é a veracidade das informações que o usuário coloca em sua ficha pessoal, de acesso público. Uma mistura de jogo da verdade com entrevista para vaga de emprego, que servirá para que os velhos conhecidos se "achem" na rede e também para que novas amizades se estabeleçam, por meio de afinidades. (Se eu e você gostamos do Radiohead, do Monty Python e do seriado "Simpsons", todos temas das inúmeras comunidades do Orkut, então já podemos ser amigos.)
"Ente digital"
Após algumas semanas de experiência, no entanto, a pergunta que persiste é: quem está dizendo a verdade --nada mais do que a verdade-- no Orkut?
"Sim, eu menti. Eu disse que era advogado, eu disse que tinha curso de gourmet, eu disse que entendia de vinhos, eu disse que fazia noise eletrônico, mas isso tudo só para parecer mais interessante a outros olhos", escreveu um membro da comunidade "Eu Menti Meu Perfil no Orkut". Será verdade?
"Eu menti para entrar no 'Eu Menti Meu Perfil no Orkut' porque preciso me socializar e fazer amigos. É isso", retrucou outro, no mesmo fórum.
Em uma enquete promovida pela reportagem da Folha no próprio Orkut, 99,9% das pessoas responderam que jamais usaram o site para contar mentiras sobre si próprios.
"Só digo a verdade e omito o que não me interessa dizer. A pior coisa que você pode fazer é mentir, porque é muito fácil ser desmascarado", respondeu... Moon Shine --nome verdadeiro e foto ela não revela!
E mais: quem mente, grita em uníssono com a grande maioria dos orkutianos consultados, são os outros. "Não acredito nos perfis masculinos. Geralmente os homens são solteiros, sarados e ricos", diverte-se a garota.
Descrito com pelo menos dois dos adjetivos acima, o argentino radicado em São Paulo Andrés Nigoul conta que já adicionou diversas pessoas que mal conhece em sua lista. Em pouco tempo, os (novos) amigos haviam criado a "Comunidade dos Adoradores do Andrés", segundo ele, "meio na sacanagem". "Eles me tratam de mestre, ou iluminado. É estranho e às vezes engraçado", comenta Nigoul, que diz também já ter usado a comunidade de quadrinhos do serviço para encontrar parceiros para um projeto.
Mas, assim como na vida real, a grande contribuição cultural brasileira ao Orkut vem do ramo das telenovelas. Há dias uma enxurrada de celebridades têm se tornado "adeptas" da nova onda.
"Eu sou uma mulher de atitude: um bom uísque resolve qualquer situação. Aliás, a vida só faz efeito mesmo após a segunda dose", declara em seu perfil Heleninha Roitman, personagem de Renata Sorrah na novela "Vale Tudo". Os amigos de Heleninha? Odete Roitman, Darlene Sampaio, Dona Armênia, Hebe Camargo, Silvio Santos e até um Elvis Presley, que, por sua vez, é amigo de Serguei...
"Estamos sendo digitalizados, estamos criando nosso ente digital no Orkut. Sobre se falam a verdade? Qual é a verdade de cada um? A que ele vê ou a que os outros vêem nele?", pergunta o paulista Mick Bernard, que há tempos vinha acompanhando o serviço de longe e só conseguiu entrar mesmo quando recebeu um convite da filha. Isso porque entre as regras do Orkut a principal é que bicão não entra.
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7:25 PM by Cassiano Leonel Drum
Coelho mania
Autor mais vendido no mundo, Paulo Coelho mudou-se para um antigo moinho na França. E não pára de produzir. Já está escrevendo seu próximo livro, O zahir
Eliane Lobato St. Martin (França)
Foi-se o tempo em que era possível interpelar Paulo Coelho durante suas caminhadas diárias em Copacabana. Hoje, quem quiser falar pessoalmente com o escritor precisa viajar até Paris, enfrentar mais de uma hora de avião para alguma cidade perto de St. Martin, em Béarn, e finalmente pegar um táxi para o pequeno vilarejo de 190 habitantes, onde ele transformou um antigo moinho cercado de verde em casa.
"Nessa casa tenho um espaço maravilhoso e o resto do mundo em volta para usufruir "
Neste ambiente talhado para atender a demandas espirituais, nos Pireneus franceses, Paulo Coelho poderia refestelar-se e sonhar matéria-prima básica de sua atividade, agora milionária. Mas já está produzindo seu próximo livro, O zahir palavra árabe que significa objeto ou pensamento que jamais se esquece. O autor garante, no entanto, que a obra só será editada a partir do ano que vem.
Paulo Coelho é um fenômeno da literatura mundial e nunca esteve tão em evidência. Quando recebeu ISTOÉ em sua casa, no início do mês, o escritor franqueou seu e-mail. Havia 187 convites de viagens para receber prêmios ou participar de eventos. Seu cachê para palestras é de 30 mil euros (cerca de R$ 100 mil).
Afinal, ele é o autor mais vendido no mundo em 2003, segundo a revista britânica Publishing Trends, com a marca de 65 milhões de exemplares em quase mil edições diferentes. Seu último livro, Onze minutos, acaba de ser lançado na Estônia e na Polônia, seguindo os passos de O alquimista, de 1988, contumaz andarilho de listas de best-sellers em todo o mundo. O alquimista, por sinal, acaba de ganhar mais um prêmio por ter ultrapassado meio milhão de cópias na Grã-Bretanha.
Em consequência do suces-so, o autor é alvo de ferrenha pirataria internacional. Em Angola, seus livros custam US$ 50 (R$ 150) e nem um cent vai para sua conta. Sei de tudo e não posso fazer nada!, conforma-se. Traduzido em 56 idiomas e publicado em 156 países, Coelho é o escritor brasileiro que alcançou o maior reconhecimento internacional de todos os tempos. Seu sucesso levou o jornal inglês Publishing News a criar o termo coelhomania.
"Caminho todo dia e uma vez por semana subo uma montanha, treino tiro ao alvo com arco e faço meditação. E, claro, escrevo." Iletrado É o triunfo de Paulo Coelho, que costuma ser tratado aqui como símbolo de um Brasil iletrado. Seu vertiginoso sucesso não é, decididamente, um fato tupiniquim. Estudiosos, como Gabriel Perissé, mestre em literatura brasileira pela Universidade de São Paulo, explicam o fenômeno.
No auge da crise da modernidade em que mergulhamos, todos anseiam confusamente pelo retorno ao mundo das tradições, das revelações. Algo que nos dê uma fé: o milagre é possível. Ou que nos dê uma vitória sobre o caos: a magia é possível, escreveu. A idéia resume o pulo do gato ou melhor, do Coelho. Com um discurso simples, ele consegue fazer com que cada leitor entenda que há obstáculos, mas também esperança.
"Caminho todo dia e uma vez por semana subo uma montanha, treino tiro ao alvo com arco e faço meditação. E, claro, escrevo."
Na eficácia de sua mensagem, a coelhomania prospera. Duas mil pessoas prestigiaram o lançamento de Onze minutos, no ano passado, na livraria Borders de Londres. O escritor brasileiro deu mais autógrafos do que o jogador inglês David Beckham, que tinha lançado livro na semana anterior. Atravessei a linha do sucesso global. Estou no mercado há 15 anos e não sou autor de um livro só, vangloria-se.
Com 16 livros de sucesso consolidado o último, o infantil O gênio e as rosas, com Mauricio de Sousa, lidera as vendas desde que foi lançado, há sete semanas , ele virou grife e pode se dar ao luxo de cometer ousadias, como jogar no mercado dois títulos num mesmo ano. Na França, enquanto Onze minutos começava sua trajetória, ele lançou Maktub. Me arrependi. A Alemanha queria lançar Maktub lá também e não permiti.
Não se pode canibalizar o mercado, isso mata o autor, penitencia. Porém, os franceses desmentiram a tese. Maktub brilha, há 11 semanas, na lista de jornais como o LExpress. Como desdobramento, Coelho virou branch a tradução literal seria ramo, mas que significa faturar royalties com o próprio nome , um bico profissional praticamente dominado por esportistas. Ele exibe um projeto finamente encadernado de um agente sueco que propôs dar seu nome a produtos como canetas, suíte de hotel, café literário.
Não topou. Simplesmente perdeu a paciência com o esnobismo do agente e acabou puxando um insólito diálogo: Peter, quem é mais rico, eu ou você? A resposta: Você, claro. Coelho: Quantas vezes? Ele: Umas 30. Coelho: Não, está errado. Devo ser mais rico umas 40 vezes, mas não fico falando sobre isso. O que você quer me provar? O escritor explica que é vítima constante de name dopping, nome dado a quem não pára de se auto-valorizar. Perto de mim, as pessoas ficam inseguras e querem se mostrar. Detesto isso, diz.
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8:25 AM by Cassiano Leonel Drum
Exagerado
Depois de 14 versões de roteiro, chega ao cinema Cazuza O Tempo Não Pára, filme sobre a vida do polêmico cantor, vivido com perfeição por Daniel de Oliveira
Flávia Motta
Dentro do Túnel Zuzu Angel, Daniel Oliveira posa depois de cena em que o carro fica sem gasolina
A tão falada performance de Daniel de Oliveira como protagonista em Cazuza O Tempo Não Pára, de Sandra Werneck e Walter Carvalho, pode ser entendida na frase de Lucinha Araújo, mãe do artista: É de dar nervoso. Houve momentos em que João (Araújo, o pai) ficou na dúvida se a cena era com Daniel ou Cazuza. É nesse clima de é ou não é que o filme estréia hoje nos cinemas. Abrangendo pouco mais de 10 anos da vida de Agenor o nome de batismo , o longa pode deixar entre os fãs a sensação de que algo ficou de fora. E ficou mesmo, muita coisa. Mas, segundo Lucinha, porque sua vida era intensa demais para ser contada em 90 minutos. Daria uma novela.
Contar a história do poeta não deve ter sido fácil. Houve 14 versões de roteiro. Queríamos o cara que estava no lugar certo, na hora certa, mas, às vezes, fazendo coisas erradas, explica Victor Navas, que divide o roteiro com Fernando Bonassi. E entre as coisas erradas incluem-se as noites de bebedeira, o uso de drogas, problemas com a polícia e uma certa promiscuidade.
No palco, cena de Ideologia, último show
Amigo de Cazuza, o produtor musical Ezequiel Neves ficou satisfeito. O filme é completo, redondaço, perfeito, emocionantíssimo, exulta. Redondo, mas nem tanto, já que uma das ausências mais sentidas na fita é a de Ney Matogrosso, o primeiro a gravar música de Cazuza e dirigiu seu último show, além de ter namorado o poeta. Soube que Ney ficou chateado. Ele foi muito importante, teve uma história linda com meu filho e ficou do lado dele até o último suspiro. Quem sabe disso, vai sentir falta, acredita Lucinha.
Ezequiel divide o filme em duas partes: A primeira é solar, com Cazuza no Circo Voador, no Baixo Leblon. Depois da doença, fica noturno, pesado, mas não melodramático. Antes dos sintomas da Aids, Cazuza é retratado como farrista, capaz de irritar os parceiros do Barão Vermelho nos ensaios e atrasos de shows. A transição para a doença começa com uma febre após sair do Barão. E segue em ritmo menos acelerado, cada vez mais comovente. Muito pelas dores de Cazuza e sua crescente fragilidade. Mais ainda pelo sofrimento de Lucinha.
Talvez seus contemporâneos se identifiquem mais com a fase saudável do poeta. Mas a trajetória da Aids comove. E, embora o filme termine sem a morte de fato (1990), a cena que representa Cazuza se despedindo da vida compensa ausências da fita.
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8:19 AM by Cassiano Leonel Drum
Matador
Don Juan dos tempos modernos, Ronaldo prova que também é um fenômeno fora de campo. A nova musa do craque é a modelo Daniela Cicarelli
Marco Senna
Fenômeno, também, na arte da sedução, Ronaldo segue colecionando namoradas com a mesma facilidade com que dribla seus marcadores antes de fazer mais um gol. Don Juan dos tempos modernos (apesar da careca), o astro da seleção brasileira acaba de eleger sua nova musa: a estonteante apresentadora da MTV Daniela Cicarelli, conforme antecipou a colunista Lu Lacerda, do Caderno D do DIA.
O novo casal vip da praça foi visto, quarta-feira, à noite, badalando no Club Heaven, em São Paulo. Em meio a um clima de romance no ar, os dois não se desgrudaram. E para não fugir à regra, o astro do Real Madrid curvou-se à beleza de mais uma loura, sua obsessão.
Juliana Ferra garantiu ter sido amante do artilheiro durante dez anos
Com a ascensão de Cicarelli (a esportista-modelo também carregará a tocha olímpica) ao posto de número um de Ronaldo, a apresentadora de televisão Lívia Lemos, com quem o Fenômeno vinha circulando nos últimos tempos, virou mais um caso do passado. Uma paixão que vingou só enquanto Lívia ganhou a mídia como capa da revista Playboy. O amor é lindo, mas, para o astro, dura pouco.
Susana Werner foi noiva do jogador. Hoje é a mulher do goleiro Júlio César
Sinônimo de projeção social, Ronaldo sempre foi disputado por louras. Nem bem havia conquistado fama internacional, ele se envolveu num rumoroso affair com a mineira Nádia França, que viria juntar-se à paulista Viviane Brunieri para, na carona do amado, virarem celebridade como As Ronaldinhas. O Fenômeno morou com Nádia, na Holanda, e só não foi pai no início de carreira porque a namorada (hoje, mulher do atacante Alex Alves, do Vasco) perdeu a criança.
Milene Domingues foi mulher de Ronaldo durante quase quatro anos e é mãe de Ronald
Já na condição de melhor jogador do mundo, o craque se apaixonou, em 96, pela modelo Susana Werner (atualmente, senhora Júlio César), com quem teve um relacionamento de três anos marcado pelo ciúme.
Lívia Lemos ganhou a capa da Playboy com texto de apresentação do Fenômeno
A vida de solteiro do astro teve curta duração. Por ocasião da Copa América de 99, Ronaldo começou a namorar a Rainha das Embaixadas, Milene Domingues. Os dois se casaram em dezembro daquele ano, e o filho Ronald nasceu em abril de 2000, na Itália.
Mas o matrimônio ruiu, em 2003, sob insinuações de traição de ambos os lados. Na onda da separação, apareceu a advogada Juliana Ferraz, revelando ao mundo ser uma amante de 10 anos do astro, a ponto de ter se submetido a dois abortos de filhos do Fenômeno.
As Ronaldinhas Nádia e Viviane tiveram caso com o craque e formaram uma dupla
Cobiçado, por ser famoso e milionário, Ronaldo passou a ser, em Madri, o sonho de consumo de muitas donzelas. Preocupada, a ex-spice girl Victoria Adams, mulher do inglês David Beckham, declarou que não gostaria de ter o brasileiro como vizinho; seria má influência para o marido.
Mireia Canalda, modelo espanhola, foi apenas mais um caso relâmpago
Recentemente, a modelo catalã Mireia Canalda chegou a flertar com Ronaldo. O romance não durou mais do que algumas semanas. Das beldades escolhidas pelo Fenômeno, a única que afirma ter resistido foi a apresentadora de TV Fernanda Lima. Será?
Fernanda Lima, apesar dos boatos, nega que tenha tido um affair com o Fenômeno
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8:08 AM by Cassiano Leonel Drum
Casa para baixa renda
Governo propõe priorizar FGTS para financiar imóvel destinado às famílias com renda de até R$ 1.300
Cristiane Campos
O Conselho Curador do FGTS está analisando proposta do Ministério das Cidades de alterar os programas de financiamento habitacional com dinheiro do Fundo de Garantia, considerados os mais em conta. Os juros variam de 6% a 10,16% ao ano mais Taxa Referencial (TR) e beneficiam quem recebe até R$ 4.500. Nas demais linhas do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), a taxa é de 12% ao ano mais a TR.
A prioridade do Governo é facilitar a compra da casa própria para famílias de baixa renda. Segundo o secretário Nacional de Habitação, Jorge Hereda, esse público é o que mais necessita de subsídios, mas fica de fora por falta de recursos. A operação é considerada de risco para o agente financeiro: Por isso, temos déficit habitacional de 92% nas famílias com renda de até três mínimos (R$ 780). Outra proposta também em estudo é diminuir ainda mais os juros para a baixa renda.
Levantamento do Ministério das Cidades mostra que 80% das verbas do FGTS financiaram a compra do imóvel para famílias com renda superior a cinco salários (R$ 1.300). A idéia é que a classe média passe a ser atendida pelo setor privado. Nesse caso, os juros são mais altos e o financiamento não chega a 100%. Hereda afirmou que essa mudança não vai ocorrer de uma hora para outra, devendo ser amplamente discutida.
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8:03 AM by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
11/06/2004
A sorte do soldado americano
Na véspera do Dia D, certo pára-quedista americano resolveu arriscar seus escassos dólares no jogo de cartas que corria pelo bivaque aliado. Teve sorte. Em algumas horas, amealhou US$ 2,5 mil, quantia que, em 1944, dava para prover uma Marlene Dietrich com suas longas e macias pernas. Ao deixar o jogo, o soldado começou a calcular o que faria com o dinheiro - uma parte daria para a mãe, outra guardaria como poupança, um tanto esbanjaria com as francesas em Paris.
Já estava com tudo mais ou menos planejado, quando estacou. Um desagradável pressentimento lhe gelou a espinha. O pára-quedista sentiu que, se ficasse com o dinheiro tão facilmente ganho, não sairia vivo das areias de Omaha. Voltou para o jogo, disposto a perder tudo. Pouco antes da invasão, restavam-lhe humildes 20 dólares. Que ele emprestou a um amigo, durante o embarque.
Essa curiosa história de superstição é narrada pelo repórter Cornelius Ryan no livro O Mais Longo dos Dias, lançado semana passada pela L&PM em comemoração aos 60 anos da data, 6 de junho. Imagino que cada um dos 50 mil soldados que enfrentaram as minas e a artilharia alemãs nessa invasão suicida deve ter vivido seu momento de reverência ao mágico ou ao sagrado. Porque, quando diante da circunstância decisiva ou da dificuldade, o homem faz isso mesmo: apela para o invisível.
Pois, por ironia, justamente agora, em pleno século 21, o século do smart phone e da melancia quadrada, justamente na era da ciência absoluta se multiplicam as seitas, as fórmulas místicas, as práticas ocultas. Por quê? Exatamente por causa das dificuldades e das circunstâncias decisivas.
Observe: é nos países pobres que grassa a fé no invisível, algo que bem poderia ser utilizado como medidor de desenvolvimento. Na Inglaterra, na Alemanha, no Japão, nesses lugares em que a vida escorre redonda e fácil, a impressão é de que eles são todos ateus. Só impressão, claro - Deus ainda vive no coração dos ricos. Mas com muita discrição, sem os êxtases religiosos dos arrabaldes do mundo. Eles, os ricos, podem passar a noite sem rezas e invocações, porque sabem o que acontecerá durante o dia.
Um viperino jornalista americano da primeira metade do século 20, H.L. Mencken, definia a fé como a crença ilógica de que o improvável vai acontecer. Que belo será o dia em que se recorrerá menos à fé no Brasil, um terreno onde toda a crença viceja, do horóscopo ao feng shui. Porque, então, o país dependerá menos da ocorrência do improvável. Afinal, a única razão desse Brasil ser assim tão crente é ser assim tão sofredor.
david.coimbra@zerohora.com.br
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8:01 AM by Cassiano Leonel Drum
Mauren Motta
11/06/2004
Escrevendo com o coração
Admiro os compositores e os escritores. Traduzir sentimentos em palavras para a pessoa amada é um talento. Sempre tive vontade de tocar a alma, com calma, do meu bem-amado. Sempre quis dizer e compor versos felizes. Fazer dinheiro com sentimento, então, deve ser tipo incrível! Já pensou juntar as duas coisas em uma só?
Deixa eu me explicar melhor: imagine você, depois de uma noite daquelas, ter de compor uma canção? Às vezes vem do nada ou pode demorar uma carrada. Um minuto de inspiração pode valer um milhão. Mesmo que a frase chave de todo o seu sucesso diga apenas que você não tá nem aí. Como medir e descobrir o que vai colar no ouvido e tocar o coração?
Que seja eterno enquanto dure, dizia o poeta. Trocadilhos nessa hora são engraçados, mas dispensáveis. O fato é que se você tem uma gata do lado, um homem pra chamar de seu, tudo fica mais lindo. O mundo amanhece colorido, o que é cinza vira rosa. O tempo parece curto para tanta empolgação.
E é nessa hora que as idéias pulam do coração para o papel com a maior naturalidade do mundo. Existem pessoas que não ligam para o amor ou as relações. Deixam escapar momentos incríveis por não querer se entregar, uma perda de tempo. Pra que tanto resguardo e tanta preservação? Somos pessoas e não instituições. Não ter vergonha de dizer que gosta é uma virtude.
Vida louca vida, vida breve. Cazuza sabiamente escreveu nos seus versos o que sabemos na prática. Ele e o Renato Russo, poetas e mestres da minha geração, partiram cedo e produziram com a ansiedade de quem vai viver pouco. O legado deixado ainda vai embalar muitos amantes apaixonados que nem mesmo saberão quem eles são. No toque do celular do meu namorado está "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã". Parece brega, mas não é. Ele sabe muito bem o que isso significa. Nos apropriamos desta frase, para escrever a nossa história e deixar sem data marcada ou compromisso firmado. O hoje vale mais que o amanhã, até porque, como saber o que vai acontecer?
Pra mim, amor foi feito pra dar e não pra prometer. Amanhã, dia 12 de junho, devemos lembrar disso. Preparar um verso, escrever um texto ou simplesmente dizer o que sentimos. Dar uma de poeta uma vez na vida, não custa nada. Então aí vai: para o meu guardião amado, um sorriso rasgado, um verso falado. Gustavo, tenha um feliz dia dos namorados.
mauren@rbstv.com.br
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7:58 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
11/06/2004
Ósculo parlamentar
Um fato inédito na história política brasileira: um senador e uma senadora atracam-se, não em luta física, como é comum nos parlamentos de todo o mundo, mas num beijo lascivo e demorado, indiferentes às câmeras fotográficas dos jornalistas.
Já há uns 20 dias, a senadora Heloísa Helena (sem partido) havia causado surpresa ao plenário e à nação quando irrompeu no recinto do Senado de sandálias altas, toda maquiada - ela que sempre foi vista de cara limpa e parecendo uma monja indiana -, vestindo uma ousada minissaia.
Ainda não se desconfiava, mas agora se sabe que ela afiava suas garras para conquistar o coração e a libido do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), recentemente separado da prefeita paulistana.
O que está se verificando, pelas imagens de televisão e tons das insinuações nos discursos e apartes de Heloísa Helena que foram mostrados anteontem, fora dos ângulos dos beijos, é um assédio sexual da senadora ao senador.
No entanto, com esses beijos acintosos de iniciativa da senadora sobre o senador, o que se verifica é o desaparecimento de dois delitos: fica comprovado agora, inicialmente, que não se constitui falta de decoro parlamentar beijo de lábios contra lábios no plenário, pelo menos entre senadores de sexos diferentes, com quase certeza de que se dois senadores masculinos se beijarem na boca terão imediatamente os seus mandatos cassados, o que se constitui em violento preconceito contra os gays. Mas o mais importante é que também se consagra a tese corrente de que mulher é inimputável em assédio sexual: só os homens podem ser acusados desse deslize.
Examinem bem uma das fotos que republico na coluna: a senadora envolve o senador em uma gravata erótica, depois aplica-lhe um beijo na nuca, como se sabe uma das mais sensíveis zonas erógenas.
Fosse um homem que fizesse isso e logo o acusariam de assédio sexual. Por uma acusação não comprovada de beijo no pescoço há poucos dias um presidente de partido político foi destituído do seu cargo aqui na província.
Mulher então pode praticar assédio que não escandaliza? Como para a materialização de infrações não se pode distinguir o sexo do infrator, depois dessas sérias investidas da senadora sobre o senador, sem qualquer alarma ou escândalo, os homens passam também a se tornar imunes à acusação de assédio sexual.
Ou as mulheres também serão responsabilizadas e punidas por assédio, ou se locupletem ambos os sexos de inimputabilidade.
E voltemos definitivamente ao tempo feliz em que era lícito e saudável um sexo cortejar o outro.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:56 AM by Cassiano Leonel Drum
Dia dos Namorados
Romantismo sem data de validade
O comércio festeja o crescimento do número de apaixonados com mais de 60 anos, como o aposentado Anibal Bendati (foto Adriana Franciosi/ZH)
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Quinta-feira, Junho 10, 2004
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11:15 PM by Cassiano Leonel Drum
10/06/2004 - 18h13
Mulheres de jogadores russos fazem striptease da sorte antes da Eurocopa
Da Redação
Da série futebol, essa paixão incontrolável. Nove mulheres e namoradas de atletas russos tiraram a roupa para as câmeras para encorajar seus companheiros a vencer os jogos da Eurocopa-2004. Apenas um duvidoso cartão com a foto de seus parceiros cobre alguma coisa.
A foto teve até nome: "Strip da Sorte". A Eurocopa reúne as 16 seleções mais fortes do futebol europeu - veja mais no especial do UOL Esporte.
O jornal "Komsomolskaya Pravda" está publicando diariamente uma das fotos em página inteira esperando com isso "inspirar" os jogadores para o torneio.
"As mulheres fizeram a parte delas, agora é a vez dos homens", disse a fotógrafa Svetlana Yeriklintseva, que teve a idéia da foto quando algumas mulheres disseram desejar "levantar o espírito" do time após uma derrota.
A quem interessar possa: o editor do UOL Tablóide anda precisando de sorte.
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11:11 PM by Cassiano Leonel Drum
10/06/2004 - 08h46
Mulher faz mais sexo no período fértil, diz estudo
da BBC, em Londres
Uma única relação sexual sem proteção tem mais chances de resultar em gravidez do que se pensava até o momento, segundo uma pesquisa realizada nos Estados Unidos e publicada na revista Human Reproduction.
Cientistas do Instituto Nacional Americano de Ciências da Saúde Ambiental descobriram que as mulheres são levadas insconscientemente a ter mais relações sexuais durante o período fértil ? o número de relações nesses dias é 24% maior que no resto do ciclo menstrual.
O estudo se concentrou em mulheres que passaram por cirurgia de esterilização ou usavam o dispositivo intra-uterino (DIU) como método anticoncepcional.
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9:22 AM by Cassiano Leonel Drum
Eduardo Suplicy e Heloísa Helena ignoram o bate-boca e fazem carinho
Nem tudo foi agressão ontem no Congresso. Os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Heloísa Helena (P-SOL-AL) protagonizaram um momento de, no mínimo, puro carinho e, em meio à sessão de violento bate-boca, encontraram um tempinho para trocar um caloroso beijo.
Cavalheiro, Suplicy, separado da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, também aproveitou a discussão da PEC dos vereadores para elogiar a senadora e o Partido do Socialismo e da Liberdade, que ela criou com outros parlamentares expulsos do PT.
O clima amigo entre os dois vem de longa data. No ano passado, quando lideranças petistas decidiam o destino da rebelde companheira, que se recusara a votar com a legenda na Reforma da Previdência, Suplicy se desdobrava em defesas a ela. Em julho, a alagoana foi afastada da bancada do partido, mas não deixou de retribuir os desvelos do senador com outro beijo em plenário.
A senadora tem surpreendido seus colegas. Recentemente, causou sensação ao comparecer com visual totalmente diferente à Casa. Ela trocou seu uniforme calça comprida e camisa branca por um vestido de crepe, que deixava os joelhos à mostra, e salto alto.
O amor é lindo, ainda mais entre dois senadores da República, não?
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9:14 AM by Cassiano Leonel Drum
Mengão demolidor
Flamengo vence o Vitória por 1 a 0 e agora só precisa de um empate no Rio para decidir a Copa do Brasil com o Santo André
SALVADOR - O Flamengo está a três passos, ou melhor, a três jogos, do paraíso, do prêmio de R$ 1 milhão e da vaga para a Libertadores de 2005.
Ontem à noite, no primeiro jogo pela semifinal da Copa do Brasil, o time carioca venceu o Vitória por 1 a 0 (gol de Fabiano Eller), em pleno Estádio Barradão, em Salvador, acabou com a invencibilidade da equipe baiana jogando em casa e, agora, se classificará para a decisão com um empate no jogo de volta, quarta-feira, no Maracanã. O primeiro finalista já foi definido. O Santo André, que havia perdido o jogo de ida por 4 a 3, despachou o 15 de Novembro-RS, por 3 a 1, e já assegurou sua vaga.
O primeiro tempo ficou marcado por faltas violentas do Vitória e também pela bela atuação de Júlio César. Empurrado por sua torcida o Barradão estava completamente lotado , o time baiano assustou logo nos primeiros momentos. Aos 5 minutos, Cléber cobrou falta, a bola cruzou a área, Douglas Silva tentou cortar, e quase fez gol contra. A trave salvou o Rubro-Negro carioca.
O jogo deixava muito a desejar no quesito técnica. Ambas as equipes erravam passes e demonstravam pouca inspiração. Ainda assim, foi o Vitória que criou as melhores chances. Aos 27, Cléber entrou na área e finalizou bem, para boa defesa de Júlio César. No lance seguinte, Obina quase abriu o placar. Novamente, o goleiro do Flamengo salvou a pátria.
Felipe parecia pouco inspirado e praticamente não apareceu na primeira etapa.
O segundo tempo começou equilibrado, mas sem grandes emoções. Aos 37, a glória e o gol do time carioca. O goleiro Juninho saiu jogando errado, Juliano serviu Fabiano Eller. O zagueiro bateu, a bola desviou em Adaílton e entrou: 1 a 0.
Ontem, a diretoria anunciou o pagamento dos salários atrasados do mês de março e também o acerto do direito de imagem de março e o 13º salário.
Pela Libertadores, o São Paulo, jogando no Morumbi, empatou em 0 a 0 com o Once Caldas, da Colômbia.
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9:10 AM by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
10/06/2004
Como se fosse a primeira vez
Continua em cartaz nos cinemas da cidade um filme em que a personagem principal sofre de amnésia temporária e o sujeito que se apaixona por ela tem uma tarefa de Sísifo: conquistá-la todos os dias. Sísifo, de acordo com a mitologia grega, foi condenado a empurrar um bloco de mármore montanha acima. Só que quando chegava no alto da montanha, a pedra rolava de volta e ele tinha que começar tudo de novo - por toda a eternidade.
Pois o homem do filme, um jovem biólogo, resolve conquistar o amor da professora de artes interpretada pela belíssima Drew Barrymore, que sofre de um distúrbio neurológico. Ela acorda todas as manhãs sem qualquer lembrança dos acontecimentos do dia anterior. Daí que o namorado vê-se obrigado a reconquistá-la repetidas vezes e cada novo encontro é sempre para ela um primeiro encontro.
A exemplo do personagem mitológico condenado pelos deuses do Olimpo por excesso de astúcia, também o herói do filme, com seu histórico de conquistador, recebe uma espécie de condenação: apaixona-se por uma mulher que o esquece a cada noite.
Trata-se, evidentemente, de uma simbologia. Quem nunca viveu uma situação dessas, que atire a primeira pedra, montanha abaixo ou montanha acima.
Nós, eternas vítimas dessa doença prazerosa chamada paixão, somos assim. Achamos sempre que o nosso sentimento é mais forte, que o nosso sofrimento é maior, que o objeto de nosso amor nunca corresponde o suficiente - e que muito provavelmente vai nos esquecer em breve, talvez no dia seguinte. Já disse um escritor célebre que não há diferença entre um sábio e um tolo quando ambos estão apaixonados.
Há, porém, quem estabeleça uma diferença clara entre paixão e amor, sob o pretexto de que aquela é efêmera como a recordação da desmemoriada professora e este pode ser eterno como a maldição de Sísifo. Sei lá, não me atrevo a elaborar conceitos definitivos nesta insensata área das coisas do coração.
Mas sou obrigado a encerrar esta reflexão com uma advertência para os homens que me lêem: antes que chegue o sábado, é bom a gente começar a pensar em flores, chocolate, jóias, beijos, abraços, ou mesmo num bloco de mármore...
No Dia dos Namorados, elas jamais sofrem de amnésia.
nilson.souza@zerohora.com.br
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9:07 AM by Cassiano Leonel Drum
Leticia Wierzchowski
10/06/2004
Cannes et cummings
Deus me livre de fazer aqui uma simplificação grosseira, dessas que encontramos tanto e cada vez mais pela vida, mas há algo de triste no fato de Michael Moore ter ganho a Palma de Ouro em Cannes neste ano. Eu ainda não vi Fahrenheit 9/11, portanto meu raciocínio aqui nada tem a ver com o filme.
Eu até aprecio o Michael Moore; é saudável a crítica que ele faz a uma cultura tão dominadora e cega quanto a americana, e a um presidente cujas idiossincrasias estão levando para as cucuias o frágil equilíbrio do mundo ocidental. Mas o caso é que estamos andando sobre arame farpado e, nesta aventura louca a dois mil metros de altura, corremos o risco de deixar cair no abismo um monte de coisas imprescindíveis à leveza de simplesmente existir.
O triste é que um festival de cinema abrace para si a tarefa de dar respostas políticas nesse nosso mundo onde todos estamos atolados de política até as orelhas. Ou seja, a criatura quer lirismo, e lá está o Michael Moore bradando sua bandeira contra os EUA.
Eu, pelo menos, queria lirismo, nem que fosse na tela do cinema, nem que fosse na tela do cinema em Cannes, um dos baluartes da arte em toda a sua elegância e, porque não, em seu resplendor. e. e. cummings tem um poema perfeito sobre isso. Um poema de puro cristal sobre a magia de tudo que não pode ser medido, nem pesado, nem ajustado às normas tão tristes daquilo que é político (correto ou não) nesta abstração à qual chamamos vida. Foi nesse poema que eu pensei quando vi o resultado de Cannes e, recortando um pouco do começo, é mais ou menos assim:
"... quando os espinhos olharem as suas rosas alarmados, e os arco-íris estiverem seguros contra a velhice, quando um tordo não puder cantar nenhuma lua nova se todas as corujas não tiverem aprovado sua voz - e qualquer onda assinar sobre a linha ponteada senão um oceano é obrigado a fechar; quando o carvalho pedir licença à bétula para criar uma bolota - os vales acusarem as suas montanhas de terem altitude - e março denunciar abril por sabotagem; então acreditaremos nessa incrível humanidade inanimal (e não antes.)."
Então que o meu desconforto não tenha nada a ver com Moore e seu Fahrenheit. É que eu estava esperando alguma coisa como rosas e tordos, vales e montanhas; mas infelizmente o mundo atual não guarda mais importância para estes vagos milagres obsoletos.
leticia.wierz@zerohora.com.br
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9:05 AM by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
10/06/2004
Burrice
Que mulher é mais inteligente do que homem ninguém discute. Bom, talvez alguns homens, mas só para provar como são menos inteligentes. Tem um fato, no entanto, que parece desmentir essa superioridade feminina. Não sei se as estatísticas confirmam, mas é evidente que existem muito mais novos fumantes entre as mulheres do que entre os homens. E quem começa a fumar, hoje, só pode ser burro.
No número total de fumantes no mundo, imagino que os homens ainda batam as mulheres. Mas é muito mais comum ver-se meninas adolescentes fumando do que meninos. Talvez esta desproporção já existisse e as meninas fumassem mais, mas escondidas. Hoje fumam abertamente, em toda parte, e sem parar. E como são adolescentes, pertencem à primeira geração de fumantes que não pode ter nenhuma dúvida sobre o mal que o cigarro faz.
Outras gerações de adolescentes começavam a fumar para imitar os adultos, para se sentirem adultos, para serem sofisticados e porque, pelo menos depois dos primeiros acessos de tosse, era bom, e pouco ligavam para a alegação careta e não provada de que podia encurtar suas vidas. Hoje, que cigarro mata é não apenas uma certeza mas uma certeza universalmente difundida e conhecida. E mesmo assim as meninas começam a fumar.
Velhos fumantes não podem ser chamados de burros. Quando se tornou insofismável que fumar dava câncer e matava de outras maneiras terríveis, já estavam fisgados. Só podemos (nós que, sem sermos gênios, adivinhamos desde cedo que aspirar fumaça não podia fazer bem) ser solidários com a sua luta contra o vício, ou com a sua resignação. Mas quem começa a fumar sabendo tudo o que sabe, desculpe: é burro. No caso, burra. Para não enveredarmos pela hipótese de que se trata de uma geração suicida.
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9:04 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
10/06/2004
Um belo exemplo
Peço um obséquio aos leitores: leiam com atenção este e-mail que me envia um juiz de Direito encarregado de presidir a administração de penas dos detentos da comarca de Santa Maria. É um impressionante relato de como com jeito e sensibilidade se pode chegar a excelentes resultados nas relações humanas.
Eis o e-mail: "Prezado Sant'Ana. Não li a coluna de sábado, mas dela ouvi falar.
Concordo que a população em geral está se lixando para o que acontece dentro dos presídios, afinal muitos pensam que preso bom é preso morto.
Como juiz das execuções criminais, tenho convivido com essa realidade desde 1997. Os presos sabem desse sentimento da sociedade. Sentem a exclusão e vez que outra dão o troco.
Tenho tentado mudar esse quadro. Uma vez, na cidade de Santa Rosa, pessoalmente convidei vários empresários (esses que são sempre assaltados etc), homens e mulheres de bem, para um café, num sábado pela manhã. Depois de aceito o convite, disse-lhes que a refeição seria servida dentro do presídio, local onde eles nunca haviam estado. Uns 40 compareceram, vários por curiosidade. O café, bolinhos, chimarrão, pipoca etc., tudo preparado pelos presos.
Eles olharam as celas, os banheiros, as condições do cárcere. Ficaram todos impressionados. Separei 10 presos para que contassem sua história até a prisão. Crimes graves e leves. Presos jovens e velhos, homens e mulheres. Manifestação cara a cara, olho no olho, no refeitório do presídio. Quando o terceiro ou quarto preso estava falando, vários empresários começaram a lacrimejar, sensibilizados pelas histórias sofridas e pela dor que somente se sente dentro da prisão.
Foi uma experiência interessante ver vítimas e bandidos chorando junto. Essas pessoas depois me ajudaram a recuperar os apenados. Passaram a acreditar que isso é possível. Melhoramos as condições do presídio. Conseguimos cursos e empregos. As pessoas querem a morte dos presos (ou não dão importância) porque nunca estiveram dentro de uma prisão e não têm a menor idéia do que se passa lá dentro. Um abraço, (ass) Sidinei José Brzuska, juiz de Direito da Vara das Execuções Criminais de Santa Maria".
Pelo relato acima, não é difícil entender que os presidiários se encontram sob custódia do Estado. Custódia quer dizer guarda, proteção.
Ou seja, a responsabilidade de tornar os detentos párias ou pessoas profícuas e recuperadas e regeneradas é do Estado.
Tudo que acontece dentro de um presídio é responsabilidade do Estado.
Agora mesmo a Superintendência dos Serviços Penitenciários gaúchos está realizando um convênio exemplar com a São Paulo Alpargatas, pelo qual 1,3 mil presos estão produzindo bolas de futebol dentro dos presídios gaúchos.
Os apenados recebem R$ 2 por cada bola costurada, têm assim uma atividade remunerada e ainda, para cada três dias de trabalho, terão um dia de redução de pena.
Segundo a Secretaria da Segurança, por vários convênios com empresas públicas e privadas, já são 9 mil os detentos que trabalham nos presídios gaúchos, numa população carcerária de 20 mil. Essa é uma excelente iniciativa das nossas autoridades.
Comprova-se que, se o Estado se organizar, haverá educação e trabalho prisional nos cárceres.
Os assassinatos, as torturas, a lei do mais forte só reinam nos presídios quando o Estado, por omissão, torna o ambiente carcerário deletério.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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9:01 AM by Cassiano Leonel Drum
Arte
A cidade dos bonecos
Bonequeiros de oito países mostram sua arte nos 60 espetáculos do 16º Festival Internacional, que se realiza até domingo em Canela (foto 16º Festival Internacional de Bonecos de Canela, divulgação/ZH
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Quarta-feira, Junho 09, 2004
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10:26 PM by Cassiano Leonel Drum
MOMENTOS
Há momentos na vida que temos que abrir mão de tudo que fazia sentido, das nossas verdades e do que reputávamos como sendo os nossos valores. Constatamos que eles se tornaram inúteis ao nosso crescimento, já fazem parte do passado e a vida, não se detém olhando para trás, antes, caminha para a frente, em busca de novos acontecimentos.
Há momentos na vida que todas as vigas mestras que asseguravam a nossa sustentação vêm abaixo e a casa cai, independente da nossa tácita recusa ou inaceitação.
Há momentos na vida que ficamos sem saber para onde ir, que nada consegue nos alegrar, motivar ou seduzir e, em compasso de espera, vamos assistindo a fragmentação das nossas estruturas, agora transformadas em quimeras.
Nestes momentos ( que têm o peso de uma eternidade), nada nem ninguém pode fazer nada por nós ... estamos definitivamente vazios e sós, porque até a Natureza se cala e Deus perde a fala, indiferente ao nosso torpor.
Em meio à dor, esmiuçamos o que sobrou de nós, remexemos entre os escombros e descobrimos que algo ainda não morreu.
Tênue e frágil, lá está uma pequena centelha de esperança, aguardando uma virada do destino, que certamente nos surpreenderá com novas alegrias ... e com tantos outros desatinos.
Momentos ...
Fátima Irene Pinto
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1:20 PM by Cassiano Leonel Drum
O Guardião do Castelo
Certo dia, num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião foi preciso encontrar um substituto. O grande Mestre convocou então todos os discípulos para determinar quem seria o novo sentinela. O Mestre, com muita tranqüilidade, falou:
- "Assumirá o posto o primeiro monge que resolver o problema que vou apresentar."
Então, ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo e disse apenas:
- "Aqui está o problema!" Todos ficaram olhando a cena. O vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro. O que representaria? O que fazer? Qual o enigma?
Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e ... ZAPT ... destruiu tudo, com um só golpe. Tão logo o discípulo retornou a seu lugar, o Mestre disse:
- "Você será o novo Guardião do Castelo."
Moral da História: Não importa qual o problema. Nem que seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado. Um problema é um problema. Mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja ou, tenha sido, se não existir mais sentido para ele em sua vida, tem que ser suprimido.
Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram importantes no passado, mas que hoje somente ocupam um espaço inútil em seus corações e mentes. Espaço esse indispensável para recriar a vida. Existe um provérbio oriental que diz: "Para você beber vinho numa taça cheia de chá é necessário primeiro jogar o chá fora, para então, beber o vinho."
Limpe a sua vida, comece pelas gavetas, armários, até chegar às pessoas do passado que não fazem mais sentido estar ocupando espaço em seu coração. O passado serve como lição, como experiência, como referência. Serve para ser relembrado e não revivido. Use as experiências do passado no presente, para construir o seu futuro. Necessariamente nessa ordem!
Autor desconhecido
Enviada por: Edeli Arnaldi
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6:43 AM by Cassiano Leonel Drum
E tudo vai acabar num arraiá
Para mostrar que o Governo está unido, presidente fará festa junina na Granja do Torto
Renata Giraldi
BRASÍLIA - No sábado, tem arraiá na Granja do Torto. E o ritmo da viola vai ser um só: mostrar que o Governo está unido e afinado, apesar das brigas internas. A primeira-dama é quem está organizando o superevento. O local é o mesmo onde são realizados encontros com autoridades estrangeiras, reuniões ministeriais e churrascos, inclusive com artistas. Mas, por ordem da anfitriã, o assunto política não deverá ser tocado pelo menos durante a festa.
Convites restritos, os ministros, os líderes e alguns dos amigos mais chegados já receberam a convocação: a entrada será um pratinho de salgado ou doce. Exatamente como se faz nas festas de bairro e no interior do País. Desacostumado a freqüentar festas juninas, um ministro recomendou ontem à secretária que providenciasse a entrada da festa. Atarefada, a funcionária passou boa parte da manhã levantando alternativas. Também desconcertado, um outro ministro não sabia como lidar com o assunto: Nem estou sabendo direito como é que vai ser isso. Mas eu vou, claro.
Dona Marisa deixou os convidados livres: podem optar ou não pelo traje típico de festa junina. Independentemente da roupa escolhida, os convidados deverão se agasalhar, o frio seco de Brasília tem feito os termômetros baixarem para 14 graus à noite.
Notívagos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dona Marisa provavelmente vão querer estender o arrasta-pé madrugada adentro. É só lembrar de outras comemorações em que a Granja do Torto, espécie de casa de campo dos presidentes da República, foi palco. Em março, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, o alemão Horst Köhler, foi homenageado com um churrasco regado a cerveja nacional e vinho chileno. Um mês depois, o presidente ouviu antigos boleros, como Dama de Vermelho, com a dupla sertaneja Bruno e Marrone. A cantoria aconteceu durante uma entrevista ao SBT, mas, após o trabalho, o anfitrião e os convidados saborearam churrasco com feijão tropeiro.
A dúvida é saber se para o arraial de sábado estão mantidos o tradicional quentão e as inúmeras batidas de frutas típicas de festas juninas todas feitas com cachaça. Por sinal, em uma das maiores confraternizações do presidente com os petistas, a cachaça teve lugar de destaque. Uma das exceções foi o churrasco oferecido, em janeiro, a Zeca Pagodinho, quando a cerveja foi a bebida eleita. O convidado famoso fez questão de levar uma caixinha de isopor com várias latinhas. Onde eu vou, eu levo, comentou o artista.
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6:37 AM by Cassiano Leonel Drum
Xô, Satanás!
Flamengo não teme o Vitória e nem seu principal craque, o Capetinha Edílson, e garante que joga para vencer a semifinal da Copa do Brasil, hoje, em Salvador
Janir Júnior
O Flamengo enfrenta o Vitória, hoje, às 21h45, no Estádio Barradão, em Salvador, na primeira partida pela semifinal da Copa do Brasil. É mais do que um simples jogo de futebol. É o jogo dos milhões, afinal, um bom resultado deixará o time mais próximo da decisão e do título, que vale R$ 1 milhão. É também o jogo da forca.
Abel Braga está com a corda no pescoço no Brasileirão e um resultado ruim pode fazer a cabeça do técnico rolar. É ainda o jogo do exorcismo: os jogadores querem esquecer de vez a goleada de 5 a 1, sofrida há exato um mês, e a imagem do Capeta Edílson, que, na ocasião, marcou dois gols.
Foi-se o tempo em que o futebol era apenas o jogo da paixão. Agora, o amor está ligado às cifras. E o discurso na Gávea é unânime: além da conquista e da vaga para a Libertadores de 2005, o título vale dinheiro. Seria uma combinação perfeita: campeão no currículo e dinheiro para o clube poder pagar aos jogadores. Isso serve como uma motivação a mais. Afinal, todo trabalhador tem que receber seus salários, destacou Felipe.
O experiente Zinho, tricampeão da Copa do Brasil defendendo Flamengo, Grêmio e Palmeiras, tem a mesma opinião. Até o dia 30 (data da final), temos de esquecer os salários atrasados e outros problemas. Essa é a oportunidade de conseguir as cotas de dinheiro e fazer com que o clube cumpra com suas obrigações, destacou o jogador.
A tática para o jogo dentro das quatro linhas está definida. O time jogará nos contra-ataques, usando os laterais como elementos surpresas. Negreiros atuará quase fixo dentro da área. Felipe será o responsável pela armação de jogadas, mas também terá total liberdade para chegar próximo ao gol e arriscar finalizações. A zaga, formada por André Bahia e Fabiano Eller, terá a proteção de Da Silva, que atuará quase como um terceiro zagueiro.
Vamos sem nenhum tipo de receio. As chances são de 50% para cada lado. Nem lembro mais daquele 5 a 1, afinal não existem jogos iguais, afirmou Abel.
Será um jogo de 180 minutos. A segunda partida está marcada para quarta-feira, no Maracanã. E um detalhe pode mudar toda a estratégia. Felipe está com dois cartões amarelos e, caso receba o terceiro hoje à noite, estará suspenso do próximo confronto. Da Silva está na mesma situação.
Tudo isso faz parte do jogo. Um jogo que envolve paixão, dinheiro e revanche pela última goleada. Para o Flamengo um jogo de vida ou morte.
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6:33 AM by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
09/06/2004
Cazuza
Outro dia respondi a uma enquete rápida, que fazia perguntas tipo: Beatles ou Rolling Stones? (Beatles). Londres ou Nova York? (Londres). Madonna ou Britney Spears? (Britney quem?). Renato Russo ou Cazuza?
Eu gostava muito - e ainda gosto - do Renato Russo, mas ele tinha um quê de entidade, de Messias, uma coisa que nunca convidou à aproximação, e sim à reverência. Minha resposta é: Cazuza, disparado.
Vi o Barão Vermelho tocando pela primeira vez em Porto Alegre numa boate chamada Taj Mahal, na Farrapos, mas não era bocada, o lugar reunia gente interessante e interessada em novidades, e aquela banda era novidade. Eles tocaram praticamente dentro da pista de dança, não havia distância, viramos todos irmãos. Depois assisti a outro show deles no Rock in Rio, o grupo agora já famoso, arregimentando multidões. E, por fim, vi Cazuza em carreira solo, cantando no Teatro Presidente, um fiapo de gente, mas ainda energético: fez um espetáculo inesquecível.
Cazuza, disparado, por quê?
Por Bilhetinho Azul, um clássico lá do início de tudo. Porque quando ele cantava "eu ando tão down" a gente sentia o mau hálito de quem passou a noite sozinho, se torturando. Porque ele era carne de pescoço e ao mesmo tempo um lorde.
Cazuza, disparado, porque era um sujeito apaixonado que cantava exatamente o que sentia, os amores ele inventava, mas as letras que esses amores geravam eram todas de verdade, saltavam direto da cama pro violão, direto do coração pro palco. Não parecia haver intermediário entre vida e composição.
Cazuza, disparado, em homenagem a Cássia Eller, que era tão visceral quanto, e em homenagem a Janis Joplin, de quem ele também tinha um jeito. Cazuza, disparado, em homenagem a todos aqueles que não estabelecem fronteiras entre sua vida e arte, que escrevem, cantam, atuam com as veias saltadas, com o sangue quente, com a alma aos gritos, gente que não se economiza, não se resguarda, que se doa e se esborracha, que levanta e ri de si mesmo, que faz sua arte atendendo apenas aos pedidos de dentro, e não aos da platéia.
Cazuza, disparado, em homenagem àqueles que abriram mão de ser um bom marido ou uma esposa digníssima, em homenagem aos que resistiram à tentação de ser exemplo de boa conduta, e em troca ofereceram originalidade, passionalidade e poesia. São eles que nos lembram de que nós, também, não somos assim tão coerentes e tão assépticos, há dentro de todos nós uma possibilidade de irreverência e de liberdade, mas nos falta a prática.
Cazuza, disparado, porque suas idéias correspondiam aos fatos.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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6:31 AM by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
09/06/2004
A vida cor-de-rosa
Agora mesmo o Barros estava assobiando La Vie en Rose, aqui ao lado, nesse canto da Redação. La Vie en Rose. Por Deus. Pensei que ninguém mais assobiava La Vie en Rose. No máximo, no máximo, a Tânia Carvalho e o Tatata Pimentel, meus colegas de Café TVCom, que são francófilos irredutíveis, fãs suspirantes da Edit Piaf. Mas o Barros é assim. Adquiriu o repertório de assobios em elevadores ou em consultórios de dentista, creio. Às vezes ele gorjeia um Ray Connif. Já o peguei trinando O Passo do Elefantinho, acredite.
Mas o importante é que, depois de o Barros ter assobiado minimamente La Vie en Rose, o Leozinho Oliveira começou:
- Lááá, lará, lará, lará. Lará, lará, lará. Lará, lará, laráááá...
La Vie en Rose, também.
E o Nórton, bem ao meu lado, ficou:
- Tuuu, turu, turu, turuuu...
La Vie en Rose.
Eu mesmo fiquei com a maldita La Vie en Rose na cabeça. Horas a fio a melodia de La Vie en Rose reboou no meu cérebro, até eu me desesperar de tanto fastio de mim.
Essas repetições, elas entranham na alma até que pareçam ter vindo de dentro da gente, de algum lugar entre o pâncreas e a vesícula. É como se nós as produzíssemos, feito saliva ou pedra nos rins. Esse o princípio da propaganda. Repetir, repetir, repetir, até que o freguês absorva a mensagem para sempre e a assimile.
O futebol também faz isso com nossos cérebros indefesos. Lá no Rio, o vencedor do campeonato regional é tão incensado, fala-se tanto dele, comemora-se com tamanho estardalhaço sua conquista, que os cariocas passam a acreditar que seu campeão é favorito ao título do Brasileiro, que seu principal jogador tem de ser convocado para a Copa.
Aqui, na ponta de baixo, nossa ilusão é o Gre-Nal. Quem vence o Gre-Nal parece ser capaz de vencer o mundo. Aí começa a realidade inclemente do Campeonato Brasileiro e o que se dá? Choro e ranger de dentes, nada mais que choro e ranger de dentes. Que o Inter faça a festa, sim, mas sem se esquecer que a vida é dura.
Os brancos estão ótimos em Paris
Se você for a Paris, não deixe de jantar no Relais del´Entrecot, restaurante encravado no seio esquerdo de Saint-Germain de Près. Não é um restaurante francês tradicional, desses que servem entrada, prato principal, dessert e queijos olorosos. Não.
Lá, há um único prato: filé & fritas. Parece vulgar, sei, mas o filé vem na consistência perfeita, macio, mas que se sente nos molares, enquanto as fritas são sequinhas sem serem esturricadas. Tudo isso acompanhado de um delicado molho de ervas cuja lembrança faz produzir água nos cantos do maxilar. Antes do filé, claro, as bem-humoradas garçonetes colocam na frente do comensal uma sutil salada verde com nozes. Esse é o prato. Fim. Não existe opção. A sobremesa, essa sim, há 30 delas no menu, cada uma mais corruptora. E o vinho, bem, o vinho é francês.
O Dinho, conhecido internacionalmente como Fernando Eichenberg, leva ao Relais todos os seus verdadeiros amigos que o visitam em Paris. Entre eles estão o Ivan, o Zé Antônio e o Antônio Pinheiro Machado. O Antônio é afilhado do Zé Antônio e filho do Ivan. O Zé Antônio, você sabe, é o Anonymus. E o Ivan é o motivo de eles todos estarem flanando por Paris. Porque o Ivan está expondo na sede da Embaixada Brasileira da França, veja que fino. Ontem foi o vernissage do Ivan. Seus quadros hiper-realistas foram apresentados em dois temas: sucatas de automóvel e o carrossel de Montmartre. Já sei que fizeram grande sucesso. Um ministro da República inclusive desembolsou U$ 900 e adquiriu o último dos quadros do carrossel, com três cavalos.
Ligaram-me ontem, os quatro, exatamente do Relais, depois do vernissage. São todos gremistas. Aprovaram os nomes de Dourado e Plein. Exultaram, até. O Zé Antônio, para ilustrar a solidez da personalidade de Dourado, lembrou que, anos atrás, sugeriu a um ex-presidente do Grêmio que o convidasse para o futebol. O então presidente disse que não podia fazer isso pelo seguinte motivo:
- Ele vai gritar comigo...
O Ivan esfregou as mãos, já pensando em Tóquio. O Dinho propôs que fossem comemorar no seu bar preferido, o La Pallete. O Zé Antônio gostou da idéia.
- Aqui está calor - contou-me. - Está aberta a temporada dos vinhos brancos e te garanto: os brancos estão ótimos em Paris.
A infidelidade das mulheres
Não é verdade que todas as mulheres traem. Tenho um amigo, um grande amigo, que formou essa convicção e a propaga por onde vá. Para ele, até as mães traem. Meu amigo argumenta, meu amigo apresenta números, muitos já estão convencidos de que tem razão. Sempre sustento que não, não mesmo, algumas mulheres não traem.
Dias atrás, meu amigo veio com um recente trabalho científico realizado na Grã-Bretanha. O professor Tim Spector, da Unidade de Pesquisa de Gêmeos, do St. Thomas Hospital, estudou duplas de gêmeas e descobriu que, se uma delas tiver histórico de infidelidade, a irmã acumulará 55% de chances de ser infiel também. Ou seja: a infidelidade é genética, nas mulheres. Talvez até exista o gene da infidelidade feminina. Isso nos levaria a concluir que a traição é uma fatalidade biológica - as mulheres seriam infiéis porque a Natureza assim as fez.
Mas, não. Não é possível. Não acredito nisso. Acredito inclusive que, certas mulheres probas, honestas, puras (sim, puras, por que não?) lutam com bravura contra seus próprios instintos e, numa prova de superação, não traem. Acreditar que as todas as mulheres traem seria como acreditar que o futebol gaúcho é tosco por hereditariedade, que aqui é uma terra de volantes embrutecidos e retrancas furiosas e jogo sempre feio. Não! Não é! Só estamos atravessando uma fase árida. Temos nossos Ronaldinhos, temos nossas santas. Eu acredito. Sim, acredito!
david.coimbra@zerohora.com.br
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6:28 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
09/06/2004
Espantoso avanço da mulher
Uma das traduções do desemprego que aflige atualmente o país é que o Brasil não teve crescimento suficiente para abarcar no mercado as multidões de mulheres que passaram a competir em igualdade com os homens nos postos de trabalho.
Há até 40 anos, as mulheres tinham entre nós raras opções de trabalho: praticamente as jovens se defrontavam com as únicas alternativas que lhes eram oferecidas, ser normalista, estudar para ser professora, ou então se tornar esposa. Por isso é que a condição de solteirona era temida como terrível estigma. Mais econômico que social.
As únicas outras atividades que se constituíam em monopólio feminino era ser enfermeira ou telefonista.
Naturalmente que não havia desemprego no Brasil, o mercado de trabalho era exclusivo dos homens, excluía-se assim dele, numa só penada machista, metade da população nacional.
Com o avanço das mulheres, que foram conquistando os seus espaços em todas as profissões e atividades, elas mudaram de condição, da servidão para a cidadania.
Ainda esses dias o jornal da Asdep divulgava que pela primeira vez na história da Polícia Civil gaúcha as mulheres se constituíam em maioria no curso de formação de delegados de polícia.
É assim em todos os setores, na magistratura, no Ministério Público, na Redação de Zero Hora, onde há 40 anos se avistavam apenas duas mulheres, as repórteres, redatoras e editoras são hoje, no mínimo, em número igual ao dos homens.
As mulheres começam a invadir as Forças Armadas e as Polícias Militares, já dominam um setor que era cativo dos homens, o de ascensoristas, e se preparam para tomar conta dos volantes dos táxis e dos ônibus no transporte coletivo.
Ninguém se dá conta, mas um terço dos habitantes das cidades grandes possui automóvel ou dirige veículo automotor profissionalmente.
Cerca de 99% dos motoristas, há 40 anos, eram homens. Experimente e dê uma olhada no trânsito aqui de Porto Alegre, hoje.
É de ficar estarrecido com o avanço das mulheres. Em vários horários de fluxo, há no volante dos veículos que trafegam na Capital uma mulher para cada homem, metade dos motoristas já são mulheres.
Isso quer dizer que de mero apêndice familiar a mulher tornou-se em ativo agente econômico nos últimos 40 anos.
Isso mudou radicalmente o papel da mulher na sociedade moderna. Antigamente, o grande sonho da mulher era ser esposa, ponte para seu ideal existencial: ser mãe.
Hoje essa condição, ouso dizer, não é mais preferencial, a mulher tanto quer ser mãe quanto almeja com o mesmo fervoroso interesse o seu crescimento profissional.
Tanto que invariavelmente uma grande frustração feminina se instala quando a mulher se dá conta de que apenas ser mãe e esposa não lhe basta, quer empreender ou ser agente inquieta do mercado de trabalho, sai de casa e bota seu bloco na rua.
Vai daí que o homem não se apercebe, mas a grande competidora que surgiu para ele no mercado de trabalho é a mulher.
É natural pois que nos países subdesenvolvidos a concorrência da mulher com o homem tenha agravado o desemprego.
Esta alta taxa de desemprego já havia antigamente, só que as mulheres a maquiavam por não figurarem nela, estavam em casa, só servindo ao homem.
Agora saíram para a rua e exigem trabalho. Isto é uma saudável e drástica revolução no metabolismo social.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:25 AM by Cassiano Leonel Drum
Acidente
Operários intoxicados em Pelotas
Três funcionários do serviço de saneamento da cidade, que desobstruíam um bueiro, desmaiaram e tiveram de ser resgatados pelos bombeiros (foto Nauro Júnior/ZH)
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Terça-feira, Junho 08, 2004
Posted
7:14 PM by Cassiano Leonel Drum
07/06/2004 - 15h05m
Letícia Spiller mais sensual que nunca na TV e no teatro
Bianca Kleinpaul - Globo Online
RIO - Loura, ruiva, cabelo curto, cabelo longo, não importa. Letícia Spiller não perde a pose de "femme fatale" em qualquer personagem que encare no palco ou na TV. A atriz, que acaba de alongar os cabelos e pintá-los de vermelho para sua próxima novela, está mais sensual do que nunca.
Seja na pele da guerreira Marlene na peça "A Leve: O novo nome da Terra", de Hamilton Vaz Pereira, seja como amante na próxima novela das oito "Senhora do destino", ou "liberada" no ensaio fotográfico do Paparazzo - e até mesmo declamando seus próprios poemas no encontro de poesia na Casa de Cultura Laura Alvim -, a ex-paquita (alcunha que sempre carregará) mostra estar na sua melhor forma.
O trabalho no Paparazzo, por exemplo, foi o primeiro ensaio fotográfico sensual na carreira da atriz. Sinal de novos tempos, que podem culminar, quem sabe, em fotos de nudez para uma revista masculina.
- Posaria nua, sim, sem problemas. Mas depende do meu momento, de quem será o fotógrafo e da proposta. Nessa ordem - garante a atriz, que se soltou para as lentes da câmera do namorado, o fotógrafo Roberto Amadeo, no belo ensaio do Paparazzo.
No palco, Letícia exibe a melhor performance de sua carreira extraindo humor de sua própria beleza e sensualidade. Usando um top e uma cueca boxer pretos, por exemplo, sua primeira cena em "A leve" é uma simulação de masturbação capaz de deixar atônitos alguns velhos senhores que costumam freqüentar o Espaço Sesc, em Copacabana, onde o espetáculo está em cartaz até domingo.
O charme mostrado na peça - através também do gestual quando sua personagem toma um de seus vários banhos ou veste o figurino da guerreira grega Pentesiléia - é para compor Marlene, uma mulher sedutora e devoradora de homens que sonha com o sucesso e reconhecimento como atriz.
Trabalhar com Hamilton Vaz Pereira - fundador do Asdrúbal Trouxe o Trombone, que revelou Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães e Evandro Mesquita -é mais um desafio na carreira teatral da atriz. A peça "A leve" traz a marca do diretor que mistura fantasia, humor e reflexão em seus textos não seguindo nenhuma tradição dramatúrgica a qual estamos acostumados.
- Sempre me encantou o método de trabalho do Hamilton. Ele trabalha com a experimentação, o improviso, beira o teatro do absurdo - conta Letícia, que ressalta a mensagem que sua personagem leva ao público. - Marlene é uma mulher do século 21, é a nova mulher que surgiu. Independente e batalhadora. Não abre mão do trabalho por causa do filho.
Esse não é o primeiro desafio da atriz no palco. O principal deles foi quando estreou "Falcão e o imperador", em 2000, espetáculo adaptado por ela do texto grego de Nokos Kazantzákis e dos poemas do século 13 do persa Jalal ud-Din Rumi. A ousadia lhe rendeu uma cabeça raspada para o papel de protagonista e críticas negativas. Nada que abale Letícia...
- Sinto imenso prazer em fazer alguma coisa que me mobilize. Pode parecer loucura para muita gente o que digo no palco, mas tudo faz sentido para mim. Tenho imenso prazer de dizer o texto de Hamilton. É divertido, inteligente e traz a filosofia para o cotidiano. Se não for assim, a filosofia fica no plano do etéreo - conta a atriz, que divide o palco com Floriano Peixoto, Ernesto Piccolo, Virgínia Cavendish, Pedro Vasconcelos e Lena Brito na montagem sobre a odisséia de amigos brasileiros no exterior em busca da realização de seus desejos.
Yoga e meditação para manter a boa forma
Tanta despreocupação com o que falam ou pensam sobre o que faz - Letícia também já foi alvo de comentários maldosos ao ser flagrada beijando a atriz portuguesa e sua amiga Maria João e metralhada com críticas negativas sobre seu papel no filme de Fábio Barreto, "Paixão de Jacobina" - vem da fase zen da artista. A atriz conta que "adquiriu consciência sobre si mesma" com o amadurecimento, a yoga e a meditação diária.
- Depois que se tem filho, adquire-se mais consciência. Já tinha um pouco mas a ficha caiu mais rápido. E a consciência traz dor também. Assim a gente cresce como ser humano, evolui - conta a atriz, completando que seu filho de 7 anos com o ator e ex-marido Marcelo Novaes, a ajudou a olhar as coisas com mais clareza e se iludir menos de forma geral. - Isso acaba refletindo de forma positiva em tudo que faço.
Sobre a personagem Viviane na próxima novela das oito, Letícia ainda guarda alguns segredos. Como seus cabelos, que ganharam apliques ruivos mas por enquanto aparecem presos para o público não conhecer como ficará a atriz na TV. A mudança no visual foi sugerida pela própria atriz.
- Viviane é aquela mulher cachorrona, de personalidade e temperamento fortes. Não combinava com o meu cabelo curtinho, meio cocotinha - explica a atriz. -Tenho um grande prazer em acompanhar a criação da personagem junto com Wolf (Wolf Maia, diretor da novela). É um diretor que saca muito bem o que é ser ator.
Enquanto não revela se vem mais um papel tão popular, sexy e copiado na TV, como foi Babalu na novela "Quatro por quatro", Letícia adianta que sua próxima personagem será a amante sexy e assessora do parlamentar Reginaldo (Eduardo Moscovis).
Ambiciosa e vulgar em alguns momentos, Viviane já tem música-tema.
- Será um samba. É para acompanhar o jeito popular dela - revela Letícia.
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6:49 AM by Cassiano Leonel Drum
Vendas em alta graças ao cupido
Comerciantes fazem promoções para Dia dos Namorados e apostam em faturamento maior
Silvana Caminiti
Uma das melhores datas para vendas no comércio (atrás somente do Natal e Dia das Mães), o Dia dos Namorados é esperado com grande expectativa pelos lojistas e donos de estabelecimentos comerciais como restaurantes, adegas de vinho, pousadas e motéis. E, para garantir um bom movimento de clientes, vale criar as mais diferentes estratégias. Afinal, a concorrência é grande. Ações como preços promocionais só não bastam, como lembra o empresário Marcelo Terra, um dos sócios do Castelo do Vinho, em Jacarepaguá.
Este ano, o Dia dos Namoradores é no sábado, dia em que o movimento de clientes é grande, mas mesmo assim preparamos uma noite especial, com piano-bar e espumante, conta.
Alípio Alves Ramos, outro sócio da empresa, lembra que o Castelo do Vinho foi aberto há um ano e meio e é uma filial da Adega Ramos, mantida pela família há 54 anos no mercado. O Castelo foi criado para funcionar com proposta diferente. Ele está instalado em um prédio de quatro andares, sendo que no primeiro funciona uma delicatessen e a venda de vinhos nacionais.
No segundo, são comercializados vinhos importados e é onde mantemos um dos maiores acervos de vinhos do País, com mais de 2.500 rótulos. No segundo andar também funcionam o restaurante e a petiscaria, onde são servidos pratos exóticos, como carne de javali e avestruz. No terceiro e quarto andares vamos inaugurar, no final do mês, um salão de eventos, com capacidade para 400 pessoas, comenta Ramos.
Para ele, a diversificação de produtos e serviços é um dos motivos do sucesso da casa, que conta com um público fiel.
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6:46 AM by Cassiano Leonel Drum
Tô dentro! Tô fora!
Ronaldo chega e avisa: de férias, não quer saber de Copa América. Já Felipe, está louco pela convocação
Hilton Mattos
Basta de correr atrás da bola! A ordem agora é curtir as férias. E o Fenômeno, ao desembarcar no Rio, foi avisando que não pensa em vestir a Amarelinha durante a Copa América, em julho, no Peru. Entrar em campo agora, só em setembro, quando começar a temporada pelo Real Madrid. Nada de trocar as praias e a noite carioca pela fria altitude de Arequipa, cidade onde o Brasil mandará seus jogos.
Deixei bem claro para a comissão técnica que, depois de um ano desgastante como eu tive, preferia curtir minhas férias. Curtir bastante, para voltar bem em setembro e ajudar o Brasil a vencer o próximo jogo, contra a Bolívia, disse Ronaldo, admitindo que não gostaria de ir ao Peru.
O craque desembarcou sorridente, ontem de manhã, no Aeroporto Internacional Tom Jobim. Apesar da noite mal dormida a CBF fretou vôo que saiu de Santiago, no Chile, de madrugada , o atacante chegou animado, concedeu entrevistas e distribuiu autógrafos.
Após atender a fãs e jornalistas, o jogador deu um caloroso beijo em dona Sônia, que o recepcionava desde às 6h45, e partiu rumo às férias. Uma das razões para tanta alegria de Ronaldo era seu possante Land Rover, novamente inteiro, de aproximadamente R$ 400 mil, estacionado estrategicamente na saída principal do setor de desembarque do aeroporto. O carro, para quem não se lembra, é o mesmo que, há duas semanas, foi amassado por uma multidão de quase 500 pessoas na Cidade de Deus.
Craque não quer passar sufoco das Eliminatórias
Antes de partir em disparada, Ronaldo falou sobre o momento da Seleção. Foi ótimo. Saímos daqui em quarto lugar e voltamos em primeiro. O saldo, sem dúvidas, foi maravilhoso, analisou o Fenômeno, emendando: Espero não passar pelo sufoco que meus companheiros passaram nas últimas Eliminatórias.
No domingo, Ronaldo participará da cerimônia que marca a passagem da Tocha Olímpica pelo Rio. E com destaque. Ele será o último a conduzir o símbolo dos Jogos antes do show de encerramento, no Aterro do Flamengo.
Com o pedido de dispensa da Copa América, o atacante passará as férias no Rio, ao lado da família, sem poder se descuidar da dieta.
Contra a Argentina, Ronaldo marcou três vezes, silenciando os que criticaram seu peso. Domingo, ele passou em branco, mas é o artilheiro das Eliminatórias com seis gols. Mas os piques no finzinho do segundo tempo para ajudar a defesa calaram outra vez seus detratores. O time precisou da minha contribuição. Principalmente no setor defensivo, onde tive de ajudar algumas vezes.
Ronaldo, de fato, já perdeu uns quilinhos. Resta saber se o cardápio de dona Sônia vai funcionar nas férias do craque.
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6:42 AM by Cassiano Leonel Drum
Liberato Vieira da Cunha
08/06/2004
Volver a Montevidéu
Tome a suave lembrança dessas paixões que só ocorrem na adolescência. Acrescente a educação de pessoas que cultivam o dom da cortesia. Adicione a segurança das ruas e das avenidas centrais. Junte um câmbio atraente, pois um anêmico real é cotado a 10 pesos. Alie a vista magnífica do Rio da Prata, não incluída na diária do hotel, a sedução dos mercados de antigüidades ao ar livre, nos quais oferecem desde moedas do Brasil imperial a relógios suíços detidos em horas imemoriais, ou o namoro com Doña Suerte nas mesas dos cassinos.
Some a tudo capitosos vinhos, milanesas napolitanas, bifes de lomo, arroz com açafrão à moda de Valência. Foi essa a Montevidéu civilizadamente outonal que tornei a encontrar agora.
Chove. As folhas dos plátanos vão pavimentando as calçadas de tons áureos. Alheios à paisagem, os habitués da confeitaria Oro del Rhin, freqüentada por Gardel no auge de sua fama, bebem chá, ordenam Pilsens ou cortados, encaram as tortas que são a especialidade do local e fumam - neste país não é pecado. Provavelmente todos têm filhos, primos ou amigos vivendo no Exterior.
Segundo cálculos que ouvi das mais variadas e insuspeitas fontes, nas décadas recentes partiram para os Estados Unidos, a Espanha, a Itália, e até para o Canadá, o Brasil e a Austrália, meio milhão de uruguaios - guardadas as proporções, algo como a população do Estado de São Paulo, uma imensa diáspora só comparável às decretadas pelos horrores da II Guerra.
Salvo os modernos shoppings, como o de Punta Carretas, deparei com cinco ou seis novas construções de porte, entre elas a Torre de las Comunicaciones, um gigantesco espelho de cristal azul. Montevidéu estacionou docemente, feito os ponteiros de um esplêndido Patek Philippe que admirei na Feira da Plaza Matriz.
São numerosos os vendedores ambulantes nos passeios, mas não tantos quanto em Porto Alegre; nenhum apregoa contudo nem CDs falsificados, nem engenhocas com sotaque paraguaio. Os mendigos são raros. Os que me comoveram não iam além de quatro: uma mulher romena e suas três crianças. Ela mantinha a mão cobrindo os olhos, como se profundamente humilhada. Um cartaz explicava, num espanhol precário, que haviam chegado meses antes e o chefe da família adoecera. A cena não era muito diferente das que presenciei em Paris ou em Lisboa, após a implosão do Bloco Oriental.
As legiões de cavalheiros engravatados, as damas ostentando jóias, os cinemas monumentais, as whiskerias discretas e refinadas pertencem à Estação Anteontem. Não percebi no entanto nem a miséria extrema, nem a violência e o medo que são os dramáticos emblemas de Porto Alegre. É impossível não notar, porém, em tradicionais lojas fechadas, em cafés e restaurantes quase vazios, na decadência de caprichosos prédios talhados como esculturas, na população envelhecida, uma difusa nostalgia da Suíça de Latinoamerica, que conheci há séculos.
Há nos quarteirões do Barrio Sur incontáveis prédios de uma arquitetura modelo classe média que se conservam dignos e belos. Compunham, com o Palácio Salvo, os ônibus ingleses Leyland dotados de motor lateral, as meninas existencialistas que animavam a pista de dança do Chez Carlos, na Rambla Costanera, a face mais autêntica de uma metrópole de atmosfera européia.
A Montevidéu de hoje, porém, não perdeu seu charme. Segue linda e amável, e sabe ser encantadora e única quando deixas a vizinhança da roleta e do pano verde confortado por 11 incríveis plenos no Colorado el 25.
liberato.vieira@zerohora.com.br
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6:40 AM by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
08/06/2004
Recuperando a cultura gaúcha
Nos altos da Avenida Protásio Alves existia uma casa que foi de propriedade do Bento Gonçalves. Uma construção simples, modesta; mas, considerando seu valor histórico, cogitou-se do tombamento, medida que raramente é bem recebida por donos desse tipo de propriedade. A notícia logo chegou ao proprietário que, ou porque não entendia o sentido do termo tombamento, ou porque não queria entendê-lo, tomou uma decisão: "Se vão tombar, tombo eu." E botou a casa abaixo.
O deputado Bernardo de Souza lembrou esta historinha na última sexta-feira em Pelotas. Dia de festa na cidade: inauguração da Fenadoce, 2ª Jornada Cultural de Pelotas (na qual fui homenageado - obrigado, amigos pelotenses) e inauguração da Casa de Simões Lopes Neto. E aí há uma outra historinha, muito mais edificante que a primeira.
A casa, que era uma ruína, foi adquirida pela Construtora Theo Bonow, que ali edificaria um prédio. E então descobriu-se que no local havia residido o grande escritor gaúcho Simões Lopes Neto; ali ele tinha, por exemplo, reescrito a lenda do Negrinho do Pastoreio, uma das páginas mais belas do nosso folclore. Em 1999, Bernardo de Souza apresentou projeto de lei declarando o imóvel patrimônio cultural do Estado. E o construtor Theo Bonow não apenas não demoliu a casa como, junto com a empresa Josapar, empreendeu as obras de restauração que permitirão instalar no local um centro de estudos, documentação e divulgação da obra do escritor.
Simões Lopes Neto, pioneiro da literatura gaúcha, soube captar em belas histórias o espírito de nossa gente. A recuperação de sua casa tem um importante sentido simbólico: é uma reafirmação de nossas raízes, é uma prova de que a história do Rio Grande continua nos inspirando.
scliar@zerohora.com.br
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6:38 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
08/06/2004
Povo apóia a chacina
Sábado, escrevi que não há qualquer clamor público contra as matanças entre presos nos presídios brasileiros.
E que, se se for consultar a opinião pública sobre essas horripilantes chacinas nos presídios, ela dará de ombros e dirá: "Melhor que morressem todos".
Ninguém pode se levantar contra a opinião pública, então eu me rendo a ela.
Recebi apenas dois e-mails sobre a matança de presos na Casa de Custódia de Benfica, no Rio de Janeiro. Essa indiferença dá a idéia de quanto a opinião pública é favorável ao pior tratamento aos presos e, se possível, à sua execução.
Querem ver o que diziam os dois e-mails?
O primeiro: "Leio diariamente suas crônicas, concordando com a maioria delas. Sempre fui preocupado com o sistema penal brasileiro. É preocupante ver a cada dia se avolumarem os crimes. Infelizmente, para o Brasil equacionar este problema, só tem uma saída: regime de exceção por uns três anos. Varrer tudo o que não presta. Ser rigoroso em tudo.
Se morrer algum inocente, azar. É o custo-benefício. Inocentes morrem todos os dias nas mãos desses bandidos. Numa das suas crônicas da semana passada, sobre o massacre no presídio do Rio de Janeiro, no final, você colocou que o pior é que a opinião pública queria que todos morressem. Eu faço parte dessa massa. Acho que diminuindo o número de bandidos, e com uma lavagem na corrupção, no tráfico de drogas, no jogo de influências, os problemas serão minimizados. Para isso, só com um regime sem piedade. Direitos humanos devem ser estabelecidos só para os humanos. Quem mata, quem trafica e corrompe não merecem ser chamados de humanos. E não me venham com essa ladainha de que os crimes existem devido à sociedade, que é culpada. Obrigado, (ass.) Élio Amorim, Florianópolis (elioamorim@brturbo.com).
É assim que as pessoas entendem, e esse leitor teve a coragem de declará-lo. A grande maioria silenciosa também pensa assim. Quer a morte de todos os bandidos, não se importando, como escreveu o leitor acima, que morram inocentes nesse processo de purificação.
O outro leitor, Flávio Mansur (fmansur@terra.com.br), assim se refere, em meio a um extenso e-mail, aos 30 presos mortos por marretadas de colegas no presídio de Benfica: "Não há nos presídios o mais e o menos assistido em seus direitos, todos têm direito às mesmas marretadas, dadas ou recebidas. Nós, aqui fora, temos sido alvos de tiros e facadas (e quem sabe agora marretadas) diariamente por parte desses mesmos sujeitos, sem direito a devolver o nobre gesto. Por critério de justiça, para que haja direitos iguais, a opinião pública só pode apoiar que as marretadas sejam restritas ao âmbito dos presídios. Se a pergunta for, entretanto, se devem ser dadas ou recebidas marretadas, só aos presos essa resposta pertence. Por tudo isso, não é possível a incredulidade do colunista quanto à opinião pública 'amparar' as rebeliões em presídios".
Eu me rendo, é assim que as pessoas pensam e deve-se ter respeito pelo que pensam.
E essa posição da opinião pública a favor da tortura e extermínio dos presos é que validou o massacre do Carandiru, onde foram mortos mais de uma centena de presos, com ninguém punido até agora. E valida agora o massacre de Benfica.
O poder público não se importa com o que acontece nas cadeias porque a isso a opinião pública o autoriza.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:35 AM by Cassiano Leonel Drum
Trânsito
Caminhão cai sobre trilhos em Sapucaia
Motorista do Mercedes-Benz perdeu o controle do veículo, derrubou o muro de proteção de concreto do trensurb e foi parar sobre a linha férrea. A circulação dos trens foi interrompida por duas horas entre Sapucaia e São Leopoldo (foto André Feltes, Agência RBS/ZH)
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Segunda-feira, Junho 07, 2004
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8:07 PM by Cassiano Leonel Drum
autor@paulocoelho.com.br
O filósofo e o governo
Hoje em dia, em todos os países, nos acostumamos a escutar com respeito e reverência os chamados cientistas políticos como se a política fosse algo igual à matemática ou à física seguindo uma série de regras lógicas e racionais. Se assim fosse, não estaríamos vendo a violência na América Latina, a miséria na África, os confrontos religiosos espalhados pelo mundo inteiro, os americanos e iraquianos mortos em nome de uma causa perdida e de uma guerra arbitrária. Se política fosse uma ciência, mesmo inexata, bastaria aplicar algumas equações certas e conseguiríamos empurrar adiante a civilização e o ser humano.
Estamos cansados de saber que tal raciocínio é absolutamente irreal; e, por causa disso, quanto mais o povo escuta falar do tema, mais associa a palavra política a coisas negativas.
Isso é injusto. Existe muita gente bem-intencionada procurando fazer o melhor por seu país e por seu povo. Mas o sistema político, tal como vemos hoje em dia, entrou em um círculo vicioso, que pode nos levar de novo à idade das trevas; um povo cansado de ver suas esperanças frustradas, perdido entre as incompreensíveis e contraditórias análises dos cientistas políticos, termina buscando um Messias ao invés de um governante, e assim voltam os ditadores.
O que é a política, no meu entender? Um sistema de valores morais, discutidos livremente pela sociedade e colocados em prática, não pela força, mas pelo bom senso é melhor obedecer a algumas regras, que ver tudo a sua volta transformar-se em caos.
Meio século antes de Cristo, nasceu na China um homem que jamais ocupou um cargo importante, mas que baseado simplesmente em sua observação pessoal e em suas conversas com o povo resolveu dedicar grande parte de seu trabalho a compreender a relação entre os governantes e os governados.
Todos nós já ouvimos o seu nome: Confúcio. Vale a pena lembrar alguns de seus ensinamentos, que atravessaram milênios, iluminaram alguns dos governos mais importantes da história e continuam mais atuais que nunca (algumas frases estão adaptadas ou condensadas):
1) Quando estamos diante de pessoas dignas, devemos tentar imitá-las. Quando estamos diante de pessoas indignas, devemos olhar para nós mesmos e corrigir nossos erros.
2) Em um país bem governado, a pobreza é algo que envergonha. Em um país mal governado, a riqueza é algo que envergonha.
3) As mudanças podem acontecer lentamente; o importante é que continuem acontecendo.
4) O homem passa sua vida inteira tentando complicar algo que é simples: as relações humanas.
5) Nunca dê uma espada a um homem que não é capaz de sorrir e dançar.
6) Estude o passado, se você quer adivinhar o futuro.
7) Quando o objetivo de um governante parece muito difícil, ele não deve mudar de objetivo mas encontrar um novo caminho até sua meta.
8) O bom líder sabe o que é certo; o mau líder sabe o que vende melhor.
9) Não existe nada de errado em tentar melhorar sua condição no mundo, desde que você se dê conta que não pode fazer isso sozinho; para crescer, precisa de aliados que cresçam juntos.
10) Cinco condições são necessárias para o bem-estar do povo: seriedade, honestidade, generosidade, sinceridade e delicadeza.
11) Quem escuta comentários maldosos, mesmo que seja por curiosidade, em breve se transformará em um homem mau.
12) A virtude não nasceu para viver sozinha. Todo aquele que a pratica terminará cercado de vizinhos.
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7:59 PM by Cassiano Leonel Drum
Porta aberta para renegociação
Valderez Caetano
BRASÍLIA
O governo decidiu pôr um ponto final na grande bola-de-neve em que se transformaram os financiamentos da casa própria fechados entre 1987 e 1994. Os quase 700 mil mutuários que viram suas dívidas crescerem de forma incontrolável, impulsionadas por inflação, altas taxas de juros ou contratos com regras leoninas, já podem procurar as agências da Caixa Econômica Federal para quitar ou refinanciar seus imóveis, com descontos que podem chegar a 83% do valor da dívida. Os percentuais serão decididos caso a caso pela Caixa e aplicados de acordo com uma fórmula que terá como base a avaliação do imóvel a preço de mercado.
O acerto de contas poderá ser feito à vista, inclusive com uso do FGTS, ou refinanciado em até 20 anos. Quando o mutuário optar por quitar a dívida à vista, receberá um desconto adicional de até 18% sobre o valor do débito. Caberá ao mutuário tomar a iniciativa de procurar uma agência da Caixa e pedir a reavaliação do contrato.
Renegociação pode atingir R$ 30 bi
Para evitar novos problemas de inadimplência nos contratos, a Caixa vai fixar os prazos de refinanciamento em comum acordo com cada mutuário que optar por parcelar novamente a dívida, de forma a tornar as prestações compatíveis com a capacidade de pagamento de cada um. Segundo o governo, a inadimplência nestes contratos habitacionais está hoje em torno de 45%, e o valor total passível de renegociação chega a R$ 30 bilhões.
O diretor-presidente da Empresa Gestora de Ativos (Emgea), vinculada ao Tesouro Nacional, Gilton Pacheco, reconhece que a negociação não será fácil. Ele explicou que, enquanto o mutuário acha que já pagou muito, os números mostram que alguns desses pagamentos não estavam nem cobrindo os juros.
O refinanciamento dos contratos será feito com base numa fórmula criada pelo governo e batizada de Valor de Transferência e Reestruturação (VTR). Ela tem como base o preço de mercado do imóvel. Sobre este preço é descontado o percentual que o mutuário financiou quando fez o contrato. Por exemplo, se na ocasião ele financiou 50% do valor do imóvel, os cálculos para os descontos são feitos sobre 50% do valor de mercado atualizado. Sobre este resultado, a Caixa soma o valor das prestações em atraso, se for o caso. Em seguida, é descontado o que o mutuário já amortizou do saldo devedor.
A fórmula é a mesma que já vem sendo aplicada pela Emgea nos contratos que estão sendo renegociados por via judicial. Dos 700 mil contratos passíveis de renegociação, 109 mil estão sendo questionados na Justiça. A Emgea fez as contas e concluiu que o perdão ficará mais barato para o governo do que persistir na cobrança.
Um mutuário que financiou um imóvel em janeiro de 1991 tinha uma dívida de R$ 91.202,87. A avaliação do imóvel a preço de mercado, no entanto, indicava que o valor do bem atualizado estava em R$ 24 mil. Como o mutuário, na época em que assinou o contrato, financiou 70,4% do valor total do imóvel, os cálculos da Caixa partiram de uma dívida base de R$ 16.898,76. A este valor foram somados R$ 10.896,92, que correspondiam às 75 prestações que o mutuário tinha em atraso. Feito o cálculo, a Caixa descontou o que foi amortizado para calcular o desconto.
O mutuário optou por fazer o acerto de contas à vista e usou o FGTS para quitar o imóvel por R$ 20.720, recebendo um desconto de 77,28% sobre o valor da dívida que lhe era cobrada. Até agora esse formato vem sendo aceito pelos tribunais, mas consultores da Associação Brasileira de Mutuários (ABMH) contestam os cálculos da Caixa.
O mutuário Alcione Vasconcelos não pensa em aderir à proposta do governo e diz que, pelos cálculos da Associação, a Caixa é que lhe deve R$ 60 mil. Ele alega que comprou um imóvel em 1990 e financiou um valor equivalente hoje a R$ 59.800, mas seu saldo devedor chega a R$ 216 mil. Daqui a seis anos, quando vencer seu contrato, a dívida vai chegar a R$ 400 mil, um aumento de R$ 1.600 por mês. Vasconcelos está questionando o contrato na Justiça.
José Geraldo Tardin, presidente da ABMH, disse que a análise do consultor judicial costuma ser mais favorável ao mutuário do que à Caixa.
O ideal é que os mutuários comparem a proposta de negociação pela via judicial e administrativa orienta Tardin.
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6:36 AM by Cassiano Leonel Drum
Bancos de ficção científica
Feira apresenta sistemas de identificação por características físicas, como no cinema, e caixas eletrônicos que lêem cheques
Wallace Faria
Executivos mostram o Zyt, equipamento que lê a impressão digital
SÃO PAULO - O futuro dos bancos será inspirado no cinema. Os caixas eletrônicos que vêm por aí dispensam as senhas, utilizando a impressão digital ou uma piscada em frente a um visor para dar acesso à conta e fique tranqüilo, porque órgãos arrancados não valem. É a biometria forma de identificação por características físicas, que deu o tom da feira Ciab 2004, de tecnologia para o setor financeiro.
Inovações como essas dividiram espaço com o caixa eletrônico que lê os cheques, dispensando a compensação; o terminal que conta maços de 100 notas, aposentando os envelopes; e sistemas do tipo Big Brother, que acompanham os passos do correntista, bloqueando a conta em caso de saque suspeito.
Um dos lançamentos é o Zyt, que faz a identificação pela impressão digital. Márcio Lima, diretor da Tauá Biomática, diz que levou em conta as cenas dos filmes de ficção científica, nas quais bandidos cortam dedos das vítimas para acessar os dados: O leitor é térmico. Um dedo arrancado não tem a temperatura necessária para ativá-lo.
Um outro sistema, lançado pela Politec, reconhece a íris do cliente. O olho é fotografado e essa informação vira um código. Da mesma forma, um olho morto não dá acesso à conta.
Além da identificação sofisticada, os caixas eletrônicos do futuro vão enxergar melhor. Os modelos da feira dispensam envelope para depósitos. A Itautec Philco tem um terminal que lê o cheque, dispensando a compensação, e outro que conta notas, rejeitando as falsas.
A segurança contra fraudes conta com o PRM, da empresa ACI. O sistema analisa o comportamento do cliente, dando pontos para atitudes fora do padrão. Ao extrapolar um determinado número, o setor de controle de riscos da instituição financeira pode suspender a conta.
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6:29 AM by Cassiano Leonel Drum
Um empate magrinho
Luís Fabiano fez gol brasileiro, mas chilenos conseguiram igualar no fim, de pênalti. Seleção mantém liderança nas Eliminatórias
SANTIAGO - Ronaldo saciou a fome de gols contra a Argentina. Ontem à noite, o Fenômeno ficou no jejum, e o Brasil teve uma indigestão ao empatar em 1 a 1 com o Chile, em Santiago. Luís Fabiano abriu o placar e Navia, aos 43 minutos do segundo tempo, cobrou pênalti duvidoso de Cafu sobre Pérez e empatou.
O resultado deixou a Seleção na liderança das Eliminatórias sul-americanas para a Copa de 2006, com 13 pontos, um a mais do que a Argentina, segunda colocada. O Brasil continua invicto na competição, com três vitórias e quatro empates.
Estamos jogando contra todo mundo. O juiz nos prejudicou, reclamou Roberto Carlos.
O frio de dois graus no Estádio de Santiago contrastou com o calor chileno nos primeiros instantes de jogo. Logo aos dois minutos, Navia recebeu uma bola nas costas de Roque Júnior e, sozinho, finalizou por cima do travessão. Pouco depois, o árbitro Horácio Elizondo ignorou um pênalti para o time da casa, quando Roberto Carlos desviou a bola com a mão esquerda, dentro da grande área.
Somente aos 12 minutos, o Brasil chegou pela primeira vez. Ronaldo deu uma bela arrancada, deixou dois adversários para trás e finalizou para a defesa de Tapia. Aos 15, na segunda boa oportunidade, saiu o gol.
Juninho Pernambucano rolou para Ronaldo, o atacante fez o passe para Kaká, que tentou dominar a bola e acabou dando uma bela assistência para Luís Fabiano, em impedimento, receber, driblar o goleiro e fazer seu primeiro gol pela Seleção principal em jogos oficiais.
Os chilenos não tiveram dificuldades de perceber o atalho para o gol brasileiro e passaram todo o primeiro tempo alçando bolas na área de Dida. Na maioria das vezes, levaram vantagem. Aos 30, Gonzáles, de cabeça, quase empata. Pouco depois, o árbitro assinalou falta técnica de Roberto Carlos, que gritou pedindo uma bola para o adversário. A cobrança saiu com perigo.
Parreira reclama da lentidão da equipe
O Brasil tinha maior posse de bola, mas o Chile saía nos contra-ataques. Eles saem a 80 quilômetros por hora e nós voltamos a 60, reclamou Carlos Alberto Parreira, na saída para o intervalo. No primeiro tempo, Cafu e Juninho Pernambucano desperdiçaram boas chances.
A segunda etapa começou como a primeira, com o Chile partindo para cima, mas dando espaços para a equipe de Parreira, que aos 15, assustou em um lance de bola parada. Juninho Pernambucano cobrou falta com perigo para boa defesa de Tapia. Aos 28, Júlio Baptista, que acabara de entrar no lugar de Kaká, cabeceou uma bola no travessão. Os chilenos se lançaram ao ataque e pressionaram o Brasil até o fim do jogo. Aos 43, Pérez caiu na área depois de se chocar com Cafu. Pênalti que Navia cobrou e fêz 1 x 1.
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6:26 AM by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
07/06/2004
Juliette no gelo
Não fui ver a Juliette Grecco no bar em que ela estava cantando, ou coisa parecida, em Paris. Juliette passou algum tempo desaparecida e ressurgiu não só com a mesma cara que tinha quando era a musa do existencialismo, mas com a mesma franja!
O existencialismo, para quem chegou agora, foi uma onda filosófica baseada em Heidegger e propagada por Sartre, entre outros, que dizia que a existência precede a essência e cujo principal mandamento foi exemplarmente resumido no Brasil numa marchinha de Carnaval sobre a Chiquita Bacana lá da Martinica, uma existencialista com toda a razão que só fazia o que mandava o seu coração. Na Paris dos anos quarenta e tantos e cinqüenta e poucos o coração mandava que todos usassem gola rulê (ao contrário da Chiquita Bacana que só usava uma casca de banana nanica) e passassem o tempo em cafés discutindo o ser e o nada e paquerando a Juliette, que devia ter, pelos meus cálculos, uns 16 anos.
Como cantora ela inaugurou a linhagem das Jane Birkin e etc, de intérpretes que, se tivessem voz, só atrapalharia. Não sei se ela contribuía alguma coisa às discussões filosóficas do momento. Acho que sua função era ser, exatamente, a Juliette Grecco do grupo. Gerações ainda por vir teriam suas próprias Juliettes Greccos - só eu conheci umas três - mas nenhuma se igualou ao protótipo. E ela, ainda por cima, namorou o Miles Davis.
Eu deveria ter ido ver a Juliette. Uma mulher que foi a inspiração, ou mais do que isto, para Sartre e Miles Davis juntos merece os mesmos respeitos devidos a Lou Salomé, Alma Mahler, Yolanda Penteado e outras cujos nomes, só os nomes, evocam toda uma era e seu clima. Mas não fui ver a Juliette. Quis evitar um choque cronológico.
Me lembrei de um filme visto há muito tempo em que o corpo de um alpinista desaparecido anos antes é encontrado, intacto, numa geleira perto de um vilarejo, nos Alpes. Entre os habitantes do vilarejo que correm para ver o achado está a namorada do alpinista, que não sabe o que sentir diante daquela visão insólita - ou, no caso, sólida - do seu amado preservado em gelo, exatamente como era quando desapareceu. Ou seja, com 20 ou 30 anos menos do que ela. Qual é a reação apropriada? Gratidão, por poder rever o namorado como ele ficou na sua memória, pelo menos por alguns instantes antes que comece o degelo?
Um sentimento de traição porque o tempo não fez com ele o que fez com ela? Resignação filosófica diante de uma das trágicas ironias da vida? Ou só espanto, sem literatura? Como os artistas franceses parecem viver num ritmo metabólico diferente do nosso (até o Aznavour e o Henri Salvador ainda estão na ativa, e Johnny Halliday continua adolescente), eu estava ameaçado de ter, diante de uma Juliette Grecco com a mesma franja que tinha há 50 anos, o mesmo tipo de confusão de emoções.
A cronologia enlouqueceu. Nos defrontamos com nós mesmos naquele tempo, só que agora sem o equipamento necessário para enfrentá-lo. Não sabemos mais nem a língua que falávamos. Ainda se diz "fenomenologia"? O que foi mesmo que se decidiu, ou não se decidiu, nos cafés de Paris, e em todos os cafés de Paris do mundo, na época? Quem ganhou, afinal, o ser ou o nada?
Me imagino puxando conversa com a Juliette Grecco congelada.
- Como vão o Jean-Paul e a Simone?
- Bem, bem. Vou encontrá-los daqui a pouco.
- E o Miles tem aparecido?
- Menos do que eu gostaria.
- Dê um abraço nele que eu mando.
- Quem é você?
- Ninguém, ninguém. Um visitante do futuro.
- Não estou entendendo.
- Eu também não.
Foi melhor não ter ido ver a Juliette Grecco.
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6:23 AM by Cassiano Leonel Drum
Nei Lisboa
07/06/2004
Não chorem por mim
Aos familiares de mortos, desaparecidos e supliciados em geral pela ditadura é comum que se murmurem pedidos de depoimento em tom consolativo, com aquela compaixão pelo portador de deficiência que o fino trato recomenda. Com igual freqüência também resulta que a edição mande às favas a fineza e atenha-se ao mais melodramático que puder extrair. Mas é curioso que se procure realçar, aqui nesses casos, a dificuldade a-lheia em lidar com uma memória. Porque, visto de outro lado, é exatamente disso que padecem em nível obsessivo algumas instâncias brasileiras.
Desde o final da ditadura, seria de se esperar que o Estado tornasse pública toda documentação que pudesse recuperar a história daquele período. O que se viu é que virtualmente todos os governos federais e estaduais abdicaram dessa tarefa, quando não a obstruíram recolhendo ao segredo o pouco que se havia aberto. No Rio Grande do Sul, por esse pouco responde hoje o Acervo da Luta Contra a Ditadura, sediado no Memorial do Estado e vinculado à Secretaria da Cultura. É referência nacional por seu caráter de visibilidade e independência de outros acervos públicos, o que atende a recomendação da Unesco para o trato de arquivos repressivos.
É este acervo que, agora se anuncia, será transferido para o Arquivo Público. A decisão, em primeiro lugar, expurga da área da Cultura o que a ela honrosamente pertence. Atravessa implicações legais, já que o acervo carece de existência formal e garantia de continuidade. Induz à pulverização desse patrimônio, por seu caráter múltiplo, entre outros órgãos da administração pública.
Desconhece a notoriedade no trato de arquivos repressivos de membros da Comissão do Acervo. Desconsidera doações privadas feitas especificamente ao acervo. Compromete a visibilidade e a pesquisa histórica. Interrompe importantes projetos em andamento. E revela, mais uma vez, a dificuldade de nossas instituições em lidar com a memória política do país.
Resta apenas torcer para que o secretário Roque Jacoby, sensível aos inúmeros apelos, reveja a decisão. Com o Arquivo Público já esteve parte importante desse material, registros dos órgãos de segurança recuperados no interior do Estado. O fato de que, ao longo daquele tempo, deles se tenham extraviado as origens, diz bem do futuro que se possa imaginar, em uma repartição pública sobrecarregada por dezoito milhões de documentos, para o acervo. Mas vou estar bem, craque que já sou em lidar com mortos e desaparecidos. Não chorem por mim. É a verdade que está sofrendo.
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6:20 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
07/06/2004
É fácil matar
São 600 mil assassinatos ocorridos no Brasil durante a década de 1990.
Mata-se mais gente no Brasil que nas guerras, mais que no Iraque, mais que nos confrontos sangrentos entre israelenses e palestinos.
Não será o Estatuto do Desarmamento que irá mudar esse quadro, ele já está em vigência e cada vez aumentam mais os assassinatos.
Ainda na quinta e na sexta-feira passadas, Porto Alegre foi sacudida em dois inícios de manhã por tiroteios na Avenida Salgado Filho e no Bom Fim, com duas mortes e vários feridos graves.
Esses dois tiroteios porto-alegrenses foram verificados em duas saídas de bares, quando os litigantes, depois de libarem durante toda a noite, foram se matar na rua por motivos fúteis.
Grande parte desses 600 mil assassinatos brasileiros se verifica em torno de bares, biroscas, tendas, sempre com o álcool a alimentar a sanha assassina.
O álcool é um grande vetor desse espantoso morticínio brasileiro.
Mas, como em tudo na tragédia penal brasileira, o maior estimulante para tanta violência é a impunidade.
Desses 600 mil assassinatos, mais de 80% deles não têm autoria conhecida ou responsabilizada.
Então se mata assim desbragadamente porque sabem os autores dos homicídios que não pagarão por eles.
E a tragédia ainda se torna mais desoladora quando se sabe que, a exemplo dos roubos e todos os outros atentados ao patrimônio, se todos os homicidas brasileiros fossem sentenciados não haveria prisões suficientes para abrigá-los.
Assim com cerca de apenas 10% dos autores de crimes responsabilizados e levados à cadeia, estrebucha o sistema carcerário brasileiro, de tal sorte que a nova moda entre nós é os próprios presidiários deliberarem pela diminuição da população carcerária mediante a execução, em rebeliões ocorridas dentro dos presídios, dos seus desafetos nas facções contrárias.
Seiscentos mil assassinatos em 10 anos. E mais de 80% dos crimes não responsabilizados.
Cá para nós, que ninguém nos ouça, isto é a falência do sistema penal brasileiro.
Está muito duro, desconfortável e até penoso ser gremista.
A gente assiste incrédulo ao Grêmio não participar das finais do Campeonato Gaúcho todos os anos, ficando assim atrás da Ulbra, do Inter e do 15 de Novembro, de Campo Bom.
Agora o Internacional já é tricampeão gaúcho, é certo que a torcida colorada não se realiza com o título regional, mas pelo menos é um consolo.
E o Grêmio, que nem chega à finalíssima do Gauchão e apresenta sinais de que pode novamente viver o pesadelo da ameaça de rebaixamento neste Brasileirão de 2004?
Alguém precisa assumir a liderança gremista imediatamente e dar um choque de competência no clube.
A forma como a direção gremista reage a essas humilhações que o clube vem sofrendo é desanimadora. O discurso do presidente Flávio Obino vem sendo incompreensível e alienante. Transmite a idéia de que a direção do clube não se comove e não se conscientiza do abismo futebolístico em que afundou o Grêmio. Assim não dá mais para continuar.
A tradição de grandeza do clube vem sendo manchada por esses resultados vergonhosos.
É preciso depressa que as pessoas que compõem o conselho deliberativo do Grêmio se acordem e partam para uma reação. O presidente Flávio Obino tem de depressa se convencer que o Grêmio vive hoje um rotundo fracasso.
Mudança, esta é a meta urgente do Grêmio.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:18 AM by Cassiano Leonel Drum
Gauchão
Inter tricampeão
O capitão Alexandre Lopes ergue a taça do Gauchão, depois da vitória sobre a Ulbra por 2 a 1 na final inédita em Canoas (foto Ricardo Duarte/ZH)
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Domingo, Junho 06, 2004
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7:24 PM by Cassiano Leonel Drum
Reflexões sobre relacionamentos...
O Dia dos Namorados - 12 de junho - vai movimentar o comércio, vai encher os hotéis, vai proporcionar as mais variadas formas de declarações de amor. Enquanto isso, um universo grande de pessoas não vai ter o que comemorar.
Gente que estará usando a data para refletir sobre suas relações que deram errado, o porquê dos erros, e esperando para ver se o próximo 12 de junho vai ter algum sentido no calendário.
Uma especialista nesse assunto é a jornalista Rejane Freitas, autora do livro "Pare de Amar Errado - Guia de Sobrevivência da Mulher nos Relacionamentos". Na obra, ela analisa por que muitas mulheres perdem ou perderam o homem que amavam, mostra como elas deixam de lado a realização pessoal e se tornam prestativas ou passivas apenas para agradar a eles. A seguir, ela fala sobre como fazer para buscar o companheiro certo.
MULHER - É grande o número de mulheres que se envolvem com homens comprometidos, criando relações extraconjugais até estáveis. Não deve ser fácil, mas o que deve ser feito para se evitar este tipo de relacionamento?
Rejane - Não desistir de encontrar alguém livre, desimpedido, disponível. Desejar a chegada do amor em sua vida, rezar por isto. Acreditar que a vida trará esta bênção. Sentir-se magnetizada, positiva, ter esperança. Melhorar a auto-estima, indo em busca dos próprios sonhos. E viver, passear, circular em lugares que concentram homens solteiros e separados.
MULHER - Até que ponto é saudável uma mulher que saiu de uma relação longa e que, tentando evitar um maior envolvimento em um novo relacionamento, prefere ter aqueles casos superficiais, as famosas "ficadas"?
Rejane - Por algum tempo esta mulher precisa redefinir o seu próprio "eu" que ficou muito mesclado ao outro. Por algum tempo ela estará armada, em guarda, muitas vezes desencantada com novos relacionamentos.
"Ficar" pode ser uma maneira de ela, aos poucos, ir soltando as emoções retidas, readquirir confiança em outro homem e recompor seu amor-próprio, danificado pelas desilusões anteriores.
Por outro lado, fazer opção prolongada por "ficadas" pode estar demonstrando o medo que ela tem de viver outra vez a intimidade emocional que um compromisso amoroso requer, com perdas e ganhos, com riscos e preços; o medo de que o amor seja sempre um detonador de sofrimento.
Investir na própria vida, tornando-a satisfatória ajuda muito a mulher (e o homem também) a viver e a encerrar um relacionamento com mais leveza e desapego.
MULHER - E, na situação inversa, quais seriam as conseqüências no caso daquelas mulheres que, na ânsia de conseguir achar o homem da sua vida, vão "ficando" com todos os que vão aparecendo no seu caminho?
Rejane - Essa tendência da busca desenfreada, da ansiedade de encontrar o amor, de que tem de ser esse que apareceu, do desespero de que pode terminar ficando só, acaba criando um caos afetivo para a mulher que age assim. Ela se perde, não sabe mais onde ou em quem está o amor, ou o que é o amor. Ela perde os referenciais, expõe sua insegurança e carência afetivas, e acaba sendo conduzida nos relacionamentos. Não é assim. O amor não caminha assim.
A mulher tem de fazer suas próprias escolhas de parceiros, tem de ter a capacidade de começar e sair de uma relação, de dizer sim e não. De só ficar se a relação for boa, de sair para salvar a própria pele. Segura emocionalmente, e diversificando os seus interesses na vida, ela terá menos parceiros, mas viverá relações com mais intimidade afetiva e realização amorosa.
MULHER - Você acha que as mulheres que dizem que não precisam de um homem na sua vida estão falando a verdade?
Rejane - A mulher pode ter fases na vida em que está tão de bem com o mundo que quer mais é se divertir, aproveitando a independência emocional, profissional, financeira; em que quer curtir os prazeres da vida sozinha.
Em que não quer apegos, cobranças, compromissos. Como pode também fechar-se, sofrida, em concha, e nunca mais abrir-se para um homem - muitas mulheres desistem do amor, do beijo, do sexo, não se recuperando de frustrações afetivas profundas.
Porém, a longo prazo, ao longo da vida, a necessidade de ter alguém ao lado, presente no cotidiano, se manifesta. A escolha é se ela vai provar a experiência rica e deslumbrante de viver ou se vai impedir a aproximação masculina, isolando-se com medo de um novo envolvimento.
MULHER - Porque muitas mulheres mesmo tendo um relacionamento estável ainda assim se sentem solitárias, incompletas ou até mesmo infelizes?
Rejane - Muitas vezes, o desequilíbrio do casal não está nem no amor, mas no quanto estão deixando de cuidar de suas próprias vidas, sonhos, projetos pessoais, desejos íntimos.
Outras vezes, nas renúncias feitas, no "envelhecimento" do convívio ou na incapacidade de enfrentar o fim dessa relação. Porque quando a mulher se sente assim, ela já visualizou que a relação está desequilibrada, que ela está insatisfeita com a sua própria vida ou com o que está recebendo do homem que ama. Assim, ela precisa se situar com mais segurança nesse relacionamento, rever os papéis de cada um na parceria afetiva e recuar caso esteja se dando demais.
MULHER - Como deve se comportar uma mulher que acabou um relacionamento perto do Dia dos Namorados ou que comemorou no ano passado e que agora não tem com quem festejar, deve ficar triste, se trancar em casa ou simplesmente partir para outra?
Rejane - Ah, deve tomar um belo banho, ficar divinamente linda no espelho e sair com as amigas e amigos que também estão sem namorados e namoradas.
Deve viver bem, se sentir feliz, a vida prossegue, plena, intensa, cheia de estrelas no céu, não há nada melhor do que viver bem. Não tem de se trancar em casa, ser solteira também é legal, pode ser uma fase ótima. E pensar que não é só o amor que consegue fazer uma pessoa feliz. O amor tem de vir junto num pacote. E observar que muitos dos momentos mais felizes foram em outros setores da vida que também são importantes.
MULHER - Que dicas você daria para alguém que não tem namorado no Dia dos Namorados?
Rejane - Procurar um. Sair, passear, curtir mais os amigos, fazer passeios diferentes, ir a outros lugares, fazer outros programas, passar em outras ruas, dançar mais. Ir para a academia, procurar sempre novos ângulos para realçar os pontos fortes de beleza, dar uma mudada nas roupas, corte de cabelo, maquiagens.
Ter tempo para ajudar as pessoas, demonstrando solidariedade, compaixão e generosidade com os necessitados. Amor atrai amor, amor reflete amor. E olhar mais para os homens. Como eu digo no livro "Pare de Amar Errado", as pessoas não estão mais se olhando nas ruas, não estão mais tendo tempo, olham sem visualizar, sem enxergar...
MULHER - E a mulher que não vai comemorar o Dia dos Namorados porque nunca está com namorado nesta data?
Rejane - Quem torna o amor por um homem o centro da vida corre o risco de passar muitos verões sozinha.
Encontrar alguém depende de uma série de circunstâncias. O importante é que a mulher, numa época de mudanças científicas, tecnológicas e sociais impactantes, amplie o seu universo, o seu leque de interesses e ocupações, mergulhando em projetos pessoais de vida.
Mulheres mais satisfeitas com a própria vida têm mais chances de despertar o interesse dos homens e de serem mais realizadas, mesmo quando têm de sê-lo sozinhas. Não se pode viver somente em função do amor masculino. É muito pouco para a complexidade de uma vida humana. Não se pode atribuir que esta é a única possibilidade de se viver bem, e a mulher que não encontra um parceiro está condenada a uma vida infeliz.
MULHER - Como deve se comportar uma mulher que esteja aberta para o amor quando encontra um homem interessante?
Rejane - Deve dar uma chance a si mesma e ao outro, ter bom humor, sorrir, achar graça na vida, ver encantamento no ser humano. Volto a reafirmar: o amor precisa da esperança, da paz, da garra de viver.
Mulheres sem energia, sem vivacidade, desencantadas com as relações afetivas vão ter mais dificuldades de encontrar um novo parceiro. Deve também expressar auto-estima e amor próprio, refletindo segurança emocional em seus relacionamentos.
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7:22 PM by Cassiano Leonel Drum
"É impossível ser feliz sozinho"
Tem coisa melhor do que estar apaixonado? O Dia dos Namorados está chegando. Nessa época, as pessoas ficam mais a flor da pele, desaceleradas, românticas. Algumas até falam mais baixo; os olhos brilham, enfim... que lindo é o amor! Quando se vive um grande amor, os problemas ficam mais leves. O mundo pode cair e você nem se abala. Melhor assim.
Os olhos se encontram e você quer ficar junto da pessoa amada o tempo todo. Dá uma ansiedade... calafrios, um calor no peito, um leve suor nas mãos. Aí já é impossível disfarçar. Depois dá saudade, silenciosas saudades, uma vontade incontrolável de sentir o cheiro, o gosto, de ouvir a voz de que se ama.
Conta a história que, em nome do amor, homens e mulheres são capazes de matar e morrer; ou de lançarem-se em verdadeiras batalhas. Isso já é um exagero. Mas tranqüilamente é possível afirmar que o amor é capaz de curar qualquer dor ou mal-estar. Apesar de todos os contratempos inevitáveis na relação a dois, o ideal do amor verdadeiro é que nos sustenta ao longo da vida, que nos dá forças e empresta beleza à realidade.
Ah! Impossível falar de amor sem poesia e música, minhas maiores inspirações. Então, confira nesta página, frases e letras de amor. Leia também nesta edição algumas matérias especiais sobre o assunto. Você não vai se arrepender!
Desejo tudo de bom para todos os casais apaixonados, e que cada casal, possa se curtir ao máximo no dia 12 de junho, porque amar vale a pena.
Marta Vicentin
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