E N T R E L A Ç O S ENTRELAÇOS

INTERESSES DO BLOG
Vocês encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Encontrarão também muitas crônicas do Luiz Fernando Veríssimo, Martha Medeiros, Macaco Simão e de outros cronistas de jornais diários e de revistas semanais. Endereço para email: cassiano.leonel@terra.com.br e para observações e comentários utlize os links disponíveis nos próprios textos. Espero que ele seja útil a você de alguma maneira, pois esta é uma das razões dele existir.

Clique em baixo para ver um mapa da Rua Caldas Junior - PORTO ALEGRE





Escreva seu nome?

Escreva de onde você é?

Escreva seu E-mail?


SubmitFree: Submit to 25+ Search Engines for free !!!!

Seus olhos merecem estas paisagens
:: :: :: :: :: :: :: :: :: :: :: :: :: :: ::

on-line


:: :: :: :: :: ::


Visit W3Schools XHTML School


Support Peace Action!
BLOGS QUE EU RECOMENDO


:: :: :: ::
Ordem e Blogresso
OUTRAS PÁGINAS DO AUTOR

:: :: :: :: :: ::

SEMPRE HAVERÃO RELÓGIOS PARA MARCAR O TEMPO
:: :: :: :: :: :: ::
O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil
:: ::
::

:: ::

Arquivos

Powered by
Cassiano
[Powered by Blogger]
E N T R E L A Ç O S

Sábado, Julho 03, 2004




David Coimbra
04/07/2004


As meninas da boate

Foto(s): Kevin Camarque, Reuters/ZH
A loirinha Maria Sharapova (foto), de apenas 17 anos, não é uma loirinha - é uma Grande Loira. A menina tem 1m90cm. Mais alta do que a Ana Hickmann! Graciosa e delicada, apesar do tamanho, ela estonteou Londres, durante o torneio de Wimbledon.

As russas, de fato, se destacam por sua beleza singular. Quando estava em Ulsan, na cobertura da Copa, de repente deparei com um grupo de mulheres lindíssimas rondando o hotel da Seleção. Desconfiei. Aquele tipo de mulher exuberante não era comum em Ulsan. Após rápida investigação, descobri tratarem-se de russas, que, fugidas da crise, emigraram para a Coréia em busca de trabalho.

Pensei que talvez fossem prostitutas. E, realmente, elas trabalhavam numa boate, vestiam-se com roupas provocantes, incentivavam os clientes a beber. Mas... de forma alguma aceitavam fazer sexo! Uma estrangeira flagrada em prostituição, na Coréia, é presa, deportada e xingada.

Então, os clientes da tal boate sofriam o suplício de Tântalo, aquele infeliz mortal que ousou roubar o néctar e a ambrosia dos deuses. Sua condenação foi crudelíssima. Esfaimado, ele via os frutos sumarentos das árvores ao alcance da mão.

Quando ia tocá-los, os galhos se encolhiam ao vento. Sedento, ficava mergulhado na água fresca até a curva do lábio inferior. No instante em que ia beber, a maré baixava sem que ele jamais conseguissem sequer lamber uma gota. Brabeza.

A Grande Loira

Tenho um amigo que faz orações para a Grande Loira. Nenhuma heresia, os irmãos Zé Antônio e Ivan Pinheiro Machado dirigem suas preces ao Cavalo Celeste, por exemplo. Então, nas noites de sexta-feira, meu amigo olha para a lua e recita: "Oh, Grande Loira, que nos céus enlanguesce..." Por aí. Ele acredita que assim sai mais bem preparado para enfrentar as atribulações da noite. Tem dado certo, ao que parece, meu amigo faz algum sucesso.

Essa Grande Loira, que de cima das nuvens nos vigia com seu olhar blasé, sempre imaginei que ela fosse de Cachoeira do Sul. Porque Cachoeira, graças à benéfica ação da imigração alemã, que aliás completa 180 anos, Cachoeira é pródiga em loiras. Posso afirmar isso por conhecer bem a cidade. A comprovar a minha tese estão as rainhas e princesas da Fenarroz, todas loiras, no máximo castanhas de um castanho-clarinho.

Foi o que disse essa semana, ao dar uma palestra no Colégio Roque, em Cachoeira. Quando já estava me preparando para sair, uma moreninha de uns 12 anos de idade saiu da platéia e marchou resoluta em minha direção, com os olhinhos pretos faiscando, as mãos na cintura, uma sobrancelha levantada.

- Quero uma explicação - exigiu ela.

Arregalei os olhos.

- Explicação?

- É. Por que essa preferência pelas loiras?

Esclareci que não tenho preferência por loiras, de modo algum, que inclusive minha namorada Marcinha é morena com olhos de um verde do mar da Praia Brava. Não adiantou. O nariz dela continuava empinado e o pezinho batia de indignação no parquê.

- As loiras não dominam Cachoeira, não - prosseguiu, desafiadora. - Eu mesmo sou princesa da minha turma.

Admiti que ela era de fato uma princesinha. O elogio não a fez arrefecer.

- E as duas princesas da Fenarroz são morenas! - sentenciou.

As princesas da Fenarroz são morenas! Naquele momento, assaltou-me um daqueles lampejos de sabedoria nos quais compreendemos o sentido da vida. Entendi as vitórias de Santo André, Ulbra, Glória, 15, Once Caldas, Figueirense, Grécia, Portugal e até daquele time de entregadores de gás, o São Caetano. Entendi. São os estranhos eflúvios deste século 21 tão extravagante. Tudo é muito bizarro, no século 21. Tenho apenas uma esperança de que as antigas tradições e de que a velha e boa ortodoxia voltem a imperar: ironicamente, a própria Fenarroz - rainha ainda é loira! A Grande Loira continua velando por nós.

Lendas do futebol

O futebol gaúcho é pintalgado de lendas. Lendas mesmo - algumas verdadeiras; outras, quem sabe? Contarei parte delas, uma por domingo. E vou começar com o creme do creme. Com um centroavante. Cardeal. Chamavam-no Cardeal porque jogava com o que, 70 anos atrás, se chamava de "casquete" vermelho na cabeça. Todos os velhinhos com quem falei a respeito de Cardeal fizeram a tal frase que os velhinhos fazem acerca dos grandes jogadores da sua época:

- Era melhor que Pelé!

Cardeal adorava jogar descalço. Mas não podia fazer isso nos jogos, obviamente. Assim, no final dos treinos, ele tirava as chuteiras e mandava que os colegas riscassem marcas nas traves. Ia para a meia-lua e, de lá, chutava com os pés nus, mirando a marca. Jamais errou. Cardeal era da zona sul do Estado, tornou-se ídolo no Nacional de Montevidéo e, no Fluminense, compôs um ataque célebre com Tim, Hércules, Carreiro e Romeu.

A tuberculose, porém, foi mais eficiente do que qualquer zagueiro. Cardeal adoeceu e, horror dos horrores, teve um pulmão extirpado. Mesmo assim, continuava jogando. Só que não podia mais correr. Postava-se, então, à beira da grande área. Exatamente dentro do perímetro da meia-lua. Ficava lá, parado, esperando.

Quando a bola o alcançava, Cardeal fazia um único movimento, no máximo dois: com um toque de algodão, mandava a bola para o gol, fora do alcance do goleiro. Sempre fora do alcance do goleiro. Com um único pulmão, Cardeal ainda foi um dos maiores centroavantes da sua época. É o que diz a lenda. Você conhece alguma tão lustrosa? Pode mandar.

david.coimbra@zerohora.com.br

Comments:




Martha Medeiros
04/07/2004


Entrevista

Nada sobre livros ou os melhores momentos da carreira. A pergunta era sobre a minha última gargalhada. Quando foi mesmo?

Outro dia tive que responder a uma entrevista inusual. As perguntas nada tinham a ver com início de carreira, livros preferidos, fórmulas mágicas para vencer problemas. Ao contrário disso tudo, a enquete queria saber qual havia sido a última vez que eu havia gargalhado pra valer. Qual a última vez que eu havia quebrado uma promessa. Qual a última vez que eu havia sido surpreendida.

Bom, essa era fácil de responder: eu estava sendo surpreendida naquele exato instante. Não esperava ter que parar pra pensar em coisas desse tipo. A gente passa voando pelos dias, na tentativa de cumprir nossas metas, que não são poucas: trabalhar, trabalhar, trabalhar e, na sobrinha de tempo, fazer supermercado, se exercitar, ler os jornais. E aí vem alguém e pergunta qual a última vez que eu gargalhei pra valer? Foi quando eu estive com minhas amigas, num encontro de final de tarde. Já nem lembrava.

Qual a última vez que eu jantei sozinha? Qual a última vez que eu contribuí para caridade? Qual a última vez que eu dormi num hotel?

Eram perguntas triviais, e no entanto me vi forçada a me conectar com sensações de isolamento, generosidade, tristeza, cansaço, euforia. Em vez de falar de coisas práticas e idéias prontas, eu estava fazendo um inventário das emoções mais corriqueiras do dia-a-dia. Se a gente esquece de reavivá-las, viramos apenas uma máquina humana cumpridora de tarefas.

Qual a última vez que eu apertei a mão de alguém? Qual a última vez que eu fiquei furiosa? Qual a última vez que eu menti?

Parece fácil, mas as respostas não saem de imediato. É preciso resgatar momentos que a gente mal registrou, que não pareciam importantes porque não estavam anotados na agenda. Para responder esse tipo de pergunta, é preciso estar tão atento aos coffeebreaks quanto às palestras, dar tanta atenção às mãos entrelaçadas no cinema quanto ao filme na tela.

É nestes breves interlúdios que a vida acontece e a gente se revela pra si mesmo. É nestes poucos segundos que a alma aflora: quando você é apresentado a uma pessoa e aperta firme sua mão, quando mentem pra você e você fica furiosa, ou quando seu filho pergunta se nunca vai acontecer nada de mal com ele e quem mente é você.

Qual a última vez que você dormiu demais? Qual a última vez que você beijou alguém? Qual a última vez que você foi injusto?

Parecia o juízo final. Mas era só uma entrevista que me fez trazer de volta o que realmente interessa.
martha.medeiros@zerohora.com.br

Comments:




Luis Fernando Verissimo
04/07/2004


Pensamentos vagos

Nos desfiles, as modelos mostram seus seios usando roupas transparentes. É raro encontrar alguém vestindo as mesmas roupas nas ruas. Será que eu ando freqüentando a realidade errada?

Do baú. À conhecida piada inglesa sobre a razão para as estradas francesas serem arborizadas - era para o exército alemão poder marchar na sombra - os franceses respondiam que Hitler só não ocupou a Inglaterra porque fizeram um plebiscito, e o exército alemão preferiu o clima da Rússia. Os ingleses chamam os franceses de "frogs ", sapos, porque eles comem rãs, entre outras coisas estranhas. E os ingleses, respondem os franceses, que comem até comida inglesa?

A sua hora

O escritor inglês Aldous Huxley tinha uma teoria curiosa, segundo a qual a maturidade de certos artistas não dependia da sua idade cronológica mas de uma espécie de precocidade misteriosamente programada para coincidir com uma vida curta. Ninguém pode dizer o que Mozart faria se tivesse vivido mais do que os trinta e poucos anos que viveu, mas ele dificilmente ficaria mais "maduro" do que já era. Os últimos quartetos de corda de Beethoven, considerados a sua obra mais perfeita, foram compostos pouco antes da sua morte, aos 57 anos.

Já Verdi morreu com quase 80 anos, não muito depois de escrever o que dizem ser a sua ópera definitiva, Falstaff, e Goya teve que esperar a velhice e toda a sua amargura para produzir suas melhores gravuras e as fantásticas "pinturas negras", sem as quais sua reputação póstuma não seria a mesma. A teoria de Huxley, improvável, mas literariamente atraente, pressupõe um certo poder profético do artista. Shakespeare escreveu

A Tempestade com 47 anos, sem saber que seria sua última peça (ele morreu com 52), mas ela tem o tom adequado de um testamento e de uma despedida, com o mago Prospero, senhor de todos os dramas e tramas vistos sobre o palco, declarando seu sortilégio acabado e anunciando sua aposentadoria em Milão, onde cada terceiro pensamento será sobre a sua sepultura.

O final da peça é tão adequado que suspeita-se que tenha sido acrescentado depois da morte do autor, mas pode-se imaginar Shakespeare, de volta a Stratford-on-Avon e acossado por maus pressentimentos, dando o mote para todos os artistas ainda por vir: quando pensamentos sobre a sepultura começarem a se tornar muito freqüentes, apresse-se e providencie seu legado definitivo.

Está chegando a sua hora, não importa a sua idade. O poeta W.H.Auden, comentando a especulação de Huxley, levou-a ainda mais longe. Disse que os artistas morrem quando querem, ou quando devem. E que, portanto, não existem obras de arte incompletas.

Para onde vão os seios

Pensamentos de uma mente vaga, vendo as fotos de um desses desfiles de moda: para onde vão os seios à mostra quando saem das passarelas? Em todos os desfiles de moda pelo menos metade das modelos mostra roupas transparentes em que os seios aparecem. Mas é raro encontrar alguém na, digamos, vida civil usando as mesmas roupas, ou roupas com a mesma transparência.

Os seios não aparecem na mesma proporção quando as roupas saem das passarelas para a realidade. Ou eu é que ando freqüentando a realidade errada? Pode-se argumentar que os desfiles são representações de um ideal impossível de ser reproduzido no cotidiano.

Num desfile de modas todas as mulheres são lindas, altas e magras. São, por assim dizer, mulheres destiladas, ou a mulher como ela sonha ser - e andar, e brilhar, e vestir roupas caras. Desta maneira os seios à mostra nos desfiles também seriam idealizações. Só seriam seios reais se viessem junto com o vestido, e a mulher, usando sua transparência, automaticamente ficasse com seios de manequim.

As manequins são como aqueles desenhos nos cartões à sua frente nas poltronas dos aviões, de pessoas ajustando o colete salva vidas, colocando as máscaras de oxigênio, assumindo a posição adequada para o caso de queda do avião, atirando-se pelo tobogã para sair do avião acidentado - enfim, em situações de emergência. E nenhuma daquelas pessoas têm cara de quem está numa situação de emergência. Não estão exatamente sorrindo, mas suas expressão é de quem enfrenta emergências com naturalidade, até com uma certa indiferença.

São o tipo de pessoas que seguiriam as instruções de respirar normalmente depois de colocar as máscaras de oxigênio - coisa que você e eu nunca faríamos. As manequins são assim. Desfilam como se ser magnífica, com seios magníficos, fosse uma coisa comum. Na vida real, poucas mulheres podem usar uma roupa cara com a cara que a roupa cara merece, como fazem as manequins. Como na vida real, ninguém respira normalmente durante uma emergência.

Comments:




Moacyr Scliar
04/07/2004


Confusões literárias

Eu estava em São Paulo participando de um congresso de escritores. Era época da repressão. Dois colegas estavam comigo, mas disseram que não iriam falar. Eu entrei sozinho no salão. Era tudo comigo

A próxima quarta-feira, dia 7, marca o início da Festa Literária Internacional de Parati (Flip), que, em sua segunda edição, deverá reunir 21 escritores brasileiros e 16 estrangeiros (Paul Auster, entre eles) na bela e histórica cidade do litoral fluminense. O festival, idealizado pela editora inglesa Liz Calder, já ganhou bom prestígio.

E começa, portanto, a gerar polêmicas, uma das quais com repercussão nacional: o notável escritor João Ubaldo Ribeiro, um dos convidados, anunciou que não mais comparecerá. Achou-se pouco prestigiado pela divulgação do evento e abriu mão do convite, o que deu manchetes na imprensa do centro do país.

Seu gesto, ainda que surpreendente, não é excepcional. Volta e meia escritores deixam de aparecer nos encontros de literatura. Às vezes a desistência ocorre no último momento e disso posso dar um testemunho pessoal.

Eu estava em São Paulo participando de um congresso de escritores. Era a época da repressão, essas coisas eram difíceis de organizar, mas os coordenadores haviam conseguido o milagre de reunir ficcionistas e poetas de todo o país.

Num dos painéis estavam Rubem Fonseca, o nosso Dyonelio Machado e o jovem escritor (bota tempo nisso) que então eu era. O painel seria realizado no auditório do próprio hotel em que estávamos hospedados. Estava na hora, e dirigiam-nos para o local, quando, no corredor, Rubem Fonseca voltou-se para mim e disse que não iria falar.

Tudo o que o escritor tem para dizer está em seus livros, explicou. Eu ponderei que aquele não era exatamente o momento para provar essa verdade, mas Rubem estava decidido: despediu-se e foi embora. E eu também não vou falar, acrescentou Dyonelio Machado. Sua explicação era diferente: "Eles vão dizer: olha só como o velhinho ainda está lúcido." Foi embora também.

Entrei sozinho no salão, sem saber o que fazer. Ao microfone, contei o que havia sucedido: o painel programado já não aconteceria, pelo que eu me escusava. O auditório mostrou-se compreensivo e algumas pessoas pediram que eu falasse um pouco sobre minha trajetória. Eu disse que era de Porto Alegre, filho de emigrantes judeus-russos, que esta origem aparecia em minha ficção - enfim, dei um depoimento. Não me saí de todo mal e achei que, como se diz aqui no RS, estava pelada a coruja. Infelizmente, estava enganado.

Na minha fala eu havia mencionado o nome do escritor Samuel Rawett, também de origem judaica, a quem eu não conhecia, e que, por acaso, estava presente. Alguém se ofereceu para me apresentar a ele. Fomos até a rodinha em que se encontrava o Rawett. Ali estava ele, um homem magrinho, com cara de poucos amigos.

Eu disse que era um prazer conhecê-lo. Respondeu, aos berros, que para ele não era prazer nenhum. Vocês me perseguem, estou farto disso, gritou, numa clara demonstração da paranóia que já então o acometia e que o levava a ver, em todos os lugares, uma conspiração judaica contra ele. A custo consegui acalmá-lo. E não preciso dizer que respirei aliviado quando aquele dia terminou.

Eu estou no painel do qual o João Ubaldo ia participar. O que desperta em mim uma suspeita: será que não sou eu a causa desses ataques de rejeição? Não serei o portador de uma espécie de maldição que faz os meus companheiros de mesa desistirem na última hora? Vamos ver o que acontece no próximo painel. Se alguém cancelar a participação, vocês já sabem quem é o culpado.

scliar@zerohora.com.br

Comments:




Paulo Sant'ana
04/07/2004


Tarifas atacam como feras


Literalmente, nós, brasileiros, estamos fritos. O Superior Tribunal de Justiça derrubou o aumento na tarifa telefônica, que seria de 7,43% sobre a assinatura básica e de pulso, devendo o reajuste chegar agora a 17,45%.

Em seguida virá o aumento da energia elétrica, que se estima ficará também em torno de 17%, repetindo-se há anos o que parece nunca mais irá ter paradeiro: as tarifas aumentam em três vezes o valor da inflação, o que vai deixando a população aos estertores.

Ninguém agüenta mais esta selvagem lógica matemática, há uma inflação de fachada para tabelar os raros salários que são reajustados, há outra de valor três vezes maior para arrancar dos bolsos populares o mínimo que ainda resta de uma renda dos trabalhadores que diminui, também e por isso mesmo, a cada ano.

A única salvação que se vislumbrava era a de que a Justiça dos tribunais fosse impedir esses aumentos brutais, atendendo ao princípio de que os reajustes só podiam exceder à inflação se pudessem ser suportados pelos consumidores e usuários, mas, ao que consta, o princípio de que os contratos leoninos celebrados com as concessionárias têm de ser honrados, sob pena de desestimular os investidores, é o que prevalece nas decisões judiciais.

Agora que a Justiça capitulou, não há mais qualquer esperança e os brasileiros ficam assim condenados a empobrecer.

E quem já é pobre tende a miserabilizar-se.

Não há equação que salve quem vê as tarifas subirem 100% em quatro anos, sem quaisquer reajustes em seus ganhos que possam custeá-los.

Assim foi nos últimos anos, assim será nos próximos.

É o fim.

É duro dizê-lo, é penoso declará-lo, mas se era para reajustarem as tarifas telefônicas a esse nível escalpelador de três vezes a inflação por cada ano, melhor seria então que não houvesse a expansão do setor na privatização.

A terrível realidade é que cada vez mais se torna ilusório aquele feito que se comemorou com estrépito de todos poderem ter ligado o seu telefone sem custo de compra da linha.

Vê-se agora que a linha telefônica que parecia não custar nada cobra um preço exorbitante pela sua "gratuidade".

Quando a esmola é muita, o santo desconfia; laranja na estrada, tá bichada ou tem marimbondo no pé.

E antes que alguém torça o nariz para estas minhas observações, é evidente que o ângulo em que me situo é exclusivamente o do consumidor ou usuário, o que paga o pato, o que sustenta a estrutura.

Com cara de palhaço, pinta de palhaço, roupa de palhaço.

Como cantava o Miltinho, foi esse nosso amargo fim.

Os catarinenses, nossos estimados vizinhos, estão a nos colocar aturdidos com algumas supremacias eventuais mas significativas que ostentam ultimamente sobre os gaúchos, inimagináveis anos atrás.

O Figueirense lidera absoluto o campeonato nacional, e os estudantes de Florianópolis, numa corajosa atitude ultimamente nunca vista no Rio Grande, saíram para as ruas nos últimos dias, em passeatas e comícios relâmpagos, reagindo energicamente contra o aumento de 15% nas passagens dos ônibus da Capital.

A luta dos estudantes de Florianópolis foi tão exemplar e brava que a prefeitura, antes irredutível, declarou ontem que deve rever o reajuste.

Povo que não protesta contra reajustes desumanos, em última análise merece-os.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comments:




Sonhos de verão

Romantismo, tempero tropical, perfume retrô e delírios infantis: Fashion Rio deu a partida rumo à próxima estação
Marcia Disitzer

O Fashion Rio, que terminou na quarta-feira, no MAM, desfilou moda e esbanjou show. Na ânsia de transformar roupa em espetáculo, os estilistas não pouparam esforços: Elza Soares cantou, Filhos de Gandhi emocionaram, teve aula de italiano, performance de break, rap, e 45 meninos de rua, recrutados no sinais de trânsito da cidade, foram figurantes.

Muito além do show, a moda mostra a sua força. Andrea Marques, à frente da Maria Bonita Extra, eterniza a grife; Luiza Marcier, de À Colecionadora, amadurece e encanta com vestidos com desenho de caneta bic; Zigfreda, de Kátia Wille, já está pronta para vôos solos. A praia carioca continua muito bem, obrigada.

No desfile-show da Rygy, uma celebração das tribos do Rio e da chita, que deve se consagrar, agora, nas areias. Os forasteiros fortalecem o evento: Carmelitas, Coven e Lei Básica acrescentaram flores, rendas, pássaros e temperos ao verão 2005.

Comments:




Ponto de vista: Stephen Kanitz

Os mesmos erros do passado

"Lançar novamente títulos com juros nominais 'flutuantes' é um retrocesso, é retomar o erro que causou duas décadas perdidas. Não se assegura 'estabilidade' monetária assinando contratos com juros 'flutuantes' "

É assustador quão poucos jornalistas econômicos e economistas criticaram o recente lançamento pelo governo de 750 milhões de dólares de dívida, com juros nominais "flutuantes". Dois que olharam feio foram o site www.jubileubrasil.org.br e o jornalista Ney Hayashi da Cruz, da Folha de S.Paulo.

A pegadinha está na palavra juro "flutuante". Todo economista sabe que juros flutuam até o dia da assinatura do contrato. Esse empréstimo é diferente. Ele reza que os juros irão flutuar APÓS a assinatura do contrato. A cláusula de juros não contém um número predeterminado, como 3% ou 16%. A cláusula de juros reza que o Brasil pagará a taxa LIBOR, QUALQUER QUE VENHA A SER ESSA TAXA NO FUTURO. Você assinaria um contrato desses?

Dezenas de ministros e secretários da Fazenda desde 1964 assinaram sem pestanejar. Assinaram contratos indeterminados com relação ao preço dos juros, com cláusula contratual incerta. Seus críticos consideraram essa cláusula um verdadeiro cheque em branco. Segundo Delfim Netto, na época não havia alternativa, era pegar ou largar.

Sabemos o fim daquela história, a libor "flutuou" para 16% em 1981, e todos os contratos efetuados quando os juros eram de somente 4%, 5%, 6% e 7% foram imediatamente repactuados para 16%. Passamos a pagar 16% sobre toda a nossa dívida, passada e futura. Conclusão: quebramos, dando início a duas décadas perdidas, quando perdemos a corrida contra a Índia e a China.

Perguntei ao melhor economista que tivemos, Mario Henrique Simonsen, por que ele assinara esses contratos flutuantes: "A ciência econômica não tinha meios de prever esse aumento excepcional dos juros". Concordo plenamente, mas essa é justamente a razão para não assinar esse tipo de contrato. A prudência financeira nesse caso exigiria, no mínimo, negociar um teto máximo de juros como precaução, digamos não mais que 12%, ou negociar um hedge de juros na Bolsa de Chicago. Nada disso foi feito.

O resto da administração pública tem de se preocupar com o Orçamento da União, a Lei de Licitação, o Tribunal de Contas, de pagar preço fixo em tudo, enquanto um ministério tem carta branca para assinar preço incerto?

Em 1986 fui trabalhar para o Ministério do Planejamento, a pedido do ministro João Sayad, para tentar cancelar esses contratos com juros flutuantes e negociar contratos com juros reais fixos pela duração do contrato, ou seja, criar uma alternativa.

A revista Euromoney ficou sabendo do plano e, para minha grande surpresa, o endossou com o editorial intitulado "Entra em cena o Alquimista". Os "alquimistas" éramos nós, do Ministério do Planejamento, que, na opinião da publicação, estávamos transformando lixo em ouro, apresentando um plano ganha-ganha ¿ além de reduzir os juros para 3% reais, fixos e imutáveis, e eliminar o risco da flutuação desestabilizadora. O editorial completo está em meu site, www.kanitz.com.br. Enquanto isso, o Ministério da Fazenda preparava a moratória, uma estratégia perde-perde que nos custou muito caro.

Lançar novamente títulos com juros nominais "flutuantes" é um retrocesso, é retomar o erro que causou duas décadas perdidas. Não se assegura "estabilidade" monetária assinando contratos com juros "flutuantes".

Em 2000, economistas da escola nominalista de FHC pioraram a situação lançando o Global Bond 40, com juros nominais fixos de 13% ao ano por quarenta anos, meses antes de a taxa libor começar a cair para o atual patamar de 1,8%.

Agora voltamos a lançar títulos com juros "flutuantes", justamente quando todo mundo espera que os juros americanos subam acentuadamente.

Que lógica é essa? Não seria melhor lançar títulos com juros reais fixos, como incentivou a Euromoney vinte anos atrás, medida posteriormente adotada pelo governo americano, o que lhe permitiu lançar títulos com juros reais de 3%, os famosos TIPS?

E se os juros subirem para 16%, como subiram em 1981? Daquela vez foi uma surpresa, era o cisne negro, o evento improvável, mas hoje nenhum economista pode dizer que é impossível ocorrer de novo um juro desses.

Onde estão os protestos de todo mundo que viveu flutuando nas duas décadas perdidas? Onde está o bom senso financeiro? Vamos começar tudo de novo?

Stephen Kanitz é administrador por Harvard
(www.kanitz.com.br)

Comments:




Caixinha de surpresa

Medicamento que aumenta o bom colesterol é o mais novo exemplo de uma moderna safra que inclui drogas potentes, certeiras e indicadas contra mais de uma enfermidade

Cilene Pereira, Lena castellón e Mônica Tarantino
Colaborou: Juliane Zaché


Vencer uma doença com o uso de uma simples pílula é um sonho antigo, mas, em muitos casos, algo difícil de ser alcançado. Porém, a expansão do conhecimento sobre o corpo humano, a criação de tecnologias e uma inesgotável vontade de buscar novas saídas para velhos problemas têm proporcionado o surgimento de remédios mais potentes, sofisticados e com menos efeitos colaterais.

A oferta desses produtos está gerando um ganho de vida em tempo e em qualidade nunca antes visto. Eles contribuem para elevar as chances de cura do câncer, reduzir a ocorrência de infartos e para baixar as taxas de mortalidade da Aids. Só para falar de três grandes inimigos da saúde.

Muitos desses medicamentos representam revoluções no tratamento das doenças. Em certas situações, a droga divide a história do combate a uma determinada enfermidade em antes e depois dela. Foi assim, por exemplo, com a penicilina o primeiro antibiótico e a luta contra as infecções.

Nesta semana, mais um representante do time dos super-remédios será discutido em um encontro a ser realizado em Estrasburgo, na França. O Niaspan (ácido nicotínico ou niacina) é o primeiro medicamento criado para aumentar um tipo de colesterol, o HDL. Isso é importante porque essa fração é do bem. Ela limpa as placas de gordura dos vasos sanguíneos. Por isso, é conhecida como o bom colesterol.

Pesquisas mostram que a nova droga consegue elevá-la em 30%. Até agora, a melhor estratégia medicamentosa para controlar as taxas de colesterol era a estatina. Embora eficaz, essa classe de remédios tem ação principal sobre o LDL, o mau colesterol (ele se deposita nas paredes das artérias, prejudicando a circulação sanguínea).

Multiuso: no início vendida em pó, a droga é hoje indicada para o coração
Ter à disposição um remédio voltado para a elevação do bom colesterol é importante, porque estudos têm demonstrado que em diversos casos de infarto o LDL estava controlado, mas o HDL estava em baixa. Ou seja, o correto é manter os dois tipos de colesterol dentro dos níveis preconizados pelos médicos.

A niacina vem para ser tomada em conjunto com a estatina. Dessa forma, o risco de doenças cardiovasculares se reduz muito mais, diz o cardiologista Raul Dias dos Santos, do Instituto do Coração (InCor). Na verdade, o benefício dessa substância já era conhecido. O problema é que a forma de ação da niacina que estava no mercado causava efeitos colaterais como rubor e coceira, além de afetar o nível de açúcar no sangue.

O medicamento foi modificado pelo laboratório (Merck) e chegará este ano em parte da Europa numa formulação de liberação gradual que garante a eficácia sem causar os mesmos problemas. O remédio já está presente nos Estados Unidos, na Inglaterra e na Alemanha e vai desembarcar no Brasil em 2005. Dentro de cinco anos, os pacientes também deverão contar com outra droga que aumentará o HDL: o torcetrapib, que está sendo desenvolvido pelo laboratório Pfizer.

A criação de remédios como esses é um trabalho que exige conhecimento profundo do corpo humano e o uso de uma tecnologia bastante refinada. Em média, levam-se 14 anos, da idéia à produção, até que ele chegue às prateleiras. Apesar da complexidade, a velocidade dos lançamentos de produtos farmacêuticos tem crescido nos últimos tempos. Dados da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) mostram que na década de 60 um medicamento mantinha-se no mercado como o único de sua categoria por cerca de 12 anos.

No final dos anos 80, com o incremento da pesquisa para encontrar drogas contra a Aids, esse tempo caiu para quatro anos. Essa corrida para oferecer drogas diferenciadas está sustentada em investimentos de grande porte. Para este ano, por exemplo, a Bristol Myers-Squibb reservou US$ 2,5 bilhões para pesquisa. A Pfizer separou US$ 7,5 bilhões para desenvolvimento de novos produtos.

Hoje, o sonho das companhias farmacêuticas é fabricar remédios que sejam fenômenos de venda. Criar um produto contra a gripe, por exemplo, seria retorno certíssimo de investimentos. No entanto, apesar de muito desejado e pesquisado, esse tipo de medicamento ainda não existe por causa de dificuldades como a grande capacidade de mutação do Influenza, o vírus causador da doença.

Comments:




continuação

O mesmo obstáculo impede, por enquanto, o desenvolvimento de um único remédio para acabar com o HIV, o vírus da Aids. É preciso muita energia, esforço e dinheiro para conseguir algo que funcione bem. É uma pesquisa de risco, afirma Ricardo Diaz, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O grande medicamento pode ser descoberto a qualquer minuto, mas exige investimento contínuo e pesado, completa Elaine Maia, professora da Universidade de Brasília e especialista na criação de novas moléculas.

Até por essas dificuldades, uma forte aposta das empresas é aprimorar drogas que já se mostraram eficientes e seguras. Um dos objetivos é diminuir o número de vezes em que se toma um remédio. Quanto menos vezes o paciente precisar tomar o medicamento, menos chance ele tem de se esquecer ou mesmo de se cansar do tratamento.

Um exemplo dessa nova safra de produtos é o antibiótico Cipro XR (ciprofloxacina). Indicado para infecção urinária, pode ser tomado uma vez por dia. É um ganho considerável. Em geral, as medicações precisam ser ingeridas de duas a quatro vezes por dia, dependendo do antibiótico. Isso melhora a adesão ao tratamento, afirma o urologista Álvaro Sarkis, do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo.

Outra tendência importante que segue o princípio de facilitar o tratamento são os remédios que associam substâncias. Em vez de usar duas medicações para o mesmo problema, toma-se apenas um comprimido. Essa estratégia tem sido muito adotada no controle da hipertensão. Em casos moderados e graves, normalmente o paciente é obrigado a tomar mais de uma droga. Mas já existem vários produtos que unem dois compostos numa mesma cápsula, como o Micardis HCT (telmisartam e hidroclorotiazida) e o Sinergen (besilato de anlodipino e maleato de enalapril). O técnico em eletrônica René Blum, 67 anos, de São Paulo, faz uso do Sinergen. Nunca mais tive problemas, conta.

Ele é responsável pelo centro de transmissão da Rede Bandeirantes, onde foi fotografado na torre. É claro que o uso de remédios combinados não é para qualquer paciente. Nesses medicamentos, as doses são padrões. Não dá para mexer nelas. Se o paciente precisa de uma dose diferente, é preciso usar remédios separadamente, explica José Carlos Nicolau, diretor da Unidade Clínica de Coro

Comments:




Diogo Mainardi

Bush não é um Saddam

"O que importa é que a brutalidade americana coincidiu com a necessidade dos iraquianos. O Iraque tem uma pequena chance de dar certo. Com Saddam Hussein, não tinha chance nenhuma"

Lula considerou "ilegítimo" o ataque americano ao Iraque. Declarou que George Bush não tinha "o direito de decidir o que era bom e o que era ruim para o mundo". João Paulo Cunha foi mais longe. Acusou o presidente americano de "ordenar um massacre". Chamou-o de "déspota". Déspota era Saddam Hussein. Comparar George Bush a Saddam Hussein é insultar os milhões de iraquianos mortos ou torturados pelo ditador. João Paulo Cunha é como Madonna.

Madonna disse recentemente que George Bush e Saddam Hussein eram iguais porque "se comportavam de maneira irresponsável". Ela anunciou também que, de agora em diante, prefere ser chamada de Esther. O nome tem um significado cabalístico. João Paulo Cunha é nossa Esther. Lula é nossa Esther.

A linha adotada por Lula durante o conflito no Iraque foi defender o papel da ONU. Claro que se trata de uma enganação. A política da ONU para o Iraque, na última década, baseou-se no embargo comercial. Como se sabe, Lula e seus partidários sempre condenaram o embargo comercial. Queriam o fim das sanções impostas a Saddam Hussein.

Lula e seus partidários denunciaram também todas as outras intervenções militares americanas, muitas das quais contaram com o apoio da ONU. Foram contra a primeira guerra no Iraque. Foram contra a guerra na Iugoslávia. Foram contra a guerra no Afeganistão. Se dependesse de Lula, Saddam Hussein ainda estaria no Kuwait, Milosevic teria prosseguido o genocídio na Bósnia e no Kosovo, os talibãs continuariam a dar abrigo a Osama bin Laden.

José Dirceu acusou George Bush de deflagrar a guerra no Afeganistão apenas para contentar os interesses dos "círculos mais reacionários" dos Estados Unidos, que queriam construir um gasoduto na região. Onde está o tal gasoduto? O Afeganistão agora tem até eleições democráticas, mas não um gasoduto. A verdade é que os círculos mais reacionários dos Estados Unidos não tinham o menor interesse pelo Afeganistão, tanto que, na primeira oportunidade, se mandaram para o Iraque.

A maioria dos americanos está arrependida de ter apoiado a invasão do Iraque. O que é um bom sinal. Demonstra que os custos foram maiores do que os benefícios. Os americanos derrubaram Saddam Hussein e, ao contrário do que imaginavam, saíram perdendo com isso. Danem-se os americanos. Eles são ricos o bastante para cobrir o gasto. O único argumento cabível para invadir o Iraque era enfiar Saddam Hussein na cadeia.

E foi o que aconteceu. Digamos que um tirano assumisse o poder no Brasil. Digamos que ele bombardeasse com gás mostarda a população de Teresina. Uma força imperial que o destituísse seria bem-vinda. Pouco importa que os americanos tenham agido no Iraque com vinte anos de atraso. Ou que tenham contado um monte de mentiras.

Ou que tenham pensado unicamente em pilhar os recursos naturais do país. O que importa é que a brutalidade americana coincidiu com a necessidade dos iraquianos. O Iraque tem uma pequena chance de dar certo. Com Saddam Hussein, não tinha chance nenhuma. Independentemente do que pensam João Paulo Cunha, Lula e Esther.

Comments:




Cláudia Laitano
03/07/2004


Memórias roubadas

Sabe aquelas gavetas em que você guarda tudo que não tem coragem para jogar fora ou simplesmente não sabe mais onde pôr? Restos de aparelhos que não funcionam mais, um brinco sem par, a garantia do secador. Uma página do caderno de turismo com todas as informações sobre o Egito - nunca se sabe. Lápis sem ponta, cartões de visita, um rosário. Um bilhete banal de alguém que já foi importante. Botões, todo tipo de botões.

Pois é nesses inesgotáveis almoxarifados existenciais que costumam ir parar as fotografias antigas. Não as melhores - as que merecem os álbuns, os porta-retratos, as paredes da sala. As fotos que vão para a gaveta normalmente são aquelas que deram meio errado - mas não tanto a ponto de serem descartadas. Ou são meio mancas de contexto: o churrasco da firma, o batizado do filho de um conhecido, uma amiga muito sorridente num café em Amsterdã, ex-namorados.

Toda essa gente que não se conhece vai ficando ali, entre um talão de cheques usado e um pacote de lenços de papel pela metade, aguardando pacientemente uma sentença sobre o seu destino. E o tempo passa, a tralha se acumula, transborda para a gaveta de baixo. Até que chega o dia em que a faxina se torna inadiável. E que boa surpresa é reencontrar a amiga que não voltou mais ao Brasil, o ex-namorado ainda com cabelos, você mesmo 10 anos antes, numa pose que, pensando bem, nem era tão ruim assim.

Não sou do tipo que tem saudades do vinil, do telefone com discador ou do elevador com pantográficas. Mas ninguém me convence de que a tecnologia das câmeras digitais não está roubando memórias do futuro. Todo o princípio - muito racional e lógico - dessas câmeras é baseado no erro zero. A foto ficou boa? Ótimo. Não ficou? Delete. Aqui no jornal já é assim. O fotógrafo sai para a rua, faz 30 ou 40 fotos, sei lá, e no caminho de volta já vem selecionando o que fica e o que vai para o espaço. Tudo muito racional, muito lógico.

O problema é que o que hoje é secundário, descartável, daqui a 20 ou 30 anos, ou mesmo na semana que vem, pode ganhar todo um novo significado, talvez impossível de ser percebido com os olhos de hoje. O Kadão, editor de fotografia aqui da Zero Hora, costuma brincar que o retrato de Bill Clinton com uma inexpressiva estagiária chamada Monica Lewinsky teria sido imediatamente deletado na época por quase todos os fotógrafos com câmeras digitais. A história, às vezes, insiste em se construir a partir de material altamente deletável.

Não sei como serão as gavetas bagunçadas do futuro. Talvez em vez de retratos desemparelhados empilhem-se CDs muito organizados, cheios de fotos muito planejadas. Talvez daqui a cinco anos nem os CDs existam mais - vai saber. O certo é que o erro, o acaso, a aparente banalidade gravada naquelas velhas fotografias soltas na gaveta estão seriamente ameaçados. E junto com eles um bom pedaço da nossa própria história.

claudia.laitano@zerohora.com.br

Comments:




Ricardo Silvestrin
03/07/2004


Deu no New York Times

Bob Dylan, segundo Christopher Ricks, professor de poesia da Universidade de Oxford, é um dos maiores poetas da língua inglesa. A matéria do jornal, um tanto irônica, fala com um certo espanto das preferências de Ricks, mas não toca num ponto crucial. Chamar um compositor ou letrista de poeta não é o elogio mais correto como tantos pensam. Isso porque poesia, de livro ou mesmo falada, é uma arte. Letra de música é outra.

E não estou aqui com critérios de valor, tipo a poesia é culta e a letra é popular. A questão não é de valor, mas de estrutura. Uma letra de música não tem esse nome por acaso. Ela é parte da música. Tem a letra, a melodia, o ritmo, a harmonia, e mais o pulso, o ataque, a altura, a interpretação, o timbre... Tudo isso junto é o que vai dar a música. Quando Tom Jobim canta "Eis aqui este sambinha feito numa nota só / outras notas vão entrar, mas a base é uma só", ele está o tempo todo tocando uma única nota.

"Esta outra é conseqüência do que acabo de dizer...", mudou de nota. "Quanta gente existe por aí que fala, fala e não diz nada, ou quase nada / já me utilizei de toda a escala no final não deu em nada, ou quase nada" - aqui ele toca toda a escala, todas as notas. "E voltei pra minha nota, como eu volto pra você..." - voltou para uma nota só. "E quem quer todas as notas, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó, acaba sem nenhuma, fique numa nota só".

Então o Samba de uma Nota Só do Tom não tem uma nota só. Tem todas as notas. Vai de uma a várias. Comenta com palavras e notas o mérito da economia. Falar pouco, mas falar bem, em vez de falar e falar e não dizer nada. Transita ainda pela analogia com os casos amorosos - quem quer todas as notas acaba sem nenhuma. Letra e música se completam e ficam indissociáveis. É outra arte. O texto aqui não é um poema de livro.

Para ser lido. É parte de algo cantado e tocado. Na música Ângela, também do Tom: "Ângela, por que tão triste assim, agora / e tudo quanto existe chora / teu rosto na janela da-que-le-a-vi-ão" - nessa parte a escala vai subindo, e o sentido se completa com a melodia e a harmonia. O avião sobe musicalmente. Ele segue: "Lá embaixo a terra é um mapa / que agora uma nuvem tapa...".

Chamar o Tom de poeta é chamar urubu de meu louro. Tom é um grande compositor e um grande letrista. Costumam chamar um grande letrista de poeta quando querem elogiar, mas é um elogio incorreto. Além do mais, a que poeta se está referindo. Como se todo poeta fosse grande coisa.

Dependendo do poeta, o elogio pode sair pela culatra. Cada macaco no seu galho. Bob Dylan é um dos maiores letristas da língua inglesa. Olha o que ele cantava em 1963 na canção Masters of War (Senhores da Guerra): "Vós, senhores da guerra / que construís canhões / que construís aviões da morte....espero que morrais / e que chegue depressa a vossa morte / seguirei a vossa urna / na tarde pálida / e estarei vigilante quando vos baixarem / para o leito de morte / e ficarei sobre a vossa campa / até estar seguro da vossa morte". Por letristas como Dylan é que a letra de música é também uma grande arte. Não precisa nem deve ser chamado de poeta.

ricardo.silvestrin@zerohora.com.br

Comments:




Paulo Sant'ana
03/07/2004


Banco dos réus incompleto

Leio que o aparecimento de Saddam Hussein na televisão iraquiana, tomando conhecimento das acusações que lhe faz um tribunal improvisado, deixou perplexos os iraquianos.

Foi também a minha sensação. Não sei por que me excita a curiosidade que um homem tão poderoso recentemente, um ex-chefe de Estado, esteja recolhido a uma cela de cárcere em lugar desconhecido de todos, seja levado ao tribunal acorrentado nas mãos e nos pés, e diante do juiz que o citou, perguntado sobre qual era o seu nome, tenha respondido galhardamente: "Saddam Hussein al Majid, presidente da República do Iraque".

O juiz corrigiu: "Profissão? Ex-presidente do Iraque?" Saddam retrucou: "Não, presente, atual. É a vontade do povo iraquiano".

Que arrogância! Ou que altivez! Como é que um homem assim tão humilhado com a prisão e deposição do poder consegue ainda reunir forças para desafiar os seus captores, dizendo ter seu trono usurpado?

O mundo já teve milhares de tiranos sangrentos, menos de 10 deles foram julgados por seus crimes em todo o curso da História.

É gratificante que um déspota como Saddam sente no banco dos réus. Mas há um travo nesta gratificação. É que Saddam disse ao juiz que o citou o seguinte: "Isso tudo é um teatro do Bush, o criminoso, para ajudá-lo em sua campanha eleitoral".

É célebre a sentença: "Falta alguém em Nuremberg". E a impressão que se tem depois desta guerra e das torturas e mortes que foram impostas aos prisioneiros vencidos é que falta alguém no banco dos réus ao lado de Saddam.

O Grupo de Apoio à Prevenção da Aids julga tão importante que saia publicado nesta coluna o seu entender, dizendo que isso poderá salvar muitas vidas, que lhe cedo o espaço: "Prezado Paulo Sant'Ana. Através da presente, manifestamos nossa preocupação quanto ao conteúdo do texto 'Um homem aterrorizado', publicado em sua coluna de 16/06/2004, em virtude de o mesmo apresentar conceitos ultrapassados no que tange às diferentes formas de transmissão do vírus HIV.

Ocorre que, no referido texto, Vossa Senhoria afirma acreditar que apenas através do esperma e do sangue o vírus poderá ser transmitido, desconsiderando, como importante meio de transmissão, a secreção vaginal e o leite materno (mãe-filho).

Por se tratar de uma questão de saúde pública, e buscando esclarecer aos seus leitores, pensando em prevenção da Aids, é imperioso afirmar, de forma clara e direta, que MULHER TRANSMITE O HIV, SIM, nas relações sexuais desprotegidas: ou seja, o homem que se relacionar sexualmente com uma mulher portadora de HIV correrá o risco inegável de se infectar, nas relações com ela mantidas, se não fizer uso do preservativo (camisinha).

A presente afirmação reproduz estudos científicos amplamente comprovados, tanto no Brasil quanto em outros países, derrubando - já há muito tempo - os conceitos vigentes no início da epidemia de Aids, no sentido de que a mesma atingia, apenas, a determinados grupos ou segmentos da sociedade. Hoje, a Aids atinge a homens e mulheres, hetero e homossexuais, jovens e adultos, ricos e pobres.

Por último, os testes anti-HIV devem ser feitos nos locais destinados para tal fim, e que contam com profissionais habilitados para esclarecer e apoiar quem busca aqueles serviços.

Temerário, portanto, que pessoas sem capacitação específica se ofereçam para acompanhar abertura de envelope que contenha resultados de teste anti-HIV, conforme mencionado na referida coluna. Colocamo-nos à sua disposição, bem com a todos os leitores desse jornal, para as informações necessárias, através do telefone 3221-6363, ou diretamente na nossa sede, localizada na Rua Luiz Afonso, nº 234, nesta Capital. Atenciosamente, (ass.) Carlos Alberto Duarte, presidente do Gapa/RS".

psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comments:


Litoral
Mãos dadas pelo Caracol



Em Torres, moradores e veranistas deram um abraço simbólico no morro artificial construído durante mais de 10 anos pelo aposentado Hugo Bruxel. A Secretaria Estadual do Meio Ambiente ordenou a destruição da obra (foto Ronaldo Bernardi/ZH)


Comments:

Sexta-feira, Julho 02, 2004




Cinema
Teia de dúvidas

Homem-Aranha 2 é tão bom quanto o primeiro, mas agora ele vive o dilema entre a vida comum e a solitária caminhada de herói que combate vilões perigosos.

Ivan Claudio

Com os olhos anuviados, o lança-teias falhando e os dedos sem a viscosidade que lhe permite galgar arranha-céus, Peter Parker (Tobey Maguire), personagem de Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2, Estados Unidos, 2004), cartaz nacional na sexta-feira 2, está com seus poderes aracnídeos completamente avariados.

Acaba despencando numa viela alagada e, ao esborrachar-se em cima de um carro, se levanta e reclama: Ai, minhas costas! É uma piadinha de bastidores. Saído das filmagens do excelente Seabiscuit alma de herói, na qual encarna um jóquei, Maguire se queixava de terríveis dores na coluna.

Na verdade, era uma desculpa para cair fora da agitada sequência do título milionário, que amealhou US$ 820 milhões ao redor do mundo. Mas a Columbia Pictures lhe ofereceu um cachê de US$ 17 milhões e tudo melhorou. Contrato refeito, o diretor Sam Raimi não só enganchou a gag da dor nas costas no filme como teve garantida a presença do mesmo ator perfeito no papel , uma das razões do sucesso do primeiro episódio.


Molina como Doc Ock: tentáculos de quatro metros que lançam carros para o alto e abrem cofres num peteleco
A adaptação de um dos quadrinhos mais famosos do mundo também volta esbanjando a mesma energia e equilibrando alucinantes cenas de ação com ótimas passagens dramáticas, temperadas de humor. Os efeitos do arrasa-quarteirão que chega a 600 cinemas do País foram igualmente aperfeiçoados com um orçamento de US$ 200 milhões, US$ 61 milhões a mais que Homem-Aranha.

Desta vez, a chamada spydercam, câmera que se move num cabo fazendo vôos rasantes para reproduzir o ponto de vista do personagem, chegou a fazer um percurso de 800 metros. Ao todo, foram construídos 100 sets de filmagens.

Contudo, a adrenalina de ver o rapaz voando entre prédios e saltando sobre trens em movimento não seria completa se ele não enfrentasse um vilão à altura. Seu novo adversário, bem mais excitante que o anterior, é o cientista Dr. Otto Octavius (Alfred Molina), batizado pelo editor do jornal Clarim Diário de Dr. Octopus, ou mais intimamente de Doc Ock.

Kirsten: prometida para um astronauta mauricinho
O apelido deve-se a uma particularidade. Em consequência de um experimento desastrado com fusão de energia, Octavius incorporou quatro tentáculos metálicos de vida própria, deixando-o com a aparência de um polvo ciborgue, metade homem, metade máquina. Doc Ock um dos vilões mais cultuados dos aranhamaníacos é um espetáculo à parte quando move suas geringonças como as serpentes da medusa, lançando carros para o alto e abrindo cofres num peteleco. Sem falar de sua personalidade conflituosa, que levou Molina a compará-lo, com certo exagero, ao Ricardo III de Shakespeare.

Alucinado com o desejo de ter o sol na palma da mão, o vilão teria a sede de poder facilmente saciada caso o Homem-Aranha tivesse insistido em abandonar a carreira de herói. Endividado, repreendido pelo admirado professor de física, rejeitado pelo amigo Harry (James Franco) e malsucedido na sua corte à amada Mary Jane (Kirsten Dunst), Parker decide jogar seu uniforme na lata de lixo e viver uma vida normal.

É quando Doc Ock toma a dianteira atacando com seus tentáculos de quatro metros de comprimento justamente a tia de Parker, Mary (Rosemary Harris). Posteriormente, escolhe como refém a amada MJ, prometida para um astronauta mauricinho. São motivos suficientes para Parker recuperar suas habilidades e ir à luta.

Numa das cenas mais mirabolantes, o Homem-Aranha se vê na urgência de salvar com suas teias um comboio de metrô desgovernado e cheio de passageiros. Quase no final das tentativas de frear o trem, o condutor vira para o herói e pergunta: Ainda tem fio suficiente? Diálogos bem-humorados como este pipocam o tempo todo.

Ao impedir que uma estrutura de ferro desabe sobre MJ, por exemplo, o Aranha comenta, suando de esforço, que a carga está, de fato, pesada. E o que dizer da sequência em que, devidamente trajado, divide o elevador com um rapaz carregando um cãozinho. O moço o olha de soslaio e diz: Legal essa roupa de Homem-Aranha. Mas não é um pouco desconfortável? Sim, coça bastante, retruca o herói, fazendo um gesto tipicamente masculino.

Uma das razões da popularidade do Homem-Aranha, que já tem garantida sua existência até o sexto episódio, é justamente este lado humano. No primeiro filme, Raimi surpreendeu o público ao traçar um belo perfil psicológico do herói, que se sentia culpado pela morte do tio, abdicando do seu amor por Mary Jane para defender Nova York. Agora, o diretor dá um novo passo, aprofundando as relações entre os personagens numa evolução lógica que não repete as peripécias anteriores. Mas a emoção continua, e muito!

Comments:




Sexta, 2 de julho de 2004, 12h39
Coca-Cola é ameaça à segurança militar nos EUA

As latas da promoção são equipadas com celulares e GPS.

Há uma nova ameaça de segurança em algumas bases militares dos Estados Unidos - e ela se parece assustadoramente com... uma lata de Coca-Cola. Latas do refrigerante especialmente desenhadas, que fazem parte de uma promoção de verão da companhia, contêm telefones celulares e GPS. O fato tem preocupado oficiais em algumas instalações porque as latinhas poderiam ser usadas para espionagem. Assim, medidas de proteção estão sendo tomadas.

A Coca-Cola diz que tais preocupações não passam de bobagens. Um porta-voz da companhia, Mart Martin, afirmou que ninguém iria confundir uma das latinhas da promoção Unexpected Summer com uma Coca-Cola normal. "A lata é dramaticamente diferente", disse. As da promoção têm um painel na parte de fora e um enorme botão vermelho. "Ou seja, é muito claro que a lata é, na verdade, um equipamento de telefonia celular", completou.

Os ganhadores das latas ativam o dispositivo pressionando o botão. A latinha pode fazer contato apenas com o centro de promoções da Coca-Cola, assim como os dados do GPS que também só podem ser recebidos pela companhia. "Ela não pode ser usada como equipamento para espionar", garantiu Martin. Os prêmios da promoção incluem, entre outros, dinheiro e uma central de entretenimento doméstico.

Apesar disso, bases militares como o Centro de Armamentos do Exército em Fort Knox, no Kentucky, estão pedindo aos soldados que examinem bem suas latinhas de Coca-Cola antes de trazê-las às reuniões sigilosas.

"Estamos pedindo às pessoas que abram as latas e não as tragam se dentro houver um GPS", informou o sargento Jerry Meredith, porta-voz do centro em Fort Knox. "Não é como se estivéssemos examinando as latinhas no ponto de venda. É só uma questão de bom senso", completou ele.

A Força Aérea e a Marinha parecem ter ficado preocupadas também. Sue Murphy, uma porta-voz da base da Força Aérea em Dayton, Ohio, disse que aparelhos eletrônicos pessoais não são permitidos em alguns edifícios e salas de conferência.

"Na possibilidade remota de que uma lata dessas fosse encontrada em uma dessas áreas, nos asseguraríamos de que ela estivesse desativada, tentaríamos devolvê-la ao seu dono e pediríamos a ele que a utilizasse apenas em sua casa", explicou. Todos os funcionários da Marinha foram alertados a respeito das latas para mantê-las bem longe.

Paul Saffo, diretor de pesquisas no Instituto para o Futuro, comparou esta preocupação militar a quando a CIA baniu o Furbie, um boneco de brinquedo que podia repetir frases. "Há coisas que devem manter um general preocupado e acordado até tarde da noite pensando a respeito", disse Saffo. "Uma lata de Coca-Cola falante não pode ser uma delas."

Mas para o analista Bruce Don, da Rand Corporation, a preocupação dos militares é racional e apropriada. "Há muita razão em se preocupar a respeito de como essa tecnologia poderia ser aproveitada por terceiros sem o conhecimento da Coca-Cola", explicou ele. "Eu não me preocuparia se alguma dessas latas estivesse em meu refrigerador, mas se você tivesse uma reunião ou fosse a algum local sensível, não é inconcebível que ela pudesse ser usada para finalidades diferentes", completou.

Martin disse ainda que a maior fabricante de refrigerantes do mundo havia recebido telefonemas da Base Aérea de Hill Air em Ogden, Utah, e de uma base militar em Anchorage, no Alaska, pedindo mais informações sobre a promoção. Os telefonemas não expressavam nenhuma preocupação maior e a Coca-Cola não foi contatada pelas bases em Ohio e Kentucky, acrescentou. Respondendo se a Coca-Cola iria suspender a promoção por conta dessas questões de segurança, afirmou: "Não. Não há razão para isso".

Comments:




Sexta, 2 de julho de 2004, 17h38
Vegetarianos se agarram em NY para promover dieta

Um casal promoveu uma manifestação inusitada hoje em Nova York para promover uma dieta vegetariana. Ravi Ghand e Bethany Walker "se agarraram" em um colchão em uma calçada de Times Square garantindo que vegetarianos são melhores amantes.

Ghand, um fuzileiro dos EUA e veterano da guerra do Iraque, e Walker são ambos integrantes da organização Pessoas pelo Tratamento Ético de Animais (PETA), e faziam parte da "Turnê do Namoro ao Vivo" da PETA, que planeja manifestações similares nas ruas de Washington e outras cidades do país. A mensagem da PETA é de que "vegetarianos são melhores amantes".

Comments:




Supertaxa nos inativos

Aposentados e pensionistas da União recebem hoje com o desconto dos 11% de maio e junho
Teresa Cristina Fayal



Aposentados e pensionistas da União começam a sentir hoje no bolso o peso da cobrança previdenciária. O salário ficará menor para todos os que ganham mais de R$ 1.505,29. A cobrança de 11% será maior este mês porque nesse contracheque o valor descontado é referente a 40 dias de proventos: todo o mês de junho mais 10 dias de maio. Enquanto isso, no Supremo Tribunal Federal (STF) continua suspenso até o mês que vem, devido ao recesso, o processo de votação de duas ações indiretas de inconstitucionalidade (Adins) que contestam a validade da cobrança.

A taxação de inativos foi incluída na Reforma da Previdência, aprovada no ano passado, mas por exigência legal só pôde entrar em vigor após 90 dias de sua regulamentação. A cobrança passou a vigorar no dia 20 de maio, mas, como a data era próxima ao fechamento da folha de pagamento, não foi possível incluir o desconto referente aos 10 dias restantes, no contracheque daquele mês, liberado a partir do dia 2 de junho.

Enquanto a decisão do STF não sai, os servidores recorrem à Justiça por ações individuais ou por associações e sindicatos. A advogada Rose Marie De Bom alerta, no entanto, que os que ganharem liminares devem poupar o valor referente ao desconto que deixou de ser feito. ¿Apesar de a liminar garantir a isenção, os servidores devem se precaver, porque, se a União ganhar, poderá descontar de uma só vez todos os atrasados¿, explicou a advogada.

O ministro Antonio Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal, que interrompeu o processo de votação da Adin, prometeu apresentar seu voto no mês que vem, assim que acabarem as férias no Judiciário.

O julgamento começou em maio, mas Peluso pediu vista. Por enquanto, dois ministros votaram pela derrubada da cobrança previdenciária ¿ Ellen Gracie, a relatora, e Carlos Ayres Brito. O ministro Joaquim Barbosa votou a favor. Faltam ainda os votos de oito ministros.

Como voces verificam estão metendo a mão no bolso que guarda o salário de nossos avós, pais, tios, enfim daqueles que estã aposentados pela União. E ao invés de um aumento de 10% naqueles salários, como se vê, ele está se reduzindo nesse percentual. E o dinheirinho está indo para onde? Uma ótima sexta-feira e um fim de semana melhor ainda.

Comments:




Na Disney com Felipe Dylon

O cantor, sucesso entre adolescentes, é uma das novidades que agências estão programando para as férias em parques de Orlando
Isabela Motta


Aventure-se na montanha russa Splash Mountain: descidas radicais

Muita brincadeira e pouca ou nenhuma preocupação. É assim que pais e filhos querem passar as tão esperadas férias de julho. E é para fazer a alegria dos pequenos e também dos adultos, por que não? que parques temáticos e agências de viagens preparam programações especiais para esta época do ano. Entre as novidades, passeios entre animais selvagens, viagens com atores, um show exclusivo com o cantor Felipe Dylon em plena Walt Disney World e um tour pelos principais parques de diversões do Brasil.

Destino tradicional entre os jovens há décadas, Orlando voltou a ser um dos lugares preferidos neste período depois de andar um tempo em baixa por causa dos dos atentados aos Estados Unidos, em setembro de 2001. O motivo? Além de diversão a valer no complexo de parques temáticos espalhado pela cidade entre eles, a Walt Disney World os grupos formados pelas agências especializadas estão sempre inovando.

Show com Felipe Dylon e festa com Henri Castelli

Este ano, a adrenalina não ficará por conta apenas dos brinquedos mais radicais. Ídolo de 10 entre 10 meninas por volta de seus 15 anos, o bonitinho Felipe Dylon aceitou convite de um grupo de empresas de vários estados e fará dois shows exclusivos na terra de Mickey Mouse.

Os pacotes que incluem a apresentação do cantor podem ser de 11 ou 14 dias. Os grupos também visitarão as principais atrações de Orlando como Magic Kingdom, Epcot Center, MGM Studios, Universal Studios, Thyphoon Lagoon, Sea World, Blizzard Beach, Islands of Adventure e Animal Kingdon. Ainda há vagas para os grupos que saem dias 10, 14, 15 e 21. Os shows estão marcados para os dias 20 e 22 e ainda haverá café da manhã com o ídolo.

A agência Tia Penha-MPS, de Vitória, também entrou na onda e levará o ator Henri Castelli para festa de confraternização com a garotada. As saídas de Vitória estão marcadas para os dias 20 e 21.

Comments:




David Coimbra
02/07/2004


Coisas da caixa de câmbio

Assim que tirou a carteira de motorista, depois de quarenta e tantos anos andando a pé, ou de carona, ou de humilhante, o bravo repórter Luís Henrique Benfica sentenciou:

- Tenho nojo de pedestre.

Foi o que me convenceu a fazer a habilitação. Agora, eu e o Benfica ficamos no café, discorrendo sobre as peculiaridades da vida de motorista. Sim, a vida de motorista é árdua, disso sabemos. Todos aqueles pedais. As complexidades do painel. E a marcha a ré, quão traiçoeira é a ré! Essas coisas.

Mas concluímos, também, que há vasta filosofia nas atribulações automotivas. Cunhamos inclusive um axioma que vem pautando nossos dias. O seguinte: "A vida é uma grande caixa de câmbio: depois que se engata a primeira, só vai".

Com essa verdade em mente, tudo é fácil. Exemplo: o Benfica tem de fazer uma matéria, a matéria não sai. Sentado ante a tela vazia do computador, ele sofre. Aí, pouso a mão em seu ombro e lembro:

- É preciso engatar a primeira.

O Benfica balança a cabeça, em muda concordância. E escreve a frase de abertura. Em seguida, o texto como que escorre sozinho pela tela, até o ponto final.

Engatar a primeira, lembre-se. Sempre funciona. Ou quase. Não funcionou, curiosamente, com uma questão relativa ao transporte. Isso do aeromóvel de Porto Alegre. Engataram a primeira, e na primeira ele ficou, correndo 200 metros para frente, rumo a um nada, 200 metros para trás, na direção de outro nada.

Ontem, vi os candidatos a prefeito debatendo sobre o aeromóvel. Tive a tal sensação do déjà vu. Em todas as campanhas, os candidatos falam sobre o aeromóvel, prometem finalizá-lo e tralalá. Chega, por favor. Nós sabemos que o aeromóvel vai continuar como está, eternamente na primeira marcha, percorrendo seus melancólicos 200 metros de cada dia. E é até bom que lá ele fique, tornando-se, enfim, algo útil: um monumento que nos lembre, para sempre, das falsas ilusões das campanhas eleitorais.

Proposta de debate

Esses debates. Eles são enfadonhos. Os homens ficam lá, tentando explicar o projeto habitacional em minuto e meio. O que é que alguém explica em minuto e meio? Em vez de debate, que se coloque os candidatos numa casa estilo Big Brother. Durante dois meses, eles vão conviver uns com os outros. Vão cozinhar, arrumar as camas, nadar na piscina. Nós eleitores assistiremos e os julgaremos. Se o Pedro Bial não quiser ser o mediador, pode ser o Lasier mesmo. A cada semana, um será eliminado, até que só reste o prefeito. Temo apenas que alguns cedam à tentação de estabelecer alianças debaixo dos edredons.

david.coimbra@zerohora.com.br

Comments:




Mauren Motta
02/07/2004

Rio amado

Sempre amei as férias de inverno. Fugir do frio e voar para o Rio era meu destino preferido nessa época do ano. Quando julho chegava, estava certo e garantido que iria encontrar a minha amiga mais querida: minha prima Daniela. Como sou filha única, ela é a irmã que não tive. Nunca moramos na mesma cidade, mas sempre estávamos sintonizadas uma na outra. A ansiedade da chegada acabava no desembarcar do vôo. O encontro era sempre seguido de um respirar profundo para sentir o cheiro de mar.

Entre outros lugares, a conversa era posta em dia no apê de Copacabana. A minha adolescência foi marcada pelas tardes passadas no Roller da Lagoa, a praia no Arpoador, o sorvete da Chaika, os passeios no Rio Sul e os surfistas dourados de sol. Tudo era novidade. A cidade não era tão violenta, e a liberdade era exercitada a cada segundo.

"Olha biscoito Globo, Olha o mate" - o grito dos vendedores atrapalhava a conversa na areia, mas caracterizava o território. Clássicos da praia, eles deixavam mais saborosas as manhãs no Posto 9. Naquele tempo, a Barra da Tijuca ainda era novidade, e a zona sul, ferveção. Como ver de perto o Barão Vermelho, a Legião Urbana e o Ultraje a Rigor cantando no Morro da Urca.

Nesta semana, estou aqui outra vez. A temporada de moda me trouxe de volta pra casa. Sim, me sinto em casa aqui. Do Rio posso dizer que conheço cada buraco. A maturidade me fez entender um outro tipo de cidade mais intelectualizada, boemia e histórica. Meu foco de atenção agora são as Livrarias de Ipanema, os antiquários e o samba da Lapa, os restaurantes do Leblon e os botecos do Baixo Gávea. Prefiro uma caminhada nas paineiras a um dia escaldante de praia.

Minha agenda de amigos também aumentou. Tem cariocas que conheci viajando para outros lugares que hoje são grandes parceiros também. Mas é claro que não dá tempo de fazer tudo que gosto ou encontrar com todo mundo. A correria da semana de moda deixa espaço, quando muito, para um atrasado jantar. Hoje não tenho mais férias de julho. Mesmo trabalhando, ainda dá pra matar a saudade do cheiro, rever os lugares, e principalmente, encontrar com a minha prima Daniela.

mauren@rbstv.com.br

Comments:




Paulo Sant'ana
02/07/2004


Debate foi refresco para Pont

Gostei muito do encontro de confraternização entre sete candidatos a prefeito de Porto Alegre, ontem, na RBS TV e na Rádio Gaúcha.

Deve ter sido preparatório para algum debate que porventura ainda possa vir a ocorrer entre os contendores.

Foi elogiável o clima de cordialidade havido entre os prefeituráveis. Ao que parece, no final da eleição todos terão atingido seus objetivos: o cavalo do comissário vencerá novamente o páreo e os outros candidatos terão reforçadas suas candidaturas a deputados dali a dois anos.

O Raul Pont (PT), que pensei fosse ser fustigado por críticas e ataques dos seus adversários, foi tratado a pão-de-ló e canapés pelos oposicionistas, nunca foi tão fácil para um partido alcançar o quinto mandato consecutivo numa cidade.

A impressão que se desprendeu do debate é de que são frágeis e inconsistentes os argumentos da oposição, pelo que caberá ao eleitorado reconduzir o partido governante ao poder.

Com a passividade concorde dos concorrentes.

Achei estranho que um dos dois ângulos mais nevrálgicos da administração citadina não tivesse sido levantado em nenhum momento pelos cinco ou seis candidatos de oposição: a degeneração do Centro e o asfixiamento do comércio nas ruas centrais pela concentração agressiva dos camelôs, tanto contra os comerciantes estabelecidos quanto sobre os transeuntes.

Nenhuma palavra sobre a degenerescência total do Centro, sobre a alarmante desvalorização imobiliária, não só nos prédios residenciais mas principalmente nos comerciais, com a zona central da cidade submetida a um aviltamento assustador na sua paisagem sociourbana, transformando-a gravemente de zona nobre da cidade, em poucas décadas, a um lugar evitado pela população, quando devia ser o que sempre tinha sido: um pólo de concentração dos negócios e um espaço alegre, agradável, movimentado e estuante para os passeios diários das pessoas.

Não estou fazendo juízo de valor sobre a atual administração municipal e seus três anteriores mandatos, até mesmo porque a obsequiosa ausência de qualquer ofensiva crítica dos candidatos oposicionistas no debate de ontem fez com que os telespectadores e ouvintes intuíssem que nada há que mudar na administração da cidade.

Estou, sim, fazendo juízo de valor atualíssimo sobre a estratégia dos candidatos ontem no debate que nos proporcionaram.

Quando o candidato do governo afirmou "que municipalizamos a saúde", deu o sinal verde para os oposicionistas atacarem que a obrigação principal da prestação dos serviços de saúde na cidade era da prefeitura, e não do triúnviro consórcio entre o município, o Estado e a União, pelo SUS, o que aparentemente torna difusa a responsabilidade.

Então era a hora de os candidatos oposicionistas cobrarem o caos das consultas e cirurgias, que demoram um, dois e até três anos em muitas especialidades, arrastando as pessoas para o agravamento de suas doenças e em muitos casos para o aleijão, a deformidade e a morte.

Nenhuma palavra da oposição, senão uma ou duas referências amenas e superficiais.

Raul Pont (PT), que era para ter enfrentado um corredor polonês no debate, desfrutou de uma deliciosa estação de veraneio.

E os candidatos oposicionistas devem ter adiado as suas críticas mais veementes à atual administração para os palanques.

Porque na oportunidade rica do debate por rádio e televisão não se notou qualquer razão para os eleitores derrubarem a hegemonia longeva do PT.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comments:


Trânsito
Acidente entre dois ônibus deixa 38 feridos na Capital



Colisão ocorreu no corredor da Avenida Bento Gonçalves. De acordo com testemunhas, um dos veículos teve de frear para não atropelar uma mulher que atravessava fora da faixa de segurança e foi atingido pelo que vinha atrás (foto Ricardo Duarte/ZH)


Comments:

Quinta-feira, Julho 01, 2004




Mulher macho

Samara Felippo entra em Da Cor do Pecado como lutadora que conquista o feminino Abelardo
Alícia Uchôa

Para todo pé descalço, há mesmo um chinelo velho. Edilásia (Rosi Campos) já não vai precisar empurrar mulheres para Abelardo (Caio Blat) em Da Cor do Pecado. É que o maquiador vai enlouquecer quando conhecer Greta Bazaróv, novo personagem de Samara Felippo. E pode esquecer a carinha de moça doce da Celina de Chocolate com Pimenta. Com coques de Mamuska, ela é uma versão feminina do metrossexual: fala grosso e entende o universo masculino como ninguém.

Greta é uma mulher-macho, uma lutadora brutamontes e grossa. É a versão feminina do Abelardo. Enquanto ele é recriminado por ser muito feminino, ela é toda masculinizada, dá porrada em quem a contraria e vê a luta como sexo, mas é do bem, avisa Samara, que passou a semana testando o figurino e começa a gravar semana que vem, depois de um intervalo de quase dois meses, quando terminou a novela das seis.

O grande encontro está previsto para acontecer daqui a uma semana, quando ela divide a cena com Abelardo em seu próximo filme de luta e ele se apaixona. No entanto, como toda novela, a recíproca não será verdadeira. Pelo menos a princípio. Ela é completamente volúvel e olha Thor (Cauã Reymond), que está numa fase poeta para conquistar as meninas e o acha lindo. Pensa que ele é o sensível e o intelectual da família, que a completa e se apaixona. Como conhece o Abelardo como lutador, inverte tudo, conta a atriz, que faz sua estréia no mundo da comédia.

Já na primeira semana, Greta dá uma surra em Abelardo, que fica ainda mais encantado com a moça. Ela, entretanto, nem liga. Larga as filmagens para ir ao recital de poesia de Thor. Ele, enciumado, vai atrás, sobe no palco e começa a confusão. Apesar da disputa de atenção, Samara não vê no personagem uma rival de Tina (Karina Bacchi).

Não vão ficar todos os irmãos na dela, só o Abelardo mesmo é quem se prende, explica Samara, que pretende entrar para ficar. Com o tempo, Greta ganha casa, uma história e fica até o fim da novela.

Comments:




FLAMENGO X SANTO ANDRÉ
O Santo milagreiro

Sem criatividade e poder ofensivo, Flamengo joga mal e perde para o Santo André (2 a 0), legítimo campeão da Copa do Brasil
Janir Júnior



Em momento algum o Flamengo conseguiu superar a forte marcação e a determinação do Santo André. Felipe não teve espaço

Do céu ao inferno, sem escala no purgatório. O Flamengo pagou ontem, ao ser derrotado por 2 a 0 pelo Santo André, em pleno Maracanã, um dos maiores micos de sua história. Depois de chegar ao Maior do Mundo comemorando antecipadamente o bicampeonato da Copa do Brasil, o torcedor rubro-negro deixou o estádio banhado em suor e lágrima, ao ver o modesto time do ABC, que disputa a Segundona do Brasileiro, conquistar o título e garantir vaga na Libertadores do ano que vem.

Com o vexame, o Flamengo deixou de arrecadar R$ 1 milhão para os seus combalidos cofres, e o técnico Abel Braga deve se despedir da Gávea. A demissão do treinador pode acontecer a qualquer momento. Assim como a ida de Felipe para o futebol francês. Para piorar, no basquete, outra decepção. O Rubro-Negro foi derrotado pelo Uberlândia, que ficou com o título nacional.

No primeiro tempo, o Flamengo não atuou como favorito. Desprezando a força de sua torcida, o Rubro-Negro atuou mal. Apesar da inoperância do time do técnico Abel Braga, o Santo André pouco fez, embora tivesse a bola sobre seu domínio por mais tempo.

Sem querer, o Flamengo melhorou um pouco após os 8 minutos da etapa inicial. Róbson torceu o tornozelo esquerdo e acabou saindo de campo. Em seu lugar entrou Jônatas. Embora não tenha sido brilhante, o reserva deu um pouco mais de consistência ao inoperante meio-campo rubro-negro.

Apesar de confuso, o Flamengo foi quem teve a melhor oportunidade de gol. E ela só foi acontecer aos 40 minutos. Felipe abandonou a ponta direita e apanhou um rebote na esquerda. O camisa 10 encontrou Jônatas livre no meio da área, que chutou forte. Mas a bola bateu na perna de um zagueiro e saiu pela linha de fundo.

O Santo André precisou apenas de 22 minutos, no segundo tempo, para conquistar o título. Logo aos 7, Sandro Gaúcho, sozinho entre Roger e Da Silva, escorou um escanteio de cabeça e fez 1 a 0 para o time do ABC.

O Flamengo perdeu-se em campo e o Santo André ampliou aos 22. Osmar invadiu pela esquerda, cruzou e Élvis, provando que não estava morto, desviou de Júlio César: 2 a 0.

A partir daí, o time do técnico Péricles Chamusca passou a tocar a bola. E a torcida do Flamengo, aos gritos de timinho, deixou o estádio. Era o fim do sonho da Libertadores.

Comments:




Louras em chamas

Sheila Mello tenta mostrar que há vida depois do Tchan beijando Marinara em peça de teatro
Zean Bravo


Sheila é Shana...

Temos momentos fortes, de puxão de cabelo e toque no seio Marinara

Vida de ex-loura do É o Tchan não é moleza. Depois de aposentar o shortinho do grupo baiano, Sheila Mello tenta emplacar seu grupo de dança de rua e faz de tudo para diversificar suas atuações. Jurada do novo show de calouros de Silvio Santos, Gente que Brilha, a namorada de Alexandre Pires Estamos muito bem, obrigada!, garante agora também é atriz de teatro. E resolveu estrear no ramo com a comédia 2/4 de Motel, em cartaz em São Paulo (e que estará em janeiro no Rio), protagonizando cena de beijo e até intimidades na banheira com a personagem de Marinara Costa. Recebi o texto, achei superdivertido e acreditei na minha capacidade de realizar o projeto. Tudo me interessou: o elenco, o texto e o desafio de crescer, diz ela.

Um dia alguém falou: só falta ela trocar o Alexandre pela Marinara idem

Na peça, Sheila é Shanny, cantora adolescente virginal de dupla personalidade. Aí ela vira Shana, garota que topa tudo, completa Marinara, que se diz surpreendida com a dançarina. Ela é simples, do bem. Temos momentos fortes, de puxão de cabelo e toque no seio. São cenas reais de uma relação, diz Marinara, que ri logo em seguida ao lembrar de uma história de bastidor. Primeiro ela faz doce, mas acaba contando. Rolou uma sintonia, um carinho legal entre a gente. Teve um dia que alguém falou que só faltava a Sheila trocar o Alexandre pela Marinara. Sai pra lá, diverte-se a policial e candidata a vereadora nas próximas eleições.


Sheila é Shanny

São cenas que têm a ver com o contexto. Aliás, são poucas Sheila

A ação da trama acontece enquanto Duda (Marinara), integrante da AMAM Associação das Mulheres que Amam Mulheres espera a namorada no motel. Duda é a passiva da relação e começa a ser provocada pela Shana. Ela resiste àquele pedaço de perdição até jogar tudo para o alto, pegar o champanhe, a cereja e viver aquilo, descreve Marinara, que se diz sem problemas com opção sexual. Como assim? Ainda não aconteceu de ficar com mulher. Sou nordestina, gosto de figura máscula. Mas digo que sou Marinara e Mário, meu lado masculino, o bofão que luta, revela.

Sobre beijar Sheila, Marinara diz: Sempre rola polêmica. Sheila concorda e ainda acrescenta. A peça pode causar polêmica por tudo! Todo o texto é de alguma forma polêmico. O beijo pode ser mais uma das coisas..., avalia a dançarina, admitindo certo nervosismo com a nova empreitada. Mas me preparei e estou segura. Me superei em vários sentidos, avisa.

Comments:




Luis Fernando Verissimo
01/07/2004


Duas imagens

O Millôr desafiou: diga "uma imagem vale mil palavras" sem usar palavras. Certo, como sempre, o nosso sábio maior. Mas nas últimas semanas vi duas imagens que significavam tanto que me deixaram sem palavras. Uma foi aquela foto de senadores comemorando a derrota da proposta de salário mínimo do governo, logo após a votação. Numa ponta da foto aparece o Antonio Carlos Magalhães, eufórico. Na outra ponta, também eufórica, a Heloísa Helena. E, entre eles, outros festejadores, com predominância de senadores do PFL.

Se eu não consegui organizar um pensamento para enquadrar a foto, imagino alguém, no futuro, procurando palavras para interpretá-la e, com ela, a estranha forma que tomou a política brasileira naquele ano de 2004, quando rebelados contra a incoerência do PT aderiram à incoerência do PFL votando por um mínimo maior do que o proposto.

A imagem não terá detalhes - como o de que a Câmara depois restaurou o mínimo que o governo queria - nem explicações sobre as sutis motivações de cada um na gama de eufóricos que ia de ACM a Heloísa Helena. Só dirá, sem palavras, isto: que houve um torneio de incoerências e algumas pessoas precisaram escolher entre uma incoerência amargurante e uma incoerência hipócrita e se aliaram à hipócrita, porque os dias eram assim. E que foi tudo (também não dirá a foto) por R$ 15.

Outra imagem que me deixou sem palavras foi uma que vi na TV, de dois homossexuais se casando num Estado no sul dos Estados Unidos. Não me lembro que Estado era nem se foi uma cerimônia oficial - duvido que o casamento homossexual já esteja legalizado em algum Estado sulista americano -, mas o espantoso da imagem era que um dos homens era branco e o outro negro. Há não muitos anos o casamento inter-racial era proibido por lei nos Estados sulistas. Até o namoro inter-racial era arriscado: negro com branca podia dar linchamento, branco com negra era impensável, ou era clandestino.

Para descrever o que teve que mudar na cabeça de uma comunidade inteira para tornar possível, ou pelo menos não causar apoplexia coletiva, a união de pessoas de raças diferentes e do mesmo sexo, não há palavras possíveis. Só o sentimento de que, afinal de contas, algumas coisas mudam para melhor, e a hipocrisia não é uma fatalidade genética humana.

Comments:




Nilson Souza
01/07/2004


Entrevista com um rei

Sou avesso a palavrões, mas ouvi um esta semana que não poderia ter sido melhor colocado. Era daqueles bem cabeludos, mas soou como um elogio. O brasileiro tem esse dom: é capaz de abraçar o melhor amigo e saudá-lo com alguma expressão que, em outra circunstância, seria considerada ofensa imperdoável.

Fui ver o filme Pelé Eterno, numa sessão predominantemente assistida por pais e filhos adolescentes. Aqueles homens, evidentemente, foram ao cinema para provar aos seus filhos que era verdade tudo o que diziam em casa sobre o maior craque de todos os tempos. E as cenas não deixam dúvidas: encantam até mesmo quem não morre de amores pelo futebol.

Pelé jovem, um feixe de músculos, reflexos apuradíssimos, faz mágica com a bola nos pés. Chega a ser cômico vê-lo colocar a bola entre as pernas dos adversários, enganar três ou quatro marcadores ao mesmo tempo e fazer gols antológicos, às vezes com a fúria de um leão acuado, outras vezes com a sutileza de um bailarino.

Graças ao jornalismo, tive a oportunidade de ver de perto este fenômeno do esporte. Numa certa noite dos anos 70, na minha primeira experiência profissional e na condição de estagiário, fui destacado para fazer uma reportagem com o craque do Santos, que se apresentava em Porto Alegre. Minha missão era colar nele desde o momento em que chegasse ao estádio até sua saída - sem entrar em campo durante o jogo, evidentemente.

Não tinha que entrevistá-lo. Era só observar e escrever. Produzi dois textos modestos, que ganharam um brilho especial depois das correções e dos títulos feitos pelo meu editor da época, nada menos do que o hoje célebre Anonymus Gourmet, codinome gastronômico do competente jornalista José Antônio Pinheiro Machado Neto. Fiquei orgulhoso em assinar aquela página de jornal, com duas grandes chamadas: "Pelé sem a bola" e "Pelé com a bola".

O curioso é que, enquanto acompanhava uma entrevista do ídolo no vestiário, o então repórter João Carlos Belmonte, meu amigo, resolveu repentinamente me incluir na conversa e colocou o microfone na minha frente, sugerindo que eu perguntasse alguma coisa. Gaguejei uma bobagem qualquer, sem muito sentido, mas Pelé fingiu entender e respondeu com a paciência de quem estava habituado a corrigir passes errados.

Como não elogiar um sujeito assim? Pois foi o que fez um torcedor do Flamengo no filme, ao ver seu time humilhado pelo Santos no Maracanã. Num determinado momento, Pelé pega a bola no seu campo, inicia uma arrancada na direção do gol adversário, dribla meia dúzia de marcadores e só pára depois de mandar a bola para as redes. A câmera busca na arquibancada a expressão de pavor do torcedor, que acompanha o lance com olhar desesperado e deixa escapar o grito que é ao mesmo tempo uma abominável imprecação e o mais autêntico reconhecimento.

nilson.souza@zerohora.com.br

Comments:




Paulo Sant'ana
01/07/2004


Notável mutirão

Instalou-se uma vibração quase cívica entre os leitores de Zero Hora que leram a reportagem, publicada ontem, sobre 37 voluntários de Santa Maria que se deslocaram para Porto Alegre, onde vieram se submeter a exames de sangue na esperança de que pudessem doar medula óssea para a menina Andréia da Silva, vítima de leucemia, em Uruguaiana.

Todos nos emocionamos ao ver que 37 pessoas deixaram sua cidade, largaram de suas famílias e de seu empregos e se arremessaram de ônibus para Porto Alegre, na esperança de que possam ser uma pessoa entre 100 mil que tenha medula óssea com sistema imunológico compatível com o da menina receptora.

A leitora Isaura Raquel Saraiva Bonn leu a reportagem e manda dizer que caiu aos prantos de emoção.

É que nestes dias difíceis de ferocidade em nosso cotidiano comove a todos esta solidariedade extraordinária dos voluntários de Santa Maria.

Essas e outras pessoas que certamente imitarão seu exemplo lançam-se a uma sublime Mega Sena: há uma possibilidade remota de que suas medulas possam ser compatíveis com a da menina doente, as chances são de 1 em 100 mil.

No entanto, elas vieram arriscar a sorte de ganhar um prêmio extraordinário: o de salvar uma vida, algo que para elas tem valor igual ao de ganhar a Mega Sena.

Vão percorrer quase 600 quilômetros de vinda e volta a Santa Maria, mas terão cumprido um estupendo dever de humanidade.

São estes gestos que fazem com que a gente continue crendo na bondade das pessoas, vale a pena pertencer à espécie humana quando se nota que o Rio Grande do Sul inteiro se volta e se movimenta para a possibilidade de salvar a vida da adolescente Andréia.

Deus guarde em seu seio toda espécie de voluntários!

Recebo do secretário da Smic: "Caro Sant'Ana. Não é intenção da Smic cassar alvarás definitivos de bares que funcionam de maneira legal, como descrito em sua coluna. É contra a legislação, Código de Posturas, autorizar o funcionamento de um estabelecimento sem alvará. Quando eles se adequam à legislação, o alvará pode ser expedido em até uma semana. Portanto, não há entraves administrativos. Os estabelecimentos interditados tiveram prazo para regularizar a situação, mas não tomaram as providências necessárias. Muitos têm alvará de bar e restaurante, mas funcionam como casa noturna, sem revestimento acústico, em área residencial, comprometendo o sono de moradores. Alguns não possuem extintor de incêndio ou saída de emergência, pondo em risco os próprios freqüentadores.

Foram fechados 33 estabelecimentos em toda a cidade nos últimos dois meses, em vários bairros, inclusive pontos irregulares de venda de GLP. A idéia de que a atuação da secretaria só está ocorrendo na Cidade Baixa é equivocada.

Também não há a menor disposição da prefeitura de acabar com o comércio noturno no bairro. Nem impor a redução de horário de todas as casas noturnas, somente a retirada das mesas que ficam nas calçadas, por recomendação, inclusive, do Ministério Público. Em 2001, o decreto 13.452 regulamentou uma lei complementar de 1998 que estabelece que nenhum comércio pode colocar mesas e cadeiras nas calçadas e recuo de jardins após a meia-noite.

A Smic recebe freqüentes reclamações de moradores e por isso tem atuado no sentido de fazer valer a legislação para adequar os estabelecimentos às normas vigentes. A intenção é evitar conflitos entre moradores e comerciantes, buscando uma solução que beneficie a todos, sem prejuízo de nenhuma parte. Atenciosamente, (ass.) secretário Edson Silva, Secretaria da Produção, Indústria e Comércio (Smic)".

psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comments:


Clima
Uma trégua no inverno



Casal de joões-de-barro do Monumento ao Expedicionário desfrutou o calor de 29,6ºC na Capital, ontem (foto Fernando Gomes/ZH)


Comments:

Quarta-feira, Junho 30, 2004




TACADA DE MESTRE

Fátima Irene Pinto

A vida, às vezes, é semelhante a uma mesa de bilhar.
Algumas bolas, nas mãos de jogadores ineptos, ficam rolando de lá para cá no grande feltro verde. Então chega o bom jogador.
Primeiro ele avalia a mesa calmamente.
Ato contínuo, dá uma tacada certeira e encaçapa as bolas perdidas.

Curioso observar que estas bolas, perdidas até então, ressentem-se do golpe do taco certeiro, abominam ou mesmo maldizem o jogador e, entre si, confabulam, dirigindo-lhe todos os impropérios, por tirar-lhes da inércia do feltro verde, onde a vida permanecia estagnada e cheia de tédio.

Incapazes de abstrair ou de ver além, nem se deram conta de que, ao serem encaçapadas, ganharam novo alento, a chance de um novo recomêço, e de um novo ponto de partida. Sequer se lembram de agradecer o bom jogador pelo ato milimetricamente urdido e perfeito:-)
Ah... mas o que elas pensam afinal, é o que menos importa!

O bom jogador vê de cima, vê o todo, vê o conjunto e faz o que é preciso para que o jogo da vida continue. Ele é, sem dúvida, um sábio... e talvez até alimente uma profunda comiseração para com as ingratas e ignaras bolinhas que acabou de encaçapar.

Comments:




axexeo@oglobo.com.br

A novela que insiste em não sair do ar

Não consigo entrar em outro assunto. Mas, afinal, quem ficou com os US$ 100 mil do Marcos? pergunta um espectador curioso. O telefone celular da Corina não poderia ser pré-pago. Se ela ficou quase dois anos sem comprar cartão, já teria sido bloqueado responde outro.

Por que é que a Laura não destruiu a fita quando ela estava em suas mãos? quer saber um.

Por que o Fernando não tirou uma cópia da fita? acrescenta outro.

Por que o Renato ainda queria aquela fita? dispara um terceiro.

Onde é que o Renato conseguiu aquele revólver? indaga Gilberto Braga.

Peralá. O Gilberto Braga também tem dúvidas sobre o que se passou no último capítulo de Celebridade? Assim não é possível.

Com a ajuda dos leitores, vou tentar desvendar esses mistérios.

Os US$ 100 mil ficaram com Hercília, que, a esta altura, curte férias no Caribe. É a única explicação para ela ter desaparecido no último capítulo.

O celular de Corina, sem dúvida, era pós-pago, pois houve uma cena em que Maria Clara lhe perguntou se ela costumava guardar as contas.

Laura estava tomada pela maldade. O público tinha que odiá-la no último capítulo para sua morte ser justificada. Tomada pela maldade, ela não era mais capaz de atitudes sensatas. Por isso manteve a fita intacta.

Fernando não tirou uma cópia da fita porque é burro, o que foi excessivamente demonstrado durante toda a novela.

Renato queria a fita, quando ela não servia para mais nada, porque enlouqueceu.

O revólver de Renato... bem, se nem Gilberto Braga sabe como é que Renato conseguiu aquele revólver, não seria o humilde colunista quem resolveria esta questão.

Tenho uma explicação para tantas dúvidas que se mantêm entre os espectadores mesmo depois de Celebridade sair do ar. O público dá a impressão de não querer abandonar os personagens que vinha acompanhando há oito meses. A novela acabou, o assassino de Lineu foi revelado, Maria Clara e Fernando tiveram um final feliz, mas o público continua pensando neles.

Talvez por isso Aguinaldo Silva tenha pensado numa estratégia de mestre para iniciar sua Senhora do destino, a substituta da trama de Gilberto Braga. Nesta primeira semana, quando o público ainda se sente viúvo da novela anterior, a trama nova ainda não está valendo. Aguinaldo escreveu um prólogo de quatro capítulos.

O que aconteceu antes de a novela verdadeiramente começar. O espectador, que ainda está preso às Lauras e às Elietes da outra novela, acompanha uma espécie de minissérie que acaba amanhã. E só na sexta a novela começa para valer. Com o período de luto já vencido.

Comments:




RENOVAR

"Não estamos aqui para buscar e encontrar o amor, pois isso é o que já somos. Estamos aqui para descobrir os bloqueios que impedem a nossa percepção consciente da presença do amor, para podermos desfazê-los e deixar que a nossa verdadeira natureza brilhe em todo o seu esplendor." A Cohen

Na vida não existe anti-spam
Por Paulo Angelim

Esse texto não é sobre tecnologia. Sou um leigo e pobre mortal nessa matéria. Ele é, na verdade, sobre gente. Gente que precisa se relacionar abertamente com o outro, mas que, infelizmente, vem se fechando cada vez mais, e perdendo a grande chance de se abrir para o novo, para o desconhecido, para o inesperado. Gente que tem aprendido a se individualizar com a santa, e ao mesmo tempo maldita, Internet. Veja, a seguir, como sutilmente a "grande rede" molda novos paradigmas nas relações humanas, e que acabam por querer nos transformar em indivíduos, ao invés de pessoas.

Não tenho anti-spam (mecanismo que impede a chegada de e-mails não solicitados e enviados em massa). E acho uma tremenda tolice e equívoco que alguém coloque algum filtro em seu computador ou em sua vida como esses anti-spam's. Na verdade, penso que muitos dos que têm, inadvertidamente ou não, ignoram que anti-spam's são iniciativas egoístas e grotescas de querer controlar o mundo, deixando do lado de fora de suas experiências e vivências tudo aquilo que é desconhecido ou não solicitado. Sim, é uma forma de querer controlar o mundo. Pois lhe digo que é impossível, PORQUE O MUNDO É UM GRANDE SPAM. E eles jamais deixaram de lhe chegar. Por isso, é melhor saber lidar com eles do que tentar fracassadamente evitá-los.

Infelizmente, a tecnologia é, por muitas vezes, tirana em impor certas modas, conceitos e verdades, que acabam por induzir o homem comum a seguí-los sem pensar, sem considerar seus males. Pois o mais moderno e mais equivocado paradigma é dizer que os spam's são uma praga. Pois saiba que dizer isso é o mesmo que dizer que viver num mundo cheio de outros é uma desgraça. Sim, porque como já afirmei, o mundo é um grande spam.

Ora, se a definição de spam é uma mensagem enviada em massa, para pessoas que não a solicitaram, lhe mostro agora como a toda hora, todo dia, e por toda a sua existência, a vida se encarrega de lhe encher de mensagens, pessoas, eventos e oportunidades com as mesmíssimas características dos spam's.

Diga-me uma coisa: o que são todas as mensagens publicitárias espalhadas pela cidade, ou recheadas entre os seus programas preferidos na TV, ou distribuídas nas páginas de seu jornal ou de sua revista predileta? Você as pediu, você autorizou que elas lhes fossem enviadas, ou estivessem ali?

Não? Pois são spam's. Agora, me diga também quantas vezes você não teve gratas surpresas, descobertas e oportunidades, exatamente porque estava aberto a receber e analisar essas mensagens? E aquelas que você não queria ou julgou inadequadas, impertinentes, desnecessárias, simplesmente exerceu seu direito de crítica e mudou o canal, moveu o olhar para a notícia do jornal, para uma paisagem ou prédio próximo, ou passou a página da revista. Simples!

Como em um computador, deletou-a de seu campo de visão, mas não perdeu antes a chance de avaliá-la se era algo bom ou não para seu enriquecimento, para seu desenvolvimento. Se existisse um famigerado filtro tipo anti-propaganda, como os anti-spam's, você teria se privado de conhecer coisas novas, de aproveitar oportunidades, e até de se divertir mais na vida. Ou quer me dizer que nunca se beneficiou de uma mensagem publicitária? Lógico que sim, mas para isso você tinha que estar aberto a recebê-las. Agora vamos ao pior.

Diga-me com franqueza se gente que lhe chega sem avisar, que se dirige a você sem lhe conhecer, que cruza o seu caminho sem sua permissão, que lhe olha e lhe acena sem sua autorização prévia, e até mesmo, num ato ousado e invasivo, lhe dirige a palavra sem que você sequer tivesse insinuado essa possibilidade, diga-me se todas essas ocasiões de contato humano na vida não são verdadeiros spam's? Mas, da mesma forma que analisamos as mensagens publicitárias, pense na quantidade de vezes que você se beneficiou de tais encontros ocasionais, não programados e não previamente autorizados.

Talvez a pessoa amada seja um spam surgido furtivamente em uma festa, em uma praça, apresentado (enviado) por um amigo comum. Talvez seu melhor amigo ou amiga de hoje seja um spam surgido no colégio, no jogo, na mesa de restaurante, em um barzinho, em um evento de negócios, ou em um encontro absolutamente desproposital, como um esbarro no ônibus lotado, ou em um elevador lotado.

E foi porque essa pessoa continuou vindo, como um spam, repetidas vezes, sem que você se permitisse o direito de filtrá-la, que você teve a chance de olhando-a melhor, interagindo e se relacionando com ela, descobrisse que por trás desta mensagem humana ou divina, mas não solicitada, sem aparente significado, existia alguém cheio de tesouros, e que hoje tem um valor inestimável para você. Pense na quantidade de pessoas que entraram na sua vida sem permissão, e que simplesmente ficaram, e que hoje você não as quer largar em hipótese alguma, pelo quanto representam. Santos spam's. Benditos sejam eles.

Mas lembre-se que isso só foi possível porque você estava aberto para o mundo, exposto para a vida, pronto para receber o inesperado, o dantes indesejado, mas agora necessário.
Quem se fecha para o mundo e principalmente para o outro (desconhecido), perde a capacidade de fazer julgamentos e só faz pré-julgamentos, pois só lhe surge o que se espera, o que se conhece e está previamente definido como bom e aproveitável. E isso acaba por inibir o seu tão necessário senso crítico. Evita exercitar e ponderar seus valores.

E é esse exercício que lhe capacita a discernir o bem do mal, o bom do mau, o justo do injusto, o certo do errado, tornando-lhe uma pessoa mais equilibrada, menos precipitada, mais ajuizada. Quem se fecha para o mundo e para o outro não se abre para o novo, para o inusitado, para o desconhecido, que muitas vezes é a ponte para as novas conquistas, tornando-se uma pessoa mais limitada, rasa, e com pouca densidade.

Quem se fecha para o mundo e para o outro ignora a necessidade de relevar, de desenvolver a tolerância, de aprender a lidar com o diferente e com as diferenças, tornando-se alguém menos relacional, mais individual, e por fim, mais só. Quem se fecha para o mundo e para o outro perde oportunidades de crescimento e conquistas que são apresentadas aleatoriamente pela vida para muitos, ou até todos, mas que somente são aproveitadas por aqueles que se permitem investir seu tempo em analisá-las e julgá-las.

Continua

Comments:




E depois de fazerem isso, se apropriam das que julgam oportunas e benéficas.

Se é assim, pois podem continuar me mandando propostas para fazer cursos que eu não quero, notícias de pessoas que desapareceram, textos que não sei de onde vêm, nem sequer quem são seus autores, ou até mesmo ofertas de produtos que não preciso (tipo pílula para melhorar desempenho sexual ou técnicas para aumentar o órgão pendular, dentre outra coisas).

Eu quero mais é viver e estar aberto à vida. Só assim conhecerei coisas novas, crescerei em descobertas, galgarem novos patamares, singrarei novos mares, e subirei mais alto em humildade, conhecimento e amor. Eu quero é crescer, evoluir. E sei que não há possibilidade de se fazer isso vivendo apenas o mundo que já conheço, a realidade que já vivo. Isso seria viver uma repetição, transformar a vida numa monotonia, numa rotina massacrante e enfadonha. Quero o novo, quero o desconhecido, quero lidar com o inesperado.

Por favor, meu Deus, não cesse de me enviar continuamente teus anjos em forma de pessoas desconhecidas, teus sussurros à minha alma em forma de palavras vindas de bocas que nunca jamais tinha visto ou mensagens escritas e por mim não autorizadas ou solicitadas, tuas dádivas e graças em forma de oportunidades ocasionais e eventos sem aparente significado.

E se porventura eu não conseguir descobrir a beleza e importância desses eventos da primeira, segunda, ou terceira vez, faze-as como spam's Senhor, e mos manda continuamente, até que as escamas dos meus olhos caiam, e eu consiga ver que em tudo existe aprendizado, descoberta e crescimento. Até mesmo naquelas coisas que aparentemente não me servem hoje, mas que me fazem pensar que alguém as demanda agora, tornando-me assim mais solidário e compreensivo com a necessidade do outro.

Senhor, obrigado porque Tu és justo e bom quando fizeste do mundo um grande e inevitável spam. Obrigado também por não nos possibilitar instalar filtros para que evitemos se relacionar e aprender com o mundo, mas me deste livre arbítrio e juízo para escolher as pessoas e mensagens que me servem. É por isso Senhor que ninguém jamais poderá te acusar de injusto, pois é certo que tu mandas continuamente chuvas sobre bons e maus, e fazes o sol nascer sobre todos. Infelizmente, alguns se escondem de enxergar essas belezas e não se molham em tuas dádivas, nem são iluminados por tuas bênçãos.

Que não seja eu, nem quem ler este artigo. Por isso Senhor, que a vida continue a nos mandar muitos spam's. Compromisso de hoje: Vou eliminar todos os filtros e barreiras que impedem de receber abertamente os ensinamentos do mundo, que me chegam através de pessoas e mensagens.
Abraços, bênçãos e SUCESSO!

Paulo Angelim
Consultor e Palestrante nacional em Marketing, Vendas e Motivação.

Comments:




Celulares com câmera viram febre e estão mais acessíveis. Confira quais os melhores modelos na nossa opinião
Alessandra Carneiro

Talvez pela praticidade de ter uma digital onde quer que se vá. Ou a possibilidade de registrar tudo o que se vê pela frente, sem levar um peso a mais na bolsa. Ou até fotografar sem que o foco perceba que esteja sendo flagrado, despertando o lado detetive em cada um de nós, mesmo sob o risco de estar cometendo um crime contra a privacidade e a honra de terceiros.

Seja culpa da praticidade, da integração ou até mesmo da moda, o fato é que os celulares com câmera embutida viraram febre.

Operadoras e fabricantes comemoram. Afinal, a tão sonhada troca de dados via telefonia móvel finalmente ganha consistência. Mais de 50% de nossos lançamentos em 2004 traz câmera digital, afirma Ricardo Bárbara, gerente de produtos da Motorola, empresa que acaba de lançar o primeiro modelo de 1,3 megapixels do Brasil.

No último mês, os principais aparelhos atualmente no mercado passaram pela nossas mãos. Vale lembrar que nenhum modelo atual substitui uma câmera fotográfica. A qualidade ainda é baixa, e o flash quando incorporado é ineficiente. Vale a instantaneidade: enviar por e-mail segundos após o clique e ter uma câmera sempre à mão.

Selecionamos aqueles que consideramos os melhores em diferentes faixas de preços. Todos com uma característica fundamental: botão de acesso rápido à câmera. Veja a avaliação clicando no link abaixo.

http://odia.ig.com.br/info/in300602.htm

Comments:




Pra cima deles

Flamengo parte com tudo contra o Santo André, hoje à noite, no Maracanã, para conquistar o bicampeonato da Copa do Brasil
Janir Júnior e Marco Senna

Felipe espera ter um bom desempenho e até fazer um gol hoje para marcar a sua despedida do Flamengo

Um é pouco, dois é bom, três, em se tratando de títulos, nunca é demais; é necessário. Depois de conquistar a Taça Guanabara e o Campeonato Estadual, o Flamengo busca contra o Santo André, hoje, às 21h45, no Maracanã, o seu maior objetivo neste ano: o bicampeonato da Copa do Brasil. Como a primeira partida terminou em 2 a 2, o Rubro-Negro tem a vantagem de empatar em 0 a 0 ou 1 a 1 para soltar, pela terceira vez, o grito de campeão. Em caso de repetição do placar, a decisão será nos pênaltis.

O título da Copa do Brasil, competição na qual o time está invicto, representa mais do que uma simples conquista. Representa a vaga na Copa Libertadores de 2005, R$ 1 milhão nos combalidos cofres rubro-negros e a certeza de que o ano do Flamengo estará salvo, restando ao clube fazer uma campanha digna no Brasileiro.

Não seremos campeões apenas porque somos Flamengo. Além da grandeza desse clube, temos um grupo extraordinário e que joga muito bem quando a pressão é grande. A responsabilidade da conquista é toda nossa. Se vencermos, será a glória. Caso contrário, a tragédia. E o futebol é um meio de vida, não de morte, filosofou Abel Braga.

Quando chegou ao clube, no início do ano, o técnico foi acusado de ter pele e cheiro de bacalhau, devido ao tempo em que jogou e trabalhou no Vasco. Estou totalmente identificado com o Flamengo. A conquista da Taça Guanabara foi fantástica. O Campeonato Estadual foi ainda mais importante. Agora, é à vera. Supera todos os outros títulos, destaca Abelão.

A torcida será a maior aliada durante os 90 minutos. Uma grande festa está armada. Os torcedores prometem transformar o Maracanã em um autêntico La Bombonera, cantando do início ao fim, com gritos de guerra inspirados nos argentinos.

Temos de saber administrar a energia do torcedor. Não vamos jogar atrás, mas também não cometeremos loucuras. Em vez de chegar 10 vezes ao ataque, vamos nos contentar com cinco, mas partindo para cima deles. Serão 90 minutos no limite, garante Abel.

Na segunda-feira, o treinador foi dormir preocupado. Senti os jogadores tensos, presos e tristes, revelou Abel. Ontem, o panorama mudou. O alto-astral contagiou a Gávea. Não estou mais nervoso, nem ansioso, apenas feliz por estar em outra decisão e encontrar o grupo alegre, destacou o técnico. E, seja com um, dois ou três títulos, alegria nunca é demais. É necessária para a torcida do Flamengo.

Comments:




David Coimbra
30/06/2004


As velhas mudanças de sempre

Você também pode ser um presidente revolucionário do Grêmio ou do Inter. É fácil! Basta seguir a fórmula que vou receitar agora. Assim: logo na posse, anuncie mudanças drásticas no clube. Dias depois, revele quais serão:

- Vamos cortar despesas!

O que igualmente é bastante simples. Nada mais do que demitir alguns funcionários, diminuir o número de lâmpadas nos corredores, essas coisas. Todos os administradores fazem isso, e sempre são considerados geniais. Cortar despesas, como não pensamos nisso antes?, dirão todos. Você também será um gênio.

Agora, se você fizer questão de impressionar mesmo, contrate um consultor. De preferência, paulista. Não falha. O consultor chega com sua gravata e seu laptop e passa semanas elaborando uma análise profunda da situação. Não se assuste se ele falar coisas como turn over ou sigma black belts. Consultores gostam de usar termos em inglês ou empregar alguns em português que não existiam até a invenção dos cursos de gestão empresarial, tipo "facilitador". Eles vivem chamando as pessoas de facilitadores. Você mesmo pode ser um facilitador sem saber. Muito legal.

Concluído o trabalho dos consultores, você deduz: eles vão fazer um relatório. Errado, rapaz! Consultores não fazem, eles "geram" relatórios. O relatório recomendará o seguinte, respaldado com muito palavrório em inglês: "Corte despesas". Aí você demite alguns, reduz a quantidade de clipes por secretárias e talicoisa. Uma beleza.

Não tente fazer nada diferente. Administradores sempre cortam despesas, o que invariavelmente é uma inovação. Logo, você será inovador, quando assumir o seu clube. Exatamente como esses presidentes todos que conhecemos. Que fazem, interminavelmente, as mesmas coisas novas. Entre nesse fascinante mundo da administração, tão cheio de novidades antigas. Você vai se dar bem.

O poeta e o técnico

Em homenagem às velhas mudanças de todo o dia e ao Felipão, que comanda a seleção portuguesa hoje contra a Holanda, reproduzo abaixo um soneto de Camões. Poesia de cinco séculos de idade, que mantém intacto seu poder de enlevar a alma. Espero que dê sorte para o nosso técnico, que, se não é lá muito poético, também usa as artimanhas da última flor do Lácio em seu trabalho.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Comments:




Martha Medeiros
30/06/2004


Ainda vale a pena

Domingo passado eu estava sentada no Teatro do Sesi vivendo um momento de êxtase diante de Caetano Veloso. Ali estava ele, a poucos metros, mostrando para uma platéia boquiaberta e emocionada que a vida, senhoras e senhores, é boa. Ele cantou como nunca, fez um espetáculo sofisticado e inovador, nos deu de presente duas horas de limpidez, competência e prazer.

O ingresso, que era caro, se pagou. Mais que isso: nos deixou devendo, porque o show valeu demais, eu roubaria um banco para assistir a tudo de novo. Se alguém fizer isso e disser que a idéia foi minha, eu nego.

A gente reclama - com motivos de sobra - do aumento da gasolina, dos altos impostos, da violência urbana, da indelicadeza generalizada das pessoas, e aí entramos num teatro e temos a fé, por um instante, resgatada. Vale para o show do Caetano no Sesi, vale para o evento que comemorou os 20 anos da reinauguração do Theatro São Pedro e que mobilizou empresários e governo pela continuidade das obras do Multipalco.

Ver empresas patrocinando arte é uma das razões para se acreditar em dias melhores. Tem mais gente aí querendo encenar, cantar, tocar, restaurar. Tem o Luciano Alabarse prestes a montar Antígona, o clássico de Sófocles, mas é preciso apoio - quem se habilita? Nem é preciso entrar com dinheiro, há outras formas de colaborar, informe-se.

Hoje quero dar trégua para as más notícias, falar só do que nos faz bem, só do que alivia a vida. Por exemplo, constatar que há menos adolescentes fumando, ver a fenomenal Diza Gonzaga, do Vida Urgente, tentando conscientizar essa garotada a ser responsável também em relação à bebida, ver ONGs discutindo alternativas de vida mais seguras e saudáveis, saber que há tanta gente fazendo e promovendo o bem. O bem do meio ambiente, o bem dos animais, o bem coletivo.

Há o que comemorar. A lotação esgotada de tantos shows de música e dança. Cinemas cheios. Livrarias abrindo. A coleção de clássicos ZH. A coleção pocket da L&PM. A humildade e a garra da Daiane dos Santos. As orquestras da cidade. A Parceiros Voluntários. A gentileza e educação dos funcionários do Zaffari. Os shows do Opinião. Saraus divertidos. As inúmeras coletas de agasalho. As feiras de livro em tudo quanto é escola.

E coisas triviais que a gente mal registra. O amor. O silêncio. Os amigos de verdade. O mar e a serra a uma distância curta da Capital. A poesia. Pão com manteiga. Sono sem sobressaltos. Conversas inteligentes e leves. Sábados de sol. Solidariedade. Ouvidos. Boca. Pernas. Olhos. Mãos. Sexo. Conforto. Já disse pão com manteiga? Um trabalho. Um objetivo. Tempo. Um cálice de vinho. Flores frescas na casa. Sair de casa. Voltar pra casa.

A vida é boa.

martha.medeiros@zerohora.com.br

Comments:




Paulo Sant'ana
30/06/2004


Um dos nossos

Nem dá para acreditar que um homem cheio de vida como o colega e amigo Antônio Cabreira tenha morrido sábado à tarde em Florianópolis.

A gente fica triste ao se lembrar do Cabreira contente. Do Cabreira inquieto, sorridente, folgazão, aglutinador, amigo, sempre a promover encontros entre as pessoas, sempre o sorriso franco a iluminar-lhe o rosto, recebendo a gente em sua casa com aquela alegria espontânea.

A maior parte da sua vida ele gastou em amizade com seus colegas e com seus alunos, mas sua alma larga tinha tempo ainda para extremos e amoráveis cuidados com sua família.

Anteontem, quando aqui em Porto Alegre ficou-se sabendo de sua morte, em cada coração de todos que o conheceram houve um estremecimento, passou pela memória de todos os instantes felizes de confraternização que se viveu com ele.

Como devem estar saudosas e orgulhosas dele a sua mulher Beti, a sua filha Aline, razão da sua vida, tanto que adotou mais três meninas para enchê-la de humanidades.

A lembrança do Cabreira é uma forma delicada de a gente repassar a limpo as melhores recordações da nossa vida.

Recebo de morador da Cidade Baixa: "Leio tua coluna diariamente, pois não existe quem consiga retratar nossas preocupações e irritações como fazes. Sou morador da José do Patrocínio, entre a Perimetral e a Borges de Medeiros. Nosso bairro está cada dia mais inseguro. Basta que leias a crônica policial e verás que a Cidade Baixa sempre está lá.

Tome-se como exemplos os últimos quatro dias: um policial foi morto dentro de um supermercado, no final de semana, em uma tentativa de assalto. Ontem, um casal foi seqüestrado quando descia do carro para comprar um lanche na Rua da República. Antes disso, o Senac foi invadido, sendo roubados inúmeros computadores.

Eu mesmo fui mantido refém, durante cinco horas, juntamente com minha namorada, em meu apartamento, por assaltantes que haviam rondado meu edifício durante uma hora, esperando o melhor momento de entrar. O posto de gasolina da José do Patrocínio com a Perimetral já perdeu a conta de quantos assaltos sofreu. Praticamente todos os estabelecimentos comerciais da quadra em que resido foram assaltados este ano: padaria, cabeleireiro, tabacaria, farmácia...

Isto que a minha quadra é longe dos bares que existem na Lima e Silva e na própria Cidade Baixa. Escreveste na tua coluna que 'e como as ocorrências policiais e até mesmo assaltos'... Até mesmo assaltos, não. O que mais hoje em dia temos na Cidade Baixa são assaltos. Pois te faço uma proposta: vamos renomear o bairro para Cidade Baixa Segurança? Um abraço (ass.) Luiz Garcia".

E outra carta da Cidade Baixa: "Nós, moradores da Rua Luiz Afonso, bairro Cidade Baixa, ficamos muito satisfeitos com a Smic por ter fechado o bar aqui na nossa rua. Ali era um antro de drogas e bebidas, os freqüentadores muitas vezes saíam alcoolizados do bar e provocavam brigas, até mesmo tiroteios.

A nossa rua é estritamente residencial, com muitos moradores idosos (o bar ficava no meio de duas casas) que tinham de tomar calmantes por não conseguirem dormir. Como vê, senhor Sant'Ana, a balança tem dois lados. Os moradores agradecem pelo que a Smic fez, pois agora estamos conseguindo ter paz. Obrigado pela atenção, (ass.) (Diego Silva da Rosa)".

psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comments:


Clima
Porto Alegre envolta em brumas



Neblina fecha o aeroporto da Capital por 10 horas, mas embeleza a cidade (acima, o Monumento ao Expedicionário) (foto Ronaldo Bernardi/ZH)


Comments:

Terça-feira, Junho 29, 2004




Barbie para maiores

Do New York Times

LOS ANGELES. Depois de mostrar a boneca Barbie nua em poses provocantes e até contracenando com eletrodomésticos, o artista plástico Tom Forsythe ainda vai receber US$ 1,8 milhão da Mattel. Assim decidiu o juiz Ronald Lew, da Corte de Los Angeles, semana passada, pondo fim a um processo que se arrastava há cinco anos.

A Mattel abriu um processo por violação de direito autoral em 1999. Os advogados do fotógrafo disseram que, por ser uma paródia, o trabalho não violava a Lei do Direito Autoral. A Mattel perdeu, mas conseguiu empurrar as custas judiciais para Forsythe. Não satisfeita, a empresa decidiu apelar da sentença. O juiz, então, afirmou que o processo era frívolo e sem base e que a Mattel só queria cobrar as custas para desencorajar o uso da imagem da boneca e determinou que a empresa pague US$ 1,8 milhão a Forsythe. A empresa não quis comentar a decisão.

Eu queria algo que simbolizada o cúmulo do consumismo, e isso, para mim, é a Barbie disse Forsythe, que fez uma série de 78 fotos com a boneca.

Comments:




Publicado em 29 de junho de 2004 Versão impressa
Arnaldo Jabor


Pelé eterno me trouxe a infância de volta

Eu não entendo de futebol. Onde eu morava, na Urca, comprido como uma cegonha triste (que aliás era meu apelido), havia vários times de praia, com belas camisas coloridas. Eu era fanático pelo Ipiranga, de uniforme verde e vermelho, que eu almejava ostentar um dia, de preferência se Silvinha, moreninha de olhos verdes, estivesse na amurada me vendo driblar adversários, dando-lhes chapéus sucessivos e entrando triunfalmente pelo gol do La Vai Bola, temido time do Leme.

Mas faltava-me agressividade, faltava-me a virilidade dos garotos da rua, duros e secos, porradeiros e xingadores, faltava-me a natural destreza das panturrilhas musculosas. Por isso, eu era o eterno aspirante a uma vaga, rondando as convocações do time, quando as camisas eram distribuídas pelo capitão. Em uma tarde de domingo, faltou o ponta-esquerda titular do Ipiranga, que ficara de castigo em casa por ter espirrado, de sua varanda, tintas de caneta Parker na cabeça dos passantes.

Eu me acendi de esperança. O capitão do time, o temido Acreano, me examinou de longe com as camisas na mão. Meio contrafeito, como quem faz um favor, atirou-me a almejada camiseta. Vesti-a com o coração aos pulos, sentindo que uma vida nova começava, espiando pelo canto do olho as meninas já sentadas na amurada, Silvinha entre elas, em cochichos e risos com suas blusinhas de ban-lon e saias plissadas. Desfilei por ali, sem olhá-las diretamente, com a naturalidade de um profissional, chegando mesmo a tentar uma discreta embaixadinha.

O juiz já estava de apito na boca, e era o famoso Mário Vianna, que morava ali na orla e, às vezes, brincava de apitar jogos de garotos, como aquele, entre o Ipiranga e o Arsenal, com suas listas azuis e douradas. Eu, de mãos na cintura e tornozeleira, firmava um olho na bola e o outro em Silvinha, concentrando energia para dar o melhor de mim e sair da condição de babaca, classe onde eu vivia, para entrar na categoria dos fortes, dos brutos.

Foi aí que minha vida começou a mudar. O juiz ia apitar quando se ouviu um alarido de pára, pára, cobrindo a chegada esbaforida de Porcolino, o festejado ponta-esquerda do Ipiranga, que fugira de casa e corria para sua posição de titular. Em um segundo, o capitão Acreano tirou-me a camisa e entregou-a a Porcolino, famoso por um raro gol de bicicleta que fizera contra um time visitante.

Parecia que me tiravam a pele, quando arranquei a camisa verde e rubra; sentia-me nu e arrojado de volta à classe dos otários, fugindo do olhar de Silvinha, que, certamente, me fitava com desprezo, enquanto eu corria para o mar, onde saí nadando para esconder, na água salgada, o choro da vergonha.

Daí para a frente, foram humilhações sucessivas no futebol. Nunca integrei o primeiro time de nada no colégio de padres, nunca recebi uma taça, nunca arranquei poeira do chão com chuteiras masculinas e ferozes que rangiam em disputadas partidas, nunca conheci a alegria dos aplausos suados, descabelados, nas manhãs azuis dos padres jesuítas.

Nessa época, meu avô me levava ao Maracanã, ele, fantástico malandro carioca que era amigo de Danilo do Vasco, que morava na mesma rua do Méier. O estádio ainda era novo e tinha muitos amistosos. Creio que foi durante um jogo entre o Portsmouth inglês e uma seleção nacional que tive meu contato com o terror.

Até hoje sinto o arrepio, quando vi que meu destino de perna-de-pau estava traçado, não só no futebol mas talvez na vida, pois percebi com pânico que, enquanto todo mundo na arquibancada olhava o jogo, eu olhava os torcedores olhando o jogo.

Percebi que estava vendo suas reações, seus gritos e palavrões, seus olhos e bocas desdentadas atentíssimos ao campo, enquanto eu os observava de fora, como se fosse de outro planeta. (Os negros eram mais negros na época e quase ninguém tinha dente).

Essa sensação de estar fora sempre me acompanhou pela vida. Nessa época, como um mecanismo de defesa, passei a ostentar uma indiferença superior ao esporte, o que me cortava a emoção que eu invejava nos torcedores.

Até que um dia meu avô me levou para ver Vasco x Bangu, um clássico da época. Foi então que tive uma visão mágica e salvadora. No meio do jogo, de repente, um jogador mulato de camisa listrada de vermelho e branco arrancou numa corrida extraordinária, driblou vários joões, deu chapéus nos half-backs , executando um balé de volteios ferozes e sutis como um cossaco dançante, levou a bola colada no pé, como um cachorrinho dócil, e colocou-a no canto da trave, sob o olhar abobalhado do goleiro. Nesse instante, fui tomado por uma funda emoção e entendi o que era arte. Não só do futebol mas arte mesmo. Gritavam todos: Zizinho, Zizinho!!!...

Eu tinha sentido a beleza de uma obra feita de ar, movimento, engano e dança, feita de fúria e delicadeza, de velocidade e lentidão. Por segundos, Zizinho me fez esquecer de mim mesmo e lembro com grande saudade que, por alguns segundos, eu fui como todo mundo, igual, perdido na massa pobre do tempo, sentindo a alegria da normalidade, sem medo, sem tremor, antes que a minha solidão melancólica viesse se reinstalar.

Muitos anos depois, eu assisti a uma entrevista de Pelé, onde ele declarou : Nunca vi ninguém jogar tão bem quanto Zizinho!.

Nesse instante, Pelé se ligou a mim naquela tarde remota do Maracanã. Ele também vira o gênio. Eu me senti remido por Pelé, que é da minha idade. A partir daí, acompanho sua genialidade na vida e no campo.

Ontem, fui ver o extraordinário filme de Anibal Massaini Pelé eterno e senti a mesma coisa da infância, ao lado de meu avô, no Maracanã: esqueci-me de mim. Estava de novo diante da beleza que vi em Zizinho. Não estava assistindo a um jogador apenas. A sensação é o mesmo êxtase de se ver uma exposição de Picasso ou, sei lá, Shakespeare.

Pelé não é apenas um atleta, é um escultor do ar, um grande poeta de gestos e músculos. Ele não busca o gol apenas, busca a felicidade da beleza. Ele viveu a vitória total e consola milhões de fracassados como eu, de quem tiraram a camisa verde e rubra do Ipiranga em minha trêmula infância de praia .

Comments:




Mais que a chance de medalhas

Jogos Olímpicos incentivam empresários e oferecem boas oportunidades de negócios
Silvana Caminiti

A Olimpíada de Atenas tem muito mais a oferecer do que as cobiçadas medalhas de ouro conquistadas pelos atletas: boas oportunidades de negócios para empresas que quiserem usar o tema para incrementar suas vendas. Vale criar produtos e promoções inspirados no evento. Como o assunto chama a atenção da maioria do público consumidor, é sempre um atrativo a mais.

A Egec, que administra seis shoppings no Rio Norte Shopping, West Shopping, São Gonçalo Shopping, Center Shopping Jacarepaguá, Città America e Itaipu Multicenter por exemplo, acaba de lançar a promoção Zoolimpíadas.

Ao fazer compras em qualquer um dos centros comerciais, o cliente pode adquirir diferentes bichinhos de pelúcia colecionáveis, como o leão tenista, representando Gustavo Kuerten, a girafa que carrega uma bola de vôlei ou o hipopótamo judoca, que vem vestido com um quimono.

Escolhemos a dedo os esportes nos quais o Brasil tem maior chance de medalha na Olimpíada e que são também as modalidades dos nossos novos ídolos, como a Daiane dos Santos, na Ginástica Olímpica, diz Marcelo Araripe, diretor de Marketing da Egec.

Ele lembra que os bichinhos foram feitos sob encomenda e conta que o investimento na campanha foi de R$ 800 mil.O objetivo é oferecer um atrativo a mais para que o cliente venha fazer suas compras em nossas lojas, comenta o executivo.

Segundo Araripe, para participar, o consumidor tem que juntar notas fiscais no valor de pelo menos R$ 70, mais R$ 8 em dinheiro para escolher o bichinho de sua preferência.

É importante lembrar que não são válidas notas de hipermercado e as notas fiscais devem ser de compras feitas em um mesmo shopping, comenta o executivo.

Egec: (21) 2132-8002
http://www.egec.com.br

Comments:




Moda é coisa de macho

Homens marcam presença no Fashion Rio como fotógrafos, modelos, maquiadores e na platéia
Clarissa Monteagudo, Flávia Motta, Mariana Salim e Márcia Disitzer



Paulo Zulu: um clássico da masculinidade nas passarelas

Homens sujos de graxa invadiram a passarela ontem, no desfile da Chiaro no Fashion Rio. Estranho num mundo marcado pelo glamour e a feminilidade? Não. O sonho dourado de muitas mulheres, a virilidade em grau máximo, está por toda parte no Museu de Arte Moderna, dentro e fora dos salões de desfile. A gente quis fugir dessa tendência do metrossexual (o homem que anda investindo cada vez mais no seu lado feminino) e falar do hetero, mostrar esse homem másculo, explica o estilista Gustavo Machado, que fez questão de um casting de modelos com cara de macho.

E Paulo Zulu? O espetáculo de 41 anos fez papel de pirata ontem, no desfile da Sandpiper. Quando comecei o homem não tinha tanto valor na moda, mas agora está mais liberto e conquistou espaço, tanto trabalhando, como consumindo moda, conta ele, com 13 anos de estrada, dois filhos em casa.



O Maquiador Daniel Hernandez (esquerda), o fotógrafo Mauro Motta, o joalheiro Cláudio Quinderé e os homens na esteira da Dzenk: testosterona em alta nos desfiles

Nem só com Zulu suspiraram as mulheres que foram conferir os desfiles de ontem. O mineiro Victor Dzenk, que mostrou coleção inspirada em um dia de academia, levou para sua passarela três corredores. Enquanto desfilavam a coleção, o modelo Léo Capote e os atletas Gustavo Barra e Flávio Mattos ambos vindos direto de Belo Horizonte suavam o dorso. Para deleite das moças, eles estavam sem camisa.

Ex-modelo e agora fotógrafo, o carioca Mauro C. Motta também tem histórico para avaliar o crescimento da presença masculina no mundinho. Quando era modelo, vivia ouvindo piadinhas. Isso não existe mais, defende ele. O joalheiro Cláudio Quinderé revela seu maior prazer: Vestir a mulher. Isso me dá um grande prazer, afirma.

Há 10 anos comandando pincéis e secadores de cabelo, o gaúcho Daniel Hernandez, 31 anos, já assinou a maquiagem de Naomi Campbell, Britney Spears e Claudia Schiffer. Ex-namorado da top Ana Cláudia Michels, ele é o maquiador de 10 marcas do Fashion Rio. E desconversa quando o assunto é o glamour do 'mundinho fashion'. Daqui a 10 anos, quero uma vida calma, num sítio, trabalhando só com o que escolher, confessa.

Natural também é a proximidade com mulheres bonitas. As mais jovens não dão cantadas, mas sei quando se encantam. Quem azara mesmo são os modelos, principalmente os iniciantes, por interesse. Finjo que não percebo, diz Daniel. Os rapazes também marcam presença na platéia. E admitem que as salas escuras e a luz dos desfile os encantam também. É interessante o clima, o glamour, elogia o engenheiro Henrique Gaio,46 anos, ao lado da mulher, Érica Dittman, 33 anos.

Comments:




Liberato Vieira da Cunha
29/06/2004


O tradutor improvisado

É uma dessas papelarias de bairro onde entro atrás de uma agenda e tropeço num incidente diplomático. Um casal estrangeiro procura material didático e, coisa rara em Porto Alegre, não consegue se fazer entender em castelhano. O atendente, um galalau de muito riso e pouso siso, não compreende palavra do que lhe deve parecer uma estranha algaravia e zomba aberta e tolamente dos clientes inusuais, até conseguir irritá-los. Os ânimos se alteram e eu resolvo, em nome da política de boa vizinhança, servir de intérprete aos visitantes.

Procuram cadernos, blocos de notas, canetas, folhas A-4, disquetes, adesivos, pastas de cartolina. Ante o vulto da compra, aproxima-se outro vendedor, pinta o gerente. Não são obtusos nem pretensamente hilários como o garotão deseducado: arranham um portunhol. Estabelece-se uma conversação atenciosa, o casal vai escolhendo outros itens da lista do colégio.

O homem conta que chegaram há pouco de sua terra, que ele é engenheiro e a esposa secretária, que andam em busca de apartamento ali por aquela zona, que receiam que o filho único demore a se adaptar à nova escola.

O gerente indaga se o garoto é colorado ou gremista, a senhora mostra-se curiosa ante a pergunta. O segundo vendedor esclarece que é por causa das cores: escolheram mais artigos azuis que vermelhos. Ri o marido: o menino ainda não se decidiu pelo Inter ou pelo Grêmio. O clima muda: já não é apenas atencioso, agora é cordial, prazenteiro. Junta-se mais gente.

Alguém informa sobre um edifício ensolaradao com apês para alugar a duas quadras, um cavalheiro idoso recomenda precauções com certa praça das redondezas, transformada em boca de fumo. Esbarro em dificuldades léxicas para verter à língua de Cervantes esta última advertência, acabo me despedindo, desejando que a família seja feliz por estas paragens e que o pimpolho se decida, no campo esportivo, pela gloriosa camiseta rubra.

A caminho de casa me pego pensando que cenas assim não eram incomuns. Nos Anos Dourados tive colegas italianos, alemães, austríacos, romenos. Houve uns vizinhos de andar, na Rua João Manoel, naturais de Londres.

Hoje somos nós os que partimos. Contemplo a foto desta moça de Minas, presa e humilhada na fronteira do México com os States. Há mais do que pranto e dor em sua face.

Há uma questão irrespondida: onde foi parar o País do Futuro?

liberato.vieira@zerohora.com.br

Comments:




Luís Augusto Fischer
29/06/2004


Ser jovem no subúrbio

Eu estava com um tema na cabeça, já há uma semana: era o nome do falecido Leonel de Moura Brizola. Li em algum necrológio que seu nome, dado na família - família abatida por tragédia, com o pai morto quando o futuro político não tinha sequer dois anos de vida -, era Itagiba. Ita é pedra, giba é corcova: pedra corcunda.

E ocorreu que o menino Itagiba só foi registrado oficialmente aos 15 anos, dizia o texto, e quando chegou lá declarou que seu nome era Leonel. "Itagiba" ficou no passado, nome meio índio, talvez de acordo com os ascendentes familiares, e em seu lugar entrou "Leonel", um nome mais urbano, passaporte para um futuro melhor.

Tudo isso é especulação minha, naturalmente. Sabe-se lá o que passa na cabeça de um jovem de 15 anos que tem a surpreendente chance de definir por vontade própria seu nome. O prezado leitor pense um momento: se quando tinha 15 anos lhe tivesse sido dada essa chance, que nome teria adotado? Teria passado de João Carlos para Maicon, por exemplo? Ou o contrário, de Washington para Paraguaçu? Aos 15 anos, o mundo se abre, tudo é novidade e possibilidade.

Jovens que vivem na periferia de uma região metropolitana, como é que fazem para agir, namorar, trabalhar, encontrar o caminho, quando têm 15 ou 18 anos? Foram perguntas assim que levaram Regina Weber, professora do departamento de História da UFRGS, a Cachoeirinha, num trabalho de pesquisa que agora foi publicado: Os Rapazes da RS-030 - Jovens Metropolitanos nos Anos 80 (Editora da UFRGS). Um texto bom de ler e interessante de pensar.

Regina, que pratica a chamada "História oral", zona lindeira da Antropologia Social e do Jornalismo, partiu de entrevistas com um grupo de sujeitos que hoje em dia andam se aproximando dos 40 e que nos anos 1980 estavam, como todo mundo, deslumbrados com o rock brasileiro, o movimento ecológico, as drogas, a política de esquerda.

Mediante conversas sucessivas e com muita pesquisa em textos acadêmicos sobre o tema, assim como em jornais de Porto Alegre e de Cachoeirinha, ela foi compondo um mapa delicado, respeitoso do modo de ser daqueles então adolescentes e jovens que, como quaisquer outros, estavam tentando medir suas chances de vida, mas que, diferentemente de outro mais bem situados, tinham a desvantagem de morar numa cidade não-central.

Um retrato que vale a pena conhecer, para entre outras coisas meditar sobre os destinos possíveis numa sociedade como a nossa.

fischer@zerohora.com.br

Comments:




Moacyr Scliar
29/06/2004


Minha luta contra Simon

Chegando ao aeroporto de Boston, descobri que a bagagem havia se extraviado, o que não é coisa rara em viagens internacionais. Limitei-me a tomar a providência habitual: fui ao competente balcão, registrei o extravio e recebi um papelzinho com um número de telefone. Mais tarde, e como as malas não chegavam, fiz a ligação. Do outro lado, atendeu uma voz simpática: "Alô. Meu nome é Simon".

Mentira. Não era nenhum Simon (que se pronuncia "Saimon"; nada a ver com o grande Pedro Simon). Tratava-se de gravação, um desses fantásticos programas de computador ativados pela voz. O nome é, contudo, intrigante; pode ser tanto uma referência a Simon Magus (Simão, o Mago), aquele que tentou comprar poderes mágicos dos apóstolos, quanto uma alusão ao jogo infantil americano "Simon says", em que todo mundo tem de cumprir as ordens do personagem.

Simon pediu que eu informasse qual o meu problema, escolhendo entre opções por ele determinadas; eu não poderia perguntar, por exemplo, qual o sentido da vida. A seguir solicitou que eu dissesse claramente o lugar em que havia desembarcado. Boston, Massachusetts, foi a minha resposta.

De imediato surgiu um problema. Sempre tive dificuldade em pronunciar o nome do Estado americano (qual o brasileiro que não tem?) e dessa vez não deu outra. Simon até poderia ter me censurado por não dizer a palavra correta ("Que vergonha, doutor Scliar, logo o senhor, casado com uma professora de inglês"), mas, elegante, não fez isto. "Creio que você disse Massachusetts", corrigiu-me, de forma impecável, e me fez repetir. Sim, aprendi a pronúncia correta - mas Simon não localizava minha bagagem. A única coisa que fez foi sugerir-me que eu dissesse "good bye" para encerrar a ligação.

No quarto ou quinto telefonema eu não agüentava mais o Simon. Liguei para outros números da United, mas todos davam em gravações. Eu ansiava por falar com uma pessoa, uma pessoa real. Finalmente, consegui. Uma moça (que não disse o nome) ouviu, imperturbável, o meu angustiado relato e pediu que aguardasse um momento: iria transferir a ligação. Fiquei à espera daquele caridoso ser humano que resolveria por fim meu problema. E aí, do outro lado, ouvi: "Alô. Meu nome é Simon".

George Orwell fala do Big Brother, aquele personagem que, no futuro, vai nos vigiar a todos. Orwell estava certo: o Big Brother já está entre nós. O nome dele é Simon.

scliar@zerohora.com.br

Comments:




Paulo Sant'ana
29/06/2004


O direito de comerciar

Desfecham-se passeatas de comerciantes até a prefeitura da Capital para defesa de seus direitos de funcionamento.

São os comerciantes do Centro, completamente sitiados pelos camelôs, que literalmente sufocam suas atividades mercantis.

Os camelôs não só concorrem deslealmente contra as lojas estabelecidas no Centro como asfixiam completamente a circulação de pedestres diante do comércio legal, inibindo a entrada e trânsito de clientes.

Virou uma queda-de-braço, até agora vencida pelos camelôs. Desse jeito, em pouco tempo será extinto o comércio no centro da cidade, já inibido, já amedrontado, já encurralado pelo verdadeiro comércio persa que se dissemina pelo Centro.

E também apelam como último recurso para a passeata os proprietários de bares noturnos e boates da Cidade Baixa, que são alvos agora de uma ofensiva da Smic no sentido de fechá-los, cassando seus alvarás definitivos ou não confirmando os alvarás provisórios.

Visivelmente, a Smic tenta opor entraves administrativos aos bares noturnos e boates da Cidade Baixa para atender a uma política oficial de localização desses estabelecimentos, sob a conjectura de que eles estimulam a precariedade da segurança pública no bairro.

E como as ocorrências policiais de eventuais algazarras ou até mesmo assaltos na Cidade Baixa se sucedem, alguma mente luminar do poder municipal concluiu que tem de fechar o comércio noturno.

Estão ameaçados de fechamento vários bares e restaurantes musicais que nunca proporcionaram qualquer deslize à ordem pública, estabelecimentos tradicionais ou que já estavam se tornando tradicionais na Cidade Baixa, constituindo-se em pontos da paisagem noturna da cidade.

Igualzinho ao comércio do Centro, o da Cidade Baixa vê-se agora ameaçado de ter que demitir seus empregados, além da medida radical e intempestiva de a administração municipal atentar contra a liberdade de comércio e de mercado.

Os bares e boates noturnos da Cidade Baixa, mesmo os de mesas nas calçadas, detalhe observado em todas as partes do mundo, não são os culpados pela falta de segurança pública nos seus arredores. Esta semana mesmo se verificaram assaltos com pessoas feridas na Cidade Baixa à luz do dia. Seria o caso então de fechar os bancos e supermercados onde ocorreram tais fatos? Claro que não, o comércio não pode nunca ser culpado da perturbação da ordem, a menos que razões objetivas o incriminem específica e isoladamente.

Deixa-se aqui um apelo ao prefeito João Verle. Que tenha sensibilidade com as casas noturnas da Cidade Baixa, grande parte delas investiu na instalação de seus negócios, elas têm empregados, pagam seus impostos. Reduzir horários de casas noturnas para somente até as 24h é inviabilizá-las na grande maioria dos casos. É desconhecer lamentavelmente que as pessoas que acorrem a tais casas saem de casa por volta das 23h, em busca de divertimento.

Inúmeras pessoas me perguntam há anos onde podem ouvir boa música na cidade, respondo-lhes que os lugares estão ficando cada vez mais raros, mas alguns sobrevivem heroicamente.

Essas medidas tomadas agora pela prefeitura, com aposição de dificuldades intransponíveis para a concessão ou manutenção de alvarás, vão asfixiar ainda mais a noite porto-alegrense, tornando a cidade mais triste e atacando brutalmente a sua espontaneidade.

Ou não é de estranhar que espoquem agora em direção da prefeitura passeatas de comerciantes (!) do Centro e da Cidade Baixa para garantirem o direito de comerciar?

Nunca se viu nada igual antes e em lugar algum.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comments:


Inter
O adeus de Lori depois de 192 dias



Incompatibilizado com a torcida colorada, treinador foi demitido depois de criticar publicamente seus jogadores (foto Valdir Friolin/ZH)


Comments:

Segunda-feira, Junho 28, 2004




Segunda, 28 de junho de 2004, 10h17
Planta africana pode melhorar fertilidade do homem

Os homens que tentam melhorar sua fertilidade poderão em breve contar com uma ajuda inusitada - uma planta que há séculos é cultivada no leste da África e no Oriente Médio. A substância poderá ser usada como um aditivo ao esperma em tratamentos de fertilidade.

As folhas do khat costumam ser mastigadas para se alcançar a sensação de euforia. Mas cientistas do King's College de Londres descobriram que a planta também contém substâncias químicas que ajudam o esperma a amadurecer e a fertilizar um óvulo.

"Imaginamos o desenvolvimento de produtos que possam ser tomados por indivíduos, tanto casais com problemas para engravidar quanto pessoas que apenas decidiram tentar engravidar e que não têm problemas evidentes", disse a professora Lynn Fraser hoje, durante uma conferência de fertilidade em Berlim.

Em estudos com esperma de ratos e humanos, os cientistas descobriram que elementos parecidos com anfetaminas, que pertencem a um grupo conhecido como fenilpropanolaminas (PPAs), estimularam e estenderam o processo final de amadurecimento no esperma.

Mas Lynn, que apresentou a pesquisa durante a reunião anual da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia, disse que mais pesquisas são necessárias para estudar os efeitos das PPAs nos ovários, esperma e testículos antes de elas serem usadas em tratamentos para humanos.
Reuters

Comments:




Segunda, 28 de junho de 2004, 16h22
Fotos inéditas mostram feto 'sorrindo e bocejando

Na 22ª semana, os bebês conseguem fazer movimentos mais elaborados com as mãos e os dedos

Fotos inéditas mostram feto sorrindo e bocejando

Um novo tipo de ultra-sonografia em três dimensões (3D) é capaz de produzir as imagens mais nítidas de um útero até hoje e de revelar comportamentos desconhecidos dos fetos.

A nova ultra-sonografia, desenvolvida pelo professor Stuart Campbell, da clínica Create Health, em Londres, oferece muito mais detalhes do que as convencionais. As imagens mostram o feto "caminhando", bocejando, esfregando os olhos e até sorrindo, o que acreditava-se que só era possível após o nascimento. Campbell reuniu as imagens em um livro intitulado Watch me Grow, em tradução livre, Veja-me Crescer.

As ultra-sonografias convencionais, normalmente oferecidas a grávidas no período entre 12 e 20 semanas de gestação, produzem imagens em duas dimensões do feto em desenvolvimento. Elas são usadas pelos médicos para medir e acompanhar o crescimento dos bebês, mas oferecem poucas informações em relação ao comportamento do feto.

A tecnologia desenvolvida por Campbell não apenas produz imagens mais detalhadas, mas também registra o movimento fetal em tempo real. Ele diz que a tecnologia mostra, pela primeira vez, que o bebê apresenta comportamento complexo já nos primeiros estágios do seu desenvolvimento. "Talvez (a nova tecnologia) nos ajude a entender e diagnosticar doenças genéticas no futuro", disse Campbell à BBC.

Uma dessas doenças é a paralisia cerebral, sobre a qual os médicos sabem muito pouco.

Entre as revelações permitidas pela nova tecnologia está a descoberta de que após 12 semanas o feto pode chutar, se alongar e se jogar dentro do útero. Nesse período a mãe não é capaz de sentir qualquer movimento.

Após 18 semanas, os bebês podem abrir os olhos, embora os médicos acreditassem que as pálpebras só se formassem após 26 semanas. A partir de 26 semanas, os fetos apresentam vários comportamentos típicos dos bebês recém-nascidos: se coçam, sorriem, choram, chupam os dedos e têm soluços.

Comments:




Para ter o próprio negócio

Idéia é que profissionais de qualquer área possam contratar e produzir sem precisarem abrir empresa

A burocracia e os impostos altos são os maiores problemas de quem quer ter o próprio negócio e gerar empregos. Para transformar em realidade o sonho de milhares de brasileiros, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) criou o projeto Empreendedor Urbano Pessoa Física (EUPF), que permite que se desenvolva uma atividade sem a necessidade de abrir uma empresa.

De acordo com o presidente da ACSP, Guilherme Afif Domingos, a idéia foi bem aceita pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e pelo presidente Lula porque traz para a formalidade o trabalhador informal, que hoje é maioria no Brasil. Pesquisas da USP mostram que o pavor de quem vai empreender é criar uma empresa e gerar até mesmo um único emprego, por causa dos encargos que tem que assumir. Isso inviabiliza quem está começando, tantos são os encargos e a burocracia, alerta.

Afif também questiona a necessidade de, hoje em dia, ser pessoa pessoa jurídica para estabelecer um negócio. Atualmente, o empreendedor é obrigado a ter uma empresa, mas o ideal é que ele pudesse gerar empregos como pessoa física, como acontece com o produtor rural, observa.

Para o presidente da ACSP, o maior benefício do projeto é que o empreendedor pode tornar-se um cidadão, ter renda comprovada. Ele passa a ter crédito, pode sair da marginalidade e não ser confundido com um criminoso. Por exemplo: podem ser legalizados todos os camelôs que trabalham com mercadorias lícitas, além do artesão, do encanador, do pintor, explica.

Apesar de os setores que mais têm trabalhadores e empresas na informalidade serem o comércio, a construção civil e a agricultura, Afif afirma que atualmente todas as áreas da economia têm pessoas na informalidade. Basta ser pequeno e não poder arcar com os encargos. Isso acontece principalmente no setor de serviços, diz.

Comments:




Novos pares românticos da novela das oito

Em matéria de pares românticos, Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva, que estréia hoje, terá a relação tradicional entre a mocinha e o mocinho, vividos por Marcello Antony e Débora Falabella (os dois na foto), que serão uma espécie de Romeu e Julieta. Ele, pobre, filho de uma migrante nordestina, morador da Baixada.

Ela, rica, filha de descendente de barão e moradora da Lagoa. Mas terá também um casal romântico pouquíssimo convencional, no qual o autor aposta muito. Será formado por Isabel (Carolina Dieckmann) e Edgard (Dan Stulbach). Ela, a filha perdida de Maria do Carmo (Suzana Vieira); ele, o proprietário do chique restaurante francês Monsieur Vatel, do qual é o renomado chefe de cozinha. Isabel é decidida e trabalhadora. Já Edgard é rico e famoso, mas tímido e sem jeito com as mulheres.

Eles irão se conhecer num momento crucial, quando o pai dela morre e ela precisa procurar emprego, que consegue justamente no restaurante de Edgard. Apesar de cortejada por Alberto (Thiago Fragoso), seu vizinho e namorado de infância, Isabel se renderá aos sutis encantos de Edgard.

Uma ótima semana

Comments:




Dia de feira

Frutas, flores, peixes e até ovos em tramas e estampas: é a xepa chique do Fashion Rio
Marcia Disitzer


Flores abstratas de Graça Ottoni

Não, não é uma lista de compras para a feira, mas tem frutas, flores, peixes e ovos. São as estampas eleitas pelos estilistas que se apresentaram nos dois primeiros dias do Fashion Rio, que segue até quarta-feira no MAM. As coleções se inspiram em temas tropicais e cores e sabores da natureza viram tendência. É a feira ditando moda.


Na salinas, maiô rima com flor

E o tempo é de morango, segundo a estilista Jaqueline De Biase, da Salinas. Biquínis com aplicação da fruta no bumbum prometem virar mania nas areias. O morango tem uma identidade muito pop. Será sucesso entre as meninas, na certa, por representar essa coisa fofa, que tem a ver com a grife, resume Jaqueline. Para Luciano Canale, da Sta. Ephigênia, são o peixe e o abacaxi que estão à mesa, ou melhor, em alta. O vestido com desenho de peixes e as bolsas da designer Laura Lima já caíram na rede. O legal é misturar as estampas, avalia Luciano, que acredita que as flores serão as mais cotadas.


Jardim na saia Walter Rodrigues

E foram elas que ganharam espaço na primorosa coleção da estreante Patricia Viera, do paulista Walter Rodrigues e da mineira Graça Ottoni. No desfile de Patrícia, flores enfeitaram a barra de saias irresistíveis. Walter Rodrigues também lançou mão de uma estampa-jardim, que se misturou a outras referências, como Japão, Índia e África. Todo o esse mix cultural em busca de uma sensualidade tropical. Já Graça Ottoni apostou em folhas para dar leveza aos vestidos.

Na Tessuti, o paletó feito com fibra de 500 ovos de avestruz foi a grande atração do desfile marcado pela silhueta dos anos 50. Uni a feminilidade da década com fibras rústicas, como essa dos ovos, contou a estilista Clara Vasconcellos, no fim do desfile Para Gloria Kalil, a feira é a cara do Rio. Adorei os morangos e acho que essa tendência tem tudo a ver com o verão carioca, afirmou. São as nossas referências tropicais fazendo moda, endossa o figurinista Felipe Veloso. Então, vamos comer.

O amor está no ar e na passarela


Roger desfilou para a marca TNG

O amor é lindo. E um grude. Foi o que Ronaldo e Daniella Cicarelli provaram no desfile da TNG, o último de ontem. Ao chegar, a bela se escondeu atrás da fera, que a protegeu dos fotógrafos. No camarim, assumiram o estilo chiclete total, e não se largaram nem para ela se maquiar. Ronaldinho entrou na tenda de desfiles em cima da hora e sentou próximo à saída. Cicarelli fez duas entradas, sempre de olho no namorado. Na primeira, apareceu de calça branca esportiva e maiô listrado engana-mamãe. Na segunda, usou shortinho branco e frente-única vermelha de babados, que deixava a barriga de fora, acompanhada de um cachorro. Ela desfilou para ele: piscou os olhinhos, sorriu e ele correspondeu aos olhares apaixonados. O jogador nem esperou o término do desfile. Assim que Cicarelli saiu pela segunda vez, o craque foi para o camarim. Daniella voltou no fim ao lado do dono da marca, Tito Bessa Junior.


Daniella: olhares apaixonados

Além do casal chamego, o jogador Roger sem Galisteu, o que é raro , que tinha acabado de sair do jogo do Fluminense, e a triatleta Fernanda Keller bancaram os modelos. A performance de Roger arrancou gargalhadas de Ronaldo, zoando o amigo.


Ronaldo protege Cicarelli dos fotógrafos e usa boné com a letra D

Comments:




Luis Fernando Verissimo
28/06/2004


Outra carta da Dorinha

Recebo outra carta da ravissant Dora Avante. Dorinha, como se sabe, nega que tenha a idade que lhe atribuem e diz que só não mostra sua certidão de nascimento porque o papiro poderia se desmanchar em contato com o ar. Ela está com ótima saúde, tanto que emprega dois personal trainers para exercitá-la, que descreve como "o de cima e o de baixo", e eles diariamente brigam pelo meio.

E, mesmo, Dorinha sustenta que toda mulher tem a idade da sua última plástica, por isso está constantemente adiando sua festinha de um ano. Segundo ela, o Pitanguy só não aproveitou o que sobrou das suas plásticas nestes anos todos para fazer outra Dorinha porque teme que o mundo ainda não esteja preparado para duas.

Ela não sabe dizer se está casada no momento - "felizmente, não sou eu que cuido dessas formalidades" -, mas tem quase certeza que sim, que ele é brasileiro e está envolvido num escândalo, só não sabe se federal ou estadual. Em suma, está feliz, apesar de cheia de netos, que ela compara a rugas, com a diferença de que contra netos não há cremes.

Apesar disso, começou a se preocupar pela sua vida e seu destino, desde que... Mas deixemos que a própria Dorinha nos conte, na sua cartinha. Que, como sempre, veio manuscrita em papel azul-turquesa, com o nome impresso em ouro, "Dora Avante" e um espaço para o sobrenome do marido, no caso "?".

"Caríssimo! Beijíssimos! Como você sabe, passei a vida inteira procurando curandeiros, terreiros, pais, mães e parentes próximos de santos, benzedeiras, quiromantes, todos que pudessem me curar da compulsão de acreditar em qualquer forma de divinação.

Até que um garantiu que me curava: fiquei de pé contra uma parede enquanto ele atirava búzios contra o meu corpo nu e gritava 'Não acredite! Não acredite! Superstição, não! Razão! Razão!' Depois examinou a configuração dos búzios no chão e disse que tinha funcionado. Dali em diante eu não acreditaria em mais nada e estaria livre de qualquer superstição. E foi o que aconteceu! Passei a não acreditar em mais nada e, claro, só acreditar nele. E um dia perguntei o que ele via, nos búzios, sobre o meu futuro. Ele olhou, olhou, e disse que minha vida seria longa e que nada deveria me preocupar.

Pois eu só correria perigo no dia em que dois times de Santa Catarina liderassem o Campeonato Brasileiro de futebol e o PFL propusesse um salário mínimo maior do que o do PT. Lembro que demos boas risadas e eu comecei a planejar o que usaria na próxima passagem do milênio, em 3000. Agora, não sei o que me espera! É tudo muito injusto. Nenhuma mulher deveria morrer antes dos seus personals! Da sua desesperada Dorinha."

Comments:




Paulo Sant'ana
28/06/2004


As fraudes nos combustíveis

A julgar pelo que cobram de tributos na gasolina, os governos tinham que pelo menos dar a certeza aos consumidores de que o produto é genuíno, não tem falsificação.

Mas o que se vê é que a tributação selvagem da gasolina (60% de impostos num simples litro) não corresponde a qualquer ação governamental que garanta aos consumidores que a composição do produto se constitui somente de 75% de gasolina e 25% de álcool.

Ou seja, o governo federal, os estaduais e os municipais faturam fortunas de impostos embutidos nos combustíveis sem contraporem qualquer serviço que proteja os consumidores das adulterações.

E ao que se assiste hoje no país, no setor de combustíveis, é o mais completo caos na fiscalização.

A CPI dos Combustíveis e a Receita Federal calcularam no ano passado que a sonegação de impostos implícita na adulteração da gasolina é da ordem de R$ 10 bilhões anuais.

Funciona da seguinte forma a sonegação: com a proliferação promíscua dos distribuidores, entre eles se imiscuíram agentes desonestos, que misturam de tudo à gasolina que é vendida nos postos do Brasil.

Quando um distribuidor mistura mais de 25% de álcool na gasolina, lucra ele e perde o consumidor, em primeiro lugar porque o preço do álcool é mais barato e em segundo lugar porque foi pago menos imposto pelo álcool do que aquele que se embute na gasolina.

No caso do álcool em excesso e dos solventes, com imposto mais barato ou isentos de imposto, quando eles são misturados à gasolina fazem a fortuna dos distribuidores desonestos.

Na adição de água à gasolina ou até mesmo ao álcool anidro, o lucro dos distribuidores inidôneos é de 100%.

Segundo o deputado Luiz Antônio Medeiros (PL-SP), presidente da CPI da Pirataria, 20% dos combustíveis consumidos no Brasil são adulterados.

O faturamento do mercado de combustíveis no Brasil é da ordem de R$ 115,7 bilhões ao ano, o que torna atraente e irresistível a fraude.

Eu estava pensando comigo ontem: se na gasolina, no diesel ou no álcool que os distribuidores fraudulentos vendem são adicionados água, enxofre ou álcool em demasia, se em vez de álcool anidro colocam álcool hidratado na gasolina - e outros ingredientes de falsificação - e os governos tributam essa parte imensa dos combustíveis adulterados como se eles fossem legítimos, então ainda é mais cruel a exploração sobre os consumidores: já imaginaram o que é pagarmos 60% de imposto sobre a água que porventura adicionam à nossa gasolina? Uma infâmia.

O jornal O Estado de S. Paulo escreveu ontem: "A Agência Nacional do Petróleo está bichada", declarou um parlamentar. "O Parlamento também", garante o jornal. E conclui: "Depois de levantar alguns nomes de suspeitos de fraude, a CPI dos Combustíveis acabou em nada, porque a maioria de seus membros se vendeu para os criminosos. Pelas contas de um dos membros da comissão, 14 dos 24 deputados que a integraram trabalhavam para adulteradores e sonegadores".

Nunca vi denúncia mais grave, estava contida na edição de ontem de O Estado de S. Paulo.

E como é que fica o consumidor, diante do caos fiscalizatório da ANP? Paga-se preço extorsivo por uma gasolina que não se sabe se é adulterada.

Além do preço extorsivo, os carros dos consumidores são avariados.

Mas isso não é, cá para nós, uma síntese do Brasil?

psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comments:


Patrimônio
Os 20 anos do novo São Pedro



Data de reinauguração do teatro será comemorada hoje à noite com show e apresentação de novos patrocinadores do Multipalco (foto Júlio Cordeiro/ZH)


Comments:

Domingo, Junho 27, 2004




Domingo, 27 de junho de 2004, 21h40
Ronaldinho causa tumulto no MAM


Lívia Forte

Ronaldinho e Daniella Cicarelli já estão no camarim da TNG, marca para a qual a VJ da MTV desfila na noite deste domingo. A presença do novo casal causa tumulto entre fotógrafos, repórteres e fãs que tentam entrar no backstage na grife.
Assim como fez em desfile na SP Fashion Week, Ronaldinho deve entrar na sala de desfile, acompanhado por seguranças, quando as luzes já tiverem apagadas e as portas estiverem fechadas.

O jogador Roger também está no camarim da TNG. No entanto, Adriane Galisteu, sua namorada , ainda não apareceu para ver o jogador desfilar.

Nossa vai ser aquele zuê enquanto o homem estiver de férias por aqui. Uma boa semana a todos nós e um ótimo início de semestre, espero.

Comments:




Reflexões sobre o mal

Afinal, estes são meus amigos

Este rei é poderoso porque tem pacto com o demônio dizia uma beata na rua. O rapaz ficou intrigado.

Tempos depois, enquanto viajava para outra cidade, o rapaz escutou um homem ao seu lado comentar:

Todas as terras pertencem ao mesmo dono. Isto é coisa do diabo!

No final de uma tarde de verão, uma bela mulher passou ao lado do rapaz.

Esta moça está a serviço de Satanás!~ gritou um pregador, indignado.

A partir daí, o rapaz resolveu procurar o demônio.

Comenta-se que o senhor faz as pessoas poderosas, ricas e belas disse o rapaz, assim que o encontrou.

Não é bem assim respondeu o demônio. Você só escutou a opinião daqueles que estão querendo me promover.

Nada fiz para merecer um anjo

Vê aquele homem santo, humilde, caminhando pela estrada? disse um demônio para o outro. Pois vou até lá conquistar sua alma.

Ele não lhe dará ouvidos, porque só presta atenção em coisas santas respondeu seu companheiro.

Mas o demônio, ardiloso como sempre, vestiu-se como o Arcanjo Gabriel e apareceu para o homem.

Vim para ajudá-lo disse.

Talvez você esteja me confundindo com outra pessoa respondeu o santo homem. Nunca em minha vida fiz nada para merecer a visão de um anjo.

E continuou seu caminho, sem saber do que havia escapado.

Encontrando a verdade

O demônio conversava com seus amigos, quando viram um homem caminhando por uma estrada. O homem andou algum tempo e, de repente, abaixou-se para pegar algo no chão.

O que ele encontrou? Perguntou um dos amigos.

Um pedaço da Verdade respondeu o demônio.

Os amigos ficaram preocupadíssimos. Afinal de contas, um pedaço da Verdade poderia salvar a alma daquele homem, e seria menos um no Inferno. Pensaram em ir roubar o achado.

Mas o demônio continuava imperturbável, olhando a paisagem.

Você não se preocupa? Ele achou um pedaço da Verdade!

Não me preocupo respondeu o demônio. Sabe o que ele fará com este pedaço? Como sempre, vai criar uma nova religião, e conseguirá afastar mais pessoas da Verdade total.

O eremita no deserto

Por que o senhor vive no deserto? perguntou o cavaleiro.

Porque não consigo ser o que sou respondeu o monge.

Ninguém consegue. Mas é preciso tentar.

Impossível. Quando começo a ser eu mesmo as pessoas me tratam com uma reverência falsa. Quando sou verdadeiro a respeito de minha fé, elas então começam a duvidar. Todos acreditam que são mais santos que eu, mas fingem-se de pecadores com medo de insultar minha solidão e procuram mostrar o tempo todo que me consideram um santo. Transformam-se assim em emissários do demônio, me tentando com o Orgulho.

Se o senhor ainda acha que todas as pessoas trabalham para o demônio, então realmente é melhor continuar no deserto disse o cavaleiro, afastando-se.

Comments:




santanna@novanet.com.br

No monte com Zaratustra

Estou no topo das ruínas do templo de Zoroastro e olho para ontem e para hoje. Subi, subimos, Marina e eu, cem, duzentos metros íngremes num não-caminho, um sol de botar o chapéu, vamos subindo e a cidade de 14 milhões de habitantes começa a aparecer em seu conjunto, pois a maioria das construções no Irã tem poucos andares.

Então, estou no topo das ruínas do templo de Zoroastro, a que chamavam também Zaratustra, que viveu há 1.600 a.C, de quem Nietzsche tomou o nome, embora seu pensamento nada tenha a ver essencialmente com esse profeta que veio da raça ariana, raça que surgiu no Irã e não na Alemanha.

E, aqui em cima, nesse círculo de pedras da história que restou, dois iranianos conversam agachados, acocorados, um deles com uma pomba branca nas mãos. Pomba prisioneira ou pomba libertária? Ambigüidade. Há uma tradição autoritária aqui que tem praticamente 2.500 anos.

Olho a pomba, olho a paz, olho a guerra.

Sobre esta cidade, na guerra Irã-Iraque, caíram 116 mísseis desferidos por Saddam Hussein, naquela época amigo dos Estados Unidos em sua hipócrita política externa, para destruir o grande satã iraniano.

Cada época tem seu Gengis Khan ou seu Alexandre, o Grande, com manias civilizatórias. Sabem o que os mongóis lá pelo século XIII fizeram por aqui? Vieram arrasando tudo desde as estepes da China e avisavam que era melhor os inimigos se renderem, porque iam de qualquer modo degolar todos os príncipes. Então, o guia que me levava por uma dessas deslumbrantes mesquitas me recita os versos de um poeta antigo: Ontem se alguém morresse encontrariam cem pessoas para chorar por ele/ Hoje tanta gente morre que não há mais quem chore.

O que fez então Gengis Khan? Ordenou que recolhessem os crânios dos vencidos e construíssem com eles um arco do triunfo por onde suas tropas passariam. Parece que não avançamos muito. Olho os jornais publicando as fotos de tortura, quando os novos mongóis vindos da América desembarcaram no Iraque, que está a uma hora daqui. Pois acusavam Saddam de fazer pilhas de cadáveres. Então, os mongóis da América vieram e ergueram novas pilhas de cadáveres sob um arco de impossível triunfo.

O homem é mau desde sua meninice, brandia Salomão.

Vou ao Museu Armênio, pois eles há muito vieram perseguidos para cá. Não se pode andar um metro história a dentro sem sujar os pés, o peito e até se afogar em sangue. Aqui vive uma comunidade de armênios, esses quase sem pátria, com a pátria comprimida, oprimida como os curdos, os palestinos, os tibetanos.

Como esquecer o massacre de 1910, em que os turcos, em sua versão mongólica, eliminaram um milhão de armênios? Nas paredes da igreja uma série de pinturas sobre as torturas infligidas a São Gregório, ele que havia curado o rei que tinha alucinações que era um porco. Possivelmente era porco mesmo, como sucede com certos reis e governantes.

É em Esfahan, nessa espetacular praça que soma cinco campos de futebol, com centenas de arcadas para lojas e um mágico bazar persa ao fundo, é nessa praça que observo pela primeira vez que, ao invés de flâmulas, todos os postes da cidade e todos os postes do país ostentam uma bandeira negra em solidariedade ao que ocorre no país vizinho.

Mas onde estava eu no princípio dessa crônica, senão no topo desse monte onde os zorastrianos celebram cultos, ainda hoje, em outras partes do país? Devo descer, apagar essas visões? Devo ir ao portentoso Museu dos Tapetes e ver se descubro modos novos de trançar a urdidura da história?

Devo ir ao Museu Golestan com seus espelhos, jardins e água corrente, devo ir ao ilustrativo Museu de Vidro ver como se fragiliza a beleza, devo ir ao Museu de Jóias e ver rubis, diamantes, esmeraldas que brilhavam na cabeça dos tiranos e rédeas de seus cavalos, enquanto os pobres, ah! os pobres, sempre aos vossos pés, sempre os tendes convosco.

Descubro então pequenas coisas, não apenas como se trama a história, mas como se tramam e se tecem tapetes e que, por exemplo, é a lã em torno do pescoço da ovelha a melhor para tecer, e que esses símbolos nos tapetes, esses símbolos nos quais pisamos soberanos e incultos, esses símbolos falam, têm sentido e caligrafam histórias. Dois pássaros, por exemplo, significa amor, setas são sinais de fertilidade, e outros sinais representam o destino e abundância. Os tapetes falam. Narram desejos.

Quando eu descer daqui de novo passarei pelas ruas ladeadas por sucessivos plátanos que tudo sombreiam e amenizam. Passarei por jardins e gramados que só um povo à beira do deserto pode cultivar.

E quando for no palácio de Golestan, erguido no século XVIII, uma coisa me chamará a atenção: em muitos quadros representativos da vida persa, quando a cultura islâmica ainda não havia proibido a reprodução de figuras humanas nas pinturas, observo que aparece sempre uma figura masculina com um véu cobrindo todo o rosto. Explicam-me: é o Imã Oculto, o 13 profeta que há de vir para participar do Juízo Final e acabar com o sofrimento humano.

Pesaroso, desço o monte do Templo do Silêncio com alguma esperança, pensando em Zoroastro, a única criança que sorriu no dia de seu nascimento.

Comments:





Marketing pessoal... o que é isso?

Marketing pessoal, que raios será isso? Fazer propaganda de si mesmo; enaltecer seus bons predicados e escamotear os nem tanto; parecer ser mais gente boa do que é de fato; ter sempre algum pitaco para dar sobre a alta do petróleo; tecer um comentário cheio de propriedade sobre o último livro do Chico Buarque... Será que é assim que se faz? Bom, claro que conhecimento e versatilidade são atributos indispensáveis para qualquer profissional, mas um bom marketing pessoal precisa mais do que isso. Precisa estar ancorado numa boa estratégia de divulgação do produto - no caso, você.

Fazer marketing pessoal não significa ficar exposta em gôndolas, outdoors, disparar spams a seu respeito e, muito menos, aparecer de dez em dez minutos na frente do chefe. Apesar de seguir a mesma filosofia do marketing tradicional - com conjunto de conceitos, técnicas e práticas utilizados para ajudar no sucesso de um produto - seu foco é na pessoa física.

Ou seja, no que o profissional tem a oferecer para o mercado de trabalho. Sendo assim, um bom conteúdo aliado a uma boa estratégia fazem toda a diferença. "Marketing pessoal é para quem quer ser bem-sucedido, não ser mais um numa época em que o mercado de trabalho é perverso. Para isso, ter objetivos e metas é fundamental", diz a consultora de marketing pessoal Lúcia De Biase Bidart, acrescentando que os objetivos devem estar delineados desde o término da faculdade, quando a carreira se inicia.

Regras
No entanto, a questão é: como fazer marketing da sua própria pessoa? A regra número um é jogar a timidez fora na primeira lixeira que encontrar. "Estamos num péssimo momento para os tímidos. Hoje, o mundo exige exposição das pessoas e a timidez atrapalha demais um profissional. Saber se promover é a chave de tudo", revela Lúcia Bidart. Uma boa peça publicitária, então, pode ser o currículo. Que o diga a publicitária Viviane Ferreira.

"Fiz um curso de humor na literatura e o dever de casa era fazer um currículo diferente. Preparei um totalmente fora dos padrões, mesclando informações profissionais, como meus trabalhos anteriores, formação acadêmica, com pessoais, signo, preferências, defeitos. Em todas as empresas, em que fui entrevistada, fiquei conhecida como a garota do currículo", diz Viviane.

Apresentação
Só que mais do que uma apresentação interessante, um currículo deve ter conteúdo de qualidade. José Carlos Figueiredo, consultor do Grupo Catho, diz que o melhor marketing pessoal é investir em si mesmo. Isso quer dizer, buscar aprimoramento o tempo todo. "Fazer cursos que não valem de nada, só para botar no currículo, não adianta.

O profissional deve investir em cursos e especializações sérias, participar de palestras e fazer com que seus trabalhos sejam reconhecidos. O foco deve ser gerar conhecimentos e contatos importantes", revela ele. E não confunda contatos importantes com ir à feiras e eventos só para distribuir cartões. "Se o trabalho desempenhado pelo profissional não for de fato de valor, ninguém vai saber quem ele é.

Jogamos toneladas de cartões fora de gente que só vai a eventos para fazer vitrine", diz José Carlos. Outra característica, para que o marketing pessoal flua naturalmente, é ser autêntico. "Criar artifícios não leva a nada. O marketing pessoal se faz com uma formação sólida, postura e atitude condizente com o que se propõe", comenta José Carlos.

Modéstia
Mas onde fica a modéstia nessa história? "A modéstia como sinônimo de humildade é indispensável. Porque ela é construtiva, faz você enxergar que existem pontos que sempre podem ser melhorados. Já a falsa modéstia, atrapalha. Ela faz com que o profissional se esconda ou não queira aparecer de propósito, fugindo das oportunidades", diz Lúcia Bidart. José Carlos Figueiredo sintetiza o princípio do marketing pessoal: "Você tem que aprender a ser para ter". Ser capacitado, ser prestativo, ser interessado e ser profissional. Prestígio se conquista, não se compra.


Comments: