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Vocês encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Encontrarão também muitas crônicas do Luiz Fernando Veríssimo, Martha Medeiros, Macaco Simão e de outros cronistas de jornais diários e de revistas semanais. Endereço para email: cassiano.leonel@terra.com.br e para observações e comentários utilize os links disponíveis nos próprios textos. Espero que ele seja útil a você de alguma maneira, pois esta é uma das razões dele existir.

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E N T R E L A Ç O S

Sábado, Fevereiro 26, 2005




Caminha placidamente entre o ruído e a pressa. Lembra-te de que a paz pode residir no silêncio.

Sem renunciares a ti mesmo, esforça-te por seres amigo de todos.

Diz a tua verdade quietamente, claramente.

Escuta os outros, ainda que sejam torpes e ignorantes; cada um deles tem também uma vida que contar.

Evita os ruidosos e os agressivos, porque eles denigrem o espírito.

Se te comparares com os outros, podes converter-te num homem vão e amargurado: sempre haverá perto de ti alguém melhor ou pior do que tu.

Alegra-te tanto com as tuas realizações como com os teus projectos.

Ama o teu trabalho, mesmo que ele seja humilde; pois é o tesouro da tua vida.

Sê prudente nos teus negócios, porque no mundo abundam pessoas sem escrúpulos.

Mas que esta convicção não te impeça de reconhecer a virtude; há muitas pessoas que lutam por ideais formosos e, em toda a parte, a vida está cheia de heroísmo.

Sê tu mesmo. Sobretudo, não pretendas dissimular as tuas inclinações. Não sejas cínico no amor, porque quando aparecem a aridez e o desencanto no rosto, isso converte-se em algo tão perene como a erva.

Aceita com serenidade o cortejo dos anos, e renuncia sem reservas aos dons da juventude.

Fortalece o teu espírito, para que não te destruam desgraças inesperadas.

Mas não inventes falsos infortúnios.

Muitas vezes o medo é resultado da fadiga e da solidão.

Sem esqueceres uma justa disciplina, sê benigno para ti mesmo. Não és mais do que uma criatura no universo, mas não és menos que as árvores ou as estrelas: tens direito a estar aqui.

Vive em paz com Deus, seja como for que O imagines; entre os teus trabalhos e aspirações, mantém-te em paz com a tua alma, apesar da ruidosa confusão da vida.

Apesar das tuas falsidades, das tuas lutas penosas e dos sonhos arruinados, a Terra continua a ser bela.

Sê cuidadoso.

E por fim luta por seres feliz e aproveites bem este momento presente.

(Inscrição datada do ano de 1692. Foi encontrada numa sepultura, na velha igreja de S. Paulo de Baltimore - hoje já não se pensa que seja esta a origem, mas assim é mais bonito)

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De súbito sabemos que é já tarde

Quando a luz se faz outra, quando os ramos da árvore que somos soltam folhas e o sangue que tínhamos não arde como ardia, sabemos que viemos e que vamos. Que não será aqui a nossa festa.

De súbito chegamos a saber que andávamos sozinhos. De súbito vemos sem sombra alguma que não existe aquilo em que nos apoiávamos. A solidão deixou de ser um nome apenas. Tocamo-la, empurra-nos e agride-nos. Dói. Dói tanto! E parece-nos que há um mundo inteiro a gritar de dor, e que à nossa volta quase todos sofrem e são sós.

Temos de ter, necessariamente, uma alma. Se não, onde se alojaria este frio que não está no corpo?

Rimos e sabemos que não é verdade. Falamos e sabemos que não somos nós quem fala. Já não acreditamos naquilo que todos dizem. Os jornais caem-nos das mãos. Sabemos que aquilo que todos fazem conduz ao vazio que todos têm.

Poderíamos continuar adormecidos, distraídos, entretidos. Como os outros. Mas naquele momento vemos com clareza que tudo terá de ser diferente. Que teremos de fazer qualquer coisa semelhante a levantarmo-nos de um charco. Qualquer coisa como empreender uma viagem até ao castelo distante onde temos uma herança de nobreza a receber.

O tempo que nos resta é de aventura. E temos de andar depressa. Não sabemos se esse tempo que ainda temos é bastante.

E de súbito descobrimos que temos de escolher aquilo que antes havíamos desprezado. Há uma imensa fome de verdade a gritar sem ruído, uma vontade grande de não mais ter medo, o reconhecimento de que é preciso baixar a fronte e pedir ajuda. E perguntar o caminho.

Ficamos a saber que pouco se aproveita de tudo o que fizemos, de tudo o que nos deram, de tudo o que conseguimos. E há um poema, que devíamos ter dito e não dissemos, a morder a recordação dos nossos gestos. As mãos, vazias, tristemente caídas ao longo do corpo. Mãos talvez sujas. Sujas talvez de dores alheias.

E o fundo de nós vomita para diante do nosso olhar aquelas coisas que fizemos e tínhamos tentado esquecer. São, algumas delas, figuras monstruosas, muito negras, que se agitam numa dança animalesca. Não as queremos, mas estão cá dentro. São obra nossa.

Detestarmo-nos a nós mesmos é bastante mais fácil do que parece, mas sabemos que também isso é um ponto da viagem e que não nos podemos deter aí.

Agora o tempo que nos resta deve ser povoado de espingardas. Lutar contra nós mesmos era o que devíamos ter aprendido desde o início. Todo o tempo deve ser agora de coragem. De combate. Os nossos direitos, o conforto e a segurança? Deixem-nos rir... Já não caímos nisso! Doravante o tempo é de buscar deveres dos bons. De complicar a vida. De dar até que comece a doer-nos.

E, depois, continuar até que doa mais. Até que doa tudo. Não queremos perder nem mais uma gota de alegria, nem mais um fio de sol na alma, nem mais um instante do tempo que nos resta.

Paulo Geraldo

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Martha Medeiros
27/02/2005


Mulher no volante, perigo constante

Se a vida fosse um videogame, e na BR-101 ela é, a estrada que liga o Rio Grande do Sul ao mar catarinense seria um daqueles caminhos com grau de dificuldade máxima

As melhores praias ficam no fim das piores estradas. Fiéis a essa máxima, a cada verão milhares de gaúchos pegam seus carros e partem para a pior de todas as estradas, pelo menos para quem não nasceu com um coração off road.

BR-101.

Tudo bem que as obras da duplicação enfim começaram, mas como a previsão é de alguns anos de trabalho, ainda restam muitos verões de adrenalina e selvageria a quem se disponha a passar férias ou finais de semana nas praias de Santa Catarina.

Se a vida fosse um videogame, e na BR-101 ela é, a estrada que liga o Rio Grande do Sul ao mar catarinense seria um daqueles caminhos com grau de dificuldade máxima, dos que podem, de repente, lançar o motorista para as profundezas de um matagal ou para cima de outro carro.

Pista estreitinha, acostamento com buracos, quando há - o acostamento, bem entendido, que os buracos estão sempre presentes, poucas placas de limite de velocidade, sinalização geral fraca, remendos, desníveis e a volta dos argentinos com pé de chumbo.

A 101 desafia os nervos de quem dirige e convida o carona a virar co-piloto, freando a seco nas curvas e fazendo observações óbvias, é verdade, mas eloqüentes demais para ficar na solidão da garganta.

- NÃO VAI DAR, NÃO VAI DAR!

Ou então:

- OLHA O CAMINHÃO!

Caminhão, o veículo-símbolo da 101. E não poderia ser diferente, já que a estrada corta o Brasil quase inteirinho, levando a carne do Sul para o Sudeste e o açúcar do Nordeste para o Sul, sem falar nas toneladas de cargas tóxicas e combustíveis e matérias-primas e etc. etc. etc.

O fato é que nem no velho jogo de Super Trunfo, série Trucks, a gente imaginava tantos caminhões quanto em seis horas de BR-101. Caminhões de variados tamanhos, dos enormes aos gigantescos, todos com o aviso de velocidade controlada e raros, muito raros, andando a menos de cem.

Quanto às frases de pára-choque, o singelo "Vou rezar 1/3 para arrumar 1/2 de te levar para 1/4" parece ter dado lugar a filosofias mais agressivas: "Sorria, você está sendo ultrapassado", "Levo a vida correndo para não morrer devendo", além do campeoníssimo da temporada, "O último que não saiu da frente hoje é pastel na lancheria do Japonês".

A viagem está perto do fim e o motorista, ou a motorista, até começa a relaxar. A pista tem duas linhas amarelas contínuas (proibido ultrapassar mesmo, como um dia ensinaram na auto-escola), mas o carro que vem colado atrás não pára de dar sinais de luz.

Na primeira oportunidade, apesar do movimento no sentido contrário e das curvas que, mal vencidas, já se transformam em outras, o carro passa e o carona ainda encontra tempo de colocar a cabeça para fora e gritar:

- ANDA, VACA!

Antes que a motorista se assuste com a possibilidade de uma quadrúpede bovina ter invadido a pista, o alívio. A vaca em questão era ela, que dirigia respeitando a sinalização.

E assim se vai mais um verão na BR-101.

* Cláudia Tajes, interina

martha.medeiros@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
27/02/2005


Sonho de Verão

As pessoas são mais inteligentes dormindo do que acordadas. Seus sonhos são sofisticadas narrativas cifradas, de grande complexidade temática

Do baú. As pessoas são mais inteligentes dormindo do que acordadas. Todas sonham, mesmo que não se lembrem depois, e seus sonhos são sofisticadas narrativas cifradas, de grande complexidade temática e riqueza simbólica.

Meninos de rua sonham como Jorge Luis Borges, debutantes vazias levam a arte da elipse visual a extremos de criatividade e até engenheiros são surrealistas oníricos, quando dormem.

O sonho não é apenas o grande nivelador - qualquer cerzideira escreveria como a Clarice Lispector se apenas pudesse botar a trama dos seus sonhos num papel -, também é o grande apagador de fronteiras sociais: os sonhos da prostituta e do arcebispo estão plugados no mesmo provedor que fornece signos e disfarces de seus desejos e medos para todo o mundo.

Os sonhos só não são a linguagem comum da espécie porque ainda não se chegou a um vocabulário comum para entendê-los. As mensagens são as mesmas para todos nós, variam as nossas interpretações. Há dias tive um sonho inteligentíssimo, e claríssimo - enquanto eu sonhava. Mas aí, danação, acordei e não entendi mais nada.

Eu estava no meio do mar, mexendo braços e pernas para me manter à tona, e de alguma forma eu sabia que quilômetros abaixo dos meus pés estava a carcaça do Titanic. De acordo com a ortodoxia freudiana, sonhar com água tem alguma coisa a ver com sexo. Pensando bem, para a ortodoxia freudiana tudo tem alguma coisa a ver com sexo, água é só o mais óbvio.

Mas como já estou naquela idade em que nem a ortodoxia freudiana funciona como antes, interpretei minha situação como a continuação, no mundo cifrado, do pensamento que começara antes de dormir. Isso raramente funciona, como você sabe. Pouco adianta você pensar com força na Luana Piovani antes de dormir, ela não aparecerá no seu sonho.

Pode aparecer um símbolo da Luana Piovani, mas isso você só saberá depois, na interpretação (era aquele pássaro!), quando for tarde demais. Deduzi que eu estava sonhando o meu pensamento sobre a condição humana. O Oceano Atlântico era o Tempo. Eu, modestamente, era a Humanidade.

O que era a carcaça do Titanic no fundo do mar? Me lembrei de ter ficado impressionado na primeira vez em que vi uma reconstituição gráfica do Titanic no chão do oceano, depois que localizaram os destroços. Como era fundo o fundo! O Titanic estava no meu sonho como referência, portanto.

A distância entre a superfície do mar e o chão onde repousava sua carcaça simbolizava o tempo transcorrido desde a criação do mundo, a minha ridícula altura representava o tempo da nossa existência no planeta. Contando todas as nossas formas pré-históricas desde o primeiro hominídeo, somos uma espécie recentíssima.

E mesmo na síntese histórica do meu corpo agitado, só a porção da testa para cima representava o homem agrícola-pastoril-industrial que começamos a ser anteontem, em termos relativos. Durante a maior parte, quase noventa por cento do nosso passado como gente, fomos caçadores-catadores.

Ainda temos os dentes caninos, e uma vaga inquietude de nômades, para nos lembrar desse tempo. Dizem até que éramos melhores então: comíamos mais proteínas e tínhamos uma dieta mais variada antes de descobrir a agricultura - e fazíamos mais exercício.

Com a agricultura e a domesticação de animais vieram as monoculturas, o sedentarismo e os primeiros grupos humanos a conviver com dejetos, os seus e os dos seus bichos. Nasciam, ao mesmo tempo, a civilização e a falta de higiene.

Qual era, então, o meu significado, na superfície daquele oceano, a quilômetros do seu fundo e da origem da vida? Acho que eu era um símbolo da megalomania humana, da nossa absurda pretensão que 10 mil anos de existência ereta nos dão um significado maior do que o da libélula, que vive só um dia.

Em comparação com o tempo transcorrido desde que a primeira ameba se dividiu no miasma borbulhante, a espécie humana também viveu só um dia.

E uma noite, para sonhar com ele. Me debatendo no meio do oceano simbólico, eu não passava de um mosquito na superfície de um caldeirão de melado, convencido que toda aquela doçura era em seu louvor. A síntese do meu sonho era que somos mosquitos pretensiosos.

Mas aí veio uma barcaça embandeirada com a Cleópatra e o Dom Pedro II abraçados na popa, enquanto alguém na proa gritava na minha direção:

- Deleta! Deleta!

Acordei e o significado do sonho ficou obscuro.

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Moacyr Scliar
27/02/2005


Os sofrimentos do turista

Resolver para onde se vai é só o começo. Depois vêm o custo das passagens, o extravio das bagagens, a chuva que estraga os passeios

Turista sofre, costumam dizer os agentes de viagem, afirmativa aparentemente absurda: como podem sofrer pessoas entregues a uma atividade que deveria ser antes de tudo prazerosa? Como pode uma viagem ao Exterior ou uma temporada nas praias do Nordeste causar sofrimento?

Mas turista sofre, sim. E sofre por numerosas causas. Tudo que é imprevisto, tudo que é surpresa (desagradável, bem entendido) é motivo de sofrimento para o turista.

Para começar o turista sofre planejando. As possibilidades, para uma pessoa de meios razoáveis, são muitas; se vocês duvidam, olhem o excelente caderno Viagem de ZH. A diversidade é a regra, a escolha é difícil, sobretudo quando se tem de contentar os vários membros da família.

Uns gostam de praia, outros preferem a serra; alguns gostariam de um programa cultural, mas não falta familiar que deteste museu. É mais difícil conseguir um consenso neste tema do que chegar à paz no mundo.

Resolver para onde se vai é só o começo. Daí em diante a lista de infortúnios cresce exponencialmente. Se a viagem é de avião, existe o problema do custo das passagens, de reservar lugares e até dos vôos cancelados, como aconteceu recentemente com a Vasp.

E depois vem o problema da bagagem que se extravia, e das reservas em hotel que não são confirmadas (sem falar nas decepções resultantes do próprio hotel, que na Internet ou no prospecto parecia um palácio mas na realidade é uma espelunca velha, deteriorada). Aí vêm os passeios, que sempre podem ser estragados pela chuva ou pelo mau tempo.

E os desastres se sucedem: documentos que são perdidos, assaltos, o carro que estraga. Sem falar em acidentes e doenças, mas quanto a isso é até melhorar virar a boca para lá.

Todo sofrimento é suportável, contudo, porque terá um fim; um dia a família finalmente volta para a casa, com as malas rasgadas, com um rombo na conta bancária, mas volta, principalmente com as fotografias. Porque um dos prazeres da viagem, talvez o grande prazer da viagem, é falar sobre ela de uma confortável poltrona.

Ah, sim, e olhar a expressão de inveja dos amigos. Existe, na classe média, uma competição acerca de quem viaja mais, quem vai mais longe, quem vê coisas mais importantes.

Conheci dois casais que normalmente conviviam muito bem, mas eram rivais em matéria de viagem. Rivais disfarçados, rivais sutis, rivais bem-educados, mas rivais, de qualquer modo: todos os anos, no fim de fevereiro, reuniam-se para ajustar contas: mostravam as fotos das respectivas viagens e tratavam de decidir - tacitamente, claro - quem tinha feito o passeio mais interessante.

O casal vencedor não dizia nada, mas seu sorriso vencedor falava por si, como falava por si a humilhação do casal derrotado. Mas então aconteceu o inesperado.

Houve um ano em que um dos casais optou por um programa turístico que era absoluta novidade; uma viagem que certamente renderia relatos maravilhosos e faria o casal concorrente morrer de inveja. Mas aí veio a surpresa, dolorosa surpresa. Tão logo chegaram ao mítico lugar quem estava lá no hotel cinco estrelas que eles também haviam reservado?

O casal de amigos, claro. Escusado dizer que, para os quatro, tal encontro foi catastrófico, estragou tudo, qualquer prazer que pudessem obter das caras viagens. A partir daí nada mais, naquele passeio, teria graça. Turista sofre.

scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
27/02/2005


A delícia do medo

Se há uma sensação que consome o homem, aniquila-o, vai devorando-o aos poucos, é o medo. O medo acompanha o homem desde o seu nascimento e só desaparece com a morte.

Quando experimenta o medo real, o homem passa a enfrentar outra tragédia: o medo imaginário, o medo sem razão de ser, sem aparente causa concreta, que se transforma em devoradora doença mental, marcada pelas atrozes e assustadoras fobias.

Alguém que já tenha alguma vez na vida experimentado a sensação da fome, nunca mais se livrará dela: pelo medo de que por alguma forma aquele fato se repita.

A pessoa que tem medo exacerbado sofre mil vezes antes que a circunstância temida se verifique. É possível que nunca aquela ameaça se concretize, no entanto quem tem medo de que ela venha a ocorrer vê-se consumido pelo terror, embora realmente muitas vezes não tenha sequer corrido o menor risco material de vir a ser atingido pelo mal imaginário.

Estranha pois que esse inimigo maior da mente e do equilíbrio humano seja tão almejado pelas pessoas que vão ao cinema ou se fixam na televisão para assistir a filmes de terror.

Isso só pode ser explicado pela lei filosófica que estabelece ser o medo o módulo principal do instinto de sobrevivência dos homens e dos animais. Segundo essa lei, sem o medo o homem não sobreviveria, ele se tornaria facilmente vulnerável a todas as adversidades.

Agora mesmo estão sendo lançados no Brasil dois filmes de terror que prometem levar multidões ao cinema: O Amigo oculto e uma nova versão de O Massacre da Serra Elétrica.

Afinal, que motivo arrasta as pessoas ao cinema para experimentarem essa sensação tão sofrida e indesejável que é o medo?

Há quem não perca filme de terror. Esses espectadores sentem-se tomados pelo mesmo medo apavorante que domina os personagens ameaçados no filme. Sofrem gratuitamente com o horror sentido pelas vítimas escolhidas pelo autor da história, pagam ingresso para sofrer.

Só pode haver delícia nesse sentimento masoquista.

Tenho que atribuir a um fator psíquico essa obstinação das pessoas em procurar o medo: de alguma forma a pessoa se deixa mergulhar em tal terror, que, passada a cena horrorizante ou o filme inteiro, o espectador se dá conta de que nada aconteceu com ele, que os perigos configurados por sua mente não redundaram em qualquer dano a si, o que lhe causa um grande alívio.

E essa sensação de ter-se preservado íntegro depois de correr tantos perigos é profundamente deliciosa, um verdadeiro orgasmo cataclísmico.

Ou seja, as pessoas que são viciadas em filmes de terror acabam atraídas para o cinema ou televisão pelo prazer sadomasoquista de que, mesmo sentindo um medo gélido e arrepiante, que se abate logicamente também sobre os personagens da ficção, safam-se ao fim das cenas, ou do filme, de todos os riscos e perigos por que passaram ao investirem-se no papel das vítimas da história a que estão assistindo, festejando íntima e efusivamente, ao irem embora para casa, que nada lhes aconteceu, ao contrário dos que tombaram durante o decorrer da película.

O fato gritante é que o homem detesta o medo, mas paradoxalmente o procura, parecendo não poder viver sem ele.

É o caso dos esportes radicais: que impulso ou sentimento leva as pessoas, por exemplo, a deixarem-se amarrar num pé a uma corda elástica de 70 metros de altura e lançarem-se num abismo?

É verdade que sentem-se seguras de que não vão se despedaçar no solo, no entanto o medo devastador que sentem no percurso não é presumivelmente suficiente para recompensar-lhes o golpe terrificante que sofrem até que a corda se estique.

O mesmo com os pára-quedistas, com os domadores de feras, com os pilotos de corridas, eles sentem um prazer carnal, uma euforia hedônica ao arriscarem suas vidas.

Não resta dúvida de que estranha e exoticamente o homem busca o medo como forma inseparável de continuar existindo, ou seja, como simplesmente viver já se constitui num risco, não correr risco é morrer.

Não fosse assim e desde o início da humanidade quatrilhões de pessoas não teriam se atirado obstinada, obsessiva, fatal e inevitavelmente ao trágico ou arriscado desatino do casamento.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Hora de limpar os rios



Estiagem que atinge o Estado oferece a chance para livrar os cursos de água dos detritos acumulados, como no Rio Gravataí (foto Genaro Joner/ZH)

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Diogo Mainardi
Coragem, presidente!

"Uma das características mais desalentadoras de Lula é o medo que ele tem da imprensa. Considerando o grau de domesticação do meio jornalístico, é um medo inexplicável. Lula não responde nada a ninguém"

Vá até o site do Palácio do Planalto. Clique na página de Lula, no cantinho esquerdo da tela. Leia tudo. Leia a biografia. Leia os pronunciamentos. Leia o "Café com o presidente". Quando enjoar, entre na seção "Fale com o presidente". Preencha o formulário com seus dados completos, e mande uma pergunta a Lula.

Qualquer pergunta serve. Pergunte se ele consegue colocar o dedo na ponta do nariz e andar em linha reta. Pergunte se ele tem alguma suspeita sobre quem matou o prefeito Celso Daniel. Pergunte se ele já experimentou maconha. Pergunte qualquer bobagem. O importante é entupi-lo de mensagens.

Uma das características mais desalentadoras de Lula é o medo que ele tem da imprensa. Considerando o grau de domesticação do meio jornalístico, é um medo inexplicável.

Lula não responde nada a ninguém. Algum tempo atrás, pedi-lhe sua lista de leituras preferidas. O secretário de imprensa, Fábio Kerche, mandou me dizer que o presidente estava atarefado demais, visitando Pernambuco, mas que tentaria responder em breve.

Esperei uma semana. Esperei duas semanas. Como ninguém respondeu, reiterei o pedido. Educadamente, o secretário do secretário do secretário se comprometeu a consultar o chefe mais uma vez. A seguir, desapareceu. Continuo esperando.

Lula não gosta de livros. Todo mundo sabe disso. Ao pedir-lhe uma lista de leituras preferidas, minha intenção não era zombar de sua falta de cultura. O que eu queria é que o governo fornecesse alguma pista para explicar sua estratégia de longo prazo. Foi o que fez George Bush quando o New York Times o entrevistou sobre suas leituras.

Assim como Lula, Bush não é particularmente letrado, mas aproveitou a entrevista para recomendar um livro de Natan Sharansky, que foi alçado à condição de plataforma ideológica para a política intervencionista americana. O New York Times, acertadamente, faz oposição a Bush.

Chega a contar mentiras a seu respeito, como aconteceu na última campanha eleitoral. Na semana passada, o jornal publicou mais uma reportagem constrangedora sobre ele: velhas gravações em que o presidente parece admitir que já fumou maconha.

É esse o ponto: Bush enfrenta a imprensa, mesmo a que lhe é mais hostil, enquanto Lula não dá satisfação a ninguém, nem para esclarecer assuntos menores, como sua lista de livros preferidos.

O caso do momento nos Estados Unidos é o do falso jornalista que assessores de Bush teriam plantado na sala de imprensa da Casa Branca. Sua função seria levantar a bola para o presidente nas entrevistas coletivas, dirigindo-lhe perguntas combinadas.

Descobriu-se que o falso jornalista é um garoto de programa ligado ao Partido Republicano. Se forem confirmadas as suspeitas de que assessores de Bush estão metidos nessa história, a credibilidade do governo ficará comprometida. Lula, claro, não precisa de nada disso.

Ele resolveu a relação com a imprensa de maneira muito mais direta: simplesmente nunca deu uma entrevista coletiva, com ou sem jornalistas infiltrados. Vou escrever agora mesmo ao secretário de imprensa Fábio Kerche, perguntando qual é a cor preferida de Lula. Vamos ver se ele responde.

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Uma farsa de A a Z

Um dos livros mais vendidos no país tem autor-fantasma. Mas esse é o menor de seus males

Ricardo Valladares

Claudio Rossi



Silva e Quiroga (acima) e propaganda do livro no programa de Gugu (abaixo): 2 milhões de exemplares vendidos
Marcos Fernandes/Ag. Luz



Um dos maiores best-sellers do país no momento, o livro Medicina Alternativa de A a Z é uma fraude. Apanhado de crendices e terapias não-avalizadas pelos médicos, ele ensina a tratar doenças com "remédios" à base de ingredientes frugais. Para combater o câncer, recomenda que se coma apenas um tipo de fruta nas refeições.

No caso do diabetes, indica a ingestão de suco de berinjela com argila. E por aí afora. Com capa dura, fartamente ilustrado e preço de 62 reais, o livro já atingiu a marca dos 2 milhões de exemplares comercializados e apareceu no topo da lista de mais vendidos de VEJA por quase seis meses. Suas vendas foram impulsionadas por uma campanha de divulgação maciça na televisão.

Os editores compraram milhões de reais em espaço em diversos canais para veicular anúncios com a dançarina Sheila Mello. Além dela, apresentadores como Hebe Camargo, Ratinho e Gugu Liberato faturaram para tecer elogios ao livro, assinado por um certo Carlos Nascimento Spethmann. O problema é que esse autor não existe. Pior: a obra foi escrita sem a assessoria de médicos.

Seus editores, o carioca Luiz Carlos da Silva e o paulista Marcos Spethmann Quiroga, são ex-comportores vendedores de livros de porta em porta. Graças a seu manual de curandeirismo, única obra lançada pela Editora Natureza, sediada na cidade mineira de Uberlândia, dizem ter faturado 40 milhões de reais no ano passado.

Questionados por VEJA sobre a identidade do autor de Medicina Alternativa de A a Z, os editores saíram-se com quatro respostas diferentes. Primeiro, disseram que ele seria um biólogo. Em seguida, contaram que se tratava de um pseudônimo, fazendo ar de mistério. Depois, falaram que o autor seria um pesquisador de uma localidade chamada Ituiutaba.

Só então revelaram a verdade: Carlos Nascimento Spethmann não é uma pessoa, e sim um composto dos nomes dos dois donos da editora e de um ex-parceiro, o jornalista Eliseu do Nascimento e Silva. "É um pool de pessoas", diz Luiz Carlos da Silva. Coube ao jornalista Nascimento redigir o manual. "Não ouvi médico nenhum", diz ele. Hoje afastado do negócio, Nascimento não recebe nada pelas vendas.

É professor de jornalismo numa faculdade paulista e mestrando em semiótica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Ele simplesmente compilou e adaptou para a linguagem da auto-ajuda textos extraídos de livros de medicina alternativa lançados pela Editora Missionária A Verdade Presente, que pertence à Igreja Adventista do Sétimo Dia Movimento de Reforma a mesma editora para a qual todos eles trabalhavam.

Essa editora, por sinal, foi notificada judicialmente pelos forjadores do livro Medicina Alternativa de A a Z, por ter lançado uma obra de formato semelhante. Em outras palavras, a Editora Natureza teria copiado a Editora Missionária A Verdade Presente, que agora a estaria copiando de volta. Um estranho caso de plágio do plágio.

Uma picaretagem como Medicina Alternativa de A a Z representa um risco para a saúde das pessoas. Os alimentos ajudam na manutenção de uma vida saudável, mas não curam doenças graves.

Para eximir-se de responsabilidades, o livro volta e meia chama atenção para a necessidade de procurar um médico. Ao mesmo tempo, entretanto, propõe tratamentos mágicos (veja quadro). "Um livro como esse é um desserviço à população.

Não pode ser chamado de medicina", diz o geriatra Clineu Almada Filho, da Escola Paulista de Medicina. "É uma irresponsabilidade", afirma o clínico geral Milton Glezer, da Universidade de São Paulo.

Medicina Alternativa de A a Z traz, nas primeiras páginas, artigos assinados por Zenildo Batista, Adilson Lopes e Luiz Carlos Junior. Todos são egressos da mesma igreja dos editores.

Nas propagandas de televisão, fazem papel duplo como promotores de vendas e "terapeutas". Mas a credencial máxima de Batista, por exemplo, é um curso de fim de semana numa clínica paranaense. Eles defendem com unhas e dentes as terapias do livro.

"Um empresário curou sua úlcera com um suco de batatas e espinheira-santa", diz Junior, exibindo o antes e o depois da endoscopia do paciente tratado com o tubérculo. Ao saber as opiniões dos médicos sobre o livro, o editor Quiroga anunciou que a obra passará por uma reformulação de conteúdo, a cargo de especialistas.

As inserções na TV respondem por 75% das vendas da obra. Os editores desembolsam 50.000 reais por cada aparição de cinco minutos no programa de Gugu.

Também contrataram a produtora do apresentador para a criação de três anúncios de trinta minutos cada estrelados por Sheila Mello. A dançarina ganhou 50.000 reais pelo serviço. A cada vez que elogiou o livro em seu programa no SBT, Hebe Camargo embolsou 60.000 reais.

O apresentador Ratinho gostou tanto dos curandeiros que lhes deu um desconto: em vez de cobrar dois cachês, cobra um e meio. "Ratinho é um parceiro. Pagamos 20.000 reais a ele", diz Silva. Tanto gasto vale a pena. Uma única propaganda no programa de Hebe resultou na venda de 10 800 livros. É tempo de o pessoal da TV pensar melhor ao endossar esse produto.

Com reportagem de Paula Aoyagui

Ameaça à saúde

Alguns absurdos do livro Medicina Alternativa de A a Z

BRONCOPNEUMONIA
Recomendações do livro: Tratamentos à base de mel de abelhas, suco de alho e sopa de cebola. Se nada funcionar em 48 a 72 horas, deve-se procurar auxílio
A palavra dos médicos: É uma doença grave. O atraso no tratamento com remédios pode ser fatal

ERISIPELA
Recomendações do livro: Hortaliças, arroz e argila devem ser aplicados sobre essa infecção de pele que acomete principalmente idosos e diabéticos. A doença seria "altamente contagiosa" A palavra dos médicos: A erisipela não é contagiosa. Se não for tratada com antibióticos, pode resultar em infecção generalizada

DIABETES
Recomendações do livro: Indica uma compressa de argila com cebola ralada na região lombo-ventral e a ingestão de argila diluída em suco de berinjela, entre outros tratamentos
A palavra dos médicos: Tudo isso é inócuo. O perigo é o paciente apostar nessas soluções mágicas e se afastar do tratamento

Nota: a partir desta edição, Medicina Alternativa de A a Z será retirado da lista de mais vendidos de VEJA. A cada semana, a lista oferece um instantâneo do mercado editorial. Mas também é usada como um guia de compras pelos leitores, razão pela qual a revista tomou essa decisão.

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Irresistíveis

Dançarinas do Faustão recheiam biquínis que aliam preço bom e estilo de sobra
Marcia Disitzer



Aline usa modelo com detalhe artesanal da Blue Man: o sutiã tem flores de crochê (R$ 47, o biquíni) e a calcinha é de tricô (R$ 55, o biquíni)

Biquíni bom, bonito e barato, quem não quer? Em qualquer estação, esta equação faz sucesso e valoriza o doce balanço a caminho do mar.

E é por este motivo que as pontas de estoque de biquíni das marcas mais desejadas da cidade são irresistíveis, assim como as dançarinas do Domingão do Faustão Aline Barbosa e Daiane Amêndola. As duas posaram para o caderno D+Mulher com biquínis que unem estilo e preço.



Biquíni branco com flores no sutiã da Salinas Off (R$ 58) e modelo básico em cor-de-rosa da Banco de Areia (R$ 25). As flores na lateral são da Fiszpan (R$ 10 cada uma)



A loura Daiane usa biquíni de lacinho e sutiã cortininha Banco de Areia (R$ 29) e Aline vai de modelo com estampa que lembra a padronagem da chita da Rygy (R$ 28). Flores Fiszpan (a partir de R$ 10)

Aline, 23 anos, elegeu o modelo de flores que lembram a padronagem da chita como o seu preferido. E como tenho bumbum grande, gosto das calcinhas médias, explica. Daiane, 20, não abre mão do básico. Prefiro os modelos de lacinho e sutiã cortininha. E a minha cor favorita é rosa, diz ela, que também ama as estampas florais e abstratas.



Estrelas e lacinho no biquíni sexy da ponta de estoque da marca Zack (R$ 30)

Então, para comprar sem errar, aposte nos clássicos que arrasam nas areias: listras, poás, flores de todos os tipos e detalhes artesanais são capazes de tirar o fôlego.



Daiane elege o modelo verde com poá branco e estilo retrô da Salinas Off (R$ 48) e Aline usa versão laranja com detalhe de argola no sutiã da Zack (R$ 30)

FOTOS MÁRCIO MERCANTE

FICHA TÉCNICA: MODELOS Aline Barbosa e Daiane Amêndola; CABELO E MAQUIAGEM Flávio Tavares; PRODUÇÃO Marcia Disitzer; ENDEREÇOS Rygy - Shopping Nova américa, 1º piso; Blue Man - Shopping Downtown bloco 7/lj. 107, Barra da Tijuca; Zack - Rua Santa Clara 2, Ponta da Areia, Niterói; Banco de Areia - Top Shopping, 2º piso; Salinas - Shopping Downtown bl.17/lj. 130; Fiszpan - Av. Ministro edgard Romero 91/lj.E, Madureira.

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Ronaldo ameaçado

Parreira diz que o craque perdeu o foco por causa do casamento

Palavra de técnico tem de ser ouvida, ainda mais em se tratando do comandante da seleção brasileira. Ontem, Carlos Alberto Parreira confessou estar muito preocupado com Ronaldo, que até já corre o risco de perder a vaga de titular no próximo jogo das Eliminatórias, contra o Peru, dia 27 de março, em Goiânia.

O técnico está apreensivo porque Ronaldo, em seus jogos pelo Real Madrid, demonstra estar em má forma técnica, perdendo gols que, normalmente, não os perderia. Na vida, quando você deixa de lado a coisa mais importante, que no caso de Ronaldo é o futebol, e a desvia para outras, como o casamento, que foi marcado três vezes, você perde o foco.

Parreira reconhece que Ronaldo faz a diferença, mas para isso precisa estar motivado e em forma.

Parreira não entrou em detalhes, mas deixou claro que o Fenômeno pode ser barrado na Seleção se não levar o futebol mais a sério.

E Ronaldo, que voltou a sentir dores no dedão do pé esquerdo, é um dos cinco desfalques do Real contra o Deportivo, hoje em La Coruña. A sete pontos do líder Barcelona, o time também não terá Raúl, Guti, Helguera e Michel Salgado, machucados. Vanderlei escalará um novo ataque, formado por Owen e Portillo.

O INFERNO ASTRAL DO FENÔMENO

16/01 - Último gol marcado por Ronaldo.

23/01 O craque xinga Vanderlei ao ser substituído.

12/02 Daniella Cicarelli arma barraco durante casamento em Paris. Ao voltar para o Brasil, seu Nélio, pai do craque, vê que seu apartamento foi assaltado.

15/02 Real Madrid anuncia que vai multar Ronaldo devido aos dois atrasos do craque aos treinos nos dias seguintes ao casamento.

16/02 Vanderlei diz que craque não cumpriu suas obrigações e barra o Fenômeno.

21/02 Rodrigo Paiva, assessor do craque há seis anos, anuncia que não vai mais trabalhar com Ronaldo.

No prejuízo, Seu Nélio processa Riveira dei Fiori

Revoltado com o prejuízo de R$ 300 mil, além da perda de bens materiais de valor inestimável, como a coleção de camisas de clubes de todo o mundo, presentes do filho famoso, o pai do Ronaldo, Seu Nélio, contratou o criminalista Nélio Andrade para defendê-lo, na ação judicial que moverá contra do Condomínio Riviera dei Fiori, na Barra da Tijuca, onde reside.

No dia 17, ao retornar de Paris, ele levou um susto. Ladrões haviam invadido a sua cobertura e fizeram uma limpeza geral.

Ontem, Seu Nélio decidiu acabar com os tititis envolvendo o casamento do filho com a modelo Daniela Cicarelli. Publicaram até que eu fiquei olhando para o lustre do Castelo, onde foi feito o casamento. As pessoas têm que parar de rotular os familiares de jogadores como imbecis.

Segundo ele, estão passando dos limites. Já fui a Paris umas 15 vezes. Conheço toda a Europa. Sou poliglota. Falo francës, inglês, italiano e espanhol. Além do mais, sou engenheiro, formado em 81 pela Uerj. Exijo respeito para comigo e com os meus familiares.

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Luiz Pilla Vares
26/02/2005


Velho e bom Gabo

Não é para ninguém se espantar: mas o velho Gabriel García Márquez, o Gabo, está em plena forma. Sua útima novela, Memorias de Mis Putas Tristes, é exemplar. Lê-se de uma sentada.

Infelizmente ainda não existe tradução em português. Eu a li em espanhol graças à generosidade de um grande amigo, o advogado Caio Moraes, leitor arguto da literatura latino-americana, especialmente de Borges, que teve a bondade de me presentear com um exemplar.

Claro que Moraes sabia de minha admiração por García Márquez e é evidente que eu havia de gostar. O que não poderia saber é que as Memorias de Mis Putas Tristes fosse uma novela tão surpreendente que ocupará um lugar de destaque na história da literatura em língua espanhola.

Em primeiro lugar, trata-se de um livro sobre a velhice, a velhice solitária de um homem que vai completar 90 anos e quer dar-se o prazer de passar a noite em um lupanar com uma virgem de menos de 15 anos. Ele simplesmente a contempla, nua.

Mas acaba se apaixonando à medida que os encontros vão se repetindo. Ele não sabe nem o nome verdadeiro desta "Lolita" sul-americana, que ele chama de Delgadita, mas a paixão cresce e com ela fluem as notáveis memórias do velho nonagenário.

Mas fluem não numa ordem linear. Elas surgem entremeadas com o presente narrativo, com os personagens que povoam as lembranças e a realidade do velho jornalista. E, ao natural, vão se avolumando os conflitos entre a tristeza profunda e a vontade de viver, entre o desejo e a irresistível vontade à contemplação.

Sempre que temos diante de nós um livro com a densidade e a mestria desta novela, somos tentados a fazer comparações, a buscar semelhanças com outros autores (eu próprio, aí em cima, não resisti à comparação com a personagem de Nabokov).

Mas não adiante: García Márquez tem um jeito único de escrever, de relatar situações e retratar personagens. E fazer frases que encantam como "não pude evitar o calafrio de estar sozinho em casa com um ser vivo que não era humano" ou "senti na garganta o nó górdio de todos os amores que puderam ter sido e não foram".

Enfim, Memorias de Mis Putas Tristes nos traz de volta um Gabo inteiro, remoçado até, escrevendo sobre a velhice, a sua inexorabilidade e a proximidade da morte, mas sem nenhuma resignação.

No horizonte da velhice quase secular, a morte aparece tão somente como uma possibilidade e a chance de amar como uma certeza, capaz ainda de sacudir um corpo quase secular. Sim, este último livro de García Márquez também é sobre o corpo e sua teimosia em resistir. Mas não será também uma metáfora sobre o Século 20?

pillavar@portoweb.com.br

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Paulo Sant'ana
26/02/2005


Colheita do mal

Como se sabe, toda semana um integrante do Big Brother é eliminado por votação dos telespectadores, escolhido entre um que foi eleito por todos os participantes e outro apontado pelo líder.

A votação pelo público tem atingido recordes: mais de 20 milhões de brasileiros se manifestam por telefone ou pela internet.

Já escrevi que minha atenção ao programa foi chamada este ano porque nitidamente foi formada uma patota para eliminar alguns integrantes que não faziam parte daquele grupo.

Formaram uma conspiração que visava a eliminar pessoas indicadas apenas por antipatias gratuitas ou por suspeitarem de que elas eram candidatas sérias ao prêmio de R$ 1 milhão, tornando-se por isso imperioso afastá-las desde já do caminho.

Achei injusto que a escolha dos que iam para o paredão, da competência dos integrantes do programa e do líder, não se pautasse exclusivamente por critérios individuais e íntimos, passando a ser odiosamente apontados por articulações industriadas, perdendo a graça que a maior parte deles votasse no confessionário em nomes antecipadamente condenados à ameaça de cadafalso.

Cheguei a ficar tão enraivecido com a conspirata que ridiculamente me propus a fazer várias ligações telefônicas para salvar com meu voto as vítimas da intentona. Depois não liguei para o programa, convencido de que a opinião pública pensava igual a mim e se encarregaria de reparar a injustiça.

De fato, pelas votações amassantes que se verificaram nos últimos quatro paredões, quando cerca de 90% dos telespectadores votaram contra os conspiradores, exatamente a favor do meu entender, viu-se que o público tomou o partido dos inocentes, verberando o comportamento dos que se associaram na cooperativa do "mal'' e derrubando-os um a um, a cada semana que passava, pela eliminação definitiva.

Está certo que o Big Brother é um jogo, mas até um jogo tem de ser presidido por regras mínimas de ética e civilidade. A disputa tem de ser pautada pela elegância, cada um deve ir para o confessionário e escolher quem vai para o paredão por motivos pessoais, jamais por combinações sórdidas e arquitetadas por lideranças astutas que logram os mais ingênuos e se valem deles para alcançar objetivos maliciosos.

A suspeita sempre corrente de que a Globo manipulava os resultados da votação dos telespectadores que decidia pela eliminação dos contendores no paredão caiu por terra quando foi eliminado na penúltima volta o médico Rogério, o líder da facção do "mal''.

Se fosse manipulada a votação, a Globo manteria Rogério. Exatamente as urdiduras que ele montava para eliminar integrantes do grupo então minoritário eram responsáveis pelos recordes de audiência do Big Brother.

Uma das psicologias mais atuantes na preferência por programas está na irritação que as injustiças provocam no público, que se atira obsessivamente a assistir os lances de maldade, na esperança de que eles venham a ser punidos no transcurso, numa torcida pelas forças do bem.

Eliminado o médico Rogério, o grupo do "mal'' ficou acéfalo, logo em seguida o lugar-tenente de Rogério, Paulo André, também foi eliminado, como por um milagre as forças do bem, que chegaram a ser minoritárias no programa, na ordem de quatro para nove, se constituem agora teoricamente numa maioria de cinco para três.

Paradoxalmente, com o desaparecimento do poder de apartheid empalmado pelo grupo do "mal'', inteiramente despedaçado pelas votações do público telespectador, o programa perdeu em interesse e audiência com certeza, não há mais motivos para enraivecimento do público com as mancomunações abjetas.

Amanhã, uma integrante das forças do bem, Grazielli, eleita líder anteontem, escolherá para ir para o paredão uma das três últimas remanescentes do grupo do "mal'', que disputará certamente na votação pública a eliminação com uma das suas asseclas.

E assim o Big Brother se encaminha quase que com certeza para um final feliz: tudo que o público odiou foi afastado do programa.

E um dos menos ardilosos e mais sinceros será contemplado com o milhão de reais tão ambicionado. O favorito é o professor universitário e homossexual baiano Jean, que já conseguiu se safar de três paredões engendrados pelos maldosos.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Clima
Respingos de esperança



Chuva fraca ameniza dificuldades de agricultores, como Adilo Bevilaqua, na região de Passo Fundo (foto Jean Pimentel, especial/ZH)


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Sexta-feira, Fevereiro 25, 2005




Sistema financeiro
Um show de bilhões

Bancos ampliam ganhos em 2004 e continuam batendo recordes de lucratividade
Lino Rodrigues

Foi, literalmente, um show. Na semana passada, o setor bancário comemorou a melhor safra de balanços de sua história. Banco do Brasil, Bradesco e Itaú, só para ficar nos três maiores, divulgaram lucros acima de R$ 3 bilhões (somados, o lucro dos três supera os R$ 9 bilhões).

O Itaú, da família Setubal, conseguiu se superar. Em 2003, o banco já havia atingido o melhor resultado do setor, com ganhos de R$ 3,1 bilhões.

Em 2004, foram R$ 3,8 bilhões (crescimento de 20% em relação ao ano anterior), o maior lucro líquido da história do banco e do sistema bancário brasileiro. O presidente da instituição, Roberto Setubal, fez o que qualquer cidadão que recebesse R$ 3,8 bilhões faria: rasgou elogios ao Banco Central e disse que a política de juros altos está correta. E como.

Investimentos em títulos públicos e operações de créditos garantiram boa parte do lucros dos bancos em 2004. Aí estão os ganhos com os juros altos. Também contribuíram para os excelentes resultados, o crescimento da cobrança de tarifas.

Hoje, 19,3% das receitas vêm dos serviços bancários. Em 1994, não chegava a 9%. Quem tem conta em banco sabe o que é isso porque sente no bolso. Tudo isso tem garantido ao sistema financeiro uma lucratividade cada vez maior.

Em 1999, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido das instituições financeiras era de 11,6%. Em 2004, bateu nos 18,4%. Nos Estados Unidos, deve fechar em 14%, em 2004. Ao contrário da indústria, que, apesar de ter tido uma rentabilidade, na média, superior aos bancos, em 2004, as instituições bancárias vêm ampliando sua rentabilidade ao longo dos anos.

Em 2005, mesmo se a economia confirmar as previsões de crescimento e o Banco Central adotar uma política de redução das taxas de juros, sinalizada na última ata do Copom, os bancos devem continuar aumentando seus ganhos.

Eles estão sempre à procura de novas formas de rentabilidade, diz Márcio Bandeira, consultor da Global Invest. Seu colega Einar Rivera, da Economática, também acredita que os altos lucros das instituições, especialmente das cinco maiores, devem se manter ao longo deste ano. Alguém dúvida?

Acompanhe o lucro dos bancos nos últimos anos


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Ueba! Barracos só na imobiliária Cicarelli!

Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. As duas personagens do Brasil: Severino e Cicarelli! E adorei a mulher do Severino. Parece a dona Redonda, da novela "Saramandaia". Dias Gomes total. O Casal 20 de Brasília: Severino Cheque-Cheque e dona Redonda!

E esse barraco de Chantilly não tem fim? Agora sobrou pro padre. Arquidiocese diz que ele não podia casar o Ronalducho com a Bocarelli. E olha a notícia: ""Abençoaria até um animal", diz padre que casou Ronaldo". Um animal? Então errou de jogador. Devia casar o Edmundo!

E adorei a charge do Zedassilva sobre a coletiva da expulsa Caroline: "Carol, o que você vai fazer para pararem de falar na expulsão do casamento da Cicarelli?". "Vou invadir o casamento do príncipe Charles." Rarará!

Putarquia britânica! Rainha Elizabeth não vai ao casamento do Gay Charles com Camilla. A véia deu um piti! Esse ano não tá bom pra casamento! Coisas de sogra. Sogra é sempre sogra, pode ser rainha ou plebéia.

Tanto que um cara ligou pro outro: "Sua sogra morreu: crema ou enterra?". "Os dois, pra garantir". Rarará! E a Bocarelli já avisou que vai ao casamento e não vai deixar a rainha entrar. Vai barrar a rainha!

E o que o Gay Charles vai fazer com a Camilla Cara-de-Égua-no-Cio depois do casamento? Montar! Ela não tem cara de cavalo, ué? "Vamos jogar pólo, Camilla! Abaixa aí." Duas coisas que ele já pode fazer com a Camilla: jogar pólo e caçar raposa. Diz que vão se casar na Escócia. Perfeito. Ele já vive de saiote mesmo. E ela é a cara do Monstro do Lago Ness!

E olha essa notícia bombástica: "Internos da Febem promovem nova fuga". E a notícia não é repetida de ontem ou de anteontem. E o Alckmin Picolé de Chuchu não vai cobrar pedágio de fuga?

E Febem quer dizer Fábrica de Bandidos em Massa! E quem devia ser diretor da Febem era o Michael Jackson. E o site Eu Hein lançou um novo comercial: "Procurando um barraco? Imobiliárias Cicarelli. Só vendemos com escritura. Aqui não tem invasão".

Anitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heróica campanha "Morte ao Tucanês". Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que em Goiás tem um povoado chamado Cacete Armado! E recebi uma foto de Angola com a marcenaria Mata Cobra e Mostra o Pau. Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Vandalismo": companheiro que foi pro show do Wando. O lulês é mais fácil que o inglês. Hoje, só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. UFA!

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Sexta, 25 de fevereiro de 2005.

Herói a gente faz na casa

Personagens criados a partir de integrantes do BBB são o maior sucesso
Alícia Uchôa

Quando começou o Big Brother Brasil 5, o público não imaginava que iria ligar a televisão e assistir a uma descabelada de gravata cor-de-rosa andando pela casa, um paranóico armando planos tão brilhantes quanto os do Cebolinha, uma fuxiqueira, um grandão com cara de mau, mas do tipo cão que ladra mas não morde, um gay assumido, uma miss comilona e uma dançarina arretada. De situações tão absurdas eles ganharam o título de Os Inacreditáveis.

No comando dos bastidores do programa, a editora-chefe do BBB, Fernanda Scalzo, conta como surgiu a idéia de transformar Natália em Menina Recalque, Aline em X-9 e Alan no Kid Pamonha para integrar esse time surreal.

O comportamento deles na casa e o filme Os Incríveis inspiraram a idéia. Cada um ganhou um nome de anti-super-herói e o grupo virou Os Inacreditáveis, explica ela, que resolveu estender o desenho animado de mais audiência da TV.

Muitas de nossas intervenções duram apenas um programa, mas percebemos que Os Inacreditáveis teria uma sobrevida. Os desenhos renderam principalmente e porque o nosso ilustrador trabalha nessa linha de quadrinhos, diz ela, lembrando que que o ilustrador Rodrigo Cipriano fazia quadrinhos antes de integrar a equipe do reality show.

Morri de rir quando vi. Não tem jeito, tem que entrar na brincadeira, releva Giulliano, que foi chamado de Super Fiasco. Já tinham feito caricatura minha antes, mas essa ficou muito legal, admite o goleiro. Apesar de vaidoso, Rogério jura que não viu os desenhos ainda. Não tive tempo. Mas todo mundo vem comentar comigo, dizer que ficou bacana, diz ele, que já voltou aos plantões médicos.

Há quem ache, no entanto, que os desenhos, apesar de divertidos são, no fundo, manipuladores de edição. É uma maneira discreta de definir quem é legal e quem não é, e rotular os mocinhos e os vilões, acredita o vendedor Anderson Couto, 32 anos. Mas nem todo mundo pensa assim.

Acho que mostra bem o que eles são lá dentro. Nas outras edições do BBB eles não faziam isso para manter o lado imparcial, mas dessa vez o jogo foi tão explícito que o desenho fala por si só. Quem assiste identifica sua impressões dos participantes nos personagens, resume o estudante Thiago Henrique Takamoto, 17.

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E acabou em goleada

Flamengo não jogou bem, mas gols saíram e time venceu facilmente
Mauro Leão

Mesmo com boa atuação apenas no início e no fim do jogo, o Flamengo jogou o suficiente para golear a Portuguesa por 4 a 1 no Maracanã, na estréia do time na Taça Rio. O técnico Cuca prometeu um time com qualidade, pegada e busca incansável pelo gol, mas depois de conseguir a vantagem de 2 a 0, o Rubro-Negro foi sonolento e displicente, sofreu um gol, e só tranqüilizou a torcida no final.

O Flamengo começou a partida tentando exercer uma marcação sob pressão e abriu o placar logo no primeiro lance de perigo. Aos oito minutos, Alessandro arriscou de fora da área, o goleiro Brás soltou e André Santos completou para o gol.

A Portuguesa quase empatou no minuto seguinte, mas acabou sofrendo o segundo gol depois de uma falha incrível do lateral Alan, aos 17. Ao tentar sair jogando, ele entregou a bola nos pés de Caio e não teve outra alternativa senão fazer o pênalti. Dimba cobrou bem e ampliou.

A partir daí, o time se acomodou com a vantagem e passou a esperar a Portuguesa. Com um time muito fraco tecnicamente, a equipe da Ilha aumentou sua posse de bola, mas não conseguiu ameaçar.

No minuto final da primeira etapa, o Flamengo quase marcou o terceiro após cobrança de escanteio, mas a zaga salvou em cima da linha.

A equipe rubro-negra voltou em marcha lenta para o segundo tempo e a Portuguesa ainda perdeu boa chance antes de diminuir com Bibi, que entrara no intervalo, de cabeça, aos 10.

Nem mesmo o susto tirou o Flamengo da inércia e a Portuguesa perdeu boas chances, duas delas com Eberson.

A torcida, que no início apoiou, perdeu a paciência e começou a vaiar. Aos 43, o time resolveu acordar e Fellype Gabriel deu bom passe para Dimba marcar. Dois minutos depois, o meia colocou Emerson na cara do gol para fazer o quarto e fechar o placar.

O Flamengo fez uma proposta ontem ao Colo Colo, do Chile, para obter por empréstimo até o fim do ano o meia Valdívia. Informações vindas do país andino dão conta que ele se apresentará na segunda-feira. Como o prazo para inscrições para o Estadual já acabou, só poderá atuar na Copa do Brasil e, depois, no Brasileiro.

FLAMENGO 4
Diego, Ricardo Lopes, Júnior Baiano, Fabiano e André Santos; Da Silva, Jônatas (Renato), Caio (Fellype Gabriel) e Zinho (Emerson); Alessandro e Dimba. Técnico: Cuca

PORTUGUESA 1
Brás, Leandro Gil, Marlon, Marcelão e Alan; Marcelo Cardoso, Gullit, Marcinho (Ratinho) e Eberson; Biula (Bibi) e Orlando (Pardal). Técnico: Manoel Neto

LOCAL: Maracanã.
ÁRBITRO: Ubiraci Damásio.
CARTÕES AMARELOS: Alan, Eberson, Marcelo Cardoso, Júnior Baiano e Alessandro.
GOLS: Primeiro tempo André Santos (8 min), Dimba (17min). Segundo tempo Bibi (10min), Dimba (43min) e Emerson (45min).
RENDA: R$ 164,742,00.
PÚBLICO: 23.028 pagantes

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David Coimbra
25/02/2005


Rico e bonito

Alguns homens são bons em tudo. Raros. Conheci uns dois, talvez. Sófocles era. Belo como Apolo, genial como Odisseu, Sófocles ainda teve a sorte de nascer na época e no lugar certos: em Atenas, no quinto século antes de Cristo, o "Século de Péricles". Aliás, Sófocles era o que o pessoal hoje define como "amigo pessoal" de Péricles. Como será um amigo impessoal?

Enfim. Péricles designou Sófocles para diversos cargos públicos de importância. Exerceu-os a contento e serviu Atenas também nas guerras contra a Pérsia, das quais voltou vivo, inteiro e ainda mais famoso. E mais rico: como seu pai era fabricante de espadas, as guerras só lhe enchiam a bolsa, enquanto esvaziavam as do resto da população.

Como todos os gregos, Sófocles apreciava os rapazinhos na juventude, as cortesãs na maturidade e o dinheiro durante toda a vida. Seu temperamento jovial o transformou em um homem amado pelo povo. Conquistou prêmios tanto em competições de luta quanto de música e derrotou o grande Ésquilo na de tragédia, o que mostra que era também um homem arrojado, Ésquilo era um dos grandes da Grécia.

Foi pela tragédia que Sófocles se tornou imortal. Produziu 113 peças. Apenas sete delas resistiram até nosso tempo. Fico pensando: serão as melhores das 113? Ou as piores? Se são as piores, que gênio: suas peças são encenadas ainda hoje! A mais célebre, Antígona, voltará ao São Pedro dia 10, com música de Arthur de Faria. Audácia do Arthur.

Essas tragédias gregas, elas eram todas musicadas. O texto de Sófocles, portanto, é a letra de uma música, por assim dizer. É como se o Arthur pegasse uma composição do Chico Buarque no papel, sem jamais tê-la ouvido, e colocasse a música em cima. Muita ousadia! Garanto que Sófocles aprovaria.

Os ratões

Os dois são da estirpe que o Ivan Pinheiro Machado definiria como "velhos ratões da noite porto-alegrense". Estavam à mesa do Lilliput. Havia já hora e meia que observavam duas mulheres sentadas nas cercanias. Quer dizer: observavam uma delas, a mais jovem. Bem mais jovem. Perceberam que elas se preparavam para pagar a conta, a menina manuseava a bolsa em busca da carteira. Um deles se apressou. Escreveu um bilhete e chamou o garçom:

- Freitas, dá uma disfarçada e depois entrega isso para a que está pagando a conta

O Freitas, muito eficiente, deu uma volta pelo bar e, em seguida, se aproximou da mesa das vítimas. Nesse ínterim, a menina tirou o cartão de crédito da bolsa e o passou à outra:

- Ó, mãe.

Foi quando o Freitas chegou. Estendeu o bilhete para a mulher mais velha e observou, em tom profissional:

- O cavalheiro da mesa ao lado lhe mandou, madame...

É o verão, que chega ao fim.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Mauren Motta (interino- Mariana Bertolucci)
25/02/2005


Tente se googlear

Tente procurar no Google quem você é de verdade. Tenho certeza de que vai ser legal. Em tempos de blogs, chats, MSN, Skype e o que mais a tecnologia nos dá de novo a cada segundo, se vê um abismo cada vez maior entre as pessoas.

É estranho que, com todas essas ferramentas disponíveis a um toque do teclado, os humanos adquiram cada vez menos caraterísticas de gente e se tornem a cada dia mais iguais. O carinha fica com um número absurdo de meninas na mesma noite pra mostrar que é o bom - e atola mesmo. Elas não ficam atrás. Ou são rotuladas caretas ou BVs. E deusmelivre se não tiverem a bolsa que TODAS têm.

Claro que gosto de moda, de ter as coisas que vejo na revista e às vezes as que minhas amigas têm, mas preste atenção aí do seu lado como tem gente que parece viver só pra isso. Blogs são terapia em grupo em que as pessoas expõem suas intimidades e viram alvos prediletos de si mesmo.

Falta tempo e saco pra jogar bola, subir em árvore, escrever bilhetinhos ou se aproximar de alguém mesmo que esse alguém não seja uma loira linda e magra ou um surfista dourado e perfeito.

Sinto falta de ver as pessoas vestindo roupas diferentes umas das outras, sem se auto-classificarem em tribos que se odeiam como se o Iraque fosse bem aqui em Porto Alegre. Será que não dá pra usar todas essas mil possibilidades de troca a favor da gente e das nossas diferenças? Do que adianta nos escondermos atrás dos nicknames e da ilusão de que alegria está no que se tem e não no que se é.

Largue esse computador um pouco, pegue um livro, ligue praquela amiga que não é da galera mas foi a pessoa mais importante da sua vida nos momentos complicados. Ou vai dar um beijo na sua vó - aposto que ela sente saudades. Se não tiver jeito, volta lá no Google e se te acha de uma vez.

Mauren Motta está em férias e volta a escrever aqui na semana que vem

mauren@rbstv.com.br

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Paulo Sant'ana
25/02/2005


O lobo-do-mar

Não sou eu quem vai eleger ou reeleger o presidente da República, daqui a 20 meses. Nem o leitor ou a leitora que está neste momento posando obsequiosamente os olhos sobre esta coluna.

Quem vai eleger ou reeleger o presidente será o grosso do povo brasileiro, aquelas densas e humildes camadas da população que vivem no interior do país e no seu litoral, ganhando pequenos salários, proventos, ou vivendo da informalidade.

Sustento há vários meses uma curiosidade instigante: o povo brasileiro vai reeleger Lula ou ele dará lugar a um novo sucessor? Foi com espírito perscrutador que me aproximei ontem do pescador Luiz Salustriano Machado, com 68 anos, na praia do Forte, em Florianópolis.

Pele crestada pelo sol, seu Luiz foi se abrindo para mim na beira da praia, cuja maré alta que cobria as pedras visíveis nos outros anos ele atribuiu aos efeitos do tsunami da Ásia.

Ele conta que aquele barco a motor que está ancorado ao largo, a uma distância de 200 metros da praia, é de sua propriedade, e que ele, com seus dois filhos, muitas vezes ajudados por outros dois parceiros, sempre que a pesca é prometedora e permitida pelos órgãos ambientais, ingressa no mar alto e dá início à atividade que sustenta sua família.

- Há 50 anos me dedico à pesca, aquele barco foi um sonho realizado, custou-me R$ 18 mil e me foi financiado pelo Banco do Brasil no ano passado, de outra forma não podia adquiri-lo, foi o meu registro na Capitania dos Portos e no Ibama que me deu direito à aquisição.

Durante esses anos todos já pesquei aqui em Santa Catarina e também no Rio Grande do Sul. Aqui pescamos camarão, bagre, corvina, lula, linguado, sororoca, tainha, tainhota, parati, peixe-rei, cocorota, cascote, viola, peixe-cobra e pescada branca, conhecida como perna-de-moça.

Ele cofia a palha de um cigarro e continua a me contar a sua aventura.

- Agora mesmo, dia 28 de fevereiro, encerra a pesca do camarão, mas temos de obedecer às regras ditadas pelas autoridades. Durante março, abril e maio, não poderemos lançar as redes para a pesca do camarão.

Cada um de nós, registrados, terá direito nesses três meses a um salário mínimo, um incentivo que o governo nos dá para não incorrermos na pesca predatória. Os que pescam anchova também recebem este salário quando o peixe está procriando.

Enquanto ouço o pescador, fico espantado de que em todo o Brasil sejam tomadas assim providências para a proteção da vida animal marítima, os cofres públicos bancando a proteção da natureza, fiquei cismando que, enfim, uma parte dos impostos que nos cobram é assim empregada em subsidiar os pescadores do país nas entressafras.

- Já votei no Fernando Henrique Cardoso, continua o pescador, mas ao que me lembre essa última foi a segunda vez que votei no Lula. Estou gostando do governo dele. Porque ele fala bastante, todos os dias ele está falando para o povo na televisão e no rádio, eu acho que um presidente tem de se comunicar com o seu povo.

E Lula fala de um jeito que a gente entende, ele faz um governo popular, estou gostando do governo dele e vou votar novamente nele se for candidato. Gosto mais de governante que usa calça e camisa, e não dos que vestem gravata. Parece que eles estão distanciados do povo.

O Lula tem um tom de voz carinhoso, ele tem cheiro de povo, a maior felicidade da minha vida seria o dia em que ele viesse aqui na praia e eu pudesse dar-lhe um abraço e bater um papo. Eu sinto que me aproximaria dele com a maior naturalidade. Para mim, a vida, embora cheia de dificuldades, está melhor atualmente. Vou votar no Lula novamente, até mesmo também porque não conheço outro candidato.

Foi por esta exposição intensa de Lula na mídia que o governador do Rio de Janeiro, César Maia, decidiu lançar-se em dezembro passado candidato a presidente da República. O instituto da reeleição concede ao presidente uma vantagem colossal, ele passa quatro anos sendo focalizado diariamente pelos jornais, pela televisão e pelas rádios, o privilégio de aparecimento que ostenta sobre eventuais outros candidatos é enorme.

Lula, espertamente, não quer falar em reeleição, tenta jogar esta hipótese para o ano que vem, enquanto isso ele percorre solitariamente as mentes dos brasileiros, que não enxergam no horizonte outros candidatos que não seja ele, como o pescador calejado da praia do Forte, em Florianópolis.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Preces para o Papa



Traqueostomia em João Paulo II comove católicos e estimula mutirão mundial de orações, como na Polônia (foto Czarek Sokolowski, AP/ZH)


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Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005




Lançamentos

Meu tio matou um cara e outras histórias do cineasta e roteirista de cinema e televisão Jorge Furtado apresenta o conto-título que deu origem ao filme e mais oito narrativas curtas.

O volume inclui o roteiro do filme Meu tio matou um cara, escrito por Jorge e por Guel Arraes. 222 páginas, L&PM Editores, telefone 3225-5777.

Erico Verissimo, 100 anos, o tempo e o vento a passar, publicação da Cia. Zaffari, terá metade da venda da edição em benefício do Instituto do Câncer Infantil do Rio Grande do Sul. A obra é dicionarizada e traz 800 verbetes pesquisados na obra de Erico.

Um CD com músicas de Tom Jobim, compostas especialmente para a minissérie O Tempo e o Vento acompanha a obra, que custa R$ 70,00 e que pode ser adquirida, com exclusividade, na Rede Zaffari e Bourbon.

Contando a arte de Peticov, do crítico de arte e escritor argentino, naturalizado brasileiro, Oscar DAmbrosio, fala sobre a vida e a arte do pintor brasileiro Antonio Peticov.

Para Peticov, autodidata, o artista precisa ter duas coisas: coragem e destemor. Diz ele que cada um deve descobrir seu próprio caminho, abrir portas, correr riscos e aí tentar encontrar a melhor maneira de ser relacionar com o mundo. 40 páginas, R$ 24,00. Editora Noovha América, telefone 11-3675-5488.

Atalhos sem fim, romance de Francisco Marins, retrata os homens do interior, com seus desafios para sobreviver, a partir da narração de uma desastrada viagem de uma boiada.

As histórias deste volume seguem a chamada saga paulista do autor e as narrativas e personagens dos romances Clarão na serra, Grotão do café amarelo e E a porteira bateu. 384 páginas, Escrituras Editora, telefone 11-5082-4190.

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jcimenti@zaz.com.br

Desvendando o enigma Hughes

O jornalista Charles Higham pesquisou, durante dois anos, a verdade por trás da riqueza, loucura e paixões do ousado aviador que voou ao redor do mundo e levou para a cama metade das estrelas de Hollywood.

Diz Higham: embarquei numa sombria jornada, encontrando cooperação extraordinária e irrestrita de seus colegas e amigos em todos os níveis. Até os guarda-costas tiveram alguma coisa a dizer.

O Aviador A vida secreta de Howard Hughes, biografia lançada há poucos dias no Brasil, que inspirou o filme, superprodução de Martin Scorsese e estrelada por Leonardo DiCaprio e Cate Blanchet, narra a história do menino texano que era discriminado pelos colegas até tornar-se um dos homens mais ricos e poderosos do século XX.

Reservado e auto-destrutivo, Howard Hughes conseguiu fama nas duas mais glamourosas indústrias norte-americanas: aviação e cinema. Impressionam os altos e baixos de sua vida. Como aviador, bateu todos os recordes de velocidade e foi aclamado como um segundo Lindbergh.

Foi dono de uma companhia aérea internacional, duas regionais e uma montadora de aviões. Projetou e construiu a maior aeronave do mundo. No cinema, produziu e dirigiu Anjos do inferno, um clássico hollywoodiano, além de administrar um estúdio próprio.

Hughes foi proprietário de cassinos e fabricante de satélites espiões. Morreu aos 71 anos, em circunstâncias bizarras, sozinho, mentalmente perturbado e fisicamente deformado. Suas impressões digitais serviram para o reconhecimento do corpo. A obra fala da surdez de Hughes, provocada por um antigo acidente aéreo e como isto o deixou vulnerável, mexendo com sua vaidade.

Também fala de sua bissexualidade, da presença em orgias, do sadomasoquismo e da dependência de codeína e calmantes. Seus romances com Ava Gardner, Katherine Hepburn, Bette Davis,Cary Grant e Tyrone Power, entre outros, estão na biografia, bem como revelações das conexões políticas do multimilionário e o plano da CIA de organizar um complô para matar Fidel Castro.

O livro lembra, ainda, as ligações de Hughes com o presidente Nixon, também texano, e a participação no escândalo Watergate.
Charles Higham, biógrafo premiado, revelou as vidas de Audrey Hepburn, Ava Gardner e Marlon Brando, entre outras celebridades. Venceu o prêmio da Academia Francesa pela biografia de Marlene Dietrich e, atualmente, vive em Los Angeles.

Em O Aviador, o jornalista, depois de longos trabalhos de pesquisa, mostra lados sombrios e desconhecidos do mitológico Hughes e, fazendo isso, revela muito dos aspectos ocultos dos negócios, da política e da cultura norte-americana. É um retrato fascinante do que está embaixo dos tapetes da sociedade americana .

No filme baseado no livro, o diretor Martin Scorsese evitou falar dos aspectos morais e políticos mais chocantes da vida de Hughes, mas no livro eles estão, para conhecimento dos leitores. 420 páginas, R$ 59,90. Tradução de Alves Calado, Editora Record, telefone 21-2585-2000.

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Rafaella, minha bela

Musa de Pedro Bial, que faz merchan de empresa telefônica durante BBB 5, posa nua para a Sexy. Mas ela queria mesmo é ser uma das participantes do jogo dentro da casa
Zean Bravo

Cara conhecida do público desde o segundo Big Brother Brasil, Rafaella Guarany já fazia seu merchan muito antes de Rogério e PA, participantes da atual edição, popularizarem a expressão como sinônimo de marketing pessoal. Chamada de minha bela por Pedro Bial, a loura faz merchandising por força da profissão.

Responsável pelas chamadas de uma operadora telefônica, ela nem precisou exibir o corpão dentro da casa do BBB para emplacar numa revista feminina. Depois de sondagem da Playboy, ela preferiu fechar com a Sexy o lance foi maior, diz para estampar a capa do mês que vem. Dá para comprar apartamento, carro e ficar bem. Mas não é um milhão como no BBB, diz.

Com sua participação aumentada no decorrer do programa nas edições de terça, quinta e domingo ela entra no ar ao vivo , Rafaella, 25 anos, confessa que gostaria mesmo de ser colega de confinamento de Jean, Pink e companhia. Sou atriz e para quem quer algo mais aquilo é uma vitrine, acredita Rafaella, ciente de que a exposição nem sempre é para o bem.

As pessoas têm uma imagem, pensam que não tenho TPM e devem achar que durmo de baby doll. Iria assustar quando acordasse de meia no pé, usando camisa de malha, assume.

Fã do programa, o estudante Thiago Cavalcanti, 17 anos, diz que adoraria ver Rafaella numa situação, digamos, de maior intimidade. Já fico imaginando-a na piscina, delira o rapaz. Quem é que não gostaria de ver aquela louraça mais à vontade? Ela poderia aparecer mais tempo nas chamadas do BBB, sugere o técnico de informática Reinaldo Pontes, 29 anos.

Rafaella, que nunca entrou na casa, mas já conheceu os bastidores do BBB ela esteve nos corredores onde ficam escondidas câmeras do programa diz que é sempre abordada pelo público nas ruas. A primeira coisa que querem saber é como é o Bial.

Também perguntam para quem estou torcendo, conta a loura, que se acostumou a ouvir que é parecida com Deborah Secco. Muita gente fala. Mas digo que tem outra pessoa (a atriz Fernanda de Freitas) mais parecida com ela. Aquela, sim, é a cópia, brinca a loura.

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Sob a batuta de Felipe

Maestro tricolor fez o seu, de pênalti, e comandou a goleada (4 a 0) sobre o América
José Luiz de Pinho

O Diabo não era tão feio quanto parecia. O Fluminense, que não vencia há um mês, goleou o América por 4 a 0, na estréia do time na Taça Rio, ontem no Maracanã, e deu sobrevida ao técnico Abel Braga. O resultado deu fôlego ao time, que enfrenta o Vasco, domingo, no Maracanã. Os gols do Flu foram marcados por Diego, Juan, Antônio Carlos e Felipe, de pênalti.

O Fluminense começou pressionando o adversário. Aos 8min, Felipe fez uma boa jogada, mas saiu com bola e tudo. Dois minutos depois, Gabriel desceu com perigo pela direita, mas Dida lhe tomou a bola.

O cheiro de gol tricolor já estava no ar, quando aos 14 minutos, Felipe abriu para Arouca, que tocou para Diego marcar, com um chute de fora da área, um bonito gol no ângulo direito de Lázaro.

A vantagem no placar animou o Tricolor, que se empenhou mais no ataque. Mas o América, que ainda não havia ameaçado o gol de Kleber, finalmente entrou no jogo. Emerson bateu mal, a bola pegou um efeito estranho e Marcão, meio torto, tirou com o pé a bola que ia entrando. Mas o Fluminense continuava pressionando. Aos 42min, Fabiano Eller, de cabeça, mandou a bola na trave.

O time tricolor veio para decidir o jogo no segundo tempo. Logo aos 3min, Felipe saiu da marcação, rolou a bola para Juan, que chutou livre, de fora da área: 2 a 0 Flu.

O camisa 10 das Laranjeiras comandava a partida e fazia boas jogadas com Leandro. O Flu já merecia outro gol, quando Fabiano Eller cruzou na medida para Antônio Carlos, marcar, de cabeça, o terceiro do Tricolor.

Aproveitando-se da fragilidade defensiva do desorganizado time do América, o Fluminense continuava pressionando. E aos 25 minutos, o zagueiro Jorge Luís segurou Tuta na área. O árbitro marcou pênalti, que foi cobrado com categoria por Felipe, decretando a goleada tricolor.

Aos 33min, Tuta perdeu ótima chance de ampliar a vitória, deixando o goleiro Lázaro se antecipar. Os dois times terminaram com 10 em campo: Leandro e André foram expulsos.

Fôlego para encarar o Vasco

A goleada sobre o América deu fôlego ao time e animou os jogadores para o clássico diante do Vasco no domingo. O técnico Abel Braga, que estava ameaçado devido à má campanha do Flu, gostou do desempenho da equipe, mas mesmo assim criticou a arbitragem. E a expulsão de Leandro pode representar um problema para armar o time para o jogo contra o Vasco. A expulsão do Leandro foi ridícula. Um absurdo, irritou-se.

Fabiano Eller disse que o Flu fez uma grande partida e aposta que ainda vai melhorar. Foi uma estréia legal e com o pé direito. Tenho certeza de que o time vai engrenar na Taça Rio, aposta o zagueiro. O lateral Gabriel acredita que o Tricolor vai desencantar na Taça Rio, após uma campanha pífia na primeira fase. Vamos buscar a vaga na final, prometeu.

No fim do jogo, Antônio Carlos aproveitou para desmentir que estivesse negociando sua saída do clube. Minha cabeça está voltada para o Flu, garantiu. Marquinho deixou o campo com um torcicolo, e os médicos tricolores não sabem como o jogador vai reagir ao problema.

FLUMINENSE 4
Kleber; Gabriel, Antônio Carlos, Fabiano Eller e Juan; Marcão, Diego, Preto Casagrande (Arouca) e Marquinho (Leandro); Felipe e Tuta.Técnico: Abel Braga

AMÉRICA 0
Lázaro; Jorge Luís, André, Cícero, Dida e Humberto (Leandro Daniel), Fabinho, Léo (William) e Guto; Emerson e Flavinho. Técnico: Marinho

LOCAL: Maracanã.
ÁRBITRO: Marcelo de Sousa Pinto.
CARTÕES AMARELOS: Cicero, Jorge Luís, Dida, Juan, Marquinho, Tuta e Arouca.
CARTÕES VERMELHOS: Leandro e André.
GOLS: Primeiro tempo: Diego (14min). Segundo tempo: Juan (3min), - Antônio Carlos (22min) e Felipe (26min).

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Nilson Souza
24/02/2005


Palavras descruzadas

Li outro dia uma reportagem sobre profissionais que escrevem para o público sem assumir a autoria das mensagens. São redatores de cartões de felicitações, de convites de casamento, de telemensagens, de cartazes, de apostilas de concursos e até mesmo de revistinhas de passatempo. Chamou-me especial atenção o desabafo do homem que elabora palavras cruzadas:

- Tem gente que acha que o texto surge do nada. Alguém escreveu.

Nunca surge do nada, isso eu posso atestar com a minha experiência de juntar letrinhas neste ofício de reportar os movimentos da vida. Escrever é uma dor prazerosa, que exige formação cultural, leitura, esforço mental, suor e uma boa dose de humildade para cortar palavras, repetir frases inteiras até achar o tom, muitas vezes apagar tudo e começar de novo do zero.

Fiquei especialmente com dó do cruzadista porque minha mulher - que é craque em preencher quadradinhos horizontais e verticais - costuma xingar o desconhecido autor quando alguma letra não se encaixa por erro na elaboração do enigma. É um xingamento suave, mas, nesta hora, talvez o anonimato seja uma bênção.

Quando a gente assina um texto a angústia é muito maior. Você escreve com a melhor das intenções, pensa que deu o recado certo e que já pode se candidatar ao Nobel de literatura, mas na maioria das vezes dá ruído na linha. O leitor, do outro lado, entende diferente, faz a sua própria interpretação e reage indignado ao constatar que alguma palavra ou frase não se encaixa nos quadradinhos da sua expectativa.

Há, porém, uma compensação que os anônimos redatores de bulas de remédio não têm. Quando um texto surge limpo e toca no coração dos leitores e das leitoras, eles saem do anonimato e se apresentam agradecidos e generosos. E nada é tão doce para a alma de um escriba quanto o reconhecimento. Pensando bem, talvez o homem das palavras cruzadas devesse assinar o seu trabalho.

Sinto certa simpatia por quem se dedica às palavras cruzadas, atividade que Mário Quintana, com o seu humor agridoce, classificou como uma forma tranqüila de desespero. Porém, sou um tanto refratário a esse passatempo, até mesmo porque o meu tempo passa contra a minha vontade, sem que eu precise fazer qualquer coisa fora de rotina para apressá-lo.

Apetece-me, muito mais, descruzar palavras.

nilson.souza@zerohora.com.br

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José Pedro Goulart
24/02/2005


Gaitadas no inferno

Hunter S. Thompson desistiu. Explodiu o crânio com uma bala; matou-se aos 67. Hunter foi radical até o fim, enganam-se os bobos, a idade não o levou a ponderações, ou, se levou, não o demoveu. O sujeito era criador e criatura do jornalismo "gonzo", palavra jocosa que em si mostra a personalidade do autor. O gonzo, para se dizer o mínimo, é uma mistura de literatura com reportagem, e dessa maneira o repórter é necessariamente personagem das histórias que conta.

Nesse périplo em busca dos fatos que iriam compor sua própria biografia, Hunter se encharcou com ácido, bebidas, criou teses a respeito do jornalismo/literatura e levou ao extremo a idéia de viver para contar. Foi assim que ele se infiltrou dentro dos Hell's Angels nos anos 60. Comprou uma moto e na pele do lobo escreveu uma série de matérias sobre a lendária gangue. Acabou levando um pau quando foi descoberto.

Eu bem que podia ser corajoso e me meter a jornalista gonzo. Se voltasse ao tempo, por exemplo, teria concorrido para deputado federal e, eleito fosse, hoje estaria escrevendo - de dentro - sobre esse grande acontecimento que ora viceja na República: a eleição de Severino Cavalcanti para presidência da Câmara.

Nada, amigos, nem o Collor e o PC Farias, nem o Golbery e sua turma, sequer a Jules Rimet roubada e derretida, representam com tantos significados a nação canarinha como esse episódio. O Brasil já tem sua síntese, seu equivalente ao Watergate ou à guerra das Malvinas.

De dentro da Câmara, eu teria mais condições de compreender como o país dos sem-emprego, sem-saúde, sem-infância, sem-teto, sem-segurança, sem-terra, sem- cultura, sem-educação, sem-dente, sem-comida, sem-futuro, sem-respeito é visto com desdém, desconsideração, hipocrisia, menosprezo, desinteresse, ironia, displicência, negligência, arrogância, estupidez, pelos fisiológicos, corporativistas, incompetentes que ele próprio elegeu.

Outra possibilidade: aprender a atirar e fazer vestibular de pistoleiro no Pará. Naquela terra sem dono, com fronteiras indefinidas, cuja escravidão ainda não foi plenamente abolida, onde a floresta tem sido saqueada e dizimada, onde o medo é matéria-prima da falta de ação, talvez eu pudesse entender como é possível matar uma missionária de 73 anos com SEIS tiros a queima roupa, cujo pecado, ao contrário do Hunter S. Thompson, foi não ter desistido.

Enquanto isso, Lula referiu-se ao novo presidente da câmara como "companheiro Severino". Ionesco, Breton, Buñuel, Dali, devem estar dando gaitadas no inferno.

jose.pedro@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
24/02/2005


Os venenosos

O veneno é um furo na teoria da evolução. De acordo com o darwinismo clássico, os bichos desenvolvem, por seleção natural, as características que garantem a sua sobrevivência.

Adquirem seus mecanismos de defesa e ataque num longo processo em que o acaso tem papel importante: a arma ou o disfarce que o salva dos seus predadores ou facilita o assédio a suas presas é reproduzido na sua descendência, ou na descendência dos que sobrevivem, e lentamente incorporado à espécie. Mas a teoria darwiniana de progressivo aparelhamento das espécies para a sobrevivência não explica o veneno. O veneno não evoluiu. O veneno esteve sempre lá.

Nenhum bicho venenoso pode alegar que a luta pela vida o fez assim. Que ele foi ficando venenoso com o tempo, que só descobriu que sua picada era tóxica por acidente, que nunca pensou etc. O veneno sugere que existe, sim, o mal-intencionado nato. O ruim desde o princípio. E o que vale para serpentes vale para o ser humano.

Sem querer entrar na velha discussão sobre o valor relativo da genética e da cultura na formação da personalidade, o fato é que não dá para evitar a constatação de que há pessoas venenosas, naturalmente venenosas, assim como há pessoas desafinadas.

A comparação não é descabida. Acredito que a mente é um produto cultural e que, descontadas coisas inexplicáveis como um gosto congênito por couve-flor ou pelo "Bolero" de Ravel, somos todos dotados de basicamente o mesmo material cefálico, pronto para ser moldado pelas nossas circunstâncias. Mas então como é que ninguém aprende a ser afinado?

Quem é desafinado não tem remédio. Nasce e está condenado a morrer desafinado. No peito de um desafinado também bate um coração, certo, e o desafinado não tem culpa de ser um desafio às teses psicológicas mais simpáticas. Mas é. Matemática se aprende, até alemão se aprende, mas desafinado nunca fica afinado. Como venenoso é de nascença.

O que explica não apenas o crime patológico como as pequenas vilanias que nos cercam. A pura maldade inerente a tanto que se vê, ouve ou lê por aí. O insulto gratuito, a mentira infamante, a busca da notoriedade pela ofensa aos outros. Ressentimento ou amargura são características humanas adquiridas, compreensíveis, que explicam muito disto. Pura maldade, só o veneno explica.

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Paulo Sant'ana
24/02/2005


Crime sem fronteiras

Não há território brasileiro imune à criminalidade: Florianópolis, onde me encontro, há poucos anos era uma ilha segura, uma cidade do tipo Punta Del Este, onde os adolescentes são largados pelos seus pais durante a madrugada, freqüentando bares e boates até a manhã, sem qualquer sobressalto e livres de quaisquer ataques de ladrões ou assaltantes.

Florianópolis já se degenerou em matéria de segurança pública. Apesar de a única saída por terra ser a ponte que a liga ao continente, ainda assim os ladrões têm intensa atividade e conseguem se refugiar no interior da ilha após seus atos criminosos.

Agora mesmo, o advogado gaúcho Léo Jorge Wobeto foi assassinado em sua casa na Lagoa da Conceição, um lugar paradisíaco em Florianópolis, o tipo do local que pelas características de beleza natural e aprazibilidade de seus recantos inspira paz e segurança.

Pois três homens invadiram sua residência, segunda-feira passada, com a finalidade bem-sucedida de roubar eletrodomésticos e sua camioneta S-10, massacraram-no com golpes de um extintor de incêndio, cravando ainda um espeto de churrasco em suas costas. Um crime bárbaro.

Não é o primeiro gaúcho assassinado em Florianópolis ou Santa Catarina nos últimos tempos, o que quer dizer que aqui também a criminalidade assusta. Não nos interessamos quando as vítimas não são gaúchas, mas os crimes se sucedem num Estado que há poucas décadas tinha índices inexpressivos de delinqüência.

Ontem mesmo, soube-se da notícia de que a Associação de Cabos e Soldados da Brigada Militar solicitou à PM que os coletes à prova de balas que são usados em serviço sejam mantidos por eles nas horas de folga, dado o perigo que correm ao se dirigirem ao trabalho e voltarem para casa após o serviço.

Como permanecem fardados, são alvos ostensivos dos assaltantes, principalmente nos ônibus e no trajeto a pé entre suas casas e as paradas dos coletivos.

Chegamos a um tempo em que a organização da segurança pública terá de ter um serviço especial para proteger os seus próprios integrantes, que isoladamente lançados no meio social não têm força para conter a audácia coletiva dos assaltantes e ladrões.

Foi como referi aqui em duas colunas: as legiões de assaltantes se tornaram mais numerosas e mais bem equipadas que as forças policiais.

E o que é pior: em todos os lugares há ladrões. E, como o efetivo policial é reduzido para contê-los, na maioria dos lugares não há policiais.

A guerra a cada dia que passa é vencida pelo mal.

A eleição do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara provocou uma repulsa nacional aos métodos de fisiologismo da política brasileira.

Na verdade, houve apenas uma mudança na aparência do poder, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que antecedeu Severino no cargo, havia durante a sua posse determinado não só um substancial aumento nos subsídios dos deputados como criou vantagens volumosas nas verbas de custeio dos gabinetes, que somadas aos subsídios vão até R$ 85 mil mensais, a maioria das quais comprovadas mediante as notas fiscais respectivas. A farra de verbas que Severino promete só é mais assustadora porque é a segunda em apenas dois anos.

No Senado, foi eleito agora presidente o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), da tropa de choque de Fernando Collor, com o apoio do PT e do governo. Severino Cavalcanti causa espanto pelo seu modo um tanto tosco de expressão, mas na verdade não há diferença entre o seu fisiologismo e o anterior, vigente na política brasileira há muito tempo, marcadamente desde o governo Fernando Henrique Cardoso, quando o toma-lá-dá-cá inspirou o atual governo ao único modo eficaz de tratar o Congresso para obter dele a aprovação a seus projetos.

Severino mudou só o rótulo do poder, o conteúdo é o mesmo. Severino pode até ter acabado com a hipocrisia, pela sua forma mais objetiva e sincera de fazer política, mas a Câmara de Deputados que o elegeu e o Senado que elegeu Renan Calheiros detêm a mesma mentalidade, baseada no corporativismo e clientelismo que enganaram a quem tivesse pensado que o Brasil evoluíra na escolha da sua classe política.

O Severino é apenas uma face do Congresso que eventualmente andava oculta, sem nunca ter deixado de ser atuante. O Brasil só se assustou com a visão das vísceras.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Transportes
Protesto e violência na Capital



PMs, estudantes e sindicalistas se enfrentaram durante manifestação contra reajuste de tarifas de ônibus (foto Júlio Cordeiro/ZH)


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Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005




Antenados com público adolescente

Universo teen está ganhando força e já é um dos mercados mais cobiçados do momento
Silvana Caminiti

Eles são dezenas de milhões no mundo, têm entre 10 e 18 anos e se deixam influenciar principalmente pela tecnologia, música e moda.

Motivos não faltam para provar de que forma o universo teen vem ganhando força, tornando-se um dos mercados mais cobiçados do momento. Somente nos EUA, os jovens movimentam mais de 45 bilhões de dólares por ano, com gastos em informática, entretenimento, roupas e acessórios, segundo dados da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest).

No Brasil, os teens somam 35 milhões e são responsáveis por 20% do consumo do segmento de confecção à frente do mercado masculino adulto, perdendo somente para a moda feminina. A partir desses dados, grandes marcas têm desenvolvido e produzido roupas, calçados e acessórios para atender, exclusivamente, às exigências dos adolescentes.

A Bit Bet é um exemplo de grife que vem investindo para tentar agradar aos jovens consumidores. A marca, que tem loja no Shopping Rio Sul, aposta principalmente em modelos fashion para as garotas, como lembra Ilana Salama, sócia-proprietária.

Ela conta que, depois de 28 anos no mercado de confecção, resolveu que estava na hora de encontrar novo foco. Daí nasceu a idéia de fazer moda para o público infanto-juvenil.

Nosso público-alvo são crianças que realmente sabem o que querem. Substituímos as roupas mais básicas que tínhamos por modelos da linha fashion.

Sempre procuramos seguir as principais tendências da moda mundial, afirma. Ilana acrescenta que a grife também investe em atendimento diferenciado, como o projeto Bit Bet em Casa, em que produtos são levados até a residência do cliente.

Bit Bet:(21) 2542-4390

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Filosofar com os animais

QUASE NÃO CONHECEMOS A HISTÓRIA de Esopo, embora se diga que nasceu em torno do século VI a.C. e foi escravo de um homem chamado Jadmon (ou Janto de Samos). Suas fábulas, reunidas por Demetrio em 300 a.C., nos dão uma visão complexa e completa do comportamento humano.

Um dos eventos mais traumáticos desta década, a guerra do Iraque, fez-me lembrar a famosa parábola do lobo e do cordeiro: como Bush estava decidido a invadir de qualquer maneira o país, procurou todos os pretextos possíveis armas de destruição massiva, programa nuclear em desenvolvimento, ligações com a organização terrorista Al-Qaeda.

Quando Hans Blix (Unmovic) e Mohamed ElBaradei (Iaea) afirmaram nos tensos encontros do Conselho de Segurança da ONU que não havia indício algum que comprovasse tais alegações, Bush resolveu dar as costas às Nações Unidas, e a invasão aconteceu assim mesmo.

Mesmo agora, quando as buscas pelas tais armas de destruição massiva terminaram sem resultados, Bush saiu-se com uma espécie de mas ele estava tentando fabricar, e a coisa ficou por isso mesmo.

Na parábola de Esopo, o lobo observa o cordeiro e precisa de um pretexto para devorá-lo. Resolve acusá-lo de estar poluindo a água e o cordeiro explica: Mas o senhor está na parte de cima do rio. No ano passado agrediste meus pais, insiste o lobo, e o cordeiro garante que nem sequer havia nascido na época.

Você é um mestre na arte de tentar convencer os outros, mas são apenas desculpas, diz o lobo, desta vez matando sua presa. Evidente que Saddam Hussein está longe de ser um cordeiro, mas a metáfora é sempre válida quem está decidido a fazer qualquer mal, sempre irá encontrar um argumento para justificá-lo. A seguir, os animais discutem o comportamento do homem:

1) Jamais peça ajuda a quem está acostumado a ferir: a raposa saltava um despenhadeiro, escorregou e agarrou-se em um espinhal para evitar a queda. Sentindo o sangue escorrer de suas patas, reclamou: Pedi sua ajuda e me feriste. A culpa é sua, disse o espinheiro. Não sabe que eu nasci para machucar quem chega perto?

2) Se não consegues o que queres, não culpes os outros: a raposa estava morrendo de fome quando viu um galho de uvas. Tentou alcançá-lo, mas quando viu que todos os seus intentos eram inúteis seguiu adiante comentando consigo mesmo: Com certeza, aquelas uvas estavam verdes.

3) O que hoje é o ideal, amanhã pode ser mortal: duas rãs, morrendo de sede, descobriram um poço cheio dágua. Estavam prestes a saltar lá dentro, quando uma preveniu a outra: Querida irmã, estamos com sede porque a terra está seca. Este poço também vai secar, e depois que bebermos a água, como vamos conseguir voltar à superfície? Na mesma hora, decidiram que era melhor continuar com sede que buscar uma solução aparentemente fácil.

4) Não permita que suas vitórias impeçam de conhecer seus limites: Sei que você é mais forte que eu, mas posso deixá-lo louco, disse o mosquito ao leão.

E durante todo o dia, picou-o no nariz, ridicularizando as grandes garras e os dentes poderosos, que não podiam fazer nada para evitar o tormento. Contente por ter vencido o mais poderoso dos animais, o mosquito saiu dali louco para contar sua vitória, mas logo foi capturado e morto por uma frágil teia de aranha.

5) É melhor deixar que o mal se afaste do que tentar controlá-lo: o leão entrou na fazenda de um lavrador, que imediatamente fechou a porteira. Enquanto ia até uma fazenda vizinha pegar emprestada uma espingarda para matá-lo, o leão devorou os carneiros, matou alguns bois e conseguiu entrar na casa principal.

Ao voltar, o lavrador viu que sua família estava ameaçada de morte e resolveu abrir a porteira da fazenda para que o animal escapasse. E ainda ouviu a recriminação da mulher: Por que manter por perto coisas que você não pode dominar?

6) As lutas inúteis servem apenas para alimentar os espectadores: um leão e um javali chegaram ao mesmo tempo em uma lagoa e começaram a discutir sobre quem devia beber primeiro.

Quando se preparavam para um combate de morte, viram que abutres e hienas se aproximavam. O javali disse para o leão: Beba primeiro e beberei depois. Prefiro ter meu orgulho ferido, que servir de espetáculo para aqueles que vivem de olhar, criticar e alimentar-se dos corajosos.

paulo@paulocoelho.com.br

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Quarta, 23 de fevereiro de 2005.
DVD sem estresse

Como escolher o gravador certo e ripar filmes e grande volume de dados sem dor-de-cabeça
Alessandra Carneiro e Mylène Neno

Com o preço dos gravadores de DVD cada vez mais baixo (é possível encontrar modelos a partir de R$ 280), muita gente está aproveitando o momento para aposentar o drive de CD. Afinal, as mídias mais populares de DVD armazenam até 4,7 GB (o equivalente a 7,23 CDs de 650 MB).

Porém, mesmo com mais e melhores atributos (além de maior espaço para backups e armazenamento de dados, o DVD grava filmes em alta resolução), o uso dos drives de DVD não é tão simples. Principalmente se considerarmos que há diversos tipos de drives e mídias.

A designer Luciana Ilarri, 25, tem história para contar. Na hora de instalar, tirei o gravador de CD e coloquei o de DVD, reaproveitando o mesmo cabo flat, sem perceber que a pinagem era diferente. Fiquei mais de um dia sem ter o drive funcionando até descobrir o problema, conta. Mesmo depois da instalação correta, os contratempos continuaram.

Quando vou queimar uma mídia, o Nero sempre dá erro bem no fim da gravação. Já usei três DVD-R da Sony e ocorreu o mesmo erro. Não é possível que o problema seja da mídia, acredita. Minha próxima tentativa vai ser baixar outro programa de gravação, diz.

Quem também teve transtorno com o Nero foi o assessor musical André Luis Silva, 32. O Nero OEM Suite que veio com o DVD recordable da Sony, sempre trava, porque o programa entra em conflito com o assistente de gravação do Windows, explica.

Para resolver, tenho que colocar a mídia, fechar o Nero, que vai travar de qualquer forma, esperar o assistente do Windows dar o ar de sua graça e fechá-lo na marra. Ele diz que não conseguirá gravar a mídia, porque só grava CD, não DVD. Só depois volto a abrir o Nero, sempre na torcida que funcione. Às vezes dá certo, às vezes, não, lamenta.

Nesse caso, a melhor solução é optar por outro programa de gravação de DVDs ou adquirir uma versão mais nova do Nero, aconselha nosso colunista de hardware, o professor Gabriel Torres.

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Ele é um horror

Ivan Cardoso volta com mais um filme cheio de louras gostosas e terror tosco. A Amazônia foi filmada na Floresta da Tijuca
Ana Lúcia do Vale

Dr. Moreau era um cientista alucinado com a evolução da espécie, que encheu uma ilha com suas experiências bizarras, em que transformava bestas em homens. Há 13 anos sem dirigir um longa-metragem, desde O Escorpião Escarlate, o diretor Ivan Cardoso faz um Carnaval com o clássico de H. G. Wells em seu novo filme: Amazônia Misteriosa.

O toque do mestre do terrir transformou Dr. Moreau em um lobisomem que divide a floresta com louraças bem servidas e as experiências alucinógenas de um grupo de jovens que toma o chá do Santo Daime empolgadas pela viagem as personagens de Danielle Winits e Karina Bacchi trocam até beijo na boca.

Mas não vai faltar o elemento essencial do gênero: vítimas, muitas vítimas lambuzadas de sangue cenográfico. É uma chanchada hitchcockiana, define o entusiasmado Ivan, 52 anos.

Num filme com o orçamento apertado de três milhões de reais, rodado em tempo recorde de apenas três semanas termina semana que vem e ainda sem data de estréia, filmar na Amazônia seria impensável. A floresta mais perto foi mesmo a da Tijuca. Estamos no país do Carnaval, onde é possível filmar a Floresta Amazônica na Tijuca.

O filme tem um roteiro, mas como os de O Segredo da Múmia e As Sete Vampiras (que teve mais de um milhão de espectadores nos anos 80), o lobisomem vai ter que contar com todos os erros e defeitos especiais, dispara Ivan, citando seus filmes anteriores.

Improvisação nas cenas, mas especialistas por trás delas. Para fazer o cientista lobisomem, chamou um expert em filmes B: o espanhol Paul Naschy, que já atuou ou dirigiu em 132 filmes de terror, em que fez Drácula, Dr. Hyde e múmia, além de ter sido o homem-lobo outras 13 vezes.

Conheci o Ivan há 10 anos num festival de Cinema Fantástico. Dr. Moreau é um mito conhecido, apaixonante e foi feito pelos grandes, como Marlon Brando. Como também não conhecia o Brasil, resolvi vir, simplifica Paul, carregando no espanhol.

O Paul ocupou o lugar no meu coração do Wilson Grey. Ele é o Boris Karloff espanhol, elogia Ivan, que justifica o resto do elenco. Sou fascinado por louras.

Então toma. Amazônia Misteriosa é a estréia da lourinha Karina Bacchi, que no barato do Daime fica corajosa. Ela tem uma atração pela personagem da Danielle e dá um beijo nela.

Mas também teve uma cena em que fiquei enrolada em duas cobras, diverte-se a desinibida Karina, para constrangimento da loura veterana Danielle, que prefere dizer que a cena será surpresa. Vou deixar para o imaginário do público.

Mas não rodamos ainda, ressalta. No imaginário mesmo, deve ficar a platinada estreante, ex-paquita e dançarina do Faustão Daiane Amêndola, que, como boa amazona, não usa blusa no filme. Expor o corpo não é fácil. Mas faço o que precisar. Minha personagem, a Alma, fica viva no fim. Será a única Alma viva, entra no clima do terrir, em que bom humor é essencial.

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Hoje é pra sufocar

Botafogo ataca para vencer o Olaria e reconquistar a torcida alvinegra

Em sua estréia na Taça Rio, o Botafogo pensa em apagar os erros da Taça Guanabara. Para reconquistar a confiança da torcida, o técnico Paulo Bonamigo optou por um esquema ofensivo, com três atacantes, para sufocar o Olaria, hoje, às 21h40, no Maracanã. No elenco alvinegro, a conquista da Taça Rio é vista como obrigação.

Vencer o segundo turno é uma questão de honra para nós. Já que perdemos a chance no primeiro turno, vamos com tudo para conseguirmos a vaga na final do Estadual, garantiu Alex Alves.

Ricardinho, que ganhou a disputa com Leandro Carvalho e começará jogando hoje, concorda com o companheiro de ataque e dá a receita para a vitória. Para evitarmos surpresas na Taça Rio, temos que começar a correr como os times pequenos. Só assim conseguiremos vencê-los, disse o rápido jogador.

Ciente de que está assumindo riscos com o esquema ofensivo, Bonamigo sabe o que fazer para evitar os contra-ataques do Olaria. Já falei para os jogadores que só conseguiremos um time equilibrado com três atacantes se tivermos muita disciplina tática. O Alex Alves, por exemplo, vai ajudar no meio-campo quando estivermos sem a bola, explicou o treinador.

Segundo Bonamigo, um dos maiores beneficiados com a nova formação será Guilherme. Tenho certeza de que ele vai receber mais bolas durante o jogo, afirmou o técnico. Ciente da responsabilidade, o atacante admite que está em dívida com a torcida. Já está na hora de eu fazer gol. Agora que estou bem fisicamente, farei tudo para marcar, disse Guilherme.

Se depender de William, atacante do Olaria que fez gols contra Flamengo e Fluminense, o Botafogo terá que se cuidar para não ser surpreendido. Nosso time está muito bem e faremos outro grande jogo no Maracanã, assegurou o jogador.

Mateus, mais um reforço

Ontem, no último dia de inscrições para a Taça Rio, o Botafogo apresentou mais um reforço. O zagueiro Mateus, com passagens pelas seleções brasileiras de base e que estava no Las Palmas, da Segunda Divisão espanhola, chegou ao clube querendo seu espaço.

É gratificante jogar num clube do tamanho do Botafogo, mas não vou me intimidar. Vou trabalhar para, aos poucos, conquistar meu espaço na equipe, disse o jogador.

Revelado pelo Grêmio, Mateus, de 22 anos, jogou também no Eintracht Frankfurt, da Alemanha. Para o zagueiro, as experiências no exterior tornaram-no um jogador mais preparado.

Foi enriquecedor passar um ano e meio na Alemanha e um ano na Espanha. Sou melhor hoje do que era em 2002, quando saí do País, afirmou. Nas Seleções de base, o zagueiro tem dois títulos: o Mundial sub-17 em 1999 e o Torneio de Toulon em 2001.

Apesar da confiança demonstrada por Mateus em sua apresentação, Bonamigo confessou que nunca viu o zagueiro atuar. Mas meus auxiliares trabalharam com ele na Seleção e me falaram muito bem dele, disse o técnico.

Bonamigo acrescentou que a contratação de Mateus tornou-se necessária devido à contusão de Emerson, que é mais grave do que se pensava. O zagueiro que chegou ao clube no início do mês tem uma entorse no tornozelo e só deve voltar aos gramados em um mês.

BOTAFOGO
Jefferson, Rogério Souza, Rafael Marques, Scheidt e César Prates; Túlio, Juca e Ramon; Alex Alves, Ricardinho e Guilherme. Técnico: Paulo Bonamigo.

OLARIA
Marcos Leandro, Betinho, Jarró e Berg; Domício, Júlio César, Valtinho, Carlos Alberto e Bebeto; Amauri e William. Técnico: Arturzinho.

LOCAL: Maracanã.
HORÁRIO: 21h40.
ÁRBITRO: Pablo Alves.

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David Coimbra
23/02/2005


Solteira. Solteiríssima
No começo do verão, Alicinha anunciou:

- Estou solteira. Solteiríssima.

A frase explodiu no meio da turma, fazendo voar estilhaços de aflição para todos os lados. Jogavam no mesmo time de futsal, participavam do campeonato da cidade. Alicinha namorava havia dois anos com o capitão da equipe, o goleiro Carlão. E agora, quando estava o time inteiro reunido, com exceção do infeliz Carlão, ela vinha e anunciava que estava solteira. Mais: solteiríssima.

Impossível não se emocionar. Eram todos apaixonados por Alicinha. Todos. Os cinco titulares e os quatro reservas. Aliás, Carlão era capitão porque a namorava. Os outros o respeitavam: pô, o cara namora a Alicinha.

Alicinha estava sempre com eles. Era a madrinha do time. Assistia aos jogos, apresentara suas amigas a eles. Belas, as amigas, sim, mas nenhuma deslumbrante como a Alicinha. Três dos amigos acabaram namorando as amigas da Alicinha e assim a turma se formou: nove amigos, quatro amigas, mais as eventuais namoradas dos outros cinco. Saíam juntos, faziam festas juntos, tudo muito fraterno. Até que Alicinha declarou, no começo do verão:

- Estou solteira. Solteiríssima.

Isso dito assim, no meio do grupo reunido na pachorra de Arroio Teixeira, durante a o fim de semana, isso foi como enfiar cicuta com limão goela abaixo de cada um. A turma se transformou na Faixa de Gaza. Dois namoros não resistiram até a segunda-feira. Um, o do fixo Luís Henrique, acabou porque a namorada criticou a Alicinha:

- Que vagabunda, dizer que está solteira. Solteiríssima.

Luís Henrique ousou defender a Alicinha e a briga arrebentou como se eles estivessem numa embaixada no Iraque.

A outra briga aconteceu só porque o ala Lélio comentou:

- Vê só: a Alicinha está solteira. Solteiríssima...

A namorada pulou:

- Está interessado?

Terminaram o relacionamento em oito rounds.

Na quarta-feira havia jogo. Antes da partida, Luís Henrique disse bem alto, para que todos, inclusive a Alicinha, ouvissem:

- Estou solteiro. Solteiríssimo.

Lélio apressou-se:

- Também estou solteiro! Solteiríssimo!

O goleiro Carlão, acabrunhado, aproximou-se da Alicinha e perguntou:

- É verdade que você disse que está solteira? Solteiríssima?

Ela confirmou. Carlão demonstrou todo o seu abatimento durante a partida. Engoliu dois frangos. Mas não foi só dele a culpa da derrota. O time inteiro parecia abalado. Ninguém passava a bola para ninguém. Discutiam em campo. Não se acertavam. Foi a primeira das muitas derrotas no campeonato. Era evidente que a disputa pelo coração de Alicinha instaurara uma rivalidade invencível entre eles. Mas seria invencível mesmo? Não haveria uma solução? Só uma pessoa pode responder a essa pergunta: você!

Escreva o final da história. Um final curto, por favor, para não dar muito trabalho. Uma comissão julgadora de ZH escolherá o melhor texto e ele será publicado aqui nesse espaço. Textos para esse imeil.

A formiga

A propósito de minha ímpia e injusta guerra contra as formiguinhas lá de casa, a leitora Larissa Michel enviou um soneto de Vinícius de Moraes bem divertido e que versa sobre proporções e ponto de vista e tudo mais. Tipo assim: para o Grêmio, que em dois anos foi reduzido de leão a inseto, o Gauchão, antes cafezinho, virou banquete. Ó:

As coisas devem ser bem grandes
Pra formiga pequenina
A rosa, um lindo palácio
E o espinho, uma espada fina

A gota d'água, um manso lago
O pingo de chuva, um mar
Onde um pauzinho boiando
É navio a navegar

O bico de pão, o corcovado
O grilo, um rinoceronte
Uns grãos de sal derramados,
Ovelhinhas pelo monte.

Mas como esse italiano que salta com Pelé não sofreu distensão?
Foto(s): Banco de Dados/ZH - 1970

A piscina dos sonhos

Tenho duas fantasias impossíveis. A primeira: queria mergulhar numa piscina contendo toda a cerveja que já bebi desde os 14 anos. A segunda: queria saber quantas barbearias foram batizadas de Copa 70 no Brasil depois da vitória do Tri.

Até considero natural isso de estabelecimentos comerciais homenagearem a conquista da Jules Rimet, tão preciosa e de destino tão inglório, transformada em lingotes por ladrões pouco patrióticos. Porque aquele não foi só o título mais importante jamais conquistado por qualquer equipe em qualquer tempo, mas porque aquele foi o maior time já montado na história do futebol mundial.

Para comprovar isso, basta listar o número de craques. Falo de craques mesmo, não bons, nem ótimos jogadores; craques. São sete: Carlos Alberto, Clodoaldo, Gérson, Rivellino, Jairzinho, Pelé e Tostão. E ainda há o Piazza e o Paulo César Caju nas fímbrias dessa categoria. Nenhum outro time, de clube ou de seleção, reuniu tantos virtuoses.

Pois aquele supertime, ao jogar a final da Copa contra a Itália, arrematou 52 vezes a gol. Em média, não se passava minuto e meio sem que um brasileiro atormentasse o goleiro Albertosi. Ao fim e ao cabo: 4 a 1 pra nós. Quer dizer: de 52 lances, o Brasil aproveitou quatro.

Não é de todo ruim, portanto, o Inter investir 28 vezes contra o aflito Santa Cruz e fazer dois gols. Claro, isso não vai acontecer sempre. Impossível um time arrematar 28 vezes a gol em todos os jogos. Tão impossível quanto eu nadar naquela piscina mágica transbordante de cerveja gelada. Mas poucos dados são tão alvissareiros num time de futebol. Esse Inter tem futuro.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
23/02/2005


Vasectomia voluntária

Tantas vezes porfiei por esta coluna em favor do controle de natalidade que saúdo entusiasmado a iniciativa da prefeitura de Sapucaia do Sul de adotar a vasectomia como instrumento de diminuição dos nascimentos naquele município.

A gente não sabe, mas muitos municípios mantêm programas de controle da fertilidade, pelos quais são acolhidos casais que não têm as mínimas condições para ampliar sua prole por impossibilidade de sustentá-las, não possuem recursos para evitar por cirurgias ou outros métodos o nascimento de mais filhos, dependem do poder público para socorrê-los na aflição de não colocarem no mundo crianças condenadas à miséria, à fome, ao crime e à prostituição.

Nos últimos 18 meses, um total de 762 homens já se submeteram à cirurgia de vasectomia em Sapucaia do Sul, evitando assim o nascimento de milhares de bebês que viriam a engrossar a legião de desnutridos e párias que cresce geometricamente em nosso Estado e país, além de diminuírem o circuito de infortúnio de seus pais, que não têm como criar famílias extensas e custosas no plano alimentar, habitacional e educacional.

É significativo que o controle da natalidade pela vasectomia em Sapucaia do Sul não seja impositivo, um decreto da administração municipal, ao contrário, atende a uma súplica dos casais que querem evitar novos filhos.

Os casais já cumpriram com seu dever de propagação da espécie, têm dois, três ou quatro filhos, apavoram-se com a possibilidade de que outros venham a nascer e tornem inviável a sobrevivência digna da família. Procuram então socorro junto à autoridade pública para não terem mais filhos indesejados.

Interessante que pelo SUS a cirurgia de vasectomia implica a remuneração de R$ 150 ao cirurgião, mas quem paga em Sapucaia aos médicos por essa intervenção é a prefeitura, o que comprova que o SUS lamentavelmente não se aparelhou para tornar real e concreta a política de controle da natalidade, cabendo à esfera municipal, a que tem contato mais epidérmico com os anseios da comunidade, esse encargo financeiro.

O arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, classificou as vasectomias de Sapucaia do Sul de "uma mutilação". Não quero crer que seja desejo de Deus que nasçam cada vez mais filhos em uma família que não pode sustentá-los e atira-os assim à miséria e à morte em vida.

É preciso também frisar que o ato da vasectomia em Sapucaia do Sul é realizado, segundo o secretário municipal da Saúde, Paulo Borges, por solicitação dos casais.

A prefeitura então realiza uma reunião com os casais, com marido e mulher assinando um termo de compromisso e responsabilidade.

É comovente que a maioria dos pedidos de vasectomia, que consiste em secção e cauterização dos canais que conduzem os espermatozóides, uma cirurgia com anestesia que dura apenas 10 minutos, parta das esposas. E os maridos consentem. A carga maior de responsabilidade sobre filhos indesejados que não vão ter sustento material devido se derruba sobre as mães.

Devem ir em frente os prefeitos gaúchos nesse projeto, que sejam também encorajados os médicos, não é mais possível assistir-se ao espetáculo arrasador da multiplicação irresponsável dos filhos de casais mergulhados na pobreza.

Ninguém pode e deve ser condenado a uma vida miserável, que acabará no cárcere ou no bordel, desde o seu nascimento.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Trensurb
Acidente tumultua entrada da Capital



Caminhão derramou mais de mil litros de solvente na rodovia, interrompendo o tráfego e paralisando o trensurb (foto Adriana Franciosi/ZH)


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Terça-feira, Fevereiro 22, 2005




Interrompendo as buscas

ASSISTINDO AO ÓTIMO CLOSER Perto demais, me veio à lembrança um poema chamado Salvação, de Nei Duclós, que tem um verso bonito que diz: Nenhuma pessoa é lugar de repouso.

Volta e meia este verso me persegue, e ele caiu como uma luva para a história que eu acompanhava dentro do cinema, em que quatro pessoas relacionam-se entre si e nunca se dão por satisfeitas, seguindo sempre em busca de algo que não sabem exatamente o que é.

Não há interação com outros personagens ou com as questões banais da vida. É uma egotrip que não permite avanço, que não encontra uma saída o que é irônico, pois o maior medo dos quatro é justamente a paralisia, precisam estar sempre em movimento. Eles certamente assinariam embaixo: nenhuma pessoa é lugar de repouso.

Apesar dos diálogos divertidos, é um filme triste. Seco. Uma mirada microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a nos oferecer: um amplo leque de opções sexuais e descompromisso total com a eternidade nada foi feito pra durar.

Quem não estiver feliz, é só fazer a mala e bater a porta. Relações mais honestas, mais práticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraíso, mas o fato é que saímos do cinema com um gosto amargo na boca.

Com o tempo, nos tornamos pessoas maduras, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos tantas ilusões. Sabemos que não iremos encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguirá corresponder 100% a todas as nossas expectativas sexuais, afetivas e intelectuais.

Os que não se conformam com isso adotam o rodízio e aproveitam a vida. Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, não? O problema é que ninguém é tão maduro a ponto de abrir mão do que lhe restou de inocência.

Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resquícios dos contos de fada. Mesmo a vida lá fora flertando descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo leve dois, pague um, também nos parece tentadora a idéia de contrariar o verso de Duclós e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas.

Não há nada de errado em curtir a mansidão de um relacionamento que já não é apaixonante, mas que oferece em troca a benção da intimidade e do silêncio compartilhado, sem ninguém mais precisar se preocupar em mentir ou dizer a verdade.

Quando se está há muitos anos com a mesma pessoa, há grande chance de ela conhecer bem você, já não é preciso ficar explicando a todo instante suas contradições, seus motivos, seus desejos. Economiza-se muito em palavras, os gestos falam por si. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso?

Longas relações conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira pátria do outro. Amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de emoções.

Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua.

Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso. Preguiça de voltar à ativa? Muitas vezes, é. Mas também, vá saber, pode ser amor.

martha.medeiros@oglobo.com.br

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Vem aí a alvorada dos severinos


Vamos botar a bola no chão: o Severino não é uma verruga maligna surgindo na cara da política nacional. As verrugas são outras. Há dois governos, tentamos impor ao Brasil uma modernidade que ele não aceita.

A era-FHC trouxe um pacote renovador com a crítica-prática às idéias da velha esquerda, com uma visão de processo e não de solução, e nos mostrou as vinculações da economia-política brasileira com o resto do mundo. Além disso, aceitou o paradoxo de se utilizar do fisiologismo do atraso, para extrair dele uma política modernizadora republicana.

Depois, Lula chega ao poder com seus militantes e pensa em radicalizar o trabalho anterior de FHC. O PT (mais que Lula) tenta esquerdizar a realidade brasileira, desconfiado da democracia burguesa, mas vivendo nela. FHC quis ser realista.

O PT (mais que Lula) quer ser ideológico. FHC criticou as ridículas utopias paralisantes. O PT (mais que Lula) quer realizar utopias num país de paralíticos.

A verdade é que estamos há dez anos tentando pespegar na vida política nacional uma modernização, seja ela petista-moralista-esquerdista ou social-democrata-uspiana-chic. E, nesses dez anos, esta modernização tem sido uma tênue casca sobre uma realidade política que sempre tenta expeli-la, como a rejeição de um implante.

Nesses dez anos, todas as armadilhas dispararam contra as reformas, submetendo os presidentes a torturas infamantes, como sofreu FHC com ACM, Sarney e com o próprio PT; exatamente como, agora, sofre o Lula com o fogo inimigo dos comunas e com a resistência fisiológica dos conservadores.

A Velha Guarda do atraso não agüenta mais continuar no banco dos reservas, aliados inferiores das tais vanguardas progressistas, e querem retomar o querido caminho da paralisia histórica.

Os projetos de FHC e Lula é que têm sido as anormalidades, as verrugas. Abortos foram os oito anos da tentativa tucana de imprimir Weber na política nacional e os dois anos de um sutil leninismo e de um secreto gramscianismo vulgar nas brechas da informação.

Os severinos sempre estiveram aí nas bocas, debaixo do tapete da nacionalidade, mas loucos para voltar à doce escrotidão de um mundo de toupeiras.

Graças a Deus que, assim como FHC aprendeu com o primeiro Lula que trouxe um espontâneo pragmatismo social-democrata para o ABC , inspirando o nascimento do PSDB Lula também aprendeu a prudência macroeconômica com FHC.

O Brasil só não afundou porque a sensatez do governo FHC teve a continuidade do núcleo central do governo Lula, feito de gente competente como Palocci e os ministros técnicos. Os dois se imitam na realpolitik. Só que FHC foi mais paciente e respeitou a força da sordidez nacional. Lula, assediado por eternos bolchevistas, respeitou menos.

Todos os bodes que perseguem Lula foram sempre oriundos dos delíquios babacas dos leninistas. Ignorantes e ambivalentes, nunca entenderam que uma política progressista no Brasil consiste em combater o aparelho patrimonialista-oligárquico-corrupto de 500 anos e não ficar fazendo bravatas sobre lutas de classes, que já foram perdidas desde as capitanias hereditárias. Essa gente não entende que ser de esquerda no Brasil é combater o Estado gastador, destroçar a burocracia , o clientelismo, a estrutura política arcaica do país.

Nada mais. Mas continuam disfarçados de democratas, usando todos os cacoetes da velha tradição comuna. Quando Zé Dirceu deixou o trambiqueiro Waldomiro negociar no Congresso, deve ter pensado: Ah... tudo bem... os fins justificam os meios... trambiqueiro é bom para negociar com trambiqueiro...

Deu no que deu. O exemplo de Dirceu é emblemático porque denota o procedimento geral do PT no poder e seu desprezo pelos severinos, que são a maioria. A aliança do PT com partidos burgueses sofre do autoritarismo dos que acham que podem mergulhar na sacanagem sem se sujar, por serem de outra cepa. Se antes eram virgens no bordel, agora se acham prostitutas puras.

Disse-o Dora Kramer com perfeição outro dia: O PT construiu estereótipos e, uma vez no governo, passou a agir como acreditava que agissem os poderosos: sem escrúpulos e sem limites, tomando como ponto de partida a premissa de que ao Poder todos se rendem, o Poder a todos corrompe, o Poder tudo pode. A superioridade pragmática de Lula não dá conta. Seus articuladores políticos desfazem suas costuras inteligentes, com arrogância, impondo ao baixo clero as leis de suas intenções.

Enquanto FHC tinha o saco de ouro de seduzi-los, o governo PT despreza-os nas salas de espera e tenta empurrar em suas goelas figuras indigeríveis com o perfil avançado do companheiro Greenhalgh, como o definiu Genoíno no doce jargão comuna. O mesmo Greenhalgh, trêmulo e ideológico, que defendeu os seqüestradores de Abílio Diniz com a atenuante de serem de esquerda.

Pode? Esses atos falhos definem bem o pensamento profundo e genoíno dos petistas no poder, tratando os aliados e severinos como se fossem babacas, logo eles, cobras criadas muito mais espertas que os utópicos otários. Deu no que deu. Os severinos saíram de debaixo do tapete verde da Câmara e iniciaram a revolução das toupeiras, para vingar os dez anos de humilhações.

E quem não é severino no Brasil? FHC não era, mas os tucanos que agora votaram nele o são. Lula não é um severino de esquerda, se bem que os há e muitos Babá, Virgílio, tantos... Costa e Silva era severino. Castello Branco parecia, mas não era.

Paes de Andrade é, Itamar é severino. JK não era, mas Dutra era, Jânio... tantos. Collor era um severino de Hermès. Sarney não é severino, mas é ribamar. Garotinho não é severino, mas é uma anomalia pior, é um pós-severino evangélico-populista-ambicioso. Severino é a restauração da estupidez nacional, o maior perigo para a reeleição de Lula.

Severino é o retorno do reprimido, nossa cara antes da plástica que a modernidade parecia ter feito. Severino traz de volta a caricatura nacional que estava oculta pelos ternos Armani dos tucanos e pelos rostos barbudos dos petistas.

Severino é a cara do Brasil.

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MISTÉRIOS DA ALMA
Luiz Alberto Py


Estabelecer prioridades é fundamental

E por mais que a vida possa parecer totalmente cheia, sempre haverá tempo para tomar duas xícaras de café com um amigo

Termino agora a história de David Williams, que comecei a contar há duas semanas, sobre o professor de filosofia que havia preenchido um vidro de maionese com limões, arroz, farinha e café.

Referindo-se à farinha ele disse para seus alunos que ela representava as coisas menores da vida: Se vocês encherem o vidro colocando primeiro a farinha, não vai haver lugar para os limões nem para os grãos de arroz.

A ordem em que são colocados é fundamental para que caiba tudo. E assim é com a vida. Se vocês gastarem seu tempo e sua energia com coisas menores, nunca terão espaço para o que importa.

Prestem atenção ao que é fundamental: brinquem com seus filhos, saiam para jantar com seu cônjuge. Não deixem de cuidar da saúde e fazer exames médicos.

Depois, cuidem de seu trabalho e de seus negócios. Sempre irá sobrar tempo para arrumar a casa e consertar as coisas quebradas. Mas os limões devem entrar primeiro e em seguida o arroz.

Estabeleçam suas prioridades e cuidem delas para serem felizes. Um dos alunos pergunta qual o significado do café. Eu estava esperando por esta pergunta, diz o professor.

Talvez esta seja a questão mais importante. Ele completou: Isto serve para mostrar a vocês que por mais que sua vida possa parecer totalmente cheia, sempre haverá tempo para tomar duas xícaras de café com um amigo.

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Paraíso ecológico abençoado


Um dos balneários mais famosos de Santa Catarina, a Praia do Santinho atrai famosos e os amantes de esportes náuticos
Élcio Braga

Florianópolis, Santa Catarina - Pedras no caminho podem ajudar. Em paredão rochoso preto, são encontradas várias inscrições rupestres. Um bloco isolado possuía figura que lembrava um santo. Até os anos 40, pescadores rezavam para o suposto santo antes de partir para o mar. A história é uma das primeiras coisas que hoje o turista aprende sobre a Praia do Santinho, um dos mais badalados balneários de Santa Catarina.

Ao caminhar na areia, você poderá encontrar gente famosa como Vera Fischer, Kadu Moliterno e Débora Duarte, diz Estela Gomes Pereira, 61 anos, gaúcha que há 20 anos descobriu o paraíso. Fundadora da Associação das Pousadas de Santa Catarina (Pousar), ela só lamenta o desaparecimento da pedra que deu nome ao lugar. Ninguém sabe onde está, conta.

Cinco mil anos depois dos primitivos caçadores e pescadores que deixaram as inscrições enigmáticas, a região, repleta de costões, virou atração turística, a 35 quilômetros do Centro de Florianópolis. A menos de 800 metros, outro point badaladíssimo, a Praia dos Ingleses. Pousadas, restaurantes e bares estão sendo abertos nos dois balneários. Não existe mais limite urbano entre os dois, exalta Maurélio Cesar Pereira, diretor executivo do Guia Floripa.

Balneário atrai artistas e jogadores de futebol

O lugar tem conquistado mais espaço na mídia graças a um grande empreendimento, o Costão do Santinho Resort e Spa, o maior do gênero no Sul do Brasil. Foi lá que o craque Romário, no fim do ano passado, deu a confusa declaração de que poderia parar de jogar futebol.

Mas Santinho atrai também jovens e principalmente apreciadores de esportes náuticos. O mar aberto se tornou um convite para surfistas. E o melhor: a praia ainda conserva muito da época dos primeiros habitantes. A prefeitura proíbe a construção de prédios na orla. Estão proibidos passeios de bugre nas dunas entre a praia e o costão.

Além dos encantos naturais, o viajante, inevitavelmente bronzeado, usufruirá da boa mesa. Um casal pagará em torno de R$ 50 por uma especialidade local: Seqüência de Camarão. São pelo menos oito pratos à base do saboroso crustáceo. Não há santo que resista.

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Gostosa maldição

Pares de Luma são os homens mais invejados do mundo, mas não há cristão que resista a tanto olho gordo
Zean Bravo

Clique aqui e veja fotos de Luma na quadra da Caprichosos de Pilares

Não é nada fácil ser Luma de Oliveira. Muito menos ser o homem ao lado de Luma de Oliveira. Exuberante e desejada ao extremo, a ex-modelo atrai tudo quanto é tipo de olhar principalmente os invejosos.

Seu novo e inseparável amigo, o delegado Fernando Moraes, diretor da Delegacia Anti-Seqüestro (DAS), experimenta agora os dois lados da moeda de estar no visado, mas cobiçado, posto. Se não tivesse aparecido ao lado da musa durante o Carnaval, dificilmente seria tão fotografado com uma camisa da diretoria da Beija-Flor e teria sua ligação com escolas de samba questionada por autoridades policiais.

Luma é meio mitológica, uma maldição para a pessoa que aparece ao seu lado. O cara tem que pensar dez vezes antes de assumir que está com ela porque também estará no foco, acredita o ator Nelson Freitas, falando com conhecimento de causa. Freqüentava a casa dela e do Eike (Batista, ex-marido de Luma). Ele teve peito para aguentar o rojão.

Com sua conduta discreta, o milionário foi casado com a ex-modelo por 13 anos. Mas depois da escandalosa separação, acabou sobrando até para ele. Batizada de Termoluma, a usina cearense de Eike pena agora com a Petrobras, que se nega a pagar os 50 milhões de dólares anuais firmados em contrato.

Rola inveja e olho gordo para cima de quem fica com Luma, aponta Wando, que diz ter feita a música Eu já Tirei a tua Roupa, para a madrinha de bateria da Caprichosos de Pilares. Mas foi em pensamento.

Wando explica melhor sua teoria. Luma está muito exposta na mídia, o que acaba provocando inveja e construindo calúnias, acrescenta o cantor.

Caluniosas ou não, as relações de Luma sempre terminam ou começam polêmicas. Foi assim com seu suposto envolvimento com o bombeiro José Albucacys, apontado como pivô de sua separação, e com o policial da Core Sigmar Almeida, que teria agredido um fotógrafo em sua tentativa de flagrá-lo com a modelo.

Existe uma patrulha sexual em cima da Luma, avalia o cineasta Neville DAlmeida, que tem planos de refilmar A Dama do Lotação com Luma no papel-título.

Amigo de Luma há anos, como ele mesmo diz, Wando absolve a ex-modelo de qualquer culpa. Ela sabe conviver com a exposição. No fim, sempre sai heroína.

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Lugão, malandro família

Goleiro comemora título com parentes e revela artimanha para defender pênaltis
Janir Júnior

A passagem pelo Flamengo em 2003 e a fama repentina por ter sido um dos heróis do Volta Redonda na conquista da Taça Guanabara não mudaram os hábitos, nem o jeito tranqüilo de Lugão. O retorno do Maracanã para a Cidade do Aço, a comemoração e os agradecimentos foram todos feitos em família.

Para o goleiro, que é fã de Taffarel e Júlio César, o apoio dos familiares serve de barreira para impedir gols contras em sua vida. O camisa 1 revelou ainda a malandragem para pegar pênaltis.

Voltei no ônibus com meus pais, minha noiva e os amigos. Ficamos juntos na comemoração pelas ruas de Volta Redonda até pouco depois da meia-noite e voltamos para casa. Foi o dia mais feliz da minha vida e tinha que dividir a emoção com as pessoas que amo. Sou um cara muito caseiro e tranqüilo, garante Lugão, oferecendo a conquista para o pai, Célio.

Ele fez tudo por mim e sempre me ajudou quando precisei. Por isso, dedico este título a ele, afirmou o goleiro, sem esquecer da mãe, Zuleika, do irmão, Luciano, da irmã, Patrícia, e da noiva, Maurien. Todos estiveram nas arquibancadas do Maracanã com faixas e bandeiras de apoio.

O fato de ter sido o goleiro menos vazado da Taça Guanabara apenas dois gols sofridos em sete jogos e a bela atuação na decisão deram início as especulações de uma possível transferência para um clube de maior expressão.

Lugão tem contrato com o Voltaço até o fim do Estadual e evita comentar o assunto. Minha cabeça, agora, está voltada para o Volta Redonda, clube que eu amo. Além disso, não existe mais clube grande ou pequeno. Provamos isso dentro de campo, afirmou o jogador.

Na hora dos pênaltis do Americano, Lugão usou de malandragem. Dei um passo para frente, afinal, todos fazem isso, afirmou o goleiro, que com esse artifício garantiu o título do Voltaço e a navegação em águas tranqüilas. A cidade virou um mar preto e amarelo, finaliza.

Festa vara a madrugada

A comemoração pelo título do Volta Redonda atravessou a madrugada de ontem na Cidade do Aço. A Vila Santa Cecília foi o epicentro dos festejos, reunindo milhares de torcedores, com muitas famílias completas, o que tumultuou o trânsito no bairro.

Às 6h, torcedores que viraram a noite aguardavam a abertura das padarias para tomar café da manhã ainda uniformizados de preto e amarelo. Durante todo o dia de ontem foi possível ver bandeiras penduradas em carros e janelas de prédios e pessoas com a camisa do time campeão da Taça Guanabara.

Elson: drama vira felicidade

Elson superou um drama para converter o último pênalti que deu o título ao Voltaço. Aos 36 anos, o jogador sofrera um afundamento na região craniana quando se chocou com um atleta do Joe Public, de Trinidad & Tobago, em janeiro. Ele ficou hospitalizado e pensou até mesmo em encerrar a carreira. Eu nem pensava em entrar mais na decisão. Quando o Dário me chamou fiquei muito feliz.

Sofri muito no último mês, mas quando fui cobrar o pênalti pensei que se Deus deixou eu estar ali é que tinha reservado algo de bom para mim. E foi o que aconteceu, destacou Elson, feliz com a boa fase do time: Nosso sucesso não é por acaso. Houve um planejamento para chegarmos até aqui.

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Liberato Vieira da Cunha
22/02/2005


A dama do colar

Eu era refém de um longuíssimo vôo, quando a jovem madame ao lado, até ali silente como uma esponja, disse a si mesma três frases que nunca esqueci:

- Que seria de mim se não fosse eu? A gente não é forte. A gente tem que ser forte.

E nada mais declarou nem lhe foi perguntado.

Evidentemente aquilo não era um convite ao diálogo. Há pessoas que falam todo o tempo; há as dotadas de particular talento para observações ora judiciosas, ora profundas ou divertidas, que desfrutarão sempre de minha cordial inveja; há as que conversam com Deus, com o rumor do mar, com vagas estrelas da Ursa Maior.

A senhora da poltrona à direita trocava idéias com os labirintos de sua alma. Nada autorizava a crer que fosse uma demente, uma excêntrica, uma terrorista prestes a detonar o avião. Vestia-se com uma elegância sóbria, não usava jeans - abstinência que só recomenda bem as mulheres - e tratava as aeromoças com a devida gentileza e consideração.

Nem olhou para mim, mas já que os escribas pertencem a uma confraria de xeretas de sua circunstância, notei que a ornava um colar dourado, simples, e, se me não trai a fantasia, do tipo exposto nas vitrines da Rue de la Paix.

Chegado enfim ao destino, e posto que teria a noite livre, me ofereci um excelente jantar, mais uma coleção de pensamentos, que terminaram refluindo para as três misteriosas sentenças da dama do colar.

Julguei de infinita sabedoria a primeira. Nos trancos e barrancos de que se constrói a vida, no geral não se dispensa um ombro ou um colo, sem renunciar contudo à individualidade. "Que seria de mim, se não fosse eu?" Eis aí todo um modo perceptivo de existir sem desconviver, embora privilegiando a autoconfiança.

Não me soou despropositada a segunda: "A gente não é forte". Como lhe negar razão? Não passamos de frágeis naus que sequer desconfiam quem são, de onde vieram, para onde vão.

Mas gostei mais da derradeira: "A gente tem que ser forte". Sou detentor de um grave, talvez incomparável acervo de dramas íntimos. A única branda reflexão que esses tropeços me legaram foi a de que nenhuma tragédia é insuperável, se você for dono de ocultas provisões de serenidade e de certos territórios de auto-estima.

Não para ostentá-los.

Bem mais simplesmente para reuni-los, contra viento y marea, no instante em que desabarem as tempestades. Pois as tormentas buscam esconder apenas, acima do som de sua fúria, límpidos firmamentos que, cedo ou tarde, alumiarão nossa residência na Terra.

liberato.vieira@zerohora.com.br

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Luís Augusto Fischer
22/02/2005


Lutzenberger de surpresa

Uma das minhas livrarias é a Livraria do Margs. Sempre que dá no jeito eu passo por ali (mas vou ao Centro menos do que gostaria). E não faz muito dei com o olho em um par de publicações gêmeas que me fez perguntar, mais como quem comenta do que como quem quer resposta: "Bá, então reeditaram o Lutzenberger?!".

As publicações têm nome em português e em alemão: uma é O Caixeiro-viajante - Der Musterreiter - no Rio Grande do Sul, e a outra é O Colono - Der Bauer - no Rio Grande do Sul.

Ocorre que não eram reedições. Me explicou a Márcia Dreizik que eram exemplares remanescentes da primeira e única vinda ao mundo com esta obra de José Lutzenberger (1882 - 1951), o pai do ecologista, pintor, aquarelista, desenhista, além de arquiteto e engenheiro, formado em sua Alemanha natal ainda, vindo ao Brasil nos anos 1920, quando trabalha, casa e entra também para o magistério.

(Esses dados, entre outros, estão no excelente Dicionário de Artes Plásticas no Rio Grande do Sul, de Renato Rosa e Décio Presser, da Editora da UFRGS, com segunda edição corrigida de 2000.) Esta primeira edição é de 1950, da Typographia Mercantil, de Porto Alegre. Trata-se de coleções de desenhos, em formato de cartão-postal, sobre os temas expressos nos títulos, com uma capa cinza escuro, sóbria a mais não poder.

Mas o que está ali dentro é que é. Mais de 20 cartões por coleção, cada um deles flagrando uma cena da vida ou do caixeiro-viajante, ou do colono. São como que ilustrações do cotidiano deles, mas visto pela generosa lente do otimismo, com gente sorridente e muita alegria.

O caso é que são duas profissões, ou mais que isso, dois mundos, que eu tenho na memória afetiva, porque meus avôs (com "o" fechado) tinham tudo a ver com isso. O pai da minha mãe foi Musterreiter, o vô Alfredo, isso muito antes de eu nascer (episódio da história universal que teve lugar no ano de 1958), e o pai do meu pai, Beno, foi alfaiate, mas também colono da terra.

Sei que se trata de informações de interesse estritamente pessoal ou familiar, mas eu quero dar uma certa transcendência a elas: quero dizer que todo um mundo acabava, nos anos 50, e que por aí encontro um vínculo entre mim, minha história pessoal ou familiar, e os retratos do imigrante José Lutzenberger, publicados no exato ano de 1950, um ano antes de ele falecer e oito antes de eu nascer.

Estivemos juntos, respirando ao mesmo tempo, no mesmo canto do planeta, naquela altura, quando a vida do caixeiro-viajante quase que só sobrevivia na memória; por sorte, havia um artista atento para isso; mas a cidade grande já era o centro definitivo e irreversível da vida, inclusive para os descendentes daqueles colonos, caixeiros, alfaiates. E só faltou dizer que ainda há alguns exemplares na Livraria do Margs.

fischer@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
22/02/2005


Meritocracia

A diretora da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre, professora Miriam da Costa Oliveira, diz que, em relação ao vestibular, há uma polêmica no Brasil, opondo os adeptos da meritocracia àqueles que valorizam a transformação social. Isto se refere ao sistema de cotas, já implantado em muitas universidades.

Sistema condenado pelos meritocratas, para os quais deve ser aprovado quem merece. Mas mérito não pode se referir só ao conhecimento ou à habilidade para responder numa prova. Em um país desigual como o nosso, o merecimento pode, e deve, ser uma compensação para uma história de sofrimento e de carência.

Dois grupos pagaram um preço particularmente alto pelo progresso brasileiro: negros e índios. Aliás, não só no Brasil; nos Estados Unidos também. Lá, o programa de Ação Afirmativa está resultando na formação de uma classe média negra, o que atenua as desigualdades e permite um reforço da auto-estima a pessoas tradicionalmente marginalizadas.

É claro que a introdução de cotas dá problemas. Um deles: como identificar quem tem ascendência negra? Uma piada de mau gosto diz que a polícia sabe como fazê-lo, mas, mesmo que isso fosse verdade, vestibular não é inspeção policial. As universidades pedem comprovação, mas como obtê-la?

Semana passada, uma aluna que queria se inscrever para o vestibular da Universidade Federal de São Paulo viu-se diante de uma situação aflitiva: faltavam duas horas para o encerramento das inscrições e a jovem tinha de conseguir alguma prova de ascendência negra (conseguiu um documento dizendo que sua avó era parda, o que, convenhamos, já é um termo abominável).

Mais fácil é a comprovação de renda. Esta pode ser a segunda etapa do processo de cotas. Afinal, não é a cor que causa sofrimento aos negros, é a pobreza; dos pobres do país, 64% são negros. Também o fato de o candidato ser de escola pública representa um indicador.

Nada disso, contudo, vai atenuar a polêmica, como se vê pelas cartas dos leitores ou na Internet (no Google há 69 mil referências a "cotas na universidade"). Falando na Internet, gostei de ver a resposta dada a participante de um debate que reclamava do sistema de cotas: "Cara Lili, infelizmente vc está um pouco desinformada sobre a realidade social do país. Não venha vc me dizer que, se em uma entrevista para ocupar um cargo na gerência de banco estiverem uma loira e uma negra com a mesma capacidade, a negra será a escolhida. Por mais que se queira esconder, nosso país é racista".

E arrematava o missivista: "Por favor, não escreva mais coisas como 'agora se eles quer mesmo' ou 'obivio' ou 'imcapazes' ou 'inadimitivel', porque, assim, vc não irá passar em vestibular algum, mesmo sem cotas para negros".

A Lili não pode ser defensora da meritocracia. Não deveria, pelo menos.

scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
22/02/2005


Veraneio mutilado

Entramos na última semana de veraneio e não pode ter havido um verão melhor do que este nem neste século nem nos últimos anos do século passado.

Foi um festival de sol jamais visto, apenas tisnado por alguns dias de vento forte, mas todos os que alugaram casas ou apartamentos, assim como os que são donos dos imóveis nas praias, estão saudando o melhor verão de todos os tempos.

Pena que a burrice humana tenha se consagrado ao permitir que muitas escolas reiniciem suas aulas bem antes que fevereiro termine, o que encurta estupidamente o veraneio e decreta uma brutal decadência na afluência de gente para o Litoral em fevereiro com relação a janeiro.

Com isso, perdem as pessoas e perde principalmente a atividade econômica em torno das estâncias de verão, o que transforma os negócios de bares, restaurantes, hotéis e toda a malha de estabelecimentos comerciais e de serviços congêneres numa arriscada e penosa aventura, em que o auge das vendas e aluguéis foi espremido para pouco mais de 30 dias de duração.

Consagrando uma gigantesca imbecilidade governamental que agride o metabolismo econômico da indústria do veraneio e castra violentamente os empregos nas cidades praianas, num tempo em que eles se tornariam tão necessários e fundamentais à imensa legião de desocupados que vai encontrar trabalho no Litoral.

Há muitos anos que me debato solitariamente contra esse atentado ao bom senso que transforma o verão, cuja potencialidade de mercado de trabalho, de turismo e comercial é de 120 dias, numa temporada esdruxulamente exígua de pouco mais de 50 dias.

Bastava que as escolas públicas e privadas se revezassem, mediante planejamento administrativo entre as três esferas, em conceder as férias dos alunos nos meses de dezembro, janeiro, fevereiro e março - e teríamos um amplo e inefável período de 120 dias de veraneio.

Um quarto sendo ocupado pelas multidões nas praias, tornando a vida das pessoas mais aprazível e feliz, além de fortalecer a economia dos municípios praianos e encorajar os comerciantes e os setores de serviços a cada vez mais proporcionar empregos a um povo condenado ao desemprego.

Que burrice monumental! Algo que depõe contra a inteligência brasileira e gaúcha: pode haver maior estupidez que obrigarem-se os alunos a comparecerem às aulas das escolas privadas em 21 de fevereiro, decretando a debandada das praias a partir dessa data, como já se tinha feito brutalmente em dezembro, justamente o mês que junto com março compõe os melhores 50 dias de usufruto da natureza em nosso litoral?

Há décadas que a população gaúcha ouve dizer que os melhores meses de veraneio são março e dezembro. Só ouve dizer, porque a ausência de planejamento governamental a impede de se dirigir para as praias nesses dois meses.

Quem comanda o veraneio são as aulas, a inépcia não concede férias aos alunos em dezembro e março, de modo revezado com janeiro e fevereiro, ficam lá atiradas ao abandono no Litoral as residências, o comércio e os serviços fechados, o desemprego grassando entre as pessoas desesperadas pela estreiteza da sazonalidade de seus empregos.

Eu não tenho dúvida nenhuma, ao ver repetido a cada ano, a cada década e até século esse estupendo desperdício, que a razão principal do subdesenvolvimento brasileiro é a esférica burrice dos setores dirigentes.

Não há progresso ou desenvolvimento que resista a tanta tacanhez.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Volta às aulas
Entre mochilas e saudade



Aulas recomeçaram na maior parte das escolas privadas, como o Colégio Champagnat, entre abraços de colegas e histórias das férias (foto Adriana FranciosiZH)


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Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005




Uma estranha nostalgia

Sessão nostalgia não faz mal a ninguém, não é mesmo? O tempo passa para todo mundo e recordar momentos bons revigora. Mas um certo movimento saudosista anda surgindo por aí. Um time de nostálgicos cultua um passado recente como se ele tivesse ocorrido e se perdido há muitas décadas.

Quem viveu intensamente os anos 80 sabe do que estou falando. Foi uma época de alguns significativos momentos políticos, da explosão do rock nacional, enfim. A tendência ainda não chegou a Mogi, mas em São Paulo, as festas Trash 80s "fervem" e atraem não somente pessoas acima de 30 anos, que viveram a época, como também jovens.

Os jovens dos anos 80 gastaram tênis em passeatas pelas Diretas-Já, usaram o gel new wave, assistiram "Roque Santeiro", "Top Gun", "Karate Kid", "He Man", "Top Gun", colecionaram as figurinhas "Amar É", tentaram ver o cometa Halley, enfim.

Além de curtir música eletrônica sem letra, a moçada de hoje gosta do som contestador de bandas de rock de duas décadas atrás, que voltaram - com a mesma cara e com as mesmas músicas. É o caso do Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, do culto à Renato Russo, à Cazuza. É uma explícita saudade precoce de uma era em que ainda estavam na infância.

De olho no retrovisor, os jovens correm atrás de festas que tocam Cyndi Lauper e Menudo, colecionam brinquedos, fazem sites e listas de discussão e engordam a audiência de programas de rádio que tocam "flashbacks". E tome emoção.

A impressão de que o tempo está mais veloz é compartilhada por todas as faixas etárias, mas para os filhos dos anos 80 ela parece ser mais intensa. Veio a popularização da internet e a globalização. A sensação de aceleração provocada por esses fenômenos torna o passado, mesmo o recente, obsoleto. Esse pode ser um dos motivos para o surgimento desse saudosismo precoce.

Adicione, também, o medo do futuro, natural em todas as épocas. Assim, o passado pode exercer um poder de atração maior. A relação com o tempo é tensa, tudo passa tão rápido, nos atropela e não conseguimos planejar o futuro. Por isso é tão fácil e prazeroso curtir uma sessão nostalgia. Na verdade, nossa jornada é delirante: com certeza, nosso dia teria de ter mais de 24 horas. Será?


Marta Vicentin

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Suzuki lança a motocicleta EN125 Yes

A EN125 Yes, a Suzuki de bixa cilindrada recém lançada no mercado nacional, está competindo e conquistando espaço no grande e importante segmento de motos populares. O interesse do motociclista e a satisfaçãoo dos proprietários têm revelado a ótima aceitação da EN 125 Yes no mercado.

Completa, robusta e detentora da qualidade, garantia da marca Suzuki, a EN125 Yes é uma opção de ótimo custo/benefício. Esta street foi criada para facilitar a vida e atender às expectativas e necessidade de um público consumidor amplo, motociclistas que utilizam o veículo para o lazer ou para o dia-a-dia, motociclistas iniciantes, motoboys e mototaxistas.

A EN125 Yes está equipada com motor monocilindro, quatro tempos, refrigerado a ar que é acionado por partida elétrica e desenvolve potência de 13 cv a 8.500 rpm e torque de 1,15 kgf.m a 7.000 rpm.

Seu sistema de freio é composto por disco dianteiro de acionamento hidráulico e tambor traseiro. As rodas de liga-leve oferecem resistência, beleza e conferem ao modelo um estilo esportivo. O tanque de combustível tem capacidade para 14 litros, o maiorda categoria 125cc.

Outro diferencial dessa Suzzui é o painel completo, com velocímetro, tacômetro, marcador de combustível, hodômetros total e parcial e indicador de marchas. E para garantir maior segurança a EN125 Yes possui trava de direção, um sistema antifurto acionado com a chave, na própria ignição. A EN125 Yes está disponível nas cores preta, azu e vermelha.

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De mulher pra mulher

Vendida com apelo para homens e lésbicas, Playboy de Bárbara Borges faz sucesso com público feminino, que aprova a forma da Jenifer de Senhora do Destino
Zean Bravo

Com cara de surpresa, a administradora Tatiana Oliveira, 28, deixa escapar um Êta ferro! ao abrir o pôster da atriz Bárbara Borges na Playboy. Ao lado dela, as amigas procuram defeitos. Não acham. Curiosas com o título Para meninos e meninas elas ficam atentas aos detalhes e folheiam as páginas com as fotos da Jenifer de Senhora do Destino.

Se a idéia era essa, a revista acertou. O público continua sendo o masculino, mas o apelo da personagem homossexual interpretada pela atriz na novela não foi esquecido. Sou muito segura do que gosto, mas ela ficou sensual, elogia a camelô Sandra Castro, 41 anos.

Na capa da revista, os homens são provocados com o título Para a lésbica que existe em você!. A estudante Carla Rodrigues, 19 anos, entra no clima da brincadeira. Vamos ver se a lésbica que existe dentro de mim se manifesta, disse, enquanto mostrava as fotos para a amiga Daiana Amorim, 18. Não está vulgar como a da Sheila Mello. Mas não curto mesmo. Melhor se fosse um homem famoso pelado, diz.

Ao folhear a revista, a vendedora Luciana de Paiva, 30 anos, deixa escapar a confissão. A gente fica procurando defeito, mas é puro despeito. Toda mulher tem vontade de fazer foto assim, mesmo que não seja para mostrar. Falta é coragem.

Ao lado dela, a vendedora Ana Pinheiro, 20, inicia o papo mulherzinha. É lindo esse top, elogia, dando a deixa para Luciana: Gostei dos acessórios. Olha o colar. Parte deste mesmo grupo de amigas, a arquiteta Renata de Freitas, 24, olhava as fotos, mas fez questão de frisar: Não somos lésbicas!.

Sem preconceitos, a estudante Michele Bastos, 16 anos, analisa tudo. O corpo é maneiro, mas ela tem peito pequeno. E não tem nenhuma celulite! Rolou uma correção no computador, desdenha. Ela está bem maquiada, gosto de corpo assim, natural. Não tenho problema em dizer que outra mulher bonita, completa a balconista Graziele Alves, 23.

A vendedora Luciene Santos, 32 anos, assume que olha as revistas do irmão. Mulher gosta de ver se a barriguinha das outras está em cima. Acho que essa revista vai vender bastante, aposta.

Já o administrador Sandro Cardoso, 30 anos, aproveita para esticar o olho enquanto sua namorada, a universitária Amanda Almeida, 23, analisa Bárbara. Vendo pela TV não dava nada por ela. Gostei.

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Correndo pro abraço

Volta Redonda entra para a história da Taça GB ao derrotar o Americano nos pênaltis
Marluci Martins

Se a decisão da Taça Guanabara fosse uma música, teria sido composta por Moraes Moreira e Abel Silva: Festa do Interior. Mas o autor da obra imortal de ontem foi o Volta Redonda, o simpático time amarelo e preto, que venceu o Americano por 3 a 2, na disputa de pênaltis, após um empate sem gols, no Maracanã. A histórica, inédita e emocionante conquista garantiu ao Voltaço uma vaga na final do Estadual e, ainda, na Copa do Brasil do ano que vem.

A falta de um time grande do outro lado não diminuiu o mérito da conquista do Volta Redonda. E pouco importou se o fanfarrão Túlio não estava num daqueles dias de predestinado. O Americano foi um bravo adversário, acertando uma vez a trave Flavinho, aos 10 minutos do primeiro tempo. E carimbando também o travessão Washington, a sete minutos do fim.

No primeiro tempo, o Americano teve quatro grandes chances de sair na frente, contra duas de um Volta Redonda que não conseguia acionar o seu ataque. Maciel e Gláuber foram os únicos do Voltaço a ameaçar a defesa do Americano, num dia em que o goleiro Erivélton brilhou.

Só não brilhou mais do que Lugão, o heróico goleiro do Volta Redonda, que entrou em campo com moral de jogador de time grande, pois só sofrera dois gols em toda a competição. Seu dia de graça estava por vir...

Lugão manteve a boa fama: não sofreu gol no primeiro tempo. Nem Erivélton, que tomaria, sim, um no segundo: a jogada do Voltaço nasceu no lado direito. e Gláuber tocou para a rede. Mas o bandeira enxergou um impedimento inexistente.

Melhor para Erivélton, e, também, para o presidente de honra do Americano, Eduardo Viana, que, àquela altura, assistia de algum lugar do Maracanã à ajuda providencial do trio de arbitragem a seu time.

Os dois treinadores melhoraram com as substituições a articulação das jogadas. O Voltaço subiu de produção mas levou dois sustos: aos 25, Butti, em posição de impedimento não flagrada pela péssima arbitragem, concluiu para fora, e, aos 38, Washington entrou na área e soltou aquele chute no travessão.

Era a última bola na trave permitida. Com o 0 a 0 no placar, a disputa de pênaltis apontaria o primeiro finalista do Campeonato Estadual. Lugão, do Volta Redonda, defendeu as cobranças de Adriano Sella e Lucas. Erivélton, do Americano, também fez bonito, impedindo os gols de Alemão e Schneider. O time de Campos ainda mandou uma bola no travessão, com Edinho.

Pelo Americano, Washington e Sena converteram as cobranças. Pelo Voltaço, Fábio e Maciel já tinham cumprido com a obrigação, quando chegou a vez de Elson... Gol, vitória e festa do Volta Redonda.

Ficha técnica
AMERICANO 0

Erivelton, Edinho, Ciro e Éder; Flavinho (Adriano Sella), Índio, Kim, Flávio Santos e Leandro Sena; Butti (Lucas) e Marco Antônio (Washington). Técnico: Rubens Filho.

VOLTA REDONDA 0

Lugão, Schneider, Ailson, Alemão e Maciel; Mário César, Jonílson (Elson), Haroldo (Adriano Felício) e Gláuber; Humberto e Túlio (Fábio). Técnico: Dário Lourenço.

DECISÃO POR PÊNALTIS: Volta Redonda venceu o Americano por 3 a 2. Fábio, Maciel e Élson converteram para o Volta Redonda, e Alemão e Schneider desperdiçaram suas cobranças. Pelo Americano, Washington e Leandro Sena acertaram, e Adriano Sella, Lucas e Edinho erraram.
LOCAL: Maracanã.
ÁRBITRO: Luis Antônio da Silva Santos (RJ).
CARTÕES AMARELOS: Edinho, Índio, Flávio Santos e Gláuber.
RENDA: R$ 266.276,00 (35.541 pagantes).

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Luis Fernando Verissimo
21/02/2005


Desconversa

Do baú. Quando duas pessoas que não se conhecem são obrigadas a passar algum tempo juntas (motorista de táxi e passageiro, viajantes sentados lado a lado em avião, ônibus ou trem, um atrás do outro numa fila que não anda etc.), em 77% dos casos elas conversam sobre o tempo.

- Quente, né?

- Este verão promete...

- Mas acho que vai chover.

- Tá com cara...

O tempo é um assunto seguro. De todas as coisas que as duas pessoas têm indiscutivelmente em comum (ambas são seres humanos, falam a mesma língua, estão ali com um destino ou um objetivo igual e são contemporâneas), o fato de estarem experimentando as mesmas condições climáticas é a mais indiscutível de todas.

- Ontem deu uma refrescadinha.

- É verdade. Pelo fim da tarde.

- Isso.

Nenhum desacordo é possível quando se começa conferindo o sentimento de cada um a respeito da temperatura vigente. Falar sobre futebol é arriscado. Política, nem pensar. E não ficaria bem comentarem sua humanidade comum, suas afinidades básicas como espécie.

- Não pude deixar de observar que a senhora é uma bípede mamífera de sangue quente, como eu.

- Que coincidência!

Melhor falar sobre o tempo. É o assunto mais à mão, e o único com cem por cento de garantia de interessar a todos e fazer parte de uma experiência universal.

Mas existe outro assunto comum a toda a espécie, talvez o assunto prioritário da espécie, que só não inaugura todas as conversas porque também é o seu principal terror. A morte. Falamos do tempo para não falarmos da nossa outra afinidade óbvia, a mortalidade. Ou, talvez, quando falamos do tempo, estejamos falando sobre a morte, em código.

- Quente, né? (Você sabe que nós vamos morrer, não sabe?)

- Nem me fale. (Sei. Todos sabem.)

- Fazer o quê? (O jeito é viver como se não soubéssemos. Seria impossível levar uma vida normal se não conseguíssemos conviver com nossa mortalidade, e acomodá-la, como uma hérnia inoperável.)

- Mas o tempo pode virar. (Acho que única saída para quem não aceita a própria morte é o suicídio.)

- O que é que diz a meteorologia? (Temos é que negociar com a morte o tempo todo, como se negocia um armistício. Reconhecendo a sua vitória e o seu domínio, mas exigindo tratamento digno, como é o direito de todo prisioneiro).

- Eles nunca acertam. (Não se pode racionalizar com a morte. Ela não tem nenhum acordo para oferecer, nenhuma saída, nenhum meio-termo. Não tem nem uma explicação para nos dar. A única maneira de tratar a morte é nos seus próprios termos: ignorá-la, e tentar viver como se ela não existisse.)

- Eu não agüento calor. (Ou matá-la com um tiro na nossa têmpora.)

- Eu também prefiro o frio. (É o nosso próprio corpo que nos mata. Matá-lo primeiro, francamente, me parece uma forma de colaboracionismo).

- A gente trabalha melhor, come melhor... (Mas negociar com a morte significa reduzir toda a nossa vida a um pedido de clemência, todo diálogo a uma troca de lamúrias. Não é só a vida que fica inviável, é a conversa. Pois tudo que não é com ou sobre a morte, é desconversa.)

Mas há quem diga que toda conversa, no fundo, é sobre sexo. Outro assunto universal.

- Quente, né? (Topas?)

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Paulo Sant'ana
21/02/2005


A eutanásia

Sempre fui intimamente favorável à eutanásia, a abreviação da vida, sem dor ou sofrimento, de pacientes incuráveis.

Sempre me pareceu animalesco manter vivas pessoas que estão tendo sofrimentos lancinantes, cujas mortes serão o desfecho natural daquele tratamento.

Sofrem dores terríveis e insuportáveis, no entanto têm suas vidas inutilmente prolongadas, seja por preceitos éticos, religiosos ou até mesmo porque a ninguém é autorizado impedir ou interromper tratamento médico, sob pena de incorrer em crime.

Há até os casos mais dramáticos de pacientes que, acometidos por dores ou ânsias insuportáveis, conhecedores de que sua morte é inevitável, dependendo apenas de uma questão de tempo, conseguem expressar por voz, por gestos ou por mensagens escritas que querem morrer e apelam aos circunstantes que apressem a sua morte, e no entanto por princípios de duvidoso humanitarismo são mantidos vivos, numa condenável crueldade formal.

Por que os policiais e os veterinários sacrificam animais cuja morte ou mutilação são certas, aliviando-os assim de prolongado e evitável sofrimento?

Exatamente porque os autores desse sacrifício têm consciência de que não serão punidos pela lei. A eutanásia em animais é um procedimento de enorme sentido compassivo, aceito por todos e não contestado por ninguém.

Como podemos então ter princípios de compaixão para com os animais, justificando a sua eutanásia, e não nos apiedamos das pessoas que estão na mesma e dolorosa encruzilhada, ameaçando os encarregados da custódia desses pacientes terminais com sanções penais no caso de que venham a decidir pela morte desses desesperados e sofridos condenados?

O princípio que rege a não-aprovação da eutanásia na lei brasileira é o de respeito à vida humana, exatamente o princípio que é violado ao não se autorizar a eutanásia: não há maior desrespeito à vida humana do que proporcionar-se a um indivíduo cuja morte é certa sofrimentos indizíveis e intermináveis num leito de hospital.

Parece-me claro que é um direito inalienável da pessoa humana não sofrer quando a morte é certa e esse sofrimento pode ser extinto com eutanásia.

E ainda me parece mais claro que é obrigação das pessoas que assistem um paciente terminal presumir que, em face de que ele não tem condições de expressar a sua vontade, que a morte pela eutanásia significa o alívio para as suas dores e ânsias cruciais, sendo dever de quem tem o comando do tratamento do paciente determinar o apressamento da extinção da vida.

Sempre acreditei que, excetuado o aspecto legal, se o paciente está impedido de expressar a sua vontade, uma decisão sobre a eutanásia caberia em última instância ao médico que está presidindo o tratamento.

Vejo agora na Folha de S. Paulo que 16 médicos paulistas estão declarando que a eutanásia é ato freqüente e muitas vezes pouco discutido nos hospitais paulistas. Eles afirmam que o procedimento é comum nos hospitais de lá - e por conseqüência de todo o Brasil - e é desfechado para abreviação do sofrimento dos doentes e de suas famílias.

Com franqueza inédita, mas que precisa ser meditada, afirmam também que a eutanásia é praticada por razões mais práticas, como a necessidade de vagas na UTI para alguém com mais chances de sobrevivência que esteja na fila e como pressão, na medicina privada, para a diminuição de custos.

Ou seja, aquilo que é para a lei decidir, no meu entender de modo adequado e sensato, embora isso possa vir a escandalizar muitos setores do pensamento brasileiro, está sendo destinado à decisão final dos médicos, que afinal, em última análise, se constituem nos atores do processo com mais legitimidade para decidir.

Só os médicos, lá no emaranhado dos centros de tratamentos intensivos, é que possuem autoridade para decidir sobre se determinado paciente deve continuar sendo alvo de sedações intermináveis - ou outros tratamentos procrastinatórios - ou é mais conveniente que cessem as torturas impostas aos pacientes terminais e conceda-se a eles a indulgência da morte.

Alguém tem de decidir e não se poderia submeter cada caso de paciente terminal à Justiça, aquilo é um assunto premente e dramático, há que ter um julgamento sumário e cercado apenas da sensibilidade profissional médica, que detém o exclusivo controle sensorial sobre o cenário do atendimento.

Nada que ocorra dentro do território de um país, segundo o entender constitucional, pode ficar imune à apreciação da Justiça. Perfeito. Mas a Justiça, nos raros casos em que é chamada a decidir sobre a eutanásia, certamente tem respeitado e há de respeitar a decisão médica sobre a questão.

Tentar salvar vidas, salvar vidas ou desistir de salvá-las obrigatoriamente são deveres e decisões exclusivamente médicas.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Litoral
Preguiça na areia



Veranistas tiveram um domingo de bom tempo e mar quente, como em Imbé, onde as bóias coloridas encantaram o pequeno Lucas Cimino (foto Paulo Franken/ZH)


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Domingo, Fevereiro 20, 2005




Super gatas

Mulheres maduras dão banho em novatas de Senhora do Destino
Marcelle Carvalho

Nada de rostinho jovem e corpo sarado. Quem está conquistando os homens em Senhora do Destino são as mulheres maduras Nazaré (Renata Sorrah), Do Carmo (Susana Vieira), Guilhermina (Marília Gabriela) e Shirley (Malu Valle).

E o interesse masculino ultrapassa as fronteiras da ficção. Renata Sorrah, 57 anos, já sente nas ruas os efeitos do estilo insaciável de sua personagem. Recebo várias cantadas, é um interesse geral. Nazaré mexe com a libido dos homens, afirma ela.

A auto-estima é o forte da personagem, que vive em frente ao espelho se devorando com os olhos. Ela se acha gostosa, maravilhosa mesmo. E não tem vergonha de se desejar também. Nazaré tem um tom a mais em tudo. Deixou de ser prostituta, mas continua com o fogo do sexo. Ela não o renega a segundo plano, diverte-se Renata.

Nordestina arretada, a Maria do Carmo de Susana Vieira também não fica atrás no quesito sensualidade.

Ela é disputada há anos por Dirceu (José Mayer) e Giovanni (José Wilker). Se há disponibilidade e desejo, existe vida afetiva. Do Carmo exemplifica bem isso. Mesmo com família constituída, tendo passado por vários problemas, ela se manteve alegre, sexy e jovem, diz Susana.

Sensualidade é coisa que a atriz, aos 62 anos, exibe com orgulho fez plástica, posou de biquíni e saiu de madrinha de bateria da Grande Rio com fantasia ousada. Para ela, a mulher não deixa de ser bonita ou de amar por causa da idade.

Além do mais, Do Carmo resolve os próprios problemas e muitas vezes também os dos outros e ganha seu dinheiro, não precisa ser sustentada. Ela é livre para fazer qualquer coisa, inclusive, amar, afirma a atriz.

Já Marília Gabriela, que na pele de Guilhermina abalou a estrutura de Dirceu, acredita que a ambigüidade da sua personagem seja o maior atrativo. Isso é sedutor. Guilhermina e Dirceu são um pouco parecidos.

E, claro, tem uma dose boa de tesão, diz Marília, 57 anos, casada com o ator Reynaldo Gianecchini, 24 anos mais novo. Aguinaldo Silva (autor) está gentilmente homenageando as que já viveram tudo, que aprenderam e sabem o que estão fazendo num sentido amplo, brinca.

Correndo por fora surge Malu Valle, 47 anos, que aos 45 minutos do segundo tempo viu sua Shirley fisgar o garotão Alberto (Thiago Fragoso). Acho que o sucesso dessas mulheres é a alegria de viver que elas têm.

Estão de bem com a auto-estima e isso transparece, analisa Malu, que foi casada por 16 anos, está separada há três e não descarta a possibilidade de namorar alguém mais novo. Nunca rolou, mas se acontecer vou achar lindo!, avisa.

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Tá todo mundo vendo... Oba!

Filme caseiro de sexo feito por patricinha americana atiça a imaginação e inspira brasileiros e brasileiras
Pedro Landim

Meia-luz, câmera, ação. É a deixa para o movimento ritmado dos casais voyeurs que seguem a cartilha da modelo Paris Hilton, a lourinha milionária que virou manchete com a divulgação do filme pornô que fez num quarto de hotel com o namorado.

O sucesso da trama, que chegou à TV a cabo batendo o recorde de vendas em pay-per-view erótico no Brasil, não é casual. Para certos amantes atuais, o negócio é uma câmera na mão e idéias assanhadas na cabeça.

Adoro fazer amor com gente olhando. Estamos apaixonados e começamos a nos filmar, diz a estudante gaúcha Linda, 20 anos, casada com o psicólogo carioca Pietro, 31, ambos utilizando pseudônimos. O marido completa: Vídeos amadores excitam porque mostram sexo real, feito por gente normal.

Pessoas como a gerente de vendas Elis, 28, que teve seu fotolog (álbum de fotos na internet) censurado por causa de fotos e vídeos de nudez e sexo. Sou safadinha, mostro tudo. Meu namorado é inibido, mas após um vinhozinho se solta. Divulgar imagens incentiva o pessoal a fazer mais gostoso, sair do feijão com arroz, diz. Sou baiana, adoro um dendê.

Criador do fotolog Sweet Kisses, famoso pelas fotos de meninas se beijando, enviadas aos montes pelas próprias, o carioca Henrique opina: Os casais têm necessidade de mostrar que são felizes e sentem tesão. É aí que mora o perigo: relações acabam e, atualmente, colocar fotos na internet é mais fácil que tirar a roupa.

É um risco, porque os relacionamentos vêm e vão. Só se a câmera e a fita fossem minhas, diz Helena Louro, a ex-BBB que sofreu com a divulgação na rede, em 2002, de uma cena de sexo que fez no filme A Hora Marcada. Há uma vontade animalesca de entrar na intimidade dos outros, acredita.

Os paranaenses que, na internet, se intitulam Casal Sedutor, também passaram por uma, digamos, calcinha justa quando descobriram suas fotos na rede. Espalharam tudo por e-mail, mas foi só um mal-estar, diz o marido. As pessoas curtem filmes caseiros esperando encontrar conhecidos, como a vizinha que não dá bola.

Pelo sim, pelo não, vale seguir a nova máxima do olhar eletrônico saliente: relaxe, você está sendo filmado.

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Para passar no concurso da PM

Organização decide aplicar prova mais fácil para aumentar número de aprovações
Valéria Maniero

Os 23.265 candidatos ao concurso da Polícia Militar do Rio (PM) terão uma boa surpresa quando se depararem com a prova objetiva, no dia 27. Ao contrário dos dois últimos exames, considerados difíceis e com baixo índice de aprovação, a avaliação, preparada pela Fundação Escola de Serviço Público (Fesp), será mais fácil.

O objetivo é não reprovar tantos candidatos logo na primeira fase, quando ainda faltarão cinco etapas pela frente. A organizadora quer evitar que se repitam, nessa seleção, os números do último concurso: dos 32.078 candidatos que fizeram o exame, só 1.393 foram aprovados.

Perguntas serão de fácil compreensão

Vamos diminuir o nível de dificuldade. Nas outras ocasiões, o número de aprovados foi pequeno. A maioria dos inscritos não tem condições de fazer cursos e vem de escola pública, explica Joaquim Vargas, diretor de Recrutamento e Seleção da Fesp e coordenador-geral do concurso. Segundo ele, a própria organizadora propos à Polícia Militar uma avaliação menos rigorosa.

Mas isso não significa que os temas apresentados no edital ficarão de lado. A mudança vai estar no enunciado das questões. Na hora de formular a pergunta, a banca pode dificultar ou não a compreensão.

Vamos apresentá-la de uma maneira que os candidatos entendam o que está sendo pedido. Não se trata de escolher apenas os assuntos mais fáceis, diz Vargas. Ele garante que o edital será respeitado, uma vez que o objetivo é aplicar um exame mais leve para os candidatos.

Prova terá questões de Português e Matemática

Para o diretor, um exame menos rigoroso não é sinal de que maus candidatos serão selecionados. Em uma avaliação escrita, não se pode conhecer o caráter do cidadão, mas, sim, sua capacidade intelectual, justifica.

A prova objetiva terá 40 questões 20 de Língua Portuguesa e 20 de Matemática , além de uma redação. De acordo com o edital, só serão corrigidos os textos dos candidatos que acertarem 50% em cada disciplina. No caso de igualdade de pontos na classificação, o desempate será definido pela maior nota na avaliação de Português.

Exame pede organização e pontualidade

A prova está marcada para as 9h, mas os candidatos devem chegar com uma hora de antecedência, levando carteira de identidade, cartão de inscrição e caneta azul ou preta. Depois de os portões serem fechados, ninguém terá permissão para entrar.

Os 23.265 inscritos vão fazer o exame em cinco locais: Maracanã (Estádio Mário Filho Rua Professor Eurico Rabelo s/nº, rampa da Uerj); Universidade Veiga de Almeida (Rua Ibituruna 108, Tijuca); Universidade Augusto Motta Unisuam (Avenida Paris 72, Bonsucesso, ou Av. Londres 100-B); Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos (Rua Engenheiro Trindade 229, Campo Grande); e Instituto de Educação Sara Kubitschek (Rua Manoel Caldeira de Alvarenga 1.203, Campo Grande). Quem foi alocado no Maracanã deve levar prancheta para apoiar a prova.

Os candidatos poderão entrar de bermudas, mas não de chinelos. Já os celulares, segundo a Fesp, não serão recolhidos, mas terão de ser desligados.

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Martha Medeiros
20/02/2005


Il dolce far niente

No meio de uma ansiedade vazia, me lembrei de uma expressão que escutava na infância, sempre pela boca do pai: Il dolce far niente. O doce nada fazer que os italianos transformaram em mantra

Aconteceu no verão passado, numa daquelas prainhas lá nos cafundós de Santa Catarina, nas quais as necessidades de consumo são satisfeitas por um boteco que vende pão, cigarro, tamancos de madeira e cordas de varal.

Meu marido e eu havíamos chegado do banho de mar - uma chuva que era a reprise dos melhores momentos do Dilúvio nos espantou da areia.

Àquela altura, já tínhamos lavado as cadeiras de praia, maiô e sunga, tomado banho e almoçado sanduíche de queijo com guaraná. Foi daí que meu marido deu de mão num livro e, só de cuecas samba-canção, esparramou-se na cama. Eu fiquei que nem uma pateta, parada na porta:

- Mas o que é que a gente tem que fazer agora?

- Ué - ele nem tirou os olhos do livro. - A gente não tem que fazer nada.

Daí que eu fiquei ainda mais pateta. Não tinha nada que estivesse esperando pela mão da gente? Nada que precisasse ser resolvido de forma pronta e imediata? Nada para comprar, arrumar, ajeitar, trocar, despachar, pagar?

Como assim, não fazer nada?

Na verdade, eu tinha coisas para dar conta: revisar alguns textos e tomar notas para uma história que estava escrevendo. Mas não era disso, de fazer coisas de trabalho, que se tratava.

O assunto era o nada-nada, o nada-mesmo. No meio de uma ansiedade vazia, me lembrei de uma expressão que escutava na infância, sempre pela boca do pai: il dolce far niente. O doce nada fazer que os italianos transformaram em mantra.

O suavíssimo ócio. O benévolo descanso. E eu, naquele momento metida numa camisolinha de algodão, me sentia nua, despida até a alma, desenxabida. Eu, que tive que lutar por tudo, eu, que para tudo, ou quase, consegui técnicas e ferramentas. E, eu, a rainha da cocada preta, não sabia como se lutava e quais eram as armas de não fazer nada.

Sentei na sacada do chalezinho para ver o mar sendo só mar e a chuva, só chuva. Naquela coisa de um pensamento puxar outro, concluí que a Bíblia tinha razão. Pois é, a Bíblia. Não existe aquela história de Moisés tirar os escravos israelitas do Egito e levá-los através do deserto para a terra prometida?

E a travessia essa, por que durou 40 anos ou o equivalente a uma geração bíblica? Porque, ora, os escravos sempre são escravos, só na travessia se consegue espantar a submissão.

Assim, eu era apenas uma hebréia que durante toda a vida havia sido obrigada a carregar pedras para as pirâmides e, de uma hora a outra, precisava estar à altura da terra prometida. A travessia era a luta para me acostumar com a própria travessia, sem direito sequer a bezerros de ouro. Tinha de me dedicar a um troço meu, algo que não seria um acontecimento para contar aos amigos.

O mar e a chuva eram um susto, me lembrando que tudo podia continuar sem mim, aliás muito bem, obrigado. A ficha caiu: eu estava era remoendo uma baita culpa, essa com que me acostumei cedo demais, sem ter aprendido a liberdade. Deitei ao lado do marido que cochilava. E cochilei de pura delícia.

Durante o ano inteiro, depois daquele dia, ralei o de praxe, desejando o far niente das férias seguintes. Daqui a pouco, saio para Santa Catarina, pronta para a alforria. Paguei o prazer por antecipação e nem aí se ficar devendo. A liberdade dá uma trabalheira danada. É preciso, no mínimo, atravessar um deserto. E, claro, saber levar com classe uma camisolinha de algodão.

* Cíntia Moscovich, interina

martha.medeiros@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
20/02/2005


O elogio da monogamia


Disse um aldeão de Uganda: o homem com só uma esposa é quase solteiro. "Ele precisa ter no mínimo duas; assim, se uma vai visitar a família, a outra fica cuidando do marido"

O motorista que nos levou a vários lugares de Moçambique era um homem pobre, que para chegar à sua humilde casa tinha de tomar duas conduções. Mas, ao lá chegar, duas esposas o esperavam.

Ele não era nenhuma exceção. Em Moçambique, como em muitas outras regiões da África, a poligamia é comum. Mais: é um sinal de poder.

A Bíblia conta que o rei Salomão tinha setecentas esposas e trezentas concubinas. Múltiplas paixões? Nada disso. Um grande harém era sinônimo de riqueza. Em Moçambique, a poligamia não chega a tais níveis; quatro esposas em geral representam o limite.

Esposas que o marido compra mediante o "lobola", a quantia que se paga por uma moça. As esposas são jovens, freqüentemente têm 13, 14 anos.

A submissão delas ao marido é total; espera-se que estejam sempre prontas para as lides domésticas - e para o sexo. Que está longe de ser seguro.

A poligamia pode ser fator de disseminação do HIV - muitos homens estão infectados. Mas a culpa é, não raro, jogada na mulher. Assim, quando o marido de Mary Idrisa, do Zambeze, faleceu, ela, apesar de ter cuidado do enfermo com dedicação, foi acusada pela família dele de tê-lo matado mediante feitiçaria.

A poligamia tem explicação. Em primeiro lugar, as raízes culturais que remontam a tempos muito antigos. Depois, Moçambique passou por uma sangrenta guerra civil que diminuiu o número de homens.

Muitos políticos vêem na poligamia um meio de combater a prostituição e, mais, de prover o homem com filhos que cuidem dele na velhice.

Ou seja: embora a poligamia possa ser associada a domínio, ela corresponde também ao desamparo masculino. Como disse um aldeão de Uganda: "Quando o homem tem uma só esposa é quase como se ele fosse solteiro. Ele precisa ter no mínimo duas; assim, se uma vai visitar a família, a outra fica cuidando do marido".

As coisas podem, no entanto, estar mudando. Uma lei aprovado pelo parlamento moçambicano em 2003 dá ao marido e à mulher iguais direitos na família. A idade mínima para casar foi elevada para 18 anos. Mas os matrimônios tradicionais, poligâmicos, ainda são reconhecidos.

Até aqui falamos em poligamia. Mas poliandria também existe em certas regiões da África: mulheres com vários maridos. Pergunta: será esse o sonho de uma mulher, ter a seu redor vários homens fazendo de tudo para agradá-la?

Será isso uma manifestação de poder, como é a poligamia? Alguém poderia dizer que, em nosso país, a pergunta é ociosa, mas não é verdade. Existem, sim, homens que têm mais de uma família; existem mulheres que têm vários homens.

Pode ser bom, mas deve ser complicado. Tomem o caso do rei Salomão, com suas centenas de esposas. Provavelmente, e a menos que elas usassem crachá, ele nem sabia o nome delas. E para conhecer mais detalhes sobre suas vidas, só com auxílio de computador.

Ou seja: há uma sabedoria na monogamia. O que se perde em superfície ganha-se em profundidade. É um mergulho no outro, é uma exploração da natureza humana. Claro que infidelidades são possíveis; corresponde no mínimo a um desejo de variar.

E, é claro, existem casamentos que fracassam. Mas, na maioria dos casos, são seguidos por outro casamento. No fundo, estamos sempre atrás de uma cara-metade ou de seu equivalente masculino. Agora, se são várias metades (mesmo caras, em todos os sentidos) dificilmente a conta vai fechar.

scliar@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
20/02/2005


Espekulações

No leito de morte, Kafka pede ao amigo Max Brod: "Prefiro o anonimato eterno à má reputação. Jure que vai queimar os livros que escreveu por mim"



- Queime tudo! Queime tudo!

A princípio Max Brod pensa que seu amigo Franz Kafka está delirando. Que está pedindo para Brod queimar a cama em que ele morre de tuberculose. Queimar o colchão, o quarto, o sanatório, tudo.

- Queimar o quê, Franz?

- Os livros que você escreveu!

Brod finge que ficou magoado.

- Meus livros não são tão ruins assim, Franz...

- Não. Os meus livros!

- Afinal: os seus ou os meus?

- Os meus. Os que você escreveu por mim.

- O que é isso, Franz?

- Queime-os todos!

- Mas eles ainda nem foram publicados!

- Exatamente. Não quero que sejam publicados. Não quero ser humilhado depois de morto. Não quero que descubram que era você que escrevia tudo por mim. Os livros, os contos, as cartas para Felice... Isso arruinaria a minha reputação.

- Em primeiro lugar, Franz, você ainda não tem uma reputação. Pouca gente conhece você. Em segundo lugar, ninguém ficará sabendo que fui eu que escrevi seus livros. Eu não contarei.

- As suas histórias ficarão famosas. E você não se agüentará. Dirá: "Elas são minhas. Fui eu que escrevi, não o Kafka. Não aquele escritorzinho menor, aquele funcionariozinho de nada, que eu ajudei porque éramos amigos e ele era um infeliz". Contará, sim.

- Eu nunca faria isso. E, mesmo, quem acreditaria em mim? Diriam: "Esse Brod sempre foi um escritor medíocre e agora aproveita que o Kafka está morto para reivindicar sua obra". Ririam de mim. Sua glória está assegurada, Franz.

- Não. Eu sei o que pode a vaidade, ainda mais de escritores. É por vaidade que estou pedindo para você queimar os livros que escreveu por mim, e poupar a minha posteridade da sua vaidade.

- Mas se eles forem queimados, você não terá posteridade alguma.

- Prefiro o anonimato eterno à má reputação. Jure que vai queimar os livros que escreveu por mim, depois que eu morrer.

- Juro que vou assegurar a sua boa reputação, Franz.

- Quero um juramento solene.

- Juro solenemente que você não será humilhado na posteridade.

Kafka sorri. Depois de alguns segundos, fica sério outra vez. Diz:

- Espera aí. Você está jurando que vai queimar os livros que escreveu por mim ou que vai publicá-los e atribuí-los a mim?

É a vez de Brod sorrir.

- Isso, meu caro Franz, você nunca saberá.

Outra especulação. Max Brod, no seu leito de morte em Tel Aviv, é visitado por um jornalista que quer saber que avaliação final ele faz da própria obra.

- É uma obra menor - diz Brod.

- As pessoas nunca deixam de compará-la com a obra do seu amigo, Franz Kafka.

- Exato. É uma obra menor comparada com a do Kafka.

- Mas a obra do Kafka só existe porque você não fez com ela o que ele lhe pediu, no seu leito de morte. Não a queimou.

- Exato.

- Você se arrepende de não ter queimado a obra do Kafka?

- Me arrependo.

- Por quê?

- Porque se a tivesse queimado, eu morreria mais feliz.

- Porque ela não existiria para ser comparada com a sua, e o valor da sua seria reconhecido?

- Não.

- Você não se arrepende de ser o único responsável pela existência da obra que ofuscou a sua? Que condenou você a ser apenas uma nota de pé de página na biografia de outro? De ter cometido uma espécie de suicídio literário?

- Não.

- Então por que morreria mais feliz se tivesse queimado a obra do Kafka?

- Porque eu não teria este remorso que me acompanha há mais de 40 anos. O de não ter realizado o último desejo de um amigo.

- Mas se o tivesse realizado, o mundo não conheceria Kafka.

- Não interessa. O fato é que eu não morreria me sentindo um amigo infiel.

- Mas por que isso é mais importante?

- Chame-o de vaidade.

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Paulo Sant'ana
20/02/2005


Pouca vergonha

O Brasil assiste estupefato ao presidente recém eleito da Câmara dos Deputados declarar insistentemente que vai aumentar os subsídios dos parlamentares porque assim prometera na campanha que o elegeu para o importante cargo.

É desanimador e revoltante que o principal ponto da plataforma eleitoral do presidente da Câmara seja a elevação dos seus próprios subsídios e dos de seus pares.

Numa tacada, o folclórico presidente da Mesa da Câmara

Federal pretende equiparar os subsídios de 600 parlamentares - o Senado entra obrigatoriamente na carona do trem da alegria - aos salários de meia dúzia de ministros do Supremo Tribunal Federal, o que importa em despesas milionárias para os cofres públicos, refletindo-se em seguida em aumento de subsídios em todas as Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores de todo o país.

De R$ 12 mil, os deputados serão aumentados para R$ 21 mil.

O exótico presidente da Câmara se dá ao desplante de não se revestir do natural recato das autoridades que têm o constrangedor dever legal de fixarem os seus próprios ganhos, é natural que se comportem com discrição e exemplaridade ao legislarem em causa própria.

Nada disso, o deputado Severino Cavalcanti alardeia ao país que vai promover uma farra salarial no Congresso, como se fossem só os subsídios o que os parlamentares recebessem, sabendo-se que outras verbas anexadas como indenização de despesas fazem parte também dos seus ganhos.

Num país em que o pessoal das Forças Armadas e da Receita Federal, só para exemplificar dois setores importantes do funcionalismo público que atualmente percebem vencimentos aviltantes, empobreceram vertiginosamente nos últimos anos, assim como todos os servidores públicos, que mergulham na pior crise salarial de sua história.

O segundo aumento volumoso nos subsídios dos parlamentares em apenas dois anos soa como uma blasfêmia, um insulto à consciência nacional, algo que mereceria de todos os setores da sociedade um levante contra esse deboche e essa desfaçatez.

Não bastasse esse ataque ao bom senso e à dignidade pátria, num acesso de comediante balofo, o presidente da Câmara lançou ao país a esdrúxula proposta de prorrogar o mandato do presidente Lula por dois anos, travestindo-se de dirigente todo-poderoso das instituições, tentando por uma manobra surrealista mexer com a alteridade e o equilíbrio dos mandatos e da vontade popular.

Não sei se foi percebido pela nação, mas a proposta de prorrogação do mandato do presidente da República partida assim de tão alta autoridade, que deve obter do próprio Lula uma repulsa natural, esconde um subterfúgio baixo e interesseiro do próprio presidente da Câmara.

A justificativa que o excêntrico deputado pernambucano dá para sua extravagante proposta é a da coincidência das eleições, que assim não seriam mais realizadas de dois em dois anos, mas para todos os níveis em uma mesma data, de quatro em quatro anos.

Ou seja, o que propõe descaradamente o senhor Severino Cavalcanti é a prorrogação dos mandatos de todos os deputados federais e estaduais, inclusive a do seu próprio mandato.

Isso é de deixar o país boquiaberto. E o pior de tudo: esse homem foi eleito presidente da Câmara com o aval da maioria esmagadora dos deputados federais, que silenciam desafortunadamente quando ele anuncia que promoverá um festança corporativista entre eles, denotando claramente que a eleição fácil de Severino tinha um só condão: a satisfação salarial dos votantes.

O que dói, o que punge e o que devora é que, por trás de Severino e da hemorragia de recursos e benesses que ele promete a seus pares, está o apoio incondicional de pelo menos a maioria dos deputados a esse ataque aos cofres públicos.

Ou seja, Severino não é um autômato, é uma marionete.

E uma Câmara assim disposta a saquear o Erário em benefício de seus integrantes trai os seus eleitores e merecerá um impeachment coletivo se não puser um paradeiro nesse desatino.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Litoral
A nova onda da praia



Com cores e estampas variadas, as sandálias baixas viraram moda no Litoral, usadas não apenas na praia, mas também nas baladas (foto Paulo Franken/ZH)

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Litoral
A nova onda da praia



Com cores e estampas variadas, as sandálias baixas viraram moda no Litoral, usadas não apenas na praia, mas também nas baladas (foto Paulo Franken/ZH)


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