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Espero que retornes
sempre a este espaço feito para você.
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Uma Alegria Para Sempre (Quintana)
"As coisas que não conseguem ser
olvidadas continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre onde as
datas não datam.
Só no mundo do nunca
existem lápides...
Que importa se –
depois de tudo – Você se foi
como sempre me dizia
e escrevias que havia feito já com outros.
Não importa amor, se você descasou
mudou, sumiu, esqueceu,
enganou, ou que quer que haja
feito, em suma?
Tive uma parte de sua vida
que foi só minha e, esta, você
jamais poderá passar de mim para ninguém.
Há bens inalienáveis,
há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte da tua vida presente
e não do passado.
E abrem-se no meu
sorriso mesmo quando, deslembrada deles,
estiver sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto
devo à você, que mesmo sem querer
quem sabe fostes uma ingrata criatura...
"A thing of beauty is a joy for ever
disse, há cento e muitos anos, um poeta
inglês que não conseguiu morrer".
Se tiveres curiosidade a respeito:
Amo-a muito ainda.
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E
N T R E L A C O S
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Sábado, Novembro 07, 2009
Posted
9:28 PM by Cassiano Leonel Drum
Publicidade - da Folha Online
Susan Boyle canta versão de música dos Stones em álbum de estreia
Capa do disco de Susan Boyle é divulgada
A cantora escocesa Susan Boyle, que virou fenômeno mundial após sua aparição do programa de calouros britânico "Britain's Got Talent", divulgou a relação de músicas que farão parte de seu primeiro disco.
De acordo com o site especializado em entretenimento "Pop Crunch", o álbum chegará às lojas dos Estados Unidos no dia 24 de novembro.
A cantora Susan Boyle, que prepara lançamento de seu primeiro álbum, que é sucesso comercial mesmo antes de ser lançado
Fazem parte do disco 11 regravações, entre elas a música "Wild Horses", do Rolling Stones, e "I Dream a Dream", do musical "Les Miseràbles", canção que lançou Boyle ao estrelato.
Há também uma música nova, chamada "Who I Was Born To Be."
"Era minha maior ambição lançar um álbum, e eu acho que finalmente consegui", diz Susan.
"Essa incrível jornada me ajudou a descobrir minha própria identidade e satisfazer meu desejo. Há felicidade esperando para qualquer um que ouse sonhar", acrescentou a cantora.
Veja a relação de músicas do disco
"Wild Horses" - (Mick Jagger & Keith Richards)
"I Dreamed A Dream" - (Alain Boublil)
"Cry Me A River" - (Arthur Hamilton)
"How Great Thou Art" - (Hino cristão baseado em poema do sueco Carl Boberg)
"You'll See" - (Madonna e David Foster )
"Daydream Believer" - (John Stewart)
"Up To The Mountain" - (Patty Griffin)
"Amazing Grace" - (Hino cristão do inglês John Newton)
"Who I Was Born To Be" - (escrita para Susan)
"Proud" - (Heather Small e Peter-John Vettese)
"The End of The World" (Skeeter Davis)
"Silent Night (Josef Mohr)
Foi divulgada nesta semana a capa do primeiro disco da cantora escocesa Susan Boyle, que se tornou fenômeno mundial após participar do programa de calouros "Britain's Got Talent".
O disco, intitulado "I Dreamed A Dream", será lançado no dia 24 de novembro e traz 11 regravações, entre elas a música "Wild Horses", do Rolling Stones, e "I Dream a Dream", do musical "Les Miseràbles", canção que lançou Boyle ao estrelato e agora dá título ao seu álbum de estreia.
Reprodução
Capa de "I Dreamed a Dream", disco de estreia de Susan Boyle que será lançado em novembro
Há também uma música nova, chamada "Who I Was Born To Be."
A capa do disco traz uma foto em preto e branco do rosto de Boyle, com um visual melhorado se comparado ao que exibia quando se tornou famosa.
Antes mesmo de chegar às lojas, o disco entrou para a lista dos mais vendidos pelo site Amazon.com, que o disponibiliza para pré-venda.
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7:48 PM by Cassiano Leonel Drum
08 de novembro de 2009 | N° 16149
MARTHA MEDEIROS
O calor e o frio dos outros
MAntenho correspondência por e-mail com algumas pessoas que moram fora de Porto Alegre e fora do Brasil. Não há um único e-mail, de ida ou volta, em que não se fale rapidamente do tempo. Aqui está um calor dos infernos. Pois aqui choveu o dia inteiro e refrescou.
Uma conversa mundana que eu achava típico de pessoas mundanas como eu, mas quando li o livro que traz as cartas que Clarice Lispector trocava com alguns de seus amigos, reparei que 90% delas também continham observações meteorológicas. Por mais filosófico ou intelectual que fosse o teor da carta, sempre havia um momento para falar do sol ou do nublado lá fora.
Fico pensando o que significa isso. Que me importa se em Paris está chovendo ou se no Rio faz 42ºC à sombra, já que não estou de passagem marcada para lá? O que importa para meus amigos forasteiros se em Porto Alegre choveu muito em 2001? Todos os dias chove ou faz sol, está frio ou quente, úmido ou seco, e a cada manhã isso nos parece um fenômeno sobrenatural e espantoso.
Creio que compartilhar as condições climáticas do lugar em que se está é um recurso de aproximação. É uma maneira de nos situar geograficamente, de preparar um cenário “visível” para quem não está nos enxergando. Lá no hemisfério norte a pessoa está encarangada, congelada, e no entanto pode nos imaginar bronzeada e suando, vestindo uma leve blusinha de alças.
E talvez seja também uma maneira de justificar nosso humor: temos nossas próprias variações de temperatura, somos pessoas nubladas ou ensolaradas, gélidas ou quentes.
A meteorologia nos influencia tanto quanto a posição dos astros, e se não estamos muito pra conversa, vai ver é porque tem uma ventania lá fora que está perturbando por dentro também.
Não sei se você está lendo este texto na beira da praia ou embrulhado num cobertor. Não sei onde você está. Não sei se há um temporal se armando ou se está um daqueles dias cinzas que provocam melancolia na gente. Se eu soubesse, talvez soubesse um pouco de você. É um mistério que a natureza não explica: nossa necessidade de localizar o outro climaticamente.
Relutamos em perguntar: você está deprimido hoje? Chorando muito? Com vontade de cometer uma loucura? Com saudades de alguém? Em vez disso, é tão mais fácil: como é que está o tempo aí?
Aqui, agora, chove, mas acho que vai abrir.
Isa: Fique a vontade para deixar comentários aqui e fico feliz que seja doravante uma leitora assídua. Ele é feito para pessoas como você. Obrigado e um lindo domingo para todos nós.
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7:43 PM by Cassiano Leonel Drum
08 de novembro de 2009 | N° 16149
VERISSIMO
Do outro lado da parede
– Bé! Bé!
Era o som que ouviam do apartamento ao lado. Na maior parte do tempo não ouviam nada. Os vizinhos, um casal de meia-idade, eram silenciosos. Não faziam qualquer ruído. A não ser aquele que atravessava a parede três ou quatro vezes por dia, todos os dias.
– Bé! Bé! Às vezes, mais intrigante ainda:
– Béééééé! Béééééé!
O que seria aquilo? Os vizinhos não podiam estar criando cordeiros no apartamento. E era uma voz humana.
Uma voz feminina. – Bé! Bé!
Ou, com ainda mais volume, com raiva:
– Bééééé! Bééééé!
O que seria aquilo, meu Deus?
Descartaram a hipótese de ser algum jogo erótico do casal.
Ele: – Faz ovelhinha, faz.
E a mulher: – Bé! Bé!
– Mmmm. Faz de novo.
– Bééééé! Béééééé!
– Agora começa a tirar as meias...
Não. O casal não tinha mais idade para isso. E o som não era carinhoso, não era dengoso, não tinha nada a ver com amor. Era estridente, impaciente...
– Bé! Bé!
Um dia, não se aguentaram e convidaram o casal do lado para uma visita. Nada formal, um cafezinho. Para se conhecerem melhor. Afinal, tinham se mudado para o prédio havia algumas semanas, logo depois do casamento, já era tempo etc., etc. Não planejavam perguntar, de cara: “Vem cá, que história é essa do “Bé! Bé!”? Mas talvez, no decorrer da conversa, os vizinhos revelassem alguma coisa.
Dessem uma pista. E o mistério do “Bé! Bé!” finalmente se esclarecesse.
Na hora marcada, os vizinhos apareceram. Os dois casais já tinham se cruzado no corredor e no elevador mas ainda não tinham se apresentado. Os vizinhos pareciam ter a mesma idade: 65, 66, por aí.
Ele mais bem conservado do que ela. Foi ele quem fez as apresentações:
– Eu me chamo Onófrio, e minha esposa se chama Elizabeth.
Disse o nome dela com pronúncia inglesa. “Beth” com o som de “besta” e o “th” no fim, a língua entre os dentes. Ela revirou os olhos e corrigiu:
– Elizabéti! – Elizabeth – repetiu ele, sem alterar a voz, sorrindo e enfatizando a pronúncia inglesa.
– Béti, Onófrio. Béti! – Beth.
– BÉ! BÉ!
Durante a visita, só ele falou. Contou que estavam casados há 40 anos. Ela suspirou. Contou que não tinham tido filhos, mas que eram muito felizes. Ela olhou para o alto, como que suplicando a Deus que viesse buscá-la, ou pelo menos fulminasse o marido com um raio.
No fim, ele anunciou o fim da visita, agradeceu a hospitalidade e o cafezinho, e disse:
– Vamos indo, Elizabeth? – Bééééé! Bééééé!
– Imagina como é a vida deles.
– Um inferno. Há 40 anos. Ele chamando ela de um jeito e ela corrigindo.
– Eu não agüentava. Eu já teria fugido de casa. Ou atirado uma frigideira na cabeça dele.
– Mas ela, também... Francamente.
Por que não aceita a pronúncia dele e deixa pra lá?
– Mas ele só faz para implicar.
– Pois então? Mais razão para não dar bola e... Escuta.
A vizinha estava gritando, do outro lado da parede:
– Bé! Bé!
– Será que nós um dia vamos ser assim?
– Não sei. – Promete que nós nunca vamos ser assim.
– Olha...– Promete! E do outro lado da parede:
– Bééééé! Béééééé! Um dia, não se aguentaram e convidaram o casal de vizinhos
para uma visita...
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7:39 PM by Cassiano Leonel Drum
08 de novembro de 2009 | N° 16149
MOACYR SCLIAR
A irmandade da leitura
Numa época, era costume, entre alguns grupos de jovens, andar com um livro sob o braço. Era o que se chamava ironicamente de cultura de sovaco, e tinha uma dupla finalidade: ter sempre algo disponível para ler na fila do banco, ou na parada do ônibus, ou na lanchonete. Servia também para identificar o portador do livro como membro de uma irmandade: a irmandade da leitura, formada por aquelas pessoas que veem no texto uma privilegiada porta de acesso ao mundo em que vivemos.
E que são ajudadas por esta peculiaridade da anatomia humana, que é a conformação da axila. O sovaco não é bem algo do qual possamos nos orgulhar; jamais alguém dirá de um homem algo como: Que belo sovaco ele tem!. Ao contrário, a axila é a principal fonte do CC, o Cheiro de Corpo, que faz a alegria da poderosa indústria do desodorante.
Mas, humilde como é, o sovaco revelou-se, para a literatura, um abrigo ideal. A tarefa de levar o livro fica consideravelmente simplificada, porque as mãos ficam livres. Além disso, o sovaco fica perto da intimidade do corpo, do coração que bate mais forte com as emoções da leitura, dos pulmões, que nos lembram a inspiração, literária, inclusive.
As pessoas que fazem parte da irmandade da leitura reúnem alguns característicos especiais. Em primeiro lugar, têm uma necessidade quase orgânica, quase visceral do texto; seu olhar só encontra tranquilidade e alegria quando pousa na página impressa, em geral de um livro, mas pode ser também um jornal, uma revista, uma bula de remédio – qualquer coisa para ler.
Essas pessoas também têm uma atração irresistível por livrarias. Podem estar atrasadas, a caminho de um compromisso urgente, mas se passarem por uma livraria entrarão, e muito provavelmente sairão de lá com um livro (talvez no sovaco).
E por último, mas não menos importante, essas pessoas ficam felicíssimas quando alguém, numa roda de conversa, pergunta: “Vocês já leram o último livro do...” Não importa o autor, ou a autora, não importa o título do livro; o que importa é que alguém vai falar em literatura, identificando-se, portanto, como membro da irmandade da leitura.
Muitas vezes a irmandade se institucionaliza sob a forma, por exemplo, de oficinas de leitura ou de grupos de leitura, atualmente muito comuns. Isto não tem impedido que algumas pessoas mostrem-se apreensivas em relação ao futuro do livro. Por causa das novas técnicas eletrônicas que, dizem, vão mudar o objeto chamado livro.
A mim, particularmente, isso não preocupa. Há uns meses vi, no aeroporto de Chicago, um rapaz com o Kindle, aquele dispositivo eletrônico que permite baixar textos à distância. Ele carregava-o sob o braço. Nas axilas dos verdadeiros leitores há lugar para todas as aventuras do intelecto humano.
Cada vez que se elege um novo patrono da Feira do Livro – e neste ano a glória coube a este grande escritor e grande ser humano que é o Carlos Urbim –, eu fico com inveja do Hugo Chávez. Por uma razão simples: como outros, já fui patrono de nossa Feira.
Mas, naquela época, ser patrono era fazer um discurso na inauguração da Feira e pronto. Hoje, não. Hoje o patrono é um verdadeiro monarca. Contudo, a Feira não permite reeleição, e é isso que dá inveja do Chávez, o inventor da eleição indefinidamente repetida. Que tal o modelo Chávez para a Feira?
Registro e agradeço as mensagens de Francisco Neto de Assis, Rodrigo Rose, Perseu J. da Silva Machado, Peter W. Rosenfeld, Waldomiro Minella, Clara Bernardete B. da Silva, Asa Heuser, Marylise Bender, Gilda Haubert. Gente culta e sensível está aí!
Nas axilas dos verdadeiros leitores há lugar para todas as aventuras do intelecto humano
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7:36 PM by Cassiano Leonel Drum
08 de novembro de 2009 | N° 16149
PAULO SANT’ANA
Lula e Obama
Ali onde medra a competência, pois justamente ali viceja por conseguinte a incompetência. Nascida justamente da arrogância e autossuficiência da competência.
Meus ouvidos já surdos pelas cirurgias têm conseguido ainda captar nas ondas sonoras impropriedades de causar revolta.
Quem cala consente, quem não cala dissente.
Quem cala não quer entrar na briga. Quem não cala arrisca a sua pele mas atende a um dever de consciência.
Olho-me no espelho periodicamente e me orgulho de não ter calado na maioria das vezes.
E me envergonho enrubescido das vezes em que por covardia calei.
Firme-se em pé o leitor ou a leitora, cuidado para não tombar, cheio de cuidados abordo a notícia: Lula prometeu que vai telefonar para Barack Obama, aconselhando-o a implantar o Sistema Único de Saúde (SUS) nos EUA.
Pergunta óbvia minha: os norte-americanos tolerarão entrar numa fila que demora seis anos para se submeterem a uma cirurgia de urgência?
Os norte-americanos tolerarão as longas e angustiantes filas das emergências?
Os hospitais norte-americanos suportarão as baixas e ridículas compensações para seus serviços da tabela massacrante do SUS?
Os médicos norte-americanos aceitarão pouco mais de R$ 20 por cada cirurgia que intentarem?
Os norte-americanos, ao contrário dos brasileiros, entenderão que é melhor ser atendido pelo SUS do que pelo convênio?
Quem me leu acima pode ter pensado que sou rigoroso demais com o SUS. E sou, porque na maioria das vezes desconheço os relevantes serviços prestados pelo SUS à sociedade brasileira.
Ainda mais significativos são os serviços prestados pelo SUS porque sobre ele foram derrubados milhões e milhões de pessoas que têm direito a atendimento de saúde sem terem jamais recolhido um tostão à previdência. Ou seja, coube ao SUS suportar a imensa carga dos que não são segurados e que, pela pobreza, pela miserabilidade, pela orfandade social, tinham de ter atendimento em algum lugar: no SUS.
Isso, no entanto, não me impede de considerar que, se Lula aconselha Obama a adotar o SUS, é absolutamente certo que o presidente brasileiro não conhece a face escura do SUS, parece que só leva em conta as virtudes do SUS.
Mesmo assim, não me espanta que Lula dê assim atenção aos problemas dos outros países, mete-se nos assuntos internos de Honduras e agora, supremo atrevimento, quer ajudar a resolver o grande problema da saúde norte-americana.
Lula é um universalista.
Eu só queria que ele desse mais atenção ao drama dos aposentados brasileiros que percebem mais de um salário mínimo, ganhando consciência de que seus ganhos estão minguando até a miserabilização pela ausência de reajustes minimamente dignos.
Quem sabe, o Obama telefona para o Lula e oferece a ele para que adote no Brasil o sistema de aposentadorias norte-americano?
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9:24 AM by Cassiano Leonel Drum
Buffett e seu novo brinquedo
No maior negócio de sua carreira, o megainvestidor compra a principal ferrovia dos Estados Unidos – uma aposta no futuro dos trens e da economia americana
Luís Guilherme Barrucho - Ilustração Rob
Tal como seus antepassados, que recorreram às ferrovias para desbravar o Oeste dos Estados Unidos no século XIX, Warren Buffett decidiu investir seu futuro nos trens. Apostou alto. Na semana passada, o empresário de 79 anos realizou o maior negócio de sua carreira ao comprar a totalidade das ações da principal ferrovia do país, a Burlington Northern Santa Fe, por 26,3 bilhões de dólares.
Dono de um repertório de frases cáusticas, Buffett afirmou logo após o anúncio da aquisição: "Isso só está acontecendo porque meu pai não quis me comprar um trenzinho quando eu era criança".
Longe de ser motivada por uma frustração infantil, a investida de Buffett deverá render polpudos lucros a seus acionistas. Em primeiro lugar, porque a recuperação da economia americana elevará a demanda por transportes de carga. Além disso, o encarecimento do petróleo e a busca por alternativas menos poluentes tornarão o frete ferroviá-rio ainda mais vantajoso em relação ao rodoviário.
"Coloquei todas as minhas fichas no futuro da economia americana", disse Buffett ao fechar a transação. É um voto de confiança de um dos mais visionários investidores do mundo não apenas em seu país, mas também na retomada de um setor que havia perdido importância desde a popularização dos veículos e aviões.
As ferrovias perderam gradativamente espaço. Atualmente, enquanto os caminhões carregam 68% das mercadorias que circulam nos Estados Unidos, os trens restringem-se a 15%. No Brasil, que optou pelo modelo americano de estímulo à indústria automobilística na década de 50, os trilhos também foram desprezados. Desde aquele período, a extensão da malha diminuiu 30%.
Agora os Estados Unidos – e também o Brasil, onde os investimentos decuplicaram depois das privatizações feitas na década passada – voltam a se render aos trens. Contribui para essa redescoberta o fato de que as locomotivas ganharam tecnologia e velocidade, além de ser o meio mais barato de transportar grandes quantidades de mercadorias dentro do território de um país.
Segundo a Association of American Railroads, com um galão de combustível (3,8 litros) um trem movimenta 1 tonelada de carga por 740 quilômetros. Em caminhões, essa distância cai para 180 quilômetros. "As ferrovias tornaram-se mais atrativas ao oferecer um bom retorno financeiro aliado à preocupação ambiental", afirma Rodrigo Vilaça, diretor executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários.
O investimento também cabe na estratégia de Buffett, que prefere alocar seus recursos em atividades tradicionais – ele nunca aplicou em companhias de internet, por exemplo – e que sejam bem administradas.
Diz Paulo Fernando Fleury, da UFRJ: "A Burlington Northern mudou a forma de gerenciar ferrovias nos Estados Unidos. Ela incorporou a lógica do mercado ao aprimorar a qualidade do serviço e a eficiência de custos". Isto é, o tipo de brinquedo que hoje faz a alegria de Buffett.
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9:17 AM by Cassiano Leonel Drum
Drummond antes Drummond
Um original redescoberto de Carlos Drummond de Andrade, com 25 poemas escritos nos anos 1920 e comentários de seu próprio punho, apresenta um poeta convencional, quase desprovido de humor – mas com fagulhas da inovação que marca sua obra posterior
Marcelo Bortoloti - Reprodução/Strana - CANÇÕES DA INEXPERIÊNCIA
O jovem Carlos Drummond de Andrade: poema sobre um elevador e versos sem "sinceridade sexual"
Carlos Drummond de Andrade tinha 28 anos quando conseguiu publicar seu primeiro livro, Alguma Poesia, em 1930. Foi uma edição modesta, com 500 exemplares, paga pelo próprio autor. Essa obra, que tinha poemas como No Meio do Caminho, Quadrilha e Poema de Sete Faces, mudou os rumos do modernismo no país. Para Manuel Bandeira, foi o suficiente para colocá-lo de imediato entre os três ou quatro maiores poetas do Brasil.
Num texto de 1958, Bandeira se pergunta: "Como chegou ele a tamanha destreza?". Em seguida, responde: "Conheço um pouco o segredo dela pela leitura de um livro seu que nunca foi publicado – Os 25 Poemas da Triste Alegria. O estilo do livro sabe àquela sutileza própria do setor Ronald-Guilherme (os poetas Ronald de Carvalho e Guilherme de Almeida), no modernismo incipiente".
O original dessa obra, de 1924, estava desaparecido. Alguns estudiosos chegavam a duvidar de sua existência. Há quatro anos, o acadêmico Antonio Carlos Secchin, professor de literatura da UFRJ e especialista em poesia brasileira, conseguiu localizá-lo. Ele comprou o original de um amigo do poeta, cujo nome se comprometeu a não divulgar. Agora, com aval da família, pretende publicá-lo em versão fac-similar.
Os 25 poemas foram escritos no começo dos anos 1920. Doze são inéditos, e os demais foram publicados esparsamente em jornais da época como o Diário de Minas. Nesse período, Drummond acabara de mudar-se para Belo Horizonte. Ali, conheceu Dolores Dutra de Morais, com quem se casaria em 1925, e ingressou na faculdade de farmácia (chegou a se formar, mas nunca exerceu a profissão).
Ao mesmo tempo, cultivava laços com os círculos modernistas de outras capitais. Em 1924, começou a se corresponder com os poetas Mário de Andrade e Manuel Bandeira. Foi nesse mesmo ano que Drummond pediu a Dolores, ainda sua namorada, que trabalhava como contadora numa fábrica de sapatos, para datilografar 25 poemas escolhidos.
Ele mandou encadernar um único exemplar e o deu a Rodrigo Melo Franco de Andrade, amigo quatro anos mais velho que morava no Rio de Janeiro, então capital da República, e tinha bons contatos que poderiam ajudar na publicação da obra.
Nesses poemas, Drummond já usa o verso livre (embora ainda se declarasse admirador do parnasiano Olavo Bilac) – mas sem a "destreza" de que falava Bandeira. Sua temática são as musas esvoaçantes, o anoitecer, a angústia pela passagem do tempo. "São poemas penumbristas", define Antonio Carlos Secchin, referindo-se a um movimento secundário da literatura, associado ao simbolismo, e de forte influência francesa.
Em correspondência de novembro de 1924 a Mário de Andrade, o poeta se queixa: "Nasci em Minas quando devera nascer (não veja cabotinismo nesta confissão, peço-lhe!) em Paris. O meio em que vivo me é estranho: sou um exilado". As imagens são dolorosamente convencionais: em Matinal, associam-se os seios brancos da amada aos lírios – que reaparecem em um verso particularmente infeliz de Canção do Grego Desencantado: "vós, que tínheis o corpo branco como um lírio".
Drummond ainda não apresentava o tratamento irônico da tradição literária que se perceberá mais tarde. Ocasionalmente, porém, fulguram esboços daqueles sintéticos flagrantes urbanos que marcariam Alguma Poesia: "Meninos atiram pedras nos lampiões / e, nos lampiões, / sorri o olho tímido do gás".
E Drummond já revela um fetiche particular: "Tuas pernas, desnudas, me fugiam", diz no poema Sensual. Em Poema de Sete Faces, de Alguma Poesia, o fetichismo multiplica-se: "O bonde passa cheio de pernas / pernas brancas pretas amarelas".
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9:08 AM by Cassiano Leonel Drum
Quer gastar menos? Use notas de R$ 100
Pesquisadores dizem que pessoas que andam com notas de valores altos no bolso pensam duas vezes antes de gastar
ECONOMIZANDO SEM PERCEBER
Segundo os pesquisadores, quem anda com notas de valores maiores tendem a gastar menos
Você quer parar de gastar dinheiro? Os pesquisadores da Universidade de Maryland anunciaram um método bem simples: ande com uma nota de grande valor no bolso.
Segundo o estudo, que será publicado no Journal of Consumer Research, os consumidores são menos propensos a gastar seu dinheiro quando têm em mãos notas de valores altos. Por meio de uma série de experimentos, o estudo mostrou que as pessoas que tinham notas de maior valor no bolso conseguiam controlar melhor o impulso de comprar do que aquelas que andavam com valor equivalente, mas de notas menores.
Mas qual o motivo disso? A primeira hipótese é que as pessoas veem uma nota maior como algo "sagrado". Essas notas acabam sendo supervalorizadas pelos consumidores, que a seguram por mais tempo em seus bolsos.
Uma outra conclusão é a de que os consumidores temem que, ao começarem a gastar uma importância alta, eles não conseguirão parar de gastar o restante do valor. Ou seja, se você tiver US$ 100 e gastar US$ 20, não irá se contentar até gastar os US$ 80 restantes.
O teste foi aplicado também na China. Lá, 150 donas-de-casa receberam 100 yuans que poderiam ser economizados ou gastos em produtos de higiene ou para a casa. Metade das mulheres recebeu os 100 yuanes em uma nota única.
Outra metade recebeu em notas 50, 20 e 10 yauns. Mais de 90% das mulheres que receberam as notas menores gastou o dinheiro. Entretanto, apenas 80% das mulheres que receberam apenas uma nota gastaram o dinheiro.
Resta saber se com a crise mundial os consumidores terão o luxo de guardar em suas carteiras as notas com valores mais altos. Outra pergunta importante para ser respondida em outros estudos é se as pessoas tendem a gastar mais quando usam o "dinheiro de plástico", os cartões de crédito e de débito.
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8:59 AM by Cassiano Leonel Drum
Como os cegos diferenciam as notas de dinheiro?
As cédulas de real apresentam diferenças perceptíveis no tato apenas quando estão novas. O Banco Central deve adotar modelo estrangeiro para que os cegos consigam identificar melhor os valores. O braile não é uma opção viável
Laura Lopes
Real As notas apresentam apenas marcas de relevo
Em qualquer lugar do mundo é possível reconhecer o valor das notas de dinheiro. Seja na Índia, na China ou nos Estados Unidos, e nem precisa saber a língua nativa, nem mesmo ser alfabetizado. Só há uma exceção para essa regra: os deficientes audiovisuais.
Como eles contam dinheiro? Aqui no Brasil, as moedas da segunda família (a segunda geração de moedas de real) possuem tamanhos e espessuras diferentes, algumas são serrilhadas nas bordas, justamente para serem diferenciadas por meio do tato. Já as cédulas têm marcas de relevo que se perdem com o uso.
"Essas marcas são pouco perceptíveis, principalmente para os mais idosos. E, com o tempo, as notas vão perdendo o relevo", diz Regina Fátima Caldeira de Oliveira, deficiente visual e coordenadora da Revisão dos Livros Braille da Fundação Dorina Nowill, de São Paulo.
Euro Cada valor tem um tamanho diferente, obedecendo à regra de quanto maior o valor, maior o tamanho. A nota também apresenta marcas táteis em relevo
A primeira solução que vem à cabeça é a inserção de caracteres em braile nas notas. Essa, no entanto, é uma saída pouco útil: o braile sairia com o desgaste das cédulas, assim como acontece com as marcas de relevo atuais. "Além disso, o braile é lido por muitas pessoas cegas, mas não por todas.
A gente não quer braile nas notas", afirma Regina, que participou de reuniões com o Banco Central e a Casa da Moeda com entidades representativas dos deficientes visuais do país, para encontrar uma solução viável e prática para o problema.
O BC comunga a opinião da Fundação Dorina. Segundo João Sidney, do chefe do departamento de Meio Circulante, "a tecnologia de impressão não tem sobrevida. Na terceira manipulação da nota, o braile já acaba".
Apesar da concordância, pouca gente sabe que o braile não é o melhor caminho a seguir. No dia 27 de outubro, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) encaminhou um ofício à Casa da Moeda solicitando informações sobre a viabilidade técnica para implantação desse sistema de leitura nas cédulas e moedas do país.
A proposta, feita pelo conselheiro do Amazonas Edson de Oliveira, tem a melhor das boas intenções, em defesa dos direitos dos cegos, já que os mesmos não têm acesso à leitura das notas. Mas não funciona. "Há quem faça isso para melhorar e ajudar, mas devia falar com pessoas que lidam com o problema diriamente e que podem ter a melhor proposta", diz Regina.
Austrália As notas têm tamanhos diferentes e são reconhecidas por meio de um gabarito
Entre as propostas sugeridas nas reuniões entre as entidades e o governo, a que mais agrada Regina é o modelo adotado na Austrália e nos países que fazem parte da União Europeia (e usam o euro).
Lá, as notas possuem tamanhos diferentes, crescendo à medida que o valor aumenta. O portador de deficiência visual recebe uma espécie de gabarito que indica o valor da nota, em braile. Ao colocar a nota dentro desse gabarito, sua ponta vai cair sobre o valor correspondente a ela. Serve mais para quem ainda não decorou o tamanho das notas ou não está acostumado àquela moeda.
Canadá Além das notas terem furinhos arranjados de formas diferentes para cada valor (à dir.), um aparelhinho lê a nota e emite um sinal diferente para cada valor, por meio de voz, som ou vibração
Na opinião do BC, no entanto, o modelo canadense é que deve vigorar no Brasil. Segundo o chefe do departamento de Meio Circulante do Banco Central, não é necessário mexer no design ou tamanho do dinheiro. "O Canadá insere nas notas uma tinta invisível diferente para cada valor e distribui um aparelhinho subsidado que reconhece o magnetismo da tinta e emite um sinal para cada valor", afirma João Sidney.
Trata-se de um aparelho pequeno, que pode ser levado no bolso e distribuído gratuitamente pelo Canadian National Institute for the Blind. Sobre o gabarito, adotado pelos australianos e europeus, Sidney diz que não é a melhor solução e, como o reconhecimento é feito pelo tato, pode levar a erros de interpretação. "Eu apostaria nessa tecnologia sonora", diz. Só não se sabe quando ela entrará em vigor.
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8:51 AM by Cassiano Leonel Drum
07 de novembro de 2009 | N° 16148
NILSON SOUZA
Milagres
Meu calendário de mesa tem uma frase de Albert Einstein, ou atribuída a ele, pois hoje ninguém mais pode ter certeza de autenticidade alguma. De qualquer maneira, é um jogo de palavras tão bem-feito, que deve ter sido mesmo elaborado por uma mente brilhante.
Diz: “Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre”. Gostei da citação e resolvi mostrá-la a um colega de trabalho. Ele olhou distraído para a cartolina que eu tinha nas mãos e exclamou assustado:
– Meu Deus, já é novembro!
Também me espantei. Nem tinha percebido que o ano já está quase dobrando a esquina. A gente olha os dias e não vê o mês. Pensei: pode ser mesmo que tudo seja um milagre, mas passa depressa demais. Novembro sempre me causa desconforto, pois precede aquela reta final do ano em que as pessoas ficam ensandecidas, querem ir a todas as festas, querem comprar tudo o que veem, sentem-se obrigadas a dar presentes, correm mais no trânsito, estressam-se demasiadamente.
Final de ano é tempo de bipolaridade, de euforia e depressão. Sei que tudo é relativo – como diria o autor da frase –, há quem ame a agitação, mas costumo ficar desnorteado com tanto compromisso e tanta pressão. Se eu pudesse fabricar o meu próprio milagre de fim de ano, reeditaria uma cena de um dos filmes da série Super-Homem, aquela em que o herói voador faz o planeta girar ao contrário para o tempo retroceder.
Nem precisaria voltar muito. Eu nem usaria meus superpoderes para recuperar as alegrias da infância ou as aventuras da juventude. Bastaria retornar alguns dias neste calendário de papel, talvez até o início da primavera, só para que as pessoas reduzissem o ritmo de seus passos e a marcha de seus corações.
Temos pressa de quê?
Se não existem milagres, é bom que façamos as coisas devagar e bem-feitas, já que a construção do mundo depende da nossa inteligência e da nossa capacidade de realizar. Se tudo é fruto de um prodígio acima da nossa compreensão, de um sopro no barro ou de uma explosão galáctica, mais razão ainda para curtir com gosto e prazer a parte que nos toca.
Como não posso parar o planeta, nem fazer a vida recuar, faço o que está ao alcance de minhas mãos e retrocedo duas folhas do calendário. Encontro em setembro uma frase de Santo Agostinho – ou atribuída a ele, sempre é bom frisar – que talvez seja a resposta para esta angustiada reflexão: “Não há lugar para a sabedoria onde não há paciência”.
Tudo bem. Só não me obriguem a correr também.
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8:48 AM by Cassiano Leonel Drum
07 de novembro de 2009 | N° 16148
PAULO SANT’ANA
Galetos, massas, empadas
Algumas poucas pessoas não entenderam minha coluna de 4 de novembro, quarta-feira. O título foi “Cafajestes à solta”, mas se referia aos taxistas do ponto próximo à Casa de Cultura, na Rua da Praia, que depredaram o carro de um leitor que me escreveu.
O termo “cafajestes” não queria se referir aos peritos da Previdência, que foram atacados por um outro leitor quanto ao modo como tratam os segurados.
Não precisam se espinhar os defensores dos peritos, porque não foi a eles que me referi, e sim a taxistas que, segundo vários leitores me reclamaram, depredam os carros e furam os pneus dos cidadãos.
Eu gosto tanto de empada, que toda vez que vejo uma exposta em vitrina ou bandeja, peço-a e como.
Interessante, 99% das empadas que como são intragáveis.
Mas permanecem em minha memória gustativa as raras empadas deliciosas que comi no decurso da minha vida.
Suponho que seja uma arte fazer uma empada boa, pelas ruins tantas que andam oferecidas por aí.
Se alguém souber de algum lugar em Porto Alegre em que se façam empadas saborosas, me avise.
Eu quero aquela empada de massa crocante e recheio dos deuses. Onde andas, empada dos meus sonhos, que não topo contigo há muito tempo, onde andas?
Outra coisa fundamental: empada fria é a mesma coisa que mulher bonita de pés feios.
Assim também é com o pastel. Há centenas de pastelarias pela cidade, mas entre elas não há nenhuma que faça o pastel que eu gosto.
É, em primeiro lugar, para o meu gosto, imprescindível que o pastel me seja servido ainda molhado do azeite. E a massa tem de ser tostada, não pode ter sido pouco frita.
Não sei definir direito o pastel da minha preferência. Mas noto que são apenas curiosos os pasteleiros que em sua maioria fazem pastéis em Porto Alegre.
A moda agora é o pastel de queijo. Está bem, eu gosto, mas pastel mesmo é o de carne, com gema de ovo – e não clara –, mais azeitona.
Não conheço ninguém, rigorosamente ninguém, que não goste de pastel. A pizza andou tirando lugar do pastel nas pedidas das pessoas.
Mas eu ainda sou muito mais de um bom pastel do que de uma boa pizza.
Para tudo em gastronomia, existe uma técnica de feitura. Massa é um alimento muito usado. Mas é rara a cozinheira que sabe fazer uma boa massa. Parece fácil fazer massa, mas não é. O ponto de cozer a massa e tirá-la na hora certa é importante, não é qualquer um que consegue isso.
E a massa tem esse segredo e um outro: o molho.
Então, são milhares os restaurantes que oferecem massas e galetos, mas muito poucos os aproveitáveis.
E incrivelmente há galeterias que fazem excelentes galetos mas decepcionam tragicamente quando apresentam as massas.
No dia em que uma galeteria de Porto Alegre acertar em ambos, no galeto e na massa, juro que não comerei noutro lugar nunca mais em minha vida.
Salve o Plauto da Flauta, que completa 80 anos de idade no próximo dia 15 de novembro. E ninguém ainda organizou qualquer festa para ele.
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8:45 AM by Cassiano Leonel Drum
07 de novembro de 2009 | N° 16148
CLÁUDIA LAITANO
A dor dos outros
O francês François de La Rochefoucauld (1613-1680) tem uma máxima bastante ácida a respeito da nossa capacidade de empatia com o sofrimento alheio: “Todos temos a força suficiente para suportar a dor dos outros”.
Alguém poderia acrescentar que “os outros” variam muito de distância: podem ser outras famílias que não as nossas, outras cidades, outras culturas, outras classes sociais.
Quanto mais sou capaz de criar algum tipo de identificação com a vítima de uma tragédia, mais esse sofrimento me diz respeito e me comove. O lamento de 20 segundos televisivos da vítima de um desabamento de terra no Espírito Santo nos toca tão rápida e levemente quanto os 300 mortos de um terremoto no Japão. Suportamos corajosamente a dor que passa longe de nós.
Há basicamente duas formas de nos aproximarmos dos “outros” e de suas dores: com indiferença/repulsa ou com interesse/respeito. O antropólogo Claude Lévi-Strauss, que morreu na semana passada, será sempre lembrado como o sujeito que, contra todas as convicções de sua época, advertiu que era indispensável ouvir o outro e respeitar sua forma de organizar o mundo – por mais pelado, coberto de penas e escondido no meio do mato que ele estivesse.
Por trás de toda diferença cultural, social, geográfica, há algo que nos interessa porque é humano – e tudo que é humano deveria nos dizer respeito. Nada mais distante de nós do que as vítimas da bomba atômica na II Guerra, mas se você ler hoje o livro-reportagem Hiroshima, de John Hersey, vai reconhecer em cada um dos sobreviventes uma pessoa que podia ser um vizinho seu, uma velhinha que podia ser sua avó, uma criança que podia ser seu filho.
Cultura, nacionalidade, classe social ou mesmo a época remota em que alguém viveu viram detalhes secundários quando o que fica em primeiro plano é o que temos em comum e não o que nos diferencia.
No cinema brasileiro, há um mestre na arte da escuta. O documentarista Eduardo Coutinho ouve com generosidade e respeito seus entrevistados – ricos ou pobres, urbanos ou rurais, jovens ou velhos, anônimos ou famosos.
A certa altura do filme Edifício Master (2002), por exemplo, uma viúva conta que, em determinada ocasião, sentindo-se sozinha e desamparada, pensou em se matar. Vestiu calças compridas, subiu no parapeito da janela e quando estava a ponto de pular lembrou, entre outras coisas, de um carnê da C&A que ainda não havia quitado.
A maneira como ela conta essa história, e o significado que esse compromisso banal toma na reflexão de cada espectador transforma esse episódio de “dor dos outros” em algo mais profundo do que a mera exibição do sofrimento alheio. De certa forma, ela deixa de ser apenas uma velhinha solitária de classe média baixa que mora em um balança-mas-não-cai em Copacabana para se transformar em alguém com sentimentos que nos parecem familiares – e que por isso mesmo nos tocam.
Pois isso é tudo o que o filme Alô, Alô, Terezinha, de Nelson Hoineff, não consegue. Expondo a miséria de ex-calouros e de ex-chacretes, sob o pretexto de recriar o clima irreverente do Cassino do Chacrinha, o diretor nada mais faz do que ressaltar a diferença e a distância entre o espectador bem alimentado e o pobre-coitado na tela – naturalizando o gesto de rir e (fazer rir) da dor dos outros.
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Sexta-feira, Novembro 06, 2009
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8:38 PM by Cassiano Leonel Drum
Jaime Cimenti
Os recordes do século XXI
Publicado pela primeira vez em 1955, o Guinness tornou-se sinônimo de recorde e é renovado todo ano em mais de 100 países e vinte e cinco línguas, com vendas superiores a quatro milhões de exemplares.
Depois da Bíblia Sagrada, é o livro mais vendido do mundo, com mais de 100 milhões de unidades comercializadas. A nova edição do Guiness World Records - O Livro da Década, que chega ao Brasil pela Ediouro, selecionou os feitos mais significativos, curiosos e impressionantes alcançados pela humanidade nestes primeiros anos do século XXI e que marcaram a passagem para o Terceiro Milênio.
Podemos saber qual foi a mais demorada transmissão ininterrupta de um seriado de TV, a pessoa que ficou mais tempo em contato corporal direito com o gelo, a mais numerosa rede de relacionamento online ou ainda o homem que segurou o maior número de cascavéis com a boca. Os inquebráveis é o nome do capítulo inédito da obra, que mostra os recordes mais duradouros da história, como a pessoa mais leve, 2.13kg aos 17 anos e o doutor mais jovem, PhD aos doze anos.
O leitor também poderá saber que recordes foram batidos no dia de seu aniversário. Espaço, planeta, animais, corpo, façanhas humanas, histórias de viajantes, mundo moderno, engenharia e tecnologia, arte e mídia, esportes e muito mais estão na obra, em textos ágeis e curtos, acompanhados de milhares de fotos e ilustrações em cores e em preto e branco.
Recordes brasileiros ganharam destaque na edição, como, por exemplo, Tiago Della Vega, o guitarrista mais rápido, Rosilda Ferreira, a caixa de supermercado que conseguiu registrar e empacotar mais mercadorias em menos tempo, Joaquim Gonçalves, o paranaense responsável por assar o maior pão de todos os tempos e Felipe Nascimento, que encheu 320 bexigas em uma hora e, sem falar nas quinze pessoas que entraram juntas num Fusca.
Nesta edição do Guiness, mantendo a tradição de sempre inovar, os leitores encontrarão uma senha para entrar no site ">www.guinessworldrecords.com/2010 e ter acesso a conteúdos exclusivos, como entrevistas com recordistas, vídeos, fotos para download, além de escolher por votação seus preferidos entre os Top 100. O site do Guinness recebe mais de 11 milhões de visitantes por ano.
Quem pretender tornar-se um recordista também encontrará orientações no Guinness, que, desde 2008, publica uma edição Games voltada exclusivamente ao mundo dos jogos eletrônicos e seus recordes. Guinness World Records tem 288 páginas, custa R$ 74,90 e foi publicado pela Ediouro, telefone 21-3882-8416.
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8:35 PM by Cassiano Leonel Drum
Jaime Cimenti
Velhos segredos de família
O jardim secreto de Eliza, da australiana Kate Morton, nascida em 1976, confirma as qualidades de narradora do primeiro romance, A casa das lembranças perdidas, já publicado no Brasil pela Editora Rocco. Formada em arte dramática e literatura inglesa, Kate vive com o marido e o filho em Brisbane, na Austrália.
O enredo de O jardim secreto de Eliza está centrado em velhos e misteriosos segredos familiares. Em 1913, um navio chega à Austrália direto de Londres, trazendo com ele uma menina de quatro anos, absolutamente sozinha, sem um acompanhante adulto e portando apenas uma mala com um livro de contos de fadas.
O mistério de quem era a bela garota, que dizia não lembrar de seu nome e de como chegou a porto, nunca foi desvendado. Em suas memórias trazia apenas a imagem de uma mulher que ela chamava de a dama ou A autora e que dizia que viria buscá-la.
Muito anos depois, em 2005, na cidade australiana de Brisbane, a doce e reservada Cassandra herda de sua avó Nell uma casa na Inglaterra. Supresa, ela descobre que a casa esconde as origens de sua avó, que foi uma vez a bela menina sem nome perdida no porto.
Enquanto vai sendo narrada a viagem da protagonista para a Inglaterra, vai sendo revelada a trama paralela que se desenrola antes do nascimento da menina, quando Nell vê seu mundo cair depois que seu pai revela, às vésperas de seu noivado, que ela não é sua filha verdadeira. A notícia a transforma numa mulher estranha, colecionadora de objetos antigos e raros e que vive numa casa em uma região afastada da Austrália. Seu exílio autoimposto, no entanto, vai ser quebrado quando sua filha deixa a pequena Cassandra a seus cuidados.
Revoltada com a filha por ter abandonado a menina, assim como aconteceu com ela quando criança, Nell acaba estreitando laços com a neta. Lá pelos anos 70, Nell decide reconstituir o caminho de volta à terra de onde veio: Londres.
Lá descobre muitas coisas do passado, inclusive a lembranças da moça que chamada de A Autora: Eliza Makepeace, uma travessa menina contadora de histórias, que também tinha suas próprias tragédias. Em seu romance, Kate Morton mostra como pode ser frágil o senso de identidade de uma pessoa que, diante de uma grande revelação, pode mudar radicalmente.
O ambiente da história é a Inglaterra edwardiana e vitoriana do início do século XX, um período de grandes transformações que colocou em xeque a aristocracia. A obra foi inspirada em fatos verídicos da família da autora. Tradução de Lea Viveiros de Castro, 560 páginas, R$ 64,50, Editora Rocco, telefone 21-3525-2000.
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6:56 AM by Cassiano Leonel Drum
ELIANE CANTANHÊDE
Nem tão longe, nem tão perto
BRASÍLIA - Ao acolher as denúncias de desvio e de lavagem de dinheiro público contra o senador tucano Eduardo Azeredo, o ministro do STF Joaquim Barbosa expõe os subterrâneos do financiamento de campanhas, com o PSDB e o PT lado a lado. E eles não estão sós.
Os atuais métodos levam inevitavelmente a acusações e confusões. Se alguém contribui em aberto, com tudo declarado, está sujeito a suspeição toda vez que seu candidato votar algum projeto e, em especial, se ele se meter em enrascadas. Mas, se contribui por baixo dos panos, no "caixa dois", está sujeito a processo criminal. Se ficar, o bicho come; se correr, o bicho pega. E com campanhas cada vez mais sofisticadas e mais caras.
Há, porém, diferenças entre o que se chama de "valerioduto mineiro", contra o tucano Azeredo, e o "mensalão", que pegou o PT de jeito. Num, a acusação é focada no financiamento ilegal de candidaturas. No outro, no pagamento de propina para amoldar os votos de partidos e parlamentares já eleitos ao gosto de um governo.
Como há a questão que Azeredo levanta e gera constrangimentos: ele está envolvido por financiamentos que, aparentemente, saíam de empresas mineiras, entravam no caixa de Marcos Valério e desembocavam na campanha tucana. Como cabeça de chapa, ele é também o acusado-mor. Mas, no caso do candidato e atual presidente da República, isso não ocorreu.
Grandalhões da campanha de Lula respondem por diferentes acusações, mas sozinhos. E os eventuais compradores e comprados para votar com o governo no Congresso estão encalacrados, mas a responsabilidade do governo teve teto: parou em Zé Dirceu.
O STF acerta ao capturar Azeredo na rede. Que sirva para jogar luzes sobre financiamentos de campanha, desde que deixando bem claro que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Pelo menos, até o próximo escândalo.
elianec@uol.com.br
Uma ótima sexta-feira e um gostoso fim de semana
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6:54 AM by Cassiano Leonel Drum
FERNANDO GABEIRA
Uma loira
RIO DE JANEIRO - Dizem que o século 20 acabou com a queda do Muro de Berlim. De um ponto de vista intelectual, o século 20 está morrendo também com Claude Lévi-Strauss. Dificilmente os jornais do século que virá darão tanto destaque à morte de um pensador.
Talvez jornais e pensadores não venham a ser abundantes no futuro.
Ele morreu num momento em que alunos da Uniban se revoltaram por causa de uma jovem loira de minissaia e quase botaram o prédio abaixo.
No passado, talvez os antropólogos se interessassem por esse curso de turismo e pelo resto da faculdade. Psicanalistas como Erich Fromm e Wilhelm Reich e a Escola de Frankfurt talvez pudessem achar algum estímulo nessa manifestação raivosa.
Um dos alunos em fúria afirmou que não queria ter essa mancha no seu diploma. Foi uma das frases mais interessantes. A que tipo de mancha estava se referindo? Ao ver seu diploma do curso de turismo da Uniban todos diriam: esta faculdade é aquela em que havia uma loira de pernas de fora.
No passado, adolescentes manchavam as calças. Supor que, ao longo dos anos, todos continuarão pensando nas pernas da moça, que a simples menção do nome Uniban trará a figura, talvez o próprio perfume da moça, é algo muito forte.
O medo que a imagem de uma loira com as pernas de fora os persiga ao longo de toda a carreira me faz lembrar aquela imagem de uma loira perseguindo os sonhos de um puritano no filme de Fellini. Ela tinha enormes seios e cantava: tome mais leite, o leite faz bem.
De uma certa forma, a psicanálise também perdeu terreno. Quem sabe a neurociência não tenha alguma fórmula para evitar o motim? Ou Ruy Barbosa com sua "Oração aos Moços"? Na Uniban, os tempos pedem colagens, não saias audaciosas.
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6:51 AM by Cassiano Leonel Drum
06 de novembro de 2009 | N° 16147
DAVID COIMBRA
Quero ser influenciado
Thomas Jefferson passou boa parte da vida tentando pagar dívidas. Vendia terras, vendia escravos, vendia quase tudo que tinha, em vão. Não conseguia saciar os credores. Um dia, decidiu vender o que lhe era mais caro: seus livros. Jefferson havia acumulado a maior biblioteca dos Estados Unidos na época, os albores do século 19. Não pareceria muito grande hoje, com seus cerca de 7 mil volumes.
Naquele tempo de tipografias, porém, imprimia-se menos. Além disso, a biblioteca de Jefferson realçava-se pela qualidade das obras. Era organizada segundo os preceitos de Francis Bacon, que dividiu o pensamento em três áreas: a memória, a sabedoria e a imaginação. Ou História, Filosofia e Literatura.
Jefferson ofereceu seus livros ao Congresso Americano, que os comprou e o salvou da falência. Foi esta a base da Biblioteca do Congresso, hoje a maior do mundo, com 120 milhões de obras. Se as estantes da Biblioteca do Congresso fossem colocadas lado a lado, se estenderiam por 850 quilômetros.
Você poderia ir de Porto Alegre a Punta del Este caminhando sobre as estantes da Biblioteca do Congresso. E ela não para de crescer – a cada dia, o Congresso adquire cerca de 7 mil exemplares. Uma biblioteca de Jefferson por dia. Até alguns da autoria do degas aqui podem ser encontrados lá.
Não há como não sentir vertigem em um lugar desses. Aqueles livros, milhões deles, e a certeza de que nem se vivendo 10 vidas seria possível lê-los todos. Em um livro que conta A Conturbada História das Bibliotecas, o autor, Matthew Battles, ele próprio bibliotecário, reproduz um texto em que o personagem experimenta tal sensação. Ele percorre as estantes da Biblioteca de Harvard, a quarta maior do mundo. E o que lhe sucede é o seguinte:
“À noite, ele saía vasculhando as estantes da biblioteca, puxando livros a esmo daquelas milhares de estantes e lendo-os feito um doido. Pensar naquelas estantes intermináveis repletas de livros deixava-o ensandecido – quanto mais lia, mais inumeráveis pareciam ser aqueles que jamais conseguiria ler.
Lia insanamente, às centenas, aos milhares, às dezenas de milhares. A ideia de que outros livros estavam aguardando por ele atormentava-lhe o coração. Imaginava-se rasgando as entranhas de um livro como se estripa um frango”.
Foi como me senti quando pisei na Feira do Livro pela primeira vez. Já tinha estado na Biblioteca Pública, já tinha frequentado grandes livrarias, mas aquilo era diferente. O livro ali, no chão da Praça, sob as copas das árvores, em barracas de quermesse, não era sisudo como o livro das bibliotecas, que é manuseado em silêncio de hospital. Não.
Na Feira, o livro é como pipoca e picolé. É uma festa. Mas havia tantos... Impossível ler todos. Em quais, então, deveria concentrar meu limitado poder econômico e meu tempo de leitura? Procurei indicações. Uma das mais valiosas foi a lista dos mais comprados. Ler o que os outros estavam lendo podia, no mínimo, render uma crítica ácida ao gosto dos outros.
Agora a Feira não faz mais a lista dos mais comprados. E por quê? Para não influenciar o público, alegam os organizadores. Mas não era essa a ideia? Não é para servir de parâmetro? História? Filosofia? Ou literatura? Autores nacionais ou estrangeiros? O que é que o povo está lendo? Quero saber. Influenciem-me. Quero ser influenciado.
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6:48 AM by Cassiano Leonel Drum
06 de novembro de 2009 | N° 16147
PAULO SANT’ANA
Os escalpos conjugais
Minha corda só tem 10 metros, mas continuo salvando afogados.
E, fora isso, ainda vou conseguir com as autoridades encaminhar aquela menina cega de um olho e o outro por cegar-se também para Goiás.
Vocês não sabem o que é a felicidade de quem, como eu, se sente útil!
Só por isso já valeria a pena viver.
É mais fácil libertar-se um povo, um país, do jugo externo de mais de séculos de duração do que libertar-se um homem de uma mulher.
Não há nada que mais escravize o homem que o jugo de uma mulher.
E mais trágico se torna esse domínio de uma mulher sobre um homem quando este dominado e subjugado nada faz para se libertar, pelo contrário, adora a sua submissão.
Esta escravização de um homem sob uma mulher começa no namoro, tímida, depois avança pelo noivado e se consagra no casamento.
Sem dar-se conta, o homem vai sendo aos poucos manietado, amordaçado, humilhado, escorraçado pela mulher.
E, quando vê, a tragédia está instalada.
E não pensem que sou machista. Não sou. Sei que isso também se dá pelo contrário e há homens que tiram os escalpos de suas mulheres.
Por isso é que volta e meia me refiro a trágicas relações conjugais que se instalam entre as pessoas.
A esse respeito, muitos anos atrás contei aqui uma história da minha infância.
Nós morávamos na antiga Rua dos Coqueiros, hoje denominada 17 de Junho, aqui no Menino Deus. E a gurizada toda – éramos cerca de 30 – assistia todos os dias na hora da Ave-Maria, exatamente às 18h, aos gritos do açougueiro da rua apanhando de sua mulher, dentro do açougue.
Sentávamo-nos no meio-fio para ver o açougueiro apanhar todos os dias da mulher. Era uma gritaria danada, gritava a mulher do açougueiro espancando-o, gritava o açougueiro sendo espancado, era um escândalo na vizinhança.
Mas um dia o espancamento do açougueiro por sua mulher passou dos limites.
Eram 18h exatas daquele sábado quando estourou o alarido do espancamento dentro do açougue. E o pobre do açougueiro fugiu para a rua, onde a nossa plateia de garotos já estava postada para assistir ao escarcéu.
Só que dessa vez, de tanto apanhar, o açougueiro correu para a rua, fugindo da mulher. Esta não se fez de rogada e saiu pela rua perseguindo o açougueiro. E, quando saiu do açougue, a mulher do açougueiro deu de mão numa manta de mondongo, dobradinha, que estava dependurada num dos ganchos do açougue, e surrava o marido com aquele mondongo, que batia nas costas do pobre coitado, que berrava como um cabrito.
Naquele dia, o espetáculo da surra que a mulher do açougueiro impunha ao marido não causou tanta sensação à gurizada. Até hoje ainda guardo aquela cena como depositária da nossa compaixão pelo açougueiro.
Foi demais a execração pública do açougueiro ante as nossas vistas infantis.
Apanhar de mondongo é uma suprema humilhação. Maior que apanhar de mulher.
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Quinta-feira, Novembro 05, 2009
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7:11 AM by Cassiano Leonel Drum
Aécio 2010! UAI, WE CAN!
E sabe o que o Lula sugeriu ao Obama pra melhorar a saúde nos EUA? Implantar o SUS!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! E aí perguntaram pra cantora Stephany no "Esquadrão da Moda" do SBT: "Você é de Áries?". "Não, eu sou do Piauí."
E o melhor cartaz da Parada Gay do Rio: "EU ERA EX-GAY!". Rarará! E as estradas? O ministro dos Transportes disse: "As estradas brasileiras são coisa de outro mundo".
São sim, do mundo da Lua. Só tem cratera. Um amigo meu vai trocar o carro por um jipe lunar! E o filme do Michael Jackson? Mudou de nome. Não é mais "This is It".
É "This Is Quisito!". Maica Jéssica em "This Is Quisito!". Rarará! Criança não paga! E farta distribuição de pirolito!
E O Lulalelé? Sabe o que ele sugeriu pro Obama pra melhorar a saúde nos Estados Unidos? Implantar o SUS! E o Obama quase foi internado.
De tanto rir! Esta é a realidade do SUS: um menino entrou na fila pra operar a fimose e esperou tanto tempo que acabou operando a próstata. E o babado do momento é o Aécio.
Aécio X Serra. Sarkozy Mineiro X Vampiro da Mooca! O Aécio parece o Sarkozy: narigudo e só pega mulherão! E a relação do Serra com o Aécio parece coisa de socialite: falsas, porém simpáticas!
E Minas só tem três coisas ruins: não tem mar, Telemar e o Itamar. E tem Aleijadinho. Ou, como diz aquela perua bem fresca: Aleijadérrimo. "Comprei duas obras do Aleijadérrimo."
E o Aécio já tá com o slogan pra 2010: "UAI, WE CAN!". E o jingle é o funk: "Um Tapinha Só Não Dói!".
Rarará! E já está com o programa de governo pra 2010: cinco dentes de ái, três cuié de ói. Um repôi. Casca o ái, quenta o ói e foga o ái socado no ói quente. Repôi no ái e ói. Por um Brasil melhor.
Este é o programa do Aécio pra 2010: repôi no ái e ói! Minas é um monte de montanha com um monte de gente dando adeus. É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é duro, mas desce! Antitucanês Reloaded, a Missão.
Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Barrolândia, no interior da Bahia, tem uma escola chamada Escola Rainha Sílvia.
E eu pergunto: POR QUÊ? Acho que nem em Estocolmo tem a escola Rainha Sílvia. Rarará. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro obvio lulante. "Assustado": companheiro Obama quando o Lula mandou ele fazer um SUS nos Estados Unidos. Ia ser um sú! Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.
simao@uol.com.br
Excelente quinta-feira - Aproveite o dia
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7:07 AM by Cassiano Leonel Drum
05 de novembro de 2009 | N° 16146
RICARDO SILVESTRIN
A percussão e a repercussão
O ser humano então tem jeito. Essa foi a conclusão a que o entrevistador Roberto D’Ávila chegou na conversa, em seu programa, com José Júnior, coordenador executivo do AfroReggae.
Estive em Passo Fundo, na Jornada Nacional de Literatura, na semana passada. Assisti lá ao show da banda AfroReggae. É música pop executada e cantada com competência. A percussão brasileira, aprendida nas escolas de samba cariocas, tempera os arranjos. O repertório se pauta por canções com mensagens de paz e alegria. Há pequenos textos falados que também apelam para a consciência individual e coletiva na busca de uma vida mais pacífica. Mas quem vê só isso pode não perceber a profundidade e a extensão das ações do grupo.
A entrevista foi dias após o assassinato de Evandro João da Silva, coordenador social da instituição. Evandro era um mediador de conflitos. Foi morto por um morador de rua. Poderia ter sido salvo, mas policiais não lhe prestaram socorro, sob a alegação de que pensaram se tratar de um mendigo caído na calçada. José Júnior teve acesso ao causador da morte do companheiro e viu que estava diante de uma pessoa sem referência. Segundo Júnior, quem é criado na rua está para o que der e vier.
Não tem instrução de família, orientação. Isso não o fez perdoar o ato. Mas o AfroReggae trabalha exatamente com pessoas assim. É formado por gente que já passou por muita coisa difícil, inclusive prisões por delitos.
As oficinas de arte e ações culturais do grupo, realizadas em favelas do Rio de Janeiro, buscam resgatar a cidadania. Trazem uma via alternativa à cooptação do tráfico de drogas e da marginalidade. O interessante é que o projeto foi criado pelos próprios favelados. Desenvolveram uma tecnologia social que está sendo exportada até para a Inglaterra. José Júnior já recebeu vários prêmios. Um deles foi o de Jovem Líder para o Futuro Mundial, concedido no Fórum de Davos.
Foram contatados pelo governo de Minas Gerais para desenvolver um projeto. Júnior propôs aos colegas que as ações fossem feitas em conjunto com a polícia. Isso porque percebeu que todos tinham um grande preconceito com os policiais, uma vez que já haviam sido presos e maltratados. Quis superar essa distância. O trabalho deve incluir uma reformulação de consciência também da polícia para que juntos possam avançar.
Um repórter da Globo perguntou a José Júnior se o AfroReggae aceitaria, após a pena cumprida, o assassino de Evandro, caso quisesse se recuperar nos projetos deles. Júnior disse que sim. O que aprendeu com a vida que teve e com o trabalho do AfroReggae é que todo mundo merece não apenas uma segunda chance, mas uma terceira, quarta, quinta até que encontre o seu caminho.
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7:05 AM by Cassiano Leonel Drum
05 de novembro de 2009 | N° 16146
PAULO SANT’ANA
Gostosas rapadurinhas
A Porto Alegre dos serviços. Ontem fui me servir dos serviços de barbearia e bar da cidade.
Só ontem me apercebi de que não fui engraxate na infância. Fui vendedor de pastéis, fui entregador de jornais, mas nunca me dei bem com trabalhos manuais, decerto por isso não me atraiu a caixa de engraxate, que era um derivativo dos meninos da minha idade.
Ontem pensava nisso enquanto me atendia o engraxate do salão Dia e Noite, na Rua Andrade Neves.
Os preços do engraxate são atraentes: graxa preta, R$ 4,50; graxa marrom, R$ 5; tinta e graxa preta, R$ 7; tinta e graxa marrom, R$ 9; graxa bota pequena, R$ 8; graxa bota grande, R$ 10; tinta e graxa bota pequena, R$ 10; tinta e graxa bota grande, R$ 15; graxa branca, R$ 15.
Bons preços, atraentes preços, o engraxate que me atendeu deixa o sapato como se fosse novo.
Depois fui lavar a cabeça com a cabeleireira Denice. Depois de lavados, meus cabelos recebem um xampu cinza, muito cuidado para não entrar água nem xampu nos ouvidos, espera 15 minutos enquanto a cor do xampu se impregna nos cabelos, depois um banho lustral, quando se aplica o secador nos cabelos, fica uma beleza.
Após fazer as unhas com a manicure Loreni, desci até o Bar Tuim, na Ladeira, onde saboreei o melhor chope da cidade. Os chopes que o David Coimbra descobre e intenta na Calçada da Fama não podem atar as chuteiras do chope cremoso do Tuim, a técnica empregada para tirá-lo e a qualidade do equipamento fazem do Tuim o templo do chope na cidade.
Acompanhado evidentemente dos bolinhos de bacalhau do Tuim, ainda os melhores da cidade. Os bolinhos de bacalhau do Restaurante Pampulhinha, um dos dois mais caros da cidade, não chegam nem perto em delícia dos do Tuim.
Já estiveram melhores do que estão hoje os bolinhos de bacalhau do Tuim, mas ainda são os melhores da Capital.
Eu e a Denice comemos 12 bolinhos, com três chopes, a conta somou singelos R$ 42. Vale a pena a gente ser feliz em uma hora por um preço acessível.
Negócio bom no Centro é estacionamento. Todos os da Rua Andrade Neves estavam lotados pela tarde de ontem. E o preço é salgado, tudo acima de R$ 10, estão fazendo fortunas os donos de estacionamentos, que previ seria o negócio deste século que se inicia, ao lado da industrialização da água.
Faz tanto tempo, mas ainda povoam a minha memória as doceiras da minha infância. Faziam as rapaduras em casa e seus filhos vendiam em torno dos quartéis das Bananeiras.
Eram cocadas alvas, cocadas marrons, cocadas negras, paçocas de amendoim, pés de moleque, havia até rapadurinhas de abacaxi, uma delícia, também olhos de sogra, papos de anjo secos e em calda, doces de batata e abóbora caramelados, rapadurinhas de banana, creiam, assim como havia balas quebra-queixo e o supremo ideal dos glicosados, que era o doce de goiaba.
Já escrevi que minha madrasta fazia um doce de melancia, tirado daquela faixa branca da fruta que fica abaixo da casca, parecido com o doce de abóbora, mas o de melancia nunca mais topei com ele. Que saudade!
E havia um doce nos botecos que era a preferência da garotada, tanto pelo preço baratíssimo quanto pelo seu grande tamanho: o mata-fome.
O mata-fome era um almoço. Felizes dos dias raros em que eu podia juntar um dinheirinho para comer um mata-fome, acompanhado de um refrigerante, que podia ser Crush (o que tinha polpa de laranja no líquido), Marabá, Grapette, Cyrillinha, quem sabe até uma gasosa.
Que festa!
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7:02 AM by Cassiano Leonel Drum
05 de novembro de 2009 | N° 16146
FABRÍCIO CARPINEJAR | FABRÍCIO CARPINEJAR(interino)
Cama na mesa
Há tudo que é teoria sobre o sexo, confio naquela que antecipa a performance masculina a partir do jeito que o marmanjo avança na comida.
A melhor forma da mulher não se incomodar depois é convidar seu pretendente para uma simbólica e inofensiva refeição. Assim como há a tradicional reunião-almoço, é possível criar um jantar pré-sexual.
Teste seu parceiro. É seguro, preciso e previne futuros gastos com terapeuta.
Se o homem separa demais as comidinhas, cria cercas entre o arroz e o bife e a salada, come devagar como Gandhi, tem um pudor hospitalar com qualquer tempero, cisca o que não gosta, é nojento na escolha do cardápio, pede para trocar o copo, tem várias manias de limpeza, não estique a noite. Por favor, a primeira impressão já saiu com pouca tinta, não insista com a impressora.
É um daqueles sujeitos que converterá o guardanapo num babador e fará um macacão se tornar um tip top. Não conseguirá se recuperar de uma mancha de molho. Sairá correndo ao banheiro e ficará comentando o azar pelo resto da noite.
Sua atuação comprometerá, é um convite à compaixão. Ele terá medo da própria saliva, usará as posições mais confortáveis e não acreditará na combinação de sexo oral e amor. É o típico perfil de quem vai ligar no dia seguinte e conversará com sua mãe. Não confie em homem que telefona no dia seguinte.
Até pode parecer de boa cepa e família, refinado, perfeito para campanha de detergente. Não se engane. Difícil discernir o educado do reprimido. Psicopatas também são gentis.
Mas, caso ele faça três andares no prato, coloque o ovo em cima do arroz, o bife em cima do ovo, e encontre um espaço para a massa e a couve refogada, não hesite: seu desempenho promete passionalidade. Os talheres terão a função de andaimes do edifício. Alternará as mãos com a perícia apressada de um bárbaro.
A sensação é que tira agora o atrasado de um mês. Nada é posto de lado, nenhum fiapo de carne é desperdiçado, nenhuma ervilha, mistura as porções com coragem e gula. Lembrará Alexandre, o Grande, raspando a porcelana como se conquistasse novamente o Egito e o Afeganistão.
Observe ainda se ele deixa escorrer a gema pelo canto da boca – um requinte da espontaneidade, assim cumprirá com louvor o teste vocacional.
Demonstrará trejeitos de insaciável. Não temerá qualquer entrega. Não vai ficar olhando onde está se deitando, nem dobrará as roupas antes de enlaçá-la nos braços. Seguirá o impulso, derrubará os obstáculos pela frente e levará o abajur pela coleira a passear pelo quarto.
Homem bom é o que baba. A boca cheia de desejos.
Luis Fernando Verissimo encontra-se em férias até o dia 15 de novembro
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Quarta-feira, Novembro 04, 2009
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7:02 AM by Cassiano Leonel Drum
Uau! Dilma inaugura buraco de tatu!
Pra preservar a espécie, os morcegos transam até com a sogra. Por isso é que transmitem raiva
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Lá se foi o ultimo feriadão do ano!
Depois de cinco dias na Bahia, de volta a São Paulo. A marginal Tietê continua linda! Rarará. E sabe o que eu vou pedir pro Lula? Aposentadoria por tempo de praia. Aposentadoria por tempo de Havaianas!
E lá na Bahia tem uma barraca chamada BURRALINDA! Eu não sei se o dono é zoófilo, se está apaixonado por uma jega, se é homenagem à mulher dele ou se é homenagem à Carla Perez!
E deu na Folha: "Morcegos praticam sexo oral para prolongar a relação". É o Batman! Por isso que o Batman e Robin tiveram uma relação tão longa. Morcego é um bicho esquisito. Pra preservar a espécie, eles transam até com a sogra. Por isso é que transmitem raiva. Rarará. Ainda bem que eu não nasci morcego!
E sabe o que o Batman faz quando se lembra do Robin? Pega o bat-móvel, vai pra bat-caverna e bat-uma. Rarará! E qual a próxima inauguração da dupla Lula e Dilma? Tão inaugurando até buraco de tatu! A Dilma inaugura buraco de tatu. Qualquer dia, eles abrem a cortina da sala e inauguram a janela!
E o Ecad diz que hotéis e motéis têm que pagar direitos autorais. O Roberto Carlos vai ficar quaquilionário. E o Wando e o Dicró?
E no fim de semana teve Parada Gay no Rio e Marcha para Jesus em São Paulo. Conhecida como A Marcha das Héteras. As bibas que se arrependeram e viraram héteras. Mas como disse aquela biba: se Deus fosse gay, o mundo seria mais arrumadinho! Rarará.
É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão! Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês.
É que em Fortaleza, no Ceará, tem um bar chamado Bar dos Otários. E vive cheio! Rarará. Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula.
O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Isqueiro": lugar onde se arranca minhoca pra pescar lambari! O lulês é mais fácil que o ingrêis.
Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.
simao@uol.com.br
Aproveite o dia. Uma ótima quarta-feira para todos nós
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6:58 AM by Cassiano Leonel Drum
04 de novembro de 2009 | N° 16145
PAULO SANT’ANA
Cafajestes à solta!
Como sofrem as pessoas em seu cotidiano. E não têm para quem reclamar.
Por isso é que volta e meia reclamam para mim. O João Carlos Medeiros, por exemplo, reclama veementemente que sua filha e seu genro foram num desses barezinhos da Rua da Praia, proximidades da Casa de Cultura Mario Quintana, sexta-feira passada.
E seu genro estacionou no fim da marcação de um ponto de táxis, onde havia lugar para 10 táxis. Havia só uns quatro táxis no ponto, inadvertidamente o genro do seu Medeiros deixou o carro ali.
Mas não merecia o castigo que obteve: os motoristas do ponto de táxi furaram dois pneus do carro com instrumento cortante e avariaram com riscos profundos, alguns até ferindo a lataria, toda a pintura do veículo. Todinha a pintura do carro.
São uns cafajestes esses taxistas do ponto próximo à Casa de Cultura Mario Quintana. Evidentemente que chamo de cafajestes os taxistas que cometeram essa selvageria que fez chorar a filha do seu Medeiros. Em absoluto entendo que esses canalhas se confundem com a honrada classe dos taxistas.
Mas o fato é que não havia nenhum honrado taxista que impedisse que seus bárbaros colegas cometessem o ato patife que cometeram.
Eu sei disso muito bem porque esses dias, na Rua Venâncio Aires, defronte à Escola de Cadetes, xinguei um taxista que fechou de propósito o meu carro. E logo em seguida deixei o carro estacionado no leito da rua, ali mesmo.
Quando voltei, meu pneu tinha sido furado, evidentemente que tinha sido o taxista que xinguei.
E, igualmente aos taxistas que danificaram seriamente o carro do genro do seu Medeiros, o taxista que furou o pneu do meu carro agiu covardemente, deixou que eu desaparecesse para cometer o dano no meu carro.
Uns covardes!
E a EPTC tem o dever de riscar dos quadros de taxistas esses cafajestes que comprometem a sua classe.
Sou amigo dos taxistas, mas há no meio deles alguns que se tornam verdadeiros marginais contra a população.
É o caso também dos taxistas idôneos denunciarem os taxistas crápulas que infestam a cidade com seus atos indignos.
Para limpar a profissão.
Já a senhora ou senhorita Irene Ermacovitch (iermacovitch@terra.com.br) reclama com razão que na agência do Banco Santander da Avenida Osvaldo Aranha, defronte ao Pronto Socorro, levou mais de 40 minutos para ser atendida.
Um caixa só atendia idosos e o caixa da fila dela levou mais de 40 minutos para atender um cliente que estava na sua frente.
Os banqueiros continuam a se empanturrar de lucros e os porto-alegrenses penam nas filas das agências, parece que tendo ido para o lixo a lei municipal que coíbe os abusos.
Que classe insensível essa dos banqueiros!
E finalmente o senhor Paulo Roberto Alexandre, fone (51) 3334-4657, reclama contra os peritos da Previdência. Ele diz que tem uma doença incapacitadora e é tratado por todos os peritos que o atendem como se fosse um animal. Os peritos o escorraçam, cometem toda a sorte de pressões psicológicas com os segurados, não os tratam com civilidade e, não são todos, mas a grande maioria só falta chamar o segurado de “forjador de exames e atestados médicos”.
Pois é, tempos atrás, os peritos andaram se queixando de agressões físicas que sofriam por parte dos segurados da Previdência, além de ameaças.
E agora as queixas se voltam contra muitos deles.
A banca paga e recebe. Não são todos, mas uns há que antes que ser peritos tinham de ser mandados para um cursinho de civilização.
Minha coluna não foi feita para atender a justas reclamações dos leitores, mas de vez em quando eu fico indignado e as atendo.
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6:56 AM by Cassiano Leonel Drum
04 de novembro de 2009 | N° 16145
JOSÉ PEDRO GOULART
O fogo que devora
Rapazes (e moças) xingaram e ameaçaram uma garota porque ela estava usando minissaia numa faculdade em São Paulo. A provocação inicial, provavelmente infantil, acabou se tornando um ato violento e incabível de histeria coletiva. O senso comum das opiniões viu na atitude uma barbárie. Mas o senso comum não entende – ou não quer saber – as razões dos bárbaros.
Há incêndios arrasadores que começaram com uma simples ponta de cigarro mal apagada. Mas o início banal não faz com que o fogo seja irreal. No episódio, a bagana veio na forma de um chiste, uma piada. O que se sucedeu é o que importa: “Um fogo devora um outro fogo”.
“A pregação da castidade é um incitamento público à antinatureza”, disse Nietzsche. A sociedade, tal qual está baseada, espera que haja um convívio harmônico entre homens e mulheres antinatural. Afinal, apesar de toda aparente liberação sexual, o episódio da moça na faculdade de São Paulo, uma simples minissaia, e a bizarra reação dos colegas, revela um convívio longe de estar pacificado. Vez por outra escapa a válvula da panela de pressão.
Um par de pernas inacessível, inatingível, mas desejado. Todos os dias há milhares de pernas assim. Como há peitos, bundas. Cada corpo exposto é um convite ao desejo, mas logo uma ordem interna antagônica exige que ele se dissipe. Somos constantemente atiçados no nosso fogo, e a nossa consciência age como bombeiro. “Todo o desprezo pela vida sexual, toda impurificação da mesma através do conceito de ‘impuro’ é o próprio crime contra a vida”, prossegue o bigodudo.
Nos corredores da faculdade, onde um indivíduo vira 10, como se houvesse um rastro de pólvora ateando fogo por tudo apareceu uma chance de vingança. Não contra a garota, menos ainda pela minissaia. Mas pela frustração de “todas” as promessas não cumpridas. Gritaram pelo mesmo motivo que um automóvel caro é riscado na rua: por raiva.
Gritaram de raiva pelas pernas lisas impossíveis. Pelas coxas expostas, provocativas e inacessíveis. Gritaram para sufocar o desejo. E, assim, o que no início era frívolo, provocado por um pequeno grupo, acabou gerando a ação de um exército abominável e violento. Como se fosse uma erupção da lava incandescente de tudo que havia de indomado dentro deles. E que há em cada um.
Hoje à tardinha na Feira da Livro, 18h30min, haverá o lançamento do meu novo livro: A Voz que se Dane, L&PM. Minissaias estão liberadas. Apareça.
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6:53 AM by Cassiano Leonel Drum
04 de novembro de 2009 | N° 16145
DAVID COIMBRA
O sumiço das abelhas
As abelhas estão em extinção, sabia? Li isso dia desses. A coisa começou pelos Estados Unidos, que é por onde tudo começa, de bom e de ruim. As abelhas americanas estão desaparecendo aos bilhões, deixando as colmeias vazias e intactas. Fica o mel, ficam os favos, mas das abelhas ninguém sabe o paradeiro. Simplesmente somem, não há sinal dos corpos, não há cadáveres, não há pistas nem suspeitos, nada. Um mistério. É grave. Sabe por quê? Pelo seguinte:
Você sabe o que acaba, se as abelhas acabarem?
As flores.
É que as abelhas são as principais responsáveis pela polinização, e a polinização é a forma como as plantas fazem sexo. O sexo entre as plantas ocorre assim (tire as crianças da sala): observe, por exemplo, uma samambaia. Ela não se mexe muito. Na verdade, não se mexe nada. Como, então, a samambaia copula com o samambaio? Aí é que está. Ela precisa de ajuda externa. É onde entram o vento e a abelha, principalmente a abelha.
A abelha voa até uma flor para colher o néctar com o qual produzirá mel. Ela precisa passar em muitas flores para fazer um pouquinho de mel. Muitas mesmo: em um único dia, a abelha pousa em 40 mil flores, um trabalhão. Em meio a toda essa atividade, o pólen gruda-se em seus pezinhos de abelha.
Desta forma, ela leva pólen do órgão masculino de uma flor para o órgão feminino de outra flor, o que vai gerar filhinhos de flores, porque o pólen é uma espécie de espermatozoide de flor.
Agora você já sabe que, quando vir uma abelha saindo de uma flor e pousando em outra, o que estará vendo é pura sacanagem vegetal. São plantas transando enlouquecidamente, chegando ao clímax, tendo convulsões de prazer.
Portanto, o fim das abelhas significará o fim do sexo entre as plantas, coitadas. Sem sexo, as plantas não poderão mais se reproduzir. Desaparecerão. E, desaparecendo as plantas do planeta, os animais não terão mais capim e milho e palmito com que se alimentar, e morrerão à míngua.
Morrendo os animais, morrem também os seres humanos, porque os seres humanos não terão vacas, galinhas ou porcos em suas granjas, e sem vacas, galinhas e porcos nas granjas não haverá milk-shake, ovos em neve, quindim ou xis-bacon.
Com a extinção da Humanidade, você sabe o que vai acabar: esse maldito campeonato de pontos corridos que só o São Paulo ganha. Será um alívio, não aguento mais ver o São Paulo ganhar campeonato. Mas, por outro lado, não teremos mais a Scarlett Johansson. Será duro viver num mundo sem a Scarlett Johansson.
Livros renovados na Feira
O primeiro livro que escrevi, 800 Noites de Junho, o escrevi em uma máquina Olivetti Lettera 35 que ganhei da minha mãe. A máquina estava com a fita estragada, tinha que enrolá-la com o dedo quando chegava ao fim. Fiz as entrevistas, as pesquisas e o texto, tudo em 40 dias, trabalhando o dia inteiro.
Só fazia isso, de manhã, de tarde, de noite. Havia pedido demissão do jornal em que trabalhava para produzir o livro. Escrevia e tomava leite condensado, escrevia e tomava leite condensado. Trinta páginas e duas latas por dia. Engordei cinco quilos.
O segundo livro que escrevi o fiz contratado pela editora. Foi A História dos Grenais. Ganhava R$ 300 por mês pelo trabalho. Descobri que um homem pode viver com R$ 300 por mês. Mal, mas pode.
Meu amigo Jorge Barnabé, vendo-me dedilhar naquela máquina de escrever de ferro e plástico duro, emprestou-me algum para comprar um computador usado. Fez isso sem que eu pedisse, sem esperar devolução. Depois de certo tempo, na verdade muito tempo, devolvi, é bom que meus detratores saibam.
Este livro, A História dos Grenais, a primeira versão tem a coautoria do jornalista Nico Noronha. Mais tarde, o Mário Marcos de Souza escreveu sobre os 10 anos que se passaram de 1994 a 2004. Agora, no centenário do Gre-Nal, o Carlos André Moreira se juntou a nós e completou a história. Repassei o texto, acrescentei uns dados. O Fraga fez a bela ilustração da capa.
A L&PM deu um lustro no nosso trabalho e o resultado foi um livrão, um clássico, que lançaremos nesta sexta, na Feira. Lanço, também, outro livro que na verdade são dois: a L&PM está publicando em pocket A Cantada Infalível e A Mulher do Centroavante, que ganhou o açorianos em 2001. O lançamento será a partir das 19h30min, com sol ou com chuva. Esperamos vocês lá.
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Terça-feira, Novembro 03, 2009
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7:59 PM by Cassiano Leonel Drum
OS QUE SE VÃO
"Os que se vão, vão depressa.
Ontem, ainda, recebia seus emails
Pedindo para que eu descrevesse
O que eu gostava, pedindo desculpas por perturbar
A concentração no meu trabalho.
Confirmando o que eu já sabia
Que ficava mais comigo
Do que com o homem
Com quem eras casada.
Os que se vão, vão depressa.
Seus olhos grandes
e pretos, das fotografias
tão poucas é fato que me enviou,
brilhavam. Sua voz doce e firme
faz pouco ainda falava no telefone.
Indagavas: por que ligar
se já conversamos
tanto no msn ou por email?
Suas mãos tão macias
Que toquei em adeus de chegada
E de despedida um dia
tinham gestos de bênçãos.
No entanto hoje, devem escrever
para outros no mesmo teclado
que teclavas para mim.
Nem um vestígio meu, sequer.
no seu micro porque
Perguntavas também
Porque guardar e reviver
coisas de um passado que se foi!!
Decerto nem minha lembrança
há na sua mente quanto mais no seu coração,
pois ocupa-os com novos amigos, Alguns, quase todos,
indiferentes ou desconhecidos
mas chama-os de querido
como me chamavas.
Os que se vão, vão depressa.
Mais depressa que os pássaros
que passam no céu,
Mais depressa que o próprio tempo,
Mais depressa que a bondade dos homens,
mais depressa que os trens correndo, nas noites escuras,
Mais depressa que a estrela fugitiva que mal faz traço no céu.
Os que se vão, vão depressa.
Só no coração do poeta,
que é diferente dos outros corações,
Só no coração sempre ferido do poeta
é que não vão depressa os que se vão.
Ontem ainda sorrias e me escrevias
Para o meu email do trabalho
Para agradecer pelas minhas mensagens
para dizer que gostavas do que lhe dizia,
até que decidiste não mais
manteres contato comigo e
nem guardares lembranças minhas..
E que darias prioridade para
As suas coisas. Os que se vão vão depressa,
tão depressa os que se vão ..."
Minha amiga: não permita que sua dor,
seja ela causada pelo motivo que for,
a impeça de perceber
a beleza de cada momento.
Não deixe que suas lágrimas,
por mais sentidas e justas que sejam, turvem sua visão,
impossibilitando que
seus olhos vejam a vida
com clareza e serenidade.
Dedique aos amores que partiram
pensamentos otimistas e repletos
de confiança no reencontro futuro,
sem desespero nem revolta.
Se hoje, na sua rotina,
pareceu-lhe que ninguém notou a dor
que lhe invadia intensamente o peito,
como aconteceu comigo
até porque era o dia de folga
de quem se foi... saiba que nada,
nem mesmo nossas angústias,
passam despercebidas ao Pai.
Confie, persista e prossiga, sempre.
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7:43 PM by Cassiano Leonel Drum
Universotários da Uniban! Socuerro!
O "Fantástico" entrou em "Pânico'! E descobri a droga que o Zina usa: a camiseta do Timão
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! "Papai Noel preso com adolescentes no carro". E adivinha o nome da cidade? NEVES! Rarará!
E o vestuário feminino com que qualquer mulher sonha: um vestido tomara que caia, uma calcinha tomara que tirem e um sutiã tomara que sustente. Rarará.
E Finados é o Senado. A Turma do Já Morreu. O Sarney é um FINADO VIVO! Rarará. E a loira da microssaia?
Aquela menina apedrejada pelos UNIVERSOTÁRIOS da Uniban por estar vestindo uma microssaia! Socuerro! A Uniban virou TALEBAN! Rarará! Os universotários da Taleban! E eu vi a foto da menina: loira farmácia com micro roxa.
Gongada no "Esquadrão da Moda"! Rarará!
Finados é o "Fantástico"! Que tá morrendo. O site Eramos6 tem algumas sugestões pra aumentar a audiência do "Fantástico": ressuscitar o Cid Moreira, o Mr. M e a zebrinha! Rarará. Ou então bota a Patrícia Poeta pelada.
E contrata o Vesgo, o Ceará e a Sabrina Sato. O "Fantástico" entrou em "Pânico"! E descobriram a droga que o Zina usa: a camiseta do Corinthians. Rarará.
E o Rubinho, hein? Ganha pra não ganhar nada! Rarará! E essa deu na Folha de sábado: "Morcegos fazem sexo oral para prolongar a relação".
É o batboquete! Rarará! E um amigo meu que foi passar o feriadão na casa da sogra e disse que ela fez três tipos de comida: enlatada, congelada e queimada. Rarará!
É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas chacoalha pra ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês.
É que em Aveiro, Portugal, tem uma loja infantil chamada Brincando, Cresce.
Não resta a menor dúvida: Portugal é o berço do antitucanês. O Brasil apenas tropicalizou. Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante.
"Desmaiô": o companheiro Lula viu a dona Marisa de maiô e DESMAIÔ. Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis.
Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
simao@uol.com.br
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7:40 PM by Cassiano Leonel Drum
ÁCIO ARAUJO - CRÍTICO DA FOLHA
"De Repente..." é pesadelo psicológico desconcertante
Era terrível a dramaturgia de Tennessee Williams, supunha sempre um desnudamento terrível, o desenterrar de verdades que os personagens querem esconder com cuidado.
Ela é bela e terrível em "De Repente, no Último Verão" (TCM, 22h, 12 anos), de Joseph L. Mankiewicz, em que uma rica viúva (Katharine Hepburn) quer que um médico (Montgomery Clift) faça lobotomia em sua bela e perturbada sobrinha (Elizabeth Taylor), que responsabiliza pela morte de seu filho.
O médico reluta em realizar a operação e, nesse meio tempo, as relações que se tecem o levam a buscar os motivos por que a senhora está tão determinada a forçar tal operação.
É fantástico e desconcertante. Mas, para sair do clima de pesadelo psicológico, o canal propõe, a seguir, "Sansão e Dalila" (23h55, livre), de DeMille, e "O Diabo a Quatro" (2h10, livre), com os irmãos Marx.
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7:04 AM by Cassiano Leonel Drum
ELIANE CANTANHÊDE
Tão longe, tão perto
BRASÍLIA - Modestamente, na dimensão do Brasil em imbróglios internacionais, a questão do Oriente Médio vai desabar por aqui neste novembro. No dia 11, chega o presidente e ex-premiê de Israel, Shimon Peres. No dia 23, é a vez do presidente reeleito do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
Refletindo as paixões que judeus e árabes (apesar de o Irã ser persa) despertam mundo afora, aqui também já começa a guerra de torcidas, com vantagem, ao menos com base no que circula na internet, para os críticos da vinda de Ahmadinejad.
Razões não faltam para torcer a favor de um lado ou de outro e, principalmente, contra os dois. Aliás, o Irã é suspeito de construir a bomba; Israel já a tem.
Em foros internacionais, Ahmadinejad nega o Holocausto e chama Israel de "racista". Internamente, provocou uma onda de protestos e clamores de liberdade e de modernidade ao se reeleger presidente.
Mas Shimon Peres, que levou o Prêmio Nobel da Paz em 1994 por seu esforço de negociação entre judeus e árabes, representa um país jogado contra a parede pelo "relatório Goldstone", do Comitê de Direitos Humanos da ONU, por causa da invasão de Gaza na virada de 2008 para 2009. A maioria dos 1.400 mortos era civil, quase 200 deles menores de 15 anos.
E o Brasil no meio disso, se até a atual incursão de Hillary Clinton à região está sendo um fracasso, enquanto avançam as colônias israelenses na Cisjordânia?
Planalto e Itamaraty têm a política do não isolamento, seja de que país for, e se movem a partir de três interesses: as relações bilaterais, a inserção brasileira no mundo e -por mais que cheire a megalomania- ajudar nas negociações.
O que não dá é exigir que o Brasil recuse a vinda de Ahmadinejad e promova a aproximação com Israel, ou vice-versa: que promova a vinda de um e recuse a aproximação com o outro. Quanto mais equidistante, melhor para o Brasil.
elianec@uol.com.br
Well, ainda que com chuva que possamos ter uma ótima terça-feira. Para quem está de folga uma folga recompensadora
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7:01 AM by Cassiano Leonel Drum
FERNANDO DE BARROS E SILVA
A Marcha de Jesus e o Diabo
SÃO PAULO - Uma multidão acompanhou ontem em São Paulo a Marcha para Jesus, manifestação das igrejas neopentecostais que existe no país desde 1993. A PM falava à tarde em pelo menos 1 milhão de participantes; os organizadores esperavam 6 milhões até a noite.
Há muita imprecisão nessas estimativas, mas é fato que a marcha dos evangélicos -ao lado da Parada Gay, que mobiliza outras tribos e sentimentos- responde pela maior concentração popular da cidade, o que indica a força dessa nova fé.
São dezenas de igrejas reunidas, entre as quais a Universal do Reino de Deus, mas a coordenação é da Renascer em Cristo, do casal Estevam e Sônia Hernandes. O tema neste ano foi "marchando para derrubar gigantes" -e o maior deles, como dizia Estevam, "é o gigante da discriminação e do estereótipo".
O líder da Renascer usou o evento para fazer alusão ao episódio em que ele e sua mulher foram condenados e cumpriram pena nos EUA por contrabando de dinheiro. Para não deixar dúvidas, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), da Igreja Universal, dizia que a marcha era um "ato de revogação de todas as injúrias e difamações" contra o casal Hernandes. Aonde chegamos?
Há poucos dias, convidado a uma inauguração na Rede Record, o presidente da República disse que a emissora, como ele, era "vítima de preconceito". Lula, é claro, nada falou sobre o processo judicial em que Edir Macedo, dono da Record, e outros nove líderes da Igreja Universal são acusados de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
A fala do presidente sobre o "preconceito" que vitimaria a Record é muito parecida com o que diz o líder da Renascer a respeito da "discriminação". E o silêncio de Lula sobre as denúncias que atingem a cúpula da Universal e seus negócios equivale a um ato de revogação de qualquer suspeita sobre os amigos, como fez ontem o senador Crivella.
Há um ar de família entre a marcha dos evangélicos e a marcha da política. Diante da coalizão entre Jesus e Judas, querer legalidade hoje no país parece até coisa do Diabo.
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6:58 AM by Cassiano Leonel Drum
03 de novembro de 2009 | N° 16144
PAULO SANT’ANA
Os três fumantes
Estávamos os três, eu, o Guerrinha e o Moisés Mendes, no fumódromo aqui do prédio da RBS na Avenida Ipiranga.
A temperatura no fumódromo era de 60ºC, um calor que só pode suportar qualquer um de nós três, que fumamos três maços de cigarro por dia.
Só sendo muito viciado em tabaco para aguentar 60 graus de temperatura, não há ar-condicionado, não há exaustor, não tem nada no fumódromo, nem ventilador, só tem quatro poltronas surradas de tão velhas.
Evidentemente que a técnica usada pelo gerente a quem cabe administrar o fumódromo é tornar o ambiente tão inóspito, que isso possa nos fazer nunca mais voltar lá, o que acende a esperança de que deixemos de fumar.
O Guerrinha disse que aquilo não é fumódromo, é crematório.
Quero deixar bem claro que acredito que o cigarro mata, provoca muitas doenças graves e fatais, que fique claro que sou contra o cigarro, acho que não deveriam fabricá-lo, mas aí se correria o risco do tráfico de cigarro, como acontece com a maconha.
Sou contra o cigarro, anotem aí.
Mas o cigarro é muito caluniado pela medicina.
Vejam o caso meu, do Moisés Mendes e do Guerrinha. Fumamos três maços de cigarro por dia, ao todo nove, nós três.
O Moisés Mendes é asmático, as duas únicas coisas que ele aspira são a fumaça dos três maços de cigarro e a bombinha da asma, que ele aplica logo após cada cigarro.
Foi quando o Guerrinha perguntou a mim se eu já tinha tido infarto. Respondi que não.
Perguntou também ao Moisés se tinha já infartado. Respondeu o Moisés que não.
O próprio Guerrinha declarou que nunca tinha tido infarto.
Conclusão do Guerrinha: “Se nós, que fumamos 60 cigarros por dia, nunca tivemos infarto, como é que o Alexandre Bach, nosso colega, que caminha oito quilômetros por dia e pratica natação três vezes por semana, conseguiu ter um infarto há dois meses? Eu não entendo isso”.
Por isso é que digo que o cigarro é muito caluniado.
Não quero dizer que o cigarro tem propriedades medicinais favoráveis à saúde ou até mesmo que é anti-infarto.
Sei que o cigarro é danoso à saúde e muitas vezes mata.
Mas alguma coisa há, que pulmões de fumantes inveterados resistem milagrosamente à nicotina e ao alcatrão, que desferem nos brônquios e nos alvéolos ataques que a medicina classifica de medonhos e mortais.
Alguma coisa há.
E o mesmo acontece no meu bairro: o Bezerra tem os dentes perfeitos, nenhuma cárie e vive mastigando e chupando balas cheias de açúcar.
Já o Medeiros, outro vizinho meu, tem praticamente todos os dentes cariados, vive se queixando de dor de dente, mas nunca comeu qualquer doce ou chupou qualquer bala.
Que mistério é este?
Não fumem, pelo amor de Deus, não fumem, mas afirmo que o cigarro é muito caluniado pelas estatísticas da medicina.
E, quando estou terminando esta coluna, me dirijo imediatamente para o fumódromo de ZH, aliás, para o crematório.
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6:55 AM by Cassiano Leonel Drum
03 de novembro de 2009 | N° 16144
MOACYR SCLIAR
Vai para a Feira do Livro
Eu ia subindo a Protásio – um trajeto habitual em minhas caminhadas de fim de semana –, quando avistei um lotação Chácara das Pedras que vinha descendo a avenida. Trazia, no para-brisa, um pequeno cartaz que me chamou a atenção: “Vai para a Feira do Livro”. Era óbvia a razão da informação: certamente em muitas paradas pessoas haviam perguntado ao motorista: “Vai para a Feira do Livro?”. Uma indagação a que o cartaz respondia antecipadamente.
Este cartaz é, a propósito, motivo de orgulho para nós, porto-alegrenses e gaúchos. Mostra que, ano após ano, nossa Feira do Livro continua atraindo visitantes. Mas reparem no tom neutro da frase: “Vai para a Feira do Livro”, assim, sem nenhum sinal gráfico no final. Este sinal poderia ser, por exemplo, um ponto de exclamação: “Vai para a Feira do Livro!”, ou dois: “Vai para a Feira do Livro!!”, ou três: “Vai para a Feira do Livro!!!”.
Ficaria melhor?
Acho que não. O ponto de exclamação aí poderia ser um sinal de júbilo, de alegria – oba, estamos indo para a Feira do Livro, aquilo lá é festa –, mas poderia ser também interpretado como uma ordem: vai para a Feira do Livro, meu jovem, está na hora de começares a ler um pouco, onde é que se viu, sem leitura as pessoas não progridem.
Ora, o mundo do livro, o mundo do texto, não é um mundo no qual se deva entrar por obrigação. Este era um erro frequente no passado: nas escolas, os alunos eram obrigados a ler os clássicos, por exemplo.
Os clássicos são obras importantíssimas (pensem em Os Sertões), mas em sua maioria foram escritos no passado, numa linguagem que, para o jovem de hoje, é de leitura difícil. Portanto, ordenar autoritariamente a alguém que leia não é a melhor forma de introduzir esse alguém à leitura.
Quem sabe um ponto de interrogação? “Vai para a Feira do Livro?”. Bem, isto já é melhor, porque a pergunta supõe um diálogo. Ah, vais para a Feira do Livro, que interessante, podes embarcar. E o que pretendes fazer lá? Que livros te interessam? E assim por diante, uma sucessão de interrogações desencadeada por aquela do cartaz.
Mais uma possibilidade: reticências. “Vai para a Feira do Livro...” Aí o enfoque é outro. É o enfoque do mistério: a Feira do Livro... Muita coisa pode acontecer na Feira do Livro... A gente pode descobrir livros surpreendentes... A gente pode encontrar alguém que partilha de nossos interesses, de nossas curiosidades...
Boas possibilidades. Mas, ao fim e ao cabo, o melhor mesmo é escrever a frase como estava no cartaz do ônibus. O melhor é avisar que há Feira do Livro e que a gente pode chegar lá. O resto fica por conta da imaginação. Coisa que a literatura já descobriu há muito tempo.
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Segunda-feira, Novembro 02, 2009
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7:41 PM by Cassiano Leonel Drum
De você para você.
Deus não quer migalhas de você, um ser destruído e com a impressão de não ter tirado da vida as melhores coisas.
Deus quer você completa, pois é somente estando bem que poderá fazer o bem.
Eu disse e digo uma vez mais: ame-se!
Ame-se o bastante para pôr-se de pé, para erguer a cabeça, para não aceitar viver uma vida de resignação em função de pessoas que não dão o mínimo valor ao que você é, ao que você pode ser.
De lutar e nem buscar a sua felicidade com receio de fazer outras pessoas infelizes.
Ame-se ao ponto de poder olhar-se no espelho e ficar feliz com o que vê. Se isso ainda não acontece, vire a vida de cabeça pra baixo, cuide da sua saúde física, mental e espiritual, cuide da sua aparência... coloque um enorme sorriso no rosto!
Afaste-se do mal, das armadilhas onde você inevitavelmente poderá cair, dos perigos que poderão fazer com que se perca. As velhas mágoas matam muito mais a você do que a quem te magoou, porque é você quem as carrega; aprenda a passar por cima.
Você pode perder muitas coisas na vida, mas perderá tudo, se perder a sua auto-estima, seu amor-próprio. Se ficar indignada mas ainda assim manter esse orgulho e não retornar atrás
Nosso corpo é o templo do Espírito Santo de Deus. Que tipo de lar tem você para oferecer Àquele que te formou?
Viva de forma que aqueles que estejam perto de você respirem a paz, percebam a luz e desejem estar eternamente na sua presença. Deus também possui esse desejo...E lute enfim pela sua felicidade independentemente dos outros.
Um lindo finalzinho de segunda e uma ótima folga nesta terça-feira para vc.
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7:24 PM by Cassiano Leonel Drum
MOACYR SCLIAR
Os mortos e seus mistérios
Isso, ela sabe, a atormentará para sempre. Até que a morte a separe de sua dúvida e a leve à verdade
Cerca de 2 milhões de pessoas são esperadas hoje, no Dia de Finados, nos cemitérios de São Paulo.
Folha Online
REMIÃO era o que se costuma chamar de um lobo solitário. Um homem calado, arredio, hostil mesmo. Tinha emprego -era vigilante noturno de cemitério-, mas não tinha amigos nem parentes com os quais convivesse.
Mas Remião tinha esposa. Uma mulher chamada Margarida, que era exatamente o contrário dele: uma pessoa boa, alegre, afetiva, que vivia sempre rodeada de amigos e de parentes.
Aconteceu que, num Dia de Finados, Margarida foi ao cemitério, muito cedo, e encontrou Remião, que estava largando o serviço. Ele olhou-a e disse: "Gostei de você. Quer casar comigo?". "Quero", disse ela.
Os amigos e familiares ficaram consternados. Esse cara vai arruinar sua vida, diziam-lhe, ele é um bicho do mato, você nunca mais poderá conviver com ninguém, só com os mortos dos quais ele cuida.
Ela sabia que essas ponderações tinham fundamento; mas estava apaixonada -aquela coisa de amor à primeira vista- e resolveu arriscar.
Casaram e viveram juntos durante 25 anos. Como todos tinham previsto, foi uma existência solitária, desolada. Ela trabalhava de dia, ele de noite. Nos fins de semana e nas férias, ficavam em casa.
Ele tinha uma ocupação muito estranha: colecionava e estudava epitáfios. Tinha mais de 20 mil, de seu cemitério e de muitos outros. Ela lia, costurava, olhava um pouco de tevê. Não tiveram filhos. Não conviviam com outras pessoas; aliás, ele não falava nem sequer com os vizinhos.
Um dia, de manhã, Remião não voltou para casa. Telefonaram do cemitério: ele tinha sido encontrado caído sobre um túmulo, morto.
Ela chorou muito, mas todos os que a conheciam ficaram contentes. "Graças a Deus, a sorte livrou você daquele cara", diziam, "e agora você poderá recomeçar sua vida, não é tarde para isso". O fato, porém, é que Margarida não podia esquecer o falecido.
Continuou morando na mesma casa e todas as noites lia os epitáfios que Remião tinha colecionado: pensava até em fazer um livro com aquele material.
E, quando chegava o Dia de Finados, corria para o cemitério com um ramo de flores. Era a primeira a chegar e, obviamente, a única a visitar aquele túmulo. Ficava horas, ali, chorando baixinho. As pessoas até ficavam impressionadas.
No último Dia de Finados, algo surpreendente ocorreu. Quando Margarida chegou ao cemitério, já havia um ramo de flores, belas flores, sobre o túmulo de Remião. Quem as tinha colocado ali? Ela perguntou ao zelador, perguntou a outras pessoas. Ninguém sabia.
Essa será, daqui por diante, uma dúvida crucial para Margarida: quem pôs as flores sobre o túmulo de Remião? Claro, pode ter sido um engano, o resultado de alguma visita apressada.
Mas é outra coisa que Margarida imagina. Ela vê uma mulher, uma bela mulher, vestida de preto, chorando e colocando o buquê ali. Pergunta: quem é essa mulher? O que a ligava a Remião? Como identificá-la, entre os milhares, os milhões, que nos Finados vão ao cemitério?
Para essa indagação Margarida não tem resposta. E isso, ela sabe, a atormentará para sempre. Até que a morte a separe de sua dúvida e a leve à verdade. Os mortos sabem de coisas que os vivos desconhecem.
MOACYR SCLIAR escreve, às segundas-feiras, um texto de ficção baseado em notícias publicadas na Folha.
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7:21 PM by Cassiano Leonel Drum
O melhor caminho
MORREM NO Brasil cerca de 30 mil pessoas por ano em desastres automobilísticos. Grande parte das fatalidades se deve à imprudência dos motoristas, mas não se pode desconsiderar a contribuição das más condições das estradas para essa tragédia.
Pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes revela que 70% das rodovias estão em condições classificadas de "péssimas", "ruins" ou "regulares". O levantamento mostra que 46% das estradas não possuem acostamento; 51% têm traçado péssimo ou ruim; a sinalização é insuficiente em 24% da malha.
O mapa rodoviário expõe enormes discrepâncias regionais: entre as dez piores vias, cinco estão no norte do país -três passam pelo Pará. Por outro lado, as dez líderes do ranking situam-se no Estado de São Paulo.
O contraste entre a realidade paulista e a das demais unidades federativas fica patente pelo avanço de São Paulo na concessão de rodovias a empresas. A pesquisa evidencia como as estradas privatizadas deixam federais e as outras estaduais a comer poeira: as primeiras conquistam avaliação positiva em 76% dos casos, enquanto as demais estacionam na casa dos 30%.
Os recursos escassos que o governo destina aos transportes rodoviários precisariam se concentrar na expansão da malha. Vias já construídas cujo fluxo de veículos desperte interesse deveriam ser repassadas à iniciativa privada, a fim de livrar o erário do ônus de sua manutenção. Desde outubro de 2007, quando sete lotes de estradas federais foram concedidos, só houve leilão de um trecho, na Bahia.
Evidentemente não se desata esse nó como num passe de mágica. Os pedágios, por exemplo, se multiplicarão país afora. A experiência mostra, contudo, que a competição pode diminuir a tarifa para o usuário -e que um contrato de concessão bem elaborado e fiscalizado redunda em benefícios para os motoristas.
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7:18 PM by Cassiano Leonel Drum
02 de novembro de 2009
N° 16143 - KLEDIR RAMIL
Vegetariano radical
Em meu livro de estreia, Tipo Assim (RBS Publicações), eu cito uma frase de Hipócrates: “o homem é o que ele come”. A partir dessa afirmação, desenvolvo um raciocínio absolutamente distorcido, de que o homem vai ficando com a cara dos alimentos que consome. Ou seja, levei a coisa ao pé da letra.
E ilustrei o assunto, dizendo que os orientais são amarelos porque comem muito milho, os índios pele-vermelhas são assim por causa do tomate, os africanos são escuros por causa da feijoada, os europeus desbotaram de tanto comer arroz e os marcianos são verdes por culpa do brócolis.
Um jornalista, impressionado com a quantidade de vezes em que falo de abóboras no meu livro, me perguntou em entrevista: “Você tem cara de quê?”. Obviamente estava tentando desvendar o mistério da minha obsessão pela leguminosa e insinuando que minha leitura do pensamento do “pai da medicina” poderia estar incorreta.?
Apesar do meu perfil branquelo e longilíneo, mais próximo de um nabo, respondi que tenho cara de abóbora de pescoço. Foi uma tentativa desesperada de mostrar coerência e sustentar minha teoria furada.?
As palavras se prestam a estas distorções e, infelizmente, nem sempre ficam só no âmbito da brincadeira e do bom humor. Alguns políticos brasileiros adoram explicar certas malandragens citando frases famosas. Sempre através de um ponto de vista meio estrábico.
Voltando à culinária. Sou vegetariano há mais de 30 anos. Meus filhos nunca comeram carne e, seguindo meu raciocínio obtuso, deveriam estar com cara de abobrinhas. Coitados.? Alguns amigos acham que eu sou muito radical, mas não dá pra ser meio vegetariano. Ou você é ou não é. Assim como não é possível a uma moça estar meio grávida.
Tudo bem, concordo que algumas de minhas regras são bastante rígidas. Por exemplo, em minha casa não entra carne de jeito nenhum, o que já provocou histórias engraçadas.
Certa vez, numa emergência, uma vizinha pediu se poderia mandar uma panela de feijão para terminar de cozinhar, pois estava com um problema no fogão e um monte de visitas para almoçar. Minha mulher disse pra ela não se preocupar. Chamou nosso caseiro e mandou entregar na casa da vizinha nosso fogão de seis bocas e um bujão de gás.
Deu um certo trabalho, mas aquela panela com orelhas e focinho de porco não entrou lá em casa.
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7:15 PM by Cassiano Leonel Drum
02 de novembro de 2009
N° 16143 - PAULO SANT’ANA
Bem-vindo à Sul-Americana!
Excelente reportagem recém ontem iniciada, terminada hoje e amanhã, sobre o caos da segurança pública no México, de autoria do repórter Humberto Trezzi em ZH.
Li as quatro páginas, inteirinhas no domingo. Inteirinhas. E não sou dado a ler extensas reportagens.
Deu-me um frio na espinha perceber que o Brasil não está longe do caos mexicano em segurança pública.
Deus nos salve!
Estamos assistindo a um campeonato nacional emocionante e excepcional.
Excepcional porque esta fórmula de pontos corridos é antiemoção, dispara um líder e o campeonato acaba em meio, esvaziando os estádios.
Mas extraordinariamente este campeonato nacional está colocando a plateia brasileira em tensão e nervosismo, tais são os revezamentos havidos na ponta de cima, onde vários clubes travam a luta pelo título e o grande consolo do G4.
É definitivo que o campeonato mata-mata é sempre emocionante e o de pontos corridos pode, quem sabe, vir a ser emocionante, caso do atual campeonato.
Vejam o caso do Internacional. Pintou como candidato ao título, parecia que era certo que ia disputar o G-4 e, ontem, para surpresa de todos, despencou para a quinta posição, perdendo para um Botafogo que jogou com 10 homens o segundo tempo.
Este resultado de ontem no Beira-Rio foi água fria na fervura de um Internacional que foi elogiado por todos como tendo tido a sua melhor atuação no campeonato, apesar da derrota para o São Paulo, naquele penúltimo jogo do Morumbi.
Mário Sérgio estava virando Deus para a imprensa, as páginas se enchiam de fotos do novo treinador colorado – e não é que o homem perde para o Botafogo em pleno Beira-Rio!
Eu acho que o Inter vai virar tudo e no mínimo ainda entra no G-4. Mas, na hipótese do Internacional não vir a disputar a Libertadores do ano que vem, o Beira-Rio vai arder em chamas.
Gastar a fortuna que o Internacional gasta, perder as oportunidades que o Internacional perdeu de chegar ao título este ano, isto será motivo para um libelo tonitroante contra os dirigentes do clube, Píffero e Fernando Carvalho estarão em apuros para explicar à torcida e ao Conselho Deliberativo a infelicidade desta gestão.
Vai arder em chamas o Beira-Rio se o Inter não disputar a Libertadores.
Píffero e Carvalho passarão por maus lençóis.
Se quiserem saber a extensão do desastre no caso do Inter não terminar o campeonato no G-4, basta que se calcule o seguinte: se derem as camisetas do Grêmio para este elenco do Internacional, ele seria campeão fácil do Brasileirão.
Se com este time cheio de feridas do Grêmio, ele quase belisca o G-4, se tivesse os jogadores do Inter seria campeão.
Provo isso que estou dizendo: deem as vitórias que o Inter teve fora de casa para o Grêmio e só com elas, cinco triunfos, 15 pontos, o Grêmio seria campeão deste Brasileirão. Campeão fácil!!!
Viram? Eu sou terrível, eu mato a cobra e mostro o pau.
Outra atração deste Brasileirão: pode dar Gre-Nal na Sul-Americana no ano que vem. Credo!
Sugiro, falando sério, que o Grêmio mantenha para o ano que vem o treinador Paulo Autuori, mas só para os jogos do Olímpico. Para os jogos de fora, tem de contratar outro treinador. Seriam dois treinadores, não é uma excelente ideia?
Autuori já se revelou péssimo estratego para jogar fora do Olímpico.
Não repitam o erro!
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