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Sábado, Junho 19, 2004
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6:49 PM by Cassiano Leonel Drum
"Minha mãe morreu muito jovem, de câncer, e eu queria me ligar a um outro nome."
Madonna, cantora americana, explicando por que quer se chamar Esther (um nome judaico, inspirado no misticismo da cabala) e não mais Madonna, como sua mãe
"Todos devíamos saber que os negócios com a China são cheios de malícias. Não há negócio da China daqui para lá. Há negócio da China de lá para cá."
Delfim Netto, deputado federal (PP-SP), sobre o embargo chinês à soja brasileira, no UOL Notícias
"Eu, se fosse irresponsável, podia falar também que tem corrupção no governo do Rio de Janeiro, mas não vou falar isso."
José Eduardo Dutra, presidente da Petrobras, irritado com a governadora Rosinha Matheus, que, em solenidade no Palácio do Planalto, teria dito que houve irregularidade na concorrência da plataforma PRA-1
"Demorei a sair de casa. Aos 28 anos, ainda pedia dinheiro para o ônibus. Só fui ter conta bancária aos 30."
Marcelo Anthony, ator, 39 anos, em entrevista ao jornal carioca O Dia
"Fora Lula-FMI!"
Faixa exibida por manifestantes em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília
"E essa de levar um pratinho de doces eu não ouvia falar desde que tinha 10 anos, morava no interior e era pobre."
Danuza Leão, cronista, sobre a exigência feita aos convidados da festa caipira dos trinta anos de casamento do presidente Lula e Marisa Letícia
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6:35 PM by Cassiano Leonel Drum
Em foco: Gustavo Franco
Rendas de privilégio, doença nacional
"O grande problema das políticas públicas não é definir quem é 'estratégico' e merece apoio, mas afastar quem não é"
É sabido que o idioma dos esquimós dispõe de dezenas de palavras para se referir à "neve" e, pelas mesmas óbvias razões, o vocabulário dos geólogos é muito rico para coisas que designamos como "pedra", assim como o dos botânicos é abundante para o que chamamos de "planta". O interessante é que esses especialistas raramente usam essas palavras mais genéricas; um médico dificilmente diz que alguém está "passando mal"; o relato é sempre mais informativo e elaborado.
Ilustração Ale Setti
Essa talvez seja a única explicação para a surpreendente inexistência de tradução para a palavra rent, que, em inglês, tem um significado aparentemente inofensivo: renda ou aluguel devidos pelo uso de uma propriedade inclusive intangível.
Os economistas conhecidos como "clássicos", entre eles David Ricardo, desenvolveram, todavia, uma acepção bem mais interessante para o vocábulo e que parece se adaptar muito bem a certo tipo de fenômeno típico mas não exclusivo do Brasil. Para eles, rents são rendas ditas "excepcionais", ou mesmo "artificiais", decorrentes de uma situação criada, por exemplo, por um monopólio, tarifa, proibição, exclusividade, concessão ou privilégio. Em essência, é uma renda "em excesso" do que seria o normal, amiúde criada pela ação do Estado. Sendo assim, talvez a melhor tradução seja mesmo "rendas decorrentes de privilégio".
Não é sempre verdadeiro que esse tipo de renda seja "indevido" ou "indecoroso". Veja o leitor os casos clássicos de uma patente concedida ao inventor ou da tarifa protecionista concedida a uma "indústria nascente". Essas são situações em que alguém se beneficia direta e merecidamente, ao menos em tese, de uma intervenção do Estado na economia. Quando o objetivo é meritório e o benefício temporário, a teoria econômica tende a aprovar o privilégio, pois os ganhos, em tese, extravasam os auferidos pelos diretamente beneficiados.
Porém, nem sempre se tem clareza sobre o "meritório", e menos ainda sobre o "temporário". Privilégios, no Brasil, tendem a se eternizar como direitos adquiridos, e "meritório" não chega a ser propriamente um critério excludente. Na verdade, o grande problema das políticas públicas não é definir quem é "estratégico" e merece apoio, mas afastar quem não é.
O fato é que quanto maior a regulação, ou a intervenção do Estado na economia, maiores as "rendas de privilégio" que são criadas e deslocadas de um lado para o outro. Ou seja, quanto mais o governo interferir na vida econômica, mais prevalecente será uma lógica política e clientelista na alocação de recursos e do talento nacional, em detrimento de uma lógica de negócio, ou de mercado. Dito de outra forma, onde existe insegurança sobre a propriedade (ou onde ela tem "função social") ou sobre o valor de um negócio ou de um ativo, que pode ser multiplicado ou dividido por um Ato do Príncipe, mais recursos e talentos serão destinados a criar (ou extinguir) e defender (ou atacar) "rendas de privilégio" do que a criar empresas e empregos.
Existem muitos estudos sobre o impacto econômico (no plano da ética, não há muito que discutir) de "atividades que visam produzir rendas decorrentes de privilégio", entre as quais a corrupção e o clientelismo, e as conclusões principais nada têm de misteriosas: o crescimento econômico e o empreendedorismo são diminuídos quanto mais energia um país dedica a criar e defender privilégios, mesmo quando esses não decorrem de corrupção.
O leitor deve ter em mente, por exemplo, que a Constituição de 1988 rebaixou nossas possibilidades de crescimento ao multiplicar privilégios. Deve pensar também no dinheiro que se gasta com corrupção, lobby, advogados (na defesa de achaques ou para dialogar com burocratas), passagens para Brasília, despachantes, facilitadores e dificultadores como uma espécie de "segundo nível" de carga tributária, que não é pago ao governo, mas tem a ver com coisas públicas. É difícil dizer quanto o Brasil gasta nessas rubricas, mas deve ser muito, pois é do tamanho da desigualdade e da informalidade.
Gustavo Franco é economista da PUC-RJ e ex-presidente do Banco Central (gfranco@palavra.com www.gfranco.com.br)
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6:28 PM by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
MM: de motoboys e Marshall
"Ainda não entendi se, para termos direito ao Plano Marshall lulista, precisamos primeiro nos submeter ao bombardeio e à destruição de nossas cidades, como aconteceu na Europa Ocidental"
Morrem dois motoboys por dia em São Paulo. Morrem mais motoboys em São Paulo do que soldados americanos no Iraque. São Paulo é a Bagdá da entrega rápida. A prefeitura paulistana nunca se interessou em descobrir quantos motoboys morriam na cidade.
O mérito foi do documentário Motoboys: Vida Loca, atualmente nos cinemas. Antes que os documentaristas denunciassem o fato, a prefeitura computava apenas os motoboys que morriam no local dos acidentes, desconsiderando os que morriam em hospitais.
Os autores de Vida Loca tentaram entrevistar Marta Suplicy sobre a carnificina dos motoboys. Ela marcou e desmarcou a entrevista em cinco diferentes ocasiões. Quando o documentário ficou pronto, ainda que sem o depoimento da prefeita, surgiu a idéia de mostrá-lo para a comunidade de motoboys, num telão no Vale do Anhangabaú. Os órgãos da prefeitura deram a permissão para o evento.
Até o dia em que o diretor da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) assistiu ao documentário e se alarmou com uma passagem que chamava atenção para a entrevista repetidamente cancelada por Marta Suplicy. O diretor da Emurb mandou retirar aquela passagem do documentário, caso contrário o evento no Vale do Anhangabaú seria suspenso. E foi mesmo.
Depois de ignorar a morte dos motoboys por mais de metade do mandato, Marta Suplicy decidiu agir, retomando um decreto de Celso Pitta que impunha o cadastramento da categoria. Entre uma despesa e outra, o cadastramento pode chegar a 300 reais.
O equivalente ao salário mensal de um motoboy. Os petistas são assim: desconhecem os problemas, respondem somente a quem lhes interessa, punem seus opositores, consideram que o Estado lhes pertence, estão em permanente campanha eleitoral e aplicam medidas de adversários políticos que antes contestavam. Os motoboys vão continuar morrendo em São Paulo, só que agora devidamente cadastrados.
Lula, por outro lado, parece ter amadurecido. Ele pediu um Plano Marshall para o Brasil. Boa, Lula. Finalmente, Lula. O Plano Marshall foi idealizado pelos Estados Unidos para ajudar a reerguer as economias da Europa Ocidental, depois da II Guerra Mundial.
Ainda não entendi se, para termos direito ao Plano Marshall lulista, precisamos primeiro nos submeter ao bombardeio e à destruição de nossas cidades, como aconteceu na Europa Ocidental. Acho que não. Acho que Lula quer o Plano Marshall sem o detalhe dos 20 milhões de mortos. O Plano Marshall subsidiou a importação de produtos americanos por parte dos europeus e financiou a reconstrução de suas indústrias. O resultado foi transformá-los em satélites dos Estados Unidos.
Lula está absolutamente certo em querer transformar o Brasil num satélite dos Estados Unidos. O que mais podemos desejar? Difícil será convencer os americanos de que o investimento vale a pena. Os europeus podiam oferecer um mercado promissor e mão-de-obra instruída. O Brasil é diferente. Se construirmos indústrias demais, faltará gente capacitada para apertar os botões.
Quando Fidel Castro tinha 12 anos de idade, endereçou uma carta ao presidente americano pedindo uma nota de 10 dólares. O Plano Marshall, na cabeça de Lula, funciona mais ou menos do mesmo jeito. Ele pede uns dólares e o presidente americano dá. Lula é igual a Fidel Castro. Um Fidel Castro com 12 anos de idade.
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1:24 PM by Cassiano Leonel Drum
Marcação cerrada do namoradinho a nova namorada. Esta é a capa de hoje do Jornal o Dia do Rio de Janeiro, especial para você que le este Blog.
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1:12 PM by Cassiano Leonel Drum
Sábado, 19 de junho de 2004.
Sou sua menina, viu
Convidadas fazem mulheres de Chico Buarque ganharem vida no aniversário de 60 anos do homem que mais as amou
Clarissa Monteagudo
Chico Buarque absolveu os pecados e despiu todos os encantos femininos com poesia. Em sua obra, vestidas de lirismo, misturam-se sedutoras donas-de-casa e ingênuas prostitutas, ardilosas meninas e apaixonadas dançarinas de cabaré. Todas protegidas por seus olhos cor de ardósia. Para dar forma ao exército feminino do poeta, a partir de hoje sessentão, o caderno D+Mulher convidou cinco mulheres: a figurinista Emília Duncan, a carnavalesca Rosa Magalhães, a apresentadora Adriane Galisteu, a cantora Preta Gil e a dançarina Lacraia, mulher espiritualmente.
Elas criaram looks inspirados em músicas do aniversariante. Para todas, Chico é o ideal: o poeta do futebol, o tímido sedutor, o boêmio família. Homens podem até se sentir vingados porque o tempo passa para ele. Mas o mito não envelhece. Feliz aniversário, Chico!
Fotos: Márcio Mercante
FICHA TÉCNICA: CABELO E MAQUIAGEM Fernando Rodrigues e Cláudio Marra; MODELOS Allanah, Mariah Smigay, Lúcia Ribeiro, Monik Braga (Ag. Mega) e Tatiana Macei (Ag. Ford); PRODUÇÃO Mariana Salim; COORDENAÇÃO Marcia Disitzer; ENDEREÇOS Andarella Plaza Shopping, 1ºpiso; Domitila Rua Visconde de Pirajá 371/2º piso, Ipanema; Tidsy São Conrado Fashion Mall, 1º piso; Ao Cubo Rua Francisco Otaviano 67/lj.43, Ipanema; MRS - Rua Visconde de Pirajá 371/2º piso, Ipanema;
Nuance Av. Nossa Senhora de Copacabana 774, Copacabana; Shop 126 Rio Sul, 2º piso; Antonio Bernardo - Shopping da Gávea, 3º piso; H.Stern - Rio Sul, 2º piso; Marzio Fiorini - Rio Sul, 2º piso; Area Objetos - Shopping Barra Point, 1º piso; Tereza Xavier - Rua Visconde de Pirajá 351/2º piso; Casa da Alessa - Rua Nascimento Silva 399, Ipanema; Isabela Capeto - 2249-9493; Collezioni - Rua Visconde de Pirajá 351, Ipanema; Fiszpan - Rua Sete de Setembro 98, Centro.
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1:09 PM by Cassiano Leonel Drum
Cláudia Laitano
19/06/2004
Mulheres com H
Barbie sofreu uma derrota histórica lá em casa esta semana. Com a gravidade que só as meninas de quase seis anos e os atores que dublam Deus em filmes bíblicos conseguem emprestar à voz nos momentos certos, minha filha anunciou a novidade entre uma garfada e outra de miojo:
- Não quero mais a Barbie no meu aniversário.
Você que não tem filhas pequenas não imagina a guinada ideológica que estava em curso ali na mesa da minha cozinha. A começar pela quebra de protocolo: uma vez decidido o tema da festa, minha metódica aniversariante costumava manter a fidelidade partidária até o fim, colocando interesses mais recentes em uma rigorosa lista de espera - já organizada, pelas minhas contas, até mais ou menos 2013.
Mas isso não era o mais surpreendente. A pequena revolução residia no fato de a linda, loira e muda Barbie - uma unanimidade entre as meninas como só Chico Buarque entre as mulheres - estava sendo desbancada por uma pirralha de cabelos desgrenhados: Hermione, a bruxinha inteligente, leal e corajosa da série Harry Potter.
Nós, as gurias que brincamos de Suzi nos anos 70, nunca toleramos a Barbie, com seu corpo de atriz pornô americana e roupas de gosto duvidoso, mas nem foi por isso que eu abri um danete para comemorar aquele momento. Na verdade, estava em jogo ali - disfarçado na necessidade prosaica de escolher a decoração da mesa de uma festinha - um complexo embate entre ideais femininos.
De um lado, a beleza perfeita da boneca e a compreensível fantasia de meninas de todas as idades de desfilar pelo mundo com um rosto de princesa. Do outro, a tenacidade de Hermione, uma personagem criada por uma escritora da geração pós-feminismo, a inglesa J.K.Rowling, que colocou na melhor amiga de Harry Potter qualidades que todas as mulheres são capazes de perseguir, tenham ou não nascido abençoadas pela natureza.
Naquela mesma noite, lendo a descrição da beleza de Helena no fabuloso Tróia do professor Cláudio Moreno, fiquei imaginando como devia ser a sensação de ser assim tão linda e ao mesmo tempo tão pouco dona do seu nariz arrebitado como aquela mulher disputada por gregos e troianos. Quase pegando no sono, me dei conta de uma coincidência que me pareceu fantástica na hora: Hermione é o nome da filha de Helena, a menina que ela deixa em Esparta para seguir o bonitão Páris, dando início a toda aquela história que você conhece.
Pois aquela Barbie dos tempos heróicos pariu e abandonou uma pequena Hermione, da qual não se teve muitas notícias desde então. Pelo menos até ela reencarnar na Inglaterra dos nossos tempos, dando nome ao ídolo de uma nova geração de mulheres - que, se os deuses conspirarem a favor, talvez ensinem suas mães a dar à beleza o valor simbólico que ela realmente tem.
claudia.laitano@zerohora.com.br
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1:06 PM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
19/06/2004
Na galeria
Já escrevi esta semana sobre o Chico Buarque, mas hoje é o dia em que ele está completando 60 anos e sua figura é tão grande, que sobre ele caberia que se escrevesse todos os dias.
O leitor Carlos Machado manda dizer que faltaram duas músicas fenomenais do Chico na minha coluna: Teresinha e Pedro Pedreiro. Nem sei como faltaram, Carlos, porque eu as tinha na minha cabeça e no meu sentimento quando escrevi a coluna. São duas das maiores, mas são tantas as maiores, mais de 30, que a gente fica extasiado diante de tanta beleza poética saída de uma só cabeça e de um só coração.
Estes versos da música As Vitrines, por exemplo, que um cantor negro extraordinário sempre me cantava quando eu ia na casa do Abraham, na 4ª Secção da Barra, em Rio Grande, tornam-se inseparáveis da minha memória: "Na galeria/ cada clarão/ é como um dia/ depois de outro dia/ abrindo um salão/ passas em exposição/ passas sem ver teu vigia/ catando a poesia/ que entornas no chão".
Vida longa para Chico!
E outro leitor, que mantenho anônimo, passa-me um pito, por ser aidético "Paulo Sant'Ana. Sou teu leitor, ouvinte, telespectador e admirador há muitos anos.
Hoje, 16/06/2004, porém, fiquei 'aterrorizado' com o que escreveste sob o título 'Um homem aterrorizado'.
Sou um exemplo do teu equívoco. Aconteceu comigo o que tu negas perigosamente, incentivando homens sadios a não usarem preservativos, contrariando todas as campanhas de saúde pública.
Assim como tu, também não sou médico, mas, como paciente-sobrevivente há 13 anos, posso afirmar que o HIV está, sim, presente no líquido vaginal.
O que ocorre é que o HIV não transpõe a pele para chegar à corrente sangüínea assim normalmente, o homem não é infectado apenas pelo fato de seu pênis ter tocado em líquido vaginal infectado.
Porém se a pele sensível do pênis tiver alguma lesão, microscópica que seja, até mesmo provocada por atrito com pêlos pubianos, há grande possibilidade de o vírus alcançar a corrente sangüínea.
No meu caso, mantive relações com uma mulher infectada em uma viagem num período em que tive uma crise de herpes. A lesão no pênis era visível e incômoda.
Hoje sou casado com uma mulher não infectada. Relaciono-me exclusivamente usando preservativos e tenho um filho sadio fecundado in vitro. Tenho uma vida quase normal, com assistência médica permanente e grande quantidade de medicação diária.
Atualmente, o HIV aterroriza-me menos que o preconceito e a desinformação, pelo que rogo-te o anonimato para preservar o meu nome e o da minha família, pois o preconceito e a ignorância são tão graves que a divulgação certamente tornaria meu filho vítima de preconceito na escola.
Assim, peço-te para clamares ao homens sadios para que usem preservativos em todas as relações sexuais. Com um abraço (estava assinado o e-mail)".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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1:04 PM by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
Ronda para atendimento a sem-teto é parcial no RS
Zero Hora conferiu o acolhimento de quem dorme nas ruas em 10 municípios: em cinco deles, como Pelotas, o serviço inexiste ou é falho e em dois o atendimento foi realizado. O Estado tem cerca de 30 mil moradores de rua (foto Nauro Júnior/ZH)
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Sexta-feira, Junho 18, 2004
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9:05 PM by Cassiano Leonel Drum
Sorriso de comissário
Novas evidências de contas no Exterior não tiram a pose de Maluf
Luiza Villaméa
Não, não e não: Maluf nega autoria de carta a banco suíço, mas deixa o Ministério Público sem dar respostas
Paulo Maluf está mesmo na berlinda. No Ministério Público paulista, é investigado por improbidade administrativa, o termo técnico para desvio de dinheiro público. Na Polícia Federal, protagoniza papel principal em inquérito que apura a evasão e lavagem de centenas de milhões de dólares.
No Congresso Nacional, a CPI do Banestado, que investiga a remessa ilegal de recursos para o Exterior, está prestes a receber cópia dos mais de cinco mil documentos obtidos pela Justiça da Suíça, sobre operações bancárias realizadas por Maluf e sua família, entre 1984 e 2001. O ex-prefeito paulistano está ainda na mira do Ministério da Justiça e da Secretaria de Negócios Jurídicos da cidade de São Paulo, que estudam a recuperação do patrimônio possivelmente desviado. Maluf, contudo, mantém sorriso de comissário de bordo.
Potencial candidato do PP à sucessão da prefeita Marta Suplicy (PT), Maluf não respondeu a nenhuma pergunta, mas foi extremamente respeitoso durante depoimento ao Ministério Público na semana passada. Depois de quase duas horas invocando o direito de só prestar contas à Justiça, saiu do prédio impassível, rodeado por correligionários e assessores, fazendo o sinal da vitória. No dia seguinte, recusou-se a comentar se os promotores haviam mostrado a ele uma carta à União dos Bancos Suíços, como afirmam.
Datada de 16 de dezembro de 1996, dias antes de Maluf deixar a prefeitura paulistana, a carta manuscrita, em inglês, recomenda a transferência de todos os recursos cerca de US$ 100 milhões da conta da White Gold Foundation a seus quatro filhos, em partes iguais, para a conta da Durant International Corporation, administratada pelo mesmo banco, em Londres (leia fac-símile). Digo e repito mil vezes. Eu não tenho e nunca tive contas na Suíça, garantiu Maluf. Essa carta é falsa.
Cruzamento dos dados bancários também mostra que a White Gold Foundation abasteceu a conta da Durant International. De acordo com as investigações, Maluf e família mantiveram uma série de contas bancárias em Genebra, na Suíça, abertas em nome de empresas off-shores, como as duas citadas anteriormente, além da Abutera Foundation, Alyka Foundation, Blue Diamond, Lindsay Limited, Pérolas Negras e Timeless Investiments Limited. Essas contas começaram a ser fechadas em 2001, depois que o governo da Ilha de Jersey, paraíso fiscal no Canal da Mancha, bloqueou US$ 200 milhões do ex-prefeito.
Maluf também nega ser dono desses recursos. Para um dos investigadores do caso, especialista em análises finan-ceiras, a hipótese mais provável é que, a partir de 2001, Maluf tenha transferido boa parte da dinheirama da Suíça para Liechtenstein, um principado europeu com apenas 25 quilômetros de norte a sul e a fama de jamais quebrar o sigilo bancário de seus clientes. Não é à toa que, embora minúsculo, o país serve como sede para 75 mil empresas.
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6:50 PM by Cassiano Leonel Drum
Eu, o livro
Frei Betto
Sou muito especial. Minha tecnologia é insuperável. Funciono sem fios, bateria, pilhas ou circuitos eletrônicos. Sou útil até mesmo onde não há energia elétrica. E posso ser usado mesmo por uma criança: basta abrir-me.
Nunca falho, não necessito de manual de instruções nem de técnicos que me consertem. Dispenso oficinas e ferramentas. Sou imune a vírus, embora figure no cardápio das traças. Se algo em mim o leitor não entende, há um similar que explica todos os meus vocábulos.
Através de mim as pessoas viajam sem sair do lugar. Não é fantástico? Basta abrir-me e posso levá-las à Roma dos césares ou à Índia dos brâmanes, aos estúdios de Hollywood ou ao Egito dos faraós, ao modo como as baleias cuidam de seus filhos e aos paradoxos dos buracos negros.
Sou feito de papiro, pergaminho, papel, plástico e, hoje, existo até como matéria virtual. Domino todos os ramos do conhecimento humano. E, ao contrário dos seres humanos, jamais esqueço. Se me consultam, elucido dúvidas, respondo indagações, estimulo a reflexão, desperto emoções e idéias.
Posso ensinar qualquer idioma: tupi, grego, chinês ou russo. Até línguas mortas, como latim. Introduzo as pessoas na meditação zen-budista e nos segredos eróticos do Kama Sutra, na culinária mineira e na história do automóvel, nas maravilhas dos jardins suspensos da Babilônia e nos hábitos dos escorpiões.
Para utilizar-me, a pessoa escolhe o lugar mais confortável: cama, sofá da sala, tamborete da cozinha, degrau da escada ou banco do ônibus. Trago a ela os poemas de Fernando Pessoa e os salmos da Bíblia; as noções de como operar um monitor de TV e a biografia de John Lennon; as viagens de Marco Pólo e os cálculos da propulsão das naves espaciais.
Trabalho em silêncio e nunca incomodo ninguém, pois jamais insisto. É o meu leitor que se cansa e, neste caso, pode fechar-me e continuar a leitura horas ou dias depois. Não fujo, não saio do lugar, não abandono quem cuida de mim. Fico ali à espera, em cima de uma mesa ou enfiado numa prateleira, sem alterar o meu humor. Exceto quando sou alvo da cobiça de pessoas sem escrúpulos, que me roubam de meus legítimos donos.
Revelo a quem me procura o que for de seu interesse: como cuidar do jardim ou detalhes da Guerra do Paraguai; a incrível paixão entre Romeu e Julieta ou a atribulada vida amorosa de Elvis Presley; os segredos de fabricação de um bom vinho ou as mil e uma interpretações de As mil e uma noites.
Pode-se estar comigo e, ao mesmo tempo, ouvir música ou viajar de trem, navio ou avião, sem necessidade de pagar a minha passagem. Sou transportável, manipulável e até descartável. Mas costumo enganar a quem confia nas aparências: nem sempre o meu rosto revela o conteúdo.
Sem mim, a humanidade teria perdido a memória. E, possivelmente, não ficaria sabendo que Deus se revelou a ela. Sou portador de epifanias e sonhos, tragédias e esperanças, dores e utopias. E sou também uma obra de arte, dependendo de como os meus autores tecem e bordam as letras que preenchem as minhas páginas.
Livre e lido, sou livro.
PRIMEIRO ENSAIO de Frei Betto em seu livro Típicos Tipos coletânea de perfis literários, recém-lançado por A Girafa Editora Ltda.
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7:57 AM by Cassiano Leonel Drum
Os ogros também amam
O monstrengo verde continua divertido, mas em Shrek 2 surge mais romântico, disposto a tudo para não perder a amada Fiona
Rubia Mazzini
Ah, o amor. Por causa desse nobre sentimento, até um ogro bem-resolvido com a própria aparência é capaz de mudar para não perder o objeto de sua paixão. É o que acontece em Shrek 2, que chega ao circuito brasileiro depois de se tornar a maior bilheteria de um desenho animado da história nos Estados Unidos, com mais de 353 milhões de dólares arrecadados em 25 dias de exibição.
Tão divertido quanto o original lançado em 2001, Shrek 2 continua subvertendo as regras dos contos de fadas numa trama entulhada de referências cinematográficas. Dessa vez não escapam de deboche filmes como O Senhor dos Anéis, Flashdance e Missão Impossível, além de programas sensacionalistas no estilo Cidade Alerta.
Agora casados, Shrek (dublado por Mike Myers em inglês e por Bussunda na versão nacional) e Fiona (Cameron Diaz) estão curtindo uma lua-de-mel com direito a românticos banhos de lama quando recebem um convite dos pais da princesa ogra para irem ao Reino Tão Tão Distante. Certo de que o rei Harold (John Cleese) e a rainha Lilian (Julie Andrews) não o aprovarão, Shrek tenta escapar, mas acaba cedendo e viaja com Fiona e o inseparável Burro (novamente hilariante na voz de Eddie Murphy).
Em Tão Tão Distante uma espécie de Hollywood, onde se vêem as mansões de personagens como Rapunzel e Cinderela, o ogro bate de frente com o sogro e acaba caindo no jogo da vilã da vez, ninguém menos do que a insuspeita Fada-Madrinha (Jennifer Saunders). Dona de uma fábrica de poções mágicas, ela é mãe do Príncipe Encantado (Rupert Everett), aquele que deveria ter salvado Fiona do dragão em Shrek e se casado com ela.
É por causa de Encantado, um sujeito afetado, que usa rede nos cabelos louros e gloss nos lábios, que Shrek cisma de mudar. Com a ajuda do Burro e do Gato de Botas outro coadjuvante canastrão engraçadíssimo, dublado por Antonio Banderas , o apaixonado ogro tenta ficar bonito para agradar Fiona. Mas é como disse Cameron Diaz no Festival de Cannes: Fiona prefere Shrek porque gosta do que ele tem por dentro. O meu ideal de príncipe é aquele que me faz rir. Ah, o amor.
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6:59 AM by Cassiano Leonel Drum
Mauren Motta
18/06/2004
Mulheres e cabelos
Sempre achei engraçada a importância que as mulheres dão ao cabelo. Ao menos na minha turma de amigas, o cabelo é "a questão". Não interessa o quão letradas ou intelectualizadas elas sejam. Tá certo que o cabelo é a moldura do rosto e coisa e tal, mas acho um exagero que interfira tanto a ponto de influenciar na vida amorosa e deixar tanta gente insegura.
Algumas passagens são clássicas: uma amiga minha sempre teve cabelo crespinho, aliás como grande parte da população brasileira. Porém, desde que inventaram a chapinha, ela é outra mulher. Só se sente linda e segura se estiver lisa e japonesa. Eu até acho que ela realmente fica melhor assim, o problema é que às vezes ela extrapola. Balada rolando, todo mundo lá.
Quando a festa tava começando a esquentar, ela resolve ir embora. Como assim? Acabamos de chegar... Ela é curta e direta: "Vou começar a encrespar!". Imaginem, perder a festinha por causa do cabelo!? Como eu já conheço a figura, nem dou bola. Sei que ela já fez coisa pior. O último namorado, de mais de seis meses de relacionamento, nunca nem desconfiou da real forma do cabelo dela.
Uma outra amiga sempre foi encanadíssima com a franja. Ela tem aquele tipo de cabelo misto, meio liso, meio crespo. Obviamente que sempre o que encrespa primeiro é a franja, e é aí que a Leonor se desespera! Além do cacoete de alisar com a mão o tempo todo, ela tem truques avançados para domar a bichinha.
Entre suas práticas, o minissecador de viagem que não pode faltar na bolsa para emergências e uma escova quebrada de formato ideal. Quando o evento pede bolsinha pequena, só quem vai para a festa é a escova sem cabo. Até porque ela não consegue colocar mais nada lá dentro.
People, e os tratamentos então? A gente quase enlouquece, né? Cada dia surge um novo e caro. Não dá nem pra acompanhar. Escova de queratina, banho disso e daquilo, amaciamento... Todos devidamente acompanhados da clássica frase:
O cabelo fica M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O, você tem que fazer! A troca de informação nessa hora é fundamental. Sempre tem alguma amiga que já fez e está apta a dar o parecer. Por sinal, pela foto aí do lado, acho que vocês já devem ter percebido a mudança. Depois de uma vida inteira com cabelão, resolvi cortar. Levei anos pra me decidir. Sempre achava que iria ficar estranho, sei lá.
O mais louco é que foi por impulso. Nada de salão maravilhoso ou corte incrível. Numa das muitas viagens, entrei em um de esquina e cortei. Impressionante como me senti uma nova mulher... Aí, não, vou encerrar por aqui! Bem mulherzinha, poderia ficar horas alugando vocês com esse papinho. Quem gostar do assunto, escreva para opinar sobre meu novo corte. E confesso a vocês: sou crespa sim!
Beijolas encaracoladas.
mauren@rbstv.com.br
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6:55 AM by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
18/06/2004
O mistério do mendigo
Havia um mistério envolvendo a vida de certo mendigo que atuava no centro de Porto Alegre. Ele esmolava pelas imediações da Borges com a Rua da Praia. Ficava sentado na calçada, andrajoso, com uma grande ferida em carne viva aparecendo de um rasgão das calças. A impressão era de que não podia andar. Também não falava. Grunhia, tão-somente:
- Hmmmrááá...
Aí estendia uma caixa de sapatos e sorria. Tinha um belo sorriso, aquele mendigo, e creio ser essa a razão de seu sucesso - todo mundo lhe dava um dinheirinho.
Mas todo mundo também comentava a respeito do boato de que ele não era mendigo coisa nenhuma. Ao contrário: era milionário. Todas as manhãs, depois do desjejum de melão com presunto, o gaiato despia o robe de chambre e se cobria de molambos, embarcava na sua Mercedes e ia para o Centro. Deixava o carro numa rua vicinal e se arrastava para a Borges. Antes de se sentar na calçada, amarrava um bife de alcatra na perna e então ficava lá:
- Hmmmrááá...
Uma fraude, aquele mendigo. Mas nunca o desmascararam e ele hoje deve estar tomando sol na ilha de Curaçao, bebericando daiquiri decorado com sombrinha.
Havia também o Morcego, um mendigo que passava o dia limpando as ruas do Centro. Via um papelzinho, catava-o, jogava-o no lixo, tudo sempre muito ágil e silencioso. Mendigo útil, o Morcego.
E ainda tinha o impagável ceguinho da Praça 15. O principal terminal de ônibus de Porto Alegre ficava na Praça 15. O ceguinho entrava pela porta de trás dos ônibus conduzido por um menino. Ia passando pelos bancos:
- Uma esmolinha para um cego, por favor. Uma esmolinha para um cego.
Ninguém dava. Aí, postado ao lado do motorista, ele berrava:
- Vocês não têm vergonha de não dar esmola para um cego? Vocês querem queimar nas brasas do inferno? Vou passar mais uma vez e dar outra chance, hein!
Passava de novo. E todo mundo dava! Aquele ceguinho realmente sabia se impor.
Isso foi nos anos 70, talvez 80. Agora, dias atrás, numa daquelas noites de 3ºC, deparei com outro tipo de mendigo pelas ruas da cidade. Crianças. Do Centro ao Menino Deus, contei 15 delas nas esquinas, nas sinaleiras, nas sarjetas. Crianças esfarrapadas e encardidas, com os pés nus sobre as lajes de pedra fria. Quando foi que Porto Alegre trocou seus mendigos folclóricos por essas crianças desamparadas? Não há atenuante para uma cidade que aceite ver suas crianças esmolando pelas ruas. Nem perdão.
david.coimbra@zerohora.com.br
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6:52 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
18/06/2004
Gente e mais gente revoltada
Nunca tinha visto, como agora, o tamanho da revolta das pessoas contra o preço da gasolina. Ninguém mais acredita em nada e em ninguém.
As manifestações que recebo sobre este último aumento no preço dos combustíveis são iradas e decepcionadas.
A grita maior é quanto ao valor que é cobrado pelos combustíveis no Brasil, onde as autoridades vêm com a maior cara de pau comparar os nossos preços com os de países desenvolvidos, quando se sabe que nessas nações o salário mínimo é 10 vezes superior ao do Brasil.
Mas as pessoas também mostram violenta irritação com as manifestações das autoridades do Ministério de Minas e Energia e Petrobras, que tiveram a audácia de divulgar que a gasolina teria reajuste de cerca de 4,5% nos postos - enquanto em realidade o reajuste está em torno de 16%.
Isso revela um total distanciamento dos que governam em Brasília com o que está acontecendo com o povo nas ruas.
Eu recebo relatos comoventes de pessoas que trabalham com camionetas ou qualquer outro veículo e que dependem do seu carro para viver. Elas me dizem que já não sabem mais o que fazer: se compram um pouco mais de comida, são obrigadas a gastar menos em combustível; se, no entanto, gastam menos em combustível, não conseguem realizar o seu trabalho e vai lhes faltar comida.
O modo como foi reajustado o preço da gasolina foi sádico; começou com o presidente do Banco Central praticamente autorizando a Petrobras a decretar o aumento, gabando-se de que ele não iria se refletir seriamente sobre os índices inflacionários.
Evidentemente que o cálculo do presidente do Banco Central incorria no mesmo equívoco da Petrobras, que não sei de onde foi tirar essa previsão mirabolante de que a gasolina só seria reajustada nos postos em 4,5%. Isso é um deboche com o povo.
Alguém do governo, alguém da Petrobras, alguém do Banco Central sabe qual é o preço que está sendo cobrado pelo litro de gasolina em Campina das Missões, noroeste do Rio Grande do Sul? Não sabem nem querem saber.
Pois lá em Campina das Missões a gasolina subiu agora para R$ 2,60. Um assalto! Ou seja, não se calcula a inflação pelo que cobram em Campina das Missões e outros municípios isolados do Rio Grande pela gasolina.
Nem ninguém do governo nem qualquer autoridade sabe que em Caxias do Sul a gasolina está sendo cobrada a R$ 2,46 num posto, no outro posto ali adiante R$ 2,45, acolá, ainda em Caxias, R$ 2,46, um cartel deslavado.
E alguém toma providência? Nem ninguém do governo nem as outras autoridades competentes nos municípios onde se verificam essas barbáries comerciais.
E quem é que não sabe que esses índices de inflação são portanto indevidos e maquiados, servindo somente para que o povo seja saqueado pelos preços cada vez maiores dos combustíveis e das tarifas? Isso tudo em cima de salários arrochados e desemprego.
Nunca vi tanta revolta. Que por enquanto é silenciosa. Mas está se avolumando perigosamente entre todas as pessoas.
O leitor que me escrevera sobre o assalto que sofreu no recinto de uma conhecida pizzaria de Porto Alegre telefonou-me depressa: assim que a coluna foi publicada, pela manhã, o gerente da pizzaria mandou chamá-lo e providenciou na indenização de tudo que o assaltante tinha lhe roubado.
Um bom servicinho da coluna.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:35 AM by Cassiano Leonel Drum
Oriente Médio
Atentados matam mais de 40 no Iraque
Dois carros-bomba explodiram ontem, um em Bagdá (acima, uma vítima) e outro em Balad, deixando pelo menos 41 mortos e 140 feridos (foto Nicola Solic, Reuters/ZH)
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Quinta-feira, Junho 17, 2004
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10:02 PM by Cassiano Leonel Drum
SIMPLES COMO UM SORRISO
Quero escrever uma poesia que conte a você Que tudo o que sinto é verdade
Quero dar-lhe belos versos, sem ansiar por rimas Quero apenas que seja uma poesia bonita
Quero escrever algo como nunca escrevi antes Que fale de amor e de paixão
Quero que tenha o som de uma música infinita Que esqueça que amor rima com dor
Que paixão rima com solidão
Quero colocar o brilho dos seus olhos em minha poesia Quero colocar a magia do seu sorriso em cada linha Que seja como a sua mão quando me toca minha poesia: doce e macia
Quero criar uma bela melodia que tenha em si Todo o sentimento angelical do momento Quero cantar o meu amor em tom maior, com poucas notas
Pois é tão simples o que sinto, diria tão banal
Quero que estes versos cheguem a você como poesia, como música Num lindo dia de outono ou de verão Para assim florir ou transbordar de calor o seu coração
Que a sua alegria em recebe-los os tornem ainda mais bonitos Como bonito é descobrir que só de querer Minha poesia acaba de nascer
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6:29 PM by Cassiano Leonel Drum
Rio, 17 de junho de 2004 Versão impressa
Jovem terá crédito para abrir negócio
Geralda Doca e Mirelle de França
BRASÍLIA e RIO. O governo lança hoje uma linha de crédito para ajudar jovens entre 16 e 24 anos a abrirem o próprio negócio. O programa Jovem Empreendedor terá R$ 100 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e deverá beneficiar 16 mil jovens no primeiro ano de funcionamento.
Para ter acesso ao dinheiro, os jovens têm de se inscrever nas unidades do Sebrae, a partir do dia 28 deste mês. Somente poderão participar do projeto desempregados, com renda familiar per capita de até meio salário-mínimo e que estejam cursando o ensino fundamental ou médio.
Segundo o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, o crédito será assistido, ou seja, o Sebrae vai auxiliar na elaboração do plano de negócio e fazer a mediação com o Banco do Brasil, que fará os empréstimos. O Sebrae também vai acompanhar a execução do projeto:
O programa vai garantir crédito, qualificação profissional e orientação de negócios para os jovens selecionados.
Pelo programa, será possível pegar empréstimo de até R$ 10 mil para autônomos; de até R$ 50 mil para micro e pequenas empresas; e de até R$ 100 mil para cooperativas, sendo R$ 5 mil para cada participante. Os detalhes ainda não foram acertados, mas o valor deverá ser corrigido pela TJLP mais juros entre 4% e 5,33% ao ano, com prazo de carência.
BNDES incentiva exportação de pequenas empresas
Já as micro, pequenas e médias empresas terão um programa específico de apoio às exportações no BNDES. Para facilitar o acesso ao crédito e à divulgação nos mercados, foi criada a figura de uma empresa-âncora que será responsável pela operação de venda ao mercado externo, representando o interesse de empreendedores de um mesmo setor.
Os financiamentos do BNDES ao segmento serão concedidos via empresas-âncoras. O custo das operações será de TJLP, de 9,75% ao ano, ou Libor (taxa de juros usada em operações internacionais), mais 1% ao ano de remuneração do BNDES, além da taxa do agente repassador.
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6:19 PM by Cassiano Leonel Drum
Quarta, 16 de junho de 2004, 19h47
Moda praia saudosista para o verão da Sais
Camila Tavares
O desfile Sais, de Amir Slama, apresentado nesta quarta-feira, 16 de junho, no São Paulo Fashion Week levou um parque à beira-mar para a passarela. O estilista fez uma coleção bem humorada e que traz memórias de infância. Destaque para Ana Hickmann, musa da coleção, que desfilou na companhia de uma cobra.
Nas peças criadas por Amir Slama, há patchwork, apliques, detalhes e botões que lembram roupas de palhaço, tudo extremamente apropriado para uma tarde de sol num carrinho de bate-bate ou num passeio pelo carrossel, que também fazia parte da decoração da sala, que ainda contava com cinco bailarinas.
Na passarela, as coleções traziam temas animais, puxada por Ana Hickman. A linha de Alessandra Ambrósio levou muitas cores à passarela e a de Ana Beatriz Barros trabalhou brincadeiras e borboletas.
As modelos tinham penduricalhos no biquíni e Amir Slama atendeu a todos os gostos com várias versões do famigerado duas peças: grandes, pequenos, com laço, babados e cortininha; além de maiôs. Os homens desfilaram sungas estilo shorts, com muitas cores e temas divertidos.
As cores predominantes foram verde, rosa, branco, roxo, amarelo e laranja.
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8:12 AM by Cassiano Leonel Drum
Sexo é mau?
Batalha do século entre duas maiores cobras de Celebridade sugere que quanto pior, melhor
Alícia Uchôa e Zean Bravo
Só faltava mesmo um embate na cama entre os dois maiores vilões, Renato Mendes (Fábio Assunção) e Laura (Cláudia Abreu), para Celebridade chegar ao aguardado clímax. Despudorados, os personagens de Gilberto Braga mostraram que, pelo menos em novela, gente má é quem faz o melhor sexo. Com direito a mordidas, puxões de cabelo, dominação no chão e disputa de poder entre os lençóis.
Com o dossiê que o deixava nas mãos de Laura recuperado, Renato aproveitou a segurança para baixar a guarda e finalmente consumar o casamento. Esse negócio de você não poder ter mulher está te deixando ouriçado. Não sou tão má como você. Fora da cerca nem pensar, mas aqui dentro..., provocou Laura, entre uma cruzada de pernas e outra, para um excitado Renato. Você não é tão má, mas é mais safada do que eu, rebateu o jornalista, antes de fazer um strip, em que jogava suas roupas em cima da mulher, na cama. Pegou fogo.
Com vasto histórico de peripécias e perversões sexuais durante toda a novela, Laura começou a instigar o jornalista fazendo a linha virginal. A máscara da megera caiu quando o lourinho beiçudo flagrou a moça em dupla investida: aos amassos com Marcos (Márcio Garcia) dentro do carro e com Bruno (Sérgio Menezes), no quarto. A vingança veio depois do casamento. Laura se insinuou, mas passou a noite de núpcias como simples espectadora. O maridão garantiu a lua-de-mel com uma garota de programa, uma de suas obsessões desde o início da trama das oito.
Separados Renato e Laura garantiam as vidas sexuais mais ativas da novela, juntos vale lembrar que os atores já formaram casal na vida real , fizeram valer toda essa experiência. Os dois começaram a cena naquele cinismo típico deles. Passaram toda a ânsia no diálogo e partiram para a selvageria, se entregaram mesmo, avalia a securitária Ana Lúcia Santana, 50 anos, que não esperava mais uma transa entre os vilões. Ao contrário da universitária Virgínia Borges, 26, que admite ter aguardado ansiosamente o momento. Pena que foi rápido, lamentou a moça, que prefere Laura com o michê. Não foi tão violento como era com o Marcos. Era de se esperar, pelo ódio de Laura e Renato, que o clima fosse outro, diz.
Essa coisa animalesca condiz com o perfil dos personagens, que têm mais química do que os mocinhos, palpita o professor Ulício Pinto, 34 anos, que dá o veredicto: Essa é a única novela em que só transa quem não ama.
Pode até não amar, mas se diverte que é uma beleza...
Esse negócio de você não poder ter mulher está te deixando ouriçado
Laura
Você não é tão má, mas é mais safada do que eu
Renato Mendes
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8:06 AM by Cassiano Leonel Drum
Libertadores do Fla
Rubro-Negro vence (2 a 0), chega à final da Copa do Brasil e abre a porta para a mais importante competição da América do Sul
Janir Júnior
Nenê matou o goleiro Juninho ao tentar cortar um chute cruzado de Felipe. O zagueiro do Vitória acabou marcando, contra, o segundo gol do Fla
Numa noite de tietagem explícita da família Nazário de Lima no Maracanã, o Flamengo retribuiu o apoio de seus dois ilustres torcedores com a classificação à final da Copa do Brasil. A presença de Ronaldo e do filho, Ronald, deu sorte ao Rubro-Negro carioca, que derrotou o Vitória, por 2 a 0, gols de Íbson e Nenê (contra), e agora decidirá a vaga na Libertadores contra o Santo André. O sorteio para ordem e data dos jogos será amanhã.
Foi um primeiro tempo marcado pelo nervosismo de ambas as equipes. O Flamengo, empurrado pela torcida, acabou tendo mais volume de jogo. Aos 12 minutos, Felipe cobrou falta do bico direito da grande área. Negreiros cabeceou, encobrindo Juninho. A bola explodiu no travessão, quicou sobre a linha do gol e a zaga afastou.
A resposta baiana aconteceu aos 17, com Cléber, de fora da área. O apoiador tentou surpreender Júlio César, que, bem colocado, espalmou. Sem Zinho, poupado devido a dores no tornozelo esquerdo, o técnico Abel Braga optou por uma formação diferente: recuou Felipe para o meio e lançou Jean ao lado de Negreiros, no ataque.
Apesar de o desfalque de seu jogador mais experiente, o Flamengo mandou no jogo. Quem por pouco não administrou a emoção foi o veterano apoiador, que hoje completa 37 anos. Das cadeiras especiais, Zinho ficou maravilhado com a torcida. Ela contagia muito. É muita emoção.
Em campo, quem sofreu foi o goleiro Juninho. Primeiro, ao defender chute de Roger, dentro da área. Depois, na bola de Jean, depois que o atacante arrancou da intermediária e fuzilou. Houve desvio da zaga. Juninho ficou vendido, e a bola tirou tinta da trave.
Aos 41, Jean, que não faz gol desde a final do Estadual, dia 18 de abril, parecia que quebraria o jejum. Mas o árbitro invalidou a jogada, marcando impedimento. O gol, Jean continuará devendo. Mas a boa atuação do jogador resultou na primeira explosão da galera. Após enfiada de Felipe, Jean tocou para Íbson, que bateu cruzado, sem chances para Juninho: 1 a 0, aos 2min do segundo tempo.
Mesmo em desvantagem, o Vitória não se entregou. Aos 15, Magnum, que acabara de entrar, foi derrubado por Fabiano Eller. Edílson cobrou forte, no canto, mas Júlio César fez uma linda defesa. O time baiano foi pra cima do Flamengo, que soube administrar o placar. Até que, aos 46, Nenê, contra, completou a festa de Ronaldo e Ronald.
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8:01 AM by Cassiano Leonel Drum
José Pedro Goulart
17/06/2004
Tentando entender uma certa paixão
Meu pai não gostava tanto de futebol quanto dizia, gostava mais da conversa, do encontro com os amigos. De modo que desde muito cedo ele me levava no jogo e me deixava sentado na nossa cadeira, com um troquinho para um picolé e saía, perambulando, procurando algum companheiro.
De vez em quando, durante a partida, ele vinha dar um alô, ver se estava tudo bem, e se mandava novamente. Eu tinha uns oito anos no início disso e, talvez numa espécie de transferência, eu passei a destinar ao Grêmio uma quantidade de amor que até hoje me espanta. Minha filha nasceu num sábado, por exemplo, e no domingo, fugido, deixei as visitas e escapei para o estádio.
Se você é gremista certamente sabe onde estava na noite de 11/12/83. Na noite em que a constatação de Yuri Gagarin voltou para a capa do jornal: a Terra é azul. Nunca como naquela vez. A vez em que, em Tóquio, um sujeito chamado Renato Portaluppi saiu da vida comum e entrou para a história. A vez em que eu quebrei a minha cama, num salto memorável, mas numa aterrissagem imperfeita, quando aquele maluco fez o segundo gol.
Alguns anos depois, eu estava em Bergen, cidadezinha do interior da Noruega. Assim que o garçom veio atender, comecei a falar sobre futebol. Trata-se de uma velha tática, quase infalível, para ser tratado com distinção no Exterior: se você é brasileiro, o futebol é um passaporte diplomático.
Pois bem, o cara ficou ali rasgando elogios ao escrete brasileiro, especialmente impressionado com um tal de Ronaldinho. E eu disse que aquilo não era novidade, o Ronaldinho já jogava há horas no futebol europeu. Ouvindo isso, ele abriu um largo sorriso, mostrando os dentes através de um farto bigode, forjado por uma ancestralidade genuinamente viking, e falou, piscando o olho: "The new Ronaldinho!".
Ele se referia ao do Grêmio, que apenas dois dias atrás tinha entortado o lateral da Venezuela, fazendo o primeiro gol com a camisa da seleção. A notícia do nascimento de um novo gênio da bola varria o mundo. Os deuses nórdicos testemunharam meu espanto, minha satisfação, estou certo disso. O jogador do meu time, famoso naquele fim-de-mundo!
Ronaldinho foi embora. O maior craque, provavelmente, que já jogou no Grêmio se mandou sem deixar o telefone ou explicação. Deixou uma torcida ferida que, a cada fim de semana, jogo do Barcelona ou da seleção, é obrigada a testemunhar o tamanho da perda. Ronaldinho é um gol de placa que iria decidir o jogo do milênio a favor do Grêmio, mas foi injustamente anulado pelo juiz. Durma-se com um uísque paraguaio desses na cabeça.
Vida é memória mais perspectiva. Se é verdade que o Grêmio tem memórias gloriosas, também é verdade que muitas delas são de episódios sofridos. Como o "octa" interminável do Inter ou a visita à Segundona. O que preocupa, no entanto, é que as atuais perspectivas são terríveis. O time de agora é o pior que já tivemos e mesmo o centenário do clube só não passou em branco pela flauta que o presidente do Inter publicou nos jornais, fingindo homenagear "o velho Grêmio".
O patrimônio de um clube é sua torcida e sua história. As pessoas que estão dirigindo o Grêmio, ao que parece, esqueceram disso ou são incompetentes para essa tarefa. Os vices de futebol se sucedem, mas o discurso permanece. Nada é planejado. Nada faz sentido. O técnico é mais uma aposta e todos os alertas quanto ao obscuro alçapão que nos aguarda parecem não causar qualquer feito.
Desculpem o meu desabafo, mas senti que devia isso à memória daquele menino devotado que, como tantos outros, um dia trocou parte da infância por uma paixão.
jose.pedro@zerohora.com.br
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7:58 AM by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
17/06/2004
Nossos poderes
Pedido de amigo é ordem.
Por solicitação de uma amiga querida, estive outro dia numa escola pública da Capital para falar com uma turma de adolescentes sobre o ato de escrever, mais especificamente sobre crônicas para jornal. Não sou exatamente um cronista, sou um jornalista que ousa crônicas semanais. Fiquei envaidecido em saber que a turma já havia trabalhado em aula alguns textos meus, mas não me senti com autoridade suficiente para teorizar sobre o tema. Preferi, em vez disso, desenvolver uma atividade prática com dois propósitos: evidenciar a importância da comunicação escrita e sugerir aos meninos e meninas que eles possuem um poder desconhecido e nem sempre se dão conta disso.
De saída, solicitei que todos escrevessem no caderno a palavra "escolha". Depois, com a ajuda da professora, propus à turma uma questão de múltipla escolha, daquelas em que basta assinalar uma cruzinha na resposta certa. Todos participaram com visível interesse. Em seguida, convidei aqueles que quisessem a escrever 10 linhas sobre o assunto abordado. Esclareci que não era obrigatório, que eles podiam decidir por escrever ou não. Poucos aceitaram o desafio. Recebi os textos e perguntei quem concordava que sua redação fosse lida em voz alta. Apenas três ou quatro autorizaram a leitura.
Aí, então, expliquei que já tem universidade substituindo o teste de cruzinhas por dissertações e que provavelmente aqueles que continuarem os estudos terão que aprender a se comunicar bem por escrito. Escrever não é um dom, nem uma arte e muito menos uma excentricidade: é, muito mais, uma necessidade no nosso mundo repleto de sinais gráficos. Fiz questão de dizer que qualquer pessoa pode escrever, desde que queira e se capacite para tanto. Ressaltei, evidentemente, a importância da leitura e do conhecimento da língua - coisas que os professores de português e literatura fazem todos os dias com muito mais propriedade.
Mas o que eu queria mesmo era chamar a atenção dos jovens para o que tinham acabado de fazer: um exercício do direito de escolha. Observei-lhes que, assim como naquela aula eles haviam optado se queriam ou não participar da atividade proposta, no dia-a-dia de suas vidas teriam que aprender a fazer escolhas importantes que ninguém mais poderia fazer por eles. Então pedi-lhes que complementassem em seus cadernos a mensagem que aquele visitante enxerido gostaria de deixar: "Escolha - eu tenho este poder".
Um dos garotos, timidamente, fez uso do seu direito de contestar. Disse-me que nem sempre os adultos os deixam tomar decisões. Gostei da observação. E contra-argumentei que o ser humano é dotado de vários outros poderes, para usar exatamente em situações de conflito: o poder do sorriso, o poder da persuasão, o poder da sedução, o poder da palavra, o poder da amizade...
Minha amiga, por exemplo, utilizou-se de um poder só seu para me convencer a sair da rotina naquela manhã e enfrentar uma curiosa turma de adolescentes: um sereno olhar azul.
nilson.souza@zerohora.com.br
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7:52 AM by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
17/06/2004
Senso de proporção
Na semana em que 40 senadores aprovaram a nomeação para o Tribunal de Contas da União de um homem que deve explicações em juízo das suas próprias contas, a notícia mais destacada do Senado da República foi o beijo que a Heloísa Helena deu no Suplicy. Alguém poderia alegar que, longe de ser uma falha na avaliação da importância relativa das duas coisas para a nação, a ênfase no beijo em vez de no absurdo da votação foi um exemplo de síntese jornalística: o beijo simbolizava o absurdo.
Assim como o beijo da Heloísa Helena no Suplicy, não importa a que distância da boca, não significaria mais do que afeto, a votação dos 40 senadores não seria mais do que uma manifestação de carinho por um par, descartadas todas as outras considerações e rejeitadas todas as interpretações maliciosas. Ou então seriam duas amostras de falta de decoro parlamentar, só que uma era mais fotogênica do que a outra e merecia mais espaço.
Outros alegariam que a imprensa brasileira simplesmente perdeu todo o senso de proporção, uma hipótese menos generosa mas não menos irrealista. Nunca a grande imprensa brasileira teve tanta noção da proporção que convém manter entre os fatos.
Exemplo: na mesma semana em que a nação se horrorizava com novas notícias de um dos mais cruéis e reincidentes efeitos da privação em que vive o país, a desumanidade do seu sistema carcerário, a mesma imprensa que denunciava o horror parecia ter se reunido e combinado exaltar como o grande, senão o único, sucesso do governo Lula o ministro Palocci - que, com todas as suas boas intenções e qualidades pessoais, representa a continuação da política econômica responsável pela privação.
O grande desafio para os grandes interessados na continuação da política do governo anterior é impedir que se faça a simples, singela, óbvia, inescapável ligação entre causa e efeito. É preciso, de todas as maneiras, evitar a conclusão de que os compromissos embutidos no modelo mantido são o que impede o investimento social que diminuiria o horror. Ou seja, a perigosa, impensável conclusão de que dois mais dois são quatro.
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7:50 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
17/06/2004
Furta-se de tudo
Uma questão difícil de ser julgada pela Justiça é a dos furtos e roubos que acontecem nos recintos de estabelecimentos comerciais ou nos estacionamentos de shoppings e supermercados.
Há um sem-número de reclamações de clientes do comércio que são furtados ou roubados (com violência) no interior dos estabelecimentos.
Recebi, por exemplo, duas queixas sobre um assalto ocorrido há poucos dias dentro de uma conhecida pizzaria aqui da Capital.
As pessoas estavam sentadas a uma mesa, de repente um freqüentador idêntico a elas levantou-se, puxou um revólver e assaltou-as em seus pertences.
As vítimas, é lógico, querem logo responsabilizar o dono do comércio, exigindo-lhe indenizações pelo que lhes foi saqueado.
E aí a Justiça, nesse caso, tem de obrigar o dono do estabelecimento a indenizar os assaltados?
É muito difícil, como se vê, produzir justiça. Eu confesso, assim apanhado de surpresa, que não sei como decidiria se fosse minha a missão de julgar um caso desses.
Da mesma sorte, chegam-me inúmeras reclamações de clientes de determinados shoppings e supermercados que têm seus carros arrombados nos estacionamentos, objetos são furtados de dentro dos veículos, depressa as vítimas pedem providências à segurança dos estabelecimentos, que inicialmente prometem que haverá ressarcimento, evitando o escândalo do comparecimento da polícia, mas mais tarde se negam à reparação.
Nesse caso, em princípio penso que não teria dificuldade de julgar casos como esses: se há cobrança de taxa de estacionamento, não teria dúvida em obrigar os estabelecimentos a indenizar os prejuízos das vítimas de furto. Pela presunção de que, não sendo gratuito o estacionamento, há obrigação por parte de quem o explora de garantir vigilância e a segurança dos veículos que ali estão.
Acho que é mais ou menos assim que a Justiça gaúcha tem decidido.
O advogado Arlei dos Santos manda me dizer alarmado que nem as cercas de ferro em torno de residências, condomínios ou terrenos ficam livres da sanha dos ladrões. Estão cortando as barras de ferro e levando tudo.
A lista dos objetos e equipamentos que são furtados em toda parte é imensa: furtam lonas plásticas quando utilizadas para proteger obras novas, furtam tampas de bueiros, furtam hidrômetros da Corsan e do Dmae, placas de sinalização de ruas, contadores de luz, lápides de túmulos, bustos de estátuas nos parques, rodas e estepes de veículos, fios de luz e telefone, placas de monumentos.
E até furtam sinaleiras inteiras! Decorações de jardins, então, são o novo alvo dos saqueadores, levam as luzes, os vasos, os adornos externos e às vezes até as flores e as folhagens.
Esses dias, num jardim da Bela Vista, por onde sempre passo e me agradava olhar as estatuetas de Branca de Neve e os sete anões, só havia dois anõezinhos, disse-me o zelador que os ladrões já tinham carregado com cinco. Isso que o jardim é murado nas laterais e cercado na frente.
Estão furtando até os anões de jardim.
São tantos os furtos e roubos que estamos nos acostumando a considerar os ladrões apenas como agentes da atividade informal, tal a facilidade com que vendem os produtos de seus furtos para gente também estabelecida informalmente.
Que crise! E cada um se defende como pode.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:39 AM by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
O cenário de uma chacina
Como era a vida no casebre miserável de Canoas onde cinco pessoas da mesma família foram assassinadas (foto Ricardo chaves/ZH)
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Quarta-feira, Junho 16, 2004
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10:15 PM by Cassiano Leonel Drum
16/06/2004 12:11
Luana Piovani substitui Maria Paula
Notícia confirmadíssima! Luana Piovani substituirá Maria Paula no humorístico "Casseta & Planeta Urgente!" durante o período de licença-maternidade da casseta oficial da trupe. Maria Paula ainda está na ativa, mas por pouco tempo: estima-se que Maria Luísa, a primogênita da atriz e de João Suplicy, venha ao mundo no final deste mês.
Quando Maria Paula anunciou a gravidez, dizia-se que haveria um rodízio de beldades para subtituí-la, mas os integrantes da atração optaram pela loura Piovani, que promete dar conta do recado no quesito sátiras.
A dúvida é quanto aos modelitos. Será que Luana vai embarcar na "onda" de Maria Paula e ousar nos decotes? Nem a assessoria da moça soube responder a pergunta, mas a produção do programa garante que o que tiver de ser feito, será - destacando que nada no humorístico é regra com relação ao figurino. Portanto, é aguardar para conferir que tipo de roupa o furacão Piovani vai adotar para essa nova empreitada.
Vale lembrar que as negociações de Luana com a Rede Record e com o sitcom "Esculhambação" continuam. Por enquanto, nada foi fechado, mas, seguindo à risca o ditado popular: "Mais vale um pássaro na mão do que dois voando", Luana já tem emprego garantido pelos próximos três meses, no mínimo.
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8:12 AM by Cassiano Leonel Drum
O buraco é mais embaixo
Buraco da Lacraia, na Lapa, é sucesso com cerveja barata, shows trash como os de Gretchen e Maria Alcina e famosos de monte misturados ao público gay
Clarissa Monteagudo

Darlene e Adão (E) moram no buraco com cinco gatos e um cachorro. O clima familiar contrasta com a ferveção que reina no casarão
Democracia existe. Para quem duvida, basta dar uma espiadinha no Buraco da Lacraia. Mas com respeito que o ambiente é familiar. Endereço do simpático casal Adão Arezo e Darlene Gomes, a boate GLS da Rua André Cavalcante faz a Lapa ferver nas madrugadas de sexta e sábado. A reclusa Marisa Monte foi conferir escondida pelos óculos e lenço e deve ter se sentido até carente. Não houve rebuliço algum. Lá, nem celebridade como Cláudia Abreu fica muito tempo no salto. Comemorando aniversário, a atriz soltou a voz no palco do videokê. Brega? Não, quando o espaço é eleito, toda diversão é cult.
Descobertos pelos artistas, os salões do sobrado já receberam Marco Nanini, Guilherme Karan, Maria Padilha e Elymar Santos, que não só deu pinta na casa como deu canja. Marisa Monte foi conferir a performance de Toni Fafá, freqüentador que arrasa a platéia com sua imitação de Fafá de Belém. E a imortal Gretchen enlouqueceu o público com seu piripiri sexta-feira. No andar de cima, nada de bate-estaca como nas boates GLS na Zona Sul. O som é mais pra MPB. Mas o xodó é o videokê, instalado num palco e cercado de fãs calorosos. Anfitrião de primeira, daqueles que não forçam a barra, mas acabam amigos dos freqüentadores, Adão se diverte lembrando a história da boate. Hetero, ele tem três casamentos no currículo. Não, corrige, são quatro, diverte-se o analista de sistemas gaúcho, jogado na noite gay por acaso.
Aluguei um salão no segundo subsolo de um prédio na Rua Álvaro Alvim, na Cinelândia, para montar uma loja de videopoquer. Mas o governo proibiu e fiquei com compromisso do aluguel, lembra, orgulhoso da primeira nota fiscal emoldurada na parede, em 1987. A despesa: oito cervejas, vendidas por cento e setenta e seis cruzados. Quando acabava, eu comprava mais no bar em cima. Só ganhava com as fichas da sinuca. Tinha dez freqüentadores, entre eles dois amigos. Eles sempre estavam lá na hora do almoço até que peguei os dois se beijando. Pedi que minha namorada os repreendesse, lembra.
Mas os namorados voltaram e propuseram ao dono do buraco que os deixassem levar o seu povo. Já freqüentado por toda a fauna da Cinelândia de profissionais liberais a travestis, dos garçons aos bandidos e apadrinhado pelo bicheiro local, o reduto já era conhecido como Buraco da Lacraia e começou a atrair o público gay. Melhor do que Buraco do Adão, como chamavam, diverte-se Adão, que atende o telefone dizendo o nome fantasia da boate: Star Club. Só fachada, porque o local é conhecido mesmo como Buraco da Lacraia. Apesar da coincidência, a dançarina de MC Serginho, ainda não deu as caras por lá. Ia ser do babado...
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8:05 AM by Cassiano Leonel Drum
Pimenta rubro-negra
O empate basta, mas Abel quer o Flamengo bem quente em cima do Vitória, hoje à noite, na semifinal da Copa do Brasil
Janir Júnior
O Flamengo preparou o espírito e a cabeça para o segundo e decisivo jogo pela Copa do Brasil contra o Vitória, hoje, às 21h45, no Maracanã. Com o resultado de 1 a 0 em Salvador, o time se classificará para a decisão contra o Santo André com um empate. Em caso de placar igual, decisão por pênaltis. Abel Braga quer os jogadores fervendo; o psicólogo Paulo Ribeiro também, mas com a cabeça no lugar. Esta será a 100º partida do Rubro-Negro carioca na competição.
Não levaremos esse negócio de vantagem para dentro de campo, senão acabamos deitando na sombra e não vamos dormir bem após este jogo. Quero o time fervendo num caldeirão de cinco mil graus. O Real Madrid é galático e não ganhou nada, disparou Abelão, especialista em psicologia de choque.
Além da vantagem do empate, o técnico se refere também a outros números favoráveis ao Flamengo. Em 47 jogos pela Copa do Brasil, no Maracanã, o time perdeu apenas um. Foi em 2000, na derrota de 4 a 0 para o Santos. Além disso, o Rubro-Negro é o time que tem o maior número de vitórias (59) na competição. Para completar, em 45 jogos contra o time baiano, a equipe carioca detém 28 vitórias, 10 empates e sete derrotas.
Isso não ganha jogo. Temos de ter espírito vencedor. Temos o exemplo do Botafogo, que perdeu a Copa do Brasil para o Juventude, em 99, no Maracanã, diante de quase 100 mil pessoas. Essa é uma competição que traz muitas surpresas. Está aí o exemplo do Santo André na final, destacou Abel.
A preocupação de Abel não está somente nas palavras. Ontem, os jogadores treinaram pênaltis. O aproveitamento esteve longe do ideal. Eu disse que confio neles, que nem deveria estar treinando penalidades, mas é necessário, completou o técnico.
Enquanto Abel prepara o espírito dos jogadores, Paulo Ribeiro trabalha com a cabeça do grupo. O psicólogo teve uma conversa em particular com cada atleta, num misto de psicologia e tática de futebol. Foi exposto para cada jogador o que eles têm de fazer e no que devem ficar ligados, revelou Paulo, que citou Fabiano Eller como um exemplo a ser seguido: Ele sabe lidar com condições adversas a todo instante.
O zagueiro prova que o trabalho de Abel e Paulo surtiu efeito. Estamos com a cabeça totalmente voltada para o jogo e com espírito de luta, finalizou Eller. Uma coisa eles devem ter em mente: hoje, conhecerão o céu ou o inferno
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8:00 AM by Cassiano Leonel Drum
Bem firme na liderança
Computex aponta um futuro promissor para nova geração da Intel
Gabriel Torres
Visão geral da feira em Taiwan, que este ano trouxe 1.347 empresas, visitadas por mais de 81 mil pessoas
TAIPEI, TAIWAN - A Computex, maior feira de hardware do mundo, realizada anualmente em Taiwan, cresce ano a ano em quantidade de expositores e público. Os números da edição 2004, realizada no início do mês, comprovam o sucesso do evento. Mais de 82 mil visitantes conferiram tendências tecnológicas e os lançamentos de 1.347 empresas. A maioria com chegada ao mercado prevista para os próximos meses, como as novas placas-mãe com soquete 775, que serão usadas pelos futuros processadores da Intel; o barramento PCI Express, que substituirá o AGP; memórias DDR2; novos processadores da AMD e os chips gráficos da ATI.
A julgar pelo que se viu em Formosa, a força da Intel segue inabalável. Embora a AMD estivesse lançando uma série de processadores, com disponibilidade imediata no mercado, a presença maciça na feira era de placas-mãe com o novo soquete 775 cujo processador nem existe ainda. Só será lançado oficialmente na semana que vem.
As quatros maiores fabricantes de placas-mãe ASUS, ECS, Gigabyte e MSI exibiram produtos com soquete 775. A Gigabyte, por exemplo, mostrou uma parede inteira delas. Serão mais de 10 modelos, contra apenas 2 ou 3 usando a plataforma 939, da AMD, dos novos Athlon 64 3500+ e Athlon 64 3800+, que têm como grande vantagem usarem o esquema DDR Dual Channel, recurso não disponível nos modelos com soquete 754. Além disso, podem usar memórias DDR comuns.
O ti-ti-ti da feira foi a fragilidade do 775
O novo soquete da Intel possui um sistema de encaixe diferente. Em todos os processadores existentes até hoje os pinos estão no chip, e os furos na placa-mãe. No 775 acontece o contrário. Os pinos estão no soquete e o processador tem contatos lisos.
Ouvimos de vários fabricantes a mesma crítica: este novo sistema do 775 é muito frágil. Os pinos do soquete entortam ou quebram com facilidade. Muitos estão preocupados. Temem que o índice de retorno de placas defeituosas aumente.
A maioria das placas segue basicamente as mesmas especificações. Com uma exceção digna de nota: a placa da ECS, baseada no Intel 915P com barramentos PCI Express e AGP ao mesmo tempo.
No mais, muitas novidades entre os fabricantes de consoles, placas gráficas, de captura de vídeo e TV, tecnologias móveis, displays etc. Destaque para os produtos da ULi, da ECS, incluindo o EZ-Tablet, e para a memória Flash Disk On Module (DOM) da PQI. O DOM é uma idéia muito inteligente.
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7:53 AM by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
16/06/2004
Festa na roça
Não sou das pessoas mais infernais para se conviver, mas tenho, como todo mundo, umas implicâncias de estimação, coisas das quais não gosto e não adianta. Algumas delas dizem respeito a festas. Quando um amigo telefona pra me fazer um convite e começa a rir antes de me dizer do que se trata, eu logo entro em pânico.
"Não."
"Sim."
"Você não vai fazer isso comigo."
"Você é que não vai fazer a desfeita de faltar ao meu aniversário."
"Festa a fantasia, outra vez?"
"Sinto muito."
"Nãããããããão!"
E começamos a gargalhar, claro, porque de alguma coisa é preciso rir nesta vida, nem que seja da nossa própria falta de humor. Eu raramente encaro uma festa temática. Se o convite é impresso, confiro imediatamente o traje sugerido. Anos 70. Blade Runner. Vestir-se igual ao ídolo preferido. Todo mundo de vermelho e preto. Visual indiano. Visual tirolês. Eu sei, eu sei que isso contagia, torna tudo mais alegre, mais bonito, sei que os convidados começam os preparativos com antecedência, e que os comentários sobre a festa rendem por muitos dias, sei que as fotos ficam mais originais, sei que todos se divertem à beça, eu sei, eu sei que a chata sou eu.
Tão chata que tem outra coisa que me desanima: festa em sítio, festa em chácara, festa no meio do mato. Festa que precisa de mapa pra chegar.
"Não."
"Sim."
"Sua festa de casamento vai ser naquele seu rancho em Glorinha?"
"Pela freeway são só uns 40 quilômetros. E a parte de terra batida não leva mais do que 20 minutos."
"Você não quer que eu vá."
"Tanto quero, que você vai ser madrinha, darling."
Que bom se todos os sofrimentos do mundo se resumissem a festas que nos soam como roubadas. No fundo, não são. Quando vou, acabo me divertindo muito também. Como certamente me divertiria caso fosse convidada para festejar os 30 anos de casamento do chefe e tivesse que me caracterizar com chapéu de palha, trancinha e levar uma bandeja de quindins na mão. Ouvi dizer que houve uma festa assim numa granja perto de Brasília. Foi de uma originalidade ímpar, uma demonstração de que tudo pode ser descontraído, comunitário, festivo, brasileiro, achei a idéia fenomenal mesmo. Mas nunca agradeci tanto por não ser ministra de Estado.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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7:51 AM by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
16/06/2004
A mais bela jóia
O bigodinho de Adolf Hitler se eriçou de emoção quando ele pela primeira vez fincou os saltos dos coturnos na Paris submetida à Alemanha, há 64 anos. Era um 16 de junho, como hoje. Depois de rápido passeio pelos bulevares e algumas fotos típicas de turista, o ditador subiu até o ponto mais alto de Montmartre e, contemplando a cidade luz, suspirou:
- A mais bela jóia da Europa...
Congratulou-se, então, por não ter bombardeado a capital francesa. Ou seja: mesmo um coração de granito, como o de Hitler, tornou-se tenro feito patê de fígado de ganso diante da jóia urbanística que é Paris.
Verdade que Porto Alegre não é nenhuma Paris, mas também é verdade que os porto-alegrenses não são Adolfs. Logo, certos assassinatos históricos e arquitetônicos bem poderiam comover os corações que batem aqui, na capital de todos os gaúchos. Volta e meia há um gigantesco empreendimento imobiliário chutando uma casa antiga ou rasgando ao meio um bairro bucólico. Nada contra empreendimentos gigantescos, claro. Além de espigões, eles erigem empregos, fazem o dinheiro circular. Mas uma bela área de convivência, como o velho casario do Moinhos de Vento, por exemplo, também pode render dividendos, assim como o prazer de caminhar pela rua, de se encontrar, simplesmente. Enfim, de viver, o que é de difícil mensuração econômica.
Existe distinção entre o que é histórico ou referencial para a cidade e o que é simplesmente velho. Algo, reconheço, sutil. Os parisienses inclusive penaram, em certo momento, para fazer essa distinção. No meio do século 19, Napoleão III, sobrinho do Napoleão que escondia a mão e coçava a barriga, nomeou o barão Haussmann para empreender uma reforma geral em Paris. O barão mudou a cidade. Abriu largas avenidas, ergueu monumentos, costurou a estrutura dos bulevares, todos eles convergindo para praças harmônicas e espaçosas. A Europa inteira gritou de indignação, reclamando que o barão estava demolindo casas e ruas medievais. Estava, de fato. Mas ele embelezou Paris, transformou-a no que é hoje. E ainda conseguiu preservar parte do passado. O Marais continua lá, impávido, com suas ruelas do século 17, a Notre Dame também, bem como a Saint Chapelle, e muito, muito mais.
Agora, nem sempre os europeus acertam, lógico - os ingleses deveriam ter preservado as torres gêmeas do Estádio de Wembley. Restariam como uma homenagem a tudo que já aconteceu naquele decano templo do futebol. Mas o Estádio da Luz, que ora se vê na Eurocopa, esse os portugueses fizeram muito bem em derrubá-lo e construir outro em seu lugar. Caso das sedes de Grêmio e Inter. Olímpico e Beira-Rio poderiam ser implodidos sem dó algum. Desde que do vazio restante se levantasse estádios modernos e confortáveis. Dignos dessa Porto Alegre, que, sei, sei, não é nenhuma Paris, mas é nossa.
Os inimigos na sombra
A França caiu e se reergueu em junho, na Segunda Guerra. Em 14 de junho de 1940, Paris foi tomada; em 6 de junho de 1944, os aliados desembarcaram na Normandia. Já disse que você precisa ler "O Mais Longo dos Dias". PRECISA, entendeu? Há um trecho no qual o autor conta que, na madrugada do Dia D, uma tropa de pára-quedistas americanos vinha se deslocando no escuro completo da zona inimiga, sem orientação, sem ter certeza de onde estava ou para onde ia. Os soldados caminhavam com cautela, testando o terreno pintalgado de minas explosivas, tentando não fazer o mínimo ruído. De repente, perceberam que outro grupo se aproximava. Outra tropa. Nervosos, os comandantes americanos acionaram uma espécie de apito que soava como um grilo. Se os vultos que vinham das sombras fossem aliados, emitiriam o mesmo som.
Não houve resposta.
Então, os americanos identificaram as conhecidas silhuetas dos capacetes alemães.
Eram os inimigos.
Os alemães, por sua vez, perceberam que o outro grupo era de americanos. As duas tropas continuaram caminhando em silêncio, rifles e metralhadoras prontos para disparar. Em silêncio prosseguiram, até ficarem lado a lado, e lado a lado avançaram, estudando-se. Cada passo era uma eternidade.
Um. Depois outro. Um. Depois outro.
Ninguém falava. Nenhuma respiração era ouvida. Bastava um espirro para fazer estourar o combate. As duas tropas prosseguiram por um trecho que pareceu sem fim. A seguir, se afastaram lentamente. E se foram, cada uma por seu caminho, sem nada fazer, sem nada falar.
Esse encontro de inimigos tementes um do outro, inimigos que, mais do que se odiar, se respeitam, lembra, aqui, de uma distância segura, certas rivalidades futebolísticas. Já vi Grêmio e Inter entrarem em campo assim, paralisados de pavor pelo que poderia resultar do jogo. E, ontem, na velha Europa, Alemanha e Holanda fizeram um clássico cheio de temor reverencial. Como em 1944, terminou em 1 a 1. Não houve nenhuma baixa nessa batalha.
Fim do concursinho
Tão renhida quanto a luta entre os aliados e os alemães no Dia D foi a disputa pela gravura de Debret no concursinho que promovi, colunas atrás. Uma surpresa. Não esperava tamanho quórum. O Paulo Nunes e a Ângela Genro disputaram voto a voto o primeiro lugar. E o vencedor foi... Ângela Genro! Por 87 a 82 votos. Reproduzo abaixo a frase dela:
"Assim como nos tempos das vacarias, os times gaúchos lutam por um ideal. Só espero que essa conquista quem vença seja o Internacional".
A Ângela pode vir aqui na Redação da Zero que a gravura estará esperandinho por ela.
david.coimbra@zerohora.com.br
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7:47 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
16/06/2004
Um homem aterrorizado
Um leitor me telefona aterrorizado. Não sei por que ele me escolheu, mas está na moda procurarem-se jornalistas para a solução de problemas pessoais ou coletivos.
O leitor explica a sua aflição: há uns oito meses, teve relações sexuais com uma mulher, coisa de três ou quatro vezes.
Soube há 30 dias que essa mulher veio a falecer, constando que foi vítima de Aids.
O leitor me diz, imensamente preocupado, que da última vez em que se encontrou com a mulher notou mesmo que ela estava pálida e parecia debilitada.
O leitor vai enfim ao fulcro da sua penosa circunstância: ele se sente na obrigação de realizar o exame de sangue que vai dizer se foi ou não infectado pelo vírus da Aids.
Pergunta o que penso sobre isso. Respondo a ele taxativamente: se acredita na ciência, terá de fazer o exame.
O homem revela um certo nervosismo, tenho de ser paciente com ele.
Continuo: portanto, se acredita na ciência, deve fazer o exame. Se, no entanto, irresponsavelmente acredita em mim, não precisa fazer o exame, é certo que ele não foi contaminado pelo vírus da Aids.
O homem não entende o que estou dizendo. Passo então a ser minucioso.
É que a ciência afirmava, desde que surgiu a Aids, que o vírus da doença era transmitido apenas por dois veículos: o sangue e o esperma.
Durante anos, a ciência afirmou isso. No entanto, de uns sete anos para cá, a ciência passou a afirmar que um terceiro veículo, além do sangue e do esperma, transmitia a Aids: o líquido vaginal.
Repeti ao homem, no afã de tranqüilizá-lo, que eu duvidava da afirmação científica de que o líquido vaginal transmite a Aids, a hipótese em que ele estaria incluído.
Baseado em entrevistas que fiz com médicos clínicos que trataram à abundância com a Aids, a minha conclusão era de que o líquido vaginal não era transmissor da Aids, em suma, a mulher não passava Aids ao homem pelo sexo, só o homem à mulher.
Mas deixei bem claro a esse leitor que insistia em me consultar sobre seu problema de que eu não sou médico nem infectologista. E que os cientistas afirmavam atualmente que o líquido vaginal transmite a Aids de mulher contaminada para homem.
"O que faço então, por favor me diga o que faço?", suplicou o homem. Eu disse a ele: o senhor vá a um laboratório e faça o teste de Aids, afinal a ciência assim o aconselha.
Ele disse que não tinha problema de fazer o teste. Mas me garantiu que não terá coragem para receber o resultado. Esse obstáculo de conhecer o resultado do teste ele não sabe como transpor.
Então eu sugeri a ele o seguinte: ele vai ao laboratório, tira o sangue para o exame, uns cinco dias depois volta lá e recebe um envelope, sempre lacrado.
Aconselhei-o então a não abrir o envelope e trazê-lo para mim. No dia seguinte ou dois dias depois, eu saberia como transmitir-lhe o resultado, negativo ou positivo, sem causar-lhe dano nervoso ou psicológico.
O homem achou excelente a idéia, disse que vai fazer o exame ainda esta semana, vai trazer-me o resultado lacrado e observou finalmente: "Mas veja lá, seu Sant'Ana, como vai me dar a notícia, muito cuidado porque eu sou hipertenso".
Esta vai ser fácil de resolver, esse homem não tem Aids. O diabo é que a ciência não garante isso. E não há pior terrorismo que o teste de diagnóstico da Aids.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:45 AM by Cassiano Leonel Drum
Clima
Sob o manto da neblina
Densa camada de névoa cobriu o Guaíba e fez desaparecer parte de Porto Alegre na manhã de ontem. O nevoeiro foi conseqüência da queda de temperatura na madrugada, quando os termômetros registraram 7,4º C (foto José Doval/ZH)
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Terça-feira, Junho 15, 2004
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6:42 PM by Cassiano Leonel Drum
O Sítio do Tonico
Tonico comprou um sítio num verdadeiro matagal.
Sozinho, foi trabalhar na roça.
Limpou, arou, construiu um galinheiro, um pomar, fez uma horta e uma casinha de dar inveja.
Um dia, o padre resolveu aparecer para pedir um donativo e comentou:
- Que belo trabalho vocês fizeram aqui!
- Vocês? Respondeu Tonico.
- Sim, você e Deus! Disse o padre.
- É verdade!. Mas o senhô precisava vê como é que tava quando ele cuidava sozinho!
Do meu irmão Orbatiuk da bela Curitiba - Thanks my brother.
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6:21 PM by Cassiano Leonel Drum
Giovanna Antonelli termina com Accioly e se reaproxima de Murilo Benício
O casamento de três anos de Giovanna Antonelli e Murilo Benício pode ter volta. Logo depois de anunciar, oficialmente, através de sua assessoria o fim do namoro de um mês com o empresário Alexandre Accioly, na terça-feira 8, a atriz voltou a conversar com o ex. Amigos de Giovanna afirmam que partiu dela a iniciativa de reatar o casamento. Desde então, Murilo foi visto algumas vezes na casa da atriz, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio.
No fim de semana, o ator embarcou para Paris onde passará alguma semanas de férias. Aproveitará os dias de folga para conhecer alguns produtores interessados em tê-lo como protagonista de um filme holandês. Somente na volta do ator a reconciliação do casal deverá ser definida.
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6:18 PM by Cassiano Leonel Drum
A bela e a fera
De férias no Brasil, o craque Ronaldo conquista a apresentadora de tevê Daniella Cicarelli, muda seus hábitos e surpreende os amigos mais próximos com o comportamento apaixonado
Dirceu Alves Jr. e Nina Arcoverde Mansur
Daniella e Ronaldo terça-feira 8, num jantar na casa da jornalista Karen Kupfer: eles se conheceram em Belo Horizonte, depois do jogo da Seleção Brasileira contra a Argentina
Na quarta-feira 2, Ronaldo marcou três pênaltis que garantiram a vitória do Brasil sobre a Argentina no Mineirão, em Belo Horizonte. O que o Fenômeno não sabia é que seu maior desafio lhe seria apresentado logo após a partida. O desafio tem nome, sobrenome e uma boca de lábios carnudos. Daniella Cicarelli surgiu diante de Ronaldo num jantar promovido pelo governador de Minas, Aécio Neves, e bastou uma troca de olhares para o jogador definir que aquele seria seu próximo gol de placa.
Ronaldo não estava livre. Trouxe para acompanhá-lo nas férias a modelo catalã Mireia Canalda, que estava hospe-dada na casa de sua mãe, Sônia Nazário, no Rio. Antes de dispensar a hóspede, o jogador batalhou incansavel-mente o telefone de Cicarelli, com quem ele, já desimpedido, finalmente se encontrou em São Paulo, terça-feira 8, em um jantar na casa da jornalista Karen Kupfer, colunista de IstoÉ.
Mais uma vez, Ronaldo se deslumbrou com o que viu. Cicarelli chegou com um jeans que realçava suas curvas e exibia as costas nuas com um imenso decote. ¿Só ela poderia usar um decote daqueles¿, confidenciou um dos convidados da noite. A modelo brincou de DJ e escolheu uma seleção de black music, gênero preferido do Fenômeno, que, tímido, não dançou.
Conversaram a noite toda e o clima chamou a atenção dos convidados, que fizeram apostas de que ali se iniciava um romance. A conquista de Cicarelli foi mais um motivo para o craque, criticado por estar com o peso acima da média, mergulhar na dieta. Desculpou-se com a anfitriã, que preparou massas para 40 convidados, e pediu um omelete. Ronaldo já estaria se guardando para uma extravagância no dia seguinte que teria Cicarelli como testemunha: saborear uma picanha na churrascaria Rodeio, em São Paulo.
A primeira viagem do casal aconteceu na quinta-feira 10. Eles desembarcaram no Rio e, pouco depois, trocavam beijos no restaurante Sushi Leblon. A apresentadora desenhou, com caneta, as letras R e D e um coração no pulso, sendo imitada por Ronaldo, que fez o mesmo em seu braço. A noite só ficaria melhor depois das 3h30min, quando Cicarelli assumiu o volante do Land Rover de Ronaldo, rumo à cobertura do jogador.
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8:04 AM by Cassiano Leonel Drum
À procura de franquias baratas
Feira da ABF, que abre amanhã, deve gerar mais negócios entre empresas que exigem investimentos mais baixos
Silvana Caminiti
As franquias que exigem baixo investimento devem ser as mais procuradas na ABF Franchising Expo 2004, evento que será aberto amanhã e se estende até sábado no ITM Expo, em São Paulo. A opinião é do consultor André Friedheim, da Francap, empresa especializada em consultoria em franquias. ¿Apesar da instabilidade do mercado, o franchising continua como uma grande opção de investimento para quem quer montar seu próprio negócio. O empreendedor já conta com uma marca reconhecida, com bom produto para ser distribuído, ou vendido, e com todo o suporte do franqueador, o que diminui bastante o risco do negócio¿, lembra ele.
Na verdade, o lançamento de negócios que requerem um investimento menor já vem se tornando uma tendência entre franqueadores. Exemplo disso é o lançamento de um novo formato de concessão que o desenhista e empresário Daniel Azulay acaba de fazer para seu curso de desenho. O criador da Turma do Lambe Lambe lançou o licenciamento da Oficina de Desenho, com R$ 15.800 de investimento, já incluindo o direito ao uso da bandeira e kits de aula para 60 alunos.
¿A validade do licenciamento é de três anos e o prazo de retorno do investimento é de seis a oito meses, em média. A partir daí, prevemos uma renda mensal de aproximadamente R$ 3 mil para aqueles que tiverem espaço próprio para instalar o negócio, ou seja, estiver livre de aluguel¿, comenta Azulay, que também tem oficinas franqueadas em atividade.
O desenhista explica que o interessado em obter o licenciamento precisa apenas de uma TV, videocassete, mesas e cadeiras, móveis escolares ou bancada, além de um facilitador, que irá orientar as aulas apresentadas no vídeo.
Daniel Azulay: (21) 2287-5396
http://www.danielazulay.com.br
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7:59 AM by Cassiano Leonel Drum
A descoberta dos sabores
Petrópolis, Friburgo e Teresópolis têm roteiros para conhecer a produção e cultivo de alimentos e bons festivais de gastronomia
Rachel Vita
A chef Marina Tasaki vai dar curso sobre a tradicional comida japonesa
Dois festivais gastronômicos vão aquecer a Serra. Serão 11 dias de eventos e muita degustação em Petrópolis, Friburgo e Teresópolis, entre os dias 22 de julho a 1º de agosto. Além dos cardápios especiais, com pratos criados exclusivamente para os circuitos, e jantares harmonizados, onde o vinho ganha destaque na programação, os visitantes terão a oportunidade de conhecer a origem de muitos pratos, através de um tour pela produção local dos três municípios Friburgo e Teresópolis são estreantes nesse item este ano.
As rotas do conhecimento podem levar a deliciosas descobertas. É possível aprender como são feitos queijos de leite de cabra no Laticínio Montanhês. Ou licores e cachaça no Circuito Eco-Rural Caminhos do Brejal, que tem ainda o cultivo de cogumelos e a criação de trutas e cavalos. Dê uma esticada ao Terê-Fri, outro caminho com 68 quilômetros de lugares aconchegantes dentro da Mata Atlântica. Com os termômetros marcando temperaturas cada vez mais baixas, o clima da montanha é um convite para um chocolate quente à beira de uma lareira.
No Brejal, sítios e fazendas têm produção de verduras a cogumelos
Realizados pelo Senac Rio, através do Centro de Turismo e Hotelaria, o 3º Circuito Gastronômico de Petrópolis e Sabores de Inverno, em Friburgo e Teresópolis, fecharam parcerias com 66 estabelecimentos, entre restaurantes, pousadas e produtores locais. Outro destaque dos eventos é o workshop culinário. Chefs consagradas, como Roberta Sudbrack (A moderna cozinha brasileira) e Marina Tasakhi (Cozinha Tradicional Japonesa), já confirmaram presença.
Penedo também terá Festival de Inverno
Segundo Rafael Sampaio, gerente corporativo do Centro de Turismo e Hotelaria do Senac Rio, a idéia é mostrar a vocação gastronômica e turística da Serra do Rio. Esperamos a visitação de mais de 20 mil pessoas, diz Sampaio.
Outro evento vai agitar o Sul Fluminense. Penedo, em Itatiaia, terá o 6º Festival de Inverno. Começa no dia 26 com uma deliciosa mistura de gastronomia, espetáculos folclóricos finlandeses e brasileiros e exposições de artesanato.
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7:50 AM by Cassiano Leonel Drum
Liberato Vieira da Cunha
15/06/2004
Viver é complicado
Viver é complicado, segundo informa o rock inglês que me surpreende ao acaso no rádio do carro.
Começo a desconfiar de que é mesmo. Você pensa às vezes que vai agradar a alguém com um palpite, e aí embaralha a rotação do mundo. Você acha que está tendo um gesto educado com uma amiga e ganha de troco uma reação mal-humorada. Você imagina que está ajudando um colega e percebe que em verdade atravessou o samba.
Sabe o desenho dos três macacos, um com as mãos nos olhos, outro tapando a boca, o terceiro fechando os ouvidos? Tem dias em que desejo não ir além de uma síntese do trio.
Talvez seja melhor não se envolver em inquietações alheias, não se meter onde não for chamado, não dar a mão a quem não estender a sua. Talvez o segredo da paz de espírito seja transitar pela vida indiferente, bancar o desligado, ir convencendo-se, por empréstimo, de que o inferno são os outros. Você adota a tática do silêncio, você não se incomoda, você não se importa, você nem está. Só que não consegue. Pois não é apenas viver e deixar viver que é complicado; conviver também.
Um cara naufragou no meio do Pacífico, nadou até uma ilha que não consta em nenhum mapa. Era provavelmente o último pedaço sobrante do Paraíso. Reinava ali uma eterna primavera, as árvores curvavam-se ao doce peso de 11 mil espécies de frutas de sabor incomparável, os pássaros aplicavam-se em concertos maviosos, havia praias e baías e montanhas de uma beleza de tirar o fôlego - e a solidão era permanente e suave e abençoada. O cara se sentia um eleito dos deuses.
Dormia como um menino e despertava cantando; nos intervalos compunha poemas e sinfonias agraciados pelo sopro do gênio. Mas certa manhã acordou zangado. Um sonho lhe devolvera a memória de sua perdida circunstância e ele principiou a lembrar-se compulsivamente de frases deslocadas, de idos agravos, de erros de julgamento, de discussões inúteis e de mais 11 mil vivências e desconvivências gratuitas, impiedosas e torturantes. E tornou-se um sujeito amargo e ferido e vingativo e jamais voltou a compor poemas e sinfonias. E de repente, no abismo de uma insônia, se percebeu revisitando não ásperos momentos; mas aqueles em que soube ser vagamente solidário e habitado de ternura pela raça humana.
O que isso prova? Suponho que demonstre um límpido teorema. Ainda que premiado com uma escala no Éden, no mais remoto, isolado, esplêndido ponto do maior dos oceanos, homem algum se absolve do pecado original de ser parte de um arquipélago.
liberato.vieira@zerohora.com.br
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7:48 AM by Cassiano Leonel Drum
Luís Augusto Fischer
15/06/2004
Porto Alegre, aí por 1860
Voltei às páginas de O Maior Crime da Terra - O Açougue Humano da Rua do Arvoredo, de Décio Freitas (Sulina, 1996), livro que o saudoso amigo escreveu em torno daquele famoso episódio de 140 anos atrás. Todos lembram, mesmo que envolta com uma nebulosa de pavor, da história de José Ramos e Catarina Palse, com seus cúmplices Claussner, Henrique o Corcunda e o bêbado Rathmann: mesmo que o protagonista Ramos nunca tenha admitido, seis pessoas (das nove assassinadas por ele, com um golpe de machado na cabeça, seguido de degola) teriam sido moídas, e sua carne teria sido usada para fazer lingüiça. Era uma Porto Alegre aldeã, com 20 mil habitantes e ruas com nomes familiares (rua do Arvoredo, da Praia, da Olaria, do Cotovelo, da Ponte), antes da iluminação pública a gás e antes da primeira organização de transporte público.
Há fabulação e sensacionalismo no relato de Décio? Sim. Mas quem resistiria a tentar reinventar aquele episódio, conhecidas algumas fontes? Uma delas, por sinal, publicada em livro: Os Crimes da Rua do Arvoredo, pelo Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul (EST, 1993), com um dos processos policiais.
Esta tentação se soma a outras, que o leitor pode imaginar. Qorpo-Santo, o criativo maluco que escreveu contando sua vida e inventando um teatro impossível de representar na época - e isso numa cidade que orgulhosamente inaugurou o Theatro São Pedro em 1858 -, foi contemporâneo de tudo isso.
A Sociedade Partenon Literário quase foi, já que abriu seus trabalhos formalmente em 1868. Noutra parte da cidade, os alemães organizavam suas agremiações, como a Sociedade Leopoldina, em 1863, e a futura Sogipa, nascida em 1867. Poucos anos depois disso, como ensina o inestimável Athos Damasceno Ferreira em seu O Carnaval Porto-alegrense no Século XIX (Globo, 1970), fundam-se as sociedades carnavalescas Esmeralda porto-alegrense e a Venezianos, em 1873, para substituir a grosseira festa do entrudo.
Agora há mais um excelente guia para visitar este passado: o ótimo serviço que fez o historiador Paulo Roberto Staudt Moreira, publicando Os Cativos e os Homens de Bem - Experiências Negras no Espaço Urbano (EST, 2003). Recolhendo material de fontes primárias eloqüentes, como processos policiais ou escrituras e afins, ele reconstrói todo um cenário do mundo negro na Porto Alegre dos anos entre 1858 e 1888.
São histórias particulares como a da escrava, propriedade do chefe liberal Gaspar Silveira Martins, que é acudida pela polícia, tal o estado em que se encontra pelas torturas e que tinha sido submetida. Relatos que Paulo Moreira costura com linguagem adequada, no quadro dos esforços abolicionistas de outras agremiações da época, numa cidade que se modernizava.
fischer@zerohora.com.br
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7:45 AM by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
15/06/2004
O fim de uma era
Dos mortos só se fala bem. Poucas vezes esta afirmação revelou-se tão verdadeira quanto no caso de Ronald Reagan, cujo falecimento foi motivo de consternação e luto nacional nos Estados Unidos. Os elogios feitos ao ex-presidente (incluindo a iniciativa de colocar sua efígie em alguma cédula ou moeda) foram de tal ordem, que um leitor do liberal Boston Globe chegou a compará-los a um processo de canonização.
No entanto, análises mais sóbrias (e a PBS, a tevê pública americana, produziu neste sentido um documentário exemplar) mostram que não foi bem assim. Reagan teve êxito naquilo que foi seu principal propósito: acabar com o que chamava de Império do Mal, a União Soviética. O anticomunismo que trazia da época do macarthismo - quando, presidente do sindicato de atores, participou ativamente na perseguição à esquerda de Hollywood - ampliou-se para se transformar numa política governamental que exigiu um gasto de quase US$ 25 milhões por dia.
Empreendimentos como a Guerra nas Estrelas, um complexo sistema de mísseis e satélites, obrigaram os soviéticos a gastar com defesa mais que podiam. Esse rombo, associado à incompetência gerencial e aos conflitos dentro da própria URSS, levou à derrocada final do comunismo.
Mas isso teve um preço. O rombo no orçamento foi enorme; ironicamente, porque Reagan era partidário da tese segundo a qual, quanto menos governo, melhor. O desemprego chegou a níveis altíssimos. Curiosamente, o mesmo déficit registrou-se com Bush pai e registra-se agora com Bush filho. Quem recuperou a economia foi o governo Clinton.
A verdade, porém, é que Reagan tinha carisma, era simpático e popular. A doença de Alzheimer terminou a sua vida pública. Nos últimos tempos, nem saía de casa; passava o tempo todo varrendo as folhas em seu jardim. Uma tarefa que nunca terminava porque os seguranças, com pena dele, colocavam sub-repticiamente mais folhas, e assim o mantinham ocupado. Até os poderosos são seres humanos frágeis. Não há dúvida, Reagan nos deixou muitas lições.
Não de interpretação cinematográfica, claro. Na sua cena mais famosa, faz o papel de um jovem soldado que acabou de ter a perna amputada e pergunta, pateticamente: "Where is the rest of me?", onde está o resto de mim. O resto da era Reagan, como diria Shakespeare, é silêncio.
scliar@zerohora.com.br
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7:43 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
15/06/2004
A pior notícia
Não podia ter notícia pior: a Petrobras reajustou os combustíveis em 10,8% na gasolina e 10,6% no óleo diesel.
Ou seja, a Petrobras levou em conta exatamente a elevação do dólar, desdenhando completamente do detalhe essencial de que já somos auto-suficientes em quase 90% no petróleo que produzimos, pelo que só gastamos cerca de 10% de importação no óleo.
É uma paulada mortal no consumidor brasileiro. E é como lançar gasolina na fogueira da inflação.
Dei barrigadas de riso quando ouvi no Jornal Nacional, ontem, que o cálculo da Petrobras era de que essa alta da gasolina iria repercutir apenas pouco mais de 4% no bolso do consumidor.
Dois minutos depois, o locutor anunciou que a Petrobras refez o cálculo e admitiu que o preço aumentará pouco mais de 6% ao consumidor.
Nunca entendi esse cálculo extravagante que a Petrobras faz desde o governo Fernando Henrique.
Os luminares técnicos da nossa estatal, baseando-se não sei em que alquimia, reúnem-se e sempre vêm com a mesma balela: se a gasolina passa a ser vendida com 10% de aumento pela refinaria, no consumidor o aumento será de apenas metade desse impacto.
Em qualquer mercadoria, quando ela é aumentada em 10% na origem, esse índice é repassado imediatamente ao consumidor.
É isso que vai acontecer. Não passa de ilusão da Petrobras acreditar que há outros custos para os postos de gasolina, como mão-de-obra, encargos sociais, eletricidade, impostos, itens estes que não tiveram aumento.
É melhor a Petrobras e o governo se convencerem de que este aumento de quase 11% no preço da gasolina é fatal para os esforços de contenção da inflação. E trágico para os assalariados, que vêem mais uma vez os seus orçamentos minguarem ante o saqueio que lhes movem as tarifas e os preços públicos.
Que noticiazinha funesta.
Penso não só nos proprietários de carros. Penso nos passageiros de ônibus e lotação, que certamente vão querer aumentar seus preços.
Embora a prefeitura de Ivoti, na semana passada, tenha feito uma licitação para os seus serviços de ônibus, que há anos tinha uma empresa como concessionária.
Pois a prefeitura ivotiense exigiu que fosse baixado o preço da tarifa, ganhou a licitação a mesma empresa que tinha antes a concessão e reduziu o preço da passagem em 50%, a metade.
Espera-se que Porto Alegre siga o exemplo e não aumente o preço da tarifa por causa dessa alta de pouco mais de 10% no óleo diesel.
As tarifas aqui na Capital estão exageradas, não seria o caso de uma nova licitação?
Penso nos taxistas que ainda usam gasolina, grande parte deles aderiu ao gás, mas em seguida vem a notícia do aumento do gás, aqui no Brasil uma notícia ruim sempre sucede a outra igual.
Os taxistas já estão penando por falta de corridas. Se forem obrigados a aumentar o preço das corridas, vão entrar em desespero.
Penso enfim em todas as vítimas brasileiras desses aumentos sórdidos, sem a justa reposição salarial.
Isto é o que se pode chamar de capitalismo selvagem, os preços todos sobem, os salários permanecem inalterados, para a maioria dos funcionários públicos há 10 anos (uma barbárie), quando não despencam para zero com o desemprego.
Isto aqui virou uma Argentina maquiada.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:40 AM by Cassiano Leonel Drum
Clima
O Rio Grande se cobre de gelo
Em Caxias, apesar da geada, medição oficial de 6,2ºC provocou polêmica entre os meteorologistas (foto Roni Rigon, Agência RBS/ZH)
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Segunda-feira, Junho 14, 2004
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6:52 PM by Cassiano Leonel Drum
Publicado em 12 de junho de 2004 Versão impressa
Affonso Romano de Sant`anna
Um coletor de lágrimas
Num museu em Esfahan, o guia nos chama a atenção para um objeto parecendo uma espiralada ampola de vidro é um coletor de lágrimas de mulher. Em outros museus o mesmo objeto reveríamos. Era para que o marido medisse pluviometricamente o quanto a esposa chorou por ele enquanto viajava ou batalhava.
Antes de embarcar para o Irã estava lendo um romance baseado em fatos reais Ler Lolita em Teerã (Random House), escrito por Azar Nafisi, uma professora universitária que em 1997 recusou-se a usar o véu e foi expulsa do país.
Atualmente dá aulas de literatura na Johns Hopkins. Impedida de dar aulas no Irã, reuniu uma meia dúzia de alunas em sua casa para ler e discutir Nabokov, Fitzgerald, Henry James, Jane Austen e outros. Qualquer hora, espero, algum editor traduz o livro por aqui. É um bom flagrante de contrastes de cultura.
De repente estou no aeroporto de Frankfurt para embarcar para Teerã. E busco sinais das primeiras metamorfoses que ocorrerão, porque estaremos mudando de frequência, de canal, de rotação, de hemisfério, enfim, de ideologia dominante.
Na sala de espera do vôo, vejo, por exemplo, como passageira uma adolescente com uma camiseta sem manga, barriga à mostra e penso: como é que ela vai enfrentar os aiatolás quando lá chegar? Outras mulheres estão vestidas ocidentalmente.
Só duas têm já um véu cobrindo a cabeça. Mas a cena irá se transformando quando depois de quatro horas o avião pousar em Teerã. Como se tivessem trocado os personagens do avião, chadores e véus aparecem cobrindo as mulheres. Nos preveniram que nem as canelas devem aparecer.
Cena de aeroporto, igual e contrária, vai ocorrer quando estiver saindo do Irã para Londres. Até entrar no avião da British, todas as mulheres cobertas de véus e balandraus. Cruzada a porta do avião inicia-se o strip tease possível. Desvela-se a eroticidade acobertada. Descubro que está em lua de mel um casal ao lado.
Ela não pára de beijar o rapaz, ela que no aeroporto em Teerã estava islamicamente recatada. E a surpresa maior passa por mim na direção do banheiro. Um mulheraço, como dizem os homens tomando cerveja nas esquinas da vida, uma tremenda gata malhada, pernas torneadas dentro um jogging justíssimo. Nem sombra da mulher vestida de negro que entrou pela porta do túnel que leva ao que chamam de aeronave.
No Irã, dizem-me, as mulheres não podem cantar em público nem dançar. Custo a acreditar.
Mas no Irã uma mulher, Shirin Ebadi, ganhou em 2003 o Prêmio Nobel da Paz.
No Irã há divórcio. Converso com algumas iranianas sobre as agruras aí inerentes.
No Irã há o casamento temporário. Um imã pode fornecer um documento oficial para uma relação que dure poucas horas ou só uma noite, apesar de o homem ser casado.
Consulto ali um livro que é uma espécie de vade-mécum: Os direitos das mulheres no Islã, da autoria de Murtada Mutahhari, editado pela World Organization for Islamic Services. Didático, às vezes, dialético, demonstrando conhecer alguma coisa da filosofia ocidental (Aristóteles, Platão, Bertrand Russell, Wiliam Durand), é um excelente objeto de análises sobre as diferenças culturais.
Embora em algumas partes faça críticas pertinentes ao Ocidente, por outro lado, como nos sofismas clássicos, esforça-se para dar logicidade ao ilógico e justificar o absurdo. Entre outras coisas, anoto: é aborrecido para o homem viver na companhia da mulher que ama, enquanto nada é mais agradável para uma mulher do que viver ao lado do homem que ama.
Em outros trechos estabelece um confronto entre amor e compaixão. O amor está do lado do desejo passageiro e a compaixão, que é o que segundo sua doutrina se deve procurar, é permanente. Compaixão, ou mercy como diz o texto inglês, tem o mesmo tom de complacência diante do inimigo ou do inferior.
Mulheres do Irã, mais do que minha compaixão, vocês têm todo o meu amor. Vocês me comovem. Comovem-me primeiro as que andam de chador preto mal mostrando a face, mordendo um lado do manto, para mais se ocultarem. Vocês, mais que Drummond, poderiam dizer: tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo, pois como segurar o chador que esvoaça, carregar embrulhos, dar a mão aos filhos debaixo dessa mortalha? Como fazem com esses cinco metros de pano, lhes pergunto prosaicamente, quando têm que ir aos banheiros públicos onde as privadas estão no chão, ao estilo turco?
São lindas, em geral, as mulheres do Irã. Todos as temos visto nas fotos e nos filmes. Que olhar inteligente têm as mulheres inteligentes do Irã! Que sensualidade no rosto têm as que têm sensualidade no rosto!
Nunca me esquecerei desses olhares, dessa luta terrível em que vão conquistando um milímetro por mês, alguns centímetros por ano, deixando mostrar mais seus cabelos, às vezes já pintados, usando mantos e sobretudos de outras cores, exibindo sandálias e pés bem tratados, e, sobretudo, o rosto, esse curto e sobrante espaço, no qual as maquiagens mostram os sortilégios da discreta sedução.
Via-as comprando suas roupas íntimas nas lojas, para se abrirem qual borboletas para seus amados, quando entre as paredes do lar. Se em todos os países o lar e a rua são instâncias diferenciadoras e complementares, aqui no Oriente Médio é que se potencializa ainda mais o conflito, a tensão, o espaço do limiar.
Nessas mulheres de roupagem escuras há qualquer coisa de andorinha procurando o seu verão. Há nelas qualquer coisa de crisálida. De crisálida esforçando-se para largar a carcaça e inventar suas asas. Qualquer dia, qualquer hora, elas vão desabrochar para a luz. E quando isto se der, como borboletas triunfantes ocuparão o espaço com o alarido de suas cores.
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7:59 AM by Cassiano Leonel Drum
Namoro on-line mas sem preconceitos
Brasileiros ainda têm receios com relações virtuais, mas aos poucos vão quebrando tabus
Alessandra Carneiro e Mylène Neno
Zander conheceu Camilla na Web: é mais um meio de comunicação
Quem nunca se preparou para um primeiro encontro ao som de milhões de recomendações da mãe ou do irmão mais velho? E o relacionamento começar a rolar na Internet, todas esses cuidados aumentam muito, não é? Pelo contrário, acho que é até mais seguro. Você não se expõe tanto e, se a conversa tomar um rumo estranho, é bem mais fácil se livrar dessa situação do que numa mesa de bar, acredita a diretora de marketing do Par Perfeito, Viviane Mendes.
A mentira que os internautas contam em nome de uma nova paquera é outra idéia que vem logo à cabeça quando alguém conta que conheceu um pedaço de mau caminho pela Web. Logo, os amigos retrucam: duvido que seja bonita assim de verdade ou ele roubou uma foto de um modelo e mandou para você. Na verdade, deve ser um nerd cheio de espinhas.
Puro tabu. A realidade não é bem assim. Dentro de um site em que você está pagando pelo serviço, é muito difícil alguém mentir, garante Viviane Mendes. Já o game designer Zander Catta Preta, 31, que conheceu sua namorada, Camilla, no Par Perfeito, acha que, na Internet, é mais fácil mentir. Mas isso acaba criando decepções. Nunca ouvi uma história de alguém que tenha dito que era de um jeito na Web e tenha conseguido algo com a outra pessoa, diz. Para Zander, essa situação não é muito diferente das do mundo real. Tenho amigas que reclamam dos homens que conhecem na praia ou na academia e que exibem um status que não têm para ficar com gente que valoriza excessivamente isso.
E na hora de dizer que conheceu o seu par na Internet, rola preconceito? Tenho um pouco de vergonha de falar que conheci a Milla no Par Perfeito. Parece que é uma coisa anormal, saca? Mas acho que os preconceitos estão caindo aos poucos. A internet é apenas mais um meio de comunicação e informação e, naturalmente, as pessoas acabam se conhecendo, se envolvendo, argumenta Zander.
O preconceito ainda existe, mas diminuiu muito nos últimos anos. Até mesmo por causa da popularização da Internet, que já provou que não é lugar só para nerds, desmistifica Viviane.
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7:55 AM by Cassiano Leonel Drum
Clube da criança
Estréia de Shrek na sexta abre temporada de bons filmes para moleques em clima de férias
Rubia Mazzini
Numa briga envolvendo um ogro apaixonado, três vacas espertas, um adulto com alma de criança, uma turma de crianças cinéfilas, um gato mal-humorado, um herói com poderes animais e uma indiazinha defensora da natureza, quem leva a melhor? Na verdade quem se dá bem é a molecada, que, diante de tantas estréias previstas para as próximas semanas nos cinemas, não vai ficar sem programa nas férias.
A maratona de lançamentos começa sexta-feira, com a chegada de Shrek 2 ao circuito nacional. Agora casado com a princesa Fiona, o verdíssimo ogro da Dream Works estrela mais um filme que tem tudo para agradar às crianças, mas também até principalmente aos pais. Afinal, há que se ter alguma vivência para entender as várias referências a outros filmes e programas de TV inseridas no longa-metragem.
Referências também não faltam em Cine Gibi, o Filme, produção que marca o retorno da Turma da Mônica ao circuito, dia 9 de julho. A trama apresenta os personagens criados por Mauricio de Sousa em cenas que lembram Matrix, Batman e Harry Potter, Tubarão, Os Embalos de Sábado à Noite, entre outras produções famosas. Depois de bom tempo longe da produção de filmes, estou tão ansioso quanto nossos espectadores para rever a turminha na telona. Será como um reencontro com o escurinho do cinema e com a magia que esse momento nos traz, diz o criador de Mônica, Cebolinha e que tais.
Outro brasileiro com bala na agulha para enfrentar os blockbusters gringos, Renato Aragão estréia a nova trapalhada de Didi Mocó no mesmo dia 9. Em Didi Quer Ser Criança, desta vez sob direção de Alexandre e Reynaldo Boury, o comediante encarna um provador de balas de uma pequena fábrica de guloseimas que declara guerra ao poderoso dono de uma marca de doces artificiais que fazem mal à saúde.
Já em Tainá 2, de Mauro Lima, a guerra é entre a brava indiazinha, agora uma pré-adolescente, e uma quadrilha que rouba animais e plantas da Amazônia. Revelada no primeiro filme, a simpática Eunice Baía agora tem a companhia de uma nova índia-mirim, Catiti (Arilene Rodrigues), que foge de casa para seguir os passos de Tainá. O filme deve estrear dia 25 deste mês.
Para cinéfilos de todas as idades, o período de férias ainda reserva Homem-Aranha 2 (estréia dia 2 de julho), Garfield, o Filme (16 de julho) e a animação Nem que a Vaca Tussa. No novo desenho da Disney, três vacas na versão nacional, dubladas por Fernanda Montenegro, Isabela Garcia e Cláudia Rodrigues , decidem ajudar a dona da fazenda onde vivem a conseguir dinheiro para pagar a hipoteca e impedir que a propriedade seja vendida. Só assim o trio se livra de ir para o matadouro e virar picanha fatiada. É isso aí. Agora é separar o dinheiro dos ingressos, da pipoca, do refrigerante...
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7:49 AM by Cassiano Leonel Drum
O romance pega fogo
Nem o fogo olímpico parece ser mais tórrido do que o amor de Ronaldo pela apresentadora Daniela Cicarelli. Os dois chegaram juntos, ontem, ao Parque do Flamengo, e o Fenômeno somente tirou as mãos de cima da namorada no instante em que teve de segurar a tocha. Cadê o Zagallo? Está demorando... Eu podia ter ficado mais tempo namorando..., lamentou, fora da área VIP, à espera do coordenador-técnico da seleção brasileira.
O coração de Ronaldo, sim, já pegava fogo. Prova disso eram as iniciais R e D, escritas com caneta preta em seu uniforme, no ombro esquerdo. Entre as duas letras, o desenho de um coração. Daniela fez a mesma inscrição no pescoço e no pulso do jogador. E assim, todo tatuado, ele acendeu a pira.
Ah, não gosto de falar sobre a minha vida particular. As pessoas vêem as coisas e comentam, desconversou. Ronaldo não falou, mas não fez a menor questão de esconder o romance. Na saída, para proteger Daniela Cicarelli da multidão que os cercava, passou-a para sua frente e colocou as mãos na sua cintura. Nem a tocha merecera tanto zelo. Sou um brasileiro privilegiado, disse Ronaldo, referindo-se, não à namorada bonita, mas à honra por ter sido escolhido para acender a pira.
Mas a mãe de Ronaldo, dona Sônia Nazário, parece não pensar assim. Após ter fracassado nas tentativas de reconciliar Ronaldo e Milene, ela desprezou a namorada do filho. A fila anda muito rápido, disse, de cara fechada, sobre Cicarelli. O pai de Ronaldo, Nélio, aprovou o namoro: Ela é simpática.
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6:32 AM by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
14/06/2004
Sessenta anos
A presença, pela primeira vez, de um representante do governo alemão nas comemorações do desembarque na Normandia durante a II Guerra Mundial, no último dia 6, trouxe algumas dúvidas à humanidade. Ou, chega de megalomania, a mim. Por exemplo: qual é o prazo de vencimento de uma culpa histórica? Sessenta anos, segundo os organizadores da solenidade, pois durante 60 anos nenhum dirigente alemão pôde chegar perto da celebração do desembarque, que foi o começo da punição final pelo que o seu país tinha aprontado.
Em 60 anos, presumivelmente, uma geração sucede a outra sem herdar sua culpa e prescrevem todos os ressentimentos. É improvável que algum dos veteranos da invasão presentes à solenidade tenha se sentido tentado a chutar o primeiro-ministro alemão Gerhard Schröder, mesmo se pudesse. Em 60 anos, todo mundo fica inocente.
Outra dúvida, dois-pontos. De quem era exatamente a culpa pela guerra e seus mortos, inclusive os milhares que ficaram enterrados na Normandia? Há anos se discute a conivência do povo alemão com a máquina de terror de Hitler, seus delírios expansionistas e sua política racial.
O que era cumplicidade consciente do povo e o que era desinformação, impotência ou simplesmente patriotismo cego? O que equivale a discutir se a culpa é atribuível ao fascismo, uma deformação que não é endêmica à Alemanha, ou a essa coisa convenientemente indefinível chamada "caráter nacional", o que não deixa de ser uma forma de racismo, pois confunde uma nação inteira com os desmandos de quem seqüestrou momentaneamente a sua história.
A questão é atual porque hoje um crítico do nazismo se arriscaria a ser chamado de "antialemão", como um crítico de Sharon e da extrema direita israelense se arrisca a ser chamado de anti-semita e qualquer crítico da política do Bush e seus neoconservadores é tachado de antiamericano. Curiosamente, nenhum dos que acham que Sharon é Israel e Bush é a América chamaria suas críticas a Lula e ao governo do PT de antibrasileirismo.
Correção: em 60 anos todos ficam culpados - o que, no fundo, os absolve. Na Normandia, no dia 6, ultrapassado o prazo de validade da culpa, Schröder e os outros chefes de Estado, vencido e vencedores, podiam contemplar o cenário da grande batalha e as pungentes fileiras de sepulturas e meditar sobre a estupidez humana, que infelizmente nunca prescreve.
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6:30 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
14/06/2004
Um poeta insuperável
Sábado próximo, completa 60 anos o grande poeta Chico Buarque de Hollanda.
Prefiro tratá-lo como poeta, antes que compositor e escritor. Alguns dos mais belos versos da língua portuguesa estão encravados para a eternidade nas canções desse moço de "olhos claros, cor do dia".
"Vai passar/ nesta avenida o samba popular/ cada paralelepípedo da velha cidade/ esta noite vai se arrepiar".
Que é isto? De onde o gênio de Chico Buarque foi tirar esta sacada do paralelepípedo se emocionando à passagem trepidante da escola de samba?
Que me desculpem os outros signos, mas Chico Buarque tinha de ser geminiano. E como ele é do finzinho do signo de Gêmeos, quase na divisa com Câncer, então pertence ao grupo dos iluminados que sofrem com a dor dos outros, que se colocam na pele das mulheres, descobrem na tristeza o veio da existência.
Os grandes poetas sempre são tristes. E não há quem resista a derramar lágrimas quando se ouve Meu Guri ou Carolina. E não há quem não se extasie diante da beleza coruscante de Olê, Olá e As Vitrines. E não há quem tenha penetrado mais fundo no significado filosófico do Carnaval como Chico em Noite dos Mascarados.
Além desse lirismo emocionante, Chico Buarque inscreveu-se definitivamente na mais ilustre linhagem de sambistas quando compôs A Rita, o mais rico e luxuoso poema de rimas literárias e musicais que jamais qualquer outro compositor brasileiro já ousou criar.
Em A Rita, Chico se deu à sofisticação de rimar no meio dos versos, como se estivesse estrebuchado de tanta poesia, de tal forma a rima se excedia e tomava o lugar das outras palavras triviais.
"A Rita levou meu sorriso/ no sorriso dela/ meu assunto/ levou junto com ela/ o que me é de direito/ arrancou-me do peito/ e tem mais/ levou seu retrato, seu trapo, seu prato/ que papel/ uma imagem de São Francisco/ e um bom disco de Noel".
Que é isto? Em nenhum outro relato de separação, tão comum nas centenas de outros poemas que tratam o tema na música brasileira, um personagem foi tão dilacerado pelo abandono de uma mulher que deixou o lar.
Impossível fugir à pieguice tão caracterizadamente brasileira de sempre escolher quem é o melhor. O melhor cronista (esses dias me deixei levar por um sacrilégio, concluí que o maior de todos não foi Rubem Braga, mas, sim, Antônio Maria), o melhor jogador, o melhor cantor etc.
Impossível deixar de considerar Chico Buarque o maior compositor brasileiro de todos os tempos, até mesmo nos desculpando de que Noel Rosa, seu ícone, morreu com apenas 26 anos de idade.
Noel era poeta popular, um espontâneo, Chico é um esteta, um ourives que seleciona as mais cintilantes palavras e os mais nobres sentimentos para incrustá-los nos espaços exíguos dos versos e das canções.
Há tempo que o estro de Chico parece ter-se esgotado e ele deixou de compor. É de se argumentar: para que mais? Como se não bastasse tudo que já criou aqui na Terra e arremessou para os céus com sua poesia insuperável.
Mas, quando um eterno garotão como Chico completa 60 anos, a gente sente que a vida é mesmo implacável e ameaça com a velhice usurpar-nos da delícia da obra encantadora dos artistas.
Nos cemitérios brasileiros, tinha de haver uma aparelhagem de som que não deixasse todos os dias de executar as músicas de Chico Buarque em alto-falantes pendurados nos ciprestes.
Pode ser que assim ninguém mais temesse a morte.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:28 AM by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
O dia mais frio do ano
Fim de semana teve neve nos Campos de Cima da Serra e no Norte, temperatura de -4ºC e geada em todo o Estado, como em Vacaria (foto Lucas Barp, especial/ZH)
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Domingo, Junho 13, 2004
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8:28 PM by Cassiano Leonel Drum
autor@paulocoelho.com.br
A caixa de Pandora
Na mesma manhã, três sinais vindos de continentes diversos: um correio eletrônico do jornalista Lauro Jardim, pedindo para confirmar alguns dados sobre uma nota a meu respeito, e mencionando a situação na Rocinha, no Rio de Janeiro; um telefonema da minha mulher, que acaba de desembarcar na França viajara com um casal de amigos franceses para mostrar nosso país e os dois terminaram assustados, decepcionados e finalmente, um jornalista que vem me entrevistar para uma televisão russa:
É verdade que no seu país morreram mais de meio milhão de pessoas assassinadas, entre 1980 e 2000?
Claro que não é verdade, respondo.
Mas é: ele me mostra dados de um instituto brasileiro (na verdade, o IBGE).
Eu fico calado. A violência em meu país atravessa os oceanos, as montanhas, e vem até este lugar na Ásia Central. O que dizer?
Dizer não basta, pois as palavras que não se transformam em ação trazem a peste, como dizia William Blake. Venho tentando fazer a minha parte. Criei meu instituto, junto com duas pessoas heróicas, Isabella e Yolanda Maltarolli, tentamos dar educação, carinho, amor, a 360 crianças da vela Pavão-Pavãozinho.
Sei que neste momento existem milhares de brasileiros fazendo muito mais, trabalhando em silêncio, sem ajuda oficial, sem apoio privado, apenas para não se deixar dominar pelo pior dos inimigos: a desesperança.
Em algum momento, achei que se cada um fizesse sua parte, as coisas mudariam. Mas, nesta noite, enquanto contemplo as montanhas geladas na fronteira com a China, tenho dúvidas. Talvez, mesmo com cada um fazendo sua parte, ainda é verdadeiro o ditado que aprendi quando criança: contra a força não há argumento.
Olho de novo as montanhas, iluminadas pela lua. Será mesmo que contra a força não há argumentos? Como todos os brasileiros, tento, luto, me esforço para acreditar que a situação do meu país irá melhorar um dia, mas, a cada ano que passa as coisas parecem mais complicadas, independente do governante, do partido, dos planos econômicos, ou da ausência dos mesmos.
Violência eu já vi nos quatro cantos do mundo. Lembro-me de uma vez, no Líbano, logo depois da guerra devastadora, eu passeava pelas ruínas de Beirute com uma amiga, Söula Saad. Ela me comentava que sua cidade já tinha sido destruída sete vezes. Perguntei, em tom de brincadeira, porque não desistiam de reconstruir e se mudavam para outro lugar. Porque é nossa cidade, respondeu. Porque o homem que não honra a terra onde estão enterrados seus ancestrais, estará amaldiçoado para sempre.
O ser humano que não honra sua terra, não honra a si mesmo. Em um dos clássicos mitos gregos da criação, um dos deuses, furioso com o fato de Prometeu roubar o fogo e com isso dar independência ao homem, envia Pandora para casar-se com seu irmão, Epimeteus.
Pandora traz consigo uma caixa, a qual foi proibida de abrir. Entretanto, da mesma maneira que Eva no mito cristão, sua curiosidade é mais forte: levanta a tampa para ver o que contém, e neste momento, todos os males do mundo saem dali, e se espalham pela terra. Apenas uma coisa fica lá dentro: a Esperança.
Então, apesar de tudo dizer o contrário, apesar de toda a minha tristeza, da minha sensação de impotência, apesar de estar neste momento quase convencido de que nada irá melhorar, eu não posso perder a única coisa que me mantém vivo: a esperança esta palavra sempre tão ironizada pelos pseudo-intelectuais, que a consideram um sinônimo de enganar alguém.
Esta palavra tão manipulada pelos governos, que prometem sabendo que não vão cumprir, e dilaceram ainda mais o coração das pessoas. Esta palavra muitas vezes está conosco de manhã, é ferida no decorrer do dia, morre ao anoitecer, mas ressuscita com a aurora.
Sim, existe o provérbio: contra a força não há argumento. Mas, existe também o prevérbio: enquanto há vida, há esperança. E eu fico com este, enquanto olho as montanhas nevadas na fronteira com a China.
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7:52 PM by Cassiano Leonel Drum
100 casais contam como e onde se conheceram. Saiba quais os lugares ideais para encontrar um amor.
TODOS OS DIAS a psicóloga empresarial Marina Lins, 29 anos, acorda cedo, toma o café e corre para o trabalho. Lá, fica tão concentrada que dispensa até os convites dos colegas para um cappuccino. E almoça rapidamente sempre no mesmo lugar. No começo da noite, volta para casa e não pensa em outra coisa a não ser em jantar, ler ou ver um bom filme no DVD. Adora Sex and the City e sonha com a animação das quatro amigas livres e soltas em Nova York.
Para os fins de semana, planeja muitos programas, mas acaba se distraindo em casa mesmo. No máximo vai visitar os pais. Sua vizinha, a publicitária Fernanda Leonel, 32 anos, não se conforma e faz o que pode para arrastar a amiga para as baladas, porém não consegue. Sua vida é bem diferente, para lá de agitada: pela manhã, freqüenta a academia três vezes por semana, trabalha durante o dia e não perde a noite de jeito algum, seja para ir ao cinema, jantar ou fazer um happy hour com os amigos.
Separada como Marina, ela também está louca para achar uma nova cara-metade. Adivinhe qual dessas duas mulheres, ambas bonitas e independentes, têm mais chances de encontrar um parceiro.
Fernanda, claro. Afinal, fora de casa, ela pode ver e ser vista, ser apresentada a pessoas interessantes e até se surpreender com acasos felizes. A publicitária está no caminho certo, no entanto ainda não chegou lá. Isso porque, com um homem que valha a pena mesmo, a gente não esbarra em qualquer lugar, não é?
Bom, mas então onde está ele? Fizemos uma enquete com uma centena de casais e descobrimos como se cruzaram e o que facilitou a aproximação. A maneira que tem dado mais certo é por meio de amigos comuns. Isso mesmo, o famoso quem indicou funciona! Se é alguém que seu amigo conhece, em tese já se elimina uma série de riscos. É muito provável que eles tenham gostos semelhantes para música, e você que é roqueira, por exemplo, não terá de fazer concessão nenhuma ao som sertanejo ou ao pagode de um homem sem referências.
Mesma turma
Dos cem casais entrevistados, 28% foram apresentados por amigos, primos ou irmãos. E, em 89% desses casos, o primeiro contato aconteceu durante uma festa. Geralmente o amigo facilita o meio-de-campo. Dá um aval, uma espécie de ISO 9000, diz o psicólogo Ailton Amélio, coordenador do Centro de Estudos da Timidez e do Amor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, em seu livro Mapa do Amor (Editora Gente).
Foi assim que começou a relação entre a jornalista Maria Claudia Aravecchia e o administrador Marcos Rogério Klein, ambos com 29 anos. Os dois se viram pela primeira vez no sítio de amigos e houve uma paquera. Depois ele a convidou para seu aniversário. Resultado: estão juntos há três anos. Existia mesmo alguma afinidade entre a gente, já que tínhamos os mesmos amigos, diz Marcos.
Do seu lado
Às vezes a gente nem percebe logo de cara, mas o amor está ali do lado. Mais exatamente na carteira da frente da sala de aula ou no departamento vizinho da empresa. Os casais da nossa enquete mostram isso: 20% deles começaram a namorar na faculdade e 15% no trabalho.
E aí também há vantagens, porque se fica sabendo logo algo sobre ele e não se investe no escuro. É muito mais fácil identificar se o candidato corresponde aos seus anseios porque a convivência é diária. Conversa vai, conversa vem e dá para saber se ele está livre, se é responsável, se é educado e leva o trabalho a sério, diz o professor Ailton Amélio.
Camila Lopes Gonçalves, 26 anos, e Marcel Bella Negra, 30, ambos jornalistas, se aproximaram nessas circunstâncias há dois anos, quando ela foi trabalhar na mesma empresa em que ele estava. Eu me interessei pela Camila na primeira vez que a vi. Mas, como era o chefe, pensei muito antes de tomar a iniciativa, lembra Marcel.
Quase três meses depois, ele quebrou a perna e teve de faltar por um mês no trabalho. Senti a falta dele, confessa ela. Não deu outra: os dois se declararam após algumas semanas, namoraram e estão com casamento marcado para novembro.
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7:45 PM by Cassiano Leonel Drum
Sozinha com todo mundo...
Quer coisa mais triste do que se sentir sozinha mesmo quando a casa está cheia de gente? Deve ser muito triste. A queixa parte principalmente das mulheres. As mais velhas reclamam mais: os filhos cresceram, formaram suas famílias e essa mãe, que dedicou anos e anos de sua vida a eles, sente que a casa está grande demais para ela. E bate a solidão.
Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...isto é carência. Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...isto é saudade. Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe às vezes, para realinhar os pensamentos...isto é equilíbrio.
Tampouco é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... isto é um princípio da natureza. Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... isto é circunstância. Solidão é muito mais que isto. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão, pela nossa alma.
Não se entregue à solidão. Procure seus amigos, saia, divirta-se, esteja aberta às pessoas que se aproximam de você. Esteja com a sua família , dedique-se ao seu trabalho, faça cursos, fortaleça a sua fé em você mesma e em Deus (ou naquilo que você acreditar ). Freqüente instituições de caridade, ajude alguém, sinta-se útil. Leia , escreva (passar sentimentos para o papel ajuda muito), mantenha a sua mente sempre ocupada. Isto fará com que você afaste o sentimento de solidão e abandono.
Marta Vicentin
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